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Rebelde, a cantora desafiou a ditadura (e a caretice de classe média) e, por mais de duas décadas, teve papel central na música brasileira. Completaria 80 anos. “E nem adianta prisão para a voz que, pelos ares, espalha sua canção”, entoou.

Escrito por Rômulo Moreira[1] no GGN

Nara Leão faria hoje 80 anos! Ela nasceu exatamente num dia 19 de janeiro, em Vitória, e com apenas 12 anos já aprendia a tocar violão, instrumento que ganhou de seu pai. Dois anos depois, matriculou-se na Academia de Violão de Roberto Menescal e Carlos Lyra, e não parou mais de estudar e de aprender.

Em novembro de 1959, ainda uma adolescente, participou do show “Segundo comando da operação Bossa Nova”, cantando “Se é tarde me perdoa” e “Fim de noite”; nessa época, já início dos anos 60, circulavam as primeiras notícias na imprensa carioca sobre a Bossa Nova.

Em março de 1963, no lendário restaurante Au Bon Gourmet, em Copacabana, Nara apresentou-se profissionalmente pela primeira, dividindo o palco com Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, no espetáculo “Pobre menina rica”, iniciando as primeiras apresentações em programas de televisão, além de começar a gravação do seu primeiro disco.[2]

Pouco antes do golpe militar, em fevereiro de 1964, lançou o seu primeiro disco, Nara, inaugurando um repertório que promovia o encontro das composições de Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Baden Powell com os sambas de Cartola, Zé Ketti e Nelson Cavaquinho. O ano foi de ascensão profissional para Nara, afirmando-se como uma das maiores intérpretes do país; ao mesmo tempo, suas opiniões políticas e declarações em favor dos movimentos contrários à ditadura militar geraram polêmicas nos jornais.

Ainda em 1964, Nara assinou um contrato com a Philips para a gravação de quase todos os seus futuros discos e fez shows em várias cidades brasileiras; em Salvador, conheceu Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Em setembro, Nara participou, ao lado de Sérgio Mendes, Tião Neto e Edson Machado, de uma turnê internacional (com apresentações no Japão), e no mês seguinte concedeu uma entrevista para a revista Fatos e Fotos em que anunciou sua ruptura com a Bossa Nova e seus compositores. Com o título “Nara de uma bossa só”, a matéria teria uma resposta dos seus antigos parceiros, na mesma revista, com o título “Resposta a Nara”.

Em novembro foi lançado Opinião de Nara, segundo disco da cantora, com repertório na mesma linha do primeiro, tornando-se inspiração para o musical Opinião, escrito por Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Armando Costa, dirigido por Augusto Boal e encenado pela própria Nara, por Zé Ketti e João do Vale.

Em 1965, iniciou o ano como uma das principais personalidades do país devido ao sucesso de seus discos e do espetáculo Opinião. No final de janeiro, por problemas na garganta devido ao uso intenso de sua voz, Nara precisou retirar-se da peça e, em um primeiro momento, foi substituída por Susana Moraes; logo depois a própria Nara indicou como sua substituta a jovem cantora baiana Maria Bethânia.

Em março, iniciou as gravações do disco O Canto livre de Nara, e no mês seguinte participou da peça Liberdade, Liberdade, escrita por Millôr Fernandes e Flávio Rangel.[3]

(Aliás, a propósito, sobre Liberdade, Liberdade, o New York Times publicou, na edição do dia 25 de abril de 1965, um artigo em que se referia à peça como “o mais ambicioso dos espetáculos de protesto, refletindo o amplo sentimento existente entre os jovens intelectuais brasileiros de que o regime do presidente Humberto Castelo Branco, com sua forte posição anticomunista, é hostil à liberdade cultural e intolerante quanto a críticas de esquerda no que se refere às condições econômicas e sociais do país.”[4])

Em fevereiro de 1966 foi lançado Nara pede passagem, trazendo novos compositores, como Sidnei Miller, Jards Macalé, Paulinho da Viola e Chico Buarque. Em maio, concedeu uma famosa entrevista para o Diário de Notícias, declarando sua oposição irrestrita, corajosa e contundente aos militares; a manchete “Nara é de opinião: esse exército não vale nada”, causou imensa repercussão e ameaças de prisão por parte do regime militar, mas também palavras solidárias de cronistas, como Rubem Braga e Carlinhos de Oliveira. Para ela, e em razão desse fato, Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema “Apelo”:

Meu honrado marechal, dirigente da nação,
venho fazer-lhe um apelo:
não prenda Nara Leão

Narinha quis separar
o civil do capitão?
Em nossa ordem social
lançar desagregação?

Será que ela tem na fala,
mais do que charme, canhão?
Ou pensam que, pelo nome,
em vez de Nara, é leão?

Deu seu palpite em política,
favorável à eleição
de um bom paisano – isso é crime,
acaso, de alta traição?

Nara é pássaro, sabia?
E nem adianta prisão
para a voz que, pelos ares,
espalha sua canção.

Meu ilustre marechal
dirigente da nação,
não deixe, nem de brinquedo,
que prendam Nara Leão
.”[5]

No mesmo mês, Nara participou do debate “Que caminho seguir na música popular brasileira?”, organizado pela revista Civilização Brasileira, quando declarou: “Enquanto Roberto Carlos vai a todos os programas, todos os dias, o pessoal da música brasileira, talvez por comodismo, não vai. Existe até certo preconceito – quando eu vou ao programa do Chacrinha os bossa-novistas me picham, eles acham que é ‘decadência’ ir a este programa”.

No mesmo ano, no Festival de Música Popular da Record, Nara defendeu duas músicas: “O homem”, de Millôr Fernandes, e “A Banda”, de Chico Buarque, vencedora do Festival, ao lado de “Disparada”, de Geraldo Vandré; e gravou seu quarto disco, “Manhã de liberdade”, trazendo “A Banda” como faixa de abertura.

No ano seguinte (1967), em maio, lançou o disco Vento de maio, com composições de Chico Buarque e Sidnei Miller, destacando-se a bela capa do pintor Augusto Rodrigues, seu antigo professor de pintura. Nara ainda grava mais um disco, intitulado Simplesmente Nara, com capa de Lan e com canções que iam de antigos nomes como João de Barro e Ari Barroso a novos compositores como Edu Lobo e Sueli Costa; participou do Festival de Música Popular da Record, cantando “A estrada e o violeiro”, com Sidnei Miller, e do II Festival Internacional da Canção, defendendo “Carolina”, de Chico Buarque. Viajou para a Europa e fez apresentações em Paris.

Em 1968, abriu o ano estreando o show Tique-taque, no Teatro de Bolso, em Ipanema, ao lado do conjunto vocal Momento Quatro, cantando um repertório que juntava novas canções como “Tropicália”, de Caetano Veloso, e clássicos como “Três apitos”, de Noel Rosa, e “Chega de saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

E continuou participando intensamente das manifestações públicas contra o regime militar; em 1º de abril, quatro anos após o golpe militar e logo depois do assassinato do estudante Édson Luís, ela publicou no jornal Última Hora um contundente texto, “É preciso não cantar”, onde escreveu: “É impossível cantar, sabendo que os estudantes estão sendo assassinados nas ruas. É preciso não cantar. A realidade está demais para ser cantada e celebrada.”[6]

Em julho do mesmo ano, cantou “O tema dos inconfidentes”, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, durante o espetáculo Romanceiro da Inconfidência, adaptação de Flávio Rangel para a obra de Cecília Meireles. Em agosto, lançou seu novo disco, trazendo apenas sua foto na capa. O repertório escolhido e os arranjos do maestro Rogério Duprat sinalizavam a sua afinidade com a Tropicália. Caetano Veloso está presente com o bolero “Lindoneia” (feito a pedido da cantora e inspirada em uma obra do pintor Rubens Gerchman) e com as parcerias com Torquato Neto “Deus vos salve essa casa santa” e “Mamãe coragem”. Participou também do antológico disco Tropicália ou panis et circenses, com a gravação de “Lindoneia”.

Em 1969, Nara diminuiu bastante suas atividades musicais no Brasil e, em abril, participou de uma temporada de shows em Portugal, ao lado de Chico Buarque e Vinícius de Moraes, ambos residentes na Europa durante esse período. Lançou o disco Coisas do mundo, com repertório que trazia, além do samba-título de Paulinho da Viola, algumas versões de sua autoria para músicas de Rolando Alarcón e Jacques Brel, e canções de Caetano Veloso, Jards Macalé e Sidnei Miller.

Em agosto, numa entrevista concedida a Tarso de Castro para o Pasquim, deu por encerrada sua carreira de cantora e, no final do ano, deixou o país para viver um período de exílio voluntário na Europa, residindo em Paris e passando a ter uma vida longe da fama que a acompanhava no Brasil; fez apresentações eventuais e versões de músicas brasileiras para cantoras francesas, como Françoise Hardy. Ainda em Paris, gravou um álbum duplo com canções do período da Bossa Nova, apenas com violão e piano, lançado com o título Dez anos depois.

No ano seguinte, voltou a morar no Brasil e participou do disco Os maiores sambas-enredos de todos os tempos, cantando “Nordeste, seu povo, seu canto e sua glória”. Gravou um compacto duplo trazendo quatro versões de músicas estrangeiras, entre elas “Pai e filho”, uma versão de Cacá Diegues para “Father and son”, de Cat Stevens; as outras três canções eram versões de Nara para músicas de Georges Moustaki.

Em 1972, participou como atriz, ao lado de Maria Bethânia e Chico Buarque, do filme Quando o carnaval chegar, dirigido por Cacá Diegues. No mesmo ano, foi convidada a participar, como presidente, da comissão julgadora do VII Festival Internacional da Canção, realizado no Maracanãzinho. Após seguidas confusões entre a organização do festival, a censura e a comissão julgadora, Nara foi retirada da presidência com o restante dos jurados. Em agosto, fez uma série de apresentações na boate Flag, no Rio de Janeiro. O registro dessa apresentação seria lançado em 1976 em um mini LP com o título Palco, corpo e alma.

Em 1973, participou do filme Lira do delírio, de Walter Lima Junior, e iniciou uma série de shows com Chico Buarque e o MPB-4. Em agosto participou do espetáculo Phono 73, promovido pela gravadora Philips com todo seu elenco, depois transformado em três discos. Nara canta “Diz que fui por aí”, de Zé Ketti e H. Rocha, e “Quinze anos”, de Naire e Paulinho Tapajós.

Em 1974, lançou Meu primeiro amor, um disco especialmente intimista, com canções que ela tocava ao violão para seus filhos, e que lhe valeu o prêmio de Melhor Cantora do Ano, promovido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Gravou o compacto simples A senha do novo Portugal, com a canção “Grandola, vila morena”, de José Afonso, música que marcou o período da Revolução dos Cravos em Portugal.

Dois anos depois, em 1977, após um período dedicado aos estudos de psicologia e aos filhos, Nara retornou ao universo da música popular, gravando o disco Meus amigos são um barato, com parcerias com Tom Jobim, João Donato, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Dominguinhos e Sivuca. Voltou a fazer shows e participou com Dominguinhos da série “Seis e meia”, no Teatro João Caetano.

Em 1978, saiu em turnê com um show que reunia Dominguinhos e os grupos Ritmos Nordestinos e Os Carioquinhas, grupo de choro do Rio de Janeiro que trazia entre seus componentes os jovens violonistas Raphael Rabello e Maurício Carrilho e a cavaquinista Luciana Rabello; neste ano, gravou o disco E que tudo mais vá para o inferno, dedicado inteiramente à obra de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

Em 1979, ano em que descobriu problemas graves de saúde, lançou em abril o disco Com açúcar e com afeto, dedicado às canções de Chico Buarque; durante o ano, fez uma série de viagens para divulgação do disco.

Recolhida dos shows, Nara dedicou-se ainda mais ao violão, passando a ter aulas com Almir Chediak, e lançou o disco Romance popular, feito em parceria com Fagner e Fausto Nilo, contando com participações de músicos como Robertinho do Recife e Geraldo Azevedo e arranjos de Roberto Menescal, Oberdan, Lincoln Olivetti e Eduardo Souto Neto. Em abril, Nara fez uma minitemporada de três shows para o lançamento do disco, na boate Horse Neck, no Rio de Janeiro. Em agosto estreou o mesmo show em São Paulo, no Teatro Tuca, com direção de Flávio Rangel.

Em maio de 1982, entrou em estúdio para gravar um novo disco; dessa vez teria como parceiro João Donato em mais uma produção de Roberto Menescal. O disco foi lançado no final do ano com o título Nasci para bailar. Participou do festival MPB Shell com a canção “Maravilha curativa”, de Miltinho e Kledir Amaral. Nesse período, Nara participou intensamente do processo de abertura política durante as primeiras eleições diretas para governador no Rio de Janeiro. Em dezembro, estreou o show Nasci para bailar no Teatro da Lagoa, Rio de Janeiro, viajando depois por diversas cidades do país.

No início do ano de 1983, participou, ao lado de Chico Buarque e Fagner, de um show de desagravo para o poeta, compositor e intérprete português Sérgio Godinho, detido pela Polícia Federal brasileira.[7] Ainda nesse ano, Nara lançou o disco Meu samba encabulado, gravado em parceria com a Camerata Carioca, Paulo Moura e os ritmistas Bira, Ubirani e Joviano, do Cacique de Ramos. O disco tem o repertório todo dedicado ao samba, com novos e antigos compositores. Participou do Projeto Pixinguinha ao lado da Camerata Carioca, cumprindo um roteiro de shows por várias cidades brasileiras.

No ano seguinte, 1984, apresentou-se pela primeira vez apenas acompanhada de seu violão no show Com açúcar e com afeto, no antigo Teatro BNH, atual Teatro Nelson Rodrigues. Em fevereiro, participou diretamente da campanha em favor das Diretas Já e lançou o disco Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, com arranjo e participação do pianista César Camargo Mariano, marcando a sua volta ao repertório da Bossa Nova.

Em 1985, iniciou o ano com uma minitemporada de voz e violão na boate People, no Rio de Janeiro. Em maio, lançou Um cantinho e um violão, disco bem recebido pela crítica e pelo público, recebendo convites para apresentações em Portugal, França e várias cidades do Japão. A viagem rende a produção do primeiro compacto de um artista brasileiro no Japão: gravado durante o mês de junho na Polygram do país asiático e com o repertório todo dedicado à Bossa Nova, o título escolhido foi Garota de Ipanema.

Em 1986, período em que se agravaram os problemas de saúde, grande parte do seu tempo foi dividido entre tratamentos e sua ainda ativa carreira musical. No ano seguinte, com um quadro de melhora, voltou a fazer shows com frequência, quase sempre ao lado de Roberto Menescal. Em agosto, lançou o disco Meus sonhos dourados, com clássicos da música popular norte-americana em versões brasileiras feitas por ela, Ronaldo Bôscoli e Fátima Guedes.

Em 1988, mais uma temporada de shows com grande sucesso na boate People, também no Rio de Janeiro, viajando por várias cidades. Participou de comemorações dos 30 anos da Bossa Nova, com a apresentação em um show na praia de Copacabana, ao lado de Carlos Lyra, Luís Eça e do conjunto Garganta Profunda. Durante o ano, Nara elaborou e dividiu com Nelson Motta uma nova série de versões de músicas norte-americanas para gravar em seu último disco de carreira, encomendado pela Polygram do Japão e intitulado My foolish heart.

Em 1989, a cantora realizou seu último show em uma miniturnê por cidades do Norte do Brasil. No dia 7 de junho, ela faleceu na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, aos 47 anos.[8]

Nara é uma grande artista brasileira, e, como diria Drummond, é pássaro, sabia?


[1] Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia e professor de Direito Processual Penal da Universidade Salvador – UNIFACS.

[2] Um ano antes, em 1962, o Au Bon Gourmet reuniu João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Otávio Bailly, Milton Banana e Os Cariocas, e entrou para a história, pois foi ali que foram executadas, pela primeira vez, canções como “Garota de Ipanema” e “Corcovado”. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1006201130.htm. Acesso em 17 de janeiro de 2022.

[3] Liberdade, Liberdade estreou no dia 21 de abril de 1965, no Rio de Janeiro, numa produção do Grupo Opinião e do Teatro de Arena de São Paulo. Além de Nara Leão, participaram Paulo Autran, Oduvaldo Vianna Filho e, numa participação especial, Tereza Rachel.

[4] Disponível em: https://www.nytimes.com/1965/04/25/archives/new-plays-chide-brazilian-regime-productions-temper-protest-with.html. Acesso em 18 de janeiro de 2022. O artigo, já traduzido, está transcrito no livro Liberdade, Liberdade, publicado em 1977, pela L&PM Editores, p. 9 a 11.

[5] “Apelo” (excerto).

[6] O artigo está parcialmente reproduzido na biografia Ninguém pode com Nara Leão – Uma biografia, de Tom Cardoso, lançada em janeiro de 2021, pela Editora Planeta.

[7] Disponível em: https://www.wort.lu/pt/cultura/sergio-godinho-levei-muitas-vezes-com-g-s-lacrimogeneo-na-cara-5cc2ef02da2cc1784e342e12. Acesso em 17 de janeiro de 2022.

[8] Disponível em: http://www.naraleao.com.br/index.php. Acesso em 18 de janeiro de 2022. Sobre Nara Leão, conferir CABRAL, Sérgio. “A figura de Nara Leão”, in: NAVES, Santuza Cambraia e DUARTE, Paulo Sérgio. (org.). Do Samba-canção à Tropicália. Rio de Janeiro: FAPERJ, 2003; e SOUZA, Tarik. “Nara canta a palavra nova”, in: O Som Nosso de Cada Dia. Porto Alegre: L&PM, 1983.

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

Le styliste italien est mort le 15 janvier 2022 à l’âge de 91 ans.

À Nice, Nino Cerruti pose pour la présentation de sa boutique, le 9 mars 1985.

Écrit par Antigone Schilling

Édité par Thomas Messias

Incarnation parfaite de l’élégance chic, Nino Cerruti a joué un rôle majeur dans l’histoire de la mode masculine contemporaine, apportant au traditionnel costume une touche de décontraction tout en conservant une précision de coupe servie par une très belle qualité de tissus. S’il a débuté sa carrière en Italie, c’est à Paris qu’il a véritablement construit sa maison, devenant un créateur incontournable de la mode masculine pendant des décennies. C’est en Italie, où il avait choisi de retourner, qu’il est décédé à l’hôpital à l’âge de 91 ans.

Les aléas de l’existence ont obligé Nino Cerruti à interrompre ses études de philosophie alors qu’il envisageait de devenir journaliste. Le décès de son père l’a poussé à reprendre Lanificio Fratelli Cerruti, une affaire familiale en Italie spécialisée dans les tissus de qualité. Avec le jeune Nino, la firme s’ouvrira en permanence aux innovations, notamment pour produire des tissus très fins et amplifier la notion de confort.

Un assistant nommé Armani

Du tissu au vêtement, Nino Cerruti franchit le pas d’abord en Italie avec une première collection créée à Milan en 1957, et une boutique du nom de Hitman. Après ses débuts en Italie, il s’installe à Paris, où il ouvre sa maison en 1967 avec une boutique à la Madeleine, rue Royale. Il nomme sa société française Cerruti 1881, reprenant la date de la création de la maison familiale, ce nombre palindrome porte-bonheur. Revisitant le costume, il a surtout habillé les hommes; dans ses collections féminines, il a ensuite joué la fusion des genres.

En Italie, parmi ses assistants, figurait Giorgio Armani, qui le secondera pendant plusieurs années (jusqu’en 1970). Le futur grand nom de la mode italienne y a appris les bases de son métier avant de lancer sa propre marque en 1974. En matière de style, il prolongera le côté masculin-féminin prôné par Cerruti.

«Il a libéré la construction et l’approche boutonnée, apportant une nouvelle fraîcheur aux costumes et aux tenues de ville.» Tony Glenville, journaliste de mode

À Paris, la maison devient un vivier pour de futurs créateurs de mode. Nino Cerruti a eu de nombreux assistants de talent, à qui il n’hésitait pas à passer le relais. Arrivé à partir de 1978, Howard Dickinson est resté dans la maison jusqu’à la fin des années 1990. Peu connu du grand public, il a pourtant beaucoup apporté au style Cerruti. Avant de devenir la directrice artistique des collections pour homme chez Hermès, Véronique Nichanian a débuté chez Nino Cerruti et y a passé plusieurs années, dont un passage au Japon pour y gérer la licence dans l’archipel. Venu des États-Unis, Narciso Rodriguez s’est installé à Paris pour travailler chez Cerruti en 1995; lui travailla davantage à la conception des collections féminines.

Modernité, qualité, fluidité

Le journaliste de mode britannique Tony Glenville se souvient: «Comme Giorgio Armani, Nino Cerruti avait une approche moderne du vêtement classique. Son héritage italien lui a inculqué un respect pour la qualité, la coupe et les tissus fins. Il a libéré la construction et l’approche boutonnée, apportant une nouvelle fraîcheur aux costumes et aux tenues de ville. Avec Howard Dickinson en tant que designer, ils ont défini une façon aérée, fluide, plus douce et plus sexy pour les tenues de travail des hommes et des femmes.»

«Dans de beaux tissus, des couleurs magnifiques, des coupes formidables et des pièces désirables, toutes sous le sceau d’une grande qualité, ils ont construit une garde-robe pour une vie moderne, poursuit Tony Glenville. Des vêtements pour aider ceux qui les portent à réussir en affaires, impressionner une salle de réunion, dîner aux chandelles, sauter dans un taxi ou encore flirter.»

En 2000, Nino Cerruti choisit de vendre son nom et sa société française à des investisseurs (les derniers propriétaires sont les Chinois de Trinity Limited), tout en conservant un rôle dans la firme en Italie, où il choisit de retourner.

S’il a œuvré à la conception d’un costume moderne tout en restant classique pour tous, Nino Cerruti a aussi beaucoup entrepris d’habiller des personnalités, que les vêtements soient destinés à l’écurie Ferrari ou plutôt –et surtout– au cinéma. Il a habillé de nombreux acteurs à l’écran et à la ville sans oublier les tenues de soirée. Rien qu’aux États-Unis, on peut citer Michael Douglas, Jack Nicholson, Al Pacino, Harrison Ford…

«Il est comme le prince Salina du roman de Lampedusa et du film de Visconti, cet aristocrate qui regarde son univers disparaître devant lui. Mais il est toujours là, devant nous, plus beau que jamais.» Paolo Roversi, ami de Nino Cerruti

Cerruti a collaboré en tant que consultant ou costumier à de nombreux films: Bonnie & ClydePretty WomanPrêt-à-porterBasic instinct… En France, il crée les costumes de Borsalino pour Jean-Paul Belmondo et Alain Delon. Jean-Marc Barr [habillé par Cerruti sur Le fils préféré de Nicole Garcia, ndlr] se souvient: «Un homme italien très élégant, indépendant, mystérieux; un homme du XXe siècle. J’ai toujours ses costumes.»

