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Como país vizinho colocou ditadores no banco dos réus – e reconstruiu a memória coletiva. O exemplo de amor na política das Mães de Maio. Por que acertar contas com o passado é crucial para impedir novos ataques à democracia?

Escrito por Nora Merlin em entrevista a Rosângela Ribeiro Gil

Argentina, 1985, de Santiago Mitre, é um filme obrigatório diante dos tempos distópicos brasileiros. Mostra o que não fizemos em solo brasileiro. O luto coletivo (ainda) não vivido O nunca mais de fato e de direito que por construir. Um pedaço, grande aliás, que ainda falta na nossa democracia. Explica-se: é que em certa “bolha” digital, num misto de chororô e transe, exulta-se, numa adoração psicótica e alucinógena, a volta da intervenção militar de 1964. Precisamos entender como chegamos a isso – e como seguir daqui pra frente. O processo de justiça e reparação argentino – e como ele foi crucial para bloquear novas ameaças de golpismo, como as que o Brasil enfrenta – pode apontar algumas pistas para isso, então troquei impressões com a psicanalista e cientista política Nora Merlin, professora de universidades argentinas.

Afinal, o que calamos sobre o passado nos diz muito sobre o presente – e há uma sucessão de fatos que mostra que ainda não acertamos nossas contas com a história. Em 1979, o Brasil aprovou a lei de anistia, igualando civis perseguidos e militares envolvidos em crimes de sequestro, tortura e desaparecimento de vítimas. Ainda temos inúmeros logradouros e ruas com nomes de militares que integraram o regime de 1964. A nossa Comissão Nacional da Verdade (CNV) só conseguiu ser constituída em 2011, pela presidenta Dilma Rousseff – ou seja, 26 anos depois do fim da ditadura; 377 nomes entre os autores de graves violações aos direitos humanos foram apontados e a maioria deles não foi julgada, muito menos sentenciada. Reiteradamente, nosso presidente da República ainda em exercício elogia torturadores de 1964 e até de outros países, como Alfredo Stroessner, do Paraguai, e Augusto Pinochet, do Chile. E, neste mês, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o Brasil não poderia repetir o que fez a Argentina, que ficou presa na vingança, no ódio e olhava o passado pelo retrovisor.

Já a Argentina, como mostra o filme, colocou suas três primeiras juntas militares no banco dos réus: Jorge Videla, Emilio Massera, Roberto Viola, Armando Lambruschini, Orlando Agosti, Omar Graffigna, Leopoldo Galtieri, Jorge Anaya e Basilio Lami Dozo. O tribunal foi civil e não militar, em nove meses de julgamento, 530 horas de audiência, 839 testemunhas, 709 casos, seis juízes e dois promotores. A sentença, pronunciada em 9/12/1985, condenou Videla e Massera à prisão perpétua com destituição; Viola, a 17 anos de prisão; Lambruschini a 8 anos de prisão e Agosti a 4 anos e 6 meses de prisão, todos destituídos. Graffigna, Galtieri, Lami Dozo e Anaya foram absolvidos.

Isso só foi possível porque a sociedade argentina se organizou, se uniu e se mobilizou em diversas frentes de luta exigindo verdade, memória e justiça. Os argentinos entenderam que a sociedade não poderia prosseguir ou se reconstruir em cima de escombros, cadáveres, desaparecidos e roubos de crianças.

Ato simbólico “Proceda”, que foi a determinação do presidente Néstor Kirchner de retirar quadros de militares genocidas de Clube Militar.

Além disso, no país vizinho a vigília em defesa dos direitos humanos é constante. Em 24/3/2004, por exemplo, o então presidente Néstor Kirchner deu a ordem – que ficou conhecida como Proceda – para a retirada dos quadros dos ditadores Rafael Videla e Reynaldo Bignone da Escola Militar de El Palomar, proferindo: “Senhores integrantes do Colégio Militar da Nação e das Forças Armadas, senhores generais e oficiais superiores: nunca mais, nunca mais, nunca mais a ordem institucional na Argentina terá que ser subvertida. É o povo argentino pelo voto e a decisão do mesmo, quem decide o destino da Argentina; vamos definitivamente terminar com as mentes iluminadas e os salvadores messiânicos que apenas trazem dor e sangue aos argentinos.”

Como disse Julio César Strassera, o promotor principal no caso contra os crimes da ditadura que no cinema é vivido por Ricardo Darín: “Senhores juízes: quero renunciar expressamente a qualquer pretensão de originalidade para encerrar esta requisitória. Quero usar uma frase que não me pertence, porque pertence já a todo o povo argentino. Senhores juízes: nunca más!”.

O que significou o julgamento de 1985 para a Argentina?

Foi uma ação fundamental para a história da democracia argentina. Até aquele momento os militares terroristas, golpistas, da pior ditadura de todas da Argentina, que se constituiu no Terrorismo de Estado de 1976, pretendiam ser julgados pela justiça militar. Importante esclarecer que a Argentina, ao longo de sua história republicana, sofreu muitos golpes de Estado com períodos mais curtos. Mas, sem dúvida, o golpe de 1976 foi o pior porque foi diretamente um terrorismo de Estado, sanguinário. Todo esse genocídio cometido contra o povo argentino pelas Forças Armadas se deu para tornar possível a implantação do projeto econômico neoliberal.

O julgamento dos militares, em 1985, foi uma construção da sociedade civil argentina, representada pelos familiares dos desaparecidos, pelas Mães e Avós da Praça de Maio, pelos artistas, pela juventude. Todos pediam verdade, memória e justiça.

O então presidente Raúl Alfonsín, por decreto, determinou que a hierarquia da Junta Militar, composta pelas três armas das Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica), seria julgada pela justiça civil. Foi um ato inédito e grandioso para a democracia. Foi um impacto enorme em toda a sociedade ver a justiça civil julgando, pela primeira vez, os militares terroristas. Posso dizer que o julgamento de 1985 significou um antes e um depois na história da democracia argentina, que foi refundada baseada na defesa intransigente dos direitos humanos.

O julgamento significou, além da punição aos culpados, a criação, pela via democrática e judicial, de um pacto simbólico que se pode resumir pelas palavras “Nunca mais”. Nunca mais ódio. Nunca mais Terrorismo de Estado.

Importante acentuar que o julgamento dos militares genocidas é um exemplo para o mundo em relação à política em defesa dos direitos humanos e contra o Terrorismo de Estado, considerando que o desaparecimento de crianças não é um crime que prescreve. Nenhum país teve essa consagração em defesa da memória, da verdade e da justiça. É um fato que continua inédito e único no mundo.

Um político, dentro de uma instituição do Estado de Direito na Argentina, poderia fazer apologia à ditadura, à tortura e elogio a qualquer torturador?

Esse ato político e jurídico sedimentou, nos argentinos, o dever de defender a vida e os direitos humanos de todos. Por isso, ninguém se atreve, nenhum político, jornalista, funcionário público, a fazer apologia à ditadura ou elogiar um torturador.

Todavia, estamos vendo crescer vozes do fascismo e da extrema-direita em todo o mundo. Por isso, vemos alguns atores sociais falando abertamente na necessidade de uma “mão dura”. Na Argentina, os que se atrevem a fazer isso são questionados pela sociedade de forma muito incisiva. Ou seja, temos um pacto simbólico ainda muito forte contra o discurso que atente contra os direitos humanos.

O julgamento acontece dois anos após o fim da ditadura militar na Argentina, em 1983. Antes, todavia, uma das primeiras medidas do presidente eleito Raúl Alfonsín foi a criação da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (Conadep), em 15 de dezembro de 1983.

A criação da Conadep teve como objetivo investigar as violações aos direitos humanos. A comissão reuniu pessoas probas, ilustres, confiáveis e dignas da cultura, periodistas, teóricos, escritores, representantes religiosos. Pessoas eticamente indiscutíveis. Ela foi presidida pelo escritor Ernesto Sabato.

A comissão investigou, por quase 10 meses, os crimes dos militares. Ela percorreu todo o país, buscando testemunhos dos sobreviventes, dos familiares e também dos próprios repressores. A comissão também recebeu muitas denúncias sobre centros ilegais de detenção e tortura. Todo esse trabalho, com testemunhos e provas, foi usado também no julgamento de 1985.

O relatório da Conadep foi entregue ao presidente Alfonsín, em 20 de setembro de 1984, e recebeu o nome de “Nunca mais” [Nunca más], que o promotor Julio César Strassera cita em sua alegação final contra os militares. O “Nunca mais” é a refundação simbólica da nossa democracia. Nunca mais violações dos direitos humanos.

Qual a importância da recuperação da memória para uma sociedade? O quanto podemos debitar à falta dessa memória institucionalizada, vamos definir assim, ao rompimento entre passado e presente numa sociedade?

A investigação da Conadep só foi possível porque a sociedade argentina exigiu. Foram ações dos movimentos sociais e de direitos humanos, da Assembleia Permanente pelos Direitos Humanos, do movimento das Mães e das Avós da Praça de Maio, dos filhos buscando seus pais.

Para que haja memória é necessário elaborar um trauma coletivo. Na Argentina, ele se deu com o processo contra o Terrorismo Estado de 1976, quando todo tipo de violação aos direitos humanos foi levantado, provado e julgado.

Terrorismo que criou “os desaparecidos”, crime que surgiu no tempo de [Jorge Rafael] Videla, entre 1976 e 1981. Um crime terrível, porque não se está nem vivo nem morto. Depois toda a tortura realizada nos campos de concentração, que eram centros clandestinos, que havia em todo o país. Roubos de bebês e de filhos.

A memória é fundamental porque os direitos humanos não estão assegurados totalmente, é uma luta permanente, inclusive para as novas gerações. Na Argentina, todo 24 de março celebramos o Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça, para evitar a repetição desse evento traumático.

Graças aos julgamentos temos evitado qualquer ação violenta das Forças Armadas. Neste momento, as Forças Armadas não constituem um perigo para a democracia argentina e não são consideradas como inimigas do povo. Sem vingança, sem ódio e com justiça temos criado um vínculo institucional satisfatório com essas instituições, que compõem o Estado de Direito. Na pandemia, se colocaram a serviço da comunidade com algumas ações importantes, como distribuição de máscara facial, mantimentos e remédios. Mas isso só é possível porque ocorreu o julgamento civil.

Qual foi o papel das mulheres, reunidas no movimento “Mães da Praça de Maio” e das “Avós da Praça de Maio”?

As mães dos desaparecidos eram donas de casa sem formação política, mas elas se transformaram num verdadeiro agente político com a pergunta: onde está meu filho. Elas ajudaram a criar essas demandas por verdade, memória e justiça. Essas Mães e Avós se caracterizaram por terem incluído amor na luta política. Elas não saíram a disseminar o ódio ou a matar os militares. Elas davam e dão voltas ao redor da pirâmide da Praça de Maio, por isso é um sítio histórico de memória de todo o povo argentino. Todas as quintas-feiras até os dias de hoje elas dão volta ao redor da pirâmide pedindo a aparição, com vida, dos seus filhos. [Em 1987, o governo Raúl Alfonsín criou o Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG), que guarda a informação genética das famílias que buscam seus parentes roubados.]

As avós também foram fundamentais nessa luta política que culminou com o julgamento de 1985. Elas pedem pela aparição e a busca de seus netos, que foram roubados e vendidos, em alguns casos, pelos militares.

Muitos netos foram recuperados com essas ações. Inclusive, é a partir da luta das avós que se criou o Dia Nacional do Direito à Identidade [celebrado em 22 de outubro]. Toda pessoa tem direito a conhecer a sua identidade.

Cada neto restituído é uma festa coletiva de toda a Argentina. É um pedaço da história do povo argentino que é recuperado.

