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Escrito por Maria Dulce Fernandes

Os perigos de ir às compras são ilimitados. Há mais de seis meses fui com o meu marido às compras a uma grande superfície comercial. Enquanto ele, com as lunetas empoleiradas na ponta do nariz, procurava o 560 nos códigos de barras dos produtos, eu ia seguindo calmamente a dissertar sobre as propriedades e benefícios das bagas goji. Depois de pesar duas beringelas, três courgettes e um pimento de cada cor e enquanto tagarelava alegremente, agarrei-o por um braço e impeli-o na direcção dos escaparates das frutas uns passos mais à frente. Realmente na altura surpreendeu-me bastante a sua relutância e forte resistência em me acompanhar…
Que raio é que o prendia à caixa dos tomates chucha? Já tínhamos concluído que não eram espanhóis e inclusive pensei que ele já andava com eles na mão, num saco em que os tinha ido pesar. Voltei-me para ele ao mesmo tempo que proferia pespineta: « Então?”… e foi quando dei de caras com um perfeito desconhecido, completamente atónito por estar a ser arrastado com alguma violência por uma maluca que falava sozinha e lhe perguntava se já tinha os tomates pesados. Alguns metros atrás, o meu marido tinha a cara mais vermelha do que os ditos chucha que trazia no saco, de tanto rir à custa da minha atrapalhação.
Está visto que daí para a frente, em todas as reuniões de família, “Aquilo dos Tomates” passou a ser contado e recontado até à exaustão.

Tudo bem, que rir é saudável e é bem feito, porque os devaneios dispersos das senhoras entradotas devem ter um preço, e como diz o ditado « à primeira, qualquer cai; à segunda, cai quem quer », por isso toda a atenção é fundamental se quero manter os meus padrões de pessoa pertinente.

Uns dias antes do meu aniversário, em agosto, no balcão de reclamações duma outra superfície comercial, confundi um rapazola com o meu genro, filei-o por um braço e disse-lhe « anda, filho. » Bem, nem queiram saber a cara que me fez! Um estranho esgar de onde quase se ouvia gritar “Olha olha a velha maluca a ver se me engata! Credo! Eu, uma cougar, quando o único cougar que conheço é (ou era) o Mellencamp.
Aceito sugestões que não passem pela que a minha neta propôs, um colete com o seguinte texto: « Se esta senhora o agarrar, fuja! »

 

[Fonte: delitodeopiniao.blogs.sapo.pt]

O interese pola lectura aumenta entre a xente nova. Esa é a percepción dos libreiros que, non obstante, ven o futuro con cautela por mor do desbocado incremento do prezo do papel.
O Día das Librarías busca asentarse no calendario cultural. (Foto: Arxina)

O Día das Librarías busca asentarse no calendario cultural.

Escrito por MANUEL XESTOSO

Esta sexta feira celébrase o Día das Librarías, unha data que se conmemora en todo o Estado desde 2011, cando se instaurou para tratar de enfrontar a caída das vendas tras a crise de 2008. Aquel obstáculo foi superándose, mais a data foi incorporando novos obxectivos como o de facer fronte á competencia das grandes plataformas dixitais.

En 2020, a chegada da pandemia e dos confinamentos provocou unha sorprendente revitalización da lectura e da compra de libros que supuxo un respiro na actividade das librarías, que contemplaron con optimismo un notábel incremento das vendas.

Mais a partir de novembro de 2021 o prezo do papel comezou a subir e a transformarse nunha ameaza para toda a industria do libro; en maio de 2022 os editores xa confesaban que os prezos estaban desbocados. Hoxe, o incremento é, dependendo do tipo do papel, de arredor do 30%. Tomáronse medidas que trataban de evitar o encarecemento dos libros -basicamente, reducindo as tiradas-, mais moitos ven inevitábel que ese aumento chegue.

« Este é un tema que xera moita preocupación », explica Ramón Domínguez, presidente da Federación de Librarías da Galiza. « Todo o que supoña unha suba de prezos sempre é un elemento que desafía todo o sistema. Mais, coa curva inflacionista tan potente que estamos vivindo, damos por segura unha suba de prezos que esperamos que sexa razoábel. É practicamente imposíbel que as editoriais sigan tirando da redución das marxes comerciais. Talvez iso teña como consecuencia unha redución das vendas, mais esperamos que se trate dunha cuestión conxuntural. Hai que esperar ».

Optimismo da estatística

O optimismo de Domínguez parece vir respaldado polas cifras: o último Informe sobre o libro e a lectura, de ámbito estatal, indica que a porcentaxe de persoas que len por ocio non deixou de medrar nos últimos anos, que acumula un incremento do 6,5% na última década e que o número de compradores de libros non de texto segue medrando.

« O que nós estamos notando é que existe un interese crecente da xente nova pola lectura, e iso é fundamental para poder avanzar. Unha cidadanía activa desde o punto de vista da lectura é unha cidadanía ben informada, con máis recursos para tomar as súas propias decisións e valorar mellor o contexto no que lles toca vivir.

Valor engadido

Domínguez esténdese no que considera o principal problema das pequenas librarías: o comercio electrónico. « Para poder competir coas grandes plataformas, as librarías temos que transformarnos en axentes culturais que, ademais de facer un traballo de prescritores co público, xeremos valor engadido á lectura e ao libro a través de actividades culturais que promovan a necesidade de achegarse á cultura escrita », declara.

E iso vale tamén para o propio Día das Librarías. « É unha data que aínda non está de todo tan asentada como poden estalo o Día do Libro ou o Día das Letras Galegas. Temos que ser quen de facer desta celebración un evento importante no calendario cultural e que sexa importante para a promoción e a divulgación da lectura. É necesario que pouco a pouco vaiamos acrecentando a súa importancia ».

A suba do prezo do papel: a tormenta perfecta

Paradoxalmente, foi a mesma pandemia que contribuíu a subir os índices de lectura e a que as vendas de libros alcanzasen cifras espectaculares a que propiciou un aumento do comercio electrónico que tivo como consecuencia que as fábricas de papel reforzasen a manufactura de embalaxes en detrimento do papel para a edición. Por se iso fose pouco, o colapso do comercio marítimo que seguiu ao confinamento atrasou todas as previsións feitas pola industria.

Por outra parte, as continuas subidas do prezo da enerxía encareceron o produto e a distribución. E, para rematar, as consecuencias da guerra de Ucraína sobre o comercio internacional acabaron de definir un golpe ao sector editorial cuxas consecuencias non están definidas de todo e que ameazan con deixalo nunha situación aínda máis precaria.

[Imaxe: Arxina – fonte: http://www.nosdiario.gal]

Jovens em protesto puseram cola na obra de arte ‘pop’ exposta na Galeria Nacional da Austrália, em Camberra, numa iniciativa assumida pelo movimento Stop Fossil Fuel Subsidies

Obra de Andy Warhol idêntica à que sofreu o ataque em Camberra. Esta está exposta em Londres.

Peças de arte moderna de Andy Wharol com as icónicas latas de sopa Campbell’s surgiram vandalizadas na Galeria Nacional de Austrália, em Camberra, numa ação que foi assumida pelo movimento de ativistas climáticos Stop Fossil Fuel Subsidies.

Os manifestantes do movimento em prol do clima colocaram cola e fizeram alguns rabiscos de cor azul nas premiadas obras de Wharol expostas na galeria australiana, alegando serem um símbolo do “consumismo enlouquecido”, mas que não ficaram danificadas por se encontrarem protegidas com vidro.

Os próprios ativistas divulgaram imagens desta ação nas redes sociais, mostrando que as obras não ficaram danificadas. Segundo a Polícia australiana, a cola utilizada nesta ação “não era muito boa”, e foi removida facilmente, tendo os jovens em protesto conseguido sair da galeria antes de serem presos.

 

O grupo Stop Fossil Fuel Subsidies, que assumiu esta iniciativa, emitiu esta quarta-feira um comunicado sustentando que o Governo australiano não deve apoiar mais indústrias de petróleo, gás e carvão.

“Temos agora o capitalismo enlouquecido. Enquanto famílias têm de escolher entre comprar remédios ou alimentos para os filhos, as empresas de combustíveis fósseis têm lucros recorde, e o nosso Governo ainda dá a esta indústria 22 mil dólares por minuto”, enfatizou Bonnie Cassen, uma das ativistas envolvidas no ataque à obra de Andy Wharol.

Protestos semelhantes de ativistas do clima envolvendo obras de arte têm ocorrido em várias cidades europeias, como lembra o “Guardian”, dando o exemplo de um grupo ambientalista alemão que atirou puré de batata sobre uma pintura de Claude Monet num museu em Potsdam (sul de Berlim) ou de ativistas da Just Stop Oil que atiraram sopa de tomate sobre um quadro com girassóis de Vincent Van Gogh.

 

[Foto: Luke Macgregor/Reuters – fonte: http://www.expresso.pt]

Un récent reportage diffusé sur M6, appuyant sans vergogne sur tous les préjugés, pose une fois de plus la question du traitement médiatique de cette communauté.

Violette, filmée par les caméras de «Capital» sur M6. | Capture d'écran

Violette, filmée par les caméras de «Capital» sur M6. | Capture d’écran

Écrit par Richard Monteil — édité par Sophie Gindensperger 

Dimanche 9 octobre, la chaîne M6 a diffusé un nouvel épisode de «Capital»: «Forains, gens du voyage: révélations sur une économie secrète». Le public fut au rendez-vous. Ce soir-là, le magazine au titre racoleur présenté par Julien Courbet s’est offert un record d’audience. Quelque 2,9 millions de téléspectateurs ont retrouvé tout ce à quoi la plupart des médias français les ont habitués au sujet des gens du voyage, c’est-à-dire une montagne de clichés.

«Je ne crains pas le pire. Je sais d’avance la catastrophe que ce brûlot raciste va produire», s’est étranglé William Acker, juriste issu d’une communauté de gens du voyage, dans une série de tweets à travers laquelle il pointe les amalgames et les stéréotypes les plus nauséabonds mobilisés pour promouvoir l’enquête du dimanche soir, compilés dans un communiqué de presse.

Pour en avoir le cœur net, il a regardé l’émission, récemment élue préférée des Français«Les profils sélectionnés sont caricaturaux et correspondent à la plupart des clichés qui collent à la peau des gens du voyage. On nous présente comme des voleurs. Des voleurs riches ou des voleurs pauvres, mais toujours des voleurs», soupire-t-il.

Capitaliser sur les clichés

Les caméras suivent par exemple Henock Cortes, rappeur et investisseur immobilier dans le Puy-de-Dôme. «Comment fait-il pour acheter des maisons sans argent?», s’interroge M6, laissant entendre au spectateur que forcément, là où il y a gitan, il y a embrouille. En réalité, ce père de famille pratique le crédit vendeur, une opération parfaitement légale, mais les journalistes laissent planer le doute.

À l’autre bout du spectre des clichés, on retrouve Violette. Elle est présentée par l’émission comme vivant sur un «parking sans aucune autorisation» dans la banlieue de Besançon avec ses dix enfants, des petits-enfants et son mari. En zoomant sur ses demandes d’allocations familiales, l’émission en conclut qu’elle fraude en se déclarant mère célibataire alors que son mari est présent. Une version mise à mal par la personne qui a mis le journaliste en relation avec elle, Rémy Vienot, président de l’association Espoir et fraternité tsigane de Franche-Comté, interrogé par le site Arrêt sur images. Et qui fait bondir William Acker.

«Violette est pauvre et élève seule ses dix enfants sur un parking sans eau ni électricité, où elle vit dans l’illégalité, faute d’avoir accès à une aire d’accueil. Les journalistes l’ont filmée en train d’expliquer qu’elle touche 800 euros d’aides de l’État chaque mois. Mais les équipes de M6 ne la croient pas et font leur propre calcul, sans connaître tous les détails de la situation de Violette pour ensuite l’accuser de frauder, assurant qu’elle touche probablement plus d’argent», s’insurge le juriste.

William Acker ne décolère pas: «Taper sur les pauvres à coup de suspicions, le procédé interroge. Violette a une vie difficile, c’est humainement dégueulasse de la traiter comme ça.»

Le sensationnalisme assumé de ce spectacle a été étrillé par Télérama. De son côté, Arrêt sur images raconte à quel point les personnes interrogées se sentent trahies et salies par les journalistes venus les rencontrer. Pire encore, certaines affirment avoir reçu des menaces après leur passage à l’écran, et se disent aujourd’hui harcelées.

Des audiences assurées

Les émissions de télévision sur les gens du voyage, notamment celles de M6 mais aussi celles de C8 sont «des piliers de l’anti-tsiganisme» en France, dénonce William Acker. «Leurs choix éditoriaux sont problématiques. Le plus souvent, elles sont à la recherche de faits délictuels. La question de l’argent de ces communautés, centrale dans l’anti-tsiganisme, revient fréquemment elle aussi. Tout cela fait appel à un imaginaire raciste du public, convaincu que les gens du voyage sont une mafia», expose le juriste.

L’anti-tsiganisme, la haine des Roms, la peur des gitans sont les formes de racisme les plus présentes et tolérées dans la société française, rappelle chaque année le rapport sur la lutte contre le racisme, l’antisémitisme et la xénophobie produit par la Commission nationale consultative des droits de l’homme (CNCDH). Sa dernière édition, publiée le 18 juillet 2022, montre que les tsiganes sont la minorité la moins tolérée en France, loin derrière les musulmans, les Maghrébins, les juifs et les Noirs. En d’autres termes, l’anti-tsiganisme est la forme de racisme la plus banale en France, et donc, la plus acceptée au sein de notre société.

M6 est une chaîne privée, propriété de RTL Group, filiale du géant des médias Bertelsmann, un groupe allemand d’envergure internationale. Elle aurait les moyens humains et financiers de combattre les idées reçues. Mais en tapant ainsi sur les gens du voyage, M6 ne prend pas trop de risques et s’assure de belles audiences, et donc, des revenus… aux dépens de la dignité humaine et des principes de déontologie journalistiques qui devraient s’imposer à l’ensemble de la profession. Contactée, M6 n’a pas répondu à nos sollicitations.

L’arbre qui cache la forêt

L’enquête de «Capital» a fait réagir les associations représentatives des voyageurs. Un communiqué publié le 13 octobre et signé par sept d’entre elles appelle à «un traitement journalistique qui tourne le dos au mépris et aux préjugés»«D’évidence, pour aucune autre composante de la population, de telles pratiques ne sauraient aujourd’hui être envisagées par des rédactions ni tolérées par l’opinion publique», assène le texte.

Si M6 et consorts ont fait du sensationnalisme une marque de fabrique déjà très critiquée, le traitement journalistique des gens du voyage n’en est pas moins désastreux à toutes les échelles, notamment dans la presse quotidienne régionale, à quelques exceptions près«La presse locale n’écrit sur les gens du voyage que quand ils sont en situation d’illégalité, déplore William Acker. On a une réelle distorsion entre la somme de la production médiatique et la réalité des voyageurs qui est tout autre.» Ce déséquilibre entretient une image négative.

De mauvaises obsessions

«Dans les trente derniers jours, la presse française a publié 237 articles sur les “gens du voyage”, dont 136 portaient sur des délits et des installations supposées illicites (56%), souvent sans rappeler l’immense défaillance des pouvoirs publics pour mettre en œuvre la loi qui organise l’accueil et l’habitat, 55 sur des refus de projets d’aire d’accueil, 16 annonçant le reportage de “Capital”, 30 sur le thème de l’accueil et 4 sur l’enjeu de l’accès aux droits», selon un recensement opéré par le collectif d’associations de voyageurs cité plus haut. En résumé, sur la période, 88% des articles mis en ligne par la presse véhiculent une image négative des voyageurs.

Trois clics suffisent pour le constater. Taper «gens du voyage» dans un moteur de recherche et arpenter l’onglet «actualités» amène à une litanie d’articles aux titres et illustrations similaires. Les photos ne montrent pas les familles, mais plutôt leurs caravanes, prises à bonne distance, souvent derrière des grilles, ce qui écarte la dimension humaine des sujets. Sur le plan sémantique, les titres tournent autour des champs lexicaux du fléau, de l’invasion, du conflit ou encore des nuisibles et reprennent généralement les discours hostiles des autorités ou de riverains mécontents.

Quelques exemples récents: dans Le Midi libre, une mairie «veut en finir avec les gens du voyage»; dans le département de la Manche, «La Foire de Lessay peut-elle continuer à accueillir autant de gens du voyage?» se demande France 3; dans le Calvados, le gérant d’un hippodrome s’inquiète de la possible installation d’un camp de gens du voyage près de son site: «Cela peut nous détruire!», titre Le Pays d’Auge. Contactés, les rédactions et auteurs de ces articles n’ont pas répondu à nos sollicitations.

Pas de réseau dans les caravanes

Marie-Pierre Duval est journaliste au quotidien L’Union depuis trente ans. À Laon, dans l’Aisne, elle couvre l’actualité locale et notamment les faits divers. Sensible à la question, elle se désole de ce phénomène: «On a toujours cette trouille d’aller voir les gens du voyage alors qu’ils ne nous ont pour la plupart jamais rien fait, et nos supérieurs ne nous poussent pas à y aller.»

«Le problème, c’est qu’on manque de contact dans ces milieux», avance la journaliste, habituée comme ses confrères à travailler dans l’urgence quotidienne grâce à un réseau de sources déjà établi: un réseau institutionnel composé de policiers, de gendarmes, d’élus et autres autorités locales faciles à contacter. Ainsi, la parole des gens du voyage reste inaudible dans cette presse pourtant dite «de proximité», celle qui n’a aucun mal à aller voir les habitants, sauf s’ils vivent dans des caravanes.

Ce traitement médiatique stigmatisant est l’une des conséquences d’un mal qui gangrène le corps journalistique: l’entre-soi. Partir en quête d’un journaliste issu d’une communauté de voyageurs revient à chercher une aiguille dans une botte de foin. «Je n’en ai jamais croisé», assure Marie-Pierre Duval. William Acker en connaît quelques-uns «qui ont des origines tsiganes», mais aucun ne s’en revendique. «Les journalistes gitans existent peut-être, mais ce qui est sûr, c’est qu’ils ne sont pas visibles», conclut le juriste.

Manque de diversité dans les médias

Dans son rapport, la CNCDH accuse le manque de diversité dans les médias, qui «favorise[nt] la méconnaissance et le traitement discriminatoire de certains sujets», et insiste sur la nécessité de former les journalistes pour gommer les aspects stigmatisant de leur discours. La commission souligne des efforts réalisés en ce sens, mais appelle à les amplifier.

«Ce sont des changements impératifs qui prennent hélas du temps», souligne Marie-Pierre Duval. Journalistes, gens du voyage: «Il faut qu’on se voie, qu’on se rencontre», insiste la localière. William Acker a amorcé la réflexion à ce sujet. En janvier 2023, il prendra la suite du délégué général de l’Association nationale des gens du voyage citoyens, et dans ce cadre, réfléchit à coconstruire des outils au service des rédactions. De tels dispositifs ont déjà vu le jour en matière d’écologie ou de lutte contre l’homophobie, par exemple.

«L’idée, c’est de faire en sorte que les journalistes de bonne volonté ne se retrouvent pas démunis et pris au piège de leur pratique traditionnelle», explique William Acker, avec l’espoir qu’un jour, les médias et le reste de la société considèrent les gens du voyage pour ce qu’ils sont. C’est-à-dire des gens, tout simplement.

