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Em Memória, uma mulher é assolada por um ruído perturbador que vem das entranhas da terra – ou, talvez, do espaço sideral. Num jogo sinestésico, a todo momento o filme puxa o tapete e recoloca novo estado de transe, dúvida e surpresa

Escrito por José Geraldo Couto

Alguém já disse que entender um filme do tailandês Apichatpong Weerasethakul é mais difícil que pronunciar seu nome. Talvez seja mesmo, se “entender”, no caso, significar apreender intelectualmente uma obra e explicá-la em linguagem verbal. Ganhará mais, a meu ver, o espectador (ou o crítico) que se deixar levar pelo fluxo de sensações posto em movimento por seus filmes – como o desconcertante Memoria, em cartaz nos cinemas – incluindo, a partir de agosto, as salas do IMS.

Não que não haja estímulos ao intelecto na trajetória da escocesa Jessica Holland (Tilda Swinton), que passa a ser assombrada por um som estranho (“É como um estrondo surdo vindo do centro da terra”) durante uma temporada na Colômbia, em visita a uma irmã (Agnes Brekke) que vive com marido e filho em Bogotá. O difícil é encontrar um significado claro e explicável nessa trajetória. Menos que um sentido, o que há é uma provocação aos sentidos.

A primeira cena do filme mostra Jessica saltando da cama ao ouvir o ruído perturbador. Nós a vemos em silhueta, na penumbra da madrugada – análoga, aliás, à luminosidade de uma sala de cinema. Pouco depois, num quarto de hospital, Jessica está ao lado do leito da irmã, que também cochila e acorda, falando de um sonho que acaba de ter.

Entre o sono e a vigília

É nessa condição incerta, entre o sono e a vigília, que o diretor tailandês instala suas personagens – e os espectadores que se dispuserem a imergir nessa experiência. Pois, a exemplo do que ocorre em outras obras do cineasta, trata-se aqui muito mais de imersão do que de observação e análise.

É numa espécie de transe ou sonambulismo em que Jessica se vai movimentar daí em diante, obcecada por descobrir a origem e a razão do ruído misterioso. Encara-o como uma mensagem (do seu próprio corpo? Do mundo dos sonhos? Do espaço sideral? Do além?) a ser decifrada. Numa das sequências mais belas e significativas, ela tenta descrever o mal que a aflige para o jovem técnico de som Hernán (Juan Pablo Urrego), que busca num acervo de efeitos sonoros algo semelhante.

O recurso à criação verbal de imagens (“É como uma grande bola de chumbo caindo sobre uma chapa metálica no fundo do mar”, por exemplo) indica uma tentativa de ultrapassar as limitações da linguagem para expressar uma sensação. Estamos no centro do cinema de Apichatpong Weerasethakul, com sua ânsia de sinestesia, de ultrapassar as fronteiras entre os sentidos, e entre estes e a inteligência.

Do subsolo ao cosmos

Seguindo o passo hesitante de Jessica, o espectador é levado a explorar outros territórios – das profundezas da terra, onde se encontram ossadas humanas de seis mil anos, à imensidão do cosmos, passando pela destruição da floresta e de povos indígenas para a construção de uma estrada de interesse de madeireiros e traficantes de animais.

Na sequência em que a protagonista desce ao subsolo para acompanhar a descoberta de ossadas durante a perfuração de um grande túnel, é impossível não lembrar da cena análoga de Roma, de Fellini, em que uma casa romana pré-cristã é encontrada durante a construção do metrô. O moderno e o arcaico se entrechocam nesse mergulho.

A ideia de profundidade é evocada também na conversa em que o técnico de som Hernán conta a Jessica que tem uma banda de música eletrônica chamada Depth of Delusion (profundezas da ilusão, ou do engano). Os dois estão sentados significativamente aos pés de uma estátua de Nicolau Copérnico, o homem que afirmou que a terra girava em torno do sol, e não o contrário, como até então se acreditava.

A passagem do subterrâneo ao extraterrestre se dá na segunda parte do filme, no interior amazônico da Colômbia, em que alguns elementos apresentados na primeira parte reaparecem com o sinal mudado ou distorcido, sendo o mais evidente deles o surgimento de um Hernán (Elkin Díaz) algumas décadas mais velho que o primeiro.

Seria ele a mesma pessoa, depois de muitos anos? Um duplo? Ou se trata de um sonho, com “vestígios do dia” da ação vivida anteriormente e transmudada pelas operações de deslocamento e condensação estudadas por Freud na interpretação onírica? Algo similar ocorre em dípticos de David Lynch como A estrada perdida e A cidade dos sonhos.

É impossível cravar uma certeza. A todo momento em que julgamos ter encontrado “a explicação”, o filme nos puxa o tapete sob os pés e nos recoloca de novo num estado de dúvida e surpresa. Durante um par de horas somos levados pelo diretor a vivenciar um bom punhado de situações e a pensar no lugar que ocupamos no mundo e nas relações que mantemos com nosso entorno: familiar, social, histórico, natural, cósmico. Não é pouca coisa.

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

La història d’Alsàcia està lligada a la seva ubicació fronterera entre el poder alemany i el francès

Vista aèria d’un poble alsacià

 

Alsàcia

Elsass

DADES GENERALS

Població
1.884.150 h. (2019)
Superfície
8.280 km²
Institucions
Col·lectivitat Europea d’Alsàcia
Ciutats importants
Estrasburg, Hagenau, Wissembourg, Milhüsa/Mülhausen (Mulhouse), Kolmar (Colmar)
Administració estatal
República Francesa
Llengües territorials
alemany (alsacià, fràncic), francès (welche)
Llengües oficials
francès
Cultura religiosa
cristianisme catòlic, cristianisme protestant


Introducció

La història d’Alsàcia està lligada a la seva ubicació fronterera entre dues grans àrees culturals i de poder: l’alemanya, representada pel Sacre Imperi primer i l’Imperi alemany després, la francesa

La seva és una història d’anades i vingudes entre aquestes dues potències europees. La regió actual va ser part del comtat germànic d’Alsàcia a l’edat mitjana, però el 1648 França l’annexiona en virtut de l’acord de Westfàlia. La Guerra francoprussiana de 1870 la retorna a Alemanya després tractat de Frankfurt, però el 1918, amb la fi de la Primera Guerra Mundial, passa a formar part de França. L’expansionisme del III Reich la fa de nou alemanya, però amb la derrota del nazisme l’any 1945, torna a formar par de la República Francesa.

A cavall d’aquests dos mons, Alsàcia ha disposat, en diverses fases de la seva història, d’un autogovern propi, tot i que limitat. Així, juntament amb la Mosel·la, Alsàcia va ser autònoma dins d’Alemanya entre 1911 i 1918. Sense la Mosel·la, Alsàcia ha disposat de la seva pròpia assemblea, amb autonomia executiva, dins de la República Francesa entre 1982 i 2015 i de nou des de 2021.

Llengua

La major part del territori s’inclou dins del domini lingüístic de l’alsacià, un dialecte de l’alt alemany. L’alsacià és parlat pel 30% de la població, tot i que només el 5% l’usa com a llengua principal (enquesta 2020).

La llengua tradicional de l’extrem nord d’Alsàcia és una altra variant alemanya (el fràncic) mentre que alguns municipis de l’extrem occidental (l’anomenat Pays Welche) es troben dins del domini de les llengües d’oïl.

La comunitat jueva ha usat històricament la seva pròpia variant de l’ídix: el judeoalsacià, o yédish-daïtsch.

Política i institucions

El 2016, i en virtut de la reforma territorial aprovada el 2014 per l’Assemblea Nacional francesa, Alsàcia va quedar integrada en la regió administrativa del Gran Est, conjuntament amb les regions històriques de Lorena i Xampanya. La decisió va aixecar una oposició generalitzada a Alsàcia.

El 2019, el Senat i l’Assemblea Nacional francesa van aprovar la creació de la Col·lectivitat Europea d’Alsàcia, que ha donat al país, de nou, un marc institucional propi des de gener de 2021. El nou ens fusiona els departaments de l’Alt Rin i el Baix Rin. Té autonomia executiva dins de la regió del Gran Est, de la qual continua formant part.

El moviment polític alsacianista continua reclamant la sortida d’Alsàcia de la regió del Gran Est i l’assoliment de l’autonomia legislativa i executiva. El 68% de la població dóna suport a abandonar el Gran Est, segons una enquesta de 2020.

El principal partit alsacianista és Unser Land, creat el 2009 a partir de la fusió de formacions preexistents. Unser Land defineix Alsàcia com una nació i estableix com a objectius l’autogovern del país amb un Parlament propi, amb capacitat legislativa, i l’oficialitat de la llengua alsaciana. Es posiciona entre el centre i el centreesquerra. A les eleccions regionals (Gran Est) de 2015 va obtenir l’11% dels vots a Alsàcia.

Amb molt menys suport popular, Alsace d’Abord és un partit autonomista d’extrema dreta que manté un discurs força centrat en l’oposició a la immigració, particularment de països de majoria musulmana.

Finalment, Alternativa Alsaciana és un partit ecologista i federalista de centreesquerra. Reclama un estatut d’autonomia especial per a la Col·lectivitat Europea d’Alsàcia.

 

[Foto: Experience Alsace – font: http://www.racocatala.cat]

“Hace muy bien entonces Gabriel Boric en cuestionar al Estado de Israel por su carácter colonial, lo que no tiene nada que ver con ser antisemita, como plantea de manera infundada la Comunidad Judía de Chile”.

Escrito por Andrés Kogan Valderrama

A propósito de que el presidente Gabriel Boric decidiera no recibir al embajador de Israel en Chile, para la entrega de sus cartas credenciales, luego del asesinato de un menor de edad palestino, resultan bastante injustas las críticas que ha tenido que recibir por parte de algunos sectores.

Lo planteo ya que rápidamente fue tildado de antisemita por parte de la Comunidad Judía de Chile (1); y también de judeofóbico, por algunos personajes públicos, como es el caso del abogado Ricardo Israel (2).

De ahí que me parezca profundamente difamatorio, que apelen a un juicio de esa índole tan grave, a alguien que jamás ha sostenido un discurso de odio contra el pueblo judío ni ningún otro, sino muy por el contrario, ha defendido de manera irrestricta los derechos humanos en distintos lugares en el mundo.

Es cosa de revisar un poco las distintas críticas que ha realizado Gabriel Boric a diferentes Estados en el mundo, no solo al Estado de Israel por violaciones a los derechos humanos, como son los casos de Colombia, Cuba, Venezuela, Nicaragua, Rusia, Estados Unidos, Irán, China y Chile, como lo hizo nuevamente en su discurso en la Sesión Plenaria de la Asamblea General de la ONU (3).

Es cosa de revisar un poco las distintas críticas que ha realizado Gabriel Boric a diferentes Estados en el mundo, no solo al Estado de Israel por violaciones a los derechos humanos, como son los casos de Colombia, Cuba, Venezuela, Nicaragua, Rusia, Estados Unidos, Irán, China y Chile, como lo hizo nuevamente en su discurso en la Sesión Plenaria de la Asamblea General de la ONU (3).

Por lo mismo, la comunidad judía de Chile podrá estar en desacuerdo con la crítica de Boric al Estado de Israel, por su carácter colonial y racista contra el pueblo palestino, la cual muchas y muchos compartimos, pero de ahí a tildarlo de antisemita me parece un despropósito.

Lo digo ya que se banaliza el concepto de antisemitismo y se le vacía de contenido, lo que no hace otra cosa que ofender la memoria de millones de judíos que a lo largo de la historia han sido discriminados, humillados, perseguidos y asesinados por el solo hecho de ser judíos.

Además, a modo de comprensión del concepto, si bien el antijudaísmo tiene raíces históricas que vienen desde los inicios de la cristiandad y la idea de que los judíos traicionaron a Cristo, el antisemitismo moderno, originado en Europa en el siglo XIX, tiene ciertas características especiales, ante la formación de los Estados-nación modernos.

En consecuencia, el rechazo a los judíos desde la época moderna no tiene que ver con un rechazo religioso propiamente tal, sino con un rechazo racista, que construyó la idea de que los judíos eran personas apátridas, impuras y no confiables, que ponían en peligro la soberanía nacional, al ser quienes desestabilizaban el orden existente, a través del control de la economía, los medios de información y el dinero, en beneficio propio.

Es cosa de revisar los discursos racistas y conspirativos de parte del zarismo en Rusia y del nacionalsocialismo en Alemania por ejemplo, en donde ambos responsabilizaban a los judíos de las crisis existentes, de todos los males y de querer controlar el mundo, como se puede ver fácilmente en Los Protocolos de los Sabios de Sion y en Mi Lucha de Adolf Hitler.

Lo paradójico de todo esto es que justamente desde ese nacionalismo homogeneizador y racista occidental, nacido en Europa en el siglo XIX, e impuesto al resto del mundo contra los judíos y otros pueblos, que surgió también un movimiento nacionalista judío, llamado sionismo, que luego del genocidio y horror del Holocausto, concretaría el nacimiento del Estado de Israel.

A partir de ahí en adelante, con la creación del Estado de Israel, se construyó desde la negación de un otro palestino, expulsando a cientos de miles de ellos de sus casas en 1948 (Nakba) y colonizando prácticamente todo el territorio, con la ocupación de 1967.

Es desde ese colonialismo israelí, que hasta el día de hoy no ha cesado y se ha profundizado incluso, a pesar de las innumerables violaciones al derecho internacional y condenas desde Naciones Unidas, como manifestó en reiteradas ocasiones la ex alta comisionada para los derechos humanos, Michelle Bachelet (4).

Con esto no se trata de que los judíos en el mundo no tengan derecho a tener un Estado y a vivir dentro de fronteras seguras, como ciertos discursos fundamentalistas islámicos lo plantean, pero eso no justifica el colonialismo de asentamientos y apartheid que se ha implantado en territorios palestinos.

Hace muy bien entonces Gabriel Boric en cuestionar al Estado de Israel por su carácter colonial, lo que no tiene nada que ver con ser antisemita, como plantea de manera infundada la comunidad judía de Chile, como también lo ha hecho el gobierno israelí, ante cualquier crítica política de este tipo de alguna persona.

Se podrá decir que ciertas críticas al Estado de Israel se mezclan con argumentos antisemitas de ciertos sectores de izquierda antisionistas, al referirse sobre un supuesto complot judío en Chile, como ha planteado el alcalde de la comuna de Recoleta, Daniel Jadue, en reiteradas ocasiones, pero Gabriel Boric jamás ha señalado su crítica de esa forma racista.

Para finalizar, como persona con apellido de origen judío e hijo de padre judío, me avergüenza mucho que se use el antisemitismo como argumento para descalificar cualquier crítica al Estado de Israel, ya que judíos y no judíos tenemos el deber de defender los derechos humanos y oponernos al racismo sea donde sea, como lo ha venido haciendo Gabriel Boric todos estos años.

1: https://www.t13.cl/noticia/politica/comunidad-judia-chile-impasse-pdte.-boric-corresponde-gobierno-pida-disculpas

2: https://www.infobae.com/america/opinion/2022/09/18/la-judeofobia-de-boric/

3: https://www.youtube.com/watch?v=LlrZR3qbp8Y&feature=youtu.be

 

[Fuente: http://www.lemondediplomatique.cl]

L’autor de les ‘Aventures i desventures de l’insòlit i admirable Joan Orpí’ torna a la novel·la d’aventures amb ‘La veu del seu amo’, una història en clau d’humor sobre el maltractament animal.

Escrit per Joan Simó i Rodríguez

“Humanitzar els animals en la literatura és estúpid”. Així ho creu, com a mínim, el protagonista de la darrera novel·la de Max Besora. Té gràcia que ho digui, sobretot, perquè es tracta d’un gos, un gos humanitzat, tan afectat per les passions humanes que és capaç d’enganxar-se a sèries televisives, opinar sobre política i citar a Diògenes, que era cínic i, per tant, una mica caní. Referir-se a ell per un nom concret és difícil. De la mateixa manera que a Llucifer, al personatge principal de La veu del seu amo (Males Herbes, 2022) se’l pot mencionar de diverses formes -Milú, Petaner, King, Nipper…-, tantes com propietaris té durant el transcurs de la història. Jo, que, a més de tenir terres, soc amo i senyor d’aquestes línies, li diré Molècula, que és com l’anomenen els membres de la disfuncional família Holofernes i el brillant acadèmic Walter Colloni, el personatge del llibre que més simpatia m’ha despertat. Max Besora presenta La veu del seu amo a La Setmana del Llibre en Català dijous 15 de setembre a les 18h amb una conversa amb Jordi Nopca.

A aquests aclariments preliminars cal afegir-los un altre: en Molècula no és tan sols un animal humanitzat, és, també, una bèstia robòtica, víctima d’un experiment novedosíssim -obra de Colloni- que l’habilita per parlar diverses llengües i escriure la seva autobiografia, sorgida de la vocació literària amb la qual es distreu mentre es prepara per ser propulsat a l’espai exterior. La cosa és estranya, ho sé. I ho és encara més si partim de la base que tot plegat transcorre dins les fronteres de Terra nullius, un univers estrambòtic on es mesclen topònims com la Vall del Bronx, les Muntanyes Rocambolesques o Nova Barcelona, referències geogràfiques confuses que emparenten la narració amb Aventures i desventures de l’insòlit i admirable Joan Orpí, conquistador i fundador de la Nova Catalunya (Editorial Males Herbes, 2017 i Premi Ciutat de Barcelona 2018).

De fet, podríem dir que Besora practica un exercici semblant al que es pot apreciar en el llibre de títol quilomètric que li va valdre el Premi Ciutat de Barcelona. Tornem a tenir davant de nosaltres una novel·la d’aventures que dialoga amb l’obra de Miguel de Cervantes, tot i que, si en el seu text anterior era senzill trobar-hi paral·lelismes amb les gestes del Quixot, en aquest cas hauríem de fixar-nos en El coloquio de los perros, on el cànid Berganza explica al seu homòleg Cipión una sèrie d’anècdotes truculentes que podrien ser una versió arcaica d’aquelles a les quals s’enfronta en Molècula. El referents literaris no acaben aquí. A La veu del seu amo s’hi poden sentir ecos de Jack London (The Call of the Wild i White Fang), Natsume Sōseki (Wagahai wa Neko de Aru) i George Orwell (Animal Farm), alguns dels molts autors que, seguint la tradició fundada per Isop, han reincidit en “l’estupidesa” d’humanitzar els animals.

Besora ho fa, però, emprant un to còmic, hereu de la prosa de Luci Apuleu i el seu Asinus aureus. Suposo que l’humor és útil a l’hora de relativitzar els arguments, de fer-los menys feridors. Deu ser per això que l’autor camufla els seus al·legats contra el maltractament animal rere bromes obscenes i rodolins de volguda simplicitat. L’alternativa seria posar-se seriós i fer una crua tesi sobre el tema central de la novel·la, una tesi que, per força, hauria d’incloure arguments tan durs com els que expressa Isaac Bashevis Singer al seu The Letter Writer. Bashevis, únic autor de llengua ídix que ha guanyat el Nobel de Literatura, afirmava que “totes les criatures varen ser creades únicament per proporcionar aliment i vestimenta, per ser turmentades i exterminades”, que “tots els humans són nazis” i que “pels animals, la vida és un Treblinka sense fi”.

