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Comentário sobre o livro “Kabale”, de Michael Chighel

Escrito por ARI MARCELO SOLON*

Ma tovu ohalecha ya’akov
Mishkenotecha yisrael
(Quão formosas são as tuas tendas Ya’akov
E os teus tabernáculos Israel)
Benção de Balaam

O livro Kabale: Das Geheimnis des Hebraischen Humanismus om Lichte von Heideggers Denken, de Michael Chighel é um confronto direto contra Heidegger a partir do judaísmo, em que o pensamento de Heidegger é acusado de algo pior do que o antissemitismo. Nada mais é que um mágico Balaam, retratado na Bíblia como o primeiro antissemita.

Para o autor sem papas na língua, Heidegger vem de “Heide”, pagão, e representa o antiadamismo, o anti-humanismo hebraico, afinal, o livro de Gênesis não começa com a história nacional de um povo, mas a partir da criação universal do mundo e do homem, sendo que a questão nacional só surge na metade do texto bíblico.

O que está em jogo no humanismo hebraico é o fenômeno intencional no sentido de Husserl, qualificado por “jüdische” por Heidegger, uma intencionalidade que representa o todo do ensino da humanidade. Essa é a razão pela qual a Torá começa com a criação do homem, que com certeza não era judeu, e segue assim a história da humanidade até capítulos muito posteriores.

Não é de se estranhar, portanto, que Heidegger era um patético defensor de Os Protocolos dos Sábios de Sião, como confessou para Jasper. Com efeito, o que incomoda na filosofia nazi de Heidegger é a mensagem de uma entidade sacerdotal levítica, incumbida por Deus como ministério para espalhar as mensagens do humanismo hebraico à humanidade. É isso que é visto pelos sofisticados defensores d’O Protocolo dos Sábios de Sião, tais como Évola, Heidegger e Schmitt, como uma conspiração, daí o nome do livro: “Kabale”, tal como está presente em Schiller e no dicionário do nacionalista Grimm.

O mérito deste livro é que se trata do primeiro que discute a verdade do pensamento de Heidegger a partir do judaísmo, da Torá e do Talmud, além da Chassidut. É como se Heidegger iluminasse, com seu antiadamismo, todo o judaísmo.

Assim como Balaão foi comparado com Moisés pelo seu grau de profecia, nem sempre Heidegger erra, apenas o seu saber tem uma origem demoníaca quando ataca a cultura intelectual judaica, do Talmud e da Torá, como uma decisão para o “Seienden”, não para o “Sein”. Nota, nesse sentido, a preferência para o “Seienden” em intelectuais judeus como Husserl, e basta abrir uma página do Talmud para ver o racionalismo judaico. O que Heidegger não vê é o amor ao próximo como a ti mesmo em cada página desse mesmo intelectualismo.

A grande inovação deste livro, ao lado de tantos outros que trataram do nazismo e do antissemitismo de Heidegger, é que o autor é radical, pois vê que a inimizade entre judaísmo e Heidegger é inconciliável. É nesse sentido que se dá o ataque de Heidegger à conspiração do “Weltjudentum”, enquanto conspiração contra o pensamento pagão.

Com efeito, os judeus são os inimigos historiais do ser, contra o qual Heidegger coloca o povo alemão.

Tudo a partir do paralelo entre o pensamento de Heidegger e as forças proféticas de Balaão, filho de Beor, este livro é, antes de tudo, uma enciclopédia do judaísmo a partir de suas fontes primárias. A parte mais linda do livro de Chighel envolve os últimos capítulos, onde há o contraponto entre as palavras seminais da filosofia de Heidegger e as palavras seminais do judaísmo: o que é, para o judaísmo, “Welt”, “Boden” e “Erde”?

“Welt” é “Od”; “Boden” é “Erez”; “Erde” é “Adama”; além disso, “Ethos” é “Zelem”; e “Poiesis” é “Awoda”.

A partir de um exemplo, veremos um contraponto muito atual: terra para o judaísmo não é “Boden”, ou seja, solo, afinal não há uma ligação atávica do povo com o solo, mas um comando divino universal para santificar a terra, que nunca pode ser um fim em si mesmo.

O humanismo hebraico, acusado de conspiratório por Heidegger, exemplifica-se com o texto maravilhoso do Talmud, por meio do qual Chighel termina o livro: “Rabbi Meir würde sagen: Woher weiß man, dass selbst ein die Sterne anbetender Nichtjude, der sich mit dem Studium der Tora beschäftigt, wie ein Hohepriester ist? Aus dem Vers: ›Darum sollt ihr meine Sat- zungen halten und meine Rechte. Denn wenn ein Mensch sie tut, wird er durch sie leben.‹ (3. Mose 18:5). Der Vers sagt nicht ›Priester‹, ›Le- viten‹ oder ›Israeliten‹, sondern ›ein Mensch‹. So hast du gelernt, dass selbst ein sternenanbetender Nichtjude, der sich mit dem Studium der Tora beschäftigt, wie ein Hohepriester ist”. [Rabbi Meir dizia: como nós sabemos, e mesmo um pagão que adora as estrelas, que não estuda a Torá, é igual ao sumo sacerdote? A partir do verso “Portanto, vocês devem cumprir meus mandamentos e meus comandos. Se um homem quiser, ele viverá.” O verso não diz “sacerdote”, “levita” ou “israelita”, mas sim “um homem”. Assim, vocês aprendem que mesmo um pagão que adora as estrelas e que se ocupa da Torá é um sumo sacerdote].

Propomos mais uma indagação provocativa: o Zohar não acentua uma analogia mais profunda entre teurgia de Moisés e a mágica de Balaão?

Se Heidegger é Balaão, não teria, então, um papel importante não na Kabale, mas na verdadeira Kabbalah, que inspirou em diálogo com elementos neoplatônicos o idealismo alemão de Hegel, de Schelling, da qual Heidegger é um grande intérprete?

Seria tão irreconciliável a diferença, como diz nosso autor, ou haveria algo impensável, como denominador comum entre a tradição pagã e a tradição judaica?

Afinal, a indagação de Wolfson não procede? “[…] if not exclusive—consequence of the Jewish propensity for calculative machination. In the final analysis, we must ask, is the insight of Heidegger not on a par with the vision of Balaam, a wild blindness that uncannily empowers one with the ability to see the semblance of the shadow of truth even as one is blinded to the semblance of the truth of one’s own shadow is the insight of Heidegger”.

*Ari Marcelo Solon é professor da Faculdade de Direito da USPAutor, entre outros, livros, de Caminhos da filosofia e da ciência do direito: conexão alemã no devir da justiça (Prismas)

Referência


Michael Chighel. Kabale: Das Geheimnis des Hebraischen Humanismus im Lichte von Heideggers Denken. Frankfurt am Main. Verlag Vittorio Klostermann, 294 págs.

[Imagem: Lara Mantoanelli – fonte: http://www.aterraeredonda.com.br%5D

Un enregistrement perdu d’Allen Ginsberg lisant son poème épique Howl, doit sortir en avril prochain. Le Reed College, où la performance de lecture avait été enregistrée voilà 65 ans, est parvenu à remettre la main dessus. Et le label Omnivore Recordings a collaboré à la remasterisation. Dans l’intervalle, c’est un brouillon du texte qui vient de partir aux enchères pour 425.000 $.

ActuaLitté
Publié par Victor De Sepausy

La première lecture donnée par Ginsberg, en 1956, sortira officiellement ce 21 avril en format numérique, CD et vinyle. Y compris une édition limitée LP Reed -red. De quoi rendre hommage à l’auteur, avec une couleur solaire proche des images du poème. Un marqueur de la contre-culture qui, dans les années 60, partira de personnalités comme Ginsberg. Réalisé le jour de la Saint-Valentin, l’enregistrement fut réalisé lors d’un séjour de deux jours de Ginsberg, dans la prestigieuse école de l’Oregon.

En voici, d’ailleurs, un bel aperçu :

Quant à cette vente aux enchères, elle résulte d’une découverte par la famille : dans les papiers d’Annie Ruff, qui avait accueilli plusieurs poètes et artistes, dont Ginsberg, une copie carbone de Howl semble émerger. Un spécialiste de la Beat Generation, Brian Cassidy, intervient pour authentifier le document. Il s’avère que le texte a bel et bien été effectué sur la machine à écrire de Ginsberg, en date de janvier ou début février 1956.

J’ai vu les plus grands esprits de ma génération détruits par la folie, affamés hystériques nus, Se traînant à l’aube dans les rues nègres à la recherche d’une furieuse piqûre,
Initiés à tête d’ange brûlant pour la liaison céleste ancienne avec la dynamo étoilée dans la mécanique nocturne [Source…]

Howl, Allen Ginsberg

N’oublions pas que la première lecture de ce texte fut réalisée en octobre 1955, à voix haute. « La nuit de la naissance de la poésie à San Francisco », affirmera Jack Kerouac.

Cette lecture marquera un premier pas, mais l’œuvre ne sera publiée qu’à l’automne 1956. Lawrence Feflinghetti, l’éditeur, sera d’ailleurs arrêté et accusé d’obscénité pour l’avoir fait paraître. Ce fut pourtant le texte qui lança la carrière de Ginsberg dans la stratosphère.

Selon Brian Cassidy, le brouillon mis en vente chez Type Punch Matrix, a été emporté pour 425.000 $, « est une étape importante dans l’évolution du poème. Comme il s’agit d’une copie, vous pouvez voir nombre de choix originaux faits par Ginsberg avant les révisions. Ce sont des changements qui auraient été autrement perdus ».

Plus important encore : c’est l’unique version provisoire actuellement retrouvée de la première page du texte que Ginsberg aura totalement totalement remaniée, abandonnée et réécrite intégralement. Seule la lecture au Reed College, en 1956, nous en apporte le témoignage.

« Ce document dactylographié permet d’observer l’esprit du poète, en train de composer — et qui est sans doute le poème américain le plus important du XXe siècle », poursuit Cassidy, cité par le Guardian. « C’est extraordinairement inhabituel qu’une ébauche d’œuvre majeure dans la littérature demeure si longtemps inconnue. »

[Photo : Reed College – source : actualitte.com]

Karl Marx (1818-1883) est un journaliste, essayiste, historien, philosophe, sociologue, économiste, théoricien de la révolution, socialiste et communiste allemand majeur. Il était né dans une famille d’origine juive. Le 23 mars 2021, Arte rediffusera « Karl Marx – Penseur visionnaire » par Christian Twente.

Publié par Véronique Chemla

Le 5 mai 2018, fut célébré le bicentenaire de la naissance de Karl Marx.
Juifs, judaïsme et Eretz Israël

Karl Marx est né en 1818 dans une famille allemande d’origine juive.

Né Herschel Marx Levi Mordechai, son père avocat, Heinrich Marx (1777-1838), était d’une lignée de rabbins juifs ashkénazes et de marchands propriétaires de vignobles dans la vallée de la Moselle.

Grand-père d’Heinrich, Meier Halevi Marx assurait la fonction de rabbin à Trèves en 1723, et ses fils et petit-fils reçurent une éducation séculière.

Pour exercer son métier d’avocat, Heinrich Marx se convertit au protestantisme en 1816 ou 1817, et délaissa son prénom Herschel pour Heinrich.

Mère de Karl Marx, Henriette Pressburg (1788-1863) venait d’une famille juive hollandaise. Fidèle au judaïsme, elle s’était convertie au luthéranisme en 1825, après le décès de son père, rabbin. Ses petits-neveux sont les frères Gerard Philips et Anton Philips, fondateurs de la société Philips à Eindhoven.

En 1824, Karl Marx est baptisé dans le luthéranisme, et confirmé à l’église de la Trinité de Trèves en 1834.

Appliquant la tradition juive, Heinrich Marx a donné à son fils le prénom de son grand-père, Karl Heinrich Mordechai.

En 1843, Karl Marx a écrit l’article « Sur la Question juive » publié en 1844 sous le titre Zur Judenfrage dans la revue Deutsch-Französische Jahrbücher. Une première esquisse de sa conception du matérialisme historique.

Karl Marx y critique le livre La Question juive et l’article L’aptitude des juifs et chrétiens d’aujourd’hui à être libres de Bruno Bauer (1809-1882), philosophe, historien et disciple de Hegel. Bauer y évoquait les aspirations à l’émancipation politique des Juifs de Prusse et prônait l’abolition de la religion afin d’accéder à l’émancipation politique. Prenant en exemple les États-Unis, Karl indique que même si ce pays n’a imposé, à la différence de la Prusse, aucune religion d’État, la religion y joue un rôle important. Il distingue l’émancipation politique de celle humaine.

Expressions de la « haine de soi » ? Certains passages de « Sur la Question juive » sont empreints de clichés anti-juifs associant les Juifs et l’argent : « Quel est le fond profane du judaïsme? Le besoin pratique, l’utilité personnelle. Quel est le culte profane du Juif ? Le trafic. Quel est son Dieu profane ? L’argent. Eh bien, en s’émancipant du trafic et de l’argent, par conséquent du judaïsme réel et pratique, l’époque actuelle s’émanciperait elle-même… L’argent est le dieu jaloux d’Israël, devant qui nul autre dieu ne doit subsister ».

Mais pour le professeur Iain Hamphsher-Monk, ce texte de Karl Marx doit être considéré, malgré ses maladresses, comme une défense des Juifs.

Karl Marx a poursuivi son analyse critique du judaïsme dans divers essais.

En 1854, selon un article publié par le New York Tribune, les Juifs constituaient les deux tiers des habitants de Jérusalem, en Eretz Israël. L’auteur de cet article ? Karl Marx. « Oui, ce Karl Marx« .

« Le Jeune Karl Marx » 

OCS City diffusera « Le Jeune Karl Marx » (The early years of Karl Marx) de Raoul Peck (2017, 1 h 53). « 1844. De toute part, dans une Europe en ébullition, les ouvriers, premières victimes de la « Révolution industrielle », cherchent à s’organiser devant un « capital » effréné qui dévore tout sur son passage. Karl Marx, journaliste et jeune philosophe de 26 ans, victime de la censure d’une Allemagne répressive, s’exile à Paris avec sa femme Jenny, où ils vont faire une rencontre décisive : Friedrich Engels, fils révolté d’un riche industriel allemand. Intelligents, audacieux et téméraires, ces trois jeunes gens décident que « les philosophes n’ont fait qu’interpréter le monde, alors que le but est de le changer ». Entre parties d’échecs endiablées, nuits d’ivresse et débats passionnés, ils rédigent fiévreusement ce qui deviendra la « bible » des révoltes ouvrières en Europe : « Le manifeste du Parti communiste » (1848). »

Arte 
Arte diffusa, à l’occasion du bicentenaire de la naissance de Karl Marx (1818-1883), trois documentaires sur l’auteur de À propos de la question juive (1843) et du « Capital » (1867) : le 28 avril 2018, « Karl Marx – Penseur visionnaire » (Karl Marx – Der deutsche Prophet) par Christian Twente et « De Marx aux marxistes » (Karl Marx und seine Erben) par Peter Dörfler, et le 2 mai 2018 « Le phénomène Karl Marx » (Fetisch Karl Marx) par Torsten Striegnitz et Simone Dobmeier.

Le 23 mars 2021, Arte rediffusera « Karl Marx – Penseur visionnaire » par Christian Twente.

