Archives des articles tagués Indignación

No currículo de medicina, há muito espaço para a onipotência dos “doutores” e objetificação dos pacientes – e quase nenhum para a formação ética. É preciso resgatar o sentido intersubjetivo do cuidado, inclusive dos mais vulneráveis

Escrito por Fran Alavina

Desde que veio à tona o caso abominável de estupro da parturiente, mais uma vez se demonstra que não há lugar seguro para as mulheres em uma sociedade que se orgulha da sordidez de seu machismo – nos últimos tempos, despudoradamente celebrado.

Neste notório e asqueroso caso, há também de se levantar uma outra questão além do crime penalmente tipificado e das implicações de uma sociedade constituída, desde sua origem, na cultura do abuso das mulheres: trata-se da formação dos nossos futuros médicos. Aqui, ouço o espanto revoltado de uma senhora que na padaria, ao meu lado, tomava conhecimento do caso: “como pode né moço, um rapaz que estudou tanto para ser médico, fazer uma barbaridade dessas”. Eu completei: “a senhora tem razão, ele estudou, fez um juramento ético…”. A frase daquela mulher me soou, na verdade ainda soa nos meus ouvidos. Sua indignação e espanto nos impõe um problema: se os estudos também não servem mais à formação ética, para que servem? Como anda a formação daqueles que em algum momento terão nossas vidas nas mãos?

Sendo professor, e ministrando uma disciplina de Filosofia e Ética na Medicina em um dos cursos de medicina da universidade na qual trabalho, escrevo não apenas enojado com o caso ocorrido no Rio de Janeiro, mas para refletirmos juntos – eu e você, leitores/leitoras – sobre os rumos, ou melhor os descaminhos éticos que a educação como coisa pública tomou nos últimos tempos. E no caso da formação médica não é pouca coisa: é a vida das mulheres, são as nossas vidas.

Percebam que não é mais raro, nos deparamos com casos de médicos, especialmente jovens, que expõem a vida dos pacientes nas suas redes sociais. Fazendo comentários depreciativos sobre aqueles a quem deveriam direcionar um outro olhar. E isto ocorre, particularmente, quando estão atendendo pelo SUS, distantes da glamourização que esperam que a profissão lhes dê como prêmio por todo o esforço/sofrimento pelo qual passaram até poder vestir o jaleco branco permanentemente. Glamorização que me faz ver, em número crescente, o sofrimento psíquico que há entre os/as estudantes que não possuem corpos da beleza padrão. Passa-se a exigir deles que a primeira e melhor referência que possam oferecer de sua profissão sejam seus próprios corpos: confundindo corpo saudável com corpo de beleza padrão.

A objetificação, que impede qualquer relação ética, já começa na alienação com seus próprios corpos. Se o princípio é o da exposição de si mesmo, por que teriam freios éticos em expor os outros? Se não há relação ética consigo mesmo, tampouco pode haver relação ética com os outros.

De fato, sobre os jovens médicos está o manto do status social com que a profissão lhes reveste. É quase uma aura mítica, já transmitida nos primeiros anos da faculdade. Introjetam a ideia socialmente difusa de que, como estudaram muito pela vaga, estão em outro patamar meritório, mesmo em relação a outros cursos universitários tão concorridos quanto medicina. Essa diferenciação aniquila pesadamente a ideia de responsabilidade da ação individual como reflexo da ação do grupo. Daí, como já ouvimos no caso do nojento estupro, se cair no mito da mera culpabilização individual. De fato, nem todos os médicos são estupradores, porém a pergunta que deve ser feita é: por que chegam a existir essas aberrações éticas profissionais? Em nenhum momento de sua formação algo de seu comportamento desprezível foi notado? Reparem, os casos se davam durante o exercício profissional, de modo que aquele sujeito não fazia nenhuma mínima diferenciação ética/moral do seu trabalho em relação ao ato conscientemente abjeto que praticava. Ele praticou seus estupros nos locais de trabalho. O que tomamos conhecimento não acusa apenas ele mesmo, mas as falhas e erros do processo formativo profissional.

 Falhas que, postas em um combo, juntam-se à falta de acompanhamento e atenção psicopedagógicos, pois os estudantes variam do registro do status social da profissão para o seu extremo oposto: o medo e as tensões provocadas pelo não cumprimento daquilo que é prometido como “prêmio” natural. Não são raros os casos de depressão, colapso nervoso e ideações suicidas. Muito disso é provocado pelo peso que as famílias lhes impõem, quando na verdade queriam estar fazendo outro curso.

Acrescente-se também o uso da expressão distintiva “doutor”, que herdamos desde a colônia, expressando-se na relação vertical, nunca horizontal, com os pacientes. Quem de nós já não ouviu: “o médico mal olhou na minha cara…!” Mas como poderiam olhar? Com efeito, lhes é ensinado que há uma doença em alguém e não que irão encontrar em seus consultórios-hospitais-clínicas alguém em processo de adoecimento. Não é o paciente que tem uma doença, mas a doença que tem um paciente. Há desde o começo uma despersonalização dos pacientes que ficam reduzidos à passiva materialidade orgânica de seus corpos. Donde inexistir um princípio ético basilar: só há relação ética entre sujeitos ativos; quando um deles já é tomado como inapto por princípio, é considerado pura passividade, estamos no campo das relações de objetificação. Não pode haver relação ética com o que consideramos, ou com alguém que alocamos na posição de objeto.

Ora, como se a Medicina fosse um saber que não estivesse fundamentalmente calcado nas relações intersubjetivas: o médico está lidando com outra pessoa. Há a sempre tão falada relação de confiança médico-paciente. Contudo, como isso é ensinado aos futuros médicos? Diz-se a eles que a relação de confiança não se dá por puro reconhecimento público do seu saber? Que a conclusão do curso superior por si só não me fará confiar, mas é durante o processo que essa confiança será instaurada?

Os estudantes sempre se espantam quando concluem, durante nossas aulas, que não podemos considerar a Medicina como uma simples ciência exata, como se estivéssemos lidando com entes numéricos abstratos. É preciso lhes dizer o óbvio: “vocês vão lidar com pessoas e não com objetos, ou com definições abstratas de doenças e suas causas”. Não são apenas quantificações, doses, gotas e comprimidos: são homens e mulheres que têm histórias de vida próprias, com as quais vocês vão se encontrar e em cujas vidas vão interferir.

É preciso lhes dizer e ensinar que a relação médico-paciente não é uma relação de mando e obediência, mas de esclarecimento, muitas vezes no sentido mais pueril do termo. Essa relação impositiva de mando/tutela com os pacientes, também se dá nos locais de trabalho em relação ao quadro de enfermagem, não por mero acaso formado majoritariamente por mulheres. Ora, foram justamente as enfermeiras que desconfiaram e trouxeram à luz aquela abjeção.

Quem de nós já não recebeu um olhar de reprovação, quando depois de não entendermos a explicação médica, ousamos dizer: “mas, doutor…?”. Há um senso comum entre os estudantes, arraigado durante os anos de faculdade, de que seus futuros pacientes são como que inaptos a falar de suas doenças e sempre que podem mentem para se livrarem do tratamento. Daí, o médico deter não só a palavra final, mas toda a atividade discursiva: ao paciente cabe apenas responder. O médico possui o saber, portanto é o detentor da verdade. Quase nunca, porém, lhes é ensinado que o paciente também detém certo conhecimento, mesmo que espontâneo, sobre seu próprio corpo; e, que, portanto, também possui um discurso de verdade.

Quando lhe falamos que tal não ocorria nas concepções greco-romanas antigas da prática médica, nas quais há o reconhecimento do paciente como artífice – junto com o médico – da sua cura, eles também desconhecem, pois nos currículos pouco, ou nenhum espaço lhes é reservado ao conhecimento da história do saber que se dispuseram, ou foram empurrados a abraçar. Uma vez que não conhecem a história de seu próprio saber, pensam que o que pode mudar são as técnicas e instrumentos, e que a medicina como saber é hoje o que será amanhã: não se podendo apreender com o passado. Aferrados à lenda de que o mais importante são os conhecimentos instrumentais e práticos do saber, não percebem que são retirados do campo da ciência para o da mera técnica.

Quanto maior o primado da tecnificação, maior o afastamento do horizonte ético. Acaso não é o estuprador médico do ponto de vista da técnica um bom profissional? Não agia com destreza técnica, tanto que premeditadamente dopava mais que o necessário as suas vítimas? Não é suficiente ensinar apenas a ser profissionalmente bom, quando se lida diretamente com vidas.

As questões que levantamos, qualquer um de nós pode constatar não apenas ao longo da vida – nas internações hospitalares e atendimentos clínicos –, mas também consultando a grade curricular dos nossos cursos de Medicina: quer públicos, quer particulares. O aspecto ético-formativo está restrito a uma ou duas disciplinas, no máximo. Ademais, quem o fizer constatará também que a Medicina é um saber academicamente autocentrado: se relacionando pouco com os outros saberes que lhe são próximos, herdando a falsa ilusão de que, por sua importância, basta-se a si mesmo. Por ser autocentrado, tem pouca capacidade de reconhecer suas lacunas, e quando instado pela realidade a apontar suas limitações fecha-se ainda mais em si mesmo. Como se fosse suficiente prestar contas apenas no interior dos conselhos da categoria e não em instâncias sociais mais amplas.

A se continuar ensinando apenas a clinicar, casos repugnantes como o que vimos serão fabricados e sempre remetidos ao caráter dos praticantes, nunca às falhas de sua formação ética no sentido mais amplo. É preciso repensar e pôr em prática uma formação com outro horizonte de sentidos. Em primeiro lugar, com a participação daqueles que estão diretamente implicados: os/as estudantes. Outras modalidades curriculares, outros modelos de ensino e aprendizagem médicos. Com efeito, não podem fazer discussões éticas e pensar suas próprias trajetórias de formação se a técnica excessiva asfixia qualquer capacidade reflexiva. Uma outra medicina pode e tem que ser possível. Há de se ensinar não apenas o que é ética, mas a serem éticos. Ainda mais para extirpar as violências para com os corpos mais vulneráveis: os corpos das mulheres.

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]
Escrito por
Los peligros de la moralidad. Por qué la moral es una amenaza para las sociedades del siglo XXI
Pablo Malo Ocejo
Deusto, Grupo Planeta, 2021

Hace más de medio siglo, el filósofo José Luis López Aranguren se lamentaba de la desmoralización que invadía la sociedad española como resultado de la neutralización política de una ciudadanía, cómplice con el poder, que solo aspira al aumento de los ingresos y del bienestar1. En conversación con Javier Muguerza2, Aranguren insistía: «En una época de crisis como la nuestra, los contenidos de la moral pueden tornarse cuestionables, pero lo que nada ni nadie nos puede arrebatar, si no queremos dejárnosla arrebatar, es la actitud moral».

Una afirmación de esta naturaleza, referida tanto al intelectual como al ciudadano de a pie, puede parecer intemporal y plenamente justificada. No son infrecuentes las llamadas a un rearme moral de la sociedad, ni resulta extraña la apelación a la justicia y el bien como motivación última de la acción política. ¿Qué otra cosa mejor podríamos pedir a la ciudadanía y a la clase política que mantener vivo su compromiso moral? ¿No es, acaso, este compromiso un bien en sí mismo?

Sin embargo, ciertos fenómenos políticos y sociales ocurridos estos últimos años como consecuencia del avance de los populismos, las guerras culturales, la caza de brujas, el terrorismo de motivación religiosa o los nacionalismos agresivos han devuelto protagonismo a un viejo problema filosófico: la compleja relación entre moralidad, legitimidad y legalidad, o dicho de otro modo, al papel que las creencias morales deben tener en el ámbito de la actividad política e institucional, especialmente en las sociedades democráticas. Y es que hay buenas razones para pensar que el desiderátum del viejo filósofo español puede llegar a constituir un grave problema para las sociedades democráticas y que lo más sensato sería alejar la moral de la vida política y la convivencia social. ¿Por qué?

El psiquiatra español Pablo Malo ha publicado recientemente (Deusto, 2021) un ensayo que lleva por título Los peligros de la moralidad. En esta obra, el doctor Malo, psiquiatra en ejercicio en el Servicio de Salud del País Vasco-Osakidetza, analiza el carácter ambivalente y problemático de nuestra mente moral y diagnostica una peligrosa hipermoralización que exacerba los extremismos, polariza las diferencias políticas y culturales y contamina las luchas identitarias con el tono épico y agónico de la pugna entre el bien y el mal. El libro pone el foco con valentía en un campo de análisis polémico de gran interés y actualidad, sintetizando una abundante e interesante bibliografía sobre el tema.

El primer paso para manejar los efectos perversos de una visión moralista y moralizante de la vida social y política pasa por adquirir una buena comprensión de la moralidad. Y ello solo es posible, en opinión del autor, situando la moral en el marco de una visión naturalista, inspirada en la psicología evolucionista, lejos de las convenciones filosóficas o religiosas y de todo dogmatismo. En particular, hay una idea que debe ser abandonada urgentemente: no existen ni el bien ni el mal puros y, en consecuencia, no existen personas ni actos puramente buenos o malos. No hay mayor ni más urgente reto que explicar cómo ciertas personas cuyos valores consideramos moralmente buenos pueden llegar a cometer actos que nos parecen atroces, sin que ello sea percibido como una contradicción moral, como ocurre en la intimidad moral de la mente del terrorista o del votante radical de ciertas ideologías extremas. El autor del libro conoce de primera mano los paradójicos efectos que el terrorismo nacionalista de ETA causó en la sociedad vasca y sus contradicciones morales.

Atentado de ETA en la T4, en 2006.

En los primeros cuatro capítulos del libro, el autor define ese marco conceptual evolucionista con el que intenta dar cuenta del significado de la moralidad. Una vez desplegadas estas herramientas conceptuales, Malo procede a hacer una interpretación de ciertos fenómenos políticos y sociales que, como ya dijimos, resultan del mayor interés para la vida democrática. Así, en el capítulo cinco, el autor trata sobre la indignación moral y de un nuevo vehículo para expresarla, las redes sociales, convertidas en unos particulares tribunales de justicia popular. El capítulo seis aborda el fenómeno de la hipermoralización que impregna de significación moral -con lo que ello comporta- muchos fenómenos antaño carentes de ella. En el capítulo siete, el autor repasa los problemas que la moralidad supone en dos aspectos fundamentales. Por una parte, el peligro de llevarnos a la violencia moralista, la violencia más frecuente, grave y masiva a lo largo de la historia. Por otra, el peligro que la moralidad encierra para el buen funcionamiento de dos instituciones básicas de nuestras sociedades: la democracia y la ciencia. El libro se cierra con un capítulo final de conclusiones y perspectivas de futuro.

No podemos abordar todos y cada uno de los asuntos tratados en el texto, por lo que comentaremos solo aquellos que nos parecen más relevantes, al tiempo que emplazamos al lector a completar la lectura de una obra sin duda muy recomendable.

Un marco naturalista para entender la mente moral

La moralidad consiste, según el autor, en la capacidad singular de los seres humanos de distinguir el bien del mal. La mente moral no se encuentra comprometida a priori con un contenido moral concreto (tal cosa es buena o mala), algo que depende de las condiciones culturales que alimentan el aprendizaje individual y, en consecuencia, varía en el espacio y en el tiempo. Sin embargo, sí existen ciertas disposiciones morales que configuran la gramática profunda de nuestra mente moral y son decisivas en su análisis. En opinión del doctor Malo, la psicología evolucionista nos provee de un marco conceptual iluminador capaz de esclarecer estas paradojas, aunque no las haga desaparecer. De acuerdo con este marco conceptual, la moralidad se presenta antes que nada como una adaptación biológica surgida en nuestra especie por selección natural. Como toda adaptación, sirve al interés reproductivo del individuo. No debemos olvidar su origen, si queremos evitar falsas suposiciones acerca de sus contenidos o de su naturaleza. La moral es contingente, como cualquier otro producto evolutivo. Nada hay necesario en ella.

Siguiendo las directrices elaboradas en las últimas décadas por biólogos y psicólogos evolucionistas, Malo estima que la evolución de la mente moral está ligada al desarrollo de ciertas presiones de selección en favor del altruismo y la cooperación. Ese proceso evolutivo ha tenido tres grandes hitos: la conducta altruista, explicada como resultado del esfuerzo por salvaguardar el acervo genético compartido entre parientes consanguíneos (selección de parientes); la cooperación directa para beneficio mutuo, que permite la cooperación entre individuos en contextos de interacciones repetidas en grupos pequeños, de manera que el dilema entre cooperar o dejar de hacerlo se mantiene en equilibrio gracias a que de cada individuo puede castigar al compañero egoísta negándole la ayuda en la siguiente interacción; y la reciprocidad indirecta, que es aquella en la que la recompensa o pago por un favor que realiza un individuo le será devuelto por parte de una tercera persona o de la sociedad en su conjunto. Esta última modalidad ha permitido crear sociedades cohesionadas formadas por grandes grupos de individuos que no solo no están emparentados genéticamente, sino que ni siquiera se conocen.

El éxito de la cooperación para beneficio mutuo y de la reciprocidad indirecta se ha producido, como recuerda el autor, gracias a ciertos mecanismos inscritos en lo más profundo de la mente moral de todo ser humano. El prestigio y la reputación, de una parte, y el castigo y el ostracismo, de otra, son las herramientas niveladoras que permiten contener, dentro de un orden, la proliferación de conductas egoístas. La pérdida de la reputación por haber cometido un acto inmoral o haber denegado ayuda cuando existía un compromiso es algo muy grave que puede llevar al suicidio o al homicidio. El rechazo y la condena social tienen un terrible impacto psicológico en el ser humano; la condena al ostracismo es una especie de muerte social y la ruptura del sentido de conexión y pertenencia es uno de los factores de riesgo ampliamente aceptados para el suicidio.

Protestas por la muerte de George Floyd, 2020

Para conseguir este difícil equilibrio evolutivo fue necesaria la circulación abundante de información sobre la calidad y fiabilidad morales de las personas mediante el cotilleo y la cháchara, que tanto hacen disfrutar al ser humano. Esa información, que construye o destruye la reputación y el prestigio del potencial cooperante, resultó y resulta determinante en las interacciones sociales para el éxito o el fracaso de los intereses y alianzas de los individuos. Pero nuestra mente moral, además, se consolidó ligada a un sesgo fuertemente tribal marcado por la decisiva oposición entre un «nosotros» y un «ellos». Nuestra psicología tribal nos permite identificarnos y coordinarnos con los miembros de nuestro grupo, facilitando la satisfacción de nuestras necesidades. Tendemos a preferir y a favorecer a los miembros de nuestro grupo frente a los miembros de otros grupos.

Los miembros del mismo grupo poseen normas de conducta similares que facilitan el éxito de la cooperación. Además, están sujetos a que su comportamiento puede afectar a su reputación y ser objeto de castigo. La cooperación, cuando no se posee información de primera mano sobre los individuos con los que se interacciona, necesita la identificación de los miembros en los que se puede confiar, es decir, los del endogrupo. Esta identificación quedó en manos de un conjunto de signos o marcadores de pertenencia muy variados: ropa, pintura, tatuajes, lengua, rasgos físicos, costumbres alimenticias, prácticas rituales, etc.

Otros marcadores menos evidentes, pero no menos importantes, en opinión de ciertos psicólogos evolucionistas como John Tooby, son las creencias o la ideología. Las ideas y creencias no son solo una cuestión personal, nos abren las puertas de la pertenencia al grupo y señalan también esa identidad hacia el exterior. Malo se adhiere a esta interpretación, pues permite dar sentido al asombroso, diverso y exuberante mundo de las creencias y prácticas culturales, incluso a las más absurdas y arbitrarias. La comunicación de verdades funcionales, de verdades neutras, de hechos claros y comprobados puede no servir como señal diferencial. Por el contrario, unas creencias exageradas, inusuales, por ejemplo, creencias sobrenaturales o altamente improbables (alarmismos, conspiraciones y muchas otras creencias que circulan para estupor de muchos) no se mantendrían si no es como expresión de una identidad.

Sea esta u otra la explicación correcta, el tribalismo característicamente humano ha impuesto severos límites a la interacción con los otros y a su evaluación moral. Por ejemplo, la división Ellos/Nosotros limita el alcance de la tan traída empatía, que muestra grandes limitaciones para atravesar las barreras de nuestro círculo social, exige lealtades inquebrantables, impone el dominio de la lealtad por encima de la honestidad y moviliza todo tipo de coaliciones que tienen la función de ampliar el poder de los individuos ofreciéndoles más poder frente a los otros. Este es un hecho de extraordinaria importancia: los límites de nuestras normas morales llegan hasta los límites de nuestro grupo, es decir, no aplicamos las mismas normas morales a los miembros de nuestro grupo que a los individuos que no pertenecen a nuestro grupo.

La mente moral en el mundo moderno

Moralización

La historia de occidente durante los dos últimos siglos puede interpretarse, al menos parcialmente, como un proceso de secularización y amoralización, legado de la Ilustración. La amoralización sería el proceso por el que ciertos objetos o conductas salen del campo de la moral. Por ejemplo, durante el último medio siglo hemos presenciado cómo ciertas conductas como la masturbación, el sexo prematrimonial o las relaciones homosexuales se liberaban de su significación moral negativa -al menos parcialmente y no en todas partes por igual-. Este fenómeno ha traído indudables avances para la convivencia en sociedades cada vez más plurales, una tendencia que parece frenarse en los últimos tiempos.

La moralización, por el contrario, es el proceso por el que una actividad que previamente se consideraba fuera del campo moral entra dentro de él. No se conocen bien los factores que desatan este proceso, pero así ha ocurrido en las últimas décadas con el consumo de carne -criticado desde posiciones conservacionistas-, con el consumo de tabaco -cuestionado por su impacto sobre la salud individual y colectiva- o con el cuidado de los animales -desde posiciones animalistas-. Y, más recientemente, durante la pandemia, en el enfrentamiento con los denominados antivacunas. En el ámbito político, por su parte, la pugna entre partidos también ha rebasado los límites de los programas políticos y las medidas económicas, para adentrarse en el ámbito de la moral, hasta convertir a los grupos políticos en tribus morales enfrentadas que ven al oponente como un Otro inferior y que incentivan relaciones de exclusión que rompen amistades y familias.

En todo caso, la cuestión de fondo es que, cuando algo entra en el campo moral, se convierte en un debe y pone en alerta a los individuos frente a la conducta de los otros. Si algo tiene carácter moral, se puede y se debe recriminar, no basta solo con disentir, y reclama una regulación social promoviendo un movimiento general de las instituciones y de los medios de comunicación en esa dirección, para garantizar ese «deber ser». La moralización desata entonces los resortes de la mente moral, excitando las reacciones emocionales, los tribalismos y los dogmatismos que dificultan cualquier negociación entre partes. Incluso la violencia puede ser contemplada como medio legítimo.

Victimismo

Un fenómeno análogo al anterior ha ocurrido con el desarrollo de una hipersensibilidad ante los agravios, tal y como refiere Malo. Los conceptos de trauma y víctima han sufrido una ampliación semántica. En un principio, el concepto de trauma hacía referencia a heridas físicas (trauma procede de la palabra griega para «herida»). Su causa era un suceso externo y sus efectos eran orgánicos, aunque se podían manifestar con síntomas psicológicos. Sin embargo, el suceso traumático ha ampliado su extensión, ya no necesita ser una amenaza a la vida, ni estar fuera del rango de la experiencia humana normal, no tiene por qué crear malestar en casi cualquier persona. Solo es necesario que la persona lo viva como perjudicial. Bajo esta definición, el concepto no solo se ha hecho mucho más amplio, sino más subjetivo, abierto a múltiples sensibilidades nacidas de experiencias y conductas negativas, por acción u omisión. Como consecuencia se identifican más tipos de experiencias como perjudiciales y a más tipos de personas como perjudicadas, como víctimas que necesitan cuidado y protección.

Este nuevo marco, más sensible y receptivo, que amplía el espacio del sufrimiento, desencadena, sin embargo, ciertos efectos perversos. Si bien las víctimas se definen por su sufrimiento, vulnerabilidad e inocencia, se disminuye su capacidad para salir de su situación por sus propios medios, es decir, crea dependencia, al tiempo que aumenta el encasillamiento de los villanos morales, los abusadores como únicos agentes morales. Los ejemplos traídos por el autor proceden mayoritariamente de las sociedades norteamericana y británica. Y su contexto más inmediato es el de las universidades y la vida académica. En este mundo sensible, intelectualizado y proactivo se ha instalado, por ejemplo, el concepto de microagresión. Derald Wing Sue define las microagresiones como «las breves y cotidianas indignidades verbales, conductuales y ambientales, intencionadas o no intencionadas, que comunican una actitud hostil, negativa o despectiva en temas raciales, de género u orientación sexual, e insultos leves religiosos contra individuos o grupos». Entre nosotros, este concepto ha adoptado típicamente la forma de micromachismos, un tipo específico de microagresión.

Bradley Campbell y Jason Manning, cuya obra sirve de guía a Pablo Malo, han desarrollado una teoría acerca del victimismo3. Distinguen estos autores entre dos tipos de cultura convencionales: la cultura del honor y la cultura de la dignidad. En la primera, es la reputación lo que hace que alguien sea honorable o no, y uno debe responder agresivamente a los insultos, las agresiones y los desafíos, porque si no lo hace pierde el honor. En la segunda, se considera que, en vez de honor, las personas tienen dignidad, que es inherente a ellas, por lo que no puede ser alienada por otros, ni tiene que ser demostrada. La dignidad existe independientemente de lo que otros piensen, por lo que la reputación social es menos relevante.

Nuestra cultura actual, según Campbell y Manning, está adquiriendo una forma híbrida con elementos de ambas culturas. Por una parte, la creciente sensibilidad ciudadana es más propia de la cultura del honor, muy sensible a la ofensa, pero, por otra, los individuos no responden personalmente, buscando directamente la reparación de su honor, sino procurando el respaldo de terceras partes, como exige el recurso a las instituciones que protegen los derechos dentro de la cultura de la dignidad. Esto último sería impensable en una cultura del honor. Dos aspectos distinguen esta nueva cultura híbrida del victimismo. Por una parte, las ofensas que desencadenan protestas son, en muchos casos, cuestiones menores que podrían interpretarse como asuntos relativos a las buenas formas, imputables a la mala educación o la ignorancia, asuntos reprobables en el plano puramente personal. Por otra, el individuo o colectivo que se siente ofendido recurre a las redes sociales para hacer público su problema y movilizar rápidamente la opinión pública en su favor y contra el agresor -sin mediación institucional-.

Cancelación y redes sociales

Otro fenómeno ligado a la creciente indignación moral es la llamada «cultura de la cancelación» o, dicho de otro modo, de la censura, silenciamiento u ostracismo. Ya sabemos la importancia que la reputación tiene para la vida social en nuestra especie y cómo nuestra mente ha evolucionado para utilizarla como indicador de confiabilidad. Otro tanto ocurre con la función del castigo y el ostracismo como penalización dirigida contra individuos que rompen las reglas y convenciones sociales -malas compañías para una mente cooperativa-. La expresión «cancelación» nació para referirse a la suspensión de conferencias de ciertos académicos o intelectuales en las universidades estadounidenses, porque un sector de los estudiantes no los consideraba moralmente adecuados. La cancelación se produce utilizando las redes sociales o también convocando manifestaciones in situ con el objetivo de boicotear el acto. Numerosas personas han sido objeto de cancelación en el ámbito intelectual, académico, literario o político, aunque también han sufrido este castigo personas anónimas que publican fotos, textos o reflexiones en cualquier medio. Una vez más, las redes sociales se convierten en el medio preferido para airear esta indignación moral.

Aunque algunos defensores del fenómeno han argüido que la cancelación es solo una forma de crítica, hay razones para pensar que detrás de ella hay algo más. Malo, siguiendo a Jonathan Rauch, identifica algunas señales inequívocas de que la cancelación desborda la crítica lícita para ir más allá: la cancelación busca el castigo más que la corrección de un error, pretende silenciar a su objetivo eliminando la disidencia; no utiliza la persuasión, sino la fuerza y el miedo; no dialoga con el individuo ni discute sus ideas, sino que estigmatiza a la persona con argumentos ad hominem u otros recursos no veraces, al tiempo que promueve el exhibicionismo moral de quienes realizan la crítica. Como señala el autor, la cuestión de fondo, lo verdaderamente preocupante, es que lo que estas cancelaciones buscan no es otra cosa que crear un régimen de miedo en el que la gente tema dar su opinión y en el que ciertas ideas no puedan ser cuestionadas.

Una nueva religión secular: la teoría de la Justicia Social Crítica

Es indudable que las últimas décadas han visto crecer la polarización política. Como resume el propio Malo, estamos en un momento histórico en el que el liberalismo y la modernidad que se encuentra en el corazón de la civilización occidental están amenazados. La amenaza procede de dos tipos de fuerzas, una revolucionaria y otra reaccionaria. Por un lado, están proliferando movimientos de extrema derecha que buscan dictadores que defiendan los valores occidentales tradicionales. Por otro lado, en la extrema izquierda, los cruzados progresistas sociales actúan como paladines del progreso moral sin los cuales la democracia estaría vacía.

Pero la atención del autor se dirige particularmente hacia una forma de ideología social autoritaria alimentada intelectualmente por el pensamiento posmoderno. Siguiendo la interpretación de Helen Pluckrose y James Lindsay en su obra Cynical Theories, Malo identifica el origen de la denominada teoría de la Justicia Social Crítica como un derivado de las ideas posmodernas. La posmodernidad echó a andar hace cinco décadas como crítica contra el legado ilustrado y positivista. Su discurso se estructuró en dos vectores: como crítica epistemológica, defendiendo el relativismo cultural, la disolución de la verdad y el escepticismo gnoseológico, y como crítica política, desvelando las relaciones entre conocimiento y poder. En los años noventa, el discurso posmoderno tomó una orientación hacia el activismo político y social, algo menos etéreo y abstracto. En esta época, el discurso posmoderno alumbró un conjunto de teorías como la teoría queer, la teoría poscolonial, la teoría crítica de la raza y la interseccionalidad, el feminismo y los estudios de género, los estudios sobre discapacidades y obesidad y otros.

Estas nuevas teorías, englobadas en la Justicia Social Crítica, mantienen una doble filiación. Por una parte, beben del posmodernismo al rebasar el marco reivindicativo de la lucha por los derechos civiles de las minorías -formalmente alcanzados- característico de la democracia liberal, un marco insuficiente por sus vínculos con el statu quo, es decir, con un sistema político en el que los derechos tienen una realidad más formal que sustantiva y en el que predominan los intereses de la clase política típicamente heterosexual, patriarcal y blanca. Pero, por otra parte, al estilo de la vieja Teoría Crítica frankfurtiana, necesitan ir más allá del escepticismo posmoderno, nihilista, para poner en marcha una verdadera transformación social y moral del mundo. Dicho de otro modo, el nuevo marco teórico de la Justicia Social Crítica rebasa el ámbito descriptivo para adentrarse en lo normativo, en lo moral. El resultado final es un «posmodernismo aplicado», como lo llaman Pluckrose y Lindsay, que abandona el escepticismo para considerar que la opresión sobre ciertos grupos basada en su identidad, aunque esta sea una construcción social, es real y tiene consecuencias objetivamente negativas que se deben combatir, luchando contra el modelo dominante.

Malo hace suya la interpretación de Pluckrose y Lindsay según la cual el modelo liberal democrático ha sido puesto en jaque por esta nueva teoría crítica. La defensa de los derechos de las minorías raciales o de la mujer no dejan de ser ajustes menores dentro del propio sistema de desigualdades que consagra el liberalismo, meros apaños, y es el propio modelo el que se cuestiona. Este cambio se ha iniciado en el mundo anglosajón (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido y Australia) y todavía no ha afectado en el mismo grado a España y a los países de lengua hispana, aunque es sensato pensar que también llegará hasta nosotros. Hasta cierto punto, algunas de las políticas de igualdad en España, los conflictos internos del feminismo o ciertas reivindicaciones sociales de la izquierda más radical reproducen los mensajes de la Justicia Social Crítica -especialmente en cuestiones de género y en la defensa de las minorías-.

La Justicia Social Crítica también ha tomado la denominación «wokismo», del término inglés «woke», despertar, que hace referencia a la necesidad de tomar conciencia de la injusticia que soportan determinados colectivos. El wokismo tiene algunos rasgos comunes con una actitud religiosa y Malo hace suya la interpretación del historiador Tom Holland y otros intelectuales como James Lindsay, Mike Nayna, Jonathan Haidt, Andrew Sullivan o John McWorther, al contemplar la Justicia Social Crítica como una nueva religión secular de izquierdas. Jonathan Haidt, por ejemplo, afirma que, en cada universidad, algunos verdaderos creyentes han reorientado su vida alrededor de una lucha contra el mal, y Andrew Sullivan se pregunta si la interseccionalidad, que es el concepto que une todas las ramas de la Justicia Social Crítica, es una nueva religión.

Malo sigue a Holland cuando interpreta el movimiento #MeToo, el #BlackLivesMatters, y, más genéricamente, el wokismo, como manifestaciones de la matriz de pensamiento y acción cristianas4. La lectura de Holland, que Malo asume, ve en la Justicia Social Crítica la reproducción de una vieja polémica, la que enfrentó a Pelagio con Agustín de Hipona acerca del valor de las acciones personales en la salvación. Mientras que Agustín despreciaba el valor de las acciones individuales para salvar el alma, algo que depende finalmente de la Gracia divina como consecuencia del pecado original, Pelagio consideraba esencial la virtud personal y la transformación moral del mundo. En opinión de Holland, la izquierda estaría en la posición de Pelagio, la de exigir a los demás un cambio de actitud, en actitud punitiva y reclamando para sí la pureza moral. La izquierda radical actúa como si se encontrara en posesión de la verdad moral y ello confiere superioridad a su discurso y justifica su actitud punitiva. La vida se presenta como un enfrentamiento entre el bien y el mal, entre discursos dominantes -el del hombre blanco heterosexual, chivo expiatorio y culpable genérico de todos los males- y discursos e identidades excluidas, un mundo de relaciones de poder cuyo balance debe ser corregido. Aunque este marco de pensamiento sea compartido por una minoría (Malo, citando a otros autores, estima que puede suponer un 10% de la opinión pública norteamericana), su posicionamiento moralizante y su agresividad disuade a la ciudadanía de un enfrentamiento directo pues nadie desea ser identificado como miembro del bando opresor.

Pablo Malo es pesimista y duro en su juicio sobre el alcance y la evolución de este fenómeno. El papel realizado anteriormente por la religión ha sido asumido ahora por la Justicia Social Crítica, que representa un movimiento con los valores éticos y morales cristianos, pero sin Dios. El resultado, como señala el autor, es la caza de brujas es implacable y cruel, y no sirve de nada pedir perdón. El culpable debe ser aniquilado, silenciado, excomulgado, condenado al ostracismo, sin importar que, en muchos casos, estos linchamientos hayan acabado en suicidios. No se puede descartar que también los tibios, los que no sancionan, terminen siendo objeto de descalificación.