Això últim ho sé gràcies a un article de la Raquel Sanz, on, a través de l’anàlisi dels arguments animalistes que J.M. Coetzee posa en boca d’Elizabeth Costello, es parla de la sensible frontera que ens separa dels éssers no-humans. És un assumpte complicat, transcendental diria jo, cridat, tard o d’hora, a esdevenir la gran polèmica del nostre món. Mentrestant, però, és interessant topar-se amb novel·les com La veu del seu amo, llibres que s’anticipen a la seva època, com els Contes per a nens i nenes políticament correctes de James Finn Garner, propostes que no tenen res d’estúpid.

 

 

[Foto: Adrià Cañameras – font: http://www.nuvol.com]

«Esclavos del Tercer Reich» es la historia de los perdedores, de todos los perdedores de las guerras, civiles o mundiales, y, especialmente, de los que fueron esclavizados por el Tercer Reich hasta la extenuación y la muerte.

EspaÑoles en mauthausen: esclavos del iii reich – Federación Anarquista 🏴

Escrito por ÁLVARO ALCÁZAR

La mayoría murieron lejos de su lugar de nacimiento, solos, siendo apenas un número, víctimas de una lógica y un contexto de odio que se habían empezado a generar tiempo atrás. La ocupación alemana de Francia y el establecimiento del gobierno colaboracionista de Vichy fueron decisivos para ello, pero ya antes los republicanos españoles que cruzaron la frontera se encontraban en un limbo jurídico que terminó precipitando su deportación masiva hacia el interior de Europa.

Tras compilar y estudiar un importante volumen de documentación custodiada en más de nueve archivos e instituciones nacionales e internacionales, la mayoría poco tratada o inédita hasta el momento, los autores de este libro relatan unos acontecimientos en gran medida desconocidos para la sociedad española.

Se trata de un recorrido por la Europa dominada por el Tercer Reich y la inserción de los españoles en la macabra red de terror que acabaría con su deportación entre los muros de aquellos recintos destinados al trabajo esclavo en el corazón del Danubio austriaco. Este trabajo esclavo fue el elemento central de castigo y de disciplina del « KL » o sistema concentracionario nazi. Un mundo brutal en constante evolución marcado por las necesidades económicas y bélicas de la guerra, hasta su aceleración definitiva entre 1944 y 1945.

Esta documentación sobre los campos ha permitido elaborar un complejo estudio que introduce de lleno el caso español dentro de los estudios del Holocausto y de la historiografía internacional especializada.

 

[Fuente: http://www.todoliteratura.es]

Fixo un cameo na película alemá «¡Tan lonxe, tan preto!», do director Wim Wenders

Mijaíl Gorvachov e Otto Sander nunha escena de «¡Tan lonxe, tan preto!» (Wim Wenders, 1993).

Escrito por CARLOS PORTOLÉS

Era 1993, pasaran menos de dous anos desde a caída da Unión Soviética. O país seguía sendo un tumulto de inestabilidade política, golpes de man e fronteiras que se esnaquizaban. O artífice da transición rusa cara á economía de mercado, Mijaíl Gorbachov, xa non ocupaba ningún posto institucional.

O exmandatario comunista, que na década de 1990 foi transitando paulatinamente cara a posturas nitidamente socialdemócratas, empezaba a converterse nunha figura de culto. Contábanse por lexións os seus detractores e os seus defensores. Poucas figuras da historia recente causaron unha división de opinións máis profunda. É amplamente coñecido pola súa extensa peripecia política e diplomática. Pero poucos lembran que, por un día, Mijaíl foi estrela de cine.

Os oitenta coroaron ao director alemán Wim Wenders como un dos nomes imprescindibles do novo cine europeo. Paris, Texas (1984) segue sendo un dos títulos de cabeceira de boa parte da cinefilia mundial. O ceo sobre Berlín (1987) foi o seu outro gran éxito oitentero. Unha película sobre anxos que vestían gabardina e bufanda.

En 1993 chegou a secuela, ¡Tan lonxe, tan preto! Repetía parte da repartición, como Bruno Ganz, Otto Sander ou Peter Falk. Pero sumáronse outros para engrosar o lustre do cartel. Dous deles, famosísimas personalidades que se interpretaban a si mesmas. Unha era Lou Reed. A outra, Mijaíl Gorbachov.

Ao parecer, a Wim Wenders foille bastante difícil convencelo. Non conseguiu unha audiencia en persoa con el, así que tivo que facerlle a oferta a través dunha carta. O ruso, que tiña axendada unha breve viaxe a Berlín por esas datas, aceptou. Pero só lle concedeu ao cineasta dúas horas para rodar a escena.

É, canto menos, un curioso documento gráfico. Gorbachov aparece sentado fronte a uns papeis, imprimindo o seu mellor pose de solemnidade. Con cara de estadista e palabras de poeta, declama en off unha fina reflexión sobre a paz mundial e a natureza humana. Por detrás, un deses anxos con gabardina e bufanda de Wenders (concretamente Otto Sander) rodéalle os ombros co brazo, como acompañándoo nos seus pensamentos. Unha estampa insólita, de cando o home que cambiou o mundo foi actor por un día.

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Con motivo del fallecimiento del último presidente de la Unión Soviética, se ofrece a continuación una serie de claves sobre la escritura apropiada de algunos términos que pueden aparecer en las informaciones relacionadas con este suceso.

1. Mijaíl Gorbachov, forma adecuada

La transcripción recomendada del nombre propio de este político ruso es Mijaíl Gorbachov.

2. secretario general y presidente, con minúsculas

Los nombres de los cargos, como presidente, secretario general, director, ministro y términos similares, se escriben con minúscula inicial por tratarse de sustantivos comunes.

3. exlíder, no ex líder

El prefijo ex- funciona como todos los demás prefijos y lo adecuado es escribirlo unido a la palabra a la que acompañaexlíder.

4. soviet y sóviet, acentuaciones válidas

El Diccionario de la lengua española recoge esta voz con dos acentuaciones: soviet, como forma aguda, que da como propia de México y Venezuela, y sóviet, con tilde por ser llana o grave acabada en consonante distinta de ene o ese. La Nueva gramática de la lengua española señala que sóviet es la variante más asentada en el español europeo, mientras que soviet «se atestigua tanto en este como en el americano».

Los plurales son soviets y sóviets, respectivamente.

5. Guerra Fría, con mayúsculas

Lo adecuado es escribir Guerra Fría, con mayúsculas, cuando se hace referencia al periodo histórico concreto que tuvo lugar durante gran parte del siglo XX, comprendido entre el final de la Segunda Guerra Mundial y la disolución de la Unión Soviética.

6. URSS, sin puntos

La sigla correspondiente a la Unión de Repúblicas Socialistas Soviéticas es URSS, sin puntos, no U. R. S. S., pues no es una abreviatura.

7. perestroika y glásnost, con minúsculas y en redonda

Los extranjerismos adaptados al español no necesitan ningún tipo de resalte, es decir, ni comillas ni cursiva. Además, el término perestroika se escribe con minúscula inicial, tal y como aparece en el Diccionario de la lengua española, al igual que glásnostcon tilde, que alude a la transparencia informativa promovida por Gorbachov.

8. Pacto de Varsovia, con mayúsculas iniciales

Los nombres oficiales de los tratados y convenios se escriben con mayúscula inicial en todos sus elementos significativos.

9. antigua Unión Soviética, mejor que ex Unión Soviética

Se recomienda no usar el prefijo ex- antepuesto a un topónimo o a una cosa. Por tanto, se desaconsejan formas como ex-URSS o ex Unión Soviética, que pueden ser sustituidas por la antigua URSS, la desaparecida Unión Soviética…

10. telón de acero, con minúsculas

El diccionario académico define telón de acero como ‘frontera política e ideológica que separaba los países del bloque soviético de los occidentales’. Lo adecuado es escribir esta expresión con minúsculas.

 

 

[Foto: archivo EFE / Henning Kaiser – fuente: http://www.fundeu.es]

No ha existit cap entitat política que es correspongui amb el Flandes actual, però els segles IX i XIX va existir el Comtat de Flandes

Flandes

Vlaanderen

 

DADES GENERALS
Població
7.797.611 h. (6.589.069 h. a la Regió de Flandes i 1.208.542 h. a la Regió de Brussel·les-Capital) (2019)
Superfície
13.787 km² (13.625 km² a la Regió de Flandes i 162 km² a la Regió de Brussel·les-Capital)
Institucions
Parlament i govern flamencs, Regió de Brussel·les Capital
Ciutats importants
Brussel·les, Anvers, Gant
Administració estatal
Regne de Bèlgica
Llengües territorials
neerlandès
Llengües oficials
neerlandès (a la Regió de Flandes), francès i neerlandès (a Brussel·les-Capital)
Cultura religiosa
cristiana catòlica
Festa nacional
11 de juliol (Dia de la Comunitat Flamenca)


Introducció

Flandes és un dels territoris que forma el Regne de Bèlgica, dins del qual es distingeix sobretot per l’ús de la llengua neerlandesa i, més modernament, per les seves institucions d’autogovern. A grans trets, Flandes ocupa la meitat septentrional de Bèlgica, i és un territori més poblat i amb un PIB per càpita més elevat que la resta de l’estat. El nacionalisme flamenc tendeix a considerar Brussel·les com la capital de Flandes, i per aquest motiu considera que la Regió de Brussel·les-Capital —que està administrativament separada de la Regió de Flandes, vegeu més endavant— forma part de la nació flamenca.

Una petita part de Flandes es troba dins de les fronteres de la República Francesa. El corrent majoritari del nacionalisme flamenc no manifesta reivindicacions sobre aquest territori.

Històricament no ha existit un estat o cap altra entitat política que es correspongui amb els límits del Flandes actual, que van quedar fixats al segle XX. No obstant això, entre els segles IX i XIX va existir el Comtat de Flandes, que va pertànyer successivament a França, al Sacre Imperi, a Espanya i a Àustria. El Comtat de Flandes s’estenia per la meitat occidental del Flandes actual. La meitat oriental era ocupada pel Brabant, el bisbat de Lieja i altres entitats polítiques.

El 1815 tot el Flandes actual va entrar a formar part del Regne dels Països Baixos, del qual es va separar juntament amb Valònia el 1830 per a formar el Regne de Bèlgica, fins al dia d’avui.

Llengua

L’únic idioma oficial de Flandes, i el que parla la majoria de la població, és el neerlandès. La llengua és una de les poques pròpies de nacions sense estat d’Europa que no ha quedat minoritzada, tret de Brussel·les, on els neerlandòfons materns hi són minoria (15% de la població, 2018) i on el neerlandès és la tercera llengua de la ciutat, per darrere del francès i l’anglès.

En el moment de la creació de Bèlgica, l’única llengua oficial era el francès. Actualment, el francès és oficial a Brussel·les —junt amb el neerlandès— i té un estatus especial reconegut en 12 municipis flamencs.

Política i institucions

Bèlgica, a diferència de la majoria de federacions, és formada no pas per una, sinó per dues classes o tipus d’unitats federades, que se solapen territorialment i que tenen les seves pròpies institucions. La primera classe són les regions, de les quals n’hi ha tres: Flandes, Valònia i Brussel·les Capital. La segona són les comunitats, de les quals també n’hi ha tres: la flamenca, la francòfona i la germanòfona.

Cadascuna de les dues classes d’entitats federades gestiona un tipus de competències diferenciades. Les competències principals de les comunitats inclouen cultura, llengua, salut i educació. Les competències principals de les regions inclouen economia, agricultura, habitatge, comerç i medi ambient.

La Regió de Flandes va transferir totes les seves competències a la Comunitat Flamenca el 1980, de manera que existeix un únic Parlament i Govern flamencs.

Això no és així a la zona francòfona de Bèlgica: la Regió de Valònia té el seu propi Parlament, diferenciat del Parlament de la Comunitat Francòfona.

El cas de Brussel·les és específic. Les competències relatives a la regió són exercides pel Govern i pel Parlament de Brussel·les Capital, però en canvi no existeix una comunitat de Brussel·les, de manera que les competències de cultura, llengua, salut i educació hi són exercides per les institucions flamenques en relació amb els ciutadans neerlandòfons, i per les institucions francòfones sobre el mateix territori per als ciutadans francòfons.

Ministra-presidenta de Flandes: Liesbeth Homans, N-VA (des de 2019)
Govern: Coalició N-VA, CD&V i Open Vld (des de 2014)
Distribució d’escons al parlament (2019). 124 membres: 
Nieuw-Vlaamse Alliantie, N-VA (Nova Aliança Flamenca, independentista conservadora) – 35
Vlaams Belang (Interès Flamenc, independentista d’extrema dreta) – 23
Christen-Democratisch en Vlaams, CD&V – (Demòcrata Cristians i Flamencs, federalista/confederalista conservadora) – 19
Open Vlaamse Liberalen en Democraten, Open Vld (Flamencs Liberals i Demòcrates, federalista liberal) – 16
Groen! (Verds, federalista ecologista) – 14
Socialistische Partij – Anders, SPA (Partit Socialista-Diferent, federalista socialdemòcrata) – 13
Partij van der Arbeid van België, PVDA (Partit dels Treballadors de Bèlgica, federalista comunista) – 4

 

Enllaços

Institucions
Portal de Flandes
Parlament de Flandes
Partits polítics
Nieuw-Vlaamse Alliantie
Christen-Democratisch en Vlaams
Open Vlaamse Liberalen en Democraten
Socialistische Partij – Anders
Groen!
Vlaams Belang
Partij van der Arbeid van België

Llengua i Cultura
Unió de la Llengua Neerlandesa
Mitjans de comunicació
Edició digital del diari ‘De Standaard’ (en neerlandès)
De ‘Redactie’ (notícies de Flandes en diverses llengües)

 

[Font: http://www.racocatala.cat]
Aleix Renyé

Aleix Renyé

 

Escrit per Salvador Vendrell

La llesqueta del septentrió és un subtítol, una idea, que Aleix Renyé, segurament, ha tret de la Cançó del cansat de l’Ovidi:

Em va tocar tocant Mediterrani
Per barret Pirineus, i una llesqueta
Per sabata Oriola d’estranquis
I per cor duc a Alcoi, la terreta
Per senyera, senyors, quatre barres
Per idioma, i senyores, català
Per condició, senyors, sense terres
Per idea, i senyores, esquerrà

El Canigó

Una «llesqueta» que ha incorporat al títol d’un llibre en què ens vol explicar què és i com és la Catalunya Nord, la Catalunya original, allà on diuen que va nàixer Guifré el Pelós, l’origen de la dinastia catalana.

Un llibre que ens obri els ulls per poder veure que la situació d’aquest territori no la podem analitzar amb els paràmetres de la resta dels Països Catalans, ja que la comunitat catalana sota administració francesa ja fa més de tres segles que és immersa en un marc històric social i cultural diferent a la resta de la nació.

Des que, l’any 1659, en el tractat dels Pirineus, les monarquies espanyola i francesa es van repartir el territori de Catalunya, el reialme de França va esclafar revoltes, exercir repressions, prohibir la llengua… Però, a poc a poc, la diferència de desenvolupament amb la «Catalunya espanyola» va eixamplar la creença que l’assimilació a França, a través de les conviccions republicanes jacobines, era el preu a pagar per aconseguir el benestar que no tenien els «catalans de l’estat espanyol».

El Jonc (2017)

L’obra és una sèrie de relats en què Renyé ens conta la seua experiència en aquestes terres que encara són «una trinxera on la catalanitat resisteix, encara que la reraguarda nacional ens tinga abandonats i oblidats» sense cap ajuda efectiva. La veu del narrador és la d’un català de l’altre costat de la carena, que ha anat a viure a la Catalunya Nord, venint d’un altre món educatiu i que, simplement, ens conta com ha viscut la seua experiència: «No sóc historiador, tampoc sociòleg ni lingüísta. No espereu trobar en aquest llibre, doncs, cap tesi doctoral». Des que va marxar exiliat, el 1981, ha passat tres quartes parts de la seua vida en la frontera extrema de la nació. S’ha dedicat al periodisme i li agrada dir que va ser el primer periodista professional de la Catalunya Nord que es va poder guanyar la vida en català. Renyé ha construït una guia molt personal de Catalunya Nord que ens demostra que tenim moltes idees preconcebudes i equivocades de la llesqueta del septentrió. Perquè, si podem afirmar que els nord-catalans són afrancesats, ells poden dir, de la mateixa manera, i amb la mateixa raó, que nosaltres, els del sud de la llesqueta, estem espanyolitzats.

El Castellet, a Perpinyà

Renyé explica, com és evident, que no n’hi ha prou de tindre una llengua comuna per entendre’s, que caldria també compartir algunes coses que no tenim: un espai comunicacional comú, interessos econòmics, un estàndard lingüístic entenedor, referents culturals… Però, sobretot, una clara voluntat de construir un projecte nacional. Com que no tenim aquestes coses, no podem entendre que el vint-i-cinc per cent de catalanoparlants que hi ha a la Catalunya Nord no ens parlen català a la primera. Només el parlen en l’àmbit restringit d’amics, perquè els fa vergonya parlar-lo amb gent estranya, amb desconeguts. I això sobta el visitant sud-català que, decebut, busca i no troba signes vius de la presència de la llengua. I és que els catalans del nord de l’Albera tenen vergonya de parlar una llengua que no consideren el veritable català i decideixen parlar en francés al visitant.

Renyé es queixa que l’Institut d’Estudis Catalans no ha ajudat gaire per poder escriure sense incorreccions normatives en dialecte rossellonés o septentrional. Diu que ha fet ben poca cosa per normativitzar un parlar moribund. Moltes vegades, els autors han tingut complex de dialecte i prevenció de ser acusats de blaverisme rossellonés, llevat d’algunes excepcions com ara Joan-Daniel Bezsonoff i el músic i poeta Gerard Jacquet. Encara com les noves generacions, a la dècada dels 90, van fer una empenta considerable a les lletres nord-catalanes, amb autors d’edats i estils diferents, que assumien sense complexos la varietat rossellonesa.

Sant Miquel de Cuixà

La Reforma territorial de l’estat francés, 2016, imposada per París, ha tingut, a Catalunya Nord, un efecte inesperat. Ha fet renàixer una catalanitat que semblava extingida o reduïda a les mínimes expressions folkloritzants. Malgrat la pèrdua de la llengua, el catalanisme sembla reviure. La reforma territorial ha creat a França grans regions administratives amb competències ridícules. Res a veure amb els lands alemanys o les autonomies espanyoles. A Catalunya Nord l’han posada dins una gran regió anomenada Occitanie amb capital a Tolosa de Llenguadoc. La regió no inclou tota Occitània, que ha quedat partida i repartida en diferents regions i que els occitanistes també denuncien. Catalunya Nord s’ha revoltat perquè no han volgut incloure el terme Pays Catalan. S’han revoltat partits de totes les tendències excepte el Front National. Això, però, sense posar en qüestió la nacionalitat francesa.

L’autor ha comprovat com la societat que va conéixer als anys vuitanta, quan hi va arribar, ha canviat en dues direccions oposades. Ha comprovat com l’ús social del català s’ha reduït considerablement. Segons els criteris d’alguns sociolingüistes, està sota mínims, amb perill d’extinció. Al mateix temps, però, ha crescut el sentiment de la catalanitat de la població. Per la reforma territorial que ja hem comentat i pel procés d’independència del sud, que ha produït un sentiment que crea orgull de ser catalans, però també por a la vegada. Por perquè els trenca els esquemes de la seua educació francesa.

