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Los estudis comprendràn de corses de lenga, d’istòria, de cultura, d’organizacion e gestion d’eveniments, de musica e d’etnomusicologia

La Nòva Escòcia es una província maritima de Canadà ont, delà l’ultramajoritari anglés e lo francés, se parla, entre tant, la lenga mik’mag e lo gaelic escocés. Ara, son primièr ministre, Iain Rankin, a anonciat un investiment d’1,92 milion de dolars (aperaquí 1,25 milion d’èuros) per renovelar un ancian convent e i crear un campus universitari del Collègi Gaelic ont se fa d’estudis superiors del gaelic escocés, ço rapòrta Nova Scotia.

“Aquel investiment ajudarà a promòure, preservar e perpetuar la lenga, la cultura e l’identitat del gaelic”, çò diguèt Rankin en remarcant l’importància de l’educacion e de las comunautats pel mantenement e per la promocion de la lenga.

Los estudis comprendràn de corses de lenga, istòria e cultura gaelicas, un certificat executiu en organizacions culturalas e gestion d’eveniments e un autre certificat executiu en musica e etnomusicologia.

[Imatge: Colaisde na Gàidhlig / The Gaelic College – poblejat dins http://www.jornalet.com]

Em 2020, período em que as buscas por alimentos saudáveis e naturais cresceram, a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel viu as exportações subirem 52%.

Escrito por Thais Sousa

O Brasil exportou 45.626 toneladas de mel em 2020, um aumento de 52% frente a 2019. O que pode explicar esse crescimento? “Acredita-se que o aumento na demanda por produtos das abelhas esteja relacionado à pandemia do coronavírus, visto que as pessoas de todo o mundo estão em busca de novos hábitos alimentares saudáveis, evidenciando o aumento neste período na procura pelo mel orgânico brasileiro e pela própolis do Brasil”, disse Suelen de Palma Tomazella, gerente administrativa da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel).

Para a gerente, um dos fatores que incentivaram essa subida nos embarques é o impacto da pandemia no mercado chinês, principalmente no primeiro momento. A China é o principal exportador de mel no mundo e, com a pandemia, o as exportações do país ficaram travadas durante um bom tempo, e a demanda deles foi direcionada a outros produtores, como o Brasil.

Outra explicação está na fama de alimento saudável, natural e que pode, ainda, reforçar o sistema imunológico. Apesar de não saber se essa demanda vai sustentar-se no cenário pós-covid, a Abemel está otimista. Os brasileiros têm observado o comportamento dos consumidores europeu e norte-americano, habituais consumidores de mel, e vê uma tendência do alimento se sedimentar em mercados mais maduros, e consolidar-se no Brasil.

Doçura saudável

Consumidores têm buscado produtos mais saudáveis para consumo no lar.

Os novos hábitos alimentares alavancados pela pandemia contribuíram especialmente para a entrada do produto nos lares. “O consumidor tem passado a maior parte do tempo dentro de sua casa, possibilitando a escolha de produtos com melhor qualidade para sua família, em detrimento dos produtos oferecidos em food service”, ponderou a gerente.

Os produtos ligados à saudabilidade chamaram especial atenção, como o mel orgânico brasileiro e o extrato de própolis. De acordo com Tomazella, estudos científicos chegaram a demonstrar que o própolis é um produto que estimula o sistema imune, e é um aliado para evitar sintomas mais graves, o que impulsionou a procura.

Em 2020, a associação observou a demanda internacional crescer e puxar os preços internacionais do produto. Em paralelo, houve uma forte valorização do dólar em relação ao real. “Isso potencializou o preço do mel no nosso mercado. Atualmente, mais de 80% do valor do quilo exportado fica com o produtor rural. Logo, observamos uma maior renda chegando ao produtor rural. O aumento das exportações refletiu no aumento da produção, muitos produtores rurais voltaram a incrementar suas produções de mel para atender a demanda. Neste período, houve também um estímulo para a produção de própolis”, destacou ela.

Oportunidade no mercado árabe e halal

As exportações do Brasil ainda são muito concentradas nos Estados Unidos, que soma 75% do mercado, e na Europa. “Infelizmente os países árabes ainda não figuram como grandes consumidores do mel brasileiro. Essa é, sem dúvida, uma oportunidade ao mel brasileiro, visto que o consumo do mel é parte da cultura árabe”, afirmou Tomazella.

A produção nacional volta-se cada vez mais para a demanda internacional.

Em 2020, o Omã, principal destino árabe do mel brasileiro, importou apenas 61 toneladas.  Para a gerente da Abemel, um país que tem tido papel importante em chamar atenção para o mercado árabe são os Emirados Árabes Unidos. A nação tem realizado eventos, feiras e missões comerciais envolvendo o setor. “No ano passado, a pandemia acabou atrapalhando os planos. Entretanto, assim que voltarmos à vida que tínhamos antes – e confiamos que isso irá acontecer em breve – é fato que a presença nesses países tem todo potencial para gerar negócios”, concluiu ela.

Apesar de diversos mercados demandarem produtos com certificado halal, para os exportadores o custo ainda é um entrave. “É importante destacar que embora o Oriente Médio seja um mercado de grande potencial para o mel brasileiro, os custos acerca da certificação halal são ainda muito elevados, o que muitas vezes inviabiliza o empresário na obtenção da certificação frente aos retornos apresentados”, afirmou a gerente da associação.

Consumo nacional

As variáveis do último ano impulsionam a produção nacional de mel cada vez mais para o mercado externo. Apesar disso, no setor o sentimento é de que houve aumento na procura nacional durante o último ano de 2020.

A questão, no entanto, para Tomazella, é o longo prazo. Historicamente o consumo de mel pelo brasileiro é limitado. “O consumo de mel per capita no mundo gira em torno de 220 gramas por habitante por ano. Na Europa chega a ser em torno de 1 a 1,5 kg por pessoa no ano, e nos EUA fica em torno de 600g por habitante no ano. No Brasil, esse valor não passa de 60g consumidos por pessoa no ano. Um consumo extremamente baixo, e isso tem várias razões. O Brasil, como grande produtor de um mel considerado melhor do mundo, ainda precisa voltar seus olhos para o estímulo do consumo interno”, defende a gerente da Abemel.

[Fonte: http://www.anba.com.br]

Conoce más de este proyecto en la ciudad de Oaxaca.

café en chiapas

Mariana Castillo

Escrito por

Este proyecto nació en 2006, en medio de la incertidumbre. Por aquella época estalló el conflicto magisterial en Oaxaca y la situación social no era fácil. Berenice Barragán, una abogada internacionalista, volvió a su ciudad natal para atender algunas situaciones familiares, mientras que Kyle Drumgoole, un sociólogo gringo adicto al café, se la pasaba leyendo y probando distintos cafés en la ciudad de Oaxaca. Un día, con un poco de suerte, coincidieron en un establecimiento. Platicaron, se gustaron, tomaron una taza de café y ninguno se imaginó lo que pasaría. El cuento corto: se hicieron novios y emprendieron un pequeño negocio de café en la calle García Vigil. El cuento largo: él ya había sido barista en una barra de especialidad durante años en Estados Unidos —en Small World Coffee, para ser exactos— y uno de sus sueños era tener un café en México que ofreciera productos de la mejor calidad, velara por el bienestar social y comunitario, y fuera un epicentro de creatividad. Ella estaba dispuesta a tomar riesgos y asentarse nuevamente en Oaxaca.

El inicio fue extraño. Cuando tomaron el local, este estaba literalmente en cenizas debido a los conflictos armados. Tenían café, desayunos y hacían pan. “Era un lugar muy pequeño, pero con mucho encanto. Al principio eran unas jornadas larguísimas y hacíamos todo nosotros”, nos cuenta Berenice. No era para menos, pues Café Brújula fue la primera barra de especialidad en la ciudad de Oaxaca y la primera en ofrecer panadería europea, según nos cuenta el ahora matrimonio de emprendedores. “Cuando llegué a Oaxaca me sentí en casa. Este caso ha sido de tenacidad, de intentar perseguir tus oportunidades y que la suerte te agarre trabajando”, nos dice Kyle con confianza.

Quince años después de haber puesto la primera piedra, Café Brújula tiene más de 10 sucursales (sin ser franquicia) y 29 variedades de mezclas de café. No es gratuito. Parte importante es el sentido de comunidad y confianza por el que han apostado. Kyle cuenta que una de las primeras innovaciones que hizo fue la distribución de los asientos y mesas. “Quería crear una atmósfera horizontal, donde la gente pudiera convivir y el espacio se prestara para intercambiar ideas”. Fue así que instalaron mesas comunales. Otra parte fundamental es la trazabilidad de sus productos. En cada bolsa de café se encuentra la información del productor, la fecha de tostado, las notas y un código QR que te abre una página con más información, como la historia de cada café e incluso con la fotografía de los productores.

Brujufinca

Café Brújula

La Brujufinca nació en el 2016 como parte del crecimiento de Café Brújula y el deseo por cultivar ellos mismos el café y otros productos. Es un proyecto que se ubica en el bosque de niebla, en la región de Pluma Hidalgo. Ahí trabajan con dos agrónomos y un equipo que se encarga que mantener los suelos nutridos y vivos. Cultivan variedades como Pluma Hidalgo, Geisha y Borbón. La pizca se hace a mano y el fruto de café pasa por un proceso de fermentación controlada para potenciar los sabores y aromas en la taza final. Además del café se producen huevos, algunas frutas y verduras, y miel.

Café Brújula vela por la conservación del entorno y el respeto a la naturaleza, por lo que ha conseguido el certificado ‘Bird Friendly’, esto garantiza que los árboles proveen suficiente sombra para que las aves migratorias tropicales usen esta tierra como hábitat, lo que se traducen en ecosistemas que garantizan la sustentabilidad e influyen en la calidad de las cosechas.

Café con causa

café mexicano

Nathan Dumlao/Unsplash

Uno de los principales objetivos de Café Brújula ha sido el apoyo a la economía local, así como la dignificación y revalorización del trabajo de pequeños productores oaxaqueños. Es por ello que la compra de algunos granos de café se hace directamente con los productores, pagando por arriba de los precios convencionales de café regulados por la Bolsa de Nueva York, para generar una relación de confianza con los caficultores y evitar precios predatorios.

Dentro de las 29 mezclas que existen actualmente —donde se trabaja con las siete regiones caficultoras del estado—, ha habido colaboraciones sociales. Por ejemplo, Mujeres Voladoras fue una iniciativa en 2019 cuyo propósito era empoderar a 20 caficultoras —10 de Tierra Blanca y 10 de San Miguel Yotao— con apoyo de la ONG Heifer México. A cada productora se le dieron gallinas y materiales para construir gallineros para fomentar la diversificación de ingresos, además de capacitación sobre catas, análisis físico en café verde, secado de café y buenas prácticas para obtener café de alta calidad.

Otra serie memorable es Maestros, en la que cada mes un maestro caficultor presenta un nuevo café de alta calidad. Cada bolsa tiene un código QR que despliega la foto y nombre completo del productor, lo que transparenta la relación y permite que otros tostadores se acerquen y paguen un precio justo a los caficultores.

El día a día

A pesar de la amplia variedad de cafés que se ofrecen en Brújula —hay opciones aromatizadas con mezcal, con notas a miel, manzana, cereza, chocolate, vainilla, etc.—, en las sucursales normalmente se ofrecen el café de la casa y el descafeinado. Además, cada semana se rota un café especial de los 29 disponibles, estos últimos se preparan normalmente con métodos como Chemex o V-60.

En la tienda en línea puedes elegir no solo el tipo de café, sino el molido que necesitas según el método con el que vayas a prepararlo. Tienen distribución en todo México —con envíos gratis a partir de $1,000 pesos— y también distribuyen en Estados Unidos.

Tips para elegir café y método

cold brew

Devin Avery / Unsplash

Kyle nos dice que para comprar un café él recomienda que te fijes en la fecha de tostado, en la procedencia del café (de dónde viene o quién lo hizo), así como las notas que puedes esperar al tomarlo. Esta información genera confianza. Sobre los métodos, la realidad es que —por muy cliché que suene— el mejor es el que a ti te guste. Sin embargo, si no tienes mucha experiencia al elegir métodos de especialidad, Kyle nos comparte las siguientes generalidades sobre lo que puedes esperar de cada uno. Por supuesto, aquí juegan variables como la experiencia del barista, la temperatura del agua, la mezcla del café, el contacto del café con el agua y los utensilios.

Prensa francesa: el molido es más grueso, puedes encontrar sedimentos, por lo que el café tiene más cuerpo.

Chemex: el filtrado es mucho más fino. Gracias al papel se filtran los aceites, sedimentos y un poco del dulzor del café. Normalmente este método resalta la acidez.

Hario V60: es un método de extracción rápida, por lo que es muy difícil de controlar. Sin embargo, normalmente sale un café muy balanceado.

Aeropress: filtra los sedimentos, pero la ventaja es que puedes controlar tiempo de contacto del agua con el café, por lo que salen perfiles diferentes de café según la manipulación del utensilio.

Prensa italiana: el café normalmente se quema, aunque hay métodos para controlar esta reacción. El sabor del café suele ser muy fuerte.

[Fuente: http://www.foodandwineespanol.com]

 

Le 25 janvier dernier, le ministre de l’Éducation nationale a pris un arrêté modifiant les modalités du concours externe au Capes pour différentes matières, dont la langue corse. Désormais, les coefficients donnent une part plus importante à la langue française.

Le 25 janvier dernier, le ministre de l'Éducation nationale a pris un arrêté modifiant les modalités du concours externe au Capes pour différentes matières dont la langue corse.

Le 25 janvier dernier, le ministre de l’Éducation nationale a pris un arrêté modifiant les modalités du concours externe au Capes pour différentes matières dont la langue corse.

« On commençait à aménager un espace de plus en plus digne pour la langue corse« , regrette Ghjiseppu Turchini, enseignant de langue et culture corses à Bastia.

Fervent défenseur de la langue corse, il reste circonspect face à l’arrêté du ministre de l’Éducation nationale, pris le 25 janvier dernier, fixant les nouvelles modalités au concours externe du Capes (certificat d’aptitude au professorat de l’enseignement du second degré) pour différentes matières, dont la langue corse.

Le changement est majeur : une inversion des coefficients. Si jusqu’à présent il était de 7 pour la langue corse et de 4 pour le Français, à partir de 2022 le système de notation passe à un coefficient 4 pour la langue corse et 8 pour le Français.

« Cela nous donne l’impression que la compétence en langue devient secondaire. Comme si on disait : ‘si ce professeur ne donne pas de cours de langue, il fera autre chose’« , analyse Ghjiseppu Turchini.

« Des coups répétés de plus en plus forts »

Pour Romain Colonna, maître de conférences en sociolinguistique et en études corses, cet arrêté, couplé aux différentes réformes menées par Jean-Michel Blanquer relève d’une « remise en question de l’ensemble du système éducatif dédié à la langue corse« .

Car la réforme du bac défendue par le ministre de l’Éducation nationale a donné un coup dur à l’enseignement des langues régionales. Si la matière est prise en option par les lycéens [le plus gros des effectifs pour la langue corse] le coefficient passe de 2 à 0,6 alors que pour d’autres options, comme les langues anciennes, il reste le même. « Que ce soit au collège ou au lycée, les coefficients sont de plus en plus faibles et, par conséquent, les élèves s’inscrivent moins. Ce sont des coups répétés de plus en plus forts [envers l’enseignement du corse] et cela devient préjudiciable« , estime Ghjiseppu Turchini.

Fin d’une dynamique de progression ?

Les deux professeurs vont jusqu’à questionner le « rapport que l’on entretien avec cette langue dans la société.« 

C’est presque désabusé que Ghjiseppu Turchini évoque « la dynamique de progression de l’enseignement de la langue corse« , établi depuis peu dans les établissements scolaires du second degré dans l’île. « On commençait à convaincre de plus en plus d’élèves et maintenant on rogne le peu que l’on avait« , se désole l’enseignant.

S’il s’est battu en 1990, date de la création d’un Capes monovalant en langue corse, c’est en faveur de la « diversité » des langues dans la société. Un credo pour lequel il continuera de se mobiliser. « Nous sommes dans une société où le monolinguisme est dépassé. En plus d’apprendre la langue corse, on conserve aussi tout le patrimoine qui va avec« , lance-t-il.

Actuellement, en Corse, 108 personnes sont titulaires du Capes langue corse, seuls trois enseignants sont titulaires de l’agrégation.

 

[Photo : Martin Bureau / AFP – source : france3-regions.francetvinfo.fr]

Por que o Brasil é estratégico no avanço de corporações sobre a produção de alternativas à carne. Por que isso não é necessariamente saudável. E por que o mercado financeiro chegou com tudo

Escrito por Carol Almeida

O mercado de alimentos veganos (e vegetarianos) faz parte de um nicho em ascensão. Basta observar as geladeiras dos supermercados para perceber que a oferta de produtos plant-based é cada vez maior. Segundo pesquisa realizada pela Euromonitor Internacional, os consumidores que desejam reduzir o consumo de produtos de origem animal representaram 40% do mercado global em 2020. O estudo também apontou que a demanda por esses produtos foi impulsionada por conta da pandemia.

“Carnes” produzidas a partir de células. Pós que simulam ovos. Hambúrgueres feitos em laboratório. A nova geração de produtos veganos mira bem além do público vegano, bebendo na fonte das preocupações crescentes com bem-estar animal e com a insustentabilidade ambiental da pecuária. Essas questões aparecem em um relatório feito pelo pelo The Good Food Institute, uma organização que promove alternativas ao consumo de matéria-prima animal.

O documento aponta o Brasil como um candidato ao protagonismo na produção de “carnes” e produtos de matérias-primas vegetais no mundo, justamente por ser um grande consumidor de bois, porcos e frangos. Além disso, por contraditório que possa parecer, o modelo do agronegócio de produção e exportação de alimentos é algo que coloca o país à frente nessa corrida — são produzidos aqui 250 milhões de toneladas de grãos, em particular a soja e o milho, importantes na produção de processados e ultraprocessados vegetarianos ou veganos.

N.OVO – Substituto para Ovos Plant Based - Ovos Mantiqueira

Corporações da carne e do leite, dos ovos, fundos de investimentos, consultorias estratégicas: todos estão de olho no crescimento de um setor que mira em pessoas que querem reduzir a compra de produtos de origem animal.

É preciso, então, que haja grandes investimentos financeiros em empresas de tecnologia voltadas para suprir todas essas demandas. “Com o amadurecimento da indústria, o mercado de investimentos aprendeu como analisar esses fatores e entendeu que o potencial de retorno financeiro é gigantesco”, aponta o estudo, e complementa: “O interesse do setor financeiro cresce proporcionalmente ao desenvolvimento desse mercado, fazendo com que fundos deixem de dar apoio apenas monetário para também tornarem-se parceiros estratégicos de empresas no setor.”

Dados de um estudo lançado recentemente pelo The Business Research Company estimavam que o mercado vegano global cresceria de 14,80 bilhões de dólares, em 2019, para 15,12 bilhões em 2020 – 2,3%. A aposta é que esses números atinjam a marca de 20 bilhões de dólares em 2023. Grande parte ligada ao mercado de carnes criadas por meio da tecnologia baseada em células.

A Memphis Meats, empresa de tecnologia de alimentos com sede nos Estados Unidos, recebeu um financiamento de 161 milhões de dólares por meio de alguns investidores, como a Cargill — uma multinacional dos setores alimentício, agrícola e farmacêutico — e a Tyson — uma das maiores produtoras de carne do mundo. Outra gigante internacional, a Unilever, comprou a The Vegetarian Butcher, uma empresa de produtos à base de soja que foi criada no início dos anos 2000, na Holanda, em dezembro de 2018. Segundo o site da empresa, os produtos da Butcher são vendidos em mais de 4.000 lojas em 17 países e chegaram ao mercado brasileiro em outubro de 2020.

Olhando para os Estados Unidos, a Nielsen, uma das principais empresas de pesquisa de comportamento de consumo, conduziu um levantamento no qual concluiu que 61% dos entrevistados queriam reduzir a ingestão de carne, enquanto 22% tinham intenção de tornar-se veganos ou vegetarianos. Em 98% dos casos, pessoas que procuraram por alternativas plant-based eram, também, compradoras de carne. “As marcas precisam claramente e consistentemente demonstrar por que seus produtos melhor se encaixam no estilo de vida e nas aspirações de saúde do usuário final”, menciona a consultoria.

Em dezembro de 2020, a empresa Eat Just criou barulho com uma carne criada a partir de células de aves. Com o nome de “frango premium”, a startup norte-americana, sediada em San Francisco, teve o seu produto aprovado pela Agência de Segurança Alimentar da Cingapura, o que torna o país o pioneiro em comercializar carne feita inteiramente em laboratório.

De acordo com uma reportagem publicada pelo The New York Times, um restaurante do país asiático ofertará os nuggets de “frango”. Não há informações sobre qual será o valor do produto, mas se sabe que apenas o custo de produção fica em 50 dólares por porção. Esse não é o primeiro produto vegano da empresa: a East Just já oferece no mercado uma maionese e um “ovo” à base de feijão.

Produtos lançados nos últimos anos abriram uma fenda na discussão sobre os propósitos do veganismo e em relação às opções alimentares que existiam antes. Itens como o Futuro Burguer, baseados em células, ganharam espaço rapidamente ao tentar simular textura, cor e sabor de carne. São produtos relativamente caros – a caixa com duas unidades desse hambúrguer (230g), por exemplo, custa R$ 19, em média. E são ultraprocessados, ou seja, formulações alimentícias à base de aditivos, algo que o Ministério da Saúde recomenda evitar.

A discussão se desenvolve até mesmo em torno da nomenclatura. A indústria se divide entre investir nesse novo cenário e brigar para que esses produtos não possam receber nomes como carne, ovos e leite. As agências regulatórias têm promovido discussões para entender como devem nomear esses produtos e qual é o processo de liberação dos mesmos, já que há dúvidas em termos de impacto à saúde.