Guépard

Nino Cerruti s’est aussi intéressé aux parfums, lançant en 1990 un magnifique masculin, Cerruti 1881, présenté dans un flacon givre dessiné par Serge Mansau. En 1996, il choisit de lancer le pendant féminin de son iconique masculin, et demande à son ami Paolo Roversi de créer l’image de la campagne où figure l’épouse du photographe, Laetitia Firmin-Didot. En tailleur pantalon très masculin-féminin, elle incarne parfaitement la femme Cerruti.

De son ami, Paolo Roversi disait: «Nino, c’est le Guépard. Il est comme le prince Salina du roman de Lampedusa et du film de Visconti, cet aristocrate qui regarde son univers disparaître devant lui. Mais il est toujours là, devant nous, plus beau que jamais.»

Toujours chic et élégant, mais aussi d’une belle ouverture d’esprit, j’ai eu la chance de partager quelques moments avec lui au début des années 1990, et de lui servir de guide à Tokyo. De délicieux moments avec un homme charmant au bel appétit de culture. Et sans conteste un grand nom de la mode masculine.

 

[Photo : Ralph Gatti / AFP – source : http://www.slate.fr]

Trayectoria. Originaria del pueblo shipibo-konibo, es docente de educación primaria y tiene diplomados en Derecho y Gestión Territorial.

"Las comunidades amazónicas tienen los índices más bajos de inmunización", agregó Rocilda Nunta, viceministra de Interculturalidad. Foto: Antonio Melgarejo

« Las comunidades amazónicas tienen los índices más bajos de inmunización », agregó Rocilda Nunta, viceministra de Interculturalidad.

Escrito por Juana Gallegos

Es la cuarta de siete hermanos, proviene de una familia shipibo-konibo, creció en una comunidad indígena de Ucayali y hoy es la primera lideresa amazónica que ocupa un alto cargo en el Ministerio de Cultura. Rocilda Nunta es, desde hace más de dos meses, viceministra de Interculturalidad. Su nombramiento despertó altas expectativas en las asociaciones indígenas, ya que su despacho es clave para promover políticas públicas inclusivas de los pueblos andinos, amazónicos y afrodescendientes. Su gran reto, a corto plazo, es promover la vacuna en las comunidades que tienen el índice más bajo de inmunización.

Usted tiene 37 años y vivió hasta su adolescencia en la comunidad indígena Nuevo San Rafael, distrito de Masisea, en Ucayali. ¿Hacia dónde emigró y por qué?

Yo tuve que migrar a la ciudad para poder estudiar. Fui a Yarinacocha, al Instituto Superior Pedagógico Público Bilingüe, y estudié Pedagogía. Tuve un padre que quería ver a sus hijos e hijas salir adelante a través del estudio, pero sin dejar de lado nuestra identidad, en mi caso, la del pueblo shipibo-konibo. Si me hubiera quedado en la comunidad hubiera sido, quizás, una mujer que estaría cumpliendo un rol más familiar y de agricultura, o, quien sabe, sería dirigenta de alguna federación. Somos siete hermanos, tres somos docentes. Gracias a la educación hemos salido adelante. Ser indígena y mujer en este mundo es difícil.

Su hermana Judith, que también es lideresa de su comunidad, dijo que usted se formó como profesora porque creía que, educando a las niñas, su pueblo saldría adelante. ¿Por qué esa inquietud por cambiar el porvenir de las niñas de su comunidad?

Siendo profesora podía garantizar el desarrollo de una educación intercultural bilingüe en nuestras comunidades porque es un derecho colectivo que tenemos como pueblos indígenas. La niñez así tiene la oportunidad de terminar sus estudios secundarios para también ser reconocidos en la sociedad y poder aportar al país.

Se sabe que las adolescentes de las comunidades amazónicas suelen ser madres tempranamente.

Es uno de los grandes problemas que tenemos, por eso debemos direccionar hacia otro norte a la niñez indígena, y una de las principales herramientas es la educación. Las adolescentes deben saber que pueden aportar a su patria educándose.

Es la primera vez que una mujer indígena amazónica ocupa un alto cargo en el Ministerio de Cultura; algunos dicen que su nombramiento es histórico. ¿Cómo reaccionó la comunidad shipibo-konibo?

No esperaban la designación, mi familia reaccionó con sorpresa, y los grandes líderes de mi pueblo dijeron que es una reivindicación histórica para la comunidad amazónica. Que una mujer indígena llegue a ocupar un cargo tan grande en el Estado es muy importante.

"La desinformación contra la vacuna proviene de las iglesias evangélicas", indicó la funcionaria Rocilda Nunta. Foto: Antonio Melgarejo/La República

« La desinformación contra la vacuna proviene de las iglesias evangélicas », indicó la funcionaria Rocilda Nunta.

Ahora, usted no es nueva en un puesto de mando, fue coordinadora del Programa Mujer Indígena de la Asociación Interétnica de la Selva Peruana (Aidesep). ¿De dónde nace su activismo?

Cuando tenía siete años, mi comunidad, Nuevo San Rafael, era visitada por distintas oenegés y mi familia recibía muchos talleres de capacitación, y yo participaba de ellos. Y es así que desde mi adolescencia fui participando en los procesos del movimiento indígena y desarrollando liderazgo desde mi rol de mujer. Me involucré para defender los derechos colectivos y espirituales de los pueblos, reivindicar nuestra identidad cultural, visibilizar la existencia de las comunidades que no se ven en las grandes ciudades. Empecé siendo presidenta de la Organización Regional de Jóvenes Indígenas de la región Ucayali, fui la primera la mujer. Luego ocupé cargos dentro de Adeisep Ucayali como directora del programa Mujer Indígena. Así nace el liderazgo que vengo desarrollando.

¿Qué acciones tenía el programa?

Encontré que las hermanas ashaninkas, shipibo-konibo y sharanahuas no tenían la misma oportunidad de nuestros hermanos, grandes líderes, y me enfoqué en valorar sus propuestas, en prestar atención a las actividades que querían desarrollar, y que no habían sido consideradas. Se sabe que culturalmente los pueblos indígenas son machistas, y las mujeres también lo somos porque muchas veces no nos apoyamos en las acciones que queremos desarrollar. Muchas veces apostamos por los hombres en vez de dar oportunidad a una mujer que quiere ocupar un cargo dentro de la comunidad o de alguna organización. El liderazgo de la mujer indígena no estaba siendo valorado, por eso la importancia de desarrollar este proceso de trabajo con las mujeres.

Dijo hace un momento que ser indígena y mujer es difícil. ¿Por qué?

Sí, yo aprendí a hablar castellano a los 14 años, y he vivido discriminación en carne propia cuando mi padre me matriculó en el colegio secundario (hace una pausa).

¿Y qué pasó?

Mira, mi historia es muy larga, pero quiero contarte algo. Yo vivía en la comunidad Nuevo San Rafael y para poder llegar a mi colegio tenía que caminar una hora y media. Todos los días me levantaba a las 5 de la mañana. Entonces, durante ese trayecto, me topaba con las lluvias, y un día, regresando, llovió tanto que se mojó mi mochila y mis cuadernos. Tuve que secarlos con candela para poder presentar al día siguiente mi trabajo. Cuando se lo presenté a mi profesora su respuesta no fue adecuada, el cuaderno estaba arrugado y lo tiró al piso porque, según ella, estaba impresentable. No entendió que yo venía caminando todos los días de una comunidad, yo me sentí muy mal. Todo el salón se burló.

Qué importante es que un profesor tenga una formación intercultural para entender las circunstancias de sus alumnos. Hablando de esto, el Ministerio de Educación quiere contratar solo profesores monolingües en las escuelas rurales ante la falta de docentes de lenguas originarias. ¿Cuál ha sido la respuesta del viceministerio?

Tuvimos una reacción inmediata desde el ministerio porque somos garantes de los derechos colectivos de los indígenas. En este caso, el derecho a la educación intercultural bilingüe de calidad. Nos reunimos con la viceministra de Gestión Pedagógica, Nelly Palomino, y nos hemos comprometido en articular acciones en coordinación con las organizaciones indígenas, tenemos siete en el país, escucharemos sus propuestas. No podemos retroceder en el derecho ganado históricamente gracias a la lucha incansable de nuestros pueblos indígenas.

Otro pendiente de su despacho es saber con certeza cuál es la cifra de muertes indígenas que ha dejado la pandemia. ¿Ya se tienen datos claros?

Desde el ministerio se ha elaborado la guía para la variable étnica, que permite que las instituciones estatales a nivel nacional registren la diversidad etnicorracial de los ciudadanos. Desde el viceministerio venimos socializando este instrumento para así saber, por ejemplo, cuántos muertos ha dejado el covid en hombres y mujeres andinos, amazónicos y afroperuanos.

Y sobre la vacunación, se supo que algunas comunidades se resisten a inmunizarse. ¿Qué estrategias de sensibilización está ideando su viceministerio para remediarlo?

Las cifras son preocupantes. Según el último reporte, en los pueblos amazónicos el 26.3% tiene las dos dosis, y en los pueblos andinos, solo el 10.7%. Desde Cultura, y dada esta tercera ola y la presencia de Ómicron, redoblaremos el diálogo con los apus y ciudadanos indígenas en las comunidades nativas y campesinas para seguir informando sobre la importancia de la vacunación. La vacuna es vida y protege, este es el mensaje que en las lenguas originarias venimos difundiendo a través de nuestros traductores y gestores interculturales andinos y amazónicos.

¿Los bajos índices de la vacunación se deben a la resistencia a vacunarse o la lejanía de las comunidades?

La mayor resistencia es porque terceras personas les dicen que la vacuna les generará el 666 en la frente o que solo les quedará dos años de vida, sabemos que esta desinformación proviene de las iglesias evangélicas y atemoriza a nuestros hermanos. Por eso, desde el despacho empezaremos a dialogar con ellos y entregaremos la información adecuada con enfoque intercultural.

 

 

[Fotos: Antonio Melgarejo – fuente: http://www.larepublica.pe]

 

Expulsado da Escola de Barcelona por razóns políticas, consagrouse como un gran arquitecto internacional con mil obras en 40 países

Bofill, con César Portela, ao presentar en maio do 2001 o seu proxecto de palacio de congresos para o porto coruñés.

Escrito por M. LORENCI

Ricardo Bofill Levi, falecido este venres aos 82 anos no seu Barcelona natal, foi un arquitecto díscolo, rebelde e internacional. Nacido o 5 de decembro de 1939, botárono da Escola de Arquitectura de Barcelona por razóns políticas, pero consagrouse pronto como un xenio rebelde do oficio. Montouse un estudo taller de arquitectura en Sant Just Desvern e epatou á profesión moito antes de poder titularse en Suíza, onde se graduou en Urbanismo e Arquitectura na Haute École du Paysage, d’Ingénierie et d’Architecture.

Bofill matriculouse na ETSAB en 1957, en plena ditadura franquista, pero ese mesmo ano foi detido e expulsado da universidade sen chegar a cumprir o seu desexo de estudar Arquitectura na súa cidade. En 1963 fundou o Taller de Arquitectura cun equipo multidisciplinar formado non só por arquitectos, senón tamén por outros profesionais e artistas como o crítico literario Salvador Clotas, o poeta José Agustín Goytisolo ou a economista Julia Romea.

O seu pai, Emilio Bofill e Benessat, tamén era arquitecto, e foi socio estudante do Grupo de Arquitectos e Técnicos Cataláns para o Progreso da Arquitectura Contemporánea.

Bofill protagonizou unha brillante carreira con case un milleiro de obras en 40 países. En Sant Just Desvern, localidade próxima a Barcelona, destacou co edificio de vivendas Walden 7, que rompeu moldes en 1975 e marcou o inicio dunha brillante e marxinal carreira que acabaría sendo canónica con grandes obras en Francia, como lles Arcades du Lac e a Ville Nouvelle. Ademais, deseñou barrios como Echelles du Baroque en París ou Antigone en Montpellier. Tamén fixo vivendas sociais en Alxer, deseñou a sede de Shiseido en Ginza, o edificio máis caro de Tokio ou a sede Cartier en París. En Chicago alzou o emblemático rañaceos chamado 77 West Wacker en 1992, ademais de deseñar torres en Luxemburgo, Casabranca ou Beirut.

É autor do Palacio de Congresos no Campo das Nacións de Madrid. En Barcelona asinou a T1 do Aeroporto do Prat e o contestado Hotel W, tamén chamado Vea na praia, unha mole de aceiro e vidro en forma de vela que se alza sobre o mar Mediterráneo, e do Teatro Nacional de Catalunya, que se sitúa fronte ao Auditorio Nacional de Rafael Moneo. Tamén deseñou os xardíns do Túria, en Valencia, ou parte do parque lineal do madrileño Manzanares. Obras de obrigatoria mención nos anais da arquitectura das últimas cinco décadas, como a Universidade Mohammed VI con sedes en Ben Guerir e Rabat.

Bofill foi dos primeiros arquitectos estrela en deixarse caer por cidades galegas como Vigo e A Coruña, onde creou o parque da Riouxa (aínda que tiña outros encargos vigueses) e o palacio de congresos do porto coruñés (con César Portela).

A Universidade Politécnica de Cataluña investiulle o ano pasado doutor honoris causa en recoñecemento á súa traxectoria en diferentes estilos arquitectónicos contemporáneos, tanto de obra urbana como de vivenda. Bofill mereceu numerosos premios e distincións. É honoris causa polas universidades de Hamburgo, en Alemaña, e Metz, en Francia. Ademais, foi galardoado pola Orde das Artes e as Letras de París, a Academia Internacional de Filosofía da arte de Berna e a Sociedade Americana de Deseñadores de Interiores de Nova York. E conta coa Cruz de Sant Jordi que outorga a Generalitat.

O lado «rosa»

Algúns criticáronlle o paso da súa arquitectura transformadora aos seus proxectos para transformar a vida da jet set. O seu fillo, Ricardo, Ricardito, Bofill foi personaxe televisivo en programas como Crónicas marcianas e pasto da prensa rosa, casado primeiro con Chábeli Iglesias , filla de Julio Iglesias e Isabel Preysler, e logo parella da cantante mexicana Paulina Rubio. Agora dedícase á arquitectura. O pai foi máis discreto, pero na presentación dunha das súas torres en Valencia dixo o seguinte sobre Santiago Calatrava: «A pesar das críticas, é un bo arquitecto, aínda que se lle caian cousas».

O ministro de Cultura, Miquel Iceta, lamentou a morte «do arquitecto barcelonés máis internacional». «Descanse en paz. A súa obra manteralle sempre vivo no noso recordo», afirmou Iceta en Twitter.

[Imaxe: César Quian – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Xesús Fraga, premio Nacional de Narrativa 2021, describe en Virtudes (e misterios) a historia real dunha muller de orixe campesiña que renunciou á súa propia vida para permitir que as súas fillas e os seus netos construísen as súas

Escrito por Juan Oliver

A vida é o que construímos cos nosos recordos. E se algún día alguén se interesa polas nosas vidas, serán eses recordos os que a relaten. Convertan vostedes as pantasmas en fantasía, e non deixen nunca que o espello lles devolva unha imaxe baleira do que son.

A vida é o que narra Xesús Fraga (Londres, 1971) en Virtudes (e misterios), a novela que lle valeu o premio Nacional de Narrativa 2021. Editada en español por Xordica, a versión orixinal en galego publicada por Galaxia obtivo o Premio Blanco Amor no 2019.

Virtudes é a vida de Virtudes Sánchez, unha emigrante galega de orixe campesiña que se ve obrigada a deixar o seu país a mediados do século pasado porque o seu marido a abandona. Empuxada pola necesidade de sacar adiante ás súas tres fillas, Virtudes falsifica o permiso conxugal que toda esposa debía portar nas viaxes longas por aquela España franquista que convertía ás mulleres en seres inferiores dependentes dos homes, e marcha a Londres.

Cando chega non sabe nin unha palabra do idioma nin da forma de vida que empeza a desenvolverse na cidade, que acabaría convertida na capital pop do mundo. Virtudes permanece alí case tres décadas, construíndo un universo propio desde o seu pequeno cuartiño alugado, traballando como empregada doméstica, aforrando o seu soldo e enviando alimentos e bens ás súas fillas, renunciando á súa vida para que elas e os seus netos poidan acabar construíndo as súas.

Xersús Fraga, frente ao Támesis, en Londres

A vida de Virtudes son os recordos que dela ten o seu neto. E o seu neto é o propio Xesús Fraga, quen naceu e viviu os seus primeiros anos en Londres porque os seus pais tamén tiveron que emigrar. Pero non se enganen, que esta non é só unha novela autobiográfica. É máis ben un libro de memorias e de viaxes, de deliciosas aventuras da alma, que reflexiona sobre o amor e a soidade, sobre a amizade e a redención, sobre o abandono e a solidariedade, para concluír que a nosa existencia nin ten sentido nin pode explicarse fronte ao espello sen recorrer á pegada que deixamos en quen nos rodea.

«De neno chegaba os luns ao colexio, en Betanzos, e todo o mundo dicía ‘esta fin de semana estiven na aldea’», lembra o autor. «E eu preguntábame que era iso da aldea, un concepto novo para min. Respondíanme que a aldea era o sitio onde viven os avós, así que se a miña avoa vivía en Londres, a miña aldea era Londres».

O autor fala na terraza cuberta dun pequeno café de Betanzos, a súa outra aldea, a trinta quilómetros da Coruña, onde vive coa súa muller, a súa filla e o seu fillo, bisnetos de Virtudes e tamén, en certo sentido, protagonistas do libro. Aínda que para entendelo haxa que chegar, literalmente, ata a última frase da novela.

Fraga é un conversador exquisito, cultivado e atento, unha delicia para o interlocutor. Conta que tardou dez anos en armar negro sobre branco a historia desa coraxuda e humilde muller anónima que se fixo dona da súa vida nun ambiente hostil e descoñecido; a da súa filla, que puido acceder en Londres á cultura e ás oportunidades de formación que España lle negaba para acabar sendo profesora de inglés; e a súa propia, como narrador máis prudente que omnisciente, quen describe a cidade e os seus recunchos. Por eles deambulan os personaxes da novela, que Fraga ve con ollos de adolescente inquedo pola fortuna da súa dobre condición: Xesús en Galicia e Tony (a Fraga bautizárono como Jesús Antonio) en Londres, do mesmo xeito que a súa avoa era Virtudes na aldea e Betty en Inglaterra.

«A idea era escribir esta historia coma se fose unha novela, a pesar de que non estaba a me inventar nada. Aí é onde intervén o xornalista», explica. Fraga é sobre todo escritor, pero tamén tradutor – KerouacNabokovBarnesDahl– e xornalista, profesión que desenvolve desde 1996 en La Voz de Galicia. Na redacción do xornal, e tamén fóra dela, hai quen pensa que é a súa pluma máis relevante no últimos corenta dos case 140 anos de historia do diario.

Aludindo ao oficio de informar, Fraga asegura que se fixo moitas preguntas pero que non esperaba que as respostas o levasen a outra cousa que a facerse máis preguntas, como lle sucede a todo (bo) xornalista. Non quixo nin inventar, nin cambiar, nin transformar datos, feitos nin declaracións que puidesen embelecer o relato literario ou facelo máis fluído. «Tiña que contar esa historia verídica coma se fose unha novela, cos seus puntos de xiro, o seu suspense, as súas expectativas… A novela é un xénero marabilloso porque che dá total liberdade para iso», sinala.

Aínda que non o pretenda, o seu libro é unha obra feminina e feminista. Os feitos que relata responden o significado dese concepto tan sobado do empoderamento da muller. A batalla diaria e anónima, inquebrantable e demasiadas veces solitaria e esquecida. a concatenación de loitas cotiás que parecen minúsculas e que acaban sendo inmensas e universais.

«A miña avoa e a miña nai tiñan esa mirada, esa determinación, ese carácter e esa forza de vontade que se cadra os homes emigrantes que eu coñecín non tiñan», expón. «Non digo que non houbese homes que non o tivesen, pero na miña familia foron elas as que tiveron esa visión, ese plan, e as que trataron de executalo por todos os medios. E acabaron lográndoo».

Virtudes tamén é unha novela de emigrantes, pero non está contada desde a morriña, senón desde a esperanza. A súa lectura ofrece moitos máis descubrimentos que queixumes ou perdas. Por parafrasear a Fraga, máis fantasía que pantasmas. Máis virtudes que misterios.

Xesús Fraga

Aínda que habelos, hainos, claro. Como o do mesmo Londres da segunda metade do século XX, capital desa nación que construíu e derruíu en poucas décadas un sistema de benestar exemplar que atraeu e expulsou poboación ao ritmo que marcaba o thatcherismo. Ou como a pantasma de Marcelino Fraga, o zapateiro avó do autor e marido de Virtudes, quen sobrevoa toda a novela tras converterse en detonante da historia cando decide emigrar a Venezuela coa inxenua esperanza de converterse nun home rico, aparcando á súa familia para abandonala poucos anos despois.

Poida que a súa historia teña outra novela. Só Fraga o sabe. Pero o misterio desta desvélao Virtudes con outro xesto de empoderamento que resolve a narración da maneira máis esperanzadora e fermosa. A máis feminina, feminista e virtuosa. En serio. Por moito que digan, non pasa tantas veces que a realidade supere á ficción.

[Fonte: http://www.luzes.gal]

Escrito por XESÚS ALONSO MONTERO

Desde o pasamento de Manuel Seco Reymundo (Madrid, 1928-16/12/2021), a lexicografía hispánica está de loito. Foi, desde moi novo, un dos cultivadores máis sabios e rigorosos desta disciplina lingüística. Sei do seu rigor e da súa ponderación ante os feitos idiomáticos (léxicos e gramaticais) desde os nosos anos de alumnos na Facultade de Filosofía e Letras de Madrid, ambos os dous na especialidade de Filoloxía Románica, na que el se licenciou en 1952 e eu un ano despois. Xa licenciados e profesores, o un e o outro, en colexios particulares, asistiamos, con Joaquín Arce, Manuel Guerrero e outros colegas, os domingos, a un faladoiro no café Lyon (preto da porta de Alcalá) que tiña máis de filolóxico que de político.

