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Para justificar barbáries e hierarquizar povos, pensamento eurocêntrico deu novo verniz ao racismo. Primeiro, deturpando conceitos de luz e trevas. Depois, pela ciência higienista. Seria o colorismo nova arma para dividir os oprimidos?

Escrito por Boaventura de Sousa Santos

A pele é o nosso maior invólucro protetor natural. Por que é que a cor da pele tem um significado social infinitamente maior do que a cor da pupila dos olhos? Tanto na tradição cristã (incluindo o secularismo em que ela se prolongou) como na tradição budista, a escuridão e a claridade foram metáforas conceituais que pretenderam dar conta do aperfeiçoamento da pessoa humana nas suas relações com poderes que a transcendem. Referem-se a movimentos do conhecimento e da vida interior. A trajetória da escuridão para a claridade está aberta a todos os seres humanos. E, aliás, a máxima claridade (por exemplo, na presença da divindade) pode converter-se na máxima escuridão, sendo disso exemplo o horror divino de George Bataille, ou no máximo silêncio do universo, no caso do José Saramago. Porém, com a moderna expansão colonial europeia, sobretudo a partir do século XVI, a escuridão e a claridade foram sendo progressivamente utilizadas para distinguir entre seres humanos, para os classificar e hierarquizar. Foi então que a escuridão e a claridade foram mobilizadas como fatores identitários, para definir as cores da pele dos humanos, transferindo para essa definição significados antigos. Se antes tais significados partiam da ideia da condição comum dos humanos, a partir de então a cor da pele vai constituir um dos vetores fundamentais da linha abissal que distingue entre humanos e sub-humanos, a distinção que subjaz ao racismo. Uma vez aplicada à pele humana como fator determinante, a cor passou a designar características “naturais” que definem à partida trânsitos sociais permitidos e proibidos. O “natural” passou a ser uma construção social concebida como fator extrassocial da legitimidade da hierarquia social definida a partir das metrópoles coloniais. O “escuro” passou a ser “cor”, símbolo do negativo, e o “branco”, “a ausência de cor”, símbolo do positivo. Assim surgiu o racismo moderno, um dos principais e mais destrutivos preconceitos da modernidade eurocêntrica. Como bem analisa Francisco Bethencourt, o racismo, não sendo um exclusivo ocidental, assumiu com a expansão colonial europeia um papel central na classificação hierárquica das populações (Racismos: das cruzadas ao século XX. 2015). Apesar de ter passado por muitas mutações, o preconceito racial tem mantido uma notável estabilidade. Por um lado, a imensa diversidade de traços fisiológicos e de tonalidades de cor de pele não impedem que o preconceito se adapte e reconstitua incessantemente segundo os contextos, ora parecendo um resíduo do passado, ora reemergindo com renovada virulência. Por outro lado, o seu caráter insidioso decorre da sua “disponibilidade” para ser interiorizado por aqueles e aquelas que são vítimas dele, caso em que uns e outras passam a avaliar a sua existência e o seu papel na sociedade em função do cânone da hierarquia racial. Finalmente, a lógica racial da cor insinua-se tão profundamente na cultura e na língua que está presente em contextos tão naturalizados que parecem nada ter a ver com o preconceito. Por exemplo, no espaço de língua portuguesa (pelo menos no Brasil e em Portugal) as crianças aprendem que o lápis de cor bege é o lápis cor de pele.

A primazia dada à visão na análise eurocêntrica do mundo faz com que a cor da pele seja uma das variações mais visíveis entre os humanos. Está relacionada com as respostas à radiação de raios ultravioletas. A pele mais escura, com mais melanina, protege as populações originárias de regiões próximas do equador. É, pois, na sua origem uma resposta físico-biológica ao meio ambiente. Como é que, apesar de a origem da humanidade ter ocorrido em regiões com maior radiação ultravioleta, a cor da pele acabou por se converter em marcador de desumanização? Foi um processo histórico longo que, em alguns contextos, foi evoluindo para converter a pele clara e a pele escura em conotação de rígida hierarquia social, o que designamos por racismo e por colorismo. A percepção da cor deixou de ser uma característica física da pele para se tornar um marcador de poder e uma construção cultural. O século XIX e as primeiras décadas do século XX foram o tempo do apogeu da explicação científica das diferenças raciais das quais resultava logicamente a hierarquia social e a recomendação da não miscigenação, da eugenia, do apartheid e da eliminação do que se considerava ser raças inferiores (por exemplo, Nancy Stepan, The Idea of Race in Science: Great Britain 1800-1960. 1982). O conceito de “under man” (sub-homem) tornou-se popular com o livro do norte-americano Lothrop Stoddard, The Revolt against Civilization: the Menace of the Underman, publicado em 1922, que viria a ser a cartilha dos nazis. Depois da Segunda Guerra Mundial e ante a catástrofe genocida do nazismo e do fascismo, o paradigma da ciência racista foi sendo desmontado. Hoje, os estudos genéticos mostram que como as classificações raciais não se traduzem em diferenças genéticas importantes, não faz sentido falar de raça enquanto categoria biológica. Aliás, a variação genética entre grupos raciais é pequena quando comparada com as diferenças genéticas no interior do mesmo grupo. Ou seja, a ideologia racista sobrevive ao desmonte das “bases científicas” do racismo.

Apesar do descrédito da base científica do racismo, o racismo como ideologia permanece e tem-se mesmo acentuado nos tempos mais recentes. Traços morfológicos do rosto, do cabelo, ou da cor da pele continuam a ser usados como marcadores da discriminação racial, e em muitos países determinam as variações na discriminação que têm por alvo vários grupos sociais racializados, sejam eles negros, asiáticos, indígenas, ciganos ou latinos, para não falar, dependendo do tempo e do contexto, em judeus, irlandeses, portugueses, espanhóis, italianos, eslavos. A cor da pele, em especial, tem assumido um significado particularmente insidioso ao determinar diferenças sistemáticas de tratamento dentro de grupos que partilham a mesma “identidade racializada” ou “comunidade de cor”. Nas Américas, este fenômeno levou à formulação do conceito de colorismo para designar esse tratamento diferencial. Não há colorismo sem racismo nem colonialismo. O colorismo potencia a complexidade e a gravidade das narrativas e das práticas racistas e reitera a violência epistêmica e ontológica do projeto colonial, uma violência ainda mais cruel quando ocorre no interior dos grupos racializados. O código colorista estabelece que quanto mais “branca” é a cor da pele, maior é a probabilidade de alguém ser candidato aos privilégios da branquitude, mas, tal como acontece com a identidade racial, a definição da cor da pele é uma construção social, cultural, econômica e política. Os estudos sociais da cor de pele mostram que a identificação e a classificação da cor de pele variam de sociedade para sociedade e mesmo dentro da mesma sociedade. Vem a propósito recordar que Bethencourt decidiu estudar a história do racismo para poder responder a esta pergunta: como é possível que a mesma pessoa seja considerada negra nos Estados Unidos, de cor no Caribe ou na África do Sul e branca no Brasil? Eu acrescentaria duas outras perguntas. Por que é que a classificação varia dentro do mesmo país? No caso da sociedade brasileira, quem é considerado branco na Bahia pode ser considerado negro em São Paulo. E poderá a classificação variar no tempo?

Quando se fala criticamente de racismo é grande a tendência para salientar os danos, a violência e a destruição que ele causa nas populações racializadas. Mas, desta forma, a cor dos que causam o racismo torna-se invisível. A pele de quem exerce a atitude racista não tem cor, sobretudo em contextos em que a “cor branca” está associada à manutenção de privilégios herdados do escravagismo e do colonialismo. O mesmo se poderia dizer da pele dos árabes sauditas em relação aos paquistaneses, filipinos ou bangladeshianos ou dos chineses em relação a africanos. Tornam-se assim invisíveis quer a cor da pele, quer os privilégios que ela justifica. Por que é que a análise crítica do racismo incide sobretudo nas discriminações sofridas por corpos racializados e negligencia os privilégios dos corpos não racializados? Afinal, quando se fala de “supremacia branca” não se fala da qualidade da cor, mas do poder e dos privilégios que ela invoca. Muito para além dos contextos da supremacia branca (a branquitude), o uso racista da cor e da ausência de cor está sempre ligado à instrumentalização do poder e dos privilégios. Referi acima o racismo dos chineses na China contra os negros africanos. A verdade é que o tribunal superior da África do Sul considerou em 2008 que, para efeito de acesso às ações afirmativas em vigor para promover o “empoderamento econômico dos negros”, os chineses nascidos na África do Sul eram considerados… negros.

