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Comentário sobre o livro de Alípio Freire

Hans Hofmann, Combinable Wall I and II, 1961

Escrito por WALNICE NOGUEIRA GALVÃO*

No livro que a editora Expressão Popular anuncia, Alípio Freire arroja-se a inéditas aventuras estéticas, exercitando-se no verso livre de uma sequência de poemas de tamanho variado. Ou, para dizer de outro modo, um poema longo disposto em partes – ciclo, rapsódia ou suíte.

São assim convocados os principais mitos da civilização ocidental, e particularmente os luso-brasileiros, como o título do livro já sugere. Do rebate a contraluz da trajetória de D. Sebastião emana a aura que impregna esta lírica, mesmo quando não trata diretamente do tema. Sem a égide de D. Sebastião, muito ficaria por entender.

Mais que aos brasileiros, este mito pertence aos portugueses, com conhecidos reflexos nestas plagas: a começar pelo topônimo daquela que foi durante séculos a capital do Brasil e é até hoje seu cartão postal, a Mui Heróica e Leal Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, assim batizada em homenagem àquele que era então o rei. Sem falar nos numerosos afloramentos do sebastianismo, que cá e lá repontaram.

Tudo isso começou em Alcácer-Quibir, em 1578. Pois, ao tombar nessa batalha no norte da África, em que capitaneava uma impensada e anacrônica cruzada contra os mouros, o jovem D. Sebastião não passava dos 24 anos. Seu cadáver nunca foi encontrado, esse desastre mergulhando o país numa catástrofe sem precedentes. Com ele pereceu a fina flor da nobreza cuja idade regulava com a sua. Na falta de herdeiros da linhagem real, Portugal perdeu sua independência, passando à coroa de Espanha. Só em 1640, e a muito custo, recuperaria a autonomia.

Como o rei não morrera oficialmente, mas apenas desaparecera, começou-se imediatamente a tecer o mito de seu regresso. Agora ele era O Encoberto, oculto pelas brumas de que ressurgiria um dia, para reconduzir a nação a um destino triunfal.

Mas a ferida era profunda. Foi assim que nasceu o sebastianismo, deixando marcas indeléveis no corpo social e na literatura lusitana. Falsos D. Sebastião apareceram sucessivamente, arrastando o povo que lhes dava fé e acorria a seu apelo. As famosas Trovas do Bandarra – um sapateiro vidente – foram lidas não como quimeras populares, mas como reatualizações de Nostradamus; e tanto em Bandarra quanto em Nostradamus era possível decifrar indicações da volta do messias. Essa forma peculiarmente luso-brasileira de messianismo – quando, em tempos de crise, o povo incorpora um salvador – resultou em surtos de sebastianismo que dilaceraram a história de Portugal e do Brasil.

De fato, a morte de D. Sebastião encerra, com estrondo, o grande período das navegações e descobrimentos, fase áurea que terminou abruptamente, entrando desde então a nação portuguesa em gradual decadência, da qual não mais se recuperaria. Tanto basta para criar um mito e suas irradiações.

Em Portugal, resultou em alta literatura e inspirou os maiores escritores, desde os presságios funestos de Os Lusíadas até a utopia do Quinto Império do padre Vieira. Este, nascido e crescido sob domínio espanhol, tentou convencer o rei D. João IV de que cabia a Sua Majestade assumir pessoalmente a missão d`O Encoberto. Sinais como esses impregnam a obra de Fernando Pessoa, especialmente Mensagem, quando, no poema “D. Sebastião, rei de Portugal”, atribui a El Rei estas palavras: “… onde o areal está/ Ficou meu ser que houve, não o que há.”. Ao fazer o elogio da loucura, a que se deve o desatino da empreitada e por isso mesmo sua grandeza, termina por notáveis versos: “Sem a loucura que é o homem/ Mais que a besta sadia,/ Cadáver adiado que procria?”

Tal é o vasto pano de fundo histórico e mitológico que alimenta o imaginário destas páginas: as ressonâncias não se resumem ao título, mas se disseminam por todo o ciclo poético. Os dois primeiros poemas, um médio e outro curtíssimo, “Cântico” e “Recomeço de século”, formam um introito e constituem uma incitação à continuidade das vidas e dos processos existenciais.

O cunho central desta rapsódia vem a ser seu alcance universal. O poeta estaca e, a partir de um olhar panorâmico, em gesto inaugural convoca a história do mundo e a trajetória da humanidade. A registrar, a inspiração surrealista, que apreende e transfigura em palavras um material riquíssimo, multicultural, numa meditação sobre nossas origens.

Nota-se de saída o manejo da intertextualidade e o diálogo com a grande tradição literária da “última flor do Lácio”: Fagundes Varela, Oswald de Andrade, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Mário de Andrade e muitos outros, entre os quais Omar Khayam. Mas também pululam as citações pop, provenientes de ditados e frases feitas, ou então pinçadas em canções: “se oriente, rapaz” e “vou navegando, vou temperando”. Sublinham a presença do ready-made, em incrustações das mais diversas procedências, inclusive o latim escolar (“Morituri te salutant”). A fusão entre erudito e popular vinca o discurso, que faz bom uso do coloquial.

Outro registro a ressaltar, e que não poderia ser de somenos neste poeta, é o humor, em várias gradações, que vão do mais deslavado ao mais insidioso. A intromissão do lúdico, do infantil, até do tatibitate, só vem a acentuar o humor. Efeito para o qual concorrem a enumeração caótica e o pendor para a “palavra puxa palavra”, seja por paronomásia seja por afinidade de sentido. A opulência vocabular ganha relevo extraordinário.

Entretanto, o surrealismo talvez seja o filão mais rico em que esta suíte se abebera, aparecendo já saliente em Marco zero, com suas homenagens a Oswald, em Mourarias da Nau Catarineta e em Cordel da senhora rainha dona Tareja. Neste último, diferindo do verso livre predominante na suíte ao utilizar a redondilha maior típica do gênero, o poeta interroga a mãe de D. Afonso Henriques, fundador da nação portuguesa. Este, como se sabe, expulsou o invasor mouro e se desentendeu com a mãe, mandando pô-la a ferros, como dizem os cronistas coevos. O poeta tenta deslindar o enigma do mito – mais um mito luso a compor a matéria literária –, já que a reputação da rainha acolhe várias versões.

Todas essas características fortalecem a Romança da Cadela Dourada, poema extenso que ocupa mais da metade do conjunto. Ali vêm convergir harmoniosamente os elementos que se vinham acumulando: o surrealismo, os jogos vocabulares, as fontes históricas. No jorro incoercível da imaginação, o poema é visionário, profético, sibilino, exemplar de poesia invocatória. Não é casual que as alusões bíblicas sejam tantas.

Nesta instância, as fontes tornam-se ainda mais remotas: não mais as sagas apenas lusitanas, mas sim as orientais, hebraicas, árabes e gregas. O leitor tem sua suspeita atiçada e dirigida pelas notas ao final dos poemas, indicando em que latitudes foram compostos.

Em livro anterior, Estação Paraíso, belo volume dado à luz pela editora Expressão Popular, Alípio Freire recolheu parte de seus poemas, criados ao longo de muitos anos e que, caso raro no país, privilegiam a política.

Escritos em memória de um passado militante, celebram a crônica da resistência à ditadura e os que nela tombaram. Predominam amplos voos líricos, numa dicção a muitos graus de elaboração, que se quer chã e despretensiosa. A exemplo de Das brumas de Alcácer-Quibir, trazem um diálogo aberto com nossa tradição poética, a todo momento irrompendo interpelações a outros vates, que vieram antes e que impressionaram este.

Na arte deste combatente sem esmorecimento não há desencanto, só esperança e propósito de prosseguir na luta, arrostando perdas, ostentando cicatrizes. Seus temas, apesar de tudo, não roubam o brilho ao raio de sol desferido pelo humor, que ilumina com certa frequência o panorama de Estação Paraíso – outro elemento em comum com o presente livro, não poupando o leitor da garra do autor.

No livro anterior ainda se observava uma certa contenção. Agora, o estro rompeu as amarras e alçou voo livre, libérrimo.

No entanto, o credo do poeta, que nunca se desmente, já fora plantado (ou chantado, como se escrevia no tempo de D. Sebastião) num padrão de pedra, nessas páginas que vieram antes. Como ele mesmo bem sabe, ao explicitá-lo no que poderia ser o lema de seu brasão, ainda que brasão proletário por convicção:

Com a memória em 64
os pés em 22
a cabeça em 68
e o coração sem tempo

E não poderia ser mais precisa a formulação. O ano de 1964 efetuou a ruptura de nossos destinos, ao interromper a trajetória democrática brasileira mediante a brutalidade de uma ditadura militar. Em 1968 nossas vidas se definiram perante o AI-5, quando as perspectivas se cerraram tendendo a zero e as trevas tombaram, soando a dobre de finados das esperanças de toda uma geração. Mas a fé na utopia forjou a resistência e teve guarida em posições políticas de confronto, encontrando suporte estético nos ideais libertários e de vanguarda da Semana de Arte Moderna de 1922: façanha de que só é capaz um coração que fique suspenso acima do tempo. Sem isso qualquer sobrevivência seria em vão; é o que diz este poeta, que ora nos empresta sua voz.

*Walnice Nogueira Galvão é professora emérita da FFLCH da USP. Autora, entre outros livros, de Lendo e relendo (Senac/Ouro sobre azul).

 

[Fonte: http://www.aterraeredonda.com.br]

En esta edición, Paranaländer escribe acerca del libro “Poemas Europeos. En guaraní, tobas qom y manjui” (2021), que contiene versos de varios autores del viejo continente traducidos a lenguas originarias de nuestro país.

Por Paranaländer

“Poemas Europeos. En guaraní, tobas qom y manjui” (2021), selección y edición de Sebastián Ocampos, Prólogo de Gloria Scappini. Traducción al guaraní: Gregorio Gómez Centurión, Traducción al toba qom: Juan Servín, Sandra Ramírez Caballero, Hernando Flores García, Traducción al manjui: Belisario González Gómez.

Los 27 países que conforman la Comunidad Europea, además de la constitución neoliberal casi inderogable, también tienen en común el prurito de hacer conocer la poesía de sus poetas respectivos, de los cuales se sienten orgullosos. En este caso concreto, son poesías que nos llegan a través de traducciones a lenguas indígenas paraguayas. Claro, a la sombra de esta entente, prosperan poesías de Chipre, Malta, Letonia…muy disminuidas al lado de tradiciones gigantes como las de Francia, Italia, Irlanda y Alemania. Así nos topetaremos a Valéry, Pavese, Yeats y Stefan George, junto a nombres que no nos dicen nada. Toda antología circunscrita por determinaciones políticas suele chocar con estas irregularidades y desarmonías. Traducir poesía era imposible, decían Blanchot y Benn. Una forma de homologar tales axiomas es pasando por el tour de force, por ejemplo, el portentoso poema “Vendrá la muerte y tendrá tus ojos” (de Pavese) al guaraní, aquí en versión firmada por Gregorio Gómez.

 

Oúta mano ha nde resa oguerekóta

Oúta mano nde resa reheve

—upe mano oikóva ñande ykére

pyhareve guive pytũ meve, ndokéi,

nohendúi, py’a tyairõguáicha

térã peteĩ jekoavy vaícha. Nde resa

ha’éta ñe’ẽ oguelele reíva,

sapukái yguy, peteĩ kirirĩ.

Upéicha rehecha ko’ẽ o􀇕uahẽvo

neañomi rejero’a jave

nera’anga ári. Nde, ko’ẽ porãve ahayhuetéva,

upe ára avei jaikuaáta

nde ha’eha tekove ha mba’eve.

Mano, opavavére katuete oma’ẽ.

Oúta mano ha oguerekóta nde resa

ha’éta ku jahejarõguáicha teko vai,

ñama’ẽramoguáicha ñane ra’angáre

jajekyty omanóva rováre

ñahendurõguáicha tembe oñembotýva

Kirĩrĩhápe ñañapymíta yai pochy ruguápe.

La selección de poetas mantiene un estándar alto cuando incluye a poetas como los ya mencionados además de a Pessoa, Kavafis, Jozsef, Szymborska, Lorca (a pesar que a mí no me guste), Södergran (ella vivió en Finlandia pero escribía en sueco), pero se confunde al poner como poeta austríaco a Zweig (debió ser Rilke aquí, y como checo a Holan o Nezval), y  a veces francamente renquea, cuando como representante de Bélgica se decide por Maeterlinck (conocido sobre todo por su teatro y libros ensayísticos como “La vida de las termitas”) en vez de, por ej., Michaux. Y, en otras, definitivamente se pierde cuando coloca como poesía checa (escrita en checo) a Rilke (es cierto, nació en Praga, pero cuando la city era parte del Imperio Austro-Húngaro y la lengua oficial -y de nuestro poeta- era el alemán).

Scappini en el prólogo valora la labor realizada en las lenguas de llegada: “estamos delante de importantes experiencias de traducción a tres lenguas vivas del Paraguay: el guaraní paraguayo, el toba qom y el man­jui. Las traducciones a cada una de estas lenguas estuvieron a cargo de referentes culturales que, en un encuentro inédito con la poesía europea, nos han compartido parte de su experiencia”.