[Source : http://www.slate.fr]

Le géant orange jette le vieux mâle blanc à la déchetterie woke. Ingrat et pas malin.

Migros

Écrit par  

À quoi joue Migros? À un jeu bête et dangereux. Ce sont nos confrères de Blick qui nous l’apprennent. Dans un spot publicitaire au format vidéo, le géant suisse de la distribution fait dire à une adolescente: «C’est sympa qu’il y ait aussi des jolies figurines féminines… pas seulement des vieux types blancs.» Il est ici question d’un jeu de simulation appelé Tipp-Kick-Mania, permettant de constituer sa propre équipe de football à partir d’un choix de figurines. Le clip faisant la promotion de ce jeu n’est plus en ligne, mais il a fait réagir.

Un client de Migros, âgé de 54 ans et dont on nous dit qu’il est blanc, a jugé malvenue cette publicité dénigrant les «vieux hommes blancs». Il a déposé une plainte auprès de la Commission suisse pour la loyauté, chargée d’apprécier les contenus publicitaires.

Le racisme au nom de l’inclusion

Ce client ne l’a pas fait, mais il aurait pu saisir la Commission fédérale contre le racisme (CFR). En effet, depuis quand s’interdit-on de promouvoir un produit au détriment d’un groupe caractérisé par son appartenance raciale réelle ou supposée? Depuis au moins la fin de la Seconde Guerre mondiale, pour les raisons que l’on sait. Et depuis qu’on ne dit plus, et c’est très bien ainsi, «tête de nègre», mais «tête au choco».

Le racisme au nom de l’inclusion. Vue sous une perspective universaliste, telle est la contradiction majeure du wokisme, cette idéologie qui entend faire table rase du passé au profit d’un être nouveau. Le wokisme ressemble en tout point à une révolution culturelle, avec ceci de particulier qu’il est soutenu par une partie significative de l’économie de marché, qui y trouve son intérêt – pour l’instant, les choses étant réversibles.

Le «vieil homme blanc», ce nouvel inutile

Comme toute révolution culturelle, le wokisme a besoin d’un bouc émissaire. Sous Mao, en Chine, c’étaient les intellectuels, les inutiles. Avec Migros, c’est donc, du moins dans la promotion de ce jeu (on apprend les nouvelles règles sociales en jouant), le «vieil homme blanc», une sorte d’inutile lui aussi.

Or, ce «vieil homme blanc» qui va faire ses courses à la Migros, c’est qui? C’est beaucoup moins une couleur de peau qu’une condition humaine. Ce «vieil homme blanc», c’est notre père ou notre grand-père. C’est cet homme, puisqu’il s’agit d’un homme, mais ce pourrait être une femme, qui a des souvenirs et même parfois un petit avenir encore. C’est cet homme qui remplit son charriot seul ou accompagné. C’est cet homme qui n’a pas toujours une retraite lui permettant de se fournir à Manor Food. C’est celui qu’on voit à la caisse payer avec des pièces de dix centimes sa brique de lait M-Budget de 2 litres, même que ça râle dans la file. C’est celui qui prend le pain le moins cher, avec la mie la moins bonne, et qui s’achète des cervelas pour souper.

C’est pour lui que la Migros a été fondée

C’est précisément pour cet homme, qui n’est blanc que par la volonté de publicitaires chevauchant une idéologie où la fin justifie les moyens, c’est précisément pour lui que la Migros a été fondée. Pas pour lui seulement, mais beaucoup pour lui.

Dans l’Arc jurassien, ce «vieil homme blanc», c’est, par exemple, l’ancien ouvrier d’usine. Alors oui, il est blanc. Il est né en Suisse, il est venu d’Italie, d’Espagne, du Portugal et d’ex-Yougoslavie. Mais cette couleur identique, formule hideuse, absurde, n’empêcha pas le racisme en son sein et ne fut pas l’argument central de la fraternité entre ces hommes.

Envoyer papy blanc à la déchetterie woke au nom de l’inclusion d’autres origines, c’est faire la campagne de l’UDC en vue des élections fédérales de l’an prochain. Pour peu que l’UDC mette du social dans son potage identitaire, ce pourrait être blanc. Ce consumérisme racialiste, façon «vieil homme blanc» périmé, a contribué à la victoire de Trump aux États-Unis en 2016. Notre système proportionnel nous prémunit en principe d’un Trump au pouvoir, mais pas du trumpisme. Raison de plus pour ne pas jouer à «jette ton vieux blanc». Le ressentiment se paie cher.

 

[Photo : CC BY 2.0 – source : http://www.leregardlibre.com]

Jouer au poète en présentant une bouteille ne fonctionne ni auprès de qui n’y connaît rien, ni auprès du spécialiste.

Pendant les foires aux vins, la tentation est grande d’employer des termes bien compliqués. Nicolas Tucat / AFP

Écrit par Matthieu Bach 

Professeur des Universités en linguistique allemande et appliquée, Université de Bourgogne – UBFC

et Laurent Gautier

Docteur en Études Germaniques, Université de Bourgogne – UBFC

À l’heure où s’achèvent les foires aux vins, marronnier annuel, il paraît pertinent de s’interroger non seulement sur le vin, mais aussi sur la manière dont on en parle. La communication des grandes enseignes participe en effet à ce sport automnal national reposant, à côté des visuels, sur du discours et donc sur des mots.

À l’instar de nombreux autres produits faisant appel aux sens, le vin semble jouir d’un statut particulier par rapport à d’autres produits alimentaires. Tout comme le chocolat, par exemple, il se donne à lire dans des présentations et descriptions qui n’ont rien à voir avec les efforts que l’on fournit pour des légumes ou de la viande. Le discours sur le vin aurait donc une part intrinsèque de poétique, voire d’ésotérique.

Il semble ainsi particulièrement intéressant d’observer, comme objet linguistique et discursif, les dépliants publicitaires de supermarchés présentant de longues descriptions sur des vins pourtant de grande production, et souvent ressenties par le client non expert comme très élaborées. Écouter quelques experts du domaine décrire, à la radio ou à la télévision, avec une certaine profusion de descripteurs prétendument originaux («vin de soif»«minéral»«féminin») les «meilleures» affaires du moment ne l’est pas moins.

Des descriptions qui plongent dans la confusion

Ces envolées linguistiques ne font que corroborer l’idée qu’il existe une langue du vin par essence technique, jargonnante et réservée à des initiés. On la retrouve aussi dans les livres semi-spécialisés et autres sites et applications promettant d’initier à la dégustation. Elles tendent à renforcer par ailleurs la nécessité de devoir se positionner comme expert en utilisant des mots d’experts. Lisez plutôt ce que l’on trouve sur le site d’un leader de la grande distribution:

«Ce vin reflète un travail qui privilégie la profondeur corsée des vins rouges par une vinification qui recherche de l’extraction et par des élevages flatteurs. Une robe rubis dense. Un nez élégant aux arômes de fruits noirs finement boisés. Attaque ample et charnue, bel équilibre où se mêlent finesse, complexité, richesse et onctuosité.»

Le consommateur, au lieu de trouver dans ces prises de parole une aide, risque plutôt de plonger dans une certaine confusion. Les plus perspicaces accrocheront, eux, sur la dimension marketing de textes conçus pour inciter à l’achat avec quelques mots soi-disant «porteurs», sortis du chapeau, témoins d’une communication peu informée. C’est donc l’ensemble du marché qui y est perdant. On en arrive ainsi à une question fondamentale, qui anime la recherche académique depuis les années 1970: et si, finalement, ces mots n’avaient que peu, voire pas du tout de sens?

Langue commune et invention marketing

L’hypothèse sous-jacente aux travaux menés par la linguiste américaine Adrienne Lehrer dans son article liminaire de 1975, «Talking about wine», est double. Une bonne part des termes que l’on utilise pour exprimer que l’on aime ou n’aime pas un vin relève de deux choses. Il y a, d’une part, des constructions que le consommateur finit par adopter, sur la base de son exposition à des notices de dégustation; d’autre part, des textes à visée marketing, enfilant comme des perles des termes dépourvus d’objectivité, hormis un petit groupe de termes concrets, comme les noms de cépage, par exemple.

Prenons un premier exemple, qui a donné lieu à une abondante littérature scientifique, à savoir le couple vin minéral-minéralité du vin. Le consommateur qui l’entend a, certes, dans ses représentations, les expressions «eau minérale» ou «sels minéraux». En sémantique, on appelle cela des «prototypes». Mais le vrai sens de ces mots, forgé par les experts, va s’estomper pour devenir une forme de jugement positif un peu vague. On retrouve d’ailleurs ces mêmes qualificatifs pour parler d’un aménagement intérieur ou d’un parfum. Dans le monde du vin, parler de «minéralité» semble même devenir un synonyme, avec une connotation plus moderne, du mot «terroir».

Un deuxième exemple permet d’approfondir cette même idée selon laquelle la langue du vin reste finalement largement une invention marketing et qu’il n’existe pas de termes propres à celle-ci: l’adjectif «fruité». Ce dernier relève de la langue commune et est utilisé dans de nombreuses situations. Mais dans le contexte d’une description du vin, il prend un sens particulier, car les professionnels experts en ont construit une autre définition.

Elle est à nouveau essentiellement liée à une composante hédonique, à un «j’aime/je n’aime pas», et à une composante expérientielle, un contexte temporel et géographique. C’est cet ensemble qui devient en fait le sens du mot. Deux individus se comprendront en utilisant «fruité», car ils auront eu des expériences relativement similaires et convoqueront donc des sens relativement similaires.

Pour une écriture plus authentique

On conviendra, certes, qu’une norme professionnelle existe à travers les roues des arômes, qui existent tant pour le vin que pour les cigares ou le comté par exemple. Celle-ci parait impérative pour éviter au maximum qu’un terme ne prenne des significations trop diverses. Elle classe les arômes en familles et sous-familles et est utilisée pour que sommeliers, cavistes, œnologues et vignerons se comprennent en utilisant les mêmes codes langagiers et en partageant des définitions communes.

La roue des arômes offre certains repères. publicdomainpictures.net

Ceci étant, boire du vin n’est pas qu’une pratique professionnelle réservée à des experts, mais bien davantage un geste du quotidien, ou presque, partie intégrante de la gastronomie occidentale et tout particulièrement française. Tout le monde peut communiquer sur le vin avec ses mots, dont le sens se négocie en interaction, dans la discussion, et bien loin de toutes ces définitions expertes.

Bien souvent, ce sens en usage est construit par rapport à des références exploitables, elles aussi partagées, en recourant à des comparaisons entre le vin dégusté et d’autres bus antérieurement («Ce vin est plus sucré que l’autre») ou à des références absolues («C’est comme un champagne» en parlant de crémant).

Parler du vin repose en fait sur une composante expérientielle majeure, sur ce que ressent l’individu au moment de la dégustation: où est-il, quel temps fait-il, avec qui est-il? Ce contexte et l’ensemble des émotions générées vont influencer sa perception et orienter, linguistiquement, les choix de mots.

C’est la raison pour laquelle on ne peut faire l’économie de partir de données authentiques, situées, souvent produites à l’oral et mobilisant des compétences disciplinaires. Ce sont là des sources de première main pour une écriture œnologique (le wine writing des Anglosaxons) plus authentique, empiriquement fondée et, sans doute aussi, plus parlante pour bien des consommateurs.

 

[Source : http://www.theconversation.com]

 

« Trato de que haya una reparación de la memoria colectiva y de no dejar mayor espacio a los olvidos programados », dice el escritor cubano, una de las voces más celebradas de la literatura en español, quien regresa con « Personas decentes », décima entrega de la exitosa saga del detective Mario Conde, inaugurada hace más de dos décadas.

Escrito por DOLORES PRUNEDA PAZ

« Trato de que haya una reparación de la memoria colectiva y de no dejar mayor espacio a los olvidos programados », dice el escritor cubano Leonardo Padura, una de las voces más celebradas de la literatura en español, quien vuelve al ruedo con la novela « Personas decentes », décima entrega de la exitosa saga del detective Mario Conde, inaugurada hace más de dos décadas y con ella, una panorámica que avanza sobre la Cuba contemporánea.

En « Personas decentes » hay más muertos y escenarios más perversos que en todas las entregas anteriores sobre Conde y eso que Padura, nacido en La Habana en 1955 y hace 67 años residente en el mismo barrio de Mantilla donde nació, hace más de dos décadas que viene generando situaciones criminales que confronten a su policía retirado con la actualidad cubana.

También hay una de las críticas más crudas a la Cuba de su generación, vinculada a la persecución a artistas que no respondieran a los cánones revolucionarios de pureza ideológica en los 70.

A los 67 aos Padura reflexiona acerca del que el define como el ltimo cuarto de vida Foto Florencia Downes

A los 67 años, Padura reflexiona acerca del que el define como « el último cuarto de vida ».

Fiel a su método, hay también una crónica sobre la realidad social en Cuba, en este caso, contada en dos tiempos: el del rey de los prostíbulos de principios de siglo XX en ese país, Alberto Yarini, y el de la Cuba de un siglo más tarde cuando muy brevemente florecieron las relaciones entre Cuba y Estados Unidos con la decisión del presidente Barak Obama de visitar la isla, la primera visita de los Rolling Stones y el primer desfile de Chanel.

Si una pregunta recorre la novela publicada por Tusquets es si peor la indiferencia, el borramiento silencioso, que la condena pública. El libro habla de una categoría de desaparecido que sigue surcando las calles, invisible e inaudible, dentro de su propia piel, anulando incluso en esa errancia física el reclamo de otros (cuerpos presenciales) sobre él. Y plantea trampa macabra en eso de que sus cuerpos persistan vacíos de metafísica luminosa y entonces este policial adquiere connotaciones del orden del género del horror.

« La novela trata de una realidad que ocurrió en Cuba en la que hubo muertos civiles, artistas de los que no se volvió a hablar, ni a representar ni a publicar por muchos años, algunos rehabilitados y otros muertos en el ostracismo, como José Lezama Lima o Virgilio Piñera, de los más grandes escritores cubanos del siglo XX », resume ante Télam Padura, dentro de la maratón de diálogos periodísticos que le significó esta gira por Latinoamérica. Y subraya: « Una situación muy dura para quienes la vivieron, sobre todo, porque no sabían si tenía fecha de vencimiento ».

« Trato de que haya una reparación de la memoria y de no dejar mayor espacio a los olvidos programados. Siempre digo que si en 2050 alguien lee los periódicos cubanos de la época junto a mis novelas va a pensar que se trata de dos países distintos: el país feliz del periodismo oficial cubano y el más dramático de mis novelas. Y te puedo garantizar que el mío se parece más a la realidad que el de los periódicos », dice el narrador, periodista y guionista ganador del Premio Princesa de Asturias a las Letras.

« Mis libros en Cuba circulan poco y nada. Hace 26 años Tusquets primero me publica en España, después en América Latina y le da los derechos a un sello cubano, porque en Cuba no se importan libros, además de que sería imposible venderlos a 25 euros porque eso es lo que gana un cubano en un mes. » Leonardo Padura

Padura es autor de una obra premiada y traducida a varias lenguas que llegó a las plataformas en formato TV con series como « Cuatro estaciones La Habana », una adaptación de las novelas « Adiós, Hemingway », « La neblina del ayer », « La cola de la serpiente » y « La transparencia del tiempo ». Todas protagonizadas por Mario Conde. Y es autor de libros celebrados como « El hombre que amaba a los perros », donde reconstruye la vida de Ramón Mercader, el asesino de Trotsky, al tiempo que la vida en la Cuba Contemporánea.

Télam: En « Personas decentes » persiste una voluntad de historiador, de recuperar una Historia que no es la oficial.
Leonardo Padura: Me di cuenta desde el principio, mientras avanzaba con las novelas, de que podía ser una crónica de la vida cubana contemporánea, una manera de escribir una historia de la sociedad cubana, y Conde es un memorioso, un cabrón recordador que emprende una lucha un poco quijotesca contra el olvido eficiente, necesaria, al menos para mí, al evitar borrar un pasado no tan lejano.

-¿Se leen estos libros en Cuba?
-Mis libros en Cuba circulan poco y nada. Hace 26 años Tusquets primero me publica en España, después en América Latina y le da los derechos a un sello cubano, porque en Cuba no se importan libros, además de que sería imposible venderlos a 25 euros porque eso es lo que gana un cubano en un mes. Hacen ediciones pequeñas y hasta ahora publicaron prácticamente todas mis novelas, aunque “La transparencia del tiempo” aún no ha podido salir por falta de papel. Pasa algo muy curioso, una especie de solución no del todo satisfactoria que a mí no me molesta, « Personas decentes » salió el 31 de agosto en España, y el 1 de septiembre ya había una copia pirata circulando en sitios cubanos y mucha gente la lee.

-Vos no sos un muerto civil en la isla.
-No precisamente. Sigo escribiendo, que es lo más importante. Yo entro y salgo, aunque soy bastante invisible aquí, mis libros se publican pero no se promueven. Me entrevistan muy esporádicamente en la TV y los periódicos cubanos casi no hablan de mí.

-« Personas decentes » habla todo el tiempo de la falta, del abismo entre las posibilidades materiales de unos y otros: de “una Cuba siempre más pobre que afortunada”.
-Pasa que hasta los 80 hubo un tejido social muy compacto, casi todos éramos muy iguales, aunque unos menos iguales que otros. En los 90 nos empobrecimos todos y empezaron a aparecer bolsones de miseria y destellos de riqueza, todo ese mundo que se mueve alrededor de los sitios de moda en Cuba.

Foto Florencia Downes

-En el relato de principios de siglo XX que desarrolla la novela deja claro que lo que tampoco había en ese momento era un tejido social compacto.
-Era lo lógico en un país destruido por la guerra de independencia con dos intervenciones norteamericanas que, por un lado, humillaban el sentido nacional, pero por el otro implicaban mejoras. Esos interventores trataron de tener una infraestructura en su protectorado. De esa época son el Malecón, el Palacio Presidencial, la Estación Central y el crecimiento del barrio de alta burguesía que la novela recorre hasta llegar a los barrios más empobrecidos, incluido el de la prostitución.

-El acercamiento con Estados Unidos quedó rápidamente trunco con el gobierno de Trump. Ahora que Biden gobierna Estados Unidos, ¿qué expectativas tiene?
-La época de Obama fue muy peculiar dentro de las relaciones entre Cuba y Estados Unidos de los últimos 60 años. Fue un momento de muchos encuentros: culturales, académicos, deportivos, religiosos. La gente iba y venía, los cubanos iban a pasar el fin de semana a Miami, los cubanos de Miami venían a pasar el fin de semana a Cuba, y todo eso desapareció con Trump, que potenció el bloqueo, y se extendió con la pandemia y el cierre del turismo, sumado a la ineficiencia económica del sistema cubano, creando la crisis que se está viviendo ahora, con grandes carencias de prácticamente todo y con una manifestación muy compleja que es el exilio. Se está yendo muchísima gente de Cuba.

-Esa cuestión migratoria es un debate muy presente al interior de las amistades de Conde. “Los cubanos se secan por agotamiento o por exposición a la nostalgia y la ajenitud”, dice cuando el Conejo debe decidir si volver a la isla porque caduca la visa o si permanece con su hija y nieta en Miami, donde como jardinero cobra más que la jubilación de historiador en su país.
-Yo vivo aquí, escribo ahí, esa realidad es mi alimento artístico, siento que tengo una responsabilidad civil, ni política ni social, de expresar determinadas ideas y la posibilidad de hacerlo a través de mis libros. Lo raro es que un cubano se vaya de Cuba. Irse de Cuba hasta ahora no ha sido una opción.