Perspectivas de futuro

Pablo Malo deja para el final la respuesta a la pregunta que subyace a lo largo del libro: ¿qué podemos hacer frente a estos desafíos? El autor presenta un conjunto de medidas que «deben tomarse como lo que son, un torbellino de ideas y no como algo consolidado y firme». En síntesis, son las siguientes:
Un primer paso fundamental es darse cuenta de que la moralidad constituye un peligro, algo de lo que mucha gente no es consciente, pues solemos fijarnos en sus aspectos positivos (por ejemplo, la búsqueda de justicia) e ignorar su lado oscuro. Este peligro supone un problema extremadamente difícil de solucionar, ya que nuestra mente moral es parte de la naturaleza humana, evolucionada para facilitar la cooperación dentro de grupo y la competencia con otros grupos. Así, nuestro carácter tribal no es eliminable de la ecuación. Las soluciones, pues, deben ir en la línea de diseñar instituciones (diques de contención) que mantengan a raya los excesos de nuestra moralidad.

Malo recoge también algunas sugerencias interesantes, pero difíciles de articular. Por ejemplo, el denominado abolicionismo moral. Se trataría de hacernos ateos de la moralidad del mismo modo que nos hicimos ateos con respecto a la existencia de Dios. El objetivo sería reducir al máximo la moralización. En realidad, no se trata de abolir la moralidad, sino de domarla. Introducir racionalidad en los conflictos y extraer de ellos sus resonancias morales. Olvidar los planteamientos en términos de buenos o malos y buscar salidas negociadas. Al fin y al cabo, la biología nos enseña que la moralidad es un medio para un fin, no un fin en sí mismo. Lo esencial es la cooperación y podemos intentar conseguirla sin pasar por la moralidad.

En el ámbito político, «la idea esencial sería sacar la moralidad de la vida pública todo lo que podamos, dejarla para el ámbito de lo privado». Para ello es necesario crear instituciones que sujeten nuestros instintos morales. Por ejemplo, cambiando el diseño de las redes sociales, que actúan como potenciadores de lo peor de nosotros o rediseñando nuestras instituciones políticas y la forma en que se reparte el poder, para que se favorezca la cooperación y la colaboración y no el enfrentamiento. Otro punto con respecto a la política es que necesitamos despolitizar nuestras vidas y recuperar otras formas de realización personal como las relaciones de amistad, la familia y los seres queridos o la cultura, los espacios y la naturaleza. En el ámbito social, repite la misma idea: sacar la ideología y los contenidos morales de nuestra convivencia diaria. El adoctrinamiento debe quedar fuera del ámbito público. Todo lo que comenta sobre el mundo laboral se puede aplicar también a la escuela y al sistema educativo.

En este mismo sentido, Malo defiende la necesidad de fomentar el escepticismo en todos los niveles: «Hoy en día las narrativas se venden en paquetes y solo hay dos posiciones: comprar el paquete completo o rechazarlo». Por el contrario, deberíamos aplicar una suerte de regla como esta: «Nadie tiene la última palabra: tú puedes afirmar que una declaración está establecida como conocimiento solo si puede ser refutada, en principio, y solo en la medida en que aguanta los intentos de refutarla».

Algunas reflexiones complementarias desde una perspectiva evolucionista

El término moralidad abarca un amplio conjunto de fenómenos y rasgos de comportamiento humano que influyen en las interacciones sociales. Teniendo en cuenta esta complejidad resulta difícil elaborar una explicación evolutiva que dé cuenta de la moralidad. Darwin fue el primero en intentarlo y, desde él, ha habido otros muchos intentos. En los últimos 40 años ha ganado fuerza la tesis darwinista, que suscribe Malo, de que la moralidad tiene un origen adaptativo, promoviendo la evolución de un comportamiento cooperativo dentro de las sociedades humanas. Esta visión de la moralidad como un medio (una adaptación), para conseguir un fin (la cooperación), da cuenta de un rasgo decisivo de la moralidad: el hecho de que los juicios morales implican una intención expresiva y prescriptiva, una posición defendida filosóficamente por figuras como Hume, Stevenson o Hare. Un juicio moral no es nunca meramente descriptivo. Incluso las fórmulas más neutrales comunican un fondo imperativo.

Esta interpretación evolutiva deja sin explicar, en nuestra opinión, un rasgo de la moralidad igual de relevante que el anterior, y que Malo, siguiendo a Linda Skitka, también reconoce: la percepción de que, desde una perspectiva folk, lo bueno y lo malo se presentan a la conciencia individual como si estuvieran dotados de cierto tipo de objetividad y universalidad. Los individuos interactúan y aprenden en un mundo cultural convencional que incluye normas que les son presentadas con la misma exterioridad que caracteriza a las propiedades materiales del mundo físico, como si fuesen elementos del campo objetivo de los hechos. Esta percepción de nuestras creencias y prácticas de una manera compatible con una interpretación objetiva de la moralidad debe incluirse en una explicación naturalista que intente abarcar el comportamiento moral en sus aspectos esenciales.

Nosotros hemos sugerido que para ello es necesario completar este escenario evolutivo, considerando un aspecto importante de la arquitectura cognitiva humana que procede de nuestra evolución como organismos culturales. El secreto de nuestro éxito, por usar la expresión de Joseph Henrich, está en nuestra capacidad evolucionada para la transmisión y acumulación culturales, pues es la cultura, en su extraordinaria complejidad, la que nos ha permitido colonizar con éxito adaptativo el planeta entero. En esta visión coevolutiva de genes y cultura, que difiere en algunos aspectos relevantes de la que proponen los psicólogos evolucionistas, la transmisión cultural acumulativa necesitó sus propios mecanismos evolutivos, anteriores incluso al desarrollo de la cooperación genuinamente humana, y cuyos efectos sobre nuestra cognición se hacen visibles en nuestra mente moral5. Entre esos mecanismos, nosotros hemos destacado la capacidad de orientar el aprendizaje de los hijos, utilizando formas elementales de enseñanza mediante la aprobación o la desaprobación de su conducta. Esas formas básicas de enseñanza, a las que hemos denominado enseñanza assessor, permitieron a los padres transmitir a sus hijos la experiencia acumulada, tanto sobre los comportamientos que deben imitar como sobre los que deben evitar6. Hemos llamado psicología suadens (del latín suadeo: a valorar, aprobar o aconsejar) al conjunto de características cognitivas que han hecho posible la enseñanza assessor7.

La enseñanza assessor da pie a percibir lo que aprendemos, nuestras creencias adquiridas, de una manera que favorece una interpretación objetiva de la información transmitida. Cuando los padres corrigen el comportamiento de sus hijos, las orientaciones vienen provistas de un valor de veracidad y corrección que no puede reducirse a un criterio funcional. La selección natural nos ha hecho sensibles a las indicaciones sobre cómo debemos comportarnos por parte de las personas afectivamente más próximas -familia, amigos-, buscando su aprobación y tratando de evitar su rechazo. Como resultado, el aprendiz assessor percibe las emociones sociales de agrado o desagrado derivadas de la práctica de un comportamiento, como si fueran señales objetivas del valor intrínseco de los comportamientos: si se aprueba un comportamiento, entonces es bueno, si se desaprueba, entonces es malo.

De ahí, la inmediatez con la que el individuo percibe y experimenta sus prácticas, creencias, usos y tradiciones. Esta orientación emocional sobre qué aprender y cómo actuar es clave en la interiorización de valores y normas y, al tiempo, es responsable de que se mantengan muchas tradiciones, creencias y valores en las sociedades humanas, aunque carezcan, en muchos casos, de una justificación racional o empírica que avale su permanencia8.

El apoyo emocional que hace posible y eficiente el aprendizaje assessor ayuda a construir una imagen del mundo con una pretensión de objetividad que, sin embargo, está en el extremo opuesto de cualquier actitud ética que sea distanciada, reflexiva y crítica. En esa objetividad, la mente de cada individuo confunde la representación compartida del mundo (su mundo), con el mundo, y el conjunto empírico de preferencias y prácticas (sus valores), con los valores. De una manera casi inevitable, los individuos con una psicología suadens adoptan la disposición intelectual y moral de un creyente. Ese ha sido el precio que hubo que pagar por el desarrollo de nuestro sistema de aprendizaje cultural acumulativo. Esa percepción folk de la verdad de nuestros valores como algo objetivo dificulta enormemente el dialogo entre tradiciones culturales diferentes y produce desconfianza y recelo ante valores y conductas que exhiben los miembros de otros grupos.

Constatar esta situación no implica que los autores de este comentario ni la mayor parte de sus potenciales lectores, educados en una tradición ilustrada, tengamos que renunciar a nuestros valores democráticos, o a defender los principios de la Declaración Universal de los Derechos Humanos. Tampoco nos exige la búsqueda, siempre, de una solución intermedia, pactada, para satisfacer parcialmente valores que consideramos profundamente equivocados. Sin embargo, asumir que nuestras convicciones son fruto de un aprendizaje emocional, que podría haber sido otro, sí que nos obliga a no deshumanizar a nuestros oponentes por pensar de manera distinta.

La historia nos muestra que muchas personas inteligentes y honestas en sus convicciones han vivido (y viven) con naturalidad en sociedades xenófobas, machistas, homófobas y nada tolerantes con religiones distintas de la mayoritaria. Podemos utilizar la racionalidad para mostrar cuáles son los principios axiomáticos, las inconsistencias y los inconvenientes que detectamos en las tradiciones ajenas, aceptando que nuestros oponentes tienen derecho a hacer lo mismo con la nuestra. Por desgracia, solo una pequeña parte de las tradiciones que rigen una sociedad tiene contenido empírico y pueden ser refutadas en un sentido popperiano, como desea el autor. A nivel individual parecerá poca cosa, pero lo honesto, sabiendo lo que sabemos, es tenerlo en cuenta cuando interaccionamos con los demás.

A nivel colectivo, como también sugiere Malo, habría que potenciar instituciones que eviten la estigmatización del diferente y ordenen la interacción social y política dentro de los cauces del respeto y la racionalidad, caracterizando de manera explícita el marco axiomático valorativo del que partimos. O para expresarlo en términos psicobiológicos, el objetivo de nuestras políticas no es tanto la naturaleza humana, algo que para nuestros cálculos podemos considerar inalterable, cuanto la construcción de un ecosistema social robusto capaz de sujetar su lado más conflictivo.

1. Panea Márquez, J. M. (2015). «JL López Aranguren (1909-1996) y el problema de nuestro tiempo». Revista internacional de pensamiento político, 10, 273-289. 
2. Citado por Panea Márquez (2015), pág. 281. 
3. Véase el libro de Bradley Campbell y Jason Manning The Rise of Victimhood Culture, en el que elaboran la teoría acerca del victimismo que sigue el autor. 
4. Véase el libro de Tom Holland Dominion: The Making of the Western Mind. 
5. Castro, L., Castro-Nogueira, M. A., Villarroel, M., & Toro, M. A. (2021). Assessor teaching and the evolution of human morality. Biological Theory, 16, 5–15. https://doi.org/10.1007/s13752-020-00362-7. 
6. Castro, L., & Toro, M. A. (2004). The evolution of culture: From primate social learning to human culture. Proceedings of the National Academy of Sciences, USA, 101, 10235–10240. 
7. Castro L., Castro-Nogueira L., Castro-Nogueira, M.A., & Toro, M.A. (2010). Cultural transmission and social control of human behavior. Biology and Philosophy 25, 347-360. Y también Castro, L., Castro-Nogueira, M. A., Villarroel, M., & Toro, M. A. (2019). The role of assessor teaching in human culture. Biological Theory, 14, 112–121 
8. Para una versión detallada véase el libro de Laureano, Luis y Miguel Castro-Nogueira. ¿Quién teme a la naturaleza humana?, Tecnos 2016 (2ª edición). 
[Fuente: http://www.revistadelibros.com]

De la nobleza polaca, aunque « más mexicana que el mole », la autora, Premio Cervantes 2013 y cronista deslumbrante, examina con inteligencia el mundo; del feminismo a los estudiantes desaparecidos.

Poniatowska

Publicado por Laura Ventura
Después de que hubiese amamantado a su hijo recién nacido, a las 7 de la mañana, dejaba el bebé en la cuna al cuidado de su marido y salía a la calle a buscar testimonios. Del refugio de su hogar a la intemperie del horror; del calor de lo doméstico al frío de la incertidumbre; del instinto maternal a la experiencia que da el oficio. Era 1968, año clave para el movimiento estudiantil en todo el planeta, y en el DF mexicano una masacre, cuyo número de víctimas aún hoy se desconoce, ocurría en la Plaza de las Tres Culturas. Elena Poniatowska recogía voces anónimas en los hospitales, en las esquinas y en las cárceles, y las convertía en almas concretas, con nombre y apellido, piezas de un mosaico que construyó en La noche de Tlatelolco, uno de los textos más perfectos del llamado « nuevo periodismo ». « ¿Importa cómo me llamo? Póngame Juan », le decían a la reportera.
De aquella paleta de distintos matices y de ese mural coherente y poroso con el que construye su técnica a la deconstrucción de su vida en retazos y en instantáneas que su memoria rescata. Pasaron ya 46 años y aquel bebé, Felipe Haro, la mira con sus mismos ojos azules mientras ella encanta a desconocidos con sus relatos.
Hace algunos meses, la ganadora en 2013 del Premio Cervantes, máxima distinción para las letras en castellano, recibió un llamado de su amiga Paula Mónaco, periodista argentina, que la ponía al tanto de otro hecho atroz que involucraba estudiantes: los 43 normalistas de Ayotzinapa. « Vivos se los llevaron, vivos los queremos. Vamos a seguir indignados », dice con un tono cordial y sereno en la Universidad Complutense de Madrid, donde acaba de ser distinguida con el doctorado honoris causa. En esa aula elude halagos y agradece la oportunidad para referirse a sus compatriotas, a esos chavos. « No quiero hablar de masacre, no quiero usar esa palabra hasta que no se sepa la verdad. La desaparición es una nueva forma de tortura en mi país. »
Fiel a su estilo, la denuncia no se expone en forma de alarido, sino de arrullo. Su modo de confrontarse con el poder y de clamar justicia se manifiesta con una pluma exquisita, con la claridad y economía de expresión de quien domina la lengua, con el poder de hipnotizar auditorios con su cadencia, con la sabiduría de quien advierte que la masa está constituida por individualidades. En un reciente discurso en el Zócalo se tomó su tiempo para nombrar uno por uno a cada uno de estos estudiantes (« muchos de ellos tan chaparritos como yo ») con sus pasiones y sus sueños particulares.
« Pensábamos que con Tlatelolco ya era la última vez, pero no. Estamos aterrados con lo que sucedió. Ellos eran muchachos muy pobres que dormían en cartones. No tenían sitio donde poner sus cosas. Comían frijoles y arroz. Es incluso un crimen de racismo porque se trata de gente sin oportunidades, cuya única salida era ingresar en los normalistas [convertirse en maestro]. Los estudiantes están dispuestos a mantener vivo este reclamo. Lo que hicieron en Internet ha sido un ejemplo para la ciudadanía. Hay una acción espontánea que busca la verdad. ¿Quién nos cuida? No hay lazo entre los mexicanos y su gobierno. Cada uno que llega al poder lo usa como si fuese rancho de su propiedad », dice frente a un auditorio integrado por estudiantes españoles y por miembros de la prensa de habla hispana, todos ellos conocedores -y muchos también admiradores- de esta revolucionaria de la crónica.
¿Era consciente del texto que creaba cuando escribía La noche de Tlatelolco(1971)?
 
-A mí, por entonces, me dictaba la indignación. Tenía tal cantidad de material que demoré mucho; empecé a cortar las repeticiones y así nació. Mi marido [Guillermo Haro, fundador de la astronomía moderna en México, cuya biografía escribe Poniatowska en El universo o nada] me decía que no aguantaba escuchar todas esas voces.
-¿Considera que la no ficción debería considerarse un género literario en sí mismo?
 
-No. Pienso que todo el mundo, incluso los que dicen que escriben ficción, escriben su propia realidad. Carlos Fuentes escribió Cambio de piel, donde el personaje se separa de su mujer y como tiene gastritis anda con un frasco de leche rarísima. Esa novela la escribe en un momento en que se había separado de Rita Macedo. Hacía era un diario de su vida en ese momento.
-Usted dijo que las crónicas no deben dar respuestas.
 
-Sí. Ese fue mi intento, documentar sin dar respuestas. Además, soy muy insegura y todavía tengo mucho miedo de equivocarme, aunque hay que vencerlo. Pero también, cuando uno está muy seguro de sí mismo, mete la pata, se equivoca.
-¿Y tuvo alguna vez miedo del poder?
 
-Nunca, porque no personalizo tanto. No pienso que algo me puede pasar. Tengo una capacidad de inconsciencia inmensa desde niña.
-¿Es posible lograr la objetividad en un texto de no ficción, a pesar de que utilicen documentos y fuentes como estrategia para alcanzar verosimilitud?
 
-Nunca un texto es exactamente la realidad. Se construye. ¿Ves ese cuadro? [señala a un monarca con la banda de la familia Bordón]. Desde aquí veo una mano, pero tú ves la otra. El periodista puede ver cosas que el otro no ve o eso en lo que otro no se fijaría nunca. Son pareceres, todo depende del color con el que se mire algo.
-Y para usted la observación es fundamental.
 
-Sí. Mis preguntas parten siempre de ahí y de una gran ingenuidad. Cuando lo conocí a Diego Rivera no había visto sus murales, no sabía quién era. Me impresionaron sus dientes tan chiquitos en ese hombre tan grande y le pregunté si eran de leche: « Sí, para comerme polaquitas preguntonas », me dijo.
-¿Usted se considera periodista antes que escritora?
 
-Es que todo se lo debo al periodismo. Fue un aprendizaje de vida. Nunca podría haberme acercado a tanta gente y tener el privilegio de preguntar. La literatura exige tranquilidad, manos muy quietas, no las zozobras del periodismo, donde te das cuenta una vez publicada la historia de que podría estar mejor.
-Laura Restrepo escribió que usted « podría haber sido parte del boom« , pero que no se la incluyó por ser mujer y porque además estaba escribiendo un texto de « supervanguardia » cuando se producía la eclosión.
 
-Laura es una gran amiga y entiendo que ella señala que no hubo mujeres en el boom. Allí deberían haber estado Elena Garro, la primera mujer de Octavio Paz; Rosario Castellanos, porque para leer a Chiapas hay que leerla a ella, y María Luisa Puga. Yo no tendría por qué estar allí, por ser más joven además, si bien Vargas Llosa es parte del boom y tenemos casi la misma edad. Por entonces estaba en otra cosa.
-Esa otra cosa es Hasta no verte Jesús mío, la biografía de una mujer común, una lavandera.
 
-Sí. No pude poner su nombre verdadero. Iba los miércoles a verla y no me dejaba grabarla porque me decía que le robaba la luz. Por entonces mi grabador era una caja grandotota que necesitaba enchufarse.
-¿Se considera feminista?
 
-Sí. Somos muy olvidadas las mujeres. Nos sacan afuera. Esto no pasa solo en México, sino en América latina. Las mujeres que hacen algo son solteras o suicidadas, como Alfonsina Storni, Alejandra Pizarnik o Antonieta Rivas Mercado.
-Pero su caso es una excepción, formó una gran familia?
 
-Soy apenas una « pinche periodista ».
Así la llamaba su tía Guadalupe Amor para denostarla, celosa de su talento. Lupe era artista y había posado desnuda para Diego Rivera, pero era su sobrina quien estaba destinada a pasar a la historia por su osadía. « Sí, soy una pinche periodista, pero una periodista con suerte », retruca. Y, además, habría que agregar que es una periodista cuyos textos se estudian en las universidades.
Hace 82, hija de un príncipe, descendiente del último rey de Polonia, nacía en Francia Hélène Elizabeth Louise Amélie Paula Dolores Poniatowska Amor. « Mi origen polaco es relativo, está solo en el apellido. Soy más mexicana que el mole. » De esa infancia que califica como privilegiada y de una educación a la jeanette [el equivalente femenino de los boy scouts de la época], cuando su padre partió a la guerra, su madre regresó a su patria con sus dos hijas. « No lo vimos por muchos años a mi padre. Él vio Auschwitz y quedó dañado para siempre. »
De la racionalidad de la arquitectura francesa y la patisserie parisina a las ruinas prehispánicas y los sabores picantes, un nuevo mundo se abrió para la pequeña de 10 años. « En París nunca había visto gente descalza ni personas que se replegaran en las paredes a tu paso para no estorbar. Ese fue mi inicio, el interés por escribir sobre personas que nunca te van a leer, gente que no lee el periódico, cuyas vidas no son nada. » Ese poder de hacer visibles a los olvidados la condujo a bucear en personajes que no aparecen en los libros de historia, pero que fueron clave en la configuración de su país.
Sin el respaldo de una superficie sólida, en el reverso de hojas que contienen texto impreso, Poniatowska toma nota con una letra muy redonda. Sentada en la primera fila escucha con atención a un grupo de académicos que analiza su obra. Sin la monotonía de los renglones, con una diagramación más parecida a un cuadro sinóptico, escribe. Su secreto fue -y sigue siendo- saber escuchar a los demás. Una periodista se acerca a ella emocionada, le hace una pregunta y en lugar de dar espacio para una respuesta comienza a hacer gala de su erudición. Sus colegas se inquietan, pero la escritora la escucha azorada por esa verborragia que no respeta ninguna sintaxis. Gracias a esa paciencia y oído fino pudo « aprender el español en las calles con los gritos de los pregoneros » cuando llegó a México.
Esa abuela de diez nietos, diminuta y de contextura frágil, desterró de su boca el « había una vez » de los cuentos de hadas. Lo suyo no es la ficción. Hay un volcán de picardía en cada anécdota que la lleva a reproducir la frase perfecta de los encuentros más eclécticos que le ha tocado presenciar o protagonizar. Quizás uno de las más recientes sea la de su nieta menor con el rey Juan Carlos, en 2013, cuando toda su familia la acompañó a España para recibir la máxima distinción de las letras en castellano.
-¿Y tu corona?
 
-La tengo guardada en el bolsillo -respondió el monarca.
-¿Es bonito ser rey?
 
-A veces.
Y al relato polifónico le aporta sin moraleja un final. « Se ve que por entonces ya estaba pensando en dejarlo », resume.
No hay resentimiento en el discurso de Poniatowska. Es hábil para codearse con monarcas, analfabetos, sindicalistas, trabajadores y estudiantes, distintas generaciones y clases sociales. De un seno aristocrático, y con una educación que completó en los Estados Unidos, les dio voz a muchos librepensadores (y otros no tan anónimos) de izquierda.
-¿Tuvo enfrentamientos con su familia por sus ideas o textos?
 
-No. Mi madre era una mujer inteligente. A ella, por ejemplo, no le gustaba Tina Modotti [la autora escribió su biografía, Tinísima], la odiaba con toda su alma, porque le parecía horrible que una mujer posara desnuda en una azotea [hay una foto famosa donde se puede ver a la fotógrafa italiana], y porque era comunista. Mi mamá, en cambio, era muy religiosa, algo que la ayudó a aguantar la muerte de mi hermano menor, quien murió a los 21 años. Cuando me encontró que estaba haciendo un texto para una exposición de Tina me retó en perfecto francés, le parecía horrible que le dedicara tiempo a una mujer como esa. La ironía es que esa novela se la dediqué a mi madre.
-¿Le gustaría escribir su autobiografía?
 
-No sé si tenga tiempo. No es algo que se me antoje. A veces he escrito diarios y cuando los he encontrado y releído me he aburrido. De todos modos, creo que uno mete mucho de uno mismo en todo lo que escribe.
-Por ejemplo, hay algo de Leonora Carrington que se asemeja a su vida, tuvo una educación parecida a la de la pintora [Poniatowska escribió su biografía].
-Sí, fuimos el mismo tipo de niña, de esas a las que les enseñaban a tocar el piano y a montar a caballo, a amar el campo, la adoración por las verduras, las frutas y todo lo verde.
-Pero su vejez, con respecto a la de la pintora, es muy distinta.
 
-La vejez te aísla porque la gente te va abandonando.
-Algo que a usted no le ocurre.
 
-Es así. Pero por las dudas, toco madera (y lo hace).
Lleva un traje azul y sobre sus hombros un chal de reciente adquisición, aunque no flamante. Para protegerla del frío y como gesto de respeto, una desconocida con la que apenas había cruzado unas palabras se lo quitó y regaló la noche anterior. Esa mujer ahora regresa a la universidad con su marido y se emociona al ver a Poniatowska cubierta con aquel pañuelo.
« Es justo aclararle hoy a mi nieta que soy una evangelista después de Cristo, que pertenezco a México y a una vida nacional que se escribe todos los días y todos los días se borra porque las hojas de papel de un periódico duran un día. Se las lleva el viento, terminan en la basura o empolvadas en las hemerotecas », pronunciaba en su discurso de aceptación del Premio Cervantes. Pero Poniatowska no se pierde entre la tropa de narradores que escriben el presente y así se ubica como exponente de una estirpe, ajena a esa que posee con sus gotas de sangre noble. De aquel pasado que procuró convertirla en una elegante jinete en París habla de una imagen y de un idioma que la identifica mucho más: « la Sancho Panza femenina ». Es ella una de las herederas de la tradición de cronistas de las Indias que describieron los escenarios y habitantes de América latina, esta vez, sin que su pluma sirviera a ninguna corona o iglesia. Rebelde y temeraria, Poniatowska se niega a conformarse con el hecho de que la historia la escriben los que ganan. A quien están siendo derrotados, a ellos, rescata del olvido.
[Fuente: http://www.lanacion.com.ar]

Cientos de personas protestan este domingo en la céntrica plaza de Callao en Madrid contra « la masacre en Melilla », convocados por asociaciones de inmigrantes y antirracistas, en Madrid.

Escrito por Desirée Bela-Lobedde

El pasado 24 de junio se produjo otra tragedia en la valla de Melilla. Tras la intervención de las fuerzas y cuerpos de seguridad marroquíes, en territorio español, la operativa policial terminó en resultado de muerte para, por lo menos, treinta y siete personas negroafricanas que intentaban cruzar la valla, aunque después de la publicación de este artículo la cifra podría seguir aumentando, ya que otras muchas quedaron en estado de gravedad. La noticia ya se ha publicado en muchos medios de comunicación, como en este mismo diario (Público).

Hemos visto unas declaraciones del presidente del gobierno más progresista de la historia de España hablando de «presión migratoria»; hablando del Sahel y del África subsahariana como si fueran lo mismo —vergüenza torera le tendría que dar creer que el Sahel y la mal llamada África subsahariana son la misma cosa—. Hemos escuchado al señor Pedro Sánchez hablar de «integridad territorial». También le hemos escuchado defender la actuación de las fuerzas y cuerpos de seguridad marroquíes, y defender un acuerdo de migración entre los dos países que es causa de muerte para muchas personas africanas.

Como siempre y una vez más, hemos escuchado hablar de «asalto violento bien organizado y bien perpetrado», una expresión que redunda en la criminalización de las personas africanas con un objetivo estudiado y muy claro: justificar el uso de la violencia y la fuerza desmedida contra ellas.

Desde esa criminalización se habla de los niveles de violencia empleados por los migrantes, como si la violencia ejercida por ambas partes fuese equiparable. Los migrantes, porque no llegan a la categoría de personas. Quitarles la etiqueta de migrantes y hablar de personas sería humanizarles, y eso no interesa. Lo que interesa —a los gobiernos y a la mayoría de medios de comunicación, en favor de la alarma social y el miedo— es seguir relacionando a las personas migrantes negroafricanas con la criminalidad, con las avalanchas, con la amenaza a la integridad. Anclarlas a la categoría de migrantes perpetúa la deshumanización. Y la deshumanización garantiza la indiferencia.

Este es el mecanismo utilizado para que, cuando el público español vea en sus pantallas las imágenes de todas esas personas —insisto: personas; no migrantes— agonizando o ya inertes, mientras la policía sigue maltratando sus cuerpos, no haya alarma, no haya conmoción ni indignación. Que nadie sienta la rabia quemándole por dentro ante tanta violencia. De hecho, la audiencia española ya está insensibilizada: se ha promovido tanta la pornografía de la muerte de los cuerpos negros que, a fuerza de verlos sin vida, poca gente reacciona. Así nadie sale a la calle a pedir explicaciones de por qué se violan sistemáticamente los derechos humanos de estas personas. Personas, no migrantes; insisto.

El trabajo colectivo de deshumanización está bien logrado. No son personas; son migrantes. Vienen desde África a invadir, a amenazar los valores de esta Europa fortaleza que se construyó y progresó robando y expoliando sus tierras y esclavizando a sus habitantes. Son delincuentes, son bestias asalvajadas y violentas: la propaganda ya se ha encargado de retratarlas así, despersonalizándolas para justificar el trato violento y deshumanizado que se ejerce sobre ellas.

Son otra categoría de personas de menos valor. No son rubias con los ojos azules. No son católicas ni europeas. Por eso no merecen la movilización social ni la acogida inmediata. Por eso merecen la muerte y el trato indigno y vejatorio. Por eso no merecen vías seguras para migrar y llegar a Europa. Por eso no merecen medidas instantáneas para la regularización de su situación. Por eso merecen el genocidio invisible y la muerte.

El mecanismo criminalizador que utilizan el gobierno más progresista de España y los medios de comunicación para justificar las políticas migratorias de muerte funciona a la perfección. Las imágenes de este fin de semana, mostrando a la policía marroquí amontonando cuerpos negros y dejándolos agonizar hasta la muerte, ignorando el deber de socorro, han pasado inadvertidas para la mayoría del público español, que volvía su cabeza hacia Estados Unidos para mostrar su indignación y su rabia por la derogación del derecho al aborto. Ahí sí se han volcado las condolencias, la rabia y las muestras de apoyo.

De nuevo y como siempre, estamos ancladas a la jerarquía de las vidas de primera y las vidas de segunda. La mayoría silenciosa es capaz de hacer unos ejercicios de disociación increíbles. Nadie cuestiona que no haya nada de extraño ni de absurdo en mostrar apoyo por el control de los cuerpos que se lleva a cabo en los Estados Unidos de América, y a la vez mostrar absoluta indiferencia por el control de los cuerpos que lleva a cabo el gobierno de España en la frontera sur. Tal vez la diferencia está, como siempre, en que los cuerpos de la frontera sur son negros.

Parece que las vidas negras solo importan si son estadounidenses. El cuadradito negro y los hashtags no los merecen las vidas negras africanas. Este fin de semana en las redes sociales se han organizado concentraciones para expresar el rechazo a las políticas y a los acuerdos de migración y muerte de los gobiernos español y marroquí. No ha sido ninguna sorpresa ver que todas las personas escandalizadas que llevan varios días denunciando la pérdida de derechos humanos que implica la revocación de la sentencia de Roe contra Wade han hecho caso omiso a las veintisiete muertes en Melilla, como también hicieron ante la tragedia en la playa del Tarajal. Y así siempre.

De nuevo la deshumanización y la criminalización de estas personas hace que la persona promedio crea que algo de merecido hay. Compran los discursos propangandísticos y tramposos del «que vengan, pero que vengan de forma legal. Porque, claro, si no vienen de forma legal, es normal que les pase lo que les pasa», se anima a decir algún cuñao, y el resto de presentes asienten en silencio mostrando su conformidad con un discurso racista ampliamente aceptado. Parece que, quienes vienen de forma ilegal, no tienen derecho a la vida.

Se está produciendo un genocidio invisible ante nuestra mirada inatenta. En realidad no es un genocidio invisible; es un genocidio invisibilizado. Y la mayoría de la población mira hacia otro lado, guardando un silencio cómplice.

 

[Foto: EFE/David Fernández- fuente: http://www.publico.es]

 

Escrito por Halley Margon

Na madrugada da sexta-feira, 24 para 25 de junho, um grupo de umas tantas dezenas de refugiados tentou ultrapassar a barreira que impede sua entrada no paraíso: a cerca de Melilha, que no Marrocos separa a África da Espanha. A violenta repressão da polícia de fronteira deixou sobre o terreno um amontoado de corpos, não se sabe quantos feridos, e uma trintena de mortos. Nas palavras do editorial publicado pela revista Ctxt, as “imagens de feridos e detidos empilhados em um terreno baldio, cercados por policiais do país vizinho, que apenas se aproximam de seus corpos desarmados para lhes dar um golpe adicional, produzem um calafrio moral”.

Passados já quatro dias desde os eventos da sexta-feira e com todos os meios à disposição, até agora não se esclareceu quantos foram afinal os mortos, se 23, 28, 30 ou 37, tampouco como morreram. Parece não interessar. A medida da indignação está determinada não pelo número dos corpos que cobrem o chão, mas pela cor da pele e a origem dos cadáveres. Vejam as inúmeras fotografias disponíveis na internet e então perguntem-se sobre o tamanho do barulho produzido fossem aqueles mortos brancos ucranianos vítimas do carrasco Putin ao invés de pretos africanos que perderam a vida bem ali, num dos enclaves espanhóis no norte da África, a apenas 665 kms de Madri – a cidade que agora mesmo, entre 28 e 30 de junho, ironicamente está sediando a reunião de cúpula da OTAN.

A palavra crime até agora não foi vista nem aventada para referir-se ao ato ou a quem quer que seja. Ninguém foi acusado de crime contra a humanidade, crime de guerra, genocídio, matança indiscriminada – até porque aparentemente ali não há uma guerra. Trata-se apenas, nas palavras de um senhor negro numa concentração de protesto na capital espanhola, de “uma política de dissuasão, quantos mais pretos matam, menos virão”. Ao contrário, o atual presidente do Governo da Espanha e um dos paladinos da justiça humanitária europeia contra o bárbaro Vladimir Putin, Pedro Sánchez, elogiou publicamente a polícia marroquina pelo seu “extraordinário desempenho” e descreveu a operação como “bem resolvida”.

Pouco importa ao obsequioso Sánchez que a brutalidade das imagens traga inapelavelmente à memória algumas das fotografias dos campos nazistas. É preciso vê-las, ainda que nos provoque horror. Porque, sim, é o que aqueles corpos amontoados impudicamente no chão, uns sobre os outros, sem que possamos saber quem ainda possui vida, quem já não, nos obriga a recordar. Ao obsequioso Sánchez o que interessa agora é estender o tapete vermelho para receber a cúpula dos exércitos do bem e mostrar-se mais uma vez à disposição dos comandantes do show e ao diretor geral do espetáculo. Talvez valesse a pena tentar descrever o clima de euforia que toma conta dos anfitriões, mas há coisas mais graves no entorno. Quem sabe não seja suficiente repetir a manchete do El País no dia 28: Biden e Sánchez celebran su primera entrevista formal al amparo de la OTAN. Ufa! Afinal, após tantos desencontros e acenos à distância, o imperador abre sua agenda e concede uma hora inteira (sic) para receber o presidente que o recepciona.

