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Descrita por Berlim como um passo simbólico, a medida ajuda a fechar brechas legais que levaram os descendentes de muitas vítimas a terem seu pedido de cidadania rejeitado

Foi aprovado pelo governo alemão um projeto de lei para naturalizar descendentes de vítimas nazis que até hoje tinham o pedido de cidadania rejeitado pelo país. Descrita por Berlim como um passo simbólico, a medida ajuda a fechar brechas legais que levaram os descendentes de muitas vítimas a terem seu pedido de cidadania rejeitado.

« Não se trata apenas de pôr as coisas no lugar certo, mas de pedir desculpa por uma profunda vergonha”, salientou o ministro alemão do Interior, Horst Seehofer, frisando ser « um grande privilégio para o nosso país haver pessoas que se querem tornar alemãs, apesar de termos tirado tudo dos seus ancestrais ».

A Alemanha já permite que descendentes de judeus perseguidos reivindiquem a cidadania no país, mas faltava uma estrutura legal que evitasse que muitos destes pedidos fossem rejeitados mesmo com a mudança de regras que ocorreu em 2019, segundo explicita o « The Guardian ».

Há casos de pedidos de cidadania negados porque os ancestrais fugiram da Alemanha e assumiram outra nacionalidade, e outros foram rejeitados porque nasceram de mãe alemã e pai não alemão antes de 1 de abril de 1953.

Dar forma de lei ao decreto criado na Alemanha em 2019 é visto por Berlim como uma forma de dar aos cidadãos em causa “o valor que eles mereciam”. O Conselho Central de Judeus da Alemanha referiu que o decreto anterior foi considerado « inadequado » e como frisou o seu presidente, Josef Schuster, « é um gesto de decência se as vítimas e seus descendentes podem reivindicar a cidadania alemã por motivos legais”.

As dificuldades em reivindicar ancestralidade com vítimas do Holocausto para obter cidadania ganharam mais relevo em parte devido ao aumento acentuado no número de pedidos de britânicos que evocam a perseguição nazi de familiares depois de o Reino Unido ter votado a favor da saída da União Europeia. De 43 desses pedidos em 2015, o número subiu para 1.506 em 2018, de acordo com dados oficiais do ministério alemão.

Em 2019, a Áustria também alterou a lei de cidadania para permitir que filhos, netos e bisnetos daqueles que fugiram dos nazis sejam renaturalizados. Anteriormente, apenas os próprios sobreviventes do Holocausto conseguiam obter a nacionalidade austríaca, informa o « Guardian ».

 

[Foto: BERND SETTNIK/Getty – fonte: www.expresso.pt]

Quando as fórmulas infantis chegaram, nos anos 60, a empresa não sabia o que fazer com o leite condensado, até então indicado para bebês. Foi então que decidiu “reler” os doces brasileiros, forjando uma relação de afeto com as donas de casa

Escrito por Luisa Coelho e João Peres

“É um mea culpa aqui que eu vou conversar com São Pedro quando chegar a hora.” Débora Fontenelle carrega um sabor agridoce. Três décadas de trabalho à frente do Centro Nestlé de Economia Doméstica trazem boas recordações, mas um sentimento de culpa que volta a todo instante. Um período de ideias simples, porém geniais, que moldaram para sempre a culinária brasileira.

Pudim de leite, beijinho, papo de anjo: o trabalho da corporação suíça foi tão habilidoso que, hoje, a versão “tradicional” dos nossos principais doces é feita com leite condensado. Ou melhor, com Leite Moça. O Prêmio Top of Mind, do jornal Folha de S. Paulo, pergunta todo santo ano: “Qual a primeira marca que vem à cabeça?”. A Nestlé ficou em primeiro lugar em dez anos, num total de 27 edições, disputando cabeça a cabeça com Omo e Coca-Cola.

O Brasil é o maior consumidor de leite condensado do mundo. De acordo com dados da própria empresa divulgados em 2020, são sete latas de Leite Moça por segundo, o que dá 220 milhões de latas por ano. É mais ou menos uma lata por brasileiro. Isso sem contabilizar as outras marcas.

O país sempre teve predileção pelos doces, o que se explica pela abundância de açúcar graças às imensas plantações dos tempos das colônias. Quando chegou ao Brasil, na segunda metade do século 19, a Nestlé encontrou um campo fértil por onde avançar. O leite condensado, recém-criado para alimentar soldados nas trincheiras, precisava seduzir novos consumidores.

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O leite condensado chegou ao país com nome gringo. Milkmaid era difícil de pronunciar e, então, a turma apontava para a moça da lata e pedia o leite da moça. Em 1921, quando a Nestlé abriu uma primeira fábrica por aqui, em Araras, no interior de São Paulo, adotou de vez esse nome.

Nesses tempos, a corporação já ensaiava aquilo que faria à perfeição nas décadas seguintes: tocar o terror. “Seria capaz de arriscar a vida de seu filhinho sentando-o na janela de um arranha-céu? Certamente que não! Entretanto, dando-lhe leite de procedência duvidosa, está pondo-o em perigo da mesma forma”, diz um de muitos anúncios.

A Nestlé, pelo menos a Nestlé do Brasil, talvez tenha sido a empresa mais habilidosa na exploração dos medos surgidos da urbanização e do discurso científico. A ideia de que uma alimentação industrial é superior e de que existe um corpo constantemente em risco (especialmente o corpo do bebê) foi nutrida com carinho e dinheiro.

Para isso, a corporação ensaiou uma relação direta com as consumidoras: cupons para receber produtos gratuitamente, cartilhas que ensinavam sobre essa admirável vida urbana e livretos de receitas começaram a tornar-se uma prática. Em 1942 foi criado o Serviço de Colaboração Familiar, ao lado de uma invenção que, vista hoje, é realmente vanguardista: a elaboração de uma personagem, Ruth Beatriz, que dava conselhos às mães sobre a alimentação dos bebês.

Um bode na sala

“O caderno de receita era assim toda a vida emocional que a mulher podia ter”, diz Débora Fontenelle, nutricionista que hoje tem 83 anos. Poderia ser apenas mais uma pessoa aposentada com suas recordações da juventude, mas o irônico da história é que Fontenelle é a pessoa que mudou para sempre a vida do caderno de receitas. Também não deixa de ser irônico que o início do trabalho dela marque também o fim dos tempos mais glamourosos do caderno.

“Era ali que a dona de casa anotava a receita que ela fazia. Ao mesmo tempo contava que naquele dia o marido não tinha falado com ela ou que a tinha tratado mal. Tinha toda uma parte de emoção da mulher, mas muito fechado.”

Como explicar quem é Débora? A primeira coisa a saber é que é uma pessoa central numa mudança enorme na vida de muitos brasileiros. A segunda é que ela é estranhamente desconhecida do público em geral. Nós sabemos muito sobre doces. Todo brasileiro conhece o pudim de leite (condensado) que ela inventou. Mas Débora é uma desconhecida.

Há quatro ou cinco anos queríamos entender como a Nestlé havia assumido o papel de educadora das brasileiras. Encontrar Débora, no final de 2020, foi como encontrar o mapa do tesouro.

Em 1959, ela estava no final do curso de graduação na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo quando um professor a indicou para uma vaga na corporação. “Eu perguntei para ele por que tinha sido eu. Não achava que tinha o perfil. Ele respondeu: ‘Ah, porque você tem umas perguntas muito loucas’.”

No lugar de vacas suíças, ela se deparou com um bode na sala: as recém-criadas fórmulas infantis prontas para consumo. Se a empresa esperava lucrar horrores ao desestimular ainda mais o aleitamento materno, de outro lado projetava uma redução grande nas vendas de leite condensado. E, então, tudo mudou.

Quando se propõe que o Estado crie políticas públicas para promover a alimentação saudável – e, em particular, quando se propõe restringir a publicidade direcionada a crianças –, as empresas alegam que simplesmente atendem a demandas da sociedade. Dizem que elas não criaram nenhum hábito. Não moldaram nossas atitudes. Não influenciaram nossa conduta.

A maneira como a Nestlé reescreveu a doçaria brasileira joga tudo isso por terra. Em coquetéis, tapiocas, doces, saladas de frutas: o Leite Moça e suas imitações se inscreveram como um amálgama capaz de conectar quaisquer ingredientes. Uma estranha liga que, com uma quantidade hedionda de açúcar, torna agradável qualquer preparação.

Durante as eleições de 2018, Jair Bolsonaro acrescentou uma camada de estranheza – entre tantas outras – quando apareceu no maior telejornal do país comendo pão com leite condensado. Ficamos pensando qual terá sido a reação dos diretores da Nestlé: ganharam mais uma receita? Odiaram ter a imagem tão doce associada a essa indócil criatura?

Uma dissertação de mestrado apresentada em 2010 à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP concentra-se sobre a transmissão do conhecimento culinário no Brasil do século 20 e dá especial atenção para o caso de sucesso da Nestlé. A autora, Débora Santos de Souza Oliveira, conta que Débora Fontenelle visitou cursos de culinária Brasil afora e constatou que nem 10% das receitas eram feitas com Leite Moça.

A Nestlé começou um trabalho de persuasão das professoras de culinária, enviando receitas, materiais, cursos e produtos. Mais ou menos como hoje em dia as marcas fazem com influencers. Segundo a dissertação de Oliveira, as vendas de Leite Moça cresceram 25% entre 1960 e 1962.

A gente olhou os dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Em 1961, o Brasil produzia 16 mil toneladas de leite condensado por ano. Uma década mais tarde, era o dobro. E em 2018 foram 64 mil toneladas, ou quatro vezes mais em relação ao início do trabalho de Débora Fontenelle. Hoje, a empresa diz que 70% das receitas de doces no Brasil levam leite condensado, uma informação difícil de ser checada.

Um ombro amigo

Mulheres urbanas de classe média: esse era o público-alvo da Nestlé nos anos 1960 e 1970. “Antes (da urbanização do país) você tinha elite e população à beira da miséria”, recorda Débora Oliveira, a autora da dissertação. “A partir do momento em que se começa a formar a classe média, vários estratos, e o Brasil torna-se mais urbano, vem essa noção de identidade e de me diferenciar de quem está abaixo. De dizer: ‘Oba, eu sou elite’. Então, se eu sou elite, não vou comer comida de fazenda, não vou comer farofa, farofa é comida de pobre.”

Uma elite que, no entanto, já não tinha escravos nem dinheiro para manter uma trupe de serviçais. A Nestlé entendeu perfeitamente essa janela histórica de oportunidades:

  • Essas mulheres continuavam a sofrer uma enorme pressão para serem donas de casa exemplares;
  • Elas queriam ou precisavam começar a trabalhar fora de casa, mesmo que em ocupações mal remuneradas e de meio período;
  • As receitas das mães não eram tão úteis, porque demandavam um tempo de que já não dispunham;
  • Elas queriam diferenciar-se das classes baixas, o que passava por aceitar e valorizar elementos “modernos” da vida urbana.

Doces brasileiros de verdade foi um dos primeiros livros lançados depois da formação do Centro Nestlé de Economia Doméstica – a publicação não traz a data de impressão. Logo na contracapa do volume havia uma mensagem clara: os doces brasileiros de verdade eram feitos com Leite Moça. “E foi a hora que a gente entrou na cozinha para substituir aqueles bons doces brasileiros”, recorda Débora Fontenelle. “A gente viu toda aquela complexidade das caldas e tudo isso podia ser substituído pelo leite condensado.”

A doçaria brasileira tem alguns elementos centrais, em parte herança das tradições portuguesas: açúcar, ovos, coco e leite. A Nestlé poderia ter reescrito as receitas sem reescrever as histórias. Mas, então, talvez ela não tivesse se inscrito de vez no imaginário nacional.

Um trecho do livro dizia:

Sinhazinha mostrava ser prendada ao retirar do forno a assadeira com um bolo perfumado, ou do tacho uma irresistível cocada de colher. Mas acontece que ela gastava tanto tempo ao redor do fogão que acabava perdendo o bem amado.

Em Doces brasileiros de verdade, a empresa testa um discurso que depois incorporou em definitivo. Para essa mulher aflita, a Nestlé oferece um reforço dos piores medos, mostrando como era sofrida a vida das sinhás nos tempos da fazenda. É para o Brasil do século 19 que se aponta: um Brasil escravista. E, entre a sinhá e a escrava, a empresa, que mirava nas consumidoras de classe média, não teve dúvidas: abraçou a classe alta como protagonista.

Acabou aí o sonho de amor da moça do Solar. Nunca mais quis ver o namorado, que voltou à Corte sem entender o que havia acontecido. Jamais veio a saber que, para Sinhazinha, preparar o doce perfeito era como preparar a própria vida, a própria felicidade.

O resumo da ópera é: você é uma herdeira das sinhás, mas não precisa sofrer tanto quanto elas. Basta usar os produtos da Nestlé. “Como se transferissem para a empresa a imagem de uma amiga, de uma professora que está muito perto, orientando essas tarefas”, conta Débora Oliveira.

Uma enorme rede social – e bem antes do Facebook

Olhando hoje, a gente só consegue oferecer uma expressão para aquilo que foi feito na segunda metade do século passado: a criação de uma enorme rede social. Sim, porque a Nestlé distribuía muitos livros e livretos, reescrevia receitas, mas acima de tudo criava articulação entre as donas de casa. Milhares de cartas eram enviadas todos os meses, e repassadas por meio de uma rede que se foi criando.

Muito antes que o Facebook, a fabricante do Leite Moça teve acesso a informações valiosas sobre as aflições das mulheres e o que poderia ser feito para lucrar em cima disso. “Então ela formou toda uma geração de mulheres divulgando receitas em embalagens ou em folhetos que iam para a casa dessas pessoas, as quais ligavam para o Centro Nestlé para pedir receita e ela mandava, ela formou todo o contingente”, conta a pesquisadora.

São pequenas sacadas que valem fortunas. Colocar uma receita no rótulo. Criar um serviço de atendimento (primeiro por carta, depois por telefone). Escrever livros de receitas que se vão tornando impecáveis sob o ponto de vista gráfico.

“Os livros de receita eram muito poucos, muito poucos”, recorda Débora Fontenelle, ex-Centro Nestlé. “Tinha a Dona Benta, mas eram receitas nas quais nem sempre as mulheres acreditavam. A coisa começa a mudar apelando para a praticidade e para a imagem. E a Nestlé também foi pioneira nos primeiros fotógrafos, que se vão esforçando e começando a pegar o caminho.”

Antes, as receitas podiam ser uma espécie de segredo familiar, um traço típico de uma cidade, uma recordação dos tempos dos avós, um retrato cultural. Mas agora as donas de casa estavam mais abertas a compartilhar receitas, e a Nestlé soube estimular isso como ninguém.

Cartas podiam ser enviadas gratuitamente ao pioneiro serviço de atendimento ao consumidor. E havia um mural de receitas no qual dúvidas e soluções eram trocadas entre as mulheres – de novo, algo muito à frente de um mural de Facebook. “Nos anos 80, a gente tinha um movimento de 20 mil, 30 mil cartas por mês, e vinha carta do Brasil inteiro”, recorda Fontenelle.

A corporação conseguia manter-se sempre atualizada sobre os desejos e as aflições das consumidoras, criando produtos e receitas sob demanda para o espírito de cada época. “Eu vi isso em cidades do Nordeste. Em pequenas cidades de repente aquela receita pegava uma fúria danada de divulgação, através de uma única mulher que tinha pedido a receita pela carta.”