Enlace para descargar el libro: http://revistay.com/poemas-europeos/

 

 

[Fuente: http://www.eltrueno.com.py]

Sobrou um cheirinho de alecrim

Escrito por JULIAN RODRIGUES*

Eu sei, eu sei.. a Revolução russa é o paradigma-mor, a chinesa algo extraordinário, a cubana, a coisa mais linda que fala tanto aos nossos corações latino-americanos. Porém, todavia, entretanto, contudo, confesso: a Revolução dos Cravos, ah a Revolução portuguesa…

O salazarismo, esse fascismo tão singular, quatro décadas de uma ditadura bem ibérica, reacionária e católica. Liderada por um intelectual, manteve alguma distância da radicalidade de Hitler e Mussolini – Portugal se manteve “neutra” na Segunda Guerra , e não conheceu uma guerra civil  sangrenta como a vizinha Espanha.

Um pequeno país, ainda metrópole colonial, atrasada e pobre, entretanto. O salazarismo não estimulava milícias, mas reprimia brutalmente. A virulência das guerras coloniais na África…

Saber que o Brasil é África, é indígena, mas é muito Portugal demais. A língua que é um “código secreto”, a herança colonial e suas tensões. E se lá houve aquele bas-fond todo, aqui também talvez role também.

Essa metrópole de segundo escalão, sempre a esperar Dom Sebastião. A aposta no futuro pelo regresso redentor. E não somos nós também desde sempre o país do futuro?

Nem Camões ou Pessoa, claro, puderam estancar a decadência – uma nação (europeia, pero no mucho), encurralada entre certo passado distante glorioso e remanescências de poderes coloniais.

O velho do Restelo (Os Lusíadas) teria acertado ? A vaidade e a cobiça daquela nação quinhetista que se queria império e se pôs a conquistar o mundo trariam fama e glória, mas junto com desastres, perigos, tormentas?

Portugalzão. Portugalzinha. Tão pequenina e tão predestinada à grandeza?  Fernando Pessoa aposta na reconstrução da história e da mitologia da pequena nação heroica (ou será que não?) –  Mensagem foi publicada em 1934, já com Salazar no poder (!)

Ponta da península ibérica, saramagueanamente  jangada pedrogosa – europeia descolada da Europa. Longe e pertim das Américas, Ásias e Áfricas. Tanto mar, tanto mar. Nossa mãe escravocrata, cruel e espoliadora essa  Portugal.

E aconteceu a Revolução dos Cravos,  o MFA… os capitães de abril. O furacão e  posterior derrota (que, ainda assim, moldou uma nova nação muito mais socialmente justa e moderna).

Por isso tudo que em todo 25 de abril  faço meu ritual: ouvir Grandola Vila Morena milhões de vezes (e muito José Afonso), visitar os sites do PCP, ler algo sobre a história da Revolução dos Cravos, ouvir muito Chico cantando as duas versões de Tanto Mar. Segue por aíAlgumas amigas amadas são minhas cúmplice nessa celebração íntima, ano após ano. (Quem disse que os ateus não têm suas cerimônias e rituais?)

Para entrar no clima, a canção-senha, Grândola Vila Morena:

O nosso Valerio Arcary esteve lá. Um artigo introdutório dele:  “A revolução portuguesa 1974/75: uma revolução solitária”

https://esquerdaonline.com.br/2018/04/25/a-revolucao-portuguesa-197475-uma-revolucao-solitaria/

Depois, é só ver o filme da Maria Medeiros, de 2000 já clássico: “Capitães de Abril”.

A aula de Rosa Gomes, do GMARX/USP, no curso da Fundação Perseu Abramo (Fascismo, ontem e hoje, façam!)

https://www.youtube.com/watch?v=z0WIhUd86gk&list=PLtsJqckMj3D54LC_yuqUAqn-L8HQ5uC6G&index=9

Gosto muito também do livro do  Lincoln Secco: “A Revolução dos Cravos: e a Crise do Império Colonial Português “.

https://www.estantevirtual.com.br/livros/lincoln-secco/a-revolucao-dos-cravos/2444154355

Chico (refiro-me à Francisco Buarque de Holanda, nascido em 1944, filho de Sérgio Buarque de Holanda e  Maria Amélia Buarque de Holanda,  o maior artista vivo do país)  em plena ditadura compôs uma música reverenciando a Revolução dos Vravos. Queria ele estar naquela festa do povo  português, torcendo para que algo assim aqui.

https://www.youtube.com/watch?v=hdvheuHhF2U

Depois da derrota do impulso revolucionário original, Chico refez a canção, com pequenas e geniais adaptações (foi bonita a festa, mas esqueceram uma semente em algum canto), conservando a beleza estético-política da obra.

https://www.youtube.com/watch?v=ST30-i7cZJk

Estou sentindo algum cheirinho de alecrim, fraquinho. Escuto sinais, todavia. Tem flores vindo aí, muitas flores.

Tou vendo uma esperança (viva Henfil)!

Lula presidente em 2022 é a campanha das nossas vidas.  Não tem nada a ver com uma eleição comum. Trata-se de um tsunami cultural, político e social. A superação de um ciclo de trevas. O marco de um novo tempo:  vida x morte, civilização x barbárie. O enterro do bolsonarismo e do neoliberalismo!

Mas tudo começa agora. Estamos desafiados a instituir uma disrupção político-cultural-ideológica-programática-ética-estética.

E viva a revolução dos cravos!

*Julian Rodrigues é professor e jornalista, ativista LGBTI e de Direitos Humanos.

[Imagem: Anderson Antonangelo – fonte: http://www.aterraeredonda.com.br]

Triángulo Reutersvärd

 

Escrito por Joám Lopes Facal

Cremos observar maior toleráncia com a escrita reintegracionista e mesmo um incipiente avanço, perceptível na imprensa digital. Entre os cultores da modalidade reintegracionista há quem até se atreve a prognosticar um hipotético armistício com os mandatários da normativa habitual que denominam bi-normativismo ou bi-modalismo. Embora prefiramos guardar um saudável cepticismo sobre a possibilidade de um armistício honroso em matéria ortográfica, tampouco é descartável tal eventualidade caso o segmento social alheio às vantagens de adoptar a ortografia histórica — RAG, ILG, imprensa, editoriais — vaiam aceitando as virtudes derivadas da Lei 1/2014 de aproveitamento dos vínculos com a lusofonia, ou, mais provavelmente, o crescente influxo da aranheira global, mais conhecida por a WEB.

Sinais prometedores nom faltam, algum tam avançado como a proposta do galego de qualidade formulada e praticada polo ilustre gramático X. R. Freixeiro Mato que, em rigor, cabe interpretar como reintegracionismo genuíno salvo no formato ortográfico. Já agora, senhores académicos, para quando o reconhecimento do nosso melhor gramático como membro numerário da RAG? Seria óptimo poder comprovar que a RAG é mes que um club.

Como quer que seja, os efeitos benéficos do reintegracionismo começam a patentear-se na generosa ampliaçom da flexom verbal, na precisom sintáctica, na adopçom de marcadores discursivos ou na crescente presença de neologismos estáveis frente às frágeis improvisaçons habituais na matéria. Tempo ao tempo. Resiste-se por enquanto a mudança ortográfica nom obstante as suas manifestas vantagens. A ortografia histórica, rejeitada por motivos de comodidade ou por simples inércia espanholista, proporcionaria ao nosso idioma umha potente marca identificativa ante a inexorável deriva assimilativa ao castelhano e, o mais importante, permitir-nos-ia ler e pronunciar correctamente os nossos próprios apelidos e a nossa toponímia genuína, percebidos agora como um corpo estranho.

Neste árduo percurso do provinciano galeñol ao galeguês internacional há ainda outra área essencial a explorar, refiro-me ao universo lexicográfico próprio, próximo ou ampliado.

Proponho ao leitor umha breve visita guiada a esse fascinante continente da mão de três avezados exploradores: Issac Alonso Estraviz (1935), Álvaro Iriarte Sanromán (1962) e Carlos Garrido Rodrigues (1967). De formaçom humanística e férreo compromisso lexicográfico o primeiro; de sólido compromisso linguístico e ampla dedicaçom docente o segundo; de reconhecida competência científica em biologia e técnicas de traduçom o terceiro. Laureados polos seus pares com a inclusom no modesto olimpo dos lusistas observantes que é a AGLP1 os dous primeiros; experimentado artífice na arte da taxonomia lexicográfica — tam ligada ao ofício de biólogo — e avezado analista do ecossistema das línguas europeias, como mestre de traduçom que é, o terceiro.

IE)- O tenaz empenho que deu lugar ao Dicionário on line de Isaac Estraviz2 e a sua opulência lexicográfica nom o salvou da condenaçom ao ostracismo sem atenuantes nem julgamento. O pertinaz desdém oficial pola benemérita compilaçom lexicográfica de Estraviz poderia proceder talvez da indiferenciada inclusom no magno Dicionário de vocábulos de genuína estirpe galega com outros de procedência internacional. Ou talvez do menosprezo polos méritos académicos do filólogo de Trasmiras. Tudo é possível em matéria de fobias filológicas. A arrogáncia da congregaçom académica evoca de imediato o caso exemplar da insigne lexicógrafa Maria Moliner, excluída em vida da honra académica por motivaçons talvez semelhantes, agudizadas no seu caso pola impenitente misoginia dos círculos do poder. Umha certa afinidade moral acentua a semelhança entre ambos lexicógrafos: Isaac leva enriquecendo o seu dicionário toda a sua vida; o ímpar Diccionario de uso del español de Maria Moliner foi também obra de longa maduraçom; iniciada em 1952 ficou inconclusa no momento da sua morte, em 1981, o que lhe furtou a satisfaçom de poder contemplar a ediçom em papel e CD-ROM de 1998.

O legado lexical de Estraviz, custodiado por umha sólida equipa de suporte, luze sem tacha as suas 138.000 entradas que atraem meio milhom de consultas cada ano. A abertura do Dicionário à ecúmena luso-galaica nom lhe impediu o mais minucioso rastejo do vocabulário autóctone3. A propósito, atrevo-me a sugerir ao eminente lexicógrafo e à sua competente equipa a conveniência de assinalar como é devido o vocabulário especificamente galego com a marca [gz], reservada até o momento a balizar a colisom do ditongo alóctone [-ão] com o autóctone [-om]: edição (-om, gz). A equiparaçom assimétrica das três variantes do sufixo [-om / -ám / -ao: funçom / capitám / verao], em benefício imerecido do indesejado ditongo [-ão], Fernando Venâncio dixit, é tam respeitável como objectável num dicionário galego de vocaçom normativa como é o Estraviz.

O facto de o Estraviz disponibilizar o léxico autóctone galego através de híper vínculos (456) nom soluciona adequadamente o problema, porquanto remete a um simples vocabulário desligado das entradas ordinárias do dicionário. O qualificativo de tesouro lexical galego-português do Dicionário bem merece a delimitaçom das diferentes províncias lexicais de procedência, como o Houaiss fai. O respeito à dimensom nacional do galego assi o demanda.

AI)- A equipa de suporte do Dicionário Estraviz guarda com discriçom um outro vértice da minha tríade lexicológica particular de referência: Álvaro Iriarte Sanromán7. Figura discreta do nobiliário reintegracionista que nom pode ocultar o seu inapreciável magistério na arte de transitar os traiçoeiros desfiladeiros que fracturam a fronteira linguística castelhano-portuguesa.

O professor Iriarte, redondelano de nascimento e bracarense de adopçom, é o redactor e responsável do Dicionário Espanhol-Português (Porto Editora, primeira ediçom, 2008) de incontornável referência para os praticantes do português deste lado da fronteira. A filosofia que o inspira luze na citaçom do Livro do Desassossego de Pessoa que lhe serve de lema:” por que escrevo eu este livro? Porque o reconheço imperfeito. Calado seria a perfeição, escrito imperfeiçoa-se; por isso o escrevo”. Aforismo de teor zen adoptado por quem sabe medir a distáncia que vai do perfeito ao imperfeito que os doutorados em autossuficiência ignoram.

Se a intençom do Dicionário Estraviz fica claramente exposta no seu prefácio: reintegrar o galego na sua linhagem linguística8; a do Iriarte adentra-se ousadamente na árdua destrinça do enguedelho da interface linguística luso-espanhola. Além de delimitar com precisom semelhanças e diferenças terminológicas, o autor avança com pé firme na selva semántica das palavras. A declaraçom de intençons sobre o contido da tarefa lexicográfica empreendida admira pola ambiçom do propósito9definiçons e transcriçom fonéticamapa semántico e restriçons de usoinformaçom gramatical e enciclopédicainformaçom pragmática (contextual) e sintagmática (combinatória), pormenorizadamente ilustrado com exemplos aclarativos. Um potente arsenal, apto para reactivar a nossa fronteira linguística com o castelhano, tam magoada polo embate das interferências substitutivas e das extravagáncias hiperenxebristas. Consultem a voz pié e o seu mapa de conexons com o pé português e observam os amigos dos dicionários10 o dilatado continente de semelhanças e diferenças que se abre ante os seus olhos.

CG)- O perfil do professor da Universidade de Vigo Carlos Garrido assenta na firme vocaçom pedagógica e divulgadora e a manifesta mestria na arte taxonómica, tam congruente com a sua formaçom de biólogo. Carlos Garrido presidiu a Comissom Linguística da AGAL entre 2000 e 2015, e preside a da AEG desde 2016, tarefa prolongada nos incisivos comentários filológicos que continua publicando na imprensa digital. Contodo, a vocaçom pedagógica e divulgadora do professor é umha parte apenas do seu valioso contributo ao aperfeiçoamento do galego como língua nacional merecedora de norma própria. Aqueles que desconheçam a dimensom científica de Carlos Garrido podem ficar surpreendidos com o facto de ele ter publicado um dicionário de biologia de referência na prestigiosa editorial universitária brasileira EDUSP11: o Dicionário de Zoologia e Sistemática dos Invertebrados em quatro idiomas12 em cujas virtudes nom vou insistir porque já tem sido objecto do meu comentário em Praça Pública ao qual remeto o interessado13. A obra, gostaria acrescentar, contribui a potenciar a projecçom científica do galego e a erradicar a sua consideraçom como modesta língua doméstica e coloquial. O mesmo que Iriarte, Carlos Garrido encabeça o seu Dicionário com umha requintada referência a Carvalho Calero, à qual já aludim no meu artigo em Praça. Pessoa e Carvalho, dous poderosos padroeiros do galego sem fronteiras.