Alberg Pau Casals, a Prada, seu de la Universitat Catalana d’Estiu

En definitiva, Catalunya Nord. La llesqueta del septentrió és un llibre que ens aclareix molts dubtes sobre la realitat nord-catalana i que ajuda a comprendre la realitat d’aquest territori dels Països Catalans. Sobretot, però, és una mena de guia que ens convida a reflexionar sobre les diferències de les nostres realitats. A les seues pàgines trobarem com el folklorisme nord-català, que enarbora senyeres i, fins i tot, estelades, confon la catalanitat amb l’amor a un club esportiu, a un equip de rugbi. Podrem visitar cementiris on trobarem moltes de les nostres identitats. Coneixerem per què la mona de Pasqua la veuen com un costum de fora, dels pieds-noirs. Assistirem com a testimonis a la violenta batalla dels magribins amb els gitanos en el barri de Sant Jaume de Perpinyà i al creixement de l’extrema dreta. Fins i tot, llegirem la història de la quasi santa incorrupta de Perpinyà. Veurem el desgavell toponímic i com s’intentà resoldre i moltes coses més que ens ajuden a comprendre molt millor el nostre país. Ah! no ho oblideu: si podeu anar-hi, esteu convidats a collir unes cireres a Ceret.

 

[Font: http://www.laveudelsllibres.cat]

Le président colombien nouvellement élu Gustavo Petro et sa colistière Francia Marquez célèbrent leur victoire à l’élection présidentielle, le 19 juin 2022, à la Movistar Arena de Bogota, le 19 juin 2022. Daniel Munoz/AFP

Écrit par Claire Nevache

Doctorante en sciences politiques, Université Libre de Bruxelles (ULB)

Dimanche 19 juin était un jour d’élections. Si en France, le second tour des législatives a causé une secousse dans le paysage politique, en Colombie l’élection du nouveau président Gustavo Petro constitue un véritable tremblement de terre, annoncé toutefois par la progression de la gauche depuis une vingtaine d’années.

Alors que la menace de violences politiques avait pesé sur toute la campagne (cinq candidats à la présidence ont été assassinés depuis 1948 en Colombie), Gustavo Petro, le candidat du parti Colombia Humana, candidat pour la troisième fois et qui avait été battu au second tour en 2018, a finalement été élu, accompagné de sa vice-présidente, la très populaire Francia Márquez, militante des droits humains et de l’environnement, féministe et surtout la première vice-présidente afrodescendante de ce pays.

Une gauche longtemps déconsidérée

L’Amérique latine a connu de nombreux présidents de gauche aujourd’hui et par le passé, mais la Colombie constituait jusqu’au 19 juin dernier un véritable bastion de la droite continentale, la gauche n’ayant jamais gouverné le pays.

Plusieurs éléments avaient contribué à la marginalisation et à la diabolisation de la gauche dans le pays. D’une part, le conflit armé qui se prolonge depuis bientôt soixante ans, et dont le nombre de victimes civiles, de disparus et de déplacés ne cesse d’augmenter, avait contribué à associer la gauche aux mouvements insurgés, au premier rang desquels les Forces armées révolutionnaires de Colombie (FARC). Malgré les nombreuses exactions commises par l’armée officielle, la rhétorique officielle a toujours fait peser sur les guérillas marxistes la responsabilité entière du conflit. Après la courte victoire du non au référendum sur les accords de paix en octobre 2016, de nouveaux accords remaniés ont été ratifiés fin 2016 par le Congrès. La situation n’est toutefois pas totalement stabilisée : l’ancienne guérilla des FARC, mais aussi des observateurs internationaux dénoncent régulièrement les manquements aux accords de la part du gouvernement, tandis qu’un certain nombre de groupes armés continuent à opérer dans la clandestinité.

Homme de dos portant une veste sur laquelle il est écrit « Je crois en l’ingénieur Rodolfo et je ne crois pas en Petro et son groupe de guérilleros »

Un partisan du magnat de la construction Rodolfo Hernandez, l’adversaire de Gustavo Petro au second tour, porte une veste sur laquelle on peut lire « Je crois en l’ingénieur Rodolfo et je ne crois pas en Petro et son groupe de guérilleros » à Bogota, le 16 juin 2022. Ophélie Lamard/AFP

D’autre part, les États-Unis ont longtemps accordé une attention particulière à la Colombie. Dans le cadre de la guerre froide, Washington a massivement soutenu Bogota dans sa répression des groupes insurrectionnels et plus tard dans la « Guerre contre la Drogue ». En retour, la Colombie s’est positionnée comme un allié solide des États-Unis à l’international (notamment dans ses votes à l’ONU et en devenant partenaire de l’OTAN) et dans la région, en particulier en ce qui concerne l’isolement du Venezuela.

L’évolution du Venezuela, dirigé de 1999 à 2013 par Hugo Chavez et depuis 2013 par son successeur Nicolas Maduro, est l’élément le plus récent ayant contribué à faire de la gauche un véritable repoussoir dans la région. Pour la Colombie, qui partage avec le voisin bolivarien une frontière de plus de 2 000 km de long, traversée par d’innombrables trafics mais surtout par des flux migratoires sans précédent (la Colombie accueille deux des cinq millions de Vénézuéliens exilés), cette relation s’est traduite par des crises diplomatiques successives, jusqu’à la rupture des relations diplomatiques et la fermeture de la frontière en 2019.

Les raisons de la victoire

Dans ce contexte, comment expliquer cette victoire de la gauche ? D’une part, le contexte socioéconomique du pays est très marqué par une recrudescence des inégalités (la Colombie est aujourd’hui le pays le plus inégal du continent, lui-même le plus inégal du monde) et de la pauvreté.

Ainsi, la pandémie a entraîné un recul d’une décennie en termes de lutte contre la pauvreté, avec 3,6 millions de nouveaux pauvres. Dans certains départements comme la Guajira ou le Chocó, c’est environ 65 % de la population qui vit sous le seuil de pauvreté. Ces régions ont massivement voté pour Petro, dont la promesse de mettre en place des politiques sociales universelles et, surtout, de gouverner pour tout le pays, et pas uniquement depuis et pour les grands centres urbains du centre de la Colombie, a séduit en priorité les zones côtières et périphériques.

Le mandat d’Iván Duque, président sortant élu en 2018, avait également été émaillé de manifestations massives, liées au mécontentement de la population quant aux politiques économiques, sociales et environnementales et au manque de volonté politique d’appliquer les accords de paix. Ces manifestations avaient été brutalement réprimées, l’ONU parlant d’au moins 28 morts pour le seul mois de décembre 2021. L’usage de la force de la part du gouvernement, la quasi-disparition de la guérilla avec les accords de paix, qui prive le camp de la droite de son épouvantail, l’incapacité de mettre fin aux assassinats de leaders sociaux et de militants environnementaux sont autant d’éléments qui ont fini de miner la crédibilité de la droite colombienne.

                   Colombie : une semaine de manifestations meurtrières, France24, 6 mai 2021.

Les accords de paix et la sortie progressive du conflit armé ont obligé les candidats à se positionner sur d’autres thèmes, économiques, sociaux en environnementaux, sur lesquels Petro et Márquez jouissaient d’un avantage face à la droite. Lors de son discours de victoire électorale, ses sympathisants scandaient ainsi « ¡No más guerra ! » (plus de guerre !), confirmant également que le camp de la droite, historiquement opposé aux accords de paix et traînant des pieds pour mettre en œuvre les mesures de réparation, n’a pu offrir aux Colombiens une transition convaincante vers la paix.

Gustavo Petro a donc été élu avec une participation historique, dans les provinces les plus touchées par la pauvreté et les plus périphériques, mais aussi massivement à Bogota. La carte du vote en faveur de Petro rejoint ainsi presque parfaitement le vote du oui au référendum sur les accords de paix d’octobre 2016.

L’influence des Églises évangéliques sur la politique colombienne avait été largement commentée au moment de ce référendum sur les accords de paix. Certaines méga-Églises (ces dénominations évangéliques dont l’assistance compte des milliers de fidèles) avaient en effet fait campagne en faveur du non, notamment en raison des positions réelles ou supposées contenues dans le texte des accords sur la question du genre.

Cependant, le plus ancien parti évangélique du continent, le Mouvement indépendant de rénovation absolue (MIRA), avait fait campagne pour le oui. Ainsi, le caractère décisif de leur influence est loin d’être établi. Les fidèles évangéliques ne suivent pas nécessairement en masse les instructions de leur pasteur sur les questions électorales, et celles-ci ne sont d’ailleurs pas forcément les mêmes d’une Église à une autre. Ainsi, les deux partis évangéliques étaient au premier tour divisés entre une candidature propre, obtenant à peine 1,29 % des votes (alors que le secteur représente environ 18 % de la population).

Un ancien guérillero au pouvoir… comme dans plusieurs autres pays du continent

Les adversaires de Petro ont bien tenté de le délégitimer pendant toute la campagne en insistant sur son passé de guérillero, pourtant relativement limité et abandonné il y a plus de trente ans.

En se détournant de la voie des armes pour se lancer dans le combat politique électoral, Petro a rejoint un certain nombre d’autres personnalités majeures du continent, socialisés politiquement à une époque où la gauche n’existait que dans la clandestinité et qui, avec les transitions démocratiques, ont elles-mêmes opéré une transition vers la politique électorale et institutionnelle. Avant d’accéder à la présidence, il avait élu député à trois reprises, maire de Bogotá à deux reprises et sénateur à deux reprises ; en étant élu à la tête de l’État, il intègre un groupe où l’on retrouve déjà des figures comme Pepe Mujica en Uruguay (2010-2015), Dilma Rousseff au Brésil (2011-2016), ou encore Salvador Sánchez Cerén au Salvador (2014-2019), tous venus de la gauche clandestine et armée avant de finir par diriger démocratiquement leur pays.

Les défis qui l’attendent sont majeurs : la lutte contre la pauvreté et les inégalités requièrent la mise en place de programmes sociaux ambitieux, et donc d’une importante réforme fiscale (la fiscalité rapportée au PIB est de presque 15 points inférieure à la moyenne de l’OCDE). La poursuite du processus de paix et l’amélioration de la protection des droits humains se heurteront à une opposition et des intérêts réticents ; mêmes problématiques en ce qui concerne tout comme la question persistante du trafic de drogue, le rétablissement des relations diplomatiques avec le voisin vénézuélien ou encore l’adaptation au changement climatique, aspect fondamental pour un pays qui y est particulièrement vulnérable.

Gustavo Petro devra composer avec une dette qui a fortement augmenté depuis la pandémie, un peso largement dévalué et la nécessité d’une réforme fiscale toujours délicate. En plus de ces difficultés économiques et budgétaires, Petro devra tenter d’appliquer son programme alors qu’il ne dispose pas de majorité claire au Congrès. Il faudra donc probablement modérer les réformes pour convaincre l’opposition – fragmentée et dénuée de leadership – de les voter. Les prochaines années constitueront probablement une jeu d’équilibriste difficile, entre des négociations obligées avec l’opposition et l’impératif de ne pas décevoir l’espoir de changement.

 

[Source : http://www.theconversation.com]

La Guerra de Portugal (1640-1668): La guerra ibérica más importante jamás librada, tan crucial y tan olvidada

 

Escrito por MARÍA FIDALGO CASARES

Es muy llamativo que con el auge de los estudios históricos sobre los Austrias y más aún con el boom de los Tercios —cuya espita fueron la saga Alatriste y los cuadros de Ferrer-Dalmau— este apasionante y crucial conflicto hispano-luso haya quedado tan relegado. Nunca como ahora se ha hablado tanto de las proezas y heroicidades de los Tercios, pero muy pocos se han detenido a analizar las acontecidas en la larga Guerra de Portugal (1640-1668).

Sorprende saber que los éxitos superaron a los fracasos, aunque estos últimos fueran los decisivos para el devenir de la contienda, y que destacaron potentes personalidades en ambos bandos, que lucharon con el convencimiento de la victoria. Pero estamos ante un conflicto bélico en el que ni siquiera en su denominación hay unanimidad. ¿Guerra de Portugal? ¿Guerra del Usurpador Braganza? ¿Guerra de Secesión Portuguesa? ¿Guerra de la Restauração?… Nos quedamos con “Guerra de Separación de Portugal”.

¿Por qué tan olvidada pese a lo crucial de su devenir?

Diferentes cuestiones se plantean al respecto. En el caso español… ¿es por la minusvaloración nacional —o más que minusvaloración, el distanciamiento absoluto— hacia lo portugués? ¿Se convirtió en un hecho soterrado porque teniendo las bazas para ganar nunca debimos perder? ¿Se entiende mejor una derrota como Rocroi, frente a una Francia poderosa, que otra como Ameixial contra una Portugal contestataria?

¿Ha sido su funesto resultado el responsable de que se haya convertido en una guerra olvidada, incluso para estudiosos de la Historia de España? No. No puede ser el caso. Y si no, fijémonos en el hoy archiestudiado y casi manido Rocroi.

Sin embargo, si a la bibliografía española puede imputársele la minusvaloración portuguesa, para la lusa su nacionalismo es el que les impediría ver algo obvio.

« Sin discusión algunafue el momento más crítico de la historia peninsular, porque perdimos el primer imperio global de la humanidad« 

Y es que en su bibliografía, la Guerra da “Restauração” versus España, clave y muy investigada, representa la vuelta a un pasado mítico y romántico de independencia del Reino de León. Paradójicamente, tras la guerra de la que hablaremos, su valorada independencia lejos del “cautiverio español” vendría hipotecada económicamente con Francia y las Provincias Unidas, y políticamente con Inglaterra… de por vida. Frente a ello, la unión con una España cuyos reyes tenían tanto de portugueses como de españoles. ¿Están de espaldas a la realidad que conllevó el fin de un imperio “donde no se ponía el sol” y un futuro común de perspectivas hegemónicas?

Sean cuales sean las razones, sobre todas ellas gravita una reflexión más profunda. Y es que, sin discusión alguna, fue el momento más crítico de la historia peninsular, porque perdimos el primer imperio global de la humanidad. Un hecho que trazaría el rumbo de la historia moderna de Europa y el que más ha marcado la trayectoria de los últimos siglos a ambas naciones… para peor. Con toda probabilidad, la cosmovisión política planetaria tendría un mayor peso hispano-luso, y hoy los núcleos de poder no serían los que son.

La evidencia empírica de la unión peninsular

Lo que es una evidencia empírica es que, compartiendo península e islas norteafricanas y con fronteras topográficas tan rotundas, la segmentación política resulta artificial. Hay documentos irrefutables, como los del Concilio de Toledo, en los que la Hispania visigótica ya tenía conciencia de un único reino. Después, en la Reconquista, surgirían los intereses de nobles feudales que nos separarían y, aunque Felipe II, Felipe III y Felipe IV volvieran a ser reyes de ambos reinos, la unión quedaría sepultada para siempre.

Carlos V e Isabel de Portugal, padres de Felipe

Aun así, hubo esperanza. El siglo XIX nos devolvería una coyuntura propicia, desde el posible matrimonio de Isabel II con un Braganza a los principios de la Revolución de 1848 que sustentaba el ideal ibérico basado en el liberalismo democrático o federalista, las unificaciones de Alemania e Italia, o el ejemplo del federalismo de países como Estados Unidos y Suiza. En el 68 se concibió la unión ibérica dentro de la lógica geográfica que llevaba a una economía librecambista y un común sistema de comunicaciones que exigía la unificación política y una nueva realidad nacional: Iberia.

Perdimos el último tren cuando se eligió para la corona de España a Amadeo de Saboya y no al portugués Fernando de Coburgo… Lo cierto es que aunque la Unión Ibérica siempre ha estado latente, en el siglo XXI la idea es cada vez más implanteable en una España desvertebrada y despedazada moralmente por los nacionalismos periféricos.

De los matrimonios de los Reyes Católicos a Felipe II

De los pocos peros que se suelen poner a los Reyes Católicos —hasta sus más furibundos partidarios— es que no hubieran afrontado en su reinado la unificación política peninsular y optaran solo por asegurar su alianza casando a sus hijas con reyes sucesivos.

Pero lo que no lograron los Reyes Católicos lo conseguiría su bisnieto por vía hereditaria… y en condiciones mucho más ventajosas, pues en ese momento Portugal era una nación riquísima. El rey Sebastián I de Portugal había muerto en 1578 en la legendaria derrota de Alcazarquivir en las cruzadas del norte de África, y su sucesor, Enrique I, falleció sin herederos, tras lo que se generaría un vacío de poder en el trono luso.

Felipe II

Muchos candidatos optaban por la Corona portuguesa. De todos ellos, ninguno con tantas razones de sangre como Felipe II de España, que impuso sus derechos legítimos a la sucesión con el nada desdeñable apoyo de gran parte de la nobleza, que veía en la unión ibérica una gran oportunidad.

Hijo de Isabel de Portugal y nieto de Manuel I el Afortunado, era el varón de más edad y su madre estaba muy por delante en cualquier línea sucesoria respecto a sus rivales. La relación Habsburgo-Avís era tan estrecha que casi formaban una única familia con dos ramas y matrimonios en todas las generaciones. De los once enlaces de la desaparecida dinastía de Avís, ocho habían sido con los Austrias españoles. Felipe, educado en portugués, con ayas lusas, tenía tantos o más ancestros portugueses que españoles o austriacos.

Portugal y Felipe II

Aunque la nación vecina entonces, como los demás reinos hispánicos, fuese gobernada por virreyes, Felipe II conservó sus propias leyes e instituciones y Portugal se mantuvo como entidad casi independiente. El Consejo de Portugal, compuesto en exclusiva por portugueses, asesoraba al monarca sobre asuntos concernientes al reino y controlaba su imperio ultramarino, que le otorgaba grandes ventajas económicas. El rey español se comprometió, además, a defender el vasto imperio luso, que se extendía por territorios americanos, africanos y asiáticos, y rescató a los más de ochocientos caballeros portugueses que permanecían presos en Alcazarquivir. Felipe tenía además todo el apoyo de los poderosos jesuitas, con gran influencia en Portugal, y una parte muy significativa de la nobleza y burguesía beneficiada de ser los únicos que podían dedicarse a la trata de esclavos y ejercer sus actividades comerciales en el Atlántico cruzando en grandes galeones desde las costas africanas hacia los virreinatos de Nueva España y Perú.

« El máximo error fue no haber designado a Lisboa, la urbe más cosmopolita y opulenta del planeta, como capital de ambos Estados« 

La unión con Portugal supuso ventajas y desventajas para ambos países. Las ventajas para Felipe II fueron un millón de nuevos súbditos, la ampliación de la costa atlántica y la duplicación de sus flotas oceánicas y, para ambos, una misión conjunta en las empresas de ultramar. Entre las desventajas: la complejidad de administrar dos Estados tan diferentes y el descontento popular por las tropas de ocupación que en su momento saquearon con violencia los pueblos y ciudades portuguesas, fortaleciendo el sentimiento antiespañol. Pero el máximo error, y claro, “a toro pasado”, fue no haber designado a Lisboa, la urbe más cosmopolita y opulenta del planeta, como capital de ambos Estados. Antonio Igual Úbeda, en su libro El Imperio español, opina que Felipe II “supo iniciar la obra trascendental de la unidad ibérica, pero no supo convertirla en empresa nacional”.

Las hostilidades

La unión ibérica se mantendría durante el reinado de Felipe III y IV, pero tocaría a su fin en 1668, con el reconocimiento de la independencia de Portugal tras una larga contienda en torno a la frontera conocida como La Raya.

Como hemos comentado, este momento, el más trascendental de nuestra historia peninsular, comenzaría a ser olvidado durante siglos por los investigadores españoles. Tampoco ahora, con el auge de los estudios autonómicos, ni en Galicia, Castilla, Extremadura o Andalucía, escenarios de excepción en la guerra, se habían acometido aproximaciones de relieve.

