Escrito por António Neves

Fazer uma longa viagem de automóvel é uma grande oportunidade para passear pelas várias rádios locais do nosso país.  Muitas dessas rádios ainda têm programas onde se pode escolher uma música e fazer uma dedicatória. A Carlota pode assim dedicar à sua família, amigos, vizinhos e até ao seu padre, uma música da Ruth Marlene. Já o senhor Armando tinha uma longa lista preparada, tão longa que até foi apressado pelo locutor, para dedicar uma canção do João Claro. Nem a rádio tem tantos ouvintes, nem o João Claro tem tantos fãs.

O espaço de publicidade das rádios locais normalmente é utilizado para promover as pequenas e médias empresas da zona. Acho sempre muito esquisito quando dizem o número de telefone do estabelecimento em causa. Como se no meio da condução, ou até mesmo em casa, tivesse uma caneta a jeito para apontar o número de telefone da funerária Bom Descanso. Também me foi possível ouvir longos e fidedignos testemunhos de idosos reais sobre as maravilhas do Mangostão Plus. Pareceram ser tão reais que até me apeteceu ser velhinho só para poder sentir todo o poder do mangostão.

Pelo Minho consegui descobrir algumas rádios que passavam música folclórica portuguesa, mas não encontrei uma rádio exclusiva ao folclore. Se existem rádios apenas dedicadas a música de dança, a música alternativa, a fado e a “músicas” de pastores brasileiros, porque não 24 horas de ranchos e grupos folclóricos a tocarem os seus melhores viras com as vozes mais esganiçadas do país. Folclore FM tem tudo para ser um sucesso.

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[Fonte: waitaiumabeca.blogs.sapo.pt]