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Escrito por Pedro Correia

O excesso de zelo na correcção política, com receio daquilo que as falanges mais extremistas possam verter nas redes insociais, gera situações destas, ao nível da linguagem: após « prisioneiras » (palavra cujo género gramatical é inequívoco) surge hoje a ingente necessidade de acrescentar « do sexo feminino ».

Como se o termo anterior permitisse outra opção.

Caímos no reino da redundância. Não porque quem escreve ou quem traduz ou quem edita (neste caso a tradutora e a chancela editorial têm inequívoco mérito), mas porque as patrulhas ideológicas andam cada vez mais vigilantes e não permitem qualquer fuga à norma.

Aliás, não permitem sequer o recurso à norma.

Como este caso, por absurdo, apenas confirma.

 

[Fonte: delitodeopiniao.blogs.sapo.pt]

Escrito por Nicole De March

Um mês após a vitória eleitoral de Luiz Inácio da Silva (PT) para o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda há manifestações ao redor do país contra os resultados das urnas.  O movimento é composto por golpistas de verde e amarelo que se aglomeram na frente de quartéis e QGs do Exército e bloqueiam rodovias.

Nas redes sociais circulam vídeos da manifestação com cenas no mínimo curiosas mostrando como a desinformação que essas pessoas consomem em suas redes sociais bolsonaristas as isolam da realidade. Um dos vídeos mostra os manifestantes comemorando a prisão de Alexandre de Moraes, ministro do STF, que não ocorreu.

O descolamento da realidade é tão grande que grupos bolsonaristas radicalizados acreditaram na ‘‘notícia’’ falsa de que a intervenção militar já tinha sido decretada. Vídeos como esse têm circulado nas redes, com correntes de oração, pessoas marchando, falando palavras de ordem e até pedindo ‘socorro’ a ETs com luzes de celular. Aparentemente, são pessoas que vivem numa realidade paralela que é guiada por suas redes sociais bolsonaristas.

A antropóloga, professora e pesquisadora na Universidade Federal de Santa Catarina e autora do livro O mundo do Avesso: Verdade e Política na Era Digital, Letícia Cesarino, comenta que todo público extremista (como esse que tem certeza de que as eleições foram fraudadas) é conspiracionista, já que é a Teoria da Conspiração que proporciona esse desgarrar da sociedade principal. Essas pessoas já estavam deslocadas e foram facilmente capturadas pelas teorias da conspiração, como uma verdade que estava escondida, colocando-as num lugar mais central do que o que tinham na sociedade.

A professora explica que o processo de criação dessa realidade paralela precisa de mediadores midiáticos e sociológicos. No caso dos bolsonaristas radicalizados, os mediadores midiáticos que guiam a sociedade, como a imprensa, academia e instituições, são desacreditados e substituídos pelos conteúdos compartilhados nos grupos no Whatsapp e Telegram, e os mediadores sociológicos são os outros bolsonaristas.

‘‘Esse fenômeno é muito característico de seita, quando a pessoa corta laços com a família e refaz com os membros da seita. Os ‘Patriotas’, como se autodenominam, acabam confiando entre si e em suas mídias. Você cria essa sensação de experiência de simultaneidade entre pessoas desconhecidas’’, diz Cesarino.

A pesquisadora adiciona que em seitas tradicionais é necessário sair fisicamente da sociedade, mas no caso dos patriotas é um recorte cognitivo.

Dissonância Cognitiva

Em 1957, o psicólogo social Leon Festinger introduziu o conceito de dissonância cognitiva, que se refere ao mal-estar que a pessoa sente quando se depara com evidências que contradizem crenças preestabelecidas, quando tem duas ideias psicologicamente inconsistentes.

Festinger observou o fenômeno quando ele e seus colegas se infiltraram na seita chamada The Seekers, que acreditava que o mundo seria destruído por um dilúvio que ocorreria antes do amanhecer do dia 21 de dezembro de 1954. O objetivo dos pesquisadores era estudar as cognições e reações quando a profecia de fim do mundo falhasse. A líder dessa seita dizia receber mensagens de extraterrestres do planeta Clarion e que esses iriam salvá-los antes da inundação da Terra. Quando nem o dilúvio e nem o resgate aconteceram, os membros não abandonaram suas crenças e acabaram buscando explicações para a sua não realização. A saída da líder foi alegar que tinha recebido uma mensagem psicografada que dizia que os membros do grupo tinham emanado tanta luz que Deus resolveu salvar a Terra. Os membros aceitaram e continuaram propagando a ideologia da seita.

O mesmo tipo de comportamento tem aparecido nas manifestações: em vários momentos desde o dia 30 de outubro os manifestantes bolsonaristas acreditaram que se ficassem 72 horas nas manifestações ocorreria a intervenção militar e o resultado das eleições seriam invalidados, por exemplo. Em todas as vezes que esse prazo expirou, os bolsonaristas seguiram na crença, interpretaram de alguma maneira e continuaram com o mesmo padrão.

Ricardo Lins Horta, professor de Ciências Comportamentais (ENAP), explica que o fenômeno de seitas é bem conhecido, mas que agora o que os pesquisadores estão tentando entender é o que está presente na arquitetura das redes sociais que potencializa a capacidade de mobilização e de arregimentação desses movimentos de crenças extremistas como o dos patriotas’.

Arquitetura das Redes 

Na pesquisa “Democracia Digital – Análise dos ecossistemas de desinformação no Telegram durante o processo eleitoral brasileiro de 2022”, realizada sob a coordenação de Cesarino e dos pesquisadores Leonardo Nascimento (ICTI/PPGCS/LABHD/UFBA) e Paulo Fonseca (ICTI/LABHD/UFBA), foram analisados grupos e canais de cunho político no Telegram. O que se observou foi que o YouTube era a principal fonte dos links compartilhados nesses grupos e que dentre esses links os canais Jovem Pan e Brasil Paralelo tiveram destaque. A professora comenta que canais como esses e influenciadores digitais muitas vezes não falam explicitamente sobre a teorias da conspiração nos vídeos, mas instalam a dúvida, por exemplo, quando questionam sobre a fraude nas urnas. Outro recurso é camuflar a linguagem, como, por exemplo, quando falam das ‘‘quatro linhas’’ da Constituição querendo referir-se ao artigo 142 que supostamente legitimaria a intervenção militar.

Os grupos no Telegram ampliam a sensação de identificação social e de pertencimento, uma vez que a pessoa se vê num grande grupo que compartilha das mesmas crenças.

Ricardo Horta salienta que ações como as do ‘patriotas’ podem parecer engraçadas, mas que é preciso lembrar que esses bolsonaristas são imbuídos da crença real de que o país está ameaçado. Eles acreditam que o governo do Lula pode violar a inocência das crianças, que quer implantar pautas de ideologia de gênero e banheiros unissex nas escolas, por exemplo.

‘‘As pessoas só são motivadas a ir para rua, pegar ônibus para outra cidade e ficar na chuva porque elas acreditam que valores muito caros e importantes a elas estão sendo ameaçados por pessoas muito mal-intencionadas’’, diz o professor.

A Casa Galileia, organização que atua com pesquisas e análise de dados de grupos evangélicos, cristão e católico monitorou os tipos de conteúdos presentes que circulam nas redes sociais evangélicas e constatou que nos dias 17, 18 e 19 de setembro e as pautas mais presentes eram guerra espiritual e ideologia de gênero.

As redes sociais permitiram o compartilhamento ao vivo de pânicos morais, teorias da conspiração e lendas urbanas, fazendo com que a pessoa se esteja a sentir diariamente ameaçada e com medo. O professor salienta que conteúdos de pânico moral não são novos, mas os smartphones e as redes sociais potencializam o compartilhamento desse tipo de conteúdo.

‘‘Boa parte das vítimas desses conteúdos são os próprios seguidores. Essas pessoas acham que quando Lula assumir a presidência o Brasil vai acabar, elas realmente pensam que vai ter gente entrando na sua casa para roubar sua comida e acreditam que as pessoas vão comer carne de cachorro. Elas estão no regime de terror’’, comenta Lins Horta.

O grande desafio é desradicalizar essas pessoas; a antropóloga acredita que a única saída é afastar a pessoa da sede da “seita”; nesse caso, seria desintoxicá-la desses meios digitais.

‘‘Para você ter alguma chance de trazer essas pessoas de volta, você tem que as tirar do ambiente da seita. Você teria que mexer na própria estrutura de distribuição do algoritmo de conteúdo. Uma coisa que eu acho que pode ser feita também é fazer com que essas pessoas vejam o tamanho que têm, que elas se consigam ver como minoria sectária’’, diz Cesarino. A antropóloga brinca que seria necessário fazer um controle parental reverso, onde se monitora os conteúdos utilizados pelos adultos, porém a professora não é otimista, não acredita que esses grupos vão sumir, mas que precisam ser colocados na margem, serem empurrados para o ‘‘subterrâneo’’ da internet.

A professora diz que nesse primeiro momento de transição de governo é necessária a moderação e banimentos dos grupos extremistas para acontecer esse deslocamento para a margem da sociedade, mas que a médio prazo não é a melhor solução porque eles têm novas formas de reorganizar-se.

O professor Ricardo comenta que podemos obter ‘‘pistas’’ sobre as intervenções eficazes para a desradicalização da publicação recente do maior experimento social já realizado que testou 25 técnicas para reduzir atitudes antidemocráticas, aversão política e suporte a violência política num estudo realizado em 31 mil norte-americanos. O estudo mostrou que uma das intervenções mais eficientes para minimizar a polarização, esse discurso de ‘‘nós’’ contra ‘‘eles’’,  é mostrar para a pessoa que existem valores em comum mesmo quando as pessoas discordam. Mas Lins Horta acrescenta que primeiro temos que trazer aos poucos os radicalizados, não começando pelos mais extremos.

‘‘Não temos que abrir mão de bandeiras, mas sim reconhecer que esses diálogos dão um terreno para você achar o valor comum, essa é uma das formas de desarmar e desradicalizar essas pessoas’’.

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Nicole De March é mestre e doutora em Física (UFRGS). Pós-doutoranda do LABTTS (DPCT-IG/Unicamp) e membro do Grupo de Estudos de Desinformação em Redes Sociais (EDReS).

[Foto: ROBERTO GARDINALLI/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO – fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br]

À l’occasion de la sortie de son livre Le déclin d’un monde, Jean-Baptiste Noé évoque avec nous la fin du rêve de l’Occident de façonner le monde à son image. Et il ose même s’en réjouir.

Écrit par Matthieu Levivier

Jean-Baptiste Noé est un de ces intellectuels qui se donnent pour boussole de prendre le réel comme il est, pour mieux dénoncer ceux qui le fuient. Docteur en histoire économique, professeur de géopolitique et rédacteur en chef de la revue française Conflits, il est également spécialiste de la géopolitique du Vatican. Il analyse dans son nouveau livre – étoffé par le travail de l’équipe de Conflits – l’effritement d’un ordre mondial qui aurait longtemps été bercé par une illusion universaliste. La guerre en Ukraine, la contestation généralisée des institutions internationales et les échecs des interventions occidentales à l’étranger révéleraient l’obsolescence de cet ordre mondial. L’heure est à la lucidité.

Le Regard Libre: Votre nouveau livre s’intitule «Le déclin d’un monde». À quel monde faites-vous référence?

Jean-Baptiste Noté: Il s’agit du monde occidental, et plus précisément de son universalisme. Les Européens ont longtemps cru, du XIXe siècle jusqu’aux dernières décennies, qu’ils allaient exporter leur culture, leurs valeurs et leur mode de pensée à travers le monde. Or, on se rend compte que beaucoup de populations non-occidentales ne veulent pas s’occidentaliser et préfèrent conserver leur particularisme, leur histoire, leur culture. Comme l’affirme ce titre plutôt négatif, cet universalisme géopolitique est en déclin. Je pense cependant qu’il faut s’en réjouir car il a conduit à des ingérences et à des guerres.

Comment se manifestait cette forme d’universalisme?

Il se manifestait concrètement à travers la colonisation, qui visait à transformer les populations africaines en peuples européens. À titre d’exemple, dans les années 1980-90, les États européens conditionnaient l’aide au développement donnée aux États africains au respect d’un agenda européen: mise en place de la démocratie, acceptation des normes de l’ONU, etc. Par ailleurs, la guerre en Irak lancée en 2003 est également un symbole de cette volonté d’exporter la démocratie.

À la différence près que la décision américaine d’envahir l’Irak a fait l’objet d’une fronde.

Oui, cela a été le seul moment de révolte au sein du camp occidental. Cette fronde a cependant été vaine car la guerre a bien eu lieu malgré l’opposition des Français et du Conseil de sécurité de l’Organisation des Nations unies (ONU). Il y a ensuite eu l’intervention de l’OTAN en Libye en 2011, et le lancement de l’opération Barkhane au Mali en 2014, qui vient de s’achever sur un cinglant échec. Le terrorisme est toujours présent et la région est plus instable que jamais. Nous nous rendons compte d’une part que les interventions militaires ne fonctionnent pas, et d’autre part que l’imposition de notre modèle aux autres est voué à l’échec.

Quand ce «monde universaliste» a-t-il émergé?

Je ferais remonter son émergence moderne au milieu du XIXe siècle, avec la colonisation de l’Afrique et de l’Asie. La création des institutions internationales, comme l’ONU et le FMI, s’inscrit dans cette ligne car celles-ci sont modelées sur la philosophie et le droit occidentaux. L’idée en est peut être généreuse, mais l’ordre mondial voulu n’en reste pas moins occidental. Cela pouvait fonctionner quand l’Occident avait les moyens militaires, politiques, économiques d’imposer cet ordre. Il ne les a plus aujourd’hui, notamment depuis la fin de la colonisation.

Quels sont les signes de ce déclin?

Cet échec de l’universalisme se traduit aujourd’hui par une remise en cause de l’ONU, dont la structure repose sur les vainqueurs de 1945. Étant donné que notre ordre du monde dépend d’un événement qui date de 80 ans, il n’est pas étonnant qu’il soit remis en cause. L’Union africaine revendique un siège permanent au Conseil de sécurité; Pékin rejette le droit international qui est purement occidental; l’ambassadeur de Jordanie auprès de l’UNESCO considère que le Coran est plus important que la Déclaration des droits de l’homme et du citoyen. Les exemples ne manquent pas. Ce déclin se manifeste également par le rejet de la présence européenne: le Mali nous a chassés d’Afrique, les militaires français sont mal vus au Burkina-Faso et en Côte d’Ivoire…

Pourquoi a-t-on tant parlé de la théorie de la «fin de l’histoire» de Fukuyama, qui décrivait l’avènement de la démocratie libérale et la fin des conflits dans le monde?

C’était le rêve jusqu’au début des années 2000. La Fin de lhistoire et le Dernier Homme fait partie de ces livres aux titres marquants, qui servent de référentiels dont on parle sans forcément les avoir lus. Il y a eu une période pendant laquelle on a cru à cette thèse, qui a duré une petite dizaine d’années, où il ne s’est pas passé grand-chose. Cela nous a fait croire que nous étions dans un nouveau monde, alors que ça n’était qu’une parenthèse.

La démocratie libérale a donc été coupable d’hubris

Oui, de naïveté et d’hubris. Coupable d’hubris parce qu’on a voulu l’exporter sans voir qu’elle a toujours besoin d’un terreau culturel et spirituel. Typiquement, elle ne peut pas s’épanouir dans des cultures qui sont marquées par de fortes inégalités entre hommes et femmes ou par d’importants clivages ethniques. Cette négation de l’importance de la culture dans la création de la démocratie et ce refus de voir la spécificité de l’Europe à ce sujet trahissent ce mélange de démesure et de naïveté. C’est précisément cette naïveté qui nous fait tomber dans l’hubris et dans la volonté de puissance. Thucydide l’expliquait déjà: les idéalistes sont ceux qui font les guerres. Les réalistes, derrière leurs atours plus bellicistes, créent moins de guerres qu’eux.

En somme, l’Occident a fait de sa démocratie une norme mondiale, presque un impératif moral. Quelle place la morale tient-elle en géopolitique?

C’est un vrai sujet. Quand la Chine intervient en Afrique, elle ne le fait pas au nom de la morale, mais au nom de ses intérêts. L’Occident le fait au nom de la morale et n’ose pas dévoiler sa volonté de puissance. On n’ose même pas dire que l’on veut contrôler nos apports énergétiques, alors même que cela ne serait pas immoral. On veut faire croire à la pratique d’une sorte d’altruisme général, à une philanthropie mondiale. Or, il est évident que cela n’est pas vrai : on intervient en Irak, mais pas au Yémen, on soutient l’Ukraine, mais pas le Venezuela. Le choix des pays que l’on aide répond d’abord à une logique politique, non altruiste.

Le regain de «réalisme» dans la géopolitique mondiale sonne-t-il le déclin du multilatéralisme?

Le multilatéralisme ne peut exister qu’avec un référentiel philosophique commun. Il marchait en 1945 avec 60 États dans le monde, issus de la même matrice religieuse et civilisationnelle. Aujourd’hui, il y a 300 États dans le monde; certains préfèrent le Coran et d’autres la Déclaration des droits de l’homme. Le multilatéralisme est dès lors impossible. Comment peut-on instaurer un droit commun si l’on n’a pas les mêmes références intellectuelles? Avant d’être un ensemble de textes, le droit est une philosophie, et une anthropologie. Il s’agit d’une vision de l’homme et de sa place dans le monde. À une vision différente correspond des droits différents.

Ce référentiel intellectuel commun est-il cependant nécessaire dans le cadre du multilatéralisme lié aux questions écologiques? L’urgence climatique est d’ordre très concret.

La COP est une fumisterie: on en organise tous les deux ans et on y promet à chaque fois que tout va changer, alors que rien ne change. D’ailleurs, les grands États ne la signent pas. Le multilatéralisme «écologique» est utile à deux titres. D’une part, il permet aux pays africains de demander des aides financières pour compenser la pollution occidentale. D’autre part, il fait plaisir aux Européens qui ont l’impression de peser sur l’ordre mondial en organisant leurs grandes messes qui servent à faire vivre des fonctionnaires et des administrations internationales.

Vous suggérez également que la pacification internationale repose plus sur l’économie que sur les institutions internationales dédiées à la paix dans le monde.

L’économie a une fonction pacificatrice. Cela renvoie à un débat datant du XVIIIe siècle. Les guerres nous montrent que notre système ne fonctionne pas parfaitement mais, malgré tout, on observe un lien entre l’intensité des relations économiques et l’absence de guerre. Les relations économiques entre la Chine, les États-Unis et l’Europe sont telles que tous ces acteurs auraient énormément à perdre d’une guerre frontale. Les pays où les guerres sont rudes sont les pays peu insérés dans l’espace économique mondial: on peut penser au Soudan, au Yémen ou encore à la Syrie. Ces guerres ne «gênent» personne, du point de vue économique. Une guerre à Taïwan, au contraire, gênerait tout le monde. Pour le moment, elle n’a donc pas éclaté, même si la Chine a très envie de l’envahir.

La Chine fait peur au monde occidental…

Oui, à juste titre. Elle est un concurrent pour le monde occidental. Elle change les choses dans la région. Elle ne fait même plus figure de «puissance qui monte»; elle est maintenant une puissance «installée» et pèse énormément. Cette peur est aussi civilisationnelle, dans la mesure où les Occidentaux ont du mal à comprendre et à circonscrire la Chine. Elle a réinjecté de l’idéologie marxiste notamment lors du dernier congrès du Parti. Nous ne sommes pas à l’aise avec son référentiel intellectuel, très différent du nôtre.

Plutôt que la Chine, Jacques Attali affirme que c’est le continent africain qui est le véritable enjeu des prochaines décennies pour la France, par son potentiel démographique et donc économique. Vous ne semblez pas partager son avis.