Mais barato

O perfil Vegano Periférico, criado em 2017, tem hoje 354 mil seguidores no Instagram. Os irmãos gêmeos Eduardo e Leonardo Santos postam receitas e outras dicas sobre alimentação, além de refletir sobre o mercado capitalista. “Quando me tornei vegano, estava desempregado e a única opção viável era consumir legumes e vegetais. E eu percebi que era mais saudável consumir isso”, conta Eduardo, que já tinha uma visão prévia dos problemas a respeito dos malefícios de consumir ultraprocessados.

“Se a gente pensa em satisfazer o nosso paladar com produtos químicos ‘saborosos’ e muito coloridos, estamos com uma visão estreita do que é alimentação.” Ele ainda ressalta que o veganismo atua na raiz dos problemas e é contra todo tipo de exploração. “O produto de origem vegetal incentiva a produção da empresa, pois tanto o hambúrguer vegetal quanto o resto vai para a mesma finalidade.”

Pão de queijo, hambúrguer, quibe e kafta vegetal são novidades da linha vegana na rede Pão de Açúcar | Revista Nutri Online

No Brasil, o crescimento de produtos feitos por corporações para o mercado plant-based é notório. Em menos de dois anos e com lucros perceptíveis, marcas como Seara, Sadia e Taeq (do Grupo Pão de Açúcar) lançaram congelados à base de vegetais. O Grupo Pão de Açúcar fez a sua estreia nesse nicho em janeiro de 2020 e a Sadia se lançou no mercado com produtos veganos e vegetarianos em março de 2020.

Outro produto que em breve chega aos supermercados é um substituto em pó para ovos mexidos e omeletes. A novidade foi criada pela startup Novo, que pertence ao Grupo Mantiqueira, que está entre as 12 maiores granjas do mundo e é o maior distribuidor de ovos da América Latina, segundo a Forbes. Ao todo, são 11,5 milhões de galinhas, distribuídas em quatro unidades no Brasil, como informa o site do grupo. Uma linha de maioneses veganas completa os produtos da startup, na proposta de expandir seus negócios para consumidores veganos, flexitarianos e alérgicos.

Um exemplo marcante da estratégia de difusão desses novos produtos é o da norte-americana Beyond Meat, que não distribuía suas carnes vegetais no setor de produtos veganos, já que o objetivo é atrair quem continua consumindo carne convencional.

Beyond Meat anuncia construção de fábrica na China | BeefPoint

A Danone também cita essa estratégia com o objetivo de ampliar o alcance dos iogurtes e dos leites à base de plantas, diante do crescimento do público flexitariano, conforme informado no site da corporação. Os flexitarianos também são alvo dos produtos da Seara, que lançou a linha veggie em maio de 2019, assim como a Fazenda Futuro.

Em setembro de 2020, a Fazenda do Futuro, responsável pelo Futuro Burguer, finalizou uma segunda rodada de captação de investimentos, contabilizando um montante total de US$ 29,8 milhões. Se em 2019 havia conseguido US$ 8,5 milhões, dessa vez as apostas do mercado financeiro se multiplicaram. A venda do hambúrguer teve início em maio de 2019 e, agora, a corporação diz ter mais de 8 mil pontos de venda. A segunda onda de captação atraiu gigantes como BTG Pactual (banco de investimento), Turim MFO (escritório de gestão familiar, cujo único investimento é na Fazenda Futuro) e ENFINI Investments, que pertence ao Grupo PWR Capital, empresa que investe em outros oito negócios ligados a tecnologia e alimentação.

“Essa captação reforça ainda mais o potencial do Brasil para ser um hub de produção plant-based para o mundo. Para isso, vamos intensificar nossa operação comercial e de marketing na Europa e acelerar a nossa chegada nos Estados Unidos. As pessoas estão começando a entender que não há mais planeta se mantivermos o consumo exagerado de carne animal”, afirma Marcos Leta, sócio-fundador da startup.

O setor passa por um processo muito semelhante ao de outras áreas, como transportes e hospedagem. Fundos do mercado financeiro fazem apostas pesadas no crescimento de empresas nascidas há meses ou há poucos anos. A Eat Just, por exemplo, tem apenas 11 funcionários, e já recebeu aportes de US$ 220 milhões.

Uma pesquisa encomendada em 2018 ao Ibope tentou estimar a presença de vegetarianos dentro da população brasileira. Entre os 2.002 entrevistados, 8% declararam “concordar totalmente” com a afirmação de que são vegetarianos, enquanto 6% concordam “parcialmente”. A interpretação da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) é de que 14% dos brasileiros seguem uma dieta exclusivamente à base de vegetais.

Selo vegano

Existem algumas certificações que indicam se determinado produto não realiza testes em animais ou é totalmente livre de matéria-prima desses seres. Uma dessas certificações foi desenvolvida pela SVB a partir de um programa que confere ao produto o Selo Vegano, criado em 2013. De acordo com a ONG, qualquer empresa pode solicitar o selo, pois somente o produto em questão é avaliado, e não as práticas corporativas em geral.

Ao ser questionada sobre frigoríficos produzirem alimentos veganosa SVB pontuou que acredita “que todos temos um papel fundamental na construção de um mundo melhor, mais justo, ético e sustentável, não só como pessoas, mas também como organizações e empresas. Infelizmente, nossa sociedade foi moldada em cima de um consumo errôneo e cruel, mas hoje, é evidente que não dá mais para seguir de acordo com os padrões antigos daquilo que acreditávamos ser uma alimentação saudável”.

A SVB também reforçou que apoia “qualquer iniciativa de uma empresa em colocar no mercado um produto que não tenha gerado nenhuma demanda animal. Sabemos do potencial que os microempreendedores e startups possuem em inovar e trazer uma visão totalmente diferente e nova do que estamos acostumados, mas também reconhecemos a responsabilidade que as grandes corporações possuem em fazer realmente parte do movimento, e gerar impactos positivos, nesse caso, na oferta de produtos a base de vegetais, o que significa uma revisão de seus valores quanto à sustentabilidade (e tudo o que está relacionado a ela) de seus processos”.

No site do Selo Vegano estão listados 1.112 itens, entre sapatos, cosméticos, doces, castanhas, farinhas e alimentos congelados. Esses produtos são distribuídos em supermercados, restaurantes e lojas especializadas, como o Vegan Sisters, inaugurado em maio de 2019, em Belo Horizonte. Paula Gomes, proprietária e “faz-tudo” do negócio, sentiu a necessidade de abrir o empório vegano quando percebeu a dificuldade de encontrar alguns produtos na cidade. “Os itens passam por uma curadoria. Eu experimento tudo antes de trazer, vejo qualidade  e custo-benefício, além dos diferenciais de cada um”, relata. Com investimento de R$ 150 mil e despesas fixas de R$ 8 mil, o comércio tem lutado para sobreviver durante o período da pandemia. “Ficamos alguns meses fechados e ainda não tivemos lucros, os últimos meses foram só prejuízo”, conta.

Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Startups, a pedido da reportagem, informou que há 12 “soluções” veganas. Na interpretação da organização, “soluções” são empresas que oferecem inovações reais. Uma delas é a Natural Science, uma empresa sediada em Curitiba que nasceu em 2012, a partir da criação de produtos vegetarianos. Atualmente conta com cinco produtos diferentes no catálogo, entre queijos em pó e doces. Em 2016, a startup participou da versão brasileira do programa Shark Tank e recebeu um investimento de R$ 400 mil de Carlos Wizard, empresário próximo ao bolsonarismo e dono da rede Mundo Verde.

Os leites vegetais têm conquistado destaque entre os produtos veganos, pois algumas marcas pretendem atingir o público celíaco e intolerantes à lactose, vendendo a ideia de colocar no mercado opções mais saudáveis para o consumidor.

A Nestlé, por meio do Programa Scale-Up Endeavor Alimentos e Bebidas, é uma das investidoras da NoMoo, produtora de laticínios à base de castanhas. Segundo notícia divulgada no portal da empresa suíça, entre 2017 e 2019, foram investidos mais de R$ 15 milhões em produtos plant-based. Uma das linhas que faz parte da companhia é a Nature’s Heart, que além de atuar no seguimento dos leites, também produz lanches e refeições semiprontas.

Se frigoríficos entraram nesse mercado, não haveria por que a empresa-símbolo dos produtos lácteos ficar de fora. A Danone lançou em 2018, no mercado brasileiro, a linha Silk de leites vegetais, após uma transação, finalizada em 2017, em que a multinacional francesa adquiriu a Whitewave (uma empresa americana de produtos orgânicos) por US$ 12,5 bilhões. No fim de 2020, a corporação expandiu a linha de produtos à base de plantas a partir dos produtos da Alpro (de bebidas e comidas vegetais) e da Vega (linha de suplementos alimentares).

Segundo uma reportagem publicada pela Reuters, um dos executivos da Danone, Emmanuel Faber, declarou estar preocupado com o rumo que as grandes indústrias alimentícias estão tomando. Em um encontro de varejistas das maiores empresas de produtos industrializados do mundo, em Berlim, Faber destacou que as pessoas estão cozinhando cada vez mais, e que os consumidores deixarão de consumir os produtos industrializados se as empresas não começarem a enfrentar questões como obesidade, desigualdade e mudança climática.

Ainda segundo a reportagem, ele declarou: “A revolution is cooking, what are we going to do about it?”. Traduzindo: uma revolução está cozinhando, o que vamos fazer em relação a isso?

 

[Fonte: http://www.ojoioeotrigo.com.br]

IMAGE: CommonPass

Escrito por Enrique Dans

El trabajo llevado a cabo por la Vaccination Credential Initiative, una coalición formada por compañías tecnológicas y de salud, en torno al desarrollo de un pasaporte de vacunación, se apunta cada vez más como una de las necesidades más claras de cara a recuperar una actividad económica y una movilidad razonable. El pasaporte sería un documento electrónico en una app (con posibilidad de generar una copia impresa con un código QR para su verificación) que ofrecería, de forma relativamente sencilla, validez y garantías adecuadas para probar que una persona ha sido inmunizada contra COVID-19.

El documento, equivalente a la Yellow Card (International Certificate of Vaccination or Prophylaxis) que se utiliza para poder viajar a países que exigen la vacuna de la fiebre amarilla, sería necesario para actividades que van desde los viajes hasta el trabajo, el estudio o el acceso a eventos de todo tipo, recogería con los protocolos de seguridad y confidencialidad adecuados y vinculado con la identidad de la persona todos los detalles correspondientes a su situación de inmunización: tipo de vacuna, dosis o fecha de inoculación, asegurando así que el registro se llevase a cabo con un modelo estándar para las organizaciones que administran vacunas COVID-19, de manera que las credenciales puedan estar disponibles en un formato digital accesible e interoperable.

La respuesta de la Vaccination Credential Initiative se corresponde con las intenciones de algunas aerolíneas y países de exigir certificados de vacunación, con la dificultad que supone poder aceptar certificados de múltiples países y evitar la aparición de un mercado negro de falsificaciones. La idea es crear un registro digital confiable, rastreable, verificable y universalmente reconocido por todos los países del estado de vacunación, para permitir que las personas regresen de manera segura al trabajo, la escuela, los eventos y los viajes.

La posibilidad de crear pasaportes de inmunidad fue criticada al principio de la pandemia por algunos científicosanalistas y por la Organización Mundial de la Salud debido a las numerosas incertidumbres que existían con respecto a la inmunidad. Sin embargo, todo indica que las críticas se restringían a lo que suponía adoptar esas medidas demasiado temprano: ahora, tras la comprobación de que las vacunas aprobadas ofrecen unos niveles de protección adecuados, las críticas se centran más en aspectos relacionados con la exclusión de quienes decidan no vacunarse, en el sentido de la preocupación ética que puede suponer no ofrecer libertad con respecto a si vacunarse o no. Algunos hablan del supuesto precedente que supone exigir una vacuna para viajar, cuando en realidad ese tipo de certificados se llevan exigiendo desde hace varias décadas.

Las aerolíneas, como compañías privadas que son, pueden perfectamente tomar la decisión de exigir una prueba de vacunación del mismo modo que ahora, en muchos casos, exigen una prueba analítica PCR, y los países también pueden considerarlo un requisito para atravesar sus fronteras. El problema que se presenta ante esto es que, en muchos casos, la demostración de haber pasado un test es simplemente un papel con un sello, que ofrece posibilidades de falsificación sumamente sencillas. Portar ese tipo de documentos a un registro electrónico centralizado se presenta, a estas alturas, como una simple cuestión de sentido común. La pregunta, por supuesto, es hasta qué punto está el mundo preparado para desarrollar y aceptar una iniciativa verdaderamente global para una necesidad como esta, y si no terminaremos, como en el caso de las apps de trazabilidad, haciendo el ridículo con cientos de iniciativas aisladas y no interoperables entre sí.

Otras decisiones, como exigir esos certificados para acudir al trabajo, para entrar en un campus o en un espectáculo, dependerán de la legislación de cada país, pero deberían acomodarse a la imperiosa necesidad de evitar crear reservorios naturales para el virus: con millones de vacunas ya administradas en todo el mundo, mantener preocupaciones sobre su seguridad o argumentar supuestas preocupaciones en el largo plazo suena cada vez más a negacionismo o a excusa. Si quieres vivir en sociedad, deberías tener que probar que no estás dispuesto a convertirte, de forma irresponsable, en un peligro para ella.

¿Hasta qué límite debe proteger una sociedad a aquellos que están dispuestos a convertirse en un vector de contagio de una enfermedad peligrosa? Si nadie se rasga las vestiduras porque le exijan un certificado de vacunación para la fiebre amarilla cuando viaja a determinados países, ¿por qué debería hacerlo con respecto a una enfermedad que ha provocado una pandemia que ha causado la muerte de más de dos millones de personas?

 

[Fuente: http://www.enriquedans.com]

Prezentado por Mordehay Arbell
 
Ya es bien savido ke munchos de los konversos ke kedaron en Espanya i Portugal mantuvieron sus fidelidad al djudaizmo i munchos de eyos kontinuaron a observar los ritos i mandamientos de la relijion djudia, malgrado el peligro mortal ke los amenazava. Algunos de estos konversos ke reusheron a salir de la Peninsula Iberika i retornar al djudaizmo, se distingieron por sus saviduria i ekspertiza en aktividades ke les eran defendidas de antes.
Uvo un movimiento kontinual de emigrados konversos ke se kontinuo asta el siglo XX. Tratare aki solamente de los ke yegaron al kontinente amerikano onde pensavan ke podrian bivir libremente komo djudios.
Uno de los sentros en Amerika onde los konversos tornavan al djudaizmo era la izla de Curaçao, a la kuala yegavan de diversas partes del kontinente amerikano para azer sus Brit Mila (sirkunsizion). No es sorprendiente entonses ke en la segunda metad del siglo XVIII avia en Curaçao, en una komunidad ke kontava menos de 2000 almas, a lo menos siete personas ke azian sirkunsiziones, kon el titulo de Moel Muvhak. La razon era el arivo kontinual de konversos ke vinian para sus Brit Mila. El moel era una figura importante en la komunidad i jeneralmente el dava sus servisios debaldes, komo mitsva. Si avia gastes eyos eran pagados por la komunidad.
Los lideres relijiozos de los djudios de Curaçao tenian una aktitud espesiala enverso los konversos. Munchos de estos lideres eran eyos mizmos konversos ke tornaron al djudaizmo. El haham (rabi) Eliyau Lopez, ke nasio en Malaga en 1648, arivo de Amsterdam en 1693 para servir komo haham de los djudios de Curaçao. El haham Samuel Mendes de Sola nasio en Lisbon en 1699 i vino a Curaçao en 1741.
Los dos izieron todo sus posible para fasilitar el retorno al djudaizmo de los konversos ke yegavan a Curaçao. Sus numeros i nombres no eran publikados, espesialmente kuando se tratava de konversos ke tenian pozisiones en la iglesia katolika, ma ya se save djuntos kon esto ke entre los ke yegaron a Curaçao para rekonvertirsen al djudaizmo avia un prete katoliko, un padre fransiskano i un dominikano.
No se save el numero exakto de los konversos ke tornaron a ser djudios aun ke una idea es dada en los rejistros de algunos moalim ke fueron topados i estudiados por el haham Isaac Emmanuel de Curaçao. De estos rejistros sale ke:
– Entre 1705-1728 Mosseh Athias de Neyra izo el Brit Mila a 20 konversos.
Mas sirkunsiziones fueron echas, komo sige:
– Entre 1721-1730 Abraham Semah Aboab izo 19 sirkunsiziones
– Entre 1725-1728 David Nunez Carvallo izo 4 sirkunsiziones
– Entre 1725-1731 Isaac Semah Aboab izo 8 sirkunsiziones
– Entre 1730-1731 Mosseh Raphael de Veiga  izo 5 sirkunsiziones
Entre los ke izieron sus sirkunsizion avia personas de mas de 70 anyos komo Ishac Henriques Fereira i Abraham Fernandes, ke tomaron el risko de esta operasion en tal de tornar yenamente al djudaizmo.
Estos son unos kuantos enshemplos solo de los kualos se puede ver ke el numero total devia ser bastante grande, konsiderando kualo uviera sido su numero si teniamos los rejistros de todos los moalim durante un periodo de 150 anyos a lo menos.
Un grave insidente afito en 1718, kuando el konverso Abraham Campanal de Newport, Rhodes Island, murio despues de su sirkunsizion, probablamente de infeksion. Komo konsekuensa de esto no fue permetido a la komunidad djudia, durante un sierto periodo, de sirkunsir kristianos (los konversos eran konsiderados kristianos asta ke se rekonvertian ofisialmente al djudaizmo. Asta entonses los djudios podian sirkunsir konversos ke vinian de Espanya i Portugal).
Malgrado este insidente los konversos no se deskorajaron i eyos kontinuaron a arivar a Curaçao para sus sirkunsizion. La ultima sirkunsizion notada en el rejistro de un moel fue la de J. Fonseca, ke arivo de Portugal en 1822.
Los djudios de Curaçao tenian relasiones komersiales kon las kolonias espanyolas en Amerika del Sud i del Sentro. Esto era konsiderado legal por los olandezes ma illegal por los espanyoles i, a vezes, naves ke sus patrones o ekipajes eran djudios eran aferradas por los espanyoles ke yevavan los djudios a Cartagena, Colombia, o a Espanya para ser djuzgados. Los ke avian nasido komo djudios podian ser areskavdados kontra pagamiento, jeneralmente por las komunidades de Gibraltar, Bayonne, Bordeaux, Amsterdam o Curaçao. De otra parte, los konversos ke avian tornado al djudaizmo eran entregados a la Inkizision. Komo mizura preventiva, los marineros djudios konvensieron a los governadores ‘holandezes de Curaçao de darles sertifikados segun los kualos avrian nasido en Curaçao i no Espanya i Portugal. Los moalim de sus parte les davan dokumentos ke avian nasido komo djudios i avian sido sirkunsidos poko despues de sus nasimiento. Todo esto rende ainda mas difisil i komplikado el estudio ke permeteria de fiksar el numero de los ke tornaron al djudaizmo, ma el fakto es ke uvo un muvimiento kontinual de konversos ke, asta la metad del siglo XIX, partieron de Espanya i Portugal a diferentes partes del mundo para rekonvertirsen i uno de los sentros de sus retorno al djudaizmo fue Curaçao.
[Orijin: http://www.aki-yerushalayim.co.il]

Un vigneron bio a été sollicité par l’enseigne de super et hypermarchés Carrefour qui souhaitait lui acheter la bagatelle de 50.000 bouteilles de vin naturel labellisées « vin méthode nature ». Ce nouveau label encadrant les vins dits nature ou naturels, créé en 2019, s’avère être le premier à être officiellement reconnu, notamment par les Fraudes, et intéresse donc tous les réseaux de distribution, y compris la plus grande.

Une bouteille de vin méthode nature. NWII

Écrit par Antonin Iommi-Amunategui

La GD à l’affût des vins de niche

En l’occurrence, les vins dans le viseur de l’enseigne Carrefour ne pourront être certifiés « vin méthode nature », pour des questions d’ordre technique (les raisins dont ils sont issus n’ayant pas été vendangés à la main, l’une des conditions d’obtention du label), mais il est à peu près certain que la grande distribution continuera de courir après ces vins porteurs d’un nouveau label jugé valorisant.

Au-delà de cette anecdote, il semble en effet plus que probable que d’autres grandes enseignes de distribution cherchent rapidement – si ce n’est déjà le cas – à mettre la main sur des lots importants de vins certifiés « vin méthode nature ». C’est à l’évidence une nouvelle niche commerciale, potentiellement forte, qui ne peut qu’intéresser ces grands metteurs en marché (le récent rachat par le groupe Carrefour de la chaîne « Bio c’ bon » aura d’ailleurs peut-être été un catalyseur de ce point de vue). Car nous parlons ici de vins naturels certifiés, une première en France.

Dans quelle mesure Carrefour, Leclerc et les autres pourront-ils acquérir ce type de vin ? À la marge (par exemple par le biais du marché gris, qui voit s’échanger des vins par des canaux de distribution qui, s’ils sont légaux, ne sont pas autorisés par le producteur original) ou dans des volumes bien plus conséquents ? C’est tout l’enjeu ici.

Un cahier des charges suffisamment exigeant pour empêcher toute récupération ?

Le Syndicat de défense des vins naturels (par souci de transparence, sachez que l’auteur de ces lignes en est l’un des acteurs) a été créé en 2019 suite à la distillation d’un lot de vins naturels du vigneron ligérien Sébastien David ; des vins jugés impropres à la commercialisation pour cause d’acidité volatile trop élevée, ce que le vigneron a contredit, analyses à l’appui – en vain.

Le propos du syndicat est double : d’une part, encadrer par une charte technique les vins dits nature ou naturels afin d’éviter tout abus et, d’autre part, soutenir les vigneron·nes et autres professionnel·les (cavistes, etc.) de ce secteur, encore relativement isolés au sein de la filière.

