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A obsolescência programada produz milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano e submete usuários às corporações tecnológicas. Em vários lugares, surgem os “cafés de conserto”, que se insurgem contra o desperdício e a dependência

Lote de computadores em uma lata de lixo

Consertar é uma forma de ajudar o meio ambiente.

Escrito por Peter Yeung, na BBC Brasil

“Hmm”, murmura Bruno Mottis, enquanto aperta os olhos atrás dos óculos. “Você derramou água nele? Ou colocou mais de um quilo de peso em cima? A fiação interna parece ter fritado ou desconectado de alguma maneira”, explica.

Mottis, um técnico voluntário, vira de ponta cabeça a balança de cozinha vermelha (decorada com a frase “keep calm and make jam“, ou “fique calmo e faça geleia”) e inspeciona sua placa de circuito com um detector de voltagem portátil.

“Pode ter molhado quando eu a estava limpando”, responde Imene, uma parisiense que participa de um workshop de conserto em um prédio público no nono arrondissement da capital francesa.

“Espero que dê para consertar, para não ter que comprar outra. Se tiver que comprar, eventualmente haverá outro problema e terei que comprar outra. É um ciclo vicioso”, reclama.

Paris é o lar de uma dúzia dessas oficinas ou “cafés de conserto”, iniciativas mensais gratuitas que permitem aos moradores locais consertar utensílios domésticos e eletrônicos com a ajuda e o conselho de voluntários entusiasmados.

Inspiradas na iniciativa lançada pela jornalista Martine Postma em Amsterdã em 2009, centenas de oficinas semelhantes operam em toda a Europa.

“Somos uma sociedade de desperdício e consumo excessivo”, explica Emmanuel Vallée, organizador do Repair Café Paris, que, desde o seu lançamento, em maio de 2019, costuma atrair cerca de 25 pessoas por evento, incluindo algumas que participam online.

“Jogamos fora coisas que não necessariamente precisaríamos jogar”, lamenta.

Martine Postma

Martine Postma foi a pioneira dos cafés de conserto na Holanda, inspirando iniciativas semelhantes em toda a Europa.

Para Vallée e técnicos como ele, há muito trabalho a ser feito.

O mundo produziu cerca de 45 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2016, quando consumidores e empresas jogaram fora smartphones, computadores e eletrodomésticos avaliados em US$ 62,5 bilhões.

E apenas 20% de todo esse equipamento é reciclado de maneira adequada.

Na Europa, onde o problema é particularmente grave, os pesquisadores estimam que somente de algo entre 12% e 15% dos telefones celulares são reciclados de forma apropriada, apesar de cerca de 90% da população possuir um.

E a previsão é de que o lixo eletrônico, que muitas vezes é enviado ilegalmente do Ocidente para enormes aterros tóxicos em países como Filipinas, Gana, Nigéria e China, deve chegar a mais de 52 milhões de toneladas até o fim de 2021 — e dobrar de volume até 2050, se tornando o tipo de lixo doméstico que mais cresce no mundo.

O impacto ambiental varia de emissões gigantescas de carbono à contaminação de fontes de água e de cadeias de abastecimento de alimentos.

Mas, com os consertos, uma parte significativa desse desperdício poderia ser evitada.

Café de conserto em Paris

Cafés de conserto, como este em Paris em 2014, oferecem às pessoas a oportunidade de aprender como consertar seus próprios dispositivos e eletrodomésticos quebrados.

De acordo com um estudo da Agência Francesa de Meio Ambiente e Gestão de Energia, apenas 40% das avarias eletrônicas são consertadas na França.

As pesquisas, no entanto, indicam que quase dois terços dos europeus preferem consertar seus produtos do que comprar novos.

É por isso que as autoridades francesas acreditam que, assim como a balança da cozinha de Imene, o sistema atual não funciona e precisa ser reparado.

Em um esforço para reduzir essa enorme quantidade de resíduos evitáveis, a Assembleia Nacional Francesa votou no ano passado para instituir um índice de classificação de “reparabilidade” para eletrodomésticos como máquinas de lavar, cortadores de grama, televisores e smartphones.

Ao fazer isso, o governo francês espera aumentar a taxa de conserto de dispositivos eletrônicos em 60% em cinco anos.

Medidas de eficiência energética

A lei francesa exige o uso de um sistema de classificação de reparabilidade do produto semelhante ao que já é usado para medir a eficiência energética.

As regras entraram em vigor em janeiro e exigem que os fabricantes coloquem classificações em seus produtos — algo semelhante ao sistema de classificação de eficiência energética que já está amplamente implementado.

Elas são calculadas com base em cinco critérios: facilidade de conserto, preço das peças de reposição, disponibilidade de peças de reposição, disponibilidade de documentação para conserto e uma medida final que varia dependendo do tipo de dispositivo.

Depois do primeiro ano, uma multa de até 15 mil euros será imposta aos produtores, distribuidores e vendedores que não cumprirem a medida.

O projeto de lei também prevê um índice de “durabilidade”, a partir de 2024, que levará em conta novos critérios como confiabilidade e robustez do produto.

“Queremos limitar o consumo dos recursos naturais do mundo”, explica Véronique Riotton, deputada francesa que foi relatora da legislação.

“Todo mundo está preocupado. O objetivo é melhorar o mercado de consertos, e espero que esse índice deixe o consumidor mais consciente em relação a esta crise ecológica”, afirma.

O esquema de classificação foi apresentado como o primeiro do tipo no mundo, preparando o terreno para que outros países sigam essa tendência.

A expectativa é de que o sistema francês dê início a uma corrida entre as empresas para melhorar a “reparabilidade” dos produtos.

Telefone sendo jogado no lixo

Na Europa, apenas algo entre 12% e 15% dos telefones celulares são reciclados de maneira adequada.

Os ativistas acreditam que as medidas vão permitir que um número maior de pessoas, assim como partes interessadas, como oficinas de conserto, realizem os trabalhos, o que pode levar a uma maior aceitação do ato de consertar.

“O conserto não está no topo da lista de prioridades da indústria [eletrônica]”, diz Maarten Depypere, engenheiro de políticas de reparos da iFixit Europe, empresa privada que produz avaliações de reparabilidade de produtos.

“Mas a França realmente levou os consumidores em consideração com essa lei. É uma solução muito equilibrada, que acho que vai gerar mais concorrência entre as empresas. Acredito que todos os países deveriam adotá-la”, afirma.

Os estudos preliminares sugerem que o aumento dos consertos pode ter um grande impacto.

Uma análise do Escritório Europeu de Meio Ambiente (EEB, na sigla em inglês), uma rede de organizações ambientais na Europa, concluiu que estender a vida útil de todas as máquinas de lavar, laptops, aspiradores de pó e smartphones na União Europeia em um ano economizaria quatro milhões de toneladas de dióxido de carbono anualmente até 2030, o equivalente a tirar dois milhões de carros de circulação das estradas todos os anos.

No entanto, os ativistas veem uma falha grave no índice de reparabilidade da França: o fato de que a avaliação será feita pelos próprios fabricantes, e não por um órgão independente.

“Obviamente, há um risco de parcialidade se os fabricantes fizerem sua própria classificação”, afirma Jean-Pierre Schweitzer, responsável pelas políticas de produtos e economia circular da EEB.

“Mas esse é o primeiro selo nacional do gênero. Mostra que a questão do conserto tem se tornado cada vez mais importante. Não precisamos ser luditas [referência ao movimento ocorrido na Inglaterra no século 19 que reuniu trabalhadores da indústria contrários aos avanços tecnológicos em curso]. Trata-se de reinventar como usamos a tecnologia”, explica.

De acordo com Schweitzer, vários avanços políticos recentes refletem o apoio ao que tem sido chamado de “direito de consertar” dos consumidores.

Em dezembro de 2019, a União Europeia adotou seus primeiros requisitos de design ecológico para eletrodomésticos, como geladeiras, máquinas de lavar, iluminação e telas.

Homem em usina de reciclagem de eletrônicos

Muitos países não possuem sistemas de reciclagem adequados.

Isso foi seguido pelo Acordo Verde da União Europeia e pelo novo Plano de Ação da Economia Circular, com o compromisso explícito de explorar o “direito de consertar”.

Desde então, a Comissão Europeia lançou processos de consulta que analisaram conjuntos mais amplos de produtos, como tecidos, móveis e pilhas.

Mais recentemente, em novembro, o Parlamento Europeu aprovou um relatório a favor do estabelecimento de regras mais rígidas sobre o “direito de consertar”.

Também há avanços a nível nacional.

Na Áustria, o governo reduziu pela metade o IVA (imposto sobre valor agregado) sobre certos consertos para 10%, e vários estados introduziram um sistema de vouchers de até 100 euros para financiar os reparos.

Na Hungria, o governo estendeu o período de garantia de certos eletrodomésticos para até três anos.

Além disso, a Austrália divulgou um relatório sobre o “direito de consertar”, e as conclusões devem ser apresentadas em breve, enquanto alguns estados dos EUA têm o direito de consertar em vigor há uma década, embora seja focado sobretudo em veículos.

Esses avanços também vão exigir mudanças significativas na forma como os fabricantes de bens de consumo operam atualmente e nos produtos que eles produzem, diz Chloe Mikolajczak da campanha Right to Repair, uma coalizão de 40 organizações em 15 países europeus.

Muitos fones de ouvido sem fio, observa ela, não podem ser desmontados, tampouco consertados; uma vez que as baterias se esgotam, precisam ser descartadas; enquanto os smartphones estão cada vez mais complexos com várias câmeras, o que os torna mais difíceis de consertar.

iPhone

A Apple é uma das empresas acusadas de reduzir intencionalmente a durabilidade de seus produtos.

As atualizações de software são parte dessa reparabilidade, acrescenta Mikolajczak, e os fabricantes precisarão manter os dispositivos mais antigos.

No entanto, nem sempre é o caso.

A fabricante de alto-falantes Sonos foi criticada em 2019 por um recurso de software que tornava os dispositivos mais antigos inutilizáveis.

E a Apple gerou polêmica ao reduzir intencionalmente a capacidade de computação dos iPhones mais antigos em uma prática conhecida como “obsolescência programada”.

A DigitalEurope, órgão da indústria de tecnologia digital que representa empresas como Amazon, Apple e Google, recusou-se a comentar o assunto quando contatada pela BBC Future Planet.

Mas um porta-voz fez referência a um posicionamento oficial da DigitalEurope, que observa que os seus “membros há muito tempo abriram caminho para o avanço ambiental” e que “enfatiza a necessidade de garantir requisitos equilibrados” para o direito de consertar.

O documento exige que as regras sobre o direito de consertar sejam “proporcionais, viáveis, rentáveis e respeitem o sigilo comercial” e defende que “os fabricantes devem continuar a optar por um serviço profissional por meio de uma rede de parceiros técnicos certificados, que, segundo eles, são preferíveis a técnicos externos por questões de qualidade, de segurança, comerciais e ambientais.

“Não acreditamos que esses argumentos se sustentem”, diz Mikolajczak, no entanto.

“Não há razão para pensar que consertos de terceiros resultariam em danos. E, se as empresas concorrentes realmente quisessem olhar dentro dos dispositivos da concorrência, não precisariam de um técnico terceirizado para fazer isso. Essas restrições apenas tornam mais difícil e mais caro para os consumidores consertar os dispositivos”, acrescenta.

Café de conserto

Nos cafés de conserto, todos os tipos de aparelhos são consertados: de máquinas de costura a brinquedos, telefones e computadores.

Para quem vai aos cafés de conserto de Paris, a realidade dos reparos é completamente diferente.

As conversas animadas, o cheiro de bolo recém saído do forno e o barulho das ferramentas tomam conta da sala, que conta com cerca de uma dúzia de estações de conserto ocupadas pelos participantes.

“Me disseram que não poderia ser consertado”, diz Caroline, mostrando o parecer do fabricante atestando que sua máquina de costura de 20 anos é irreparável.

“Mas identificamos o problema em questão de minutos. As coisas funcionam melhor quando resolvemos o problema com nossas próprias mãos.”

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]
  • Leydy Pech, indígena maya que lideró la coalición que enfrentó en tribunales a la compañía Monsanto para detener la siembra de soya transgénica, es una de las seis galardonadas con el Premio Goldman 2020, el máximo reconocimiento para activistas ambientales.
  • “Los pueblos indígenas estamos pagando un costo muy alto por el modelo de desarrollo impuesto por los gobiernos”, dice Leydy Pech, para quien el premio es un reconocimiento a la larga lucha dada por el Colectivo de Comunidades Mayas de los Chenes.

Leydy Pech Martín está rodeda de la flor de tajonal, para ella es muy simbólico pues es una fuente de nectar y polen para las abejas y los insectos polinizadores de la región. A través de la conservación de apicultura tradicional maya, Leydy lucha contra empresas trasnacionales y por el respeto de los derechos de la mujer maya, por un medio ambiente sano.

Escrito por Thelma Gómez Durán

Todo comenzó por las abejas. No se trataba de las abejas que más abundan y que son más conocidas, aquellas que la ciencia llama Apis mellifera. La historia de Leydy Pech como defensora del ambiente, el territorio y la identidad maya puede empezar a contarse a partir de su interés por conservar a una abeja más pequeña, que no tiene aguijón, que hace sus colmenas dentro de troncos huecos y que solo se encuentra en la península de Yucatán. Una abeja bautizada por los científicos como Melipona beecheii, pero que los mayas llaman Xunáan Kab, “la dama de la miel”.

Hace poco más de dos décadas, Leydy Pech y otras mujeres mayas de la comunidad de Ich Ek —municipio de Hopelchén, en el estado de Campeche, al sur de México— se organizaron para comenzar a rescatar una práctica que habían desarrollado los antiguos mayas, pero que se perdía en su territorio: la meliponicultura, es decir la crianza de la Xunáan Kab para producir miel.

Esas “abejitas” —como les llama Leydy— provocaron una pregunta que se convirtió en un motor de acción: “¿Cómo se van a conservar a las abejas si cada vez hay menos condiciones ambientales para que ellas sobrevivan? Las abejitas permitieron darme cuenta de todo lo que estaba pasando en mi territorio”.

FOTO EMBARGADA HASTA EL 30 DE NOVIEMBRE DE 2020

Leydy Pech es una mujer maya que practica la apicultura tradicional maya, a través del manejo de la abeja melipona. Esta labor permite el cuidado de la selva y brinda un servicio ambiental importante. Foto: Robin Canul

Desde entonces, Leydy Pech —hoy de 55 años— y sus compañeros del Colectivo de Comunidades Mayas de los Chenes han recorrido un largo camino que los ha llevado a denunciar las consecuencias ambientales, sociales y culturales que está provocando el avance de la agroindustria en el municipio de Hopelchén, Campeche, y en otras áreas de la península de Yucatán.

En ese caminar se han enfrentado a grandes empresas como Monsanto, así como a las dependencias gubernamentales que en 2012 otorgaron permisos a la empresa para la siembra de soya transgénica, sin realizar consultas previas. “Nunca imaginé —dice Pech— que al decidir conservar a estas abejitas nos íbamos a enfrentar a tantas dificultades”.

En 2015, después de un largo litigio, la Suprema Corte de la Nación dictaminó que el gobierno mexicano violó los derechos constitucionales de los mayas al entregar los permisos a Monsanto. En 2017, el Servicio Nacional de Sanidad, Inocuidad y Calidad Agroalimentaria revocó el permiso que tenía la compañía para cultivar soya genéticamente modificada en seis estados de México.

FOTO EMBARGADA HASTA EL 30 DE NOVIEMBRE 2020

Leydy Pech, indígena maya de Hopelchén, Campeche, recalca que el premio es un reconocimiento al trabajo de las comunidades mayas. Foto: Robin Canul

Por ese logro y por su trabajo por la defensa del territorio maya, Leydy Pech es una de las seis personas que este año obtuvieron el Premio Goldman, galardón que desde 1989 otorga la Fundación Ambiental Goldman y que es considerado como el más importante reconocimiento para defensores ambientales.

“Este premio es un reconocimiento al trabajo colectivo que se ha hecho en Hopelchén; es también una gran responsabilidad y un compromiso por continuar, porque durante nuestra lucha hemos logrado varias cosas, pero aún nos falta mucho por hacer”, dice Leydy Pech. Es discreta al mostrar su felicidad por el galardón; en sus palabras no hay aspavientos; en su voz no hay prisa ni titubeos. En sus frases predomina el plural: “Como sucedió con el fallo de la Suprema Corte, este reconocimiento nos da la razón: vamos por buen camino”.

Mujeres que forman parte del Colectivo de Comunidades Mayas de los Chenes. Foto: Robin Canul

El poder de las comunidades organizadas

Leydy Pech nació y creció en la comunidad maya de Ich Ek, en el municipio de Hopelchén, en Campeche; una región conocida como Los Chenes, un territorio que forma parte de la selva maya y en donde la apicultura es una de las principales actividades económicas: 40 % de la producción nacional de miel proviene de la península de Yucatán.

Cuando un grupo de mujeres de Ich Ek comenzaron a trabajar con las abejas Xunáan Kab —recuerda Leydy Pech— se dieron cuenta de que los conocimientos de sus ancestros mayas se estaban perdiendo: solo en algunos lugares se realizaba meliponicultura y la introducción de las abejas Apis mellifera ya había desplazado a las abejas nativas.

“Estas abejitas —explica Pech— han vivido en este territorio desde hace miles de años, son mayas, pero se les estaba desplazando, porque ellas no producen tanta miel como la Apis, pero no por eso se les debe hacer a un lado. Ellas son de este territorio y gracias a ellas existen ciertas plantas. Pero cada vez es más difícil que tengan las condiciones ambientales para que vivan”.

Los cambios en el paisaje comenzaron a notarse más a partir de finales de la década de los ochenta, cuando en el municipio de Hopelchén empezaron a instalarse colonias de comunidades menonitas procedentes del norte de México. Los menonitas compraron y rentaron tierras las cuales transformaron en grandes campos de cultivo sin que ninguna autoridad federal, estatal o municipal lo impidiera.

Campo de Soya en Campeche

Campo cultivado con soya en Hopelchén, Campeche; ejemplo de la agricultura intensiva que propicia el declive en la diversidad de las abejas. Foto: Eric Vides

Cuando Leydy Pech, sus compañeras y habitantes de otras comunidades de Hopelchen miraron cómo la diversidad de la selva maya se sustituía por extensos campos de monocultivos decidieron organizarse, formaron el Colectivo Apícola de los Chenes, que después cambió su nombre a Colectivo de Comunidades Mayas de los Chenes.

“Primero eran un grupo de representantes de unas ocho comunidades que, entre 2008-2009, empezaron a reunirse para reflexionar sobre los cambios que veían en su región, provocados por la agricultura industrial que estaba modificando toda la geografía de la zona y la selva en Hopelchén”, recuerda Irma Gómez, ingeniera agrícola e investigadora que ha acompañado a las comunidades mayas.

Ese colectivo creció aún más a partir de 2012, cuando en la región se enteraron de que el gobierno mexicano, sin consultar previamente a las comunidades, había otorgado permisos a la empresa Monsanto para la siembra de soya transgénica, y esas semillas y plaguicidas, como el glifosato, se estaban utilizando en terrenos agrícolas de Hopelchén.

Menonitas Campeche

En Hopelchén, Campeche, la expansión de la agroindustria se realiza en tierras compradas y rentadas por los menonitas. Foto: cortesía de Gabriela Torres M.

Irma Gómez recuerda que entre las primeras preocupaciones de los apicultores estaban las consecuencias que traerían los transgénicos a la producción de miel.

Pero, poco tiempo después, las comunidades y sobre todo las mujeres comenzaron a reflexionar sobre cómo la expansión de la agroindustria afectaba a la biodiversidad, contaminaba sus fuentes de agua y provocaba daños en su salud. También se comenzó a hablar de la importancia de conservar sus conocimientos y su identidad maya. “Las mujeres del colectivo —recuerda Gómez— subieron a la mesa de discusión temas como el respeto al territorio y a la cultura”.

La académica Naayeli Ramírez, quien durante un tiempo fue la asesora legal del Colectivo de Comunidades Mayas de los Chenes, resalta que el “colectivo logró dar el salto gracias al liderazgo de muchas mujeres”.

Cuando en 2015 la Suprema Corte les dio la razón y señaló que el gobierno mexicano violó sus derechos al entregar los permisos a Monsanto, el Colectivo de Comunidades Mayas de los Chenes logró mostrar que las comunidades organizadas pueden enfrentar con éxito a grandes empresas.

Pero además, cuando en 2017 se cancelaron los permisos para la siembra de transgénicos, “muchas comunidades del país miraron que es posible litigar contra el estado y contra las empresas. Ese triunfo impulsó a otras comunidades a decir: sí se puede organizarse para pelear contra políticas públicas que nos afectan”, resalta Jorge Fernández, abogado de Equipo Indignación, una de las organizaciones civiles que ha acompañado en su lucha a las comunidades mayas.

Abejas nativas-Campeche

Leydy Pech en su comunidad de Ich Ek. Foto: Thelma Gómez Durán

Mujeres que cuidan

Leydy Pech y sus compañeras mayas que han trabajado en el rescate de las meliponas y la defensa de su territorio abrieron nuevos caminos: no solo visibilizaron la importancia de conservar a una abeja nativa, también mostraron que ellas —no sus esposos, hermanos o padres— podían crear una organización —llamada Koolel-Kaab Muuch Kambal— para hacer que su voz se escuche y desarrollar sus propios productos de agricultura orgánica.

Leydy Pech reconoce que “no ha sido nada fácil abrir esas brechas. Porque uno empieza a romper roles en la propia familia y en la comunidad para impulsar cambios. Y eso cuesta”.

Entre las mujeres mayas que, junto con Pech, asumieron la defensa de su territorio están Angélica Ek, Alicia Poot, Andrea Pech Moo, Juanita Keb, Socorro Pech, Hilda Chávez, Guadalupe Correa, Cándida Che, Teresa Lugo, Martha Trejo, Consuelo Tec, Gina Naal, Ana Pech Nal y otras más.

Koolel-Kaab, “mujeres que trabajan con abejas”, es un grupo de señoras del poblado de Ich Ek que desde 1995 se dedican al cuidado y la conservación de la abeja melipona. Foto: Robin Canul

Naayelli Ramírez, hoy directora del departamento regional del Tec de Monterrey, resalta que las mujeres de las comunidades mayas que defienden el territorio en el estado de Campeche “lograron pensarse a sí mismas de otra manera en un contexto que todo el tiempo las reta”.

Quienes conocen a Leydy Pech la definen como una mujer con una capacidad analítica sorprendente, que apuesta al diálogo, que es empática y que no busca el conflicto. También resaltan su capacidad para transformarse, adaptarse, mejorar y enfrentar sus miedos. Su liderazgo, coinciden, se ha dado en forma natural.

Pech prefiere no mirarse como “líder” o “activista”. Incluso, acepta que se negaba a mirarse como defensora ambiental. “A mí, como mujer, me han enseñado a cuidar, a proteger”, dice. Por eso, cuando ella miró cómo se estaba perdiendo ese ambiente, eso que formaba su territorio y su identidad como maya, era lógico que tenía que tomar el camino de la defensa.

Las mujeres de Koolel-Kaab tienen sus propios proyectos productivos; uno de ellos es la comercialización de productos derivados de la apicultura. Foto Robin Canul

“En menos de 15 años se perdieron esos grandes espacios de selva que teníamos y en donde escuchábamos a los pájaros, veíamos las plantas y a las abejas pecoreando; uno sentía el olor de las flores. Todo eso ya no está cerca; ahora está cada vez más lejos. Yo lo pude mirar, pero las nuevas generaciones ya no lo tienen tan cerca… Nosotras estamos luchando por conservar el territorio para las demás generaciones”.

La ganadora del Premio Goldman confiesa que se identifica con las abejas porque como ellas necesita las plantas, un territorio conservado para mantener su identidad: “para que nosotros, los mayas, podamos seguir necesitamos nuestras plantas medicinales, a los animales, a la biodiversidad. Yo vivo gracias a que mis antepasados, mis abuelos, mis padres cuidaron y conservaron. Esa es la parte que a nosotros ahora nos toca: conservar y cuidar para las nuevas generaciones”.

Abeja nativa de la Península de Yucatán

La Melipona beecheii es una de las abejas nativas de la península de Yucatán. Foto: Thelma Gómez Durán

Defender el territorio y la identidad

En 2019, el estado de Campeche perdió poco más de 53 mil hectáreas de cobertura arbórea. Entre 2001 y 2019, tan solo en el municipio de Hopelchén esa pérdida fue de 186 000 hectáreas, lo que equivale a una disminución del 20 % de lo que se tenía en el 2000, de acuerdo con datos de la plataforma Global Forest Watch.

Investigadores como el doctor Edward Allan Ellis, del Centro de Investigaciones Tropicales de la Universidad Veracruzana, han documentado que en Hopelchén la tasa de deforestación es cinco veces más alta que el promedio nacional.

A Leydy Pech no le convence el término “deforestación”; siente que la palabra se queda corta, que no es suficiente para dar una idea clara de todo lo que se pierde cuando se transforma una zona que antes era selva. “Cuando se habla de deforestación —explica— pareciera que solo se habla de que se tala cierto número de árboles. No, en esa tala de árboles se perdieron más cosas: se pierden las aguadas —lugares donde se concentra el agua—, se pierden especies de animales, se pierden conocimientos sobre esos lugares”.

Deforestación-Hopelchén

Hopelchén, Campeche. Desmonte y quema de la selva. Foto: Franz López

Es por eso que para Leydy Pech la defensa del territorio está ligada con la defensa de la identidad maya. “Estamos luchando para conservar no solo la biodiversidad, también nuestra identidad y los conocimientos que tenemos como pueblos originarios”.

Y por eso, Pech y sus compañeras mayas se han ocupado en trabajar con los jóvenes. Para ella es importante que las nuevas generaciones de indígenas mayas tengan un sentido de pertenencia al territorio y a la cultura. “Esa es una responsabilidad que tenemos, que no se pierdan los conocimientos de nuestra cultura maya”.

Jorge Fernández, abogado de Equipo Indignación, resalta que el Colectivo de Comunidades Mayas de los Chenes es hoy un espacio en donde la defensa del territorio va de la mano con la defensa de la identidad maya.

“Ese proceso de búsqueda y encuentro con la identidad maya que ha tenido el colectivo —resalta Fernández— es uno de los procesos más interesantes que he visto. Han construido nuevas estrategias jurídicas y políticas donde se liga lo ambiental con lo cultural y la defensa de sus derechos como pueblo indígena”.