« À l’occasion du bicentenaire de la naissance de Karl Marx, ce portrait très documenté donne la parole à plusieurs biographes (notamment Jacques Attali), ainsi qu’à des historiens et à des économistes, qui mettent en perspective sa vie et son œuvre, en pointant les fulgurances mais aussi les contradictions qui émaillent sa pensée ». Un documentaire laudateur.
« Au printemps 1882, un an avant sa mort, Karl Marx bataille entre des voyages, une santé déclinante et la rédaction épuisante du deuxième tome du Capital, qui occupa les deux dernières décennies de sa vie ».

« C’est ce point de départ qu’adopte ce documentaire-fiction élégamment interprété (avec Mario Adorf dans le rôle-titre), narré par Eleanor, la plus jeune des filles de Marx, qui contribua grandement à transmettre ses œuvres à la postérité ».

Le « récit est émaillé d’épisodes du long et passionnant parcours du philosophe : il revient sur sa jeunesse romantique, son mariage avec la brillante aristocrate Jenny von Westphalen, sa fructueuse période d’exil à Paris – où il fait la rencontre déterminante de Friedrich Engels, avec qui il rédigera le Manifeste du parti communiste – puis ses années difficiles à Bruxelles et à Londres ».
« Ce portrait très documenté donne la parole à plusieurs biographes (notamment Jacques Attali), ainsi qu’à des historiens et à des économistes, qui mettent en perspective sa vie et son œuvre, en pointant – avec près d’un siècle et demi de recul – les fulgurances mais aussi les contradictions qui émaillent sa pensée ».
« De Marx aux marxistes » 
Un « panorama historique du riche héritage de l’œuvre de Marx, à travers le destin des régimes qui se sont revendiqués du communisme (l’Union soviétique de Lénine, la Chine populaire, Cuba ou la RDA) mais aussi les mouvements étudiants de Mai 68 et les foisonnantes réflexions qui ont longtemps agité partis de gauche et organisations syndicales ».
Le « théoricien du capitalisme et de la lutte des classes, qui disait vouloir « transformer le monde », aurait-il pu prévoir à quel point son œuvre allait marquer le XXe siècle – et jusqu’à l’époque contemporaine ? »
Le « documentariste Peter Dörfler entreprend un voyage de plus d’un siècle à travers les applications diverses des théories marxistes – entre les révolutions qu’elles ont inspirées et leur statut de référence théorique qui perdure jusqu’à nos jours ».
« D’Athènes à Pékin, en passant par Berlin et Paris, ce panorama évoque le destin des régimes qui se sont revendiqués du communisme – l’Union soviétique de Lénine, la Chine populaire, Cuba ou la RDA – mais aussi les mouvements étudiants de Mai 68 et les foisonnantes réflexions qui ont longtemps agité partis de gauche et organisations syndicales ».
« À l’ère de la mondialisation et des crises bancaires, les détracteurs du capitalisme financier ont remis au goût du jour les analyses de Marx ».
« Jusqu’à quel point ses thèses sont-elles applicables au monde actuel ? »
« Le phénomène Karl Marx »

« À l’heure du capitalisme mondialisé, l’auteur du « Capital » nous permet-il d’appréhender les réalités d’aujourd’hui ? Avec les éclairages de l’économiste Thomas Piketty et du philosophe Slavoj Zizek ».

« À l’heure du capitalisme mondialisé, alors même que nos sociétés sont de plus en plus prospères, surviennent de nouvelles formes d’exploitation et d’aliénation, tandis que les écarts de richesse continuent de se creuser ».

Les « analyses marxistes peuvent-elle nous aider à appréhender la complexité du monde actuel, voire à le réinventer ? »

« Ne place-t-on pas trop d’espoirs en Karl Marx, devenu aujourd’hui une icône ? »
Des « économistes, dont Thomas Piketty, et des philosophes, dont le Slovène Slavoj Zizek, nous éclairent sur les conditions sociales qui ont donné naissance au Manifeste du parti communiste et au Capital, et les comparent aux réalités du XXIe siècle ».
« À la lumière des crises passées du capitalisme, déjà prophétisées par Marx, pourra-t-on anticiper les soubresauts à venir ? »

« Le Jeune Karl Marx » de Raoul Peck

France, 2017, 1 h 53

Avec August Diehl (Karl Marx), Stefan Konarske (Friedrich Engels), Vicky Krieps (Jenny von Westphalen-Marx), Olivier Gourmet (Pierre-Joseph Proudhon), Hannah Steele (Mary Burns), Alexander Scheer (Wilhelm Weitling), Hans-Uwe Bauer (Arnold Ruge), Michael Brandner (Joseph Moll)
Sur OCS city : les 11 décembre 2019 à 12 h 10, 13 décembre 2019 à 10 h 45, 16 décembre 2019 à 18 h 40 et 20 décembre 2019 à 08 h 05

« Karl Marx – Penseur visionnaire » par Christian Twente
Allemagne, 2018
Sur Arte les 28 avril 2018 à 20 h 50, 2 mai 2018 à 9 h 25, 29 avril 2020 à 00 h 55, 23 mars 2021 à 09 h 25
Disponible du 23/04/2020 au 27/05/2020, du 22/03/2021 au 29/03/2021
Visuels : © MF Dobmeier, © Martin Christ
« De Marx aux marxistes » par Peter Dörfler
Allemagne, 2018, 53 minutes
Sur Arte le 28 avril 2018 à 22 h 20, le 2 mai 2018 à 10 h 55
Visuels : © Martin Christ, © Peter Dörfler
« Le phénomène Karl Marx » par Torsten Striegnitz et Simone Dobmeier
Allemagne, 2017, 52 minutes
Sur Arte le 2 mai 2018 à 22 h 20
Visuels : © MF Kerst, © MFF Striegnitz, © MF Dobmeier

Les citations sont d’Arte. Cet article a été publié le 26 avril 2018, puis le 28 avril 2020.

[Source : http://www.veroniquechemla.info]

El 19 de marzo de 1933 nacía el afamado y polémico escritor judío estadounidense Philip Milton Roth, en Newark, Nueva Jersey, quien a lo largo de su carrera literaria obtuvo múltiples premios.

Segundo hijo de una familia emigrada a principios de la década del 30 a los Estados Unidos, se crió en el barrio Weequahic de su ciudad natal, en donde realizó sus estudios primarios y secundarios para luego estudiar en la universidad de Bucknell, donde obtuvo el grado B.A. en Inglés, comenzó un doctorado en Filosofía, que nunca terminó, y realizó un posgrado en la Universidad de Chicago, donde obtuvo una maestría en Literatura Inglesa.Tiempo después comenzó una larga carrera docente enseñando escritura creativa en las universidades de Iowa y Princenton, para luego ser profesor de Literatura Comparada en la universidad de Pensilvania, hasta retirarse de la docencia en 1992.

Prolífero escritor, publicó más de treinta textos, en su gran mayoría novelas y memorias: Los hechos (1988) y Patrimonio: una historia verdadera (1991), además de innumerables ensayos, los que junto a entrevistas que le realizaron y discurso que pronunciara, se publicaron bajo el título ¿Por qué escribir? Ensayos, entrevistas y discursos (1960-2013), luego de su fallecimiento.

El primer libro que publicó: Goodbye, Columbus, que contiene cinco cuentos cortos y una novela breve, ganó el prestigioso National Book Award en 1960; pero su gran éxito lo constituye la novela Portnoy’s Complaint (1969), que al ser traducida al castellano se la denominó El lamento de Portnoy, en la que el personaje central Alexander Portnoy, en un largo monólogo le cuenta a su psiquiatra que vive atormentado por su obsesión sexual, y los remordimientos que esto le causa, al igual que considerar que los mismos son el resultado de haber tenido una madre judía, por demás posesiva. La crítica pondera esta novela y las ventas superan los 400.000 ejemplares.

Si por Goodbye, Columbus y Portnoy’s Complaint se lo critica por la manera en que trata los problemas de la integración de los judíos estadounidenses a la sociedad en la que viven, se lo llegó a acusar de antijudío y/o antisemita cuando publica Trilogía Americana integrada por Pastoral americana (1997), galardonada con el premio Pulitzer. Me casé con un comunista (1998), recibiendo Ambassador Book Award of the English Speaking Union; y La mancha humana (2000), por el que obtuvo el WH Smith Literary Award, al año siguiente. Debido a esas acusaciones, en gran parte a los reportajes que le hicieron posteriormente, debió justificar su visión crítica a la manera en que los judíos se integraron a la sociedad estadounidense.

En el 2004 Roth vuelve a sorprender a sus admiradores y a la crítica literaria por La conjura contra América, novela ucrónica (ucronía: reconstrucción de la historia sobre datos hipotéticos) en la que el héroe de aviación estadounidense Charles Lindbergh gana la presidencia al derrotar a Franklin D. Roosevelt y firma un acuerdo con Hitler; por la que obtiene el premio Sidewise en el 2005 y el premio W.H. Smith Literary Award por el mejor libro del año, convirtiendo a Roth en el primer escritor en ganarlo dos veces en los cuarenta y seis años de historia de dicho premio.

Varias de sus obras fueron adaptadas al cine, destacándose Goodbye, Columbus (1969); Portnoy’s Complaint (1972), La mancha humana (2001) y Pastoral americana (2019).

A lo largo de su brillante carrera literaria, recibió decenas de premios, siendo los últimos el Príncipe de Asturias de las Letras, otorgado por el gobierno de España en el 2012, y el Comandante de la Legión de Honor, otorgado por Francia en el 2013, por su aporte a la literatura contemporánea.

Philip Milton Roth falleció en un hospital de Manhattan, Nueva York, a los 85 años a causa de una insuficiencia cardíaca el 22 de mayo de 2018.

[Fuente: http://www.diariojudio.com]

María Elena Walsh y Leda Valladares viajaron a Europa en 1960 para interpretar folklore latinoamericano. Actuaban disfrazadas de “indias”, como pedía la mirada colonial. Pero cuando llevaron su material al etnomusicólogo Alan Lomax, este las rechazó: eran demasiado “blancas”, intelectuales mediadoras de la cultura popular. A su regreso, ambas dieron respuestas al desafío. Una, desde la recuperación del cancionero popular. La otra entendió que la solución solo podía darse desde la cultura de masas. Adelanto de Pospopulares, de Pablo Alabarces (UNSAM Edita).


Escrito por Pablo Alabarces

La obra de la poeta, narradora, compositora, cantante y frustrada etnomusicóloga argentina María Elena Walsh es fundadora de una zona novedosa en la cultura argentina: la cultura de masas infantil. Su obra para niños se difundió también en buena parte de América Latina, en mucha mayor medida que su obra para adultos –valiosísima, pero de mucha menor difusión en nuestro continente–. El periplo que la condujo a esa producción, entre 1960 y 1968, es un ejemplo fantástico de las relaciones complejas entre las narrativas de la cultura de masas, las prácticas populares y la cultura culta.

María Elena, formada en las tradiciones letradas cultas –las locales, pero también las anglosajonas por herencia de su padre–, se reveló a los 17 años como una prometedora poeta con su libro Otoño imperdonable, de 1947, premiado en Buenos Aires (Segundo Premio Municipal) y elogiado por la crítica. Uno de sus admiradores fue el ya famosísimo poeta español Juan Ramón Jiménez, exiliado por el régimen franquista, quien la invitó a una estancia en la Universidad de Maryland, donde él enseñaba. Al regreso de la experiencia norteamericana, María Elena entró en contacto epistolar con una intelectual nacida en la provincia norteña de Tucumán, diez años mayor: Leda Valladares –de origen burgués–, perteneciente a una familia de propietarios de tierras e ingenios azucareros en su provincia, profesora de Filosofía y a la vez música, “entendida en jazz y blues”, como arma Sergio Pujol, pero que además había comenzado a coleccionar ejemplos del cancionero popular latinoamericano, especialmente del norte argentino. Leda estaba transitoriamente en Costa Rica; se encontraron en Panamá para viajar a París e instalarse allí en 1952 –simultáneamente a Cortázar, como narramos al comienzo de este capítulo–. El peronismo se revelaba fuertemente expulsivo para los y las intelectuales argentinos. En este caso, además, homosexuales –un exceso imperdonable e impronunciable en ese contexto–.

Leda y María, como se llamó el dúo, comenzaron a actuar en la ciudad francesa interpretando el repertorio coleccionado por Leda, en espectáculos y sendos discos titulados Chants d’Argentine, de 1954, y Sous le ciel de l’Argentine, de 1955. Alcanzaron cierto éxito, en la senda abierta por el compositor, cantante y guitarrista argentino Atahualpa Yupanqui –nombre artístico de Héctor Roberto Chavero, y uno de los fundadores del folklore argentino devenido cultura de masas– y en la que también transitaba la chilena Violeta Parra. Se trataba de una suerte de descubrimiento francés y luego europeo de la canción tradicional y el folklore latinoamericanos –transformados en género de la cultura de masas–, fenómeno muy bien narrado por Pujol y luego, a través de la figura de Mercedes Sosa en los años 60, por Matthew Karush. Por supuesto, Leda y María actuaban disfrazadas de “indias” latinoamericanas, así como treinta años antes los intérpretes y bailarines del tango de Buenos Aires se vestían de gauchos. El exotismo debía ser ratificado en escena, como lo reclamaba la mirada colonial.

Pero en 1956, ambas aprovecharon un viaje a Londres para visitar al etnomusicólogo norteamericano Alan Lomax, emigrado de los Estados Unidos a causa de la persecución macartista. Lomax, cuenta Pujol,

había empezado con el blues –el cantante Leadbelly era su gran rescate–, para luego abrazar los folklores del mundo mucho antes de que la etiqueta world music lavara la mala conciencia del postcolonialismo. Como asesor del sello Folkways, Lomax era toda una autoridad en la música étnica, en una época en la que la única música étnica que daba vueltas sobre una bandeja giradiscos era la rescatada por esos programas filantrópicos de la Unesco.

Le llevaron su material, ansiosas del reconocimiento científico:

Cantaron para él una baguala y un carnavalito, con la esperanza de ser incluidas en el sello, y quedar así eternizadas al lado de bluseros del Mississippi, cantores galeses, cantaores flamencos y otras especies en riesgo de extinción. Pero la cosa no anduvo. “Muy blancas para mi gusto”, sentenció el investigador. Tenía razón. O quizá no tanto.

Para Lomax, el material de Leda y María no constituía un documento musicológico, sino su recreación por dos intelectuales blancas para ser transformado en espectáculo de masas. Por cierto, como dice Pujol, Lomax era un “poco rígido”: años después, en 1965, se dedicaría a boicotear “la presentación ‘eléctrica’ de Bob Dylan en Newport”. Pero, además, tenía razón: los cancioneros populares se habían esfumado en la recreación que una nueva generación de músicos –intelectuales mediadores, como los llamamos más arriba– habían hecho desde los años 40 para producir un folklore que era, como dijimos, un nuevo género de la cultura de masas. Eso ya no era cultura popular sino que era –¿además? ¿en su lugar?– cultura de masas.

Leda y María retornaron a la Argentina. Durante unos pocos años, continuaron actuando, ofreciendo su repertorio folklórico, al que le añadieron la tradición colonial española, como el romancero (en el disco Canciones del tiempo de Maríacastaña, de 1958). En 1959, María Elena comenzó a incorporar canciones de su autoría dirigidas a público infantil. Grabaron un último disco juntas, de solo cuatro canciones, en esta línea, Canciones de Tutú Marambá, y ello las llevó a producir un espectáculo teatral en 1963, Doña Disparate y Bambuco, en el que todas las canciones eran de autoría de María Elena.