Entre tantas correspondências, a gente separou uma que tem o poder de sintetizar o que era o Centro Nestlé de Economia Doméstica:

Sou a Joelma Costa Lima e tenho 12 anos. Minha tia, Francineide, faz tortas e bolos para fora e foi assim que juntou as embalagens para a promoção Nestlé 80 Anos e agora o Show do Milhão. Ela vende cachorro-quente e o carteiro até chorou quando foi entregar o telegrama dizendo que ela ganhou uma casa e viu onde a gente morava. Os vizinhos ficaram na maior alegria e agora todos a chamam de « a mulher da Nestlé ». Com o dinheiro, ela comprou três casas, uma para ela, uma para minha mãe e outra para meu irmão. São muito pequenas, mas, para quem não tinha nada, são três palácios.

A todo momento da conversa, quando Débora Fontenelle começava a fazer um balanço desse período da Nestlé, trazia à tona sentimentos contraditórios, como se houvesse uma luta interna. Ela se recordou de um encontro com Carlos Alberto Dória, pesquisador sobre culturas alimentares.

“Quando nós nos conhecemos, ele disse: ‘Eu queria conhecer você porque você foi a assassina do doce brasileiro de antigamente. E você sabe o que você fez?’”, ela conta. “E eu dei um suspiro e disse: ‘É, eu sei, e eu vou pagar no inferno por esse preço de ter transformado, de ter matado, de ter popularizado uma versão assim do doce.”

A fala de Débora nesses momentos assumia um tom vacilante. Ela ia e voltava: o que fez foi bom, mas teve consequências ruins. E o que fez teve consequências ruins, mas foi importante. Quando mencionou a saudade do beijinho tradicional, que tinha uma casquinha, nós nos perguntamos: mas que beijinho era esse? Se você jogar no Google a expressão “receita de beijinho tradicional”, todos os primeiros resultados trarão a receita com leite condensado.

Para a Nestlé, sentimento de culpa não existe. Hoje, a corporação mima influenciadores digitais com muitos brindes. Lança livros de receita virtuais e impressos. E mantém uma equipe própria de cozinheiros que escreve e reescreve a doçaria brasileira para garantir que o Leite Moça siga reinando. Os bebês, claro, nunca foram esquecidos: hoje, a corporação promove biscoitos – ou melhor, NutriSnacks – com a sugestiva mensagem de que “A natureza sabe o melhor”. A menos que a natureza tenha produzido banana em pó, a Nestlé está mentindo de novo. Mas quem se importa?

 

[Fonte: http://www.ojoioeotrigo.com.br]

O Consello da Cultura Galega vén de recibir unha doazón que permite entender este fragmento da historia.

Listaxe de colonos. CCG

Listaxe de colonos. CCG

O profesor Luís T. González del Valle doou ao Consello da Cultura Galega (CCG) unha serie de documentos relacionados coa figura do empresario e político galego Urbano Feijóo de Sotomayor e os seus plans de colonización para levar por centos de galegos a Cuba.

O fondo doado ao Consello da Cultura abarca uns catorce documentos e un total de 92 páxinas que permiten entender tanto a controvertida figura do propio Urbano Feijóo como este fragmento da propia historia de Cuba e que foi recompilado a través de anticuarios e poxas.

O operativo de colonización do empresario iniciouse en 1854 e finalizou dous anos, tras un escándalo e unha crise provocada polo trato denigrante que sufriron os traballadores galegos enviados ao país. Entre os documentos atópase a listaxe dos 139 colonos contratados pola empresa de inmigración de Urbano Feijóo e que contén ademais información dos preto de 2.000 galegos levados a Cuba no marco deste plan de colonización.

O texto inclúe os nomes dos buques nos que se transportou aos galegos, información sobre o servizo militar ou o número asignado, entre outros datos. Outro dos documentos do fondo trátase dun dossier con 14 textos datados entre 1854 e 1857 sobre o Ferrocarril Central en Cuba ou sobre a débeda contraída por Feijóo Sotomayor na contratación de traballadores.

 

[Fonte: http://www.galiciaconfidencial.com]

Un estudi conclou que només el 17’1 % de les classes s’imparteixen en català

Edifici de la Facultat de Dret de la UIB, a Palma

Edifici de la Facultat de Dret de la UIB, a Palma

En el context d’emergència lingüística que hi ha en l’àmbit jurídic arreu dels Països Catalans, la Plataforma per la Llengua ha fet un estudi per avaluar la presència del català als estudis de Dret de les Illes Balears.

Els resultats de l’estudi són preocupants i corroboren la hipòtesi inicial de l’entitat, és a dir, que hi ha una relació directa entre la baixa presència del català en l’àmbit jurídic i l’aprenentatge acadèmic, que és altament castellanitzat. La impossibilitat de poder cursar els estudis universitaris en català comporta que els futurs professionals no estiguin avesats a utilitzar aquesta llengua i, a més, dificulta la creació d’un llenguatge jurídic i d’especialització en català.

L’estudi de la Plataforma per la Llengua, que classifica les dades per grups impartits a Mallorca, Menorca i Eivissa, analitza quantes assignatures del grau de Dret i del màster d’accés a l’advocacia s’ofereixen en català segons els plans docents de la Universitat.

Els resultats conclouen que només el 17,1 % de les assignatures de Dret es poden cursar en català. En el cas del màster d’accés a l’advocacia, que és obligatori per poder exercir la professió, no s’ofereix cap assignatura en català. Això podria explicar el fet que, en els últims dos anys, cap estudiant hagi demanat de fer en català l’examen final d’aquest màster, malgrat tenir-ne la possibilitat i malgrat que el català és la llengua habitual del 47,1% dels residents a les Illes Balears.

Pel que fa a les dades específiques de cada illa, hi trobam que al campus universitari de Palma s’ofereix el percentatge més elevat de classes en català, un 22 % de les hores docents. D’altra banda, al campus de Menorca només es poden cursar el 17,9 % de les hores en català, mentre que al campus universitari d’Eivissa, sorprenentment, no s’hi imparteix cap assignatura en la llengua pròpia del territori. De manera global, els estudiants catalanoparlants de la UIB no poden fer tota la carrera de Dret íntegrament en llengua catalana a cap dels seus campus. A més, els resultats de l’estudi indiquen que la presència del català en el transcurs de la carrera va disminuint progressivament, ja que si bé al segon curs l’oferta acadèmica és del 30 %, al quart curs descendeix fins al 5 % i desapareix totalment al màster d’accés a l’advocacia.

De fet, les dades sobre el baix ús del català es corroboren a l’enquesta d’usos lingüístics de la UIB-2019. A l’enquesta, els docents dels departaments de dret públic i dret privat reconeixen que utilitzen exclusivament el català en menys d’un 20 % de les seves assignatures i que imparteixen les classes només en castellà en un 70 % dels casos. Amb tot, aquests departaments estan entre els que utilitzen menys català i més castellà de tota la universitat.

Malgrat que la Llei de normalització lingüística de les Illes Balears i el Reglament d’usos lingüístics de la mateixa universitat preveuen que el català sigui la llengua vehicular en l’àmbit del coneixement i que, com a llengua oficial de la universitat, cal fomentar-ne l’ús, les dades de l’estudi elaborat per la Plataforma per la Llengua mostren un clar incompliment de la normativa en el grau de Dret. Segons l’entitat, hi ha una correlació directa entre la presència residual del català a les hores lectives i la castellanització de l’àmbit jurídic. Tot i que no existeixen dades oficials sobre l’ús del català en l’àmbit jurídic balear perquè l’administració no les fa públiques, el darrer informe del Comitè d’experts que avalua el compliment de la Carta Europea de les Llengües Regionals o Minoritàries conclou que rarament s’utilitza el català als tribunals de justícia de les Illes, així com a la documentació registral, mercantil i notarial.

Des de la Plataforma per la Llengua es denuncia aquesta situació i anuncien una roda de contactes amb els responsables per tal d’alertar-los i exigir la implementació d’unes propostes de millora, així com d’un protocol d’usos lingüístics que permeti revertir la situació i garantir els drets lingüístics dels estudiants. L’entitat proposa, per exemple, que al Campus de Palma s’ofereixin grups de català tant el matí com l’horabaixa, que es creï una assignatura troncal de català jurídic i que es reverteixi l’exclusió total del català tant a la facultat d’Eivissa com a les assignatures del màster d’accés a l’advocacia.

Amb tot, l’estudi de la Plataforma per la Llengua, que també s’ha dut a terme al  País Valencià i a Catalunya, vol alertar de l’ús residual del català a les facultats de Dret i persegueix la fita que els catalanoparlants (i la resta d’estudiants de les universitats del domini lingüístic) tenguin garantit el dret a estudiar i professionalitzar-se plenament en català. Un dret que, en les democràcies d’altres països d’Europa, tenen garantit comunitats lingüístiques de mides similars a la catalana.

[Foto: UIB – font: http://www.racocatala.cat]

El 31 de marzo de 1492, a los Reyes Católicos firmaban en Granada el edicto de expulsión de los judíos de la Corona de Castilla, mientras otro documento con ligeras variaciones era firmado solo por Fernando para los judíos de la Corona de Aragón; ambos textos partían de un borrador elaborado pocos días antes por el inquisidor general, fray Tomás de Torquemada. Las argumentaciones oficiales de tan rigurosa medida eran fundamentalmente religiosas: « Combatir la herética pravedad que los judíos extendían por toda la Corona, pues según es notorio y según somos informados de los inquisidores y de otras muchas personas religiosas, eclesiásticas y seglares, consta y parece el gran daño que a los cristianos se ha seguido y sigue de la participación, conversación, comunicación que han tenido y tienen con los judíos, los cuales se prueba que procuran siempre, por cuantas vías y maneras pueden, de subvertir y sustraer de nuestra santa fe católica a los fieles cristianos y los partar della y atraer y pervertir a su danada creencia y opinión ».

El edicto recordaba las medidas de expulsión y segregación tomadas anteriormente, »pero, como ello no basta para entero remedio para obviar y remediar como cese tan gran oprobio y ofensa de la fe y religión cristiana, porque cada día se halla y parece que los dichos judíos crecen en continuar su malo y danado propósito », era necesario, en defensa de la colectividad del reino, suprimir de raíz la comunidad judía, utilizando para la expulsión global el recurso argumental de « porque cuando algún grave y detestable crimen es cometido por algunos de algún colegio y universidad (colectividad), es razón que tal colegio y universidad sean disolvidos y aniquilados y los menores por los mayores, y los unos por los otros punidos y que aquellos que pervierten el buen y honesto vivir de las ciudades y villas y por contagio pueden danar a los otros sean expelidos de los pueblos, y aun por otras más leves causas que sean en dano de la república, cuanto más por el mayor de los crímenes y más peligroso y contagioso, como lo es éste ». Seguidamente el edicto fijaba las condiciones de la expulsión. Se ordenaba salir con carácter definitivo y sin excepción a todos los judíos, los cuales no solamente eran expulsados de los reinos peninsulares, sino de todos los dominios de los reyes.

El plazo para su marcha era de cuatro meses, es decir, hasta el 31 de julio, aunque un edicto posterior del inquisidor Torquemada lo prolongó en diez días para compensar el tiempo pasado en la promulgación y conocimiento del decreto. Se imponía la salida en ese plazo bajo pena de muerte y confiscación de bienes, dando los reyes su seguro real para que en esos cuatro meses negociasen los judíos toda su fortuna y se la llevasen en forma de letras de cambio, pues debían respetarse las leyes que prohibían la saca de oro, plata, monedas, armas y caballos. Aunque el edicto no hacía ninguna alusión a la posibilidad de conversión al cristianismo, ésta era una alternativa que se sobreentendía, y fueron especialmente muchos individuos de la elite hebrea los que abrazaron la religión cristiana para evitar la expulsión. Entre ellos figuró Abraham Senior, rabí mayor de Castilla, que recibió el bautismo el 15 de junio de 1492 con el padrinazgo de los mismos reyes, pasando desde entonces a llamarse Fernán Núñez Coronel y desempeñando después de su conversión los cargos de regidor de Segovia, miembro del Consejo Real y contador mayor del príncipe Juan. Las conversiones se dieron en un grado muy distinto según las zonas y las localidades, aunque probablemente fue mucho mayor el número de judíos que eligieron el camino del exilio que el de los que abjuraron de la ley mosaica para permanecer en la Sefarad de sus antepasados.

Las causas de la expulsión de los judíos han dado lugar a un intenso debate historiográfico en el que se han manejado Interpretaciones muy diversas, Se han aducido explicaciones basadas en la presión de la opinión popular antijudía, el odio del pueblo (Américo Castro), o en la animadversión hacia los judíos a causa de la práctica de la usura y de su acumulación de riquezas (Claudio Sánchez Albornoz). También se han esgrimido causas fundamentadas en alineamientos sociales: un episodio de la lucha de clases entre los tradicionales grupos privilegiados de la nobleza y clero y la burguesía incipiente de los judíos (Henry Kamen) o la expulsión como resultado de la alianza de las oligarquías urbanas antijudías con la monarquía (Stephen Haliczer). Sin embargo, en aquella época, ni la opinión de las masas populares tenía gran incidencia en las decisiones de la alta política, ni la ecuación judíos = burguesía tiene fundamento, como tampoco la tiene el antagonismo nobleza <> judíos, pues muchos hebreos eran administradores de los estados de la aristocracia; asimismo, las oligarquías ciudadanas tampoco tenían la impronta suficiente para imponer una decisión de tanta trascendencia sobre una monarquía autoritaria que, por otro lado, controlaba a los municipios a través de los corregidores.

A pesar de la dificultad de establecer con precisión la razón última que llevó a los Reyes Católicos a la expulsión, tal como reconoció recientemente un congreso de especialistas celebrado en Jerusalén en 1992, hay algunos puntos que parecen bastante asentados en el debate historiográfico actual. Uno seria el hecho de que la iniciativa de la expulsión partió de los inquisidores que pretendían, con tan radical medida, acabar con la « herética pravedad que conllevaba el contacto entre judíos y cristianos ». En segundo lugar, en general, se reconoce un fondo político a esta decisión: constituir un paso más de la monarquía autoritaria de los Reyes Católicos en su afán por lograr una mayor cohesión social repetidamente resquebrajada, no lo olvidemos, por los tumultos antijudíos de la década de los años ochenta a partir de la unidad de la fe. En este sentido, Joseph Pérez ha afirmado que Isabel y Fernando esperan que la eliminación del judaísmo facilite la asimilación definitiva y la integración de los conversos en la sociedad española, mientras Luis Suárez ha sostenido que los reyes aspiraban a un máximo religioso concretado en la unidad de la fe católica que habría que interpretar como un elemento de la maduración del poder de la monarquía en la construcción del Estado moderno español.

Las cifras de la expulsión han constituido otro tema polémico. Las limitaciones de las fuentes, las conversiones y los retornos dificultan los intentos de precisar el volumen de judíos expulsados. Las cifras globales manejadas tienen un carácter tan dispar que José Hinojosa Montalvo no ha dudado en calificarlas como cifras de la discordia.

