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Desde esta quarta-feira e até 13 de agosto decorre a 75a edição do festival internacional de cinema de Locarno, na Suíça, cujo programa inclui filmes de realizadores portugueses. Na sexta-feira passada estreou, no âmbito do festival, “Nação valente”, filme do realizador luso-angolano Carlos Conceição.

‘Nação valente’, filme do luso-angolano Carlos Conceição.

Esta que é a segunda longa-metragem do cineasta trata do fim da presença portuguesa em Angola e, ao abordar os confrontos com os nacionalistas angolanos, dá também espaço para um drama, com uma jovem angolana a descobrir o amor e a morte com um soldado português.

Reflexão sobre a história, o colonialismo e a guerra, com este filme Carlos Conceição pretende igualmente dizer que as ideias subjacentes ao colonialismo continuam bem presentes nos dias de hoje, designadamente através das discriminações em função do género, da cor da pele, da instrução, ou da sexualidade. O cineasta lança deste modo um olhar sobre a natureza cíclica do fascismo e como continua a ser uma ameaça.

RFI: O seu filme é uma parábola. Fale-nos do seu filme.

Carlos Conceição: Antes de mais, creio que sim, o filme é uma parábola e penso que é uma parábola sobre o presente que usa o passado como instrumento para convidar o espectador a reflectir sobre se as ideias de que gostamos de pensar que são ultrapassadas estarão realmente ultrapassadas. Temos no mundo inteiro uma espécie de ressurgimento cíclico de ideias velhas que provavelmente não são constantes, não são as mesmas, mas que são sempre contraproducentes, sempre contrarrevolucionárias, são sempre contraevolutivas. No entanto, elas aparecem outra vez e a minha principal ambição com este filme é de convidar o espectador a pensar nessas questões à luz do presente quando toda a gente diz que essas ideias já não fazem parte do nosso dia a dia. Até que ponto é que elas ainda são aceitáveis no contexto do presente.

RFI: Uma constante são as guerras.

Carlos Conceição: As guerras parecem ser sempre uma consequência e acabam depois por ser a causa de novos pensamentos, mas as consequências das ideias antigas e dessa constante batalha de ideologias é que parece que comanda toda a existência das pessoas infelizmente.

RFI: Aqui já chegou a fama de que Carlos Conceição está a criar o Novo Cinema português. É um grupo de que faz parte?

Carlos Conceição: Esta é a primeira vez que estou a ouvir esta narrativa. Sobre o facto de haver um grupo, não sei. Sinto que na verdade o cinema português está bastante fracturado e bastante individualizado. Na verdade, há tudo menos um sentimento geracional, um sentimento de grupo. Não existe um sistema de companheirismo nem de parcerias, como por exemplo o que caracterizou a ‘Nouvelle Vague’, ou o ‘Cinema Novo’ brasileiro ou mesmo algumas fases do cinema português. Eu penso que neste momento -e sobretudo depois da pandemia- parece existir muito uma espécie de um cinema introspectivo, diria quase egoísta e que não é igual de filme para filme. Não partilha tanto parentesco. Mas é bom ouvir dizer que fora de Portugal existe essa impressão.

RFI: Sai do ano de 1974 e, de repente, nós estamos no ano de 2022. Como é que fez essa transposição?

Carlos Conceição: Eu penso que há uma transição no filme, uma provocação histórico-temporal que serve justamente para convidar o espectador contemporâneo a questionar se as ideias velhas do passado estarão realmente erradicadas no presente. Esse é todo o motor do filme. Quando nos habituamos a ver uma narrativa à luz de uma determinada época. Nós sabemos que estamos a ver uma história que se passa em Angola em 1974. Portanto, há muitos pensamentos que não questionamos porque sabemos que pertencem ao passado. Mas será que queremos assumir que ainda pertencem ao presente? É isso que quero que o meu filme faça. Porque é verdade que essas ideias não estão ultrapassadas. Matam pessoas. Essas ideias antigas e discriminatórias da ditadura, do passado, do fascismo ainda matam pessoas hoje. Muitas vezes se diz que é preciso seguir em frente, virar a página, não falar do que está para trás, não perpetuar estas narrativas. Eu acho o oposto. Precisamos de perceber porque que essas ideias ainda existem hoje e qual é o tempo de antena que elas têm, para prevalecer.

RFI: O seu filme levanta questões sobre a direita-esquerda e o fim do colonialismo. Sente que poderia ser alvo de críticas por isto?

Carlos Conceição: Eu senti isso todos os dias da minha vida desde que nasci. Sinto isto muito vivo no discurso da direita. Sinto que não houve uma descolonização completa da cabeça das pessoas e creio que a descolonização era obrigatória no momento em que aconteceu, como continua a ser. O que me impressiona é que a descolonização não tenha sido completa, não tenha sido absoluta, que haja pessoas que ainda preservam essas ideias e que defendam o tempo antigo, que defendam extremismos de nacionalismos, ideias de extrema-direita, que na maioria das vezes envolvem discriminação baseada em género, em cor da pele, em instrução, na orientação sexual, uma porção de coisas de que as gerações mais novas já estão fora. Já têm uma abordagem muito diferente e uma frescura muito maior de visão dessas ideias. Mas ao mesmo tempo, começam ultimamente a surgir tabus em relação a certos assuntos que são uma espécie de contrarreacção. Essas microcolonizações que existem culturalmente, hoje em dia já não se trata de ocupar ilegalmente o território de outras pessoas, apenas trata-se também de ocupar as mentes das pessoas com tabus, com ideias morais novas, novas abordagens talvez sobre produtos industriais, o materialismo. Tudo isto é uma espécie de colonialismo. Eu penso que temos de estar sempre alertas.

RFI: No seu filme, aparece uma mulher, uma prostituta, Apolónia, fale-nos dessa personagem.

Carlos Conceição: O que eu queria fazer era uma personagem quase de tragédia grega, uma personagem épica. Na tragédia grega, essas protagonistas como Electra, são figuras que trazem transcendência, que trazem transformação, que muitas vezes são eticamente ambíguas e são elas que são responsáveis pela iluminação de uma ideia, pelo esclarecimento de um problema. O que eu queria com esta personagem é que fosse uma mulher capaz de um pragmatismo muito palpável, muito concreto e que fosse tudo menos uma santa, que fosse uma mulher de carne e osso, uma mulher falível, uma mulher com as suas amarguras, as suas perdas e que fosse ela que trouxesse finalmente a verdade e a luz. Apolónia pareceu-me um nome apropriado porque, não tenho a certeza de conhecer toda a etimologia da palavra nem do nome, mas sei que Apolónia foi uma mártir cristã que foi torturada e que ficou sem dentes e, por isso mesmo, ela é a santa padroeira dos dentistas. Sendo uma mulher melancólica, no filme ela é também aquela que é capaz de ser embaixadora do sorriso e de trazer essa luz.

 

[Foto: cortesia Carlos Conceição – fonte: http://www.rfi.fr]

A Exposición Rexional Galega do ano 1909, o primeiro ano santo do século XX, foi un dos primeiros intentos do mundo civil de utilizar a celebración relixiosa como promoción económica e turística da cidade de Santiago de Compostela.

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A mostra, inaugurada o 24 de xullo polo rei Afonso XIII e o presidente Antonio Maura, tivo lugar na Alameda e arredores e foi visitada por máis de 50.000 persoas, o dobre da poboación santiaguesa daquel tempo. O arquivo da Real Academia Galega conta cunha serie de postais, pertencentes á colección facticia de tarxetas da institución, que dan conta da relevancia deste acontecemento. As imaxes están dispoñibles en copia dixital no Arquivo Dixital de Galicia.

A Exposición Rexional Galega acolleu preto de 600 instalacións situadas en once pavillóns, onde foron expostas más de 10.000 pezas de arqueoloxía, obras de arte, historia ou da industria. A súa celebración e a do ano xubilar a un tempo repercutiron favorablemente na economía da cidade e preparárona para o que se convertería nun dos motores da cidade: o turismo.

O ano santo celébrase cando o 25 de xullo, festividade de Santiago, patrón de Compostela, cadra en domingo, grazas a un privilexio concedido por primeira vez polo papa Calisto II no ano 1122. Novecentos anos despois, este 25 de xullo, malia cadrar en luns, tamén será xubilar pola ampliación autorizada polo papa Francisco debido ás circunstancias especiais da pandemia de covid-19.

As imaxes do xacobeo de 1909 que conserva o arquivo da RAG son parte da súa colección facticia de postais, que agrupa todas aquelas de diversas procedencias que non están integradas en ningún fondo documental. A colección abrangue imaxes desde os primeiros anos do século XX até o día de hoxe, nos dous formatos normalizados máis comúns da tarxeta postal (9 x 14 e 10,5 x 15 cm.) e realizadas con técnicas fotomecánicas e fotográficas diversas.

A gran maioría das tarxetas recollen imaxes localizadas en Galicia, aínda que existen curiosas excepcións como algúns cartafoles con estampas de Vietnam, da URSS, dos Estados Unidos, Cuba ou Uruguai.

 

[Fonte: http://www.academia.gal]

Antologia publicada na Argentina, em parceria com núcleo da USP, dá acesso inédito em espanhol à trajetória do historiador marxista cujos conceitos são chave para compreender a formação social, econômica e política do Brasil e da América Latina

Escrito por Joana Coutinho

O livro História e Filosofia 1 de Caio Prado Jr (2020) recém-publicado pela Editorial Último Recurso, com sede na Argentina,2 em parceria com o Núcleo Práxis-USP é um achado. Reúne textos inéditos de Caio Prado Jr., reconhecido historiador marxista, cujo tema de análise é a história e a filosofia. Um historiador-filósofo, cuja preocupação fundamental é propiciar recursos teóricos que nos permitam analisar a nossa realidade sem subterfúgios.

Não se trata aqui de fazer uma resenha da biografia de Caio Prado, mas vale a pena fornecer alguns dados que ampliam nosso conhecimento sobre o autor. Caio Prado nasceu na cidade de São Paulo em 11 de fevereiro de 1907, dois anos depois da primeira experiência de Revolução na Rússia (1905). Morreu na mesma cidade em 23 de novembro de 1990. Caio Prado Júnior pertenceu a uma das mais ricas e influentes famílias de São Paulo. Teve uma educação esmerada, como era comum aos de sua classe social: os estudos foram orientados, primeiro, por professores particulares, depois no colégio São Luís, dirigidos pelos Jesuítas. Forma-se bacharel em ciências jurídicas e sociais aos 21 anos, pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, mais tarde incorporada pela Universidade de São Paulo. Filia-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB), em 1931. Tem uma vasta produção intelectual, sobre temas centrais para se pensar o Brasil e toda a América Latina, cujas proposições nos fazem refletir a partir das classes populares. Foi um traidor de classe, de sua classe de origem!

Caio Prado considera que o processo histórico na América Latina foi bem distinto do de outras regiões do planeta, igualmente periféricas, em relação ao capitalismo desenvolvido; a particularidade é que não tivemos no continente uma burguesia nacional; e o caráter da nossa colonização ― que se estende para toda a América Latina ― é que aqui as colônias foram marcadas por serem de exploração, diferente das colônias de povoamento nas zonas temperadas. O seu pensamento, assim como o de José Carlos Mariátegui (1894-1930), é bastante inovador e inaugura um marxismo original; sem perder3 a perspectiva da totalidade, reforça a necessidade de se pensar o nacional, o local. Pensar o país significa buscar compreendê-lo em sua totalidade e fugir das explicações simplificadoras que dão respostas superficiais a questões profundas: analisar a formação do país, como se constituiu sua gente e suas contradições.

Vamos ao livro História e Filosofia (2020, 336f). Numa tradução inédita para o espanhol, o volume reúne textos, rigorosamente selecionados, de Caio Prado Jr. Fruto de um trabalho coletivo cuidadoso e sem recursos de apoio, a tradução ― que tomou quatro anos de trabalho ― foi empreendida por cerca de vinte pesquisadores de diversas áreas: historiadores, cientistas sociais, linguistas, economistas e até psicólogos, membros e colaboradores do Núcleo Práxis da USP, entidade político-acadêmica que ao longo da última década tem demonstrado compromisso com a difusão do conhecimento crítico e a formação política popular, encontro feliz com uma editora autogestionária que coloca como ideia central ser uma editora militante.

O livro tem dez capítulos e ainda um prefácio do historiador Lincoln Secco, além de uma bela introdução de seu organizador, Yuri Martins Fontes, que é filósofo, escritor, ensaísta, autor de vários textos que discutem Brasil e América Latina e coordenador4 do Núcleo Práxis da USP. Na “Introdução”, Yuri cumpre um papel fundamental de não só apresentar o livro, mas também o autor – para que jovens que não conhecem Caio Prado e sua obra tenham um panorama das questões principais que moveram sua produção.

O “Prefácio” é uma leitura leve e obrigatória, onde podemos observar a efervescência do pensamento caiopradiano em toda sua vivacidade. Lincoln Secco oferece aos falantes do espanhol (e a todos nós) uma belíssima apresentação dos traços marcantes do autor e de sua obra e a originalidade do seu pensamento, que coloca ainda hoje desafios não só aos brasileiros mas a todos os latino-americanos. Vinculado ao Partido Comunista do Brasil, Caio Prado manteve sempre sua autonomia como pensador e militante.