Migrantes retidos pelas forças de segurança marroquinas junto à barreira de Melilha

História

Talvez nem todo mundo saiba, mas o território espanhol se estende até os dias atuais a esses dois pequenos enclaves situados no norte da África, Ceuta e Melilha. Os bons alunos de história no colegial se lembrarão de que a tomada de Ceuta por João, o Bastardo, rei de Portugal, em 1415, anunciou o que seria a exploração portuguesa da África. Menos de dois séculos depois, com a anexação de Portugal pela Espanha, em 1580, passou às mãos dos espanhóis. E em suas mãos permanece. Com pequenas diferenças, o mesmo se passa com Melilha. O que as torna importante no século XXI? É que são a Europa em plena África. A maneira mais fácil, portanto, de pisar em solo europeu. Não há necessidade de arriscar a vida em travessias clandestinas espremidos em barcaças precárias. Basta ultrapassar as barreiras (as vallas de Ceuta e Melilha) que foram instaladas ali para impedir sua passagem – como o Muro de Berlim, o da fronteira do México com os EUA ou o de Israel (Israeli West Bank Barrier).

A indecência da coisa (sempre há indecências adereçando esse encantando mundo próspero) está na discrepância das imagens que impregnam nossa memória recente: de um lado a dos ucranianos, milhares de ucranianos, mais de uma centena de milhar de ucranianos sendo recebidos na Espanha pelo Governo e por famílias solidárias em portos e nos aeroportos, com flores e brindes para as crianças, as mulheres, os idosos, e acalentadoras imagens cuidadosamente produzidas pelos telejornais (e esses refugiados de fato merecem essa solidariedade e essa recepção). E de outra parte, a dessas poucas centenas de pretos africanos que também refugiados das guerras intestinas que consomem seus países, e da miséria insanável e da fome que a exploração colonial lhes legou como herança, recebidos a pauladas e mortos não se sabe como (o Governo marroquino está sepultando-os em covas rasas sem providenciar a autópsia para sequer determinar a causa da morte), e tratados como bandos de alucinados selvagens pelos mesmos telejornais.

A indecência da coisa está também nessa outra declaração de Pedro Sánchez (o obsequioso Sánchez) na qual reconhece “o trabalho do governo do Marrocos em coordenação com as forças e órgãos de segurança do Estado de Espanha para tentar deter um assalto violento que precisamente o que fazia era questionar a nossa própria integridade territorial” (ainda bem que esse assalto violento contra a integridade territorial espanhola não vinha da parte dos exércitos russos).

A indecorosidade está também na própria realização dessa cúpula da organização militar do Atlântico Norte destinada a aumentar (significativamente) os gastos com armas e os orçamentos em geral dos seus exércitos (com pessoal, pesquisa bélica, instalações militares etc). Mas isso é investimento. Businnes. Uma espécie de “plano Marshall B” para alavancar a saída do buraco. Porque, como se sabe, desde muito, pelo menos desde a primeira grande guerra, e isso o sabe o império muito melhor que seus vassalos europeus, a guerra é um ótimo negócio, fomentador de lucros fabulosos e acelerador de inúmeras cadeias produtivas com altíssima concentração de capital. Muito melhor que perder tempo com refugiados africanos, com a miséria daquele subcontinente abandonado por deus e habitado apenas por pretos.

[Ilustração de Mihai Cauli a partir da foto da Association Marocaine des Droits Humains – fonte : http://www.terapiapolitica.com.br]

Mélenchon aurait-il un problème avec les Juifs ? Marc Knobel dresse la liste de quelques ambiguïtés du chef des Insoumis.

Écrit par Marc Knobel

Jean-Luc Mélenchon aurait-il un problème avec les Juifs ? Cette question peut paraître étonnante ou saugrenue et le simple fait de la poser, j’imagine, pourrait irriter ou agacer les dirigeants et les militants de la France insoumise. Pour autant, aucune question ne peut et ne doit être interdite. Surtout lorsqu’il s’agit d’observer le comportement, d’examiner les propos qui ont été tenus, les allusions, les déclarations quelquefois à l’emporte-pièce d’un homme qui joue un rôle si important dans notre vie politique et qui a concouru par ailleurs à l’élection présidentielle. Si cette question est posée et je la pose ici, c’est bien parce que certains propos tenus ont été déplacés ou maladroits, violents quelquefois. En tout cas, ces propos ont suscité de l’incompréhension, de l’inquiétude ou de la colère chez les Français de confession juive. A la rigueur, me direz-vous, peu importe, non ? Eh bien non, justement. Les Français de confession juive ne sont pas des observateurs si éloignés de la chose publique, des spectateurs asservis ou silencieux des choses qui se déroulent autour d’eux et de la manière surtout dont on parle d’eux. 

Pourquoi les Français de confession juive devraient-ils taire leur mal-être, leur questionnement, leur doute ? Pourquoi devraient-ils avaler autant de couleuvres, au moment même où mes coreligionnaires subissent cette peine, cette douleur ? Celle de l’antisémitisme. Cette frayeur, lorsque des enfants ont été assassinés parce que Juifs ou que des vieillards ont été défenestrés, parce que Juifs ? Ce dont les Français de confession juive ont intimement besoin, c’est de respect et de sécurité. Qu’on respecte ce qu’ils sont et qu’ils n’aient pas à raser les murs dans certaines banlieues de peur d’y perdre quelquefois la vie.

Je veux néanmoins rassurer mes lecteurs. On peut avoir un avis et le développer et critiquer les uns ou les autres. Pourquoi pas, après tout ? J’ai moi-même une opinion sur ce que sont les Français de confession juive, comment ils se sentent, ce qu’ils font, ne font pas, devraient faire. Par exemple, je n’aime pas l’enfermement, ce côté quelquefois ethnocentré, cette espèce de ghettoïsation et lorsque l’on oublie surtout que nous sommes porteurs de valeurs universelles. On ne vit pas exclusivement de l’entre soi. Cependant, je sais d’expérience que les Français de confession juive ne ressentent pas forcément les mêmes choses et ne les vivent pas forcément de la même manière. On peut avoir un avis, oui. On peut émettre des critiques, poser des questions. Mais, toujours le faire avec retenue et discernement.

Un autre point me tient à cœur. Je comprends bien cette difficulté et cette absurdité qu’il y a à catégoriser, à cataloguer. J’avais un professeur dans un cours à l’IEP qui prévenait ses étudiants que l’on ne peut parce que c’est commode traiter de fasciste n’importe qui, n’importe quel régime, n’importe quel homme politique. Les mots ont un sens. Par exemple, certains à gauche usent et abusent de l’expression… le gouvernement d’extrême droite en Israël. C’est être un peu à côté de la plaque. C’est une expression certes commode, mais qui ne correspond pas à la réalité. Dans un autre domaine, l’antisémitisme qui sévit aujourd’hui est suffisamment grave pour que l’on ne catégorise pas à l’excès et que l’on ne traite pas tout le monde ou n’importe qui d’antisémite.

Développons. Oui, on peut, on doit même critiquer les politiques qui sont menées au Moyen-Orient et à fortiori, en Israël, comme chez les palestiniens, d’ailleurs. Cela ne fait pas forcément de vous un antisémite. Certains de mes coreligionnaires ne seront pas d’accord avec moi, c’est leur droit. Je pense fermement que l’on peut critiquer une raison d’État, on peut et l’on doit sûrement s’élever lorsque des fautes sont commises. Et l’on doit toujours espérer que ce conflit interminable (le conflit israélo-palestinien) se résolve un jour. L’auteur de cet article est partisan de la création d’un État palestinien, parce que je ne vois pas qu’il puisse y avoir une autre solution à celle-ci. Mais, les Palestiniens doivent reconnaître aussi l’existence de l’État d’Israël et là, il y a du boulot.

Mais, les contempteurs d’Israël sont quelquefois animés par une haine inqualifiable. Il ne leur suffit pas seulement de critiquer une politique. C’est tout un pays et tout un peuple qu’ils marquent du sceau de l’infamie, qu’ils nazifient paradoxalement et jamais, jamais, Israël ne trouvera grâce à leurs yeux. Cette fixation/aversion/détestation d’Israël est un paradoxe. Dans aucun autre pays, les bonnes consciences aux géométries variables ne vouaient aux gémonies ou à la destruction totale tel ou tel autre pays, qu’Israël. Et la détestation d’Israël, telle qu’elle se répand au sein de la gauche française, me fait peur. Par exemple, Jean-Luc Mélenchon procède comme Jeremy Corbyn, l’un est peut-être même le mentor de l’autre. Ils ont là un épouvantail commode qu’ils vont pouvoir utiliser, secouer et blâmer jusqu’à plus soif, par conviction ou par opportunisme en politique. Sans forcer le trait, je dirai qu’il y a toujours des voix à conquérir/à attraper lorsque l’on dit forcément du mal d’Israël, tout au moins dans certains quartiers. Par ailleurs, l’indignation ne fait pas une politique surtout lorsque l’indignation est à géométrie variable. Alors, l’un (Mélenchon) comme l’autre (Corbyn) voient-ils en Israël, le diable réincarné ? Un pays dangereux et… inutile, au fond ? Comme si, si Israël devait disparaître, tous les problèmes de la région seraient automatiquement réglés. Plus d’Al Qaïda ? Plus de Daech ? Plus de despotes ou de bouchers au pouvoir ? Plus d’attentats ? Plus de corruptions et de corrupteurs ? Plus de guerres intestines entre chiites et sunnites ? Plus de misérables ? Etc. Quelle plaisanterie que voilà.

Au fond, ces excès portent préjudice aux causes qu’ils entendent servir. À la passion, il faut la raison. À la colère, il faut le sens des choses et la retenue.

Ont-ils à ce point peur des Juifs ? Peut-être ? Je sais que cette question dérange. Ont-ils à ce point le sommeil si léger parce qu’Israël existe et le sommeil si lourd lorsque Assad massacre son propre peuple ? Plutôt que de ressasser de vieilles colères, de fortes rancœurs et d’abuser de leur bonne conscience, qu’ils cherchent plutôt ce qui est et fait l’équilibre. On peut critiquer, on ne doit pas aboyer avec les chiens. Et, s’il faut critiquer, on ne vit pas dans un monde de bisounours où il faudrait épargner certains, plutôt que d’autres. Parlez-nous un peu de l’Iran, mes chers amis, que l’on vous entende enfin. Je tends l’oreille, voyez-vous. Parlez-moi de Cuba et du Venezuela ou de la Chine, je vous écoute.

Ceci étant dit et il était important que je l’écrive, parlons donc maintenant de notre sujet.

Corbyn et l’antisémitisme au Labour

C’est un tweet dont le philosophe Bernard-Henri Lévy a le secret. Il est à la fois percutant et incisif : « Jeremy #Corbin c’est l’antisémitisme dans le Labour. Quand #Obono et #DSimonet s’affichent avec lui, c’est Jaurès qu’on réassassine ; c’est Jules Guesde qui revient[2] ; la gauche républicaine a commencé avec Dreyfus- elle finirait dupée par la #Nupes et 1 #islamogauchisme fascisant?[3] ».

Mais, à quoi donc Bernard-Henri Lévy fait-il allusion ?

Expliquons. Le 3 juin 2022, Danielle Simonnet, candidate NUPES dans la 15ème circonscription de Paris (20ème arrondissement), se fend d’un tweet joyeux qu’elle illustre par trois photographies. Dans ce tweet, on peut lire que « Danièle Obono est venue avec une figure de la gauche européenne ce soir dans le 20e, symbole de notre combat commun pour la justice sociale et écologique par-delà les frontières. Nos combats sont “for the many not the few” ! Merci @jeremycorbyn de son soutien[4] ».

Dans les photos postées, on voit la députée Danielle Obono toute guillerette, ainsi que Danielle Simonnet et une autre femme faire le V de la victoire. Elles sont en compagnie de Jeremy Corbyn, l’ancien tenant de l’aile gauche du parti travailliste, tout sourire. On est somme toute entre copains[5].

Pour rappel, Corbyn avait été à la tête du Labour, mais il fut critiqué par la suite pour sa gestion des cas d’antisémitisme au sein du parti, ainsi que pour certains propos controversés[6]Le 29 octobre 2018, Jeremy Corbyn avait même été suspendu après la publication d’un rapport officiel dévastateur, qui épinglait les hésitations et la complaisance du parti dans sa lutte contre l’antisémitisme quand il le dirigeait, entre 2015 et 2018.

L’enquête avait été menée par un organisme indépendant, la Commission des droits de l’homme et de l’égalité (EHRC). Dans ses conclusions, la commission parle « d’années d’échec à lutter contre l’antisémitisme » sous la direction de M. Corbyn et de son « manque de leadership » dans ce domaine[7]. L’EHCR avait conclu à des défaillances « inexcusables » résultant d’un « manque de volonté de s’attaquer à l’antisémitisme ». Mais, quelques semaines plus tard, Corbyn fut réintégré pour d’obscures raisons politiciennes par le comité des différends du Comité national exécutif (NEC) du Labour, l’instance dirigeante du parti[8].

Revenons-en au tweet de Danielle Simonnet.

Dès publication du tweet, sa rivale socialiste, la députée sortante Lamia El Aaraje attaque aussitôt l’insoumise : « Les masques tombent : inviter et afficher le soutien de Jeremy Corbyn, écarté du Labour Party et du groupe pour complaisance avec l’antisémitisme en Angleterre, après 1000 plaintes enregistrées par ce parti, est une honte dont est fière Danielle Simonnet [9] ». D’autres socialistes reprennent cette critique, en pleine guerre des gauches dans ce 20ème arrondissement de Paris où Lamia El Aaraje maintient sa candidature, malgré l’accord à gauche derrière Jean-Luc Mélenchon[10].

Cette polémique passerait pour anecdotique si l’insoumis lui-même ne s’était exprimé en défendant Jeremy Corbyn.

Mélenchon, Jeremy Corbyn et l’obsession israélienne

Le 13 décembre 2019, sur son blog, Jean-Luc Mélenchon exprime son avis sur la défaite historique des travaillistes, aux élections législatives de 2019.

Il dit « ne pas être étonné du terrible revers électoral du parti travailliste de Jeremy Corbyn », qui devrait selon lui « servir de leçon ». Il énumère ensuite, les « leçons » de cet échec et écrit que « Corbyn a passé son temps à se faire insulter et tirer dans le dos par une poignée de députés blairistes. Au lieu de riposter, il a composé. Il a dû subir sans secours la grossière accusation d’antisémitisme à travers le grand rabbin d’Angleterre et les divers réseaux d’influence du Likoud (parti d’extrême-droite de Netanyahu en Israël). Au lieu de riposter, il a passé son temps à s’excuser et à donner des gages. Dans les deux cas, il a affiché une faiblesse qui a inquiété les secteurs populaires [11] ».

Ce propos suscite plusieurs observations.

1) Les Britanniques de confession juive qui, tout au long de leur vie, ont voté, adhéré, milité pour le Parti travailliste ont une conscience de gauche. Ils croient en des idéaux. Mais, depuis quelques années, certains ont vécu des situations difficiles. Ils ont été insultés ou menacés, uniquement parce qu’ils sont Juifs. D’ailleurs, près d’un millier de plaintes pour antisémitisme ont été déposées par des militants au sein du département chargé des plaintes et des conflits au Labour.

2) Ce n’est pas parce que les militants de confession juive du Labour seraient les porte-parole du Likoud en Israël (qui est un parti de droite) qu’ils ont été ainsi malmenés. Il faut une sacrée dose de culot pour distiller ainsi le doute et l’erreur. Les militants de confession juive du Labour n’ont pas attendu les prétendues consignes ou le rappel à l’ordre du grand rabbin du Royaume-Uni. Certes, Ephraïm Mirvis n’a pas mâché ses mots : « La manière dont la direction [du Labour] a traité le racisme anti-juif est incompatible avec les valeurs britanniques dont nous sommes si fiers – celles de dignité et respect pour tous », a écrit le grand rabbin dans le Times (25 novembre 2019). Mais, n’était-il pas dans son rôle de le dire ?

3)  L’article a été publié le 25 novembre 2019, seulement. Et quand bien même ? Les militants du Labour peuvent se forger leur propre opinion sans avoir à attendre que le grand rabbin exprime la sienne. Là encore, c’est insulter leur intelligence, c’est insulter leur militantisme (de gauche). Par contre, le fait que Jean-Luc Mélenchon pointe du doigt justement le grand rabbin nous intrigue. Car l’accusation est peut-être paramétrée. En tout cas, elle est posée et elle fait tache.

4) Ce n’est pas non plus de la faute des Juifs de ce pays si Jeremy Corbyn a perdu les élections, en 2019. La population juive est estimée à 300.000 personnes sur 55,98 millions d’habitants en 2018. C’est peu. Mais, Jean-Luc Mélenchon semble leur attribuer un pouvoir exponentiel qu’ils n’ont pas. Pareillement pour le Likoud en Israël. Mélenchon pense-t-il réellement que le Premier ministre israélien de l’époque pouvait influer sur quelque 40 millions d’électeurs britanniques ? Seuls les complotistes voient chaque jour en chaque chose le poids des sionistes, d’Israël et des Juifs.

5) Si Jeremy Corbyn perd les élections, il le doit à lui-même. Il le doit à ses déficiences, ses incohérences, son incompétence et au fait que le Labour est rouillé de l’intérieur, il prend l’eau. La question essentielle en Angleterre a été celle du Brexit. Et non, celle de l’antisémitisme au Labour, même s’il est dénoncé par la presse, par des associations et, il est vrai, par les conservateurs britanniques. Mais, pour ces derniers, c’est de bonne guerre, n’est-ce pas ? Les indécisions de Jeremy Corbyn par rapport à ce sujet, expliquent sa défaite. Le Labour est un parti vieillissant d’une gauche à bout de souffle comme le sont aujourd’hui de nombreuses gauches, partout ailleurs dans le monde. Serait-ce aussi de la faute d’Israël et/ou des Juifs ?

« Ici c’est la Seine, ce n’est pas le Jourdain » 

Depuis quelques années, l’Insoumis froisse, tantôt en déplorant les dérives d’un certain communautarisme (plutôt qu’un autre), tantôt en diabolisant Israël. Ces réparties et ces attaques sont souvent catégoriques, agressives, rapides, nerveuses, violentes.

Prenons deux exemples qui nous paraissent significatifs.

17 décembre 2017, sur Europe 1. 
Jean-Luc Mélenchon déclare que « tous les Français, quelles que soient leur religion ou leur culture, doivent épouser le point de vue de la patrie sur ce sujet (ndlr, le conflit israélo-palestinien) ». « La condition pour que l’on vive bien en France, c’est de ne pas importer les conflits qui arrivent de l’extérieur. Ici c’est la Seine, ce n’est pas le Jourdain. On n’a aucune raison de se taper dessus pour une histoire qui est déjà assez embrouillée comme ça. Evidemment que ça vaut pour tout le monde », déclare-t-il. La comparaison est douteuse, elle est même blessante. Pourquoi parle-t-il du Jourdain ? Et quid des musulmans ou de Français et/ou d’immigrés provenant du Maghreb qui défendent la cause palestinienne ou s’identifient à elle ? Aurait-il utilisé une comparaison aussi déplacée, les renvoyant à Alger ?

24 août 2014 à l’université d’été du Parti de Gauche, à Grenoble. 
Jean-Luc Mélenchon chauffe la salle, le tribun est en pleine forme. Tous les sujets sont évoqués. Mais, à la trentième minute, il se met à parler de politique étrangère. Et, comme à son habitude, deux seuls pays ont la vedette, les États-Unis d’abord et Israël, ensuite. Pourtant, les sujets ne manquent pas. Pourtant, il eût été possible de parler de différents conflits, de différents pays, de s’en prendre à tel ou tel gouvernement ou politique, de désigner la Corée du Nord, la Chine, le Pakistan… Eh bien, non.

Il commence donc par prévenir que cela va mal se finir en Europe[12]. « Parce que le risque de guerre généralisée en Europe existe du fait de l’irresponsabilité habituelle de la politique agressive des États-Unis qui ont étendu l’OTAN et son armada jusqu’aux frontières de la Russie et s’étonnent que celle-ci ne se laisse pas faire, provoquant une escalade que l’on avait pas connu du temps de l’URSS … Faut-il être stupide pour aller soutenir un gouvernement dans lequel il y a des nazis, c’est une aberration. Non, ce n’est pas la politique de la France de faire ça[13] ».  Il enfonce le clou : « Nous sommes contre les néonazis dans les gouvernements[14] ». Étrange coïncidence, car justement, à Moscou, Poutine affirme combattre les néonazis en Ukraine.

Il en vient tout de suite après à parler de Gaza[15] et à s’indigner du sort tragique dont les gazaouis sont les victimes. Il pointe du doigt les responsabilités israéliennes, on le sent en colère et il est ému. Mais, curieusement, il n’a pas un mot, pas une phrase cependant pour condamner le Hamas qui dirige et domine cette bande de terre. Le Hamas n’existe pas ? Les exactions et les crimes perpétrés par le Hamas ne méritent pas une virgule ? 

Puis, il dit alors que les valeurs de la France « sont que nous sommes toujours du côté du faible et de l’humilié parce que nos valeurs, c’est liberté, égalité et fraternité. Pas la paix aux uns, la guerre aux autres. Nous ne croyons pas aux peuples supérieurs aux autres[16] ».

Cette phrase choque. Elle fait probablement référence à une déclaration du général de Gaulle. Interrogé le 27 novembre 1967 sur la situation au Proche-Orient. Le président vint alors à déclarer que beaucoup se demandaient si « les Juifs, jusqu’alors dispersés, mais qui étaient restés ce qu’ils avaient été de tout temps, c’est-à-dire un peuple d’élite, sûr de lui-même et dominateur. » En son temps, cette déclaration eut un fort retentissement au sein de la société israélienne, des Juifs de France et aussi des nombreux politiciens ou sympathisants de la cause de l’État hébreu. Parmi ces réactions on peut noter un dessin de Tim dans Le Monde du 3-4 décembre 1967, représentant un déporté juif, décharné, portant l’étoile jaune, avec la main dans sa chemise à la manière de Napoléon, et le sous-titre « Sûr de lui-même et dominateur. »

Puis, Jean-Luc Mélenchon poursuit son discours : « Si nous avons quelque chose à dénoncer c’est ceux de nos compatriotes qui ont crû, bien inspirés, d’aller manifester devant l’ambassade d’un pays étranger ou d’aller servir sous ses couleurs les armes à la main. Si nous avons quelque chose à dénoncer c’est cela. La France a le devoir de militer pour la paix. Elle doit s’engager de toute sa force pour la paix. Nous ne baisserons pas les yeux ».

Jean-Luc Mélenchon fait ici allusion à une manifestation de solidarité qui venait de se tenir à Paris. Elle avait été organisée par différentes institutions juives, pour soutenir Israël qui, depuis 7 ans, était bombardé presque quotidiennement par les missiles du Hamas. Manifestation où, soit dit en passant, une minute de silence pour les victimes palestiniennes et israéliennes avait été observée. Ajoutons cette précision donnée par le journaliste Frédéric Haziza : « Quant aux soldats franco-israéliens. Ils ne s’enrôlent au sein de Tsahal qu’après avoir acquis la nationalité israélienne et non pas, comme d’autres, avec l’objectif d’aller combattre au nom du jihad dans un pays étranger, éventuellement contre l’armée française, pour revenir ensuite en France commettre d’autres crimes[17] ».

Dernier point. Lors de son allocution, Jean-Luc Mélenchon affirme que les manifestants anti-israéliens ont su « se tenir digne et incarner mieux que personne les valeurs fondatrices de la République française ». En effet, face au conflit israélo-palestinien, chacun éprouve de l’empathie pour telle ou telle cause et des manifestations ont lieu. Mais elles sont, le plus souvent, organisées par les militants ou les sympathisants de la cause propalestinienne. Si la majorité d’entre elles ne provoque pas de trouble, la tension est cependant presque toujours palpable dans les cortèges (cris, hurlements…), depuis l’année 2000. Dans ces manifestations, les slogans les plus outranciers sont scandés. Mais il y a aussi ces cris de « Mort aux Juifs », des étoiles de David identifiées sur les banderoles à la croix gammée et ces maquettes de roquettes Qassam brandies par les militants cagoulés[18].

Or, en cet été brûlant de l’année 2014, la violence antisémite était bien présente et elle s’exprimait et s’exerçait tant à Paris, qu’à Sarcelles. Mélenchon le sait. Pourquoi ne dénonce-t-il pas ses violences inadmissibles ?

Prenons quelques exemples.

  • Dans la nuit du vendredi 11 au samedi 12 juillet 2014, un cocktail Molotov est lancé contre la synagogue d’Aulnay-sous-Bois, en Seine-Saint-Denis.
  • Le 13 juillet 2014, à Paris, rue de la Roquette. Une centaine de jeunes, portant pour beaucoup les couleurs du Hamas ou le drapeau palestinien, tente d’attaquer et d’investir la synagogue qui se trouve dans cette rue, avec une violence inouïe, mais ils ont été repoussés par les CRS présents sur place.
  • Le 19 juillet, malgré l’interdiction, des centaines de personnes se rassemblent à Barbès, très encadrées par les forces de l’ordre. Peu avant 16 heures, la manifestation commence à dégénérer, faisant fuir une partie des militants. D’autres ont lancé des projectiles sur les forces de l’ordre, qui ont répliqué avec des gaz lacrymogènes. En fin de journée, une vingtaine de manifestants, certains portent le drapeau palestinien sur les épaules, jettent encore sur les forces mobiles de grosses pierres récupérées sur un chantier. D’autres cassent un trottoir pour récupérer des pavés. Selon une source policière, 38 personnes sont interpellées pour jets de projectiles, violences contre les forces de l’ordre et outrage. Dix-sept policiers et gendarmes sont blessés. Plus tard, 19 personnes sont placées en garde à vue. Elles sont soupçonnées de violences aggravées (en réunion ou avec arme) sur personne dépositaire de l’autorité publique, outrages, rébellion, dégradations aggravées ou encore participation à un attroupement.
  • Que dire également des violences qui ont ravagé la ville de Sarcelles ? Voitures incendiées, mobilier urbain saccagé, magasins pillés. La situation dégénère aux abords de la synagogue de l’avenue Paul Valéry. Des cocktails Molotov et des fumigènes ont été lancés en direction du lieu de culte protégé par les policiers[19].

Jésus, la croix et ses propres compatriotes

15 Juillet 2020. Mélenchon est sur le plateau de BFMTV. Alors que la journaliste Apolline De Malherbe lui demande si « les forces de l’ordre devaient être comme Jésus sur la croix et ne pas répliquer » lors de manifestations, la réponse du chef des Insoumis est particulièrement cinglante : « Je ne sais pas si Jésus était sur la croix, je sais qui l’y a mis, paraît-il. Ce sont ses propres compatriotes ».

Une phrase distillée comme du venin, qui va provoquer une intense émotion. Pourquoi Jean-Luc Mélenchon dont nous savons qu’il est un homme instruit et un intellectuel se permet-il de prononcer une phrase aussi dénuée de sens et assassine que celle-ci ? C’est la vieille rengaine du déicide, que voilà. Une vieille folie qui a été colportée par les intégristes et l’extrême droite, généralement. À quoi joue-t-il donc, là ?

Dès qu’elle en a connaissance, l’Amitié Judéo-Chrétienne de France se fend d’un communiqué de presse. « Faut-il rappeler à M. Mélenchon que, comme le rapportent les évangiles, les juifs alors sous occupation romaine n’avaient pas le droit de condamner quelqu’un à mort, cette décision étant réservée au seul gouverneur romain  (cf Jean, 18, 30) ? Et que de pareils propos contredisent les mêmes évangiles, où il est précisé que ce sont des notables et des chefs du peuple qui ont souhaité cette condamnation, et non tous les juifs, ni même tous les habitants de Jérusalem, comme l’affirme M. Mélenchon en dénonçant « les compatriotes de Jésus » ? Cette thèse ancienne de la responsabilité du peuple juif dans la mort de Jésus, rejetée depuis des décennies par tous les historiens et exégètes et condamnée par l’ensemble des Églises, a donné naissance, on le sait, à un antijudaïsme mortifère et à un antisémitisme dont l’aboutissement fut la Shoah. Il est bien triste qu’un homme politique, leader d’un parti important de notre république, soit si mal informé et continue à répéter de semblables accusations[20] ».

Conclusion provisoire

Ce sont là quelques exemples, nous aurions pu en donner d’autres. Ce sont là quelques ambiguïtés, ce sont là quelques mots inutiles, ce sont là quelques ignorances, ce sont là quelques fautes, ce sont là quelques bassesses. Jean-Luc Mélenchon s’étonne qu’il y ait une telle incompréhension entre les Français de confession juive et lui-même. Je m’étonne qu’il s’en étonne. On ne récolte que ce que l’on sème. Probablement, Jean-Luc Mélenchon pense-t-il que la politique c’est comme un punching ball. On peut tout se permettre et taper jusqu’à plus soif au nom de quelques convictions.

Par exemple de proclamer dans un tweet incendiaire que « la police tue », sans savoir au fond et sans attendre qu’une enquête ait lieu et de généraliser ainsi et à l’excès, pour discréditer toute une profession et les policiers, qui sont malmenés, par ailleurs. Par exemple de proclamer que « nous sommes contre les néo-nazis dans les gouvernements  », en devenant ce faisant comme un perroquet de Vladimir Poutine. Où sont d’ailleurs les néonazis? Par exemple de dire que ce sont « ces propres compatriotes » qui ont mis Jésus sur la croix.

il y a cette agressivité, cette impulsivité, cette férocité, pour ne pas dire, cette brutalité. Mélenchon est une sorte de cocotte-minute, prête à exploser et toute en ébullition. Il me donne l’impression qu’il ne peut se contenir et parce qu’il ne peut se contenir, il en devient sa propre caricature. Comme le disait avec justesse Bernard-Henri Lévy : « Cet homme, parti pour incarner le meilleur de l’esprit républicain, a décidé de se mettre à son compte et de devenir, ce faisant, le premier dans la décrépitude de son art politique[21] ».

Et, dans le domaine de l’antisémitisme, qu’il fasse amende honorable. Dans ce domaine, il n’est plus qu’une vilaine caricature blessante et humiliante.


Marc Knobel est historien, il a publié en 2012, l’Internet de la haine (Berg International, 184 pages). Il publie chez Hermann en 2021, Cyberhaine. Propagande, antisémitisme sur Internet.


[2] Pendant longtemps, Jules Guesde a croisé le fer à de nombreuses reprises contre Jean Jaurès, notamment sur la caractérisation de la République. Il a été hostile à la défense du capitaine Alfred Dreyfus, là où Jean Jaurès a été un ardent dreyfusard. Voir à ce sujet Jean-Numa Ducange, Jules Guesde, anti Jaurès ?, Armand Colin, 2017.

[3] https://twitter.com/BHL/status/1533692656672509953

[4] https://twitter.com/Simonnet2/status/1532813879775985665

[5] Voir l’excellent décryptage de cette rencontre dans Le Canard enchaîné du 8 juin 2022, « Avoir un bon copain ».

[6] En 2009, par exemple, dans un discours qu’il prononce devant l’association Stop the war coalition, Jeremy Corbyn décrit les membres du Hamas, le groupe islamiste qui contrôle Gaza et ceux du Hezbollah, la milice chiite libanaise soutenue par l’Iran, comme des « amis ». Des mots qu’il regrettera par la suite. Lors d’une conférence organisée à Doha en 2012, il assiste à une conférence avec Khaled Mashal, alors chef du Hamas. Husam Badran, le chef de l’aile militaire du Hamas, participe également à cette conférence. Dans son édition du 23 mars 2018, le Daily Mail exhume des photos datant de 2014, où Jeremy Corbyn se recueille devant les tombes des auteurs du massacre de 11 athlètes israéliens, en septembre 1972, lors des Jeux olympiques de Munich. Corbyn y dépose notamment une gerbe de fleurs. Lors de la polémique, il s’était défendu en déclarant qu’il avait plutôt rendu hommage aux 47 Palestiniens tués lors de l’attaque aérienne israélienne sur la base de l’Organisation de libération de la Palestine (OLP) en 1985, à Hammam Chatt. Dans une publication sur Facebook en 2012 et au nom de la liberté d’expression, Corbyn offre son soutien à l’artiste de rue Mear One, basé à Los Angeles, dont une peinture murale avait défrayé la chronique. La peinture murale, qui a ensuite été effacée, montrait plusieurs banquiers apparemment juifs jouant à un jeu de Monopoly, leur table reposant sur le dos nu et courbé de plusieurs travailleurs.

[7] Eric Albert, « Royaume-Uni : le « jour de honte » du Labour après un rapport sévère sur l’antisémitisme au sein du parti », Le Monde, 30 octobre 2020.

[8] Le Monde, « Jeremy Corbyn, ancien chef du Labour, réintégré à son parti après l’affaire du rapport sur l’antisémitisme », 18 novembre 2020.

[9] https://twitter.com/lamiaela/status/1533037371050102784?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1533037371050102784%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.huffingtonpost.fr%2Fentry%2Flegislatives-deux-candidates-lfi-critiquees-pour-safficher-avec-jeremy-corbyn_fr_629bad86e4b05fe694f5186c

[10] AFP, « Législatives: deux candidates LFI critiquées pour s’afficher avec Jeremy Corbyn », 4 juin 2022.

[11] https://melenchon.fr/2019/12/13/corbyn-la-synthese-mene-au-desastre/

[12] http://www.jean-luc-melenchon.fr/2014/08/24/2017-sera-une-insurrection/ A partir de la 32ème minute.

[13]Soulignons qu’en 2014, Jean-Luc Mélenchon parle plusieurs fois des « nazis » ou des « néonazis » qui auraient « une influence » au sein du pouvoir ukrainien ». Voir à ce sujet Marc Knobel, « Mélenchon et ses complaisances vénézuéliennes, cubaines, chinoises et russes », La règle du jeu, 17 mars 2022.

[14] http://www.jean-luc-melenchon.fr/2014/08/24/2017-sera-une-insurrection/ 33mn 30.

[15] Idem, à la 34ème minute.

[16] Voir à ce sujet François Heilbronn, « Mélenchon, les Juifs et le ‘peuple supérieur’ », La Règle du Jeu, 16 avril 2017

[17] Frédéric Haziza, « De discours en discours, Mélenchon n’en finit pas de surfer sur la vague du populisme », L’Obs, 26 août 2014.

[18] Voir à ce sujet Marc Knobel, « En 2009 et 2014, lorsque les manifestations propalestiniennes ont dégénéré », La Règle du jeu, 14 mai 2021.

[19] Voir à ce sujet :https://www.huffingtonpost.fr/marc-knobel/violence-manifestations-pro-palestiniennes_b_5602485.html
https://www.huffingtonpost.fr/marc-knobel/antisemitisme-en-frace_b_5676361.html
https://www.huffingtonpost.fr/marc-knobel/les-juifs-de-france-ne-vous-en-deplaise_b_5729446.html

[20] https://eglise.catholique.fr/espace-presse/communiques-de-presse/communiques-de-presse-conference-des-eveques-de-france/502327-lamitie-judeo-chretienne-de-france-deplore-propos-tenus-m-melenchon/

[21] Bernard-Henri Lévy, « Qu’est-ce qui fait courir Jean-Luc Mélenchon ? », Le Point, 29 mars 2017.

 

[Source : http://www.laregledujeu.org]

Cette brutalité est-elle une stratégie, un marqueur idéologique ou l’homme est-il ainsi ?