Reproducimos a continuación algunos cálculos de reconocidos especialistas:

Historiador Cantidad de expulsados
Yitzhar Baer 150.000 a 170.000
Haim Beinart 200.000
Bernard Vicent 100.000 a 150.000
Joseph Pérez 50.000 a 150.000
A. Domínguez Ortiz 100.000
Luis Suárez 100.000
Julio Valdeón 100.000
Ladero Quesada +/ 90.000
Jaime Contreras 70.000 a 90 000

Como puede observarse, las estimaciones defendidas por los historiadores hebreos son sensiblemente superiores a las cifras de expulsados salidas de las investigaciones de los estudiosos españoles, los cuales, en general, olvidándose de las apreciaciones de los cronistas coetáneos, han extrapolado los resultados de los análisis de padrones fiscales, relaciones fragmentarias de expulsados, contratos de embarque, etc., que ofrecen datos parciales, pero documentados. La pérdida demográfica que significó la expulsión no fue excesivamente relevante: aproximadamente un 2 por 100 del potencial poblacional conjunto de las coronas de Castilla y Aragón, si aceptamos la cifra de 100.000 judíos expulsados, pero cabe subrayar la desigual incidencia que tuvo en los distintos territorios. En la Corona de Aragón la población hebrea era mucho menor que en la Corona de Castilla y la expulsión solo supuso una pérdida de 10.000 ó 12.000 habitantes.

En la Corona de Castilla, donde la población judía era más numerosa, las aljamas eran escasas en la zona norte y en Galicia, concentrándose la mayoría de ellas en las dos Castillas, Andalucía y Murcia. El camino del exilio condujo a los judíos castellanos y aragoneses mayoritariamente a Portugal y Navarra, reinos de donde después también serían expulsados, y en menor medida a Flandes, al norte de África, Italia y a los territorios mediterráneos del imperio otomano, donde el sultán Bayaceto II dio instrucciones de acogerlos favorablemente. Pero para muchos de ellos el camino del destierro estuvo lleno de penalidades, como las que relata Salomón ben Verga en su crónica Sebet Yehuda: « Pero he ahí que por todas partes encontraron aflicciones, extensas y sombrías tinieblas, graves tribulaciones. rapacidad, quebranto, hambre y peste. Parte de ellos se metieron en el mar, buscando en las olas un sendero, también allí se mostró contraria a ellos la mano del Señor para confundirlos y exterminarlos pues muchos de los desterrados fueron vendidos por siervos y criados en todas las regiones de los pueblos y no pocos se sumergieron en el mar, hundiéndose al fin, como plomo ». Las consecuencias económicas de la expulsión han sido muchas veces exageradas, al interpretar que la marcha de los judíos eliminó de la vida social y económica hispana los únicos grupos que podían haber recogido el impulso del primer capitalismo. Las consideraciones ya apuntadas anteriormente sobre la situación económico-profesional de la comunidad hebrea a finales del siglo XV invalidan esta interpretación: solo en las localidades donde los judíos eran numéricamente importantes, los trastornos en el mundo artesanal y de los negocios fueron relevantes. Pero, además de las económicas, no hay que olvidar las repercusiones religiosas de la expulsión: el aumento del número de conversos y falsos conversos y la consolidación de la división social entre cristianos viejos y cristianos nuevos. Asimismo, la expulsión supuso la pérdida de destacadas personalidades del mundo cultural y científico, como Abraham Zacuto, ilustre astrónomo y cosmógrafo, Salomón ben Verga, escritor sevillano autor del emocionado relato antes citado sobre las vicisitudes de la expulsión, o Judá Abrabanel, hijo del consejero de los Reyes Católicos Isaac Abravanel y autor de unos Dialoghi di Amore.

Edicto de expulsión de los judíos

Los Reyes Fernando e Isabel, por la gracia de Dios, Reyes de Castilla, León, Aragón y otros dominios de la corona- al príncipe Juan, los duques, marqueses, condes, ordenes religiosas y sus Maestres,… señores de los Castillos, caballeros y a todos los judíos hombres y mujeres de cualquier edad y a quienquiera esta carta le concierna, salud y gracia para él.

Bien es sabido que en nuestros dominios, existen algunos malos cristianos que han judaizado y han cometido apostasía contra la santa fe Católica, siendo causa la mayoría por las relaciones entre judíos y cristianos. Por lo tanto, en el año de 1480, ordenamos que los judíos fueran separados de las ciudades y provincias de nuestros dominios y que les fueran adjudicados sectores separados, esperando que con esta separación la situación existente sería remediada, y nosotros ordenamos que se estableciera la Inquisición en estos dominios; y en el término de 12 años ha funcionado y la Inquisición ha encontrado muchas personas culpables además, estamos informados por la Inquisición y otros el gran daño que persiste a los cristianos al relacionarse con los judíos, y a su vez estos judíos tratan de todas maneras a subvertir la Santa Fe Católica y están tratando de obstaculizar cristianos creyentes de acercarse a sus creencias.

Estos Judíos han instruido a esos cristianos en las ceremonias y creencias de sus leyes, circuncidando a sus hijos y dándoles libros para sus rezos, y declarando a ellos los días de ayuno, y reuniéndoles para enseñarles las historias de sus leyes, informándoles cuando son las festividades de Pascua y como seguirla, dándoles el pan sin levadura y las carnes preparadas ceremonialmente, y dando instrucción de las cosas que deben abstenerse con relación a alimentos y otras cosas requiriendo el seguimiento de las leyes de Moisés, haciéndoles saber a pleno conocimiento que no existe otra ley o verdad fuera de esta. Y así lo hace claro basados en sus confesiones de estos judíos lo mismo a los cuales han pervertido que ha sido resultado en un gran daño y detrimento a la santa fe católica, y como nosotros conocíamos el verdadero remedio de estos daños y las dificultades yacían en el interferir de toda comunicación entre los mencionados Judíos y los Cristianos y enviándolos fuera de todos nuestros dominios, nosotros nos contentamos en ordenar si ya dichos Judíos de todas las ciudades y villas y lugares de Andalucía donde aparentemente ellos habían efectuado el mayor daño, y creyendo que esto seria suficiente de modo que en esos y otras ciudades y villas y lugares en nuestros reinos y nuestras posesiones seria efectivo y cesarían a cometer lo mencionado. Y porque hemos sido informados que nada de esto, ni es el caso ni las justicias hechas para algunos de los mencionados judíos encontrándolos muy culpables por lo por los susodichos crímenes y transgresiones contra la santa fe Católica han sido un remedio completo obviar y corregir estos delitos y ofensas. Y a la fe Cristiana y religión cada día parece que los Judíos incrementan en continuar su maldad y daño objetivo a donde residan y conversen; y porque no existe lugar donde ofender de mas a nuestra santa creencia, como a los cuales Dios ha protegido hasta el día de hoy y a aquellos que han sido influenciados, deber de la Santa Madre Iglesia reparar y reducir esta situación al estado anterior, debido a lo frágil del ser humano, pudiese ocurrir que podemos sucumbir a la diabólica tentación que continuamente combate contra nosotros, de modo que, si siendo la causa principal los llamados judíos si no son convertidos deberán ser expulsados de el Reino.

Debido a que cuando un crimen detestable y poderoso es cometido por algunos miembros de algún grupo es razonable el grupo debe ser absuelto o aniquilado y los menores por los mayores serán castigados uno por el otro y aquellos que permiten a los buenos y honestos en las ciudades y en las villas y por su contacto puedan perjudicar a otros deberán ser expulsados del grupo de gentes y a pesar de menores razones serán perjudiciales a la República y los mas por la mayoría de sus crímenes seria peligroso y contagioso de modo que el Consejo de hombres eminentes y caballeros de nuestro reinado y de otras personas de conciencia y conocimiento de nuestro supremo concejo y después de muchísima deliberación se acordó en dictar que todos los Judíos y Judías deben abandonar nuestros reinados y que no sea permitido nunca regresar.

Nosotros ordenamos además en este edicto que los Judíos y Judías cualquiera edad que residan en nuestros dominios o territorios que partan con sus hijos e hijas, sirvientes y familiares pequeños o grandes de todas las edades al fin de Julio de este año y que no se atrevan a regresar a nuestras tierras y que no tomen un paso adelante a traspasar de la manera que si algún Judío que no acepte este edicto si acaso es encontrado en estos dominios o regresa será culpado a muerte y confiscación de sus bienes.

Y hemos ordenado que ninguna persona en nuestro reinado sin importar su estado social incluyendo nobles que escondan o guarden o defiendan a un Judío o Judía ya sea públicamente o secretamente desde fines de Julio y meses subsiguientes en sus hogares o en otro sitio en nuestra región con riesgos de perder como castigo todos sus feudos y fortificaciones, privilegios y bienes hereditarios.

Hágase que los Judíos puedan deshacerse de sus hogares y todas sus pertenencias en el plazo estipulado por lo tanto nosotros proveemos nuestro compromiso de la protección y la seguridad de modo que al final del mes de Julio ellos puedan vender e intercambiar sus propiedades y muebles y cualquier otro articulo y disponer de ellos libremente a su criterio que durante este plazo nadie debe hacerles ningún daño, herirlos o injusticias a estas personas o a sus bienes lo cual seria injustificado y el que transgrediese esto incurrirá en el castigo los que violen nuestra seguridad Real.

Damos y otorgamos permiso a los anteriormente referidos Judíos y Judías a llevar consigo fuera de nuestras regiones sus bienes y pertenencias por mar o por tierra exceptuando oro y plata, o moneda acuñada u otro articulo prohibido por las leyes del reinado.

De modo que ordenamos a todos los concejales, magistrados, caballeros, guardias, oficiales, buenos hombres de la ciudad de Burgos y otras ciudades y villas de nuestro reino y dominios, y a todos nuestros vasallos y personas, que respeten y obedezcan con esta carta y con todo lo que contiene en ella, y que den la clase de asistencia y ayuda necesaria para su ejecución, sujeta a castigo por nuestra gracia soberana y por la confiscación de todos los bienes y propiedades para nuestra casa real y que esta sea notificada a todos y que ninguno pretenda ignorarla, ordenamos que este edicto sea proclamado en todas las plazas y los sitios de reunión de todas las ciudades y en las ciudades principales y villas de las diócesis, y sea hecho por el heraldo en presencia de el escribano público, y que ninguno o nadie haga lo contrario de lo que ha sido definido, sujeto al castigo de nuestra gracia soberana y la anulación de sus cargos y confiscación de sus bienes al que haga lo contrario.

Y ordenamos que se evidencie y pruebe a la corte con un testimonio firmado especificando la manera en que el edicto fue llevado a cabo.

Dado en esta ciudad de Granada el Treinta y uno día de marzo del año de nuestro señor Jesucristo de 1492.

Firmado Yo, el Rey, Yo la Reina, y Juan de la Colonia secretario del Rey y la Reina quien lo ha escrito por orden de sus Majestades.

 

 

 

[Fuente: http://www.diariojudio.com]

 

Carmen Vidal mujer detective, la primera película de Eva Dans, es una muy buena combinación de comedia bizarra con trama policial negra. En esta comedia policial la directora se anima a algo que muchos no hicieron: lejos de reproducir lo tradicional del género negro en nuestras propias urbes, como si fueran Los Ángeles o Nueva York, propone una adaptación extrema del género noir a la ciudad de Montevideo.

Publicado por Daniel Cholakian 

“Es cierto que la película ha tomado otro camino al que muchos esperan de una policial”, explicó a Nodal Eva Dans. “Eso fue muy a conciencia. Hay gente que dice que la película “tiene lindos toques noir” y a mí me causa gracia porque para mí es noir en sí, con todo su universo, los personajes y las situaciones que ocurren. Pero creo que eso pasa justamente porque no es una copia, digamos burda, de algunas situaciones noir. El género tiene un montón de planos nocturnos con humedad, niebla y muchas escena filmadas con una Dolly, y en Carmen Vidal no fuimos por ese lado. Nos propusimos sostener estéticamente una ficción, tan ficción, como puede ser que haya detectives privados en 2018 en Montevideo”.

La realizadora uruguaya, desde hace un año residente en Buenos Aires, comprende el género y lejos de hacer un “homenaje” que reproduzca las claves visuales, construye un mundo con lo propio y en él hace funcionar el policial. Y allí aparecen muchas de las claves de las narrativas uruguayas: el humor casi surrealista; la normalización de ciertas situaciones extrañas; las actuaciones despojadas, que trabajan una máscara aparentemente inexpresiva; y una particular forma de construir la ruta del misterio, que remite al maestro Mario Levrero. Comedia noir, como la definió su propia directora, Carmen Vidal mujer detective es menos inocente de lo que parece. Aunque los tiros suenen ridículos y dejen agujeros que son a todos luces irreales, las balas que disparar el poder matan lo mismo.

¿Por qué en una ciudad como Montevideo el cine negro debería parecerse al que se puede hacer una ciudad como Los Ángeles? ¿Por qué con los habitantes de Montevideo, que van a comprar al almacén caminando, debería hacerse una película como con los habitantes de Los Ángeles, donde nunca se bajan del auto?

Acá tomás una cerveza de litro del pico; esas son cosas que se hacen acá, pero en el resto del mundo me parece que no. En Uruguay la cerveza de litro como casi que la única opción. La película tiene esa idiosincracia superuruguaya: la pizza cuadrada, el bar Hispano. Incluso Raúl, el dueño del minimarket donde trabaja Carmen, como toda la gente, es lo más uruguayo que hay. La película es totalmente uruguaya para mí.

Hay una presencia importante de Montevideo como parte del relato, sin que la ciudad aparezca por delante de las cosas. Desaparece la Montevideo turística y se rescata la ciudad portuaria, más propia de los relatos negros; está presente el centro, pero se oculta cierta modernidad arquitectónica tanto con los espacios emblemáticos. Todo esto muestra que hubo decisiones precisas sobre como incorporar la ciudad al relato.

Fue una decisión estética qué Montevideo mostrar. Algo de esto surgió mirando una película de Kaurismäki, Yo contraté un asesino a sueldo, que tiene una secuencia inicial portuaria en Helsinki, y era igual a Montevideo. Es increíble la vida y dije: “Bo, pero esto es Montevideo“. Montevideo, en un día de invierno, tiene un montón de niebla y se siente así como medio industrial, con un paisaje portuario/industrial.

En parte tiene que ver con la elección de locaciones, pero también con el lente que usamos. Yo quería escapar a esa imagen digital que se ve mucho hoy en día y como no teníamos presupuesto al momento de filmar, conseguimos prestado un lente antiguo de los años 50, que hubo que adaptar a la cámara moderna con la que filmamos, y un zoom muy grande. Esos lentes nos dieron un tipo de imagen muy especial y una libertad de experimentación enorme que a mí me encanta.

Entonces en la película mostramos lugares icónicos de Montevideo, aunque de otra manera a la que se ven cotidianamente. El tanque del Gasómetro, donde aparece colgado el compañero de la detective, es un emblema de Montevideo, pero como algo abandonado, y nadie va a hacer una película con eso. De alguna manera se enaltecen cosas que son símbolo, pero desde un lugar de cine policial y visto con ese lente y esos encuadres.

Necesitábamos generar un universo que fuera reconocible y bien montevideano, pero que a su vez mantuviera la ficción. En algunos planos generales casi no hay personas que no sean personajes de la película, porque eso mataría lo ficticio. Si ves a un tipo en jogging tomando el mate en la rambla, seguramente no ayuda a lo que buscamos en la película.

Definiste a la película como una comedia noir. A diferencia del resto de América Latina, podríamos decir que en Uruguay se hace un humor que tiene mucho que ver con el surrealismo. Eso está presente en la película. Como también se advierte una relación con ciertas novelas policiales de Levrero.

Si, a mí me encanta Levrero. A fines de mi adolescencia, al inicio de mi vida adulta, leí casi todos sus libros, sino todos. En un momento de la película, Carmen Vidal lleva una evidencia a un depósito llamado “Dejen todo en mis manos”, que es el título de sus novelas, sobre detectives en un pueblo del interior de Uruguay.