As Mães e Avós geraram o que conhecemos como memória coletiva. Quer dizer, a dor que significou o desaparecimento de um filho e de um neto se tornou uma dor coletiva, uma dor socializada. [O trabalho do BNDG e das instituições ligadas a ele conseguiram resgatar, até hoje, 130 netos roubados durante a ditadura. Em junho de 2019, Matías Darroux Mijalchuk foi o último. Calcula-se que cerca de 500 bebês foram sequestrados pelos militares. Com informações do jornal Brasil de Fato, de 12 de junho de 2022]

Pelo menos em três ocasiões, tentou-se anular ou desqualificar o veredicto do julgamento: no próprio governo de Raúl Alfonsín, depois com Carlos Menem. Mais recentemente, em maio de 2017, no governo de Mauricio Macri, a Argentina mobilizou-se contra a sentença da Corte Suprema que apontava para a redução de penas e até para a libertação de centenas de militares condenados por crimes de lesa humanidade durante a última ditadura entre 1976 e 1983.

Em 1987, o presidente Raúl Alfonsín, pressionado, assina o decreto denominado “Obediência devida”, que significava impunidade a alguns membros das Forças Armadas que estavam subordinados aos seus superiores, por isso não eram puníveis por terem agido em virtude de obediência devida. Mas antes, em 1986, houve a chamada Lei de Ponto Final [23.492], que estabelecia a paralisação dos processos judiciários contra os autores das detenções ilegais, torturas e assassinatos que ocorreram na ditadura militar.

Esse retrocesso continuou com a presidência de Carlos Menem, que se dizia peronista, mas que, na realidade, trazia um projeto neoliberal. Foi a segunda onda neoliberal na Argentina, depois dos militares. Em 1989 e 1990, ele declara a anistia que são leis de impunidade, e liberou os criminosos condenados.

Em 2003, quando assume Néstor Kirchner – iniciando o período de 12 anos de kirchnerismo, entre as presidências de Néstor e os dois governos de Cristina Kirchner –, ele retoma ativamente a questão dos direitos humanos, retoma os julgamentos, reabre as investigações e revoga a anistia aos genocidas.

Néstor Kirchner pede perdão, em nome do Estado, ao povo argentino pelos trinta mil desaparecidos.

O que foi a Escola de Mecânica da Armada (Esma) durante a ditadura militar argentina, e o que é a Esma hoje para o povo argentino?

Esta escola de atividades militares foi transformada, no período do terrorismo de Estado, em centro clandestino de detenção, tortura e desaparecimento de pessoas. Graças ao governo de Néstor Kirchner o espaço se transforma num patrimônio de memória e direitos humanos. Nele, são realizadas atividades culturais diversas, como recitais, cinemas, mostras permanentes e itinerantes. Assim como se recupera a Esma, Néstor Kirchner recupera outros centros clandestinos de detenção e tortura e dá novas funções, principalmente as culturais.

Quais são os valores sociais, políticos e humanos que emergem na sociedade argentina com o julgamento de 1985?

O principal está na frase “Nunca mais”, também proferida na alegação final do promotor Strassera. Ela representa um pacto social. Ela tem um valor simbólico de refundação da democracia no país. Nunca mais, golpe de Estado. Nunca mais, terrorismo de Estado. Nunca mais fazer desaparecer um dissidente político.

No tempo atual, esse pacto precisa fazer frente ao discurso de ódio e do avanço do neofascismo. Há pouco tempo, vimos a tentativa de assassinato da maior líder popular da Argentina, a vice-presidente Cristina Kirchner, que já foi nossa presidente.

Como seguimos nos tempos atuais?

Hoje, são novos métodos de guerras políticas que desestabilizam governos, que tentam colonizar a população com discursos de ódio. Na sua essência, estão a favor da morte.

Creio que há de se trabalhar uma lei que regulamente as corporações de comunicação audiovisual e as empresas de tecnologia. E isso não é contrário à liberdade de expressão, porque liberdade de expressão não implica liberdade de ódio. A vida em sociedade requer um pacto social, em que todos renunciam.

Parece-me que o caminho para a desconstrução do discurso de ódio já foi criado e mostrado pelas Mães e Avós da Praça de Maio e que os feminismos nos ensinam, que é o amor político que articula as diferenças.

Há um ovo de serpente porque não se terminou de julgar os genocidas do terrorismo de 1976, porque temos uma justiça cúmplice do poder neoliberal, que vai encaminhando de forma muito lenta as causas e que precisa julgar grupos econômicos e da própria sociedade civil que colaboraram com o genocídio dos militares.

Esse grupo de poder que está concentrado nos meios de comunicação, no poder judiciário e nas corporações econômicas não deixa os governos populares da Argentina trabalharem. Há uma guerra judicial, como o lawfare, que atenta contra a democracia e que é cúmplice dos que não aceitam a política como pluralidade de vozes.

Por último, precisamos atentar-nos principalmente os povos da América Latina, para o poder paralelo que o Poder Judiciário vem projetando, no sentido de transformar-se num “braço” do neoliberalismo e de apoiar vozes contrárias ao Estado de direito, com forte inclinação ao golpismo.

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

Escrito por Edgar Isch L.*

El afán de controlar el pensamiento de los pueblos recorre toda la historia de las sociedades de clases. Así como se domina con la fuerza, se lo hace también y más fuertemente desde el pensamiento. Quienes se apropian del poder no requieren de fuerza cuando los dominados se enajenan al grado de creer que su opresión es normal y adecuada. En ese caso logran una suerte de consenso en favor del sistema, un “sentido común” aparentemente indiscutible.

La lucha en el campo de las ideas tiene esta importancia: o se posibilita un pensamiento libre y crítico o se impone un pensamiento sumiso y acrítico. Su expresión está en todos los campos de la vida social: cuando se busca trabajo y se negocian las condiciones laborales; cuando se recibe un servicio público y se compara con el privado; cuando se educa a las nuevas generaciones; cuando se decide cuáles son las noticias que deben transmitirse y qué ideas se presentan al hacerlo; y muchos más ejemplos que a cada uno se le pueden ocurrir.

Se dice de manera acertada que vivimos una sociedad que es clasista y que además ese clasismo está fortalecido y a su vez alimenta características como el sentido patriarcal, etnocentrista y colonizador de pueblos y la naturaleza. Todo conducido desde el poder que impone de esta forma de pensar. Para lograrlo, utilizan dos vías: difundir sus puntos de vista y su ideología como la única válida (“no hay alternativa”, repetirían continuamente los neoliberales), usando los sistemas educativos, los medios de comunicación, la mayoría de centros religiosos y muchos más instrumentos a su alcance; por otro lado, silencian y atacan a las opiniones críticas al sistema, como sucede en la gran prensa, las películas o en el manejo de los datos en internet, promoviendo más lo siempre promovido.

La prohibición de libros hoy

Una forma de silenciar otras voces ha sido la quema de libros. Y aquí es fácil recordar la inquisición, el nazismo de Hitler, la dictadura de Pinochet o el pedido del anticomunista senador Mc Carthy, quien pidió la quema de 30.000 títulos. Hoy que la derecha gana fuerza en algunos países desarrollados, como una respuesta ante la crisis y posibles levantamientos populares, es cuando estas formas extremas de control del pensamiento tienen lugar.

Lo dominante hoy son las prohibiciones que se van repitiendo. Veamos unos ejemplos, centrados en Norteamérica:

Desde julio 2021 al 31 de marzo de 2022, se ha prohibido 1.586 libros de bibliotecas escolares en 26 estados, afectando la libertad de pensamiento de más de 2 millones de estudiantes. Si bien la decisión no es del gobierno sino de los distritos educativos, se trata de acciones coordinadas por la extrema derecha. Los libros más afectados tienen que ver con la discusión del racismo, la denuncia de la esclavitud, sobre temas relacionados a la comunidad LGBTI, pero se han incluido libros de premios Nobel, textos religiosos, de una víctima del holocausto judío o de Malala, la niña que luchó por la educación contra los talibanes.

Ya a nivel estatal, el Departamento de Educación del Estado de la Florida prohibió 54 textos escolares, incluso de matemáticas, por cuestionar el racismo y esclavitud. El 40% de textos están en revisión de este grupo inquisidor.

En Texas, incluso se llega a colocar el préstamo de esos libros en las bibliotecas escolares como un delito. En Missouri se prohibió el uso de un número especial del periódico New York Times “NYT, 1619 Proyecto”, centrado en la esclavitud en Estados Unidos.

En Canadá la situación no es tan grave, pero en Ontario contra unos 4.700 libros infantiles y hasta el diccionario Webster, siempre con argumentos absurdos. Incluso con pretextos supuestamente contra estereotipos raciales, se ofendió a la libertad de pensamiento quemando (aquí literalmente) ediciones de Asterix o Lucky Luke.

Derecha es limitar las libertades

En general, se trata de empezar en el mundo educativo. Junto a los libros eliminados viene la prohibición de temas en el currículo y en general el silenciamiento de los profesores y profesoras, quienes en los últimos años han realizado varias huelgas superando la legislación represiva. La acción contra el NYT ya habla de un control más fuerte sobre la prensa, aunque al ser la mayoría medios de propiedad de millonarios, la censura previa les garantiza sus mensajes.

La derecha se presenta así como la limitación de las libertades, a pesar que usan la palabra libertad en sus discursos. La libertad que les interesa es la libertad de explotar a los trabajadores, la de apropiarse de los bienes comunes, la de sostener sus intereses por encima de la sociedad.

Estas son solo expresiones de esta gran batalla de ideas. Hay estudios que demuestran las distintas líneas que tiene la búsqueda del control del pensamiento de los pueblos, y la prohibición de los libros solo es una de ellas. El poder capitalista teme las nuevas protestas sociales ante la crisis a nivel global y por ello el incremento de su trabajo en el campo de las ideas. Las fuerzas de izquierda, democráticas y auténticamente progresistas deben presentar los contrapesos suficientes.

* Académico y exministro de Medioambiente de Ecuador. Asociado al Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico (CLAE)

 

[Fuente: http://www.nodal.am]

 

 

 

La escritora colombiana publicó un video sobre el feminismo y los derechos de las personas trans que sabía que podría generar un debate. Pero las repercusiones fueron más profundas y divisivas de lo previsto.

Carolina Sanín autora, profesora y traductora colombiana

Escrito por 
Cuando la escritora colombiana Carolina Sanín describió la tensión que cree que existe entre el feminismo y el activismo transgénero en un video para Cambio, un medio digital, estaba haciendo lo que suelen hacer los columnistas: expresar puntos de vista, sin reservas, sobre un tema de su elección. Sus monólogos previos habían tocado diversos asuntos, desde los pronombres en las redes sociales hasta Cristóbal Colón y la muerte de la reina Isabel II.

Pero con su publicación del 30 de octubre, titulada “La identidad, las mujeres y el mundo siguiente”, Sanín, de 49 años, aterrizó en el centro de lo que definió como una controversia al estilo estadounidense sobre la “corrección política” que ha dividido los círculos literarios en América Latina y que planteó preguntas sobre los límites de la libertad de expresión.

En el video, que era más largo que sus participaciones habituales en Cambio, Sanín expresó su apoyo a los derechos de las personas transgénero, que a menudo son objeto de violencia y discriminación en la región. También dijo que “si se equipara totalmente la identidad de una mujer trans y una mujer que nace mujer” sería como “borrar” la experiencia histórica de ambos grupos y que el activismo transgénero puede reforzar los estereotipos de género.

“Hemos ampliado tanto el ámbito de lo femenino para incluir el mundo como para que ahora las niñas sientan que si no se ajustan completamente a lo esperable de una niña o una adolescente entonces eso quiera decir que, en realidad, son varones”, dice Sanín en el video.

Muchas de las opiniones de Sanín no son diferentes a las expresadas por la autora J. K. Rowling, que han hecho que los actores de las películas de Harry Potter se hayan distanciado de ella. Sus perspectivas también, hasta cierto punto, coinciden con las llamadas creencias críticas de género que se centran en las diferencias entre el sexo biológico y la expresión de género. Sanín ya había escrito sobre algunos de estos temas, especialmente para un artículo publicado en Vice en 2017 titulado “El mundo sin mujeres”, y ha sido etiquetada por algunas personas como una feminista radical transexcluyente (TERF, por su sigla en inglés).