Jean-Luc Mélenchon, le 15 février 2017, à Valence.

Jean-Luc Mélenchon, le 15 février 2017, à Valence.

Écrit par Marc Knobel

Le tribun sait agiter le chiffon rouge, sa voix porte haut et fort. Il a cette puissance et cette force. Ses gestes brassent l’air, les mots sont ciblés et secouent son auditoire et les électeurs. Il a ce charisme et cet élan militant qui suscitent l’admiration de ses troupes. Il est le chef incontesté et ils sont des milliers à venir s’agglutiner dans les places et les rues pour l’écouter parler, dénoncer, éructer. Ils savent que le tribun sait parer toutes les attaques, qu’il sait s’enivrer de toutes les polémiques et qu’il peut lancer quelques charges dont il a le secret. À lui tout seul, il est un spectacle, mais aussi celui de la brutalité sans nom. Car le tribun est habité par cette sorte de brutalité qui défraie la chronique et interpelle les commentateurs politiques et les journalistes. Il est un boxeur et dans l’arène politique, il cogne. C’est ce dont nous choisissons d’analyser ici, avec quelques exemples qui nous paraissent significatifs.

Mélenchon veut-il semer le doute et se diaboliser ?

Ce sont là quelques recettes, de vieilles habitudes et elles valent le détour.

En mars 2013, Jean-Luc Mélenchon fait une étrange sortie. Lors du 3ème congrès du Parti de gauche qui se tient à Bordeaux, il lance que Pierre Moscovici, alors ministre de l’Économie, est un « petit intelligent qui a fait l’ENA, qui a un comportement de quelqu’un qui ne pense plus en français, qui pense dans la langue de la finance internationale ». Cette attaque ad hominem est courte certes, mais elle est extrêmement violente. Mélenchon vise nommément quelqu’un précisément (et personne d’autre) dont il pense être le représentant de l’européisme en France. Mais, justement, pourquoi lui et pas un autre ?

Aussitôt dit, aussitôt fait, la polémique éclate. Choqué, Harlem Désir demande immédiatement au coprésident du Parti de gauche de « retirer » ses accusations « inacceptables » et ce « vocabulaire des années 30[1] » Dans la foulée, Pierre Moscovici, blessé, réagit. Jean-Luc Mélenchon « est en train, par détestation de la social-démocratie, par détestation du parti socialiste, de franchir certaines bornes ». « Il y a des choses auxquelles on ne touche pas », dit le ministre lors d’une émission sur Canal+, avant d’ajouter, le ton grave : « Chacun a son histoire. Moi j’ai la mienne. Je suis d’une famille où mes quatre grands-parents étaient étrangers. Mon père a été déporté. Et cette famille, elle a choisi la France. Je suis Français par tous mes pores. Je défends la France. Je ne raisonne pas finance internationale[2] ». La réponse est aussi fulgurante que cinglante.

« J’ignorais quelle était la religion de Pierre Moscovici et je n’ai pas l’intention d’en tenir compte dans l’avenir, pas davantage que dans le passé », se défend Jean-Luc Mélenchon, lors du meeting de clôture du congrès. Qui peut raisonnablement le croire ? « Mais si un jour, parce qu’il est juif », Pierre Moscovici était menacé, « il nous trouverait tous, comme un seul corps, pour le défendre », ajoute-t-il habilement sous les applaudissements de la salle. Une formule rapide et à l’emporte-pièce qui ne mange pas de pain. Puis, Mélenchon déclare quelques minutes plus tard aux journalistes que « Harlem Désir instrumentalise l’antisémitisme et de façon insupportable. » Il n’empêche, les réactions se succèdent, notamment celles de plusieurs ministres, Manuel Valls, Arnaud Montebourg ou Nicole Bricq condamnant successivement les déclarations de Mélenchon. Pour la ministre de l’Environnement, Cécile Duflot (EELV) le coprésident du PG « n’est pas antisémite » mais « il flirte avec le dérapage à chaque instant, notamment sur les questions de nationalisme ».

Cécile Duflot voit juste, Mélenchon flirte avec le dérapage à chaque instant, c’est même une constante chez lui.

Plus c’est gros, plus cela heurte, plus cela passe. Le buzz, faire du buzz, voilà une des armes de notre insoumis. Justement, lors de son échange avec les journalistes, quand on l’interrogeait sur l’écart qui sépare encore le Front de gauche de celui de Marine Le Pen et du RN, Mélenchon a cette réponse caractérisée et assumée, « le vent souffle dans nos voiles tant que vous la dédiabolisez, et que vous me diabolisez… ». Alors ? Jean-Luc Mélenchon fait parler de lui, provoque le scandale. Mieux, l’éventuelle diabolisation peut/doit souder le groupe (sa formation politique) et permet de resserrer les rangs[3]. Il en tirera toujours des bénéfices.

Octobre 2017, une nouvelle polémique défraie la chronique.

Invité sur Europe 1, l’ancien Premier ministre Manuel Valls « confirme » les révélations du Canard Enchaîné, selon lesquelles Jean-Luc Mélenchon l’aurait qualifié de « nazi » à l’Assemblée nationale, avant qu’il ne démissionne de la mission d’information sur la Nouvelle-Calédonie. L’esclandre fait suite aux accusations portées par Manuel Valls qui dénonce une « dérive islamo-gauchiste » de la France insoumise. « Je ne l’ai pas entendu mais il l’a dit, il y a plusieurs témoins, et il a proféré devant moi de nombreuses insultes », explique Manuel Valls[4]. « Quand vous traitez un responsable politique de fasciste ou de nazi c’est une manière de le disqualifier pour empêcher le débat », déplore-t-il, avant de répliquer à l’insulte proférée par Mélenchon par des accusations d’accointances avec l’antisémitisme. « Je pense qu’il y a une partie de la gauche qui est soit complaisante ou qui n’a pas pris conscience » de l’antisémitisme, juge Manuel Valls. Et de développer de la manière suivante : « Je pense que c’est théorisé au sein de la France Insoumise, notamment sur les questions de sécurité et de terrorisme. Quand votre oratrice principale c’est la députée Obono, dont on connaît aujourd’hui les prises de position, les textes qu’elle a écrits après les attentats de 2015 ou la grande manifestation du 2 janvier ; quand elle dit qu’elle a plutôt pleuré pour Dieudonné et pas pour les victimes de Charlie », explique encore Manuel Valls[5]. « Il y a plus grave parce que quand il y a des insultes, au fond, on peut parler d’un coup de sang. Mais quand Jean-Luc Mélenchon, dans son courrier démissionnant de cette mission, le justifie notamment parce que je serai l’ami de l’extrême droite israélienne »…

En cette nouvelle polémique, Jean-Luc Mélenchon fait référence à un cliché montrant une poignée de main entre Manuel Valls et la ministre de la justice israélienne Ayelet Shaked, élue du parti Le Foyer juif, connue pour ses prises de positions radicales sur la question palestinienne. « Quand je vais en Israël, je rencontre tous les responsables. Il y avait un colloque sur l’antiterrorisme. Il y avait le ministre de la Défense et celle de la Justice, dans un gouvernement israélien, tout le monde le sait, qui est un gouvernement de droite », justifie Manuel Valls, qui explique avoir par ailleurs rencontré « tous les responsables », tant à Ramallah qu’au parti travailliste israélien[6].

Mélenchon est-il violent envers les journalistes ?

Jean-Luc Mélenchon mâche rarement ses mots lorsqu’il s’en prend à certains hommes politiques, nous venons de le voir. Les réparties sont brutales, coupantes, nerveuses et agressives. Mais, et plus curieusement, lorsqu’il s’en prend à des journalistes ou lorsqu’il se sent attaqué par eux, nous voyons qu’il est également agressif, nerveux, brutal. C’est même une constante. Lorsque Mélenchon est agacé, qu’une question le dérange, qu’une remarque l’énerve, les propos sont assénés violemment, la charge est souvent rapide, souvent méprisante. Le tribun n’hésite pas à élever le ton et à pointer du doigt son interlocuteur et peu lui importe qu’il s’agisse de journalistes. Il cogne et il cogne encore et encore.

D’ailleurs, on a l’impression qu’il ne répond plus aux questions, qu’il ne veut plus expliquer une politique et en analyser les ressorts, comme s’il avait en face de lui, des ennemis de… classe sociale. D’ailleurs, les journalistes sont souvent désemparés, comme ils pouvaient l’être lorsqu’ils interviewaient en son temps Jean-Marie Le Pen. Et, lorsqu’ils sont interrogés après qu’ils aient été agressés verbalement par Mélenchon, les journalistes tentent quelquefois de se justifier, d’expliquer en quoi consiste leur travail et ils rappellent qu’ils sont là pour poser des questions. « Jamais à l’antenne, on est là pour régler des comptes avec des gens. Je ne vais pas vous faire le coup de l’objectivité, je pense que l’objectivité, c’est un but. Qu’on essaye d’atteindre sans arrêt. Bien sûr qu’on pense des choses. Bien sûr qu’on peut être maladroit, qu’on peut faire des erreurs. Mais, je pense que les erreurs que l’on peut faire, ne sont jamais des erreurs voulues. Ensuite, on a, peut-être pas une déontologie, parce que le mot est un peu…, mais, on essaye de faire les choses proprement. Et, c’est totalement malsain que les choses se polarisent comme ça[7] », explique, désabusée, Nathalie Saint-Cricq après avoir été insultée par Jean-Luc Mélenchon.

Pour illustrer mon propos, j’ai choisi cet exemple, parce qu’il me semble caractérisé. Sauf que là, il y a cette particularité et nous tenons à le souligner ici. Le journaliste ne se laisse pas démonter et tient tête à Mélenchon, ce qui doit l’énerver encore plus.

Donc, le 5 janvier 2011, Jean-Luc Mélenchon est l’invité du journaliste Nicolas Demorand, sur Europe 1 et un clash se produit, très brutal.

Que se passe-t-il ?

Lors de l’interview, Demorand remarque que Marine Le Pen revendique une posture populiste. Il demande alors à Jean-Luc Mélenchon, sans faire d’autres parallèles entre lui et elle, si ce point commun ne le dérange pas ? Surpris, Mélenchon dit ne pas savoir ce qu’est le populisme de gauche. Puis, il s’en prend subitement aux journalistes de l’Express qui l’avaient tancé sur le populisme et il lance « j’en ai assez que toutes ces belles personnes se donnent des grands airs en regardant le peuple ». Demorand ne se laisse pas impressionner et répond du tac au tac. « Le peuple qui ne vous a jamais élu, Jean-Luc Mélenchon. Enfin à des élections directes au suffrage universel. » Il n’en faut pas plus pour que Mélenchon explose de colère et énumère les mandats qui ont été les siens. Mais, il le fait en élevant le ton, en pointant du doigt le journaliste et en criant, sur le plateau.

Cela donne l’échange suivant, un vrai moment d’anthologie.

« – Alors, remballez vos grands airs et le mépris à l’égard du peuple…
– Ne me pointez pas du doigt. Vous, Jean-Luc Mélenchon.
– Je vous pointe du doigt parce que vous dépassez les bornes.
– Oui, oui c’est bon, on connaît – répond Demorand en faisant un geste de la main.
– On connaît quoi, s’il vous plaît ?
– On connaît la chanson.
– Vous n’avez pas le droit de me parler comme ça, crie Mélenchon. Vous ne m’impressionnez pas, parce que vous êtes derrière votre micro.
– Mais non, pas du tout.
– Alors, parlez-moi poliment, je suis un élu du peuple et je l’ai été, j’ai été élu au suffrage direct.
– Vous aussi parlez-moi poliment.
– À moins que vous décidiez que les élus qui ont été au suffrage indirect, vous les méprisez…[8]
– Est-ce qu’en 2012, vous allez aller devant le peuple ?, questionne une dernière fois Demorand.
– Je l’espère, ne serait-ce que pour vous clouer le bec.
– Eh bien, merci infiniment d’avoir été au micro d’Europe 1, il est 18h58…
Mais Mélenchon ne s’arrête pas et pointe à nouveau du doigt Demorand.
– Remballez vos grands airs sur les élus, je suis un élu du peuple au suffrage direct.
– C’est bon, on l’a bien compris et arrêtez de me pointer du doigt.
– Alors, vous n’avez qu’à pas prendre cet air-là.
– Ah ben, je ne prends pas d’air. »
Comment expliquer cette relation conflictuelle avec les journalistes ?

Pour Christophe Barbier, qui est un fin connaisseur du monde politique et journalistique, cette violence c’est la conception du monde selon Jean-Luc Mélenchon. « D’un côté, il y a le peuple. Le peuple, c’est lui et ses électeurs et en face du peuple, contre le peuple, au-dessus du peuple, il y a le système, et dans le système il y a les maîtres, la finance internationale et puis il y a les valets. Et les valets, c’est nous, les journalistes, tous ceux qui ne rejoignent pas le combat du peuple et du chef révolutionnaire Mélenchon. Et, lorsqu’un journaliste pose une question qui ne l’arrange pas, c’est donc un valet du système et il fait cela depuis 2012[9] ».

Cette explication peut paraître un peu rapide. Pourtant, il me semble que Christophe Barbier voit juste. Mélenchon défend une ligne politique et dans cette représentation du monde, il pense que les journalistes font partie d’un système qui serait là pour le discréditer. D’ailleurs, il le dit lui-même.

Dans une séquence mémorable et extraite du documentaire de Pierre Carles « Fin de concession » et publiée par TV Mag, Jean-Luc Mélenchon est invité à réagir à une interview d’un délégué syndical CGT de Continental. Cet entretien est mené par le journaliste David Pujadas, le 21 mai 2009. Pujadas demande au délégué syndical s’il regrette les violences qui ont été commises par des salariés ou des syndicalistes dans l’entreprise. Mélenchon commente. « C’est toujours le même mécanisme. Vous regrettez hein, comme j’ai vu avec Pujadas. Humiliez-vous, prosternez-vous, baissez la tête, baissez les yeux. C’est ce que nous ont toujours dit les puissants et eux, ce sont leurs laqués. Et, comme le disait Voltaire, le laquais en imitant les vices de ses maîtres, il a l’impression de s’approprier leur puissance. Et eux, c’est ça, c’est seulement ça qu’ils savent faire[10] ». Pas l’ombre d’une hésitation dans la bouche de Mélenchon, les propos tenus sont d’une dureté implacable et d’un royal mépris.

C’est comme cela et au nom de cette logique (de classe) que la violence s’exerce à l’encontre des journalistes. La journaliste Nathalie Saint-Cricq de France 2 est invitée « à aller se faire foutre[11] ». Sophie Lapix et Patrick Cohen (C’à vous) sont traités de « salauds[12] ». Il qualifie Laurence Ferrari de « perruche » et s’en prend également à Arlette Chabot, qualifiée elle-même de « sotte »[13]. David Pujadas est un « larbin » et un « salaud[14] ». Il se moque d’une journaliste de France 3 et imite son accent[15]. Il dit à Arlette Chabot d’aller au « diable[16] ».

On ne compte d’ailleurs plus les saillies agressives contre les médias et les journalistes.

Mélenchon peut-il être violent contre un cheminot ?

Si Jean-Luc Mélenchon s’en prend aux hommes politiques et à des journalistes, il peut tout aussi bien péter un câble, lorsqu’il est pris à partie par un simple manifestant.

Le 26 janvier 2017, Jean-Luc Mélenchon est à Périgueux, il en profite pour aller voir quelques cheminots qui sont rassemblés dans une petite rue.

Là, un homme le prend à partie, probablement un cheminot. Il lui dit que l’ancien patron de la SNCF va supprimer des emplois. Puis, il ajoute, « On vous attend au tournant qui que vous soyez. Gauche, droite, extrême-gauche, extrême-droite, on vous attend… On arrive à un point de rupture ». Et d’ajouter, « gauche, droite, vous ne nous connaissez pas ». Mélenchon, surpris, puis visiblement agacé, s’écarte de l’homme et fait quelques pas. Puis, il revient vers le manifestant et très énervé et en le tutoyant, lui assène : « Pourquoi tu me parles comme ça ? J’ai passé ma vie à vous défendre. Juge ma vie à vous défendre, juge ma vie. Alors, va voir les mecs de droite c’est eux qui vous ont mis dans la merde, c’est le PS qui vous a mis dans la merde[17] ».

Notons la rapidité de la scène et le fait qu’il mette sur le même plan la droite et le PS. Mais, voilà, Mélenchon une fois encore perd ses nerfs.

Comment expliquer cette réaction et cette soudaine impulsivité ? Pourquoi se sent-il ainsi visé et si personnellement ? Parce que le cheminot met sur le même plan la gauche et la droite ? Parce qu’il le prend à partie, lui Mélenchon ? Mais, alors, pourquoi Jean-Luc Mélenchon le prend-t-il à témoin des luttes qu’il a mené toute sa vie ? Pour signifier qu’il est constant dans son engagement ? Qu’il se serait sacrifié ? Que les combats ont été difficiles ? Pourquoi ne garde-t-il pas son calme ? Et plutôt que d’engager un dialogue avec ce cheminot qui visiblement n’en peut plus, pourquoi se met-il à crier ainsi ? Car il crie, le visage est fermé, le doigt est tendu. Pense-t-il que le cheminot est un ingrat ? Qui ne verrait pas comment il s’est/se serait dévoué pour le peuple et les travailleurs ? Son égo est-il subitement mis à mal ?

« Ma manière d’être est un signal, je suis le bruit et la fureur »

Rappelez-vous cette scène ahurissante. Jean-Luc Mélenchon se filme avec son téléphone portable et diffuse en direct la vidéo pour montrer qu’il est l’objet d’une perquisition à son domicile. Les images sont impressionnantes et elles défraient la chronique. « Ne me touchez pas, personne ne me touche, ma personne est sacrée, je suis parlementaire », s’énerve-t-il. Quelques heures plus tard, il arrive, entouré de caméras, au QG de la France Insoumise pour en découdre avec les agents de police qui examinent les locaux[18]. « Enfoncez-moi cette porte », vocifère-t-il dans l’escalier. « Au nom de quoi vous m’empêchez d’entrer dans mon local. La République, c’est moi », hurle-t-il à la figure d’un policier. Une fois que les militants sont entrés et se retrouvent nez à nez avec les policiers, le ton monte, un policier met un militant par terre. « Descendez de cette table, crie Mélenchon à un agent, vous salissez mon matériel ».

Plus tard, de cette scène ahurissante, il s’en expliquera.

« Dans la scène où l’on voit “la République c’est moi”, où l’on a fait des tee-shirts depuis et des plaisanteries. Bon cet homme me menace de son arme. Il me montre son petit truc tricolore. Et à ce moment-là, comment vous expliquer ? C’est ridicule, je sais bien. Mais, je suis rempli d’une indignation terrible, parce que la République, c’est moi, c’est pas lui. Je suis député qui suis maltraité à ce moment-là ou qui le ressent comme ça. Bon voilà. Mais, ça, cela a été des mouvements mais vous savez, je ne suis pas le premier dans l’histoire. J’ai des modèles qui m’ont souvent fait réfléchir ». Puis, il parle d’une biographie de Louis XI et rappelle que ce roi de France disait que sa langue lui avait coûté cher. « Je peux dire aussi que ma langue m’aura coûté cher. Mais, à d’autres moments, elle a été là à mon service pour tout d’un coup mettre plus grand que moi en scène. Qui étaient les idées que j’illustrais[19] ».

Comment un homme aussi cultivé que Mélenchon peut-il se laisser avaler ainsi ? Ne plus maîtriser ses colères, ne plus distinguer ce qui peut être dit, de ce qui ne doit pas l’être ? Le tribun qui aura consacré sa vie à mener d’innombrables luttes, au nom des causes qui sont les siennes et du peuple qu’il entend représenter et dont il serait l’émanation, ne donne qu’une piètre image de lui. Certes, il y a là aussi comme une figuration, une scénarisation, une mise en condition, une sorte de jeu étonnant. Il s’agit de faire avancer des idées politiques, de faire progresser une cause, de dénoncer les nantis et le système, d’apparaître comme le représentant du peuple, un peuple dont il sait qu’il est en colère. Il sait donc utiliser à bon escient les mots qui tuent ou les belles phrases. Il sait aussi que certaines expressions peuvent blesser et susciter une vive polémique. Mais, il lui faut faire mouche. Nous prétendons que le tribun pense ce qu’il dit et dit ce qu’il pense. Parce qu’il est aussi un tacticien, plutôt féroce.

Mais, il y a aussi cette agressivité, cette impulsivité, cette férocité, pour ne pas dire, cette brutalité. Mélenchon est une sorte de cocotte-minute, prête à exploser et toute en ébullition. Il me donne l’impression qu’il ne peut se contenir et parce qu’il ne peut se contenir, il en devient sa propre caricature. Comme le disait avec justesse Bernard-Henri Lévy, « cet homme, parti pour incarner le meilleur de l’esprit républicain, a décidé de se mettre à son compte et de devenir, ce faisant, le premier dans la décrépitude de son art politique[20] ».

Une question reste à poser. À un homme politique, on demande forcément la droiture et le calme, la maîtrise et l’éloquence. Sans maîtrise et sans calme, que deviendrait la France, si jamais Mélenchon devait y exercer le pouvoir un jour et y perdrait définitivement ses nerfs ?

Marc Knobel est historien, il a publié également en 2012, L’Internet de la haine (Berg International, 184 pages). Il publie chez Hermann en 2021, Cyberhaine. Propagande, antisémitisme sur Internet.


[1] Europe 1, 25 mars 2013.

[2] Le Monde, 24 mars 2013.

[3] L’Express, 24 avril 2013.

[4] Pauline Moullot, « Mélenchon a-t-il vraiment traité Valls de “nazi“ ? », Libération, 12 octobre 2017.

[5] Dans une note de blog intitulée « Pleurer. Organiser », publiée le 11 janvier 2015, alors qu’elle n’était pas encore députée, Danielle Obono écrit : « Au cours des dernières 72 heures, j’ai pleuré, un peu, beaucoup, quand même. J’ai pleuré, un peu, jeudi. En pensant aux 12 personnes mortes. Aux centaines d’autres qui ne seront pas pleuré-e-s. Aux flambées d’amalgames, d’attaques, d’insultes, d’humiliations, de violences et aux difficiles batailles à venir ». Elle ajoute : « J’ai pleuré, oui, mais en pensant aux ami-e-s et aux camarades qui sont devenu-e-s Charlie ». Elle dit aussi avoir pleuré en pensant « à toutes les fois où des camarades ont défendu, mordicus, les caricatures racistes de Charlie Hebdo. » Elle ajoute : « J’ai pleuré en écoutant pleurer ma Brune, qui a aimé Charlie, à 15 ans, il y a si longtemps maintenant. Je n’ai pas pleuré Charlie ».

Citons également le passage suivant : « J’ai pleuré en pensant à tous les reculs, toutes les défaites, tous les choix et les décisions politiques des 10-15 dernières années qui nous ont amenés à ce point (…) A toutes les fois où ma gauche s’est refusée de parler d’islamophobie, de ne serait-ce que prononcer le mot. Toutes les fois où elle s’est refusée à se mobiliser contre les lois islamophobes. Toutes les fois où des camarades ont défendu, mordicus, les caricatures racistes de Charlie Hebdo ou les propos de Caroline Fourest au nom de la « liberté d’expression » (des Blanc-he-s/dominant-e-s) ou de la laïcité « à la Française ». Mais se sont opportunément tu-e-s quand l’Etat s’est attaqué à Dieudonné, voire ont appelé et soutenu sa censure… Toutes les fois où des « camarades » nous ont sommé-e-s, nous les « islamo-gauchistes », de montrer patte blanche et d’affirmer avant toute autre chose que nous luttions bien contre l’antisémitisme. Toutes les fois que d’autres nous ont carrément, à mots plus ou moins couverts, traité-e-s d’antisémites. »
https://camaradobono.wordpress.com/2015/01/11/pleurer-organiser/

[6] Chalenges.fr, « Quand Jean-Luc Mélenchon traite Manuel Valls de “nazi” », 11 octobre 2017 et France Info avec AFP, « “Nazi”, “islamo-gauchiste”… La guerre Mélenchon-Valls en cinq actes », 12 octobre 2017.

[7] https://www.tf1.fr/tmc/quotidien-avec-yann-barthes/videos/melenchon-va-te-faire-foutre.html

[8] La pique de Demorand a souvent été utilisée par les détracteurs contre l’ancien sénateur PS élu au suffrage indirect.

[9] BFMTV, 18 octobre 2018.

[10] https://www.youtube.com/watch?v=8vy0M-NyiiI

[11] https://www.tf1.fr/tmc/quotidien-avec-yann-barthes/videos/melenchon-va-te-faire-foutre.html

[12] https://www.youtube.com/watch?v=bbHtKLlu0Oc

[13] https://www.dailymotion.com/video/xfb3qk

[14] https://www.youtube.com/watch?v=8vy0M-NyiiI

[15] https://www.leparisien.fr/politique/embarrasse-par-une-question-jean-luc-melenchon-se-moque-d-une-journaliste-17-10-2018-7921953.php

[16] https://www.lejdd.fr/Politique/Allez-au-diable-madame-Chabot-24109-3072740

[17] https://www.youtube.com/watch?v=mvD5xvPyj9c&t=65s

[18] https://www.lejdd.fr/Politique/jean-luc-melenchon-lors-de-la-perquisition-du-qg-de-la-france-insoumise-la-republique-cest-moi-3780923

[19] https://www.youtube.com/watch?v=Ex_j9_KHRpI

[20] Bernard-Henri Lévy, « Qu’est-ce qui fait courir Jean-Luc Mélenchon ? », Le Point, 29 mars 2017.

 

 

[Source : http://www.laregledujeu.org]

Né en 1941 dans une famille juive américaine, Paul Simon devient célèbre par son duo avec Arthur Garfunkel, un ami d’enfance. Sorti en 1986, inspiré de la musique sud-africaine (Jaiva) Graceland est le plus grand succès de la carrière solo de ce musicien, compositeur, producteur et arrangeur de musiques folk, rock, pop. Arte diffusera le 27 mai 2022 à 22 h 15 « Simon & Garfunkel – L’autre rêve américain » (Simon & Garfunkel: Traumwandler des Pop) de Jennifer Lebeau puis à 23 h 10 « Simon & Garfunkel – The Concert in Central Park » (Simon & Garfunkel: Konzert im Central Park 1981)  réalisé par Michael Lindsay-Hogg.  

Publié par Véronique Chemla

Né en 1941 dans une famille juive d’origine hongroise, Paul Simon devient célèbre dans les années 1960 par son duo avec Arthur Garfunkel, un ami d’enfance new-yorkaise.

Simon & Garfunkel
Les deux amis débutent dans un duo dénommé Tom and Jerry.

Avec talent et complémentarité, avec lyrisme ou simplicité, en mêlant gospel et musique andine, ils ont interprété la bande-son d’une génération.

Sounds of Silence (1966) – chanson interprétée durant la commémoration des attentats terroristes islamistes du 11 septembre 2001 -, Mrs Robinson (1967) – chanson de la bande originale de The Graduate de Mike Nichols -, Bridge over Troubled Water(1970), El Condor Pasa, Cecilia, TheBoxerBye Bye Love, Song for the Asking… demeurent à la fois caractéristiques des Sixties et des standards.

La décennie suivante marque la rupture du groupe vocal, qui se reforme en 1981 pour le célèbre concert à Central Park pour une tournée aux États-Unis en 2003, puis en Amérique et en Europe (2004) et en Asie.

Paul Simon poursuit sa carrière de musicien, à peine interrompue par son apparition dans Annie Hall de Woody Allen en 1977.

En 1986, sort Graceland, le plus grand succès, public et critique, de Paul Simon. Un album qui mêle des styles musicaux divers – pop, a cappella, isicathamiya, rock, zydeco et mbaqanga -, et dont l’un des plus célèbres titres est You Can Call Me Al.

Paul Simon est l’un des rares artistes, avec les Bee Gees, titulaires du copyright sur ses enregistrements.

Couronné d’un Grammy Lifetime Achievement Award, Paul Simon  a remporté douze Grammy Awards, dont trois dans la catégorie Album de l’Année, grâce à « Bridge Over Troubled Water » (1970) – intronisé en 1998 au Grammy Hall of Fame -, « Still Crazy After All These Years » (1976) et « Graceland » (1986).

Membre du Songwriters Hall of Fame, Paul Simon a été récompensé par le Johnny Mercer Award et « a été intronisé au Rock n’ Roll Hall of Fame à deux reprises, en tant que membre de Simon and Garfunkel et en tant qu’artiste solo ». « Mrs. Robinson » figure dans le Top 10 des plus grandes chansons du cinéma par l’American Film Institute. Paul Simon a également été honoré par le Kennedy Center en 2003 et a figuré dans la liste de Time Magazine des « 100 personnes les plus influentes qui façonnent notre monde » en 2006. En 2007, il « a été lauréat du premier Prix Gershwin pour la chanson populaire décerné par la Bibliothèque du Congrès américain. Ce nouveau prix, qui porte le nom des légendaires frères Gershwin, George et Ira, et rend hommage à l’impact profond et positif de la musique populaire dans la culture, est octroyé tous les ans à un compositeur ou un interprète pour l’ensemble de son œuvre ».

Les concerts dont Mr Simon est le plus fier ? Ses deux concerts au Central Park de New-York avec Art Garfunkel en 1981 et en tant qu’artiste solo en 1991, et sa série de spectacles à l’invitation de Nelson Mandela en Afrique du Sud – le premier artiste américain à jouer en Afrique du Sud après la fin de l’apartheid.

En 1998, sa « prestation sur le terrain du Yankee Stadium pour la célébration du monument en l’honneur de Joe DiMaggio (illustre jouer de football américain) est un précieux souvenir pour le très grand fan de Yankee qu’il est », comme son père.

Paul Simon est également le cofondateur du Children’s Health Fund (Fonds pour la santé des enfants) avec le Dr Irwin Redlener. CHF « offre des dons et des unités mobiles de personnel médical qui apportent des soins aux enfants pauvres et nécessiteux dans les régions urbaines et rurales à travers les États-Unis. Depuis sa création en 1986, il a fourni plus de 2 millions médecin / patient visites. Dans le sillage des ouragans Andrew et Katrina, il a été la source de soins de santé primaires pour les communautés décimées par les tempêtes. M. Simon a également soulevé des millions de dollars pour de bonnes causes aussi variées que l’AMfAR, The Nature Conservancy, The le Fonds pour les enfants emprisonnés en Afrique du Sud et Autism Speaks and The Joe Torre Safe at Home Foundation ».

Sur le site d’Arte

Arte diffusa le 24 juillet 2020 « Simon & Garfunkel – L’autre rêve américain » (Simon & Garfunkel: Traumwandler des Pop ; Simon and Garfunkel: The Harmony Game) de Jennifer Lebeau.

« Un demi-siècle après son enregistrement en 1970, ce documentaire captivant retrace l’histoire de « Bridge Over Troubled Water », l’ultime album, devenu culte, du duo formé par Paul Simon et Art Garfunkel. »

« Après avoir livré, en temps réel, la bande-son des incertaines années 1960, Simon & Garfunkel sortent en 1970 leur chef-d’œuvre, Bridge Over Troubled Water. L’album devient instantanément culte, notamment grâce à son titre éponyme, composé comme « un hymne sans prétention » par Paul Simon. Chanson la plus écoutée de l’année 1970 aux États-Unis, elle sera reprise par plus d’une cinquantaine d’artistes, dont Elvis Presley et Willy Nelson. »

« Cinquante ans plus tard, Jennifer Lebeau plonge dans les coulisses de l’ultime opus des deux musiciens du Queens, considéré comme leur plus réussi et entré dans la mythologie du rock’n’roll. Paul Simon et Art Garfunkel reviennent sur cette extraordinaire période créative de leur carrière, appuyés par des images d’archives inédites et de nombreuses anecdotes des producteurs et artistes qui ont gravité autour de leur duo. On y entend aussi, toujours avec le même plaisir, les tubes « Cecilia », « El condor pasa », « Bye Bye Love », « The Boxer » et « Mrs. Robinson », sans oublier, bien sûr, « Bridge Over Troubled Water », véritable hymne symphonique à l’entraide qui a marqué toute une génération, composé en quelques minutes seulement par un Paul Simon qui baignait alors dans le gospel. »

Arte diffusa le 24 juillet 2020 « Simon & Garfunkel – The Concert in Central Park » (Simon & Garfunkel: Konzert im Central Park 1981)  réalisé par Michael Lindsay-Hogg. « En 1981, après onze ans de séparation, Simon & Garfunkel se retrouvent le temps d’un gigantesque concert de bienfaisance à Central Park. Un morceau d’anthologie. À l’origine, Paul Simon devait fouler seul la scène. Ce concert gratuit, destiné à sensibiliser le public sur l’état dégradé du parc new-yorkais, s’est finalement transformé en retrouvailles mythiques. »

« Le 19 septembre 1981, une foule compacte de plus de 500 000 personnes assiste ainsi à la prestation pleine d’émotion du duo, reformé pour l’occasion sur le Great Lawn de Central Park. Onze ans après leur rupture, Paul Simon et Art Garfunkel, en osmose, y interprètent leurs plus grands succès (« Mrs. Robinson », « America », « Bridge Over Troubled Water », « The Boxer », « The Sound of Silence »…), ainsi que des morceaux issus de leur répertoire personnel, spécialement réarrangés pour l’occasion et joués avec un groupe de onze musiciens ».

« Sublimée par leur voix douce et pure, leur jeu détendu et parfaitement synchronisé, cette performance a donné lieu à un album lui aussi mythique, et a scellé à jamais l’histoire d’amour entre les deux gamins du Queens, devenus stars internationales du folk rock, et la ville de leur enfance. »

« Personne ne bouge ! Simon & Garfunkel » (Abgedreht! Simon & Garfunkela été rediffusé par Arte. « Avec leurs voix d’anges et leur folk sous anxiolytique, Paul Simon (le petit brun trapu) et Art Garfunkel (le grand blond filiforme) ont envoûté l’Amérique psychotique et psychédélique des sixties. De 1965 à 1970, le duo le plus dépareillé de la planète rock signe cinq albums devenus cultes, dont Sounds of Silence et Bridge over Troubled Water. Retour sur cette success story à guitares, avec un passage obligé par « Mrs. Robinson », chanson iconique du Lauréat de Mike Nichols, un gros plan sur la carrière solo de Paul Simon, amorcée en 1972, et une perle rare : en 1980, à la télé canadienne, Art Garfunkel est venu tout seul et raconte ses souvenirs d’enfance. Il a 39 ans et raconte ses souvenirs d’enfance. Pleins feux sur un duo folk aussi dissemblable que merveilleusement accordé, avec un passage obligé par « Mrs. Robinson », chanson iconique du « Lauréat », un gros plan sur la carrière solo de Paul Simon, amorcée en 1972″.

« Personne Ne Bouge ! Art Garfunkel se souvient… » (Abgedreht! Rare Perle: Art Garfunkel). « Nous sommes en 1980, Art Garfunkel est en solo sur le plateau de la télé canadienne. Il a 39 ans et évoque ses souvenirs d’enfance, ses promenades d’enfant chantant, son goût pour les statistiques, et dévoile le nom de groupe que Paul Simon devaient porter ».

