Localizada na região vinícola de Napa Valley, na Califórnia, a bodega da Opus One impressiona pela sua grandeza e arquitetura arrojada

fotos:Bodega Opus One/divulgação
Apesar de ostentar formas arrojadas, a Opus One também se inspira na arquitetura aristocrática francesa

Escrito por Fernando Roveri

O estado da Califórnia é conhecido por abrigar um dos berços do cinema ocidental, a famosa Hollywood e seus grandes estúdios, dentro da cosmopolita capital Los Angeles. Além disso, a Califórnia tem algumas das mais belas praias dos Estados Unidos e um clima quente que atrai turistas o ano todo.

Porém, nos últimos anos, a Califórnia tem-se diferenciado também por ser um dos grandes produtores de vinho da atualidade. Com o crescimento da procura pelos vinhos americanos, as vinícolas se modernizaram e tornaram-se grandiosas, como a Opus One Winery, localizada em Napa Valley, com uma belíssima construção em estilo cinematográfico.

fotos:Bodega Opus One/divulgação
O salão de amadurecimento, em formato circular, é o coração da bodega

A construção da bodega foi finalizada em 1991 e demorou aproximadamente sete anos para ficar pronta. Ao ser vista de longe, tem-se a impressão de que o prédio cresce através da terra e é parte do ambiente natural, devido a sua arquitetura arrojada. A ideia do arquiteto responsável pelo prédio, Scott Johnson, era criar uma construção que pudesse fazer parte da natureza do local e, segundo suas próprias palavras, « enterrar » a bodega bem no centro do terreno, envolto por um gramado e com os vinhedos ao redor.

A Opus One tem aproximadamente 80 mil metros quadrados e capacidade para produzir aproximadamente 300 mil garrafas de vinho por ano. É toda feita de pedra calcária de cor clara, conhecida como « Texas Cream », originária da região conhecida pela beleza dos cânions. Como está localizada no alto do terreno, acima dos vinhedos, tem-se a impressão de estar observando um grande palácio natural.

fotos:Bodega Opus One/divulgação
Salão interno: objetos idealizados por Phelippe Antonioz, prestigiado designer parisiense

As formas da bodega também remetem a construções clássicas, inspiradas nas construções coloniais francesas do século XVIII. No entanto, o design tem influências que remetem às construções modernas que tomaram conta da arquitetura americana, principalmente a partir da década de 30, quando houve um grande auge na economia das grandes cidades do país, como Nova York e Los Angeles, as duas maiores cidades dos Estados Unidos. Nesse período, edifícios grandiosos começaram a ser construídos, tanto para instalar grandes empresas como para abrigar o crescimento populacional. Dessa forma, a arquitetura americana passou por transformações radicais. Apesar das formas arrojadas, notadas, sobretudo, nas laterais da construção, a bodega não deixa de lado o requinte europeu, oriundo da aristocracia francesa.

A entrada é constituída por uma grande porta de madeira. Quando o visitante entra no edifício pela porta central, depara-se com um belo pátio de forma arredondada, extremamente agradável e reconfortante. Esse pátio é o « ponto de partida » da construção, pois, a partir daí, é possível visitar toda a bodega. Pelo corredor central, adentra-se a uma sala adornada por belos quadros e tapetes raros, além de objetos de decoração minuciosamente escolhidos. Além disso, os móveis e os moldes dos espelhos são adornados de bronze e foram especialmente confeccionados para a Opus One pelo designer parisiense Philippe Antonioz. O ambiente conta ainda com confortáveis sofás e uma lareira revestida de mármore para os dias mais frios.

fotos:Bodega Opus One/divulgação
Os lustres, nas laterais, perpassam o ambiente com uma luz suave

Ao sair do salão aristocrático, o visitante passa por um corredor interno com uma decoração típica de um grande château francês, com lustres nas laterais que perpassam o ambiente com uma luz suave. Ao final do corredor, chega-se ao salão de armazenamento, onde ficam as barricas de carvalho francês. O local é tomado por um delicioso e suave aroma de madeira. A temperatura fica em torno de 16 graus e as barricas são dispostas lado a lado para não prejudicar o processo de envelhecimento da bebida.

Este salão, em formato circular, está localizado no centro da bodega. O visitante pode observar os carvalhos através de uma grande vidraça que separa os barris de carvalho da sala de degustação, toda revestida de madeira de cor clara e mármore.

A visita a um dos ícones do vinho americano é uma experiência sensorial única, como assistir a um clássico de Hollywood com uma pitada de aristocracia francesa. A reflexão das formas é imediata. Apesar da modernidade da América, as raízes do vinho remontam as tradições europeias. E o produto final é a expressão de um Novo Mundo que se rende aos prazeres do Velho Mundo.

[Fonte: http://www.revistaadega.com.br]