La obra de referencia

Fue ese arrinconamiento nacional y la ausencia de análisis especializados lo que condujo al autor, Enrique F. Sicilia Cardona, a realizar un proyecto con la Editorial Actas que acaba de salir al mercado con el título La Guerra de Portugal (1640-1668)Gracias a esta editorial, al autor y a su gusto por los senderos históricos poco trillados, hoy tenemos una obra que desde su aparición ya se ha convertido en la referencia de este crucial conflicto peninsular y que, desde España, se había dejado demasiado tiempo en el olvido.

Enrique F. Sicilia Cardona (Madrid, 1973) es licenciado en Geografía e Historia (UNED) y en Ciencias de la Información-Periodismo (UCM). Vocal de la junta directiva de la Asociación Española de Historia Militar (ASEHISMI), profesor de Humanidades, conferenciante y especialista en temas histórico-militares, ha publicado numerosos artículos en revistas de ámbito nacional, y es autor de los siguientes libros: La batalla de Nieuport 1600, La batalla de Sekigahara 1600Napoleón y Revolución: Las Guerras Revolucionarias, y coautor de La Guerra del Rosellón (1793-1795).

Los conspiradores

El alzamiento separatista por la independencia de Portugal en absoluto fue un “levantamiento popular generalizado” —como se ha vendido en el imaginario luso—. Sicilia Cardona aclara en su libro que fue algo minoritario. De hecho, en la zona norte apenas tuvo seguimiento y Madrid mantuvo durante toda la guerra una corte de portugueses leales a la casa de Austria. Por su parte, los llamados fidalgos, la alta nobleza, principales ostentadores de señoríos en Portugal, permanecieron en conjunto fieles a Felipe IV o terminaron exiliándose.

João de Braganza

Los instigadores de la rebelión fueron un pequeño grupo de conspiradores en torno a don João, el acaudalado VIII duque de Braganza. Era una élite dirigente de portugueses afectada por la pérdida de privilegios que conllevaban las reformas del Conde Duque de Olivares. También, las quejas incidían en la incapacidad de Felipe IV —pese a sus grandes esfuerzos— para defender sus territorios de ultramar de otras potencias como Holanda, Francia e Inglaterra. Por cierto, que João, emparentado con grandes linajes de Castilla y cuya esposa era hermana del duque de Medina Sidonia —y que según la tradición dijo: «Más vale ser reina por un día que duquesa toda la vida»— aceptó ser nombrado rey, pero no ser el líder de la insurrección y, a la espera de que esta triunfase, se quedó entregado a su pasión, la música, en el palacio de Vila Viçosa.

Proclamación de D. João IV como rey de Portugal, pintada por Veloso Salgado

La inteligencia militar y sus aliados

Sicilia Cardona nos acerca los pormenores de los agentes secretos españoles en Portugal: “Desde Carlos V y sobre todo Felipe II la monarquía hispánica tuvo una espectacular y eficaz red de información que mantuvo Felipe IV, incluso con un espía mayor o jefe de espías. Sería fundamental para conocer las debilidades y fortalezas del oponente y a partir de esa información planificar estrategias. Portugal también tenía su servicio de espionaje, pero por experiencia, tradición y recursos, el sistema español estaba más desarrollado”, explica. Otro aspecto de la inteligencia militar fue el uso de sicarios para eliminar a los cabecillas rebeldes. “Felipe IV intentó descabezar el alzamiento tratando de eliminar mediante el asesinato selectivo a don João IV y esa corte postiza o doble que crearon los Braganza en Lisboa, pero los portugueses tuvieron la habilidad suficiente para descubrirlo y evitarlo”.

« El golpe de gracia vendría al final de la guerra con la Inglaterra de Carlos II, que ayudó con tropas poderosas y con la Royal Navy« 

Como pasó en América, el verdadero fin de la hegemonía española sería provocado por una alianza de enemigos de España. En este caso, franceses, ingleses y neerlandeses: “Para que un gigante sea derrotado hacen falta varias fuerzas contrarias trabajando al unísono”, recuerda Sicilia. Lo curioso es que estos aliados harían un doble juego, aliados en esta guerra peninsular, pero atacando sin piedad sus posiciones ultramarinas… ​En relación a la ayuda internacional, el golpe de gracia vendría al final de la guerra con la Inglaterra de Carlos II, que ayudó con tropas poderosas y con la Royal Navy, que ya empezaba a ser una fuerza de primer orden.

Batalla de Las Dunas

Pero junto a esas alianzas, no debemos olvidar el sempiterno problema de Flandes… Flandes fue el teatro principal y la atracción fatal de los Austrias hasta 1667. Siempre su preservación influyó negativamente en la política exterior hispánica. “Nuestras tropas allí eran mucho más numerosas que en Portugal y sobre todo muy superiores en infantería. Echando la vista atrás se debería haber abandonado antes su dominio y centrarse en la recuperación de Portugal, no tengo ninguna duda, para continuar con esa unión hispánica hegemónica”, afirma Sicilia.

El momento crucial: REBELIÓN

Inmersa en la Guerra de los Treinta Años, la crisis económica y política del imperio se había ahondado. En la década de los 20, y, a partir de 1630, aumentó el malestar social y, como en otras zonas de España, se extendieron sucesivas revueltas como las de Oporto y Lisboa en 1629 o Évora en 1637, una tensión que fue utilizada en su beneficio por la nobleza portuguesa.

« En el frente catalán combatían numerosos soldados portugueses a favor de los Austrias y la unidad en su conjunto llegó a estar al mando de un portugués, Francisco Manuel de Melo« 

El quid es que supieron, además, aprovechar el momento propicio para rebelarse: España acababa de perder su flota ante la armada holandesa en la batalla naval de las Dunas (Downs) en 1639 y se enfrentaba a la sublevación catalana. Francia llevaba décadas intentando provocar la división hispano-portuguesa y modernos analistas afirman que incluso la rebelión de Cataluña habría sido instigada por Richelieu. El genial cardenal habría apoyado las reivindicaciones de João con el convencimiento de que una guerra con Portugal agotaría los recursos españoles.

Con la derrota sorpresiva de los hispánicos en Montjuich, los lusos tendrían más tiempo para preparar la posible embestida de Felipe IV, más preocupado por recuperar, de momento, Barcelona que Lisboa. Curiosamente, en el frente catalán combatían numerosos soldados portugueses a favor de los Austrias y la unidad en su conjunto llegó a estar al mando de un portugués, Francisco Manuel de Melo.

Así pues, el 1 de diciembre de 1640 comenzaba el alzamiento en Portugal: la gobernadora, Margarita de Saboya, fue arrestada, y el secretario de Estado, Miguel de Vasconcelos, asesinado. El día 15 de diciembre del mismo año, João era entronizado como Juan IV de Portugal, y reconocido también en Brasil y Asia.

TEATROS Y MODELOS

La Guerra de Portugal, de Sicilia Cardona, se presenta como una obra perfectamente estructurada. Una vez concretada la ruptura política peninsular, se ocupa de las zonas de disputa de ambos contendientes con los diferentes teatros de operaciones y sus variables… El estudio va analizando la importancia de las decisiones en los hechos bélicos, la propia topografía, las vitales líneas de comunicaciones y sus vituallas para los ejércitos, los informantes o las plazas abaluartadas, verdaderos escollos y puntos estratégicos o hasta el mismísimo clima que paralizaba la acción durante meses.

Doble enfoque español y portugués y la caballería

Es, asimismo, muy reseñable en la obra el acercamiento al contrincante: “Si queremos analizar convenientemente esta guerra, debemos estudiar y poner en su justo contexto al enemigo portugués, verdadero ausente en los estudios anteriores”, afirma el autor. Y es que esta obra no desdeña los estudios de los especialistas portugueses y da voz —como nunca antes— a sus personajes principales para aportar así una decisiva mirada a las fuentes lusas y dar más amplitud a los hechos narrados. Quizás sea este doble enfoque, español y portugués. una de las características más notorias de esta obra.

Richelieu y el Conde Duque

El autor, especialista en historia militar, compara atinadamente los modelos marciales de ambos reinos y considera que eran muy similares al haber coexistido durante décadas, si bien se decanta con razones de peso por atribuirle a la monarquía hispánica la primacía teórica y práctica.

Es destacable, también, dentro de las tres armas, el grado de decisión e importancia que, según el autor, adoptará la caballería, para él verdadera protagonista en esta larga contienda.

El estudio bélico

La obra, con espléndida portada de Jordi Bru, referencia de la fotografía histórica, consta de 535 páginas, más otras 24 de un cuadernillo central a color, repleto de fotografías del propio autor. Asimismo, podemos encontrar grabados que ayudan a comprender mejor las décadas de lucha y tres mapas que sitúan los principales hechos de armas.

El estudio bélico se enfoca en las fases de la guerra, que el autor divide en tres periodos principales:

I: 1640 a 1648

El reino de Portugal se lanza a una guerra abierta.

El principal factor que beneficiaría a los rebeldes lusos es que en esta época España estaba inmersa en múltiples teatros de operaciones que condicionaban su esfuerzo e impedían su focalización en solo uno.

Mapa de operaciones

A la espera de una inminente invasión desde Castilla —que tardaría en producirse— asistimos a los saqueos e incendios en los pueblos fronterizos, con una gran violencia tanto en la defensa como en el ataque. Unas auténticas luchas urbanas que no desmerecen a otras más conocidas como las de San Martín de Trevejo o Valverde.

Valverde

Desde el principio de la guerra, la intención de los portugueses fue obvia: no solo recobrar su independencia, sino también apoderarse de Extremadura. En diciembre de 1640, un ejército portugués, mandado por el general Rabello, con 5.000 infantes y 900 caballos, intentó tomar por sorpresa la villa de Valverde de Leganés, próxima a Olivenza.

« En la plaza de la villa, el enfrentamiento fue brutal. Finalmente, al mando del capitán don Diego de Lara acometieron a los enemigos por la espalda y se decidió la batalla« 

El capitán vizcaíno Juan de Garay, jefe del ejército de Extremadura, había recibido una confidencia sobre los planes lusos, por lo que se anticipó enviando a los tercios del marqués de Rivas y del marqués de Falces y a 3.000 soldados de caballería al mando de don Antonio Pacheco. Tras ligeros combates, los portugueses avanzaron en masa hacia la villa, abrieron brecha en la muralla y penetraron en Valverde.

Soldados españoles y vecinos lucharon al unísono. En la plaza de la villa, el enfrentamiento fue brutal. Finalmente, al mando del capitán don Diego de Lara acometieron a los enemigos por la espalda y se decidió la batalla.

El general portugués Rabello cayó muerto de un impacto de lanza, y los portugueses, viéndose descabezados, se desbandaron y fueron pasados a cuchillo: 800 bajas españoles y 2.000 enemigas. La larga guerra acababa de empezar.

Azulejo de la Batalla de Montijo

Junto a esas luchas fronterizas, el primer órdago de consideración fue una operación portuguesa en la provincia de Badajoz que penetró hasta Montijo. Sería la primera gran batalla de esta guerra con un resultado controvertido, pues ambos se vieron vencedores —lo que corrobora Sicilia escarbando en multitud de fuentes—. En relación a ello, el autor presenta dos novedades: ubica la batalla en una situación diferente a la habitual —con pruebas convincentes de esa posibilidad— y narra otra operación portuguesa poco reseñada que acechaba Badajoz y la batalla del fuerte de Telena en 1646, nunca referenciada en obras anteriores.

Plano de Badajoz

Así, el libro va siguiendo el conteo de los años y los diversos combates. Los portugueses van adquiriendo mayor experiencia, particularmente en su fuerza montada. Aunque en varios encuentros serían batidos por el marqués de Molinghen, el mando hispánico en el sector principal del Alentejo-Extremadura, poco a poco se irán colocando en una situación de paridad con los hispánicos.

II: 1648 a 1659: PRUEBA DE FUERZA

Una vez firmada la paz de Münster con los neerlandeses, solo Francia, que lleva desde 1635 disputando la preponderancia en Europa a las tropas del Rey Planeta, parece ayudar a los lusos.

« La verdadera prueba de fuerza lusa se iba a materializar en su ataque a la plaza más relevante del primer escudo portugués en el Alentejo, Elvas« 

En esta segunda fase, habrá una relativa calma en torno a La Raya. Sin embargo, habrá operaciones de calado como la conquista de Olivenza por los hispánicos, o el posterior asedio de Badajoz por los portugueses. Pero la verdadera prueba de fuerza lusa se iba a materializar en su ataque a la plaza más relevante del primer escudo portugués en el Alentejo, Elvas, sitiada por los hispánicos. Ese ataque del ejército de socorro, entre la niebla, supondría la primera gran victoria campal de los bragancistas, un punto de inflexión que precipitaría la tercera y postrera fase de la guerra.

Elvas

III: CAÍDA DEL TELÓN de 1659 a 1668

La monarquía hispánica, desembarazada ya del enemigo francés por el Tratado de los Pirineos pudo, por fin, concentrar toda su atención en el teatro portugués. Al frente de un ejército de unos 18.000 infantes y 8.000 caballeros, D. Juan José de Austria, bastardo real, hábil comandante, héroe de la pacificación de Nápoles y el que arrebató Barcelona a los galos, penetra a través de Extremadura. Los españoles fueron rindiendo las distintas plazas fronterizas hasta tomar, el 22 de mayo, la ciudad de Évora, la segunda más importante del reino, que se situaba en una posición estratégica en la ruta hacia Lisboa en 1663.

Parecía acercarse la victoria final para la monarquía hispánica, pero en este tiempo Portugal ya no estaba tan indefensa como al principio de la guerra. Había construido tres escudos abaluartados en el Alentejo, y sus tropas estaban actuando desde hacía años a un gran nivel táctico. Por si fuera poco, Francia seguía apoyándola y habían firmado una nueva alianza con Inglaterra. Contaban con las mejores bazas para, desde su propio territorio, golpear en el momento preciso a los hispánicos, tal y como sucedió.

A los españoles les faltó el apoyo de una armada fuerte y contundente. La conjunción naval y terrestre para ayudar en el bloqueo de Lisboa era vital y hubiese sido decisiva sobre todo en esta tercera fase de la guerra con la amenazante presencia de la armada inglesa en favor de Portugal.

Ferrer-Dalmau pintando a Juan José de Austria

Ameixial

Ahora se producirá la batalla más decisiva de esta guerra, Ameixial, donde las otrora invencibles tropas españolas serían batidas por la excelente visión táctica de Schomberg, un mercenario francés al servicio luso.

Esto no desanimó a Felipe IV, que rebuscó entre sus tropas europeas para devolver el orgullo a sus armas y confió sus tropas al III marqués de Caracena, veterano de mil batallas. Para Sicilia Cardona, “fue el mando hispánico que mejor entendió la naturaleza de esta guerra, porque deseaba atraer a los enemigos a otra gran batalla para batirlos. Habían perdido hombres y tiempo asediando plazas fuertes”. Sin embargo, los españoles volverían a ser derrotados en Montes Claros, el enfrentamiento más sangriento de la guerra, en Vila Viçosa, providencialmente en la cuna simbólica de los Braganza.

Palacio de Vila Viçosa

Esta batalla final decanta la balanza del destino. La corte madrileña se sumió en la desesperación viendo cómo sus anhelos de recuperar aquel reino quedaban definitivamente rotos el 13 de febrero de 1668, fecha del Tratado de Lisboa. Ni João (muerto en 1656) ni Felipe IV (en 1665) lo firmaron. Serían sus herederos, los jóvenes Carlos II de España y Alfonso VI de Portugal, ambos discapacitados y sometidos a regencias, los encargados de firmar la separación definitiva de los reinos españoles y Portugal.

El balance bélico. ¿Un conjunto de factores nos hicieron perder?

¿Antepuso Felipe IV sus intereses en Flandes, sumidero de hombres y dinero para la monarquía, a la recuperación de Portugal? ¿Se equivocó al dividir las fuerzas en varios ejes —sin superioridad numérica y a mucha distancia de Lisboa— en lugar de concentrarlas en un único ejército? ¿Se entretuvieron en tomar plazas fuertes y descuidaron otras zonas? ¿Fue equivocada la estrategia hispánica de invadir Portugal demasiado tarde, cuando ya tenían escudos abaluartados defensivos en el Alentejo, teatro principal junto a Extremadura?

Carlos II de España y Alfonso VI de Portugal

La conclusión del investigador Sicilia es rotunda: “La monarquía se había desgastado en proyectos costosos, perdiendo recursos financieros, hombres y la logística necesaria. Se enfrentó a un ejército muy entrenado y disciplinado que luchó con determinación”. Para el historiador, fue crucial la ayuda exterior, y la calidad de los mandos enemigos entre los que destaca al mariscal Schomberg, enviado por el rey Luis XIV, como la mejor mente militar de la contienda.

El libro termina con unos interesantes anexos donde encontramos biografías de los mandos protagonistas de ambos rivales, listados de capitanes generales y gobernadores militares, más una tabla con la comparativa de los tamaños, en diferentes años, de los ejércitos contendientes.

La pregunta del millón: ¿Fue el final de los gloriosos Tercios españoles?

De las tres armas, en esta guerra la que más ha sorprendido al autor es la caballería, y considera que fue la fuerza predominante y clave por su mayor movilidad. “Gracias a ella, España pudo dominar las dos primeras fases con determinación y potencia de choque, lo que le daría triunfos rotundos”. Pero sobre todo, lo que deja claro, es que en esa tercera y decisiva fase final hay una pérdida de nivel de la infantería de los famosos tercios españoles.

Rocroi por Augusto Ferrer-Dalmau

Por ello, para Sicilia Cardona, la época gloriosa de los Tercios, se acaba aquí. “Se habla mucho de Rocroi, pero Montes Claros es la última ofensiva de esa gallarda infantería mítica y legendaria, imbatible en mil lides, pero que llegó a su límite y al final tuvo que enfrentarse a un ejército con un nivel táctico similar, e incluso, moralmente, superior”, sentencia.

Una obra bien pensada, estructurada y escrita

El epitafio a aquel largo combate lo podemos encontrar en el escritor Arturo Pérez Reverte, cuando dijo aquello de que “al final, a uno lo derrotan siempre”.

Eso fue lo que ocurrió con la monarquía hispánica, esa entidad supranacional que intentó recuperar Portugal, y tendrían que pasar 28 años para percatarse de que lo había perdido, y con él su vinculación peninsular, por lo que ahora sabemos, sin posible vuelta atrás.

¿Es un libro solo para amantes de la historia militar?

Aunque Enrique Sicilia afirma que “todavía queda por investigar sobre algunas de las batallas más relevantes de esta guerra”, lo cierto es que La Guerra de Portugal, de la Editorial Actas, no solo viene a llenar un inexplicable vacío bibliográfico, sino que trasciende el ser la obra primigenia para convertirse en la obra definitiva, la referencia imprescindible y de lectura obligada para el conocimiento de este período histórico.

¿Es un libro solo para amantes de la historia militar? En absoluto. Lógicamente, sus páginas aportan un gran caudal de datos bélicos, pero también disfrutaremos de personajes fascinantes, portugueses y españoles, convencidos de que estaban destinados a la gloria e imbuidos de una sensación de victoria final o incluso de una cuasicontrarrevolución, organizada por la mismísima Inquisición. Apasionantes son también las traiciones y alianzas de ingleses y franceses que se coaligaron para ayudar a Portugal y cuyo único interés sería derribar al todavía gigante de la monarquía hispánica que, por mucho que se empeñen los leyendanegristas, atesoraba un ingente poder planetario.