FOTO EMBARGADA AL 30 DE NOVIEMBRE DE 2020

Como parte de sus actividades comunitarias, Leydy Pech y el Colectivo de Comunidades Mayas de los Chenes realizan actividades de educación ambiental. Foto: Robin Canul

 

Seguir la lucha contra un “desarrollo” impuesto

En las últimas dos décadas, la selva maya pierde territorio no solo por el avance de la agroindustria. La península de Yucatán ha sido invadida por proyectos que van desde la instalación de granjas porcinas —un estudio de Greenpeace-México documentó 257; 43 de ellas dentro de Áreas Naturales Protegidas—, parques eólicos, granjas solares e instalaciones turísticas. Además, el gobierno federal impulsa la construcción del llamado “Tren Maya”.

En estos años Leydy Pech ha mirado cómo se utiliza el discurso del “desarrollo” para impulsar megaproyectos agroindustriales, turísticos o de infraestructura. Ese mismo discurso es con el que hoy el gobierno actual impulsa al llamado Tren Maya: “Este gobierno sigue cometiendo el mismo error que los gobiernos anteriores: se plantea el desarrollo desde los escritorios, sin escuchar a las comunidades. Por eso, nosotros nos preguntamos: el desarrollo, ¿para quién es? Los proyectos eólicos, de extractivismo, de agroindustria, de turismo y el del tren no son nuestros proyectos. Son proyectos que llegan, se imponen y solo provocan desequilibrio, más pobreza y pérdida de conocimientos”.

Los integrantes del Colectivo de Comunidades Mayas de los Chenes han visto en su región esos desequilibrios ambientales, sociales, económicos y culturales que provoca, por ejemplo, la agroindustria.

En junio pasado, por ejemplo, el paso de las tormentas tropicales Amanda y Cristóbal dejó graves afectaciones en 122 comunidades de la península de Yucatán; 22 poblados de Hopelchén se inundaron durante días y se afectó a 93 % de las colmenas en Campeche. El colectivo documentó que las zonas más afectadas fueron aquellas donde se ha perdido selva, se cambió el uso de suelo y se transformaron los sistemas hidrológicos naturales.

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En el municipio de Hopelchén, 93 % de las colmenas sufrieron daños durante las inundaciones de junio de 2020. Foto: Robin Canul

“Ahora las comunidades nos estamos inundando cuando hay un evento natural como una tormenta o un huracán. La diversidad de alimentos se está reduciendo. Todo este modelo de agroindustria nos está afectando; los plaguicidas están contaminando nuestros suelos y el agua; se están perdiendo plantas nativas… Y todo —reclama Leydy Pech— por un modelo de desarrollo impuesto por los gobiernos y las empresas. Los pueblos indígenas, los pueblos originarios, somos los que pagamos el costo más alto de ese modelo”.

Cuando se le pregunta sobre el Tren Maya, Pech recuerda los argumentos que escucharon cuando daban la lucha contra la siembra de soya transgénica: “Nos dijeron: tienes muchos años comiendo soya y no te has muerto. Pero no hablaban de todo lo asociado a la siembra de la soya transgénica, la pérdida de selva, de plantas, animales y la afectaciones por los plaguicidas. Con el tren pasa lo mismo. El tren en sí, solo la vía del tren, no es el problema. El problema es todo lo que va asociado a ese proyecto. No nos pueden hablar solo del tren sin mencionar sus impactos culturales, ambientales, económicos y sociales”.

Ante este panorama, Leydy Pech menciona que el recibir el Premio Goldman es un impulso para seguir en la defensa del ambiente, el territorio y la identidad maya. “Estas luchas son muy largas. Esto nos permitirá fortalecer la lucha y nos abre la oportunidad para que se sumen más mujeres”.

FOTO EMBARGADA HASTA EL 30 DE NOVIEMBRE DE 2020

Leydy Peche fue reconocida con el Premio Goldman 2020 por su trayectoria en la defensa del territorio y su lucha contra los cultivos transgénicos. Foto: Robin Canul

Acciones para el beneficio de todos

Además de Leydy Pech, el Premio Goldman 2020 también se entregó a cinco activistas ambientales más; entre ellos a la ecuatoriana Nemonte Nenquimo, quien lideró una campaña indígena y una acción legal que tuvo como resultado un dictamen de la corte para la protección de la selva amazónica y el territorio waorani contra la extracción petrolera.

Otros de los galardonados este año son Chibeze Ezekiel, de Ghana, quien logró detener la construcción de una central de carbón; Kristal Ambrose, de Las Bahamas; quien logró que su país prohibiera las bolsas plásticas de uso único; Lucie Pinson, cuyo activismo permitió que en 2017 los tres bancos más importantes de Francia eliminaran el financiamiento para nuevos proyectos de carbón; y Paul Sein Twa, del pueblo indígena karen de Myanmar, quien impulsó la creación de un parque de la paz, un modelo comunitario de colaboración para la conservación en la cuenca del río Salween.

“Estos seis defensores del medio ambiente son los mejores ejemplos del impacto que una persona puede tener en muchas”, de acuerdo con John Goldman, presidente de la Fundación Ambiental Goldman.

Leydy Pech insiste que el premio es un reconocimiento para un trabajo en colectivo; un trabajo que comenzó por las abejas y que ahora sigue siendo por ellas, por esas abejas nativas que son una pequeña pieza de todo aquello que integra la identidad cultural maya.

 

[Fuente: http://www.mongabay.com]

Apicultores de la Sociedad Rural Kabi Habin, en Blanca Flor, Quintana Roo, México.

Tierra, semillas y territorios libres de violencias. La crisis alimentaria a nivel mundial cobra mayor vigencia cada día. Por un lado, la calidad de los alimentos preocupa a quienes pueden acceder a ellos; por otro, es cada vez mayor la cantidad de gente que no accede a una alimentación saludable.

Los dos aspectos de este conflicto comparten una misma raíz: un sistema agroalimentario industrial que se ha desviado del objetivo de alimentar a los pueblos, para convertirse en un multimillonario negocio que está destruyendo el planeta y la salud de las personas.

Como respuesta a la crisis generada por el agronegocio surge, en la década de 1980, la agroecología: una propuesta para resolver integralmente las problemáticas que el propio agronegocio genera. Hoy, sin embargo, el modelo agroindustrial (inmerso en una inevitable crisis) pretende reinventarse buscando una imagen que lo desligue de los crímenes que, desde hace décadas, viene perpetrando contra la naturaleza y los seres humanos.

Agroecología es hoy, entonces, un término en disputa.

Desde las organizaciones campesinas, de productoras y productores socioambientales y medios de comunicación alternativos, proponemos una agroecología de base campesina, heredera de 10 mil años de agricultura, cuyo objetivo principal es la soberanía alimentaria de nuestros pueblos. Cuando hablamos de agroecología de base campesina, creemos esencial tener en cuenta dimensiones sociales, políticas y medioambientales, y no solo las técnicas o prácticas agronómicas para producir alimentos. Eliminar el uso de agrotóxicos es central para tener una alimentación sana, pero hay muchos otros aspectos importantes a tener en cuenta. No podemos, por ejemplo, pensar en la producción de alimentos sin cuestionar profundamente las condiciones en que se producen, y sin reconocer y visibilizar los saberes que hace años forman parte de los sistemas productivos. Una agroecología de base campesina debe construirse a partir de la lucha por el territorio en manos de los pueblos, con circuitos de comercialización locales y de intercambio justo, donde las relaciones no prioricen el negocio, sino la solidaridad, la defensa de los bienes comunes, la biodiversidad y la construcción de relaciones más justas y espacios libres de violencias.

¿Por qué decimos que el concepto de agroecología está en disputa? Porque, desde hace algunos años, las corporaciones y los Estados se están apropiando de la palabra agroecología, otorgándole un sentido muy distinto. Plantean, sí, la eliminación del uso de agrotóxicos en la producción; pero no cuestionan el resto de sus prácticas que son igual de dañinas, como el uso de maquinaria pesada, la concentración de la tierra, el control corporativo de las semillas, las plantaciones de monocultivos o las relaciones desiguales con trabajadoras y trabajadores rurales. Así se pretende quitar a la agroecología sus múltiples dimensiones, para reducirla a una técnica uniforme y estandarizada que no cambie la esencia del modelo agrícola dominante. Es importante resaltar que la agroecología, para estos sectores, es entendida solo como un negocio y no como una forma de alimentar a los pueblos.

Nos proponemos pensar disparadores que contribuyan a fomentar y enriquecer el debate colectivo. Nos enfocamos en tres ejes que consideramos esenciales a la hora de pensar una agroecología de base campesina: la construcción, desde las bases, de un feminismo campesino acorde a las realidades y necesidades de los territorios y sus habitantes; el rescate y la difusión de los saberes ancestrales que permitieron preservar y reproducir las semillas nativas y criollas durante generaciones; el reclamo por el acceso a la tierra por parte de campesinas y campesinos que la trabajan, con la reforma agraria integral como única forma de lograrlo.

Agroecología no es slo una forma de producción sin químicos, es un montón de cosas más. Es una forma de vida. Es estar vinculado con el lugar donde uno está, en el lugar de producción y en el lugar de venta. Para todo lo que producimos, el principal lugar de venta es la misma comunidad. No nos ponemos como objetivo la venta de productos orgánicos hacia otros lados; queremos que estos alimentos se aprovechen en nuestra zona. Creemos en pertenecer a un grupo, en el trabajo en red y en las relaciones. No nos interesa estar produciendo en el campo y desvincularnos de lo que pasa después con nuestros alimentos, ni tendría sentido producir sin agrotóxicos para que ese alimento sea destinado a la clase social que más poder adquisitivo tiene, ni trasladarlo lejos de donde estamos. En la agroecología está presente lo productivo, pero también lo ambiental, lo social, lo cultural, lo económico, el acceso a la tierra y tener una mirada colectiva.

 

Andrea Tortorolo y Gabriel Arisnabarreta, de la chacra La Bonita, Saladillo, provincia de Buenos Aires, Argentina

Construcción de un feminismo campesino. Cada uno de los alimentos que llega a nuestra mesa es producido y sostenido por una trama de relaciones sociales. Muchas veces, estas relaciones están cargadas de violencia y opresiones. La agroecología que queremos apunta a construir vínculos más justos, más solidarios, más cooperativos, para que todos los ámbitos de producción y reproducción de la vida sean sostenibles y saludables. Pensar este tipo de relaciones nos lleva, necesariamente, a pensar en las opresiones instauradas por el sistema patriarcal; sistema del que también forman parte los ámbitos rurales.

La realidad de las mujeres está atravesada por múltiples violencias, de índoles física, económica y simbólica. Ante estas situaciones, el diálogo y la escucha entre compañeras comenzó a crecer y a naturalizarse, generando debates y fomentando la organización como forma de enfrentar estas violencias en forma conjunta. Así, fue quedando en evidencia que lo que le pasa a una es parte de un relato colectivo que da cuenta de un problema estructural, y no solo de experiencias individuales.

La doble carga de tareas que representan el trabajo productivo y el sostenimiento de las tareas de cuidado, sumada a la devaloración de los saberes en torno a la salud, al uso de plantas medicinales y al manejo de cultivos que históricamente han realizado, son aspectos que forman parte de un sistema que subordina a las mujeres, y que se expresa de forma violenta. Por fortuna, esta forma de opresión es cada vez más cuestionada y, poco a poco, la reemplazan nuevas configuraciones.

Teniendo en cuenta este panorama, destacamos el rol de las mujeres rurales, quienes, históricamente, han cuidado y compartido las semillas, los saberes de plantas medicinales, el suelo y la salud a la vez que, paradójicamente, son quienes menos participación tienen a la hora de decidir qué producir, cómo producir y cómo administrar los ingresos que reciben por sus producciones. Cuando decimos que la agroecología no puede pensarse de manera aislada, damos cuenta también de este proceso de visibilización de las desigualdades sufridas por las mujeres rurales. Hablamos de la urgencia de la plena conquista de derechos, en defensa de su autonomía, de la biodiversidad y, en definitiva, de sus saberes.

Es necesario un cambio de paradigma en las relaciones, y con ello también el cambio en la forma de producir alimentos, cargada de violencia y dominación hacia las mujeres y las diversidades sexuales. Sin lugar a dudas, el feminismo campesino y popular es una respuesta colectiva a estas problemáticas.

Cuando hablamos de feminismo, al igual que cuando hablamos de soberanía alimentaria, nosotras hablamos de derechos: de los derechos de las mujeres, de los derechos de la madre tierra, de campesinas y campesinos. Entonces ¿cómo hacemos una mixtura, desde nuestros derechos, que nos dé un marco frente a la sociedad a la que aspiramos?

Francisca “Pancha” Rodríguez, de Anamuri, Chile

Semillas nativas y criollas. Nuestra historia como pueblos está, en gran parte, relacionada con el camino de las semillas agrícolas, que vienen siendo seleccionadas, mejoradas, conservadas e intercambiadas por las mujeres desde hace más de 10 mil años. Alrededor de las semillas se construyeron comunidades, mercados y, más tarde, ciudades. Decimos que ellas son la base de nuestra alimentación y, por eso, quien controla la semilla controla toda la cadena de producción y comercialización de alimentos.

Si hoy la tierra es uno de los puntos fundamentales para poder producir, las semillas vienen inmediatamente después. Sin semillas no tenemos cómo discutir un nuevo modelo de agricultura. Ahí los conocimientos técnicos y científicos junto a las prácticas agrícolas campesinas son fundamentales. La defensa de las semillas criollas junto a la lucha contra los transgénicos fueron centrales para el MPA desde el inicio.

Gilberto Schneider del Movimiento de Pequeños Agricultores (MPA), Brasil

A partir de la instauración de la agricultura industrial, las semillas nativas y criollas y sus saberes están en peligro. Tras la denominada Revolución Verde —impuesta por el agronegocio en la década de 1960— se fueron creando mecanismos para que las familias agricultoras dependan de las semillas corporativas, bajo el discurso que anunciaba que no era posible alimentar al mundo sin semillas híbridas o, como las publicitaban, “mejoradas”. Luego, se las modificó genéticamente para ser “más productivas”, tóxicas a los insectos, y resistentes a los agrotóxicos; lo que permitió a las empresas adueñarse de las semillas por medio de los derechos de propiedad intelectual, ya sea a través de leyes de semillas o de su patentamiento.

Cuando decimos que quien controla la semilla controla toda la cadena de producción de alimentos, hacemos referencia a que, al convertir la semilla en un eslabón productivo, las corporaciones definen qué se produce y cómo se produce en cada región, determinando qué alimentos llevamos a nuestras mesas y a qué precio, desconociendo —además— las prácticas que los pueblos realizan y realizaron a lo largo de su historia.

La construcción de una agroecología de base campesina requiere que las semillas agrícolas mantengan su camino de la mano de quienes históricamente las crearon, cuidaron y multiplicaron. Para ello es necesario, en primer lugar, que se eliminen todos los obstáculos que impiden su libre circulación, cultivo y multiplicación. Pero también es fundamental que se recupere su valor simbólico, político y cultural, como “corazón de la soberanía alimentaria”.

Las semillas son patrimonio de los pueblos y, por lo tanto, no pueden pensarse como mercancías. Necesitan del cuidado de agricultoras y agricultores que son quienes las defienden y quienes, al compartirlas y sembrarlas, las mantienen vivas. Este cuidado es una de las estrategias más antiguas de la humanidad; por eso, las semillas solo pueden ser libres en tanto los pueblos y comunidades que las defienden y mantienen puedan gozar de los bienes que las semillas nos brindan.

Acceso a la tierra. Pensar la producción de alimentos exige, necesariamente, pensar el acceso a la tierra. Los datos del último censo agropecuario (2018) en Argentina señalan que el 1% de las explotaciones agropecuarias controla el 36,4% de la tierra, mientras que el 55% de productores y productoras en pequeña escala (con menos de 100 hectáreas) cuentan con solo el 2,2% de la tierra.

Estas cifras muestran la continuidad y profundización de un proceso histórico de concentración de la tierra y desplazamiento de población rural que ha ido “vaciando el campo” y permitiendo que grandes terratenientes (argentinos o extranjeros) se apropien de la mayor parte del territorio. Estos datos dan cuenta de la situación —cargada de violencia y despojo— que sufren quienes viven y producen en el campo, con la amenaza, a la orden del día, de ser desplazadas de sus territorios.

Las familias que cada día trabajan la tierra produciendo los alimentos que consumimos deben pagar alquileres excesivos y habitar espacios en condiciones precarias, muchas veces siendo expuestas al envenenamiento por agrotóxicos aplicados en terrenos linderos. Su condición arrendataria, para colmo, conlleva la imposibilidad de construir una vivienda digna. Las personas que habitan territorios rurales desde hace décadas, pero no poseen los títulos de propiedad de sus tierras, están expuestas constantemente a desalojos violentos. En ese sentido, las familias organizadas, pequeñas productoras, el movimiento campesino e indígena, reclaman una reforma agraria integral para la soberanía alimentaria.

Para que exista un verdadero acceso a la tierra —condición necesaria para la producción agroecológica y para la construcción de soberanía alimentaria— es necesario iniciar un proceso de reforma agraria integral, entendida en el sentido amplio en que lo plantea La Vía Campesina: dando cuenta de las relaciones que se dan en el territorio para acceder a condiciones de vida digna en el campo. La reforma que se propone debe considerar las necesidades de los pueblos, sus formas culturales y su organización.

El trabajo de la soberanía alimentaria como dimensión política es esencial en la agroecología, lo mismo que la reforma agraria. Sin tierra tenemos que luchar por la reforma agraria, y sin agroecología no podemos concebir la producción de alimentos sanos y para el pueblo.

Marta Greco, coordinadora de la Escuela Campesina de Agroecología (UST-MNCI Somos Tierra), Argentina

Dejando abiertos los debates, compartimos la firme idea de que, desde las organizaciones, tenemos que defender a la agroecología de base campesina, aquella que retoma la agricultura que practican los pueblos desde hace miles de años.

Les invitamos a apropiarnos de esa agroecología, y a ligarla a la lucha de quienes producen alimentos en nuestro país, con el objetivo de seguir pensando en la recuperación de saberes, en la vuelta al campo, en la comercialización en mercados locales, en las juventudes. Porque no puede haber agroecología si no hay vida digna, y sin territorio en manos de los pueblos.

Las citas textuales de este cuadernillo pertenecen a entrevistas de la serie #QuéAgroecologíaNecesitamos, que recoge experiencias de productoras y productores, organizaciones campesinas y socioambientales, y medios de comunicación alternativos. Las entrevistas forman parte del cuadernillo Construyendo una agroecología para alimentar a los pueblos disponible en www.biodiversidadla.org.

 

 

[Foto: Henry Picado – fuente: http://www.grain.org]

Fueron instalados más de 300.000 paneles fotovoltaicos en una extensión de 214 hectáreas de tierra.

El pasado miércoles 10 de febrero, Bolivia inauguró su planta de captación energética fotovoltaica más grande del país y la de más altura a nivel mundial, esta es capaz producir 100 megavatios e introducirlos al sistema de red eléctrica nacional.

La planta se encuentra ubicada en el departamento de Oruro, a una altura de 3.700 metros sobre el nivel del mar.

Según el ministro de Hidrocarburos y Energía, Franklin Molina, se trata de “más de 300.000 paneles fotovoltaicos emplazados en 214 hectáreas”.

“Este suelo altiplánico tiene la fuerza suficiente para generar la energía que los bolivianos necesitamos y que convierte a Oruro en un departamento generador de electricidad con capacidad de inyectar hoy 100 megavatios al sistema interconectado nacional”, señaló Franklin Molina durante la inauguración de la planta solar.

 

“La reconstrucción de nuestro sector eléctrico está en proceso y no pararemos, estamos trabajando para dotar de la mejor infraestructura posible al país, para que los bolivianos  mejoremos nuestra calidad de vida”, concluyó el ministro.

La primera etapa de la instalación fotovoltaica fue entregada durante el mes de septiembre del año 2019. En ese entonces Evo Morales era el presidente del país.

La instalación fue realizada por la Empresa Nacional de Electricidad Bolivia utilizando recursos del país, 14 millones de dólares que fueron donados por la Unión Europea y un crédito de la AFD de casi 70 millones.

Durante un discurso del embajador de la Unión Europea en Bolivia, este señaló que “la promoción de estas energías renovables y la lucha contra el cambio climático y la protección de la Pachamama son absoluta prioridad para la Unión Europea”.

A su vez, el presidente del país Luis Arce señaló que la obra hace parte del nuevo desarrollo económico que quieren implementar en el país y que este sea capaz de “proteger y respetar” el medio ambiente y los ecosistemas.

 

También afirmó que la mayor parte de la generación eléctrica actual del país se encontraba concentrada en las termoeléctricas las cuales usan gas. Por lo que buscarán durante su gobierno “ir cambiando a la producción de energías limpias“.

 

[Fuente: http://www.eltierrero.com]

Avalanche de prazeres fúteis oferecidos pelo sistema é cada vez mais enfadonha. Mas alternativa seriam o sacrifício e o puritanismo? Ou acenar com o tempo livre, o fim do trabalho alienado e novas relações com a natureza e a sensualidade?

Por mais que aceitemos que somos responsáveis pelas mudanças climáticas, recusamo-nos a ver a oportunidade que elas oferecem para criar modos de vida que sejam melhores para o meio ambiente e mais agradáveis para nós. Isso não só é verdade para pessoas comuns, como também para economistas e outros “especialistas” que levam o aquecimento global muito a sério, mas que não conseguem pensar para além das soluções técnicas que podem nos permitir continuar com nossos modos de vida atuais. A maioria dos políticos e líderes empresariais parece igualmente incapaz de pensar “fora da caixa” do consumismo.

Obcecados como são pelo crescimento econômico e o PIB, não convidam a população e os eleitores a pensar em novas ideias de progresso e prosperidade, e ficam mais do que felizes com os publicitários mantendo o monopólio da imagem e da representação do prazer e de uma “vida boa”.

Até os críticos do capitalismo à esquerda têm-se preocupado mais com as desigualdades de acesso e distribuição que o sistema do que com as maneiras como nos confina a modos de vida orientados pelo mercado. A militância socialista e a atividade sindical no Ocidente têm sido amplamente limitadas à proteção da renda e dos direitos dos empregados dentro das estruturas já existentes do capital globalizado — e pouco fazem para desafiar, muito menos transformar, a dinâmica de “trabalhar e gastar” das culturas mais abastadas.

Mesmo quando a esquerda aborda questões relacionadas à necessidade e ao consumo de forma mais direta, ela tende a defender narrativas de uma “vida simples” para a realização humana, em vez de pensar de forma mais inspiradora nas complexidades e potencialidades do prazer humano, e nas direções barrocamente enriquecedoras que elas poderiam adquirir em uma sociedade pós-capitalista.

Mas a presunção, em todo o espectro político, de que o consumo mais sustentável sempre envolverá sacrifícios, em vez de melhorar o bem-estar, precisa ser enfrentada.

A nossa “vida boa”, hoje é reconhecida como uma das principais causas de estresse e de problemas de saúde. É uma vida muito barulhenta, poluente e desperdiçadora. Nossas rotinas de trabalho e prioridades comerciais forçaram as pessoas a direcionar todas as suas forças para a busca por empregos e carreiras. Muitos, durante a maior parte de suas vidas, começam seus dias em engarrafamentos ou sofrendo outras formas de desconforto causadas pelo trânsito. E passam grande parte do resto delas colados na tela do computador, muitas vezes envolvidos em tarefas entorpecentes.

Grande parte da atividade produtiva em nossas vidas é projetada para aprisionar o tempo na criação de uma cultura material de contínua melhoria da casa, expansão urbana, rotatividade de produção cada vez mais rápida e obsolescência programada. Em outras palavras, excluindo formas de realização humana mais dignas, duradouras ou fascinantes. Nosso sistema atual também lucra enormemente com a venda de bens e serviços para os quais temos muito pouco tempo ou espaço (aqui entra o papel dos setores de fast food, lazer e terapia, ou as academias onde pagamos para caminhar numa esteira porque a ditadura do carro tornou a caminhada em outros lugares impossível ou muito desagradável).

Os movimentos verdes são rejeitados e vistos por alguns como estraga-prazeres, como se estivessem empenhados em nos levar de volta à Idade da Pedra. Mas a “abundância” dos dias de hoje, contaminada por trabalho, escassez de tempo e excesso de lixo, é em muitos aspectos puritana e ofensiva para com a sensualidade. Muito disso nem corresponde a um desejo inato nosso de trabalhar constantemente e consumir mais. Se assim fosse, os bilhões gastos em publicidade e preparação de crianças para uma vida de consumo dificilmente seriam necessários.

Um número cada vez maior de pessoas vem percebendo isso e descobrindo, após refletir, que a vida não se reduz a “trabalhar e gastar”. Desencantados com seu estilo de vida estressante, elas começam a revisar ideias sobre o que mais valorizam e desejam. O fato de ansiarmos outra vida com a qual sentiríamos mais prazer é corroborado por uma pesquisa recente que mostra que mais riqueza não nos torna necessariamente mais felizes, e sugere que há algo inerentemente autodestrutivo na busca incessante pelo consumo.

É verdade que as pesquisa precisam ser analisadas com cautela. O que relatamos sobre nosso grau de satisfação nem sempre é o melhor guia sobre como realmente nos estamos saindo. E nem sempre a falta de correlação relatada entre uma renda mais alta e maior satisfação com a vida significa que um consumo maior não melhore o bem-estar. Isso ocorre porque os padrões que usamos para avaliar nosso nível de satisfação podem tornar-se mais exigentes à medida em que nossa experiência de vida muda com o aumento da renda.

Experiência e educação podem melhorar nosso senso de liberdade e potencial pessoal justamente ao gerar descontentamento com nossa situação de vida existente. À medida que aprendemos uma nova habilidade, frequentemente criamos novas formas de frustração e exigências sobre nós mesmos (quanto melhores nos tornamos em um determinado esporte ou tocando um instrumento musical, mais conscientes estaremos daquilo que faz falta em nosso desempenho).

O que deveria, então, ser considerado na estimativa da “boa vida” — a intensidade de seus momentos de prazer mais raros ou seu nível geral de contentamento? A fuga da dor e da dificuldade ou sua superação bem-sucedida? E quem está na melhor posição para decidir se o bem-estar pessoal aumentou: seria inteiramente uma questão de relato pessoal ou aberto a uma avaliação mais objetiva?

Há muito que essas questões estão no centro dos debates, entre a abordagem utilitarista e a aristotélica, para refletir sobre o bem-estar. Enquanto a ênfase da primeira está no prazer e em sua quantificação (deve contar, na estimativa da felicidade, o número de prazeres experimentados ou dores evitadas), o foco aristotélico baseia-se no curso geral de uma vida (o que você foi capaz de fazer com ela — tomando em conta,  portanto, as capacidades, funções e realizações, ao invés de sentimentos mais imediatos de gratificação).

