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O uso do galego na zona de Asturies máis próxima á Galiza, apunta Freixanes, « non é un invento da RAG nin do galeguismo ».
O presidente da Real Academia Galega, Víctor Fernández Freixanes, nunha imaxe de arquivo (Foto: RAG).

O presidente da Real Academia Galega, Víctor Fernández Freixanes, nunha imaxe de arquivo

O presidente da Real Academia Galega (RAG), Víctor Fernández Freixanes, reivindicou esta cuarta feira a presenza da lingua galega en Asturies para reclamar que se declare a súa oficialidade, en igualdade de condicións que o asturiano, no novo Estatuto de Autonomía deste territorio.

Fíxoo aludindo aos « dereitos » daqueles asturianos e asturianas que usan o galego e a preguntas das e dos xornalistas, logo de que a institución remitise ao presidente do Principado, Adrián Barbón, ao Goberno de Asturies e aos grupos parlamentarios o informe aprobado no seu último pleno ordinario á mantenta da reforma do Estatuto.

Sobre o documento da institución académica, sinalou que está « moi documentado » e « moi razoado ». « Convido a lelo e non a moverse por instintos », sentenciou Freixanes, quen apostilou que a RAG « argumenta as cousas cando as di ».

Por outra parte, recalcou que teñen a « obriga » de defender o galego « alí onde haxa falantes », sexan « moitos ou poucos ». « A dignidade da lingua galega tamén está no galego exterior », engadiu, aludindo á parte máis occidental de Asturies, mais tamén ao Bierzo e Zamora.

Na mesma liña, incidiu que o seu obxectivo non é ir ocupar « nada » e insistiu en que o galego na zona de Asturies máis próxima á Galiza « non é un invento da RAG nin do galeguismo ». « Se se fala, teñen os seus dereitos », salientou.

Cómpre lembrar, ante a polémica xurdida nas últimas datas, que Barbón rexeitou a proposta da RAG: « Ninguén nos dirá, desde calquera territorio e por moito respecto que lle teñamos, o que temos que recoller no noso Estatuto ».

Marcos Maceira, presidente da Mesa pola Normalización Lingüística, tamén emitiu unha valoración a respecto desta polémica, e urxiu o Goberno asturiano a deixar atrás « subterfuxios semánticos » para « tapar » que hai « milleiros de persoas galegofalantes entre o Eo e o Navia ».

 

[Foto: RAG – fonte: http://www.nosdiario.gal]

 

 

 

Meu avô nunca comeu chocolate, conta um camponês cacaueiro. Outra diz que era proibido provar caroços da fruta. Em 2007, após gerações sob trabalho escravo, eles ocuparam fazenda na BA. Agora, abrem sua própria fábrica da guloseima

Escrito por Anelize Moreira, no site do MST

Chocolate não tem data nem hora para ser desejado e consumido. Mas o que está por trás da produção da sua principal matéria-prima, o cacau? Como saber se o chocolate que a gente consome é fruto de um trabalho limpo e justo? Quem produz, de onde ele vem e como é o trabalho de quem vive do cacau?

O fotógrafo Fellipe Abreu e a jornalista Patrícia Moll retrataram a história de famílias do  assentamento Dois Riachões que conseguiram sair da condição análoga à escravidão vivenciada por gerações anteriores por meio da produção agroecológica de cacau no sul da Bahia.

“Meu avô nunca comeu chocolate, nunca, quem comia era o coronel. Ele morreu sem saber o que era chocolate”, conta o agricultor familiar Edivaldo dos Santos no documentário Dois Riachões, Cacau e Liberdade.

“Eu quebrei muito cacau e eu não tinha direito de chupar um caroço de cacau, porque o cabo de turma estava do nosso lado, vigiando tudo”, afirma a assentada Luiza Batista.

Edivaldo, Luiza e outros agricultores que romperam com o ciclo tradicional de produção pelos herdeiros dos coronéis das fazendas da Bahia no assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga, vivem 150 pessoas e a produção tem sido referência para outras comunidades que lutam pela reforma agrária no Brasil.

Os agricultores ligados à Coordenação Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados (Ceta) ocuparam o local em 2007, mas só em 2018 houve a regularização da terra. No local, além do cacau, eles plantam outras culturas, como frutas, hortaliças e grãos.

“Meu avô nunca comeu chocolate, nunca quem comia era o coronel. Ele morreu sem saber o que era chocolate”, conta o agricultor agroecológico Edivaldo dos Santos / Fellipe Abreu

Teresa Santiago, é agricultora do assentamento e diz que a agroecologia é a base de todo processo, e a comercialização é um dos tripés dessa luta. Eles conseguem escoar a produção nas feiras, com vendas diretas com o consumidor e por meio de programas federais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Para a agricultora Teresa Santiago a liberdade foi construída a partir da luta pela terra, quando houve a transição de meeiros para donos do lote e da produção.

“Você deixa de ser oprimido, deixa de ter ali alguém que vai mandar dizer o que você vai fazer para outra maneira de viver e construir coletivamente a luta pela terra. No documentário, quando a gente fala da soberania, é a soberania em todas as suas vertentes, seja social, alimentar, na questão ambiental, produtiva e econômica”, diz a agricultora.

Durante as gravações do documentário, Abreu explica que eles acompanharam as mudanças na comercialização. Ele conta que as amêndoas de cacau que antes eram vistas como simples commodities e baratas, passaram ser um produto com valor agregado.

“Então eles começaram a estudar fermentação e como agregar valor àquela amêndoa que produziam e começaram a vendê-la para marcas finas por um valor muito mais alto do que o cacau de baixa qualidade. Não satisfeitos, num segundo momento quando a gente estava lá filmando, eles já estavam construindo a própria fábrica de chocolate e dois anos depois inauguraram uma fábrica e lançaram o chocolate Dois Riachões”, conta um dos diretores.

O assentamento Dois Riachões atualmente produz, comercializa e tem uma marca própria de chocolate com o mesmo nome / Fellipe Abreu

Patrícia conta que a ideia do documentário surgiu por não ser uma história conhecida e pelo chocolate ser algo universal que interessa a diversas culturas. Ela destaca a organização, e trabalho coletivo dessas famílias.

“Eu me impressionei como eles trabalham em mutirão e têm a noção bem definida de trabalho coletivo.  Eles fazem tudo juntos, passam o dia na roça do seu Fulano, depois vão para a roça do seu Beltrano, sempre se divertindo e cantando enquanto fazem a quebragem. Também é lindo vê-los terem conseguido conquistar essa soberania alimentar e hoje cozinharem e produzirem os próprios alimentos, e finalmente poderem comer o próprio chocolate”.

Para Abreu, com o atual contexto de ataque aos direitos socioambientais no Brasil é ainda mais importante trazer o debate temas como agroecologia e agricultura familiar, que se recebessem mais fomento do poder público poderiam crescer ainda mais no país.

O cacau já faz parte da história do Brasil, e no sul da Bahia é um dos principais produtos agrícolas da região. A produção de cacau cabruca de Dois Riachões é um exemplo de como ter um sistema aliado à conservação ambiental. A produção agroecológica considera não só o alimento livre de veneno, mas a preservação de espécies florestais nativas, manutenção dos recursos hídricos e a fauna local.

“O sistema cabruca de produção de cacau não derruba a mata nativa, ele coexiste junto com ela. Se você olhar para uma lavoura de cacau cabruca, verá a Mata Atlântica por cima e o cacau por baixo. Inclusive, se você não prestar muita atenção, às vezes você nem verá o cacau, porque ele fica completamente rodeado pela mata. Além de preservar a mata, o próprio cacau beneficia-se da sombra das árvores e produz melhor e por mais tempo”.

O documentário foi produzido de forma independente e foi o primeiro curta de Patricia e Fellipe juntos. A ideia é que o documentário que vem sendo exibido em diversos festivais pelo mundo ajude a viabilizar outros projetos semelhantes com olhar voltado para o rural, a agricultura familiar e a cultura alimentar do Brasil.

O cacau já faz parte da história do Brasil, e no sul da Bahia é um dos principais produtos agrícolas da região. / Patricia Moll

“Esse foi totalmente independente. Então a nossa ideia era usá-lo também um pouco como moeda para conseguir contar outras histórias de produção de alimentos pelo Brasil, e sempre com um alimento para mostrar o quão viável também é escolher comprar esses alimentos. Para não precisar escolher um [chocolate] do supermercado, ou seja, para mostrar o que impacta quando você escolhe comprar um alimento da agricultura familiar”, comenta Patricia.

O documentário recebeu quatro prêmios: como melhor curta-metragem no VI Festival de Cine Independiente de Claypole, na Argentina; o Prêmio Consorzio del Formaggio Parmegiano Reggiano” no Festival Mente Locale; menção honrosa na 4ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental; e como melhor filme, pelo júri popular no Festival Santa Cruz de Cinema, no Rio Grande do Sul.

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

O status para o galego na reforma do Estatuto de Autonomía de Asturias xera un debate no que as voces que piden a oficialidade desta lingua en igualdade de condicións co asturiano queren que se corrixa unha « discriminación » de vello. E lembran: son máis de 37.000 falantes.

A Veiga, primeiro concello asturiano en facer o galego oficial.

Por X.M.P.

Enrique González, ‘Quique de Roxíos’, naceu en Boal, un pequeno concello de 2.700 habitantes que atravesa o Navia, o río asturiano que traza a liña oriental até onde se fala galego. « O galego aquí non o trouxo ninguén, é de aquí, falámolo », afirma a Nós Diario este xurista e escritor. Son case unha vintena de concellos en Asturias onde se fala. Por volta de 37.000 falantes, segundo apunta Henrique Costas, filólogo e profesor da Universidade de Vigo.

« 70% da poboación desta zona do occidente asturiano fala algunha das variantes do galego que hai. No conxunto de Asturias a porcentaxe de falantes de asturiano está en 25% »explica Costas a este diario. Unha lingua esta, o asturiano, que non se falaba nestas zonas, indica.

Máis de unha

A reforma do estatuto de Asturias trae da man o status para as linguas diferentes do castelán que se falan neste territorio, que non é só unha.

Sábeo ben, por exemplo, Abel Pérez, que era concelleiro socialista en A Veiga cando este municipio deu o paso en 2016 de declarar o galego oficial no seu territorio, o primeiro concello asturiano en facelo. « O PP daquela protestara algo dicindo que había cousas máis importantes en que centrarse e argumentos así. Mais non recorreu a ordenanza ».

Pérez reclama para o galego no estatuto de Asturias « un status de oficialidade plena, como a que poida ter o asturiano ». Lamenta a proposta actual de oficialidade do Goberno astur para esta lingua falada no occidente asturiano pois, considera, « fainos ficar como estamos ».

Igualdade

Esa defensa da oficialidade para o galego en igualdade de condicións co asturiano é tamén defendida por ‘Quique de Roxíos’. « Se o asturiano se declara oficial nas zonas onde historicamente se falou e onde ten presenza, pois igual para o galego-asturiano. Agora, se van estender a oficialidade do asturiano ao conxunto do territorio, pois igual que o galego, claro, non pode haber un trato discriminatorio », reflexiona.

Esa oficialidade para o galego no conxunto do territorio asturiano tamén a defenden Abel Pérez e Henrique Costas. « O Goberno asturiano nunca protexeu nin apoiou o galego malia ser unha das linguas que se fala neste territorio », indica Costas, que recoñece que o Executivo do Principado é o que « ten que lexislar » sobre esta cuestión mais defende que desde a Galiza se poida opinar « e non abandonar os falantes e defensores do galego dese territorio ».

Marcos Maceira, presidente da Mesa pola Normalización Lingüística, tamén defende que o galego asturiano ten que ter « un recoñecemento pleno, tamén é unha lingua propia dese territorio ». Sinala que ese recoñecemento debe traducirse en que sexa considerado un idioma oficial « e recoñecido como o que é, galego »

« Non existimos »

Ana García, veciña de Tapia, cre que se debe de avanzar para que esa « realidade » de que « aquí a xente fale galego, na rúa, entre eles… » teña un recoñecemento á hora de ter dereitos lingüísticos, como os falantes doutras linguas. E iso pasa, opina, pola oficialidade.

O escritor e xurista de Boal lembra, neste punto, que cando se aprobou o estatuto autonómico aínda vixente en Asturias « non se contemplou que había asturianos e asturianas que falaban galego, só se contemplou os do castelán e asturiano ». 

Por iso, apunta, esta reforma debe de ser « unha oportunidade, por fin » para que se recoñeza que en Asturias « existe o galego, hai galegofalantes e que tamén teñen dereitos ».

Enrique González insiste en que debe evitarse que « queiran converter o que falamos aquí como unha fala local, sen futuro » e reivindica que falan galego desde os tempos en que tamén esta lingua se falaba noutros territorios.

« No Mosteiro de Santa María, en Vilanova de Oscos, gardábanse textos en galego-portugués que datan do século XII, títulos de compra-venda », afirma. 

Lamenta que en certos sectores da sociedade, dos medios de comunicación ou da política haxa « un prexuízo » en base ao cal en Asturias non pode haber lingua e cultura galega que sexan propias e naturais nesa zona do Principado, senón que son algo alleo, estraño, algo que vén imposto deste fóra.

Nesta liña, a plataforma Axuntar avoga para que en Asturias se vexa con normalidade que « somos asturianos de fala galega », e que esta lingua fai parte da identidade desta zona. “Isto, evidentemente, implica o seu tratamento como o que é, o idioma galego propio de Asturias e do territorio Eo-Navia”.

O Bierzo e Seabra, máis recoñecemento

O Estatuto de Autonomía de Castela e León di que hai que protexer o galego nas zonas onde se fala, máis nada, e iso non implica dereitos lingüísticos para os galegofalantes », apunta Xabier Lago, berciano, membro do colectivo Fala Ceibe e que leva anos loitando pola oficialidade do galego nesta comarca fóra da Galiza administrativa onde a lingua galega ten por volta de 25.000 falantes repartidos nunha vintena de concellos. « Cremos que hai que recoñecer o galego como cooficial no estatuto mais iso implica unha reforma e ese debate agora mesmo non está sobre a mesa », recoñece Lago. El destaca o interese por esta lingua nas novas xeracións, « máis de 1.100 estudantes », ou o traballo para que concellos e o consello comarcal do Bierzo recoñezan e empreguen un idioma que, engade con orgullo, « definimos como galego, sen engadir ningún outro termo ».

[Fonte: http://www.nosdiario.gal]

Trayectoria. Originaria del pueblo shipibo-konibo, es docente de educación primaria y tiene diplomados en Derecho y Gestión Territorial.

"Las comunidades amazónicas tienen los índices más bajos de inmunización", agregó Rocilda Nunta, viceministra de Interculturalidad. Foto: Antonio Melgarejo

« Las comunidades amazónicas tienen los índices más bajos de inmunización », agregó Rocilda Nunta, viceministra de Interculturalidad.

Escrito por Juana Gallegos

Es la cuarta de siete hermanos, proviene de una familia shipibo-konibo, creció en una comunidad indígena de Ucayali y hoy es la primera lideresa amazónica que ocupa un alto cargo en el Ministerio de Cultura. Rocilda Nunta es, desde hace más de dos meses, viceministra de Interculturalidad. Su nombramiento despertó altas expectativas en las asociaciones indígenas, ya que su despacho es clave para promover políticas públicas inclusivas de los pueblos andinos, amazónicos y afrodescendientes. Su gran reto, a corto plazo, es promover la vacuna en las comunidades que tienen el índice más bajo de inmunización.

Usted tiene 37 años y vivió hasta su adolescencia en la comunidad indígena Nuevo San Rafael, distrito de Masisea, en Ucayali. ¿Hacia dónde emigró y por qué?

Yo tuve que migrar a la ciudad para poder estudiar. Fui a Yarinacocha, al Instituto Superior Pedagógico Público Bilingüe, y estudié Pedagogía. Tuve un padre que quería ver a sus hijos e hijas salir adelante a través del estudio, pero sin dejar de lado nuestra identidad, en mi caso, la del pueblo shipibo-konibo. Si me hubiera quedado en la comunidad hubiera sido, quizás, una mujer que estaría cumpliendo un rol más familiar y de agricultura, o, quien sabe, sería dirigenta de alguna federación. Somos siete hermanos, tres somos docentes. Gracias a la educación hemos salido adelante. Ser indígena y mujer en este mundo es difícil.

Su hermana Judith, que también es lideresa de su comunidad, dijo que usted se formó como profesora porque creía que, educando a las niñas, su pueblo saldría adelante. ¿Por qué esa inquietud por cambiar el porvenir de las niñas de su comunidad?

Siendo profesora podía garantizar el desarrollo de una educación intercultural bilingüe en nuestras comunidades porque es un derecho colectivo que tenemos como pueblos indígenas. La niñez así tiene la oportunidad de terminar sus estudios secundarios para también ser reconocidos en la sociedad y poder aportar al país.

Se sabe que las adolescentes de las comunidades amazónicas suelen ser madres tempranamente.

Es uno de los grandes problemas que tenemos, por eso debemos direccionar hacia otro norte a la niñez indígena, y una de las principales herramientas es la educación. Las adolescentes deben saber que pueden aportar a su patria educándose.

Es la primera vez que una mujer indígena amazónica ocupa un alto cargo en el Ministerio de Cultura; algunos dicen que su nombramiento es histórico. ¿Cómo reaccionó la comunidad shipibo-konibo?

No esperaban la designación, mi familia reaccionó con sorpresa, y los grandes líderes de mi pueblo dijeron que es una reivindicación histórica para la comunidad amazónica. Que una mujer indígena llegue a ocupar un cargo tan grande en el Estado es muy importante.

"La desinformación contra la vacuna proviene de las iglesias evangélicas", indicó la funcionaria Rocilda Nunta. Foto: Antonio Melgarejo/La República

« La desinformación contra la vacuna proviene de las iglesias evangélicas », indicó la funcionaria Rocilda Nunta.

Ahora, usted no es nueva en un puesto de mando, fue coordinadora del Programa Mujer Indígena de la Asociación Interétnica de la Selva Peruana (Aidesep). ¿De dónde nace su activismo?

Cuando tenía siete años, mi comunidad, Nuevo San Rafael, era visitada por distintas oenegés y mi familia recibía muchos talleres de capacitación, y yo participaba de ellos. Y es así que desde mi adolescencia fui participando en los procesos del movimiento indígena y desarrollando liderazgo desde mi rol de mujer. Me involucré para defender los derechos colectivos y espirituales de los pueblos, reivindicar nuestra identidad cultural, visibilizar la existencia de las comunidades que no se ven en las grandes ciudades. Empecé siendo presidenta de la Organización Regional de Jóvenes Indígenas de la región Ucayali, fui la primera la mujer. Luego ocupé cargos dentro de Adeisep Ucayali como directora del programa Mujer Indígena. Así nace el liderazgo que vengo desarrollando.

