A delegação do Instituto Camões na cidade de Praga regista um interesse cada vez maior. Tem neste momento 140 alunos com idades dos 17 aos 70 anos

Professores do Instituto Camões na República Checa

Escrito por Maria João Costa

As prateleiras da biblioteca da delegação do Instituto Camões na cidade de Praga têm livros de autores como José Saramago, Ruben A., José Luis Peixoto e Gonçalo M. Tavares mas também os brasileiros Jorge Amado ou Clarice Lispector. É aqui, entre os escritores, os melhores guardiões da língua de Camões, que é notado um cada vez maior interesse pela aprendizagem do português.

Quem nos recebe são cinco dos seis professores que aqui trabalham. Dois deles são portugueses, a Sofia Sousa e o Sérgio Oliveira, as outras três são checas que falam fluentemente português.

Stepanka Hulakova é uma dessas seis professoras, e explica-nos que a delegação do Instituto Camões funciona nas instalações da Faculdade de Letras de Praga e tem registado cada vez maior procura. Porquê? Stephanka apressa-se a responder: “Portugal está na moda. Notamos essa tendência, as pessoas viajam cada vez mais e tenho estudantes que já compraram ou vão comprar casa nos Açores ou no Algarve, e querem aprender a língua para viver em Portugal.”

Razões familiares também as há, mas isso Stepanka explicará mais à frente. Entretanto, diz-nos que têm um total de 140 alunos. Entre esses há também uma “minoria” que são portugueses que procuram o Camões em Praga para aprender a língua checa.

São sobretudo, “estudantes da licenciatura de medicina aqui em Praga”, refere esta professora, que explica que os cursos livres juntam alunos de idades muito diferentes. “A aluna mais nova tem 17 anos e a mais velha 70”, diz Stepanka Hulakova, que logo de seguida acrescenta que “a senhora mais velha tem uma filha casada com um português e quer falar com o genro”, por isso anda a aprender português. “Há motivações diversas”, admite com um sorriso esta checa que fala português sem enganos.

Tudo é incentivo a aprender a língua de Camões e na República Checa aprende-se português em várias atividades promovidas a cada semestre pelo Instituto Camões. Não é só nas aulas. Têm uma “escolinha” para os mais novos onde desenvolvem atividades como teatro, mas organizam também para os mais velhos torneiros de, imagine-se, “voleibol de praia”, sim, “praia” confirma Stepanka na cidade de Praga banhada pelo rio Moldava.

Renascença está em Praga a convite do Festival Terras Sem Sombra, que este ano tem como país convidado a República Checa e começa no próximo dia 18 de janeiro na Vidigueira.

[Foto da autora – fonte: rr.sapo.pt]