Archives des articles tagués Entrevista

Desde esta quarta-feira e até 13 de agosto decorre a 75a edição do festival internacional de cinema de Locarno, na Suíça, cujo programa inclui filmes de realizadores portugueses. Na sexta-feira passada estreou, no âmbito do festival, “Nação valente”, filme do realizador luso-angolano Carlos Conceição.

‘Nação valente’, filme do luso-angolano Carlos Conceição.

Esta que é a segunda longa-metragem do cineasta trata do fim da presença portuguesa em Angola e, ao abordar os confrontos com os nacionalistas angolanos, dá também espaço para um drama, com uma jovem angolana a descobrir o amor e a morte com um soldado português.

Reflexão sobre a história, o colonialismo e a guerra, com este filme Carlos Conceição pretende igualmente dizer que as ideias subjacentes ao colonialismo continuam bem presentes nos dias de hoje, designadamente através das discriminações em função do género, da cor da pele, da instrução, ou da sexualidade. O cineasta lança deste modo um olhar sobre a natureza cíclica do fascismo e como continua a ser uma ameaça.

RFI: O seu filme é uma parábola. Fale-nos do seu filme.

Carlos Conceição: Antes de mais, creio que sim, o filme é uma parábola e penso que é uma parábola sobre o presente que usa o passado como instrumento para convidar o espectador a reflectir sobre se as ideias de que gostamos de pensar que são ultrapassadas estarão realmente ultrapassadas. Temos no mundo inteiro uma espécie de ressurgimento cíclico de ideias velhas que provavelmente não são constantes, não são as mesmas, mas que são sempre contraproducentes, sempre contrarrevolucionárias, são sempre contraevolutivas. No entanto, elas aparecem outra vez e a minha principal ambição com este filme é de convidar o espectador a pensar nessas questões à luz do presente quando toda a gente diz que essas ideias já não fazem parte do nosso dia a dia. Até que ponto é que elas ainda são aceitáveis no contexto do presente.

RFI: Uma constante são as guerras.

Carlos Conceição: As guerras parecem ser sempre uma consequência e acabam depois por ser a causa de novos pensamentos, mas as consequências das ideias antigas e dessa constante batalha de ideologias é que parece que comanda toda a existência das pessoas infelizmente.

RFI: Aqui já chegou a fama de que Carlos Conceição está a criar o Novo Cinema português. É um grupo de que faz parte?

Carlos Conceição: Esta é a primeira vez que estou a ouvir esta narrativa. Sobre o facto de haver um grupo, não sei. Sinto que na verdade o cinema português está bastante fracturado e bastante individualizado. Na verdade, há tudo menos um sentimento geracional, um sentimento de grupo. Não existe um sistema de companheirismo nem de parcerias, como por exemplo o que caracterizou a ‘Nouvelle Vague’, ou o ‘Cinema Novo’ brasileiro ou mesmo algumas fases do cinema português. Eu penso que neste momento -e sobretudo depois da pandemia- parece existir muito uma espécie de um cinema introspectivo, diria quase egoísta e que não é igual de filme para filme. Não partilha tanto parentesco. Mas é bom ouvir dizer que fora de Portugal existe essa impressão.

RFI: Sai do ano de 1974 e, de repente, nós estamos no ano de 2022. Como é que fez essa transposição?

Carlos Conceição: Eu penso que há uma transição no filme, uma provocação histórico-temporal que serve justamente para convidar o espectador contemporâneo a questionar se as ideias velhas do passado estarão realmente erradicadas no presente. Esse é todo o motor do filme. Quando nos habituamos a ver uma narrativa à luz de uma determinada época. Nós sabemos que estamos a ver uma história que se passa em Angola em 1974. Portanto, há muitos pensamentos que não questionamos porque sabemos que pertencem ao passado. Mas será que queremos assumir que ainda pertencem ao presente? É isso que quero que o meu filme faça. Porque é verdade que essas ideias não estão ultrapassadas. Matam pessoas. Essas ideias antigas e discriminatórias da ditadura, do passado, do fascismo ainda matam pessoas hoje. Muitas vezes se diz que é preciso seguir em frente, virar a página, não falar do que está para trás, não perpetuar estas narrativas. Eu acho o oposto. Precisamos de perceber porque que essas ideias ainda existem hoje e qual é o tempo de antena que elas têm, para prevalecer.

RFI: O seu filme levanta questões sobre a direita-esquerda e o fim do colonialismo. Sente que poderia ser alvo de críticas por isto?

Carlos Conceição: Eu senti isso todos os dias da minha vida desde que nasci. Sinto isto muito vivo no discurso da direita. Sinto que não houve uma descolonização completa da cabeça das pessoas e creio que a descolonização era obrigatória no momento em que aconteceu, como continua a ser. O que me impressiona é que a descolonização não tenha sido completa, não tenha sido absoluta, que haja pessoas que ainda preservam essas ideias e que defendam o tempo antigo, que defendam extremismos de nacionalismos, ideias de extrema-direita, que na maioria das vezes envolvem discriminação baseada em género, em cor da pele, em instrução, na orientação sexual, uma porção de coisas de que as gerações mais novas já estão fora. Já têm uma abordagem muito diferente e uma frescura muito maior de visão dessas ideias. Mas ao mesmo tempo, começam ultimamente a surgir tabus em relação a certos assuntos que são uma espécie de contrarreacção. Essas microcolonizações que existem culturalmente, hoje em dia já não se trata de ocupar ilegalmente o território de outras pessoas, apenas trata-se também de ocupar as mentes das pessoas com tabus, com ideias morais novas, novas abordagens talvez sobre produtos industriais, o materialismo. Tudo isto é uma espécie de colonialismo. Eu penso que temos de estar sempre alertas.

RFI: No seu filme, aparece uma mulher, uma prostituta, Apolónia, fale-nos dessa personagem.

Carlos Conceição: O que eu queria fazer era uma personagem quase de tragédia grega, uma personagem épica. Na tragédia grega, essas protagonistas como Electra, são figuras que trazem transcendência, que trazem transformação, que muitas vezes são eticamente ambíguas e são elas que são responsáveis pela iluminação de uma ideia, pelo esclarecimento de um problema. O que eu queria com esta personagem é que fosse uma mulher capaz de um pragmatismo muito palpável, muito concreto e que fosse tudo menos uma santa, que fosse uma mulher de carne e osso, uma mulher falível, uma mulher com as suas amarguras, as suas perdas e que fosse ela que trouxesse finalmente a verdade e a luz. Apolónia pareceu-me um nome apropriado porque, não tenho a certeza de conhecer toda a etimologia da palavra nem do nome, mas sei que Apolónia foi uma mártir cristã que foi torturada e que ficou sem dentes e, por isso mesmo, ela é a santa padroeira dos dentistas. Sendo uma mulher melancólica, no filme ela é também aquela que é capaz de ser embaixadora do sorriso e de trazer essa luz.

 

[Foto: cortesia Carlos Conceição – fonte: http://www.rfi.fr]

Gabriel García Márquez y Rodolfo Walsh, padres de un género atribuido a Truman Capote.

Gabriel García Márquez (1927-2014), escritor colombiano y Premio Nobel de Literatura en 1982

Gabriel García Márquez (1927-2014), escritor colombiano y Premio Nobel de Literatura en 1982

Escrito por GUSTAVO GONZÁLEZ RODRÍGUEZ

A sangre fría ha sido durante muchos años una lectura obligatoria para los estudiantes de nuestras escuelas de Periodismo, y en América Latina prevalece la idea de que el estadounidense Truman Capote es el padre de la narrativa de no ficción. Un mérito que puede ser cuestionado con numerosos antecedentes que validan como pioneros de este género periodístico-literario a dos latinoamericanos: el colombiano Gabriel García Márquez y el argentino Rodolfo Walsh.

No se trata de instalar una disputa artificial en un terreno que será siempre controvertido, pero sí de exigir a los formadores de periodistas y divulgadores literarios un mayor rigor intelectual que los aleje de una excesiva inclinación anglosajona que termina desconociendo la histórica contribución de las vertientes latinas europeas y americanas en el afortunado maridaje de periodismo y literatura.

A sangre fría fue publicada en 1966, un año después de la ejecución en la horca de Richard Hickock y Perry Smith, quienes asesinaron en noviembre de 1959 de los cuatro miembros de la familia Clutter en Kansas.

Once años antes, en 1955, Gabriel García Márquez publicó en 14 entregas diarias en el diario El Espectador su Relato de un náufrago, un texto testimonial basado en una extensa entrevista a Luis Alejandro Velasco, tripulante de un buque militar de la Armada colombiana, que sobrevivió durante diez días en una precaria balsa tras caer al mar desde el barco.

También se adelantó a Capote el periodista argentino Rodolfo Walsh, quien en 1957 publicó Operación Masacre, sobre una serie de asesinatos que agentes del Estado cometieron en junio de 1956 durante la llamada Revolución Libertadora, nombre que se dio la dictadura militar que en 1955 derrocó a Juan Domingo Perón.

Es cierto que ni Relato de un náufrago ni Operación Masacre alcanzaron en su momento el impacto que tendría después A sangre fría, convertido en un bestseller apenas lanzado el libro. El público adquirió masivamente esta obra, que con destreza literaria, una exhaustiva investigación y numerosas entrevistas, que incluyeron a Hickock y Smith, construyó una apasionante narración del antes, el ahora y el después de un crimen que conmovió a los Estados Unidos.

También es cierto que García Márquez y Walsh publicaron sus trabajos en condiciones políticas bastante adversas que les pasaron la cuenta en su momento y postergaron el reconocimiento de los lectores y de la industria editorial.

Relato de un náufrago no es solamente una extensa entrevista publicada en 14 entregas en El Espectador, al estilo de los viejos folletines policiales y románticos. El testimonio que el futuro nobel de Literatura construyó con las palabras de Luis Alejandro Velasco es un compendio de buen periodismo y buena literatura. Sobriedad y suspenso son ingredientes que atraviesan todo el relato y transmiten el mundo interior de un modesto marino enfrentado al gran desafío de la supervivencia.

Al estilo de los viejos cronistas, García Márquez puso un extenso título a su trabajo: Relato de un náufrago que estuvo diez días a la deriva en una balsa sin comer ni beber, que fue proclamado héroe de la patria, besado por las reinas de la belleza y hecho rico por la publicidad, y luego aborrecido por el gobierno y olvidado para siempre.

Un título que es un buen resumen de la odisea de Velasco y sus consecuencias. El buque militar Caldas regresaba de Mobile, Alabama, donde había sido sometido a reparaciones. En la navegación de regreso a Colombia, Velasco cayó al océano. La versión oficial de la Armada fue que la caída se produjo a causa de una tormenta mientras el marino estaba en cubierta. Así, cuando finalmente fue rescatado tras una decena de días a la deriva en alta mar, fue recibido como un héroe, lo cual fue bien aprovechado como propaganda por la dictadura del general Gustavo Rojas Pinilla.

La entrevista con el joven periodista García Márquez reveló que nunca hubo tal tormenta y, aún más, puso al descubierto un escándalo de corrupción, ya que Velasco se precipitó por la borda del barco cuando intentaba con otros tripulantes contener una carga mal estibada, que contenía artículos de contrabando.

Fue tal el impacto de la denuncia que El Espectador optó por proteger a García Márquez sacándolo de Colombia y enviándolo como corresponsal a París, con una austera remuneración que desapareció por completo cuando la dictadura cerró el diario. Fue en una modesta buhardilla parisina de la rue Cujas, entre privaciones, que creó El coronel no tiene quien le escriba, su segunda novela después de La hojarasca.

El impacto que alcanzó Cien años de soledad desde su publicación en 1967 abrió las puertas de la industria editorial a textos anteriores de Gabo, como El coronel no tiene quien le escriba y el propio Relato de un náufrago, publicado como libro en 1970.

«Periodismo es difundir aquello que alguien no quiere que se sepa; el resto es propaganda. Su función es poner a la vista lo que está oculto, dar testimonio y, por lo tanto, molestar». La cita corresponde a un escrito del periodista argentino Horacio Verbistky, aunque la primera frase es atribuida indistintamente, entre otros, a George Orwell y Randolph Hearst.

Si esa condición se cumplió en Relato de un náufrago, con mayor razón se dio en Operación Masacre, un libro que, en un ambiente cargado de represión y violaciones de los derechos humanos, denunció un crimen masivo de una dictadura militar. Rodolfo Walsh construyó esta obra a partir de una hebra: un comentario que escuchó acerca de un sobreviviente de un fusilamiento. A partir de ahí fue armando la madeja, mediante entrevistas a otros peronistas que libraron con vida y a familiares de los asesinados.

El producto fue este libro, publicado en 1957, que se fue enriqueciendo en sucesivas ediciones con nuevos antecedentes y que incluso fue llevado al cine con el propio Walsh como coguionista. Operación Masacre es una gran obra literaria en el mejor sentido y no es exagerado el papel fundacional de la narrativa de no ficción que algunos estudiosos le otorgan, destacando que se adelantó nueve años a Truman Capote y su A sangre fría.

Al igual que Relato de un náufrago, Operación Masacre fue inicialmente divulgado en varias entregas en un modesto diario, Revolución Nacional, entre enero y marzo de 1957. La investigación se enriqueció y en junio del mismo año publicó otros nueve artículos en la revista Mayoría. Fue en diciembre de 1957 cuando Ediciones Sigla lanzó el libro.

Walsh fue asesinado en Buenos Aires en una emboscada de un grupo de tareas de la tristemente célebre ESMA (Escuela de Mecánica de la Armada) el 25 de marzo de 1977. Los marinos se llevaron su cuerpo. Es uno de los miles de desaparecidos que dejó la dictadura encabezada en sus primeros años por el general Jorge Rafael Videla y el almirante Emilio Massera.

Fue el epílogo sangriento de un periodista y escritor que en su corta vida de cincuenta años radicalizó sus posiciones y su compromiso con las letras y la revolución socialista desde las tendencias más libertarias del peronismo. En aquellos años en que predominaba como respuesta a la llamada prensa burguesa el periodismo de trinchera, teñido a menudo de panfleto y maniqueísmo, Walsh y García Márquez instalaron una narrativa de no ficción de gran calidad periodística y literaria.

Así como a Capote se le atribuye que echó las raíces del nuevo periodismo que Tom Wolfe codificó a partir de 1960 en los Estados Unidos, puede afirmarse que Relato de un náufrago Operación Masacre tuvieron un papel fundacional en las ricas expresiones que esta tendencia rupturista desarrolló en la América Latina desde un ejercicio periodístico permanentemente acosado por las dictaduras y los poderes empresariales.

Lo esencial desde nuestros autores latinoamericanos hasta Capote, Wolfe y sus seguidores está en el rescate de la alianza entre literatura y periodismo.

Un maridaje precisamente rechazado por seguidores de los formatos y técnicas que desde Estados Unidos adecuaron la redacción de las noticias a la industrialización de la prensa en la primera mitad del siglo XX. La pirámide invertida dispuso que las informaciones debían ser redactadas respondiendo a las «cinco W» (qué, quién, cuándo, dónde, por qué), en una secuencia jerarquizada que casi por obra de magia produciría objetividad.

«Los hechos son sagrados y las opiniones libres», fue una sentencia anglosajona que nos invitaba a reconocer una quinta esencia de virtud en el modelo, capaz entonces de conjugar, según el formato, el rigor informativo con la más completa libertad de expresión. La historia del periodismo, y también de la política, ofrece sin embargo innumerables episodios de invención, ocultamiento o distorsión de hechos, así como de manipulación, instrumentalización e incluso persecución de las opiniones.

Al final prevalece la ética como único canon válido para legitimar, no solo la función social del periodismo, sino sus niveles de calidad. Un terreno en que la trayectoria periodística de Truman Capote dejó zonas oscuras, según varios de sus biógrafos. Pero esto ya es materia para otro artículo.

Por ahora, consignemos que la narrativa de no ficción, el nuevo periodismo e incluso el periodismo de investigación han enriquecido el panorama literario mundial. A esta altura, cualquier enumeración puede parecer arbitraria, pero me atrevo a reivindicar una vez más a Tomás Eloy Martínez con Santa Evita y La novela de Perón y al uruguayo Ernesto González Bermejo con Las manos en el fuego, como ejemplos a mi juicio relevantes.

En 2018, el Premio Alfaguara, considerado el mayor galardón de narrativa en lengua hispana, recayó en el mexicano Jorge Volpi con Una novela criminal, texto que en la práctica no tiene nada de ficción, basado cien por ciento en un caso judicial real y reconocido por sus méritos periodísticos y literarios.

Tres años antes, 2015, la Academia Sueca otorgó el Nobel de Literatura a la periodista bielorrusa Svetlana Aleksiévich, autora entre otros libros de La guerra no tiene rostro de mujer, Los muchachos de zinc y Voces de Chernóbil, tres obras excepcionales construidas a partir de testimonios, ejemplos de narrativa de no ficción.

(*) Gustavo González Rodríguez. Periodista y escritor. Magíster en Comunicación Política, Periodista y diplomado en Periodismo y Crítica Cultural en la Universidad de Chile. Fue director de la Escuela de Periodismo de esa misma universidad (2003-2008) y presidente de la Asociación de Corresponsales de la Prensa Internacional en Chile (1992-1995). Corresponsal en Ecuador y director de la oficina de Inter Press Service en Chile, y editor de la agencia en Italia y Costa Rica. Fue corresponsal también de Latin America Newsletter (Inglaterra), El Periódico de Barcelona (España), revista Brecha (Uruguay) y diario Milenio (México). Autor de los libros «Caso Spiniak. Poder, ética y operaciones mediáticas» (ensayo), «Nombres de mujer» (cuentos) y «La muerte de la bailarina» (novela).

 

[Fuente: http://www.meer.com]

Luke Bishop, de Iowa, está a realizar a súa tese de doutoramento sobre vos neofalantes ourensáns

Luke tivo ou seu primeiro contacto con Galicia e a lingua en 2015.

Escrito por ANDREA OTERO

Luke Bishop é un rapaz de Des Moines, capital do estado de Iowa, que comezou unha nova vida en Galicia. Está cursando o doutoramento de Linguas Romances na Universidade de Texas, pero actualmente vive entre Compostela e Ourense. Para a súa tese escolleu como tema os neofalantes ourensáns e está a procura de xente para as súas entrevistas.

«Sorpréndeme a cantidade de xente que defende o galego sen falalo»

Para dar a coñecer o seu proxecto, Luke pegou carteis polas rúas da cidade. En canto se deu conta xa tiña centos de notificacións no seu teléfono móbil grazas a publicación dun chío. «Para a próxima non porei o meu número de teléfono nun anuncio, só o correo», indicaba Luke entre risas pola gran cantidade de mensaxes recibidas. De feito, aquel que queira poñerse en contacto con el pode facelo a través do seu correo: lukebishop@utexas.edu.

En canto a temática do estudo piloto da súa tese, escolleuna debido á falta de documentación sobre o asunto. Un dos datos que máis lle chamou a atención a Luke realizando o estudo foi a cantidade de xente que non fala galego. «Sorpréndeme a cantidade de xente que defende o galego sen falalo», indica. El, como persoa formada en linguas romances, cre que o galego é unha lingua fermosa que hai que falar e coidar. «Nunca é tarde para comezar a falalo», sinalaba.

— Cando tivo o primeiro contacto con Galicia?

— Foi no 2015. Atopei un intercambio tipo Erasmus, versión estadounidense, para a Universidade de Vigo. Daquela tamén fixen un curso de galego e encantoume. Dende aquel primeiro momento quixen volver o antes posible.

— E como chegou Ourense?

— Estaba facendo a carreira de Linguas Romances e quería volver, entón conseguín unha bolsa para pasar un ano completo en Galicia como profesor de inglés. Puxen en preferencias a cidade de Ourense e mandáronme ao IES Otero Pedrayo. Foi unha experiencia incrible.

— Por qué Ourense?

— Porque me interesaba moito o galego e aquí fálase máis. Estaban as sete cidades galegas como opción pero decidín Ourense. Para min é unha cidade moi bonita e especial na que o paso xenial indo aos viños, ao restaurantes e compartindo momentos coa xente de alí.

— Actualmente está en Santiago de Compostela.

— Boto de menos Ourense, aínda que estou indo de vez en cando para facer entrevistas para o doutoramento. Cada vez que vou sinto que Ourense é unha cidade chea de vida, feita polos propios habitantes. En Santiago hai demasiado turista.

— Fala moi ben o galego. Como aprendeu?

— Fixen cursos pero a falar mais informalmente aprendín en Ourense. Alí fixen intercambios no bar Charlotte, no que a xente mantén conversas en distintas linguas. Cando volvín a Estados Unidos facía videochamadas cun amigo para aprender os dous.

— A xente sorprendese cando fala?

— Algo que me parece curioso é a reacción dos galegos que non falan galego. A xente queda flipando cando escoita falar galego a un rapaz de Iowa. A eles quero dicirlles que o intenten tamén. Calquera pode e debe falar en galego, xa que é unha lingua moi bonita e debería ser motivo de orgullo aquí en Galicia.

— Non pensa que sexa un orgullo?

— Para moita xente éo pero para outra tanta non o é. Moitas veces a xente di que hai que apoiar o galego pero non o falan. O máis importante é empregalo e telo presente na vida. Creo que a xente debería intentalo máis.

— Como vai a tese?

— Estou recibindo moita axuda e a comunidade galegofalante quere apoiar a causa. Creo que aínda que me queiran axudar a min, indirectamente a xente tamén quere apoiar a súa propia lingua para que se vexa o valor que ten.

— Que conclusións saca das entrevistas que está facendo?

— Sobre todo que hai moitas variacións nas motivacións. A xente quere falar galego por ligazóns familiares ou por amor pola lingua, pero tamén por motivacións políticas. Ou non. Eu pensaba que moitos dos neofalantes ían ter motivos políticos pero hai moitísima mais variación e moita diversidade entre os neofalantes.

 

[Imaxe: Miguel Villar – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

A punto de cumplir 8 años en Buenos Aires, Mishiguene se consagró como uno de los mejores 100 restaurantes del mundo. El Cronista habló con Tomás Kalika, su chef y cofundador, sobre el secreto del éxito y su desembarco en la Ciudad de México.

 

Escrito por LUZ DE SOUSA QUINTAS

Tomás Kalika (42) es el chef detrás de Mishigueneel restaurante de cocina judía que inauguró hace casi 8 años en Buenos Aires y este 2022 se consagró como uno de los mejores 100 del mundo.

 

[Fuente: http://www.cronista.com]

Ex-ministro preocupou-se em ser fiel ao Bolsonaro e deixou de lado administração do ministério da Educação.

Escrito por Carlos Wagner

Se um dia forem feitos os perfis dos ministros do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) certamente o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, 64 anos, vai merecer uma atenção especial pelo seu deslumbramento com o cargo. Para quem não é um velho jornalista como eu, uma explicação. Nos tempos das máquinas de escrever nas redações era usual, na conversa entre os repórteres, dizermos que “fulano de tal ficou deslumbrado com o cargo e acabou enfiando os pés pelas mãos”. Até ser ministro de Bolsonaro, Ribeiro, apesar de empilhar títulos como os de pastor presbiteriano, teólogo, advogado e professor, era um ilustre desconhecido.