« Abgedreht! « Die Reifeprüfung » von Mike Nichols – Ikone » (Personne Ne Bouge ! « Le Lauréat » de Mike Nichols – Icônea été disponible juqu’au 30 juin 2018. « En 1967, dans « Le Lauréat » de Mike Nichols, Dustin Hoffman explose dans le rôle d’un jeune homme paumé qui entame par désœuvrement une liaison avec une femme de l’âge de sa mère, la fameuse Mrs Robinson, qui aura même droit à sa chanson iconique. Comment les chansons de Simon et Garfunkel se sont-elles retrouvées dans ce film ? Marie Sauvion nous raconte tout. »

Graceland
« Retour avec Paul Simon  en Afrique du Sud sur les traces de son album « Graceland », qui avait suscité en 1986, en plein apartheid, une polémique désormais oubliée ».

Réalisé en 1986 avec des artistes sud-africains – le groupe Ladysmith Black Mambazo, Ray Phiri (guitare), Bakithi Kumalo (basse) et Isaac Mtshali (batterie) – et enregistré en partie à Johannesburg, « à une époque où le boycott de l’apartheid interdisait ce genre de collaboration, Graceland, neuvième album solo de Paul Simon, est aujourd’hui considéré comme le premier opus de la world music ». Paul Simon était « conscient des problèmes politiques en Afrique du Sud« . Harry Belafonte l’invite à contacter « l’ANC, et lui propose d’en rencontrer les dirigeants ». Mais Paul Simon croyait en la liberté de la musique.

« J’étais intimidé et fasciné à l’idée de partir en Afrique du Sud. J’ai été frappé par les très vives tensions raciales. Mandela était toujours en prison« , se souvient Paul Simon. Pour des artistes Noirs sud-africains, malgré les boycotts adoptés par les instances onusiennes, enregistrer avec un artiste américain célèbre constituait une chance à saisir pour faire connaitre leur musique, leurs parties chantées mêlant de petits cris. Et l’occasion d’apprendre lors des « ambiances incroyables », « séances géniales » en studios d’enregistrements. La distance a aussi contribué à la liberté de Paul Simon, loin des demandes stressantes de sa société discographique. Tenté d’écrire une chanson politique, Paul Simon se rend compte que ses collègues sud-africains chantent sur des « filles qui portaient des jupes ». A la différence de Peter Gabriel, il choisit des airs de musique pop pour des thèmes non politiques.

Loué par la critique et vendu à 14 millions d’exemplaires dans le monde, distingué par un Grammy Award en 1987, Graceland « avait été la cible d’une intense polémique, le chanteur s’étant vu accusé de servir de caution au régime blanc de Pretoria », pour avoir enfreint le boycott culturel de l’Afrique du sud. L’ANC a reproché à Paul Simon de ne pas lui avoir demandé l’autorisation avant d’enregistrer son disque. Une attitude liberticide qui suscite l’indignation de l’artiste américain.

Une tournée est envisagée avec Miriam Makeba, chanteuse africaine la plus célèbre et en exil. Sur scène : Blancs et Noirs chantent. Une « manière de dire au public quelles étaient ses convictions profondes« , explique Harry Belafonte. En Europe, des alertes à la bombe empêchent certains concerts. Des manifestations anti-apartheid se tenaient à Londres devant la salle de spectacles. Un « univers magique » est révélé au public. Graceland a « permis cette prise de conscience« , reconnait Paul Simon. À la demande de Nelson Mandela, l’ANC finit par inviter Paul Simon à se produire en Afrique du sud.

« L’immense succès remporté par cette fusion inédite de styles et de langues, amplifié ensuite par une tournée qui s’étalera sur cinq ans, ainsi que la visibilité offerte à des musiciens sud-africains alors ostracisés dans leur propre pays ont fait oublier depuis la controverse ».

« En marge d’un mémorable concert d’anniversaire organisé en Afrique du Sud, avec Paul Simon et ses complices d’alors, ce documentaire revient avec eux vingt-cinq ans après sur l’album et sa genèse. En compagnie d’anciens activistes anti-apartheid et de figures comme Quincy Jones, Paul McCartney, David Byrne, Peter Gabriel, Whoopi Goldberg, Oprah Winfrey ou Harry Belafonte, ce passionnant voyage aux sources de la musique interroge aussi le rôle de l’artiste et l’évolution du monde depuis un quart de siècle ».

Le 14 novembre 2016, Paul Simon a donné un concert à Paris.

Paul Simon: Words & Music

Skirball Cultural Center présente l’exposition Paul Simon: Words & Music. « Reimagined and expanded by the Skirball, the exhibition explores Paul Simon’s creative process and indelible mark on the nation and the world ».
« Making its only West Coast stop at the Skirball, Paul Simon: Words & Music—a traveling exhibition organized by the Rock and Roll Hall of Fame and Museum—illustrates how the legendary artist’s music has reflected social and cultural ideals. Based on exclusive interviews with the artist, the show walks visitors through Paul Simon’s life and music and illuminates his creative process. On view are instruments, records, sheet music, handwritten lyrics, photography, costumes, and stage maquettes, as well as listening stations and performance footage spanning Simon’s six-decade career. Exclusively for the Los Angeles presentation, Paul Simon: Words & Music includes additional artifacts from Simon’s private archive and a newly created music lab developed by the Skirball in cooperation with Roland Corporation. Developed upon exclusive interviews with the artist, the show traces Simon’s life and career and illuminates his creative process ».
« Exclusively for the Los Angeles presentation, Paul Simon: Words & Music will include many additional artifacts from Simon’s private archive and a newly created music lab developed by the Skirball in cooperation with Roland Corporation U.S. The exhibition opens at the Skirball on April 27 and runs through September 3, 2017″.
“Through his extraordinary storytelling and trailblazing exploration of sounds, Paul Simon has captured the spirit of our nation and our times, from disillusionment and fear to hope and compassion,” remarked Robert Kirschner, Skirball Museum Director. “Our presentation of Paul Simon: Words & Music invites one and all to celebrate the life and legacy of this prolific artist, whose irresistible songwriting and landmark collaborations with artists around the world have built bridges of understanding and opened minds and hearts.”
« Born October 13, 1941, in Newark, New Jersey, Paul Simon rose to become one of the most influential and successful musicians of the past fifty years. Simon’s fame and commercial success began as part of the duo Simon & Garfunkel, formed in 1964 with musical partner Art Garfunkel ».

« When the duo parted ways in 1970, Simon launched a successful solo career, recording three highly acclaimed albums over the next five years and solidifying his status as one of the great American composers of the twentieth century. In the decades since, Simon has created beautifully crafted music that draws on diverse American musical genres as well as African American, Latin, South African, and West African sounds—notably on his 1986 landmark album, Graceland. Simon’s wide-ranging body of work is equally beloved for its musical vocabulary—style, rhythm, and instrumentation—and its compelling and poetic lyrics ».

« Paul Simon (b. 1941) has spent his life making music. From his first compositions as a teen and his celebrated work in Simon & Garfunkel to his transformative collaborations with world musicians up to and including his current work, Simon’s evolution has been grounded in a lifelong quest to find the words, music, and rhythms that connect most deeply with listeners. Through his songs, he has captured the story of generations and the mood of the nation, from disillusionment and fear to hope and compassion. As the exhibition reveals, he stands as a sterling example of the power of music to reflect social and cultural ideals and to communicate them to the rest of the world ».

« In choosing Simon among its “Greatest Songwriters of All Time,” Rolling Stone hailed, “If Paul Simon’s career had ended with the breakup of Simon & Garfunkel in 1970, he would still have produced some of the most beloved songs ever. … But Simon was just getting started. The quintessential New York singer-songwriter, he switches between styles effortlessly with as much attention to rhythm as melody, a rare quality among artists who came of age in the folk era. Over the decades, his music has incorporated Tin Pan Alley tunecraft, global textures, gentle acoustic reveries, gospel, R&B and electronic music, all without diluting his core appeal as an easeful chronicler of everyday alienation.”“It’s absolutely true that music brings people together in a way that they can’t find in any other form. It’s nonverbal, and it goes to something that’s deeply ingrained in our DNA. It’s a really powerful force.”—Paul Simon

« Simon has earned sixteen Grammys for his solo and collaborative work—three of which were for Album of the Year (Bridge Over Troubled Water, Still Crazy After All These Years, and Graceland)—as well as a Lifetime Achievement Award. He is one of a small group of two-time inductees into the Rock and Roll Hall of Fame: he was inducted in 1990 with Art Garfunkel and again in 2001 as a solo artist. In 2002, Simon was a recipient of the Kennedy Center Honors. In 2006, he was among the “TIME 100,” TIME magazine’s prestigious annual list of the “100 men and women whose power, talent, or moral example is transforming our world.” In 2011, Rolling Stone magazine named Simon one of the “100 Greatest Guitarists,” then named him one of the “100 Greatest Songwriters of All Time” in 2015. Simon was the first recipient of the Library of Congress’s Gershwin Prize for Popular Song in 2007″.
« Paul Simon: Words & Music at the Skirball Cultural Center is organized chronologically, with themed sections that cover Simon’s early years and Simon & Garfunkel period, his acclaimed solo work since 1971, and his songwriting process ».
« In the newly developed music lab, created exclusively by Roland Corporation U.S. for the Skirball, visitors will experience Simon’s recordings firsthand through various interactives. Music fans will be invited to keep the beat to “Cecilia” in a communal drum circle, manipulate tracks for “Me and Julio Down by the Schoolyard” and “Wristband” using mixing equipment, and more ».
« The Skirball’s presentation of Paul Simon: Words & Music expands on the original exhibition and includes many never-before-exhibited or rarely exhibited items from Simon’s own archives. Highlights include:
• Handwritten manuscript lyrics and lyric developments for “Mother and Child Reunion,” “American Tune,” “50 Ways to Leave Your Lover,” and “Diamonds on the Soles of Her Shoes,” « The Boxer » scrawled on an in-flight magazine, an early draft of « Mrs. Robinson » on an envelope, and the first-ever display of « Hearts and Bones. »
• Music sheets for “Bridge Over Troubled Water,” incorrectly titled « Like a Pitcher of Water » by arranger Ernie Freeman.
• Original pressings of 45 RPM singles of « America » and “El Condor Pasa.”
• Fan letters written to Simon after the 1969 television special « Songs of America. »
• Never-before-displayed photographs of Simon from his personal archives.
• Hand-colored photograph by Edie Baskin of Simon in the famous Saturday Night Live turkey outfit.
• Simon’s Kennedy Center Honors medal.
• Simon’s Library of Congress Gershwin Prize for Popular Song, of which Simon was the very first recipient.
• « We are the World » sheet music signed by the artists.
The exhibition also includes popular items displayed in the original Rock and Roll Hall of Fame and Museum exhibition, including:
• Stage maquette from Simon & Garfunkel’s famed concert in Central Park.
• Yamaha acoustic guitar used during the recording of Graceland.
• Simon’s very first guitar, given to him on his thirteenth birthday by his father and used during his early musical career.
• First recording contract with Big Records signed by Simon’s parents
• Simon’s copy of the rare LP of Simon & Garfunkel’s first album (when they were known as Tom & Jerry), Hey Schoolgirl, whose title track represented their first hit.
• Simon’s Saturday Night Live « Five-Timers Club » jacket.
• Several of Simon’s Grammy Awards.
• Media stations where visitors can watch interviews with the artist conducted specially for the exhibition, concert footage, and clips from Simon’s Saturday Night Live appearances ».
« Related Film Screening and Rare Evening Gallery Hours
On Friday, May 12, at 8:00 p.m., the Skirball presents a screening of the Emmy-nominated documentary Under African Skies, which traces the turbulent origins and lasting impact of Paul Simon’s landmark album Graceland. Prior to the screening, the public is welcome to enjoy rare evening Museum hours and gain free admission to Paul Simon: Words & Music. The exhibition will be open from 6:00 p.m. through 10:00 p.m. Reservations for the late-night event and ticket sales for the film screening will open in mid-April on skirball.org ».
« PAUL SIMON: WORDS & MUSICWAS CURATED BY THE ROCK AND ROLL HALL OF FAME AND MUSEUM, CLEVELAND, OHIO.
THE EXHIBITION AND ITS RELATED EDUCATIONAL PROGRAMS AT THE SKIRBALL CULTURAL CENTER ARE MADE POSSIBLE IN PART BY SUPPORT FROM THE FOLLOWING DONORS:
The Material World Foundation
Steve Tisch
ALONG WITH GENEROUS SUPPORT FROM THE FOLLOWING DONORS:
Sandy and Hank Abouaf
Bloomberg Philanthropies
Stephanie and Harold Bronson
Concord Music Group
Fischer Family Foundation
Shari and Richard Foos
Gang, Tyre, Ramer & Brown Charitable Foundation
David Geffen Foundation
Hillside Memorial Park and Mortuary
Karsh Family Foundation
Linda and Michael Keston
Suzanne and Dave Larky
Live Nation
Monterey International Pop Festival Foundation
Rock-It Cargo
Roland Corporation U.S.
Skirball Volunteer Service Council
Sony Music’s Legacy Recordings
Tiebreaker Productions/Forest Hills Stadium
MEDIA SUPPORT PROVIDED BY:
Los Angeles magazine
LA Weekly
About the Skirball

The Skirball Cultural Center is a place of meeting guided by the Jewish tradition of welcoming the stranger and inspired by the American democratic ideals of freedom and equality. We welcome people of all communities and generations to participate in cultural experiences that celebrate discovery and hope, foster human connections, and call upon us to help build a more just society ».

 
« Simon & Garfunkel – L’autre rêve américain » de Jennifer Lebeau
États-Unis, SME Production, 2011, 53 min
Sur Arte les 24 juillet 2020 à 22 h 25, 25 juillet 2020 à 5 h 40, 2 août 2020 à 0 h 25 et 8 août 2020 à 7 h 45, 27 mai 2022 à 22 h 15, 30 mai 2022 à 2 h 45, 3 juillet 2022 à 16 h 25

Disponible du 17/07/2020 au 21/10/2020
Disponible du 20/05/2022 au 24/08/2022
Visuel : © Whight Light TV

« Simon & Garfunkel – The Concert in Central Park« de Michael Lindsay-Hogg
États-Unis, Peregrine Productions, Above Average Productions, 1982, 87 min
Sur Arte les 24 juillet 2020 à 23 h 20 et 1er septembre 2020 à 5 h, 27 mai 2022 à 23 h 10, 13 juin 2022 à 5 h, 22 juin 2022 à 5 h
Disponible du 17/07/2020 au 21/10/2020

Disponible du 20/05/2022 au 24/08/2022
Visuels : 
Simon & Garfunkel: Konzert im Central Park 1981
© White Light Int. Media Ltd

« Personne Ne Bouge ! Art Garfunkel se souvient… » 
France, 2017, 36 min.
Sur Arte le 30 décembre 2018 à 5 h, disponible jusqu’au 30 juin 2018.

(Personne Ne Bouge ! « Le Lauréat » de Mike Nichols – Icône
Sur Arte disponible juqu’au 30 juin 2018.

Du 27 avril au 3 septembre 2017
À The Skirball Cultural Center
2701 N. Sepulveda Blvd. Los Angeles, CA 90049
Tel. : (310) 440-4500
Du mardi au vendredi de 12 h à 17 h. Vendredi de 12 h à 17 h, samedi et dimanche de 10 h à 17 h

 

Paul Simon « Graceland » – Retour aux sources africaines, par Joe Berlinger
2011, 83 min
Sur Arte les 27 février à 22 h 35 et 2 avril 2016 à 1 h 05, 10 juin 2018 à 5 h 50, 30 décembre 2018 à 5 h.
Visuels :
Paul Simon backstage at the Philharmonic Hall, Lincoln Center, New York, 1967. Photograph by Don Hunstein. Courtesy of Sony Music Entertainment.
Paul Simon, New York, 1975. Photograph by Edie Baskin
Paul Simon at the Concert in Central Park, 1991. Photograph by Nick Elgar. Courtesy of Paul Simon Archive
Paul Simon’s first acoustic guitar, made by Stadium. Collection of Paul Simon
“Mrs. Robinson” early lyric development, c. 1967, New York, New York. Collection of Paul Simon.
“50 Ways to Leave Your Lover” lyrics manuscript, 1975, New York, New York. Collection of Paul Simon.
Paul Simon’s Grammy Award, for Album of the Year, 1975: Still Crazy After All These Years. Collection of Paul Simon
“The Boxer” early lyric development, handwritten by Paul Simon on United Airlines Mainliner Magazine, Volume 12, N0.11, November 1968. The lyrics are written on an article by Richard H. Gratiot entitled « Davi Jones and the Crowd.” Collection of Paul Simon.
Paul Simon notepad featuring handwritten lyric development for « Graceland », with cover page dated 3/30/85. Collection of Paul Simon.
Gershwin Prize for Popular Song awarded to Paul Simon, 2007, Washington, DC. Collection of Paul Simon.
Paul Simon, 2000. Photo by Lynne Goldsmith. Courtesy of Paul Simon Archive.
Gershwin Prize for Popular Song awarded to Paul Simon, 2007, Washington, DC. Collection of Paul Simon.
Paul Simon’s first acoustic guitar, made by Stadium. Collection of Paul Simon.
Paul Simon with Ladysmith Black Mambazo during the Graceland tour (left to right: Joseph Shabalala, Miriam Makeba, Okyerema Asante, Paul Simon, and Ray Phiri), Zimbabwe, 1987. Photograph by Luise Gubb. Courtesy of Paul Simon Archive.
Paul Simon, 2000. Photo by Lynne Goldsmith. Courtesy of Paul Simon Archive.

 

Les citations proviennent d’Arte et du site de Paul Simon.
 
Cet article a été publié le  27 février puis les 16 novembre 2016, 1er mai et 2 septembre 2017, 10 juin et 28 décembre 2018, 23 juillet 2020.
[Source : http://www.veroniquechemla.info]

L’executiu balear reclama a Espanya que es respecti el nom i la unitat del català

El govern espanyol s’ha empescat una nova denominació per a la llengua pròpia de les Illes Balears i ha qualificat, aquest cop, el català com a baleà. Ho ha fet al web oficial de la campanya La seguretat salva vides, del Pla Nacional de Sensibilització en Seguretat i Salut per al Sector Pesquer, que depèn del Ministeri de Treball, Migracions i Seguretat Social.

En aquest web, els usuaris podien descarregar-se el material en sis idiomes: castellà, català, baleà, basc i valencià. El contingut en català, baleà i valencià, però, estava en la mateixa llengua. El Ministeri va retirar el menú en la nova llengua al cap d’unes hores.

Aquest episodi recorda una altra iniciativa peculiar, en aquella ocasió, del grup parlamentari d’Unides Podem (UP) al Congrés dels Diputats espanyol, que l’any passat va tenir la pensada de presentar unes esmenes en les quals reclamava que s’anomenés “balear” la llengua catalana parlada a les Illes Balears.

La nova denominació de la llengua del govern espanyol, a part de provocar burles a les xarxes socials, ha causat la indignació del govern balear, que a través de la Direcció General de Política Lingüística (DGPL) s’ha queixat a l’executiu de PSOE i Unides Podem del fet que “impulsi la fragmentació lingüística utilitzant denominacions diverses per referir-se a la llengua catalana, incloent-ne d’inventades i amb grafies no normatives”.

La DGPL retreu al govern espanyol que “a més de distingir habitualment entre català i valencià, en contra de criteris científics i de la jurisprudència dels tribunals espanyols, el Ministeri de Treball, Migracions i Seguretat Social ofereix la versió lingüística en “baléà””, una denominació que “no s’ajusta ni a la normativa ni a cap nomenclatura popular, i a més s’ofereix escrita en una ortografia no acadèmica”.

El govern balear ha fet gestions per aclarir els fets i exigir una rectificació i l’adequació a la llei i a la ciència. “Les institucions oficials s’han de referir a la llengua pròpia de les Illes Balears com a “català” o, si ho considera necessari, i seguint el criteri del Consell d’Europa, com a “català/valencià”, per evitar oferir dues versions lingüístiques idèntiques sota etiquetes diferents que poden donar peu a interpretar que es tracta de dues llengües diferents”, remarca l’executiu.

També ha expressat el seu rebuig al menyspreu a la llengua pròpia l’Obra Cultural Balear (OCB), que ha denunciat que “és intolerable que un govern promogui denominacions acientífiques”. La Plataforma per la Llengua ha demanat al govern espanyol que “deixin d’inventar llengües i, de pas, s’aturi la fragmentació del català”.

 

[Font: http://www.diaridelallengua.cat]

Pour les néophytes qui iront voir le film ELVIS de Baz Luhrmann, l’écrivain Bruno de Stabenrath raconte pourquoi l’Amérique, le rock et son héraut flamboyant l’ont influencé.

Le portrait du comédien qui incarne Elvis Presley au cinéma mis côté à côte d'un portrait d'Elvis.

Le comédien Austin Butler, qui incarne Elvis dans le film de Baz Luhrmann et Elvis Presley avec son fameux blouson en cuir noir.

Par Bruno de Stabenrath

Suis-je un bon public ? Mon esprit critique s’évanouit-il lorsque se rappelle à ma mémoire le souvenir des paradis perdus ? Elvis, le mythe éternel de ma jeunesse en fait partie : sa voix, son physique, sa musique, ses chansons, l’évocation syncopée d’une Amérique fifties au tempo fracassant du rock, des somptueuses Cadillac 59 Eldorado pourpre et des belles gosses rousses ou blondes, aux poitrines insolentes et aux lèvres pulpeuses rouge cerise. Elvis a inventé l’adolescence et il a ensoleillé la mienne. Moi, rebelle de bonne famille et chanteur crooner, j’ai pensé, cela peut être un projet sinon une direction et presque un avertissement : tu veux être une star ? Plus dure sera ta chute… Protège tes arrières, évites les seringues souillées, l’alcool frelaté, les putes avariées et les groupies mineures… Surtout, ne fais pas de tes errances, les défroques du génie incompris. On a les mentors qu’on mérite. N’oublie jamais que la vieille histoire du rock n’roll s’est déglinguée en 1958, lorsque le G.I Presley est parti servir sa patrie en Allemagne.

Plus tard, la fin de vie d’Elvis fût terrifiante : en tenue de scène combinaison lamée rutilante, il se transforma en Big Mac baroque, en pachyderme boursouflé, larmoyant de sueur, suintant les larmes, l’eau de toilette Fabergé et le beurre de cacahuètes. Le caruso du vieux sud filait droit vers la mort à bord de ce « Mystery Train » fatidique qu’il avait tant chanté. L’amour l’avait tué quand Priscilla, son épouse, l’avait quitté pour Mike Stone, son prof de karaté hawaïen.

Aussi, lorsqu’un film, un biopic inattendu ou un documentaire (Netflix) évoque pour la énième fois la carrière du roi du rock, je suis sur mes gardes. Qu’ai-je donc à apprendre que je ne sais déjà ? Ce type fait partie de ma famille, alors ?

Au départ, le sujet, me semble-t-il, est bon et mérite notre indulgence… (il s’agit d’Elvis quand même, pas de Dick Rivers ni de Patrick Topaloff) et davantage, lorsque le script se trouve revitalisée par une nouvelle et jeune équipe (producteur, réalisateur), remasterisé, scénarisée en une dramaturgie originale, un point de vue inédit et servi par un casting sans failles… Bingo ! Je tombe dans le panneau, ravi, ému et dépucelé encore… Le King me tue…

Car voilà, bientôt sur les écrans, ELVIS, le film australo-américain, réalisé par Baz Luhrmann, avec le jeune Austin Butler dans le rôle-titre et l’incontournable Tom Hanks, dans la peau du colonel Parker, producteur manipulateur du King. On découvre ainsi, la relation intense, mitigée, conflictuelle entre l’impresario et son poulain. Priscilla est interprétée par l’émouvante Olivia de Jonge et les bandes masters ont été remixées avec la voix originale (et l’accord de la Presley Enterprise Limited).

Après la projection, j’ai eu une révélation :

– Une chose est sûre, me suis-je dit. Là où il se cache, et sûrement aux states, le fugitif Xavier de Ligonnès va se précipiter dans le premier cinéma, applaudir le héros de notre jeunesse versaillaise. Xavier se rappellera-il, que je conserve toujours sa collection de 33 tours d’Elvis qu’il m’avait offerte avant de partir à l’armée ?

Se souviendra-t-il de ce moment pénible – qui le fit beaucoup rire – lorsqu’un été 1993, je fis un pèlerinage à Graceland, la propriété de Memphis où était enterré Elvis et ses parents. Il faisait une chaleur torride ce jour-là, et profitant d’un groupe de touristes VIP, j’accédais au mausolée couvert de fleurs et tapissé de bibelots commémoratifs. En voulant m’approcher d’une statuette à l’effigie du king, érigée sur la sépulture en marbre, je fus stoppé par une mamie obèse aux cheveux violets :

– Ne marche pas sur la tombe d’Elvis, aboya-t-elle.

Zut ! J’avais gaffé et commis un sacrilège ! Quinze bibendums mâles et femelles, en chemise hawaïenne et en tong me jaugeaient avec mépris et indignation…

Si encore j’avais chaussé des « Blue Suede Shoes »… Ah, ces français…

Pour les néophytes qui iront voir ce très beau film d’ELVIS, et pour la jeune génération de la RDJ, j’aimerais vous raconter entre les lignes et entre les notes, pourquoi et comment, l’Amérique, le vieux sud, le rock et son héraut flamboyant, ont influencé ma vie, mes métiers, mon écriture.

Bruno de Stabenrath, le Elvis Presley français.

Bruno de Stabenrath, le « Elvis Presley français ».

Rock n’roll story – 1954/1958 :

Quelques mois après la mort de Hank Williams âgé de 29 ans – une des premières grandes stars de la musique country, retrouvé raide et froid, sur la banquette arrière d’une Cadillac bleue, modèle 49, non loin de là, à la frontière de la Virginie – un nouveau monde s’éclairait, en cette aube de janvier 1953. Désormais, plus rien ne serait pareil. Un nouveau son, une nouvelle musique, une nouvelle idole.

Le rock and roll trace son premier sillon fertile au cours d’une journée torride, quelque part dans le Sud profond, le 5 juillet 1954, dans le Studio Sun à Memphis, état du Tennessee ; il est dirigé par le producteur et agent, Sam Philips, quand un jeune Blanc gominé de 19 ans, Elvis Presley, enregistre une vieille chanson d’Arthur Big Boy Crudup datant de 1943, « That’s all Right Mama ». Sur un tempo binaire Rockabilly, avec Scotty Moore à la guitare et Bill Black à la contrebasse, l’Amérique, la terre promise, découvre la voix chaude, lancinante et syncopée d’un inconnu nommé Presley.

Plébiscité par les disc-jockeys, dont Bob Neal et Alan Freed, qui, déjà en 1951, animait la première émission radio « The Moon Dog Rock and roll House Party », le titre d’Elvis envahit les ondes et grignote peu à peu, les territoires du rhythm and blues, du boogie-woogie et du Doo-Wop, jusqu’ici réservé aux artistes noirs : Fats Domino, Ray Charles, Little Richard, Big Joe Turner, les Moonglows, Jimmy Reed, Bo Diddley, Muddy Waters, Chuck Berry…

Ce sont eux, les précurseurs, les mèches de dynamite, mais l’Amérique puritaine, conservatrice et raciste, les cantonne aux dancings de la Nouvelle Orléans, aux honky-tonks du Mississippi ou aux clubs de Harlem.

Le rock avec ses prêcheurs turbulents n’est pas vraiment en odeur de sainteté et ses heures semblent comptées. On lui préfère les big bands de Sinatra, la gentille country, les voix sirupeuses de Pat Boone, Ricky Nelson ou de Tommy Steele. Taxées de musique obscène et lascive par les masses bien-pensantes, les pouvoirs politiques et les industriels du disque, les chansons d’Elvis se font rapidement censurer par les programmateurs de radios, car ils pensent que ce dénommé Presley est noir !

Il faudra attendre le 9 septembre 1956 et son apparition à la télévision avec « Don’t Be Cruel » au Ed Sullivan Show (50 millions de spectateurs), pour inverser la vapeur et rallier le Nord avec le Sud, où Elvis le Pelvis qui enchaîne les tournées, cartonne depuis longtemps en concert dans les États sudistes.

Sa bonne bouille, ses déhanchements et ses cils charbonneux, sans vraiment rassurer les parents, déclenchent l’hystérie des jeunes filles et l’adhésion des ados. Hollywood et la Paramount lui font des ponts d’or. Il tourne Love me Tender, le colonel Parker devient son manager et le poulain sauvage ne le restera plus très longtemps.

En attendant, derrière lui, s’engouffre le fameux cru du rock n’roll 1955 : Eddy Cochran, Buddy Holly, Roy Orbison, Johnny Cash, Gene Vincent, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Bill Haley…

Quand, en 1958, il part faire son service militaire en Allemagne, à la base de Friedberg, le soldat Elvis a le cœur brisé : il vient de perdre sa mère, Gladys, décédée le 14 août à l’âge de 46 ans d’une cirrhose du foie. Le choc est rude, et le séjour forcé en RFA interrompt provisoirement sa carrière de rock star débutante, déjà récompensée de 23 disques de platine : (en décembre 1956, le Wall Street Journal annonce que les produits dérivés d’Elvis ont rapporté vingt-deux millions de dollars) et celle d’acteur (il a déjà joué dans quatre films, dont le très bon Jailhouse Rock et l’excellent King Creole – il en tournera trente et un jusqu’en 1969).

Pendant son séjour à Bad Nauheim, Elvis fait trois rencontres capitales : celle d’une jeune beauté de 14 ans, Priscilla Beaulieu, fille de commandant (qu’il épousera le 1er mai 1967, à l’hôtel Aladdin de Las Vegas), celle du Major X, qui lui fera découvrir les amphétamines et autres benzodiazépines, afin de supporter les nuits polaires des bivouacs, et enfin celle du karaté (il obtiendra sa ceinture noire, premier dan, le 21 mars 1960).

Le 15 juin 1959, Elvis vient en perm’ à Paris et s’installe à l’hôtel Prince-de-Galles avec deux copains, Charlie Hodge (guitariste, chanteur), qui restera à ses côtés jusqu’à la fin de sa vie, et Rex Mansfield. À son retour aux États-Unis, le 1er mars 1960, le sergent Presley enchaîne à Hollywood les tournages de films sans intérêt – hormis Viva Las Vegas ! d’où fut extrait le single 45-tours éponyme, composé par un duo prolifique : Mort Schuman, du Lac Majeur, et Doc Pomus, du « Bronx », et dont les bandes originales proposent des chansons pathétiques (GI Blues, Vivo dinero y amor, Yoga Is as Yoga does, Puppet on a String, The Bull Fighter Was a Lady, Chatanooga Kiss…).

Le soldat Elvis Presley, muni d'une arme, s'entraîne en Allemagne.

Elvis Presley lors d’un entraînement à Grafenwöhr. Allemagne, 1958.

My baby left me  – 1968/1977

L’été 1968, cloîtré entre la mafia de Memphis, ses gardes du corps et le colonel Tom Parker, son imprésario machiavélique, Elvis tourne en rond. C’est le début du Flower Power, et il ne trouve pas sa place dans la nouvelle génération. Il boude la pop music, qui le considère comme un has been. Les assassinats de Martin Luther King, Robert Kennedy, Bobby Hutton, Sharon Tate (l’épouse de Roman Polanski) aggravent sa parano et, quand il regarde, à la télé, la retransmission des nombreux festivals de rock avec hippies fumeurs non violents, il dégaine son 44 magnum et explose l’écran Sony.

Au cours de l’été 1968, Elvis prépare, la mort dans l’âme, un show TV pour Noël, avec l’éternel sapin, la chorale de mioches qui chouinent sur Santa Claus, quand un jeune producteur de 23 ans, Steve Binder, spécialiste des shows de rock comme Hullabaloo, le convainc – en dépit de l’opposition farouche du colonel Parker – de tenter quelque chose de vraiment nouveau.

Ce sera le NBC Special Show, qui sera diffusé le 3 décembre 1968 (The Elvis 68’s Come-Back Special), avec un indice d’Audimat de 74,6% et, quelques mois plus tard, le 12 juillet 1969, LA couverture du magazine Rolling Stones et la consécration unanime de tout le show-business américain.

Le rock et son roi sont de retour ! Elvis est sublime : en total look cuir noir, blouson, pantalon, boots, assis sur une scène centrale, carrée, entouré de Scooty Moore, Charlie Hodge, il inaugure le premier « unplugged » de l’histoire du show-business.

Elvis est chaud bouillant ! Adieu le cinoche qui craint, revoilà la scène et les concerts live et toujours sold out, avec une première série de 57 spectacles à l’International Hotel de Las Vegas, contrat qui sera reconduit jusqu’au 12 décembre 1976. Avant d’attaquer le Nevada, Presley tourne le documentaire monumental « That’s The Way It Is » où on découvre la star en répétition, et en impro gospel, Elvis au piano, harmonisant avec ses choristes.

Les hits s’enchaînent : Suspicious Mind, You’re Always on my Mind, Burning Love, American Trilogy, Moody Blues…

Culotté et shooté jusqu’aux oreilles, il déboule en décembre 1970 à la maison blanche sans prévenir et interpelle le président Nixon sur les ravages de la drogue et son intention d’agir en tant qu’agent infiltré ; son but est d’obtenir l’insigne officielle du bureau des narcotiques afin de compléter sa collection et surtout de pouvoir prendre l’avion « armé » et sans le risque que sa mallette personnelle bourrée de médicaments et de drogues diverses soit contrôlé par les douanes.

Le président américain Richard Nixon et Elvis Presley se serrent la main.

Le président américain Richard Nixon et Elvis Presley se serrent la main.

À cette époque, Elvis, l’homme aux cinquante millions de fans et aux neuf cents chansons, est un fantôme. Sa consommation quotidienne de pilules magiques est effarante : Dilaudid, Fentanyl, Valium, Quaalude, codéïne, Valmid, Placidyl, etc. Il pèse cent kilos, sa femme Priscilla l’a quitté pour un champion de karaté métis mi-hawaiien, Mike Stone (quand Elvis apprend que Lisa Marie, sa fille de 3 ans, dort dans la chambre du couple adultère, il ordonne un contrat sur la tête de Stone) mais Jerry Schilling, son garde du corps, l’en dissuade.

Le 26 juin 1977, au cours de son dernier concert au Market Square Arena d’Indianapolis, il donne une interprétation poignante d’Unchained Melody.

Le 16 août, chez lui, à Graceland, dans sa propriété de Memphis, juste après minuit, Elvis décide d’aller voir son dentiste, revient, traîne, joue au tennis avec Ginger Alden, sa petite amie de 22 ans. Vers 7 heures du matin, tandis qu’elle se couche et s’endort, lui s’installe sur le trône des toilettes dans sa salle de bains. À son réveil, vers 14 heures, Ginger le retrouvera raide mort, face contre terre, le pantalon de pyjama aux chevilles et une bible dans la main. Verdict officiel du coroner : crise cardiaque. À 15 heures, l’annonce de son décès a fait le tour du monde : l’Elvismania peut commencer et les ventes de disques, s’envoler.