Penso que os hispanistas do mundo enteiro recibiron con sorpresa e ledicia, en 1961, o seu Diccionario de dudas y dificultades de la lengua española, que eu, catedrático en Lugo, reseñei, coas mellores gabanzas, no periódico local. Voces había naquela primeira edición (virían, logo, once máis) que eran pequenas monografías. Pero Manuel Seco viña da Gramática, concretamente da Gramática española de Rafael Seco, seu pai, que el revisou e ampliou en 1954. Anos despois asombraría, pola súa claridade, coa súa Gramática esencial del español (1972).

Así pois, cómpre non reducir a personalidade filolóxica de Manuel Seco á súa condición de lexicógrafo, saber, certamente, no que as súas achegas son históricas, nomeadamente desde que dirixiu o Seminario de Lexicografía da RAE e desde que publicou, con dúas colegas, o Diccionario del español actual en dous volumes (1999). Lexicógrafo do castelán, eran tales os seus criterios metodolóxicos que o Instituto da Lingua Galega convidouno en 1986 a un seminario para enriquecerse co seu saber e co seu talante.

El, alimentado pola Gramática de seu pai, tiña unha formación gramatical que ninguén posuía no noso tempo, tan mísero, nas Facultades de Letras, que a gramática castelá non se impartía en ningún curso, nin sequera na especialidade de Filoloxía Románica. En 1972, Seco eríxese no mellor gramático dos nenos da guerra.

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Des ministres occupant des postes clefs comme la Défense ou l’Économie ont reconnu n’avoir qu’un faible niveau d’anglais et se reposer sur des interprètes.

Le ministre tchèque nouvellement nommé Petr Fiala donne une conférence de presse le 17 décembre 2021 à Prague, devant le drapeau européen. | Michal Cizek / AFP

Le ministre tchèque nouvellement nommé Petr Fiala donne une conférence de presse le 17 décembre 2021 à Prague, devant le drapeau européen.

Repéré par Léa Polverini

Fin décembre, une coalition de cinq partis formait le nouveau gouvernement de la République tchèque, en réponse à la défaite essuyée par le Premier ministre et milliardaire Andrej Babiš aux législatives d’octobre.

Mais la nouvelle coalition, dirigée par le démocrate Petr Fiala, ancien ministre de l’Éducation, de la Jeunesse et des Sports, pâtit déjà des révélations du média économique de centre-droite Hospodářské Noviny, selon lequel les nouveaux ministres auraient, globalement, un niveau d’anglais médiocre.

Ces révélations sur les faibles compétences linguistiques des nouveaux dirigeants politiques du pays n’ont pas manqué de susciter des inquiétudes quant à l’exercice de leurs responsabilités face aux politiciens étrangers, et surtout au niveau européen, l’anglais demeurant la langue de travail de l’Union européenne, et la Tchéquie devant assumer la présidence tournante de l’UE à partir de juillet.

Comment parler avec l’Europe?

C’est en cherchant à savoir si l’engagement de la coalition SPOLU («ensemble», en tchèque), qui affirmait «veiller à ce que chaque membre du gouvernement connaisse au moins une langue étrangère qu’il peut facilement parler», avait été respecté, que le média tchèque a découvert les lacunes de plusieurs ministres occupant des postes clef.

Sur dix-huit ministres, cinq ont admis ne posséder qu’un «niveau touristique», ou un petit niveau d’anglais, et ont déclaré s’en remettre à des interprètes lors des réunions européennes. D’autres ministres ont assuré que leur anglais de travail était fiable, comme Jan Lipavský, le nouveau ministre des Affaires étrangères, dont le président tchèque Miloš Zeman avait tenté –en vain– de bloquer la nomination au motif qu’il n’était pas qualifié sur le plan académique.

Parmi celles et ceux qui ont reconnu n’avoir qu’un faible niveau d’anglais, se trouvent Jana Černochová, la ministre de la Défense, qui devra assister aux sommets de l’OTAN, ainsi que le ministre des Finances, Zbyněk Stanjura, qui devra présider le Conseil pour les affaires économiques et financières (ECOFIN) de l’Union européenne. Ils ont toutefois affirmé tous deux maîtriser les langues polonaise et russe.

En dépit de la sortie de la Grande-Bretagne de l’UE, la langue anglaise restera la langue de communication et de travail au sein de l’Union, aussi l’incapacité des ministres tchèques à communiquer avec leurs pairs dans cette langue risque d’isoler le nouveau gouvernement, de nuire à la politique européenne tchèque, et d’alimenter un certain euroscepticisme.

«Nous avons des gens qui veulent être députés ou occuper des fonctions publiques et qui ne prêtent pas suffisamment attention à leurs compétences linguistiques», relève Petr Kaniok, professeur associé spécialisé dans les affaires européennes à l’université Masaryk de Brno. «C’est surprenant car plus de trente ans se sont écoulés depuis la révolution de velours, et les personnes qui occupent des fonctions publiques ont environ la cinquantaine, elles ont donc eu suffisamment de temps pour préparer une formation linguistique», ajoute-t-il.

 

[Photo : Michal Cizek / AFP – source : twww.slate.fr]

De pizcar chile y jitomate en el campo, y soñar con irse de trabajador indocumentado a los Estados Unidos, Ramiro González Cruz, joven indígena zapoteco de 24 años, ha pasado a terminar la licenciatura, estudiar en la Universidad de Harvard y dedicarse a conseguir becas para promover que más niños y adolescentes de su pueblo continúen en la escuela.

Ganador del Premio Estatal de la Juventud 2021 de Oaxaca, Ramiro también colabora como intérprete en la Defensoría Pública del Estado, donde auxilia a personas indígenas en situación de reclusión que no hablan español a enfrentar las audiencias legales que requieren para alcanzar la libertad.

Sin embargo, la labor que más le apasiona es la promoción de la Agenda 2030 y sus 17 Objetivos de Desarrollo Sostenible de las Naciones Unidas, que conoció cuando estudiaba en la preparatoria. Aunque todos le parecen importantes, son dos a los que ha dedicado su trabajo y labor altruista: el número 1, que establece el fin de la pobreza; y el 4, que aboga por una educación de calidad.

Es impulsando estos objetivos, dándolos a conocer y aplicando sus propósitos en su asociación Expandiendo Mentes, que Ramiro ha logrado conseguir y gestionar becas para ocho estudiantes de bachillerato con un promedio de calificaciones mayor de 9.

“Conocí los objetivos y la Agenda 2030 en 2019, cuando recién entré a la universidad, en el Ateneo Nacional de la Juventud, donde hay un área dedicada a todo ello. Posteriormente, me involucré con otras organizaciones también dedicadas a las metas de desarrollo sostenible, pero yo me enfoqué más en el 1 y el 4”, contó.

“Lo que hago es promover que más jóvenes tengan acceso a una educación media superior y a la educación superior, gestionar becas y programas para ellos, dar cursos, capacitaciones y orientación vocacional, además de cursos de marketing digital, comercio electrónico, y redes sociales”.

También ha llevado a su comunidad un proyecto para enseñar a las y los artesanos estrategias de marketing en redes sociales, con el objetivo de que aprendan a promocionar sus productos, mejoren sus ingresos y puedan salir de la pobreza.

El chile es uno de los principales productos consumidos diariamente en México. La comunidad Nahua de Tlaola, produce tradicionalmente el chile serrano entre los meses de abril y junio, los chiles rojos se dejan madurar en la planta y se secan bajo el sol.

El chile es uno de los principales productos consumidos diariamente en México. La comunidad Nahua de Tlaola, produce tradicionalmente el chile serrano entre los meses de abril y junio, los chiles rojos se dejan madurar en la planta y se secan bajo el sol. Foto: Dalí Nolasco Cruz

El primero en terminar la escuela

Originario de San Isidro El Costoche, en el estado de Oaxaca, uno de los más pobres al sureste de México, Ramiro no solo es el primero de su familia en terminar la escuela; también lo es en su comunidad, de menos de mil habitantes.

En su pueblo, normalmente los jóvenes como él solo tienen dos opciones posibles: casarse y convertirse en campesinos; o migrar hacia los Estados Unidos y pasarse la vida enviando remesas a sus familias y soñando con volver.

Al concluir el bachillerato, Ramiro decidió dejar de estudiar para compartir ese destino; así que viajó desde su casa 1731 kilómetros para llegar al estado de Sinaloa y trabajar en la dura labor de la pizca, es decir en la cosecha de tomate, tomate verde y chile.

La labor era difícil: tenía que trabajar 12 horas al día llevando de un lado a otro hasta cuatro cubetas llenas hasta el tope de verdura, con un peso de entre 7 y 12 kilos cada una, por un salario que como máximo solo podía llegar a los 24 dólares o 500 pesos mexicanos diarios.

Por más de medio año envió una parte del dinero que ganaba a su mamá, y ahorró la otra con el objetivo de juntar lo suficiente para irse a Estados Unidos y continuar trabajando como jornalero allá. Sin embargo, lo mucho que extrañaba la escuela, la inspiración que obtuvo de una de sus maestras de la preparatoria y lo pesado del trabajo en el campo, lo ayudaron a decidirse.

“Estuve trabajando en los campos de tomate, tomatillo y chile en Sinaloa (un estado al noroeste del país). La veía muy difícil, muy pesada… tenías que darle con todo para poder ganar un poco más de dinero. Mi meta era irme a trabajar a Estados Unidos como muchos de mis paisanos”, contó en una entrevista con Noticias ONU.

La decisión de estudiar

Ramiro González Cruz es un joven indígena zapoteco y el primero en su comunidad en terminar una licenciatura. Recientemente, obtuvo una beca de la Universidad de Harvard para realizar un curso. Foto: Ramiro González Cruz

“Sudaba toda la ropa que cargaba. A los 6 o 7 meses de estar ahí, me caí en el surco cargando cuatro botes de tomate (cada uno con un peso de 7 a 12 kilos), y fue cuando reflexioné que tenía la posibilidad de estudiar una carrera profesional, así que decidí regresar a estudiar, y presentar el examen a la universidad”.

Una vez tomada la decisión, el camino fue todo menos sencillo. La familia de Ramiro está conformada por seis integrantes: además de él, sus padres Simplicio González y Cecilia Cruz, y sus tres hermanos: Alicia (quien no terminó la escuela), Pedro (que estudia la secundaria) y María Natividad, una niña de cuatro años.

Su papá, campesino de oficio, genera alrededor de 4000 pesos mensuales (190 dólares estadounidenses), que deben alcanzar para mantener a toda la familia.

En un contexto como este, ir a la escuela más allá de la secundaria es un privilegio del cual no han podido gozar todos los integrantes de su familia: Simplicio no tiene ni una hora de clases, Cecilia estudió hasta la primaria y Alicia tuvo que dejar la escuela después de quedar embarazada.

Sin embargo, la voluntad de Ramiro venció a sus circunstancias y el joven logró terminar primero la preparatoria, luego una carrera técnica y finalmente la licenciatura, de la cual se tituló como licenciado en Innovación de Negocios y Marketing.

Un sueño, ser empresario de éxito

“Mi mayor reto es llegar a ser un empresario exitoso e inspirar a otros jóvenes para que tengan acceso a la educación. Quiero seguir contribuyendo a los Objetivos de Desarrollo Sostenible, estudiar una maestría, seguir formándome y apoyar a la sociedad”, dijo.

Para conseguir los 2500 pesos mensuales (120 dólares) que costaba la colegiatura, y sufragar los gastos de su manutención en la ciudad de Oaxaca (a cinco horas de su pueblo), el joven trabajó en invernaderos de tomate, limpió establos, vendió quesos, pizzas, pan de dulce y hasta productos de belleza por catálogo.

A través de su proyecto Expandiendo Mentes, Ramiro busca gestionar recursos ante empresas privadas e instituciones y dependencias públicas para dar becas de 25% a 100% a jóvenes que destaquen en sus estudios pero vengan de una comunidad marginada o una familia con escasos recursos, y puedan de esta manera continuar en la escuela.

Hasta el momento ha logrado gestionar ocho becas de preparatoria y licenciatura.

Una calle de Oaxaca, en México.

Una calle de Oaxaca, en México. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark

La pobreza obstáculo para la educación

Al hablar de los Objetivos de Desarrollo Sostenible, Ramiro considera que la pobreza es el mayor obstáculo que enfrenta su comunidad para alcanzar la meta 4: Garantizar una educación inclusiva, equitativa y de calidad, y promover oportunidades de aprendizaje durante toda la vida para todas las personas.

La razón económica, considera Ramiro, es la mayor desventaja y desafío que enfrentan los jóvenes de su pueblo.

“Lamentablemente es muy triste. Soy el único y el primer profesionista en mi comunidad, no tenemos a nadie más. Es muy triste ver a jóvenes que lo tienen todo y no les interesa estudiar; por otra parte, vemos que hay jóvenes que les interesa, pero no pueden hacerlo por problemas sociales, familiares o económicos”, contó.

La única opción de Ramiro para seguir estudiando era trabajar y conseguir becas que apoyaran su desempeño, así fue como aprendió a hablar español, francés e inglés, además de su lengua originaria, el zapoteco, que hablan todos los habitantes de San Isidro El Costoche.

Ya en la licenciatura, aplicó para el Programa Encrucijada para Líderes Emergentes (Crossroads Emerging Leaders Program, en inglés) de la Universidad de Harvard. No fue fácil, pero obtuvo la beca y logró estudiar en línea en la tercera mejor universidad del mundo, según consultoras como el Ranking Mundial de Universidades QS (QS World University Rankings).

“Los requisitos que me pidieron fue tener menos de 26 años, ser de una comunidad rural, indígena o marginada, ser el primero de mi familia en estudiar en la universidad y tener actividades en mi estado. Fui aceptado dentro del programa y estuve tomando el curso de Emprendimiento en Economías Emergentes. Compartir aula con jóvenes de todo el mundo, de América Latina, Norteamérica, Europa, Asia y África, es una gran diversidad”, explicó.

El camino ha sido largo, pero no ha terminado. Con el conocimiento que adquirió tras su paso por Harvard, Ramiro sueña con impulsar la educación en su comunidad, así como mejorar la vida de sus vecinos.

“Quiero recalcar mi proyecto de profesionalización para micros y pequeñas empresas, quiero enfocarme en proyectos rurales, comunitarios e indígenas. En Oaxaca existe una diversidad muy grande pero no hay todavía la posibilidad de explotarla al máximo; quedan a la deriva los artesanos, los maestros mezcaleros; tienen el producto, pero no cuentan con la imagen corporativa; no saben vender sus productos ni manejar las redes sociales”, finalizó.

Este trabajo, asegura, es su manera de contribuir al logro de los Objetivos de Desarrollo Sostenible.

“Todos y cada uno debemos conocer y difundir los Objetivos y la Agenda 2030 porque solo tenemos de aquí a 2030 para rescatar a nuestro planeta. Es lo primordial que tenemos que hacer. Es el único camino que tenemos: somos la primera generación que está sufriendo estos cambios y somos la última generación que puede hacer algo para solucionarlo”.

Por: Centro de Información de las Naciones Unias en México

 

 

[Fuente: http://www.un.org]

Invitación a un paseo de observación estética

Museo del Gaucho y la Moneda. Conocido como Palacio Uriarte de Heber. De estilo neoclásico tardío con algo de romántico, en su fachada se despliegan grandes cabezas de león sosteniendo argollas en sus fauces. El trabajo decorativo es de superior calidad, casi escultórico.

Escrito por Alejandro Michelena

La avenida 18 de Julio es desde hace más de un siglo la ‘‘calle mayor’’ de Montevideo. Son muchas las generaciones de montevideanos, de uruguayos y de visitantes que la han conocido como la arteria céntrica de la capital, por lo que resulta difícil imaginarse el trazado urbano sin ella. Sin embargo no siempre ha sido así; vale recordar que hasta pasada la mitad del siglo XIX la actual 18 era apenas el comienzo del camino que en su recorrido hacia el este comunicaba con Maldonado. En aquellos tiempos Montevideo era lo que es hoy la Ciudad Vieja y poco más. Fue después de la Guerra Grande que se posibilitó el nacimiento urbanístico de lo que se denominó la Ciudad Nueva, que con eje centralizado en la (ahora sí) avenida 18 de Julio, se desplegaba hacia sus costados, al sur y al norte, llegando hasta los viejos ‘‘ejidos’’, después de los cuales comenzaba el ya existente poblado –a partir de entonces barrio– del Cordón.

Llegando a la esquina de la calle Ejido, en un edificio de gran porte se destaca un bajorrelieve que muestra a un hombre con un velero en la mano y una mujer con una espiga de trigo, con reminiscencias de friso clásico pero también de estilo modernista.

El crecimiento de la futura zona céntrica fue explosivo, tanto sobre la avenida como por las transversales. El oportuno y precoz diseño de una plaza en mitad de ese trayecto fue un acierto, generando un punto de inflexión que le agregó un espacio de armonía y la posibilidad de un pulmón verde al entorno para el cual se preveía un futuro edilicio en progresión creciente. La plaza Cagancha en sus primeros años fue apenas un descampado rodeado de galpones y depósitos, con poco atractivo salvo por la columnata con la alegoría femenina en homenaje a la Paz de 1851, equívocamente considerada por gran parte de los montevideanos desde entonces como ‘‘estatua de la Libertad’’, de ahí el otro nombre con el que se conoce a esta plaza, donde se ubica el kilómetro cero de las principales rutas uruguayas.

Museo del Gaucho y la Moneda. A ambos costados de la fachada del primer piso se ubican grandes cariátides femeninas con reminiscencias grecorromanas.

Comenzado el cuarto final del siglo XIX arranca el proceso por el cual el centro de la capital se iba a trasladar de su antigua ubicación –en cuanto a lo burocrático en la calle Sarandí de las primeras cuadras y comercialmente en 25 de Mayo– a la nueva avenida. Fue un proceso lento pero persistente, que iba a agudizarse sobre el final de esa centuria, con una Plaza Independencia que recién tomaría el perfil que le conocemos luego de la demolición de los restos del antiguo fuerte de la Ciudadela. Todo esto en el contexto de un país que tuvo un quiebre institucional y que

Exsede del diario El Día. En el pretil de la azotea, a ambos lados, parejas de niños festivos custodian pirámides truncas. Representan criaturas fantásticas de la naturaleza; tal vez los cuatro elementos, y el triángulo de vida y creación insinuado en las figuras piramidales.

Llegando a la esquina de la calle Ejido, en un edificio de gran porte se destaca un bajorrelieve que muestra a un hombre con un velero en la mano y una mujer con una espiga de trigo, con reminiscencias de friso clásico pero también de estilo modernista.

Vería surgir el militarismo con Latorre, Santos y Tajes, y que se iba a beneficiar de una etapa de prosperidad para luego –en la década de los noventa, poco antes del 900– soportar el latigazo de la crisis económica y financiera generada por el crack bancario.

El London París. Construido en 1905 por el arquitecto Adams para una empresa de seguros, la Standard Life, ostenta una cúpula con columnatas y sobre ella una escultura en bronce que alegoriza a Atlas sosteniendo el mundo.

A todo esto, el crecimiento de la Ciudad Nueva se tornó irreversible e imparable, surgiendo los lujosos petits hôtels, esos palacetes de vivienda a la francesa que fueron señas de prestigio para las familias que estaban en la cima de la pirámide de las grandes fortunas. Pero a su vez, los paseantes vieron con asombro cómo se construía el primer edificio de varios pisos con ascensor, con fachada sobre la avenida y los costados a plaza Cagancha y Paraguay: el Palacio Jackson, que sobrevivió hasta los años ochenta del siglo XX, cuando el ministro de Cultura de la pasada dictadura decidió su demolición, lo que desencadenó un negociado más de los que jalonaron aquellos años.

Palacio Brasil, donde dos figuras alegóricas portando instrumentos musicales y confeccionadas en bajorrelieve, ocupan la parte superior de la fachada de planta baja. En la misma línea, pero sobre las puertas de acceso: cabezas imponentes de genios o dioses.

El nuevo siglo trajo consigo, a lo largo de 18 de Julio, los llamados ‘‘palacios’’. Así se llamó a los edificios en altura que calificaron arquitectónicamente la avenida, dándole un perfil ecléctico y cosmopolita –correspondiente con aquel país democrático y próspero– donde convivieron el neoclasicismo, los barroquismos, las vanguardias y el art déco, en un formidable impulso que tuvo su mayor vitalidad entre los años veinte y los cuarenta.

Entre lo decorativo, lo alegórico y lo simbólico

Esta larga etapa de constante crecimiento inmobiliario en el área céntrica, que tuvo su correspondencia en procesos equivalentes en los barrios, necesitó (además de los excelentes arquitectos que la protagonizaron y la extensa mano de obreros de la construcción) ciertos artesanos especializados, llamados frentistas, encargados de realizar las terminaciones, adornos, bajorrelieves y decoraciones que fueron una constante de las fachadas durante toda la primera mitad de siglo pasado (que fue desapareciendo luego, con el triunfo definitivo de las corrientes racionalistas). En torno al 900, la mayoría de los frentistas estaba compuesta por inmigrantes europeos que traían el oficio de sus países de origen, pero más adelante se formaron en el arte de las fachadas muchos uruguayos: algunos trabajando junto a los maestros extranjeros, y muchos más egresados de la entonces reciente Escuela de Artes y Oficios que ideara e implementara el doctor Pedro Figari.

Así fue que las calles de Montevideo se enriquecieron con una mampostería cargada de íconos, confeccionada en yeso o en cemento, que muchas veces queda en lo meramente decorativo pero que otras se aventura en lo alegórico, en lo literario, en lo simbólico. Una suerte de arte popular colgado en relieve de paredes, balcones, portales y ángulos. Naturalmente, la zona céntrica fue una de las más favorecidas debido a la concentración y riqueza de propuestas; y dentro de ella, la avenida 18 de Julio.

Proponemos un posible itinerario contemplativo desde el Monumento al Gaucho hasta la Plaza Independencia, que el lector podrá corroborar en vivo: mejor un día no laborable y, en lo posible, a tren de paseo. La clave es realizar el recorrido observando más arriba de las marquesinas de una y otra acera.

Palacio Santos. En este caso, el elemento decorativo más sobresaliente está en la enorme puerta de doble hoja, de madera tallada, con alegorías conformadas por criaturas fantásticas con aspecto de dragón que suben en espiral. Arriba de la puerta, presidiendo el conjunto y justo en medio de ambas hojas, se destaca la silueta de una mujer desnuda.

Caminando entre cariátides, gárgolas y leones rampantes

Apenas iniciado el recorrido, si transitamos por la explanada municipal, podemos apreciar en mitad de cuadra de la acera de enfrente –en un edificio de apartamentos de comienzos de los años cuarenta– cabezas de hombre y mujer ubicadas alternativamente a la altura de cada planta. Muestran un diseño levemente modernista y clara intención decorativa. Complementan los elementos de esa fachada pequeñas gárgolas que ofician de desagüe de los balcones. Y llegando a la esquina de la calle Ejido, en un edificio de gran porte y de la misma época que el anterior, se destaca un bajorrelieve que muestra a un hombre con un velero en la mano y una mujer con un telar, con reminiscencias de friso clásico pero también de estilo modernista. Era común en aquellos años celebrar con alegorías escultóricas aspectos del trabajo y la industria.