-Pero vos la pasás mejor que otros cubanos.
-Soy una persona muy privilegiada en todos los sentidos. Soy un escritor que puede vivir de sus derechos y eso es un privilegio universal, que me permite trabajar sin preocuparme por encontrar el dinero para seguir viviendo. Y como mis derechos fundamentales son fuera de Cuba, es una situación económica diferente a la de la mayoría de los cubanos, que ganan en pesos cubanos, una moneda absolutamente devaluada en un país donde no se sabe lo que vale nada. En ese sentido ocurre algo muy parecido a la situación argentina, pero mucho más grave, porque aquí tú no tienes demasiado dinero pero puedes ir al mercado e intentar comprar las cosas. En Cuba, incluso a veces tienes mucho dinero y en el mercado no hay nada que comprar.

-“Personas decentes” es un título de gran carga moral.
-La decencia es una actitud ética, de comportamiento y de relación con las demás personas, y aquí hay un personaje que es Mario Conde, blindado desde el principio con una decencia que le permitió siempre juzgar a los indecentes.

-Son más de 20 años con Conde. ¿Puede ser que se haya vuelto un poco verde? Habla de “la grupa” de Anita Ekberg, se detiene en el escote de la hija del represor, en el de la hija del artista censurado, en el del torso descuartizado. Se lee: “Dijo Conde, nadando contra la corriente que lo arrastraba hacia la contemplación siempre satisfactoria de un buen par de tetas”.
-Conde y su creador son dos admiradores absolutos y rendidos de la belleza femenina, yo no puedo evitar cuando estoy en un lugar y hay una mujer bella mirarla, es un placer estético. Uno de los grandes milagros de la creación es la belleza femenina.

-Hace algunas entregas que Conde expresa su temor ante la posible indignidad de la vejez.
-En Cuba el promedio es de 80 años, y como persona que va viviendo el último cuarto de vida para mí es inevitable que Conde hable sobre el paso del tiempo. De alguna manera lo uso para autoanalizarme, y estoy en el final de la vida promedio de un cubano promedio.

-Pero vos no sos promedio.
-No lo sé, no lo sé.

 

[Fotos: Florencia Downes – fuente: http://www.telam.com.ar]

Escrito por Eduardo Roland

Entre la treintena de ferias mayores que funcionan bajo la égida de la Intendencia de Montevideo, la que se ubica por Tristán Narvaja desde la avenida 18 de Julio hasta la calle La Paz es indudablemente la más emblemática y conocida, aunque seguida de cerca por la de Villa Biarritz, la del Parque Rodó y la de Piedras Blancas.

El domingo 3 de octubre de 1909 marca la fecha exacta en que la feria se instauró en el barrio Cordón, cuando la calle Tristán Narvaja aún se llamaba Yaro: por entonces los abogados no habían suplantado a las tribus indígenas autóctonas en el nomenclátor de los alrededores de la Facultad de Derecho. La decisión de llevar la actividad ferial al Cordón se debió a que el crecimiento de la ciudad hizo necesario alejar del Centro la feria que se desarrollaba en las inmediaciones de la Plaza Cagancha.

Aunque se puede acceder por cualquier calle lateral, hay una natural puerta de entrada a la feria, que a su vez es el punto geográfico más alto de las siete cuadras por las que se extiende la calle Tristán Narvaja: hablamos de 18 de Julio, como se sabe, el viejo Camino Real a Maldonado trazado sobre el lomo de la Cuchilla Grande. Claro que desde hace mucho tiempo esas siete cuadras (en bajada hasta Galicia y con una leve pendiente entre esta y La Paz), son algo así como la columna vertebral de un enorme organismo de puestos callejeros que se extiende por calles paralelas y transversales, puestos cuya apariencia es tan heterogéneo como la mercadería que ofrecen a la venta. Eso sí, cuanto más en la periferia están ubicados, más precarios e improvisados. Si en el trazado céntrico los puestos tienen mayoritariamente sus respectivos toldos y mesas para exhibir de manera prolija la mercadería, en la zona periférica por lo general los puestos se reducen a algunos cachivaches esparcidos sobre el pavimento o la vereda, sin la menor pretensión estética.

Iniciando el descenso

Más allá de que el camino en bajada para internarse en el recinto ferial se inicia bajo la seria y filosófica mirada de Dante Alighieri (cuyo monumento se ubica equidistante entre la Biblioteca Nacional y la Universidad), el visitante debe tener claro que no ingresará en infierno alguno, sino más bien en un relativo paraíso de sonidos, olores y ofertas variopintas que pueden ir desde una lechuga fresca a un piano de cola de la época de Chopin.

Los primeros pasos los dará el visitante entre peceras repletas de peces de colores y plantas acuáticas, decenas de jaulas con pájaros cautivos, cachorros de perros, conejos y ramos de flores, en medio de los cuales uno puede comprar los diarios dominicales y algún par de lentes ‘truchos’. Enseguida, si se encamina por el sendero del medio de la calle, pasará por un largo puesto de frutas y verduras que da su espalda hacia el Sportman, un bar de larga tradición, en cuyas mesas tomaron café varias generaciones de abogados y políticos. Cuando se le pregunta al responsable de la verdulería y frutería si el negocio marcha bien, confiesa que no deja Tristán Narvaja por el cariño que le tiene (un acto sentimental, al fin de cuentas), y porque hace tres décadas que está usufructuando ese lugar privilegiado: en realidad no necesita ese ingreso para vivir en tanto su campo de acción está en el barrio Malvín, donde no hay feria en la que no trabaje desde temprano en la mañana.

Mientras tanto, en los dos corredores laterales –las veredas– comienza a percibirse la presencia de un rubro tradicional de la feria: los libros –nuevos y usados–, que los propietarios de las librerías instaladas en Tristán Narvaja exhiben en mesas que sacan a la acera y/o a la calle. Las primeras que uno encontrará, bajando hacia la calle Colonia, y a metros de 18 de Julio, son Neruda Libros (pegada al Sportman) y El Inmortal en la vereda de enfrente: un largo y angosto local pegado a Rayuela, librería fundada por Walter Comas y que hoy maneja Roberto Gomensoro, un joven librero –también propietario de El Inmortal– que suele reírse de aquellos que desde hace años pronostican, con aire apocalíptico, la desaparición del libro y la decadencia irreversible de la feria.

Por supuesto que resulta tarea imposible describir metro a metro el panorama de los puestos y comercios que dan vida a la columna vertebral de la feria. Pero en el comienzo había que hacerlo. Ya al llegar a la esquina de Colonia, uno ha pasado por puestos de artesanos, vendedores de ropa, expendios de copias de películas y videojuegos realizadas ilegalmente, juguetes baratos, e incluso algún local de comida china.

Cruzando la calle Colonia –continuando el descenso– las frutas y verduras van dejando lugar a las artesanías, a la ropa nueva de oportunidad y a otros rubros de menor presencia. Esa cuadra se inicia en la esquina que domina el bar El Arrabal (adonde se reúne la tertulia de Boris Puga, el máximo coleccionista de materiales de tango de Uruguay) y está cercada de librerías, alguna de ellas, como Babilonia, se destaca por su hermoso local y lo acogedor de su interior. Al llegar a la esquina de Mercedes, el caminante verá a su derecha el edificio más importante de todo el trayecto ferial: el viejo teatro Stella d’Italia, inaugurado en 1895 y construido por el ingeniero Luigi Andreoni, responsable también de la Estación Central de ferrocarriles y del Hospital Italiano. Luego de más de un siglo de una agitada vida, y gracias a las gestiones de la doctora Adela Reta como ministra de Cultura (1985- 1989) el edificio fue declarado Monumento Histórico Nacional para evitar una virtual demolición. Fue así que el grupo teatral La Gaviota encabezado por Júver Salcedo se hizo cargo de la sala, y desde entonces el histórico Stella es la sala en funciones más antigua de Montevideo, luego del Teatro Solís.

Volviendo al bullicio dominical de la calle, los transeúntes que pasan a metros del oculto y silencioso escenario en el que alguna vez cantó Carlos Gardel, van seguramente ajenos a la rememoración histórica, enfocados más bien en avanzar entre la muchedumbre, dejando paso a una improvisada cuerda de tambores o esquivando las jaulas que encierran diversas aves de corral, que de repente cacarean en contrapunto con el sonido marchoso del candombe. Y podría suceder, incluso, que el transeúnte escuchara unos pasos más adelante la aterciopelada voz de El Mago saliendo del pabellón de alguna infaltable victrola, que se vende a un precio considerable.

Cruzando la mitad de camino

Mientras la venta de libros, folletos, revistas, pósters y discos de vinilo continúa marcando una buena presencia en los corredores laterales, y las verduras salpican la feria a razón de un puesto pequeño por cuadra, cada vez más el amante de las antigüedades se sentirá en su salsa, no solo por los puestos callejeros sino por los varios anticuarios establecidos en las dos cuadras que van desde Uruguay –última calle por la que circulan vehículos– hasta Cerro Largo, quedando entre medio Paysandú, la primera en cuya ancha extensión se ramifica la feria: hacia el Este hasta Fernández Crespo y hacia el Oeste hasta Magallanes.

Entre los anticuarios hay cabales conocedores del metier, que tienen en sus locales una inversión muy importante en mercadería, artículos que van desde porcelana Bavaria, Limoges y Rosenthal hasta muebles franceses del siglo dieciocho, pasando por gobelinos, óleos, relojes, joyas, alfombras persas, juguetes de metal, etcétera. Según consigna Alfredo Vivalda en su libro La feria de Tristán Narvaja (Montevideo: Arca, 1996), el primer anticuario que se estableció en una de las viejas casonas cuyo frente da a Tristán Narvaja fue Zira Guichón, “muchacha de clase media con estudios universitarios y educada en los refinamientos plásticos por el buen gusto de su padre, mucho antes de haberse instalado con local fijo lo había hecho a la sombra de los plátanos de la puerta de su casa, alentada por el apoyo financiero del turismo cosmopolita”.

Pero seguramente la casa de antigüedades más conocida del lugar haya sido la de Straumann, ubicada en el número de puerta 1729, sobre todo por los remates internacionales que dos veces por año realizaba, con gran destaque en el rubro juguetes. Actualmente los famosos remates son historia, desde el momento en que Straumann –alma máter del negocio– falleciera. A pocos metros de este local, en el número 1735, se halla la Galería del Fortín, propiedad de Fernando Zubía, un espacio arquitectónico casi idéntico al que fuera de Straumann, al que el visitante accede por una escalera que desciende a un subsuelo cuya extensión puede divisarse por la mitad desde la puerta de entrada. La variedad de artículos de esta casa es impresionante, y no es casual que allí se provean de objetos (en este caso alquilándolos) muchas producciones cinematográficas y audiovisuales de carácter comercial, la mayoría de ellas realizadas para el exterior.

Pero en esa misma cuadra en la que se sitúan los anticuarios más tradicionales también encontraremos un local de carácter histórico en el rubro libros que, como el lector habrá notado, es junto con el de las antigüedades el que ha generado locales fijos que tuvieron su origen en puestos móviles. Porque la verdad es que cuando uno se refiere a la feria incluye en su imaginario también los locales establecidos en la calle Tristán Narvaja, muchos de los cuales sacan sus mesas afuera los domingos. Ese local histórico al cual nos referimos se llama Ruben, y si bien ya no es tan notorio como supo serlo, generaciones enteras se nutrieron de libros, textos de estudio y revistas a bajo costo en sus instalaciones, siempre humildes si las comparamos con otras librerías con frente a la feria. Según cuenta Vivalda en el libro citado, el origen de esta legendaria librería fue cuando a fines de los años cuarenta el niño Ruben Buzzetti se instaló en la calle –a metros de la actual librería– con once revistas para canjear, que colocó sobre un cajón.

Tramo final: donde se profundiza el cambalache

La visión que quien escribe tuvo de la esquina que forman Tristán Narvaja y Paysandú el último domingo del mes de enero puede servir como una postal de la conjunción de lo insólito: sentados entre los cajones de la frutería de la ochava Noreste, un guitarrista rubio, de ojos celestes, tocaba fluidamente una bossa nova, acompañado por un percusionista negro que manejaba con destreza un ‘pandeiro’, mientras eran escuchados, filmados y fotografiados por algunos turistas. Pegado al último cajón con duraznos se iniciaba, hacia la calle Fernández Crespo, la seguidilla de puestos con libros usados, recorridos por curiosos, lectores y, quizás, por algún bibliófilo en busca de un posible hallazgo.

Al finalizar el tramo de Tristán que va desde Paysandú hasta Cerro Largo (por estas calles la feria se amplía varias cuadras hasta Minas) tenemos un puesto grande que nos anticipa el rubro predominante de la zona: las herramientas o “fierros” como le llaman los feriantes, cuyo territorio se extiende de forma generosa por los alrededores de las calles vecinas. De allí hasta el final, todo se vuelve más pobre e improvisado, y se acentúa la impronta de feria de ‘subsistencias’, nombre que se daba a las ventas municipales de productos de almacén a bajo precio. Con el telón de fondo de las herramientas –nuevas y usadas– la calle se ve salpicada por puestos que ofrecen cualquier cosa, incluida alguna actividad ilegal, como el juego de la mosqueta. Desde el punto de vista urbanístico, el detalle más interesante es el puente sobre la calle Galicia, que pasa varios metros debajo de Tristán Narvaja por el túnel descubierto donde desde 1869 corría el ferrocarril que unía la estación Yatay con Pando, y que luego los ingleses hicieran correr hasta Minas, Maldonado e incluso hasta Rocha. El último tren que pasó por debajo de Tristán Narvaja lo hizo en marzo de 1938.

A manera de una larga cola lateral, la feria va agonizando por la calle La Paz, en donde ciertos domingos puede llegar hasta Ejido; es decir, al inicio del Centro. El visitante que disponga de tiempo, y no tema ser asaltado por algún personaje marginal, contemplará a ritmo lento una serie de puestos absolutamente heterogéneos: desde quien vende lámparas de pie de cierto valor hasta el espacio de alguien que colocó en el asfalto un par de turboventiladores de los años setenta, con un cartel manuscrito que dice “Se prueva”.

Personajes, leyendas y esperpentos

Para ilustrar al lector sobre los personajes populares más notorios que supieron darle colorido a la feria, debemos comenzar por una mujer y remontarnos a los años veinte. Se trata de Alcira Velazco, a quien todos llamaban “La cotorrita del Cordón” por vestirse totalmente de verde, incluyendo el sombrero y la sombrilla que en ocasiones portaba. Hija de un juez penal, detrás de su excentricismo se ocultaba una tragedia sentimental, tan profunda que la había hecho extraviarse de lo que llamamos normalidad. Se cuenta que era inmune a las burlas que los feriantes le gastaban por su ridícula indumentaria, y que casi siempre les respondía con una amable sonrisa. El otro personaje insoslayable que animó la feria con su presencia chaplinesca fue Fosforito, aquel hombre-sándwich que hasta principios de los años noventa formó parte del paisaje urbano de Montevideo. Su nombre era Juan Antonio Rezzano y había iniciado muy joven su profesión de publicista ambulante; más precisamente durante el Mundial de Fútbol de 1930 que se realizó en Montevideo.

Ahora bien, si los personajes a evocar son del ámbito de la cultura y las artes, estamos obligados a repasar un puñado de nombres a manera de muestra. Por ejemplo, la presencia durante un buen tiempo del brillante actor y director teatral Antonio Taco Larreta, quien estuvo al frente de un local de antigüedades emplazado en uno de esos sótanos descritos. En él, Taco dio rienda suelta a una de sus vocaciones: marchand de arte y anticuario. Quienes visitaron su local recuerdan el perfil laberíntico del mismo, así como su impronta escenográfica, tan al gusto de su refinamiento visual.

En el mismo rubro que Taco Larreta, aunque de manera más humilde, dos artistas plásticos fundamentales de la vanguardia de los años sesenta, Ernesto Cristiani y Ruisdael Suárez, tuvieron en Tristán Narvaja su mesa con antigüedades y objetos usados, una actividad que implementaron como estrategia de sobrevivencia, una vez que perseguido por la dictadura, Cristiani perdiera su trabajo fijo. Por último, como escribió el memorialista Alejandro Michelena en una breve crónica sobre la feria, “el profesor Vicente Cicalese fue seguramente, en los años setenta y ochenta, una de las figuras de la cultura más relacionadas con la feria de Tristán Narvaja”. Aquel pintoresco hombre –la última gran autoridad en latín que tuvo la academia uruguaya– asistía al rastro montevideano cada domingo con puntualidad inglesa. “Todos los mediodías se le veía transitar, con sombrero y bastón, observando un libro aquí y otro allá, comprando un incunable acullá, para culminar su periplo en el clásico bar Cancela encabezando una mesa de bibliófilos donde su tono de voz y su hablar enfático –también su enfática presencia– resultaban inconfundibles”, recuerda Michelena.

En materia de historias en las que Tristán Narvaja ha servido como escenario, encontramos muchas anécdotas de dudosa reputación respecto a su veracidad, aunque todas verosímiles, por cierto, y más si hablamos justamente de un espacio en donde lo insólito y lo raro son moneda corriente y parte de su mayor atractivo. ¿Quién no escuchó la historia de ese anónimo buscador de tesoros que compró un polvoriento y desvencijado violín Stradivarius por unos pocos pesos y luego vendió en una increíble suma de dólares? Cuentos como ese, referidos a la esencia comercial de la feria, existen muchos, por supuesto. Otra zona temática de estas historias se relaciona con aquellos personajes que alguien dice haber visto caminando entre las tolderías y puestos, la mañana del domingo menos pensado.

Pero hay anécdotas que nos muestran un perfil más esperpéntico que pintoresco, como la vivida y relatada por Michelena: “Hace algunos años había un señor que vendía dentaduras postizas (usadas; conseguidas vaya a saber dónde) que mostraba en botellones de vidrio no demasiado limpios. No le faltaban potenciales clientes, y alguna vez uno de ellos comenzó a probarse dentaduras hasta encontrar una que más o menos le calzaba, con la que se fue muy orondo”. Otra anécdota, esta vez contada por la licenciada Sonia Romero Gorski, se ubica en un registro cercano a la anterior, aunque reviste un interés antropológico indudable: “Recuerdo con claridad que vi, hace no muchos años, una oferta sorprendente. Una cabeza humana con el tratamiento inconfundible de los jíbaros reducidores de cabezas. Se exhibía en un estante armado sobre la vereda, pasando la calle Miguelete, casi al final del trazado recto de la feria. Quién sabe qué itinerarios secretos había seguido para llegar hasta allí. En la actualidad los censores de las aduanas desalentarían seguramente semejante tráfico”.

Levantando el campamento

Así como en la madrugada de cada domingo algunos feriantes comienzan a descargar sus materiales de trabajo (de unos camiones que nadie sabe cómo pueden funcionar), la Intendencia tiene marcada, desde hace mucho, la hora de cierre del evento: las 15 horas. Algo que, a tono con la idiosincrasia de gobernantes y gobernados, jamás se respeta a cabalidad. Pero lo cierto es que a partir de esa hora el visitante tardío observa ya el movimiento progresivo del desmonte de los puestos. Es una hora ideal para conseguir rebajas, sobre todo si la jornada ha sido exigua en ventas. Incluso algunos vendedores intensifican sus pregones en esos minutos finales, asegurando que están regalando la mercadería.