Le roi est mort, vive Elvis !

 

[Source : http://www.laregledujeu.org]

Escrito por André Márcio Neves Soares

O que uma passagem do filme Batman Begins e as máscaras usadas nessa pandemia da covid-19 têm a ver com a invasão russa da Ucrânia? Resposta: as múltiplas facetas de todos nós, seres humanos.

Mesmo para quem viu, não custa relembrar uma cena quase no final do primeiro filme da trilogia sobre o herói fantasiado de morcego, o Batman, em que a mocinha, chamada Rachel, beija Bruce Wayne e diz que teve esperanças quando ele retornou à cidade, até descobrir a máscara que ele usava. Wayne então diz que o “Batman” é apenas um símbolo, mas Rachel o interrompe afirmando que não era à máscara do “Batman” a que se referia, mas ao próprio rosto de Wayne, pois este era o verdadeiro rosto que todos agora temiam. E acrescenta que, quando tudo isso acabar, talvez um dia ela possa recuperar o homem que amou no passado. Melodramático? Um pouco! Mas essa passagem emblemática do filme pode dar-nos algumas pistas das inúmeras facetas dos seres humanos reveladas durante essa pandemia e, para piorar tudo, nesse conflito que estourou no leste europeu.

É fato que não paramos para pensar sobre as consequências dessa pandemia, para além de todos os horrores que a nossa espécie tem vivenciado, de ordem médica, sanitária, psicológica, fisiológica, financeira etc. Na verdade, a máscara que seremos obrigados a usar ainda por muito tempo, quiçá para sempre, servirá também de escudo para esconder ainda mais nossas já furtivas demonstrações de emoção diante de momentos indesejados. A máscara da covid-19 será a desculpa perfeita para a ausência de qualquer deslize que nos denuncie enquanto ser emotivo, numa sociedade que prima pela aparência de todos e de tudo. Sem perceber, estamos sendo treinados por um sistema global de vigilância e segurança para jamais pararmos de movimentar-nos, mesmo diante das maiores dificuldades. O tempo da reflexão e da conexão com a natureza, com nossos semelhantes e com o mundo mesmo, terminou.

Nesse sentido, se antes algum trejeito facial denunciava ao mundo a nossa irritação, alegria ou mesmo indiferença, hoje a máscara esconde essa faceta, evitando a exposição dos nossos sentimentos. Para o bem ou para o mal. O sujeito contemporâneo autêntico já está sendo medido pelo que consome, pelo que destrói na sua incessante movimentação – e o rastro ou resto que deixa pelo caminho – ou pelo que usurpa em nome do seu bem-estar solitário e unitário. Em nome do bem comum, o “Batman” abdica da sua vida pessoal, dos seus sentimentos e dos sentimentos das outras pessoas para com o verdadeiro mascarado que está por baixo da vestimenta negra. As pessoas estão abdicando de suas vidas pessoais em favor dos bens materiais, dos minutos de fama e das oportunidades que se podem abrir para aquelas isentas de empatia.

O escritor e poeta francês Guy de Maupassant escreveu um conto em que denunciou, ao mesmo tempo, o insensível modo capitalista de reprodução da força de trabalho e a assombrosa imposição da estética às mulheres. Realmente, para a primeira mãe retratada, os bebês deformados que nasceram se transformaram em lucro para ela, que os vendeu para os aproveitadores comerciais de espetáculos místicos; para a segunda mãe retratada, descrita como bela e esbelta, a deformação dos bebês decorria da necessidade de manter sua silhueta conforme os padrões de época, através do espartilho. Dinheiro e espetáculo unidos. Consumo e fetiche são a nova ordem global. A todos os que, por motivos diversos, não se encaixam nessa nova ordem, restará a exclusão sumária do viver em sociedade. No devir de um mundo cada vez mais caótico, nem mesmo a família, a mais tradicional das instituições privadas de todos os tempos da humanidade, poderá salvar esses “desgarrados”.

As duas grandes guerras mundiais do século XX, e todas as pequenas guerras localizadas delas decorrentes, estão na base da transformação mascarada da sociedade de consumo. Nesse ponto, a invasão russa iniciada no final do mês passado é só mais um capítulo de uma geopolítica em permanente transformação, desde que a vida, como bem maior da humanidade, perdeu o seu sentido. Deixamos de ser sujeitos potentes na linguagem do mundo visível para ser apenas predicados consumidores da fonética mercadológica. A máscara que Putin usa é a do seu próprio rosto impassível diante das câmeras, assim como o próprio Bruce Wayne, a pressionar a Ucrânia e o resto do mundo, para que cedam aos seus caprichos. A máscara que Biden usa, e a Otan por tabela, é a faceta de uma indignação calculada milimetricamente, mas inoperante, incapaz de dizer aos povos as reais motivações da falta de consenso entre os atores desse cenário de guerra.

Destarte, parece ter chegado ao fim a era dos mitos. Não há mais espaço para poemas como Metamorfoses de Ovídio, poeta romano do século I a.C., no qual ele tentou retratar a interação entre o Cosmos e a história do mundo, através das eras dos homens. Temas caros a esse poeta, considerado hoje o primeiro poeta romano, como o amor, o ciúme e o crime, todos inseridos nas formas artísticas da literatura, da música, da arquitetura e da pintura que perfazem o arcabouço antigo da filosofia e mitologia clássica, estão simplesmente em desuso. A máscara da contemporaneidade, ou pós-modernidade para alguns, é a máscara da indiferença. Ou da hipocrisia. É por isso que a máscara da Otan, que finge indignação perante o assalto de Putin a um país soberano, é a mesma da desconexão com a realidade dos bombardeios efetuados por esta mesma Otan, ou seus aliados, na Síria, no Iêmen, no Iraque ou na Palestina, para ficarmos em apenas alguns exemplos. Mais. É a mesma máscara das respostas prontas, sarcásticas mesmo, a respeito do infame bloqueio a Cuba, que já dura sete décadas.

Talvez a era “pós-moderna” seja, por assim dizer, a era das máscaras individuais e coletivas. As individuais para evitar o sofrimento maior de precisarmos tomar conhecimento do horror perpetrado pela própria dinâmica do progresso capitalista democrático. Dinâmica esta que já foi muito bem retratada por autores díspares como o filósofo ateu John Gray, e sua crítica da busca da humanidade pela imortalidade através do avanço da ciência,1 e o filósofo humanista camaronês Achille Mbembe, e sua crítica de “carbonização” do mundo pelas forças capitalistas. A grande diferença entre ambos, no particular, é que enquanto o primeiro não parece nutrir maiores expectativas em relação ao futuro da humanidade – dado o já avançado grau de virtualização da vida social do animal humano –, o segundo ainda mantém esperanças numa possível correção de rota da história, especialmente através da nossa volta para casa, ou melhor, do resgate dos valores africanos em relação a nossa interação com a natureza.

Contudo, as máscaras individuais fazem cada vez menos sentido em relação as novas máscaras coletivas do século XXI. Com efeito, se os rostos, e por tabela os corpos, passaram a ser as máscaras na nova normalidade de pessoas cujas vidas se tornaram indefinidas, efêmeras e fetichistas, então podemos ser o que as nossas vidas precisarem, de acordo com as nossas vontades e permanências.2 Mas quem será o herói que chamará para si a responsabilidade pelos horrores praticados por uma sociedade que já não se reconhece mais como espécie? Na vida real não existe o Batman, capaz de ser o que nós precisamos que ele seja. Mas existem muitos Coringas, ou seja, muitos sujeitos capazes de fazer enlouquecer a maioria das pessoas ditas normais, como a personagem Harvey Dent da citada trilogia.

Quando vemos um experiente e renomado historiador como Laurence Rees3 desanimado e frustrado com os rumos tomados pela invasão russa na Ucrânia, e as consequências que dela ainda virão, perguntamo-nos: a quem recorreremos nas décadas vindouras? O Ocidente parece tresloucado pela aceleração das relações totais entre todos os domínios da vida humana – sociais, econômicas, políticas, religiosas, virtuais. etc. –, e está mais para o justiceiro Duas Caras, que para o promotor Harvey Dent. Anseia por destruir o mundo oriental, mas não sabe como fazer isso sem colocar seu próprio lado em perigo. Então, espera criminosamente pelo desfecho do conflito que ele mesmo, Ocidente, fez questão de insuflar, mediante o bombardeio psicológico do tirano, cercando-o através da Otan. Essa espera criminosa já aconteceu em ocasiões anteriores, envolvendo os mesmos atores, quando Churchill e Roosevelt se omitiram diante dos horrores praticados por Stálin. E mais. O mesmo Ocidente que conciliou com Mikhail Gorbatchov4 jamais pleitear a entrada da Ucrânia no Otan.

Destarte, se a covid-19 naturalizou um procedimento que já era latente na sociedade espetacular, a saber, o uso de máscaras, ainda que dessa vez por motivos sanitários, o fato é que essas máscaras produzidas em série, portanto próprias da sociedade capitalista, veio bem a calhar no momento atual. Os impactos dessa pandemia, aliados à invasão russa, devem redimensionar as tensões globais em termos nunca vistos depois da Segunda Guerra Mundial. Os deslocamentos humanos já tiveram um incremento de mais de 2,5 milhões de pessoas só naquela região deflagrada. A máscara “Harvey Dent” usada pelo Ocidente nesse conflito, de indignação com os atos de Putin, contrasta de maneira sombria com a máscara “Duas Caras” utilizada por esse mesmo Ocidente em outros conflitos espalhados pelo mundo afora.

Ciente da impossibilidade duma mudança no paradigma civilizatório da espécie humana, entendo ser adequado voltarmo-nos para um lúcido pensador já centenário: Edgar Morin. De fato, em uma breve e tocante entrevista dada recentemente, Morin vai além de Hessel para dizer que antes de nos indignarmos, é preciso pensar. Obviamente, ele está referindo-se à categoria mental do entendimento. Entender tudo o que se passa à nossa volta é, mais do que nunca, imprescindível para mudarmos o status quo a que estamos submissos. Para ele, só um diagnóstico correto das mazelas que o ser humano impõe a todos os outros seres viventes, inclusive aos da sua própria espécie, é capaz de fazer com que entendamos o mundo e a história atual. É preciso derrubar o mito de que somos seres naturais superiores, pois dessa visão deturpada é que advém a certeza da humanidade como uma espécie sobrenatural, ou seja, mais importante do que todas as outras.

Morin afirma apoiar-se em três princípios para não perder a esperança na humanidade, a saber: apostar no improvável; acreditar nas capacidades criativas e na resistência à opressão das minorias; e acreditar que mesmo o pior sistema totalitário da futura Matrix5 poderá apresentar falhas, que serão exploradas por indivíduos que tentarão salvar o mundo.6 Entretanto, afirma que hoje não existe qualquer candidato ao posto de herói nesse caminho que trilhamos. Sabe ele que a atual mecanização da vida nos remete diariamente a uma situação distópica entre a face da guerra e da pandemia, e a rejeição delas. Daí as máscaras contemporâneas serem necessárias para a sobrevivência de todos nós, numa era paradoxal entre a fartura e a fome, a abundância indecente e a escassez absoluta, entre a razão e a ignorância. A vida enlatada no que comemos, assistimos, lemos e entendemos como normal só pode ser suportável através de máscaras.


Notas
1 Casa bem a leitura do livro indicado desse autor com a série que pode ser vista no streaming Altered Carbon.
2 No segundo filme da trilogia do “Batman”, denominado “ Batman – o cavaleiro das trevas”, em 2008, na cena final ele diz ao comissário Gordon que o Coringa (já preso) não podia vencer (por ter causado tanto sofrimento e morte, inclusive a do promotor Harvey Dent, este enlouquecido pela morte da sua colega e amante, Rachel Doyles, fato que o transformou no vilão “Duas Caras”). Assim, “Batman” diz, sob protestos do comissário Gordon, que ele assumiria a culpa por todos os horrores fornecidos pelo Coringa porque ele “não era um herói, não como Harvey Dent, mas o herói que a cidade de Gotham precisava naquele momento.
3 Ver entrevista com Laurence Rees.
4 Oitavo e último líder da União Soviética, foi secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) de 1985 a 1991. Foi chefe de Estado do país de 1988 a 1991, na posição de presidente do Presidium do Soviete Supremo de 1988 a 1989, presidente do Soviete Supremo de 1989 a 1990 e presidente da União Soviética de 1990 a 1991.
5 Morin faz referência ao filme Matrix de 1999, das irmãs Wachowski.
6 Na verdade, Morin afirma que sempre existirá alguém, algum herói que salvará o mundo. Essa afirmação me parece um pouco otimista demais, pois não temos certeza sequer de se a Matriz existirá algum dia. Se existir, o que parece provável, dada a escalada do progresso nanotecnológico, também não há como ter a certeza de que qualquer tentativa de salvar o mundo da tirania digital resultará em sucesso.

Referências bibliográficas
GRAY, Johh. A Busca pela Imortalidade: a obsessão humana em ludibriar a morte. Rio de Janeiro: Record, 2014.
MAUPASSANT, Guy de. A mãe dos monstros. Portal noturno, 2015.
MBEMBE, Achille. Brutalismo. São Paulo: n-1 Edições, 2021.
MORIN, Edgar. “Antes de indignar-se, é preciso pensar”. Outras Palavras, 2022.

***
André Márcio Neves Soares é mestre e doutorando em Políticas Sociais e Cidadania pela Universidade Católica do Salvador – UCSAL, e integrante do Núcleo de Estudos sobre Educação e Direitos Humanos (NEDH).

 

[Imagem: DAN DENNIS – fonte: http://www.blogdaboitempo.com.br]

L’annonce de l’adaptation des pièces pour le jeune public a suscité l’indignation de certains politiques. Mais il s’agit en fait d’un atelier d’écriture en Pologne, destiné à l’apprentissage du français.

La plupart des textes étudiés aujourd’hui sont relativement éloignés sur la forme des versions jouée sur scène il y a près de 300 ans.

«La langue de Molière est-elle devenue trop ardue pour les écoliers d’aujourd’hui ?». Dans la poudrière qu’est Twitter, France Culture a craqué une allumette. Selon une publication de l’antenne publique, de jeunes auteurs vont réécrire les pièces du grand dramaturge «pour que les élèves puissent y avoir accès plus facilement». Une annonce approximative qui n’a pas manqué de faire réagir les internautes.

«Aujourd’hui certains veulent réécrire #Molière, demain ils voudront réécrire l’Histoire de France et après-demain tout aura disparu», a écrit le maire RN de Fréjus David Rachline sur le réseau social. «Sous couvert d’un prétendu égalitarisme, on considère donc que certains élèves ne pourraient avoir accès à Molière. C’est insultant pour eux», a regretté de son côté Aurore Bergé, la députée LREM des Yvelines.

Ces exercices de réécriture ne sont cependant pas destinés aux écoliers français. Ils s’inscrivent dans le cadre de l’initiative 10 sur 10, une résidence d’écriture organisée par le centre international de théâtre francophone en Pologne, en partenariat avec la Comédie Française.

«Le but du jeu n’est pas de rendre Molière accessible, le but du jeu est de permettre à dix auteurs francophones de proposer grâce à Molière de nouvelles pièces destinées essentiellement à l’enseignement du français langue étrangère», explique le professeur de littérature Marc Escola, dans un extrait l’émission Affaire en cours. Il s’agit de «10 pièces courtes, rythmées, actuelles de 10 pages et 10 personnages tout spécialement écrites pour un public de jeunes qui apprennent le français», précise le site de l’événement créé il y a 5 ans. Sans rapport direct avec la question des difficultés de compréhension de la langue de Molière par nos contemporains, et particulièrement les élèves.

Marc Escola estime cependant que les textes du dramaturge utilisent un français daté, le rendant moins abordable pour les jeunes générations. L’évolution des pratiques linguistiques, qui concerne des auteurs comme Rabelais, Montaigne ou Du Bellay sans que cela prête à polémique, touche aujourd’hui des auteurs comme Racine et Corneille. L’adaptation de l’œuvre de Molière, bien qu’hypothétique, n’aurait rien d’inédit. Et, souligne l’enseignant, la plupart des textes étudiés aujourd’hui sont déjà éloignés des versions jouées sur scène au XVIIe siècle, le temps ayant rendu certains passages hermétiques au public contemporain.

 

[Photo : Eric Feferberg / AFP – source : http://www.lefigaro.fr]

 

 

 

“Nadie previó lo que se avecinaba”, escribe Antonio Muñoz Molina en ‘Volver a dónde’ (Seix Barral), un libro que nace en el desconcierto de la pandemia para convertirse después en un sereno tratado de la vida, de nuestro paso efímero por un mundo que no vamos a dejar mejor que el que hemos heredado de nuestros padres.

El escritor Antonio Muñoz Molina

 

Escrito por Javier Morales

Hace ya dos años que convivimos con el virus y, aunque personas bienintencionadas soñaban con que saldríamos reforzados de la experiencia, que quizás nos volveríamos más humanos y aprenderíamos a valorar lo realmente importante, lo cierto es que no ha sido así. Una guerra de consecuencias imprevisibles se ha iniciado de nuevo en Europa, la mezquindad y el cortoplacismo siguen siendo la moneda corriente entre nuestros políticos y poco o nada se hace para combatir a un enemigo real que hemos creado nosotros mismos: el cambio climático.

“Nadie previó lo que se avecinaba”, escribe Antonio Muñoz Molina en Volver a dónde, un libro que nace en el desconcierto que, como a todos, le produjo al autor el comienzo de la pandemia, pero que luego se ramifica desde el presente hacia al pasado y se acaba convirtiendo en un sereno tratado de la vida y de la existencia, de nuestro paso efímero por un mundo que no vamos a dejar mejor que el que hemos heredado de nuestros padres.

“Otra forma de vivir sería posible”, se lamenta el autor de Todo lo que era sólido. Después del tiempo suspendido que supuso el confinamiento, de unos meses extraños en los que incluso se había vuelto a oír el canto de los pájaros en el centro de una ciudad como Madrid, enseguida volvió el ruido y la furia, el tráfico desquiciado, los gritos de los políticos y de una ultraderecha que acallaba con sus caceroladas el homenaje diario que se hacía a los trabajadores de la sanidad pública. Héroes a los que pronto se ha olvidado y a quienes recientemente la presidenta de la Comunidad de Madrid les ha acusado de falta de entrega y de compromiso. La misma que ahora está en el punto de mira por un presunto nepotismo, por haber favorecido a su hermano mientras el país se desangraba.

La relectura de Los episodios nacionales de Galdós (“Galdós es siempre mejor de lo que uno recordaba”), las sonatas para piano de Beethoven interpretadas por Daniel Barenboim, una biografía de Hitler, la vida familiar, interrumpida en parte por el confinamiento, la indignación con la clase política, el dolor por los muertos y los enfermos que llenan las urgencias de los hospitales. Así transcurre el día a día del autor durante el confinamiento. Desde el balcón de su casa, con una copa de vino y sentado en una vieja silla de jardín (“Parece una de esas sillas viudas que la gente deja abandonadas por la noche en las aceras, junto a los contenedores), el autor observa las calles vacías, donde habita ahora una aparente monotonía.

Como en los diarios de Cheever, también en su bitácora de pandemia encontramos con frecuencia un apunte sobre los cielos de Madrid, más limpios que de costumbre, aunque no tardarán en colmarse del veneno que sueltan los coches. Antonio Muñoz Molina mira y anota lo que ve en su cuaderno. Una mirada atenta y singular, afilada cuando tiene que serlo, contra las injusticias por ejemplo, pero a la vez tierna y empática, generosa, de celebración de estar vivo. Una mirada que se despliega cuando salimos del confinamiento y el escritor jienense retoma algunas de sus rutinas: los paseos en bicicleta (“yo me acojo cada vez más, en mi ética y en mi estética, al sigilo limpio de las bicicletas”), las visitas al Botánico (“no saber el nombre de una planta es no verla del todo”), los recados, esos rituales que pautan los días sin que nos demos cuenta y que nos enraízan en el presente. Creo que el valor de un escritor se mide en gran parte por su capacidad para mirar el mundo. Desde que descubrí en mi juventud granadina El Robinson urbano, su primer libro, yo he aprendido a mirar y a leer gracias a la escritura de Antonio Muñoz Molina.

Como Chéjov, como Emerson, Muñoz Molina cuida del pequeño huerto que trata de sacar adelante en el balcón de su casa. Y es ahí donde el libro cobra una nueva dimensión, aún más profunda. Esta huerta urbana es su magdalena de Proust. Los tomates que no acaban de arrancar le llevan al pasado, al tiempo de su infancia y de su juventud en Úbeda. El libro deja de ser cada vez menos un relato de pandemia para ser, cada vez más, una reflexión sobre un mundo, el del campesinado, que se aleja a pasos agigantados, en el que todo era más lento, quizás también más auténtico. Un mundo en el que se trabajaba con las manos y en el que se festejaban los santos y no los cumpleaños. “El cumpleaños era un hecho individual. Señalaba el avance en línea recta del tiempo. El día del santo pertenecía a un tiempo no lineal, sino circular, como el del tránsito de las estaciones, los trabajos y los dones del campo, con los que tantas veces estaba asociado”. Una época habitada por su madre y por su tío Juan, que aún viven, por el padre muerto, atrapado en el deseo atávico de que su hijo fuera un hombre de verdad, que tuviera sangre en las venas y lo demostrara en las arduas y fatigosas tareas del campo, y no en los libros, que pronto comenzaron a ser su refugio. Una época que en cierta forma y salvando las distancias me ha recordado a mi propia infancia extremeña.

La mirada de Antonio Muñoz Molina hacia ese pasado no es nostálgica, más bien es un reencuentro, un balance de lo que hemos ido perdiendo por el camino, aunque hayamos ganado otras. En este sentido, Volver a dónde puede leerse como una radiografía de un país que, por mucho que su PIB diga lo contrario, no ha dejado de ser pobre. El libro es sobre todo un diálogo con los muertos, cada vez más presentes en sus sueños. Cuando se muera la madre, se perderán con ella sus recuerdos, escribe en un momento determinado el autor. Con ella morirá también lo que hay más allá de su particular Puerta de Tannhäuser.

El final del libro me ha llevado a uno de los poemas más conocidos de John Berger, Doce tesis sobre la economía de los muertos. La tesis número doce concluye así: “¿Cómo viven los vivos con los muertos? Mientras el capitalismo no deshumanizó la sociedad, todos los vivos esperaban alcanzar la experiencia de los muertos. Era su futuro último. Por sí mismos, eran incompletos. Así, vivos y muertos eran interdependientes. Siempre. Solo una forma tan peculiar de egoísmo como la de hoy en día podía romper esa interdependencia. Y los resultados han sido desastrosos para los vivos, que ahora creen que los muertos son aquellos que han quedado eliminados”.

En El narrador, Walter Benjamin plantea que hay dos tipos de escritores: los campesinos y los viajantes. Los primeros no necesitan salir de casa para escribir, algo que sí ocurre con los segundos, quienes buscan sus historias más allá del terruño. René Char podría ser uno de los primeros. Hemingway de los segundos. Pero creo que Muñoz Molina es a la vez un escritor campesino y un escritor viajero, alguien capaz de fusionar en su literatura dos miradas, la de un viajero curioso y cosmopolita con la de un campesino atento a los pequeños detalles, a los brotes de la vida, a lo más cercano y real, a las plantas que nos alimentan.

¿Volver a dónde? Yo he regresado a otro de los libros de Muñoz Molina, Sefarad, una novela sobre la memoria y el desarraigo. Como ocurre con todos los clásicos, uno regresa a ellos con la certeza de que ha vuelto a casa.

[Foto: Ivan Giménez – Seix Barral – fuente: http://www.elasombrario.publico.es]

Nenets Autonomous Okrug, Russia, September 2009. Photo by Tatiana Bashinskaya, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons.

[1] Nenets autónomos en Okrug (Rusia), septiembre de 2009. Foto de Tatiana Bashinskaya [2] en Wikimedia Commons(CC BY 3.0 [3]).

Este artículo [4] de Tatiana Britskaya se publicó originalmente en Novaya Gazeta [5] y apareció en Transitions Online el 13 de diciembre de 2021. Se reproduce aquí dentro de un acuerdo de contenidos compartidos, y se ha editado para ajustarlo al estilo de Global Voices.

Ciento dieciséis organizaciones internacionales y docenas de personas han firmado una carta abierta [6] al presidente ruso Vladimir Putin y al ministro de Exteriores, Sergei Lavrov, para pedir que detengan las medidas represoras contra los defensores de los pueblos indígenas [7]. La carta se ha visto impulsada por la reciente detención [8] en el óblast de Murmansk de Andrei Danilov, director de la Fundación para el Patrimonio y el Desarrollo Sami. Su caso no es único. Más bien al contrario, crece la presión sobre los activistas indígenas del norte de Rusia, Siberia y el Lejano Oriente, aunque estos grupos son prácticamente apolíticos en un sentido literal. Sus preocupaciones son más terrenales: la sobrevivencia de sus pequeñas poblaciones con sus acuciantes problemas.

Con unos antecedentes de represión de activistas políticos, persecución de la prensa independiente y la búsqueda de extremistas entre estudiantes y entusiastas de los selfies, parece totalmente absurdo ejercer presión sobre los pueblos indígenas. ¿Cuál es la razón real para que la policía de Yamal afirme que una reunión de pastores de renos en la tundra constituía un «mitin», que es la acusación en el caso del activista Eiko Serotetto [9]? Al final se descartó que fuera una reunión política, pero poco después, Eiko fue acusado de ataque por una pelea que él no comenzó, y fue sentenciado a tres meses de restricción de movimientos.

¿Y qué daño o amenaza al Gobierno supone Yana Tannagasheva, nativa kuzba del suroeste de Siberia, que lucha por preservar el antiguo asentamiento del pueblo shor en Kazas? La casa de su padre fue incendiada, y ella misma tuvo que exiliarse. El asentamiento de Kazas ya no existe.

O quizás la amenaza al país procede de Andrei Danilov, cuya entera actividad se reduce a una simple proposición: que las leyes aprobadas en Rusia deben respetarse. Aparentemente, el propio Tribunal Constitucional reconoció su derecho, al confirmar que el activista solo pretende la aplicación de las leyes de la Federación Rusa. No obstante, poco después fue detenido y encerrado en una celda, donde recibió la visita de un hombre vestido de civil que le explicó lo duras que pueden ser las cosas para cualquier persona cercana a este tipo de ciudadanos especialmente activos.

Después, el tribunal de la ciudad de Monchegorsk sentenció a Danilov a cinco días de detención por rechazar un registro sin testigos. En su decisión, el juez citó una ley que permite a la policía registrar a las personas en reuniones públicas, aunque cuando se preguntó al policía, su explicación corroboró el testimonio de Danilov.

Cuando Arsenty Nikolaev —del pueblo evenki [10], parlamentario de Yakutsk y jefe de una asociación de pueblos— murió recientemente tras un año de arresto domiciliario, quienes anunciaron la noticia fueron funcionarios de la compañía minera de oro que ha construido una carretera que cruza las tierras de la comunidad. Presuntamente, Nikolaev había presionado a la compañía para que usara los servicios de las empresas de transporte evenki. Aunque el arbitraje dictaminó que la compañía minera había actuado voluntariamente, el caso penal contra Nikolaev siguió su curso.

Stepan Petrov, de Yakutia [11] (también conocida como Sajá) es doblemente «agente extranjero», ya que aparece en el «registro de organizaciones de medios masivos que actúan como agentes extranjeros». El regulador ruso de comunicaciones e internet, Roskomnadzor, también acusó a Petrov de no poner la etiqueta de «agente extranjero» en 14 publicaciones en Facebook. En su  desesperación, Petrov recurrió a Mark Zuckerberg para que ayudase a los «agentes extranjeros» de Rusia con un algoritmo que etiquetara sus publicaciones.

Segunda ola

Esta es la segunda ola de represión contra los pueblos indígenas en la historia de Rusia. La primera sucedió durante los años de la industrialización, cuando los soviéticos colonizaron el Ártico y Siberia, y los subordinaron a las necesidades del país. Doblegados, los pastores de renos fueron simplemente reubicados en reservas, y quienes se rebelaron acabaron en el páramo de Levashovo, hoy un lugar dedicado a la memoria histórica. Eso fue lo que sucedió en el óblast de Murmansk, donde el mapa de los cementerios samis [12] muestra que se apiñó a los nativos en el centro de la península de Kola [13].

En la época de las purgas políticas de la Gran Purga [14] de 1936 a 1938, 125 de los 2000 samis de Kola fueron arrestados por las autoridades soviéticas, y mataron a la mayoría; 55 fueron enviados a un gulag, solo sobrevivieron cinco. Entre los arrestados se contaba casi toda la intelligentsia sami y el creador de la primera cartilla de lectura sami. A causa de su reducido número, los samis se sometieron resignadamente.

Mientras tanto, el pueblo nénet [15] de la península de Yamal [16] se alzó en un movimiento que llamaron Mandalada [17], y rechazaron tajantemente entregar sus renos al Estado. Vivir en la tundra sin renos equivale a morir. El mismo día del juicio, sin investigación, se dictó una sentencia de 10 años en un campo de prisión. Curiosamente, el primer movimiento Mandala fue relativamente exitoso, y sus líderes llegaron a iniciar conversaciones con el Gobierno, al que dieron un ultimátum: restablecer los derechos de los chamanes, igualdad entre los kulaks [18] (agricultores adinerados propietarios de tierras) y los pobres, abolición de las restricciones en el suministro de alimentos y la práctica eliminación del poder soviético en Yamal. Como resultado, el propio Mandalada quedó liquidado sin derramar una gota de sangre. El segundo alzamiento, en la década de 1940, fue cruelmente reprimido.

El pueblo dolgano [19], que vive en el norte de lo que hoy es la región de Krasnoyarsk, también se rebeló contra la división entre kulaks y pobres. Este es un extracto de una carta de los líderes del alzamiento Taimyr de 1932 [20]:

Reconociendo el poder soviético como el poder de los trabajadores, y sin la mínima intención de derrocarlo, los nativos del distrito nacional de Taimyr, desde la misma fundación [del Estado soviético] comenzamos a soportar la carga de los impuestos y una presión sin precedentes de las autoridades locales. La reconstrucción de nuestra economía según las líneas socialistas se inició a la velocidad de las partes centrales de la Unión, sin consideración alguna a las condiciones específicas del norte. La carga de impuestos, pagos, estrictas cuotas sobre las pieles que exceden a nuestra capacidad real, la incorrecta definición de estructura de clases, las patrullas de rusos [étnicos] armados y los excesos que en distintas formas aplican las autoridades locales de las políticas nacionales a la población local, han provocado gran indignación.

El alzamiento en la península de Taimyr [21] fue aniquilado con armas de fuego por un destacamento del  NKVD (Comisariado del Pueblo para Asuntos Internos) [22], perteneciente al Ministerio de Interior de la Rusia soviética.

Ecos del pasado

Es imposible no comparar la colonización del norte en la década de 1930 con los hechos actuales. Exigencias simples y totalmente razonables —ni siquiera exigencias al principio— de los habitantes indígenas fueron rechazadas con una brutalidad desproporcionada. Mientras tanto, las decisiones que tomaron las autoridades llevaban el sello de una ignorancia despiadada, prácticamente analfabetismo, sobre las tierras y pueblos locales. Fueron ellas quienes llevaron a las tribus norteñas casi al límite de la supervivencia, y también fueron quienes provocaron las protestas.

Casi cien años después, estamos de nuevo colonizando el Ártico. Nunca sale de la agenda de las agencias de noticias, es una referencia constante en los discursos oficiales. Para la Rusia del siglo XXI, el Ártico se ha convertido en un objetivo tan apetecible como lo fue el espacio para la URSS, aunque sin su aire romántico. El Ártico es petróleo, gas, platino. El Ártico es un arma. Es poder. La colonización marcha a toda velocidad, y no con menos brutalidad que hace un siglo.

No obstante, hay una diferencia. Si la primera colonización del Ártico se llevó a cabo en interés del Estado, la actual, con todas sus consideraciones políticas, promete inmensas riquezas a las empresas privadas. El Ártico es dinero. Esta vez, la máquina del Estado no sirve a la idea de la felicidad universal, sirve a los intereses del sector privado.

Es la agenda ártica lo que Rodion Sulyandziga cree que oculta esta ola de represión contra los pueblos indígenas. Sulyandziga era el director del Center for Support of Indigenous Peoples of the North [23] (CSIPN), la mayor organización sin ánimo de lucro dedicada a los problemas del Ártico hasta que un tribunal moscovita la clausuró [24] en 2019 por una formalidad. La organización había conseguido que la eliminaran del registro de «agentes extranjeros», pero la máquina represiva ganó la guerra. Sulyandziga está convencido de que la persecución de los pueblos indígenas está relacionada con asuntos del Ártico:

Para Rusia, el Ártico es una cuestión de desarrollo, de presupuesto equilibrado, de acceso a recursos. Los pueblos nativos no se oponen en absoluto al desarrollo económico del país, pero es necesario un equilibrio entre los intereses de las empresas y los derechos de los pueblos indígenas. Las empresas exigen un territorio enorme, pero también hacen falta tierras para los productores de renos, por ejemplo. El Estado debe ser garante de este equilibro y de la aplicación de la ley en este entorno. Pero en vez de eso, el Estado se limita a dar luz verde a las empresas. Cualquiera que se oponga se ve presionado por las autoridades.

«Que te consideren ‘agente extranjero’, o loco, o delincuente, es lo que le espera a cualquier activista en Rusia», es el sombrío panorama que ve Andrei Danilov mientras se prepara para una nueva batalla legal con funcionarios locales que se niegan a aceptar el dictamen del Tribunal Constitucional sin presentar batalla. Ese mismo día tiene otro juicio por «desobedecer a la policía» en el que pretende apelar al tribunal regional contra su detención ya cumplida. Su estatus en Facebook dice: «Debemos hablar incluso cuando no hay esperanza», una cita de una película sobre el alzamiento anticolonialista  de los samis en Noruega, que fue brutalmente abortado. No obstante, los samis consiguieron la igualdad… 200 años después. Hoy, nadie puede poner un pie en el Ártico noruego sin su permiso.

Los samis de Rusia también se consideran guardianes del norte. Nunca han tenido derechos de propiedad sobre sus tierras. Asignar una parte de la tundra o un lago a una familia no implicaba derecho de uso, sino la obligación de proteger y mejorar esta pequeña parte del Ártico. Y no sería mala idea que aprendiéramos de ellos.