Pour ce faire, le syndicat a notamment élaboré un cahier des charges définissant en douze points ce à quoi correspond un « vin méthode nature » (les expressions « vin nature » ou « vin naturel » ayant été retoquées par les Fraudes). Parmi les pré-requis, on retrouve l’agriculture biologique certifiée, les vendanges manuelles, l’usage exclusif de levures indigènes et une vinification sans intrants (seul un faible ajout de sulfites est autorisé, après la fermentation, et il doit être indiqué sur le logo le cas échéant).

Est-ce suffisant pour prévenir toute récupération, en particulier de la part des plus gros metteurs en marché, tels l’enseigne Carrefour, qui chercheront à acquérir les plus gros volumes possibles de ces vins au meilleur prix ?

Historiquement, pour rappel, dans un souci de cohérence et d’éthique artisanale allant de la vigne au verre, la très grande majorité des vignerons et vigneronnes « nature » ne travaillent en effet pas avec la grande distribution, mais avec les cavistes indépendant·es.

« C’est une bonne nouvelle »

Alors, risque de récupération ou non ? Pour en avoir le cœur un peu plus net, j’ai demandé son avis au vigneron Jacques Carroget, président du Syndicat de défense des vins naturels.

Agnès et Jacques Carroget, domaine La Paonnerie. Raisin

La GD est dans son rôle d’épicerie que de vouloir vendre des vins nature, il y a un marché ; et ils ont épuisé tous les autres marchés. Mais je trouve que c’est tout de même une bonne nouvelle. Cela démontre que notre démarche est connue et reconnue.

On peut aussi constater, comme nous l’avons toujours dit avec Gilles [Azzoni, autre vigneron cofondateur du syndicat, ndlr], que notre cahier des charges est suffisamment restrictif pour préserver l’âme du vin. Le vigneron en question n’a pas pu fournir, il aurait peut-être aimé ?

Néanmoins, si les différentes contraintes techniques inscrites dans la charte peuvent a priori empêcher la labellisation de volumes industriels, le syndicat a-t-il d’autres moyens d’éviter que des « vins méthode nature » se retrouvent sous les néons de la grande distribution ?

Nous ne pouvons pas mettre de restrictions autres que techniques à notre label, sinon la DGCCRF [les Fraudes, ndlr], à la base de notre réussite, ne nous suivrait pas.

Lors des discussions de création de la charte, ce sujet avait cependant été maintes fois abordé. Le garde-fou que nous avons inscrit dans nos statuts est notre capacité à faire des audits de production ciblés [pour s’assurer par exemple qu’un domaine qui produirait soudain des volumes très importants de vins labellisés « vin méthode nature » respecte bien la charte, ndlr]. Je n’étais pas pour, y préférant les contrôles purement aléatoires, pour ne pas risquer d’avoir affaire à des formes de délation. Mais je me suis rangé aux avis majoritaires.

Avec, je l’espère, un accroissement qualitatif et quantitatif de notre syndicat, le risque sera surtout d’être plus laxistes. L’histoire des appellations nous l’enseigne. Gardons-nous donc de toute surenchère, pour pouvoir tenir notre ligne.

La voie du caviste

Il existe d’ailleurs une manière bien plus simple de trancher net toutes ces questions : ne pas acheter ses vins en grande distribution. No wine is innocent vous encourage en effet à n’acheter vos vins, qu’ils soient « vin méthode nature » ou non, que ce soit pour une petite ou une grande occasion, qu’en cave indépendante. Des ouvrages spécialisés et surtout l’application gratuite « Raisin » peuvent vous y aider au besoin.

 

[Source : http://www.nowineisinnocent.com]

Le premier long-métrage de l’Israélien Ofir Raul Grazier propose un récit sensuel et rebelle où les identités sont transcendées par l’amour
 
Tim Kahlkof et Roy Miller dans The Cakemaker
 
Écrit par Vladan Petkovic
 
Le premier long-métrage de l’Israélien Ofir Raul Graizer, une histoire soigneusement structurée avec un message subversif qui s’intitule The Cakemaker [+], a fait son avant-première mondiale en compétition à Karlovy Vary. Ce film, où se jouent différentes dichotomies identitaires (nationales, religieuses, sexuelles), peint une toile intelligemment tissée et pose un regard sincèrement rebelle sur l’essence même du terme d’”identité” et ce qu’il signifie pour nous.
 
L’histoire commence à Berlin, quand Oren (Roy Miller), un ouvrier du bâtiment israélien régulièrement employé sur de gros projets en Allemagne, tombe amoureux d’un pâtissier du nom de Thomas (interprété avec une retenue délicieuse par Tim Kahlkof) qui travaille dans sa pâtisserie préférée – Oren y va régulièrement manger une part de Schwarzwald Torte et acheter des biscuits à la cannelle pour sa femme. Leur histoire d’amour semble à peine ébauchée quand Thomas apprend la mort d’Oren dans un accident de voiture, à Jérusalem. 
 
Le récit se déplace ensuite dans la ville sainte, où Thomas a décidé de se rendre sans savoir exactement ce qu’il cherche. Ce qu’il trouve sans difficultés, c’est le café de la femme d’Oren, Anat (que Sarah Adler incarne avec sensibilité et effronterie). Comme elle a besoin d’aide, très vite, elle lui propose de l’employer pour faire la plonge et le ménage. Thomas ne révèle pas d’emblée ses talents de pâtissier, mais quand arrive l’anniversaire du fils d’Anat, il décide de lui faire la surprise de préparer des biscuits. Cela ne plaît pas bien à Motti (Zohar Strauss), le frère très pratiquant d’Oren : au-delà du fait que Thomas est allemand, ce que cuit un goy n’est pas casher, or à Jérusalem, si un café n’est pas certifié casher, il perd ses clients. 
 
De son côté, Anat n’est pas croyante et elle est ravie d’avoir trouvé en Thomas un travailleur zélé dont les pâtisseries (préparées par lui, mais cuites par ses soins à elle) ne tardent pas à faire fureur, attirant de plus en plus de nouveaux clients. Devant ce succès, Motti lui-même finit par changer d’avis et inviter Thomas à célébrer le Shabbat en famille avec eux. Dans le même temps, Thomas enseigne la pâtisserie à Anat. Un jour, après une session aux fourneaux, la connexion sexuelle qui peut se créer quand on cuisine tourne à la passion. Cela entraîne naturellement une série de complications, et le choix capital, de la part de Graizer, de laisser là cette relation pour nous entraîner dans un long flashback  qui va se prolonger jusqu’à la fin du film, ce qui donne à l’histoire un incroyable impact émotionnel. 
 
L’approche du réalisateur est à la fois intelligemment structurée en termes de narration, et finement subversive sur le plan thématique. Le premier segment du film, celui qui se passe à Berlin, est net et rangé, tandis que la partie la plus longue du film, celle qui se passe à Jérusalem, est plus libre et impétueuse, et bien sûr sensuelle. Graizer va même plus loin dans la suggestion des préférences sexuelles de Thomas dans la scène où celui-ci retrouve le caleçon et la serviette de son amant défunt…
 
Au niveau des thèmes, bien que le film parle de religion, d’identité juive, d’homosexualité et de la situation d’un Allemand en Israël, des sujets qui sont tous délicats, ce qui est vraiment subversif dans cette histoire, c’est le refus qu’on y sent de se conformer à toute norme sexuelle. Ici, personne ne semble, de manière tranchée, homo- ou hétérosexuel. Tous les personnages cherchent avant tout à être aimés, à ce qu’on prenne soin d’eux, ils veulent de la tendresse et de la proximité, nonobstant les rôles sexuels pré-établis. Le refus de réduire l’identité des individus à toute dichotomie traditionnelle est le vrai moteur de The Cakemaker
 
The Cakemaker a été coproduit par la société israélienne Laila Films avec Film Base Berlin. Les ventes internationales du film sont assurées par Films Boutique.
 
 
[Traduit de l’anglais – source : http://www.cineuropa.org]

En la costa sur de Jalisco, México, un grupo de productorxs regionales sustentables consiguió, a través de diversas actividades productivas y educativas, que El Limón se declarase como el primer Municipio Agroecológico del estado. Rodolfo González Figueroa es parte de una de las cuatro familias campesinas que, desde hace veinte años, trabajan bajo el nombre de Productores Orgánicos del ejido La Ciénega. Desde allí, nos cuenta la historia de organización de este enclave agroecológico que resiste, produciendo y reproduciendo la historia ancestral del maíz y de la tierra.

Escrito por Nicolás Esperante

A comienzos de 1996, con la introducción de la soja transgénica en Argentina, se abrió la puerta al empleo masivo de agrotóxicos en los países del sur latinoamericano (proceso que detalla el Atlas del agronegocio transgénico en el Cono Sur). En México, para ese entonces, el agronegocio llevaba ya casi ocho años promoviendo el paquete tecnológico que sistematiza las formas de producción (riego, uso de agrotóxicos, disposición de los suelos, etc) según el paradigma productivista enraizado en la llamada Revolución Verde. Un paquete tecnológico del que, para finales de la década, eran dependientes cada vez más productorxs campesinxs. Rodolfo narra cómo fue la reacción ante esa creciente dependencia: “Comenzamos  a retomar la agricultura que se hacía antes de los noventa, pero ya incorporando técnicas agroecológicas más específicas y la elaboración de insumos orgánicos. Y enseguida vino la parte de difusión, capacitación, talleres, parcelas demostrativas, intercambio de experiencias… incluso encuentros campesinos estatales de aquí de Jalisco. Y a lo largo de estos veinte años hemos ido desarrollando una agricultura más libre de insumos químicos, recuperando variedades de semillas nativas, asociando cada vez más cultivos, dándole el valor que merece la vida silvestre, la fauna, la flora. Esto ha ido caminando poco a poco en estas dos décadas, de modo que cada vez son más campesinos que trabajan en este modelo y que enfocan su visión hacia algo más integral”.

La producción no es el único eje en el que se centra la actividad del grupo, que entiende la importancia de involucrarse en toda la cadena de los alimentos, desde la semilla hasta el consumo del producto. “El objetivo principal es comer sano. Esta autonomía alimentaria, esta parte de la soberanía para que la familia consuma alimentos de calidad producidos por nosotros mismos. A la hora que queramos, como queramos y como lo sintamos, recuperando también la memoria y mucho, mucho la autonomía. En la parte de la comercialización también hemos incidido, pues. Ya hace algo así como cerca de quince años se empezó a crear un espacio de comercialización de la Universidad de Guadalajara, en un centro universitario aquí en una ciudad cercana, en donde cada viernes ofrecen los productos del excedente de nuestras parcelas agroecológicas, y además se practica el intercambio”. Ese espacio de comercialización fue creciendo y aglutinando cada vez más productorxs, artesanxs y consumidorxs que se reúnen en el tianguis, el mercado abierto que la comunidad organiza dentro del espacio de la universidad, donde no solo es puesta en práctica la comercialización de alimentos, sino que también entra en juego la articulación social y el intercambio de experiencias. “Ahí confluye gente que hace jabones artesanales, gente que produce carne agroecológica, hortalizas, lácteos y sus derivados. Entonces quienes no estamos en el tema de elaboración de productos de higiene personal, por ejemplo, pues ahí hay compañeros que están dispuestos a compartir talleres, y viceversa: quienes no lo saben al tema de producción de insumos orgánicos, técnicas de conservación y regeneración de suelos, tienen ahí mismo los talleres. Esa parte ha sido muy interesante”. Existe también una cooperativa de mujeres que, desde hace diecisiete años, transforman el maíz y lo comercializan de manera artesanal y local, cerrando así un círculo del maíz local criollo y nativo que se produce en la misma región donde las compañeras lo transforman y lo comercializan. “Lo transforman en tortilla, en sopes, totopos, galletas, además de que aprovechan los productos locales, los frutos silvestres de temporada para elaborar conservas: mermeladas, ponches; hacen también comida como pozole… esa parte es interesante y ese grupo de mujeres, llamadas ‘las comadres’, es para nosotros todo un estandarte de éxito, porque pues han recuperado un poco la gastronomía desde el fogón y recuperado el empoderamiento femenino con la independencia económica de las mujeres”. 

Las articulaciones del grupo con otros espacios son frecuentes y variadas, organizando encuentros y participando en ciclos formativos y de intercambio con diferentes organizaciones, como la Escuela Campesina, la Red Nacional en Defensa del Maíz, la Red de Alternativas Sustentables Agropecuarias de Jalisco (RASA), la Plataforma de Jóvenes ante el Desastre y la Emergencia Nacional, así como con estudiantes y tesistas que se interesaron en hacer sus investigaciones sobre estos procesos a nivel local. “El vínculo con la Red Nacional en Defensa del Maíz ha sido algo tremendamente fortalecedor, porque ese espacio no solo nos ha hecho vínculos con más personas, amigos, gente que está haciendo defensa de su territorio y de su vida campesina; sino que también ha sido para nosotros como un espacio formativo políticamente, en el sentido de que en esa red no solo hay organizaciones campesinas sino también indígenas, académicas, de periodistas, de investigadores independientes. Entonces es interesante que cada vez que hay una asamblea, no solo va cada uno a contar su testimonio, sino que también van compañeros investigadores y nos cuentan sus hallazgos, su perspectiva -desde la ciencia, desde la investigación, desde la parte estratégica geopolítica, etcétera-, cómo vienen los golpes hacia la vida campesina, cómo esquivarlos, cuáles son nuestras defensas, cómo seguir resistiendo y promoviendo este modo de vida, en apego y armonía con la Madre Tierra. Y esto es intercambio de saberes, pero también de alimentos o de bienes, como son las semillas; también en estos espacios nosotros nos hemos provisto de semillas nativas de otras regiones. Entonces el espacio de las redes es eso: una forma de fortalecer la lucha, dar más argumentos prácticos, políticos y hasta científicos para seguir defendiendo la vida campesina, las semillas y el maíz”.

El municipio de El Limón sigue siendo el más rural y campesino de la zona. Esto les da la ventaja, ante otros de la región, de haber tenido cierta reticencia a la entrada de las prácticas industriales a gran escala. Cuenta con diversas experiencias de sistemas agroecológicos, y sigue habiendo agricultura a pequeña escala y diversidad de la producción: aun a pesar de haber entrado el monocultivo cañero, la diversidad productiva sigue en pie. El municipio conserva sus corredores biológicos en buen estado: sigue habiendo humedales, manantiales, prevalece el sistema milpa (maíz, frijol y calabaza) con unas siete variedades de maíces nativos. La asociación ganadera local, por su parte, implementa sistemas pastoriles y ganadería regenerativa, lo que representa un gran avance contra los impactos de la ganadería extensiva (predominante en el resto de la región). También presenta iniciativas educativas en escuelas de campo y parcelas demostrativas con sistemas silvopastoriles, agroforestales y ganadería regenerativa. Se trabaja, desde el año pasado, con un vivero municipal de especies forrajeras nativas que lleva producidas más de ocho mil plantas y árboles forrajeros nativos, espacio que también sirve como un foco de educación y formación para niñxs de las instituciones educativas. Incluso en el cultivo de caña hay producción sustentable: hay por lo menos cuatro biofábricas donde lxs productorxs elaboran sus propios insumos orgánicos. El Limón es también el único municipio en el estado de Jalisco que presenta una tasa de deforestación positiva: la cobertura vegetal del bosque aumenta en vez de decrecer, como es común.  Estos son los argumentos y las fortalezas que llevaron, ante el crecimiento del agronegocio en municipios vecinos, a lxs productores orgánicxs a presentarse ante el ayuntamiento en diciembre de 2019, para que el municipio se declare como Municipio Agroecológico. “Y pues, se declaró de esta manera. Y ahora se está trabajando en el proceso de difusión de la agroecología. Ya se trabajó en un festival de intercambio de semillas, ahora estamos en la parte de difusión de los huertos familiares, y esperamos que para noviembre hagamos un festival de la cosecha. Y entrando al año publicar un reglamento municipal de fomento a la agroecología. Todo esto, pues, es un proceso. Va caminando y en ese lado estamos en este momento”.

En los municipios vecinos a El Limón, sin embargo, la agroindustria se estableció más cómodamente, de la mano de los monocultivos de caña y tomate, con procesos productivos cada vez más mecanizados y con más aplicación de agrotóxicos. La situación llevó en los últimos años a realizar estudios donde se encontró que en dos escuelas de las comunidades, el cien por ciento de lxs niñxs tenía altas concentraciones de glifosato en su orina. También se demostró un alto contenido de nitratos -e incluso también de glifosato- en el agua potable que se extrae de los acuíferos del valle cañero. “La situación es grave, y ante esto pues nosotros hemos intervenido, promoviendo los huertos escolares agroecológicos, que también sirven como un modelo pedagógico en armonía con la naturaleza, donde los niños y niñas aprenden biología ahí en la cama de cultivo y no en la pizarra. Y eso va caminando. También tenemos la experiencia, en nuestro municipio, de los huertos escolares: ya hay uno que tiene cerca del año y que ha funcionado muy bien, no solo dentro de las instalaciones del plantel educativo para acercar a los niños a la agricultura y que vayan ellos adquiriendo herramientas pedagógicas que les permitan cultivar sus propios alimentos, sino también para involucrar a los papás y a la comunidad escolar. Esto ha sido un ejemplo al grado que ahora estamos en esta fase de capacitación en todas las comunidades para que la gente interesada construya o haga sus huertos familiares en sus casas o, si lo eligen, huertos comunitarios; la intención es tener por lo menos veinte huertos de aquí a diciembre. Y esto sigue caminando porque cada vez más gente tiene conciencia al respecto de los impactos de los agrotóxicos en la salud humana, como en la salud del ecosistema”.

La tradición milenaria del sistema milpa es una referencia para lxs productorxs agroecológicxs de La Ciénega. El cultivo asociado de maíz, calabaza y frijol (entre otras variedades) -que crecen juntas en concordancia, favoreciéndose mutuamente y obteniendo el mayor beneficio de los recursos naturales disponibles en el cultivo- es también una respuesta contundente a la mentira instaurada por el agronegocio que, con la falacia de la solución al hambre en el mundo, publicita organismos genéticamente modificados para resistir adversidades que, en muchos casos, son consecuencias de las irregularidades que el propio sistema agroindustrial provoca. “Trabajar con el sistema milpa y con el maíz creo que es un legado, es una herencia, es todo un patrimonio heredado de nuestros ancestros, de nuestros abuelos. Y que ahora se quieran homogeneizar y patentar y privatizar las semillas, la producción del conocimiento… es un crimen. Un crimen a la vida, a la humanidad, a la naturaleza. Hay grandes diferencias entre la producción industrial de maíz transgénico, híbrido, exógeno y nuestros maíces locales, que han sido conservados, acariciados; que han ido en constante retroalimentación e intercambio con las generaciones que los han producido, y esto, pues, hace que nuestros maíces sean más resistentes, en este momento, a cambios climáticos, a cambios de temperatura, a eso que llaman plagas; pues están adaptados a las condiciones geológicas, telúricas y medioambientales que los maíces externos no resisten. Además de que nuestros maíces locales no dependen de fertilizantes de síntesis, ni de herbicidas, ni de tecnología de punta. Más bien de lo que sí dependen es de la comunidad. Nuestros maíces viven, conviven, se reproducen y maduran en compañía de calabazas, de frijol, de soya, de pepino, chile, jitomate… entonces esto es un ejemplo, es una manifestación de la vida social de quienes también vivimos en comunidad; y entre más fortalezcamos nuestros lazos de comunidad, más resistimos y más salud tenemos. Es lo mismo que ocurre con los sistemas productivos que estamos haciendo nosotros: son formas de producir en comunidad, en asociación; donde todos se ayudan y todos tenemos una función, en la sociedad como en el campo de cultivo. Además, la calidad de la cosecha. Y esto pues no hay ni que comprobarlo científicamente: basta con probar un elote, un choclo de nuestra parcela y después ir a probar uno industrial; sin sabor, sin carnitas, sin jugo, sin esencia. Esta es una gran ventaja. La otra es que hemos hecho pruebas de conservación de semillas y, obviamente, nuestras semillas tienen más viabilidad; son menos atacadas, por decirlo así, por gorgojos a la hora de guardarlas para la siguiente cosecha. El maíz de fuera no se puede guardar; y aun así, si lo logras guardar para el siguiente año, no germina igual; no tiene la misma potencia, porque están diseñados para eso; para sembrarse, producir y ya. Entonces eso: nuestros maíces son sabores, son colores, son memoria, gastronomía, fiesta, salud, libertad, autonomía. Soberanía”.

Las palabras de Rodolfo resaltan la necesidad -casi siempre ignorada o soslayada- de que las estrategias políticas que atañen a la producción agrícola tengan en su centro de atención a las propias comunidades del campo, contra la sentencia de las políticas económicas de los estados, que suelen concebir al campo como un patio de producción de alimento para las ciudades, sin considerar la concepción de vida campesina e indígena. “Todo esto, pues, lo hemos ido construyendo a lo largo de nuestro caminar de más de dos décadas, compartiendo en espacios formativos, en un tiempo en la academia, en las maestrías de agroecología. Estos espacios de pedagogía insurrecta, por decirlo así, pues, nos han ido formando o deformando, más bien. Nos han ido deformando, nos han ido liberando epistemológicamente de doctrinas carcelarias, y dando una libertad que se manifiesta en cada paso. Estamos en eso, y estamos proponiendo siempre que la libertad de los pueblos debe respetarse, y es donde todavía se conserva mucha riqueza, mucha dignidad y mucho futuro; porque aquí es donde tenemos la memoria, porque tenemos las semillas. Y tenemos las semillas porque hemos resistido todos los embates y todos los ataques de un sistema que intenta, cada vez, apropiarse y privatizar vida en todas sus formas. Sin embargo, nosotros seguimos el caminar la diversificación”.

 

[Ilustración: María Chevalier – fuente: http://www.biodiversidadla.org]

La firma Koichi Takada Architects ha anunciado el desarrollo de un nuevo edificio. Se trata de Urban Forest, rascacielos residencial de uso mixto que se ubicará en el sur de Brisbane, Australia. Diseñado con la ambición de ser el edificio residencial “más verde del mundo”, el proyecto presenta una serie de estrategias sostenibles que incluyen un boscoso jardín vertical.