Es verdad que el uruguayo tiene como un humor bastante particular, como entre depresivo y humor negro. Y también es verdad que está la cuota de surrealismo. A la uruguaya, eso sí.

Ese humor se sostiene entre otras cosas con el registro de la actuación muy marcado, que me recordaba mucho a Leo Maslíah mientras veía la película…

Claro que sí, un ídolo. Ese es otro grande, crecí leyendo todos sus cuentos.

¿Hubo una decisión concreta de mantener esa parquedad de las actuaciones?

Se manejaron dos cosas. Por un lado, si bien hay cierta naturalidad en las actuaciones, que no son muy impuestas, no son actuaciones naturalistas. Están como en un código de ficción bien ficción.

Trabajamos con un montón de actores. Incluyendo a los personajes chicos son 42 personas. Con tanta gente no es fácil manejar homogeneidad actoral. A veces tenés un personaje menor que no funciona y mata todo.

Pero como a mí no me gustan nada los castings, escribí los personajes pensando en ciertos actores. A algunos lo conocía, con algunos somos amigos o hicimos talleres de actuación juntos; incluso con unos en una época teníamos un colectivo teatral y hacíamos teatro en espacios no convencionales. Jorge Hernández, el gran villano de la película, es un director teatro uruguayo y fue profesor mío durante dos años y medio.

Creo que todo eso acortó distancias en cuanto a entendernos en cuál iba a ser el tono en el que íbamos a trabajar.

Ensayamos hasta con personajes que tenían una escena. A mí como actriz me ha pasado que llegas al rodaje y en el momento te dicen todo. Y pensás “Ta, pará, dame un segundo para procesar por lo menos qué tengo que hacer”. En ese sentido hubo preparación previa y complicidad actoral.

¿Cómo fue que en tu primera película decidiste guionar, dirigir y actuar al mismo tiempo?

Es que me gusta actuar; actué antes de hacer cine, cuando era adolescente, pero siempre lo dejé un poco de costado. Fue como un salto de fe, por así decirlo. En un momento creo que me engañaba, y pensaba que si lo hacía yo era más fácil. ¿Cómo iba a conseguir una actriz para que esté filmando todo el tiempo? Filmamos donde era mi casa. La casa de Carmen Vidal era donde yo vivía, un apartamento de 40 metros cuadrados. Había algo de “a quién le voy a pedir que venga acá, a actuar esto”.

Pero pensándolo, creo que era simplemente porque quería hacer a esa detective.

Crecí en una familia lectora, mis padres se dedican al trabajo social. Mi padre, siempre lector de novela negra, me introdujo en ese universo. Cuando era chica leía a Simenon, las historias de Maigret, el detective. Así que era algo que estaba ahí en la familia, medio icónico. También a mi generación, por lo menos, hubo personajes que pegaron como el de Dana Scully, de los Expedientes X. Yo tenía 13 años y la amaba. Tuve una época en la que iba al liceo con un tapado negro y me había teñido el pelo y lo usaba igual que ella. La gente me decía: “Sos igual a Dana Scully”, y yo estaba recontenta. Así que esto me viene de toda la vida. Supongo que en una primera película son cosas que se notan, algo de lo arraigado de toda la vida lo plasmás en tu primera película.

Esos elementos de tu propia adolescencia y juventud no necesariamente tenían que combinarse bien en la película. Podría haberse convertido en un patchwork que no funcione. Sin embargo en Carmen Vidal funciona bien. ¿Cómo los usaste para hacer una comedia noir, que tiene una trama clásica, pero una puesta en escena y personajes divergentes con esa tradición?

Fue mucho instinto. Lo que me sale naturalmente es escribir desde la comedia, más allá que se trate un tema serio o un tema que tiene un trasfondo social. Da igual eso.

La construcción de personajes de Carmen Vidal viene desde ese lugar de comedia. No son personajes que se toman muy en serio a sí mismos, no están construidos desde el lugar trascendental o dramático que tiene el noir tradicional.

Algo que me dio confianza fue que cuando mostraba el guion, le gustaba a todo el mundo. Eso ocurrió mientras decidíamos si lo filmábamos con muy poco dinero o no. Teníamos un gran entusiasmo en filmar algo que fuera bien ficticio en Uruguay. Eso me dio confianza, pero hay también una cuota de inconsciencia, me tiré a hacer lo que sentía que quería hacer y esperar lo mejor. De verdad no sabía cómo iba a quedar la película. Y después estuve ocho meses editándola para llegar a este punto. No salió de la noche a la mañana. Es muy difícil hacer cine. Eso es lo que me di cuenta haciendo la película, lleva mucho trabajo, mucha atención y mucho cuidado.

Creo que el cine uruguayo agarró para un lado muy costumbrista, sobre todo después de la creación del ICAÚ, que fue en 2008. En ese sentido, Carmen Vidal llamaba la atención por ser algo nuevo, algo divertido.

En lo personal quería hacer algo distinto. En donde uno puede tomar una decisión más obvia, tratar de ir por otro camino. De toda esa conjunción de elementos, terminó saliendo de esta Carmen Vidal tan peculiar.

La película podría pensarse como lo que llamaría la comedia pesimista, que también parece bastante propia de los uruguayos.

Sí, ese pesimismo es sorprendente, y un poco agobiante por momentos. A veces esa atmósfera es opresiva. Creo que de ahí sale también ese humor, como que necesita surgir, necesita romper. Creo que todos los uruguayos nos preguntamos a qué se debe ese pesimismo uruguayo, y por qué hay tanta depresión en la población. Es un hecho.

En medio de un diálogo intrascendente, que cuenta la burocracia policial en el mismo tono de comedia, incluiste una frase sobre la cantidad de suicidios en Uruguay ¿Por qué pusiste esa frase en boca del comisario?

Eso es parte de la experiencia personal de muchos de nosotros. Un montón de gente joven que conocí en estos años, alguien con quien estudié cine, alguien que era periodista, no sé, gente que conocía por la vuelta, se suicidaron. De un día para el otro. Pasa mucho en Uruguay, y es algo que tampoco se habla.

Yo trabajé en una ONG que se ocupa de los derechos del niño, en particular el derecho a vivir en familia, en comunidad, trabajando el acogimiento familiar y cuestiones similares.

Era una red latinoamericana. Uruguay, analizando los datos, era el peor país en cuanto a encierro. Le llamaban “el país del encierro”. Si es un niño tiene no sé qué, se encierra; los presos, todos encerrado; los locos, también. Como si hubiera una cultura del encierro. Todo es muy tapado en Uruguay.

Cuando Carmen e Iván salen de los tribunales quien habla con los periodistas es Carmen, e Iván se queda detrás de ella parado, escuchando en silencio. Ahí cuestionan el modo en que se suelen ocupar los lugares relativos entre el hombre y la mujer en el cine.

Desde el lenguaje hubo un trabajo para posicionar justamente a Carmen Vidal y su mirada, lo que ella ve. A conciencia, Carmen Vidal es un personaje en cierta forma asexuado. No hay ninguna historia de amor, qué podría haber, porque el cine negro siempre tiene un componente de pasión. Siempre está la femme fatale. Podría haber habido un homme fatale, pero no lo hay. Todo eso fue a conciencia, para despegarse un poco de los temas que podemos hablar o no podemos hablar las mujeres.

Parece que las mujeres tienen que hablar de temas de género…

Eso pasa bastante en el cine y me pasó a mí con Carmen Vidal. El cine le da espacio a las mujeres, pero muchas veces para hablar de temas exclusivamente que incumben a ellas. El despertar sexual de una adolescente mujer, o la maternidad, o menstruación, o sobre todos esos temas.

Carmen Vidal es una película no necesariamente femenina en ese sentido, incluso hay un esfuerzo para que no lo sea. Por eso esta detective tan desaliñada. Vivimos en un mundo tan patriarcal que es transgresor ver a una mujer en mal estado. Es trasgresor ver a una mujer sucia. ¿Cuántos hombres sucios vimos en la historia del cine? Creo que esa es la situación. Me parece que se abren espacios para la mujer, pero que muchas veces se quedan como en eso. “Si hagan cine, pero hablen de lo que ustedes saben”.

¿Cómo ves actualmente el lugar de la mujer en el cine uruguayo?

Creo que se está mejorando. Se formó la AMAU, Asociación de Mujeres Audiovisuales del Uruguay, que está haciendo un trabajo de visibilización de los datos. En los últimos años, de cada diez películas, tres fueron dirigidas por mujeres. Y eso también pasa con los roles de importancia.

Siempre hubo mujeres en el cine, y creo que es un poco la historia de la humanidad. Las mujeres estaban en lugares de los que después, cuando descubren como lugares de poder, son desplazadas. En la historia del cine, al principio, había muchas directoras mujeres, montajista mujeres, un montón, eso se fue perdiendo. Ahora se está avanzando, sí, pero a mucha fuerza humana.

Para mí fue un poco difícil, te diré. A veces me dicen cualquier cosa. No sé si molesta un poco que haya escrito, dirigido, actuado. Es como se agarran de eso para decir: “Bueno, con todos los roles que hizo no está tan mal”. Es cierto, los hice, pero no es para que me den un premio consuelo. Te gusta la película o no te gusta. Siento un poquito de carga extra de agresividad en la recepción de la película, que no sé si es porque soy mujer, o por la película que hice o por las dos cosas juntas.

En la posproducción que fue hecha con hombres, porque durante el rodaje fuimos casi todas mujeres, la verdad que tuve varios momentos en que me resultaba un poco cansador tener que justificar cada cambio que quería hacer. Eso lo viví bien en carne propia. Creo que el director hombre, por más que sea primera película, no tiene que estar explicando todo. Son cosas que no puedo demostrar, pero en mi experiencia sentí que tenía que ultrajustificar todo.

Algo está cambiando y por suerte, porque las mujeres no necesariamente tenemos que hacer películas explícitamente feministas. Creo que las mujeres tenemos otra visión del mundo y es necesario que esté ahí plasmada. Sino estamos viendo todo el tiempo lo mismo. Creo que es esperanzador, pero difícil.

 

[Fuente: http://www.nodal.am]

 

Las ventas de vinos sin alcohol se dispararon en Estados Unidos. Las razones.

Los bodegueros utilizan la destilación al vacío para eliminar el alcohol del vino.Foto: Felix Schmitt para The New York Times.

Los bodegueros utilizan la destilación al vacío para eliminar el alcohol del vino.

Escrito por Eric Asimov

El vino es difícil de imaginar sin el alcohol. Forma parte de su textura, su sabor, su complejidad y, por supuesto, de su sabor. Sin embargo, el interés por el vino sin alcohol ha crecido rápidamente en los últimos dos años.

Según datos de Nielsen, las ventas al por menor de vinos sin alcohol en Estados Unidos se dispararon durante el año que terminó el 20 de febrero, con un aumento del 34% en esas 52 semanas después de haberse mantenido relativamente estables entre 2016 y 2019. La subida fue aún más pronunciada, un 40%, en el último trimestre de ese año, que incluyó el Dry January, un mes de abstinencia voluntaria avivado por las redes sociales.

Las ventas anuales, con un valor aproximado de 36 millones de dólares en el último año, son solo una pequeña fracción de toda la categoría de vinos, que registró más de 21.000 millones de dólares en ese periodo en Estados Unidos. Solo siete marcas de vinos sin alcohol tuvieron más de un millón de dólares en ventas, informó Nielsen.

No es mucho si se compara con otras categorías de bebidas sin alcohol, como la cerveza y la sidra, que ofrecen una selección mucho mayor que el vino.

Pero el interés ha crecido lo suficientemente rápido en el último año como para que algunos en el sector del vino lo vean como una gran oportunidad.

« Es la categoría que más crece ahora mismo en nuestra cartera », afirma Kevin Pike, propietario de Schatzi Wines, un pequeño importador y distribuidor de Milán (Nueva York). « Ha subido un 1.000% y crece cada día ».

Schatzi importa la serie de vinos sin alcohol Eins-Zwei-Zero de Leitz, un excelente e innovador especialista en riesling de la región alemana de Rheingau. Ahora vende tres variedades: un riesling, un riesling espumoso y un rosado espumoso. Los dos espumosos se presentan también en latas de 250 mililitros, y Pike dice que espera añadir un pinot noir sin alcohol el año que viene.

Otro importador, Victor O. Schwartz, de VOS Selections, trae el chardonnay espumoso sin alcohol Noughty de Thomson & Scott, un comerciante más conocido por vender Skinny Prosecco. Las botellas están pensadas para los que se preocupan por la dieta, y Schwartz dice que la respuesta a los vinos ha sido estupenda.

« Me metí en el agua y me sorprendió todo lo que se está haciendo en la zona sin alcohol », dijo. « Ya estoy trabajando para ampliar la categoría en mi cartera. Mis clientes quieren una gama, y pronto tendremos un rosado espumoso de Noughty este verano ».

En el pasado, el jugo de uva de vinificación y envasado en botellas de vino se comercializaba como alternativa al vino. Pero el jugo de uva y los vinos sin alcohol no son en absoluto lo mismo.

Las ventas al por menor de vinos sin alcohol se dispararon en el último año en Estados Unidos. Foto: Felix Schmitt para The New York Times.

Las ventas al por menor de vinos sin alcohol se dispararon en el último año en Estados Unidos.

Un buen jugo de uva puede ser algo maravilloso, delicioso, pero normalmente muy dulce. El vino sin alcohol se produce haciendo primero vino. La levadura fermenta todo o casi todo el azúcar de la uva en alcohol. A continuación, se elimina el alcohol. El resultado no es más embriagador que el jugo de uva, pero generalmente no es tan dulce y está fundamentalmente alterado.

¿Cuál es el atractivo? No es difícil de entender en un mundo pandémico que haya logrado atención plena el conjunto de prácticas de autocuidado que ahora se denominan generalmente « bienestar ».

¿La opción de beber vino sin el desgaste físico y mental que puede causar el alcohol? ¡Bingo! Wine Intelligence, una organización de investigación de los consumidores, escribió recientemente que el vino con bajo o nulo contenido de alcohol era « una necesidad insatisfecha del consumidor », especialmente entre los jóvenes.

Sin embargo, las razones prácticas son tan importantes como las impulsadas por las tendencias sociales.

« Estoy pensando en la gente que se dedica al fitness y se levanta muy temprano para correr o hacer ejercicio; en la gente que quiere salir de fiesta, pero es el conductor designado; en la gente que quiere tomarse una noche de su habitual botella de vino con la cena; en la gente que tiene que trabajar después de cenar », dijo Schwartz. « Todas estas personas disfrutan bebiendo vino y no quieren renunciar a ello, pero se alegran de que el alcohol no interfiera en esos momentos con sus ocupadas y activas vidas ».

Precisamente este tipo de preocupaciones prácticas inspiraron a Johannes Leitz, de la bodega Leitz, a intentar crear un buen vino sin alcohol.

Según cuenta Leitz, un chef noruego, Odd Ivar Solvold, le habló hace unos años de la necesidad de un buen vino sin alcohol, sobre todo en Noruega, donde la pena por manejar ebrio, según le dijo Solvold, era del 10% de los ingresos anuales. Quería algo que fuera equilibrado y que combinara con su cocina, y se ofreció a pagar a Leitz el mismo precio que obtenía por sus vinos convencionales.

Leitz dijo que también tenía un deseo personal de un vino sin alcohol, ya que los problemas cardíacos le impedían consumir el alcohol al que estaba habituado.