A conclusão urgente parece ser esta: só razões políticas e lutas de poder podem explicar a instrumentalização social da cor da pele; e, do mesmo modo, só elas explicam que o provável incremento da multiplicidade de tonalidades de cor de pele decorrente da miscigenação ou crioulização não se traduza no fim do racismo e da violência e injustiça que ele causa. Apesar da diversidade de contextos já referida, historicamente o problema tem assumido particular acuidade nos países onde há população considerada branca, por mais pequena que seja, mas em posições de poder, e assume contornos diferentes em contextos diferentes. A investigação tem incidido sobretudo no modo como as diferenças de cor de pele entre pessoas consideradas da “mesma raça” determinam diferenças de tratamento. O caso mais tratado é o dos países herdeiros da violência da escravatura, sobretudo em contexto americano. As análises mostram consistentemente que, apesar de ter havido avanços muito significativos no acesso a cargos públicos e privados por parte de pessoas classificadas como de raça negra (ou de qualquer outra raça que não a branca), em resultado das lutas contra a discriminação racial, sobretudo dos últimos cinquenta anos, a verdade é que as pessoas racializadas que acederam a esses lugares têm, em geral, uma cor de pele mais clara. Apesar da imensa diversidade dos tons de pele, a cor de pele marcou e marca não só diferenças raciais como diferenças de tratamento no interior da mesma identidade racial. O colorismo é talvez a arma mais insidiosa do racismo para dividir os grupos racializados. Por exemplo, nos EUA, os escravizados negros de cor mais clara eram mais caros, e eram procurados para o trabalho doméstico nas casas do latifúndio, enquanto aos escravizados de cor mais escura estava destinado o trabalho árduo nos campos. Aliás, os escravocratas usavam as diferenças de cor de pele para provocar a divisão entre os escravos. Muito depois da abolição da escravatura, o racismo e colorismo não só se mantiveram como se estenderam a novas categorias de população, por exemplo, os imigrantes europeus. Ou seja, a matriz da exclusão assente no racismo da diferenciação fenotípica tem um dinamismo tão cruel e insondável que chega a alastrar “por analogia”. Nos EUA do início do século XX, irlandeses, italianos e portugueses foram considerados “brancos escuros” e só gradualmente (e completamente?) a cor da sua pele foi sendo “branqueada”, acompanhando a sua ascensão social. Mas afinal foi a ascensão social que branqueou a pele ou foi a pele sem matriz fenotípica que facilitou a ascensão? A resposta é óbvia.

A persistência do racismo e do colorismo está bem patente neste instantâneo fotográfico do Brasil. No dia 22 de Março de 2018 o conhecido jornal norte-americano Wall Street Journal publicava uma reportagem intitulada “A procura de esperma americano aumenta exponencialmente no Brasil”. Relatava que nos sete anos anteriores a importação de sêmen norte-americano por parte de mulheres brasileiras brancas, ricas, solteiras e lésbicas tinha aumentado extraordinariamente. As preferências iam para doadores de pele clara e com olhos azuis. Segundo a Fairfax Cryobank, o maior exportador de esperma para o Brasil, este país era o mercado de sêmen em maior aumento. Enquanto em 2011 apenas 11 tubos de sêmen tinham sido importados, em 2017, o número subira para 500 tubos. Segundo o jornalista, a preferência por doadores brancos reflete a preocupação com o racismo “num país onde a classe social e a cor da pele estão intimamente ligadas”. Para as consumidoras, “as crianças de pele clara terão a expectativa de melhores salários e de um tratamento mais justo por parte da polícia”. Nos EUA as mulheres negras com tom de pele mais claro e traços europeus tendem, em igualdade de outras circunstâncias, a ter mais êxito na obtenção de emprego, na carreira profissional, nos concursos de beleza ou nos vídeos musicais. No caso do Brasil o testemunho de Bianca Santana reflete bem esta dimensão do racismo estrutural: “Minha pele não é retinta. Tenho a cor da miscigenação brasileira, que tantas vezes foi utilizada para reafirmar o mito da democracia social… Poder ser vista como branca, ou melhor, como não negra, me permitiu oportunidades que provavelmente eu não teria se tivesse a pele mais escura, como ocupar um cargo de coordenação em um colégio europeu, de elite”.

O colorismo também tem existido no interior do mesmo grupo racial quando, por exemplo, no século XIX e início do século XX, os clubes das elites negras dos EUA recusavam o acesso às pessoas com a cor mais escura. A interiorização do colorismo levou e continua a levar a práticas de branqueamento de pele e a procura de produtos de branqueamento tem crescido enormemente (Lynn Thomas, Beneath the Surface: a Transnational History of Skin Lighteners, 2020). Mas, por outro lado, o colorismo também pode operar em sentido inverso, em contextos de comunidades altamente racializadas e como reação de ressentimento: discriminar as pessoas de pele mais clara consideradas fracas ou inferiores por serem o produto de mistura de raças.

A cor, a contracor e o arco-íris

A cor da pele é um marcador essencialista nas nossas sociedades desiguais e discriminadoras e, como fenômeno político, pode ser utilizado com diferentes orientações políticas e até como forma de compensação histórica. Em 1903, o grande intelectual negro norte americano W.E.B. Du Bois escreveu profeticamente que o problema do século XX seria “the color line”, a “linha da divisão racial pela cor”. Assim foi e assim parece continuar a ser já bem dentro do século XXI. Em meados do século passado Franz Fanon mostrava eloquentemente como o racismo acuava por via de uma fratura dialética entre o corpo e o mundo, entre o “esquema corporal” e o “esquema racial epidêrmico”. O fenótipo epidérmico seria trivial se não existisse o racismo fenotípico.

A lógica racial e colorista tanto é usada para excluir os “outros”, como para unir o “nós”. Reside aí um dos fios com que se tece a extrema-direita do nosso tempo. No polo oposto, o movimento black is beautiful dos afro-americanos na década de 1960, que depois se espalhou por outros países (por exemplo, na África do Sul do apartheid), consistiu em reclamar a cor e mudar a sua conotação. Sempre que a cor é politizada contra o racismo para unir a luta antirracial e a luta anticapitalista, a cor da pele tende a perder o essencialismo e a ser relativizada. Intensamente politizada, a luta do Black Panther Party foi notável, sobretudo dos anos 1970-1980, no esforço de abolir a relevância das diferenças de cor da pele entre a comunidade negra. E ontem, como hoje, continua em aberto a questão de saber em que medida grupos de várias raças, etnias e cores de pele se podem unir nas lutas contra o capitalismo, o colonialismo, o racismo e o sexismo, para dessa forma aumentar as possibilidades de êxito das lutas por uma sociedade mais justa. Períodos de maior otimismo têm sido seguidos por períodos de maior pessimismo com inquietante circularidade. Duas coisas parecem certas. Por um lado, os essencialismos identitários tendem a tornar mais difícil a articulação das lutas sociais contra a desigualdade e a discriminação. Por outro lado, não se pode confundir a mudança da cor do poder com a mudança da natureza do poder. Afinal, a burguesia negra norte-americana tem-se preocupado em chegar ao poder capitalista e não em mudá-lo (vide Barack Obama). E não será diferente noutros lugares.

Escreveu Wittgenstein (Anotações sobre Cores, 1996: 17) que um povo de daltônicos teria outros conceitos sobre as cores. Seria esta uma solução para o racismo assente na cor da pele? Se estiver certa a minha proposta de que o racismo não reside na cor em si, mas na política da cor centrada na desigualdade de poder e na concentração excludente de privilégios, a resposta é não. Mantendo-se a estrutura de poder, o preconceito não desapareceria, apenas se expressaria doutra forma e com outra justificação.

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

Les diferències entre una llengua i una altra, o entre dialectes, sovint responen més a criteris polítics que no pas a criteris lingüístics.

Escrit per Víctor Bargiela

Aprenent de Lingüista a la Universitat de Barcelona. Membre del Grup de Lingüistes per la Diversitat

Una varietat estàndard és una varietat artificial que s’elabora per als usos formals d’una llengua. A través de la planificació lingüística, aquesta varietat s’estén al conjunt de la població mitjançant el sistema educatiu o els mitjans de comunicació. Aquesta varietat estàndard pot tenir orígens diversos, tot i que sempre acostuma a estar relacionada amb jerarquies de poder econòmic i social. Per exemple, la varietat estàndard de l’anglès britànic, la Received Pronunciation, pren com a base l’anglès parlat per les famílies benestants del sud d’Anglaterra educades en internats privats. El castellà, en canvi, fins fa poc prenia com a estàndard la parla de les classes cultes d’una regió concreta: el nord de Castella. Altres varietats estàndard permeten cert grau de flexibilitat, com és el cas del català o de l’euskara batua (basc unificat), una barreja dels dialectes bascos amb una forta influència del guipuscoà, que és el dialecte central.

Aquest tipus de processos d’estandardització reafirmen el poder de les classes benestants, ja que s’acostuma a discriminar els parlants de les varietats més allunyades de la varietat parlada als mitjans de comunicació. Així, dialectes com l’andalús són considerats socialment com a menys prestigiosos. Totes aquestes connotacions són estrictament socials i sorgeixen d’unes relacions de poder determinades, ja que la llengua per si sola no reflecteix cap condició social.

La difusió d’un estàndard lingüístic unificat en el marc d’un estat-nació comporta el trencament del continu dialectal en les fronteres polítiques. En els territoris de llengües romàniques, amb excepció de fronteres naturals (muntanyes, rius, llacs…), cada poble és capaç d’entendre la llengua del poble veí. Quan aquests continus es trenquen perquè els veïns tendeixen a parlar com als mitjans de comunicació, perdem la comprensió amb els territoris més propers.

Per tota la franja occidental de la península Ibèrica s’estenen un conjunt de dialectes descendents del galaicoportuguès medieval. Segons l’escriptor portuguès José Saramago, les diferències més notables no es trobarien a banda i banda del Minho –que separa Galícia i Portugal–, sinó a banda i banda del Duero, a l’alçada de la ciutat de Porto. La diferència entre gallec i portuguès actualment la marca una frontera política: a Verín (Ourense) hi parlen gallec, mentre que a Chaves (Portugal) hi parlen portuguès, tot i que són dues viles que estan a 25 km l’una de l’altra i tenen un parlar molt semblant que comparteix gran part del lèxic, gramàtica i fins i tot fonètica, sobretot entre la gent gran.