¿Qué acciones tenía el programa?

Encontré que las hermanas ashaninkas, shipibo-konibo y sharanahuas no tenían la misma oportunidad de nuestros hermanos, grandes líderes, y me enfoqué en valorar sus propuestas, en prestar atención a las actividades que querían desarrollar, y que no habían sido consideradas. Se sabe que culturalmente los pueblos indígenas son machistas, y las mujeres también lo somos porque muchas veces no nos apoyamos en las acciones que queremos desarrollar. Muchas veces apostamos por los hombres en vez de dar oportunidad a una mujer que quiere ocupar un cargo dentro de la comunidad o de alguna organización. El liderazgo de la mujer indígena no estaba siendo valorado, por eso la importancia de desarrollar este proceso de trabajo con las mujeres.

Dijo hace un momento que ser indígena y mujer es difícil. ¿Por qué?

Sí, yo aprendí a hablar castellano a los 14 años, y he vivido discriminación en carne propia cuando mi padre me matriculó en el colegio secundario (hace una pausa).

¿Y qué pasó?

Mira, mi historia es muy larga, pero quiero contarte algo. Yo vivía en la comunidad Nuevo San Rafael y para poder llegar a mi colegio tenía que caminar una hora y media. Todos los días me levantaba a las 5 de la mañana. Entonces, durante ese trayecto, me topaba con las lluvias, y un día, regresando, llovió tanto que se mojó mi mochila y mis cuadernos. Tuve que secarlos con candela para poder presentar al día siguiente mi trabajo. Cuando se lo presenté a mi profesora su respuesta no fue adecuada, el cuaderno estaba arrugado y lo tiró al piso porque, según ella, estaba impresentable. No entendió que yo venía caminando todos los días de una comunidad, yo me sentí muy mal. Todo el salón se burló.

Qué importante es que un profesor tenga una formación intercultural para entender las circunstancias de sus alumnos. Hablando de esto, el Ministerio de Educación quiere contratar solo profesores monolingües en las escuelas rurales ante la falta de docentes de lenguas originarias. ¿Cuál ha sido la respuesta del viceministerio?

Tuvimos una reacción inmediata desde el ministerio porque somos garantes de los derechos colectivos de los indígenas. En este caso, el derecho a la educación intercultural bilingüe de calidad. Nos reunimos con la viceministra de Gestión Pedagógica, Nelly Palomino, y nos hemos comprometido en articular acciones en coordinación con las organizaciones indígenas, tenemos siete en el país, escucharemos sus propuestas. No podemos retroceder en el derecho ganado históricamente gracias a la lucha incansable de nuestros pueblos indígenas.

Otro pendiente de su despacho es saber con certeza cuál es la cifra de muertes indígenas que ha dejado la pandemia. ¿Ya se tienen datos claros?

Desde el ministerio se ha elaborado la guía para la variable étnica, que permite que las instituciones estatales a nivel nacional registren la diversidad etnicorracial de los ciudadanos. Desde el viceministerio venimos socializando este instrumento para así saber, por ejemplo, cuántos muertos ha dejado el covid en hombres y mujeres andinos, amazónicos y afroperuanos.

Y sobre la vacunación, se supo que algunas comunidades se resisten a inmunizarse. ¿Qué estrategias de sensibilización está ideando su viceministerio para remediarlo?

Las cifras son preocupantes. Según el último reporte, en los pueblos amazónicos el 26.3% tiene las dos dosis, y en los pueblos andinos, solo el 10.7%. Desde Cultura, y dada esta tercera ola y la presencia de Ómicron, redoblaremos el diálogo con los apus y ciudadanos indígenas en las comunidades nativas y campesinas para seguir informando sobre la importancia de la vacunación. La vacuna es vida y protege, este es el mensaje que en las lenguas originarias venimos difundiendo a través de nuestros traductores y gestores interculturales andinos y amazónicos.

¿Los bajos índices de la vacunación se deben a la resistencia a vacunarse o la lejanía de las comunidades?

La mayor resistencia es porque terceras personas les dicen que la vacuna les generará el 666 en la frente o que solo les quedará dos años de vida, sabemos que esta desinformación proviene de las iglesias evangélicas y atemoriza a nuestros hermanos. Por eso, desde el despacho empezaremos a dialogar con ellos y entregaremos la información adecuada con enfoque intercultural.

 

 

[Fotos: Antonio Melgarejo – fuente: http://www.larepublica.pe]

 

LAS MINORIYAS

Prezentado por İsak Eskinazi

El filmo « THE CLUB » me izo pensar a la forma ke estamos vistos komo “Minoriya” o komo ”LOS OTROS” en Turkiya.  El Djudyo en los Estados Unidos es en primero Amerikano, despues Djudyo. El Djudyo en Turkiya es en primero Djudyo, despues Turkano. El Turko es Turko no solo porke apartiene a la rama turka ma tan bien porke es Muzulman. El Djudyo ni apartiene a la rama turka ni es Muzulman. Entonses es “EL OTRO”. El Otro, mismo ke no seya i mismo kon una muy chika probabilidad, puede ser enemigo al Estado turko porke puede kolaborar kon los poderes estranjeros. Por esto no vamos a ver ningún Djudyo en una pozisyon dominante komo governador, ambasador o djuzgador. Klaro ke lo ke digo no es solo por el Djudyo, ma por todas las otras minoriyas ke no son de relijyon muzulmana. Así, puedemos dizir ke el elemento esansyel para ser Turko, no es la provenansya de la rama, ma la relijyon muzulmana. Dezde la epoka otomana, puevlos de fe muzulmana i de rama ke no es Turka fueron asimilados; ama puevlos de relijyon non muzulmana kategorikamente fueron konsiderados komo LOS OTROS, LOS ESTRANJEROS.

El Otomano dirijo su imperyo bazandose sovre doz umas (puevlos): la uma muzulmana i la uma non muzulmana. La tradisyon era de ver la uma muzulmana syempre superior a la otra uma. Los “Otros” no puediyan tener kazas mas altas, no puediyan kavalgar sin permisyon, deviyan vistirsen de kolor diferente ke los muzulmanes i mas, i mas. Kon las reformas otomanas del siglo 19, todos tuvieron la igualdad de derechos nasyonal, siendo independente en sus derechos relijyozos. Kon la emigrasyon muzulmana de los Balkanes, de Krimea i de los Kaukasos, la minoriya non muzulmana apartuvo muncho mas a “LOS OTROS”. Esta apartenensya se firmo en el kapitulo 3 del Tratado de Lozan, yamando MINORIYA solo los NON MUZULMANOS.

Las penas ke mos izyeron sentir i tanto sufrir kon la taksa del Varlik, kon las vente klasas, kon lo ke afito en Trakya, el vandalizmo del 6-7 septiembre, todo esto izo parte de la mentalidad i del pensamiento por “Los Otros”. Aun oy, estamos konsiderados komo los OTROS. Kreyo ke ansi estamos vistos de la parte de la mayoriya, malgrado ke las leyes dizen ke semos igual.

Sentirse bien en muestro país kerido es lo ke dezeamos, sin olvidar de tener siempre el ojo bien avierto.

Siempre buena ventura, salud i pas para todos.

 

 

[Orijin: http://www.salom.com.tr]

L’executiu ofereix defensa jurídica als docents per preservar el model d’escola catalana

El govern català ha aprovat aquest dimarts oferir protecció jurídica als mestres i als responsables dels centres educatius davant els “atacs” que puguin rebre per defensar el model d’escola en català. El govern “referma el seu compromís en la defensa del català, de les escoles i de la cohesió social a tots els nivells i per totes les vies institucionals, polítiques i jurídiques que tinguem a la nostra disposició”, ha manifestat la portaveu de l’executiu, Patrícia Plaja.

L’acord del govern preveu també exigir responsabilitats per la via política, penal, administrativa o d’una altra naturalesa, a totes les persones o entitats que ataquin persones o col·lectius per la defensa i l’ús del català en exercici de les seves funcions.

L’executiu assenyala que el sistema educatiu de Catalunya es basa en el principi de no discriminació lingüística dels alumnes, fet que inclou el dret a no ser separat en centres ni grups classe diferent per raó de la llengua habitual, i en el “dret i el deure de tot l’alumnat a conèixer amb suficiència oral i escrita les dues llengües oficials en finalitzar l’ensenyament obligatori i en el dret a rebre l’ensenyament en català”.

El govern recorda que el Tribunal Constitucional (TC) reconeix la constitiucionalitat d’un model lingüístic escolar que té en la llengua catalana el seu centre de gravetat.

Amb aquest acord, el govern mira de donar resposta als centres educatius que han rebut l’ordre del Tribunal Superior de Justícia de Catalunya (TSJC) de fer almenys el 25% de les hores lectives en castellà (incloent-hi una matèria troncal) després que el conseller d’Educació, Josep Gonzàlez-Cambray, assegurés que el seu departament no podia fer-hi res perquè la interlocutòria del TSJC s’adreçava directament als centres afectats.

 

[Font: http://www.diaridelallengua.cat]

Há 75 anos começava a escrever-se o derradeiro capítulo da II Guerra Mundial. Entre os soldados norte-americanos que enfrentaram a última investida do III Reich nas Ardenas havia milhares de soldados com nomes como Botelho, Encarnação, Gomes, Santos ou Silva. Portugueses que a História foi votando ao esquecimento.

O túmulo de John Santos no Cemitério Americano do Luxemburgo. Foto: JR

Escrito por RICARDO J. RODRIGUES

Depois de voltar da guerra, Manuel Gomes ganhou um hábito. Ao final da tarde, gostava de colocar o chapéu de militar e sentar-se no alpendre a observar a tranquilidade dos dias de New Bedford, cidade do estado norte-americano do Massachussetts onde mais de um terço da população é portuguesa. “Era nessa altura que ele me contava o que tinha vivido na guerra das Ardenas”, diz agora o seu neto, Eric Gomes, um professor de História de 32 anos. “Ele repetia constantemente que tinham sido os piores dias da sua vida. Mas também tinham sido tempos valiosos, porque tinha lutado para derrotar Hitler e libertar povos inteiros do jugo nazi.”

Faz esta semana 75 anos que Gomes participou na batalha que libertou Troisvièrges, no norte do grão-ducado – um dos últimos bastiões alemães no país. Era soldado na 75ª Divisão de Infantaria, que libertou Colmar, em França, uma boa parte da zona da fronteira entre a Bélgica e o Luxemburgo, antes de avançar para o Reno. “Ele raramente falava dos combates, mas uma vez contou a um vizinho nosso o que acontecia depois. Como tinham de ir procurar os corpos dos companheiros caídos na neve e depois separá-los à pazada, porque os cadáveres tinham congelado juntos”, conta Eric.

Não foi no desembarque na Normandia que os Estados Unidos perderam mais tropas, foi nas Ardenas. “A última investida de Hitler contra os Aliados começou às 5h30 de 16 de dezembro de 1944, apanhando toda a gente de surpresa”, diz Philippe Victor, historiador do Museu de História Militar de Diekirch. “Durante 10 dias, o nevoeiro impediu que os aviões levantassem e foi uma verdadeira matança.” Até 25 de janeiro de 1945, 75 mil americanos e 80 mil alemães perderam aqui a vida. O plano de Hitler falhou, mas deixou um rasto de destruição.

No Luxemburgo, um dos epicentros dos combates, os homens da 26ª Divisão de Infantaria levaram com o primeiro embate. A Yankee Division, como era conhecida, tinha sido mobilizada no Massachussetts e, nas suas fileiras, contavam-se milhares de lusodescendentes. Muitos deram a vida para defender lugares como Rambrouch e Gosbrous, no cantão de Redange, capturar Arsdorf e assumir o controlo da região de Wiltz. Em 39 dias morreram 1850 homens. Muitos chamavam-se Silva, Santos ou Oliveira. A libertação do Luxemburgo também foi escrita em português.

“Nesta altura os Estados Unidos eram uma sociedade onde a segregação era legal. Ao alistarem-se nas Forças Armadas, os portugueses tiveram uma oportunidade de obterem ou cimentarem a cidadania no país. Foi também por isso que acorreram em grande massa aos centros de recrutamento”, diz ao Contacto Deolinda Adão, diretora do centro de estudos portugueses da Universidade de Berkeley, na Califórnia.

As comunidades estabelecidas na Costa Oeste e no Hawai foram sobretudo incorporadas nos batalhões que combatiam no Pacífico. Para a Europa viajavam os luso-americanos da Costa Leste – de Massachussetts, Rhode Island, Nova Iorque e Conneticut. “Era ponto de honra de cada família portuguesa ter um dos seus filhos nos militares, em sinal de apoio ao país de acolhimento. Os censos não são claros e não nos permitem afirmar com rigor o número de rapazes que se alistaram. Hão de ter sido centenas de milhares, mas pelo menos 100 mil foram de certeza.” Destes, umas dezenas de milhares haveriam de vir libertar um pequeno país da Europa Central chamado Luxemburgo.

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Heróis esquecidos

Entre os 5.073 soldados sepultados no Cemitério Americano do Luxemburgo, em Sandweiler, há pelo menos uma vintena de lusodescendentes. A 9 de janeiro de 1945 morreu John E. Santos, do 101° Regimento de Infantaria, no combate para recuperar Vianden. Nascido na ilha do Faial, nos Açores, Santos chegara com quatro anos a Fall River, Massachussetts, meses depois de o pai encontrar trabalho numa fábrica de têxteis. Ofereceu-se voluntário para o Exército, e no relatório da campanha do seu regimento nas Ardenas consta que John usou o corpo para bloquear a detonação de uma granada alemã e assim proteger os companheiros de batalha. Foi agraciado postumamente com duas das mais elevadas honras militares do país: a Bronze Star e o Purple Heart.

Arthur M. Encarnação (ou Encarnacao, como se lê no seu túmulo) está sepultado na fila 13 do setor E do mesmo cemitério. Morreu 4 dias antes de Santos, no combate pela libertação de Wallendorf, no leste do grão-ducado. Natural de New Bedford, foi o primeiro da família a nascer em solo americano. Os pais eram açorianos de São Miguel. Everett Seixas dorme duas filas ao lado, era descendente de judeus sefarditas fugidos de Portugal em 1709 – e que abriram um negócio a retalho de grande sucesso no Bronx, em Nova Iorque. Morreu a 27 de dezembro de 1944 no combate por Goesdorf.

Silvas há quatro. Ernest e Jule vieram do Massachussetts, Lawrence e Raymond da Califórnia. Morreram todos nos bosques das Ardenas, Ernest e Lawrence junto a Echternach, Jule e Raymond na fronteira belgo-alemã. James Oliveira morreu na libertação de Clerveaux, e George Bruno participou na libertação de grande parte do norte do Luxemburgo ao serviço da 26ª Divisão de infantaria. Lutou para expulsar os nazis de Asdorf, Wahl, Brattert, Kuborn, Neunhausen, Eschdorf, Isendorf, acabando por cair em Bonnal a 7 de janeiro de 1945. Anton Botelho, Amos Cabral, Arthur Cordeiro, Manuel Faria, Antohny Medeiros, Joseph Mendonça, Américo Alves são mais alguns nomes de soldados portugueses caídos na luta por uma Europa livre.

O soldado José Medeiros, da 5 Divisão de Infantaria, num posto de guarda em Clervaux com o seu cão Little Joey, que o acompanhou toda a guerra.

O soldado José Medeiros, da 5 Divisão de Infantaria, num posto de guarda em Clervaux com o seu cão Little Joey, que o acompanhou toda a guerra.

Numa guerra, as baixas nunca se contam apenas pelos que morrem – e disso mesmo deu conta um dos mais proeminentes lusodescendentes a combater no grão-ducado, o escritor Charles Reis Félix. Nascido em New Bedford em 1923 com o nome Carlos, foi o autor de Crossing the Sauer – Atravessar o Sûre, um relato autobiográfico da batalha das Ardenas que está disponível na biblioteca do Museu de História Militar de Diekirch. Há um real bastante vívido do combate por Wiltz.

“Todos os dias eu pensava que ia morrer e isso não era justo. Eu era tão novo. Os meus pais sempre me disseram que eu tinha uma sorte enorme em ter nascido nos Estados Unidos e não em Portugal, mas nestes dias isso não fazia qualquer sentido. Às tantas fico isolado atrás de uns arbustos, sem saber da localização do inimigo. Tudo o que eu ouvia à minha volta eram homens a gemer, dezenas deles. E só pensava em quantos iam morrer, em quantos iam ficar com mazelas para sempre, físicas e psicológicas. Nesse momento, a guerra tornou-se uma coisa muito pessoal. Não, eu não tinha sorte nenhuma por não ter nascido em Portugal”.

Charles Reis Félix morreu em 2017, com 93 anos. Dos 3,5 milhões de soldados norte-americanos que lutaram na II Guerra Mundial, o Departamento de Defesa do país estima não sobrarem hoje mais de 300 mil – todos eles nonagenários, pelo menos. A memória da grande tragédia da humanidade vai-se dissipando lentamente. Como o nevoeiro que invadiu as Ardenas há 75 anos.

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Trilhos de combate

O caminho entre Troisvierges e Clervaux, onde há 75 anos milhares de homens perderam a vida. Foto: RJR

Há um trilho pedestre que atravessa os bosques entre Troisvierges e Clerveaux ao longo de 17 quilómetros. Cumpre-se em cinco horas com subidas e descidas acentuadas, mas o percurso está bem assinalado e é uma das melhores formas de perceber o que aconteceu nesta paisagem há 75 anos. Nos meses de primavera e verão, centenas de americanos acorrem a esta região do norte do Luxemburgo para cumprir a desolada procissão que os seus pais ou avós fizeram anos antes, nos dias da guerra. Num dia de janeiro, no entanto, é possível fazer todo o caminho sem encontrar vivalma.

São bosques frondosos, de abetos, faias e carvalhos, por onde as nuvens entram em ondas, turvando a visão. Em dezembro de 1944, esta mesma floresta estava coberta de neve e os termómetros atingiam os 12 graus negativos. “Foi precisamente na meteorologia que Hitler pensou quando decidiu atacar as Ardenas”, explica o historiador Philippe Victor. “O nevoeiro impedia os aviões aliados de levantar fogo e a neve tornava difícil o flanqueamento das colunas nazis.”

