Archives des articles tagués Eventos

Rebelde, a cantora desafiou a ditadura (e a caretice de classe média) e, por mais de duas décadas, teve papel central na música brasileira. Completaria 80 anos. “E nem adianta prisão para a voz que, pelos ares, espalha sua canção”, entoou.

Escrito por Rômulo Moreira[1] no GGN

Nara Leão faria hoje 80 anos! Ela nasceu exatamente num dia 19 de janeiro, em Vitória, e com apenas 12 anos já aprendia a tocar violão, instrumento que ganhou de seu pai. Dois anos depois, matriculou-se na Academia de Violão de Roberto Menescal e Carlos Lyra, e não parou mais de estudar e de aprender.

Em novembro de 1959, ainda uma adolescente, participou do show “Segundo comando da operação Bossa Nova”, cantando “Se é tarde me perdoa” e “Fim de noite”; nessa época, já início dos anos 60, circulavam as primeiras notícias na imprensa carioca sobre a Bossa Nova.

Em março de 1963, no lendário restaurante Au Bon Gourmet, em Copacabana, Nara apresentou-se profissionalmente pela primeira, dividindo o palco com Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, no espetáculo “Pobre menina rica”, iniciando as primeiras apresentações em programas de televisão, além de começar a gravação do seu primeiro disco.[2]

Pouco antes do golpe militar, em fevereiro de 1964, lançou o seu primeiro disco, Nara, inaugurando um repertório que promovia o encontro das composições de Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Baden Powell com os sambas de Cartola, Zé Ketti e Nelson Cavaquinho. O ano foi de ascensão profissional para Nara, afirmando-se como uma das maiores intérpretes do país; ao mesmo tempo, suas opiniões políticas e declarações em favor dos movimentos contrários à ditadura militar geraram polêmicas nos jornais.

Ainda em 1964, Nara assinou um contrato com a Philips para a gravação de quase todos os seus futuros discos e fez shows em várias cidades brasileiras; em Salvador, conheceu Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em setembro, Nara participou, ao lado de Sérgio Mendes, Tião Neto e Edson Machado, de uma turnê internacional (com apresentações no Japão), e no mês seguinte concedeu uma entrevista para a revista Fatos e Fotos em que anunciou sua ruptura com a Bossa Nova e seus compositores. Com o título “Nara de uma bossa só”, a matéria teria uma resposta dos seus antigos parceiros, na mesma revista, com o título “Resposta a Nara”.

Em novembro foi lançado Opinião de Nara, segundo disco da cantora, com repertório na mesma linha do primeiro, tornando-se inspiração para o musical Opinião, escrito por Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa, dirigido por Augusto Boal e encenado pela própria Nara, por Zé Ketti e João do Vale.

Em 1965, iniciou o ano como uma das principais personalidades do país devido ao sucesso de seus discos e do espetáculo Opinião. No final de janeiro, por problemas na garganta devido ao uso intenso de sua voz, Nara precisou retirar-se da peça e, em um primeiro momento, foi substituída por Susana Moraes; logo depois a própria Nara indicou como sua substituta a jovem cantora baiana Maria Bethânia.

Em março, iniciou as gravações do disco O Canto livre de Nara, e no mês seguinte participou da peça Liberdade, Liberdade, escrita por Millôr Fernandes e Flávio Rangel.[3]

(Aliás, a propósito, sobre Liberdade, Liberdade, o New York Times publicou, na edição do dia 25 de abril de 1965, um artigo em que se referia à peça como “o mais ambicioso dos espetáculos de protesto, refletindo o amplo sentimento existente entre os jovens intelectuais brasileiros de que o regime do presidente Humberto Castelo Branco, com sua forte posição anticomunista, é hostil à liberdade cultural e intolerante quanto a críticas de esquerda no que se refere às condições econômicas e sociais do país.”[4])

Em fevereiro de 1966 foi lançado Nara pede passagem, trazendo novos compositores, como Sidnei Miller, Jards Macalé, Paulinho da Viola e Chico Buarque. Em maio, concedeu uma famosa entrevista para o Diário de Notícias, declarando sua oposição irrestrita, corajosa e contundente aos militares; a manchete “Nara é de opinião: esse exército não vale nada”, causou imensa repercussão e ameaças de prisão por parte do regime militar, mas também palavras solidárias de cronistas, como Rubem Braga e Carlinhos de Oliveira. Para ela, e em razão desse fato, Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema “Apelo”:

Meu honrado marechal, dirigente da nação,
venho fazer-lhe um apelo:
não prenda Nara Leão

Narinha quis separar
o civil do capitão?
Em nossa ordem social
lançar desagregação?

Será que ela tem na fala,
mais do que charme, canhão?
Ou pensam que, pelo nome,
em vez de Nara, é leão?

Deu seu palpite em política,
favorável à eleição
de um bom paisano – isso é crime,
acaso, de alta traição?

Nara é pássaro, sabia?
E nem adianta prisão
para a voz que, pelos ares,
espalha sua canção.

Meu ilustre marechal
dirigente da nação,
não deixe, nem de brinquedo,
que prendam Nara Leão
.”[5]

No mesmo mês, Nara participou do debate “Que caminho seguir na música popular brasileira?”, organizado pela revista Civilização Brasileira, quando declarou: “Enquanto Roberto Carlos vai a todos os programas, todos os dias, o pessoal da música brasileira, talvez por comodismo, não vai. Existe até certo preconceito – quando eu vou ao programa do Chacrinha os bossa-novistas me picham, eles acham que é ‘decadência’ ir a este programa”.

No mesmo ano, no Festival de Música Popular da Record, Nara defendeu duas músicas: “O homem”, de Millôr Fernandes, e “A Banda”, de Chico Buarque, vencedora do Festival, ao lado de “Disparada”, de Geraldo Vandré; e gravou seu quarto disco, “Manhã de liberdade”, trazendo “A Banda” como faixa de abertura.

No ano seguinte (1967), em maio, lançou o disco Vento de maio, com composições de Chico Buarque e Sidnei Miller, destacando-se a bela capa do pintor Augusto Rodrigues, seu antigo professor de pintura. Nara ainda grava mais um disco, intitulado Simplesmente Nara, com capa de Lan e com canções que iam de antigos nomes como João de Barro e Ari Barroso a novos compositores como Edu Lobo e Sueli Costa; participou do Festival de Música Popular da Record, cantando “A estrada e o violeiro”, com Sidnei Miller, e do II Festival Internacional da Canção, defendendo “Carolina”, de Chico Buarque. Viajou para a Europa e fez apresentações em Paris.

Em 1968, abriu o ano estreando o show Tique-taque, no Teatro de Bolso, em Ipanema, ao lado do conjunto vocal Momento Quatro, cantando um repertório que juntava novas canções como “Tropicália”, de Caetano Veloso, e clássicos como “Três apitos”, de Noel Rosa, e “Chega de saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

E continuou participando intensamente das manifestações públicas contra o regime militar; em 1º de abril, quatro anos após o golpe militar e logo depois do assassinato do estudante Édson Luís, ela publicou no jornal Última Hora um contundente texto, “É preciso não cantar”, onde escreveu: “É impossível cantar, sabendo que os estudantes estão sendo assassinados nas ruas. É preciso não cantar. A realidade está demais para ser cantada e celebrada.”[6]

Em julho do mesmo ano, cantou “O tema dos inconfidentes”, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, durante o espetáculo Romanceiro da Inconfidência, adaptação de Flávio Rangel para a obra de Cecília Meireles. Em agosto, lançou seu novo disco, trazendo apenas sua foto na capa. O repertório escolhido e os arranjos do maestro Rogério Duprat sinalizavam a sua afinidade com a Tropicália. Caetano Veloso está presente com o bolero “Lindoneia” (feito a pedido da cantora e inspirada em uma obra do pintor Rubens Gerchman) e com as parcerias com Torquato Neto “Deus vos salve essa casa santa” e “Mamãe coragem”. Participou também do antológico disco Tropicália ou panis et circenses, com a gravação de “Lindoneia”.

Em 1969, Nara diminuiu bastante suas atividades musicais no Brasil e, em abril, participou de uma temporada de shows em Portugal, ao lado de Chico Buarque e Vinícius de Moraes, ambos residentes na Europa durante esse período. Lançou o disco Coisas do mundo, com repertório que trazia, além do samba-título de Paulinho da Viola, algumas versões de sua autoria para músicas de Rolando Alarcón e Jacques Brel, e canções de Caetano Veloso, Jards Macalé e Sidnei Miller.

Em agosto, numa entrevista concedida a Tarso de Castro para o Pasquim, deu por encerrada sua carreira de cantora e, no final do ano, deixou o país para viver um período de exílio voluntário na Europa, residindo em Paris e passando a ter uma vida longe da fama que a acompanhava no Brasil; fez apresentações eventuais e versões de músicas brasileiras para cantoras francesas, como Françoise Hardy. Ainda em Paris, gravou um álbum duplo com canções do período da Bossa Nova, apenas com violão e piano, lançado com o título Dez anos depois.

No ano seguinte, voltou a morar no Brasil e participou do disco Os maiores sambas-enredos de todos os tempos, cantando “Nordeste, seu povo, seu canto e sua glória”. Gravou um compacto duplo trazendo quatro versões de músicas estrangeiras, entre elas “Pai e filho”, uma versão de Cacá Diegues para “Father and son”, de Cat Stevens; as outras três canções eram versões de Nara para músicas de Georges Moustaki.

Em 1972, participou como atriz, ao lado de Maria Bethânia e Chico Buarque, do filme Quando o carnaval chegar, dirigido por Cacá Diegues. No mesmo ano, foi convidada a participar, como presidente, da comissão julgadora do VII Festival Internacional da Canção, realizado no Maracanãzinho. Após seguidas confusões entre a organização do festival, a censura e a comissão julgadora, Nara foi retirada da presidência com o restante dos jurados. Em agosto, fez uma série de apresentações na boate Flag, no Rio de Janeiro. O registro dessa apresentação seria lançado em 1976 em um mini LP com o título Palco, corpo e alma.

Em 1973, participou do filme Lira do delírio, de Walter Lima Junior, e iniciou uma série de shows com Chico Buarque e o MPB-4. Em agosto participou do espetáculo Phono 73, promovido pela gravadora Philips com todo seu elenco, depois transformado em três discos. Nara canta “Diz que fui por aí”, de Zé Ketti e H. Rocha, e “Quinze anos”, de Naire e Paulinho Tapajós.

Em 1974, lançou Meu primeiro amor, um disco especialmente intimista, com canções que ela tocava ao violão para seus filhos, e que lhe valeu o prêmio de Melhor Cantora do Ano, promovido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Gravou o compacto simples A senha do novo Portugal, com a canção “Grandola, vila morena”, de José Afonso, música que marcou o período da Revolução dos Cravos em Portugal.

Dois anos depois, em 1977, após um período dedicado aos estudos de psicologia e aos filhos, Nara retornou ao universo da música popular, gravando o disco Meus amigos são um barato, com parcerias com Tom Jobim, João Donato, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Dominguinhos e Sivuca. Voltou a fazer shows e participou com Dominguinhos da série “Seis e meia”, no Teatro João Caetano.

Em 1978, saiu em turnê com um show que reunia Dominguinhos e os grupos Ritmos Nordestinos e Os Carioquinhas, grupo de choro do Rio de Janeiro que trazia entre seus componentes os jovens violonistas Raphael Rabello e Maurício Carrilho e a cavaquinista Luciana Rabello; neste ano, gravou o disco E que tudo mais vá para o inferno, dedicado inteiramente à obra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Em 1979, ano em que descobriu problemas graves de saúde, lançou em abril o disco Com açúcar e com afeto, dedicado às canções de Chico Buarque; durante o ano, fez uma série de viagens para divulgação do disco.

Recolhida dos shows, Nara dedicou-se ainda mais ao violão, passando a ter aulas com Almir Chediak, e lançou o disco Romance popular, feito em parceria com Fagner e Fausto Nilo, contando com participações de músicos como Robertinho do Recife e Geraldo Azevedo e arranjos de Roberto Menescal, Oberdan, Lincoln Olivetti e Eduardo Souto Neto. Em abril, Nara fez uma minitemporada de três shows para o lançamento do disco, na boate Horse Neck, no Rio de Janeiro. Em agosto estreou o mesmo show em São Paulo, no Teatro Tuca, com direção de Flávio Rangel.

Em maio de 1982, entrou em estúdio para gravar um novo disco; dessa vez teria como parceiro João Donato em mais uma produção de Roberto Menescal. O disco foi lançado no final do ano com o título Nasci para bailar. Participou do festival MPB Shell com a canção “Maravilha curativa”, de Miltinho e Kledir Amaral. Nesse período, Nara participou intensamente do processo de abertura política durante as primeiras eleições diretas para governador no Rio de Janeiro. Em dezembro, estreou o show Nasci para bailar no Teatro da Lagoa, Rio de Janeiro, viajando depois por diversas cidades do país.

No início do ano de 1983, participou, ao lado de Chico Buarque e Fagner, de um show de desagravo para o poeta, compositor e intérprete português Sérgio Godinho, detido pela Polícia Federal brasileira.[7] Ainda nesse ano, Nara lançou o disco Meu samba encabulado, gravado em parceria com a Camerata Carioca, Paulo Moura e os ritmistas Bira, Ubirani e Joviano, do Cacique de Ramos. O disco tem o repertório todo dedicado ao samba, com novos e antigos compositores. Participou do Projeto Pixinguinha ao lado da Camerata Carioca, cumprindo um roteiro de shows por várias cidades brasileiras.

No ano seguinte, 1984, apresentou-se pela primeira vez apenas acompanhada de seu violão no show Com açúcar e com afeto, no antigo Teatro BNH, atual Teatro Nelson Rodrigues. Em fevereiro, participou diretamente da campanha em favor das Diretas Já e lançou o disco Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, com arranjo e participação do pianista César Camargo Mariano, marcando a sua volta ao repertório da Bossa Nova.

Em 1985, iniciou o ano com uma minitemporada de voz e violão na boate People, no Rio de Janeiro. Em maio, lançou Um cantinho e um violão, disco bem recebido pela crítica e pelo público, recebendo convites para apresentações em Portugal, França e várias cidades do Japão. A viagem rende a produção do primeiro compacto de um artista brasileiro no Japão: gravado durante o mês de junho na Polygram do país asiático e com o repertório todo dedicado à Bossa Nova, o título escolhido foi Garota de Ipanema.

Em 1986, período em que se agravaram os problemas de saúde, grande parte do seu tempo foi dividido entre tratamentos e sua ainda ativa carreira musical. No ano seguinte, com um quadro de melhora, voltou a fazer shows com frequência, quase sempre ao lado de Roberto Menescal. Em agosto, lançou o disco Meus sonhos dourados, com clássicos da música popular norte-americana em versões brasileiras feitas por ela, Ronaldo Bôscoli e Fátima Guedes.

Em 1988, mais uma temporada de shows com grande sucesso na boate People, também no Rio de Janeiro, viajando por várias cidades. Participou de comemorações dos 30 anos da Bossa Nova, com a apresentação em um show na praia de Copacabana, ao lado de Carlos Lyra, Luís Eça e do conjunto Garganta Profunda. Durante o ano, Nara elaborou e dividiu com Nelson Motta uma nova série de versões de músicas norte-americanas para gravar em seu último disco de carreira, encomendado pela Polygram do Japão e intitulado My foolish heart.

Em 1989, a cantora realizou seu último show em uma miniturnê por cidades do Norte do Brasil. No dia 7 de junho, ela faleceu na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, aos 47 anos.[8]

Nara é uma grande artista brasileira, e, como diria Drummond, é pássaro, sabia?


[1] Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia e professor de Direito Processual Penal da Universidade Salvador – UNIFACS.

[2] Um ano antes, em 1962, o Au Bon Gourmet reuniu João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Otávio Bailly, Milton Banana e Os Cariocas, e entrou para a história, pois foi ali que foram executadas, pela primeira vez, canções como “Garota de Ipanema” e “Corcovado”. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1006201130.htm. Acesso em 17 de janeiro de 2022.

[3] Liberdade, Liberdade estreou no dia 21 de abril de 1965, no Rio de Janeiro, numa produção do Grupo Opinião e do Teatro de Arena de São Paulo. Além de Nara Leão, participaram Paulo Autran, Oduvaldo Vianna Filho e, numa participação especial, Tereza Rachel.

[4] Disponível em: https://www.nytimes.com/1965/04/25/archives/new-plays-chide-brazilian-regime-productions-temper-protest-with.html. Acesso em 18 de janeiro de 2022. O artigo, já traduzido, está transcrito no livro Liberdade, Liberdade, publicado em 1977, pela L&PM Editores, p. 9 a 11.

[5] “Apelo” (excerto).

[6] O artigo está parcialmente reproduzido na biografia Ninguém pode com Nara Leão – Uma biografia, de Tom Cardoso, lançada em janeiro de 2021, pela Editora Planeta.

[7] Disponível em: https://www.wort.lu/pt/cultura/sergio-godinho-levei-muitas-vezes-com-g-s-lacrimogeneo-na-cara-5cc2ef02da2cc1784e342e12. Acesso em 17 de janeiro de 2022.

[8] Disponível em: http://www.naraleao.com.br/index.php. Acesso em 18 de janeiro de 2022. Sobre Nara Leão, conferir CABRAL, Sérgio. “A figura de Nara Leão”, in: NAVES, Santuza Cambraia e DUARTE, Paulo Sérgio. (org.). Do Samba-canção à Tropicália. Rio de Janeiro: FAPERJ, 2003; e SOUZA, Tarik. “Nara canta a palavra nova”, in: O Som Nosso de Cada Dia. Porto Alegre: L&PM, 1983.

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

Sobre mi relación con la capital uruguaya, que siempre tuvo fines serios.

Escrito por Carlos Diviesti

El domingo 6 de febrero de 2011 está fresco, nublado, predominantemente gris, como el entorno de la Plaza Independencia. Tengo puesta una chomba amarilla que, además de quedarme un poco larga ‒con cinco, diez centímetros más de altura, la ropa de confección me quedaría bien‒, a la luz de los retratos resulta bastante fea. Me saco una autofoto (porque todavía no son selfies) con una cámara Sony Bloggie que todavía conservo, aunque ya no uso. Al fondo de la foto se ve el Palacio Salvo, el primo hermano del Barolo porteño, aunque siempre me pasa que al Salvo lo veo más sólido, más titánico, porque el Salvo es el dueño del espacio circundante. Es cerca del mediodía. Recién llego a Montevideo, vía Colonia. Ya estoy instalado en el hotel Splendido frente al Solís. El viento que viene del mar es fresco, tirando a frío.

‒¿Qué mar? ‒me pregunto.

Ya iré a conocerlo. Es mi primera visita a Montevideo. Antes que conocer el mar tengo que conocer Cinemateca. Y me encuentro con que, apenas unos días antes de llegar, Cinemateca programó un ciclo dedicado a Mario Monicelli (el director de Los compañerosLa armada BrancaleoneUn burgués pequeño, pequeño, uno de mis grandes amigos de la pantalla). En la sede de Carnelli, Cinemateca publicita sus ciclos con carteles hechos a mano, en papel afiche, algo que no veía en una sala de cine desde finales de mi adolescencia, a mediados de los años ochenta, y quizás sea la razón para que tenga un sentimiento encontrado, radiante, poderoso, definitivo, y eso que recién llego: Montevideo se parece tanto a mis recuerdos que no me siento inmigrante sentimental. Pero no es amor a primera vista; el amor a primera vista se termina cuando al amor le encontramos los defectos. De a poco me enamoro de las baldosas de colores que dicen Gas, de las placas rectangulares con la dirección de las casas, del olor de la leña encendida que anuncia un asado cercano, del tiempo hecho polvo en los vidrios altos de la fachada de un negocio. Es el amor a un presente que conserva, lo más intacto que puede, la experiencia de los años que ha vivido, algo que de manera imperdonable el neoliberalismo menemista le borró para siempre a Buenos Aires.