Eliminar el alcohol de un vino no es fácil, al menos, no si el vino sin alcohol va a ser bueno. El punto de ebullición del alcohol, unos 173 grados, es inferior al del agua, unos 212 grados. En teoría, se podría simplemente calentar el vino a 173 grados durante el tiempo necesario para hervir el alcohol. Pero ese tratamiento rudimentario dañaría también los componentes del sabor del vino.

"Somos el único productor de vino sin alcohol que utiliza su propio vino", asegura Johannes Leitz en sus instalaciones de Geisenheim, Alemania. Foto: Felix Schmitt para The New York Times.

« Somos el único productor de vino sin alcohol que utiliza su propio vino », asegura Johannes Leitz en sus instalaciones de Geisenheim, Alemania.

Además, por muy suave que sea el proceso, la eliminación del alcohol no deja de ser una dura alteración tecnológica de un vino. La sensación de pureza, energía y vida que desprende un buen vino es imposible en una botella sin alcohol.

« No se puede comparar con el vino », dice Leitz. « Es diferente, y puede que te decepcione un poco, pero cuando necesitas una buena bebida con una comida realmente buena, la mía es la que más se acerca al vino ».

Para compensar lo que falta, los productores tienen que añadir algo, normalmente un poco de azúcar o jugo de uva para redondear la textura. Pero Leitz dice que el elemento más importante para hacer un buen vino sin alcohol es el propio vino base.

« Somos el único productor de vino sin alcohol que utiliza su propio vino », afirma. El riesling que utiliza, por ejemplo, iría a parar a su Eins-Zwei-Dry, un excelente riesling seco para principiantes.

No puedo decir si es el único. Pero sé que para su chardonnay espumoso Noughty, Thomson & Scott, una empresa con sede en Londres compra uvas de chardonnay de la región de La Mancha en España y luego envía el vino a Alemania para su destilación al vacío. Leitz alquila su propia unidad y lo hace todo in situ.

Cada una de las botellas que probé, las tres de Leitz y la de Noughty, era quizá un poco dulce. Ninguna se confundiría con un vino.

Mi favorita fue el riesling de Leitz, el que no tiene gas, no el burbujeante. Fue la única botella en la que pude percibir el carácter varietal del riesling: un toque de lima y albaricoque que parpadeaba intermitentemente.

El riesling espumoso de Leitz y el rosado espumoso, elaborado con pinot noir, parecían más sencillos, al igual que el chardonnay espumoso de Noughty. En parte, creo que esto se debe a que el dióxido de carbono se añade al vino para la carbonatación, al igual que con un refresco. Esto hizo que parecieran inertes en contraposición a la carbonatación natural que hace que los buenos vinos espumosos se sientan vivos.

No obstante, cada uno de ellos era sabroso, aunque tal vez más granoso que vinoso.

Probé otra botella, un Fre Sparkling Brut de Sutter Home, un gran productor estadounidense de vinos baratos. No estaba claro qué tipo de uvas contenía el vino, pero era mucho más dulce que los otros, lo que no es sorprendente, ya que la etiqueta indicaba que tenía un 32% de jugo. No podía competir con las otras botellas.

Leitz dijo que ve grandes cosas por delante para la categoría sin alcohol. Cada mes, dijo, recibe más solicitudes de todo el mundo para enviar sus vinos.

« Todavía estamos aprendiendo, y estamos al principio de un gran viaje », dijo Leitz. « Ahora mismo solo estamos al 20%. Podríamos hacer mucho, mucho más ».

 

[Foto: Felix Schmitt – fuente: http://www.clarin.com]

Sorprende que se acuse de narcisismo a quien usa una fórmula prevista para todo lo contrario

Escrito por Álex Grijelmo

El presidente Pedro Sánchez utiliza con frecuencia la expresión “mi persona” para referirse a sí mismo: “Es la dirección federal, y mi persona, quien marca las líneas” (23 de diciembre de 2015); “están haciendo una concentración en contra de mi persona” (10 de febrero de 2019); “todos tenemos que explicar cuál ha sido la posición del Gobierno y de mi persona” (18 de septiembre de 2019)…; “quiero reconocer también en mi persona ese esfuerzo” (8 de junio de 2020); “no van a encontrar ni al PSOE ni a mi persona en ninguna intencionalidad de socavar la confianza” (28 de julio de 2020)…

Quizás llame la atención de quienes conozcan algo más la lengua que se acuse de culto a sí mismo precisamente a quien utiliza una fórmula concebida hace siglos para todo lo contrario.

Ya de antaño no se creía muy elegante el uso continuo de los pronombres de primera persona del singular, y por eso surgieron en el lenguaje público y en el privado ciertas locuciones de la tercera, como “un servidor”, “quien les habla”, “el abajo firmante”, “quien suscribe”, “mi persona”… La Gramática de las academias las considera “tratamientos de modestia”. Y tienen largo uso.

El peruano Alfredo Bryce Echenique escribió en La vida exagerada de Martín Romaña (1981): “No lograba entender qué podía estar pasando en torno a mi persona”. Y Galdós, en El amigo Manso (1882): “Interpreté su turbación de un modo favorable a mi persona”. Y el argentino Jorge Bucay, en El camino del encuentro (2001): “Cuanto mejor esté a cargo de mi persona, menos dependiente seré”. El banco de datos de la Real Academia ofrece ejemplos literarios de todas las épocas.

Se trata por tanto de una locución asentada.

Sin embargo, el pasado 8 de febrero un articulista afirmaba que Sánchez es “el único mandatario que se llama a sí mismo Mi Persona”. Tanto ese autor como los arriba no mencionados (solo aludidos) han seguido poco las declaraciones del presidente de Castilla y León, Alfonso Fernández Mañueco, del PP: “Ha generado falsedades sobre mi persona” (14 de junio de 2019); “quien obtuvo la confianza fue mi persona” (25 de febrero de 2021); “Pablo Casado tiene en mi persona uno de sus principales apoyos” (3 de marzo de 2021); “… confianza plena de Pablo Casado en mi persona y lealtad plena de mi persona en Pablo Casado” (12 de marzo de 2021)…

La mismísima Dolores de Cospedal decía el lunes 8 en un comunicado: “… le impuso la obligación de no volver a hablar de mi persona”. Y Cayetana Álvarez de Toledo, el 7 de junio de 2020: “Desde antes de ser nombrada portavoz fui objeto de comentarios sobre mi persona o aptitudes para el cargo”.

Ay, cómo funcionan los sesgos cognitivos. Y nadie está libre, tampoco mi persona de ustedes.

 

[Foto: MARISCAL – fuente: http://www.elpais.com]

 

Los europeos. Tres vidas y el nacimiento de la cultura cosmopolita
Orlando Figes
Traducción al español de María Serrano
Taurus, 2020

Escrito por Antonio Jiménez-Blanco Carrillo de Albornoz

Ivan Turguénev (1818-1883) fue, dentro de los escritores rusos del siglo XIX, el más europeo o, dicho en negativo, el menos eslavo. Tanto por creencias como también por la vida, pues se alejó del eslavismo, aproximándose a Occidente. De hecho, murió en la comuna de Bougival, Francia. Nada que ver, por tanto, con sus contemporáneos, un Fiódor Dostoyevski (1821-1881), un León Tolstói (1828-1910) o un Nikolái Gógol (1809-1852).

De Louis Viardot (1800-1883) hay que recordar que se trató de un escritor francés al que se le califica -no sin razón- como hispanista. De hecho, fue nombrado miembro de la Real Academia Española.

Pauline García (1821-1910), cantante de ópera y compositora, la tercera en discordia, era hija del tenor Manuel García y de la soprano Joaquina Briones. Por tanto, hermana de María, la que se casó con François-Eugene Malibrán, dando lugar a que la conozcamos con ese apellido. Pauline, por su parte, matrimonió con el citado Louis Viardot y de ahí que sea conocida como Pauline Viardot.

Los tres -Turgénev, Viardot y Pauline- formaron en efecto un trío, en todos los sentidos del término. Y lo que hace este libro es situarlos como protagonistas de la historia europea en el periodo que, por poner fechas concretas, transcurre entre 1850 y 1870.

El trabajo de Figes -historiador británico, nacionalizado alemán en 2017, bien conocido sobre todo por sus estudios sobre Rusia y que ha dado lugar a varias reseñas en esta misma revista- ha sido muy celebrado. Y con toda la razón. El autor es, si se quiere emplear un calificativo convencional, un historiador de la cultura, que, a lo largo de más de quinientas páginas, emplea como hilo conductor el debate entre lo universal -el cosmopolitismo, el internacionalismo, lo que hoy llamaríamos la globalización- y lo particular: los nacionalismos, para entendernos, o, dicho con palabras actuales, las identidades, singularmente en su vertiente territorial. Pero, sobre el telón de fondo de ese dilema eterno, Orlando Figes, que se ubica claramente en pro del primero de los polos, hace especial hincapié en lo que aportó la tecnología: el ferrocarril -el medio de transporte que cambió la vida, porque sirvió para arrimar puntos hasta entonces muy lejanos- y también los modos de reproducción del arte, tanto el sonido -la ópera- como la imagen -el grabado-. Y, por encima de todo, la impresión de libros.

En suma, es en esa época cuando nace el turismo y más en concreto el turismo cultural. Y también, por supuesto, la moda de los casinos, tan vinculada al juego.

Aunque los tres protagonistas del libro -casi una novela- viajaron mucho, su centro de operaciones fue París o su entorno, el París del segundo imperio y de la exposición universal de 1855 (como réplica de la de Londres de 1851). La ciudad de Haussmann, en efecto. Y por las páginas del texto desfila todo el que significa algo: Brahms, Berlioz, Gounod, Víctor Hugo, George Sand, Rossini, Offenbach, Saint-Saëns, Flaubert, Bizet y Wagner, por citar solo a unos cuantos, a su vez entreverados por vínculos de todo tipo. Una verdadera pandilla, si se quiere explicar con esa palabra tan coloquial. El autor ha optado -otra decisión discutible pero probablemente acertada- por otorgar el protagonismo a segundones -los tres citados al inicio-, pero sin prescindir de las estrellas, como las que se acaban de mencionar. El resultado es un crisol de personajes que hace que el lector tenga que estar con un bolígrafo en la mano para que no se escape ningún detalle.

Puestos a buscar lo que con palabras de Stefan Zweig llamaríamos los momentos estelares, quizá pudiera ponerse el foco en las escenas por así decir más intimistas: el encuentro, nada plácido, entre Turgénev y Dostoyevski en Baden Baden en 1867 -páginas 352 a 356- y también las confidencias de Flaubert -un Flaubert ya en decadencia- en páginas 436 a 440. Pero sin que esa selección -arbitraria, como cualquier otra- puede dar lugar a equívoco, porque lo que de verdad vale es el conjunto y no las piezas sueltas.

El libro no concluye con la batalla de Sedan, del famoso 2 de septiembre de 1870, pero sí considera esa fecha como un hito -para mal- en la historia europea, la historia de las mentalidades, si es que se quiere hablar así. Lo que vino más tarde -la pintura impresionista y las exposiciones de París en 1878 y 1889, gloria y prez de la Tercera República, por ejemplo- pudo ser por supuesto brillantísimo, pero la batalla, ¡ay!, se había decantado del lado malo. Bien puede decirse que, casi ciento cincuenta años más tarde, no hemos salido del agujero.

Aunque, como suele suceder, no sin que en esos últimos treinta años del siglo, sucedieran -y Figes se detiene a relatarlas- cosas dignas de mención, como la aprobación de normas internacionales, como en Convenio de Berna de 1886, para proteger los derechos de autor. Lo que se llevaba anhelando tanto tiempo: una buena normativa forma parte del progreso tecnológico. Es el software.

La obra, se insiste, ha recibido muchos comentarios, casi siempre elogiosos. Y con justicia. Suele decirse -recientemente por Rafael Núñez Florencio en esta misma Revista, sin ir más lejos- que no hay nada tan cambiante como el pasado. Es una manifestación sin duda sarcástica, justificada -en España y no solo- en las manipulaciones a las que la historia se ve sometida con los propósitos innobles que están a la vista de todos. Del libro no puede afirmarse, por supuesto, que sea neutral ni que parta de premisas indiscutibles -siempre que se le pone una fecha precisa a algo tan continuo como la historia se está entrando en un terreno pantanoso-, pero sí se debe reconocer que Orlando Figes ha hecho un esfuerzo descomunal. Primero, en recoger cientos, miles de datos: sobre personas, sobre obras musicales o literarias, sobre ciudades y sobre casi cualquier detalle. Y segundo, porque un empeño tan ambicioso, y por ende tan arriesgado, ha terminado arrojando un resultado no ya bueno sino espectacular, aunque solo sea por el enorme goce que proporciona a los lectores. No es un libro para una tarde. La lectura se toma muchas horas, pero al acabar tiene uno la impresión de que se le ha abierto el apetito de saber y que le gustaría haber seguido.

Típico libro para regalar. Seguro que queda uno muy bien.

Antonio Jiménez-Blanco Carrillo de Albornoz es catedrático de Derecho Administrativo de la Universidad Politécnica de Madrid.

 

 

[Fuente: http://www.revistadelibros.com]

 

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Arte EV sobre imagem Visual Hunt

Escrito por Karin Regina Rick Rosa e Fernanda Borghetti Cantali

Advogadas (OAB/RS nºs 43.111 e  58.794) e professoras universitárias

A polêmica em torno da certidão emitida da escritura pública de compra e venda do imóvel adquirido por Flávio Bolsonaro, traz à tona a discussão sobre a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados. Opiniões foram manifestadas, de que a “omissão do cartório seria condenável”, ou que violaria a “publicidade que se exige dos atos registrais”.

É bom que se diga que este artigo é apartidário. Examina o aspecto legal e não político, quiçá moral ou ético. A atividade notarial está submetida à LGPD e os notários devem estar atentos às necessárias adequações em seus procedimentos. Discussão que não é nova, mas que ganha novos contornos em razão da LGPD, diz com a publicidade dos atos notariais.

O primeiro ponto que merece atenção é que a publicidade notarial não se confunde com publicidade registral. O ato notarial é público, porque quem o redige é um agente dotado de fé pública, o notário. Isso não significa que o conteúdo do ato notarial deva necessariamente ser publicizado, de forma indistinta.

A publicidade registral vai além da qualidade de seu agente, alcançando a publicização, que traz a presunção de conhecimento do ato. O conhecimento que gera oponibilidade está nos Registros Públicos e não no Tabelionato de Notas. Os dados que constam em uma matrícula são públicos, mas não são todos os que estão na escritura pública. A proteção de dados autoriza a limitação na divulgação de informações nos atos notariais.

Desde a entrada em vigor da LGPD, a expedição de certidões pelos notários ganha novas nuances. De fato, essa é uma competência notarial. Além disso, é senso comum, inclusive entre os notários, a obrigação de emitir certidões com conteúdo integral do ato. Se até antes da vigência da LGPD essa era uma prática comum, é preciso repensá-la, pois a proteção dos dados pessoais também é dever dos notários.

Qual o limite do fornecimento de dados nas certidões? Isso deve variar de acordo com a finalidade do pedido? Essas são perguntas que a nosso sentir têm resposta na LGPD. Se não há uma finalidade específica ou necessidade para que se compartilhe na certidão todos os dados da pessoa, qual é a razão para condenar a omissão de compartilhamento do dado pessoal?