O decidido empenho de depuraçom lexical acometida polo professor ourensao-viguês, dirigido a confirmar um galego autocentrado e congruente com a sua família na romanística, inspirou a elaboraçom de duas ambiciosas obras de codificaçom e crítica lexical: a monumental investigaçom Léxico Galego: Degradaçom e Regeneraçom, (2011, Edições da Galiza) e O Modelo Lexical Galego. Fundamentos da Codificaçom Lexical do Galego-Português da Galiza, (2012, Através). Duas obras complementares de análise lexicográfica e diagnose precisa do processo de degradaçom que tolhe o nosso idioma e dos critérios que devem presidir a sua reabilitaçom.

Léxico Galego foi objecto de umha elogiosa resenha do professor X. M. Sánchez Rei na Revista Galega de Filoloxía à qual remeto o interessado14. Quanto ao Modelo Lexical, é um pormenorizado catálogo das doenças degenerativas do galego e das suas consequentes estratégias correctoras: variaçom sem padronizaçom (geográfica, de registo, de frequência), substituiçom castelhanizante (por reforço ou usurpaçom), erosom ou estagnaçom com suplência castelhanizante, sem esquecer os diferencialismos, corpos estranhos estes, resistentes a tratamento pola sua habilidade para mimetizar-se como galego genuíno. Um potente aparelho conceptual, em fim, arquitectado para tabular o léxico e isolar as suas variedades tóxicas. O Santo Graal do reintegracionismo que inspira o minucioso labor lexicográfico de Carlos Garrido é esse Padrom Lexical Galego, PLGz, limpo das pejas adventícias que conspiram para degradá-lo a simples bable do castelhano.

O mau agoiro da extinçom por confluência com o castelhano é exorcizado polo nosso terceto virtuoso como prenúncio desse galego emancipado, livre por fim da gaiola dourada em que vive confinado.

Notas

1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Academia_Galega_da_L%C3%ADngua_Portuguesa

2 https://www.estraviz.org/prefacio.php

3 Além de vocábulos de inequívoca procedência galega como “enxebre”, “chainhas”, “trosma”, “relambido”, “nifroso”, “interquenência”, “duira” e tantos outros; também inclui locuçons infrequentes como “bardantes de” bem viva na minha memória linguística familiar e abonada aliás pola minha irmã Susana na sua tesinha de licenciatura na USC, Fala e cousas de Toba, (1968), resumida no Anuário galego de filologia Verba, vol.2, 1975.

4 https://gl.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9xico_da_Galiza

5 https://www.estraviz.org/lexicoaglp.php

6 https://web.archive.org/web/20160617075850/http://www.academiagalega.org/publicacoes/lco-da-galiza-mainmenu-50/114-lexico-da-galiza-edicao-on-line.html

7 https://uminho.academia.edu/AlvaroIriarteSanrom%C3%A1n/CurriculumVitae

8 Dicionário Estraviz, https://www.estraviz.org/acerca-de.php

9 https://alvaroiriarte.wordpress.com/2008/02/25/algumas-caracteristicas-do-novo-dicionario-de-espanhol-portugues/

10 Permitam-me recomendar-lhes um aliciante opúsculo de um amante informado deste fascinante disciplina: https://editorial.csic.es/publicaciones/libros/11916/978-84-00-09228-3/la-presunta-autoridad-de-los-diccionarios.html

11 http://www.porsinal.pt/index.php?ps=directorio&cat=27&iddir=297

12 https://www.edusp.com.br/livros/dicionario-de-zoologia/

13 https://praza.gal/opinion/nomear-invertebrados-com-cg

14 https://illa.udc.gal/Repository/Publications/Drafts/1444129797990_Carlos_Garrido.pdf

[Fonte: http://www.praza.gal]

‘Chegadas, saídas. O antigo camiño de ferro Santiago de Compostela-A Coruña é o título do volume compilado por Manuel Pazos no que fai un percorrido exhaustivo e emocional pola vella vía de tren entre Compostela e A Coruña. Unha viaxe á situación na que está a infraestrutura que logrou manterse en pé até hoxe.
Imaxe da antiga estación de Oroso, hoxe derruída. (Foto: Enrique Castillo)

Imaxe da antiga estación de Oroso, hoxe derruída.

Escrito por Ana Triñáns

« Tentei elaborar un volume que constituíse unha documentación complementaria, non só con carácter técnico senón tamén literaria, con poemas e con fotografía, o que nomeei ‘fotopoemas’, cos testemuños da xente… Un libro para o público xeral ». Así presenta Manuel Pazos o seu volume Chegadas, saídas. O antigo camiño de ferro Santiago de Compostela-A Coruña, editado pola A. C. Obradoiro da História e co patrocinio do Concello de Oroso.

Esta publicación de case 200 páxinas e que combina documentación técnica, mapas, fotografías, versos e memoria oral, tardou en xestarse arredor de ano e medio. Un tempo no que o autor percorreu o tramo da vía férrea da liña Zamora-A Coruña que comunicaba a capital galega, Compostela, e a cidade herculina. Neste camiño puido comprobar en primeira persoa o abandono no que permanece este capítulo da historia socioeconómica da área noroccidental da Galiza.

A obra dos autores Lluís Prieto e Pedro Pintado, O ferrocarril directo á Galiza, foi para Manuel Pazos un cimento importante a partir do que construír a súa obra, coa que, entre outras cuestións, consegue darlle á historia do tren « o carácter galego necesario para entender a xente », e o seu vencello co tren.

A estrutura deste volume

Chegadas, saídas. O antigo camiño de ferro Santiago de Compostela-A Coruña constitúe un documento pormenorizado da historia deste tramo da vía Zamora-A Coruña. Nel, Manuel Pazos compila a cronoloxía dun século de comunicación entre Galiza e Castela por tren, entre 1858 e 1958.

A construción e posta en funcionamento do cuarto treito desta vía, o que uniría as cidades de Compostela e da Coruña, é outro dos capítulos do libro, no que non se pasan por alto nin os anos da represión nin a visita do ditador Franco para inaugurar o tramo, en 1943. « Moita xente maior acórdase da apertura da vía, cando veu Franco », explica Pazos, « moita desa rapazada agora ten arredor dos 80 anos e viron inaugurar o tren, fechar a vía… Nesas persoas ten un impacto que só pasaran 60 anos », recalca o autor.

A partir de aí, a arquitectura que rodeaba cada unha das estacións (con vivendas, almacéns, apeadoiros, depósitos da auga, aseos, túneles…) e a fiel descrición das súas estacións e dos elementos máis destacados do percorrido completan un catálogo ao que se une a memoria oral da xente coa que se entrevistou Manuel Pazos e a combinación poética que elixiu.

Unha ollada desde a lírica

O que le chama « fotopoemas » son conxuntos de fotografías e fragmentos poéticos de autores e autoras de todo o mundo nos que o tren é protagonista. Desde o afamado « Na chegada a Ourense da primeira locomotora » de Curros, até « O tren » que cantaba Andrés do Barro, pasando por Gerardo Diego, Pablo Neruda ou Fernando Pessoa, percorren o volume de Manuel Pazos ilustrando imaxes dos anos 50 e 60 até instantáneas máis recentes daqueles puntos máis importantes da vella vía.

Do abandono á Vía Verde

« O que pasou con esta vía está a pasar con outras, onde se comezan a transformar os percorridos co gallo de habilitalos para os trens de alta velocidade », advirte Manuel Pazos, quen lembra que as estacións « quedaron abandonadas e a xente entrou e levou fotografías, reloxos… ». « Ninguén desde Madrid, desde Adif (Administrador de Infraestruturas Ferroviarias), tivo a preocupación de protexer ese patrimonio, non só arquitectónico senón tamén documental », denuncia.

E o fío da creación da Vía Verde entre a Sionlla e Meirama, o tramo no que xa non queda vía, Manuel Pazos expón que entre o abandono da vía e esta iniciativa « o que non se fixo foi aproveitar os raís, como se fai por exemplo en Escocia, onde se lle dá ao tren un sentido turístico e de proximidade, utilizando locomotoras a vapor con vagóns de época que levan xente e turistas, cobren unha dupla función ». Por iso, o autor de Chegadas, saídas. O antigo camiño de ferro Santiago de Compostela-A Coruña lamenta a chegada desta Vía Verde sobre o que foi parte da nosa historia.

Abandono de túneles e pontes

A vía que unía Compostela e Meirama (Cerceda) desapareceu case por completo e, con ela, chegaron as silvas e as matogueiras aos camiños, aos túneles e aos viadutos. O abandono das estacións e dos apeadoiros carrexou o estrago e espolio do patrimonio arquitectónico e documental que supuña a contorna dunha estación de tren. Este tramo da liña Compostela-A Coruña é o que agora pasará a formar parte da chamada Vía Verde da Sionlla a Meirama.

 

[Imaxe: Enrique Castillo – fonte: http://www.nosdiario.gal]

Guatemalteco de nacimiento pero norteamericano de formación, el escritor lleva años y libros convirtiendo la historia de su familia en la mejor ficción. La última es ‘Canción’ (Libros del Asteroide), y en ella rinde homenaje a su abuelo, un libanés “que no lo era”, secuestrado por la guerrilla.

Su otro abuelo también le marcó. Era polaco, había sobrevivido a Auschwitz pero siempre les había contado a sus nietos que el número que llevaba tatuado en el antebrazo era el de su teléfono, “para no olvidarlo”. Solo cuando Eduardo Halfon (1971) tuvo 25 años les reveló la verdad, cómo salvó la vida en el campo de exterminio gracias a un boxeador que le enseñó las palabras exactas para sobrevivir… Fue entonces cuando el escritor descubrió la magia de la literatura y esa impostura genial de ser narrador.

Pregunta. ¿Cómo y cuándo surgió la necesidad de contar la historia de Canción, y el secuestro de su otro abuelo por la guerrilla guatemalteca?

Respuesta. Canción nace de un nombre, o de un apodo, o más bien de una frase. No es la primera frase del libro, ni tampoco la primera que escribí, pero sí la que me abrió la puerta para entrar a su historia. Ya había viajado a Japón en mi disfraz de escritor libanés, y escrito sobre ello. Ya había buscado en mi infancia momentos significativos del secuestro de mi abuelo, y también escrito sobre ello. Sentía que poco a poco me estaba acercando no solo a escribir algo sobre la vida de mi abuelo y de su identidad libanesa, sino a escribir algo sobre la historia reciente de mi país, sobre el conflicto armado interno. Pero fue tropezarme con una frase lo que articuló aquello que yo venía sintiendo, y me desveló el libro que ahora debía escribir.

P. ¿Y cuál fue esa frase?

R. Era enero de 2019. Estaba en Guatemala, de visita, y me puse a hojear un viejo ejemplar de Los años de la resistencia, de Miguel Ángel Sandoval. En un par de páginas, y en primera persona, Sandoval narraba los detalles del secuestro de mi abuelo por la guerrilla guatemalteca, en enero de 1967, y especialmente la participación de uno de los guerrilleros, un tal Percy Amílcar Jacobs Fernández. Y como Percy trabajaba entonces en una carnicería, intentaba explicar Sandoval, sus compañeros lo apodaron Canción. Yo de inmediato alcancé un lapicero y medio pliego de papel celeste que mi hijo había dejado sobre la mesa y, con cierta urgencia, empecé a garabatear algunas frases cortas, hasta que llegué a esta: Le decían Canción porque había sido carnicero. No sabía nada más. Tampoco entendía la frase del todo. Pero me gustó. Quizás por su música. O por su misterio. O porque era a la vez hermosa e irracional. O quizás porque hacía lo que debe hacer toda frase literaria: abrir una puerta y sonreír a medias y convidarnos a entrar en una historia ilógica, secreta, personal.

Traiciones, polvo y olvido

P. Como el lector se pregunta ante cada uno de sus libros, ¿dónde empieza la realidad y dónde la ficción? ¿Existió ‘Canción’?

R. Digamos que sí, alguna vez existió un tipo llamado ‘Canción’. Pero no es el mismo ‘Canción’ que ahora corre por las páginas de mi libro. Al igual que el Eduardo Halfon que lo está persiguiendo en esas páginas no es este que responde unas preguntas. Los dos personajes existen ya como personajes, están vivos, son únicos, pese a cualquier semejanza con la realidad. Una realidad, claro, que ya no existe. Es decir, ahora solo existe el ‘Canción’ que yo escribí. El otro, el real, ya no es más que polvo y olvido.

P. ¿Y el amigo íntimo de su abuelo, judío como él, que le traicionó dando su nombre a la guerrilla? ¿No recuerda eso a lo ocurrido en los guetos durante el nazismo?

R. Por supuesto, y tal vez por eso mismo me llamó tanto la atención, debido a su paralelismo con algunos judíos que traicionaron a otros judíos en los guetos, traiciones que seguramente conoció de cerca mi otro abuelo, mi abuelo polaco. Pero también es similar a la traición del joven indígena entregándoles a los militares guatemaltecos a presuntos colaboradores de la guerrilla, en San Juan Acul, señalando y enviando así a dieciocho de sus amigos y familiares a la muerte, o al infierno, como él lo llamaba. Hay algo similar en los tres casos, me parece. ¿Qué pasa cuando tu familiar o tu amigo más íntimo te traiciona de esa manera? El cobarde siempre se abandona primero a sí mismo, dice Cormac McCarthy, y después de eso todas las traiciones son fáciles.