Ao se tornar ministro, por influência da primeira-dama Michelle Bolsonaro, ele começou a “botar as unhas à mostra”, um dito popular usado para dizer que uma pessoa está mostrando quem é realmente. E ele é uma pessoa preconceituosa. Afirmou, em uma entrevista ao Estadão, que “filhos gays algumas vezes vêm de famílias desajustadas”. E foi arrogante na mesma entrevista, ao dizer que as desigualdades sociais que limitaram o acesso à internet dos alunos pobres durante a pandemia não tinham sido criadas pelo seu ministério. Citei esses dois casos. Mas há muitos outros documentados pela imprensa.

Na visão do então ministro da Educação, que ocupou o cargo de julho de 2020 a março de 2022, o seu desempenho na pasta era medido pelo grau da sua obediência às determinações e crenças políticas e sociais do presidente Bolsonaro. Isso não é opinião. São fatos que relatamos nos jornais. Tanto que quando os pastores da Assembleia de Deus Arilton Moura e Gilmar Santos começaram a cometer ilegalidades na Educação, achacando prefeitos com a promessa de liberação de verbas oficiais, Ribeiro apenas disse que eles tinham sido enviados pelo presidente. No dia 19 de abril de 2022, publiquei o post Imprensa erra ao chamar os “pastores do MEC” de lobistas. Eles são vigaristas. Não deu outra.

Na semana passada, quarta-feira (22), a casa do ex-ministro da Educação caiu. Ele e outros quatro foram presos preventivamente pela Polícia Federal (PF) na Operação Acesso Pago. Foram soltos no dia seguinte. E, pelas matérias que temos publicado, Ribeiro acredita que foi preso porque querem prejudicar Bolsonaro. Ora, ele é advogado e sabe que os “pastores do MEC” estão enfiados até o pescoço em ilegalidades. E que os “15 minutos de fama” que teve ao ser ministro da Educação vão lhe custar muito caro. Isso fica claro pelo conteúdo das escutas da PF que vem sendo publicado nos noticiários. Ainda é cedo para tirar conclusões sobre o caso do ministro.

Agora, podemos usar os conteúdos que conhecemos sobre esse caso para fazer uma reflexão. Ribeiro não foi o único deslumbrado no governo do presidente Bolsonaro. A maioria dos ocupantes de cargos importantes até então eram ilustres desconhecidos que se deslumbraram com o poder e hoje estão enfrentando problemas com a Justiça. Vou citar um deles: o general da ativa do Exército Eduardo Pazuello, que foi ministro da Saúde entre 2020 e 2021, no auge da pandemia causada pela Covid-19. Foi ele que tornou em política de governo o negacionismo do presidente da República sobre o poder de contágio e letalidade do vírus. É dele a frase referindo-se a Bolsonaro: “Um manda e outro obedece”.

Nos dias atuais, o general ocupa o cargo de secretário de Assuntos Estratégicos. À sua espera, quando sair do governo, existe uma imensidão de provas nas 1,3 mil páginas do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado, a CPI da Covid, de crimes praticados durante a sua gestão na Saúde, que colocam as digitais do governo federal nas mais 600 mil mortes de brasileiros pelo vírus. É regra no governo de Bolsonaro que só ocupam cargos pessoas que obedecem às suas ordens. Incluído aí o ministro da Economia, Paulo Guedes, apelidado pelo presidente de “Posto Ipiranga”. Até se aliar a Bolsonaro, Guedes era mais um economista do mercado. Por sinal, marginalizado pelos seus colegas. Não tenho os números. Mas, sem medo de cometer um excesso, há um número considerável de aliados do presidente da República que hoje estão com problemas na Justiça porque se deslumbraram com os cargos e acabaram enfiando os pés pelas mãos.

Lembro que, logo que o presidente assumiu o mandato, a grande dificuldade que nós jornalistas tínhamos era saber como o governo funcionava entre as quatro paredes. Não precisa ser um gênio para perceber que havia muita fantasia por parte do presidente e seus ministros. Com o correr do tempo algumas coisas foram ficando claras, como por exemplo: Bolsonaro sempre tem alguém que faz o “serviço sujo” por ele, incluindo os seus três filhos parlamentares Carlos, vereador do Rio, Flávio, senador do Rio de Janeiro, e Eduardo, deputado federal por São Paulo. Uns raros se deram conta e entregaram o cargo antes de se meter em fria, como o então ministro Saúde e médico Nelson Teich, que pediu demissão um mês depois de assumir o cargo em 2020.

Ele “sentiu a maldade” no ar e caiu fora. A bem da verdade, é bom que se diga que o presidente da República não colocou a faca no pescoço de ninguém, forçando a pessoa a assumir um cargo no seu governo. Muito pelo contrário, ele ofereceu a oportunidade para pessoas que jamais sonharam que seriam ministro do Brasil. E elas não só aproveitaram a oportunidade como também se deslumbraram com o cargo. Afinal, ser ex-ministro também é status. Já os problemas com a Justiça é outra história.

***

Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social — habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul — Ufrgs. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora (RS, Brasil) de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 67 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.

[Foto: Brasil de Fato – fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br]

Publicado por Juan Tallón

Xosé Luis Fortes cuenta que a finales de 1979 coincidió con un tal Bolaño en Ourense. Tuvieron trato durante un mes, aproximadamente. Según él, casi seguro que era Roberto Bolaño Ávalos (1953-2003), el escritor chileno. Acentúa la palabra «casi», para dejar claro que pudo ser Roberto Bolaño pero también no serlo. Es cauto a propósito de sus recuerdos. A veces «también la memoria recrea ficciones», admite. Fortes (1961) trabaja como celador de carreteras en la Xunta de Galicia, pero en su otra vida, la de las tardes, se entrega a la literatura. Yo nunca había leído ni oído que Bolaño hubiese estado alguna vez en Galicia, pero me empecé a interesar vagamente por esa historia cuando Fortes me la contó por tercera vez en diciembre de 2017.
A mediados de ese mes quedamos en el café Bohemio de Ourense, en una mesa al lado de la puerta, por la que entraba un frío atroz. Nos levantamos media docena de veces a cerrarla. Encendí la grabadora y le pedí todos los detalles que consiguiese recordar del tal Bolaño. El relato comenzaba en 2008, y después iba hacia atrás. «Ese año yo sufrí un infarto, y en mitad de mi recuperación mi amigo Pepe Bouzas apareció en el hospital con un ejemplar de Los detectives salvajes (1998). Me empezaron a sonar demasiadas cosas, y aparecieron algunos datos ante los que me dije que allí había algo nuestro, generacional, común». Días después su amigo le envió un enlace a una entrevista en una radio de Girona. «Aquella voz me sonaba. Era Roberto Bolaño, y en ese momento es cuando pienso por primera vez que es perfectamente posible que Bolaño fuese el mismo Bolaño que yo había visto y tratado treinta años antes en Ourense».
En su teoría, había algunos fragmentos sobre Galicia en Los detectives salvajes que despertaron los recuerdos en los que Bolaño se le apareció en Ourense. «¿Qué fragmentos son esos?», pregunté. Dos noches después me envió una fotografía de la página 427 de la novela, en la edición Narrativas hispánicas de Anagrama. Se trataba del comienzo del capítulo 20, donde Xosé Lendoiro, poeta y abogado, relata cómo y cuándo conoció a Arturo Belano, trasunto de Roberto Bolaño y protagonista de la novela junto a Ulises Lima, a su vez trasunto del poeta mexicano Mario Santiago (1953-1998). Lendoiro lo conoció durante un viaje por Galicia, en un camping de Castroverde (Lugo) al que el abogado fue a parar en su roulotte, con la que se dedicaba a recorrer España por placer. Un día, durante su estancia en Castroverde, un niño se precipitó a la sima de una montaña llamada la Boca del Diablo. El vigilante del camping se ofreció a descender con una cuerda y rescatarlo. Cuando al fin lo subieron, se organizó «una fiesta de gallegos en la montaña, pues los campistas eran funcionarios y oficinistas gallegos y yo era hijo también de aquellas tierras y el vigilante, al que llamaban El Chileno pues esa era su nacionalidad, también descendía de esforzados gallegos y su apellido, Belano, así lo indicaba». Al menos en la ficción, pensé, Bolaño sí había estado en Galicia, como una etapa más del interminable viaje que Belano y Lima emprenden en 1976, cuando salen de México D. F. en busca de la poeta realvisceralista Cesárea Tinajero, y que, a menudo por separado, los llevará a lo largo de veinte años por Nicaragua, Estados Unidos, Francia, Austria, Israel, Egipto, Liberia, Angola, otra vez México y también España.
A raíz de la lectura de la novela, merecedora del Premio Herralde, Fortes ya no pudo sacarse de la cabeza que a lo mejor había conocido a Roberto Bolaño. Pero ¿dónde, cómo, cuándo? «Todo comenzó en el pub Yopo, propiedad de Orlando Saavedra, un chileno que había llegado a España huyendo de la dictadura de Pinochet. El local estaba en la calle Ervedelo y fue el segundo pub que se abrió en Ourense». El local sigue en el mismo sitio, ahora con otros dueños y un nombre distinto. Antes de ser un pub había sido un club de alterne, y cuando dejó de ser el Yopo volvió a convertirse en club. Fortes y su amigo Bouzas lo frecuentaron a finales de los setenta. Fue ahí donde contactaron con el tal Bolaño. Yo vivo a cincuenta metros del local. Nunca se me ocurrió entrar hasta hace unas semanas, solo para fantasear con que en una esquina pudo apoyarse el escritor chileno, tal vez. Está en un sótano. Hay que bajar dos plantas. Si te quedas en la primera te encuentras el pub Kinley. Si desciendes una más está el antiguo Yopo, ahora club Hawai.
«Recuerdo que el tipo tenía el pelo largo, rizo y barbita. Era chileno y contaba que había estado en México», exactamente como Roberto Bolaño, que en 1968 dejó Chile para trasladarse con su familia a Ciudad de México, que en 1977 dejó para viajar a Barcelona. Fortes, por entonces, tenía dieciocho años y acababa de plantar los estudios. Ganaba algo de dinero como árbitro de fútbol y trabajando en la construcción. En el pub Yopo se mezclaba la música con la efervescencia política, propia de aquel momento. «Nosotros éramos anarcoides, desafectos, y allí había mucha gente del Movimiento Comunista, de la Unión do Pobo Galego, de la Liga Comunista y también de Movimiento de Izquierda Revolucionaria».
Un día entabló conversación con el tal Bolaño. «Era una persona muy peculiar, retraída. Me contó que venía en busca de sus ancestros». Esa búsqueda encajaba con la biografía de Roberto Bolaño, cuyo abuelo paterno, Ricardo Bolaño Morán, había nacido en Galicia. En una carta dirigida a la filóloga chilena Soledad Bianchi, el escritor le confesaba: «Mi familia paterna es de origen gallego y catalán. Mi abuelo paterno nació en Galicia, tuvo nueve hijos y murió de una conmoción cerebral tras caerse de un caballo. Mi familia materna es chilena, descendientes de una burguesía venida a menos (incluso a espantoso). Mi abuelo materno fue coronel de ejército y murió de un ataque al corazón en el año 62, en su cama y jubilado, con dos solas aficiones: jugar al ajedrez y decorar jarrones con trocitos de papel recortados de revistas de colores».
Me dije que había que intentar un paso importante, y por dos vías procuré la forma de contactar con Carolina López, viuda del escritor, que en su momento «aportó a Bolaño estabilidad económica y anímica, un marco familiar, un fundamento sólido, y lo alentó en los días de ayuno en el desierto, cuando los editores y los agentes literarios rechazaban sus manuscritos», según la editora Valerie Miles. Fui a su encuentro y su testimonio resultó categórico: «Roberto nunca visitó Galicia, ni para buscar sus orígenes, ni para hacer turismo y tampoco para promocionar sus libros». Sí es cierto que «en sus fantasías estaba viajar a Galicia, reencontrar la tierra de sus abuelos y cerrar el círculo». En todo caso, «nunca insistió demasiado, ni hubo ningún intento de hacer realidad el viaje». Se preocupó «por encontrar el origen de su apellido, que encontró en Lugo, de donde era su abuelo».
Ya sabía qué pensaba Carolina López, que conocería a Bolaño en 1981, en Girona, pero ¿qué decían sus amigos? Hice una lista y me puse en contacto con Javier Cercas, que lo vio por primera vez a comienzos de los ochenta. En alguna ocasión, el autor de Soldados de Salamina contó que cuando cultivaban su amistad a diario, ya en los noventa, «parecíamos novios». Sin embargo, Cercas no recordaba que «me hablase jamás de sus ancestros españoles ni nada que tuviese que ver con Galicia. En realidad, no recuerdo que hablásemos de otros familiares que no fuesen su mujer y sus hijos, salvo de su madre y su hermana, que vivían cerca, y de su padre exboxeador [León Bolaño Carné], a quien, que yo recuerde, en todo el tiempo que fuimos amigos solo vio una vez, en Madrid».
León Bolaño Carné, que tras abandonar el boxeo se dedicó al transporte de mercancías en México, estuvo más de dos décadas sin hablarse con su hijo. Murió en 2010. En el relato «Últimos atardeceres en la Tierra», Roberto Bolaño narra, en una mezcla de ficción y memoria, las tristes vacaciones de un fin de semana entre padre e hijo, después de las cuales la infancia parece quedar atrás. En una entrevista concedida al periódico chileno La Tercera, León Bolaño confesó un día que «no me enteré de sus libros hasta que unos parientes me lo dijeron y mi hijo León Enrique comenzó a sacar datos de internet». León Enrique Bolaño Mendoza es hermanastro de Roberto, fruto del segundo matrimonio de León Bolaño tras separarse de Victoria Ávalos. En el año 2000, el hermanastro envió un telegrama a Roberto: «Comunícate urgente», y al fin hijo y padre hablaron por teléfono tras muchos años alejados. En 2001 se vieron en Madrid. Ese fue el encuentro al que se refería Javier Cercas.
Me llevó su tiempo hablar con León Enrique Bolaño Mendoza, que se dedica a la política. Milita en el PAN (Partido Acción Nacional) y actualmente es el presidente del municipio mexicano de Cadereyta de Montes, en Querétaro. Me pareció buena idea preguntarle por su abuelo. Se mostró honesto al anticiparme que no tenía «la plena certeza de la objetividad, veracidad y realidad en tiempos y formas» del relato que sobre su abuelo le trasladó su padre. Me aseguró que Ricardo Bolaño Morán nació en Becerreá (Lugo), un municipio con una superficie de ciento setenta y tres kilómetros cuadrados y unos tres mil habitantes. Está a solo treinta kilómetros del Castroverde que se menciona en Los detectives salvajes. Curiosamente, el propio Roberto, en una carta que dirige al poeta Carlos Edmundo de Ory (y que custodia la propia Fundación Ory), le manifestaba en noviembre de 1993 que «la aldea de mis antepasados, llamada Bolaño, está en las montañas de Lugo, el último sitio habido antes de entrar en Asturias. Mis tías me solían contar historias acerca de ese pueblo, de donde veníamos todo los Bolaño esparcidos por América —naturalmente, todos parientes—. Está cerca de Castroverde, en tiempos lejanos el señor feudal de la zona». En esta misma carta, una parte de ella recogida en la biografía sobre De Ory escrita por José Manuel García Gil, Roberto Bolaño le anunciaba al poeta gaditano que «dentro de poco viajaré a Galicia» para reencontrase con la aldea familiar.
Pero volvamos a su padre. Bolaño Morán emigró muy joven con su hermano Vicente «destino a Panamá para emplearse en la construcción del canal». Más tarde aceptaron una oferta de trabajo en un buque que se dirigía a Chile. Vicente prefirió quedarse en Buenos Aires durante una escala, y Ricardo continuó hasta su destino, en la ciudad de Concepción.
Con el tiempo, conoció a Eugenia Carné Visa, catalana, con la que se casó y se establecieron en Los Ángeles. Allí tuvieron ocho hijos, uno de ellos León, el padre de Roberto Bolaño. Ricardo vivió del comercio, la agricultura y la cría de animales. «Su semblante era duro, seco y rígido, poco o nada expresivo, y tenía una conversación muy corta», me precisó su nieto, que me hizo llegar una fotografía en la que se ve a un señor sentado, con un bigote cuyos extremos terminan en curva, en traje, veterano de la elegancia, con unos prismáticos en la mano.
En marzo de 1940 viajó a Concepción por negocios, llevándose a dos de sus hijos, entre ellos León. Aprovecharon para «comprar dos guajolotes [pavos], que colgaron del cuello del caballo». Cuando Ricardo lo montó, «en un movimiento torpe asustó a los guajolotes, que papalotearon [movieron las alas], y el caballo levantó ciento sesenta grados las patas». Bolaño Durán cayó al suelo. «Su cabeza rebotó sobre la piedra seca», pero aun así se incorporó y volvió a subir al animal. Cuando llegó a casa le dijo a su mujer: «Estoy cansado, me duele la cabeza… iré a dormir». Y nunca se despertó.
El encuentro entre Fortes y el tal Bolaño tuvo lugar a finales de 1979. Al año siguiente Roberto abandonó Barcelona y se mudó a Girona, para entonces con una primera versión de su novela Amberesya escrita, y los primeros poemas que forman parte de La universidad desconocida, que compuso a lo largo de toda su vida. En el 79 Fortes había cumplido la mayoría de edad y obtenido el carné de conducir. Su padre le compró un Seat 600 D de segunda mano. «Era de color blanco marfil. Recuerdo perfectamente la matrícula: OR-31562. Era un modelo con aquellas puertas que abrían al revés, puertas suicidas, se llamaban. Lo deshice un día al volcar, regresando de arbitrar un partido». Esa tarde, en el café Bohemio, me contó que una vez el tal Bolaño y él se subieron al coche y se dirigieron a Parada do Sil, un municipio que linda con Lugo, en busca de otros Bolaños que pudiesen conducirlo hasta sus antepasados. «Mi padre conocía a varios en aquella zona».
No fue el único viaje que hicieron juntos en el Seat 600. Hubo uno más, y después el chileno desapareció para siempre, hasta que años después Fortes creyó reconocerlo en el autor de Los detectives salvajes. Un día se dirigieron a la calle Padre Sarmiento, sin salir de la ciudad. «Nos bajamos del coche y mientras yo vigilaba él se subió a un muro que había al lado de las torres, desde el que manipuló los cables de un teléfono para hablar con el extranjero. Me pareció que lo hizo con mucha naturalidad».
Fortes tiene dificultades para evocar las conversaciones que mantenía con el chileno. Cuando hace mucho tiempo de algo a veces solo resisten en pie algunos rayos de luz y unas pocas imágenes arrugadas en la memoria. «Creo que estaban relacionadas con la política y las ideologías, y también con el arte. Cuando la conversación se volvía más intelectual, Bouzas intervenía más que yo».
Una semana después de verme con Fortes quedé con José Manuel Bouzas. Bouzas es escultor, además de ensayista y comisario de arte. También quedamos en el café Bohemio, pero como había demasiado ruido, y la puerta otra vez se abría y cerraba sin parar, nos fuimos a la cervecería Áncora. Encendí la grabadora y le expliqué que, según lo recordaba Fortes, él y Bolaño habían mantenido algunas conversaciones en el pub Yopo sobre surrealismo y dadaísmo. «Ah, ¿sí? No recuerdo nada de esas conversaciones ni de ningún Bolaño». La memoria nunca nos afecta por igual, pensé, y apagué la grabadora. Bouzas recordaba la época, el pub, pero nada de alguien que se apellidase Bolaño y fuese chileno. Cuando semanas después releí Los detectives salvajes me consolaba cada vez que algún personaje mencionaba el surrealismo o el dadaísmo.
Esa misma tarde, al llegar a casa, le escribí un mail a Enrique Vila-Matas, que había conocido a Roberto en 1996, en el Bar Novo, en Blanes, localidad en la que el chileno se había asentado en 1985. Ese día Vila-Matas entró con Paula de Parma, profesora de literatura y su pareja, que acababa de leer Estrella distante, y al poco apareció Bolaño. Ella le preguntó si era Bolaño, y este dijo que sí, y al reconocer a Vila-Matas a su lado, exclamó: «¡Hostia!».
Lamentablemente, Vila-Matas tampoco pudo aportar datos prácticos a mi investigación, «por desconocer incluso el origen gallego de Roberto, es decir, que o no le oí hablar nunca de esto o no le presté nunca atención». En cambio, me contó que en su día escribió un texto para la editorial L’Herne sobre George Perec, titulado «Perec y Bolaño en Galicia», aunque «en ningún momento pensé que Roberto tenía alguna relación con Galicia». Eso resulta perfectamente vilamatiano. El autor de Mac y su contratiempo me hizo llegar el texto, en el que cuenta que durante una estancia en A Coruña soñó que Roberto Bolaño y Perec estaban en Galicia.
En la busca desesperada de más testimonios que sirviesen para apoyar los recuerdos de Fortes, me preguntaba si podría dar con el propietario del Yopo. Solo tardé tres días y medio. Encontré a Orlando Saavedra, médico jubilado, a cien kilómetros de Ourense, ejerciendo de concejal de Servicios Sociales en la localidad de O Barco. «El Yopo —me dijo con nostalgia— lo monté yo mientras hacía la residencia en el hospital de Ourense, para contribuir a la economía familiar». Los Saavedra eran cuatro hermanos que el golpe militar de Pinochet empujó al exilio. Cada uno tomó una dirección: Estados Unidos, Francia, Suecia y, en el caso de Orlando, España. Abrió el Yopo en 1978. «¿Bolaño, Roberto Bolaño, el escritor, en el Yopo? Mmm. No sé. Quienes sí estuvieron fueron Eduardo GaleanoEduardo Blanco AmorJaime Quesada o Amancio Prada». Se hacían exposiciones, conciertos en directo, pero con el tiempo el ambiente se deterioró y en 1981 el pub cerró al convertirse en un lugar de referencia para los consumidores de heroína. Orlando Saavedra me dio un nombre antes de despedirnos: Manuel Araujo Fiz. Tal vez pudiese ayudarme. También era chileno, asiduo al Yopo, comercial y profesor de pintura. Me costó dos semanas conseguir que me devolviese las llamadas. Entonces me habló del pub, del ambiente, de la efervescencia. «La clientela tenía un perfil intelectual. Todavía me encuentro a gente que me dice “Yo te conozco del Yopo”». Por esa época «tuve contacto con varios Bolaños en Ourense», me aseguró. Me excité casi sin razón, y cuando me confirmó que ninguno de ellos era chileno, ni acabó escribiendo libros, me derrumbé.
Entre tanto, una serie de gratas casualidades me condujo a Lola Paniagua, a quien Bolaño había conocido al poco de llegar a España. Ella era una recién licenciada en Química que un día de 1977 recaló en Barcelona desde Hospitalet. Leyó en un periódico que se alquilaba una habitación en un piso de la Gran Vía de Les Corts, y fue de ese modo como conoció a Roberto, a su hermana Salomé y a la madre de ambos, Victoria Ávalos. Ella y Roberto se hicieron novios y en 1978 se fueron a vivir juntos a un pequeño apartamento en Carrer dels Tallers, en el Raval. La relación se acabó antes de que Bolaño abandonase Barcelona por Girona, en 1980. En 1978 la pareja estuvo cerca de pisar Galicia, cuando hicieron juntos un viaje a Portugal. Pero, según Lola, él nunca «expresó intención ninguna ni en el viaje ni en otro momento sobre buscar sus raíces gallegas».
No me rindo fácilmente. Tenía pendiente escribirme con Eva Valcárcel, profesora de Literatura Hispanoamericana en la Universidad de A Coruña, quien en su día casi logra convencer a Bolaño para visitar Galicia. Lo conoció a través del también escritor chileno Jorge Edwards. «A fines de 2002 organicé un congreso internacional de latinoamericanistas en la Universidad de A Coruña y pensé en él», me contó. «Durante dos semanas hablamos por teléfono casi a diario […]. Le atraía mucho Galicia y la vinculación de su apellido con ella». El plan era que «viniese para ser el invitado del Congreso, pero se vio interrumpido». Alguien le exigió cumplir con un compromiso anterior en Madrid. «Me habló de los orígenes míticos, como suelen hacer los latinoamericanos, de su apellido gallego, pero sin ninguna precisión, porque no los conocía. Eso sí, se interesó mucho por Galicia, por la Universidad y por algunos aspectos de la cultura gallega contemporánea y por la literatura; todo aparece novelado en unas páginas gallegas de 2666».
Esas páginas se recogen en la segunda de las cinco partes que componen el libro, titulada «La parte de Amalfitano». Óscar Amalfitano es un profesor chileno que se traslada de Barcelona a Santa Teresa, en México, para dar clases en su universidad. Un día, al abrir una caja de libros, encuentra Testamento geométrico, del gallego Rafael Dieste, que no recordaba haber comprado jamás. En la primera página había una etiqueta de la librería Follas Novas de Santiago de Compostela en la que se supone que se adquirió, aunque «nunca, ni en sueños, había estado en Santiago de Compostela». Una tarde Amalfitano tomó el libro, tres pinzas de la ropa y lo colgó de un tendedero para comprobar cómo resistía la intemperie y para que aprendiese «cuatro cosas sobre la vida real».
Aquel volumen era una edición que habían hecho posible algunos amigos del autor, cuyos nombres se recogen en mayúscula en la página cuatro, donde explican que la presente edición es su homenaje a Dieste. Amalfitano, tal vez sin querer, repara en un detalle que retrata Galicia como un país de favores y servidumbres. Casi hay que ser gallego para que un personaje chileno afirme que le parece «una costumbre extraña el poner los apellidos de los amigos en mayúscula, mientras el apellido del homenajeado estaba en minúscula». Ya en Los detectives salvajes, donde Xosé Lendoiro se refería a Belano como «neogallego», se vislumbraba un conocimiento instintivo de la gente de este país, cuando el narrador se permite contar un chiste de gallegos: «Va una persona y se pone a caminar por un bosque. Yo mismo, por ejemplo, estoy caminando por un bosque, como el Parco di Traiano o como las Terme di Traiano, pero a lo bestia y sin tanta deforestación. Y va esa persona, voy yo caminando por el bosque y me encuentro a quinientos mil gallegos que van caminando y llorando. Y entonces yo me detengo (gigante gentil, gigante curioso por última vez) y les pregunto por qué lloran. Y uno de los gallegos se detiene y me dice porque estamos solos y nos hemos perdido».
Me quedaban cada vez menos opciones. Recurrí a Ignacio Echeverría, amigo y conocedor en profundidad de su obra, parte de la cual contribuyó a editar. Lamentó mucho no serme de utilidad. «Nunca hablé con Roberto de eso que mencionas, o al menos no lo recuerdo». Antoni García Porta, que pasó a formar parte del círculo más cercano de Bolaño al comienzo de los ochenta, era el siguiente en mi lista. Habían escrito a cuatro manos la novela Consejos de un discípulo de Morrison a un fanático de Joyce. Roberto relató en el Diari de Girona que «nos conocimos en 1978, en las oficinas de una editorial marginal de Barcelona que solo publicaba poesía y que resignadamente se llamaba La Cloaca [dirigida por Xavier Sabater]. No era un buen principio, pero para nosotros, que entonces escribíamos poesía y que éramos los campeones de los futbolines del distrito quinto de Barcelona, era un principio al menos prometedor». Cuando le trasladé a Porta la historia de Fortes, reaccionó diciendo «curiosa historia la que me cuenta, de esas que se non è vero, è ben trovato. Lo cierto es que no recuerdo nada de un viaje de Bolaño a Galicia. Le deseo suerte en sus pesquisas».
En la vorágine precisamente de mis pesquisas, se me presentó la ocasión de hablar al fin con el poeta chileno Bruno Montané, y seguramente mejor amigo de Bolaño. Precisamente en la casa de Montané en México D. F., en la avenida Argentina n.º17, él, Bolaño, Mario Santiago y otros poetas fundaron el infrarrealismo. Montané es Felipe Müller en Los detectives salvajes. Esperaba su aportación con expectación. La posibilidad de que el tal Bolaño fuese Roberto Bolaño, Bruno Montané la encontró «entrañable, y también respetablemente peregrina». Que Roberto «se pegase una escapada, y lo hiciese sin contar a nadie nada, a mí me parece improbable». Por otra parte, nunca le pareció alguien interesado en indagar en la parte física de la memoria familiar. «No lo imagino yendo a Galicia, en aquel momento, si no es para encontrarse con un poeta o una chica», afirma. «Una vez me aseguró que había vuelto a México en un viaje clandestino, pero yo creo que era una trola, como si necesitase ensayar un episodio antes de escribirlo».
La conversación con Bruno Montané me dejaba, pues, en el mismo punto en que ya estaba: nada de nada del viaje a Galicia. Podía estar buscando siempre, así que decidí que me restaba un último movimiento antes de cerrar mi indagación. Un amigo escritor me puso en contacto con Carmen Pérez de Vega, pareja sentimental de Roberto durante sus últimos años de vida. Era mi última esperanza. No sabía a qué iba a enfrentarme. Cuando le referí el relato, se quedó un instante en silencio, y al fin dijo: «No me parece imposible. No diría yo que Roberto no estuvo en Ourense». Bolaño nunca le había mencionado nada al respecto, pero que no contase algunas cosas que hacía o pensaba, añadió, no significaba que no las hubiese hecho o no las pensase. «Pudo resultar un viaje infructuoso, del que no obtuvo nada en limpio sobre sus orígenes, y en ese caso, conociéndolo, sería muy normal que no contase nada, o que le provocase mucha melancolía, y en esa circunstancia tendía a cerrarse en sí mismo. Recuerdo que cuando viajamos a Londres, y la recepcionista del hotel resultó ser gallega, él le contó que sus orígenes estaban allí, y que en Galicia había muchos Bolaños. Mi impresión es que no era alguien que quisiese saber demasiado sobre sus orígenes».
A estas alturas me pareció que todo estaba dicho, salvo establecer diálogo con Roberto Bolaño. Habían pasado veinte años desde mi primera lectura de Los detectives salvajes. Me pareció buena idea releerlo como despedida. Al acercarme a la mitad del capítulo 19, cuando narra Edith Oster, recordé que tras este personaje el autor había situado a Edna Lieberman, con quien mantuvo una relación sentimental, después de romper con Paniagua, que duró hasta mediados de 1979. Si Fortes había visto al mismo Bolaño, tenía que ser en las fechas posteriores a esa ruptura. Estaba fuera de mi historia, y la novela volvía a meterme sin querer. Me vi pidiendo a Bruno Montané que me condujese hasta Lieberman, que unos días después me aseguraba que «yo abandoné a Bolaño en Barcelona hacia el verano y no quise volver a tener contacto con él». Al punto de que «no inicié la lectura de su obra hasta tres años después de su fallecimiento, con la tremenda sorpresa de ser personaje bajo seudónimo en novelas varias y descubrir poemas dedicados a una servidora con nombres y apellidos». De su época juntos «jamás escuché hablar a Roberto de sus orígenes gallegos», me aseguró Lieberman.
Cuando releí el testimonio de Edith Oster en Los detectives salvajes se me aceleró el pulso. Fue pura emoción: «Una noche, mientras Arturo [Belano] me hacía el amor, se lo dije. Le dije que creía que estaba volviéndome loca […] Dijo que si yo enloquecía él también enloquecería, que no le importaba volverse loco a mi lado […] A la mañana siguiente sabía que tenía que dejarlo, cuanto antes mejor, y al mediodía llamé a mi madre desde la Telefónica. Por aquellos años ni Arturo ni sus amigos pagaban las llamadas internacionales que solían hacer. Nunca supe qué método utilizaban, solo supe que era más de uno y que la estafa a Telefónica seguramente fue de miles de millones de pesetas. Llegaban a un teléfono y metían un par de cables y ya estaba, tenían línea, los argentinos eran los mejores, sin ninguna duda, y luego venían los chilenos».
De un modo primario, torpe, me fue imposible no pensar en el relato de Fortes, cuando llevaba al chileno en su 600 a llamar por teléfono desde las torres de la calle Padre Sarmiento. Me apresuré a escribir a Carmen Pérez, llevado por un optimismo inesperado, quizá irreflexivo. Su respuesta me devolvió a la tierra y dejó el reportaje tal y como estaba. «Arturo no es el que manipulaba los cables. Y Roberto menos. Me pedía a mí que le cambiara hasta las bombillas, y se iba a Pedralbes para buscar una cabina tarada por la que se llamaba sin pagar. El resto es literatura». Montané lo confirmó: «Trucar unos cables telefónicos no estaba al alcance de Bolaño», me dijo, mientras recordaba a su amigo jactándose de no tener habilidades prácticas. «De vez en cuando tenía que cambiarle la resistencia de su estufita. “Yo soy poeta, no me obligues a electrocutarme”, me miraba y me daba a entender».
Habría acabado aquí si no fuese porque en el último instante recibí un mensaje de Carmen Pérez hablándome de Ricardo House, un cineasta chileno, autor de varios documentales sobre Bolaño, que había estado en contacto con la familia que todavía tenía en Chile. Fue imposible resistirme. House me contó que en ese momento estaba explorando la relación de Bolaño con un poeta llamado Waldo Rojas, residente en París. «Se escribieron durante quince años, y nunca se conocieron en persona». Bolaño era capaz de cosas así. «Entiendo tu obsesión», me dijo cuando le hablé de mis esfuerzos en hacer creíble el relato Fortes. Él llevaba diez años trabajando sobre el escritor chileno, en todo caso. «Si te sirve de algo, me inclino de una manera un poco mística a creer que esa historia que me cuentas pudo haber ocurrido. Me parece que Bolaño era a veces un espíritu investigador. Tenía esa vertiente. Creo que acometió algunas aventuras de las que no se sabe mucho». Me reconfortó, aunque la historia de Fortes seguía siendo el hermoso y solitario relato de un hombre sin testigos. Pero ante él se sentía la necesidad de creer, aunque fuese a ciegas, que el autor chileno había estado buscando sus orígenes gallegos en un Seat 600 D. Roberto Bolaño, después de todo, era un detective salvaje.