A primeira parte, “Escritos político-historiográficos”,5 recupera textos sobre a colonização do Brasil. Caio Prado observa os tipos de colonização ocorridas aqui e em terras de zonas “temperadas”. As últimas constituíram colônias de povoamento, como um desaguadouro “dos excessos demográficos da Europa que reconstitui no novo mundo uma organização e uma sociedade à imagem e semelhança de seu modelo europeu”. Nos trópicos ocorre exatamente o contrário, o que dará origem a uma sociedade original; são sociedades abigarradas, como definiu o sociólogo boliviano René Zavaleta6 (1935-1984). O Brasil de hoje, observa Caio Prado, é um organismo em franca e ativa transformação, mas que não se sedimentou e não tomou forma. O mesmo se observa no terreno social: com exceção de alguns setores, as relações sociais, e em particular as de classe, conservam um cunho colonial. A essência da nossa formação está no abastecimento do açúcar, tabaco, ouro e diamante, algodão e depois café para o comércio europeu. Caio Prado vê na colonização dos trópicos, uma vasta empresa comercial destinada a explorar recursos naturais.

Importante recuperar o debate que se fazia à época: havia ou não feudalismo no Brasil. Alguns marxistas, como Astrojildo Pereira (1890-1965), Octávio Brandão (1896-1980) e Leôncio Basbaum (1907-1969), defendiam a tese do “feudalismo em declínio” como a causa do atraso. Por esse caminho tornava-se necessária uma revolução democrático-burguesa (Del Roio, 2016). Já Caio Prado sustentava que no Brasil não houve feudalismo – apoiando-se por exemplo no fato de que o povoamento do país era rarefeito, não contribuindo à consolidação da servidão; para o pensador marxista, o que houve por aqui foi um escravismo: desde os primórdios articulado comercialmente com o capitalismo europeu que se consolidava.

Ao abordar a “Economia e a agricultura de subsistência na colônia”(1942), Caio Prado afirma que a economia se assenta em algumas bases muito precárias, não constitui uma infraestrutura própria e tampouco conta com forças próprias e existência autônoma. Se uma conjuntura internacional favorece a um produto qualquer, isto impulsiona seu funcionamento; no entanto, a economia volta a cessar se essa conjuntura por alguma razão se rompe ou caso os recursos naturais se esgotem (PRADO, 2020, p.143). O que nos leva a pensar nas implicações de uma economia completamente subordinada — em vias de se tornar um capitalismo periférico e dependente.

O resultado é que vivemos uma realidade que ainda parece sofrer dos mesmos males: voltada para fora e incapaz de prover as necessidades da sua população. A produção de subsistência, que alimenta os habitantes do campo, difere muito da realidade dos centros urbanos: estes têm que recorrer à importação, já que a produção interna não é suficiente para lhes suprir as necessidades. Curioso que hoje as grandes plantações, voltadas a suprir o mercado externo, tenham transformado alimento em “commodities”; ou seja, nossas questões do passado persistem. Em toda a América Latina, desgraçadamente, o avanço do imperialismo significa (significou) uma relação de subalternidade, perda de soberania: o capitalismo dependente periférico não foi capaz de criar uma burguesia que defenda os interesses nacionais. Como nos lembra Eduardo Galeano (1940-2015) são “dominantes hacia dentro, dominadas desde fuera” (2004, p.17) e reagem com dureza a qualquer tentativa de mudança, por mais milimétrica que seja.

Um outro aspecto que parece nos fazer voltar no tempo é: como se tornou atual, nesse processo de colonização e necessidade de povoamento, o papel exercido pelos bandeirantes na captura de indígenas e escravos. Caio Prado descreve no texto “A Sociedade Colonial”7 (1942), de uma maneira clara e objetiva, o significado do bandeirismo paulista: processos brutais que os portugueses utilizavam para forçar os indígenas ao trabalho. Faziam isso percorrendo o Brasil de leste a oeste, de norte a sul, até chegarem ao sertão. Hoje, um movimento da periferia de São Paulo revive o debate quando atiça fogo na estátua do conhecido bandeirante, Borba Gato8, e reaviva a reflexão sobre os símbolos, espalhados pela cidade, que cultuam o passado. Neste caso, o passado de exploração e opressão.

Não podemos deixar de mencionar o interessante texto “D. João VI no Brasil”9, que trata da nossa independência. A vinda da família real para o Brasil, em 1808, significou a emancipação política, mas de uma forma peculiar: diferentemente do que acontece nos países vizinhos, em que foram rompidos os laços que os subordinavam às nações europeias. A diferença crucial é que, enquanto outras nações conquistavam sua independência nos campos de batalha, aqui foi o próprio governo metropolitano que, pressionado, viu-se obrigado a transformar a colônia em sede da monarquia, lançando as bases de sua autonomia. Caio Prado não cai na explicação fácil da ausência de lutas, de que não tivemos lutas internas; ao contrário, descreve com rigor as revoltas, a Balaiada, por exemplo. Mas mostra que nenhuma delas teve força e organização necessária para uma sublevação das massas. O principal aspecto da Balaiada foi a caudilhagem – e isso não permitiu que a revolta se convertesse em um movimento que pudesse ter resultados mais profundos.

Ainda nessa primeira parte, destaco o capítulo, “URSS: Um Novo Mundo”10, sobre a Revolução Russa. O relato da viagem que fez à terra de Dostoiévski impressiona pela sua observação aguda do que acontecia naquele momento e, mais ainda, pela descrição da participação dos trabalhadores no processo. No trem que o levava a Leningrado, Caio Prado pôde presenciar uma verdadeira assembleia política entre os passageiros, incluindo mulheres e empregados do trem, que participavam de um “debate acalorado” no qual palavras como socialismo, soviete, capitalismo eram ditas constantemente e com clareza do conteúdo.

Neste mesmo escrito, Caio Prado enaltece as transformações pelas quais está passando a sociedade soviética, “uma democracia das massas e não da minoria”. O socialismo é a expressão mais completa e perfeita que se pode imaginar para uma classe social nas condições do proletariado. Mas o mais importante não é debater o socialismo em si, mas o caminho que ele nos leva: as organizações políticas que levaram a sério a tarefa da condução para a realização de um programa. É mister, para uma sociedade comunista, uma transformação completa das ideias e concepções da humanidade atual. Enquanto domine o individualismo acentuado, fruto deste sistema, temos de compreender que uma sociedade comunista plena é impossível; antes é necessária a tarefa de reeducação dos homens e das mulheres sobre a base de uma solidariedade social compatível com essa nova sociedade. Nesse sentido, ele comunga com Antonio Gramsci (1891-1937) que fala da necessidade de uma reforma cultural e moral, pilar para a reeducação em uma sociedade comunista.

O livro-ensaio A revolução brasileira11, escrito em 1966, começa por discutir sobre o termo: revolução expressa o processo histórico marcado por “reformas e mudanças econômicas, sociais e políticas sucessivas” que dão origem a transformações estruturais da sociedade. Não é um momento de êxtase, mas todo o processo de construção. O ritmo da “história, não é uniforme”. Ao contrário; o texto, parece descrever as desventuras que vivemos nos dias de hoje. Afirma que o Brasil se encontra em um momento decisivo que leva a manifestações de descontentamentos e insatisfação generalizada. Situação que é causa e efeito da incoerência política, da ineficiência, dos desequilíbrios sociais, das crises econômicas e financeiras.

Em um tempo no qual se discute com tanto afinco o câncer da sociedade brasileira, o racismo estrutural, não poderíamos deixar de mencionar a passagem do texto “Vida Social e Política”12, em que Caio Prado (2020, p.168), ao discutir a formação e organização do Brasil, menciona a presença do negro e do escravo. Há que fazer uma distinção, diz ele, difícil, mas necessária, de como o escravo protagonizou a cena, mas o negro aparece em raras oportunidades. O papel do africano, diz ele, teria sido muito diferente na formação cultural da colônia se lhe tivesse sido concedida a mínima oportunidade para que se desenvolvesse. Elementos que ajudam a formular o “racismo estrutural” na sociedade brasileira.

A segunda parte do livro concentra os “Escritos filosóficos e manuscritos inéditos”. São quatro capítulos com passagens selecionadas de alguns de seus principais livros filosóficos: “Dialética do Conhecimento”13 (1952); “Notas introdutórias à Lógica Dialética”14 (1959); “O mundo do socialismo”15 (1962); e “Que é Filosofia”16 (1981). Traz ainda um derradeiro capítulo, “Cadernos e correspondências”17, com coletânea de manuscritos jamais publicados do autor, pertencentes ao Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da USP.

Destaca-se “Carta ao Comitê Regional de São Paulo do Partido Comunista do Brasil” (novembro de 1932). Responde a uma comunicação interna em que é acusado de tentar fundar um periódico pequeno-burguês. A linha editorial é marxista-leninista, responde Caio Prado, e do contrário não lhe interessaria. Mas a obrigação de todo mundo é tentar, em lugar de cruzar os braços e declarar de antemão que atuar é inútil e impossível. “1937” (Paris, dezembro de 1937): escreve nessa pequena nota sobre a Revolução de 1930, no Brasil, e suas causas: a evolução centralizadora da política brasileira, provocada por vários fatores. Uma das causas é que não se extirpam velhos costumes de uma tradição do dia para a noite. As condições objetivas se haviam modificado profundamente, no entanto, não houve uma maturidade política no país. “Carta ao “companheiro” Evaldo da Silva Garcia”18 (maio de 1946) responde a uma pergunta dirigida a ele sobre sua posição política. Caio Prado responde: “continuo onde sempre estive, desde que me reconheço como gente, sou comunista, membro do PCB, tenho buscado aí harmonizar minhas convicções com uma linha política. Escrever, para um comunista, não é fazer o que lhe agrada, não é buscar louvores, é contribuir na formação e divulgação da teoria revolucionária do marxismo” (PRADO, 2020, p. 326).

“Dialética do conhecimento”19 (1952), sem alongar muito, destacamos como texto didático; faz uma breve apreciação do que seja o conhecimento metafísico e da diferença crucial para o conhecimento dialético. Qualquer leigo é capaz de compreender que o conhecimento metafísico não nos leva à compreensão completa e tampouco à necessária transformação. Parte de um exemplo simples, mas não simplista: o universo. O conhecimento metafísico é a consideração geral do universo; e o que constitui seu ponto de partida são sempre os indivíduos que compõem este universo, bem como a sua individualidade. Diferente do conhecimento dialético; a dialética não considera primeiro os indivíduos, seres, coisas, para depois considerar suas relações. Ou seja, a dialética em oposição ao método metafísico considera antes as relações, o “conjunto” e a unidade universal onde transcorrem tais relações. A dialética, afirma Caio Prado Jr., é essencialmente um método de pensamento e conhecimento.

No ensaio sobre o mundo do socialismo, o autor fala sobre países que visitou; diz que não os foi conhecer para julgá-los, mas, ao contrário, para analisar as soluções oferecidas nestes países aos problemas da revolução socialista. Interessam as lições que esses países deram, positiva e negativamente, no sentido de que cada qual “mostra o que se deve fazer e o que se deve evitar”. Mas o que é então o socialismo? Um mundo fundado em um princípio oposto, onde a cooperação entre os homens é o princípio do esforço comum, conjugado para os mesmos fins, que são de todos. Já sobre a questão da liberdade, ele faz um traço claro e definido do significado da liberdade individual nas democracias burguesas. Estas estão fundadas essencialmente nos interesses individuais, que se chocam com a liberdade dos outros indivíduos; que se restringem “desde o momento em que um começa a atuar e deve deter sua marcha pelos interesses contrários”. No socialismo, ao contrário, o ponto de partida é o interesse coletivo; a liberdade individual não é uma premissa. Por liberdade entende-se a faculdade, a possibilidade e a oportunidade de o indivíduo realizar-se. Portanto, a liberdade nas democracias burguesas não passa de ilusão – algo impossível de realizar-se plenamente.

O livro, que trata de tantos temas pertinentes aos dias de hoje, deveria ser amplamente divulgado aos falantes hispânicos, porque embora voltado a pensar o Brasil as questões e temas trabalhados pelo autor dizem respeito a toda a América Latina: as nossas colonizações, nossas organizações políticas e as nossas particularidades como continente. E, óbvio, aos lusófonos, para que aqueles que não tiveram acesso à obra completa do Caio Prado possam usufruir desses textos diversos e abrangentes, que ao fim e ao cabo dão um panorama do todo da obra do autor.

Referências

DEL ROIO, Marcos. “Sodré e o feudalismo no Brasil: uma tentativa de atualização do problema”. Revista Crítica de Sociologia e Políticavol.7, n.2, jul.-dez. 2016. Disponível em:

https://www.revistaterceiromilenio.uenf.br/index.php/rtm/article/download/1

13/89/. Acesso em: 21 dez. 2021.

GALEANO, Eduardo. Las venas abiertas de América Latina. México: Siglo Vientiuno, 2004.

MARTINS-FONTES, Yuri. O marxismo de Caio Prado e Mariátegui: formação do pensamento latino-americano contemporâneo. Orientador: Lincoln Ferreira Secco. 2015. 275f. Tese de doutoramento. Programa de Pós-Graduação em História Econômica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. Disponível em:

https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8137/tde-01072015-143501/publico/2015_YuriMartinsFontesLeichsenring_VCorr.pdf.. Acesso em: 21 dez. 2021.

MARTINS-FONTES, Yuri. Marx na América: a práxis de Caio Prado e Mariátegui. São Paulo: Alameda, 2018.

PRADO JR., Caio. Caio Prado: Historia y Filosofía. São Paulo: Editorial Último Recurso/ Edições Núcleo Práxis-USP, 2020 (1ra edición).

ZAVALETA, René. La autodeterminación de las masas. Bogotá: Siglo del Hombre Editores/ Clacso, 2009. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/ar/libros/coedicion/zavaleta/. Acesso em: 21 dez. 2021.

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1Título em espanhol: Historia y Filosofía.

2 A Editorial Último Recurso é uma organização autogestionária, cuja base de atividade está nos princípios do conhecimento e na democratização do conhecimento.

3 Ver Martins-Fontes (2015).

4 Veja, por exemplo, o livro Marx na América: a práxis de Caio Prado e Mariategui de Yuri Martins-Fontes, Alameda/Fapesp, 2018.