Simón del desierto, de Luis Buñuel

Decido que voy a ver Simón del desierto, de Luis Buñuel, el mismo domingo 6 a las 19 horas. La dan en Sala Dos. Dani Umpi le había dedicado el verso de una canción a Sala Dos. Y aunque ahora resulte una prolepsis, decido volver a Montevideo después de ver La vida útil, de Federico Veiroj, durante la edición del Bafici de 2011. Yo estuve en esa película, mejor dicho conozco los lugares de esa película. Quiero volver lo más pronto que pueda, en agosto, cuando tenga listo el texto de una obra de teatro para que interprete Horacio Camandulle, el actor de Gigante, la película de Adrián Biniez. Se trata de un monólogo para representar en alguna sala de Buenos Aires en cuanto esté listo. Gigante es el principio de esta historia mía con Montevideo.

La vida útil de Federico Veiroj

Gigante es la película de apertura en la edición del Bafici de 2009. La veo por primera vez el jueves 26 de marzo, el primer día de proyecciones del festival; la veo al día siguiente en la última proyección pública, se estrena comercialmente en la Argentina el jueves 10 de octubre de 2010, y en las tres semanas siguientes la veo ocho veces más. Esa mezcla de thriller sordo con comedia de costumbres y romance rohmeriano, con un personaje gentil oculto tras su fachada brutal y con el protagonismo absoluto de una ciudad quieta aunque en constante tensión me produce tal impacto en la retina y en la cabeza que me siento impulsado a escribirle al director y al protagonista a través de Facebook para contarles lo que me produce la película cada vez que la veo. Nunca había hecho una cosa así. Me hubiese gustado mucho relacionarme por carta con gente como Aki Kaurismäki, Marcello Mastroianni, Billy Wilder, pero convengamos que me daba vergüenza. ¿Y esta vez? ¿Por qué no me dio vergüenza escribirles a Horacio Camandulle y a Adrián Biniez?

Gigante, de Adrián Biniez

Aunque sabía que Adrián Biniez nació en Argentina, ni aun en la más afiebrada de mis fantasías se me iría a ocurrir que, hasta que emigró a Montevideo, vivía a veinte cuadras de mi casa. En la entrevista que le hice para el Blog de la Esquina Peligrosa, un blog que sostuve durante muchos años con comentarios sobre cine y teatro, entrevista que nunca publiqué, Adrián me cuenta que su último trabajo en Remedios de Escalada -‒estación que forma parte del partido de Lanús, nuestra ciudad natal‒ fue cuidar a la abuela de un amigo hasta que la señora murió. Aquel era el estado de las cosas en la Argentina hacia 2004, un estado quebrado y lleno de desilusiones; cinco años después, Adrián ganaba tres premios oficiales en el Festival de Berlín por su primer largometraje mayoritariamente uruguayo. Es algo que conmociona, verdaderamente. Y después, en otra entrevista que tampoco publiqué, Horacio Camandulle me cuenta que es maestro de escuela y cooperativista, y que junto con sus compañeros de cooperativa está construyendo el edificio donde vivirán sus familias, un edificio que entonces, en febrero de 2011, recién está empezando a crecer. Veré crecer ese edificio. Los veré irse a vivir allí a Horacio y a Karina, su compañera.

¿Por qué uno se hace amigo de la gente? ¿Por la necesidad de referencias, por la afinidad electiva, por la costumbre, por las cosas que comparte? Sin dudas que por todo eso, aunque creo que también porque los espacios comunes nos inducen a pertenecer a algún lugar. En diez años desde aquel primer viaje ‒no concibo tener vacaciones sin algo para hacer en el lugar adonde vaya‒, conocí a mucha gente con la que mantengo una relación duradera y fructífera. Cuando uno descubre quiénes son los mejores compañeros para desarrollar proyectos, uno debe darles lo mejor de sí mismo. Aunque vivan lejos. Hoy la distancia es contingente. A cierta edad uno ya no piensa tanto en estas cosas, que son tan definitivas en la adolescencia; pero es cierto que uno nunca deja de aprender, de aprender de los demás. Pese a que siempre quise dirigir cine la vida me fue llevando hacia el teatro. California, la obra que escribí para Horacio Camandulle, nunca se hizo por razones estrictamente económicas ‒¡cuánto nos arrasan las circunstancias cíclicas que vivimos por acá!‒, pero en 2019 estrenamos El polvo en el vendaval ‒que escribí para que interpretaran Horacio Camandulle y Pablo Isasmendi, el otro amigo que me dio Montevideo‒, y en 2020 Domingo en el recreo ‒que dirigieron Pablo y Horacio‒.

Tal vez uno hace todo lo que hace para encontrar su lugar en el mundo. En mi perfil de Facebook, hace unos días, mientras volvía a Buenos Aires después de dos años sin viajar al Uruguay, dije que Montevideo me legitimaba como autor teatral. Y es verdad. Soy autor teatral, esa es mi profesión. Domingo en el recreo recibió siete nominaciones a los Premios Florencio, el gran premio que se le entrega al teatro uruguayo: al Mejor espectáculo, a la Mejor dirección, al Mejor elenco, a la Revelación (a sus directores y al actor Ezequiel Núñez), a la Mejor iluminación (para Juan Pablo Viera), y a la Escena iberoamericana, que es algo así como premiar a un autor no uruguayo. En la ceremonia del lunes 13 de diciembre Domingo en el recreo recibió dos premios, los correspondientes al Mejor elenco y a la Escena iberoamericana. A este último, subí a recibirlo al escenario de la Sala Zitarrosa, que en otras épocas fue el cine Rex (el primer cine de Lanús al que fui con mi mamá y mi papá también fue el Rex). Qué mejor manera de formar parte de la historia del lugar del que uno está enamorado, ¿no? Y como dice el título de esta nota, que es el título de una película serbia ambientada en la época del primer mundial de fútbol, y que yo pensé que significaba “Montevideo, nos vemos”, quiero terminar diciendo Montevideo, Bog te video. Que significa “Montevideo, Dios te bendiga”.

 

[Fuente: http://www.revistadossier.com.uy]

Meu avô nunca comeu chocolate, conta um camponês cacaueiro. Outra diz que era proibido provar caroços da fruta. Em 2007, após gerações sob trabalho escravo, eles ocuparam fazenda na BA. Agora, abrem sua própria fábrica da guloseima

Escrito por Anelize Moreira, no site do MST

Chocolate não tem data nem hora para ser desejado e consumido. Mas o que está por trás da produção da sua principal matéria-prima, o cacau? Como saber se o chocolate que a gente consome é fruto de um trabalho limpo e justo? Quem produz, de onde ele vem e como é o trabalho de quem vive do cacau?

O fotógrafo Fellipe Abreu e a jornalista Patrícia Moll retrataram a história de famílias do  assentamento Dois Riachões que conseguiram sair da condição análoga à escravidão vivenciada por gerações anteriores por meio da produção agroecológica de cacau no sul da Bahia.

“Meu avô nunca comeu chocolate, nunca, quem comia era o coronel. Ele morreu sem saber o que era chocolate”, conta o agricultor familiar Edivaldo dos Santos no documentário Dois Riachões, Cacau e Liberdade.

“Eu quebrei muito cacau e eu não tinha direito de chupar um caroço de cacau, porque o cabo de turma estava do nosso lado, vigiando tudo”, afirma a assentada Luiza Batista.

Edivaldo, Luiza e outros agricultores que romperam com o ciclo tradicional de produção pelos herdeiros dos coronéis das fazendas da Bahia no assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga, vivem 150 pessoas e a produção tem sido referência para outras comunidades que lutam pela reforma agrária no Brasil.

Os agricultores ligados à Coordenação Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados (Ceta) ocuparam o local em 2007, mas só em 2018 houve a regularização da terra. No local, além do cacau, eles plantam outras culturas, como frutas, hortaliças e grãos.

“Meu avô nunca comeu chocolate, nunca quem comia era o coronel. Ele morreu sem saber o que era chocolate”, conta o agricultor agroecológico Edivaldo dos Santos / Fellipe Abreu

Teresa Santiago, é agricultora do assentamento e diz que a agroecologia é a base de todo processo, e a comercialização é um dos tripés dessa luta. Eles conseguem escoar a produção nas feiras, com vendas diretas com o consumidor e por meio de programas federais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Para a agricultora Teresa Santiago a liberdade foi construída a partir da luta pela terra, quando houve a transição de meeiros para donos do lote e da produção.

“Você deixa de ser oprimido, deixa de ter ali alguém que vai mandar dizer o que você vai fazer para outra maneira de viver e construir coletivamente a luta pela terra. No documentário, quando a gente fala da soberania, é a soberania em todas as suas vertentes, seja social, alimentar, na questão ambiental, produtiva e econômica”, diz a agricultora.

Durante as gravações do documentário, Abreu explica que eles acompanharam as mudanças na comercialização. Ele conta que as amêndoas de cacau que antes eram vistas como simples commodities e baratas, passaram ser um produto com valor agregado.

“Então eles começaram a estudar fermentação e como agregar valor àquela amêndoa que produziam e começaram a vendê-la para marcas finas por um valor muito mais alto do que o cacau de baixa qualidade. Não satisfeitos, num segundo momento quando a gente estava lá filmando, eles já estavam construindo a própria fábrica de chocolate e dois anos depois inauguraram uma fábrica e lançaram o chocolate Dois Riachões”, conta um dos diretores.

O assentamento Dois Riachões atualmente produz, comercializa e tem uma marca própria de chocolate com o mesmo nome / Fellipe Abreu

Patrícia conta que a ideia do documentário surgiu por não ser uma história conhecida e pelo chocolate ser algo universal que interessa a diversas culturas. Ela destaca a organização, e trabalho coletivo dessas famílias.

“Eu me impressionei como eles trabalham em mutirão e têm a noção bem definida de trabalho coletivo.  Eles fazem tudo juntos, passam o dia na roça do seu Fulano, depois vão para a roça do seu Beltrano, sempre se divertindo e cantando enquanto fazem a quebragem. Também é lindo vê-los terem conseguido conquistar essa soberania alimentar e hoje cozinharem e produzirem os próprios alimentos, e finalmente poderem comer o próprio chocolate”.

Para Abreu, com o atual contexto de ataque aos direitos socioambientais no Brasil é ainda mais importante trazer o debate temas como agroecologia e agricultura familiar, que se recebessem mais fomento do poder público poderiam crescer ainda mais no país.

O cacau já faz parte da história do Brasil, e no sul da Bahia é um dos principais produtos agrícolas da região. A produção de cacau cabruca de Dois Riachões é um exemplo de como ter um sistema aliado à conservação ambiental. A produção agroecológica considera não só o alimento livre de veneno, mas a preservação de espécies florestais nativas, manutenção dos recursos hídricos e a fauna local.

“O sistema cabruca de produção de cacau não derruba a mata nativa, ele coexiste junto com ela. Se você olhar para uma lavoura de cacau cabruca, verá a Mata Atlântica por cima e o cacau por baixo. Inclusive, se você não prestar muita atenção, às vezes você nem verá o cacau, porque ele fica completamente rodeado pela mata. Além de preservar a mata, o próprio cacau beneficia-se da sombra das árvores e produz melhor e por mais tempo”.

O documentário foi produzido de forma independente e foi o primeiro curta de Patricia e Fellipe juntos. A ideia é que o documentário que vem sendo exibido em diversos festivais pelo mundo ajude a viabilizar outros projetos semelhantes com olhar voltado para o rural, a agricultura familiar e a cultura alimentar do Brasil.

O cacau já faz parte da história do Brasil, e no sul da Bahia é um dos principais produtos agrícolas da região. / Patricia Moll

“Esse foi totalmente independente. Então a nossa ideia era usá-lo também um pouco como moeda para conseguir contar outras histórias de produção de alimentos pelo Brasil, e sempre com um alimento para mostrar o quão viável também é escolher comprar esses alimentos. Para não precisar escolher um [chocolate] do supermercado, ou seja, para mostrar o que impacta quando você escolhe comprar um alimento da agricultura familiar”, comenta Patricia.

O documentário recebeu quatro prêmios: como melhor curta-metragem no VI Festival de Cine Independiente de Claypole, na Argentina; o Prêmio Consorzio del Formaggio Parmegiano Reggiano” no Festival Mente Locale; menção honrosa na 4ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental; e como melhor filme, pelo júri popular no Festival Santa Cruz de Cinema, no Rio Grande do Sul.

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

La grenade est un fruit biblique. Selon des rabbins, la grenade aurait 613 graines, soit le nombre de mitzvot, ou commandements divins, inscrits dans le Pentateuque ou Torah et que doivent respecter les juifs. Cet article est republié pour Tou Bichvatfête juive appelée Nouvel an des ArbresTu BiShvat 5766 : le jeune Ilan Halimi a été retrouvé agonisant près d’une voie ferrée francilienne.

 

Publié par Véronique Chemla
Fruit comestible du grenadier, la grenade a une forme ronde. Lovées dans des loges, des graines triangulaires couleur rubis ou arilles sont comestibles. Un cocktail de vitamines. Un concentré de bienfaits – polyphénols – pour la santé.
La récolte des grenades a lieu à l’automne, de septembre à décembre.

À l’âge du Bronze, la grenade est introduite dans le bassin méditerranéen.

La peau et le jus de grenade ont été utilisés pour teindre des tapis d’Orient.

Dotée d’une couleur dont l’intensité se renforce à la cuisson, la grenade symbolise la vie, la fertilité, la puissance, le sang, la mort et la sexualité. Une métaphore de la fécondité et de l’unité du peuple juif, dont les membres sont unis aussi étroitement que les graines de la grenade.

Sur le registre politique : les armoiries de la ville de Grenade et de l’Espagne incluent la grenade.

Espagne, Tunisie, Turquie, Maroc, Égypte, Israël, Iran, Inde, Afghanistan, États-Unis, Mexique, Chine, Japon… Tels sont les principaux producteurs de grenades. Parmi les pays exportateurs majeurs : l’Espagne, dont les grenades aux graines pâles s’avèrent fades, la Turquie et Israël, dont les graines ont la couleur rubis et sont savoureuses.


De nombreuses religions évoquent la grenade.

Judaïsme
Avec la datte et olivier, la grenade s’avère le fruit le plus cité dans Bible hébraïque.

Le grenadier est une des sept arbres fruitiers, céréales et produits du pays de Canaan, Terre Promise d’Israël, cités dans Deutéronome 8- 7/8 : « Car l’Éternel ton Dieu va te faire entrer dans un bon pays, pays de cours d’eau, de sources et de lacs, qui jaillissent dans les vallées et dans les montagnes, pays de froment, d’orge, de vignes, de figuiers et de grenadiers ; pays d’oliviers et de miel ».

L’Exode 28, verset 33, mentionne la grenade (rimon, en hébreu) comme élément décorant l’ephod, vêtement de cérémonie, du grand prêtre (Exode 28, 31-34).

Premier roi d’Israël, Saul a vécu sous un grenadier (1S 14, 2).

Dans le Cantique des Cantiques du roi Salomon, la beauté féminine est évoquée par le mot grenade (Ct 4,3.13 ; 6,7). Deux rangées de grenades (1R 7, 18) décoraient les chapiteaux des deux colonnes en minerais, dénommées Jakin et Boaz, devant le temple de Salomon à Jérusalem (Premier livre des Rois 7,13-22).

Le Sefer Torah (livre, rouleau de la Torah) est protégé par un « manteau » en velours brodé en fils, souvent d’or. Il est surmonté par deux rimonimgrenades métalliques ornées de clochettes.

Sur la table des repas de Roch HaChana (Nouvel an) et Tou Bichvat (nouvel an des arbres), est placée notamment une grenade.

Selon des rabbins, la grenade aurait 613 graines, soit le nombre de mitzvot, ou commandements divins, inscrits dans le Pentateuque ou Torah et que doivent respecter les juifs.

Tou Bichvat est le Nouvel an des Arbres.

Tou Bichvat « signifie «15 (du mois) de chévat», il est qualifié de Nouvel An des arbres (Roch Hachana lailanot) qui correspond au moment de la montée de la sève dans l’arbre, avant le printemps ».
Le « Talmud (traité Roch Hachana) parle de quatre Roch Hachana dans le calendrier juif. Si le 1er tichri, chaque être humain est jugé au regard des «fruits» de ses actions, le 15 chevat c’est sa nourriture originelle, le fruit de l’arbre, qui l’est. Une manière de souligner que la nature est placée sous le regard du Créateur (béni soit Son Nom) ».
Tou Bichvat « rappelle aussi le lien indéfectible de notre communauté avec la terre d’Israël, lieu de notre épanouissement spirituel et terre des promesses divines. À cette occasion nous mangeons toutes sortes de fruits et nous plantons des arbres, en récitant des louanges à l’Éternel ».
« Bien que Tou Bichvat soit mentionné dans le Talmud, ce jour n’a pris son véritable caractère festif qu’au XVIe siècle avec les kabbalistes de Safed. Leur réflexion sur la Création du monde, les amenait à penser aux différents niveaux d’existants, et en particulier aux différentes formes de fruits germant sur la terre. Si l’Éternel a créé tant d’espèces, c’est que fondamentalement la bénédiction, qui se traduit par la multitude, est inscrite dans la réalité. Cette prise de conscience d’un monde béni est actualisée, en permanence, par la récitation de diverses bénédictions ou bérakhot. Finalement, les rabbins auraient pu composer une seule bénédiction pour toutes les formes de jouissance – « tout a été créé par Sa Parole, par exemple, mais ils ont préféré composer des bérakhot différentes pour les gâteaux, les fruits de l’arbre, les fruits de la terre, le tonnerre, l’arc-en-ciel, les parfums, etc. afin d’éduquer les fidèles à cette idée que, du D. Un, découle une multiplicité de formes, de goûts et de couleurs, qui participent de l’unité cosmique ».

« Comme pour le Roch Hachana de tichri, la coutume s’est répandue d’organiser le 15 chevat un Séder ou « Ordre » de consommation de fruits, accompagné de la récitation de versets bibliques, de passages du Talmud et du Zohar liés à cette circonstance. Le séder le plus connu est celui tiré du livre Péri ‘Ets Hadar, imprimé pour la première fois à Salonique en 1753 qui fut diffusé dans le monde entier. Il fut réimprimé à Pise en 1763, à Amsterdam en 1859, à Izmir en 1876, à Livourne en 1885 et à Bagdad en 1936, là où se trouvaient de grandes communautés juives ».

Lors du Séder, les Juifs consomment un gâteau à base de blé, une olive, une datte, du raisin, une figue, une grenade, un cédrat, une pomme, une noix, un caroube, une poire, tout en récitant des prières.
En 2019, cet article avait été republié à l’approche de Roch HaChana (Nouvel an juif) 5780 : au cours des Séders de cette fête, la grenade orne les tablées juives. Le Consistoire de France avait omis dans la refonte de son site Internet une page sur les fêtes juives !? Pour avoir des informations sur ces fêtes, ont peut se rendre sur le site Internet du Consistoire de Paris Ile-de-France.

« Xenius – La grenade« 
Arte a proposé sur son site Internet « Xenius – La grenade » (Xenius – Granatapfel, eine Superfrucht?) présenté par Emilie Langlade et Adrian Pflug. « Xenius » enquête sur les bienfaits de la grenade en accordant une large place à la grenade produite en Espagne et cuisinée par un grand chef ibérique. La grenade « est déposée délicatement dans les caisses ».
« Le jus de ce fruit vermeil aurait des propriétés miraculeuses. La grenade serait efficace contre les maladies cardio-vasculaires et l’hypertension, ainsi que contre la maladie d’Alzheimer. En application cutanée, ce superfruit retarderait l’apparition des rides. Trop beau pour être vrai ? Pour le vérifier, « Xenius » fait appel à un fabricant de cosmétiques naturels et à des chercheurs à l’université d’Hohenheim, près de Stuttgart ».
La grenade pourpre
Arte rediffusa, dans le cadre de la série Le jardin d’Eden (Garten Eden), « Le fruit des Dieux : la grenade pourpre » (Liebesfrucht der Götter: Der Granatapfel), documentaire de Marcus Fischötter. La série documentaire Le jardin d’Eden dresse, en quatre volets, le « portrait de passionnés qui s’engagent pour la préservation d’espèces anciennes de fruits et légumes ».
« Près de la ville d’Elche, dans le sud-est de l’Espagne, des centaines d’exploitations se consacrent à la production de la grenade  ».
« Cela fait près de quarante ans que Trino y cultive ce fruit précieux aux multiples bienfaits, symbole d’amour, de fécondité et d’éternelle jeunesse ».
« Nous le suivons au cours de la récolte de la variété mollar, qui se déroule de fin septembre à début novembre ».
« Compte tenu de la fragilité des grenades, la cueillette se fait à la main et requiert beaucoup de délicatesse ».