Subiendo o bajando la cuesta cuya cima está en 18 de Julio, la calle Tristán Narvaja se va vaciando sin prisa y sin pausa. Aún se ve algún típico visitante local con mate y termo en mano, por allí los últimos turistas observando y tratando de capturar alguna buena foto del lugar, además de aquellos que están sentados en las mesas de los boliches, que si bien son pocos, han ido creciendo en número en los últimos años.

La ‘fiesta’ popular termina entonces con el agudo sonido de las varillas de hierro golpeando el pavimento y los gritos de quienes cargan bultos en las cajas de unos camiones que ya usurpan los lugares que han quedado en la provisoria peatonal de los domingos. Habrá que esperar una semana para volver a experimentar esa sensación de libertad que genera el hecho de perderse y navegar a la deriva entre ese verdadero maremágnum de gentes y objetos, un territorio al que uno se aventura de forma optimista en busca de satisfacciones que no siempre se encuentran.

 

[Fotos de Natalia de León – fuente: http://www.revistadossier.com.uy]

Estes establecementos están en auxe desde a chegada da crise

A Vella Librería, local en Pontevedra dedicado ao comercio de libros usados que dirixe Paula.

Escrito por CARLOS PORTOLÉS

A crise mingua as carteiras. E as carteiras, canto máis minguan, menos invisten en cultura e entretemento. Son (con razón) os primeiros gastos sacrificados en tempos de frugalidad. Viuse coa necesidade de crear bonos de consumo cultural por parte das Administracións. E é que o esencial é encher a neveira e o tanque de gasolina.

Esta situación fai que, por exemplo, non se compren, coa mesma alegría, libros en papel. Non todo o mundo ten a posibilidade de gastar vinte ou trinta euros nun exemplar noviño da última novela do escritor de moda. Por iso o sector das librerías de segunda man preséntase, cada vez máis, como unha alternativa alcanzable. Unha ponte aberta cara ás letras. Vendendo volumes a prezos máis que razoables, estes establecementos serven tamén para darlle unha nova vida a tomos esquecidos de bibliotecas mortas.

Rafael Díaz leva á fronte da librería Incunable da Coruña case catro decenios. Desde 1984, ano moi literario. O local foi fundado pola súa nai. Leva tanto tempo tras o mostrador que foi testemuña e partícipe dos mil cambios recentes do sector. Algúns foron abafadores, como a chegada de Internet e as súas revolucións. «Se queres, hoxe podes montar unha librería completamente virtual desde a túa casa. Agora as cousas son distintas», admite.

Rafael é un dos moitos que loitan por manter vivo un mundo que xa non está (ou que, como mínimo, cada vez está menos). A arqueoloxía literaria, a veneración polo manuscrito atopado e polas páxinas amareladas de data antiga son cousas cada vez máis pequenas e remotas. «Algúns libros antigos que antes se vendían a 90 euros agora hai que vendelos por 20».

No entanto, os libreiros son unha dúctil estirpe, acostumada navegar o cambiar dos tempos. Por iso, Rafael tamén é capaz de dar un paso atrás e admitir algúns dos beneficios da dixitalización. «O electrónico tamén lle fixo un ben á literatura. Permite acceder de forma remota e libre a libros moi antigos que en físico son practicamente imposibles de atopar».

A de libreiro é unha das profesións máis románticas e romantizadas. Os tópicos, ás veces, fúndanse sobre verdades. Ante a pregunta «¿Que é o que máis lle gusta de vivir entre libros?», todos deixan entrever o seu lado máis sensible. Ese que os empurrou a dedicar os seus días e esforzos ao oficio das letras, e non a outros máis lucrativos. O borda a resposta de Rafael: «A min o que máis me gusta é que sempre se aprende algo e sempre che namoras de algo. Unha edición rara dun Shakespeare, un As mil e unha noites…».

No corazón de Pontevedra hai unha entrañable libreira. Chámase Paula, pero o seu alcume é a Vella. Un sobrenome cariñoso que a portadora leva con orgullo. Non é un insulto, é que é a dona da Vella Librería, un dos locais de compra-venda de libros clásicos da cidade.

A desta libreira é outra historia de vocación. «Este mundo é para os que nos gusta moito o libro en papel, lograr unha oportunidade de darlles unha segunda vida», conta. É aberta e atenta. Por iso ten tantos clientes fieis que confían no seu criterio e discuten con ela as súas últimas lecturas.

Tamén aproveita para desmontar algúns mitos inxustos. «Á tenda vén moita xente nova en busca de literatura de calidade. Deses títulos que aparecen en todas as listas de clásicos universais. Non é cuestión de idade, ás librerías veñen os que gustan de ler», argumenta.

Non só compran libros, tamén aceptan doazóns. Pero o diñeiro que sacan coa venda dos exemplares cedidos é abonado a dúas asociacións benéficas. Unha de rescate de animais e outra de loita contra o cancro. «Ademais, aquí —engade cunha voz calmadamente alegre— teño o privilexio de atopar tesouros todos os días». Falando con libreiros, deseguido se atopa unha constante. A case todos lles gusta dialogar e coñecer. Son curiosos como o son todos os ratos de biblioteca.

Javier Fita rexenta a librería Nigraponte, tamén en Pontevedra. Asegura que o que máis goza do seu traballo é «o espazo conversacional que se crea co cliente». Pero vai máis aló. Ve a súa tenda como algo a metade de camiño entre «un sofá psicoterapéutico e un negocio». Concíbeo así porque, no seu recuncho do mundo, as persoas entran para «falar sobre ideas e libros».

A lectura é unha testemuña que pasa de xeración en xeración. Así o confirma Fita, que observa a diario con satisfacción a «pais que veñen buscar libros para os seus fillos». Estas tendas son unha sólida liña de defensa para o papel. Ese a o que sempre matan pero nunca morre. Porque son moitos os seus usos e as súas vidas.

De franquías, bibliófilos, vocacións e feiras

En Galicia hai decenas de librerías de segunda man distribuídas ao longo e ancho das catro provincias. Mesmo hai algunhas cadeas, como Re-Read. É unha franquía que ten locais por toda España. En Galicia teñen puntos de venda en cidades como A Coruña, Vigo, Santiago e Ourense.

Pero para atopar exemplares máis raros e antigos, é mellor pasearse por sitios como Valín, en Lugo. É unha pequena pero moi recargada estancia. Os libros alagan cada esquina. Amontóanse aquí e alá. Un punto máis que interesante para bibliófilos. No entanto, José Manuel Valín, o dono, sinala que «está a baixar moito a venda do libro antigo». E que cousas que antes interesaban amplamente como edicións ben conservadas do século XIX, xa non teñen case saída. Achácao a un «cambio xeracional». Pero algo no que coinciden todos os entrevistados é en que uno non se mete neste negocio para facerse de ouro. «Nunha cidade non moi grande, como é Lugo, se che dedicas a isto é porque che gusta. Un ten que decidir que facer coa súa vida. Eu decidín dedicar a miña aos libros», referenda Valín.

Actualmente, a 31.ª Feira do Libro Antigo e de Ocasión de Galicia está a piques de acabar o seu itinerario. Como todos os veráns, este evento leva, durante uns días, a venda de libros de segunda man e de exemplares descatalogados a puntos céntricos das principais cidades galegas. Ata o 4 de setembro estivo aberta nos Xardíns de Méndez Núñez da Coruña. Levaba desde maio facendo xira. Pasou, como todos os anos, por Santiago, Ferrol, Vigo e Lugo. É unha cita que ofrece tantas pezas singulares para coleccionistas como exemplares de reventa máis modernos e baratos. O libro, cada vez máis facilmente accesible. Xa non hai escusas.

 

[Imaxe: RAMON LEIRO – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Épopée familiale sur trois générations, Variations de Paul, le nouveau roman de Pierre Ducrozet, après Le grand vertige, consacré à la crise écologique, fait de la musique du XXe siècle un personnage à part entière. L’importance accordée à la musique dans ce roman ambitieux incite à souligner ses limites et les problèmes que pose son usage de la musique.

Un marché aux puces à New York © CC2.0/Peter Burka


Pierre Ducrozet, Variations de Paul. Actes Sud, 464 p., 22,90 €


Écrit par Pierre Tenne

Paul n’est pas le personnage central de la famille Maleval. Il est le fils d’Antoine, qui a fui la violence et l’isolement de sa ferme pour trouver au lendemain de la Grande Guerre l’enseignement d’un élève de Debussy, avant d’être bouleversé par l’irruption du jazz dans la France des Années folles. Il est aussi le père de Chiara, née au commencement des années 1980, qui mixe en tant que DJ à Berlin, à Paris, ou en Corse. Né en 1947, Paul a échoué dans ses études à la Sorbonne pour découvrir ensemble les disques, le sexe, l’amour, le voyage, et se découvrir lui-même une vie dans la musique – la musique est un pays, un voyage, un train, un double de la vie, comme le répète le roman de Pierre Ducrozet. Le personnage principal de Variations de Paul, c’est plutôt la musique.

Cette mise en roman de la musique dirige la construction du livre en surface comme en profondeur. Les variations sont parfois souterraines, objet de leitmotivs qui construisent les images du récit au fur et à mesure de son déroulement, dans une logique presque wagnérienne. L’ouverture du roman décrit Paul écoutant un disque, son corps saisi et emporté, dans une succession rapide d’images et de sensations qu’on retrouvera incorporées par les personnages (fictifs ou non) tout au long du texte. Plus explicites, les incrustations de partitions au cours du récit traduisent l’incorporation du langage musical au sein de l’écriture, soulignant ainsi un projet littéraire et poétique tenu de bout en bout : la musique est d’abord vécue physiquement, à travers les corps des personnages (Paul est synesthète, les notes sont pour lui des formes et des couleurs ; Chiara, elle, les ressent à travers tous ses membres). Le corps du texte est pareillement traversé par la musique qui n’est donc pas à distance, décrite, écrite. La musique est le souffle, le rythme, le langage et les membres du texte comme de ses personnages.

Musiquer en écrivain plutôt qu’écrire sur la musique : ambition magnifique qui s’inscrit en partie en rupture avec de glorieux précédents romanesques (Balzac, Thomas Mann, Kerouac, Quignard ou Proust). Au-delà du désir poétique d’écrire ce que la musique fait au corps, la rupture consiste aussi à vouloir écrire sur une dimension moderne du fait musical, qui est le disque. Les incrustations de partitions sont de ce point de vue trompeuses en ce que l’essentiel de la musique apparaissant dans Variations de Paul est d’abord lié au disque : sa production (Paul devient producteur aux États-Unis pendant un certain temps), sa diffusion (il envoie des cassettes de musiques interdites à Berlin-Est), son écoute, son inscription dans une sociabilité et une histoire. Le livre trouve d’ailleurs ses principales limites dans son indécision entre la tentation épique, qui impose un grand sujet pour faire un grand roman sur la musique, et la possibilité fascinante du petit objet et de ses petites histoires de disques.

Variations de Paul affirme que les deux se confondent. L’écoute des disques renvoie souvent Paul et le roman à une étonnante préoccupation de ce que fut le XXe siècle : « Notre histoire et le siècle débutent là. Ce que tisse Claude Debussy depuis plus de vingt ans, de quatuor en préludes, de nocturnes en arabesques, ouvre un océan de possibilités pour tous les autres autour de lui. » Cette confusion entre les disques et la musique entraîne souvent le roman avec elle, en ôtant à l’écriture (virtuose et juste) comme à la construction sophistiquée du roman une partie des forces qu’elles recèlent. Cela tient en partie à un choix stylistique majeur fait par Pierre Ducrozet dans l’écriture de (ou sur) la musique, qui impose un léger détour contextuel.

Variations de Paul, de Pierre Ducrozet : une discothèque idéale

Pierre Ducrozet © Jean-Luc Bertini

La critique musicale écrite est un genre mineur sur le plan littéraire, y compris lorsqu’elle est maniée par des auteurs renommés (Romain Rolland, Boris Vian, Ralph Ellison). Souvent associée au journalisme, elle a cependant créé des façons d’écrire sur la musique qui ont leur tradition. Née au XVIIIe siècle, la critique des concerts se conçoit d’abord historiquement comme un compte rendu mondain et insiste sur les effets de la musique sur le public. Cette tradition survit aujourd’hui, les concerts étant l’objet de critiques soulignant ce que la musique fait aux corps, aux sens, aux âmes. L’apparition de la musique enregistrée et des disques produit une nouvelle forme de critique, en partie disjointe de la précédente, qui met en avant l’érudition et les renvois à d’autres disques, et repose stylistiquement sur une utilisation emphatique des adjectifs (Satie est naïf, Wagner hiératique, Beethoven épique, Miles Davis cool, Jimi Hendrix sexuel), des comparaisons ou, hélas trop souvent, d’un style vague et imprécis.

Pierre Ducrozet aborde la musique en fusionnant ces deux styles pour lier ensemble les sons, les corps et l’écriture. À ce stade, on pourrait ainsi lire le choix d’un personnage synesthète comme une mise en abîme des plus adroites de l’écriture musicale, puisque la critique musicale est historiquement et stylistiquement portée à la synesthésie – l’image et le sensible venant pallier l’ineffable du discours musical. Paul deviendrait alors le personnage du dire musical, incarnation romanesque des magazines qu’il lit, des discussions à propos de studios ou de concerts.

Cette interprétation généreuse est contredite par plusieurs indices, en premier lieu le recours fréquent à des vérités générales qui soulignent à quel point le roman rejette toujours au premier degré dans les corps et les images ce qu’il ne parvient pas à dire : « La musique nous parle du même pays que la mère. On écoute avec le bas-ventre, celui qui vibre depuis les premiers pas dans le monde, on écoute depuis l’arrachement d’une peau à l’autre. La musique – et c’est pour cela peut-être qu’elle est si souvent insoutenable, qu’on ne peut l’écouter sans retour, sans être entièrement renversé – vient du fond des artères et des viscères, on peut en parler, on peut l’analyser, mais elle est pure chair, elle est naissance, corps, emportements ; la musique nous donne accès au monde, enfin. La musique, c’est la mère ». Ainsi, le style et le personnage semblent fondus de force dans un même corps qui manque nécessairement de naturel, venant loger une langue « jeune et branchée » dans l’intimité parfois dramatique de Paul et de sa famille. Significativement, les passages les plus convaincants du roman sont ceux qui vont puiser dans l’imaginaire de la drogue et du psychédélisme : l’écoute de disques dans un état altéré de conscience apparaît ainsi, dans ce roman et ailleurs, comme une possibilité de dépassement des limites du discours et des corps face à la musique.

Variations de Paul, de Pierre Ducrozet : une discothèque idéale

Le roman s’émancipe de son aporie stylistique par le recours à des trouvailles qui auraient mérité d’être davantage développées, comme cette porosité des corps permise par l’écriture de l’écoute : Paul découvre sur disque Elvis Presley, devient littéralement le King, au studio de Sam Phillips à Memphis, au moment de son premier enregistrement. Le jeu des citations cachées peut aussi affirmer la tentation du palimpseste, mais parait plus souvent caractériser une esthétique du clin d’œil dont l’intérêt est parfois difficile à percevoir. Ainsi, Joe Dassin apparait au détour d’une phrase (« cette ville est un orchestre à mille cordes), bientôt rejoint par Bob Dylan. Ces clins d’œil, encore une fois partie intégrante d’une tradition stylistique de la critique musicale, permettent d’introduire un dernier commentaire qu’appelle Variations sur Paul, qui soulève des interrogations foisonnantes et complexes.

Les clins d’œil déjà évoqués, qui parsèment le roman, permettent d’en saisir la portée. Pour l’essentiel, ils sont aussi des clichés : les débuts d’Elvis, la mort de Theolonious Monk et de Charlie Parker dans la maison de la baronne Pannonica de Koenigswarter, les débuts du rap avec le « Rapper’s Delight » de Grandmaster Flash (qui est plutôt le premier titre de rap écouté au-delà des ghettos noirs de New York et des métropoles états-uniennes), etc. Variations de Paul survole cette histoire musicale du siècle dont il prétend faire l’épopée à travers des images d’Épinal qui interrogent, d’autant qu’elles débordent le seul aspect musical : née dans les années 1980, Chiara est forcément éprise de mangas à l’adolescence. Paul, revenu de tout, vieilli, voit sa geste se réaliser, entre autres, dans l’accession à la propriété. Invitant bientôt des amis eux aussi vieillissants à une orgie d’alcool et de « baise », on ne peut s’empêcher de se dire que les clichés qui tissent l’histoire du siècle, musicale ou non, emprisonnent les personnages dans des déterminismes assez frustes et une psychologie peu probante.

Les disques sont d’ailleurs des dates qui fonctionnent littéralement comme images d’Épinal : Chiara écoute Noir Désir parce qu’« elle aura toujours seize ans et elle vous emmerde », Aerosmith parce qu’« elle aura toujours un peu quatorze ans aussi ». Paul découvre à New York un jazz qui « semble végéter » après la mort de Coltrane, « et si Miles Davis et Ornette Coleman continuent à souffler, quelque chose est passé ». Le problème est que la vitalité du jazz new-yorkais dans les années 1970 est majeure – au-delà des grands noms, nombreux, on pense notamment au rôle des lofts squattés par des musiciens en mal de programmation [1]. Certaines erreurs factuelles bénignes soulignent ce sentiment de plonger dans une histoire superficielle : Paris 8 n’est plus à Vincennes mais à Saint-Denis quand Chiara s’y inscrit, et le narrateur de « L’orage » de Brassens n’est pas marchand de paratonnerres ; celui qui exerce ce métier, c’est le cocu.

Rien de grave, dira-t-on avec raison, mais tout cela permet de saisir dans quel imaginaire esthétique évolue le roman de Pierre Ducrozet. Tout cela fait bien signe vers un autre objet que la musique ou même que les disques : Variations de Paul peut très bien se lire comme le roman de la « Discothèque idéale », telle que les magazines ou certaines grandes enseignes culturelles en publient régulièrement, de façon à donner un écho grand public à la vente de disques – et de livres, Paul en achète de façon comparable. D’où l’utilisation au premier degré de questions oiseuses posées par les magazines musicaux, que les personnages incorporent : le jazz est-il mort ?  le rock, dix ans plus tard ? En tout cas, en 1979, la « décennie n’a pas encore commencé et Paul se sent déjà plus lourd que le temps. La musique le fatigue. Le rock le fatigue. Le punk l’écœure ». Les « variations » n’en sont pas car les thèmes musicaux doivent mourir : la musique progresse, chaque mouvement devant remplacer le précédent dans une idéologie implicite mais naïve du progrès musical. Les disques sont des dates qui existent pour dire qu’à tel âge, dans tel contexte, on doit écouter cela – on en vient à désirer que Chiara écoute Debussy ou Monk parce qu’elle a vingt ans et nous emmerde.