El 1983 la Xunta de Galícia va publicar el Decreto de Normativización da Lingua Galega, que oferia un estàndard escrit oficial per a la llengua gallega. Aquest decret, conegut com a Decreto Filgueira, no va quedar lliure de polèmica; és un decret fruit d’anys de tensions i lluites entre dos corrents: els isolacionistes o autonomistes i els reintegracionistes o lusistes. Aquestes dues vessants només qüestionen la manera com s’ha d’arribar a la varietat estàndard.

Els isolacionistes es concentraven al voltant de l’Instituto da Lingua Galega, un institut de recerca creat per la Universitat de Santiago de Compostela el 1971 i dirigit per Constantino García, un dialectòleg asturià. Prenien l’ortografia castellana per a descriure les parles de la Galícia autonòmica, com si es tractés d’una llengua àgrafa, és a dir, una llengua sense tradició escrita.

D’altra banda, els reintegracionistes se situaven al voltant de la figura de Carvalho Calero, el primer catedràtic de llengua gallega. Basaven la seva normativa ortogràfica en la història de l’idioma prèvia als Séculos escuros―l’equivalent gallec al terme català «Decadència», que vol descriure el període de castellanització d’entre els segles XIV i XVIII. Volien una normativa convergent amb la portuguesa que permetés la intel·ligibilitat escrita completa amb el conjunt de la lusofonia, amb més de 270 milions de parlants, tot respectant les particularitats de la llengua oral de Galícia.

Carvalho Calero

Si a Santander escriuen igual que a Cadis i a Milà igual que a Nàpols, ¿Per què no poden escriure de la mateixa manera a Ferrol i a Faro? Això és el que defensen els reintegracionistes, ja que creuen que és l’única manera de salvar la llengua pròpia de Galícia. Una escriptura comuna afavoriria la intercomprensió amb la lusofonia, reforçaria els llaços socials i econòmics amb Portugal i dotaria el gallec de prestigi social i de molta més presència –només cal pensar en tots aquells articles que estan etiquetats en portuguès i castellà però no en català o basc.

El gallec es troba submergit en procés de substitució lingüística. Tot i que el 86% de la població gallega afirma poder parlar el gallec, la transmissió de la llengua de pares a fills és equiparable al retrocés lingüístic accelerat de la Catalunya Nord: cada vegada són menys els pares gallegoparlants que decideixen parlar en gallec als fills, molt lluny de les dades enregistrades a Andorra, al Principat o a les Illes Balears. A Galícia hi ha una situació clara de diglòssia: el gallec s’empra per als usos íntims i informals, mentre que el castellà ocupa els usos formals com la feina o la universitat.

La Real Academia Galega és la institució encarregada de la normativització de la llengua gallega i es pressuposava imparcial davant del conflicte lingüístic, ja que en formaven part tant reintegracionistes com isolacionistes. El 1971 va publicar unes normes basades en la història de l’idioma, confluents cap al portuguès. El 1980 es van acordar unes normes ortogràfiques de consens entre reintegracionistes i isolacionistes, que permetia solucions dobles per tal de satisfer tothom. El 1981 es van celebrar eleccions al Parlament de Galícia i va començar a governar Alianza Popular amb Filgueira Valverde com a conseller de cultura de la Xunta de Galicia. Amb la jubilació de Carvalho Calero, el 1982 es van imposar les propostes ortogràfiques de l’Instituto da Lingua Galega, tot desatenent l’opinió d’un sector majoritari afí a Carvalho Calero. Segons Filgueira Valverde, aquestes normes comunes a l’ortografia espanyola havien d’afavorir l’aprenentatge del castellà als nens gallegoparlants.

Tot plegat, és fàcil de veure que les diferències entre una llengua i una altra, o entre dialectes, sovint responen més a criteris polítics que no pas a criteris lingüístics. Des de la lingüística podem determinar que dues llengües estan emparentades i fins i tot podem calcular la intel·ligibilitat mútua –que és del 96% entre el gallec i el portuguès–, però són les motivacions polítiques les que afirmen rotundament que el gallec i el portuguès són dues llengües diferents o, fins i tot, que el català i el valencià no tenen res a veure. Com deia en Saim Inayatullah a l’article de l’abril de l’any passat: «la política mana per sobre dels criteris lingüístics a l’hora de delimitar les llengües».

Grup de Lingüistes per la Diversitat

 

[Font: http://www.nuvol.com]

Escrito por CARLOS G. REIGOSA

Parece que xa se foi esvaecendo o debate que hai uns vinte anos nos dividiu ós galegos sobre a galeguidade de Cela, Nobel de Literatura en 1989, unha cuestión que foi obxecto de debate mesmo nunha comisión do Parlamento Galego. O tempo foi pasando e o debate decaeu, substituído por un sutil desapego.

Hoxe en día, case que ninguén debate sobre isto, quizais porque xa non hai nada que debater: Cela é un escritor galego porque naceu en Padrón, pero non é un escritor en lingua galega, nin sequera a súa inquedanza temática foi predominantemente galaica. Estas afirmacións considéroas moi difíciles de rebater, porque están á vista e son de sentido común. Quizais por isto o debate esmoreceu e quedou esquecido nalgún illó.

Cuestión á parte é o que pensaba Cela, quen, sentíndose moi galego -isto é, «galego de todo»-, nunca pensou que desde a literatura en lingua galega puidera abrirse paso no mundo un escritor do século XX. Algo que tamén lle pasou a Torrente Ballester, que comezou en galego a súa magna obra A saga/foxe de JB, ata que a nosa lingua o enfrontou cuns límites de desenvolvemento daquela aínda non franqueados. É dicir, que nós aínda non fixeramos o labor de normativización idiomática que si fixeran, por exemplo, os catalás. E daquela Torrente tivo que renderse á evidencia. O seu bo amigo e admirador Saramago, Nobel en 1998, díxolle un día cun agarimo irónico: «Xa ves, se foses portugués non terías ese problema».

Coido que queda abondo claro que hai que localizar cada realidade no seu contexto verdadeiro e non falsear os termos da evolución histórica, tampouco no ámbito lingüístico. Non sei se Cela escribiría en galego noutras circunstancias da evolución do noso idioma. Cunqueiro fíxoo porque tivo en Mondoñedo un berce lingüístico, non normativizado, pero si moi caudaloso. Con isto quero dicir que a forza das circunstancias é tamén a forza do destino. E non me parece xusto emitir xuízos sen ter en conta a realidade histórico-literaria en que cada un tivo que afrontar o feito creativo, isto é, a realidade do momento en que lles cadrou facelo. Porque, como me dicía Torrente Ballester pouco antes de finar (1999), «hoxe sería outro cantar!».

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

 

 

 

Un apunte lúcido y crítico de Saramago sobre la migración, quizá un destino inevitable para el ser humano

La historia del ser humano es indisociable de la migración. Desde nuestros orígenes como especie hasta las noticias que nos llegan esta mañana, los flujos migratorios humanos no se han detenido nunca: decenas, cientos o miles de personas salen a cada momento del lugar donde nacieron para dirigirse a otro punto, en apariencia por razones diversas pero, en el fondo, por un único motivo: la búsqueda de bienestar.

Con todo, aunque seamos sujetos racionales e históricos, la irracionalidad también nos domina, y con respecto a la migración esto se ha traducido en un miedo injustificado hacia las personas que llegan a territorios ya ocupados. Acaso teniendo en mente el pensamiento atávico del temor a lo extraño y lo desconocido, el ser humano imputa al migrante una amenaza que al menos de inicio no es real, pero existe, y como tal, media entre ambos: entre aquel que se cree ocupante « natural » de un territorio (y de sus recursos) y el Otro que llega a ocupar y a aprovecharse, a poner en riesgo la supervivencia y el orden, pero posiblemente también a mejorarlo, a enriquecerlo, a hacerlo diferente y con ello, a hacerlo evolucionar.

En este contexto compartimos ahora un apunte de José Saramago, publicado en el blog que tuvo en los últimos años de su vida. Si bien estos textos conocieron una edición impresa algunos años después (en una compilación publicada con el título El cuaderno, en 2009), en su origen fueron concebidos como comentarios al margen, reflexiones espontáneas hechas al hilo de los acontecimientos conocidos o atestiguados por el autor.

Citamos este fragmento in extenso, pues como señalamos al final de la nota, la reflexión que contiene toca al menos dos temas fundamentales a propósito de la migración.