Do ponto de vista de acesso à informação, a certidão fornecida é suficiente com ou sem o número do RG, CPF e outros dados omitidos.  O que é certo ou errado?

Pensemos a resposta do ponto de vista legal e não político.

 

[Fonte: http://www.espacovital.com.br]

Le gouvernement a présenté mardi la nouvelle carte nationale d’identité qui sera mise en circulation dès le mois d’août, pour respecter la législation européenne, un document présenté comme « plus sécurisé » grâce à la biométrie et destiné à mieux lutter contre la fraude.

« C’est un objet plus protecteur de nos droits et plus sécurisé. Elle est plus pratique, avec un format moderne, robuste, inclusive, elle s’adapte au quotidien et à la réalité de la vie actuelle des Français », a déclaré la ministre déléguée à la Citoyenneté Marlène, Schiappa.

De la taille d’une carte bancaire, un format « harmonisé avec celui des autres pays de l’Union européenne », cette nouvelle carte, baptisée « CNIe » et faite en polycarbonate et inscriptions laser est produite depuis mardi sur le site d’IN Groupe (ex-Imprimerie nationale) à Flers-en-Escrebieux, près de Douai (Nord).

« Cette volonté de modernisation s’inscrit dans un cadre européen, l’ensemble des États membres de l’Union européenne s’étant engagés, par un règlement du Parlement européen et du Conseil de l’Europe, à mettre en circulation un nouveau format de cartes d’identité au plus tard le 2 août 2021 », souligne le ministère de l’Intérieur dans un communiqué.

Outre l’état-civil du titulaire, la nouvelle carte contiendra ses données biométriques, comme deux empreintes digitales et des éléments en relief pour les mal-voyants. Les usagers ont également la possibilité d’indiquer deux adresses au verso pour les enfants en résidence alternée chez leurs parents.

Pensée pour mieux lutter contre l’usurpation d’identité, la carte – facultative – intègre une série de technologies comme un dispositif holographique de nouvelle génération, une puce sécurisée et une signature électronique, ajoute le texte qui assure que la protection des données personnelles sera garantie.

Le document, qui remplacera le titre actuel en circulation depuis 1995, sera déployé progressivement dès les prochains jours dans des départements « pilotes » – Oise, Seine-Maritime et Réunion – avant d’être généralisé à toute la France à compter du 2 août. Il sera valable 10 ans.

« C’est un objet plus protecteur de nos droits et plus sécurisé. Elle est plus pratique, avec un format moderne, robuste, inclusive, elle s’adapte au quotidien et à la réalité de la vie actuelle des Français », a déclaré la ministre déléguée à la Citoyenneté, Marlène Schiappa, lors d’une conférence de presse à l’issue d’une visite sur le site de Flers-en-Escrebieux.

Interrogée sur les inquiétudes liées aux données personnelles, elle a tenu à « rassurer » : « il n’y a dans cette puce sécurisée que les empreintes digitales et la photo, et seules les autorités publiques y ont accès (…) C’est très normé, juridiquement et techniquement », a-t-elle assuré.

« L’usage de cette nouvelle carte nationale d’identité reste inchangé » et la carte peut « également servir de titre de voyage, certains États (UE et hors UE) l’acceptant au même titre que le passeport », rappelle le ministère.

« Lorsqu’on reçoit les données, les titres repartent de chez nous en quatre jours à 100%, en 24 heures pour les plus rapides », a précisé à la presse Didier Trutt, PDG d’IN Groupe, précisant que le site aurait une capacité de production entre 6 et 9 millions de titres par an.

Chaque année, plus de 33.000 Français sont victimes d’usurpations d’identité. En 2020, près de 9.000 personnes porteuses de faux papiers ont été interceptées, selon le ministère de l’Intérieur.

 

[Photo : IAN LANGSDON – source : http://www.euractiv.fr]

La Casa de Cultura acull l’exposició ‘Identitats vàlides’ d’Isaac Flores, que reivindica la normalitat que la comunitat trans

Goliarda Parda a la seva habitació, 2020

Escrit per Jaume Cotrina

La dinovena edició del premi Joves Fotògraf(e)s de Catalunya, organitzat per INSPAI, l’espai d’imatge de la Diputació de Girona, ha distingit l’artista Isaac Flores, que mostrarà la seva obra en una exposició itinerant que comença el seu recorregut a la Casa de la Cultura de Girona.

Isaac Flores ha sigut el guanyador del premi amb l’obra Identitats vàlides, que posa el focus en la comunitat queer de Barcelona. El mateix autor assenyala que el projecte neix de forma espontània quan comença a endur-se la seva càmera a les seves sortides nocturnes pel barri del Raval i de l’Eixample –concretament la zona més coneguda com a “Gaixample”– de Barcelona. Les seves fotografies comencen el 2018 i s’estenen fins a l’any 2020.

Fer Flores, la decisió de posar l’atenció en la comunitat LGTBIQ+ va més enllà del potencial visual que pugui amagar. Darrere d’ella, hi ha una intenció plenament ferma de reivindicar la normalitat que la comunitat exigeix i mereix. En aquesta tessitura, el fotògraf va posar de manifest dades absolutament demolidores de l’estigmatització de la comunitat trans: el 85% de les persones trans es troba a l’atur, i no són gaire llunyans els delictes d’odi i les agressions que reben els seus integrants solament per la seva legítima dissidència contra la normativitat exclusiva de gènere que regeix la societat de la majoria de països del món. De fet, encertadament, Flores assenyala que la seva exposició encara seria impossible de veure en 72 països d’arreu del món, i en algun d’ells, tant l’autor com les persones que fotografia, podrien estar perseguides per penes de presó i, fins i tot, de mort. Tinguem present que no és fins a l’any 2018 que l’OMS elimina la transsexualitat de la llista de malalties mentals.

Sèrie de La Fernanda & La Fanny amb mantellina i peineta; Barcelona, 2020

D’altra banda, l’exposició ofereix un conjunt de tècniques fotogràfiques diverses (digital, analògic i Polaroid) on mostra diferents dimensions de la vida d’aquestes persones: des de fotografies fetes en camerinos on es preparen per fer drag, a imatges de situacions més íntimes a les cases dels models. L’ampli espectre de visibilització al que aconsegueix accedir Isaac Flores demostra la seva immersió en un col·lectiu que, tot i estigmatitzat per la idea de ser un col·lectiu que gaudeix de la provocació, ha de buscar espais segurs on exposar-se lliurement sense témer per la seva integritat física. El que mostra sobretot l’obra de Flores és la intimitat d’aquestes persones que, lluny de necessitar un escenari–en el cas de les drag concretament­–, practiquen la seva llibertat de gènere per a ells mateixos i no per cap mena de desig de provocar ni d’interpel·lar a ningú més. Per ells, el seu gènere és completament natural i el seu únic reclam és que sigui igualment natural i respectat per la resta de gent a la qual se li respecta la identitat sexual. Realment, l’única diferència entre els primers i els segons és que uns compten amb el suport de les institucions públiques i els altres no, i és aquí on neix la desigualtat.

Les diferents maneres de viure la sexualitat personal no hauria d’estar subjecte a cap agent extern a la persona, i ningú hauria de témer les conseqüències de la seva possible elecció al respecte. El col·lectiu LGTBIQ+ realment només inclou totes les maneres possibles d’identitats afectives, sexuals i de gènere i la intenció de l’exposició és visibilitzar totes aquestes possibles identitats. Tanmateix, la voluntat de visibilitzar no és autoconcloent, es visibilitza per normalitzar, per escurçar la distància social entre el col·lectiu i aquells que no el comprenen, per sensibilitzar un entorn que, des del seu naixement, els ha estat hostil. I perquè en un futur ja no calgui parlar de dissidència sexual, sinó simplement de diversitat sexual.

La mostra serà a la sala d’exposicions de la Casa de Cultura de Girona fins al 16 d’abril i es podrà veure a diferents festivals de Catalunya com Imaginària (Castelló de la Plana), Festival OFF (Perpinyà), Fine Art (Igualada), Festival Mirades (Torroella de Montgrí), Biennal Olot Fotografia, la Biennal de Fotografia Xavier Miserachs i el Festival Mitgeres (Valls), entre d’altres. Flores també ha recollit les seves fotografies al llibre Barcelona se muere.

[Fotos: Isaac Flores – font: http://www.nuvol.com]

Suite à sa prestation lors de la cérémonie d’investiture de Joe Biden, Amanda Gorman est sortie de l’anonymat, pour rayonner mondialement. Et la jeune poétesse américaine profite de son succès pour mener un combat pour l’égalité, et la fin des discriminations. Elle raconte en effet une anecdote, tristement banale, assure-t-elle, dans les relations entre les forces de l’ordre et les populations afro-américaines. Et plus largement d’ailleurs. 

ActuaLitté

Écrit par Clément Solym

Passée de la discrète carrière, quoiqu’auréolée de réussites, malgré son âge — 22 ans — à une reconnaissance mondiale, Amanda Gorman dispose désormais d’une tribune hors norme. Et dans un tweet, très suivi, voici l’épisode qu’elle partage.

L’histoire se déroule le jour de la cérémonie : un agent de sécurité va la suivre, alors qu’elle rentrait chez elle. « Il m’a demandé si j’habitais là, parce que “tu as l’air suspecte”. J’ai montré mes clés et je suis entrée dans l’immeuble. Il est parti, sans s’excuser. C’est la réalité des filles noires : un jour, vous êtes une icône, le lendemain, une menace. »

Menace, probablement, elle le détaille par la suite, icône, assurément : depuis la lecture de son poème, The Hill We Climb, la poétesse a signé trois contrats d’édition pour des ouvrages à venir ainsi qu’un autre avec l’agence IMG, pour du mannequinat.

Cette étudiante, diplômée de Harvard en sociologie, ajoutait, en analysant ce déplorable incident : « Dans un sens, il avait raison : JE SUIS UNE MENACE : une menace pour l’injustice, l’inégalité, l’ignorance. Quiconque dit la vérité et marche emplie d’espoir est un danger évident et fatal pour tous les pouvoirs en place. »

L’Amérique déchirée

Elle avait déjà, en janvier dernier, fait état de ces avertissements que les parents noirs donnent à leur enfant. Une conversation, qui n’a rien d’une partie de plaisir, mais que sa mère livra, sans acrimonie. « Il ne s’agit pas des oiseaux ni des abeilles ni de notre corps en évolution. Il s’agit de la potentielle destruction de ce corps. Ma mère voulait s’assurer que j’étais prête à grandir, en Amérique, avec une peau noire. »

Ce récit qu’elle fait d’un épisode habituel intervient alors que de nombreux débats surgissent autour du racisme structurel qui sévit sur le territoire. Même Barack Obama avait raconté en 2013, bien avant qu’il ne soit président, avoir été suivi une fois entré dans un grand magasin, et entendu le verrouillage de portières de voitures à son passage.

Cette séquence, rappelée par Amanda Gorman, n’a pas manqué de raviver le souvenir d’agressions et de violences policières, qui avaient redonné vie au mouvement #BlackLivesMatter. Aux États-Unis, indique une récente étude, les hommes noirs sont 2,5 fois plus à même de mourir des mains de policiers au cours de leur vie, que des hommes blancs. La National Academy of Sciences, qui avait présenté ces chiffres en 2019, soulignait également que les femmes noires, sont 1,4 fois plus susceptibles d’être tuées par des policiers que les blanches.

Des données qui ne doivent pas laisser croire que cette réalité n’existe qu’outre-Atlantique.

 

[Photo : Peter Stevens CC BY 2.0 – source : http://www.actualitte.com]

La normativa aclareix quines entitats formen part del sector públic que han de facilitar la informació.

La Llei de Transparència, Accés a la Informació Pública i Bon Govern pretén regular la transparència en l’activitat pública.

Autor/a: Dani Gallart

El passat 9 de febrer, el Govern de la Generalitat va aprovar el Decret 8/21 sobre la transparència i el dret d’accés a la informació pública. El seu objectiu és garantir una implementació més homogènia, efectiva i exhaustiva de la Llei 19/2014 de Transparència, Accés a la Informació Pública i Bon Govern.

Montse Agudo, cap de l’àrea jurídica de Suport Tercer Sector, assenyala que el nou decret, a més de clarificar alguns aspectes que no estaven concretats a la llei, millora la confiança en aquestes entitats i administracions. “Per a les entitats, complir amb la llei de transparència dona confiança davant de tercers, millora la seva imatge i les seves relacions. D’altra banda, serveix perquè la gent que s’apropa a aquestes entitats tingui més coneixement de la mateixa i, d’aquesta manera, és més fàcil difondre la tasca que es fa”.

“El nou decret també ajuda a matisar alguns aspectes que estaven recollits de forma més genèrica a la llei, com la limitació en la protecció de dades o la identificació del personal directiu, entre d’altres”, afegeix Agudo.

Finalitats

La Llei de Transparència, Accés a la Informació Pública i Bon Govern té dos grans objectius.

Per un costat, es pretén regular la transparència en l’activitat pública i regular l’accés de la ciutadania a la informació pública. En aquest sentit, els deures de transparència activa imposen a les Administracions la necessitat de facilitar tota aquella informació de què disposen en raó de la seva activitat.

D’altra banda, la normativa pretén garantir el compliment de les obligacions de transparència i bon govern i l’exercici del dret d’accés per afavorir la millora de la qualitat democràtica en el funcionament de les administracions públiques en tot el territori català.

També pretén regular l’accés de la ciutadania a la informació pública.

Concrecions

El document clarifica conceptes jurídics a la vegada que resol dubtes interpretatius aprofitant la valuosa experiència adquirida per les administracions públiques de Catalunya en l’aplicació de la llei al llarg dels últims sis anys.

Respecte a la petició d’informació per part de la ciutadania, la normativa especifica una novetat que permet agilitar la tramitació de resposta de l’Administració quan la sol·licitud de la ciutadania és estimada. Al ser una llei molt àmplia, el decret també aporta claredatmatisos concrecions per tal de facilitar la seva aplicació.

En aquest sentit, concreta quins són els subjectes que d’una manera o altre resulten obligats per la Llei. D’altra banda, concreta els continguts que els subjectes obligats han de difondre proactivament, així com les condicions de la publicació. A més, es matisen els diferents tràmits que integren el procediment de resolució de les sol·licituds d’accés a la informació pública.

A qui va dirigit i quin contingut s’ha de presentar

Una de les novetats de la normativa és que s’especifica quines entitats formen part del sector públic i, per tant, han de facilitar informació proactivament. El decret és aplicable a les administracions públiques i altres organismes i institucions públiques, així com a les societats amb participació majoritària d’una administració pública (suficient si supera el 50% del seu capital). Així mateix, es defineix quines són les encarregades de tramitar les sol·licituds.

D’altra banda, també és aplicable a persones i entitats privades i s’especifiquen alguns aspectes que han de publicar amb l’objectiu de complir amb la llei.

La normativa també destaca quins són els continguts a publicar per part de les administracions, tenint en compte la forma, el lloc o el mitjà de publicació, a més dels terminis per a publicar. D’aquesta manera, es concreten les dades de declaracions patrimonials i d’interessos dels alts càrrecs i personal directiu a l’Administració de la Generalitat que cal publicar, i es determina quina ha de ser la publicitat de les seves agendes públiques respecte als contactes i reunions mantinguts amb els grups d’interès.