On parle du «potentiel africain» depuis deux siècles. Jules Ferry, fer de lance de l’idéal colonial français, pensait déjà en 1880 que la colonisation permettrait de développer l’industrie française. Cela n’a pas eu lieu. Aujourd’hui, la France commerce plus avec la Belgique qu’avec l’ensemble des pays africains. Les régions d’avenir me semblent être notamment l’Asie centrale, l’Amérique latine, et les États-Unis, qui restent la première puissance mondiale. Cette focalisation sur l’Afrique fait partie de ces relents du tropisme colonialiste en France, qui prône l’intervention. Soit par intérêt, soit par fourvoiement sur l’état réel du monde.

Quitter l’Afrique porterait un grand coup à la francophonie et donc au soft power français.

Je suis très critique et réservé à l’égard de la francophonie. Elle a selon moi deux fonctions: maintenir une illusion coloniale et faire vivre une administration qui dépend d’elle. La francophonie est utile géopolitiquement quand elle s’adresse à des élites francophones, mais pas à une masse de population peu éduquée et pauvre. Ce qui serait utile en matière de francophonie serait de développer de véritables lycées français à l’étranger dans des pays clés, dotés des meilleurs professeurs et de programmes exigeants, afin de former l’élite de ces pays. De plus, le français est en net recul en Afrique par rapport aux dialectes locaux.

Pourquoi la France devrait-elle pivoter de l’Afrique vers la zone «indo-pacifique»?

Parce qu’elle y est présente avec son territoire, son armée et sa population. Elle possède des territoires du canal du Mozambique jusqu’en Polynésie. Cette zone est primordiale, car l’essentiel du commerce mondial transite entre le canal de Suez et le détroit de Malacca. De plus, elle rassemble presque la moitié de la population mondiale avec seulement la Chine et l’Inde. L’Occident y est aussi présent grâce à l’Australie et la Nouvelle-Zélande. Les acteurs de cette zone sont importants et sa population est jeune, travailleuse, bien formée, et veut être puissante. À ce titre, l’exemple du Vietnam est parlant: dans les années 1980, personne ne misait sur ce pays ravagé par les guerres, mais il a su se relever et il est aujourd’hui en pleine expansion.

Vous dressez un tableau contrasté voire pessimiste de la puissance française. La France tient-elle toujours un rôle majeur dans la géopolitique mondiale?

La présence mondiale de la France dépend surtout de ses expatriés, entrepreneurs et intellectuels. Un professeur qui voyage à l’étranger dans le cadre de ses fonctions est un véritable ambassadeur français et contribue au rayonnement de la France à l’échelle mondiale. Ce sont ces acteurs qui ont le rôle premier, alors que les diplomates et membres des administrations centrales ne comprennent plus le monde dans lequel ils vivent. Ces derniers manifestent cruellement la perte d’influence de notre pays sur le plan international.

Les acteurs privés seraient donc des atouts de puissance.

En effet, et cela est vrai à deux niveaux. Sur le plan national, une école privée fonctionne mieux et coûte moins cher qu’une école publique. Or, la question scolaire est première car l’analphabétisme est un vrai problème. Un pays ne peut être puissant s’il ne forme pas bien ses citoyens. A l’échelle mondiale, un expatrié français qui crée une entreprise, un artiste ou un écrivain ont un poids plus important que celui du Quai d’Orsay.

Vous voyez l’administration française comme un frein au rayonnement français.

Tout à fait. La France dégringole dans tous les classements internationaux (scolaire, industriel…). La puissance française est bridée par son administration, qui défend son pré carré et émet ses normes. En réalité, la puissance française vient des grandes entreprises comme Michelin ou Total, et des PME innovantes, qui créent de la richesse et témoignent de notre savoir-faire. Un clivage se creuse entre la source effective de la puissance française et ceux qui la freinent. L’avenir nous dira d’ailleurs si la réforme de la diplomatie voulue par Emmanuel Macron sera bénéfique.

Une autre bride de la puissance française est son voisin allemand, dites-vous. Vous ne mâchez pas vos mots à ce sujet.

La France s’est fait plomber par l’Allemagne, qui a défendu ses intérêts. Elle a sabordé le nucléaire français et n’a pas joué le jeu quant à l’industrie d’armement. L’Allemagne contrôle aujourd’hui les principaux postes de l’Union européenne (UE). Tout cela s’est produit au détriment de la France, et on s’en rend compte trop tard. Fermer notre parc nucléaire pour installer des éoliennes allemandes et importer du gaz russe a miné notre indépendance.

Quelles leçons l’UE doit-elle tirer de la guerre en Ukraine?

La première leçon est que la guerre a été déclenchée parce que l’UE n’a pas su faire appliquer les accords de Minsk. Cela montre que quand on ne traite pas efficacement un problème, il s’infecte et débouche sur une guerre beaucoup plus lourde. La deuxième leçon est que lorsqu’une guerre survient, ce sont les nations qui restent aux commandes et négocient les accords de paix, et non les systèmes internationaux.

La tendance a longtemps été de naïvement considérer que la guerre était impossible. Le contexte actuel (Ukraine, Taïwan) opère un renversement et propage maintenant la crainte que le monde va exploser. Quel équilibre trouver entre la naïveté et la psychose?

La psychose est souvent le fruit de la naïveté. Comme nous avons été naïfs de croire que la guerre avait disparu pour de bon, le retour de la guerre nous fait désormais entrer dans un état psychotique. Le bon positionnement est de voir que la guerre est malheureusement une réalité et que les armées sont ainsi nécessaires non pour attaquer, mais pour se protéger. En d’autres termes, il s’agit de regarder le monde tel qu’il est.

Le déclin d'un monde

Jean-Baptiste Noé
Le déclin d’un monde: géopolitique des affrontements et des rivalités en 2023
L’Artilleur
2022
288 pages

 

[Source : http://www.leregardlibre.com]

Dona dues setmanes perquè desapareguen monuments d’exaltació al règim

«Cruz de los Caídos» a Alacant

La Conselleria de Transparència, Cooperació, Participació i Qualitat Democràtica, liderada per Rosa Pérez Garijo (Esquerra Unida), ha donat fins el 9 de desembre a l’Ajuntament d’Alacant, governat per PP i Cs, perquè retire els símbols franquistes que encara manté la ciutat.

L’element més destacat és la « cruz de los caídos » ubicada entre els passeigs cèntrics de Federico Soto i del Doctor Gadea, situada al seu torn a tocar de l’avinguda Maisonnave, la més comercial de la ciutat. També és cridaner el memorial dedicat a José Antonio Primo de Rivera, fundador i líder de Falange, ubicat al cementeri de la ciutat, atès que el polític feixista va ser afusellat a Alacant en el context de la Guerra Civil. La retirada d’aquests símbols no depèn només de l’Ajuntament d’Alacant, atès que el Govern espanyol també està interpel·lat a retirar l’escut de l’àguila de Sant Joan dissenyat a la vidriera del Banc d’Espanya, que és competència de l’executiu central.

Com calia esperar, Vox és el partit que més hostilitat ha exhibit contra aquesta ordre, i ha portat al ple una proposta en què s’exigeix desobeir aquesta ordre. El partit ultradretà també ha argumentat que la consellera Pérez Garijo és una « reconeguda comunista i, per tant, seguidora de la ideologia que suma més de 100 milions d’assassinats a tot el món ».

[Foto: Zarateman, CC0, via Wikimedia Commons – font: http://www.diarilaveu.cat]

Escrito por Marcos Roitman Rosenmann

No importa que mientan, sean corruptos o ignorantes, sus argumentos no se encuentran en la verdad, ni siquiera en la ideología liberal. Son el nuevo batallón que se articula en torno a la manipulación de las emociones. Les une un sentimiento primario del cual obtienen su fuerza: el odio. En origen no se diferencian del surgimiento del nacionalsocialismo o el fascismo: ser excrecencia de las derechas tradicionales, y desencantados de la socialdemocracia.

En la década de los 70, tras la derrota de Estados Unidos en Vietnam, bajo el mantra del neoliberalismo emerge la nueva derecha. No ha transcurrido un año del golpe de Estado que derrocase al presidente Salvador Allende en Chile, cuando los ataques a los derechos democráticos y las conquistas sociales se generalizan en Occidente. Allí comienza el proceso de involución política que se acompaña de un discurso xenófobo, racista, chovinista y homófobo; defensor de los valores de la familia, donde resaltan el antiaborto, el patriarcado y el antifeminismo. Poco a poco, esta nueva derecha rompe con el keynesianismo y la vertiente democrática asentada en los partidos liberales y conservadores de posguerra.

En 1974, nace la Conferencia Política de Acción Conservadora (CPAC), cuyo primer orador sería Ronald Reagan. Una plataforma que patrocina y apoya a Margaret Thatcher, convirtiéndola en primera ministra de Gran Bretaña (1979-1990). En 1980 daría cobertura a la campaña presidencial del propio Reagan. Sin aspaviento, esta nueva derecha irá adueñándose de las estructuras partidarias y, cuando no, formarán las propias. (Fujimori en Perú, Bolsonaro en Brasil, Kast en Chile o Abascal en España). Su protagonismo correrá paralelo a la desafección y pérdida de credibilidad de las élites gobernantes y los partidos de la derecha tradicional.

Si el rechazo al comunismo transformó a sus dirigentes en adalides del mundo libre, Lech Walesa sin ir más lejos, presidente de Polonia y premio Nobel de la Paz, hoy invitado de honor de la CPAC en la Ciudad de México; tras la caída del Muro de Berlín, sus integrantes redefinen la propuesta, sin abandonar el anticomunismo. En la actualidad, son negacionistas y acientíficos. En su interior habitan quienes rechazan el cambio climático, la violencia de género o los derechos de los pueblos originarios. Se declaran enemigos de la igualdad de género, los derechos de los inmigrantes y de la comunidad LGBT+. Dicen formar parte de una raza y una cultura superiores: la blanca, bajo la bandera de Cristo salvador y Dios omnipotente y omnipresente. Su lucha, dirán, quiere evangelizar las instituciones hoy en manos del diablo: socialistas y comunistas.

Ellos, superiores, los blancos, los elegidos de Dios, los patrocinadores del odio, se reúnen en la Ciudad de México. Su anfitrión, Eduardo Verástegui, recalca en sus palabras de bienvenida el objetivo: ser un bastión frente a la amenaza socialista. Su mensaje: No se quedarán con las manos cruzadas. Vienen de todo el mundo. En el programa encontramos a Zuri Ríos o Ramfis Domínguez Trujillo. La primera, hija del criminal de lesa humanidad Ríos Montt en Guatemala, y el segundo, nieto del tirano Leónidas Rafael Trujillo en República Dominicana.

La pléyade de participantes, algunos en directo, otros por Zoom, harán sus intervenciones. Todos a una, defender la familia, Dios y la patria. Se enfrentan a una nueva cruzada. Requieren guerreros. No ocultan su simpatía con las bandas paramilitares, cuerpos de choque y grupos neonazis. Ellos las protegen, cuando las potencian. Son los patriotas que luchan por salvar a sus países de migrantes, homosexuales, feministas, socialistas y comunistas. La frase de Santiago Abascal, presidente de Vox: No somos la derechita cobarde, retumba en la sala y está activa en el subconsciente colectivo de los invitados. Destacan el argentino, futuro candidato de la derecha a la presidencia en 2023, Javier Milei. El hijo de Bolsonaro, Eduardo, y el senador Ted Cruz, representante del odio estadunidense contra Cuba. Son muchos y todos llenos de odio.

Han reelaborado la agenda de miedos políticos. El extranjero, el pobre, los inmigrantes, la clase obrera y sus pretensiones de justicia social. Han logrado capitalizar el desencanto. Una parte de la población renuncia de buen grado a sus derechos civiles a cambio de orden y progreso. La seguridad de un régimen totalitario, que les devuelva la paz y combata el crimen organizado que se adueña de la vida cotidiana, con una clase política corrupta que la alienta y protege. La CPAC, bajo una red de organizaciones, entidades financieras, culturales, fundaciones, periódicos y redes digitales, ha logrado anclar su relato. Se saben fuertes, lo cual les convierte en un peligro real para la humanidad. Hay que pasar de la denuncia a desactivar con democracia su discurso de odio.

 

[Fuente: http://www.jornada.com.mx]

 


3822542879.JPGGregory Mion dans la Zone

«J’ai plus que jamais la conviction qu’aujourd’hui une existence convenable n’est possible qu’en marge de la société, en risquant naturellement avec plus ou moins d’humour qu’elle vous lapide ou vous condamne à mourir de faim.»
Hannah Arendt

«Un jour, je m’éveillai tout hébété à mon destin véritable.»
O. V. de Milosz, L’amoureuse initiation