5 A primeira parte do livro, compõe-se de cinco capítulos, escritos em momentos distintos. Capítulo 1 Evolução política do Brasil (1933); Capítulo 2 URSS um novo mundo (1934); Capítulo 3 Formação do Brasil contemporâneo (1942); Capítulo 4 História econômica do Brasil (1945/1976) e Capítulo 5 A revolução brasileira (1966).

6 Abigarradas, porque são sociedades heterogêneas, com diversas culturas e modo de produção: ocorreram em um mesmo cenário o feudalismo e o capitalismo superpostos, o que proporcionou por exemplo, que Potosí, o maior caso de descampesinização colonial (Zavaleta, 2009).

7 La sociedad colonial. In: Capítulo 3. Formación del Brasil Contemporáneo (1942).

8 A Estátua, localizada na Praça Augusto Tortorelo de Araújo, no bairro de Santo Amaro – São Paulo, é uma homenagem a Borba Gato (1628-1718), bandeirante paulista, cuja proeza além de caçar indígenas e escravos fugidos, era desbravar o sertão em busca de ouro e diamantes. Um movimento autointitulado “Revolução Periférica” ateou fogo na estátua em julho de 2021, como protesto ao símbolo que representa essa forma de opressão.

9 D. João VI en Brasil. In: Capítulo 1 Evolución Política del Brasil (1933).

10 Capítulo 2 URSS Un Nuevo Mundo (1934)

11 Capítulo 5 La revolución Brasileña (1966)

12 Vida social y Política In: Capítulo 3 Formación del Brasil Contemporáneo (1942).

13 Dialéctica del Conocimiento.

14 Notas Introductorias a la Lógica Dialéctica.

15 El Mundo del Socialismo.

16 Qué es la Filosofía.

17 Cuadernos y Correspondencia.

18 Carta al “compañero” Evaldo da Silva Garcia.

19 Dialectica del Conocimiento.

 

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

O cineasta Xan Leira está rodando no Salnés un documental que promete varias sorpresas: desde a descrición detallada da importancia da industria da arxila e a cerámica no desenvolvemento do Salnés até a noticia dun naufraxio que, malia a traxedia que causou, segue a ser ignorado polas crónicas e os historiadores.

A telleira dos seixiños, na ría de Dena, dá fe do pasado ligado á arxila e á cerámica do Salnés. (Foto: Lameiro)

A telleira dos seixiños, na ría de Dena, dá fe do pasado ligado á arxila e á cerámica do Salnés.

Escrito por MANUEL XESTOSO

Reconstruír os detalles dun accidente pode ser o comezo dunha narración que deriva cara á historia colectiva dunha comunidade. Ou polo menos algo así foi o que lle sucedeu ao cineasta Xan Leira cando comezou a pescudar nos detalles dun naufraxio do que apenas se fala e que marcou o inicio da película que está gravando na Arousa: en febreiro de 1940, na enseada de Dena (Sanxenxo), un grupo dunhas 50 persoas tomou un galeón para pasar o día e recoller algo de marisco na Arnosa. Xa chegando ao seu destino, unha galerna que entrara pola Lanzada alcanzou a embarcación, que afundiu deixando entre 24 e 27 persoas mortas, case todas mulleres e cativos.

« Eu comecei este proxecto convocado pola noticia deste naufraxio », explica Leira en conversa con Nós Diario, « mais investigando sobre este suceso, resultoume moito máis contundente -máis alá da tremenda traxedia humana que supón o feito das mortes- o tema do traballo co barro e o relevo que tivo no desenvolvemento de toda a zona ».

A ribeira sur da ría de Arousa ten unha longa tradición de traballo co barro que se remonta até a romanización, e da que son testemuñas numerosas telleiras e fornos espallados pola zona, e xa presentes no célebre Catastro de Ensenada, realizado no século XVIII. Mais é a partir do século XIX cando esta actividade deixa unha pegada máis fonda na historia e na paisaxe do lugar.

« A boa calidade da arxila da zona e da cerámica que se produce con ela coñécese desde moi antigo », explica Leira. « Mais desde finais do século XIX, co desenvolvemento capitalista da produción de bens de insumo e da construción, a importancia desta industria recibe un impulso moi significativo que a converte nun factor de desenvolvemento moi notábel ».

As investigacións da altura comezan a descubrir que existen diferentes tipos de terra que se adecúan mellor a distintos produtos: tellas, sanitarios, porcelana… « E daquela é cando se incorpora o barro de Dena, que polas súas características xeolóxicas producía unha cerámica de excelente calidade, que foi impulsando o desenvolvemento dun comercio marítimo de materias primas ao longo da ría, e mesmo comeza a exportarse cara ao exterior, ao Mediterráneo », revela o director.

A partir de aí, créanse unhas estruturas protoindustriais que redundan no desenvolvemento da zona, mais tamén onde mulleres e homes da comarca traballaban en condicións que hoxe consideraríamos infrahumanas, tanto na extracción da arxila como no seu transporte e transformación.

« Malia que as condicións de traballo daquelas fábricas, vistas cos ollos de hoxe, poden resultar moi lesivas, eran mellores que as que tiñan os artesáns que traballaban por libre », precisa Leira

Van aparecendo diferentes fábricas na zona do Ulla e na desembocadura do Umia, nas que buscaban traballo moitas familias telleiras cansadas das duras condicións do traballo no forno artesán. « Malia que as condicións de traballo daquelas fábricas, vistas cos ollos de hoxe, poden resultar moi lesivas, eran mellores que as que tiñan os artesáns que traballaban por libre. Ao pasar a ser obreiras asalariadas, o seu nivel de vida incrementábase e iso tamén ía creando cambios na mentalidade, nos hábitos de consumo e na propia fisionomía da zona, por mor das infraestruturas e servizos que aparecían de forma paralela as estruturas industriais ».

É de destacar que as novas construcións significan, en moitos casos, avances sobre o mar e outras alteracións da paisaxe, o que xerou algúns conflitos coa poboación que, na súa maioría, seguía a vivir da economía agrícola tradicional.

« Hai situacións curiosas », comenta Leira. « Cando un terreo é empregado para minaría, a lei obriga a rexeneralo unha vez remata a concesión. Algúns propietarios non o fixeron e iso propiciou a aparición de pequenas lagoas que, dalgunha maneira, transformaron a paisaxe dunha forma máis natural ».

Historia oral

O documental, como todos os traballos de Leira, baséase principalmente nos testemuños das persoas coas que contacta, na memoria oral, “o que enriquece moito a historia coas súas vivencias e a súa experiencia. As persoas que traballaron nese desenvolvemento industrial do barro xa o traballaban desde moito antes nun plano máis artesanal e viviron esa xeración de riqueza e eses cambios nos hábitos sociais, que se foron dando no proceso ».

Pero ademais, Leira non quere esquecer aquel naufraxio que foi a orixe desta historia por contar. « Eu comprométome persoalmente coas xentes coas que traballo e quixera que, dalgún modo, este documental tamén sirva para honrar e homenaxear a todas as vítimas daquel naufraxio e, se é posíbel, institucionalizar a súa lembranza, que forma parte do patrimonio inmaterial de Sanxenxo ».

[Foto: Lameiro – fonte: http://www.nosdiario.gal]

El Grup Enciclopèdia renova els portals que milloren l’accés al contingut i l’experiència d’ús dels usuaris

El Grup Enciclopèdia ha renovat els webs d’Enciclopèdia.cat i Diccionari.cat coincidint amb el seu 25è aniversari. Segons un comunicat difós aquest divendres pel grup editorial, els nous portals milloren l’accés al contingut i l’experiència d’ús dels usuaris. El nou Diccionari.cat conté a partir d’ara, a més del Gran Diccionari de la llengua catalana, 11 diccionaris més: el Diccionari de sinònims Franquesa, el Conjugador català i 9 diccionaris bilingües que relacionen el català amb l’alemany, l’anglès, el castellà, el francès i l’italià, a més del Diccionari der aranés. Per la seva banda, Enciclopèdia.cat estrena nou format que permet descobrir millor el seu univers de continguts.

Enciclopèdia.cat conté, a més de la Gran enciclopèdia catalana, 32 obres temàtiques de reconegut prestigi com Biosfera, Gran enciclopèdia de la música, Enciclopèdia de medicina i salut o Catalunya romànica, entre moltes d’altres. Són continguts vius que inclouen més de 350.000 articles de temàtica molt diversa com història, economia, art, política, geografia, ciència o natura.

Els dos portals estan en continu creixement i actualitzen sistemàticament els seus continguts. De fet, formen part d’un projecte ambiciós de coneixement digital que el Grup Enciclopèdia desenvolupa al voltant de tres eixos: la llengua, amb Diccionari.cat; el coneixement en tots els àmbits, amb Enciclopèdia.cat; i la ciència, amb Divulcat, l’eina de divulgació científica en català, tots de consulta gratuïta.

[Font: http://www.racocatala.cat]

Le jury du Prix du livre de cinéma 2022, présidé par Delphine de Vigan, a décerné la récompense du Centre national du cinéma et de l’image animée à Nuremberg. La bataille des images de Sylvie Lindeperg, publié par les éditions Payot & Rivages.

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Publié par Antoine Oury

Sylvie Lindeperg est professeure d’histoire du cinéma à l’université Paris 1 et réalisatrice de documentaires. Ses recherches portent sur les liens entre le cinéma, la mémoire et l’histoire, en particulier pendant la Seconde Guerre mondiale.

Le résumé de l’éditeur pour Nuremberg, la bataille des images :

Fin 1944, les Alliés décidèrent d’un procès exemplaire contre les criminels de guerre nazis qui s’ouvrira à Nuremberg en novembre 1945. Les Américains, qui entendaient faire de ce jugement un grand « show médiatique » en furent les maîtres d’œuvre. La Field Photographie Branch de l’OSS (ancêtre de la CIA), dirigée par John Ford, fut chargée de rassembler des images témoignant du plan d’invasion nazi et des crimes contre l’humanité.

Budd Schulberg, le futur scénariste d’Elia Kazan, parcourut toute l’Europe à la recherche de ces précieux fragments de pellicule, tandis qu’on agençait la salle d’audience du palais de justice en vue du filmage d’un procès qui dura dix mois et vit les équipes de tournage des Alliés se livrer concurrence pour offrir au monde le premier documentaire sur Nuremberg. C’est l’histoire de la mise en scène de ce « procès-spectacle », des folles ambitions déçues des Américains et de leur bataille de l’image perdue contre les Soviétiques qui est racontée ici pour la première fois dans un récit captivant.

Le Jury 2022 était composé de l’écrivaine Delphine de Vigan (présidente), de Jean-François Rauger (critique de cinéma et directeur de la programmation à la Cinémathèque française, vice-président du Jury), de Régine Hatchondo (présidente, Centre national du livre), de Colette Kerber (libraire), de Michel Leclerc (réalisateur), de Bruno Marion (libraire à la FNAC) et de Nathalie Richard (comédienne).

Le prix du livre de cinéma est doté de 10.000 € : 5000 € sont versés à la maison d’édition à des fins de promotion du livre, et 5000 € à l’auteure du livre.

L’année dernière, Qu’est-ce que le cinéma ? de Germaine Dulac et Marie-Anne Colson-Malleville publié aux éditions Light Cone et dirigé par Clément Lafite et Tami Williams, avait été salué.

 

[Source : http://www.actualitte.com]

A escritora Moncha Fuentes

Escrito por RAMÓN NICOLÁS

Catro anos despois da publicación da primeira novela de Moncha Fuentes titulada O mar que nos leva, que foi galardoada co premio da Crítica  Galicia en 2019, chega agora O tradutor de sombras e, particularmente, alégrame a continuidade desta voz tan singular: tensa, pulcra e diáfana na dicción, hábil sempre na reprodución do discurso oral, capaz de construír páxinas de fondo alento literario.

Articulada tecnicamente coma se se tratase dun pachtwork que posibilita tecer con axilidade secuencias instaladas en segmentos temporais distintos, condúcenos con plasticidade desde os tempos da República até a actualidade; lévanos desde a vella Auria á de hoxe en día, mais tamén a Panxón, a Celanova -ese “reino maxestoso da liberdade- ou a Vigo, grazas á presenza, e á memoria, de Roque Corbal que se impón o reto de revelar algúns dos segredos familiares mais ocultos por unha lousa de silencio, entre eles a razón final que explicaría o suicidio de seu pai. Todo por xunto resulta operativo para rescatar e revisar algúns dos acontecementos políticos e sociais do nacionalismo do século XX e para ofrecer unha ollada crítica, de filiación sociolóxica e política, que se proxecta nos tempos actuais.

Na novela focalízanse dous elementos que resultan, ao meu ver, moi interesantes como son, por un lado, o deseño da devandita resistencia antifranquista e que axuda a calibrar a historia desde outra ollada alén da oficial e, por outro, a intrahistoria, se se pode chamar así, do Hospital Psiquiátrico de Toén e o que supuxo a apertura do situando en Conxo, onde se deseñan os intereses económicos da Igrexa e do poder naquela altura, ao tempo que se rastrexa unha interesante crónica entre a vontade de renovación, ou non, da psiquiatría da man de figuras como Pérez-Villamil e Cabaleiro Goás.

Con todo, é esta unha proposta que non esquece abordar o máis esencial da condición humana, aquilo máis tráxico e perturbador que latexa na memoria e na vida e conséguese grazas á meta-ficción literaria e política entrelazada con efectividade entre o remol dunha historia familiar da que resulta imposible fuxir.

Traducir as sombras non é doado, mais Fuentes fáinolo comprensible e transparente.

 

[Imaxe: M.MORALEJO – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

«O Olhar Diagonal das Coisas» inclui o trabalho poético da escritora, desde «Minha Senhora de Quê» (editado em 1990) até ao mais recente «Mundo» (2021).