Ainda hoje é possível ver estes estroços de um avião de reconhecimento inglês abatido entre Troisvierges e Clervaux.

Ainda hoje é possível ver estes destroços de um avião de reconhecimento inglês abatido entre Troisvierges e Clervaux. Foto: RJR

A meio do percurso encontram-se ainda os destroços de um avião de reconhecimento britânico, abatido pela Whermacht no início de 1945 – e as campas dos seis militares ingleses e belgas que ali perderam a vida. Victor contextualiza os acontecimentos: “Os alemães perdiam fulgor na frente Oriental e o Dia D tinha ocorrido meses antes. Hitler pensou que, se chegasse a Antuérpia, conseguiria travar o avanço da frente ocidental e virar o tabuleiro da guerra.”

Durante dez dias, as colunas nazis avançaram pelo norte do Luxemburgo e sul da Bélgica em força. Mas então o nevoeiro dissipou. Não só a Força Aérea podia finalmente atacar as posições do Reich como o general Patton fez subir o exército estacionado na Alsácia e na Lorena. A guerra acabaria por resolver-se em Bastogne, que os alemães nunca conseguiram tomar. A partir daí, recuariam sucessivamente. As Ardenas marcariam o início do fim do maior conflito a que a humanidade alguma vez assistiu.

Foram 39 dias de sofrimento atroz, não só para os dois lados da barricada como para as populações, que se viram igualmente apanhadas de surpresa. Três mil civis perderiam aqui a vida – 500 deles luxemburgueses. As ordens das tropas alemãs era incendiar as povoações por onde passassem, em muitos casos prendendo os habitantes dentro dos edifícios. Não é por isso de estranhar que, na contraofensiva aliada, os norte-americanos angariassem um enorme apoio.

O historiador Phillipe Victor no Museu de História Militar de Dietrich.

O historiador Phillipe Victor no Museu de História Militar de Dietrich. Foto: RJR

Nas aldeias tinham algum suporte, sim, o diabo foram os dias em que ficavam a combater ou guardar posições em florestas como a que existe entre Troisvièrges e Clervaux. Manuel Gomes relatou isso mesmo ao seu neto Eric. “Ele contou-me que umas grandes tragédias da guerra era que, depois de uma caminhada, os soldados precisavam de descalçar-se porque, senão, o suor acumulado nos pés congelava durante a noite e causava gangrenas. O problema é que, depois de tirarem as botas, dava-se o caso de os pés incharem e muita gente já não conseguia voltar a calçar-se, o que criava precisamente o mesmo efeito.” Só na 26ª Divisão, diz o livro The History of The Yankee Division – 1941-45, contabilizar-se-iam 750 amputações.

Manuel Gomes morreu há dois anos, tinha 96 e a guerra nunca o abandonou. Uns meses antes de sucumbir, o neto fê-lo convidado de honra do Liceu de New Bedford no Dia dos Veteranos e “raios me partam se nesse dia ele não apertou a mão a mais de 400 pessoas.” Respondia sempre o mesmo. “Sou um português que vendeu gelo, depois vendeu óleo e depois trabalhou numa fábrica. O acaso quis levou-me a participar na mais terrível das guerras e só agradeço ter sobrevivido. Não sou herói nenhum.” Mas era. Gomes foi um herói, tal como os dois milhões de soldados aliados, e entre eles dezenas de milhares de portugueses, que lutaram nas Ardenas pela liberdade dos povos e pelos direitos dos homens. Dificilmente haverá batalhas que valham mais a pena travar.

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No bosque onde vivia o medo

A abadia de Cinqfontaines, de onde centenas de judeus luxemburgueses foram deportados para campos de concentração alemães. Foto: RJR

Nas grandes florestas do norte pode contar-se uma boa parte da história da II Guerra Mundial. Quando o grão-ducado foi invadido, a 10 de maio de 1940, as tropas alemãs entraram pelo sul do país, levando milhares de luxemburgueses a seguirem caminho para as Ardenas e tentarem seguir pelos caminhos do bosque até à Bélgica, onde os nazis tinham fama de ser menos implacáveis. É que o Reich não só decidiu invadir como também anexar o pequeno país da Europa Central.

Em 1942, depois de Hitler dar ordem de recrutamento nas forças militares aos jovens luxemburgueses, milhares começaram a tomar estas mesmas rotas para tentar fugir ao alistamento. Na greve desse ano, a maior manifestação de resistência do país, vários organizadores de piquetes fugiriam também por aqui – sobretudo depois de ouvirem a notícia da execução de 21 dos seus concidadãos.

Mesmo a meio do caminho entre Troisvièrges e Clervaux fica Cinqfontaines, que a Gestapo transformou em campo de detenção em 1941. Ao longo de dois anos, oito centenas de judeus ficaram aqui detidos, sobretudo idosos, doentes e crianças. Desses, 670 embarcaram aqui no comboio para os campos de concentração de Lodz, Auschwitz e Theresienstadt. Antes da chegada dos soldados já estas florestas respiravam medo.

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A longa história militar dos « Portugees »

O capitão Joseph Lourenço, da 26 Divisão de Infantaria, a Yankee Division, instala um posto de comunicações à entrada de Wiltz.

O capitão Joseph Lourenço, da 26 Divisão de Infantaria, a Yankee Division, instala um posto de comunicações à entrada de Wiltz. Foto: DR

Não foi só a II Guerra Mundial. Na historiografia das guerras travadas pelos norte-americanos sobram relatos da participação dos lusodescendentes, apelidados no país de “portugees”. Ainda antes da independência dos Estados Unidos, em 1783, vários judeus portugueses fugidos à Inquisição no século XVIII ingressaram nas fileiras americanas nos navios que combateram os britânicos entre 1778 e 1783 – a bordo do mítico Bonhomme Richard, comandado pelo comandante Serapis, estavam por exemplo registados 11 portugueses.

Na Guerra Civil Americana (1861-65), centenas de açorianos, madeirenses e cabo-verdianos (na altura ainda uma colónia) integraram as tropas da União, lutando contra a escravatura. Alguns tornar-se-iam heróis nacionais, como Francis Barretto Spínola, general durante a batalha e que seria congressista pelo estado de Nova Iorque. Anos mais tarde, John Phillip Sousa comporia a marcha militar nacional dos EUA: The Stars and Stripes Forever.

Na I Guerra Mundial (1914-18), 15 mil portugueses alistaram-se no Exército americano para combater a Alemanha. Entre eles estava John Dos Passos, um dos mais aclamados escritores norte-americanos, e Jerry Cox Vasconcells, um dos mais reputados pilotos do início do século XX.

Nas guerras da Coreia (1950-53) e Vietname (1955-75) participaram milhares de portugueses, sobretudo os que viviam nas grandes comunidades da Califórnia e do Hawai. Os lusodescendentes revelar-se-iam também essenciais nas várias guerras em que os Estados Unidos têm participado desde o final do século passado. Mas em nenhum outro conflito como a II Guerra Mundial participaram tantos portugees. Foram mais de 100 mil.

 

[Fonte: http://www.wort.lu]

Los dictadores

Escrito por Mario Vargas LLosa

He renunciado a encontrar el periódico francés que publicó el texto de los cinco profesores que protestaron contra mi elección a la Academia Francesa, pero reconozco que esa protesta era legítima. No así, sin embargo, que, según los periódicos peruanos, esos profesores me tacharan de “pinochetista”. Nunca lo fui. El mismo día del golpe de Pinochet, en 1973, lo ataqué duramente en la televisión francesa y debo haber firmado, además, cerca de 20 manifiestos protestando contra los crímenes cometidos por la dictadura chilena, a la que incluso fui a criticar a Santiago de Chile y a solidarizarme con sus adversarios.

Tengo, desde niño, una aversión visceral contra todos los dictadores que han ensombrecido la historia política de América Latina e impedido que el sueño de Bolívar —una unidad continental a la manera de EE UU— se realizara.

Yo no tenía siquiera el uso de la razón, y ya en mi familia éramos enemigos de los dictadores. El dictador de turno en el Perú, el general Odría, había depuesto mediante un golpe militar al Dr. José Luis Bustamante y Rivero, pariente de mi abuelo materno.

Había en la familia un culto heroico por José Luis Bustamante y Rivero. Por lo elegante y bien hablado que era, como buen arequipeño, por lo bien que se vestía y el cuidado que tenía con las palabras que decía también, y con las erres arequipeñas que no podía pronunciar jamás ningún limeño. Yo lo había visto y hasta hablado con él, aquella vez que José Luis estaba de embajador del Perú en La Paz y había venido a alojarse en nuestra casa, en Cochabamba, donde mi abuelo era cónsul del Perú. Siempre recordaba la buena propina que había deslizado en mis manos cuando José Luis partió, con su sombrerito y sus anteojos que imponían tanto respeto como sus espléndidos discursos.

Él habría sido un lujo de presidente, aunque el patán de Odría, y sus tanques solo le permitieran ejercer la presidencia del Perú que había ganado en comicios legítimos tres de los cinco años para los que lo eligieron los peruanos.

Yo crecí odiando a Odría, como toda mi familia materna, y de ahí me venía el rechazo a esa especie horrenda: los dictadores que, en ese tiempo (ahora vuelven de nuevo), eran la peste de América Latina. Yo no había leído aún a Jan Valtin que sería mi primer guía político, pero ya detestaba a esos generales que se creían que la presidencia del país era lo que les correspondía luego del generalato y para eso, tenían los tanques.

Los dictadores me alejaron del partido comunista, en el que milité en el primer año de la Universidad de San Marcos, y de Cuba, pese a las muchas réplicas que recibí defendiendo las elecciones libres y el derecho de cada pueblo de elegir a sus gobernantes en comicios legítimos.

Ese ha sido un eterno malentendido con los militantes de la extrema izquierda: su convicción de que había dictadores “buenos”, como Stalin o Fidel Castro. Yo creo, y es una de las convicciones a la que he sido fiel en mi vida política, que todos los dictadores, sean de derechas o de izquierdas, son malísimos, autores de todos los atropellos y robos, y que los países que han alcanzado la civilización política no eligen a ningún dictador, sino permiten que el pueblo elija a sus presidentes en elecciones libres y auténticas.

Desde luego que los pueblos pueden equivocarse, como ha ocurrido en Venezuela o en Cuba, y elegir mal, errores que suelen traer nefastas consecuencias a sus pueblos y que demoran muchos años en corregirlas.

Los regímenes democráticos se pueden equivocar, y el ejemplo que acaban de dar los peruanos es más que suficiente. Los peruanos han elegido, y con mis propios votos, a muchos ladrones, creyéndoles honrados. Pero esos errores pueden corregirse a tiempo y se han corregido o se van a corregir en tanto que una dictadura es mucho más difícil de rectificar pues cuenta con esos convencidos de que la justicia social pasa por un régimen autoritario, aunque nunca se haya conseguido semejante demostración.

Por eso prefiero los regímenes democráticos a las dictaduras, de derechas o de izquierdas, que se confunden y confunden a sus víctimas. Las mediocres democracias son preferibles, aunque ellas acusen muchas deficiencias, entre las que prevalecen, en el mundo subdesarrollado sobre todo, las manos largas de los gobernantes elegidos o por elegir. Hay más ocasiones de mandarlos a la cárcel en esos regímenes débiles que en los solemnes y secretos que guardan sus vergüenzas para ciertas ocasiones. Y, como los ejemplos son innumerables, para cuando los dictadores ya estén muertos o enterrados.

La más mediocre democracia es preferible a la más perfecta dictadura, estén a la cabeza de ella Pinochet o Fidel Castro. Esta es mi divisa y por eso defiendo a las imperfectas democracias frente a todas las dictaduras sin excepción. Esta es una elección muy simple y quienes me juzgan políticamente deben tenerlo en cuenta sin equivocación.

Ahora acaba Chile de celebrar elecciones y no hay duda, para mí, en el momento presente, que el grueso de los electores chilenos ha cometido una grave equivocación. Chile ha sido, para los liberales del mundo entero, un ejemplo. Por eso nos ha sorprendido tanto la violencia de las manifestaciones en las que una muchedumbre quemó edificios y estaciones de metro. Nada parecía indicar que esta sería la respuesta popular a una economía ascendente, en la que todas las fuerzas políticas, sin excepción, parecían estar de acuerdo. Sin embargo, no era así, lo que sorprendió a todo el mundo. ¿Qué había ocurrido para que el país que parecía privilegiado en América Latina, mostrara una cara tan distinta y tan feroz? Yo apoyé a Kast, que me parecía representar una continuación sensata de la política económica que había llevado a Chile casi a alcanzar a ciertos países europeos y a distanciarse mucho del resto de América Latina. Pienso, por eso, que los chilenos, dándole la sólida victoria a Boric, se han equivocado. Pero su derecho a equivocarse debe ser tenido en cuenta y respetado. Algo debía de andar mal allí cuando Boric ha obtenido una victoria tan inequívoca y clara. Sobre todo, teniendo en cuenta, que las críticas de Boric han afectado a la política económica, en primer lugar, en lo que al electorado chileno parece haberle dado la razón. Es muy desconcertante, sin duda, que un país rechazara de manera tan evidente lo que parecía traerle beneficios múltiples. Pero así son las cosas de la vida política: algo tan inesperado y sorprendente como lo ocurrido en este país. En cualquier caso, esta nueva política, que corrige a la otra, debe ser puesta en marcha aunque tenga consecuencias muy negativas para el país que parecía crecer de manera sistemática en los últimos años. Ya tendrá tiempo Chile de corregir su error, si lo fue, y mantener los logros que alcanzó con la política que ahora ha rechazado.

Estas son mis convicciones. Puedo equivocarme, pero, en todo caso, mis errores responden a una idea que, me parece, es profundamente democrática: los pueblos tienen derecho a equivocarse. En una democracia, estos errores pueden ser rectificados y enmendados.

 

[Ilustración: FERNANDO VICENTE – fuente: http://www.elpais.com]

Début décembre, l’enseignante d’une école anglophone du Québec a dû quitter ses fonctions parce qu’elle portait le voile. La mesure a provoqué une onde de choc à travers le Canada anglophone.

Des villes comme Toronto, Calgary et Winnipeg ont annoncé qu'elles aideraient financièrement les parties qui luttent juridiquement contre la loi 21. | abdallahh via Flickr

Des villes comme Toronto, Calgary et Winnipeg ont annoncé qu’elles aideraient financièrement les parties qui luttent juridiquement contre la loi 21. | abdallahh via Flickr

Écrit par Marie Haynes 

«Une honte absolue», un acte «atroce», une «lâcheté». Au Canada, c’est une décision qui ne passe pas. Une enseignante portant le hijab en classe a été démise de ses fonctions dans une école anglophone du Québec, provoquant la colère de nombreux responsables politiques et la stupeur des parents d’élèves. «On parle toujours de diversité et d’inclusion. Et là, quelqu’un a perdu son travail en raison de sa religion», a ainsi réagi une mère d’élève au micro de Radio-Canada.

Le Premier ministre canadien Justin Trudeau, qui n’a jamais caché son désaccord avec la législation québécoise sur ce sujet, s’est récemment montré plus virulent: «N’importe quelle religion que quelqu’un pratique dans [sa] vie personnelle ne devrait pas l’empêcher de pratiquer une profession», a-t-il déclaré devant le Parlement canadien.

Si une telle sanction est en effet inimaginable dans le reste du Canada, au Québec, c’est pourtant la loi. Votée en juillet 2019 par l’Assemblée nationale, la loi sur la laïcité de l’État, également connue sous le nom de loi 21, instaure deux interdits propres à la province: tous les fonctionnaires québécois doivent travailler le visage découvert, et le port de signes religieux est interdit à «certaines personnes en position d’autorité, y compris le personnel enseignant ainsi que les directrices et les directeurs des établissements primaires et secondaires publics» embauchés après le vote de la loi.

Deux visions de la laïcité s’entrechoquent

Mélange d’influences française et anglo-saxonne, la loi québécoise est un véritable ovni au Canada. La polémique actuelle ne fait que raviver des divergences profondes sur la place de la religion dans la société. Au niveau fédéral, la conception du religieux repose sur deux fondements: le Canada s’appuie «sur des principes qui reconnaissent la suprématie de Dieu», comme le rappelle la Charte des droits et libertés canadienne, mais la neutralité religieuse de l’État fait aussi jurisprudence.

«Au Canada, l’idée de la neutralité religieuse de l’État découle de l’obligation des gouvernements de respecter la liberté de conscience et de religion de tous les citoyens et des agents de l’État, détaille Louis-Philippe Lampron, professeur en droit des libertés de la personne à l’Université Laval. Les agents de l’État ont donc le droit de manifester leur conviction religieuse lorsqu’ils sont en fonction.» Ainsi, au Canada, hors Québec, enseignants, juges ou encore policiers peuvent exercer leur métier avec une kippa, un voile sur la tête ou une croix autour du cou.

Le lourd héritage de l’emprise de l’Église catholique

Au Québec, la loi sur la laïcité de l’État est en fait le dénouement de plusieurs siècles d’omniprésence de l’Église catholique, mêlée à une tradition anticléricale qui remonte au XIXe siècle. «À partir des rébellions de 1837 et 1838, des individus républicains libéraux contestent la place de l’Église dans les affaires civiles, explique Yvan Lamonde, historien, auteur de L’heure de vérité, la laïcité québécoise (Del Busso Éditeur). En plus des réformes politiques, les Patriotes, comme on les appelle, demandent aux curés de rester dans les limites de leur pouvoir qui ne doit être que d’ordre spirituel.» Pour autant, pendant des décennies, l’Église contrôle le quotidien des Québécois, du système hospitalier à l’éducation de leurs enfants.

Qualifiée de raciste et de discriminatoire par ses opposants, la loi est à peine votée par l’Assemblée nationale qu’elle est immédiatement contestée devant les tribunaux.

Dans les années 1960, l’anticléricalisme latent se transforme finalement en combat pour la laïcité. «Cela va se faire au moment de la réforme du système d’éducation lorsque le Mouvement laïque de langue française réclame un système scolaire laïque, ou au moins le droit pour les athées d’avoir accès à des écoles neutres, parallèlement aux écoles catholiques et protestantes. Rien de très radical», note l’historien. Ce n’est qu’en 2000 que le système scolaire public est totalement déconfessionnalisé au Québec. S’ensuivent une dizaine d’années de débats houleux et de tentatives avortées de renforcer la laïcité dans la province.

En 2019, le vote de la loi 21 ne fait que raviver la virulence des débats. Qualifiée de raciste et de discriminatoire par ses opposants, la loi est à peine votée par l’Assemblée nationale qu’elle est immédiatement contestée devant les tribunaux. Et elle est encore bien fragile aujourd’hui, puisque l’affaire est toujours entre les mains de la justice.