Écrit par Juan Asensio
Cartarescu.JPGTout roman qui fait apparaître plus d’une fois le nom mythique d’Henry Darger promet au moins – supposons-le – de s’aligner sur les vastes proportions d’existence et de mystère de celui qui fut le mage de Chicago sans que nul ne le sache jusqu’à sa mort en 1973, et de celui qui fut encore, peut-être, le plus colossal des créateurs ayant jamais foulé la Terre de son pied olympien. En effet, quiconque a pu approcher un tant soit peu les exploits d’Henry Darger, quiconque a eu cette louable curiosité n’ignore pas que cet homme fut aussi secret que prolifique, traversant les jours comme une ombre et traversant les nuits comme un éclair, anonyme travailleur donnant satisfaction à tous ses maîtres et contremaîtres pendant le daytime avant de rentrer chez lui, de s’isoler dans l’unique pièce de son insipide studio, de se dresser ou se redresser à l’heure où tout se met à coïncider avec le mouvement déclinant du crépuscule. La ville se couchant, Henry Darger se levait – les gratte-ciel de Chicago disparaissant chaque soir dans les ténèbres, les fanatiques de ces priapismes en béton armé calmaient leurs ambitions tandis que Darger ressuscitait les siennes, les premiers visant la domination, le second espérant la fin de la domination la plus perverse. Quotidiennement et inlassablement, il se réveillait donc de la torpeur aliénante de ses pénibles métiers et des soumissions qu’ils impliquaient : il se délestait alors de sa normalité de surface pour se lester d’une pathologique et approfondie fureur créatrice, écrivant et peignant l’histoire à peu près véridique de sa vie aussi bien que l’histoire imaginaire de plusieurs enfants persécutés, ce qui, finalement, revenait au même tant ses personnages lui ressemblaient, tant ils étaient inscrits dans l’axe écrasant de sa propre enfance confisquée.
Ces intensités nocturnes – à l’instar d’un Prométhée qui se déchaînerait toujours en amont ou en aval de son répétitif châtiment – prirent la forme de nombreuses décennies de claustration qui permirent d’accumuler au sein d’un logement de fortune des milliers de pages et des quantités non moins énormes d’aquarelles. L’homme qui allait d’un emploi ingrat à un autre emploi ingrat possédait en réalité un refuge, un passage souterrain sous les décombres de son invisible personnalité publique : il avait la capacité de faire abstraction de sa banalité sociale et de vivre en lui-même et pour lui-même à l’égal d’un singulier démiurge refaisant le monde selon des critères davantage équitables – ne serait-ce déjà que pour juger les maudits bourreaux d’enfants et leur ôter artistiquement toute faculté de nuisance, tel un Dickens s’étant consacré à une littérature allégoriquement justicière pour sauver l’enfant qu’il avait incarné et pour condamner les adultes qui font la guerre à l’innocence, tel encore un résistant Armel Guerne à la remorque de la Seconde Guerre mondiale enfin terminée, noircissant des lignes spastiques mais belles in the hit of the moment, héros déconcerté par ces «enfants retournés à la mort les yeux remplis de gris», homme de loyauté affligé par le troupeau des collaborateurs, découragé sans doute par la diffamation qui a trop longtemps outragé les purs et durs, les compagnons de la France Libre, défait d’avoir «mal au mal qu’on nous a fait» (1) en usant d’une méthodique inhumanité, certainement sidéré de constater l’intransigeante évidence qui certifie la victoire du vice et la déchéance de la vertu – tout compte fait : le glas d’une ère qui eût pu sauver ses enfants de justesse et le début d’un temps maléfique où plus aucune candeur n’a l’air tolérée. Que ce soit Guerne ou Darger, Dickens aussi forcément, ces trois-là ne purent se résoudre à être du côté de «tous les malins de ce monde qui savent, savent si bien ne plus y penser», savent se laver les mains du «dessèchement de l’amour» (2) et du satanisme qui compromet gravement le séraphisme. Pour eux trois, il est indubitable que l’enfant est un sauveur, un abri, un talisman, et l’on verra que Mircea Cărtărescu ne siège pas en dehors de cette respectable assemblée dont le sociétaire américain l’a particulièrement ému. L’union de ces hommes, dût-on la trouver arbitraire parce qu’elle provient de notre foi, n’en constitue pas moins le chœur qui pourrait chanter «le cantique de l’amour», «l’amour candide de demain», le halo susceptible d’exorciser «les très-obscènes et sentencieuses larves de la banalité» (3) assassine qui d’une part, directement, envoyèrent par leur servitude un nombre incalculable de justes à l’échafaud, et qui, d’autre part et indirectement, eussent pu croire que Darger était des leurs à cause de sa prosaïque façade.
Tout roman (disions-nous au préalable de cette nécessaire digression) qui se soucie d’Henry Darger – lors même que ce souci se vérifierait seulement par le biais de deux discrètes occurrences – ne peut assurément que participer à la mémoire de ce titan d’Amérique en essayant d’être fidèle à ses convictions, à sa démesure et à son absence totale de considération pour ses lecteurs éventuels. Ce n’est que sous le regard d’un dieu de justice ou d’une entité apparentée que Darger a composé son œuvre surdimensionnée. Il ne songeait nullement à publier, de la même façon qu’il ne s’estimait nullement romancier ou artiste, comme c’est le cas du narrateur de Solénoïde de Mircea Cărtărescu (4), faisant deux allusions a priori intempestives au surnaturel vengeur de Chicago mais empruntant à plus d’un titre son inimitable sillon de fécondité (avant de se reconvertir dans une fécondité encore plus éloquente et plus à-propos pour lui-même). Comparativement à Darger, le narrateur de Solénoïde, parfois miscible aux obsessions et aux éléments biographiques de Cărtărescu (déjà par son année de naissance), parcourt le chemin de l’aventure humaine en paria fantomatique. Et séparément de ce que furent les circuits ascétiques du visionnaire de l’Illinois, ce n’est pas dans la gigantale agglomération de Chicago qu’il évolue, opprimée par les parois exponentielles de ses immeubles et par le pullulement d’une mentalité analogue à la psychologie d’un George F. Babbitt (5), mais dans la mégalopole de Bucarest, asphyxiée par la ruine et par toutes les gradations de l’effondrement, comme une espèce de cité américaine qui se serait écroulée sous le poids de son échec, animée à l’origine ou lors d’un chapitre de son expansion par une âme typique du Nouveau Monde conquérant, puis rattrapée par la sénilité de l’Ancien Monde européen dont les idéaux ont pu être massacrés par les idéologies.
Mais l’un dans l’autre, le Chicago de Darger et le Bucarest de Cărtărescu peuvent se confondre, la première moitié du XXe siècle de Chicago, inapte à reconnaître ses génies en les abandonnant au sort de la marginalisation et du libéralisme, pouvant préfigurer la seconde moitié du XXe siècle à Bucarest, prise dans l’étau du communisme et dans le régime dévitalisant de Nicolae Ceausescu, oiseau de malheur de la Roumanie, obscure silhouette que le narrateur de Solénoïde ne cite à aucun moment mais dont nous percevons continûment la gluante et dérangeante présence. En outre, exactement comme Darger, similairement aux jours insignifiants et aux nuits extraordinaires de ce dernier, le personnage de Cărtărescu travaille dans le mystère et l’ermitage de son domicile tout en exerçant la profession ordinaire de professeur de roumain dans une école excentrée de tout prestige. Rien (ou presque) n’est à cet égard central dans Solénoïde puisque tout a lieu en périphérie, en bordure, sur le rebord de Bucarest et en exfiltration des moindres sources d’intérêt que l’on accorde généralement au fait de vivre (et surtout au fait de bien vivre). De là émerge la thématique du secret, la nette impression que Darger fut un impénétrable secret pour son époque, un indéfinissable et inassimilable individu, le sentiment aussi que Bucarest et toutes ses milices de surveillance ne parviendront jamais à percer le coffre occulte de cet enseignant de roumain, l’un et l’autre étant des étoiles insaisissables parmi la constellation des mornes soleils de leurs quotidiens respectifs, l’un et l’autre s’acharnant à comprendre quelque chose de leur vie et de l’universalité de la condition humaine, l’un et l’autre, en somme, étant des «[bannis] de l’univers» dotés des compétences pour diagnostiquer la force cosmique de l’ostracisme, l’un et l’autre possédant un mode d’existence où le secret a pu devenir une «forme suprême d’intervention en ce monde» (6). Ainsi faisons-nous d’Henry Darger et de l’étrange raconteur de Solénoïde des sortes d’agents secrets du secret, des sortes d’opérateurs ontologiques du secret, un binôme qui n’eût pas d’autre élan que celui du secret, de la secrète discrétion, mais qui sut agir significativement au milieu du torrent existentiel, qui sut deviner dans la circonférence des choses un avant-poste du nombril de l’Être, une esquisse du noyau intersidéral où viennent se greffer les vérités ultimes et indicibles, un binôme semblable si l’on veut à une franc-maçonnerie solitaire qui n’avait pour frère et pour loge que le secret et rien que le secret – encore qu’il faudrait nuancer un peu pour le pédagogue de Solénoïde car sa démentielle solitude sera quelquefois atténuée par des rencontres décisives.
Il est troublant du reste que l’énigmatique narrateur de Cărtărescu revienne à plusieurs reprises sur le sabotage de sa carrière d’écrivain par un sévère et insensible collège de critiques alors qu’il écrit le journal le plus désarçonnant et révolutionnaire que l’on puisse lire (comme si Julien Green avait été subitement trépané et que l’on aurait enfoui à l’intérieur de sa boîte crânienne une partie du cerveau de Philip K. Dick). Il s’imagine que la disqualification de son poème intitulé La Chute a définitivement anéanti ses chances de renouveler le champ littéraire de la Roumanie et probablement du monde entier. Il lui arrive même de fantasmer une galaxie parallèle où il serait cet écrivain à succès, cet écrivain légitimé, cet écrivain qui aurait été validé dans un genre d’atelier d’écriture, dans un genre d’amicale des poètes bucarestois aussi louche que les conventicules de métromanes qui ont essaimé au sein du Mexico D.F. de Roberto Bolaño et que le romancier chilien a aimé brocarder ou révérer. Il n’en demeure pas moins que cette précoce élimination du narrateur par le soi-disant terrain officiel de la littérature l’a immédiatement inscrit parmi les dignes descendants d’Henry Darger. Puisque son talent n’a pas été reconnu, puisque les prétendues autorités esthétiques de Bucarest n’ont pas su lire sa poésie comme les bons citoyens de Chicago n’ont pas su déchiffrer le prodige cognitif de Darger, il devait éprouver d’emblée une expulsion de la norme et cultiver l’interminable nomenclature de ses anomalies (avec ses rêves bizarres en guise de sommet morbide, des rêves où alternent des ambiances picturales proches des tableaux de Füssli et des rêves entomologiques allant jusqu’à l’accouplement avec une vermine confusément anthropomorphe). C’est pourquoi la lecture de Solénoïde pourra paraître pénible à certains, ne fût-ce déjà que par le volume de l’ouvrage et par sa constante perquisition de l’aberration multimodale qui est à l’avenant de cette acromégalie romanesque. La lecture semblera aussi ardue en raison du large faisceau d’hypothèses qui sont testées (des hypothèses à la fois formelles et philosophiques), ardue encore par la répétition du délire onirique et par les soudaines incursions dans le domaine du fantastique, par le sentiment de fréquenter d’inédits et terrifiants corridors du château de Bran, sans parler d’une terminologie volontairement organique et souvent nosographique tant le narrateur insiste sur son état maladif, sur les parties souffrantes de son corps et de son esprit, sur la maladie de Bucarest et possiblement la maladie planétaire, sur le Mal insatiable qui ronge le monde et dont il se fait le porte-parole tutélaire, sur ce Mal holistique et peut-être incurable mais qui doit néanmoins nous encourager à ressaisir la réalité selon des angles sains, selon une mathématique d’initiés qui pourrait nous sauver de ces visions terribles et nous indiquer une algèbre divine derrière la dyscalculie des civilisations.
Au fond, Mircea Cărtărescu s’amuse à repousser le périmètre de l’expérimentation littéraire tout en proposant un roman worthy of the name, en l’occurrence, ici, le roman d’un Don Quichotte de la secrète configuration du réel, le roman d’un détective de la Forme platonicienne déboussolé par l’invulnérable et inexplicable devenir, le roman d’un fou furieux sporadiquement intuitif qui traque la suprême Intuition par-delà ses crises de rationalité, par-delà ses instincts tortueux et par-delà ses fastidieuses semaines d’enseignement. En cela, Cărtărescu revisite beaucoup de fantaisies qu’il a pu développer naguère dans son surprenant Orbitor, dans cette transcendante science-fiction, mais, cette fois, il va plus loin dans l’audace, plus loin dans la démiurgie, comme s’il se galvanisait par le truchement de son personnage, comme s’il était ce double de la galaxie parallèle tout à l’heure évoqué, cet écrivain réputé, nobélisable et installé, soufflant à son homologue fictif le substantiel pneuma de la littérature qui lui ferait défaut dans la mesure où les contrôleurs des travaux littéraires n’ont pas apprécié sa vaillante Chute – à moins tout au contraire qu’il ne faille lire Solénoïde comme un témoignage de ce que serait la littérature hors de n’importe quelle académie : une liberté inestimable que même Mircea Cărtărescu pourrait regretter, compte tenu désormais de sa reconnaissance internationale et par conséquent de son statut d’antinomie vis-à-vis de tous les Henry Darger recensés et spécialement non recensés.
Retenons toutefois que l’immensité de la tentative du narrateur – déceler l’indécelable ou sonder l’insondable – se déroule dans le secret absolu de ses recherches et les méandres de son off-center diary. Il faut ainsi l’appréhender comme un grand écrivain en puissance eu égard à la complète actualisation de ses ratages, à ses passions mystagogiques et à sa mélancolie professorale (pour ne pas dire sa mélancolie congénitale), car la grandeur en écriture ne peut aller de pair qu’avec une forme de lassitude sociale, un système de pessimisme assorti d’un système d’extase, voire une circonstance d’invisibilité de soi-même où l’on tend à repousser ce qui nous éclipse pour apostropher quelque improbable lueur, quelque improbable feu sacré qui brillerait derrière les faux temples des gloires éphémères. Là où se décident les notoriétés matérielles aux seules conséquences pratiques, cet homme du périphérique de Bucarest ne peut pas être, mais là où potentiellement se décide l’indécidable pour un cerveau médiocre, là où se fomente une envisageable intrigue métaphysique réservée aux consciences éclairées, il pourrait vraiment être – en d’autres termes : ses virtualités sont désagréablement retenues et il se met à compenser cette rétention dans l’espace-temps exotérique en décuplant sa monomanie pour un espace-temps ésotérique où les serrures les plus coriaces seraient selon lui sur le point de céder.
Et par rapport à cette mélancolie qui entraîne un pessimisme de la force et consécutivement une envie de s’édifier, de reprendre place dans un ordre plus juste, par rapport à ce désarroi qui s’empare un jour de tout enseignant dévoré par le fulgurant non-sens de sa mission (peut-être l’absurdité corrélée des collègues inanimés et des élèves indifférents), il faut se faire une idée par exemple des médisances qui l’ont possiblement accablé, lui, le prospecteur de l’irreprésentable, le scrutateur d’une voie lactée philosophale, qui l’ont dénigré dans son école et qui l’ont peu à peu déporté sur le terrain d’une surhumaine libido sciendi traduite en manuscrits surabondants : s’il avait du talent, s’il savait faire autre chose que ressasser les mêmes rengaines pédagogiques, s’il avait de quoi être quelqu’un, un vrai de vrai, s’il était the real deal (ont dû colporter les malveillants), il ne serait pas dans cet établissement scolaire et il serait l’écrivain que toute une nation attend. Mais c’est précisément parce que cet éducateur désabusé est tout cela, qu’il est sublime et doué, monumental et pionnier, qu’il végète dans ce bahut kafkaïen aux innumérables bâtiments et à l’architecture indéfinie, et que, une fois libéré de ses journées assommantes, il s’engage dans le biotope encore plus kafkaïen de sa maison, une espèce de monastère de l’Escurial exprimé par Dalí et se contorsionnant pour auto-engendrer de nouvelles pièces et de nouveaux passages secrets, amplifiant les obsessions de son occupant, exacerbant ses volontés de cartographier une intarissable réalité, le confortant de surcroît dans son opinion que le monde autour de son hétéroclite foyer dissimule des tréfonds autrement plus étonnants et essentiels pour la suite de l’histoire humaine. En dehors donc des réseaux mondains et des réseaux de compréhension habituels, le narrateur s’enfonce de plus en plus dans les infinis présumés qui nous régissent, l’infiniment grand et l’infiniment petit, abîmes où respirent de considérables secrets, et il s’y enfonce en secret, en scaphandrier des océans inexplorés. Par là même il nous incite à estimer son périple à sa juste valeur : ce sont les actes et les crédos les plus anonymes, les plus compulsifs, qui ont les meilleures chances de refaçonner le paradigme dominant et d’apporter aux contemporains de cette épistémologie officieuse des perspectives radicalement novatrices. En d’autres mots, le narrateur de Solénoïde pourrait bien être celui par lequel une révélation advient, celui par lequel une perception jusqu’ici inconnue se manifeste, celui qui pourrait divulguer une suite de Fibonacci au verso de tous nos désordres, au dos du foisonnement de la nature, au principe de nos propres créations, tel Krasznahorkai méditant sur l’hermétique beauté guidant le monde dans Seiobo est descendue sur terre. Mais tandis que László Krasznahorkai a imité une sorte de perfection cachée parmi les pages éblouissantes de Seiobo, l’ouvrage de Mircea Cărtărescu, à l’inverse, s’engloutit ou plutôt s’engouffre vers des strates de réalité de moins en moins parfaites, de moins en moins recommandables, entretissées cependant d’une mystique mathématicienne, suggérant que la perfection et l’imperfection ne sont que des cas particuliers d’un schéma suprasensible – ou d’une énergie, d’une omniprésence solénoïdale – éminemment différent de ce à quoi des siècles de réflexion nous ont accoutumés.
Ce faisant les abstractions les plus éthérées côtoient les composants les plus trivialement concrets au cœur de ce livre inclassable. Au registre des abstractions, on se souviendra des séquences hallucinées concernant la quatrième dimension et les travaux de Charles Howard Hinton à ce sujet. Les avancées cruciales du savant Hinton sont restituées non pas comme un point isolé sur la tapisserie de l’univers, mais, tout à rebours de cela, comme un authentique motif transitionnel dans le tapis de l’incommensurable réel, comme un nœud gordien indénouable à partir duquel pourrait néanmoins se démasquer telle ou telle innervation de la substance des choses. D’où ces extrapolations et autres digressions mirobolantes sur le tesseract, sur l’hyper-cube géométrique, figure cubique et quadridimensionnelle qui fascina Hinton et propulsa dans les intelligences ultérieures les possibilités du Rubik’s Cube. Il est d’ailleurs pertinent de regarder Solénoïde à l’image d’un Cube de Rubik insoluble et textuel, égrenant ses dimensions avec une infaillible autonomie et ajoutant à nos manières de voir et de sentir une féroce dimensionnalité que la littérature confirmée ne saurait nous offrir, pas davantage qu’une institution scientifique se permettrait de concevoir une réciprocité (ou une clé d’élucidation déterminante) entre Hinton et son mariage avec l’une des filles du mathématicien George Boole – Mary Boole en l’occurrence. Il y a donc là un tropisme qui rappelle tant et tant de fantaisies propres à Borges (ce dernier faisant du reste surgir Hinton dans son cuento adéquatement nommé Le Miracle secret eu égard à nos extravagances personnelles sur le narrateur de Cărtărescu), et, aussi, un reflet de tant et tant de défis lancés à la pensée arborescente telle qu’on peut s’en délecter chez Juan Rodolfo Wilcock et sa Synagogue des iconoclastes, recueil de nouvelles où les survivances borgésiennes sont légion. Et cette irruption de la descendance de Boole ne s’arrête pas en si bon chemin puisque le narrateur confesse un durable ensorcellement depuis qu’il a découvert un livre d’Ethel Lilian Voynich, une autre des nombreuses filles de Boole (il en eut cinq au total), quasiment centenaire à son décès en 1960 à New York, surtout reconnue pour son roman Le Taon, publié en 1897, la même année que Dracula, et qui fit se lever d’admiration la société soviétique pour laquelle cette fiction à forte teinture révolutionnaire influença plusieurs générations d’esprits coruscants. Il n’en fallait pas moins pour que l’hyperbolique créature de papier de Mircea Cărtărescu s’adonne à des rapprochements, des recoupements et des déductions plus renversants les uns que les autres, fouillant la trame de ces références jusqu’au vertige métaphysique.
Pour autant, nous le disions, cette métaphysique ou cette excessive auscultation nouménale côtoie sa jupitérienne contradiction par le truchement d’une saisissante descente parmi la stricte réalité phénoménale. Des cimes invariantes de la géométrie et de l’algèbre aux variations effrénées de l’abysse entomologique, il n’y a éventuellement qu’un pas, et l’on savoure maintes fois les odyssées du narrateur vers l’Ithaque d’une population d’acariens, vers la maison-mère des sarcoptes qui semble reproduire à une échelle microscopique les allées et les venues de l’inquiétant macrocosme de Bucarest. Muni d’une déclinaison accrue du principe de charité de W. O. Quine, le narrateur attribue aux insectes galeux des genres de propriétés rationnelles qui pourraient nous aider à optimiser les résultats de l’enquête mathématique. À un certain niveau d’empathie voire d’intropathie vis-à-vis des sarcoptes, le chroniqueur de ce voyage étourdissant n’est pas si loin de décréter une spirale logarithmique dans la nature même du mouvement parasite, mais il est finalement submergé par cet innommable grouillement, par ce langage inarticulé de la nuisance parasitique. On se rend compte en outre que les pages dédiées au périple des sarcoptes (ou du sarcopte fait homme ou de l’homme fait sarcopte) sont assimilables aux problèmes d’épistémologie autrefois soulevés par Thomas Nagel lorsque celui-ci se demandait ce que cela pourrait faire d’être une chauve-souris (7). Évidemment il faudrait être une chauve-souris pour le savoir, mais la performance narrative de Solénoïde est telle qu’il existe des moments de véritable bravoure sémantique – ou des instants de métamorphose que n’eût pas dédaignés un David Cronenberg – transcrivant la très conjecturale pierre de Rosette des acariens. En tous les cas, ce n’est pas exclusivement dans le ciel des Formes platoniciennes et platonisantes que se résout toute l’énigme de la réalité, mais bien en-deçà, dans les entrailles de Bucarest, dans les tripes de cette titanesque ville, là où se croisent et s’agglomèrent en des coïts impensables les inépuisables processions d’acariens et le mesmérisme inouï des solénoïdes qui sont enterrés à divers endroits de la capitale roumaine, dont l’un, pour ne rien arranger, gît à même les fondations de la convulsive habitation du narrateur. Ce sont d’ailleurs ces mêmes solénoïdes qui font entrer Bucarest en lévitation durant l’intermède magique d’une éblouissante vision, à mi-chemin du rêve intégral et du cauchemar lucide, arrachant la ville de ses pilastres enfouis pour la hisser vers les pylônes du firmament, le bas et le haut se rejoignant alors, le terrestre et le céleste se confondant provisoirement afin de supputer une synthèse du matériel et de l’immatériel – une coagulation des expériences et des connaissances.
Mais est-ce là ce qui est essentiel ? Est-ce que la vie de ce professeur de roumain à la fois illuminé (par les hauteurs cognitives) et enténébré (par les gouffres magnétiques) en serait changée radicalement s’il s’avérait que ses obsessions puissent trouver une issue favorable dans le cadre d’une solution finale au mystère du réel ? Une apocalypse émotionnelle survient à l’improviste et le réoriente dans une direction qu’il n’aurait jamais soupçonnée : la vie amoureuse patiemment consolidée et plus spécifiquement la paternité inhérente à cet amour perpétué. En devenant père d’une petite fille avec sa collègue de travail prénommée Irina, en ayant étendu l’amour jusqu’au royaume de l’enfantement, le narrateur renonce assez vite à ses conquêtes encyclopédiques, à ses pactes faustiens, pour se concentrer sur la vie en tant que telle, sur les richesses canonisables, sur les radiations alchimiques induites par la vie d’un enfant qui transfigure ses parents. L’enfant venu au monde le guérit presque d’emblée de ses dérives aussi bien savantes que psychologiques et la scène précise de son renoncement à tout savoir de la vie traduit son enveloppement par l’irréductible mystère de la vie. La petite fille non seulement guérit son père de sa maladie de nouveau Prométhée moderne, mais elle prépare également l’avenir, elle en est la souveraine législatrice. Cette enfant incarne même le plus puissant des solénoïdes car elle offre à son père non plus le contestable surplomb de l’intelligible ou de l’expérimentation aberrante, mais l’incontestable hauteur de la sensibilité vécue, l’irréversible clarté de l’amour que tout enfant porte en lui et qui pourrait même faire fléchir le cœur du diable. Ici s’explique à notre avis les deux mentions du patronyme de Darger dans ce non-roman qui en est un malgré tout : l’enfant que le narrateur a conçu avec Irina provient d’un soleil de justice, d’une lumière divinement brillante, et il apaise la mémoire de l’ermite de Chicago tout en corrigeant les erreurs d’inhumanité du paternel anciennement perdu.

Notes
(1) Armel Guerne, Danse des morts (cette citation et la précédente).
(2) Armel Guerne, ibid.
(3) Ibid.
(4) D’abord publié aux Éditions Noir sur Blanc puis repris au Seuil dans la collection Points Signatures. La traduction est l’œuvre patiente et remarquable de Laure Hinckel.
(5) Cf. Sinclair Lewis, Babbitt.
(6) Javier Marías, Berta Isla (cette citation et la précédente).
(7) Thomas Nagel, What is like to be a bat? (célèbre article de 1974).

 

[Photos : Martin Broen (The Guardian) – source : http://www.juanasensio.com]

Las obras del autor de « El Evangelio según Jesucristo » siguen siendo reeditadas y leídas por un público que aprecia la humanidad de sus personajes contradictorios y la originalidad de sus historias.  

La obra del luso José Saramago (1922-2010), Nobel de Literatura 1998, sigue sumando e interpelando lectores con una prosa que indaga en la responsabilidad moral de la humanidad y a 100 años de su nacimiento, sus libros, plenos de lucidez crítica, siguen siendo reeditados en todo el mundo, especialmente desde que se iniciaron los homenajes, como el de la Feria Internacional del Libro de Buenos Aires, donde participó su esposa y albacea, Pilar del Río.

Polémico y provocador, el autor de « El Evangelio según Jesucristo » compuso, con una prosa fluida y personajes contradictorios, historias que tuvieron como protagonista excluyente al ser humano de este tiempo.

Considerado un « comunista recalcitrante » por el Vaticano debido a sus opiniones religiosas, injuriado por los mayores exponentes del capitalismo, Saramago fue al hueso del poder global, dejando al descubierto la brecha entre ricos y pobres.

« Cada mañana, cuando nos despertamos, podemos preguntarnos qué nuevo horror nos habrá deparado, no el mundo, que ese, pobre de él, es solo víctima paciente, sino nuestros semejantes, los hombres. Y cada día nuestro temor se ve cumplido, porque el ser humano, que inventó las leyes para organizarse la vida, inventó también, en el mismo momento o incluso antes, la perversidad para utilizar esas leyes en beneficio propio y sobre todo, en contra del otro », escribió en uno de los pasajes de « El cuaderno », libro que recopila textos escritos para su blog entre septiembre de 2008 y marzo 2009.