Variations de Paul, de Pierre Ducrozet : une discothèque idéale

Sur la Grand-Place de Bruxelles © CC2.0/Sagar

La question qu’on est en droit de se poser est ainsi celle du potentiel littéraire et romanesque d’une musique qu’on aborde par ce biais : peut-on faire un roman avec des unes de journaux et des discothèques idéales ? Cette question pourrait apparaître de bien peu d’importance, mais ce roman, publié par un éditeur important de livres consacrés à la musique, témoigne du fait que cette érudition vaste et superficielle, multipliant les références sans les approfondir, a pris une place forte dans nos imaginaires. Cela peut poser des problèmes plus immédiats, peut-être plus graves.

Le premier est le choix de proposer une playlist en lien avec le roman, les morceaux étant listés par ordre d’apparition. La liste, immense, confirme l’impression de discothèque idéale mais parait naturelle ici. Cependant, trois QR codes permettent au lecteur d’accéder directement aux titres sur Spotify, Deezer et Youtube. On est en droit de se demander de qui on se moque, lorsqu’un roman idéalisant à ce point la musique se permet de renvoyer ses lecteurs et lectrices vers des entreprises qui la dépossèdent de tout (par ailleurs, le patron de Spotify a investi 100 millions de dollars dans Helsing, une start-up allemande d’intelligence artificielle pour la défense). Surtout, ces entreprises encouragent particulièrement à la nostalgie et à la mythification des disques du passé… à la façon des Variations de Paul.

Le second problème apparait dans un passage où Paul découvre les musiques d’Inde, qui comme souvent sont caractérisées d’abord comme étant des râgas, de manière imprécise. Surtout, ces musiques n’ont pas dans le roman de musicien nommé, et seul Ravi Shankar apparaît dans la playlist. À l’inverse, tout le roman avance par grands noms de la musique occidentale, Ravel puis Satie, Elton John et Iggy Pop, les Beatles et Bérurier Noir, Jeff Mills et Bob Marley, avec quelques incursions de groupes plus confidentiels comme les musiciennes des Slits. Cet usage des grands noms pose un problème en soi, mais plus encore lorsqu’il sert l’anonymat de tous les autres et pas seulement des musiciens indiens. Dans une envolée du roman, Paul fait face à son siècle, « tous les morts abattus au combat, tranchés sur les batailles, tous les innocents aux membres brisés, […] les opposants, les juifs, les Tziganes, les civils, les résistants », etc. Toutes celles et tous ceux qui n’ont pas de noms, et auxquels le roman ne parvient pas, en définitive, à offrir la musique de leur siècle.


  1. On retrouve une partie de cette musique enregistrée par Alan Douglas dans la compilation Wildflowers: Loft Jazz New York 1976.

 

[Source : http://www.en-attendant-nadeau.fr]

Há cada vez mais californianos a escolherem o nosso país para viver. Fogem da agitação dos dias, da insegurança, do custo de vida elevado. Encontram uma tranquilidade que nunca supuseram, um país sem radicalismos de ideias, seguro e barato. Vieram para ficar. E a onda não parará por aqui.

Escrito por PEDRO EMANUEL SANTOS

Foi como que uma aposta no escuro. Mas clara, por contraditório que possa parecer. Clara nos objetivos, clara nas ideias, clara na certeza, clara na ambição de querer uma vida nova longe, bem longe, da Califórnia natal, o imenso estado dos EUA – quatro vezes maior do que Portugal em área e número de habitantes – onde (quase) sempre vivera e de onde queria sair para iniciar rumo novo com Doug, o marido, e Bodhi, o filho de 13 anos, depois de um longo período em que cuidou da mãe, que padecia de um cancro terminal. Jen Wittman nem sequer tinha estado em Portugal quando tomou a decisão mais radical da sua vida.

“Um amigo disse-nos maravilhas do país. Ficámos tão encantados que quase não pensámos duas vezes”, conta. E até agora não se arrependeu, bem pelo contrário. “A mudança aconteceu em março de 2021.” A pandemia ainda atacava forte, o mundo era uma imensa incerteza, o futuro um ponto de interrogação. Mas nada de arrependimentos. Pelo contrário, Jen apaixonou-se à primeira vista por Portugal, a paixão evoluiu para um amor que deu em casamento com promessa de eternidade. “É, sem dúvida, a minha ‘forever home’ [casa para sempre]”, garante.

Aos 47 anos, Jen Wittman não tem dúvidas de que tomou a melhor decisão. Já tinha vivido durante dois anos em Itália, 2013 e 2014, mas Portugal é diferente. “Pessoas acolhedoras, bons cuidados médicos, uma mentalidade inclusiva, segurança acima da média, gastronomia ótima, uma comunidade multicultural bastante interessante”, define. Bem diferente dos EUA, daquela Los Angeles supermovimentada e incerta que ficou para trás. “Queria que o meu filho crescesse em segurança, sem medo de armas, sem andar com o coração nas mãos com receio de um qualquer tiroteio, como os muitos que têm ocorrido nos EUA com as consequências que se sabem”, justifica.

Trabalho também não foi dificuldade. Continua a gerir a Mindful Mavericks, como acontecia nos EUA natal, empresa que fundou e que tem como objetivo ajudar a expandir negócios de clientes em todas as partes do globo. E que publica, também, uma revista. Tudo agora feito online desde a Margem Sul, onde Jen reside num apartamento alugado enquanto espera que o ramo imobiliário dê uma ajuda e proporcione compra definitiva de um imóvel para a família, seja em Lisboa ou por lá perto. “A ideia quando viemos era adquirir casa. Mas o mercado encontra-se em alta e os preços estão muito elevados. Aliás, é a única coisa que me desagrada em Portugal. O processo para adquirir habitação é muito diferente do que acontece nos EUA, não existe tanta transparência.” Isso e os preços, “tão altos como na Califórnia”.

De resto, Portugal é mesmo chão certo para ela e os seus. Tão certo que já se considera “meia portuguesa, meia americana em transição para 100% portuguesa”. Tanto assim que o processo para adquirir dupla nacionalidade se encontra em marcha e é possível que tenha o seu epílogo muito em breve, tudo dependendo das andanças burocráticas. O pior é mesmo a língua, tão diferente do inglês. “Aos poucos vou falando alguma coisa. Prometo aprender cada vez mais rápido.” Palavra de quem vê Portugal como seu.

Jen Wittman é um dos exemplos dos milhares de norte-americanos que na última década escolheram Portugal para viver. No final de 2021, segundo os últimos dados disponibilizados pelo SEF, eram 6921. Dois mil a mais do que em 2020 (4768). O triplo em relação a 2010 (2236), segundo dados avançados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

“De todo este grosso, a Califórnia é a principal zona emissora. Foi o estado norte-americano onde a informação sobre Portugal se espalhou com mais facilidade e que tem características similares a Portugal, nomeadamente no que diz respeito ao clima”, explica Pedro Fontainhas, presidente da Associação Portuguesa de Resorts e conhecedor de perto desta nova realidade. “Essencialmente, são famílias ainda em idade laboral e reformados quem se muda desde a Califórnia.”

“Tem-se notado um fluxo significativo de californianos, sobretudo focado na área de Lisboa e Cascais, litoral alentejano e Algarve. São famílias que vêm para Portugal de forma definitiva”, sublinha, por sua vez, David Carapinha, da Home Tailors Real Estate, empresa de angariação e mediação imobiliária que trabalha de perto com clientes americanos e da Califórnia, em particular. “Valorizam bastante a proximidade, porque Portugal é um país pequeno e diverso e a partir do qual é fácil e rápido viajar para qualquer outro ponto da Europa. Para além de que o custo de vida é para eles significativamente atrativo”, aponta.

Números da Imovirtual, o maior portal imobiliário online, confirmam a tendência. No espaço de um ano, a procura americana por moradias e apartamentos em Portugal subiu, respetivamente, 11% e 32%. Só no período entre dezembro e maio últimos, as regiões de Lisboa, Porto e Setúbal verificaram significativo aumento de interesse, com aumentos de 53%, 45% e 47%. Surpreendentes foram também as expressivas buscas em Braga (98% em relação a igual período de 2021), o que se explica, segundo fonte da Imovirtual, “pelo facto de ser uma região que começa agora a ser descoberta pelo mercado dos EUA”.

Voltando aos dados oficiais do SEF, os pedidos para Autorização de Residência e Investimento, que dispensam, entre outras regalias, a necessidade de visto de residência desde que tal implique investimento em Portugal num valor superior a um milhão de euros e a criação de um mínimo de dez postos de trabalho, têm nos cidadãos norte-americanos fatia grossa de requerentes. Em maio último foram 16, número superado por pouco pela China (17). No mesmo mês de 2021 havia sido somente três. E no total do ano passado 101 (segundo lugar atrás da China, com 270), contra 75 em 2020 e 65 em 2019. Há dez anos não chegavam sequer a uma dezena.

Um artigo recente do influente “The Wall Street Journal” indica como fatores essenciais para a escolha de Portugal a saúde, o clima, os incentivos fiscais, a segurança, o baixo custo de vida (em média, os produtos são 40% mais baratos do que nos EUA) e os valores acessíveis para requerer visto de residência.

Thomas Murray, escritor e consultor de 59 anos, lembra-se bem do dia em que decidiu viver definitivamente em Portugal. “Foi quando Donald Trump venceu as eleições para a presidência dos EUA, em 2016.” Deixou Lake Forest, cidade da Califórnia com pouco mais do que 80 mil habitantes, e fixou-se na pacata Aldeia de Juso, em Cascais, com a namorada de então e um gato. “Quando cheguei, senti logo que esta era a minha casa. As pessoas são fantásticas de tão civilizadas. Posso falar seja com quem for sobre temas sensíveis, como religião, pena de morte ou racismo, sem esperar violência da outra parte, como infelizmente acontece nos EUA, onde as posições estão muito extremadas e a cultura de violência é uma constante”, frisa. “Trump ofendeu muitos americanos. Muitos como eu escolheram viver em países de acordo com os seus valores, tal como Portugal”, assinala Thomas.

Por isso, voltar para os EUA “é uma ideia que nem passa pela cabeça, de certeza absoluta”. Por que? A resposta vem na ponta da língua: “Não quero viver num país onde crianças são assassinadas nas escolas e onde o fanatismo tem crescido e é assustador.” Em Portugal, o tempo flui-lhe, o ambiente inspira-o. Desde a mudança, escreveu quatro romances – o quinto está em fase final de produção.

Além do mais, Thomas Murray tem em mãos a presidência da Americans in Portugal Association, a mais antiga associação luso-americana com exceção do American Club. “Pediram-me para a revitalizar pouco tempo depois da minha chegada. O anterior líder havia falecido e estava quase inativa.” Conta atualmente com cerca de mil membros, “muitos deles vivem ainda nos EUA e pensam vir para Portugal nos próximos tempos”. Lamento único sobre Portugal são os “loucos preços do imobiliário”. Tão loucos que “comprar uma casa na costa da Califórnia é mais acessível do que em Lisboa ou Cascais”. Mas a culpa, considera, não é dos portugueses, esse povo que passou a admirar, apenas dos “estrangeiros ricos que fazem negócios com tudo o que é caro sem importar ao preço”.

“Sinto-me em casa”

O nome é latino, Paulina Gallardo. E tem razão de ser, Paulina nasceu em Tijuana, cidade fronteiriça do México, e criança se mudou para San Diego, na Califórnia. Foi produtora de televisão, apresentou programas de viagens, a vida levou-a a viver noutras paragens do mundo, como Londres, onde conheceu o marido, Alex, mas fê-la sempre regressar às origens. Até 2019, quando decidiu que Portugal (e Lisboa) seria base nova.

“Não foi uma mudança radical. Fomo-nos mudando aos poucos, até aproveitando o facto de a minha sogra morar em Portugal e de querermos estar perto dela.” Paulina não ficou de braços cruzados e percebeu que em Portugal produtos mexicanos era coisa que escasseava ou não havia de todo. Colocou mãos à obra e lançou a Casa Mexicana, primeiro online e em plena pandemia. “Fomos a primeira do género.” Abriu depois um espaço físico, na lisboeta Rua da Quintinha, estabeleceu parcerias e espalhou-se para o norte, onde inaugurou em maio o restaurante (mexicano, claro está) La Dolorosa, em Leça da Palmeira, a dois passos do Porto.

“Não é muito diferente da Califórnia”, diz Paulina. “O clima é idêntico, a imensa costa marítima é semelhante. Até as praias são parecidíssimas, estar na Costa da Caparica ou em Melides é a mesma coisa do que estar num areal californiano”, destaca. E depois há estilo de vida, o modo de encarar o quotidiano, a forma de pensar o hoje e de olhar o outro. E o custo de vida, “bem mais acessível do que nos EUA”. E as viagens, “estamos sempre tão perto de avião seja de onde for, em particular de outras grandes cidades europeias”.

Paulina não promete viver Portugal para sempre. Mas também não diz um não definitivo à ideia. “Vamos indo e vamos vendo. Nunca fui de me prender muito a um lugar. Mas com Portugal tem sido diferente, é tudo tão excelente.”

“Uma espécie de fé”

Quem também trocou as câmaras de televisão e o frenesim do “luz, câmara, ação” por uma vida tranquila em Portugal foi Peter Wentzel. Pediu a reforma antecipada, deixou para trás os estúdios MRC, responsável pela produção de séries como “Ozark” ou “House of Cards”, onde chegou a ser vice-presidente, e zarpou há um ano e três meses rumo ao outro lado do mundo. “Durante a pandemia estive a trabalhar em casa, em Los Angeles, e senti-me isolado como nunca. Comecei a ler coisas sobre Portugal, onde nunca tinha estado, e tomei a decisão.” Falou com amigos que haviam feito férias por cá, reuniu cada vez mais informação, ponderou e não hesitou. “Acreditei que ia correr bem, foi uma espécie de fé.” Fez as malas e deixou a Califórnia. Para não mais voltar.

A situação política e social nos EUA contribuiu, igualmente, para a escolha. “Queria sair de lá o mais rapidamente possível e ir para um país estável, seguro e com um custo de vida acessível.” Esse país foi Portugal, a cidade que elegeu foi Lisboa. “Aluguei casa, comprar é caro nos grandes centros urbanos. Estou à procura em zonas mais afastadas da capital, como Tomar ou Ferreira do Zêzere”, revela.

Apesar de aposentado, Peter continua “a fazer alguns trabalhos online” e a colaborar em produções na Europa. “Mais a título pessoal do que outra coisa.” De resto, vai-se surpreendendo com o país que agora também é seu. “Conheci imensas pessoas novas, portuguesas e não só. Tenho boa qualidade de vida e não sinto falta dos EUA.” Quando as saudades apertam, há sempre forma de contactar online com amigos e familiares que moram lá longe. “Não me arrependo nada da mudança, cada dia que passa sublinho a convicção de que tomei a decisão correta.” Afinal, Portugal e a Califórnia não são assim tão diferentes quanto a geografia possa parecer dar a entender. “Ambos estão habituados a bom tempo, ambos têm produtos frescos disponíveis durante o ano todo, ambos têm uma gastronomia ótima, ambos têm sol, ambos têm montanhas e alguma neve, ambos têm chuva. É igual”, recapitula Peter Wentzel. Diferente, mesmo, “só a burocracia”. Aí, vinca, Portugal bate aos pontos a Califórnia. De goleada.

“Em Portugal ninguém tem pressa”

Meghana Kamdar tem 42 anos e há quatro, em 2018, passou uns dias de férias em Portugal com o marido, Benny Robertson, e os três filhos. Foi o primeiro contacto com o país que haveria pouco depois de escolher para viver em definitivo. “Era verão e fiquei surpreendida com a grande energia que se sentia no ar. Percebi logo que as pessoas são fantásticas e que a qualidade de vida é diferente. Uma espécie de ‘slow country’ [país lento]”, rebobina. “Aqui, as famílias reúnem-se para jantar aos fins de semana durante três horas seguidas, algo completamente impossível de acontecer nos EUA. Lá, era só trabalho. Passava a vida a trabalhar, não parava”, exemplifica.

Meghana e a família moravam em Santa Rosa, a uma hora e meia de caminho da gigante São Francisco. Mas ela queria outra coisa para si e para os seus. Queria a tal qualidade de vida que tinha encontrado nas férias em Portugal e que parecia impossível de alcançar na Califórnia. “Viver sem pressas”, conjugando o emprego – é life coaching, tal como nos EUA, e trabalha online – com a fruição do tempo, dos dias, dos minutos, de todos os segundos disponíveis. No fundo, uma mudança radical que lhe desse outra perspetiva de vida. Afinal, “em Portugal ninguém tem pressa” e era isso que também pretendia: deixar para trás a correria, abraçar a tranquilidade.

Fez as malas em janeiro de 2020, mal imaginava que dois meses depois uma pandemia haveria de mudar o mundo, e só parou quando aterrou em Lisboa, onde escolheu viver. “É uma grande cidade, internacional e cosmopolita, que tem tudo como Paris ou Londres, mas não é gigante como essas capitais”, resume. E tem outra coisa, para ela rara de encontrar seja onde for, “um sentido de comunidade e de vizinhança únicos”. Além de ser “vibrante do ponto de vista cultural e segura”. A segurança, sempre ela, reforçada como essencial pelos californianos que trocaram o seu país por Portugal, cansados das armas, da violência, do dia de amanhã que pode ser manchado de sangue.

Em família, Meghana Kamdar faz em Lisboa o que era praticamente impossível fazer na Califórnia. Como andar a pé. “Não preciso de carro.” Ou compras no dia a dia a preços acessíveis. A experiência tem sido de tal modo interessante que Meghana não tem dúvidas em afirmar que se trata de “um processo de crescimento diário”. E faz por isso acontecer, porque quer sempre mais, quer absorver tudo o que o seu novo país lhe dá e lhe traz. “Não queria viver numa bolha. Foi sempre minha intenção aprender uma nova língua, beber uma nova cultura, conhecer novas pessoas. E isso tem acontecido”, assegura.

Mais importante do que tudo, diz, é “ver os filhos felizes”. Isso é felicidade sem retorno que não trocaria por nada e que prova ter sido correta a decisão de viver em Portugal. “Não há nada mais importante do que a felicidade das nossas crianças.” E isso Meghana já ganhou. Em Portugal, longe da Califórnia que deixou para trás em busca de um novo estado de espírito. Porque não há latitude para se ser feliz.

Meghana Kamdar é, também, um bom exemplo do perfil de californianos que optam por Portugal. Trabalha desde casa, sem restrições de geografia e de abrangência. É nómada digital, como muitos outros assim batizados por conseguirem gerir profissionalmente a sua vida estejam onde estiverem. Basta que se mantenham ligados online, afinal o mundo é uma pequena aldeia onde todos nos encontramos conectados sem dificuldades de maior.

“Os nómadas digitais começaram a procurar Portugal com mais intensidade durante a pandemia. Curiosamente, essa procura tornou-se maior a partir de março de 2021, exatamente um ano após o início da pandemia”, confirma Pedro Franco Caiado, country manager da Spotahome, um marketplace internacional de arrendamento de casas presente na Europa e no Dubai e que trabalha de perto com quem faz do trabalho à distância realidade. Foi da Spotahome o estudo recente que deu conta que Portugal consta da lista de países considerados os melhores para nómadas digitais. “É uma tendência clara. O perfil pessoal são pessoas acima dos 40 anos, que conseguem trabalhar de qualquer lado e procuram qualidade de vida”, descreve. “O mercado norte-americano está em crescendo, em particular o da Califórnia”, acrescenta.

