Archives des articles tagués Dignidad

A ulls d’un profà pot semblar una extravagància, però la bicicleta està pensada perquè l’usuari se l’hagi de posar entre les cames per fer-la funcionar.

Escrit per Ricard Sayeras Quera

Per aprendre a anar en bicicleta, cal, primer de tot, que se’n procuri una. Descobrirà que és una màquina singular que té dues rodes disposades en línia recta, una al davant de l’altra. L’artefacte també inclou un seient, un manillar i unes curioses plataformes giratòries, situades a banda i banda, que s’anomenen pedals. Alguns models també incorporen un giny petit i rodó que quan s’acciona amb el dit gros de la mà emet un soroll molt característic.

A ulls d’un profà pot semblar una extravagància, però la bicicleta està pensada perquè l’usuari se l’hagi de posar entre les cames per fer-la funcionar. Aquesta postura original afavoreix que el binomi persona-màquina assoleixi un elevat grau d’eficàcia. Tanmateix, l’esmentada positura ha motivat que les ments malaltisses dels detractors de l’invent hagin volgut veure en aquesta posició malintencionades analogies concupiscents. Ignori’ls.

Quan tingui la bici, busqui un espai exterior on exercitar-se. És preferible que triï una zona planera i sense obstacles a prop. S’assegui al selló i recolzi els dos peus a terra. Agafi el manillar amb les dues mans i amb fermesa. Si els artells li queden blancs, afluixi un xic. No cal que escanyi al manillar. Concentri la mirada en un punt llunyà a davant seu. Mentre manté un peu a terra, amb l’altre pressioni el pedal del mateix costat. Notarà que l’aparell avança fent una suau sotragada. No s’espanti. Aprofiti l’embranzida i repeteixi l’operació amb el peu que encara estava en contacte amb el sol. Si no se’n va de trompis, continuï fent pressió de forma alternativa als pedals. Ara un, ara un altre. Al principi li costarà rodar en línia recta. Perseveri. És qüestió de temps.

En el cas que vulgui aturar l’andròmina, serà necessari que premi les palanques que trobarà a banda i banda del manillar. Són els frens. Apliqui una pressió a les manetes proporcional a la urgència que tingui per parar.

La paradoxa de la bicicleta és que per mantenir l’equilibri, s’ha de moure sempre endavant. Sense aturar-se. I, a més a més, per no perdre l’estabilitat, el fòtil ha de viatjar de pressa. Com la vida moderna.

En el cas que es desequilibri o que quedi estès al mig del camí tan llarg com és, no s’amoïni. Recuperi la dignitat, torni a la posició inicial i repeteixi l’operació els cops que facin falta. Quan agafi el ritme viurà un moment màgic, únic a la seva vida i que ja no oblidarà mai més. Experimentarà una sensació corporal molt agradable i especial mentre es desplaça. L’aire li acaronarà el rostre, els ulls li brillaran i els llavis, de manera inconscient, li dibuixaran un somriure alegre. Se’n diu llibertat. Vigili. Aquesta presa de consciència pot ser determinant en la seva vida. Ja mai més res no tornarà a ser com abans perquè aquesta experiència quedarà gravada a la seva memòria com els deu manaments ho van ser a les taules de la llei. Milions d’individus d’arreu del món ja l’han viscut aquest efecte, des de la invenció de la bicicleta. La immensa majoria, frisosos, han buscat qualsevol excusa per tornar a assolir l’estat de delectança que proporciona el pedaleig. Imbuïts per l’èxtasi, alguns ciclistes han fet proeses tals com fer la volta al món, escalar les muntanyes més altes, o circular entre cotxes per anar a treballar.

Es pot dispensar la bicicleta a partir dels dos anys de vida. Els estudis científics conclouen que com més jove sigui l’administrat, més potents i duradors són els efectes. La dosis màxima que pot tolerar cadascú ja li faran saber les cames. I compti que no s’escaparà pas de patir mal al cul.

 

[Font: http://www.nuvol.com]

Por Paulo Portugal

‘A Nossa Terra, o Nosso Altar’, o documentário sobre a destruição do Bairro do Aleixo, estreia esta semana no Porto (Trindade) e Coimbra (Casa do Cinema).

Não é todos os dias que um jovem cineasta e produtor vê um filme seu chegar às salas. Não as salas de casa lá de casa, mas verdadeiras ‘salas’ – as de cinema. Muito menos, um documentário. Pois, no caso do André Guiomar, a coisa fez-se. Ou seja, A Nossa Terra, o Nosso Altar, o filme-documento, produzido pela portuense Olhar de Ulisses, em coprodução com a Cimbalino Filmes, sobre a demolição inevitável do Aleixo, um bairro considerado perigoso e mandado demolir por Rui Rio, e a demolição interior que provocou nos seus condóminos. É esse processo, de forte perturbação social, que Guiomar acompanhou, e que terá as portas abertas em duas salas: uma o Cinema Trindade, no Porto, e a outra na Casa do Cinema, em Coimbra. Infelizmente, não em Lisboa, que, como confirma André Guiomar, “se pôs imediatamente de fora”.

A nossa conversa (via email) propiciou-se, não só pelos méritos próprios do filme, mas também pelo trabalho (de realização e produção) de André Guiomar, que ainda recentemente teve duas curtas exibidas da secção competitiva do Curtas Vila do Conde:  Saturno, em correalização com Luís Costa, em que o desespero dilacerado de um casal (o não actor ‘Caveirinha’ e Ana Moreira) comunica até com o dos inquilinos do Aleixo; além disso, o seu trabalho de produção em Aos Dezasseis, de Carlos Lobo, vencedor do prémio de realização, já depois de ter presente no passado festival de Berlim.

Zé da Bina olha com esperança o futuro no Aleixo.

Imagino que para qualquer realizador, o dia em que um filme estreia em sala seja marcante. Mesmo quando é, como no caso do A Nossa Terra, o Nosso Altar, um filme com data de 2020, embora já bastante viajado em diversos festivais e com vários prémios. Ainda assim, a estreia em sala será sempre uma vitória, certo?

Sim, será um dia de várias vitórias, mas com algumas derrotas pelo meio. As vitórias são sobretudo relacionadas com a chegada finalmente ao formato de exibição para o qual trabalhamos tantos anos: a projecção em sala. E por haver uma distribuidora (a Nitrato, de Américo Santos) que acredita no filme, naquilo que ele representa e no alcance que ele pode ter.

Fica o sabor da meia derrota quanto ao número de salas disponíveis para exibir um documentário português, passado no Porto. Quero com isto dizer que Lisboa se pôs imediatamente de fora. E isso será sempre um sinal menos bom. Mas, no final, quem decide o que quer ver é o público (aquele que consegue chegar às salas) numa altura em que os cinemas têm tantas dificuldades em tirar pessoas de casa, quando estas têm centenas de opções na sua televisão ou computador. Vamos ver como corre.

Como foi o ponto de partida para este projecto que acabou por ser a tua primeira longa? Sendo que teve uma longa interrupção (em que várias coisas aconteceram)?

O ponto de partida surgiu de uma participação minha e da Cimbalino Filmes no filme Bicicleta, do Luís Vieira Campos. Os filmes são sempre portas abertas para a vida das pessoas e o trabalho que o Luís já tinha feito com a comunidade era espantoso e de muito valor. Quando pude conhecer o bairro por dentro, achei que havia uma urgência muito grande em documentar aqueles últimos meses (em 2013 tinham sido demolidas duas das cinco torres do bairro e estavam programadas serem demolidas as restantes 3 num par de meses). Vendo a dor daquelas pessoas em ver o Aleixo com quase quatro décadas a desaparecer, o seu sentido de comunidade e ligação profunda a um lugar, as suas características e maneiras de ser que faziam daquele terreno um lugar único, decidi começar de imediato a filmar e a Cimbalino Filmes entrou no projecto sem hesitação nem entraves. Naquela altura, a ânsia era filmar tudo, todos os lugares, todas as pessoas, sem termos tempo para pensar demasiado na narrativa de imediato porque tínhamos de ganhar a confiança e amizade das várias famílias que íamos documentando. Precisávamos filmar e continuar a filmar.

A Nossa Terra, O Nosso Altar

Mas, seis meses depois, fomos filmar a passagem de ano de 2013 para 2014 e reuni com a equipa pouco depois. Percebemos que tínhamos de parar e aguardar, tal como os habitantes, pelas cartas de despejo que faltavam para as famílias que ainda habitavam o bairro. O processo de demolição tinha claramente entrado numa fase de suspensão, tal como aquela comunidade. E, por isso, viramos as nossas vidas profissionais para outros percursos. Eu cheguei a estar três anos e meio em Moçambique com muitos outros projectos, mas sempre atento, à espera de uma notícia ou de um telefonema para me avisar que uma carta tinha chegado.

Curiosamente, quando decidi regressar a Portugal, em 2019, foi quando começaram a sair notícias de que as restantes torres do Bairro do Aleixo iriam ser destruídas. Assim, seis anos depois, começaram a chegar as cartas e nós estávamos lá, preparados para continuar o filme, um filme diferente, com pessoas ainda mais cansadas e sem forças, num bairro que já não parecia o mesmo de 2013.

Recentemente, exibiste a tua nova curta, Saturno, no Curtas Vila do Conde, onde se percebe uma vez mais a atenção dada às personagens, ao seu espaço, neste caso, o espaço de ficção. Consideras que é ainda um trabalho de exploração das potencialidades da imagem e do teu próprio olhar?

A minha formação vem principalmente da imagem, uma área onde muitas vezes trabalho. Por isso, mesmo não sendo director de fotografia deste projecto, é sempre uma preocupação prioritária para mim. Este projecto foi especial porque foi uma correalização com o Luís Costa, realizador que também tem uma marca muito forte no seu cinema na linguagem visual. Mas entregamos a responsabilidade principal da imagem às pessoas em que mais confiamos: o Miguel da Santa e o Tiago Carvalho. E a forma visual do filme nasceu com muita naturalidade, pelas referências que partilhamos mas sobretudo pela experiência que temos todos em conjunto.

Sente-se até uma ligação entre a dor destes personagens e a dos do Aleixo.

O filme Saturno é inteiramente baseado na narrativa pessoal do Caveirinha e em aspectos, trejeitos e histórias que fomos ouvindo e aprendendo durante a estadia prolongada no Bairro do Aleixo. Sendo o Caveirinha um não actor, seria uma grande responsabilidade colocar-lhe nos ombros todo o peso de um protagonista. Por isso, decidimos contrabalançá-lo com a Ana Moreira, que sabíamos ser exímia não só no que faz como actriz como numa relação de entreajuda com uma pessoa como o Caveirinha. E o que tivemos foi realmente uma dupla magnífica, que nos deu sempre mais do que aquilo que nós conseguíamos pedir, e que inclusive acabaram por moldar de tal forma os seus personagens que aquilo que no argumento era um casal distante, com opiniões diferentes no que fazer para enterrar com dignidade o seu filho, acaba por se tornar um casal cheio de empatia e entendimentos silenciosos no meio daquela dor agonizante.

Parece-me, olhando o teu cinema, que existe algo de muito particular entre a câmara e as personagens que escolhes filmar. Há uma relação muito próxima, e ao longo de vários filmes: sejam os habitantes do Aleixo (personagens muito fortes), Pele de Luz ou até as personagens de Saturno, a tua nova curta. Qual é o ponto de vista do lado do realizador? Há também um lado de identidade?

Não me considerando propriamente uma pessoa com um grande nível criativo no imediato, agrada-me ter tempo e muitas histórias à minha disposição para poder trabalhá-las. Para isso, tivemos de optar por ter uma equipa o mais pequena possível (eu como realizador e câmara, o Dinis no som e a Mafalda na produção). Assim, conseguimos filmar muito mais tempo, e conseguimos “encaixar-nos” em qualquer espaço, interior ou exterior, e sobretudo construirmos fortes relações com as pessoas. A comunidade está a atravessar provavelmente um dos momentos mais difíceis das suas vidas e nós estamos ali, a fazer-lhes companhia nessa altura com uma câmara, um tripé e um microfone. Isto ganha-se, é preciso muito tempo e cumplicidade. A escolha da equipa é essencial para isto. Muito mais do que o talento técnico, aqui interessava o encaixe humano, a relação emocional com a comunidade, o respeito por aquilo que filmamos. Estávamos todos em sintonia e só assim conseguíamos regressar e continuamente estarmos presentes nas vidas e rotinas. Através dessa proximidade, começas a desenvolver uma grande confiança e a relação começa a ser de uma grande entrega e dádiva por parte deles. Isso resulta em momentos de intimidade únicos e valiosos. Da minha parte como realizador, só assim consigo conceber que através da exposição que aquelas pessoas estão sujeitas através da minha câmara, do som e das decisões que fizer na montagem, que haja uma justiça e dignidade na representação que estamos a fazer.

André Guiomar

E aqui temos uma entrada mais no terreno da ficção. Foi algo natural?

Tendo eu mais experiência no documentário do que na ficção, o Saturno não deixa de ser uma exploração pessoal de uma linguagem ficcional onde ainda estou num processo de descoberta. Mas em termos de mensagem e de olhar, acho que o percurso que tenho feito segue no mesmo sentido.

Sente-se que estás preparado para voos ainda mais altos, já como um nome consagrado dos cineastas da tua geração. Sei que estás a filmar outro documentário. 

Considero os voos que tenho voado já bastante altos, ou pelo menos tenho de os encarar assim. Mas estou sempre pronto a sair de uma zona “confortável” e de subir mais um degrau, esse será sempre o objectivo e a única forma de manter tanto entusiasmo e motivação.

Estou a meio da produção da minha próxima longa documental, projecto que também já dura há uns anos (desta vez interrompido pela pandemia que nos fez regressar à pressa no último voo em Março de 2020). Será a minha segunda longa documental, que me parece um formato que me serve melhor no tempo que preciso para construir as personagens e a relação do espectador com o próprio ritmo dos meus filmes. A base para a história é completamente louca, mas tal como nos meus outros projectos, normalmente a fase de filmagem é aquela que mais me define o caminho final que vou acabar por seguir. Conto terminar a fase de rodagem ainda este ano, mas veremos. A consagração será sempre um resultado natural do nível do trabalho que desenvolvemos e do alcance que os projectos conseguem ter. No final, trabalhamos sempre para podermos ter o privilégio de poder mostrar o filme e de podermos continuar a realizar ideias que nos vão surgindo ninguém sabe bem de onde.

Por fim, parece-me que o cinema português vem atingido uma maturidade cada vez maior, apesar das dificuldades e dos poucos apoios. És otimista em relação a este momento?

Em relação ao cinema português, visto da ótica de um realizador, sim e acho que todos temos de estar satisfeitos e otimistas com muito do reconhecimento alcançado para a quantidade de produção que temos. A quantidade de artistas e técnicos que temos com a qualidade que temos é meio surreal, como é que isso é possível com tão pouca escala de trabalho. E aqui também me refiro ao nível de artistas de outras artes como a literatura, a música, a pintura, o teatro.

Já como recente Produtor que sou, não sei se posso dizer o mesmo porque ainda hoje me pergunto como sobrevivem as produtoras de cinema em Portugal com a falta de escala e quase inexistência na distribuição internacional. É algo que temos de reflectir, se com uma grande globalização e possibilidade de alcance de várias plataformas temos também de repensar a nossa estratégia de alcance.

 

[Fonte: http://www.insider.pt]

En su 50 aniversario, los escritores Alicia Giménez Bartlett, Lorenzo Silva, Rosa Ribas y Carlos Zanón recuerdan la importancia del detective creado por Manuel Vázquez Montalbán en la evolución del género negro en España

Eusebio Poncela interpreta al mítico detective creado por Manuel Vázquez Montalbán en la serie 'Las aventuras de Pepe Carvalho', dirigida por Adolfo Aristarain

Eusebio Poncela interpreta al mítico detective creado por Manuel Vázquez Montalbán en la serie ‘Las aventuras de Pepe Carvalho’, dirigida por Adolfo Aristarain

Escrito por Marta Ailouti

Años 60, poco antes de que se produzca uno de los asesinatos más célebres de la historia del siglo XX, un superagente de la CIA de origen gallego, exmiembro del partido comunista español, se convierte en guardaespaldas del presidente de los Estados Unidos, John F. Kennedy. Su nombre, claro está, es Pepe Carvalho.

Aunque aún le queda para convertirse en uno de los mejores exponentes de nuestra novela negra, aquellos inicios, hace medio siglo, plantarán la semilla de lo que se convertirá en toda una saga e inmortalizará a su autor, Manuel Vázquez Montalbán, como uno de los nombres del pabellón mundial de los maestros del género noir.

“Me pondré a escribir novelas como Simenon y me compraré un castillo en Suiza”, cuenta Miqui Otero en el prólogo de la edición especial de Yo maté a Kennedy que contestó el escritor a su suegro cuando este le habló de la última adquisición del creador del icónico comisario Maigret. Reeditada ahora por Planeta para celebrar su aniversario, aquel fue el debut de un Pepe Carvalho aún por perfilar, en cuanto a lo que para muchos se convirtió un par de años después en su bautizo oficial, Tatuaje (1974).

Bien es cierto que aquel personaje no cocinaba, aunque ya manifestaba cierta debilidad por la gastronomía, y tampoco quemaba libros, aunque sí los apilaba —“para hacer construcciones arquitectónicas”—. Tampoco usaba muchos de los códigos de la novela negra. Aunque, por otro lado, indudablemente lo hacía cuando afirmaba en la ficción: “Yo tengo una pistola sobaquera, la tendré siempre. Dispararé hasta el último cartucho contra cada cerdo que busque amparo en la podrida dignidad colectiva de la especie”.

Como un ajuste de cuentas con la España tardofranquista, “para Vázquez Montalbán —escribe Pierre Lemaitre en Diccionario apasionado de la novela negra (Salamandra)—, la literatura era un arma de combate: contra el franquismo, cuyos calabozos conoció, y contra la amnesia colectiva de los tiempos posdictatoriales”.

Un pionero en la novela negra española

“Fue un auténtico pionero —afirma hoy Alicia Giménez Bartlett—. Introdujo la modernidad en el país un tanto a la americana: detective privado, entorno urbano….”. Y es que, aunque ya había precedentes “de fuste”, explica Lorenzo Silva, “como el Plinio de Francisco García Pavón o el detective Selva de Emilia Pardo Bazán —cuya trascendencia solo recientemente hemos podido apreciar en toda su dimensión con la publicación de su novela inédita e inconclusa—, Vázquez Montalbán acertó a hacer una apuesta decidida por el género policial como molde narrativo y artefacto literario, inserto en el marco de la novela social contemporánea. Lo hizo con modernidad, originalidad, desparpajo y una gracia innegable. Su talento para la observación y el detalle y su voluntad de estilo redondearon la faena”.

Su apuesta sirvió, además, para revalorizar un género que, durante mucho tiempo, se pensó como mero pasatiempo. “Él era un intelectual respetado y quiso jugar y experimentar con la cultura popular, con la novela de género, el puro entretenimiento, lo que ha sido siempre una aberración para según quién », reflexiona Carlos Zanón.

Pero también fue subversivo a la hora de enfocar el género policial, ya que dio la vuelta al tópico en muchos aspectos —lo local, la gastronomía, la copla, el Barça—, haciendo de cada Carvalho un anuario de la sociedad española. Y creó a Carvalho, personaje icónico sin el cual ni Andrea Camilleri, ni Petros Márkaris, ni Donna Leon, ni Jean-Claude Izzo hubieran escrito igual”.

Referente para muchos de nuestros escritores posteriores, añade Rosa Ribas, Vázquez Montalbán, además, “ayudó a sacar al género de la marginalidad de las formas literarias consideradas menores, al mostrar el gran potencial crítico del que es capaz. Porque, con mayor o menor fortuna, se atrevió a jugar con los parámetros del noir, mostrando que no hay formas ortodoxas, sino una gran libertad de movimientos”. En ese sentido, comparte que el escritor le influyó “mucho más en cuanto a que daba valor y peso literario a un género considerado menor por muchos”, lo que para ella “y otros seguramente, supuso un estímulo para adoptarlo”.

Un mundo irreal donde cabía de todo

Escrita cuando apenas había cumplido los 30 años, tras títulos como Manifiesto subnormal y Crónica sentimental de EspañaYo maté a Kennedy, cuenta Otero en el prólogo, “caería tras su lanzamiento en las cajas de saldo de El Corte Inglés, pero acabaría por ser una de sus obras más traducidas y de culto”. El propio Vázquez Montalbán, la describió como una novela reflejo de “un mundo irreal que venía de la empanada mental que vivíamos”. Un vodevil donde cabía de todo: “poemas, textos de vanguardia, influencia del cómic y del cine… Era un maregmánum que reflejaba la descomposición de la novela que creíamos que estábamos viviendo”.

En ese contexto, « Pepe fue decisivo en la popularidad de las novelas », tercia Giménez Bartlett. Era un personaje original, cortado con un patrón tradicional del género, pero muy autóctono. Sus andanzas y amores solo hubieran podido suceder en España. Era un antihéroe que se recordará. Su talante crítico y su amor a la buena cocina lo hacen singular”, apuesta la autora de Petra Delicado. Se trata, pues, de una especie de “Frankestein incomprensible e imposible”, según Zanon, que supo calar en el sentir general. “Carvalho genera unanimidad en un país donde aún se discute si Messi era mejor que Ronaldo o si tampoco hay para tanto con Benito Pérez Galdós o La plaça del diamant. Es emblemático. Su sentido del humor, su alergia a las banderas, su desilusión lejos de una mesa puesta”.

Con una producción de casi 20 novelas, además de numerosos relatos, como en cualquier serie “su nivel es desigual —reflexiona Silva sobre la totalidad de la obra— pero el promedio es más que notable y el conjunto adquiere perfiles de gran obra. Puede que tenga novelas más poderosas en sí mismas, por ejemplo Galíndez, una de las mejores aproximaciones literarias de la literatura del siglo XX a la figura del titular del poder absoluto; pero la suma de las novelas de Carvalho es tal vez su obra más relevante. De ellas destacaría su amenidad, su vocación crítica y testimonial y su aliento poético. Del personaje, su carisma”.

Coincide con este análisis Ribas, quien lamenta que “muchas veces las obras de género, más populares, devoran el resto de la producción de un escritor. Pero algunas de sus otras obras merecerían mayor atenciónGalíndez o la Autobiografía del General Franco (recién recuperada por Navona), aunque esta necesitaría un índice onomástico al final, ya que presupone que en el lector un conocimiento de la época que dificulta la lectura”.

