A câmara municipal do 17° bairro de Paris foi palco de um evento que celebrou a união entre lusofonia e francofonia. A “luso-francofonia” foi um termo repetido em palco, num encontro que juntou personalidades lusófonas e francófonas e que foi promovido pela Embaixada de Cabo Verde em França.

A cantora Mariana Ramos e o pianista Philippe Baden Powell. Câmara Municipal do bairro 17 em Paris, 20 de Fevereiro de 2020. RFI

Mariana Ramos foi uma das artistas lusófonas que subiu ao palco da câmara municipal do 17° bairro de Paris para representar a união entre lusofonia e francofonia. Esta quarta-feira à noite, a cantora de origem cabo-verdiana, radicada em França desde a infância, falou sobre o que é a dupla cultura. O evento foi promovido pela Embaixada de Cabo Verde para reforçar a presença lusófona num país onde vivem milhares de falantes de língua portuguesa, como explicou o embaixador cabo-verdiano em França, Hércules Cruz.

Há poucos lugares tão apropriados como a França para isso em razão da expressão significativa das comunidades dos países de língua portuguesa, muito particularmente de Portugal mas também do Brasil, de Cabo Verde e vai havendo cada vez mais angolanos, guineenses, moçambicanos e são-tomenses”, afirmou.

Muitos esquecem que a língua portuguesa é mais falada que o francês, lembrou o embaixador do Brasil em França, Luís Fernando Serra.

Eu acho que o mundo esquece que o português é mais falado do que o francês, do que o alemão e do que o italiano. É a terceira língua ocidental mais falada deste mundo e é a primeira no hemisfério sul. Tem que ter esse reconhecimento”, considerou.

Com tantos milhões a falar a língua portuguesa é preciso que esta seja oficializada ao nível das organizações internacionais, a começar pelas Nações Unidas, considera Maria de Assunção Aguiar, embaixadora de São Tomé e Príncipe na Bélgica.

Estarmos a juntar-nos e a fazer esta unidade vai ter a sua importância e um grande impacto também a nível de algumas organizações internacionais onde a língua portuguesa ainda não é falada quando nós sabemos que há muitos milhões que falam a língua portuguesa”, declarou, confirmando que a ONU é uma dessas organizações.

Apesar dos esforços, a lusofonia é um pouco esquecida em França e há guineenses que se identificam mais com a francofonia do que com a lusofonia, admite Filomena Mascarenhas Tipote, embaixadora da Guiné-Bissau em França.

Aqui em França, aquilo que é a lusofonia é um pouco esquecido. Mesmo quando se trata da comunidade guineense, nós temos guineenses que se identificam mais com a francofonia do que com a própria lusofonia. Quanto mais fazemos actividades deste género, mais estamos a reafirmar a nossa presença”, indicou.

Em julho de 2018, a França passou a ser um Estado observador associado da CPLP, o que mostra a importância que o país atribui à lusofonia, na opinião de Adelaide Cristóvão, coordenadora do Ensino Português em França.

A França é membro observador da CPLP, o que mostra a grande importância que a França atribui à lusofonia. Portugal está em diligências também para ser membro da francofonia. Isso mostra o interesse de cada uma das culturas que estão por detrás da língua francesa e das culturas que estão por detrás da língua portuguesa, a curiosidade e a importância que atribuem à outra língua e às outras culturas”, afirmou.

A arte foi a principal convidada numa noite que reuniu cerca de 200 personalidades. Alunos de português em Paris declamaram poemas de autores lusófonos e o pintor de origem cabo-verdiana Le H pintou ao vivo uma tela a representar a união entre lusofonia e francofonia e um neologismo foi alegremente repetido ao longo do serão: « luso-francofonia ».

O pianista franco-brasileiro Philippe Baden Powell também falou, em palco, sobre a “luso-francofonia”, lembrando que em criança brincava com o irmão a « dizer palavras portuguesas com pronúncia francesa », numa espécie de “linguagem codificada”, ao introduzir « um lusitanismo dentro do francês ou uma ‘francisation’ dentro do português ».

Este ano, a UNESCO, em Paris, vai voltar a celebrar a lusofonia, meses depois de ter ratificado o 5 de Maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa.

[Fonte: http://www.rfi.fr]