O estudo da Spotahome coloca o Porto no topo da lista das melhores cidades para viver e trabalhar desde casa, à frente de referências como Florença (Itália), Amesterdão (Países Baixos), Praga (Chéquia) e Barcelona (Catalunha), que fecham o top-5.

“Como se estivesse na Califórnia”

É precisamente o Porto a futura casa de Todd Greentree. O processo de mudança está em marcha, a casa escolhida e comprada, tudo quase no ponto para que, em dezembro, Todd possa mudar-se em definitivo para Portugal. Ele que em missões diplomáticas ao serviço dos EUA calcou locais tão diferentes do planeta como o Afeganistão, Nepal, Angola, Brasil ou El Salvador. E que agora vai deixar Amã (Jordânia), onde vive com a mulher, e começar vida nova aos 68 anos.

“A minha mulher é suíço-americana e trabalha na área humanitária como representante da embaixada da Suíça em Amã. Passámos metade da nossa vida adulta noutros países, estamos orientados para a vida internacional”, relata num português impecável. A língua não será problema quando passar a viver no Porto.

Foram anos e anos longe da Califórnia onde nasceu mas que nunca deixou de fazer sua, a sua San Diego. Era lá que voltava sempre, era ali que se sentia em casa. Essa Califórnia das praias sem fim e ondas enormes que Todd surfou durante a juventude. Essa Califórnia onde conheceu de perto pela primeira vez portugueses, corria a década de 1960. “Dedicavam-se à pesca do atum. Era uma comunidade muito interessante e trabalhadora, proveniente dos Açores, que já vai na terceira e quarta gerações”, desfia.

Todd está já reformado, o trabalho nos serviços diplomáticos dos EUA é agora passado. Mas continua a dar aulas online, como professor universitário. Esteja onde estiver, da sala de casa para uma sala de aulas do outro lado do hemisfério. “Em Portugal, será assim, também.” Do Porto para os EUA sem amarras de distância. “Nos últimos dois anos eu e a minha mulher pensámos muito onde queríamos viver. E ficou certo que não voltaríamos aos Estados Unidos, estamos um pouco cansados. Incêndios, insegurança, ambiente político, tudo foram fatores que contribuíram para a decisão.” Além disso, “os custos da habitação na Califórnia estão incomportáveis, é uma situação que não pode continuar”.

A escolha por Portugal acabou por ser tomada sem dificuldades de maior. O casal já conhecia o país e ficara apaixonado quase à primeira vista em 1989, aquando da primeira visita. “Sempre gostamos de Portugal e ambos falamos português”, realça. Em agosto do ano passado, Todd e a mulher vieram em viagem exploratória. Percorreram o país de norte a sul e perceberam rapidamente que o Porto seria a opção. Sem olhar para trás. “Estivemos quase duas semanas na cidade. Adorámos as pessoas, abertas e generosas, com uma atitude de vida positiva. Como as de São Diego. Senti-me em casa desde o primeiro dia, é como se estivesse na Califórnia.” E em casa irá sentir-se mais ainda quando a mudança for definitiva. Já falta pouco, o calendário vai encurtando e Todd não vê a hora para começar a experiência que lhe vai mudar a vida. “Para melhor”, tem a certeza, sem esconder “alguma ansiedade” pela realidade que não tardará.

Como ele, muitos californianos têm experimentado as mesmas sensações. Fazem de Portugal o seu novo mundo, a sua profissão de fé numa vida que querem melhor e com outra tranquilidade. Onde os dias correm devagar e o contacto com a comunidade traz vivências impensáveis. E, sobretudo, onde é possível não viver numa sociedade dividida em que a violência gera ondas de ansiedade profundas. Uma nova Califórnia. Sem pontos de interrogação em relação ao futuro e com muito para explorar e conquistar.

 

[Fonte: http://www.noticiasmagazine.pt]

El español siempre estuvo presente en territorios que luego formaron Estados Unidos, hoy los hispanos son la mayor minoría étnica de una nación que en 2060 será el segundo país hispanohablante del mundo

Una simpatizante demócrata durante un acto de la vicepresidenta de EEUU, Kamala Harris.

Escrito por  

He leído la columna de Martín Caparrós publicada en EL PAÍS el 25 de junio en la que sostiene que hablar el español en EE UU es un signo de fracaso, fundamentalmente porque refleja la inmigración de una población que se ubica en los niveles más bajos de la escala social del país. Estoy en total desacuerdo. Caparrós se concentra exclusivamente en la migración latinoamericana reciente a EE UU, pero omite tantos otros factores en su artículo que hace que el mismo se lea como un texto unilateral y limitado.

El español estuvo siempre presente en los extensísimos territorios anexados de España y México. Esto empezó en la primera mitad del siglo XIX con la compra de Florida a España (1819), la anexión de Texas (1845), la guerra méxico-estadounidense (1846-1848) y la compra de territorios de Nuevo México y Arizona (1854). Los “territorios perdidos” por México luego de la guerra, o vendidos posteriormente, incluyen los Estados de California, Nevada y Utah, y parte de Arizona, Colorado, Nuevo México, Wyoming y Oklahoma y componen una tercera parte del territorio de EE UU. Y tras la guerra entre EE UU y España (1898), Puerto Rico pasó a constituir un territorio de EE UU. Esa población habló español desde la fundación de las colonias españolas en el siglo XVI y sus descendientes continuaron haciéndolo como parte del territorio de EE UU. No son inmigrantes. Están donde siempre estuvieron.

Cabe señalar que los problemas que enfrentan las nuevas migraciones de latinoamericanos, de los que habla Caparrós, no son distintos a los que tuvieron migrantes anteriores, como irlandeses o italianos, quienes sufrieron de estereotipos negativos, discriminación, empleos pobres y bajos ingresos. Sin embargo, por tratarse de migraciones recientes, los nuevos latinoamericanos en EE UU gozan de varias ventajas. La primera reside precisamente en que los latinoamericanos recientes han resistido el melting pot que obligó a todos los anteriores —italianos, alemanes, nórdicos, etcétera.— a abandonar su lengua para asimilarse. La migración reciente llega en tiempos en que se celebra la globalidad, la multiculturalidad y un segundo idioma como activos. Y hacen bien en mantener el español por la importancia del idioma en EE UU y en el mundo. De hecho, el español tiene, de lejos, la preferencia entre los estudiantes interesados en adquirir un segundo idioma en EE UU, con el 72% de los estudiantes de un idioma extranjero.

La segunda ventaja está en sus números. Según el último censo de 2020, más de 60 millones de personas se autodefinen como hispanas o latinas, entre las que 45 millones hablan español en sus hogares. Los hispanos de hoy son la primera mayoría étnica de EE UU, con casi el 19% de la población total. El Instituto Cervantes proyecta que en 2060, EE UU será el segundo país hispanohablante del mundo, después de México. Esto tiene una fuerza política, económica, social y cultural sin precedentes. Crecientemente, los hispanos están haciendo sentir su voz (a menudo en español) para lograr bloques de apoyo a candidaturas hispanas. Con el 13% entre los votantes en las presidenciales del 2020, los dos partidos más importantes, Demócrata y Republicano, están buscando atraer tanto a candidatos de origen hispano como definir una oferta específica para atraer el voto hispano. Constituyen también una fuerza comercial importante. Según un artículo de este mismo periódico, la gran mayoría de latinoamericanos en EE UU no son pobres: “Si los hispanos que residen en EE UU fueran considerados como una economía independiente, serían la novena del mundo, un potencial que no ha pasado desapercibido para las compañías estadounidenses que se han dado cuenta de la importancia de penetrar en el mercado hispano”.

Culturalmente, tienen un impacto cada vez mayor, y optimistamente, con menos estereotipos. La música hispana tiene su propio reconocimiento desde hace 22 años en los Grammys Latinos. La comida española, mexicana y peruana es reconocida y se multiplican los restaurantes con ese acento culinario. Existen salas de teatro en español en numerosas ciudades, y festivales de teatro hispano en Miami y Nueva York. Igualmente, al menos 24 museos celebran la herencia y el arte hispano y latinoamericano. Dos canales de televisión emiten en español a nivel nacional. Uno de ellos, Univisión, constituye la cuarta red más sintonizada en el país. En la misma línea, el Instituto Smithsonian, cuya misión es preservar la herencia y modelar la identidad del país con sus museos, investigación y educación, acaba de anunciar la construcción del nuevo Museo Nacional del Americano Latino. Según la Secretaría del Instituto Smithsonian, el nuevo museo “mostrará la historia, arte, cultura y logros científicos de la población latina en los EE UU, a fin de presentar de manera más profunda, con mayores matices y más completa, la historia sobre quiénes somos como nación”. Indudablemente, este museo presentará toda su colección en español e inglés. No creo que haya un mejor ejemplo para descartar completamente la tesis de Caparrós sobre la insignificancia de la presencia del español en EE UU.

Gabriela Vega es socióloga peruana, residente en EE UU desde 1989.

 

[Foto: LM OTERO (AP) – fuente: http://www.elpais.com]

 

 

Une femme marche le long d'une rue en terre battue dans la zone suburbaine de Rio de Janeiro, au Brésil, une ville qui se caractérise par de fortes inégalités sociales.

Une femme marche le long d’une rue en terre battue dans la zone suburbaine de Rio de Janeiro, au Brésil, une ville qui se caractérise par de fortes inégalités sociales.

Écrit par Jorge Jacob

Professor of Behavioral Sciences, IÉSEG School of Management

Depuis de nombreuses années, la recherche montre que les consommateurs à faibles revenus ont tendance à être plus sensibles aux prix que leurs homologues à revenus élevés. Cette sensibilité désigne le poids que nous accordons au prix par rapport à d’autres attributs lorsque nous formons des impressions sur les produits et services et que nous prenons des décisions d’achat. On peut dire que c’est le degré auquel le prix détermine la propension d’un client à acheter votre produit ou votre service.

Cette sensibilité plus forte chez les moins aisés s’explique par différentes raisons et dans diverses circonstances. La rareté financière rend les personnes défavorisées plus conscientes des prix, plus sensibles aux remises et plus préoccupées par le prix de toute expérience de consommation. Pour cette raison, les consommateurs à faible revenu finissent par se rappeler les prix des produits avec plus de précision et sont moins sensibles aux effets du contexte du magasin. Seuls des coûts élevés et une capacité de stockage limitée peuvent entraver la capacité des consommateurs à faible revenu à exercer leur forte sensibilité aux prix.

Cependant, les mégapoles du monde entier (Rio de Janeiro, New York, Paris, Madrid, Mexico, Johannesburg, par exemple) combinent deux éléments uniques : une forte densité de population et des disparités économiques importantes. Cette combinaison pose des défis uniques aux consommateurs à faible revenu. Souvent marqués par la stigmatisation et la discrimination, ils doivent non seulement faire face aux défis financiers inhérents à la pauvreté, mais aussi développer des stratégies pour naviguer dans les interactions avec les consommateurs plus aisés.

« Taxe psychologique du ghetto »

Dans une recherche récemment publiée dans des plus importantes revues internationales sur le comportement des consommateurs, nous révélons notamment que la peur de la discrimination pousse ceux à faible revenu à préférer faire leurs achats dans des magasins avec des consommateurs de la même classe sociale, même s’ils doivent payer plus cher.

Ainsi, la discrimination perçue basée sur le revenu constitue une « taxe psychologique du ghetto », qui peut également réduire la sensibilité aux prix chez les consommateurs à faible revenu. Par conséquent, cela montre que les consommateurs à faible revenu ne sont pas seulement sensibles à l’argent ; ils sont également particulièrement sensibles aux signaux du marché qui signalent une discrimination potentielle.

Pour comprendre ce phénomène, notre recherche a mobilisé cinq études à Rio de Janeiro au Brésil, ville caractérisée de fortes inégalités sociales, pour évaluer dans quelle mesure les consommateurs à faible revenus étaient prêts à renoncer à des opportunités d’achat financièrement avantageuses dans des environnements commerciaux haut de gamme.

Ces études, menées par l’IÉSEG School of Management en partenariat avec FGV EBAPE, révèle en effet que les consommateurs à faibles revenus préfèrent effectuer leurs achats dans des environnements où se rendent d’autres consommateurs d’un statut social équivalent. Cet effet est dû aux attentes élevées de discrimination des consommateurs à faible revenu dans des environnements commerciaux plus sophistiqués, une préoccupation pratiquement inexistante chez les consommateurs aisés.

Autrement dit, les consommateurs à faibles revenus préfèrent effectuer leurs achats dans des magasins où ils n’anticipent pas de sentiments de discrimination, même s’ils doivent payer plus cher pour cela. Et les consommateurs plus aisés, quant à eux, finissent par acheter le même produit dans l’endroit le moins cher, puisqu’ils ne prévoient pas la possibilité d’une discrimination, quel que soit l’environnement d’achat.

Une situation contournable

Par exemple, dans l’une des études, les chercheurs ont donné une somme d’argent fixe aux résidents des favelas de Rio de Janeiro à faibles revenus pour qu’ils achètent une paire de tongs et ils pouvaient garder la monnaie. Les chercheurs leur avons proposé deux options : soit acheter des tongs plus cher dans un kiosque à journaux dans la rue devant un centre commercial haut de gamme pour la valeur presque totale de l’argent qu’ils ont reçu, soit les acheter pour un coût beaucoup moins élevé dans un magasin de ce centre commercial et garder la monnaie.

Le résultat : dans leur grande majorité, les consommateurs à faibles revenus ont préféré éviter d’entrer dans le magasin du centre commercial haut de gamme, même s’ils avaient été informés qu’ils pouvaient y trouver un prix plus bas. Le même schéma ne s’est pas produit pour les participants qui avaient été informés que le centre commercial n’était pas haut de gamme.

Cependant, cette recherche adresse un message clair aux entreprises et aux détaillants : ils perdent un grand nombre de consommateurs importants simplement parce que leurs magasins et leur service client pourraient rappeler l’idée que leurs magasins ne sont pas faits pour tous les consommateurs, quel que soit leur niveau de revenu.

Elle montre aussi qu’il est possible de contourner cette situation : en mettant l’accent sur les valeurs liées à l’égalité de traitement de tous les consommateurs et/ou à l’appréciation de la diversité, il est possible de réduire les craintes de discrimination chez les consommateurs à faible revenu, qui se sentent alors plus à l’aise pour effectuer des achats dans des environnements commerciaux traditionnellement considérés comme ciblant uniquement les consommateurs plus aisés.

 

[Photo : Antonio Scorza/AFP – source : http://www.theconversation.com]

La littérature, ce stéthoscope ultrasensible, permet d’explorer de nouveaux imaginaires et nous renseigne aussi sur l’état de notre société, son passé, ses rêves, ses aspirations. À travers cette série, « Imaginer le réel  », on a ainsi observé comment le grand âge est représenté en fiction. Ce troisième épisode revient le succès du bovarysme.

Ramon Casas y Carbó, Après le bal, Art renewal

Écrit par Sandrine Aragon 

«Rêver d’un autre destin plus satisfaisant»: telle est la définition du verbe «bovaryser». Il est entré dans le Grand Robert en 2013. Un verbe de base anthroponymique, dérivé du nom de l’héroïne du roman de FlaubertMadame Bovary, paru en 1856 dans le journal La Presse. Sa description d’une épouse insatisfaite cherchant le bonheur auprès de ses amants a été condamnée pour non-respect des bonnes mœurs et de la morale en 1857. Cependant, son succès ne se dément pas: le roman a donné lieu à de nombreuses adaptations au cinéma ou en bande dessinée, comme Gemma Bovery de Posy Simmonds.

Dès le XIXe siècle, Barbey d’Aurevilly utilise, par dérivation, le nom «bovarysme» pour évoquer cette insatisfaction qui pousse à rêver d’une autre vie et à chercher l’évasion dans le romanesque. Le verbe «bovaryser» connaît aujourd’hui un regain de popularité. La propension à la rêverie amoureuse est-elle plus que jamais actuelle? Et surtout, est-elle typiquement féminine?

Emma, femme d’aujourd’hui

Fille de paysans, Emma Bovary a reçu une éducation supérieure à celle de sa classe sociale au couvent: elle y a appris la musique, la danse et la lecture. Elle a lu Paul et Virginie, puis Chateaubriand, mais surtout les romans d’amour de la lingère du couvent, lus en cachette dans son lit. «Elle frémissait en soulevant de son haleine le papier de soie des gravures […] c’était derrière la balustrade d’un balcon, un jeune homme en court manteau qui serait dans ses bras une jeune fille en robe blanche.»

Une fois mariée à Charles Bovary –un veuf, médecin de campagne–, elle continue à se nourrir d’histoires romantiques en souscrivant à des cabinets de lecture, ancêtres des bibliothèques. Avec Walter Scott ou Hugo, elle rêve d’amours dans des châteaux. Avec Eugène Sue, auteur réaliste, elle imagine le décor d’un bel appartement parisien.

Elle dévore tous les magazines qui parlent de la vie culturelle des Parisiennes«Elle s’abonna à La Corbeille, journal des femmes, et au Sylphe des salons. Elle dévorait, sans en rien passer, tous les comptes rendus des premières représentations, de courses et de soirées, s’intéressait aux débuts des chanteuses, à l’ouverture d’un magasin. Elle savait les modes nouvelles, l’adresse des bons tailleurs, les jours de bois ou d’opéra.»

Emma vit donc sa vie par procuration. La lecture romanesque distille un puissant «poison» dans l’esprit des femmes, une sorte d’opium, diront les juges lors du procès du roman.

L’identification du lecteur, qui est au cœur des analyses d’Umberto Eco dans Lector in fabula ou de Vincent Jouve, a été souvent considérée comme un trait de la lecture féminine. Les médecins du XVIIIe évoquent la délicatesse de l’esprit, la sensibilité exacerbée voire l’hystérie des lectrices; tandis que les censeurs mettent les maris en garde contre la comparaison avec des héros de romans.

Aujourd’hui, les femmes lisent toujours plus de littérature que les hommes et elles sont même majoritaires quand il s’agit de romans sentimentaux. Les jeunes Emma contemporaines lisent des romans de «chick lit»les collections Harlequin modernes.

Elles plébiscitent des romans qui font rêver d’amour, signés Marc Lévy ou Aurélie Valognes. Elles regardent des séries et des films romantiques sur leur ordinateur, dans leur lit, à l’instar de Bridget Jones. En couple, elles continuent avec de l’erotic romance, comme Cinquante nuances de Grey, dissimulé dans leurs liseuses. Elles suivent les célébrités –dans des magazines, sur Instagram ou TikTok–, et rêvent d’amour devant les émissions de téléréalité (43% de femmes regardent ces programmes, contre 18% des hommes).

Une femme qui cherche l’amour

Cependant, après avoir vécu par procuration, Emma sombre dans la dépression. Elle croyait trouver le bonheur dans la maternité, mais la réalité est décevante, et elle cherche le réconfort auprès de ses amants, Rodolphe, puis Léon, qui la délaissent à leur tour quand elle devient trop romanesque.

Le constat de Flaubert est là encore d’une extrême modernité. La quête éperdue de l’amour se fait aujourd’hui à travers des sites de rencontres, qui mêlent modèles de consommation et quête d’idéal, et aboutissent souvent à des désillusions. De même, les langues commencent à se délier sur la maternité et le post-partum, comme celle d’Illana Weizman, créatrice du hashtag #Monpostpartum, ou les témoignages liés au hashtag #RegretMaternel réunis en 2021 dans Mal d’être mère, de Stéphanie Thomas.