Ana Luísa Amaral, poetisa, ensaísta e dramaturga – foto retirada de https://escamandro.wordpress.com/

Ana Luísa Amaral, poetisa, ensaísta e dramaturga

Esta terça-feira, é lançada no Porto, na Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva às 18h30, a primeira reunião de toda a poesia de Ana Luísa Amaral em mais de uma década. No lançamento, a poeta conversará com Luis Caetano. A antologia reúne os 17 livros de poemas da escritora e é editada pela Assírio & Alvim.

“O Olhar Diagonal das Coisas” surge em título da antologia, depois de constituir o segundo verso do poema “Amendoins”, primeiro publicado no livro “Epopeias”, de 1994.

São mais de trinta anos de um fulgurante trabalho poético que, como poucos em Portugal, tem vindo a ser reconhecido além-fronteiras, como o demonstra a recente atribuição do Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana.

No posfácio do livro, a professora catedrática jubilada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Maria Irene Ramalho salienta que “a verdade é que qualquer novo poema, ou conjunto de poemas, altera o todo em curso. E todos os poemas exigem nova leitura”.

Maria Irene Ramalho destaca ainda que o trabalho feito por Ana Luísa Amaral na sua poesia, como o que surge em “Escuro”, de “desconstrução do discurso da história imperial portuguesa”, continua a ser necessário: “A lucidez de ‘Escuro’ canta a portuguesa história nossa, que sempre na escola nos deixaram por contar”.

[Foto: escamandro.wordpress.com – fonte: http://www.esquerda.net]

Contre une vision surannée du « roman national », l’historien Yves Léonard propose une mise en perspective critique de la construction progressive de l’identité nationale portugaise.

 

Écrit par Damien AUGIAS

Yves Léonard, docteur en histoire, est membre du Centre d’histoire de Sciences Po (Paris) et chercheur-associé à l’université de Rouen-Normandie. Spécialiste du Portugal, il est notamment l’auteur d’une Histoire du Portugal contemporain (Chandeigne, 2016). Il revient ici sur son dernier ouvrage, Histoire de la nation portugaise publié en mai chez Tallandier.

Nonfiction : Votre essai historique propose à la fois une synthèse de l’histoire du Portugal, méconnue des Français, et une réflexion riche et critique sur son « roman national ». Vous mettez notamment en lumière le fait que ce « petit pays » au destin mondial, par son ancrage atlantique et l’histoire de son empire outre-mer, ait vu ses contours inchangés depuis le XIIIe siècle, dans une forme de stabilité presque unique dans les tumultes de l’histoire européenne, ce qui fait dire à certains esprits traditionalistes que le Portugal s’en est longtemps tenu à l’écart, notamment sur le plan des progrès matériels et des idées modernes. Vous remettez en cause cette vision d’exceptionnalité nationale, largement véhiculée par le salazarisme au XXe siècle, pour montrer que, par bien des aspects, la nation portugaise s’est construite « comme les autres », y compris sur le plan des conquêtes coloniales et des renversements de régimes politiques. Pourquoi, au fond, les Portugais se sentent-ils si différents de leurs homologues européens ?

Histoire de la nation portugaise                   Yves Léonard                      2022   Tallandier                    400 pages

Yves Léonard : Parce que, dans une certaine mesure, leur histoire nationale est singulière ; elle entrelace étroitement la petitesse du rectangle continental et l’expansion maritime sur plusieurs continents. Si ce pays est petit à l’échelle de l’Europe, son destin n’en demeure pas moins mondial : c’est une puissance maritime disproportionnée par rapport à son ancrage continental. Si on considère la nation comme cet ensemble où coïncident un territoire, un État, une société aux contours identifiables et une culture partiellement commune — « le tout saisi dans une conscience d’appartenance partagée et vécue comme une suprême valeur », pour reprendre la définition proposée par l’ethnologue Daniel Fabre —, cet ensemble se cristallise assez classiquement au XIXe siècle (siècle majeur de la fabrique des nations en Europe et de la création des identités nationales). Même si, dans le cas portugais, la formation d’un État souverain au XIIe siècle et d’un territoire aux frontières quasi inchangées depuis le XIIIe siècle est à la fois particulièrement précoce et fortement impactée par l’expansion maritime et la dilatation de son espace depuis le XVe siècle.

J’ai essayé de montrer que cette « conscience d’appartenance partagée et vécue comme une suprême valeur » n’est guère repérable avant le début du XIXe siècle. Et, notamment, pas au Moyen Âge, alors qu’une certaine historiographie, de nature essentialiste ou providentialiste, très prisée sous la dictature de Salazar, identifiait clairement la période médiévale comme celle de la naissance de la nation — célébrant d’ailleurs avec faste le huitième centenaire de la nation portugaise en 1940. Comme l’a écrit un grand philosophe et essayiste portugais récemment disparu, Eduardo Lourenço, dans cette « patrie-saudade », on a le sentiment que « notre raison d’être est d’avoir été ». Ce qui induit un rapport au présent ambivalent, nourri d’un sentiment « d’être au monde » différent.

Vous insistez dans votre ouvrage sur la part d’ombre — ce passé qui ne passe pas — dans l’histoire portugaise, en expliquant que, contrairement à d’autres pays européens, le travail de mémoire (des historiens mais plus encore des citoyens), en particulier au sujet de la brutalité des conquêtes coloniales, de la traite atlantique et de la dictature de Salazar, a du mal à se faire, malgré des crises récentes qui ont remis en question l’identité nationale du pays. Constatez-vous un changement générationnel dans la manière d’appréhender ce passé, entre deux tendances antagonistes : la volonté de déboulonner les statues des anciens « héros » (y compris lors des découvertes et des empires) et le retour, aussi rapide qu’inattendu, de la nostalgie salazariste avec la montée récente du jeune leader du mouvement d’extrême droite Chega (« ça suffit ») André Ventura ?

L’historiographie de la question coloniale a beaucoup évolué depuis vingt-cinq ans, en gros depuis « L’Expo’98 » — cette exposition universelle organisée à Lisbonne en 1998 pour célébrer les océans comme un « patrimoine mondial », — et le cinquième centenaire de l’arrivée en Inde, dans le port de Calicut (aujourd’hui Kozhikode), du navigateur portugais Vasco de Gama, mandaté par le roi Manuel dit « le Fortuné ». D’abord grâce à la relecture du rôle de cette figure mythique de l’histoire portugaise — depuis les Lusiades de Camões (1572) —, relecture critique initiée notamment par l’historien indien Sanjay Subrahmanyam.

Une Histoire de l’expansion portugaise en cinq volumes publiée alors sous la direction de Francisco Bethencourt, ainsi que l’émergence d’une nouvelle génération d’historiens portugais, ont rendu possible une meilleure appréhension de ce passé colonial. Même s’il reste encore beaucoup à faire pour se déprendre du mythe lusotropicaliste — cette croyance, longtemps partagée par les élites portugaises, en une colonisation douce, exaltant les vertus d’un métissage largement imaginaire et d’une manière « d’être au monde » singulière, supposée exempte de racisme — et pour continuer d’intégrer à leur juste place l’importance de la traite atlantique esclavagiste, longtemps minorée, ainsi que les remises en question des « Découvertes », épopée constitutive d’un récit national ayant longtemps exalté la « fabuleuse histoire du Portugal ».

Mais cette « histoire savante » se révèle encore assez démunie, avec un impact limité auprès d’une opinion publique abreuvée de lusotropicalisme et d’un « roman national » auquel la résurgence soudaine d’une extrême-droite structurée autour du parti Chega, né en 2019, apporte une résonance singulière. Nourri d’un récit d’inspiration salazariste sur la « splendeur du Portugal » et nativiste, dominé par la défense à caractère xénophobe des « Portugais de bien », ce parti n’a cure des avancées de la recherche et de l’histoire savante.

Comme ses modèles Trump et Salvini, son jeune leader André Ventura carbure essentiellement au rythme de l’information en continu, des réseaux sociaux et de leurs algorithmes. Et il a en horreur « le 25 avril », cette commémoration de la révolution des Œillets du printemps 1974, dont le cinquantième anniversaire (en 2024) sera l’occasion de rappeler toute la modernité et le caractère fondateur pour la démocratie portugaise. Démocratie qui, depuis le 24 mars dernier, a duré plus longtemps que la dictature instaurée par des militaires le 28 mai 1926 et incarnée par Salazar. Cette commémoration constitue un enjeu mémoriel particulièrement important qui doit, ici aussi, être adossé à la recherche historique.

Votre analyse très riche et documentée de la construction progressive de la nation portugaise, à travers ses références historiques, géopolitiques, économiques, littéraires ou culturelles et sportives, pose en définitive la question de la cohésion du pays, marqué par de profondes fractures politiques et sociales. De votre point de vue, comment le passé glorieux d’un empire immense éclaire-t-il le présent d’un pays apparemment « rentré dans le rang » et désormais pleinement intégré à l’Europe démocratique depuis le tournant de la révolution des Œillets de 1974 ?

Comparée à d’autres pays voisins, cette cohésion est plutôt élevée, fortifiée par une histoire singulière qui, bien plus que la géographie, a joué un rôle essentiel dans la construction de la nation. Cette singularité a durablement mis le Portugal à l’abri d’une hypothétique dilution dans l’espace européen — espace auquel une large majorité de la population est aujourd’hui très attachée —, d’autant plus que le discours délivré par le récit national depuis le XIXe siècle a largement contribué à façonner une mémoire collective exaltant grandeur et unité. Ce que ne renie pas le nation branding à finalité touristique et d’attractivité, avec pour nouvelle figure de proue, la star du football mondial Cristiano Ronaldo, alias « CR7 ».

L’ancrage européen n’a pas seulement mis fin à cinq siècles d’histoire d’une « vieille nation en marge de l’Europe développée », il a questionné l’éthos portugais en lui fixant un nouvel horizon. Mais sans pleinement « rentrer dans le rang », en regardant toujours du côté de l’Atlantique, l’ancienne « mer ténébreuse », ce traditionnel « espace compensatoire » qui permet au Portugal d’être un peuple à part en Europe, « ce « peuple-île » qui n’a rien perdu d’essentiel en perdant son empire », pour citer une nouvelle fois Eduardo Lourenço.

Bref, ce « peuple pèlerin », cette « nation dispersée » aux quatre coins du monde a su construire un nouveau discours où la mer et la lusophonie jouent un rôle essentiel, véritable substitut à la grandeur passée. Si, comme on a pu le dire, « le portugais est le latin des voyageurs qui ont tout perdu », la lusophonie tend à s’affirmer comme « une aire spécifique d’intersection » entre plusieurs identités et plusieurs continents.

 

[Source : http://www.nonfiction.fr]

De A (Abstraction) à Z (Zen), la vie, l’esprit, la carrière et les publications de Claude Lévi-Strauss sont explorés dans un souci pédagogique.

Écrit par Christian RUBY

Claude Lévi-Strauss passé en Dictionnaire : on pourrait croire à une faute de goût, celle de découper un homme ou une œuvre en tranches. Or, l’ouvrage fait le contraire : il présente à tous les publics envisageables la pensée et la vie de l’ethnologue. Dans un tel dessein, Jean-Claude Monod a réuni les contributions de quarante-neuf analystes et commentateurs (lui-même compris), issus d’horizons divers (anthropologie, histoire, musique, poésie, philosophie, psychanalyse, linguistique) et de toutes les parties du monde. Chacun adopte la même règle du jeu : ne pas se contenter de résumer les ouvrages de Lévi-Strauss, mais en expliquer la genèse et en déployer les accents et les concepts novateurs. Comme pour ajouter une règle supplémentaire, cette chronique ne cherchera pas à rendre compte de la totalité des rubriques présentées dans ce opus, mais en signalera quelques-unes au fil de sa synthèse, en apposant des italiques aux mots et aux noms cités.

La forme même du dictionnaire permet au lecteur de parcourir l’ensemble des concepts qui portent l’empreinte de Lévi-Strauss, mais aussi d’identifier les moments de sa vie les plus caractéristiques, ainsi que les rencontres qui ont été déterminantes : André Breton, Jacques Lacan, Roman Jakobson, Maurice Merleau-Ponty, Simone de Beauvoir ; les relations avec Maurice Godelier et Jean-Paul Sartre étant plus complexes à dénouer. Mais ce parcours croise aussi les moments politiques décisifs du XXe siècle, notamment les persécutions antisémites (AntisémitismeCatastrophe) et les tentatives de destruction des préjugés racistes.

Compte tenu de la facture des rubriques, des bibliographies assorties et des renvois conceptuels complémentaires, ce Dictionnaire a les apparences d’une encyclopédie. La lectrice et le lecteur peuvent s’y orienter grâce à trois instruments : une table thématique des entrées en ouverture d’ouvrage, un index des noms de personnes et un index des noms de peuples, ainsi que quelques textes et lettres inédits ou difficiles d’accès. Pour autant, ce Dictionnaire ne vise nullement l’exhaustivité. Il ne se contente pas d’informer mais souhaite réfléchir et faire réfléchir. Ainsi, les différents contributeurs se focalisent sur les débats et polémiques — qui furent nombreux — plutôt que de présenter des thèses définitives et sorties de leur contexte.