« Xenius – La grenade« 
Allemagne, 2017, 27 minutes
Disponible du 16/08/2018 au 13/11/2018
 
« Le fruit des Dieux : la grenade pourpre », de Marcus Fischötter
Allemagne, 2017, 26 min
Sur Arte les 24 juin 2017 à 18 h 20 et 2 juillet 2017 à 17 h 35
 
Visuels 
© Axel Thiede
Zur ARTE-Sendung Garten Eden (4/4) (4): Liebesfrucht der Götter: Der Granatapfel 2020889: Liebesfrucht der Götter, Symbol für Fruchtbarkeit und Schönheit, Quell ewiger Jugend – um kaum eine andere Pflanze ranken sich so viele Mythen und Legenden wie um den Granatapfel. © Axel Thiede Foto: ZDF Honorarfreie Verwendung nur im Zusammenhang mit genannter Sendung und bei folgender Nennung « Bild: Sendeanstalt/Copyright ». Andere Verwendungen nur nach vorheriger Absprache: ARTE-Bildredaktion, Silke Wölk
 
Les  citations proviennent d’Arte. Cet article a été publié le 30 juin 2017, puis le 5 septembre 2018 – à l’approche de Roch HaChana (Nouvel an juif) 5779 –, 29 septembre 2019.
 
 

Après la mise en roman de ses aventures tibétaines à la quête de la panthère des neiges, Sylvain Tesson apparaît à l’écran dans un film intitulé lui aussi La panthère des neiges. Signé par la réalisatrice Marie Amiguet et par le photographe animalier Vincent Munier, ami avec lequel Tesson est parti à l’affût de la panthère, ce documentaire est une réussite en tous points. Outre ses images à couper le souffle, ce long-métrage français pourrait bien ramener à l’attitude contemplative tous ceux qui l’ont oubliée, soit la quasi-totalité de l’humanité.

Écrit par Jonas Follonier

Des sacs à dos, de bonnes vestes, quelques vivres, du matériel vidéo et beaucoup de force mentale. Tels sont les principaux bagages du duo d’amis qui mettent le cap sur les hauts plateaux tibétains. L’objectif de ce nouveau périple dans lequel se sont lancés l’un des écrivains hexagonaux les plus appréciés du moment, Sylvain Tesson, et le photographe animalier Vincent Munier? «Atteindre une bête dont rien ne garant[it] la venue.» À savoir, la panthère des neiges, aussi rare que discrète. «Mépriser la douleur, ignorer le temps et ne jamais désespérer d’obtenir ce que l’on désire»: un beau programme. Mais pas à la portée de tout le monde. Sylvain Tesson a fait du dépassement de soi son activité; et de la sublimation littéraire de cette activité, sa vocation.

Lutter pour que le monde demeure

La panthère des neiges est un documentaire qui utilise la technique de la voix off, un classique du genre. Et ce sont justement des extraits du roman éponyme que l’on entend, lus par l’auteur lui-même. Présenté en avant-première au Festival de Cannes 2021, le long-métrage de 90 minutes nous montre les deux compères à l’œuvre dans leur démarche de passionnés, tantôt progressant dans la montagne, guettant quelque présence, tantôt se nourrissant de victuailles de circonstance dans une grotte. Les images auxquelles le spectateur a l’honneur d’avoir accès sont toutes époustouflantes. Des paysages sauvages se succèdent, des silhouettes à l’horizon, des aubes et des crépuscules. Yaks sauvages, loups, renards et autres tchirous sont capturés par l’œil de Munier et de ses appareils. On les voit comme en vrai, puis derrière un filtre. On s’émeut. On cherche. On attend.

On attend la panthère. Et l’un des principaux avantages du film réside précisément dans sa capacité à transformer l’impatience du public en une forme de patience. C’est que l’écrivain à la face cabossée, précisément, nous en convainc, et que le spectacle qui s’offre à lui s’offre aussi à nous: «J’avais appris que la patience était une vertu suprême, la plus élégante et la plus oubliée. Elle aidait à aimer le monde.» Même si l’éloge d’une nature épargnée par la civilisation auquel se livrent les deux protagonistes consiste en une forme d’idéalisation, on est obligé de s’incliner devant la force de persuasion de cette matière morale et esthétique qui s’accueille comme une leçon d’humilité. Et comme un appel à la préservation du monde – et de la faculté de s’en émerveiller.

La musique à côté de laquelle tout le monde est passé

Alors forcément, le surgissement – ou non – de dame panthère est la clef du film. Mais voilà qu’à la conclusion a lieu un autre surgissement, passé un peu inaperçu. Celui de la chanson We are not alone, interprétée par Nick Cave et Warren Ellis. Un blues/rock mélancolique avec force chœurs et cordes qui peut étonner mais qui ne détonne pas. Ses paroles, magnifique cohérence avec le reste de l’œuvre, sont écrites par Sylvain Tesson, en écho avec l’enseignement très personnel, pour le coup, qu’il a tiré de ce voyage initiatique. L’ambiance qui en résulte est celle des chansons-psaumes de Léonard Cohen, où l’on cherche du sens dans ce mystère nommé vie:

«Ce monde a des oreilles et les rochers ont des yeux
La nature aime se cacher
Le monde est un buisson plein d’yeux ardents
La nature aime se cacher

J’ai beaucoup voyagé
J’ai été observé
J’ai été observé, mais inconscient
J’ai beaucoup voyagé sans savoir
J’ai été observé
J’ai été observé

Nous ne sommes pas seuls
(Bonne nouvelle pour mon cœur)»

(Traduction libre)

[Photo: Haut et Court – source : http://www.leregardlibre.com]

Durante séculos, dende o ano 1500, foron milleiros os galegos e galegas que emigraron a Lisboa. A inmigración galega foi especialmente importante nos séculos XVIII e XIX, un momento no que os galegos representaban preto do 70% dos estranxeiros que habitaban a urbe. Foron moitas as pegadas que deixaron na cidade: diversas construcións, non poucos apelidos, institucións coma a Sociedade de Instrución e Recreo Juventude de Galiza, e mesmo a ginjinha que se converteu nun dos símbolos lisboetas. 

Capela de Santo Amaro, en Lisboa © visitar.lisboa.pt

Escrito por Marcos Pérez Pena

Os galegos chegaban para traballar, por exemplo, na construción, coincidindo co crecemento da cidade ou coa necesidade de reconstruíla tralo desastre causado por terremotos e incendios. Desempeñaban outras profesións de gran dureza física, como mozos de carga ou repartidores (protagonizando unha das primeiras grandes folgas no país). E tamén, de forma moi destacada, como augadeiros, os encargados de transportar a auga dende as fontes ata as casas e tamén cando se producía un incendio e era un labor desenvolvido principalmente por galegos.

Cartaz do acto celebrado este sábado ao pé da Capela de Santo Amaro en Lisboa ©

Nese tempo, os moitos galegos que moraban na cidade organizaban o 15 de xaneiro unha romaría, dedicada a Santo Amaro, e que se celebraba ao pé da capela do mesmo nome, situada no barrio da Alcântara e edificada en 1549. Dise que a capela foi mandada levantar por padres franciscanos galegos. Esta festa de referencia celebrouse durante moito tempo, pero en 1911 deixou de organizarse, hai 111 anos.

Este sábado 15 de xaneiro a actual comunidade galega residente en Lisboa recuperou esta romaría, celebrada ao aire libre, ao pé da capela e con todas as medidas de prevención de contaxios de COVID. Na romaría, na que non faltaron as gaitas galegas, interveu Xurxo Souto, que falou do Amaro Navegante, un santo viaxeiro, de grande importancia en Galicia e en Portugal, cuxa vida e lenda serve como « bela metáfora das viaxes das comunidades galegas na procura da illa do Paraíso ». No acto, ademais, tamén interviron Carlos Callón e Maria Dovigo, poetas e profesores, que relataron varias historias sobre a comunidade galega en Lisboa, da que forman parte.

O santo, confundido moitas veces con San Mauro, celebrado tamén o 15 de xaneiro, conta cunha gran tradición na cultura galega, e a súa figura foi tratada por Uxío Carré Aldao no artigo ‘A lenda de San Amaro o Pelegrino’ publicado no número 19 da revista Nós. ou por Ramón Cabanillas nos poemas de ‘O bendito San Amaro’, publicados no xornal Galicia en 1925 acompañados por debuxos de Castelao

En realidade a romaría lisboeta tivo xa un prólogo este xoves na Coruña, con outra celebración dedicada ao Amaro Navegante, organizada pola Asociación de Veciñas de Monte Alto e a asociación In Nave Civitas e coa intervención de Xurxo Souto, Carmela Galego e Xulio Monteiro.

 

[Fonte: http://www.praza.gal]

À Marseille, elles ont fleuri à chaque coin de rue pour endiguer la criminalité. Les caméras de vidéosurveillance automatisées et leur algorithme soulèvent de nombreux questionnements de nature éthique. Le documentaire « les yeux carrés » de Louison Assié et Laure Massiet du Biest s’arrête sur ce nouveau phénomène. Cafébabel a visionné le film et interrogé ses réalisateurs lors du festival Millenium à Bruxelles.

Dans la deuxième ville de France, difficile de marcher dans une rue sans être filmé par une caméra de surveillance. Et plus compliqué encore d’obtenir des informations sur ce qu’elles filment réellement. « On avait entendu dire qu’à Marseille, il y avait un projet de laboratoire de caméras de surveillance dans la rue, et ça nous a intrigués », nous racontent Laure Massiet du Biest et Louison Assié, co-réalisateurs du documentaire Les yeux carrés.

La ville de Marseille enregistre un des chiffres les plus élevés de crimes et de délits en France. Pour contrer la délinquance, la ville s’est équipée d’un parc de caméras de vidéosurveillance. En 2018, l’ancien maire de Marseille, Jean-Claude Gaudin (LR), signe un contrat avec l’entreprise SNEF pour équiper la ville d’un système de vidéoprotection intelligente (VPI). Derrière les caméras de surveillance, une intelligence artificielle détecte automatiquement les mouvements de foule et repère les comportements jugés suspects, le tout en temps réel. Les alertes sont ensuite directement transmises au centre de supervision urbain qui décide ou non d’envoyer des policiers sur place.

« On peut penser que les algorithmes sont neutres, mais pas du tout. À la base, il y a quelqu’un qui les a entraînés. C’est du machine learning. »

En 2020, changement de bord, la mairie marseillaise bascule à gauche et l’expansion du dispositif est mise en suspens. La réelle efficacité du système dans la lutte contre la délinquance est alors questionnée par le pouvoir en place. D’autre part, La Quadrature du Net, une association de défense des droits et liberté sur Internet, saisit le tribunal administratif de Marseille afin de faire résilier le contrat signé avec SNEF. Elle met en garde sur les atteintes potentielles des caméras de surveillance automatisées au niveau de la vie privée. Une inquiétude qui se retrouve également dans le documentaire les yeux carrés. Au total, plus de 1000 caméras sont actuellement déployées dans l’espace public marseillais.

 

[Source : http://www.cafebabel.com]

Escrito por Pablo Trochon

Si bien Zúrich no es la capital suiza, sí es la ciudad principal y ostenta la mayor densidad poblacional, que asciende a casi medio millón de habitantes. En ella se entrecruzan las épocas, emperadores, intelectuales como Erasmo de Rotterdam, Paracelso, Nietzsche, Jung, los premios Nobel. Con una calidad de vida de las mejores del mundo, este enclave –habitado desde el siglo XV a. C.– es un polo empresarial y bancario de gran relevancia en el mundo entero, que comprende a una de las bolsas de valores más importantes de Europa. Ello, sin embargo, no quita que también se destaque por su cultura, festivales, museos, arquitectura y la vida al aire libre.

Altstadt. El bellísimo casco histórico es un área peatonal perfectamente conservada, con cientos de tiendas y restaurantes entre las fachadas tradicionales y coloridas de edificios medievales y renacentistas. Sus callejuelas empedradas brotan desde la antigua muralla medieval, llevando a cuestas las iglesias Grossmünster, Peterskirche y Fraumünster, la torre Grimmenturm, las casas gremiales de la calle Limmatquai, ruinas romanas y el Cabaret Voltaire. Un detalle singular son los azulejos con nombres sobre las puertas, que habría hecho colocar Napoleón para que los soldados encontraran sus casas cuando volvían ebrios.

Langstraße. Distrito intenso y multicultural de la ciudad, que durante el día aloja un puñado de restaurantes, tiendas y artistas, y que por la noche presenta una escena under a pura electrónica y con rincones muy singulares de genial ambientación e interesante fauna alternativa multitodo, entre los que se recomiendan los boliches Longstreet y Perla-Mode. Es sede, además, del Festival Caliente!, el evento latino más grande de Europa.

Leberkäse. Esta delicia de la cocina bávara consiste en un paté de hígado de cerdo, con apariencia y solidez de budín, que, pese a ser una bomba calórica, debe ser una parada en nuestro recorrido por la gastronomía suiza. Compuesto además por carne de ternera, tocino y cebollas se suele servir con pan, pepinillos en vinagre y mostaza dulce.

Üetliberg. Este mirador ubicado en la cumbre de una montaña de 870 metros, al cual se accede tras veinte minutos de tren, ofrece magníficas vistas de la ciudad, el lago y los Alpes, si el día está despejado. Si no, la proverbial niebla de Zúrich, que queda por debajo de la cima, ofrece la sensación de estar sobre un mar de nubes. En invierno un buen plan es disfrutar de sus senderos, que se convierten en pistas de trineo.

Pasear por el lago. Este imprescindible foco de encuentro y solaz, especialmente en verano, consiste en un enorme ojo de agua de origen glacial que puede navegarse en barco visitando playitas, pueblos, villas de lujo, entre las que se destaca Rapperswil, conocida como la ciudad de las rosas por sus jardines tupidos de rosales. Luego, a la tardecita, se puede recorrer la orilla, entre los artistas callejeros, para admirar ejemplos de la arquitectura medieval, como los pináculos de las iglesias Fraümunster y St. Peterkirche, y la torre del observatorio Urania.

Visitar el Museo de la FIFAOfrece una exposición con varias zonas interactivas, en la que se explica la historia de la institución, se exhiben cientos de camisetas de selecciones, fotografías y objetos significativos para la historia del fútbol masculino y femenino, y de los mundiales. Incluye una entretenida zona de juegos con desafíos, como marcar goles, eludir rivales o patear con potencia. Las entradas compradas por internet tienen 50 por ciento de descuento.

Multiple 24h-ticket. Excelente opción que permite viajar libremente en tren durante un día por solo cincuenta euros, pues de lo contrario los precios para pasear por un día son muy elevados. Aprovechando esta facilidad se pueden visitar dos de las gemas suizas. Comunicadas por un camino de ensueño de montañas muy verdes y pueblitos coloridos con graneros enormes, se encuentra Bern y Luzern, donde podemos almorzar a la vera del lago o visitar su muralla y sus torres.

Cabaret Voltaire. Merece su propio apartado porque es la cuna del dadaísmo, movimiento cultural de vanguardia, señero del arte del siglo XX, comandado por el gran Tristan Tzara. En apenas seis meses, durante 1916, fue semillero de reuniones entre intelectuales que se fueron decantando en la gestación del concepto de antiarte, pero así como surgió, cerró sus puertas. Cien años después, ha recuperado su espíritu promotor de las artes y hoy se puede asistir a charlas, exposiciones y performances.

Atardecer en Lindenhof. Las vistas del río Limmat y el casco histórico son una buena excusa para finalizar el día tomando algo en una plaza cuyo origen se remonta al siglo II. Fue un fuerte romano, un palacio (construido por el nieto de Carlomagno) y sitio del juramento de la Constitución helvética en 1798.

Degustar chocolates. Irse de Suiza sin haber probado una de sus especialidades es imperdonable, y uno de los lugares más chic para hacerlo es la Confiserie Sprüngli. Recomendamos ajustar el bolsillo, no pensar y sumergirse en la experiencia sensitiva de esta tienda.

 

[Fuente: http://www.revistadossier.com.uy]

Le succès des mangas, de la K-pop, de séries ou de films est lié à l’augmentation des effectifs dans des classes de langues à l’université, selon un rapport britannique.

Squid Game, One Piece et BTS sont les principales icônes de la culture coréenne et japonaise en Occident.

Écrit par Alexandre Plumet

L’intérêt pour la culture asiatique n’est plus à démontrer. Avec de véritables succès dans les sociétés occidentales, un rapport universitaire montre la corrélation entre la diffusion des arts japonais et coréens et l’augmentation des effectifs dans ces classes de langues à l’université.

Plusieurs phénomènes de pop culture asiatique ont émergé ces dernières années, à l’image de séries comme Alice in BorderlandHellboundStranger ou bien Squid Game. Cette dernière est devenue la plus visionnée sur Netflix cette année, comptabilisant près d’1,65 milliard d’heures visionnées selon les chiffres de la plateforme. Un véritable engouement, à tel point que certains débordements ont été recensés dans des écoles primaires par des parents d’élèves, professeurs et pédopsychiatres, concernant des enfants qui se sont essayés aux jeux dangereux de la série.

«Dans Squid Game, le rythme dramatique et l’arc de la série sont intelligibles pour les téléspectateurs du monde entier, mais en même temps, il aborde des thèmes spécifiquement coréens qui sont totalement nouveaux pour le public étranger», explique Sarah Keith, chercheuse en pop culture coréenne à l’université de Macquarie en Australie. Une nouveauté qui semble donc plaire aux élèves des universités, mais aussi aux plus petits.

Il en va de même pour le film Parasite de Bong Joonho, qui a remporté la palme d’or du Festival de Cannes en 2019 et quatre Oscars en 2020 (meilleur film, meilleur film étranger, meilleur scénario original et meilleur réalisateur). Effet similaire avec le succès du manga One Pieceécoulé en France plus de 25 millions de ventes. À l’occasion de la sortie du centième volume des aventures de Luffy, un tirage exceptionnel de l’ordre de 250.000 exemplaires a été mis en place pour marquer le coup.

Du côté de la musique, c’est le boys band de K-pop BTS qui mène la danse. Avec son tube planétaire Dynamite, tous les records ont été battus en cumulant 101,1 milliards de vues en seulement 24 heures. En France, le groupe retient l’attention des internautes puisque Twitter recense 2,1 millions de tweets seulement sur l’année 2021. D’autres chanteurs de K-pop se hissent également sur les podiums internationaux, à l’image de Blackpink, Superm ou Girls’ Generation. Autant de figures qui participent à cette tendance au sein des universités occidentales.

Ce phénomène a été étudié au Royaume-uni par l’University of Council of Modern Languages (UCML), un établissement spécialisé dans l’étude des langues. Les experts en charge du projet ont constaté une augmentation des inscriptions dans les universités pour passer les diplômes de langues coréennes et japonaises, sur la période 2012-2018 avec une hausse de 71% des classes de langue japonaise et le passage, en moyenne, de 50 places à 175 pour les classes coréennes. En comparaison, les experts montrent que les enseignements de japonais sont plus plébiscités que ceux d’italien. Dans le même sens, le coréen s’impose davantage face au russe.

«Ils ont commencé à apprendre le japonais simplement, pour le plaisir, puis ils ont trouvé ça amusant, alors ils veulent étudier plus sérieusement, soit en tant que diplôme, soit en tant que matière optionnelle», a déclaré Kazuki Morimoto, professeur de japonais à l’Université de Leeds dans le nord de l’Angleterre au quotidien The Guardian. Une tendance que toutes les universités du rapport confirment : les effectifs des classes coréennes et japonaises ont augmenté de 19% en 2019 et en moyenne de 39% en 2020-2021.

[Photos : Piero CRUCIATTI / AFP / Matt Winkelmeyer / GETTY IMAGES AMÉRIQUE DU NORD / Getty Images via AFP / Mladen ANTONOV / AFP – source : http://www.lefigaro.fr]

Lídia Jorge

Publicado por Alejandro Luque

Pocos escritores más ajenos a la pose de intelectual que Lídia Jorge. En los encuentros literarios, como las Converses de Formentor que en 2021 se han celebrado en el Hotel Barceló de Sevilla por imperativos de la pandemia, su figura pasa casi desapercibida, salvo para sus lectores. Nacida en Boliqueime —freguesia o parroquia adscrita al municipio de Loulé, en el Algarve portugués— en 1946, esta mujer de aire reservado y sonrisa tímida es hoy uno de los grandes nombres de la literatura portuguesa. 