En la cuadra siguiente, casi Yaguarón y en la acera sur, en un edificio de dos plantas de comienzos del siglo XX, se pueden apreciar figuras femeninas desnudas en bajorrelieve de muy buena calidad, producto de las manos de artesanos –seguramente europeos– que conocían su oficio. Para más datos: se trata de la planta alta de la clásica librería La Feria del Libro. Y los balcones del inmueble lucen gárgolas fantásticas.

Sala Nelly Goitiño del Sodre. Alegoría del drama

Por enfrente, en el edificio del Cine Trocadero (hoy propiedad de un grupo religioso), sobre el ángulo de la esquina, arriba, se ve una figura de mujer sosteniendo en sus manos una máscara de teatro griego. Es una pequeña escultura ubicada en un pretil, de estilo moderno y confección similar a las que se pueden encontrar en otras salas de cine de los años treinta, cuarenta y cincuenta.

Sala Nelly Goitiño del Sodre. Alegoría de la comedia

Cruzando Yaguarón, en la otra esquina, se alza el imponente edificio de los años veinte que fue por décadas la sede del diario El Día y hoy alberga un casino. En el pretil de la azotea, a ambos lados, parejas de niños festivos custodian pirámides truncas. Representan criaturas fantásticas de la naturaleza; tal vez los cuatro elementos, y el triángulo de vida y creación insinuado en las figuras piramidales. Son de estilo clasicista, y junto con otros elementos decorativos de esa fachada tenían como objetivo transmitir la idea de la grandeza de la prensa diaria que día a día se elaboraba en el enorme recinto, donde convivían la redacción, los talleres de armado y linotipo, y la gran imprenta.

Sala Nelly Goitiño del Sodre. Alegorías de la comedia y del drama. En el centro de la fachada hay un gran friso en bajorrelieve, donde en compleja alegoría aparecen Apolo con su lira y las nueve musas. Es un trabajo escultórico que responde al modernismo en boga promediando el siglo XX.

Caminando dos cuadras por esa misma acera norte se llega a la esquina de 18 de Julio y Cuareim. Allí luce una de las construcciones más antiguas de la avenida –de la década de 1880– que fuera residencia del dictador Máximo Santos en sus comienzos y que desde 1957 es sede del Ministerio de Relaciones Exteriores. Construido por el ingeniero Juan Alberto Capurro, es un palacete de evocación itálica, que tiene la particularidad de ser desde hace muchos años la única edificación de una sola planta en todo el trayecto de la avenida. En este caso el elemento decorativo más sobresaliente está en la enorme puerta de doble hoja, de madera tallada, con alegorías conformadas por criaturas fantásticas con aspecto de dragón que suben en espiral. Se complementan con relieves que muestran caras de viejo con aspecto leonino, que oficiarían como genios guardianes. Arriba de la puerta, presidiendo el conjunto y justo en medio de ambas hojas, se destaca la silueta de una mujer desnuda. Estudiosos de simbología han creído percibir en los elementos alegóricos de esta puerta referencias al trabajo alquímico.

Librería La Feria del Libro, en la acera sur casi Yaguarón. En los balcones del inmueble, producto de las manos de artesanos, seguramente europeos, lucen gárgolas fantásticas.

Por la misma acera y en esquina con la Plaza Cagancha, no pasa desapercibido un enorme y elegante edificio neoclásico de 1925 –proyectado por el ingeniero Trigo– que supo albergar desde 1939 hasta 1988 al legendario café Sorocabana. Su fachada principal da a la plaza, lo mismo que las puertas de sus dos cuerpos; con su decena de pisos y su buhardilla con mansarda no niega en su estilo la influencia francesa, y su imponente y reluciente cúpula centraliza desde lejos la atención. En su penúltima planta se destaca una gran cabeza sobre el arco que enmarca las ventanas centrales de la fachada hacia 18 de Julio. Y cabezas más pequeñas se asoman sobre las ventanas del entrepiso. Todos elementos decorativos habituales en edificios de apartamento de alto nivel de su tiempo.

Edificio donde estuvo el Sorocabana. Su fachada principal da a la plaza Cagancha, lo mismo que las puertas de sus dos cuerpos; con su decena de pisos y su buhardilla con mansarda no niega en su estilo la influencia francesa. En su penúltima planta se destaca una gran cabeza sobre el arco que enmarca ventanas centrales de la fachada hacia 18 de Julio. Y cabezas más pequeñas se asoman sobre las ventanas del entrepiso.

La avenida se puebla de figuras variadas

En una de las rinconadas de la plaza, hacia el norte, en esquina con Rondeau y algo alejado pero interactuando formalmente con 18 de Julio, eleva su prestancia el Ateneo de Montevideo, que combina elementos renacentistas itálicos y rasgos franceses. En este majestuoso edificio, inaugurado el 18 de julio de 1900, intervinieron los arquitectos José Claret, Julián Mazquelez y Emilio Boix. Sobre el pretil central, en línea con la puerta, se impone la enorme cabeza de Atenea, y un poco más abajo la palabra Ateneo en bajorrelieve, en griego.

Siguiendo la caminata por la principal avenida de Montevideo, en la otra esquina de la Plaza Cagancha, siempre por el costado norte, un elegante edificio de los años veinte muestra leones alados sobre el marco de su puerta de acceso, y en el primer piso aves fantásticas con sus alas desplegadas.

Dos cuadras más adelante, en la esquina con Río Negro y a mano izquierda, encontramos el característico inmueble que albergó por décadas a la que fuera la tienda más grande y famosa del Montevideo de la primera mitad del siglo XX: el London París. Construido en 1905 por el arquitecto Adams para una empresa de seguros, la Standard Life, ostenta una cúpula con columnatas y sobre ella una escultura en bronce que alegoriza a Atlas sosteniendo el mundo.

Una cuadra más adelante, cruzando Julio Herrera, está la actual sede del Museo del Gaucho y la Moneda. Conocido como Palacio Uriarte de Heber, por la matrona de la alta sociedad que a fines del siglo XIX lo mandó hacer, se inauguró como residencia en 1896 y es obra del arquitecto Massüe. De estilo neoclásico tardío con algo de romántico, en su fachada, en el pretil de planta baja, se despliegan grandes cabezas de león sosteniendo argollas en sus fauces. A ambos costados de la fachada del primer piso se ubican grandes cariátides femeninas con reminiscencias grecorromanas. El trabajo decorativo es de calidad superior, casi escultórico. Como en otros casos de petits hôtels de esa época todo llegó desde París: las puertas y ventanas, la herrería, las claraboyas, los mármoles, y también los planos y directivas del arquitecto (algo muy común entonces).

Vecino del anterior es el Palacio Brasil, donde dos figuras alegóricas portando instrumentos musicales y confeccionadas en bajorrelieve ocupan la parte superior de la fachada de planta baja. En la misma línea, pero sobre las puertas de acceso, cabezas imponentes de genios o dioses. Y siguiendo unos metros por la misma acera vemos un caserón de comienzos del pasado siglo que luce dos pequeñas y perfectas cariátides a los costados del balcón central de la segunda planta. Unas cabezas asoman por el pretil de la azotea y unas águilas con sus alas desplegadas un poco más abajo. Los balcones son de hierro labrado y tienen en sus costados pequeñas cabezas de ángeles.

Por la misma acera, luego de cruzar Río Branco está la sala Nelly Goitiño del Sodre, en el edificio que hasta los años setenta fue el Cine Eliseo. En su frente, arriba, tiene un gran friso en bajorrelieve, donde en compleja alegoría aparecen Apolo con su lira y las nueve musas. Es un trabajo escultórico que responde al modernismo en boga promediado el siglo XX.

Pérdidas y permanencias

En este recorrido hay que destacar el mantenimiento en buen estado de casi todos los edificios a que hicimos referencia. Incluso correctas restauraciones como la del arquitecto Julio Espasandín, en el caso del Palacio Uriarte de Heber, y adecuadas limpiezas de fachadas que realzan los valores arquitectónicos y decorativos. Pero es necesario también marcar lo que se ha perdido, como las decoraciones y figuras que lucía la fachada del Palacio Salvo, final de nuestro recorrido; el pretexto fue el peligro a causa de la caída de alguna mampostería desde los pisos altos hacia la calle, y se optó por lo más fácil que era eliminarlo todo, desvirtuando el espíritu barroco de la singular creación del arquitecto italiano Mario Palanti.

De todas maneras, 18 de Julio conserva en su tramo inicial y céntrico de pocas cuadras, aparte de esa variedad sincrética de propuestas arquitectónicas que fue característica común de Montevideo y Buenos Aires, una riqueza de elementos alegóricos y decorativos que merecerían –para su apreciación y goce– la eliminación de marquesinas comerciales que los esconden, los afean y los desvirtúan. Como tantas cosas, esta tarea anunciada hace veinte años por la Intendencia de la capital se viene cumpliendo con lentitud, y aún falta bastante para que se logre un objetivo que a juzgar por el tiempo transcurrido parecería una tarea faraónica.

Invitamos entonces a los lectores a realizar esta caminata en tren de paseo por 18 de Julio, apreciando la calidad del trabajo que dejaron en fachadas, en balcones y en pretiles tantos anónimos como calificados artesanos. Es parte de la identidad montevideana que nos remite a la ciudad en crecimiento, a la urbe cosmopolita de las primeras décadas del siglo pasado.

 

[Fuente: http://www.revistadossier.com.uy]

Acteur, réalisateur, star hollywoodienne et à Broadway, né dans une famille d’origine juive, ayant débuté comme trapéziste et guitariste, Yul Brynner (1920-1985) était aussi un remarquable photographeArte rediffusera le 6 janvier 2022 Les Dix Commandements de Cecil B. de Mille et le 22 janvier 2022 « Les mille et une vies de Yul Brynner », documentaire de Benoît Gautier et Jean-Frédéric Thibault.

Publié par Véronique Chemla

On connaît Yul Brynner, acteur talentueux au cinéma et au théâtre. Le réalisateur, musicien et photographe est moins connu.

La photographie, c’était le hobby dès 1956 de Yul Brynner, auteur d’environ 8 000 clichés de grande qualité.

Née de son deuxième mariage avec Doris Kleiner, Victoria Brynner a sélectionné en 2010 plusieurs dizaines de photos prises par son père de 1956 à 1985 et des photos de Yul Brynner par des photographes célèbres – Richard Avedon, Henri Cartier-Bresson, Inge Morath – pour un livre magnifique aux quatre tomes thématiques : « Un style de vie », « La vie sur le plateau », « 1956 » – tournant majeur dans la carrière car il joue dans The King and I (Le roi et moi) de Walter Lang, The Ten Commandments (Les Dix Commandements) de Cecil B. DeMille, Anastasia d’Anatole Litvak – et « Un homme de style ».

De la Russie à Hollywood

Cultivant le mystère sur ses origines, Yul Brynner est né en 1920, en portant le nom de Juli Borisovitch Bryner, à Vladivostok ou aux îles Sakhaline. Il portait le prénom de son grand-père paternel. Quant au grand-père de sa mère, c’était un médecin russe juif converti au christianisme orthodoxe.

Quand, en 1927, le père de Yul Brynner quitte le foyer familial, son épouse et leurs enfants, Yul et Véra, s’installent en Chine, puis en France.

À Paris de 1934 à 1941, Yul Brynner gagne sa vie comme musicien dans un orchestre tzigane, acteur, trapéziste au Cirque d’Hiver, ayant intégré la pantomime dans son numéro, homme à tout faire au théâtre des Mathurins, où jouent Georges et Ludmila Pitoëff, « des gens merveilleux »…

Gravement blessé lors d’une chute de trapèze, il se réoriente vers l’art dramatique.

Quand la Seconde Guerre mondiale éclate, Yul Brynner part pour Londres où il se lie à Michaël Tchékhov. Cet auteur le recrute pour participer à la tournée américaine de l’adaptation de La Nuit des Rois de Shakespeare.

En 1941, Yul Brynner étudie le théâtre aux États-Unis, débute à la télévision américaine en 1942 et est recruté comme journaliste pour le service francophone du Bureau américain militaire d’information, The voice of America.

Il enchaîne les rôles à Broadway. Son premier succès sur scène date de 1945 à Broadway, où il joue dans Lute song au côté de Mary Martin.

Il tourne pour Hollywood en 1949.

Yul Brynner débute au cinéma dans  Port of New York (Brigade des stupéfiants, 1949), film de László Benedek avec Scott Brady et Richard Rober. « Dans ce rôle de gangster, il arbore déjà un regard étonnement intense ».

C’est son interprétation du rôle du roi de Siam, Mongkut, dans Le Roi et moi (1951)la comédie musicale de Richard Rodgers et Oscar Hammerstein II, qui le consacre vedette à Broadway. Pour ce rôle, il se rase le crâne pour la première fois. Il est récompensé par le Tony Award du meilleur acteur de comédie musicale pour ce rôle qu’il interprète 4 525 fois sur les planches, notamment à Londres, puis au cinéma sous la direction de Walter Lang. Ce qui lui vaut l’Oscar du meilleur acteur. The King and I est aussi décliné en série télévisée.

Les Dix Commandements


Parmi la filmographie de cette star, citons Les Dix commandements (The Ten Commandments, 1956) de Cecil B. De Mille, avec Charlton Heston, Anne Baxter et Edward G. Robinson. Yul Brynner y interprète un pharaon Ramsès II, cruel et fragile, rival de Moïse, incarné par Charlton Heston. Il  est distingué par le National Board of Review du meilleur acteur.

« Le peuple d’Israël est retenu contre son gré en Égypte et réduit en esclavage. Une prophétie annonce la venue d’un sauveur qui libérera le peuple juif de l’esclavage. Pour s’en prémunir, Pharaon ordonne l’exécution de tous les nouveau-nés d’Égypte. Espérant que son bébé échappe à la mort, une jeune mère place Moïse dans un panier d’osier, avant de le confier aux flots du Nil. Sauvé des eaux par la propre fille du persécuteur, l’enfant grandit à la cour d’Égypte comme un prince de sang, acquérant l’art des armes et la renommée d’un habile bâtisseur. Mais la fierté qu’il suscite chez son père adoptif en grandissant attise la jalousie de Ramsès, le prince héritier, qui le considère comme un concurrent à la succession. Moïse ignore encore tout de ses véritables origines, mais le doigt de Dieu est pointé sur lui. Révolté par l’injustice faite à ses frères de sang, il prend peu à peu conscience de son rôle et se dresse contre l’oppression. Mais les Égyptiens ne veulent pas laisser partir leurs esclaves. Une série d’épreuves s’abat alors sur le pays… »

Moïse conduit le peuple hébreu vers la Terre promise… Portée par un casting cinq étoiles, une colossale épopée biblique en Technicolor, signée Cecil B. DeMille.

« Réalisateur prolixe à Hollywood dès les années 1910, Cecil B. DeMille tourne en 1923 une première version des Dix commandements, film muet au budget énorme pour l’époque et grand succès. Trois décennies plus tard, le cinéaste, oscarisé en 1953 pour Sous le plus grand chapiteau du monde, s’attaque à son remake : en couleurs et parlant, il est plus ambitieux encore. Bénéficiant de moyens considérables, DeMille mobilise sur son plateau plus de vingt mille figurants, réunit quinze mille animaux et fait réaliser des décors fabuleux. Au cours du tournage, qui s’étale sur sept mois, il emmène son équipe en Égypte pour filmer plusieurs séquences, notamment sur le mont Sinaï. Immense succès populaire à sa sortie en 1956, cette fresque grand spectacle revisite le Livre de l’exode de la Bible hébraïque et s’appuie sur une distribution étincelante, de Charlton Heston à Yul Brynner, d’Anne Baxter à Debra Paget. Pour les dix plaies qui s’abattent sur l’Égypte, l’épisode du buisson ardent ou encore l’ouverture de la mer Rouge devant les Hébreux, John P. Fulton reçut son deuxième Oscar ».

« Trois ans d’écriture, quatre heures de spectacle, trente mille figurants, deux mille cinq cents chars, cinq cents chameaux, un kilomètre de long de décor, douze stars (dont Charlton Heston en Moïse et Yul Brynner en Ramsès), un coût de treize millions de dollars : « Peu importe ce qu’il a coûté, il faut savoir ce qu’il vaut ! », répond l’auteur de ce projet pharaonique. Or il s’agit bien de valeurs chez DeMille et, en particulier, du duo valeur/couleur : clair-obscur de Forfaiture (1915) ; technicolor bichrome des Dix Commandements de 1923 ; « glorieux technicolor » des Tuniques écarlates (1940) dont le titre est un éclatant programme. Sa dernière œuvre, Les Dix Commandements, puise dans les ressources du technicolor n° 5 VistaVision, procédé Paramount qui offre une image d’une définition incomparable et un nuancier intense. Sa science des couleurs et de la composition triomphe dans des tableaux tantôt épiques, maniéristes ou précieux. La palette est soutenue et subtile, avec des mosaïques de demi-teintes (camaïeux bruns du désert), des détails chatoyants, de vifs contrastes et teintes denses (nuage vert pestilentiel, flots rouges, cieux noirs) qui mettent en valeur la force des paysages, le luxe des décors et costumes ou le satiné d’un visage. Les images sont servies par d’inventifs trucages − incrustation, animation, matte painting (fond peint sur verre) – qui culminent dans la scène d’anthologie de l’ouverture des flots de la mer Rouge », a écrit Élodie Tamayo.

« Ainsi DeMille conclut-il son œuvre avec le remake de l’un de ses propres films réalisés trente-trois ans plus tôt. Les Dix Commandements est en effet la nouvelle version du premier long métrage biblique à grand spectacle réalisé par le cinéaste à l’époque de sa période muette, quand il était passé maître dans les comédies conjugales et les marivaudages mondains. Ce changement d’orientation survient en 1923 et DeMille dispose de moyens colossaux pour reconstituer l’épisode de la captivité des Hébreux en Egypte puis leur exode vers la Terre Promise, conduits par Moïse, tel qu’il est conté dans l’Ancien Testament. A la différence du film de 1956, la version de 1923 était divisée en deux parties, la seconde se situant à l’époque contemporaine », a analysé Olivier Père. Il s’agit de la Bible hébraïque.

Et de poursuivre : « Lors de sa carrière parlante Cecil B. DeMille deviendra le spécialiste incontesté de l’épopée, s’illustrant aussi bien dans le western que dans le film d’aventures. Les Dix Commandements domine tous les péplums et autres superproductions en costumes réalisées à Hollywood dans les années 50 et 60. Sa force réside dans la conviction de DeMille, dans son investissement total de la genèse du projet au tournage du film, de son génie visionnaire, de sa capacité à faire vibrer les foules avec des histoires mythiques et universelles. En pleine guerre froide, le cinéaste, républicain convaincu, prêche l’urgence d’une nouvelle adaptation de l’Ancien Testament pour délivrer un message exalté en faveur de l’indépendance et de liberté des peuples, contre l’oppression et la tyrannie. DeMille bénéficia d’une carte blanche à la fois financière et artistique de la Paramount, qui lui fit entièrement confiance et lui alloua le temps nécessaire (trois ans d’écriture, sept mois de tournage) et des moyens quasiment illimités pour la réalisation de sa fresque biblique. Pionnier du cinéma muet, DeMille reste fidèle à une mise en scène frontale, opte pour un espace à deux dimensions et pousse ses interprètes vers la théâtralité. Ce qui pourrait passer pour des archaïsmes relève d’un art primitif qui perdure au sein de l’âge classique du cinéma américain, au plus près de son sujet. Le cinéaste témoigne d’un sens exceptionnel du cadre et de la composition, préférant le format VistaVision à celui du CinemaScope. Son utilisation du Technicolor en fait l’un des grands coloristes du cinéma américain. DeMille peut aussi bien organiser des déplacements gigantesques de foules (20 000 figurants), utiliser des trucages optiques spectaculaires, bâtir des décors colossaux et triompher dans les scènes intimistes et mélodramatiques, en portant à leur paroxysme les émotions, mais aussi la sensualité de ses personnages. De ce spectacle démesuré et triomphal se dégage finalement un sentiment de poésie, d’humanité, un goût du détail qui rapproche le cinéma de DeMille dernière période de la peinture miniaturiste. »

Salomon et la reine de Saba

Yul Brynner personnifie le roi Salomon dans Salomon et la reine de Saba (1959) de King Vidor, « l’histoire mouvementée de l’accession de Salomon au trône d’Israël et de la visite de la reine de Saba à Jérusalem... Un des plus beaux péplums de l’histoire du cinéma, le dernier film réalisé par King Vidor, avec Gina Lollobrigida en reine de Saba, George Sanders, John Crawford, et un Yul Brynner royal. Salomon, fils de David, hérite de la gouvernance de la Terre d’Israël. Mais ses vues pacifistes ne sont partagées ni par son frère Adonias, ni par Siamon, pharaon d’Égypte. La reine de Saba se propose donc de le séduire pour mieux l’anéantir. Il s’agit du dernier tournage de Tyrone Power, qui commença à interpréter Salomon avant de mourir d’une crise cardiaque. Il fut remplacé par Yul Brynner. Dernier film en outre réalisé par King Vidor ».

« Salomon, qui succède au roi David, accueille la reine de Saba et sa cour à Jérusalem. Il en tombe amoureux et lui demande de l’épouser. Celle-ci refuse mais obtient la permission d’organiser une orgie païenne dans la Ville sainte. Salomon assiste à l’orgie, s’attirant la colère des prêtres et de Dieu. Le temple est détruit par la foudre. Les Égyptiens déclarent la guerre à Israël et Adonijah, le frère aîné de Salomon, se joint aux forces ennemies. La reine de Saba prie pour Salomon. Ses intentions de le trahir ont fait place à un véritable amour ainsi qu’à un désir de le sauver… »

Très grand spectacle et dernier film de King Vidor. Le tournage, initialement entrepris avec Tyrone Power dans le rôle de Salomon, dut être entièrement recommencé avec Yul Brynner, car le célèbre acteur était mort d’une crise cardiaque, le 15 novembre 1958, au cours de la scène du duel final avec George Sanders. Dans certains plans filmés de loin, Tyrone Power est encore Salomon… Superbe histoire d’amour, scènes de bataille remarquablement filmées en « Super Technirama 70 ».