« El hombre, mi semejante, nuestro semejante, patentó la crueldad como fórmula de uso exclusivo en el planeta y desde la perversión de la crueldad ha organizado una filosofía, un pensamiento, una ideología, en definitiva, un sistema de dominio y de control que ha abocado al mundo a esta situación enferma en que hoy se encuentra », agrega en el blog, leyendo su presente que como eco continúa replicándose sin pausa.

La vida de José Saramago

Ensayista, novelista, poeta, periodista y dramaturgo nacido el 16 de noviembre de 1922 en el pequeño pueblo ribatejano de Azinhaga, Saramago volcó en su obra profundos cuestionamientos sobre el accionar humano.

« La religión nunca ha servido para acercar a las personas, solo ha sido motivo para enfrentarlas unas a otras, para la muerte, la carnicería, la crueldad y las guerras », definió en una de sus primeras visitas a Buenos Aires, en alusión a « El evangelio según Jesucristo », novela que narra a un Cristo repleto de humanidad, publicada en 1991, con la que se ganó los insultos de buena parte de la comunidad católica y múltiples premios literarios en su país y el exterior.

Esa mirada sobre el mundo es la que su esposa y traductora al español, Pilar del Río, destacó del escritor en una entrevista con Télam: « Cada día parece más actual. Creo que de alguna manera la obra de José Saramago en este centenario es como si hubiera florecido, de pronto se abre…Lo teníamos ahí y ahora lo redescubrimos desprendiendo un magnífico idioma y aroma de actualidad ».

« El Evangelio… » significó un punto de inflexión en su obra y también en su vida porque con la reacción generada desde la institución católica y la intolerancia expuesta por funcionarios de su país, Saramago fue puesto en el foco de la opinión pública, una notoriedad que se amplió cuando abandonó Lisboa y se refugió en un pequeña isla de las Canarias, en España.

La vigencia del autor fallecido en 2010 se reactivó en tiempos de aislamiento obligatorio por pandemia. Su « Ensayo sobre la ceguera », donde describe « un mundo de ciegos en el que los seres humanos, aun viendo, no vemos », fue « la obra más leída en ese momento en España », destacó Del Río este año, en el diálogo que mantuvo con Télam con motivo del retorno de la Feria Internacional del Libro de Buenos Aires a la presencialidad.

La secuela que aquel ensayo había sido su « Ensayo sobre la lucidez » y « es posible que seamos lúcidos -dijo en aquel momento su albacea-, pero para eso tenemos que ser valientes ».

El autor de Ensayo sobre la ceguera recibi el Premio Nobel de Literatura en 1998

El autor de « Ensayo sobre la ceguera » recibió el Premio Nobel de Literatura en 1998.

Esa actualidad es lo que llevó a reeditar en vísperas del centenario del nacimiento de Saramago su obra completa, y a publicar por primera vez en español su primera novela, « La viuda », titulada en 1947 « Terra do pecado ».

La obra pasó prácticamente inadvertida en aquellos años, con apenas una breve reseña en un periódico local que le sembró dudas acerca de su decisión de escribir, dudas que se profundizaron con la llegada de su segunda obra, « Claraboya », en 1953, que no pudo lograr que viera la luz en ninguna editorial, recién publicada en 2011.

A esto siguió un largo período de silencio 20 años, hasta que empezó a publicar poemas, crónicas periodísticas y novelas: en la década del 70, con « Los poemas posibles » y « Probablemente alegría », logró renovar el lenguaje poético tradicional de su país.

Hijo de una familia humilde, Saramago abandonó la secundaria para trabajar de cerrajero y se formó con lecturas en las bibliotecas públicas, que le sirvieron para colaborar en la prensa escrita y codirigir el Diario de Noticias en 1975. Militó en el Partido Comunista Portugués y por eso fue censurado y perseguido la dictadura de António de Oliveira Salazar, contra la cual batalló en 1974 durante Revolución de los Claveles.

Su producción literaria marca un hito en 1975 con « El año 1993 », 30 poemas que podrían ser 30 capítulos donde Saramago describe, de manera realista y a su vez metafórica, la ocupación de un país por un invasor despiadado.

Novelas como « Manual de pintura y caligrafía » (1976), « Alzado del suelo » (1980), « El año de la muerte de Ricardo Reis » (1984) y « La balsa de piedra » (1986) o el libro de cuentos « Casi un objeto » (1978) se sumaron a su prolífica producción de ficción.

En su obra de los últimos años se destacan « Historia del cerco de Lisboa » (1989), « Todos los nombres » (1997) e « In nomine Dei » (1993). Fue en 1994, cuando se conoció el primer volumen de « Cuadernos de Lanzarote », que ingresó en la Academia Universal de las Culturas (París), en la Academia Argentina de Letras y al Patronato de Honra de la Fundación César Manrique (Lanzarote).

Saramago fue en 1998 y a los 75 años, el primer y hasta ahora único escritor portugués en recibir el Premio Nobel de Literatura por una obra sostenida « por la imaginación, la compasión y la ironía », según la Academia Sueca.

El escritor portugués tenía un boleto para regresar a Madrid a las 12.55 horas, justo cinco minutos antes de que se anunciase el galardón en la Feria del Libro de Frankfurt, y salió hacia el aeropuerto, pero su editor lo convenció de que regresara al evento.

En 2002, fue considerado « persona non grata » en Israel retirando todos sus libros de las librerías de ese país, por comparar la política de este país en los territorios ocupados con los campos de exterminio nazis de Auschwitz.

Pilar del Ro viuda de Saramago en el homenaje que se realiz al autor en la ltima edicin de la Feria del Libro Foto Maxci Luna

Pilar del Río, viuda de Saramago, en el homenaje que se realizó al autor en la última edición de la Feria del Libro. Foto: Maxci Luna

En sus últimos años produjo « Las pequeñas memorias » (2006), que se sumó a obras como « La caverna » (2000), « El hombre duplicado » (2002), « El viaje del elefante » (2008) o « Caín » (2009). « Alabardas » fue una novela inconclusa publicada post mortem, en 2014.

En 2018 se conoció « El cuaderno del año del Nobel », el último volumen de los diarios del escritor reunía pensamientos y algunas de escenas cotidianas del año 1998, que finaliza con dos entradas en 1999.

En este centenario, publicaron « Saramago. sus nombres », de Alejandro García Schnetzer y Ricardo Viel, un álbum biográfico que reúne material inédito, fotografías y textos suyos e indaga en sus primeros años de vida, las ciudades a las que viajó, y los artistas y escritores que admiró, como García Lorca, Kafka, Pessoa, Almodóvar, Fellini o Chopin.

 

 

 

Escrito por Edgar Isch L.*

El afán de controlar el pensamiento de los pueblos recorre toda la historia de las sociedades de clases. Así como se domina con la fuerza, se lo hace también y más fuertemente desde el pensamiento. Quienes se apropian del poder no requieren de fuerza cuando los dominados se enajenan al grado de creer que su opresión es normal y adecuada. En ese caso logran una suerte de consenso en favor del sistema, un “sentido común” aparentemente indiscutible.

La lucha en el campo de las ideas tiene esta importancia: o se posibilita un pensamiento libre y crítico o se impone un pensamiento sumiso y acrítico. Su expresión está en todos los campos de la vida social: cuando se busca trabajo y se negocian las condiciones laborales; cuando se recibe un servicio público y se compara con el privado; cuando se educa a las nuevas generaciones; cuando se decide cuáles son las noticias que deben transmitirse y qué ideas se presentan al hacerlo; y muchos más ejemplos que a cada uno se le pueden ocurrir.

Se dice de manera acertada que vivimos una sociedad que es clasista y que además ese clasismo está fortalecido y a su vez alimenta características como el sentido patriarcal, etnocentrista y colonizador de pueblos y la naturaleza. Todo conducido desde el poder que impone de esta forma de pensar. Para lograrlo, utilizan dos vías: difundir sus puntos de vista y su ideología como la única válida (“no hay alternativa”, repetirían continuamente los neoliberales), usando los sistemas educativos, los medios de comunicación, la mayoría de centros religiosos y muchos más instrumentos a su alcance; por otro lado, silencian y atacan a las opiniones críticas al sistema, como sucede en la gran prensa, las películas o en el manejo de los datos en internet, promoviendo más lo siempre promovido.

La prohibición de libros hoy

Una forma de silenciar otras voces ha sido la quema de libros. Y aquí es fácil recordar la inquisición, el nazismo de Hitler, la dictadura de Pinochet o el pedido del anticomunista senador Mc Carthy, quien pidió la quema de 30.000 títulos. Hoy que la derecha gana fuerza en algunos países desarrollados, como una respuesta ante la crisis y posibles levantamientos populares, es cuando estas formas extremas de control del pensamiento tienen lugar.

Lo dominante hoy son las prohibiciones que se van repitiendo. Veamos unos ejemplos, centrados en Norteamérica:

Desde julio 2021 al 31 de marzo de 2022, se ha prohibido 1.586 libros de bibliotecas escolares en 26 estados, afectando la libertad de pensamiento de más de 2 millones de estudiantes. Si bien la decisión no es del gobierno sino de los distritos educativos, se trata de acciones coordinadas por la extrema derecha. Los libros más afectados tienen que ver con la discusión del racismo, la denuncia de la esclavitud, sobre temas relacionados a la comunidad LGBTI, pero se han incluido libros de premios Nobel, textos religiosos, de una víctima del holocausto judío o de Malala, la niña que luchó por la educación contra los talibanes.

Ya a nivel estatal, el Departamento de Educación del Estado de la Florida prohibió 54 textos escolares, incluso de matemáticas, por cuestionar el racismo y esclavitud. El 40% de textos están en revisión de este grupo inquisidor.

En Texas, incluso se llega a colocar el préstamo de esos libros en las bibliotecas escolares como un delito. En Missouri se prohibió el uso de un número especial del periódico New York Times “NYT, 1619 Proyecto”, centrado en la esclavitud en Estados Unidos.

En Canadá la situación no es tan grave, pero en Ontario contra unos 4.700 libros infantiles y hasta el diccionario Webster, siempre con argumentos absurdos. Incluso con pretextos supuestamente contra estereotipos raciales, se ofendió a la libertad de pensamiento quemando (aquí literalmente) ediciones de Asterix o Lucky Luke.

Derecha es limitar las libertades

En general, se trata de empezar en el mundo educativo. Junto a los libros eliminados viene la prohibición de temas en el currículo y en general el silenciamiento de los profesores y profesoras, quienes en los últimos años han realizado varias huelgas superando la legislación represiva. La acción contra el NYT ya habla de un control más fuerte sobre la prensa, aunque al ser la mayoría medios de propiedad de millonarios, la censura previa les garantiza sus mensajes.

La derecha se presenta así como la limitación de las libertades, a pesar que usan la palabra libertad en sus discursos. La libertad que les interesa es la libertad de explotar a los trabajadores, la de apropiarse de los bienes comunes, la de sostener sus intereses por encima de la sociedad.

Estas son solo expresiones de esta gran batalla de ideas. Hay estudios que demuestran las distintas líneas que tiene la búsqueda del control del pensamiento de los pueblos, y la prohibición de los libros solo es una de ellas. El poder capitalista teme las nuevas protestas sociales ante la crisis a nivel global y por ello el incremento de su trabajo en el campo de las ideas. Las fuerzas de izquierda, democráticas y auténticamente progresistas deben presentar los contrapesos suficientes.

* Académico y exministro de Medioambiente de Ecuador. Asociado al Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico (CLAE)

 

[Fuente: http://www.nodal.am]

 

 

 

On retrouve dans Débrouille-toi avec ton violeur toute la force et l’inventivité du post-exotisme d’Antoine Volodine, ces univers étouffants, dévastés, d’où sortent des voix portées par la conviction que c’est grâce au travail sur la langue, qu’elle soit « neutralisée » ou furieusement poétique, qu’en dernier recours on crée des espaces libérés. Signé Infernus Iohannes, ce livre rassemble trois textes de révolte, violents, sombres, radicaux. Trois textes dans lesquels leurs auteures, des militantes révolutionnaires, réagissent à l’aliénation, en particulier dans ses dimensions corporelles, par l’invention de langues débarrassées de leurs éléments oppressifs.

Infernus Iohannes, Débrouille-toi avec ton violeur. L’Olivier, 256 p., 19 €

Écrit par Sébastien Omont

Tout en citant Antoine Volodine, la quatrième de couverture précise qu’« Infernus Iohannes est une signature collective qui regroupe aussi bien des auteures que leurs traductrices ». L’écrivain post-exotique n’apparaît ici qu’en tant que traducteur du dernier texte, « Slogans » de Marina Soudaïeva, déjà publié indépendamment en 2004. Débrouille-toi avec ton violeur s’inscrit dans un ensemble intitulé « Nos grandes traductions ». C’est une traduction que l’avant-propos présente comme une « coécriture », les traductrices (et le traducteur) n’ayant pas hésité à modifier l’œuvre de départ. Le collectif Infernus Iohannes affirme la volonté d’écrire dans une « langue de traduction », y compris lors de la production d’un texte original, avec la même « vigilance sur ce que l’on va confier à la langue d’accueil », en cherchant à « extirper de la langue ce qui renvoyait directement ou secrètement à des traditions religieuses, poétiques et littéraires […] pour que la littérature post-exotique ne soit pas troublée par des proximités culturelles et des non-dits idéologiques dont elle n’a que faire ». Pour autant, écrire dans une langue libérée des « références à des traditions », « neutre », ne revient pas à rejeter sa richesse, ses « mille nuances et mille formes » possibles.

Débrouille-toi avec ton violeur, d'Infernus Iohannes

Antoine Volodine

« Débrouille-toi avec ton violeur », le premier et le plus long des trois textes, illustre cette déclaration d’intention. Miaki Ono, à qui il est attribué, y affirme, martèle, assène, que toute pénétration est un « viol », que les femmes considèrent comme naturel uniquement à cause de millénaires de conditionnement. Si cette thèse radicale appartient à son auteure, la dénonciation devient de plus en plus persuasive grâce à la convergence entre les arguments développés et la langue pour les dire. La force des traditions et des normes sociales pour faire accepter l’acte hétérosexuel apparaît d’autant mieux que Miaki Ono et ses traductrices cherchent à les expulser de leur écriture, usant d’un langage cru, n’évitant pas les répétitions, refusant les euphémismes, excluant le vocabulaire du libertinage ou de la séduction, parlant de « femelle animale humaine » plutôt que de « femme », de « danse nuptiale avant dépucelage » plutôt que de « mariage ». Le texte emprunte à la littérature révolutionnaire et au pamphlet son martèlement, ses aphorismes, mais le point de vue de Miaki Ono, femme et militante révolutionnaire en lutte contre l’oppression, a sa cohérence, y compris dans ses paradoxes, lorsqu’elle dénonce la revendication du plaisir féminin à l’époque récente comme un nouveau stade de « propagande totalitaire », visant à faire intérioriser aux femmes le désir du viol.

Le message excessif est servi par des arguments justes, si bien que le lecteur ne sait trop à quoi s’en tenir. D’autant plus que le statut de l’auteur se brouille entre Antoine Volodine l’écrivain, son personnage Miaki Ono, ses traductrices Irina Kobayashi et Astrid Koenig qui dépassent ce seul texte puisqu’elles font partie des auteurs cités dans la bibliographie du Post-exotisme en dix leçons, leçon onze et du collectif Infernus Iohannes (auquel Antoine Volodine le traducteur appartient et n’appartient pas puisque ce collectif est censé n’être formé que de femmes). Alors, dénonciation littérale ? pure fiction ? démonstration de l’efficacité rhétorique du martèlement ? critique de la rhétorique du martèlement à fins de propagande ? ironie ? (l’avant-propos mentionne des « répétitions parfois naïvement adolescentes et même scolaires »). Tout cela à la fois sans doute. Ne reste donc au lecteur qu’à se raccrocher au texte, avec sa force et sa véhémence « cristallisées et épurées » et l’état d’inquiétude dans lequel, comme toutes les grandes œuvres, il nous maintient. Débrouille-toi avec ce texte ; au fond, il est fait pour ça.

« Sous les viandes » décrit une autre contrainte du corps, la naissance. Non comme une expulsion hors d’un cocon protecteur mais comme un enfermement, un traumatisme qui n’en finirait pas, puisque, dans le monde que décrit Molly Hurricane, des méduses extraterrestres ont entièrement recouvert la Terre de leurs masses gigantesques. Les êtres humains rescapés vivent donc à l’intérieur de la viande, sans faim mais asphyxiés par « la société des mille-tripes » tenue par « les boyaux-démocrates » et divisée entre « pourris du haut » et « pourris du bas ». Dans ces boyaux-démocrates, « leurs habituelles tartufferies – mollesse, malhonnêteté, discours liquoreux, double langage, proclamations humanistes, appels à l’effort, appels à l’égalité, mépris des pauvres » et leurs « discours de la stagnation, la justification des avantages accordés aux riches, les mêmes promesses aux démunis et aux laissés-pour-compte », on reconnaît sans peine l’idéologie dominante actuelle.

« Sous les viandes » frappe par sa description d’une société immobile et d’une angoisse liée à l’enveloppe corporelle, métaphore d’un monde fermé, mou et sombre, sans perspective, qui engloutit lentement, telle la viande de la méduse, tels les rêves où la narratrice, Djennie Saranian, n’en finit pas d’essayer de tuer un juge corrompu. L’onirisme incertain, l’errance dans des non-lieux vagues et sombres, la confusion entre ce qui est réel et rêvé, les états intermédiaires, sont des caractéristiques du post-exotisme mais, dans « Sous les viandes », on en vient à désirer la mort tout en redoutant qu’elle ressemble à la vie.

Paru une première fois en 2004, « Slogans » n’a rien perdu de sa sauvagerie énigmatique, de ses éclats coupants. La rhétorique exaltante des communismes russe et chinois, des guerres révolutionnaires, est subvertie par des images quasi surréalistes : « Sorcière nue, quand tu te décapites, n’appelle pas la pluie, ouvre les yeux » ; « Offre du groupe number dva : désincarnez Natacha Amayoq, nous quitterons les maisons étranges ». Les slogans interpellent presque toujours des personnages féminins et évoquent en grande majorité des êtres féminins, « araignes absinthes », « naines rouges », « chrysalides gueuses » dans un contexte de combat, où domine le nihilisme – beaucoup de slogans se terminent par « rien ! » ou « nitchevo ! ». Les paradoxes abondent, absurdes – ou pas : l’absence de contexte ne permet pas au lecteur de choisir une signification, il ne peut que rester en alerte jusqu’au slogan suivant, et ainsi de suite. Pourtant, le post-exotisme ne se referme jamais sur un désespoir tragique. Les trois sections de 343 slogans s’arrêtent toutes sur « Les mauvais jours finiront ! » et Miaki Ono finit « Débrouille-toi avec ton violeur » par « nous aimons aimer quelqu’un d’autre ».

Débrouille-toi avec ton violeur désarçonne, secoue, interroge, mais avec une cohérence impressionnante. Les trois parties résonnent entre elles comme des insurrections féminines face à la contrainte, à la violence, comme des actes de libération grâce au fier retournement des moyens de langage utilisés par l’oppression.

 

[Photo : Jean-Luc Bertini – source : http://www.en-attendant-nadeau.fr]

Le géant orange jette le vieux mâle blanc à la déchetterie woke. Ingrat et pas malin.

Migros

Écrit par  

À quoi joue Migros? À un jeu bête et dangereux. Ce sont nos confrères de Blick qui nous l’apprennent. Dans un spot publicitaire au format vidéo, le géant suisse de la distribution fait dire à une adolescente: «C’est sympa qu’il y ait aussi des jolies figurines féminines… pas seulement des vieux types blancs.» Il est ici question d’un jeu de simulation appelé Tipp-Kick-Mania, permettant de constituer sa propre équipe de football à partir d’un choix de figurines. Le clip faisant la promotion de ce jeu n’est plus en ligne, mais il a fait réagir.