Con una docena de novelas en su haber, varios libros de cuentos y algunos títulos infantiles, Lídia Jorge ha tardado en desembarcar en España. Tras darse a conocer en los años 90 en Alfaguara y Seix Barral, en los últimos años ha sido la editorial La Umbría y la Solana la que ha tratado de poner remedio a esto publicando los relatos Los tiempos de esplendor y las novelas Estuario La costa de los murmullos, que ha sido llevada al cine. Y es también en los últimos tiempos en los que ha empezado a recibir grandes reconocimientos: la Gran Cruz de la Orden del Infante D. Henrique en 2005 de manos del presidente portugués Jorge Sampaio, Dama de La Orden de las Artes y las Letras de Francia en el mismo año por el presidente francés Jacques Chirac —y más tarde Oficial de La Orden de las Artes y las Letras de Francia— y su consagración en el mundo hispano, el Premio FIL de la feria de Guadalajara (México), entre otros galardones.

Siempre amable con la prensa, Lídia Jorge se aviene a charlar con Jot Down haciendo el esfuerzo de hablar en castellano, lengua en la que ha mejorado considerablemente en poco tiempo. Su tierra natal, el pasado colonial de su país, tan presente en sus libros; el Portugal de hoy, un poco de política, un poco de feminismo y otro poco de literatura son algunos de los asuntos que ocupan la conversación. 

Aunque vive en Lisboa, la primera vez que nos vimos fue cerca de su pueblo, en Loulé. ¿Ha sido el Algarve un lugar de inspiración para usted, lo sigue siendo?

Yo no diría que sea una inspiración, es más bien algo esencial. El Algarve es para mí como la primera parte de todo, y el mundo es su desarrollo. Es el lugar de mi infancia, pero no solo eso. Es el lugar donde me resulta posible ver mejor el cambio que ha experimentado mi país, que es también el cambio de todo el sur de Europa. Es algo muy importante, un espacio que en un tiempo fue invadido, que se ha desarrollado de una forma desarmónica, muy contemporánea, muy simbólica de lo que está ocurriendo en todas partes. Un pequeño espacio donde todos los intereses están mezclados: se pueden leer calle a calle. Una persona de mi edad, paseando por las ciudades del Algarve, reconoce la firma de los momentos especiales de cambio. Es como una cartografía de los países pobres del sur, y un balcón para ver el mundo. Cuando viajo, siento que llevo conmigo una gramática de conocimiento de las relaciones humanas y de desarrollo a partir de ese pequeño lugar del que procedo. Sobre todo las esperanzas, y también las pérdidas.

En su casa, en el campo, ¿qué lugar ocupaba la literatura?

Sobre esto tengo una historia que parece muy ficcional. Verdaderamente escribo porque un hombre muy pobre de finales del siglo XIX y principios del XX, que era campesino y carpintero, tenía una pequeña biblioteca. Era un hombre que tenía un vínculo con algún movimiento como el de los carbonarios o algo así. Su hija preferida, mi abuela, sacó sus libros cuando él murió, ya que su mujer quería quemarlos por vergüenza, pues el hombre tenía por costumbre comprar libros en lugar de comida. Y la esposa, cuando se quedó sola, hizo una hoguera delante de la casa y los arrojó al fuego, porque los culpaba de la ruina. Mi abuela, que no había ido a la escuela, porque entonces solo los chicos iban, había aprendido a leer y escribir con su padre, y no dejó que se quemasen. Los rescató.

Han pasado casi cincuenta años de aquel episodio. En esa casa tengo yo la única fotografía de mi bisabuelo, un hombre flaco, con bigote, que parece un africano de hoy, con una mirada espantada, los ojos muy abiertos ante la cámara. Cuando era niña miraba esos ojos y creaba toda una fantasía alrededor de él. Esa casa sigue hoy en pie, y es un lugar muy fuerte para mí. Todo el mundo de la familia continuó leyendo en casa, mi abuela nos transmitió el hábito de la lectura. Con ocho años yo leía en alta voz para las mujeres de la casa, libros adultos. Eso, en cierto modo, me creó la idea de que la literatura comportaba una tragedia: historias románticas con abandonos, traiciones, hijos que mataban a sus padres por la vergüenza de haber sido abandonados… Yo no quería crecer, todo lo que contaban esos libros me parecía brutal, y empecé a escribir historias que hacían lo contrario. Quería saber si el mundo tenía un sentido, si podía haber otra cosa. Recuerdo que había unas historias importadas de España en fascículos, que hablaban de niños que descubrían cavernas donde los niños encontraban los cadáveres de sus padres. Yo quería escribir sobre gente viva.

Lídia Jorge

Usted se casó con un oficial. La boda que cuenta en La costa de los murmullos, ¿fue la suya? 

La boda fue en Angola y luego pasamos a Mozambique, las dos se llamaban entonces provincias. Y sí, hay un toque autobiográfico en esa novela, situaciones que han sido vividas por mí, pero lo más autobiográfico son los sentimientos. Sobre todo, esa sensación que he conocido y sigo experimentando, según la cual la gente más pacífica, delante de un conflicto, puede cambiar completamente. Yo era muy joven cuando todo ocurrió, pero aprendí que uno transporta dentro de sí un animal que no conoce. Y que puede aparecer en cualquier momento, ante el peligro, la guerra, el miedo. Somos otras criaturas en según qué situaciones. He visto chicos que eran amables, poetas incluso, matemáticos como el personaje que cuento, que envueltos por un territorio de guerra, en un teatro de guerra, se volvían distintos. Lo comprendí mejor luego, cuando había estudiado Los Lusiadas. Me dijo mi profesor: vea como un poeta ama la guerra. Porque las páginas de guerra de Camões están muy bien hechas, se le nota que ama lo que cuenta. Para crear todo ese aparato literario hay que estar involucrado emocionalmente. Yo a mis catorce años no entendía eso, pero ocho años después fui testigo de ello en África.

¿Vivía allí en una burbuja, o tenía contacto con la población de Angola y Mozambique?

Yo tenía contacto particularmente, porque daba clases. Había muy pocos alumnos locales, nativos, pero los suficientes para que fuesen una ventana sobre lo que estaba ocurriendo. Recuerdo a un alumno que faltó casi una semana, y me dijo «La tropa portuguesa ha destruido mi pueblo, me he quedado sin familia». Eso nos daba un eco de lo que estaba pasando, porque había un gran secretismo. La idea de que no se podía contar la verdad, al contrario de lo que ocurría con Vietnam, que ha sido contemporáneo de nuestro conflicto. Allí había relatos, los muertos americanos legaban como héroes y eran sepultados en cementerios colectivos de Washington con honores. En Portugal ocurrió todo lo contrario, los muertos se enterraban a escondidas, no se quería contar. La televisión lo que hacía era crear películas falsas, los soldados negros de un lado, los blancos del otro, y simulaban una guerra entre ellos, pero era todo mentira. La gente moría en el campo de batalla, pero se decía que habían muerto por accidente de aviación. Yo tenía esas ventanas, alumnos y también amigos periodistas que estaban contra lo que estaba ocurriendo. Incluso a través de amigos de las Fuerzas Armadas yo conocía la verdad, sabía quiénes morían y cómo morían. Esa mirada es mi mirada.

¿Qué cree que perdió África cuando ganó la independencia de la metrópoli?

No, no perdió. Había un camino que debía ser hecho, más largo o más corto, pero ese cordón umbilical tenía que ser roto. Creo incluso que deberíamos haber salido antes. Yo era una estudiante universitaria, pero mi percepción era que un día más podía ser peor. Salimos muy tarde, muy tarde. Antes hubiera sido mejor para todos, también para Portugal: no se habría perdido a tanta gente. Pero la historia no se reescribe.

Lídia Jorge

¿Cree que inevitable el caos de aquellos días, la pérdida de vidas humanas?

En aquel momento, no. Yo no culpo a los gobiernos revolucionarios, porque he conocido la tensión del momento. Había una rabia acumulada, y tal vez era imposible hacerlo de otro modo. Cuando se dice que la de Portugal fue una salida ejemplar no es verdad, no hubo una ejemplaridad. Pero tampoco hicimos lo que los americanos acaban de hacer en Afganistán. Lo hicimos con más respeto, por los soldados y por la gente local. Los gobiernos revolucionarios han hablado con todas las partes en conflicto, pero sobre todo fue difícil el retorno de la gente que no traía nada consigo. Fue muy duro para ellos. Quedaron en un territorio muy complicado, la gente de Portugal decía de ellos: han sido esclavistas, colonialistas, que paguen. Del otro lado, hay aún rabia por ellos, es un dolor que no está aún sanado.

Y Portugal, ¿tiene su herida cerrada, o cree que, como todavía hoy en Francia, que todavía debe examinar su pasado colonial?

Todavía se está examinando, ahora mucho más, sobre todo cuando está llegando esa cultura woke. De la gente que había tenido una vida en calma, tranquila, ahora se cuentan cosas horribles. Mi interpretación no sé si es correcta, pero creo que ha habido una forma especial de colonialismo portugués. Hay una expresión acuñada por un general que escribió un libro importante de la época, que habla de un contraste entre la colonización portuguesa y la inglesa. La inglesa dijo a los nativos: levántate, pero no te aproximes. Los portugueses en cambio dijeron: no te levantes, pero aproxímate. Nuestra colonización ha sido de proximidad. Yo pienso, no sé qué dirá de ello la cultura woke, que los portugueses no han sido viciados culturalmente, pero se entienden con todos los pueblos en tres rectángulos: el de la mesa, el de la cama y el de la tumba. Nosotros físicamente sabemos compartir, pero la parte civilizacional, concreta, no la sabemos hacer. Somos un pueblo con gran facilidad para soñar, pero con una gran dificultad para la acción. Somos lentos para la construcción, para crear proyectos. Cuando es necesario, los hacemos, aunque demoremos mucho. Y eso ha pasado exactamente en la colonización.

Hoy queda por hacer un inventario de esa época. Todos los días se escriben páginas sobre lo que ocurrió. Los descendientes de los colonialistas están escribiendo, una periodista de veintisiete años [Catarina Demony] está ahora contando la historia de uno de sus abuelos que fue esclavista, entre Angola y Brasil. Y no fueron esclavistas solo los portugueses, fue todo un momento de la humanidad. Entiendo a quienes quieran hacerlo con rabia y a quienes buscan hacerlo con equilibro. El resentimiento es siempre algo profundo que atraviesa generaciones. La lucha contra el racismo, pienso, no está en el orden del día, sino que va a estar en el orden del siglo. Es necesario que la gente acredite que hoy no queremos olvidar el pasado, que somos otros y queremos justicia: pero va a ser difícil transmitir ese mensaje.

¿Ha quedado alguna literatura portuguesa de las colonias? ¿Lee a autores angoleños, mozambiqueños?

Ah, sí, yo diría que los más leídos hoy son escritores de lengua portuguesa que hablan de lo que ocurrió, de allá pero muy conectados con Portugal. Hablo de Mia Couto, de Pauline Chiziane, de Pepe Tela, de un chico angolano muy impresionante, José Agualusa. Está también Luís Cardoso que es de Timor… Es una cantidad inmensa de autores, y son muy populares. Me parece que hay un pasado que interesa a los lectores, sobre todo en la parte política: contar, como hace Agualusa, cómo el pueblo sigue sufriendo después de cuarenta años de independencia.

Por otro lado, me pregunto si como natural del Algarve hay conexión con el Algarve de ultramar. ¿Eso ha quedado totalmente en el olvido, o todavía hay cierto lazo con este antiguo territorio de ultramar, hoy vecino?

Bueno, nosotros tenemos una mitología muy fuerte con los descubrimientos. Pero con el Algarve marroquí, aunque ha habido relación, hoy hay muy poca. Hoy es una cuestión más bien voluntariosa, incluso en tiempos de mi abuelo había transportes, veleros. Hoy solo quedan pequeñas embarcaciones, no es lo mismo. Hay gente que intenta ahora crear la idea de que las tres culturas pasan por el Algarve, pero no se está haciendo de manera sistemática, son solo iniciativas. Creo que en Andalucía están más avanzados en ese sentido, porque la presencia también es más fuerte.

Algunas obras suyas se han llevado al cine. ¿Es usted cinéfila? ¿Está satisfecha con los resultados? 

Sí, claro. Yo tengo hasta ahora un filme sobre mi libro La costa de los murmullos, que me ha gustado muchísimo. Es un objeto diferente, pero me parece que no ha traicionado el libro. La parte que me interesaba más, que no era la parte realista, sino fantástica, mitológica, ha sido respetada. Aunque no sea lo mismo, estoy contenta con el resultado. Y ahora estoy muy ilusionada con un filme que se está rodando y saldrá en breve sobre El viento soplando contra las grúas. Está casi listo y me hace muy feliz, porque la persona que lo está dirigiendo lo está haciendo muy bien. Es una realizadora suiza llamada Jeanne Waltz. Luchó cinco años para hacer la película: eso quiere decir algo. Hubo un momento en que desistió incluso, pero fue una especie de milagro, porque tenía que presentar una nueva propuesta, y al final decidió presentar la misma… Y salió.

En estas películas, usted no quiere intervenir, ¿no?

Con la primera tuve una experiencia que me enseñó que mejor no tocar nada. Conocí la primera edición del guion, me pareció muy bien, se parecía mucho al libro, yo estaba satisfecha… Pero luego lo alteraron y no me lo mostraron. Cuando la vi en sala por primera vez, estaba desolada, me agarré a la silla pensando, ¿esto qué es? ¡Qué horror! Jamás volveré a meterme en algo que tiene unas claves tan distintas a la literatura. Para lo único que he vuelto a ayudar ha sido para escoger a uno de los actores: he dado mi opinión, pero sin querer que fuera definitiva.

Lídia Jorge

Europa está viviendo un fuerte empuje feminista. ¿Está Portugal enganchado a ese tren?

En Portugal las cosas son siempre templadas. Pilar del Río se pone nerviosa ante la pasividad portuguesa, pero es nuestra forma de ser, lo hacemos todo de una forma no agresiva. Se está haciendo un camino, el nuestro, porque comprendo que la parte machista portuguesa es muy profunda. Conocemos por el pasado que allí un enfrentamiento claro, frontal, provoca rechazo. No sé si es algo cerebral, pero me parece intuitivo. Lo mejor es crear el clima poco a poco. Y es verdad que las mujeres, aunque no tienen un espacio público tan grande como los hombres, cada vez están más en todas partes: políticas, periodistas, pilotas… Siento una gran alegría, porque si la gente permite que una mujer lleve un Boeing transatlántico, es que algo va a cambiar. Y desde los años ochenta existen las juezas, que cuando las vi por primera vez pensé: «Es lo mejor que nos podía ocurrir, este sí es un paso importante». Y en el pasado tenemos también un gran triunfo, la publicación en el 73 de las Nuevas cartas portuguesas de las tres marías [Maria Isabel BarrenoMaria Teresa Horta Y Maria Velho Da Costa], y que es el libro simbólico de las mujeres portuguesas, la defensa del lenguaje libre femenino. Eso nos ha dado la llave, hemos heredado una puerta abierta. Y por ella pasan hoy las chicas que aprenden a leer.

Y a las mujeres, ¿se las está leyendo más? Dulce Maria Cardoso, Ana Luisa Amaral en poesía, usted… ¿Hay una generación que se está imponiendo en el canon portugués?

Claro. Dulce Maria y Ana Luisa Amaral, como Djaimilia Pereira, o Elia Correa, de quien he hablado en Formentor, son mujeres importantes. Y Teolinda Gersão, y otra grande como es Luisa Costa Gomes… Hay mujeres que escriben como Elvira Lindo, como Patricia Reis o Ines Pedrosa, son muy importantes porque, aunque no tengan el respaldo de las otras, son escritoras del mundo interior. Tiene una respuesta diferente a las cosas, a ellas no les interesa tanto esa cuestión de la portugalidad, de la europeización, sino los comportamientos sociales, la soledad de la gente, las vergüenzas que no son transparentes… Desde el punto de vista periodístico no es quizá tan llamativo como otras cosas, pero tienen muchos lectores interesados en ellas.

También está creciendo la ultraderecha en todo el continente. ¿Por qué se ha salvado Portugal hasta ahora?

¡No se salva, ya ha llegado! Pensábamos que nos libraríamos, pero ahora somos muy europeos y universales en ese sentido… La situación está horrible, la extrema derecha tiene de momento un parlamentario, pero va a tener muchos. Y buena parte de la culpa la tienen los medios, porque si el señor de extrema derecha bebe un vaso de agua, es primera plana del periódico. Van detrás de sus zapatos viendo dónde dejan cada huella, es horrible. Todo lo que dice es amplificado. Hasta la gente de izquierda se siente atraída por algo que piensa que es monstruoso. Hay un síndrome que aún no tiene nombre, como el síndrome de Estocolmo, que ama lo prisionero, pero aquí lo que se ama está fuera, y está entrando. Como si uno fuera una mariposa alrededor de la luz, queremos entrar en la lámpara para morir. Es inexplicable esa atracción por algo que es horrible, que está fuera de la Constitución, que destruye la convivencia. Y lo más grave para mí es que está contaminando toda la derecha. De momento tenemos solo un único representante, como digo, pero ese solo hace tanto mal que no comprendo la fuerza que tiene, es demoníaca. Y la derecha no está haciendo realmente una oposición, porque está queriendo ganar el espacio del electorado. Escoge a los más tontos para que se parezcan a los candidatos de extrema derecha.

Por momentos me parece que esté hablando de España, pero sigamos. Usted, con otros como José Luís Peixoto, ha participado de una literatura neorrural que también está de moda en España. ¿Por qué ese regreso o huida al campo, antes incluso de la pandemia?

Los escritores aman los desiertos [risas]. El desierto significa sufrimiento, desarrollo en el peor sentido, abandono de lo mejor que se tiene, pero provoca una especie de nostalgia que nos viene, porque es equilibrada. Ahora en Portugal no es solo la cuestión de abandono de las tierras, sino que con la pandemia la gente ha descubierto eso que los poetas contaban. Lo más importante es que los poetas hablan de un tiempo lento, íntimo, psicológico, una subjetividad humana de la mirada, de la realidad alrededor. Los hombres tienen dos ojos que miran hacia delante, pero la subjetividad nos ayuda a tener ojos alrededor de la cabeza. Eso la modernidad lo pierde, sobre todo a partir del mundo digital. Es una mirada hacia una pantalla, no de trescientos sesenta grados.

Por algo se dice que los poetas traen el tercer ojo en la frente, con una mirada circular. Siempre están hablando de esa mirada. Ahora la gente dice: «Fui al campo y vi la vida de otra manera». Y yo respondo: llega muy tarde, ¿no ha leído a los poetas? Recientemente he leído a dos españoles que me han tocado muchísimo: Julio Llamazares con Primavera extremeña, un libro escrito rápidamente, en la pandemia, como una especie de la diario, pero muy interesante, porque es un redescubrimiento del campo. Y Enrique Andrés Ruiz, que ha escrito un libro soberbio, titulado Los montes antiguos. Estoy completamente enamorada de lo que cuenta, lo que ocurre alrededor de Soria. Es como el mundo de los sudamericanos de los 80, pero aquí es una voz que se levanta de un modo muy particular.  

Lídia Jorge

Saramago, ¿es una sombra demasiado alargada para los escritores portugueses?

No, no es una sombra. Primero, no me parece que la gente quiera imitarlo, al contrario, la gente quiere imitar a Lobo Antunes, porque es más fácil esa música, funciona. Pero Saramago es más complejo, crea fábulas, y eso es mucho más difícil. Y eso, paradójicamente, libera a la gente, libera a los jóvenes, porque si quieres seguir su ejemplo, tienes que crear tu propio mundo. Es más desafiante desde ese punto de vista. Y luego porque su historia es muy portuguesa, porque empezó de la nada, es una persona que salió del suelo. Eso es maravilloso para los portugueses, que tienen una vida difícil por lo general. Es estimulante: una historia de éxito que ha cambiado el respeto por la literatura de Portugal. Antes, los portugueses decían tranquilamente: no me interesa la literatura. Después de Saramago han cambiado, te pueden decir que lo lamentan, pero no leen mucho. Es un país de fútbol, como España, y todos los héroes venían de ahí. Ahora tenemos héroes en el mundo de la literatura, de la ciencia, del cine, de la pintura, de la arquitectura, muchos… Tenemos un ministro que ha creado ese cambio. No teníamos nada, y de un momento a otro hay intelectuales, mujeres maravillosas, de todo. Cuando en el 98 Saramago ganó el Nobel, todo era fútbol. Por primera vez alguien en Portugal hacía algo distinto a meter goles. Los portugueses tenemos un gran complejo de inferioridad, necesitamos héroes, ¡y uno de los nuestros recibía un premio en Suecia!