P. Este es quizá su libro más político porque no parece que Guatemala haya cambiado mucho. Y los crímenes de entonces siguen impunes. ¿Tenemos derecho a olvidar?

R. Nunca se olvida a nuestros muertos y torturados, aunque parte de la sociedad se empeñe por echarles encima una manta y seguir actuando como si esa montaña de cadáveres y huesos no estuviese ahí. Las víctimas aún viven con nosotros, entre nosotros, porque sus historias siguen aquí. Pero hay que atreverse a desenterrarlas y desempolvarlas y buscar la manera de contarlas de nuevo. Son las palabras nuestro escudo y lanza contra la impunidad.

P. Nieto de un libanés que no era libanés, en sus libros se retrata como un guatemalteco que piensa en inglés y escribe en español… ¿Tiene ya claro de dónde es, o quizá la pandemia ha acentuado ese desarraigo vital que le impide sentirse guatemalteco, judío, libanés, norteamericano?

R. El desarraigo que siento nada tiene que ver con una tierra física. Pasé un año en París, donde terminé de escribir el libro, siempre sintiéndome como un extranjero o como un invitado. Ahora mismo estoy viviendo en un pueblo pequeño en el sur de Francia, y la sensación de temporalidad es la misma aquí que en París, o que en Nebraska, o que en Guatemala, o que en La Rioja. Nada ha cambiado. Siguen mis mudanzas. Sigue mi mismo desarraigo. La pandemia simplemente ha hecho que mi diáspora sea más fácil de explicar..

Heredero de ese mismo desarraigo, el hijo de Halfon, de cuatro años, es trilingüe: “Su lengua materna es el español, claro, porque es el idioma que hablamos en casa. Pero nació en Nebraska, y habla inglés. Y ahora, tras año y medio en el sistema escolar francés, ya es un perfecto francófono. Le leo cuentos en los tres idiomas. Pero él ya corrige mi francés”.

Un enigma imposible

P. Volviendo a sus libros, ¿son quizás un intento de descifrarse a sí mismo?

R. Si mis libros lograrán descifrar a alguien, no será a su autor, pues al terminar de escribir cada uno me siento aún más perdido. Y tampoco estoy seguro de que logren descifrar a ese otro Eduardo Halfon, ese hombre que tanto deambula y tanto fuma y que parece siempre estar a punto de captar o entender algo que luego nunca entiende. Hago literatura. Es decir, no tengo ninguna intención más allá de contar historias usando las palabras más bellas. No quiero descifrar nada. No quiero plasmar nada. No quiero que funcione o que tenga una utilidad. La literatura es insensata, irresuelta, inexplicable, irrepetible, como un primer beso.

“Si mis libros logran descifrar a alguien, no es a su autor. al terminar de escribirlos me siento aún más perdido”

P. Hace tiempo explicó que el punto neurálgico de su proyecto literario es la historia de su abuelo superviviente de Auschwitz. ¿Qué aporta su último libro a ese proceso de desciframiento? ¿Es una declaración de amor a Guatemala, o el pago de una deuda sentimental a su otro abuelo, el libanés no libanés?

R. Creo que es ambas, aunque más diría que es un acercamiento que una declaración de amor o una deuda sentimental. No estoy enamorado de mi país natal, ni siento lealtad o patriotismo. Y tampoco había una relación sentimental o amorosa con mi abuelo libanés. Pero sí sentía una atracción literaria hacia ambos, o, mejor dicho, hacia sus historias: la de mi abuelo, y la de mi país. Y en este libro esas historias se cruzan. Pero mi interés al escribirlo era exclusivamente literario. No sentimental. Al igual que lo fue hace casi quince años, cuando empecé a acercarme a la historia de sobrevivencia en Auschwitz de mi abuelo polaco. Y me parece que él sigue ahí, en el centro de todo, soportando en sus hombros el peso de todas las páginas que he escrito después. Aunque quizás ahora, a su lado, está mi otro abuelo prestándole un hombro, ayudándolo con el peso.

P. Decía Pessoa que el poeta es un fingidor. ¿Eduardo Halfon también lo es, un cuentista que finge escribir novelas?

R. Yo creo que más que cuentos o novelas, yo escribo episodios. Cada uno es un mundo cerrado, autónomo, independiente, pero sin perder de vista su lugar en el conjunto total. No son cuentos, realmente. Y al juntarlos, tampoco forman capítulos de una novela, o al menos no una novela en el sentido tradicional. Alguna vez alguien me dijo que mis cuentos o novelas son como planetas en un sistema solar, algunos más próximos al sol, otros más lejanos, algunos grandes y otros más pequeños, cada uno en su propia órbita pero también íntimamente relacionado a todos los demás.

La victoria del escritor

P. Lo que parece evidente es que el autor que despertó a los 27 años ha derrotado sin paliativos al ingeniero que pudo ser usted…
R. Más que derrotado, ese ingeniero fue domado. Tuvo que aprender cuál era su lugar. Tuvo que aprender a callar cuando la literatura está en proceso y caliente y no necesita de él. Pero aún sigue aquí. Es el que luego pone orden, el que luego se asegura de que la estructura esté bien construida, ya sea la estructura de una frase, o de un párrafo, o de un cuento, o de un libro, o del proyecto entero.

“Nunca sé qué estoy escribiendo, ni cómo terminará. los finales siempre se me imponen con absoluta certeza”

P. Alguna vez ha mencionado, si no como maestros sí como inspiradores, a Carver Cheever, pero ¿a quiénes lee ahora, en qué idioma?

R. Leo mucho a mis contemporáneos, tanto a los que escriben en inglés como en español. Pero más y más releo unos pocos libros. Es decir, leo muchas veces unos cuantos libros que siempre me acompañan y cuya prosa me devuelve las ganas de escribir. Porque las ganas de escribir flaquean y desvanecen y hasta pueden fácilmente desaparecer. Las brasas de la escritura de vez en cuando necesitan un fuelle.

P. ¿Tiene claro desde el principio el final de cada libro que comienza a escribir?

R. Siempre, sin falta, me sorprende el final. Nunca sé qué estoy escribiendo, ni qué tan corto o largo será, ni mucho menos cómo terminará. Los finales siempre se me imponen con tesón, con absoluta certeza. Cuando empiezo a escribir un texto, lo único que tengo al alcance es una imagen algo vaga. Nada más. La historia, poco a poco, se va abriendo ante mí. Y yo he aprendido a callar y obedecer y servirle como si fuese su mayordomo.

P. Hace tiempo confesó que estaba harto del otro Eduardo Halfon, el narrador, diciendo algo así como “o me mata él o lo mato yo” ¿Cómo va la pelea, cree que acabará en K.O.?

R. O a lo mejor es él quien está harto de mí. Enviándolo a lugares extraños. Haciendo públicos los detalles más íntimos de su vida. He pensado, entonces, que hay una tercera posibilidad: podría él simplemente desaparecer, marcharse sin ni siquiera un adiós. Sería más elegante, ¿no?

 

 

[Foto: Ferrante Ferranti – fuente: http://www.elcultural.com]

Aínda hoxe teño vagos recordos de brincar con tres amigos a un xogo no que tiñamos que escoller un país estranxeiro. As eleccións, invariabelmente, eran as mesmas e todas se relacionaban cos destinos migratorios de parentes: Francia, Brasil, Suíza e México. Eu era o de México por causa dunha longuísima parentela que alí fora parar e chegara a facer unha pequena fortuna. Máis tarde souben que, en rigor, sería máis apropiado escoller tamén o Brasil, pois o meu avó Jaime, como moitos outros mozos de Redondela, tiña estado por alí uns anos, o cal, dígase de paso, deu lugar a unha tradición oral e familiar chea de divertidísimas anécdotas.

Sirva este breve episodio persoal para axudar a fixar o seguinte: a emigración en tanto que fenómeno social con múltiples dimensións —afectiva, cultural, económica, etc.— está moi presente na sociedade galega. Até nos xogos dos cativos de entón!

Máis alá do contacto de proximidade persoal ou familiar, o fenómeno migratorio galego ten tido unha presenza importante nos medios e, de maneira determinante, no sistema educativo. De feito, non parece inverosímil considerarmos a emigración como un elemento central da cultura galega contemporánea; isto é, moitos galegos enténdense hoxe, non de xeito exclusivo, mais tamén formando parte dun pobo emigrante, coas súas saudades.

Con esta perspectiva, sorprende en certa medida a escasa atención que a emigración con destino en Portugal ten recibido a nivel institucional, educativo ou até cultural. A sorpresa é maior, para quen isto escribe, cando se compara coa dimensión cuantitativa e cualitativa deste fenómeno. Porque aínda na actualidade falta luz sobre a proporción real, por exemplo, no que respecta ás súas orixes temporais. Cando comezaron a cruzar o río os galegos do norte do Miño? Ademais de que moi probabelmente o río Miño sempre foi navegábel, si sabemos con certeza que no século XVIII a ausencia de conflitos salientábeis entre as dúas monarquías peninsulares e o éxodo luso á conquista das riquezas descubertas no Brasil —Minas Xerais— fixo de Portugal, en acertada expresión recollida polo historiador Domingo G. Lopo, «unhas Indias á beira da porta».

Os motivos de tal desatención débese, na miña interpretación, a dous factores. Dunha banda, o feito de que os enclaves galegos de América acabaran sendo, tralo 36, o destino de significados axentes da emerxente cultura galega —con Castelao á cabeza—, que fixo que o espazo americano destacara para os galeguistas, entre outros; e, por outra banda, unha ampla visibilidade en medios académicos, até o presente. Fronte a isto, a emigración galega en Portugal, nomeadamente a outrora puxante colonia galega de Lisboa, no seo do Estado novo salazarista —apoio fundamental dos golpistas españois do 36—, deixará de ser unha referencia destacada para os galeguistas metropolitanos. Porén, convén ter presente que, especialmente a partir de mediados do século XX, Portugal perde a súa capacidade de atracción migratoria.

Súmase a isto, en segundo lugar, un factor non menor como é o feito de que na Galiza autonómica Portugal convértese nun foco de polémicas varias —nomeadamente a cuestión lingüística— e, en xeral e cos matices necesarios, un referente cultural non promovido polos grupos centrais do emerxente sistema cultural galego. Noutras palabras, a portugalidade desta emigración galega ten sido un obstáculo para acadar o seu (re)coñecemento institucional e social e igualmente a súa pertinencia como obxecto de estudo.

Son estes os motivos, ao meu ver, da estrañeza que eventualmente poderá causar no lector destas páxinas, dito naturalmente coa maior das cautelas, a palabra lisboano ou, en xeral, a emigración con destino a Portugal.

En dirección contraria a este aparente descoñecemento, cabe ter presente o intenso e amplo fluxo que levou a moitos galegos, da zona sur sobre todo, a terras portuguesas, con Lisboa como destino principal. Entre as varias existentes, anoto unha descrición habitual —da autoría de G. Felgueiras— dos galegos en Portugal:

«O grupo racial aldeão, rude e de sã virilidade, massa inculta procedente de Tui, Lugo, Redondela e seus termos, tinha figuras características, com seus matacões, cabelo cortado à escovinha, pescoço cachaçudo, peitaça e braços cerdosos, chancas, boina vasca e amplas calças de bombazina. Repartia a sua actividade pelas mais subalternas ocupações: aguadeiro, condutor de ‘bombas’ para extinção de incêndios, vendedor de rendas, criado de casas de pasto, tascas e botequins, moço-de-fretes (carrejões ou mariolas) e amolador de tesouras e navalhas».

Ás profesións indicadas podería aínda sumarse a de castrador de felinos, como apuntaba outro autor interesado pola materia galega con, probabelmente, intención máis xocosa.

Interior de O notícias ilustrado, dedicado á colonia galega de Lisboa.

Interior de O notícias ilustrado, dedicado á colonia galega de Lisboa.

Este tipo de descricións, porén, non cobran sentido até mediados do século XIX. Como afirmaban en Vida Gallega con indisimulado entusiamo, en 1910, «No son todos mozos de cordel ni son todos aguadores. La crenza de que los galegos saen á recorrer o mundo para desempeñar los cargos máis humildes desapareceu. Todos os eixes y todas las rodas do mecanismo económico de Portugal están influídos polos nosos irmáns». Efectivamente, a partir de mediados do século XIX, grosso modo, comeza a despuntar unha elite entre a colonia galega de Lisboa que, con orixes humildes, consegue pouco e pouco alcanzar logro en diversos emprendementos comerciais Cuantitativamente non son moi numerosos, no medio duns estimados 30 mil galegos que residían na capital lusa, mais si son cualitativamente moi significativos, pois comezan a loitar por outros capitais máis alá do económico. Ademais, os seus éxitos comezan a contrariar unha imaxe abertamente negativa ben fixada no imaxinario portugués, explícita en textos como o seguinte de 1912:

«O gallego vulgar, o que anda para ahi em certos misteres, é uma especie de judeu do que respeita a negocio. Se a sua actividade se encaminha para a taberna ou para o café, o gallego falseia todos os productos que vende; assim como se compraz em nunca dar a medida cabal dos liquidos vendidos nem o peso certo das cousas que se lhe compra.

Além d’isso, na maior parte dos casos é imoral e porco, uma espécie de toupeira que tanto fura por um montão de esterco como por outro solo mais hygienico. A questão é de dinheiro, e o gallego, a trôco d’este metal presta-se a tudo».