HISTORIAS DE LA EMIGRACIÓN

Que tire la primera piedra quien nunca haya tenido manchas de emigración ensuciándole el árbol genealógico… Tal como en la fábula del lobo malo que acusaba al inocente corderito de enturbiarle el agua del riachuelo donde ambos bebían, si tú no emigraste, emigró tu padre, y si tu padre no necesitó mudar de sitio fue porque tu abuelo, antes que él, no tuvo otro remedio que irse, cargando la vida sobre las espaldas, en busca del pan que su tierra le negaba. Muchos portugueses murieron ahogados en el río Bidasoa cuando, noche oscura, intentaban alcanzar a nado la orilla de allá, donde se decía que el paraíso de Francia comenzaba. Centenares de miles de portugueses tuvieron que someterse, en la llamada culta y civilizada Europa de más allá de los Pirineos, a condiciones de trabajo infames y a salarios indignos. Los que consiguieron soportar las violencias de siempre y las nuevas privaciones, los sobrevivientes, desorientados en medio de sociedades que los despreciaban y humillaban, perdidos en idiomas que no podían entender, fueron a poco a poco construyendo, con renuncias y sacrificios casi heroicos, moneda a moneda, centavo a centavo, el futuro de sus descendientes. Algunos de esos hombres, algunas de esas mujeres, no perdieron ni quieren perder la memoria del tiempo en que tuvieron que padecer todos los vejámenes del trabajo mal pagado y todas las amarguras del aislamiento social. Gracias les sean dadas por haber sido capaces de preservar el respeto que debían a su pasado. Otros muchos, la mayoría, cortaron los puentes que los unían a las horas sombrías, se avergonzaron de haber sido ignorantes, pobres, a veces miserables, se comportan, en fin, como si una vida decente, para ellos, solo hubiese comenzado verdaderamente el día felicísimo en que pudieron comprar su primer automóvil. Esos son los que estarán siempre dispuestos a tratar con idéntica crueldad e idéntico desprecio a los emigrantes que atraviesan ese otro Bidasoa, más ancho y más hondo, que es el Mediterráneo, donde los ahogados abundan y sirven de pasto a los peces, si la marea y el viento no prefieren empujarlos hasta la playa, mientras la guardia civil no aparece para levantar los cadáveres. Los sobrevivientes de los nuevos naufragios, los que pusieron pie en tierra y no fueron expulsados, tendrán a su espera el eterno calvario de la explotación, de la intolerancia, del racismo, del odio por su piel, de la sospecha, de la humillación moral. El que antes había sido explotado y perdió la memoria de haberlo sido, explotará. El que fue despreciado y finge haberlo olvidado, afinará su propia manera de despreciar. Al que ayer humillaron, humillará hoy con más rencor. Y ahí están, todos juntos, tirándoles piedras al que llega a la orilla de acá de este Bidasoa, como si nunca hubiesen emigrado ellos, o los padres, o los abuelos, como si nunca hubiesen sufrido de hambre y de desesperación, de angustia y de miedo. En verdad, en verdad os digo, hay ciertas maneras de ser feliz que son simplemente odiosas.

Como vemos, en su apunte Saramago no reflexiona únicamente sobre el hecho de que todos procedemos de alguien que en algún momento tuvo que salir de su tierra natal para buscar oportunidades en otras latitudes, sino especialmente, en la segunda mitad de su apunte, en el olvido al que se margina dicha circunstancia y los efectos que esto provoca en la manera en que se recibe a otros migrantes. El maltrato que alguna vez se recibió se repite entonces, acaso inconscientemente, sin ver que es posible romper con ese ciclo y actuar de otra manera.

[Imagen de portada: José Saramago en Barcelona, febrero de 1998 (Consuelo Bautista) – fuente: pijamasurf.com]

 

Escrito por Joseph Hodara

El actual primer ministro israelí Netanyahu apenas conoce un tranquilo sueño. Las ruidosas manifestaciones de protesta en Jerusalén y frente a su mansión en Cesárea, la curva ascendente de los afectados por el covid especialmente en los multitudinarios sectores ortodoxos, su cercana presentación ante los tribunales, y la costosa posibilidad de un cuarto torneo electoral: temas que trastornan el equilibrio.

Esta última posibilidad abre múltiples conjeturas: ¿cómo y en favor de quién votará la mayoría del electorado? Fracciones hoy en la oposición jefaturadas por Bennet y Lapid multiplican el número de partidarios mientras que Ganz retrocede con rapidez. También el Likud conoce un importante declive sin dejar de ser la fracción mayoritaria. Escenario que obliga a recordar páginas de y su Ensayo sobre la lucidez.

Pinta el escritor portugués un escenario político opresivo e incierto, en el que los ciudadanos coinciden en eludir las mesas electorales o votar en blanco, un hecho que suscita desconcierto, burlas y enojo en el opresivo sector gubernamental. Considerando la extendida desorientación de la masa israelí, los fallidos intentos para frenar al covid-19, y el reparto de dinero en efectivo a todos los ciudadanos que resultará en poco tiempo en inflación imparable, la perspectiva saramaniaga no es solo una fantasía literaria. Puede tornarse real.

Se eleva al mismo tiempo la oscura posibilidad de un asesinato durante las manifestaciones, un hecho lamentablemente conocido en la escena del país. Perspectiva que debería obligar a las diásporas judía e israelí a unirse en una voz unánime solicitando equilibrio y responsabilidad al fraccionado liderazgo del país. En lugar de identificarse con Saramago, deberían escribir una página rebelde.

 

[Fuente: http://www.diariojudio.com]

El filósofo y polemista francés publica mañana en España ‘Este virus que nos vuelve locos’ (La Esfera), una llamada a recuperar la cordura frente a los augures y a desmitificar la pandemia. Lee aquí las primeras páginas.

Bernard-Henry Lévy

Por BERNARD–HENRI LÉVY

A mí también me dejó boquiabierto.

Pero lo que más boquiabierto me ha dejado no ha sido la pandemia.

Este tipo de desastres han existido toda la vida. La gripe española, con sus 50 millones de muertos, hace ya un siglo, causó más víctimas de las que se cobrará, sin duda alguna, el COVID-19.

Por limitarnos a nuestra época, a la que tengo edad de recordar, después de mayo de 1968 vivimos la famosa gripe de Hong Kong, en la que un millón de habitantes del planeta murieron con los labios cianóticos, hemorragia pulmonar o asfixia (en realidad, no fue tan «famosa», ¡casi ha caído en el olvido! Lo comprobé dedicándole al inicio de la crisis una de mis columnas).

Diez años antes, igualmente borrada de la memoria colectiva, se vivió la gripe asiática que, de nuevo, surgió en China; pasó por Irán, Italia, el este de Francia, Estados Unidos y dejó 10 millones de muertos (de los que 100.000 fueron en Estados Unidos, en Francia, probablemente, hubo una cantidad similar, muchos en hospitales mal equipados donde los cadáveres, según cuentan los últimos testimonios, estaban amontonados en las salas de reanimación sin que pudieran evacuarlos).

No, lo más sobrecogedor ha sido la extraña manera que hemos tenido de reaccionar esta vez.

La epidemia no solo es la del coronavirus, sino la del miedo que se ha cernido sobre el mundo.

Hemos visto temperamentos de acero que, de un día para otro, se han quedado paralizados.

Hemos oído a los intelectuales, que habían vivido otras guerras, recuperar la retórica del enemigo invisible, de los combatientes de primera y segunda línea, de la guerra sanitaria total.

Hemos visto París vaciarse, igual que en el Diario sobre la Ocupación de Ernst Jünger.

Hemos visto las urbes de todo el mundo convertirse en ciudades fantasma con sus avenidas mudas, como senderos campestres, donde los días, como decía Víctor Hugo, eran iguales que las noches.

He visto, en los vídeos que me enviaban desde Kiev y Milán, desde Nueva York y Madrid, también desde Lagos, Erbil o Qamishli, a los escasos transeúntes que había por las calles yendo a toda prisa, cuya presencia parecía únicamente para recordar la existencia de la especie humana, aunque, en cuanto veían aparecer a otra persona, cambiaban de acera, con la cabeza gacha.

Todos hemos visto, de un rincón a otro del planeta, en los países más desfavorecidos igual que en las grandes metrópolis, pueblos enteros estremecerse y dejarse confinar en sus hogares, a veces a porrazos, como animales en su redil.

Los manifestantes de Hong Kong, como por arte de magia, han desaparecido.

Los peshmerga, esos guerreros cuyo nombre significa que saben desafiar a la muerte, se han refugiado en sus trincheras.

Los saudíes y los hutíes, que disputaban en Yemen una guerra interminable, anunciaron, en cuanto se tuvo noticia de los primeros casos, un alto el fuego.

Hizbulá se ha confinado.

Hamás, que entonces lamentaba ocho casos, declaró tener un único objetivo bélico: obtener mascarillas de Israel. «¡Mascarillas!¡Mascarillas!

¡Nuestro reino por unas mascarillas! Si hace falta, dejaremos sin aliento a 6 millones de israelíes».

El Dáesh ha declarado Europa zona de riesgo para sus combatientes, que se han ido corriendo a sonarse con pañuelos mentolados al fondo de alguna cueva siria o iraquí.

Panamá, tras detectar un caso sospechoso, ha confinado en la jungla a 1.700 personas, desesperadas, que iban de camino a la frontera con Estados Unidos.

Nigeria, sobre la que, unas semanas antes, publiqué un artículo dedicado a las masacres de los pueblos cristianos a manos de yihadistas fulanis, contabilizaba, a mediados de abril de 2020, según la agencia de noticias francesa AFP, doce muertos por el virus y dieciocho personas asesinadas por las fuerzas de seguridad por no respetar el confinamiento.

Bangladés, donde estaba haciendo un reportaje unas horas antes de que Francia cerrara sus fronteras, acumulaba toda clase de calamidades; allí la gente moría de dengue, de cólera, por la peste, la rabia, la fiebre amarilla y virus desconocidos; pero en cuanto se detectaron algunos casos de COVID-19, todo el país, como una sola alma, se sumó al confinamiento. Y, en verdad, todo el planeta —tanto países ricos como pobres, los que podían aguantar y los que se van a desmoronar— se ha abalanzado sobre la idea de una pandemia inédita que está a punto de exterminar al género humano.

¿Entonces? ¿Qué ha podido suceder?

¿La viralidad no solo del virus, sino del discurso en torno a él?

¿Ceguera colectiva como en la novela de Saramago en la que una misteriosa epidemia condena a la ceguera a una ciudad entera?

¿Victoria de los colapsológos que desde hace tiempo predecían el fin del mundo y decían que veían cómo asomaba la nariz, y ahora nos dan una última oportunidad para hacer enmienda y poner el contador a cero?

¿La de los amos del mundo que ven en este gran confinamiento —traducción del «gran encierro» sobre el que teorizaba Michel Foucault en los textos donde esbozaba los sistemas de poder del futuro— la repetición general de un nuevo tipo de requerimiento o una nueva manera de hacer entrar en razón al cuerpo?