Luego de ello, el “síndrome Lomax” hizo efecto definitivo. Leda optó por retornar a Tucumán y consagrarse a la recuperación del cancionero popular, especialmente a la colección de bagualas de los valles Calchaquíes tucumanos, es decir, radicalizó el desafío de Lomax. Esto la llevó a posiciones en muchos casos profundamente conservadoras –en 1976, ya en la dictadura argentina, participó de una mesa redonda periodística en la que condenó duramente a los jóvenes músicos del llamado rock nacional argentino, afirmando que la única música auténtica argentina era el folklore–. Pocos años después, sin embargo, retrocedió hacia posturas más contemporizadoras y culminó su carrera organizando reuniones de canto colectivo de coplas, vidalas y bagualas a las que invitaba sus nuevos amigos rockeros (León Gieco, Gustavo Santaolalla, Pedro Aznar o Gustavo Cerati, que de paso pagaban con esto un tributo definitivo de nacionalización).

 

En cambio, María Elena decidió que el desafío de Lomax solo podía responderse en la cultura de masas: discos, cine, televisión y libros para niños –a partir de 1968, presentaciones en teatros, discos y libros para adultos–. Pero, además, el desafío musicológico solo podía responderse recuperando toda la cultura de masas. Aunque los ritmos folklóricos seguían presentes (bagualas, chacareras), también aparecen el rock, el twist, el blue grass, el dixieland, la ranchera, el fox trot, el madrigal, el vals. Al mismo tiempo, y no paradójicamente, la cultura de masas se propone desde la crítica a la cultura de masas. En un verso de su bellísima “Marcha de Osías”, María Elena afirma:

Quiero cuentos, historietas y novelas

pero no las que andan a botón.

Yo las quiero de la mano de una abuela

 que me las cuente en camisón.

Las “historias que andan a botón” son, obviamente, las televisivas. Todo esto salpimentado, asimismo, con referencias a la cultura culta y al non sense británico, a Lewis Carroll y a París como capital de la moda –el lugar a donde peregrina la tortuga Manuelita para seducir a su tortugo–.

No se trata de una mescolanza: se trata de una apuesta distribucionista de los bienes simbólicos que evade la trampa tradicionalista y folklorista para, al mismo tiempo, organizarse en torno del respeto democrático por sus públicos, populares o no. Pero esa organización depende, como hemos venido diciendo, de una letrada blanca, urbana y pequeñoburguesa, con un pasaje por París y dos libros de poemas cultos en sus alforjas.

Al mismo tiempo, el periplo de Leda y María nos permite ver en uno de sus recodos, como hemos señalado, el pliegue folklorizante de lo popular. Para finales de la década de 1960, toda América Latina había producido algún tipo de movimiento de recuperación de sus tradiciones populares transformándolas, en buena medida, en folklore. Esto suponía dos posibilidades: por un lado, el conservadurismo arcaizante, que señalaba hacia el pasado y hacia lo rural como únicos repertorios legítimos de lo popular –que debía, además, ser administrado por los Estados nacionales o musei­ficado por sus intelectuales–. Por otro, el pasaje hacia la cultura de masas, para la que los públicos serían, no paradójicamente, las poblaciones rurales migrantes hacia las ciudades en la segunda mitad del siglo xx. Cultura de masas: pero con la garantía de una autenticidad –palabra clave en esta construcción folklorizante– de la que carecía el resto.

Leé acá el libro completo

[Ilustración: María Elizagaray Estrada – fuente: http://www.revistaanfibia.com]

 

 

 

Estación de metro Alisher Navoiy en Taskent, decorada con motivos que evocan la cultura del poeta del siglo XV. Foto del autor.

 

Escrito por Filip Noubel y Shokhrukh Usmonov – traducido por Eva Gonzalez

El 9 de febrero se cumplen 580 años del nacimiento de Alisher Navoiy, poeta, lingüista y pensador del siglo XV que ha desempeñado un papel fundamental en el proceso de construcción nacional de Uzbekistán.

El concepto de nación es relativamente reciente en Asia Central, región que durante siglos se articuló más en torno a la religión, los centros urbanos importantes y el idioma. La gente se definía como suní, chiíta, judía, o como procedente de las zonas que gravitaban alrededor de ciudades destacadas como Bujara, Samarcanda, Kokand, Gulja o Kasgar, que concentraban el poder político y militar local.

En Asia Central, zona de gran heterogeneidad lingüística, coexisten dos grandes familias de lenguas: la persa y la túrquica. Las lenguas túrquicas cuentan con cientos de palabras de origen persa, el idioma de la corte, la literatura y la filosofía. Actualmente muchos habitantes de Asia Central hablan con la misma fluidez tayiko o darí, que pertenecen al grupo de lenguas iranias, o uzbeko, turcomano o kirguiso, por ejemplo.

El árabe también desempeñó un papel clave en la religión, la educación y el conocimiento, mientras que el ruso hizo su aparición en el siglo XIX como idioma colonial.

Por su parte, las lenguas túrquicas dieron lugar con el tiempo a diferentes idiomas modernos, denominados hoy en día karakalpako, kazajo, kirguiso, tártaro, turcomano, uigur o uzbeko, y todos compartían un mismo idioma literario: el چغتای o chagatai [1], escrito en alfabeto árabe y usado entre los siglos XV y XX.

Navoiy como símbolo de la lengua uzbeka

Alisher Navoiy [2] fue un poeta y pensador a quien se recuerda en Uzbekistán sobre todo por su defensa del uso del chagatai, que es la base del uzbeko moderno, tanto literario como coloquial.

Como era habitual en Asia Central, la vida de Navoiy transcurrió entre distintas regiones, culturas e idiomas. Nació en 1441 en Herat (actual Afganistán), estudió en Mashad [3] (ciudad de Irán) y Samarcanda (situada en Uzbekistán), y murió en Herat, donde está enterrado. Sabía de muchas disciplinas, construyó edificios, trabajó con los políticos locales y escribió en tres idiomas (chagatai, persa y árabe), sobre todo poesía. Una de sus obras más conocidas es el Muhakamat al-Lughatayn [4] (La prueba de las dos lenguas), tratado que compara el persa y el chagatai, y determina la superioridad de este último.

En aquella época, una afirmación así era poco frecuente, por decir lo menos, dado el prestigio del persa y la relativa escasez de textos escritos en chagatai. Por ese motivo en el mundo túrquico, especialmente en Uzbekistán, se considera que Navoiy es el padre de la literatura uzbeka. Su seudónimo proviene de la palabra navo (‘melodía’ [5]), ideal poético que se refleja en sus gazales [6], poemas árabes breves inspirados en buena medida en la imaginería sufí. Entre sus obras más famosas se encuentran Xamsa (El quíntuplo), colección de cinco poemas épicos que incluye historias de amor de culto como Farhad y Shirin [7] o Layli y Majnun [8], y el Lison ut-Tayr (El idioma de los pájaros). También redactó tratados para ayudar a otros poetas a escribir en chagatai y adoptar el patrimonio cultural túrquico.

Алишер Навои (Alisher Navoiy), película soviética de 1947 del director tayiko Kamil Yarmatov disponible en uzbeko y en ruso, presenta a Navoiy como una figura fundamental en el proceso de construcción nacional de una identidad soviética y uzbeka a la vez. Esta obra, objeto de culto en la Unión Soviética, incluye una parte, en el minuto 21, en que Navoiy defiende la importancia de un “idioma túrquico que puede unir a la gente”:

¿A quién le pertenece Navoiy en el Uzbekistán actual? 

Una de las prioridades de las autoridades uzbekas desde la muerte de Islam Karimov [9], que gobernó con mano dura desde finales del periodo soviético hasta 2016, ha sido cambiar la imagen del país y destacar el potencial turístico de la Ruta de la Seda. El actual presidente, Shavkat Mirziyoyev [10], pone mucho énfasis en el uso de símbolos culturales para presentar a su país como un destino turístico y de negocios atractivo. Por eso se le ha prestado especial atención a la celebración de los 580 años del nacimiento de Navoiy, con actividades dentro y fuera del país. El poeta ya está muy presente, con estatuas, calles, una universidad, una beca, una estación de metro y un teatro [11] con su nombre en la capital, Taskent, así como innumerables libros y un lugar en el currículo escolar. Este video, que lleva la etiqueta #NavoiyIftiXorim en uzbeko [Navoiy, mi orgullo], muestra imágenes de lugares y monumentos importantes relacionados con el poeta, acompañadas por una lectura de sus poesías:

Son celebraciones oficiales, muy controladas por el Gobierno, como en la época soviética, y hay quien pide más diversidad en las conmemoraciones en honor de Navoiy.

A’zam Obidov, poeta, traductor literario y activista cultural que vive en Taskent y fundó Uzbekistan’s Literature and Art Bridge (Puente Literario y Artístico de Uzbekistán), declaró a Global Voices:

“В Узбекистане не существует хотя бы маленького международного фестиваля поэзии, международного фестиваля писателей. Мои многочисленные обращения о создании института Наваи за рубежом просто игнорируются. Нет прайвит-паблик партнершип в сфере искусства, культуры и литературы. Эти сферы, если хотят развиваться, должны быть независимыми, то есть полностью негосударственными, как в Европе. Для этого нужны нормальные законы. Например, если предприниматель, филантроп или какая-та организация поддерживает литературу или искусства, то, автоматически им предоставляется льгота по налогу.

En Uzbekistán no hay pequeños festivales internacionales de poesía, o escritores. Mis numerosas llamadas a la creación de un Instituto Navoiy en el extranjero no han tenido eco. No hay colaboración público-privada en el rubro de las artes, la cultura y la literatura. Para que esos ámbitos se desarrollen, deben ser independientes, estar totalmente al margen del Estado, como en Europa y Estados Unidos. Para ello, también necesitamos leyes normales; por ejemplo, que el apoyo de las artes o la literatura por parte de un empresario, un filántropo o una organización conlleve automáticamente un beneficio fiscal.

Buena parte de la obra de Navoiy se ha traducido al ruso, pero hay pocas traducciones al inglés [7], se lamenta Obidov, que pide más fondos y más atención a este tema por parte del Gobierno. Mientras, él mismo ha hecho algunas traducciones [12] que muestran la sofisticación y la complejidad del lenguaje y la imaginería de Navoiy. Espera que otros traductores encuentren así inspiración para trasladar la obra de Navoiy a sus propios idiomas.

Artículo publicado en Global Voices en Españolhttps://es.globalvoices.org

URL del artículo: https://es.globalvoices.org/2021/02/28/a-casi-seis-siglos-de-su-nacimiento-a-quien-pertenece-alisher-navoiy-padre-de-la-literatura-uzbeka/

URLs en este posteo:

[1] chagatai: https://es.wikipedia.org/wiki/Idioma_chagatai

[2] Alisher Navoiy: https://es.wikipedia.org/wiki/Ali-Shir_Nava%27i

[3] Mashad: https://es.wikipedia.org/wiki/Mashhad

[4] Muhakamat al-Lughatayn: https://en.wikipedia.org/wiki/Muhakamat_al-Lughatayn

[5] ‘melodía’: https://oxussociety.org/four-poems-from-a-new-diwan-h-t-alisher-navoiy/

[6] gazales: https://es.wikipedia.org/wiki/Gazal

[7]  Farhad y Shirinhttp://www.uzdaily.com/en/post/54192

[8] Layli y Majnunhttps://es.wikipedia.org/wiki/Layla_y_Majn%C3%BAn

[9] Islam Karimov: https://es.wikipedia.org/wiki/Islom_Karimov

[10] Shavkat Mirziyoyev: https://es.wikipedia.org/wiki/Shavkat_Mirziyoyev

[11] un teatro: https://es.globalvoices.org/2019/11/25/teatro-de-tashkent-ofrece-vistazo-a-confinamiento-japones-tras-la-segunda-guerra-mundial/

[12] algunas traducciones: http://azamabidov.uz/?p=1813&fbclid=IwAR2xAfcKr87sUVrZAAcaHjTxE5YZF22KoamtZ0tY6OrsDCTgQgEGrsWUdcM

Foto

Sovint hem sentit dir que els esquimals tenen molts termes per anomenar la neu. Pensem que han trobat maneres de descriure-la amb més precisió a força d’observar-la sovint. Però no és ben bé així. Per començar, «esquimal» és una denominació imprecisa amb què designem diversos pobles de l’Àrtic que parlen llengües diferents. I, en segon lloc, totes les llengües adapten el lèxic a les necessitats dels parlants, inventant o manllevant termes. No hi ha llengües primitives, ni més o menys aptes per a la filosofia, l’esquí o l’amor. Les afirmacions sobre la riquesa o la modernitat d’una llengua es basen en prejudicis. I per desmuntar tots aquests tòpics, Pere Comellas i Carme Junyent s’han posat les ulleres d’antropòleg. Amb ells explorarem les relacions entre les llengües, les persones i el món.

Biografia dels autors

Pere Comellas (Cal Rosal, Berguedà, 1965) és professor d’estudis portuguesos de la Universitat de Barcelona, membre del Grup d’Estudi de Llengües Amenaçades (GELA) i traductor literari. Ha publicat diversos treballs relacionats amb la diversitat lingüística i amb la traducció.

Carme Junyent (Masquefa, Anoia, 1955) és lingüista i professora a la Universitat de Barcelona, on dirigeix el Grup d’Estudi de Llengües Amenaçades (GELA) i fa recerca sobre les llengües de la immigració a Catalunya. És autora d’una àmplia obra sobre la situació de les llengües del món i la diversitat lingüística.

Títol: Els colors de la neu
Autor: Pere Comellas i Carme Junyent
Editorial: Eumo Editorial
Pàgines: 160
ISBN: 978-8497667302

[Font: http://www.racocatala.cat]

Les éditions Jean-Cyrille Godefroy ont publié « Les vertus du nationalisme » de Yoram Hazony. Un essai stimulant qui, puisant dans philosophie politique de la Bible hébraïque, réhabilite l’État-nation, et ses attributs dont la souveraineté-indépendance, et éclaire les problématiques liées notamment à la diplomatie proche-orientale de l’Union européenne.

Publié par Véronique Chemla

C’est une réhabilitation de la nation et de son dérivé, le nationalisme, qu’entreprend Yoram Hazony, philosophe, dans cet essai clair, éclairé par l’expérience politique du peuple juif relatée dans la Bible, et traduit de « The Virtue of Nationalism » (2018). Un succès critique et commercial aux États-Unis où il a suscité un débat.

Né en 1964 en Israël, ancien conseiller de Benjamin Netanyahou, président de l’Institut Herzl à Jérusalem et de la Fondation Edmund Burke à Washington, Yoram Hazony est un philosophe conservateur qui avait fondé le Shalem Center, et dirigé la revue Azure, pour diffuser une pensée conservatrice susceptible de contrer le postsionisme et de former des penseurs.