Estes emigrantes, oriúndos principalmente da Cañiza, Arbo, As Neves, Crecente, Ponteareas, Salvaterra, Mondariz, Fornelos de Montes, Ponte Caldelas, A Lama… pasan a ser coñecidos na capital lusa e na zona sur da Galiza por lisboanos; e disto dá noticia a cantiga recollida en Caritel na que se destaca a fama de adiñeirados: «Lisboanos de Lisboa/que vides facer ao eido?/Vides enganar as moças/coa sona do diñeiro».

Un dos elementos máis salientábeis dos lisboanos é a duradeira lealdade que moitos estabelecen coas terras de orixe. A relativa proximidade, fronte á emigración americana, parece facilitar o mantemento de lazos fortes co espazo da emigración. Un exemplo magnífico paréceme ser o caso da familia Guisado, orixinaria da parroquia de Pías, en Ponteareas: tendo constancia —grazas ás pescudas do historiador compostelán antes mencionado— da presenza na Lisboa de 1745 dun tal Francisco Guisado, natural de Pías, de profesión moço de saco, en decembro pasado tomei un café en Lisboa cun outro Francisco Guisado, lisboeta de nacemento, mais con segunda residencia en Pías…

O caso da familia Guisado, particularmente a do escritor e político Alfredo Guisado —ao cal teño dedicado algunha atención investigadora— é especialmente ilustrativo das lóxicas dos lisboanos. Nas primeiras décadas do século XX, grazas ao éxito dos negocios familiares, os Guisado naturais de Pías conseguen alcanzar un nivel social que lles permitiu outrora imposíbeis, como é enviar os seus fillos —homes— á universidade. Este, Alfredo Guisado, ademais de avogado chegará a ser deputado na Asemblea da República antes do golpe de Estado de 1926. E, a pesar de estar no lado errado cando a historia literaria estaba a ser escrita, terá tamén unha correcta visibilidade no medio literario portugués como membro fundador do Grupo de Orpheu ao lado de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, entre outros. Xente d’a Aldea. Versos gallegos, publicado en Lisboa en 1921, con capa de Castelao, foi un dos numerosos libros de poemas que publicou durante as dúas primeiras décadas do século pasado.

A elite da colonia lisboeta, como noutros destinos da emigración galega, pronto sentiu a necesidade de se dotar de organizacións propias para defender os seus intereses, ter espazos onde socializar e, por exemplo, formar unha rondalla. Despois da Asociación Galaica de Socorros Mutuos de 1888, a colonia avanza con Juventud de Galicia, fundada en 1908 e orixe do actual Centro Galego de Lisboa. Nas mesmas páxinas de Vida Gallega, Rogelio Riveiro, membro activo da colonia, celebraba así a nova sociedade: «agora xa son todos máis expertos,/ xa viven asociados/n-a culta sociedá d’os bôs gallegos».

Hai que dicir que o pazo onde se encontra actualmente o centro da colectividade galega foi doazón doutro coñecido e recoñecido lisboano, Manuel Cordo Boullosa, fundador da empresa petrolífera Sociedade Nacional de Petróleo —matriz da actual Galp— e medalla Castelao en 1991.

O relevante emprendedurismo, como se di agora, dos lisboanos deixou marcas notábeis na capital portuguesa. É este, por exemplo, o caso do barrio Estrela d’Ouro, construído polo multifacético empresario Agapito Serra Fernandes, onde se aloxaban moitos dos seus empregados, tamén paisanos seus. Serra Fernandes, en sociedade con outros lisboanos, pasou no seu Cinema Royal o primeiro filme sonoro en Portugal. Nos primeiros filmes portugueses, por certo, non eran raras, así como nas novelas do século XIX, as personaxes galegas.

Ao igual que noutros destinos da emigración galega, os lisboanos avanzaron con varias empresas xornalísticas, as máis efémeras. Nesta dirección, por méritos propios, destacou o polémico Alejo Carrera Muñoz que chegara á capital portuguesa desde Mondariz con tan só 14 anos. Alí fundou a Axencia Telegráfica Radio e creou unha empresa para a distribución de publicacións periódicas, portuguesas e internacionais. En 1916, con 23 anos, é nomeado «socio adxunto» da Real Academia Gallega, en 1920 recibe do Goberno portugués a Orde de Santiago e, o mesmo ano, é nomeado «Caballero de la Real Orden de Isabel La Católica» polo Goberno español. Tamén sería o primeiro edil republicano de Mondariz en 1931. O seu legado, por dicilo así, está hoxe ben presente no Castelo do Sobroso, actualmente patrimonio público, que el reconstruíu e que dignifica e, dalgunha forma, testemuña a lealdade coas orixes dos lisboanos.

Outro dos trazos máis salientábeis da colonia galega de Lisboa foi a incipiente gana de intervir tamén politicamente. É coñecido o interese dos grupos agraristas e republicanos galegos de se promover e financiar nos espazos da emigración o que propiciou unha notábel politización da colonia. Lémbrese a este respecto os pros e contras da experiencia lusa dos galegos emigrados: se dunha banda, para os militantes republicanos, Portugal significaba a partir de 1910 un modelo a seguir, da outra colocaba a moitos en melindrosa posición relativamente á situación política das terras de orixe, das cales, convén non esquecer, foron promovidas incursións militares contra a República. Esta situación, de feito, parece estar detrás dalgún desencontro entre unha parte significativa da colonia lisboeta e algunha prensa galega de signo máis conservador, como é o caso de Vida Gallega, a partir de 1910 perde interese polos lisboanos.

Hai probabelmente unha singularidade da emigración galega a Portugal de fins do século XIX e principios do XX que ten que ver coa centralidade que o Gran Hotel Balneario de Mondariz exerce como espazo simbólico, social mais tamén político para moitos lisboanos. Frecuentado por estes nas vacacións estivais, o establecemento termal da familia Peinador será, como se sabe, un caso de participación da burguesía comercial no programa dos galeguistas. En agosto de 1920, os actos académicos celebrados no Balneario —«tempo de galeguismo» para A Nosa Terra— con motivo do ingreso na Real Academia Galega de Rey Soto e Ramón Cabanillas ou coa homenaxe a Manuel Murguía ilustran a vinculación do establecemento termal co proxecto cultural dos galeguistas.

O agrarismo da comarca do Condado, representado por Amado Garra e El Tea, así como a tendencia abertamente galeguista dos Peinador contribuíron decisivamente para unha obxectivización e problematización da Galiza a unha parte significativa dos lisboanos máis interesados, cabería pensar, no progreso dos seus emprendementos comerciais. Nesta dirección, xunto a Alfredo Guisado —que chegou a ser multado polo goberno civil polas súas actividades agraristas—, significouse Ramiro Vidal Carrera. Ademais de membro fundador de Juventud de Galicia e igualmente empresario de éxito en Lisboa, vai ser o primeiro edil do Concello de Mondariz de 1925 até 1930. Participando nas iniciativas da colonia ou nas súas crónicas publicadas no semanario El Tea significábase publicamente, a miúdo en galego, en sintonía cos postulados galeguistas e agraristas; tamén como literato, por exemplo no poema de 1921 Galicia e Lusitania: «Mentres tanto, os pensamentos / Cruzan os ceos a chorar? / Por Galicia non ser libre, / Por Galicia non voar!…». En fin, parece notorio como os outrora moços de fretes ampliaron progresivamente os seus horizontes e ocuparon novas posicións sociais, tanto en Lisboa como na terra das orixes.

Por último, non podo deixar de engadir o seguinte: o patrimonio material e inmaterial vinculado a esta emigración, particularmente nas terras do Condado e na capital portuguesa, está necesitado, na miña opinión, dun plano máis ou menos ambicioso de (re)coñecemento, capaz de superar as lóxicas localistas e de dignificar unha memoria aínda viva nas poboacións locais, tanto do Condado como en Lisboa.

 

[Fonte: http://www.luzes.gal]

Bernard Sesé (né le 27 avril 1929) est décédé le 6 novembre 2020 à Paris. C’était un universitaire, essayiste, traducteur et poète français, agrégé d’espagnol.
Il a enseigné la littérature espagnole à l’université Mohammed-V de Rabat, puis à l’université Paris I Panthéon Sorbonne ainsi qu’à l’université de Nanterre.
Il a fondé la collection Ibériques aux éditions José Corti. Il était aussi membre correspondant de l’Académie royale espagnole.
Une grande part de son travail a consisté en de multiples et importantes traductions d’ouvrages espagnols, le plus souvent en éditions bilingues, de grands mystiques comme Thérèse d’Avila à des poètes comme Antonio Machado ou Juan Ramón Jiménez, en passant par le théâtre de Pedro Calderón de la Barca. On lui doit aussi des traductions de textes en portugais de Fernando Pessoa.

Merci, Professeur, pour vos nombreux ouvrages et vos belles traductions.
“Sit tibi terra levis. Que la tierra te sea leve.”

https://www.youtube.com/watch?v=FyoH_LBniMQ

Quelques-unes de ses traductions:
. Antonio Machado, Champs de Castille, précédé de Solitudes, Galeries et autres poèmes, et suivi de Poésies de la guerre, traduction par Sylvie Léger et Bernard Sesé, préface de Claude Esteban, Paris, Gallimard, collection Poésies, 1981.
• Fernando Pessoa, L’Heure du diable, édition bilingue, traduction par Maria Druais et Bernard Sesé, préface de José Augusto Seabra et postface de Teresa Rita Lopes, Paris, José Corti, 1989.
• Fernando Pessoa, Message, édition bilingue, traduction par Bernard Sesé, préface de José Augusto Seabra et bibliographie par José Blanco, Paris, José Corti, 1989.
• Jean de la Croix, Les Dits de lumière et d’ amour, édition bilingue, traduction par Bernard Sesé, préface de Michel de Certeau et introduction de Jean Baruzi, Paris, José Corti, 1990.
• Juan Ramón Jiménez, Pierre et ciel, édition bilingue, préface et traduction par Bernard Sesé, Paris, José Corti, 1990.
• Pedro Calderón de la Barca, Le Prince Constant – El Príncipe Constante, édition bilingue, introduction et traduction par Bernard Sesé, Paris, Aubier, 1992.
• Pedro Calderón de la Barca, Le Magicien prodigieux – El Mágico prodigioso, édition bilingue, présentation et traduction Bernard Sesé, Paris, Aubier, 1992.
• Jean de la Croix, Poésies complètes, édition bilingue, traduction et avant-propos par Bernard Sesé, préface de Pierre Emmanuel, postface de Jorge Guillén, Paris, José Corti, 1993.
• La Vie de Lazarillo de Tormès – La vida de Lazarillo de Tormes, édition bilingue, introduction de Marcel Bataillon, traduction par Bernard Sesé, Paris, Garnier-Flammarion, 1993.
• Sainte Thérèse d’Avila, Œuvres complètes, traduction et présentation par Bernard Sesé, 2 tomes, Paris, Cerf, 1995.
• Juan Ramón Jiménez, Été – Estío, édition bilingue, préface et traduction par Bernard Sesé, Paris, José Corti, 1997.
• Pedro Calderón de la Barca, La Vie est un songe – La vida es sueño, édition bilingue, traduction par Bernard Sesé, Paris, Garnier-Flammarion, 1999.
• Fernando Pessoa, Le Marin, édition bilingue, traduction par Bernard Sesé, préface de José Augusto Seabra, Paris, José Corti, 1999.
• Juan Ramón Jiménez, Éternités, édition bilingue, préface et traduction par Bernard Sesé, Paris, José Corti, 2000.
• Juan Ramón Jiménez, Poésies en vers, édition bilingue, préface et traduction par Bernard Sesé, Paris, José Corti, 2002.
• Juan Ramón Jiménez, Beauté, édition bilingue, préface et traduction par Bernard Sesé, Paris, José Corti, 2005.
• Pedro Salinas, La voix qui t’es due. La tête à l’envers. 2012
• Ainsi parlait Thérèse d’Avila, édition bilingue, dits et maximes de vie choisis par Anne Pfister, traduction par Bernard Sesé, Paris, Arfuyen, 2015.

 

 

[Source : http://www.lesvraisvoyageurs.com]

Escrito por José de Monfort

Poeta chileno consta de dos novelas cortas que colapsan en un determinado punto, a las que el autor les añade un preludio y una tercera pata (central en la narración) que sirve de paisaje de época, con la creación de una suerte de personaje colectivo (que es el grueso de los poetas chilenos contemporáneos; reales e inventados).

Hay en el libro dos personajes centrales, Gonzalo y Vicente. Ambos acabarán siendo poetas (y menos por vocación que por decisión), y de ahí viene el título (ambivalente) del libro. Lo más importante entre ellos, sin embargo, más que sus propias carreras, será el propio lenguaje poético, que les abrirá un canal de comunicación donde sentirse cómodos con la padrastía (después de que ya Gonzalo no viva con Vicente y su madre).

En un segundo plano hay dos personajes femeninos: Carla, la pareja de Gonzalo durante unos años y madre de Vicente (y que ve la poesía como una enfermedad), y Pru, una norteamericana que viaja a Chile en aras de escribir un reportaje largo para una revista gringa sobre “ese país donde los poetas son importantes”. Y, como telón de fondo, claro, están toda una suerte de poetas chilenos (incluyendo a Nicanor Parra, a quien Pru visitará en su casa), con su peripatética ansia de trascendencia y su simulación à la Pessoa.