Sanín anticipó que el video podría tener repercusiones en su vida personal y profesional, y así lo dijo al comienzo de la grabación. Al inicio, hubo pocas reacciones. Pero el 4 de noviembre, Sanín tuiteó que Almadía, una editorial que contrató los derechos para publicar dos de sus novelas en México, había cancelado los planes de publicación por sus “cuestionamientos a la política identitaria”.

La controversia estalló cuando escritores de toda América Latina, incluidos algunos de los novelistas más destacados de la región, reaccionaron con vehemencia, aplaudiendo o denunciando la decisión de la editorial, como lo describió Sanín. Almadía no ha respondido a las solicitudes de comentarios ni ha emitido ningún comunicado sobre el incidente.

En Twitter y en algunas entrevistas con medios mexicanos, Sanín insinuó que meses antes de publicar el video había comenzado a tener dudas sobre la situación de su acuerdo con Almadía porque la comunicación con la editorial comenzó a interrumpirse a principios de este año. Dijo que su exagente, quien negoció el contrato, le transmitió la noticia de la cancelación y que el propio editor “nunca le explicó nada”.

Mónica Ojeda, la autora de Mandíbula, obra que está preseleccionada para el 2022 National Book Award for Translated Literature y que toca temas de la feminidad y la adolescencia, tuiteó la frase: “Amando a @Almadia_Edit más que nunca”. Otras personalidades, como la novelista argentina Mariana Enríquez y la escritora mexicana Margo Glantz, cuya obra es referente para el pensamiento feminista en América Latina, cuestionaron la conveniencia de cancelar el contrato de Sanín y expresaron su desacuerdo con la esencia de sus ideas.

“Produce malentendidos que a su vez producen ruido y confusión”, dijo Glantz sobre la cancelación del contrato, y agregó que las opiniones de Sanín se conocen desde hace mucho tiempo. Dijo que los editores de Almadía “siempre han sido impecables” con ella y que considera que Sanín es su amiga.

Cuando Enríquez, quien se ha ganado una reputación como firme defensora de los derechos de las personas transgénero, en parte a través de las representaciones de la sexualidad y la identidad en sus obras, tuiteó su apoyo a Sanín, algunos en Twitter la etiquetaron como una TERF.

El 9 de noviembre, Linterna Verde, una organización sin fines de lucro con sede en Colombia que monitorea la opinión pública en las redes sociales, emitió un comunicado en el que decía que no era posible concluir que la publicación de Sanín hubiera provocado un aumento del lenguaje tóxico hacia las personas transgénero en línea, como lo habían afirmado algunos grupos de defensa. Sanín se negó a hablar con el Times de manera oficial, diciendo que sus puntos de vista habían sido distorsionados y que, por ahora, creía que seguir tratando de explicarse sería contraproducente.

Según Sigal Ben-Porath, profesora de la Universidad de Pennsylvania y autora de Cancel Wars, un libro que se publicará pronto y que se centra en la libertad de expresión en los campus universitarios, el discurso vehemente sobre los temas transgénero tiene sentido, debido a la mezcla de incomprensión y discurso de odio que las personas trans enfrentan a menudo. Ben-Porath dijo que las voces transgénero son “más nuevas y emergentes, y por lo tanto creo que protegen más sus límites”.

“Hay mucho miedo en esta discusión”, comentó Ben-Porath, “temores sobre la seguridad, pero también temores sobre la pérdida de derechos. Lo que nos falta es confianza y creer en una visión compartida para el futuro”.

Al responder a la polémica, Sanín ha expresado en repetidas ocasiones su solidaridad con las personas transgénero. Pero algunos expertos ven los argumentos y el tono de su video como un reflejo de tópicos antitransgénero comunes. Muchos de los puntos de vista de Sanín encajan con un “discurso propagandístico” en el que ideas equivocadas sobre la identidad transgénero se replican a través de las fronteras, dijo Danila Suárez Tomé, becaria del Instituto de Investigaciones Filosóficas de la Sociedad Argentina de Análisis Filosófico.

Suárez comentó que, de hecho, se había logrado “un cambio paradigmático de comprensión de la sexualidad” a través del trabajo y la defensa realizados por los grupos feministas. “Y es completamente normal no entender qué pasa cuando se te saltan las categorías que vos venías usando”, dijo. “Pero hay diferentes formas de acercarse a ese problema y definitivamente una forma no curiosa, no científica, no interesada, no es la adecuada”.

Suárez rechazó la noción de Sanín de que el feminismo y el activismo trans están inherentemente en tensión. Y señaló algunos avances recientes para los derechos de las mujeres en Argentina, que desde 2012 ha tenido una ley de identidad de género pionera, basada en la autopercepción.

“Tenemos evidencia empírica de que el feminismo y el transactivismo no se repelen entre sí, sino que se potencian entre sí”, dijo Suárez.

[ Foto: Jerome Domine/Abacapress, vía Alamy – fuente: http://www.nytimes.com]

O evangélico que foi às urnas em 2022 ocupa o lugar de um Outro ao qual o país historicamente negou o direito de expressar um projeto de nação. Mas os laços entre religião e política têm raízes profundas entre nós – e temos de encarar esse fato

Escrito por Rodrigo Toniol (*)

As eleições de 2018 e 2022 nos deram momentos de revelação do Brasil e explicitação das imagens que o país produz sobre si mesmo. Em tom geral de surpresa, a nação se confronta com o espelho. E como um narciso desencantado, parece ter saído do transe de uma autoimagem equivocada — do gigante que acordou, entre tantas outras. Agora, como há quatro anos, ao final do pleito das eleições para presidente, o Brasil passa por um estado de vertigem e se encontra diante de si mesmo. Não é uma experiência simples. Como o psicanalista francês Jean Laplanche argumenta, quando desencantado, Narciso pode alternar o objeto de seu delírio e deixar de ver seu Eu belo e passar a olhar o Outro detestável.

Ao longo dos últimos anos, em vertigem, a opinião pública sobre o debate político nacional parece ter identificado o seu Outro: os evangélicos. Como um narciso desencantado, nega que esse Outro seja constitutivo de si e o acusa de responsável pela deformação de sua imagem, antes supostamente bela. Basta que o leitor atente para uma das principais lições exaustivamente repetidas após os fracassos eleitorais das frentes progressistas: “É preciso conversar com eles [os evangélicos]”. Mas, ora, quem éramos antes? E éramos tão belos assim? A constituição dos evangélicos como o Outro da nação passou a ser um tema incontornável e, para compreender o jogo de imagens que sustenta muitas leituras políticas atuais, é preciso retroceder na história e identificar as formas pelas quais os evangélicos, tão numerosos quanto diversos, se tornaram exóticos ao país.

Antes, éramos católicos. Como mostram os dados dos últimos censos, até 2010, éramos um país com 64,6% de pessoas autodeclaradas católicas. A hegemonia da Igreja Católica no Brasil ao longo do século XX não é e não pode ser encarada como um simples dado demográfico. É, antes, resultado de um projeto político de sufocamento da expressão da diversidade religiosa. Na primeira metade do século passado, início da nossa República, a ação repressiva e constitucional contra os cultos mediúnicos no Brasil, fossem eles espíritas ou afro-brasileiros, é um capítulo de um longo histórico de perseguição. Outro, menos difundido, foram as posições e as ações que intelectuais e autoridades civis ou religiosas, como o cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra (1882-1942), que atuou como arcebispo do Rio de Janeiro de 1930 a 1942, tomaram para desacreditar e perseguir os minoritários grupos evangélicos. Na primeira metade do século XX, cristãos não católicos que habitavam o território nacional eram sobretudo estrangeiros, e seus descendentes, identificados com o que chamamos hoje de “protestantismo histórico” — calvinistas, metodistas, batistas, presbiterianos e anglicanos.

Foi a partir da década de 1950 que o universo evangélico brasileiro se diversificou internamente. Surgiram no país e foram importadas novas denominações, tais como a Igreja O Brasil para Cristo (1956), brasileira, e a Igreja do Evangelho Quadrangular, criada nos Estados Unidos e fundada por aqui em 1951. A partir de então, essa diversidade interna aos cristãos não católicos se adensou ainda mais, com dezenas de novas denominações made in Brazil, como: Igreja de Nova Vida (1960), a Igreja Pentecostal Deus é Amor (1962), Igreja Universal do Reino de Deus (1977), Igreja Internacional da Graça de Deus (1980), Igreja Apostólica Renascer em Cristo (1986) e Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra (1992). Ainda que litúrgica e teologicamente diversas entre si, essas igrejas têm como traço comum a forte adesão e apelo às classes populares. Muitos dos seus templos estão localizados em bairros periféricos das grandes cidades. Diante desses dados, se faz necessário perguntar: não seriam os evangélicos uma nova forma de fazer referência ao Outro da nação, antes pensado em termos distintos? Falar de identidade evangélica em referência ao indesejável não remeteria à dificuldade de reconhecer que a disciplina se disseminou entre pessoas pobres pelos bancos das igrejas protestantes e evangélicas, e não pelos sindicatos e partidos? Aposto que sim, mas isso não é tudo.

Em um texto de 1987, intitulado As bases de uma nova direita,[1] o sociólogo Flávio Pierucci analisou 150 entrevistas feitas com apoiadores de Jânio Quadros e de Paulo Maluf, em São Paulo. O autor pretendia compreender uma constelação de ideias e valores políticos de direita no cenário posterior à ditadura militar. Nessas entrevistas, chama atenção a pouca presença de evangélicos em meio ao campo da direita paulista. Naquele momento, os religiosos inimigos da direita eram os católicos da Teologia da Libertação, aqueles que lutaram contra o governo militar. Na sua classificação da extrema-direita e da direita fundamentalista, Pierucci, profética e um tanto hiperbolicamente,[2] fez dois comentários sobre os evangélicos e suas afinidades eletivas:

[…] É que sua [a do moralismo] penetração na massa é enormemente facilitada por sua dupla e vantajosa aliança: com a extrema-direita da mídia policial e com a extrema-direita evangélica, esta igualmente midiática (linhagens estas da extrema-direita que também se fazem representar no parlamento) […]. Este novo espaço sociocultural para a extrema-direita, representado por denominações cristãs fundamentalistas, converge no seu anticlericalismo específico com o outro, o anticlericalismo de caserna e delegacia, para acusar a arquidiocese de São Paulo de pactuar com os delinquentes através da política dos direitos humanos.

Lembremos que o texto de Pierucci data do fim dos anos de 1980. Naquele momento, o autor já equacionava os evangélicos com a direita e ressaltava seu amplo uso dos meios de comunicação. O que haveria, então, de específico aos evangélicos do início do século XXI? Esse é o cerne da questão. Em si, os evangélicos não são uma novidade na política nacional. O que mudou foi a forma pela qual alguns de seus líderes religiosos passaram a fazer política, mobilizando instâncias político-partidárias como caminho para seus ideais de nação.

Para compreender as estratégias políticas dos evangélicos, façamos uma analogia. Estamos diante de uma relação de forças como aquela que o historiador francês Jean-Pierre Vernant atribui aos deuses gregos: as dinâmicas do Olimpo envolvem um jogo que mobiliza não somente muitos jogadores, mas também, e talvez sobretudo, vários tabuleiros. No tabuleiro que denomino de salvação, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) é quem tem atuado de modo mais sistemático. Por salvação, é importante que atentemos para as promessas de outra vida no presente e de novos futuros que a IURD oferece. Não é pouca coisa. Até o início da década de 1980, a Universal se definia pelo princípio, então muito difundido, segundo o qual “os crentes não participam de política”. Na década seguinte, este lema foi substituído pelo mote “irmão vota em irmão”. Em 1989, o bispo Macedo, líder da IURD, comprou a Rede Record e, por meio dela, ampliou sua capilaridade e sua estrutura midiática.