Carrière mondiale

Dans Le Testament d’Orphée (1960), écrit et réalisé par Jean Cocteau avec l’auteur, Jean Marais, Maria Casarès, François Périer et Brigitte Bardot, Yul Brynner, qui coproduit le film, incarne l’huissier des enfers.

Deux ans plus tard, Yul Brynner interprète Taras Bulba dans le film éponyme américano-yougoslave réalisé par J. Lee Thompson (1962). Inspiré du roman de Nicolas Gogol, l’intrigue se déroule au XVIe siècle, en Ukraine. Avec l’aide des Cosaques, les Turcs sont repoussés par les Polonais.

« Les Sept mercenaires »

Yul Brynner enchaîne avec Les sept mercenaires (1960) de John Sturges avec Eli Wallach, Steve McQueen, Charles Bronson, Robert Vaughn, Horst Buchholz, Brad Dexter et James Coburn ; Tarass Boulba (1962) de J. Lee Thompson avec Tony Curtis ; Le serpent (1973) d’Henri Verneuil avec Dirk Bogarde, Henry Fonda et Philippe Noiret ; et Mondwest de Michael Crichton (1973) avec Richard Benjamin.

« Régulièrement, un village de paysans du nord du Mexique est attaqué par Calvera et sa bande de pillards. Les villageois, terrorisés et humiliés, réunissent leurs faibles ressources et envoient deux d’entre eux chercher de l’aide de l’autre côté de la frontière. Le fin tireur et baroudeur Chris est embauché. Six autres mercenaires sont recrutés. Chacun va se lancer dans l’aventure pour des raisons personnelles… »

Hommages

À Broadway, Yul Brynner joue dans de nombreuses pièces, dont L’odyssée dans les années 1960.

Avec générosité et pédagogie, il enseigne l’art dramatique.

Humaniste, il s’engage au côté des réfugiés, milite à l’ONU (Organisation des Nations unies), pour qui il tourne des documentaires et écrit Bring forth the children pour le Haut Commissariat aux Réfugiés.

Ce comédien est distingué par de nombreux prix, dont la Meilleure interprétation masculine, 1957 à l’AMPAS (Academy of Motion Picture Arts and Sciences) pour le film The king and I (1956) de Walter Lang avec Déborah Kerr et Rita Morenola Meilleure interprétation masculine, 1956 au NBR (National Board of Review) pour The King and I/Anastasia de Anatole Litvak/The Ten Commandments. Réalisé par Cecil B. de Mille, ce film obtient l’Oscar des meilleurs effets spéciaux.

Yul Brynner est aussi l’auteur de deux livres : Bring forth the children: A journey to the forgotten people of Europe and the Middle East (1960) et The Yul Brynner Cookbook: Food Fit for the King and You (1983).

Il meurt en 1985 d’un cancer. Conscient que le temps lui était compté, il avait enregistré une vidéo diffusée après son décès. Face à la caméra, avec dignité, il alerte sur les dangers du tabac : « Don’t smoke!« 

Ses cendres ont été placées dans le cimetière du monastère de l’Abbaye de Bois-Aubry (Indre-et-Loire).

Instantanés et recherches

En 2010, l’exposition Yul Brynner: A Photographic Journey à Pierre Passebon-galerie du Passage et et son magnifique catalogue (Ed. 7L) ont repris le titre d’un film réalisé par Anatole Litvak (1959) avec Yul Brynner, Jason Robards et Déborah Kerr.

Les sujets photographiés ? Les stars et amis de Hollywood des années 1950 et 1960, sur les plateaux de tournage et à leur domicile. Sophia Loren toute en concentration avant de jouer. Frank Sinatra souriant dans un aéroport. Dean Martin et Jerry Lewis faisant un numéro comique en public. Elizabeth Taylor nageant avec sa fille ou bronzant chez elle. Charlton Heston en Moïse pour Les Dix CommandementsAudrey Hepburn dans une gondole en vacances… vénitiennes.

Fixés par l’objectif de Yul Brynner, des scènes familiales et des paysages. Ceux-ci se prêtent à son goût pour l’expérimentation et l’ironie.

Après Deauville vue par Jacques-Henri Lartigue, les frères Séeberger et Robert Capa, la cité normande a présenté en 2012 Le Deauville de Yul Brynner pour ce quatrième rendez-vous estival avec la photographie. Deauville a présenté l’exposition en plein air Le Deauville de Yul Brynner, sur ses célèbres planches. 

Élaborée par le service culturel de Deauville en puisant dans les archives photographiques de Victoria Brynner, cette exposition originale d’une quarantaine de clichés révèle le talent du photographe et son regard singulier sur Deauville. Une sélection d’une soixantaine de clichés, souvent en noir et blanc, de 1956 à 1985, soigneusement cadrés, classiques ou expérimentaux, sur des stars de Hollywood, des paysages normands et la vie familiale de Yul Brynner.

Yul Brynner goûtait ses séjours annuels dans sa maison Le Manoir de Cricquebeuf, à Bonnebosq, au cœur du Pays d’Auge, à vingt kilomètres de Deauville, une cité qu’il fréquente dès les années 1950. Pendant plusieurs décennies, cet artiste est le témoin privilégié et l’acteur de la « foisonnante activité estivale » de Deauville.

« Doté d’un très bon coup d’œil, Yul Brynner ne se déplaçait jamais sans son appareil photo. Pour tuer le temps, l’acteur des Sept Mercenaires enregistrait les coulisses des tournages, ses rencontres, ses vacances, sa vie de tous les jours. Portraits d’Audrey Hepburn à Venise, d’Elizabeth Taylor au bord d’ une piscine se mêlent à ses photos de famille en Normandie…» Un témoignage précieux d’une époque révolue.

Acteur sur le tournage d’Aimezvous Brahms ?, film d’Anatole Litvak avec Ingrid Bergman, Anthony Perkins et Yves Montand, il en saisit « avec des photos couleurs, les images des scènes tournées à Deauville, avec pour décors l’Hôtel Royal ou les couloirs et la terrasse du casino ».

Avec son Leica, Yul Brynner immortalise pendant trente ans les « grands rendez-vous de l’été deauvillais : Françoise Sagan et Sophie Litvak aux courses (1961), Elie de Rothschild jouant au polo… »

Père de famille attentif, il photographie en couleurs ses proches pendant leurs vacances dans le parc et le manoir de Cricquebeuf. « On se souvient encore aujourd’hui, l’avoir retrouvé, un jour des années 70, à Caen, dans la salle d’attente du dispensaire, où il patientait pour les rappels de vaccination de ses enfants ».

Yul Brynner est un témoin privilégié de la création du Festival du Cinéma américain, en 1977, à Deauville, en Normandie. Ce festival lui rend hommage lors de sa quatrième édition, en 1980. Son nom est alors donné à l’une des lices des cabines de bains des Planches. À Deauville, « vingt-sept ans après sa disparition, la barrière des planches qui porte son nom depuis cet hommage de 1980, est cet été au cœur de » cette exposition photographique. Dans un bref film sur Internet, on peut voir Yul Brynner accueilli en septembre 1980 par Anne d’Ornano, maire de Deauville, alors qu’il vient d’atterrir sur l’aéroport de Deauville.

Et à regarder les magnifiques photographies soigneusement cadrées, on devine son amour des comédiens, sa curiosité, son souci de la composition, son penchant pour l’harmonie, la beauté et la quiétude.

« Les mille et une vies de Yul Brynner » 

Arte diffusera le 22 janvier 2022 « Les mille et une vies de Yul Brynner », documentaire de Benoît Gautier et Jean-Frédéric Thibault.

« De « Mondwest » aux « Dix commandements », du « Roi et moi » aux « Sept mercenaires », Yul Brynner a su imposer un nouveau canon de virilité au cinéma. Entre Vladivostok, Paris et Hollywood, le parcours romanesque d’un acteur au charme magnétique, dont le mystère des origines a contribué à forger le mythe ».

« Sa présence magnétique et son sex-appeal singulier hantent la mémoire cinéphilique plus encore que ses rôles, de Ramsès II dans Les dix commandements à Chris, le premier des « sept mercenaires », en passant par celui de sa vie : Mongkut, attachant souverain de Siam, dans Le roi et moi, qu’il joue d’abord sur les planches et qui lui vaudra un Oscar en 1957 face à James Dean, Kirk Douglas, Rock Hudson et Laurence Olivier ».

« À la croisée d’un héritier de Gengis Khan et d’un androïde échappé d’une autre planète, Yul Brynner (1920-1985), dont le crâne lisse contribue à forger la légende et à imposer un nouveau canon de virilité, succède à Rudolph Valentino pour incarner à Hollywood les héros exotiques ».

« Mais quelle(s) identité(s) se cache(nt) sous le masque mystérieux du monstre sacré à l’œil en amande perpétuellement amusé ? »

« De sa naissance à Vladivostok à sa traversée du Paris des années folles – entre cabarets russes, où l’adolescent, tsigane par sa mère, russo-suisse par son père, chante et joue de la guitare, et Cirque d’hiver, qui le condamne à sept mois d’immobilité après un accident de trapèze –, ce caméléon s’avère maître dans l’art de la séduction, fascinant au passage Jean Cocteau ».

« Au cours de la Seconde Guerre mondiale, l’aventurier part à la conquête de New York où, d’abord piètre réalisateur pour une télévision balbutiante, il se lance avec succès dans une carrière d’acteur à Broadway, avant le sacre hollywoodien dans des blockbusters, pour la plupart passablement kitsch. »

« À la manière d’un conte des mille et une nuits, ce beau documentaire retrace la fabrication du mythe de l’acteur star en remontant les pistes que ce polyglotte (il parlait onze langues) s’ingéniait à brouiller avec un panache toujours teinté de malice. Au fil d’archives rares et de séquences d’animation, il plonge dans la vie flamboyante d’un Gitan à l’élégance nomade devenu roi de cinéma, qui s’engagea de toute son âme auprès des réfugiés pour l’ONU pendant plus de dix ans ».

PROPOS RECUEILLIS AUPRÈS DE VICTORIA BRYNNER EN MARS 2012

Mon père Yul Brynner « a fait l’acquisition du Manoir de Criquebeuf, à Bonnebosq en 1969. Ce qui l’a séduit d’emblée c’est que le manoir avait une histoire : les deux tours dataient de la guerre de cent ans et elles avaient été réunies au 17e siècle. La propriété était vaste: 35 hectares, ce qui lui permettait de se tenir à l’écart d’éventuels voisins. Il pouvait ainsi réaliser un fantasme : faire de ce manoir un lieu fédérateur où il pouvait réunir sa famille considérablement recomposée…

Beaucoup de ses amis étaient aussi ses voisins en Normandie. Alix de Rotschild, Guy de Rotschild, Hubert Faure, etc.

Il a trouvé cette maison par une connaissance. Elle appartenait à l’ambassadeur de France à Cuba.

Yul Brynner, passionné par la photographie, était un ami d’Henri Cartier Bresson, avec qui il était allé en reportage au Mexique. C’est en l’accompagnant qu’il avait lui aussi photographié là-bas des scènes de corridas.

Il aimait les animaux et avait installé dans sa propriété des pigeons voyageurs et des pigeons acrobates dans le pigeonnier, des chiens, deux ibis, un flamand rose, des crapauds géants… et deux pingouins. Il a ensuite fait don de ces pingouins, me semble-t-il à un zoo du Portugal.

Il aimait jardiner et bricoler. C’était un habitué de La Maison du plastique et de La Quincaillerie de Lisieux. Il aimait aussi manger des crevettes grises et des bulots Aux Vapeurs à Trouville. Il avait sympathisé avec Madame Prentout, célèbre poissonnière de la Halle aux poissons de Trouville.

Lorsqu’il jouait Le Roi et Moi à Londres, Yul Brynner rentrait à Deauville en avion, chaque week-end, et les jours de relâche dans son manoir de Bonnebosq. C’est dans cette maison qu’il a vécu son dernier été en 1985.

Le stade de Bonnebosq s’appelle le Stade Yul Brynner, parce qu’il avait acheté ce terrain dont il a fait don à la commune pour y aménager un terrain de sport ».

Les Dix Commandements, de Cécil B. de Mille
Motion Picture Associates, Cecil B. DeMille, Etats-Unis, 1956
Image : Loyal Griggs
Montage : Anne Bauchens
Musique : Elmer Bernstein
Scénario : Æneas MacKenzie, Jesse L. Lasky Jr., Jack Gariss, Fredric M. Frank
Avec Charlton Heston, Anne Baxter, Yul Brynner, Edward G. Robinson, Yvonne De Carlo, Debra Paget, John Derek, Ian Keith
Sur Arte le 5 mars 2017 à 20 h 45
Sur Paris Première le 10 mai 2018
Sur Paramount Channel les 6 et 12 avril 2019

Salomon et la reine de Saba (1959), de King Vidor 
Avec Yul Brynner, Gina Lollobrigida et George Sanders
Sur Arte les 28 mars et 7 avril 2016 

« Les mille et une vies de Yul Brynner » de Benoît Gautier et Jean-Frédéric Thibault

France, 2019, 52 min

Sur Arte le 22 janvier 2022 à 05 h 55

Disponible du 19/12/2021 au 27/01/2022

Jusqu’au 11 novembre 2012

Sur la plage de Deauville

Jusqu’au 23 octobre 2010
Pierre Passebon-galerie du Passage

20/26, galerie Véro-Dodat, 75001 Paris
L’entrée de la galerie se situe au niveau du 10, rue Croix des Petits-Champs
Tél. : 01 42 36 01 13
Du mardi au samedi de 11 h à 19 h
Entrée libre

Photos de Yul Brynner, de haut en bas :
Doris Brynner et Jean Cocteau – Villa Santo Sospir
France – 1959
© Yul Brynner – Trunk Archive

Jerry Lewis et Dean Martin
© Yul Brynner – Trunk Archive

Verre 2 – La Reine Jeanne – France
1956 – © Yul Brynner – Trunk Archive

Yul Brynner photographie Sophie et Anatole Litvak dans les tribunes de l’hippodrome

Deauville-août 1961

© Stardust Victoria Brynner

Yul Brynner
le Baron Elie de Rotschild, lors du tournoi de polo
Deauville, août 1961
© Yul Brynner – Trunk Archive

Planches de Deauville
© DR

Cet article a été publié le 8 octobre 2010, puis le 8 novembre 2012, 
– le 25 décembre 2013 : France 3 a diffusé à 13 h 55 Les Dix Commandements, de Cecil B. DeMille avec Charlton Heston et Yul Brynner ;
– 20 avril 2014. Arte a diffusé le 21 avril 2014 Salomon et la reine de Saba, de King Vidor avec Yul Brynner, Gina Lollobrigida et George Sanders ;
– 29 mai 2014. France 3 diffusa Les Sept mercenaires (The Magnificent Seven), western de John Sturges ;
 27 septembre 2014. Arte rediffusa le 24 septembre 2014 à 13 h 30 Salomon et la reine de Saba ;
– 29 juillet 2015. TCM Cinéma diffusa les 31 juillet, 2 et 5 août 2015 Salomon et la reine de Saba (1959), de King Vidor avec Yul Brynner, Gina Lollobrigida et George Sanders ;
– 27 mars 2016. Le 28 mars 2016, France 3 diffusa Les dix commandements, de Cecil B. de Mille, avec Yul Brynner, Charlton Heston, Anne Baxter, Yvonne De Carlo. Arte diffusa les 28 mars et 7 avril 2016 Salomon et la reine de Saba (1959), de King Vidor avec Yul Brynner, Gina Lollobrigida et George Sanders ;
– 29 septembre 2016.  France 3 diffusa Les Sept mercenaires, de John Sturges (1961), avec Yul Brynner (Chris), Steve McQueen (Vin), Eli Wallach (Calvera), Charles Bronson (Bernardo), Robert Vaughn (Lee), Brad Dexter (Harry), James Coburn (Britt) et Horst Buchholz (Chico).  
– 6 mars 2017. Le 5 mars 2017, Arte diffusa Les Dix Commandements, de Cecil B. de Mille. 
– 17 octobre 2017. Le 17 octobre 2017, TCM Cinéma diffusa Salomon et la reine de Saba, de King Vidor.
– 10 mai 2018. Le 10 mai 2018, Paris Première diffusa Les Dix Commandements de Cecil B. de Mille.

– 3 avril 2019, Paramount Channel diffusa ce film..

 Il a été modifié le 4 mai 2020.

Les citations proviennent des dossiers de presse.

[Source : http://www.veroniquechemla.info]

Neurocientista brasileiro relata: ressurgem, em todo o mundo, terapias assistidas por drogas psicoativas. Como são os tratamentos pioneiros? Podem ser alternativa ao uso maciço de remédios psiquiátricos? Que preconceitos é preciso vencer?

Eduardo Schenberg, entrevistado por Flavio Lobo, na Revista Cult, parceira editorial de Outras Palavras

Edardo Schenberg é um dos pesquisadores que compõem a vanguarda da ciência psicodélica brasileira. Doutor em neurociência pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador honorário da Imperial College de Londres. Schenberg trouxe para o Brasil parte de uma pesquisa internacional promovida pela ONG estadunidense MAPS, que testou, em pacientes voluntários, um modelo pioneiro de psicoterapia com MDMA, ou metilenodioximetanfetamina, para tratamento de transtorno de estresse pós-traumático. Criou e preside o Instituto Phaneros, dedicado à pesquisa e à formação de profissionais na área das terapias psicodélicas.

Qual é o cenário da saúde mental no mundo e no Brasil?
Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já projetava que a saúde mental seria o maior desafio sanitário global do século 21. Os governos, em geral, investem nessa área muito menos do que a OMS recomenda. Isso acontece por diversas razões, desde o estigma associado a doenças mentais e as discussões infindáveis se elas são ou não doenças reais e outros problemas da psiquiatria, até o excesso de diagnósticos. Traçar a linha divisória entre problemas patológicos e não patológicos não é simples. Mais do que uma divisão binária entre o que é e não é doença mental, o que existe é um espectro com muitas tonalidades. O quadro da saúde mental no Brasil é preocupante. Na última década, temo-nos destacado entre os países em pior situação em termos de número de casos de vários tipos de transtorno – figurando até, em certas pesquisas, como “o pior do mundo”.

Diante do tamanho e da complexidade dos desafios, como você avalia os modelos terapêuticos mais utilizados atualmente para lidar com transtornos mentais?
O campo da saúde mental em geral e o da psiquiatria em particular estão num momento de transição. Nos anos 1970 e 1980 houve muita empolgação com a chegada de novos fármacos. Isso que hoje parece normal, a existência de centenas de medicamentos psiquiátricos, é coisa dos últimos cinquenta anos. Antes, praticamente não existiam drogas psiquiátricas, e os pacientes, quando eram tratados, faziam psicoterapia, psicanálise ou outros tipos de terapias verbais, comportamentais ou envolvendo técnicas como banhos relaxantes. Não havia os chamados “psicofármacos”, moléculas que atuam no funcionamento do sistema nervoso.

Quando essas drogas começaram a chegar, em meados do século 20, a abordagem médica foi afastando-se da psicologia, da psicanálise, da visão social e humanística, e passou a buscar constituir-se como uma ciência biológica do cérebro. Hoje, os resultados desse processo são variados e controversos. Os psicofármacos funcionam para milhões de pessoas, mas não funcionam extremamente bem, falham para outros milhões de pessoas – 15%, 20% ou 50% dos pacientes, dependendo da droga e do transtorno – e têm muitos efeitos adversos. São bastante comuns relatos como “desde que estou tomando antidepressivo, nem sei dizer se melhorei muito da depressão, mas minha libido foi para o chão”. Há pesquisas muito robustas que mostram que a psiquiatria é a área da medicina na qual os medicamentos mais produzem efeitos adversos, chegando ao dobro dos registrados na neurologia. A lógica de buscar o produto, a pílula, que só precisamos engolir para resolver o problema combina com a cultura consumista na qual estamos mergulhados. As evidências indicam que pendemos excessivamente para uma abordagem biofarmacológica e que devemos procurar um equilíbrio com perspectivas subjetivas e sociais.

O que as terapias com psicodélicos trazem de novo? Qual é o potencial dessa abordagem nesses contextos que você descreve?
É quase como recomeçar do zero. Não no sentido de desprezar conhecimento acumulado. Sabe-se muita coisa sobre doenças mentais e formas de tratamento, mas a forma com que conhecimentos e instrumentos são usados e articulados nas chamadas “psicoterapias assistidas por psicodélicos” é completamente diferente. O modo como as substâncias são usadas e os objetivos almejados são muito diferentes: sempre em sessões de psicoterapia, entre duas e seis vezes ao longo de alguns meses – período que, na prática clínica, pode se estender, em alguns casos, a um ou dois anos. Cada sessão de psicoterapia com uso de psicodélicos é uma experiência de vida, uma vivência psíquica que envolve todo o organismo, corpo e mente. São experiências intensas, frequentemente com riso, choro, emergência de memórias, visões… que comumente são lembradas em detalhe e classificadas pelos pacientes entre as mais significativas da vida, mesmo vários anos depois. As pessoas muitas vezes reconhecem a importância de um tratamento bastante tempo depois de tê-lo feito, seja ele químico, psicológico ou psicanalítico, mas é bem rara a lembrança tão vívida e detalhada de momentos de insight, reconhecidos como transformadores. Por décadas, os psicodélicos foram deixados de lado como instrumentos terapêuticos, e isso não decorreu da falta de evidências do potencial deles, mas do fato de serem substâncias que atuam de modo diferente do que é ensinado e aprendido na formação médica e terapêutica da grande maioria dos profissionais. E o fator formação é muito importante mesmo. Aplicar modelos de psicoterapia com psicodélicos exige preparo, não se trata de dar a substância para o paciente e ficar olhando o que acontece. É um processo inter-relacional estruturado, com etapas definidas, o que exige estudo, treino e dedicação.

Psicodélicos também são chamados de alucinógenos, e seus efeitos imediatos, incluindo visões extraordinárias e estados emocionais intensos, podem assemelhar-se a sintomas de doenças mentais. Essas semelhanças explicam parte da resistência ao uso terapêutico dessas substâncias?
Um dos grandes desafios é difundir a compreensão dos efeitos dessas substâncias, superando preconceitos e visões distorcidas. Antes de serem chamadas de psicodélicas, elas foram categorizadas como, por “imitarem a psicose”. Algumas das primeiras descrições médicas dos efeitos dos psicodélicos chegam a lembrar, pelo teor preconceituoso e alarmista, antigas descrições de rituais indígenas feitas por missionários religiosos europeus. Além dos preconceitos presentes na formação acadêmica tradicional, há o “viés de amostragem”. Na experiência clínica, psicólogos, clínicos gerais e psiquiatras tendem a só ter contato com o assunto das drogas ilícitas por meio de pacientes que estão com problemas com essas substâncias. Equivocadamente, muitos acham que essa amostragem representa o universo dos usuários. Mas as pesquisas epidemiológicas mostram que não representa.