Un client de Migros, âgé de 54 ans et dont on nous dit qu’il est blanc, a jugé malvenue cette publicité dénigrant les «vieux hommes blancs». Il a déposé une plainte auprès de la Commission suisse pour la loyauté, chargée d’apprécier les contenus publicitaires.

Le racisme au nom de l’inclusion

Ce client ne l’a pas fait, mais il aurait pu saisir la Commission fédérale contre le racisme (CFR). En effet, depuis quand s’interdit-on de promouvoir un produit au détriment d’un groupe caractérisé par son appartenance raciale réelle ou supposée? Depuis au moins la fin de la Seconde Guerre mondiale, pour les raisons que l’on sait. Et depuis qu’on ne dit plus, et c’est très bien ainsi, «tête de nègre», mais «tête au choco».

Le racisme au nom de l’inclusion. Vue sous une perspective universaliste, telle est la contradiction majeure du wokisme, cette idéologie qui entend faire table rase du passé au profit d’un être nouveau. Le wokisme ressemble en tout point à une révolution culturelle, avec ceci de particulier qu’il est soutenu par une partie significative de l’économie de marché, qui y trouve son intérêt – pour l’instant, les choses étant réversibles.

Le «vieil homme blanc», ce nouvel inutile

Comme toute révolution culturelle, le wokisme a besoin d’un bouc émissaire. Sous Mao, en Chine, c’étaient les intellectuels, les inutiles. Avec Migros, c’est donc, du moins dans la promotion de ce jeu (on apprend les nouvelles règles sociales en jouant), le «vieil homme blanc», une sorte d’inutile lui aussi.

Or, ce «vieil homme blanc» qui va faire ses courses à la Migros, c’est qui? C’est beaucoup moins une couleur de peau qu’une condition humaine. Ce «vieil homme blanc», c’est notre père ou notre grand-père. C’est cet homme, puisqu’il s’agit d’un homme, mais ce pourrait être une femme, qui a des souvenirs et même parfois un petit avenir encore. C’est cet homme qui remplit son charriot seul ou accompagné. C’est cet homme qui n’a pas toujours une retraite lui permettant de se fournir à Manor Food. C’est celui qu’on voit à la caisse payer avec des pièces de dix centimes sa brique de lait M-Budget de 2 litres, même que ça râle dans la file. C’est celui qui prend le pain le moins cher, avec la mie la moins bonne, et qui s’achète des cervelas pour souper.

C’est pour lui que la Migros a été fondée

C’est précisément pour cet homme, qui n’est blanc que par la volonté de publicitaires chevauchant une idéologie où la fin justifie les moyens, c’est précisément pour lui que la Migros a été fondée. Pas pour lui seulement, mais beaucoup pour lui.

Dans l’Arc jurassien, ce «vieil homme blanc», c’est, par exemple, l’ancien ouvrier d’usine. Alors oui, il est blanc. Il est né en Suisse, il est venu d’Italie, d’Espagne, du Portugal et d’ex-Yougoslavie. Mais cette couleur identique, formule hideuse, absurde, n’empêcha pas le racisme en son sein et ne fut pas l’argument central de la fraternité entre ces hommes.

Envoyer papy blanc à la déchetterie woke au nom de l’inclusion d’autres origines, c’est faire la campagne de l’UDC en vue des élections fédérales de l’an prochain. Pour peu que l’UDC mette du social dans son potage identitaire, ce pourrait être blanc. Ce consumérisme racialiste, façon «vieil homme blanc» périmé, a contribué à la victoire de Trump aux États-Unis en 2016. Notre système proportionnel nous prémunit en principe d’un Trump au pouvoir, mais pas du trumpisme. Raison de plus pour ne pas jouer à «jette ton vieux blanc». Le ressentiment se paie cher.

 

[Photo : CC BY 2.0 – source : http://www.leregardlibre.com]

L’historienne Annette Wievorka revient sur le parcours de sa famille juive polonaise, de leur pays natal à la France occupée.

Écrit par Myriam ANISSIMOV

Historienne de renom, spécialiste de l’histoire de la Shoah, Annette Wieviorka est l’auteur de nombreux ouvrages de référence, notamment Auschwitz expliqué à ma fille (Seuil, 1999)traduit dans le monde entier, et L’Ère du témoin (Hachette, 2002). En 2011, elle revenait dans un livre d’entretiens sur ses nombreux travaux, consacrés moins à l’histoire de la Shoah qu’à celle de sa mémoire et du témoignage des rescapés.

La Chine maoïste, un aveuglement de jeunesse

Tombeaux. Autobiographie de ma famille – Annette Wieviorka, 2022 – Seuil, 380 pages

Entreprenant le récit de sa vie, elle publie en 2021 Mes Années chinoises (Stock), dans lequel elle revisite les deux années qu’elle a passées à enseigner le français à Canton, pendant la Révolution culturelle. Membre des Amitiés franco-chinoises et intoxiquée comme nombre de jeunes intellectuels français par la propagande chinoise, elle avait fait un premier voyage en Chine en 1970. Elle avoue n’avoir alors rien vu, rien soupçonné. Envisageant même de s’y installer, elle était repartie en 1974 dans l’espoir, écrit-elle, de « comprendre de l’intérieur l’alchimie de la révolution ». En 1979, elle avait déjà médité sur son expérience dans un livre intitulé L’Écureuil de Chine (Les Presses d’Aujourd’hui), mais l’ampleur de son ignorance à l’époque l’a conduite à se pencher de nouveau sur ses « années chinoises ».

Souvenez-vous, c’était l’époque où tous les gens « branchés » portaient le bleu de chauffe et le col Mao, où tous les gens branchés possédaient un exemplaire « du-petit-livre-rouge-de-Mao » et ne se privaient pas de le citer à tout propos. Parfaitement ignorante, j’en avais aussi acheté un, que je n’ai jamais ouvert. Mais en 1971, j’ai lu Les Habits neufs du président Mao de Simon Leys (Champ Libre, 1960), et en 1974, peu de temps après mon unique achat à la librairie chinoise du Boulevard Sébastopol, Prisonnier de Mao de Jean Pasqualini (Gallimard, 1974)qui m’ont encouragée à redescendre sur terre. Cela dit, en ces années-là, Le Monde était aussi dithyrambique sur la Chine de Mao, qu’il allait l’être sur « les libérateurs » du Kampuchéa démocratique.

Annette Wieviorka ne rompit pas son contrat d’enseignement en Chine. Ainsi qu’elle l’écrit, elle alla jusqu’au bout, redoutant d’avouer « à tout le monde d’avoir fait fausse route. » Dans un entretien accordé au journal Le Monde, elle explique : « Ce dont je témoigne en restituant mes sentiments, c’est qu’il peut y avoir une aspiration au totalitarisme, un goût de la soumission ». 

La Pologne juive, un pays disparu

Mes années chinoises – Annette Wieviorka  – 2021 – Seuil, 320 pages

De nombreuses années après avoir abandonné toute idéologie et avoir redécouvert « la pensée personnelle, la liberté intérieure », Annette Wieviorka se penche aujourd’hui dans Tombeaux. Autobiographie de ma famille sur l’histoire tragique des membres de sa famille juive polonaise, immigrée en France.

C’est un très beau livre, un livre vrai qui est à la fois un récit autobiographique et le fruit d’un vaste travail de recherches et de la reconstitution de destins engloutis par la Shoah, mené avec une grande maîtrise d’historienne et un vrai talent de conteuse. C’est un livre qu’on lit d’une traite avec une sorte de ferveur : il est rare que je m’implique personnellement en rendant compte d’un ouvrage. Mais étant née dans le même monde, chacune de ses phrases me renvoie à ma propre histoire. Celle des enfants des survivants de la Shoah dont l’esprit sans repos cherche et fouille les traces de ceux qui ont été engloutis.

Annette Wieviorka a fini par retrouver assez d’éléments pour reconstituer des histoires certes, fragmentaires, lacunaires, de ceux qui ont été exterminés, de ceux qui ont survécu, de ceux qui ont livré quelques souvenirs. Elle donne un visage, une voix à ces « êtres sans destin », comme l’écrit si bien Imre Kertesz. Elle s’intéresse beaucoup à sa mère Rachel, surnommée Ritch, toujours en vie, à son père Aby, mais plus encore à son grand-père, l’écrivain yiddish Wolf Wieviorka disparu au cours de La Marche de la Mort, pendant l’évacuation nocturne du camp d’Auschwitz, au mois de janvier 1945, sur la route glacée qui conduisait les Juifs à Gleiwitz, où les attendaient les plateformes habituellement destinées au fret du charbon. On songe alors à Alberto, l’ami de Primo Levi, lui aussi évacué sur la route gelée d’Auschwitz, peut-être abattu par un SS, ou mort de froid ou de faim, sur ces wagons découverts, dans lesquels on s’asseyait sur les morts et on mangeait de la neige.

Wieviorka évoque l’intense vie intellectuelle des Juifs en France avant le Khurb’n, la catastrophe en yiddish, nommée Shoah par Claude Lanzmann. Elle raconte l’histoire du Bund, l’organisation sociale-démocrate née à Wilno en 1897 qui devint le premier parti politique juif, socialiste, marxiste et laïque en Pologne, Lituanie et Russie. Mais le Bund créa aussi un intense mouvement culturel, dont la langue yiddish était la sève nourricière. C’est au sein des jeunes du Bund que naquit l’insurrection du ghetto de Varsovie. Ces jeunes se nommaient Emmanuel Ringelblum, Mordechaï Anielewicz, Marek Edelman, pour ne citer que les plus célèbres parmi les héros du ghetto.

Annette Wieviorka décrit la vie des Juifs polonais à Paris vivant de l’artisanat dans des taudis, mais créant une bibliothèque, des journaux, des institutions culturelles et éducatives, des clubs sportifs.

La France, un fragile refuge

Elle évoque de façon très vivante le monde yiddish disparu de Belleville, de la rue Rochechouart et du quartier de la République. Elle mêle ses souvenirs aux récits qu’elle recueille, aux lettres qu’elle retrouve, aux documents officiels qui constituent un puzzle, et restituent les fragments d’une civilisation exterminée au cœur de l’Europe dans la plus grande indifférence, voire avec la complicité des États, comme ce fut le cas en France, où le gouvernement de Vichy livra les Juifs aux Allemands.

À Nice, ces derniers offraient « pour chaque Juif dénoncé 500, puis 1 000 et jusqu’à 5 000 francs », après le retrait des Italiens de la zone d’occupation de la région de Nice et de Marseille. C’est à Nice que l’oncle Roger Perelman, dénoncé et arrêté sur la promenade des Anglais, dut baisser son pantalon, fut ensuite transféré au siège de la Gestapo, et passé à tabac. Roger s’en est miraculeusement sorti, pas les autres membres de sa famille réfugiés à Nice, où ils vécurent leurs dernières semaines.

Ce livre retrace une histoire des Juifs polonais immigrés de Pologne, presque tous socialistes ou communistes pendant les années où la France semblait un refuge sûr. Rares furent ceux qui, tel Roger, ont survécu en se cachant en France, en franchissant la Ligne de Démarcation, puis la frontière Suisse, comme le firent mes tout jeunes parents à Saint-Julien-en-Genevois pendant les rafles lyonnaises du mois de novembre 1942.

Comme Annette Wierviorka, j’ai demandé à ma mère de tracer sur une carte son périple et celui de mon père (l’administration des camps à Zurich séparait les couples) pendant trois ans dans les camps suisses, et comme elle, je suis allée marcher dans leurs pas, interroger ceux qui se souviendraient peut-être des Juifs.

On pourrait qualifier ce beau livre de Izker Bukh (Livre du souvenir) que les survivants ont publiés pendant les années de l’immédiat après-guerre en yiddish ou en hébreu pour offrir une sépulture aux Juifs de leurs communautés exterminés. C’est sans doute le premier Livre du Souvenir publié en français. Mais il s’agit également d’un retour unificateur à l’origine puisqu’en 1983, Annette Wieviorka avait publié avec Itzhok Niborski un livre intitulé Les Livres du Souvenir-Mémoriaux Juifs de Pologne (Collection Archives).

 

[Source : http://www.nonfiction.fr]

 

 

À l’annonce des résultats de la présidentielle, une femme fond en larmes lors d’un rassemblement de partisans de Jair Bolsonaro, à Rio de Janeiro, le 30 octobre 2022 au soir. Andre Borges/AFP

Écrit par Bruno Ronchi

Doctorant en science politique, Université de Rennes 1

Lucas Camargo Gomes

Doctorant en sociologie, Université Federal du Paraná, Universidade Federal do Paraná (Brésil)

Lula vient de remporter d’une courte tête le second tour de l’élection présidentielle au Brésil face au président sortant, Jair Bolsonaro, à l’issue d’une campagne émaillée de troubles jusqu’au dernier jour.

Cette campagne extrêmement tendue aura confirmé l’emprise durable du bolsonarisme sur la société brésilienne.

En effet, malgré la résurgence de l’insécurité alimentaire, les presque 700 000 décès provoqués par la pandémie de Covid-19 et la hausse de la déforestation, Jair Bolsonaro et son gouvernement ont conservé tout au long de son mandat une forte popularité auprès d’une partie importante de la population. Le dernier sondage Datafolha organisé avant le scrutin indiquait que 38 % des Brésiliens considéraient le gouvernement « bon » ou « très bon », tandis que 22 % le jugeaient « moyen » et 39 % « mauvais » ou « très mauvais ».

Si le débat reste ouvert, les recherches en cours montrent que l’adhésion aux idées bolsonaristes peut s’expliquer par plusieurs facteurs, le premier étant la stratégie de communication du désormais ex-président. Malgré les critiques récurrentes des médias traditionnels à l’égard de Bolsonaro et de son gouvernement, le bolsonarisme parvient à créer un circuit d’informations indépendant, étendu et perméable, notamment sur Internet.

Envers et contre tous

Le contenu reproduit par ces moyens de diffusion contribue lui aussi au maintien du bolsonarisme. Malgré ses divergences internes, le discours bolsonariste conçoit le leader et ses partisans comme des soldats dans la lutte contre « le système ». Ce « système » comprend, entre autres, les établissements d’enseignement supérieur, les institutions judiciaires, les ONG nationales et internationales, et même les Nations unies.

De ce fait, toute critique émanant de ces institutions et de leurs membres voit sa légitimité remise en cause, ce qui contribue à justifier les difficultés que rencontre le gouvernement dans la mise en œuvre de ses politiques.

En outre, le discours bolsonariste insiste sur la nécessité de moraliser la société brésilienne. Cette moralisation ravive la mémoire des scandales de corruption qui ont éclaté durant les gouvernements du Parti des travailleurs et exalte les valeurs traditionnelles – comme en témoigne le slogan bolsonariste souvent répété, « Dieu, patrie et famille ». Dans ce contexte, l’utilisation de symboles nationaux et religieux renforce l’effet de moralisation, éveillant des sentiments tels que la peur et la haine.

Un soutien de Lula marche dans la direction opposée aux militants pro-Bolsonaro (en jaune) à Brasilia, le 30 octobre 2022

Un partisan de Lula marche dans la direction opposée aux militants pro-Bolsonaro (en jaune) à Brasilia, le 30 octobre 2022. Evaristo Sa/AFP

De surcroît, il est important de souligner le soutien économique et moral apporté à Bolsonaro par certains secteurs, comme une partie des Églises évangéliques (en particulier pentecôtistes), de l’agrobusiness, du monde de l’entreprise, de la police et de l’armée.


Une représentation restreinte du peuple

L’enracinement du bolsonarisme dans la société brésilienne passe dans une large mesure par la construction d’une certaine représentation du peuple. Reposant sur la figure du « bon citoyen », le peuple que Bolsonaro et son camp entendent représenter se construit avant tout par opposition aux représentations faites de l’ennemi commun bolsonariste, incarné par la gauche.

Dans une perspective de lutte du bien contre le mal, les autres sont ici les « vagabonds », qu’ils soient intérieurs – tous ceux qui menaceraient l’intégrité des Brésiliens et de leurs familles – ou extérieurs – en ce sens, les nombreuses comparaisons avec les pays d’Amérique latine gouvernés par des partis de gauche servent à mettre en garde contre leur retour au pouvoir.

Dans ce contexte, Lula apparaît comme la personnification de cette contre-image, soudant le « nous » bolsonariste autour d’un rejet profond. On lui attribue notamment la volonté de détruire les familles brésiliennes – sur fond de lutte contre « l’idéologie du genre », associée à la « sexualisation des enfants » – et de persécuter les chrétiens, au risque de voir leurs temples fermés – en invoquant l’exemple du Nicaragua.

Panique morale autour de Lula

On fustige également les politiques de lutte contre la pauvreté mises en œuvre par le Parti des Travailleurs en y voyant une forme de manipulation électorale – même si Bolsonaro cherche à mettre en avant sa propre « générosité » à l’égard des bénéficiaires de ces mêmes politiques. De plus, on présente Lula comme le candidat « du système », soutenu à la fois par les grands médias et par les institutions chargées de réguler les élections – en particulier le Tribunal suprême électoral, représenté dans la personne de son président, le ministre Alexandre de Moraes.

Avec la panique morale créée autour du camp Lula, se développe l’idée que le Brésil est spirituellement malade, car dominé par des forces maléfiques. Bolsonaro apparaît alors comme le seul à pouvoir lutter contre ces forces et à « guérir » le Brésil en le débarrassant d’un système profondément corrompu.

Des personnes regardent le débat Bolsonaro-Lula dans un bar

Le 16 octobre, le débat d’avant le second tour entre Lula et Bolsonaro, ici diffusé dans un bar de Brasilia, a été particulièrement houleux. Bolsonaro a notamment traité son adversaire de « bandit » et s’est demandé s’il faudrait « l’exorciser pour qu’il arrête de mentir ». Evaristo Sa/AFP

Ce discours sous-tend une forme de rapprochement avec les électeurs, marquée par la mise en valeur de l’authenticité et de la simplicité comme des qualités intrinsèques du leader et du peuple qu’il entend représenter. L’emploi de termes vulgaires, la revendication du sens commun contre un certain intellectualisme perçu comme élitiste, ou encore son style vestimentaire traduisent une représentation quelque peu caricaturale du « citoyen ordinaire ».

Le poids de l’électorat populaire

D’après les derniers sondages (Datafolha, 28 octobre 2022), les électeurs dont le revenu familial est inférieur ou égal à deux smic brésiliens (environ 460€) ont tendance à voter pour Lula (61 % Lula, 33 % Bolsonaro). Cet écart se reproduit dans la plupart des strates où les classes populaires sont majoritaires, comme parmi les électeurs qui se déclarent noirs (60 % contre 34 %), les moins diplômés (60 % contre 34 %) et ceux qui habitent dans la région du Nord-Est, la plus pauvre du Brésil (67 % contre 28 %). Malgré cela, dans un pays où 48 % des électeurs ont un revenu familial inférieur ou égal à deux smic, le soutien de l’électorat populaire reste fondamental pour le maintien du potentiel électoral de Bolsonaro.

Ce potentiel peut s’expliquer en partie par l’appui dont il bénéficie auprès des évangéliques. Pour autant, le camp évangélique, qui en 2018 était fortement favorable à Bolsonaro (près de 70 % des voix), est devenu aujourd’hui un camp disputé, comme le souligne Esther Solano. Cette professeure de relations internationales à l’Université fédérale de São Paulo observe que certains fidèles manifestent leur insatisfaction quant à l’instrumentalisation de leur religion à des fins politiques et note l’existence de ce qu’elle appelle le « pentecôtisme oscillant » entre Lula et Bolsonaro. Selon la chercheuse, une partie des fidèles des Églises pentecôtistes regrettent d’avoir soutenu Bolsonaro, soit en raison du manque de prise en charge de la population pendant la pandémie, soit en raison de leur désespoir économique.