Novetats

Una de les novetats més importants amb un impacte directe i eminentment pràctic en la gestió de les sol·licituds ciutadanes d’informació pública és el fet que quan una sol·licitud és estimada per part de l’Administració, aquesta podrà emetre una comunicació simplificada de finalització del procés. Aquest fet agilitzarà el procediment per afavorir el tràmit, tant a la ciutadania com a l’Administració.

Una altra novetat és que es concretaran les causes legals per les quals una sol·licitud és admesa o no. Així mateix, la nova llei especifica els límits que cal tenir en compte a l’hora de facilitar la informació a la ciutadania.

D’altra banda, degut a la ràpida evolució que ha tingut la transparència en els darrers anys a Catalunya, per tal d’afavorir instruments que posin al dia l’exercici de la llei, el decret dedica un capítol a regular la lliure reutilització de la informació a publicar per tal de permetre la seva explotació a la ciutadania mitjançant la seva reproducció i divulgació per qualsevol mitjà.

[Fotos: Unsplash – font: http://www.xarxanet.org]

Un traducteur doit-il être semblable à l’auteur qu’il traduit ? Suite à la contestation du choix de la traductrice néerlandaise de la poétesse américaine Amanda Gorman, la traductrice Valérie Zenatti exprime au micro de Marie Sorbier son point de vue sur l’essence de la traduction.

La poétesse Amanda Gorman lors de l'investiture du président Joe Biden, le 20 janvier 2021 à Washington, Etats-Unis.

La poétesse Amanda Gorman lors de l’investiture du président Joe Biden, le 20 janvier 2021 à Washington, États-Unis.

La jeune poétesse Amanda Gordman est devenue mondialement célèbre après avoir déclamé un poème lors de l’investiture du 46ème président des États-Unis Joe Biden. Les traductions à venir génèrent des remous, notamment aux Pays-Bas, où la traductrice choisie, Marieke Lucas Rijneveld, a finalement renoncé sous la pression de critiques accusant le fait qu’étant blanche, elle n’était pas en mesure de rendre compte de cette langue écrite et portée par une Noire. Faut-il être semblable pour bien traduire ? Ne peut-on comprendre, et donc traduire, que ce qui est pareil à soi ? Éléments de réponse au micro de Marie Sorbier avec l’autrice et traductrice Valérie Zenatti.

Un lieu d’altérité

La traduction est un lieu d’altérité. Il s’agit d’établir un corps à corps entre deux langues différentes. Par définition, la traduction n’est jamais du côté de l’identique : si on allait vers l’identique, on resterait dans la langue d’origine et donc on ne pourrait pas traduire. Traduire, c’est une quête de justesse où l’on traque tout ce qui permet de rendre justice au texte.
Valérie Zenatti

La traduction est un enjeu politique, comme le montre la polémique autour de la traduction de l’œuvre d’Amanda Gorman. Pour Valérie Zenatti, un traducteur ne se résume pas à sa couleur de peau, à son nom ou à son lieu de naissance. Au contraire, chaque aspect de la vie et de la personnalité du traducteur constitue son rapport à la langue, à la fois à la langue d’origine et à la langue de traduction.

Ce rapport à la langue ne se mesure pas, fort heureusement. Je pense donc que ce débat n’a pas lieu d’être aujourd’hui.
Valérie Zenatti

Outre les enjeux d’appropriation culturelle mis en cause par certains détracteurs du choix de la traductrice néerlandaise d’Amanda Gorman, une question d’ordre littéraire se pose-t-elle ? L’identité prime-t-elle la compétence ?

La militante et artiste néerlandaise Olave Nduwanje estime que le choix de Marieke Lucas Rijneveld représente un « surplomb de la pensée blanche ». Un terme que récuse Valérie Zenatti pour qui la démarche de traduction d’Amanda Gorman ne présente aucun désir d’être en surplomb :

Au contraire, la traduction est un espace d’humilité. C’est une humilité bien réelle et physique : on est face au texte, et même s’il faut beaucoup de confiance pour traduire, il faut aussi être conscient des limites de la traductions. Entraîner ce débat vers une pensée postcoloniale est faux, à mon sens.
Valérie Zenatti

Dans son texte lu lors de l’investiture du président américain, Amanda Gorman parle d’union. Elle parle d’Amérique en tant qu’Américaine, il s’agit donc d’un texte qui nécessite d’être traduit dans d’autres langues par des gens qui ont une oreille et une voix le permettant. Ces gens peuvent être blancs, noirs, femmes, hommes… Le danger serait de dire qu’une femme ne pourrait être traduite que par une femme, un homme seulement par un homme, un personne transgenre seulement par une personne transgenre. Ce serait l’impossibilité totale de faire voyager les mots et les langues à travers les vecteurs que sont les traducteurs.
Valérie Zenatti

En France, la jeune chanteuse et mannequin belgo-congolaise Lous and the Yakuzas a été choisie pour traduire Amanda Gorman, marquant de la part des éditeurs une volonté d’être proche de la figure de l’auteur. Un traducteur doit-il avoir des accointances avec l’auteur qu’il traduit ? Valérie Zenatti, née à Nice en 1970, est traductrice d’Aharon Appelfed, un auteur israélien né en 1932 en Roumanie, et considère que le sentiment de fraternité qui l’unit aux textes de cet auteur par la traduction n’a aucun lien avec sa propre biographie.

C’est étrange, car la question ne s’est jamais posée pour Barack Obama. Personne n’a demandé à ce que les traducteurs d’Obama soient à la fois Noirs et présidents. On ne sait plus quelles sont les limites de ces demandes.
Valérie Zenatti

Pour Valérie Zenatti, c’est le symbole politique de la lecture d’Amanda Gorman le jour de l’investiture de Joe Biden qui a joué dans la contestation du choix de la traductrice néerlandaise. La traductrice regrette que le débat ne se soit pas orienté vers l’essence de la traduction, qu’elle définit comme un lieu à la fois de lutte et d’union. À la polémique, Valérie Zenetti aurait préféré l’inventivité de certains festivals dédiés à la traduction (Les Assises de la traduction, Festival VO/VF) où sont organisés des battles de traduction. Selon elle, ces événements constituent une plateforme de discussion dont auraient pu bénéficier les éditeurs néerlandais d’Amanda Gorman. L’opportunité pour chacun de rendre compte du texte à sa manière, sans jamais barrer la route à celui ou celle qui mettrait ses compétences, son écoute et sa sensibilité personnelles au service du texte original.

Une traduction n’est jamais gravée dans le marbre et peut toujours être remise en question. Non pas par rapport à l’âge, la couleur de peau, la nationalité, la religion de l’auteur et du traducteur, mais au contraire, parce que la traduction est un lieu de doute et d’incertitude.
Valérie Zenatti

Le risque de l’automatisation ?

La poétesse Amanda Gorman avait validé le choix de Marieke Lucas Rijneveld comme traductrice. C’est cette dernière et sa maison d’édition qui ont préféré revenir sur cette décision, notamment sous la pression de contestations sur les réseaux sociaux. Cette polémique ne serait-elle pas aussi une opportunité de reconnaître l’importance du métier de traducteur et se place centrale dans le processus de l’édition ? Selon Valérie Zenatti, si ce débat est en effet un moyen de mieux faire connaître les enjeux de la traduction, un autre danger guette cette activité : la traduction automatique. Différents logiciels proposant des traductions automatiques, à mesure qu’ils progressent en termes de performance, menacent l’existence même des traducteurs.

Ce serait terrible, car demain un logiciel pourra faire le passage d’une langue à l’autre, mais aussi intégrer des données telles que l’âge et l’origine de l’auteur pour traduire en adéquation avec ces informations. Mais alors, comment faire passer tout ce qui est du ressort de l’âme ? Un traducteur traduit aussi avec son intériorité, sa vision du monde, sa connaissance de l’autre et de la littérature. Ce n’est pas une machine, c’est un lecteur qui dialogue avec la littérature.
Valérie Zenatti

Citant le traducteur Olivier Cadiot, Valérie Zenatti rappelle qu’un traducteur utilise des outils qui lui sont propres aussi bien que sa connaissance de la littérature, ce que les machines ne peuvent (pas encore) faire.

Une position aussi radicale que celle qui demande que le traducteur soit personnellement, physiquement, politiquement et socialement l’équivalent de l’auteur, c’est aller vers la traduction automatique. C’est un danger qui vide la traduction de son pouvoir aussi ambitieux que modeste, mais surtout généreux, car c’est une démarche qui permet à ceux qui ne connaissent pas une langue de la lire néanmoins.
Valérie Zenatti

[Photo : Brendan SMIALOWSKI – AFP – source : http://www.franceculture.fr]

Publicado por Nicolás Scheines

¿Quién no se ha desvelado una noche y se ha puesto a ver en TV a un hombre enfundado en una túnica blanca prometiendo en portuñol el fin del sufrimiento? En la Argentina esos programas que comienzan al finalizar la transmisión de aire existen desde los años noventa, y fueron creciendo en paralelo con la transformación de cines en templos religiosos bien distintos a las habituales iglesias católicas. El progresismo local ha prestado poca atención a este crecimiento constante del evangelismo en la Argentina, y si al comienzo nos divertimos frente a la tele, para luego sorprendernos en 2008 con el poder de convocatoria del pastor Luis Palau en el Obelisco, recién en 2018 tomamos verdadera conciencia del poder que fue sumando el evangelismo en las bases de la sociedad, con el pañuelo celeste como bandera para oponerse a la ley de interrupción voluntaria del embarazo y con un brazo armado que atemorizó a través de las redes sociales (el ejército autodenominado “Gladiadores del Altar”). En este contexto en el que se hace necesario recurrir a algunos investigadores que vienen siguiendo el fenómeno desde hace tiempo, Poder evangélico, de Ariel Goldstein, resulta esclarecedor: se trata de un escaneo de la influencia de los grupos evangélicos en la política de distintos países de América, desde los Estados Unidos de Donald Trump y el Brasil de Jair Bolsonaro al uribismo colombiano y la Venezuela de Nicolás Maduro.

Según indica Goldstein, en América Latina, grosso modo, si hasta 1960 el noventa y cinco por ciento de las personas se identificaban como católicas, para 2014 esos fieles no llegaban al setenta por ciento, mientras que los evangélicos, prácticamente inexistentes en la región a mediados del siglo pasado, hoy serían más del veinte por ciento. Gracias a herramientas propias del marketing y la comunicación de masas y una estructura no piramidal que hace que los pastores y las iglesias se multipliquen, los fieles no solo aumentan de manera exponencial sino que son profundamente observantes, ya que esto les asegura el crecimiento económico prometido en la “teleología de la prosperidad”. Pero el autor no se queda en el dato del avance religioso, sino que rápidamente se traslada a su verdadera preocupación: la injerencia de estos grupos ultraconservadores en la toma de decisiones de la política americana. Lo que debe llamar nuestra atención es la existencia de una masa significativa de ciudadanos que cree en la palabra de pastores que pregonan la existencia de un Cielo y un Infierno, y que sostienen lógicas opuestas a los valores democráticos: allí donde en una democracia se ve a un adversario, ellos ven un enemigo a vencer, dominado por el demonio, y su misión divina es destruirlo. Suena exagerado, pero basta ver expresiones de los evangélicos Trump —presbiteriano, pero seguidor desde hace años de la pastora evangélica Paula White—, Bolsonaro o Jeanine Áñez, que en forma constante justifican cada una de sus acciones de gobierno como un mandato del Señor.

La investigación de Goldstein analiza la situación en quince de los treinta y cinco Estados soberanos de América, que presentan escenarios distintos con una sola constante: el avance del poder evangélico real en la política de cada país, con el fin de obtener mayores recursos del Estado. Este avance se da tanto con gobiernos de izquierda como de derecha, pero si con los primeros persigue un fin meramente pragmático, con los segundos comparte la misma agenda y visión de mundo: al llegar al poder, buscan y muchas veces logran imponer sus valores reaccionarios al resto de la sociedad.

Ariel Goldstein, Poder evangélico. Cómo los grupos religiosos están copando la política en América, Marea, 2020, 240 págs.

[Fuente: http://www.revistaotraparte.com]

El exdirector de la RAE publica ‘Morderse la lengua’, un libro en el que critica la corrección política y la posverdad y explica sus mecanismos lingüísticos y sociológicos

Darío Villanueva. Foto: José Antonio Fernández

Darío Villanueva

El exdirector de la Real Academia Española Darío Villanueva (Villalba, Lugo, 1950) acaba de publicar Morderse la lengua. Corrección política y posverdad (Espasa), un libro en el que trata estos dos fenómenos en auge que “tocan de lleno la relación entre lengua y sociedad”, explica a El Cultural. Y al escribirlo ha hecho precisamente lo contrario de lo que dice su título. Si hablamos de corrección política, Villanueva no se muerde la lengua. Y si hablamos de posverdad, el autor se niega a “comulgar con ruedas de molino”, otro dicho popular con el que podría haber titulado este libro en el que habla de otros fenómenos adyacentes a estos dos, como la “tolerancia represiva”, la cultura de la “cancelación”, el “sentimentalismo tóxico”, la “deconstrucción de los cánones” y otras cuestiones que caracterizan a nuestra época líquida, que llama “la era Post”, todo ello con referencias al « doblepensar » y la « neolengua » de la famosa distopía orwelliana 1984.

A estas alturas ya sabemos bien que el lenguaje de la corrección política es aquel que trata de no herir la sensibilidad de ningún colectivo. “Es el territorio del eufemismo, del circunloquio y sobre todo de la censura”, asegura Villanueva, muy crítico con este tipo de lenguaje impuesto. ¿Significa eso que deberíamos hablar siempre libremente y sin miramientos de ningún tipo? “Nos mordemos la lengua continuamente de manera voluntaria por razón de cortesía, de oportunidad, de respeto, de conveniencia. Otra cosa es tener que morderse la lengua obligatoriamente porque nos lo imponen”, considera el ocupante del sillón D de la RAE, que no solo aborda los aspectos netamente lingüísticos de estos fenómenos, sino que se adentra en el terreno de la psicología social, la política, y vierte sus propias opiniones al respecto. De hecho, relaciona la corrección política con “la cultura de la cancelación”, esa tendencia a vetar —o intentarlo— en todos los ámbitos de la esfera pública a quien no respete las leyes de la corrección política. Pasa continuamente. Lo hemos visto hace poco, con J. K. Rowling, acusada de tránsfoba por burlarse del uso del término “persona menstruante” en vez de “mujer” y cuyos libros han sido vetados en muchas librerías. Villanueva pone otro caso más extremo “y tristísimo”: el del profesor Antonio Calvo, que enseñaba español en Princeton y fue despedido por « acoso sexual verbal » por decirle a un alumno que dejara de “tocarse los cojones”. Cuatro días después se suicidó.

No obstante, Villanueva celebra que “la cancelación está provocando un fenómeno interesantísimo de reacción, a lo que modestamente trato de contribuir con mi libro. ¿Vamos a aceptar tener que mordernos la lengua siempre? Siempre nos podrán pillar, siempre podremos hacer algo que nos someta a la cancelación sin que nos demos cuenta”, protesta el profesor emérito y exrector de la Universidad de Santiago de Compostela.

Villanueva sabe de lo que habla, no solo por la tarea de investigación y documentación que ha llevado a cabo para escribir este libro. La RAE sufre desde hace años presiones de determinados colectivos para que se elimine del diccionario este o aquel término peyorativo. “Esas presiones las resistí en primera línea durante cinco años como secretario, que es el segundo de a bordo y responsable de coordinar todos los trabajos relacionados con el diccionario, y después cuatro años dando la cara como director. A las hemerotecas me remito: siempre dije que jamás se censuraría el diccionario, porque eso sería censurar la creación de la lengua, que tiene un procedimiento totalmente democrático, ya que la crean los hablantes. El diccionario de la Academia lo que hace es recoger lo que los hablantes han creado”.