[Fuente: www.jotdown.es]

El provocador autor francés publica ‘Aniquilación’, un ‘thriller’ geopolítico plagado de espías y atentados, y una reflexión desolada sobre la familia, el amor y la muerte

Michel Houellebecq. Foto: Philippe Matsas / Editorial Flammarion

Michel Houellebecq

Escrito por Nuria Azancot

Publicado en Francia el 7 de enero pasado, Anéantir fue considerado de inmediato como el libro del año, aunque parte de la crítica gala advirtió de los trucos de la novela, de su manierismo y aspecto deslavazado, y de su engañosa sencillez. O sea, que estamos ante Michel Houellebecq (Saint-Pierre, isla de La Reunión, 1958) en estado puro, a vueltas una vez más con el caos, el amor y la muerte.

Pero dio igual: después de los tres años transcurridos tras el éxito de Serotonina (Anagrama, 2019), que la mayor estrella literaria europea volviera a la acción ya era el acontecimiento que lo justificaba todo. Que lo hiciera además con un aparente thriller que acaba derivando en una esperanzada reivindicación del amor, y que su protagonista, Paul Raison, fuese asesor de un futuro presidente muy parecido a Emmanuel Macron, actuó para los lectores como un imán.

Si a eso añadimos que el padre del protagonista, exresponsable de los servicios de inteligencia del país, ha sufrido un ictus y está en estado vegetativo, y que hasta el matrimonio de Paul está al borde de la disolución, encontraremos algunas de las razones que han seducido a los lectores galos y excitado la ansiedad de todos los letraheridos, ansiosos por embarcarse en las más de seiscientas páginas de la versión en castellano de la novela (la francesa, de lujo y editada por Flammarion, tiene setecientas treinta y seis).

Alérgico a las entrevistas desde hace años, Houellebecq es tan capaz de esconderse y huir del país para no responder ninguna pregunta sobre su obra como de plantarse una tarde de abril en Madrid y citarse de manera sorprendente con un periodista que le pidió tiempo atrás verse con él. El afortunado, Daniel Ramírez, de El Español, acabó compartiendo con el narrador empanadas de solomillo, pulpo a la gallega y confidencias tan controvertidas como siempre (“los franceses son tremendamente difíciles de comprender. Y lo digo yo, que soy francés”; “la democracia representativa no funciona en absoluto”; “la izquierda se ha suicidado”…).

En realidad, quien haya visto alguna de sus entrevistas en las redes comprende de inmediato el reto que supone mantener una charla fluida con Houellebecq: en todas se muestra tímido y desconfiado, aburrido también, sin que parezca importarle demasiado la fluidez de la conversación, la incomodidad del periodista o la coherencia de sus respuestas.

Los sueños y la ficción

Con todo, y a pesar su alergia a los medios, el 2 de enero, es decir, cinco días antes de que apareciera la novela, Michel, el esquivo, concedió una única y extensa entrevista a Jean Birnbaum, editor de Le Monde des Livres, en la que sobre todo le habló de sus sueños, de los que, por otra parte, la novela va sobrada. Como escribe Birnbaum, de hecho “su libro, un thriller político que se convierte en meditación metafísica, está lleno de sueños. Página tras página, nos adentramos en las aventuras oníricas del protagonista”, para señalar a continuación cómo eso, los sueños, estaban ya en otras novelas del escritor, como Las partículas elementales y Serotonina, pero no de forma tan sistemática.

La respuesta de Houellebecq es contundente: “A mí no me interesa demasiado Freud […], pero sí me apasionan los sueños, y me siento muy feliz por haber incluido tantos en Aniquilación. El sueño está en el origen de toda actividad ficcional. […] Escribo cuando me despierto. […] Tengo que escribir antes de bañarme; en general, en cuanto nos hemos lavado todo se acaba, ya no servimos para nada”.

El encuentro, que se desarrolló en el estudio donde escribió la novela, durará tres horas y transcurrirá, según el periodista, en un ambiente más alegre de lo esperado, con una botella de vino blanco que el novelista agita “como un sonajero” y entre volutas de humo, olor a nicotina y ceniceros atestados de las colillas de los cigarros que el autor apura sin descanso.

Le Monde, Houellebecq hace declaraciones tan sorprendentes como: “Soy una puta, escribo para obtener aplausos. No por dinero, sino para ser amada, admirada, así que no tomes la palabra puta de forma negativa”. Y una declaración aún más asombrosa, en la que, frente a la fascinación tan generalizada en la cultura europea por el mal y la transgresión, reivindica los valores positivos del ser humano en la narrativa: “Creo que la mejor literatura se hace con los mejores sentimientos”. A lo largo de la charla, comparten alegrías infantiles, historias soñadas, impulsos poéticos, para atrapar a los lectores ansiosos por conocer la última pirueta del que en Francia consideran una suerte de dandi insolente y reaccionario.

El cuñado francés

Tan idolatrado como detestado por sus opiniones, en las que se retrata como un populista misógino y xenófobo, en Francia se le ha llegado a tratar incluso de beauf, de “cuñado”, por proferir en sus escritos, ensayos y novelas un buen puñado de opiniones banales sobre todo con más audacia que rigor, solo por epatar, por molestar al lector. Así, fue capaz de elogiar a Donald Trump y el Brexit (“Lo único que lamenté es que, de nuevo, los ingleses se mostrasen más valientes que nosotros ante el Imperio”), de cuestionar la democracia y la Unión Europea, de atacar al feminismo y defender la prostitución, la homofobia o el machismo, y de burlarse de la ecología sostenible…

Y pese al personaje en que se ha convertido, a veces profeta, a veces bufón, ha recibido la Legión de Honor de manos del presidente Macron, y el premio Goncourt en 2010 por El mapa y el territorio, pero dice seguir precisando de los demás y de los personajes de sus novelas para comprenderse. “Cada ser humano es algo extraño en sí mismo, el mayor motivo de asombro. Si quiero conocerme a mí mismo, necesito los ojos de los demás”, le dijo al periodista de Le Monde, al que también le habló de la muerte en estos tiempos descreídos, de la necesidad de olvidar los arrepentimientos y de lo difícil que le resulta escribir una novela, “porque es un calvario físico, vivir mucho tiempo al lado de un personaje”.

Comparado con Honoré de BalzacAlbert CamusLouis-Ferdinand Céline y Georges Perec, que, por cierto, nada tienen que ver entre sí, en Houellebecq resulta desconcertante hasta su verdadero nombre, Michel Thomas, y que su seudónimo sea un homenaje a su abuela paterna, que fue quien lo crio porque sus padres, un instructor de esquí y una enfermera franco-argelina, se desentendieron de él para recorrer África en un Citroën. Ni siquiera su fecha de nacimiento es segura, ya que su madre decidió envejecer su partida de nacimiento dos años porque pensaba que tenía mucho talento, por lo que habría nacido en 1958 y no en el 56, como se creyó durante décadas.

Aunque se había anunciado que Aniquilación aparecería en España a finales de agosto, Anagrama lo lanza el próximo miércoles en un nuevo capítulo de esa complicidad que comenzó en 1994 con Ampliación del campo de batalla, su primera novela. Como desveló hace meses Jorge Herralde, su editor español, en una entrevista con El Cultural, en realidad él la publicó sin leerla, solo porque la editaba Maurice Nadeau en su exquisito sello.

“Sí, para mí que a un autor le publicara Nadeau significaba que era bueno por narices, así que cuando apostó por la primera novela de un desconocidísimo autor joven, hablé con él y la publiqué, y ahí empezó el caso de este escritor que es el más vendido de Francia, el más impertinente, el más reconsagrado”. Tras Ampliación vendría Las partículas elementales (1998, Anagrama 1999), que fue la novela que le consagró y que consolidó una carrera de éxitos constantes, lejos, eso sí, de cualquier aniquilación.

[Foto: Philippe Matsas / Editorial Flammarion – fuente: http://www.elespanol.com]

 

“Pocas cosas hay más salvajes en el mundo que un grupo de pandereteiras”.

Escrito por Teresa Ferreiro

En las últimas semanas, Baiuca ha mostrado con los temas “Luar”, “Veleno” y “Meigallo” parte de la esencia de “Embruxo”, su nuevo LP, que se acaba de publicar.

Creo que no es necesario reincidir en las maravillas a las que ha llegado Baiuca en estos últimos años. No puedo mentir y debo decir que a mí, como gallega, me emociona que un artista incida, investigue y promocione nuestra cultura, historia y vida, y que con ello triunfe fuera y dentro de Galicia.

Hay una gran sabiduría en saber quiénes somos, saber el valor que hay en una misma. También es innegable que Baiuca es un proyecto que juega con elementos por los que sentimos predisposición emocional. Personalmente, considero que “Solpor” y “Misturas” funcionan como desencadenantes de sentimientos identitarios muy fuertes. Son una intensa pero agradable mezcla entre nostalgia y reinvención.

“Embruxo” es una oda al carácter pagano y místico de Galicia. Es un guiño, no a creer en la magia, pero sí a apoyar cierto carácter que ha sido y es la corriente alternativa a lo establecido. Realmente, pocas cosas hay más punk o underground que la tradición de meigallo que se estableció en Galicia. Podemos seguir pretendiendo que estos rituales se enlazan con una parte de la sociedad que ya está en decadencia, pero lo cierto, es que también definen el carácter de las nuevas generaciones: la fascinación por la oscuridad, la sorna, la retranca, la fiesta y la normalización del realismo mágico en varios contextos.

En la entrevista que leeréis a continuación, Alex Guillán (Baiuca) comenta cómo Xosé Lois Romero señaló cómo el diablo, en Galicia, no es tan malo. Hay mucho humor en torno a la figura del diablo. Puede que esto derive de que la cultura pagana en Galicia no vea el diablo como una personificación del mal, sino como un signo de ir en contra de la norma. La norma, no es siempre lo más moral y, en ese sentido, todas tenemos y debemos tener al diablo dentro.

“Embruxo” es un ejercicio que redefine el alcance de la música tradicional y de la música de club, y que resignifica los códigos de la cultura ancestral gallega. El disco está articulado en gran parte por la colaboración de Lilaina, un grupo de pandereteiras pertenecientes a la Asociación Cultural O ́Castro, que anteriormente ya acompañaron a Alex Guillán. Con una voz que se mece perfectamente entre el salvajismo y la dulzura más conmovedora.

En este disco, las voces de las colaboraciones toman una presencia mucho más destacable, se expanden en el tiempo para darle mayor importancia tanto a la narrativa de las letras como a la presencia misma de Lilaina. En ese sentido, se acerca mucho al pop y abandona un poco al house. Al mismo tiempo, como por ejemplo en la canción “Meigallo”, se utilizan bases que recuerdan al reggaeton y que empujan a un baile lento e hipnótico similar a las melodías de house tropical del Búho o Nicola Cruz.

Otra joya entre las colaboraciones de este disco es el fascinante Rodrigo Cuevas con una bella canción sobre las malas lenguas y las acusaciones de bruxería. Con varios aturuxos (grito fuerte, agudo y prolongado propio de la tradición gallega) hacia el final de la canción, como debe ser.

La melodía de cuerdas recuerda a sonidos medievales. Este vínculo con la época medieval se repite a lo largo del disco; como sucede en el tema “Embruxo” o en la maravillosa colaboración con el gaitero Christian Silva. Este tema, con el nombre “Cortegada”, es completamente instrumental ̶ salvo, de nuevo, por la presencia de los aturuxos ̶ la melodía alegre y de reminiscencias medievales se enlaza con la herencia celta de Galicia, así como sirve para crear una increíble fusión con una percusión que, aunque tradicional, funciona casi como una base house-funk.

En la mitad del disco, se encuentra “Romaría”, que ̶ como indica su nombre ̶ se trata de la grabación de sonidos ambientales de una romería, acompañados por ritmos de percusión cuyo sonido aumenta a medida que se oyen gritos ahogados parte del evento.