La edificación, desarrollada por Aria Property Group, forma parte de un movimiento global que busca traer de vuelta los beneficios de la vegetación y la biodiversidad, así como sus aportes a la salud mental. El edificio de 30 pisos incluirá 382 apartamentos, un parque público abierto en la planta baja y una azotea de dos pisos con jardín y servicios residenciales.

Urban Forest

Renders de Urban Forest realizados por Binyan Studios

En el último nivel se incluye una serie de columnas de formas orgánicas con fachadas que dibujan una silueta dinámica. La meta es reducir la huella ecológica al incorporar paneles solares, jardines regados con agua de lluvia recolectada y materiales reciclados. Asimismo, el proyecto logra una “cobertura del sitio del 300 por ciento con vegetación viva, con más de mil árboles y más de 20 mil plantas seleccionadas de 259 especies nativas”, dice en un comunicado el estudio de Koichi Takada, con sede en Sídney.

Con una calificación de seis estrellas verdes, equivalente a la certificación LEED Platinum, el conjunto habitacional pretende ser un punto de referencia para los edificios en altura sostenibles. “Las fachadas orgánicas, escultóricas y escalonadas cubiertas de vegetación brindan aislamiento físico y visual del sol, el viento y la lluvia, mientras que los jardines en el cielo y la vegetación de la fachada brindan protección térmica natural”.

El inicio de la construcción de Urban Forest está programada para finales de 2021. Se espera que esté terminado en 2025.

[Fuente: http://www.latempestad.mx]

 

A empresa Adélia Mendonça Cosméticos tem 16 anos de história e foca, agora, em expandir seus negócios para os países árabes. Marca recebeu a certificação de todos os seus produtos neste mês de setembro.

Escrito por Thais Sousa

A marca brasileira de cosméticos Adélia Mendonça conquistou neste mês a certificação halal. A empresa tem 16 anos de história e foca, agora, em expandir seus negócios para os países árabes. O certificado vale para todas as linhas produzidas pela companhia, que tem portfólio com 150 itens fabricados em indústria própria. A empresa se planeja para a exportação de até 15 produtos de diferentes segmentos para três países árabes.

A marca Adélia Mendonça é especializada em produtos para a pele e tem administração familiar. O trabalho abrange desde a pesquisa e criação dos cosméticos até sua industrialização e comércio. Os produtos se dividem em linhas profissionais, vendidas para clínicas e spas, e itens para o consumidor final.

O plano de investir nos árabes e na certificação halal surgiu há quatro anos, em viagens feitas pela fundadora da companhia, a matriarca da família Mendonça. “Já fui a alguns países árabes, como Emirados e Omã, onde fiz estágios em clínicas de estética. Adoro aquela região. Nestas viagens a países árabes e muçulmanos, eles me contaram sobre a certificação halal. E procurei saber se em cosmético tinha isso também”, revela Adélia Mendonça (foto acima), que é esteticista e cosmetóloga há mais de 40 anos.

Joielle Mendonça é a responsável técnica e de pesquisa e desenvolvimento da marca

Para chegar à certificação, a empresa encomendou um estudo de mercado à Câmara de Comércio Árabe Brasileira, da qual é associada, e seguiu os trâmites para ser certificada pela Cdial Halal. A maior parte do processo ocorreu durante a pandemia, e tanto envio de documentos quanto vistoria foram feitos de forma remota. “Com a orientação da Câmara Árabe, vamos entrar com poucos itens. Eles têm que se encantar com nossos produtos, e temos de tentar convencê-los e criar estratégias que os vão agradar”, explicou.

Além da fundadora e CEO, a marca conta com as duas filhas de Adélia na liderança: Joielle, na área de pesquisa, e Jacqueline, em operações de negócios. “Somos, orgulhosamente, uma fábrica própria. Envolvemo-nos em todos os processos e, quando precisamos, colocamos a mão na massa também”, disse Jacqueline Mendonça, diretora de operações (COO) da Adélia Mendonça.

Para Jacqueline, a inovação está no DNA da marca, que trabalha com 400 matérias-primas e já desenvolveu 150 produtos em linha. Deste total, a marca está selecionando 15 itens para começar a trabalhar no mercado de três países árabes. “Temos esse encanto com o povo árabe. Vemos essa similaridade entre eles e os brasileiros e gostamos muito de pesquisar”, afirmou a diretora.A executiva conta que, assim como em outros setores da economia, a pandemia impactou o dia a dia da empresa, que busca, no entanto, ver a questão por outro ângulo. “Se não fosse a pandemia, estaríamos mais avançados, mas eu sou pé no chão e muito otimista.

Todo mundo teve de se reinventar. Eu aceito esse ensinamento com muita gratidão. Temos de estar preparados para o tombo e para nos levantar de novo. Este ano a certificação já nos deixou superfelizes. Vamos caminhar e retomar contatos”, concluiu a COO.

 

 

 

 

 

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A empresária Jacqueline Mendonça está à frente das operações de negócios.

Mais de quatro décadas na estética

A empresa Adélia Mendonça nasceu a partir de uma busca pessoal de sua fundadora. Nascida e criada em Dores do Indaiá, Minas Gerais, onde fica a unidade fabril da marca, Adélia tem 46 anos de experiência com estética, e foi na juventude que seu interesse teve início. “Quando era adolescente, fui acometida por acne. Me mudei para estudar em Goiânia e tinha loucura para tratar a acne. Fiz vários tratamentos. Até que conheci duas esteticistas que vieram de São Paulo e me tratei com elas. Elas me disseram que iria abrir curso de esteticista na cidade. Fui lá e conheci a dona, que morava entre França e Brasil. Fiz o curso e fui a única a trabalhar na área”, contou Adélia.

Foi trabalhando em parceria com uma dermatologista que a mineira percebeu que os produtos brasileiros não tinham a qualidade que ela procurava e que precisaria buscar no exterior produtos e conhecimento. Após fazer um curso na Argentina, Adélia voltou ao Brasil e reuniu economias para viajar à França, onde descobriu o produto mudaria sua carreira. “Fui fazer um curso na França, e um professor disse que tinha uma linha, que em um único produto tinha 28 extratos botânicos. E eu pensei ‘Isso é o pulo do gato! É isso que eu preciso’”, conta ela sobre a novidade de ter diversos ativos em uma mesma formulação. Para Adélia, essa era a possibilidade de tratar, também, mais de um problema de uma só vez.

A fundadora da marca, Adélia Mendonça, tem mais de 40 anos na área de estética.

A brasileira passou 16 anos viajando em temporadas de três a seis meses para a França, onde desenvolveu pesquisas e produtos no laboratório da escola onde estudada na França. Sua ideia era produzir cosméticos que atendessem à necessidade de peles presentes em seu país de origem. “Conheci a cosmiatria, onde se tem em uma única formulação um pool de ativos em altas concentrações para atender à necessidade da pele brasileira, que pode ser oito a 10 vezes mais espessa do que uma pele europeia devido à essa genética. O Brasil tem peles miscigenadas. Fui estudar nossa origem e observava, em uma única pele, mancha, acne e poro aberto. Aquilo me deixava superintrigada. Eu percebi que posso ter um produto que trata todas as disfunções da pele brasileira. Foi a virada da chave da minha vida”, relembrou.

Depois de desenvolver 37 produtos no exterior, a brasileira percebeu que era hora de criar sua própria indústria, situada no pequeno município onde nasceu. É lá que a marca mantém até hoje sua clínica modelo, onde Adélia segue fazendo atendimentos selecionados. “O meu propósito é continuar com tudo isso. O passo a passo é crescer sempre, expandir a marca para outros países. Pelo site, pelas compras virtuais, as pessoas nos descobrem, mas o meu objetivo é ter um grande mercado. Enquanto estiver viva, vou atrás, vou buscar e chegar à frente”, destaca ela, hoje aos 66 anos.

 

 

[Fonte: http://www.anba.com.br]

 

 

Jovem de 26 anos teve de recuar 600 anos na história da sua família para conquistar uma pátria. Espanha já a aceitou como cidadã. Em Portugal, o processo ainda está imerso na burocracia.

Refugiada palestiniana viaja 600 anos, descobre origem judaica e pode ser portuguesa

Escrito por Ana B. Carvalho

Foi uma viagem de mais de 600 anos que uma jovem de 26 anos – de uma família de refugiados palestinianos de terceira geração-, que se recusava a aceitar a falta de reconhecimento internacional da sua identidade, fez.

Ao fim de três anos de dedicação e depois do trabalho « excecional » de um advogado « teimoso », Heba Iskandarani segura um passaporte espanhol desde o dia 12 de setembro deste ano. Em Portugal, o processo que dá também esperança ao pai e tio de Heba tem enfrentado vários entraves e dificuldades que se prendem « essencialmente com o excesso de burocracia e um atraso sem precedentes na tramitação dos processos », explica a advogada Eva Garcia.

Para Heba, porém, há já uma certeza neste momento: « Vou finalmente poder visitar a Palestina, nem acredito », comenta ao Contacto ainda embevecida de entusiasmo.

« Judeus e árabes são todos realmente filhos de Abraão » declarou, no ano 2000, Harry Ostrer, diretor do Programa de Genética Humana da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova Iorque, autor de um estudo coletivo de vários investigadores internacionais que concluiu que os homens judeus partilham um conjunto comum de assinaturas genéticas com não judeus do Médio Oriente, incluindo palestinianos, sírios e libaneses, sendo que estas assinaturas divergem significativamente dos homens não judeus fora desta região.

Segundo o estudo intitulado « Os judeus são os irmãos genéticos dos palestinianos, sírios e libaneses », publicado na revista Science Daily, judeus e árabes partilham um antepassado comum e estão mais intimamente relacionados uns com os outros do que com não judeus de outras áreas do mundo.

Mas essa irmandade genética não se reflete na política internacional, especialmente quando se refere a descendentes de refugiados palestinianos. No dia 12 de setembro de 2020, Heba Iskandarani encerrou um capítulo importante na sua história pessoal e abriu uma porta de esperança não só a toda a sua família, mas também à « enorme quantidade de pessoas » que lhe têm escrito através do Facebook, onde partilhou a sua história.

Em busca de uma pátria

Heba Nabil Iskandarani nascida e crescida no Dubai, é uma dos muitos milhares de herdeiros de uma identidade não reconhecida, natural de quem partilha linhagem palestiniana.

« Sempre estive em conflito com a minha identidade, sem qualquer sentimento de pertença ou direito a qualquer país, porque nunca tive documentos válidos », conta de voz grave e tom assertivo a filha de mãe libanesa e de pai palestiniano.

Ahmad, o avô paterno natural de Jaffa, foi exilado da Palestina para o Líbano em 1948, durante o Nakba, o êxodo palestiniano depois da invasão do seu território pelo que viria a ser o povo israelita. Casaria com uma libanesa e a partir daí, todos os membros da sua descendência passariam a ser marcados como « refugiados palestinianos », seguindo-se duas gerações de direitos negados e identidades não reconhecidas. No Líbano, é a linhagem paterna que define a nacionalidade, pelo que o facto de ser neta de mulher 100% libanesa não lhe deu direito a nada.

« Senti sempre em mim esta busca de identidade, porque ao crescer me foi sempre negada uma nacionalidade. Refugiada palestiniana, não reconhecida por Israel como indígena de lá, internacionalmente não reconhecida como original de um Estado e altamente descriminada pelo Líbano », conta em entrevista ao Contacto.

A forma como os palestinianos são tratados no Líbano « é absolutamente revoltante », diz enquanto descreve como lhes é negado o direito à propriedade privada, com a possibilidade única de habitar em campos de refugiados, « para não falar da dificuldade de encontrar um emprego e outras incontáveis formas de discriminação ».

« O meu pai viveu praticamente a vida toda no Líbano, cresci com as histórias sórdidas de como foi tratado ao longo dos anos, e também eu senti sempre na pele uma constante sensação de ser ‘menos que’. A minha família toda está no Líbano, há duas gerações. Estão lá presos, pobres, sem oportunidades. Eu sempre que passo na fronteira, no controlo de passaportes, a forma como as autoridades nos olham da cabeça aos pés é angustiante », descreve.

Diz-se crescida numa bolha, no Dubai, em que todos que são de fora « são tratados como iguais », « nunca me senti menos do que ninguém aqui », mas também, apesar de ter lá nascido, é considerada « de fora ». Não sendo, por isso, país que a reconhecesse como sua cidadã.

« A minha família está toda no Líbano há duas gerações. Estão lá presos, pobres, sem oportunidades. »

Quando era criança, Heba perguntava ao pai se podia ser política, embaixadora de um país. « Posso ser política do Líbano? » « Não », respondia-lhe. « E da Palestina? Posso? », ao que o pai voltava a responder negativamente. « Mas porquê? », indagava inconformada. « Ele respondia-lhe sempre: ‘Não tens documentos' ».

Licenciada em Arquitetura no Dubai, a primeira vez que se deparou com « o mundo lá fora » foi quando viajou para o Reino Unido para estudar no âmbito do mestrado em Gestão de Projeto.

Por ser estudante internacional, teve de se dirigir a uma estação da polícia para se registar. Quando lhes deu o passaporte libanês o polícia comenta « Oh! Não via um destes há muito ». No entanto, assim que o abriu apercebeu-se que a nacionalidade registada é « Refugiada palestiniana ». « Desculpe, não compreendo », disse-lhe o polícia. « É um passaporte libanês, com identidade palestiniana mas está escrito que nasceu no Dubai. De onde é que é afinal? », perguntou-lhe. Ao Contacto, Heba conta esta história com destreza e alguma ironia. « Se tiver uma resposta, por favor diga-ma », ter-lhe-á respondido a jovem de 26 anos.

Os dois ter-se-ão rido da situação, mas este terá sido mais um rastilho aceso naquela que se tornaria uma longa e aventurosa jornada de procura por uma pátria.

Terminado o mestrado, há três anos, Heba disse ao pai que não podia continuar nesta situação. O pai riu-se. « Eu estou nesta situação há 67 anos e aceitei a realidade, acho que devias deixar de te fixar na ideia de encontrar uma identidade, um lar para onde voltar. Eu vivi bem assim », respondeu-lhe.

Afinal era judia

A filha, porém, não se conseguia imaginar a « viver bem » nestas circunstâncias e não se contentou com a resposta do pai, começando a fazer perguntas sobre as origens da família. « Perguntei ao meu pai de onde é que éramos originais, ao que me respondeu que tinha ouvido rumores de que éramos egípcios. Então fui ao Google e procurei: origem do nome Iskandarani. » A primeira resposta do motor de busca deixou-a estupefacta. « Encontra a tua linha ancestral Iskandarani judaica na Argentina », leu. « Consegues imaginar? Eu sou árabe, palestiniana, e de repente estou a ler que a origem do meu nome é judaica, quando é precisamente a origem do meu problema o facto de Israel ser antipalestiniano desde sempre. »

Começaria assim uma busca sofrida por respostas às suas origens. No seu computador, janela após janela, surgiam especialistas em genealogia, cidadanias, e foi assim que descobriu uma lista de nomes de famílias judaicos que incluíam o seu. « Pai, é possível que sejas judeu », partilhou. « Impossível! Somos palestinianos », ouviu de volta. « Então, decidi provar-lhe », relata ao Contacto com entusiasmo.

Heba mergulhou no mundo das bibliotecas, dos documentos antigos e dos livros sobre ancestralidade. Tudo provava que o apelido de família era de origens judaicas, incluindo rabinos e figuras que tiveram um papel importante no Médio Oriente ao longo dos séculos. Tirou cópias e fotografias do que encontrou e enviou ao pai. Estava finalmente convencido de que algo de interessante ali se passava e decidiu ajudá-la no seu processo de investigação.

Seguiu-se um teste de ADN. « Pedi que estudassem apenas a linhagem do meu pai, porque da minha mãe sabemos que é libanesa pura há gerações », explica. Os resultados voltaram e foram « chocantes »: « És 0% do Médio Oriente. A linha de sangue do teu pai é uma das proeminentes judaicas, cerca de 50% do norte de África e 50% Península Ibérica », declarando assim que as suas raízes são sefarditas – o termo usado para descendentes de judeus originários de Portugal e Espanha.

Mais uma vez, através do motor de buscas mais conhecido do mundo, Heba acabaria por encontrar um advogado com base em Barcelona, Giorgio Guarneri, que lhe disse « somos todos cidadãos do mundo, com todos os documentos que tem nas mãos tenho uma forte sensação de que vai ser possível ».

Apesar de todas as fotografias aos livros que havia encontrado, estes não eram considerados documentos de apoio ao processo, sendo por isso necessário recolher os documentos de identificação da família.

« A minha sorte foi que o meu avô paterno guardou sempre todos os possíveis documentos numa caixa em Beirute e pediu à minha avó que nunca se perdessem, porque poderiam vir a ser úteis um dia. » Heba diz que « parece que ele previu isto tudo ». Viajou para o Líbano, encontrou a caixa e os ditos documentos. E as surpresas não ficaram por aí.

É ao deparar-se a identificação do avô paterno que se apercebe de que a família toda o conhecia com um nome diferente do que estava no papel. « Eu nunca conheci o meu avô paterno e ele era muito reservado, ninguém sabia muito sobre ele. Na família, toda gente dizia que ele se chamava Ahmad Ahmad, mas nos papéis dele eu encontrei uma identificação com o nome Ahmad Ayyoub Iskandarani ». A família recebeu a notícia com descrença.

Mais tarde, Heba viria a descobrir um segundo documento que pressupõe que Ahmad terá mudado a sua identidade ao chegar ao Líbano. « Nunca ninguém soube de nada, a família toda foi apanhada de surpresa. Levou para a cova o segredo dele e deixou os documentos ».

Documento de identificação do avô paterno de Heba, emitido em 1948 pelo Mandato Britânico na Palestina (que na altura ocupavam o território).

Heba teve de reconstruir a sua árvore genealógica, viajar 600 anos na história, e não quis publicar no Facebook o documento devido « à presença de alguns judeus que são de alguma forma próximos da minha família », a jovem diz que não quis causar turbulência nas redes sociais. « Há pessoas que não sabem lidar bem com isto tudo, demorei três anos a escrever a publicação no Facebook que conta a minha história. Tenho medo de não ser aceite por nenhum dos lados », explica.

Enquanto desenhava as ramificações antigas da sua família, começou a aperceber-se de que todos os tios-avós tinham nomes judaicos. « Não havia um único nome muçulmano, de Moisés a Rúben, Zacarias ou Jacó, David, todos estes nomes faziam parte da minha família e nunca ninguém questionou por um segundo porque é que temos estes nomes na nossa família. A única certeza partilhada era que somos todos palestinianos e fomos expulsos de lá passados tantos anos graças à guerra », conta enquanto descreve a reação dos membros da família que agora lhe dizem que « faz sentido! Estes nomes eram estranhos entre os tradicionais nomes palestinianos ».

Mas as descobertas continuavam. Depois de uma pasta repleta de documentos que foram « mesmo muito difíceis de encontrar », as autoridades espanholas exigiram mais provas. Entre eles estava um documento que provasse a identidade da bisavó paterna. « Não conseguíamos descobrir esse documento. Foi tão, mas tão difícil. Tentámos em vários lugares, inclusive arquivos libaneses, mas trataram-nos supermal. »

A mãe de Heba acabaria por viajar até Beirute, à casa de família, e foi lá no meio de muitos arrumos que descobriu uma identificação da bisavó paterna. Latife Djerbi: ali estava o bendito documento, também ele com um novo sobrenome de origens judaicas, conectado ao norte de África.

Heba, juntamente com os quatro irmãos, o pai e um tio reuniam agora todos os documentos necessários para prosseguir com os processos de pedido de nacionalidade, tanto em Portugal como em Espanha.

Os seis iniciaram o processo em Portugal, mas em Espanha apenas Heba e dois irmãos iriam tentar a sorte, já que lhes seria exigido um « enorme desafio » que nem todos estavam capazes de enfrentar: « tivemos três meses para aprender a língua, fazer dois níveis e um exame de nacionalidade », explica. « Fiquei tão obcecada com aquilo, estudei todos os dias. Dizem que não se aprende uma língua da noite para o dia, mas eu tentei tudo », conta orgulhosa. « Toda esta devoção que tivemos em família, acredito que teve impacto na manifestação de tudo isto ».

Um advogado teimoso

Giorgio Guarneri, advogado que trabalhava num escritório que prestava assistência a famílias descendentes de judeus sefarditas em Barcelona, disse ao Contacto que se lembra de que Heba lhe telefonou « sem qualquer expectativa », inquirindo sobre a lei que entrou em vigor a 1 de outubro de 2015 e concede a nacionalidade espanhola aos sefarditas, apresentada como uma reparação histórica aos judeus expulsos de Sefarad há 524 anos.

O facto de não ter quaisquer provas na mão fez com que fosse rejeitada por todos os advogados anteriores. « Esta é a razão pela qual nenhuma firma de advogados quis aceitar o seu caso, dada a ‘luta’ que teria causado, a fim de encontrar e estruturar as provas certas », explica.

A resistência fez que procurasse outra direção, consultando uma lista de « investigadores sefarditas autorizados », os únicos que podem emitir relatórios genealógicos que poderiam ter sido utilizados para tais pedidos de cidadania.

« Qualquer outro relatório, emitido por um académico não incluído nesta lista, não era para ser considerado pela FCJE. Por conseguinte, contactei todos os investigadores da lista, mas, infelizmente, nenhum académico estava interessado no seu caso », lamenta. « Ou, se alguém estava interessado, apenas sob o pagamento de uma quantia considerável de dinheiro, não acessível a todos. Heba estava quase a desistir, mas graças à nossa determinação e aos meus contactos encontrei um investigador sefárdico, o Prof. Roger Martínez que, no entanto, não estava na lista aprovada pelo Governo espanhol », descreve.

Os conhecimentos e perícia deste especialista eram « demasiado interessantes e úteis » para não recorrerem a ele. Depois de negociarem « um pouco », e « apelando também ao seu lado humano », acabou por aceitar o seu estudo de caso sob o pagamento do que considerávamos uma taxa justa.