Toda la novela es un compendio de fingimientos y voluntades. Ninguno de los personajes tiene claro cómo actuar su rol y lo que más pesa en ellos es una aquiescencia obstinada. Se creen felices porque no se saben insatisfechos. Pero pesa una sombra en todo el relato, y por la cual la crítica ha pasado de puntillas: Oscuridad, la gata de Vicente (la de la foto de la portada del libro). Símbolo de verdad y muerte, traída de unos versos de Gonzalo Millán: “Gato, peligro / de muerte, perversión / de la siempreviva”. En su afectación, todos los personajes deambulan desordenados en círculos, conformando una figura de roseta que solo se asienta tras la muerte (que sirve de símbolo) de la gata; a la que, por cierto, atropella un coche de Carabineros. Uno más de los mil chistes cómplices (y fértiles) de los que está repleta Poeta chileno.

Zambra trabaja su prosa aquí igual que siempre: parte de unas escenas mínimas y unos personajes acotados que ahora, sin embargo, amplifica. A partir de allí lo que hace es ir sumándoles capas. Lo más elocuente a este respecto es la escena final, que fue, a su vez, el germen de la novela: un instante de felicidad (incierta) detenido en el tiempo.

Poeta chileno compendia, funge y dilata la obra previa zambriana: de sus novelas cortas rescata la figura del padrastro y las relaciones afectivas de pareja, de sus libros de no ficción, la querencia al juego lingüístico y formal, y de la experiencia de sus libros de poemas se sirve para la construcción de los poemas de los protagonistas.

Se ha insistido mucho en la filiación bolañesca de la novela y es cierto que Zambra juega, en determinados puntos del libro (sobre todo en la parte central), con un fraseo que puede recordar a Los detectives salvajes. Pero no lo hace desde la mímesis sino desde la crítica. La mirada bolañesca es, en realidad, la mixtificación de los literati norteamericanos. Es una visión ingenua, de un romanticismo crepuscular. No es la de los poetas chilenos ni la del narrador del libro. Es la visión de una ficción neorromántica que se quiere insertar en una realidad que ya es enteramente prosaica. Aquí ya no hay héroes enamorados ni locos visionarios, sino poetas algo menos tristes que el resto de la población chilena, a quienes mueve fuertemente el sentido de comunidad.

La revisión irónica del hype bolañesco (nótese la ironía de que la periodista norteamericana busque perros salvajes en Chile, cuando estos son originariamente mexicanos) cumple, sin embargo, una función importantísima en este libro, pues nos habla de las herencias bastardas. De igual forma que la poesía es una herencia entre Gonzalo y Vicente, padrastro e hijo, una herencia que debe ser negociada entre ambos, después de que Gonzalo rompa la relación con la madre de Vicente, la relación de los detectives salvajes bolañescos con Chile es la de una suerte de padrastía que se halla todavía en disputa. Así, Zambra traza en Poeta chileno dos narrativas paralelas donde lo personal y lo nacional tratan de dialogar para llegar a un entendimiento. Y, en este sentido, sí, Poeta chileno nos habla del mito de la figura del gran poeta chileno, donde necesariamente habrá de confluir lo personal con lo comunitario. Recordemos lo que decía Malinowski: “Lo que realmente importa en la narración del mito es su función social”.

 

Alejandro Zambra, Poeta chileno, Anagrama, 2020, 424 págs.

 

[Fuente: http://www.revistaotraparte.com]

 

Ana Luísa Amaral, una de las voces más importantes de las letras portuguesas actuales, explora en su último poemario la tensión entre la realidad cotidiana y su expresión a través de la palabra

¿Qué hay en un nombre? ¿Si le fuera dado otro nombre a la rosa, sería menos dulce su perfume?”. Esta cita, tomada del acto II de Romeo y Julieta, abre What’s in a Name, el último libro de la poeta Ana Luísa Amaral (Lisboa, 1956), una de las voces más importantes de las letras portuguesas de las tres últimas décadas. Un libro en el que la autora retoma algunas de sus preocupaciones fundamentales, y que habita un territorio poético que toma como elemento central la tensión entre la observación de la realidad cotidiana y la capacidad de expresión y comprensión a través de la palabra. Desde aquel lejano Minha senhora de quê (1990), que inauguró su trayectoria, Amaral ha construido una obra que se desdobla en paralelo a la poesía (sede central de su universo literario) a través del teatro, el ensayo, la narrativa para adultos o infantil y la traducción.

Precisamente en esta última faceta, su trabajo como traductora, encontramos algunas de las referencias fundamentales (Emily Dickinson o el propio William Shakespeare) con las que la poesía de Amaral se demora en una conversación serena, abriendo las puertas de su creación a un cruce de tradiciones que vincula en sus versos la lírica anglosajona con la portuguesa de algunos modernistas (Pessoa, sobre todo, y Mário de Sá-Carneiro) o de voces posteriores, como Jorge de Sena o la propia Sophia de Mello Breyner Andresen.

Con esos referentes, la obra poética de Ana Luísa Amaral suele adscribirse a la denominada generación portuguesa de los ochenta, que engloba un conjunto de nombres nacidos en los años cincuenta, algunos de los cuales ya han sido traducidos en España: Amadeu Baptista, Isabel de Sá, Jorge de Sousa Braga o la aún inédita en nuestro país Adília Lopes (aviso para editores: ¿para cuándo un libro de esta singular autora?). En todos ellos, en mayor o menor medida, es posible vislumbrar el asomo de lo real filtrado por un tamiz que se aproxima a un cierto nuevo confesionalismo, que en Ana Luísa Amaral se viste, además, con las ropas de la transfiguración íntima de los actos más cotidianos.

What’s in a Name esconde, tras una tramoya en la que se dan cita elementos y situaciones de la vida doméstica, una poesía de aliento hondo y respiración metafísica, en la que cualquier excusa sirve para intentar arrancar el poema de su ensamblaje con la realidad. Así, la poesía de Amaral, en la que respiran “los minúsculos gestos de los que está hecha la vida”, se sitúa al borde del abismo de una pregunta en primera persona del singular: “Pregunto: ¿qué hay en un nombre?”, a partir de la cual teje un libro enraizado en varias tradiciones que muestra una voz personal e inconfundible en el panorama lírico luso.

Ana Luísa Amaral trasciende la realidad de cualquier detalle (una receta de cocina, la forma de una verdura o la memoria de miembros de su familia o de lugares perdidos) para entregarse al acto profundamente intimista de la escritura, en el cual siempre aparece, como una tabla de salvación ante los posibles excesos neorrománticos, una visión distanciada e irónica de la existencia, en su propia búsqueda filosófica (no son pocas las voces que hablan de Amaral como una especie de Szymborska portuguesa). Gracias a esa estrategia, la poeta desconstruye el universo doméstico y afectivo y lo amasa con la materia de la memoria, en un continuo y persistente cuestionamiento sobre los límites de la posibilidad de nombrar y las fronteras del lenguaje poético.

Destaca especialmente en este libro la insistencia con que la autora sitúa al lector ante el hecho mismo de la escritura del poema, como una especie de pequeño milagro natural que intentase explicar cuanto tiene alrededor. Esa voluntad inequívoca de reflexionar tanto sobre la materia del poema como sobre su propia naturaleza logra uno de sus momentos álgidos en ‘Alepo, Lesbos, Calais’, o, en otras palabras, un poema estremecedor en el que su autora se entrega con una fina y delicada crudeza al tema de los refugiados en Europa, con el que alcanza uno de los puntos más emocionantes del libro, siempre sin perder de vista el tema central que atraviesa el volumen: “para todo esto no hay forma de verso que me baste / porque nada me basta de consuelo o paz”.

En estos versos encontramos también el pulso de la Ana Luísa Amaral que entiende la escritura como una respiración (“la poesía es en mi vida como respirar, yo no sé pensar, ni sentir, sin poesía”, dice en una entrevista) de trasfondo ético, en la profunda convicción de que la poesía, si es poesía, no puede desligarse de su propio tiempo, como única forma de intentar responder a la pregunta de qué es un nombre: “Extirpado el nombre, quedará el amor, / quedaremos tú y yo, aún en la muerte / aun solo en el mito. // Y aun en el mito (¡escucha!), / nuestra fugaz historia / que unos leerán como materia inerte, / quedará para el siempre del humano. // Y otros / habrán de recogerlo siempre, / cuando su siglo ya carezca de él. // Y entonces, amor mío, mi mayor fuerza, / seremos para ellos cual la rosa. // O no, cual su perfume: / ingobernado libre”.

‘What’s in a Name’

Autora: Ana Luísa Amaral

Traducción: Paula Abramo

Editorial: Sexto Piso, 2020

Formato: Tapa blanda o bolsillo. 176 páginas

[Foto: BARBARA ZANON GETTY IMAGES – fuente: http://www.elpais.com]

Mohamed El Morabet, el autor de Un solar abandonado, originario de Alhucemas (Marruecos) e instalado en España desde 2002, ha decidido seguir la estela de estos escritores y adoptar el español como su lengua literaria. Con un lenguaje sumamente cuidado y repleto de sutiles metáforas, El Morabet abre una puerta en España que había permanecido cerrada durante demasiado tiempo. Como ha dicho Sergio del Molino “Mohamed representa la vanguardia de la literatura que viene.”

Escrito por MIGUEL ESTEBAN TORREBLANCA

UN SOLAR ABANDONADO – EDITORIAL SITARA

Licenciado en Ciencias Políticas, Mohamed El Morabet publica regularmente sus escritos en revistas y suplementos culturales. Nacido en Alhucemas, Marruecos, Mohamed reside en Madrid desde 2002. ‘Un solar abandonado’ es su primera novela. Sin duda, un privilegio contar con este autor en la Feria del Libro de Almería ya que su novela está teniendo una excelente acogida entre los lectores.

Miguel Esteban.-¿Cuándo le surgió la idea de escribir su novela?

Mohamed El Morabet.-No lo sé. Solo recuerdo retazos de ideas inconexas que se fueron acumulando mientras las iba apuntando en una libreta. Al final, en algún momento de 2015, seguramente al caer la noche, me puse delante del ordenador, encendí la lámpara y escribí: «Me dolía. El pasado me dolía». Es la primera frase de Un solar abandonado.

¿Qué ventajas tiene una narración de este tipo?

Solo tiene una: es una ficción. Con esto quiero decir que somos seres consumidores de ficciones. De hecho, hasta hay quien sostiene que la supervivencia del homo sapiens reside precisamente en su capacidad de crear ficciones e integrarlas en su día a día.

¿Cree que las sociedades están mejor preparadas para avanzar que para retroceder?

Quiero creer que sí. Aunque el término “sociedades” me asusta un poco. Es muy genérico y demasiado ambiguo.

¿Cree que la tecnodependencia que ya emerge hoy puede tener consecuencias psicológicas graves en el futuro?

Desde luego y no es nada malo. Incluso la psicología tiene sus propias consecuencias psicológicas. Pero como he señalado antes, somos seres abocados a avanzar, con lo cual hemos aprendido con el tiempo a convertir las consecuencias de algo presente en las causas de algo futuro. Pura dialéctica y simple supervivencia. Es el resumen de lo humano.

¿Cree que los gobiernos y las grandes corporaciones ocultan la mayor parte de los avances que utilizan para vigilar a la población y manipular el poder económico?

No lo creo. Todo acaba vendiéndose en los escaparates de las tiendas mientras todos esperamos ansiosos las rebajas.

¿Eligió la editorial o le eligió ella a usted?

Llegué a la Editorial Sitara porque mi amigo Eloy Tizón me la señaló y me recomendó que mandara el manuscrito. Tanto a Eloy Tizón como a la Editorial Sitara les estaré eternamente agradecido, al primero por guiarme y a la editorial por apostar por el manuscrito.

¿Uno escribe por necesidad o por inconsciencia?

El arte de contar historias es tan antiguo como necesario. Yo escribo porque me gusta y porque es otra forma, algo rebuscada quizás, de leer.

¿Cuál fue tu primer acto de “creación”, a qué edad, de qué se trataba?

Con mucha seguridad respondería que mi primer acto de creación fue aprender a hablar. No me acuerdo a qué edad lo hice. Y el segundo acto de creación fue pocos años después, cuando aprendí a leer.

¿La mentira caracteriza nuestras relaciones personales?

No lo creo. Ahora que acaba de fallecer George Steiner, recupero una idea suya. «Para mí, la dignidad humana consiste en tener secretos», dijo Steiner y estoy completamente de acuerdo con él. Hay que cultivar y mimar nuestros secretos. «Es el secreto lo que nos hace fuertes», añade Steiner.

¿Son los escritores –poetas- unos fingidores, como decía Fernando Pessoa?

Eso creo que lo dijo Álvaro de Campos, ¿o fue Ricardo Reis? No, perdón, ahora caigo, sí, sí, estoy seguro, lo escribió Alberto Caeiro.

¿La novela actual va hacia géneros híbridos?

La novela moderna desde su nacimiento con El Quijote es híbrida por naturaleza. Es el único género generoso en este sentido y en ello reside su grandeza. La novela acepta todas las impurezas del mundo y, con algo de técnica y talento, cualquier escritor puede sacar de ahí una historia apetecible.

¿A qué escritor, vivo o muerto, retarías a duelo de espada en un molino al amanecer?

Elijo un escritor muerto y una escritora viva.

Retaría a Vladimir Nabokov, ya que está muerto porque no me gustaría asesinar a nadie. Probablemente acabaríamos hablando en alguna lengua inmortal y cazando mariposas desconocidas, después de contemplar las ruinas del molino.

Retaría a Siri Hustvedt solo como excusa para tomar luego con ella unas cervezas. Eso si suponemos que el molino en cuestión es español, porque así, seguro que habría algún bar cerca.