Tras la lectura de la obra, los amantes de la Historia constatarán la realidad de que sin conocer la Historia de Portugal de este siglo es imposible afrontar la de España. Deslumbra entre sus páginas este importante escenario, casi absolutamente ignoto, que trascendía la política de la península y que se convertía en una guerra de escala internacional en aquel siglo de pugna por la hegemonía de occidente.

Pero sobre todo, fue mucho más que eso. El autor concluye: “Fue la guerra que España nunca debió perder”. Nos atrevemos a más y matizamos: “Fue la guerra que jamás debimos librar”, pues perdimos ambos países el primer imperio global de la Humanidad.

La Guerra de Portugal, de Sicilia Cardona, nos acerca a la guerra ibérica más importante de nuestra historia. Un episodio demasiado olvidado, pero tan crucial que cambiaría sin vuelta atrás los futuros designios de una península, una Europa y hasta una cosmovisión geopolítica que hubiera tenido sin duda el contundente sello Marca Hispania.

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Autor: Enrique F. Sicilia Cardona

Título: La Guerra de Portugal (1640-1668)

Editorial: Actas

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[Fuente: http://www.zendalibros.com]

La ‘Caravana de Riures’, el projecte més genuí de Pallassos Sense Fronteres, ha enviat set expedicions a Polònia des que va començar la guerra d’Ucraïna per brindar suport emocional a les persones refugiades.

 Font: Pallassos Sense Fronteres.

Al Benín, Pallassos Sense Fronteres ha visitat diversos centres de salut mental.

“Es fa difícil tornar”, confessa l’Anna Confetti, clown de Pallassos Sense Fronteres, en una de les darreres entrades al blog de l’entitat, que va escriure tot just arribada de Polònia. L’Anna és una de les artistes que ha format part de l’expedició de la ‘Caravana de Riures’ a la vora de la frontera d’Ucraïna, on ha repartit riallades a tort i a dret entre les persones –sobretot les més menudes– que fugen de l’horror de la guerra.

Aviat farà trenta anys que Pallassos Sense Fronteres regala il·lusió i somriures allà on més es necessiten, això és, als llocs assetjats per la guerra, les catàstrofes naturals o altres situacions com la pobresa i la fam. D’ençà que es va posar en marxa el 1993, coincidint amb les guerres de Iugoslàvia, l’entitat fundada pel pallasso Tortell Poltrona ha portat la ‘Caravana de Riures’, el seu projecte més genuí, a més d’un centenar de països.

Arreu on han voltat, han ajudat les persones, especialment la infància i la població refugiada, a suportar les pitjors adversitats i millorar la seva salut emocional en contextos molt hostils.

“Nosaltres sempre diem que el riure activa els processos de resiliència de les persones, i això de seguida es nota; les persones que pateixen aquestes situacions arriben amb una motxilla d’emocions molt pesant i, per un moment, descarreguen aquest llast, gaudeixen de l’espectacle i del riure i d’alguna manera aconsegueixen oblidar la seva realitat”, expressa a Xarxanet la Marta López, responsable de comunicació de Pallassos Sense Fronteres.

Els destins on s’atura la ‘Caravana de Riures’ es van actualitzant i depenen de les necessitats que hi hagi en aquell moment al món i dels contactes que l’entitat amb organitzacions, tant locals com internacionals, que treballen sobre el terreny. “No podem abastar tot el món, perquè els nostres recursos són limitats i perquè no tenim contactes per anar a segons quins llocs”, diu López, que cita d’exemple el Iemen, on l’expedició encara no hi ha pogut anar.

Set expedicions a Polònia des de l’inici del conflicte a Ucraïna

Enguany, com no podia ser d’una altra manera, la caravana ha bolcat molts esforços a oferir suport a la població refugiada arran de la guerra d’Ucraïna. Ja han enviat set expedicions a Polònia, a tocar de la frontera amb Ucraïna. L’Anna Confetti ha participat en una d’aquestes expedicions: “Hem fet actuacions on la gent de seguida s’apropava, participava i reia; en altres han estat més tristes i abstretes en la seva realitat, però de mica en mica anaven entrant a l’espectacle, mentre canviaven les cares tristes per rialles”, escriu al blog de l’entitat.

El primer viatge a Polònia per alleugerir el drama de la població ucraïnesa el van organitzar només tres setmanes després que esclatés la guerra, fent gala d’una gran capacitat per respondre amb celeritat a l’emergència. “Al principi venien riuades de persones refugiades cada dia a les localitats frontereres; ara, la situació s’ha estabilitzat una mica i la població està més dispersa pel país i aquell primer gran flux ha afluixat una mica”, detalla la Marta López.

Allà, les artistes de Pallassos Sense Fronteres expliquen que han actuat sobretot per un públic format per infants, les seves mares i persones grans, perquè els homes s’han hagut de quedar a Ucraïna. En aquest sentit, sumen des de l’entitat, han procurat –sempre ho fan, però en aquest cas, més– enviar dones artistes i hi ha hagut expedicions en què el 100% de les pallasses han estat dones.

“Les mares, emocionades, ens han agraït moltíssim la nostra feina i ens han reconegut que necessaris són uns moments d’alegria, tant per a la mainada com per a elles; una altra ens abraçava dient que els seus fills no reien des que van fugir de Kíiv”, relata l’Anna Confetti. De fet, com deia el Tortell Poltrona en una conversa amb la periodista Clara Paolini al diari ‘El País’, “com més fumuda és la situació, més fort surt el riure”.

És el que ha passat a Polònia. “Quan actuen aquí a Catalunya tenen molt bon públic, però en aquestes situacions és una altra història i sovint són les espectadores que millor reben els espectacles, perquè és el primer que han vist o és la primera vegada que veuen una pallassa; al final, el llenguatge del riure és universal i no coneix fronteres”, agrega López.

Artistes professionals i voluntàries

Malgrat tot aquest afecte que reben i que són professionals de la cosa, treballar i fer riure en contextos tan feixucs com aquests sovint no és fàcil de digerir emocionalment. Per tot plegat, Pallassos Sense Fronteres sempre demana als artistes i a les persones que s’interessen per participar que siguin professionals. Enguany, a banda de Polònia, la ‘Caravana de Riures’ ha fet parada a Zimbàbue, l’EquadorTogo i el Benín.

A més de professionals, les artistes de Pallassos Sense Fronteres són voluntàries. En tots aquests anys, més d’un miler d’artistes de les arts escèniques han format part del projecte en algun o altre moment, i han comptat amb ambaixadores del riure tan reconegudes com Pep Callau, el Circ CricPepe ViyuelaMireia Peña i Claire Ducreux, entre moltes altres.

Tot un ventall d’artistes encapçalats per Tortell Poltrona, fundador i alma mater de l’entitat. Precisament ara, Poltrona i altres artistes han dut la ‘Caravana de Riures’ al Benín, a l’Àfrica Occidental, on estan actuant en centres de salut mental, en aquest per a població adulta, que és víctima d’una estigmatització molt forta i són vistes com a producte de bruixeria o malediccions per culpa de les malalties que pateixen.

Perquè Pallassos Sense Fronteres pugui continuar fent aquesta tasca i provocant onades de riures arreu, l’entitat té obertes diverses vies de col·laboració, que es poden consultar a través del web de l’organització, per fer donacions i ajudar les artistes a continuar ficant els nassos en els contextos més adversos. Perquè, com bé diuen, “riure és resiliència”.

 

[Fotografies: Pallassos Sense Fronteres – font: http://www.xarxanet.org]

 

Escrito por Orlando Rodríguez B.

« PIENSO, LUEGO EXILIO »

Título de una obra teatral del autor chileno Jorge Díaz

Desde los comienzos de la vida republicana, en las primeras décadas del siglo XIX, el exilio parece ser la condición natural de los intelectuales de nuestro continente. Mitre y Sarmiento, huyendo de los excesos del gobierno de Juan Manuel de Rosas, encontraron asilo en Chile, donde contribuyeron a su desarrollo cultural y educacional.

En este siglo, las sucesivas y prolongadas dictaduras arrojaron a los creadores lejos de las fronteras de sus patrias. Durante muchos años, la labor poética de Nicolás Guillén o la creación narrativa de Alejo Carpentier fueron realizadas en París o Caracas, pero en todo caso, lejos de Cuba. Los guatemaltecos Manuel Galich y Carlos Solórzano, por mencionar ejemplos, buscaron otros horizontes para expresarse, luego de caer el gobierno democrático de Jacobo Arbenz. La caída de Joao Goulart en Brasil abrió el camino del exilio a muchos creadores. Y el drama del Cono Sur, que en la década del 70 destruyó largos caminos democráticos o reinició el camino de los gobiernos de facto -caso Argentina- produjo un fenómeno que ha merecido el calificativo de « diáspera », por su enorme expresión cuantitativa.

Pero el camino del exilio muestra dos facetas distintas en los últimos diez años. Si bien, y es lo aplicable de manera mayoritaria en el caso de los intelectuales y artistas, el exilio se manifiesta por abiertas causas políticas, se ha agudizado el camino del exilio cultural y del exilio económico, sobre todo en el campo de profesionales, sectores medios y obreros calificados, que buscan otros horizontes en países diferentes al propio. Países como Uruguay o Chile, pueden tener en este año de 1981, a su término, una cantidad no inferior a un millón de exiliados cada uno. Argentina posee también una cantidad apreciable. La dictadura paraguaya, la más vieja de América del Sur, luce cifras que avergüenzan. Otro tanto corresponde a Haití, a Bolivia, a Guatemala. En fin, la lista es impactante. Y dentro de esa multitud que abandona su propio suelo, el creador intelectual y artístico ocupa un lugar relevante, más aún, cuando constituye la voz a través de la cual se manifiesta cada uno de estos pueblos.

Pero, en el caso de América Latina, el exilio produce resultados imprevistos por las dictaduras, cuya represión determina la nueva condición y ubicación del intelectual desplazado. Inserto en una nueva realidad, superando el problema de adaptación, su capacidad creadora y su condición ejemplificadora significa el aporte de su talento a un medio diferente, que se enriquece con la condición del exiliado, mientras el intelectual se enriquece a su vez con nuevos contactos humanos, con el conocimiento de un medio distinto, que le aportan, a su vez, los valores locales. Es decir, el exilio se convierte en un audaz desafío, que encarado con una actitud visionaria, se traduce en una acción formadora recíproca entre el hombre y el medio.

El caso del teatro 

El teatro, por su carácter de arte colectivo, realizado en equipo, requiere de diferentes especializaciones, que reunidas son capaces de producir la creación destinada a un público, en vivo, con la comunicación directa entre receptor y emisor. Eso trae, en el caso del exilio, un problema nuevo. No se trata del intelectual, creador desde un escritorio, o el profesor que proyecta su acción docente, sino de la necesidad de establecer un contacto directo entre la realidad que refleja y el público que tiene vivencias, ambiente, modismos, costumbres, formas de vida y comportamiento, similares a las que posee el artista intérprete. Por ello, aventado de su medio, el actor experimenta una situación compleja. Cambia el ambiente y las características que le son familiares. En lo relativo al lenguaje, su acento le impide, en los primeros años, asumir papeles donde ese acento lo aleja del que corresponde al nuevo medio en que vive y que le es familiar al público del espectáculo. Así, un acento rioplatense muy marcado le impide afrontar un personaje de agudas características caribeñas o un personaje medio marginal, incluso de las grandes ciudades de los países de esta zona.

Súmese a ello que en la mayoría de los países de América Latina el profesionalismo en el teatro es un proceso tardío, y que el hombre de teatro se gana la vida en el cine o, preferencialmente, en la televisión, lugar donde los acentos y formas de pronunciación parecen agudizarse, sea por los medios técnicos que recogen dichos acentos, sea porque su alcance masivo hace evidente para esas mayorías la diferencia entre la pronunciación requerida para personajes locales y la que ofrece el actor exiliado de un sector del continente donde esa pronunciación es absolutamente distinta.

En el caso de los dramaturgos, aquel que no ha vivido períodos prolongados fuera de su país -en el campo de los escritores diríamos un Cortázar o un José Donoso-, el alejamiento de su realidad le dificulta su tarea creadora, mucho más cuando el teatro ha sido, desde sus orígenes, el gran testigo de su tiempo. Y el autor teatral requiere de ese contacto diario y permanente con su realidad, con los seres que le van a servir de modelo para sus personajes, con los hechos, incluso policiales, que van a alimentar su obra. Pero, desplazado de esa realidad, el proceso de adaptación es lento, se produce una larga pausa de infertilidad, para dar paso, si es capaz de esa adaptación, a un reinicio de su producción.

Por su parte, el crítico se ha alimentado de su realidad para juzgarla. Conoce su medio, directores, dramaturgos, actores, sus cualidades creativas y la trayectoria que le permite analizar sus progresos, estancamientos o retrocesos. Al salir al exilio, también experimenta un fenómeno similar al señalado anteriormente. Desde ya, se le hace imprescindible conocer hasta donde es posible el nuevo medio escénico; las calidades y características de grupos, dramaturgos, directores, actores, realizadores, y previamente, las cualidades del proceso teatral del nuevo país, aspectos de la historia, pasado y valores que corresponden a la idiosincrasia de ese lugar de adopción.

A todo lo expuesto, agréguese además, cierto rechazo por parte de los intérpretes locales, que creen ver en el exiliado un factor de desplazamiento en su trabajo; un competidor peligroso, más aún, cuando posee una trayectoria importante y una formación y calidades superiores a las de los artistas del lugar que lo acoge.

No quisiéramos dejar pasar otros elementos, como la dificultad para encontrar trabajo o que los creadores e intérpretes, por necesidad de subsistencia, deban afrontar otro tipo de labores que las realizadas durante años, a veces una vida casi entera. La nostalgia de su terruño e incluso su capacidad o no de asimilarse al nuevo medio. El caso dramático del director chileno Pedro de la Barra, fundador del Teatro de la Universidad de Chile en 1941, desaparecido en Caracas en 1977. Invitado a Venezuela, donde volcó su capacidad en el campo de la docencia, donde se ganó el afecto de los jóvenes alumnos, pero que no logró superar la nostalgia de la tierra a la cual había estado unido por 60 años.

Estamos indicando el exilio dentro de las fronteras latinoamericanas, donde el lenguaje, la historia, las costumbres son similares; pero, los problemas se agudizan cuando al exiliado le ha tocado otro continente -España aún resulta una situación de menor dificultad de asimilación-, pero pensemos en una realidad con otro idioma, otra idiosincrasia, otras costumbres, otro clima, otra geografía.

El exilio, un incentivo creador 

Sin embargo, la distancia con el lugar de origen produce, en un alto porcentaje, una visión más clara sobre la realidad dejada atrás. La perspectiva se hace más nítida, el enfoque más agudo, el análisis más profundo, limpio de detalles nimios y situaciones superficiales que acompañan la vivencia directa o la permanencia lugareña.

Pero, esta profundización y, como también la mayor producción creativa, parece depender del mayor o menor grado de compromiso del escritor -teatral en este caso- con su realidad. Para este efecto, nos permitimos señalar un interesante ejemplo. Si comparamos la producción de los dramaturgos chilenos, realidad que conocemos mejor, entre 1963 y 1973 -año del golpe militar- y lo creado entre esa fecha y nuestros días, tendríamos que concluir que la dramaturgia ha sido más fecunda en estos últimos años. Lo que sucede es que la mayor parte de esas obras chilenas han sido escritas fuera de las fronteras de Chile. Incluso, lo refrendaremos con un ejemplo más concreto. En el Concurso de Casa de las Américas de 1978, donde nos tocó integrar el jurado de Teatro, se presentaron en este rubro un total de ochenta y cinco obras, provenientes de los diferentes países del continente. De esas, sesenta correspondían a solo tres países: Cuba, Colombia y Chile. Este último estuvo presente con dieciocho textos dramáticos, todos enviados desde distintos lugares del mundo, y ninguno, como es de suponer, desde el propio país de origen de los autores.

Cuando se realice un balance de lo creado en los años de las dictaduras que irrumpieron en la década del setenta, se van a obtener cifras y resultados sorprendentes, en cantidad y calidad.

La guerra civil española aventó a los intelectuales, gran parte de los cuales se ubicó en países de nuestro continente. En el teatro, figuras como la gran actriz catalana Margarita Xirgú, el escenógrafo Santiago Ontañón, el director Alberto de Paz y Mateos, el actor Edmundo Barbero, los dramaturgos Alejandro Casona y Max Aub, los poetas y dramaturgos Rafael Alberti y León Felipe y muchos otros, cumplieron papeles decisivos en la renovación de la escena, tanto en Uruguay, Argentina, Chile, Perú, El Salvador, México, etc.

La represión en América Latina ha significado el asesinato o la « desaparición » de destacadas figuras del teatro del continente: Víctor Jara, de Chile; Rodolfo Walsh y Francisco Urondo, de Argentina.

Al exilio han sido lanzados los creadores más representativos de sus respectivos países. Estos han respondido con una mayor acción creadora y con una actividad infatigable. Conjuntos de prestigio internacional como El Galpón de Montevideo, a quien la dictadura uruguaya le despojó de sus salas teatrales, producto del apoyo popular a la tarea del elenco, o La Compañía de los Cuatro de Chile, siguen trabajando; unos en México, donde a su tarea de representar obras del repertorio uruguayo, latinoamericano y universal suman largas giras nacionales e internacionales, actividad para los niños e intensa labor docente. Los otros, radicados en Venezuela, proyectan su acción a todo el país, en giras internacionales e incluso, en 1980, representaron a Venezuela en un festival de teatro de Strindberg, realizado en Estocolmo.

En el caso de figuras individuales, el guatemalteco Manuel Galich, incorporado a la vida cubana, a cargo del Departamento de Teatro Latinoamericano, además de sus clases en la Universidad de La Habana, director de la revista Conjunto, dedicada al teatro latinoamericano, ha creado numerosas e importantes obras teatrales en su etapa de exiliado. Pascual Abah, en reencuentro con el origen, sobre los años de la conquista de América, es una de esas obras.

El exilio se convierte para el exiliado en un impulsor que acentúa su tarea creadora, haciendo que se intensifique su necesidad de mayor vinculación y compromiso con el país y la realidad dejada atrás.

Dramaturgos en el exilio 

« Pienso que está naciendo una nueva cultura latinoamericana provocada por el exilio de muchos creadores. Uno es el exilio político, como el nuestro, otro es el exilio cultural, elegido voluntariamente.

Los creadores se han visto obligados a hacer una poesía bilingüe, una canción bilingüe, etc. Por lo demás, aquí en Europa hay muchos elementos valiosos que pertenecen a la cultura universal y que vamos tomando sin darnos cuenta, enriqueciéndonos cada día. Es un poco como las emigraciones europeas, que llegaron a nuestros países introduciendo costumbres que ahora forman parte de nuestra cultura. Cuando regresemos a nuestros países, llegaremos con lo que hemos asimilado afuera, que se pondrá al servicio de nuestra cultura, para luego formar parte de ella. A lo mejor llevando esta obra a nuestro continente, nos estamos adelantando al regreso.

No creo que uno pierda su identidad. Neruda vivió mucho tiempo fuera de mí país y no por eso es menos chileno. Pasó con él todo lo contrario: es más chileno y más universal.

De mi país claro que me acuerdo… Me acuerdo todos los días… De mi cordillera inmensa… De mi pueblo en el estadio gritando por su equipo favorito… De las micros llenas… De mis amigos… ». Quien habla es Oscar Castro, dramaturgo, director y actor, que encabeza el grupo Aleph, residente en París. (Revista Conjunto, Casa de las Américas, N° 49. La Habana, julio-septiembre 1981). Antes de exiliarse pasó, junto a su hermana y otros integrantes del grupo, por la tortura, cárceles y campos de concentración. Su madre y su cuñado fueron ‘desaparecidos’ por la DINA, después de una visita que les hicieran al campo de concentración.