Em defesa de sua posição, os aristotélicos argumentarão que as pessoas nem sempre são os melhores juízes de seu próprio bem-estar e que muito prazer imediato pode também ser obtido com um comportamento autodestrutivo. Além disso, se proibirmos quaisquer avaliações objetivas da “vida boa”, também seremos privados de motivos para criticar formas egoístas e ambientalmente agressivas da busca pelo prazer. Também foi afirmado, de forma relacionada, que uma “felicidade” concebida ou medida em termos de sentimentos subjetivos desestimularia o desenvolvimento do senso de cidadania e solidariedade intergeracional — que é essencial para o bem-estar social e ambiental.

No entanto, a abordagem mais utilitarista não precisa excluir as formas de prazer com orientação cidadã, que vêm com o consumo responsável para com os outros e o meio ambiente. Afinal, o prazer de muitas atividades, como andar de bicicleta, inclui tanto os prazeres sensuais pessoais mais imediatos, quanto aqueles que vêm do fato de não contribuir para o perigo e a poluição do transporte automotivo. Além disso, é difícil, em última análise, legitimar reivindicações sobre o bem-estar de alguém sem alguma medida de endosso da pessoa em questão.

Há, então, uma tensão nas discussões sobre o hedonismo e “boa vida”, entre o privilégio utilitarista do prazer experimentado e o viés mais objetivo da tradição aristotélica. Enquanto o primeiro corre o risco de ignorar os componentes mais objetivos da “boa vida” e da “boa sociedade”, o último faz justiça a esses pilares, mas corre o risco de superestimar, ou até mesmo de preferir o conhecimento superior de “especialistas” por sobre os próprios indivíduos.

Mas aceitar a complexidade de avaliar as afirmações sobre a qualidade de vida e a satisfação pessoal é uma coisa. Negar que haja hoje evidências da natureza autodestrutiva do consumo em constante expansão seria outra bastante diferente. De fato, é consenso de ambos os lados do debate hedonista que a felicidade não reside no acúmulo infinito de coisas. E embora não tenha — e nem possa — a aspiração de resolver as questões filosóficas dessa área, a perspectiva hedonista alternativa destaca as narrativas sobre prazer e bem-estar que estão implícitas nas formas emergentes de insatisfação com a cultura afluente. Assim, busca abrir uma ótica pós-consumista sobre a “boa vida”, que pode se conectar com os sentimentos dos consumidores no aqui e agora.

O “hedonismo alternativo” nesse sentido tenta evitar moralizar a questão do que as pessoas deveriam precisar ou querer (apesar de ser verdade que esses dois não podem ser evitados ao mesmo tempo…), enquanto se relaciona com novas respostas de anticonsumismo. Seu principal interesse, assim, (evocando um conceito do crítico cultural Raymond Williams) é em uma “estrutura de sentimentos” em ascensão, que é ao mesmo tempo perturbada por formas de consumo que antes eram tidas como certas, ciente de antigos prazeres perdidos, e sensível pela primeira vez ao convite a uma nova forma de viver.

Com o aquecimento do planeta, precisamos construir uma resposta que apele para essa “estrutura de sentimentos”. Seu apoio irá desafiar o estrangulamento da ética de trabalho no modo de vida ocidental, será um esforço para alcançar uma ordem socioeconômica na qual trabalho e renda sejam distribuídos de maneira mais justa, em que a coparentalidade e que o trabalho doméstico compartilhados sejam regra, e na qual todos tenham os meios e o tempo para formas sustentáveis de atividades e melhorias de vida.

Se fizéssemos a mudança para uma economia de trabalho menos intensiva, ela iria reduzir o ritmo em que as pessoas, os bens e as informações têm que ser entregues ou transmitidas, e o impacto nas fontes de atrito e nas emissões de carbono seriam de grande impacto para todos. Poderíamos recuperar tempo para nossa vida pessoal e familiar. Diminuiríamos as viagens diárias e adotaríamos maneiras mais saudáveis de deslocamento, como as caminhadas, a bicicleta e os barcos. Supermercados e compras online seriam substituídos por um ressurgimento do varejo de rua, evitando a síndrome da “cidade clone” e dando força às comunidades locais, de maneira que poderíamos reduzir o crime e adotar novas formas de convívio e troca intergeracional.

Tudo isso transformaria a vida rural e urbana, especialmente para as crianças, e proporcionaria mais espaço para a reflexão, além de oportunidades para experiências sensoriais negadas pela rotina atormentada e isolada de trabalho e deslocamento. E os custos para isso acontecer seriam insignificantes em relação aos representados pela organização atual, especialmente se as despesas médicas pudessem ser substituídas por uma saúde pública de mais qualidade, com menos acidentes.

Há, é claro, algumas vantagens e prazeres que teríamos de sacrificar em uma economia de baixo carbono: confortos de vários tipos; algumas das excitações de uma vida acelerada; a facilidade de que dispúnhamos até recentemente das viagens ao exterior. Mas o conforto constante pode tanto satisfazer quanto entorpecer os apetites. A inventividade conseguirá certamente criar uma série de emoções mais ecológicas. Mesmo viagens a lugares distantes nem sempre cumprem sua promessa de oferecer experiências raras, e o ritmo diferente das férias perto de casa também pode ser fonte de formas inesperadas de encantamentos e escape da vida banal.

A mudança para um modo de vida pós-consumismo traz uma perspectiva chocante, dada a estrutura da existência moderna e a subordinação das economias nacionais ao sistema globalizado. Além disso, é irrealista supor que podemos continuar com as taxas atuais de expansão de produção, trabalho e consumo material do último século, para não falar das últimas décadas. Tecnologias mais verdes ajudarão a conter o aquecimento global.

Mas a adoção de alternativas ao crescimento econômico tem que se tornar uma preocupação central no planejamento e na criação de políticas — não ser ignorada ou desprezada, como se fosse uma fantasia impraticável. Além disso, em abalos climáticos ou financeiros, somados a um grande cinismo em relação aos comprometimentos dos governos com o aquecimento global, mais honestidade a respeito desse assunto pode também gerar mais cooperação e respeito de parte do eleitorado — especialmente se for acompanhado de imaginação sobre as singularidades de viver em uma sociedade sustentável. Essas ideias transformadas de “vida boa” podem também ser projetos que os países menos desenvolvidos terão, se quiserem reconsiderar as convenções e objetivos de seu próprio “desenvolvimento”, e evitar algumas das consequências mais indesejáveis do modelo dominante.

Meu argumento sobre o hedonismo alternativo é frequentemente rejeitado e taxado de utópico. Mas há algo bem irrealista na projeção de futuro focada nos “negócios, como sempre”. E dada a urgência atual de políticas de prosperidade que dissociem prazer e realização de consumo de uso intenso de recursos, é importante evitar suposições fantasiosas sobre o que seriam formas globalmente sustentáveis de indústria e estilo de vida. Nós não podemos, é claro, defender acesso igualitário e universal à riqueza e ao estilo de vida ocidental. A demanda por pleno emprego, o fim da austeridade e a segurança econômica para todos devem estar ligadas a demandas de expansão do tempo livre, da diminuição de ritmo da economia e do estabelecimento de uma ordem baseada em uma forma de consumo material essencialmente reprodutiva. A reconceitualização de “progresso” segundo  essas linhas deve oferecer as bases em que nos apoiaremos para pensar sobre arranjos de trabalho e instituições políticas para um futuro socialmente justo e viável.

[Imagem: María Berrio – fonte: outraspalavras.net]

Escrito por BIEITO ROMERO

Hai certos recordos da infancia que se fan inesquecibles malia o implacable paso do tempo. Lembro un que ten como protagonistas aos meus avós recollendo o mel nos cortizos que tíñamos na parte traseira da casa da aldea. Era un día calquera e verán. Os dous manipulaban o panal con total tranquilidade; estaban rodeados dunha nube de abellas, sen apenas protección e empregando tan só un tizón de madeira fumegante. Con aquela escena que tanto me chocou, como neno de cidade que era, dinme conta de que as abellas tiñan un status importante na nosa casa polo agarimo e a complicidade que eu notaba entre os meus avós mais elas.

Aquela situación, coa distancia preventiva, revivina moitas máis veces, pero xa con total normalidade, como cando se muxían as vacas. Foi un momento que espertou en min a curiosidade por aqueles animaliños invertebrados tan próximos, laboriosos, útiles e importantes para nós. Lembro aquel mel cunha textura case que sólida e cun sabor forte, intenso e absolutamente natural, sabía a como recendían os montes. Segundo se traía dos cortizos viñan os panais de cera co prezado alimento que despois había que separar e coar debidamente. A cera sobrante da extracción do mel servía para facer candeas, para reforzar cordas e apenas había desperdicio ningún. Anos máis tarde descubrín as alvarizas e as diferentes variantes que hai por distintas zonas de Galicia, unhas estruturas que protexían os cortizos das incursións dos osos, arquitecturas deseñadas en redondo e tradicionais fundamentalmente das zonas de montaña onde noutrora habitaba este fermoso animal ao que tanto lle gustaba o mel.

Co paso do tempo fun sabendo do dramático e perigoso descenso da poboación de abellas a nivel mundial e do que iso significa e repercute na nosa propia supervivencia. Un gran problema debido a múltiples factores entre os que están os pesticidas e o mal trato ambiental que lle damos ao planeta ao que se suma, no noso caso, a chegada masiva de especies invasoras e letais para aos nosas abellas autóctonas como poden ser as avespas velutinas. De nós depende en parte reverter este problema e nisto precisamente é onde pode estar a nosa maior desgraza.

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

El proyecto ferrocarrilero pretende conectar las principales ciudades y zonas turísticas de la península de Yucatán.

Diferentes colectivos sociales han denunciado que el proyecto invade territorio ocupado por pueblos originarios mayas.

Diferentes colectivos sociales han denunciado que el proyecto invade territorio ocupado por pueblos originarios mayas.

La organización Kanan Derechos Humanos y la Asamblea de Defensores del Territorio Maya Múuch’ Xíinbal informaron en sus cuentas oficiales de redes sociales que el Juzgado Tercero de Distrito con sede en Yucatán otorgó la suspensión provisional del Tren Maya en México.

El comunicado emitido por estas organizaciones mexicanas resalta que esta decisión es para que las autoridades se abstengan de realizar nuevas obras públicas mientras se decide la suspensión definitiva y el juicio de amparo interpuesto por las comunidades mayas.

“Personas habitantes en los municipios de Chocholá, Mérida e Izamal, el pasado julio de 2020, decidieron promover, un juicio de amparo por la falta de información durante la consulta pública de la Manifestación de Impacto Ambiental del Proyecto”, precisó la declaración.

Las comunidades denunciaron que la falta de información ha sido responsabilidad de la Secretaría de Medio Ambiente y Recursos Naturales (Semarnat) y del Fondo Nacional de Fomento al Turismo (Fonatur).

Con la decisión del tribunal, las organizaciones esperan “que se mantenga la suspensión provisional y el Juzgado conceda la definitiva. Asimismo instamos a las autoridades federales a cumplir con las resoluciones judiciales”.

Diferentes colectivos sociales han denunciado que el proyecto invade territorio ocupado por pueblos originarios mayas e intenta convertirlo en « centro comercial y turístico de manera que sea redituable para el gran capital”.

El polémico Tren Maya es uno de los más importantes proyectos de desarrollo y turismo promovido por Gobierno de Andrés Manuel López Obrador. El plan consiste en establecer un servicio de transporte férreo que interconecte a las principales ciudades y zonas turísticas de la Península de Yucatán.


[Foto: EFE – fuente: http://www.telesurtv.net

Descoberta de conjunto monumental de arte indígena na Amazônia, com pinturas de 20 mil anos, revela quanto é preciso descobrir da riquíssima história pré-colonial da América — e como o eurocentrismo cega a ciência para isso

Escrito por Verioni Ribeiro Bastos

Uma palavra antes do início

A marcha da perseguição, invisibilização e etnocídio aos povos originários continua em curso sustentada pelo projeto de colonialidade eurocêntrico. Vigente com seus tentáculos longos e pegajosos, sempre a se fixarem no inconsciente coletivo. A colonialidade eurocêntrica age de forma subliminar através de reforços por meio de elementos semióticos dirigindo percepções para a construção de um amalgamado de noções com aparência verossímil.

Recentemente esse esforço hercúleo de invisibilidade e inferiorização, através de hierarquizações forçadas da arte e das práticas espirituais dos povos originários, apresentou-se na manchete da History sobre Chiribiquete onde se lê: “Chiribiquete: Amazônia abriga a ‘Capela Sistina’ da pintura rupestre”.

Vamos nos deter somente na própria matéria da History e fazer um pouco de análise etno-histórica-arqueológica sobre esse tratamento colonializante e eurocêntrico dado pela revista e pelos próprios pesquisadores. Estes em nenhum momento se referem aos nativos deixando inferir-se ter sido por obra e graça de um esforço próprio ou de uma alétheia que vieram a encontrar Chiribiquete.

Chiribiquete ou Colina onde se desenha, no idioma construído e usado até hoje pelos povos originários, o karijuna, está encravada no seio da Amazônia com, até agora, 75 mil pinturas rupestres catalogadas e, segundo a arqueologia clássica, revelam a diversidade biológica da região. Importante ressaltar que a área de conhecimento “Arqueologia” hoje abriga diferentes formas de fazer Arqueologia. A supracitada está ligada à maneira etimológica apontada para o estudo do conhecimento do passado histórico oitocentista, baseado em vestígios materiais e servis ao colonialismo e, até hoje, ao processo colonializante.

Todavia, para os, realmente, interessados em compreender as práticas dos povos originários, cada pintura, cada grafismo, cada conjunto desses elementos está para além de uma representação do meio ambiente e seus elementos. Animais e plantas e os povos originários – “diversidade biológica” – são um só ser.

Esta afirmação parte de dois pilares incompreendidos e repudiados pelos acadêmicos clássicos, a saber: os ensinamentos dos Bidzamus – os que seriam os pajés para os kariris – ensinam que nós somos um só ser: os povos originários e toda a mãe terra. Isso não significa uma vida estática, imóvel, mas sim, o contrário. É a condição de tudo estar reunido que permite a transformação. Entretanto, a academia resiste em aceitar os Bidzamus e as Troncos-Velhas (os) como referências nos trabalhos acadêmicos.

Para não fugir às exigências acadêmicas, cito um segundo pilar: Parmênides – surgido muito tempo depois dos povos originários de Pindorama – e, que para além de um filósofo abordado analiticamente, tinha suas reflexões estreitamente ligadas ao que hoje é chamado de mitologia grega. Sabemos que os gregos se relacionavam com seus espíritos ancestrais e seus pensadores eram considerados como conectores entre os planos transcendente e imanente.

No texto O poema de Parmênides encontramos a narrativa onde as Filhas do Sol o levam à Deusa das Revelações (I, 8-22). Lá, Parmênides, então, encontra-se com a compreensão do Ser que “é todo pleno do que é. Por isso é todo contínuo: pois ente a ente acerca” (VIII, 24 e 25). “pois de todo lado igual a si, se estende nos limites por igual” (VIII, 49).

Parmênides vai ao encontro do pensamento dos Bidzamus – posto estes existiam bem antes do filósofo – quando indica a ilusão de muitos pensarem existir em uma bolha individual capaz de manter o isolamento entre os entes em suas inter-relações societais. Nessa direção, Chiribiquete guarda expressões do Ser como conjunto de entes, ressaltando que fazemos aqui um esforço de interpretar os ensinamentos dos Bidzamus, como também, dos autores das pinturas rupestres.

A mitigação pela academia

Chiribiquete é fruto da compreensão dos povos originários de que o humano, a terra, as matas e os sencientes são um só. Deixaram isto expresso nessa herança cosmológica e cosmogônica. Suas pinturas rupestres tiveram suas datações estimadas em 20 mil anos… 20 mil anos. Estética impecável – aceitando usar aqui o pensamento do invasor – técnicas avançadas de produção configuradas na conservação e durabilidade, domínio estratégico do território e do espaço geográfico. 20 mil anos!

O teto da Capela Sistina foi pintado por Michelangelo Buonarroti – nascido em 1475 – e levou apenas quatro anos para ser terminado – 1508-1512 – composto por nove painéis com representações da busca humana pela salvação a partir da visão bíblica católico-judaica. Mundo este tomado pela manipulação de dominadores para obtenção de poder mediante um sistema de castigo e recompensa de acordo com os interesses de uma elite eurocêntrica dominante.

Essa elite lançou suas raízes profundas na mentalidade dos povos ocidentais e estendeu seus tentáculos por todos os campos da sociedade, principalmente na educação, com o projeto de limitar e estreitar a capacidade crítica e o pensamento livre dos povos. A manchete da History é um claro exemplo dessa realidade vigente até os dias atuais.

Dessa forma, perguntamos: como uma arte, expressão cosmológica e cosmogônica de gerações com heranças milenares, encontrada organizada e compartida através de um sistema de códigos, que são, alguns, para conhecimento geral, e outros, evidentemente, com mensagens para iniciados, pode ter como referência arte horror vacui, com nove estórias, em pouco mais de 1000m² tendo, segundo alguns autores, trezentas representações – um trabalho metaforicamente, quase simplista, dada a comparação feita pelos acadêmicos – por exemplo, foram revisados em Chiribiquete 36 conjuntos pictográficos em uma área aproximada de 200m².

Sob esses pilares afirmamos a impossibilidade de o teto da Capela Sistina ser referencial para Chiribiquete. A autenticidade de Chiribiquete ultrapassa e supera a prisão do enquadramento, dada a necessidade de impressionar pela exterioridade e aspectos a serem julgados por quem se erigiu erudito.

Portanto, demonstramos a mão pesada do eurocentrismo no processo colonizante insistente e tenaz no projeto de mitigação da herança ancestral dos povos originários e do contínuo etnocídio cujas bases são claramente identificadas aqui, a saber: a imposição de uma escala hierarquizante onde sempre se busca inferiorizar os povos originários e a consequente invisibilização pela semiótica e o discurso construído.

Uma palavra antes do fim

“É um lugar absolutamente transcendente devido ao seu significado simbólico e cosmogônico, que talvez remeta aos primeiros momentos na América. Os pesquisadores estimam que alguns dos desenhos possam ter sido feitos há cerca de 20 mil anos. Segundo o especialista, o apelido de ‘Capela Sistina’ é perfeito para definir o local. Isso porque os desenhos que estão ali apresentam grande qualidade e requinte, além de ter um caráter sagrado”1.

O anacronismo e a incoerência – para não dizer empáfia, postura egóica e colonializante – da “academia” travestida pela semiótica do texto, na direção de mitigar e invisibilizar, nas próprias palavras dos pesquisadores, a “grande qualidade e requinte” das pinturas rupestres dos povos originários é violenta e flerta com o neofascismo que busca a reimplantação de formas de eugenia no próprio sentido de segregação hierárquica.

Afirmamos ser a Capela Sistina a expressão de imagens tradicionais, uma arte manipulada pela idealização dos invasores dominantes não passando de uma branca sombra pálida, como diria Lygia Fagundes Telles, de Chiribiquete. Entretanto, podemos dar às expressões artísticas em questão, no máximo, a possibilidade de serem formas de expressões artísticas, não contemporâneas, mas dotadas de sincronicidade no tempo e no espaço, segundo Jung (1973). De toda forma, jamais Chiribiquete poderia ser mitigada a essa comparação sensacionalista da matéria.

Enfim

Repousamos em Johannes Fabian nosso terceiro pilar: a coetaneidade; para que o Outro, citado por este autor, não seja exotizado como um objeto naturalizado. Mas, sim compreendido a partir de uma etnografia que não anule nem contorne o pressuposto do Tempo intersubjetivo. Chiribiquete não está fora dos processos dinâmicos que regem as relações societais e só pode ser compreendida sem uma naturalização advinda da imposição de percepções semióticas hierarquizantes.

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

« La table à la montagne » dans une cascade de glace. Thibault Cattelain

Écrit par Hélène Michel

Enseignant-Chercheur – Gamification & Innovation, Grenoble École de Management (GEM)

et Marielle Salvador

Enseignant chercheur, comportement du consommateur, marketing de l’alimentation, Institut Paul Bocuse

 

Les beaux jours sont là. Poussés par l’appel de la nature, vous préparez votre prochaine microaventure, cette aventure « courte, proche de chez soi et qui s’insère dans le quotidien ».

Vous avez vérifié vos chaussures de randonnée ou votre vélo. Vous avez repéré l’itinéraire et contacté vos compagnons. Vous prenez votre sac à dos, votre duvet… Mais qu’emportez-vous à manger ? Sardines à l’huile, nourriture lyophilisée, fromage local, grand vin pour un repas de roi ?

Cette question est tout sauf anodine car le repas contribue à forger des souvenirs. Chargé de symboles, il constitue un rituel dont la saveur se décuple en pleine nature. Au menu : lieux et temporalité, aliments, arts de la table, modes de préparation, choix des invités… et un ingrédient magique. À table !

Réenchanter un été pas comme les autres

Au regard des restrictions actuelles en matière de voyage, le tourisme en 2020 devrait faire la part belle au staycation, ce mode de vacances où l’on reste à proximité de chez soi. L’occasion de redécouvrir sa région, mais comment remettre du merveilleux dans un territoire qui nous semble si familier ? Par exemple en décalant le regard et en créant de nouveaux rites. C’est ce que propose la microaventure.

Par rite, on entend une pratique sociale de caractère sacré ou symbolique, qui rend le moment esthétique, le scénarise et marque la mémoire. Il est composé de rituels, c’est-à-dire de pratiques prescrites ou interdites, liées à des croyances magiques ou religieuses, à des cérémonies et à des fêtes, selon les dichotomies du sacré et du profane, du pur et de l’impur.

Le rituel du feu en randonnée. David Lebrun

Dans le contexte de la microaventure, les adeptes se retrouvent et se reconnaissent autour de pratiques susceptibles de devenir des rituels dès lors qu’elles se chargent de symboles. La microaventure requiert ainsi un engagement du corps, elle nécessite au moins que l’on sorte de sa zone de confort, par exemple, en dormant à la belle étoile. Elle renvoie également à la façon de se nourrir durant l’expérience, or l’alimentation se pense traditionnellement à travers des rites.

Nous avons interrogé 10 personnes (5 hommes et 5 femmes) de 35 à 49 ans, vivant dans des Alpes ou à proximité (Savoie, Isère, Hautes-Alpes, Rhône). Cadres moyens, ils vivent pour la majorité en ville, en appartement, et s’échappent régulièrement pour des microaventures en pleine nature, généralement en couple ou entre amis. Nous leur avons demandé de choisir leurs photos favorites de repas et de nous en raconter l’histoire. L’analyse révèle cinq éléments-clés structurant le rituel culinaire de la microaventure.

Lieux et temporalité : un cadre magique

Une constante dans les réponses données est celle de la beauté du lieu : un cadre « magique », parfois un point de vue « exceptionnel » voire même un lieu « secret » et donc rare qui donnent à cette expérience certaines caractéristiques propres au luxe.

Premières neiges. Fabien Cartier-Moulin

Le cadre est toujours associé au repas, ce qui suggère une reconstruction de l’expérience culinaire par nos microaventuriers : l’assiette seule ne suffit pas, elle doit s’enrichir d’un environnement adéquat pour lui permettre de magnifier le moment et de s’inscrire durablement dans les mémoires, comme lors d’une expérience gastronomique.

« Ce qui prévaut c’est de se trouver un beau spot, avec une jolie vue. Pour magnifier le repas. Pour que ce soit impressionnant. » (Fabien)

« On est monté dans un endroit tenu secret. De là où on était, on avait une supervue sur les glaciers et les montagnes. » (Yoann)

L’ergonomie du lieu est minutieusement étudiée avant de s’installer. Une forme de confort est recherchée afin de prendre le temps et profiter de l’instant :

« On choisit en fonction du vent. Si c’est humide ou pas. En fonction de l’inclinaison pour être bien posée tranquille. » (Marianne)

« Tu trouves des pierres tapées par le soleil pour être bien. » (Fabien)

Tea time. Marianne Brun

De même, le moment du repas n’est pas laissé au hasard. Il n’est pas fixé par un horaire mais par les éléments naturels. « Tu manges toujours au sommet. Ou à la redescente. Mais pas à la montée sinon tu n’as plus le jus. Quand il fait beau, selon le programme, tu peux même enchaîner avec une sieste derrière. » (Fabien)

Une fois la contrainte technique ou physique prise en compte, le choix est souvent lié au soleil qui dicte d’autres temporalités.

Des aliments chargés de sens

L’aliment est perçu comme récompense : pour de nombreux adeptes, il est synonyme d’effort accompli. Chacun a alors un aliment qui lui est propre, qu’il met souvent en scène sur les photos : bières pour certains, carottes pour d’autres !

« Parfois en montagne, nous sommes dans un environnement où on ne fume pas. Un copain a proposé de remplacer la clope par une carotte. Tu la mets dans ton sac et quand tu arrives en haut tu as envie de la croquer. C’est la carotte du sommet ! » (France)

La bière au sommet. Marianne Brun

Une distinction s’opère ensuite entre le cuit et le cru. Les aliments crus ou pouvant être ingérés dans l’instant sont réservés aux repas et en-cas de la journée alors que le cuit, nécessitant une phase de préparation, est souvent réservé au soir.

La nourriture lyophilisée est évoquée par les nouveaux initiés. Elle semble faire partie de leurs représentations mentales liées à la microaventure.

« Manger lyophilisé, c’était ma première fois. Et ça m’a plu. C’était rigolo, sympa et adapté à l’aventure. » (Delphine)

Certains se réapproprient cet aliment industriel, en y ajoutant un ingrédient.

« On a emmené de la fondue lyophilisée. Ce n’est pas si mal mais on y a rajouté des morilles séchées pour améliorer cela. » (Hélène)

Pour les microaventuriers confirmés, les plats consommés sont généreux, revigorants (raclette, fondue, riz) et surtout partagés : un plat où chacun a mis la main à la pâte. Au centre, le feu sert à la cuisson mais fait aussi office de lieu de rassemblement, de partages et d’échanges. Enfin, le breuvage est une autre constante : si la bière, bue individuellement, est associée à la récompense, le vin est destiné à être partagé pour sublimer la magie de l’instant.

L’alimentation sert aussi à s’approprier le lieu. La boisson ou l’aliment est un facteur de lien avec l’histoire de l’endroit et ceux qui ont tracé la voie.

« Il y a du fromage et du saucisson, de la bière ou du rouge. Comme les anciens faisaient en montagne. » (Clément)

Une place centrale est faite aux produits locaux qui participent à une appropriation symbolique du lieu par leur ingestion. Cela va même jusqu’à boire l’eau des rivières (pour Marianne) ou n’utiliser que le bois du lieu pour faire cuire des aliments (pour Clément).