Originalité d’une vie

Dictionnaire Lévi-Strauss                           Jean-Claude Monod (dir.)                        2022                             Bouquins                        1188 pages

Si le lecteur souhaite se représenter à quoi ressemble une vie d’anthropologue, il devra parcourir plusieurs rubriques, parmi lesquelles celles qui concernent les voyages entrepris auprès des peuples sans écriture : BororoCaduvéo, Nambikwara

La vie de Lévi-Strauss (1908-2009) est résumée par une chronologie ; mais l’ethnologue souligne lui-même que son existence fut « brisée », non pas du fait de drames personnels, mais du fait que sa vie s’est déroulée de manière non-linéaire, selon les canons de l’histoire littéraire ou sociologique de l’époque. L’orientation qui l’a poussé vers l’ethnographie puis l’ethnologie et enfin l’anthropologie est d’ailleurs le fruit d’une triple conjoncture : la rupture avec la philosophie académique centrée sur l’ego du sujet, la « révélation » de l’ethnologie grâce à la lecture, en 1933, de l’œuvre de Robert Lowie, et l’exil forcé auquel il est poussé en 1941 du fait de l’Antisémitisme de la période. Après de nombreuses lectures d’ouvrages d’anthropologie culturelle, dont ceux de Franz Boas, et l’invitation de Robert Lowie à rejoindre New York, Lévi-Strauss devient homme de terrain, mis à l’épreuve de soi dans des conditions inédites. Il part ainsi à la rencontre de peuples autres, des Indiens du Brésil.

Au fur et à mesure de son parcours, il rédige des livres dont le Dictionnaire déploie les contenus, à commencer par Tristes Tropiques (1955). Ce dernier ouvrage, plutôt « littéraire », placé sous la double inspiration de Marcel Proust (pour la composition des écrits et la réflexion sur le sens du temps) et de Joseph Conrad (pour la démystification de l’autojustification du colonialisme en mission civilisatrice), demeure la première mise en pièce publique et pédagogique des notions de « primitif » (entrée Archaïsme) ou de « sauvage » — réfutant au passage ce que l’on a retenu des propos de Lucien Lévy-Bruhl et de l’illusion archaïque qu’ils ont renforcée.

Cette vie couvre l’ensemble du XXe siècle et entremêle événements politiques et histoire personnelle. La section Vie, Rencontres, Événements en détaille les cheminements centraux ou les épisodes les plus surprenants. Ainsi, notamment, de son entrée à l’Académie française, en 1974, qui s’est faite dans un contexte spécifique et sur la base d’un projet presque ethnographique qui a suscité l’étonnement.

Du point de vue de la biographie, signalons encore la référence à ses maîtres (Boas, déjà cité), aux amis et collaborateurs (une vingtaine de rubriques), aux élèves (Pierre Clastres), à la postérité de son travail (Françoise Héritier, Philippe Descola), mais aussi aux contradicteurs de ses thèses et partis pris (Louis Althusser, Vincent Descombes, Claude Lefort, Dan Sperber).

Unité et diversité d’une œuvre

Au fil des rubriques, les concepts et les thèmes fouillés par l’œuvre de Lévi-Strauss sont exposés et discutés, par exemple : Nature et CultureBarbarieDon (avec référence à Marcel Mauss), HumanismeIncesteManaMasques, etc. Chaque rédacteur emprunte de manière vivante le ton qui était celui de l’inventeur de ces notions, de sorte que leurs exposés s’attachent à contrarier les habitudes mentales trop bien installées.

Jamais, en somme, les auteurs ne se contentent de rendre compte platement du contenu des thèses. Ils posent d’abord les préalables, la situation de l’époque (théorique ou politique) ; puis ils déploient la pensée propre de Lévi-Strauss ; enfin, ils relèvent les polémiques qui en ont été contemporaines ou celles qui ont encore cours de nos jours. Ainsi, l’œuvre est-elle restituée dans la vivacité qui était la sienne au moment de sa parution, et grâce à cette somme, l’anthropologie à la fondation de laquelle Lévi-Strauss a présidé n’est pas une science morte.

Cela étant, la grande productivité de la pensée de Lévi-Strauss pose aux commentateurs le problème de son unité. Si l’on entend par là une perspective linéaire relevant d’une logique de progrès, alors il est clair que l’œuvre de Lévi-Strauss y échappe. Lui-même l’affirme à la fin de sa vie, dans une lettre à Denis Kambouchner datée de 2006 et republiée pour l’occasion. Pour autant, l’œuvre de Lévi-Strauss ne se dissout pas dans une pure diversité. La lecture des rubriques concernant les ouvrages (Tristes TropiquesLes Structures élémentaires de la parentéLa Pensée sauvageRace et Histoire, etc.) fait apparaître une certaine unité, se déployant de manière dynamique et ouverte au fil des recherches et des polémiques ou, pour le dire autrement, établissant une sorte de dialectique entre le continu et le discontinu.

Critiquant dès ses débuts les théories de la « mentalité primitive » élaborées par ses prédécesseurs, Lévi-Strauss se trouvait dans la nécessité de reconstruire un système de concepts propre à cette rectification épistémologique, sans céder pour autant aux réflexes du marxisme qui dominent alors la production scientifique (MarxMarxisme et Structuralisme). De ce point de vue, Lévi-Strauss s’inquiète des rapports entre les sciences humaines notamment (PsychanalyseLinguistiqueSémiologie — cf. morphologie du conte), sans négliger les sciences dites « dures » (Mathématiques, Bourbaki). Le lecteur trouvera dans ce Dictionnaire les concepts les plus connus de cette entreprise de mise en relation : Parenté (avec alliance, filiation), ÉchangeRelativisme culturelMythe (ainsi que AraLynxSiphons de Clam…).

Mais il fallait aussi donner un autre corps à cette « mentalité sauvage » qui qualifiait alors certains peuples. À cet égard, l’étude de la fameuse phrase « je hais les voyages et les explorateurs » (voyages) est centrale, comme le sont les éclaircissements sur les difficultés du métier d’ethnologue (ethnologie) : s’il faut savoir se quitter soi-même pour devenir ethnologue, ce n’est pas pour se fondre dans une autre société. Par ailleurs, de nombreuses entrées revalorisent le savoir des sociétés sans écriture, en s’appuyant sur la célèbre notion de bricolage : cette dernière permet de saisir une différence entre la « pensée sauvage » (une science qui classe et met de l’ordre dans le concret) et la pensée « des sauvages » ou encore la pensée « à l’état sauvage ».

Enfin, toutes ces rectifications théoriques ne furent possibles que par une nouvelle démarche d’analyse. Sur ce point, c’est toute la méthode du Structuralisme qui se trouve engagée, et qui est reprise et synthétisée dans un entretien avec Maurice Olender datant de 1976 et republié en fin d’ouvrage. Sur ce thème, on pourra consulter les rubriques connexes qui l’abordent, telles que ÉcritureEsprit humainModèle réduitSaussureSignifiantSujetDiachronie-Synchronie, etc.

Des combats

Le Dictionnaire ne néglige pas, à travers les rubriques qu’il présente, les combats justement menés par Lévi-Strauss, qui concernent ses rapports avec le Monde moderne. Outre des indications plus personnelles (AthéismeDina Dreyfus, sa femme, Raymond Lévi-Strauss, son père, Religion, etc.), ce sont cette fois des problèmes généraux, relatifs à notre civilisation qui sont traités. Une fois rentré en France, l’ethnologue s’est en effet trouvé au carrefour de deux difficultés : apprendre à revenir chez soi après le séjour chez les « autres », et tenter une ethnographie de sa propre culture.

C’est là qu’il découvre et tente d’analyser des institutions : AcadémieCollège de FranceLaboratoiresMusées (celui du Quai-Branly), etc. Lévi-Strauss s’intéresse également aux mouvements culturels comme le féminisme (Critique féministe), l’Homosexualité, les Rites, ainsi qu’aux analyses littéraires (« Chats » de Baudelaire). Enfin, il se trouve aux prises avec les arts qu’il a toujours cultivés, comme en témoigne l’ouvrage Regarder écouter lire : Art contemporainCaduvéoMusiquePeinturePhotographie, et bien sûr sa relation avec les écrivains (André Breton) ou les musiciens (Musique contemporaineSchaeffer, Chopin, Debussy), parmi lesquels surtout Richard Wagner, désigné comme ce père mal connu de l’analyse structurale des mythes et modèle de la Tétralogie lévi-straussienne que sont les Mythologiques.

Mais l’ethnologue est aussi frappé, à cette période, par les marques distinctives qui parcourent les sociétés occidentales. Au cœur de ces marques, on trouve le Racisme, accompagné de l’Ethnocentrisme et de la Xénophobie (appuyés parfois sur l’ouvrage d’Arthur de Gobineau), qui produisent le Colonialisme (abordé dans Jaulin mais aussi Nous sommes tous des cannibales). En ethonologue, Lévi-Strauss s’interroge sur l’idée d’une supériorité de la culture occidentale. C’est ainsi qu’entrent en scène de nombreux philosophes anciens qui contribuent à l’élaboration d’un regard décentré (Montaigne, Rousseau) ou contemporains qui aiguisent la pensée de l’époque (Castoriadis, Lefort, Ricoeur). Avec leur aide, il est possible de remanier entièrement certaines conceptions de l’Histoire et du Progrès, et de se donner les moyens de combattre les exclusions (Identité, HumanismeDroits de l’homme…). Au final, il convient de s’attacher à l’Universalisme énigmatique qui demeure à défendre, à condition toutefois de ne jamais le simplifier : la recherche du « bon jugement » doit s’imposer lorsqu’il s’agit par exemple de statuer sur la question du Cannibalisme, de l’excision (dans la rubrique Barbare) ou encore du foulard islamique (Islam).

 

[Source : http://www.nonfiction.fr]

Unha ducia de imaxes do patrimonio inmaterial de Galicia e Portugal

Imaxe tirada en 1964 no norte de Portugal e achegada por Claudio Afonso Conraria da Escola Básica e Secundária do Agrup. de Esc. Muralhas do Minho (Valença).

Dende hai uns anos a asociación Ponte… nas ondas! organiza o certame fotográfico ‘Imaxes do Patrimonio’ no que participan centros de ensino de Galicia e Portugal, co obxectivo de reunir fotografías antigas que amosasen actividades e persoas doutro tempo, « un conxunto inmenso de expresións culturais e de tradicións herdadas do pasado que as persoas preservan e se encargan de transmitir ás xeracións futuras ». O que se buscaba era « axudar ás novas xeracións a descubriren a existencia dese rico e variado patrimonio cultural común ».

Neste momento está en marcha a quinta edición do certame, que ata o momento entregou xa un gran número de premios e accésits e que recibiu unha gran cantidade de materiais, que pasan a formar parte do arquivo virtual do patrimonio inmaterial galego-portugués.

O IES Plurilingüe Fontexería, en Muros, con longa e intensa traxectoria no traballo co patrimonio, acolleu a presentación.

Agora, a partir dunha escolma de 25 desas fotografías, vén de publicarse un proxecto multimedia titulado ‘Memoria e patrimonio’, realizado ao abeiro do Fondo de proxectos culturais en lingua galega Xacobeo 2021-2022 da Xunta. O proxecto compose en primeiro lugar dun libro no que cada unha das fotografías vai acompañada dun texto explicativo redactado polo alumnado. Ademais, cada fotografía é interpretada graficamente a través dunha banda deseñada elaborada polo prestixioso ilustrador Andrés Meixide, un colaborador habitual dos diferentes proxectos de Ponte…nas Ondas!

Alén do libro en formato descargable, os materiais contan cunha versión multimedia enriquecida con diversos contidos. Por unha beira, pode consultarse en formato de audiolibro e escoitar os podcasts que acompañan cada unha das imaxes. E por outra parte, proporciónase unha serie de actividades interactivas pensadas para o aproveitamento didáctico a partir das temáticas relacionadas coas diferentes fotografías.

O IES Plurilingüe Fontexería, en Muros, con longa e intensa traxectoria no traballo co patrimonio, acolleu a presentación este mércores 11 de maio.

Na presentación Anxo Cabada, fotógrafo e membro do xurado do certame “As imaxes do patrimonio“, destacou que “a fotografía ten esa fascinante evocación da inmortalidade, recuperamos a historia dos avós, dos pais, dos traballos, das viaxes, das festas…, permítenos reconstruír os momentos máxicos da antropoloxía cultural da nosa terra; por iso, o certame é tan importante”.

Este experto asina o prólogo da obra, no que salienta a importancia das iniciativa da asociación para, desde a escola, “coidar a esencia do que somos”, entender mellor as nosas orixes e non ser simples espectadores da compracencia das imaxes, “senón tamén a axudar a construír unha formación máis solidaria, máis informada, máis crítica e máis coñecedora da nosa historia”.

As imaxes son exemplo de como a mocidade de centros educativos de Galicia e de Portugal toma contacto coas xeracións anteriores e recolle as memorias asociadas ao patrimonio inmaterial galego-portugués a partir de álbums fotográficos familiares.

Na presentación, o secretario xeral de Política Lingüística Valentín García Gómez destacou que este é un proxecto interesante por moitos motivos, « como a participación da mocidade na preservación do patrimonio, a colaboración interxeracional e a transmisión da lingua galega, xa que todo o que está implicado en Ponte…nas ondas! pon á vista os vencellos lingüísticos e culturais entre a Galicia alén do Miño”.

Valentín García subliñou o “total apoio” ao modelo de boas prácticas impulsado por Ponte…nas Ondas! e destacou a inminente inscrición da asociación como modelo de boas prácticas co PCI (Patrimonio Cultural Inmaterial) no Rexistro das Boas Prácticas da UNESCO.