« Após um par de meses, as suas descobertas foram incrivelmente úteis, uma vez que basicamente conseguimos seguir as primeiras raízes da família de Heba », explica o advogado. « Para além dos documentos que eu e Heba reunimos no início, tínhamos também o relatório muito informativo emitido pelo Prof. Roger Martínez. No entanto, como ele não estava incluído na lista de investigadores, tivemos sempre de gerir as nossas expectativas. »

Segundo Giorgio Guarneri, quando tudo estava quase perdido, recebeu « uma bela notificação da FCJE, confirmando as raízes sefarditas de Heba, e a emissão do seu certificado ». Trata-se de « um caso muito raro » em que um relatório emitido por um académico não autorizado foi aceite como prova adequada.

Heba Iskandarani segura um passaporte espanhol desde o dia 12 de setembro deste ano.

Além do mais, o seu grande interesse na geopolítica do Médio Oriente, e o apoio « desde sempre » à causa palestiniana, não lhe permitiram que « deixasse a Heba sem qualquer esperança ».

E põe a questão: « E se eu estivesse na sua situação e ninguém me ajudasse? Somos todos seres humanos, e vimos todos do mesmo lugar. Quem sou eu para excluir a possibilidade de alguém mudar a sua vida? A minha ética obriga-me a ajudar qualquer pessoa que procure uma vida melhor. Só posso imaginar o que significa estar na situação de Heba. Sendo um cidadão da UE, não tenho as mesmas restrições que alguém como ela », comenta.

Uma história como a de Heba é, do seu ponto de vista, « inaceitável em 2020 », e considera que é dever profissional e moral « pelo menos tentar e mudar as coisas ». Hoje está verdadeiramente feliz, « não podem imaginar o que significa para mim ver um cliente/amigo com um passaporte espanhol; não há palavras para explicar o quão satisfatório, mais a nível humano do que profissional, o meu trabalho pode, por vezes, ser ».

Em Portugal, a burocracia

Em terras lusas, é Eva Garcia quem tem guiado o caso de Heba e da sua família. Mas o processo tem enfrentado vários entraves e dificuldades que se prendem « essencialmente com o excesso de burocracia e um atraso sem precedentes na tramitação dos processos », explica.

Segundo a especialista, um processo desta natureza é analisado, pela primeira vez, de um ano e meio a dois anos após a entrada do processo na conservatória. Só depois deste período é que serão confrontados com pedidos de esclarecimentos ou documentos adicionais, sendo que entre cada resposta e nova análise, distam pelo menos mais três a seis meses.

« A Conservatória não tem meios humanos suficientes para tratar do crescente número de solicitações, colocando oficiais de registo sem formação jurídica a redigir ofícios que deveriam ser devidamente fundamentados em matéria de direito e não o são, em sucessivos atropelos do processo administrativo », explica.

O resultado, segundo Eva Garcia, traduz-se, « vastas vezes », em « pedidos desprovidos de razoabilidade ». Em causa está, por exemplo, terem requerido um novo certificado emitido pela Comunidade Israelita porque, no certificado enviado, diz-se que o requerente é natural de Beirute, Palestina, um « evidente lapso material ».

« Ora, um tal erro, por lei, jamais poderia conduzir ao indeferimento do pedido, sendo desprovido de razoabilidade, num processo que leva já mais de ano e meio, oficiarem o requerente a pedir um novo certificado que vai demorar um ano a ser emitido, sem fundamento legal para o fazer », explica.

Para melhorar ainda o cenário burocrático, Eva Garcia afirma que qualquer ação judicial da qual pudessem « lançar mão » demoraria pelo menos dois a cinco anos a ser concluída e o processo de nacionalidade fica suspenso durante esse tempo.

« O interesse do cliente é ter o seu direito reconhecido em tempo útil. Isto leva a que, mais das vezes, optemos por aceder aos pedidos infundados, porque o acesso à via judicial é, nestes casos, absolutamente inútil », comenta Eva Garcia.

Remediar o passado

« Não é uma situação comum ter de viajar tão longe no tempo para a conquista de uma pátria. Até porque esta viagem emerge do contexto muito específico de uma comunidade ancestral e das atrocidades que foram continuadamente vítimas ao longo dos séculos », explica a advogada cujos tetravôs foram também cristãos novos no final do século XVIII.

« Mas não precisamos de viajar muito atrás no tempo para nos depararmos com a necessidade de o Estado português legislar sobre o que sucederia com os cidadãos nascidos portugueses na sequência do movimento de libertação colónias portuguesas- se o fez bem ou mal, já é outra história », comenta.

Segundo a advogada, a decisão política do Estado em decidir « reparar » os danos causados pela perseguição dos judeus sefarditas no passado, forçando-os ao batismo católico se por cá quisessem permanecer, surge de uma iniciativa popular através de uma petição pública que trouxe à atenção do legislador a vontade que os descendentes destes antepassados tinham em retomar as ligações às suas origens, estando impossibilitados de o fazerem em razão da expulsão e do exílio dos seus antepassados.

« O sentido de identidade de um cidadão com a sua pátria é uma ligação muito forte que não se perde no tempo. Tem de ser acautelado. É uma área fascinante. Esperemos continuar a testemunhar situações em que os Estados que se preocupam em não deixar os erros do passado cair no esquecimento, e a ter vontade de os reparar, mesmo que 600 anos depois. »

A identidade palestiniana

« Se isto já veio de tantas gerações da minha ancestralidade, sempre em busca de um lar, de uma identidade, se calhar no meu subconsciente este sentimento de não pertença e de me sentir inferior por não ter documentos já uma percepção amplificada », comenta Heba ao analisar esta odisseia. « Uma senhora disse-me que eu agora quebrei este ciclo na minha família e que não só para mim, mas para todas as gerações passadas. »

O mesmo não acontece com toda a sua família no Líbano. « Eles estão todos presos em campos de refugiados e isso deixa-me doente. É mesmo muito triste. Se conseguirmos a nacionalidade ao meu pai, vamos tentar para eles também. »

Neste momento, está feliz porque conseguiu finalmente um passaporte através de justiça, mas ao mesmo tempo tem medo de que a sua identidade palestiniana seja posta em causa por ter descoberto as suas raízes judaicas.

Rami Rmeileh, um refugiado palestiniano de terceira geração, nascido e criado no campo de refugiados de Burj Barajneh, no Líbano, explica que « os palestinianos no exílio partilham uma identidade e significados comuns a ela associados. Estes significados são produtos de uma história traumática coletiva de deslocação, atrocidades e injustiça atual. No entanto, alguns países árabes impõem a única identidade e narrativa palestiniana, como se a posse de uma outra identidade representasse uma ameaça à identidade e causa palestinianas ».

Atualmente, Ramy faz parte do programa europeu Global-MINDS, num mestrado em Psicologia da Mobilidade Global, Inclusão e Diversidade e trabalha especificamente em áreas de como o trauma colectivo, identidade, e emoções.

« Esta narrativa estabelece vários desafios que privam os refugiados palestinianos nos países árabes de acolhimento dos seus direitos civis e humanos fundamentais. Esta negação viola vários tratados e convenções internacionais fundamentais, incluindo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), a Convenção Relativa ao Estatuto dos Apátridas (1954), o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais (1966), e o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (1966) », esclarece.

O jovem que se diz parte de uma geração de « imaginários políticos inovadores » no que diz respeito ao « regresso » e à resolução de conflitos, explica que « os refugiados palestinianos são esquecidos pelas autoridades palestinianas, pela Liga Árabe e pela comunidade internacional. O trauma intergeracional é subestimado e forçado ».

A todas estas ramificações familiares « é-lhes pedido que não usufruam de uma vida decente e digna até que o « direito ao regresso » seja estabelecido, mantidos, como que ’em pausa’, em campos de refugiados desde 1948.

« Gerações inteiras são criadas com uma identidade que paga o preço de quem não tem outra escolha. E deles espera-se que lutem com recursos limitados e reconhecimento. São vítimas de um conflito geopolítico », comenta ao Contacto por WhatsApp.

Para Ramy é bastante claro, « tudo o que estas pessoas exigem é uma solução prática que facilite as suas vidas, ambições e esperança. Apesar de ainda serem « palestinianos », sem terem de recuar 600 anos para conseguirem singrar ».

[Fonte: http://www.dn.pt]

 

 

Un hombre recorre en un tractor los viñedos ayudando en el control de maleza en la agricultura orgánica de la viña Emiliana el 3 de septiembre de 2020, ubicada en la comuna de Casablanca, ciudad de Valparaíso (Chile).

Escrito por Patricia Nieto Mariño

Chile, uno de los mayores productores de vino del mundo, ha logrado renovar el milenario arte de la elaboración de la bebida con apuestas como los vinos « eco », biodinámicos e incluso veganos, una tendencia que conquista los paladares más exigentes.
El vino chileno es, según la Organización Internacional de la Viña y el Vino (OIV), el cuarto más exportado del mundo en volumen y valor y es considerado como uno de los « embajadores » del país, que ahora se ha convertido también en un referente en la región en cuanto a la producción de vinos orgánicos.
Esta línea de producto, según un estudio de la Universidad del Bío-Bío, registró un crecimiento de un 20 % en 2019 a nivel mundial y aún no satisface la demanda de varios de los mercados más importantes como Europa, Estados Unidos y Japón.
La sostenibilidad lleva en la agenda de la industria vitivinícola chilena más de una década, cuando la Asociación de Vinos de Chile creó una etiqueta sustentable que hoy lleva más del 80 % de los vinos embotellados exportados, producidos por un total de 76 viñas que representan 50.000 hectáreas.
« Hay una mayor consciencia desde hace varios años hacia el tema ambiental y bajo ese paraguas han aparecido estos nuevos vinos », señaló a Efe el encargado de sostenibilidad de la Asociación de Vinos de Chile, Patricio Parra.
Otro de los secretos está en la angostura de Chile, de 150 kilómetros de ancho en promedio, que permite producir vinos con la influencia del Océano Pacífico por un lado y la Cordillera de los Andes por el otro.
« Esto genera una diversidad climática que hizo posible la aparición de nuevos vinos y el aumento paulatino del viñedo orgánico », señaló Parra.

VINOS ORGÁNICOS Y BIODINÁMICOS
En un idílico paraje donde gallinas y alpacas se pasean a sus anchas por huertos ecológicos y campos de uva, se ubica Viña Emiliana, el primer viñedo orgánico de Chile y uno de los más grandes del mundo, con más de 900 hectáreas y una producción que supera los 10 millones de litros anuales.
« El vino ecológico u orgánico es aquel en el que no se usa ningún tipo de químico sintetizado como pesticidas, fungicidas y fertilizantes que normalmente se pasan a la uva y queda como residuo en el producto final », señaló el gerente general de la compañía, Cristian Rodríguez.
Por otro lado, señaló Rodríguez, está el vino biodinámico, que se produce bajo la premisa de « cerrar ciclos de la agricultura en el mismo campo, un concepto que tiene que ver con volver la granja de hace 150 años y que consiste en que la granja funcione como un ente vivo », agregó.
En la elaboración de este tipo de vinos se utilizan los orujos -pieles de las uvas- de las cosechas y el guano de los animales como fertilizante, y minerales y plantas como la manzanilla o el diente de león para prevenir las plagas.
El 97 % de la producción de esta viña se exporta a Europa, Brasil y Estados Unidos, de donde también reciben cada año miles de visitas de enoturistas que quieren probar sus vinos que además de estar certificados como veganos son también biodinámicos, y se producen bajo estándares de comercio justo, explicó el empresario.

EL « BOOM » DE LOS VINOS VEGANOS
Más allá de los vinos orgánicos, que según Vinos de Chile representan un 2,5 % del total de los viñedos del país, en los últimos años ha emergido la moda de los vinos veganos, en los que la clara de huevo que se utiliza de forma habitual para clarificar el líquido se sustituye por otros productos de origen vegetal.
« En Chile desde hace cinco años hay un ‘boom’ con el veganismo y la tendencia en los vinos siempre ha sido hacia lo más saludable », señaló Juan José Tarud, un productor local que elabora sus vinos sin productos de origen animal en una centenaria viña a varios kilómetros al sur de la capital.
La elaboración de sus vinos se aleja de todos los procesos industriales y el zumo de uva descansa durante meses en tinajas y antiguas ánforas de arcilla que, según explicó el experto, « ayudan a mantener el aroma y hacen que no sea necesario agregar levaduras ni sulfitos para su fermentación ».
El enólogo y profesor de Agronomía de la Universidad de Chile, Álvaro Peña, explicó a Efe que « no existen diferencias de sabor entre los vinos veganos y los tradicionales, y agregó que, a pesar de las diferencias de producción, tienen unas características organolépticas iguales ».
La elaboración de estos nuevos vinos, añadió Peña, responde a las demandas de la generación « millennial », más preocupados por el consumo animal y « son una tendencia que ha llegado para quedarse ».

 

[Foto: EFE/Elvis González – fuente: http://www.infobae.com]

Mempo Giardinelli, Ana María Shua y Daniel Freidemberg resignifican el legado del autor de piezas como « Las venas abiertas de América Latina », « El fútbol a sol y sombra » y « Memoria del fuego ».

Eduardo Galeano inició su carrera de periodista a principios de la década de 1960 en Marcha, el semanario de Carlos Quijano.

Escrito por Carlos Daniel Aletto

Al recuerdo de los 80 años del nacimiento de Eduardo Galeano, el escritor uruguayo que supo poner en palabras la pasión del fútbol y la trágica historia de América Latina, se suman las voces de tres escritores argentinos, Mempo Giardinelli, Ana María Shua y Daniel Freidemberg, que resignifican el legado del autor de piezas como « Las venas abiertas de América Latina », « El fútbol a sol y sombra » y « Memoria del fuego ».

Eduardo Germán María Hughes Galeano nació en Montevideo. Usó para firmar sus obras literarias el primer nombre y el apellido materno. En su irónica « Autobiografía completísima » -tres breves párrafos- escribió: « Nací el 3 de setiembre de 1940, mientras Hitler devoraba media Europa y el mundo no esperaba nada bueno ».

El autor de « El libro de los abrazos » y « Bocas del tiempo » pertenecía a una familia venida a menos de la aristocracia uruguaya. Luego de cursar el segundo año de la secundaria se puso a trabajar. A partir de los catorce años fue obrero, dibujante, cartero, mecanógrafo. Antes de firmar con su nombre participó en una publicación socialista uruguaya, El Sol, firmando artículos con la pronunciación en español de su apellido galés: « Gius ». Con este mismo seudónimo firmó en la Revista « Che » (1960-1962), en cuyo staff estaban « Pirí » Lugones, « Paco » Urondo, « Copi », « Quino » y publicaban con frecuencia David Viñas y, desde Cuba, Rodolfo Walsh.

« ‘Las venas abiertas de América Latina’ fue para mi generación una certificación, una esperanza y un himno. Desde entonces, todos fuimos o quisimos ser Galeano« 

ANA MARÍA SHUA

Inició su carrera de periodista a principios de la década de 1960 en Marcha (1939-1974), el semanario de Carlos Quijano, que tuvo como secretario de dirección a Juan Carlos Onetti y que contaba con colaboradores como Mario Vargas Llosa, Mario Benedetti y Roberto Fernández Retamar. Durante dos años dirigió el diario Época y trabajó como jefe de redacción en University Press.

En diciembre de 1972, en un bar de Montevideo, Galeano se reúne con el empresario y coleccionista de arte Federico « Fico » Vogelius para crear la revista Crisis. El 27 de junio de 1973 el golpe militar de Juan María Bordaberry tomó el poder en Uruguay, el escritor fue encarcelado y luego obligado a salir del país. Se exilió en Argentina. Siguió a cargo de la dirección editorial de la revista Crisis, con colaboradores de distintos orígenes, pero sobre todo asociados a corrientes de izquierda y del peronismo. Con el tiempo se sumarían a la revista Aníbal Ford y Juan Gelman.

El editor Carlos E. Díaz de Siglo XXI -el sello que dispone de los derechos sobre la obra del escritor- cuenta que un año antes de que Galeano muriera « en el verano de 2014 habíamos cerrado hasta el último detalle de ‘El cazador de historias’« . En este libro póstumo publicado en 2016, el narrador confiesa: « En 1970, presenté « Las venas abiertas de América Latina » al concurso de Casa de las Américas, en Cuba. Y perdí. Según el jurado, ese libro no era serio. En el 70, la izquierda identificaba todavía la seriedad con el aburrimiento ».

El autor de "El libro de los abrazos" y "Bocas del tiempo" pertenecía a una familia venida a menos de la aristocracia uruguaya.

El autor de « El libro de los abrazos » y « Bocas del tiempo » pertenecía a una familia venida a menos de la aristocracia uruguaya.

« Las venas abiertas de América Latina » se publicó poco después del certamen « y tuvo la fortuna de ser muy elogiado por las dictaduras militares, que lo prohibieron« , escribe Galeano y agrega: « La verdad es que de ahí le viene el prestigio, porque hasta entonces no había vendido ejemplares, ni la familia lo compraba », se sincera en « El cazador de historias ».

« Eduardo hubiera cumplido 80 años. Parece mentira lo joven que era cuando partió« 

MEMPO GIARDINELLI

« Eduardo Galeano fue el director de la mítica revista Crisis en sus años de gloria. Escribió muchos libros, pero nos conquistó con uno: ‘Las venas abiertas de América Latina’, ese recuento exaltado, conmovedor, de la piratería que arrasó nuestro continente. Fue para mi generación una certificación, una esperanza y un himno. Desde entonces, todos fuimos o quisimos ser Galeano », señala a Télam la escritora Ana María Shua.

« ‘Las venas abiertas de América latina’: Galeano es eso, sobre todo. Es, además, muchas cosas, en sus escritos y en su actuación pública, pero sobre todo, e ineludiblemente, es ese libro descomunal, que le marcó la vida a una generación en esta parte del mundo », reflexiona el poeta y crítico Daniel Freidemberg.

En este aniversario del nacimiento, Freidemberg destaca que el libro « fue como un despertar, cuyos ecos resuenan todavía ». Y precisa: « Sorprende advertir, salvo algunas afirmaciones coyunturales, hasta qué punto lo que dice está vigente medio siglo después, pese a que tanta agua y tanta sangre corrieron desde entonces. Hasta qué punto, frente a la siempre urgente realidad que nos toca, vuelve a abrirnos los ojos, a plantarnos en lo que, fuera de toda sanata, es nuestro ahora y nuestro acá ».

La obra se leía fervorosamente en las cárceles durante los primeros seis meses de la dictadura uruguaya: « Los censores uruguayos -se burló alguna vez Galeano- al ver el título, creyeron que estaban frente a un tratado de anatomía, y los libros de medicina no estaban prohibidos. Poco duró el error ».

En 1976, luego del último y más sanguinario golpe de Estado en Argentina, el nombre del escritor fue agregado a la « lista negra » de artistas e intelectuales prohibidos por el « Proceso de Reorganización Nacional ». El escritor se debió exiliar de nuevo, esta vez en España, donde empezó a escribir « la acusación literaria más poderosa del colonialismo en las Américas », su famosa trilogía « Memoria del fuego », compuesta por los libros: « Los nacimientos » (1982), « Las caras y las máscaras » (1984) y « El siglo del viento » (1986).

En 1976 fue agregado a la "lista negra" de artistas e intelectuales prohibidos.

En 1976 fue agregado a la « lista negra » de artistas e intelectuales prohibidos.

Además de la historia latinoamericana, el fútbol pasa a ser un tema central y es para el escritor « música en el cuerpo, fiesta de los ojos, y también denuncia las estructuras de poder de uno de los negocios más lucrativos del mundo ».

En 1968, Galeano había prologado una selección de cuentos de fútbol titulada « Su majestad el fútbol » con textos de Albert Camus, Mario Benedetti y Horacio Quiroga, entre otros, donde ya daba cuenta de la mirada de los intelectuales que acusan al deporte por ser, « causa primera y última de todos los males, el culpable de la ignorancia y la resignación de las masas populares en el Río de la Plata ».

Sin embargo, recién en 1995 cuando publica « El fútbol a sol y sombra », el escritor intenta unir los dos universos: « Escribí el libro para la conversión de los paganos. Quise ayudar a que los fanáticos de la lectura perdieran el miedo al fútbol, y que los fanáticos del fútbol perdieran el miedo a los libros », se ilusionaba.

« Cuando en agosto de 2012 organizamos el 17º Foro Internacional por el Fomento del Libro y la Lectura, en Resistencia, Eduardo Galeano tenía la salud algo comprometida, pero me dijo en un email: ‘Hacé todo lo posible por evitarme esfuerzos, por ejemplo colas para firmar libros, entrevistas de prensa, fotos por celulares y tutti quanti. Iré a Resistencia, cueste lo que cueste, al grito de: ¡Sobreviviremos, aunque nos cueste la vida!’. Después de tres días con nosotros y su esposa Helena y su amigo-hermano Eric Nepomuceno, cuando regresó a Montevideo me escribió: ‘Gracias, viejo, estas andanzas compartidas me ayudan a enfrentar con buena cara los días que vienen' », evoca el escritor Mempo Giardinelli.

Este correo -como cuenta el escritor chaqueño- Galeano lo envió a fines del año 2012, apenas unos años antes de su fallecimiento el 13 de abril de 2015. Fueron más de dos años a sol y sombra en los que la vida del escritor fue declinando. « Y por suerte vinieron muchos antes de su partida hacia los jardines del cielo, donde están las almas buenas, las más nobles. Eduardo hubiera cumplido 80 años. Parece mentira lo joven que era cuando partió« , concluye el autor de « Santo oficio de la memoria ».

[Fuente: http://www.telam.com.ar]

Cuatro claretianos españoles ayudaron a salvar entre 1940 y 1944 en París a un centenar y medio de judíos, la mayoría sefardíes, de la persecución nazi. Un bautismo falso proporcionaba la oportunidad de escapar del horror y huir de Francia. Una historia de solidaridad que ha permanecido en el más absoluto secreto. Hasta ahora.