Desde então, a política não apenas é encarada como espaço de atuação cristã, como também é trazida para o interior do templo. E assim, a promessa de salvação encontra um terreno importante. Um dos tabuleiros mais relevantes jogados pelos políticos-religiosos do universo evangélico brasileiro sobrepõe a teologia da salvação à teologia do domínio. Na guerra espiritual travada contra as tentações mundanas e demoníacas, encontrar e circunscrever espaços seguros para os irmãos se faz mais do que necessário. A busca por essa Terra Prometida se concretizou em dois templos-domínios que merecem destaque: em 1999, foi fundado o Templo da Glória do Novo Israel, popularmente conhecida como Catedral da Universal, no bairro de Del Castilho, Zona Norte do Rio de Janeiro; e, em 2014, o Templo de Salomão, no Brás, em São Paulo.

A Catedral da Universal conta com nada menos do que um Muro das Lamentações, nos moldes do muro de Jerusalém. Com proporções monumentais e erguido com pedras trazidas diretamente de Israel[3] — afinal, as materialidades carregam a sacralidade —, o Templo de Salomão concretiza uma nova etapa da teologia neopentecostal e seu projeto de territorialização do sagrado. O que importa reter aqui é a opção pela reconstrução do Templo de Salomão: a Universal apelou a um rei e não a um profeta, entre tantas figuras relevantes do Antigo Testamento. Olhar com mais cuidado para Salomão ajuda a entender as reconfigurações do ativismo político evangélico. Mais do que isso, o templo, tal qual nos domínios de Salomão, é o lugar a partir do qual se pensa e se faz a política.

Levando em consideração a centralidade de Salomão nas estratégias espirituais e políticas da IURD, talvez possamos levantar a hipótese da emergência de um novo tipo de messianismo. Vale lembrar que os movimentos messiânicos e suas desconfianças da separação entre religião e Estado tiveram importância popular e política desde o início de nossa vida republicana. Lembremo-nos de Canudos, na Bahia (1896-1897), e de Contestado (1912-1916), no Paraná e em Santa Catarina. Estaria a política brasileira deixando de ser sebastianista e passando a ser salomônica? Seria essa a confrontação por trás da vertigem contemporânea de uma nação que se pensou católica por tanto tempo e se descobre agora evangélica?

Se esse for o caso, continuará sendo o interior do templo o espaço para se debater e fazer política. Para lidar com isso, será preciso assumir que este suposto Outro não é um agente exógeno, mas, sim, parte daqueles que estão dispostos a colocar em seus termos um projeto de nação.[4]

NOTAS

[1]. Flávio Pierucci, As bases da nova direita. Em: Novos Estudos Cebrap. São Paulo, no19, v.3 (dezembro de 1987); p. 26-45. Disponível em: novosestudos.com.br/produto/edicao-19. As aspas desse artigo aqui reproduzidas foram adequadas ao acordo ortográfico mais recente.

[2]. Agradeço a interlocução com Ronaldo de Almeida, de quem empresto algumas das formulações que basearam este texto.

[3]. Desde abril de 2018 tenho elaborado sobre essa aproximação entre o neopentecostalismo, a política brasileira e o judaísmo. Além de outros autores que já haviam insistido sobre isso ainda na década de 1990, mais recentemente o historiador Michel Gherman (UFRJ) e a antropóloga Misha Klein (Universidade de Oklahoma, EUA) também têm-se dedicado ao assunto.

[4]. Agradeço à Marcella Araujo pela interlocução e contribuições para elaboração deste texto.

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*Rodrigo Toniol é professor adjunto do Departamento de Antropologia Cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Unicamp.

 

[Fonte: outraspalavras.net]

« El que ha passat aquí té una resposta a Espanya, que és el 15 de maig », diu Lluís Llach en una entrevista amb Clara Ardèvol.

Avui Lluís Llach ha hagut de desautoritzar un text que se li havia atribuït i que circulava per whatsapp amb la seva signatura. Clara Ardèvol, que té el do de l’oportunitat, ha pogut entrevistar-lo aquesta darrera setmana per preguntar-li tot de coses relacionades amb la cultura i la política i el país.

No calen gaires presentacions per parlar de Lluís Llach. Figura clau de la Nova Cançó, artista compromès i, des de fa vuit mesos, diputat de Junts pel Sí. Explica que estava al Senegal escrivint la pàgina 168 d’un dels seus llibres quan va tancar l’ordinador i va tenir la certesa que la seva vida seria diferent a partir d’aquell moment. Així doncs, va tornar a Barcelona i es va comprometre amb el procés sobiranista. Parlem amb ell de música, cultura i també d’aquesta nova aventura política.

Abans de ser diputat, ja feia política des dels escenaris. La política i l’art són inseparables?

L’art és sempre polític i l’artista que pensa que el seu art no ho és, voreja la irresponsabilitat. Tots els actes d’un ésser humà acaben sent polítics, i en l’art això és molt explícit, fins i tot si és conceptual. Encara és més evident si hi intervé la paraula, com en el cas de les cançons.

I una cançó d’amor també és política?

Les relacions sexuals (possessives) entre un home i una dona són també polítiques. Fins i tot el paisatge és polític! Qualsevol cosa ho és. A mi sempre em deien que jo feia política, mentre que Julio Iglesias o Raphael no en feien. Jo, en canvi, trobava que el masclisme de moltes de les seves cançons era d’una contundència política esfereïdora, que a més estava patrocinada per l’oligopoli de la comunicació. El seu missatge, per tant, tenia molta més repercussió que el que tenia jo amb “L’Estaca”.

S’ha instrumentalitzat la música?

La música moderna sempre s’ha utilitzat com a eina política. Les cançons contemporànies han estat la punta de llança dels imperis, perquè arriben a la gent jove i la hi inculquen, mentre balla i fa l’amor, un sistema de valors ad hoc. Quan jo treballava en aquest món, veia com les grans multinacionals duien a terme una política de missatge que encara es fa servir. Amb una joventut alienada, el poder polític es troba molt més tranquil.

Com a cantautor, va patir una gran pressió política. Mai va pensar a deixar la música?

No, pensava que servia per a alguna cosa. Tenia certa por, però era tossut. Trobava que ésser prohibit i censurat era la confirmació que la feina que feia era d’utilitat social contra l’últim rastre del nazisme a Europa, que a més mantenia Catalunya oprimida amb un feixisme indissimulat.

Decisions com la de prohibir les estelades en un camp de futbol no li recorden a la censura que vostè va patir?

És un cretinisme polític portat a tal extrem que fa que una democràcia esdevingui paròdia d’una dictadura. La mentalitat de la dreta que governa és fer el que feia abans, però a través de la democràcia. Ve de lluny: Felipe González va ser un mal polític d’estat que no va ser capaç de canviar el cos jurídic. Això va aprofitar-ho Aznar per convertir el poder jurídic en un annex del poder executiu. Si no arriba a ser pel jutge Jesús Torres, que va demostrar que no tenien jurisprudència per prohibir les estelades, haurien quedat a l’alçada de paròdia de dictadura.

Lluís Llach | Foto: Peter Godry

Sovint es critica la passivitat dels intel·lectuals d’esquerra espanyols davant aquests episodis. Comparteix aquesta crítica?

Jo no em puc creure que el cretinisme intel·lectual que ens arriba d’Espanya sigui real. No és possible que el filòsof més important d’Espanya sigui Fernando Savater. Jo entenc que algú que està en la cultura ha d’intentar comprendre, criticar, millorar… i no pot ser que hi hagi aquest buit intel·lectual. Estic segur que hi ha intel·lectuals i filòsofs que estan cridant, però que no tenen cap micròfon davant perquè se’ls escolti, i això també és censura.

Agafant l’exemple de “L’Estaca”, quan es prohibeix una cosa es fa encara més gran?

Sí, sempre que s’estigui disposat a exercir el feixisme amb tota la brutalitat que això implica. De tota manera, els mitjans de comunicació aconsegueixen no fer-la tan gran, perquè molts diaris van defensar aquesta prohibició de la llibertat d’expressió amb el tema de les estelades.

Parlant d’altres cançons seves, en la darrera manifestació sobiranista va sonar “Venim del nord, venim del sud”. Parla del tipus de nacionalisme que vostè encarna?

Sí. Jo sóc nacionalista “en el sentit de”. Si per nacionalisme entenem el que feia Hitler, no m’hi sento gens. Però a Catalunya sempre hem entès que el nacionalisme és un acte de defensa de les nostres llibertats, no un acte d’imposició. El nacionalisme a Catalunya és l’abecedari de la llibertat; partim de la base que no hi ha ciutadans lliures que visquin a països que no són lliures. Jo sóc nacionalista perquè sóc un profund internacionalista. Des de Madrid, integrants del PSOE diuen que nosaltres som nazis, però saben molt bé que el nacionalisme català no té res a veure amb el nazisme. Això forma part de les estratègies de la vella política.

Per què va decidir ficar-se en política de manera oficial?

Perquè estem vivint un moment excepcional. Jo sempre he considerat que tot comença al carrer i en el que ha passat els darrers sis anys hi ha un protagonisme social de gran dimensió. Vaig tenir la consciència que el sobiranisme no era un moviment de despatxos ni de grups polítics, sinó que era una mobilització social que condicionava els despatxos i els partits.

Com a independent, com està sent l’experiència tenint en compte les divergències entre CDC i ERC?

Els mitjans es fan molt ressò dels problemes, però si mirem el que hem fet fins ara ens adonem que estem exactament en el punt que marcava el full de ruta, o potser més enllà! S’estan preparant idees importants, però les portarem al Parlament quan ens convingui. Desobeirem quan sigui convenient, no hem d’estar a mercè de les provocacions de l’estat. De totes maneres, jo crec que ja hem desobeït moltes vegades, amb una creativitat social i democràtica extraordinària.

Podria posar un exemple?

La llei de pobresa energètica. El Tribunal Constitucional passa la vergonya de condemnar la pobresa la gent desfavorida. Puigdemont, amb una gran agilitat política, rapidesa i intel·ligència, convoca la societat, que respon; és la societat que desobeeix: ajuntaments, associacions… Això és imparable i per aquest motiu l’estat està tan neguitós.

Pel que fa a les divergències amb la CUP, s’ha criticat molt la postura dels cupaires en l’aprovació dels pressupostos. Creu que estan traint el pacte amb Junts pel Sí?

Jo prefereixo no classificar d’aquesta manera una gent que admiro i estimo. Estem vivint un procés històric i ells han d’assumir que la història els jutgi. Si no arribem al final d’aquest procés, cadascú haurà de preguntar-se per què. Potser el nostre electorat, o fins i tot el seu, esperava un altre panorama, però ells són coherents amb el seu mandat democràtic. A nosaltres ens fa por que la discussió contínua de les qüestions socials, que sempre és aprofitada pels grups unionistes, pugui dificultar el camí cap a un nou estat. La nostra prioritat és la independència.

En diverses ocasions ha manifestat força simpatia per Podem. Per què?

Tenen molt en comú amb nosaltres. El que ha passat aquí té una resposta a Espanya, que és el 15 de maig. Nosaltres tenim la sort que venim d’una antiga identitat que cohesiona aquest país a través d’una manera de ser i de grans entramats socials. Aquí, en lloc d’intentar transformar l’estat espanyol, que és el que intenta Podem i el que hem intentat nosaltres durant 200 anys, preferim fugir.

Lluís Llach | Foto: Peter Godry

No creu en l’Espanya federal, doncs…

És Espanya que no hi creu! Quan es va aprovar la Constitució del 78 vaig pensar que hi havia un projecte de futur interessant a Espanya, però el van destruir. Els espanyols són les primeres víctimes de l’estat espanyol; Espanya ha espoliat molt més els andalusos que els catalans. Els Reis Catòlics no tenien gaires diners per les seves conquestes imperials i van donar dret de pernada territorial als nobles. No només els van treure la cultura i la riquesa, sinó també el territori. Els andalusos encara no saben que la seva pobresa actual prové de la fonamentació de l’estat espanyol.

Com es gestionaria aquesta diversitat històrica en una hipotètica Catalunya independent?