¿Un Gran Terror, como el de 1789, con su correspondiente ración de noticias falsas, conspiraciones, huidas desesperadas y, un día, asonadas sin esperanza?

¿Lo contrario? ¿La señal, tranquilizadora, de que el mundo ha cambiado, de que por fin considera que la vida es sagrada y que, entre ella y la economía, ha elegido la vida?

¿O todo lo contrario? Una pérdida colectiva del control, agravada por las cadenas de medios de comunicación y las redes sociales, que, con su habitual matraca, día tras día, con las cifras de recuperados, de enfermos graves y de muertos, nos han situado en un universo paralelo donde no existía nada más en ningún rincón del mundo, ninguna noticia que no fuera esa y que, literalmente, nos han hecho enloquecer. ¿Acaso no es ese el funcionamiento de la tortura china? ¿No ha sido demostrado que el sonido de la gota de agua, repetido de manera indefinida, se convierte en un amenazante dragón? ¿Cómo reaccionaríamos si la Dirección General de Tráfico se atreviera a colocar a cada kilómetro un altavoz gigante que anunciara, en bucle, los accidentes mortales en carretera de la jornada?

En estas semanas, he tenido en la mesita de noche, siempre valiosísimo, el Discurso de la servidumbre voluntaria de Étienne de La Boétie.

Me han acompañado, para intentar pensar esta singular sumisión mundial a un acontecimiento que, repito, ha sido trágico, pero de ningún sin precedentes, mis recuerdos de René Girard y de su deseo mimético, que también es un virus y que, como todos los virus, causa pandemias.

También de Jacques Lacan, quien planteaba que, frente al surgimiento de un «punto de real», uno verdadero, que nos choca y contra el que nos chocamos, que deja un hueco en el saber y del que no hay imagen (¿acaso no es lo que sucede con cualquier virus nuevo, sea cual sea?), la humanidad tiene dos opciones: la negación y el delirio, la neurosis y la psicosis; Trump y su berrinche diciendo que hay que «liberar Michigan» o los gobernantes inquietos por la amenaza, abanderada por colectivos de abogados, de un «Núremberg del coronavirus» y que consideran más prudente poner el mundo en pausa.

Era demasiado pronto para cortar en seco.

Hoy, todavía, mientras escribo estas líneas y el mundo empieza a «desconfinarse», es demasiado pronto no solo para descifrar el código del virus, sino del pavor que ha suscitado.

Y yo, que también tengo mis muertos a los que no he acabado de llorar, no tengo ánimos para reírme con la risa brechtiana que, quizá, algún día, nos inspirará todo este espectáculo protagonizado por la distancia social ante nuestra atónita mirada.

Sin embargo, ya es hora de hablar de los efectos que ha tenido la pandemia en nuestra sociedad y en nuestro espíritu.

Sin embargo, ya es hora de hablar de lo que se ha puesto en marcha tanto en eso que nos une como en lo más oscuro y profundo de nosotros mismos.

Es cierto que, como le gustaba decir, no sin un deje de ironía, a aquel médico alemán de finales del siglo xix, padre de la anatomía patológica, Rudolf Virchow, «una epidemia es un fenómeno social que conlleva algunos aspectos médicos».Ya ha llegado el momento de tomar las riendas de la mente e intentar describir algunos de los aspectos no médicos de esta historia.

Algunos son hermosos.

Hemos vivido momentos de auténtico civismo y solidaridad.

Y nunca celebraremos lo suficiente que la sociedad, por fin, se haya dado cuenta no solo de la existencia, sino de la eminente dignidad de un pueblo de humillados (personal sanitario, cajeros y cajeras, agricultores, transportistas, barrenderos, libreros…) que, esta vez, han salido de las sombras.

Pero hay otros aspectos menos amables.

Se han dicho palabras, se han adoptado costumbres, han vuelto reflejos que me han horrorizado.

Los principios que yo defendía y que son lo mejor de las sociedades occidentales se han visto atacados tanto por el virus como por el virus del virus mientras moría la gente.

Y como las ideas también morían, ya que viven de la misma materia que los seres humanos —y como es posible que haya rebrotes—, esas ideas se han quedado varadas en la orilla, igual que medusas muertas, han desaparecido sin dejar rastro, porque estaban, como nosotros, hechas casi al completo de agua. En este texto, trataré de defender esos ideales.

Primer Pavor Mundial (igual que se dice de la guerra): balance de etapa.

Como ahora lo que se lleva son los recuentos, aquí presentaré no un balance estadístico, sino uno más difícil de calcular (¿acaso no dice la ley del estupor que, cuando más duro es el golpe, más alterada se ve la capacidad de razonar?): el recuento de los golpes que han sufrido, durante esta extraña crisis, nuestras metafísicas íntimas: no es demasiado pronto para esta batalla y ya no les corresponde ni a los políticos ni a los médicos la responsabilidad o el riesgo de librarla.

 

[Fuente: http://www.elcultural.com]

As casas máis queridas da raíña do fado, en Lisboa e no Alentejo, son palco dun amplo programa de concertos e actos

A cantante Amália Rodrigues

Por BEGOÑA ÍÑIGUEZ

Amalia dá Piedade Rebordãou Rodrigues, coñecida universalmente como Amália Rodrigues, cumpriría este xoves cen anos. Por devandito motivo, Portugal envorcouse para homenaxear e lembrar á gran dama do fado, quen conseguiu situalo no Olimpo da música e que o mundo enteiro recoñecese a través da súa voz inigualable e a súa garra, a calidade, orixinalidade e beleza deste estilo musical, que desde o 2011 é patrimonio da humanidade.

A pandemia do coronavirus non impediu que ao longo das últimas semanas, e especialmente os últimos días, celébrense diferentes concertos e actos para lembrar a súa figura e a súa música, aínda que si obrigou a modificalos e adaptalos ás normativas impostas pola Dirección Xeral de Saúde lusa. Por devandito motivo decidiuse que o seu fogar de Lisboa, na Rua de Sãou Bento, que hoxe alberga, na parte de abaixo, a fundación que leva o seu nome, e o seu refuxio do Alentejo, xunto ao mar, en Brejãou, Odemira, sexan os lugares escollidos para celebrar estes concertos, sen apenas público, retransmitidos a través das redes sociais e de Rádioa Televisión Pública Portuguesa (RTP). Ambas as residencias están abertas ao público, conservan a súa esencia e axudan a coñecela máis.

«O centenario do nacemento de Amalia serviu para póla no lugar que se merece, non só artisticamente, senón persoalmente e ideoloxicamente», afirma o poeta e político Manuel Alegre, un histórico do Partido Socialista Portugués, quen estes días, ademais de recitar algunha das cancións que escribiu para ela, quixo dar por resoltas as acusacións de conivencia co réxime do ditador Salazar, vividas pola fadista tras a revolución dos Caraveis, de abril de 1974, que motivaron que ata 1995 colocásella de lado e non fixese practicamente ningún concerto en territorio luso. Os anos demostraron que a cantante non foi afín ideoloxicamente a Salazar, axudou en segredo á resistencia ao réxime e ao Partido Comunista Portugués de Álvaro Cunhal, cando estaba na clandestinidade, como confirmou, en 1999, o Nobel de literatura José Saramago, quen foi durante moitos anos membro do PCP.

Casa museo da cantante consérvase con recordos da súa vida artística e persoal. BEGOÑA ÍÑIGUEZ

A casa de Lisboa

A casa da Rua de Sãou Bento está hoxe tal e como a deixou Amália, cando morreu repentinamente dun ataque ao corazón, en outubro de 1999. O acolledor salón vivido, cheo de cadros da artista, recordos de múltiples viaxes, guitarras, era onde moitas noites acollía e reunía a tantos músicos e intelectuais da súa época. O seu vestidor e cuarto de costura, onde a súa modista lle facía os marabillosos traxes cos que actuou nos mellores teatros do mundo, a súa bixutería, o seu cuarto, onde faleceu, cos crucifixos e imaxes que mostran a gran fe que nunca a abandonou. Ata os lugares máis íntimos, como os cuartos de baño, cos seus perfumes, e a cociña cun ampla fiestra cara ao xardín, pódense visitar por calquera que desexe coñecer á muller por detrás da artista e saber un pouco máis da súa vida.

Desde o pasado mes de abril cantaron semanalmente no salón da casa de Amália en Lisboa os máis importantes fadistas do momento, que se consideran os seus discípulos e non esconden a súa admiración por ela. Camané, Ana Moura, Kátia Guerreiro, Marco Rodrigues, Fábia Rebordãou ou Ricardo Ribeiro, por citar só algúns deles, emocionáronse coa súa música, na súa sala de estar, onde o seu espírito segue máis presente que nunca. Eses concertos que puideron ser vistos por todos os portugueses a través da televisión pública lusa, tras cambiarse de formato, xa que inicialmente estaban previstos en grandes auditorios de todo o país con presenza de moito público.

A praia que leva o nome da cantante. BEGOÑA ÍÑIGUEZ

O refuxio alentejano xunto ao mar

Se hai un lugar no que Amália sentíase libre e podía desconectar de todo e de todos era o seu refuxio de Brejãou, a poucos quilómetros de Zambujeira do Mar, na costa alentejana, onde pasaba longas tempadas, faleceu o seu segundo marido, o enxeñeiro luso-brasileiro César Seabra Rangel, en 1997, e onde viviu as semanas previas á súa morte, o 6 de outubro de 1999. A localización da casa é espectacular, con vistas ao mar e aos impoñentes cantís da Costa Vicentina, cun acceso privado á praia que leva o seu nome, que tanto lle gustaba.