Les arts de la table en pleine nature

Mettre une bouteille de vin dans son sac à dos nécessite d’anticiper le transport et la dégustation. Certains le transvasent dans un contenant en plastique mais l’expérience s’avère décevante.

« J’avais mis du vin dans deux petites bouteilles en plastique pour le soir. Il aurait dû être pas mal mais une fois arrivé là-haut, bu dans la bouteille plastique, il n’avait pas le même goût. Je ne l’ai même pas fini. » (Delphine)

D’autres conservent la bouteille et emportent même un verre à pied. Quitte à s’encombrer, transformons le transport en défi !

« J’ai un verre à vin grand, gros, fragile. C’est un challenge de l’emmener ! Ça a un côté rigolo. Et ça valorise le breuvage. » (Yann)

À chaque couteau son aventure. Fabien Cartier-Moulin

Le couteau fétiche, l’Opinel, tient quant à lui une place à part. Il est évoqué comme élément déterminant, moins dans son usage que pour ce qu’il évoque pour ses propriétaires. Souvent reçu en cadeau, il rappelle non seulement la personne qui l’a offert mais également « l’esprit du lieu ».

À l’image des produits locaux, l’Opinel par sa filiation avec un terroir devient un élément d’incorporation symbolique du lieu pour son propriétaire. « Je suis en Savoie donc j’emmène un Opinel ! » nous explique Clément. Certains, comme Fabien, en ont même plusieurs, en fonction des aventures à vivre. Ils sont alors exposés tels des trophées.

Les modes de préparation et les ustensiles

Nous avons évoqué la place importante du feu dans le rituel culinaire de la microaventure. Certains parlent même de cérémonial, à l’image de la cérémonie du thé. Les interviews réalisées ont révélé l’utilisation d’ustensiles de préparation encombrants voire surprenants mais partie intégrante du rituel culinaire : plat à paëlla qui permettra le partage du repas du soir (David), marmite (Clément) ou encore… tronçonneuse (Yoann) !

« On a fait une bûche finlandaise. On creuse à l’intérieur d’une bûche à la tronçonneuse. On a pris des pommes de pin, des morceaux de sapin et épicéa pour allumer le feu. On a trouvé une ardoise pour mettre sur la bûche. Le temps de tout mettre en place, cela nous a pris une heure. » (Yoann)

Les chamallows grillés. David Lebrun

La commensalité désigne l’art de partager son repas. Le plaisir gustatif grandit dans le partage. Le feu apparaît comme un de ces éléments : cercle autour duquel on se rassemble, pour se réchauffer, pour échanger tout en cuisinant ensemble. C’est aussi une sorte de « retour aux sources », fait le soir et le matin au lever du soleil.

« Le feu prend une grande place là-dedans. Cela a un côté rassurant. C’est aussi la chaleur. Et le fait de cuisiner sur le feu, cela lui donne une autre fonction, une autre dimension. » (David)

« Cette commensalité s’obtient chez certains lorsque l’on « apporte un truc (à manger) qui a de l’affect. » (Fabien)

À la manière d’un hôte qui reçoit, chacun doit apporter un cadeau pour rentrer dans le cercle des autorisés à vivre pareil moment. On est là dans le don cérémoniel qu’ont développé des chercheurs à la suite de Mauss (1923) sur les marqueurs anthropologiques de l’échange.

Parfois même, le cadeau doit avoir été fait par la personne elle-même.

« Je dis aux copains : tu prends ce qui te fait plaisir et tu partages. Un truc qu’ils ont fait eux. Moi je fais des conserves. Des tomates séchées. » (Fabien)

« J’emmène du génépi, que j’ai fait moi-même en allant cueillir les fleurs près du Grand Paradis l’été précédent. » (Hélène)

Raclette sauvage sur bûche finlandaise. Yoann Genier

Lacommensalité de la microaventure s’exprime par des éléments de partage mais ne s’immortalise pas sur pellicule : presque aucune des photos données par nos répondants ne met en scène les participants.

L’expérience sensorielle suffit à satisfaire nos répondants dans la construction de souvenirs mémorables. D’autant plus que d’autres éléments favorisant la mise en scène du rituel culinaire sont parfois mobilisés pour ajouter une touche de magie à l’expérience.

La guirlande magique. Hélène Michel

Guirlande ou nappe blanche : la mise en scène du rituel

En microaventure, l’individu dirige sa propre mise en scène et mobilise pour cela tous les éléments qu’il a à sa disposition : aliments, ustensiles, éléments naturels (le bois, le feu, l’eau des rivières). Mais il arrive qu’un adepte apporte un élément supplémentaire qui participera, via la surprise que son introduction suscite, à enrichir l’expérience.

« Manger dehors, mais avec une guirlande. J’adore cette rupture. La surprise générée. Souvent j’apporte un aliment ou un accessoire surpris. Pour surprendre et faire plaisir. Et on se souvient ainsi encore plus fortement du moment. » (Hélène)

« Ce que j’adore faire en randonnée, et surtout avec les citadins, c’est juste avant de manger tu dis “oh… ça aurait été bien de prendre une bonne bouteille de rouge ! Puis au deux tiers du repas tu sors une bonne bouteille. Et tout le monde fait « Ahhhhh”. » (Fabien)

Cet élément, un objet banal de la vie quotidienne, devient incongru dans le contexte de la microaventure : guirlande d’Hélène, grand verre à pied de Yann ou bouteille de vin surprise de Fabien. L’objet se révèle source de satisfaction et de ravissement.

« La table à la montagne » à Saint Honoré. Nadia Probst

Dans une démarche poétique, Nadia pousse la théâtralisation encore plus loin en emmenant « la table à la montagne », avec nappe blanche et vaisselle pour recevoir son invité devant des mets locaux soigneusement cuisinés.

Peut-on mettre la microaventure en boîte ?

L’instauration de rituels culinaires magnifie l’expérience et donne une saveur nouvelle à la microaventure. Mais sommes-nous tous capables d’organiser une telle cérémonie quand il s’agit de détecter les produits typiques à emporter, porter sur son dos un wok ou une table en bois pliante, ou découper une « bûche finlandaise » ?

Insidentes : chaise grandeur nature. David Lebrun

Heureusement, la gamme de l’équipement outdoor s’élargit pour accompagner ce rituel en proposant des ustensiles permettant de cuisiner en pleine nature. Pour procéder aux rituels culinaires, des espaces sont scénarisés pour créer des lieux d’exception : ainsi David disposera sa chaise géante en bois en pleine nature tel un objet spectaculaire qui nous fait sentir encore plus petit devant un paysage. En ajoutant de l’incongru, en décalant les proportions, on accentue le côté dramaturgique du moment.

Mais ces pistes restent volontairement brouillées. Il ne s’agit pas ici de signaler les aires de pique-nique ou d’installer des barbecues. Une façon d’accompagner la microaventure pourrait être d’autoriser plus largement feux et bivouacs en responsabilisant ses adeptes. Car la magie du rite tient à son côté symbolique, libre et éphémère. Il n’est pas question de la formater pour la rendre totalement accessible. À l’idée de se rendre dans un lieu aménagé pour faire du feu, Clément rigole : « Je ne suis pas un Américain, moi ! »

 

[Source : http://www.theconversation.com]

El primero de enero comenzó la ruta para eliminar, en un plazo de tres años, el uso de glifosato en México y prohibir el maíz transgénico, de acuerdo con el decreto que el gobierno federal emitió en una edición vespertina del Diario Oficial de la Federación en el último día de 2020.

Se definió que a más tardar en el primer semestre de 2023, las secretarías de Medio Ambiente y Recursos Naturales (Semarnat), de Salud (Ssa) y de Agricultura y Desarrollo Rural (Sader), así como el Consejo Nacional de Ciencia y Tecnología (Conacyt) promoverán las reformas legales correspondientes.

Se instruye a las dependencias y entidades de la Administración Pública Federal para que, a partir de la entrada en vigor del presente decreto, se abstengan de adquirir, utilizar, distribuir, promover e importar glifosato o agroquímicos que lo contengan como ingrediente activo, en el marco de programas públicos o de cualquier otra actividad del gobierno, ordena la publicación.

Greenpeace México celebró la publicación del decreto y consideró que este es un paso muy importante en la dirección correcta para avanzar hacia la agricultura ecológica, lo que resulta fundamental para la producción de alimentos saludables y gozar de soberanía y autosuficiencia alimentaria.

Señaló que se salda una deuda histórica con la diversidad genéticadel país », ya que desde hace 21 años, junto con organizaciones campesinas, académicos, investigadores artistas e intelectuales, impulsaron su eliminación.

Se establece que la Sader y la Semarnat promoverán alternativas sostenibles y culturalmente adecuadas que resulten seguras para la salud humana, la diversidad biocultural del país y el ambiente, para remplazar el uso del glifosato.

Asimismo, el Conacyt emitirá recomendaciones anuales para las autoridades competentes que les permitan sustentar, en su caso, la cantidad de glifosato que autorizarán a los particulares para su importación.

 

Il existe 1900 variétés d’insectes comestibles dans le monde. Karen Bleier / AF

 

Écrit par Gaëlle Pantin-Sohier

Professeur des universités en science de gestion, Université d’Angers

 

Coléoptères, chenilles, sauterelles… ça se mange, et c’est écologique ! Cette pratique, l’entomophagie, est pourtant encore balbutiante dans l’Hexagone, même si les enjeux environnementaux et nutritionnels modifient les comportements alimentaires des Français. Ceux-ci prennent conscience de l’impact majeur de la production et de la consommation alimentaire sur l’environnement et la santé. Une prise de conscience renforcée par la crise de la Covid-19 et le confinement.

La recherche d’alternatives et l’adoption de nouveaux régimes alimentaires (flexitarisme, véganisme, végétarisme) mettent en évidence l’intérêt que pourrait revêtir l’entomophagie.

En effet selon la FAO (Food and Agriculture Organisation), les insectes sont considérés comme une alternative durable aux protéines animales face à la raréfaction des ressources naturelles et à l’augmentation de la population mondiale.

La question de la réhabilitation de la consommation d’insectes dans les pays occidentaux est donc sur la table en raison des enjeux nutritionnels, économiques et écologiques qu’elle implique. Car les atouts de ce mets surprenant sont nombreux.

Leur taux de conversion alimentaire (quantité de nourriture requise pour produire une augmentation de poids de 1 kg d’insectes) est par exemple quatre fois plus élevé que celui des bovins. Ainsi, en moyenne, 2 kg d’aliments sont nécessaires pour produire 1 kg d’insectes, tandis que les bovins exigent 8 kg d’aliments pour produire 1 kg d’augmentation de la masse corporelle animale.

Autre avantage, leur faible production de gaz à effet de serre, qui est 10 à 100 fois plus faible que celle des porcs. De plus, ils consomment beaucoup moins d’eau qu’un élevage de bétail conventionnel, fournissent des protéines de haute qualité et présentent un faible risque de transmission de maladie zoonotique (grippe aviaire ou coronavirus).

Mais face à ces atouts majeurs se dresse un problème de taille : celui de l’acceptation des insectes en tant qu’aliment dans les pays occidentaux.

L’entomophagie, pratique émergente en Europe

Si quelques pratiques émergent en France et en Europe, la consommation reste marginale et expérientielle. Pour la majorité des consommateurs, les insectes sont considérés comme culturellement non comestibles, porteurs de dégoûts, de peurs, et associés à des comportements primitifs.

Pourtant, il existe, toujours selon la FAO, 1900 espèces d’insectes comestibles dans le monde (dont 250 en Afrique, plus de 500 au Mexique, 170 en Chine ou encore 428 dans le bassin amazonien).

Les plus couramment consommés sont les coléoptères (coccinelles, scarabées, hannetons, 31 %), les lépidoptères (chenilles, 18 %), les hyménoptères (abeilles, guêpes et fourmis, 14 %), orthoptères (sauterelles, criquets et grillons, 13 %) et hémiptères (cigales, cicadelles, cochenilles et punaises, 10 %).

Des sauterelles frites au Laos (Vientiane, 2010). Source : Chaoborus, Wikimedia Commmons. CC BY

Les consommateurs occidentaux ingèrent, sans le savoir, près de 500 grammes d’insectes par an via les colorants alimentaires, principalement la cochenille, à l’origine du carmin, un colorant rouge foncé.

Mais l’acceptation de cette alternative alimentaire implique une évolution des comportements et passe par une meilleure connaissance des déterminants sociaux, culturels, psychologiques et sensoriels des préférences et pratiques alimentaires.

Notre étude, publiée en 2019, explique pour quelles raisons les consommateurs ont des difficultés à adopter cette innovation alimentaire et quels mécanismes cognitifs (catégorisation, familiarisation) peuvent produire des effets positifs en matière d’acceptation.

Représentations des insectes : comestibles ou pas ?

Dans le domaine alimentaire, il est difficile de rattacher les insectes à une catégorie mentale existante. Or, la catégorisation joue un rôle majeur, notamment pour distinguer le « comestible » du « non comestible ».

En Occident, les insectes s’inscrivent dans la catégorie non comestible puisqu’ils sont considérés comme « non mangeables dans ma culture ».

Selon Rozin et Fallon, trois motifs de rejet de ces aliments sont identifiables : les propriétés sensorielles (liées à l’aversion), les conséquences anticipées de l’ingestion (liées au danger) et la dimension idéationnelle (liée au dégoût).

L’autre facteur dont dépend la catégorisation est l’expérience qui développe la familiarité et conduit ainsi à une augmentation de l’appréciation et de l’acceptation d’un nouveau produit.

Un ver au curry, plutôt appétissant !

Les résultats de notre étude qualitative portant sur 37 sujets âgés de 18 à 30 ans confirment la difficulté des répondants à catégoriser l’insecte comme aliment, ce qui provoque un rejet de sa consommation. Néanmoins, la nature des produits testés (insectes entiers nature, aromatisés et sous forme transformée) modère l’évaluation gustative des produits et leur degré d’acceptabilité.

Pour les insectes nature (vers de farine, vers à soie, vers de bambou, grillons, courtilière, sauterelle), l’aversion des répondants s’est exprimée spontanément – avant même que le produit ne soit goûté – en raison du caractère prétendument dangereux ou dégoûtant des insectes.

Le sentiment de danger provient de leur association à la saleté, à leur petite taille (qui les rend incontrôlables), à leur nombre très important. Autres associations négatives : leur capacité à se dissimuler, leurs mouvements et bruits (ils bourdonnent et grouillent), leur nuisibilité lorsqu’ils détruisent les champs, leur piqûre parfois dangereuse.

Le dégoût, quant à lui, se manifeste vivement car les insectes sont jugés répugnants notamment en raison des propriétés texturales qu’ils véhiculent (visqueux, gluants, craquant sous la dent, farineux).

Cependant, la transformation des produits impacte très fortement la comestibilité des insectes. En effet, lorsque les insectes sont aromatisés ou dissimulés dans des aliments connus, la familiarisation s’accroît et les insectes sont envisagés comme comestibles.

Le fait d’utiliser des marqueurs gustatifs connus (curry et goût barbecue dans notre étude) a permis d’atténuer le rejet. Certains répondants affirment même passer le cap de la dégustation en raison de leur appétence pour les arômes utilisés.

De façon plus marquée, lorsque les insectes sont intégrés dans une préparation connue (sablés au fromage ou gâteau au chocolat à base de vers de farine broyés), les consommateurs oublient tout simplement leur présence et leur attribuent d’emblée un statut comestible.

Gâteau au chocolat aux vers de farine. Dieter Nagl/AFP

Le fait que 36 répondants sur 37 aient ainsi goûté aux sablés et au gâteau au chocolat démontre l’importance de dissimuler les insectes, visuellement et gustativement, pour favoriser leur acceptation.

Accroître la familiarisation

Notre étude montre que pour favoriser la comestibilité des insectes, il semble intéressant, dans un premier temps, de proposer des catégories de produits connues et valorisées à base d’insectes avant de mettre en avant les produits sous leur forme brute. Les insectes sous forme de poudre peuvent ainsi être incorporés dans des pâtes ou des barres de céréales, tandis que les insectes entiers peuvent être recouverts de chocolat.

Ensuite, il s’agit d’accroître la familiarisation et la probabilité d’essai en présentant les nouveaux produits à base d’insectes à côté de produits familiers : des chips à la farine de criquets dans le rayon chips, des burgers aux insectes à côté des burgers aux steacks végétaux…

Il est également important de renforcer la confiance des consommateurs en vendant ces innovations sous des noms de marques connues, de proposer des packagings valorisant le produit et de mettre en avant des ambassadeurs reconnus et appréciés du grand public (chefs, influenceurs ou sportifs médiatiques).

Ces différents leviers devront être accompagnés de campagnes de sensibilisation sur les avantages de l’entomophagie (en s’adressant aux enfants qui pourraient être de puissants vecteurs de changement sur le plan alimentaire) mais aussi d’un cadre juridique européen incorporant les insectes comme denrée alimentaire pour les humains.

Prix élevé

En effet, dans le cadre de la législation sur les « nouveaux aliments », l’Union européenne a la charge d’évaluer les risques sanitaires liés à la consommation de ces denrées et d’autoriser leur mise sur le marché, mais tarde à fournir ses conclusions. En attendant ces conclusions, la France suit les recommandations de l’UE en interdisant la commercialisation des insectes comestibles, mais la Belgique tolère la mise sur le marché de quelques espèces.

Reste enfin la question du prix, qui demeure très élevé. Afin de rendre ces nouveaux produits accessibles au plus grand nombre, l’automatisation et l’intensification de la production et de l’élevage d’insectes est nécessaire.

C’est le projet de la start-up française Ynsect, qui se lance dans l’élevage et la transformation à grande échelle de vers de farine.

Mais les insectes produits par Ynsect sont à destination de la filière animale, sept espèces étant actuellement autorisées à nourrir les poissons et animaux de compagnie. Pour la production d’insectes à destination des humains, il faut encore attendre…

 

[Source : http://www.theconversation.com]

Difficile de trouver plus plaisant que de rire entre amis. Klaus Vedfelt/DigitalVision via Getty Images

Écrit par Janet M. Gibson

Les plaisanteries, les surprises agréables et les rires qu’elles peuvent provoquer donnent du relief à la vie quotidienne.

Quand on glousse ou qu’on s’esclaffe, on peut avoir l’impression d’émettre des bruits un peu ridicules ou bêtas. Mais rire demande en fait beaucoup de travail, car il active de nombreuses zones du cerveau : des zones qui contrôlent les processus moteurs, émotionnels, cognitifs et sociaux.

Comme je l’ai constaté en écrivant « Introduction à la psychologie de l’humour », les chercheurs considèrent même désormais le rire comme un facteur d’amélioration potentielle du bien-être physique et mental.

Les pouvoirs du rire sur la physiologie

Les gens commencent à rire dès l’enfance: cela nous aide alors à développer les muscles et le haut du corps. Ce n’est pas seulement une question de respiration : rire repose sur des combinaisons complexes de muscles faciaux, impliquant souvent des mouvements des yeux, de la tête et des épaules.

Rire, que l’on rie soi-même ou bien que l’on regarde quelqu’un d’autre rire, active de multiples régions du cerveau : le cortex moteur, qui contrôle les muscles, le lobe frontal, qui vous aide à comprendre le contexte, et le système limbique, qui module les émotions positives. En activant tous ces circuits, on renforce les connexions neuronales et on aide un cerveau sain à coordonner son activité.

En activant les voies neuronales des émotions comme la joie et la gaieté, rire peut contribuer à améliorer nos humeurs et à rendre moins intenses nos réponses physiques et émotionnelles au stress. Par exemple, rire peut aider à contrôler les niveaux cérébraux de la sérotonine, un neurotransmetteur, tout comme le font les antidépresseurs. En minimisant les réactions de notre cerveau aux menaces, rire limite la libération de neurotransmetteurs et d’hormones, comme le cortisol, qui peuvent fatiguer nos systèmes cardiovasculaire, métabolique et immunitaire au fil du temps. Le rire est en quelque sorte un antidote au stress, qui affaiblit nos systèmes de protection et augmente notre vulnérabilité aux maladies.

Des femmes riant ensemble lors d’un repas en plein air.

Comprendre une blague est un bon entraînement pour le cerveau. Thomas Barwick/Stone, Getty Images

Les pouvoirs cognitifs du rire

Lorsque quelqu’un fait une blague, les rires qui s’ensuivent dépendent en grande partie de notre intelligence sociale et de notre mémoire.

Le rire, tout comme l’humour, survient souvent lorsque l’on reconnaît des incongruités ou des absurdités dans une situation. Avant de rire, il faut pouvoir résoudre mentalement la dissension provoquée par le comportement ou l’événement surprenant. Inférer les intentions des autres et comprendre leur point de vue peut renforcer l’effet comique ressenti et l’intensité du rire.

Pour comprendre une blague ou le comique d’une situation, il faut être capable de voir le côté plus léger des choses, être ouvert à des interprétations non littérales, par exemple : lorsque l’on est amusé par des bandes dessinées avec des animaux qui parlent, comme Donald, Jolly Jumper ou Rantanplan.

La puissance sociale du rire

De nombreuses compétences cognitives et sociales se conjuguent pour vous aider à déterminer quand et pourquoi le rire se produit pendant les conversations. Il n’est pas nécessaire d’avoir entendu des rires pour savoir rire, comme le montre l’utilisation du rire pour ponctuer des phrases en langue des signes, un peu comme les émoticônes dans un texte écrit.

Le rire crée des liens et accroît l’intimité avec les autres. Le linguiste Don Nilsen note que le rire se produit rarement lorsqu’on est seul, ce qui souligne son rôle social. Dès le plus jeune âge, le rire des nourrissons est un signe extérieur de plaisir qui contribue à renforcer les liens avec les personnes qui s’occupent d’eux.

Plus tard, c’est un signe extérieur de partage d’une appréciation de la situation. Par exemple, les orateurs et les comédiens essaient de faire rire le public pour qu’il se sente psychologiquement plus proche de lui, pour créer une intimité.

En s’exerçant à rire un peu chaque jour, on peut améliorer des compétences sociales qui ne vous viennent peut-être pas naturellement. Lorsque vous riez en réponse à un trait d’humour, vous partagez vos sentiments avec les autres, ce qui apprend à jongler avec les risques d’une réponse sociale (par exemple, que votre réponse soit acceptée, partagée ou appréciée par les autres, plutôt que rejetée, ignorée ou désapprouvée).

Des études menées par des psychologues ont montré que les hommes ayant des caractéristiques de personnalité de type A – par exemple la compétitivité et l’hyperactivité, ont tendance à rire davantage, tandis que les femmes ayant ces caractéristiques rient moins. Les femmes et les hommes rient davantage avec les autres que lorsqu’ils sont seuls.

Femme aux cheveux blancs riant sur un banc public dans un parc

Rire est important à tout âge. Steve Prezant/The Image Bank, Getty Images

Les effets du rire sur le mental

Les chercheurs en psychologie positive étudient comment les gens peuvent vivre une vie pleine de sens, et s’épanouir. Le rire produit des émotions positives qui mènent à ce genre d’épanouissement. Ces sentiments – comme l’amusement, le bonheur, la gaieté et la joie – renforcent la résilience et augmentent la pensée créative. Ils augmentent le bien-être subjectif et la satisfaction de vivre. Les chercheurs ont découvert que ces émotions positives vécues avec humour et rire sont en corrélation avec l’appréciation du sens de la vie et aident les personnes âgées à avoir une vision positive des difficultés qu’elles ont rencontrées au cours de leur vie.

Rire en réponse à de l’amusement est un mécanisme d’adaptation sain. Lorsque vous riez, vous vous prenez moins au sérieux et vous vous sentez peut-être plus à même de résoudre les problèmes. Par exemple, les psychologues ont mesuré la fréquence et l’intensité du rire de 41 personnes sur une période de deux semaines, ainsi que leur niveau de stress physique et mental. Ils ont constaté que plus les rires étaient nombreux, plus le stress était faible – indépendamment du niveau sonore des rires étudiés.

Peut-on travailler sur notre rire pour en tirer des bénéfices ?

Un nombre croissant de thérapeutes préconisent l’utilisation de l’humour et du rire pour aider les patients à reprendre confiance et à améliorer leur environnement de travail ; un examen de cinq études différentes a révélé que les mesures de bien-être ont augmenté après des interventions par le rire. Ces interventions prennent la forme d’activités humoristiques quotidiennes – s’entourer de personnes drôles, regarder une comédie qui vous fait rire ou écrire trois choses drôles qui se sont passées aujourd’hui.

Vous pouvez vous entraîner à rire même lorsque vous êtes seul. Prenez intentionnellement une perspective qui apprécie le côté drôle des événements. Le yoga du rire est une technique qui consiste à utiliser les muscles de la respiration pour obtenir les réactions physiques positives du rire naturel par un rire forcé (« hahaha hihihi hohoho »).

Les chercheurs d’aujourd’hui ne prennent pas ces études à la rigolade, mais une bonne partie des recherches sur l’influence du rire sur la santé mentale et physique repose encore sur des auto-évaluations. Des études plus cadrées de psychologie expérimentale, autour du rire ou des contextes dans lesquels il se produit, confirmeront probablement l’importance de rire tout au long de la journée. Elles suggéreront peut-être même d’autres façons d’en exploiter les bienfaits intentionnellement.


Cet article a été traduit par Elsa Couderc avec l’aide de DeepL.

[Source : http://www.theconversation.com]

 

El número de vegetarianos en Brasil se duplicó en un periodo de seis años, lo que ha originado una floreciente industria basada en vegetales. La nación, creen algunos empresarios, tiene el potencial de convertirse en un gran exportador de alimentos no cárnicos.

Una clase al aire libre de alimentación consciente en Río de Janeiro. El número de vegetarianos en Brasil casi se duplicó entre 2012 y 2018.

Una clase al aire libre de alimentación consciente en Río de Janeiro. El número de vegetarianos en Brasil casi se duplicó entre 2012 y 2018.

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Después de que por años se dedicó a proporcionar grandes cantidades de comida vegana a un ashram (un lugar de meditación hinduista) ubicado en las montañas en las afueras de Río de Janeiro, la vida de Luiza de Marilac Tavares se sacudió cuando la pandemia ocasionó el cierre del centro y quedó desempleada.

Empezó a cocinar en casa, con la esperanza de llegar a fin de mes recibiendo órdenes de gente que conocía. Pero sucedió algo distinto: los pedidos de su exquisita comida se dispararon. Con un poco de marketing de Instagram, sin darse cuenta había aprovechado el auge de la demanda de alimentos de origen vegetal en Brasil.

El país, que es el exportador de carne más grande del mundo, ha experimentado un cambio drástico hacia las dietas de origen vegetal. El número de personas que se declaran vegetarianas en Brasil casi se ha duplicado en un lapso de seis años, según una encuesta realizada por la empresa de encuestas Ibope; 30 millones de personas, o el 14 por ciento de los brasileños, declararon ser vegetarianos o veganos en 2018.