 

Escrito por Julio Núñez

La pequeña comunidad española de misioneros claretianos en París selló sus labios durante 80 años y guardó un secreto que ayudó a salvar la vida de 155 personas durante la ocupación nazi de Francia entre 1940 y 1944. Ubicada en la estrecha calle de la Pompe, número 51 bis, a media hora a pie de la Torre Eiffel, la iglesia de la Misión Católica Española atesora en un minúsculo armario centenares de partidas de bautismo falsas que cuatro sacerdotes de la orden escribieron y firmaron para evitar que el Gobierno de Vichy arrestase a decenas de familias judías. Impregnados con un intenso olor a polvo y abandono, esos tomos son una prueba de cómo Gilberto Valtierra, Joaquín Aller, Emilio Martín e Ignacio Turrillas pusieron en peligro sus vidas tras acoger a esas personas y facilitar que, con esos nuevos documentos, pudiesen huir del país o garantizarles cierta protección ante las frecuentes deportaciones a campos de concentración y exterminio. Ocho décadas después, el secreto de los falsificadores de Dios rompe las cadenas del silencio y ve por fin la luz.

Testigos de lo ocurrido solo quedan los muros de piedra de la iglesia y los intrincados pasillos que todavía conectan la parroquia con el convento. Cuando uno pasea por aquel lugar, atraviesa la amplia nave de la parroquia, observa la estatua de san Juan de la Cruz o rebusca en los libros de la biblioteca, no puede evitar imaginar el recorrido que estas familias judías tuvieron que realizar junto a estos curas para conseguir un papel que les sirviera de escudo ante las persecuciones. ¿Entraban por la pequeña puerta verde lateral de la fachada que da directamente con el convento? ¿Lo hacían de noche? ¿Firmaban las partidas en la gran mesa de madera que hay en la sacristía? ¿O por el contrario, se escondían en la capilla de la cripta para hacerlo? Cuando se pregunta a los que habitan hoy la misión, la respuesta se repite: “No lo sabemos. Todos los de aquella época ya murieron”. ¿Cómo consiguió entonces despertar esta historia del olvido?

Fue una pequeña confesión en una cafetería del centro parisiense en 2018 lo que llevó a un historiador de 26 años, Santiago López Rodríguez, a tirar de un fino hilo y rebuscar en el pasado para saber qué pasó en realidad en aquella iglesia de curas españoles. “Estaba investigando para mi tesis doctoral la labor de la diplomacia española durante el Holocausto en el archivo del consulado y haciendo entrevistas a supervivientes y familiares de víctimas del exterminio nazi. Mientras tomaba un café con Alain de Toledo, hijo de un deportado del campo de Royallieu-Compiègne, este me contó que a sus padres les falsificaron unas partidas de bautismo en una iglesia española en París para ayudarlos a huir a España”, explica López, profesor de la Universidad de Extremadura. De Toledo no le especificó nada más y, hambriento de curiosidad, el historiador se dirigió a la Rue de la Pompe.

En primer lugar, detalle de las partidas de bautismo falsas de la familia Saporta; Tobes, junto al historiador Santiago López, observa la única fotografía en la que aparecen juntos los falsificadores de Dios. Debajo, un registro de dichas partidas.

Tras llamar a la puerta de la misión, un claretiano con acento burgalés, Carlos Tobes Arrabal, condujo a López por el pasillo que flanquea el patio de los geranios hasta la pequeña alacena donde descansan dichas partidas de bautismo. En un despacho adyacente, a la luz de un flexo y custodiado por una talla de la Virgen de Fátima, López inspeccionó página por página los certificados de bautismo registrados entre 1940 y 1944. Allí estaban, anotados con tinta azul y negra, decenas de nombres de personas con apellidos judíos, de edad adulta y nacidos en el extranjero, la mayoría en Salónica (Grecia) y Estambul (Turquía). “Se ve claramente cómo en ese periodo de tiempo los bautismos crecieron hasta un 200% en esta parroquia. Se hicieron conversiones a familias enteras en el mismo día, incluso en algunos casos, también se falsificó a la vez el certificado matrimonial [22 en total]”, subraya López mientras señala con su dedo índice las pruebas. Las 155 falsificaciones se distribuyen a lo largo de cinco años, entre el 3 de octubre de 1940 y el 12 de julio de 1944. Repartidas semanalmente, encontramos 4 en 1940, 68 en 1941, 30 en 1942, 45 en 1943 y, ya al final de la ocupación nazi, 8 en 1944.

Tras desempolvar los tomos y descifrar la letra de todos los firmantes, cruzó los datos de la misión con los que encontró en otros archivos franceses y encontró que hasta 60 de estas partidas correspondían a judíos inscritos como españoles y a 19 protegidos, es decir, personas que contaban con el amparo del consulado. Este descubrimiento forma parte de El Servicio Exterior de España durante el Holocausto en la Francia ocupada (1940-1944), tesis doctoral que espera hacer pública en los próximos meses.

La familia de los Modiano fue la primera en ser bautizada. Mauricio Modiano, de 65 años; su esposa, Eda María, de 51; su hijo René, de 20, y su sobrina María Francisca Hasson, de 9, vivían en el número 134 de la Avenue de Malakoff. Salvo la pequeña María Francisca, todos nacieron en Salónica (Grecia). No hay evidencias de si el padre Valtierra, el cura que firmó la partida, dejó caer sobre sus cabezas el agua bautismal o si simplemente los llevó a un despacho a firmar los documentos. Lo que sí aparece marcado en sus fichas es la fecha del 3 de octubre de 1940, el mismo día que entró en vigor el Estatuto de los Judíos, las leyes antisemitas firmadas por el mariscal Philippe Pétain que desembocaron en la creación de un censo de judíos y, posteriormente, en las conocidas deportaciones a campos de concentración y exterminio. Se estima que más de 75.000 personas murieron. “Estas falsificaciones servían para convertirse aparentemente en católicos y tener la posibilidad de engañar a los perseguidores”, afirma López.

Con una letra clara, los curas se alternaban para falsificar los documentos. En dichos registros anotaron datos relevantes que, analizados hoy, nos permiten vislumbrar cómo eran los bautizados. La gran mayoría eran sefardíes y la edad media era de 33 años: el más joven solo tenía unos pocos meses de vida, y el mayor, 75 años. A casi todos se les castellanizó el nombre con el objetivo de que, cuando presentasen toda la documentación a las autoridades francesas para huir a España, no se los vinculase con su posible registro en el censo judío. Así, Levy se convirtió en Luis, Jacobo en Jaime y Moisés en Mauricio.

También es relevante ver cómo algunos de ellos, semanas después de aparecer en los tomos como bautizados, aparecen en las fichas de otros judíos como padrinos. El matrimonio de los Modiano, por ejemplo, figura con esta categoría en la partida de bautismo de Víctor Gomerzano, de 20 años y natural de Constantinopla (la actual Estambul). Lo que cabe pensar es que, en muchos casos, los inscritos estaban relacionados entre sí y utilizaban el boca a boca y las relaciones familiares para enterarse de la posibilidad de ayuda que brindaban los misioneros españoles.

Cuatro sacerdotes contra las leyes antisemitas

En aquellos años, colaborar con estas personas suponía un delito grave, especialmente si se falsificaba documentación relevante, como visados, pasaportes y partidas de bautismo. “Estos sacerdotes no solo estaban infringiendo la ley eclesiástica haciendo conversiones falsas, sino que se enfrentaban al Estado francés. Si esto se hubiera destapado, podría haber supuesto, sin duda, su expulsión de Francia y un gran perjuicio para la diplomacia española”, comenta López mientras revisa el archivo claretiano en busca de algún papel que arroje más luz sobre lo sucedido. Pero ¿quiénes eran estos cuatro curas y cómo lograron construir esta red de salvamiento?

De ellos queda únicamente una decena de fotografías guardadas en una caja de cartón en la misión de la Rue de la Pompe. Unos pocos recuerdan de oídas qué fue de sus vidas. Por aquel entonces, estos sacerdotes vivían en la misión junto con otra decena de claretianos, y todo apunta a que su relevancia tuvo que ser notable. En el fresco del retablo que corona el altar de la parroquia aparece retratado un sacerdote que, tras comparar su rostro con otras pinturas de la época y corroborarlo con el padre Tobes, representa al padre Joaquín Aller. Nacido en 1897 en Campo de Villavidel (León), Aller fue por entonces superior de los claretianos. La prensa local asturiana de la época informó de que había colaborado con un comunista asturiano exiliado para devolver a Asturias la talla de la Virgen de Covadonga, que pasó parte de la Guerra Civil en la Embajada española de París. Murió en Bilbao en 1964.

1: Joaquín Aller – 2: Ignacio Turrillas – 3: Emilio Martín – 4: Gilberto Valtierra

Poco más se sabe del resto. Gilberto Valtierra nació en 1889 en San Martín de Humada (Burgos, 22 habitantes) en una familia de cinco hermanos, tres de los cuales se convirtieron en claretianos. Allí sigue viviendo un sobrino nieto suyo, Luis Porras Valtierra. “¿Pero qué dice usted? ¿Eso pasó? La verdad es que era un hombre bueno. Recuerdo que alguna vez vino al pueblo a ver a mi madre. Pero, que yo sepa, aquí nunca dijo nada sobre esto que usted me cuenta”, dice Peñas por teléfono tras conocer la labor secreta de su tío. No obstante, subraya, el día de su muerte la tiene grabada a fuego en su memoria. “Fue el 1 de noviembre de 1953. Pocos días después recibimos una carta de Francia. En ella, una familia que no conocíamos nos decía: ‘Los pobres de París lloran ante la tumba del padre Valtierra’. Eso no se me olvida”, cuenta con emoción.

Emilio Martín fue uno de los padres fundadores de la misión claretiana. Llegó allá por 1913 con el objetivo de ayudar a los inmigrantes españoles que vivían con dificultades. Nacido en Segovia en 1869, Martín enseñó y dirigió a los claretianos que pasaron por la Rue de la Pompe hasta su muerte, en 1951. Todavía hoy, antes de entrar en la sacristía de la iglesia, a mano izquierda, está colgado un retrato suyo realizado con carboncillo.

Tobes, superior y actual director de la misión, solo conoció a Ignacio Turrillas (nacido en Monreal, Navarra, en 1897), al que cuidó durante sus últimos años de vida. “Era el que quedaba vivo de los cuatro y murió en mis brazos en 1979. Jamás me contó nada de esto. Pero un día, años después de su muerte, allá por 2008, llegó una mujer a la puerta diciendo: ‘Vengo a daros las gracias. Salvasteis la vida de mis padres’. Nadie sabía a qué se refería y la llevamos ante el padre Miguel Ángel Chueca, nuestro superior por entonces”, relata Tobes sentado en el umbral de la puerta del convento. Cuando la mujer se marchó, prosigue, Chueca contó toda la historia al resto de los misioneros, sin muchos detalles, y les pidió que guardaran silencio.

“Creo que fue una historia que la orden vivió en su intimidad. Ahora, al saber más sobre lo que hicieron nuestros hermanos, nos llena de orgullo y felicidad”, afirma apasionadamente el actual superior. Más de un siglo después de su inauguración, la misión sigue dedicándose a ayudar a los más necesitados: imparten clases de francés a inmigrantes de lengua castellana y ofrecen gratis los servicios de una educadora social, entre otras labores de caridad. Pero son pocos. De la veintena de claretianos que había en los pasados años cuarenta ya solo quedan tres. Junto al superior está el padre Tomás Tobes Agraz y el padre Arturo Pinacho. “La vocación nunca se va. Hay que servir porque mucha gente lo necesita”, explica sonriente el padre Tomás, de 81 años, sentado a la mesa. Mientras comen un humilde estofado y beben agua con un chorro de vino de tetrabrik, conversan sobre las grandes carencias que siguen sufriendo muchas personas.

El retablo mayor de la iglesia de la misiónbclaretiana, donde se cree que aparece, en el centro a la derecha de la Virgen, retratado el padre Joaquín Aller, uno de los falsificadores de Dios.

El retablo mayor de la iglesia de la misión claretiana, donde se cree que aparece, en el centro a la derecha de la Virgen, retratado el padre Joaquín Aller, uno de los falsificadores de Dios.

La ayuda del cónsul Bernardo Rolland

Nadie sabe aún por qué el padre Chueca era reacio a hacer público tal descubrimiento. A De Toledo también le insistió en que no quería que se diera a conocer la historia cuando fue en busca de los documentos que demostraban que sus padres habían sido bautizados allí. “No me dio razones. Me hubiera gustado honrar a la misión, pero él no quería”, cuenta De Toledo. El secreto de los claretianos también fue respetado por la mayoría de los inscritos. A De Toledo, por ejemplo, sus padres jamás le contaron nada. La noticia le llegó mientras investigaba cómo el por entonces cónsul general de España en París, Bernardo Rolland, conocido por salvar secretamente a más de 80 judíos, liberó a su padre del campo de Royallieu-Compiègne en 1942 y luego ayudó a sus progenitores a huir a España en 1943. “Un primo de mi madre, Enrique Saporta y Beja, conocía muy bien al cónsul. Este le había prestado una oficina en el consulado para ayudar a los sefardíes. Él me contó que Rolland fue el que aconsejó a estos judíos que fueran a ver a los sacerdotes [para falsificar las partidas]”, revela en una entrevista por correo electrónico.

La figura de Rolland como nexo entre los perseguidos y los sacerdotes, hasta ahora desconocida, demuestra que participó en la salvación de un centenar de personas más y que posiblemente involucró a trabajadores de la Cámara Oficial de Comercio en París, que figuran en algunas partidas falsas como padrinos. “Sin su acción, mis padres no habrían sobrevivido y yo no habría nacido. Por esta razón llevo 15 años intentando conseguir que le concedan la medalla de Justo entre las Naciones. Pero para mí, con o sin ella, es un Justo”, escribe De Toledo, también presidente de la asociación Muestros Dezaparecidos (Nuestros Desaparecidos, en ladino), que trabaja en la recuperación de la memoria de los sefardíes españoles deportados en Francia.

Preguntas abiertas

Cuando uno revisa la historia de los falsificadores de Dios, surge una duda: ¿no sospechaban las autoridades francesas al ver en estos documentos apellidos judíos y fechas tardías de conversión? ¿Realmente estos bautismos ayudaron a salvar la vida de la mayoría de estas familias? López no duda de ello. “Estos documentos eran una herramienta perfecta para ocultar su fe y dar más credibilidad a los certificados de nacionalidad española u otros papeles expedidos por Rolland”, puntualiza el investigador. Por un lado, estos documentos acreditados por la Iglesia les podían liberar de figurar en el censo de judíos que posteriormente las autoridades utilizaron para localizar y arrestar a miles de ellos y deportarlos a campos de concentración y exterminio. Y por otro, según apunta el historiador, con estos documentos las probabilidades de conseguir un visado para salir de Francia aumentaban. Además, aunque la falsificación para salvar judíos no fue muy común, hubo episodios similares probados que libraron a miles de personas de ser asesinadas por los nazis. Un ejemplo fue la Operación Bautismo, en la que el cardenal Angelo Giuseppe Roncalli, futuro papa Juan XXIII, falsificó durante la Segunda Guerra Mundial partidas de bautismo para salvar a 24.000 judíos desde Estambul (Turquía).

No obstante, no se puede acreditar que la salvación de estas familias se deba exclusivamente a la acción de los claretianos. Lo que sí está comprobado es que durante toda la ocupación nazi los sacerdotes siguieron firmando partidas. El falso bautismo no fue suficiente para salvar de la muerte en los campos de concentración al pequeño de ocho años Rogelio Samuel Benarrosch y a otros 16 inscritos. Pero el resto, 138 personas, sí consiguieron burlar a los nazis.

Fachada de la iglesia de la Misión Católica de París, ubicada en el 51 bis de la Rue de la Pompe.

Fachada de la iglesia de la Misión Católica de París, ubicada en el 51 bis de la Rue de la Pompe.

En algunas ocasiones, los movimientos de los falsificadores de Dios despertaron la inquietud de la jerarquía eclesiástica francesa. En una correspondencia localizada a raíz de este reportaje entre el arzobispo de París Emmanuel Suhard y el superior de los claretianos, el primero pedía al director que se presentase en la sede episcopal para que le informase sobre dichos bautismos. En una carta fechada el 12 de febrero de 1942, Suhard le insistía: “Le dije, la última vez que le vi, que el Consejo del Arzobispo necesitaba una explicación sobre otro converso israelí de quien no nos ha llegado la documentación. Se trata de la señorita (Mme.) Saporta [y Beja], que habría sido bautizada y casada fugazmente en la capilla española. Le agradecería que viniera a verme el sábado por la mañana, 14 de febrero a las 10 en punto, y me diera cualquier documentación que haya reunido”.

Es conocida la oposición del arzobispado de París al Gobierno de Vichy y a las deportaciones, por lo que cabe pensar que estas misivas tenían como objetivo pedir prudencia a la misión y entregar algún tipo de documentación que argumentase la urgencia de dichas conversiones para no levantar sospechas dentro de la Iglesia francesa que apoyaba a Hitler. No obstante, no se han encontrado pruebas de cuál era la postura del arzobispo ante estas falsificaciones. Los actuales superiores de la orden en España, que también desconocían la historia, afirman que con toda probabilidad las falsificaciones se hicieron guardando toda clase de cautelas. “Los años han pasado y es probable que si otros hermanos nuestros, o los superiores de la congregación, supieron de esas acciones, murieran sin comentarlas”, cuenta un portavoz en Madrid.

Entre los papeles de color pajizo que la misión aún conserva de aquella época, aparece una copia de otra carta que el padre Valtierra escribió para justificar el bautismo de la familia Sevi, compuesta por Alberto, Matilde y los niños Jacqueline y Claudio. “No tengo motivos para dudar de la buena fe del señor Sevi sobre su conversión. Ahora se comporta como un cristiano, viene todos los domingos a misa (…)”, escribió el sacerdote.

Claramente Valtierra mintió para proteger a dichas personas. La prueba de ello se encuentra en el archivo de Yad Vashem, la institución oficial israelí en memoria de las víctimas del Holocausto. Allí se recoge que, años después de ser bautizados, los Sevi entregaron su hija a sus vecinos, los Saulnier, un matrimonio católico, para que la protegieran. “No tenían miedo de los bombardeos, sino de ser arrestados y deportados porque eran judíos”, asevera el texto. Afortunadamente, conocemos que la pequeña se reunió con sus padres tras la guerra.

Más de 100 nombres, más de 100 historias

Encontrar y entrevistar a los protagonistas de esta historia es muy complejo, especialmente porque ha pasado tanto tiempo que es difícil que alguien siga vivo. Tras una búsqueda intensiva en blogs familiares y árboles genealógicos, además de más de medio millar de llamadas, se ha podido localizar a una veintena de descendientes. Curiosamente, ninguno sabía nada de esta historia.

“Se me está poniendo la piel de gallina. No puedo creerlo. Es como si me estuviera hablando de alguien que no conozco. No entiendo por qué nunca me dijeron nada”, cuenta conmovida Karine Saporta, hija, sobrina y nieta de bautizados. Conoció la noticia después de devolver una llamada perdida a su móvil de este periodista. “Pensaba que era una broma”, relata. El caso de los Saporta sobresale del resto por sus protagonistas. El benjamín de la familia se llamaba Raimundo, tenía 16 años y se convirtió décadas después en el vicepresidente del Real Madrid, mano derecha de Santiago Bernabéu y artífice, entre otras cosas, de que el jugador Alfredo Di Stéfano acabara vistiendo la camiseta blanca de por vida. Una figura relevante de España, vinculado también a la dirección de la Federación Internacional de Baloncesto.

Los falsificadores de Dios

«No puedo imaginarme el sufrimiento por el que tuvo que pasar mi familia. Es una historia que debe conocerse.» Karine Saporta, hija, sobrina y nieta de bautizados, al conocer la historia de mano del autor de este reportaje.

Su hermano, padre de Karine, se llamaba Marcelo, tenía 19 años cuando la partida de bautismo falsa le ayudó a exiliarse a Madrid con toda su familia. Tras la contienda, cambió su nombre por Marc y volvió a París. Su nombre cobró relevancia como traductor, editor e íntimo amigo de Jean-Paul Sartre. Todos, al igual que muchos bautizados, ocultaron lo sucedido a sus familiares y se llevaron el secreto de los claretianos a la tumba.

Un año después de colgar el teléfono, Karine visita la misión parisiense para ver los famosos tomos. Temblorosa y aparentemente incrédula, sube acompañada del padre Tobes las escaleras de madera que llevan a la biblioteca, en lo alto del convento. Entre dos paredes forradas con libros y alguna que otra trampa para ratones, una mesa la espera con un libro abierto. Cuando leyó los nombres de sus padres, cogió una bocanada de aire. “Aquí están”, dijo.

Allí supo que sus padres, en 1949, también se casaron. El padre Valtierra, el mismo que firmó su certificado falso, fue el cura que ofició la celebración. “No puedo imaginarme el sufrimiento por el que tuvo que pasar mi familia. Es una historia que debe conocerse. Que debe salir a la luz”, cuenta la hija de Marc emocionada mientras fija su mirada en el padre Tobes.

Los sefardíes del Expediente de Toledo

Para Eliazer Carasso; su esposa, Matilde Amarigio, y su hija Alegra, la huida de los nazis no terminó con su salida de Francia. El viaje hasta su nuevo hogar, Casablanca (Marruecos), se demoraría casi un año más. Como a tantos repatriados judíos, las autoridades franquistas los repartieron por ciudades españolas, en su caso Toledo, a la espera de entregarles los respectivos visados. Junto a ellos, arribaron a la capital castellano-manchega otros seis judíos, entre ellos Edith María Esther Nahamías, también bautizada. Los pasos de su odisea están recogidos en un expediente policial en el Archivo Histórico Provincial de Toledo.

Los documentos, escritos a máquina y anotados a bolígrafo por el gobernador civil de la provincia de Toledo, informan de las residencias que ocuparían los repatriados desde agosto de 1943 hasta su marcha, finalmente en diciembre de ese mismo año. Los Carasso convivieron junto a vecinos toledanos en la calle de la Escalerilla de la Magdalena, número 2. Justa Córdoba, por entonces con 13 años, aún los recuerda como “gente educada”, “bien vestida” y que “solo hablaban entre ellos”. Los años han pasado y para Córdoba, ahora nonagenaria, le resulta difícil hacer memoria. “Era muy pequeña. En el barrio se decía que eran judíos que Franco había acogido como refugiados”, cuenta por teléfono.