Il a contribué à La Cité biblique. Une lecture politique de la Bible (Pardès, 2006, n°40-41) sous la direction de Shmuel Trigano. Sa contribution : La Bible hébraïque est-elle porteuse d’un enseignement politique ? Il y conclut sur l’ordre politique souhaitable dans la Bible :

« Si l’on souhaite une amélioration politique, il n’est pas d’autre choix que d’instaurer un État qui mènera une course vers « le bien et la droiture. » Pour cela, il faut avoir des dirigeants qui comprennent que la vertu provient de la limitation de l’État : de la limitation des frontières de l’État ; de la limitation de la taille des forces armées et de ce qu’on est disposé à faire au nom des alliances étrangères ; de la limitation des revenus de l’État ; et de la limitation du degré de supériorité que ressent le roi par rapport à son peuple. C’est dans cette matrice de contraintes que le peuple, comme son roi, doivent trouver l’amour de la justice et de Dieu qui caractérisaient les bergers qu’étaient leurs ancêtres.
La Bible hébraïque soutient donc que l’intégrité d’un seul État limité est préférable, à la fois à l’anarchie et à l’État impérial. Cet État national limité, dans lequel le roi sera choisi au sein du peuple et sera l’un d’eux par l’esprit, est en fait l’idéal biblique. Il s’agit cependant d’un idéal situé à mi-chemin entre deux maux rivaux et perpétuellement menacé de pencher vers l’un ou vers l’autre. Selon l’auteur (ou les auteurs) qui assembla le texte biblique à l’ombre de la destruction de l’État juif, il est évident que la mission politique de l’homme consiste à guider l’État entre cette double menace, assurant ainsi le soutien tant de l’homme que de Dieu, et donc la longévité politique du royaume ».
Yoram Hazony demeure attaché à la Nation, seule réalité assurant les libertés, publiques et individuelles, et assurant un avenir de paix.
« Il rappelle comment, depuis le XVIe siècle, les protestants anglais, hollandais et américains se sont appuyés sur l’Ancien Testament pour promouvoir l’indépendance nationale ».

Ainsi, dans les Provinces-Unies (Pays-Bas actuels) récemment indépendantes du XVIIe siècle, Peter van der Kun ou Petrus Cunaeus (1586-1638), philologue et jurisconsulte, a considéré dans son livre De Republica Hebraeorum (De la république hébreue, 1617) l’État hébreu antique, et non Athènes ou Rome, comme un « archétype de la république idéale », un modèle pour la république des Sept Provinces-Unies des Pays-Bas.

Yoram Hazony « montre comment leur vision a apporté la liberté à nombre de peuples, de la Pologne à l’Inde en passant par Israël. C’est cette tradition que nous devons retrouver, plaide-t-il, si nous voulons limiter les conflits et permettre l’épanouissement de la diversité et de l’innovation ».
Or, Kant dans son Traité de la Paix perpétuelle (1795) a pourfendu l’État-nation : « il défend la thèse que la fondation d’un État impérial ou international est la seule option dictée par la Raison ». Une idée qui s’impose après la Deuxième Guerre mondiale. À tort, « beaucoup s’entêtèrent à voir le nazisme comme l’aboutissement hideux de l’État national ». Or, le national-socialisme s’avère un empire belliqueux ayant détruit les États d’une Europe qu’il a ravagée.
Et ce paradigme kantien guide la construction européenne détruisant les souverainetés nationales pour édifier ce qui ressemble à un empire à la diplomatie aussi indulgent envers les Palestiniens qu’accusatoire à l’égard de l’État-nation Israël.
Dommage, des définitions essentielles sont reléguées dans des notes en fin du livre. Et quelques coquilles le parsèment.

Yoram Hazony, « Les vertus du nationalisme ». Traduit de l’américain par Julien Fummaro. Préface de Gilles-William Goldnadel. Editions Jean-Cyrille Godefroy, collection « le Cercle Aristote », 2020. 256 pages. ISBN : 9782865533084

Les citations sur le documentaire sont extraites du livre.
[Source : http://www.veroniquechemla.info]

José Watanabe es uno de los mejores poetas peruanos y tiene esa condición de los primeros escritores peruanos como el del inca Garcilaso: su padre era japonés y su madre peruana.

Poemarios, cuentos y el rock de José Watanabe | canalipe.tv

Escrito por Derian Passaglia

Al igual que Chile, Perú tiene una gran tradición de poetas. La lengua castellana en las tierras del Nuevo Mundo nace en el imperio inca; una lengua mestiza que no es indígena ni española, sino las dos cosas al mismo tiempo. En esa doble identidad, la lengua se forma de nuevo, la tierra moldea la sintaxis de un idioma ajeno, impuesto a la fuerza. José Watanabe es uno de los mejores poetas peruanos y tiene esa condición de los primeros escritores peruanos como el del inca Garcilaso: su padre era japonés y su madre peruana.

Nació en 1945 en un pueblito al este de Trujillo. Su familia era muy pobre y sus padres trabajaban como campesinos en una hacienda azucarera al norte del país hasta que ganaron la lotería y se mudaron a Trujillo. De esta época, mítica infancia que Watanabe recrea en muchos de sus mejores poemas, quedan esos espacios que parecen parajes inhabitables, fronterizos, desierto y mares, una naturaleza de la que extrae siempre una enseñanza.

Watanabe aprendió de su papá el arte del haiku y la filosofía oriental, como el budismo y el taoísmo, que le dan al verso un aire de trascendencia, como si sus poemas fueran parábolas del recuerdo y del paisaje. En la poesía de Watanabe hay instantes breves de iluminación, chispas que se prenden y provocan un incendio, como en “Poema del inocente”; simbólico y literal, la poesía es un método de conocimiento.

Como la poesía china antigua, la de Watanabe es estrictamente visual, pero cada palabra no es un símbolo de otra cosa como pasaba por ejemplo en Li Po o Wang Wei. El ojo que mira el mundo en Watanabe “tiene sus razones”, busca en la imagen fijada por la memoria la causa de la persistencia, que es la simple y pura belleza de la visión, la poesía misma: “Hubiera querido inscribir mi poema en todo el paisaje, / pero mi ojo, arbitrariamente, lo ha excluido”. El verso de Watanabe es antipoético en esencia, se estira a lo largo de toda la página y reflexiona como si fuera prosa ante un hecho que parece siempre trascendental, obsesivo, determinante para el sujeto.

 

Mi ojo tiene sus razones

Creo que mi ojo tiene un arbitrario criterio de selección.

Obviamente hubo más paisaje alrededor,

imposible que solo fuéramos ella y yo en el rompeolas.

.

Soy de repeticiones, como todos. Entonces puedo suponer que

si hubo niebla

le dije: botes en la bruma pueden ser solo reflejos, espejismos,

y le mencioné el antiguo haiku de Harumi:

«Entre la niebla

toco el esfumado bote.

Luego me embarco”.

Si hubo sol

le tomé fotografías con el hueco de la mano y acaso la azoré

diciéndole: posa con los senos hacia el viento.

Si pasaron gaviotas y ella las admiró, le recordé

que eran aves carniceras y que únicamente su feo canto es honesto.

Mi ojo todo lo veía, no descartaba nada.

Entramos en el mar por el rompeolas de rocas cortadas.

Sobre una roca saliente ella recogió su falda

y deslizó sus pies hacia el agua.

Sus muslos desnudos hallaron comodidad en la piedra.

 

Era particularmente raro

el contraste de su muslo blanco contra la roca gris:

su muslo era viviente como un animal dormido en el invierno,

la roca era demasiado corpórea y definitiva.

 

Hubiera querido inscribir mi poema en todo el paisaje,

pero mi ojo, arbitrariamente, lo ha excluido

y solo vuelve con obsesiva precisión

a aquel bello y extremo problema de texturas:

el muslo contra la roca.

 

Poema del inocente

Bien voluntarioso es el sol

en los arenales de Chicama.

Anuda, pues, las cuatro puntas del pañuelo sobre tu cabeza

y anda tras la lagartija inútil

entre esos árboles ya muertos por la sollama.

De delicadezas, la del sol la más cruel

que consume árboles y lagartijas respetando su cáscara.

Fija en tu memoria esa enseñanza del paisaje,

y esta otra:

de cuando acercaste al árbol reseco un fosforito trivial

y ardió demasiado súbito y desmedido

como si fuera de pólvora.

No te culpes, quien iba a calcular tamaño estropicio!

Y acepta: el fuego ya estaba allí,

tenso y contenido bajo la corteza,

esperando tu gesto trivial, tu mataperrada.

Recuerda, pues, ese repentino estrago (su intraducible belleza)

sin arrepentimientos

porque fuiste tú, pero tampoco.

Así

en todo.

 

 

[Fuente: http://www.eltrueno.com.py]

Il n’y a pas d’école de formation aux vins nature. Voici pourquoi. 

Aristote, premier hipster de l’Antiquité. Ici dégustant un verre d’Échalier (circa -332 av.n.è.)

Écrit par Marie-Ève Lacasse

Il n’y a pas de formation pour devenir écrivain. Cela ne s’apprend pas. C’est une situation. C’est une nécessité métaphysique ou ça ne l’est pas. Il n’y a pas de chemin. C’est pire que tout. Écrire c’est vouloir être seul·e pour arrêter la solitude. Ça ne marche pas. Ça rend constamment malheureux, surtout les jours sans. Les jours sans écriture sont des jours vides. Il y en a beaucoup. Les jours où l’on n’écrit pas, c’est le drame. Il y a la colère. L’envie de détruire tout ce qu’on a. Tout ça ne s’apprend nulle part. Il faut naître avec, il faut vivre avec. C’est une humiliation quotidienne. Le sentiment de sa propre médiocrité vous réveille la nuit. Ce n’est pas agréable, ce n’est pas gentil. Écrire n’a aucun sens pour l’ordre du monde. C’est la métrique de Duras, celle qui reste plantée au fond du cœur : « Écrire. Je ne peux pas. Personne ne peut. Il faut le dire : on ne peut pas. Et on écrit. » Aussi, c’est une maladie. Comme l’alcool. D’ailleurs, Duras avait les deux. L’écriture, et l’alcool. Et elle a écrit sur les deux. Les trois grandes écrivaines du XXe siècle français adoraient l’alcool. Colette, avec gourmandise ; Sagan, avec mélancolie ; Duras, avec génie. Il y a un lien entre l’alcool et l’écriture, un lien assez net. L’alcool est l’un de seuls psychotropes assez puissant pour entraîner la totalité de l’être dans les mêmes débordements que l’écriture.

On n’apprend pas à désapprendre

S’il n’y a pas de formation pour devenir écrivain, il n’y a pas non plus de formation pour aimer les vins nature. On n’apprend pas à désapprendre. C’est l’équation impossible. On ne peut pas dire à quelqu’un : sois libre. Les formations à la dégustation fonctionnent comme des ateliers de « Creative Writing ». Comme le soulevait Mademoiselle Jaja dans son dernier article sur Ni Bu Ni Connu, elles permettent de franchir les étapes, celles des errances, des échecs ; elles permettent de gagner du temps, parfois de manière conséquente, des décennies d’hésitations. Elles vous rendent légitime, vous donnent un diplôme, un statut, des connaissances, mais aussi des « formules » et aussi des contacts, des passe-droits – et pourtant, elles n’apprennent rien. Apprendre les vins nature est une aporie. C’est pour cela qu’il n’existe aucune formation spécifique pour ces vins. C’est une contradiction. Cela ne peut pas se faire.

On ne peut enseigner l’errance, la liberté, le temps qui passe. C’est quelque chose qui s’acquiert en vagabondant. Cela n’a aucun prix, ou alors il faudrait donner un prix à la vie même. Le nez qui s’est trompé possède une archive d’odeurs bien plus vaste que toutes les formations qui sont pressées d’associer des goûts et des odeurs au monde du connu. Prenons « Le Nez de Lenoir », ce coffret très cher, très chic, rempli de petites fioles aux liquides ambrés censés former les amateurs. C’est une bonbonnière. Une maison européenne du « connu ». Pomme, melon, litchi, champignon, poire, cuir, musc, safran, poivre, truffe, cannelle, citron, caramel, chocolat, ananas, banane. C’est un garde-manger, une épicerie. Cette même épicerie où se trouvent des vins de supermarché, entre le rayon shampoings et le rayon surgelés. C’est pratique. C’est rassurant. Ça fait « pro » de dire qu’un vin a des notes d’amande et de miel d’acacia. C’est appétissant, un vin qui sent la groseille et la cerise. Tous les vins du sud ont de la groseille et de la cerise.

Le vin nature, c’est de la littérature

Là où le bât blesse, c’est lorsqu’il s’agit de décrire un vin nature. Ces vins contiennent des souvenirs qui n’entrent pas dans le panthéon de la rétro-olfaction. Il y a du gravier.  De la rosée. Des dentelles un peu moisies. Une brassée de fleurs de lavande, au fond de la commode. De la craie sur l’ardoise. Du sable mouillé. Des vers de terre au printemps. Il y a des murs d’église. Le métal des encensoirs. L’eau croupie du vase. Le sang sur le papier du boucher. Le chaud du métro ou de la photocopieuse. L’odeur indescriptible d’une voiture, l’été. Ou celle de la peau du matin, pas celle du soir. Rappelez-vous : la rouille sur les grilles du parc. Mais aussi la semoule crue, la mousson, la neige sur les moufles. Ce sont des odeurs complexes, pleines d’images. Ça ne se trouve pas dans les formations professionnelles. C’est de la littérature, une perception intime du sensible qui doit franchir les étapes du temps. C’est ma seule consolation, face à l’écriture. Les années « sans », les jours « sans » enrichissent le livre d’images. La frustration et la peine en font partie.

Aristote buvait (sûrement) du pét’ nat’

Je ne sais pas si une école des vins nature est souhaitable, je ne sais pas si elle peut avoir lieu. Mais si un tel lieu existait, je voudrais qu’elle soit en forêt, sans murs, sans toit. Que les sens soient constamment chahutés par les éléments. Que le corps sorte de son atrophie de confort. Les cours seraient donnés en marchant, comme l’école péripatéticienne d’Aristote. On y apprendrait à lire. Beaucoup de poésie, beaucoup de théâtre, beaucoup de littérature et de philosophie. Il y aurait des gens de tous les âges qui viendraient avec leur biographie olfactive. Ce serait une école de la dégustation par la langue, l’autre langue.

 

[Source : http://www.nowineisinnocent.com]

Sem medo de ser naïf, feminista negra norte-americana debate sentimento crucial na experiência humana. Propõe libertá-lo das ilusões românticas, praticando-o em desafio às relações alienadas e em busca de intimidade cúmplice e libertadora

Escrito por Silvane Silva

Tudo sobre o amor — Novas perspectivas está disponível no site da Editora Elefante

 

Escrever este prefácio em meio à pandemia de covid-19, vivendo em isolamento social meses, foi um exercício ao mesmo tempo doloroso e libertador. Em certa altura de Tudo sobre o amor, bell hooks diz que, se não pudéssemos fazer mais nada, se por algum motivo a leitura fosse a única atividade possível, isso seria suficiente para fazer a vida valer a pena, porque os livros podem ter uma função terapêutica e transformadora. Particularmente, não tenho dúvidas a respeito disso, pois a leitura sempre teve esse importante papel em minha vida. Alguns textos nos fazem reviver memórias impressas em nosso corpo e espírito e, dessa maneira, têm o poder de nos transformar e curar.