Artículo publicado en Global Voices en Españolhttps://es.globalvoices.org

URL del artículo: https://es.globalvoices.org/2022/01/11/nueva-colonizacion-del-artico-ruso-amenaza-los-derechos-indigenas/

URLs en este posteo:

[1] Image: https://globalvoices.org/wp-content/uploads/2022/01/Nenets_Autonomous_Okrug_Russia_166721_-_panoramio.jpeg

[2] Tatiana Bashinskaya: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Nenets_Autonomous_Okrug,_Russia,_166721_-_panoramio.jpg

[3] CC BY 3.0: https://creativecommons.org/licenses/by/3.0

[4] artículo: https://tol.org/client/article/cold-colonization-in-russias-arctic.html

[5] Novaya Gazeta: https://novayagazeta.ru/articles/2021/11/11/okhranniki-protiv-shamanov

[6] carta abierta: https://indigenous-russia.com/archives/17082

[7] defensores de los pueblos indígenas: https://www.culturalsurvival.org/news/indigenous-leaders-speak-out-about-criminalization-and-silencing-putin-administration

[8] reciente detención: https://novayagazeta.ru/articles/2021/08/29/v-murmanskoi-oblasti-zaderzhali-saamskogo-aktivista-andreia-danilova-news

[9] caso del activista Eiko Serotetto: https://novayagazeta.ru/articles/2019/04/16/150929-na-yamale-vozbudili-delo-protiv-mestnogo-aktivista-za-organizatsiyu-nesoglasovannogo-sobraniya-tundre

[10] evenki: https://es.wikipedia.org/wiki/Etnia_evenki

[11] Yakutia: https://es.wikipedia.org/wiki/Saj%C3%A1

[12] sami: https://es.wikipedia.org/wiki/Samis

[13] península de Kola: https://es.wikipedia.org/wiki/Pen%C3%ADnsula_de_Kola

[14] Gran Purga: https://es.wikipedia.org/wiki/Gran_Purga

[15] pueblo nénet: https://es.wikipedia.org/wiki/N%C3%A9nets

[16] península de Yamal: https://es.wikipedia.org/wiki/Pen%C3%ADnsula_de_Yamal

[17] Mandalada: https://arcticanthropology.org/2013/09/16/70-years-after-mandalada-the-nenets-movement-against-collectivization-in-the-tundra/

[18] kulaks: https://en.wikipedia.org/wiki/Kulak

[19] pueblo dolgano: https://es.wikipedia.org/wiki/Dolgano

[20] alzamiento Taimyr de 1932: https://research.sfu-kras.ru/publications/publication/41401514

[21] península de Taimyr: https://es.wikipedia.org/wiki/Pen%C3%ADnsula_de_Taimyr

[22] NKVD (Comisariado del Pueblo para Asuntos Internos): https://es.wikipedia.org/wiki/NKVD

[23] Center for Support of Indigenous Peoples of the North: https://www.frontlinedefenders.org/en/organization/centre-support-indigenous-peoples-north

[24] la clausuró: https://www.frontlinedefenders.org/en/case/centre-support-indigenous-peoples-north-forcibly-closed-down

Escrito por José Natanson

La soledad extrema es un fenómeno global con consecuencias sociales tan profundas como preocupantes.
Aclaremos primero de qué estamos hablando. A diferencia de la lengua inglesa, que distingue la soledad deseada y feliz (solitude) de la soledad entendida como aislamiento, privación y angustia, es decir como la distancia entre las interacciones sociales deseadas y las reales (loneliness), en español solo contamos con una palabra, que engloba ambos significados. Es perfectamente posible desarrollar una vida plena en soledad: Kierkegaard, solitario irremediable, se prescribía “baños de gente” en paseos lentos por las calles de Copenhague para luego volver a recluirse en su casa y seguir escribiendo. Se puede estar bien solo, y sentirse solo estando rodeado de otros. Nos referimos aquí al aislamiento social no deseado, sufriente y radical, una epidemia silenciosa que afecta a cada vez más personas.
Las causas materiales que explican este drama social pasan en primer lugar por los movimientos –siempre silenciosos pero siempre decisivos– de las estructuras demográficas. La esperanza de vida ha aumentado en el Primer Mundo y en algunos países de desarrollo medio, sobre todo en las grandes ciudades: en Argentina, por ejemplo, pasó de 69,5 años en 1980 a 76,7 en la actualidad. Esto estiró el tiempo que los padres viven sin los hijos, que puede extenderse hasta dos o tres décadas y llevar a una vejez solitaria en caso del fallecimiento temprano de uno de los cónyuges, usualmente el hombre (las mujeres argentinas viven en promedio cuatro años más que los hombres).
Esta tendencia a una “individuación de la vejez” es resultado también de cambios en las subjetividades. Por ejemplo, la voluntad de los adultos mayores de preservar su autonomía hasta el final (al menos de aquellos que pueden permitírselo), evitando el asilo o la incómoda convivencia con hijos ya grandes que a veces los tratan con condescendencia, al estilo del abuelo de Los Simpsons, que cuando empieza a contar una anécdota en la mesa familiar solo logra que todos se vayan hasta quedarse solo con Maggie, atrapada en su sillita de bebé. También puede ser resultado de las separaciones tardías: parejas que no se animaban a encarar un divorcio en el pasado, cuando todavía no era tan usual, y lo hacen más tarde, cuando los hijos ya se emanciparon, luego de décadas y décadas de acumular reproches (1).
Pero el fenómeno no se limita a los viejos: el porcentaje de jóvenes y adultos que viven solos también viene aumentando. Entre los principales motivos podemos mencionar el retraso de la edad de inicio de la primera convivencia –de 27 a 33 años promedio en la ciudad de Buenos Aires entre principios del siglo XX y la actualidad (2)–, la generalización de los divorcios (en 2020 hubo en CABA más divorcios que casamientos por primera vez en la historia) y las transformaciones en el régimen de maternidad/paternidad: aumento de la edad de los padres (la edad media a la que las mujeres tuvieron su primer hijo pasó de 28,4 años en 2000 a 31 en la actualidad en CABA), caída en la tasa de fecundidad (de 1,87 hijos por mujer en 2000 a 1,54 en la actualidad) e incremento de las personas que no tienen hijos –un 20% de las mujeres que viven en la ciudad llegan al fin de la edad fértil sin ser madres (3)–.
Si la “individuación de la vejez” se explica en esencia por motivos de demografía, la de la juventud-adultez responde también al cambio en la posición de las mujeres en la sociedad, que ya no se limita al rol tradicional de madre, disputa con los hombres el mercado laboral y a menudo elige priorizar el estudio y las carreras profesionales. A ello hay que sumar las crisis económicas recurrentes –la muy argentina incertidumbre respecto del futuro material– que obliga muchas veces a postergar proyectos de familia.
En todo caso, cada vez más personas viven solas. Los hogares unipersonales pasaron de 30% a 35% en Alemania, de 13% a 23% en España y de 13% a 27% en Estados Unidos. El fenómeno es una función del desarrollo: a mayor nivel de ingreso, más porcentaje de hogares unipersonales. En Japón, un impresionante 40% de los hogares está habitado por una sola persona. En Argentina, en tanto, pasaron de 10% en 2000 a 18% en el censo de 2010, con notables diferencias según la provincia: siguiendo la lógica descrita, representan el 30% en la Ciudad de Buenos Aires y solo el 10% en Santiago del Estero (4).

Un mundo de solos
Un posible reflejo cultural de esta tendencia es el auge de la “literatura del yo”, que ha hecho de la autorreferencialidad y la anécdota personal un subgénero que, como escribió Pedro Yagüe (5), parece destinado sobre todo a alimentar la imagen personal y exacerbar el narcicismo hiperindividualista de las redes sociales (el yo puede ser un protagonista aceptable cuando se trata de un genio torturado y al que le pasan cosas interesantes como, digamos, Emmanuel Carrère, pero pierde interés cuando se trata de un joven porteño un poco conflictuado que se pelea con la novia y se muda a un PH en Almagro).
Pero no nos desviemos. Decíamos al comienzo que la soledad puede ser un estado buscado y hasta ideal, y que se puede estar rodeado de gente y sentirse solo. Sin embargo, habrá que admitir que desde el Génesis (“No es bueno que el hombre esté solo”) la existencia solitaria es considerada un estigma. El habla popular argentina reconoce el drama de la soledad radical recurriendo a un sutil desplazamiento verbal: del “estoy solo” al “soy solo”. En la Grecia antigua, el peor castigo no era la pena de muerte sino el destierro: la condena al ostracismo.
El mercado ya opera sobre esta enorme masa de solos. Construye para ellos nuevos proyectos de viviendas, gigantescos edificios de departamentos de uno o dos ambientes con espacios comunes que van desde gimnasios y piletas a ámbitos de trabajo compartidos a los que los vecinos pueden ir con su laptop, asegurándose un mínimo de contacto humano en medio de una jornada solitaria. Si el impulso al teletrabajo disparado por la pandemia profundizó aún más la tendencia a la soledad, cancelando la charla sobre la última serie al lado de la fotocopiadora, el chisme durante el almuerzo, no debería llamar la atención que el mercado ofrezca remedos: los espacios de coworking como recreación de la oficina, ese microcosmos de relaciones humanas que es el escenario principal de The Office y que hoy constituye un ámbito en claro retroceso (alcanza con dar una vuelta por el microcentro porteño para entender que se trata de un mundo en desaparición). Del mismo modo, las mesas compartidas de los bares cool de Palermo remiten a los viejos tablones de las antiguas tabernas y confirman que, aunque el comensal quizás mantenga la vista obstinadamente fija en la pantalla del celular o la computadora, la necesidad de estar con otros sigue latiendo en alguna parte.
Pero las dos innovaciones tecnológicas más notables destinadas a combatir la soledad no deseada son los robots y las apps de amigos. En Japón, unos 20 millones de personas, la mayoría de ellas mayores, viven solas, resultado del aumento de la esperanza de vida (la segunda más alta del mundo), la desestructuración del mercado laboral y la moda de las parejas jóvenes que aprovechan el teletrabajo para escapar de las ciudades, donde quedan sus padres. Referencia desde los años 80 en automatización y robótica, las empresas japonesas ofrecen una amplia gama de robots que mejoran la vida de las personas mayores: exoesqueletos que ayudan a caminar, camas inteligentes que incorporan los patrones de sueño, robots que plantean juegos de desafío y androides dotados de inteligencia artificial capaces de interactuar emocionalmente (hasta cierto punto). Se trata en general de robots pequeños, sonrientes, que “se expresan” en tono calmo, jamás amenazante: nada que remita a Terminator o que sugiera superioridad física.
Las apps de amigos conectan a las personas de acuerdo a sus afinidades. Meetup, por ejemplo, propone eventos y actividades en lugares cercanos de acuerdo a ciertos intereses, que pueden ir del cine a la gastronomía. Tomando como referencia los sitios de citas con geolocalización, aplicaciones como Friender y Citysocializer disponen de filtros que permiten hablar solo con usuarios que comparten los mismos intereses y gustos, en tanto que Pantook, pensada para personas que llegan a una ciudad y no conocen a nadie, cuenta con un algoritmo de vigilancia que detecta cualquier atisbo de coqueteo o lance, en cuyo caso no entrega el mensaje y puede incluso suspender al usuario. Más allá de las implicancias sociales y morales de estos desarrollos tecnológicos (¿quién dijo que un amigo tiene que compartir todos mis gustos?, ¿dónde empieza y termina un coqueteo?), lo interesante es que no buscan sustituir la presencia humana sino fomentarla.

La ciudad solitaria
El aislamiento social no deseado produce efectos muy dañinos sobre quien lo padece, a punto tal que la Organización Mundial de la Salud define a la soledad como una “epidemia” contemporánea (6): desde las clásicas angustia, ansiedad y depresión hasta trastornos de sueño, baja autoestima, afectación del sistema inmunológico y hábitos problemáticos como el alcoholismo.
La irrupción del coronavirus agravó este cuadro. Aunque el confinamiento fue difícil para todos, su efecto fue particularmente duro para quienes, al momento de declararse la cuarentena, se encontraban viviendo solos: los primeros intentos entusiastas por recrear escenarios de socialización virtuales –el joven que se viste, se peina, se prepara un trago, apaga las luces del monoambiente y conecta la computadora para encontrarse con otros en una fiesta virtual– demostraron rápidamente sus límites. Internet es un avance formidable, pero no permite mirarse de cerca, besarse o tocarse, respirar el aliento del otro, intuir su transpiración; activa solo algunos sentidos, aplana vínculos que son conexiones más que relaciones.
En un editorial reciente (7), el diario El País advertía sobre un aumento de los suicidios de jóvenes en España en los últimos dos años, inducido en buena medida por el aislamiento, la soledad y el miedo al futuro que provocó la pandemia. No parece casual que hayan sido los mismos jóvenes quienes, siguiendo un instinto más fuerte que cualquier prohibición, rápidamente salieran a buscar el contacto físico con el otro, pasando de los zoompleaños a las fiestas clandestinas. Por si hacía falta, el fracaso de la virtualización educativa demostró la importancia de la presencialidad en las relaciones humanas.
En La ciudad solitaria (8), un libro que es a la vez una crónica de inmersión no buscada en la soledad y un ensayo de crítica cultural, Olivia Laing sostiene que quienes atraviesan una experiencia de soledad extrema son más proclives a desarrollar una percepción negativa del mundo. Como si el sentido de sociabilidad se atrofiara, tienden a hiperpercibir las acciones dañinas o negativas –un pulgar para abajo en una red social, un roce involuntario en la calle, una mirada extraña en el transporte público– e ignorar las actitudes amistosas o agradables, lo que genera un círculo vicioso en el que la persona solitaria se sumerge cada vez más en un aislamiento receloso.
La soledad es parte de la angustia social a la que nos referimos en otro editorial, un fenómeno extendido que no se manifiesta por vía de una insurrección popular o una revolución al estilo de diciembre del 2001, sino a través de miles de microhistorias de dramas personales: gente que revienta para adentro. Aunque resulta imposible verificar esta hipótesis en una estadística general, algunos indicadores (aumento de la violencia intrafamiliar, incremento del consumo de alcohol, desenfreno por los psicofármacos) sugieren que algo muy profundo está ocurriendo.
El aislamiento social alimenta este malestar más amplio, que también se refleja en el lenguaje de la época. La ferocidad de las redes, la indignación como la declinación a la que se recurre ante el menor contratiempo y la intolerancia que hoy campea en importantes sectores de la sociedad hablan en el fondo de un desconocimiento del otro, una negación empecinada a reconocer su legitimidad –y, en el extremo, su humanidad–. No se trata, insistamos, de que los solitarios sean más agresivos, o que aquellas personas que viven solas se comporten de manera diferente a las que conviven con otras. Ya aclaramos que se puede vivir solo y en paz, y en familia o pareja y sentir una soledad absoluta. Lo que queremos plantear aquí, como hipótesis a seguir trabajando, es la relación entre la soledad extrema y el tono crispado de la conversación actual.

Respuestas
Desde que Émile Durkheim escribió El suicidio sabemos que decisiones en apariencia personalísimas (nada más personal que el acto desesperado de quitarse la vida) admiten causas más generales: tal el origen de la sociología moderna. Menos dramático que el suicidio pero igual de preocupante, el aislamiento que afecta a un creciente sector de la sociedad no debe ser visto como una agregación de fracasos individuales sino como una epidemia –en el sentido más puro del término: un mal que afecta a un gran número de personas al mismo tiempo– que merece una respuesta institucional.
Apenas asumió al frente del gobierno británico, Theresa May anunció la creación de un Ministerio de la Soledad que, dirigido por Tracey Crouch, desplegó una serie de políticas orientadas a enfrentar el aislamiento social, sobre todo de los mayores: al momento de anunciarse la decisión, la mitad de los británicos de más de 75 años (unos 2 millones) vivían solos. En Japón, donde los restaurantes ofrecen mesas con una sola silla situadas lejos de las parejas y los grupos para lo que llaman ohitori-sama (honorable señor solo), el gobierno también creó un Ministerio de la Soledad, preocupado por el aumento de las muertes en total aislamiento (el hecho de que exista una palabra en japonés para definir el fenómeno, kodokushi o “muerte solitaria”, resulta ilustrativo).
No son lujos del Primer Mundo. En Argentina, como señalamos al comienzo, la cantidad de personas que viven solas viene aumentando de manera sistemática. Aunque se habla poco del tema, la experiencia internacional demuestra que el problema es abordable a través de un conjunto de iniciativas: centros comunitarios, batallones de jóvenes voluntarios que se acercan a los mayores, talleres y encuentros. Se trata siempre de proyectos locales, a nivel micro, que en esencia buscan acompañarlos y demostrarles que la sociedad –y su manifestación política, el Estado– se interesa por ellos, que en definitiva no están tan solos en medio de la colmena enfebrecida de la vida en el siglo XXI.

1. https://repositorio.uca.edu.ar/bitstream/123456789/8178/1/personas-mayores-argentina-actual-2016.pdf
2. http://revistarelap.org/index.php/relap/article/view/50/71
3. https://www.telam.com.ar/notas/201901/327570-mujeres-hijos-estadistica-ciudad-de-buenos-aires.html
4. http://c3t.fra.utn.edu.ar/wp-content/uploads/2014/04/Hogares-unipersonales-Actualizacion.-Abril-2014
5. https://panamarevista.com/ruido-en-el-pasillo/
6. https://www.dw.com/es/cada-vez-m%C3%A1s-solos-el-impacto-de-la-pandemia-en-la-salud-mental/a-56719451
7. https://elpais.com/opinion/2022-01-26/el-suicidio-entre-los-jovenes.html
8. Capitán Swing, 2020.

 

 

[Fuente: http://www.eldiplo.org]

(Georgi Kalaydzhiev/Unsplash)

                                              [foto: Georgi Kalaydzhiev/Unsplash]

Un responsable de la província de Sàsser prohibeix l’alguerès en la retolació de la Vi·la romana de Santa Imbénia

Mario Conoci, síndic de l’Alguer / Facebook

Les entitats i institucions alguereses s’han revoltat contra el veto a l’alguerès imposat per un responsable de la província de Sàsser, que només ha autoritzat l’italià i l’anglès en els rètols informatius de la Vil·la romana de Santa Imbénia, un important jaciment arqueològic del municipi de l’Alguer.

Segons ha denunciat la delegació de l’Alguer de la Plataforma per la Llengua, els responsables del jaciment, recentment reobert al públic i que està renovant els rètols informatius, han rebut una carta del professor Bruno Billeci, sobreintendent per als bens arqueològics de la província de Sàsser, que només autoritza l’ús de l’italià i de l’anglès amb l’argument que “el català no és una de les llengües oficials de la Unió Europea per a la interacció amb el públic, les entitats i els Estats membres”.

La missiva del responsable provincial ha provocat la indignació de les institucions i entitats alguereses encapçalades pel síndic de l’Alguer, Mario Conoci, que ha expressat el seu rebuig a la mesura en una carta de resposta a Billeci. En la rèplica enviada al responsable provincial, Conoci es mostra sorprès amb una decisió “totalment dissonant amb les normes regionals que regulen la matèria”. El síndic recorda que les lleis vigents avalen la utilització del “català de l’Alguer” en aquesta ciutat sarda i que la regió ha de facilitar a les administracions públiques i als concessionaris de serveis públics els textos traduïts a la “llengua sarda, en català de l’Alguer o en sasserès, gal·lurès i tabarquí de la retolació”. Conoci insta el sobreintendent a revisar la seva autorització i a permetre l’ús del català.

En el mateix sentit s’ha expressat el president de la Consulta Cívica per a les Polítiques Lingüístiques del català de l’Alguer, Giovanni Chessa. En un escrit recollit per Alguer.it, Chessa qualifica de “profundament injust” el veto a l’alguerès i avisa que la “decisió burocràtica que exclou la nostra llengua dels panells informatius” de la Vil·la romana de Santa Imbénia “no és un detall”.

Per la Plataforma per la Llengua, membre de la Consulta Cívica, el cas és un “greu episodi de discriminació lingüística”. L’entitat recorda que la llengua catalana és reconeguda per llei a Itàlia i denuncia que el veto al català vulnera la Carta Europea de les Llengües Regionals o Minoritàries (Celrom), que remarca la importància de facilitar l’ús oral i escrit de les llengües minoritzades en la vida pública i privada. Excloure l’alguerès de la comunicació oficial de la Vil·la de Santa Imbénia “és una decisió incomprensible, totalment injusta i ofensiva per a la comunitat catalanoparlant de l’Alguer”, denuncia la Plataforma per la Llengua.

 

[Font: http://www.diaridelallengua.cat]

Morderse la lengua. Corrección política y posverdad
Escrito por Darío Villanueva

«En nuestra globalizada ‘sociedad de la información’ se ha instalado la desinformación de la mano de dos fenómenos sintomáticos de nuestro tiempo: la corrección política y la posverdad, manifestaciones contemporáneas de la quiebra de la racionalidad y la estupidez». Esta frase figura en el frontispicio del libro que nos va a ocupar, como el inicio de su carta de presentación. Debe reconocerse que no se puede decir mejor con menos palabras. No obstante, a poco que se repare en ello y se relea la frase, cualquiera puede advertir que se mezclan de este modo dos fenómenos diferenciados –así se reconoce explícitamente, de hecho- que, aunque conexos, merecen distinto tratamiento y, hasta me atrevo a sostener, experimentan valoraciones diferentes en nuestra cultura (o, para decirlo con más precisión, en el seno de la sociedad española). Sin entrar ahora en otros pormenores, que nos ocuparán más adelante, tengo la impresión de que, entre nosotros, se ha dedicado mucho más tiempo y espacio al asunto de la posverdad y a todas sus ramificaciones que al fenómeno de la corrección política, sobre todo cuando este es concebido, como es el caso, como rectificación del lenguaje convencional en aras de la igualdad y la inclusión.

La razón de ello, desde mi punto de vista, no es difícil de explicar, sobre todo si se tiene en cuenta que cada una de esas cuestiones gravita sobre un sector diferenciado del espectro político y, dada la polarización que se ha impuesto en los asuntos públicos –aquí y en casi todas partes-, se ha convertido en moneda corriente la distorsión que tradicionalmente hemos expresado en román paladino como «ver la paja en el ojo ajeno y no la viga en el propio». Quiero decir que en un medio cultural como el español, en el que el dominio de las visiones sedicentes progresistas resulta abrumador –sobre todo si nos fijamos en el ámbito universitario, artístico o cinematográfico-, se viene mostrando mucha más sensibilidad hacia la distorsión cognitiva y comunicativa que hacia la imposición de un lenguaje y una cosmovisión que traten de restañar injusticias y desigualdades. Para ser aún más concretos, a nadie se le oculta que en los últimos años se han producido en el mundo occidental dos fenómenos políticos que han pasado por ser, con más o menos fundamento, arquetipos o epítomes de una demagogia que retuerce la realidad a conveniencia pero que, lejos de resentirse por ello, extrae réditos inesperados a su osadía. Me refiero, naturalmente, como todo el mundo puede adivinar, al Brexit y al meteórico ascenso de un outsider como Trump a la presidencia de la nación más poderosa del mundo. Se me podrá argüir que yuxtaponer sin más esos dos acontecimientos con la posverdad no deja de ser un recurso tosco por mi parte pero me defenderé diciendo que a mí no me miren o, en otras palabras, tendrán que convenir que la sutileza no es precisamente uno de los rasgos característicos de la cuestión que tratamos.

Ironías aparte, lo que me interesa enfatizar ahora es que si lo que ha sucedido en el ámbito político anglosajón a uno y otro lado del Atlántico se utiliza, como ha pasado en nuestro medio, como «aviso a navegantes» (a buen entendedor…), una suerte contrapuesta ha corrido la corrección política, que se ha beneficiado, en claro contraste con el anterior, de una aureola de dignidad y restitución que acrecienta la ya elevada autoestima progresista (la superioridad moral de la izquierda, de la que tanto se ha hablado). En definitiva, se dibujan así dos tendencias contrapuestas en el debate político que convierte en claramente disímiles la corrección política y la posverdad: mientras esta última tiene un inequívoco componente peyorativo al punto de que nadie se reconocerá en ella y, aún menos, se batirá en su defensa en cuanto tal, la otra por el contrario tiene sus defensores acérrimos, por más que subsistan ciertas reticencias en cuanto a su alcance y su formulación conceptual. De hecho, bien podría decirse que el éxito de esta tendencia puede verse no tanto en la fortaleza de sus partidarios y practicantes como en la extensión de la misma hacia sectores en principio neutrales o ajenos al debate. Por poner un ejemplo trivial, ahora mismo es bastante difícil asistir a un acto público en España en el que el oficiante no se sienta impelido a utilizar de modo explícito un lenguaje formalmente inclusivo, haciendo referencia expresa al género o, en su caso, a las minorías antaño silenciadas.

No hace mucho en estas mismas páginas de Revista de Libros, Claudio de Ramón formulaba unas jugosas consideraciones sobre el particular al hilo de su análisis del libro de Alex Grijelmo Propuesta de acuerdo sobre el lenguaje inclusivo. El título del artículo («Nosotros y nosotras. Notas sobre el ‘lenguaje inclusivo’») aludía a una frase que el reseñista había leído casualmente al ojear un volumen en la mesa de novedades de una librería. Ese «nosotros y nosotras» -conténgase la carcajada- le servía a de Ramón como punto de partida para mostrar que, más allá de su «carácter chirriante y arbitrario», estas nuevas imposiciones gramaticales desembocan en el absurdo («sintagmas autodestructivos», «paradojas dignas de un Zenón de Elea»). La observación es pertinente, claro está, pero me temo que a estas alturas muy lerdo debe ser quien no haya reparado o, mejor dicho, constatado hasta la saciedad tal eventualidad. No consigno esto en detrimento del autor del artículo, tan agudo como divertido por otra parte, sino porque ello me permite mencionar dos rasgos de esta, llamémosle, moda que, aunque en principio parezcan banales, resultan determinantes en más de un aspecto. La más obvia, naturalmente, es que este forzamiento del lenguaje desemboca más pronto que tarde en la inconsecuencia, las contradicciones y el sinsentido. Por tanto, más que argumentar sobre la gramática violada, nos vemos más bien abocados rápidamente a trazar un panorama general de la estupidez, esa cualidad que, parodiando la célebre frase de Einstein, es lo único infinito que existe con absoluta certeza en el universo.

Convengamos en que es difícil contenerse -es decir, contener la risa- ante tantos disparates y lo cierto es que no hay libro o artículo que trate el tema que logre resistirse a dar un puñado de casos o ejemplos, a cual más peregrino, de adónde llega el celo de los nuevos catecúmenos en su exigencia por llevar la llamada «higiene verbal» (Deborah Cameron, Edoardo Crisafulli) hasta sus últimas consecuencias. El propio Darío Villanueva en un libro tan serio y circunspecto como el que nos ocupa dedica muchos momentos a lo largo de su exposición a estas propuestas pintorescas, que van desde la feminización de los meses del año –enera, febrera, marza, abrila y así sucesivamente- hasta la propuesta de organizar el tráfico en algunos campus estadounidenses con señales y letreros en cinco lenguas y en braille. No me resisto yo tampoco a mencionar algunas perlas, como la crítica a la noción machista de Big Bang por sus evidentes connotaciones eyaculatorias (la alternativa sería una gentle nurturing, o sea, el nacimiento del universo no por una explosión falocrática, sino por una suave y demorada gestación); la calificación de «acoso sexual» y posterior destitución de profesores por amonestaciones a sus alumnos que hasta hace poco hubieran resultado banales o, como mucho, de dudoso gusto (entre nosotros, podría ser el coloquial «a ves si trabajas más y dejas de rascarte los cojones»; no digo ya nada sobre lo que se te viene encima si le incitas a «trabajar como un negro»); la prohibición de fiestas de disfraces cuando se comete el delito de «apropiación cultural», es decir, que alguien aparezca, por ejemplo, como indígena sin serlo, de chica siendo varón o de samurái sin ser japonés (¡ya me dirán dónde está entonces la gracia de disfrazarse!); el establecimiento en algunas universidades norteamericanas de «espacios seguros», libres de la sensación subjetiva de agresión o microagresión que genera oír una opinión distinta a la propia, donde los estudiantes universitarios puedan relajarse con, cito textualmente al autor, «cuadernos para colorear, juegos de plastilina, cojines, música relajante, mantas, galletas, chuches y un video con perritos juguetones» y «algunos psicólogos de apoyo». Todo ello sin contar la censura de múltiples conceptos, desde cadáver –persona no viva- hasta ciego o sordo –discapacitado visual y auditivo, respectivamente-, pasando por gordo –persona de diferente tamaño- y no digamos ya cojoenanoviejo, etc.

¿Se han quedado con ganas de más? ¡Pues no se apuren, más madera, que es la guerra! Ahora solo con casos autóctonos, para que se compruebe que aquí tampoco nos quedamos atrás. Como algunas de las acepciones coloquiales de los términos gitanos o anexos (como gitanada) contienen un matiz ofensivo o despreciativo, «en enero de 2015 la Confederación Española de la Asamblea Nacional del Pueblo Gitano anunció su propósito de denunciar inmediatamente a la RAE ante el Tribunal Europeo de los Derechos Humanos» e instar a «que se condene tanto al Estado español como a la RAE a una ejemplar indemnización por los perjuicios y daños morales que históricamente se han producido con el pueblo gitano». ¡Cómo si la lengua tuviera la culpa! En mayo de 2017, el «colectivo de panaderos artesanos» generó una «cierta movilización mediática» y «presentaron ante la Academia un escrito de firmas para ‘acabar con la connotación negativa’ del refrán pan con pan, comida de tontos». En febrero de 2016 se recogieron miles de firmas para que la RAE suprimiera la segunda acepción del vocablo madrastra, como «madre que trata mal a sus hijos». Ahora eran las madrastras, que querían mucho a hijos que no eran suyos en familias reconstruidas, las que se quejaban amargamente por el insulto. «Por su parte, la Universidad de Alicante se ofrecía en octubre de 2017 para colaborar en la demanda de que la RAE retirara del DLE la tercera acepción de alicantina, coloquialmente definida como ‘treta, astucia o malicia con que se pretende engañar’, expresión que portavoces del Ayuntamiento habían declarado ya ofensiva para las mujeres de la ciudad». El propio autor cita una anécdota personal, acaecida durante una conferencia en Shanghái. Una joven asistente le insta a reconocer el carácter machista del lenguaje –en este caso concreto del español- basándose en la evidencia irrefutable de que el término triunfo fuera del género masculino y derrota, femenina. Ahí Villanueva no lo tuvo difícil, pues le bastó mencionar los vocablos fracaso y victoria. Por lo visto, hay también un movimiento que propugna la sustitución de los seminarios por ovularios. En catalán promueven sustituir homenatge por donanatge. Pensamiento mágico e infantilizado en definitiva. ¡Como si cambiar el nombre a una determinada realidad repercutiera como una varita mágica en la transformación de la misma!

Como acabo de apuntar, tal estado de cosas –por lo menos, entre nosotros; por lo menos, aquí y ahora- mueve más a la risa que a la preocupación. Es difícil tomarse en serio tal cúmulo de disparates y ridiculeces y quien más, quien menos (yo también lo he hecho) desgranamos estas anécdotas como si estuviéramos contando un chiste, sin otorgarle mayor trascendencia. De aquí viene la segunda característica que quería mencionar y que antes simplemente anuncié, pero dejé pendiente: hay una tendencia generalizada a banalizar o trivializar el tema, como un asunto menor que no merece más que unas consideraciones superfluas o al desgaire, sobre la base o convencimiento de que se agotará en sí mismo, como una cuestión de pirotecnia o, como dicen algunos, un sarampión que tiene los días contados. Tan es así que no son pocos los que auguran que el movimiento de corrección política, sobre todo por lo que afecta al uso de un determinado lenguaje, está ya en franca decadencia. Es obvio que carecemos de perspectiva para decantarnos en un sentido o en su contrario. Por mi parte, me gustaría advertir tan solo que, siguiendo al profesor Cipolla en sus famosas leyes sobre la estupidez, no deberíamos volver a caer en el error de infravalorar el vigor de la idiocia: ¡cuidado!, el imbécil no descansa nunca, advertía el historiador italiano. No deberíamos echarlo en saco roto. Por lo demás, me acaba de llegar la noticia de que «Una nueva universidad en EEUU se propone luchar contra la censura ‘woke’»: Austin (Texas) se ha convertido en «el epicentro de la disidencia académica y cultural al autoritarismo de la izquierda posmoderna». Se habla aquí del hartazgo por el «clima irrespirable» que ha instaurado el «autoritarismo progre» con sus directrices, censuras y boicots hacia todo lo que salga de sus cánones. Un ramillete de nombres ilustres, desde Steven Pinker a David Mamet o Niall Ferguson, han dado su apoyo a la iniciativa. No parece, pues, por lo menos allí, en el ámbito estadounidense, que tengan tan claro que el fenómeno woke se consumirá en su propia salsa.

Retomemos ahora el hilo que mostrábamos al comienzo: ¿qué tiene que ver la posverdad con todo esto? En la misma esquematización que establecía en esos compases iniciales, una y otra, corrección política y posverdad, afloraban, por así decirlo, en sectores políticos enfrentados, una izquierda posmoderna, identitaria y ecologista por un lado y un populismo derechista y xenófobo por otro. Aunque Darío Villanueva no presenta la cuestión en los términos antedichos, su ensayo da cumplida y fundamentada respuesta al tema. Concuerdo con él en que la clave de todo está en el proceso de deconstrucción del discernimiento, la racionalidad y la certeza que han llevado a cabo los Derrida, Barthes, Foucault, Deleuze y tantos otros desde las últimas décadas del siglo XX (desde el 68, para poner una fecha emblemática). Por lo que respecta al lenguaje, que es su tema privilegiado de reflexión, esos y otros muchos autores en su onda –todos los que luego han configurado el llamado «pensamiento débil» y han teorizado sobre un «mundo líquido»- han destruido la solidez y solvencia de la lengua como portadora de sentido, reflejo (todo lo imperfecta que se quiera, pero reflejo al fin y al cabo) de una determinada realidad. Como es obvio, no es el lenguaje el único afectado, sino el conocimiento en su conjunto y por ende la propia noción de verdad.

Es aquí precisamente donde se produce la confluencia entre sectores aparentemente enfrentados: el progresismo woke no veta otras propuestas políticas, sociales o culturales alternativas en nombre de un dogmatismo clásico –posesión de una verdad indubitable- sino tan solo en función de una convicción sentimental pero no por ello menos hegemónica o con menos pretensiones totalitarias. Todo lo contrario. Esto es lo que permite entender su actitud ante el discrepante: nadie tiene derecho a cuestionar «mi verdad». Obsérvese que el acento está aquí puesto no sobre el sustantivo –verdad- sino sobre el posesivo –mi-. Este yo, viene a decirse, no defiende la verdad en abstracto ni, mucho menos, aspira a una verdad objetiva, porque ya sabemos que tal cosa no existe. Pero en su lugar exige respeto absoluto e incondicional hacia la verdad que yo he hecho mía, por las razones que sean (normalmente causas victimistas, de segregación, rechazo o exclusión en el presente o en un pasado reconstruido a medida). Por eso al afroamericano -¡y no digamos ya a la afroamericana!- le hiere la mirada condescendiente del hombre blanco, aunque no haya habido intencionalidad en tal sentido. La percepción subjetiva de una agresión o de una microagresión la convierte ipso facto en objetiva. Si yo siento que me has agredido, me has agredido y punto. Es así de simple. No es que verdad y racionalidad sigan caminos divergentes. Es que la verdad se pliega al sentimiento o hasta a la sensación.