Tavares, una hare krishna que describe la cocina como un acto sagrado que la acerca a Dios, explicó: “Hay un cambio de conciencia en marcha”.

Pero el auge de la demanda se extiende mucho más allá del entorno hinduista.

Los supermercados tradicionales ahora ofrecen alimentos fabricados a partir de proteína de origen vegetal junto a la carne, el pollo y el pescado. Y en los barrios más exclusivos de las grandes capitales, los restaurantes, que prestan tanta atención a la atmósfera como al menú, sirven platillos ingeniosos sin carne a un público informal y moderno.

Luiza de Marilac Tavares, con una mascarilla negra, habla con sus clientes mientras almuerzan. La demanda de su comida se ha disparado.

Luiza de Marilac Tavares, con una mascarilla negra, habla con sus clientes mientras almuerzan. La demanda de su comida se ha disparado.

Esta transformación ha convertido a una nación de 212 millones de personas —mundialmente conocida por sus restaurantes con toda la carne que puedas comer, y bajo un escrutinio cada vez mayor por las emisiones de carbono generadas por sus fincas ganaderas— en una potencia de la innovación alimentaria de origen vegetal.

En Brasil, las empresas emergentes de alimentos de origen vegetal han experimentado una gran demanda desde que los productos análogos de proteína animal comenzaron a estar disponibles ampliamente en supermercados y restaurantes en 2019. Los fundadores de estas empresas predicen que en pocos años los consumidores no podrán notar la diferencia entre una carne de hamburguesa extraída de una vaca o una producida con proteína de guisantes, jugo de remolacha y almidón de papa.

“Estamos en medio de una revolución”, aseguró Bruno Fonseca, uno de los cofundadores de New Butchers, una de las nuevas empresas brasileñas que hace réplicas de alimentos de origen animal con ingredientes vegetarianos; incluidas las hamburguesas, alternativas a las pechugas de pollo y un salmón de imitación.

Según explican los expertos, el alejamiento de las proteínas de origen animal se debe principalmente a problemas de salud. En años recientes, la obesidad, la diabetes y las enfermedades cardiovasculares han aumentado en Brasil como resultado de la adopción de una vida más sedentaria de la población y del creciente abaratamiento y amplia disponibilidad de la comida chatarra.

El aumento de la deforestación —que gran parte se explica por la industria de la carne— y un movimiento cada vez más visible por los derechos de los animales son factores secundarios que motivan a los brasileños a reducir o eliminar los productos de origen animal de sus dietas.

Un área incendiada de bosque adyacente a una finca de ganado en Apiacas, en el estado brasileño de Mato Grosso.

Un área incendiada de bosque adyacente a una finca de ganado en Apiacas, en el estado brasileño de Mato Grosso. Foto: Victor Moriyama

Hace algunos años, dejar de comer carne era impensable para una gran mayoría de los brasileños. La feijoada, el platillo nacional, es un guiso hecho con frijoles y cerdo. Las comidas al aire libre de fin de semana en las que familias y amigos se reúnen durante horas para comer grandes cantidades de filetes, pollo y salchichas son un ritual venerado en todo el país.

“Comer es lo más cultural que existe”, aseguró Gustavo Guadagnini, director administrativo en The Good Food Institute de Brasil, organismo que apoya a las compañías que producen alternativas alimenticias de origen vegetal. “Se trata de la región donde naciste, de las recetas familiares”.

Hasta hace poco, Guadagnini aseguró que pedirles a los brasileños que dejaran de comer carne era como pedirles que abandonaran una parte esencial de su identidad.

“Ahora estamos ofreciendo los mismos alimentos que las personas acostumbran comer pero en una configuración que se vale de las nuevas tecnologías”, explicó. “Pueden hacer esa elección sin mucha dificultad”.

En Brasil, los partidarios de las dietas veganas y vegetarianas han instado a la gente a comenzar con pequeños cambios, como un lunes sin carnes.

Sandra Lopes, directora administrativa de Mercy for Animals, supervisa a un equipo que realiza investigaciones encubiertas sobre las prácticas abusivas en las granjas de alimentos. Pero además de esas tácticas de señalar y humillar, Mercy for Animals ha tenido un éxito considerable al reclutar a distritos escolares y a empresas interesadas en reducir la cantidad de carne animal que ofrecen.

En el país, varias escuelas públicas han acordado reducir la proteína de origen animal en un 20 por ciento, pues generalmente la eliminan por completo un día a la semana, explicó Lopes. Eso permite exponer a los niños a alternativas vegetales desde una edad temprana y les da a los funcionarios locales la satisfacción de apoyar a un sector de la industria alimentaria que opera de manera más sustentable.

“No es una petición radical la que estamos haciendo”, dijo Lopes. “Y a los niños les gusta la comida que les están sirviendo”.

Un par de personas cargan cajas de verduras y frutas en un mercado mayorista en Río de Janeiro.

Un par de personas cargan cajas de verduras y frutas en un mercado mayorista en Río de Janeiro. 

Grupos como Mercy for Animals, que inició sus operaciones en Brasil en 2015, han encontrado poderosos aliados en algunas de las celebridades más importantes del país.

Anitta, una de las principales artistas musicales de Brasil, dijo que había reducido drásticamente su consumo de carne, preocupada por el impacto que esto tiene sobre el medioambiente.

El año pasado, Felipe Neto, un videobloguero y emprendedor con más de 40 millones de suscriptores en YouTube, anunció que se volvería vegetariano en medio de la indignación mundial que Brasil causó por una temporada de incendios inusualmente destructiva en la Amazonía.

“¿Conocen esa sensación de cuando has estado haciendo algo que no está bien, que sabías que estaba mal y que las consecuencias pesaban sobre tu conciencia?”, preguntó el año pasado al explicar su decisión.

La celebridad vegana más militante de Brasil es la presentadora de televisión Xuxa Meneghel, cuyo programa de variedades fue la sensación en toda América Latina en los años noventa. Meneghel, de 57 años, ha asegurado que su dieta vegana es la principal causa del aumento de su nivel de energía y su libido. Pero dijo que ver documentales como Cowspiracy y What the Health la convencieron de que comer animales no solo era nocivo sino intolerable.

“Insto a la gente a que reconsidere esa costumbre de celebrar cumpleaños y reuniones de amigos con animales muertos en un plato”, dijo en un correo electrónico. “Me gustaría mucho que la gente redujera su consumo de cadáveres”.

Cocineros preparan un almuerzo vegetariano en un templo Hare Krishna en Río de Janeiro.

Cocineros preparan un almuerzo vegetariano en un templo Hare Krishna en Río de Janeiro.

Las empresas que han dependido del amor de los brasileños por la carne han notado el cambio en las opiniones y los apetitos, y han comenzado a abrirse paso en el mercado, cada vez más concurrido, de los alimentos vegetarianos.

A principios de este año, Outback Steakhouse, una de las cadenas de restaurantes más populares de Brasil, lanzó una hamburguesa hecha con brócoli y coliflor.

La empresa brasileña JBS, la mayor empresa de procesamiento de carne del mundo, que ha sido objeto de críticas por su papel en la deforestación ilegal de la Amazonía, lanzó el año pasado una línea de productos vegetales que se comercializan con la misma textura y sabor que la carne.

La compañía dice que la expansión de este sector es la única manera de alimentar a los seres humanos de manera sostenible en las próximas décadas.

“El mundo tendrá casi 10.000 millones de personas en 2050, por lo que la demanda de alimentos aumentará y será necesario ofrecer alternativas”, dijo la empresa en un comunicado enviado por correo electrónico. “La estrategia de proteínas vegetales de JBS busca ofrecer nuevas alternativas a los consumidores, ya sean veganos, vegetarianos o flexibilistas”.

Marcos Leta, el fundador de Fazenda Futuro, que en 2019 se convirtió en la primera gran empresa brasileña en vender productos vegetales parecidos a la carne en las tiendas de comestibles, ha estudiado la cadena de suministro de la industria cárnica del país y sus modelos de exportación y cree que Brasil tiene el potencial de convertirse en un gran exportador de alimentos vegetales.

Trabajadores en la línea de producción de un filete “de pescado” hecho de vegetales, en la sede de New Butchers, en São Paulo.

A Leta le gusta que sus productos se exhiban en los supermercados junto con paquetes de pechuga y costillas de pollo congeladas. Dice que es solo cuestión de tiempo antes de que él y sus competidores puedan producir a una escala que haga que sus productos sean competitivos con la carne y el pollo baratos.

“Mi competencia son los carniceros”, dijo Leta, quien dijo que come carne hoy en día principalmente como parte de los esfuerzos de investigación y desarrollo para acercar el sabor y la textura de su comida a la original. “La misión de la compañía es, en algún momento del futuro, hacer obsoletas las plantas empacadoras de carne”.

Leta dijo que su compañía progresa hacia ese objetivo. Recientemente comenzó a exportar sus productos, que incluyen imitaciones de albóndigas, carne molida y salchichas, a Holanda. Ha firmado acuerdos de distribución en el Reino Unido, Alemania y varios países de América Latina.

Tavares, de 61 años, quien ha trabajado muchas horas para preparar unas 400 comidas por semana con la ayuda de los cocineros del templo Hare Krishna de Río de Janeiro, donde rinde culto, pone los ojos en blanco al mencionar estas nuevas empresas que se esfuerzan por crear imitaciones de carne.

Pero admite que pueden ser un trampolín para muchos hacia el descubrimiento de la riqueza y el placer que ha encontrado en la cocina y el consumo de comidas a base de plantas que se ven y saben a plantas.

“Cuando te conviertes en vegetariano, es como si una llave hubiera girado”, dijo. “Comienzas a ver las cosas de manera diferente”.

Una carnicería en un mercado del centro de São Paulo. Algunos brasileños sienten que comer carne es una parte esencial de su identidad cultural.

[Fotos: Mauricio Lima, salvo cuando se señala – fuente: http://www.nytimes.com]

Le « mythe al-Andalus » allègue la coexistence pacifique interreligieuse – juifs, chrétiens, musulmans – sous domination islamique dont l’Andalousie, conquise par des envahisseurs musulmans, serait l’exemple idéal, admirable. De nombreux manuels scolaires et documentaires, dont « Al-Andalus, une civilisation légendaire » (Die goldene Zeit in Andalusien) de Michael Schwarz, véhiculent ce mythe, qui perdure, occulte la dhimmitude, et demeure source de problèmes graves à ce jour. Le 30 décembre 1066 (3 Tevet 4827), des musulmans assaillent le palais royal de Grenade, alors en al-Andalus (sud de l’Espagne sous domination islamique), et y crucifient Joseph ibn Nagrela, le vizir du roi berbère et chef des Juifs de la ville. Ils massacrent la plupart des Juifs de Grenade, soit « 1 500 familles juives, représentant environ 4 000 personnes qui disparaissent en un jour » selon la Jewish Encyclopedia. 
Publié par Véronique Chemla
L’Histoire est écrite par les vainqueurs. Et parfois instillée par les vaincus. Le « mythe al-Andalus » véhicule l’idée de la coexistence pacifique interconfessionnelle – juifs, chrétiens, musulmans – sous la domination islamique, dont l’Andalousie conquise par des envahisseurs musulmans et dénommée al-Andalus serait l’exemple parfait, et jamais égalé.
Malgré tous les ouvrages d’historiens réputés, généralement étrangers, démythifiant al-Andalus, nombre de manuels scolaires français d’histoire « politiquement corrects » présentent ce mythe al-Andalus comme fait avéré.

Ce mythe est véhiculé contre l’État d’Israël : occultant les pogroms notamment sous l’Empire ottoman, certains allèguent que la refondation de l’État juif aurait brisé une coexistence interconfessionnelle millénaire harmonieuse.

Il perdure dans l’enseignement, dans les discours politiques et communautaires, et est partie intégrante du « politiquement correct ».

Des faits historiques, dont le pogrom à Grenade en 1066, sont ainsi occultés. Le 30 décembre 1066 (3 Tevet 4827), des musulmans assaillent le palais royal de Grenade, alors en al-Andalus (sud de l’Espagne sous domination islamique), et y crucifient Joseph ibn Nagrela, le vizir du roi Berbère et chef des Juifs de la ville. Ils massacrent la plupart des Juifs de Grenade, soit « 1 500 familles juives, représentant environ 4 000 personnes qui disparaissent en un jour », selon la Jewish Encyclopedia. « Ce nombre est supérieur au nombre des Juifs qui ont été tués, pendant la première Croisade, dans l’ensemble des villes et villages de Rhénanie. C’est pourtant cette dernière tragédie que l’on ne cesse de nous rappeler, en oubliant que trente ans auparavant, dans la seule ville de Grenade. il n’y eut pas moins de victimes » (David Littman). Les éditions Provinciales ont republié Le Dhimmi, de Bat Ye’or.

« Al-Andalus, une civilisation légendaire » (Die goldene Zeit in Andalusien) est un documentaire partial de Michael Schwarz.

« Le récit d’un mythe étudié par de nombreux historiens, celui de la coexistence pacifique interreligieuse sous domination islamique. Ce mythe, qui occulte la dhimmitude, est source de problèmes graves à ce jour.

« Pendant huit siècles, juifs, chrétiens et musulmans ont partagé une civilisation commune en Espagne médiévale. Al-Andalus, territoire ibérique ainsi désigné pendant sa domination musulmane du début du VIIIe à la fin du XVe siècle, est souvent considéré comme un paradis perdu, un lieu paisible du vivre ensemble entre les croyants des trois religions monothéistes ».

« Si une cohabitation fut possible, elle n’empêcha toutefois pas nombre de persécutions, de décapitations et de conversions forcées ».
« Cette société multiconfessionnelle reste toutefois unique dans l’histoire européenne et a donné naissance à une culture flamboyante dont les objets d’art, les œuvres littéraires, les monuments et les pièces musicales forcent aujourd’hui encore l’admiration ».
« Historiens et spécialistes de l’art islamique analysent ce riche héritage culturel et le mettent en perspective avec les étapes majeures de ces huit siècles d’histoire, en s’attachant à évoquer les plus grandes figures de cette foisonnante période ».

« Voyage en Al-Andalus, territoire ibérique sous domination musulmane du VIIIe au XVe siècle et point de rencontre des trois religions monothéistes ».

Curieusement, le film reprend l’idée selon laquelle le monde islamique aurait assuré la transmission du savoir antique grec et romain au christianisme médiéval qui l’aurait oublié. Une allégation réfutée par l’historien médiéviste Sylvain Gouguenheim dans son livre « Aristote au Mont-Saint-Michel » (2008) en démontrant le rôle de Constantinople dans cette transmission.

Ce film reprend, sans la critiquer, la version islamique de l’Histoire. Ainsi, il allègue sans le prouver que la condition juive en Europe médiévale chrétienne aurait été pire que celle sous domination islamique. En outre, elle impute à Joseph ibn Nagrela, fils de Samuel ibn Nagrela, vizir auprès du roi berbère Badis al-Muzaffar de Grenade, un orgueil ou une arrogance qui aurait suscité l’ire de la foule musulmane le tuant et massacrant quasiment tous les Juifs de Grenade en 1066. Or, divers historiens soulignent le rôle d’écrits anti-juifs d’Abou Ishaq ayant accru la haine des musulmans. Ainsi, Bernard Lewis a énoncé :

« Un ancien poème antisémite d’Abu Ishaq, écrit à Grenade en 1066, est particulièrement instructif à cet égard. Ce poème, qui se dit déterminant dans le déclenchement des émeutes anti-juives de cette année, contient ces lignes spécifiques :
– Ne considérez pas le fait de les tuer comme une violation de la foi. Le fait de les laisser en vie serait une violation de la foi.
– Ils ont violé le pacte que nous avions avec eux, aussi comment pouvez vous être tenus coupables contre les violateurs ?
– Comment peuvent-ils avoir un pacte, quand nous sommes insignifiants et eux prétentieux ?
– Maintenant nous sommes humbles, à côté d’eux, comme si nous avions tort et eux avaient raison ! »

Un documentaire qui édulcore la dhimmitude, « statut de soumission des indigènes non-musulmans – juifs, chrétiens, sabéens, zoroastriens, hindous, etc. – régis dans leur pays par la loi islamique. Corrélé au djihad, il est inhérent au fiqh (jurisprudence) et à la charîa (loi islamique). Les éléments constitutifs de la dhimmitude sont d’ordre territorial, religieux, politique et social. Le pays conquis s’intègre au dar al-islam (16) sur lequel s’applique la charîa. Celle-ci détermine en fonction des modalités de la conquête les droits et les devoirs des peuples conquis qui gardent leur religion à condition de payer une capitation mentionnée dans le Coran et donc obligatoire. Le Coran précise que cet impôt dénommé la jizya doit être perçue avec humiliation (Coran, 9, 29). Les éléments caractéristiques de ces infidèles conquis (dhimmis) sont leur infériorité dans tous les domaines par rapport aux musulmans, un statut d’humiliation et d’insécurité obligatoires et leur exploitation économique. Les dhimmis ne pouvaient construire de nouveaux lieux de culte et la restauration de ces lieux obéissait à des règles très sévères. Ils subissaient un apartheid social qui les obligeait à vivre dans des quartiers séparés [mellah au Maroc, Ndr], à se différencier des musulmans par des vêtements de couleur et de forme particulières, par leur coiffure, leurs selles en bois, leurs étriers et leurs ânes, seule monture autorisée. Ils étaient astreints à des corvées humiliantes, même les jours de fête, et à des rançons ruineuses extorquées souvent par des supplices. L’incapacité de les payer les condamnait à l’esclavage », a résumé l’essayiste Bat Ye’or.
Le mythe de la « coexistence pacifique inter-religieuse »
Le professeur Bernard Lewis fait remonter ce mythe, forgé par les « juifs pro-islamiques », au XIXe siècle :
« L’âge d’or de l’égalité des droits était un mythe, et si l’on y croyait, c’était la conséquence plutôt que la cause de la sympathie juive pour l’islam. Le mythe fut inventé par des juifs d’Europe au XIXe siècle comme un reproche adressé aux chrétiens – et repris par les musulmans de notre temps comme un reproche adressé aux juifs » (Islam, Gallimard, 2005).

Quant à Bat Ye’or, elle démontre « la fonctionnalité stratégique du mythe d’un islam tolérant et pluraliste inventé par la Grande-Bretagne au XIXe siècle… Né précisément en Bosnie-Herzégovine, ce mythe créé par la diplomatie britannique visait à protéger l’intégrité de l’Empire ottoman contre les ambitions de l’Autriche et de la Russie, qui – instrumentalisant les révoltes des chrétiens slaves catholiques et orthodoxes ou grecs – se taillaient des zones d’influence dans les provinces ottomanes d’Europe. Pour calmer une opinion publique anglaise indignée par les massacres des insurgés chrétiens perpétrés par les Ottomans, le Foreign Office justifia son soutien à La [Sublime] Porte en alléguant la tolérance et la justice inhérentes à l’islam du gouvernement turc. Ce régime, décrétait-il, était le mieux adapté aux chrétiens des Balkans, présentés comme des masses sous-humaines ignares. Les Turcophiles européens partageaient ces opinions et vantaient l’Empire turc, modèle d’un gouvernement multiethnique et multireligieux, garantissant la paix et le bonheur et une justice égale pour tous ses citoyens sous la loi éclairée islamique – argument constamment martelé par le président bosniaque islamiste moderne Izetbegovic ». Or, « les rapports consulaires de l’époque indiquaient une oppression cruelle des chrétiens dhimmi par l’application des lois de la dhimmitude ».

L’essayiste Bat Ye’or explique ce mythe, qui « adopte la version islamique de l’histoire », par des facteurs géopolitiques, tel « l’équilibre politique » européen au XIXe siècle. Ce mythe justifiait « la défense de l’intégrité territoriale de l’Empire Ottoman, c’est-à-dire la sujétion des peuples qu’il contrôlait. Dans l’entre-deux guerres, la tolérance ottomane se métamorphosa en « coexistence pacifique sous les premiers califes », thème qui constitua la pierre angulaire du nationalisme arabe et une arme idéologique contre les revendications autonomistes d’autres peuples » (Face au danger intégriste, juifs et chrétiens sous l’islam. Ed. Berg International, 2005).

Ce mythe agit en narratif anesthésiant : il masque les enjeux du jihad contre l’Occident ou en Eurabia. Il dissimule cette réalité guerrière et son institution corollaire la dhimmitude, ce statut cruel, inférieur et déshumanisant réservé aux non-musulmans – juifs, chrétiens, etc. – sous la domination islamique. De plus, ce mythe « disculpe l’islam classique, à l’origine du totalitarisme islamiste ». Et, il impose la vision « islamiquement correcte » d’un islam « pacifique » (Pierre-André Taguieff, La nouvelle judéophobie, Fayard Mille et Une nuits, 2002) symbolisé par la civilisation brillante al-Andalus, exemple de « coexistence pacifique entre judaïsme, christianisme et islam » en Espagne médiévale sous la férule musulmane.

Ce mythe comprend aussi celui de la « dette » de l’Occident vis-à-vis des « sciences Arabes/musulmanes » . Il dévalorise ainsi la civilisation chrétienne qui, d’une part, a mis un terme à cette « tolérance » par sa victoire sur les Maures et sa reconquête de la péninsule ibérique (Reconquista), et d’autre part, a échoué à créer l’équivalent d’al-Andalous.

Ce mythe distille et renforce « le sentiment de culpabilité et d’infériorité des Occidentaux vis-à-vis de la civilisation islamique » (Alexandre del Valle, Le totalitarisme islamiste à l’assaut des démocraties. Ed. des Syrtes, 2002).

Il affuble l’Occident des pires épithètes – obscurantiste (Inquisition), conquérant (croisades, empires), raciste -, et produit un discours anti-israélien. La recréation de l’État d’Israël contredit le mythe des « dhimmis juifs heureux ». Louer l’attitude mythique admirable de « tolérance » et irréprochable des musulmans à l’égard des non-musulmans stigmatise a contrario Israël : la recréation de l’État d’Israël aurait mis fin à une ère de « coexistence pacifique interreligieuse ». La politique israélienne est déformée au travers d’un prisme mythique biaisé : elle est jugée, et condamnée, à l’aune d’un mythe déguisé en histoire et on requiert d’Israël qu’il se conduise conformément au mythe, ce qui de facto restaurerait le « bon vieux temps » de la dhimmitude, et donc la destruction de l’État juif. Ce mythe s’est métamorphosé pour réapparaître sous l’idée de la « Palestine laïque et multiculturelle » remplaçant l’État d’Israël. Il contribue à accréditer l’idée dangereuse de la « destruction positive de l’État d’Israël » et soutient ceux alléguant : « Nous reconnaissons l’aspiration nationale légitime des juifs et des Palestiniens à un État souverain. Nous sommes pour un État juif et un État palestinien vivant côte à côte, dans la sécurité et la paix. Nous avons reconnu l’État juif.  Et qu’a fait cet État juif ? Il maltraite les pauvres Palestiniens. Il n’arrive pas ou il refuse de faire la paix alors qu’on connaît les termes d’un accord de paix. Cet État d’Israël est perçu comme le pays représentant la plus grande menace pour la paix dans le monde comme le montre un sondage commandé en 2003 par la Commission de l’Union européenne et réalisé auprès de 7 515 Européens… Pour ramener la paix mondiale si précieuse et dans l’intérêt des deux parties concernées, ne serait-il pas préférable de créer un seul État où juifs et Palestiniens vivraient ensemble et en bonne entente comme jadis dans la tolérante al-Andalous ? », c’est-à-dire sous domination islamique, avec un statut cruel et inférieur de dhimmi. Une variante « politiquement correcte » de l’« État binational ».