Baiuca vuelve a experimentar con varios audios en ‘Lobeira’, donde se escuchan voces de hombres y mujeres cantando, riendo y recordando. Estos audios son parte de grabaciones antiguas de recolectas en el campo, fusionadas con una hermosa melodía de flauta y percusión tradicional.

En la entrevista, Alex señala el fascinante salvajismo y la fuerza que se encuentra en los grupos de pandereteiras y, concretamente, en Lilaina. Un ejemplo sublime de esto es el tema “Conxuro”, que además de la tremenda presencia de Lilaina, y de ser un tema igualmente oscuro, potente como dinámico y bailable, rompe con la intervención de la bellísima melodía de flauta que literalmente emociona hasta el borde las lágrimas. La canción narra una fiesta en el infierno que hacen los condenados. He de decir que ̶ y asumo que es muy subjetivo ̶ si el peso de la actitud con la que se manda un mensaje, tiene casi tanto como el mensaje mismo, personalmente para mí este tema funciona como un signo de matices feministas y es uno de mis favoritos del disco.

A continuación hablamos con Alex Guillán ̶ y también contamos con la intervención de Adrián Canoura ̶ sobre no solo “Embruxo” pero también Baiuca como concepto, la relación entre el dolor y la creatividad. La influencia inmensa que tu círculo social tiene en tu personalidad artística, sobre la politización de la obra y mucho más.

  1. Anteriormente mencionaste que tu relación con la música tradicional gallega viene de muy atrás, ya que es un campo de interés para tu familia y, de hecho, en un principio no te interesaba. Viendo la sucesión de eventos, ¿en qué medida crees que estamos predeterminadas a promover las acciones y la cultura con las que crecemos?

En mi caso, hubo una necesidad muy sentimental y emocional de conectarse con la tierra, en un momento de madurez, por así decirlo. Cuando cumplí 25 sentí que la música que hacía hasta entonces ̶ hasta los 18 ̶ no me identificaba en el contexto de un mundo globalizado. Sentí que tenía que investigar mi pasado y el pasado gallego para encontrar algo que me identificara y me hiciera en parte diferente en otros lugares, al mismo tiempo que me conectaba con la gente de mi tierra.

  1. ¿Estabas ya en Madrid?

Sí, bueno, fue como en un momento en el que ya sabía que me iba y empecé a recolectar samples para llevarme a Madrid. Fueron como unos meses de preparación. Iba allí con una idea ya en mente, pero nada definitivo. Una vez allí me puse en contacto con gente de otras culturas, pero de otras culturas dentro de España, como Andalucía, y eso me influyó. O sea, hay muchas cosas que nos unen pero también muchas que nos hacen diferentes, creo que eso también es bonito.

  1. Creo que en “Solpor” todo el trabajo de investigación de campo que hay detrás es evidente. Ahora, cuando haces nuevos proyectos, ¿vuelves a explorar en esa biblioteca de recursos ya acumulada o tienes que buscar cosas nuevas?

Todo lo que hago y encuentro lo tengo como un colchón de seguridad, por así decirlo, para tener un lugar de donde tirar si en algún momento me quedo sin ideas o si quiero recurrir a algo que sé que tengo ahí, pero en todo momento me gusta dar un paso adelante. Como en “Misturas”, que trabajé con las pistas de Aliboria. En ese momento, sí volví a las cosas que había recopilado de “Solpor”. En este disco (“Embruxo”) esa idea cambia; lo que quería era meterme en el estudio. No es que hace tres años acumulase material que me fuera a servir para ahora, sino que cada proyecto o cada disco me sirve para tener cada vez más material y también para tener a dónde acudir.

  1. ¿Consideras que Baiuca como entidad forma parte de un concepto que se extiende a todos estos proyectos? ¿O cada uno de ellos, cada EP o disco, tiene un concepto e identidad diferente para ti?

Hay un proyecto general que es la mezcla de tradición y folclore con música electrónica o más vanguardista. Es la unión de dos mundos con los que crecí. De hecho, cuando quiero hacer algo nuevo mi idea es hacer siempre lo que me da la gana pero manteniendo esa identidad. O un elemento, dos o tres, pero que hacen referencia a la música tradicional.

  1. ¿Es posible que algún día cambies radicalmente tu estilo?

De momento tengo esa predisposición a mantener un punto de identidad en todo lo que hago. Por ahora. No sé qué pasará dentro de un tiempo. Por ejemplo, estoy aprendiendo mucho sobre esto de Xosé Lois Romero. Me dijo que hubo un momento en que decidió que cualquier set de percusión que iba a tocar tenía que hacerlo con instrumentos tradicionales. Si iba a montar una batería en lugar de ser una batería “normal”, tenía que ser con instrumentos tradicionales. Es un límite que estableces y el final te guía un poco. Te permite mantenerte en un camino. Si en algún momento eso se convierte en una ataduras para mí, lo romperé y haré lo que quiera, pero ahora mismo me ayuda a posicionarme. No tanto en el plano de mis lanzamientos, pero, por ejemplo, si hago un remix es algo que tengo en mente. Si hago un remix de un artista latinoamericano o de cualquier otra parte del mundo, me mola que incluya algún elemento tradicional. Acabo de hacer uno de La Torre, que es un artista ecuatoriano, y le puse una tixola. Bueno, especialmente en los remixes es donde más lo veo.

  1. Hay muchxs referentes culturales gallegxs, pero se promocionan muy poco y llegan a poca gente. Siento que saber que alguien nacido en Catoira llega a estas esferas, y también estar incidiendo en nuestra propia cultura, tiene un impacto muy grande para la mayoría de nosotrxs. En este sentido, ¿te sientes responsable?

No por el momento, porque me siento libre. Hago lo que me gusta sin pensar en la gente y en la gente que le gusta. Hay una conexión mágica por así decirlo. No tengo la presión de tener que agradar a nadie o tener que hacer algo en concreto. Y eso es genial, poder hacer lo que quieres y lograr que la gente se identifique. Sí siento una responsabilidad con el idioma, por ejemplo, que es algo que nunca me había pasado antes. Porque sí empiezo a sentir que las cosas que hago ̶ a ver, a pequeña escala ̶ pueden servir de referencia para alguien. Creo que estamos en un momento en el que la lengua gallega está en una situación delicada, no sé si es catastrófica… o no, en comparación con otras lenguas. Pero sí creo que se necesitan referentes que ayuden a hablar más gallego, pero sin tener que presionar a nadie; que es simplemente algo que ves y quieres reproducir. No es un rollo de obligar a nadie a hacer algo, es algo que simplemente me digo a mí mismo. Creo que puedo aportar algo en ese campo.

  1. ¿Eres consciente de que hay una proyección muy politizada en tu trabajo? Por ejemplo ̶ y por favor no te ofendas porque no lo considero nada malo̶ cuando hiciste el concierto de Santiago en la Plaza de la Quintana, las proyecciones de Adrián Canoura repitieron unas imágenes muy simbólicas y muy presentes en el imaginario gallego, o en general en la mente de todes les gallegxs. Hubo varios momentos en los que la fotografía de Castelao aparecía repetidamente siguiendo el ritmo de la música. Era casi como mántrico y, obviamente, la imagen de Castelao es un icono en Galicia. Está vinculado a respuestas emocionales muy fuertes. Al finalizar el concierto alguien dijo: “Fue como un concierto nacionalista gallego”.

Pues, puedes hablarlo con Adrián, que está ahí.

Adrián Canoura estaba sentado en otra mesa con su computadora portátil. Nos reímos y se sienta cerca de nosotros.

Adrián Canoura:

Ese material en particular fue donado por el CGAI para otro concierto anterior, el del festival Curtocircuito. Nos dieron esas imágenes, que habían sido digitalizadas recientemente y bueno, nos propusieron trabajar con ese material para hacer un concierto ligado a la idea de archivo. Después de eso nos quedamos con las imágenes, pero no por un alegato político.

Alex Guillán:

De hecho, si te digo la verdad, nunca he tenido una conversación con Adrián sobre esto.

Adrián Canoura:

No, ni hemos tenido nunca la sensación de querer hacer una alegación de ningún tipo.

Alex Guillán:

No, porque creo que nuestra alegación en realidad es natural. O sea, no hay un nacionalismo explícito. Pero aun así, si se usa para “hacer país”, pues me parece bien. Sin que se imponga nada.

Teresa Ferreiro:

Veamos, pero (dirigiéndose a Adrián) siento que estás esquivando un poco la pregunta. (risas)

Adrián Canoura:

No, en absoluto.

Alex Guillán:

Adrián es un poco así (risas)

Teresa Ferreiro:

Seguro que sois consciente de que, por ejemplo, el momento de las proyecciones del retrato de Castelao, funciona casi como un botón que dispara todos estos sentimientos profundamente arraigados. Es un símbolo muy emotivo.

Adrián Canoura:

Sí, obviamente. Ese material fue otorgado solo para ese concierto y bueno, nos quedamos con las imágenes para seguir usándolas. De hecho, trabajo mucho con la idea de archivo. Pero aquí hay otro trasfondo político del que supe más tarde. Aunque son públicas, existe cierta dificultad para poder utilizarlas, pero esas imágenes acabaron en el CGAI con la idea de que se digitalizasen y que la gente tuviese acceso a ellas y pudiese utilizarlas. Por lo tanto, saber esto promovió aún más mi idea de que es un derecho poder usarlas.

Le comuniqué al CGAI que estábamos trabajando con ellas, de todos modos.

8. ¿Qué opinas del término “folktrórica”?

Bueno, yo solo creo que refleja… no sé si tanto en este disco, porque no sé si “Embruxo” responde tanto a este término, en el sentido de definir un género que mezcla electrónica y música tradicional, porque es un álbum donde me inclino más hacia la música orgánica que hacia la electrónica. Creo que la oportunidad de poder entrar al estudio para grabar percusión con Xosé Lois me hizo sentir que esos instrumentos tenían que ser más protagonistas. Así que hay una pista, como “Luar”, que es más electrónica, pero en general creo que es un álbum que tiene un lado más orgánico que electrónico. Pero con el término me identifico perfectamente, en general.

[Fuente: http://www.ruidodefondo.org]

En su novela «El amante polaco» cruza su biografía con la de su antepasado el ultimo rey de Polonia, y desvela la violación de la que nació su primer hijo

Escrito por MIGUEL LORENCI y HÉCTOR J. PORTO

Con 90 años cumplidos, la escritora mexicana y Premio Cervantes Elena Poniatowska (París, 1932) firma su libro más personal y ambicioso. En las casi 900 páginas de El amante polaco (Seix Barral) conjura todos sus demonios familiares. Recorre la historia de los Poniatowski, la aristocrática saga polaca de la que proviene, y la cruza con su propia vida, con sus alegrías y tristezas. Entre ellas, la violación que sufrió con 22 años y de la que nació su primer hijo. El abusador fue un notable escritor e intelectual, Juan José Arreola, muerto en el 2001 y a quien cita solo como «el maestro». Al narrar el episodio silenciado durante años, llena «un agujero negro» de su biografía.

Relata el auge y la caída del último rey de Polonia, Estanislao II Poniatowski, su egregio antepasado. Se remonta a 1742 cuando el pequeño Estanislao escucha las hazañas familiares sin imaginar qué le reserva el destino: una apasionada relación con Catalina la Grande, su llegada al trono y las conspiraciones para destruir su reino.

Dos siglos después, con nueve años, Elena llega a México huyendo de la guerra que incendia Europa. Se entrega a una vida volcada en la escritura, marcada por encuentros con políticos y guerrilleros, pero también por amores y terribles pérdidas. «Son vidas paralelas unidas por el amor y sus desdichas, por el aprecio a la literatura y a las bellas artes», explica la autora desde su domicilio en Ciudad de México.

«Siempre tuve el prurito infantil de decir la verdad», justifica su tardía necesidad de contar públicamente su violación. «No podía dejar ese hueco, ese agujero negro en mi vida, aunque ese capítulo me costó mucho afrontarlo. Lo consulté con mi hijo, que leyó lo que escribí y le pareció bien. Era la única persona con quien tenía la obligación moral de hacerlo», señala Poniatowska, que admite que para su familia fue «liberador» acabar con 64 años de silencio. «Tuve una educación religiosa y juré ante una bandera scout decir siempre la verdad. La culpa te acosa y más con una educación así. Soy muy culpógena y tengo más tendencia a hablar mal de mí que de los demás», afirma.

Alumbró a su hijo Mane en Roma, en un convento de monjas. «Durante tres meses nadie me dirigió la palabra. Era como la muchacha apestada. Incluso la tía que me acompañó y que pensó adoptar a mi hijo dijo que me dejarían escribir novelas pero no vivirlas», ironiza para añadir que le salía como «el grito de una chavita» al reclamarle que la adoptara a ella en vez de al crío.

Cree en las lecciones del pasado y que «los mandatarios de hoy tendrían bastante que aprender de Poniatowski», su noble antepasado, un ilustrado «que era muy sensible» y que pagó caro sus amoríos con la todopoderosa Catalina de Rusia. «Si te enamoras te quedas cuchiplanchado, como decimos acá, y así se quedó él, aplastado por los caprichos de Catalina la Grande», dice la escritora con una pícara sonrisa. El amante despechado debió después luchar contra Rusia, que logró borrar a Polonia del mapa en el siglo XVIII.

Ella, con 24 o 25 años, quiso aprender polaco para estar más cerca de sus raíces, pero era demasiado difícil y no tenía con quien practicar. Pese a las clases que tomó, lamenta, conoce solo unas cuantas palabras. Es algo que le duele, admite.

Rusia, mala vecindad

Aborda la historia de Polonia en los últimos dos siglos, marcada por la malhadada vecindad de Rusia «que ha sido fatal para Ucrania, como lo fue siempre para Polonia». «Los rusos son expansionistas. Se apropian y comen la tierra y las vidas de sus vecinos. Se van imponiendo en todas partes», lamenta. «Putin no ha dado el menor ejemplo de ser un hombre generoso ni inteligente. Es un tirano y sus acciones son las de un tirano», zanja.

No comparte Poniatowska con el presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, su afán por reclamar a España que pida perdón por los abusos de la conquista. «Han pasado tantos años que me parece absurdo que haya que pedir perdón. No suscribo lo que exige López Obrador. Es una petición anacrónica y absurda», insiste.

La obra de Poniatowska es un espejo del México del último siglo, pero lo que ve ahora, con narcotráfico, violencia desatada, feminicidios, asesinatos de periodistas y pobreza galopante, le escuece. «Es un reflejo que nos lástima mucho. Soy feminista y los feminicidios y el maltrato a la mujer son un drama. Se abusa de las campesinas que hacen aquí los trabajos domésticos por sueldos míseros o por nada —denuncia—, y que dependen de la voluntad y la generosidad de sus empleadores». «Conocí a una muchacha a quien le exigían dormir en el suelo al lado de la señora. Que fuera su felpudo y soportara sus pisotones al levantarse», cuenta esta luchadora por la igualdad. «Siempre hay que denunciar el maltrato y el abuso de los poderosos», reclama. Pero esto, agrega, es un mal generalizado, no solo de México sino de toda América Latina.

Evoca el ejemplo valiente de su madre, Paula Amor de Poniatowski, una mexicana francesa muy bella «que condujo ambulancias durante la Segunda Guerra Mundial y por las noches manejaba con los faros apagados por miedo a los alemanes. En uno de sus viajes vio un burrito abandonado en medio de un prado en pleno bombardeo y le dio tanta pena que lo subió a la camioneta y le salvó la vida», relata. Precisamente, ahora trabaja en una nueva novela en torno a ella.

La escritora trabaja «como una hormiguita» y sabe escuchar

La Poni, como la llaman los suyos, llega a los 90 años con la cabeza en su sitio, una salud aceptable y sin perder la ganas de dar guerra. Aunque reconoce que nunca tiene claros los objetivos, trabaja «como una hormiga todos los días, como una niña buena que no quiere quedarse rezagada», explica la combativa escritora. «Si acaso —matiza—, no siento más que he tenido objetivos muy pequeños». En lo que atañe a este libro, fueron: «Recordar a mi familia, ver quién diablos somos, qué representamos, qué importancia tiene». Ese trabajo de indagación, dice, tuvo momentos muy iluminadores y de mucha alegría. Con eso ya se siente pagada.

Poniatowska cumple su cita dominical con los lectores del diario La Jornada —un tabloide de izquierdas en el que trabaja desde su fundación— y añora las entrevistas, «que he hecho toda mi vida». «Las adoro. Me gusta muchísimo ir al otro y preguntar. Cuando intenté hacer editoriales, sacar de mi propio pecho alguna opinión política, me aburría. Pontificaba y no era mi manera de ser. Mi mejor virtud es escuchar. Escucho tanto que ya no oigo ni mi propia voz», anota no sin humor para volver sobre su defensa de la labor periodística de la entrevista a pesar de que no se valora: «Se considera que el mérito es pequeño, que no eres protagonista».

Igual de trabajadora y perseverante fue con el español, una lengua en la que no se formó y que no era la suya. Pero a fuerza de «machetearla todos los días», y con la lectura de los grandes escritores, se fue haciendo con ella.

 

[Foto: Sashenka Gutiérrez | EFE – fuente: http://www.lavozdegalicia.es]

O realizador frisa que perdeu “a emoção” e “já não é divertido” fazer filmes, por isso vai dedicar-se a escrever, em entrevista na página do Instagram do ator Alec Baldwin

Woody Allen

O realizador Woody Allen vai realizar “mais um ou dois filmes” antes de se reformar, porque perdeu “a emoção” e “já não é divertido”, anunciou esta quarta-feira o cineasta numa entrevista na página do Instagram do ator Alec Baldwin.

“Vou fazer mais um ou dois filmes e vou dedicar-me a escrever”, adiantou Woody Allen na última parte de uma conversa com o ator norte-americano para promover o se novo livro, “Zero Gravity”.

A razão por trás da falta de motivação do realizador, de 86 anos, está na redução do número de semana que os filmes permanecem nos cinemas e na forma como a indústria cinematográfica e o consumo mudaram.

PRÓXIMO FILME SERÁ RODADO EM PARIS

“Dantes eu fazia um filme e estava nos cinemas de todo o país [Estados Unidos]. Agora você faz e dura duas semanas no cinema, talvez quatro ou seis, e aí o público já o tem nas plataformas de ‘streaming’ ou através de ‘pay-per-view’ [pagar para ver determinados conteúdos codificados]”, criticou Woody Allen.

Esta entrevista foi a primeira vez que o também autor de “A propos of Nothing” se ligou à rede social Instagram e a sua inexperiência foi notada com até três cortes de conexão ou ‘frames’ da câmara, em que a sua cara não podia ser vista na totalidade.

Além disso, durante a conversa também falou sobre o lançamento de “Zero Gravity”, um compêndio de contos em tom humorístico que vai publicar nos Estados Unidos em agosto.

“A diferença entre um conto e um romance longo é que um romance pode ser 10 vezes mais longo, mas 100 mais difícil”, argumentou sobre por que não considerou dar o passo para investir nesse género.

Woody Allen vai viajar em breve para Paris, onde ficará vários meses para rodar um filme que, embora não tenha título, será um drama misturado com humor negro nos moldes de outras suas películas, como “Match Point” (2005).

[Foto: Eric Gaillard/Reuters – fonte: http://www.expresso.pt]

Philip Roth. Una biografía, de Blake Bailey

La figura del escritor ha encontrado pocas encarnaciones tan emblemáticas como en Philip Roth. Tras pasar años estudiando a fondo su archivo personal, Blake Bailey realizó entrevistas a amigos, amantes y colegas, y mantuvo conversaciones de una franqueza asombrosa con el propio Roth.

Esta biografía recorre la vida del autor, desde su infancia, en un entorno judío de clase media-baja, hasta la cumbre de su fama. Analiza el peso que su desastroso primer matrimonio tuvo en su carrera, su labor en beneficio de colegas disidentes del otro lado del Telón de Acero, su rivalidad con amigos como John Updike o William Styron y su tumultuosa vida amorosa, en especial su relación con Claire Bloom.

Un texto honesto y documentado a conciencia que rastrea el recorrido de un maestro de la novela tan amado como cuestionado, pero imprescindible para la literatura contemporánea.

Zenda adelanta un fragmento de Philip Roth. Una biografía (Debate).

***

El 23 de octubre de 2005 se celebró en Newark el día de Philip Roth. Dos autobuses llenos de admiradores emprendieron el Tour Philip Roth, deteniéndose en algunos lugares evocadores —Washington Park, la biblioteca pública, o el instituto de Weequahic— en los que los pasajeros fueron leyendo por turnos pasajes pertinentes tomados de las obras de Roth. Finalmente, el grupo bajó de los autobuses ante la casa en la que el autor pasara su niñez, en el 81 de Summit Avenue, y se puso a vitorearlo entusiasmado cuando el propio Roth llegó en un automóvil. «¡Y ahora suba usted aquí y deme un beso!», dijo la señora Roberta Harrington, la actual propietaria de la casa, a quien Roth tuvo a su lado durante el resto del día. El alcalde, Sharpe James, al que Roth adoraba (un alcalde de gran ciudad con toda la fanfarria y las artimañas propias del cargo), pronunció unas cuantas palabras antes de que Roth descorriera la cortinilla negra que cubría la placa conmemorativa colocada en su antigua casa. «Esta fue la primera casa de la infancia de Philip Roth, uno de los escritores mas grandes de Estados Unidos de los siglos XX y XXI». A continuación, Roth y la multitud allí reunida cruzaron la calle y se dirigieron a la esquina de Summit y Keer Avenue, que según un letrero verde proclamaba en letras blancas ahora se llamaba Philip Roth Plaza.

Luego se celebró una recepción en la sede de la biblioteca pública en Osborne Terrace, la que Roth frecuentara durante su infancia, y el alcalde subió al estrado y se situó ante el atril: «Y ahora, chicos de Weequahic, no creáis que los chicos del South Side hemos aprendido a leer», dijo a Roth, aludiendo al instituto mayoritariamente frecuentado por negros al que el había asistido más o menos por la misma época en la que Roth estudiaba en el de Weequahic. Y a continuación el alcalde leyó (maravillosamente) un pasaje de La contravida:

«Cuando eres de New Jersey», fue la respuesta, «escribes treinta libros y ganas el Premio Nobel, y vives lo suficiente como para tener el pelo blanco y cumplir los noventa y cinco, es altamente improbable, pero no imposible, que cuando ya estés muerto le pongan tu nombre a una zona de ocio de la autopista de Jersey. De modo que sí, que puede que te sigan recordando cuando ya llevas muchos años muerto, pero serán sobre todo los niños pequeños quienes digan tu nombre, desde el asiento trasero del coche, echándose hacia delante y pidiéndoles a sus padres que paren, por favor, que paren en Zuckerman, que se están haciendo pipí. Para un novelista de New Jersey, esa es la máxima inmortalidad a que puede aspirar».

Por último, tomo la palabra Roth: «Hoy Newark es para mí Estocolmo, y esta placa es mi premio. Ningún otro reconocimiento que me concedieran en cualquier lugar de la tierra podría alegrarme tanto. Eso es todo lo que tengo que decir». Unos días antes, su amigo Harold Pinter había ganado el Premio Nobel.