De las obras de Carvalho, la autora de Un asunto demasiado familiar o Los buenos hijos, valora “el retrato de una Barcelona cambiante, de sus diferentes barrios, de tipos de gente propios de ese tiempo”. Aunque si bien destaca del personaje “su actitud, su estar de vuelta” y la gente de la que se rodea, “son muy buenos secundarios”, confiesa que lo de la cocina le gusta menos, “pero eso es algo muy personal”.

Para Zanón, por su parte, hubo “una relación ciclotímica” en la serie. “Está la trilogía hard boiled clásica —Los maresTatuajeLa soledad…— o cuando le importaba algo mucho, como por ejemplo Quinteto de Buenos Aires, novelas divertidas —para él, para un público que esperaba dosis Carvalho—, coyunturales y periodísticas —argumenta—. En todo momento hay una voluntad de retrato sentimental y sociológico de su país, creo, del mundo del que viene y del que está llegando. Una melancolía irremediable, casi morbosa”.

Pepe Carvalho, hoy

Reflejo de la España posfranquista, las circunstancias del país hoy han cambiado, lo que no impide que, como tercia Giménez Barlett, leyéndolo podamos “recordar y aprender”. “Algunas de las novelas han envejecido mal porque eran circunstanciales, estaban muy ligadas al momento y bastantes de las referencias resultan incomprensibles o irrelevantes, fuera del interés documental”, desarrolla Ribas, para quien títulos como Los mares del sur, en cambio, siguen siendo actuales y “buenas lecturas”.

En cualquier caso, su valor es incuestionable. “Es posible que al perder las referencias directas algunas de ellas, o algunos pasajes, no sean tan sugestivos para el lector de hoy como para el de entonces. Pero el lector curioso que se esfuerce por buscar esas referencias se encontrará con un valioso fresco de la sociedad española de fines del siglo XX y principios del XXI —recuerda Silva—. Tal vez no comparta algunos de sus juicios y apreciaciones, pero no podrá sino inclinarse ante la sagacidad, la honestidad y la compasión del retrato de la España de aquellos años”.

Manuel Vázquez Montalbán, creador del personaje Pepe Carvalho

Manuel Vázquez Montalbán, creador del personaje Pepe Carvalho

Y es que desde aquellos inicios con Yo maté a Kennedy hasta la adaptación que asumió el propio Zanón en 2019, Problemas de Identidad, donde resucitaba a Pepe Carvalho tras el fallecimiento de su autor en 2003, habían pasado 47 años. Aunque se reconoce deudor más de Juan MarséGonzález LedesmaEduardo Mendoza o Francisco Casavella que de Vázquez Montalbán, de aquel desafío, el experto en novela negra, además de poeta y novelista, sacó una experiencia que vivió como “un lujo, un privilegio, un peligro, un orgullo y un reto literario más que comercial. Lo disfruté mucho. Escribiéndolo y promocionándolo. El libro gustó mucho y por los motivos que yo quería: por cómo se había escrito, por lo personal y, al mismo tiempo, respetuoso, del texto », recuerda.

Colocado por Pierre Lemaitre en el Olimpo de los grandes personajes del género, como MarloweWallander y Maigret, nuestro Pepe Carvalho nada tiene que envidiar a los otros detectives canónicos. “Y es algo de lo que deberíamos estar orgulloso. No es fácil ni depende de uno crear un personaje icónico. Y sigue vivo. También su autor. Pensemos en otros autores de su generación que fueron populares y hoy nadie lee y sus libros están fuera de circulación. Fue un lujo tener a un escritor como Manuel Vázquez Montalbán y que optara por jugar con las novelas de quiosco y no los sesudos ensayos sobre eurocomunismo, Hegel y Adorno”, reconoce Zanón.

Influenciado por él, “en su apuesta por anteponer la mirada a la sociedad y a los individuos sobre las servidumbres del enigma o el culto a la violencia, en la necesidad de recurrir al humor, aunque el crimen siempre sea algo trágico, y en la exigencia de que el héroe tenga a la vez algo de anómalo y de corriente, de lugareño y de irremediablemente extranjero”, Silva, por su parte, reconoce y sube la apuesta de Lemaitre en cuanto al lugar que ocupa Carvalho en este curioso panteón literario: “Por encima de Wallander —que le debe mucho al Martin Beck de Sjöwall y Wahlöö—, cerca de Maigret y solo claramente por debajo de Marlowe, lo que no es ningún desdoro, porque no hubo, ni tal vez habrá, otro más grande”.

[Fuente: http://www.elespanol.com]

Adaptada á normativa actual e con melloras, tiráronse 4.000 exemplares da cuarta edición dunha tradución directa ao galego dende o hebreo, arameo e grego que levou máis de 15 anos completar

Escrito por TAMARA MONTERO

Foi unha tarde de 1972, nun local alugado polo padre Seixas en Vigo, onde abrollou un proxecto que vería a luz nada menos que 17 anos despois: unha tradución ao galego da Biblia dende os seus idiomas orixinais (hebreo, arameo e grego) que gañou o Premio Nacional de Traducción en 1990 e coa que se lle agasallou en 1989 ao papa Xoán Paulo II na súa visita a Compostela.

A lembranza de Francisco Domínguez, presidente da Sociedade e Estudos, Publicacións e Traballos (SEPT) daquela xuntanza en Vigo con Alfonso Zulueta, Xaime Isla, Domingo Fernández del Riego e Xosé Luís Fontenla Rodríguez mestúrase en San Martiño Pinario coas voces de crentes galegos que reclaman para si o máis obvio: a palabra de Deus en galego, xa sexa porque «sabe máis a pan da casa», ou porque «cando rezo en galego sáeme de dentro, de alá ao fondo», ou, tirando de versos, «porque si, porque me gusta, porque me peta». Pero sobre todo, porque «os galegos precisamos e merecemos escoitala no noso idioma».

Daquel esforzo colectivo de preto de vinte anos saíu unha Biblia en lingua galega que onte presentou a súa cuarta edición, adaptada á normativa actual, revisada e mellorada baixo a coordinación de Xosé Fernández Lago (que tamén se encargou no seu día da coordinación da tradución canda a Andrés Torres Queiruga). «A palabra de Deus é sempre viva e actual e o Señor quere que a recibamos na nosa lingua para que nos resulte máis viva, máis cordial e máis agarimosa», explicaba o coordinador da presente edición.

Foi o arcebispo de Santiago, Xulián Barrio, o que lembrou que unha das principais achegas do Concilio Vaticano II foi o mandato de usar as linguas vernáculas para estender e achegar a Biblia por todo o mundo. En 1965, coa aprobación do cardeal Quiroga Palacios, o padre Seixas oficiou, o 25 de xullo, a primeira misa en lingua galega, ofrendada a Rosalía de Castro.

«E por que non?», contestaba o conselleiro de Cultura á pregunta retórica de por que unha Biblia en lingua galega. Primeiro, porque ten demanda. A terceira edición esgotouse hai máis de cinco anos e desta cuarta tiráronse uns 4.000 exemplares. «Se houbera que poñer unha etiqueta de calidade á nosa Biblia —explicaba Francisco Domínguez— eu diría dignidade imprescindible, tradución rigorosa e linguaxe próxima á fala do pobo, que a fai moi adecuada para o labor pastoral. Galicia e a Igrexa deben sentirse orgullosas dela».

Segundo, porque unha parte do galeguismo histórico tiña profunda pegada católica. E logo, porque a Biblia non apela só a unhas crenzas. Apela a unha identidade colectiva, a un xeito de ver o mundo. A unha cultura compartida entre moitos países. Lembraba Román Rodríguez que a Biblia transcende a fe e a relixión para ser non só «clave de bóveda da civilización occidental» e un compendio que «fixa valores e comportamentos fundamentais» desa mesma civilización. Se cadra, por iso Gutenberg a escolleu para ser o primeiro libro impreso da historia, reflexionaba o conselleiro.

«No fondo falamos dun libro profundamente humano». Nel están reflectidas a derrota, a redención, a misericordia, o xúbilo, o engano, a esperanza… E Galicia. Tamén Galicia ten o seu espazo nas Escrituras, en concreto no primeiro Libro dos Macabeos, no que se fala das campañas romanas neste territorio e da reacción de Xudas Macabeo a esta situación, que agora se pode ler en lingua galega adaptada á normativa actual.

 

 

[Imaxe: PACO RODRÍGUEZ – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Escrito por
Los peligros de la moralidad. Por qué la moral es una amenaza para las sociedades del siglo XXI
Pablo Malo Ocejo
Deusto, Grupo Planeta, 2021

Hace más de medio siglo, el filósofo José Luis López Aranguren se lamentaba de la desmoralización que invadía la sociedad española como resultado de la neutralización política de una ciudadanía, cómplice con el poder, que solo aspira al aumento de los ingresos y del bienestar1. En conversación con Javier Muguerza2, Aranguren insistía: «En una época de crisis como la nuestra, los contenidos de la moral pueden tornarse cuestionables, pero lo que nada ni nadie nos puede arrebatar, si no queremos dejárnosla arrebatar, es la actitud moral».

Una afirmación de esta naturaleza, referida tanto al intelectual como al ciudadano de a pie, puede parecer intemporal y plenamente justificada. No son infrecuentes las llamadas a un rearme moral de la sociedad, ni resulta extraña la apelación a la justicia y el bien como motivación última de la acción política. ¿Qué otra cosa mejor podríamos pedir a la ciudadanía y a la clase política que mantener vivo su compromiso moral? ¿No es, acaso, este compromiso un bien en sí mismo?

Sin embargo, ciertos fenómenos políticos y sociales ocurridos estos últimos años como consecuencia del avance de los populismos, las guerras culturales, la caza de brujas, el terrorismo de motivación religiosa o los nacionalismos agresivos han devuelto protagonismo a un viejo problema filosófico: la compleja relación entre moralidad, legitimidad y legalidad, o dicho de otro modo, al papel que las creencias morales deben tener en el ámbito de la actividad política e institucional, especialmente en las sociedades democráticas. Y es que hay buenas razones para pensar que el desiderátum del viejo filósofo español puede llegar a constituir un grave problema para las sociedades democráticas y que lo más sensato sería alejar la moral de la vida política y la convivencia social. ¿Por qué?

El psiquiatra español Pablo Malo ha publicado recientemente (Deusto, 2021) un ensayo que lleva por título Los peligros de la moralidad. En esta obra, el doctor Malo, psiquiatra en ejercicio en el Servicio de Salud del País Vasco-Osakidetza, analiza el carácter ambivalente y problemático de nuestra mente moral y diagnostica una peligrosa hipermoralización que exacerba los extremismos, polariza las diferencias políticas y culturales y contamina las luchas identitarias con el tono épico y agónico de la pugna entre el bien y el mal. El libro pone el foco con valentía en un campo de análisis polémico de gran interés y actualidad, sintetizando una abundante e interesante bibliografía sobre el tema.

El primer paso para manejar los efectos perversos de una visión moralista y moralizante de la vida social y política pasa por adquirir una buena comprensión de la moralidad. Y ello solo es posible, en opinión del autor, situando la moral en el marco de una visión naturalista, inspirada en la psicología evolucionista, lejos de las convenciones filosóficas o religiosas y de todo dogmatismo. En particular, hay una idea que debe ser abandonada urgentemente: no existen ni el bien ni el mal puros y, en consecuencia, no existen personas ni actos puramente buenos o malos. No hay mayor ni más urgente reto que explicar cómo ciertas personas cuyos valores consideramos moralmente buenos pueden llegar a cometer actos que nos parecen atroces, sin que ello sea percibido como una contradicción moral, como ocurre en la intimidad moral de la mente del terrorista o del votante radical de ciertas ideologías extremas. El autor del libro conoce de primera mano los paradójicos efectos que el terrorismo nacionalista de ETA causó en la sociedad vasca y sus contradicciones morales.

Atentado de ETA en la T4, en 2006.

En los primeros cuatro capítulos del libro, el autor define ese marco conceptual evolucionista con el que intenta dar cuenta del significado de la moralidad. Una vez desplegadas estas herramientas conceptuales, Malo procede a hacer una interpretación de ciertos fenómenos políticos y sociales que, como ya dijimos, resultan del mayor interés para la vida democrática. Así, en el capítulo cinco, el autor trata sobre la indignación moral y de un nuevo vehículo para expresarla, las redes sociales, convertidas en unos particulares tribunales de justicia popular. El capítulo seis aborda el fenómeno de la hipermoralización que impregna de significación moral -con lo que ello comporta- muchos fenómenos antaño carentes de ella. En el capítulo siete, el autor repasa los problemas que la moralidad supone en dos aspectos fundamentales. Por una parte, el peligro de llevarnos a la violencia moralista, la violencia más frecuente, grave y masiva a lo largo de la historia. Por otra, el peligro que la moralidad encierra para el buen funcionamiento de dos instituciones básicas de nuestras sociedades: la democracia y la ciencia. El libro se cierra con un capítulo final de conclusiones y perspectivas de futuro.

No podemos abordar todos y cada uno de los asuntos tratados en el texto, por lo que comentaremos solo aquellos que nos parecen más relevantes, al tiempo que emplazamos al lector a completar la lectura de una obra sin duda muy recomendable.

Un marco naturalista para entender la mente moral

La moralidad consiste, según el autor, en la capacidad singular de los seres humanos de distinguir el bien del mal. La mente moral no se encuentra comprometida a priori con un contenido moral concreto (tal cosa es buena o mala), algo que depende de las condiciones culturales que alimentan el aprendizaje individual y, en consecuencia, varía en el espacio y en el tiempo. Sin embargo, sí existen ciertas disposiciones morales que configuran la gramática profunda de nuestra mente moral y son decisivas en su análisis. En opinión del doctor Malo, la psicología evolucionista nos provee de un marco conceptual iluminador capaz de esclarecer estas paradojas, aunque no las haga desaparecer. De acuerdo con este marco conceptual, la moralidad se presenta antes que nada como una adaptación biológica surgida en nuestra especie por selección natural. Como toda adaptación, sirve al interés reproductivo del individuo. No debemos olvidar su origen, si queremos evitar falsas suposiciones acerca de sus contenidos o de su naturaleza. La moral es contingente, como cualquier otro producto evolutivo. Nada hay necesario en ella.

Siguiendo las directrices elaboradas en las últimas décadas por biólogos y psicólogos evolucionistas, Malo estima que la evolución de la mente moral está ligada al desarrollo de ciertas presiones de selección en favor del altruismo y la cooperación. Ese proceso evolutivo ha tenido tres grandes hitos: la conducta altruista, explicada como resultado del esfuerzo por salvaguardar el acervo genético compartido entre parientes consanguíneos (selección de parientes); la cooperación directa para beneficio mutuo, que permite la cooperación entre individuos en contextos de interacciones repetidas en grupos pequeños, de manera que el dilema entre cooperar o dejar de hacerlo se mantiene en equilibrio gracias a que de cada individuo puede castigar al compañero egoísta negándole la ayuda en la siguiente interacción; y la reciprocidad indirecta, que es aquella en la que la recompensa o pago por un favor que realiza un individuo le será devuelto por parte de una tercera persona o de la sociedad en su conjunto. Esta última modalidad ha permitido crear sociedades cohesionadas formadas por grandes grupos de individuos que no solo no están emparentados genéticamente, sino que ni siquiera se conocen.

El éxito de la cooperación para beneficio mutuo y de la reciprocidad indirecta se ha producido, como recuerda el autor, gracias a ciertos mecanismos inscritos en lo más profundo de la mente moral de todo ser humano. El prestigio y la reputación, de una parte, y el castigo y el ostracismo, de otra, son las herramientas niveladoras que permiten contener, dentro de un orden, la proliferación de conductas egoístas. La pérdida de la reputación por haber cometido un acto inmoral o haber denegado ayuda cuando existía un compromiso es algo muy grave que puede llevar al suicidio o al homicidio. El rechazo y la condena social tienen un terrible impacto psicológico en el ser humano; la condena al ostracismo es una especie de muerte social y la ruptura del sentido de conexión y pertenencia es uno de los factores de riesgo ampliamente aceptados para el suicidio.

Protestas por la muerte de George Floyd, 2020

Para conseguir este difícil equilibrio evolutivo fue necesaria la circulación abundante de información sobre la calidad y fiabilidad morales de las personas mediante el cotilleo y la cháchara, que tanto hacen disfrutar al ser humano. Esa información, que construye o destruye la reputación y el prestigio del potencial cooperante, resultó y resulta determinante en las interacciones sociales para el éxito o el fracaso de los intereses y alianzas de los individuos. Pero nuestra mente moral, además, se consolidó ligada a un sesgo fuertemente tribal marcado por la decisiva oposición entre un «nosotros» y un «ellos». Nuestra psicología tribal nos permite identificarnos y coordinarnos con los miembros de nuestro grupo, facilitando la satisfacción de nuestras necesidades. Tendemos a preferir y a favorecer a los miembros de nuestro grupo frente a los miembros de otros grupos.

Los miembros del mismo grupo poseen normas de conducta similares que facilitan el éxito de la cooperación. Además, están sujetos a que su comportamiento puede afectar a su reputación y ser objeto de castigo. La cooperación, cuando no se posee información de primera mano sobre los individuos con los que se interacciona, necesita la identificación de los miembros en los que se puede confiar, es decir, los del endogrupo. Esta identificación quedó en manos de un conjunto de signos o marcadores de pertenencia muy variados: ropa, pintura, tatuajes, lengua, rasgos físicos, costumbres alimenticias, prácticas rituales, etc.

Otros marcadores menos evidentes, pero no menos importantes, en opinión de ciertos psicólogos evolucionistas como John Tooby, son las creencias o la ideología. Las ideas y creencias no son solo una cuestión personal, nos abren las puertas de la pertenencia al grupo y señalan también esa identidad hacia el exterior. Malo se adhiere a esta interpretación, pues permite dar sentido al asombroso, diverso y exuberante mundo de las creencias y prácticas culturales, incluso a las más absurdas y arbitrarias. La comunicación de verdades funcionales, de verdades neutras, de hechos claros y comprobados puede no servir como señal diferencial. Por el contrario, unas creencias exageradas, inusuales, por ejemplo, creencias sobrenaturales o altamente improbables (alarmismos, conspiraciones y muchas otras creencias que circulan para estupor de muchos) no se mantendrían si no es como expresión de una identidad.

Sea esta u otra la explicación correcta, el tribalismo característicamente humano ha impuesto severos límites a la interacción con los otros y a su evaluación moral. Por ejemplo, la división Ellos/Nosotros limita el alcance de la tan traída empatía, que muestra grandes limitaciones para atravesar las barreras de nuestro círculo social, exige lealtades inquebrantables, impone el dominio de la lealtad por encima de la honestidad y moviliza todo tipo de coaliciones que tienen la función de ampliar el poder de los individuos ofreciéndoles más poder frente a los otros. Este es un hecho de extraordinaria importancia: los límites de nuestras normas morales llegan hasta los límites de nuestro grupo, es decir, no aplicamos las mismas normas morales a los miembros de nuestro grupo que a los individuos que no pertenecen a nuestro grupo.

La mente moral en el mundo moderno

Moralización

La historia de occidente durante los dos últimos siglos puede interpretarse, al menos parcialmente, como un proceso de secularización y amoralización, legado de la Ilustración. La amoralización sería el proceso por el que ciertos objetos o conductas salen del campo de la moral. Por ejemplo, durante el último medio siglo hemos presenciado cómo ciertas conductas como la masturbación, el sexo prematrimonial o las relaciones homosexuales se liberaban de su significación moral negativa -al menos parcialmente y no en todas partes por igual-. Este fenómeno ha traído indudables avances para la convivencia en sociedades cada vez más plurales, una tendencia que parece frenarse en los últimos tiempos.

La moralización, por el contrario, es el proceso por el que una actividad que previamente se consideraba fuera del campo moral entra dentro de él. No se conocen bien los factores que desatan este proceso, pero así ha ocurrido en las últimas décadas con el consumo de carne -criticado desde posiciones conservacionistas-, con el consumo de tabaco -cuestionado por su impacto sobre la salud individual y colectiva- o con el cuidado de los animales -desde posiciones animalistas-. Y, más recientemente, durante la pandemia, en el enfrentamiento con los denominados antivacunas. En el ámbito político, por su parte, la pugna entre partidos también ha rebasado los límites de los programas políticos y las medidas económicas, para adentrarse en el ámbito de la moral, hasta convertir a los grupos políticos en tribus morales enfrentadas que ven al oponente como un Otro inferior y que incentivan relaciones de exclusión que rompen amistades y familias.

En todo caso, la cuestión de fondo es que, cuando algo entra en el campo moral, se convierte en un debe y pone en alerta a los individuos frente a la conducta de los otros. Si algo tiene carácter moral, se puede y se debe recriminar, no basta solo con disentir, y reclama una regulación social promoviendo un movimiento general de las instituciones y de los medios de comunicación en esa dirección, para garantizar ese «deber ser». La moralización desata entonces los resortes de la mente moral, excitando las reacciones emocionales, los tribalismos y los dogmatismos que dificultan cualquier negociación entre partes. Incluso la violencia puede ser contemplada como medio legítimo.

Victimismo

Un fenómeno análogo al anterior ha ocurrido con el desarrollo de una hipersensibilidad ante los agravios, tal y como refiere Malo. Los conceptos de trauma y víctima han sufrido una ampliación semántica. En un principio, el concepto de trauma hacía referencia a heridas físicas (trauma procede de la palabra griega para «herida»). Su causa era un suceso externo y sus efectos eran orgánicos, aunque se podían manifestar con síntomas psicológicos. Sin embargo, el suceso traumático ha ampliado su extensión, ya no necesita ser una amenaza a la vida, ni estar fuera del rango de la experiencia humana normal, no tiene por qué crear malestar en casi cualquier persona. Solo es necesario que la persona lo viva como perjudicial. Bajo esta definición, el concepto no solo se ha hecho mucho más amplio, sino más subjetivo, abierto a múltiples sensibilidades nacidas de experiencias y conductas negativas, por acción u omisión. Como consecuencia se identifican más tipos de experiencias como perjudiciales y a más tipos de personas como perjudicadas, como víctimas que necesitan cuidado y protección.

Este nuevo marco, más sensible y receptivo, que amplía el espacio del sufrimiento, desencadena, sin embargo, ciertos efectos perversos. Si bien las víctimas se definen por su sufrimiento, vulnerabilidad e inocencia, se disminuye su capacidad para salir de su situación por sus propios medios, es decir, crea dependencia, al tiempo que aumenta el encasillamiento de los villanos morales, los abusadores como únicos agentes morales. Los ejemplos traídos por el autor proceden mayoritariamente de las sociedades norteamericana y británica. Y su contexto más inmediato es el de las universidades y la vida académica. En este mundo sensible, intelectualizado y proactivo se ha instalado, por ejemplo, el concepto de microagresión. Derald Wing Sue define las microagresiones como «las breves y cotidianas indignidades verbales, conductuales y ambientales, intencionadas o no intencionadas, que comunican una actitud hostil, negativa o despectiva en temas raciales, de género u orientación sexual, e insultos leves religiosos contra individuos o grupos». Entre nosotros, este concepto ha adoptado típicamente la forma de micromachismos, un tipo específico de microagresión.