Esta noite a ministra de Cultura, Graça Fonseca, presidirá no espectacular xardín da vila o concerto de homenaxe, no que actuarán, entre outros, Kátia Guerreiro, Ana Moura, Marco Rodrigues e Fábia Rebordãou. Os actos foron organizado polo Concello de Odemira, ao que pertence a casa.

As homenaxes para conmemorar o centenario do nacemento de Amália Rodrigues comezarán esta mañá cunha misa na súa memoria, na Igrexa de Sãou Vicente de Fora de Lisboa. Pouco despois, a ministra de Cultura presidirá en Panteón Nacional, onde se atopan depositados os seus restos, o lanzamento dunha serie de selos conmemorativa do centenario de Correos de Portugal. Tamén este venres a discográfica Valentim de Carvalho pon á venda cinco cedés recompilatorios que inclúen gravacións inéditas da fadista en París, dentro do proxecto da obra completa de Amália Rodrigues (1920-1999), coordinado por Frederico Santiago.

 

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Hi ha dos tipus de llibres, segons Saramago: els que serveixen per adormir-se i els que ens desperten. Aquest volum es decanta, decididament, apassionadament, per la segona opció. Per despertar-nos la curiositat i obrir-nos els ulls a escriptors, gèneres i èpoques ben diverses que enriqueixen la nostra cultura i segueixen interpel·lant-nos, commovent-nos i fascinant-nos amb força a través del temps. Les grans històries interessen sempre. I els clàssics estan reblerts de grans històries. Llegir és tornar a néixer, sortir a l’encontre d’allò que està a punt de ser i encara ningú sap què serà. Un viatge, una aventura, un procés d’exploració i d’aprenentatge que Laura Borràs guia amb entusiasme per compartir experiències de lectura. Les obres mestres d’Èsquil, Kafka, Joyce, Balzac, Ausiàs Marc o Maria-Mercè Marçal ens aporten les claus d’entrada per comprendre i gaudir d’algunes de les millors creacions de la humanitat. Llegir, llegir, llegir sempre! Perquè llegint concedim significat a tot allò que ens envolta.

Biografia de l’autora

Laura Borràs I Castanyer (Barcelona, 1970) és autora de Per què llegir els clàssics, avui (Ara Llibres, 2011), Dos amants com nosaltres (Ara Llibres, 2012) i Clàssics moderns (Ara Llibres, 2013). Ha col·laborat en diversos mitjans de comunicació com a experta en literatura. Entre altres càrrecs públics, ha estat diputada al Parlament de Catalunya i al Congrés dels Diputats d’Espanya, consellera de Cultura de la Generalitat de Catalunya, directora de la Institució de les Lletres Catalanes i és professora de Teoria de la Literatura i Literatura Comparada a la Universitat de Barcelona. Va guanyar el premi Atlàntida 2010 per la seva tasca en favor de la promoció de la lectura al programa Els matins de TV3.

Títol: El poder transformador de la lectura
Autor: Laura Borràs
Editorial: Ara Llibres
Pàgines: 288
ISBN: 978-8417804367

 

[Font: http://www.racocatala.cat]

Ensayista, novelista, poeta, periodista y dramaturgo, premio Nobel de Literatura en 1998, es uno de los grandes representantes de la literatura portuguesa y su obra sigue interpelando y sumando lectores.

 Escrito por Emilia Racciatti

Ensayista, novelista, poeta, periodista y dramaturgo, José Saramago, premio Nobel de Literatura en 1998, es uno de los grandes representantes de la literatura portuguesa y, a diez años de su muerte, su obra sigue interpelando y sumando lectores con una prosa que indaga en la responsabilidad moral de los humanos.

A comienzos de la pandemia, una de sus más emblemáticas novelas « Ensayo sobre la Ceguera », sobre el egoísmo de la sociedad ante la posibilidad de perder la vista, en una suerte de epidemia inexplicable que causa pánico y que intenta ser controlada pero prevalece el caos y la decadencia de los valores, se convirtió en uno de los libros más vendidos en IBS, empresa editorial con distribución de libros en formato físico y digital. Como correlato, en Amazon se posicionó en el quinto lugar de más vendidos, con un incremento de 180 %.

En ese libro, publicado en 1995, tres años antes de ganar el Nobel de Literatura, el portugués hacía referencia a una pandemia de ceguera blanca que se extiende por todo el mundo y aseguraba que se trataba de una “novela que plasmaba, criticaba y desenmascaraba a una sociedad podrida y desencajada”.

Nacido el 16 de noviembre de 1922 en Azinhaga (Ribatejo, Portugal) como José de Sousa, fue criado en un barrio popular de Lisboa y fue su madre quien le regaló su primer libro, « Misterio en blanco », de Joseph Jefferson Farjeon.

Al inscribirse en la escuela primaria se descubrió que por error se incluyó en su certificado de nacimiento el apodo familiar, Saramago, como apellido y de esta forma, José se convirtió en el primer Saramago de la familia Meirinho Sousa.

A los 15 años, obligado a dejar sus estudios por falta de medios, comenzó a trabajar como cerrajero, más tarde lo hizo en una caja de pensiones y luego llegaron a su vida el periodismo, la labor editorial y la traducción.

Saramago fue colaborador de diversos periódicos y revistas, codirigió el Diario de Noticias en 1975 y su compromiso político lo llevó a militar en el Partido Comunista Portugués, por lo que sufrió censura y persecución durante la dictadura de António de Oliveira Salazar.

En 1974 se sumó a la Revolución de los Claveles, que recibió su nombre tras inundar las calles de Lisboa con claveles rojos en la boca de los fusiles del ejército en vez de balas, y dio fin a 46 años de dictadura de Salazar.

Su primera novela, « Tierra de pecado », la publicó en 1947 y fue después de casi dos décadas que llegó la publicación de « Los poemas posibles » y en 1970 « Probablemente alegría », colecciones de poesías con las que logró renovar el lenguaje poético tradicional.

Su producción literaria marca un hito en 1975 con « El año 1993 », un libro compuesto por 30 poemas que podrían ser 30 capítulos en los que Saramago describe, de manera realista y, a su vez, metafórica, la ocupación de un país por un invasor despiadado.

Novelas como « Manual de pintura y caligrafía » (1976), « Alzado del Suelo » (1980), « El año de la muerte de Ricardo Reis » (1984) y « La balsa de piedra » (1986) y el libro de cuentos « Casi un objeto » (1978) se sumaron a su prolifera producción de ficción.

Su obra de los últimos años incluye novelas, diarios y otras publicaciones, entre las que se destacan « Historia del cerco de Lisboa » (1989), « Todos los nombres » (1997) y la obra teatral « In nomine Dei » (1993).

En 1991 publicó uno de sus trabajos más reconocidos « El evangelio según Jesucristo », por el que recibió el Gran Premio de Novela de la Asociación Portuguesa de Escritores y el Premio Brancati (Zafferana, Italia), fue nombrado doctor honoris causa por la Universidad de Sevilla, y el Gobierno francés le concedió el título de « Chevalier d’Honneur des Arts et des Lettres ».

Fue en 1994 cuando se conoció el primer volumen de « Cuadernos de Lanzarote », ingresó en la Academia Universal de las Culturas (París), en la Academia Argentina de Letras y en el Patronato de Honra de la Fundación César Manrique (Lanzarote).

Al año siguiente fue el momento de la emblemática « Ensayo sobre la Ceguera », primera entrega de su trilogía sobre la identidad del individuo, y el segundo volumen de « Cuadernos de Lanzarote ».

Saramago fue en 1998 el primer y hasta ahora único escritor portugués en recibir el Premio Nobel de Literatura por una obra sostenida « por la imaginación, la compasión y la ironía », según señaló la Academia Sueca en su fallo.

« No esperaba el premio. La esperanza de conseguir el Nobel disminuyó a medida que se los iban dando a otros autores. ¡Imagínense que me hubiera quedado en Frankfurt y se lo hubieran dado a otro escritor! No solo habría perdido el billete de avión, sino que me habría sentido humillado », contó en ese momento a la prensa al recibir la noticia.

El escritor portugués tenía un boleto para regresar a Madrid a las 12.55 horas, justo cinco minutos antes de que se anunciase el galardón en la Feria del Libro de Frankfurt, y se fue al aeropuerto pero su editor lo convención y regresó al evento.

« Escritores, autores, colegas, tengo que deciros que el premio es vuestro, soy uno de los vuestros. Lo dedico no solo a los portugueses sino a todos los que escriben en portugués », dijo sobre el galardón.

En 2014 se publicó « Alabardas », la novela que dejó inconclusa unos meses antes de morir en 2010, en una edición de lujo con ilustraciones de Günter Grass y textos de Roberto Saviano y Fernando Gómez Aguilera, que permite explorar otra huella perdurable del genio del portugués que hasta sus últimos días exploró en su prosa la responsabilidad moral de los humanos.

En sus últimos años produjo « Las pequeñas memorias » (2006), que se sumó a obras como « La caverna » (2000), « El hombre duplicado » (2002), « El viaje del elefante » (2008) o « Caín » (2009).

La huella narrativa de Saramago puede encontrarse además en « La balsa de piedra » (1986), « Historia del cerco de Lisboa » (1989), « El Evangelio según Jesucristo » (1991), « Casi un objeto » (1994), « Viaje a Portugal » (1995), « Todos los nombres » (1999), « La caverna » (2001), « El hombre duplicado » (2003), « Ensayo sobre la lucidez » (2004), « Poesía completa » (2005) y « Las intermitencias de la muerte » (2005).