Unha das unidades didácticas do proxecto ‘Memoria e patrimonio’
Unha das unidades didácticas do proxecto ‘Memoria e patrimonio’

[Imaxes: Ponte nas Ondas! – fonte: praza.gal]

 

 

Escrito por Xose Luís Méndez Ferrín 
Os xudeus de Galicia falaban a lingua das cidades e vilas nas que moraban, ou sexa a galega. Os nomes persoais dos varóns eran bíblicos (Isaque, David, Abraham) pro eles tiñan a atención de nomear as súas mulleres de xeito galego e meliorativo: Clara, Rica, Ouro, Alegría. En canto aos nomes de familia e alcumes, parece que na súa maioría eran galegos (Méndez, Pereira, Espiñosa, Sánchez), Certo que Pérez é moi numeroso entre xudeus, tamén pode ter unha procedencia hebrea coincidente co patronímico galego. Podían levar os nosos xudeus apelidos hebreus ou de escura fasquía semítica (escura para min); así: Cohén, Benveniste (coma o lingüista) Mardochai (V. Risco dicía ser este o verdadeiro apelido de Marx), Calvasan. Chaman a atención, polo caracter hebreu deliberado, os nomes de Ioseph Ibn Hayyim e de Moisés Ibn Zabarah, iluminados e calígrafo, respectivamente, da Torah ou Biblia de Kennicott, ambos os dous artistas coruñeses, que fan ostentación da súa veciñanza galega.
Seguiron falando galego os xudeus dispersados e expulsos de fins de século XV? –pregúntame Lucía Pereira Espinosa. Voulle responder cunha hipótese.
Logo do decreto de expulsión lanzado pola intolerancia dos ben chamados Reis Católicos en 1492, é fama que a maioría dos xudeus de Galicia pasaron a Portugal. Gozarían do beneficio dunha rede social de apoio nas xudarías daquel reino. Pro, poucos anos despois (1496-1497), o rei don Manoel ordenou a conversión obrigatoria ou, alternativamente, o exilio de todos os hebreus de Portugal.
Penso eu que os conversos e cristiáns novos que quedaron en Galicia fóronse confundindo co resto da poboación e non parece que existisen verdadeiros núcleos criptoxudaicos. Con todo, sabemos que un acusado de xudaísmo foi queimado en auto de fe que se celebrou na Praza Maior de Madrid a fins do século XVII e presidido por Carlos II. Esta víctima levaba o apelido moi galego de Carballo.
O continxente de xudeus galegos, portugueses e cataláns que se asentou no Mediterráneo oriental foi absorbido lingüísticamente polo continxente maioritario dos xudeus que falaban o castelán. E conformouse de tal modo a lingua e a cultura sefardita: sobre a base dunha preponderancia castelá. Reproduciuse nesta diáspora, pois, o fenómeno da hexemonía e dominación castelá na península ibérica sobre as linguas galega e catalá, e, aínda despois, da portuguesa.
Entendo que houbo unha porción de xudeus galegos e portugueses que arraízaron nos Países Baixos. Nese asentamento, a lingua dos xudeos galegos e portugueses reunificouse. Pasaríase, así, a unha sorte de novo galegoportugués, neste caso sefardita. Tal lingua foi usada polas familias de ascendencia galega e portuguesa nos Países Baixos até a Idade Contemporánea moi avanzada. Documentos en lingua sefardita galegoportuguesa consérvanse en arquivos de Amsterdam, teño entendido. O sefardita galegoportugués utilizouse como lingua oral e escrita nos Países Baixos deica a segunda metade do século XIX ou aínda máis adiante. Supoño que por eses tempos as nosas comunidades xudías dos Países Baixos se achegarían ao asquenazismo e adoptarían como lingua propia o neerlandés. Non coñezo estudos nos que se elucide o elemento galego deste galegoportugués dos Países Baixos nin que falen do elemento galego presente no xudeocastelán sefartita.
E ben, tanto na Europa occidental coma na oriental e no norte de África, perdida a lingua galega ou non, os sefarditas de orixe galega mantiveron moitos dos seus apelidos até os nosos días, aínda que sexa nalgúns casos difícil diferenciar o que é galego de aquilo que é portugués. En Galicia estamos moi orgullosos da posíbel orixe galega de certos sefarditas. Por exemplo: Francisco Sánchez, teorizador extremo do escepticismo no século XVI; Baruch Spinosa (Espiñosa, supoño, na orixe), filósofo revolucionario e único do século XVII; Pierre Mendès-France, o político perfecto do radicalismo pequenoburgués.
Observación
Hoxe os curiosos da historia dos xudeus en Galicia poden aproveitarse da lectura dunha obra moito documentada e compendiosa de Gloria de Antonio Rubio: Los judíos en Galicia (Fundación Barrié, A Coruña 2006). Gustaríanos precisar que os hebreus que aparecen mencionados en dous documentos do ano 1044 que se inclúen no Tombo de Celanova, sendo os primeiros de tal nación que figuran localizados en Galicia, non viviron, segundo a información que chegou a nós, en Celanova. Vagamente aparecen localizados (nin sequera fixados) no val do Arnoia e nas proximidades das aldeas de Fechas e Soutomel, como dependente dun feudal e para nada do abade de Celanova. En 1044 Celanova non era un núcleo urbano, senón só un convento. En todo caso, a vila de Allariz atópase a uns 12 quilómetros do teatro dos acontementos nos que se mencionan estes primeiros xudeus advertidos na documentación galega. E Allariz si que tivo xudaría ben poboada e documentada anos máis tarde.
[Fonte: http://www.blogoteca.com/outravision%5D

O Movemento Aú deu inicio neste ano 2022, tras a recuperación no pasado 15 de xaneiro da festa tradicional galega de Amaro Navegante, na freguesía de Santo Amaro, que levaba 111 anos sen se celebrar.

No Largo do Carmo, Movemento Aú en Lisboa

No Largo do Carmo, Movemento Aú en Lisboa

O Movemento Aú realizou un percorrido ás 16h30 este pasado sábado cun grupo de 60 persoas polo centro de Lisboa para falar da historia da comunidade galega nesta cidade. A subir e a baixar as típicas costas alfacinhas, explicaron como a presenza da Galiza é fundamental para entender a evolución da capital portuguesa « xa desde o século XII e cunha forza especial no XVIII e na primeira metade do XIX, cando 20% da poboación lisboeta chegou a ser directamente galega; neses momentos, se a comunidade galega parase a súa actividade, Lisboa pararía ».

Alberte Campos e Carlos Callón foron os representantes do Movimento Aú que guiaron o roteiro. No inicio do seu percorrido, explicaron a razón do nome do colectivo e todas as persoas participantes rodearon as bocas coas súas mans para exclamaren un sonoro « Aúuu! ». O son ten a orixe entre 1700 e 1850, cando uns 3.000 galegos encargábanse de levar a auga polas casas en Lisboa. Cando chegaban a unha rúa gritaban: « Auuuuuga fresquiña! Auga! Aúuuuuu! », de maneira que este último grito se terminou por converter nun distintivo.

Durante o percorrido detivéronse a falar da importancia da emigración galega no mundo da restauración. « Podémolo ver na historia de moitos restaurantes e bares, mais tamén en aspectos tan emblemáticos como a ginjinha, que é considerada a bebida máis típica de Lisboa, mais que foi creación dun galego: Francisco Espiñeira Couziño », sinala Alberte Campos. « Ademais, hai restaurantes de galegos que foron clave para algúns movementos fundamentais da literatura portuguesa, como o antigo Irmãos Unidos do Rossio, onde naceu a revista Orpheu dirixida por Fernando Pessoa », explica Callón. « Ademais, un dos fundadores desta publicación e familia dos donos do restaurante, foi o poeta galego-portugués Alfredo Guisado, que dedicou algúns dos seus textos a Castelao, colaborou co agrarismo e co nacionalismo galego e tentou impulsar un Banco Galiza-Portugal », observa.

As persoas que participaron no roteiro tamén repetiron a coro as primeiras palabras que, segundo as crónicas, dixo Fernando I, o último rei común galego-portugués, cando foi recibido con grande apoio popular na cidade da Coruña. Este monarca está enterrado no Convento do Carmo.

No percurso falouse tamén dunha grande dama do teatro portugués, Manuela Rey, nada en Mondoñedo; de como Celeste Caeiro -filla dun casal galego- foi a que distribuíu as primeiras flores que deron nome á Revolução dos Cravos; dos nomes de rúas que foron distintivos da comunidade galega e moito máis. Como concluíu Alberte Campos, « mulleres e homes de Galicia teñen un papel destacado en todos os grandes momentos da Historia de Portugal e da Historia de Lisboa ».

O Movemento Aú deu inicio neste ano 2022, tras a recuperación no pasado 15 de xaneiro da festa tradicional galega de Amaro Navegante, na freguesía de Santo Amaro, que levaba 111 anos sen se celebrar. O colectivo quere agradecer o asesoramento de persoas que lles achegaron información para a elaboración deste percorrido e para as súas actividades de recuperación da memoria galega en Lisboa, em especial a Isaac Lourido, Carme Saborido, Xurxo Souto, Gabriel André e Elias Torres.

 

[Imaxe: Movemento Aú – fonte: http://www.galiciaconfidencial.com]

La toponimia interèssa e, dens un certan sens, progrèssa. Dens lo nòste maine occitan, qu’i a urgéncia de sauvaguardar lo nòste patrimòni onomastic, partida integranta deu nòste eretatge lingüistic tan miaçat. Dens un obratge practic e plan virat, Joan Rigosta balha conselhs utils e hòrt d’exemples.

L’obratge de Joan Rigosta –  JJF

Dempuish mei d’un trentenat d’annadas, la toponimia e l’onomastica en generau, consideradas n’i a pas guaire com “sciéncias auxiliaras” de l’Istòria, coneishen ua mena d’arrenavida e quasiment de “popularizacion”. Enfin, qu’exagèri un chic… Totun, es un hèit: quan cercas simplament entresenhas basicas sus ua comuna en clicant sus Internet (sus Wikipèdia dab tots los riscs qui i son ligats: errors, oblits o – péger! – faussas informacions mauintencionadas), tròbas mei anar mei la rubrica “toponimia”. Lo nom de la ciutat o deu vilatjòt es sovent acompanhat de la soa forma dens la lenga dita “regionau”. Mei que mei, en Bretanha, au Bascoat o en Catalonha Nòrd, solide, on ua bèra e laudabla tenacitat  deus defensors e promotors de la lenga permet de restablir, a maugrat d’errors tostemps possiblas, ua planvienuda vertat lingüistica, corregir las decas deus escribas ancians e autas deformacions deus servicis cartografics oficiaus (IGN en particular). Aquò permet quitament —los legidors deu Jornalet qu’an mei d’un còp avut l’ocasion de n’enténer parlar[1]— de progressar (hòrt timidament, inegalament e a còps maladreitament) a maugrat deus trabucs nombrós (administratius, financièrs o …ideologics). Au nivèu locau o regionau, l’edicion, associativa o comerciau, publica adara hòrt de libes suu subjècte qui son la màger part deu temps de bona vulgarizacion[2]. Per lo maine nòste, que cau donc saludar lo tot navèth tribalh, plasent, agradiu e pedagogic de Joan Rigosta que vien de publicar Novelum (seccion de Perigòrd de l’Institut d’Estudis Occitans o “IEO 24”). Mes que cau rapelar que, dempuish hòrt annadas l’autor, d’ua part, a animat pro de talhèrs “toponimia” dens estagis de lenga o dens l’encastre de l’Escòla Occitana d’Estiu[3] (EOE a Vilanèva d’Olt) e, d’auta part, assegura ua cronica suus noms de lòcs dens la revista Paraulas de l’IEO 24.

Doble risc

Aquí donc un bèth obratge en duas grans partidas (I: Domenis, honts, metòdes; II: Elements de toponimia) qui, d’un biaish clar, qui’s vòu tostemps practic, clar e conhit d’exemples, a per prètzhèit d’ajudar los qui se lançan dens l’aventuran onomastica. En efèit, a costat de la toponimia e de la microtoponimia stricto sensu (noms de las comunas, ancianas parròpias, comunas restacadas o totas recentas[4], mei los milierats de noms de tèrras, parcèlas, lanas o padoencs), que tòcan aus noms de familha, donc a la genealogia qui interèssa pro de monde). E que tòcan tanben a l’odonimia (noms deus camins e vias en generau); un interès deus grans quan saben que, dens hòrt de comunas (sustot dens las banlègas de las vilassas qui s’estenen a l’infinit, arroganhant lo païsatge rurau, e sus los litoraus) se multiplican los lotiments on cau nomenar las navèras arruas. Dab lo doble risc de har desaparéisher los noms ancians e de pèrder l’identitat lingüistica nòsta (se n’es pas dejà hèit…).

Per s’aventurar dens aquera disciplina qui, bien segur, n’es pas ua sciéncia exacta e deu s’acompanhar tostemps de modestia, lo libe de Joan Rigosta renderà grans servicis: bibliografias, honts, petits conselhs per s’arretrobar dens las formas ancianas tot en mens·hidà’s, apréner a esvitar quauques tracanards deu tipe mécoupure (mescopadura, maishanta copadura deu mot), metatèsi (desplaçament d’ua letra o d’un fonèma dens un mot, corrent en gascon), faussas latinizacions, etc. La coneishénça deu terren, de la lenga e de las particularitats locaus deus parlars, de l’Istòria evidentament (petita o grana), l’examen minuciós de las mapas actuaus o ancianas, l’ajuda (se ne tròban) deus vielhs pergamins o tèxtes notariats, los comparèrs dab d’autas regions o parçans vesins son quauques precaucions elementàrias que conselha l’amic Rigouste dab rason. Enfin, vertadèr putz de sciéncia, lo nòste valent toponimista balha un gran heish d’exemples e quitament d’enigmas qui balhan un shuc suplementari au son obratge.

Joan Jacme Fénié


[1] Ahars de Vilanòva de Magalona en 2012 o de Lascasèras (Arribèra Baisha) en 2019; deus panèus en Comtat Venaicin.
[2] Pensam, enter autas causas, aus tribalhs de Paul Fabre sus Lengadòc, Michel Grosclaude sus Bearn, d’Ives Lavalada sus Lemosin o, evidentament, de B. Boyrie-Fénié sus maine gascon.
[3] Dont es estat fondador dab lo regretat Marcèu Esquieu (1931-2015) e dab Crestian Rapin.
[4] A las paginas 188-193, J. Rigosta torna sus las comunas novèlas supausadas aleugerir lo milafuèlha administratiu:un brave copacap per los toponimistas deu futur…Exemples: Val de Virvée, en Gironda, compausada de l’amalgama Aubie-et-EspessasSaint-Antoine e Salignac); en Perigòrd, en 2017, Val-de-Louyre-et-Caudeau (reünion de Sainte-Alvère-Saint-LaurentLes Bâtons Cendrieux). L’Administracion n’a evidentament pas cercat de balhar ua forma occitana ad aqueras navèras entitats.