Nosaltres volem fer una república on la persona que se senti espanyola pugui desenvolupar la seva ciutadania amb més bona qualitat a Catalunya que a Espanya. No és gens difícil, perquè Espanya està totalment desgavellada i els drets de ciutadania i benestar no els ha tingut mai en compte. De fet nosaltres som una llavor de diversitat; Espanya, en petit, és el projecte d’Europa. O s’accepta la diversitat com una riquesa o ens convertirem en un mercat, que és el que som actualment.

 

[Font: http://www.nuvol.com]

La reciente muerte de Francesca “Kitten” Natividad, estrella de los filmes de Russ Meyer, o de Just Jaekin, director de ‘Emmanuelle’, casi en el olvido y el silencio, es un síntoma más de cómo el nuevo milenio está asesinando a Eros en el cine actual

Antes y más allá de ’50 sombras de Grey’ estuvo ‘Historia de O’

Escrito por Jesús Palacios

Fue una de las estrellas eróticas más carismáticas y recordadas, no solo por el tamaño de sus pechos. Protagonista de varias de las míticas producciones erótico-festivas del cineasta Russ Meyer, como Megavixens (Up!, 1976) y Más allá del valle de las ultravixens (Beneath the Valley of the Ultra-Vixens, 1979), Francesca “Kitten” Natividad, fallecida el 24 de septiembre pasado, go-go y artista de burlesque, protagonizó más de sesenta película para cine y vídeo, participando tanto en producciones estándar como My Tutor (1983), Jóvenes alocados (The Wild Life, 1984) o 48 horas más (Another 48 Hours, 1990), como en un buen número de filmes “para adultos”, eufemismo al uso en la industria para referirse el porno explícito o hardcore.

Francisca Isabel Natividad, pareja durante quince años de Russ Meyer, se convirtió como “Kitten” Natividad en un auténtico icono pop, invitada recurrente en shows televisivos, vídeos musicales, documentales y festivales de cine adulto, admirada por figuras como John Waters Quentin Tarantino. En ningún momento se arrepintió de su trabajo y, mucho menos, de sus filmes con Meyer.

En 2004, entre otras ocasiones, lo dejó muy claro: “Estoy orgullosa de ser una chica Russ Meyer. Hay montones de mujeres hermosas con estupendos cuerpos e incluso pechos más grandes que los nuestros, pero no son chicas Russ Meyer. Nosotras somos muy, muy especiales”. Algo que comparten con ella Tura Satana, la increíble Varla de Faster, Pussycat! Kill! Kill! (1965), Uschi Digard, Lorna Maitland, Shari Eubank o Raven De La Croix, todas ejemplos perfectos del ideal de heroína meyeriana: mujeres de bustos hiperbólicos, agresivas, dominantes y siempre superiores a los patéticos ejemplares masculinos habituales en su cine, que se debaten entre la impotencia y la brutalidad, siendo vencidos dentro y fuera de la alcoba.

Francesca Kitten Natividad junto a su Pigmalión, el director Russ Meyer

El cine de Russ Meyer, en sus mejores y también en algunos de sus peores ejemplos, es una lección de sexploitation subvertida desde dentro por una imaginación formal digna de Orson Welles o Eisenstein y por un discurso satírico que pone en tela de juicio los valores más conservadores de la sociedad estadounidense en particular y occidental en general, burlándose del machismo americano, así como de la hipocresía puritana de los fascismos tanto cotidianos como históricos (sus parodias del nazismo no tienen desperdicio).

Naturalmente, sus dosis de violencia gráfica y metafórica, ironía, sexo libre y, de hecho, celebración hipersexualizada del principio femenino, solo al alcance de erotómanos y drag queens de todos los sexos, serían hoy impensables. Por eso, en lugar de seguir los senderos abiertos por su cine, es preferible mantenerlo en la celda acolchada del retro, la nostalgia pop, el camp y el vintage, olvidando que hubo un tiempo en el que Russ Meyer y sus vixens suponían una auténtica avanzada de la liberación sexual, la emancipación y el poder femeninos y la sátira social inteligente.

Que la muerte de “Kitten” Natividad haya pasado casi desapercibida salvo para los fans y algunos medios (eso sí: entre ellos el New York Times), especialmente en nuestro país, es un signo inequívoco de estos tiempos neopuritanos que disocian, de forma esquizofrénica, feminismo y libertad sexual, derechos de género y libertad de expresión.

El empoderamiento femenino versión Russ Meyer

Erotismo de clase « S »

Casi peor es el caso del director francés Just Jaeckin, cuyo fallecimiento el 6 de septiembre de este año fue despachado con una necrológica tan escueta como árida, con apenas las referencias de rigor a Emmanuelle (1974), destacando tan solo que el resto de su filmografía nunca volvió a conseguir el éxito de taquilla y público de su primera película.

Lo cierto es que Jaeckin, excelente fotógrafo de moda, escultor y director artístico de la revista Paris Match en los años 60, además de ocasional realizador de vídeos musicales, creó no solo un fenómeno sociológico sino un estilo cinematográfico que, guste o no, dominó gran parte del género erótico europeo, de mediados de los años 70 a principios de los 80.

Elegante o relamido, esteticista o cursi, pretencioso o inteligente, elija cada cual, el cine erótico de Jaeckin, que llegó a nosotros con una sugerente y sensual “S” avisando de que sus imágenes podían herir la sensibilidad del espectador, parte siempre o casi siempre de prestigiosos originales literarios.

Just Jaeckin, en el centro, junto a sus musas Sylvia Kristel (izquierda) y Corinne Cléry (derecha)

Ya sea la escandalosa Emmanuelle de Emmanuelle Arsan (¿o de su marido Louis-Jacques Rollet-Andrianne? Nos da lo mismo…); ya sea la turbia Historia de O, de Pauline Réage (seudónimo de Anne Desclos), para cuya adaptación contó con la colaboración del escritor Sébastien Japrisot; Madame Claude, según la obra de Jacques Quoirez (hermano de Françoise Sagan) e incluso el gran clásico eternamente censurado El amante de Lady Chatterley de D. H. Lawrence, las novelas elegidas por Jaeckin son de lectura obligada para el amante, nunca mejor dicho, de la literatura erótica en particular y de la literatura en general. El mismo que llora hoy amargamente la desaparición de una colección como La sonrisa vertical, donde, precisamente, se editaran todas estas y otras excelentes lecturas sicalípticas.

En sus versiones para la pantalla, Jaeckin se veía voluntariamente obligado a rebajar el contenido explícito de las novelas, dejando así de lado la tentación pornográfica, equilibrando su narrativa y formato con elegantes dosis de sensualidad estilizada, música sugestiva, fotografía almibarada y decorados decadentes, exóticos y bellamente fotografiados.

Sylvia Kristel y Corinne Cléry figuraron entre sus principales musas. Mujeres delgadas, de pechos pequeños, rostro inteligente y actitud voluptuosa pero desafiante, la primera como la liberada Emmanuelle, la segunda como la voluntaria y gozosamente esclavizada “O”, en esa hierática odisea sadomasoquista que hace parecer Cincuenta sombras de Gray (2015) un telefilme de sobremesa.

Pero también la gélida cámara de Jaeckin supo sacar provecho a la presencia de actores igualmente sensuales e inquietantes como Alain Cuny, Udo Kier, Murray Head, Klaus Kinski o Nicholas Clay. Para el director francés, cuyos filmes satisfacen igualitariamente las inclinaciones de cualquier voyeur, sean cuales sean sus preferencias sexuales, no solo el cuerpo femenino merece el honor de ser cosificado.

Tampoco es cierto que después de Emmanuelle la carrera de Jaeckin cayera en picado. Si bien es verdad que el masivo éxito de Emmanuelle no se repetiría, tanto Historia de O (1975) como Madame Claude (1977) se convirtieron en clásicos automáticos del erotismo cinematográfico softcore (o suave). Su estilo devino seminal (en más de un sentido), contagiando todo el género. Mientras Hollywood tenía su porno chic, más explícito y casi siempre satírico o hasta paródico, Europa presumía con razón de estilo y clase, mucha clase.

‘Gwendoline’, el erotismo más fantástico y cómic de Just Jaeckin

A menudo se olvida también su simpática Hombre objeto (1978), de ambiente circense y romántico espíritu surrealista, dirigida por Jaeckin en coproducción con España y protagonizada por la no menos icónica Dayle Haddon, acompañada por Fernando Rey como jefe de pista. Jaeckin se despidió del cine con Chicas (Girls, 1980), drama adolescente con una jovencísima Anne Parillaud, y con la delirante Gwendoline (1984), que convierte el clásico del cómic sadomasoquista underground en un fantasioso tebeo erótico europeo, más cerca del Guido Crepax de Valentina que del americano John Willie, su creador original. A esas alturas, estaba claro que el cine “S” era ya historia.

La muerte de Eros

Podría creerse que, en cierto modo, el cine erótico “S” tanto como la sexploitation y el porno chic americano, ejemplificado este último por títulos míticos como Garganta profunda (Deep Throat, 1972), El diablo en la señorita Jones (The Devil in Miss Jones, 1973) o Tras la puerta verde (Behind the Green Door, 1972), de directores como Gerard Damiano o los hermanos Mitchell, habían derribado definitivamente los tabúes sexuales de la industria cinematográfica, por lo que ya no tenía mucho sentido seguir abundando en ellos.

El estreno de ‘Garganta profunda’, el porno chic conquista Hollywood.

Tanto las películas “S” de prestigio, como las de Jaeckin, como el porno de calidad que había conquistado los cines de Nueva York y Los Angeles eran productos consumidos por un público adulto y liberal, de clase media e incluso media alta. Era moderno y progresista, propio de personas educadas, maduras y liberadas, entender el sexo y el erotismo cinematográficos, incluso con cierto grado de exhibición gráfica, como algo perfectamente disfrutable, tanto en pareja como en solitario o en cualquier otra combinación posible.

El mayor contenido de sexualidad explícita en el cine de autor y comercial medio, tanto en Europa como en Hollywood, parecía presagiar que pronto no sería necesario etiquetar sus producciones como “S” o “X”, más un cínico reclamo que otra cosa. El fenómeno del éxito de El último tango en París (Ultimo tango a Parigi, 1972) de Bertolucci estaba ahí para demostrarlo. Nada más lejos de la realidad. El SIDA, el neoconservadurismo de la segunda mitad de los 80 y el principio del imperio de la corrección política iban a ser los verdaderos culpables de la muerte del cine erótico.

Pese a la postura lúcida y combativa de muchas feministas de la tercera ola respecto al erotismo y la pornografía, como Betty Friedan o Jamaica Kincaid, de directoras y artistas como Annie Sprinkle y Monika Treut o de pensadoras independientes tan variopintas como Susan SontagMarguerite Duras, Nadine Strossen, Ellen Willis, Angela Carter, Susie Bright, Marcia Pally o, por supuesto, Camille Paglia y Virginie Despentes, entre otras abogadas del diablo en el cuerpo y de la libertad de expresión, ha sido la posición radicalmente antiporno de feministas como Andrea Dworkin, Catharine MacKinnon, Gloria Steinem o Page Mellish, que asimilan e identifican por completo pornografía con violación, tráfico sexual, heteropatriarcado, machismo y cosificación de la mujer, la que está dominando el discurso no solo feminista, sino general, en la sociedad actual y, por tanto, también en la industria y el arte cinematográficos.

El más o menos sutil vacío hecho a las muertes de figuras como las de “Kitten” Natividad y Just Jaeckin representa solo una suerte de metáfora del oscurecimiento y olvido que se está proyectando sobre el papel que el cine erótico y el porno chic, sin olvidar tampoco sus sombras y aspectos oscuros, tuvo en la liberación sexual y la emancipación femenina, desde los años 60, en los que Russ Meyer comenzó su carrera, hasta los 80, en los que Jaeckin abandonó la suya.