Bradley Campbell y Jason Manning, cuya obra sirve de guía a Pablo Malo, han desarrollado una teoría acerca del victimismo3. Distinguen estos autores entre dos tipos de cultura convencionales: la cultura del honor y la cultura de la dignidad. En la primera, es la reputación lo que hace que alguien sea honorable o no, y uno debe responder agresivamente a los insultos, las agresiones y los desafíos, porque si no lo hace pierde el honor. En la segunda, se considera que, en vez de honor, las personas tienen dignidad, que es inherente a ellas, por lo que no puede ser alienada por otros, ni tiene que ser demostrada. La dignidad existe independientemente de lo que otros piensen, por lo que la reputación social es menos relevante.

Nuestra cultura actual, según Campbell y Manning, está adquiriendo una forma híbrida con elementos de ambas culturas. Por una parte, la creciente sensibilidad ciudadana es más propia de la cultura del honor, muy sensible a la ofensa, pero, por otra, los individuos no responden personalmente, buscando directamente la reparación de su honor, sino procurando el respaldo de terceras partes, como exige el recurso a las instituciones que protegen los derechos dentro de la cultura de la dignidad. Esto último sería impensable en una cultura del honor. Dos aspectos distinguen esta nueva cultura híbrida del victimismo. Por una parte, las ofensas que desencadenan protestas son, en muchos casos, cuestiones menores que podrían interpretarse como asuntos relativos a las buenas formas, imputables a la mala educación o la ignorancia, asuntos reprobables en el plano puramente personal. Por otra, el individuo o colectivo que se siente ofendido recurre a las redes sociales para hacer público su problema y movilizar rápidamente la opinión pública en su favor y contra el agresor -sin mediación institucional-.

Cancelación y redes sociales

Otro fenómeno ligado a la creciente indignación moral es la llamada «cultura de la cancelación» o, dicho de otro modo, de la censura, silenciamiento u ostracismo. Ya sabemos la importancia que la reputación tiene para la vida social en nuestra especie y cómo nuestra mente ha evolucionado para utilizarla como indicador de confiabilidad. Otro tanto ocurre con la función del castigo y el ostracismo como penalización dirigida contra individuos que rompen las reglas y convenciones sociales -malas compañías para una mente cooperativa-. La expresión «cancelación» nació para referirse a la suspensión de conferencias de ciertos académicos o intelectuales en las universidades estadounidenses, porque un sector de los estudiantes no los consideraba moralmente adecuados. La cancelación se produce utilizando las redes sociales o también convocando manifestaciones in situ con el objetivo de boicotear el acto. Numerosas personas han sido objeto de cancelación en el ámbito intelectual, académico, literario o político, aunque también han sufrido este castigo personas anónimas que publican fotos, textos o reflexiones en cualquier medio. Una vez más, las redes sociales se convierten en el medio preferido para airear esta indignación moral.

Aunque algunos defensores del fenómeno han argüido que la cancelación es solo una forma de crítica, hay razones para pensar que detrás de ella hay algo más. Malo, siguiendo a Jonathan Rauch, identifica algunas señales inequívocas de que la cancelación desborda la crítica lícita para ir más allá: la cancelación busca el castigo más que la corrección de un error, pretende silenciar a su objetivo eliminando la disidencia; no utiliza la persuasión, sino la fuerza y el miedo; no dialoga con el individuo ni discute sus ideas, sino que estigmatiza a la persona con argumentos ad hominem u otros recursos no veraces, al tiempo que promueve el exhibicionismo moral de quienes realizan la crítica. Como señala el autor, la cuestión de fondo, lo verdaderamente preocupante, es que lo que estas cancelaciones buscan no es otra cosa que crear un régimen de miedo en el que la gente tema dar su opinión y en el que ciertas ideas no puedan ser cuestionadas.

Una nueva religión secular: la teoría de la Justicia Social Crítica

Es indudable que las últimas décadas han visto crecer la polarización política. Como resume el propio Malo, estamos en un momento histórico en el que el liberalismo y la modernidad que se encuentra en el corazón de la civilización occidental están amenazados. La amenaza procede de dos tipos de fuerzas, una revolucionaria y otra reaccionaria. Por un lado, están proliferando movimientos de extrema derecha que buscan dictadores que defiendan los valores occidentales tradicionales. Por otro lado, en la extrema izquierda, los cruzados progresistas sociales actúan como paladines del progreso moral sin los cuales la democracia estaría vacía.

Pero la atención del autor se dirige particularmente hacia una forma de ideología social autoritaria alimentada intelectualmente por el pensamiento posmoderno. Siguiendo la interpretación de Helen Pluckrose y James Lindsay en su obra Cynical Theories, Malo identifica el origen de la denominada teoría de la Justicia Social Crítica como un derivado de las ideas posmodernas. La posmodernidad echó a andar hace cinco décadas como crítica contra el legado ilustrado y positivista. Su discurso se estructuró en dos vectores: como crítica epistemológica, defendiendo el relativismo cultural, la disolución de la verdad y el escepticismo gnoseológico, y como crítica política, desvelando las relaciones entre conocimiento y poder. En los años noventa, el discurso posmoderno tomó una orientación hacia el activismo político y social, algo menos etéreo y abstracto. En esta época, el discurso posmoderno alumbró un conjunto de teorías como la teoría queer, la teoría poscolonial, la teoría crítica de la raza y la interseccionalidad, el feminismo y los estudios de género, los estudios sobre discapacidades y obesidad y otros.

Estas nuevas teorías, englobadas en la Justicia Social Crítica, mantienen una doble filiación. Por una parte, beben del posmodernismo al rebasar el marco reivindicativo de la lucha por los derechos civiles de las minorías -formalmente alcanzados- característico de la democracia liberal, un marco insuficiente por sus vínculos con el statu quo, es decir, con un sistema político en el que los derechos tienen una realidad más formal que sustantiva y en el que predominan los intereses de la clase política típicamente heterosexual, patriarcal y blanca. Pero, por otra parte, al estilo de la vieja Teoría Crítica frankfurtiana, necesitan ir más allá del escepticismo posmoderno, nihilista, para poner en marcha una verdadera transformación social y moral del mundo. Dicho de otro modo, el nuevo marco teórico de la Justicia Social Crítica rebasa el ámbito descriptivo para adentrarse en lo normativo, en lo moral. El resultado final es un «posmodernismo aplicado», como lo llaman Pluckrose y Lindsay, que abandona el escepticismo para considerar que la opresión sobre ciertos grupos basada en su identidad, aunque esta sea una construcción social, es real y tiene consecuencias objetivamente negativas que se deben combatir, luchando contra el modelo dominante.

Malo hace suya la interpretación de Pluckrose y Lindsay según la cual el modelo liberal democrático ha sido puesto en jaque por esta nueva teoría crítica. La defensa de los derechos de las minorías raciales o de la mujer no dejan de ser ajustes menores dentro del propio sistema de desigualdades que consagra el liberalismo, meros apaños, y es el propio modelo el que se cuestiona. Este cambio se ha iniciado en el mundo anglosajón (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido y Australia) y todavía no ha afectado en el mismo grado a España y a los países de lengua hispana, aunque es sensato pensar que también llegará hasta nosotros. Hasta cierto punto, algunas de las políticas de igualdad en España, los conflictos internos del feminismo o ciertas reivindicaciones sociales de la izquierda más radical reproducen los mensajes de la Justicia Social Crítica -especialmente en cuestiones de género y en la defensa de las minorías-.

La Justicia Social Crítica también ha tomado la denominación «wokismo», del término inglés «woke», despertar, que hace referencia a la necesidad de tomar conciencia de la injusticia que soportan determinados colectivos. El wokismo tiene algunos rasgos comunes con una actitud religiosa y Malo hace suya la interpretación del historiador Tom Holland y otros intelectuales como James Lindsay, Mike Nayna, Jonathan Haidt, Andrew Sullivan o John McWorther, al contemplar la Justicia Social Crítica como una nueva religión secular de izquierdas. Jonathan Haidt, por ejemplo, afirma que, en cada universidad, algunos verdaderos creyentes han reorientado su vida alrededor de una lucha contra el mal, y Andrew Sullivan se pregunta si la interseccionalidad, que es el concepto que une todas las ramas de la Justicia Social Crítica, es una nueva religión.

Malo sigue a Holland cuando interpreta el movimiento #MeToo, el #BlackLivesMatters, y, más genéricamente, el wokismo, como manifestaciones de la matriz de pensamiento y acción cristianas4. La lectura de Holland, que Malo asume, ve en la Justicia Social Crítica la reproducción de una vieja polémica, la que enfrentó a Pelagio con Agustín de Hipona acerca del valor de las acciones personales en la salvación. Mientras que Agustín despreciaba el valor de las acciones individuales para salvar el alma, algo que depende finalmente de la Gracia divina como consecuencia del pecado original, Pelagio consideraba esencial la virtud personal y la transformación moral del mundo. En opinión de Holland, la izquierda estaría en la posición de Pelagio, la de exigir a los demás un cambio de actitud, en actitud punitiva y reclamando para sí la pureza moral. La izquierda radical actúa como si se encontrara en posesión de la verdad moral y ello confiere superioridad a su discurso y justifica su actitud punitiva. La vida se presenta como un enfrentamiento entre el bien y el mal, entre discursos dominantes -el del hombre blanco heterosexual, chivo expiatorio y culpable genérico de todos los males- y discursos e identidades excluidas, un mundo de relaciones de poder cuyo balance debe ser corregido. Aunque este marco de pensamiento sea compartido por una minoría (Malo, citando a otros autores, estima que puede suponer un 10% de la opinión pública norteamericana), su posicionamiento moralizante y su agresividad disuade a la ciudadanía de un enfrentamiento directo pues nadie desea ser identificado como miembro del bando opresor.

Pablo Malo es pesimista y duro en su juicio sobre el alcance y la evolución de este fenómeno. El papel realizado anteriormente por la religión ha sido asumido ahora por la Justicia Social Crítica, que representa un movimiento con los valores éticos y morales cristianos, pero sin Dios. El resultado, como señala el autor, es la caza de brujas es implacable y cruel, y no sirve de nada pedir perdón. El culpable debe ser aniquilado, silenciado, excomulgado, condenado al ostracismo, sin importar que, en muchos casos, estos linchamientos hayan acabado en suicidios. No se puede descartar que también los tibios, los que no sancionan, terminen siendo objeto de descalificación.

Perspectivas de futuro

Pablo Malo deja para el final la respuesta a la pregunta que subyace a lo largo del libro: ¿qué podemos hacer frente a estos desafíos? El autor presenta un conjunto de medidas que «deben tomarse como lo que son, un torbellino de ideas y no como algo consolidado y firme». En síntesis, son las siguientes:
Un primer paso fundamental es darse cuenta de que la moralidad constituye un peligro, algo de lo que mucha gente no es consciente, pues solemos fijarnos en sus aspectos positivos (por ejemplo, la búsqueda de justicia) e ignorar su lado oscuro. Este peligro supone un problema extremadamente difícil de solucionar, ya que nuestra mente moral es parte de la naturaleza humana, evolucionada para facilitar la cooperación dentro de grupo y la competencia con otros grupos. Así, nuestro carácter tribal no es eliminable de la ecuación. Las soluciones, pues, deben ir en la línea de diseñar instituciones (diques de contención) que mantengan a raya los excesos de nuestra moralidad.

Malo recoge también algunas sugerencias interesantes, pero difíciles de articular. Por ejemplo, el denominado abolicionismo moral. Se trataría de hacernos ateos de la moralidad del mismo modo que nos hicimos ateos con respecto a la existencia de Dios. El objetivo sería reducir al máximo la moralización. En realidad, no se trata de abolir la moralidad, sino de domarla. Introducir racionalidad en los conflictos y extraer de ellos sus resonancias morales. Olvidar los planteamientos en términos de buenos o malos y buscar salidas negociadas. Al fin y al cabo, la biología nos enseña que la moralidad es un medio para un fin, no un fin en sí mismo. Lo esencial es la cooperación y podemos intentar conseguirla sin pasar por la moralidad.

En el ámbito político, «la idea esencial sería sacar la moralidad de la vida pública todo lo que podamos, dejarla para el ámbito de lo privado». Para ello es necesario crear instituciones que sujeten nuestros instintos morales. Por ejemplo, cambiando el diseño de las redes sociales, que actúan como potenciadores de lo peor de nosotros o rediseñando nuestras instituciones políticas y la forma en que se reparte el poder, para que se favorezca la cooperación y la colaboración y no el enfrentamiento. Otro punto con respecto a la política es que necesitamos despolitizar nuestras vidas y recuperar otras formas de realización personal como las relaciones de amistad, la familia y los seres queridos o la cultura, los espacios y la naturaleza. En el ámbito social, repite la misma idea: sacar la ideología y los contenidos morales de nuestra convivencia diaria. El adoctrinamiento debe quedar fuera del ámbito público. Todo lo que comenta sobre el mundo laboral se puede aplicar también a la escuela y al sistema educativo.

En este mismo sentido, Malo defiende la necesidad de fomentar el escepticismo en todos los niveles: «Hoy en día las narrativas se venden en paquetes y solo hay dos posiciones: comprar el paquete completo o rechazarlo». Por el contrario, deberíamos aplicar una suerte de regla como esta: «Nadie tiene la última palabra: tú puedes afirmar que una declaración está establecida como conocimiento solo si puede ser refutada, en principio, y solo en la medida en que aguanta los intentos de refutarla».

Algunas reflexiones complementarias desde una perspectiva evolucionista

El término moralidad abarca un amplio conjunto de fenómenos y rasgos de comportamiento humano que influyen en las interacciones sociales. Teniendo en cuenta esta complejidad resulta difícil elaborar una explicación evolutiva que dé cuenta de la moralidad. Darwin fue el primero en intentarlo y, desde él, ha habido otros muchos intentos. En los últimos 40 años ha ganado fuerza la tesis darwinista, que suscribe Malo, de que la moralidad tiene un origen adaptativo, promoviendo la evolución de un comportamiento cooperativo dentro de las sociedades humanas. Esta visión de la moralidad como un medio (una adaptación), para conseguir un fin (la cooperación), da cuenta de un rasgo decisivo de la moralidad: el hecho de que los juicios morales implican una intención expresiva y prescriptiva, una posición defendida filosóficamente por figuras como Hume, Stevenson o Hare. Un juicio moral no es nunca meramente descriptivo. Incluso las fórmulas más neutrales comunican un fondo imperativo.

Esta interpretación evolutiva deja sin explicar, en nuestra opinión, un rasgo de la moralidad igual de relevante que el anterior, y que Malo, siguiendo a Linda Skitka, también reconoce: la percepción de que, desde una perspectiva folk, lo bueno y lo malo se presentan a la conciencia individual como si estuvieran dotados de cierto tipo de objetividad y universalidad. Los individuos interactúan y aprenden en un mundo cultural convencional que incluye normas que les son presentadas con la misma exterioridad que caracteriza a las propiedades materiales del mundo físico, como si fuesen elementos del campo objetivo de los hechos. Esta percepción de nuestras creencias y prácticas de una manera compatible con una interpretación objetiva de la moralidad debe incluirse en una explicación naturalista que intente abarcar el comportamiento moral en sus aspectos esenciales.

Nosotros hemos sugerido que para ello es necesario completar este escenario evolutivo, considerando un aspecto importante de la arquitectura cognitiva humana que procede de nuestra evolución como organismos culturales. El secreto de nuestro éxito, por usar la expresión de Joseph Henrich, está en nuestra capacidad evolucionada para la transmisión y acumulación culturales, pues es la cultura, en su extraordinaria complejidad, la que nos ha permitido colonizar con éxito adaptativo el planeta entero. En esta visión coevolutiva de genes y cultura, que difiere en algunos aspectos relevantes de la que proponen los psicólogos evolucionistas, la transmisión cultural acumulativa necesitó sus propios mecanismos evolutivos, anteriores incluso al desarrollo de la cooperación genuinamente humana, y cuyos efectos sobre nuestra cognición se hacen visibles en nuestra mente moral5. Entre esos mecanismos, nosotros hemos destacado la capacidad de orientar el aprendizaje de los hijos, utilizando formas elementales de enseñanza mediante la aprobación o la desaprobación de su conducta. Esas formas básicas de enseñanza, a las que hemos denominado enseñanza assessor, permitieron a los padres transmitir a sus hijos la experiencia acumulada, tanto sobre los comportamientos que deben imitar como sobre los que deben evitar6. Hemos llamado psicología suadens (del latín suadeo: a valorar, aprobar o aconsejar) al conjunto de características cognitivas que han hecho posible la enseñanza assessor7.

La enseñanza assessor da pie a percibir lo que aprendemos, nuestras creencias adquiridas, de una manera que favorece una interpretación objetiva de la información transmitida. Cuando los padres corrigen el comportamiento de sus hijos, las orientaciones vienen provistas de un valor de veracidad y corrección que no puede reducirse a un criterio funcional. La selección natural nos ha hecho sensibles a las indicaciones sobre cómo debemos comportarnos por parte de las personas afectivamente más próximas -familia, amigos-, buscando su aprobación y tratando de evitar su rechazo. Como resultado, el aprendiz assessor percibe las emociones sociales de agrado o desagrado derivadas de la práctica de un comportamiento, como si fueran señales objetivas del valor intrínseco de los comportamientos: si se aprueba un comportamiento, entonces es bueno, si se desaprueba, entonces es malo.

De ahí, la inmediatez con la que el individuo percibe y experimenta sus prácticas, creencias, usos y tradiciones. Esta orientación emocional sobre qué aprender y cómo actuar es clave en la interiorización de valores y normas y, al tiempo, es responsable de que se mantengan muchas tradiciones, creencias y valores en las sociedades humanas, aunque carezcan, en muchos casos, de una justificación racional o empírica que avale su permanencia8.

El apoyo emocional que hace posible y eficiente el aprendizaje assessor ayuda a construir una imagen del mundo con una pretensión de objetividad que, sin embargo, está en el extremo opuesto de cualquier actitud ética que sea distanciada, reflexiva y crítica. En esa objetividad, la mente de cada individuo confunde la representación compartida del mundo (su mundo), con el mundo, y el conjunto empírico de preferencias y prácticas (sus valores), con los valores. De una manera casi inevitable, los individuos con una psicología suadens adoptan la disposición intelectual y moral de un creyente. Ese ha sido el precio que hubo que pagar por el desarrollo de nuestro sistema de aprendizaje cultural acumulativo. Esa percepción folk de la verdad de nuestros valores como algo objetivo dificulta enormemente el dialogo entre tradiciones culturales diferentes y produce desconfianza y recelo ante valores y conductas que exhiben los miembros de otros grupos.

Constatar esta situación no implica que los autores de este comentario ni la mayor parte de sus potenciales lectores, educados en una tradición ilustrada, tengamos que renunciar a nuestros valores democráticos, o a defender los principios de la Declaración Universal de los Derechos Humanos. Tampoco nos exige la búsqueda, siempre, de una solución intermedia, pactada, para satisfacer parcialmente valores que consideramos profundamente equivocados. Sin embargo, asumir que nuestras convicciones son fruto de un aprendizaje emocional, que podría haber sido otro, sí que nos obliga a no deshumanizar a nuestros oponentes por pensar de manera distinta.

La historia nos muestra que muchas personas inteligentes y honestas en sus convicciones han vivido (y viven) con naturalidad en sociedades xenófobas, machistas, homófobas y nada tolerantes con religiones distintas de la mayoritaria. Podemos utilizar la racionalidad para mostrar cuáles son los principios axiomáticos, las inconsistencias y los inconvenientes que detectamos en las tradiciones ajenas, aceptando que nuestros oponentes tienen derecho a hacer lo mismo con la nuestra. Por desgracia, solo una pequeña parte de las tradiciones que rigen una sociedad tiene contenido empírico y pueden ser refutadas en un sentido popperiano, como desea el autor. A nivel individual parecerá poca cosa, pero lo honesto, sabiendo lo que sabemos, es tenerlo en cuenta cuando interaccionamos con los demás.

A nivel colectivo, como también sugiere Malo, habría que potenciar instituciones que eviten la estigmatización del diferente y ordenen la interacción social y política dentro de los cauces del respeto y la racionalidad, caracterizando de manera explícita el marco axiomático valorativo del que partimos. O para expresarlo en términos psicobiológicos, el objetivo de nuestras políticas no es tanto la naturaleza humana, algo que para nuestros cálculos podemos considerar inalterable, cuanto la construcción de un ecosistema social robusto capaz de sujetar su lado más conflictivo.

1. Panea Márquez, J. M. (2015). «JL López Aranguren (1909-1996) y el problema de nuestro tiempo». Revista internacional de pensamiento político, 10, 273-289. 
2. Citado por Panea Márquez (2015), pág. 281. 
3. Véase el libro de Bradley Campbell y Jason Manning The Rise of Victimhood Culture, en el que elaboran la teoría acerca del victimismo que sigue el autor. 
4. Véase el libro de Tom Holland Dominion: The Making of the Western Mind. 
5. Castro, L., Castro-Nogueira, M. A., Villarroel, M., & Toro, M. A. (2021). Assessor teaching and the evolution of human morality. Biological Theory, 16, 5–15. https://doi.org/10.1007/s13752-020-00362-7. 
6. Castro, L., & Toro, M. A. (2004). The evolution of culture: From primate social learning to human culture. Proceedings of the National Academy of Sciences, USA, 101, 10235–10240. 
7. Castro L., Castro-Nogueira L., Castro-Nogueira, M.A., & Toro, M.A. (2010). Cultural transmission and social control of human behavior. Biology and Philosophy 25, 347-360. Y también Castro, L., Castro-Nogueira, M. A., Villarroel, M., & Toro, M. A. (2019). The role of assessor teaching in human culture. Biological Theory, 14, 112–121 
8. Para una versión detallada véase el libro de Laureano, Luis y Miguel Castro-Nogueira. ¿Quién teme a la naturaleza humana?, Tecnos 2016 (2ª edición). 
[Fuente: http://www.revistadelibros.com]

François Ozon escolhe mostrar romance homossexual para tratar das nuances do amor, mas tropeça no espetáculo

Escrito por Inácio Araujo

PETER VON KANT

Desde o título « Peter von Kant » é uma homenagem a « As Lágrimas Amargas de Petra von Kant », no momento em que o filme de Rainer Werner Fassbinder chega aos 50 anos. Mas há coisas que mudam. O diretor agora é François Ozon, que há pouco fez um filme sobre eutanásia –« Está Tudo Bem »–, e um pouco antes sobre o pós-Primeira Guerra Mundial –« Frantz »–, entre outros. De certa forma é preciso ver os dois filmes em conjunto. Ou seja –ao de Fassbinder, um autor, sucede agora o de um artesão.