Bat Ye’or précise que ce mythe :
« Conforte la doctrine islamique. Il atteste la perfection de la chari’a, seule législation gouvernant, dans le passé, le dar al-islam [Nda : Le dar al-islam est un pays gouverné par la loi islamique], et sa supériorité sur toutes les autres juridictions… La moindre critique du statut des dhimmis est rejetée comme suspecte parce qu’elle entame le dogme de la perfection de la loi et du gouvernement islamiques. Ainsi, la louange de la tolérance et de la justice de l’islam, accompagnée de gratitude, s’intègrent-elles dans les obligations exigées du dhimmi ».
Ce mythe pervers a été relayé par les réseaux juifs et chrétiens de la dhimmitude afin d’influer sur les opinions publiques et donc les politiques gouvernementales, en particulier dans le dialogue Euro-Arabe.
« The Myth of the Andalusian Paradise »
En 2016, Intercollegiate Studies Institute a publié « The Myth of the Andalusian Paradise: Muslims, Christians, and Jews under Islamic Rule in Medieval Spain » de Dario Fernandez-Morera. « Scholars, journalists, and even politicians uphold Muslim-ruled medieval Spain—“al-Andalus”—as a multicultural paradise, a place where Muslims, Christians, and Jews lived in harmony. There is only one problem with this widely accepted account: it is a myth. In this groundbreaking book, Northwestern University scholar Darío Fernández-Morera tells the full story of Islamic Spain. The Myth of the Andalusian Paradise shines light on hidden history by drawing on an abundance of primary sources that scholars have ignored, as well as archaeological evidence only recently unearthed.
This supposed beacon of peaceful coexistence began, of course, with the Islamic Caliphate’s conquest of Spain. Far from a land of religious tolerance, Islamic Spain was marked by religious and therefore cultural repression in all areas of life and the marginalization of Christians and other groups—all this in the service of social control by autocratic rulers and a class of religious authorities. The Myth of the Andalusian Paradise provides a desperately needed reassessment of medieval Spain. As professors, politicians, and pundits continue to celebrate Islamic Spain for its “multiculturalism” and “diversity,” Fernández-Morera sets the historical record straight—showing that a politically useful myth is a myth nonetheless. »
Ce livre a été publié en français par les éditions Jean-Cyrille Godefroy sous le titre « Chrétiens, juifs et musulmans dans al-Andalus. Mythes et réalités de l’Espagne islamique » par Dario Fernández-Morera, professeur au département d’espagnol et de portugais de l’Université Nortwestern (Illinois), docteur de l’Université Harvard, ancien membre du Conseil national des États-Unis pour le développement des humanités, auteur de nombreux livres sur l’Espagne médiévale, le Siècle d’or, la rencontre de l’Europe et des Amérindiens et l’œuvre des grandes figures de la littérature classique espagnole. « Universitaires, journalistes et hommes politiques, tous nous présentent « Al-Andalus », l’Espagne sous domination musulmane, comme un paradis multiculturel où musulmans, chrétiens et juifs vivaient en harmonie. Ce conte de fées est un mythe. Dans Chrétiens, juifs et musulmans dans al-Andalus, un ouvrage décapant, l’historien Darío Fernández-Morera révèle la réalité de l’« Espagne arabo-musulmane », à partir de sources volontairement ignorées et de récentes découvertes archéologiques. »
« Ce prétendu paradis de la coexistence heureuse a commencé avec la conquête de l’Espagne par le califat islamique. Les armées de l’islam, composées de Berbères incultes, détruisirent un Royaume visigoth qui avait conservé l’héritage de la culture classique après la chute de l’Empire romain d’occident, et dont le niveau de civilisation était largement supérieur. Loin d’être un espace de tolérance, l’« Espagne musulmane » fut le lieu d’une régression culturelle dans tous les domaines de la vie. Chrétiens et juifs y furent marginalisés et opprimés par des autocrates religieux. Considérés comme subalternes dans une société hiérarchisée, ils furent réduits au rang de dhimmis, et eurent le choix que les gangsters donnent à leurs victimes : payer pour être protégés, ou disparaître. Tandis que politiciens et idéologues continuent de célébrer l’« Espagne musulmane » pour son « multiculturalisme » et sa « diversité », Darío Fernández-Morera montre que cette construction politiquement utile est une falsification de l’histoire. »
Le livre est préfacé par Rémi Brague, de l’Institut :
« Nous avons tous besoin d’un paradis. Si l’on ne croit plus à celui qui nous est proposé au Ciel, on le cherchera sur terre. Au XXe siècle, ce fut longtemps l’URSS. Après le Rapport Khrouchtchev, l’amour franchit l’Amour et le paradis terrestre fut transplanté en Chine. On se souvient des articles signés K. S. Karol dans le Nouvel Observateur, en particulier « L’empire éco-céleste » qui vantait le respect maoïste pour l’environnement. Ou ceux de religieux dominicains qui voyaient dans la Chine un vaste monastère—sans voire que les trois vœux y étaient obligatoires… D’autres paradis plus petits comme Cuba, l’Albanie, etc. s’y ajoutaient comme les lunes de ce vaste soleil rouge. Le Cambodge de Pol Pot a encore d’illustres défenseurs. Ces paradis se situant sur notre terre et à notre époque, ils étaient susceptibles de recevoir une confirmation empirique. L’Intourist soviétique et ses équivalents s’en chargeaient. Simon Leys a décrit de façon impayable la naïveté des « intellectuels » occidentaux véhiculés de ferme modèle Potemkine en école Potemkine par les services chinois[1]. Mais l’ennui de ces paradis regagnés est qu’ils pouvaient aussi être infirmés par l’expérience, ce qui ne manqua pas de se produire.
D’où l’avantage d’une autre tactique : projeter ce paradis recherché dans le passé, ce qui le met à l’abri de démentis trop faciles. On vit fleurir ainsi, dans tous les styles, et selon les sensibilités, des époques bénies : L’Empire romain d’avant Constantin comme tolérant, l’Empire aztèque comme proto-socialiste, le XIII siècle européen comme apogée de la chrétienté. Pensons aussi à Alexandrie, qui fut aussi le lieu du premier pogrom en l’an 38 de notre ère.
L’Espagne, terre de légendes
L’Espagne est une terre propice aux légendes. Deux exemples, un négatif, et un positif :
(a) La leyenda negrasur les massacres d’Indiens en Amérique, ou sur la fourberie et la cruauté des Espagnols, est lancée par les plumitifs des rivaux commerciaux de l’Espagne, France, Angleterre et Hollande, comme prétexte pour piller les galions qui ramenaient du Nouveau Monde les métaux précieux. Francis Drake et sa piraterie d’État, avec ses équivalents malouins, se trouvaient ainsi légitimés : le vol n’était au fond que de la « récupération ».
(b) Au XIXe siècle, la nostalgie de l’Europe qui se rationalisait pour s’industrialiser a franchi le golfe du Lion, passant de l’Italie à l’Espagne. Mais elle a changé de signe : ce qui intéresse désormais n’est plus la supériorité d’une culture ancienne et raffinée (celle du Grand Tour des nobles anglais), mais au contraire la primitivité de pacotille, les mœurs farouches, mais présumées « authentiques ». Le monument impérissable en est la Carmende notre Mérimée, pendant espagnol de la Colomba corse du même. On peut ajouter encore trois autres « c » : caramba ! (le sang chaud), corrida (la cruauté, l’amour du sang), castañetas (tout ce qui est « typique », et avec elles les mantilles, les éventails, le flamenco, etc.)
Pourquoi donc ne pas ajouter à ces châteaux en Espagne l’image rose d’une coexistence harmonieuse entre les « trois religions monothéistes » ? Cela aurait eu lieu au Moyen Âge, tant que le sud de la Péninsule était sous domination islamique. Ce bonheur aurait été interrompu par l’irruption des méchants chrétiens du Nord. Ceux-ci auraient apporté, à l’exclusion de tout autre élément culturel, l’intolérance, l’Inquisition, etc.
Pourquoi la légende d’al-Andalus ?
(a) Actuellement, les associations internationales comme la Ligue arabe ou la Conférence des États islamiques aident à la propagation de tout ce qui fait apparaître le passé islamique comme brillant et l’islam comme RATP (« Religion d’amour, de tolérance et de paix »). En particulier, l’évocation d’Al-Andalus doit démontrer la possibilité d’une renaissance dans le futur de ce qui est censé avoir eu lieu dans le passé. Toute sorte d’idiots utiles, aussi ignorants que bien intentionnés, emboîtent le pas.
(b) En Espagne même, l’autoflagellation est une spécialité reconnue depuis longtemps et pratiquée avec succès dans toutes les régions. Plus particulièrement, l’Andalousie est une région (une autonomia) de l’Espagne actuelle. Al-Andalus, en revanche, désigne la totalité de ce qui, dans la Péninsule ibérique, était sous domination islamique. L’Andalousie actuelle en est une partie, mais le domaine en question comportait aussi le plus gros du Portugal, la Castille, et remontait à peu près jusqu’à la vallée de l’Ebre. Or donc, la junte autonome d’Andalousie se cherche une identité historique qui la distinguerait de ses voisines. Faute de mieux, elle la cherche en se rattachant à un passé idéalisé.
(c) Les Juifs européens, émancipés au XIX siècle, mais encore sous le coup de diverses restrictions, ont cherché à faire honte aux Chrétiens et à leur donner l’exemple en opposant une « tolérance » islamique à l’Europe catholique, réduite à l’éternel « les croisades et l’inquisition ». Or, les plus grands esprits de l’orientalisme européen étaient justement des Juifs[2].
Il est de fait que les Séfarades expulsés d’Espagne en 1492 furent accueillis dans l’Empire ottoman, où ils produisirent de beaux fruits à Corfou (Albert Cohen), à Salonique, en Bulgarie (Elias Canetti), etc. On mentionne moins souvent un fait symétrique, l’exil des Juifs chassés par les Almohades en 1140 et qui ont trouvé refuge dans la Catalogne et la Provence chrétiennes. Là aussi, la culture en bénéficia, par exemple grâce aux traductions vers l’hébreu d’œuvres arabes de spiritualité, puis de philosophes juives, enfin de textes de philosophes musulmans comme Averroès par les trois générations de la famille Ibn Tibbon.
Dégrisement
Les esprits revenus de leur ivresse apprécieront des ouvrages qui les aideront à appuyer leur intuition : cela est trop beau pour être vrai. Récemment, un éditeur courageux a eu la bonne idée de publier en français le gros livre de Serafin Fanjul[3]. Et voici maintenant celui de Dario Fernandez-Morera, que j’ai donc l’honneur et la joie de préfacer ici.
Les deux auteurs que je viens de nommer, de manière amusante, jouent à compétences renversées : Fanjul, professeur émérite d’arabe à la Complutense (Madrid), se demande surtout quelle est la part d’al-Andalus dans l’identité espagnole d’aujourd’hui. Il intervient dans le débat devenu classique outre-Pyrénées entre deux érudits, tous deux républicains en exil sous Franco, Americo Castro et Rafael Sanchez Albornoz, sur la nature de l’identité espagnole. Le livre français de Fanjul constitue le condensé de deux livres en castillan parus en 2000 et 2004. Certains chapitres, trop centrés sur l’Espagne, par ex. de dialectologie, n’ont pas été repris dans la traduction française. Mais il reste de succulentes perles dans son bêtisier, comme Mérimée qui prend pour « un élégant bâtiment moresque » la Lonja de la sedade Valence. La ville avait été reprise par les Chrétiens en 1238, et le bâtiment construit entre 1482 et 1498 en gothique flamboyant[4].
Quant à Fernandez-Morera, américain, non-arabisant, mais professeur d’espagnol à Northwestern University (Evanston, Illinois), spécialiste de la littérature du Siglo de oro, il s’était déjà fait connaître par des monographies sur des écrivains de cette époque, Garcilaso de la Vega et Cervantes. Il s’interroge ici sur la réalité des récits sur la coexistence harmonieuse (convivencia) des trois communautés musulmane, juive et chrétienne. Il met en évidence ce qui, justement, devrait être évident, et qui est masqué par toute une propagande. Il a la cruauté de mettre en exergue de chacun de ses chapitres une sélection des bêtises qui ont été écrites sur le sujet qu’il y traite.
Soulignons quelques points :
(a) L’Espagne musulmane fut le résultat d’une conquête militaire, nécessairement brutale puisqu’involontaire. Plus cruelle qu’ailleurs ? Pas nécessairement. Mais pas moins non plus (ch. 1). L’avancée des troupes arabes au Sud de la Méditerranée ne fut pas sans rencontrer des résistances. Les Berbères gardent mémoire de la Kahina, souveraine de l’actuelle Tunisie, qui résista aux Arabes jusqu’à ce que ceux-ci s’en débarrassent en l’empoisonnant.
(b) L’Espagne d’avant la conquête arabo-berbère n’était pas vide, ni d’hommes ni de culture. Elle a fourni plusieurs poètes latins, le philosophe Sénèque, l’empereur Trajan. La dynastie des Wisigoths était fortement soumise à l’influence de Constantinople. L’Espagne sur laquelle elle régnait était pénétrée de culture classique. Elle a entre autres produit Isidore de Séville, dont l’encyclopédie a synthétisé le savoir antique et l’a transmis au Moyen Age (ch. 2).
On peut signaler une tendance de l’islam, non universelle, mais pas exceptionnelle non plus, à nier tout ce qui l’a précédé, à le rejeter dans l’« ignorance ». La récente destruction physique des monuments assyriens par l’État islamique est la conséquence d’une attitude intellectuelle plus profonde. L’incendie de la bibliothèque d’Alexandrie n’est probablement pas à mettre au débit des Arabes, mais la raison donnée dans le récit habituel correspond bien à la tournure d’esprit d’Omar.
En tout cas, dans l’Espagne qui fut soumise à l’islam, il ne subsiste aucune église d’avant la conquête. La Mosquée de Cordoue fut construite en partie avec les pierres d’une ancienne église dédiée à saint Vincent.
(c) La civilisation de l’Espagne sous domination islamique fut certes brillante. Elle le fut en poésie, en philosophie avec Ibn Bajja, Ibn Tufayl et Averroès. En architecture, elle a laissé des monuments remarquables comme la Giralda de Séville, la Mosquée de Cordoue, l’Alhambra de Grenade. Mais qui bénéficia de ces splendeurs ? Comme pour l’histoire des autres régions islamisées, faute de documents, nous ne savons à peu près rien de la paysannerie, laquelle constituait l’énorme majorité de la population[5]. Nos sources ne parlent guère que des citadins, voire des juristes. Al-Andalus était agréable pour ses élites, mais elle n’était pas un paradis de la convivencia.
(d) La culture juive de l’époque a certes été elle aussi brillante. Mais le plus grand, Maïmonide (m. 1204), a dû quitter la péninsule à dix ans et a produit son œuvre en Égypte. Le poète et apologète Jehuda Halevi, auteur du Kuzari, dont « le cœur était en Orient », a voulu mourir en Terre sainte. Ibn Naghrela fut bien un temps vizir d’un roitelet à l’époque des reyes de taifas, mais il finit, avec d’autres de ses coreligionnaires, tué dans un pogrom. Les persécutions n’ont pas manqué non plus, dans la Péninsule comme dans le reste du Maghreb où elles ne cessèrent, horresco referens, qu’avec la présence française[6]…
(e) L’excision des filles était une pratique répandue, ainsi que la lapidation des adultères. Ce qui peut paraître un détail est très révélateur : il y a une abondante poésie amoureuse, mais elle suppose comme son arrière-plan social l’esclavage sexuel : l’aimée chantée par le poète est toujours une concubine, jamais une femme libre (ch. 5).
(f) Il est vrai que la pression sociale s’est accrue au fil du temps en même temps que la pression extérieure des royaumes chrétiens du Nord, et comme conséquence de celle-ci : il fallait « serrer les rangs ». Mais les premières périodes, de la conquête à l’ère omeyyade (756), puis pendant celle-ci, n’ont en rien été des paradis. Destructions d’églises, crucifixions, abondèrent. On notera la scène où Abd-el-Rahman (bien mal nommé) fait brûler le visage d’une esclave qui se refusait à lui (ch. 4). Les campagnes du vizir al-Mansur (Almanzor) ont laissé des souvenirs cuisants.
En résumé, l’Espagne sous domination islamique ne se distingue pas radicalement des autres régions de l’Empire islamique. Elle ne constitue nullement une oasis de « tolérance » et de « coexistence » entre les religions. Sur certains points, elle est même plus sévère qu’ailleurs.
Méthodologie
Pour finir, on peut proposer ici quelques règles, dont la centrale serait de voir les faits dans leur contexte historique, et éviter les évaluations morales. Ceci vaut d’une manière générale. Exemples :
(a) L’accueil d’un conquérant avec des fleurs, etc. Lorsque la Wehrmacht est entrée en Ukraine en 1941, bien des habitants de ce pays qui avait été dévasté par la famine artificielle (Holodomor) voulue par Staline moins de dix ans auparavant, crurent à une libération. Ils devaient vite déchanter. D’une manière générale, on se range souvent « du côté du manche », du côté du vainqueur, dont on ne sait pas encore trop qui il est vraiment. Le conquérant ne le savait d’ailleurs pas nécessairement encore très bien lui-même.
(b) La « tolérance » islamique n’est pas une vertu, car la vertu est toujours le fait de personnes, non de civilisations ou de systèmes politiques. Ce qu’on appelle « tolérance » (dhimma) était la solution d’un problème très concret, qui est l’écrasante disproportion entre la mince couche de conquérants formant la caste dominante et la masse énorme des conquis dont le travail nourrit les nouveaux maîtres comme il nourrissait les maîtres précédents. Elle s’accompagne de mesures humiliantes destinées à exercer sur les soumis une pression. Le système juridique mis en place fonctionne ensuite comme une nasse : il est permis d’entrer dans l’islam, il est interdit d’en sortir.
(c) Une civilisation peut être sur certains points ou sur presque tous plus avancée qu’une autre et avoir fait des découvertes d’une grande importance. Mais la question de la diffusion de ces innovations est autre. Cela vaut d’ailleurs déjà à l’intérieur du monde islamisé. C’est ainsi qu’un chercheur m’a fait remarquer que des savants islamiques pouvaient très bien inventer un algorithme pour résoudre un problème précis, un partage d’héritage, p.ex., et ne pas chercher ensuite à le réutiliser, encore moins à le généraliser.
Dans le cas d’espèce, les acquis d’al-Andalus ont été brillants. Mais cela ne suffit pas pour que l’on puisse parler d’un transfert. Un exemple : les mathématiques arabes étaient au Moyen Âge bien supérieures à celles des Européens. Elles se fondaient sur ce qui était resté des mathématiques (dont l’astronomie) grecques, mais les mathématiciens de langue arabe ne se sont pas contentés de répéter. Ils ont prolongé et dépassé, voire critiqué leurs sources comme en témoignent des titres hardis, celui de Razi, Doutes sur Galien ou celui d’Alhacen, Doutes sur Ptolémée. Mais pouvons-nous être certains de ce qu’ils ont été reçus en Europe ? Gerbert d’Aurillac (pape Sylvestre II) se serait inspiré de connaissances mathématiques d’origine arabe, trouvées dans des couvents catalans, et Léonard de Pise (Fibonacci) dit avoir étudié à Bougie. Faut-il le croire ?
Il est en revanche certain, et même évident, que la médecine arabe, celle de Razi (Rhazès), Avicenne, et d’autres, ont dominé la médecine européenne, dans certaines régions, jusque tard dans le XVIIe siècle[7]. Le cas le plus brillant, bien attesté, est celui de l’optique d’Ibn al-Haytham, Alhazen pour les Latins (m. 1039). Traduit en latin par le polonais Witelo, appelé en latin Vitellion (m. 1275), son traité a été lu par Roger Bacon, et jusqu’à Kepler.
Des analogies, aussi poussées soient-elles, entre deux phénomènes, ne prouvent rien tant que l’on n’a pas donné une explication plausible de la façon dont un phénomène a pu en influencer un autre, où, quand, par quels canaux de transmission, etc. Cela vaut pour l’amour courtois des Provençaux et l’amour odhrite des Arabes ; ou encore pour l’astronomie de l’École de Maragha et celle de Copernic. Adhuc sub judice lis est.
Par ailleurs, des avancées spectaculaires dans une culture ont pu passer inaperçues dans une autre. Ainsi, Al-Biruni (m. 1070), génie universel en chronologie, géodésie, botanique et pharmacopée, et auteur d’une extraordinaire description de l’Inde, remarquable par sa parfaite objectivité, n’est pas entré en Occident avant le XIXesiècle.
(d) On sera prudent avec les notions d’« apports d’une civilisation », de « dette », etc. Ces expressions suggèrent en effet qu’une civilisation pourrait donner quoi que ce soit à une autre. Or, les biens culturels ne sont pas des choses qui voyagent comme des marchandises. C’est bien plutôt la civilisation d’arrivée qui prend ce qui lui convient dans la ou les civilisation(s) de départ. Ces denrées culturelles ne sont reçues qu’au prix d’un travail d’appropriation qui se déroule dans la civilisation d’arrivée, et qui commence par la traduction des textes qui sont le support de ces biens.
(e) On se demandera aussi quel genre de choses la civilisation réceptrice prend de l’émettrice. On observera qu’il s’agit avant tout d’éléments au sens propre : quant au langage, souvent des objets techniques qui entrent dans la culture matérielle en même temps que leur nom entre dans le vocabulaire, parfois des thèmes littéraires, très rarement des règles syntaxiques[8]. Quant à la vision du monde et son couronnement en une religion, à peu près rien. On évitera de confondre religion et civilisation matérielle et de parler, par exemple, des « techniques d’irrigation des musulmans » ; on distinguera également religion et création philosophique. Ainsi, ce qui est passé d’Averroès en Europe est ce qui n’a à peu près aucun rapport avec la religion, à savoir ses commentaires d’Aristote et sa défense de la philosophie contre al-Ghazali.
[1]           S. Leys, Ombres chinoises, Paris, 10/18, 1975.
[2]           Voir p.ex. Ned Curthoys, « Diasporic Visions: Al-Andalus in the German Jewish Imaginary », Arena Journal, 33/34, 2009, p. 110-138.
[3]            S. Fanjul, Al-Andalus, l’invention d’un mythe, Paris, L’Artilleur, 2017, 715p.
[4]           P. Mérimée,  Lettres adressées d’Espagne au directeur de la revue de Paris, I, Madrid, 25 octobre 1830, p. 441.
[5]           Voir R. S. Humphreys, Islamic History. A Framework for Inquiry, Revised edition, Princeton, Princeton University Press, 1991, ch. 12 : The Voiceless Classes of Islamic Society : The Peasantry and Rural Life, p. 284-308.
[6]           Voir les sources réunies en un épais dossier et traduites par David G. Littman et 

Paul B. FentonL’exil au Maghreb. La condition juive sous l’islam, 1148-1912, Paris, Presses de l’Université Paris-Sorbonne, 2010, 792p.

[7]           Voir D. N. Hasse, Success and Suppression.Arabic Sciences and Philosophy in the Renaissance, Cambridge (Mass.), Harvard University Press, 2016.
[8]           Une exception fascinante : le piùitalien devenu pioen grec moderne et y remplaçant les formes du gec ancien pour le comparatif en -eroVet, quand s’y adjoint l’article, les superlatifs en -atoV, -istoV. »
« Al Andalus, l’invention d’un mythe »
En 2017, L’Artilleur a publié « Al Andalus, l’invention d’un mythe. La réalité historique de l’Espagne des trois cultures » de Serafin Fanjul, membre depuis 2011 de l’Académie royale d’histoire. « Dans l’Europe actuelle confrontée à une immigration musulmane continue, on aime bien se référer au modèle de cohabitation pacifique des trois cultures d’Al-Andalus. L’histoire de l’Hispanie musulmane ou d’Al-Andalus est ainsi un enjeu archétypique. Au Moyen Âge, la Péninsule ibérique aurait connu une remarquable et inhabituelle cohabitation pacifique entre juifs, chrétiens et musulmans. Une admirable symbiose culturelle qui aurait duré vaille que vaille du VIIIe siècle jusqu’à l’expulsion des juifs en 1492, voire, jusqu’à l’expulsion des morisques en 1609. »
Professeur de littérature arabe à l’Université autonome de Madrid, « Serafín Fanjul, affirme qu’il s’agissait, dans la réalité des FAITS, d’« un régime très semblable à l’apartheid sud-africain » et d’une époque globalement « terrifiante ». Soulignant que les motifs et les facteurs de luttes et d’affrontements entre l’Espagne musulmane et l’Espagne chrétienne ont été prédominants pendant toute la période concernée, il montre qu’Al-Andalus a été tout sauf un modèle de tolérance. Il ne s’agit pas pour lui de nier qu’il y a eu des éléments de communication culturelle (surtout d’origine hellénistique) jusqu’au XIIe siècle. Mais il s’agit de montrer qu’il n’y a jamais eu un merveilleux système mixte sur lequel aurait reposé la cohabitation pacifique ; qu’il n’y a jamais eu un mode de vie partagé par tous, une même perception du monde valable pour tous. »
« Les chrétiens dans al-Andalus »
En 2016, a été publié « Al-Andalus y la Cruz : La invasión musulmana de Hispania » de Rafael Sanchez Saus, professeur d’histoire médiévale à l’université de Cadiz. Il a été doyen de la faculté de philosophie et de lettres de l’UCA (1999-2004) et recteur de l’université San Pablo CEU de Madrid (2009-2011). Membre de l’Académie royale hispano-américaine des sciences, des arts et des lettres, dont il a été le directeur, il est aussi directeur de la Cátedra Alfonso X el Sabio. Il est l’auteur d’une douzaine d’ouvrages, considéré comme l’un des meilleurs spécialistes de la frontière entre maures et chrétiens dans l’Espagne médiévale. « Así surgió Al-Andalus, con la conquista árabe de España entre los años 711 y 719, y con el posterior establecimiento de un sistema como medio para perpetuar el dominio establecido por una pequeña minoría de guerreros musulmanes orientales y norteafricanos sobre los autóctonos cristianos. Este dominio se articuló a través de un régimen que consagraba el sometimiento político, religioso, y la inferioridad jurídica y moral de los cristianos. Aunque las ventajas ofrecidas a los conversos al islam indujeron a muchos cristianos a la apostasía, y otros muchos prefirieron el exilio, todavía hacia 950 Al-Andalus era un país mayoritariamente cristiano. Dos siglos más tarde, la cristiandad se había desintegrado por la inmersión en la cultura árabe y oriental, y por la abierta persecución desatada contra ella por almorávides y almohades. Este libro se ha escrito para dar a conocer la realidad de la vida de los cristianos en Al-Andalus, que poco o nada tiene que ver con las ensoñaciones y falsificaciones interesadas que nutren un mito construido a costa de la verdad histórica, y a la sombra de la crisis de los valores que hicieron posible el surgimiento de España como proyecto alternativo a lo que Al-Andalus supuso ».
En 2019, les éditions du Rocher ont publié « Les chrétiens dans al-Andalus. De la soumission à l’anéantissement » de Rafael Sánchez Saus, dans une traduction de Nicolas Klein et avec une préface d’Arnaud Imatz. « L’invasion arabo-musulmane de l’Espagne wisigothique, initiée en 711 pour culminer en 719 avec la conquête de la Gaule narbonnaise, a été l’événement aux conséquences les plus considérables de l’histoire d’Espagne. On oublie souvent que, pendant des siècles, la majeure partie de la population fidèle à la religion chrétienne et la minorité juive ont été soumises à un régime de très forte discrimination. Celui-ci reposait sur la ségrégation sociale, l’absence de liberté religieuse, l’exploitation économique et fiscale, l’immersion culturelle et, en cas de protestation ou de révolte, sur la plus sévère répression. La dureté de ce régime s’est accentuée au fil du temps et a fini par provoquer, dès le XIIe siècle, la complète disparition des communautés chrétiennes et juives d’al-Andalus ». Ces chrétiens d’al-Andalus sont appelés des Mozarabes.
Réédité en 2020, « ce livre offre une vision complète de la situation de ces chrétiens espagnols, appelés mozarabes, unique peuple européen médiéval à avoir vécu pendant tant de générations sous la rigueur de la dhimma. Attachés au mythe des Trois Cultures, de nombreux auteurs ont préféré jusqu’ici ne retenir que les aspects prétendument aimables de cette situation, comme la liberté de culte limitée et la relative autonomie interne des communautés chrétiennes, afin de tenter de délégitimer le processus de Reconquête, véritable matrice de la nation espagnole. Il permet, à l’inverse, de mieux faire connaître la réalité de la vie des chrétiens d’al-Andalus, loin des rêves et falsifications intéressées qui alimentent le mythe de la convivialité pacifique entre cultures et religions construit en marge de la vérité de l’histoire. »
« Al-Andalus, une civilisation légendaire » par Michael Schwarz
États-Unis, 2018, 95 min
Sur Arte les 30 novembre 2019 à 20 h 50, 8 décembre 2019 à 15 h 10 et 17 décembre 2019 à 9 h 25
Visuels :
© Kikim Media
© Oronoz

Les citations sur le documentaire sont d’Arte. Cet article a été publié le 30 novembre 2019.

[Source : http://www.veroniquechemla.info]

Illustration de First Draft News

Écrit par First Draft News – traduit par Marie Kéïta

[Sauf mention contraire, tous les articles renvoient vers des pages en anglais, ndlt.]

Les langues que nous parlons déterminent largement notre accès aux informations crédibles et aux vérifications qui réfutent des semi-vérités ou de fausses affirmations. Un récent webinaire organisé par First Draft [2] et Global Voices se penche sur la manière dont les minorités linguistiques peuvent surmonter cette inégalité en matière d’information.