El acento puesto por la mayor parte del pensamiento y la ideología dominante, se le denomine corrección política, woke, liberal o progresista, en desterrar el sexo de las pantallas y demonizar no solo la industria del cine para adultos, sino películas como Barbarella (1968), Muerte en Venecia (Morte a Venezia, 1971), El último tango en París, Tamaño natural (1974), Saló o los 120 días de Sodoma (Salò o le 120 giornate di Sodoma, 1975) o El imperio de los sentidos (Ai no korîda, 1976) y a sus directores, está consiguiendo lo que ningún censor franquista ni la Oficina Hays habían logrado antes: hacer realidad el sueño monjil y jesuítico de un cine sin desnudos, sin genitales, sin sensualidad, sin cuerpos (ni mentes) enzarzados en la gozosa y cruel batalla del amor.

Muy lejanas parecen ahora las miradas cómplices y nostálgicas de películas de éxito como Boogie Nights (1997) de Paul Thomas Anderson o el documental Dentro de garganta profunda (Inside Deep Throat, 2005) de Fenton Bailey y Randy Barbato, con su desprejuiciado análisis de la edad dorada del porno. En lugar de, como pretendieran ingenuamente algunos cineastas contemporáneos como Catherine Breillat, Michael Winterbottom, John Cameron Mitchell, Lars von Trier, Abdellatif Kechiche o la propia Virginie Despentes, integrar visualmente el sexo gráfico y el erotismo de forma natural en las historias, incluso aunque estas no sean necesariamente de temática erótica, el cine actual ha vuelto a unos códigos narrativos puritanos, beatos y tímidos, hasta cuando aborda, precisamente, asuntos directamente sexuales.

‘Boogie Nights’, todo lo que querías saber del porno y no te atrevías a preguntar

La trágica paradoja del cine actual es que, en un momento en el que se prescribe casi obligatoriamente la reivindicación del sexo sin fronteras de género, de las relaciones fluidas, del mundo LGTBI+ y del poliamor, los filmes que tratan estos y otros temas afines se prohíben a sí mismos disfrutar con la erótica de la imagen, de los cuerpos y la libido. Se vuelven sus peores enemigos, despojando al espectador del derecho a la fantasía y el placer escópico, a la sublimación de la lujuria animal, la catarsis terapéutica y sanadora del deseo prohibido realizado vicariamente.

Por miedo a ser llamados sexistas, por temor a la cosificación (que es la esencia de todas las artes plásticas), a la descalificación ideológica. En definitiva: por miedo a la censura, se está retornando a un infantilismo en los códigos representacionales y a una infantilización del espectador sin precedentes en la historia del cine, que recuerda la obligación impuesta por el Código Hays a los guionistas y directores de que los matrimonios de película durmieran en camas separadas o a la mano del cura que tapaba la lente del proyector en la sala del colegio, cuando los protagonistas de la película se excedían en el ardor de sus besos o estaba a punto de asomar un seno semidesnudo en cualquier filme de Tarzán o Maciste, para salvaguardar así la inocencia de nuestros ojos infantiles. Con poco éxito, por otro lado.

Paradoja todavía más cruel: mientras la pornografía ha abandonado las posibilidades creativas del cine, tanto comercial como autoral, para reinar sin problema alguno en Internet, en cientos de páginas web a un clic de cualquier menor de edad que tenga portátil o móvil, sin importarle un comino la desaprobación o repulsa de las feministas radicales, el cine erótico para adultos ha sido desterrado de todas las pantallas, excluyendo de la narrativa audiovisual un campo de la experiencia humana tan rico y fundamental como el de las relaciones sexuales consideradas como una de las bellas artes.

Por quién dobla la campanilla… Por la muerte de Eros en el cine (Cinema paradiso, 1988)

No solo es la muerte del cine erótico sino, peor aún: la muerte del erotismo en el cine. Armados y armadas con buenas intenciones, ingeniería social, virtudes liberales teóricamente progresistas y celo moral, se está asesinando a Eros con premeditación y alevosía. Y cuando ya esté bien muerto y enterrado, solo quedará, como en la Era de Ultrón, el reino de Tánatos.

[Fuente: http://www.elespanol.com]

Los independentistas catalans creson que lo rapòrt poirà esclarzir lo camin dels presonièrs politics qu’an fach apelacion davant la Cort Europèa dels Dreches Umans

Lo Conselh d’Euròpa (CE) a publicat un rapòrt que conclutz que defendre pacificament l’independéncia d’un territòri es protegit per la libertat d’expression e que, doncas, o far es pas cap un delicte. Lo rapòrt mençona pas l’afar catalan, mas cita lo rapòrt Cilevičs, qu’o fa el. A mai, soslinha l’importància que los estats protegiscan la libertat d’expression e que lo fach de prepausar de cambiaments dins l’estructura d’un territòri es pas un fach que se poiriá perseguir. Es aquí que senhala, concretament, qu’aqueles cambiaments comprenon tanben la promocion de l’independéncia d’una region europèa. Lo tèxt determina que se pòt admetre una sancion penala per l’exercici de la libertat d’expression sonque se i a incitacion a la violéncia. Aqueste rapòrt pòt implicar una virada de la justícia europèa a prepaus del tractament judiciari dels movements independentistas.

Lo tèxt l’a redigit la secretària generala del CE, Marija Pejčinović Buric, e es entitolat Libertat d’expression politica: un imperatiu per la democracia. Compren 9 paginas, es signat lo 6 d’octòbre e es ja estat presentat al comitat dels ministres europèu. Lo document compren los vejaires de departaments del Conselh d’Euròpa e de sa quita assemblada parlamentària, de la Comission de Venècia, de la Comission Europèa contra lo Racisme e l’Intolerància, o del Grop d’Estats contra la Corrupcion (GRÈCO).

Lo document de Pejčinović se basa sus la resolucion 2381 de l’assemblada parlamentària del Conselh d’Euròpa, qu’es lo dich rapòrt Cilevičs. Aquel tèxt admetiá que los politicians independentistas catalans encarcerats èran de presonièrs politics, e se sollicitava de l’estat espanhòl que reformèsse son Còde Penal, concretament los delictes de rebellion e sedicion. Lo document reconeissiá tanben que lo 1r d’octòbre de 2017 i aviá pas agut de violéncia de part dels ciutadans. Prepausava tanben la draia del dialòg e de las solucions democraticas.

Lo rapòrt de Pejčinović se fonda tanben sus un collòqui academic de l’Universitat de Genèva amb lo sosten del Conselh d’Euròpa, qu’i participèt —demest d’autres— lo Grop de Trabalh de las Detencions Arbitràrias, que condemnèt ja l’estat espanhòl per aver violat los dreches dels politicians independentistas catalans encarcerats pel referendum del 1r d’octòbre 2017. Ara, lo rapòrt del CE s’exprimís dins una linha similara e torna mençonar lo besonh de la negociacion per poder resòlver los conflictes politics.

Los partits independentistas catalans creson que lo rapòrt poirà esclarzir lo camin dels presonièrs independentistas catalans qu’an fach apelacion davant la Cort Europèa dels Dreches Umans (CÈDU) en çò que tanh a la libertat d’expression.

 

[Sorsa: http://www.jornalet.com]

 

Escrito por ANGELA PINHO

Ponto central na disputa eleitoral de 2022, a religião não é só uma pauta de costumes no Brasil, afirma Lívia Sant’Anna Vaz, promotora de Justiça na Bahia e especialista em intolerância religiosa.

A atual « guerra santa », que para ela « de santa não tem nada », tem como pano de fundo interesses econômicos, afirma.

Em meio a notícias falsas sobre possível fechamento de templos, ela lembra que as crenças que são alvo de perseguição no Brasil não são as cristãs, mas as de matriz africana.

Sem citar nomes, em meio a acusações de censura na campanha eleitoral, ela afirma que quem menos tem liberdade de expressão no Brasil não é quem está no poder, mas os grupos marginalizados da sociedade.

Doutora em ciências político jurídicas pela Universidade de Lisboa, ela defende ainda intolerância a discursos que busquem atacar a democracia por dentro. « A ditadura da liberdade de expressão nas mãos dos intolerantes vai minar o próprio processo democrático », diz.

PERGUNTA - Qual é o panorama hoje da intolerância religiosa hoje no Brasil?

LÍVIA SANT’ANNA VAZ – A intolerância religiosa é um guarda-chuva que pode ter como foco qualquer confissão, mas, no Brasil, há um fenômeno muito peculiar: o racismo religioso. Usamos essa expressão porque é um ódio que se volta especificamente contra religiões de matriz africana. As manifestações dele vão desde ofensas verbais até invasões de terreiro, em práticas cada vez mais corriqueiras no Brasil, principalmente no atual contexto político.

Na atual campanha eleitoral, há um setor com medo de fechamento de igrejas e de perseguição a fiéis das igrejas evangélicas. Isso já aconteceu em algum momento no Brasil?

L. S. V. – Não contra religiões cristãs. Mas, em relação às religiões de matriz africana, nós temos uma história de violências, desde a legislativa até a agressão, inclusive pelo próprio aparato estatal.

Vou dar alguns exemplos. No Brasil, quando ainda não tínhamos nem ordem jurídica própria, as ordenações filipinas previam no livro dos crimes o de feitiçaria, que poderia ser punido inclusive com pena de morte. Ora, quem eram as pessoas consideradas feiticeiras? Não preciso dizer que era contra pessoas negras. Posso dar exemplos mais recentes. Em 1966, uma lei na Paraíba obrigava os sacerdotes ou sacerdotisas de religiões de matriz africana a passarem por exame de sanidade mental para que pudessem praticar seus rituais religiosos, em um Estado que à essa época já era laico e já tinha garantia constitucional de liberdade de crença.

Em 1976, na Bahia, os terreiros tinham obrigatoriedade de ter um alvará de funcionamento expedido por delegacias de jogos e costumes. Fica muito evidente a criminalização de determinadas práticas e confissões religiosas por conta da origem negra. E não eram raras as operações policiais com interrupção de cultos religiosos de matriz africana. As religiões de matriz africana são aquelas que até os dias de hoje, em alguns estados do Brasil, ainda possuem objetos sagrados apreendidos e expostos em museus do crime. No Rio de Janeiro, só em 2020 houve a transferência desses objetos sagrados do museu da Polícia Civil para o Museu da República.

Como vê a presença da religião na atual campanha eleitoral?

L. S. V. – Nós vivemos num Estado laico. A atuação do Estado não deve beneficiar nenhuma religião nem colocar obstáculos a nenhuma delas. Quando falamos em liberdade religiosa, precisamos qualificar esse direito. As religiões de matriz africana no Brasil nunca experimentaram liberdade religiosa. Infelizmente o que existe historicamente no Brasil é uma disputa supostamente religiosa. Uma guerra santa que de santa não tem nada, que, na verdade, é disputa de poder e de território. Esse projeto político de tomada de território já está em execução, com terreiros, comunidades quilombolas e comunidades indígenas invadidas. Com a criminalização dos movimentos sociais ligados a essas raízes históricas de matriz afroindígena. Estamos vivendo num contexto de disputa que não se resume à questão religiosa. A religião tem sido um pano de fundo para esse debate e, infelizmente, tem provocado o cerceamento de direitos fundamentais de grupos religiosos, sociais e raciais vulnerabilizados.

E o conteúdo do debate sobre religião na campanha, como avalia?

L. S. V. – Ele tem pautado diversas discussões sobre direitos fundamentais. Isso é muito grave. Vivemos num Estado laico e num Estado democrático de Direito, então um discurso que atenda a determinados interesses de grupos religiosos específicos hegemônicos não pode pautar o acesso das pessoas a direitos. É preciso haver espaço para a representação de todos os grupos, especialmente os vulnerabilizados, nos espaços de poder e decisão, em que vemos sempre os mesmos grupos historicamente privilegiados no Brasil, os privilégios da branquitude em especial.

O Estado é laico, mas as pessoas também têm direito a pleitear políticas públicas alinhadas aos seus valores. Como equilibrar esses dois aspectos?