Mas não um mau artesão, apesar dos altos e baixos quase escandalosos ao longo de sua carreira. Em todo caso, Ozon não é bobo. E a ideia de transformar o amor de duas mulheres do original (Margit Carstensen e Hanna Schygulla, ambas magníficas no filme) pelo de dois homens é oportuna.

E não são dois homens quaisquer. Denis Ménochet é Peter, um cineasta de sucesso, gordo, inchado de bebida, desleixado na aparência e caótico na existência pessoal para quem tudo parece se transformar quando encontra Amir, vivido por Khalil Ben Gharbia, sensual jovem de origem árabe por quem Peter se deixa fascinar de imediato.

À parte essa mudança, Ozon segue quase palavra por palavra o original de Fassbinder, com o mérito de pôr frente a frente dois homossexuais sem recorrer a trejeitos secundários e clichês. O amor entre dois homens é um amor com especificidades, claro, mas o que está em questão é o amor —o que é e seus efeitos sobre os humanos.

Fassbinder desvelou em seu filme (e na peça teatral) todas as nuances da relação amorosa –a ansiedade, o medo, a paquera, a humilhação, o prazer, a obsessão, a insônia, a entrega, o porre, o abandono, a euforia, a esperança, a dor, o bem, o mal, entre outras.

Ozon tenta seguir Fassbinder, e o faz com dignidade. É verdade que a composição de Ménochet, por brilhante que seja, nos dispersa um pouco da trama. Não raro dá para pensar, por exemplo, no quanto vida e obra de Fassbinder coincidem. Quer dizer, somos levados ao que, no caso, menos interessa.

No mais, Ozon conduz seu filme com firmeza, ao menos até o quarto final, quando os dois filmes divergem claramente. Fassbinder opta pela exposição magistral, e o mais discreta possível, da dor de Petra. É quase como um cientista diante de seu objeto.

Ozon, ao contrário, promove um show de gritos e choros no momento crucial do drama e o reduz, nesse momento, a um dramalhão tão ruidoso quanto pouco interessante.

Talvez a mudança de tom tenha a ver com a época em que cada filme foi feito. O de Fassbinder tem certa frieza como marca, no sentido em que busca mostrar a dinâmica amorosa em toda a sua complexidade ao espectador, sem implicar o público diretamente.

Em 2022 tal atitude talvez não fosse a mais cautelosa. A opção de Ozon corresponde a um retorno ao mundo do espetáculo. Observamos não mais o amor, nem mesmo as personagens, mas os atores. Vejam como Ménochet está bem, vejam Hanna Schygulla, que surpresa agradável, agora no papel de mãe de Peter et cetera. Uma estética neoclássica, talvez.

O final dos dois filmes evidencia a diferença entre os dois cineastas. É quando os enquadramentos de Fassbinder mais se sobressaem (eles são melhores o tempo todo, observemos, basta atentar ao uso dos manequins da designer de alta costura, tão semelhante por vezes às próprias personagens).

 

[Fonte: www1.folha.uol.com.br]

Los raportaires estiman que la decision manca a la dignitat, a la libertat, a l’egalitat, a la non-discriminacion e a l’identitat de las personas de lengas culturas istoricas minorizadas

Lo Conselh dels Dreches Umans de l’ÒNU mandèt una letra al govèrn francés, lo 31 de mai passat, per plànher la decision del Conselh Constitucional francés a prepaus de la Lei Molac e demandar al govèrn francés d’informacions e d’explicas a prepaus del tractament diferencial de l’anglés e de las lengas minorizadas de França dins l’educacion publica, çò rapòrta Ouest-France.

“Crenhèm que l’adopcion e l’aplicacion d’aquela decision pòsca entraïnar d’atenchas importantas als dreches umans de las minoritats lingüisticas de França”, çò ditz la letra que la signan lo sud-african Fernand de Varennes, raportaire especial sus las questions relativas a las minoritats; la grèga Alexandra Xanthati, raportaira especiala dins lo domeni dels dreches culturals; e la burkinabe Koumbou Boly Barry, raportaira especiala sul drech d’educacion.

Los raportaires estiman que la decision del Conselh Constitucional manca a la dignitat, a la libertat, a l’egalitat e a la non-discriminacion aital coma a l’identitat de las personas de lengas e culturas istoricas minorizadas de França. A mai, avaloran que sa mesa en aplicacion pòt metre França en contradiccion amb los engatjaments qu’a pres al títol del Pache Internacional suls Dreches Civils e Politics, de la Convencion Internacionala suls Dreches de l’Enfant e del Pache Internacional suls Dreches Economics, Socials e Culturals.

De remembrar que lo 21 de mai de 2021, lo Conselh Constitucional francés tombèt dos articles primordials d’aquela lei de proteccion e promocion de las lengas minorizadas, aviada pel deputat breton Pau Molac. Al motiu que l’article 2 de la Constitucion precisa que “la lenga de la Republica es lo francés”, los jutges estimèron inconstitucional l’ensenhament immersiu en occitan e en tota lenga autra que lo francés, e mai empediguèron que los rèirenoms portèsson de signes grafics qu’existisson pas en francés, coma la “ñ” del breton e los accents pròpris de l’occitan.

La reaccion de l’ÒNU seguís la denóncia que la faguèt arunan l’ELEN (European Language Network Equality, malhum europèu per l’egalitat entre las lengas).

 

[Imatge: Guilhèm Sevilha – sorsa: http://www.jornalet.com]

Pocos alcazareños conocen la visita del periodista uruguayo a la ciudad manchega cubriendo información sobre la Guerra Civil española.

Matías Barchino Pérez, con corbata en el centro de la imagen

Escrito por CONSTANTINO LÓPEZ SÁNCHEZ-TINAJERO

Alberto Etchepare

Alberto Etchepare

Una de las personas que han pasado por Alcázar de San Juan fue el periodista uruguayo Alberto Etchepare Silva, quién se vino a España a cubrir la información sobre nuestra Guerra Civil.

El paso de este viajero por la localidad nos lo reseñó hace años el profesor Matías Barchino Pérez, decano de la Facultad de Letras de la Universidad de Castilla-La Mancha, en uno de los “Almuerzos de don Quijote” organizados por la Sociedad Cervantina de Alcázar de San Juan, concretamente el celebrado el 20 de mayo de 2017, poniéndonos en antecedentes sobre Etchepare y comentándonos que había dedicado a Alcázar de San Juan un capítulo de su libro.

El libro, titulado Don Quijote fusilado (notas sobre la guerra de España) y que vio la luz en 1940, lo constituyen una serie de crónicas, algunas de ellas enviadas y publicadas anónimamente en los diarios opositores Uruguay y El País.

El autor dudó -meses después de acabada la guerra-, en publicar estas notas que pensaba mal hilvanadas y faltas de todo pulimento literario, pero se convenció de ello porque seguía vivo y palpitante el problema de España y porque el libro serviría para recaudar fondos para los refugiados españoles en Uruguay, también para fortalecer la esperanza de pronta justicia social que en nosotros alienta.

Alberto Etchepare, que también firmaba sus artículos como El Ujier Urgido, Plácido Barlovento y Máximo Vago, salió de su país por propia voluntad, tuvo el impulso -nada más conocer el comienzo de la guerra-, de abandonar Montevideo para apoyar al bando republicano y se vio en la necesidad de venir a nuestro país a contar de primera mano todo cuanto ocurría en España.

Dejó la capital uruguaya y se vino con lo puesto para contar a sus compatriotas lo que estaba aconteciendo en España. En el prólogo a Don Quijote fusilado, el abogado, escritor, parlamentario y fundador del partido Socialista del Uruguay, Emilio Frugoni, dice de él: “Desde aquella primera noticia él se sintió dominado por el ansia de acercarse al drama hispano, más que para contemplarlo como simple espectador y narrarlo como testigo presencial, para vivirlo, para sentirlo en carne propia, sirviendo con la pluma y también si cuadraba con el fusil, la causa del gran protagonista de este drama, que era el heroico amor del pueblo a sus derechos y a su dignidad”.

Continúa Frugoni exaltándolo y reconociendo su impulsivo atrevimiento: “Mientras nosotros no atinábamos todavía a salir del doloroso asombro que nos producía el estallido de la traición armada, en rebeldía facciosa contra los destinos de pueblo español, él vino y nos dijo: ‘Me voy a ver qué ocurre en España y relataré lo que vea’ ».

Frugoni pensó que el libro había supuesto una especie de triunfo personal para Etchepare o, por mejor decir, una profunda evolución en positivo, el proceso de un aprendizaje oculto, siendo como una especie de máster en el dominio de la pluma para el joven cronista, y por eso dice: “Cuando comenzaron a aparecer estas crónicas en nuestros diarios, yo le dije a un amigo: ‘He aquí que la guerra de España nos ha llevado un atorrante (usaba el vocablo familiar en su más amable acepción) y nos devuelve un gran periodista’”.

Etchepare llegó a España en barco, entrando en nuestro país por Barcelona, ciudad a la que dedica los primeros capítulos. Recorrió después el frente de Huesca, Tardienta, Torralba de Aragón y por fin Madrid. Desde la capital se trasladó a Alcázar de San Juan de paso hacia Valencia. Con toda seguridad, sería uno de los últimos días del año 1936, ya que había pasado la Navidad en Madrid.

Pasando antes por el Toboso a bordo de un automóvil con un chofer -que había sido conductor de taxis en Madrid-, se cruzaron con una escuadrilla de aviones enemigos, y por miedo hubieron de acelerar el vehículo a más de 100 km/h “por la cuna de la ingrata por quien tanto penó don Alonso Quijano. Tan solo alcanzamos a gritarle al grupo de casas un ‘¡Chau Dulcinea!’, mientras la cruzaban a toda velocidad.

Llegaron a Alcázar de San Juan, según relata el propio Etchepare: “Atravesando los campos de La Mancha y evocando a nuestro Don Quijote. El horizonte se nos iba abriendo como un libro de caballerías, y ante la vista de los molinos de viento nos embriagábamos de leyenda… El coche potente y raudo, devoraba nafta y kilómetros, mientras a nosotros se nos iba la imaginación. Por un instante temimos atropellar a la sombra augusta de Don Quijote que, como alma en pena, parece estar vagando por estas tierras secas y desoladas. Los molinos se nos antojaban -como al hidalgo manchego- seres fantásticos que huían despavoridos de un invisible enemigo que les grita: ‘¡Arriba las astas!” (aspas hubiera sido lo correcto).

Una vez en Alcázar, el reportero narra que cenan un menú de guerra en un mesón típico, alumbrados por un parpadeante candil, y cuenta algo que le llama la atención (una característica de Alcázar a lo largo de su historia) que el pueblo tiene una gran animación, por ser uno de los puntos adonde arriban las familias refugiadas que vienen de Madrid.

En este mesón cuenta una graciosa anécdota que les sucede cuando “un chaval de ocho años nos contempla curiosamente mientras comemos. Buscando amistad, lo interrogamos:

– ¿Eres evacuado?

– No, señor. Soy Jacintito, para servir a usted.

Esto parece un chiste malo, pero nos ha sucedido efectivamente”.

No da para mucho más la estancia en Alcázar ya que a las once de la noche suben al tren que los llevará a Valencia, un convoy formado por más de veinte vagones repletos de toda clase de gente: milicianos, niños, viejos, mujeres jóvenes dando el pecho a sus críos y a media luz (los de primera y tercera están envueltos en penumbra), tan repleto que deben ubicarse en un pasillo hasta que el tren, dos horas después, parta de la estación rumbo a Levante.

En ese ínterin hasta la partida del tren aún sucede otro episodio digno de relatarse: “A nuestro lado tres señores de boina protestan porque deben viajar de pie. Están bien vestidos. No les vemos las manos a causa de los guantes, pero han de ser sin duda, blancas y suaves, se nos ocurre, como de sacristanes. Hablan de la falta de organización y de la incapacidad del Comité. El más grueso de ellos, colorado de cara y con un habano en los labios nos dice: – ¿Y para qué hemos hecho la revolución? Sonreímos sin contestarle. Él se da cuenta de que lo estamos ‘sobrando’. Tenemos ganas de decirle que la revolución aún no se hizo. De que él está saboteando el régimen. Que no es momento para críticas. Que hay que ganar la guerra primero. Que si no se calla le meteremos un tiro en medio de la barriga… Pero no vale la pena”.

Escribe también Alberto Etchepare, despidiendo el capítulo de Alcázar de San Juan: “Rumbo a Valencia nos llevaba aquel vagón trepidante, con su carga de humanidad dolorida, angustiada. Desde el fondo del coche salía el canto ronco de los soldados del pueblo:

‘Es la lucha final

que comienza.

La revancha

de los que ansían pan…’”

 

Este joven periodista que vino ávido de experiencias y que regresó después de la guerra de España, según Frugoni “como un narrador vivaz, plástico, emotivo, que comunica sus sensaciones con una precisión certera de verdadero dominador de su oficio, que ya es arte en sus manos por la virtud de ese soplo sutil con el cual, desde los tiempos bíblicos, el barro tosco y pedestre de los caminos del mundo, comienza a palpitar y animarse”, tuvo un paso muy breve pero a la vez intenso por nuestra ciudad y describe cómo la encontró en tiempo de guerra, es sin duda, una visión totalmente objetiva de un visitante extranjero que deja escrito su testimonio sobre Alcázar de San Juan, sobre su estación y sobre su paisanaje.

 

[Fuente: http://www.todoliteratura.es]

La película ‘Regreso a Reims’ traza una historia crítica de la evolución de la clase obrera desde el comunismo hasta caer en las garras de la ultraderecha

Escrito por Juan Sardá

El ascenso de la ultraderecha en Francia y en toda Europa sigue provocando ríos de tinta. Una pregunta sobrevuela por encima de todas las otras: ¿Por qué la clase obrera vota al « enemigo »? ¿Cómo es posible que muchos hayan pasado de comunistas al extremo contrario? « No hay un 40% de franceses fascistas », dice de entrada Jean-Gabriel Périot (Bellac, 1974), autor de otras cintas de corte político como Una juventud alemana (2015) o Nuestras derrotas (2019).

Son muchas las preguntas a las que trata de buscar respuesta Regreso a Reims, película en la que Périot adapta el ensayo autobiográfico homónimo del sociólogo francés Didier Eribon (publicado en España por libros del Zorzal). Por una parte, vemos las brutales condiciones que tuvo que padecer la clase obrera en el siglo XX: jornadas laborales interminables en fábricas peligrosas, sueldos de miseria y apartamentos pequeños sin ventanas. Por la otra, la forma en que esa violencia estructural acaba generando violencia contra quienes se perciben más débiles: mujeres, homosexuales o inmigrantes.

Utilizando imágenes de archivo como forma de convertir una experiencia individual en colectiva, Périot se interroga sobre las « contradicciones » de esos obreros que en muchos casos hoy apoyan a Le Pen. De manera poética, con algunos momentos demoledores como el de esa limpiadora que dice sobre todo sentir « indiferencia » del mundo hacia ella y los de su condición, Regreso a Reims apunta también a la « traición » del Partido Socialista a los desfavorecidos o factores psicológicos para explicar ese ascenso ultra. « La naturaleza humana necesita agredir a quien percibe como más débil », opina el director.

Pregunta. ¿Quería hablar de la clase obrera sin idealizarla?

Respuesta. No creo que haya nada puro y perfecto, debemos buscar las contradicciones cuando reflejamos cualquier situación. Si hablo de la clase obrera en general hay una mitología que se relaciona con esa idea de la « víctima ideal ». Me interesan los rincones ocultos y problemáticos. Evitar esas contradicciones en realidad significa deshumanizarlo. Y la clase obrera no ha sido jamás ni es perfecta. El realismo socialista por ejemplo quiso dar esa imagen inmaculada. El problema muchas veces es que esa representación la realizan burgueses que en realidad no la conocen en absoluto. Tratan de mostrar que son más de izquierdas que nadie y se presentan como más revolucionarios que las clases populares, representan a los obreros como si fueran inatacables. Por supuesto, ha habido explotación y un gran sufrimiento, pero también hay misoginia, racismo… En parte por eso muchos han acabado apoyando al Frente Nacional. Yo provengo de ese lugar y me niego a representar mi familia como si fuera perfecta.

P. ¿Por qué ha decidido adaptar el libro de Didier Eribon con imágenes de archivo y no mediante la ficción?

R. Hay muchas razones. La primera es que la calidad literaria del libro emociona a muchos lectores porque mediante su intimidad refleja la vida de muchas personas. Al utilizar imágenes de archivo puedo mostrar más experiencias que enriquecen la de Eribon. Eso me permite de ampliar el foco a otras experiencias y salir del retrato de una familia específica. Cuando escuchamos a otros obreros explicarse por sí mismos no podemos contradecirles, es su experiencia que se dirige directamente a nosotros. Es una manera de presentarles de manera objetiva. Con una ficción te colocas de manera inmediata en la representación, debes recrear una época y los propios actores franceses no tienen el cuerpo ni el aspecto de esta gente.

P. ¿Existe una imagen estereotipada del obrero en el cine creada por burgueses?

R. En el cine francés es sorprendente cómo sucede con frecuencia que directores de familias privilegiadas reflejen a los obreros sin tener ni idea. Surgen unas películas llenas de clichés terribles. Por supuesto es posible hacer películas sobre medios que no conocemos, pero ves siempre esa voluntad de demostrar que están a la izquierda. Eso no funciona. Políticamente lo relevante es que los obreros raramente pueden acceder a realizar películas. La inmensa mayoría de los directores franceses proceden de clase alta. No hace falta ser pobre para filmar a los pobres, pero lo que vemos es un cine social problemático.

Hay algo en la naturaleza humana por la que debemos agredir a otros para sentirnos mejor

P. Además de las jornadas agotadoras o las graves enfermedades que las fábricas provocaron, ¿la máxima frustración sucede por la falta de expectativas, la certeza de que nada mejorará?

R. El medio en el que crecemos nos limita de muchas maneras. Hablando de mi propia experiencia, le escondí durante mucho tiempo a mi familia que hacía películas. Un trabajo técnico es otra cosa, pero cuando tomas la palabra está mal visto. Se ve como algo pretencioso. Es realmente extraño que sintiera que debía ocultarlo. Para todos es muy difícil romper los esquemas que nos vienen de familia. En mi caso me sentía casi como un traidor a mi clase. Esa ruptura con lo que sientes que se espera de ti es muy difícil. Yo no me veía capaz de seguir viviendo en el mismo barrio de mi infancia. Hay una limitación que también es psicológica.

P. En la película se sugiere que parte del éxito del Frente Nacional se debe al hecho de que permite a obreros blancos colocarse « por encima » de los inmigrantes, ya que eso les devuelve un cierto sentido de dignidad machacado por la clase alta. ¿Está de acuerdo?

R. Hay algo en la naturaleza humana por la que debemos agredir a otros para sentirnos mejor. Necesitamos encontrar a alguien a quien hacer daño porque creemos que es más débil que nosotros. Eso también lo vemos en la película con esos hombres que después de jornadas espantosas en la fábrica necesitan atacar a sus mujeres para recuperar su autoestima y sentirse victoriosos. Toda esa mala energía acumulada por la explotación y el abuso al final no se acaba dirigiendo contra el propio sistema o los políticos que lo perpetúan sino contra aquel que no es como yo, el inmigrante. Es irracional pero es una forma de buscar culpables o excusas. En la propia Francia hay también una larga historia de racismo colonial como vimos en la guerra de Argelia. En la película vemos cómo el propio Partido Comunista acaba copiando el discurso del Frente Nacional y dice eso de « dos millones de parados, dos millones de inmigrantes ».

Fotograma de 'Regreso a Reims'.

Fotograma de ‘Regreso a Reims’.

P. ¿Pesa más el racismo que el hecho de que las políticas de ultraderecha recortan servicios públicos y bajan impuestos a los ricos?

R. Para mí es difícil de entender cómo los obreros acaban votando a la ultraderecha del mismo modo que no entiendo cómo se puede ser judío y antisemita u homosexual y homófobo. Es curioso cómo determinadas personas pueden estar a la vez en la posición de dominado y dominante. Hoy vemos que hay feministas y lesbianas de derechas. Una vez que determinadas luchas comienzan a ser exitosas y salen de la clandestinidad vemos cómo se reequilibra su posición en la sociedad. Es algo sorprendente pero participa del hecho de que la vida es complicada.

P. En la película también se señala la « traición » de Mitterrand y el Partido Socialista en los años 80 a la clase obrera tras la enorme ilusión que provocó su victoria. ¿Hubo tal traición?

R. Fue una decepción enorme. Cuando Mitterrand se impuso hacía muchos años que la izquierda no ganaba. Fue un sueño cumplido para muchos. Esa derechización fue un fenómeno que sucedió en toda Europa, lo vimos con Blair en Reino Unido o Schroeder en Alemania. Fue un gran error. No sé cuál puede ser la explicación, la revancha social al acceder al poder puede ser una. Prefirieron traicionar a quienes les habían votado y se convirtieron en personajes del establishment. Eso hizo mucho daño. En Francia el Partido Socialista ahora casi ni existe y sin duda una de las razones de Le Pen es esa traición. Eso desesperó a los electores de izquierda porque si eso era la izquierda, no había opción. La ventaja es que el voto del Frente Nacional no es fiel. Es un voto de protesta. En algunas zonas de Francia primero votaron a Mélenchon (el candidato más a la izquierda) y luego en la segunda vuelta cambiaron por Le Pen. No tiene mucho sentido y lo que se ve es que es un voto de castigo a Macron y al sistema. Muchos de esos lugares tienen una población en su mayoría emigrante con lo cual queda aún más claro ese elemento de pura protesta. No hay un 40% de franceses fascistas.

Todos tenemos a un reaccionario dentro y creo que es importante buscar nuestros propios espacios de contradicción

P. Se habla mucho del malestar social en Francia pero sigue siendo uno de los países más ricos y con mayor bienestar del mundo. ¿Cuáles son las causas profundas?