En 2018 se conoció « El cuaderno del año del Nobel », el último volumen de los diarios del escritor con sus pensamientos y algunas de sus escenas cotidianas con textos que comienzan el 1º de enero de 1998 y finalizan con dos entradas en 1999.

El escritor pasó sus últimos años en la isla de Lanzarote, España, junto a su esposa, la periodista y traductora española Pilar del Río, quien preside la Fundación que lo homenajea y funciona en la Casa dos Bicos, en Lisboa.

El legado del escritor fallecido el 18 de junio de 2010 fue donado, en 2017, a la Biblioteca Nacional de Portugal para cumplir con su voluntad y de esa manera, originales de sus novelas, tanto manuscritos como mecanografiados, correspondencia intercambiada con amigos y otros escritores, así como cuadernos de notas preparatorias para los libros permanecen en Portugal y convierten a los portugueses en sus herederos.


[Fuente: http://www.telam.com.ar]

Alén da paixón pola lingua e a literatura en todas as súas formas, desde o ensaio até a poesía, desde os romances até o xornalismo… Alén do compromiso social e político que tanto os caracterizaban, Ricardo Carvalho Calero e José Saramago partillaban un mesmo espazo astrolóxico, os dous son « escorpianos ». E ao igual que acontece coa obra de Saramago, unha das facetas menos coñecidas de Carvalho Calero é tamén a poética. 

O autor de ‘Scórpio’, nun dos numerosos actos públicos que encabezou.

Un artigo de Rafael Fernández Lorenzo

SIGNO DE ESCORPIÃO. Para ti, saberás, não há descanso, / a paz não é contigo nem fortuna: / O signo assim ordena. / Pagam-te os astros bem / por essa guerra: / por mais curta que a vida for contada, / não a terás pequena. (Saramago, 1985, páxina 28).

Ao pouco de coñecer que a RAG dedicaba o Día das Letras Galegas a Carvalho Calero quixen recuperar da miña memoria o ilustre polígrafo e procurei nos andeis da miña biblioteca algún dos seus libros. Nun estante polo que non transito habitualmente atopei Scórpio, o romance publicado no ano 1987 pola editorial Sotelo Blanco e galardoado co Premio da Crítica Española para narrativa en galego. Unha novela moi elaborada a partir de elementos claramente autobiográficos que baixo un enfoque literario polifónico constrúe a identidade do protagonista con retallos doutras personaxes, acadando un resultado final atraente e moi orixinal. Afondei algo máis na obra do ferrolán e axiña me decatei do seu enorme legado. Foi un escritor moi prolífico, cunha inxente traxectoria intelectual e profesional fortemente alicerzada. Un universo enteiro ignorado e silenciado por escuros poderes molestos coa súa firme actitude a favor do reencontro da familia lingüística galego-portuguesa. Un universo enteiro que agardaba ser descuberto, malia que nunca estivo agochado. 

A obra de Carvalho Calero abrangue todos os xéneros literarios, mais destaca o eido ensaístico

Carvalho Calero e Saramago eran « escorpianos » e, segundo a astroloxía, os individuos nados baixo ese signo, polo mero feito de vir ao mundo nunhas datas concretas, posúen unha serie de características que moldearán a súa personalidade cuns parámetros estandarizados por moreas de crenzas, supersticións e rituais propios do pensamento máxico que se remonta cando menos ao terceiro milenio a. C.  Á marxe das particularidades casuísticas, somos proclives a tender pontes para esclarecer e satisfacer as nosas necesidades, remediando asuntos que non teñen solución, cunha linguaxe simbólica que mediante recursos plásticos, lingüísticos, sonoros e corporais pretende encher os baleiros espirituais. En palabras de Picasso: « a arte é a mentira que nos axuda a ver a verdade ».

A obra de Carvalho Calero abrangue todos os xéneros literarios, pero é máis copiosa no eido ensaístico, no que deixou obras de referencia obrigada. Unha das súas facetas menos coñecidas é a poética, malia que el mesmo confesou que o máis íntimo da súa personalidade estaba reflectido na súa poesía. Precisamente, noutro estante a carón da fiestra, nun espazo que teño reservado ao xénero lírico, dei cun poemario titulado Reticencias, publicado postumamente por Sotelo Blanco en 1990, e logo de maneira sucesiva, unha detrás doutra, foron caendo nas miñas mans as súas obras procedentes de diferentes lugares, e fiquei abraiado coa súa incríbel biografía. A medida que ía esvarando polas ringleiras dos seus libros caía na conta da lóxica esmagadora desenvolvida nos seus numerosos e concienciudos ensaios e cheguei a  interiorizar aquela sentenza que repetiu unha e outra vez ao longo da súa vida: « a única esperanza para a supervivencia do galego está na unidade lingüística galego-portuguesa » nunha concordia lingüística que integre a peculiaridade do pobo galego sen subordinar a identidade da nosa idiosincrasia como nación e como pobo.

No espazo que hai entre Escorpio e Saxitario atópase a constelación de Ofiuco (o encantador de serpes) á que xa cualifican como un novo signo zodiacal. O recente bautismo dunha estrela amarela anana dun tamaño semellante ao do sol co nome de Rosalia de Castro e o seu exoplaneta HD 149143 b, agora Río Sar, nesa mesma galaxia,  puxo na palestra cósmica á escritora máis universal da Galiza.

Os maios xa están de camiño guiados por un astro resplandecente, convencidos de que algo grande vai acontecer. Aproveitando que este novo ano 2020 as Letras son para Carvalho Calero e o grao de luminosidade do ceo azul pode mudar a súa cor coas nosas propias palabras: ruboricémola fala até que madureza no horizonte cunha liña encarnada. O signo assim ordena.

[Fonte: http://www.nosdiario.gal]

Voz da revolução e autor de temas como « Menina d’Olhos de Água », Pedro Barroso tinha 69 anos.

Póvoa de Varzim, 25/04/2015 – Concerto de Pedro Barroso no Cine-Teatro Garrett marca o regresso deste musico aos palcos, após um período sabático, de cerca de um ano, provocado por problemas de saúde.

Escrito por Maria João Caetano

Viva quem canta/ Que quem canta é quem diz/ Quem diz o que vai no peito/ No peito vai-me um país »

Lemos estas palavras de Pedro Barroso e lembramos a sua voz e o entusiasmo com que as costumava cantar. O músico Pedro Barroso, autor, compositor e cantor, conhecido por temas como Viva Quem CantaMenina dos Olhos de Água e Cantarei morreu aos 69 anos, em Lisboa, esta segunda-feira à noite.

O filho, Nuno Barroso, confirmou no Facebook.

Pedro Barroso encontrava-se internado « em fase terminal » desde o passado dia 7 de março, segundo informou o seu filho na altura, também numa publicação no Facebook:

Nascido em 1950 em Lisboa, com os pais professores, Pedro Barroso cresceu em Riachos, Torres Novas, formou-se em Educação Física e foi professor do ensino secundário durante mais de 20 anos. Também estudou, mais tarde, Psicoterapia Comportamental e trabalhou na área da saúde mental e da musicoterapia. Foi pioneiro no ensino de crianças surdas-mudas numa escola de ensino especial em Lisboa. Também era pintor, assinando as suas obras artísticas como Pedro Chora.

No entanto, foi como músico que se tornou conhecido do grande público ao participar, no final de 1969, no programa Zip Zip, apresentado por Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz. No programa cantou Pedido de MeninoCanção de Amigo e Toada da Vida. « Eu fazia canções desde os meus 14 anos, comecei até por fazer em francês », recordou numa entrevista recente ao site Medio Tejo, tendo surgido a oportunidade dos « baladeiros – chamavam-nos baladeiros na altura porque consideravam tudo como baladas » irem ao programa. No ano seguinte, lançou o seu primeiro EP, intitulado Trova-dor, produzido por Thilo Krassman, que tinha conhecido no Zip Zip.

Os seus temas eram de intervenção e muitas vezes teve problemas com a censura e foi obrigado a alterar as suas letras.

No Teatro Experimental de Cascais, sob direção do encenador Carlos Avilez, participou como ator nas peças Fuenteovejuna, de Lope de Vega, e Breve Sumário da História de Deus, de Gil Vicente, ao lado de José Jorge Letria e António Macedo.

Após o 25 de abril, Pedro Barroso integrou as campanhas de dinamização cultural e cantou por todo o país, « em sítios onde nem eletricidade havia, onde nunca sequer tinham visto um microfone », como recordou numa entrevista ao DN em 2005. Foi « o tempo da libertinagem intelecto-revolucionária que hoje nos faz sorrir um pouco », contou. « Íamos explicar às pessoas a luta pelo multipartidarismo, a luta pela liberdade », pelo fim do analfabetismo e da ditadura.

Cantarei foi escrito nessa altura. Nesse tema, Pedro Barrosos prometia: « Cantarei, cantarei/ à chuva ao sol ao vento ao mar/ seara em movimento/ ondulante, sem parar ».

Depois de dois singles1.º de Maio e Pastilhas Reacção, com arranjos de Pedro Osório e de Jorge Palma, respetivamente, editou em 1976 o primeiro álbum, Lutas Velhas Canto Novo, pela Diapasão. Desde então, foi sempre editando discos (mais de 30, no total), maioritariamente com canções completamente suas ou com poemas de nomes como José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andresen, Sá de Miranda ou Cesário Verde.

O álbum Quem Canta Seus Males Espanta foi editado em 1980. A Canção Para O Rio Almonda seria distinguida com o Troféu Karolinka no Festival Menschen und Meer, realizado na antiga RDA, em 1981.