L. S. V. – Quando falamos em laicidade do Estado, isso não quer dizer que as pessoas, inclusive os servidores públicos, não possam professar as suas religiões. Isso quer dizer que eles não devem confundir o exercício de suas funções públicas com a sua religiosidade, privilegiando determinadas religiões e causando violência e discurso de ódio em detrimento de direitos para outras religiões. É óbvio que as pessoas têm opiniões, valores e crenças, mas temos uma Constituição que também faz escolhas. Então não são os interesses ou opiniões do grupo A, B ou C que devem prevalecer, mas os valores que estão consagrados no nosso Estado democrático de Direito.

Hoje em dia, são principalmente os bolsonaristas que se dizem tolhidos em sua liberdade de expressão. Na sua visão, quem no Brasil tem menos liberdade de expressão hoje em dia?

L. S. V. – Quem menos tem liberdade de expressão no Brasil são os grupos que nunca tiveram acesso aos meios para se expressar, os grupos historicamente vulnerabilizados. Nós sabemos muito bem no Brasil quais são os grupos que dominam os meios de comunicação de massa e não são pessoas negras, não são mulheres, não são pessoas indígenas.

Um conceito que você cita é o do « efeito silenciador » de determinados discursos. De que forma a desinformação tolhe a liberdade de expressão das pessoas?

L. S. V. – A desinformação limita a liberdade de expressão das pessoas a partir do momento em que elas não conseguem acessar elementos necessários para uma manifestação consciente do seu pensamento. As pessoas acabam repetindo pensamentos, supostamente exercendo uma liberdade de expressão, mas é uma liberdade de expressão manipulada.

É preciso que nós pensemos em ampliar a liberdade de expressão de todas as pessoas. E o que acontece no Brasil hoje é que é uma quase absolutização da liberdade de expressão de grupos hegemônicos.

É fundamental que a gente consiga observar que os inimigos da democracia podem estar na própria democracia. Se você absolutiza a liberdade de expressão, você sobreleva a liberdade de expressão de determinados grupos e causa um efeito silenciador de outros grupos que não possuem o mesmo acesso aos mecanismos para exercer plenamente a sua liberdade de expressão.

Havia uma crença de que, com a internet, iria se democratizar a possibilidade de fala. Hoje isso mudou. Como avalia?

L. S. V. – A internet pode ser um meio importante para veicular e ampliar a fala, mas ela é uma reprodução da sociedade. Então, se nós temos uma sociedade misógina, racista e LGBTfóbica, isso vai reproduzir-se nas redes sociais também. E há várias camadas nessa discussão. Entre elas, o próprio acesso à internet, que não é igualitário. Isso também tolhe a possibilidade de determinados grupos de participar com a igualdade do debate público e da produção de políticas públicas.

Na atual campanha, a Justiça Eleitoral tem decidido pela remoção de conteúdos que considera inverídicos. Como avalia?

L. S. V. – É uma questão complexa. O que se estabelece em termos constitucionais e de direitos não é a censura prévia, mas a responsabilização pelo conteúdo, incluindo discursos de ódio e informações inverídicas que podem minar o processo democrático. Sem imputar responsabilidades, é muito difícil que a gente consiga um processo democrático que realmente garanta a pluralidade de vozes. Então a gente acaba tendo uma ditadura da liberdade de expressão a favor de determinados grupos.

Como assim?

L. S. V. – Nenhum direito é absoluto. A liberdade de expressão é um valor muito consagrado nas democracias. O que acontece é que, se a própria liberdade acaba sendo usada como veículo para minar o processo democrático, então acaba sendo uma ditadura da liberdade de expressão, porque ela vai justamente beneficiar quem já está no poder e vai tolher a liberdade de expressão de outras pessoas. A ditadura da liberdade de expressão permite que as pessoas que acessam de maneira privilegiada esse direito dominem o cenário político e as políticas públicas. A ditadura da liberdade de expressão nas mãos dos intolerantes vai minar o próprio processo democrático.

Raio-X

Lívia Sant’Anna Vaz

Promotora de Justiça no Ministério Público da Bahia, na área de combate ao racismo e à intolerância religiosa. Mestre em Direito pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e doutora pela Universidade de Lisboa. Autora de « A Justiça É uma Mulher Negra » (ed. Letramento) e « Cotas Raciais » (ed. Jandaíra).

 

[Fonte: http://www.yahoo.com]

El reciente ataque a Salman Rushdie pone de nuevo sobre la mesa el debate sobre el islam, la radicalización religiosa y política y la libertad de expresión.

Escrito por Ezequiel Kopel

El viernes 12 de agosto Salman Rushdie, el escritor condenado por la República Islámica de Irán desde 1989 debido a la acusación de blasfemia por su libro Los versos satánicos, estaba por dar una conferencia en la tranquila ciudad de Chautauqua, al oeste de Nueva York. En ese momento, un hombre subió al escenario y lo apuñaló más de 10 veces en el cuello y abdomen. Un malherido Rushdie fue trasladado de emergencia en avión a un hospital; lo operaron y le colocaron un respirador. Las primeras informaciones luego de la operación indican que el escritor evoluciona favorablemente, pero tiene el hígado dañado, podría perder un ojo y vería afectado el movimiento de su brazo al tener sus nervios cortados. El moderador del evento, Henry Reese, de 73 años, cofundador de una organización que ofrece residencias a escritores que enfrentan persecución, también fue atacado.

El agresor fue arrestado de inmediato. Hadi Matar, de 24 años, oriundo de Fairview, Nueva Jersey, y descendiente de libaneses es –por lo que pudo verse en sus redes sociales (mientras estuvieron abiertas)– un ardiente fanático de los ayatolás y de los líderes políticos y militares iraníes. El acto de matar de alguien que ni siquiera había nacido cuando Rushdie escribió su controvertido libro y ya admitió que nunca lo leyó es otro ejemplo de la peligrosa radicalización de una juventud impresionable, muchas veces de confesión islámica, que glorifica la violencia.

Las autoridades iraníes tardaron en responder sobre el ataque: negaron tener participación alguna en el hecho, pero creyeron pertinente acusar al escritor como el verdadero culpable del intento de asesinato. En una vergonzosa declaración, Nasser Kanani, el portavoz del Ministerio de Relaciones Exteriores de Irán, sostuvo que había sido la víctima quien había cruzado «líneas rojas» y se había expuesto «a la ira de la gente». Vale recordar que el fundador de la República Islámica de Irán y por entonces su máxima e incuestionable autoridad, el ayatolá Ruhollah Jomeini, había ofrecido en 1989 –mediante una fatwa— una recompensa de 3 millones de dólares por la cabeza de Rushdie, tras acusarlo blasfemia.

Aunque el presidente reformista iraní Mohammad Jatami dijo que el asunto estaba «completamente terminado» en 1998, cuando Gran Bretaña se lo exigió para restablecer relaciones diplomáticas con Irán, la fatwa no fue rescindida formalmente. De hecho, el sucesor de Jomeini, Alí Jamenei, reiteró en 2017 que aún se encontraba en vigor. En 2016, por ejemplo, Irán boicoteó la Feria de Fráncfort por la presencia del escritor indio-británico y en 2019 reforzó la sentencia, tuiteando desde su cuenta oficial que la fatwa era irrevocable, lo que llevó a Twitter a limitar su cuenta, pero no a cerrarla (como sí lo hizo, por ejemplo, con la del expresidente estadounidense Donald Trump).

Las reacciones en la prensa iraní fueron unánimes y dejaron de lado toda diferencia entre conservadores y moderados. Una editorial del diario Irán, órgano oficial del gobierno, afirmó de forma orgullosa que «33 años después de que su excelencia el imam Jomeini dictaminara sobre la apostasía de Salman Rushdie, un no iraní en el corazón de Estados Unidos cometió el acto más sagrado de Dios» y que esto demostraba que «en el corazón del mundo moderno, las órdenes de Dios todavía están vivas en los corazones de las personas». El diario de línea dura Kayhan, cuyo jefe es designado por el actual líder supremo, saludó «a este valiente hombre que atacó al apóstata y cruel Salman Rushdie en Nueva York y besamos sus manos que acuchillaron y desgarraron el cuello de un enemigo de Dios». El periódico Jame-Jam, propiedad de la Radio y Televisión Nacional, publicó una defensa del atentado tras la información de que Rushdie perdería un ojo, publicando una caricatura de él, con cuernos y sin un ojo, con la leyenda: «Satanás perdió un ojo». Etemad y Arman-e Melli, periódicos supuestamente moderados y «reformistas», señalaron que todo podía ser una conspiración de Occidente e Israel, que utilizando «falsas afirmaciones antiiraníes» buscan descarrilar las nuevas conversaciones nucleares. Irónicamente, a principios de la década de 1980, las traducciones al persa de Hijos de la medianoche y Vergüenza, dos de sus primeros libros, hicieron que (junto con su posición favorable al nacionalismo palestino) Rushdie fuera admirado por su «antiimperialismo» durante años en el Irán revolucionario.

La idea de que Irán no estuvo físicamente detrás del ataque contra Rushdie no solo es una manipulada elucubración, sino que, además, olvida las acciones pasadas de la República Islámica contra críticos y opositores. Hadi Matar pudo haber tomado la decisión individualmente. Es decir, sería otro mal llamado «lobo solitario» al que se le imputa una suerte de radicalización por generación espontánea. Pero pocos días después del ataque ya existen informaciones, citadas por VICE News, de que mantuvo contactos con miembros de la Guardia Revolucionaria iraní. Dado que el incidente se encuentra en etapa de investigación temprana, todavía se sabe demasiado poco sobre esas comunicaciones.

En estos días suele soslayarse que Irán cuenta, en su historia contemporánea, con una numerosísima lista de opositores asesinados en el exterior, algunos por orden directa y otros de manera indirecta. En 1980, un seguidor extranjero de la República Islámica, Dawud Salahuddin, disparó y mató al antiguo agregado de prensa de la embajada iraní Ali Akbar Tabatabaei en la puerta principal de su casa en Bethesda, Maryland. Los magnicidios –dirigidos o inspirados- aumentaron considerablemente en la década de 1990. Las estimaciones indican que solo hasta 1997 se cometieron 50 asesinatos de disidentes políticos en el extranjero.

La década se inauguró con el asesinato en Suecia de dos disidentes kurdos, Karim Mohammedzadeh y Efat Ghazi, el 6 de abril y 1 de septiembre respectivamente. El 6 de agosto de 1991 fue asesinado con cuchillos de cocina Shapour Bajtiar, el liberal y último primer ministro iraní previo a la Revolución islámica, en su casa del suburbio parisino de Suresnes. El 8 de agosto de 1992 encontraron el cuerpo del artista Fereydoun Farrokhzad en su apartamento en Bonn, Alemania, apuñalado repetidamente en la cara y la parte superior del torso. Farrokhzad se había burlado de la obsesión mostrada por Jomeini por el sexo en su libro Tahrir al-Wasilah. Ya más cerca en el tiempo, en 2017, el creador de un medio opositor al actual gobierno de Irán, Saeed Karimian, fue baleado en Estambul. Incluso el año pasado Francia condenó a un diplomático que trabajaba en la embajada iraní en Viena a 20 años de prisión por un complot para poner una bomba en una manifestación de un grupo opositor en Francia. Y en julio de este año la policía estadounidense detuvo a un hombre armado con un rifle AK-47 frente a la casa de Brooklyn de la disidente iraní (y destacada militante contra el uso obligatorio del velo islámico) Masih Alinejad. La acción se suma a la trama descubierta el año pasado por el FBI, que arrestó a cuatro agentes iraníes que pretendían llevar a Alinejad de contrabando a Irán para silenciar sus críticas.