En avril 2021, la Cour supérieure du Québec s’est prononcée pour son maintien, tout en exemptant les écoles anglophones et les membres de l’Assemblée nationale de l’interdiction du port de signes religieux. Le gouvernement québécois a immédiatement fait appel.

Désaccord de fond et conflit juridique

L’affaire est d’autant plus explosive qu’il ne s’agit pas uniquement d’un différend sur la conception de la laïcité. En effet, afin de contourner la loi fédérale, le gouvernement a enclenché la clause dérogatoire, un outil légal dont l’usage est ici contesté par les détracteurs de la loi. Ce mécanisme permet à un législateur provincial ou fédéral d’adopter une loi qui ne respecte pas certains critères de la Charte des droits et libertés canadienne.

«Si on suspend l’application de la Charte, on ne peut donc en principe pas contester la validité constitutionnelle d’une loi, explique le professeur de droits Louis-Philippe Lampron. Pour obtenir gain de cause, les opposants à la loi 21 doivent donc contourner cette clause dérogatoire pour convaincre le juge que d’autres motifs permettent d’invalider cette loi.»

Pour Guillaume Rousseau, professeur de droit et avocat du Mouvement laïque québécois qui soutient ce texte, la loi 21 n’a de toute façon pas besoin de cette dérogation pour être valide constitutionnellement. «En 2015, on a contesté le fait que certains maires de municipalités faisaient des prières à l’ouverture des séances publiques des conseils de ville. La Cour suprême a bien conclu que c’était illégal car les représentants de l’État ont un devoir de neutralité religieuse, rappelle l’avocat. Dans le procès de la loi 21, nous plaidons le fait que la même logique devrait s’appliquer.»

Les détracteurs de la loi revigorés par la polémique

Après deux ans de contestation judiciaire, les opposants à la loi 21 puisent en tout cas dans cette polémique de nouvelles raisons de poursuivre le combat. Des villes comme Toronto, Calgary et Winnipeg ont même annoncé qu’elles aideraient financièrement les parties qui luttent juridiquement contre la loi québécoise.

Cette ingérence de villes extérieures au Québec ulcère le gouvernement québécois. «Il n’appartient qu’à nous de déterminer les fondements de notre vivre-ensemble», s’est indigné le ministre québécois responsable de la Laïcité, Simon Jolin-Barrette, par l’intermédiaire de son service de presse, comme le rapporte La Presse. La Cour d’appel du Québec devrait se prononcer sur la loi 21 courant 2022, et la Cour suprême –dernier rempart de la juridiction canadienne– pourrait ensuite être saisie.

[Source : http://www.slate.fr]

 

Escrito por Lorenzo Feltrin 

Las noticias están en los diarios de todo el mundo. Gabriel Boric, 35 años, ex líder estudiantil chileno, recuperó la desventaja que lo separaba del candidato de la extrema derecha José Antonio Kast, adjudicándose una victoria neta con 12 puntos de ventaja. He tenido la fortuna de encontrarme en Chile en este período clave, y de participar acompañando las movilizaciones para el balotaje que ha llevado al candidato de Apruebo Dignidad al Palacio de La Moneda, donde 48 años atrás moría el presidente Salvador Allende bajo las bombas del golpe militar apoyado por los Estados Unidos. Además de un breve análisis en caliente, me permitiré contar un punto de vista más personal.

El 21 de noviembre, para el primer turno de las presidenciales, la performance de Kast había tomado de sorpresa a casi todos, y más a la izquierda. La victoria en el balotaje del candidato del Frente Social Cristiano habría significado una rehabilitación de la dictadura de Pinochet, un retroceso de los derechos en todos los frentes, la neutralización del proceso constituyente en curso y el desperdicio de la oportunidad histórica abierta por la revuelta popular abierta en 2019, que tanto ha costado en términos de caídxs, mutiladxs y detenidxs.

Por esto, muchas organizaciones de movimiento, tomaron la decisión de no ahorrar sus propios esfuerzos en las campañas para el balotaje, por ejemplo, el movimiento por el derecho al habitar Ukamau, la Coordinadora Feminista 8M, el MODATIMA (Movimiento de Defensa por el Acceso al Agua, la Tierra y la Protección del Medio Ambiente), el MAT (Movimiento por el Agua y los Territorios), etc. Además, apoyaron a Boric exponentes destacadxs de los movimientos de los pueblos originarios, como la constituyente y machi mapuche Francisca Linconao, y la mayoría de las siglas sindicales, entre ellas la Confederación de Trabajadores del Cobre, que se ha distinguido por la radicalidad de sus propias luchas en defensa del precariado en la minería del cobre. Como durante las movilizaciones por la Nueva Constitución, se dio entonces una confluencia de trayectorias en torno a los ámbitos del trabajo y de la precariedad, del feminismo y las disidencias sexuales, del ecologismo y la defensa de los territorios, del antirracismo y la decolonialidad.

El apoyo a Boric, en suma, llegó de una diversidad de perspectivas pero también desde diferentes grados de pertenencia o autonomía respecto a la coalición electoral Apruebo Dignidad, formada por el Frente Amplio y el Partido Comunista chileno. El Frente Amplio emergió de una trayectoria de institucionalización de diversas corrientes de aquel movimiento estudiantil que alcanzó su clímax en 2011. Vale la pena notar que Convergencia Social, uno de los partidos componentes del FA y partido de Boric, nació de la fusión entre el Movimiento Autonomista (escisión de la Izquierda Autónoma, también ella confluida después en el FA), la Izquierda Libertaria y otros grupos. El reclamo a la “autonomía” tiene un significado distinto al ámbito italiano y europeo: se trata de tendencias radicales no leninistas, ideológicamente flexibles y abiertas a incorporar las instancias de diversos movimientos de base.

Al mismo tiempo, esta trayectoria de institucionalización –que precisamente ha llevado a un “autónomo” al vértice del Estado-, ha provocado que otros movimientos, viejos y nuevos, reemplacen en el espacio dejado en las calles desde el movimiento estudiantil de 10 años atrás, moviéndose en autonomía también respecto a los “autónomos” (N del T: en realidad, esta “autonomía” nunca tuvo mucho más significado teórico-práctico que marcar una independencia frente a la Concertación y el sistema político neoliberalizado de la “Transición”, lejos de las profundidades de la autonomía y preeminencia del trabajo vivo, con respecto a la operatoria del capital y su Estado, postuladas desde los trabajos autonomistas pioneros de Panzieri, Tronti y Negri).

La campaña para el balotaje, guiada también por la figura carismática de Izkia Siches, vio así la participación de decenas de organizaciones y miles de personas entre militantes de AD y activistas de los movimientos, con puertas a puertas en los rincones más remotos del país, actos y manifestaciones de masa, muralismo y mítines, performances artísticas y conciertos que implicaron a nuevas voces como la cantante feminista Mariel Mariel –emergida como un rostro del “estallido” de 2019- y clásicos como el grupo Illapu –símbolo de la época de la Unidad Popular de Allende y de la resistencia a la dictadura-. Ha sido innegable un compromiso emotivo real y difuso.

Por otro lado, hubo una fuerte dosis de realpolitik, por la cual Boric recalibró su mensaje para asegurar el apoyo de la vieja centoizquierda y el voto moderado. Es de notar cómo la cuestión de las vacunas y del pase sanitario (que en Chile, sin embargo, no es obligatorio para trabajar), no fue un tema ni de movilizaciones ni de debate electoral (N del T: en Chile, como en otros países de América Latina, hay una importante tradición salubrista en torno a las vacunaciones; por otra parte, para el pueblo en rebelión y para los movimientos, también los del ámbitos de la salud popular, ha estado clara la necesidad de vacunarse y portar mascarilla para evitar la extendida muerte pandémica, usada por el piñerismo contra la rebelión, muy superior entre la clase obrera y el precariado como en todos lados).

Un punto saliente fue el deceso de Lucía Hiriart, viuda de Pinochet y símbolo de la dictadura a causa de su compromiso en los crímenes del marido. Una muerte acontecida entre escenas de júbilo justo el día de clausura de la campaña electoral, el 16 de diciembre. Yo estaba en Valparaíso, donde tuve ocasión de conmoverme escuchando a los Inti Illimani cantar “El pueblo unido jamás será vencido” cincuenta años después, junto a un público en el cual muchxs eran más jóvenes que uno. El día después, los muros de la ciudad estaban cubiertos de rayados “Se murió la vieja”, en cursiva o en esténcil. Una forma quizás poco delicada de protestar contra la impunidad de lxs viejxs criminales.

En los dos días entre la clausura de la campaña y el voto hubo una calma preñada de tensión. Se temía sobre todo que la costosa campaña de la coalición de Kast – en la cual no faltaron las típicas tácticas de la extrema derecha contemporánea, como la inundación de las redes sociales con fake news, perfiles falsos y troleo robotizado- hubiese hecho brecha también entre quien no se reconoce ideológicamente de derecha. En cambio, se vio después que el norte minero, cuna del movimiento obrero chileno, tradicionalmente de izquierda pero que había votado al “apolítico” Franco Parisi en primera vuelta; rechazó netamente la posibilidad de un giro pinochetista. En la región de Antofagasta, donde Parisi había ganado en el primer turno el 21 de noviembre, Boric venció con el 60%.

En la mañana del domingo electoral, muchas personas –sobretodo en los barrios populares de Santiago, bastiones de Apruebo Dignidad y los movimientos-, tuvieron dificultades para votar a causa de un boicot al transporte público por parte de las empresas y la derecha. La discriminación de clase que esta falta de transporte público comportaba fue duramente criticada. Sin embargo, en poquísimo tiempo grupos de voluntarios se organizaron para transportar a los electores a los lugares de votación, y a media tarde la situación fue componiéndose. Yo tomé un auto prestado y fui con un amigo a recoger votantes en los barrios periféricos de Puente Alto. Pero será porque el auto parecía un carro fúnebre o por nuestros bellos rostros, casi nadie quiso valerse de nuestros servicios. Al final solo llevamos a votar a una anciana, por lo demás le dimos un aventón a dos peruanos que no tenía derecho al voto, y acompañamos a dos señores a hacer una compra al supermercado.

Desde las proclamaciones de los primeros resultados, necesitamos poco más de media hora para comprender que Kast no tenía chance. Todavía habían nazi-bots que clamaban por un fraude electoral, o denostaban por “Chilezuela” en el ciberespacio. Sin embargo, de frente al resultado aplastante y su pronta convalidación por las autoridades electorales, el ciberespacio de la altright chilena se asemejó mucho –al menos por ahora, a la nada cósmica. Kast mismo admitió rápidamente la derrota.

Lo que vi después es difícil de describir, también porque sería impreciso sostener que permanecí sobrio durante los festejos. Ya desde las 19 la gente comenzó a moverse hacia la Alameda, la gran arteria de Santiago, teatro de las más importantes manifestaciones de la historia del país ya de antes de la Unidad Popular, todavía tapizada de murales del “estallido”. Quien andaba en auto sonaba el claxon, quien caminaba ondeaba las banderas, en el Metro se cantaba a Los Prisioneros y los techos de las paradas de bus estaban colmados de manifestantes. Entre fuegos artificiales e intervenciones de artistas del calibre de Ana Tijoux, los símbolos exhibidos en la Alameda y Plaza Dignidad reflejaban ya sea la interseccionalidad de los movimientos contemporáneos como la profundidad histórica de las luchas sociales chilenas.

Las banderas mapuche y aimara se acompañaban de las antifa o las de la hoz y el martillo, las fotos de Allende con los colores del orgullo gay, los pañuelos feministas con la camiseta de los Iron Maiden, que en Chile están por todos lados, no sabría decir por qué. Una categoría aparte compete a la contracultura del estallido mismo, toda una iconografía que se ha consolidado con la revuelta del 2019: la bandera chilena en negro (en luto por lxs caídxs y las víctimas de trauma ocular), el perro de la rebelión Negro Matapacos, las fotos de lxs secundarixs saltando los torniquetes del metro, los rostros de Gustavo Gatica y Fabiola Campillay, que perdieron la vista a causa de la represión.

Estaba ahí cuando el discurso de Boric, pero no escuché nada. Era demasiada gente quienes estábamos muy lejos. Pero puedo testimoniar que el slogan más cantado no era “Se siente, se siente, Boric presidente!”, sino “Liberar, liberar a los presos por luchar!”. Mientras lo escuchaba, el presidente electo subrayaba la propia adhesión a una idea plurinacional del país que incluya a los pueblos originarios y sus lenguas, la ética feminista de los cuidados, a la herencia del “estallido”, al proceso constituyente, a la lucha contra las desigualdades y la crisis climática, añadiendo que las “zonas de sacrificio” ambiental deben terminar y que el controvertido proyecto Dominga será bloqueado. Por la otra parte, declaró querer ser “el presidente de todos las chilenas y chilenos” y de priorizar un enfoque gradual y por “acuerdos amplios” de las transformaciones. Tarde en la noche vi sobre el muro de una calle lateral, a cuyo olor a establo confieso haber contribuido, la pintada “Allende vive” firmada con una A circulada. En aquel punto, me convencí de poder ir a dormir confuso pero contento.

En cuanto a los años por venir, no alimento grandes ilusiones. De cualquier manera, la impresión que me hice es que tampoco los movimientos organizados esperan que la salvación venga del vértice del Estado. El péndulo mesiánico entre espera de un deus ex machina gubernamental y desilusión al estilo “son todos traidores” se está agotando, o quizás es simplemente cuanto espera uno. Después de 20 años de gobiernos de izquierda (más y menos radicales) en América Latina, nos hemos hecho una idea de aquello que no puede hacer un Estado capitalista –capitalista porque es siempre y, de cualquier manera, dependiente de la acumulación del valor para la propia existencia-, guiado por coaliciones “progresistas” con el apoyo crítico de los movimientos de base. Puede reforzar el welfare, redistribuir la riqueza de un modo un poco más igualitario, reforzar los derechos sindicales, legalizar el aborto y abolir otras discriminaciones de género a nivel legal, bloquear las grandes obras más devastadoras, etc. Todas cosas por las que vale la pena luchar. No puede por el contrario constituir una alterativa sistémica al capitalismo, al patriarcado, a la colonialidad y al extractivismo.

Vale la pena salir del estéril impasse entre puritanismo abstencionista y fidelismo electoralista. Entre ambas posiciones, en mi modesto parecer, se esconden además de un dogmatismo, quizás tranquilizador, las posibilidades de un análisis contextualizado del rol de los movimientos autónomos y de los partidos electorales en una determinada coyuntura espacio temporal. En el caso del gobierno de Boric, que entrará en funciones en marzo, están los obstáculos añadidos de un parlamento sin mayoría y de un bloque de poder socioeconómico de derecha, cementado desde la dictadura, que no tendrá muchos escrúpulos en desestabilizar un gobierno que vaya en serio en cuanto a los cambios estructurales prometidos por Apruebo Dignidad. En esto, tendrá un rol crucial la correlación de fuerzas que sepan construir las luchas de los movimientos de base, tanto en el plano de los territorios como de los puestos de trabajo.

Lorenzo Feltrin es activista, filósofo, PhD in Politics and International Studies e investigador en líneas como trabajo, movimientos sociales y ecología política en la Universidad de Birmingham.

[Fuente: https://www.globalproject.info/it/mondi/la-vittoria-di-boric-in-cile-una-convergenza-di-diversita-dentro-e-oltre-lo-stato/23798 – traducción: Diego Ortolani Delfino – reproducido en http://www.sinpermiso.info]

Escrito por Jorge G. Castañeda

Chile ha sido siempre una especie de barómetro de Latinoamérica. Por eso, cuando el pasado domingo los votantes chilenos eligieron como presidente al izquierdista Gabriel Boric, un exlíder estudiantil de 35 años, el resto de Latinoamérica se preguntó: ¿Cuál es el significado para Chile y para nosotros?

En primer lugar, conviene mirar más de cerca el resultado en sí. Con casi un 56% de los votos, Boric ganó por un margen de más de diez puntos porcentuales, que en Chile es enorme. Desde la restauración de la democracia en 1989, la mayoría de los presidentes solo consiguieron diferencias de cuatro o cinco puntos. Aun así, el contendiente de ultraderecha, José Antonio Kast, no solo ganó la primera vuelta de la elección, sino que consiguió un sustancial 44% de los votos en el balotaje.

De hecho, los resultados de la última elección reproducen los del plebiscito de 1988 convocado para darle otros ocho años en el poder a Augusto Pinochet, que había sido dictador de Chile desde 1973. Los partidarios de Pinochet perdieron, pero el plebiscito mostró que la ultraderecha chilena gozaba de buena salud (que aún conserva). Los balotajes siempre son polarizantes, pero en el caso chileno la divisoria sigue siendo muy marcada, bastante pareja y notablemente duradera.

Pero puede que las implicaciones para la izquierda chilena y latinoamericana sean incluso más significativas. En la primera vuelta Boric se alió con un grupo heterogéneo formado por el Partido Comunista, el Frente Amplio (compuesto por diversos partidos y movimientos de izquierda con excepción del Partido Socialista) y una variedad de grupos ambientalistas, feministas y LGBTQ.

Pero en la segunda vuelta, Boric amplió todavía más esta coalición con el agregado de los socialistas, el centroizquierdista Partido por la Democracia, los democristianos y algunas organizaciones centristas. Cabe pues hacerse la misma pregunta que el politólogo chileno Patricio Navia: ¿Cuál de las dos alianzas gobernará, y en qué plataforma se basará el gobierno de Boric?

Para intentar una predicción hace falta volver a 2019, cuando los chilenos salieron a las calles para protestar por una amplia variedad de temas, entre ellos los bajos salarios, la deficiente provisión de vivienda, el sistema privado de pensiones, un sistema sanitario caro y complicado, el deterioro del medioambiente y las violaciones de los derechos de mujeres y pueblos indígenas. Las protestas no tardaron en convertirse en una lucha contra la desigualdad.

La imagen que tenían muchos chilenos es que a pesar de una caída significativa de la pobreza, los beneficios del «milagro» económico de su país no se habían repartido en forma equitativa. Sin embargo, el coeficiente Gini (el indicador de desigualdad más usado, con una escala de cero a uno en la que cero representa la máxima igualdad y uno representa la máxima desigualdad) indica que en los últimos veinte años la desigualdad en Chile disminuyó de 0,55 en 2000 a 0,51 en 2019 (aunque con una suba desde el 0,48 registrado en 2015).