Outre les questions religieuses, le discours bolsonariste paraît trouver une certaine résonance dans la révolte des classes populaires face à la criminalité – plus intense dans la périphérie des grandes villes et dans les zones rurales. Face à cette colère, la réponse est une proposition répressive, que ce soit par la police ou par les citoyens – devenant alors libres de porter des armes à feu.

De plus, le discours bolsonariste met en valeur l’importance de la corruption comme clé explicative de tous les problèmes. Cela contribue à la construction d’une image de l’État en tant qu’obstacle à l’épanouissement individuel et collectif – raison pour laquelle, de ce point de vue, les fonctions publiques devraient être confiées au secteur privé, affirmait Paulo Guedes, le ministre de l’Économie de Bolsonaro.

Les effets à long terme

Au vu de l’enracinement bolsonariste dans la société brésilienne, il est important d’envisager les effets à court et à long terme qu’il a produits sur cette jeune démocratie. Les attaques incessantes dirigées vers les autres pouvoirs, en particulier la Cour suprême, accentuent la méfiance à l’égard des institutions dont la mission est de sauvegarder l’État de droit. Ancré dans la Constitution de 1988, dont la promulgation scelle la fin de la dictature militaire, ce cadre institutionnel affichait des signes de corrosion bien avant l’arrivée de Bolsonaro au pouvoir.

Face à la succession de crises et de reconfigurations survenues depuis la dernière décennie, marquée par la destitution de Dilma Rousseff en 2016, ainsi que par de nombreux scandales de corruption, le mécontentement généralisé devient de plus en plus palpable. Le bolsonarisme apparaît alors comme l’expression de l’antipolitique, partant de l’idée que tous ceux qui se soumettent au système sont corrompus. Une construction non dépourvue de contradictions – étant donné la longue trajectoire de l’ancien capitaine en tant que député, et surtout le fait que lui aussi est amené à faire alliance avec de vieilles forces politiques pour se maintenir au pouvoir –, mais très puissante dans une société traversée par des scandales et un certain discours moralisateur.

Les scénarios qui se dessinent pour l’avenir de la démocratie brésilienne ne laissent pas entrevoir un « retour à la normalité démocratique » facile à opérer. Le phénomène observé actuellement se caractérise bien davantage par la déstructuration d’un cadre institutionnel historiquement situé qui montrait déjà ses limites.

Même si la victoire de Lula était acceptée par Bolsonaro et ses partisans, il faudrait un travail de fond du nouveau gouvernement pour se réadapter aux nouvelles méthodes d’action politique, face à une opposition bolsonariste qui sera sans doute féroce et déterminée à revenir au pouvoir au plus vite.

 

[Source : http://www.theconversation.com]

La reciente muerte de Francesca “Kitten” Natividad, estrella de los filmes de Russ Meyer, o de Just Jaekin, director de ‘Emmanuelle’, casi en el olvido y el silencio, es un síntoma más de cómo el nuevo milenio está asesinando a Eros en el cine actual

Antes y más allá de ’50 sombras de Grey’ estuvo ‘Historia de O’

Escrito por Jesús Palacios

Fue una de las estrellas eróticas más carismáticas y recordadas, no solo por el tamaño de sus pechos. Protagonista de varias de las míticas producciones erótico-festivas del cineasta Russ Meyer, como Megavixens (Up!, 1976) y Más allá del valle de las ultravixens (Beneath the Valley of the Ultra-Vixens, 1979), Francesca “Kitten” Natividad, fallecida el 24 de septiembre pasado, go-go y artista de burlesque, protagonizó más de sesenta película para cine y vídeo, participando tanto en producciones estándar como My Tutor (1983), Jóvenes alocados (The Wild Life, 1984) o 48 horas más (Another 48 Hours, 1990), como en un buen número de filmes “para adultos”, eufemismo al uso en la industria para referirse el porno explícito o hardcore.

Francisca Isabel Natividad, pareja durante quince años de Russ Meyer, se convirtió como “Kitten” Natividad en un auténtico icono pop, invitada recurrente en shows televisivos, vídeos musicales, documentales y festivales de cine adulto, admirada por figuras como John Waters Quentin Tarantino. En ningún momento se arrepintió de su trabajo y, mucho menos, de sus filmes con Meyer.

En 2004, entre otras ocasiones, lo dejó muy claro: “Estoy orgullosa de ser una chica Russ Meyer. Hay montones de mujeres hermosas con estupendos cuerpos e incluso pechos más grandes que los nuestros, pero no son chicas Russ Meyer. Nosotras somos muy, muy especiales”. Algo que comparten con ella Tura Satana, la increíble Varla de Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965), Uschi Digard, Lorna Maitland, Shari Eubank o Raven De La Croix, todas ejemplos perfectos del ideal de heroína meyeriana: mujeres de bustos hiperbólicos, agresivas, dominantes y siempre superiores a los patéticos ejemplares masculinos habituales en su cine, que se debaten entre la impotencia y la brutalidad, siendo vencidos dentro y fuera de la alcoba.

Francesca Kitten Natividad junto a su Pigmalión, el director Russ Meyer

El cine de Russ Meyer, en sus mejores y también en algunos de sus peores ejemplos, es una lección de sexploitation subvertida desde dentro por una imaginación formal digna de Orson Welles o Eisenstein y por un discurso satírico que pone en tela de juicio los valores más conservadores de la sociedad estadounidense en particular y occidental en general, burlándose del machismo americano, así como de la hipocresía puritana de los fascismos tanto cotidianos como históricos (sus parodias del nazismo no tienen desperdicio).

Naturalmente, sus dosis de violencia gráfica y metafórica, ironía, sexo libre y, de hecho, celebración hipersexualizada del principio femenino, solo al alcance de erotómanos y drag queens de todos los sexos, serían hoy impensables. Por eso, en lugar de seguir los senderos abiertos por su cine, es preferible mantenerlo en la celda acolchada del retro, la nostalgia pop, el camp y el vintage, olvidando que hubo un tiempo en el que Russ Meyer y sus vixens suponían una auténtica avanzada de la liberación sexual, la emancipación y el poder femeninos y la sátira social inteligente.

Que la muerte de “Kitten” Natividad haya pasado casi desapercibida salvo para los fans y algunos medios (eso sí: entre ellos el New York Times), especialmente en nuestro país, es un signo inequívoco de estos tiempos neopuritanos que disocian, de forma esquizofrénica, feminismo y libertad sexual, derechos de género y libertad de expresión.

El empoderamiento femenino versión Russ Meyer

Erotismo de clase « S »

Casi peor es el caso del director francés Just Jaeckin, cuyo fallecimiento el 6 de septiembre de este año fue despachado con una necrológica tan escueta como árida, con apenas las referencias de rigor a Emmanuelle (1974), destacando tan solo que el resto de su filmografía nunca volvió a conseguir el éxito de taquilla y público de su primera película.

Lo cierto es que Jaeckin, excelente fotógrafo de moda, escultor y director artístico de la revista Paris Match en los años 60, además de ocasional realizador de vídeos musicales, creó no solo un fenómeno sociológico sino un estilo cinematográfico que, guste o no, dominó gran parte del género erótico europeo, de mediados de los años 70 a principios de los 80.

Elegante o relamido, esteticista o cursi, pretencioso o inteligente, elija cada cual, el cine erótico de Jaeckin, que llegó a nosotros con una sugerente y sensual “S” avisando de que sus imágenes podían herir la sensibilidad del espectador, parte siempre o casi siempre de prestigiosos originales literarios.

Just Jaeckin, en el centro, junto a sus musas Sylvia Kristel (izquierda) y Corinne Cléry (derecha)

Ya sea la escandalosa Emmanuelle de Emmanuelle Arsan (¿o de su marido Louis-Jacques Rollet-Andrianne? Nos da lo mismo…); ya sea la turbia Historia de O, de Pauline Réage (seudónimo de Anne Desclos), para cuya adaptación contó con la colaboración del escritor Sébastien Japrisot; Madame Claude, según la obra de Jacques Quoirez (hermano de Françoise Sagan) e incluso el gran clásico eternamente censurado El amante de Lady Chatterley de D. H. Lawrence, las novelas elegidas por Jaeckin son de lectura obligada para el amante, nunca mejor dicho, de la literatura erótica en particular y de la literatura en general. El mismo que llora hoy amargamente la desaparición de una colección como La sonrisa vertical, donde, precisamente, se editaran todas estas y otras excelentes lecturas sicalípticas.

En sus versiones para la pantalla, Jaeckin se veía voluntariamente obligado a rebajar el contenido explícito de las novelas, dejando así de lado la tentación pornográfica, equilibrando su narrativa y formato con elegantes dosis de sensualidad estilizada, música sugestiva, fotografía almibarada y decorados decadentes, exóticos y bellamente fotografiados.

Sylvia Kristel y Corinne Cléry figuraron entre sus principales musas. Mujeres delgadas, de pechos pequeños, rostro inteligente y actitud voluptuosa pero desafiante, la primera como la liberada Emmanuelle, la segunda como la voluntaria y gozosamente esclavizada “O”, en esa hierática odisea sadomasoquista que hace parecer Cincuenta sombras de Gray (2015) un telefilme de sobremesa.

Pero también la gélida cámara de Jaeckin supo sacar provecho a la presencia de actores igualmente sensuales e inquietantes como Alain Cuny, Udo Kier, Murray Head, Klaus Kinski o Nicholas Clay. Para el director francés, cuyos filmes satisfacen igualitariamente las inclinaciones de cualquier voyeur, sean cuales sean sus preferencias sexuales, no solo el cuerpo femenino merece el honor de ser cosificado.

Tampoco es cierto que después de Emmanuelle la carrera de Jaeckin cayera en picado. Si bien es verdad que el masivo éxito de Emmanuelle no se repetiría, tanto Historia de O (1975) como Madame Claude (1977) se convirtieron en clásicos automáticos del erotismo cinematográfico softcore (o suave). Su estilo devino seminal (en más de un sentido), contagiando todo el género. Mientras Hollywood tenía su porno chic, más explícito y casi siempre satírico o hasta paródico, Europa presumía con razón de estilo y clase, mucha clase.

‘Gwendoline’, el erotismo más fantástico y cómic de Just Jaeckin

A menudo se olvida también su simpática Hombre objeto (1978), de ambiente circense y romántico espíritu surrealista, dirigida por Jaeckin en coproducción con España y protagonizada por la no menos icónica Dayle Haddon, acompañada por Fernando Rey como jefe de pista. Jaeckin se despidió del cine con Chicas (Girls, 1980), drama adolescente con una jovencísima Anne Parillaud, y con la delirante Gwendoline (1984), que convierte el clásico del cómic sadomasoquista underground en un fantasioso tebeo erótico europeo, más cerca del Guido Crepax de Valentina que del americano John Willie, su creador original. A esas alturas, estaba claro que el cine “S” era ya historia.

La muerte de Eros

Podría creerse que, en cierto modo, el cine erótico “S” tanto como la sexploitation y el porno chic americano, ejemplificado este último por títulos míticos como Garganta profunda (Deep Throat, 1972), El diablo en la señorita Jones (The Devil in Miss Jones, 1973) o Tras la puerta verde (Behind the Green Door, 1972), de directores como Gerard Damiano o los hermanos Mitchell, habían derribado definitivamente los tabúes sexuales de la industria cinematográfica, por lo que ya no tenía mucho sentido seguir abundando en ellos.

El estreno de ‘Garganta profunda’, el porno chic conquista Hollywood.

Tanto las películas “S” de prestigio, como las de Jaeckin, como el porno de calidad que había conquistado los cines de Nueva York y Los Angeles eran productos consumidos por un público adulto y liberal, de clase media e incluso media alta. Era moderno y progresista, propio de personas educadas, maduras y liberadas, entender el sexo y el erotismo cinematográficos, incluso con cierto grado de exhibición gráfica, como algo perfectamente disfrutable, tanto en pareja como en solitario o en cualquier otra combinación posible.

El mayor contenido de sexualidad explícita en el cine de autor y comercial medio, tanto en Europa como en Hollywood, parecía presagiar que pronto no sería necesario etiquetar sus producciones como “S” o “X”, más un cínico reclamo que otra cosa. El fenómeno del éxito de El último tango en París (Ultimo tango a Parigi, 1972) de Bertolucci estaba ahí para demostrarlo. Nada más lejos de la realidad. El SIDA, el neoconservadurismo de la segunda mitad de los 80 y el principio del imperio de la corrección política iban a ser los verdaderos culpables de la muerte del cine erótico.

Pese a la postura lúcida y combativa de muchas feministas de la tercera ola respecto al erotismo y la pornografía, como Betty Friedan o Jamaica Kincaid, de directoras y artistas como Annie Sprinkle y Monika Treut o de pensadoras independientes tan variopintas como Susan SontagMarguerite Duras, Nadine Strossen, Ellen Willis, Angela Carter, Susie Bright, Marcia Pally o, por supuesto, Camille Paglia y Virginie Despentes, entre otras abogadas del diablo en el cuerpo y de la libertad de expresión, ha sido la posición radicalmente antiporno de feministas como Andrea Dworkin, Catharine MacKinnon, Gloria Steinem o Page Mellish, que asimilan e identifican por completo pornografía con violación, tráfico sexual, heteropatriarcado, machismo y cosificación de la mujer, la que está dominando el discurso no solo feminista, sino general, en la sociedad actual y, por tanto, también en la industria y el arte cinematográficos.

El más o menos sutil vacío hecho a las muertes de figuras como las de “Kitten” Natividad y Just Jaeckin representa solo una suerte de metáfora del oscurecimiento y olvido que se está proyectando sobre el papel que el cine erótico y el porno chic, sin olvidar tampoco sus sombras y aspectos oscuros, tuvo en la liberación sexual y la emancipación femenina, desde los años 60, en los que Russ Meyer comenzó su carrera, hasta los 80, en los que Jaeckin abandonó la suya.

El acento puesto por la mayor parte del pensamiento y la ideología dominante, se le denomine corrección política, woke, liberal o progresista, en desterrar el sexo de las pantallas y demonizar no solo la industria del cine para adultos, sino películas como Barbarella (1968), Muerte en Venecia (Morte a Venezia, 1971), El último tango en París, Tamaño natural (1974), Saló o los 120 días de Sodoma (Salò o le 120 giornate di Sodoma, 1975) o El imperio de los sentidos (Ai no korîda, 1976) y a sus directores, está consiguiendo lo que ningún censor franquista ni la Oficina Hays habían logrado antes: hacer realidad el sueño monjil y jesuítico de un cine sin desnudos, sin genitales, sin sensualidad, sin cuerpos (ni mentes) enzarzados en la gozosa y cruel batalla del amor.

Muy lejanas parecen ahora las miradas cómplices y nostálgicas de películas de éxito como Boogie Nights (1997) de Paul Thomas Anderson o el documental Dentro de garganta profunda (Inside Deep Throat, 2005) de Fenton Bailey y Randy Barbato, con su desprejuiciado análisis de la edad dorada del porno. En lugar de, como pretendieran ingenuamente algunos cineastas contemporáneos como Catherine Breillat, Michael Winterbottom, John Cameron Mitchell, Lars von Trier, Abdellatif Kechiche o la propia Virginie Despentes, integrar visualmente el sexo gráfico y el erotismo de forma natural en las historias, incluso aunque estas no sean necesariamente de temática erótica, el cine actual ha vuelto a unos códigos narrativos puritanos, beatos y tímidos, hasta cuando aborda, precisamente, asuntos directamente sexuales.

‘Boogie Nights’, todo lo que querías saber del porno y no te atrevías a preguntar

La trágica paradoja del cine actual es que, en un momento en el que se prescribe casi obligatoriamente la reivindicación del sexo sin fronteras de género, de las relaciones fluidas, del mundo LGTBI+ y del poliamor, los filmes que tratan estos y otros temas afines se prohíben a sí mismos disfrutar con la erótica de la imagen, de los cuerpos y la libido. Se vuelven sus peores enemigos, despojando al espectador del derecho a la fantasía y el placer escópico, a la sublimación de la lujuria animal, la catarsis terapéutica y sanadora del deseo prohibido realizado vicariamente.

Por miedo a ser llamados sexistas, por temor a la cosificación (que es la esencia de todas las artes plásticas), a la descalificación ideológica. En definitiva: por miedo a la censura, se está retornando a un infantilismo en los códigos representacionales y a una infantilización del espectador sin precedentes en la historia del cine, que recuerda la obligación impuesta por el Código Hays a los guionistas y directores de que los matrimonios de película durmieran en camas separadas o a la mano del cura que tapaba la lente del proyector en la sala del colegio, cuando los protagonistas de la película se excedían en el ardor de sus besos o estaba a punto de asomar un seno semidesnudo en cualquier filme de Tarzán o Maciste, para salvaguardar así la inocencia de nuestros ojos infantiles. Con poco éxito, por otro lado.

Paradoja todavía más cruel: mientras la pornografía ha abandonado las posibilidades creativas del cine, tanto comercial como autoral, para reinar sin problema alguno en Internet, en cientos de páginas web a un clic de cualquier menor de edad que tenga portátil o móvil, sin importarle un comino la desaprobación o repulsa de las feministas radicales, el cine erótico para adultos ha sido desterrado de todas las pantallas, excluyendo de la narrativa audiovisual un campo de la experiencia humana tan rico y fundamental como el de las relaciones sexuales consideradas como una de las bellas artes.

Por quién dobla la campanilla… Por la muerte de Eros en el cine (Cinema paradiso, 1988)

No solo es la muerte del cine erótico sino, peor aún: la muerte del erotismo en el cine. Armados y armadas con buenas intenciones, ingeniería social, virtudes liberales teóricamente progresistas y celo moral, se está asesinando a Eros con premeditación y alevosía. Y cuando ya esté bien muerto y enterrado, solo quedará, como en la Era de Ultrón, el reino de Tánatos.

[Fuente: http://www.elespanol.com]

Documentário assustador mostra a cruzada neopentecostal, muitas vezes articulada ao tráfico, para expulsar religiões afro-brasileiras da periferia. Uma guerra assimétrica em que Deus se torna moeda de troca e esfacela a cultura popular

Escrito por José Geraldo Couto

Entra em cartaz discretamente nesta quinta-feira um dos filmes mais assustadores do ano, o documentário Fé e fúria, de Marcos Pimentel. Seu tema, abordado de modo sereno, incisivo e competente, é a guerra religiosa verificada nos últimos anos nas favelas e periferias brasileiras. No filme, o foco se concentra no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.

Assim como na tão falada “polarização política”, trata-se de uma guerra assimétrica, onde um lado bate e o outro apanha. O lado que bate, no caso, são as igrejas neopentecostais; o que apanha são as religiões de matriz africana, notadamente o candomblé e a umbanda.

Com uma fartura de depoimentos, dados estatísticos, material jornalístico e registros in loco (terreiros, templos, barracões, igrejas e ruas), o documentário expõe as várias faces de um movimento profundo: a progressiva expulsão das religiões afro-brasileiras dos bairros periféricos ao longo das duas últimas décadas, ao lado da notável expansão das igrejas neopentecostais nas mesmas comunidades.

É, em certa medida, um documentário convencional, sem grandes invenções de linguagem, mas com uma diretriz firme, a de compor o quadro geral a partir não de uma explicação externa, sabichona, mas da vivência e da elaboração dos próprios participantes do processo. Com exceção do depoimento breve de uma socióloga dedicada à questão (Chris Vidal), quem fala no filme são mães e pais de santo, pastores evangélicos e fiéis de ambos os lados, além de traficantes e moradores colhidos no fogo cruzado.

Crime e fé

A referência a traficantes no parágrafo acima pode causar algum estranhamento, mas um dos méritos do filme, talvez o principal, é mostrar como se dá a articulação entre facções criminosas e certas igrejas neopentecostais, num conluio de interesses econômicos e políticos, em que a fé entra como arma e moeda de troca.