Em uma sociedade que considera falar de amor algo naïf, a proposta apresentada por bell hooks ao escrever sobre o tema é corajosa e desafiadora. E o desafio é colocarmos o amor na centralidade da vida. Ao afirmar que começou a pensar e a escrever sobre o amor quando encontrou “cinismo em lugar de esperança nas vozes de jovens e velhos”, e que o cinismo é a maior barreira que pode existir diante do amor, porque ele intensifica nossas dúvidas e nos paralisa, bell hooks faz a defesa da prática transformadora do amor, que manda embora o medo e liberta nossa alma. Ela nos convoca a regressar ao amor. Se o desamor é a ordem do dia no mundo contemporâneo, falar de amor pode ser revolucionário. Para compreendermos a proposta da autora e a profundidade de suas reflexões, o primeiro passo deve ser abandonar a ideia de que o amor é apenas um sentimento e passar a entendê-lo como ética de vida. É sabido que bell hooks evidencia em toda a sua obra que o pessoal é político. Este também será o caminho trilhado por ela neste livro, pontuando o quanto nossas ações pessoais relacionadas ao amor implicam uma postura perante o mundo e uma forma de inserção na sociedade. Ou seja: o amor não tem nada a ver com fraqueza ou irracionalidade, como se costuma pensar. Ao contrário, significa potência: anuncia a possibilidade de rompermos o ciclo de perpetuação de dores e violências para caminharmos rumo a uma “sociedade amorosa”.

Tudo sobre o amor: novas perspectivas, publicado nos Estados Unidos no ano 2000, é o primeiro livro da chamada Trilogia do Amor, seguido de Salvação: pessoas negras e amor, de 2001, e Comunhão: a busca feminina pelo amor, de 2002. bell hooks é o tipo de pensadora que, quando atraída por um assunto, tende a esmiuçá-lo, observá-lo por todos os ângulos e explorá-lo por completo. Se ao longo de toda a sua obra o tema do amor aparece, em diversos momentos, como algo que tem um lugar significativo para nossa vida e cultura, é na Trilogia do Amor que a autora nos apresenta suas teses sobre o tema e, mais do que isso, nos oferece lições práticas de como agir.

Ao descrever as maneiras pelas quais homens e mulheres em geral, e pessoas negras em particular, desenvolvem sua capacidade de amar dentro de uma cultura patriarcal, racista e niilista, bell hooks relaciona sua teoria do amor com os principais problemas da sociedade. Apesar de falar a partir da sociedade estadunidense, suas reflexões servem para nós brasileiros, já que também sofremos dos males que a autora tanto procura ver superados: racismo, sexismo, homofobia, imperialismo e exploração.

Seguindo os passos de pessoas que ofereceram o amor como arma poderosa de luta e de transformação da sociedade, como Martin Luther King Jr., por exemplo, bell hooks reposiciona o amor como uma força capaz de transformar todas as esferas da vida: a política, a religião, o local de trabalho, o ambiente doméstico e as relações íntimas. Aprofundando as ideias trazidas por Cornel West referentes às “políticas de conversão” para tratar o niilismo presente na sociedade, hooks coloca a ética do amor no centro dessas políticas. E, nessa perspectiva, compreende que o pessoal sobrevive por meio da ligação com o coletivo: é o poder de se autoagenciar (self-agency) em meio ao caos e determinar o autoagenciamento coletivo.

Tudo sobre o amor: novas perspectivas procura mostrar como somos ensinados desde a infância a ter suposições equivocadas e falsas em relação ao amor e ressalta o quanto nossa sociedade não considera a importância e a necessidade de aprendermos a amar. Tendemos a acreditar que já nascemos com esse conhecimento, mas bell hooks demonstra que o amor não está dado: ele é construção cotidiana, que só assumirá sentido na ação — o que significa dizer que precisamos encontrar a definição de amor e aprender a praticá-lo.

Em “Clareza: pôr o amor em palavras”, primeiro capítulo deste livro, bell hooks afirma que em nossa sociedade o amor costuma servir para nomear tudo, pulverizando seu significado. Nessa confusão em relação ao que queremos dizer quando usamos a palavra “amor” está a origem da nossa dificuldade de amar. Por isso, saber nomear o que é o amor é a condição para que ele exista. Se os dicionários tendem a enfatizar a definição dada ao amor romântico, bell hooks nos mostra que o amor é muito mais que uma “afeição profunda por uma pessoa”. A melhor definição de amor é aquela que nos faz pensar o amor como ação — conforme diz o psiquiatra M. Scoot Peck, trata-se da “vontade de se empenhar ao máximo para promover o próprio crescimento espiritual ou o de outra pessoa”. Nota-se que o espiritual aqui não está vinculado à religião, mas a uma força vital presente em cada indivíduo. Nesse sentido, a afeição seria apenas um dos componentes do amor. Para amar verdadeiramente devemos aprender a misturar vários ingredientes: carinho, afeição, reconhecimento, respeito, compromisso e confiança, assim como honestidade e comunicação aberta. Uma das contribuições fundamentais trazidas por bell hooks é nos fazer pensar que são as ações que constroem os sentimentos. Dessa maneira, ao pensar o amor como ação, nos vemos obrigados a assumir a responsabilidade e o comprometimento com esse aprendizado.

O segundo capítulo, “Justiça: lições de amor na infância”, demonstra que o impacto do patriarcado e a forma da dominação masculina sobre mulheres e crianças são barreiras para o amor, algo pouco presente na bibliografia sobre o tema. Nós aprendemos sobre o amor na infância, e quer nossa família seja chamada funcional ou disfuncional, sejam nossos lares felizes ou não, são eles as nossas primeiras escolas de amor. Neste capítulo, bell hooks levanta a importante discussão sobre a necessidade de valorizar, respeitar e assegurar os direitos civis básicos das crianças. Caso contrário, a maioria delas não conhecerá o amor, tendo em vista que não existe amor sem justiça. Nesse ponto, a autora demonstra o quanto o lar da família nuclear é uma esfera institucionalizada de poder que pode ser facilmente autocrática e fascista. Dessa maneira, continua ela, se queremos uma sociedade eticamente amorosa, precisamos desmascarar o mito de que abuso e negligência podem coexistir com amor. Onde há abuso, a prática amorosa fracassou. Não se pode concordar que a punição severa seja uma forma aceitável de se relacionar com as crianças. “O amor é o que o amor faz”, e é nossa responsabilidade dar amor às crianças, reconhecendo que elas não são propriedades e têm direitos que nós precisamos garantir.

No terceiro capítulo, “Honestidade: seja verdadeira com o amor”, bell hooks afirma que a verdade é o coração da justiça. Somos ensinados desde a infância que não devemos mentir, que devemos jogar limpo. Entretanto, na prática, quem diz a verdade normalmente é punido, reforçando a ideia de que mentir é melhor. Homens mentem para agradar às mães e depois às mulheres. Mentir e se dar bem é um traço da masculinidade patriarcal. Meninos e homens são encorajados a todo momento a fazer o que for preciso para manter sua posição de controle. Por sua vez, as mulheres também mentem para os homens como forma de agradar e manipular. Vivemos em uma sociedade em que a cultura do consumo também encoraja a mentira. A publicidade é um dos maiores exemplos disso. As mentiras impulsionam o mundo da publicidade predatória e o desamor é bênção para o consumismo. Além disso, manter as pessoas em um estado constante de escassez fortalece a economia de mercado. Dessa maneira, hooks enfatiza que a tarefa de sermos amorosos e construirmos uma sociedade amorosa implica reafirmar o valor de dizer a verdade e, portanto, estarmos dispostos a ouvir as verdades uns dos outros. A confiança é o fundamento da intimidade.

Partindo do pressuposto de que não é fácil amar a si mesmo, no quarto capítulo, “Compromisso: que o amor seja amor-próprio”, bell hooks nos ensina que, quando somos positivos, não só aceitamos e afirmamos quem somos mas também somos capazes de afirmar e aceitar os outros. E o movimento feminista ajudou as mulheres a compreender o poder pessoal que se adquire com uma autoafirmação positiva. Quando temos de fazer um trabalho que odiamos, por exemplo, isso ataca a nossa autoestima e autoconfiança. O trabalho, quando percebido como um fardo, por se realizar em empregos ruins em vez de aprimorar a autoestima, deprime o espírito. Como lidar com essa questão se a maioria de nós não pode fazer o trabalho que ama? Um dos modos de experimentar satisfação seria nos comprometermos totalmente com o trabalho a ser realizado, seja ele qual for. Trazer o amor para o ambiente laboral pode criar a transformação necessária para tornar qualquer trabalho que façamos um meio de expressarmos o nosso melhor. Quando trabalhamos com amor, renovamos nosso espírito, e essa renovação é um ato de amor-próprio que alimenta nosso crescimento. E não devemos confundir amor-próprio com egoísmo ou egocentrismo. O amor-próprio é a base de nossa prática amorosa, pois, ao dar amor a nós mesmos, concedemos ao nosso ser interior a oportunidade de ter amor incondicional. É o amor-próprio que garante que nossos esforços amorosos com as outras pessoas não falhem.

No quinto capítulo, “Espiritualidade: o amor divino”, hooks chama a atenção para o fato de que a crise na vida estadunidense não poderia ser causada por falta de interesse na espiritualidade, tendo em vista que a imensa maioria das pessoas diz seguir alguma religião. Isso indicaria que a vida espiritual é algo importante nessa sociedade. No entanto, esse interesse é cooptado pelas forças do materialismo e do consumismo hedonista, traduzido na lógica do “compro, logo sou”. A religião “organizada” falhou em satisfazer a “fome espiritual”, e as pessoas procuram preencher esse vazio com o consumismo. A autora questiona: “Imagine como nossa vida seria diferente se todos os indivíduos que se dizem cristãos, ou que alegam serem religiosos, servissem de exemplo para todos, sendo amorosos”. A atualidade desse questionamento para o Brasil de hoje é desconcertante, tendo em vista os milhões de ditos “cristãos” que, ao invés de amar o próximo como a si mesmos, destilam ódio e preconceito.

“Valores: viver segundo uma ética amorosa” é o título do capítulo 6, no qual bell hooks reforça que o despertar para o amor só pode acontecer se nos desapegarmos da obsessão por poder e domínio. Para nos tornarmos pessoas mais alegres e mais realizadas, precisamos adotar uma ética amorosa, pois nossa alma sente quando agimos de maneira antiética, rebaixando o nosso espírito e desumanizando os outros. Viver dentro de uma ética amorosa é uma escolha de se conectar com o outro. Isso significa, por exemplo, solidarizar-se com pessoas que vivem sob o jugo de governos fascistas, mesmo estando em um país democrático. Neste ponto, hooks retoma a afirmação de Cornel West de que uma “política de conversão” restaura a sensação de esperança. E reafirma que abraçar a ética amorosa significa inserir todas as dimensões do amor — “cuidado, compromisso, confiança, responsabilidade, respeito e conhecimento” — em nossa vida cotidiana.

“Ganância: simplesmente ame”, o sétimo capítulo do livro, demonstra que o isolamento e a solidão são as causas centrais da depressão e do desespero. O materialismo cria um mundo de narcisismo no qual consumir é a coisa mais importante. Nessa reflexão, a autora analisa como a participação ativa dos Estados Unidos em guerras globais colocou em questão o compromisso desse país com a democracia, sacrificando a visão de liberdade, amor e justiça em nome do materialismo e do dinheiro. Ela aborda também o desespero que tomou conta das pessoas quando líderes que lutavam pela paz e pela justiça foram assassinados, no final da década de 1960. Nesse momento, as pessoas perderam a conexão com a comunidade, e a atenção voltou-se para a ideia de ganhar dinheiro, o máximo possível. Os líderes passaram a ser os ricos e os famosos, as estrelas do cinema e da música. As igrejas e os templos, que antes eram espaços de reunião da comunidade, com o advento da teologia da prosperidade, tornaram-se lugares onde a ética materialista é respaldada e racionalizada. O que vale a partir de então é a cultura do consumo desenfreado. Pessoas também são tratadas como objetos e são esses os valores que passam a orientar as atitudes em relação ao amor. Isso se reflete também nas políticas públicas, como no fato de os Estados Unidos serem um dos países mais ricos do mundo e não possuírem um sistema universal de saúde que possa oferecer serviços aos menos favorecidos. Dessa maneira, bell hooks convida as pessoas à escolha de viver com simplicidade. Isso necessariamente intensifica a nossa capacidade de amar, ensina-nos a praticar a compaixão e afirma nossa conexão com a comunidade.

O oitavo capítulo, “Comunidade: uma comunhão amorosa”, afirma, conforme as palavras de M. Scott Peck, que “nas comunidades e por meio delas reside a salvação do mundo”. Para desenvolver suas reflexões sobre essa questão, bell hooks lembra que o capitalismo e o patriarcado, juntos, como estrutura de dominação, produziram o afastamento das famílias nucleares de suas respectivas famílias estendidas. Por essa razão, aumentaram os abusos de poder no ambiente familiar, pois a família estendida é um lugar onde podemos aprender o poder da comunidade. Outra possibilidade importante dessa experiência de comunidade é a amizade, que para muitos é o primeiro contato com uma “comunidade carinhosa”. hooks reforça que amar em amizades nos fortalece de tal maneira que nos permite levar esse amor para as interações familiares e românticas. E, embora seja comum afrouxarmos os laços de amizade quando criamos laços românticos, quanto mais verdadeiros forem nossos amores românticos, menos teremos de nos afastar das nossas amizades, pois “a confiança é a pulsação do verdadeiro amor”. Ao nos engajarmos em uma prática amorosa, podemos estabelecer as bases para a construção de uma comunidade com desconhecidos. Esse amor que criamos em comunidade permanece conosco aonde quer que vamos, diz hooks.

“Reciprocidade: o coração do amor”, o nono capítulo, se inicia com os dizeres: “O amor nos permite adentrar o paraíso”. Para falar da construção amorosa entre casais, a autora parte dos equívocos ocorridos nos seus dois relacionamentos afetivos mais intensos, de um lado devido à falta de definição do que seria o amor e, de outro, pela confusão de esperar receber do companheiro o amor que não recebeu da família. Aponta que, mesmo em relacionamentos não heterossexuais, a tendência é o casal assumir uma lógica de que um dos parceiros deve sustentar o amor e o outro, apenas o seguir. Acrescenta ainda o fato de que as mulheres são encorajadas pelo pensamento patriarcal a acreditar que deveriam ser sempre amorosas, porém, isso não significa dizer que estão mais capacitadas do que os homens para fazer isso. Por essa razão, é comum que mulheres procurem livros de autoajuda para aprender a amar e manter o relacionamento. No entanto, grande parte desses livros normalizam o machismo e ensinam a manipular, a jogar um jogo de poder que nada tem a ver com o amor.

No décimo capítulo, “Romance: o doce amor”, bell hooks afirma categoricamente que poucas pessoas entram num relacionamento romântico possuindo a capacidade de realmente receber amor. Isso porque criamos envolvimentos amorosos que estão condenados a repetir os nossos dramas familiares. Comentando sobre o romance O olho mais azul, de Toni Morrison, ela diz que “a ideia de amor romântico é uma das ideias mais destrutivas na história do pensamento humano”. Esse amor que se dá num “estalo”, num “clique”, que não necessita de construção e depende apenas de “química” atrapalha o nosso caminho para o amor. O amor é tanto uma intenção como uma ação. Nossa cultura valoriza demais o amor como fantasia ou mito, mas não faz o mesmo em relação à arte de amar. Ao não atingirem esse mito, as pessoas se decepcionam. No entanto, é preciso entender que essa decepção é pelo amor romântico não alcançado. O amor verdadeiro, quando buscado, nem sempre nos levará ao “felizes para sempre” e, mesmo se o fizer, é preciso que saibamos: amar dá trabalho, não é essa história perfeita e pronta dos contos de fadas.