Telegrama del gobernador civil de Toledo al comisario jefe de la ciudad en el que le informa de que nueve sefardíes, entre ellos varios de los « bautizados », han salido de Francia el 14 de agosto de 1943 con destino a la ciudad castellanomanchega. ARCHIVO HISTÓRICO PROVINCIAL DE TOLEDO

Lo que pasó con ellos después de salir de España no está del todo claro. Los Carasso consiguieron embarcar en diciembre desde Málaga hacia Casablanca. Un mes antes, Nahamías logró un salvoconducto hacia Barcelona para encontrarse con su marido, Jacob Faraggi. Poco después se establecieron en Madrid, donde abrieron una boutique de moda cerca de la plaza de la Independencia. Anne-Marie Rychner Faraggi, familiar de ambos, cuenta que en 1945 regresaron al país galo. “Volvieron a Francia tras la Segunda Guerra Mundial. En la familia no sabemos mucho más sobre ellos”, explica Rychner.

La búsqueda de cada uno de los nombres lleva a descubrir múltiples historias que arrojan luz a una de las páginas más negras del siglo XX: la guerra y el Holocausto. Pese a haber despertado del olvido, el caso de los falsificadores de Dios está compuesto por fragmentos que siguen sin resolverse con claridad. ¿Tomaron ellos la iniciativa de salvar a esta gente o fue el cónsul el que llamó a su puerta pidiendo ayuda? ¿El obispado apoyaba sus actos o simplemente desconocía la realidad del asunto? Y más importante, ¿fueron las falsificaciones de los claretianos la clave para que la mayoría de los bautizados no muriera a manos de los nazis?

Tras analizar una y otra vez las partidas, las cartas y el resto de informes, no hay duda de que los misioneros españoles de la Rue de la Pompe se expusieron ante las autoridades nazis. Como demuestra su certera caligrafía, no les tembló el pulso al firmar aquel centenar y medio de conversiones falsas para intentar salvarles la vida a estas personas.

La lista de los falsificadores de Dios

Esta es la lista de las 155 personas que intentaron escapar de los nazis con la ayuda de los falsificadores de Dios. Si usted es un familiar o un conocido de una de estas personas y quiere contactar con nosotros, puede escribirnos a elpaissemanal@elpais.es.

 

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[Fotos y vídeo: Juan Millás – fuente: http://www.elpais.com]

 

Escrito por Pablo Alonso González

Científico titular en Antropología Sociocultural, Instituto de Ciencias de Patrimonio (Incipit -CSIC)

y

Eva Parga Dans

Ramón y Cajal en Ciencias Sociales, Instituto de Productos Naturales y Agrobiología (IPNA-CSIC)

Ante cualquier producto alimentario, el consumidor puede conocer mediante el etiquetado sus valores nutricionales, ingredientes, fecha de caducidad o envasado y origen. Excepto uno. El vino puede contener decenas de ingredientes y aditivos legales no etiquetados, además de residuos de pesticidas y metales pesados.

Ante esta realidad, el vino natural se postula como una alternativa rompedora. Se produce a partir de la fermentación de la uva sin residuos químicos de síntesis, procedimientos agresivos y como único ingrediente optativo el sulfuroso a bajas dosis.

Pese a los distintos informes europeos evidenciando el interés del consumidor de obtener más información sobre el vino, el debate sobre la regulación del etiquetado en la UE sigue estancado y sin visos de ofrecer una salida satisfactoria para el consumidor.

Logo del Vino Método Naturaleza recién aprobado 
en Francia.  Syndicat de Défense du Vin Naturel

Ante esta situación, el movimiento del vino natural ha conseguido recientemente ser reconocido en Francia. Ya pueden etiquetar sus vinos como “vino método naturaleza” (está prohibido el etiquetado como “natural”). Cuestionan así los dogmas de la enología contemporánea y la industria vitivinícola y reivindican la recuperación de vinificaciones tradicionales, artesanales y del patrimonio vitícola local.

Vino natural: ¿realidad o ficción?

Llevamos al menos desde el 8 000 a. e. c. bebiendo vino. Si preguntamos a los abuelos de cualquier región vinícola ibérica cómo se hacía tradicionalmente el vino, es fácil que la respuesta más común sea que, simplemente, se dejaba la uva fermentar naturalmente. Añadiendo quizás algo de alcohol o una mecha de azufre a las barricas. Poco más. Aunque el azufre lleva utilizándose mucho tiempo, su uso no es generalizado.

Las innovaciones enológicas francesas del siglo XIX como la pasteurización o la aún ampliamente utilizada chaptalización dieron un giro definitivo a la producción vinícola. Pero las diferencias entre vinos naturales y artificiales seguían siendo muy claras en Europa y en España.

La situación cambió con la expansión de la enología industrial contemporánea a partir de los años 60. Esta ha llevado a una estandarización de los tipos y calidades de los vinos a nivel global, como han denunciado el documental Mondovino y, más recientemente, Fermentación Espontánea o Albariño Rías Baixas: de la tradición al mundo en España.

El viticultor actual puede emplear un ingente armamento intervencionista, desde levaduras artificiales a antioxidantes, antimicrobianos, reguladores de acidez o gelatinas, al uso de electrolisis, microoxigenación u ósmosis reversa. Todo ello según la legislación vigente y sin necesidad de etiquetado (a excepción de sustancias alergénicas, como los sulfitos o el huevo).

A la industrialización en bodega se une la industrialización del campo: en Francia, el 3 % de la superficie agrícola se dedica al viñedo, pero este concentra el 20 % del uso de fungicidas. Diversos estudios muestran la permanencia de pesticidas en vinos, aun a niveles bajos.

Los pesticidas no solo pueden dañar nuestra salud y el medioambiente, sino que transforman el aroma y el gusto del vino, e incluso aportan su propio carácter al mismo, poniendo en cuestión la noción misma de tipicidad en la que se fundamenta la legitimidad de las denominaciones de origen vinícolas.

Junto a este devenir industrialista de la enología, creció siempre en paralelo una minoría de enólogos y vitivinicultores que desconfiaban de este modelo y proponían una vuelta a las raíces del vino natural, con sus virtudes y sus defectos. Pero entonces, el vino orgánico… ¿no es natural?

Orgánico, ecológico, biodinámico, vegano…

Las etiquetas nutricionales nos hablan de lo que hay, los certificados de lo que no hay. Podríamos prescindir de los múltiples sellos existentes y su complejidad, desde el orgánico al biodinámico o el vegano, si partiésemos de que el vino es un producto natural: solo habría que informar al consumidor de todo añadido.

Tabla comparativa de distintos tipos de vino y sus ingredientes permitidos en Europa, incluyendo vinos convencionales, ecológicos, biodinámicos, de la asociación de productores de vinos naturales de Francia y de la asociación SAINS francesa. Carnet de Vins

La situación, sin embargo, es la inversa. A pesar de que la legislación española define el vino como “alimento natural obtenido exclusivamente por fermentación alcohólica, total o parcial, de uva fresca, estrujada o no, o de mosto de uva”, permite también que todas las bebidas con más de 1,2 grados alcohólicos no etiqueten ingredientes.

Las certificaciones ecológicas o biodinámicas suponen además un sobrecoste y mayor carga burocrática para las bodegas: se invierte así la lógica de quién contamina paga. Nos encontramos más contradicciones, como que los vinos desalcoholizados se vean obligados al etiquetado. También a nivel internacional la multiplicación de sellos lleva a confusión: el vino orgánico en Estados Unidos no puede llevar sulfitos, pero en Europa sí.

Etiqueta de vino sin alcohol Win. Vino WIN

Los sellos nos ofrecen solamente informaciones parciales de aquello que no está presente en determinado vino, de formas de producción específicas o de una postura ética. El sello orgánico o biológico, gestionado por entes públicos y privados, prohíbe el uso de fertilizantes y fitosanitarios de síntesis y reduce la cantidad de aditivos que se pueden añadir al vino.

Más restrictivo es el sello biodinámico, gestionado por empresas privadas como Démeter, que garantiza una menor intervención en viñedo y en bodega de acuerdo a la filosofía de Rudolf Steiner.

El sello vegano nos permite saber que no se han empleado productos animales, como gelatinas de pescado, albúmina o caseína. Otros sellos, como cero emisiones, comercio justo o similares, nos hablan de posturas éticas. Reclamos sin sello como el “sin sulfitos” solo nos garantizan que no se han añadido sulfitos, pudiendo haber empleado todo el arsenal de la enología moderna: no son necesariamente vinos naturales.

¿Qué es el vino natural?

El movimiento de los vinos naturales busca recuperar la esencia del vino, trabajando el producto en viñedo y en bodega sin añadir nada que no provenga del sistema natural y evitando tratamientos físicos agresivos, como filtraciones, electrolisis u ósmosis inversa.

Los vinos naturales tienen ya un largo recorrido –para conocerlo, es recomendable ver esta charla de Benoit Valée y Marie-Louise Banyols o leer este resumen–, principalmente en Francia. El movimiento tal y como lo conocemos hoy en día surgió en los años 80 en el Beaujolaise para extenderse posteriormente por el Loira, adquiriendo gran importancia en Italia y más recientemente en España.

Pese a esta expansión, no existe una definición legal internacional del vino natural y son las propias asociaciones las que se dotan de normativas. Estas generan profundos debates, generalmente sobre el uso o no de sulfitos y de su cantidad, especialmente en Francia.

En Italia la complejidad es aún mayor, con tres grandes asociaciones (VANViniVeri y Vinnatur) con criterios aparentemente semejantes que en realidad esconden distintos posicionamientos éticos, administrativos y políticos.

El vino natural ha sido reconocido en Francia en marzo de 2020, abriendo la posibilidad de etiquetarlo como “vin methode nature”, gracias a los esfuerzos del Syndicat de Défense des Vins Naturels. Su manifiesto nos da una idea de lo que debería ser en líneas generales un vino natural: viticultura certificada en ecológico, trabajo artesano y manual y ningún aditivo permitido, a excepción de los sulfitos en bajas dosis (menos de 30 mg/litro), y solo antes del embotellado. Se abre con ello un nuevo horizonte de futuro para un vino que mira al pasado.

Pero ¿estamos preparados en España para una legislación semejante a la francesa? En nuestro país existe la Asociación de Productores de Vino Natural, que tiene su propia definición y feria de vino natural. También se multiplican bares y ferias de vino natural, como Vella Terra, que atraen a diferentes profesionales y amantes del vino.

Pese a todo, el consumidor sigue sin tener una noción clara de qué es, en qué se diferencia y dónde puede comprar vino natural. Quizás es buen momento para legislar al respecto y poner en práctica el lema del vino natural francés: “Decimos lo que hacemos, y hacemos lo que decimos”.

[Fuente: http://www.theconversation.com]

Publicado por Bárbara Ayuso

Todo el mundo tiene una opinión sobre Woody Allen y qué mejor ocasión que la publicación de sus memorias para apostarse en la trinchera y hacerse oír. Se titulan A propósito de nada (Alianza) pero sirven para todo propósito en materia de exhibición moral: por ahí siguen dándose sartenazos los que presumen de wokerismo llamando a boicotear el soliloquio de quien consideran un pedófilo y los acérrimos discípulos que han colapsado Instagram (y Wallapop) a golpe de selfis subversivos porque ellos sí las iban a leer. Palabra clave: presumir. 

Tenía que pasar. Si antes de su publicación la autobiografía de Allen fue insólita en varios aspectos su editorial las rechazó sin leerlas por la presión de Ronan Farrow cuando llegara a nuestras manos merecía también alguna extravagancia. Y ahí la tienen: el libro, además de convertir la lectura en un posicionamiento ideológico previo, ha servido para decir más de quien las lee que de quien las protagoniza. 

Pero A propósito de nada es bastante más que una excusa para exhibir certificados de cinefilia o de compromiso social.

Todo el mundo tiene una opinión de Woody Allen, incluido Woody Allen. Que no es la más amable de todas, por cierto. «Yo no soy nada interesante, soy extremadamente superficial y desilusiono a los que llegan a conocerme», avisa. Si es usted de los que cree que conoce al cineasta porque es una especie de mosaico personificado de los personajes de sus películas, prepárese para equivocarse. 

Quizá eso sea en lo único que le haga cambiar de opinión sobre él. Porque, aunque a veces finja lo contrario, Woody Allen no ha escrito cuatrocientas cuarenta páginas para convencerle a usted de nada de lo que no venga convencido ya de casa. Sí, hablamos de «el tema». Si cree férreamente que abusó de una de sus hijas y se casó con otra, el centenar de páginas que dedica a explayarse sobre el asunto de Mia FarrowSoon-Yi y lo que ocurrió el 4 de agosto de 1992, no le van a mover ni un ápice de su convicción. Ni aunque le explique que ni una era su mujer, ni otra su hija, o le detalle los informes presentados ante el juez. 

Ahí radica la trampa de un libro que se ha publicitado como relato expiatorio: que en ese sentido, es papel mojado. Porque los que ya le han declarado culpable por acusación o bien no se acercarán (reivindicativamente) a cuatro kilómetros de un ejemplar, o acudirán en exclusiva a los pasajes más salseantes para entresacar pruebas que apuntalen en el veredicto inculpatorio. Para ellos, una ayuda: el quilombo empieza en torno a la página doscientos cuarenta y dos. Justo después de que Allen hable de cómo Zelig ha entrado en el vocabulario popular con un significado que él no le confirió cuándo rodó la película: «Zelig debería definir principalmente a esas personas que abandonan constantemente su postura inicial y adoptan cualquier otra que sea más popular», dice. Acto seguido, empieza el acto de Mia Farrow y la versión de los hechos del cineasta. 

Serán los fragmentos más fusilados y con más repercusión, pero sobre todo son los más desagradables de la obra. Nada que no anticipara uno de los hijos de la actriz, Mosesen su crudísimo relato de cómo de truculenta fue la infancia en la casa Farrow. Allen sigue esa línea de los hechos y se sumerge en ello a pulmón, sin ahorrarnos la sordidez de todo ese lío de adopciones con devolución, niños con problemas físicos, hijos a medio adoptar, paternidades discutidas con la genética y manipulación de retoños. La semblanza que hace de quien fuera su extraña pareja durante trece años está escrita con machete: «No es extraño que dos de sus hijos terminaran suicidándose», dice, entre otras muchas lindezas, entremezcladas con loas a su desempeño profesional en sus películas. 

Él aparece, literalmente, como «un asno», un «negado», ciego ante lo que ocurría realmente, que jamás detectó indicios de nada de lo que nos cuenta, que te deja la pelvis del revés. Una burricie, por cierto, de la que dio también muestras con el resto de mujeres de su vida. Tampoco se percató (hasta que no lo leyó en sus memorias) de que Diane Keaton sufría un trastorno alimenticio, ni de que Louise, su segunda esposa («Pequeño lascivo serafín de los cielos») no se comportaba exactamente bajo los dictados de la lógica. Pero con ellas se lleva de fábula, es imprudente obviarlo. Allen no se flagela, pero se pregunta si no debería haber percibido alguna señal de alarma con Farrow. «Supongo que sí, pero si uno está saliendo con una mujer de ensueño, aunque vea esas señales de alarma, mira para otro lado». Lo achaca a un mecanismo de negación. 

¿Es esto acaso posible? ¿Fue deliberado ignorar que Farrow era una mujer «trastornada y peligrosa» y ventajista sacarlo a relucir cuando ese trastorno se volvió contra él? ¿Tiene validez una exculpación en retrospectiva? Pues miren, ni idea. Porque cualquier biografía es por definición una narración de parte, y porque las historias sobre el desquiciamiento de Mia Farrow no son material comprobable, si acaso quisiéramos eso. Lo que sí es verificable es el otro vector de la defensa de Allen, al que dedica el mismo espacio: los informes de servicios sociales, la policía y psiquiatras infantiles. Cuando la narración se convierte en thriller legal, la cosa se vuelve bastante más árida y menos opinable. 

Pero es que es inútil. Porque el propio Woody Allen sabe que todo este embrollo se ha convertido, como él dice, más que un escándalo internacional en una polémica que «florecería hasta convertirse en una industria». Él finge darlo por zanjado con la autobiografía sabiendo que no lo está en absoluto. Porque esto no va de pruebas, informes judiciales, ni es materia de tribunales. Es una ordalía interminable. Lo dice tal cual: si la propia Mia Farrow saliera mañana mismo y reconociera que lo inventó todo, seguiría existiendo una vasta porción del público convencida de que hay algo podrido y enfermo en Woody Allen. 

Las razones no son ningún misterio. «Una vez que te han ensuciado, quedas vulnerable para siempre». Además, la salsa se espesa con otros emulgentes: sigue sin existir una forma de contar que se enamoró de una mujer treinta y cinco años menor que él, hija adoptiva de su pareja, sin que nos dé un poco de repelús. Dedica mucho (mucho) esfuerzo a evidenciar que lo suyo es amor y no parafilia, porque el hecho de que lleven veinticinco años juntos no parece fundamento suficiente. Miren, a las bravas: este asunto es un coñazo rampante. Cumplida la ley ambos eran y son adultos ¿qué obligación tiene Allen (o cualquiera) de satisfacer las prerrogativas morales de ustedes o mías? De acuerdo, siempre será una historia rarita cómo esos dos seres humanos se emparejaron, pero ¿podemos seguir adelante con nuestra vida? 

Por lo visto, no. Pase lo que pase, siempre quedará la bruma del delito para quien se empeñe en verla. Cunde en mucha gente esa sensación contradictoria que Ronan (entonces se llamaba Satchel) le expresó a Woody Allen frente a una trabajadora social: «Me caes bien, pero se supone que no debo quererte». Hoy en día se enuncia de otro modo, se enmascara con la tediosa discusión de separar artista y obra: es lícito que te quieras quedar a vivir en las películas de Woody Allen si antes confiesas que él es un sucio depravado. Rindámonos a la obviedad, como el propio Allen, y pasemos a otra cosa: «Todavía hay dementes que que piensan que yo me casé con mi hija, que Soon-Yi era hija mía, que Mia era mi esposa, que yo adopté a Soon-Yi y que Obama no era estadounidense». 

Una ironía que no significa nada 

A propósito de nada está como Delitos y faltas, no huele a casualidad divido en dos mitades: una dramática y otra más cómica y satírica. Hasta ahora hemos hablado solo de la más desabrida, un peaje para transitar a ciento veinte por la otra, que es una gozada. Especialmente el primer tercio: la infancia, adolescencia y primera madurez en el Manhattan y el Brooklyn de los cuarenta y cincuenta. Son las historietas de un niño que iba a un colegio de «maestras retrasadas», que detestaba la lectura, un «patán crónicamente insatisfecho» al que le gustaban las niñas («¿qué me tenían que gustar? ¿las tablas de multiplicar?») con una madre físicamente idéntica a Groucho Marx… Una película de Woody Allen que Woody Allen nunca filmó pero que rememora de una manera deliciosa. 

Los motivos por los que admiramos su don para contar están ahí condensados: la autoparodia cruel, el ingenio elevado a forma de arte, el costumbrismo nostálgico pero no ñoño. Las peripecias de ese Allen bisoño son descacharrantes y tiernas, una especie de Días de radio sin ficcionar. O ficcionadas, que tanto da, siguen siendo hilarantes. Tienen un regusto romántico de los que hace salivar el corazón. Este relato de inicios contiene tal derroche de talento que se lee como si, en lugar de en una pandemia mundial, uno estuviera repantingado en una tumbona tintineando un vaso con hielos. 

A partir de ahí, de manera indisciplinada y caótica, pasa a detallar cómo pasó de ser Allan Sterwart Konigsberg a Woody Allen. Y es un viaje grandioso. De escribir chistes para otros pagados en centavos a acabar subido en un avión pilotado por Mickey Mouse, figúrense. Aunque no es un libro de cine, habla de sus películas un poco como le apetece. Se detiene en las más incomprendidas, pasa por alto algunas obras cumbre y pone en evidencia que los genios (hola, Stephen King) no siempre tienen el mejor criterio respecto a su propio trabajo. Para muestra un botón: Woody Allen está convencido de que Wonder Wheel es su mejor mejor película hasta la fecha y considera que Manhattan es «injustamente elogiada». De hecho, Manhattan existe de milagro. Cuando la montó no le gustó el resultado y presionó a los de United Artist para que la guardaran en un cajón y no la estrenaran, a cambio de otra película gratis. Por los pelos. 

Historias como esa, en el libro, hay cientas. Porque, amén de otra cosa, se trata de un exquisito compendio de anécdotas en torno a sí mismo, su cine, y sus variadas neurosis. Se metió en una fiesta de Roman Abramovich pensando que era de Roman Polanski; intentó que Julia Child le diera clases de cocina, troleó a Fellini sin querer, Cary Grant le troleó a él, abochornó a la reina de Inglaterra, el rey Felipe cenó en su casa de Nueva York y no se enrolló con una hermana de Diane Keaton, sino con dos. Y sí, cumplió su sueño de conocer a Arthur Miller: «Le hice un millón de preguntas y recuerdo con toda precisión que él me confirmó que, en efecto, la vida carecía de sentido», escribe.

En general, se trata de un festín mitómano muy disfrutable, aunque por momentos se torne pelín farragoso. En su afán por mencionar a toda la gente que ha admirado, amado y compartido con él desempeño profesional, a veces el libro se vuelve un «lo que opino yo de todo el mundo». Y como somos unos melindrosos, le buscamos los tres pies al gato. Si haces un repaso tan  exhaustivo por todos los actores de tus películas, inevitablemente nuestra mirada porculera se dirigirá hacia las omisiones. ¿Por qué no sale, ni de pasada, Antonio Banderas? ¿Cómo vamos a tolerar que no se deshaga en elogios hacia Steve Carrell? El episodio de los huevos pasados por agua que dieron al traste con su amistad con Emma Stone debe encerrar algún significado, pero ni idea de cuál. Nos habría venido bien que ahondase un poco más en Weinstein o mencionara a su conocido Epstein, pero no, no lo hace. 