Como narra com lucidez um pastor evangélico que se opõe à intolerância de igrejas como a Universal e a Assembleia de Deus, há inúmeros casos de chefes do tráfico que se convertem na cadeia, voltam para a favela e passam a atuar em prol de uma determinada corrente evangélica, impondo-a sobre sua facção e sobre toda a comunidade. A igreja cresce, a violência (visível) cai, diminui a presença da polícia.

O resultado é o fim da liberdade de culto, e suas principais vítimas são as religiões de matriz africana, expulsas das comunidades por força de intimidações, atentados e agressões físicas. São inúmeros os relatos apresentados e documentados no filme.

Um dos líderes religiosos ouvidos é o pastor Paulomar Silva, que criou uma igreja chamada Exército de Deus, cujo lema é “Jesus é o general”. Na fachada de seu templo lê-se a inscrição “Prepare-se para a guerra santa”, que segundo ele é um versículo do profeta Joel.

O contraponto é dado pelo pastor Marcelo, crítico da intolerância neopentecostal. Segundo ele, essa linguagem bélica vem do Antigo Testamento e é instrumentalizada no contexto social atual para impor uma crença à força. Outro pastor de mente aberta, Cosme, diz que nas igrejas neopentecostais prevalece a teologia da prosperidade, braço religioso da ideologia neoliberal, que traz consigo “o preconceito, o racismo, a homofobia”, e em que “só o que importa é o dinheiro”.

Milícias religiosas

Surgem assim o Exército de Deus, os Guerreiros de Jesus, os Gladiadores do Altar, verdadeiras milícias religiosas contra os infiéis. Nessa suposta guerra santa vale tudo, até vestir crianças com uniformes militares de camuflagem para cantar um gospel pop num templo, batendo continência. Há também o funk gospel, como o Facção Jesus Cristo, explicado por seu autor o MC Praga. Outro funkeiro, Tonzão Chagas, explica a origem do funk “Jesus/Jeová”, que leva multidões ao delírio em shows ao ar livre.

Uma mãe de santo detecta a origem da situação atual na crise da Igreja Católica nos últimos vinte anos. Segundo ela, muitos dos fiéis que abandonaram o catolicismo se dirigiram inicialmente aos terreiros ou ao espiritismo, enquanto outros abraçaram as igrejas neopentecostais. Estas últimas adotaram uma política agressiva de conversões e de demonização das outras crenças, numa disputa feroz de território.

Com isso, era uma vez o sincretismo religioso, força viva da cultura popular brasileira. Esfacelou-se o que Darcy Ribeiro caracterizava como “nosso catolicismo santeiro, festeiro e macumbeiro”, substituído por uma cruzada de intolerância e ódio.

A corda estoura do lado mais fraco, e as religiões de matriz africana são hoje discriminadas e perseguidas por pastores, traficantes, milicianos e policiais como eram até meados do século passado pela Igreja Católica. O componente de racismo desse processo não deixou de ser notado por vários dos depoentes. Diz o babalaô Iwanir: “Se um dos nossos criar os ‘guerreiros de Ogum’, vai todo mundo preso na hora”.

Em meio a esse quadro geral de conflitos sociais e políticos, um caso singular exemplifica o tal mistério da fé. Na periferia de Belo Horizonte, Fabrício, um jovem cheio de tatuagens e piercings com símbolos cristãos, pendura-se numa árvore por ganchos que perfuram suas costas. Em casa, faz isso de cabeça para baixo, com os ganchos nos joelhos. É visível em seu rosto o prazer (masoquista?) e até a beatitude com que realiza essa autoflagelação que o conecta com os místicos de todos os tempos. Seu discurso é de genuíno amor a seu Deus e a seus semelhantes. Fabrício repudia toda forma de intolerância e discriminação. É a encarnação da fé como convicção íntima com a qual ninguém tem que se meter.

Empobrecimento cultural

Seria interessante rever, à luz desta nova situação, o magnífico Santo forte (1999), de Eduardo Coutinho, que abordava as múltiplas faces da fé popular numa favela carioca, para termos a dimensão da perda, do empobrecimento humano e simbólico ocorrido no período.

Fé e fúria foi filmado entre agosto de 2016 e julho de 2018, portanto antes da eleição presidencial de 2018, mas talvez ajude a explicar o seu resultado. A última imagem, já nos créditos, é a do atual presidente fazendo armas imaginárias com os dedos e apontando-as contra o espectador. Não poderia haver final mais eloquente.

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

En recourant à des actions spectaculaires qui suscitent l’indignation, comme l’ont fait les membres du groupe militant Just Stop Oil, les écologistes usent de l’attention comme les pétroliers des ressources naturelles.

Le 14 octobre, les deux activistes ont aspergé Les Tournesols de Van Gogh de soupe Heinz à la National Gallery de Londres. | Capture d'écran Just Stop Oil via YouTube

Le 14 octobre, les deux activistes ont aspergé Les Tournesols de Van Gogh de soupe Heinz à la National Gallery de Londres. | Capture d’écran Just Stop Oil via YouTube

Écrit par Christian Salmon — édité par Sophie Gindensperger 

Depuis que la nouvelle Première ministre britannique, Liz Truss, a laissé entendre que l’extraction de gaz par fracturation hydraulique pourrait être autorisée, les actes de désobéissance civile se multiplient en Grande-Bretagne. À l’avant-garde de la mobilisation, un groupe britannique, Just Stop Oil, qui milite pour l’arrêt immédiat de tout nouveau projet pétrolier, a programmé une action par jour pendant tout le mois d’octobre.

Ses formes d’intervention sont conçues pour attirer l’attention des médias et l’appétit des réseaux sociaux avec des images chocs, des vidéos transgressives ou simplement surprenantes: ils se collent à la route, arrêtent le trafic automobile ou prennent pour cible des infrastructures pétrolières. Leurs moyens d’action sont pacifiques et consistent le plus souvent à asperger leur cible de peinture orange et à se coller à divers supports en utilisant de la glu pour retarder une évacuation par la police qui les priverait du temps d’exposition nécessaire à leur médiatisation.

Dernière performance, dimanche dernier: ils ont interrompu la circulation sur Park Lane, au centre de Londres, pendant que l’un d’entre eux badigeonnait la vitrine d’une concession automobile Aston Martin. Mais leur cible ne se limite pas à l’industrie automobile ou à la filière des hydrocarbures. En mars, ils ont interrompu un match de football, l’un d’entre eux s’étant lié par le cou à la barre du cadre d’un but.

L’attention, la plus rare des ressources

Ce qu’ils visent, comme se doit de le faire tout acteur public, c’est l’attention, la plus rare des ressources dans un monde pavé d’écrans et inondé d’images. Capter l’attention, détourner le flux des images d’actualité.

Depuis le mois de juillet, ils ont déplacé leur champ d’action dans les musées. Le tableau La Charrette de foin, de l’Anglais John Constable, a fait les frais des performers de Just Stop Oil. Puis ce fut à La Cène de Léonard de Vinci à la Royal Academy of Arts de subir l’assaut du groupe écolo, deux activistes s’étant collés délicatement à son cadre. Vendredi 14 octobre, c’est le chef-d’œuvre de Van Gogh, Les Tournesolsqui a été pris pour cible.

L’image a fait le tour des réseaux sociaux. On y voit deux jeunes femmes jeter un liquide orange sur Les Tournesols de Van Gogh, l’une des images les plus célèbres du XIXe siècle, devenue une sorte de cliché visuel à force d’être reproduite à l’usage des salles d’attente des médecins, des boîtes à biscuits et des torchons de cuisine.

Avant même que les motivations des deux performeuses ne soient connues et que la polémique s’installe entre partisans (plutôt à gauche) et opposants (plutôt à droite) du jet de potage, l’image des tournesols dégoulinant de soupe a suscité une onde de choc sur les réseaux sociaux, où se mêlaient surprise, stupeur et réprobation.

Dernier refuge du sacré dans nos sociétés

Dans une vidéo diffusée sur le web, on pouvait voir deux performeuses âgées d’une vingtaine d’années, vêtues de t-shirts d’un blanc immaculé et ornés du logo de leur organisation, «JUST STOP OIL», brandir des boîtes de conserve de la marque Heinz, puis en asperger le contenu sur le tableau de Van Gogh avant de s’enduire les mains d’une glu hyper forte et s’immobiliser à genoux, mains collées au mur. On a par la suite appris qu’une vitre protégeait Les Tournesols et que l’œuvre n’avait pas été endommagée.

Si la performance pouvait évoquer par la projection de substances liquides une citation de l’action painting de Jackson Pollock, ou une réminiscence des sérigraphies de boîtes de conserve Campbell d’Andy Warhol, ce n’était apparemment pas la préoccupation des deux jeunes femmes dont le manifeste, proclamé avec un impayable sérieux aux pieds des tournesols flétris, exprimait des préoccupations plus prosaïques.

Leur geste s’efforçait de réconcilier la fin du mois et la fin du monde, comme dit le slogan. «À cause des prix du gaz qui flambent, des millions de familles britanniques ne vont pas pouvoir se permettre de faire chauffer une brique de soupe cet hiver. Seule la résistance civile peut nous permettre de sortir de cette crise –il est temps de se lever et de défendre ce qui est juste. Qu’est-ce qui a le plus de valeur, l’art ou la vie?» Sur la page Facebook de l’organisation, un post menaçait: «Continuez à nous donner du pétrole et du gaz et nous continuerons à vous donner de la soupe.»

L’agression contre Les Tournesols de Van Gogh, scénarisée dans ses moindres détails, déstabilisait notre dernière croyance profane en l’art. Elle s’attaquait au dernier refuge du sacré dans nos sociétés, celui que nous brandissons comme un bien de civilisation face aux iconoclastes en tous genres. Plus rien n’est donc sacré? Qui peut en vouloir à des innocents tournesols? En quoi Van Gogh mérite-t-il une telle offense posthume?

Deux figures de l’innocence

Si l’on en croit Alex de Koning, porte-parole du mouvement Just Stop Oil, ce tableau de Van Gogh n’a pas été choisi au hasard, et pas seulement pour sa capacité à faire du buzz, mais pour ce qu’il représente (dans tous les sens du terme).

Mais qu’est-ce qu’il représente? Risquons une explication.

Ces tournesols représentent beaucoup plus qu’une œuvre célébrée partout, une icône de la mondialisation. Ils incarnent aux yeux de l’homme désolé, plongé dans la solitude des villes, et qui a perdu tout lien avec l’expérience, une sorte de réconciliation des signes, d’entente entre l’art et la vie. C’est cette entente que contestait la performance des jeunes femmes. Elle visait à affirmer un ordre de valeurs supérieur à l’art, une urgence et des priorités qui s’imposaient au privilège que nos sociétés accordent à l’art.

Leur geste avait le sens non pas d’une banale profanation, mais d’une lutte entre la forme artistique, le chef-d’œuvre vieillissant, compromis par le marché de l’art (la valeur de ces Tournesols est estimée à plus de 84 millions de dollars), et l’innocence de la jeunesse.

Dans ce combat qui semblait sorti du roman de Gombrowicz Ferdydurke, on voyait s’opposer non pas deux idéologies, ni même deux conceptions de l’art, mais deux figures innocentes. Comment s’opposer à l’innocence des tournesols, sinon par une innocence supérieure, celle de la planète, celle de la jeune fille?

Le risque du cliché

Badigeonner de peinture un concessionnaire auto, fût-ce celui d’Aston Martin, ne surprend plus personne. On peut toujours provoquer un embouteillage vite résorbé. De même, un sitting à un carrefour indisposera quelques automobilistes. Et même l’attaque d’un terminal pétrolier, assez sensationnelle à sa façon, appartient à l’idée qu’on se fait d’une action écologique telle que Greenpeace nous y a habitués.

Tout cela est usé? Si l’on veut frapper l’opinion, sur le web des chaînes de commentaires scandalisés, il faut que la manifestation cause un effet de sidération, qu’elle soit moralement impossible à justifier. En s’attaquant à Van Gogh, vous êtes sûr de faire déferler une vague d’indignation.

Et c’est précisément cette indignation qui fait spectacle.

«Nous n’essayons pas de nous faire des amis ici, a déclaré au Guardian Alex de Koning après que la salle de la National Gallery a été vidée, nous essayons de faire changer les choses, et malheureusement c’est ainsi que le changement se produit.»

Est-ce si sûr? «Les attaques de Just Stop Oil contre l’art risquent de devenir un cliché», titrait le jour même le Guardian, dont la chroniqueuse Claire Armistead soulignait le risque de voir ces manifestations provoquer plus d’attention que d’action.

Car il y a un angle mort dans cette realpolitik à l’ère des réseaux sociaux. Ce type de performances médiatiques, destinées à capter les attentions, reproduit les mêmes mécanismes de dévoration que les écologistes dénoncent quand il s’agit de ressources naturelles. Il produit des pics d’attention qui se succèdent et se dévorent entre eux, puis sont absorbés et victimes d’accoutumance.

Ces buzz abusent de notre attention et participent d’une société de prédation économique, industrielle, culturelle, sexuelle, qui dévore les corps et leur milieu d’existence, mais aussi les esprits, les désirs et les imaginaires. Toutes ces formes de dévoration fusionnent sous nos yeux dans un univers social où la manipulation des pulsions a pris la place de l’échange des idées et des expériences.

«Ces manifestations sont géniales», commente quant à elle Margaret Klein Salamon, directrice exécutive du Climate Emergency Fund«Les gens viennent dans les musées pour regarder des peintures, mais nous avons besoin qu’ils regardent plutôt la réalité de l’urgence climatique.»

Don’t look art, en somme!

 

[Source : http://www.slate.fr]

Alfaguara. Barcelona, 2022. 304 páginas. 18,90 €. Libro electrónico: 8,99 €. Recopilación de excelentes artículos del autor de novelas inolvidables como “Todas las almas” o “Tomás Nevison”. La mirada lúcida, incisiva, independiente del escritor recientemente fallecido pasa revista a un sinfín de asuntos de una sociedad asfixiada por la tiranía de lo políticamente correcto y la cultura de la cancelación.

Escrito por Adrián Sanmartín

La reciente desaparición de Javier Marías (Madrid, 1951-2022) ha supuesto una enorme e irreparable pérdida para las letras españolas. Candidato al Nobel, académico leyó su discurso de ingreso, “Sobre la dificultad de contar”, el 27 de abril de 2008-, traductor y editor -fundó la exquisita editorial Reino de Redonda-, sus padres Julián Marías -discípulo de Ortega y Gasset-, y Dolores Franco le proporcionaron una sólida educación. Al igual que en su trayectoria fueron claves algunas figuras, sobre todo la del escritor Juan Benet. Javier Marías tiene en su haber una de las obras más brillantes de nuestra literatura, desde que se dio a conocer en 1970 con Los dominios del lobo. Después, entre otros títulosle siguieron El monarca del tiempoEl sigloTodas las almas –que relata la vida de un profesor español en la universidad de Oxford, puesto que ocupó el propio Marías-, y Corazón tan blanco, que obtuvo un gran éxito de crítica y público dentro y fuera de nuestras fronteras. Así, el influyente crítico alemán Marcel Reich-Ranicki le dio un espaldarazo definitivo, considerándolo uno de los autores imprescindibles. Luego, entre otros novelas, Mañana en la batalla piensa en mí –título tomado de una pieza de Shakespeare, algo que Marías hace con frecuencia, en este caso de Ricardo III-, la monumental trilogía Tu rostro mañanaAsí empieza lo malo, y su última propuesta antes de que nos lo arrebatara la muerte, Tomás Nevinson, interrelacionada con la anterior Berta Isla, aunque pueden leerse de manera independiente.

Pero, además de un extraordinario novelista, Javier Marías fue un magnífico cuentista, ensayista y articulista. Da cumplida cuenta de esta última faceta el volumen ¿Será buena persona el cocinero?, donde se recogen los noventa y cinco trabajos publicados por Marías en el suplemento dominical El País Semanal, del que era habitual colaborador, entre el 3 de febrero de 2019 y el 24 de enero de 2021.

En esta recopilación podemos disfrutar de un Javier Marías incisivo, irónico, con un saludable sentido del humor y que pulveriza la tiranía de lo políticamente correcto. Aunque también aparece un Marías íntimo, que comparte con sus lectores su música, sus autores, películas y libros preferidos, y recuerda a sus amigos o a sus padres. A estos últimos, por ejemplo, en el maravilloso artículo “Pero ojalá estuvieran”, tan entrañable como carente de sensiblería.

Variados son los asuntos que se abordan los artículos, pasando revista a la sociedad actual, incluida la pandemia, y a algunos de sus fenómenos como las redes sociales y su gran poder, la propagación de las noticias falsas, la manipulación de los políticos, el MeToo, la ciudad de Madrid… Marías denuncia con valentía las contradicciones, la irracionalidad, el infantilismo… que cada vez se hacen más fuertes.

Impagable es el artículo que titula el conjunto. En “¿Será buena persona el cocinero?”, Marías pone el dedo en la llaga de una cuestión que ha alimentado la dictadura de la cancelación al ligar de manera absoluta la obra con la personalidad, la ideología… de su autor: “A menudo se dice -una vieja superstición- que los artistas tienen un lado oscuro, y se los pinta como a seres más bien desagradables o pesadísimos: atormentados, iracundos, histéricos, engreídos, despóticos, abusivos. Se les suele achacar una vanidad excesiva que a veces los lleva a creerse por encima de las leyes y de las demás personas, y a permitirse actitudes y acciones que a cualquier otro se le reprobarían. Yo creo que los artistas no se diferencian apenas del resto, de los funcionarios, los zapateros y los relojeros, los profesores, los jueces y los médicos. El problema es que sobre ellos hay un foco y una lupa: hoy se estudian sus trayectorias de manera exhaustiva, por lo general en busca de aspectos y episodios escandalosos, condenables y feos. Y cuando se rasca se descubre, desde luego, porque no ha habido mujer ni hombre que hayan pasado por el mundo sin tacha, sin incurrir en alguna indignidad o bajeza a lo largo de sus días. Lo mismo el escritor que el zapatero, el pintor que el relojero, el juez que el músico. La cuestión es que nadie se dedica a indagar en la vida de un juez o un relojero”.

Marías concluye con una evidencia de esas que, sin embargo, hoy parece más que necesario poner de relieve: “Una cosa es la persona y otra su obra, que no por fuerza está teñida por las peores pasiones de aquélla”.

Un estilo claro, preciso, certero contribuye a una lectura que se saborea y disfruta.

 

[Fuente: http://www.elimparcial.es]

Le président algérien a décidé d’accélérer la cadence de l’enseignement de l’anglais dès la rentrée scolaire au primaire, suscitant des craintes chez les enseignants et spécialistes de l’éducation

Le ministre de l’Éducation nationale a affirmé que son département était « prêt » pour l’introduction de l’anglais dans l’école algérienne dès septembre.

« Chez nous, la langue française est un butin de guerre mais l’anglais est une langue internationale » qui va être enseignée dès la rentrée scolaire « pour que l’Algérie accède à l’universalité ».

C’est par cette courte phrase que le président algérien Abdelmadjid Tebboune a annoncé le 1er août lors d’une intervention télévisée, l’introduction de l’anglais dès l’enseignement primaire – il est actuellement enseigné à partir du collège – pour les écoliers algériens qui apprennent jusque-là le français comme première langue étrangère.

Il a aussi précisé que cette décision allait être appliquée « après une étude approfondie menée par des experts et des spécialistes ». Le ministère de l’Éducation nationale n’a pas perdu de temps : dès le lendemain, le ministre, Abdelhakim Belabed, a réuni par visioconférence les directeurs départementaux de son secteur pour leur annoncer l’application de cette « instruction » dès la rentrée scolaire, fixée au 21 septembre.

Dans la foulée, des appels ont été lancés en direction des diplômés en langue et littérature anglaises « désirant être recrutés » pour qu’ils déposent leurs dossiers de candidature à des postes « d’enseignants contractuels », dans l’immédiat. Plus de 60 000 prétendants ont déposé leurs dossiers selon les médias.