Em “Perda: amar na vida e na morte”, o décimo primeiro capítulo, a autora trata do medo coletivo da morte, apresentando-o como uma doença do coração para a qual a única cura é o amor. Da mesma maneira, somos incapazes de falar sobre a nossa necessidade de amar e sermos amados. Por medo de que nos vejam como fracos, raramente compartilhamos nossos pensamentos sobre a mortalidade e a perda. É isso que bell hooks nos convida a fazer

O capítulo 12, “Cura: o amor redentor”, nos leva a refletir sobre nossas dores, pois, ainda que nos tenham ensinado o contrário, sofrimentos desnecessários nos ferem. A escolha que temos é não permitir que tais sofrimentos nos deixem cicatrizes por toda a vida. O que faremos dessas marcas está em nossas mãos. O poder curativo da mente e do coração está sempre presente, e nós temos a capacidade de renovar nosso espírito e nossa alma. No entanto, é bastante difícil conseguirmos curar-nos em isolamento: a cura é um ato de comunhão. bell hooks diz que precisamos conhecer a compaixão e nos envolver num processo de perdão para nos livrarmos de toda bagagem que carregamos e que impede a nossa cura. O perdão intensifica nossa capacidade de apoiarmos uns aos outros. Fazer as pazes com nós mesmos e com os outros é o presente que a compaixão e o perdão nos oferecem. A autora nos ensina que ser positivo e viver em um estado permanente de esperança renova o espírito e que, quando reavivamos nossa fé na promessa do amor, a esperança se torna nossa cúmplice.

O capítulo 13, “Destino: quando os anjos falam de amor”, fecha o livro apresentando a relação de bell hooks com os anjos. Anjos são aqueles que trazem as notícias que darão alívio ao nosso coração. São os guardiães do bem-estar da alma. Revelam nosso desejo coletivo de regressar ao amor. A autora relata que as primeiras histórias de anjos lhe foram contadas ainda na infância, quando frequentava a igreja, onde aprendeu que os anjos eram consoladores sábios nos momentos de solidão. E, conforme foi crescendo, hooks passou a descobrir muitos anjos em seus autores preferidos, cujos livros permitem entender a vida com mais complexidade. Ela finaliza dizendo que, depois de tanto ficar sozinha, no escuro do quarto, agarrada à metafísica do amor, tentando entender seu mistério, pôde finalmente alcançar uma nova visão do amor. E a essa prática espiritual disciplinada ela chama de “prática de abrir o coração”. Foi isso que desde então a levou a seguir o caminho do amor e a “falar cara a cara com os anjos”.

Na teoria sobre o amor de bell hooks é possível perceber inspirações das igrejas cristãs negras do sul dos Estados Unidos e também da filosofia budista, especialmente com base no mestre zen vietnamita Thich Nhat Hanh, cuja atuação disseminou o conceito de “budismo engajado”, que diz respeito a somar a observação dos preceitos básicos do budismo com uma prática cotidiana socialmente comprometida. Ao lermos Tudo sobre o amor, podemos encontrar também diversos pontos de contato com as ideias trazidas pela filósofa burquinense Sobonfu Somé, em seu livro O espírito da intimidade: ensinamentos ancestrais africanos sobre maneiras de se relacionar, sobretudo no que se refere ao conceito de comunidade. Nesse sentido, ao propor que as transformações desejadas para a sociedade ocorram por meio da prática do amor, bell hooks nos afasta dos paradigmas eurocêntricos e coloniais que construíram a sociedade ocidental, baseada em exploração, injustiça, racismo e sexismo, e (re)direciona o nosso pensamento e a nossa prática rumo à ancestralidade.

A tradução deste livro, trazendo a ideia do amor como transformação política, chega num momento muito oportuno e necessário. Por aqui, essa semente já brotou. Existem pessoas pensando o amor para além do “amor romântico”, como o pastor Henrique Vieira, que destaca a força poderosa do amor para a destruição de preconceitos e a construção de uma sociedade mais justa em seu livro O amor como revolução, ou como o professor Renato Noguera, especialista em estudos africanos, que se dedica a produzir reflexões sobre o amor e é autor do livro Por que amamos: o que os mitos e a filosofia têm a dizer sobre o amor. Nesse caminho segue também a pensadora Carla Akotirene que, ancorada nos estudos do feminismo negro e na ancestralidade, discute o papel político das afetividades, inserindo no debate a urgência do combate à violência doméstica. Pesquisadores voltados para a filosofia africana têm (re)construído conhecimentos que dialogam diretamente com o pensamento de bell hooks em sua Trilogia do Amor. Exemplos disso são os trabalhos de Katiúscia Ribeiro e Wanderson Nascimento. Este último tem um artigo escrito em parceria com Vinícius da Silva, com o título “Políticas do amor e sociedades do amanhã”. Sendo assim, acredito que as lições de bell hooks sobre o amor, apresentadas em português pela Editora Elefante, servirão para difundir e fortalecer ainda mais essa construção. O futuro é ancestral.

Silvane Silva é doutora em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (puc-sp) com a tese O protagonismo das mulheres quilombolas na luta por direitos em comunidades do Estado de São Paulo (1988-2018). Em 2018, participou do Programa de Incentivo Acadêmico Abdias do Nascimento como pesquisadora visitante no Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos. É coorganizadora do livro Narrativas quilombolas: dialogar, conhecer, comunicar (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2017). Atua como professora e pesquisadora nas temáticas história e cultura afro-brasileira, educação para relações étnico-raciais e educação escolar quilombola. É pesquisadora do Centro de Estudos Culturais Africanos e da Diáspora (Cecafro) da puc-sp e integrante do Grupo de Estudos em Educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (usp).

 

 

 

[Imagem: Egon Schielle – fonte: http://www.outraspalavras.net]

Escrito por Violeta Serrano

El malecón tenía pintado un niño que miraba al mar. Una compañía de tabacos en Filipinas era el regusto amargo de lo que el reino de España un día fue. Y naciste allí, fruto de un catalán y una mujer con orígenes de ultramar. La Gran Guerra hacía su trabajo y a la catástrofe oponías la búsqueda de belleza en todos los rincones posibles de otra contienda más. 1943 no albergaba buenos presagios y, aun así, te crearon para regresar más tarde a un Madrid al que le faltaban varias décadas aún para saberse díscolo y aprender de ti qué significaba una palabra tan inmensa como giraluna o libertad. Era 1954 y aún se perpetuaba en las calles pedregosas el miedo que habían sembrado las cunetas del alba: todos los girasoles orientaban su cara al sol. Era un rugido de silencio que pariría estallidos flourescentes tiempo después. El descubrimiento de la vida tantas veces censurada se plagaría a partir del 75 de canciones que gritaban sus protestas en radiocasettes viejos y enojados tras años que parecieron siglos. Y sin embargo, vos nunca dejaste que los sapos y las culebras ensuciaran tu boca: vos no componías en contra, no, vos lo hacías a favor. Entre la destrucción o el amor, siempre el amor. A una manada de jóvenes totalmente analfabetos en cuestiones sentimentales no solo les enseñaste que gozar de sus cuerpos era posible sino que coleccionar instantes de ternura y filosofía al calor de la intimidad más nimia era incluso mejor. Sacralizaste el cuerpo de la mujer hasta tal punto que tu música podría ser aún hoy la mejor pedagogía para evitar crímenes infames. Pero entonces, quién era ese niño al que debemos tanto, quién era ese poeta que le hacía confesiones a las olas, quién ese artista total que se preguntó hasta la extenuación el por qué de los monstruos que albergábamos desde la medida misma de la compleja humanidad. Y, sobre todo, por qué, Aute, se te ocurrió desaparecer justo ahora que la belleza se ha retraído hasta un horizonte oceánico que no logramos siquiera imaginar.

Qué paradoja. Nos enseñaste que nada hay más poderoso que la unión entre cuerpos que bailan sometidos al azar de la luna y su reflejo de mar. Cuerpos que sabiéndose vulnerables se olvidan a sí mismos a merced del goce de otros cuerpos. Su éxtasis sucede en una confianza en la que no solo es posible transpirar hambrientos hasta desfallecer sino que es evidente y necesario hacerlo con todo el rigor que permitan el fuego y los labios. Y así sucede. El conocimiento de la realidad se evapora y nos instala en medio de una suspensión letal de apenas unos segundos de ternura que, sin embargo, se extienden en el tiempo como flores abiertas que nunca antes precisamos más. Qué paradoja. Allí quisiéramos instalarnos ahora. Nada necesitaríamos más que dejarnos abatir de nuevo por la humedad. Qué paradoja. Nos han ordenado alejarnos y extender una capa aséptica entre nuestro deseo de comulgar con la carne de los dioses terrenos. Casi lo entiendo: te fuiste en un escenario obsceno para la razón de tu existencia. Justo ahora que una amenaza invisible nos está pidiendo evitar el único fusil que opusiste como respuesta infalible a toda clase de barbarie: el amor como absoluto y el sexo como refugio total. Qué paradoja. No podemos escondernos en ninguna cueva del milagro ni libar la miel de ninguna marea. Lo último que haríamos hoy sería confiar en el sudor y el sabor del otro y desmontar así todos nuestros argumentos en la respiración ambigua de un estallido de salvia y saliva. El miedo nos ha penetrado hasta el punto de atenazar nuestras pupilas y ya somos apenas cíclopes que reman contra una noche que insiste en desdibujar su esperanza.

Sopla el viento y no se lleva otra cosa que números a cuestas, engullendo un calvario inesperado que la tierra desmerece. Las cifras no demoran su percutida masacre en estos días plomizos. Nos levantamos por una inercia inexplicable. Y justo ahora decidiste huir entre el batallón del sacrificio. Hacía tiempo que venías rengueando tu presencia en nuestro mundo y, sin embargo, fue en medio de este banquete de pánico y pulcra desazón que tu obstinación dijo basta. Cómo detenerte. Ya engrosarás el palmarés de esta infame catarata de civiles derrotados, ya serás tal vez uno más de los muertos que se apilan en morgues improvisadas en ese Madrid que ahora más que nunca podría llegar a ser una ciudad de más de un millón de cadáveres. Todos y cada uno de esos cuerpos que antes eran capaces de amar y ser amados desaparecen hoy en la más despiadada soledad, sin que nadie recuerde siquiera su risa enlatada, que es la música habitual de cualquier velorio ríspido. No conocemos exactamente de qué forma se marchan ahora esos soldados anónimos. Intuimos que apenas tratan de enfilar la oscuridad después de ser asfixiados por esta pandemia aérea. Luego se demoran allá, en un limbo sin adioses ni más augurio que lágrimas aisladas en la lejanía de muros macilentos.

Resulta que te convertiste en toda la luz que ahora celebra su histórico apagón. Es rigurosamente cierto: vivimos tiempos de maleza. Aun así, la hiciste muy bien, tanto que incluso la otra noche, la del sábado que cargaba a sus espaldas de nuevo casi un millar de muertos, ese niño que fuiste observando el malecón se volvió eterno. Apareciste en pantallas insólitas con esa camisa blanca partida en medio del pecho, con esa elegancia frugal que transmitía tu mirada, tu sonrisa tímida y tus manos de mujer con las que no solo compusiste la educación sentimental de una generación que renacía de cuarenta años de penumbra sino que pintaste en lienzos esenciales la perpetuidad del único fusil de asalto que poseemos en realidad: elegir el amor, amar. Andá tranquilo si querés, no nos importa porque señor, las diosas, nunca se van.

 

[Fuente: http://www.pagina12.com.ar]

Editan as cartas do filósofo e as cinco biografías máis antigas que o abordan

Retrato de Spinoza, datado alrededor de 1665 y de autor anónimo.

Retrato de Spinoza, datado ao redor de 1665 e de autor anónimo.

Escrito por HÉCTOR J. PORTO

A figura de Baruj Spinoza (Ámsterdam, 1632-A Haia, 1677) segue sendo neste século XXI tan apaixonante como enigmática, case 400 anos despois do seu nacemento. E o é en boa medida porque o que no seu tempo facía que a súa filosofía fose considerada ambigua, inconsistente ou incluso herética hoxe vólvea rabiosamente moderna. Froito dunha época convulsa, o seu carácter foi o dun exiliado, apátrida, errante -Rijns­burg, Voorburg, A Haia- ao que a comunidade xudía expulsara (en 1656), os protestantes detestaban e os cristiáns miraban con desconfianza, ou aparecía como un xudeu reprobado ou como un ateo camuflado e malvado. Polo seu defensa da liberdade e o seu amor á verdade é visto actualmente como unha referencia dunha etapa -a segunda metade do século XVII- na que se erixiu en gran crítico da tradición e precursor dunha forma peculiar e avanzada de Ilustración.

A valiosa achega como pensador e o atractivo do home axitan a súa vixencia e moven o interese editorial por Spinoza. E unha boa proba desta inquietude é o catálogo de Guillermo Escolar Editor, que publicou, na edición do especialista Atilano Domínguez, a súa correspondencia e as cinco biografías máis antigas que versan sobre el, unha delas contemporánea -a de Jarig Jelles, con quen incluso se carteaba-. Estas aproximacións falan ás claras do complexo que no seu tempo resultaba clasificalo. Os seus enfoques e conclusións non só son distintos senón por veces diametralmente opostos, e iso indica tamén ata que punto aquel século estaba condicionado polo opresor xugo relixioso.

«Jelles asóciao a un cristianismo racional, ao estilo de Erasmo e do círculo dos colexiantes; [Pierre] Bayle, ao materialismo ateo e ao santo laico, tan próximos de Buda como de certos románticos; [Sebastian] Kortholt, aos impostores, chámense relixiosos ou antirrelixiosos; [Jean] Colerus, ao xudeu excomungado e anticristián cuxas obras foron recibidas con duras críticas en Holanda, Francia e Alemaña; e [Jean-Maximilien] Lucas, en fin, ao escritor anónimo e libertino que, fronte á ignorancia e a submisión á autoridade, propón a loita pola liberdade e a felicidade humana na liña dunha Ilustración radical», detalla o investigador e profesor.

A pesar de que non gozaba da simpatía de Kortholt (tampouco das de Bayle e Colerus), que o xulgaba «ávido de gloria», «impío», «ambicioso» e unha alma impura», o certo é que Spinoza vivía frugalmente, ao que se sumaba a súa constitución física débil e enfermiza e o seu gusto pola soidade.

Como un artesán, procurábase un humilde sustento económico compaxinando o seu labor intelectual co traballo de pulido de lentes de cristal, un oficio que serve en bandexa a metáfora que enxalza a súa lúcida visión do mundo, que combate a superstición e o medo e na que corpo e alma cohabitan harmonizados. Ten moi presente tamén como os gobernantes utilizan a relixión para aumentar a súa posición hexemónica. A súa sólida arquitectura filosófica é unha creación que se eleva coma se a consciencia do seu tempo de ferro, e o ruído da contorna, non alcanzase a rozalo.