A maioria dos consumidores de drogas ilícitas não desenvolve usos problemáticos?
A imensa maioria dos usuários nunca chega ao consultório para falar sobre o assunto porque não precisa – são pessoas que, tendo boas ou más experiências, encontram sua forma de lidar com essas substâncias, usam só em alguns períodos da vida, aprendem a moderar o uso e tendem a reduzi-lo ao ficarem mais idosas. Os mesmos profissionais de saúde, por sua formação e prática clínica, tendem a identificar estados alterados – ou “não ordinários” – de consciência com surtos psicóticos, ataques de pânico, crises alucinatórias… Deixam assim de considerar que a produção proposital desses estados – socialmente estimulada e valorizada – está presente em todas as culturas, com ou sem consumo de drogas, e que esses estados podem ter muitos outros sentidos e funções, inclusive curativos. Um desses estados, conhecido como overview effect, é descrito por astronautas que viram a Terra do espaço. Parece que nosso ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações [Marcos Cesar Pontes], infelizmente, não teve essa experiência. Talvez o setor estivesse hoje numa melhor situação caso ele tivesse acessado esse estado de consciência.

Como exemplo de psicoterapia assistida por psicodélico, pode descrever o protocolo para tratamento de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) que você testou no Brasil?
Esses protocolos se baseiam na integração de componentes que, nas abordagens médicas e terapêuticas tradicionais, seguem uma concepção dualista que separa doenças cerebrais e psíquicas, tratamento do cérebro e da mente, um profissional que medica e outro que escuta e conversa. A terapia com MDMA para TEPT desenvolvida pela ONG estadunidense MAPS foi pioneira mundial na psicoterapia assistida por psicodélico, abordagem que hoje é a mais avançada, testada e bem estruturada. Esse protocolo terapêutico, que está em fase final de aprovação pelo FDA, a Anvisa dos Estados Unidos, dura de três a quatro meses. Primeiro o paciente faz três consultas preparatórias de uma hora e meia cada, sem o psicodélico, para falar do trauma e de sua vida e também para ser informado e tirar todas as dúvidas que tiver sobre a própria terapia, para conhecer os terapeutas e constituir laços de confiança com eles. Depois dessa preparação, acontece a primeira sessão com psicodélico: uma dose de MDMA (de baixa a média), para que o paciente entre em contato com a substância e tenha uma experiência que não o assuste – o que não impede de, para vários pacientes, já ser uma sessão bastante significativa. As sessões com o psicodélico duram oito horas, com música e acompanhamento constante de dois terapeutas.

Há muita conversa nas sessões com o psicodélico?
A tendência é de mais introspecção na primeira metade da sessão e mais conversa na segunda, mas isso varia muito. Em seguida fazemos três consultas integrativas de uma hora e meia, sem psicodélico, para conversar sobre as vivências do paciente durante a sessão com MDMA e depois dela. Para a segunda sessão com o psicodélico, o paciente decide com os terapeutas se a dose da substância será ou não aumentada. Depois dessa sessão, há mais três consultas integrativas, uma terceira sessão com psicodélico e as três consultas integrativas finais. No total são quinze sessões de psicoterapia, sendo três de dia inteiro, com MDMA, que eu chamo de “cirurgias psiquiátricas” por conta da intensidade do processo e da dedicação que ele requer dos terapeutas.

O psicodélico reduz as respostas cerebrais de defesa e medo, facilita o acesso em estado normal a memórias reprimidas ou muito dolorosas e permite que o paciente enxergue sua história e seu trauma de perspectivas novas. É um processo intenso, íntimo e trabalhoso, que requer estrutura e muito preparo para ser feito com segurança e dar bons resultados.

Esse é um protocolo de pesquisa, certo? Uma vez aprovado o uso do psicodélico para esse tipo de tratamento, a prática clínica poderá ser mais flexível?
Exatamente. Pesquisas, testes clínicos e processos de avaliação e aprovação por órgãos como o FDA exigem protocolos rígidos, iguais para todos os pacientes. Na prática clínica, alguns pacientes só precisarão de uma sessão com psicodélico e outros poderão se beneficiar mais com tratamentos um pouco mais prolongados. Também já estão sendo desenvolvidos e testados modelos com diferentes métodos de psicoterapia.

Quais têm sido os resultados desse protocolo com MDMA? Os efeitos benéficos se mantêm com o passar do tempo? As outras terapias com psicodélicos que estão sendo testadas têm obtido resultados semelhantes?
Há uma visão de que o MDMA produz uma euforia que mascara o trauma e que esse efeito teria curta duração. Há casos de uso de psicodélicos fora de enquadramentos terapêuticos, sobretudo de cunho religioso, ritualístico, como a ayahuasca, que mudam a vida das pessoas mas, na maioria das vezes, especialmente no uso recreativo, não têm efeitos tão duradores. No caso do protocolo terapêutico que descrevi, as pesquisas vêm mostrando que dois terços dos pacientes têm ganhos robustos e prolongados. Um estudo da MAPS mostra que, um ano e meio depois da terapia, aumenta o número de pacientes cuja vida melhora muito e chega a superar esses dois terços.

Acompanhados por até cinco anos, esses pacientes que sofriam de quadros graves de TEPT mantêm os ganhos e não voltam a precisar de remédios nem de muita psicoterapia adicional. Protocolos de tratamento com psilocibina para depressão, por exemplo, vêm registrando resultados similares: cerca de dois terços com ganhos muito importantes e um terço com benefícios moderados. A diferença é que, no caso da psilocibina, os ganhos de longo prazo ainda não foram tão bem demonstrados. Mas é preciso considerar que são protocolos em estágio menos avançado de desenvolvimento que o da MAPS com o MDMA.

É realista prever que essas terapias serão acessíveis para a maioria e oferecidas pelo Sistema Único de Saúde, o SUS?
Devemos buscar esse objetivo, já que a maioria dos brasileiros só poderá ter acesso pelo sistema público. O SUS é provavelmente o maior sistema de saúde do mundo, mas vem passando por anos de sucateamento e sabotagem mesmo, o que é bem triste e preocupante. No Brasil, o investimento em ciência, pesquisa e desenvolvimento também só vem diminuindo. Não seria realista imaginar que as primeiras clínicas psicodélicas estarão no SUS. Mas não tenho dúvida de que será importante levar essas terapias para o sistema público de saúde.

Flavio Lobo é jornalista, assessor e consultor de Comunicação. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

Condamnés à perpétuité pour des crimes de sang, les anciens chefs mafieux de la Cosa Nostra sicilienne profitent de leur temps en prison pour lire et s’instruire. Entre brillants étudiants universitaires et néophilosophes, le quotidien Domani dresse le portrait de ces criminels épris de culture.

Arrestation de Bernardo Provenzano, chef de la Cosa Nostra, après plus de quarante années de cavale. Photo prise à Palerme, en Italie, le 11 avril 2006.

Écrit par Attilio Bolzoni

Il existe une mafia qui ne ressemble guère à celle que nous connaissons depuis toujours, vulgaire et ignorante. La mafia du passé, c’était celle des petits mots cryptiques et bourrés de fautes écrits par Bernardo Provenzano. Ou encore celle de Totò Riina, qui se vantait de ne pas être allé au-delà du CM2. Dans les repaires des mafieux ordinaires, les limiers trouvaient toujours une bible. Et pour le chapitre littérature, c’était souvent tout.

Mais les boss qui ont grandi à l’ombre du clan historique des Corleonesi n’ont pas pris exemple sur leurs prédécesseurs. Au contraire, ils ont trouvé refuge dans la culture.

Enfermés pendant un quart de siècle dans des cellules qui n’étaient rien que des trous, ils se sont retrouvés seuls avec Fiodor Dostoïevski et ses Frères Karamazov, Léon Tolstoï, Italo Svevo, Boris Pasternak, Luigi Pirandello, les philosophes allemands, les théologiens protestants, Virgile et Emmanuel Kant. Et c’est ainsi, en cellule d’isolement, qu’est née la génération de mafiosi la plus cultivée de tous les temps.

Avides de savoir, les fils du 41 bis [article de la loi italienne qui détermine un régime carcéral strict pour les chefs mafieux] dévorent tout ce qui est imprimé sur du papier. Ils fréquentent assidûment les bibliothèques pénitentiaires, ils pressent chaque jour leurs avocats de convaincre les procureurs et les agents de probation de leur accorder des autorisations spéciales et des avantages divers, joignant à leurs requêtes attestations et crédits universitaires. À l’image de Filippo Graviano, qui a récemment demandé une autorisation de sortie, en joignant à sa requête la licence qu’il a obtenue en économie, ainsi qu’un certificat de présence à un cours de finance.

Alors que dehors, on lit de moins en moins, dedans, on dévore les bouquins. Les hommes de la vieille Coupole font des études, ils s’immergent dans l’histoire et les mystères de la religion – déclenchant des salves de 20/20 et de mentions dans les disciplines humanistes. La loi qui a fermé pour toujours les portes de leurs cellules leur a ouvert en grand celles de l’instruction.

L’histoire de Giuseppe Grassonelli [condamné à perpétuité en 1992 pour plusieurs meurtres] en dit long. Envoyé pour la première fois dans la prison de l’île de Pianosa, le 15 novembre 1992, il trouve sous le matelas de sa couchette un exemplaire de Guerre et Paix. Il se met à le lire, mais, ne comprenant pas ce qui est écrit, il fond en larmes de désespoir.

C’est alors que pour se sauver de l’enfer de la perpétuité, il décide de se lancer corps et âme dans les études. Au bout de quinze ans d’isolement, il a accouché d’un mémoire : “Les mouvements révolutionnaires napolitains de 1799 et les

[…]

 

[Photo : MARCELLO PATERNOSTRO / REUTERS – lisez l’intégralité de ce billet sur https://bit.ly/3FCVFLS%5D

 

 

La autora de “Noches azules” y “El año del pensamiento mágico” murió este jueves a los 87 años en su casa de Manhattan (Nueva York), según confirmó The New York Times.

Joan Didion en una foto de archivo de 2010 Foto AFP

Joan Didion en una foto de archivo de 2010.

« Nos contamos historias para poder vivir », escribió la cronista, guionista, ensayista, editora y crítica de cine Joan Didion, en su libro de crónicas « El álbum blanco », donde están algunos de los trabajos que la convirtieron en una de las firmas destacadas del Nuevo Periodismo de la década del 60 y eso fue lo que hizo a lo largo de 87 años: recurrir a las palabras siempre, también para intentar encauzar el duelo, como en « El año del pensamiento mágico » y « Noches azules », escritos que retoman las muertes apenas separadas de su marido y su hija.

La noticia de su muerte llegó a través de un mail enviado por Paul Bogaards, ejecutivo de la editorial Knopf y editor de una de las más importantes de Estados Unidos, quien también comunicó que la causa fue un cuadro de párkinson que sufría hace años.

Biografía de la cronista

Nacida en Sacramento (California) en 1934, Didion se convirtió en una de las cronistas más lúcidas de esa ciudad en el que vivió la mayor parte de su vida. Allí su madre le regaló su primer cuaderno para escribir cuando tenía cinco años y su primera entrada fue la historia de una mujer que se estaba helando una noche en el Ártico y cuando salió el sol descubrió que en realidad se encontraba en el desierto del Sáhara, donde murió debido al calor.

Esa primera mujer narrada no sobreviviría pero marcó la búsqueda de Didion por los extremos, los bordes, eso que parece irse de un marco y quedarse en un nuevo sitio en el que siempre hay algo para contar.

Didion como periodista en el Nuevo Periodismo

En artículos periodísticos que exploraban los bordes desgastados de la vida estadounidense de posguerra publicados en la revista Life y The Saturday Evening Post comenzó a circular su escritura, la que siempre fue pensada como una exploración de la que nunca estuvieron ajenos ni su cuerpo, ni su vida.

Por ejemplo, en uno de los ensayos de « El álbum blanco » incluyó su propia evaluación psiquiátrica después de llegar a la clínica de pacientes externos del Hospital St. John en Santa Mónica, quejándose de vértigo y náuseas, época en la que le diagnosticaron esclerosis múltiple.

Esa exploración como cronista la llevó a escribir también informes políticos, presentados como ensayos para The New York Review of Books sobre la guerra civil en El Salvador y la cultura cubana emigrada en Miami que fueron publicados en forma de libro como « Salvador » y « Miami ».

Su trabajo la inscribió como parte de lo que se conoció como Nuevo Periodismo, con compañeros como Tom Wolfe, Hunter S. Thompson, Gay Talese y Terry Southern. Allí se ubicó su famoso reportaje en el que contó de primera mano la revolución de los hippies, que tomó por asalto las calles de San Francisco.

El ao del pensamiento mgico uno de sus libros ms emblemticos

« El año del pensamiento mágico », uno de sus libros más emblemáticos.

Fue activa participante de movimientos pacifistas y feministas en los ’70 y, al mismo tiempo, se constituyó como ícono de la movida cultural, debido a su trabajo como guionista junto con su marido, John Gregory Dunne.

La pareja nunca se creyó del todo parte de lo que pasaba en la industria hollywoodense, pero no dejaron de asistir a ninguna de sus fiestas, en las que compartían horas de charlas y brindis con Warren Beatty y Steven Spielberg, entre otros. Fueron exitosos guionistas, colaborando en « The Panic in Needle Park », una nueva versión de « A Star Is Born » y adaptaciones de « Play It As It Lays » y sus « Confesiones verdaderas ».

Ese clima social y cultural también es parte de « Joan Didion: El Centro cede », el documental que dirigió su sobrino Griffin Dunne y se estrenó en 2017 en Netflix.

A través de una entrevista estructuradora, material de archivo, conversaciones con colegas y amigos y fragmentos de sus obras más emblemáticas, el relato cinematográfico de Dunne muestra la fragilidad y la curiosidad de esa mujer que con más de 80 años seguía escribiendo, desarmando y examinando hechos de su propia vida para volver a encontrarle un sentido.

CINCO LECTURAS PARA CONOCER LA OBRA DE JOAN DIDION

La escritora Joan Didion, fallecida hoy a los 87 años a causa de un párkinson, dejó una veintena de obras de ficción y no ficción que incluyeron guiones y piezas teatrales, una de ellas « Where I from », próxima a publicarse en Argentina, en 2022, dando forma a un legado que puede leerse a través de cinco libros imprescindibles.

Voz del nuevo periodismo que en los ’60 exploró la contracultura estadounidense, su presentación a los lectores en español llegó con un libro de su madurez, « El año del pensamiento mágico » (2005), donde narra la pérdida de su marido, el escritor John Gregory Dunne, un infarto dos días antes del año nuevo del 2004, y la enfermedad de su hija, Quintana Roo Dunne, cuya muerte por neumonía inspiraría otro ineludible, « Noches azules » (2011).

De Quintana Roo son las notas enmarcadas y manuscritas que se ven en el documental « El centro cede » (2017), realizado por Griffin Dunne, sobrino de Joan y John, segundos que captan la esencia de « Noches azules », el libro que fue una profundización de su duelo. « Querida mamá, era yo quien huía cuando abriste la puerta », escribió Quintana en esa nota. La escritora explica a cámara: « Era adoptada, me la habían dado para cuidarla y fallé ».

Protagonista de la revolución estilística de ese nuevo periodismo que tuvo a muy pocas mujeres entre sus reconocidas voces pioneras -de Truman Capote y Tom Wolfe a Hunter S. Thompson, de Gay Talese a Terry Southern- al que aportó la cadencia distendida y algo escéptica de su California natal, Didion tiene otro libro imprescindible como « Sur y Oeste », la edición del cuaderno de notas que completó durante un roadtrip por Misisipi, Alabama y Luisiana junto a su marido.

El resultado son unas agudas y cortantes anotaciones sobre un Sur retrógrado que en la era reciente de Trump (2017-2021) resonaron como ecos proféticos, a lo que se suman sus notas californianas de 1976, iniciadas como un encargo de Rolling Stone para cubrir el juicio contra Patty Hearst que nunca llegó a escribir (actriz secuestrada en 1974 por el Ejército Simbiótico de Liberación al que se unió, un grupo radical de izquierda estadounidense que robaba bancos y cometía asesinatos), que la hizo reflexionar sobre los Hearst, sus propios años de formación y un Oeste que al contrario del Sur siempre ha mirado al futuro.

El otro stop en su obra podría sugerirse en « Según venga el juego », un clásico moderno de las letras norteamericanas y una de las piezas más reconocidas de Didion, considerada por la revista Time una de las mejores cien novelas en lengua inglesa publicadas entre 1923 y 2005, que disecciona sin contemplaciones la sociedad estadounidense de finales de los ’60.

Explora, por un lado, la realidad de ser mujer donde siempre han prevalecido las necesidades masculinas y, por otro, captura el estado de ánimo de toda una generación que vive bajo el engaño de las apariencias, la amoralidad, las consecuencias del liberalismo extremo y el hastío generalizado del individuo contemporáneo.

La muerte de su marido e hija y sus textos en castellano

Justamente lo primero que se pudo leer de ella en castellano fue « El año del pensamiento mágico » y « Noches azules », libros en los que narra cómo se enfrentó a la muerte de su marido, John Gregory Dunne, y a la de su única hija, Quintana en un breve e intenso lapso de tiempo.

Dunne se desmayó en su mesa en 2003 y falleció de un ataque cardíaco, después de visitar a su hija estaba gravemente enferma en un hospital. Esas memorias fueron un éxito de ventas y Didion dijo que pensaba en el trabajo como un testimonio de un tiempo específico; trágicamente, « El año del pensamiento mágico » pasó a estar fechado poco después de su publicación. Pero ese drama tenía una continuidad: Quintana murió durante el verano de 2005 a los 39 años de pancreatitis aguda. La escritora retomó esa muerte en su siguiente publicación: « Noches azules ».

« La vida cambia en un instante. Te sientas a comer y la vida que conocías se acaba de repente », escribió en el primero de esos libros que la hicieron llegar a la vida de lectores de todo el mundo. Por « El año del pensamiento mágico » ganó el Premio Nacional del Libro y fue adaptado como unipersonal de Broadway protagonizado por Vanessa Redgrave.

Didion se había casado con Dunne, a quien había conocido en una cena, en 1964 y dos años más tarde, adoptaron a Quintana Roo. A pesar de sus propios conflictos, Didion le dijo a su sobrino que ella y Dunne crecieron y resistieron.

 

[Foto: AFP – fuente: http://www.telam.com.ar]

Expoñente do novo xornalismo, hai anos que convivía co párkinson

Escrito por M. VIÑAS / I. C. R.

A literatura e sobre todo o xornalismo quedaron este xoves un pouco máis orfos tras a morte de Joan Didion, unha das grandes cronistas do século XX, expoñente do novo reporterismo e, moi ao seu pesar, voz narrativa do duelo. Confirmaba a noticia a The New York Times Paul Bogaards, editor de Knopf, o selo estadounidense que publicaba a súa obra. A autora, diagnosticada de esclerose múltiple nos anos 70, levaba anos convivindo coa enfermidade de Parkinson. As súas complicacións foron consumíndoa aos poucos e acabaron levándolla aos 87 anos— apenas un suspiro, ela—, tras unha longa vida que lle ensinou que non remontar non era unha opción.

Didion, nacida en Sacramento (Estados Unidos) en 1934, quedou sen o seu marido e sen a súa única filla en apenas dous anos. O 30 de decembro do 2003, John Gregory Dunne, colega de profesión, bo amigo e desde 1964 compañeiros de vida, sufriu un inesperado ataque cardíaco que acabou fulminantemente coa súa vida. Quintana, filla de ambos, atopábase entón, con 37 anos, moi enferma. Morreu dous anos despois, vítima dunha pancreatitis. Esta dor, con todo, resultou fértil, e tras a escuridade a escritora deu a luz dous textos que a converteron no emblema da literatura do desconsolo e a superaciónO ano do pensamento máxico e Noites azuis. Nada hai nelas de autocompasión nin de azucrado manual de autoaxuda. Engaiolada, exorcizou a súa perda e foi capaz de manter sempre en forma á outra Didion, a intrépida, a escéptica.

Graduouse na Universidade de Berkeley e a finais dos anos sesenta comezou a forxarse un nome no que logo se chamou «o novo xornalismo», unha corrente que apostaba por un estilo máis narrativo e por certo ton de autor á hora de contar as cousas. A súa primeira gran obra foi Slouching Toward Bethlehem (1968), unha colección de ensaios xurdidos por mor dunha columna regular que escribía para o Saturday Evening Post, nos que analizaba a cultura da súa California natal. Facíao cargando as tintas contra a cultura hippie emerxente en San Francisco. Aquel ano, o mesmo diario que este xoves daba a noticia do seu falecemento asegurou que o libro reunía «algunhas das mellores pezas publicadas nas revistas deste país nos últimos anos».

Foi unha heroína da crónica xornalística nos tempos de Nixon. Elegante reporteira, no epicentro da tormenta contracultural, capaz de falar sobre o LSD e a matanza de Charles Manson sen caer na propaganda nin tampouco na paranoia. Os seus textos transpiraban incerteza na terra dourada, con toques de fastío e suspicacia. A súa mirada era distante, pero íntima.

Coñeceu a John Dunne cando ela traballaba en Vogue, como editora e crítica de cine, e el en Time. Eran a elite do xornalismo, un tándem sentimental, pero tamén creativo do que saíron guións cinematográficos como o baseado no seu libro Segundo veña o xogo, levado á gran pantalla por Frank Perry e protagonizada por un mozo Anthony Perkins. Converteuse nunha celebridade con ataques de vertixe, pero aos poucos deixou de estar de moda. Fotografada a miúdo con lentes de sol, no 2015 mantiña intacto o seu magnetismo, tanto como para protagonizar, xa osuda e sen rastro daquela moza dos 70, unha campaña publicitaria da casa de moda francesa Céline para anunciar as súas lentes de sol. Entre as súas novelas, Río revoltoBook of Common PrayerDemocracy e The Last Thing Hei Wanted.

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Surgido de las protestas estudiantiles de 2011, el ganador de las elecciones en Chile encabeza la irrupción de una generación de menores de 40 años que no vivió los horrores de la dictadura pinochetista

El candidato presidencial chileno Gabriel Boric durante la campaña.