Suelo preguntar a los escritores portugueses si Pilar del Río ha hecho más por el país que el Instituto Camoes. ¿Usted qué me dice?

[Risas] Diría que es el brazo director del Instituto Camoes. Verla es ya una inspiración. Ante nosotros, que somos lentos y tímidos, ver a Pilar, que dice lo que piensa, que llama a quien sea de madrugada… No hay espacio entre pensar y actuar. Ella desarrolla el imaginario que es la prolongación de mi abuela, mi abuela era así, una mujer de acción. A las cinco de la mañana se levantaba e iba a sacar agua para la mula, para el burrito… Yo estaba en la cama y veía el balde, el ruido de la fuente, y pensaba «es mi abuela». Es otra raza de mujeres. Pilar no necesita nada. La veo y siento que yo debería hacer más.

Como Obélix, que cayó en la marmita al nacer…

Pilar es igual.

¿Alguna vez ha participado del sueño panibérico de Pessoa y Saramago?

No, no participo. Conozco bien a los portugueses y creo que una unión de España y Portugal sería peligrosa para todos. Pienso que sería mejor así, España es un país fantástico y Portugal también, si volviera unos siglos atrás, cuando Felipe II se fue a Portugal e hiciera de Lisboa la capital, el destino de la península ibérica habría sido otro. Pero infelizmente pasó. Hoy la competición positiva entre los dos me parece mejor. Es un sueño también de Arturo Pérez-Reverte, y cuando lo escucho tiemblo de miedo, me espanta. Rosa Montero me decía también «sería un país fantástico, los dos juntos». No, que se quede así, la unión sería crear una nueva Cataluña. Es mejor pensar que estamos en Europa, y que Europa sea un espacio fuerte en el que nos entendamos todos. Portugal siempre recelaría del centralismo español, y tiene argumentos que los justifican. Por ejemplo, por qué no celebran los dos países en conjunto la circunnavegación. Hay por parte de España un no reconocimiento del papel de Portugal en ese acontecimiento, y al final pierden todos. Deberíamos rechazar esa dualidad, que no existe por ejemplo con las redes de ciudades que se entienden entre sí.

Cuando recibió el premio FIL de Guadalajara, ¿sintió que el reconocimiento venía de un mundo cultural lejano, o próximo? ¿Qué es la América hispana para una portuguesa?

Tal vez para algunos portugueses mi premio haya sido también un motivo de orgullo… A través de la literatura me siento muy cercana a ese mundo, a finales de los 70 y los 80 leí mucho a los escritores hispanoamericanos, y además tengo familia argentina. Pero la verdad es que ha sido una sorpresa. Me ha dado una gran felicidad. Creo que soy la número veinte, y mirando la lista he sentido una gran alegría. Todo lo que deseo es que, en el futuro, cuando alguien vea esa lista, piense que tengo algo que aportar.

Lídia Jorge

[Fotos: Ángel L. Fernández – fuente: http://www.jotdown.es]

La Galerie Roger-Viollet présente cinquante photographies panoramiques des studios Léon et Lévy dans l’exposition « L’Orient en grand. Une épopée photographique au format panoramique ». Éditeur-photographe et imprimeur, deuxième « plus important éditeur de cartes postales en France », lstudio Léon & Lévy a créé un patrimoine photographique qui accompagne l’expansion coloniale de la France sous le Second Empire et la IIIe République en proposant une vision d’un Orient exotique.

Publié par Véronique Chemla

Créée en 1938 par Hélène Roger-Viollet à Paris, sur la rive gauche de la Seine, l’agence photographique Roger-Viollet « est une des plus anciennes agences françaises. Ses collections constituent un fonds photographique unique en Europe avec plus de 6 millions de documents couvrant plus de 180 ans d’histoire parisienne, française et internationale ».

Le studio Léon & Lévy 

Moyse Léon (1812- ?)  est le beau-père d’Isaac, dit Georges Lévy (1833-1913).

« Moyse Léon et Isaac dit Georges Lévy débutent comme assistants au sein du studio photographique parisien Ferrier-Soulier sous le Second Empire ».

« Ils fondent leur propre studio dès 1864 et vendent des tirages sur papier albuminé, principalement des vues stéréoscopiques, sous la signature Léon et Lévy « L. L. ».

« La firme Léon & Lévy participe à l’Exposition Universelle de 1867 où elle remporte la Grande médaille d’or de l’Empereur. En 1874, le studio Léon et Lévy devient J. Lévy et Cie, Isaac Georges Levy étant seul directeur de la société à partir de cette date. À l’arrivée des deux fils de Georges Lévy en 1895, Ernest et Lucien, la société prend de l’ampleur et devient Lévy & fils, les œuvres conservent de fait la signature « L. L.».

« Cette firme photographique a une activité intense, éditant des tirages vendus à l’unité, des albums compilant des photographies de voyages ainsi que des cartes postales, le tout entre 1864 et 1917, date à laquelle ils cessent leurs activités ».

En 1922, la société fusionne avec les studios Neurdein « lors de leur rachat par l’imprimeur Émile Crété » et sa dénomination est dorénavant « Lévy et Neurdein réunis ».

« La collection Léon et Lévy a été rachetée en 1970 par l’Agence Roger-Viollet. »

« Aujourd’hui, ces négatifs sur plaques de verre sont conservés par la Bibliothèque Historique de la Ville de Paris et diffusés en exclusivité par l’Agence Roger-Viollet. »

« Les tirages modernes de l’exposition sont en vente à la Galerie Roger-Viollet ».

L’Orient

« Maroc, Tunisie, Algérie, Égypte, autour des années 1900, les studios Léon & Lévy envoient leurs opérateurs photographes parcourir le monde et en particulier à destination de l’Orient méditerranéen ».

« Ils se déplacent avec leurs encombrantes chambres photographiques employant d’imposantes plaques de verre au format 16 x 42 cm. Ces dimensions inhabituelles leur permettent d’obtenir des vues panoramiques horizontales et verticales, d’une qualité exceptionnelle. »

« Ruines romaines, Touaregs priant dans le Sahara, oasis, scènes de rue à Marrakech, à Tunis et au Caire, portraits de la tribu des Ouled Naïl en Algérie, dahabiehs sur le Nil et pyramides de Gizeh, rythment cette aventure autour de la Méditerranée. »

« Ce regard européen sur un monde lointain était destiné à l’édition de cartes postales et d’albums photographiques à l’attention d’une clientèle curieuse de voyages exotiques difficilement accessibles à l’époque. »

Du 7 octobre 2021 au 8 janvier 2022

À la Galerie Roger-Viollet

6, rue de Seine. 75006 Paris

Tél. : 01 55 42 89 00

Du mardi au samedi de 11 h à 19 h

Visuel :

Affiche

Les pyramides et le sphinx de Gizeh (Egypte), vers 1900.

1111-3 © Léon & Lévy / Roger-Viollet

 

[Source : http://www.veroniquechemla.info]

Un peu plus d’une semaine avant la publication (le 7 janvier) du nouveau roman de Michel Houellebecq chez Flammarion, la presse étrangère donne ses premières impressions. Parmi les surprises relevées, la présence d’un personnage inspiré par le ministre de l’Économie Bruno Le Maire.

L’écrivain français Michel Houellebecq (ici à San Sebastian, en Espagne, en septembre 2019) publiera son nouveau roman, Anéantir, le 7 janvier chez Flammarion.

Écrit par Delphine Veaudor

Dans le jargon journalistique, on appelle cela un “embargo” : l’interdiction de dévoiler les détails d’un livre – ou d’un film, ou d’un jeu vidéo, ou d’une série – avant une date donnée. Pour Anéantirle très attendu nouveau roman de Michel Houellebecq (à paraître le 7 janvier chez Flammarion), cette date avait été fixée au jeudi 30 décembre. Et comme en France, à peine dépassée l’heure de l’embargo, on a vu fleurir sur les sites de presse italienne, espagnole, belge ou encore suisse, les premiers comptes rendus de ce livre annoncé comme l’événement de la rentrée de janvier, si ce n’est de toute l’année 2022.

C’est qu’à 65 ans, Houellebecq est “l’un des écrivains français les plus célèbres au monde” et que ses romans (au nombre de huit en incluant Anéantir) n’ont “jamais laissé indifférent”, souligne Anais Ginori, la correspondante de La Repubblica à Paris. Pour son compatriote Raffaele Alberto Ventura, qui écrit dans le quotidien Domani, l’ampleur de l’œuvre de Michel Houellebecq va bien au-delà d’un effet de notoriété : pour ce philosophe, il est “le seul auteur capable d’imprimer sa marque sur ce quart de siècle. Comme en son temps Jean-Paul Sartre ou Goethe il y a deux cents ans”.

Le correspondant d’El País Marc Bassets a lui aussi reçu “les 734 pages les plus attendues du moment en librairie” (dont la traduction ne paraîtra en Espagne qu’en août 2022) et il le souligne : au fil des années, tant les livres que la personnalité de Michel Houellebecq lui ont valu d’être “loué pour sa capacité à disséquer les angoisses inavouées de notre civilisation et à prédire son déclin”. Un prophète désabusé des temps modernes, vont jusqu’à considérer certains.

Nombreux parmi ceux-là étaient persuadés que le nouvel Houellebecq résonnerait, en 2022, avec le climat qui entoure la candidature du polémiste d’extrême droite Eric Zemmour à l’élection présidentielle. Publié début 2019, Sérotonine ne contenait-il pas “les prémisses du mouvement des ‘gilets jaunes’ dans les pages narrant le blocage d’une autoroute par des agriculteurs en colère” ?, comme le rappelle Anais Ginori. Quant à Soumission, le roman dans lequel Michel Houellebecq imaginait l’élection en France d’un président issu d’un parti musulman, il était paru “le jour de l’attentat contre Charlie Hebdo – un attentat qu’évoque Anéantir à travers une référence à Philippe Lançon, un journaliste blessé ce jour-là”.

Photo : AFP / ANDER GILLENEA – lisez l’intégralité de cet article sur : http://www.courrierinternational.com]

Tromperie Écrit par Josué Morel

On évoquait, lors du dernier Festival de Cannes, le goût du cinéma d’auteur international en général, et français en particulier, pour l’autofiction. Ce film-ci ressemble même à une autofiction au carré : Desplechin adapte Tromperie de Philip Roth, sans qu’on ait l’impression d’un dépaysement géographique ou linguistique (Bruno Podalydès incarne pourtant le romancier américain, et Léa Seydoux son amante britannique). Et pour cause : non seulement le jeu de Podalydès n’est pas sans évoquer celui de Mathieu Amalric, acteur fétiche du cinéaste (notamment dans les scènes de colère, où le mimétisme saute aux yeux), mais de surcroît son personnage tient des propos qui, on le sait, sont aussi ceux du cinéaste – notamment la confusion entre antisionisme et antisémitisme, et la défense mordicus d’Israël. C’est la part la plus gênante de cet exercice, qui culmine dans une scène imaginaire de procès en misogynie, et une défense pro domo de Desplechin, dont on devine qu’il a été marqué par les critiques à cet endroit lors de la sortie de Roubaix, une lumière. Embarrassante scène où, lorsque la procureure prend la parole, le cinéaste cadre Podalydès en lui coupant la tête, pour bien souligner que cette parole féministe n’est pas sans castrer le créateur.

Passons. Le film vaut un peu mieux que ces séquences qui ne lui font guère honneur, lorsqu’il se concentre sur l’intimité partagée d’un couple et la circulation des affects comme terreau de l’écriture. Très resserré, le film dépasse ces écueils par l’attention qu’il porte à ses acteurs – en particulier le visage d’Emmanuelle Devos, qui joue une ex-amante atteinte d’un cancer, et celui de Léa Seydoux, que le cinéaste inonde de lumière et de couleurs, dans une perspective hautement fétichiste.

Reste que les derniers films de Desplechin donnent la curieuse impression d’un tâtonnement, pour sortir de la forme romanesque qui a fait le succès du cinéaste dans les années 2000. Le passage par une esthétique plus modeste ne va pas sans distiller un parfum de crise, comme le révèle un détail amusant, mais révélateur d’un complexe d’infériorité que Despleschin entretient à l’égard de Kechiche, auquel il disait « penser tous les jours » dans un entretien accordé à Libération à propos de Roubaix, une lumière : au détour d’une conversation, le personnage de Seydoux évoque les tendances légèrement exhibitionnistes qu’elle avait dans sa jeunesse, et les « cheveux bleus » qu’alors elle arborait.

[…] [Lisez l’intégralité de cet article sur http://www.critikat.com]  

Écrit par Mireille Davidovici

©x

Jean-Luc Godard nous rappelle que le cinéma fut inventé par le XIXe siècle et cette exposition met en regard ses premiers balbutiements et des œuvres picturales du Musée d’Orsay ou d’autres collections. Il s’agit moins, pour Dominique Païni, commissaire, de traiter l’invention du cinéma, que d’en faire voir les prémices dans les peintures, sculptures, photos…

La période qui va de 1833 à 1907 connut une prodigieuse accélération du temps et de l’espace et l’on voit ici combien l’œil des contemporains était déjà exercé à recevoir le septième art. Les premières projections de « photographies animées » par les frères Lumière, à Paris, en 1895, sont les dernières nées d’une longue succession de dispositifs visuels, attractions, panoramas, musées de cire, illusionnistes de foire… qui trouvera son apogée à l’Exposition universelle de 1900 à Paris.

Georges Garen – embrasement de la tour Eiffel – gravure sur zinc (1889) Musée d’Orsay.

Paul Richer – la course 1895 – disque de phénakistiscope

Les yeux – plaque de projection à éléments mobiles par tirette (vers 1870)

Peep Show (1900)

Les images animées accompagnent des pratiques urbaines qui ont été révolutionnées par le progrès technique et la modernité des arts plastiques, ici bien mis en exergue. Les peintres, en travaillant sur la lumière, saisissent le mouvement sur le vif : comme les passants du Boulevard Montmartre de Camille Pissarro, ou du temps changeant dans les toiles de Claude Monet peignant La Cathédrale de Rouen.

Claude Monet – série de La Cathédrale de Rouen (1894)

Félix Vallotton, lui, avec La Valse, fait danser ses personnages ou représente des scènes de rue dans Les Passants, deux merveilleuses petites huiles sur carton aux traits épurés et perspectives aplaties. Mais il reproduit aussi les couleurs d’un grand magasin avec un saisissant triptyque du Bon Marché. Auguste Rodin impulse à ses sculptures en pierre un formidable élan, tout comme les frères Lumière font jaillir sur écran La Danse au sept voiles de Loïe Fuller, ou filment l’agitation de la ville et celle des cellules du sang. Alice Guy fait ruisseler l’eau d’un torrent sur le corps des baigneurs… Enfin le Cinéma ! rend justice à cette artiste contemporaine des frères Lumière et de Léon Gaumont, injustement oubliée de l’histoire du cinéma.

Loïe Fuller par Isaiah West Taber (1897)

Théâtre et cinéma font ici bon ménage, avec des captations de pièces sur scène ou in situ. Comme le fameux duel du Cyrano de Bergerac d’Edmond Rostand, filmé et accompagné par une bande sonore gravée sur cylindre de cire. Presque synchrone ! Des lieux de spectacle deviennent aussi ceux de l’image qui tend bientôt à prendre son autonomie et qui trouve sa propre forme narrative, moins grandiloquente. La peinture commence à s’éloigner du spectaculaire comme celui des scènes historiques du peintre Jean-Léon Gérôme qui sont de véritables mises en scène, ancêtres des péplums. Et le cinéma va aussi se libérer de l’académisme pesant de certaines fictions théâtrales.

Le magicien de Georges Méliès (1898)

Deux tendances dans ces images mouvantes : la recherche d’un nouveau réalisme avec l’apparition de véritables documentaires, notamment les scènes de la vie urbaine à Paris ou à Lyon et les reportages pittoresques des frères Lumière… Mais aussi recherche du spectaculaire et de l’illusion chez Georges Méliès. Nous découvrons ici un film peu connu de l’auteur du Voyage dans la lune où une statue prend vie sous l’œil médusé du sculpteur (Le magicien, 1898).

L’exposition, non chronologique d’œuvres souvent méconnues, est organisée de manière synchronique autour de thèmes comme : « spectacle de la ville », « volonté d’enregistrer la Nature », « représentation du corps masculin : sportif fringant ou travailleur fatigué », « voyeurisme du corps féminin », « narration historique »… Elle se conclut vers 1906 – 1907, années où la durée des films s’allonge, où les projections se sédentarisent dans les salles et où le cinéma accède au rang de septième art sur lequel cette exposition nous invite à porter un regard neuf et pertinent, en le replaçant au sein des mouvements esthétiques du XIXe siècle. À voir absolument…

 

Jusqu’au 16 janvier, Musée d’Orsay, 1 rue de la Légion d’honneur, Paris (VIIe)

 

[Source : theatredublog.unblog.fr]

Outre son amour des montagnes, très présentes dans ses tableaux, les œuvres d’Etel sont aussi pleines de couleurs vives et vibrantes. Image publiée sous licence CC BY-NC-SA 2.0

Écrit par Raseef22 – traduit par François Noverraz

Cet article [1] a tout d’abord été publié par Raseef22 [1] le 24 novembre. Une version revue est reproduite ici en vertu d’un partenariat avec Global Voices.

Etel Adnan [2] [fr], icône libano-étasunienne, poétesse, essayiste et artiste visuelle acclamée dans le monde entier, s’est éteinte en paix à son domicile parisien, le 14 novembre, à l’âge de 96 ans. Elle laisse derrière elle sa partenaire d’une vie, l’artiste syrio-libanaise Simone Fattal.

Au fil d’une existence couvrant quasiment un siècle, Adnan mena de multiples vies, travaillant dans le journalisme, l’enseignement et la poésie, écrivant et peignant. Elle eût une profonde influence sur une foultitude de personnes à travers le monde, comme en témoigne l’avalanche d’hommages [3], souvenirs et condoléances balayant les réseaux sociaux, célébrant sa vie, chérissant sa mémoire et pleurant sa disparition.

« Elle nous a donné confiance » : galeristes, conservateurs, conservatrices, amis et amies se souviennent de la poétesse et artiste d’avant-garde #EtelAdnan [4], décédée à l’âge de 96 ans. https://t.co/zhkisCCWJ0 [5] @artnet [6] pic.twitter.com/uptDmYRj2N [7]

— Women in the Arts (NMWA) (@WomenInTheArts) 8 novembre 2021 [8]

Les myriades de facettes apparues au fil de sa carrière viennent en partie de ses multiples identités, elle qui a grandi dans un foyer mixte de la ville de Beyrouth, chère à son cœur, élevée par une mère grecque orthodoxe originaire de Smyrne (désormais Izmir) et un père syrien musulman de Damas, officier ottoman haut gradé. Elle a été exposée dès son plus jeune âge à une multitude de langues et confessions qui ont modelé une facette de sa personnalité, comme l’a fait le temps passé au Liban.

L’identité est une question de choix. Ce n’est pas quelque chose de dur, comme la pierre. Nous sommes aussi ce que nous voulons être. Nous faisons des choix.
RIP #EtelAdnan [4]

— Tamsin Omond (@tamsinomond) 15 novembre 2021 [9]

Son âge, et la perspective qu’il lui offrait, était pour elle « un don des cieux ». À plus de 90 ans, elle assurait avoir un point de vue unique sur le Liban puisqu’elle était née en 1925, quelques mois avant la création de l’État libanais en 1926. Interviewée [10] par Ricardo Karam en 2019, elle déclarait se considérer comme une gardienne de la mémoire libanaise, se rappelant son enfance au cœur d’un pays cosmopolite et les nombreux événements historiques dont elle fut témoin. Elle rappelait l’époque de gouvernance française, la guerre mondiale, et la première génération de femmes ayant appris à nager et pouvant travailler. Elle a vu de ses yeux l’émancipation des femmes de sa génération.