RIGOUSTE, JEAN. Petit manuel du toponymiste occitan. Novelum-IEO Perigòrd, 2022. 333 paginas. 16 èuros.
[Sorsa: http://www.jornalet.com]

[Chronique #48] La Nouvelle Union populaire écologique et sociale sonne comme la conséquence d’une crise de confiance dans les institutions de la Ve République.

Jean-Luc Mélenchon, lors de la première convention de la Nouvelle Union populaire écologique et sociale (Nupes), à Aubervilliers (Seine-Saint-Denis), le 7 mai 2022. | Julien de Rosa / AFP

Jean-Luc Mélenchon, lors de la première convention de la Nouvelle Union populaire écologique et sociale (Nupes), à Aubervilliers (Seine-Saint-Denis), le 7 mai 2022.

Écrit par Christian Salmon— édité par Natacha Zimmermann

Pour la première fois dans l’histoire, un accord général entre les partis de gauche est signé dès le premier tour des élections législatives. Ni le Cartel des gauches ne l’avait fait, ni le Front populaire, ni même lorsque la gauche avait signé le Programme commun, ni la gauche plurielle.

L’avenir dira si ce phénomène est durable ou s’il est le fruit d’une conjoncture électorale. Mais plutôt que d’attendre son verdict, mieux vaut tenter de comprendre ce qui est en jeu dans ce moment politique. Car les commentateurs, sondeurs et politistes ne cessent de confondre deux choses: l’avenir des partis politiques et le devenir politique des gens, les fluctuations des intentions de vote et les inflexions de la conscience collective qui obéissent à des mouvements par nature imprévisibles.

La Nouvelle Union populaire écologique et sociale (Nupes) est apparue dans notre galaxie politique parfaitement cartographiée telle une constellation inconnue, légèrement voilée, profilée comme une figure géométrique abstraite reliant comme autant de points les différents partis qui la composent.

Les scénarios de la Ve déjoués

Alors, historique ou pas cette nouvelle union de la gauche version Nupes? La question n’a rien de rhétorique. Elle est stratégique. Elle est au cœur de l’enjeu de la mobilisation qui déterminera l’issue de la bataille électorale. Est-ce un phénomène structurant, une nouvelle construction politique ou un épisode de plus de la décomposition de la gauche? Est-ce un simple accord électoral de circonstance ou un nouveau front populaire surgi en treize jours –un chiffre qui pourrait inquiéter les superstitieux, mais qui a de quoi surprendre par sa rapidité tant la gauche nous a habitués dans son histoire aux interminables conciliabules d’appareils.

«Certains ont trouvé le feuilleton un peu longironisait Jean-Luc Mélenchon le 7 mai, à Aubervilliers, à l’occasion de la première convention de la Nouvelle Union populaire écologique et sociale. Mais précisément, ce qu’ils ne comprenaient pas, c’est que ce n’était pas un feuilleton: c’était une histoire.» Qu’un homme politique soit capable de distinguer feuilleton et histoire, intrigue de série et construction politique, «netflixisation» et écriture politique, c’est déjà, en soi, un exploit qui mérite d’être salué. Tant d’hommes et femmes politiques sont en train de mener des combats d’arrière-garde; Jean-Luc Mélenchon mène quant à lui la prochaine bataille. Et c’est ce qui le rend très, très dangereux.

«Nous sommes en train d’écrire une page de l’histoire politique de la France, insistait-il le 7 mai. Et parce que nous écrivons cette page de cette façon, nous pouvons prétendre écrire une page d’histoire de France.» L’événement avait de quoi surprendre notre fatigue démocratique après de longs mois d’une campagne médiatique désinvestie de toute projection vers l’avenir.

Et s’il est historique, c’est justement en ce sens qu’il surprend notre capacité de prévoir, qu’il déjoue les scénarios écrits d’avance par la Constitution de la Ve République dans toutes ses variantes (quinquennat et calendrier électoral compris) et qu’il ouvre un nouveau champ des possibles, dans lequel de nouveaux acteurs politiques peuvent trouver leur place.

Billet d’entrée dans un autre monde

Au-delà d’une adhésion à un ensemble de mesures économiques, sociales, écologiques, le bulletin de vote Nupes acquiert ainsi le sens d’un billet d’entrée dans un autre monde, une autre histoire, un autre peuple. Que vous soyez jeune ou vieux, femme ou homme, modéré ou radical, habitant des villes ou des banlieues, vous avez la possibilité d’écrire une nouvelle page de l’histoire collective. Vous devenez vous-même le narrateur de cette histoire…

Après des mois où l’on fut tenté à maintes reprises de tourner le dos à une non-campagne qui avait pour but explicite de reconduire le duo attendu Le Pen-Macron, l’inattendu est arrivé; il a surgi sous le signe ironique d’une victoire sans vainqueur, un gigantesque acte manqué électoral. Emmanuel Macron semblait paralysé par sa victoire, incapable de prévoir la suite; Jean-Luc Mélenchon, exclu du second tour, resurgissait au lendemain de sa défaite, comme galvanisé par son échec, déclarant un troisième tour, proposant de jouer «la belle», bousculant le calendrier électoral et l’esprit de la Ve République, en lui injectant le virus du parlementarisme.

Soudain, la campagne présidentielle rebondissait. À peine les résultats proclamés, un autre agenda prenait le dessus. La victoire tardait à s’affirmer, la fin refusait de finir, une autre campagne commençait avant que la précédente ne soit terminée. Le cours des événements refusait de rentrer dans le lit constitutionnel. Le vieux monde qui refusait de mourir et le nouveau monde qui se faisait attendre depuis si longtemps s’étaient donné rendez-vous et cohabitaient soudain dans une image tremblée. Les signes divergeaient.

Le pouvoir règne par les images et les mots. Mais il peut aussi vaciller devant l’insurrection des signes et leur désynchronisation. Ce ne sont pas les intentions de vote qui font une élection en dernière instance, ce sont les signes. 2002 était un accident électoral; 2022 est un crash démocratique. La critique des institutions a été portée à son comble dans une campagne qui a aggravé la spirale de discrédit comme jamais. Tout le système des signes de la Ve République est entré en crise. On en vit quelques manifestations au cours de la campagne.

Valérie Pécresse, à son meeting de Villepinte, fit les frais de cette désynchronisation des signes. Éric Zemmour, lors de sa dernière intervention sur France 2, sembla vaciller sur ses jambes avant même que son score ne s’effondre. Et voici que la désynchronisation atteignait le prince au soir de son élection. Des reporters poursuivant dans Paris le véhicule présidentiel dans une imitation de l’élection de Jacques Chirac, finirent par se rendre compte qu’ils s’était trompés de véhicule et qu’ils accompagnaient le Premier ministre à Matignon. Acte manqué qui disait tout, peut-être, de l’inconscient de cette élection qui annonçait, peut-être, le basculement du pouvoir de l’Élysée à Matignon et venait mettre un peu de VIe République dans la Ve.

L’essence du peuple: surprendre

Jamais un président élu ou réélu n’était apparu au soir de sa victoire aussi peu grandi par l’élection. Il semblait privé de cette aura que donne le suffrage universel. Il n’était pas illégitime, mais comme démagnétisé. Au moment de rendre publics les résultats du scrutin, le président du Conseil constitutionnel, Laurent Fabius, pourtant rompu aux usages institutionnels, trébucha sur le chiffre des suffrages obtenus par Emmanuel Macron comme si l’histoire, par sa bouche, hésitait à reconnaître et à proclamer cette victoire qui ressemblait à une défaite.

Cette réélection était si peu inscrite dans la durée que le nouvel élu s’empressait de lui nier toute continuité, affirmant contre toute évidence: «Le peuple français n’a pas prolongé le mandat qui s’achève.» Il s’agirait d’un «peuple nouveau, différent d’il y a cinq ans [qui] a confié à un président nouveau un mandat nouveau». Surprenante actualisation de la formule de Brecht selon laquelle «le gouvernement doit élire un nouveau peuple».

Ce nouveau peuple était rassemblé le même jour à Aubervilliers (Seine-Saint-Denis); il se présentait lui aussi à l’investiture. À l’Élysée, on avait assisté au spectacle d’une monarchie élective épuisée, incapable d’émettre les signes de son pouvoir et de sa légitimité. À Aubervilliers, un peuple débordant d’enthousiasme se pressait, un peuple impensable il y a encore quelques jours, qui prenait forme et couleurs dans cette nouvelle bataille électorale.

Car c’est l’essence même du peuple que de surprendre, d’imposer son timing et ses formes d’apparition, déjouant les systèmes d’alerte du pouvoir, comme le firent si bien les «gilets jaunes».

Porté au jour par une envie de changement trop longtemps différé, il débordait les partis qui le composaient et donnait l’image mouvante, chatoyante, d’un changement lui-même en train de changer. Non pas une simple addition d’individus, mais une multiplicité de personnes, certaines investies, d’autres cédant la place au nom de l’union, débordant le casting des candidatures individuelles pour se fondre en une volonté collective, s’élevant au-delà des individus qui la composaient, en une force en devenir, affirmant beaucoup plus qu’un rapport de forces, la mise en relation d’expériences singulières, de tous âges et conditions, distribuées sur tout le territoire et dans la profondeur de champ de la société.

«C’est nous les essentielles»

Ainsi, l’intervention la plus applaudie fut celle de Rachel Kéké, ancienne meneuse de la grève des gouvernantes et femmes de chambre de l’hôtel Ibis des Batignolles, à Paris, qui redonna dans son intervention verdeur et crédit à la parole politique. «La sous-traitance, c’est la maltraitance, le rabaissement, l’humiliation. Nous les femmes de chambre et les gouvernantes de l’hôtel Ibis des Batignolles c’est ce que nous avons subi, a-t-elle lancé. Nous avons mené cette lutte jusqu’à la victoire, pourquoi ne pas aller jusqu’à l’Assemblée, c’est nous les essentielles!»

Car comme le rappelait le philosophe allemand Peter Sloterdijk, «c’est leur colère synchrone contre l’arrogance sans bornes des puissants qui a appris aux petites gens qu’ils voulaient désormais être des citoyens». C’est cela l’essence de la démocratie. Elle n’a pas d’autres acteurs. Ils, elles, les essentielles.

 

[Photo : Julien de Rosa / AFP – source : http://www.slate.fr]

Sergueï Lavrov a instrumentalisé cette rumeur démentie depuis longtemps par les historiens de la Seconde Guerre mondiale.

Sergueï Lavrov a affirmé dans une interview pour la télévision italienne ce dimanche que ce n'est pas parce que le président ukrainien est juif qu'il ne pourrait pas diriger un régime néonazi. | Capture d'écran LCI via YouTube

Sergueï Lavrov a affirmé dans une interview pour la télévision italienne ce dimanche que ce n’est pas parce que le président ukrainien est juif qu’il ne pourrait pas diriger un régime néonazi. | Capture d’écran LCI via YouTube

Repéré par Nina Bailly

Depuis le début de la guerre en Ukraine, le régime russe et son dirigeant Vladimir Poutine sont disqualifiés et critiqués partout en Occident, tandis que le président ukrainien Volodymyr Zelensky est largement soutenu. Pour cette raison, de nombreuses théories du complot circulent en Russie à son propos, dans le but de le discréditer et de justifier l’invasion de l’Ukraine.

La dernière fausse information en date émane directement du ministre russe des Affaires étrangères Sergueï Lavrov, qui a affirmé dans une interview à la télévision italienne ce dimanche que ce n’est pas parce que le président ukrainien est juif qu’il ne pourrait pas diriger un régime néonazi, et a dressé un parallèle avec Adolf Hitler. Le ministre a suggéré durant l’interview que «les gens devraient s’intéresser au fait que Hitler lui-même avait du sang juif» avant d’ajouter: «Depuis un certain temps, nous entendons de la part du peuple juif que les plus grands antisémites sont juifs.»

Il existe en effet un mythe selon lequel le dictateur et fondateur du nazisme allemand aurait eu des origines juives, explique NBC News.

La technique «Big Lie»

Déjà dans les années 1930, des rumeurs selon lesquelles le grand-père d’Hitler (qui demeure inconnu à ce jour) aurait été juif circulaient. Elles étaient basées sur les dires de journaux sensationnalistes européens et sur l’idée non vérifiée que «Heidler», une variante du nom «Hitler», serait d’origine juive. Il n’y a cependant aucune preuve de cette théorie, qui a plusieurs fois été démentie par des historiens de la Seconde Guerre mondiale.

Le ministre des Affaires étrangères russe semble surtout avoir utilisé la technique de propagande appelée «Big Lie», employée par le régime nazi lui-même et son ministre de la Propagande Joseph Goebbels à l’époque. Ce dernier accusait régulièrement les ennemis de Hitler de crimes haineux et la technique consistait simplement à répéter infiniment un mensonge jusqu’à ce qu’il devienne crédible.

Cette idée est aussi une manière de sous-entendre que le peuple juif est en partie responsable de l’Holocauste et des horreurs qu’il a subies à cette période. C’est d’ailleurs un argument récurrent des rhétoriques antisémites. Plus que de la malhonnêteté intellectuelle, la remarque de Sergueï Lavrov est un mensonge révisionniste qui instrumentalise l’histoire pour justifier les décisions du Kremlin.

 

[Source : http://www.slate.fr]

O autor sueco, de orixe grega, preocupado polo auxe en Europa da extrema dereita

Kallifatides, retratado en A Coruña, durante la entrevista.