R. Hay un malestar. La parte positiva es que seguimos siendo un país combativo. La manifestación forma parte del ADN de Francia. Las cosas se mueven a pesar de todo y hay esperanza en un proyecto emancipador de izquierdas. Es cierto que si miras el mundo no somos conscientes de la suerte que tenemos en muchos aspectos. Hasta cierto punto Francia es un país que no ha hecho el duelo de su pasado colonial. Tenemos una pretensión universalista que no se ejecuta. Frente a todo eso hay cosas muy bellas que pasan en la población y movimientos solidarios.

P. ¿Cree que el discurso de la derecha, el « no hay alternativa » o « el Estado del bienestar crea vagos », se ha impuesto como hegemónico?

R. Hay una gran victoria ideológica de la derecha, sin lugar a dudas. Eso queda claro cuando ves que algunos de sus postulados están totalmente integrados en la sociedad como verdades indiscutibles. Eso comienza con la revolución neoliberal de Reagan y Thatcher. El propio Partido Socialista ha adoptado en gran parte ese discurso. Parte del problema es que nadie plantea otro modelo, no hay un proyecto utópico para proponer. Y cuando los ha habido, como en Latinoamérica, no han funcionado. De alguna manera todos tenemos a un reaccionario dentro y creo que es importante buscar nuestros propios espacios de contradicción.

P. ¿Cree que es correcta la afirmación de que la izquierda se ha centrado demasiado en las políticas identitarias y de alguna manera se ha « olvidado de los pobres »?

R. En el caso de Francia, la izquierda de manera voluntaria ha deshecho la idea de la estructura social de clases. Eso se ha transformado en categorías identitarias. Con ello se ha terminado con los movimientos sindicales y cada trabajador libra su propia lucha. Los empleados y los parados se han individualizado. Aislados los unos de los otros, han perdido capacidad de negociación. Los socialistas llevan años planteando medidas de cambio y finalmente no cambian nada.

 

[Fuente: http://www.elespanol.com]

El compositor i guitarrista publica el seu 37è àlbum i reconeix que l’artista que més troba a faltar és el seu « germà i amic » Ovidi Montllor

El compositor, cantant i guitarrista Toti Soler ha publicat el seu 37è disc ‘Fill de la fortuna’ (Satélite K), el 37è sense comptar tots els discos en què ha acompanyat altres artistes. Cançons que van de la tarantel·la a la buleria fins a la sardana i amb col·laboradors com Gemma Humet, Mireia Vives, Rosa Mateu i Sandra Bonillo. En una entrevista amb l’ACN, Soler es mostra crític amb la música predominant que es fa al país, que busca imitar la música americana, afirma. Soler creu que tots ells han oblidat els orígens: “Hem perdut els nostres orígens i sembla que no tinguem dignitat musical”, lamenta.

Dels 18 temes de ‘Fill de la fortuna’, 11 són de Toti Soler, que també canta dues cançons: ‘Som’, de Raimon, que és un homenatge al cantant de Xàtiva, i ‘Fugaç’, sobre un poema de Sandra Bonillo. Els temes de guitarra tenen estils variats: tarantel·la, buleria, sardana, i les composicions són de diferents èpoques.

El tema que obre el disc ‘Nedant en el vent entre les fulles lluminoses’ és una tarantel·la molt recent, de fa un any, explica, però després hi ha altres cançons com ‘Oració a la vall’ que en té 35 i està inspirada en un poema de Salvador Jàfer, que és un projecte que tenia Ovidi Montllor i que no es va arribar a tirar endavant. Una de les versions del disc és el clàssic ‘La santa espina’ cantada al disc per la soprano catalana Rosa Mateu. “És una sardana que sempre m’ha agradat molt i diria que és el veritable himne de Catalunya és una cançó preciosa, positiva i alegre”.

Soler té l’experiència, assegura, que quan fa un disc variat amb cançons diverses és més ben acollit i més encara, afegeix, amb les “col·laboracions magnífiques” al ‘Fill de la fortuna’. El disc està format per 18 temes per a guitarra solista, grup i cançons, amb diferents convidats com Gemma Humet, Mireia Vives, Rosa Mateu, Sandra Bonillo i els seus nets Marc i Pol, amb el contrabaixista Marc Prat i el percussionista Arnau Figueres.

El disc l’ha enregistrat a l’estudi de casa seva a Palau Sator, el productor és ell mateix, i el tècnic de so també. Soler va començar la confecció del disc fa tres anys i per la pandèmia no el va poder tirar endavant. Finalment, el disc veu ara la llum.

Soler dedica ‘Som’ a Raimon i assegura que el cantant valencià és un dels seus herois. El compositor fa broma que, en el seu cas, “després d’aguantar tants anys la ‘marxeta’ potser sí que arribarà a la categoria d’heroi”. Recorda els anys que va estar amb el seu amic Ovidi Montllor i les gravacions amb artistes com Léo Ferré i Taj Mahal.

Ovidi Montllor i Jordi Sabatés

Reconeix que tots els artistes amb els que va col·laborar el que més troba a faltar és Ovidi Montllor perquè “era com un germà i un veritable amic” i el Jordi Sabatés amb qui vaig començar amb un petit grup de jazz.

“Sempre he volgut fer la meva i m’he mantingut a part de les influències comercials i de moda i m’ha permès composar una mica el meu llenguatge i és el que un artista vol: tenir la seva pròpia veu”. Ha citat entre les seves grans influències Bach, Debussy, Miles Davis i el flamenc.

Música actual

Soler es mostra crític amb la música actual sobretot quan assegura que tothom fa música americana. De fet, recorda que ja ho cantava l’italià Renato Carosone a la popular cançó ‘Tu vuò fà l’americano’ (tu vols fer-te l’americà). Soler creu que tots ells, músics d’aquí que fan música americana, han oblidat els seus orígens. “Aquí hem perdut els nostres orígens i sembla que no tinguem dignitat musical”.

Destaca els punts en comú que hi ha en la música que es fa al mediterrani nord, que inclou Catalunya. “Les cançons napolitanes són cosines germanes de les nostres i es pot anar fins a Grècia i també en tenim parentesc”. Lamenta que a Grècia escoltes música grega al cotxe contínuament, mentre que aquí s’escolta música rock o pop “copiada. No som ni d’aquí ni d’allà i això és molt greu”.

Soler apunta que s’ha de tenir una memòria històrica i musical. Creu molta gent d’avui en dia no saben qui és Carles Riba, Frederic Mompou, el Garreta, el Tete Montoliu o l’Ovidi Montllor. “Són desconeguts però artistes que surten fent saltirons està a l’ordre del dia”, afegeix.

[Foto: CCMA – font: http://www.racocatala.cat]

Mélenchon aurait-il un problème avec les Juifs ? Marc Knobel dresse la liste de quelques ambiguïtés du chef des Insoumis.

Écrit par Marc Knobel

Jean-Luc Mélenchon aurait-il un problème avec les Juifs ? Cette question peut paraître étonnante ou saugrenue et le simple fait de la poser, j’imagine, pourrait irriter ou agacer les dirigeants et les militants de la France insoumise. Pour autant, aucune question ne peut et ne doit être interdite. Surtout lorsqu’il s’agit d’observer le comportement, d’examiner les propos qui ont été tenus, les allusions, les déclarations quelquefois à l’emporte-pièce d’un homme qui joue un rôle si important dans notre vie politique et qui a concouru par ailleurs à l’élection présidentielle. Si cette question est posée et je la pose ici, c’est bien parce que certains propos tenus ont été déplacés ou maladroits, violents quelquefois. En tout cas, ces propos ont suscité de l’incompréhension, de l’inquiétude ou de la colère chez les Français de confession juive. A la rigueur, me direz-vous, peu importe, non ? Eh bien non, justement. Les Français de confession juive ne sont pas des observateurs si éloignés de la chose publique, des spectateurs asservis ou silencieux des choses qui se déroulent autour d’eux et de la manière surtout dont on parle d’eux. 

Pourquoi les Français de confession juive devraient-ils taire leur mal-être, leur questionnement, leur doute ? Pourquoi devraient-ils avaler autant de couleuvres, au moment même où mes coreligionnaires subissent cette peine, cette douleur ? Celle de l’antisémitisme. Cette frayeur, lorsque des enfants ont été assassinés parce que Juifs ou que des vieillards ont été défenestrés, parce que Juifs ? Ce dont les Français de confession juive ont intimement besoin, c’est de respect et de sécurité. Qu’on respecte ce qu’ils sont et qu’ils n’aient pas à raser les murs dans certaines banlieues de peur d’y perdre quelquefois la vie.

Je veux néanmoins rassurer mes lecteurs. On peut avoir un avis et le développer et critiquer les uns ou les autres. Pourquoi pas, après tout ? J’ai moi-même une opinion sur ce que sont les Français de confession juive, comment ils se sentent, ce qu’ils font, ne font pas, devraient faire. Par exemple, je n’aime pas l’enfermement, ce côté quelquefois ethnocentré, cette espèce de ghettoïsation et lorsque l’on oublie surtout que nous sommes porteurs de valeurs universelles. On ne vit pas exclusivement de l’entre soi. Cependant, je sais d’expérience que les Français de confession juive ne ressentent pas forcément les mêmes choses et ne les vivent pas forcément de la même manière. On peut avoir un avis, oui. On peut émettre des critiques, poser des questions. Mais, toujours le faire avec retenue et discernement.

Un autre point me tient à cœur. Je comprends bien cette difficulté et cette absurdité qu’il y a à catégoriser, à cataloguer. J’avais un professeur dans un cours à l’IEP qui prévenait ses étudiants que l’on ne peut parce que c’est commode traiter de fasciste n’importe qui, n’importe quel régime, n’importe quel homme politique. Les mots ont un sens. Par exemple, certains à gauche usent et abusent de l’expression… le gouvernement d’extrême droite en Israël. C’est être un peu à côté de la plaque. C’est une expression certes commode, mais qui ne correspond pas à la réalité. Dans un autre domaine, l’antisémitisme qui sévit aujourd’hui est suffisamment grave pour que l’on ne catégorise pas à l’excès et que l’on ne traite pas tout le monde ou n’importe qui d’antisémite.

Développons. Oui, on peut, on doit même critiquer les politiques qui sont menées au Moyen-Orient et à fortiori, en Israël, comme chez les palestiniens, d’ailleurs. Cela ne fait pas forcément de vous un antisémite. Certains de mes coreligionnaires ne seront pas d’accord avec moi, c’est leur droit. Je pense fermement que l’on peut critiquer une raison d’État, on peut et l’on doit sûrement s’élever lorsque des fautes sont commises. Et l’on doit toujours espérer que ce conflit interminable (le conflit israélo-palestinien) se résolve un jour. L’auteur de cet article est partisan de la création d’un État palestinien, parce que je ne vois pas qu’il puisse y avoir une autre solution à celle-ci. Mais, les Palestiniens doivent reconnaître aussi l’existence de l’État d’Israël et là, il y a du boulot.

Mais, les contempteurs d’Israël sont quelquefois animés par une haine inqualifiable. Il ne leur suffit pas seulement de critiquer une politique. C’est tout un pays et tout un peuple qu’ils marquent du sceau de l’infamie, qu’ils nazifient paradoxalement et jamais, jamais, Israël ne trouvera grâce à leurs yeux. Cette fixation/aversion/détestation d’Israël est un paradoxe. Dans aucun autre pays, les bonnes consciences aux géométries variables ne vouaient aux gémonies ou à la destruction totale tel ou tel autre pays, qu’Israël. Et la détestation d’Israël, telle qu’elle se répand au sein de la gauche française, me fait peur. Par exemple, Jean-Luc Mélenchon procède comme Jeremy Corbyn, l’un est peut-être même le mentor de l’autre. Ils ont là un épouvantail commode qu’ils vont pouvoir utiliser, secouer et blâmer jusqu’à plus soif, par conviction ou par opportunisme en politique. Sans forcer le trait, je dirai qu’il y a toujours des voix à conquérir/à attraper lorsque l’on dit forcément du mal d’Israël, tout au moins dans certains quartiers. Par ailleurs, l’indignation ne fait pas une politique surtout lorsque l’indignation est à géométrie variable. Alors, l’un (Mélenchon) comme l’autre (Corbyn) voient-ils en Israël, le diable réincarné ? Un pays dangereux et… inutile, au fond ? Comme si, si Israël devait disparaître, tous les problèmes de la région seraient automatiquement réglés. Plus d’Al Qaïda ? Plus de Daech ? Plus de despotes ou de bouchers au pouvoir ? Plus d’attentats ? Plus de corruptions et de corrupteurs ? Plus de guerres intestines entre chiites et sunnites ? Plus de misérables ? Etc. Quelle plaisanterie que voilà.

Au fond, ces excès portent préjudice aux causes qu’ils entendent servir. À la passion, il faut la raison. À la colère, il faut le sens des choses et la retenue.

Ont-ils à ce point peur des Juifs ? Peut-être ? Je sais que cette question dérange. Ont-ils à ce point le sommeil si léger parce qu’Israël existe et le sommeil si lourd lorsque Assad massacre son propre peuple ? Plutôt que de ressasser de vieilles colères, de fortes rancœurs et d’abuser de leur bonne conscience, qu’ils cherchent plutôt ce qui est et fait l’équilibre. On peut critiquer, on ne doit pas aboyer avec les chiens. Et, s’il faut critiquer, on ne vit pas dans un monde de bisounours où il faudrait épargner certains, plutôt que d’autres. Parlez-nous un peu de l’Iran, mes chers amis, que l’on vous entende enfin. Je tends l’oreille, voyez-vous. Parlez-moi de Cuba et du Venezuela ou de la Chine, je vous écoute.

Ceci étant dit et il était important que je l’écrive, parlons donc maintenant de notre sujet.

Corbyn et l’antisémitisme au Labour

C’est un tweet dont le philosophe Bernard-Henri Lévy a le secret. Il est à la fois percutant et incisif : « Jeremy #Corbin c’est l’antisémitisme dans le Labour. Quand #Obono et #DSimonet s’affichent avec lui, c’est Jaurès qu’on réassassine ; c’est Jules Guesde qui revient[2] ; la gauche républicaine a commencé avec Dreyfus- elle finirait dupée par la #Nupes et 1 #islamogauchisme fascisant?[3] ».

Mais, à quoi donc Bernard-Henri Lévy fait-il allusion ?

Expliquons. Le 3 juin 2022, Danielle Simonnet, candidate NUPES dans la 15ème circonscription de Paris (20ème arrondissement), se fend d’un tweet joyeux qu’elle illustre par trois photographies. Dans ce tweet, on peut lire que « Danièle Obono est venue avec une figure de la gauche européenne ce soir dans le 20e, symbole de notre combat commun pour la justice sociale et écologique par-delà les frontières. Nos combats sont “for the many not the few” ! Merci @jeremycorbyn de son soutien[4] ».

Dans les photos postées, on voit la députée Danielle Obono toute guillerette, ainsi que Danielle Simonnet et une autre femme faire le V de la victoire. Elles sont en compagnie de Jeremy Corbyn, l’ancien tenant de l’aile gauche du parti travailliste, tout sourire. On est somme toute entre copains[5].

Pour rappel, Corbyn avait été à la tête du Labour, mais il fut critiqué par la suite pour sa gestion des cas d’antisémitisme au sein du parti, ainsi que pour certains propos controversés[6]Le 29 octobre 2018, Jeremy Corbyn avait même été suspendu après la publication d’un rapport officiel dévastateur, qui épinglait les hésitations et la complaisance du parti dans sa lutte contre l’antisémitisme quand il le dirigeait, entre 2015 et 2018.

L’enquête avait été menée par un organisme indépendant, la Commission des droits de l’homme et de l’égalité (EHRC). Dans ses conclusions, la commission parle « d’années d’échec à lutter contre l’antisémitisme » sous la direction de M. Corbyn et de son « manque de leadership » dans ce domaine[7]. L’EHCR avait conclu à des défaillances « inexcusables » résultant d’un « manque de volonté de s’attaquer à l’antisémitisme ». Mais, quelques semaines plus tard, Corbyn fut réintégré pour d’obscures raisons politiciennes par le comité des différends du Comité national exécutif (NEC) du Labour, l’instance dirigeante du parti[8].

Revenons-en au tweet de Danielle Simonnet.

Dès publication du tweet, sa rivale socialiste, la députée sortante Lamia El Aaraje attaque aussitôt l’insoumise : « Les masques tombent : inviter et afficher le soutien de Jeremy Corbyn, écarté du Labour Party et du groupe pour complaisance avec l’antisémitisme en Angleterre, après 1000 plaintes enregistrées par ce parti, est une honte dont est fière Danielle Simonnet [9] ». D’autres socialistes reprennent cette critique, en pleine guerre des gauches dans ce 20ème arrondissement de Paris où Lamia El Aaraje maintient sa candidature, malgré l’accord à gauche derrière Jean-Luc Mélenchon[10].

Cette polémique passerait pour anecdotique si l’insoumis lui-même ne s’était exprimé en défendant Jeremy Corbyn.

Mélenchon, Jeremy Corbyn et l’obsession israélienne

Le 13 décembre 2019, sur son blog, Jean-Luc Mélenchon exprime son avis sur la défaite historique des travaillistes, aux élections législatives de 2019.

Il dit « ne pas être étonné du terrible revers électoral du parti travailliste de Jeremy Corbyn », qui devrait selon lui « servir de leçon ». Il énumère ensuite, les « leçons » de cet échec et écrit que « Corbyn a passé son temps à se faire insulter et tirer dans le dos par une poignée de députés blairistes. Au lieu de riposter, il a composé. Il a dû subir sans secours la grossière accusation d’antisémitisme à travers le grand rabbin d’Angleterre et les divers réseaux d’influence du Likoud (parti d’extrême-droite de Netanyahu en Israël). Au lieu de riposter, il a passé son temps à s’excuser et à donner des gages. Dans les deux cas, il a affiché une faiblesse qui a inquiété les secteurs populaires [11] ».

Ce propos suscite plusieurs observations.

1) Les Britanniques de confession juive qui, tout au long de leur vie, ont voté, adhéré, milité pour le Parti travailliste ont une conscience de gauche. Ils croient en des idéaux. Mais, depuis quelques années, certains ont vécu des situations difficiles. Ils ont été insultés ou menacés, uniquement parce qu’ils sont Juifs. D’ailleurs, près d’un millier de plaintes pour antisémitisme ont été déposées par des militants au sein du département chargé des plaintes et des conflits au Labour.

2) Ce n’est pas parce que les militants de confession juive du Labour seraient les porte-parole du Likoud en Israël (qui est un parti de droite) qu’ils ont été ainsi malmenés. Il faut une sacrée dose de culot pour distiller ainsi le doute et l’erreur. Les militants de confession juive du Labour n’ont pas attendu les prétendues consignes ou le rappel à l’ordre du grand rabbin du Royaume-Uni. Certes, Ephraïm Mirvis n’a pas mâché ses mots : « La manière dont la direction [du Labour] a traité le racisme anti-juif est incompatible avec les valeurs britanniques dont nous sommes si fiers – celles de dignité et respect pour tous », a écrit le grand rabbin dans le Times (25 novembre 2019). Mais, n’était-il pas dans son rôle de le dire ?

3)  L’article a été publié le 25 novembre 2019, seulement. Et quand bien même ? Les militants du Labour peuvent se forger leur propre opinion sans avoir à attendre que le grand rabbin exprime la sienne. Là encore, c’est insulter leur intelligence, c’est insulter leur militantisme (de gauche). Par contre, le fait que Jean-Luc Mélenchon pointe du doigt justement le grand rabbin nous intrigue. Car l’accusation est peut-être paramétrée. En tout cas, elle est posée et elle fait tache.

4) Ce n’est pas non plus de la faute des Juifs de ce pays si Jeremy Corbyn a perdu les élections, en 2019. La population juive est estimée à 300.000 personnes sur 55,98 millions d’habitants en 2018. C’est peu. Mais, Jean-Luc Mélenchon semble leur attribuer un pouvoir exponentiel qu’ils n’ont pas. Pareillement pour le Likoud en Israël. Mélenchon pense-t-il réellement que le Premier ministre israélien de l’époque pouvait influer sur quelque 40 millions d’électeurs britanniques ? Seuls les complotistes voient chaque jour en chaque chose le poids des sionistes, d’Israël et des Juifs.

5) Si Jeremy Corbyn perd les élections, il le doit à lui-même. Il le doit à ses déficiences, ses incohérences, son incompétence et au fait que le Labour est rouillé de l’intérieur, il prend l’eau. La question essentielle en Angleterre a été celle du Brexit. Et non, celle de l’antisémitisme au Labour, même s’il est dénoncé par la presse, par des associations et, il est vrai, par les conservateurs britanniques. Mais, pour ces derniers, c’est de bonne guerre, n’est-ce pas ? Les indécisions de Jeremy Corbyn par rapport à ce sujet, expliquent sa défaite. Le Labour est un parti vieillissant d’une gauche à bout de souffle comme le sont aujourd’hui de nombreuses gauches, partout ailleurs dans le monde. Serait-ce aussi de la faute d’Israël et/ou des Juifs ?

« Ici c’est la Seine, ce n’est pas le Jourdain » 

Depuis quelques années, l’Insoumis froisse, tantôt en déplorant les dérives d’un certain communautarisme (plutôt qu’un autre), tantôt en diabolisant Israël. Ces réparties et ces attaques sont souvent catégoriques, agressives, rapides, nerveuses, violentes.

Prenons deux exemples qui nous paraissent significatifs.

17 décembre 2017, sur Europe 1. 
Jean-Luc Mélenchon déclare que « tous les Français, quelles que soient leur religion ou leur culture, doivent épouser le point de vue de la patrie sur ce sujet (ndlr, le conflit israélo-palestinien) ». « La condition pour que l’on vive bien en France, c’est de ne pas importer les conflits qui arrivent de l’extérieur. Ici c’est la Seine, ce n’est pas le Jourdain. On n’a aucune raison de se taper dessus pour une histoire qui est déjà assez embrouillée comme ça. Evidemment que ça vaut pour tout le monde », déclare-t-il. La comparaison est douteuse, elle est même blessante. Pourquoi parle-t-il du Jourdain ? Et quid des musulmans ou de Français et/ou d’immigrés provenant du Maghreb qui défendent la cause palestinienne ou s’identifient à elle ? Aurait-il utilisé une comparaison aussi déplacée, les renvoyant à Alger ?

24 août 2014 à l’université d’été du Parti de Gauche, à Grenoble. 
Jean-Luc Mélenchon chauffe la salle, le tribun est en pleine forme. Tous les sujets sont évoqués. Mais, à la trentième minute, il se met à parler de politique étrangère. Et, comme à son habitude, deux seuls pays ont la vedette, les États-Unis d’abord et Israël, ensuite. Pourtant, les sujets ne manquent pas. Pourtant, il eût été possible de parler de différents conflits, de différents pays, de s’en prendre à tel ou tel gouvernement ou politique, de désigner la Corée du Nord, la Chine, le Pakistan… Eh bien, non.