Une femme qui consomme pour compenser

Enfin, Emma Bovary, pour combler ses manques affectifs, se livre à des achats qui la mènent à la ruine. Elle commande les accessoires nécessaires pour jouer le rôle de ses rêves: écharpes, robes, et même «une papeterie, un porte-plume et des enveloppes, quoiqu’elle n’eût personne à qui écrire». Elle se rêve en héroïne de roman écrivant son histoire jusqu’au grand final: son suicide, en avalant de l’arsenic qui a «l’affreux goût de l’encre».

Dans son essai Beauté fatale, paru en 2012, Mona Chollet étudiait comment les médias poussent les femmes à dépenser toujours plus pour être conformes au modèle dominant de séduction féminine. Eva Illouz, dans La Fin de l’amour–Enquête sur un désarroi contemporain, publié en 2020, constate quant à elle que nos contemporains idéalisent la relation amoureuse tout en revendiquant leur liberté. C’est l’ère de ce qu’elle appelle les «emodities» (marchandises émotionnelles), qui compensent le manque d’émotions dans les relations: des petits cadeaux, des moments feel good (voyages, moments de bien-être) pour se sentir –ou se dire– heureux.

Emma Bovary est donc toujours parmi nous: c’est une lectrice en quête d’amour et victime de la mode, comme le disait Jean Rochefort.

Le bovarysme est-il typiquement féminin ?

Évidemment, ni le désir d’amour ni la rêverie ne sont proprement féminins. Flaubert aurait d’ailleurs déclaré «Madame Bovary, c’est moi», car adolescent, il cultivait ce goût du romanesque, s’identifiant à Don Quichotte rêvant d’idéal.

Julien Sorel, dans Le Rouge et le Noir, lit Le Mémorial de Sainte-Hélène et s’identifie à Napoléon. Il rêve d’action, il est «ambitieux», ce qui est connoté positivement contrairement au bovarysme, assimilé à une forme de passivité. S’ils ne réussissent pas, on parle, pour les hommes, d’Illusions perdues. Le roman de Balzac a été adapté au cinéma, tout comme Eugénie Grandet, l’histoire d’une fille unique très riche rêvant d’amour et se sacrifiant pour son cousin. Les femmes ne pouvaient avoir d’autre ambition au XIXe que de soutenir un homme, mais –heureusement– ces modèles littéraires sont datés.

Les femmes aujourd’hui ont bien d’autres moyens de se réaliser, mais on les invite encore à penser que l’amour serait la seule aventure qui leur permettrait d’exister. Mona Chollet, dans Réinventer l’amour–Comment le patriarcat sabote les relations hétérosexuelles, analyse comment l’amour est toujours idéalisé dans les films, les livres, les magazines ou la publicité. Au nom de l’amour, les femmes sont invitées à se dévouer, à se faire petites et à se taire pour être aimées, à tenir pour normal d’être seules dépositaires de la charge mentale du couple.

Elles acceptent d’aider leur conjoint à progresser, d’offrir leur amour, parfois jusqu’à la violence morale ou physique. L’homme viril est, lui, invité à se méfier de l’amour et à garder son argent, tel Rodolphe, le séducteur d’Emma qui refuse de l’aider. Pour Mona Chollet, les femmes modernes ne trouvent plus leur compte dans ces relations trop souvent inégales: à l’homme l’action, à la femme le soutien inconditionnel.

Des modèles de femmes d’action plutôt que d’amoureuses

Rêver d’idéal et de succès est tout à fait louable. Daniel Pennac parle à ce propos, dans Comme un roman, d’une «maladie textuellement transmissible» et d’un droit au bovarysme. Mais il faut ensuite pouvoir se battre pour réaliser ses rêves. Emma rêvait d’accomplissement à travers Charles, qui se révélait être un docteur médiocre lors de son opération du pied bot et un mari hors des codes classiques de la virilité (non binaire, dirait-on aujourd’hui), mais aimant et dévoué.

Emma Bovary était en lutte pour son «agentivité», autrement dit sa capacité d’action en tant que femme. Mais elle n’avait pas de modèle féminin actif, pas de Napoléon dans ses lectures. C’est en redonnant leur place à toutes les femmes qui ont agi dans l’histoire que l’on permettra aux jeunes lectrices du XXIe siècle d’avoir des modèles forts et inspirants.

Disney a fait évoluer ses héroïnes avec Elsa, Vaiana, Tiana, Mérida dans Rebelle, Raiponce ou Mulan. Désormais, les héroïnes prennent leur destin en main. Dans la littérature jeunesse, la série Mortelle Adèle met en valeur une antihéroïne qui n’aime pas l’amour, mais l’action. Elle a beaucoup de succès chez les jeunes garçons et filles, qui s’identifient à Adèle.

L’Anglaise Posy Simmonds a donné, avec Gemma Bovary, une version du roman dans laquelle les rôles sont inversés: c’est le boulanger normand qui rêve de sa belle voisine anglaise Gemma, avec ses souvenirs de Flaubert. Gemma est une femme moderne, qui prend l’Eurostar et retrouve son amant dans son van aménagé… tandis que Raymond rêve et lit dans sa chaumière.

Lire des autrices qui ont fait de leurs rêves et idéaux des créations puissantes permet de sortir également des représentations éculées. Maryse Condé, Margaret Atwood ou Annie Ernaux comptaient parmi les autrices pressenties pour le prix Nobel de littérature en 2021, finalement décerné à Abdulrazak Gurnah. Le prix Nobel doit être attribué à un auteur «qui a fait la preuve d’un puissant idéal» dans sa réflexion sur le monde, selon les directives d’Alfred Nobel. Toutes trois portent une réflexion nouvelle sur le monde et les femmes, avec des héroïnes modernes, inscrites dans les réflexions féministes du XXIe siècle.

[Source : http://www.theconversation.com]

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El dia que vaig comprar una rèplica de la Venus de Willendorf no la vaig mirar. Vaig guardar la petita figura a la butxaca i vaig esperar a asseure’m en un lloc tranquil. Aquell lloc va resultar ser una sala d’actes en què es projectava la pel·lícula de 1962 The miracle worker, sobre el despertar cognitiu de la xiqueta sordcega Helen Keller (El milagro de Ana Sullivan en la versió en castellà). Feia uns quants dies que li pegava voltes al que Helen Keller havia escrit sobre la seua percepció del món a través de les mans: «A través del tacte conec l’exuberància del sòl, les delicades figures de les flors, les nobles formes dels arbres i la varietat dels vents forts.» Llavors se’m va acudir explorar i memoritzar una figura amb el tacte, prescindint per complet de la vista. Mentre veia la pel·lícula vaig estar més d’una hora explorant aquella figura amb els dits, sense mirar-la en cap moment.

A poc a poc, en algun lloc del meu cervell (en l’escorça somatosensorial?, en l’escorça visual?, en ambdues?, en una altra part?) es va anar configurant la imatge tridimensional d’aquella coneguda mostra d’art del paleolític. Encara que tenia una idea de com era el seu aspecte bàsic, resultat del que pot ser una cultura general (una escultura menuda, rabassuda, d’una dona amb els pits molt grans), abans de la meua exploració tàctil seria incapaç de fer-ne un dibuix fidel. D’igual manera que si ara em demanen que dibuixe, de memòria, sense mirar un mapa, el perfil de les illes Canàries i la situació d’unes illes respecte a les altres.

«Som animals visuals i, de manera comprensible, la majoria de les persones a penes exercitem la memòria tàctil»

Les paraules de Helen Keller havien estimulat la meua curiositat: «No em correspon a mi dir si veiem millor amb la mà o amb l’ull. Només sé que el món que veig amb els meus dits és viu, rubicund i resulta satisfactori. El tacte proporciona a les persones cegues moltes certeses agradables que els nostres companys més afortunats es perden, ja que el seu sentit del tacte roman sense cultivar. Quan miren les coses, es fiquen les mans a les butxaques.» Em vaig preguntar com seria la imatge que generaria la meua ment després d’explorar una figura amb el tacte. Seria més fidel, més contundent, que la que podria obtindre en explorar-la amb la vista?

Lorenzo Ghiberti, després de veure a Roma una escultura d’Hermafrodit, va escriure: «La perfecció de coneixement, mestratge i art que mostra està més enllà de les capacitats del llenguatge. Les seues belleses més exquisides no poden descobrir-se amb la vista, només amb el tacte de la mà.» Recordava aquestes paraules mentre Mme. Willendorf feia voltes entre les meues mans. Vaig descobrir que la percepció tridimensional és molt més eficaç en usar les dues mans que només una. No sols hi ha més receptors sensorials treballant, sinó que el sistema propioceptiu –que s’encarrega de detectar la posició del nostre cos en l’espai– subministra informació sobre les posicions relatives de dits i mans.

Per a rematar el meu petit experiment, encara sense haver mirat a la cara ni una sola vegada la venus, vaig agafar un llapis i vaig tractar de dibuixar-la en un quadern, de memòria. Vaig fer tres dibuixos: de front, per darrere i de perfil. La memòria tàctil és clarament tridimensional: amb la informació que havia obtingut podia dibuixar-la des de qualsevol angle. El resultat em va semblar satisfactori. Ara faltava confrontar la meua memòria amb la figura; a aquelles altures tenia unes ganes boges de mirar-la. La vaig observar amb els ulls i la vaig trobar una mica més voluptuosa que com l’havien construïda en el cervell les meues mans, i amb el cap una mica més gros, però en essència el que havia arribat a la meua ment era una imatge acceptablement fidel.

Som animals visuals i, de manera comprensible, la majoria de les persones a penes exercitem la memòria tàctil; no obstant això, seria meravellós poder recórrer amb les puntes dels dits una escultura de Canova, de Donatello, o la Porta del Paradís de Ghiberti, i recordar aquella sensació anys més tard.

 

[Foto del autor – font: http://www.metode.cat]

O Goberno galego retirou un dos criterios nas axudas ás compras de bibliotecas que estabelecía que un mínimo de 25% das adquisicións debían ser en galego. Na última convocatoria, ese criterio foi cambiado por outro que indica que cando menos 50% das obras compradas deben estar escritas en castelán.

Interior da Biblioteca Ánxel Casal de Compostela

A Mesa Pola Normalización Lingüística denunciou esta segunda feira que as axudas para a adquisición de novidades editoriais e para a mellora das coleccións das bibliotecas das entidades locais convocadas este 2022 pola Xunta da Galiza « prexudican gravemente a lingua galega » en favor do castelán, xa que « non existe un mínimo obrigatorio de compra en galego ».

Nunha nota remitida aos medios, a entidade critica que a convocatoria para a compra de libros por parte das bibliotecas de entidades locais recolle que, « como mínimo », 50% do importe dos fondos Next Generation da Unión Europea (UE) « debe destinarse a fondo bibliográfico editado en castelán », mais non estabelece ningún mínimo para os libros editados en galego.

Aliás, de 50% restante, 10% poderase dedicar a adquirir fondos editados en linguas oficiais no resto do Estado español e en linguas estranxeiras.

A entidade censura que, até 2021, cando menos 25% dos libros comprados con cargo a estas axudas debían ser en galego. Porén, nesta última convocatoria ese criterio foi eliminado.

Risco de discriminación « noutros campos »

Segundo detallou a Mesa, a Xunta xustifica este « ataque ao galego » porque esta axuda conta con fondos europeos, polo que as porcentaxes mínimas ou máximas que corresponden ás distintas linguas estabelecéronse nunha conferencia sectorial de Cultura que decorreu o 23 de xullo de 2021.

Para o presidente da entidade, Marcos Maceira, esta argumentación do Goberno galego resulta « aínda máis preocupante » porque « parece que non vai ser o único campo no que o galego se vexa gravemente prexudicado fronte ao español na repartición de fondos europeos ».

« A peaxe que ten que pagar a sociedade galega pola chegada dos fondos europeos é a cesión ao castelán dos espazos de protección que tiña », lamenta o voceiro da entidade.

[Imaxe: B. Ánxel Casal – fonte: http://www.nosdiario.gal]

 

Em Sintra não faltam palácios de contos de fada e cenários de sonho. Escolher o mais bonito é tarefa quase impossível, mas Monserrate, uma obra prima do romantismo, com certeza, é um concorrente sério ao primeiro lugar.

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Assim que entramos na propriedade percebemos que estamos num local especial. No caminho que vai dar ao palácio chama-nos logo a atenção um arco ornamental indiano e uma escadaria que conduz ao interior dos jardins.

Aos poucos avistamos o palácio… um edifício extremamente belo, de estilo romântico que nos transporta para outra época e nos recorda que a história de Monserrate é muito antiga.

Conta a lenda que este lugar remonta aos tempos de Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, que nesta propriedade terá mandado erigir uma capela dedicada à Virgem Maria. Sobre as suas ruínas (das quais não existe nenhuma evidência histórica), foi construída, em 1540, outra capela, esta por iniciativa de Frei Gaspar Preto que, após uma viagem à Catalunha se maravilhou com o mosteiro de Montserrat, perto de Barcelona, e decidiu usar a propriedade que pertencia então ao Hospital de Todos os Santos de Lisboa — do qual era reitor — para construir uma capela dedicada a Nossa Senhora de Monserrate.

No século XVII, a família Mello e Castro tomou a Quinta de Monserrate e, em 1718, D. Caetano de Mello e Castro, comendador de Cristo e vice-rei da Índia, tornou-se o novo proprietário. Poucos anos mais tarde, em 1755, o grande terramoto de Lisboa destruiu o local, mas apesar do seu mau estado, a propriedade chamou a atenção de Gerard de Visme (um comerciante inglês que teria feito fortuna com diamantes) e este, em 1789, decide arrendá-la e mandar construir ali um edifício de estilo neogótico, onde habitou por poucos anos.

Monserrate encontra então um novo arrendatário — o escritor inglês William Beckford, que realiza obras de restauro no edifício e nos imensos jardins que o rodeiam, até deixar o local ao abandono em 1799.

Foi ainda em ruínas que Lord Byron encontrou Monserrate quando visitou a propriedade em 1809. A sua aparência magnífica, porém, inspirou o poeta, que escreveu sobre ela e atraiu o interesse de mais viajantes estrangeiros. Um deles foi Francis Cook, outro rico comerciante inglês que acabou por comprar a propriedade em 1863 e a transformou naquilo que ela é hoje — uma obra prima do romantismo!

Para materializar o seu sonho, Francis Cook contou com a ajuda do arquiteto James Knowles Jr., que projetou um palácio onde se combinam as influências góticas, indianas e mouriscas; e com as ajudas preciosas do paisagista William Stockdale, do botânico William Neville e do mestre jardineiro James Burt que nos jardins prolongaram harmoniosamente os motivos exóticos da decoração interior.

O Parque de Monserrate recebeu espécies vindas de todo o mundo, que foram organizadas por áreas geográficas, refletindo as diversas origens das plantas e compondo cenários românticos ao longo de caminhos, por entre ruínas, recantos, lagos e cascatas.

Neste cenário paradisíaco, foram passadas as férias de verão da família Cook e organizadas grandes festas até 1949, ano em que o governo português adquiriu a propriedade.

Nas últimas décadas o palácio e jardins foram totalmente restaurados e apresentam-se hoje em toda a sua gloria e exuberância.

Ao entrar pela porta lateral, a primeira coisa que vemos é a bela fonte no centro do palácio, localizada diretamente sob uma cúpula de vitral vermelho rosado. Os detalhes são impressionantes: todas as paredes e tetos têm diferentes padrões de gesso refletindo a natureza e a folhagem.

Os corredores, a sala de música, a biblioteca, os quartos, escadarias, varandas, os tetos hipnóticos… tudo parece fazer parte de um bonito sonho do qual não queremos acordar. Um passei pelos jardins só reforça essa ideia, principalmente quando chegamos à ruína criada a partir da capela edificada por Gerard de Visme em substituição da antiga capela de Nossa Senhora de Monserrate.

Engolida pela vegetação, a ruína é já indissociável da árvore da borracha australiana, que sobre ela cresceu e lhe dá um aspeto incrível e surreal.

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É um lugar maravilhoso, que quem visita Sintra não deve perder!

Como chegar

De automóvel:

Pode chegar à Vila de Sintra seguindo:

  • IC19 (desde Lisboa)
  • IC30 (desde Mafra)
  • EN9 (desde Cascais, pela A5)

O Parque e Palácio de Monserrate localiza-se na estrada que liga o centro da Vila de Sintra a Colares (EN375).

Coordenadas GPS – 38º47’38.515″N 9º25’15.413″W

Há pouco estacionamento dentro do Parque Monserrate. Se vier de carro chegue cedo para garantir uma vaga.

De transportes públicos:

Apanhe o comboio (CP) Lisboa > Sintra – Linha de Sintra

Estações de origem:

  • Estação de Oriente
  • Estação do Rossio
  • Estação de Entrecampos

Em SINTRA (na estação ferroviária) apanhe o autocarro n.º 435 (Scotturb)

Horários

Horários (parque) 09h00 — 19h00 (último bilhete e última entrada 18h00)
Horários (palácio) 09h30 — 18h30 (último bilhete 17h30 e última entrada 18h00)
A bilheteira encerra entre as 12h00 e as 13h00, mas há pontos de venda automática de bilhetes disponíveis.

Preços:

  • Bilhete adulto (de 18 a 64 anos) — 8 €
  • Bilhete jovem (de 6 a 17 anos) — 6,5 €
  • Bilhete sénior (maiores de 65 anos) — 6,5 €
  • Bilhete família (2 adultos + 2 jovens)  — 26 €
  • Bilhete gratuito aos domingos para quem vive no concelho de Sintra

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Tchau!

Travellight

 

 

[Fotos: Travellight e H. Borges – fonte: thetravellightworld.blogs.sapo.pt]

Escrito por JOSÉ CRESPO ARTEAGA

Oruro era décadas atrás la capital del pejerrey. En las riberas de su alargado lago Poopó, un verdadero mar interior, comunidades uru-chipayas y aymaras vivían enteramente de la pesca. Bien recuerdo que cajonadas de pescado fresco enviaban a ciudades como Cochabamba y La Paz, e incluso llegaban hasta el pueblo de mi niñez, a buenos centenares de kilómetros. Los jueves de madrugada arribaban los comerciantes orureños con mercaderías diversas, entre estas algunas cajas de madera con pescaditos plateados de olor sumamente penetrante. Yo deploraba toda aquella peste en la casa. Pero en cuanto mi madre, luego de un moroso descamado, los sumergía en la sartén y nos servía a la mesa, comía sin rechistar hasta chuparme los dedos. Crocantes frituras de suave corazón tan blanco que no tenían parangón.

Muchos recuerdos todavía guardo de mis viajes juveniles a Oruro. Espléndidas meriendas en casa de mis tíos, en las que era normal que sirvieran pejerrey casi todas las noches, preparado de mil maneras por su hábil cocinera, de trenza larga y perenne sonrisa, una extrañeza entre las cholitas aymaras de rostro mayormente adusto. El estómago agradecía aquellas sobrias degustaciones de carne magra y de fácil digestión, considerando la altura y la climatología fría de la urbe orureña.