«El señor Roth es un escritor cuyo arte y cuya fuerza son mayores que su grandísima reputación», había escrito ocho anos antes el eminente crítico Frank Kermode, tras leer Pastoral americana, la novela acerca de la decadencia de Newark y la perdida de la inocencia estadounidense durante los años sesenta, que llegaría a ganar el Premio Pulitzer. Es posible que Kermode pensara en una novela anterior, situada también en Newark, en la que seguía basándose en buena medida la reputación de Roth: El mal de Portnoy, su gran éxito de ventas de 1969 acerca de un muchacho judío obsesionado con su madre y siempre detrás de chicas shikses, que se masturba con un pedazo de carne de hígado («follarme la cena de mi mismísima familia»). Gran parte de lo que luego escribiría Roth seria una reacción a la mortificante fama que le proporcionó este libro: la percepción generalizada de que había escrito una confesión personal en vez de una novela, por no hablar de la percepción que se impuso entre los miembros del establishment judío, para quienes Roth era un propagandista semejante a Goebbels y Streicher. El gran filósofo israelí Gershom Scholem llegó incluso a sugerir que Portnoy desencadenaría una especie de segundo Holocausto.

Dado el carácter magistral de toda su obra —treinta y un libros—, Roth llegaría seriamente a desear no haber publicado Portnoy. «Habría podido tener una carrera bastante seria sin ella y esquivar de paso un autentico bombardeo de mierda y de insultos»: acusaciones de autodesprecio judío, de misoginia y de falta de seriedad en general. «Yo había escrito ese libro que hablaba de sexo y de pajas y tal, así que me había convertido en una especie de payaso o de puto artista. Pero luego finalmente los tumbé. ¡Cabrones!»

***

Roth fue uno de los últimos representantes de una generación de novelistas heroicamente ambiciosos que incluía a amigos y a rivales ocasionales como John Updike, Don DeLillo y William Styron (vecino suyo en el condado de Litchfield, Connecticut), y cabría afirmar que su obra es la que tiene las mayores posibilidades de perdurar. En 2006, The New York Times Book Review sondeó la opinión de unos doscientos «escritores, críticos, editores y otros expertos en literatura» y les pidió que identificaran «la mejor obra americana de ficción publicada en los últimos veinticinco años». Seis de los veintidós libros seleccionados para elaborar la lista final habían sido escritos por Roth: La contravida, Operación Shylock, El teatro de Sabbath, Pastoral americana, La mancha humana y La conjura contra América. «Si hubiéramos preguntado por el mejor escritor de ficción de los últimos veinticinco años —decía A. O. Scott en el artículo que acompañaba la lista—, [Roth] habría ganado».

Por supuesto, la carrera de Roth se extendía mas allá de los últimos veinticinco años de la encuesta, empezando por Goodbye, Columbus, de 1959, obra por la que gano el National Book Award a los veintiséis anos. Su tercera novela, El mal de Portnoy, estuvo en 1998 en la lista de las cien mejores novelas en lengua inglesa del siglo XX confeccionada por la editorial Modern Library, mientras que Pastoral americana fue posteriormente incluida, junto con Portnoy, en la lista de las cien mejores novelas publicada en 2005 por la revista Time. Durante sus cincuenta y cinco años de carrera, la evolución de Roth como escritor fue asombrosa por su versatilidad: después de la hábil sátira de sus primeros relatos reunidos en Goodbye, Columbus, pasó a escribir dos sombrías novelas realistas (Deudas y dolores y Cuando ella era buena), cuyas principales influencias eran, respectivamente, Henry James y Flaubert, curioso aprendizaje teniendo en cuenta la estrafalaria farsa de la época de Portnoy que llegaría a continuación (Nuestra pandilla, La gran novela americana), el surrealismo kafkiano de El pecho, el virtuosismo cómico de la serie de Zuckerman (La visita al maestro, Zuckerman desencadenado, La lección de anatomía y La orgía de Praga), el elaborado artificio de metaficción de La contravida y de Operación Shylock, y finalmente la síntesis de todas sus dotes en la magistral trilogía americana, esencialmente trágica: Pastoral americana, Me casé con un comunista y La mancha humana. Durante la ultima década de su carrera, Roth siguió produciendo novelas —casi una al año— en las que exploraba aspectos profundos de la mortalidad y del destino. En conjunto, su obra constituye «la imagen mas fiel que poseemos de la manera de vivir que tenemos ahora», como dijo el poeta Mark Strand en su intervención durante la ceremonia de la concesión a Roth de la Medalla de Oro de la Academia Americana de las Artes y las Letras en 2001.

Roth deploraba el malentendido según el cual el era un escritor esencialmente autobiográfico que sacaba provecho estético del asunto usando alter egos parecidos a él entre los que figuraba un personaje recurrente llamado Philip Roth. A decir verdad, unas novelas eran mas autobiográficas que otras, pero el propio Roth era una figura demasiado proteica para ser identificada con un personaje en particular, y en realidad se sabe muy poco acerca de la vida real en la que supuestamente se basaría una obra tan vasta. Algunos aspectos de la confusión en este sentido resultaban en extremo bochornosos para el autor. «No soy “Alexander Portnoy” como tampoco soy el “Philip Roth” del libro de Claire [Bloom]», comento a propósito del calumnioso libro de memorias de la actriz, Adiós a una casa de muñecas, publicado en 1996. De no ser por Portnoy, pensaba Roth, su exesposa «no se habría atrevido nunca a perpetrar» una visión tan descaradamente opuesta a la persona «disciplinada, constante y responsable» que él consideraba que había sido siempre.

Desde luego así es como era retratado Roth en Las furias, la novela póstuma en clave de Janet Hobhouse, entre cuyos personajes hay un famoso escritor llamado Jack modelado a partir de Roth. La escritora había tenido una aventura con él a mediados de los años setenta —vivían en el mismo edificio, cerca del Metropolitan Museum— y el retrato que hace de Roth quizá sea el más equilibrado de un hombre que, pese a ser un personaje conocidísimo, permaneció en gran medida lejos de la vista del público. Aunque la narradora expone los aspectos mas convencionales del encanto de Jack/Roth («No era solo la rapidez de su mente, sino también la picardía, el deseo de saltar, de lanzarse, de mover la muñeca, de mantener el juego en marcha», se siente seducida sobre todo por sus «hábitos monacales», por la forma en la que «organizaba su existencia alrededor de las dos páginas diarias que se proponía escribir». «Yo pensaba con anhelo en la vida del hombre reservado y casi ascético que vivía dos pisos mas abajo: la lectura concienzuda de las revistas literarias en el crepúsculo, el susurro del correo extranjero en un profundo silencio jamesiano».

Por lo que pueda valer, Roth se veía a sí mismo como la antítesis del antisemita o el misógino, y desde luego tenia muy poca paciencia con las categorías reduccionistas de un tipo u otro. Su estilo de vida «monacal», por ejemplo: «Mi fama de “retraído” —decía en una carta a un amigo—, siempre ha sido una idiotez». Lo que quería decir era, en esencia, que le gustaba estar «dichosamente» ocupado con su trabajo en algún entorno rural, y no dedicarse a «chismorrear acerca de [sí] mismo con gente de Nueva York o a aparecer en programas nocturnos de televisión». De hecho, a menudo estuvo intensamente comprometido con el mundo, viajando en repetidas ocasiones a Praga durante los años setenta y entablando amistad con escritores disidentes como Milan Kundera y Ludvik Vaculik, cuyos libros promocionó en Occidente a través de la colección Writers from the Other Europe que editó a lo largo de muchos años para Penguin. Además, durante la relación que mantuvo con Claire Bloom, dividió su tiempo entre Londres, Nueva York y Connecticut, pasando asimismo algunas semanas en Israel para investigar ciertos aspectos de La contravida y Operación Shylock, o, unos anos después, viajando a cualquier otro sitio para aprender acerca de la fabricación de guantes, la taxidermia o el trabajo de sepulturero; en una ocasión, incluso, emprendió una gira de lecturas de su libro de memorias Patrimonio, para saber al menos de qué iba aquello. Pero la mayor parte de su carrera fue más o menos como la describe Hobhouse: las mañanas las pasaba sentado incansablemente ante su escritorio y las noches en compañía de alguna mujer; de ser por él, los dos leyendo. «¿Qué habría tenido que hacer, si no, para no ser etiquetado de retraído? —comentó—. ¿Pasar todas las noches en Elaine’s?».

Es verdad que Roth llego a tener una vida amorosa exuberante, de la que no dudó en hablar «en una especie de amable ensoñación», de la misma forma en la que el Dr. Johnson recordaba a Hodge, su gato favorito. Una faceta esencial de Roth sería el hecho de seguir siendo el querido hijo de Herman y Bess —«un buen muchacho agradable, analítico, cariñosamente manipulador», tal como se describe en tono reprensivo su alter ego Zuckerman en Los hechos —cuya probidad era tal que se casó con dos mujeres desastrosamente incompatibles, entre otras cosas porque las dos querían desesperadamente que lo hiciera (y todo ello tras negarse a hacerlo con otras parejas más compatibles). Y mientras tanto se rebelaba constantemente contra su propia rectitud, tal como diría la definición clínica del «Mal de Portnoy»: «Trastorno en que los impulsos altruistas y morales se experimentan con mucha intensidad, pero se hallan en perpetua guerra con el deseo sexual mas extremado y, en ocasiones, perverso». Una vez más, Portnoy es uno de los personajes menos autobiográficos de toda una galería entre los que cabría incluir a Zuckerman, Kepesh y Tarnopol, pero cada personaje lleva una dualidad aparejada. En cuanto al propio Roth, su mayor deseo fue siempre estar al servicio de su genio, aunque en medio de las intensas distracciones de una naturaleza ardientemente carnal. «Philip dijo en cierta ocasión algo acerca de Willy, el marido de Colette —comentó su amiga Judith Thurman—. Hablando del fin de siecle, de aquel mundo de erotismo, dijo: “¡Que maravilloso era! Andaban por ahí alborotados veinticuatro horas al día”. Alborotados sexualmente. Imagina que tuvieras oído musical, de modo que estas ahí, en la calle, y el taxi es do menor y el autobús es sol mayor, y tú oyes todas esas cosas, y las traduces en vibración sexual».

***

Junto con autores como Willa Cather, William Faulkner y Saul Bellow, Roth fue galardonado con la máxima distinción concedida por la Academia de las Artes y las Letras, la Medalla de Oro, en la categoría de narrativa, un año después de que terminara su trilogía americana. Al año siguiente, en 2002, en la ceremonia de los National Book Awards, Roth recibió la Medalla a la Contribución Distinguida a las Letras Americanas y aprovecho la ocasión para corregir «un pequeño malentendido recurrente»: «Nunca me he considerado, ni por un momento, ni un escritor judío americano ni un escritor americano judío —escribió para la intervención cuidadosamente preparada que pronunció en el acto de aceptación del galardón—, lo mismo que tampoco me imagino que Theodore Dreiser o Ernest Hemingway o John Cheever se consideraran a sí mismos escritores cristianos americanos ni escritores americanos cristianos». Susan Rogers, su principal compañera por aquel entonces, recordaría que Roth estuvo dos o tres meses antes de la ceremonia trabajando en aquel discurso, y que se lo leyó en voz alta «al menos seis veces».

Después de la publicación de la trilogía americana —que algunos han llamado la serie «Carta a Estocolmo»—, se llegó a un consenso según el cual Roth destaca por encima de los demás novelistas de su época. Estocolmo, sin embargo, siguió inconmovible. «El niño que hay en mí esta encantado —había dicho Bellow a propósito de los premios en general y del Premio Nobel en particular—. El adulto que hay en mí se muestra escéptico». Roth hizo suyo el comentario y aun así no podía dejar de pensar en la diferencia mas notable entre su carrera y la de Bellow, especialmente después de que la viuda de este último le regalara el sombrero de copa que su marido había llevado en Estocolmo, que en adelante Philip Roth tendría expuesto en su piso encima de un altavoz del tocadiscos (una vez le preguntaron si le venía bien de talla: «No, mi cabeza no puede llenar el sombrero de Saul —dijo—. Él es mucho mejor escritor»). Ya al final de la vida, Roth iría paseando (muy despacito) desde su piso del Upper West Side hasta el Museo de Historia Natural, deteniéndose, tanto a la ida como a la vuelta, casi en todos los bancos que encontraba por el camino, incluido el que había en los jardines del museo junto a una columna de color rosa en la que aparecían relacionados los estadounidenses que habían ganado el Premio Nobel. «En realidad es bastante fea, ¿no te parece?», comentó un amigo cierto día. «Sí —contesto Roth—, y se pone más fea cada año que pasa». «En cualquier caso, ¿para qué la ponen ahí?», replicó su amigo. «Para fastidiarme», dijo Roth riendo.

—————————————

Autor: Blake Bailey

Título: Philip Roth. Una biografía

Editorial: Debate

Venta: Todos tus libros, Amazon, Fnac y Casa del Libro

 

 

[Fuente: http://www.zendalibros.com]

Cette brutalité est-elle une stratégie, un marqueur idéologique ou l’homme est-il ainsi ?

Jean-Luc Mélenchon, le 15 février 2017, à Valence.

Jean-Luc Mélenchon, le 15 février 2017, à Valence.

Écrit par Marc Knobel

Le tribun sait agiter le chiffon rouge, sa voix porte haut et fort. Il a cette puissance et cette force. Ses gestes brassent l’air, les mots sont ciblés et secouent son auditoire et les électeurs. Il a ce charisme et cet élan militant qui suscitent l’admiration de ses troupes. Il est le chef incontesté et ils sont des milliers à venir s’agglutiner dans les places et les rues pour l’écouter parler, dénoncer, éructer. Ils savent que le tribun sait parer toutes les attaques, qu’il sait s’enivrer de toutes les polémiques et qu’il peut lancer quelques charges dont il a le secret. À lui tout seul, il est un spectacle, mais aussi celui de la brutalité sans nom. Car le tribun est habité par cette sorte de brutalité qui défraie la chronique et interpelle les commentateurs politiques et les journalistes. Il est un boxeur et dans l’arène politique, il cogne. C’est ce dont nous choisissons d’analyser ici, avec quelques exemples qui nous paraissent significatifs.

Mélenchon veut-il semer le doute et se diaboliser ?

Ce sont là quelques recettes, de vieilles habitudes et elles valent le détour.

En mars 2013, Jean-Luc Mélenchon fait une étrange sortie. Lors du 3ème congrès du Parti de gauche qui se tient à Bordeaux, il lance que Pierre Moscovici, alors ministre de l’Économie, est un « petit intelligent qui a fait l’ENA, qui a un comportement de quelqu’un qui ne pense plus en français, qui pense dans la langue de la finance internationale ». Cette attaque ad hominem est courte certes, mais elle est extrêmement violente. Mélenchon vise nommément quelqu’un précisément (et personne d’autre) dont il pense être le représentant de l’européisme en France. Mais, justement, pourquoi lui et pas un autre ?

Aussitôt dit, aussitôt fait, la polémique éclate. Choqué, Harlem Désir demande immédiatement au coprésident du Parti de gauche de « retirer » ses accusations « inacceptables » et ce « vocabulaire des années 30[1] » Dans la foulée, Pierre Moscovici, blessé, réagit. Jean-Luc Mélenchon « est en train, par détestation de la social-démocratie, par détestation du parti socialiste, de franchir certaines bornes ». « Il y a des choses auxquelles on ne touche pas », dit le ministre lors d’une émission sur Canal+, avant d’ajouter, le ton grave : « Chacun a son histoire. Moi j’ai la mienne. Je suis d’une famille où mes quatre grands-parents étaient étrangers. Mon père a été déporté. Et cette famille, elle a choisi la France. Je suis Français par tous mes pores. Je défends la France. Je ne raisonne pas finance internationale[2] ». La réponse est aussi fulgurante que cinglante.

« J’ignorais quelle était la religion de Pierre Moscovici et je n’ai pas l’intention d’en tenir compte dans l’avenir, pas davantage que dans le passé », se défend Jean-Luc Mélenchon, lors du meeting de clôture du congrès. Qui peut raisonnablement le croire ? « Mais si un jour, parce qu’il est juif », Pierre Moscovici était menacé, « il nous trouverait tous, comme un seul corps, pour le défendre », ajoute-t-il habilement sous les applaudissements de la salle. Une formule rapide et à l’emporte-pièce qui ne mange pas de pain. Puis, Mélenchon déclare quelques minutes plus tard aux journalistes que « Harlem Désir instrumentalise l’antisémitisme et de façon insupportable. » Il n’empêche, les réactions se succèdent, notamment celles de plusieurs ministres, Manuel Valls, Arnaud Montebourg ou Nicole Bricq condamnant successivement les déclarations de Mélenchon. Pour la ministre de l’Environnement, Cécile Duflot (EELV) le coprésident du PG « n’est pas antisémite » mais « il flirte avec le dérapage à chaque instant, notamment sur les questions de nationalisme ».

Cécile Duflot voit juste, Mélenchon flirte avec le dérapage à chaque instant, c’est même une constante chez lui.

Plus c’est gros, plus cela heurte, plus cela passe. Le buzz, faire du buzz, voilà une des armes de notre insoumis. Justement, lors de son échange avec les journalistes, quand on l’interrogeait sur l’écart qui sépare encore le Front de gauche de celui de Marine Le Pen et du RN, Mélenchon a cette réponse caractérisée et assumée, « le vent souffle dans nos voiles tant que vous la dédiabolisez, et que vous me diabolisez… ». Alors ? Jean-Luc Mélenchon fait parler de lui, provoque le scandale. Mieux, l’éventuelle diabolisation peut/doit souder le groupe (sa formation politique) et permet de resserrer les rangs[3]. Il en tirera toujours des bénéfices.

Octobre 2017, une nouvelle polémique défraie la chronique.

Invité sur Europe 1, l’ancien Premier ministre Manuel Valls « confirme » les révélations du Canard Enchaîné, selon lesquelles Jean-Luc Mélenchon l’aurait qualifié de « nazi » à l’Assemblée nationale, avant qu’il ne démissionne de la mission d’information sur la Nouvelle-Calédonie. L’esclandre fait suite aux accusations portées par Manuel Valls qui dénonce une « dérive islamo-gauchiste » de la France insoumise. « Je ne l’ai pas entendu mais il l’a dit, il y a plusieurs témoins, et il a proféré devant moi de nombreuses insultes », explique Manuel Valls[4]. « Quand vous traitez un responsable politique de fasciste ou de nazi c’est une manière de le disqualifier pour empêcher le débat », déplore-t-il, avant de répliquer à l’insulte proférée par Mélenchon par des accusations d’accointances avec l’antisémitisme. « Je pense qu’il y a une partie de la gauche qui est soit complaisante ou qui n’a pas pris conscience » de l’antisémitisme, juge Manuel Valls. Et de développer de la manière suivante : « Je pense que c’est théorisé au sein de la France Insoumise, notamment sur les questions de sécurité et de terrorisme. Quand votre oratrice principale c’est la députée Obono, dont on connaît aujourd’hui les prises de position, les textes qu’elle a écrits après les attentats de 2015 ou la grande manifestation du 2 janvier ; quand elle dit qu’elle a plutôt pleuré pour Dieudonné et pas pour les victimes de Charlie », explique encore Manuel Valls[5]. « Il y a plus grave parce que quand il y a des insultes, au fond, on peut parler d’un coup de sang. Mais quand Jean-Luc Mélenchon, dans son courrier démissionnant de cette mission, le justifie notamment parce que je serai l’ami de l’extrême droite israélienne »…

En cette nouvelle polémique, Jean-Luc Mélenchon fait référence à un cliché montrant une poignée de main entre Manuel Valls et la ministre de la justice israélienne Ayelet Shaked, élue du parti Le Foyer juif, connue pour ses prises de positions radicales sur la question palestinienne. « Quand je vais en Israël, je rencontre tous les responsables. Il y avait un colloque sur l’antiterrorisme. Il y avait le ministre de la Défense et celle de la Justice, dans un gouvernement israélien, tout le monde le sait, qui est un gouvernement de droite », justifie Manuel Valls, qui explique avoir par ailleurs rencontré « tous les responsables », tant à Ramallah qu’au parti travailliste israélien[6].

Mélenchon est-il violent envers les journalistes ?

Jean-Luc Mélenchon mâche rarement ses mots lorsqu’il s’en prend à certains hommes politiques, nous venons de le voir. Les réparties sont brutales, coupantes, nerveuses et agressives. Mais, et plus curieusement, lorsqu’il s’en prend à des journalistes ou lorsqu’il se sent attaqué par eux, nous voyons qu’il est également agressif, nerveux, brutal. C’est même une constante. Lorsque Mélenchon est agacé, qu’une question le dérange, qu’une remarque l’énerve, les propos sont assénés violemment, la charge est souvent rapide, souvent méprisante. Le tribun n’hésite pas à élever le ton et à pointer du doigt son interlocuteur et peu lui importe qu’il s’agisse de journalistes. Il cogne et il cogne encore et encore.

D’ailleurs, on a l’impression qu’il ne répond plus aux questions, qu’il ne veut plus expliquer une politique et en analyser les ressorts, comme s’il avait en face de lui, des ennemis de… classe sociale. D’ailleurs, les journalistes sont souvent désemparés, comme ils pouvaient l’être lorsqu’ils interviewaient en son temps Jean-Marie Le Pen. Et, lorsqu’ils sont interrogés après qu’ils aient été agressés verbalement par Mélenchon, les journalistes tentent quelquefois de se justifier, d’expliquer en quoi consiste leur travail et ils rappellent qu’ils sont là pour poser des questions. « Jamais à l’antenne, on est là pour régler des comptes avec des gens. Je ne vais pas vous faire le coup de l’objectivité, je pense que l’objectivité, c’est un but. Qu’on essaye d’atteindre sans arrêt. Bien sûr qu’on pense des choses. Bien sûr qu’on peut être maladroit, qu’on peut faire des erreurs. Mais, je pense que les erreurs que l’on peut faire, ne sont jamais des erreurs voulues. Ensuite, on a, peut-être pas une déontologie, parce que le mot est un peu…, mais, on essaye de faire les choses proprement. Et, c’est totalement malsain que les choses se polarisent comme ça[7] », explique, désabusée, Nathalie Saint-Cricq après avoir été insultée par Jean-Luc Mélenchon.

Pour illustrer mon propos, j’ai choisi cet exemple, parce qu’il me semble caractérisé. Sauf que là, il y a cette particularité et nous tenons à le souligner ici. Le journaliste ne se laisse pas démonter et tient tête à Mélenchon, ce qui doit l’énerver encore plus.

Donc, le 5 janvier 2011, Jean-Luc Mélenchon est l’invité du journaliste Nicolas Demorand, sur Europe 1 et un clash se produit, très brutal.

Que se passe-t-il ?