¿Si tuviera que definir con pocas palabras su último trabajo y convencer a los lectores de que es una buena e interesante lectura, con qué palabras lo harías?

Me daría mucha vergüenza y seguramente balbucearía palabras incomprensibles. Mejor recurro a las palabras que le dedicó a la novela Analía Iglesias en su reseña: «Este es el otro Marruecos del siglo XXI, y es hermoso conocerlo a través de Un solar abandonado, porque Mohamed El Morabet transcribe las palabras desde la perspicaz mirada que nace en la periferia».

Cuéntenos algún plan de tu futuro inmediato que aún no sepamos.

Son las 23:47 y en breve me meto en la cama. Espero no tener una noche de insomnio y dormir como un niño. Es mi plan de futuro.

 

[Fuente: http://www.todoliteratura.es]

 

Fernando Pessoa abre su biblioteca. La casa museo del escritor portugués en Lisboa finaliza su remodelación y presenta una exposición permanente con los libros que pertenecieron al autor.

Los visitantes podrán encontrarse con alrededor de 1.200 tomos originales en español, gallego, francés, griego, italiano, latín, portugués y, sobre todo, inglés de los más de 1.300 que componían la biblioteca personal del autor cuando este murió prematuramente a los 47 años.

Dicho autor es reconocido por sus heterónimos: Alberto Caeiro, Alexander Search, Álvaro de Campos, Bernardo Soares y Ricardo Reis.

La Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes ofrece una Antología Poética de Fernando Pessoa así como algunos estudios críticos.

 

 

 

[Fuente: blog.cervantesvirtual.com]

La casa museo del escritor portugués en Lisboa finaliza su remodelación y presenta una exposición permanente con los libros que pertenecieron al autor

Escrito por FELIPE SÁNCHEZ
“Ventanas de mi cuarto, / cuarto de uno de los millones del mundo que nadie sabe quién es / (y si supiesen quién es, ¿qué sabrían?)”, se pregunta en el más famoso de sus poemas, Tabaquería, el ingeniero naval Álvaro de Campos, heterónimo del genial poeta portugués Fernando Pessoa. ¿Qué saben sobre él, en efecto, las personas que desde fuera miran las ventanas del 1º derecha en el número 16 de la Rua Coelho da Rocha, el piso de Lisboa en el que vivió Pessoa sus últimos 15 años? En ese edificio funciona desde 1993 un museo dedicado al escritor, que este sábado ha reabierto tras un cierre de año y medio por remodelaciones y en el que ahora podrá verse cómo vivía y cómo era la biblioteca del discreto autor, artífice en sí mismo de toda una literatura pero de cuya vida se sabe relativamente poco.

La casa museo del poeta ha construido un plano a escala real del apartamento al que llegó en 1920 Pessoa con su madre y sus hermanos y en el que vivió solo durante varios periodos hasta su fallecimiento en 1935 a los 47 años por dolencias vinculadas a su afición al alcohol. En un cuarto interior diminuto en el que apenas cabe un catre y un baúl como el que contenía los 25.000 folios inéditos que dejó el autor se acomodó Pessoa los primeros años. En una de las habitaciones exteriores, a la que es probable que se cambiase en una de las etapas en que estuvo sin su familia, está ahora expuesta la cómoda alta de la que habla en una carta en la que cuenta cómo nació Alberto Caeiro, uno de sus tres principales heterónimos junto a Campos y Ricardo Reis (“no es un filósofo: es un sabio”, dice del primero Octavio Paz, uno de los grandes entusiastas de la obra del portugués en el mundo hispánico; “poeta futurista”, “cosmopolita” y “dandi vagabundo”, define al segundo; “pagano y escéptico por convicción, latinista por educación”, esboza sobre Reis).

Al lado está el estudio, en el que el museo expone la hoja con la última frase que escribió el autor: “I know not what tomorrow will bring” (“No sé lo que el mañana traerá”). Una planta más abajo los visitantes podrán encontrarse con la gran novedad de la casa, alrededor de 1.200 tomos originales en español, gallego, francés, griego, italiano, latín, portugués y, sobre todo, inglés de los más de 1.300 que componían la biblioteca personal del autor cuando este murió. Buceando un poco entre los lomos de los volúmenes se llega a los cinco de una antología de literatura clásica griega traducida al inglés, de uno de los cuales sale el epigrama de Páladas de Alejandría —”Hoy dejadme vivir bien; nadie sabe lo que podrá ser mañana”— que inspiró la susodicha última frase del poeta, según el catálogo A biblioteca particular de Fernando Pessoa. El portugués la resalta en su edición de 1916, como se puede comprobar en la versión digitalizada de las obras disponible en la web del museo, cuyo acceso ha facilitado la institución en una pantalla instalada en un costado de la sala. Aunque los libros no se pueden hojear, la experiencia de husmear desvergonzadamente por la biblioteca de uno de los mayores escritores del siglo XX es impagable.

Fernando Pessoa a los 26 años, en 1914.

Fernando Pessoa a los 26 años, en 1914. APIC / GETTY IMAGES

Entre las cuatro filas de libros, dos ediciones rústicas aparecen destacadas: una antología de tapas cobrizas de Walt Whitman publicada en 1895 (dice Harold Bloom en ‘El canon occidental’: “Pessoa no estaba loco ni era un simple ironista; es Walt Whitman redivivo, aunque un Whitman que da nombres distintos a mí mismomi yo real mi alma, y escribe maravillosos libros de poemas para los tres, así como un volumen distinto bajo el nombre de Walt Whitman”) y un ejemplar de 1910 de los Rubaiyat de Omar Jayam en la célebre traducción al inglés de Edward FitzGerald, el volumen más anotado de la biblioteca pessoana.

El escritor conoció los cuartetos en un ensayo sobre poesía persa de Emerson (incluido en Works of Ralph Waldo Emerson, un tomo encuadernado en tela roja ya desvaída y letras doradas de 1902 también expuesto en el museo), de acuerdo con un ensayo del experto Fabrizio Boscaglia. Pessoa tradujo 42 poemas del libro para una antología que intentó publicar infructuosamente y escribió 172 cuartetos bajo la influencia de Jayam-FitzGerald (la mayoría incluidos en una edición bilingüe que publicó en 2015 Gallo de Oro). “Omar Jayam fue, no el autor, sino la inspiración de FitzGerald”, escribió el portugués en su ejemplar de los Rubaiyat, donde también confesó: “Los traduje, como los había traducido FitzGerald, con justa y proba improbidad”.

Pessoa tenía alrededor de una veintena de libros en castellano, la mayoría obras menores o de consulta, con ausencias muy llamativas como el Quijote y el Siglo de Oro español (si bien llegó a tener las Poesías satíricas de Quevedo y Las cien mejores poesías (líricas) de la lengua castellana, que recopiló Menéndez y Pelayo, de acuerdo con los investigadores Jerónimo Pizarro, António Cardiello y Patricio Ferrari). En cambio poseía las obras completas de Rosalía de Castro en gallego y una edición madrileña del cuento Nochebuena de Gógol (según Pizarro, el portugués también leyó el Zaratustra de Nietzsche en español).

Otra de las obras editadas en España, De la dictadura a la república. La vida política en Portugal, del valenciano Luis Morote, se encuentra destacada en la primera planta del museo, en la sección dedicada a los heterónimos. Forma parte del grupo de 25 libros que firma como propios Alexander Search, uno de los primeros desdoblamientos de Pessoa. En la misma sala están a la vista el icónico retrato del poeta que pintó José de Almada Negreiros —un Pessoa anguloso y esbelto que mira hacia el vacío sentado a la mesa en el rincón oscuro de un café—, los esbozos de los tres heterónimos que el propio Negreiros talló en un mural junto a otras figuras literarias en el pórtico de la Facultad de Letras de la Universidad de Lisboa, así como una máquina de escribir que usó Pessoa en una de las tantas oficinas en las que trabajó como traductor comercial freelance —ubicada, por cierto, a una calle de la Rua dos Douradores, centro vital del asistente contable Bernardo Soares, a quien Pessoa adjudica la segunda parte de su obra magna, el Libro del desasosiego—.

Pessoa no solo trabajaba en el mismo vecindario que su semiheterónimo (lo llamó así en una carta), también tenía en su biblioteca uno de sus libros predilectos, las Reflexões sobre a língua portuguesa, del padre Francisco José Freire. Dice Soares en el Desasosiego que dormía con ese libro en la cabecera de su cama. Asomados a la ventana del piso en el que vivió Pessoa, los visitantes del museo tienen todavía la oportunidad de jugar con la idea de que están viendo algo parecido a lo que vio Soares una mañana lluviosa de 1929 en la que le costaba levantarse: “Desperté. El sonido de la lluvia sobresale más alto en el exterior indefinido. Me siento más feliz. Cumplí algo que ignoro. Me levanto, voy a la ventana, abro las puertas con una decisión de gran valentía. Luz en un día de lluvia clara que me ahoga los ojos en una luz pálida. Abro las propias ventanas de vidrio. El aire fresco me humedece la piel tibia. ¡Llueve, sí, pero aunque sea lo mismo es al final tanto menos! Quiero refrescarme, vivir, e inclino el cuello a la vida, lo extiendo por la ventana hacia afuera como hacia el yugo abstracto de Dios”.

Dans « Un promeneur solitaire dans la foule », Antonio Muñoz Molina déambule à Lisbonne, Paris, New York ou Madrid et enregistre tout sur son passage.

Este viernes es la XIII edición de La Noche de los Libros de Madrid -  Cuentamealgobueno
Écrit par Didier Jacob

Dans la rue, Molina vous guette. Il est tout yeux, tout regard. Tout ouïe aussi. « Je suis un regard qui refuse de se laisser distraire, même par un clignement de paupière », écrit le maître espagnol, né en 1956 en Andalousie, dans cet autoportrait en voyageur insatiable.

Déambulant à Lisbonne, Paris, New York ou Madrid, on dirait qu’il a, comme les grands photoreporters, le doigt toujours posé sur la gâchette. Fou de jazz passé à la littérature, Antonio Muñoz Molina enregistre tout sur son passage : bribes de conversations entendues à la terrasse des cafés, gros titres frappant l’œil dans les kiosques à journaux.

Pour l’auteur de « l’Hiver à Lisbonne », la ville est d’abord un texte, tatoué « sur les ponts et les murs de soutènement des autoroutes ». C’est une « grande clameur de mots simultanés, toutes ces paroles prononcées à voix basse ou à grands cris, au fil de discussions ou de monologues dans la rue, ou transmises par téléphone, éparpillées dans l’air grâce à une vibration continue de pulsations électromagnétiques ».

Carnets de voyage sans fin

Si Molina remplit sans fin ses carnets de voyage dont il a rassemblé ici les meilleurs extraits, il est aussi un merveilleux détective littéraire, qui n’a pas son pareil pour partir sur la piste de ses grands écrivains de chevet : Baudelaire, Poe, Melville et tant d’autres. Il surprend Oscar Wilde regagnant, ivre d’absinthe, son hôtel parisien sous la lumière des becs de gaz, et découvre que Walter Benjamin, qui a dormi dans les mêmes établissements miteux, s’est rendu sur les tombes de Baudelaire au cimetière Montparnasse et de Wilde au Père-Lachaise.

Lisbonne ? La ville fétiche de Molina grouille, elle aussi, de notables fantômes. À commencer par celui de Pessoa, dont la silhouette ressemble tant, dit-il, à celle de Joyce errant dans les rues de Trieste.

« Les lunettes, la moustache, le nœud papillon digne et tordu, le cartable bourré de papiers et de livres. Tous deux marchent, affairés et myopes, et bien souvent très soûls, dans des villes portuaires qui se ressemblent elles aussi mystérieusement. »

Un promeneur solitaire dans la foule, par Antonio Muñoz Molina, traduit de l’espagnol par Isabelle Gugnon, Seuil, 528 p., 24 euros (en librairie le 20 août).

[Photo : Elena Blanco – source : http://www.nouvelobs.com}

La cantante y el ‘dj’ PicoAmperio actualizan con electrónica la tradición lírica gallego-portuguesa

Escrito por CHUS NEIRA

Canta Laura LaMontagne versos de amor medieval sobre las bases de PicoAmperio y en Santiago de Compostela llueve. Despierta la piedra mojada de la ciudad que vio transformarse y crecer este proyecto musical parecida emoción poética a la que brota cuando se riega con hip hop y electrónica una cantiga de Martín Codax, un poema de Rosalía de Castro o una estrofa de Pessoa. Laura LaMontagne (Lugo, 1993) y Pedro Cuntín (Os Tilos, 1995) multiplican este verano raro sus actuaciones y apuran el que será su primer disco a finales de año mientras van descubriendo un público sensible ante su propuesta, desde los que llegan a verlos con el flow puesto de casa a los abuelos emocionados ante esta tradición gallega reverdecida.

Se diría, con Pessoa, que el dúo “tiene en sí todos los sueños del mundo”, y cuando Laura lanza sobre rap beatnik esos versos de Tabaquería parece que, efectivamente, todo es posible. La cantante admite que en ese aprendizaje de las formas de hacer, componer, cantar o decir junto a PicoAmperio hay novedad y satisfacción: “Por suerte está todo por aprender: nos esperan buenos tiempos”.