En cualquier caso, la plataforma original de Boric responde a muchas de las quejas concretas expresadas en las protestas. Prometió crear un seguro de salud universal, reformar el sistema de pensiones, aumentar el salario mínimo, eliminar las deudas estudiantiles y acortar la semana laboral. El mayor gasto social se financiaría con un aumento de los ingresos del Estado equivalente al 8% del PIB, sobre todo mediante impuestos a las grandes empresas y a los ricos.

No era un programa revolucionario, pero sin duda era ambicioso. Y puede que coincida en gran medida con las posiciones de la asamblea constitucional de tendencia izquierdista que se eligió en mayo de este año. (El órgano de 155 integrantes se creó tras las protestas de 2019, con el mandato de redactar una nueva constitución basada en las demandas de los manifestantes.)

Sin embargo, Boric morigeró sus posturas en la segunda vuelta, cuando pasó de culpar a la coalición política que gobernó el milagro económico de Chile, la «Concertación», a buscar el apoyo de sus expresidentes Ricardo Lagos y Michelle Bachelet. La plataforma de la segunda vuelta todavía era muy reformista e incluía muchas de las promesas originales modificadas, pero ya no era tan radical.

Pero a fin de cuentas, Boric debe su victoria no solo a sus votantes más moderados, tradicionales y de mayor edad, sino también a sus simpatizantes más jóvenes y radicales. Es decir que tal vez se esté gestando una batalla por el alma política del presidente millennial.

La tensión que sin duda Boric siente refleja un fenómeno más amplio que examiné hace quince años. Desde que comenzó el siglo, Latinoamérica ha tenido dos «izquierdas» distintas: una moderada, democrática, globalizada y moderna; la otra anacrónica, estatista, nacionalista y autoritaria.

Ejemplos del campo más moderado son los gobiernos chilenos y uruguayos de los últimos veinte años y el gobierno brasileño durante los dos mandatos del presidente Luiz Inácio Lula da Silva (dejando a un lado la corrupción). En menor medida, también entran en esta categoría el primer gobierno del presidente boliviano Evo Morales y el gobierno del Frente Farabundo Martí para la Liberación Nacional en El Salvador (dejando a un lado la corrupción).

Ejemplos de la izquierda radical son el difunto presidente venezolano Hugo Chávez y su sucesor designado a dedo, Nicolás Maduro; el ecuatoriano Rafael Correa; el presidente nicaragüense Daniel Ortega; y el régimen castrista en Cuba. Resulta más difícil clasificar al mexicano Andrés Manuel López Obrador, al peruano Pedro Castillo y a los argentinos Néstor Kirchner, Cristina Fernández de Kirchner y Alberto Fernández (aunque todos ellos han gravitado hacia doctrinas y políticas del pasado).

En Caracas, La Habana, Ciudad de México y Buenos Aires, los adalides de la izquierda radical celebraron el resultado electoral de Chile, convencidos al parecer de que Boric es uno de los suyos. Pero es posible que terminen llevándose una decepción.

A modo de ejemplo, hay que destacar algunos hechos que sucedieron poco antes de la primera vuelta de la elección chilena. La reelección de Ortega en una farsa electoral, las aplastantes victorias de Maduro en elecciones regionales y la supresión por parte del régimen cubano de una protesta que estaba prevista obligaron a los miembros de la coalición de Boric a tomar posición. El Partido Comunista y otras fuerzas, tras discusiones internas, optaron finalmente por felicitar a Ortega y Maduro y respaldar al régimen castrista de La Habana, pero ni Boric ni sus aliados de la segunda vuelta se les unieron.

Si a esto se le suman la historia reciente de Chile, los resultados de la segunda vuelta y la composición de la coalición gobernante, hay buenas razones para pensar que Boric no gobernará como un típico populista de izquierda latinoamericano, sino más bien como un socialdemócrata europeo a la manera de Felipe González, el primer presidente socialista español tras el retorno de la democracia a su país en los setenta. Ojalá así sea; por el bien de Chile y por el de Latinoamérica.

Jorge G. Castañeda, a former foreign minister of Mexico, is a professor at New York University and author of America Through Foreign Eyes (Oxford University Press, 2020).

 

[Foto: Martin Berretti/AFP vía Getty Images – fuente: http://www.project-syndicate.org]

Gabriel Boric Font, de 35 ans, es lo president mai votat de l’istòria chilena e serà lo president mai jove del país

En Chile, de centenas de milièrs de personas an manifestat per carrièras per tal de festejar la victòria de Gabriel Boric Font a l’eleccion presidenciala. Lo candidat esquerrista s’es impausat al pinochetista José Antonio Kast. Boric Font es lo president mai votat de l’istòria chilena, amb lo 55,8% dels vòtes, e, amb sos 35 ans, serà lo president mai jove del país.

Al primièr torn, lo 21 de novembre, foguèt segond amb lo 25,83% dels vòtes, just darrièr José Antonio Kast, que n’obtenguèt lo 27,91%. Mas al segond torn l’a superat amplament.

Lo nòu president chilen a centrat sa campanha electorala sus la fin del neoliberalisme e sus de dreches fondamentals amb un programa centrat sul feminisme e l’ecologisme. Vòl aumentar los impòstes del 8% en 8 ans, sustot pels pus rics, e desira d’impausar de taxas sus l’extraccion del coire, que Chile n’es lo màger productor. A mai, es favorable a la descentralizacion e la defend en tot revendicar sas originas catalanas.

Gabriel Boric Font es d’efièch descendent de croats e de catalans que s’establiguèron en Chile fa mai d’un sègle, sosten l’independentisme catalan, e emplega de temps en temps la lenga catalana dins sas publicacions suls rets socials.

Totun, la composicion del parlament a pas de majoritat clara, e doncas lo nòu executiu deurà negociar las mesuras que prepausarà amb las autras fòrças politicas que son contràrias a aquel programa.

Gabriel Boric Font vendrà lo president mai esquerrista del país, après Salvador Allende, e arriba après una estapa neoliberala que reprimiguèt amb una duretat extrèma las grandas manifestacions de la tardor de 2019.

Reconeissença dels pòbles originaris

Dins son primièr discors coma president del país, Gabriel Boric Font, mercegèt “totes los pòbles originaris qu’abitan l’endrech nomenat Chile”. A mai, sas primièras paraulas las prononcièt en las lengas mapuche, aimara e rapanui.

Dins sa campanha, Boric Font s’es d’efièch tanplan acercat del combat del pòble mapuche per sa reconeissença lingüistica e culturala.

[Sorsa: http://www.jornalet.com]

Graffiti d’une caméra de surveillance. Publié et étiqueté pour réutilisation sur Pixabay.

 

Écrit par Syeda Iqraa Bukhari  – traduit par Tommy MOUR

[Sauf mention contraire, tous les liens renvoient vers des supports en anglais, ndt]

Cet article fait partie d’UPROAR [1], une initiative de Small Media qui exhorte les gouvernements à relever les défis des droits numériques lors de l’Examen périodique universel (EPU) [2] [fr].

Si le Printemps Arabe a mis en évidence un phénomène à propos de l’émergence du numérique, du cyberactivisme et de la démocratisation, c’est que la vague de soulèvement qui a ébranlé le Moyen-Orient début 2011 a fini victime du même facteur qui lui avait initialement servi de catalyseur : la technologie [3].

Ce phénomène est apparu au Liban, où pèsent aujourd’hui d’importantes menaces technologiques sur les libertés des citoyens et citoyennes. De plus, les atteintes à la vie privée sont omniprésentes et souvent menées sans contrôle judiciaire adéquat.

Les tensions entre les citoyens et le gouvernement se sont intensifiées pendant les manifestations libanaises de 2019-2021 [4] [fr], quand des manifestants qui avaient été arrêtés ont mis en évidence [4] [fr] le problème des agences de sécurité qui saisissent les téléphones des manifestants en exigeant les mots de passe pour les déverrouiller. Bien que certains perçoivent le mouvement de protestation comme s’opposant à l’austérité, le large éventail de réclamations tend vers un objectif révolutionnaire consistant à redéfinir le système politique sectaire libanais rongé par le clientélisme, la partialité, la duplicité, l’incompétence, etc. Les revendications portent non seulement sur les droits des femmes, la stabilité économique, la création d’emplois et de services publics, mais aussi sur les libertés numériques, à l’instar de « Je veux tweeter sans être arrêté [5] ».

Les agences de sécurité libanaises sont aussi connues pour leur utilisation d’espiogiciels invasifs. En 2018, Lookout et Electronic Frontier Foundation (EFF) ont publié un rapport [6] commun révélant l’existence de « centaines de gigabits de données exfiltrées », violant ainsi le plus élémentaire droit à la vie privée des citoyens libanais. L’allégation la plus choquante était sans doute l’affirmation selon laquelle la campagne globale de cyberespionnage appelée « Dark Caracal [7] », une menace persistante avancé (APT [8]) déployée à l’échelle mondiale ayant ciblé vingt-et-un pays depuis 2012 [8], aurait été « administrée depuis un immeuble de Beyrouth appartenant à la Sûreté générale libanaise ». Les groupes APT [9] sont des organisations qui mènent, « par cyberespionnage ou cybersabotage, des attaques contre les actifs informationnels relatifs à la sécurité nationale ou envers l’importance stratégique et économique », s’en prenant également aux grosses entreprises. Elles ont généralement recours à de nombreux mécanismes pour extraire d’importantes données ou informations sur des crimes en col blanc, comme l’acquisition de rançon ou le cybervandalisme.

De par sa nature de proxy [10] consumériste, le logiciel espion, qui a infecté plus de vingt états [11] et catalyseurs externes (non gouvernementaux), a été qualifié de « surveillance gouvernementale en tant que service payant [11] ». Il a été avancé que Dark Caracal, en usant de simples programmes de hacking et de vieilles méthodes de phishing [12], a pu accéder à des échanges entièrement cryptés sur des réseaux sociaux, dont WhatsApp.

Certains affirment que les technologies de surveillance empêchent les crimes et aident à maintenir l’ordre et la discipline de base, y compris dans des domaines comme l’éducation [13]. Des militants des droits humains prétendent [14] cependant que le programme de surveillance a été utilisé pour cibler des milliers de personnes, y compris des activistes et des journalistes.

Le directeur général de la Sûreté générale libanaise (GDGS), Abbas Ibrahim, réputé être « les yeux et les oreilles de l’État libanais [15] » a émis un communiqué [16] réfutant le rapport de l’EFF, déclarant [17] que « la Sûreté générale n’a pas ces capacités. Nous aurions bien aimé les avoir ».

Les groupes de défense des droits ont également documenté [10] l’utilisation du logiciel espion FinFisher [18] par la Sûreté générale. Il permet de mettre sur écoute divers réseaux sociaux, comme WhatsApp, Viber ou Skype, et d’accéder à des informations privées : localisation, mots de passe, historique des appels, messages, fichiers, photos, vidéos, agenda, et.

Que dit la loi libanaise ?

Les aspects légaux de régulation de la surveillance sont en soi un casse-tête et ont été interprétées de différentes manières. La Loi relative à l’interception des télécommunications du 27 décembre 1999, connue généralement comme la Loi 140/1999 [19], défend la vie privée des citoyens libanais, excepté en situations d’urgence, comme lors d’activités criminelles. L’article 14 [20] de la Constitution libanaise [21] déclare que « le domicile est inviolable. Nul ne peut y pénétrer hors circonstances et manières prévues par la loi ».

Quand bien même, il ne doit pas être pris pour acquis que « le domicile » soit une entité séparée de la présence intangible et privée d’un citoyen sur ses appareils électroniques. Ces deux domaines n’ont pas encore été liés, ou distingués l’un de l’autre, aux yeux de la législation libanaise. Pour de nombreuses personnes dépendant de leur téléphone dans un pays où la majorité de la population utilise [22] internet, le monde numérique est, de fait, une sorte de domicile. La protection légale de la vie privée devrait être étendue pour inclure plus que le simple « domicile », englobant les appareils électroniques et les communications en ligne.

Selon l’article 14, une « ordonnance judiciaire ou administrative [23] » doit être décrétée pour autoriser la surveillance de communications. Cette règle est inefficace pour surveiller et rendre responsable les agences de renseignement, car elles sont directement sous l’autorité du ministère de l’Intérieur, qui possède également l’habilitation pour autoriser les interceptions.

L’article 9 de la Loi 140/1999 décrète que le feu vert administratif peut être donné par les ministres de l’Intérieur ou de la Défense, après que le Premier ministre a ratifié l’acte et la forme de l’interception. Ce genre d’enquête, qui ne doit pas excéder une période de deux mois, ne peut être autorisée qu’en cas de circonstances exceptionnelles, comme la lutte le terrorisme, le crime organisé ou les menaces contre la sécurité de l’État [23]. Cependant, il existe un vide juridique selon lequel chacun de ces crimes peut facilement être associé aux activistes ou aux dissidents.

Pendant ce temps, militants et citoyens ordinaires peuvent essayer de protéger leur vie privée en ligne en téléchargeant des programmes de sécurité numérique, comme Detekt [24] [fr], et en reportant les anomalies aux autorités. Bien évidemment, cette dénonciation est inutile si les autorités elles-mêmes sont impliquées dans la surveillance extrajudiciaire et la violation de vie privée.

Historiquement, le Liban a maintenu sa réputation de pays plus libéral [25] que d’autres nations arabes. Dans ce qui semble être une vague d’efforts fournies par les agences gouvernementales aux prises avec (ou refusant) la vie privée numérique, l’ingérence dans les droits humains en ligne est une préoccupation.

Les lois dépassées devront être amendées, ou de nouvelles lois créées, afin de sécuriser pleinement les droits numériques en limitant les violations de la vie privée des citoyens et en autorisant une supervision solide et indépendante des pratiques de surveillance. C’est seulement à ces conditions que l’intimité, la liberté et la sécurité numériques authentiques des citoyens seront assurées.

Article publié sur Global Voices en Français: https://fr.globalvoices.org

URL de l’article : https://fr.globalvoices.org/2021/12/23/269116/

URLs dans ce post :

[1] UPROAR: https://uproar.fyi/

[2] Examen périodique universel (EPU): https://www.ohchr.org/FR/hrbodies/upr/pages/uprmain.aspx

[3] la technologie: https://www.wired.com/2016/01/social-media-made-the-arab-spring-but-couldnt-save-it/

[4] manifestations libanaises de 2019-2021: https://fr.globalvoices.org/2020/05/04/248561/

[5] Je veux tweeter sans être arrêté: https://www.opendemocracy.net/en/north-africa-west-asia/lebanons-october-revolution-end-civil-war/

[6] rapport: https://info.lookout.com/rs/051-ESQ-475/images/Lookout_Dark-Caracal_srr_20180118_us_v.1.0.pdf

[7] Dark Caracal: https://www.bbc.com/news/technology-42746772

[8] APT: https://www.techrepublic.com/article/dark-caracal-hacking-group-has-stolen-hundreds-of-gigabytes-of-data-from-21-countries/

[9] Les groupes APT: https://www.varonis.com/blog/apt-groups/

[10] proxy: https://citizenlab.ca/2015/10/mapping-finfishers-continuing-proliferation/

[11] vingt états: https://www.theatlantic.com/technology/archive/2018/01/lebanon-hacking-subscription/551009/

[12] phishing: https://www.the-parallax.com/dark-caracal-android-spyware-apps/

[13] éducation: https://www.the961.com/surveillance-cameras-will-now-monitor-the-official-exams-in-lebanon/

[14] militants des droits humains prétendent: https://www.hrw.org/news/2018/01/24/lebanon-investigate-large-scale-surveillance-reports

[15] les yeux et les oreilles de l’État libanais: https://english.aawsat.com/home/article/1019646/abbas-ibrahim-%E2%80%A6-eyes-and-ears-lebanese-state

[16] communiqué: https://www.nytimes.com/2018/01/18/technology/lebanese-intelligence-spy-android-phones.html

[17] déclarant: https://www.nytimes.com/2018/01/18/technology/lebanese-intelligence-spy-android-phones.html?searchResultPosition=3

[18] FinFisher: https://www.kaspersky.com/blog/finspy-commercial-spyware/27606/

[19] Loi 140/1999: https://privacyinternational.org/state-privacy/1081/state-privacy-lebanon#commssurveillance

[20] L’article 14: https://privacyinternational.org/sites/default/files/2018-02/Lebanon_UPR_23rd_session_Joint_Stakeholder_submission_0.pdf

[21] Constitution libanaise: https://www.wipo.int/edocs/lexdocs/laws/en/lb/lb018en.pdf

[22] utilise: https://data.worldbank.org/indicator/IT.NET.USER.ZS?locations=LB

[23] ordonnance judiciaire ou administrative: https://smex.org/wp-content/uploads/2018/02/State_of_Privacy_01_18.pdf?utm_source=Social+Media+Exchange+%28SMEX%29+Newsletter&utm_campaign=8e716d5397-EMAIL_CAMPAIGN_2018_02_22&utm_medium=email&utm_term=0_de3253d538-8e716d5397-77182847

[24] Detekt: https://www.amnesty.org/fr/latest/news/2014/11/new-tool-spy-victims-detect-government-surveillance/

[25] plus libéral: https://www.bbc.com/news/av/world-middle-east-49294065

 

 

Escrito por Paul Walder

Cientos de miles de personas esperaron hasta cerca de las 10 de la noche del domingo 19 la llegada de Gabriel Boric al escenario instalado en Alameda con Santa Rosa, a un costado de la Biblioteca Nacional. Nunca en la historia reciente un acto político electoral había congregado a tantas personas y probablemente solo aquellas movilizaciones de protestas lo superaran. Miles de banderas ondeaban en la noche al sonido de los cánticos y las consignas de la revuelta popular. Una atmósfera, una mística política envolvía anoche al centro de Santiago, espíritu que se extendía hacia los barrios, con fiestas en las plazas y caravanas de automóviles.

El triunfo de Gabriel Boric fue contundente. Casi un 56 por ciento de los votos, contra el 44 por ciento del pinochestista José Antonio Kast. Boric, con más de 4,6 millones de votos, y una diferencia de 970 mil respecto a Kast, es el presidente más votado de la historia de Chile. El candidato de Apruebo Dignidad logró quebrar una tendencia de la política electoral de los últimos decenios. La cristalizada baja participación, generalmente bajo el 50 por ciento, cambió este domingo su tendencia y se elevó cerca de un 55 por ciento.