Il commence donc par prévenir que cela va mal se finir en Europe[12]. « Parce que le risque de guerre généralisée en Europe existe du fait de l’irresponsabilité habituelle de la politique agressive des États-Unis qui ont étendu l’OTAN et son armada jusqu’aux frontières de la Russie et s’étonnent que celle-ci ne se laisse pas faire, provoquant une escalade que l’on avait pas connu du temps de l’URSS … Faut-il être stupide pour aller soutenir un gouvernement dans lequel il y a des nazis, c’est une aberration. Non, ce n’est pas la politique de la France de faire ça[13] ».  Il enfonce le clou : « Nous sommes contre les néonazis dans les gouvernements[14] ». Étrange coïncidence, car justement, à Moscou, Poutine affirme combattre les néonazis en Ukraine.

Il en vient tout de suite après à parler de Gaza[15] et à s’indigner du sort tragique dont les gazaouis sont les victimes. Il pointe du doigt les responsabilités israéliennes, on le sent en colère et il est ému. Mais, curieusement, il n’a pas un mot, pas une phrase cependant pour condamner le Hamas qui dirige et domine cette bande de terre. Le Hamas n’existe pas ? Les exactions et les crimes perpétrés par le Hamas ne méritent pas une virgule ? 

Puis, il dit alors que les valeurs de la France « sont que nous sommes toujours du côté du faible et de l’humilié parce que nos valeurs, c’est liberté, égalité et fraternité. Pas la paix aux uns, la guerre aux autres. Nous ne croyons pas aux peuples supérieurs aux autres[16] ».

Cette phrase choque. Elle fait probablement référence à une déclaration du général de Gaulle. Interrogé le 27 novembre 1967 sur la situation au Proche-Orient. Le président vint alors à déclarer que beaucoup se demandaient si « les Juifs, jusqu’alors dispersés, mais qui étaient restés ce qu’ils avaient été de tout temps, c’est-à-dire un peuple d’élite, sûr de lui-même et dominateur. » En son temps, cette déclaration eut un fort retentissement au sein de la société israélienne, des Juifs de France et aussi des nombreux politiciens ou sympathisants de la cause de l’État hébreu. Parmi ces réactions on peut noter un dessin de Tim dans Le Monde du 3-4 décembre 1967, représentant un déporté juif, décharné, portant l’étoile jaune, avec la main dans sa chemise à la manière de Napoléon, et le sous-titre « Sûr de lui-même et dominateur. »

Puis, Jean-Luc Mélenchon poursuit son discours : « Si nous avons quelque chose à dénoncer c’est ceux de nos compatriotes qui ont crû, bien inspirés, d’aller manifester devant l’ambassade d’un pays étranger ou d’aller servir sous ses couleurs les armes à la main. Si nous avons quelque chose à dénoncer c’est cela. La France a le devoir de militer pour la paix. Elle doit s’engager de toute sa force pour la paix. Nous ne baisserons pas les yeux ».

Jean-Luc Mélenchon fait ici allusion à une manifestation de solidarité qui venait de se tenir à Paris. Elle avait été organisée par différentes institutions juives, pour soutenir Israël qui, depuis 7 ans, était bombardé presque quotidiennement par les missiles du Hamas. Manifestation où, soit dit en passant, une minute de silence pour les victimes palestiniennes et israéliennes avait été observée. Ajoutons cette précision donnée par le journaliste Frédéric Haziza : « Quant aux soldats franco-israéliens. Ils ne s’enrôlent au sein de Tsahal qu’après avoir acquis la nationalité israélienne et non pas, comme d’autres, avec l’objectif d’aller combattre au nom du jihad dans un pays étranger, éventuellement contre l’armée française, pour revenir ensuite en France commettre d’autres crimes[17] ».

Dernier point. Lors de son allocution, Jean-Luc Mélenchon affirme que les manifestants anti-israéliens ont su « se tenir digne et incarner mieux que personne les valeurs fondatrices de la République française ». En effet, face au conflit israélo-palestinien, chacun éprouve de l’empathie pour telle ou telle cause et des manifestations ont lieu. Mais elles sont, le plus souvent, organisées par les militants ou les sympathisants de la cause propalestinienne. Si la majorité d’entre elles ne provoque pas de trouble, la tension est cependant presque toujours palpable dans les cortèges (cris, hurlements…), depuis l’année 2000. Dans ces manifestations, les slogans les plus outranciers sont scandés. Mais il y a aussi ces cris de « Mort aux Juifs », des étoiles de David identifiées sur les banderoles à la croix gammée et ces maquettes de roquettes Qassam brandies par les militants cagoulés[18].

Or, en cet été brûlant de l’année 2014, la violence antisémite était bien présente et elle s’exprimait et s’exerçait tant à Paris, qu’à Sarcelles. Mélenchon le sait. Pourquoi ne dénonce-t-il pas ses violences inadmissibles ?

Prenons quelques exemples.

  • Dans la nuit du vendredi 11 au samedi 12 juillet 2014, un cocktail Molotov est lancé contre la synagogue d’Aulnay-sous-Bois, en Seine-Saint-Denis.
  • Le 13 juillet 2014, à Paris, rue de la Roquette. Une centaine de jeunes, portant pour beaucoup les couleurs du Hamas ou le drapeau palestinien, tente d’attaquer et d’investir la synagogue qui se trouve dans cette rue, avec une violence inouïe, mais ils ont été repoussés par les CRS présents sur place.
  • Le 19 juillet, malgré l’interdiction, des centaines de personnes se rassemblent à Barbès, très encadrées par les forces de l’ordre. Peu avant 16 heures, la manifestation commence à dégénérer, faisant fuir une partie des militants. D’autres ont lancé des projectiles sur les forces de l’ordre, qui ont répliqué avec des gaz lacrymogènes. En fin de journée, une vingtaine de manifestants, certains portent le drapeau palestinien sur les épaules, jettent encore sur les forces mobiles de grosses pierres récupérées sur un chantier. D’autres cassent un trottoir pour récupérer des pavés. Selon une source policière, 38 personnes sont interpellées pour jets de projectiles, violences contre les forces de l’ordre et outrage. Dix-sept policiers et gendarmes sont blessés. Plus tard, 19 personnes sont placées en garde à vue. Elles sont soupçonnées de violences aggravées (en réunion ou avec arme) sur personne dépositaire de l’autorité publique, outrages, rébellion, dégradations aggravées ou encore participation à un attroupement.
  • Que dire également des violences qui ont ravagé la ville de Sarcelles ? Voitures incendiées, mobilier urbain saccagé, magasins pillés. La situation dégénère aux abords de la synagogue de l’avenue Paul Valéry. Des cocktails Molotov et des fumigènes ont été lancés en direction du lieu de culte protégé par les policiers[19].

Jésus, la croix et ses propres compatriotes

15 Juillet 2020. Mélenchon est sur le plateau de BFMTV. Alors que la journaliste Apolline De Malherbe lui demande si « les forces de l’ordre devaient être comme Jésus sur la croix et ne pas répliquer » lors de manifestations, la réponse du chef des Insoumis est particulièrement cinglante : « Je ne sais pas si Jésus était sur la croix, je sais qui l’y a mis, paraît-il. Ce sont ses propres compatriotes ».

Une phrase distillée comme du venin, qui va provoquer une intense émotion. Pourquoi Jean-Luc Mélenchon dont nous savons qu’il est un homme instruit et un intellectuel se permet-il de prononcer une phrase aussi dénuée de sens et assassine que celle-ci ? C’est la vieille rengaine du déicide, que voilà. Une vieille folie qui a été colportée par les intégristes et l’extrême droite, généralement. À quoi joue-t-il donc, là ?

Dès qu’elle en a connaissance, l’Amitié Judéo-Chrétienne de France se fend d’un communiqué de presse. « Faut-il rappeler à M. Mélenchon que, comme le rapportent les évangiles, les juifs alors sous occupation romaine n’avaient pas le droit de condamner quelqu’un à mort, cette décision étant réservée au seul gouverneur romain  (cf Jean, 18, 30) ? Et que de pareils propos contredisent les mêmes évangiles, où il est précisé que ce sont des notables et des chefs du peuple qui ont souhaité cette condamnation, et non tous les juifs, ni même tous les habitants de Jérusalem, comme l’affirme M. Mélenchon en dénonçant « les compatriotes de Jésus » ? Cette thèse ancienne de la responsabilité du peuple juif dans la mort de Jésus, rejetée depuis des décennies par tous les historiens et exégètes et condamnée par l’ensemble des Églises, a donné naissance, on le sait, à un antijudaïsme mortifère et à un antisémitisme dont l’aboutissement fut la Shoah. Il est bien triste qu’un homme politique, leader d’un parti important de notre république, soit si mal informé et continue à répéter de semblables accusations[20] ».

Conclusion provisoire

Ce sont là quelques exemples, nous aurions pu en donner d’autres. Ce sont là quelques ambiguïtés, ce sont là quelques mots inutiles, ce sont là quelques ignorances, ce sont là quelques fautes, ce sont là quelques bassesses. Jean-Luc Mélenchon s’étonne qu’il y ait une telle incompréhension entre les Français de confession juive et lui-même. Je m’étonne qu’il s’en étonne. On ne récolte que ce que l’on sème. Probablement, Jean-Luc Mélenchon pense-t-il que la politique c’est comme un punching ball. On peut tout se permettre et taper jusqu’à plus soif au nom de quelques convictions.

Par exemple de proclamer dans un tweet incendiaire que « la police tue », sans savoir au fond et sans attendre qu’une enquête ait lieu et de généraliser ainsi et à l’excès, pour discréditer toute une profession et les policiers, qui sont malmenés, par ailleurs. Par exemple de proclamer que « nous sommes contre les néo-nazis dans les gouvernements  », en devenant ce faisant comme un perroquet de Vladimir Poutine. Où sont d’ailleurs les néonazis? Par exemple de dire que ce sont « ces propres compatriotes » qui ont mis Jésus sur la croix.

il y a cette agressivité, cette impulsivité, cette férocité, pour ne pas dire, cette brutalité. Mélenchon est une sorte de cocotte-minute, prête à exploser et toute en ébullition. Il me donne l’impression qu’il ne peut se contenir et parce qu’il ne peut se contenir, il en devient sa propre caricature. Comme le disait avec justesse Bernard-Henri Lévy : « Cet homme, parti pour incarner le meilleur de l’esprit républicain, a décidé de se mettre à son compte et de devenir, ce faisant, le premier dans la décrépitude de son art politique[21] ».

Et, dans le domaine de l’antisémitisme, qu’il fasse amende honorable. Dans ce domaine, il n’est plus qu’une vilaine caricature blessante et humiliante.


Marc Knobel est historien, il a publié en 2012, l’Internet de la haine (Berg International, 184 pages). Il publie chez Hermann en 2021, Cyberhaine. Propagande, antisémitisme sur Internet.


[2] Pendant longtemps, Jules Guesde a croisé le fer à de nombreuses reprises contre Jean Jaurès, notamment sur la caractérisation de la République. Il a été hostile à la défense du capitaine Alfred Dreyfus, là où Jean Jaurès a été un ardent dreyfusard. Voir à ce sujet Jean-Numa Ducange, Jules Guesde, anti Jaurès ?, Armand Colin, 2017.

[3] https://twitter.com/BHL/status/1533692656672509953

[4] https://twitter.com/Simonnet2/status/1532813879775985665

[5] Voir l’excellent décryptage de cette rencontre dans Le Canard enchaîné du 8 juin 2022, « Avoir un bon copain ».

[6] En 2009, par exemple, dans un discours qu’il prononce devant l’association Stop the war coalition, Jeremy Corbyn décrit les membres du Hamas, le groupe islamiste qui contrôle Gaza et ceux du Hezbollah, la milice chiite libanaise soutenue par l’Iran, comme des « amis ». Des mots qu’il regrettera par la suite. Lors d’une conférence organisée à Doha en 2012, il assiste à une conférence avec Khaled Mashal, alors chef du Hamas. Husam Badran, le chef de l’aile militaire du Hamas, participe également à cette conférence. Dans son édition du 23 mars 2018, le Daily Mail exhume des photos datant de 2014, où Jeremy Corbyn se recueille devant les tombes des auteurs du massacre de 11 athlètes israéliens, en septembre 1972, lors des Jeux olympiques de Munich. Corbyn y dépose notamment une gerbe de fleurs. Lors de la polémique, il s’était défendu en déclarant qu’il avait plutôt rendu hommage aux 47 Palestiniens tués lors de l’attaque aérienne israélienne sur la base de l’Organisation de libération de la Palestine (OLP) en 1985, à Hammam Chatt. Dans une publication sur Facebook en 2012 et au nom de la liberté d’expression, Corbyn offre son soutien à l’artiste de rue Mear One, basé à Los Angeles, dont une peinture murale avait défrayé la chronique. La peinture murale, qui a ensuite été effacée, montrait plusieurs banquiers apparemment juifs jouant à un jeu de Monopoly, leur table reposant sur le dos nu et courbé de plusieurs travailleurs.

[7] Eric Albert, « Royaume-Uni : le « jour de honte » du Labour après un rapport sévère sur l’antisémitisme au sein du parti », Le Monde, 30 octobre 2020.

[8] Le Monde, « Jeremy Corbyn, ancien chef du Labour, réintégré à son parti après l’affaire du rapport sur l’antisémitisme », 18 novembre 2020.

[9] https://twitter.com/lamiaela/status/1533037371050102784?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1533037371050102784%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.huffingtonpost.fr%2Fentry%2Flegislatives-deux-candidates-lfi-critiquees-pour-safficher-avec-jeremy-corbyn_fr_629bad86e4b05fe694f5186c

[10] AFP, « Législatives: deux candidates LFI critiquées pour s’afficher avec Jeremy Corbyn », 4 juin 2022.

[11] https://melenchon.fr/2019/12/13/corbyn-la-synthese-mene-au-desastre/

[12] http://www.jean-luc-melenchon.fr/2014/08/24/2017-sera-une-insurrection/ A partir de la 32ème minute.

[13]Soulignons qu’en 2014, Jean-Luc Mélenchon parle plusieurs fois des « nazis » ou des « néonazis » qui auraient « une influence » au sein du pouvoir ukrainien ». Voir à ce sujet Marc Knobel, « Mélenchon et ses complaisances vénézuéliennes, cubaines, chinoises et russes », La règle du jeu, 17 mars 2022.

[14] http://www.jean-luc-melenchon.fr/2014/08/24/2017-sera-une-insurrection/ 33mn 30.

[15] Idem, à la 34ème minute.

[16] Voir à ce sujet François Heilbronn, « Mélenchon, les Juifs et le ‘peuple supérieur’ », La Règle du Jeu, 16 avril 2017

[17] Frédéric Haziza, « De discours en discours, Mélenchon n’en finit pas de surfer sur la vague du populisme », L’Obs, 26 août 2014.

[18] Voir à ce sujet Marc Knobel, « En 2009 et 2014, lorsque les manifestations propalestiniennes ont dégénéré », La Règle du jeu, 14 mai 2021.

[19] Voir à ce sujet :https://www.huffingtonpost.fr/marc-knobel/violence-manifestations-pro-palestiniennes_b_5602485.html
https://www.huffingtonpost.fr/marc-knobel/antisemitisme-en-frace_b_5676361.html
https://www.huffingtonpost.fr/marc-knobel/les-juifs-de-france-ne-vous-en-deplaise_b_5729446.html

[20] https://eglise.catholique.fr/espace-presse/communiques-de-presse/communiques-de-presse-conference-des-eveques-de-france/502327-lamitie-judeo-chretienne-de-france-deplore-propos-tenus-m-melenchon/

[21] Bernard-Henri Lévy, « Qu’est-ce qui fait courir Jean-Luc Mélenchon ? », Le Point, 29 mars 2017.

 

[Source : http://www.laregledujeu.org]

Au Maroc, l’homosexualité reste punie pénalement, et la société est encore très loin d’accepter la liberté sexuelle et de genre. L’annonce du ministère de la Culture marocain d’interdire le livre Mémoires d’une lesbienne, de Fatima Zahra Amzkar, au sein du Salon international de l’Édition et du livre (SIEL) de Rabat, en est une nouvelle illustration.

ActuaLitté

Publié par Antoine Oury

Depuis plusieurs semaines, l’autrice Fatima Zahra Amzkar et la maison d’édition Dar Agora préparaient la présentation de l’ouvrage Mémoires d’une lesbienne au Salon international de l’Édition et du livre (SIEL), un des événements littéraires les plus importants du pays. Une séance de dédicaces avait été annoncée : le roman aborde notamment le poids social de l’homosexualité au Maroc, où les autorités et une partie de la population considèrent l’homosexualité immorale, à travers le parcours d’une jeune lesbienne.

Le titre avait pour objectif, selon l’autrice, de rectifier des idées reçues sur l’homosexualité, mais aussi d’évoquer le rapport de la société marocaine à la sexualité, au mariage et aux droits des femmes.

Passible de 6 mois à 3 ans d’emprisonnement, assortis d’une amende, l’homosexualité est punie par l’article 489 du Code pénal marocain. Les personnes homosexuelles subissent également tous types de discriminations — ces dernières n’étant bien sûr pas interdites par la loi — ainsi qu’un regard de la société particulièrement réprobateur.

Fatima Zahra Amzkar et son livre en ont d’ailleurs été les victimes, peu après l’annonce de la séance de dédicaces. Sur les réseaux sociaux, un mot d’ordre a circulé, appelant à boycotter le SIEL et menaçant l’autrice comme sa maison d’édition. S’exprimant auprès du Site Info, Fatima Zahra Amzkar a assuré avoir reçu plus d’une centaine de menaces de mort.

Le ministère de la Culture marocain a tenté de justifier l’interdiction du livre en indiquant que ce dernier n’avait pas été validé par les autorités, ce que dément l’autrice : « Il n’a été retiré qu’après la campagne de haine dont j’ai été la cible », indique-t-elle.

Ministère de la censure

Décidé la veille de l’ouverture du Salon international de l’Édition et du livre, qui se déroule du 2 au 12 juin, le retrait de l’ouvrage a été vivement critiqué à l’international. Pour l’organisation PEN America, il s’agit d’une « violation de la liberté d’expression et de la liberté artistique de Fatima Zahra Amzkar, mais aussi d’un déni du droit à l’égalité et à la dignité des personnes LGBTQ+ », selon les mots de Liesl Gerntholtz, directrice du Centre pour la liberté des écrivains PEN/Barbey.

L’aspect soudain de la décision n’a pas permis à l’autrice et à la maison d’édition de la contester, mais l’autrice a annoncé saisir la justice pour les menaces de mort qui lui ont été adressées.

Selon la maison d’édition Dar Agora, « [l]e ministère de la Culture a demandé un rapport préliminaire sur le livre afin de statuer sur sa présence lors du SIEL. Nous n’avons aucune visibilité sur le moment où la décision finale sera prise. »

La diplomatie française n’a pas réagi au retrait de l’ouvrage, et a inauguré le salon comme à l’accoutumée…

 

[via Morocco World NewsMedias24 – reproduit sur actualitte.com]

 

Escrit per Antoni Bengochea

Wozzeck, del compositor austríac Alban Berg, és l’òpera més important de la primera meitat del segle XX. Acabada a l’abril de 1922, enguany es compleix, doncs, el seu centenari. Afortunadament dos teatres s’en han recordat d’aquest aniversari. Són dos teatres d’òpera no massa llunyans d´aquí: el Liceu de Barcelona i el Palau de les Arts de València.

Els dos teatres han apostat per aquest títol, peça capital de la història de la música, amb posades en escena prestigioses i enriquidores, i amb uns repartiments vocals totalment solvents. Ara comencen les representacions als dos teatres. Wozzeck, que té un valor artístic similar a les Senyoretes d´Avinyó o al Guernica de Picasso, és el naixement de l’òpera moderna.

Peça totalment revolucionària, és la primera de caràcter atonal de grans dimensions.

Composada durant la Primera Guerra Mundial (guerra en la que el compositor participà), el context teatral res té de bonic i melodiós, al contrari, és lleig i desagradable, i així ens ho mostrarà el compositor amb una estètica expressiva que ens recorda les pintures negres de Goya. Amb una base de l’expressionisme alemany proper a Kokoschka o a Nolde, incorpora un caricaturisme més propi d’un Beckmann, o la crítica social d´allò que se’n va dir la “nova objectivitat”, representada per Otto Dix o George Grosz.

Un exemple nostre totalment paral·lel és l’esperpent valleinclanesc, que tampoc va tindre cap èxit comercial, com l’obra que ens ocupa. Musicalment aquesta estètica correspon a l’atonalisme, però amb elements estructurals molt ordenats de caire neoclàssic típics dels anys vint.

En un món desigual i inestable, el protagonista és un antiheroi totalment anònim víctima de l’explotació, la pobresa i l’estrès, que li produirà un desequilibri mental que tindrà com conseqüència l’assassinat de la seva pròpia dona. Aquest fet (va ser un cas real) el traurà de l’anonimat. Mai s’havia fet una òpera amb antiherois tan poc rellevants, però amb una música tan intensa al servei del drama.

Una de les millors òperes de la història, malauradament molt poc representada, conseqüència d’un públic burgés i autocomplaent, amb poca empatia amb la marginalitat. Un monument a la dignitat i a la llibertat humanes.

 

[Font: http://www.tempsdefranja.org]

Curitiba vai sediar no próximo dia 14 (terça-feira) um seminário sobre migrantes, refugiados, comunidades tradicionais e grupos étnicos, intitulado “Brasil, um Pais Pluripovos”. O evento é gratuito, com inscrições online para quem quiser acompanhar presencialmente, e acontecerá no Auditório Blockchain, na Celepar, em Curitiba. Também haverá transmissão ao vivo aberta pela internet, no canal do YouTube Sejuf Paraná, sem a necessidade de inscrição.

A capacitação é voltada principalmente para organizações e servidores públicos que atuam entre comunidades tradicionais e povos de diáspora (imigrantes, refugiados e apátridas).

É uma promoção do Instituto PluriBrasil e da Secretaria Nacional de Proteção Global, do governo federal, com apoio do governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho (SEJUF), Centro de Apoio ao Estrangeiro no Brasil e Exterior (Caebe) e a organização não governamental (ONG) Abuna. Também participa da iniciativa a Organização Internacional para as Migrações (OIM), da Organização das Nações Unidas (ONU).