Lors de l’interview, Demorand remarque que Marine Le Pen revendique une posture populiste. Il demande alors à Jean-Luc Mélenchon, sans faire d’autres parallèles entre lui et elle, si ce point commun ne le dérange pas ? Surpris, Mélenchon dit ne pas savoir ce qu’est le populisme de gauche. Puis, il s’en prend subitement aux journalistes de l’Express qui l’avaient tancé sur le populisme et il lance « j’en ai assez que toutes ces belles personnes se donnent des grands airs en regardant le peuple ». Demorand ne se laisse pas impressionner et répond du tac au tac. « Le peuple qui ne vous a jamais élu, Jean-Luc Mélenchon. Enfin à des élections directes au suffrage universel. » Il n’en faut pas plus pour que Mélenchon explose de colère et énumère les mandats qui ont été les siens. Mais, il le fait en élevant le ton, en pointant du doigt le journaliste et en criant, sur le plateau.

Cela donne l’échange suivant, un vrai moment d’anthologie.

« – Alors, remballez vos grands airs et le mépris à l’égard du peuple…
– Ne me pointez pas du doigt. Vous, Jean-Luc Mélenchon.
– Je vous pointe du doigt parce que vous dépassez les bornes.
– Oui, oui c’est bon, on connaît – répond Demorand en faisant un geste de la main.
– On connaît quoi, s’il vous plaît ?
– On connaît la chanson.
– Vous n’avez pas le droit de me parler comme ça, crie Mélenchon. Vous ne m’impressionnez pas, parce que vous êtes derrière votre micro.
– Mais non, pas du tout.
– Alors, parlez-moi poliment, je suis un élu du peuple et je l’ai été, j’ai été élu au suffrage direct.
– Vous aussi parlez-moi poliment.
– À moins que vous décidiez que les élus qui ont été au suffrage indirect, vous les méprisez…[8]
– Est-ce qu’en 2012, vous allez aller devant le peuple ?, questionne une dernière fois Demorand.
– Je l’espère, ne serait-ce que pour vous clouer le bec.
– Eh bien, merci infiniment d’avoir été au micro d’Europe 1, il est 18h58…
Mais Mélenchon ne s’arrête pas et pointe à nouveau du doigt Demorand.
– Remballez vos grands airs sur les élus, je suis un élu du peuple au suffrage direct.
– C’est bon, on l’a bien compris et arrêtez de me pointer du doigt.
– Alors, vous n’avez qu’à pas prendre cet air-là.
– Ah ben, je ne prends pas d’air. »
Comment expliquer cette relation conflictuelle avec les journalistes ?

Pour Christophe Barbier, qui est un fin connaisseur du monde politique et journalistique, cette violence c’est la conception du monde selon Jean-Luc Mélenchon. « D’un côté, il y a le peuple. Le peuple, c’est lui et ses électeurs et en face du peuple, contre le peuple, au-dessus du peuple, il y a le système, et dans le système il y a les maîtres, la finance internationale et puis il y a les valets. Et les valets, c’est nous, les journalistes, tous ceux qui ne rejoignent pas le combat du peuple et du chef révolutionnaire Mélenchon. Et, lorsqu’un journaliste pose une question qui ne l’arrange pas, c’est donc un valet du système et il fait cela depuis 2012[9] ».

Cette explication peut paraître un peu rapide. Pourtant, il me semble que Christophe Barbier voit juste. Mélenchon défend une ligne politique et dans cette représentation du monde, il pense que les journalistes font partie d’un système qui serait là pour le discréditer. D’ailleurs, il le dit lui-même.

Dans une séquence mémorable et extraite du documentaire de Pierre Carles « Fin de concession » et publiée par TV Mag, Jean-Luc Mélenchon est invité à réagir à une interview d’un délégué syndical CGT de Continental. Cet entretien est mené par le journaliste David Pujadas, le 21 mai 2009. Pujadas demande au délégué syndical s’il regrette les violences qui ont été commises par des salariés ou des syndicalistes dans l’entreprise. Mélenchon commente. « C’est toujours le même mécanisme. Vous regrettez hein, comme j’ai vu avec Pujadas. Humiliez-vous, prosternez-vous, baissez la tête, baissez les yeux. C’est ce que nous ont toujours dit les puissants et eux, ce sont leurs laqués. Et, comme le disait Voltaire, le laquais en imitant les vices de ses maîtres, il a l’impression de s’approprier leur puissance. Et eux, c’est ça, c’est seulement ça qu’ils savent faire[10] ». Pas l’ombre d’une hésitation dans la bouche de Mélenchon, les propos tenus sont d’une dureté implacable et d’un royal mépris.

C’est comme cela et au nom de cette logique (de classe) que la violence s’exerce à l’encontre des journalistes. La journaliste Nathalie Saint-Cricq de France 2 est invitée « à aller se faire foutre[11] ». Sophie Lapix et Patrick Cohen (C’à vous) sont traités de « salauds[12] ». Il qualifie Laurence Ferrari de « perruche » et s’en prend également à Arlette Chabot, qualifiée elle-même de « sotte »[13]. David Pujadas est un « larbin » et un « salaud[14] ». Il se moque d’une journaliste de France 3 et imite son accent[15]. Il dit à Arlette Chabot d’aller au « diable[16] ».

On ne compte d’ailleurs plus les saillies agressives contre les médias et les journalistes.

Mélenchon peut-il être violent contre un cheminot ?

Si Jean-Luc Mélenchon s’en prend aux hommes politiques et à des journalistes, il peut tout aussi bien péter un câble, lorsqu’il est pris à partie par un simple manifestant.

Le 26 janvier 2017, Jean-Luc Mélenchon est à Périgueux, il en profite pour aller voir quelques cheminots qui sont rassemblés dans une petite rue.

Là, un homme le prend à partie, probablement un cheminot. Il lui dit que l’ancien patron de la SNCF va supprimer des emplois. Puis, il ajoute, « On vous attend au tournant qui que vous soyez. Gauche, droite, extrême-gauche, extrême-droite, on vous attend… On arrive à un point de rupture ». Et d’ajouter, « gauche, droite, vous ne nous connaissez pas ». Mélenchon, surpris, puis visiblement agacé, s’écarte de l’homme et fait quelques pas. Puis, il revient vers le manifestant et très énervé et en le tutoyant, lui assène : « Pourquoi tu me parles comme ça ? J’ai passé ma vie à vous défendre. Juge ma vie à vous défendre, juge ma vie. Alors, va voir les mecs de droite c’est eux qui vous ont mis dans la merde, c’est le PS qui vous a mis dans la merde[17] ».

Notons la rapidité de la scène et le fait qu’il mette sur le même plan la droite et le PS. Mais, voilà, Mélenchon une fois encore perd ses nerfs.

Comment expliquer cette réaction et cette soudaine impulsivité ? Pourquoi se sent-il ainsi visé et si personnellement ? Parce que le cheminot met sur le même plan la gauche et la droite ? Parce qu’il le prend à partie, lui Mélenchon ? Mais, alors, pourquoi Jean-Luc Mélenchon le prend-t-il à témoin des luttes qu’il a mené toute sa vie ? Pour signifier qu’il est constant dans son engagement ? Qu’il se serait sacrifié ? Que les combats ont été difficiles ? Pourquoi ne garde-t-il pas son calme ? Et plutôt que d’engager un dialogue avec ce cheminot qui visiblement n’en peut plus, pourquoi se met-il à crier ainsi ? Car il crie, le visage est fermé, le doigt est tendu. Pense-t-il que le cheminot est un ingrat ? Qui ne verrait pas comment il s’est/se serait dévoué pour le peuple et les travailleurs ? Son égo est-il subitement mis à mal ?

« Ma manière d’être est un signal, je suis le bruit et la fureur »

Rappelez-vous cette scène ahurissante. Jean-Luc Mélenchon se filme avec son téléphone portable et diffuse en direct la vidéo pour montrer qu’il est l’objet d’une perquisition à son domicile. Les images sont impressionnantes et elles défraient la chronique. « Ne me touchez pas, personne ne me touche, ma personne est sacrée, je suis parlementaire », s’énerve-t-il. Quelques heures plus tard, il arrive, entouré de caméras, au QG de la France Insoumise pour en découdre avec les agents de police qui examinent les locaux[18]. « Enfoncez-moi cette porte », vocifère-t-il dans l’escalier. « Au nom de quoi vous m’empêchez d’entrer dans mon local. La République, c’est moi », hurle-t-il à la figure d’un policier. Une fois que les militants sont entrés et se retrouvent nez à nez avec les policiers, le ton monte, un policier met un militant par terre. « Descendez de cette table, crie Mélenchon à un agent, vous salissez mon matériel ».

Plus tard, de cette scène ahurissante, il s’en expliquera.

« Dans la scène où l’on voit “la République c’est moi”, où l’on a fait des tee-shirts depuis et des plaisanteries. Bon cet homme me menace de son arme. Il me montre son petit truc tricolore. Et à ce moment-là, comment vous expliquer ? C’est ridicule, je sais bien. Mais, je suis rempli d’une indignation terrible, parce que la République, c’est moi, c’est pas lui. Je suis député qui suis maltraité à ce moment-là ou qui le ressent comme ça. Bon voilà. Mais, ça, cela a été des mouvements mais vous savez, je ne suis pas le premier dans l’histoire. J’ai des modèles qui m’ont souvent fait réfléchir ». Puis, il parle d’une biographie de Louis XI et rappelle que ce roi de France disait que sa langue lui avait coûté cher. « Je peux dire aussi que ma langue m’aura coûté cher. Mais, à d’autres moments, elle a été là à mon service pour tout d’un coup mettre plus grand que moi en scène. Qui étaient les idées que j’illustrais[19] ».

Comment un homme aussi cultivé que Mélenchon peut-il se laisser avaler ainsi ? Ne plus maîtriser ses colères, ne plus distinguer ce qui peut être dit, de ce qui ne doit pas l’être ? Le tribun qui aura consacré sa vie à mener d’innombrables luttes, au nom des causes qui sont les siennes et du peuple qu’il entend représenter et dont il serait l’émanation, ne donne qu’une piètre image de lui. Certes, il y a là aussi comme une figuration, une scénarisation, une mise en condition, une sorte de jeu étonnant. Il s’agit de faire avancer des idées politiques, de faire progresser une cause, de dénoncer les nantis et le système, d’apparaître comme le représentant du peuple, un peuple dont il sait qu’il est en colère. Il sait donc utiliser à bon escient les mots qui tuent ou les belles phrases. Il sait aussi que certaines expressions peuvent blesser et susciter une vive polémique. Mais, il lui faut faire mouche. Nous prétendons que le tribun pense ce qu’il dit et dit ce qu’il pense. Parce qu’il est aussi un tacticien, plutôt féroce.

Mais, il y a aussi cette agressivité, cette impulsivité, cette férocité, pour ne pas dire, cette brutalité. Mélenchon est une sorte de cocotte-minute, prête à exploser et toute en ébullition. Il me donne l’impression qu’il ne peut se contenir et parce qu’il ne peut se contenir, il en devient sa propre caricature. Comme le disait avec justesse Bernard-Henri Lévy, « cet homme, parti pour incarner le meilleur de l’esprit républicain, a décidé de se mettre à son compte et de devenir, ce faisant, le premier dans la décrépitude de son art politique[20] ».

Une question reste à poser. À un homme politique, on demande forcément la droiture et le calme, la maîtrise et l’éloquence. Sans maîtrise et sans calme, que deviendrait la France, si jamais Mélenchon devait y exercer le pouvoir un jour et y perdrait définitivement ses nerfs ?

Marc Knobel est historien, il a publié également en 2012, L’Internet de la haine (Berg International, 184 pages). Il publie chez Hermann en 2021, Cyberhaine. Propagande, antisémitisme sur Internet.


[1] Europe 1, 25 mars 2013.

[2] Le Monde, 24 mars 2013.

[3] L’Express, 24 avril 2013.

[4] Pauline Moullot, « Mélenchon a-t-il vraiment traité Valls de “nazi“ ? », Libération, 12 octobre 2017.

[5] Dans une note de blog intitulée « Pleurer. Organiser », publiée le 11 janvier 2015, alors qu’elle n’était pas encore députée, Danielle Obono écrit : « Au cours des dernières 72 heures, j’ai pleuré, un peu, beaucoup, quand même. J’ai pleuré, un peu, jeudi. En pensant aux 12 personnes mortes. Aux centaines d’autres qui ne seront pas pleuré-e-s. Aux flambées d’amalgames, d’attaques, d’insultes, d’humiliations, de violences et aux difficiles batailles à venir ». Elle ajoute : « J’ai pleuré, oui, mais en pensant aux ami-e-s et aux camarades qui sont devenu-e-s Charlie ». Elle dit aussi avoir pleuré en pensant « à toutes les fois où des camarades ont défendu, mordicus, les caricatures racistes de Charlie Hebdo. » Elle ajoute : « J’ai pleuré en écoutant pleurer ma Brune, qui a aimé Charlie, à 15 ans, il y a si longtemps maintenant. Je n’ai pas pleuré Charlie ».

Citons également le passage suivant : « J’ai pleuré en pensant à tous les reculs, toutes les défaites, tous les choix et les décisions politiques des 10-15 dernières années qui nous ont amenés à ce point (…) A toutes les fois où ma gauche s’est refusée de parler d’islamophobie, de ne serait-ce que prononcer le mot. Toutes les fois où elle s’est refusée à se mobiliser contre les lois islamophobes. Toutes les fois où des camarades ont défendu, mordicus, les caricatures racistes de Charlie Hebdo ou les propos de Caroline Fourest au nom de la « liberté d’expression » (des Blanc-he-s/dominant-e-s) ou de la laïcité « à la Française ». Mais se sont opportunément tu-e-s quand l’Etat s’est attaqué à Dieudonné, voire ont appelé et soutenu sa censure… Toutes les fois où des « camarades » nous ont sommé-e-s, nous les « islamo-gauchistes », de montrer patte blanche et d’affirmer avant toute autre chose que nous luttions bien contre l’antisémitisme. Toutes les fois que d’autres nous ont carrément, à mots plus ou moins couverts, traité-e-s d’antisémites. »
https://camaradobono.wordpress.com/2015/01/11/pleurer-organiser/

[6] Chalenges.fr, « Quand Jean-Luc Mélenchon traite Manuel Valls de “nazi” », 11 octobre 2017 et France Info avec AFP, « “Nazi”, “islamo-gauchiste”… La guerre Mélenchon-Valls en cinq actes », 12 octobre 2017.

[7] https://www.tf1.fr/tmc/quotidien-avec-yann-barthes/videos/melenchon-va-te-faire-foutre.html

[8] La pique de Demorand a souvent été utilisée par les détracteurs contre l’ancien sénateur PS élu au suffrage indirect.

[9] BFMTV, 18 octobre 2018.

[10] https://www.youtube.com/watch?v=8vy0M-NyiiI

[11] https://www.tf1.fr/tmc/quotidien-avec-yann-barthes/videos/melenchon-va-te-faire-foutre.html

[12] https://www.youtube.com/watch?v=bbHtKLlu0Oc

[13] https://www.dailymotion.com/video/xfb3qk

[14] https://www.youtube.com/watch?v=8vy0M-NyiiI

[15] https://www.leparisien.fr/politique/embarrasse-par-une-question-jean-luc-melenchon-se-moque-d-une-journaliste-17-10-2018-7921953.php

[16] https://www.lejdd.fr/Politique/Allez-au-diable-madame-Chabot-24109-3072740

[17] https://www.youtube.com/watch?v=mvD5xvPyj9c&t=65s

[18] https://www.lejdd.fr/Politique/jean-luc-melenchon-lors-de-la-perquisition-du-qg-de-la-france-insoumise-la-republique-cest-moi-3780923

[19] https://www.youtube.com/watch?v=Ex_j9_KHRpI

[20] Bernard-Henri Lévy, « Qu’est-ce qui fait courir Jean-Luc Mélenchon ? », Le Point, 29 mars 2017.

 

 

[Source : http://www.laregledujeu.org]

Licenciado en Historia da Arte pola Universidade de Santiago e en Belas Artes pola de Vigo, responsable da web historia-arte.com, profunda na biografía do xenio aragonés

Miguel Calvo (Ordes, 1979), biógrafo de Goya

Por O. P. ARCA

Miguel Calvo Santos (Ordes, 1979) é licenciado en Historia da Arte pola Universidade de Santiago e en Belas Artes pola de Vigo, pero o seu traballo foi por outro lado: está á fronte da empresa familiar de instalacións de gas en Ordes. Así que canalizou a súa paixón de sempre pola arte a través dunha web con visitas de medio mundo, e vén de asinar unha biografía sobre Francisco de Goya, que se presenta este venres ás 20.30 horas no Museo do Traxe Juanjo Liñares, de Ordes.

—Cando empezou con historia-arte.com, que acada os 47.000 seguidores en Instagram?

—Eu tiña un blog de arte, no que facía pequenas recensións de cadros que me gustaban. Empecei no 2015, e uns meses despois un bo amigo meu, Óscar Otero, co que xa fixera outros proxectos de fanzíns e cómics e se dedica ao deseño web, propúxome levar el o tema máis técnico, centrándome eu no contido. A páxina foi crecendo ata converterse no que é hoxe.

—Cantos cadros teñen analizados?

—Xa temos un bo catálogo de obras reseñadas, son 1.814 de 602 artistas, e poderíase definir como unha enciclopedia de arte. Non quero dicir que sexa un referente, porque non é unha páxina académica, é sobre opinións e cadros. En canto a visitas, podemos ter unhas 30.000 diarias, de todas partes do mundo, esencialmente de países de fala hispana.

—Cal é o segredo desa difusión?

—Temos artigos dalgún tema no que nos estendemos máis, pero cada recensión lese en dous minutos. Por iso supoño que ten tanto éxito, porque no mundo actual todo vai moi rápido e a xente ten pouco tempo para ler. Xa bastante sorte é que nos lean, porque non temos vídeos nin podcasts. Se a historia a contas mal, pode ser un coñazo, pero se a explicas con outros ollos, é como unha novela: ben contada, pode enganchar á xente. A web ten un toque humorístico moi ácido ás veces, sempre tiramos por aí. Facemos tamén entrevistas, como a Antonio García Villarán, un coñecido divulgador de arte, e hai seccións de museos, técnicas e movementos artísticos, xunto con efemérides. Isto é sen ánimo de lucro, así que puxemos camisetas, calcetíns e cadernos co noso logotipo para quen queira colaborar.

—E de editor da web historia-arte.com a biógrafo de Goya. Como se dá ese paso?

—A min chamáronme da editorial valenciana Sargantana, supoño que pola web, para que escribira unha biografía dentro da súa colección de personaxes ilustres. Eu propuxen a Goya, porque na miña opinión fixo avanzar a arte máis ca ningún outro pintor. Todo o mundo sabe que é unha eminencia, pero eu quería investigar tamén sobre a súa vida. Estiven un ano nese traballo, e descubrín aspectos moi suculentos sobre a súa vida e a súa obra.

—Por exemplo?

—A súa pésima ortografía, non sabía escribir moi ben. Os seus amoríos, que, na miña opinión, pode ser que fora bisexual, unha cuestión controvertida pero que deixo caer no libro. E está a súa vida: el traballou para os reis de España, aínda que tiña moi mala relación con Fernando VII, pero ao tempo era un home de tabernas, moi popular e moi de clases baixas. Foi bailando dun lado ao outro, igual que foi investigando e creando novos estilos que eran mal vistos, pero que grazas a el foron aprezados. Foi unha persoa moi estraña no mundo da arte, sobre todo nunha época en que España era un deserto cultural (seguimos así un pouco), pola Inquisición e mil factores. E el foi unha figura clave en toda Europa, porque influenciou a artistas europeos da época e de moitos anos despois, mesmo de hoxe.

—Que destacaría da súa pintura?

—El era un mestre tecnicamente. Pero a súa creatividade e imaxinación non se viran ata el. Inventou o que ninguén creara, como as pinturas negras, os caprichos ou os disparates, precedentes do humor gráfico dun xornal de hoxe, ou do cómic underground dos anos sesenta, do impresionismo, do expresionismo, de todas as vangardas históricas… Foi o primeiro: se hoxe miras atrás, en todos os estilos chegas a el sempre.

[Foto: Paco Rodríguez – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Traducció de Gustau Muñoz

Albert O. Hirschman

Albert O. Hirschman

Escrit per Vicent Garcia Devís

Economista i sociòleg, historiador i filòsof de renom internacional, Albert Otto Hirschman (1915-2012), és l’autor d’una trentena de llibres traduïts per tot el món.

Aquest llibre que l’Editorial Afers li publica ara és la transcripció d’una entrevista que tingué lloc al seu despatx de l’Institut for Advanced Studyde Princeton (Nova Jersey) en octubre de 1993 amb tres intel·lectuals de primer ordre: Carmine Donzelli, Marta Petrusewicz i Claudia Ruscon. En l’entrevista, que va durar dos dies, traduïda al valencià per Gustau Muñoz, se’ns revela l’itinerari d’un pensador i intel·lectual extraordinari marcat per la diàspora i el patiment d’una Europa en guerra. Hirschman va nàixer a Berlín, d’on va fugir en arribar els nazis al poder, després de l’incendi del Reichstag.

–Quan va llegir Marx, què l’impactà més del seu pensament?  –M’impactà molt el divuit Brumari. Els seus escrits històrics eren menys «ortodoxos» que els seus escrits econòmics

A Alemanya va ser un jove activista antinazi, un antifeixista a la Itàlia de Mussolini, va lluitar en el front republicà en la Guerra Civil espanyola, va ingressar el 1939 en la resistència francesa –des d’on va organitzar una gran xarxa d’emigració il·legal i fugida a través de l’Espanya franquista– abans de partir definitivament cap als Estats Units, on ingressà en les forces armades per aconseguir la nacionalitat nord-americana.

Amic íntim del filòsof antifeixista Eugenio Colorni, la seua primera i gran influència de joventut, prompte es convertiria en el seu cunyat en casar-se l’italià amb la seua germana Úrsula. Com a economista acabà treballant en la Reserva Federal, durant un petit període de temps, i es comprometé en el debat pràctic i ideològic sobre el subdesenvolupament de l’Amèrica llatina.

Afers (2022)

En la dècada dels anys cinquanta, Hirschman s’imposa com un dels pensadors més iconoclastes i recalcitrants de l’època. L’intel·lectual compromés, gens ortodox en les seues propostes, analitza els problemes del desenvolupament en les democràcies liberals, la ideologia del capitalisme i les relacions publicoprivades en l’economia i els seus efectes socials.

–Era vosté un dels motors del Pla Marshall? –Sí, però jo només m’encarregava de tot allò que feia referència a Itàlia i França! –responia sense immutar-se.

Hirschman és inclassificable, la qual cosa va fer desesperar els seus enemics ideològics, mai es mostrava presoner d’una teoria general inflexible i superava les pròpies contradiccions gràcies a una capacitat sorprenent de conciliar diversitat i unitat en els plantejaments teòrics i pràctics. Per a ell, l’única ciència econòmica s’havia de trobar en la moral i la política, economia amb ètica.