 Nous portons en nous les mots d’Etel Adnan. RIP. « La mémoire est-elle nous-mêmes ? Ou la fabriquons-nous ? Notre identité est sans aucun doute ce que notre mémoire décide de retenir. Mais il ne faut pas présumer que c’est un espace de stockage. Ce n’est pas un outil pour être capable de réflexion : elle pense, avant de penser. »

— Omar Al-Ghazzi (@omar_alghazzi) 14 novembre 2021 [11]

Participant activement à l’émancipation de sa génération, elle fut l’une des premières Libanaises à travailler dans un bureau. À 16 ans, elle travailla dans un bureau de presse, d’où elle vit la guerre s’achever.

Sur ses toiles éclatantes, Adnan peignait la liberté, étalant ou appliquant en petites touches à l’aide de son couteau à palette des couleurs saturées emplies de vitalité. Pour elle, la liberté était un don qu’il fallait mériter ; pour elle, l’amour existait entre deux libertés. La sienne résidait, ultime, dans sa capacité à rêver et conserver son âme d’enfant. Dans la même interview, elle a décrit son espoir d’un monde meilleur :

My dreams are not for me, but for my environment, I dream of a Lebanon that is at peace with itself, a Lebanon at the level of the quality of the people that live in this country.

Mes rêves ne sont pas pour moi, mais pour mon environnement, je rêve d’un Liban en paix avec lui-même, un Liban au niveau de la qualité des personnes qui y résident.

Tout au long de sa vie et de son œuvre, elle a ressenti une responsabilité et une affinité envers le Liban et le monde arabe, bâtissant ses montagnes autour d’eux.

Etel Adnan fut éduquée au sein d’écoles françaises à Beyrouth, puis étudia la philosophie à la Sorbonne. Elle partit aux États-Unis poursuivre ses études philosophiques supérieures à Berkeley et Harvard. Elle enseigna cette matière et écrivit insatiablement poèmes, essais et pièces de théâtre, qui connurent un large succès critique.

Elle rentra au Liban en 1972, où elle devint rédactrice en chef culturelle au sein de deux journaux, Al Safa et L’Orient le Jour. C’est à Beyrouth qu’elle rencontra Simone Fattal. Ensemble, elles fuirent la guerre civile et se réfugièrent à Paris où Adnan écrivit Sitt Marie-Rose roman primé devenu un classique de la littérature de guerre. Simone Fattal décrit son style comme « incisif, intrépide et sauvage », adjectifs qui pourraient tout aussi bien s’appliquer à sa personnalité et à son œuvre interdisciplinaire.

Lors d’un entretien [12] au MoMA (Museum of Modern Art ) de San Francisco en 2018, elle a raconté sa rencontre avec la peinture à l’âge de 20 ans, lorsqu’elle se rendit en France pour étudier. Elle visita le Louvre et fut impressionnée au-delà de tout ce qu’elle aurait pu imaginer, elle qui se décrivait si « innocente envers l’art ». « J’avais toujours pensé que c’était une chance de ne pas avoir eu de contact avec l’art auparavant : je l’ai pris de plein fouet ! », a-t-elle expliqué.

Bien qu’elle se souvienne avoir adoré le dessin à l’école, ce n’est qu’au milieu de la trentaine qu’elle commença à peindre, les arts visuels immédiatement liés à son écriture. Selon elle, peindre, c’est écrire, et écrire, c’est peindre, l’essence des deux formant une image de l’âme, créée pour autrui en un dialogue permanent.

Adnan se sentait le plus chez elle dans un milieu urbain entouré de nature. Elle racontait trouver la beauté dans l’environnement citadin naturel de San Francisco, d’où elle pouvait visiter les bois Muir et ses hauts séquoias à feuilles d’if, ou le mont Tamalpais au cœur du parc national de Yosemite, une source d’inspiration majeure pour son œuvre. Cela lui rappelait Beyrouth, capitale proche des montagnes. Dans ses écrits, dessins ou tableaux, les montagnes étaient des êtres sensuels, à la rencontre du ciel et de la terre, volcans en éruptions.

La lune s’assombrit à l’aube
la montagne frémit
d’excitation
et l’océan prend une double teinte :
le bleu de sa surface avec
le bleu des fleurs
mêlés en sillages horizontaux
il y avait une brise pour
assister au moment

—Etel Adnan#EtelAdnan [4] https://t.co/QL2B0jCSRG [13] pic.twitter.com/1QSc5T8WbA [14]

— Dr. NelofarIkram (@dr_nelofarikram) 17 novembre 2021 [15]

Le mont Tamalpais se retrouvait souvent dans ses tableaux, sous différents aspects, formes et couleurs. L’évoquant avec Simone Fattal, celle-ci a expliqué que le processus de peindre et d’écriture donnaient à Adnan la certitude implicite, de ce qu’elle voyait, de ce qu’était la montagne, tout en lui rendant autonome : être à la fois la montagne et sa représentation.

Elle attribuait sa palette vive et riche à son identité d’« artiste californienne », trouvant le bonheur au cœur de constructions colorées. Enfant, elle voulait être architecte. Inspectés de plus près, ses tableaux révèlent ce que Simone Fattale appelait le « vocabulaire d’une architecte », lisible dans ses compositions soigneusement construites.

Son style, un langage abstrait fait de lumière, se révèle à travers ses toiles, dessins, tapisseries et leprellos [16] [fr] au sein desquels se mêlent récits et poèmes. Interviewée [17] par le magazine Apollo, elle expliquait évoquer un paysage interne, un « paysage qui est en elle ». Des expositions lui ont été consacrées dans des institutions du monde entier : le MoMAde SF, le Zentrum Paul Klee à Bern, l’Institut de Monde arabe à Paris, The Serpentine Galleries à Londres, Documenta 13 à Cassel en Allemagne, la Biennale de Sharjah aux EAU, la Biennale de Whitney Biennial à New York, etc.

Son œuvre peut être admirée en ce moment à l’exposition Etel Adnan : la nouvelle mesure de la lumière qui se tient au musée Guggenheim [18] de New York, et à la galerie Sfeir-Semler [19] à Hambourg, une présentation de ses dernières toiles organisée à l’occasion du prix Lichtwark qui lui a été décerné à titre posthume le 18 novembre.

Poussée par son engagement et la responsabilité qu’elle pensait avoir envers le monde, Adnan donna sans compter de son temps, de ses dons et d’elle-même, portée par un sentiment d’urgence grandissant vers la fin de sa vie. Elle a écrit sur l’univers, la vie, la mort, la nature, les villes, les montagnes et les femmes. Aux aubes des jours suivant sa mort, l’univers pleure celle qui s’était proclamée sa « meilleure amie ».

Adnan pensait que la mémoire desservait la mort, la mémoire collective jouant dans ce qu’elle décrivait comme la folie déguisée, une forme folle de déni. Lors de son entretien avec Ricardo Karam, lorsqu’il lui a demandé comment elle souhaitait être remémorée, elle s’était exclamée qu’elle voulait qu’« on se souvienne que j’aime le monde, que j’aimais l’univers, et être en vie est le plus beau cadeau de l’univers ».

Article publié sur Global Voices en Français: https://fr.globalvoices.org

URL de l’article : https://fr.globalvoices.org/2021/12/24/270459/

URLs dans ce post :

[1] article: https://raseef22.net/article/1085374-a-century-of-etel–a-mountain-who-leaves-behind-mountains

[2] Etel Adnan: https://fr.wikipedia.org/wiki/Etel_Adnan

[3] l’avalanche d’hommages: https://www.theartnewspaper.com/2021/11/15/passion-and-compassion-in-her-poetry-and-paintingtributes-paid-to-lebanese-artist-etel-adnan-who-has-died-aged-96

[4] #EtelAdnan: https://twitter.com/hashtag/EtelAdnan?src=hash&ref_src=twsrc%5Etfw

[5] https://t.co/zhkisCCWJ0: https://t.co/zhkisCCWJ0

[6] @artnet: https://twitter.com/artnet?ref_src=twsrc%5Etfw

[7] pic.twitter.com/uptDmYRj2N: https://t.co/uptDmYRj2N

[8] November 18, 2021: https://twitter.com/WomenInTheArts/status/1461137096362668039?ref_src=twsrc%5Etfw

[9] November 15, 2021: https://twitter.com/tamsinomond/status/1460245856624517123?ref_src=twsrc%5Etfw

[10] Interviewée: https://www.youtube.com/watch?v=f3L8zlCWbUY

[11] November 14, 2021: https://twitter.com/omar_alghazzi/status/1459962334055739395?ref_src=twsrc%5Etfw

[12] entretien: https://www.youtube.com/watch?v=X1si6F0h97U&t=24s

[13] https://t.co/QL2B0jCSRG: https://t.co/QL2B0jCSRG

[14] pic.twitter.com/1QSc5T8WbA: https://t.co/1QSc5T8WbA

[15] November 17, 2021: https://twitter.com/dr_nelofarikram/status/1461039694032953349?ref_src=twsrc%5Etfw

[16] leprellos: https://fr.wikipedia.org/wiki/Leporello_(livre)

[17] Interviewée: https://www.apollo-magazine.com/the-colours-i-use-are-the-colours-of-california-an-interview-with-etel-adnan/

[18] musée Guggenheim: https://www.guggenheim.org/exhibition/etel-adnan-lights-new-measure

[19] Sfeir-Semler: https://www.sfeir-semler.com/exhibitions/hamburg/current

Comment trouver ses repères dans un Liban, leur Liban, qui n’existe plus ? Ils font partie de ces privilégiés qui gravitaient dans les hautes sphères de la société ou qui ont joui de tout ce que le pays avait de mieux à leur offrir. Récit.  

Régina Fenianos a dirigé le Bal des Débutantes de 1998 à 2019. Photo : Joao Sousa

Dans son salon d’apparat, Régina Fenianos est assise sur son canapé oriental couleur lie de vin. Elle affiche son plus beau sourire mais elle a du vague à l’âme. La « socialité » incontournable des soirées mondaines et caritatives n’a plus de quoi noircir son agenda. Tout juste de quoi occuper son temps ce jour-là, en prodiguant ses conseils à l’ambassade de Russie qui cherche à organiser un événement. Cette Brésilienne d’origine libanaise incollable sur le gotha mondial vit dans la nostalgie du passé. Celui du Liban à ses heures de gloire qu’elle a connu avant-guerre, puis celui d’avant la crise de 2019. Sur le piano, la photo de son mariage au Brésil en 1973 avec l’avocat Camil Fenianos, et celles entourée de sa tribu, fils, belles-filles et petits-enfants. Les murs de sa maison ancienne qui surplombe le port de Jounieh, sont devenus un almanach d’un temps désormais révolu. Les photos des galas, des remises de distinctions, mais aussi celles en compagnie des hommes qui ont marqué la politique libanaise de ces dernières décennies. Pas tout à fait incompatible, dit-elle, avec les deux bannières de drapeau libanais placées de part et d’autres d’un miroir ancien, son blason à elle de la « Thaoura ».

Comment trouver ses repères dans un Liban, leur Liban, qui n’existe plus ? Ils font partie de ces privilégiés qui gravitaient dans les hautes sphères de la société ou qui ont joui de tout ce que le pays avait de mieux à leur offrir. Ils sont issus de ce qu’on appelle les « bonnes familles », ont eu un parcours universitaire irréprochable, un métier des plus convenables. Tout comme leurs parents ou leurs enfants. En quelques mois à peine, les crises politique puis économique ont rebattu les cartes. La révolution a ratissé large. Riches ou pauvres, nombreux ont été les « déçus du système ». Une partie de la bourgeoisie libanaise est descendue dans les rues suite au soulèvement du 17 octobre 2019. Elle a été partie prenante de la révolution aux côtés des « sans-culottes ». Pendant des mois, plusieurs mondes ont foulé les mêmes pavés pour dénoncer le système. Un système qui tournait à l’avantage des puissants, avec ses zones grises, ses petits arrangements. Là est tout le paradoxe. Comment vouloir le changement lorsqu’on a toujours trouvé son compte dans ce Liban d’avant ? Dès les débuts du mouvement contestataire, la carioca a troqué le beau monde et ses tailleurs de créateurs, pour un drapeau à la main et un visage peint, en se mêlant à la foule qui se pressait au centre-ville de Beyrouth. « Le Liban passe avant tout. Ce n’est pas parce qu’on vit à Jounieh qu’on est sectaire », souligne Régina Fenianos. « C’était le plus beau pays du monde. Tous les princes étrangers me le disaient. Sauf que la classe politique a fini par tout détruire », ajoute-t-elle.

Régina Fenianos, dans son salon, dans la maison familiale de Jounieh. Photo Joao Sousa

Régina Fenianos, dans son salon, dans la maison familiale de Jounieh. Photo : Joao Sousa

« J’ai fait l’AUB et ta mère l’USJ »

Toufic Tahan, héritier et PDG de la grande chaîne d’électroménager Abed Tahan, a lui aussi cru dans la révolution et au changement. Mais il fait preuve d’une certaine lucidité. Parmi ses priorités, figure la lutte contre la corruption systémique, notamment le fait que certaines entreprises soient exonérées de frais de douanes ou ne déclarent pas leurs employés par exemple. « Je paye mes taxes, ma marchandise entre légalement, mes salariés sont assurés, et tu vois d’autres outrepasser ces règles complètement, c’est l’un des plus gros faits de corruption dans ce pays », estime-t-il.

Akram*, 62 ans, a battu le pavé aux côtés d’une foule éclectique, avant de faire marche arrière. « Il n’y avait pas d’opposition forte, c’était et c’est toujours trop le bazar », se plaint-il. Cet ex-financier incarne cette bourgeoisie chrétienne qui a vu son monde s’écrouler. Cet ancien de l’école d’ingénieur de l’AUB et titulaire d’une maîtrise en économie et relations internationales obtenue dans une faculté aux États-Unis, a fait toute sa carrière dans la finance, entre le Liban et les pays du Golfe. « Un jour mon fils m’a dit qu’il voulait entrer en business dans une université de seconde zone. Je lui ai dit ‘c’est quoi ça ? Je ne la connais pas celle-là. J’ai fait l’AUB et ta mère l’USJ’. Il était hors de question qu’il ne fasse pas le même parcours alors qu’il en était capable », raconte Akram, qui affirme n’avoir jamais utilisé de « wasta » (piston) de sa vie. Tout juste un coup de pouce d’un professeur qu’il connaît pour faire accepter le dossier de son fils à la prestigieuse université américaine. Dans leur appartement situé dans l’un des plus beaux quartiers d’Achrafieh, sa femme et lui ont comme tout le monde dû s’acclimater aux coupures incessantes de l’électricité et autres pénuries. Une nouveauté pour ce couple habitué à un certain standing. « Je fais désormais tout à pied. « Karamté » (ma dignité) ne me permet pas d’accepter de faire la queue pendant des heures pour faire le plein de ma voiture (à l’époque de la crise du carburant) », lâche-t-il entre deux lampées de thé, dans un café proche de chez lui. Les courses alimentaires sont désormais livrées directement à leur domicile. La crise du Covid et la situation économique ont mis tous ses projets professionnels à l’arrêt. À cause de la dévaluation de la monnaie, son épouse ne touche plus que 40 % de son salaire. « Notre niveau de vie a beaucoup baissé. Mais heureusement, nos enfants ne sont plus à notre charge puisqu’ils travaillent depuis peu en Europe », raconte Akram. Maintenant que le pays est à la dérive, il dit rêver d’un « Liban socialiste », se considère de centre-gauche, et ne serait pas contre le fait de prendre les transports en commun.

Même ceux qui étaient nantis font désormais davantage attention aux sorties, et ont la nostalgie de la vie d\'avant. Ici à Gemmayzé. Photo d\'archives Marc Fayad

Même ceux qui étaient nantis font désormais davantage attention aux sorties, et ont la nostalgie de la vie d’avant. Ici à Gemmayzé. Photo d’archives – Marc Fayad

« Être une employée lambda » à l’étranger
Lisa*, elle, oscille entre l’envie de continuer sa vie dans son pays et la tentation de le quitter. Après un parcours sans faille dans une école privée religieuse, des études à l’AUB et un master en Espagne, cette ingénieure et designer freelance de 37 ans est rentrée au Liban en 2015. Dès le début de la crise, les projets d’intérieurs de Lisa se sont réduits comme peau de chagrin, sa clientèle n’ayant plus accès aux fonds nécessaires ou préférant diriger son argent vers des choses plus essentielles. La jeune femme vit et travaille toujours au domicile familial, et ne se voit pas abandonner son statut d’entrepreneure pour « être une employée lambda » à l’étranger. « C’est vrai qu’autour de moi ça se vide, les gens partent. J’ai de moins en moins de projets, mais je ne raterais pour rien au monde cette opportunité de construire une identité nationale, je m’en voudrais de ne pas en faire partie », justifie-t-elle. À l’autre bout du fil, Lisa a parfois l’air gênée d’être une privilégiée. « Avant, je vivais dans un cocon, entre gens du même genre. C’est sûr que j’ai ressenti un petit choc culturel quand je suis arrivée à l’AUB. Puis, l’autre côté est devenu chez moi aussi ». Elle rêve de retrouver le Liban qu’elle a aimé, dans lequel elle a grandi… À quelques différences près. « Il nous faut un pays égalitaire, une nouvelle nation débarrassée de la mainmise de pays étrangers », dit-elle.

Après des années de quasi-insouciance, le château de carte qui s’est effondré a laissé place à un entre deux eaux lugubre. À cause de la situation actuelle, Régina Fenianos n’arrive pas à fermer l’œil avant deux heures du matin. Elle déambule d’une pièce à l’autre, avec une classe naturelle, et replonge dans ses souvenirs comme s’il s’agissait d’un lointain passé. Celui des soirées avec les ambassadeurs de tous les pays, mais aussi et surtout les années du Bal des débutantes qu’elle a monté en 1998. « Je ne pense plus à la belle vie ! C’est fini tout ça. On a eu la France, les États-Unis à notre chevet et ça n’a rien donné. Le patriarche maronite qui prie, ça aussi ça n’a rien donné ! ». Depuis son balcon, elle jette un œil sur la Vierge de Notre-Dame du Liban, et ravale ses larmes. Jamais on a autant toqué à sa porte pour demander de l’aide. À défaut d’un État fort, et d’un système de sécurité sociale, les classes les plus pauvres, toutes confessions confondues, ont toujours dû compter sur les œuvres de charité et associations de bienfaisance. Regina Fenianos en avait fait sa devise, pour « ne pas passer à côté de sa vie ». Un travail qui s’est intensifié en coulisses depuis le début de la crise et l’effondrement de la monnaie, propulsant la population dans une pauvreté inédite. À travers le Lion’s club, que son mari préside, elle a pu aider des familles de certains quartiers sinistrés après les explosions du 4 août 2020. Elle-même se trouvait dans un restaurant à proximité à ce moment-là, alors que ça faisait des mois qu’elle ne mettait plus un pied dehors à cause du Covid. Propulsée par la déflagration, elle parvient à se dépêtrer pour sortir des décombres et revenir chez elle au volant de sa voiture, blessée. L’impact psychologique est indélébile. « Je suis furieuse contre les dirigeants politiques qui n’ont rien dit, rien fait ! Même Emmanuel Macron est venu », déplore-t-elle.

Le bal des débutantes, un souvenir des grands événements qu'organisait Regina Fenianos par le passé. Ici en 2016. Photo d'archives

Le bal des débutantes, un souvenir des grands événements qu’organisait Regina Fenianos par le passé. Ici en 2016. Photo d’archives

« Je suis choqué par le fait que les gens ne bronchent pas »
L’effondrement du secteur bancaire est venu frapper les épargnants. Pour les familles aisées qui avaient placé toutes leurs économies en banque, les limitations des retraits et le haircut déguisé sur les dépôts en dollars, les ont forcés à s’adapter. « La crise économique impacte tout le monde, même nous, puisque nous avons de l’argent en banque et qu’il est impossible de le retirer. À cause de ça, nous ne pouvons plus aider comme avant, et nous n’avons plus autant de sponsors », poursuit la Brésilo-Libanaise. Lisa se trouvait en Europe lorsque les banques ont décidé de geler les comptes en devises à l’automne 2019. « C’est la première fois que je me retrouvais dans cette situation, je n’avais plus le sou, je devais compter sur des amis », se rappelle-t-elle. Akram, lui, avait pris les devants en voyant le cataclysme se profiler. Il achète un appartement à Paris en 2018, et retire petit à petit son argent des banques. « Je n’avais aucune confiance en ce système bancaire, puisque je le connais de l’intérieur. Les banques étaient gérées comme l’État, avec beaucoup de clientélisme, du népotisme. La banque centrale est clairement fautive et je suis choqué par le fait que les gens ne bronchent pas », confie Akram.