Castro es la expresión de una generación más joven. En la década del sesenta, inició junto a jóvenes universitarios una actividad teatral, formándose el grupo Aleph, que hoy trabaja en Francia. Una de sus últimas creaciones, La increíble y triste historia del general Peñaloza y del exiliado Mateluna, toca el tema de este artículo. Antes había escrito, entre otras, Casimiro Peñafleta, preso político. En las obras, Castro ha trabajado en equipo con su grupo. Las obras las están presentando en francés y en castellano.

Aldo Boetto es un autor y actor joven argentino. Debió exiliarse y reside en Venezuela. Se ha dedicado de preferencia al teatro infantil, montando, junto con su esposa, los textos propios. Pero, siempre atento a la realidad que ha vivido su país en los últimos años y que vive hoy, escribió Tango en el exilio, donde compartió la nostalgia del país que dejara, con el drama de las mujeres de la Plaza de Mayo.

Mario Benedetti, consagrado poeta uruguayo, forma parte del grupo que trabaja en Casa de las Américas en Cuba. En el campo del teatro había incursionado con un texto sobre relaciones juveniles pero, la nueva realidad violenta que ha vivido su país la volcó, entre otros textos, en Pedro y el capitán, obra para dos actores que El Galpón montó en México, para luego llevarla a Europa y América Latina, en países donde se podía representar. Allí, el tema de la represión refleja la realidad que los países del Cono Sur han experimentado en esta última década.

Augusto Boal vivió la persecución, la tortura y la cárcel en Brasil, al dominar la dictadura. Exiliado en Buenos Aires, luego en Europa, ha escrito numerosas obras, una de ellas comenzada en prisión y terminada en su primera etapa de exilio en Argentina, donde la estrenará, Torquemada, montada por otros elencos en diferentes lugares de América Latina. Boal es, además, uno de los teóricos y estudiosos del teatro popular más importantes del continente.

Antonio Skármeta es uno de los narradores chilenos de mayor peso en las letras de su país. Exiliado en la República Federal Alemana, se desempeña en el campo de la docencia, realiza guiones de cine y textos para televisión, sin abandonar su preferencia narrativa. Su cuento La composición ha sido publicado en varios idiomas. En el teatro, luego de algunas incursiones juveniles como escritor y como actor, volvió a escribir en el exilio. Su ya mencionado cuento lo volcó en versión dramática. En La búsqueda planteó el drama de un chofer de taxi tratando de ubicar a su hijo detenido por la policía chilena. En La mancha y en Nopasónada, el tema de Chile bajo la dictadura y la persecución, constituye la esencia una vez más de su creación teatral.

La joven autora argentina, residente en Madrid, Roma Mahieu, estrenó el año pasado en España su obra La gallina ciega, donde el deambular por diversos países y realidades del hombre desplazado de su propia tierra se va convirtiendo casi en un círculo sin salida.

A todos estos valores habría que agregar los nombres de Andrés Lizarraga, exiliado durante varios años en España, hoy en Venezuela. Uno de los dramaturgos de mayor proyección latinoamericana e integrante del grupo generacional argentino, que ha influido en el desarrollo del teatro continental. Un compatriota, Alberto Adellach, vive su exilio en Madrid. Otro importante escritor argentino, Juan Carlos Gené, que se desenvuelve indistintamente en el teatro y en la televisión, como director, actor o guionista, reside en Caracas desde hace algunos años.

El dramaturgo chileno Alejandro Sieveking se exilió junto con el grupo que integra El Teatro del Angel, en San José de Costa Rica, donde ha realizado una labor vital para el desarrollo del teatro « tico ». Casi recién llegado escribió Pequeños animales abatidos, sobre el golpe militar en su país, obra que obtuviera el premio Casa de las Américas en 1975.

No se trata de dar una visión exhaustiva de los autores que viven en el exilio. Los hay, provenientes de América Latina, en cualquier país del mundo. Trabajan en Canadá, Colombia, Suecia, Inglaterra, Francia, Perú, las dos Alemanias, España, Portugal, etc. Pero, si los une su condición de exiliados, también se establece un nexo entre ellos, en su temática, centrada en el enfoque de la realidad del país que abandonaron. Cuando el chileno Sergio Liddid Céspedes escribe en Londres BíoBío, Cruz del sur, no está haciendo sino un recuento de la dolorosa experiencia vivida en cárceles y en el campo de concentración de la isla Quiriquina en el sur de su país, en los primeros meses del golpe militar, para luego salir al exilio.

Y cuando lo hace su compatriota Jorge Díaz, figura de nivel continental, que vive en España desde hace dos décadas, que interrumpió su estada en el exterior para viajar a Chile y ofrecer sus servicios a la Unidad Popular y que al producirse el golpe militar afirmó su residencia en la península, sigue escribiendo e impulsando acciones teatrales para denunciar el drama de Chile. Recién producido el asesinato del presidente Allende, surgió su obra Cronicanciones de urgencia, donde el compromiso de Díaz con su realidad se acentúa aún más. En los años de dictadura su tarea ha crecido y estuvo a punto de ser expulsado de España por su posición. En los últimos meses de este año ha ganado el Premio « Santiago Rusiñol », otorgado durante la realización del Festival de Sitges, en Cataluña, a su obra Desde la sangre y el silencio y se ha anunciado su montaje en Oxford. La obra de Díaz plantea los últimos momentos de Pablo Neruda, en un Chile dominado a sangre y fuego, en septiembre de 1973. Díaz, excelente autor de teatro para niños, ganó, también en 1981, el premio del concurso organizado por el teatro Tilingo de Venezuela, donde también obtuvo la única mención otorgada por el jurado. En el campo infantil, su obra El generalito plantea desde esa perspectiva su permanente vinculación con el drama sureño.

La lista de autores y de obras es larga. El exilio se ha convertido en un desafío para la creación, cuyo producto es una importante dramaturgia, que si bien hoy puede estar algo dispersa, cualquier antología o recopilación, una vez difundida, señalará cuan importante ha sido esta etapa, trágica en el transcurso de la historia latinoamericana, para ser plasmada en un teatro, testimonial y de denuncia, en el abanico amplio de variados estilos y formas de expresión, que constituye esa creación del exilio.

Día a día se suman nuevas voces en esta producción. Para marzo de 1982, se anuncia en producción conjunta de « Teatro Latinoamericano » y el teatro de la ciudad de Colonia en la República Federal Alemana, el estreno de Elmo.

« Nuestra primera obra, es un trabajo de equipo de lo que ha resultado una pieza llamada Elmo, que trata sobre el problema chileno actual de la dictadura, con algunos antecedentes del ambiente que se vivía antes del 11 de septiembre. Hace hincapié en las torturas de los presos políticos ». (Carta de César Aguilera, integrante del grupo, fechada en noviembre de 1981).

La acción teatral en el exilio 

En el Congreso Mundial de Teatro del Instituto Internacional de Teatro (ITI), que se llevó a cabo en Madrid en mayo de 1981, se planteó la necesidad de realizar un congreso y una muestra de teatro en el exilio. El término « exilio », para ese efecto, será reemplazado por otro, tal vez « Teatro en el Exterior », refiriéndose a que es hecho fuera de las fronteras de los países a que pertenecen creadores e intérpretes. El nuevo término permitiría incluir a trabajadores que por razones que no son políticas se desenvuelven fuera de sus países. Cualquiera que sea lo que se resuelva en definitiva, dicho congreso y muestra, propuesto por la filial del ITI en Suecia, se llevará a cabo en Estocolmo en 1983. Previamente, en 1982, se realizará un encuentro y muestra con los hombres de teatro y grupos que laboran en América Latina. Se ha propuesto como sede a Nicaragua. Existe la posibilidad de hacer un torneo similar en Europa, previo también al evento programado para el 83. En Suecia, se harán cargo de su organización, la filial mencionada y la filial del Centro Latinoamericano de Creación e Investigación Teatral (CELCIT) para los países nórdicos, con sede en Estocolmo, y donde participan figuras destacadas del teatro sueco.

Este congreso y muestra indican que la actividad teatral en el exilio ha adquirido tal importancia en cantidad y calidad, que es necesario hacer una pausa para evaluar, confrontar y medir dicha actividad, expresión de una América Latina, cuya cultura en la diáspora, lejos de disminuir o debilitarse, está constituyéndose en la expresión de mayor madurez para reflejar los agudos problemas que los países del continente han vivido en estos últimos veinte años, recogidos en la denuncia, el testimonio, el análisis, el enfoque crítico, todos en una tarea creadora que crece día a día.

Si los dramaturgos han producido toda una literatura teatral del exilio, los actores, dispersos por el mundo entero, han cumplido y están cumpliendo una labor sin descanso, estando siempre presente en ellos, la imagen y el recuerdo de la realidad dejada atrás.

Más aún, para el caso de América Latina, el exilio se ha convertido en un aporte singular y precioso para el desarrollo teatral de algunos países donde el quehacer escénico estaba retrasado en relación a otros medios del continente. Señalemos un ejemplo al respecto. Hasta 1973, el teatro en Costa Rica pugnaba por avanzar con grandes dificultades y una producción escasa. A los valores nacionales se sumaba la acción de los argentinos hermanos Cattania, radicados allí por años, y la actividad del francés Jean Moulaert, quien, encabezando el grupo Arlequín, realizaba dos estrenos al año, aproximadamente. Trabajaban las universidades y algún otro elenco no profesional. En San José, la capital, la actividad era discontinua. Pero, el año 1973, a raíz de los golpes militares, inició el camino del exilio para creadores e intérpretes. Al año siguiente, El Teatro del Ángel de Chile, encabezado por la experimentada actriz Bélgica Castro, una de las fundadoras del Teatro de la Universidad de Chile, y su esposo, el dramaturgo ya mencionado, Alejandro Sieveking, se radicó allí. Instalados en San José, el grupo, tras un esfuerzo intenso, no solo se integró en la nueva realidad, sino logró la adquisición de la sala, centro de su acción, que se ha convertido en uno de los focos de irradiación de la actividad escénica de Costa Rica.

En forma paralela llegaba a esa misma ciudad, invitado por los organismos teatrales « ticos », el gran director uruguayo Atahualpa del Cioppo, figura que, más allá de las fronteras de su país y de América Latina, ha proyectado su labor hacía lugares de Europa. Maestro de más de una generación, Del Cioppo echó a andar todo un proceso de formación y de rigor en el trabajo artístico, que constituye toda una escuela en nuestro continente. Sumemos, además, la llegada de Oscar Fessler, extraordinario maestro y director argentino, de origen europeo, también formador de gran cantidad de intérpretes en el Río de la Plata, que se agrega a esta irrupción de hombres ya consagrados e insertos en esta nueva realidad. Y más aún, el total de actores experimentados y otros más jóvenes provenientes del exilio chileno suman veintitrés, todos incorporados a la representación en distintos elencos, y otros además, a la dirección y a la docencia, que pasa por las universidades, colegios y otros organismos.

Este aporte tan valioso de trabajadores de la escena del Cono Sur, transforma el teatro costarricense y hoy, el teatro se ha convertido en la principal actividad artística de ese país, habiéndose formado jóvenes valores locales, que, terminado el exilio de los sureños o compartiendo con ellos el trabajo escénico, se convertirán en los integrantes de la generación de reemplazo en el teatro futuro de ese país. En este caso, se repite con características propias el ejemplo del exilio español y su impacto en el desenvolvimiento del teatro latinoamericano. Costa Rica se coloca entonces a la cabeza del teatro centroamericano, mediante esta inyección suministrada por movimientos teatrales de mayor trayectoria, cuyos representantes se incorporaron en el quehacer escénico del país.

En Canadá, en la ciudad de Quebec, un grupo de exalumnos de la Escuela de Artes de la Comunicación de la Universidad Católica de Chile, alumnos de las especialidades de Teatro y de Cine, instalados allí, formaron un grupo para dar a conocer obras de América Latina, creando, además, obras y películas propias. La obra La República Nacional, de Rodrigo González, es una muestra de esta importante labor, realizada en estos años.

En Venezuela, mayoritariamente en Caracas, exiliados provenientes de diversos países, están aportando su experiencia al activo medio teatral local. A la ya mencionada Compañía de los Cuatro de Chile, Marcelo Romo, actor chileno que se desempeña en teatro, cine y televisión; los esposos Rocío Rovira y Oscar Figueroa, actores y mimos, figuras de teatro infantil y de títeres Tilingo y el segundo, creador del Teatro de Mimos de Venezuela, habiendo formado numerosos otros mimos, junto con desempeñarse en tareas docentes en Caracas y en la ciudad de Maracay. Los escenógrafos Héctor y Patricio del Campo, Víctor Villavicencio, el actor Lientur Carranza, la productora Elisabeth Lépez; el trabajo del polifacético Juan Carlos Gené, del actor Gilberto Vieira, ambos argentinos; de la actriz uruguaya Alma Inggiani, de la actriz argentina Esther Plaza, del dramaturgo y actor de ese país Aldo Boetto; del director boliviano Sergio Medinacelli, ya de regreso y en actividad teatral en su país, son algunos ejemplos del aporte del exilio al teatro venezolano.

En Ciudad de México, veintiocho integrantes de El Galpón se han radicado allí. Integrados como una gran familia, los realizadores uruguayos están aportando su larga experiencia al teatro de ese país. Uno de sus integrantes, actor de prestigio y experiencia, Blas Braidot, está realizando una importante labor formadora y de dirección e interpretación, junto a valores jóvenes mexicanos. El dramaturgo, cuentista y profesor chileno Armando Cassfgoli, radicado en México, realiza una labor importante en el campo docente y creativo.

En Cuba, el matrimonio formado por los actores chilenos Shenda Román y Nelson Villagra se ha integrado al trabajo teatral local. Nelson, incluso, con una actividad cinematográfica relevante. Si su trabajo en El chacal de Nahueltoro lo lanzó al conocimiento y respeto público por su calidad interpretativa, su labor realizada en el exilio en Actas de MarusiaEl recurso del método o La viuda de Montiel, señala su calidad de nivel internacional, todas ellas bajo la dirección de Miguel Littin, director cinematográfico y hombre de teatro, exiliado en México. Pero, en la película cubana La última cena, dirigida por Tomás Gutiérrez Alea, marcó el punto más alto de su valiosa capacidad interpretativa, formada, primero en la ciudad de Chillán y luego en el teatro de la Universidad de Chile.

En Ecuador, la directora y actriz argentina María Escudero, a través de su tarea docente de la Escuela de Teatro de la Facultad de Arte de la Universidad Central del Ecuador y de la formación y dirección de grupos, ha realizado aportes importantes al joven teatro ecuatoriano.

Pero, el caso más sorprendente se ubica en Europa. La tarea de los latinoamericanos ha rebasado las posibilidades de encontrar simplemente un refugio para sobrevivir. Allí, en diferentes países, se han agrupado experimentados y jóvenes actores, para dar vida a experimentos de actividad continua, como igualmente, impulsar la difusión de obras latinoamericanas, que expresen, de distintos ángulos, los problemas colectivos e individuales aflorados en esta etapa difícil de muchos países de esta parte del mundo.

En la « Segunda Muestra del Teatro Latinoamericano », realizada en España (Madrid y una docena de ciudades), uno de los grupos fue el Teatro Sandino, con sede en Estocolmo e integrado por actores de distintas nacionalidades latinoamericanas. Presentaron una obra del uruguayo Mauricio Rosencoff, preso y torturado en las cárceles de su país, desde hace diez años. Suecia es una realidad insólita. Cuatro grupos latinoamericanos integrados por actores exiliados de América Latina. Tres son elencos de teatro y uno de pantomimas. Un joven director chileno, Boris Koslowski, está impulsando la difusión del teatro latinoamericano en Suecia y los países nórdicos, a través de la recién creada filial del CELCIT. Y por otra parte, el intercambio de profesores y creadores teatrales entre esos países y los nuestros. Así, está programado para 1982 u 83 el envío de profesores latinoamericanos allá, mientras profesores y directores suecos vendrán a trabajar en América Latina durante un tiempo. Lo mismo se aplica a profesores daneses, noruegos o finlandeses. Los profesores latinoamericanos sugeridos son figuras del teatro latinoamericano, donde destacan varios exiliados.

En la República Democrática Alemana se formó y trabajó por varios años el grupo Lautaro, integrado por actores, directores y dramaturgos exiliados chilenos y uruguayos. Incluso, para los efectos de representar al teatro de la República Democrática Alemana en el Festival del Teatro de Naciones, 1978, los dirigentes teatrales de ese país habían propuesto lo hiciera un elenco de actores exiliados con una obra de temática latinoamericana. Finalmente lo hicieron con un oratorio del tema latinoamericano El cimarrón, por el grupo de Rostock.

En la República Federal Alemana, además del nombrado Antonio Skármeta, nació hace tres años el grupo Teatro Latinoamericano e. V., cuya labor será mostrada en su primer trabajo colectivo en el primer trimestre de 1982. En Gran Bretaña, precisamente en Londres, dos grupos de teatro latinoamericano, formados por actores exiliados, se desempeñan en los últimos cinco o seis años. Uno, integrado por jóvenes actores chilenos egresados de la Escuela de la Universidad de Chile, que salieron directamente de los campos de concentración de la dictadura hasta la capital inglesa. El otro, integrado por el matrimonio formado por Gloria Romo y Francisco Morales, se ha dedicado al trabajo de pantomimas y de formación en esta especialidad. Ambos estudiaron en la Academia de Teatro de la Universidad Católica de Chile.

En España, tanto en Madrid como en otras ciudades, varios latinoamericanos están trabajando en el teatro. A los dramaturgos ya señalados hay que sumar El Teatro de Buenos Aires y actores como el argentino Norman Briski, la actriz compatriota Cipe Linconvsky, la actriz uruguaya Dahd (« Ducho ») Sfeir, otra actriz rioplatense, Nacha Guevara, el actor argentino-chileno Julio Fischtel, el dramaturgo chileno Jaime Silva (en Cataluña); y existe un grupo de teatro, integrado por actrices chilenas que se han dado a la tarea de difundir obras de su país y de otros lugares de Latinoamérica. Algunos actores exiliados, latinoamericanos, trabajan en Italia.

No solo dramaturgos y actores viven esta etapa del exilio. Los diseñadores en el campo de la escenografía, iluminación y diseño de vestuario, también laboran en esta condición fuera de sus países.

Así, en Hungría, Amaya Clunes, diseñadora chilena que había realizado el diseño del decorado de Romeo y Julieta, de Shakespeare en versión de Pablo Neruda, se desempeña como diseñadora en teatro y televisión.

En Perú, dos diseñadores y profesores chilenos, Bruna Contreras y Remberto Latorre, aportan su experiencia al teatro peruano.

En lo relativo a la crítica, hay que recordar que el exilio español impulsó en varios de nuestros países la aparición de conceptos nuevos para enjuiciar la obra y el espectáculo teatral, de acuerdo a concepciones modernas, acordes con la renovación escénica que se había venido desarrollando desde el comienzo de siglo. En la época actual, numerosos críticos se han incorporado a la realidad escénica de otros países. E incluso, estudios importantes sobre el teatro han sido aportados por valores latinoamericanos en el exilio. Así quisiéramos mencionar Théâtre de masse et football au Chili: 1939-1979. Origine, apogée et declin du « Clasico » Universitaire, publicado por la Université de Haute-Bretagne, Rennes, Francia, 1980, síntesis de la cual se publicó con el título El Clásico Universitario: un teatro de masas de invención chilena, en la revista Araucaria de Chile, Nº 13,1981, que se edita en Madrid.