«Vaig estar dos mesos només al front republicà de la guerra d’Espanya, em volien enviar a Madrid, amb les Brigades Internacionals, però vaig decidir que no hi aniria perquè era una formació comandada només per comunistes i Stalin ja estava fent de les seues. Jo soc socialdemòcrata i em semblava que la meua presència seria més útil a Itàlia, com a suport de les activitats antifeixistes del meu cunyat», reafirma Hirschman davant d’una pregunta de les entrevistadores.

En el seu llibre The Passions and the Interest, Hirschman explica com el van colpir algunes idees de Montesquieu i de Sir James Steuart, idees que l’alemany rebat només en part. En aquell llibre Hirschman explica, i també ho fa en l’entrevista, com, en la lectura de Montesquieu, comprova que el filòsof francés defensa que el comerç entre persones i països, la paraula i els negocis, influeixen sobre la societat –el comerç fa la virtut– i provoquen que la gent siga més permeable i dòcil a través de la relació i el contacte.

Montesquieu relaciona l’ideal «republicà» la cosa pública, a partir de la «república comercial»: la douceur du commerce. La idea de Steuart, per a qui una societat de mercat limita la capacitat per a actuar de manera arbitrària, també li sembla interessant. En ambdós casos, ell es manté favorable a les tesis del filòsof francés i de l’economista escocés amb alguns matisos. Són, al capdavall, idees sobre la manera substancial en què certes formes de vida econòmica poden modificar el comportament del «Príncep» i dels seus «súbdits», la manera com poden modificar el comportament del poder i la relació amb la ciutadania a la recerca d’un cert equilibri.

–El president Kennedy li va oferir treballar sobre el desenvolupament d’Amèrica llatina amb el seu equip… I vosté ho va rebutjar! –Sí, en aquell moment estava escrivint un llibre sobre el continent americà i la meua família no volia traslladar-se de nou, una altra volta, aquesta vegada a Washington. Va prevaldre, finalment, l’equilibri personal i familiar.

Hirschman defensa el desenvolupament econòmic d’Amèrica llatina, ell va anar a viure i treballar a Colòmbia, establir uns cicles alterns d’obertura a la inversió estrangera, Business Cicle, amb la combinació amb cicles històrics temporals de bloquejos a aquestes inversions per a incentivar l’estructura industrial productiva interior, la indústria nacional. Per a Hirschman no és massa positiva únicament la prevalença i protecció de la producció «nacional» perquè, en molts països, renaix sempre la temptació del capital d’influir sobre les lleis i els governs que el poden perjudicar en determinats moments de la cronologia empresarial. El capital estranger vol fer negoci i guanyar diners, no sempre li interessa influir en la política interna si això el pot perjudicar. Pot fer negocis en les situacions més estranyes o irreals, assegura l’economista en aquesta entrevista-llibre. Hirchman diferencia entre progrés social i progrés econòmic, no coincideixen a cada moment de la peripècia econòmica: quan la salut i la higiene bàsiques avancen, així com el control de la natalitat i l’alfabetització… creix el progrés social, però, en aquesta situació, és possible que aquest no coindisca amb el progrés econòmic, sobretot de les elits.

«En un moment determinat, mentre repensava els Drets fonamentals inclosos en la Carta de Drets nord-americana –dret a la vida, a la llibertat i a la recerca de la felicitat– se’m va acudir la idea de com és d’important també, més enllà de la recerca de la felicitat (pursuit of happiness), la felicitat de la recerca (happiness of pursuit) que és precisament la felicitat de prendre part en l’acció col·lectiva per a canviar i millorar les nostres societats», manté finalment Hirschman, que es declara enemic de totes les ortodòxies filosòfiques de l’economia.

The Passions and the Interest va ser un llibre molt especial per a l’autor germano-nord-americà. El text va ser fruit d’una creació lliure, segons ell, i no va estar escrit contra ningú, malgrat els continus debats que va suscitar. «La redacció d’aquest llibre em va produir un gran plaer durador: escriure i sentir-se tan lliure per a descobrir coses, sense haver de demostrar que algú altre s’havia equivocat. Un cas bastant singular!» D’aquesta manera rematava la conversa o entrevista «a quatre» en el seu despatx de la Universitat nord-americana de Princeton, on treballava l’etern exiliat.

 

[Font: http://www.laveudelsllibres.cat]

Francisca Benítez, Riego, 2021, impresiones de inyección de tinta, 54,2 x 72 cm c/u. Cortesía de la artista y Die Ecke, Santiago

Francisca Benítez, Riego, 2021, impresiones de inyección de tinta, 54,2 x 72 cm c/u. Cortesía de la artista y Die Ecke, Santiago

Publicado por Lorena Álvarez Chávez

Francisca Benítez (Chile, 1974) se toma el tiempo para conversar. Accede a esta entrevista sin apuro y deteniéndose en detalles para graficar sus ideas. La artista chilena radicada en Nueva York desde hace más de 20 años parece aún conectada con el ritmo de su tierra cuando la evoca. Pichingal es el pueblo donde creció, territorio ubicado en la Región del Maule, en la cuenca del Río Lontué, en la zona central del país, lugar que hoy mira con distancia desde su hogar en Chinatown, el corazón obrero de Manhattan.

Pichingal también ha sido el sitio donde Francisca ha llevado a cabo sus últimas obras multidisciplinarias, inspiradas, precisamente, en experiencias locales, que trenzan relaciones entre la historia de las aguas, las prácticas en torno a los cultivos familiares y la memoria colectiva de una comunidad. Reflexiones sobre las cuales nació Riego, serie de fotografías, video y otras expresiones que recientemente expuso en Die Ecke, en Santiago, y que aborda el papel que juega el sistema de riego botado en la zona central de Chile, en tanto dialoga con el movimiento del agua, a través del territorio, con su particular ingeniería vernácula.

Conversamos con Francisca Benítez para conocer los hilos invisibles que articulan sus obras y cómo la experiencia migrante ha sido un elemento relevante en sus procesos creativos, hoy parcelados entre Chile y Estados Unidos.

Vista de la exposición «Riego», de Francisca Benítez, en Die Ecke, Santiago, 2022. Cortesía de la artista y la galería

Lorena Álvarez: ¿Cómo se origina Riego?

Francisca Benítez: Vamos bien hacia atrás. Yo crecí en el campo. Nací el año 74 en Santiago, pero crecí desde los 0 a los 14 años en Pichingal. Luego viví en Curicó, Santiago y ahora Nueva York.

En Pichingal el riego es una forma de vida. Durante los últimos dos años he estado pasando tiempo allí aprendiendo el oficio, tratando de rastrear la historia del Canal Los Pobres de Pichingal que riega este lugar, y familiarizándome con la práctica del riego botado, una forma de riego que es común en esta vecindad, en la que agricultores y regantes inundan el territorio en pedazos, siguiendo la pendiente y el sentido de la corriente, desviando el agua del río, a través de acequias y guiándola con la creación de pequeñas represas efímeras -conocidas localmente como tacos y rastras- construidas a partir de objetos encontrados, compartiendo el flujo de un canal entre múltiples regantes. He estado investigando esta práctica, sus trazados, tipologías, maneras de hacer, tradiciones, personas dedicadas.

Mientras crecía, vi a mi padre hacerlo. Los aspectos físicos, sociales y burocráticos de esta forma de riego, todo. Salía con la pala e inundaba la huerta y el potrero de manzanos, coordinaba con otros comuneros los tiempos y turnos para regar, guardaba mapas y papeles en un cajón que nosotros, los niños, teníamos instrucciones de no tocar. Ahora que ya no está vivo es responsabilidad de nuestra generación mantener viva una práctica de riego y la tierra fértil; sus mapas y apuntes nos han servido para descifrar cómo.

El levantamiento público más completo de este sistema de canales data de 1985. Se trata del Registro de Usuarios de los ríos Lontué y Mataquito, VII región, realizado por el Ministerio de Obras Públicas, Dirección General de Aguas, Departamento de Estudios y Racionalización, Solano Vega y Asociados Ingenieros Consultores. Este documento es increíblemente abundante en información y rico en detalles, y es el mapa oficial utilizado por las organizaciones locales de usuarios de agua. Sin embargo, se han producido muchos cambios en las redes de canales desde que se realizó este estudio y el mapa no se ha actualizado. He estado investigando y re-trazando este mapa como una forma de estudiarlo y discutirlo, una práctica que se ha convertido en una parte evolutiva del trabajo.

En cada iteración del proyecto he utilizado un material diferente para trazar el dibujo del mapa del canal en las paredes, reflexionando sobre mi propio proceso y respondiendo a las condiciones del lugar y del soporte. En The Kitchen, usé grafito en una expresión fantasmal, tentativa y discreta. En La Vieja Escuela el mapa se convirtió en el protagonista, claramente dibujado con tiza blanca sobre los muros de adobe cubiertos de cemento desnudo, conectando con el legado educativo del lugar. En galería Die Ecke dibujé el mapa con carbón vegetal recolectado de restos de fogatas a orillas del río Lontué en Pichingal. En esta oportunidad la elección del material de dibujo enfatiza la naturaleza del río como un espacio público vital. Aquí, en el marco de una muestra individual en un espacio de arte independiente consolidado en la capital del país, la obra se posiciona para entrar en el debate nacional actual.

En 2016 mi papá murió. En ese tiempo, nosotros, los hijos, comenzamos a ver cómo el valle central estaba cada vez más seco. Esta situación fue un punto de inflexión. Entramos con mis hermanos en una conversación familiar, vecinal y con toda la comunidad del agua. La pregunta era: ¿cómo nos vamos adaptando a esto? Y tal como pasó con Oro Dulce (obra donde invita a una inmersión en la “industria membrillera familiar” de Pichingal), entendí que esta es una de las prácticas rituales con las que crecí.

Tuve que irme para darme cuenta de que no sabía nada al respecto. Y allí, también entendí que a la par de aprender, podría aportar dándole visibilidad a este sistema de soporte vital.

“Le canto a la madre tierra
con el sonido del agua
donde mi verso se fragua
en el amor, no en la guerra
todo mi cuerpo se aferra
a esos dulces manantiales
que son salvajes caudales
repartidores de vida
la humanidad confundida
los tiene llenos de males

Es de esperar que atinemos
los interpelo en la urgencia
se le acabó la paciencia
no basta con que cantemos
si no nos comprometemos
hasta aquí no más llegamos
capitalismo inhumano
hay que cambiar este curso
hay que cuidar los recursos
y hacer un mundo de hermanos”

Décimas Cantos del Agua,
14 de enero, 2015.

Todas las imágenes: Francisca Benítez, Riego, 2021, impresiones de inyección de tinta, 54,2 x 72 cm c/u. Cortesía de la artista y Die Ecke, Santiago


LA: ¿Qué importancia adquiere el agua como centro de la creación en este momento en Chile?

FB: Nuestros ecosistemas están colapsando y como sociedad necesitamos hacer cambios profundos para revertir peligrosos procesos de deterioro ambiental que están conduciendo a la extinción acelerada de especies y al cambio climático. No es sorpresa que tantos artistas trabajemos con estos temas. En este momento de discusión constitucional en Chile, donde se debaten derechos de agua ante el cambio climático y un historial de privatizaciones, con mi trabajo Riego busco visibilizar estas prácticas e infraestructuras vitales que de alguna manera permanecen desconocidas y ocultas a la vista. La obra busca conectar estos saberes ancestrales con las nuevas generaciones e invitarnos a imaginar su futuro. ¿Cómo accedemos al agua? ¿Cómo podemos compartirla? ¿Cómo cuidarla? ¿Cómo podemos distribuir el agua de manera justa? ¿Podemos aprender de los conocimientos, las prácticas, las infraestructuras y las comunidades existentes e integrarlas?

Vista de la exposición «Riego», de Francisca Benítez, en Die Ecke, Santiago, 2022. Cortesía de la artista y la galería

Vista de la exposición «Riego», de Francisca Benítez, en Die Ecke, Santiago, 2022. Cortesía de la artista y la galería


El primer borrador de la Nueva Constitución es el que está plasmado en las calles, escrito en los muros, en esa mega obra colectiva, ese collage insistente de demandas, escritas con aerosol, humo, tinta, afiches y rayados. O quizás, es la Nueva Canción Chilena en su totalidad.


LA: ¿Qué incidencia crees que tiene el arte en el proceso político que hoy vive el país?

FB: El primer borrador de la Nueva Constitución es el que está plasmado en las calles, escrito en los muros, en esa megaobra colectiva, ese collage insistente de demandas, escritas con aerosol, humo, tinta, afiches y rayados. O quizás, es la Nueva Canción Chilena en su totalidad. A lo que voy es que la Nueva Constitución está siendo redactada por seres humanos que interactúan a diario con ese collage colectivo, escuchan música, leen, ven arte, etc. La cultura es cómo hablamos como sociedad. Es nuestra conciencia colectiva. Cómo nos desarrollamos, cómo nos expandimos. El arte es esa posibilidad de hablar de lo más universal como individuo autónomo, con mis riñónicos y con mis zapaticos, como dijera Violeta.

Volviendo al tema del agua, la conversación política sobre las asociaciones de canalistas y las comunidades de usuarios de agua en Chile está dominada por los partidos políticos de derecha, los grandes terratenientes y los poderosos agricultores industriales. Tradicionalmente han tenido la voz más fuerte. Sus intereses están integrados en la Constitución y el Código de Agua existentes. En Chile Central la canalización se desarrolló con la colonización, con todas sus injusticias. Pero ahora, en este proceso de creación de la Nueva Constitución, tenemos una apertura, un momento importante de posibilidad para repensar estos sistemas y, para hacerlo, necesitamos profundizar y comprender su complejidad. Con este trabajo estoy tratando de abrir caminos a algo de esa complejidad, y creo que en conjunto como artistas estamos contribuyendo con esa profundización y poder de síntesis, comunicación y amplificación inherente al arte.

LA: ¿Cómo el arte impacta esa identidad colectiva?

FB: De tantas formas… algunas evidentes y otras menos, algunas rápidas y otras lentas, de sostenida influencia. Volviendo a la actualidad, y a un ejemplo puntual, me gustaría destacar el trabajo de María Luisa Portuondo, Demanda Pública. Ella estuvo durante el Estallido Social recopilando demandas ciudadanas en la Plaza de la Dignidad, luego las empastó como un bello libro-objeto que luego entregó a La Moneda y a la Convención Constituyente. Me parece muy necesario el ejercicio de verbalizar los anhelos. Hay que dar un lenguaje a nuestros sueños. Y ahí los artistas tenemos mucho en qué aportar.

LA: Volviendo a tus obras, ¿la memoria familiar, la densidad biográfica, es siempre un punto de partida en tus obras?

FB: No necesariamente. Se muestran como urgencias que vienen de mí misma y mi relación con el entorno. La relación con mi barrio, con las personas que me rodean. Son temas que me preocupan y terminan llevándose toda mi fuerza creativa, e impactando en lo que estoy haciendo como artista. El punto de partida para una obra puede ser un proceso urbano que estoy viendo suceder. O un material que encontré en la basura. Los puntos de partida son diversos. No siempre es biográfico. Pero también creo que cuando se vive lejos, buscas excusas para ir a ver a tu familia. También viviendo lejos, uno tiende a idealizar… eso igual puede tener que ver.

LA: ¿La migración?

FB: Claro, el ser de aquí y ser de allá. Mi origen está tan presente. Mi casa y mi mamá siguen allí, donde siempre. Y están haciendo cosas tan entretenidas, que me dan ganas de estar con ella. Así nace La Vieja Escuela, por ejemplo, un nuevo proyecto que me apasiona mucho.

 

“Desde mi temprana infancia
Transcribí el mundo al papel
con dibujos a granel
trazados sin arrogancia
desde mi tierna ignorancia
fui creciendo lentamente
floreciéndome la mente
también el cuerpo y el alma
y se los digo con calma
yo soy artista de siempre

Y vivo en el barrio chino
al centro ‘e la gran manzana
adicta a la vida urbana
y al devenir colectivo
con sus bemoles y trinos
y su zumbido ambiental
es mi sujeto habitual
de trotamundo destino
pero al final del camino
mi tumba está en Pichingal”.

Extracto de Yo soy de aquí y soy de allá, de Francisca Benítez, parte de la publicación Una cartografía extraña. Producciones narrativas entre la migración y el arte, editado por Lucía Egaña Rojas y Paulina E. Varas, Metales Pesados, 2021.

Francisca Benítez, Riego, 2021, en La Nueva Escuela: Artes y Cultivos, Pichingal, Molina, Chile. Cortesía de la artista


LA: Cuéntanos sobre La Vieja Escuela…

La Vieja Escuela: Artes y Cultivos, es un espacio para apoyar y difundir la creación artística, valorar el saber y el quehacer campesino, incentivar el respeto a la naturaleza y el cuidado de lo vivo. Es un proyecto que estamos empezando con mi hermano y mi mamá, en una antigua casa de adobe que albergó la primera escuela pública de Pichingal desde su creación en 1906 hasta 1965, cuando se trasladó a su actual sede a una cuadra al norponiente.

El espacio lo estamos echando a andar de a poco. Ya hicimos un prototaller con actividades con la familia y vecinos, para pensar juntos qué queremos hacer con este espacio. ¡Nos tomó como cinco meses nombrarlo! Teníamos 50 nombres (ríe), pero llegamos a un acuerdo: La Vieja Escuela: Artes y Cultivos.

Es un espacio para compartir saberes y conocer los materiales de la zona. Al principio hicimos un taller de dibujo con tinta de maqui, que es un fruto endémico de esta zona. Eso significó recogerlos y machacarlos para pintar. Luego montamos una exposición que vimos entre los mismos vecinos.

También yo pre-monté Riego, e hicimos unas jornadas a puertas abiertas; antes de llevarla a Die Ecke, la compartí con la comunidad. La gente se vio en los videos. Muchos de los que la vieron eran los exalumnos de la escuela original, personas que aprendieron a leer allí. Y ahí comenzó a pasar lo que queríamos: se fue transformando en un repositorio de la memoria colectiva del pueblo, también en un espacio de activación de la imaginación, que se nutre de las prácticas de las artes y de los cultivos.

Vista de la exposición «Riego», de Francisca Benítez, en Die Ecke, Santiago, 2022. Cortesía de la artista y la galería


Mirar las relaciones me ha permitido apreciar la diversidad humana y eso requiere apertura. El poder ver otras miradas es fundamental para relacionarnos. Ahora tenemos la capacidad de ver estas microrrealidades que antes estaban aplastadas por los discursos hegemónicos. Estamos en un proceso de crecimiento de todas las identidades en los distintos lugares del mundo y tenemos la oportunidad de participar.


LA: En tus obras das un lugar privilegiado a los vínculos y las relaciones. ¿Qué has aprendido de estas observaciones?

FB: Mirar las relaciones me ha permitido apreciar la diversidad humana y eso requiere apertura. El poder ver otras miradas es fundamental para relacionarnos. Ahora tenemos la capacidad de ver estas microrrealidades que antes estaban aplastadas por los discursos hegemónicos. Estamos en un proceso de crecimiento de todas las identidades en los distintos lugares del mundo y tenemos la oportunidad de participar.

Tenemos mucho que idear sobre cómo entendernos. Vamos avanzando a paso lento y es tanto más lo que hay que hacer. A lo que dedicarle tiempo y recursos. Yo quiero dedicarme a eso, a construir relaciones más respetuosas, más amables. Y producir espacios de encuentro, que sabemos que a veces son incómodos, hay roces. Cualquier persona que ha pasado por una asamblea sabe que es lento, difícil, es un desgaste ponerse de acuerdo. Pero es parte de la lucha, yo creo que es necesaria.

LA: ¿Cómo atraviesa tu trabajo ese “ser de aquí y de allá”?

FB: En toda su amplitud, significado, materialidad y metodologías.


Armonizar con otras voces humanas es una de las cosas que más me mueve la existencia. Cantar en armonía con otros seres humanos es una cosa que va a traer la paz mundial. Y hoy esto es gran parte de mi trabajo.


LA: ¿A qué estás dedicando hoy tiempo en Nueva York?

FB: Soy miembro de un coro góspel anticapitalista. Tenemos una práctica muy activa. Ensayamos, hacemos acciones en la calle y también en espacios de fricción y enfrentamiento con el poder. Somos un colectivo liderado por la artista Savitri D. y el poeta William Talen, también conocido como el “Reverendo Billy”. Los cantantes somos voluntarios y estamos conformados como una organización sin fines de lucro. Como concepto, lo que hacemos es un détournement de las estructuras jerárquicas religiosas. Reproducimos sus estructuras al revés, disfrazadas humorísticamente para atacar al capital y las trasnacionales extractivistas. Nos hacemos llamar la Iglesia Pare de Comprar.

LA: ¿Cómo llegas al coro de la Iglesia Pare de Comprar?

FB: Siempre he tenido mucho interés en la música, especialmente en el jazz. En mi época universitaria fui parte de un coro góspel. Me encantaba la música, pero no compartía el mensaje, porque ya no creía en Dios. Entonces fue muy interesante encontrarme con este grupo. La introducción sucedió en El Museo del Barrio de manera casual, cuando un miembro del Coro Pare de Comprar participó en el Coro de Resistencia Trilingüe que yo estaba organizado ahí durante mi residencia a principios del 2017. Armonizar con otras voces humanas es una de las cosas que más me mueve la existencia. Cantar en armonía con otros seres humanos es una cosa que va a traer la paz mundial. Y hoy esto es gran parte de mi trabajo. Porque no solo es la práctica de tres horas todos los domingos con estos maravillosos humanos. Además, tenemos giras internacionales, recientemente en Austria e Inglaterra, en espacios de resistencia, en espacios culturales y en espacios de lucha en la calle.

Toda la música del coro anticapitalista se desarrolla y se escribe expresando lo que está pasando: “Monsanto es el demonio”, por ejemplo, es una de nuestras canciones. Toda una investigación se materializa en una canción. Y eso es gran parte de mis procesos creativos de hoy.

Además, mi formación como arquitecta y urbanista me ha servido, desde la comprensión y percepción del espacio, cómo se mueven los flujos, cómo se mueve la gente, dónde están las policías, dónde nos vamos a instalar, cómo este canto y esta acción habitan el espacio público, es como una “intuición espacial” que puedo poner al servicio del colectivo, y que puede traducirse en performances de mayor impacto.

Vista de la exposición «Riego», de Francisca Benítez, en Die Ecke, Santiago, 2022. Cortesía de la artista y la galería


Mi manera de hacer siempre está cambiando. Me importa siempre estar aprendiendo. Veo una idea que me interesa llevar a cabo y luego qué herramientas tengo a mano. Y de esas, cuáles me permiten expresar la idea con mayor claridad. Antes me interesaba más que fuera arte y pareciera arte, ahora, si la gente lo considera arte o ciencias sociales, me da igual.


LA: ¿Todas tus obras se entrelazan abordando temas de justicia social?

FB: Mucho de mi trabajo se trata de entender las estructuras socioespaciales en las que existimos, visibilizar sistemas subyacentes que obedecen a distintas lógicas. Por mucho tiempo la ciudad ha sido mi sujeto, musa y medio. Y sí, muchas de mis obras abordan temas de justicia social. Pero no necesariamente todas, y eso es lo interesante del arte: puede ser tanto la expresión de una revolución como también puede abordar lo más banal e insignificante. No hay límites.