O presidente do Instituto PluriBrasil, Igor Shimura, disse que serão apresentadas demandas da área e orientações às pessoas que atuam na temática. Entre os objetivos, segundo ele, está o fomento à construção de politicas públicas no estado, que já recebeu mais de 60 nacionalidades, além de fortalecer a rede de atendimento a essa parcela da população no Paraná.

“Nosso país tem recebido cada vez mais imigrantes, e o Paraná lidera essa recepção, especialmente vindos da Venezuela, Haiti, Síria, Afeganistão e, agora, refugiados de guerra da Ucrânia”, explicou. “Isso gera uma demanda de qualificação para o atendimento a essas pessoas, como ofertar os serviços que vão garantir dignidade a elas em relação a segurança, alimentação e documentação. Essa capacitação acaba sendo útil até mesmo para o terceiro setor ou para entidades privadas do setor financeiro”.

REFUGIADOS – O evento acontece próximo do Dia Mundial do Refugiado, lembrado em 20 de junho, e do Dia Nacional do Imigrante, no dia 25 de junho, e marca um mês no qual se centralizam estratégias para a integração dessas pessoas. Também será o mês em que o Centro Estadual de Informações para Migrantes, Refugiados e Apátridas (CEIM) atingirá 25 mil atendimentos em Curitiba.

Para Kelly Letchakowski, técnica do CEIM, este será mais um marco importante para a SEJUF na atuação de atendimento às demandas que mais crescem no estado, e a expectativa é dar visibilidade aos serviços governamentais disponíveis para atender aos imigrantes e refugiados.

“O mês de junho é muito especial, e é um período em que centralizamos as estratégias para integração das pessoas que têm chegado ao Paraná”, afirmou. “Nosso estado é referência para o país em questão de políticas públicas para refugiados e imigrantes. Temos o primeiro Conselho Estadual dos Direitos dos Refugiados, Migrantes e Apátridas (CERMA). É um prazer receber esse seminário de capacitação que vai aprimorar o atendimento dessas pessoas”.

SERVIÇO:

Data: terça-feira, 14 de junho

Horário: 8h30 às 17h

Local: Celepar – Auditório Blockchain – Rua Mateus Leme, 1561, Curitiba – Paraná

Inscrições: AQUI

Informações: (41) 99226-5583

Transmissão: AQUI

PROGRAMAÇÃO

.pr.gov.br

http://www.miguelimigrante.blogspot.com

Après una caminada de 32 jorns, revendican la restitucion de mai d’11 000 ectaras de tèrras ocupadas per de minaires e d’elevaires

Après una marcha a pè de 32 jorns, la Caravana per la Dignitat del pòble wixarica arribèt dimenge passat dins la ciutat de Mexic. Revendican la restitucion de mai d’11 000 ectaras de tèrras ocupadas per de minaires e d’elevaires. Mentre qu’espèran d’èsser recebuts pel president del país, Andrés Manuel López Obrador, se son installats jos 50 tendas e dos capitèls.

“Sèm aicí per recuperar nòstras tèrras, sèm partits fa un mes per que l’estat mexican escote aquesta crida”, çò dison los pòrtavoses de la comunautat wixarica. “Sèm aicí per defendre nòstre territòri, pr’amor qu’es aquí que persistisson nòstra identitat, nòstra lenga, nòstras nòrmas intèrnas e nòstre patrimòni”, çò precisan en denonciant una “violència sistemica” que daissa “ los pòbles indigènas sens vòtz”.

Lo pòble wixarica, conegut coma “huichol” en espanhòl, es un dels que presèrva mai lo biais de viure ancestral. Lo conflicte territorial comencèt amb la concession del govèrn mexican a una societat minièra canadiana per esplechar l’argent que se tròba dins las montanhas que los wixarika considèran sagradas. Per eles, aqueles endreches ocupats son la basa de lor vision del Mond.

Lo combat del pòble wixarica es arribat al cinèma amb dos documentaris; en 2014 Kabopro Films prepausèt  Eco de la montaña (Resson de la montanha) e en 2015, Nicolás Echevarría presentèt Huicholes: los últimos guardianes del peyote (Wixaricas, los darrièrs gardians del peyotl). Aqueles filmes explican las vicissituds d’aquel pòble fàcia a l’ocupacion de lors tèrras e lo desinterès qu’an mostrat los govèrns mexicans successius.

[Sorsa: http://www.jornalet.com]

 

La democracia ha generalizado a todos los ciudadanos la autoconciencia aristocrática ¿Es ésta la última palabra sobre el hombre? No y no

Hay dos maneras de distinguirse sobre la « indistinta » medianía: siendo excepcional o siendo extraordinario

« La normalidad se había tornado invivible, insoportable, en la Europa del XIX y se observa en la literatura victoriana », opina Gomá.

Escrito por JAVIER GOMÁ LANZÓN

Me hallaba yo en el regocijo familiar durante estas fiestas navideñas cuando, animado por el honesto propósito de compartir un rato con mi hija, que veía en el salón un episodio de la serie Hannah Montana, me senté paternalmente a su lado en el sofá. Nos mostraba la pantalla una pareja de escolares impúberes que, abandonados a una orgía de tics actorales y a la inanidad de los más enlatados lugares comunes, coqueteaban a la salida del instituto, mientras una música de fondo sugería al espectador que se avecinaba un momento emocionante, quizá tierno. Y así fue, en efecto. El chico, elevándose a la mayor sublimidad amorosa que los tiempos permiten, le endilgó a su amiga el socorrido « tú eres muy especial », algo así como la declinación pop de aquel « ¡ojalá no mueras nunca! » que es para el poeta la esencia del amor. No contento con ello, el contumaz enamorado continuó el cortejo y reincidió en el dichoso concepto abundando en que ella le inspiraba algo muy especial y que tenerla cerca hacía que también él se sintiera muy especial (la aludida le aseguró, afectando turbación y timidez, que reciprocaba su sentimiento). Al punto, una vieja interrogación volvió a interpelarme: hoy la forma suprema de la individualidad se compendia en la categoría de « lo especial ». ¿Realmente es tan maravilloso, tan deseable y tan apetitoso ser especial?

Solo muy recientemente el hombre ha querido ser tal cosa. Tradicionalmente se consideró que el mundo conformaba una realidad acabada y normativa, y que, ante una perfección ya completa, al hombre solo le era dado reiterarla, reproducirla, copiarla, por lo que debía abstenerse de inventar ocurrencias subjetivas o de concebir nuevos mundos que solo podían redundar en desviaciones monstruosas de una norma inmutable. Los entes individuales, en el cosmos premoderno, participan de una normatividad común y general: ser « algo » quiere decir que « en ese algo » se confirma la regularidad de su género, y así, por ejemplo, el hombre es hombre cuando demuestra poseer los atributos que son propios al específico género humano: racionalidad, moralidad, sociabilidad, lenguaje, etcétera. Experimentar es entonces generalizar, hallar en cada cosa su genérica verdad (y bondad y belleza). Y como lo general es lo normal, la cultura premoderna concedió a la normalidad una preponderancia ontológica.

Todavía a fines del XVIII Samuel Johnson, portavoz de una larga tradición, enseñaba a sus contemporáneos la « grandeza de la generalidad », que es como decir la grandeza de la normalidad. Pero preciso es reconocer que esta normalidad se había tornado invivible, insoportable, en la Europa del XIX, y el hombre occidental le retiró de golpe su anterior homenaje. Se observa en particular en la literatura de la Inglaterra victoriana, que novela las vidas de personajes alienados por una normalidad social que quisiera aplastarlos bajo el manto de asfixiantes convenciones sociales. No es casual que, precisamente en esas fechas, Stuart Mill compusiera en su ensayo On Liberty el himno más vibrante nunca escrito en loor de la excentricidad individual: « La excentricidad y la fuerza de carácter marchan a la par, pues la cantidad de excentricidad que una sociedad contiene está en proporción a su cantidad de genio, de vigor intelectual y de coraje moral ». Edith Sitwell –English Eccentrics (1933)- la entronizó como propiedad definitoria de la aristocracia de su país, pero antes que ella À rebours (1884), de J. K. Huysmans, creó el tipo del excéntrico por antonomasia en la persona de un decadente duque francés, Des Esseintes, que mandó chapar en oro la coraza de su tortuga doméstica. En realidad, la excentricidad es un fenómeno de toda la conciencia decimonónica europea, que durante el siglo XX se masifica y se constituye en la nota distintiva de la subjetividad moderna, con independencia de las clases: ser hombre es ser distinto del mundo y de los demás hombres, y así lo individual del individuo, en esta postrera vulgarización del concepto, ha de discernirse en lo diferente, único, original, exótico, inusitado e irrepetible residente en él. Y de ahí, cayendo por una pendiente inclinada, se va en derechura a la industria del entretenimiento de Disney Channel: ser hombre es -idealmente- ser especial, como dice el escolar enamorado a la salida del instituto.

La democracia, en consecuencia, ha generalizado a todos los ciudadanos la autoconciencia aristocrática reservada a los estratos socialmente superiores, en lugar de alumbrar una idea igualitaria de la subjetividad basada en la misma dignidad de todos los hombres y en su común mortalidad. ¿Es esta la última palabra sobre el hombre? No y no. Dejaré para mejor ocasión una exposición más detallada del asunto. Diré tan solo que comprendo los recelos hacia cualquier empeño por restituir una normalidad que tuviera como efecto la nivelación castrante de todo impulso de distinción y excelencia. Solo que no toda distinción humana ha de conducir, por fuerza, a la extravagancia. Hay dos maneras de distinguirse sobre la « indistinta » medianía: siendo excepcional o siendo extraordinario. Es excepcional quien se singulariza saliéndose de la norma común, como hacen la mayoría de los extravagantes héroes de las novelas modernas; es extraordinario quien sigue esa norma, pero destaca sobre los demás al llevarla a un rango superior de perfección y cumplimiento. No es lo mismo el suicida Werther o el homicida Raskolnikov que el Aquiles homérico o Alejandro Magno, los cuales, a diferencia de los anteriores, reúnen todos los bienes deseables en la vida griega -fuerza, belleza, riqueza, placer, gloria y virtud-, pero elevados a un grado eminente. Hay, pues, una distinción no extravagante.

Entró mi mujer en el salón y me encontró absorto en mis pensamientos y sin mi hija, que, aburrida de mí, me había abandonado sin yo notarlo. Volvió la mirada a la pantalla, que seguía emitiendo el episodio de la serie infantil, y murmuró, con un mohín de incredulidad ante una nueva prueba de mi extravagancia: « Javier: lo tuyo no es normal ».

 

[Imagen: HERITAGE IMAGES / CORBIS – fuente: http://www.elpais.com]

 

 

 

Qitab met à l’honneur “le premier roman”, en demandant à quatre grands écrivains marocains de raconter les coulisses de l’écriture et de la publication de leur première œuvre. Tahar Ben Jelloun, prix Goncourt 1987 et auteur d’une soixantaine d’ouvrages, nous fait redécouvrir “Harrouda”, paru en 1973 aux éditions Denoël.

De passage à Casablanca, Tahar Ben Jelloun accepte de remonter le temps jusqu’en 1973, pour raconter les coulisses de l’écriture de Harrouda, son premier roman. Crédit : AFP WEB

Publié par Soundouss Chraibi

En mars 2022, Tahar Ben Jelloun publiait La couleur des mots aux éditions L’Iconoclaste : un récit autobiographique où l’écrivain retrace son rapport à ses deux principales activités, à savoir l’écriture et la peinture.

Couverture harrouda

Harrouda, de Tahar Ben Jelloun, Éditions Denoël

J’écris pour raconter la douleur du monde, et je peins pour montrer la lumière du monde”, se plaît à dire celui qui conçoit ses passions comme les deux revers d’une même pièce.

À l’occasion de l’exposition de ses toiles à l’Atelier 21, le prix Goncourt 1987 est de passage à Casablanca, et il accepte de remonter le temps jusqu’en 1973, pour nous raconter les coulisses de l’écriture de Harrouda, son premier roman.

La sacoche pleine

La première fois est-elle toujours la plus dure ? Cinquante ans après la parution de son premier roman, il est difficile d’imaginer un jeune Tahar Ben Jelloun toquer timidement à la porte d’une maison d’édition parisienne afin de déposer son tout premier manuscrit.

“Je suis arrivé à Paris en 1971. Je ne connaissais personne. Dans ma sacoche, il y avait une version augmentée de poèmes que j’avais déjà publiés, et le manuscrit d’un roman inachevé”, retrace l’écrivain.

À cette époque, il a 27 ans et enseigne la philosophie au Lycée Mohammed V de Casablanca. Parmi ses fréquentations d’antan, il cite le poète Abdellatif Laâbi, qui publie dans la revue Souffles ses premiers poèmes : “Je les avais écrits en cachette pendant les 19 mois que j’ai passés dans un camp disciplinaire de l’armée. Les publier était ma manière de contribuer à la poésie engagée de l’époque.”

Poète, donc, avant d’être romancier ? “Je savais déjà aussi que je voulais écrire des romans”, répond-il. En parallèle, Tahar Ben Jelloun entame l’écriture de Harrouda sur des feuilles volantes, qu’il finira par mettre bout à bout.

Un demi-siècle et une soixantaine d’ouvrages plus tard, il se plaît à se souvenir des tout premiers mots qu’il a noircis : “Je me trouvais dans l’atelier du peintre Mohamed Chebâa. J’ai pris des feuilles, juste comme ça, et j’ai commencé à écrire au crayon”.

Ainsi a débuté ce travail d’écriture qui durera près de trois ans : “Lorsque je suis arrivé en France, j’ai travaillé encore plus dur sur ce manuscrit. Je voulais donner à l’éditeur un texte aussi parfait que possible”. Il confie également : “Je ne sais jamais à quoi va ressembler la fin d’un roman lorsque je le commence”. Le premier ne déroge pas à la règle.

Pour écrire Harrouda, le romancier se base sur un vieux souvenir d’enfance : “J’habitais dans la médina de Fès, il y avait une vieille dame qui mendiait. Avec les autres enfants du quartier, on lui demandait de nous montrer son sexe, en échange de morceaux de sucre. Elle soulevait brièvement sa robe, et recevait un quelque chose en retour”.

Bien qu’enfantine, l’anecdote semble violente. “C’est quelque chose qui m’a beaucoup marqué. Par la suite, je n’ai cessé de me demander ce qu’elle est devenue”, poursuit-il. C’est ainsi qu’il donne naissance au personnage de Harrouda : une prostituée déchue, ancien amour du narrateur.

Le primo-romancier pose alors les premières pierres des thématiques qui l’accompagneront tout au long de ses romans : la déchéance, la condition des femmes (en s’inspirant notamment de celle de sa mère), la misère sociale… “J’ai voulu imaginer la vie de cette femme et restituer certains souvenirs d’enfance comme je le fais souvent. J’espérais qu’à travers Harrouda passe une sorte de révolution positive qui rendrait leur dignité aux Marocains, et qui leur donne la possibilité d’être eux-mêmes”, confie Tahar Ben Jelloun.

Nadeau, Barthes et Beckett

Un montant de 8% sur chaque exemplaire vendu et 2000 francs d’avance, c’est ce que promet le premier contrat que Tahar Ben Jelloun signe en tant qu’écrivain aux éditions Denoël. Un revenu faible pour un auteur, mais commun pour un primo-romancier. “Je ne me souviens même pas avoir lu le contrat, j’ai juste signé”, se rappelle-t-il.

Quelques semaines avant cet événement mémorable, c’est auprès de Maurice Nadeau, pointure de l’édition française de l’époque, qu’il avait déposé son manuscrit. “Je n’avais de coup de piston de personne. J’y suis allé au culot”, insiste l’écrivain. “On vous écrira”, lui lance alors Geneviève Serreau, qui collabore avec Nadeau.

La réponse arrive par la poste, et invite Tahar Ben Jelloun à se rendre aux bureaux de la maison d’édition. “La première chose que Maurice Nadeau me dit c’est : ‘Au moins, vous n’allez pas me donner du travail’. Je ne comprenais pas si cela signifiait qu’il allait me publier ou l’inverse”, sourit Tahar Ben Jelloun.

“En fait, il signifiait par là qu’il enverrait directement le manuscrit à l’imprimerie, et qu’il ne serait pas nécessaire de le retravailler longuement”, poursuit-il. S’il repense à ces souvenirs avec un sourire aux lèvres, l’écrivain n’oublie pourtant pas les appréhensions qu’il portait en lui à cette époque : “Je ne savais pas comment je serais accueilli. Il y avait très peu d’auteurs marocains qui réussissaient en France. Driss Chraïbi, Ahmed Sefrioui, Abdelkébir Khatibi dans un registre qui n’est pas principalement celui du roman… Et c’est tout”.

À la rentrée littéraire de 1973, Harrouda sort donc dans les librairies françaises, avec un tirage de 2000 exemplaires, et bénéficie d’un accueil favorable de la part de la presse et des critiques littéraires, dont un long article dans Le Monde. “À l’époque, un article dans ce journal vous ouvrait énormément de portes”, commente-t-il.

Pour écrire Harrouda, le romancier se base sur un souvenir d’enfance : “J’habitais dans la médina de Fès, il y avait une vieille dame qui mendiait. Avec les autres enfants du quartier, on lui demandait de nous montrer son sexe, en échange de morceaux de sucre. Elle soulevait brièvement sa robe, et recevait un petit quelque chose en retour”. Crédit : FADEL SENNA / AFP

La plupart des critiques pointaient surtout ‘l’originalité’ du roman et des thèmes qu’il abordait”, retrace l’écrivain, qui recevait également des courriers de ses lecteurs. Parmi eux, un certain Roland Barthes, critique littéraire, sémiologue et incontournable figure intellectuelle de la France des années 1970, qui a adressé au jeune primo-romancier une longue lettre.

“Je me souviens en particulier d’une lettre au sujet de Harrouda que j’avais reçue. Elle m’avait semblé illisible, et je l’ai donc mise de côté”, raconte Tahar Ben Jelloun. Vingt ans plus tard, lors d’un dossier réalisé par le quotidien Libération sur le sujet “Pourquoi écrivez-vous ?”, il apprend que l’auteur de cette mystérieuse lettre n’était autre que… Samuel Beckett, grand dramaturge et lauréat du Nobel de littérature en 1969. “Il me remerciait pour ce livre, autour d’une petite phrase rédigée avec une écriture de mouche”, s’amuse-t-il.

Tahar le fou, Tahar le sage

Les choses s’enchaînent vite après la parution de Harrouda. Il publie La réclusion solitaire en 1976, où il met en scène un travailleur immigré, avant Moha le fou, Moha le sage en 1978, un de ses plus grands succès.

Dix ans et différents éditeurs plus tard, le prix Goncourt lui est décerné en 1987 pour La nuit sacrée, publié aux éditions du Seuil. “Comme disait Jean Genet, chaque œuvre vient d’un drame”, énonce Tahar Ben Jelloun, comme une leçon qu’il aurait tirée de ses 50 ans d’écriture.

Il étaye : “On écrit rarement dans le confort, mais plutôt parce que la vie nous a chahutés et maltraités. J’ai écrit sur des sujets graves et dramatiques, qui ne font pas rire et qui désespèrent souvent”.

Et ce, non sans faire l’objet de diverses critiques, dont il se défend : “Je n’ai jamais été un carriériste. Je n’ai jamais écrit par complaisance ou par commande. J’ai toujours écrit les choses que j’avais envie d’écrire, des bonnes choses et des moins bonnes. Comme tout le monde, je n’ai pas toujours tout réussi, mais j’ai toujours été sincère”.

Depuis le début des années 2010, Tahar Ben Jelloun jongle entre ses activités d’écrivain et de peintre : ses matinées sont consacrées à la plume, et ses soirées au pinceau. Que ce soit une toile ou une feuille blanche, c’est la notion de travail qu’il met en avant. “Je crois au travail, à l’effort et à la persévérance. J’ai toujours beaucoup travaillé”, écrit-il dans La couleur des mots.

Mon plaisir, c’est de découvrir chaque matin, quand je me mets à ma table de travail, ce que mon imagination va m’apporter. Elle est bonne, fertile selon la qualité de ma nuit”, lit-on plus loin.

Si les romanciers ont souvent tendance à dresser un plan de leur trame narrative avant d’entamer l’écriture, Tahar Ben Jelloun, lui, affirme ne jamais s’être résolu à cette méthode, pourtant largement répandue et souvent conseillée aux primo-romanciers. “Cela peut s’avérer dangereux, mais c’est stimulant et assez excitant”, concède-t-il dans son récit autobiographique.

Tahar Ben Jelloun s’aventure également à nous faire une autre confidence : “Je ne relis jamais mes romans après qu’ils ont été publiés”. Même pas le tout premier ? “Non plus”, répond-il. Bien que Harrouda ne soit pas le roman le plus connu de Ben Jelloun, celui-ci continue naturellement d’occuper une place particulière aux yeux de l’auteur. “C’est comme demander à un père de famille qui a plusieurs enfants de choisir entre eux”, sourit-il. Avec l’aîné, c’est toujours différent.

 

[Source : http://www.telquel.ma]

En 2018, EaN avait salué La Grande Idée, un long roman historique assez énigmatique, d’une écriture particulière, attachante, qui semblait appartenir à un texte écrit directement en français par un étranger virtuose de notre langue mais décidé à prendre avec elle certaines libertés. Aujourd’hui, parus le même mois, voici deux textes courts du même Anton Beraber, tous deux d’une grande qualité littéraire et parents par l’inspiration, également frappants par l’originalité d’un style apparemment très différent de celui, volontiers épique, de La Grande Idée, qui traitait d’une aventure un peu oubliée, celle de la guerre gagnée en 1923 par les Turcs contre l’expédition grecque visant à récupérer, conformément au traité de Sèvres, une partie de l’Asie Mineure (région d’Izmir).

Braves d'après et Celles d'Hébert : les nouveaux romans d'Anton Beraber

Anton Beraber

 

Anton Beraber, Braves d’après. Gallimard, 128 p., 14,50 €

Anton Beraber, Celles d’Hébert. L’atteinte, 128 p., 16 €


Écrit par Maurice Mourier

Ici, plus rien de l’épopée. Mais, dans Braves d’après, un récit de couleur naturaliste et un anti-héros cherchant à comprendre un obscur conflit qui a opposé, du temps de son grand-père dont il vient d’hériter une maison décatie, ce personnage haut en couleur – mais strictement locale – à un ouvrier agricole polonais. Il s’agit d’un accident de chasse banal où l’immigré a perdu un œil, à moins qu’en réalité l’affaire ne dissimule quelque vengeance. Décor : la grande banlieue parisienne, ses terres agricoles argileuses, lourdes, riches, ses personnages taiseux, renfermés sur leurs secrets. Époque : aujourd’hui, mais aussi le passé proche, celui de la Seconde Guerre mondiale, de l’Occupation, d’après 1945.