Antes de empezar a recorrer este camino, Laura LaMontagne dio varios rodeos y exploró otras fuentes, apoyándose en lo que hoy, cuando lo cuenta, parece toda una genealogía matriarcal de mujeres libres y sanadoras que le fueron regalando miradas. Su madre y su hermana, la de ser creativa desde pequeña, probarlo todo. Su profesora Belén Gato, en el instituto de Lugo, la de saber que le gustaba su propia voz, su primer coro, empezar con la guitarra, la composición. Sus compañeras en la joyería del casco viejo de Santiago, donde siguió trabajando después de acabar filología inglesa, una forma de entender la ciudad y su historia que le sirvió para dar valor y compartir lo que antes consideraba demasiado íntimo, como la cantiga Ondas do Mar de Vigo. Ahora, cuando la interpreta en directo sobre las bases de PicoAmperio, su voz crece y se carga con todos los siglos de tradición y lamento de una forma arrebatadora. Es un trance, y ella lo sabe: “Cantar siempre ha sido para mí algo terriblemente especial y a veces algo místico”. Lo fue desde que empezó a admirar otras voces, buscar registros, pasarlo bien sacando canciones a capella o en la soledad de las escaleras de su edificio, donde intimaba con el eco de su voz y empezaba a conocer su propio timbre, saber a qué sonaba.

En sus nuevas canciones juegan con ‘r’n’b’, lenguas y fonéticas

Los años compostelanos le dieron a Laura LaMontagne “otra forma de vivir la cultura”. Llevó su militancia vegana a un poemario, interpretó a Daniela en la película A estación violenta y en los recitales de Caldeirería 26 encontró tribu y expresión artística. Fue, describe, “un ritual importante” de “poesía, música y licor café”, donde el proceso era “muy libre y, de algún modo, colectivo”. Parecida sensación de comunidad la experimentaba, también en Compostela, pero en un universo paralelo, el dj Pedro Cuntin. PicoAmperio, nombre de guerra, se crió en la ciudad dormitorio de Los Tilos, sus padres le abonaron con música negra y el turntablism le llevó al colectivo Hiphop Ateneu, una forma de estar en la música urbana muy alejada de peleas de gallos y maneras gansta.

El espectáculo Tabú, de Carmen Conde, los juntó. Él era el técnico de luces y ella ponía la banda sonora en directo. Cuando Laura descubrió las producciones de PicoAmperio y empezaron a trabajar juntos, todo cambió. Años antes, en Inglaterra, durante su Erasmus, Laura LaMontagne se había sorprendido una tarde escuchando a Gardel en los cascos mientras la lluvia salpicaba la ventanilla del autobús, y en ese momento había asumido que lo suyo era la “música de viejos”, que le gustaba lo antiguo. En sus nuevas composiciones, el dúo coquetea con el r’n’b, mezclando lenguas y divirtiéndose en la fonética. Máquinas, libertad y poesía, una maravilla atlántica que promete deslumbrarnos a todos.

 

[Fuente: http://www.elpais.com]

Pessoa en 1929 en el famoso local lisboeta de Abel Pereira da Fonseca

Escrito por TÚA BLESA

Se reúnen en este libro dos excelentes noticias: ser el número 1.100 de la Colección Visor de Poesía, cifra asombrosa, y la de presentar una selección de poemas, o fragmentos, y otros textos literarios, en los que la cerveza, y los lugares en los que se sirve, son el tema que los convoca. Una selección que sobrepasa los doscientos textos y que, dada la temática, sirve de brindis de celebración de la larga vida de esta colección de libros de poesía, fundamental en el desarrollo de la poesía española contemporánea. Su catálogo, no solo extenso, sino variadísimo, ha acogido a poetas de los idearios más diversos y es una fuente esencial para el conocimiento de lo poético en este período. No creo que haya aficionado a la poesía que no encuentre en él decenas de títulos que le satisfagan, y no solo de poetas españoles, sino que ha acogido un buen número de hispanoamericanos y traducciones de poetas en otras lenguas.

Por todo ello, gracias le sean dadas a este editor y librero, a quien también se le deben algunos poemas, faceta esta que Chus Visor –que así es conocido en el mundo de la cultura– parece haber dejado atrás, si bien se incluye aquí un relato suyo, páginas de recuerdos, de celebración de la amistad y de anécdotas espirituosas.

Es en el prólogo donde Jesús García Sánchez reúne el extenso y ameno relato de la presencia de la cerveza, que arranca con noticias ya en la civilización sumeria. La primera mención se halla en ese texto fundador de la figura del héroe y de tantos otros elementos literarios que es el Poema de Gilgamesh, es decir, en versos que tienen atestiguada una antigüedad de más de treinta siglos. En uno de sus pasajes, a Enkidu, el amigo de Gilgamesh, se le anima “Bebe cerveza, Enkidu, es la costumbre del país”, un hábito que con el tiempo se ha extendido a todo el mundo. Que a la invitación Enkidu responda bebiéndose siete cántaras es una muestra de cómo la hipérbole es una figura que va fuertemente ligada a la literatura heroica. En cualquier caso, ya se entienda que no fueron tantas las cántaras, no es este un mal comienzo de la antología que García Sánchez ha llevado a cabo.

La cerveza, pues, de la que Manuel Vázquez Montalbán fantaseará con su origen: “En Conemara / el Atlántico inventó la cerveza / como una espuma oscura” y Juan Cristóbal no verá rubia, “Cuando bebíamos las cervezas eran azules”. Sobre el color de la cerveza habla también el marinero de la canción “Tatuaje” de Rafael de León: “Era hermoso y rubio como la cerveza”, texto en el que, tras la pérdida del marinero, la voz femenina confesará ir “sangrando lentamente / de mostrador en mostrador / ante una copa de aguardiente / donde se ahoga mi dolor”, en un notable incremento de la graduación alcohólica de la bebida. También el personaje de “19 días y 500 noches”, de Joaquín Sabina, una vez abandonado, caerá en “la perdición / de los bares de copas”.

En el mundo antiguo, en China y en Egipto se conoció la cerveza y fue no poco valorada. Heródoto escribió que “los egipcios son la gente más sana de todos los hombres” y una de las razones que anotó es que “tienen un vino preparado con cebada”, lo que agradará saber a quienes gustan de ella. Esta afirmación se añade a sus virtudes terapéuticas, muy valoradas hoy, más allá de su conocido efecto diurético, por otras virtudes que el prologuista no deja de detallar en su presentación. Y no es asunto menor que Cela escribió que la cerveza “previene el cáncer”, afirmación que dejo al mejor criterio de los especialistas.

Textos y autores muy conocidos de los lectores se entremezclan con otros que lo son, al menos para mí, menos. Es el caso de John Taylor, quien se apodó “The Bard of Beer” y a quien se debe un The Ex-Ale-tation of Ale (1651), título ingenioso con su doble inscripción (“ale” es un tipo de cerveza típicamente inglés), del que en esta antología se recoge un fragmento de ese elogio de la cerveza, tan arraigada en la cultura británica; un elogio en el que no falta un tópico del tema de la bebida en la literatura: la cerveza, escribió, “es amiga de las musas”, a lo que añade que es “gran amiga de la verdad”. Cómo no recordar el in vino veritas, creencia esta de la cultura popular que afirma que los borrachos no mienten, si bien no le faltan inconvenientes, como que, según Pavese, “Los borrachos no saben hablar a las mujeres”; o, mucho peor, Li Po habría muerto por una borrachera.

Sea como sea, escritores dipsómanos no faltan, piénsese en Edgar Allan Poe, en Paul Verlaine, en Rubén Darío, en Scott Fitzgerald, en Malcolm Lowry –“Ideas de libertad están atadas a la bebida. / Nuestro ideal de vida contiene una taberna”–, sin olvidar a su personaje Geoffrey Firmin, en Claudio Rodríguez –en “Un brindis por el seis de enero” se lee “Y brindo y brindo […] Sigo brindando hasta que se abra el día”–, entre muchos otros. O en Manuel Machado, quien, sin embargo, escribiría “ya no bebo / lo que han dicho que bebía”. Beber en exceso que hará, como dejó escrito Carlos Barral, “No poderse / incorporar simétrico”.

Esta virtud de la bebida, como ayuda o elemento imprescindible para la escritura, está bastante extendida –y no solo al alcohol se le tiene por inspirador, están también drogas como el hachís, el LSD, etc.–. Así lo afirmaba, por ejemplo, el peruano Julio Ramón Ribeyro, quien, por otra parte, desaconsejaba la borrachera, y lo cierto es que sus escritos son de primer orden. Y si a algunos la filosofía sirve de consuelo, a otros les sirve la bebida: Eduardo Lizalde se retrata en una cantina pensando en la muerte que le acecha y resuelve la situación con “Pido otra cerveza”.

“No existe ninguna casa particular donde se pueda disfrutar tanto como en una buena taberna”, según el doctor Samuel Johnson. Y este es nada más que uno de los muchos elogios recogidos en esta antología de aquellos establecimientos donde se puede beber; tabernas, bares, cafés, han sido, y son, lugares frecuentados por no pocos escritores, ya sea para dejar pasar el tiempo, ya para conversar en las tertulias, cuando no como espacio apropiado para ser el escritorio. En un bar escribiría algunos de sus poemas Leopoldo Panero y como él José HierroImposible no recordar la bohemia que tiene esos lugares como espacios privilegiados y la tradición de los cafés, a propósito de lo cual Antoni Martí Monterde llegó a hablar de una “poética del café”, título de un libro, como el que se reseña, muy recomendable.

El nombre de un café, Pombo, fue título de un muy conocido libro de Ramón Gómez de la Serna, espacio que en el que “se goza de una libertad definitiva”. Otro, A Brasileira, fue inmortalizado por uno de sus asiduos y buen bebedor, Fernando Pessoa, café declarado parte del patrimonio arquitectónico portugués y lugar de peregrinación de los lectores. Al evocar al escritor portugués Eugenio Montejo escribe “Pessoa siempre bebía / en estos bares de borrosos espejos” y propone dar de beber a su estatua.

“¡Alegría del Bar!” escribió Gabriel Celaya, lo que podría haber servido también de título para este libro, una delicia de lectura no falta de valiosas enseñanzas. “No beber solo” es el primero de los consejos que Álvaro Mutis daba sobre el beber, así que no parece mal cierre para esta reseña volver a los poemas de este libro con una cerveza a mano y celebrarla y celebrar versos, no solo en cuanto tales, sino también como compañeros. Lectura y bebida, doble fiesta.

A veces parece que despierto
y me pregunto por lo que viví;
fui claro, fui real, es cierto,
¿pero cómo he llegado hasta aquí?

La borrachera a veces da
una asombrosa lucidez
en que uno está como si fuera otro.
Estuve ebrio sin beber, tal vez.

De lo cual, si pienso, el mundo
¿no estará quizás hecho de gente
llena en el fondo de esta esencia
de existir clara y ebriamente?

Entiendo como en un carrusel,
giro a mi alrededor sin hallarme…
(voy a escribir esto en un papel
para que no me crea nadie…)

Fernando Pessoa

 

[Fuente: http://www.elcultural.com]

Escrito por Eduardo Affonso

“Despiorar” existe.

É verbo transitivo e intransitivo, e significa tornar ou ficar menos mau (ou menos mal). É o mesmo que melhorar.

“Desmelhorar” também existe.

É transitivo quando no sentido de impedir o melhoramento, intransitivo na acepção de tornar pior.

Quando uma coisa piora menos do que vinha piorando, há quem diga que começou a melhorar. E quem prefira dizer que está despiorando. Questão de copo meio cheio ou meio vazio.

Existe também “desconcordar”, que é quando você apenas não concorda, sem, entretanto, discordar. Lamentavelmente, “desdiscordar” não existe – ou você dá o braço a torcer ou fica quieto.

O antônimo de “amor” pode não ser ódio ou indiferença, mas “desamor”. Desamor é uma indiferença magoada, levemente ressentida, sem ânimo para ser ódio. Não chega a ser desprezo; é só uma desafeição. Um destesão.

É para isso que o prefixo “des” existe: para para indicar ação contrária. Mentir, desmentir. Fazer, desfazer. Carregar, descarregar. É bonito usá-lo porque (filósofos me ajudem nesta hora!) é uma negação que traz a afirmação dentro de si.

Desconhecer não é o mesmo que ignorar. Desiludir não é o mesmo que frustrar.

Nos dicionários até pode ser. Mas isso só para quem acredita em sinônimos.

Sinônimo quer dizer semelhante, não idêntico.

Mas nada é idêntico. “Só nós somos iguais a nós próprios”, escreveu o Fernando Pessoa, que era tão dessemelhante de si mesmo a ponto de se estilhaçar em tantos eus.

Taí outra palavra linda: “dessemelhante”. Tão bonita quanto “díspar” (sem par), e a gente a usa tão pouco.

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

Esse era o Gregório de Matos, mas lá no século 17, quando o barroco pedia mais e mais antíteses, dualidades, contradições e paradoxos (como uma palavra trazer dentro da barriga aquela que pretendia matar).

Para entender “despiora”, pode-se também lembrar que “desinfeliz” não é alegre: é mais que infeliz. “Desinquieto” é bem mais que inquieto, não o inerte.

“Despiora” – intuo –  pode ser uma melhora a contragosto. Uma melhora indigna da sua etimologia (“melhor” quer dizer “mais forte”, o que é diferente de “menos fraco”).

Essa talvez não seja uma questão linguística, mas filosófica. Ou só acessível por meio da poesia.

Sugiro começar com Camões:

“Amor com brandas mostras aparece:
Tudo possível faz, tudo assegura;
Mas logo no melhor desaparece.

Estranho mal! Estranha desventura!
Por um pequeno bem, que desfalece,
Um bem aventurar, que sempre dura!“

Ou, sem as dicotomias do aparece / desaparece, bem aventurar e desventura,  com Aldir Blanc: “Pior que a morte é desviver”.

Quando começar a desmelhorar, a gente retoma o tema.

 

[Fonte: http://www.eduardoaffonso.com]