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Escrito por jfsimas
Em uma  das raras entrevistas autorizadas e oficiais de Salazar, a António Ferro, numa obra de propaganda do regime, em que o entrevistado leu, releu, fez anotações, autorizou e fez prefácio. Várias vezes se refere a Mussolini. António Ferro usa um estilo laudatório e subserviente, embevecido com Salazar (que o utilizou tendo-o posto mais tarde na prateleiro, como a muitos). A edição é de 1933, ano fundamental para a implantação do regime:
« E o dr. Salazar, sem a mais leve hesitação, tomando, como sempre, o caminho mais curto e directo:
– A nossa Ditadura aproxima-se, evidentemente, da Ditadura fascista no reforço da autoridade, na guerra declarada a certos princípios da democracia, no seu caracter acentuadamente nacionalista, nas suas preocupações de ordem social.
[…] Sentimo-lo, constantemente, entre o escol que êle soube formar, que o serve com tanta inteligência, e a rua, a que é forçado a agradar, de quando em quando. […] O seu caso é, portanto, admirável, único, mas um caso nacional.
[…] Ponho uma objecção:
– Mas Benito Mussolini é, justamente, um dos ditadores mais severos, nessa ordem moral, que a História conhece. A sua legislação é rigorosa, implacavel, para todos os desvios: adultérios, maus costumes, corrupções …Roma, por exemplo, é hoje uma das cidades mais pacatas do Mundo …
E Salazar, completando o seu pensamento, aparando-o como se apara um lápis que já escrevia bem mas que se aguça ainda mais para escrever mais fino:
– Entendamo-nos. Não duvido da obra moralizadora de Mussolini. Digo que certas afirmações e atitudes na ordem moral são impostas por Mussolini ao fascismo, não são impostas pelo fascismo a Mussolini.
(pág. 74 e 75). »
Nota: em itálico as frases de Salazar

 

 

[Fonte: ruadealconxel.blogs.sapo.pt]