Mi-août, le ministre de l’Éducation a confirmé que l’anglais serait désormais enseigné à partir de la troisième année primaire, à raison de trois heures hebdomadaires avec le français.

« Une arrière-pensée politique et idéologique »

Pour les syndicalistes du secteur, interrogés par MEE, cette décision s’est faite « dans la précipitation ». Et alors que les experts se disent « intrigués » par la faisabilité d’un tel projet, sur les réseaux sociaux et dans les médias, les débats sont vifs.

L’option prise par le gouvernement « n’est pas suffisamment étudiée » et « est précipitée », objecte lui aussi Boualem Amoura, secrétaire général du Syndicat autonome des travailleurs de l’éducation et de la formation (SATEF), contacté par MEE.

Tout en relevant l’absence de manuels scolaires et de programmes, ce professeur de l’enseignement secondaire estime que même sur le plan logistique, « l’école n’est pas prête ». Selon lui, pour couvrir les besoins des 20 400 écoles primaires que compte le pays, il faudrait recruter près de « 30 000 enseignants ».

« Or il n’existe probablement pas autant d’enseignants dans le pays », précise-t-il. « Une telle décision doit être soumise à des études, conditionnée à des préparatifs et surtout à une réforme profonde du secteur éducatif dans le primaire et à une refonte du système de l’éducation des langues de sorte à ce que cela ne constitue pas une charge supplémentaire pour l’enfant », explique à MEE Messaoud Boudiba, porte-parole du Conseil national autonome du personnel enseignant du secteur ternaire de l’éducation (CNAPESTE, l’un des plus importants du pays).

Les deux enseignants ne s’opposent pourtant pas à l’introduction de l’anglais. Mais pour Boualem Amoura, cette décision cache « une arrière-pensée politique et idéologique » puisqu’elle constitue une revendication du courant islamiste et conservateur qui s’oppose au maintien du français dans l’école algérienne et plaide pour la généralisation de la langue de Shakespeare.

Ces craintes ne sont pas uniquement exprimées par des syndicalistes. Ahmed Tessa est un pédagogue au long cours. Cet enseignant et formateur a fini sa carrière comme conseiller de l’ancienne ministre de l’Éducation Nouria Benghabrit (2012-2017), et compte d’innombrables publications à son actif.

Il considère que « pour qu’une innovation pédagogique de cette envergure réussisse », elle doit « répondre à des normes tant méthodologiques que technico-pédagogiques ». Et pour cela, insiste-t-il auprès de MEE, « il faudrait une bonne année scolaire pour réfléchir et élaborer une stratégie ».

Une formation intensive pour les enseignants

Il pose également la condition, pour les responsables, de « se mettre d’accord sur les objectifs à viser » et « fixer les conditions de cohabitation avec les trois autres langues enseignées au primaire pour éviter l’embouteillage graphique, grammatical et phonétique ».

En plus de l’arabe, langue de l’enseignement, les enfants algériens apprennent le français et, dans certaines régions, le berbère.

Anticipant ces critiques, le ministre de l’Éducation nationale a affirmé que son département était « prêt » pour l’introduction de l’anglais dans l’école algérienne dès septembre.

« Toutes les composantes du système éducatif seront mobilisées autour de cette démarche stratégique pour en assurer l’aboutissement », a assuré Abdelhakim Belabed, indiquant que « l’enseignement de cette matière sera confié à des spécialistes qui bénéficieront d’une formation intensifiée ».

L’annonce de l’introduction de l’anglais dans le système éducatif algérien a suscité des réactions contradictoires sur les réseaux sociaux. Certains estiment que faire de l’enseignement de l’anglais une priorité est une « bonne chose », d’autres considèrent que cela s’est fait de manière « hâtive » et « non réfléchie ».

Beaucoup de ceux qui se sont réjouis de cette annonce font le lien avec une éventuelle disparition du français des manuels scolaires algériens à long terme.

Ils y ont été encouragés par le remplacement des écriteaux en français des frontons des institutions publiques par d’autres en anglais, en réaction, en octobre 2021, à des déclarations du président français Emmanuel Macron qui avaient suscité la colère en Algérie. Ce dernier s’était interrogé sur la réalité de l’existence de la nation algérienne avant la colonisation française.

 

[Photo : AFP – source : http://www.middleeasteye.net]

 

Alexandre Raimúndez, en 1948 CC-BY-SA Imaxe facilitada por Vázquez-Monxardín

« O noso home na BBC« , así define Afonso Vázquez-Monxardín a Alejandro Manuel Raimúndez Fernández (Ourense, 1906 – Devon, Inglaterra, 1968) na entrada que asina no Álbum de Galicia sobre o que forma impulsor e responsable das emisións en galego da BBC de Londres.

O ‘Álbum de Galicia’ incorpora a biografía de Alexandre Raimúndez, « o noso home na BBC »

Raimúndez queda así incorporado á colección dixital de biografías coa que o Consello da Cultura Galega (CCG) repasa a vida e obra de persoeiros galegos que destacaron no ámbito da sociedade, a ciencia, a cultura ou a empresa. Desde este mércores, conta tamén cun repaso á traxectoria deste home, fillo de Felisa Fernández Rodríguez e do prestixioso xastre ourensán Benigno Raimúndez, de ideoloxía masónica e galeguista.

Comunicación do Foreing Office do 10 de xaneiro de 1956 dando orde de finalización das emisións en catalán, vasco e galego antes de fin de mes CC-BY-SA Imaxe facilitada por Afonso Vázquez-Monxardín

Alexandre Raimúndez, como destaca o CCG, marcha a Vigo con 16 anos para estudar na Escola Pericial de Comercio e, de alí, a Madrid, onde, tras rematar os estudos de profesor mercantil na Escola de Comercio, se incorpora como profesor auxiliar nese mesmo centro.

Durante o tránsito á II República, desenvolve unha grande actividade e é integrante destacado da loxa masónica Mare Nostrum ou participante das actividades do Ateneo. Atraído pola actividade de Ramiro Ledesma Ramos, asina o manifesto La Conquista del Estado e, ata outubro de 1931, exerce como secretario e colaborador da publicación homónima.

Nos catro artigos que asina, agás no primeiro, Alexandre Raimúndez amosa a súa visión de Galicia e do mundo, « deixando constancia da súa paixón autonomista e defendendo o impulso das identidades, do federalismo e dun acordo non-imperialista con Portugal ». Esta actitude, “que tanto sorprende aos estudosos da orixe do fascismo español”, sería a que explicaría o seu rápido afastamento do proxecto de Ledesma, tal e como subliña Afonso Vázquez-Monxardín na entrada que escribe para o Álbum de Galicia.

Alexandre Raimúndez foi tamén integrante do Secretariado Gallego en Madrid, unha asociación que buscaba contribuír ao proceso de reivindicación do Estatuto de Galicia, e asinante do manifesto El Secretariado Gallego en Madrid y el problema bilingüístico. En 1932, é elixido secretario segundo da Sección de Ciencias Económicas do Ateneo de Madrid.

A súa carreira profesional trasládase a Barcelona no ano 1935, onde é nomeado catedrático de Estudos Superiores de Xeografía na Escola de Altos Estudos Mercantís e, durante a Guerra Civil, só se sabe que na súa fin foxe a Francia e que pasa polo campo de refuxiados da praia de Argelès-sur-Mer, de onde sairá grazas ás xestións dun pastor protestante ao que coñecera en Ourense e que daquela vivía en Gran Bretaña.

Lápida de Alexandre Raimúndez no cemiterio de Torqay (Devon) CC-BY-SA Imaxe facilitada por Afonso Vázquez-Monxardín

É no Reino Unido, xa coa súa residencia de acollida fixada en Suffolk, onde en maio de 1939 Alexandre Raimúndez comeza a facer as xestións necesarias para emigrar a México como profesor. Pero xórdelle a oportunidade de incorporarse ao servizo para España que a BBC ía inaugurar en xuño. Desde 1941, desenvolve as tarefas de redactor da Sección Española e radia o día a día da II Guerra Mundial co funcionario da Generalitat de Catalunya Josep Mayé.

Raimúndez incorpórase á BBC en 1941, onde traballa máis de vinte anos, e impulsa os programas en catalán, galego e vasco emitidos entre 1947 e 1956

É ao remate da guerra cando ambos impulsan os programas en catalán, galego e vasco que se emitiron en antena entre os anos 1947 e 1956, dos cales Alexandre Raimúndez foi o redactor encargado. “Para recadar as colaboracións e proceder aos temas legais de sinatura de contratos e pagamentos, mantivo unha fluída correspondencia coa intelectualidade galega participante, tanto nas emisións galegas como nas españolas”, apunta Afonso Vázquez-Monxardín. De feito, as súas cartas aparecen nos epistolarios de Ramón Villar Ponte, Ricardo Carballo Calero, Ramón Piñeiro, Otero Pedrayo, Florentino Cuevillas, Filgueira Valverde ou García-Sabell, entre outros.

No servizo público de radiotelevisión británica operaba co pseudónimo de Xavier Fernández e foi presentador, autor de tres programas e encargábase frecuentemente da lectura dos textos que se enviaban desde Galicia.

« Emisora de Londres da BBC. C’o programa d’ista noite damos comenzo as nosas transmisiós en língoa galega« . Así comezaba o 14 de abril de 1947 o primeiro programa en galego na radio británica, que deu en ser a primeira programación radiofónica estable en idioma galego. A Real Academia Galega conserva nos seus arquivos máis de oitenta guións daquel Galician Programme, que achegou tamén a Galicia voces vetadas no país ata que, en 1956, « as presións » da ditadura franquista lograron botarlle o ferrollo. Supuxo a primeira programación radiofónica estable en idioma galego.

Foi grazas á doazón de Raimúndez, que en 1962 entrega na Academia unha copia dos 83 guións orixinais radiados nas emisións que se preocupou de reunir e encadernar, como tamén fixeron Leuter González Salgado e Francisco Fernández del Riego. « Deste xeito, polo interese dos principais protagonistas, hai tres coleccións completas, o que garantiu a súa conservación e difusión, lograda en 1994 coa publicación íntegra dos guións feita polo profesor Antonio Raúl de Toro Santos », destaca Vázquez-Monxardín.

Raimúndez xubílase da BBC con problemas de saúde en 1963 e, logo dunha longa enfermidade, falece o 1 de outubro de 1968. Os seus restos repousan no cemiterio de Torquay baixo unha inscrición que di: Alejandro Manuel Raimúndez. Born Orense, Spain, 9th March 1906/ died at Paignton, 2nd October 1968. Inda que lonxe da súa terra, o esprito está sempre nela, Sempre en Galicia.

 

[Fonte: http://www.praza.gal]

Jessica Romero analiza la filmografía del francés Jean-Gabriel Périot y su cruce entre documental, cine experimental y ficción

Escrito por Jessica Romero 

Georges Didi-Huberman afirma que la legibilidad de un acontecimiento histórico depende de la mirada dirigida a las numerosas singularidades que atraviesan el archivo dejado por él; esto es, sus relaciones, intervalos y movimientos. La palabra archivo toma ahí su sentido más radical. El archivo como fuente de imaginación, como memoria a modificar, como potencia de pensamiento. Ahí donde el documento, dado como puro pasado, es material, huella que redefine la condición de posibilidad de la historia. Ahí donde el decir mismo del cine y la escritura deviene afectación del pasado. Ahí donde todo es factible de ser archivado y narrado, la memoria se convierte en una cuestión singularmente política, que produce versiones no estandarizadas de la historia.

El cine como guía, como medio para pensar el mundo, como máquina que explora una situación en estado crítico: son quizá algunas de las premisas que definen la obra cinematográfica de Jean-Gabriel Périot (Bellac, Francia, 1974). A partir de esta reflexión, la legibilidad del pasado en obras como Una juventud alemana (2015), Luces de verano (2016), Nuestras derrotas (2019) y Regreso a Reims (2021) se ve caracterizada por imágenes y sonidos que se articulan dinámicamente por montaje, escritura y cinematismo. Périot retoma un documento, un archivo, como objeto de crítica en el que busca un sentido sepultado, convirtiéndose en un artista-arqueólogo en el sentido de Didi-Huberman, que se desprende de los prejuicios previos y abre los tiempos por su constante esfuerzo de transmisión.

Périot dimensiona la historia desde el afecto de la memoria, convocando los espectros, las clausuras, la violencia y el olvido. Su obra es una forma de narración documental, experimental y ficcional que revela el sentido contingente de la historia. A partir de un montaje heurístico en el que interactúan la memoria como punto aporético y paradójico, la escritura como una inmensa red de inscripciones y el espacio como lugar de enunciación poético y político, el autor francés muestra que donde hubo represión también existieron imágenes y sonidos que resistieron y se sublevaron. Su cine constituye una reflexión en acto que no cesa de plantear preguntas por el sentido, los lenguajes y los medios, otorgando a los fenómenos la plasticidad para pensar una contrahistoria desde las memorias de las luchas, los genocidios y capas desconocidas de la experiencia humana.

Jean-Gabriel Périot

Fotograma de Una juventud alemana (2015)

La dimensión crítica

La crítica del hecho audiovisual, la capacidad descriptiva y diferencial de Jean-Gabriel Périot recuerda a autores como Dziga Vértov, Jean-Luc Godard o Guy Debord. En el filme Una juventud alemana encontramos, por ejemplo, una mirada intempestiva que da luz a las voces que habitan el propio discurso cinematográfico. Ulrike Meinhoof, Andreas Baader, Gudrun Ensslin, Helke Sander, Horst Mahler, Holger Meins, Heinrich Böll, Harun Farocki y Rainer Werner Fassbinder, entre otros, recorren sin tregua las preocupaciones de la sociedad alemana de la posguerra, los orígenes de la RAF (Fracción del Ejército Rojo), la deriva terrorista, la implicación de la juventud –en muchos casos cineastas– y la trasformación ideológica de un país afectado por las consecuencias del nazismo.

En tanto filme-ensayo, Una juventud alemana acuña imágenes y textos provocando un montaje dialéctico de ideas que confronta el sentido unívoco de la historia, el paso de la palabra a la acción violenta. Extractos de programas, debates, entrevistas, noticiarios y las primeras películas grabadas por estudiantes de la escuela de cine de Berlín operan como una zona de intersección, como forma incompleta de lo real que impugna cualquier régimen textual. El montaje, forma radical de pensamiento, crea una dimensión extensiva del tiempo en la que las imágenes significan críticamente. Esta reflexión, que se resiste a totalizar, evalúa los actos creativos de los jóvenes cineastas alemanes, su deber moral de protestar y cambiar la sociedad. A través del cine hacen frente al statu quo, a la manipulación de la opinión publica, construyendo un punto critico de la situación que posibilite otros mundos.

El montaje, forma radical de pensamiento, crea una dimensión extensiva del tiempo en la que las imágenes significan críticamente.  

Esta interrogación a la historia parece un procedimiento pedagógico asentado en una búsqueda arqueológica de la que Périot extrae las ideologías, los modos de percibir la política, los estereotipos dominantes, el entorno en el que se construye el conocimiento y los problemas que plantea, para abrir una pregunta y un desplazamiento a lo impensado. Un fuera de lugar en el orden de los acontecimientos históricos.

Imaginarios políticos

En Nuestras derrotas Jean-Gabriel Périot propone a un grupo de alumnos y alumnas de un instituto de la periferia parisina recrear escenas de películas como La Chinoise (1967) de Godard, La reprise du travail aux usines Wonder (1968) de Jacques Willemont, Citroën Nanterre mai-juin 1968 (1968) de Guy Devart y Edouard Hayem, À bientôt, j’espère (1968) de Chris Marker y Mario Marret, Camarades (1979) de Marin Karmitz o La Salamandre (1971) de Alain Tanner, obras que reflejan el imaginario político de Mayo del 68. Se interna en la reflexión a través de entrevistas, para presentar en el movimiento de la oralidad un estado confesional, íntimo, donde la memoria audiovisual, los estratos de la historia, el contexto político, el entorno geográfico y el sistema educativo reconstruyen no una repetición sino la diferencia incalculable de un pasado virtual que se actualiza.

Jean-Gabriel Périot

Fotograma de Nuestras derrotas (2019)

El efecto es la experimentación con los límites expresivos, las cualidades de la oralidad, las insistencias y las repeticiones, las digresiones y variaciones, las peguntas y, como tal, la imagen de un pensamiento. La composición de Nuestras derrotas permite la libertad de la puesta en escena. Un espacio abierto a la improvisación que da lugar al acontecimiento político. Como intuye Jacques Rancière, la política implica la redistribución del tiempo y el espacio, la construcción de experiencias comunes que surgen del encuentro entre los cuerpos. Movimiento de la historia que formula interrogantes sobre la actualidad de términos como revolución, anarquía, sindicato, socialismo o marxismo-lenismo, confrontando diferentes puntos de vista que testimonian las contradicciones de la actualidad. Périot interroga a nuestro tiempo, eco de un desencanto político sin el menor atisbo de sublevación.

La clase obrera en el cine

El cine de Jean-Gabriel Périot entrelaza genealogías del cine y formas de vida. En su obra la experiencia asume una postura crítica que rememora, cuestiona y reelabora el pasado, abriendo infinitas combinaciones que apelan a la vida colectiva. En Regreso a Reims amplía esta perspectiva al preguntarse cómo se ha representado a la clase obrera en el cine. Para conseguirlo coloca la historia de los padres del filósofo e historiador francés Didier Eribon como epicentro para establecer un relato sobre la vida en Reims. El paisaje autobiográfico se superpone libre e indeterminadamente con la crítica de la clase obrera que se desplazó de la izquierda a la extrema derecha xenófoba y nacionalista, de la condición de las mujeres en un entorno patriarcal, de la vida cotidiana en un mundo marcado por la diferencia de clases.

El cine de Jean-Gabriel Périot entrelaza genealogías del cine y formas de vida. En su obra la experiencia asume una postura crítica que rememora, cuestiona y reelabora el pasado, abriendo infinitas combinaciones que apelan a la vida colectiva.  

Regreso a Reims entrelaza el libro autobiográfico de Eribon y referencias a películas francesas, documentales y programas de televisión, entre otros materiales, a través de los cuales se ha narrado la historia de la lucha de clases en Francia. Pero no se trata de la simple asociación entre imágenes sino de intersticios y espaciamientos que provocan la constitución de una pregunta, la problematización de la actualidad. Establece pasajes entre, por ejemplo, Germaine Dulac, Jean Vigo, Jean-Daniel Pollet y Chris Marker, en los que cabe preguntarse qué asume el cine al mostrar lo que no puede ser dicho, cómo procede en tanto soporte y destino de la memoria colectiva y la lucha obrera. Como afirmaba Godard, se piensa mejor entre capas, entre estratos, genealogías y derivas de lugares, entre singularidades que niegan la totalización de los acontecimientos.

Obra de un coleccionista de lo heterogéneo, Regreso a Reims extrae fragmentos para trazar un retrato colectivo y una historia íntima que problematiza la representación audiovisual de los acontecimientos, el tipo de imágenes que desarrolla el lenguaje televisivo y el acceso a los archivos-documentos. La obra funciona como un tejido de signos que conducen a la interpretación arqueológica, recreando conexiones virtuales y expresiones. Este no es únicamente el dominio de la imagen estética sino del ámbito de lo político y lo ético que confronta la hegemonía de las imágenes generales y los discursos unívocos. Debord lo planteó a través de escritos y películas: el cine como evaluación histórica, ensayo visual, memoria de vida y experiencia.

Jean-Gabriel Périot

Fotograma de Regreso a Reims (2021)

Los trayectos de Jean-Gabriel Périot proyectan la memoria audiovisual, deteniéndose en los nombres propios y en las obras cinematográficas, provocando relaciones que no han tenido lugar y proponiendo esquemas que plantean nuevas cartografías. Un trayecto arqueológico que remodela sin cansancio la experiencia de elaborar el pasado, desactivar presupuestos y plantear nuevas preguntas a la historia, al cine, a los sistemas educativos, a los grupos de luchas laborales, a la vida en comunidad.

 

[Fuente: http://www.latempestad.mx]