El exilio visto desde dentro 

El exilio de tan vasta cantidad de creadores e intérpretes de la escena latinoamericana preocupa a los hombres de teatro, que pese a las dificultades pueden permanecer, aunque sea transitoriamente, en su propio país. Y junto con gestiones para permitir el regreso de los exiliados, intentos de reuniones nacionales con la participación de los intelectuales que viven en el exilio, autores y grupos residentes enfocan el tema del exilio en sus creaciones. En 1978, en Caracas, con ocasión de la « IV Sesión del Teatro de Naciones », se presentó el grupo chileno ICTUS con la creación colectiva de David Benavente y el conjunto, denominada ¿Cuántos años tiene un día?, donde, de manera muy sutil, se planteó el drama del que obligadamente debió irse fuera y de los que lo recuerdan o lo lloran en la distancia.

Un lenguaje para un tiempo dado 

La experiencia de cuarenta años de dictadura en España se expresó en el ingenio puesto por los autores para expresarse en una etapa de aguda represión. Los autores afinaron su lenguaje, utilizando algunas de las « cinco maneras de decir la verdad », según señalaba el gran autor alemán Bertolt Brecht, refiriéndose a tiempos similares. El eufemismo, las imágenes, el símbolo, la parábola y otras formas, aprendieron a utilizar los dramaturgos para poder enjuiciar su tiempo, para ser entendida, a veces, por un público iniciado, o en otras, por todo público que ya había aprendido a leer entre líneas o a comprender los aparentes ocultos significados. Pero, al caer la dictadura o desaparecido el tirano, las obras se añejaron de inmediato. La apertura en España hizo que las obras de ese tiempo pasado ya no interesaran o su texto no correspondiera a una época nueva donde se podía hablar o escribir con amplitud y con bastante libertad. Las obras se convirtieron en recuerdo de un pasado, cuyas realidades, personajes o problemas hablaban de otro tiempo.

En el caso del teatro latinoamericano, parte de ello ha de suceder con lo que con tanta dificultad y limitaciones se escribe o estrena en los países que sufren la represión dictatorial. Pero, por otra parte, la extraordinaria producción, en cantidad y calidad, permite augurar la conservación del testimonio de un tiempo, sin ocultamientos ni lenguaje cifrado, para establecer las características de « una realidad históricamente corta, pero existencialmente larga », según palabras de una joven actriz exiliada en Europa.

Resulta indudable que en estos últimos diez años la mejor dramaturgia latinoamericana se está escribiendo en el exilio. Nos gustaría señalar un dramático ejemplo. Desde la caída de Joao Goulart en 1964, no menos de ochocientas obras brasileñas fueron prohibidas o impedidas de ser estrenadas o publicadas en ese país. ¿Cuántas de ellas, al permanecer en el anonimato, lo seguirán al superarse las trabas que la larga dictadura impuso en ese país? ¿Cuánta frustración ha significado la represión a los creadores valiosos o potenciales, nacidos en América Latina y emergentes en la dramaturgia entre 1973 y nuestros días? Recordemos otro ejemplo dentro del continente. El autor teatral y poeta guatemalteco Manuel José Arce, hoy residente en Francia, escribió y publicó Delito, condena y ejecución de una gallina, premiada en un concurso centroamericano en 1969 y editada en 1971. En ella, a través de una parábola, se denunciaba las injusticias, la violencia y la represión, además de otros enfoques de la realidad guatemalteca. Era una obra cifrada para los espectadores de su país. Puesta en escena en el Festival de Manizales, Colombia, en 1973, la obra resultaba de poca eficacia, por cuanto Colombia, con gobierno de democracia liberal representativa no reprimía esos contenidos y esos lenguajes, valederos para una realidad muy concreta como la que mostraba Arce. De allí nuestra aseveración que la dramaturgia nacida y desarrollada en el exilio constituirá todo un bagaje de textos que se integrarán en los repertorios posdictatoriales, pero no solamente como el testimonio de un tiempo superado, sino como expresiones maduras de creadores que mostraron la dimensión humana de una época obscura, pero de transición para una sociedad en transformación.

Algunas conclusiones

A raíz de los cambios políticos sufridos por gran parte de los países de América Latina, la mayoría de su intelectualidad debió buscar el camino del exilio. Pero, lejos de significar la detención de un proceso creador, el silencio de los creadores e intérpretes se convirtió en un incentivo para mantener viva la imagen de los pueblos transitoriamente sojuzgados. Más aún, se convirtió en la acentuación del compromiso con sus respectivos pueblos, para colocarse como voceros de las mayorías silenciadas.

Por otra parte, al insertarse en otras realidades teatrales, sirvió el exilio para aportar nueva savia al desarrollo teatral, para el enriquecimiento personal y colectivo de los exiliados y para ir acumulando experiencia al afrontar estas nuevas realidades, que a la larga han de beneficiar con creces al país al cual han de regresar algún día.

El exilio se ha manifestado en una producción de obras y en la realización de multitud de montajes, a veces de manera bilingüe, que harán verdadera época en la trayectoria del teatro latinoamericano.

Y a esta panorámica sintetizada habría que sumar dos experiencias nuevas en América Latina: el teatro que se hace clandestinamente en los países bajo dictadura y el realizado en cárceles y campos de concentración, que ha empezado a conocerse. Un teatro que es capaz de vencer todos los obstáculos indica, no solamente la vitalidad de quienes han elegido este camino para expresarse, sino la potencialidad de pueblos que en este marco de represión están escribiendo las primeras páginas de la nueva historia de nuestro continente.

[Fuente: http://www.nuso.org]

Escrito por Claudio Ferrufino-Coqueugniot

Incluso si no hubiese vivido Isaac Emmanuilovich Babel, Odessa sería lo que es. No quiero creer que algún misil, Tochka o Kalibr, haya caído sobre el Parque de la Ciudad, ese al que se entra por la Preobrazhenskaya y se sale por la Gavannaya, oasis de buenos restaurantes y bancos de plaza que trasladan a un lejano tiempo de arte, de elegancia incluso en la pobreza, de exotismo portuario. De ese mar que se abre al universo antiguo, a bajeles de Heródoto escriba, a mitos de la gran guerra de los mundos. Paso horas allí. A veces de nueve crepúsculo a dos noche. Faroles mortecinos, mesas y sillas arrumbadas en rincones de la floresta urbana. Algún gato, tal vez París apache sin salvajes, del 900; posiblemente Viena. Aire de ayer, no de anteayer, porque una cosa implica melancolía y la otra decrepitud.

Hay un café ruso en Leverkusen sobre la Stefan-Zweig-Straße. Contaba Paul Avrich acerca de la explosión simultánea de bombas en un café de Varsovia y en otro de Odessa. Los límites de este mundo a ratos se hacen difusos, son de hecho ubicuos. Uno cree estar en Austria-Hungría y está en una republiqueta soviética. Dicen que aquel espíritu de multiculturalidad, a ratos no pacífica, se escondió de la modernidad en ciudades ucranianas: Lviv, de paredes de chocolate rosa; por supuesto en Odessa, hasta en las estribaciones del Cárpato en Uzhzhorod, para pasar de allí a la concreta Hungría, también de colores en pastel tentador; Debrecen, por ejemplo.

Me decía Daniela Billus, mientras la luna llovía, del largo avatar de los pueblos de allí. En su caso familiar, desde la boscosa Lituania hasta el Danubio de Budapest. Fronteras como cicatrices que se borran con crema; otras cicatrices que no tienen cura y son como nervudas serpientes recordatorias. El búho grita en el bosque, muge el bisonte, crueles ejércitos arrebatan vida unos a otros. Estoy sentado en un banco del parque citadino en el puerto de Odessa y vuela en el aire un encantamiento de Merlín con nombres eslavos. Hechizo de quédate inmóvil, montaña. Banderas y cañones que cuando tocan la ciudad le producen carcajadas. Un enorme hoyo de obús no quitará la mística bandolera de la Moldavanka, ni cien años de soviet han logrado acallar el recuerdo rebelde. Los zares rojos, y el mico actual, han sido con mucho peores que cualquier rey. Cuando se ordena a nombre de la bondad, se mata a nombre de la miseria, se roba mencionando la indigencia, vamos por mal camino, que de cadáveres está llena la carretera de la dicen que revolución. Todo para mí y un retazo para ustedes y a idolatrar al dios sol.

Estoy sentado en aquel banco y cavilo. No por los muslos de blanca tez y suavidad de terciopelo. Pienso en lo leído, intento imaginar las páginas como seres concretos, el pincel de Pan Apolek, las naos griegas cargadas de hoplitas remando en un mar sin fondo. Sorbo un moscatel helado. Escucho hablar en lenguas sin creer que este es paraíso de iluminados. Miro el rostro del atamán, Diosdado Zenobio, y aunque no huela sangre veo torbellinos de ella en agudo cuchicheo de sables. La muerte habla con la muerte, goza de sus métodos y se embrutece o sofistica de acuerdo a la ocasión. Yo estoy, tercera vez que lo digo, sentado en el parque. Ya no hay comida disponible, los comideros están cerrados. Sé de la pobreza pero nadie me molesta en mi modorra. No he visto mendigos, que los hay, no dudo.

Stefan Zweig hubiera amado esta ciudad, buena para su nostalgia, suave para su bonhomía. No gusto mucho del mar, más bien montañés, pero el mar Negro es otra cosa, no es agua sino mito. Costas que escucho golpear por olas mientras camino. Lucecitas en distancia, luciérnagas o el último brillo de los guerreros griegos. O lidios, o tracios, o lacedemonios. Tengo el prurito del pasado, la enfermedad del recuerdo, ha picado mi piel la mosca que nunca olvida, la que no duerme y musita tristes canciones del taarab.

Eludo el ascensor, subo por las escaleras hasta el mirador del hotel. No es Odessa ciudad alta. Veo los bulbos de dios aquí y acullá. Tampoco hay tanto automóvil; chirrían los frenos del tranvía. En media calle se detiene, cargado de pasajeros, amarillo y rojo de colores, y el conductor corre al centro de la calle, agarra una barreta de hierro, y manualmente hace el cambio de vías en populosa encrucijada. Deja la palanca en el mismo lugar, se apresura, salta y arranca su carromato con agudísimo sonido de í, las íes mecánicas. Cuando voy en él, o en los largos omnibuses con acordeón al medio, contemplo las calles, las hierbas que crecen insurrectas porque la ciudad no debe tener dinero para educarlas. Me gusta ese aire travieso, desafiante, parecido al de Benia Krik.

Para mí cuatro años pero parece que crecí en las baldosas que brillan al anochecer. Mis pies van sin rumbo o con dirección con naturalidad. Me dicen en el bar de strip tease que van a asaltarme y sonrío. Águila del tiempo que vuela entre los lados del espejo. Si me aburro de la sábana limpia de mi lecho abriré la ventana y me pongo al vuelo, al cañaveral del delta, a los todavía bailes gitanos en piso movedizo entretejido de plantas. Música de violines.

Despierto; otra mañana. Desayuno muy bien en la terraza. Pido a la babushka que entra a limpiar si puede lavarme la ropa. Me la entrega aromática, doblada al cuchillo, por simples monedas. A la vuelta de “casa” hay un lugar tártaro de comida. Siempre elijo con el dedo porque no tengo idea qué es. Me lo envuelven en papel madera, lo pongo en el bolsillo de la chamarra y enfilo hacia otro parque para comer al lado de la fría estatua del poeta Iván Frankó. Otra vez me pongo somnoliento. Ebrio está, dirán los transeúntes, ebrio de no poder aprehenderlo todo.

Saludo al portero. Tomo el ascensor esta vez. Me ducho, desnudo miro a las putas debajo del farol de la esquina en el lado derecho. Observo al dueño del restaurante chino enfrente cerrar su cortina. De a poco se apacigua el ruido. Nunca he fumado, pero supongo que para un fumador sería buen momento de encender uno. Abro el pequeño refrigerador. Hay una botella de cocktail. Le digo salud a la noche y siento el frescor del alcohol de frutas bajar por la garganta. Mejor dormir. Soñar no, porque paso el día soñando.

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[Imagen: Odessa, Parque de la Ciudad – fuente: lecoqenfer.blogspot.com]

Les proxénètes jouent sur la vulnérabilité financière et la fragilité psychologique d’Ukrainiennes ayant perdu leurs emplois à cause de la guerre.

Des réfugiés ukrainiens originaires de Donetsk attendent d'être évacués, le 20 février 2022. | Andrey Borodulin / AFP

Des réfugiés ukrainiens originaires de Donetsk attendent d’être évacués, le 20 février 2022.

Repéré par Nina Iseni 

«Les hommes et les femmes qui se trouvent en Ukraine pendant cette période [de guerre] peuvent être vulnérables à l’exploitation sexuelle et à l’exploitation par le travail», soulignait Varvara Zhluktenko, chargée de communication à l’Organisation internationale pour les migrations (OIM) des Nations unies en Ukraine dans les colonnes du Guardian, jeudi 7 juillet.

Ce triste constat a malheureusement été confirmé par une récente annonce des autorités ukrainiennes. Ces dernières ont révélé être parvenues à démanteler un groupe criminel agissant depuis la région de Kiev et forçant les femmes à se prostituer après leur avoir promis un emploi à l’étranger, rapporte le journal britannique.

C’est en arrêtant une Ukrainienne de 21 ans à la frontière hongroise que les enquêteurs ont pu remonter à l’origine du trafic. La jeune femme, originaire de Donetsk et mère d’un garçon en bas âge, a perdu son emploi après l’invasion russe. En rejoignant Vienne, puis Istanbul, elle espérait trouver un travail stable et légal –c’est en tout cas ce que les malfaiteurs lui avaient fait miroiter.

«Nous avons décidé d’intervenir, explique Oleh Tkalenko, procureur principal de la région de Kiev, qui a dirigé l’enquête. Nous avons arrêté cette femme à la frontière. Sa situation de vulnérabilité était claire: absence d’argent, un enfant à charge, des difficultés financières générales dues à la guerre. Le chef de gang que nous surveillions avait acheté ses billets, lui avait donné de l’argent et avait organisé son itinéraire.»

Après avoir apporté leur aide à la jeune femme, les enquêteurs ont pu remonter jusqu’à un homme de 31 ans, considéré comme étant à l’origine de ce trafic, et ont perquisitionné son appartement dans la région de Kiev.

Un nombre de victimes méconnu

«Depuis le début de la guerre, beaucoup de femmes connaissent des difficultés financières en Ukraine, déclare Oleh Tkalenko. Bon nombre d’entre elles ont perdu leur emploi. C’était très dur, surtout pour les mères célibataires. Dans une des villes de la région de Kiev, un groupe d’hommes a organisé une série de chaînes Telegram, appelées “Rencontres”, “Rencontrez votre futur mari” ou “Service d’escorte”, où ils recrutaient ces femmes. Profitant de leur situation vulnérable, ils leur proposaient des emplois en Turquie. Quand les femmes arrivent là-bas, elles sont livrées à la prostitution

Si les autorités ukrainiennes ne savent pas combien de femmes ont été approchées par ce groupe depuis le début de la guerre en février dernier ni combien d’entre elles sont finalement parties pour la Turquie, une liste retrouvée par les enquêteurs chez le chef supposé du trafic révèle au moins dix noms.

«Sur la base des preuves recueillies, nous soupçonnons qu’il y a encore plus de femmes exploitées en Turquie en ce moment», confie au journal britannique Oleh Tkalenko. «Il y a des registres dans le carnet de l’homme [suspecté d’être à l’origine du trafic]. Nous nous préparons maintenant à coopérer avec nos collègues turcs.»

 

[Photo : Andrey Borodulin / AFP- source : http://www.slate.fr]

Depuis ses tout débuts, la revue Contrepoint s’efforce de couvrir autant de langues, de régions et de cultures que possible. Et bien sûr, autant de combinaisons de langues que possible. Ce numéro, partant du principe que les frontières n’existent pas entre les langues, continue de regarder loin, cette fois jusqu’au Japon.

James Hadley nous enchante avec les subtilités de la traduction de poésie japonaise en tandem avec une poète irlandaise, Nell Regan.

Le projet Translation in Motion et le soutien qu’il apporte aux petites langues des Balkans occidentaux nous est présenté par Yana Genova, présidente du réseau RECIT, et ses collègues.

Vesna Velkovrh Bukilica nous livre un récit personnel de son expérience de traduction vers une des « petites » langues de l’Europe, le slovène.

Gesine Schröder et son équipe nous parlent de la nouvelle plateforme en ligne Babelwerk.

Pour ceux qui s’intéressent aux moyens et aux façons d’accéder à la profession, Ros Schwartz signe un article détaillé sur l’enseignement de la traduction littéraire.

Parmi les nouvelles du CEATL : l’histoire du lancement du site Companion for Literary Translators’ Associations par Iztok Ilc, un résumé du rapport de l’UE Translators on the Cover par Juliane Wammen et un article sur la récente AG du CEATL à Sofia (Bulgarie) par Hanneke van der Heijden, qui nous a apporté des témoignages directs sur la guerre en Ukraine grâce aux interventions d’Ostap Slyvynsky (PEN Ukraine), Natalia Pavliuk (Association des traducteurs et interprètes d’Ukraine, UATI) et de la traductrice ukrainienne Oksana Stoinova.

Un numéro de Contrepoint pour bien commencer l’été, en somme.

Contrepoint est une revue gratuite. Pour télécharger le no 7 (et les précédents), cliquez ici.

Pour être informé de la parution des futurs numéros, abonnez-vous en cliquant ici.

 

 

[Source : http://www.ceatl.eu]

Publicado por Álvaro Corazón Rural

Pese a que no hay fecha de ingreso en la Unión Europea a la vista, es apreciable cómo va cambiando Belgrado. La situación del país, en una especie de vía muerta hacia Bruselas, se define por la ambigüedad. Basta ver cómo el presidente Vucic tiene que sumarse a las acciones europeas contra Putin, pero tampoco mucho, ya que el ruso no deja de ser el hermano fraternal al que se han dedicado toneladas de propaganda para sostener la arquitectura nacionalista del actual gobierno. Se está nadando entre dos aguas.

Sin embargo, viendo como el país va creciendo (en 2020 recuperó el PIB de 2008, año de la crisis y de la declaración de independencia de Kosovo) en esa situación periférica, con aspiración a ingresar en la UE sine die, se podría decir que han puesto en marcha un innovador experimento: la eterna candidatura a la UE como sistema político en sí mismo. Un posicionamiento que recuerda a la época de los no alineados y la autogestión yugoslava.

En su día, esta tercera vía comunista era muy admirada en sectores de la izquierda occidental. Se ponía frecuentemente como ejemplo, sobre todo a raíz de las vergüenzas soviéticas que podía percibir cualquiera que tuviera ojos y orejas. Cuando, desde 1980, la autogestión se reveló como un cascarón vacío que no podía afrontar la crisis de deuda que el propio sistema había generado, ya no resultó tan sexi el ejemplo. Un poco más adelante, después de la guerra civil que dividió la federación en siete nuevas repúblicas, nada menos, se siguió poniendo de ejemplo a Yugoslavia, pero para comparaciones menos atractivas.