Mi manera de hacer siempre está cambiando. Me importa siempre estar aprendiendo. Veo una idea que me interesa llevar a cabo y luego qué herramientas tengo a mano. Y de esas, cuáles me permiten expresar la idea con mayor claridad.

Antes me interesaba más que fuera arte y pareciera arte, ahora, si la gente lo considera arte o ciencias sociales, me da igual.

 

[Fuente: http://www.artishockrevista.com]

Nota a pie de página, a veces ni siquiera eso, en los estudios más sesudos de la historia de la música electrónica, el nombre de Vangelis (1943-2022) debería ser una entrada tan ineludible como el Partenón cuando se visita Atenas. Nos llegamos a acostumbrar tanto a su icónica figura –cabellera revuelta, barba poblada y fular sobre orondo torso– que casi se le dejó de mirar. La partitura para “Blade Runner” o su Óscar por la de “Carros de fuego” en 1982 son solo apuntes de una vida dedicada por entero a la música que llegó abruptamente a su final a los 79 años, a causa del COVID, el pasado día 17.

Vangelis, en 1976. Foto: Michael Putland (Getty Images)

Escrito por José Manuel Caturla

Evángelos Odysséas Papathanassíou nació el 29 de marzo de 1943. Con tales nombres de pila aludiendo a la palabra de Dios y a la de Homero, el niño prodigio de Volos –ciudad portuaria situada al abrigo del golfo pagasético, en el Este de la Grecia continental– jamás podría haber sido del montón. Llamado desde temprana edad para la gloria, Vangelis –pronunciado “vanguélis”– empezó a componer a los cuatro años y dio su primer concierto de piano improvisado frente a dos mil almas inquisitivas con apenas seis primaveras.

Básicamente autodidacta –de niño se negó a recibir lecciones de piano–, le interesaba más el sonido como forma intuitiva de conocimiento que otras cuestiones de teoría musical. Se consideraba a sí mismo puente entre ese sonido y la música que creaba. Inclinaciones pseudomísticas que se apoyaban en un evidente genio melódico y una personalidad pantagruélica que absorbía obsesiones como los sintetizadores –medio elegido para alcanzar la “pureza de sonido”–, la improvisación –que otorgaba espacialidad a su música– y temáticas extramusicales que propulsaban su creatividad, como la ciencia, la naturaleza o la filosofía.

El artista heleno fue pionero en acercar la música electrónica al gran público. Si en Estados Unidos fue Wendy Carlos quien hizo caer en 1968 el mito de la dificultad del género con sus crujientes rendiciones de Bach, el autor de “L’Apocalpyse des animaux” (Polydor, 1973) abrió veta en una Europa donde los sintetizadores todavía se asociaban al temible dodecafonismo de Stockhausen. Su formación no académica e incuestionable olfato comercial jugaron a favor de un “fenómeno Vangelis” no exento de penumbras. Por ejemplo, su puritano rechazo hacia las actuaciones en directo, que juzgaba como actos estandarizados y carentes de espontaneidad. Es revelador visitar su escuálida ficha en la web ‘setlist.fm’.

Antes del boom internacional de Vangelis, probó en el pop-rock a mediados de los años 60 con The Forminx –les llegaron a llamar los “Beatles griegos”– y en el más espinoso rock progresivo con los también triunfantes Aphrodite’s Child, cuarteto donde compartía gloria con su pariente y archiconocido vocalista Demis Roussos. Fichan pronto por la multinacional Mercury y acaban por mudarse a Paris, clausurando su meteórica carrera con “666” (Vertigo, 1972), tercer álbum inspirado en el Apocalipsis de San Juan, objeto de gran polémica por su atrevida mezcolanza de psicodelia, religión y sexo explícito.

Pero al introvertido Vangelis no le iba demasiado el circo del rock. Entre otras actitudes vinculadas a ese mundillo, consideraba egocéntrico hablar de sí mismo en los medios. En una entrevista concedida en 2007 confesaba carecer del talento necesario “para hablar eternamente sobre mi trabajo, algo que me resulta difícil y aburrido en extremo”. Trabajador, teclista virtuoso –un auténtico hombre orquesta– y autosuficiente –producía sus propios discos, donde solía tocar todos los instrumentos–, es lógico que Vangelis fuese un hombre de pocas palabras y mucha música, especialmente en solitario y en estudio.

A pesar de su carácter introvertido y solitario, se mostró abierto a las colaboraciones. Es bien conocida su longeva alianza con Demis Roussos, con su amiga Irene Papas –quisieron mostrar que la música tradicional griega no se limitaba al sirtaki– o los cuatro álbumes grabados entre 1980 y 1991 como Jon & Vangelis junto a Jon Anderson, cantante de Yes. En España se asoció con Neuronium para sacar el álbum “A Separate Affair” (Tuxedo, 1996). También colaboró puntualmente por aquí con Montserrat Caballé y Luz Casal. Hay más uniones de hecho, pero sería imposible abarcarlo todo.

Después de mudarse a Londres a mediados de los años 70, su pasión por la cosmología lo llevó a concebir discos conceptuales como “Albedo 0.39” (RCA Victor, 1976), segundo álbum registrado en sus célebres estudios Nemo, cerca de Marble Arch. “Mythodea. Music for The NASA Mission: 2001 Mars Odyssey” ( Sony Classical, 2001), “Rosetta” (Decca, 2016) y “Juno To Jupiter” (Decca, 2021) nacen de su prestigiosa asociación con las agencias espaciales NASA y ESA, convirtiéndose de paso en vehículo de alguna de sus aspiraciones sinfónicas más complejas y orquestadas.

El hombre y las máquinas.

El hombre y las máquinas

Es en el apartado de partituras para cine y televisión donde Vangelis se mostraba más persuasivo con su música. En el correspondiente a los documentales, su colaboración más estrecha y productiva fue con el director francés Frédéric Rossif. Tema recurrente en esta faceta del músico griego es la enorme cantidad de material inédito que permanece archivado. Tanto por los trabajos que nunca fueron difundidos en disco como por las limitaciones de espacio que presentaban los viejos formatos discográficos. Un anexo del libro “Vangelis, el hombre desconocido” (Ediciones Rosetta, 2018), de Antonio Piñera, recoge la vasta obra sin publicar de un autor humilde que se mostraba escéptico con su viabilidad comercial.

En el cofre de las películas dramáticas, además de las ya mencionadas, encontramos tesoros como Sex Power” (Philips, 1970), un filme de Henry Chapier que obtuvo la Concha de Plata en el Festival de San Sebastián. También fue el primer álbum en solitario de Vangelis. Costa-Gavras, Yannis Smaragdis, François Reichenbach, Oliver Stone o Roger Donaldson aparecen en su nómina. “Lunas de hiel” (1992), de Roman Polanski, otra partitura inédita, permitía aflorar el romanticismo perverso del poliedro Vangelis.

En el ámbito teatral, también aportó su musical granito de arena a clásicos de la tragedia griega como “Electra” (1983), “Medea” (1992) o “Las troyanas” (2001), las tres protagonizadas por la actriz Irene Papas. Y en cuanto al mundo de la danza, Vangelis participó en “Frankenstein. A Modern Prometheus” (1985) y “La bella y la bestia” (1986), entre otras.

Las décadas de los 70 y 80 fueron las más productivas para este Ulises moderno. La caja “Delectus. The Polydor & Vertigo Recordings • 1973-1985” (Universal, 2017) las sanciona con una excelente remasterización. El talento de Vangelis parecía inagotable, pero, a partir de los años 90, empezó a mostrar signos de saturación, víctima de una obsolescencia inherente a la evolución de las formas. Nunca terminó en ruina, pero se fue perdiendo la solitaria rugosidad analógica de los inicios, resultando en una sobrecarga de estratos, preciosismo y ampulosidad agravada por la transición digital.

Vangelis, en directo, en Rotterdam en 1991. Foto: Rob Verhorst (Redferns / Getty Images)

Vangelis, en directo, en Rotterdam en 1991. Foto: Rob Verhorst (Redferns / Getty Images)

Aun así, cualquiera de sus discos siempre contiene piezas con la capacidad de emocionar. Sus nuevos trabajos podían ser mejores o peores, repetir tics y motivos, derramar melaza o grandilocuencia, hasta horrorizar con esa épica casposa que tanto le apasiona al cincuentón trasnochado del quinto (¿seré yo?). Pero manda ovoides que alguien se atreva todavía a alistar al bueno de Vangelis entre señores como Kitarō. El griego fue un músico versátil, capaz de idear la electrónica experimental de “Beaubourg” (RCA Victor, 1978), el synthpop de “See You Later” (Polydor, 1980) o el mainstream celeste de la medio griega Mariangela, a quien le produjo un raro artefacto hawaiano a lo Carpenters: “Mariangela” (1975).

Se le suele asociar con géneros apestados como la new age –fue una influencia innegable, igual que Brian Eno–, a eventos institucionalizados como los Juegos Olímpicos –la música de “Carros de fuego” (Hugh Hudson, 1982) se ha convertido en himno extraoficial de todo dolor deportivo que se precie– o los cada vez más infames mundiales de fútbol, en su caso, el de Corea y Japón 2002. Pero el Partenón, la Torre Eiffel en París o el Big Ben de Londres tuvieron banda sonora compartida gracias a Vangelis, fallecido en algún funesto hospital galo el pasado 17 de mayo. Descanse en paz y que siga brillando su música por muchos eones. ∎

De evangelios y odiseas

VANGELIS PAPATHANASSIOU
“L’Apocalypse des animaux”
(Polydor, 1973)

La primera banda sonora publicada por Vangelis –salió en 1973, pero el documental es de 1970– se alinea con La fête sauvage (CAM, 1976) y el también imprescindible Opéra sauvage (Polydor, 1979), álbum que contiene el famoso single “L’enfant”. Todas estas colecciones se inspiraban en los bellos documentales de Frédéric Rossif. Delicias de ambient melódico, jazz-noir cósmico y electroacústica flotante que anticipan los equinoccios de Jon Hassell, los sueños pop de Harold Budd y Cocteau Twins –escuchen “Création du monde”– o los mares de tranquilidad futuristas de Brian Eno.

VANGELIS PAPATHANASSIOU
“Albedo 0.39”
(RCA Victor, 1976)

El albedo –en latín “blancura”– mide la tendencia de una superficie a reflejar la radiación. El albedo medio de la Tierra es 0.39. Vangelis impregnó de melodías las ondas de radio y TV. “Albedo 0.39” contiene “Alpha” –impresionista a lo Tomita– y “Pulstar” –añejo “Spacelab” helénico–, ambas usadas en la serie “Cosmos” (Carl Sagan, Ann Druyan y Steven Soter, 1980). Delirios prog –“Main Sequence”– comparten viaje orbital con el gamelán de “Freefall”, el ambient barroco de “Sword Of Orion” o el crescendo coordinado de “Albedo 0.39”, en un disco que marca con su sonido optimista una época de mayor ingenuidad científica.

IRENE PAPAS & VANGELIS PAPATHANASSIOU
“Odes”
(Polydor, 1979)

Cuesta dejar fuera de este subjetivo top 5 discos como “Antarctica (Polydor, 1983) o el segundo del tándem Papas/Vangelis, el místico Rapsodies (Polydor, 1986) inspirado en cantos ortodoxos, con piezas de la profundidad de “Song Of Songs”. “Rapsodies” y “Odes” son rarezas que representan la única incursión larga en estudio de Papas, la voz del orgasmo en “666” (Vertigo, 1972) de Aphrodite’s Child. El incienso etnotrónico del álbum se hace sublime en cortes como “The Roots”, uno de los dos compuestos por Vangelis, entre el resto de austeros temas de folk griego, conformando una elegante aleación de instrumentos tradicionales y sintetizadores.

VANGELIS
“Soil Festivities”
(Polydor, 1984)

Si alguien pensaba que en Vangelis prevalecía el ramalazo prog bañado en sirope estaba muy equivocado. El infravalorado “Soil Festivities” es un trabajo conceptual que suele conectarse con el clasicismo abrumador de Mask (Polydor, 1985) y con la elegancia minimalista del muy recuperable Invisible Connections (Deutsche Grammophon, 1985). En todo caso, se trata del más equilibrado de los tres. Sus movimientos –excepto buena parte del tercero– se construyen sobre patrones de ambient repetitivo, cristalino y envolvente con los que Vangelis pretendía transmitir la magia (re)generativa de ciertos procesos naturales.

VANGELIS
“Blade Runner”
(Universal, 2007)

Esta edición definitiva contiene la versión correcta de 1994, un segundo disco de cortes adicionales y otro con nueva música inspirada en el noir ciberpunk de Scott. El griego compuso la partitura de “Blade Runner” (Ridley Scott, 1982) sin escuchar los diálogos de un filme en el que confluyen su interés por la ciencia ficción –“Memories Of Green” procede del distópico “See You Later” (Polydor, 1980)– y su emocional fase electroacústica. El programa de RTVE “En portada” comenzaba a marcha de sus “End Titles”, con el recurrente motivo percusivo de “Así habló Zaratustra”, de Richard Strauss. Hans Zimmer respetó su legado sonoro en “Blade Runner 2049” (Denis Villeneuve, 2019). ∎

 

 

[Fuente: http://www.rockdelux.com]

 

Jeune livreur pour un courtier en vins bordelais, le futur créateur du « Petit Nicolas » fit quelques écarts avant d’être renvoyé… Récit.

Écrit par Thierry Masclot

Nous sommes en 1950, Jean-Jacques Sempé n’a pas encore créé le personnage du Petit Nicolas. Pour l’heure, disons que les bêtises, il les fait lui-même… Né à Pessac, 18 ans plus tôt, ce passionné de dessin est alors livreur pour le courtier en vins Giovetti et griffonne dans les marges des bons de commande de son employeur. Ce n’est pas tout : «J’étais livreur, mais je faisais quand même des mélanges…», raconte Jean-Jacques Sempé dans le livre d’entretiens Sempé, itinéraire d’un dessinateur d’humour (éd. Martine Gossieaux). Vous avez bien lu, Sempé fut un éphémère fraudeur de grands crus de Bordeaux. Dans le même livre, il ajoute : «Et je piquais du vin. Le courtier prélevait, chez les propriétaires, des échantillons. Et moi, de temps en temps, je prélevais mes propres échantillons pour les mettre dans une demi-bouteille et les vendre». De quoi mettre du beurre dans les épinards.

Des talents pour transformer la piquette en nectar

En toute logique, le futur illustrateur des unes du New Yorker est assez vite renvoyé. En marge de l’exposition temporaire Sempé en liberté, qui fut organisée au Musée Mer Marine de Bordeaux, en 2019, Martine Gossieaux, qui en était la commissaire, expliquait : «Il donnait à un vin médiocre des qualités de grand cru classé». Peu après cette affaire, en 1951, Sempé publie ses premiers dessins sous son nom dans le quotidien Sud Ouest. En 1954, il rencontre René Goscinny, qui publiera Le Petit Nicolas dès le premier numéro de Pilote en 1959. Le vin reste néanmoins intimement lié à la vie et à l’œuvre de Sempé. C’est en voyant une publicité des cavistes Nicolas qu’il choisit le prénom du facétieux gamin. «Il y a dans le bon vin une subtilité qui donne du bonheur. J’aimerais retrouver cette légèreté dans mes dessins», dira-t-il un jour en guise de credo.

 

[Photo : Sébastien Soriano – source : http://www.lefigaro.fr]

 

Le site spécialisé “Deadline” a annoncé, lundi 16 mai, sa décision de ne pas publier un entretien réalisé en avril avec le délégué général du Festival de Cannes, Thierry Frémaux. En cause : des passages de l’interview dont le service de presse de l’événement aurait exigé la suppression, notamment au sujet de Roman Polanski.

Thierry Frémaux, délégué général du Festival de Cannes, lors d’une conférence de presse le 16 mai, veille de l’ouverture de la 75e édition de la manifestation.

 

La rencontre évoquée s’est déroulée à Paris, au mois d’avril, entre Thierry Frémaux et Andreas Wiseman, journaliste de longue date au sein de ce site connu pour couvrir le secteur de la culture et du divertissement. Ainsi que le rapporte ce dernier, l’interview (qui était enregistrée) s’est déroulée dans une atmosphère “tout à fait cordiale”.

Les choses ont semble-t-il commencé à se gâter lorsque le service de presse du Festival a demandé à pouvoir relire l’entretien avant publication. “On m’a fait savoir que c’était l’usage dans la presse française, une convention que Deadline avait d’ailleurs acceptée à d’autres occasions, relate le journaliste. J’ai contesté cette pratique que je considère contraire à la déontologie, mais on m’a affirmé que l’exercice se résumait à vérifier les faits et la correction de la langue.

Une réponse jugée “problématique”

Chose qui, aux dires de Wiseman, “s’est révélée fausse”, puisque demande lui a été faite de retirer ou modifier substantiellement certains passages. “Citons, parmi les passages […] édulcorés par le service de presse, la réponse à une question : ‘Le festival inviterait-il de nouveau le cinéaste Roman Polanski ?’ Frémaux a qualifié la question de ‘très intéressante’ pendant notre conversation et il a donné une réponse mesurée, contribuant au débat, mais risquant aussi d’être problématique, car il notait que la loi n’avait pas changé en France depuis que Polanski avait remporté la Palme d’Or [en 2002, pour Le Pianiste], ce dont on déduit que la présence du réalisateur [visé par plusieurs accusations d’agressions sexuelles qu’il conteste] ne poserait pas de problème éthique.”

Toujours d’après Wiseman :

“Les réponses à une question sur le manque de femmes cinéastes ont également été retirées [par le service de presse].”

Une première partie de l’entretien avec Thierry Frémaux a malgré tout a été publiée sur Deadline dès le 14 avril“car les modifications exigées étaient relativement marginales”, justifie Wiseman. La seconde partie devait, elle, paraître dans Disruptors, une édition papier de Deadline imprimée spécialement à l’occasion du Festival de Cannes. “Nous avons décidé de ne pas inclure l’interview dans le magazine, car elle n’était plus intègre”, explique le journaliste. Lequel précise que la réaction du service de presse, qui lui aurait reproché de vouloir faire de la course aux clics, “était complètement contradictoire avec l’atmosphère détendue de l’interview avec Frémaux, qui n’a pas émis la moindre inquiétude pendant notre échange”.

Concurrence acharnée

Pour Wiseman, “toute cette histoire suscite des questionnements déontologiques sur la censure, la liberté de la presse et le journalisme clientéliste”.

“Aucun journaliste ne doit remettre sa copie pour validation. Personne dans notre milieu ne devrait formuler cette demande”, affirme-t-il, avant de demander :

“Pourquoi aucune autre publication n’a-t-elle dénoncé cette pratique ? Nous savons que certains journalistes la détestent et la trouvent avilissante. Mais ces principes font malheureusement les frais de notre contexte de concurrence acharnée.”

La mise au point de Thierry Frémaux

Dans un second article publié dans l’après-midi du 17 mai, Wiseman a rapporté les précisions données par Thierry Frémaux lui-même lors d’une conférence de presse tenue la veille. Interrogé, parmi d’autres sujets, sur cette accusation de censure, le délégué général du Festival a, selon le journaliste, “confirmé son habitude de relire ses propos, tout en affirmant que son entourage n’avait pas coutume de supprimer des questions”. À quoi Wiseman rétorque en écrivant que “ce n’est pourtant pas l’expérience que nous avons eue”.

L’article rapporte ensuite le reste de la réponse de Thierry Frémaux (dont les propos sont ici traduits de l’anglais) :

“Il n’y a pas d’autocensure, et encore moins de censure. Si je donne une interview et que le journaliste accepte le principe (ce qui est d’usage en France), je vais relire l’interview, et si j’ai besoin de faire une modification, je la ferai – je ne modifie pas l’article du journaliste.”

[ Photo : Sarah Meyssonier/Reuters – source : http://www.courrierinternational.com]

Sergueï Lavrov a instrumentalisé cette rumeur démentie depuis longtemps par les historiens de la Seconde Guerre mondiale.

Sergueï Lavrov a affirmé dans une interview pour la télévision italienne ce dimanche que ce n'est pas parce que le président ukrainien est juif qu'il ne pourrait pas diriger un régime néonazi. | Capture d'écran LCI via YouTube

Sergueï Lavrov a affirmé dans une interview pour la télévision italienne ce dimanche que ce n’est pas parce que le président ukrainien est juif qu’il ne pourrait pas diriger un régime néonazi. | Capture d’écran LCI via YouTube

Repéré par Nina Bailly

Depuis le début de la guerre en Ukraine, le régime russe et son dirigeant Vladimir Poutine sont disqualifiés et critiqués partout en Occident, tandis que le président ukrainien Volodymyr Zelensky est largement soutenu. Pour cette raison, de nombreuses théories du complot circulent en Russie à son propos, dans le but de le discréditer et de justifier l’invasion de l’Ukraine.

La dernière fausse information en date émane directement du ministre russe des Affaires étrangères Sergueï Lavrov, qui a affirmé dans une interview à la télévision italienne ce dimanche que ce n’est pas parce que le président ukrainien est juif qu’il ne pourrait pas diriger un régime néonazi, et a dressé un parallèle avec Adolf Hitler. Le ministre a suggéré durant l’interview que «les gens devraient s’intéresser au fait que Hitler lui-même avait du sang juif» avant d’ajouter: «Depuis un certain temps, nous entendons de la part du peuple juif que les plus grands antisémites sont juifs.»

Il existe en effet un mythe selon lequel le dictateur et fondateur du nazisme allemand aurait eu des origines juives, explique NBC News.

La technique «Big Lie»

Déjà dans les années 1930, des rumeurs selon lesquelles le grand-père d’Hitler (qui demeure inconnu à ce jour) aurait été juif circulaient. Elles étaient basées sur les dires de journaux sensationnalistes européens et sur l’idée non vérifiée que «Heidler», une variante du nom «Hitler», serait d’origine juive. Il n’y a cependant aucune preuve de cette théorie, qui a plusieurs fois été démentie par des historiens de la Seconde Guerre mondiale.

Le ministre des Affaires étrangères russe semble surtout avoir utilisé la technique de propagande appelée «Big Lie», employée par le régime nazi lui-même et son ministre de la Propagande Joseph Goebbels à l’époque. Ce dernier accusait régulièrement les ennemis de Hitler de crimes haineux et la technique consistait simplement à répéter infiniment un mensonge jusqu’à ce qu’il devienne crédible.

Cette idée est aussi une manière de sous-entendre que le peuple juif est en partie responsable de l’Holocauste et des horreurs qu’il a subies à cette période. C’est d’ailleurs un argument récurrent des rhétoriques antisémites. Plus que de la malhonnêteté intellectuelle, la remarque de Sergueï Lavrov est un mensonge révisionniste qui instrumentalise l’histoire pour justifier les décisions du Kremlin.

 

[Source : http://www.slate.fr]