O home e a natureza

Un do aspectos que acrecentan o seu atractivo é o modo en que está firmemente convencido de que o home é un coa natureza, posicionamento desde o que afloran as divindades do mundo e do propio home. Recuperar esa conivencia entre ser humano e natureza (que identifica con Deus) resulta hoxe necesaria nun momento en que, mal guiado aínda pola Ilustración, o home segue cegado pola idea de dominio, ata o abuso.

Desde a súa condición autodidacta, Spinoza apenas dedicou vinte anos (1656-1676) á construción e argumentación das súas ideas, pero alumou un sistema de pensamento tan perfecto que supuña «o modelo mesma da filosofía», enxalzaba tempo despois Hegel para insistir: «O Spinoza ou ningunha filosofía». Nietzsche tampouco se subtraeu do seu encanto. E ata Albert Einstein, interrogado sobre se aceptaba a existencia de Deus, dixo aquilo de «creo no Deus de Spinoza», o que se mostra nunha harmonía ordenada do existente, non como «un Deus que se preocupa polo destino e as accións dos seres humanos».

Fronte á rixidez doutros filósofos, Spinoza é especialmente hábil para conciliar razón e Deus. Na súa procura da boa vida, da felicidade posible, fai gala dunha fermosa intelixencia que namora na súa lucidez ao distinguir claramente entre a palabra revelada e a palabra que verbaliza a súa eu filosófico, sempre amante da verdade: «Cando conseguín unha demostración sólida, non poden vir á miña mente ideas que me fagan dubidar xamais dela. Por iso é polo que asenta ao que o entendemento me mostra, sen a mínima sospeita de que poida estar enganado ou que a Sacra Escritura, aínda que non investigue este punto, poida contradicila», argúe para concluír marabillosamente que «a verdade non contradí á verdade». Así o expón nunha carta remitida en 1665 a Willem van Blijenbergh. «De todas aquelas cousas que están fóra da miña poder, nada estimo máis que poder ter a honra de trabar lazos de amizade con xentes que aman sinceramente a verdade […] Este amor é, ademais, o maior e máis grato que pode darse cara a cousas que están fóra do noso poder, xa que nada, fóra da verdade, é capaz de unir totalmente distintos sentidos e ánimos», confésalle noutra misiva, en que así mesmo se mostra indulxente coas debilidades humanas.

A correspondencia de Spinoza revélase como un instrumento de coñecemento da persoa -o máis poderoso que se dispón- grazas a esas filtracións que se producen no seu discurso, os seus refutacións aos correspondentes e as súas reflexións, e que non se permean nos seus tratados. Neste ámbito, o selo Trotta acaba de publicar Ética demostrada segundo a orde xeométrica, en edición de Pedro Lomba -Manuel Machado fixo unha versión en 1913-, considerada a súa obra magna e que apareceu postumamente.

Sobre as raíces ourensás da familia do pensador

Bayle afirma que Spinoza escribiu en español o seu Apoloxía da saída da sinagoga, que se perdeu inédita. E é que o filósofo naceu en Holanda, pero os seus pais eran xudeus sefardíes chegados de Portugal, onde se fincaron tras unha saída forzosa de España, como consecuencia da intolerancia católica acrecentada a partir de 1492 coa orde de expulsión asinada polos Reis Católicos. Mentres, víronse forzados a unha conversión formal pero seguían practicando o xudaísmo de forma clandestina. Nese submundo marrano (nome co se que coñecía a estes falsos conversos) sitúan algúns en Ourense á familia Espinosa -e ao propio Miguel Espinosa , futuro pai de Baruj, ou Bento ou Benito ou Benedito-. A académica da RAG Olga Galego reconstruíu no seu día a árbore xenealóxica da estirpe dos Espinosa . E moito antes, na primeira década do século XX, o investigara o historiador, e tamén académico, Benito Fernández Alonso, que situou a Miguel Espinosa en Videferre, unha parroquia do concello fronteirizo de Oímbra, nunha preventiva transición cara a Portugal ante o medo a ser denunciados. Este contexto de temor explicaría a firmeza das conviccións de Spinoza contra a andrómena e o sectarismo relixioso.

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Jaime Gil de Biedma en una imagen del programa “Imprescindibles” de RTVE

Escrito por Enrique Andrés Ruiz

Naturalmente, todo el mundo quisiera que con su opinión quedase zanjada para siempre la cuestión de que se trate, y con esa intención cabe suponer que cada cual se decide a expresarla en público. Pero es muy difícil que sea así. Nuestra memoria es débil, nosotros mismos somos inconstantes… Las cosas suelen volver.

Distinto es que, quien se expresa, abogue explícitamente porque su palabra sea tomada como la última sobre el asunto, la que lo cancele definitivamente; esto ya parece cachondeo, aunque puede que sea solo presunción. Una prueba reciente de que todo vuelve y de que no hay modo humano de impedirlo decretando el fin del partido cuando acabamos de marcar el gol de la victoria, ha sido el homenaje que el Instituto Cervantes ha dedicado a Jaime Gil de Biedma. Porque esto era solo el asa; detrás venía el caldero.

Una vez más y al socaire del homenaje (aunque por adelantado), se suscitó el asunto de la pederastia del poeta. No sabemos cómo era Góngora, todo indica que bastante tipejo. Ello no impide su consideración. El afán de enturbiar la luz celebratoria sobre Gil de Biedma ya está avisado de ello, de manera que ahora solicita previamente que ese argumento de que una cosa es el artista y otro su obra, etcétera, sea declarado ilegítimo. La ética y la estética han de ir juntas, se dice, si abordamos un nivel de excelencia.

Bien. El poeta Luis García Montero, director del Instituto, ponderó en la celebración la poesía de Gil de Biedma, como era su obligación y como todo el mundo sabe que es su gusto. También ponderó el compromiso cívico y la honestidad moral de Gil de Biedma, y esto quizá no fuera ya su obligación, pero en todo caso sirvió para reabrir las operaciones enturbiadoras, hace años aparcadas y ahora manifiestamente sorprendidas de que, en efecto, su palabra de entonces no fuera la última y haya que volver sobre la cosa (¿cómo es posible?).

Pues es posible, primero, por eso mismo: nuestra memoria es débil, somos inconstantes, estas son razones, como decía Steiner, para la tristeza del pensamiento. Pero en segundo lugar y muy principalmente, el asunto vuelve a la palestra porque, aunque parezca lo contrario y estemos en un país en el que lo dominante se precia de marchar contra corriente, disparar contra Gil de Biedma –no se olvide: faro de poetas, lectura de políticos y de señoras de políticos que un día gobernaron, autor indiscutible– es mucho más rentable que elogiarlo, aunque solo sea por el punto de distinción, más o menos esnob, que granjea distanciarse de lo que parece consolidado y por tanto vulgar: algo gana siempre quien se mide con los grandes.

El propio Jaime Gil de Biedma contó en sus Diarios las sórdidas aventuras sexuales que tuvo en Filipinas con niños filipinos. Sabemos de su displacer. Lo que no sabemos es que se sintiera orgulloso de aquellos episodios, como parecen suponer quienes de su personalidad completa, su magnífica poesía y su extraordinaria prosa, deciden cebarse únicamente en este escabro. Los diarios de Gil de Biedma no son, por cierto, nada que se parezca a lo que hoy en España se llama así y que suele resultar un género particularmente informativo del exhibicionismo del autor, su ingenio, su sensibilidad, su buen gusto y el resto de bondades, bien que bajo la cansina captatio benevolentiae de decir que se trata de un género que ha estado ausente en la tradición española. De los diarios de Gil de Biedma no es fácil extraer esa condición exhibitoria; no son, precisamente, complacientes; esos episodios no están ahí para decirnos lo bravo amante que era con sus chicos, lo gozosamente bizarro que a sí mismo se veía.

Sin embargo, el aspecto del asunto sobre el que suelen meter baza los más confundidos concierne a la dimensión ética de un artista y a lo que esta puede tener que decir con vistas a un juicio digamos que integral sobre su figura y su obra. No nos equivoquemos. Lo que aquí se dirime, a pesar de las aclaraciones de los denunciantes, es si Gil de Biedma puede seguir siendo, sin mancha, el excelente poeta que la convención cultural acordada por la hegemonía cultural progresista hizo de él. Un asunto político, pues. Por eso, los disparos ahora han tomado un tono filosófico veteado de elementos politológicos particularmente finolis: nada de acusaciones ad hominem ni detalles behavioristas: solo la razón ilustrada.

Un poco por llevar la contraria, don Julio Caro Baroja decía no comprender el descrédito que la intelectualidad emergente dispensaba a nuestros maestros casuistas del siglo XVII. Él los admiraba, convencido precisamente de su fineza argumental. Muy lejos de ese encomio, cuando al inolvidable José Jiménez Lozano se le preguntaba por algún asunto que exigiera hilar delgado, solía exclamar: “¡Pregúntale a un jesuita!”, recordando, claro, aquella gloriosa época de los juicios de teología moral emitidos por el padre Escobar y los otros ante las cuestiones que se les sometían. Más amigo de Pascal que de los jesuitas, Jiménez Lozano tenía muy presentes las flechas que el moralista les dirigió en las Provinciales, pese a no ser su lectura preferida del matemático francés, y que se podrían resumir en lo que en castellano llamamos doble vara o ley del embudo: una cosa para los pobres, otra para los ricos. La última aportación al asunto Gil de Biedma pareciera por lo profuso de su cadena argumental venir de alguno de aquellos maestros de la Compañía, que hubiera revivido. Pero vemos pronto que no hay cuidado. Del artículo de El Mundo en el que el profesor Félix Ovejero dirime acerca del tema, solo cabe extraer la decadencia a la que ha llegado la teología moral desde los tiempos de Escobar y los suyos.

El profesor Ovejero comienza por mencionar a un hipotético Stalin que –además– fuera cantante de ópera, o sea, artista. Tarda poco en advertir que no está “equiparando” a Gil de Biedma con Stalin. Pero, entonces, ¿a qué viene la hipótesis? Enredados, de momento, en ella, enseguida vemos su inoportunidad. Gil de Biedma no fue “además” poeta (como se quejaba Unamuno de que le consideraran). Gil de Biedma, un tipo reconocido por él mismo como nada irreprochable en sus ya famosas vicisitudes sexuales, no quiso ser considerado –después– un gran poeta. Los maestros de confesión no hubieran incurrido en esas trampas. Porque con el casuismo barroco se trataba de eso, justamente, del análisis de un caso concreto llegado al teólogo por vía de confesión o, al menos, elaborado bajo esa hipótesis para mejor explicar las cosas. La mecánica venía poco más o menos a funcionar así: el caso hipotético era establecido primeramente –y lo que más importa: esquemáticamente– como modelo para el argumento, y al tal caso se hacía corresponder una reprensión, a la que seguía finalmente un determinado –y también esquemático– castigo. El trabajo del moralista consistía en calibrar el grado de parecido que el otro caso, el real, siempre turbio, siempre circunstanciado, guardaba con el modelo, para ver luego la conveniencia de matizar al alza o a la baja la medida del castigo.

Pero el profesor Ovejero no hace esto (y renuncia así definitivamente a la gloria de la casuística), sino que, con la cosa estaliniana –siempre efectiva, como una contraseña entre quienes la reconocen– determina primeramente la conclusión y nos hace después dar un larguísimo y aburrido rodeo para volver a ese mismo punto de partida. Sentencia: culpabilidad sin paliativos. Pecados: el abuso, la violencia, la falta de sensibilidad social, la hipocresía. Pena: la retirada para la poesía de Jaime Gil de Biedma de la consideración de “genuina obra artística”.

De estos tres elementos, solo el último importa. Pero –un momento–: es el que importaba desde el comienzo: la conclusión de partida. Los otros es muy probable que el propio poeta acabara por hacerlos suyos; sus diarios ya hemos dicho que no son lo que hoy se entiende por tal en España, sino que justamente se parecen más a aquello, a una confesión. Ahora bien, en este punto y ya apagadas las luces de la fiesta, solo queda esperar a que se ponga de pie quien se levanta siempre al final de las discusiones, para decir: ¿Pero de qué estamos hablando?

Y, ¿de qué estamos hablando? ¿De la valoración de Gil de Biedma como poeta? Los mismos enturbiadores de su gloria han dicho –con la boca pequeña– que no se trata de eso. Todos sabemos que sí. ¿De la conveniencia de un homenaje institucional al poeta Gil de Biedma, no al ejecutivo ventajista y a pesar de ello malconcienciado, del mismo nombre? No lo veo. Aunque los denunciantes, sí. Pero, ¿dónde iba a celebrarse un homenaje a un escritor, fuera de esa casa o de la Biblioteca Nacional, en la que ya tuvo lugar hace unos años una exposición y algún coloquio, sin que se reviviera entonces la denuncia?

No sabemos. Aunque sí sabemos. Yo creo que si no fuera otro poeta –muy conocido– el actual director del Instituto, nada hubiera sucedido. No sucedió en la Biblioteca, siendo aquel un homenaje de más postín. También creo que, si no fuera tan fácil asociar al dicho director con lo que el profesor Ovejero llama “la izquierda reaccionaria”, tampoco se hubieran animado las brasas. De manera que el asunto debe andar por esos vericuetos, a pesar de que los razonadores se afanen en borrar continuamente sus huellas. Son los vericuetos de la obsesión política. Y los de quienes, además de ser listos y guapos, quisieran estar siempre entre los buenos, modernos y moderados a la vez, la ilustración sin revolución, vamos.

Por lo demás, Stalin no era un cantante de ópera que por las noches se dedicara al crimen. En el argumento del profesor Ovejero el poeta y el tirano no están equiparados, ya lo sabemos; pero es peor: sus papeles están invertidos. Y lo que la nueva aparición del asunto tiene únicamente de novedoso es esta implicación ahora de la filosofía. Pero a los alardes de lógica y exposición solo cabe pedir lo que constituía el sencillo requisito de admisión de un argumento entre los teólogos barrocos: que venga al caso.

 

[Fuente: http://www.fronterad.com]

 

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Lumière de l'intellect

On ne va pas faire le malin, notre connaissance des textes philosophiques juifs se limite à peu près à ce qu’ils ont laissé comme influence dans la scolastique médiévale. Hormis quelques pages du Livre des égarés, nous n’avions jamais approché directement la pensée juive. Les quelques mots qui suivent ne sont donc aucunement à prendre comme une quelconque forme d’introduction à celle-ci. Tout au plus espérons-nous vous donner envie de vous y plonger, en non-spécialiste, et d’y trouver, comme nous, l’étonnement et l’émerveillement que peut procurer une pensée construite radicalement différente.

Et s’il se maintient toujours dans la foi reçue et non comprise […] il demeure dans sa sottise.

Dans ce livre irrésumable et insondable, et dont l’interprétation mériterait à elle seule plusieurs livres, Abraham Aboulafia, en bon kabbaliste, reprend bien les diverses sources traditionnellement utilisées par les penseurs juifs de son temps comme les sources juives elles-mêmes (Talmud, Midrach, etc.), celles des philosophes juifs médiévaux (Maïmonide est une référence constante) et celles des philosophes antiques (et principalement Aristote), mais en leur assignant comme une forme de torsion. Résolument mystique, dans l’acception courante du terme, Lumière de l’intellect paraît en effet par bien des aspects d’une modernité conceptuelle étonnante. Certes l’architecture même du livre est déterminée par une tradition (dont l’héritage numérologique n’est pas le moins déconcertant pour le lecteur contemporain), et son propos est intimement lié au théisme de l’époque auquel aucun assemblage théorique n’est censé échapper, mais la façon dont il articule les ingrédients dont il hérite donne à l’ensemble une destination bien moins traditionnellement théologique qu’il n’y paraît. Ou du moins est-elle tout à fait utilisable dans un cadre qui ne le serait plus nécessairement.