Como se sabe, hoy el Poopó es un erial de arena, tierra resquebrajada y desolación. Barcas volcadas en las resecas orillas de blanco salitroso, testimonian que el agua ha retrocedido para quizás nunca más volver. Como huyeron los patos y flamencos, la gente abandonó paulatinamente sus comunidades lacustres. El pescado, prácticamente ha desaparecido de los mercados de la ciudad altiplánica, ahora se lo trae desde el Titicaca y los ríos tropicales de tierras orientales. Acompañando a mi primo esos días de Semana Santa a efectuar la compra, se me iban silbidos de sorpresa al ver los precios en la pizarra: tan elevados que consumir pescado se ha vuelto un asunto privativo, cuando antaño la abundancia permitía que lo consumiese todo el mundo. Y lo peor, que cuando fuimos a buscarlo el sábado, casi todo se había esfumado para el Viernes Santo. No había dónde escoger.

Menos mal que el primo había comprado con anticipación una docena de filetes medianos. Una cantidad rácana, posiblemente llegada del lago Uru-Uru, un lago menor también en serio riesgo de secarse, a las puertas mismas de la ciudad por el lado sur. Como su afilado ojo de chef aficionado estimaba que la provisión no alcanzaría fuimos a por más a un mercado céntrico, donde además aprovechamos para adquirir verduras y otros ingredientes necesarios para un suculento pescado al horno. Fracasamos en nuestro intento de hallar pejerrey -no había ni rodajas del soso surubí para disimular el asunto-, así que compramos unas pechugas de pollo. Total eran carne blanca, pensábamos.

Con los ingredientes a bordo, el chef dio inicio a la faena. Su mujer desapareció de la cocina, diciéndome que cuando él cocinaba no se metía para nada. Yo no me lo creía todavía que mi primo, el ingeniero civil, fuese un consumado entusiasta de los fogones y sus secretos. Con razón no había ahorrado detalle en el diseño de su amplia cocina, un conjunto de aire minimalista, con los elementos (fogón, horno, microondas, estanterías) estratégicamente distribuidos que hacían perfecto juego con el mesón de granito negro. Y la iluminación ambarina sutilmente desplegada en el cielo raso aumentaba la sensación de calidez. Daba gusto cenar allí, seguro que sí.

Pues bien, mientras el pejerrey marinaba media hora en caldo de limón, que yo mismo contribuí a prensar, el cocinero cortó aros de inmensas cebollas blancas que junto con tiras de pimentones rojos se puso a sofreír en mantequilla, esperando que soltaran el jugo, al que añadía unos toques de vino blanco para que se impregnara de su bouquet. A continuación añadió los trozos de tomate que con gran esfuerzo había yo pelado. Hervían las papas waych’as de reciente cosecha, con cáscara, que unos minutos más de cocción y se nos deshacían de lo harinosas que eran. Escurrido el limón, sobre una capa de las verduras sofritas se depositaron cuidadosamente uno a uno los delgados filetes del preciado pescado, salpimentado con moderación. Lo mismo, se lo cubrió por encima con otra capa a la que se añadió unas ramitas de cilantro. A esperar veinticinco minutos, entonces.

Mientras tanto, pelamos las papas cocidas y las cortamos en rodajas. Junto al pollo asado, cortado en cachitos que, para ahorrar el trabajo habíase comprado en una rosticería, el chef las puso en otra bandeja, regándolas con queso rallado para que se derritiera con el gratinado. Eran las nueve de la noche cuando llamaron a cenar. Los chicos pusieron la mesa y se los veía entusiasmados con el trabajo del padre, que fue puntilloso hasta con servir personalmente para que a nadie le faltara. A punto de iniciar el ritual, uno de los muchachos preguntó por esa rara carne desmenuzada que acompañaba el pescado; al instante reaccioné diciéndole que era faisán, algo que solo se degustaba en mesas de reyes y nobles, añadí para pillarle en su inocencia. Pero parece pollo, replicó después de probar; bueno, comételo como si fuera auténtico faisán, le respondí ocultando una sonrisa burlona. Nos echamos unas risas mientras devorábamos bocado a bocado aquel inédito plato de autor, que por razones merecidas bauticé como Pejerrey a la Luchín. Juro por mis andanzas culinarias que jamás he probado carne más delicada, tierna y sabrosa que un buen filete de pejerrey horneado.

Mi primo me dio el tiro de gracia sacando un riesling de la nevera, varietal desarrollado por la casa Campos de Solana, quedándome gratamente pasmado de que nuestro paisito produjese tal cosa. Desde ya su tonalidad amarilla tirando a dorado y su aroma intenso a frutas me despertaron las ansias de probarlo. Delicioso elixir con toque ácido que me recordaba a gallardos cavas de la lejana Cataluña. Al día siguiente, domingo a mediodía, me despedí con dolor de mis solícitos anfitriones. Que me dejaba el bus, y que no había tenido tiempo para dar fin a los últimos rescoldos de esa inolvidable cena. Por eso era el dolor.

[Fuente: perropuka.blogspot.com.]

Des outils permettent désormais d’estimer le «juste prix» à payer pour une bouteille. Pour l’instant réservés aux grands crus, ils pourraient rapidement influencer le marché grand public.

Cette année, le célèbre château Cheval Blanc a été lancé au prix de 390 euros la bouteille. Nicolas Tucat/AFP

Écrit par Philippe MassetJean-Philippe Weisskopf et Jean-Marie Cardebat 

Tous les ans, entre avril et juin, Bordeaux entre en effervescence. C’est la campagne des primeurs. Ce moment où les vins, encore en élevage dans leurs fûts de chêne, sont goûtés par les professionnels, les journalistes et les grands experts. Tous pourront se faire une opinion sur la qualité des vins présentés.

Les grands experts noteront les productions de chaque château, tandis que les châteaux annonceront les prix en primeur de leurs vins. Ce prix auquel les négociants pourront immédiatement acheter les vins et les revendre dans la foulée, aux professionnels comme aux particuliers. La livraison effective n’aura lieu que l’année suivante, lorsque le vin aura terminé son élevage et aura été mis en bouteille.

Lorsque les premiers prix «sortent», une grande fébrilité s’empare de la filière. Quelle va être la tendance du marché? Quel château va se montrer raisonnable ou, au contraire, déraisonnable en augmentant fortement ses prix, au risque de mal vendre ses vins? Quelles sont les «bonnes affaires»? La sortie des prix primeurs est abondamment commentée sur toute la planète vin. Et acheteurs et vendeurs s’entendent finalement rarement sur la notion de juste prix: c’est ici que les économistes interviennent.

Définir le «juste prix»

La notion de «juste prix» est une des plus anciennes questions économiques. Introduite par Aristote, développée par saint Thomas d’Aquin, elle sera au centre des ouvrages économiques d’Adam Smith, de David Ricardo et de biens d’autres encore. En dehors de sa dimension morale, elle renvoie à un prix qui reflète les déterminants économiques fondamentaux et qui, par définition, ne doit être ni sur ni sous-évalué, ne lésant ainsi ni l’acheteur ni le vendeur.

Décomposer le prix d’un vin en fonction de l’ensemble de ses caractéristiques, tout en prenant en compte les cycles du marché et les déterminants économiques de la demande, permet d’évaluer précisément le juste prix d’un vin. Ce juste prix est donc issu de facteurs idiosyncratiques et de facteurs communs influençant le marché du vin.

Dans une étude à paraître, nous nous sommes livrés à cet exercice. Nous avons cherché à estimer le «juste prix» des primeurs bordelais de ce printemps 2022 sur la base de la dynamique des prix depuis le milieu des années 2000 sur le marché secondaire sur lequel s’organise la revente des bouteilles, les variables économiques influençant la demande. Partant du fait que les marchés primaires et secondaires sont forcément reliés, nous avons construit un modèle d’estimation du prix des vins sur le marché secondaire, que nous appliquons ensuite aux vins sortant sur le marché primeur.

Des participants à la « semaine des Primeurs » en pleine séance de dégustation, le 25 avril 2022 à Bordeaux. Philippe Lopez/AFP

Ainsi, le prix d’un vin va dépendre de sa réputation (la prime liée à la marque telle que repérée sur le marché secondaire), de son âge (un an de plus ou de moins donne un prix plus élevé ou moins élevé de 3%), de la qualité du millésime (repérée par les grands experts) et de la qualité intrinsèque du vin (donnée par de grands experts, également sous forme de notes). Ce modèle a un pouvoir explicatif très fort (98%) de la variance des prix expliqués.

Un calcul plutôt fiable

Appliqué aux primeurs, il fonctionne très bien. Les premières sorties révèlent que la plupart des châteaux, au moment où nous écrivons, sortent à un prix conforme à leurs fondamentaux issus du modèle. À titre d’exemples, le célèbre château Cheval Blanc a été lancé au prix de 390 euros, quand le modèle donnait un prix fondamental de 384 euros; le cinquième cru, classé 1855 de Médoc, Château Cantemerle, est sorti à 18 euros, pour un prix fondamental de 18,90 euros. En moyenne, le taux de divergence entre le modèle et les dix premières sorties est de 2,27%.

Trois châteaux seulement s’écartent significativement de leur prix fondamental (en les excluant, le taux de divergence du modèle passe à 0,41%), à la hausse comme à la baisse. Cette différence peut s’expliquer par des stratégies commerciales particulières, avec des arbitrages opposés entre la création de valeur, liée à un prix élevé, et l’écoulement rapide des volumes, lié à un prix mesuré. Cet écart peut aussi s’expliquer par une lecture particulière de l’évolution à venir du marché ou encore une volonté de positionnement différent du vin (volonté de montée en gamme par exemple).

Mais l’enjeu est ailleurs. Pour intéressante que soit l’étude des prix des primeurs bordelais, c’est l’extension de cette étude aux vins «grand public», disponibles dans les canaux de distribution standards qui pourrait impacter le marché de masse (mass market).

Bientôt des sommeliers virtuels?

Au regard de l’ampleur des bases de données disponibles sur le web concernant le vin, cette méthodologie peut en effet être étendue à des dizaines de milliers d’autres vins. Rappelons que la seule application Vivino revendique plus de 50 millions d’utilisateurs et compile de l’information (y compris des notes sur les vins données par les utilisateurs) pour, justement, plusieurs dizaines de milliers de vins. Modéliser le juste prix de ces vins apparaît donc possible, toute l’information étant disponible.

Modéliser le juste prix des vins « grand public » apparaît désormais possible. Denis Charlet/AFP

Un chercheur australien a d’ailleurs déjà créé un petit algorithme permettant de sortir le «juste» prix d’un vin en fonction des caractéristiques rentrées par l’utilisateur.

Nul doute que de nouveaux algorithmes, plus performants et, surtout, brassant beaucoup plus de vins, vont fleurir. Le développement des notes et des commentaires issus des consommateurs eux-mêmes sur les applications dédiées aux vins enrichira en données ces algorithmes qui délivreront des prix «fondamentaux», ou «juste prix», pour éclairer les consommateurs dans leurs choix.

De la même façon que l’intelligence artificielle est largement utilisée dans le conseil pour le choix des vins (en fonction de vos, goûts, de vos achats précédents, de ce que vous aimez manger, etc.), les sommeliers virtuels seront certainement capables très bientôt de vous dire à quel prix acheter un vin. Devant un rayonnage, il vous suffira sans doute de scanner des prix et des bouteilles pour savoir si vous faites une affaire ou s’il vaut mieux passer son chemin.

Cet outil d’aide à la décision, amené à se développer, conduira à une meilleure efficience du marché en réduisant l’asymétrie d’information qui pèse sur le consommateur, confronté à un choix délicat face à des centaines de vins. On ne peut que s’en réjouir.

L’abus d’alcool est dangereux pour la santé, à consommer avec modération. L’alcool ne doit pas être consommé par des femmes enceintes.

 

[Source : http://www.theconversation.com]

Bienvenidos a San Baltazar Guelavila, localidad en la que inicia la historia y producción de un mezcal auténticamente oaxaqueño.
 
Son las ocho de la mañana y la Alameda de León en Oaxaca comienza a ver movimiento en forma de vendedores de globos, bicicletas de raspados, puestos de ropa, organilleros, boleros y creyentes que se enfilan a recibir la bendición mañanera en la catedral. También hay algunas parejas disfrutando de las bondades del verano, un par de señoras planeando su ruta turística desde la comodidad de una banca y algunos charcos que decoran el paso peatonal como prueba de la tormenta de la noche anterior. Una hora más tarde —y después de la parada obligada en la tienda de autoservicio que da por iniciado cualquier roadtrip— hemos cambiado la ciudad por el paisaje color verde y el olor a tierra mojada de la región de los valles centrales del estado, donde, en compañía de Mezcal Unión, nos acercaríamos al proceso de elaboración detrás del destilado más popular del momento.
 
Un arco color azul con letras negras y la leyenda “Bienvenidos a San Baltazar Guelavila” marca la llegada a nuestro destino. A partir de este punto, la carretera se convierte en una pequeña calle que a su vez se convierte en un camino de terracería que conduce a uno de los 14 palenques involucrados en la producción de Mezcal Unión. Estos lugares son manejados por distintas familias oaxaqueñas y pueden aportar desde mil hasta cinco mil litros mensuales de líquido, según su capacidad. El palenque de San Baltazar es el principal de la marca, un pequeño oasis natural en medio de la nada donde el sonido del agua de un riachuelo se combina con el del mezcal recién destilado que cae en pequeñas garrafas de plástico.
Mezcal Unión nace en 2009 con la intención de generar un cambio positivo en el país por medio de la colaboración, apoyando la producción artesanal y creando puentes con las comunidades. Este es un mensaje que lleva cada botella de mezcal joven y viejo de la marca. El primero, elaborado con maguey espadín y cirial; y el segundo, con espadín y tobalá, considerada como una de las plantas más complejas de la familia Agavoideae   
 
 
El proceso de elaboración de mezcal comienza en el campo, donde la división agrícola de Unión opera como una sociedad que beneficia a más de 15 familias magueyeras, cuyos integrantes reciben el título de socios productores, jamás empleados. Las plantaciones de maguey se distribuyen en las poblaciones de San Juan del Río, Matatlán, Santa Ana Tavela, Santa María el Palmar y San Baltazar. En estos predios, la producción se realiza libre de fertilizantes y pesticidas, y con un cuidado manual durante los primeros y últimos dos años de vida de cada planta. Esto resulta en magueyes de buen tamaño y con una gran concentración de azúcar y sabores naturales, que, después de seis o siete años de maduración, están listos para desprenderse de sus hojas en el proceso de la jima con ayuda de afilados machetes para, literalmente, quedarse con el corazón expuesto (también conocido como piña).
Cuando llegamos al palenque de San Baltazar, cientos de piñas acababan de arribar provenientes de una plantación en San Juan del Río. Una parte del equipo de don Pedro Hernández, maestro mezcalero de Unión, afilaba las hachas para partir cada piña en dos o cuatro pedazos (dependiendo del tamaño), mientras que otra se encargaba de la preparación del horno, donde posteriormente terminarían 12 toneladas de corazón de maguey listas para la cocción. Motivada por la curiosidad, me aventuré a partir un par de piñas (o al menos lo intenté) mientras los integrantes del equipo de don Pedro se encargaban de hacer lo propio en no más de tres hachazos perfectos. Es un movimiento tan natural que parece más heredado que aprendido.
La palabra mezcal significa “corazón de maguey cocido” en náhuatl, y aunque nos encontrábamos en territorio zapoteco, el misticismo del horno es más grande que cualquier clasificación cultural. Primero se encienden los troncos, luego va la piedra de río y, después de varias horas, el humo sale del enorme hueco en la tierra indicando que todo está listo para recibir a las piñas en un proceso de cocción lenta. En esta ocasión, la mano de obra del palenque se llenó de curiosos que, poco a poco, dejamos a un lado las cámaras y los celulares para unirnos a lo que parecía una ceremonia semisilenciosa de esfuerzo colectivo, únicamente interrumpida por el ocasional gruñido que resulta de cargar las piñas más pesadas. Una vez llenado el horno, todo se cubre con costales y tierra, y se deja reposar durante tres o cuatro días. Después de este tiempo, la piña —ahora cocida— pasa al proceso de molienda realizado en la tahona, un espacio circular donde una gran rueda de piedra jalada por un caballo se encarga de extraer el jugo azucarado del agave. Esta mezcla se deja fermentar de cinco a siete días, dependiendo de la época del año y la temperatura del ambiente.
 
Mientras celebramos el exitoso tapado del horno con cervezas y vasitos de mezcal, don Pedro Hernández se pasea entre los tanques de acero inoxidable para supervisar el destilado de sus creaciones. “Aquí se está haciendo el primer destilado, del que va salir un mezcal ordinario de 20 grados de alcohol”, explica don Pedro mientras da un sorbo a su jícara como parte del control de calidad del proceso. En el segundo destilado, la concentración alcohólica se eleva hasta los 55 grados. Después de darle el visto bueno, don Pedro rellena su jícara para darme a probar del transparentísimo líquido en lo que me pareció un gesto de confianza para el que no estaba preparada, pues el segundo destilado es solo para valientes y locales acostumbrados a su potencia. Esto me lo confirma don Pedro con una carcajada y agrega: “Hay que rectificarlo pa´que no se ahogue”. Él se refiere al proceso de mezcarlo con agua para llegar a la graduación comercial deseada.
Son las cinco de la tarde y el palenque de San Baltazar está en silencio después de la jornada. Filgoño, Teodoro, Aurencio, Armando, Francisco y el tío Joel (apodado así por ser el más grande del grupo) han terminado sus actividades del día y se disponen a volver a casa. Antes de despedirnos, me comparten algunas historias acerca de sus amigos en Estados Unidos, presumen las artesanías con palma que venden sus esposas en las ferias cercanas, y aseguran que las mejores piñas siempre son las que crecen en las laderas, por como les llega el agua, y las que se plantan al lado de la casa, porque son como familia. Y es que para apreciar y conocer un mezcal hay que ir mucho más atrás del producto final. 
Básicos gastronómicos en Oaxaca
Para desayunar: Itanoni – nada como empezar el día con una taza de chocolate caliente —ya sea en leche o en agua— de esta antigua tortillería que rinde homenaje a las distintas variedades de maíces nativos de la región con las mejores quesadillas, memelas, tetelas, gorditas y un pozole delicioso.¿Qué pedir? el taco con hoja santa, frijol y quesillo.
Para comer: Mercado 20 de Noviembre – en el icónico pasillo de humo del mercado más popular de la ciudad, decenas de marchantes ofrecen cortes de carne que puedes comprar para llevar o pedir que te preparen al momento. Para complementar: una cerveza bien fría, un par de tlayudas y un guacamole con mucho limón y jitomate.¿Qué pedir? tasajo al carbón, siempre.
Para cenar: Casa Oaxaca – además de su espectacular vista hacia el templo de Santo Domingo, el restaurante del chef Alejandro Ruiz es conocido por reinventar recetas tradicionales con un ligero toque de fine dining en cada plato. Los postres y las tortillas hechas a mano también son para morirse. ¿Qué pedir? la tlayuda con rib eye y el mole de temporada.
El extra: Casa Estambul – decorado con murales de Ramón Sanmiquel, Toño Camuñas y Dr. Lakra, este lugar —mitad bar, mitad galería— es uno de los imperdibles en una noche de fiesta oaxaqueña. Aquí nunca falta la música en vivo, el baile, la buena vibra y el mezcal.¿Qué pedir? el rosemary, un coctel preparado con ginebra, limón, licor de melón y aromatizado con romero.
[Fuente: www.travesiasdigital.com]