En un libro recientemente publicado por Capitán Swing, Paisajes del comunismo, de Owen Hatherley, el autor señala Nuevo Belgrado como el gran ejemplo en el campo socialista tanto de cómo debe desarrollarse una nueva ciudad como de lo que no hay que hacer. Este barrio en la ribera izquierda del río Sava iba a concentrar todo el simbolismo de la federación. Es decir, tenía que demostrar el éxito del sistema y reflejarlo. Desde el primer momento, fue concebido como un lugar representativo. A juicio del autor, si queremos entender qué fue la autogestión, habría que empezar por aquí. El problema que tuvo la uniformidad y coherencia del nuevo barrio es que hubo muchas fases políticas en ese periodo y, algunas de ellas, en franca contradicción entre sí.

Hasta 1950, lo que ahora es un barrio enorme, antes no era más que un pantano. Inicialmente, se planteó como un eje cívico, pero este no llegó a construirse. Conforme el Estado se fue descentralizando a todos los niveles, al menos a escala formal, se cambió la idea de una gran administración central para toda Yugoslavia y se fueron incluyendo viviendas, cuya escasez tras la guerra era notoria, en lugar de unas oficinas gubernamentales que se quedaron en las capitales de las respectivas repúblicas. Así, el barrio se convirtió en «un curioso híbrido entre pancarta política y dormitorio gigante».

Hatherley destaca que el único nexo de todo Nuevo Belgrado es su red de carreteras, hostiles para el viandante, que convierten cada edificio en una isla. Esta impresión suya es relativa, pues es bien necesario que entre el sol gracias a esas amplias avenidas en un país con un invierno tan duro y, en cada manzana, hay zonas verdes que comparten los edificios con canchas deportivas, parques infantiles y pequeños comercios que se encuentran a salvo del tráfico. Lo que demuestra que por muy arquitecto que sea uno no basta con un visitar un lugar para analizarlo, a veces también hay que vivirlo.

Sin embargo, el autor remata «si esta es la ciudad autogestionada —o, más bien, los restos de la ciudad autogestionada—, tal vez sea apropiado decir que se trata de una combinación de dirigismo y caos». Lo cierto es que, salvando las distancias, en la división entre bloks de Nuevo Belgrado hay ecos del concepto de arquitectura urbana leninista de los microdistritos. Precisamente, un modelo cuyo mejor ejemplo es Pyongyang —porque tuvo que construirse de cero tras los bombardeos— basado en la autosuficiencia de los barrios. Una idea nada alejada de la 15 minutes city que se intenta implantar actualmente.

Aquí, el edificio administrativo más grande, el antiguo Palacio de la Federación, ahora de Serbia, fue pensando con mentalidad estalinista. Tito exigió a los arquitectos en los requisitos del concurso que pareciera «un barco que se abre paso entre las olas» y que tuviera «la belleza eterna de las columnas griegas», pero tras la ruptura con los soviéticos, Mihailo Jankovic lo rediseñó con menos pompa, aunque siguiera siendo monumental. Dentro, al entrar hay un mural picassiano con una batalla partisana, el mito fundador de la nación. Cada república tenía una sala decorada ad hoc. Uniéndolas todas, estaba la de Yugoslavia, con pinturas expresionistas abstractas de Petar Lubarda y Lazar Vujalklija y más mosaicos relativos a los partisanos.

Nuevo Belgrado

Palacio de Serbia

No obstante, el quid de la cuestión está en las viviendas. Por ley, las tenían que proporcionar las empresas autogestionarias a cada trabajador. Esto condujo a una situación grave porque el Estado no era intervencionista como en los otros países comunistas. De hecho, en Yugoslavia había paro, algo impensable en los demás modelos de socialismo real. En consecuencia, la escasez de vivienda fue un problema crónico. Al otro lado del Sava, en la periferia este de Belgrado, apareció el barrio de Kaludjerica, que era el mayor asentamiento de chabolas de todos los Balcanes. Una verdadera favela. Otro problema derivado de la falta de inversión en infraestructuras fue que Belgrado fue, y sigue siendo, la única gran capital socialista sin metro.

En contraposición, en el escaparate de Nuevo Belgrado estaban las mejores viviendas de toda la federación. Sigue siendo, de hecho, un barrio muy cotizado. Obtener un apartamento aquí dependía de la empresa en la que se trabajase, aunque ahora abundan familias en las que el abuelo fue militar o diplomático. Si llegamos desde el aeropuerto Nikola Tesla, la torre Genex preside la entrada al distrito, un monumento al brutalismo kitsch de la era espacial diseñado por Mihailo Mitrovic. Ha aparecido en cuentas de brutalismo de redes sociales hasta la saciedad. Es un rascacielos de hormigón visto de treinta y cinco pisos formado por dos torres conectadas por una pasarela. Arriba, tenía previsto un restaurante giratorio, pero nunca llegó a girar. Una de las torres es residencial y la otra estaba prevista para oficinas. Iba a ser el símbolo de las cotas de desarrollo alcanzado por el socialismo, pero ha atravesado periodos de semiabandono y ahora básicamente sirve para colocar anuncios de grandes dimensiones.

Pasada esta puerta, se entra en lo que durante muchos años fue un enorme descampado por fuerza mayor. Hay que tener en cuenta que los comunistas nunca tuvieron claro del todo si debían mantener la capital en Belgrado. Era una ciudad estrechamente ligada a la dinastía de los Karadjordjevic, los reyes del Reino de Yugoslavia que, aunque reventara por la doble invasión fascista, también lo hizo porque las tensiones interétnicas abrieron la puerta a nazis e italianos.

Para simbolizar que ya había llegado la reconciliación y se iniciaba una era que dejaba atrás el pasado, que se estaba en el tiempo del nuevo hombre, el que nacería del socialismo, el lugarteniente de Tito, Milovan Djilas, propuso llevar la capital a Sarajevo. Bosnia era un territorio multiétnico, pero incluso hoy sigue siendo una ciudad de difícil acceso situada entre montañas y se rechazó la idea. Del mismo modo, Belgrado también era simbólica. Sus ríos marcaban la separación entre el Imperio austrohúngaro y el otomano, frontera que separaba en dos al pueblo eslavo. Yugoslavia simbolizaba su unión, la capital ahí también tenía un sentido. A una orilla de la confluencia del Sava y el Danubio estaba Zemun, la austrohúngara, y al otro, la vieja Belgrado, dominada por los turcos. Entre ambas, fundamentalmente intercambiaban cañonazos. Por eso, entre medias, había una tierra de nadie.

Los comunistas heredaron esa húmeda explanada. En 1930, se construyó ahí la feria de Belgrado, pero era como una gota de agua en el mar. Durante los años 40, los nazis aprovecharon las instalaciones para montar sus campos de exterminio en los que fueron asesinadas miles de judíos y serbios. Era una buena ocasión para que la infamia fascista fuese sucedida por el desarrollo de la civilización socialista. Por eso se quiso situar ahí el corazón de Yugoslavia. Así lo narraba en 1948 el escritor Jovan Popovic, el mayor exponente del realismo yugoslavo:

La ciudad de nuestro socialismo, (…) Nuevo Belgrado, surge de las riberas desoladas, en el lugar donde los enemigos fascistas mantuvieron uno de sus campos de exterminio, encarnando el significado de la nueva Yugoslavia en esa parte de Europa en la que la democracia popular ha sido alcanzada. Nuevo Belgrado debería ser un ejemplo de lo que es independiente y libre y los pueblos pueden lograr… pueblos guiados por el Partido Comunista y Tito.

El propio Djilas supervisaba su construcción. Los terrenos fueron drenados por trabajadores, pero sobre todo por voluntarios, un término muy relativo, aunque de nuevo seguía siendo simbólico que se hiciera así, con la «alegría» del pueblo, no solo con obreros remunerados. La mayor parte de las tareas fueron durísimas y se hicieron manualmente por falta de maquinaria. No obstante, cuando mayor era el entusiasmo, cuando se trabajaba al son de canciones que aludían a construir de nuevo Belgrado a imagen de Moscú, se produjo la ruptura con Stalin. No es objeto de este artículo explicar sus complejas razones, pero sí que el país perdió los lazos que le unían a sus socios comerciales naturales, los países comunistas, entró en una profunda crisis y las obras se detuvieron en 1951. Uno de los esqueletos más visibles que quedaron a la vista fue el del inacabado hotel de Nuevo Belgrado. Estaba previsto como instalación de lujo para recibir a las delegaciones extranjeras y que admirasen la transformación yugoslava. En ese momento, solo era unas vigas rodeadas por un andamio muerto de risa. Hasta 1969 no pudo inaugurarse, aunque ahora sigue a pleno rendimiento. Es el Hotel Jugoslavija.

Nuevo Belgrado

Hotel Jugoslavija

Cuando a mediados de los 50 se reanudaron las obras de Nuevo Belgrado, el país era otro. La enemistad con el mundo capitalista ya no era tan acentuada. El propio socialismo era mucho más light, de hecho se llamaba autogestión. El plan de Nuevo Belgrado, como espacio aislado y glorioso, símbolo del paneslavismo, se tuvo que dejar atrás. La administración federal estuvo muy descentralizada y este espacio urbano se trató de integrar con naturalidad en la capital. El nuevo modelo dejó de ser la monumentalidad de Moscú y pasó a ser la modernidad de Brasilia, también obra de un gobierno socialista. Además, los nuevos edificios administrativos elevados, como las oficinas del Comité Central, ahora tomarían los neoyorquinos como ejemplo. El toque comunista se redujo a que con las luces de las ventanas se podían escribir eslóganes políticos en toda la fachada como si fuera una gran pantalla.

Así se llega a otro de los que iba a ser edificios emblemáticos del barrio, el museo, que iba a ser de La Revolución de los Pueblos y Nacionalidades de Yugoslavia. Fue diseñado por el croata Vjenceslav Richter, su objetivo era mostrar ahora la «seriedad, optimismo y orgullo» de la revolución yugoslava. El problema fue que quedó inconcluso. Solo se veían las columnas. Durante años, no hubo fondos para acabarlo. Lo simbólico empezó a ser la situación. La federación no tenía dinero para acabar uno de sus edificios más emblemáticos y que mostraba, precisamente, la unión de sus pueblos.

Sí se acabó el Museo de Arte Contemporáneo entre 1959 y 1965, de Ivan Anjtic e Ivanka Raspopovic. Un espacio cerrado hasta hace muy poco, pero que recientemente ha vuelto a la vida. En esos años, la federación ya estaba completamente inmersa en la política exterior de los no alineados. El papel ahora de la nueva ciudad era recibir mandatarios extranjeros y organizar grandes conferencias internacionales, como las de la OSCE del Consejo de Seguridad y Cooperación Europea. Para este tipo de saraos, se concibió el Centro Sava. Un equipo de arquitectos dirigidos por Stojan Maksimovic dio la vuelta al mundo recogiendo influencias para el gran pabellón. Las referencias más notables fueron las de la arquitectura hi-tech del Centro Pompidou de París.

La intención esta vez era mostrar la modernización de Yugoslavia. Y efectivamente, el edificio parece de otro planeta. Por ahí pasaron encuentros del Banco Mundial, el FMI, la UNESCO y tocaron desde Miles Davis a la Filarmónica de Moscú… Los belgradenses de entonces tenían motivos para sentirse el centro del mundo. Entretanto, las constructoras yugoslavas importaron las ideas que los gobernantes extranjeros podían ver en el escaparate de Nuevo Belgrado a países como Liberia, Irak, Indonesia… Fueron los años de mayor estabilidad del sistema y los que ahora echan de menos las generaciones castigadas por la guerra y la juventud que no los vivió.

Nuevo Belgrado

Torre Comité Central

Residencialmente, los edificios de apartamentos, que en teoría tenían todas sus necesidades satisfechas, habían estado aislados unos de otros por la falta de infraestructura básica. En la década de los 70, los programas de construcción de vivienda se pusieron delante de las prioridades económicas, como pasó en muchos otros países comunistas, como la RDA, y en los 70 se construyeron catorce mil viviendas. La guinda del pastel sería la construcción de un gran polideportivo en el centro de Nuevo Belgrado. La intención era que se inaugurase celebrando el Mundial de Baloncesto de 1994, pero no llegó a estar terminado. Además, la ONU vetó la participación de Yugoslavia en competiciones internacionales y el campeonato se fue a Toronto. Cuando iba a acabarse, fue la guerra de Kosovo la que impidió que se inaugurara con el campeonato del mundo de tenis de mesa. No fue hasta 2004 que estuvo operativo y, por fin, pudo acoger el EuroBasket, la Final Four, la Copa Davis… hasta Eurovisión.

La crisis se cebó con los restos de Yugoslavia hasta bien entrado el siglo XXI. La degradación de las fachadas por falta de mantenimiento se hizo evidente. Los vecinos, siempre que pudieron, alquilaron sus grandes edificios para publicidad en neón. Es contradictorio decirlo, pero las farolas blancas, las fachadas brutalistas y el neón tienen un encanto especial. Parece sonar «Heroes» de David Bowie en cada esquina si caminas de madrugada. Actualmente, las que eran las oficinas del Comité Central, lo que tienen detrás es un centro comercial enorme, el USCE. Los 90 fueron los años de la De-socialisation, un periodo que, como tantos otros en la región, volvieron a arrojar al país a un limbo. La llegada del consumismo convivía con viejas estructuras comunistas que se negaban a desaparecer, unas por fundamentales para la cohesión social, otras por expresión burocrática del poder. Ese fue el remate final para la ensalada de Nuevo Belgrado, un lugar en el que cada calle no solo explica la historia de un país, sino la geopolítica mundial. Sin duda, un espacio único en el mundo para pasear.

Nuevo Belgrado

Sava Center

[Fuente: http://www.jotdown.es]

 

 

Cientos de personas protestan este domingo en la céntrica plaza de Callao en Madrid contra « la masacre en Melilla », convocados por asociaciones de inmigrantes y antirracistas, en Madrid.

Escrito por Desirée Bela-Lobedde

El pasado 24 de junio se produjo otra tragedia en la valla de Melilla. Tras la intervención de las fuerzas y cuerpos de seguridad marroquíes, en territorio español, la operativa policial terminó en resultado de muerte para, por lo menos, treinta y siete personas negroafricanas que intentaban cruzar la valla, aunque después de la publicación de este artículo la cifra podría seguir aumentando, ya que otras muchas quedaron en estado de gravedad. La noticia ya se ha publicado en muchos medios de comunicación, como en este mismo diario (Público).

Hemos visto unas declaraciones del presidente del gobierno más progresista de la historia de España hablando de «presión migratoria»; hablando del Sahel y del África subsahariana como si fueran lo mismo —vergüenza torera le tendría que dar creer que el Sahel y la mal llamada África subsahariana son la misma cosa—. Hemos escuchado al señor Pedro Sánchez hablar de «integridad territorial». También le hemos escuchado defender la actuación de las fuerzas y cuerpos de seguridad marroquíes, y defender un acuerdo de migración entre los dos países que es causa de muerte para muchas personas africanas.

Como siempre y una vez más, hemos escuchado hablar de «asalto violento bien organizado y bien perpetrado», una expresión que redunda en la criminalización de las personas africanas con un objetivo estudiado y muy claro: justificar el uso de la violencia y la fuerza desmedida contra ellas.

Desde esa criminalización se habla de los niveles de violencia empleados por los migrantes, como si la violencia ejercida por ambas partes fuese equiparable. Los migrantes, porque no llegan a la categoría de personas. Quitarles la etiqueta de migrantes y hablar de personas sería humanizarles, y eso no interesa. Lo que interesa —a los gobiernos y a la mayoría de medios de comunicación, en favor de la alarma social y el miedo— es seguir relacionando a las personas migrantes negroafricanas con la criminalidad, con las avalanchas, con la amenaza a la integridad. Anclarlas a la categoría de migrantes perpetúa la deshumanización. Y la deshumanización garantiza la indiferencia.

Este es el mecanismo utilizado para que, cuando el público español vea en sus pantallas las imágenes de todas esas personas —insisto: personas; no migrantes— agonizando o ya inertes, mientras la policía sigue maltratando sus cuerpos, no haya alarma, no haya conmoción ni indignación. Que nadie sienta la rabia quemándole por dentro ante tanta violencia. De hecho, la audiencia española ya está insensibilizada: se ha promovido tanta la pornografía de la muerte de los cuerpos negros que, a fuerza de verlos sin vida, poca gente reacciona. Así nadie sale a la calle a pedir explicaciones de por qué se violan sistemáticamente los derechos humanos de estas personas. Personas, no migrantes; insisto.

El trabajo colectivo de deshumanización está bien logrado. No son personas; son migrantes. Vienen desde África a invadir, a amenazar los valores de esta Europa fortaleza que se construyó y progresó robando y expoliando sus tierras y esclavizando a sus habitantes. Son delincuentes, son bestias asalvajadas y violentas: la propaganda ya se ha encargado de retratarlas así, despersonalizándolas para justificar el trato violento y deshumanizado que se ejerce sobre ellas.

Son otra categoría de personas de menos valor. No son rubias con los ojos azules. No son católicas ni europeas. Por eso no merecen la movilización social ni la acogida inmediata. Por eso merecen la muerte y el trato indigno y vejatorio. Por eso no merecen vías seguras para migrar y llegar a Europa. Por eso no merecen medidas instantáneas para la regularización de su situación. Por eso merecen el genocidio invisible y la muerte.

El mecanismo criminalizador que utilizan el gobierno más progresista de España y los medios de comunicación para justificar las políticas migratorias de muerte funciona a la perfección. Las imágenes de este fin de semana, mostrando a la policía marroquí amontonando cuerpos negros y dejándolos agonizar hasta la muerte, ignorando el deber de socorro, han pasado inadvertidas para la mayoría del público español, que volvía su cabeza hacia Estados Unidos para mostrar su indignación y su rabia por la derogación del derecho al aborto. Ahí sí se han volcado las condolencias, la rabia y las muestras de apoyo.

De nuevo y como siempre, estamos ancladas a la jerarquía de las vidas de primera y las vidas de segunda. La mayoría silenciosa es capaz de hacer unos ejercicios de disociación increíbles. Nadie cuestiona que no haya nada de extraño ni de absurdo en mostrar apoyo por el control de los cuerpos que se lleva a cabo en los Estados Unidos de América, y a la vez mostrar absoluta indiferencia por el control de los cuerpos que lleva a cabo el gobierno de España en la frontera sur. Tal vez la diferencia está, como siempre, en que los cuerpos de la frontera sur son negros.

Parece que las vidas negras solo importan si son estadounidenses. El cuadradito negro y los hashtags no los merecen las vidas negras africanas. Este fin de semana en las redes sociales se han organizado concentraciones para expresar el rechazo a las políticas y a los acuerdos de migración y muerte de los gobiernos español y marroquí. No ha sido ninguna sorpresa ver que todas las personas escandalizadas que llevan varios días denunciando la pérdida de derechos humanos que implica la revocación de la sentencia de Roe contra Wade han hecho caso omiso a las veintisiete muertes en Melilla, como también hicieron ante la tragedia en la playa del Tarajal. Y así siempre.

De nuevo la deshumanización y la criminalización de estas personas hace que la persona promedio crea que algo de merecido hay. Compran los discursos propangandísticos y tramposos del «que vengan, pero que vengan de forma legal. Porque, claro, si no vienen de forma legal, es normal que les pase lo que les pasa», se anima a decir algún cuñao, y el resto de presentes asienten en silencio mostrando su conformidad con un discurso racista ampliamente aceptado. Parece que, quienes vienen de forma ilegal, no tienen derecho a la vida.

Se está produciendo un genocidio invisible ante nuestra mirada inatenta. En realidad no es un genocidio invisible; es un genocidio invisibilizado. Y la mayoría de la población mira hacia otro lado, guardando un silencio cómplice.

 

[Foto: EFE/David Fernández- fuente: http://www.publico.es]