Pourtant, au-delà de l’anecdote traitée avec une belle rigueur documentaire (les Yvelines de Beraber sont criantes de vérité observée et me rappellent mon propre Vexin français), l’essentiel est ailleurs. Car l’anti-héros, l’héritier d’une propriété à l’abandon qu’il ne songe qu’à fuir et dont il se fait le chroniqueur, capte toute l’attention de la voix narrative. Dépeint comme une sorte de raté congénital, velléitaire, incapable de savoir s’il doit bazarder son héritage et laisser derrière lui un environnement mi-chèvre mi-chou, ni ouvrier ni paysan, ou plutôt s’y incruster et faire revivre une culture régionale en friche, émiettée, pleine de fantômes dans les placards et d’histoires en marge de la légalité, c’est un superbe personnage nihiliste et ingénu, mal dans sa peau et agité d’espoirs grandioses.

Les gens qu’il côtoie sont les descendants de « braves », réels ou supposés, qui ont vécu les années accablantes et exaltantes de la France stoppée dans son élan vers la modernité par la défaite de 1940 et n’en émergeant peu à peu (surplus américains, combines) qu’« après ». Lui-même, plus jeune, arrive encore après cet après et il est complètement hors-jeu, sans autre avenir que celui du vague regret, de la ratiocination, du rêve aux ailes coupées par la réalité plate.

Braves d'après et Celles d'Hébert : les nouveaux romans d'Anton Beraber

Dans un tel marais, le curieux jeune homme sans qualités, étrangement solitaire, est montré ruminant sa rancœur, dans une langue absolument littéraire en ce qu’elle constitue un mixte à peu près inédit de différents jargons contemporains qui doivent beaucoup à un terroir peuplé moins de paysans traditionnels (qu’on rencontre aujourd’hui seulement dans la France profonde) que d’ouvriers agricoles immigrés dans les années 1920 puis fixés, ou de « Français de souche » retraités et retournés à la terre. Mais cette parlure composite qui trouve sa place naturelle dans le récit à la troisième personne y est fréquemment bousculée par un usage tout poétique, et même de tendance symboliste, d’inversions syntaxiques qui appartiennent au « beau langage » du classicisme, ou de mots du vocabulaire le plus relevé. Affectation de « parler supérieur », comme disait notre maître Georges Gougenheim dans son cours de linguistique de la Sorbonne vers 1960 ? On pourrait le croire, la dimension drolatique du livre n’étant pas négligeable. Je préfère y voir un souci purement esthétique, celui de fabriquer un instrument stylistique tout à fait original, puisant dans toutes les strates historiques de notre langue.

Cette interprétation me semble corroborée par Celles d’Hébert, portrait d’une tendre drôlerie d’un de ces zigues improbables qui traînent en arrière-plan dans la faune pseudorurale de Braves d’après. C’est en effet le même contexte de survie précaire, d’histoires pas nettes, de débrouillardise et de dèche que dans le premier livre, mais le point de vue surplombant du « Il » est ici remplacé par celui d’un « Je » narrateur qui, en quelque sorte, effectue un zoom sur l’un des figurants potentiels de la chronique villageoise. Un de ces formidables emmerdeurs que nous avons aussi bien connus à la campagne, dans le décor boueux et néanmoins charmant d’une quelconque grande banlieue : il s’invite dans votre environnement, vous abreuve de ses aventures à dormir debout, vous saoule de la saga ininterrompue de ses conquêtes.

Braves d'après et Celles d'Hébert : les nouveaux romans d'Anton Beraber

Tel est Hébert, un « type », pas vraiment un brave type car il traficote, joue au chat et à la souris avec la maréchaussée, manque assez nettement de scrupules et considère que les « nanas », quelles qu’elles soient, incapables de résister à sa tchatche, n’attendent toutes que ça. Hébert ne vit (et il le fait intensément) que par son langage, à la fois inculte et orné, prolixe et parfois profond, saisi à la racine même de son élocution bâtarde par une capacité de mimétisme littéraire qui rappelle les plus grandes réussites d’un romancier aussi important – et injustement oublié – que Marcel Aymé. Capable comme lui de recréer la verve d’un prolo insupportable et touchant, l’auteur de Celles d’Hébert (il s’agit de « ses » femmes, bien sûr) fait non seulement preuve d’une maîtrise rare dans la captation d’un personnage, mais il réussit à le faire voir sans description précise et à restituer, en deçà des apparences assez peu sympathiques du mec, le fond de tristesse et de conscience de l’échec qui lui donne toute son authenticité d’homme.

Hébert est un pauvre diable, et cela d’abord parce qu’il est effectivement un pauvre, acharné par la parole à se constituer, contre les coups durs et la vacherie générale de l’existence, une armure de respectabilité, de dignité. Que cela émane du texte sans pathos, c’est un des mérites du romancier. Mais il nous séduit surtout par l’invention d’une langue, de différentes langues étrangères « donnant un sens plus pur aux mots de la tribu », ou, sinon plus pur, au moins tout autre. À cette faculté de création, et à elle seule, on reconnaît le véritable écrivain.

[Photo : Francesca Mantovani/Gallimard – source : http://www.en-attendant-nadeau.fr]

A correspondencia de Schopenhauer ofrece un fenomenal retrato do pensador

Schopenhauer

Schopenhauer

Por H. J. P.

Aristóteles, Spinoza, Locke, Kant, Marx, Nietzsche, Heidegger, Foucault… Hai apenas unha decena de filósofos que se consideran claves na historia do pensamento occidental. E entre eles está, claro, Schopenhauer, un home todo rigor pero con fama de pesimista e cascarrabias, a pesar de que naceu nunha familia privilexiada economicamente e que como intelectual coñeceu o éxito en vida. A súa obra non adoita translucir a persoa que está detrás da autoría, polo que calquera pista resulta agradecida. Así houbo quen ansioso foi tras os seus Diarios de viaxe (Trotta, 2012), pero viuse ao cabo inmerso nunha eslamiada deriva —xuvenil— de carácter descritivo.

É por iso que cobra tanta importancia a edición da súa Correspondencia escollida (1799-1860) que preparou Luis Fernando Moreno Claros para o selo Cantil, un groso volume de máis de oitocentas páxinas que é unha gozosísima festa para o curioso e o amante da cultura europea. Pero sobre todo porque supón un amplo e fenomenal retrato íntimo do pensador.

O lector achará aquí a alguén dedicado con gran afán e desde moi cedo á súa obra e a súa carreira. Ten unha obsesión, que é buscar o recoñecemento, transcender, pasar á posteridade. E nada o deterá. Non dubidará en enfrontarse mesmo á familia, que foi un colchón para el nos seus inicios —e tamén despois— grazas á fortuna acumulada polo comerciante Heinrich Floris Schopenhauer, o seu pai, ao que, por certo, perde de modo prematuro, circunstancia que seguramente pesa nesta tendencia súa á negrura e a decepción que lastra a súa visión da alma humana.

As cartas mostran a un fillo implacable, que non titubea ao romper practicamente as relacións coa súa nai, Johanna, e a súa irmá, Adele, acantoandoas por temas dinerarios. Non terá piedade delas cando se vexan en difíciles transos (a guerra, o cólera). E é terrible a frialdade con que despacha a morte de Adele, de cuxo enterro rexeita ocuparse, nin acepta a molestia de desprazarse. Só o desvela resolver os flocos da posible herdanza. Non parece tratar mellor ao seu amante Caroline RichterIda, que cae enferma pola epidemia de cólera e terá que poxar os seus mobles para poder saír adiante. Impagable é tamén o tumulto que protagoniza cunha veciña.

A falta de empatía, de compaixón humana, parece que encerra no caso da súa amante Ida (corista da Ópera de Berlín, que non escribía con soltura), ademais de inexperiencia e inseguridade no amor, certo desprezo intelectual, pero outras raíces hai que buscar nos problemas coa súa nai, xa que Johanna Schopenhauer era aprezadísima nos ambientes máis cultos, e non só como escritora: aos faladoiros do seu famoso salón de Weimar achegábase o máis selecto da sociedade alemá, incluído Goethe, ao que Schopenhauer tanto admiraba e do que gozou como mentor.

É ao titán Goethe a quen confesa nunha das súas misivas: «A coraxe de non gardarse no corazón ningunha pregunta fai ao filósofo». Neste sentido, é significativo o minucioso informe que prepara sobre o monumento que se vai erixir en Frankfurt do Meno ao xenio alemán, preocupado por que a súa representación teña a dignidade precisa.

Ademais de achar nas súas cartas marabillosas reflexións sobre o seu pensamento filosófico, é tamén notable con que audacia e insistencia utiliza o correo postal para solicitar traballo na universidade e ofrecerse como tradutor (ao alemán) das obras de Hume, Sterne ou Gracián e (ao inglés) de Kant —xunto con Goethe, únicos «talentos de primeira orde» que recoñece.

En fin, unha viaxe fascinante.

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Escrito por Abel Gilbert

Malvinas. ¿Qué voces y sonidos nos asaltaron a los cuarenta años del desembarco militar en las islas? La guerra posterior contra Gran Bretaña y la OTAN, con sus seiscientos cuarenta y nueve muertos, completó el cuadro de desastre que ha determinado, junto con el terrorismo de Estado y el endeudamiento externo, el posterior devenir de este país. Digamos de entrada que la pregunta sobre lo sucedido en 1982 tuvo su componente musical: “Qué pasó con las Malvinas / Esos chicos ya no están / No debemos olvidarlos / Y por eso hay que luchar”. El canto de las primeras movilizaciones posteriores a junio de 1982 propagaba a través del aire un doble obstáculo. De un lado, se basaba en la melodía de una publicidad de la dictadura. Por el otro, la letra improvisada no hacía distinciones entre los chicos que ya no estaban y los que habían vuelto de las islas bajo el peso del trauma y el sigilo. En ese punto, la exigencia de saber qué había pasado no podía separarse del propio léxico del terror (el desaparecido “no está muerto ni vivo”, había dicho el presidente de facto Jorge Videla, tres años antes). Las cuestiones sobre la verdad y la memoria quedaron, por lo tanto, envueltas en ese manto de neblina. No el único. Abundan los pliegues brumosos a la hora de revisar las relaciones que estableció la música y la escucha en general con la guerra y la coyuntura política.

A fines de abril de 1982, Astor Piazzolla compone “Los lagartos” y se lo dedica a Alfredo Astiz, por entonces comando de la Marina afincado en las Georgias. Piazzolla no se demoró demasiado en cambiarle el título, utilizar esa música instrumental en El exilio de Gardel (1985), la película de Pino Solanas, y, más tarde, rebautizarla “Tanguedia”. En esa acción (cambiar nombres como consignas y lugares de enunciación) se resumen algunas de las circunstancias que convierten aquellos setenta y cuatro días en un fondo sin fondo de las interpretaciones corrientes.

La nominación irreflexiva nos habla a la distancia de algo más que una acción dictada por el frenesí. Una cultura de la pendularización. De los ruidos de disparos de los gases lacrimógenos, el 30 de marzo, durante la primera gran protesta contra la dictadura, a los vítores en el mismo espacio urbano del escarmiento. Saúl Ubaldini, el dirigente cervecero y líder de la avanzada opositora, abandonó su celda para, pocos días más tarde, aterrizar en las islas. “Nosotros lo que apoyamos principalmente era la defensa de nuestros soldados. Aclaremos esto. El 14 de abril, cuando vamos a Malvinas, yo tengo una reunión con los soldados que estaban allá, y fuimos claros. No queríamos derramamiento, no queríamos una gota de sangre…Creíamos que era una aventura peligrosa. Desgraciadamente después tuvimos razón”, recordaría catorce años más tarde.

“Lo’ vamo’ a reventar”, se había gritado el 13 de abril en Plaza de Mayo cuando el general Leopoldo Galtieri desafió a la Task Force británica con su “si quieren venir, que vengan, ¡les presentaremos batalla!”. El paso de la tribuna de fútbol a un teatro imaginario de operaciones —la plaza en lugar de las islas— lo provocaba el mismo ethos malvinense, al compás de la consabida marchita escolar. A diferencia de las músicas militares tradicionales, esta había sido grabada comercialmente e incluía un coro mixto bajo los efectos del Mundial 78: era la misma nación la que cantaba y recordaba en bucle que no debían olvidarse las islas. ¿Cómo prestar el oído desde el presente a las escenas de jarana bélica y la mnemotecnia escolar? ¿Qué nos devuelven esos retazos del pasado? El interés, si es que prevalece, tiene su precio, y va mucho más allá del litigio soberano.

“Decisiones apresuradas” se llama un tema que Fito Páez escribió en 1984. Podría referirse a Piazzolla. Pero no. “Generales, mataron media generación / Una guerra no es un negocio ni una ilusión / Una guerra es sangre”, canta. El poder de condensación de ese fragmento es iluminador: se pasa en dos líneas del asesinato en escala (las desapariciones) a la “ilusión” y el “negocio” de la aventura armada en el Atlántico Sur. Como si Fito hubiera leído a León Rozitchner. Durante el conflicto bélico, Rozitchner polemizó desde Caracas con parte de los intelectuales argentinos exiliados en México que decidieron apoyar críticamente la acción de la dictadura en las islas. El texto, que luego tomó forma de libro, se llamó Malvinas: de la guerra sucia a la guerra limpia (1985). La preposición “a” ponía en movimiento dos fases históricas del mismo régimen de terror. El filósofo habló del “delirio” de la izquierda, que se plegó críticamente a la causa, convencida en que agudizaría las contradicciones con el Imperio, y de la “común ilusión” que compartió con la derecha “en la omnipotencia de la fuerza pura”. Al reeditar su ensayo, décadas más tarde, prevalecía a su criterio la dificultad de “mirarse el rostro en el espejo” de aquel conflicto. “Solo esta irresponsabilidad colectiva no asumida luego convierte a los hechos históricos en meros cataclismos naturales que nos dejan inermes”. Poco ha cambiado en 2022.

Sobre el final de “Decisiones apresuradas”, un actor remedaba el tono de la efímera voz estatal (la de Galtieri, el aguardentoso). “Yo quiero decirles que no cederemos un solo metro de las tierras conquistadas”. La mezcla estéreo lo ubica bien a la izquierda y en un plano casi fantasmal. El oyente debe aguzar el oído para detectarlo. La voz del doble se pierde en el espacio como si difuminara las responsabilidades históricas del referente. Terminada la guerra, una comisión de expertos elaboró conclusiones lapidarias sobre el desempeño de la Junta Militar durante el conflicto. El lapidario Informe Rattenbach es una pieza ejemplar del mutismo posbélico. En sus páginas se califica de inútiles a los comandantes. Hasta se llega a recomendar la pena de muerte. Ningún jerarca ha sido condenado por lo que hizo o dejó de hacer durante el conflicto. El Informe Rattenbach nunca fue debidamente publicado. El silencio ha sido aceptado por los sucesivos gobiernos democráticos: cuatro décadas más tarde no se ha escrito tampoco una historia “oficial”. Nos queda, entre otras representaciones, el actor de “Decisiones apresuradas”. Realiza un notable esfuerzo mimético para sonar como un Galtieri etilizado. “Y yo, pretendo, representarlos, ser, ser el hombre, que decida… decida, lo que, lo que ustedes tienen que hacer”. Ubicado bien a la derecha de la imagen estéreo, casi de manera imperceptible, Páez se pregunta de inmediato, con la risa contenida: “Pero a ustedes ¿les parece, realmente?”. Su incredulidad, sotto voce, permanece como una reverberación inquietante.

La “guerra sucia” se ha intersectado con la “limpia” en las islas a través del aparato que había permitido que la voz se separara del cuerpo y atravesara distancias. La telefonía había ampliado enormemente el horizonte de la palabra dicha: permitió que el sonido recorriera grandes distancias (el general George O. Squier llegaría a patentar la transmisión de música a través de las líneas telefónicas en 1922, abriendo el camino a lo que se convertiría en Muzak). La guerra le encontró su propio uso. El teléfono de campaña reemplazó a las banderas de señales y al telégrafo como medio de comunicación en el teatro de operaciones a partir de 1914 y hasta los años sesenta. Los militares argentinos lo utilizaron en Malvinas como una antigualla cuya aplicación devino, además, instrumento de castigo. Gerardo Roschge y otros soldados han denunciado ante un tribunal haber sido torturados con los teléfonos de campaña. Al dar vueltas la manija del artefacto genera corriente eléctrica. El voltaje que corría a través del cable, cuya intensidad dependía de esa velocidad de rotación, impactaba sobre cuerpos ateridos y hambrientos. De esta manera quedaron ensamblados el campo de batalla y la rutina de los campos de concentración: el tormento y la confesión. Hacer cantar. Esos gritos resuenan en la memoria de quienes recibieron las descargas. Las causas judiciales por violaciones a los derechos humanos en las islas no avanzan. La Corte Suprema mira hacia otro lado.

“Una guerra es sangre…”. Y un enorme coeficiente de amplitud. Como recuerda J. Martin Daughtry en Listening to War: Sound, Music, Trauma, and Survival in Wartime Iraq (2015), el conflicto armado ha sido siempre un asunto ruidoso y estridente a lo largo de la historia. Una guerra es la suma de ruidos generados por el armamento, los vehículos, las sirenas, grabaciones propagandísticas, músicas en las trincheras, cantos, voces y gritos. Para reconstruir ese fresco, Daughtry habla de bellifonía, un término que reúne la palabra latina para guerra (bellum, adj. bellicus) y el griego para voz (φωνή). Sobrevivir es, por lo tanto, haber escuchado esa trama diversa. Una guerra tiene también, por lo tanto, consecuencias acústicas para los contendientes. La memoria sonora lacera a los participantes. El relato de los excombatientes sobre aquello que sonó en las islas nos ofrece una información sobre Malvinas que no ha sido debidamente atendida (no podemos escuchar sus escuchas, pero sí sus testimonios, aunque no den cuenta cabal de esa experiencia).

En cuanto al continente, la otra caja de resonancia, ¿de cuántas maneras la guerra dejó su marca en la música, y la música en la guerra? Para acompañar el hervor patriótico en cada casa, EMI sacó a la venta el disco Desafío nacional. Se incluyó ahí la ya conocida “Décimas para un valiente”, que Argentino Luna dedicó al capitán Edgardo Giachino, el primer argentino muerto en las islas, cuyo pasado represor entonces se desconocía; la “Hermanita perdida”, de Yupanqui, en la voz de Ramona Galarza y arreglos de Oscar Cardozo Ocampo; la “Zamba de Malvinas”, de Juan Pueblito Casal (“Caen sobre las costas / ponchos de bruma / y las islas están envueltas en la nostalgia por su país”), “La vuelta de Obligado”, de Alberto Merlo, y, entre otras, “Convencernos”, de Chico Navarro y Eladia Blázquez, que buscaba, en el umbral del inicio de las hostilidades, una explicación del modo de ser argentino: “Y ser, al menos una vez, nosotros / sin ese tinte de un color de otros / Recuperar la identidad / plantarnos en los pies”.

La contratapa del disco, que me interesa acá transcribir por completo, parece haber sido escrita apenas ayer:

Todos estamos de acuerdo. Hace tiempo que no nos juntábamos así. Estábamos perdidos y ocupados en poner los codos, empujar, pechar, para no dejar pasar al otro. Entonces en abril, el segundo día del mes que nos conocía dispersos y enconados, hizo la unión total por algo que todos queríamos desde siempre. Las Malvinas.

Un sueño acariciado por generaciones se nos hacía realidad y los hechos que siguieron nos afirmaron aún más que uno era todos y todos uno.

Y la emoción estalló. Y el himno, y la bandera, la escarapela, el sentirse argentinos —algo que, a veces, es solo parte de aburridas ceremonias sin calor— nos provocaron un nudo en la garganta. Los muchachos que defienden la Patria, una frase que oímos reteniendo las lágrimas. Y el furor de cuando nos atacan, una reacción de odio primaria y legítima contra la razón burlada.

Pero debemos saber que esto es solo el principio de una historia nueva. Porque esas manos que hoy toman el fusil deberán retomar mañana el tractor y la máquina. A los libros o al pico. Y esas mismas manos que comenzaron el segundo día del mes de abril rasgando la hoja del almanaque para abrir camino a una nueva vida, para dar la primera batalla por el desafío nacional, deberán seguir luego por la senda del trabajo fecundo, por la producción de la riqueza, por la ratificación de nuestra dignidad en todos los terrenos. Hombro con hombro, con la lección aprendida de que el no te metás es igual no nos sirve, para que sepamos definitivamente que lo hacemos nosotros o nadie.

Agradecemos la brecha que se abrió entre la discordia, recitemos cada día el credo de la Constitución que nos dio un país libre. Apresurémonos a cumplir nuestras obligaciones, pero pidamos a gritos que se nos respeten nuestros derechos. Para que nunca más volvamos al pasado. Para extender el desafío de la soberanía territorial al hacer un país nuevo, grande, plural, respetuoso de las leyes. Lo tenemos todo, manos a la obra.

Esa retórica de la unanimidad aún prevalece, como si las condiciones materiales que las produjeron en 1982 no hubieran cambiado. La resistencia a interpelaciones diferentes suele ser pertinaz, especialmente en el corazón del Estado. “Quisimos recuperarlas, y fuimos a la guerra”, explicó el 14 de junio de 2021 el Ministerio de Defensa. Según el video institucional, “todos fuimos”, a su modo, partícipes de la contienda. La certeza ministerial se acompañó de imágenes de una multitud poseída por el espíritu Malvinas. “Llenamos la plaza de himnos y canciones”. La derrota militar provocó luego la disgregación de un colectivo unido. “Nos desencontramos”.

Hablando de canciones…Quince años después de “Decisiones apresuradas”, en 1999, y como parte del disco Abre, Fito Páez se pone en la piel de un excombatiente al inicio de su larga canción “La casa desaparecida”. “Madre, ponme en la chaqueta las medallas / los zapatos ya no me los puedo poner / mis dos piernas se quedaron en Malvinas / el mal vino no me deja reponer de la nítida y oscura pesadilla”. Malvinas, o el mal vino que obtura el sentido y llama a olvidar algo más que las penas. Rozitchner hacía referencia en su incómodo ensayo al “punto ciego” de la crítica política al diseccionar los desvaríos de 1982 en el continente. Pero el autoengaño no es solo óptico sino aural. Malvinas es todavía un punto sordo.

[Fuente: http://www.revistaotraparte.com]