Dans l’intrication que vit le peuple adamique – dont il « universalise » peu ou prou le principe – entre le religieux et l’intellectuel, Abraham Aboulafia décèle dans le second une possibilité – et de la possibilité découle l’obligation – de valider le premier. Cette validité de l’intellect, tout à la fois, le distingue du religieux, et lui confère un rôle déterminant dans la réalisation du parfait programme de la croyance, dont ferait partie intégrante l’augmentation de la puissance de cet intellect. Autrement dit, là où, par exemple – mais sans l’y résumer – la scolastique chrétienne réserverait à l’intellect, via ses moyens, la charge temporelle de prouver Dieu, la pensée du natif de Saragosse l’enjoint avant tout à s’augmenter. Chez Aboulafia, l’intellect humain devient un acte pour lui-même…

  1. Abraham Aboulafia, Lumière de l’intellect, L’éclat, trad. Michaël Sebban

[Source : http://www.librairie-ptyx.be]

Escrito por Xoán Abeleira

Quen recoñece o Brahman
no seu Atman vivinte
deixa de sufrir.
Kata Upanishad

 

En francés ninguén «ten» un soño: on fait un rêve. Un soño «faise», «créase»; máxime se un practica o Ioga dos Soños e, daquela, devén nun soñador lúcido, dominando os seus soños no canto de que istes o dominen a il. Coma os sadhus da India. Coma os lamas do Tíbet. Coma as xamanas e os xamáns de tódalas épocas. De feito, na espiritualidade primixenia da humanidade, o animismo-xamanismo, os soños «recíbense» no Mundo dos Espíritos ou Tempo dos soños, ó cal viaxa unha das nosas diversas «almas», a «libre», quer durmindo, quer en transo. Soño equivale a revelación xa que os soños entrañan unha mensaxe dos kami, os espíritos emisarios, ou da Deusa directamente.

En francés, o termo esprit significa ante todo «mente». Tamén en galego e en castelán: espírito e espíritu. Mais cando en Galicia ou en Iberoamérica sentimos esa palabra a primeira acepción que esta nos esperta na mente e no cor (o verbo «acordar», da raíz proto-indoeuropea kerd) é a última dos nosos dicionarios: «Ser sen aparencia material». A Santa Compaña. Os espantos.

«Dicir: Eu penso é unha falsidade. Deberiamos dicir: Alguén me pensa (…) Porque Eu é Un Outro», –afirmou Arthur Rimbaud nas chamadas Cartas do Vidente. Na psicoloxía junguiana, isoutro non xa que nos pensa ou nos soña senón que emana os nosos pensamentos, as nosas fantasías, os nosos soños… recibe o nome de Si Mesmo. Na filosofía transmitida polos Upanishads «o sabio que experimenta o grande e omnipresente Ser (Brahman) que lle permite percibir na súa alma (Atman) tódolos fenómenos do soño e da vixilia, deixa de sufrir». Na psicoloxía budista a base luminosa da conciencia, a Luz Madre que entraña a mente de tódolos seres conscientes en maior ou menor grao, chámase Bodhi (Theravada) ou Rigpa (Mahayana). E a súa esencia é metta: puro Amor, pura Bondade.

* * *

Cal foi o primeiro soño que tivemos/fixemos/recibimos nestoutra vida nosa? Eu acordo a primeira vez que a miña filla acordou chorando no berce por mor do pesadelo que tivo despois de ver a película Dumbo, o elefante voador… Mais dubido moito que aquil fose o seu primeiro soño.

No tocante a min, a primeira revelación onírica que lembro aconteceu, curiosamente, en Galicia, o país dos meus devanceiros, e non en Venezuela, o país onde nacín. Inda por riba, nun hostal que estaba preto dunha praia chamada América.

Monumento no cemiterio coruñés de San Amaro aos mortos do accidente de Aviaco.

Aquela foi tamén a primeira vez que os meus pais volveron á terra da que emigraran. Só veranear. Logo de visitarmos os parentes que ficaran n´A Cruña e en Ourense, aloxámonos nun hostal de Panxón que tamén era restaurante. Uns anos despois, trala morte dos meus avós paternos, falecidos no accidente do Voo 118 de Aviaco (1973), xusto cando tornaban definitivamente á súa parroquia natal, e tras sermos acollidos, o meu irmán maior e mais eu, pola miña avoa materna na súa casa de Madrid, eu tracei unha raia na miña memoria e peneirei as miñas lembranzas da nenez para poder sobrevivir no meu novo-vello mundo español. Esquecín –ou crin esquecer– así as máis das experiencias vividas durante a miña primeira década. Emporiso conservo imaxes abondas daquil verao da Galicia dos sesenta.

Un día, a dona da casa de hospedaxe amosounos o horto que cultivaba atrás. Desa visita, quedoume gravada a visión duns tomates comestos por unha praga de mariquitas –insecto que en galego ten moitos nomes, aínda que o máis utilizado, coido, é o de xoaniñas: juanitas. Non lembro se estabamos os seis membros da familia alí, coa señora, mais si que eu ía da mao da miña mai cando sentín aquil medo.

Esa noite soñei que estaba deitado nun areal (nos areais do soño, sentiu André Breton no seu entresoño), espido (cousa prohibida na Ditadura, mesmo ós nenos), e que de súpeto me asolagaba unha ondada de xoaniñas esfameadas e empezaba a devorarme. ¨The horrorThe horror

Ata hoxe, sempre crin que aquil soño buñueliano, tipo Un can andaluz, tiña que ver co espertar da sexualidade. Mais agora que estou a escribilo por vez primeira en cincuenta e sete anos, penso que o que me horrorizou naquil horto, pola mañá, e naquil soño, pola noite, foi o feito de decatarme, por enésima vez nas miñas incontables vidas, da inevitabilidade da morte.

* * *

Álbum de Gloria Álvarez Novoa, cunha foto súa e co recorte dun artigo verbo da tradución de seu fillo Xoan de Unha tempada en inferno de Arthur Rimbaud.

Foi así mesmo alí, naquela casa de hospedaxe, e entón, aquil verao, cando comecei a intuír o celme desa caste de Amor que os budistas chaman metta.

A casa, como dixen, tamén era restaurante, e dediante dela había unha sorte de comedor aberto á estrada trala cal estaba a praia. Eramos moita xente aquil día, sinte da familia. Nun momento dado, en medio da algazara, miña mai ergueuse dun chimpo e botouse a estrada sen pensalo, coma unha animala. As lerias e mailos risos lazaron: algo terrible estaba a acontecer. El que? Todos –meu pai incluído–, paralizados polo medo ó inesperado, decatámonos de que o José Manuel, o serodio dos irmans que apenas daba en andar, estaba en metade da estrada, e de que un coche, tres veces máis alto ca il, ía esmagalo. Coido que eu quixen tapar os ollos pero ende ben a miña parálise total non me deixou nin cerrar as pálpebras. Así, coma en metade dun lóstrego, puider ver a miña mai apañar o meniño da estrada cos dous brazos, apertalo con tódolos seus folgos, a xeito de escudo, e virarse de costas ó vehículo que viña a fume de carozo. O condutor –tan asombrado, supoño, coma nós– freou en seco a escasos centímetros do van da muller. E velaí a vexo aínda: unha espenuca fita no baleiro; unha leoa con todo o corpo engruñado sobre a súa cría.

* * *

Dende moi nova, dende que tivo o primeiro fillo, ós vinte anos, e os seus volveron da emigración para instalárense en Madrid, Gloria, a nosa mai, padeceu depresións. De feito, aquil verao estaba a sandar da que tivera despois de parir a José Manuel. Lémbronos –meu pai, meus irmáns e mais eu– camiñando en silencio cara á clínica onde nacera o bebé, preto da nosa casa de Maracay, sabedores de que il estaba ben mais ela non. Igual cá súa mai, Virxinia, que houbo morrer tralo nacemento do seu cuarto fillo, ficou soa no Vigo da posguerra cos catro famentos, e emigrou encamada no barco por mor doutra depresión, rumbo a Caracas e ó seu home.

Hai agora cinco anos, por razóns imposibles de explicar, José Manuel, tradutor, director e cantor de coros de música clásica, produtor de cine e profesor de linguas e de ioga na escola de B.K.S. Iyengar, deixouse morrer de SIDA malia os avances da medicina nise eido concreto. Namentres, o soño eterno de Gloria –pasar a súa vellez a carón do seu marido, cadora ausente da casa, debido ó seu traballo e á súa maneira de vivir– esnaquizouse porque Gonzalo comezou a sufrir o Alzheimer que agora o retén lonxe de nós.

Casa da Matanza

 

Un serán, tras volver de visitar por derradeira vez o fogar de Rosalía de Castro (cuxos poemas emulou, sen ter moitos estudos, dunha maneira abraiante para min) e terse persignado nil, á entrada e á saída, coma se a Casa da Matanza for para ela unha capela, miña mai simplemente deixou de falar. A súa sempiterna acidia deveu en demencia senil logo da morte do fillo e do comezo da decrepitude do home.

Nos seus últimos meses de continuas urxencias, miña mai, crede en min, rozou a santidade. Aturou de todo e endexamais deu chío. Agoniou dúas veces. A primeira, loitou durante horas e horas, como o fixera toda a vida, e venceu a Mara. A segunda, convencímola de que podía marchar tranquila cara á súa nova existencia, sen temer polo futuro do seu amor. Finou axiña. Tan afoutada coma sempre. Sorrindo entre as cantigas xamánicas que eu lle bisbaba e fiando en que no Mundo dos Espíritos, alén dos nubeiros a súa mente re/coñecería a Luz Madre.

[A imaxe de apertura é A moura do Pico Sacro, de Ana Pillado – fonte: http://www.luzes.gal]

 

 

O selo cacereño Periférica reedita os libros do inclasificable pensador alemán «Rúa de sentido único» e «Infancia berlinesa cara a 1900»

El escritor y pensador alemán Walter Benjamin, retratado en 1928 y flanqueado por las portadas de los dos libros que publica el sello cacereño

O escritor e pensador alemán Walter Benjamin, retratado en 1928 e flanqueado polas portadas dos dous libros que publica o selo cacereño. Periférica 

 

Escrito por GRACIA NOVÁS

Walter Benjamin é un pensador de abordaxe complexa, tanto pola amplitude dos intereses da súa obra como pola súa heterodoxa mirada. O ambicioso plan que emprendeu o selo Abada para editar inicialmente en once volumes as súas obras completas -aínda en marcha- só dá unha idea da prolixidade da súa produción intelectual. O proxecto porá fin á desorde con que se dispuxo a súa tradución ao castelán, e a cuxa emenda contribuíran especialmente os catálogos de Taurus, Akal e o do propio Abada.

Con todo, e pese ao precioso valor de tamaña empresa, hai pezas que merecen un tratamento á parte, pola súa singularidade. Iso entendeuno a casa cacereña Periférica, que preparou senllas edicións de Rúa de sentido único e Infancia berlinesa cara a 1900, dous libros que son exemplo perfecto da peculiar forma de traballar de Benjamin, do seu gusto polo fragmentario como forma de reconstrución e polo modo en que, en ocasións, o seu ensaísmo mestura no relato aspectos da súa imaxinación, a súa memoria persoal e unha finísima pero poderosa alma literaria.

Rúa de sentido único, un título de 1926, publicado en 1928, é unha colección de aforismos que contan entre as súas principais preocupacións a caótica situación en que se acha a Alemaña de Weimar, a evocación da experiencia da nenez, o amor -entón ocupaba o seu corazón a revolucionaria letona Asja Lacis- e a cidade de París -que desenvolverá moito despois no Libro das pasaxes-. Dicía o seu amigo Theodor W. Adorno -tamén filósofo alemán de orixe xudía- que a estratexia de Benjamin era «contemplar todos os obxectos tan de preto como lle fose posible, ata que se volvesen alleos e entregásenlle o seu segredo». Neste texto a súa escritura indaga a estética desde unha óptica nova, na observación de imaxes e acontecementos efémeros, que parecen querer desatender a súa esperada desaparición.

Rememorar a infancia

Precisamente, esa lembranza da infancia será o motor principal do posterior Infancia berlinesa cara a 1900. É leste un libro que engade novas complexidades, xa que aínda que a súa primeira versión data de 1932 -anos en que, por certo, recalou en Eivissa-, non se publicou ata 1950 na editorial Surhkamp e cun epílogo de Adorno. Benjamin, para entón, xa morrera, suicidouse, decidido a evitar a deportación e a entrega ás hostes de Hitler en Francia. Ocorreu o día 26 de setembro de 1940 na localidade xerundense de Portbou -onde chegara na súa fuxida da persecución nazi.

Periférica baséase na versión de última man do autor datada en 1938 -a reelaboración acompañouno case ata a súa morte-, pero é que o libro aínda rexistrou unha nova edición -a cargo de Tillman Rexroth- en 1972, que incorpora textos descubertos despois de 1950.

Benjamin emprende a súa escritura como quen recorre no exilio á vacina da nostalxia, pero tratando de que o biográfico cíngase a un segundo plano. Explícao o propio autor no seu breve prólogo, no que tamén di que trata de «captar as imaxes nas que a experiencia da gran cidade deposítase nun neno da clase burguesa», e certamente enfermizo, un neno que, por outra banda, situábase ante unha sociedade en proceso de extinción e no lugar onde el nacera.

A perspectiva está claramente vinculada a Marcel Proust, de cuxa obra foi tradutor, detalla a editora cacereña, que agrega que Benjamin «alcanza unha resonancia maior e devólvelle a súa liberdade fundacional á forma ensaística: capta a complexa trama de temporalidades que nos conforma, a resistencia do pasado a marcharse e a súa promesa de futuro».

O selo Periférica leva este luns ás librerías Cale de sentido único e Infancia berlinesa cara a 1900.

Filosofía, estética, crítica literaria e teoría da arte

Infancia berlinesa cara a 1900 conforma con Crónica berlinesa o tomo undécimo da edición crítica das obras completas de Benjamin que comezou a publicar Suhrkamp no 2008. O proxecto -que é do que bebe Abada- podería alcanzar finalmente os 21 volumes.

Ninguén imaxinaba no seu tempo que o xeito tan pouco académica con que Walter Benjamin -entón valiosa só para unhas poucas mentes privilexiadas- enfocaba as súas análises tería tanta influencia, sería tan determinante no futuro. Foi incluso definido como o «pensador da cidade» polo calado das súas reflexións sobre o Berlín da súa nenez. Pero o certo é que, durante un lapso importante, foi un autor absolutamente postergado.

Vinculado ás liñas de tradición marxista, hoxe é tido por unha das figuras máis destacadas da Escola de Frankfurt, xunto ao seu amigo Adorno. As súas achegas ás disciplinas da filosofía, a estética, a crítica literaria, a teoría da arte e a historia política fan del unha figura clave na historia da cultura do século XX. A súa visión iconoclasta e allea á comodidade do canon filosófico e a súa lúcida observación da contorna son fundamentais para armar hoxe calquera análise crítica da realidade.

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]