La masiva votación, pese a un boicot del servicio de transporte público, concesionado a privados, explica gran parte del triunfo. La campaña de Gabriel Boric cambió completamente para el ballotage. De las piezas audiovisuales y volantes de propaganda el trabajo de millares de adherentes fue el puerta a puerta, las asambleas en plazas y barrios, en los territorios. Golpear un millón de puertas se llamó la campaña, que comenzó a demostrar su efectividad en masivas reuniones hasta un cierre masivo con más de cien mil personas en la Plaza Almagro de Santiago.

El otro factor fue la reacción a la campaña del terror levantada por la ultraderecha en redes sociales y en destemplados discursos. Ellos hablaron y acusaron al “comunista”, al “marxista” Boric pero no calcularon que la falsa denuncia reproducía la retórica de odio de la dictadura de Pinochet. Esta campaña irritante, llena de mentiras y odio, gatilló una reacción natural empleada de forma inteligente por los adherentes de Boric. Un amplio frente antifascista compuesto de simpatizantes pero especialmente de artistas, actrices y actores, académicos, intelectuales y dirigentes sociales, alertó por el regreso del fascismo y el pinochestismo. Esta mañana uno de los autores intelectuales de la campaña, el exministro de Pinochet Sergio Melnick, admitía su error, el triunfo de Boric “por goleada” y anunciaba su retiro de la política y la vida pública.

El discurso de Gabriel Boric fue un esbozo de ideas fuerza muy generales. Había que seguirlo con atención en cada una de las menciones, los agradecimientos, los nombres o las citas. Boric habló del fin de privilegios, de demandas sociales, del fin de las AFP, de los derechos y las conquistas de las mujeres y las disidencias, del medio ambiente, de los niños y los viejos, de derechos sociales ante una multitud que coreaba las consignas de la Plaza Dignidad: la libertad de las y los presos políticos, educación y salud de calidad; una vida digna y el término de las enormes desigualdades. Una mística de cambios, un retorno al cauce abierto el 18 de octubre del 2019 rondaba anoche el centro de Santiago.

Hacia el cierre de su discurso Boric levantó probablemente uno de los aspectos que deben ser centrales en su gobierno. “El 11 de marzo entramos juntos a La Moneda”. Los enormes cambios que prevé hacer Apruebo Dignidad solo serán posibles con una permanente movilización popular. Con un Congreso muy empatado su fortaleza estará en el masivo apoyo. Lo declaró anoche en su discurso, pero ya lo había confirmado días antes tras el tremendo éxito de su cierre de campaña. Ante la apatía política que ha caracterizado por décadas a la política chilena, el traspaso del espíritu colectivo de la revuelta popular a una figura política es un logro único en la historia reciente. Este es su gran capital político. Gabriel Boric no asume como los tradicionales débiles gobiernos llenos de tecnócratas neoliberales. Cuando asuma en marzo estará impulsado y levantado por la mayor votación de la historia de Chile. Es esa su gran virtud y es también su gran desafío.

Boric es uno de los resultados de la revuelta popular. El otro es la Convención Constitucional, que deberá redactar la nueva constitución el 2022. El nuevo gobierno y la Convención probablemente se retroalimenten y fortalezcan hacia la realización de los cambios demandados por el pueblo que deberán ser ejecutados por las dos instancias, el gobierno y la nueva constitución.

El escenario fue levantado en aquella esquina del centro de Santiago. Observadores consultados han afirmado que ese fue el lugar en el que Salvador Allende hizo su primer discurso como presidente electo la noche del 4 de septiembre de 1970. Allende escogió aquel lugar porque muy cerca estaba la sede de la Federación de Estudiantes de Chile (Fech), porque la juventud era central para su gobierno. Boric ni su comando hizo aspavientos de esta locación. Pero sí parafraseó, sin mencionar su nombre, a Salvador Allende. Una cita cómplice, velada, pero certera: “Los invito, como se invitara hace muchos años, a que vayan a sus casas con la alegría sana de la limpia victoria alcanzada”.

 

 

[Foto: Rodrigo Garrido/Reuters – fuente: http://www.elclarin.cl]

 

Publicado por Pilar Gómez Rodríguez

Los doscientos años del nacimiento del autor de Madame Bovary se celebran aquí señalando la grieta descubierta en su realismo por el escritor austriaco —que prefirió ser belga— Jean Améry. A esa grieta, por donde se cuela una profunda reflexión filosófica, le dedicó Charles Bovary, médico rural, su última novela antes de preferir morir.

«El mundo de un gran escritor es, en efecto, una democracia mágica donde incluso el personaje más secundario, el más efímero (…) tiene derecho a vivir y a evolucionar». Esto escribe Vladimir Nabokov en su Curso de Literatura europea para despedir el ensayo que dedica a Casa Desolada, de Charles Dickens. Le sigue, en la versión de Ediciones B, el que el crítico ruso dedicó a Madame Bovary y, como si hubiera estado esperando ese momento y esas palabras, el ninguneado y ridiculizado marido de Emma da un puñetazo en la mesa, se levanta contra Flaubert y reivindica para sí mismo otra lectura; o lo que viene siendo lo mismo en este caso, otra forma de vida literaria. La consigue. Se la regala Jean Améry cuando en 1977 escribe Charles Bovary, médico rural para decirle cuatro cosas a su admirado/odiado autor.

Améry, ese camorrista de la literatura

Pero antes de las acusaciones, merece la pena detenerse en la extraña figura de Jean Améry (1912-1978). No es muy infrecuente en la historia de la literatura que alguien se fije en un personaje de otra obra, de otro autor, de otra época, para hacerlo vivir nuevas aventuras. Lo que sí es más raro es dejarlo donde estaba e intentar darle otra voz u otra perspectiva. Y lo que sí es rarísimo —y por eso tan interesante— es meterse con el canon para decirle a uno de sus tótems que ya le vale. Ese es Jean Améry, el que nació en Viena en 1912 con un nombre, Hans Meier, que no quiso y en un país que tampoco quiso (salvo para ir a suicidarse). A la hora de la escritura, Améry espera el momento y actúa cuando siente de forma irrefrenable que tiene que entrar en acción… porque ya está bien.

El tardío ensayo sobre la tortura y su paso por los campos de exterminio nazis, que lo consagró en el contexto de la literatura del nazismo, apareció en 1966, cuando en Alemania se hablaba de mirar hacia delante, de olvido y perdón. Más allá de la culpa y la expiación se publicó porque Améry había leído Si esto es un hombre y pensaba que Levi había llevado demasiado lejos su intento de comprensión y que ya le vale. Se publicó cuando vio a Hannah Arendt defender su tesis sobre la banalidad del mal y piensa que ya le vale, que ya está bien. Améry se sentó entonces, se remangó y arregló sus cuentas en los libros. Es un camorrista de la literatura y, en este caso, quiere vérselas con Flaubert (con Sartre también) para decirles que no hay derecho a tratar de esa manera a Charles Bovary.

Un personaje contra su autor: el «J’accuse!» de Charles Bovary

«Este es un cargante, un pesado sin atractivo, inteligencia ni cultura, y con toda una serie de ideas y hábitos convencionales. Es un filisteo; pero es también un ser humano patético». Ahí la descripción de Nabokov. Es verdad. Flaubert detesta a este personaje de la peor manera que se puede detestar a alguien en la vida y en la literatura; no mirándolo, no observándolo, no prestándole atención ni un segundo a su existencia o presencia. Extrañándose incluso ante estas. Flaubert lo coloca en su obra solo porque le interesa el brillo de Emma y Emma brilla más al lado de un hombre ridículo, torpe, nulo, nada. Y sin embargo esta ridícula nulidad que pinta Flaubert sí tiene algo, su amor por Emma, un tesoro que Flaubert desprecia a mayor gloria de su obra y de su dama inmortal. Es posible que Charles Bovary sea una nulidad, pero es una nulidad que ama, que sabe y quiere amar y no puede porque su creador le ha tapado la boca, o mejor, no le ha dado boca por la que hablar. Améry, que lleva en su piel el recuerdo de la mordaza y las sogas que le torturaron, Améry en su no querer y no saber distinguir qué está en los libros y qué en la vida, coloca ante los jueces al personaje y le suelta la lengua para que pronuncie su particular «J’accuse. Lo hace en el capítulo final de Charles Bovary, médico rural.

He sufrido una injusticia que reclama a gritos venganza, la cual exijo en nombre de los derechos del hombre y del burgués (…), rebelándome ante la falta realidad del texto escrito.

Je vous accuse, monsieur Flaubert!

Le acuso porque ha hecho de mí un estúpido incapaz de unir passion et vertu, pasión y virtud.

(…) Le acuso de haber roto el pacto que antes de ponerse a narrar mi historia había hecho con la realidad (…).

Le denuncio porque como insulso ermitaño ha dirigido su atención solo hacia sus palabras  y hacia su melodía, y no ha mirado con la mirada de un ser humano compasivo.

Liberté: usted me la ha negado.

Égalité: usted no toleraba que yo, el pequeñísimo burgués, fuese similar al gran burgués Gustave Flaubert.

Fraternité: usted no ha querido ser mi hermano en la desgracia (…). Ante el tribunal del mundo elevo mi protesta por la despreciable indiferencia con la que al final se ha deshecho de mí.

Por si a estas alturas no estuviera claro, no se trata de hacer de menos al monstruo literario que fue Flaubert ni a su radiante Madame Bovary. Se trata de subrayar el gesto audaz de otro autor al que, cuando la ficción se le cruzaba con la realidad, inventaba un mundo, un género nuevo en cada obra. Si en Más allá de la culpa o la expiación se puso a él mismo en el centro de la reflexión inventando algo que se podría definir como autoensayo, ahora un personaje de novela se encarna para ejercer en su monólogo la crítica literaria que le permitirá autodeterminarse y liberarse, lo que da de lleno en el terreno de la filosofía. Y es que no hay una sola acusación en esta obra sino dos: la primera se juega en terreno literario y es la de Charles Bovary contra Flaubert. La segunda es filosófica y es un ajuste de cuentas personal de Améry con Sartre.

Este había sido una figura seguida y admirada por Améry, una especie de rescatador a cuya criatura filosófica, el existencialismo, se había agarrado como a una tabla de salvación. En Años de andanzas nada magistrales lo cuenta: «Pero dado que no era nada, gracias a la libertad sartreana podía hacerlo todo. Y dado que podía ser todo, también quería serlo. El existencialismo (…) se convirtió en mi filosofía personal del hambre de vida que me invadió, socavándome, después de tantas muertes, de tantas resurrecciones provisionales». Lo sigue siempre, pero no es un incondicional. Es testigo de su decadencia física, de la que da cuenta en su ensayo sobre el envejecer, y en Charles Bovary, médico rural desliza cierto reproche moral: no le perdona que en su detenido estudio sobre Flaubert, el mamotreto titulado El idiota de la familia, Sartre arremeta fascinado contra el autor al que acusa de torturador de sus personajes, olvidándose de estos como víctimas, como seres humanos, obviando y negando el existencialismo y negándoles el más mínimo humanismo. Ya te vale, Jean-Paul Sartre…

Y hace lo que hace siempre: Améry posa su mirada en la víctima sobre todas las víctimas de la novela, Charles Bovary, y lo rescata por creer y defender más y mejor incluso que su inventor, que el existencialismo es un humanismo, que cada ser humano se autodetermina a sí mismo y en virtud de sus propias decisiones puede llegar a ser lo que no es. ¿O no es una reivindicación existencialista la que hace Charles Bovary en su J’accuse final cuando se declara «más de lo que era, igual que cada ser humano que, día tras día, hora tras hora, enfrentándose a los demás y al mundo, sale de sí mismo para negar lo que era y llegar a ser lo que será»? El autor de El ser y la nada no lo hubiera dicho mejor.

«Quiero que…»: determinación y autodeterminación de Charles Bovary 

«Quiero que sea sepultada con el vestido de novia, los zapatos blancos y la corona nupcial. El cabello esparcido sobre los hombros. Tres cajas (…)». Así, dando instrucciones contundentes, mandando como si fuera Napoleón en plena batalla, hace hablar Jean Améry a Charles Bovary al comienzo de su obra. Son las mismas palabras, ¡las mismas!, que se leen en la obra de Flaubert, pero hay alguna diferencia porque el personaje de Flaubert no las dice, las escribe en la soledad de su cuarto y no se dirige a nadie sino que se retira sollozante, se esconde para hacerlo. Un cambio de escena que lo cambia todo. Así es como se comprende que el contenido no es, en realidad, lo esencial sino que lo decisivo es la forma. Améry respeta escrupulosamente el contenido con el que Flaubert ha rellenado su personaje, pero le cambia radicalmente el tono.

Sí, también el Charles de Améry reconoce que no tenía nada que ofrecer a su amada. Quel pauvre homme!, repite. Ridiculus sum, pero no se detiene las muchas páginas de Flaubert en los ejemplos que lo corroboran. Améry formula su propia acusación y se hace cargo de ella, la asume para tomar carrerilla y ser otro, ser una persona distinta capaz de afirmarse y autoafirmarse como buena criatura existencialista. «¿Qué sabías de mí?», le pregunta a su difunda esposa. «Emma. Ven, mírame: soy otro desde el momento que la tierra ha cubierto las tres cajas (…), ¡finalmente soy digno de ti!». Por desgracia, para una nueva vida juntos, es demasiado tarde.

¿Qué hace entonces Charles Bovary, en un trasunto delicioso de Jean Améry? Se rebela contra el tiempo, contra las leyes naturales, contra todos los dioses y demonios que le impiden devolver a la vida a su amada. Es algo impensable en la obra de Flaubert, que hace sonreír a los habituales lectores de Améry porque lo reconocen cuando Charles Bovary dice desafiante: «Las leyes de la naturaleza. ¿Quién puede afirmar su valor con certeza? ¿Quién las garantiza? ¿Homais?», escribe mencionando con sorna al mediocre y próspero boticario. Ese es (y lo es mucho) Jean Améry, quien cierra su ensayo Revuelta y resignación impugnando esas las leyes naturales del envejecimiento y hasta la misma muerte: «Envejeciendo, en fin, tenemos que vivir con el morir: una pretensión escandalosa, una humillación sin par que encajamos no con humildad, sino como humillados».

Honor y venganza (y, además, buenas palabras) 

La nueva vida que Améry regala a su querido personaje tiene incluso una vertiente justiciera: «Que desaparezcan del mundo los amantes que te amaron demasiado bien y demasiado mal, pues ninguno de ellos te apoyó en tu último sufrimiento. Que un disparo rompa el aire y destroce vuestras cabezas». En esta dramatización fantasiosa de Madame Bovary, Charles se venga de los amantes de su mujer: «El médico rural exige su indemnización». Lo hace por él, pero también lo hace por ella a quienes sus amantes osaron herirla o abandonarla. Le hicieron sufrir, por tanto, y eso no lo permitirá el nuevo y brioso Charles que les reprocha: «¿Dónde estabais, gentil Léon, viril monsieur Rodolphe, cuando su piel se volvió azul y negra (…)? ¿Dónde estaba vuestro amor?».  Les recrimina también ser capaces de rehacer sus vidas y lo que él ya no será capaz de hacer nunca más; volver a amar, a estar con una mujer que siempre será cualquier mujer después de haber conocido a Emma.

Con todo, como en la construcción del Charles Bovary épico que hace Améry no caben nunca simplezas, nada es nunca blanco o negro, el marido de Emma tiene también palabras de agradecimiento para sus rivales: los amantes de su esposa le habían mostrado cómo llegar adonde él no pudo llegar. Y lo habían hecho en detalle: «Los otros me han enseñado lo que hay que hacer y susurrar, fuera en el jardín, en la ancha cama del hotel de Boulogne (…). Gentil petit Léon, viril monsieur Rodolphe, me habéis enseñado, pero demasiado tarde, así que no fue culpa vuestra, ni suya ni mía». ¿A quién apunta entonces el Charles de Améry? Tu cortaplumas, Gustave Flaubert, y oui y merci, todo demasiado exiguo y mezquino.

La poca realidad del realismo

El libro lo componen seis capítulos. Cuatro de ellos son monólogos y dos, ensayos dedicados al estudio y la crítica del realismo. El titulado La realidad de Gustave Flaubert empieza así: ¿Qué se podría hacer para que del pantano de los enigmas, al que parece arrojada de mala manera, emerja la realidad del pobre Charles Bovary, un hombre privado de todo (…)?». Y empieza una enumeración que podría ser infinita porque, en realidad, la tesis de Améry es que de lo que se le ha privado a Charles es de su realidad. Y quien lo ha hecho, además, pasa por ser de los autores que figuran con honores en la orla del realismo literario.

¿Qué ha pasado aquí? Améry expone una situación a modo de ejemplo: el médico rural se encuentra con la supuesta profesora de piano de Emma, le habla de su mujer, pero esta niega conocerla. Emma se pone nerviosa, quiere enseñarle los recibos de las clases, pero no los encuentra. ¡No pasa nada!, viene a decirle su marido; que no se preocupe por los recibos y que quizá haya dos profesoras de piano en la ciudad con el mismo nombre. Ya te vale, Gustave Flaubert… «No. ¡No es posible —escribe Améry—, no se lo cree nadie, el narrador ha tenido una mala inspiración, como en tantas otras ocasiones!». Entonces pasa algo muy bonito: Améry va a buscarlo, hace de sí mismo, desconfía de la ley natural, y escribe: «Si llamamos con unos golpes en su lápida, Gustave Flaubert no responde». Parece que está extrañado de que no comparezca desde el reino de los muertos, de modo que el austriaco reconvertido en belga responde por Flaubert y otorga al personaje de Charles Bovary una nueva vida, un realismo que lo haga tan épico como lo fue Emma.

En el segundo ensayo, titulado La realidad de Charles Bovary, Améry sigue su indagación sobre el realismo. Aclara que para él la obra de Flaubert es «a pesar de las objeciones hasta aquí presentadas, una incomparable obra maestra realista. Quedaría explicar el porqué». Es realista porque su autor es un escrupuloso cronista de la realidad cuando describe episodios como los comicios agrícolas de Yonville o el banquete de bodas de Charles y Emma; es realista cuando replica la verborrea seudocientífica plagada de lugares comunes del boticario Homais; y es realista también cuando se mete en la piel y en las ensoñaciones de Emma y las narra de manera vibrante, verdadera.