2020 nous a appris que pratiquement toutes les communautés luttent contre les effets de la désinformation. Tandis que celles et ceux qui parlent des langues majoritaires ont accès à la vérification des faits et des informations dans leurs langues maternelles, il n’en va pas toujours de même pour les autres communautés. Les plateformes ainsi que les organisations de vérification des faits investissent souvent trop peu dans les langues minoritaires, ce qui rend difficile la lutte contre la désinformation ainsi que le renforcement de l’éducation aux médias au sein de ces communautés.

Dans le cadre de son initiative Rising Voices [3], Eddie Avila de Global Voices [4] [fr] et Marie Bohner [5]de First Draft se sont entretenu·e·s avec des expert·e·s du monde entier afin de voir comment les communautés locales font face à la menace de la désinformation dans leurs langues maternelles. Parmi elles/eux, Rahul Namboori de Fact Crescendo [6] (Inde), Endalkachew Chala, [7] de l’Université Hamline (États-Unis) et Kpenahi Traoré de RFI [8] (Burkina Faso), qui ont partagé leurs points de vue sur la manière de relever ce défi unique.

L’Inde compte 22 langues officielles [9] [fr] en dehors de l’anglais, et au moins 500 langues non officielles, ce qui complique particulièrement la tâche des personnes chargées de vérifier les faits, des journalistes et des éducateur·trice·s qui doivent s’assurer que tout le monde a accès à des informations fiables. La diffusion de fausses informations a eu des conséquences particulièrement dangereuses dans le pays, puisque les rumeurs ont provoqué des attaques [10] et des émeutes contre les minorités ethniques et religieuses [11], faisant des dizaines de morts ces dernières années.

C’est dans ce contexte que Fact Crescendo [6] combat la désinformation, explique monsieur Namboori. Avec l’aide d’équipes locales, cette organisation vérifie les informations dans sept langues régionales, en plus de l’anglais et le hindi, pour trouver les rumeurs et éviter leur diffusion. Les équipes régionales de Fact Crescendo sont composées de journalistes locaux et locales qui parlent la langue de la région et comprennent l’environnement culturel et politique unique dans lequel ils/elles opèrent. Grâce à des outils tels que CrowdTangle de Facebook, les équipes surveillent des centaines de groupes et de comptes sur les réseaux sociaux pour suivre les informations fausses et trompeuses. Fact Crescendo utilise également WhatsApp, via des numéros de recueil de renseignements et des groupes, pour que ses enquêteurs puissent communiquer directement avec les communautés locales et leur fournir des informations fiables dans leur propre langue.

Il ne s’agit pas uniquement de la circulation de fausses informations dans les langues principalement parlées en Inde telles que l’anglais et le hindi, mais également de la manière dont les mauvaises informations provenant de l’étranger font leur chemin dans le pays. Des déclarations mensongères sur le coronavirus en provenance d’Italie ou d’Espagne sont passées de l’espagnol et de l’italien à l’anglais et à l’hindi, avant de faire leur apparition dans les langues régionales, a déclaré M. Namboori. Une dose de contexte adaptée à l’audience visée est ajoutée à chaque passage, ce qui rend la fausse information d’autant plus crédible et lui permet d’avoir un impact dans les communautés linguistiques qui n’ont pas ou peu accès à des informations fiables.

L’Éthiopie présente une diversité similaire en matière de langues, avec trois langues principales et 86 autres parlées dans ce pays d’Afrique de l’Est. « La plupart de ces langues manquent de ressources, et les faits ne sont pas vérifiés dans ces langues », a déclaré Endalkachew Chala, d’Éthiopie. Même si plusieurs d’entre elles sont très utilisées sur les réseaux sociaux, leurs locuteurs n’ont pas facilement accès à des informations vérifiées ou fiables.

Dernièrement, les coupures d’accès à internet dans la région septentrionale du Tigré, en raison des conflits dans le pays, ont aggravé la problématique des langues sous-financées et insuffisamment outillées. Cela a contribué à créer deux univers de l’information dans lequel les personnes vivant dans la région du Tigré ne savent pas ce qui se passe dans le monde, a déclaré monsieur Chala. Les habitant·e·s ont uniquement accès aux informations diffusées dans les médias locaux, ce qui a conduit à une compréhension « incohérente » de la situation puisque les personnes vivant dans le Tigré ont une perspective différente de celles et ceux qui habitent à l’extérieur, a ajouté monsieur Chala.

Monsieur Chala a également vu des fausses informations relatives à la santé proliférer dans toute l’Éthiopie. Des fausses déclarations à propos de la pandémie de Covid-19 ont fait le tour de l’Éthiopie dans plusieurs langues, se propageant à la fois au sein des communautés linguistiques et au-delà.

À travers le pays, il existe des personnes disposées à vérifier la véracité des faits, a déclaré monsieur Chala, mais les financements étrangers vont presque toujours à ceux qui disposent des connexions politiques ou ceux qui parlent les langues dominantes dans les centres urbains. Il a ajouté que les plateformes et les entreprises étrangères devaient embaucher des locuteur·trice·s natifs/natives de langues minoritaires pour contribuer à la vérification des informations pour ces communautés afin de ne pas dépendre de personnes non-natives.

Dans d’autres pays d’Afrique, les locuteur·trice·s du bambara, une langue minoritaire de l’ouest du continent, font également face aux mêmes problèmes de financements. Bien que les membres de la communauté bambara reçoivent les informations des médias locaux à la télévision et à la radio, et puissent ainsi éviter la vague de fausses informations en ligne, ils dépendent aussi entièrement des médias traditionnels, a déclaré Kpenahi Traoré. La responsabilité de ces médias de rapporter des informations factuelles est par conséquent d’autant plus grande, car souvent, les communautés bambara n’ont pas accès à internet pour vérifier ce qu’elles entendent. D’après Mme. Traoré, même si les organisations locales ne disposent pas des ressources nécessaires pour diffuser des informations factuelles à leurs communautés, il existe des organisations étrangères comme RFI Mandenkan, qui vérifient les informations en bambara et dans d’autres langues locales.

En Amazonie, où les communautés communiquent principalement à l’oral, il a été crucial que les ressources — particulièrement celles concernant le coronavirus — soient elles aussi « adaptées au contexte local », a déclaré monsieur Avila à Global Voices. « Les personnes en qui l’on peut avoir confiance ou les choses qui semblent crédibles dans une culture, peuvent être différentes dans une autre, c’est pourquoi il est très important d’en tenir compte dans le genre de contenu que nous voyons en ligne. »

Tandis que des individus et certaines organisations s’efforcent de fournir aux locuteur.trice.s de langues sous-financées des informations factuelles, les populations des minorités linguistiques sont toujours nettement désavantagées par rapport à celles qui parlent les langues dominantes. Même si le monde s’est davantage internationalisé sur internet, les personnes avec une moindre connectivité ou qui communiquent différemment sont laissées pour compte. Les médias et les plateformes de réseaux sociaux peuvent investir dans ces communautés locales pour développer l’éducation aux médias, afin qu’elles puissent accéder, de la même manière que les autres, aux informations vérifiées dans leurs langues.

Pourtant, ces exemples mondiaux soulignent également la nécessité d’aborder des questions plus larges telles que les taux d’alphabétisation ou la connectivité à l’internet lors de la conception de solutions visant à contrer le problème de la désinformation dans les langues minoritaires. Il est essentiel de comprendre comment les communautés linguistiques communiquent pour mettre en place l’infrastructure nécessaire à l’amélioration de l’éducation aux médias.

Article publié sur Global Voices en Français: https://fr.globalvoices.org

URL de l’article : https://fr.globalvoices.org/2020/12/29/260046/

URLs dans ce post :

[1] initialement publié : https://firstdraftnews.org/latest/combating-misinformation-in-under-resourced-languages-lessons-from-around-the-world/

[2] First Draft : https://firstdraftnews.org/

[3] Rising Voices : https://rising.globalvoices.org/

[4] Global Voices : https://fr.globalvoices.org/

[5] Marie Bohner : https://twitter.com/MarieBohner

[6] Fact Crescendo : https://www.factcrescendo.com/

[7] Endalkachew Chala : https://www.hamline.edu/faculty-staff/endalkachew-chala/

[8] RFI : https://www.rfi.fr/en/

[9] 22 langues officielles : https://fr.wikipedia.org/wiki/Langues_en_Inde

[10] attaques : https://www.bbc.com/news/world-asia-india-44856910

[11] minorités ethniques et religieuses : https://www.wired.com/story/how-whatsapp-fuels-fake-news-and-violence-in-india/

Photo : Suhyeon Choi on Unsplash

 

Écrit par Sylvie Gendreau

Chargé de cours en créativité et innovation, Polytechnique Montréal

 

Cette chronique est dans la droite ligne et se nourrit des recherches et rencontres publiées sur mon site Les cahiers de l’imaginaire.

Boire du thé aurait un impact sur la créativité. C’est ce qu’une étude chinoise récente démontre. Mais, me direz-vous, les Chinois, grands amateurs de thé, ont-ils l’objectivité requise pour mener une enquête impartiale ?

Quelle méthodologie ces chercheurs ont-ils utilisée ? Je vous réponds plus tard, mais tout d’abord de quelle créativité s’agit-il ? Il importe de préciser que l’étude porte exclusivement sur la créativité divergente, celle qui permet d’identifier un grand nombre de solutions possibles à un problème donné.

Les chercheurs ont réalisé deux expériences :

  • La première, menée auprès de 50 participants (dix minutes après que les participants aient bu soit de l’eau ou du thé), démontre que ceux qui avaient bu du thé exécutaient plus facilement des tâches où ils devaient faire preuve de créativité spatiale.
  • La deuxième expérience à laquelle se sont prêtés 40 participants portait sur la cognition sémantique. Encore là, ceux qui avaient bu du thé ont obtenu un score plus élevé.

Les bienfaits du thé sur la santé physique et mentale sont déjà établis. Le thé aurait une influence positive sur la cognition.

Qu’est-ce que la cognition ?

La cognition est un processus mental complexe qui consiste à acquérir de nouvelles connaissances par le biais des expériences que nous menons, consciemment ou non, en interagissant constamment avec notre environnement. Tous nos sens, nos pensées, les données que nous accumulons au fil de nos expériences sont mis à contribution.

La cognition inclut une panoplie d’activités mentales : la perception, l’attention, la mémoire, les émotions, le langage, la prise de décision, le raisonnement.

Il a été démontré que l’attention, en particulier, pouvait être améliorée en buvant du thé.

Or l’attention joue un rôle déterminant dans plusieurs activités mentales clés. Les individus créatifs, par exemple, sont en mesure d’ajuster leur degré d’attention selon le niveau d’ambiguïté des tâches qu’ils s’apprêtent à accomplir. La consommation de thé améliore à la fois la vitesse et la précision de l’attention accordée aux tâches en cours d’exécution tout en réduisant la possibilité d’être distrait par des données non pertinentes.

Deux ingrédients en sont en cause : la caféine et la théanine. Elles ont pour effet d’améliorer l’attention.

Qu’est-ce que la créativité ?

La créativité est la capacité de générer des idées originales et utiles afin de solutionner un problème.

La créativité est constituée de deux composantes essentielles : la pensée convergente et la pensée divergente.

La pensée convergente consiste à trouver une solution unique à un problème donné. La pensées divergente tente au contraire de générer de multiples solutions. La pensée divergente occupe une place centrale dans les activités créatives.

Les deux types de pensée, convergente et divergente, font appel à des processus mentaux différents.

Alors que la pensée convergente fait appel à un contrôle mental plus serré qui a pour objectif de trouver une solution correspondant à une série de critères clairement définis, la pensée divergente cherche à relâcher ce contrôle, optant plutôt pour une exploration libre de plusieurs solutions possibles à partir de critères flous.

Comment les chercheurs chinois ont-ils mesuré l’impact de la consommation de thé sur la créativité divergente ?

Dans un premier temps, ils ont eu recours à des blocs de construction. Le fait de manipuler des blocs de construction permet de mesurer le degré de raisonnement spatial des participants. Ensuite, ils ont mesuré l’aisance des participants pour créer de nouveaux concepts. Ils ont demandé aux participants d’imaginer différents intitulés pour le nom d’un restaurant de nouilles ramen sur le point d’ouvrir ses portes.

Dans les deux expériences, les participants utilisent directement la pensée divergente sans qu’ils aient besoin d’avoir recours à d’autres compétences.

Pendant l’expérience, du thé et de l’eau furent servis sans que les participants n’aient conscience que l’objectif visé était de mesurer l’impact de la consommation de thé sur leur créativité.

L’expérience des blocs de construction a été présentée aux participants de la manière suivante. Une entreprise aimerait disposer d’exemples attractifs afin de commercialiser un nouveau type de blocs. Chaque participant disposait d’un maximum de dix minutes pour réaliser un assemblage.

Ensuite, dix évaluateurs externes, ignorant l’objectif de l’expérience et les conditions de réalisation des assemblages, jugèrent les résultats sur photos.

Quatre critères furent pris en compte :

  • Le caractère innovateur.
  • L’aspect esthétique.
  • L’assemblage forme-t-il un tout cohérent ?
  • À quel point l’assemblage se démarque-t-il, s’impose-t-il par rapport aux autres ?

L’expérience de créativité conceptuelle, d’une durée de vingt minutes, s’est déroulée après avoir présenté à vingt participants le cas suivant. Un entrepreneur, sur le point d’ouvrir un restaurant de nouilles ramen, est à la recherche d’un nom à la fois original et attractif.

De nouveau, dix évaluateurs externes ont mesuré les caractères innovant et ludique des réponses fournies.

Les deux expériences démontrent que la consommation de thé a eu un effet significatif sur la créativité divergente. Pour bien marquer la valeur de leurs résultats, les chercheurs s’empressent de préciser que la méthodologie retenue (explorations spatiale et sémantique) vise à exclure les variables externes risquant de solliciter chez les participants des compétences qui ne seraient pas directement reliées à la créativité.

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Finalement, ils ont pris la peine de contrôler avec précision la température à laquelle le thé noir est servi, 42 degrés. En effet, des études démontreraient que servir un thé chaud ou un thé froid n’aurait pas les mêmes effets.

Préparez-vous un thé à la bonne température, et dites-moi si vous avez été plus créatif pendant l’exercice de cette semaine, créer l’effet WOW.

Et si jamais vous souhaitez impressionner votre entourage par une touche de poésie… inspirez-vous de ce maître de thé créatif, dans la vidéo ci-dessous.

[Source : http://www.theconversation.com]

Os lírios têm sua origem na Ásia, Oriente Médio, Europa e na América do Norte. Foram introduzidos na América Latina pelos portugueses e espanhóis. Lírio é denominação genérica das espécies da família das liláceas. 

Escrito por Arnaldo Silva
Algumas espécies de lírios recebem o nome de açucena. São cerca de 100 espécies existentes no mundo, mais da metade dessas espécies são nativas do Japão e China. Algumas são híbridas, oriundas do cruzamento de espécies diferentes, resultado em cores variadas ou modificadas naturalmente, adaptadas às regiões onde foram plantadas, no caso no clima de Minas Gerais.

Os lírios são plantas resistentes às intempéries do tempo, como secas prolongadas, e podem chegar até dois metros de altura, dependendo da espécie. Uma das quais, a Lirium candidum, foi a que mais se adaptou ao clima do Brasil, especialmente de Minas Gerais, onde se aclimatou muito bem, dando origens a diversas plantações nativas no território mineiro.
A espécie foi introduzida no Brasil no século 19, adaptando-se a algumas regiões mineiras como na Serra da Canastra e no Vale do Jequitinhonha, com poucas modificações, tornando-se com o tempo adaptados e nativos dessas regiões. No Vale do Jequitinhonha, os lírios nascem espontaneamente e com florada sempre no mês de outubro. Os campos de lírios são comuns em Araçuaí, Itinga e arredores. É difícil não parar para ver, adentrar-se nos campos floridos e sentir o perfume dos lírios do campo.
No Vale do Jequitinhonha os lírios nativos são chamados de “Cebolinha” e “Neve do Sertão” pelo sertanejo. Surge na primeira grande chuva da primavera, com florada entre 20 a 30 dias de duração. No final de setembro e início de outubro, são comuns os campos de lírios em Araçuaí e arredores.
Sua beleza é impactante, presente em decoração de eventos, em arranjos florais e buquês. Embora suas flores simbolizem uma delicada simplicidade, é considerada a rainha das flores, evocando ainda a castidade, a pureza e a inocência. Junto com as rosas, são as flores mais perfumadas do mundo. Seu perfume é inebriante e transmite uma gostosa sensação de paz e tranquilidade.
Presente na história da humanidade, desde os tempos antigos encantam por sua beleza, resistência e perfume inigualável. Era uma das flores mais admiradas por Jesus Cristo, citada inclusive em suas mais belas pregações, o Sermão da Montanha: “Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam…” Mt. 6.28.
Ao longo da história, foi retratada em telas de artistas famosos, desde os tempos da Grécia e Roma antigas, até os dias de hoje. A magia dos lírios, que há milhares de anos encanta e perfuma o mundo, está presente sempre em jardins, campos e também em lendas, misticismo, simpatias, crendices populares e na religiosidade.
Na Grécia antiga desenhos de lírios homenageiam a deusa Hera. Na Igreja Católica, o lírio é o símbolo da Virgem Maria. Os antigos acreditavam também que os lírios tinham o poder de reconciliar casais em fim de relacionamento. Não é à toa que o significado de lírio é “amor eterno”. É a flor, ao lado da rosa, símbolo do amor. Na China, onde a planta é cultivada há mais de três mil anos, sua florada densa é sinal de fartura.
Os lírios nativos estão presentes em várias partes do estado de Minas Gerais, sendo notados ou não, estão lá, perfumados, lindos, delicados e frondosos. Quem quiser conhecer os lírios nativos do Vale do Jequitinhonha, um convite para o mês de outubro, visitar Araçuaí, Itinga e arredores. É um espetáculo deslumbrante e perfumado.

 

[Fotos: Ernani Calazans – fonte: http://www.conhecaminas.com]

Il est désormais possible de « cultiver » de la viande en laboratoire.

Écrit par Bertrand Valiorgue

Professeur de stratégie et gouvernance des entreprises, Université Clermont Auvergne (UCA)

 

Si notre santé est en grande partie conditionnée par la qualité de notre alimentation, de nombreuses études soulignent une inadéquation croissante de nos systèmes alimentaires.

Le contenu de nos assiettes est trop riche en sucre et en gras. Il est également porteur de carences en vitamines et fibres, indispensables à la physiologie humaine. L’obésité a ainsi triplé en Occident depuis 1975, et ce phénomène est partout en expansion dans le monde. S’y ajoute une augmentation importante de maladies chroniques directement associées à des régimes alimentaires déséquilibrés (diabète, cholestérol, maladies cardiovasculaires, difficultés respiratoires, cancers, etc.).

Nos systèmes alimentaires ont aussi des impacts massifs et irréversibles sur les écosystèmes naturels. Ces dégradations transforment le système Terre et font émerger un environnement aux caractéristiques moins favorables à la vie humaine. L’activité agricole, le stockage, la transformation et le transport de notre nourriture alimentent directement cette bascule dans « l’ère de l’Anthropocène ».

Ce nouvel environnement moins favorable aux êtres humains fragilise fortement l’activité agricole. Il y a moins d’eau, toujours plus de pollution lumineuse, davantage de CO2 et autres gaz à effet de serre dans l’atmosphère, des aléas climatiques plus intenses et plus fréquents, une biodiversité et des ressources génétiques fortement dégradées. Face à ces transformations, des régions entières ne pourront plus pratiquer l’agriculture.

Enfin, il faut rappeler que si les famines et les pénuries alimentaires constituent un souvenir lointain dans la plupart des pays occidentaux, la faim est une réalité quotidienne pour des centaines de millions d’êtres humains. Les chiffres fournis par la FAO évaluent à plus de 820 millions le nombre de personnes qui en souffraient en 2019.

Les appels à la « transition alimentaire » se multiplient

Face à cette situation, un nombre croissant d’acteurs appelle à une « transition alimentaire ». Il s’agit de mieux nourrir les êtres humains et de limiter, voire d’annuler, les impacts négatifs et les pollutions imposées à l’environnement à travers une transformation de nos systèmes alimentaires.

Cette transformation est aujourd’hui le fruit d’investissements massifs et de l’apparition de nouveaux acteurs qui souhaitent apporter des solutions inédites.

Ces appels à la transformation convergent en particulier vers une réduction de nos apports en protéines animales issues de l’élevage. Cela pour une double raison. Une consommation de viande trop importante a des incidences sur la santé et de nouveaux équilibres alimentaires sont recherchés par de plus en plus de consommateurs. Par ailleurs, des travaux ont documenté que les émissions de polluants et les effets de longue traîne de l’élevage sont conséquents.

La consommation de protéines animales issues de l’élevage constitue au final un des points clés du défi sanitaire et climatique auquel nos sociétés sont confrontées.

C’est dans cette logique que l’on voit apparaître de nouvelles solutions alimentaires construites à partir des biotechnologies. Elles apportent des innovations par rapport à notre consommation de protéines animales à travers une volonté délibérée de court-circuiter l’élevage des animaux.

Quatre grandes alternatives émergent aujourd’hui. Elles sont susceptibles de bousculer des pans entiers de l’agriculture telle que nous la connaissons.

Les protéines végétales

Cette première option consiste à proposer aux consommateurs une palette plus large de végétaux susceptibles de fournir des protéines. Les protéines végétales que nous consommons aujourd’hui sont essentiellement issues de quatre grandes cultures : blé, maïs, soja et riz. Or il est possible de considérablement élargir cette base en cultivant de nouvelles espèces de céréales : seitan, sarrasin, épeautre, quinoa, amarante, avoine, millet, boulgour, orge.

En complément des céréales, les légumineuses constituent des sources de protéines bien adaptées à la physiologie humaine. On connaît aujourd’hui le tofu et le soja mais il est également possible d’élargir considérablement la gamme des légumineuses – tempeh, lupin, lentilles, haricot, pois chiche, pois cassés, petit pois.

D’autres plantes souvent consommées sous forme de graines peuvent également avoir des apports en protéines significatifs – citrouille, chanvre, cacahuète, pistache, tournesol, amande, lin, chia, noix, noix de cajou et noix du Brésil.

Les steaks végétaux

Cette seconde solution repose sur les substituts ou « steaks végétaux ». Ces produits consistent à donner à des protéines végétales le goût, la forme et la texture de la viande.

Si le principe des steaks végétaux est relativement ancien, on observe aujourd’hui de véritables ruptures technologiques dans ce domaine. Ces steaks végétaux nouvelle génération sont produits à partir de protéines végétales grâce à la technique de l’extrusion. Le résultat final présente une ration alimentaire qui ressemble à s’y méprendre à de la viande.

Des investissements très importants sont aujourd’hui consacrés à ces steaks par des start-up comme Beyond Meat et Impossible Foods ; mais également par des géants de l’agroalimentaire comme Nestlé et Tyson Foods.

Ce mouvement de substitution concerne la viande animale mais aussi les produits laitiers. Ces acteurs proposent en effet toute une palette d’alternatives au lait, yaourts, beurre et fromages… mais ainsi aux œufs et fruits de mer (poissons, crabes, crevettes).

L’alimentation cellulaire et la viande in vitro

Une alternative beaucoup plus radicale existe désormais : il s’agit de l’alimentation ou viande « cellulaire ». À partir de cellules souches prélevées sur un animal vivant, on procède à leur multiplication puis on y injecte du liquide nutritif contenant des hormones de croissance ; les cellules souches ainsi traitées finissent par devenir de véritables morceaux de viande.

Le premier hamburger développé à partir d’un morceau de viande cellulaire a été produit en 2013 par la société Mosa Meat située aux Pays-Bas.

Avec ces biotechnologies, plus besoin de nourrir, de soigner et d’abattre des animaux pour les manger. Il s’agit de faire « pousser » de la viande dans des bioréacteurs.

Des sommes considérables sont aujourd’hui investies dans cette technologie et certaines start-up de l’AgTech se voient déjà comme de futurs géants de l’agroalimentaire, poussant vers la sortie des opérateurs historiques s’appuyant sur l’élevage. La Cité-État de Singapour vient de prendre en décembre 2020 la décision historique d’autoriser la commercialisation de viande de poulet issue de cette biotechnologie.

Fermentation et micro-organismes

Une quatrième méthode est aujourd’hui en voie d’exploration. Elle consiste à produire des protéines à partir de micro-organismes et du processus de fermentation. Le gène d’une protéine présente dans le lait ou les œufs est inscrit dans la séquence génétique d’un micro-organisme (bactérie ou levure). Ce micro-organisme est ensuite placé dans un milieu particulier en vue d’activer la production de la protéine recherchée. Il suffit ensuite de « récolter » cette production.

La start-up Perfect Day basée en Californie est aujourd’hui l’une des plus avancées dans ce domaine. Elle propose un ensemble de glaces dont le lait n’est pas produit par des vaches mais par des micro-organismes génétiquement modifiés. Appuyée par le géant de l’agroalimentaire Archer Daniel Midland, l’entreprise a obtenu les autorisations de commercialisation de ses produits.

Dans une version sans modification génétique, la start-up française les Nouveaux Affineurs propose tout une gamme de fromages produits à partir de noix de cajou et de soja sur la base de nouveaux procédés de fermentation.

Quelle place pour les agriculteurs ?

On le comprend bien, toutes ces solutions alternatives visent soit à supprimer l’élevage des animaux (protéines végétales et steaks végétaux), soit à s’appuyer sur des biotechnologies de rupture qui fourniront des protéines animales sans avoir recours à l’élevage des animaux (alimentation cellulaire et micro-organismes).

La transition alimentaire va se faire inéluctablement et si ces innovations portées par le secteur des biotechnologies se diffusent, elles vont avoir un impact considérable sur l’agriculture. C’est d’ailleurs l’objectif avoué et clairement exprimé par certains entrepreneurs et leurs soutiens.

Cela ne veut bien évidemment pas dire que l’agriculture et les agriculteurs vont disparaître, mais il est aujourd’hui possible qu’une partie de la transition alimentaire se fasse sans eux. Cela concerne plus particulièrement les éleveurs et toute la chaîne qui produit l’alimentation du bétail. Cela représente au final une partie très importante de l’activité agricole en France qui, par contagion, va se retrouver impactée.

Face à ce défi historique, la profession agricole doit repenser les fondements de son activité et s’engager sur la voie d’une agriculture régénératrice capable de nourrir les êtres humains sans dégrader le système Terre. Elle doit montrer qu’elle compte parmi les solutions et non les problèmes du défi alimentaire auquel nos sociétés sont confrontées. Des solutions existent d’ores et déjà, il convient de les développer et les partager.

