Escrito por Rafael Amaral

Fassbinder era ele próprio um marginal. Seu pai morreu quando ele era jovem, sua mãe usava o cinema como baby-sitter, ele foi gay quando isso não era aceitável, era baixo e pouco atraente. Não é necessário esforço para ver que O Medo Devora a Alma é a história de seu próprio caso de amor com o alto e bonito El Hedi ben Salem. E não é difícil ver a autocrítica na forma como Emmi [personagem de Brigitte Mira, companheira de Salem no filme] reflete inconscientemente os preconceitos de sua sociedade contra estrangeiros.

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Alguns meses após a morte de Fassbinder (em 1982, aos 37 anos, devido a drogas e álcool), eu estava no júri do Festival de Cinema de Montreal com Daniel Schmid, um diretor suíço-alemão que conhecia Fassbinder muito bem. Ele me contou o final da história de El Hedi ben Salem, que chegou à Alemanha vindo das montanhas do norte da África e mergulhou na órbita de Fassbinder.

“A Alemanha era um mundo estranho para ele”, disse-me Schmid. “Ele começou a beber, foi ficando tenso e então foi para um lugar em Berlim e esfaqueou três pessoas. Então, voltou para Rainer e disse: ‘Agora você não precisa mais ter medo de mim’. Ele se enforcou na cadeia”.

Roger Ebert, crítico de cinema (a crítica completa pode ser lida aqui, em inglês). Segundo o site IMDb, Fassbinder não foi informado do suicídio de Ben Salem, que só descobriu o caso no fim de sua vida. Acima, Ben Salem em O Medo Devora a Alma; abaixo, com Fassbinder nas filmagens de O Mercador das Quatro Estações, no qual faz apenas uma participação.

[Fonte: http://www.palavrasdecinema.com]