¿Cuándo no es realista Flaubert? En cuanto aparece Charles Bovary, el realismo de su obra claudica, baja los brazos. Améry reprocha: «La realidad del médico rural era superior a cuanto su creador estaba dispuesto a concederle». Sin voluntad, sin libertad, sin realidad si quiera, la fatalidad es el único y básico mimbre con el que Flaubert teje el personaje de Charles: ni pensamiento ni sentimiento le otorgó. Ya te vale, Gustave Flaubert. Con la obra de Améry, Charles Bovary se levanta de sus cenizas y de su tumba y se adueña de su destino, el personaje plano crece en todas las dimensiones porque así «esta realidad puede ser inventada de nuevo, a nuestro placer, incluso si se corre el riesgo de suscitar malhumor». ¿Conocería Jean Améry los versos de Machado? Porque si se cambia verdad por realidad…

Se miente más de la cuenta
por falta de fantasía:
también la verdad se inventa.

Ser alguien: alguien que ama

Qué distintos Charles Bovary en las obras de Flaubert y de Améry y, sin embargo, si hay que definir quién es o qué hace la descripción coincidirá en un único punto: Charles Bovary es alguien que ama. En la obra del francés, el sometimiento a la autoridad del destino, de la fatalidad, su moral y realidad inexistentes hacen que pase por alto las traiciones y los cuchicheos a los que es impermeable. No lo dice y menos se reivindica, pero en la profundidad de su silencio ridículo y risible a ojos de los demás Charles Bovary es el que ama. En la obra de Améry, Charles llega incluso a celebrar las traiciones y caprichos de Emma, si es que eso le ha procurado unos instantes de felicidad a su mujer. Los celebra hasta encontrar es ese regocijo un punto morboso: ¿Cómo eras mientras consumías tu déjeuner au champagne (…)? Ante los vecinos reivindica una Emma que era buena madre y a los ojos del mundo la exime de toda culpa en razón del amor porque… «allá donde ella fuese surgía el amor. Porque ella era amor aunque esto, en el fondo del alma, tan solo lo sé yo, yo, para quien ella hizo de la tierra un paraíso». Pues bien, basta ya de saberlo solo él. En el texto de Améry, delante de todos, delante del mundo —que es lo que encarna el juez en un juicio— Charles se reivindica como el amante de la amada. Sí, Gustave Flaubert, ahí va un último reproche: «¿Por qué no me ha otorgado el derecho de ser lo que auténticamente era: l’amant de la amante, cuya pasión podría haber espantado los pájaros de la cabeza de la bella (…)?, si usted me hubiera dado siquiera la oportunidad, qué digo, si solo hubiese usted mirado frente a frente a la realidad, donde le désir educa a la humanidad en el plaisir. Yo era el amante de la amada. Yo…».

Es verdad que Charles Bovary, médico rural ha ayudado a esa rehabilitación pública o literaria del magnífico personaje que quería ser y no fue. Pero es verdad también que el magnífico personaje estaba ahí ya agazapado y silencioso en el correr de las páginas de Madame Bovary. Solo había que mirarlo con ojos atentos para rescatarlo. Volviendo al mencionado Curso de literatura europea con el que se abría este artículo, Nabokov, también lo hizo y lo redimió, aunque no escribiera un libro en su defensa como Améry. También Nabokov señala en Charles algo que contradice todas las informaciones que sobre él da Flaubert, algo que no es convencional ni habitual: su amor puro. Charles Bovary ama a su esposa como nadie, aunque ella se empeñe, en vano, en buscar en otros ese amor: «De modo que tenemos aquí la grata paradoja del cuento de hadas de Flaubert: la persona más insulsa e inepta del libro es la única a quien redime ese algo divino que hay en el amor omnipotente, misericordioso e inquebrantable que profesa a Emma, tanto viva como muerta».

Coda: Jean Améry y la construcción de un personaje

Jean Améry no nació en Viena, como dicen las enciclopedias, en 1912. Allí nació Hans Maier, el aprendiz de intelectual, el que luchó contra el nazismo y fue arrestado, el que pasó por los campos de concentración, el torturado. Améry nació después en Bélgica, donde eligió vivir. Allí eligió también un nuevo nombre que sería el del escritor que conocemos. Es el nombre con el que Améry se crea a sí mismo. A partir de ahí, la estrecha relación que siempre mantuvo con los libros y con los personajes de los libros desaparece porque se asimila, ya será todo lo mismo. Él es autor y protagonista siempre tanto de su vida como de sus obras. Sin distinción. Lo es hasta las últimas dramáticas consecuencias que lo llevan a suicidarse en un hotel de Salzburgo después de haber escrito Levantar la mano contra uno mismo. Discurso sobre la muerte voluntaria. En la completísima biografía sobre Améry de Irene Heidelberg-Leonard —publicada por Universidad de Valencia— se cuenta lo que el autor le respondió a un estudiante que, habiéndose leído dicho ensayo, le preguntó por qué no se había quitado la vida: «Un poco de paciencia», respondió.

En la versión de Pre-textos de Charles Bovary, médico rural, recoge la catedrática Marisa Siguán en su texto introductorio un fragmento del ensayo Una vida con libros altamente revelador: «El trato con libros a lo largo de la vida es fundamentalmente, si intento analizarlo, un trato con seres humanos (…). En Normandía, adonde voy a menudo, encuentro en un pueblo miserable las huellas de los pies de Emma Bovary. Illiers es Combray. Si alguna vez fuera a Moscú indudablemente sentiría de forma intensiva la presencia fantasmal de Raskolnikov. El mundo subjetivo de todo lector está habitado no solo por las personas que ha conocido en la vida real, sino por las criaturas de la literatura (…). Por supuesto hay que añadir que todos los aquí enumerados y tras ellos los innumerables no nombrados tienen un grado de realidad mucho más elevado que muchas personas que se nos han presentado en carne y hueso a lo largo de nuestra vida».

El libro que Améry dedicó a la otra realidad de Charles Bovary fue el último que publicó, pero no el último que planteó. Ese fue Rendez-vous in Oudenaarde, un homenaje decidido, explícito e inacabado a la literatura. En el borrador un hombre recibe en sueños la visita de su mujer, que murió muy joven: quiere reunirse con él en esa localidad belga. Se pone en marcha, pero por el camino lo entretienen una fantasmagórica galería de personajes en los que se han trasmutado, entre otros, los Hans Castorp de Mann, el Werther de Goethe y donde no falta Emma Bovary, con quien se acuesta. Va tarde, deprisa y la policía lo persigue. Al final llega y ve a su mujer que lo espera sonriente, pero no llega a alcanzarla porque le disparan por detrás y cae. Su último pensamiento, el título del relato del danés Jens Peter JacobsenUn disparo en la niebla. 

No fue con un revólver sino con un montón de pastillas con lo que Améry se quitó la vida en octubre de 1978. Se acabó la carne, pero su personaje vive en sus libros y recuerda que leer es re-crear, dar vida: «El médico rural pertenece a cada uno de nosotros. Lo que era evidente para todos. ¿Qué salida dio al final a lo que los demás habían hecho de él? Paciencia. Enseguida diremos la última palabra». Y es que, efectivamente, la última palabra en literatura siempre está por decir.

 

[Fuente: http://www.jotdown.es]

Los resultados de la última elección nos recuerdan, una vez más, que no puede haber ni izquierda ni transformaciones sin que haya fuerzas sociales movilizadas
Escrito por Pierina Ferretti

Los resultados que golpearon a la izquierda

Desazón y desconcierto produjeron los resultados de la primera vuelta presidencial en Chile. Cómo era posible que después de una revuelta popular como la del 2019, de la aplastante victoria del Apruebo en el Plebiscito Constituyente del 2020 y de la elección de una Convención Constitucional compuesta mayoritariamente por luchadores sociales, activistas medioambientales, feministas, pueblos indígenas y militantes de izquierda, el candidato de la ultraderecha, José Antonio Kast, hubiera obtenido la primera mayoría y tuviera posibilidades de ser el próximo presidente.

Mientras en la izquierda reinaba la confusión, los analistas del establishment decretaban la muerte del «octubrismo» y el comienzo de una etapa de restauración. Sin embargo, los resultados de las elecciones pasadas, más que evidenciar el cierre del proceso abierto con la revuelta popular, muestran la enorme complejidad del escenario político chileno y el heterogéneo campo social que ha producido medio siglo de neoliberalismo. Confirman, una vez más, que la mayoría del pueblo no se alinea de acuerdo con las estrechas coordenadas del sistema de partidos y que, a pesar de las enormes movilizaciones de estos últimos dos años y del proceso constituyente en curso, sigue manteniendo una enorme distancia con la política institucional, incluida la izquierda.

En esta línea, el primer dato que destaca es el 53% de abstención electoral, cifra que es una constante en Chile desde que se implementó el voto voluntario en 2012 y que no se ha revertido de manera significativa después de la revuelta. Por ejemplo, en el Plebiscito Constituyente del año 2020, ocasión en que la voluntad de cambiar la Constitución heredada de la dictadura triunfó con un 80% de las preferencias, solo votó el 51% del padrón, y ese porcentaje fue considerado un hito de participación electoral. Estos datos, además de confirmar lo poco convocante que resulta la política para la mayoría de la población, impiden cualquier generalización apresurada a partir de los resultados obtenidos. Hasta ahora, ningún sector político concita el apoyo de mayorías sociales significativas.

Considerando esa advertencia, los resultados fueron, de todos modos, preocupantes. José Antonio Kast, líder del Partido Republicano, se impuso con un 27,9% de los votos; Gabriel Boric, representante de Apruebo Dignidad —coalición de izquierda—, se quedó con el segundo lugar con un 25,8%; ambos pasan a la segunda vuelta que tendrá lugar el próximo 19 de diciembre.

Fuera de competencia quedaron Franco Parisi, del recientemente fundado «Partido de la Gente» (agrupación con trazos populistas y antipolíticos), que obtuvo sorpresivamente, ya que hizo toda su campaña desde EEUU, el tercer lugar con un 12,8%; con ese mismo porcentaje, pero con menos votos, se ubicó Sebastián Sichel, candidato de la coalición oficialista «Chile Podemos Más», a la que pertenece el actual presidente Sebastián Piñera; Yasna Provoste, representante de la ex-Concertación y militante de la Democracia Cristiana, otrora el partido más sólido y determinante de la transición a la democracia, obtuvo el quinto lugar con un 11,6%; Marco Enríquez-Ominami, exmilitante socialista y fundador del «Partido Progresista», con un 7,6%; y Eduardo Artés, del partido Unión Patriótica, una izquierda ortodoxa y filoestalinista, que obtuvo un magro 1,5%.

Además de la abstención y de la primera mayoría obtenida por la ultraderecha, otro dato que destaca es el hecho de que las dos grandes fuerzas que condujeron la transición a la democracia —la Concertación, de centroderecha, y la derecha tradicional—, quedaron rezagadas en cuarto y quinto lugar, eliminadas, por primera vez en más de treinta años, de la carrera presidencial. Este resultado es coherente con lo ocurrido en la elección de convencionales, en la que estos mismos sectores sufrieron derrotas aplastantes y fueron desplazados por independientes, activistas y la izquierda. En esta elección, el voto contra las élites y los partidos tradicionales fue capturado en buena parte por Franco Parisi, personaje que no proviene de la política, que nunca ha ocupado un cargo público y que ha construido su despliegue denunciando la decadencia de la política institucional y reivindicando a los «ciudadanos comunes» en contra de las élites corruptas.

En el plano parlamentario, los resultados de estas elecciones fueron igualmente complejos. En la cámara de diputados, las fuerzas progresistas y de izquierda obtuvieron una leve mayoría y en el senado la derecha se impuso ligeramente. Esta situación hará muy difícil la aprobación de las reformas planteadas por quien sea que gane la presidencia, lo que en el caso de la candidatura de Boric, basada en un conjunto de reformas estructurales que deben pasar por el Congreso, es preocupante. Por otro lado, los partidos tradicionales, sobre todo la derecha, recuperaron en el parlamento una parte del terreno que habían perdido en la Convención y en las presidenciales.

Frente a esto, es preciso señalar que la elección parlamentaria, a diferencia de la ocurrida en mayo para la Convención, no permite la articulación de listas de candidatos independientes, haciendo muy difícil el ingreso de personas que no se presentaran en cupos de partidos políticos. Estas condiciones restrictivas permitieron que las fuerzas políticas tradicionales mantuvieran su poder en el órgano legislativo y evitaron que se produjera un desfonde similar al ocurrido en la Constituyente.

Una excepción destacada pero puntual la representa la elección como senadora de Fabiola Campillai, mujer obrera, víctima del terrorismo de Estado —el impacto de una bomba lacrimógena lanzada por carabineros la dejó ciega—, que compitió como independiente y que obtuvo la votación más alta a nivel nacional para el senado. Su elección tiene una enorme fuerza cultural, pues representa el ingreso al parlamento de una mujer que condensa lo esencial de la revuelta popular de 2019 y, de manera directa, a sectores sociales largamente excluidos de la política.

El crecimiento de la ultraderecha en medio de un ciclo político democratizante

Sin duda, el dato más alarmante de esta elección fue el crecimiento del neofascista José Antonio Kast. Veníamos de dos elecciones consecutivas que significaron derrotas contundentes para la derecha y había por ello razones para pensar que la politización provocada por la revuelta de 2019 era un freno efectivo a este sector, sobre todo para su ala más radical. Sin embargo, Kast pasó del 7% obtenido en las elecciones presidenciales de 2017 al 28% en los comicios recientes, realizados, como ya destacamos, en pleno proceso constituyente.

Para entender y dimensionar su ascenso se deben tener presentes varios elementos. En primer lugar, y como marco general que excede el caso chileno, que no hay avances populares que no generen al mismo tiempo la reacción de las oligarquías neoliberales y los grupos conservadores y que, en la actualidad, en medio de la crisis global del capitalismo y de las luchas que desde su interior se han levantado, los grupos dominantes han desarrollado estrategias de disciplinamiento del campo subalterno abiertamente autoritarias y antidemocráticas, en las que convergen el conservadurismo moral y la intensificación de las políticas de despojo. En este sentido, el crecimiento de Kast en Chile debe entenderse como una respuesta de estos sectores a los movimientos democratizadores que atraviesan la sociedad chilena: el feminismo de masas y la contundente emergencia popular a partir de la revuelta.

Considerando estos elementos, es altamente probable que una buena parte del 22% del electorado que votó rechazo en el plebiscito del 2020 haya optado por Kast en esta elección. Sin embargo, la ultraderecha creció más allá de esos votantes: logró el apoyo de buena parte de la derecha que está en el gobierno y que prácticamente abandonó al candidato oficialista para plegarse a Kast; creció significativamente en el norte y centro-sur del país, zonas afectadas por la crisis migratoria y por del conflicto del Estado chileno contra el pueblo mapuche; también obtuvo buenos resultados en ciudades pequeñas, sectores rurales y entre la población mayor de 50 años, grupos que tienden a ser más reactivos a las transformaciones culturales, como el avance del feminismo o de los derechos de las disidencias sexuales, que ponen en tensión los valores tradicionales. Para ellos, Kast enfatizó en las dimensiones ultraconservadoras de su programa: discurso antiimigrante, de orden público y antiderechos.

Ahora bien, es preciso reconocer que el candidato ultraderechista está lejos de tener un apoyo consolidado en el campo popular. En la región Metropolitana, que concentra a la mitad de los habitantes del país, solo ganó en las tres comunas en las que habita la población más rica y que fueron, además, las únicas de la capital en las que ganó el rechazo a la nueva Constitución en el Plebiscito de 2020. Este dato es relevante y tensiona las lecturas apresuradas que sostienen que el fascismo avanza de manera agresiva en el campo popular. Tanto la alta abstención como la distribución socioeconómica de los votos impiden sostener esa tesis.

La candidatura de Gabriel Boric, al contrario, encuentra su base de apoyo en los barrios populares de la capital del país y de las grandes ciudades y en sectores medios profesionales. El joven diputado de 35 años, que proviene de las luchas por el derecho a la educación en las que se forjó una nueva generación de líderes políticos, recoge en su programa las demandas populares de la última década: reforma al sistema de pensiones, gratuidad de la educación pública, seguro universal de salud, sistema nacional de cuidados, desprivatización del agua, disminución de la jornada laboral, entre otras.

La alianza que lo sostiene está conformada por distintas expresiones de la izquierda chilena, tanto histórica, como el Partido Comunista, como de formación reciente, como el Frente Amplio, así como por sectores de movimientos sociales y organizaciones populares. El respaldo a la candidatura de Boric se concentró en las grandes ciudades, sobre todo en la región Metropolitana y la región de Valparaíso. En ambas, ganó contundentemente y obtuvo victorias significativas en los barrios populares. Sin embargo, los resultados le fueron desfavorables en ciudades pequeñas, sectores rurales y en norte y centro sur del país, zonas, como ya señalamos, afectadas por la migración y la violencia política en marco del conflicto del Estado con el pueblo mapuche, problemas para los cuales la izquierda no ha articulado respuestas contundentes.

La apuesta por el protagonismo popular

Los grandes debates hoy tienen que ver con la dirección que debió tomar la candidatura de Gabriel Boric para triunfar en la segunda vuelta. Las tesis oscilan entre la convocatoria a la defensa de la democracia contra el fascismo, la moderación y el «giro al centro» y la movilización del campo popular. Buena parte de los analistas del establishment sostienen que, con los resultados de las elecciones, el «octubrismo» —como se le ha llamado a la energía rebelde que animó la revuelta popular— ha muerto y que nos encontramos en un escenario en que la mayoría de la población no quiere más convulsiones sociales ni violencia y reclama por orden y estabilidad.

Esta lectura, que cobra fuerza en algunos sectores del progresismo, es engañosa, pues si bien es cierto que, en medio de una aguda crisis y tras dos años de inestabilidad política y social, la mayoría de la población desea vivir con tranquilidad, no puede derivarse de aquello la necesidad de abandonar las banderas de las transformaciones que la sociedad chilena viene reclamando hace décadas. Las causas que provocaron la revuelta popular siguen sin respuesta y las reformas estructurales que propone la candidatura de Boric buscan, precisamente, superar las causas de la crisis y la inestabilidad, obliteradas por los gobiernos anteriores.

El desafío de la izquierda pasa más bien por mostrar capacidad de realizar esas reformas y dar efectiva respuesta a las demandas sociales. Por otro lado, los insistentes llamados a «girar al centro» que levanta buena parte de la ex-Concertación, coalición de centroderecha que condujo la transición a la democracia y que consolidó el neoliberalismo, desconocen que este sector, otrora hegemónico, hoy solo convoca a una reducida franja de la sociedad, que en esta elección no llegó al 12%. Asimismo, los llamados a defender la democracia y a detener el avance del fascismo, en los que sustenta otra de las estrategias en juego, siendo necesarios, no serán suficientes. Basta recordar el caso brasileño y la ineficacia de estos discursos para enfrentar al bolsonarismo.