Escrito por FEDERICO RIVAS MOLINA

Cuando a Gabriel Boric le pidieron ser candidato presidencial, se negó. “No está dentro de mis intereses. Falta muchísima experiencia, muchísimo por aprender, de conocimiento del Estado”, le dijo a sus compañeros del Frente Amplio que le habían propuesto ser la carta del sector para enfrentarse a Daniel Jadue, del Partido Comunista, en la elección interna de la coalición Apruebo Dignidad. Forzado por la falta de figuras relevantes en su partido, aceptó. Y en julio de 2021, arrasó en las primarias: sacó el 60%, más de un millón de votos, ante el mejor candidato que había tenido el comunismo en sus 110 años de historia. Y no le fue mal en la carrera. Representante de una izquierda que no vivió los horrores de la dictadura de Augusto Pinochet, se ha convertido este domingo, con 35 años, en el presidente más joven de la historia de Chile, con casi el 56% de los votos.

El día de su triunfo en las primarias de julio, Boric citó en su discurso una famosa frase de Salvador Allende, el presidente socialista que el 11 de septiembre de 1973 fue sacado muerto de La Moneda por los militares golpistas. “Se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre y la mujer libre para construir una sociedad mejor”, dijo. No fue casual. Boric rescató durante la campaña la memoria de aquel Gobierno socialista de los setenta, pero rompió lazos con los partidos tradicionales que dirigieron la transición democrática a partir de 1990. Se consumaba así la irrupción en la alta política de la llamada “generación sin miedo”, aquella que supo de la dictadura por boca de sus padres o en lecturas escolares. Esa nueva generación de izquierda, muy joven y surgida en los claustros secundarios y universitarios, disparó contra el corazón de la transición chilena. La acusaba de no haber roto amarras con la impronta neoliberal que impuso a Chile el Gobierno militar, con un Estado mínimo, sin servicios públicos de calidad y familias endeudadas de por vida para pagar los estudios de sus hijos.

Boric nació en 1986 en Punta Arenas, región de Magallanes, en el extremo más al sur del país, en una familia de clase media acomodada. Hijo de un empleado petrolero de militancia demócrata cristiana, se inició en la política en el colegio. “Es una persona que surge como líder estudiantil desde muy joven, cuando vivía en Punta Arenas”, explica Claudia Heiss, jefa de la carrera de Ciencias Políticas de la Universidad de Chile. “Luego estudió Derecho en la Universidad de Chile [en Santiago] y en 2009 logró expulsar al decano, que tenía acusaciones de plagio y discrecionalidad. Eso no tenía antecedentes”, explica. En 2011, Boric se puso al frente, junto a otros dirigentes estudiantiles, de las protestas callejeras por mejoras en la educación pública. Su figura se agrandó.

Eugenio Tironi, catedrático de la Universidad Católica, dice: “Boric sería una versión corregida de [el activista francés] Daniel Cohn-Bendit, que hace el Mayo del 68 en 2011 y en lugar de irse a una comunidad hippie crea un partido”. Y continúa: “Se vende al sistema, pero no hace carrera dentro de los partidos tradicionales y funda [en 2017] una fuerza propia que es el Frente Amplio. Primero derrota al Partido Comunista en la interna, luego pasa a la segunda vuelta [tras la primera, del 21 de noviembre], rearticula después a todo el centroizquierda” y, finalmente, gana la presidencia.

En 2014, Boric juró como diputado, junto a otros líderes surgidos de las revueltas de 2011, como la comunista Camila Vallejo. Todos recuerdan aquel acto solemne, al que el hoy presidente electo decidió acudir sin corbata y con una chaqueta informal. Los políticos de toda la vida dispararon críticas contra él. Boric decía entonces que “el Parlamento chileno no representa la diversidad social, sino a una élite de Santiago, machista y, evidentemente, de clase alta”. En esos tiempos seguía de cerca el derrotero de Podemos en España y leía Construir pueblo de Íñigo Errejón y Chantal Mouffe. “Su referente es Errejón, no es Pablo Iglesias. No viene de familia comunista, de izquierda libertaria; viene de una clase media alta y nunca le hizo asco a un entendimiento con la socialdemocracia”, explica Tironi.

En 2017, junto a su amigo y también dirigente Giorgio Jackson, logró 20 diputados en el Congreso. En octubre de 2019 salió otra vez a la calle, para participar de las revueltas sociales que hicieron tambalear al Gobierno de Sebastián Piñera. Y entonces se produjo el quiebre, el gran salto a la política. Boric mantuvo en el Congreso una conversación con el senador de derecha Juan Antonio Coloma y acordó como salida a la crisis cambiar la Constitución de Augusto Pinochet, vigente desde 1980. Su decisión, personal, arrastró al Frente Amplio a firmar el 15 de noviembre un acuerdo con todas las fuerzas políticas para convocar a la elección de una Asamblea Constituyente.

“Eso lo catapultó como candidato presidencial”, explica Heiss. “Dijo que había que buscar una salida negociada y firmó con la UDI [el partido tradicional más a la derecha del espectro político chileno]. Boric es razonable, dialogante, y ha aprendido de la complejidad de la política. Boric hablaba muy mal de los partidos y eso lo ha cambiado. Ha mostrado capacidad de hacer cosas que no gustan a sus bases, como el acuerdo del 15 de noviembre”, resume Heiss. De hecho, la firma lo distanció del Partido Comunista, que no apoyó el pacto. Y muchos de los estudiantes que lo seguían en ese momento lo consideraron un “traidor”. A fines de 2019, con las calles aún ardiendo, unos jóvenes lo increparon y agredieron en el centro de Santiago: “Vendiste al pueblo”, le gritaron, mientras le arrojaban cerveza a la cara. Boric se alejó entonces de la primera línea del Frente Amplio, a la que regresaría más tarde para ser candidato presidencial.

Apareció entonces el Boric más pragmático. Para la campaña por la segunda vuelta se acercó a los líderes de aquella Concertación que tanto había denostado, en un esfuerzo para ganar los votos del centro, que resultaron clave en su triunfo ante el derechista José Antonio Kast. Boric se puso un saco (americana) y una camisa y se reunió con el expresidente Ricardo Lagos, sumó el apoyo de la Democracia Cristiana y el Partido Socialista y recibió un espaldarazo público de la expresidenta Michelle Bachelet. Sus votantes pasaron a ser “chilenos y chilenas”, ya no “compañeros y compañeras”. Este domingo, se convirtió en presidente de Chile.

 

[Foto: JUAN FARIAS | EUROPA PRESS – fuente: http://www.elpais.com]

Outre son amour des montagnes, très présentes dans ses tableaux, les œuvres d’Etel sont aussi pleines de couleurs vives et vibrantes. Image publiée sous licence CC BY-NC-SA 2.0

Écrit par Raseef22 – traduit par François Noverraz

Cet article [1] a tout d’abord été publié par Raseef22 [1] le 24 novembre. Une version revue est reproduite ici en vertu d’un partenariat avec Global Voices.

Etel Adnan [2] [fr], icône libano-étasunienne, poétesse, essayiste et artiste visuelle acclamée dans le monde entier, s’est éteinte en paix à son domicile parisien, le 14 novembre, à l’âge de 96 ans. Elle laisse derrière elle sa partenaire d’une vie, l’artiste syrio-libanaise Simone Fattal.

Au fil d’une existence couvrant quasiment un siècle, Adnan mena de multiples vies, travaillant dans le journalisme, l’enseignement et la poésie, écrivant et peignant. Elle eût une profonde influence sur une foultitude de personnes à travers le monde, comme en témoigne l’avalanche d’hommages [3], souvenirs et condoléances balayant les réseaux sociaux, célébrant sa vie, chérissant sa mémoire et pleurant sa disparition.

« Elle nous a donné confiance » : galeristes, conservateurs, conservatrices, amis et amies se souviennent de la poétesse et artiste d’avant-garde #EtelAdnan [4], décédée à l’âge de 96 ans. https://t.co/zhkisCCWJ0 [5] @artnet [6] pic.twitter.com/uptDmYRj2N [7]

— Women in the Arts (NMWA) (@WomenInTheArts) 8 novembre 2021 [8]

Les myriades de facettes apparues au fil de sa carrière viennent en partie de ses multiples identités, elle qui a grandi dans un foyer mixte de la ville de Beyrouth, chère à son cœur, élevée par une mère grecque orthodoxe originaire de Smyrne (désormais Izmir) et un père syrien musulman de Damas, officier ottoman haut gradé. Elle a été exposée dès son plus jeune âge à une multitude de langues et confessions qui ont modelé une facette de sa personnalité, comme l’a fait le temps passé au Liban.

L’identité est une question de choix. Ce n’est pas quelque chose de dur, comme la pierre. Nous sommes aussi ce que nous voulons être. Nous faisons des choix.
RIP #EtelAdnan [4]

— Tamsin Omond (@tamsinomond) 15 novembre 2021 [9]

Son âge, et la perspective qu’il lui offrait, était pour elle « un don des cieux ». À plus de 90 ans, elle assurait avoir un point de vue unique sur le Liban puisqu’elle était née en 1925, quelques mois avant la création de l’État libanais en 1926. Interviewée [10] par Ricardo Karam en 2019, elle déclarait se considérer comme une gardienne de la mémoire libanaise, se rappelant son enfance au cœur d’un pays cosmopolite et les nombreux événements historiques dont elle fut témoin. Elle rappelait l’époque de gouvernance française, la guerre mondiale, et la première génération de femmes ayant appris à nager et pouvant travailler. Elle a vu de ses yeux l’émancipation des femmes de sa génération.

 Nous portons en nous les mots d’Etel Adnan. RIP. « La mémoire est-elle nous-mêmes ? Ou la fabriquons-nous ? Notre identité est sans aucun doute ce que notre mémoire décide de retenir. Mais il ne faut pas présumer que c’est un espace de stockage. Ce n’est pas un outil pour être capable de réflexion : elle pense, avant de penser. »

— Omar Al-Ghazzi (@omar_alghazzi) 14 novembre 2021 [11]

Participant activement à l’émancipation de sa génération, elle fut l’une des premières Libanaises à travailler dans un bureau. À 16 ans, elle travailla dans un bureau de presse, d’où elle vit la guerre s’achever.

Sur ses toiles éclatantes, Adnan peignait la liberté, étalant ou appliquant en petites touches à l’aide de son couteau à palette des couleurs saturées emplies de vitalité. Pour elle, la liberté était un don qu’il fallait mériter ; pour elle, l’amour existait entre deux libertés. La sienne résidait, ultime, dans sa capacité à rêver et conserver son âme d’enfant. Dans la même interview, elle a décrit son espoir d’un monde meilleur :

My dreams are not for me, but for my environment, I dream of a Lebanon that is at peace with itself, a Lebanon at the level of the quality of the people that live in this country.

Mes rêves ne sont pas pour moi, mais pour mon environnement, je rêve d’un Liban en paix avec lui-même, un Liban au niveau de la qualité des personnes qui y résident.

Tout au long de sa vie et de son œuvre, elle a ressenti une responsabilité et une affinité envers le Liban et le monde arabe, bâtissant ses montagnes autour d’eux.

Etel Adnan fut éduquée au sein d’écoles françaises à Beyrouth, puis étudia la philosophie à la Sorbonne. Elle partit aux États-Unis poursuivre ses études philosophiques supérieures à Berkeley et Harvard. Elle enseigna cette matière et écrivit insatiablement poèmes, essais et pièces de théâtre, qui connurent un large succès critique.

Elle rentra au Liban en 1972, où elle devint rédactrice en chef culturelle au sein de deux journaux, Al Safa et L’Orient le Jour. C’est à Beyrouth qu’elle rencontra Simone Fattal. Ensemble, elles fuirent la guerre civile et se réfugièrent à Paris où Adnan écrivit Sitt Marie-Rose roman primé devenu un classique de la littérature de guerre. Simone Fattal décrit son style comme « incisif, intrépide et sauvage », adjectifs qui pourraient tout aussi bien s’appliquer à sa personnalité et à son œuvre interdisciplinaire.

Lors d’un entretien [12] au MoMA (Museum of Modern Art ) de San Francisco en 2018, elle a raconté sa rencontre avec la peinture à l’âge de 20 ans, lorsqu’elle se rendit en France pour étudier. Elle visita le Louvre et fut impressionnée au-delà de tout ce qu’elle aurait pu imaginer, elle qui se décrivait si « innocente envers l’art ». « J’avais toujours pensé que c’était une chance de ne pas avoir eu de contact avec l’art auparavant : je l’ai pris de plein fouet ! », a-t-elle expliqué.

Bien qu’elle se souvienne avoir adoré le dessin à l’école, ce n’est qu’au milieu de la trentaine qu’elle commença à peindre, les arts visuels immédiatement liés à son écriture. Selon elle, peindre, c’est écrire, et écrire, c’est peindre, l’essence des deux formant une image de l’âme, créée pour autrui en un dialogue permanent.

Adnan se sentait le plus chez elle dans un milieu urbain entouré de nature. Elle racontait trouver la beauté dans l’environnement citadin naturel de San Francisco, d’où elle pouvait visiter les bois Muir et ses hauts séquoias à feuilles d’if, ou le mont Tamalpais au cœur du parc national de Yosemite, une source d’inspiration majeure pour son œuvre. Cela lui rappelait Beyrouth, capitale proche des montagnes. Dans ses écrits, dessins ou tableaux, les montagnes étaient des êtres sensuels, à la rencontre du ciel et de la terre, volcans en éruptions.

La lune s’assombrit à l’aube
la montagne frémit
d’excitation
et l’océan prend une double teinte :
le bleu de sa surface avec
le bleu des fleurs
mêlés en sillages horizontaux
il y avait une brise pour
assister au moment

—Etel Adnan#EtelAdnan [4] https://t.co/QL2B0jCSRG [13] pic.twitter.com/1QSc5T8WbA [14]

— Dr. NelofarIkram (@dr_nelofarikram) 17 novembre 2021 [15]

Le mont Tamalpais se retrouvait souvent dans ses tableaux, sous différents aspects, formes et couleurs. L’évoquant avec Simone Fattal, celle-ci a expliqué que le processus de peindre et d’écriture donnaient à Adnan la certitude implicite, de ce qu’elle voyait, de ce qu’était la montagne, tout en lui rendant autonome : être à la fois la montagne et sa représentation.

Elle attribuait sa palette vive et riche à son identité d’« artiste californienne », trouvant le bonheur au cœur de constructions colorées. Enfant, elle voulait être architecte. Inspectés de plus près, ses tableaux révèlent ce que Simone Fattale appelait le « vocabulaire d’une architecte », lisible dans ses compositions soigneusement construites.

Son style, un langage abstrait fait de lumière, se révèle à travers ses toiles, dessins, tapisseries et leprellos [16] [fr] au sein desquels se mêlent récits et poèmes. Interviewée [17] par le magazine Apollo, elle expliquait évoquer un paysage interne, un « paysage qui est en elle ». Des expositions lui ont été consacrées dans des institutions du monde entier : le MoMAde SF, le Zentrum Paul Klee à Bern, l’Institut de Monde arabe à Paris, The Serpentine Galleries à Londres, Documenta 13 à Cassel en Allemagne, la Biennale de Sharjah aux EAU, la Biennale de Whitney Biennial à New York, etc.

Son œuvre peut être admirée en ce moment à l’exposition Etel Adnan : la nouvelle mesure de la lumière qui se tient au musée Guggenheim [18] de New York, et à la galerie Sfeir-Semler [19] à Hambourg, une présentation de ses dernières toiles organisée à l’occasion du prix Lichtwark qui lui a été décerné à titre posthume le 18 novembre.

Poussée par son engagement et la responsabilité qu’elle pensait avoir envers le monde, Adnan donna sans compter de son temps, de ses dons et d’elle-même, portée par un sentiment d’urgence grandissant vers la fin de sa vie. Elle a écrit sur l’univers, la vie, la mort, la nature, les villes, les montagnes et les femmes. Aux aubes des jours suivant sa mort, l’univers pleure celle qui s’était proclamée sa « meilleure amie ».

Adnan pensait que la mémoire desservait la mort, la mémoire collective jouant dans ce qu’elle décrivait comme la folie déguisée, une forme folle de déni. Lors de son entretien avec Ricardo Karam, lorsqu’il lui a demandé comment elle souhaitait être remémorée, elle s’était exclamée qu’elle voulait qu’« on se souvienne que j’aime le monde, que j’aimais l’univers, et être en vie est le plus beau cadeau de l’univers ».

Article publié sur Global Voices en Français: https://fr.globalvoices.org

URL de l’article : https://fr.globalvoices.org/2021/12/24/270459/

URLs dans ce post :

[1] article: https://raseef22.net/article/1085374-a-century-of-etel–a-mountain-who-leaves-behind-mountains

[2] Etel Adnan: https://fr.wikipedia.org/wiki/Etel_Adnan

[3] l’avalanche d’hommages: https://www.theartnewspaper.com/2021/11/15/passion-and-compassion-in-her-poetry-and-paintingtributes-paid-to-lebanese-artist-etel-adnan-who-has-died-aged-96

[4] #EtelAdnan: https://twitter.com/hashtag/EtelAdnan?src=hash&ref_src=twsrc%5Etfw

[5] https://t.co/zhkisCCWJ0: https://t.co/zhkisCCWJ0

[6] @artnet: https://twitter.com/artnet?ref_src=twsrc%5Etfw

[7] pic.twitter.com/uptDmYRj2N: https://t.co/uptDmYRj2N

[8] November 18, 2021: https://twitter.com/WomenInTheArts/status/1461137096362668039?ref_src=twsrc%5Etfw

[9] November 15, 2021: https://twitter.com/tamsinomond/status/1460245856624517123?ref_src=twsrc%5Etfw

[10] Interviewée: https://www.youtube.com/watch?v=f3L8zlCWbUY

[11] November 14, 2021: https://twitter.com/omar_alghazzi/status/1459962334055739395?ref_src=twsrc%5Etfw

[12] entretien: https://www.youtube.com/watch?v=X1si6F0h97U&t=24s

[13] https://t.co/QL2B0jCSRG: https://t.co/QL2B0jCSRG

[14] pic.twitter.com/1QSc5T8WbA: https://t.co/1QSc5T8WbA

[15] November 17, 2021: https://twitter.com/dr_nelofarikram/status/1461039694032953349?ref_src=twsrc%5Etfw

[16] leprellos: https://fr.wikipedia.org/wiki/Leporello_(livre)

[17] Interviewée: https://www.apollo-magazine.com/the-colours-i-use-are-the-colours-of-california-an-interview-with-etel-adnan/

[18] musée Guggenheim: https://www.guggenheim.org/exhibition/etel-adnan-lights-new-measure

[19] Sfeir-Semler: https://www.sfeir-semler.com/exhibitions/hamburg/current

Comment trouver ses repères dans un Liban, leur Liban, qui n’existe plus ? Ils font partie de ces privilégiés qui gravitaient dans les hautes sphères de la société ou qui ont joui de tout ce que le pays avait de mieux à leur offrir. Récit.  

Régina Fenianos a dirigé le Bal des Débutantes de 1998 à 2019. Photo : Joao Sousa

Dans son salon d’apparat, Régina Fenianos est assise sur son canapé oriental couleur lie de vin. Elle affiche son plus beau sourire mais elle a du vague à l’âme. La « socialité » incontournable des soirées mondaines et caritatives n’a plus de quoi noircir son agenda. Tout juste de quoi occuper son temps ce jour-là, en prodiguant ses conseils à l’ambassade de Russie qui cherche à organiser un événement. Cette Brésilienne d’origine libanaise incollable sur le gotha mondial vit dans la nostalgie du passé. Celui du Liban à ses heures de gloire qu’elle a connu avant-guerre, puis celui d’avant la crise de 2019. Sur le piano, la photo de son mariage au Brésil en 1973 avec l’avocat Camil Fenianos, et celles entourée de sa tribu, fils, belles-filles et petits-enfants. Les murs de sa maison ancienne qui surplombe le port de Jounieh, sont devenus un almanach d’un temps désormais révolu. Les photos des galas, des remises de distinctions, mais aussi celles en compagnie des hommes qui ont marqué la politique libanaise de ces dernières décennies. Pas tout à fait incompatible, dit-elle, avec les deux bannières de drapeau libanais placées de part et d’autres d’un miroir ancien, son blason à elle de la « Thaoura ».

Comment trouver ses repères dans un Liban, leur Liban, qui n’existe plus ? Ils font partie de ces privilégiés qui gravitaient dans les hautes sphères de la société ou qui ont joui de tout ce que le pays avait de mieux à leur offrir. Ils sont issus de ce qu’on appelle les « bonnes familles », ont eu un parcours universitaire irréprochable, un métier des plus convenables. Tout comme leurs parents ou leurs enfants. En quelques mois à peine, les crises politique puis économique ont rebattu les cartes. La révolution a ratissé large. Riches ou pauvres, nombreux ont été les « déçus du système ». Une partie de la bourgeoisie libanaise est descendue dans les rues suite au soulèvement du 17 octobre 2019. Elle a été partie prenante de la révolution aux côtés des « sans-culottes ». Pendant des mois, plusieurs mondes ont foulé les mêmes pavés pour dénoncer le système. Un système qui tournait à l’avantage des puissants, avec ses zones grises, ses petits arrangements. Là est tout le paradoxe. Comment vouloir le changement lorsqu’on a toujours trouvé son compte dans ce Liban d’avant ? Dès les débuts du mouvement contestataire, la carioca a troqué le beau monde et ses tailleurs de créateurs, pour un drapeau à la main et un visage peint, en se mêlant à la foule qui se pressait au centre-ville de Beyrouth. « Le Liban passe avant tout. Ce n’est pas parce qu’on vit à Jounieh qu’on est sectaire », souligne Régina Fenianos. « C’était le plus beau pays du monde. Tous les princes étrangers me le disaient. Sauf que la classe politique a fini par tout détruire », ajoute-t-elle.

Régina Fenianos, dans son salon, dans la maison familiale de Jounieh. Photo Joao Sousa

Régina Fenianos, dans son salon, dans la maison familiale de Jounieh. Photo : Joao Sousa

« J’ai fait l’AUB et ta mère l’USJ »

Toufic Tahan, héritier et PDG de la grande chaîne d’électroménager Abed Tahan, a lui aussi cru dans la révolution et au changement. Mais il fait preuve d’une certaine lucidité. Parmi ses priorités, figure la lutte contre la corruption systémique, notamment le fait que certaines entreprises soient exonérées de frais de douanes ou ne déclarent pas leurs employés par exemple. « Je paye mes taxes, ma marchandise entre légalement, mes salariés sont assurés, et tu vois d’autres outrepasser ces règles complètement, c’est l’un des plus gros faits de corruption dans ce pays », estime-t-il.