Kallifatides, retratado na Coruña, durante a entrevista.

Escrito por NURIA GUILLERMO

A vida de Theodor Kallifatides (Molaoi, Grecia, 1938) é un reflexo da historia de Europa durante o último século. Nacido no ano previo ao comezo da Segunda Guerra Mundial, viviu as consecuencias do conflito de preto. Tras a ocupación de Molaoi polo exército alemán, o seu pai foi encarcerado. Posteriormente, e tras a súa liberación, a familia viuse obrigada a desprazarse a Atenas por motivos de seguridade. Con 18 anos, emigrou a Suecia en busca de traballo, e foi alí onde escribiu a súa primeira obra. Desde entón, reside no país nórdico. O selo Galaxia Gutenberg acaba de publicar en español a súa novela Timandra, que rescata a unha fascinante figura feminina da antigüidade grega e dálle voz en primeira persoa para narrar a súa vida e a Atenas do seu tempo, entón en plena guerra [do Peloponeso] con Esparta. O autor, que soou varias veces como posible candidato ao Nobel de Literatura, conversou este mércores cos alumnos do IES Rafael Dieste da Coruña e concedeu unha charla na Fundación Luis Seoane. O xoves está en Betanzos, pola mañá, cos alumnos do instituto Francisco Aguiar, e pola tarde, na aula de cultura. A súa presenza conta co apoio da sección galega da Sociedade Española de Estudos Clásicos e a plataforma SOS Clásicas.

—En «O pasado non é un soño», escribe: «[En Grecia] interpretaba as voces e non as palabras. A necesidade e o medo sempre orixinan inventos». ¿Quedou con vostede algún daqueles inventos de supervivencia que desenvolveu durante a guerra?

—Si, iso creo, porque, aínda que a vida cambia, algunhas cousas permanecen. Non podes cambialas porque non podes alcanzalas, non sabes exactamente onde están situadas dentro de ti. É como os vellos hábitos, é moi difícil cambialos. Todos necesitamos formas de defendernos contra a realidade. Estas cambian en función da persoa, e eu teño as miñas.

—¿Que defensas desenvolveu durante a súa infancia en Grecia?

—A miña infancia foi durante a guerra, e foi pobre e moi insegura. Pero tiña unha nai e uns avós que me querían e coidaban de min. Empecei a escribir moi novo e supoño que iso foi parte do meu defensa para poder sobrevivir. Pero non tiña o tipo de sufrimento que máis vive a xente hoxe en día: a falta de amor. A miña familia queríame e eu sempre o souben, mesmo cando nos pelexabamos. Estabamos moi unidos. Foi unha infancia moi dura nalgúns sentidos, pero á vez tivo momentos moi bos.

—Empeza o libro guiado da man do seu avó nunha Atenas convulsa, buscando aos seus pais. ¿Cal é a súa rutina cando camiña da man dos seus netos?

—A isto refírome cando digo que, ás veces, creamos símbolos do que é o amor. Intento imitar ao meu avó sendo como el era comigo. Creo que os nenos non só necesitan que se lles eduque, senón tamén que a familia sexa un lugar seguro ao que poidan recorrer. É importante dedicarlles tempo, aínda que, ás veces, os avós novos non poden facelo por cuestións laborais. Por iso, agora intento aproveitar o tempo para dedicarllo aos meus netos, algo que antes me custaba máis facer polo meu traballo.

—Na súa mocidade, fuxiu do fascismo. ¿Regresou o fascismo a Europa ou ten outro nome?

—Aínda que os símbolos sexan distintos, o centro do pensamento é o mesmo. Empézase con esas ideas de que un país é o mellor, ese nacionalismo extremo, e vaise incluíndo ese discurso de odio cara aos inmigrantes, cara ás mulleres… A extrema dereita, na súa raíz, continúa sendo a mesma.

—Como sociedade, ¿estamos esquecendo a nosa historia recente?

—Obviamente. Se non estivésemos esquecendo a nosa historia, sería imposible que miles de persoas en toda Europa votasen a partidos de extrema dereita.

—Cando emigrou a Suecia, decidiu escribir en sueco porque, para vostede, representar a sociedade sueca en grego non remataba de ter sentido. ¿Os idiomas teñen un papel importante na representación dun lugar?

—Si, claro. No idioma propio dun sitio existen palabras máis acertadas para describir as súas realidades. Por iso decidín escribir en sueco, porque en grego podería haber palabras que fosen correctas para describir o que pasa en Suecia, pero non tan acertadas.

—Posteriormente, decidiu retomar o grego como lingua para escribir as súas últimas obras. ¿A que se debe este cambio?

—Cando cumprín 75 anos, decidín facer unha viaxe a Grecia coa miña muller porque sentía que me desconectou do meu país e quería ver como estaba a situación agora. Estando alí, e seguindo a actualidade, volvín conectar coas miñas raíces e decidín escribir na miña lingua materna.

—¿Queda «Outra vida por vivir»?

—Creo que, dentro de nosa propia vida, todos podemos vivir varias vidas. O que non podemos é cambiar a nosa esencia, a nosa personalidade. Tería que pasar algo moi grave na nosa vida para que cambiásemos niso. Pero podemos incorporar cambios que, aínda que non son radicais, si son outra vida.

—E despois desta vida, dentro de moitos anos, ¿onde lle gustaría ser enterrado?

—En Suecia, para que os meus familiares poidan visitarme. Creo que os símbolos son importantes porque axudan a algunhas persoas a levar mellor certos momentos. Por iso, creo que é bo que se un familiar quere achegarse unha vez ao ano a deixarme unha rosa, poida facelo. Gustaríame estar enterrado nun sitio onde os meus descendentes poidan visitarme, e ese sitio é Suecia.

 

[Imaxe: Marcos Míguez – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

O mapa de Fontán, exposto © Cidade da Cultura

 

Escrito por Isidro Dubert

Queren acabar coa lingua, a cultura e a historia de Galicia. Non é unha impresión, é unha realidade. Aos feitos me remito. As accións levadas contra as dúas primeiras son evidentes, cotiás, sistemáticas. Abonda ver o que acontece acotío e dende hai décadas nas escolas e institutos ou nos medios de comunicación do país, RTVG incluída. Á historia de Galicia non poden matala, aínda que si agochala ou supeditala no ensino, na ESO e o Bacharelato, a esas “historias de España” que a presentan de xeito “natural” como algo ínfimo, secundario, dependente e, xa que logo, prescindíbel.

A Consellería de Educación da Xunta de Galicia tratou de dar un paso máis nesta dirección. Porque é obvio que hai unha folla de ruta no agocho da historia do país aos mozos e mozas galegas. En 2015, coa escusa da LOMCE, a consellería dividiu en dúas materias de dúas horas –“Xeografía e Historia de Galicia”, e “Patrimonio artístico e cultural de Galicia”– a vella optativa de libre configuración autonómica, a “Xeografía e Historia de Galicia”, que tiña catro sesións semanais e unha considerable aceptación nos institutos. O éxito dunha medida que procuraba o esquezo e o alleamento das mozas e mozos galegos da súa historia foi abafante. Nuns centros de ensino secundario con cadros docentes minguantes e unha ratio de alumnado/profesor crecente, durante o curso 2018-2019 apenas si un 2% do total dos estudantes do Bacharelato de Galicia se matricularon nalgunha destas dúas novas materias. A consellería conseguira seu obxectivo nun tempo record. 

Carta de Galicia, de Domingo Fontán Rodríguez – dominio público – Parlamento de Galicia

Agora trátase de rematar a faena. Así o indica o feito de querer suprimir a recente “Xeografía e Historia de Galicia” e de cambiar a súa partner por unha nova materia chamada “Patrimonio e Sociedade de Galicia” de dúas horas semanais. O obxectivo parece evidente, fechar o proceso iniciado en 2015, agochar a historia do país aos e ás estudantes galegas, somerxelas nunha “historia de España” presentista, ideolóxica e teleolóxica, que remata na “unidade nacional” e na que a historia de Galicia e algo meramente anecdótico. 

Os docentes de ensino secundario veñen de denunciar o feito. Lanzaron un manifesto rexeitando este proceder e pedindo apoios. En só dous días colleitaron 2.000 sinaturas, moitas delas de profesorado de medias e de universidade. A consellería recuou e dixo que todo era un erro, xa veremos. O pasado 28 de abril, o Departamento de Historia da Facultade de Xeografía e Historia da USC acordou por unanimidade facer propias súas demandas e, asemade, esixir á Consellería de Educación a creación dunha materia de 4 horas semanais de “Xeografía, Historia e Arte de Galicia” para o alumnado da ESO e do Bacharelato.

Nese escrito de apoio considérase intolerábel que as achegas da investigación feita dende a universidade e os institutos do país sobre a Historia, a Historia da Arte e a Xeografía de Galicia, cuxa calidade está validada a nivel estatal e internacional, non cheguen aos seus naturais destinatarios, os/as alumnos/as galegos/as de medias. Nada se di en cambio de como o espírito da consellería impregna dende hai anos á Facultade de Xeografía e Historia. Algún día haberá que explicar porque a historia de Galicia non se ensina nela até chegar ao terceiro ano do grao de Historia ou porque as tres materias referidas a ela nese grao son apenas o 7% do total das existentes no seu plan de estudos.

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NOTA DA REDACCIÓN DE PRAZA.GAL

Tras as protestas de docentes e informacións ao respecto, Educación asegurou que a nova materia será unha soa, contará con 4 horas semanais e incluirá na súa denominación a Xeografía e Historia de Galicia. A mudanza foi posterior á edición deste artigo.

 

[Fonte: http://www.praza.gal]

La revista eixirà tres voltes a l’any, gràcies al treball del Centre Cultural « Antoni Nughes », Obra Cultural de l’Alguer i Plataforma per la Llengua

Detall de la portada de lo periòdic 'Al, Portal veus de l'Alguer'

Detall de la portada de lo periòdic ‘Al, Portal veus de l’Alguer’ Autor: Plataforma per la Llengua

‘Al Portal, veus de l’Alguer’, és lo nou periòdic en alguerés que entra a fer part del panorama cultural de la ciutat catalana de Sardenya i al món de la catalanofonia, gràcies al treball del Centre Cultural Antoni Nughes, Obra Cultural de l’Alguer i Plataforma per la Llengua.

La revista és estada presentada durant les cerimònies dedicades a la festa de Sant Jordi: se ne publicaran i distribuiran tres números a l’any, que tocaran temes culturals sobre l’Alguer, actualitat, llengua, identitat, història i ambient. ‘Al Portal, veus de l’Alguer’ siguerà disponible al preu de 3,00 euros en les edícoles de la ciutat.

La presentació ha tengut lloc dissabte 23 d’abril a les 7 de la tarda a la Torre de Sulis, on eren presents lo director professor Federico Francioni, ensenyant, jornalista, escriptor, nacionalista sard i profund coneixedor de les minories en Itàlia i de les nacions sense estat i los representants de les tres associacions, Antoni Torre (Centre Cultural Don Nughes), Giuseppe Tilloca (Obra Cultural de l’Alguer) i Irene Coghene (Plataforma per la Llengua). Ha coordinat la tardada Carlo Sechi, que ha evidenciat la importància per una comunitat lingüística com aquella de l’Alguer de tendre instruments divulgatius en grau de donar visibilitat a la llengua pròpia, contribuint a fer creixir lo sentiment identitari de les persones que ne fan part.

La presència d’una revista és indispensable per alimentar un debat en llengua i donar als joves i al món de l’escola un suport concret i viu per ajudar-los a recuperar l’ús de l’alguerés en forma oral i escrita. La redacció és composta de Irene Coghene, Salvatore Manca, Mauro Mulas, Giusy Pascalis, Luigi Saiu, Salvatore Scala, Carlo Sechi, Giuseppe Tilloca, Antonio Torre, membres de les associacions responsables del periòdic. En aqueix primer número hi és estada la col·laboració de Miquel Fort, que ha recordat la figura de Joan Ibba i de Carlo Martinez, que ha firmat l’artícol de la rubrica Caminem amb el Centre Excursionista de l’Alguer. Lo projecte gràfic i les il·lustracions són de Margherita Sechi.

La nova publicació té l’ambició de continuar la tradició de les publicacions periòdiques editades a l’Alguer, que pot comptar de títols importants i assai coneixuts, també a fora de la nostra ciutat. Lo primer periòdic alguerés, ‘La Sardenya catalana’ dirigit de Ramon Clavellet, és estat publicat l’any 1908. Aqueix projecte ambiciós, portat envant amb entusiasme de Clavellet no ha tengut èxit i se n’és publicat sol un número. Tenen de passar més de 50 anys fins a quan, al 1960 lo Centre d’Estudis Algueresos publica ‘Renaixença nova’, amb editor responsable Antoni Simon Mossa, que reseixi a publicar dos números. « Bastió, la veu de l’Alguer » és lo següent projecte de periòdic alguerés, que se publica entre lo 1980 i 1982, amb 12 números.

Finalment, al 1988 se dona vida a ‘L’Alguer, periòdic de cultura i informació’, que per 27 anys (1988/2014) és estat una presència fonamental per la promoció cultural de l’Alguer, gràcies sobretot al treball de don Antoni Nughes, que n’era lo cap redactor. Entre los tants mèrits d’aqueixa revista hi és lo fet d’ésser estada un laboratori lingüístic que a poc a poc ha construït un estàndard alguerés, avui acceptat de la major part dels algueresos i de l’Institut d’Estudis Catalans. I per celebrar aqueix important resultat, los responsables presentaran lo periòdic a Barcelona lo pròxim 10 de juny.

Portada de lo periòdic ‘Al Portal, veus de l’Alguer’. Autor: Plataforma per la Llengua

 

[Font: http://www.racocatala.cat]