Lo que parece claro es que las posibilidades de derrotar a la ultraderecha radican, por un lado, en la movilización de una parte de la población que no votó en esta elección (sobre todo de los sectores populares de las grandes ciudades, en los que la candidatura de centroizquierda obtuvo sus principales apoyos) y en la movilización del campo popular que ha protagonizado el ciclo político desde la revuelta de 2019 y que no se reconoce necesariamente en la izquierda política existente.

Para ello resulta central que la candidatura de Gabriel Boric se haga cargo de las urgencias materiales de las mayorías populares, reforzando medidas de protección social a corto plazo (pensiones dignas, aumentos salariales, apoyos estatales, control de precios, etc.) y abordando de manera convincente problemas como el narcotráfico, el orden público y la migración. Asimismo, que enfrente el rechazo a la corrupción asociada a las élites políticas y a la política institucional, sentimiento muy extendido en la población y que en buena medida explica el éxito de un candidato populista como Franco Parisi en los sectores medio-bajos de importantes ciudades del país. Mientras una parte de la izquierda interpreta a estos votantes como desclazados y capturados por la derecha, los datos muestran que se trata más bien de personas que no logran alcanzar las promesas neoliberales de ascenso social a través del estudio y el emprendimiento y que resienten el desprecio elitista.

Finalmente, además de movilizar a los grupos mencionados, para la izquierda resulta fundamental convocar a las heterogéneas fuerzas del pueblo que han sido el motor de la lucha social y política en este ciclo y que no adhieren de manera incondicional a la centroizquierda que representa Gabriel Boric. El feminismo, que se ha convertido en el movimiento de masas más potente del país —recordemos que en la Huelga del 8 de marzo de 2020 cerca de tres millones de mujeres salieron a las calles—, será una actoría determinante en esta batalla y ya ha comenzado, de manera autónoma y estratégica, a desplegarse.

El campo popular que se movilizó masivamente en la revuelta de 2019, la mayoría contundente que votó Apruebo en el Plebiscito Constitucional del 2020, las franjas sociales que se organizaron para ingresar a la Convención Constitucional de forma independiente y que lograron derrotar a la derecha y a los partidos tradicionales, los movimientos territoriales en lucha contra el extractivismo, los pueblos indígenas, los sindicatos y los gremios, entre otros sectores del pueblo organizado a distintas escalas y con autonomía relativa o completa en relación a la izquierda política, son parte fundamental de la base social que ha dado vida al proceso político en curso y son por lo mismo las fuerzas capaces de defenderlo. De hecho, ya son numerosas las autoconvocatorias de estos sectores para movilizarse, apoyar estratégicamente la campaña de Gabriel Boric e impedir que la ultraderecha llegue al poder.

En este momento crucial, la izquierda chilena tiene el desafío de apostar al protagonismo de las fuerzas populares y transformadoras y de convocar a una gran movilización nacional en todos los territorios para defender las conquistas que los pueblos de Chile han ganado. En la próxima elección se juega la continuidad del ciclo político democratizador abierto por la revuelta, pero también se juega un avance en la consolidación de ese bloque heterogéneo de fuerzas populares, políticas y sociales que se ha venido conformando en Chile y que es la única base que puede sostener un proceso de transformación social, sobre todo en momentos como este, en que se intensifica la reacción autoritaria de la oligarquía neoliberal que ve amenazados sus privilegios, su poder y sus fuentes de acumulación.

En definitiva, los resultados de la última elección nos recuerdan, una vez más, que no puede haber ni izquierda ni transformaciones sin que haya fuerzas sociales movilizadas y que solo podremos avanzar si ponemos en el centro de nuestra estrategia de lucha el protagonismo popular.

CALPU

[Fuente: http://www.lahaine.org]

Os países muito pequenos têm o seu fascínio. Vamos dar uma volta pelas línguas destes países, acabando na fronteira entre Portugal e Espanha, onde já existiu um território independente.

Escrito por Marco Neves

Vamos de viagem! Decidi não sair da Europa e limitei-me a países com menos de 100 000 habitantes. Excluí países como Malta, com quase meio milhão de habitantes, e o Luxemburgo, um gigante em comparação com estes pequenos Estados…

Andorra

Comecemos por Andorra, o maior destes países minúsculos e único com mais de 50 000 habitantes.

Este país ocupa um espaço estranho na mente de muitos portugueses. É fácil encontrar quem, por cá, não acredite na existência de Andorra. Enfim, acreditam na existência física do dito território, mas não aceitam que seja um país independente.

Já cheguei a discutir o caso com um céptico de Andorra. Disse-me ele que, se Andorra fosse um país independente, teria fronteira.

Pois não é que tem? E uma fronteira a sério, com alfândega e tudo.

Ah, mas se fosse mesmo um país, faria parte das Nações Unidas! E faz, disse eu muito baixinho.

A irritação do interlocutor aumentava. Atirou-me com a pergunta: ora, mas o rei de Espanha também é o rei lá em Andorra, não é?

Ora, o rei de Espanha é rei no mundo inteiro. Mas não é rei de Andorra. Andorra é um principado, mas um principado especial: é uma diarquia — tem sempre dois príncipes. Um chama-se Joan Enric Vives i Sicília e é o bispo de Urgell. O outro chama-se Emmanuel Macron e, nas horas vagas, é presidente de França.

Ah! Apanhei-te! — gritou o descrente. Andorra tem dois príncipes estrangeiros. Não será bem um país… Ora, disse eu, o Canadá partilha a rainha com os britânicos e, da última vez que verifiquei, era um país independente (e há mais uns quantos nas mesmas condições).

Tretas, gritou o homem que não acreditava em Andorra. Se a língua de Andorra é o espanhol, aquilo faz parte de Espanha. Deixei de lado a lógica absurda que, a ser verdadeira, deixaria a Argentina dentro de Espanha e lá fui dizendo que a língua oficial de Andorra não é o castelhano nem o francês — é o catalão. O castelhano e o francês são muito falados por lá, mas, para dizer a verdade, o português também…

A língua em que todos os documentos oficiais de Andorra estão escritos é o catalão. A língua das placas da estrada é o catalão. O nome da capital é Andorra la Vella, não é Andorra la Vieja… Nas ruas, para lá do catalão, ouve-se muito castelhano, algum francês e também o português. Mas isso não muda a língua oficial do país, que — já agora — tem uma das mais antigas fronteiras da Europa.

Andorra

Mónaco

Passemos a fronteira de França e, depois de uma viagem pela Côte d’Azur, entremos noutro país minúsculo: o Mónaco.

É um país curioso, que parece inventado só para que as revistas cor-de-rosa francesas tenham uma família real para se entreterem. Não será bem assim — mas não deixa de ser uma anomalia da arrumação de fronteiras europeias dos últimos dois séculos.

A língua do Mónaco? É, sem grandes dúvidas, o francês. Mas há também uma língua chamada monegasco que é cada vez menos falada, mas é ensinada nas escolas e ainda se ouve da boca de alguns habitantes mais velhos.

Estes são os dois primeiros versos do hino do Mónaco (que também existe na versão francesa): «Despœi tugiù sciü d’u nostru paise / Se ride au ventu, u meme pavayùn». Como se vislumbra nestas palavras, o monegasco tem uma ligação mais próxima ao sistema de línguas e dialectos da Itália do que de França.

Mónaco

Liechtenstein

Entremos pelos Alpes até chegar ao país com o nome mais difícil de soletrar: Liechtenstein. É um principado, tal como Andorra e o Mónaco.

Curiosamente, talvez com a humildade que o parco território implica, estes países não escolhem títulos sonantes para os seus monarcas. Nada de reis ou imperadores… Tudo príncipes — e às vezes a dividir por dois. (Enfim, o Vaticano tem um chefe de Estado com um título muito particular. Mas já lá vamos.)

Pois bem, o Liechtenstein. Este principado é das poucas monarquias do mundo em que o monarca ainda tem poderes reais — e, para compensar, a população tem o direito de retirá-lo do trono. Na prática, ninguém se aborrece naquele minúsculo recanto dos Alpes — numa casa onde há muito pão, ninguém ralha e todos têm razão.

E a língua? Oficialmente, é o alemão. Na rua, fala-se algo muito parecido com o alemão suíço, essa língua bem distinta do alemão da Alemanha, usada na oralidade entre os suíços, em paralelo ao uso escrito e formal do alemão padrão. Um habitante do Liechtenstein saberá falar com um suíço nesse alemão próprio, mas falará no alemão padrão se receber a visita de um amigo de Berlim — o que, aliás, acontece também na Suíça.

Bandeira do Liechtenstein

San Marino

Passemos os Alpes vindos de Norte para invadir a bela Itália. Vamos até Milão, avançamos para Bolonha e deixamo-nos levar pela autoestrada que segue até à costa do Adriático. Ali, na zona de Rimini, procuramos as placas da estrada que indicam «San Marino». Quando lá chegarmos, estamos a entrar naquela que muitos afirmam ser a mais antiga república do mundo, com origens no século IV d. C. Segundo a história oficial do país, a república tornou-se independente do Império Romano! Hoje, é a última lembrança do retalho de pequenos países que era a Itália até bem entrado o século XIX.

Este pequeníssimo país tem, compreensivelmente, o italiano como língua oficial. Na rua, ainda se poderá ouvir o romagnol, que está em perigo de desaparecer, como acontece com tantas línguas e dialectos de toda a Europa.  

San Marino

Vaticano
 
Sem andar muitos metros, voltamos a Itália. Seguimos pela estrada até Roma. Esta é a única cidade do mundo que tem um país lá dentro. Falo do famosíssimo Vaticano, o mais pequeno país do mundo. Aqui não há dois príncipes, mas há dois papas — embora só um deles seja o soberano.

O Vaticano é um território sob a soberania da Santa Sé, entidade que mantém relações diplomáticas com muitos países do mundo. Por essa razão, há muitos países com duas embaixadas em Roma: uma embaixada junto de Itália e outra junto da Santa Sé. Não há embaixadas dentro do próprio Vaticano porque, enfim, não há espaço.

A Santa Sé é, simultaneamente, a diocese de Roma, a administração da Igreja Católica e a entidade soberana do Vaticano, num curioso emaranhado jurídico que tem esta consequência linguística muito curiosa: a língua oficial do Vaticano é o italiano, mas a língua oficial da Santa Sé é o latim.

O latim usado pela Santa Sé não é exactamente o latim do Império Romano. É o latim desenvolvido pela Igreja Católica nos últimos 2000 anos, que tem algumas diferenças marcadas, a começar pela pronúncia, muito mais próxima do italiano do que estaria o latim clássico.

Vaticano à vista

                                                               

E por cá?

Enfim, confinado como estou nesta longa tarde, esta crónica viajante foi a minha forma de sair de casa. Como todas as viagens, convém regressar ao nosso país. Não termino a crónica sem dizer que nos arriscámos a ter, na nossa fronteira norte, um destes minúsculos países.

Falo do Couto Misto, um território na nossa fronteira norte que não pertencia a nenhum dos países. Foi desfeito na segunda metade do século XIX, mas existiu durante séculos e séculos.

Que língua se falava por lá? Por aquelas aldeias não se falaria castelhano, certamente, excepto em situações muito particulares. Também não se falaria português lisboeta… O que se falava era o que se ouvia das bocas dos habitantes das aldeias dum lado e doutro da fronteira: uma língua que se chamaria português dum lado e galego do outro, mas que, no século XIX, ali em redor da fronteira, seria ainda difícil de distinguir. No Couto Misto, pendurando na fronteira, o nome da língua seria o que menos importava.

Só depois de desaparecer o Couto Misto e já durante o século XX é que a fronteira entre Portugal e a Galiza — uma das fronteiras mais antigas do mundo — começou a marcar de forma clara uma distinção entre um português cada vez mais invadido pelas formas típicas do Sul e um galego a partilhar cada vez mais espaço mental com o castelhano.

Foi uma volta à Europa dos países minúsculos. Um dia destes partiremos em busca das línguas dos países gigantes…

(Crónica no Sapo 24. A versão original do artigo afirmava que Andorra era a única diarquia do mundo. Muito obrigado a Álvaro Faria Pereira por me ter chamado a atenção para a existência de mais diarquias — um dia destes voltamos ao tema…)

 

[Fonte: http://www.certaspalavras.pt]

La investigación científica y el feminismo aportan claves fundamentales sobre la importancia de educar en igualdad y los peligros de no hacerlo

Campaña del Instituto Canario de Igualdad sobre juguetes no sexistas. ICI (Europa Press)

Escrito por Alberto Garzón Espinosa e Irene Montero

La publicidad no solo refleja lo que somos, también condiciona lo que podemos llegar a ser. En el caso de los estereotipos sexistas este principio se cumple implacablemente. Hace décadas que organismos públicos e investigaciones académicas nos lo advierten: los anuncios reproducen y amplifican pautas tradicionalmente asignadas a hombres y mujeres, identificando a los primeros con el éxito, el poder, la valentía, la fortaleza o la sabiduría, y dejando para las segundas el ámbito del hogar, los cuidados y la belleza. Todavía, a pesar de los avances sociales en igualdad, persiste el uso del cuerpo de la mujer como reclamo publicitario. Promocionar una imagen femenina subordinada, dependiente e incluso cosificada, como contrapunto de una imagen masculina autónoma, con iniciativa y poderosa, tiene efectos muy nocivos porque consolida la desigualdad de género y, consecuentemente, todos los males que de ella se derivan.

Hay unanimidad en considerar a la infancia como un colectivo especialmente vulnerable, que precisa de una protección especial. Sin embargo, la publicidad dirigida a niños y niñas está especialmente contaminada de estereotipos sexuales discriminatorios. Esto se explica porque la identidad sexual es uno de los primeros rasgos de la personalidad que se consolidan, por lo que, en ausencia de otros, la industria lo aprovecha para generar identificación entre anuncios y potenciales compradores. La paradoja es que el bombardeo de estereotipos sexistas es más intenso sobre la infancia que sobre el resto de la población, a pesar de que precisamente para ellos, en pleno proceso de conformación de su visión del mundo y de sí mismos, tiene un efecto más negativo.

Gran parte de los anuncios reproducen roles sexistas que los niños y niñas asumen como imperativos para la aceptación social. Según el Estudio sobre estereotipos y roles de género en la publicidad de juguetes (Instituto de la Mujer, 2020), el 38,5% de anuncios de juguetes muestra a las niñas arquetipos femeninos de belleza o de cuidadora y madre/esposa como referencia. Por otra parte, el 34% de los anuncios relacionados con profesiones y dirigidos a niñas se asocian con el sector de peluquería y estética, mientras que el 50% de los dirigidos a niños lo hace con la actividad de piloto, policía o militar. El mensaje es claro: la diferenciación de género les indica con total precisión lo que esperamos de ellas y de ellos cuando sean mayores.

El juego es un elemento clave de socialización en la infancia, básico para la configuración de la personalidad, los valores, las habilidades y las capacidades. La decisión sobre qué juguetes ponemos a disposición de los niños y niñas es de gran importancia. Una elección sesgada restringe las posibilidades del desarrollo infantil y la publicidad en su mayoría sesga nuestras decisiones. Puede pasar desapercibido, pero muy pocos juguetes aparecen en la publicidad sin un sexo asignado: según el Observatorio de la Publicidad Sexista del Instituto de la Mujer, los juegos de mesa y, en menor medida, las manualidades, serían las únicas excepciones. Y la asignación de juguetes que se hace en función del género es la prevista: el 80,5% de los anuncios de muñecos y el 86,6% de juguetes relacionados con el entorno doméstico se dirigían a las niñas, mientras que el 91,6% de juguetes de acción y aventura, y el 87,5% de vehículos interpelaban a los niños.

Jugar es ensayar la vida, con el juego se practican los roles que se desarrollarán y se esperan de los demás en el futuro. ¿Qué ocurre entonces cuando en el 87% de los anuncios de muñecas solo aparecen niñas, como constató el Consejo Audiovisual de Cataluña (CAC) el año pasado en su Informe sobre la representación de los estereotipos de género en la publicidad del juguete durante la campaña de Navidad 2018-2019? La respuesta es evidente: niñas que juegan principal o exclusivamente a las cocinitas o a cuidar bebés están entrenándose para dedicarse al cuidado de los demás; mientras que niños que aprenden que esos son “juegos de niñas” entienden que tienen derecho recibir esos cuidados y a no implicarse en esas tareas.

Según el mismo estudio del CAC, cuando los anuncios analizados representan un juego competitivo y es mixto, en el 70% de las ocasiones el niño es el vencedor. Relacionar ámbitos de juego deportivos, tecnológicos o de acción solo con lo masculino alecciona a las niñas en que ese no es su territorio: podrán entrar, pero siempre como intrusas (síndrome de la impostora); los niños, por su parte, entienden que la sociedad les reserva ese espacio que les corresponde por derecho propio, y que el estatus en él de sus compañeras es secundario.

Merece especial mención el hecho de que, incluso en edades muy tempranas, una parte de los “juguetes de niñas” se asocian al culto a la belleza. Proliferan anuncios de todo tipo de juguetes que difunden imágenes de niñas sexualizadas (ropas, peinados, posturas y gestos seductores e, incluso, maquillaje son muy frecuentes) y el Instituto de la Mujer constató en 2020 que el 11% de los anuncios de juguetes sexualiza a las niñas. Estas niñas que juegan a “arreglarse” para seducir aprenden que se espera de ellas que respondan al canon de belleza establecido y gusten a los demás. A la vez, los niños naturalizan que las niñas se esfuercen por complacerles. La sexualización temprana de las niñas está tan extendida que corremos el riesgo de infravalorar su impacto, tanto sobre ellas como sobre sus compañeros.

La investigación científica y el feminismo nos aportan claves fundamentales sobre la importancia de educar en igualdad y los peligros de no hacerlo. Los juegos y juguetes que ofrecemos a los menores, así como los mensajes publicitarios que ven, son una pieza básica de su desarrollo intelectual y emocional. Los juguetes y los juegos de hoy construyen las personas y la sociedad de mañana. Los datos son claros. Promocionar pautas de consumo responsable, así como proteger de forma especial los intereses de los colectivos de personas consumidoras vulnerables como la infancia, es una obligación de las instituciones públicas. Que el juego sea fuente de enriquecimiento y desarrollo personal, y no el origen de estereotipos discriminatorios y limitaciones, es una cuestión política de primer orden.

Alberto Garzón es ministro de Consumo e Irene Montero es ministra de Igualdad.

 

[Fuente: http://www.almendron.com]