El de Farrow no es el único ajuste de cuentas. Allen se refiere al último episodio de su ordalía, cuando la carta de Dylan Farrow en 2014 precipitó la caída en desgracia del director. Lo que él describe como «el tiempo de los sinvergüenzas»: actores renegando de haber trabajado con él, Amazon cancelando su serie, Hilary Clinton rechazando su donación, películas sin financiación ni estreno… La bofetada que le propina al insoportable Timothée Chalamet la deben estar notando aún en Saturno. Aunque no es el que peor parado sale. Allen considera que aquello fue un proceso digno de McCarthy, en el que los actores le confesaban en privado que estaban deseando rodar con él pero no podían hacerlo por miedo a acabar en alguna lista negra. «Otros se enteraron de que no trabajar conmigo se había convertido en la última moda, como cuando de pronto todos empezaron a interesarse por el kale». Por si lo dudaban, también hay gratitud para los que, como Alec BaldwinScarlett Johansson o todas sus exparejasle defendieron públicamente. También para la curiosa cruzada de Robert B. Weide (no, no es un director de virales) por enfrentarse a las calumnias desinteresadamente. 

Esos accesos de amargor no consiguen avinagrar más que un rato, porque no olvidemos que quien escribe es Woody Allen. No es que el sentido cómico de la vida lo inunde todo, es que la vida se presenta como una ironía que, al final, no significa nada. Esto lo dice un tipo que reconoce que toca el clarinete «como un gallo colocado de anfetaminas» y sin embargo agota entradas para sus conciertos allí dónde va. Es legítimo ver A propósito de nada como la antítesis exacta de acudir a cualquiera de esos recitales con su banda de jazz: ni bostezará, ni malgastará el dinero ni se sentirá víctima de una estafa. 

En cambio, atisbará hasta donde nos deja al Woody Allen que no traspasa al celuloide. El estajanovista  al que no le distraen de su máquina de escribir ni cuando Oswald mata al presidente ni cuando le dan tres Óscar a Annie Hall, un señor al que no le gustan las mascotas, sufre «pánico a entrar» y se proclama un cateto que ha hecho creer a todo el mundo que es un intelectual porque tiene gafas de pasta y saber usar citas que no entiende. Alguien con una suerte sideral, porque muchas de las personas a las que idolatraba les gustaba lo que hacía: Groucho, PerelmanBergmanTennese Williams, Miller, KazanTruffaut, Fellini, García MárquezWislawa Szymborska. Un cascarrabias de ochenta y cuatro años que sabe que ha pagado un precio muy alto por querer a quien quiere, pero que volvería a hacerlo porque no se perdonaría jamás despreciar la ocasión de hacer un chiste. 

A propósito de nada no cambiará nada, pero qué buen rato. Para algunos Woody Allen siempre será una presencia que viene acompañada de un olor a azufre. Pero a él qué más le da. Si no quiere vivir en los corazones de la gente, sino en su puta casa, hasta que puedan extender sus cenizas frente a una farmacia. Mientras eso pasa, alitas de pollo: «A mí me parece que la única esperanza de la humanidad reside en la magia. Siempre he detestado la realidad, pero es el único sitio donde se consiguen alitas de pollo».

[Foto: Cordon Press – fuente: http://www.jotdown.es]

Chegan desde Catalunya e desde a Arxentina palabras de esperanza e reivindicacións xustas para o galego; e veñen contadas cos máis bonitos acentos cataláns e arxentinos sobre a nosa lingua.

Alumnado catalán de lingua galega na cooperativa Aula d’Idiomes

O cancelo #Querémolo leva uns cantos días percorrendo as redes. Quen o impulsa son estudantes da lingua galega en Catalunya e o que queren é que a Xunta de Galicia realice probas para a obtención do Certificado de Estudos de Lingua Galega (CELGA) fóra dos límites territoriais de Galicia e « máis alá de Ponferrada ». En ben pouco tempo, a iniciativa, que pode seguirse na conta @Instaengalego da man de Carlos Vieito, traspasou fronteiras ata chegar mesmo á Arxentina ou ao Reino Unido, onde tamén viven persoas que se sentiron identificadas con esta reivindicación e que demandan a posibilidade de examinarse de lingua galega sen ter que desprazarse a Galicia. 

Poder acreditar o coñecemento dun idioma en calquera parte do mundo é unha reivindicación que vai moito máis alá de conseguir un título. Trátase de valorar, de prestixiar, de poñer o galego ao mesmo nivel ca o resto das linguas. Detrás desta teima que vén de ver a luz a través das redes sociais hai verdadeiras historias de amor polo noso idioma que chegan dende a outra punta do Estado e dende o outro lado do Atlántico. Todo comezou uns cantos anos atrás, cando Carlos Vieito aterrou en Catalunya co seu nivel de catalán acreditado dende Galicia polo Institut Ramon Llull. « Nese momento vin o valor e o potencial que ten que unha lingua se poida acreditar fóra, mesmo para buscar traballo. Sábeme mal que haxa que pagar por títulos, pero é certo que o prestixio das linguas tamén pasa por aí« .

Morrera o conto ata que pouco despois, e por casualidades e querenzas da vida, comezou a compoñerse en torno á cooperativa Aula d’Idiomes, situada nos barrios de Sants e Gracia, un pequeno grupo de seis alumnas catalás interesadas por aprender o galego. Con Carlos Vieito como profesor, a aula foi medrando ata formar varios niveis e un grupo de intercambio galego-catalán. « Puxémonos unha meta: tirar o CELGA e viaxar a Galicia de excursión », conta o profesor. Axiña bateron cunha morea de trabas: « As datas dos exames publícanse con moi pouca antelación, un mes ou 15 días; e se vives en Barcelona ou Londres, comprar un voo con tan pouca marxe sae por un ollo da cara, ademais do aloxamento e dos problemas laborais que xera », relata Vieito. E de aí naceu #Querémolo.

AMOR Á LINGUA

Se ben anteriormente o galego si podía acreditarse en Barcelona – « hai moitísima xente que realizou o exame naquela época en que existía a posibilidade » -, agora é practicamente inviable se non vives en Galicia. « A Xunta pono moi difícil.Vemos que non promove o suficiente a aprendizaxe do galego e por iso pedimos que se mova! ». Quen fala é Jesica, unha rapaza de 34 anos, catalá de nacemento pero con raíces 100% galegas e estudante da Aula d’Idiomes. Toda a súa familia é lucense – a nai de Sarria, o pai dunha aldea de Baralla… -, e marcharon cara a Barcelona con apenas 18 anos. Jesica e mais a súa irmá xa naceron alá, escoitaron o galego na casa e cada verán que regresaron, pero falalo e escribilo era outro cantar, por iso Jesica se uniu a este grupo de aprendizaxe en outubro. « Procuro a supervivencia da fala; na nosa man está fomentala », reivindica.

O alumnado que se xuntou ao redor destas aulas é do máis heteroxéneo, hainos que teñen algún vínculo familiar ou sentimental co país e hainos que simplemente o adoran e « ven a lingua como outra característica máis á que querer para entender mellor un pobo », conta Vieito, que estivo á fronte das clases ata hai pouco. « O principal motivo que tiñan para estudar galego era o amor. Sempre lembrarei unha anécdota que me chegou ao fondo da alma: un alumno catalán que acababa de ser pai e se apuntou a galego para ensinarllo á cativiña. A súa muller era descendente de galegos, pero xa non o sabía falar. El foi quen se encargou de aprenderllo á filla ». 

POR UN GALEGO VIVO

Max, pola contra que Jesica, achegouse ao galego sen vínculo previo ningún. El é de Corbera de Llobregat, « unha vila chea de árbores, montañas e xabaríns ao carón de Barcelona ». Cun coidado galego, estoutro alumno explica que este é o primeiro ano no que estuda o idioma regularmente, mais a súa andaina coa lingua xa comezou no derradeiro ano da carreira de Filoloxía Catalá a través dunha materia optativa de lingua galega e xénero. Con ela mergullouse no galego e descubriu a cultura deste país, do que non volveu desprenderse. Ese mesmo verán visitou Galicia nun dos cursos de Galego sen Fronteiras organizados pola Real Academia Galega (RAG). « Descubrín paisaxes inmensas, namorei dos solpores profundos e fixen amizades marabillosas ». Á volta, « alén do romanticismo », decidiu continuar os estudos « por unha cuestión política de respecto á diversidade lingüística ».

O seu compromiso pasa por non deixar que as linguas desaparezan « a causa da globalización ». « Calculan que a metade delas morrerán de aquí a cen anos. Hai ao redor de 6.000 linguas e uns 200 estados. En todos existe unha ou máis linguas imperantes, e outras moitas subxugadas. Se os gobernos non queren mantelas, temos que facelo os cidadáns », explícase. E para iso mesmo, « hai que ir xustamente en contra da homoxeneización lingüística, hai que loitar para que as linguas minorizadas, como o catalán e o galego, sobrevivan á voracidade aniquiladora da globalización e dos Estados nación; porque cada vez que morre unha lingua morre un factor de cohesión dun pobo, un xeito de pensar e de dicir o mundo », sentenza Max.

Froito desta loita, Max propuxo, como profesor na Educación Secundaria, poder ofrecer ao seu alumnado unha materia ao redor da cultura galega. Botou a andar a iniciativa e a acollida foi tan boa que mesmo xuntou máis alumnas que as aulas de alemán e de francés. Agora, el xunto con outros cantos profesores están traballando na recuperación do finado proxecto Galauga da UB. A través del consegue dar unha hora semanal de lingua e cultura galegas no ensino catalán, « sempre coa finalidade de promover o respecto pola lingua nos máis novos ». 

DESDE O OUTRO LADO DO OCÉANO

Tamén por eles, por toda esa xeración futura, é importante reivindicar o #Querémolo e dar o toque de atención: « Ei, que o galego non é só da Xunta; é de todas, e todas debemos ter o dereito de facer un exame en galego, para darlle a visibilidade e a dignificación que agora non ten », remata Max. Cando o alumnado catalán xunto con Carlos Vieito impulsaron esta campaña non pensaron que fose traspasar fronteiras, pero deron con xente doutros puntos do mundo que se atopaban co mesmo desexo de acreditar o CELGA e cos mesmos impedimentos para facelo.

Unha das mensaxes que recibiron nestes días chegou da Arxentina, máis concretamente da cidade de Córdoba, na provincia do seu mesmo nome. O seu remitente era Emanuel, un rapaz zapateiro de profesión e fillo de pai e de avós maternos emigrantes galegos. « Eu tamén quero facer o CELGA pero atopo moitos problemas », relata. Se estando preto de Galicia xa é difícil, máis aínda desde o outro lado do océano. Emanuel nunca perdeu a conexión co país dos seus antergos. « Toco a gaita, traballo na Casa de Galicia en Córdoba, leo en galego, o 80% da música que escoito é en galego », fala ao teléfono, a miles de quilómetros de Galicia, cun galego tinguido de acento arxentino. « Na miña casa non temos cuchillos, temos coitelos; ás veces temos ollas e outras moitas temos potas… ». 

Se ben coidou a súa vinculación co galego desde sempre, foi hai un mes cando deu co Portal da Lingua Galega e empezou a aprendelo con detalle. « Dixen: ‘o luns comezo!’, e o luns comecei! ». E con esta naturalidade e boa disposición, Emanuel vai facendo os seus propios apuntamentos de galego de maneira autodidacta. Ao longo da súa vida fixo tres viaxes a Galicia, unha delas co seu pai, tamén zapateiro, que regresaba por primeira vez 45 anos despois de emigrar desde Vilalba. « Galicia é parte da miña cultura, entón entendín que se quero permitila teño que falar galego ».

Emanuel súmase á reivindicación do CELGA porque « calquera movemento pola nosa lingua é importante » e porque se trata dunha « cuestión de igualdade ». « Eu tamén son galego tanto coma os que viven en Galicia. É unha maneira de que nós poidamos acreditar que tamén sabemos, é unha maneira de sentirnos completos« . 

Son loitas xustas e xenerosas por un futuro de mil primaveras máis para a nosa lingua.

[Imaxe: @instaengalego – fonte: http://www.galiciaconfidencial.com]

Vignerons et consommateurs de vins «nature» (ou «naturels») sont de plus en plus nombreux et les autorités surveillent de près ces rebelles du raisin. Face à cette pression, et pour éviter que des industriels pervertissent leurs valeurs, des professionnels du vin nature ont décidé de créer un syndicat.

Écrit par Marie Astier

Sébastien Riffault, installé à Sury-en-Vaux, dans le Cher, a failli perdre l’appellation Sancerre parce que la hauteur de l’herbe dans ses vignes n’était pas réglementaire. Sébastien David, vigneron à Saint-Nicolas-de-Bourgueil (Indre-et-Loire), a été contraint d’envoyer plus de deux mille bouteilles à la distillerie. Les «fraudes» lui reprochaient un taux «d’acidité volatile» supérieur aux normes. «Pourtant, cela ne dérange pas les gens, qui boivent le vin avec plaisir», dit Gilles Azzoni, un de ses collègues qui exerce en Ardèche. «Les bouteilles étaient prévendues à 20 euros l’unité hors taxe!» Du côté de la Bourgogne et de l’appellation pouilly-fumé, une étrange malédiction frappe deux vignerons bio : «L’un s’est vu retirer l’appellation, l’autre s’est fait déclasser toute sa cuvée 2017», raconte leur avocat, Éric Morain, qui conteste ces décisions. «Pourtant, ce sont les deux seuls vignerons en bio de l’appellation, et les deux seuls que l’on retrouve sur la majorité des meilleures tables du monde…» «On est pas mal de vignerons nature à avoir les fraudes sur le dos», résume Gilles Azzoni, qui vinifie en nature depuis l’an 2000. Pour lui, le rappel à l’ordre se fait plus discret. «Depuis un an, elles nous embêtent sur les étiquettes. Je ne pense pas que cela ira jusqu’au tribunal, mais on risque des amendes.»

Depuis peu, il semblerait que les vignerons dits «nature» agacent. Dans les pas des pionniers des années 1980, ils ont réussi à se développer loin des traditionnels cadres de la filière viticole, prônant une agriculture biologique poussée — voire biodynamique — dans les vignes, et l’absence d’intrants à la cave. Le tout donne des vins aux goûts surprenants pour les non-initiés (parfois fortement décriés par les conventionnels de la filière), vifs, très proches du raisin pour certains, éventuellement fragiles car non stabilisés grâce à diverses béquilles, et aussi divers que les fortes personnalités de leurs créateurs et créatrices.

Définir sans brider

Après des débuts difficiles, le succès est enfin là, mesurable notamment par la multiplication des cavistes dédiés. «L’expansion est vertigineuse depuis un peu moins de dix ans, témoigne Gilles Azzoni. Le produit plaît aux jeunes. On vend beaucoup en Asie et aux États-Unis. Le marché est hyper tendu.» «En Anjou et dans le Muscadet, 90% des bios ont au moins une cuvée nature», explique Jacques Carroget, vigneron de la Loire et secrétaire national viticulture de la Fnab (Fédération nationale d’agriculture biologique), le syndicat des agriculteurs bios. À cela s’ajoute une médiatisation importante, bien que ces vignerons nature restent encore très minoritaires dans la profession.

Autant de facteurs qui ont pu attirer l’attention de l’administration sur ces francs-tireurs du vin. Ceux-ci sont d’autant plus facilement ciblés par les autorités que le vin «nature» ou «naturel» n’est pas défini, et n’a pas l’autorisation de s’appeler ainsi : le droit limite fortement l’utilisation de ces mots dans l’alimentaire. Absence de reconnaissance officielle et pression des autorités… autant de constats faits par de nombreux acteurs de la filière, et renouvelés en mai dernier lors d’un débat organisé par le journaliste spécialiste de ces vins Antonin Iommi-Amunategui. «Sébastien David, qui n’a pu commercialiser sa cuvée pour cause d’acidité volatile trop élevée, était venu témoigner. On s’est dit qu’on avait relativement perdu sur ce cas, et qu’il fallait faire quelque chose. On a eu l’idée d’un syndicat», raconte le journaliste.

Extrait du film documentaire sur les vins nature «Wine Calling», de Bruno Sauvard.

Les participants sont rapidement passés de la parole à l’acte, et quelques mois plus tard, juste après les vendanges, fin septembre, naissait officiellement le «syndicat de défense des vins naturels». Parmi les fondateurs, les vignerons Jacques Carroget — président, «parce qu[’il est] le plus vieux» —, Sébastien David et Gilles Azzoni, mais aussi Éric Morain, l’avocat des vignerons nature, Antonin Iommi-Amunategui ou encore l’anthropologue Christelle Pineau, qui a récemment publié un ouvrage sur ces vignerons «en dissidence» [1]. Tous devraient à nouveau débattre ce samedi 16 novembre lors du salon Sous les pavés la vigne, à Lyon, afin d’officialiser la création du syndicat.

La nouvelle structure propose d’abord une définition du vin nature. «Plutôt qu’un cahier des charges, qui donne un cadre restrictif et qui bride la liberté de création, j’ai proposé un engagement», explique Gilles Azzoni. Les membres s’engagent à respecter une série de principes : le vin doit être fabriqué uniquement à partir de raisins issus d’une agriculture biologique «engagée et garantie», vendangés à la main, puis vinifiés à partir des levures naturellement présentes sur le raisin (l’immense majorité des vins sont issus de fermentations obtenues grâce à des levures ajoutées et sélectionnées), sans ajout d’intrants (sauf une toute petite dose de soufre éventuelle) et les vins obtenus ne doivent pas être filtrés. Chaque membre ayant signé cet engagement a le droit d’apposer sur ses bouteilles un logo «vin naturel». L’argent des cotisations servira à effectuer chaque année une campagne de contrôles, avec une analyse approfondie de certaines bouteilles afin de vérifier l’absence des substances interdites à la vigne et aux chais.

«Cette définition correspond à celle couramment utilisée depuis longtemps, estime Jacques Carroget. On ne veut pas faire d’audits administratifs, ce que l’on veut, c’est le résultat, et que les gens puissent s’exprimer.» Antonin Iommi-Amunategui y voit de son côté l’intérêt d’une information claire des consommateurs, grâce au logo. «Il est dommage d’avoir un vin transparent, fait uniquement à partir de raisin, et de ne pas pouvoir en parler alors qu’en face se trouve une industrie opaque. Selon le mode de calcul, entre 70 et 400 produits sont autorisés lors de la conception du vin.» Éric Morain enchérit : «Le vin est l’un des seuls produits alimentaires dont l’étiquette ne comprend pas la composition. Cette charte est en quelque sorte la première sur la composition du vin!»

«Limiter la présence des industriels»

Un autre but affiché est de limiter les abus parmi ceux revendiquant proposer du vin nature. L’UFC-Que Choisir, pour son numéro de mai 2019, a analysé 36 bouteilles de vin déclaré comme tel. Deux présentaient des taux de pesticides élevés, et suspects. «C’est ce qui me révulse le plus, que des gens fassent des vins prétendument nature avec des raisins issus du conventionnel, s’indigne Jacques Carroget. Le vin nature offre un espace de liberté, mais certains en profitent pour qu’on ne regarde pas leurs pratiques.» Le milieu, petit, a jusqu’ici su repérer ceux qui n’en respectaient pas les valeurs, mais son expansion limite désormais ce contrôle informel.

Par ailleurs, flairant le créneau porteur, de grands négociants ou des caves coopératives ont lancé des cuvées présentées comme sans soufre ou nature, de plus en plus présentes sur les rayons des supermarchés. Le syndicat espère limiter cette opération marketing. «L’interdiction des machines à vendanger et le refus de la filtration limitent la présence des industriels», estime Jacques Carroget. «Cette définition permettra de mettre de côté les quelques-uns qui se proclament nature, mais biaisent et dévoient l’idéal de ces pratiques», dit Christelle Pineau.

Extrait du film documentaire sur les vins nature «Wine Calling», de Bruno Sauvard.

Reste à savoir si les autorités accepteront cette nouvelle définition. «Le but est qu’elle permette de créer une AOC [Appellation d’origine contrôlée] produit», explique Antonin Iommi-Amunategui. Pour cela, il faut une validation de l’Inao (Institut national de l’origine et de la qualité), le gardien des sigles officiels de qualité. Un vigneron bio, membre d’un comité de l’Inao, avait déjà proposé, en 2018, une définition des vins naturels à la vénérable institution. Elle avait refusé. Que se passera-t-il cette fois-ci? «À l’Inao, certains veulent une définition des vins nature, d’autres non, indique Jacques Carroget. Du côté de la DGCCRF [Direction générale de la concurrence, de la consommation et de la répression des fraudes], l’idée est que comme le marché existe, il faut une définition.» Premier pas, le bureau du syndicat a eu un retour positif du ministère de l’Agriculture, qui leur a promis un rendez-vous prochainement.

Mais les vignerons classiques, notamment représentés au sein de l’Inao, pourraient s’opposer à cette reconnaissance du vin nature ou naturel. «Définir le vin nature, cela permet en creux de demander à ceux qui n’en font pas d’être plus transparents sur leur façon de travailler», note Antonin Iommi-Amunategui.

Pas sûr, non plus, que les vignerons nature se laissent dompter par une organisation, même venue de leurs rangs. «Leur mot-clé, c’est la liberté. Des individualités fortes s’expriment au travers de ces vins, explique Christelle Pineau. Ils craignent de retomber dans un cadre normatif et institutionnel. Par ailleurs, beaucoup estiment qu’il n’ont pas à payer pour justifier qu’ils produisent des vins “propres”.» Précédemment, des associations telles que celle des vins sains ou l’association des vins naturels ont tenté l’union, infructueusement.

Cette fois-ci, l’initiative semble séduire et engrange des adhérents, déjà plus nombreux que dans les précédentes associations. «Les vignerons traditionnels sont encore les plus forts, ils ont les institutions avec eux, mais une brèche est désormais ouverte», espère Christelle Pineau.

[Source : http://www.reporterre.net]