 

[Photo : HO / MAASTRICHT UNIVERSITY / AFP – source : http://www.theconversation.com]

Scarlett Johansson est une actrice et chanteuse américano-danoise, philanthrope et démocrate, née en 1984. Elle a manifesté son courage en résistant en 2014 aux pressions du BDS (Boycott Désinvestissement Sanction) visant une publicité dans laquelle elle vantait SodaStream. Arte diffusera les 9 et 12 décembre 2020 « Lost in Translation » (Lost in Translation – Zwischen den Welten) de Sofia Coppola (2003) avec Bill Murray et Scarlett Johansson
Publié par Véronique Chemla

Scarlett Johansson est une actrice et chanteuse américano-danoise née en 1984 à New York, d’un père architecte danois et d’une mère américaine juive ashkénaze.

Elle célébrait Hanoucca et Noël.
Ses parents divorcent quand elle est âgée de 13 ans.
Enfant, Scarlett Johansson suit des cours de comédie et débute au cinéma dans la comédie « North » de Rob Reiner (1994).
Son interprétation d’une adolescente blessée dans The Horse Whisperer(L’Homme qui murmurait à l’oreille des chevaux, 1998) de Robert Redford, d’après le roman éponyme de Nicholas Evans (1995), reçoit des critiques favorables de la presse.
Deux films – Lost in Translation et Girl with a Pearl Earring – marquent sa transition vers des rôles d’adultes.

Dans sa filmographie : trois films réalisés par Woody Allen – Match Point (2005), Scoop et Vicky Cristina Barcelona -, Le Dahlia noir (The Black Dahlia) de Brian De Palma (2006), Deux sœurs pour un roi (The Other Boleyn Girl) de Justin Chadwick (2008), Lucy de Luc Besson…

En octobre 2017, Scarlett Johansson a participé à l’émission télévisée américaine « Finding your roots » ( « Retrouver vos racines ») sur PBS. Cette émission effectue des recherches généalogiques sur leurs invités. Scarlett Johansson a découvert qu’une partie de sa famille maternelle avait péri dans le ghetto de Varsovie (Pologne) lors de la Deuxième Guerre mondiale. Elle a lu les certificats de décès de Saul, le frère de son grand-père, et d’autres membres de sa famille. Elle n’a pu retenir ses larmes. « Je m’étais promise de ne pas pleurer, mais c’est dur de ne pas le faire. C’est fou, on ne peut vraiment pas imaginer l’horreur, c’est trop surréaliste. Je comprends pourquoi un mouchoir en papier était posé sur la table !  », a-t-elle déclaré.  Et d’ajouter : « C’est fou d’imaginer que Saul serait de l’autre côté à vendre des bananes sur Ludlow Street. Et comme c’était différent d’être en Amérique à cette époque. Le destin d’un frère contre celui de l’autre. » L’actrice a estimé que grâce à cette émission, elle se sentait plus « profondément liée à cette partie de moi, cette branche de ma famille. Je ne m’attendais pas à cela”. Son grand-père avait quitté la Pologne pour les États-Unis où il a gagné sa vie comme épicier à New York.

L’actrice est mère d’une fille prénommée Rose Dorothy Dauriac, née en 2014 de son mariage avec Romain Dauriac.

« Lost in Translation »
Arte diffusera le 9 décembre 2020 « Lost in Translation » (Lost in Translation – Zwischen den Welten) de Sofia Coppola (2003) avec Bill Murray et Scarlett Johansson.
« Bob Harris, célèbre acteur américain sur le déclin, tourne à Tokyo un spot publicitaire pour un whisky japonais… Logé dans un palace de la ville, en proie au décalage horaire, il se sent radicalement étranger aux choses et aux gens qui l’entourent. Au bar de l’hôtel, il rencontre une jeune compatriote, livrée elle aussi à la solitude et à l’insomnie. Charlotte, fraîche émoulue de l’université, vient d’épouser un photographe de stars, qui ne cesse de courir d’un rendez-vous à un autre. Entre le blasé vieillissant et la femme-enfant délaissée se noue une étrange relation… »

« Bill Murray et Scarlett Johansson unissent leurs décalages pour un pas de deux drolatique, émouvant et subtil. Un petit bijou de cinéma. »

Lost in Translation « se dit d’une notion intraduisible, qui se « perd » dans le passage d’une langue à l’autre. Mais peut-être faut-il entendre ici l’expression littérale : « perdu dans la traduction » ? Parce qu’ils sont égarés dans un espace entre deux mondes, idéalement figuré par le cocon irréel d’un grand hôtel international, ces êtres en apesanteur se rencontrent et se touchent ».
« Sur un canevas léger, Sofia Coppola, épaulée par des comédiens en état de grâce, compose un petit bijou de cinéma, avec en toile de fond futuriste les lumières de Tokyo ».
« Dialogues ciselés, montage inspiré, acuité du regard : son deuxième long métrage après Virgin Suicides transpose avec subtilité dans le monde d’aujourd’hui l’élégance des sentiments et la drôlerie des grands classiques de la comédie américaine ».

« Aux côtés de Bill Murray, qui parvient d’un seul hilarant haussement de sourcil à exprimer la quintessence du dépaysement, de l’absurde ou de l’attendrissement, Scarlett Johansson ne se laisse pas intimider. Sa manière de suggérer la vulnérabilité, derrière son charme boudeur et son humour à froid, relève du grand art. »

« La jeune fille à la perle  »
« La jeune fille à la perle » (Das Mädchen mit dem Perlenohrring ; Girl with a Pearl Earring) est un film réalisé par Peter Webber avec Colin Firth, Scarlett Johansson, Tom Wilkinson et Cillian Murphy.
« Adapté du livre de Tracy Chevalier, ce film livre sa propre vision de l’énigmatique « jeune fille à la perle », incarnée par Scarlett Johansson » qui est sélectionnée pour les Golden Globes en 2003.
« Delft, XVIIe siècle, à l’âge d’or de la peinture hollandaise. Pour aider ses parents, la jeune et ravissante Griet se fait engager comme servante dans la maison du peintre Vermeer. Celui-ci vit et travaille presque en reclus dans son atelier tandis que sa femme et sa belle-mère se chargent de l’intendance et des finances. La jeune servante, très disciplinée, s’occupe du ménage et des six enfants ».
« Au fil du temps, les femmes de la maison développent envers elle une terrible jalousie. Mais la douceur et la vivacité de la jeune fille émeuvent le maître qui l’introduit dans son univers. L’œil sûr, celle-ci prépare en cachette les pigments de ses peintures et le seconde en silence dans son atelier. Un jour, un mécène richissime commande un portrait d’elle à Vermeer. Le scandale éclate lorsque la maîtresse de maison apprend que Griet lui a emprunté une boucle d’oreille sans sa permission pour poser devant le peintre… »
« Adapté du succès littéraire éponyme de Tracy Chevalier, lui-même inspiré par le tableau de Johannes Vermeer, ce film somptueux livre sa propre vision de l’origine de l’énigmatique jeune femme représentée par le peintre ».
« Ce portrait devenu célèbre dès sa redécouverte a souvent été qualifié de « Joconde du Nord » par les critiques ».

« Dans son film, centré sur la relation entre le maître et sa servante, le réalisateur Peter Webber a apporté un soin particulier à la photographie et aux décors, cherchant à recréer l’ambiance et les tonalités présentes dans toutes les œuvres de Vermeer : une lumière ciselée et une obscurité diffuse au service des sentiments des personnages. Une belle réussite, toute de sensualité et de pudeur ».

« #Chef« 

« #Chef » (Kiss the Cook – So schmeckt das Leben!) est un film américain réalisé par Jon Favreau avec Jon Favreau (Carl Casper), Bobby Cannavale (Tony), John Leguizamo (Martin), Emjay Anthony (Percy), Scarlett Johansson (Molly), Dustin Hoffman (Riva), Sofía Vergara (Inez), Oliver Platt (Ramsey Michel),  Amy Sedaris (Jen), Robert Downey Jr. (Marvin).

« Un cuisinier en rupture de ban prend la route avec son fils à bord d’un « food truck »… Une comédie 100 % carnivore, interprétée, scénarisée et réalisée par un maître du divertissement hollywoodien, Jon Favreau (qui a signé les deux premiers « Iron Man ») ».

« Le talentueux chef Carl Casper officie dans un resto branché de L. A., sous la surveillance pointilleuse du propriétaire du lieu, un homme aussi inflexible que conservateur. Quand un critique gastronomique réputé s’annonce pour le dîner, Carl se voit interdire toute fantaisie créative dans le menu préparé en conséquence et perd son sang-froid sur Twitter devant l’article dévastateur qui en résulte. Mis à pied, il embarque alors son fils de 10 ans, Percy, dans un road trip pour Miami, la ville de ses débuts. Le vieux minibus qu’ils croisent en chemin redonne un élan à sa fougue culinaire : il y voit le food truck de ses rêves, dans lequel, avec Percy et un copain recruté en renfort, ils vont proposer d’exceptionnels sandwichs cubains (spécialité qui, depuis la Floride, a conquis les États-Unis).  »

« À moins d’avoir la foi végane chevillée au corps, ne pas s’aviser de regarder le ventre vide cette ode à l’amour filial, à l’amitié, à l’appétit, à l’Amérique et à l’aventure  – un quintuple A, comme pour l’andouillette. Démultiplié derrière ses fourneaux, Jon Favreau, à la fois scénariste, acteur principal et réalisateur, a l’art de faire saliver d’un simple plan sur une viande en train de rôtir. Abonné aux blockbusters de super-héros (il a signé notamment les Iron Man 1 et 2), il explore avec cette comédie bon enfant et 100 % carnivore les fondamentaux du divertissement comme de la cuisine : une échappée simple et roborative, ponctuée d’escales pleines de séductions (du beignet made in New Orleans au barbecue mitonné à Austin), et épicée d’un défilé de guest stars. »
SodaStream

L’actrice américaine juive Scarlett Johansson est l’égérie de la publicité de SodaStream, firme israélienne leader mondial de la gazéification à domicile, destinée à être diffusée lors de la mi-temps de la finale le 2 février 2014 du Super Bowl, match de football le plus suivi – environ 130 millions de téléspectateurs aux États-Unis – et au tarif de 3,5 millions de dollars en 2012 pour un spot publicitaire de trente secondes.

SodaStream offre un « concept pratique, écologique, diététique et économique » de gazéification à domicile.
Cette actrice a affronté depuis la mi-janvier 2014 une campagne BDS contre son soutien à la société fabriquant des machines à soda et des sodas notamment dans l’usine d’une zone industrielle à Mishor Adumim, en Judée, soit en zone C, « sous contrôle de l’administration israélienne« , selon les accords d’Oslo (1993). Le 24 janvier 2014, Scarlett Johansson a expliqué dans le Huffington Post : « Je n’ai jamais eu l’intention d’être le visage d’un mouvement social ou politique. Cela n’a rien à voir avec mon affiliation à SodaStream… Je demeure une supportrice de la coopération économique, de  l’interaction sociale entre un État d’Israël démocratique et la Palestine. SodaStream est une compagnie qui n’est pas seulement engagée dans l’environnement, mais aussi dans la construction d’un pont pour la paix entre l’État d’Israël et la Palestine, en soutenant des voisins qui se soutiennent, et travaillent main dans la main, recevant le même salaire, des avantages égaux et des droits identiques. C’est ce qui arrive chaque jour dans l’usine Ma’ale Adumim… Je soutiens les produits de SodaStream et je suis fière du travail que j’ai accompli comme ambassadrice d’Oxfam pendant huit ans« . Devant la critique d’Oxfam, l’actrice a mis un terme le 30 janvier 2014 à sa mission pour cette organisation en raison d’une « différence fondamentale d’opinion » à l’égard du mouvement BDS. Le 31 janvier 2014, Osfam a accepté la démission de Scarlett Johansson : « Oxfam estime que les entreprises qui, comme SodaStream, exercent leurs activités dans les colonies contribuent à y perpétuer la pauvreté et le non-respect des droits des communautés palestiniennes que nous nous attachons à soutenir. Oxfam s’oppose à toute forme de commerce avec les colonies israéliennes, lesquelles sont illégales au regard du droit international« .
Et pourtant les ouvriers « palestiniens » sont heureux de travailler dans cette usine à Mishor Adumim, en Judée : « SodaStream emploie 900 personnes, dont 500 Palestiniens qui ont les mêmes avantages que les Israéliens et reçoivent des salaires cinq fois supérieurs à ceux payés dans les territoires administrés par l’Autorité palestinienne », a déclaré Philippe Chancellier, directeur général d’OPM France, société distribuant en France les produits SodaStream, le 29 janvier 2014. « 
Le 1er février 2014, la chaine Fox a annoncé qu’elle ne diffusera pas le spot de SodaStream car Scarlett Johansson le concluait par : « Sorry, Coke and Pepsi » (Désolée, Coke et Pepsi). Deux annonceurs internationaux très importants… Mais ce spot a bénéficié d’une extraordinaire publicité via les articles et le buzz. Depuis le 27 janvier 2014, donc en moins d’une semaine, il a été visionné par près de neuf millions d’Internautes sur YouTube ! Sans compter les Internautes qui l’ont vu sur d’autres sites…
SodaStream est un des partenaires du 41e festival international de la bande dessinée (31 janvier-2 février 2014).  Des dessinateurs ont demandé par une lettre-pétition à Franck Bondoux, délégué général de ce festival, de « couper tous les liens entre le festival et cette entreprise honteuse ». Parmi les signataires : les Américains Ben Katchor et Joe Sacco, le Français Siné, la tunisienne Willis From Tunis, le Brésilien Carlos Latuff, et l’Israélien Amitai Sandy. Franck Bondoux a déclaré au Monde (31 janvier 2014) qu’il était « particulièrement gêné par cette lettre ouverte qui ne repose sur rien de concret. Quand le festival s’engage avec un partenaire, il regarde naturellement qui il est. Concernant SodaStream, je ne vois pas en quoi cette entreprise est honteuse. Elle est implantée dans une colonie ancienne, en zone C, qui est née des accords d’Oslo entre Israël et l’OLP. Rien n’interdit à une entreprise de s’installer là dans l’attente d’un accord entre les deux parties, quand bien même celui-ci tarde particulièrement. SodaStream crée plutôt des passerelles. Elle emploie 500 travailleurs palestiniens qui travaillent dans de bonnes conditions. Cette entreprise n’a jamais été condamnée en France. Parler de “crime” à son encontre, comme le font ces auteurs, est une prise de position partisane. La rejeter reviendrait à la condamner : ce serait une injustice à l’envers ».
Ce n’était pas la première fois que SodaStream était visée par BDS : en janvier 2011, « sous la pression d’organisations pro-palestiniennes en France, France Télévisions avait d’abord retiré la publicité de SodaStream des écrans lors du jeu SLAM. Le BNVCA (Bureau national de vigilance contre l’antisémitisme) était alors intervenu auprès de directrice des relations de France Télévisions » et lui avait « signifié qu’en vertu des lois qui prévoient et punissent le délit de boycott en France, le BNVCA envisageait de poursuivre en justice cette instance. France Télévisions a immédiatement rétabli SodaStream dans son droit« .
Le 29 octobre 2014, SodaStream a annoncé « la fermeture progressive, d’ici à fin 2015 de sa principale unité de production« , située dans la localité de Mishor Adoumim, à l’est de Jérusalem, dans la zone industrielle de Maalé Adoumim. Éludant le boycott, elle a évoqué les difficultés actuelles et son souci de « rationalisation des coûts de production et de l’optimisation de la fabrication », d’« améliorer l’efficacité opérationnelle » du groupe coté sur le marché du Nasdaq à New York depuis 2010. Elle fermera aussi son autre usine dans le nord d’Israël, près de Nazareth. Ce qui représentera une réduction de neuf millions de dollars de ses coûts de production. Le chiffre d’affaires s’élève à 125,9 millions de dollars au troisième trimestre 2014 contre 144,6 millions à la même époque en 2013. Le chiffre d’affaires annuel devrait diminuer de 9 % par rapport à 2013.
Directeur général d’OPM, importateur et distributeur exclusif de Sodastream en France, Philippe Chancellier, nie auprès de MYTF1News que la firme ait cédé au boycott : « L’usine qui est Newsnotre site de production historique, existe depuis plus de 30 ans. Il est impossible qu’elle ferme du jour au lendemain. En revanche, il est vrai que cette fermeture est envisagée ».
« Nous lançons aujourd’hui un plan global de croissance pour remettre l’entreprise sur la bonne voie », a expliqué le PDG de la firme. SodaStream emploie plus de 2 000 personnes sur une vingtaine de sites en Australie, en Chine, en Allemagne, en Afrique du Sud, en Israël et en Cisjordanie. Le groupe a annoncé en 2012 vouloir construire une nouvelle usine dans le désert du Néguev, dans le sud d’Israël. Et d’ajouter : « L’entreprise Sodastream est aujourd’hui un succès dans 45 pays et dispose de 20 sites de production dans le monde, dont deux en Israël. Un troisième, de plus grande envergure, devrait ouvrir prochainement dans le Néguev, à l’extrême sud du pays ».
« SodaStream présente sur Internet son usine de Mishor Adoumim comme un « modèle d’intégration » employant 1 300 personnes : 500 Palestiniens, 450 Arabes israéliens et 350 Juifs israéliens jouissant des mêmes salaires et des mêmes conditions sociales. Les employés palestiniens y « perçoivent des salaires quatre à cinq fois supérieurs par rapport aux salaires moyens dans les territoires contrôlés par l’Autorité palestinienne ». Daniel Birnbaum, PDG de SodaStream, avait déclaré en janvier 2014 au magazine juif new-yorkais Forward, que Mishor Adoumim, « ancienne usine de munitions reconvertie en 1996, était devenue « une épine dans le pied » pour l’entreprise. Selon son conseiller Maurice Silber, cité par Forward, « tout le monde est contre l’occupation » et le PDG était prêt à payer des impôts sur les sociétés dans un futur État palestinien ».
Le 29 février 2016, Daniel Birnbaum a annoncé le licenciement des 74 derniers salariés palestiniens travaillant dans son usine à Lehavim, site de la nouvelle implantation de l’usine après la fermeture de celle de Maalé Adoumim sous la pression du BDS. Le permis de travail de ces ouvriers n’aurait pas été prolongé par les autorités israéliennes. SodaStream a recruté des salariés israéliens à la place de ceux palestiniens.
Anas Abdul Wadud Ghaïth « essuyait les larmes derrière ses lunettes. «On formait une famille. Je suis triste parce que je quitte mes amis», a confié le jeune homme de 25 ans dont quatre années passées chez SodaStream. « Il n’y a pas d’espoir en Palestine, et pas beaucoup de travail», a-t-il ajouté. Quelques centaines de salariés de l’usine de Lehavim ont manifesté contre l’attitude du gouvernement israélien et formé un signe de paix en solidarité avec leurs anciens collègues ».
Le COGAT, » organe du ministère de la Défense chargé de coordonner les activités israéliennes dans les Territoires, n’a pas fourni d’explication sur le non-renouvellement des permis. « Le COGAT a pris de nombreuses mesures pour aider l’usine, il a fourni des permis provisoires à des centaines de travailleurs au cours de l’année et demie écoulée pour rendre le transfert possible », a expliqué cet organisme public. Selon le COGAT, « 58 000 Palestiniens possèdent des permis pour travailler en Israël, et 27 000 autres pour des entreprises israéliennes dans les « localités de Judée et de Samarie. Ces « salariés gagnent en général mieux leur vie que dans des entreprises palestiniennes ».
Maayan Nave, « le porte-parole de SodaStream, a dit ne pas croire que le gouvernement ait voulu sanctionner le fait que l’entreprise ait cédé aux pressions du BDS. Il a assuré que la compagnie continuerait à se battre pour obtenir des permis pour les Palestiniens. Le PDG de SodaStream, Daniel Birnbaum, a, lui, affirmé que « le BDS n’a rien à voir avec ça», martelant: «c’est la faute du gouvernement». Le gouvernement «est incapable de surmonter sa propre bureaucratie et son propre entêtement pour résoudre cette énorme difficulté: permettre à 74 gens bien de continuer à faire ce qu’ils faisaient jusqu’alors», a-t-il dit ».

SodaStream avait cédé au BDS en changeant le lieu d’implantation de son usine. Il a contribué à la situation actuelle. Sans se soucier du sort de tous ceux, célèbres ou anonymes, qui avaient défendu la marque et son site dans une terre biblique.

« Deep fake »

« L’actrice la mieux payée d’Hollywood, Scarlett Johansson, vient d’ajouter son nom à la liste des personnalités qui s’engagent contre le phénomène des « deep fake » – ces vidéos ultraréalistes dans lesquelles les visages et les voix de ceux qui apparaissent à l’écran sont modifiés. »
« Dans une interview accordée au quotidien The Washington Post, l’actrice dont la tête a été utilisée dans des dizaines de vidéos pornographiques s’inquiète de la montée en puissance de ces technologies : « Les personnes vulnérables comme les femmes, les enfants, et les personnes âgées doivent prendre des précautions supplémentaires pour protéger leur identité et leur contenu personnel », déclare-t-elle ».

« Lost in Translation » de Sofia Coppola

Etats-Unis, Japon, 2003
Scénario : Sofia Coppola
Production : American Zoetrope, Elemental Films, Tohokushinsha Film Company
Producteurs : Ross Katz, Sofia Coppola
Image : Lance Acord
Montage : Sarah Flack
Musique : Kevin Shields
Avec Scarlett Johansson (Charlotte), Bill Murray (Bob Harris), Akiko Takeshita (Madame Kawasaki), Kazuyoshi Minamimagoe (attaché de presse), Kazuko Shibata (attaché de presse), Nancy Steiner (Lydia Harris), Giovanni Ribisi (John), Ryuichiro Baba (le concierge), Anna Faris (Kelly)
Sur Arte les 27 décembre 2011 à 20 h 40, 28 décembre 2011 à 14 h 45, 19 août 2015 à 20 h 50, 9 décembre 2020 à 20 h 55 et 12 décembre 2020 à 1 h 00
Disponible du 09/12/2020 au 15/12/2020
Visuels :
© ARD/Degeto Film
© Yoshio Shato
© DR

« La jeune fille à la perle » par Peter Webber
Royaume-Uni, Luxembourg, 2003
Image : Eduardo Serra
Montage : Kate Evans avec Alexandre Desplat
Production : Archer Street, Delux, Film Fund Luxembourg, Pathé, UK Film Council, Wild Bear
Producteur/-trice : Andy Paterson, Anand Tucker
Scénario : Olivia Hetreed
Avec Colin Firth, Scarlett Johansson, Tom Wilkinson, Cillian Murphy, Essie Davis, Judy Parfitt
Auteur : Tracy Chevalier
Sur Arte les 14 octobre 2018 à 20 h 50, 17 octobre 2018 à 13 h 35
Visuels :
Scarlett JOHANSSON
Tom WILKINSON, NON IDENTIFIE
Essie Davis, Scarlett JOHANSSON
NON IDENTIFIE, Tom WILKINSON, Scarlett JOHANSSON, NON IDENTIFIE
© PATHE

« #Chef » de Jon Favreau

États-Unis, 2014, 111 min

Scénario : Jon Favreau

Production : Aldamisa Entertainment, Kilburn Media
Producteurs : Jon Favreau, Sergei Bespalov, Roy Choi, John Bartnicki
Image : Kramer Morgenthau
Montage : Robert Leighton
Musique : Stefan Karrer et Lyle Workman
Avec Jon Favreau (Carl Casper), Bobby Cannavale (Tony), John Leguizamo (Martin), Emjay Anthony (Percy), Scarlett Johansson (Molly), Dustin Hoffman (Riva), Sofía Vergara (Inez), Oliver Platt (Ramsey Michel),  Amy Sedaris (Jen), Robert Downey Jr. (Marvin)

Visuels : 
© TF1 Studios
© Merrick Morton

Les citations sur le film sont d’Arte. Cet article a été publié le 14 octobre 2018.

[Source : http://www.veroniquechemla.info]

“Ese premio no es para mí, es para todos, porque solita no hubiera llegado”, estas fueron las palabras de Nemonte Nenquino cuando se enteró de que iba a recibir el Premio Medioambiental Goldman 2020, este es considerado el mayor reconocimiento ambiental que se entrega a nivel mundial.  

La lideresa indígena Nemonte Nenquimo, del pueblo waorani de Ecuador, fue galardonada con el Premio Medioambiental Goldman 2020

La lideresa indígena Nemonte Nenquimo, del pueblo waorani de Ecuador, fue galardonada el lunes con el Premio Medioambiental Goldman 2020, considerado el “Nobel del Medioambiente”.

Nemonte, de 35 años, recibió este premio por su contribución a la defensa de la Amazonía y sobre todo por su liderazgo en la campaña que permitió la protección de 202 342 hectáreas de bosques de la extracción petrolera.

En 2019, la joven waorani dirigió la demanda que suspendió el proyecto de explotación petrolera del bloque 22, en la provincia de Pastaza, lugar de gran biodiversidad.

“El liderazgo de Nenquimo y la demanda que establecieron es un precedente legal para los derechos indígenas. Otras comunidades están siguiendo sus pasos para proteger sus territorios de la extracción de petróleo”, afirmó la Fundación Goldman.

La victoria legal que logró el pueblo waorani, con el liderazgo de Nemonte, se ha convertido en un hito en la lucha de los derechos de los territorios indígenas y en la defensa de la madre naturaleza.

Lucha colectiva

“Ese premio no es para mí, es para todos, porque solita no hubiera llegado”, dijo la joven waorani cuando se enteró de que iba a recibir el mayor reconocimiento ambiental que se entrega a nivel mundial.

Mediante un comunicado, Nemonte afirmó que recibe ese premio a nombre de la lucha colectiva de su pueblo, además, indicó que seguirán batallando por el respeto a la autogobernanza y a la autodeterminación.

Ante este reconocimiento tan importante, la coordinadora de las Organizaciones Indígenas de la Cuenca Amazónica (COICA) envió un mensaje emotivo a Nemonte y a todo el pueblo waorani.

“Este premio es un gran reconocimiento a la lucha colectiva del pueblo waorani por la vida y la protección de la madre naturaleza de las actividades extractivistas que amenazan constantemente a los pueblos indígenas y la biodiversidad de nuestra Amazonía”, comunicó la COICA en sus redes sociales.

La lideresa waorani, en setiembre fue reconocida por TIME como una de las 100 personas más influyentes del mundo, y en noviembre, la BBC la incluyó en la lista de las 100 mujeres inspiradoras e influyentes en el mundo.

Más allá de los reconocimiento y premios, Nemomente, que en wao tereo significa estrella, afirma que seguirá luchando para que las empresas y autoridades respeten los territorios y derechos de las nacionalidades indígenas amazónicas.

Nemonte Nenquimo y la comunidad waorani en una marcha. Foto: Mateo Barriga, Amazon Frontlines

 

[Fuente: http://www.servindi.org]