Depuis son bureau situé à Mazraa, Toufic Tahan, raconte pour sa part ne pas avoir vu un tel effondrement se profiler. « J’avais même rapatrié de l’argent de l’étranger vers les banques libanaises. Dieu merci, le business a pu continuer et nous avons pu limiter les pertes d’une manière ou d’une autre », confie l’homme d’affaires. Les personnes aisées disposant de dollars frais continuent de s’approvisionner en produits de luxe. La crise a fait émerger aussi une toute autre clientèle qui a su tirer profit de la crise de carburant ou du marché noir monétaire.

Au fil de la conversation, trois des personnes citées dans l’article estiment que le mode de vie à la libanaise est l’une des raisons de l’échec du système. « Sous l’ère Hariri, on vivait dans une sorte de bulle, et tout le monde en profitait, mais c’était éphémère. Tout le monde voulait voyager, s’acheter de belles voitures et les banques ont encouragé cela », estime Akram. Toufic Tahan va même plus loin. « Clairement les gens vivaient au-dessus de leurs moyens. Quand je voyais ma secrétaire voyager deux fois l’an, ou que je croisais un soldat de l’armée avec le dernier iPhone, ce n’était pas très sain », dit-il, comme si, pour lui, l’accès à un certain mode de vie n’était réservé qu’à une élite aisée.

L’époque où les banques prêtaient à outrance et où les taux d’intérêts sur les dépôts étaient alléchants étant révolue, le déclassement des différentes classes sociales s’est fait à la vitesse grand V. Aujourd’hui, seule une infime partie de la population parvient à maintenir un certain niveau de vie. Akram, sans emploi à cause du Covid et de la crise, a dû revoir ses dépenses à la baisse. Tout comme Lisa qui, n’ayant pas de compte bancaire à l’étranger, ne voyage plus et fait attention à ses sorties et à ce qu’elle consomme. « Ça permet de se concentrer sur l’essentiel. Ce qui m’angoisse le plus, c’est l’accès à l’éducation et à la santé plutôt que le luxe », affirme-t-elle.

Pour ne plus ressentir les coupures de courant, Toufic Tahan a fait installer chez lui des panneaux solaires et, avec des amis businessmen, a acheté des terrains dans le Akkar où ils produisent des légumes et des fruits, comme des avocats ou du litchi. « La crise ne nous a pas tellement impactés parce que nous vivions simplement. Mais oui, on ne voyage plus comme avant à cause du Covid et de l’argent », résume M. Tahan, dont les trois enfants vivent dans le Golfe et au Canada. « Les prix au supermarché sont devenus fous », s’indigne Regina Fenianos. Comme elle ne trouve plus certains médicaments, cette dernière compte désormais sur les voyages des uns et des autres pour se les procurer. « Je ne sais pas comment font les gens »…

*Les prénoms ont été modifiés

[Photo : Joao Sousa – source : http://www.lorientlejour.com]
En 2002, la Bibliothèque historique de la Ville de Paris a rendu hommage au cirque par une exposition au catalogue concis. Dessins et affiches, clarinette de l’Auguste et hélicon, poésies et essentiellement 400 tirages originaux et en noir et blanc célèbrent les artistes de la piste, dans la perfection de leurs numéros ou à l’entraînement : écuyers et acrobates, clowns blancs et Augustes, dresseurs de singes et dompteurs de fauves, voltigeurs et porteurs, fildeféristes et contorsionnistes, jongleurs et trapézistes, tous présentés par un Monsieur Loyal. De 1880 aux années 1970, la photographie de cirque a évolué des clichés posés vers ceux saisissant le mouvement d’un artiste isolé, en passant par les vues d’ensemble de la piste et des coulisses. L’âge d’or du cirque en France. Arte dédie la soirée du 25 décembre 2021 au cirque.

Publié par Véronique Chemla

Dans la plaine, les baladins
S’éloignent au long des jardins
Devant l’huis des auberges grises
Par les villages sans églises
Et les enfants s’en vont devant
Les autres suivent en rêvant
Chaque arbre fruitier se résigne
Quand de très loin ils lui font signe
 
Ils ont des poids ronds ou carrés
Des tambours et des cerceaux dorés
L’ours et le singe animaux sages
Quêtent des sous sur leur passage

Guillaume Apollinaire, Saltimbanques
Pour « l’Année du cirque », la Bibliothèque historique de la Ville de Paris avait invité dans un décor aux couleurs écarlate et or, en des espaces séparés par des rideaux cartonnés et alliant chronologie et thématique (spécialités des gens du voyage). De courts articles émaillaient l’exposition : Paul de Cordon décortique le numéro ardu de voltige de Dany Renz, Lucien René Dauven conte le numéro de Aéros, le « pochard funambule », etc.


Pour le plus grand bonheur des circophiles, cette exposition a décrit « l’évolution parallèle de la photographie et des principales disciplines du cirque », en révélant les 400 tirages originaux de 1880 à 1960 de la collection de Jacques Fort, à laquelle sont joints 50 clichés récents de Paul de Cordon et de François Tuefferd. Elle évoquait aussi les cirques ambulants ou stables de Paris, les fêtes foraines où a pu se déployer toute la magie éphémère des arts de la piste. Dès l’entrée, une carte de la capitale française indique la diversité des cirques : le Cirque Napoléon – actuel Cirque d’Hiver – œuvre de l’architecte Jacques-Ignace Hittorf (1852), l’Hippodrome de la place Clichy, édifié en 1900, et qui devient en 1907 le Gaumont Palace, etc.

 
En piste !
La photographie saisit l’instant, l’intensité et l’essence d’un numéro ou d’une personnalité. Les clichés reflètent les courants artistiques du moment et les audaces techniques de leurs auteurs. Les premiers sont pris – par exemple, ceux vers 1890 de S. Kantor ou Jor Sandels – dans les studios des peintres photographes : l’écuyère dans sa tenue de piste corsetée ou le clown posent afin d’avoir un portrait illustrant leurs cartes de visite. « Bientôt, leurs numéros sont analysés et représentés en série narrative ».
 
Puis, le monde hippique initie une impulsion décisive. Et l’intérêt du photographe change, comme les sujets. Ce ne sont plus les gens du voyage qui se déplacent dans les studios. 
 
Dès les années 1920, les appareils légers, rapides et maniables permettent de diversifier les thèmes, de saisir le mouvement et de manifester des audaces de prises de vues sur la piste ou en hauteur, et surtout pendant les représentations. Le saltimbanque est saisi seul dans la perfection d’un geste, dans la série de mouvements représentatifs de son numéro, puis environné d’un public attentif, admiratif, médusé, apeuré, attendri ou amusé. Pour mieux capter l’ambiance du spectacle et magnifier les artistes, le photographe se place dans les cabines des projectionnistes situées dans les cintres et trouve des plans élaborés de la piste et proches des trapézistes. Ces photographies sont alors les meilleurs vecteurs dont disposent les impresarios pour promouvoir leurs artistes auprès des directeurs de cirques. Et elles illustrent des reportages dans les magazines en conquérant un public fidèle.
 
Enfin, les photographes fixent l’entraînement dans les gymnases (rue Véron en 1941, rue de Malte) ou dans les jardins d’immeubles banlieusards. Ils pénètrent aussi le cercle familial. Les bâtiments retiennent aussi leur attention, ainsi que les chapiteaux à (dé)monter par toute une équipe ignorée du public (quand les artistes ne l’assurent pas) : « le montage dure trois heures, le démontage deux heures », précise la légende d’une photo de Paul de Cordon (1963). En 1933, le chapiteau à quatre mâts du cirque Amar occupe l’esplanade des Invalides (Paris). Ce sont alors des photos plus humaines, révélant les efforts inhérents aux prouesses, les corps humains forcés et l’environnement laborieux d’un spectacle qui fait rêver.
 
L’aura et la célébrité de certains clowns débordent du monde du cirque. Ainsi en atteste l’affiche d’une farce – The Nothing Happens Bar ou Le Bœuf sur le toit – imaginée et réglée par Jean Cocteau en 1920. Sur une musique de Darius Milhaud, dans un décor de Raoul Dufy, ce spectacle réunit en particulier Albert, François et Paul Fratellini, vedettes du cirque Medrano. Cette  œuvre musicale est créée le 21 février 1920 à la Comédie des Champs-Élysées. Les costumes sont conçus par Guy-Pierre Fauconnet.
Près d’une sculpture de Toulouse-Lautrec par Daniel Druet, étaient apposées une dizaine des 39 dessins au crayon de couleurs, intitulés « Au cirque » et exécutés de mémoire par l’artiste albigeois pendant son enfermement à la clinique du Dr Semelaigne (1899). Ce sont des scènes où le décor est esquissé. Toulouse-Lautrec a croqué notamment un acrobate hyper cambré, un clown agenouillé implorant une ballerine ou un autre, gigantesque, faisant exécuter son numéro à un caniche. Car il a été un spectateur assidu du cirque de Molier, du Nouveau Cirque et du cirque Fernando dont il dessine le clown Medrano, dit « Boum-Boum ». 
 
Dans ses eaux fortes et aquatintes, Lubitsch privilégie les écuyers, trapézistes et clowns. Une découverte : les dessins des sœurs Vesque, peintres sur vélin qui ont reproduit avec une fidélité scrupuleuse les différentes étapes des numéros. Le cirque a en effet inspiré de nombreux artistes. Le peintre Marc Chagall émerveillé a peint la série de gouaches Cirque Vollard. Le peintre Rouault est l’auteur de têtes de clowns et a réalisé des eaux-fortes pour un texte d’André Suarès qui ne sera jamais publié. Et en 1926, Calder fabrique un cirque miniature en fil de fer.
 
Entrez sous le chapiteau !
« Le plus beau numéro de cirque sera toujours le plus périlleux. Les peintres du cirque peignent et aiment le clown tacheté comme un léopard, la charmante jeune fille qui ayant voltigé, retombe assise, pieds croisés, dans sa jupe d’écume. Mais ils ont commencé par aimer un corps précipité du trapèze, dans un poudroiement astral des projecteurs, pendant l’insoutenable moment de silence qui immobilise, bâton levé, le chef d’orchestre. À l’origine de leur prédilection est le séduisant danger de mort. Aucun de nous n’est un monstre, pourtant. Mais le point d’honneur, c’est toujours d’aventurer une vie. Faute de risque personnel, nous nous prenons de passion pour le spectacle du risque. Il n’y a pas là de quoi rougir puisque, après le goût de l’angoisse, éclate en nous l’ineffable gratitude, l’envie de serrer dans nos bras l’être ailé, le héros qui a survécu, approché la gueule fumante des tigres, que la trompe des éléphants a soulevé et brandi, qui a rencontré dans le vide, en quittant un trapèze, deux mains humaines assez puissantes pour interrompre son vol vers la mort », observait Colette (Images de France, novembre 1940).
 
À Medrano, chez Amar, au Cirque d’Hiver, à l’Empire et ailleurs : Waléry, Chamberlin, Endrey, Grün, Gaston Paris, Charles Terret, Izis et quelques autres sont là pour immortaliser des prouesses et fixer l’essence d’un numéro. Et dans les années 1880, sont présentées des pantomimes et des scènes romancées, des reconstitutions historiques : Vercingétorix, Néron, Jeanne d’Arc, etc. « Grün privilégie la fête foraine et les parades des dernières ménageries encore en activité » (Jacques Fort).
 
Ce sont les numéros équestres qui sont la raison d’être de la piste. N’oublions pas que le cirque Moderne est né au XVIIIe siècle en Angleterre sous la férule de Philipp Astley. Est alors conçu le spectacle de cirque tel qu’il est inscrit dans nos mémoires : sur une piste ronde d’un diamètre de 12-13 mètres. Pourquoi ? Parce que cette dimension correspond à la plus longue chambrière utilisable, ou parce qu’elle sert le mieux les élans des écuyers pour sauter à cheval. Ou encore parce que le jeu des forces – centrifuge, vitesse, inclinaison du cheval – permet l’assise optimale pour l’écuyer. Et sur ce cercle de sciure mêlée à de la terre tassée, évoluent des chevaux, des acrobates, des artistes « d’agilité » ou d’adresse et des clowns. Les numéros avec animaux dressés – pigeons, crocodiles, chimpanzés, girafes, otaries, etc. – se greffent ensuite. L’ensemble donne ce spectacle universel, essentiellement visuel, souligné par la musique et populaire. Même s’il a attiré un public de connaisseurs avec le Cirque équestre, aux XVIII et XIX es siècles, au temps des écuyers et … écuyères.
 
Saluons la performance de l’écuyère Paulina Schumann. Elle quitte la piste en amazone sur son étalon arabe de Yougoslavie, Youssouf, cabré presque à la verticale (Palais des Sports, 1956). Et celle de Lilian Leitzel, rayonnante, suspendue par une main à une corde lisse (Cirque d’Hiver, 1927-1928). Ou encore celle du trapéziste contorsionniste Albert Powell, « l’écharpe humaine ». Les visiteurs recherchent les artistes aimés, dont les clowns Grock et Achille Zavatta, popularisé par l’émission télévisée de Gilles Margaritis, La Piste aux étoiles dont l’orchestre est dirigé par Bernard Hilda. Un arbre généalogique montre les unions endogamiques et donc les dynasties. On peut relever les noms des Grüss, de l’écuyer Eric Blumenfeld, etc. Et ajouter celui de Charles Spiessert, d’origine hongroise, qui achète le cirque Pinder en 1928.
Attention ! Dans un coin de la salle d’exposition, on sursautait devant la cage d’un lion. Une végétation en papier est disposée sur le sol. Et un texte fixé sur les barreaux prévient : « Prière de ne pas nourrir les animaux ». Mais le fauve était empaillé…
 
À la Foire du Trône (Paris), les affiches se succèdent pour mieux attirer le chaland. « L’attraction la plus formidable, la plus incroyable… » Le cirque, c’est aussi le monde des superlatifs laudatifs, des exploits, du merveilleux, parfois du poétique, souvent du comique, toujours du spectaculaire. Et celui des tournées, l’entraînement pour atteindre la perfection sans cesse répétée, etc. Les photographes subliment les qualités des artistes : le courage, le sens de l’effort, la recherche du Beau, le soin accordé aux entrées et sorties de piste, etc.
 

Cette exposition a suggéré aussi les échanges fructueux entre cirque et music-hall, via les illusionnistes ou les acrobates, et les éclairages. Ainsi, Jérôme Médrano « construit sur le pourtour du toit du bâtiment quatre cabines de projection, plus une cabine double de projection dans l’ancien foyer derrière les mezzanines ». Ce qui change l’ambiance du cirque, par la dramatisation de certains instants, et le style des photographies. On découvre aussi Buster Keaton dans un cirque parisien au début des années 1950. On note en particulier l’évolution des éclairages – gaz, puis électricité – et des transports – avènement de l’automobile -, le plus grand confort des spectateurs et les machineries plus sophistiquées.

 
Le contexte historique est malheureusement très peu évoqué. Près de l’Étoile (Paris), l’Empire offre des spectacles de cirque, puis devient un théâtre d’opérette (1932-1934), avant que la société Pathé-Nathan ne le fasse renouer avec sa vocation. Puis, les frères Amar en prennent la direction en 1936. 1938 : nouveau responsable, Jean Marx, directeur de music-hall de Berlin. L’activité de la salle oscille ensuite entre le théâtre et le music-hall, avant de servir à l’enregistrement d’émissions télévisées. Les affichistes – Forain, Antonin Magne, Gustave Soury, Marian Stachurski, etc. – mériteraient d’être mieux connus.
 
Cirques juifs
Des artistes juifs de cirque ? Il y en a eu.
 
D’origine iranienne, Pablo Kooken a été un dompteur adepte du dressage en douceur, et un peintre et sculpteur pratiquant l’Art brut. Son fils, Jacky Kooken, poursuit dans cette voie artistique en sculptant la pierre, le marbre et le granit pour faire apparaître des œuvres empreintes d’une grande douceur.
 
Et il y en a encore bien d’autres, dont la famille Pauwels – six générations dans le cirque – à laquelle la réalisatrice Agnès Bensimon a consacré en 2008 le remarquable et émouvant documentaire Sous le chapiteau des Pauwels présenté au musée d’art et d’histoire du Judaïsme (MAHJ) le dimanche 6 février 2011 en présence de la réalisatrice. 
 

Citons aussi la famille Edelstein dont le patriarche Gilbert dirige le cirque Pinder-Jean Richard. Gilbert Edelstein « est à l’origine de la création du premier Syndicat européen des cirques et, obtient du Parlement Européen, que le Cirque traditionnel avec animaux soit reconnu en tant que spectacle culturel ».

En 2003, il crée avec son ami Marcel Campion « L’Intersyndicale du Cirque et de la Fête Foraine ». En 2004, le Cirque Pinder Jean Richard, reconnu par une enquête du Ministère de la Culture, comme faisant partie du patrimoine culturel français, fête ses 150 ans d‘existence et, Gilbert Edelstein ses 20 ans aux commandes de cette institution.

Le 2 mai 2018, la « société d’exploitation du cirque, Promogil, a été placée en liquidation judiciaire par le tribunal de commerce de Créteil,  selon « Ouest-France ». Son propriétaire depuis 1983, Gilbert Edelstein, en a lui-même fait la demande face à une situation économique de plus en plus précaire. « En mars et avril, notre chiffre d’affaires a baissé de plus de 60 % », explique-t-il. Une tendance de fond pour Pinder, dont le chiffre d’affaires est passé de 7,4 millions d’euros à 6 millions d’euros ». Le cirque Pinder espère maintenir sa tournée estivale.
« Si le propriétaire de Pinder pointe la crise économique et le contexte des attentats comme les causes principales de la chute de fréquentation constatée depuis plusieurs années, il souligne également l’effet néfaste du retour à la semaine scolaire de 4,5 jours, mise en place sous le quinquennat de François Hollande. « En trois ans, on est passé de 450.000 spectateurs scolaires par an à 100.000 l’année dernière, a-t-il détaillé à  France Info. Cette année, c’est encore pire ». D’autres dirigeants de cirques désignent la réglementation du travail, les refus de nombreuses municipalités d’accueillir des cirques, et la partialité de l’État dans ses aides financières ciblant essentiellement des « cirques d’avant-garde ».

 

« Le patron de 79 ans juge en revanche que la polémique sur les spectacles d’animaux, ravivée par  la mort d’un tigre en plein Paris en novembre dernier, n’est pas essentielle pour expliquer la désertification des chapiteaux. Défendue par plusieurs associations de défense des animaux, l’interdiction de l’exploitation d’animaux s’étend pourtant à plus de 80 communes françaises, selon l’association Pour une éthique dans le traitement des animaux (Peta) ».


« Parmi les pistes envisagées pour relancer l’activité de Pinder, le propriétaire souhaite désormais se concentrer sur un projet de parc d’attractions consacré au monde du cirque. Lancé en 2008, celui-ci pourrait voir le jour sur une propriété de 130 hectares de Gilbert Edelstein, à Perthes-en-Gâtinais (Seine-et-Marne) ».

 

Circus Klezmer
N’oublions pas le Circus Klezmer, spectacle de cirque mis en scène et joué notamment par Adrián Schvarzstein, artiste né en Argentine, formé au théâtre en Israël, au mime en France et à la commedia dell’arte avec Antonio Favaen Italie. Dès 1989, il a joué au théâtre Giufa avec Ente Teatrale Italiano, à l’opéra avec Dario Fo, a pratiqué la musique ancienne et la danse dans Victor de Pina Bausch. Autres domaines d’activités de cet artiste polyvalent : le cinéma, la publicité, la télévision, l’enseignement de la commedia dell’arte à l’Université de Tel-Aviv.

Arte diffusa les 27 et 28 décembre 2017 des films sur le cirque.