Em 1982, participou no Festival da Canção da Rádio Comercial com Cantar Brejeiro e em 1983 obteve um grande sucesso com a canção Ai Consta. 1987 foi o ano do disco Roupas de Pátria Roupas de Mulher e do sucesso Menina dos Olhos d’Água.

Em 2004 celebrou os 35 anos de carreira com a edição do CD Navegador do Futuro. Em 2008 lançou o disco Sensual Idade, sobre os seus 40 anos de carreira.

Em dezembro do ano passado, já doente com cancro, deu um concerto no Teatro Virgína em Torres Vedras, em que assinalava os 50 anos (exatos) da sua carreira e o fim da mesma. « Respeitou-se a data de 21 de dezembro exatamente 50 anos – na hora e no dia da minha estreia no velho Zip Zip« , explicou na sua página de Facebook. « A condição física, após mais um ano de tratamentos médicos, impede-me de tocar; e, mesmo na parte de canto, canso-me ao fim de minutos », disse Pedro Barroso na altura.

E num balanço do que foi: « Não frequentei os sítios que era preciso e dava jeito para ser frívolo, colunável e bajulado diariamente no medíocre social de referencia. Mas é bom, ao mesmo tempo, estar aqui de cabeça erguida, 50 anos de ideias, música e palavras convividas ».

« Cesso atividade como músico, não me retirando obviamente, nem como homem das ideias, nem das artes, nem das palavras. E da diferença. Não abandono a intervenção critica, nem a cidadania, pelo menos enquanto o ultimo neurónio mo permitir », disse na altura, no Facebook. « A minha vida foi um privilégio. Uma festa compartilhada », concluía.

Ao Medio Tejo dizia, em dezembro passado: « Quando somos jovens estamos convencidos da nossa eternidade. Não há horizonte, é planetário. Nunca vamos acabar, vamos ter sempre o tempo todo do mundo. E ao mesmo tempo saber que não temos todo o tempo do mundo catalisa-nos para uma seleção de prioridades, que é útil. Com a idade aprendemos a aligeirar a carga dos inúteis ».

« Espero que me lembrem pelas coisas profundas e sérias e poeticamente mais perfeitas que fiz », comentava, reconhecendo o receio de que a memória se agarre apenas a partes avulsas da sua obra. « A obra é sempre muito mais importante que o autor. A obra fica. A obra é que é importante ».

Póvoa de Varzim, 25/04/2015 – Concerto de Pedro Barroso no Cine-Teatro Garrett marca o regresso deste musico aos palcos, após um período sabático, de cerca de um ano, provocado por problemas de saúde.

[Fotos: José Carlos Marques/ Arquivo Global Imagens – fonte: http://www.dn.pt]

A delegação do Instituto Camões na cidade de Praga regista um interesse cada vez maior. Tem neste momento 140 alunos com idades dos 17 aos 70 anos

Professores do Instituto Camões na República Checa

Escrito por Maria João Costa

As prateleiras da biblioteca da delegação do Instituto Camões na cidade de Praga têm livros de autores como José Saramago, Ruben A., José Luis Peixoto e Gonçalo M. Tavares mas também os brasileiros Jorge Amado ou Clarice Lispector. É aqui, entre os escritores, os melhores guardiões da língua de Camões, que é notado um cada vez maior interesse pela aprendizagem do português.

Quem nos recebe são cinco dos seis professores que aqui trabalham. Dois deles são portugueses, a Sofia Sousa e o Sérgio Oliveira, as outras três são checas que falam fluentemente português.

Stepanka Hulakova é uma dessas seis professoras, e explica-nos que a delegação do Instituto Camões funciona nas instalações da Faculdade de Letras de Praga e tem registado cada vez maior procura. Porquê? Stephanka apressa-se a responder: “Portugal está na moda. Notamos essa tendência, as pessoas viajam cada vez mais e tenho estudantes que já compraram ou vão comprar casa nos Açores ou no Algarve, e querem aprender a língua para viver em Portugal.”

Razões familiares também as há, mas isso Stepanka explicará mais à frente. Entretanto, diz-nos que têm um total de 140 alunos. Entre esses há também uma “minoria” que são portugueses que procuram o Camões em Praga para aprender a língua checa.

São sobretudo, “estudantes da licenciatura de medicina aqui em Praga”, refere esta professora, que explica que os cursos livres juntam alunos de idades muito diferentes. “A aluna mais nova tem 17 anos e a mais velha 70”, diz Stepanka Hulakova, que logo de seguida acrescenta que “a senhora mais velha tem uma filha casada com um português e quer falar com o genro”, por isso anda a aprender português. “Há motivações diversas”, admite com um sorriso esta checa que fala português sem enganos.

Tudo é incentivo a aprender a língua de Camões e na República Checa aprende-se português em várias atividades promovidas a cada semestre pelo Instituto Camões. Não é só nas aulas. Têm uma “escolinha” para os mais novos onde desenvolvem atividades como teatro, mas organizam também para os mais velhos torneiros de, imagine-se, “voleibol de praia”, sim, “praia” confirma Stepanka na cidade de Praga banhada pelo rio Moldava.

Renascença está em Praga a convite do Festival Terras Sem Sombra, que este ano tem como país convidado a República Checa e começa no próximo dia 18 de janeiro na Vidigueira.

[Foto da autora – fonte: rr.sapo.pt]

Do Charlie Hebdo à sede do Porta dos Fundos, a liberdade de imprensa ou o humor livre são condições para a liberdade de todos nós.

Escrito por Pedro Filipe Soares

No início da semana, a sede do grupo humorístico Porta dos Fundos foi atacada(link is external) com cocktails molotov. Apesar do início de incêndio, felizmente não há vítimas a registar, seja no interior do edifício ou na rua. A ferida que esta agressão deixou à vista foi a do ataque à liberdade de expressão, a tentativa de assustar e silenciar estes humoristas.

Porta dos Fundos(link is external) é um coletivo humorístico brasileiro mundialmente reconhecido, tendo ganho recentemente um Emmy Internacional(link is external) na categoria de “Melhor Comédia”. No último mês tornou-se o centro do debate público brasileiro devido a um dos seus vídeos, “A primeira tentação de Cristo”(link is external) , que começou a ser exibido a 3 de dezembro pelo serviço de streaming Netflix. Esta rábula humorística mostra Jesus na festa dos seus 30 anos (ou seja, prestes a iniciar sua vida pública), onde é confrontado com a informação que foi adotado e que José não é o seu pai biológico verdadeiro. O ponto mais polémico é a representação de Jesus como homossexual, pois leva um namorado para a festa.

O debate em curso é o que vai às fundações do nosso modelo de sociedade: a liberdade de expressão e uma das suas variantes, se o humor deve ter ou não limites. O ataque com cocktails molotov é apenas o último e o mais violento dos acontecimentos, mas a lista das ameaças já vinha longa: um conjunto de deputados brasileiros(link is external) convocou a Netflix para se apresentar na Câmara dos Deputados sob a acusação de vilipêndio e afronta aos mandamentos constitucionais, foi criada uma petição que já conta com mais de 2 milhões de assinaturas contra a exibição do episódio, foi promovida uma campanha de boicote à Netflix e até Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, afirmou que a “Netflix ataca cristãos”.

A discussão não é sobre bom gosto, sobre as escolhas artísticas do Porta dos Fundos, a qualidade do argumento ou o desempenho dos atores. Se assim fosse, a conclusão era a mais simples de todas “só vê quem quer”, algo que é ainda mais verdadeiro quando estamos a falar de vídeos de uma plataforma de streaming que exige uma assinatura paga para aceder aos conteúdos. E sobre o poder de encaixe exigível a crentes, sou até menos rigoroso do que o novel cardeal Tolentino de Mendonça que reconheceu que “Deus tem sentido de humor, ao contrário dos crentes, muitas vezes”.

A discussão é sobre censura e a sua aceitação em pleno século XXI. É sobre as mentes conservadoras considerarem que quando o tema é religião há limites à liberdade de expressão. Isso é inaceitável e tem um nome: intolerância. E se já a condenamos em tantos outros momentos, como quando aconteceu o ataque ao Charlie Hebdo(link is external) porque se deve agora pensar diferente?

E não tem a ver com concordarmos com o Porta dos Fundos (como não o era se concordávamos com os cartunistas do Charlie Hebdo). Até podemos discordar e isso não diminui em nada a nossa opinião. Aquela frase mal atribuída a Voltaire resume tudo: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito a dizê-lo”. É isso o que eu penso. E se sabemos que essa defesa intransigente tem a responsabilidade de excluir posturas ofensivas à dignidade humana, como por exemplo o racismo, admitir limites ao humor é colocar em causa um dos pilares da liberdade de expressão.

Quase 30 anos depois de Sousa Lara censurar Saramago ou de Herman José ter sofrido na pele a intolerância para com a sua “Última Ceia”, é com tristeza que se constata que a década agora chega ao fim ficou marcada pelos fantasmas que atacam a liberdade de expressão. Do Charlie Hebdo à sede do Porta dos Fundos, a liberdade de imprensa ou o humor livre são condições para a liberdade de todos nós. Face aos acontecimentos, a resposta dos humoristas merece toda a solidariedade. “Não nos vamos calar! Nunca”, afirmou o fundador do grupo Fabio Porchat. E sobre a violência, Gregório Duvivier foi taxativo: “Não temo a violência porque o que eles querem é o medo”. Exemplos da esperança e da persistência que todos temos de construir. O medo e a intolerância não vencerão. Somos todos Porta dos Fundos!

[Fonte: http://www.publico.pt]