Akram*, 62 ans, a battu le pavé aux côtés d’une foule éclectique, avant de faire marche arrière. « Il n’y avait pas d’opposition forte, c’était et c’est toujours trop le bazar », se plaint-il. Cet ex-financier incarne cette bourgeoisie chrétienne qui a vu son monde s’écrouler. Cet ancien de l’école d’ingénieur de l’AUB et titulaire d’une maîtrise en économie et relations internationales obtenue dans une faculté aux États-Unis, a fait toute sa carrière dans la finance, entre le Liban et les pays du Golfe. « Un jour mon fils m’a dit qu’il voulait entrer en business dans une université de seconde zone. Je lui ai dit ‘c’est quoi ça ? Je ne la connais pas celle-là. J’ai fait l’AUB et ta mère l’USJ’. Il était hors de question qu’il ne fasse pas le même parcours alors qu’il en était capable », raconte Akram, qui affirme n’avoir jamais utilisé de « wasta » (piston) de sa vie. Tout juste un coup de pouce d’un professeur qu’il connaît pour faire accepter le dossier de son fils à la prestigieuse université américaine. Dans leur appartement situé dans l’un des plus beaux quartiers d’Achrafieh, sa femme et lui ont comme tout le monde dû s’acclimater aux coupures incessantes de l’électricité et autres pénuries. Une nouveauté pour ce couple habitué à un certain standing. « Je fais désormais tout à pied. « Karamté » (ma dignité) ne me permet pas d’accepter de faire la queue pendant des heures pour faire le plein de ma voiture (à l’époque de la crise du carburant) », lâche-t-il entre deux lampées de thé, dans un café proche de chez lui. Les courses alimentaires sont désormais livrées directement à leur domicile. La crise du Covid et la situation économique ont mis tous ses projets professionnels à l’arrêt. À cause de la dévaluation de la monnaie, son épouse ne touche plus que 40 % de son salaire. « Notre niveau de vie a beaucoup baissé. Mais heureusement, nos enfants ne sont plus à notre charge puisqu’ils travaillent depuis peu en Europe », raconte Akram. Maintenant que le pays est à la dérive, il dit rêver d’un « Liban socialiste », se considère de centre-gauche, et ne serait pas contre le fait de prendre les transports en commun.

Même ceux qui étaient nantis font désormais davantage attention aux sorties, et ont la nostalgie de la vie d\'avant. Ici à Gemmayzé. Photo d\'archives Marc Fayad

Même ceux qui étaient nantis font désormais davantage attention aux sorties, et ont la nostalgie de la vie d’avant. Ici à Gemmayzé. Photo d’archives – Marc Fayad

« Être une employée lambda » à l’étranger
Lisa*, elle, oscille entre l’envie de continuer sa vie dans son pays et la tentation de le quitter. Après un parcours sans faille dans une école privée religieuse, des études à l’AUB et un master en Espagne, cette ingénieure et designer freelance de 37 ans est rentrée au Liban en 2015. Dès le début de la crise, les projets d’intérieurs de Lisa se sont réduits comme peau de chagrin, sa clientèle n’ayant plus accès aux fonds nécessaires ou préférant diriger son argent vers des choses plus essentielles. La jeune femme vit et travaille toujours au domicile familial, et ne se voit pas abandonner son statut d’entrepreneure pour « être une employée lambda » à l’étranger. « C’est vrai qu’autour de moi ça se vide, les gens partent. J’ai de moins en moins de projets, mais je ne raterais pour rien au monde cette opportunité de construire une identité nationale, je m’en voudrais de ne pas en faire partie », justifie-t-elle. À l’autre bout du fil, Lisa a parfois l’air gênée d’être une privilégiée. « Avant, je vivais dans un cocon, entre gens du même genre. C’est sûr que j’ai ressenti un petit choc culturel quand je suis arrivée à l’AUB. Puis, l’autre côté est devenu chez moi aussi ». Elle rêve de retrouver le Liban qu’elle a aimé, dans lequel elle a grandi… À quelques différences près. « Il nous faut un pays égalitaire, une nouvelle nation débarrassée de la mainmise de pays étrangers », dit-elle.

Après des années de quasi-insouciance, le château de carte qui s’est effondré a laissé place à un entre deux eaux lugubre. À cause de la situation actuelle, Régina Fenianos n’arrive pas à fermer l’œil avant deux heures du matin. Elle déambule d’une pièce à l’autre, avec une classe naturelle, et replonge dans ses souvenirs comme s’il s’agissait d’un lointain passé. Celui des soirées avec les ambassadeurs de tous les pays, mais aussi et surtout les années du Bal des débutantes qu’elle a monté en 1998. « Je ne pense plus à la belle vie ! C’est fini tout ça. On a eu la France, les États-Unis à notre chevet et ça n’a rien donné. Le patriarche maronite qui prie, ça aussi ça n’a rien donné ! ». Depuis son balcon, elle jette un œil sur la Vierge de Notre-Dame du Liban, et ravale ses larmes. Jamais on a autant toqué à sa porte pour demander de l’aide. À défaut d’un État fort, et d’un système de sécurité sociale, les classes les plus pauvres, toutes confessions confondues, ont toujours dû compter sur les œuvres de charité et associations de bienfaisance. Regina Fenianos en avait fait sa devise, pour « ne pas passer à côté de sa vie ». Un travail qui s’est intensifié en coulisses depuis le début de la crise et l’effondrement de la monnaie, propulsant la population dans une pauvreté inédite. À travers le Lion’s club, que son mari préside, elle a pu aider des familles de certains quartiers sinistrés après les explosions du 4 août 2020. Elle-même se trouvait dans un restaurant à proximité à ce moment-là, alors que ça faisait des mois qu’elle ne mettait plus un pied dehors à cause du Covid. Propulsée par la déflagration, elle parvient à se dépêtrer pour sortir des décombres et revenir chez elle au volant de sa voiture, blessée. L’impact psychologique est indélébile. « Je suis furieuse contre les dirigeants politiques qui n’ont rien dit, rien fait ! Même Emmanuel Macron est venu », déplore-t-elle.

Le bal des débutantes, un souvenir des grands événements qu'organisait Regina Fenianos par le passé. Ici en 2016. Photo d'archives

Le bal des débutantes, un souvenir des grands événements qu’organisait Regina Fenianos par le passé. Ici en 2016. Photo d’archives

« Je suis choqué par le fait que les gens ne bronchent pas »
L’effondrement du secteur bancaire est venu frapper les épargnants. Pour les familles aisées qui avaient placé toutes leurs économies en banque, les limitations des retraits et le haircut déguisé sur les dépôts en dollars, les ont forcés à s’adapter. « La crise économique impacte tout le monde, même nous, puisque nous avons de l’argent en banque et qu’il est impossible de le retirer. À cause de ça, nous ne pouvons plus aider comme avant, et nous n’avons plus autant de sponsors », poursuit la Brésilo-Libanaise. Lisa se trouvait en Europe lorsque les banques ont décidé de geler les comptes en devises à l’automne 2019. « C’est la première fois que je me retrouvais dans cette situation, je n’avais plus le sou, je devais compter sur des amis », se rappelle-t-elle. Akram, lui, avait pris les devants en voyant le cataclysme se profiler. Il achète un appartement à Paris en 2018, et retire petit à petit son argent des banques. « Je n’avais aucune confiance en ce système bancaire, puisque je le connais de l’intérieur. Les banques étaient gérées comme l’État, avec beaucoup de clientélisme, du népotisme. La banque centrale est clairement fautive et je suis choqué par le fait que les gens ne bronchent pas », confie Akram.

Depuis son bureau situé à Mazraa, Toufic Tahan, raconte pour sa part ne pas avoir vu un tel effondrement se profiler. « J’avais même rapatrié de l’argent de l’étranger vers les banques libanaises. Dieu merci, le business a pu continuer et nous avons pu limiter les pertes d’une manière ou d’une autre », confie l’homme d’affaires. Les personnes aisées disposant de dollars frais continuent de s’approvisionner en produits de luxe. La crise a fait émerger aussi une toute autre clientèle qui a su tirer profit de la crise de carburant ou du marché noir monétaire.

Au fil de la conversation, trois des personnes citées dans l’article estiment que le mode de vie à la libanaise est l’une des raisons de l’échec du système. « Sous l’ère Hariri, on vivait dans une sorte de bulle, et tout le monde en profitait, mais c’était éphémère. Tout le monde voulait voyager, s’acheter de belles voitures et les banques ont encouragé cela », estime Akram. Toufic Tahan va même plus loin. « Clairement les gens vivaient au-dessus de leurs moyens. Quand je voyais ma secrétaire voyager deux fois l’an, ou que je croisais un soldat de l’armée avec le dernier iPhone, ce n’était pas très sain », dit-il, comme si, pour lui, l’accès à un certain mode de vie n’était réservé qu’à une élite aisée.

L’époque où les banques prêtaient à outrance et où les taux d’intérêts sur les dépôts étaient alléchants étant révolue, le déclassement des différentes classes sociales s’est fait à la vitesse grand V. Aujourd’hui, seule une infime partie de la population parvient à maintenir un certain niveau de vie. Akram, sans emploi à cause du Covid et de la crise, a dû revoir ses dépenses à la baisse. Tout comme Lisa qui, n’ayant pas de compte bancaire à l’étranger, ne voyage plus et fait attention à ses sorties et à ce qu’elle consomme. « Ça permet de se concentrer sur l’essentiel. Ce qui m’angoisse le plus, c’est l’accès à l’éducation et à la santé plutôt que le luxe », affirme-t-elle.

Pour ne plus ressentir les coupures de courant, Toufic Tahan a fait installer chez lui des panneaux solaires et, avec des amis businessmen, a acheté des terrains dans le Akkar où ils produisent des légumes et des fruits, comme des avocats ou du litchi. « La crise ne nous a pas tellement impactés parce que nous vivions simplement. Mais oui, on ne voyage plus comme avant à cause du Covid et de l’argent », résume M. Tahan, dont les trois enfants vivent dans le Golfe et au Canada. « Les prix au supermarché sont devenus fous », s’indigne Regina Fenianos. Comme elle ne trouve plus certains médicaments, cette dernière compte désormais sur les voyages des uns et des autres pour se les procurer. « Je ne sais pas comment font les gens »…

*Les prénoms ont été modifiés

[Photo : Joao Sousa – source : http://www.lorientlejour.com]

Roschdy Zem est un acteur – Ceux qui m’aiment prendront le train de Patrice Chéreau et Alice et Martin d’André Téchiné (1998), Ma petite entreprise de Pierre Jolivet (1999), Change-moi ma vie de Liria Bégéja (2001), Chouchou de Merzak Allouache (2003), Va, vis et deviens (2005), Indigènes (2006), Roubaix, une lumière d’Arnaud Depleschin – et réalisateur – Mauvaise Foi (2011), Omar m’a tuer (2011), Chocolat (2016) – franco-marocain né en 1965. Soutien à l’association française Un cœur pour la paix dont il est le parrain depuis 2009, il a une vision partiale du conflit au Proche-Orient. Ciné + Club diffusera les 24, 27 et 31 décembre 2021 et 4 janvier 2022 « Mauvaise foi », réalisé par Roschdy Zem, avec le réalisateur, Cécile de France, Pascal Elbé et Jean-Pierre Cassel.

Publié par Véronique Chemla

Roschdy Zem est un acteur, scénariste et réalisateur franco-marocain né en 1965 dans un milieu modeste.

Après avoir exercé divers métiers, il s’oriente vers la comédie. Il débute dans Les Keufs de Josiane Balasko (1987) et est choisi par André Téchiné pour J’embrasse pas (1991) et Ma saison préférée (1993). Deux films : un toxicomane dans N’oublie pas que tu vas mourir de Xavier Beauvois et En avoir ou pas de Laetitia Masson. Suit une filmographie où l’acteur montre la variété de son talent : L’Autre Côté de la mer (1997), premier film de Dominique Cabrera, Ceux qui m’aiment prendront le train de Patrice Chéreau et Alice et Martin de Téchiné (1998), Ma petite entreprise de Pierre Jolivet (1999), Change-moi ma vie de Liria Bégéja (2001), Chouchou de Merzak Allouache (2003), Va, vis et deviens (2005), Indigènes (2006) – Roschdy Zem est corécipiendaire avec Jamel Debbouze et Samy Naceri d’un Prix d’interprétation masculine au festival de Cannes interprété aussi par Bernard Blancan et Sami Bouajila.

En 2020, Roschdy Zem est distingué par le César du meilleur acteur pour Roubaix, une lumière d’Arnaud Depleschin.

Roschdy Zem a réalisé Mauvaise Foi (2011), Omar m’a tuer (2011), inspiré de l’affaire Omar Raddad, Bodybuilder (2014) et Chocolat (2016) retraçant la vie d’un clown – un succès commercial – et Persona non grata, avec Nicolas Duvauchelle et Raphaël Personnaz (2018).

En 2015, il préside le jury du 37e Festival du cinéma méditerranéen de Montpellier. Un jury dont étaient membres Marianne Denicourt, Leïla Slimani, Alice de Lencquesaing et Jacques Fieschi.

En mars 2021, il préside la controversée, et politisée comme la précédente, 46e cérémonie des Césars présentée par Marina Foïs, sur des sketches de Laurent Lafitte et Blanche Gardin. Plus de César du public. Un échec en termes d’audimat.

« Mauvaise foi »

Mauvaise foi est le premier long métrage réalisé en 2006 par Roschdy Zem, avec le réalisateur, Cécile de France, Pascal Elbé, Jean-Pierre Cassel, Martine Chevallier, Bérangère Bonvoisin, Leïla Bekhti, Naima Elmcherqui, Antoine Chappey, Mickaël Masclet, Abdelhafid Metalsi, Jean-Claude Frissung. Le scénario est signé par Pascal Elbé et Roschdy Zem.

« Clara et Ismaël s’aiment depuis longtemps. Quand la jeune femme apprend qu’elle est enceinte, ils décident de vivre ensemble. Elle est juive et lui, musulman, mais comme ils ne pratiquent ni l’un ni l’autre, ils ne voient pas comment la religion pourrait nuire à leur amour. Pourtant, quand Clara décide de présenter son cher et tendre à sa famille, l’affaire se corse. Si le père de Clara semble prendre la nouvelle avec philosophie, il n’en va pas de même pour sa mère, qui fait une crise épouvantable. Les choses pourraient en rester là, mais peu à peu, les traditions des uns et des autres font leur apparition dans leur quotidien. Les disputes sur les religions se multiplient… »

Netanyahou, les « colonies » et le « mur »

Site Internet centré sur la thématique islamique, Saphirnews.com a republié l’interview de mai 2010 mise à jour de l’acteur-réalisateur Roschdy Zem à l’occasion de la sortie de son deuxième film Omar m’a tuer. L’occasion d’évoquer son parcours, son soutien à l’association française Un cœur pour la paix, dont il est le parrain depuis 2009, et sa vision partiale du conflit au Proche-Orient. J’ai le cœur qui bat pour la paix. Tel est le titre de cette interview signée par Hanan Ben Rhouma et mise à jour au 22 juin 2011.

Cet acteur quadragénaire talentueux retrace alors sa carrière. Puis, il explique les raisons de son soutien à Un cœur pour la paix, qui « a sauvé 315 enfants condamnés à mourir », et « couvre la formation de médecins palestiniens qui pourront, à leur tour, aider leurs compatriotes ». Le terme « compatriote » s’avère inadéquat car il n’existe pas d’État palestinien.

« La paix n’est pas pour demain. Surtout quand on apprend que Netanyahou [Premier ministre israélien, ndlr] décide de développer de nouvelles colonies », annonce cet acteur. Quelles « colonies » ? À Jérusalem ? En Judée ou en Samarie ? Quelle est la compétence de l’acteur Roschdy Zem pour imputer l’absence de paix à la partie israélienne du conflit et pour se prononcer négativement sur une éventuelle décision de l’autorité politique israélienne issue d’élections légales, régulières ? Pourquoi ne s’indigne-t-il pas des constructions illégales palestiniennes ou de l’absence de mandat, depuis deux ans, de Mahmoud Abbas (Abou Mazen) pour diriger l’Autorité palestinienne ? La paix dépend-elle réellement de la construction de quelques localités ?

Et Roschdy Zem d’ajouter : « On sent aussi que les deux peuples sont pris en otage par leurs dirigeants respectifs. Une chose m’a rassuré : je n’ai pas senti de haine des deux côtés. On sent bien que, de la part des Palestiniens, il n’y a pas de forme d’antisémitisme ». Roschdy Zem s’est « rendu dans la région » pour tourner dans le film Va, vis, deviens (2005) de Radu Mihaileanu. Il n’aurait pas vu ou entendu l’enseignement de la haine antijuive – ou antisioniste – et le négationnisme ou le révisionnisme dans les médias de l’Autorité palestinienne !? A-t-il rencontré des victimes du terrorisme en Israël, marquées dans leur chair et leur esprit par les attentats terroristes palestiniens ?

Ce fin observateur a « senti un couple qui voulait divorcer… par l’existence de deux États, pour, peut-être un jour, faire la paix. La France et l’Allemagne sont bien passées par là ». Les sondages auprès de Palestiniens révèlent qu’une large partie aspire à la destruction de l’État juif, soit par la solution à un État, soit par le retour des réfugiés en Israël. Cette comparaison entre ces deux conflits est-elle fondée ? La paix franco-allemande a résulté de la capitulation du IIIe Reich dont l’idéologie antijuive avait séduit une partie du monde arabe, de sa dénazification, de la révision des manuels scolaires allemands nazis, etc. Or, l’Autorité palestinienne promeut et soutient le terrorisme islamiste, sans que la communauté internationale s’en émeuve.

Mais voilà, « on ne le leur permet pas : si Israël et Palestine pouvaient divorcer, il n’y aurait pas ce mur [en Cisjordanie, ndlr] ni des colonies qui se développent ». Cette barrière de sécurité antiterroristes a sauvé et sauve des vies d’enfants et d’adultes en Israël. Ceci devrait toucher cette belle âme qui promeut une association sauvant les vies d’enfants palestiniens, mais qui n’a pas un mot pour les enfants traumatisés de Sdérot et, plus généralement, de la région israélienne limitrophe de la bande de Gaza. De plus, les implantations se développent en raison de la démographie israélienne, des familles qui s’agrandissent ou qui s’installent dans des zones où le coût de l’immobilier est plus accessible ou pour y poursuivre leur projet sioniste. Pas un mot de Roschy Zem sur Guilad Shalit, otage franco-israélien du Hamas dans la bande de Gaza depuis 2006.

Le coût d’une opération du cœur : 12 000 € provenant pour moitié de l’hôpital Hadassah de Jérusalem et pour l’autre moitié de l’association Un cœur pour la paix. Comment collecter les fonds nécessaires à ces opérations ? « Me rendre là-bas est important pour constater et interpeller les citoyens français car ce sont eux qui me connaissent le mieux. Mais l’argent est le bienvenu de partout. J’interpellerais volontiers les citoyens d’autres pays, y compris Israéliens ». Et pourquoi pas ne pas demander aux Palestiniens une contribution financière ? La corruption et les détournements de fonds, puis la lutte contre ces malversations financières menée par le Premier ministre palestinien Salam Fayyad et une croissance économique soutenue – « le PIB des TPO (Territoires palestiniens occupés) a augmenté de 6,8% en 2009« , selon la CNUCED (Conférence des Nations unies sur le commerce et le développement), et de 9,3% en 2010 – ont amélioré le niveau de vie de la population palestinienne. Pourquoi de riches palestiniens ou/et l’Autorité palestinienne ne participeraient-ils pas aussi au coût de ces opérations ? Quand cessera-t-on de présenter les Palestiniens comme les éternelles et seules victimes, pauvres ?

À Street generation ou à L’Express, Roschdy Zem a tenu des propos non politisés sur son engagement comme parrain d’Un cœur pour la paix. Pourquoi n’a-t-il pas maintenu cette neutralité sur SaphirNews, site centré sur les thèmes musulmans ? Cette politisation partiale sert-elle la paix et Un cœur pour la paix ?

Pourquoi Saphirnews interroge-t-il Roschdy Zem, acteur d’origine marocaine, sur ce seul conflit, et non sur ces révoltes dans le monde arabe ? Ou sur les revendications d’indépendance du Sahara occidental occupé par le Maroc ? Ou sur Ceuta et Melilla, enclaves espagnoles au Maroc ? Pourquoi cet artiste ne s’exprime-t-il que sur ce conflit dont il ne semble pas avoir compris la raison essentielle : le refus par le monde musulman d’un État juif ?

« Le  cliché de l’Arabe victime »

Récipiendaire en 2006 d’un Prix d’interprétation masculine au festival de Cannes pour son rôle dans Indigènes, film controversé de Rachid Bouchareb avec Jamel Debbouze, Samy Naceri, Bernard Blancan, Sami Bouajila, Roschdy Zem a déclaré aussi : « Le cliché de l’Arabe voleur ou victime disparaît peu à peu du paysage cinématographique… On est presque arrivé à un effet inverse, où cela pourrait paraître stupide de faire des films où existent ces clichés ».

En 2011, Roschdy Zem coécrit le scénario et réalise « Omar m’a tuer », film inspiré de l’affaire Omar Raddad, soupçonné de l’assassinat en 1991, près de Mougins, de Ghislaine Marchal. Le jardinier de celle-ci, Omar Raddad, est condamné en 1994 à 18 ans de réclusion criminelle pour ce meurtre. En 1998, à la demande du roi Hassan II du Maroc, le président de la République Jacques Chirac accordait une grâce présidentielle à Omar Raddad, qui avait clamé son innocence…

À lire des critiques argumentées – le journaliste Guy Hugnet dans Atlantico et l’avocat général près de la Cour d’appel de Paris Philippe Bilger dans Marianne – du film Omar m’a tuer, il semble que Roschdy Zem ait présenté une image d’un Arabe victime d’une prétendue erreur judiciaire dans son deuxième film.

« Mauvaise foi », par Roschdy Zem

France, 2006

Avec Roschdy Zem, Cécile de France, Pascal Elbé, Jean-Pierre Cassel, Martine Chevallier, Bérangère Bonvoisin, Leïla Bekhti, Naima Elmcherqui, Antoine Chappey, Mickaël Masclet, Abdelhafid Metalsi, Jean-Claude Frissung.

Sur NT1 le 15 janvier 2017, à 20 h 55

Sur C8 le 28 décembre 2017

Sur Ciné + Emotion les 27 mai 2019 à 16 h 50, 31 mai 2019 à 12 h 05, 3 juin 2019 à 22 h 15, 5 juin 2019 à 12 h 05

Sur Ciné + Club diffusera les 24 décembre 2021 à 12 h 50, 27 décembre 2021 à 7 h et 31 décembre 2021 à 12 h 35 et 4 janvier 2022 à 2 h

L’article a été publié le 29 juin 2011, puis les 16 janvier et 29 décembre 2017.

[Source : http://www.veroniquechemla.info]