Cirque du Soleil 

« Cirque du Soleil : O » (Cirque du Soleil: O) est réalisé par Benoit Giguère. « La célèbre troupe canadienne du Cirque du Soleil présente sa création « O ». Mêlant acrobatie, musique, trapèze, plongeon et natation synchronisée, les 77 athlètes de haut niveau de la troupe nous convient à un divertissement aquatique étourdissant. À l’affiche depuis vingt ans sur la scène du Bellagio, légendaire hôtel de luxe et casino de Las Vegas, le spectacle le plus vu du Cirque du Soleil est enfin filmé et diffusé à la télévision, en exclusivité mondiale sur ARTE. Professionnels aguerris de l’acrobatie, du trapèze, du plongeon, de la gymnastique et de la natation synchronisée, les soixante-dix-sept artistes de la troupe nous convient à un divertissement aquatique étourdissant. Se distinguant du cirque traditionnel par l’omniprésence de l’eau et ses accointances avec le théâtre, « O » offre aux spectateurs un show inoubliable, à la frontière entre danse, musique et art dramatique. Un rendez-vous exceptionnel qui témoigne de l’incroyable capacité de régénération de l’une des troupes les plus imaginatives de la scène artistique mondiale. »

« Cirque du Soleil – Luzia » est réalisé par Adrian Wills. « Dans un Mexique réinventé, la célèbre troupe du Cirque du Soleil orchestre un fabuleux spectacle entre rêve et réalité. Après Corteo en 2005, le chorégraphe et metteur scène suisse Daniele Finzi Pasca, épaulé par l’actrice et metteuse en scène québécoise Brigitte Poupart, a conçu pour le Cirque du Soleil Luzia, un époustouflant voyage dans un Mexique imaginaire. Avec ses feux d’artifice visuels et ses performances acrobatiques à couper le souffle, ce spectacle, inédit à la télévision hors du continent américain, est placé sous le double sceau de la lumière (luz en espagnol) et de la pluie (lluvia). Enchaînant avec fluidité les tableaux, les artistes de la prestigieuse troupe canadienne du Cirque du Soleil nous entraînent dans un tourbillon de lieux – plongeant de l’atmosphère brumeuse d’un music-hall à celle d’un hostile désert, d’un plateau de tournage à une ruelle de Mexico –, de visages et de sons, puisés autant dans les traditions du Mexique que dans sa modernité. »

Arte
« Blow up : Le Cirque au cinéma » 
Arte diffuse sur son site Internet « Blow up : Le Cirque au cinéma » (Blow up – Der Zirkus im Film). Sous le plus grand chapiteau du monde, Trapèze, Dumbo, The Greatest Showman… et si nous allions au cirque, après tout c’est de saison, pour le dernier Top 5 de l’année 2019 de Blow up ?

 

« 40e Festival mondial du cirque de demain »

« 40e Festival mondial du cirque de demain » (40. Weltfestival des Zirkus von Morgen) est réalisé par Yvan Benedetti.

 

« Depuis quarante ans, cette compétition internationale de haut niveau récompense les jeunes talents du monde circassien. Tous en piste pour un spectacle époustouflant ! D’abord sous le chapiteau du Cirque Bouglione, puis sous celui du Cirque Phénix, que préside Alain M. Pacherie, le Festival mondial du cirque de demain s’est imposé comme un rendez-vous incontournable pour les professionnels du monde entier. Chaque année, des centaines d’artistes de moins de 25 ans présentent leur candidature à cette grande compétition, avec l’espoir de voir leur travail récompensé d’une médaille – un sésame pour leur future carrière. »


« Lors de cette 40e édition, qui s’est tenue du 31 janvier au 3 février 2019 à Paris, avec la comédienne Anny Duperey en présidente du jury, les grandes disciplines du cirque moderne étaient réunies : acrobatie, contorsion, trapèze, cerceau aérien, jonglerie, magie… Au programme notamment : le groupe Scandinavian Boards et son numéro spectaculaire de planches coréennes, récompensé par le Grand prix du festival ; la prestation tout en force et en poésie du trapéziste français Arthur Morel Van Hyfte, couronnée d’une médaille d’or, ex-aequo avec la troupe chinoise de Dalian ; la démonstration de sangles aériennes du duo russe Alexey Ishmaev/Pavel Mayer et l’exercice d’équilibre du funambule Laurence Tremblay-Vu, tous deux salués par une médaille d’argent ».

 
Cirque Plume

« Adieu Cirque Plume » (Letzter Vorhang für den Zirkus) a pour auteur Frédérique Cantù. « Après 35 ans d’existence et 11 créations, le Cirque Plume est actuellement en tournée avec ce qui sera son dernier spectacle : « La Dernière saison ». Un titre à double sens puisqu’il s’agit ici d’évoquer autant le rythme des saisons que la fin d’une aventure. Sur la piste, les créateurs sexagénaires de Plume côtoient les jeunes circassiens – et surtout circassiennes – virtuoses. Esprit burlesque, performance spectaculaire et poésie font ici bon ménage pour un final tout sauf nostalgique. »
 
Cirque d’Alba la Romaine
Arte diffuse sur son site Internet « 11ème Festival du cirque d’Alba la Romaine » (Frankreich: Zirkusfestival im Freien). 
 
« Du jonglage, des mats chinois, des acrobates et bien sûr, quelques clowns. Autant de disciplines qui font de ce festival un rendez-vous incontournable des circassiens l’été. »

« Parade »

Arte diffuse sur son site Internet « Parade » au Théâtre du Châtelet » (« Parade » im Théâtre du Châtelet). « Après deux ans de travaux, le Théâtre de Châtelet organise une réouverture en grandes pompes. Une soirée enchanteresse, fourmillement artistique théâtral, circassien et – bien sûr – musical, sous le signe de l’univers tragi-comique déjanté d’Erik Satie. Le 18 mai 1917 avait lieu la création de Parade au Théâtre du Châtelet, spectacle orchestré par le maître des Ballets Russes, Serge de Diaghilev, qui mettait à contribution quelques légendes : Picasso, Satie, Cocteau et Massine. En hommage à la folie créatrice de cette œuvre, le Châtelet organise, presque un siècle plus tard, une soirée circassienne qui met à l’honneur le génie toqué d’Erik Satie. »

« Elle s’ouvre sur la performance de Marionetas Gigantes de Moçambique, défilé d’immenses marionnettes, du parvis de l’Hôtel de Ville au théâtre du Châtelet. Il sera suivi par la Cocteau Machine, immense bicyclette chevauchée par l’écrivain, imaginée par Francis O’Connor. Puis, à l’intérieur du théâtre, on plonge dans un monde déluré, fait de scènes improbables et de personnages burlesques, que l’on croise au détour d’un couloir : clowns volants ou cuisiniers, pianos empilés, ambiance cabaret du Chat Noir…  La folie continue ensuite dans la Grande salle du théâtre, où plusieurs tableaux se succèdent : les Marionettes géantes qui ont paradé à l’extérieur, puis la compagnie circassienne de Stéphane Ricordel, le groupe ukrainien DakhaBrakha et enfin la compagnie STREB Extreme Action, qui, avec l’Ensemble Intercontemporain dévoile un action painting saltimbanque élaboré par Pierre-Yves Macé. Spectacle capté le 14 septembre 2019 au Théâtre du Châtelet à Paris. »
 
« Le secret des clowns« 
« Le secret des clowns » (Das Geheimnis der Clowns) est réalisé par Daniela Pulverer et Boris Raim. « Derrière son nez rouge et ses gestes maladroits, le clown incarne la transgression des normes et l’absurdité des contraintes sociales. Il nous parle de pouvoir, de violence, d’échecs et de déconvenues – tout ce qui fait la condition humaine. Rencontre avec des clowns du monde entier. S’il est souvent raillé, vu comme un simple amuseur, le clown mérite d’être réhabilité. Car derrière son nez rouge et ses gestes maladroits se cache une figure ancestrale de la culture occidentale, incarnant la transgression des normes et l’absurdité des contraintes sociales. Il nous parle de pouvoir, de violence, d’échecs et de déconvenues – tout ce qui fait la condition humaine. Faussement naïf, il met sens dessus dessous, avec drôlerie et poésie, le monde de celui qui le regarde… Pour ce documentaire, deux diplômés d’une école de clowns allemande sont partis à la rencontre de confrères et de consœurs du monde entier : le célèbre clown médecin américain Patch Adams, qui a inspiré le film Docteur Patch, Peter Shub, ou encore Gardi Hutter et Antoschka, deux des premières femmes à s’être aventurées dans cet univers comique traditionnellement très masculin. »
Grock

« Grock, ombres et lumières d’un clown de légende » (Grock – Eine Clownlegende) est réalisé par Alix Maurin et Fabiano d’Amato. « Dans la première moitié du XXe siècle, le clown Grock a été une véritable légende du cirque. De son vrai nom Charles Adrien Wettach, ce Suisse, né en 1880 et mort en 1959, a renouvelé le genre en le hissant au plus haut niveau de subtilité avec… un seul numéro, celui d’un Auguste musicien éprouvant les pires difficultés à jouer de son violon. Réunissant une riche iconographie, ce documentaire retrace l’histoire d’un artiste qui, en génial entrepreneur, a fait de son personnage un produit à succès. Mais il dévoile aussi son côté sombre, son orgueil démesuré et ses égarements, lui qui joua pour le régime nazi. Deux faces opposées, mais indissociables, d’un clown poétique qui a croqué à merveille les contradictions humaines. »
 
2020
La pandémie de coronavirus a fragilisé des cirques. 

Ministre de la Transition écologique, Barbara Pompili a annoncé en septembre 2020, lors d’une conférence de presse consacrée au « bien-être de la faune sauvage captive », la « fin progressive » des animaux sauvages dans les cirques, ainsi que la reproduction et l’introduction de nouveaux orques et dauphins dans les delphinariums. 
 
Des cirques ont organisé leur contre-attaque par une manifestation face au ministère de l’Écologie le 6 octobre 2020 et par une manifestation sur le périphérique parisien le 8 octobre 2020.


« Grock, ombres et lumières d’un clown de légende » par Alix Maurin et Fabiano d’Amato
France, Suisse, 2018, 53 min
Sur Arte le 26 décembre 2019 à 15 h 10. Disponible du 19/12/2019 au 24/01/2020
 

« Adieu Cirque Plume » de Frédérique Cantù
France, Allemagne, 2018, 3 min
Disponible sur Arte du 25/12/2018 au 27/12/2038

« 11ème Festival du cirque d’Alba la Romaine« 
Journaliste : Lionel Jullien
France, Allemagne, 2019, 3 min
Disponible sur Arte du 12/07/2019 au 14/07/2022

« Parade » au Théâtre du Châtelet » 
Production : Camera Lucida
France, 2019, 82 min
Disponible sur Arte du 03/12/2019 au 13/06/2020

« Le secret des clowns » par Daniela Pulverer et Boris Raim
Allemagne, 2016, 53 min

Sur Arte le 26 décembre 2019 à 05 h 00. Disponible du 25/12/2019 au 24/01/2020

« 40e Festival mondial du cirque de demain » par Yvan Benedetti
France, 2019, 88 min
Présentation : Calixte de Nigremont
Sur Arte le 26 décembre 2019 à 20 h 55. Disponible du 19/12/2019 au 22/06/2020

« Cirque du Soleil – Luzia » par Adrian Wills
Canada, 2016, 79 min
Sur Arte le 26 décembre 2019 à 22 h 25. Disponible du 25/12/2019 au 24/01/2020 

« Cirque du Soleil : O » par Benoit Giguère
Canada, 2017, 94 min

Sur Arte le 26 décembre 2019 à 13 h 35. Disponible du 25/12/2019 au 24/01/2020

« Blow up : Le Cirque au cinéma« 
France, 2019, 16 min
Producteur/-trice : Camera Lucida Productions, Jean-Stephane Michaux
Auteur : Luc Lagier

Disponible sur Arte du 17/12/2019 au 17/12/2022

Adrian, Jacques Fort, Thomas Michael Gunther, Regard sur le cirque. Préface de Jean Dérens. Paris bibliothèques éditions, 114 pages. ISBN 9 782843 310928
 
Agnès Bensimon, Sous le chapiteau des Pauwels (2008). Diffusé le dimanche 6 février 2011, à 14 h, au MAHJ

Initialement publié par Guysen en 2002, cet article a été publié le 28 décembre 2010, les :
– 28 août 2012 à l’occasion de l’exposition Le territoire du cirque à la Médiathèque Marguerite Duras de Paris ;
– 4 août 2013 à l’approche de la diffusion sur la chaine Histoire d’un documentaire sur le cirque le 5 août 2013 ;
– 26 décembre 2013. Arte a consacré cette journée au cirque, mais en oubliant le documentaire sur le cirque des Pauwels ;
– 22 juin 2015. Gulli diffusa cette soirée aux 32e et 33e Festivals internationaux de cirque de Monte-Carlo ;
– 6 décembre 2015. Le 6 décembre 2015, à 20 h 50, Zone interdite sur M6 sera consacrée à l’incroyable vie des gens du cirque ;
– 28 décembre 2016, 27 décembre 2017, 15 juin 2018, 25 décembre 2019, 22 décembre 2020.

Il a été modifié le 21 décembre 2021.

[Source : http://www.veroniquechemla.info]

Laurent Cantet dissèque avec sa subtilité habituelle les différentes facettes de l’identité, à travers le sujet des débordements sulfureux sur les réseaux sociaux et le récit d’une dégringolade

Écrit par Fabien Lemercier

« Tu te rends compte de ce que tu as écris, quand même ? Les messages qui sortent, c’est immonde ! », « J’ai plus de 200 000 abonnés qui me suivent et personne ne m’a jamais rien dit », « La provocation, c’est dans l’air du temps », « On ne peut pas défendre l’indéfendable ». Dans l’univers parallèle de réseaux sociaux devenus un carburant médiatique quasi incontrôlable et un espace de confrontation d’opinions d’une violence délétère dopée par l’anonymat possible, s’enchevêtrent dans la plus pure anarchie liberté d’expression, culture du clash et propagation de la haine. C’est au cœur de la complexité de ce malstrom hyper contemporain que plonge Laurent Cantet avec Arthur Rambo [+] (le 8e long du cinéaste français, Palme d’Or en 2008), présenté dans la compétition Platform du 46e Festival de Toronto (et en route pour le 69e Festival de San Sebastián).

Ce sujet passionnant, le réalisateur l’étudie méticuleusement et avec son intelligence coutumière en évitant soigneusement les partis pris (ce qui n’était pas évident avec des thématiques où le jugement moral instinctif est le réflexe le plus naturel), au gré de variations subtiles, mais en donnant à l’ensemble une rythme intense (sur 48 heures) à travers le parcours emblématique d’un jeune homme en pleine ascension sociale dont les côtés Dr Jekyll et Mr Hyde éclatent au grand jour dans une atmosphère de tempête et de naufrage. Un miroir toxique individuel subitement révélé qui est également le reflet déformé de plusieurs fractures bien réelles traversant la société française.

30 000 exemplaire en rayon, plus 15 000 à suivre et une réimpression en suspens : en librairie depuis quelques semaines, le roman Débarquement de Karim D. (un très bon Rabah Naït Oufella) est l’événement du moment, offrant un regard nouveau et pertinent sur les banlieues, l’immigration et l’intégration. Coqueluche des médias, le jeune homme poursuit dans les cercles littéraires parisiens une ascension vers la célébrité initiée avec sa populaire web TV. Mais alors qu’on le fête et que mêmes les portes du cinéma s’entrouvrent, un ouragan surgit. Des centaines de tweets racistes, antisémites, homophobes, misogynes, etc., à l’humour noir abject qu’il a postés les années précédentes sous le pseudonyme d’Arthur Rambo refont surface, suscitant instantanément des réactions en chaîne démultipliées de condamnation, mais aussi d’exploitation politique, des fans de base aux plus grands médias nationaux. Pris dans la tourmente, Karim D. va devoir répondre à son éditeur, à ses amis parisiens, à ses proches de banlieue, à sa famille, à ses admirateurs se sentant trahis, et surtout à lui-même à la question centrale de l’affaire : pourquoi ?

Librement inspiré de l’histoire du chroniqueur radio Mehdi Meklat, le scénario tissé par Laurent Cantet, Fanny Burdino et Samuel Doux explore méthodiquement toutes les ramifications de la double personnalité de cet Icare se brûlant les ailes au feu de la quête de la notoriété et du buzz, et de l’ambition de franchir des frontières sociales figées. Tenant très habilement l’équilibre (ce qui n’allait pas de soi) entre la nette réprobation du contenu des tweets haineux et un minimum d’empathie pour le personnage principal, le film (mis en scène avec une sobre maîtrise et utilisant avec beaucoup d’efficacité les incrustations de textes et les injections sonores) pose un regard très instructif sur une trajectoire cathartique symbolisant parfaitement une modernité chaotique, au croisement du rouleau-compresseur univoque et de la prolifération désorientée.

Produit par Les Films de Pierre, et coproduit par Memento Films Production et par France 2 CinémaArthur Rambo est vendu à l’international par Playtime.

[Source : http://www.cineuropa.org]

Alcaide de Olivença características históricas que dão à localidade espanhola, na fronteira com Portugal, « um valor diferencial na Península Ibérica ».

Olivença foi portuguesa até 1801. Fica a 23 quilómetros de Elvas.

Olivença foi portuguesa até 1801. Fica a 23 quilómetros de Elvas.

Escrito por António Ferreira Góis

Na passada sexta-feira, 101 oliventinos receberam o cartão de cidadão português, na Casa da Cultura de Olivença, no mesmo dia em que se realizou uma jornada técnica em torno da Lusofonia.

Este evento foi promovido pelos cofundadores da Associação Cultural ‘Além Guadiana’, Eduardo Naharro e Joaquín Fuentes, para discutir e esclarecer alguns aspetos técnicos para a obtenção da nacionalidade portuguesa por parte dos cidadãos de Olivença, bem como os seus descendentes ou emigrantes da localidade espanhola.

O alcaide (presidente da Câmara) de Olivença, Manuel González, realçou o grande trabalho desenvolvido pelos membros da extinta Associação « Além Guadiana », que « continuam a promover a cultura e a língua portuguesa em Olivença ». « Tendo sido esse um dos objetivos para que foi fundada a associação, mas não há dúvida que o conseguiram e foram mais longe, possibilitando a qualquer oliventino ou oliventina ter o seu cartão de nacionalidade ou bilhete de identidade, uma característica única que nos confere um valor diferencial na Península Ibérica », afirmou. O autarca oliventino destacou o valor histórico e os laços de união com Portugal: « A história deu-nos ferramentas úteis no presente e que podem ajudar a continuar a construir um futuro cheio de esperança. Parte desse futuro depende das relações com Portugal ».

Um pedido cada vez mais frequente

Olivença foi portuguesa até ao ano de 1801, fica a 23 quilómetros de Elvas, no distrito de Portalegre, e a 24 de Badajoz, província a que pertence na região autónoma da Estremadura espanhola. A ligação a Elvas e ao restante território português é feita por uma ponte sobre o Rio Guadiana construída no ano 2000, ao lado das ruínas da antiga Ponte da Ajuda, destruída depois da tomada da vila, pelos espanhóis.

O processo de obtenção da nacionalidade portuguesa por oliventinos tem sido levado a cabo desde há vários anos a esta parte e algumas centenas de pessoas de Olivença já a obtiveram.

Em 2014, por exemplo, 80 habitantes de Olivença adquiriram a nacionalidade portuguesa, tendo sido entregues vários lotes de processos com algumas dezenas de pedidos junto do Estado português para obter a dupla nacionalidade, através da associação « Além Guadiana », tal como aconteceu em 2018 quando 103 habitantes obtiveram dupla nacionalidade.

Nas legislativas de 2019, pela primeira vez na história, cerca de 500 habitantes de Olivença com dupla nacionalidade puderam exercer o seu direito de voto nas eleições para o parlamento português.

Entre os motivos que os levam a solicitar a dupla nacionalidade estão os vínculos culturais e afetivos, sendo que, sobretudo nas gerações mais jovens, o pedido de nacionalidade portuguesa baseia-se em eventuais oportunidades educativas. A Estremadura é a região espanhola onde há mais alunos a estudar a língua portuguesa. Segundo dados obtidos pelo Instituto Camões, junto das autoridades educativas locais, havia na Estremadura espanhola mais de 22 mil alunos em 2020.

 

[Foto: Diana Quintela/Global Imagens – fonte: http://www.dn.pt]