En cuanto a la posverdad, Villanueva la define como “la mentira de siempre pero en el marco de la sociedad posmoderna, donde se convierte en una mentira que pretende objetivos de tipo político o económico a base de sustituir la verdad por algo falso que apela a la emocionalidad, a las pulsiones profundas de la gente”. El gran precursor de la posverdad fue Maquiavelo, señala el académico. “Decía que el príncipe tiene derecho a mentir y que no debe preocuparse en modo alguno por la mentira pública porque siempre encontrará razones para justificar por qué ha mentido y además siempre encontrará gente deseosa de que le mientan”.

El máximo exponente de la posverdad es, como hemos podido comprobar en estos últimos cuatro años, es Donald Trump. “La oficina de verificación de datos del Washington Post ha detectado en todo este tiempo 20.000 mentiras dichas por Trump”, afirma Villanueva. “Es el gran apóstol de la posverdad posmoderna”. Pero aunque esta se asocie a menudo con el populismo de derechas, el autor de Morderse la lengua rechaza relacionarlo solo con esta tendencia política: “Por ejemplo, el procés también está lleno de bulos y patrañas”, opina.

La represión de los buenos

¿Y la corrección política, es siempre cosa de la izquierda? “Tal como la entendemos hoy sí, pero también hay que ver los asuntos desde un punto de vista histórico. Por ejemplo, una época de profunda censura relacionable con la corrección política fue la época victoriana en el Reino Unido, donde había muchas imposiciones y proscripciones. Lo que sí es cierto es que la corrección política de la que hablamos ahora comenzó, como cuento en el libro, en la época de las revueltas estudiantiles provocadas por la guerra de Vietnam en los campus de California. Entonces el filósofo alemán Herbert Marcuse se convirtió en una figura de referencia y empezó a poner en movimiento la idea de la “tolerancia represiva”, que es un oxímoron. El periodista Ricardo Dudda [autor de La verdad de la tribu. La corrección política y sus enemigos], lo ha expresado muy bien al decir que ahora los represores son los buenos, en el sentido de que, efectivamente, detrás de muchas actitudes de corrección política hay reivindicaciones dignísimas como el antirracismo y la equiparación de los sexos, pero transformar eso en una imposición censora que afecta al lenguaje no es aceptable en modo alguno. Las cosas existen por sí mismas, no por las palabras. Creer que se puede erradicar un mal suprimiendo la palabra que lo designa es un error morrocotudo”, asegura.

Pregunta. ¿Cómo se puede entonces compaginar la defensa de estas causas tan nobles sin imponer un determinado lenguaje?

Respuesta. Es muy sencillo. La lucha está en la realidad. Para conseguir que las cosas cambien hay que actuar socialmente. Pero la lengua es una cosa distinta, es un código donde se incluyen, por supuesto, unas estructuras gramaticales profundas, que nadie ha impuesto sino que la lengua se ha dado a sí misma. Esto no hay que confundirlo. Por ejemplo, el género masculino neutro o no marcado no es el culpable de la desigualdad entre el hombre y la mujer. No ha habido un sanedrín de hombres que se han reunido y han decidido que eso sea así. En muchas lenguas el término no marcado es el masculino. Cuando el presidente del Gobierno hizo una declaración pública al comienzo de la pandemia diciendo que el Estado se ocuparía de la salud de todos los ciudadanos y que todos saldríamos juntos de esta, ninguna mujer se sintió discriminada por esto, nadie pensó que solo se refería a los varones.

P. En su libro aborda también la pretensión feminista de acabar con el masculino genérico. Usted defiende que esta fórmula es inclusiva, pero si le dieran a elegir entre “todas” y “todes”, ¿con cuál se quedaría?

R. Preferiría “todas”. “Todes” es una excentricidad, no tiene ningún sentido. Hay lenguas que tienen como género no marcado el masculino y otras el femenino, aunque son menos. Fíjese en este ejemplo tan significativo: una de las lenguas donde el género inclusivo, no marcado, es el femenino es el guajiro. Allí se dice “todas” para incluir a hombres y mujeres. Pues bien, la sociedad que usa el guajiro es una sociedad profundamente heteropatriarcal donde la mujer no tienen ningún derecho y está totalmente sometida al varón. Eso demuestra que el hecho de usar el femenino genérico no significa que esa sociedad sea más o menos justa.

P. Pero el pensamiento complejo se basa en el lenguaje. Por tanto, si se logra modificar el lenguaje, se puede propiciar un cambio en las ideas. ¿No cree?

R. No creo en eso en absoluto. Aristóteles ya lo decía en su tratado de política: las palabras sirven para lo justo y lo injusto, para lo conveniente y lo inconveniente. Paro añadía: a diferencia de los animales, las personas sabemos distinguir entre lo justo e injusto, entre lo bueno y lo malo. Somos libres. Modificando el lenguaje nunca se podrá erradicar la maldad y la arbitrariedad. La condición de canalla forma parte de la naturaleza humana.

P. ¿Cree que la posverdad y la corrección política tienen que ver con el protagonismo que han cobrado las emociones en nuestra sociedad?

R. Efectivamente. Yo lo llamo la quiebra de la racionalidad. El otro día leí unas declaraciones del expresidente Barack Obama que iban en esa línea. Decía que estamos liquidando el legado de la Ilustración, que fue el gran momento de avance de la humanidad. Propició no solo un gran desarrollo científico sino también las revoluciones norteamericana y francesa, la Declaración de los Derechos del Hombre y del Ciudadano, y todo el desarrollo de la modernidad. Todo esto se está quebrando ahora. Por eso en el libro, después de hablar de posverdad y corrección política, intento explicar que estos dos hechos no son aislados, sino que son síntomas de algo más profundo, de época: la era Post. Estamos en la posmodernidad, y en ella se dan la posverdad, la posdemocracia, el poshumanismo, el posindustrialismo, el posmarxismo, el posfundacionalismo… Como síntomas de época, relaciono concretamente los dos fenómenos con el auge de la llamada inteligencia emocional, que ha sido un auténtico éxito. Los científicos ponen muy en duda este concepto por la contradicción que conlleva. La inteligencia es la comprensión de las cosas mediante la razón, mientras que la emocionalidad es visceral y busca respuestas no sometidas al filtro de lo racional. El famoso concepto de sociedad líquida define una sociedad que no tiene memoria ni reflexión ni contraste racional, en la que se da un sentimentalismo tóxico y un exhibicionismo de los sentimientos muchas veces perjudicial. No soy un novelista ni tampoco un poeta, muy a mi pesar, sino un profesor universitario, y como tal he intentado llegar al fondo de todos estos asuntos desentrañando su complejidad.

[ Foto: José Antonio Fernández – fuente: http://www.elcultural.com]

Prejuízo causado pela ausência de aulas presenciais é real. Mas multiplicar contatos físicos agora, quando pandemia se alastra, é irresponsabilidade extrema. Quem assumirá o real risco à vida de professores e funcionários?

Escrito por Alexandre Filordi

As catacumbas da cidade de Paris reúnem cerca de milhares de ossos, mais ou menos correspondentes a seis milhões de cadáveres. Eles foram ali depositados, empilhados uns sobre outros, a partir do último quartil do século XVIII, em função da explosão de contaminação da população, decorrente da excessiva decomposição de matéria orgânica. Na entrada das catacumbas se lê: “Pare. É aqui o império da morte”.

O Brasil corre a passos largos para afirmar-se como um império da morte. Após um ano de pandemia e inação governamental, é inacreditável que tenhamos gestores, educadores e pais implicando-se com o compromisso de volta às aulas presenciais. Quem já foi a um oftalmologista e teve de dilatar a pupila sabe do efeito: visão embaçada durante algumas horas. A sensação que tenho é de que o brasileiro teve a pupila da razão dilatada por colírios de ignorância e de insanidade inconsequente. Do contrário, alguns dados bastariam para resistir a qualquer retorno às aulas.

Em 7 de janeiro de 2021, o Brasil registrou 200.498 mortes por Covid-19, ou seja, número estimado em quase um ano de pandemia. Mas em apenas 52 dias, desde então, praticamente 55 mil mortes foram registradas. Se mantivermos esse ritmo, em mais 5 meses teremos mais 200 mil mortes por Covid-19. É evidente a explosão significativa do império da morte entre nós. O gráfico abaixo, fornecido pelo Conselho Nacional de Secretaria de Saúde – CONAS, comprova isso:

O mesmo CONAS revela outros dados assustadores. A julgar pela última semana de fevereiro, estamos no auge da contaminação e na pior média móvel de mortes desde o início da pandemia. Ambas não indicam sinais de queda. Quer dizer, enquanto o planeta mitiga dados associados à contaminação e à morte por covid-19, o Brasil experimenta a explosão de seus índices, num exemplo de contramão horripilante. Acesse tudo aqui.

Além disso tudo, o Brasil continua sendo um dos piores países em testagem por milhão de habitante. Só na América Latina, o país está atrás de Argentina, Chile, Colômbia, Peru, Uruguai e outros. Sem testagem os números de contaminados são mascarados e falsificados. Comprove aqui.

Sob efeitos do colírio da ignorância, apenas 3% da população foi vacinada. Ainda assim, há secretários estaduais de educação que tomam – reparem bem leitor/a – Israel, com vacinação maciça de sua população, como termo de comparação para justificar a volta às aulas de forma presencial. Confira aqui.

Os dados acerca do colapso dos hospitais estão escritos em letras garrafais. Minas Gerais, que insiste na retomada das aulas, suspendeu cirurgias eletivas justamente por conta disso, há cerca de 15 dias. Nem por isso assume postura contrária ao absurdo. Houve manifestação na cidade de São Paulo para o retorno das aulas, com direito a buzinaço, balões azuis e bandeira do Brasil – mas sem sair dos veículos, era a regra, claro, para se evitar contaminação! Mas a dilatação da pupila não permite enxergar o desastre em curso.

É certo que pais estão esgotados com toda a dinâmica de demanda de acompanhamento pedagógico para as quais não estão preparados. É certo que muitos lares sequer possuem infraestrutura física e tecnológica para aulas emergenciais remotas, como tem acontecido. É certo que gestores se veem pressionados e estes pressionando, como no infortúnio de Sísifo, o corpo docente vala abaixo. Entretanto, é mais do que certo que nada disso deveria estar acima da realidade. E se a realidade é de tempo de exceção, não são as regras casuais que devem reger nossa postura, porém, aquelas que correspondem à exceção.

Ora, qualquer retomada de aula presencial a essa altura é uma cumplicidade com o império da morte. E aqui, sequer menciono universidades que se enquadram no mesmo delírio volitivo das aulas presenciais. Nem se pode dizer que é argumento plausível o fato de escolas tomarem todo cuidado com espaço, higiene, uso de máscaras etc. As pessoas precisam se locomover; os alunos precisam tirar máscara para se alimentar nas escolas e idem os docentes; a nanoescala do vírus está além de tudo isso. O fato condutor deveria ser: sem imunização não há aula presencial. Como se sabe – sabe-se? – basta um lapso, uma gotícula de contaminação, para talhar o otimismo dos cegos que estão guiando outros cegos.

As escolas responsabilizar-se-ão por eventuais contaminações? Se privadas, arcarão com custos de tratamento, internação e, tomara que não, velórios? Obrigando professores a voltarem, quem é o agente responsável? Quem está assumindo o risco?

Ainda que nada disso seja considerado, uma coisa é fato: o torniquete do império da morte está prestes a dar outro giro no Brasil. As escolas estão prestes a tornarem-se matadouros, no lugar de instituições de ensino e de socialização dos valores da vida. Nesse caso, o Brasil também poderia identificar-se com outro lema tanatológico. Na Capela dos Ossos, em Évora, Portugal, encontramos outro sentido que pode muito bem aqui calhar: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”.

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

« É unha pena que teñamos que desfacernos destes cadros, pero é unha alegría colaborar a reparar o espolio nazi », dixo o vicepresidente da Deputación de Pontevedra, César Mosquera.

O Museo de Pontevedra expón ao público antes da súa devolución as obras procedentes do espolio nazi.. DEPUTACIÓN DE PONTEVEDRA

O Museo de Pontevedra expón ao público antes da súa devolución as obras procedentes do espolio nazi.

O Edificio Castelao do Museo de Pontevedra abriu este xoves ao público a instalación temporal cos cadros da ‘Dolorosa’ e o ‘Ecce Homo’ identificados como procedentes do espolio nazi e que proximamente serán restituídos aos seus lexítimos propietarios.

Durante unha visita a esta exposición, o vicepresidente da Deputación de Pontevedra, César Mosquera, animou a que as persoas « amantes da arte e curiosos da historia » aproveiten a oportunidade para contemplar as dúas creacións.

« É unha pena que teñamos que desfacernos destes cadros, pero é unha alegría colaborar a reparar o espolio nazi », dixo Mosquera en relación á súa devolución, á que o museo se comprometeu desde o inicio.

Nestes momentos, explicou, o museo espera a decisión do Ministerio de Cultura, que é quen ten as competencias sobre o futuro dos cadros, que nestes momentos están reclamados tanto polo Goberno polaco como pola familia propietaria do Castelo do que supostamente foron espoliados.

Estes momentos a Avogacía do Estado estuda a situación para emitir informe e, mentres non se efectivice a devolución e aclárese a quen se lle entregan, o díptico quedará no museo. « Nós somos terceiros de boa fe, con toda a disposición para colaborar, e non nos crea ningunha distorsión nin estamos a contragusto con que as obras estean aquí. Vaise sabendo máis delas e van estar ben acollidas e ben tratadas mentres dure o proceso », destacou Mosquera.

AUTORÍA

O director do museo, Xosé Manuel Rey, indicou que desde o punto de vista histórico artístico houbo novidades sobre as pezas. Inicialmente foran atribuídas a Dieric Bouts pero, por mor dun informe da directora do Instituto Moll Ana Diéguez por encargo do museo, hoxe sábese que non teñen esta atribución e que case con total seguridade pertenzan a algún membro do taller do seu fillo Albert Bouts. Isto dataríaas nun período máis tardío do século XVI, algo que encaixa tamén coa cronoloxía e o tipo de marco tan significativo con casetones e textos sostidos por anxos.

As dúas obras foron tamén analizadas no museo cun programa D-Strech utilizado normalmente para as pinturas rupestres que, modificando as gamas de cores, permitiu desvelar textos escritos nas traseiras dos marcos, onde se aprecian frases en latín e mesmo datos en relación coa súa orixe xermana.

A identificación da ‘Dolorosa’ e o ‘Ecce Homo’ como bens espoliados xurdiu durante o confinamento pola pandemia, cando Mariusz Wisniewski, do Departamento de Patrimonio Cultural do Ministerio de Cultura e Patrimonio Nacional de Polonia, contactou co Museo de Pontevedra para interesarse polo díptico.

Segundo a documentación que achegaba, as dúas pezas pertencían á Colección da Princesa Czartoryski en Goluchów que fora roubada polos alemáns durante a Segunda Guerra Mundial. Ambas as pinturas, tras saír de Varsovia en 1944, reapareceron no comercio de arte de Madrid en 1973 e previamente en Barcelona no 1971.

[Imaxe: DEPUTACIÓN DE PONTEVEDRA – fonte: http://www.galiciaconfidencial.com]