El practicante de la posverdad y el militante de la corrección política encubren su manifiesta agresividad bajo varias capas de victimismo. Atacan, arguyen, porque se sienten atacados. Su violencia, primero verbal, luego física si hace falta, dice ser una violencia defensiva. Bueno, la historia está llena de agresores que nunca se han reconocido como tales. Hasta Hitler invadió Polonia con el pretexto de proteger a los alemanes sojuzgados en ese territorio y crear una zona segura para el III Reich. Lo cierto es que lejos de ser un bien supremo, la libertad se ha convertido en estos contextos en un bien instrumental. Y sobre todo dispensado a discreción: libertad para mí, para los míos, para los que piensan como yo o comparten los mismos objetivos. Para todos los demás, palo y tente tieso aunque, como aún quedan algunos rescoldos vergonzantes, tal propensión autoritaria se camufla con nuevos eufemismos. Villanueva utiliza con frecuencia el sintagma «tolerancia represiva», un oxímoron formulado por Marcuse para encubrir una nueva forma de intransigencia, pero en el fondo vieja como la misma humanidad. Otro delicioso eufemismo alude a la «cultura de la cancelación» que, obviamente, ni es cultura ni se queda en la mera cancelación, del mismo modo que el ideal del censor no es tener que censurar lo que aparece sino conseguir que ni siquiera nazca. Se ha referido a ello en esta misma ventana de Revista de Libros Manuel Arias Maldonado («Cancelando que es gerundio»). Arias admite que el recurso a la prohibición en sus múltiples formas («cancelar» sirve aquí de ambiguo rótulo que encubre una variada panoplia de acciones no siempre pacíficas, desde amenazas o despidos hasta escraches y saqueos) no es ninguna broma, hasta el punto de que «si los activistas pudieran borrar de la esfera pública al objeto de su aversión lo harían sin dudarlo», tal es el odio acumulado. Pero, por otro lado, se alinea con los optimistas que reputan que tal estado de cosas tiene mucho de ajuste de cuentas generacional en el seno de la izquierda internacional: woke contra boomers. Como dije antes, pudiera ser. Ya veremos.

Con respecto a esta última cuestión, como en lo relativo a la mayor parte de los asuntos desgranados hasta ahora, el libro de Darío Villanueva no toma partido o, si se aproxima tímidamente a lo que podría considerarse una toma de posición, esta se expone de forma circunspecta y matizada. Dicho sin ambages, el libro del antiguo director de la RAE es una obra académica, un compendio erudito, un excelente estado de la cuestión, pero no una obra de combate contra la posverdad y la corrección política al uso. Ni qué decir tiene que el autor percibe estas nuevas realidades como el sumergimiento en una nueva edad oscura de fanatismo e intransigencia. Aboga, como no podía ser de otro modo, por la racionalidad, por la ilustración, la ciencia y el progreso. Muestra hasta qué punto las andanadas contra lo mejor de la cultura occidental se pueden volver en contra de nosotros mismos. Todo ello, como digo, resulta más que patente a lo largo de las cerca de cuatrocientas densas páginas de su libro. Pero también he de decir que en muchos momentos, da la impresión de que Villanueva ha optado por aplicarse él mismo el título de su libro y se ha mordido la lengua con el fin de situar su ensayo en las aguas calmas de la argumentación sosegada en vez de la indignación, la respuesta apasionada o el toque a rebato. Es una opción respetable y por fuerza hay que reconocer que el libro en sí es excelente, pero tiene un no sé qué de contención, o quizá sea el poso académico, que convierte la lectura en una experiencia un tanto fría. Nos da la impresión de un magnífico manual universitario, que se lee con provecho y que cualquiera puede guardar en su biblioteca con la pretensión de consultarlo de vez en cuando, pero al mismo tiempo se hace, pese a su no larga extensión, algo árido e indudablemente reiterativo.

Una advertencia, para finalizar, aunque quizá resulte ociosa si se sacan todas las consecuencias de lo que acabo de exponer. Villanueva escribe como filólogo y se plantea la obra como una reflexión sobre la lengua desde la perspectiva de un especialista. Como es imposible hablar de la lengua sin hacer consideraciones de tipo cultural y, más allá de ese ámbito específico, sin establecer observaciones de más amplio espectro (sociales, políticas y hasta filosóficas), el autor entra en todos estos terrenos en la medida en que lo reputa pertinente, pero sin perder nunca de vista que dichos elementos extralingüísticos solo pueden desempeñar aquí un papel subalterno y servir de contexto, pero no más allá, para el análisis de los aludidos fenómenos de posverdad y corrección en su vertiente filológica. Conviene dejar claro que estas estimaciones están explícitamente expuestas por el propio autor en el prólogo, con una franqueza que le honra, definiéndose ante todo -«quien avisa no es traidor», le dice al lector- como un «profesor de Filología» que escribe sin sobrepasar los márgenes de su especialidad, aunque esta información «pueda resultar disuasoria para algunos posibles lectores». Estas cautelas y advertencias se retoman en un epílogo que insiste en las virtudes de contención y prudencia y que se limita a hacer –eso sí, de modo impoluto- una síntesis de las pretensiones del autor. Dejémosle por ello la palabra para ese broche final y así, por otra parte, se podrán hacer idea del estilo expositivo de Villanueva: «he pretendido explicarme a mí mismo y (…) a algunos lectores interesados el origen y la naturaleza de dos fenómenos que (…) han cobrado singular relevancia (…) Para ello me he tenido que fijar en esa quiebra de la racionalidad fruto de la deconstrucción posmodernista, el ariete del poshumanismo que caracteriza la sociedad líquida regida por la llamada inteligencia emocional y acompañada por un pensamiento débil que abandona y rechaza los grandes relatos legitimadores imprescindibles para alcanzar una interpretación ilustrada del mundo y la humanidad. Entre esos pilares inexcusables se incluye el lenguaje, deconstruido en dos direcciones. En cuanto a su veredicción, a la correspondencia de la palabra con el referente, el resultado es la posverdad. Y en cuanto a la erradicación censorial de las palabras cuyos significados enturbian los lugares seguros de una ortodoxia impuesta en principio por sectores de la sociedad civil, surge el instrumento coercitivo de la corrección política. La suma de esta y la posverdad dibuja el espectro de una verdadera poslengua».

[Fuente: http://www.revistadelibros.com]

La novela de José Rizal, de 1887, fue condenada de inmediato al ostracismo en razón de su “carácter herético” y su “filibusterismo” por las autoridades religiosas y militares de Filipinas

Escrito por JUAN GOYTISOLO

¿Quién conoce en España a José Rizal? La extendida ignorancia de lo escrito en nuestra lengua en Iberoamérica a lo largo del siglo XIX abarca también, y se acentúa, en lo que concierne a las remotas y olvidadas Filipinas. Si, a diferencia de la otra orilla del Atlántico solo los especialistas en el tema han calado en la obra de Humbold, Andrés Bello, Sarmiento, Martí e incluso, más cerca de nosotros, José Vasconcelos, la espesa nube que oculta su labor al lector español se adensa aún en torno a Noli me tangere, la novela de Rizal, impresa en Berlín a cuenta de autor en 1887 y condenada de inmediato al ostracismo en razón de su “carácter herético” y su “filibusterismo” por las autoridades religiosas y militares del Archipiélago.

Gracias a su biógrafo Rafael Palma y el prologuista de la novela Leopoldo Zea sabemos que Rizal, un tagalo hispanizado que manejaba la lengua de Cervantes con la misma inteligencia y soltura que el Inca Garcilaso, nació en Calamba en 1861. Autodidacta primero, como un puñado de indígenas de la excolonia española -los frailes les adoctrinaban en su idioma, pero habían prohibido la enseñanza del nuestro so pretexto de que no se contaminaran con ideas nocivas y perdieran sus preciosas almitas-, cursó luego estudios de medicina y filosofía en Madrid, París y Heidelberg. De la excelencia de su formación dan muestra sus vastos conocimientos en francés, inglés y alemán, así como su lectura de corrido en latín. Escritor, pintor, médico, oftalmólogo (curó de la ceguera a su propia madre), poseía en suma una cultura muy superior a la de sus colegas españoles de la época. Su ideario nacionalista, forjado por la experiencia de la opresión colonial de las islas, excluía no obstante el recurso a la violencia. Fundador primero de la revista La Solidaridad y luego de La Liga Filipina, sus publicaciones provocaron en España un rechazo y ostracismo similares a las que ocho décadas antes sufrió Blanco White.

El futuro de las islas le preocupaba con razón. Conocía por experiencia la precariedad del dominio español y las apetencias que suscitaba el Archipiélago entre las grandes potencias europeas y el emergente poder norteamericano. ¿Qué será de las Filipinas dentro de cien años?, es el título de uno de sus ensayos compuesto durante su larga estancia en el Viejo continente. Como muchos escritores hindúes, árabes y africanos del siglo que dejamos atrás, Rizal se servía de la lengua del conquistador para denunciar las injusticias y abusos de la colonización. De esta contradicción insoluble entre el amor a una lengua y cultura que asumía como propias y la indignación ante los atropellos cometidos contra sus hermanos indígenas brota, como un géiser, la fuerza de su escritura. Las burlas y el desprecio por parte de los frailes y guardias civiles a los tagalos que se expresaban en español no eran solo indignas de su proclamada misión redentora sino que actuaban a muy corto plazo contra los intereses de España. Sus temores, como sabemos, se convirtieron en realidad. Hundida en unas horas la flota española amarrada en Manila y expulsada la administración del decrépito poder colonial por los invasores estadounidenses, estos impusieron el inglés a los nativos y el español pasó en unos pocos años a la triste condición de lengua extinta (únicamente subsistió el chabacano, un híbrido de castellano y tagalo sin expresión literaria alguna). Las amargas reflexiones de Rizal sobre su inútil empeño por asumir un idioma abocado a desaparecer de las Filipinas (“¿Para comprender los insultos y amenazas de los guardias civiles?”, escribió. “Para eso no hay necesidad de saber español, basta comprender el lenguaje de los culatazos”) se cumplieron puntualmente. Diez años después de su muerte, la inmensa mayoría de sus compatriotas no podía entender la obra de su primer escritor.

Movido por la nostalgia, el autor de Noli me tangere regresó a Filipinas en 1892. Acusado de simpatías independentistas, fue desterrado de Manila por orden del Capitán General y sufrió cuatro años de estricto confinamiento. Pese a la injusticia de que era objeto, rehusó encabezar el movimiento revolucionario que se gestaba entre la población indígena. Su instrumento de lucha era la pluma, no el recurso a las armas. En 1896 aceptó ser enviado como médico al Cuerpo Sanitario que combatía los estragos del cólera en los desdichados reclutas enviados a luchar como carne de cañón contra los insurgentes cubanos. Durante la larga travesía de Manila a España, al producirse la previsible insurrección del Archipiélago, fue detenido a bordo y encerrado en el castillo de Montjüic a su llegada a Barcelona. De allí fue devuelto a su tierra nativa y condenado a muerte por un tribunal militar en cuanto “alma viva de la insurrección” y “traidor a España”. El 30 de diciembre Rizal fue fusilado por sentencia del Consejo de Guerra en medio de insultos al felón y vítores a la Madre Patria. Como había escrito unos años antes, “solo se muere una vez y si no se muere bien, se pierde una ocasión que ya no se presentará una vez más”.

Novela comprometida, diríamos hoy, por su clara denuncia de la opresión, sería muy injusto no obstante encasillar a Noli me tangere en tan reductivo apartado. Rizal muestra un buen conocimiento de las técnicas narrativas que lo distingue de los panfletarios al uso. Los personajes de Ibarra -un alter ego del autor-, del capitán Taigo o de la supersticiosa o desdichada Sisa, no desmerecen de los trazados por Galdós. La pintura de la corrupción reinante, crueldad de la guardia civil, incompetencia de la administración e indolencia de sus asalariados (“todo un mundo de parásitos, moscas o colados que Dios creó en su infinita bondad y tan cariñosamente multiplica en Manila”) son tratados con incisivo humor. Su ironía sobre la piedad crédula de sus compatriotas, menos preocupados por el Altísimo que por su cortejo de santos y santas (Dios para ellos, dice, es “como esos pobres reyes que se rodean de favoritos y favoritas, y el pueblo solo hace la corte a estos”), y acerca de la explotación de los milagros de una cohorte de Vírgenes gracias a los cuales, los curas, ya bien forrados, se van a América y allí se casan, hubieran inflamado la santa ira de Menéndez Pelayo. El novelista capta con buen oído las conversaciones anodinas de quienes viven de las migajas del poder colonial; describe con fineza las fiestas en las que “los jóvenes abrían la boca para contener un bostezo pero la tapaban al instante con sus abanicos”; reproduce las hilarantes disquisiciones sobre el Purgatorio y los años que ahorraban a quienes allí se tuestan el simple pago de unas monedas y el rezo de un Ave María.

El manejo de algunas técnicas novelescas heredadas de Cervantes aliña con gracia el chato realismo decimonónico. Rizal se dirige a veces al lector -”¡oh tú que me lees, amigo o enemigo!”- e introduce elementos discursivos que parecen inspirados por Diderot o Sterne. Celebrado como un héroe, pero no como un escritor por quienes sacrificó la vida es, como dije, un perfecto desconocido en la península. La cuidadosa edición de la excelente Biblioteca Ayacucho venezolana de la que pude procurarme un ejemplar en mi reciente viaje a Caracas debería ser republicada en España como homenaje a un autor despiadadamente barrido a los márgenes de nuestro intangible canon, pero vivo y bien vivo, como advirtió Unamuno, y podrá verificar hoy quien se asome venturosamente a sus páginas.

Juan Goytisolo es escritor.

[Ilustración: RAQUEL MARÍN – fuente: http://www.elpais.com]

Lejos de desarrollar la complejidad de la disputa territorial, los principales medios de comunicación construyen miradas racistas del conflicto y promueven la militarización del territorio. Detrás de estas coberturas y encuadres se encuentran los intereses del poder económico: las inmobiliarias, los terratenientes y la minería se relamen por apropiarse de estas tierras. La pacificación no está en la represión, sino en más y mejor política.

Foto: Mariana Eliano | El País

Escrito por Damián Andrada*
En este momento, el Congreso de la Nación de Argentina discute una nueva prórroga de la Ley de Emergencia Territorial Indígena n° 26.160, que en 2016 estableció la realización de un relevamiento técnico, jurídico y catastral de las tierras que los pueblos indígenas tradicionalmente ocupan. La ley había sido sancionada durante el gobierno de Néstor Kirchner, fue prorrogada en dos oportunidades durante la gestión Cristina Kirchner y una vez más durante la presidencia de Mauricio Macri. Quince años más tarde, esta cuarta prórroga revela el lugar marginal que ocupan las comunidades originarias en las políticas públicas del Estado argentino.

En este contexto, la disputa de territorios en la Patagonia y una serie de incendios intencionales en la provincia de Río Negro (cuyos autores aún son desconocidos) ha ocupado el centro de la agenda mediática: “conflicto mapuche”, “violencia mapuche” o “indios al ataque” son algunas de las narrativas que las grandes medios de comunicación han intentado instalar en el debate público.

En lugar de difundir encuadres interculturales, poner en diálogo al pueblo mapuche con la sociedad no indígena o describir un conflicto territorial complejo que lleva más de un siglo sin ser resuelto, los ataques de un sector del periodismo argentino buscan que la opinión pública se incline hacia la militarización del territorio y la represión de las comunidades indígenas en resistencia. Qué comunicar y cómo comunicarlo es el recurso que tiene el poder económico para incidir en el debate social.

Los ataques de un sector del periodismo argentino buscan que la opinión pública se incline hacia la militarización del territorio y la represión de las comunidades indígenas en resistencia. Foto: Telam

Establishment periodístico, racismo y criminalización

Lejos de profundizar en la complejidad del conflicto, la prensa argentina volvió a posicionarse del lado de las inmobiliarias, los terratenientes y la minería al generalizar un reclamo aislado: no se trataba de pequeños grupos radicalizados, sino de todo el pueblo mapuche. La generalización siempre ha sido una falacia argumentativa para estigmatizar o criminalizar a una nación o a una cultura. Veamos algunos titulares y sus bajadas:

– Mapuches violentos: sus nexos con una ministra, exmontoneros y La Cámpora
Los vínculos de los usurpadores de tierras con movimientos prokurdos y propalestinos. Insólitos apoyos de organismos públicos a la violencia.
– La violencia mapuche y su peligrosa cercanía con los años 70
Disfrazada de un reclamo social por justicia, los violentos ataques de la RAM en el Sur evocan el inicio de la actividad guerrillera de los años 70. No cuentan, como entonces, con el apoyo social que también tuvo la violencia estatal de la dictadura, pero aparecen amparados por el Estado, por funcionarios y por agrupaciones oficialistas. Tal vez sea hora de hablar con seriedad sobre la violencia política en el país.
– Mapuchismo
La reivindicación violenta de quienes se llaman originarios es reaccionaria -el regreso a un pasado ideal- y racista.

Los clásicos titulares a los que la prensa argentina nos tiene acostumbrados se vieron superados por un informe del programa Periodismo Para Todos (PPT): “Indios al ataque: mapuches, terrorismo y complicidad estatal”. Una burda generalización, estigmatización, música de guerra y racismo son los condimentos de una pieza de 14 minutos que vale la pena estudiar en las escuelas de periodismo y comunicación.

Tras recoger los testimonios del intendente de la localidad patagónica de El Bolsón, que califica el incendio de un club y la vandalización de una iglesia como “terrorismo”, un dron muestra un pequeño acampe mapuche y los movimientos de una mujer. Desde lejos, un micrófono toma los dichos de la lideresa Romina Jones Huala: “Yo estudié periodismo y lo que hacen ustedes no es periodismo”.

El pueblo mapuche aún recuerda las coberturas racistas del programa en 2017, cuando replicaba el discurso del gobierno de Mauricio Macri durante la desaparición de Santiago Maldonado y luego legitimaba la represión que terminó con el asesinato de un tiro por la espalda del joven mapuche Rafael Nahuel. Tras ligar durante todo el informe a la violencia con el pueblo mapuche, un periodista concluye: “No está claro quién cometió ahora los atentados de El Bolsón, pero está claro que fueron atentados muy planificados con conocimiento de técnicas de explosivos”.

El pueblo mapuche aún recuerda las coberturas racistas de Periodismo Para Todos en 2017, cuando legitimaba la represión que terminó con el asesinato por la espalda del joven mapuche Rafael Nahuel. Imagen: PPT

Cuando el periodismo le da espacio a las voces indígenas

Si bien las corporaciones mediáticas manejan encuadres que criminalizan al pueblo mapuche, en los últimos años una nueva generación de periodistas y de medios ha comenzado a disputar las agendas del establishment periodístico. De este modo, lentamente la mirada y los testimonios de los líderes indígenas comienzan a llegar a los medios de la Ciudad de Buenos Aires.

– Mauro Millán: “La inmensa mayoría del pueblo mapuche no incendia, sino que construye” (Santiago Rey en El Diario Ar).

Mauro Millán es lonko (jefe) de la comunidad Pillán Mahuiza, en Chubut. Hace 21 años participó de esa recuperación territorial. Hoy acompaña procesos similares en distintos puntos de la Patagonia. Dice que “las recuperaciones no se van a detener con un final represivo a las comunidades” y que “la inmensa mayoría del pueblo mapuche no participa de ataques”.

– Lef Nawel: “Esta ciudadanía argentina nos ha sido impuesta a través de un genocidio” (entrevista al referente mapuche en Radio Con Vos).

Del mismo modo que cuestionamos las coberturas racistas, también es necesario señalar estos ejemplos de pluralidad de voces, interculturalidad y esfuerzos de una nueva generación de periodistas por comprender una realidad compleja. Es falso que todos los comunicadores son trabajadores a sueldo. En esta puja por la producción de sentido, es necesario valorar y destacar a quienes realizan su trabajo con un fuerte compromiso por los derechos humanos.

Lentamente la mirada y los testimonios de los líderes indígenas comienzan a llegar a los medios de la Ciudad de Buenos Aires. Foto: Telam

Herramientas frente a la criminalización

El establishment periodístico que promueve la indignación invocando la ley y el orden, olvida, ignora u oculta que los pueblos indígenas cuentan con un amplio abanico de herramientas jurídicas para defender su derecho a los territorios que tradicionalmente ocupan. No solo en la legislación argentina, sino también en el derecho internacional.

En primer lugar, el artículo 75, inciso 17, de la Constitución Nacional es más que claro sobre la propiedad indígena tradicional: “(…) reconocer la personería jurídica de sus comunidades, y la posesión y propiedad comunitarias de las tierras que tradicionalmente ocupan; y regular la entrega de otras aptas y suficientes para el desarrollo humano; ninguna de ellas será enajenable, transmisible ni susceptible de gravámenes o embargos. Asegurar su participación en la gestión referida a sus recursos naturales y a los demás intereses que los afecten (…)”.

Es necesario visibilizar la apropiación de la Patagonia por terratenientes extranjeros. ¿Cuántas ciudades de Buenos Aires entran en el casi millón de hectáreas que posee Carlo Benetton? ¿Cuántos lagos se esconden en la hacienda de Joe Lewis?

A nivel internacional, el Convenio 169 de la Organización Internacional del Trabajo, ratificado por la Argentina, señala el derecho de los pueblos originarios a la consulta previa, libre e informada. Además de promover la participación política en la toma de decisiones públicas, el convenio eleva los estándares de exigencia y cumplimiento de los derechos indígenas.

Por fuera del ámbito jurídico, es necesario visibilizar la apropiación de la Patagonia por grandes terratenientes extranjeros. ¿Cuántas ciudades de Buenos Aires entran en el casi millón de hectáreas que posee Carlo Benetton? ¿Cómo hizo para apropiarse de tantas tierras un millonario italiano? ¿Cuántos lagos se esconden en la hacienda de Joe Lewis? ¿Cuáles son los vínculos de Lewis con la política argentina y la estructura económica del país?

Mientras criminalizan al pueblo Mapuche, los medios argentinos no informan la cantidad de tierras de la familia Benetton. Mapa: El País

Más y mejor política

Es muy cierto lo que señala el profesor Marcelo Munsante en la nota Marcar, reprimir, privatizar: “Los principales medios se esfuerzan por instalar el miedo al ‘terrorismo mapuche’ y advierten del ‘peligro de perder la Patagonia’. El periodismo estigmatiza y el Estado adquiere legitimidad para reprimir. En silencio, los sectores empresarios se frotan las manos y esperan la resolución del “problema indígena” para apropiarse de los territorios en disputa”.

Una vez más, el establishment periodístico argentino ha decidido ubicarse del lado del poder económico que saquea los recursos de la Patagonia. Cuando criminaliza al pueblo mapuche, está intentando construir una corriente de opinión que reclame represión. O, por lo menos, que haga la vista gorda si las fuerzas de seguridad reprimen. Cuando los medios de comunicación generan encuadres racistas contra los pueblos indígenas, en el fondo, están invisibilizando cómo los terratenientes, el turismo, la minería y la actividad petrolera usurpan sus territorios. Eso es lo que debemos visibilizar.

Mientras un sector del periodismo reclama represión y sangre, es necesario insistir en que la solución no está en las balas, sino en más y mejor política. Es necesario aprender de la experiencia chilena. La radicalización del conflicto se encuentra en la falta de diálogo. Los Estados latinoamericanos modernos del siglo XXI deben hacer frente a los problemas irresueltos del siglo XIX. La plurinacionalidad y el reconocimiento de derechos territoriales son el único camino posible a la pacificación.

Damián Andrada es editor general de Debates Indígenas, magíster en Ciencia Política y Sociología y compilador de “Hacia un periodismo indígena”.

[Fuente: http://www.debatesindigenas.org]

Gabriela Wiener (Lima, 1975) es una de las narradoras peruanas más propositivas, dueña de una pluma versátil. Ha exhibido la violencia de género, la discriminación y hurga en historias de sus ancestros —como es el caso de Huaco retrato, en donde escudriña la figura de Charles Wiener, su tatarabuelo, un saqueador de piezas prehispánicas—. En un primer momento recibió la invitación del Ministerio de Cultura de Perú para participar en la FIL de este año, pero luego la eliminaron de la lista de autores convocados. Si existe una palabra que define a su libro más reciente es “descolonización”.

 

Escrito por Mary Carmen Sánchez Ambriz

Descolonizar es una de las acciones más complejas que existen. Hay estudios, planes y hasta tratados para lograr esta encomienda, pero no siempre se obtienen buenos resultados. Gabriela Wiener tiene muy claro a dónde quiere llegar en esta exploración narrativa o cartografía de la memoria ancestral, álbum de familia, recorrido interior, viaje a la semilla, que es Huaco retrato (Penguin Random House, México, 2021).

Al parecer los hechos se dan de manera fortuita, la historia se presenta de una forma indescifrable, casi amorfa y se requiere de suma habilidad para exponer los hilos de un tapiz desdibujado, la tristeza de un pueblo violentado y las similitudes con la historia familiar. Gabriela Wiener es una peruana que lleva más de dos décadas viviendo en España, ejerce el periodismo y escribe libros de ensayo personal que colindan con la crónica. En México algunos de sus artículos pueden leerse en la Revista de la Universidad.

El apellido Wiener posee una historia de claroscuros. En París, el 9 de julio de 1875, se le confió a Charles Wiener, quien en esa época era profesor de alemán en un liceo parisino, una misión arqueológica y etnográfica en Perú y Bolivia. Dos años después, Wiener retornó como un intrépido explorador, repleto de honores y elogios que lo colocaron en un lugar privilegiado dentro de la sociedad científica. Lo veían como un talentoso expedicionario que vino a exhibir rasgos exóticos. En el Musée du Quai Branly es posible admirar una gran colección de arte no occidental de América, Asia, África y Oceanía. Charles Wiener trajo una gran cantidad de piezas de arte precolombino, figurillas antropomorfas y zoomorfas con miles de años de antigüedad. En la ficha correspondiente se lee: “Mission de M. Wiener”. ¿Héroe o villano?

La escritora rememora que Vargas Llosa en El hablador se refiere a Wiener como un explorador francés que en “1880 se encontró con dos cadáveres machiguenga, abandonados ritualmente en el río, a los que decapitó y agregó a su colección de curiosidades recolectadas en la selva peruana”.

***

¿Qué es un huaquero? La palabra posee varias connotaciones. Gabriela Wiener explica que así le llaman en los Andes a los lugares sagrados que ahora son sitios arqueológicos. Los huaqueros eran un grupo de personas que invadían zonas arqueológicas para llevarse consigo objetos únicos, valiosos. “De ahí que huaquear sea una forma de violencia: convierte fragmentos de historia en propiedad privada para el atrezo y decoración de un ego. […] Wiener, sin ir más lejos, ha pasado a la posteridad no solo como estudioso, sino como ‘autor’ de esta colección de obras, borrando a sus autores reales y anónimos, arropado por la coartada de la ciencia y el dinero de un gobierno imperialista. En aquella época a mover un poco de tierra lo llamaban arqueología”.

A la narradora le provoca indignación cuando advierte, en medio de las vitrinas de piezas saqueadas, un espacio dedicado a la momia de un niño, pero la pieza solo se menciona y no aparece ahí. Se especula con la idea de un robo, una mudanza o una repatriación en todo caso. No obstante, reflexiona: “Si no fuera porque vengo de un territorio de desapariciones forzadas, en el que se desentierra pero sobre todo se entierra en la clandestinidad, tal vez esa tumba invisible detrás del cristal no me diría nada. Pero algo insiste dentro de mí, quizá porque ahí dice que el niño de la momia ausente era de la Costa Central, de Chancay, del departamento de Lima, la ciudad donde nací. Mi cabeza deambula entre pequeñas fosas imaginarias, cavadas en la superficie, encajo la pala en el hueco de la irrealidad y retiro el polvo”.

Hay cierto sector de la familia de los Wiener que cree que el nombre de Charles Wiener está relacionado con hazañas; sin embargo, su nieta lo ve como alguien fraudulento y mentiroso que quiso venir a imponer una visión racista, clasista y discriminatoria. Y cada vez es más fuerte el rumor en un sector del mundo académico: “Hay quien sostiene que Wiener es un farsante, un impostor”. Estas últimas palabras funcionan como un detonante o, acaso, como un presagio de lo que va a ocurrir en esta crónica-ensayo-guía de forasteros en encuentros y desencuentros sexuales.

Si su tatarabuelo Charles Wiener era un embustero que despojaba a los indígenas de sus pertenencias, incluso de uno de sus hijos como sucedió con el niño Juan, su padre hereda la actitud deshonesta de su ancestro. La escritora, angustiada por un cáncer terminal que aqueja a su padre, viaja a Lima a reunirse con su familia; ahí la esperan su madre y su hermana, con quienes se turna para aligerar la carga de cuidados y atenciones que requiere el enfermo. Cuando él se debate entre la vida y la muerte, ella ingresa a su computadora personal y descubre que su padre ha llevado una relación paralela a su matrimonio. Su padre usa un parche en el ojo, a modo de disfraz, en los momentos que está con la otra mujer con quien tiene una hija.

Para Gabriela Wiener es evidente el enredo: una mujer, su esposa, la madre de ella, quiere ser la amante del señor Wiener; la otra mujer, su amante, anhela ser la esposa. Y desde esa necesidad de roles, las dos asumen su papel en la vida de su compañero.

El día que falleció el señor Wiener sus cenizas se dividieron en tres porciones equivalentes: una para su esposa, otra para la amante y, la última parte, para la hija primogénita que reside al otro lado del Atlántico, la escritora.

***

Existe otro significado de la palabra huaco y se refiere a una pieza de cerámica prehispánica, hecha a mano, de formas y estilos diversos. De estos objetos, indica la narradora, el más valioso es el huaco retrato o una especie de carné de identidad indígena. La cerámica favorita de Gabriela Wiener es la mochica, “capaz de hilar un retrato como un comic tridimensional de esculturas cuadro por cuadro. […] La especialidad de los moches son las esculturas de dioses degolladores y los huacos eróticos son su cine porno, el kamasutra andino”. Gabriela Wiener le muestra a Roci, su novia española, la serie de figurillas huacos de mujeres que “tragan penes más grandes que sus cuerpos, gozan a cuatro patas y paren niños”. La española cree ver a Gabriela en los rostros de las mujeres andinas de esa colección que trajo, a París, Charles Wiener en el siglo XIX.

Durante su estancia en Lima, descubre que la excusa perfecta de su padre siempre fue su salud, los problemas que debía solucionar y eso, de algún modo, hacía verosímiles sus ausencias. Entre este último argumento y su trabajo como periodista, se las arregló para llevar a cabo un estilo de vida con dos mujeres en la misma ciudad, dos familias.

La primogénita se encuentra con la otra mujer que no es su madre y conoce más de la vida oculta de su padre. No obstante, de manera inconsciente, ella sigue los pasos de su padre: la ruta hacia la infidelidad. Gabriela conoce a un chico y olvida lo mucho que está interesada en su relación poliamorosa —con Roci y Jaime en Madrid—, y sin pensarlo repite el patrón de conducta paterno. Aunque no se trata de una relación alterna, seria, Wiener actúa y luego se reprocha, en medio de la culpa y sentimientos encontrados. “Mientras más predico la sinceridad amorosa con los otros dos, más les miento”, confiesa. Siente que nunca ha estado más cerca de encarnar este verso de Sharon Olds: “Me he convertido en mi padre”.

La voz narrativa se sincera a cada paso y entonces la figura del señor Wiener ya no es juzgada con tanta severidad como antes. La carne es frágil. Así como la necesidad de tener sexo en Lima, a miles de kilómetros de Madrid. “Soy la versión posmoderna de mi padre”, exclama al tiempo que no deja de preguntarse cómo va a contarles que su corazón ya no está dividido en dos sino en tres. “El troll se alimenta de miedo y yo soy mi propio troll”.

***

En Bolivia la palabra huaco remite a la hendidura que se hace en la tierra con el arado, es una fisura o grieta en la tierra para que la semilla germine. Es posible que esa connotación también haya sido considerada para elaborar este ejercicio de descolonización, de exploración en las raíces, en su propia tierra.

En la genealogía de la escritora están presentes los apellidos Wiener y Bravo. Los Wiener son mestizos que acostumbraban casarse con mujeres mestizas, blancas, con excepción del padre de Gabriela que desposó a una chola. Durante sus años de niña y adolescente, la ensayista quiso sentirse más Wiener que Bravo; sin embargo, cuando llegó a España le recordaron que el color marrón de su piel la acerca más a los indios del Perú, a los sudacas que miran con desprecio. También en Perú le dijeron que por su “color puerta” era más cercana a los Bravo que a los Wiener. El asunto racial queda acentuado en la historia. No solo cree necesario desmarcarse de la actitud de su tatarabuelo Charles Wierner, de los engaños de su padre, sino también de la manera en que los colonizadores les enseñaron a los indígenas a despreciar sus raíces, su color, su vida misma.

¿Cómo ser una mujer chola en Madrid? Con frecuencia le preguntan si conoce a otras mujeres sudacas para que hagan el aseo de una casa o la observan y piden referencias sobre ella para ver si pueden darle empleo como trabajadora del hogar, sin que ella lo solicite. En el parque la ven cuidando a alguno de sus hijos y creen que ella es la nana, no la madre de ellos. Y todo por su tono de piel, por esa herencia que le ocasiona que duden de su honorabilidad o que en el metro las personas sujeten sus bolsos, a manera de precaución, para evitar ser asaltados. Son los prejuicios con los que debe luchar día tras día, pero que —de forma ineludible—terminan por desvirtuar el amor propio.

Para aceptar sus señas de identidad ingresó a un taller de descolonización, en donde aprendió a asimilar sus raíces, su color de piel, sus olores, su cuerpo que no corresponde a los cánones de belleza impuestos por Occidente. Así como Juan Goytisolo se considera un meteco y ese rasgo de extranjería lo explota muy bien en su narrativa y en distintas urbes de Europa y África; Wiener, por su parte, se observa y asume como chola.

La literatura vista como reflejo nítido de una vida, de una deconstrucción sin estereotipos. Es la mujer que quiere desmarcarse del ultraje cometido por Charles Wiener. En este acertado ejercicio ostenta sólidas reflexiones sobre el colonialismo en diversos matices. Leerla es hallar ecos de aquel cuarto propio que proclamara Virginia Woolf, aires del feminismo poliamoroso de Simone de Beauvoir, de la manera de confeccionar el ensayo-crónica como Sergio González Rodríguez, del diletantismo de Oscar Wilde al amar a personas de su propio sexo, del feminismo posmoderno de Virginie Despentes y la manera de abordar la crónica con rasgos literarios como suele hacerlo Cristina Rivera Garza en varios de sus libros, ya sea que busque a Rulfo, a Revueltas, a sus abuelos o a su hermana Liliana.

Gabriela Wiener depositó las cenizas de su padre en Madrid, en un árbol que florece con hojas en forma de corazón. Su madre cree que cuando brotan las flores es porque su padre la protege y está con ella.

Es lamentable que Gabriela Wierner haya sido invitada y luego desinvitada a la FIL este año por parte del Ministerio de Cultura de Perú, porque es una de las voces con más fuerza narrativa de América Latina. Descolonizar es una de las acciones más complejas que existen y ella lo logra con óptimos resultados.

 

[Fuente: http://www.nexos.com.mx]