Luego del atentado contra Rushdie reaparecieron las voces que matizaban el intento de magnicidio como una reacción entendible por ofender a los fieles de una religión, bajo la idea de que sentirse ofendido es una razón válida para matar o perseguir a una persona. Esto recordó la posición adoptada por diferentes personalidades tres décadas atrás cuando se sancionó la fatwa contra el escritor indio de origen musulmán hoy herido. Road Dahl, autor de Charlie y la fábrica de chocolate, lo calificó de «peligroso oportunista»; el maestro del espionaje John le Carré (quien en 1997 sería a su vez acusado de antisemitismo por su caracterización de un personaje en la novela El sastre de Panamá) dijo que «no hay ley en vida que sostenga que las grandes religiones pueden ser insultadas con impunidad»; el escritor de izquierdas John Berger exigió que la obra fuese sacada de las librerías ante la posibilidad de «una guerra santa», y el músico Cat Stevens, quien adoptó el nombre Yusuf Islam cuando se convirtió al islam, llegó a afirmar que si Rushdie golpease su puerta pidiendo ayuda «trataría de llamar al ayatolá Jomeini y decirle exactamente dónde está este hombre».

En tanto, Kalim Siddiqui, director del Instituto Musulmán de Londres y uno de los organizadores de las manifestaciones contra el libro de Rushdie, sentenció: «Yo no lo mataría, pero estoy seguro de que hay mucha gente en este país preparada para eso en este momento. Como ciudadano británico, tengo el deber, por así decirlo, de no infringir la ley británica. Pero no somos una religión pacifista. No ponemos la otra mejilla. Devolvemos el golpe». Asimismo, vale rememorar que el por entonces gran rabino (askenazi) israelí Avraham Shapira quiso prohibir la publicación de Los versos satánicos en Israel, argumentando que ofendía las sensibilidades religiosas, a pesar de que no había leído la novela, que ni siquiera se había publicado al hebreo. Su contraparte sefardí en el Estado hebreo no se quedó atrás y en una especie de «ecumenismo a la inversa» –como lo define muy bien Christopher Hitchens en su autobiografía-, dijo que el principal problema no era bajo ningún concepto la oferta de pago por el asesinato de un escritor, sino el delito de blasfemia. En cambio, el gran rabino de Inglaterra Immanuel Jakobowitz trató de esgrimir una extraña solución salomónica cuando agregó que «tanto Rushdie como el ayatolá Jomeini han abusado de la libertad de expresión». Otro de los efectos secundarios más extraños del caso ocurrió en Rávena (Italia), donde un grupo llamado Guardianes de la Revolución amenazó con volar la tumba de Dante Alighieri a menos que el alcalde rechazara la descripción que Dante hizo del profeta Mahoma, a quien define como condenado a uno de los círculos inferiores del infierno, partido en dos, por haber promovido cismas.

Sin embargo, hubo quienes respaldaron vigorosamente a Rushdie desde un principio. Además de la conocida anécdota de Susan Sontag poniéndose al hombro el caso como presidenta del club literario PEN (llegó a ir hasta el Congreso estadounidense para exigir una fuerte posición nacional ante la declaración del presidente George Bush de que la fatwa «no nos afecta» y debió imponerse ante los importantes rechazos de solidaridad, como cuando Arthur Miller, el prestigioso autor de Las brujas de Salem, se negó a participar en una lectura de apoyo con su colega perseguido) existieron también significativas defensas de intelectuales musulmanes o árabes. Una de las menos conocidas fue del intelectual sirio Sadiq Jalal Al-Azm, quien en 1991 criticó a los liberales occidentales por brindar un robusto apoyo a los disidentes soviéticos en ese momento, al tiempo que dudaban a la hora de sostener a Rushdie, haciendo gala de un orientalismo travestido, cuando la persecución viene desde Oriente. Algunas de sus palabras fueron: «Quizás la suposición silenciosa y profundamente arraigada en Occidente sigue siendo que los musulmanes simplemente no son dignos de disidentes serios, no los merecen y, en última instancia, son incapaces de producirlos». A propósito del orientalismo, el mismo autor del famoso libro que popularizó el término en la actualidad, el palestino Edward Said, escribió: «Rushdie es todo aquel que se atreve a hablar en contra del poder. Él, su libro y su vida se encuentran en la frontera donde la tiranía se atreve a pronunciar y exigir sus atroces decretos. Rushdie es la intifada de la imaginación».

Otro valiente con mucho que perder fue Naguib Mahfouz, el único escritor árabe en ganar un Premio Nobel de literatura, quien, a pesar de reconocer que Los versos satánicos podía ofender a musulmanes piadosos, inició un encendido respaldo a la libertad de expresión de su colega a solo un año de ser distinguido por la Academia sueca. Su acción motivó que su obra fuese escudriñada por extremistas islámicos y él mismo fuera condenado por blasfemo por su novela Los niños del callejón. La obra habla de Dios y los profetas y trataba de explicar creativamente la filosofía de la religión a través de la historia de un barrio de El Cairo. Un día después de que se cumpliese el sexto aniversario de su premiación con el Nobel en 1994, fue acuchillado en el cuello al salir de su casa. La elección de acuchillar el cuello no es fortuita para los fundamentalistas, sino que busca resaltar la intención de callar la voz del denunciado. Mahfouz nunca más fue el mismo y una competencia de fatwas denunciatorias empezó a surcar el mundo musulmán. A pesar de todo, ese mismo año 91 escritores árabes y musulmanes de todo el mundo publicaron una colección de ensayos en solidaridad con Salman Rushdie.

Independientemente de la libertad de poder opinar sobre figuras religiosas y sus actos o la posibilidad de representarlos en obras de ficción, es pertinente un análisis real de si Los versos satánicos presenta una visión profundamente herética del islam. Reza Alsan, un estudioso de la sociología de la religión, crítico de lo que hoy se conoce como «nuevo ateísmo» y una especie de «pariente lejano» de Rushdie para los fundamentalistas cristianos por su libro Zelote –donde humaniza la historia de Cristo–, asegura que «para cualquiera que tenga algún conocimiento del Corán, la sorpresa es cuán ortodoxa es la novela en su tratamiento del islam. Los pasajes sobre los llamados ‘versos satánicos’ (las secuencias de sueños que involucran al profeta) están perfectamente en línea con lo que dicen muchos comentaristas tradicionales del Corán (…). La verdad es que una ofensa contra el islam temprano no fue la razón de la fatwa. Lo que parece haber resultado ofensivo para Jomeini fueron los pasajes que narran a los ayatolás iraníes con turbante negro, abriendo sus fauces para tragarse a personas inocentes».

Para comprender qué enoja hasta la violencia a muchos piadosos musulmanes, es necesario entender a qué se refiere el término «versos satánicos». En la tradición islámica, el incidente de los versos se conoce como la «historia de las grullas». Allí se narra la ocasión en que el profeta Mahoma (fallecido en 632 d.C.) confundió los susurros de Satanás con la revelación divina y, de esa manera, las intrusiones satánicas llevaron a Mahoma a pronunciar versos de alabanza a ídolos paganos de la Meca del siglo VII. Ahab Aiwi, un académico estudioso del islam temprano en la Universidad de Leiden, agrega: «Las fuentes históricas musulmanas que recopilan, transmiten y preservan las memorias culturales de la primera comunidad musulmana han registrado e informado el incidente de los denominados versos satánicos y por eso tenemos al menos 50 informes históricos de los primeros 200 años del islam (aproximadamente 610-810 d.C.) que describen en detalle la ocasión en que el profeta Mahoma supuestamente confundió el engaño de Satanás con el mandato de Dios. (…) Los musulmanes posteriores descartaron el incidente como espurio y teológicamente abominable basándose en una consideración: Mahoma estaba protegido por Dios, es decir, era infalible y no propenso a cometer errores en su entrega de la revelación».

Para explicarlo de manera simple –y por supuesto reducida–, los primeros musulmanes trataron de relatar la epopeya histórico-moral de la vida de Mahoma en una heroica lucha por establecer la religión divina, ergo, un intento deliberado de retratar a un Mahoma humanizado que se impone contra las vicisitudes de la vida para hacer que el monoteísmo triunfe por encima de todo. Sin embargo, los posteriores musulmanes que recopilaron las colecciones canónicas de los Hadiths lo consideraron incongruente con su proyecto teológico, que requería que el profeta fuera infalible y, por lo tanto, consideran los «versos» inauténticos. Lo que no muchos saben es que incluso el incidente de los «versos satánicos» es aceptado como auténtico por Ibn Taymiyya, el antiguo predicador fundamentalista al que denominan como padre moderno del wahabismo saudí.

Hay diferentes teorías de por qué Jomeini decidió promulgar una fatwa contra el escritor indio musulmán y Los versos satánicos (un libro que él nunca habría leído, según dijo su propio hijo), que van desde la intención de ocasionar un levantamiento musulmán en India, Pakistán y Europa, hasta el deseo de que su población olvidase el cese al fuego firmado con Saddam Hussein al final de la fratricida guerra entre Irán e Iraq, un arreglo que el ayatolá había prometido no realizar nunca si no era por orden divina. Lo cierto es que casi nadie ha leído realmente la novela, y la mayoría de quienes la condenan se sorprenderían al saber que no sugiere que el Corán fuera inspirado por el Diablo. En el presente se puede conseguir La Divina Comedia –que coloca a Mahoma en el octavo círculo del infierno con las entrañas colgando– en cualquier capital del mundo musulmán, pero el solo rumor del nombre de Rushdie puede producir actos de violencia en esos mismos lugares.

Es preciso sostener que no es igual la representación ficcional de una figura religiosa que el odio a una religión. Incluso la crítica de ideas no es simétrica al ataque a las personas que practican una fe. Asimismo, apuñalar en el cuello a un escritor que no te gusta no es un comportamiento que haga pensar a nadie –que no sea un fanático– que una religión tiene algo admirable que ofrecer al mundo. Hoy la crítica hacia una religión ha dejado de ser un crimen en la mayoría de los países y se puede cuestionar, por ejemplo, al cristianismo o al papa, sin que eso signifique una expresión de «cristianofobia». No se trata de criminalizar al islam, tampoco de pensar que la ideología no tiene ninguna importancia (en la escuela predominante del islam chiita en Irán se requiere que los laicos obedezcan ciegamente las normas de los clérigos sobre la ley islámica) sino comprender que hay una disputa en el seno de una religión para lograr la hegemonía dentro de ella. Y el escenario principal de esta conflagración no es Occidente, sino latitudes donde el islam reina como la religión del Estado y escritores, caricaturistas y artistas, muchísimo más valientes que Rushdie, son reprimidos, día a día, de modo habitual.

Hoy, mientras la idea de que es válido censurar obras artísticas si ofenden a ciertos grupos gana cada vez más tracción en las sociedades modernas. Vale recordar las palabras del vilipendiado Salman Rushdie, quien pasó por todo lo que pasó y no emergió como un psicópata reaccionario deseoso de prohibir el islam: «El respeto por la religión se ha convertido en una frase que significa miedo a la religión. Las religiones, como todas las demás ideas, merecen la crítica, la sátira y, sí, nuestra falta de respeto sin ningún miedo».

[Fuente: http://www.nuso.org]

Engatjat al servici de l’URSS, entamenèt de reformas democraticas mas podèt pas evitar sa dissolucion

Michail Gorbatjov: "Ekologi är vår tids viktigaste prioritering"

Mikhail Gorbachov defuntèt ièr dimars 30 d’agost a 91 ans après una longa malautiá, çò rapòrta l’agéncia TASS.

Cap del Partit Comunista en 1985, puèi president de l’URSS en 1990, Gorbachov entamenèt dos procèsses politics ambicioses:  la Perestroika (en rus, “restructuracion”), que cercava de descentralizar la presa de decisions economicas per ne melhorar l’eficacitat, e la Glasnòst (en rus, “transparéncia”) que cercava la libertat de premsa e d’expression. A mai, se retirèt de la guèrra d’Afganistan, pachèt la limitacion de las armas nuclearas amb Ronald Reagan e metèt lo ponch final a la Guèrra Freja. E mai foguèsse engatjat al servici de l’Union Sovietica, jos son mandat divèrsas republicas sovieticas venguèron independentas.

Foguèt secretari general del Partit Comunista de l’Union Sovietica entre 1985 e 1991, president del Soviet Suprèm de 1988 a 1989 e president de l’Union Sovietica entre 1990 e 1991. En agost de 1991, de militars malcontents de sas reformas e de las independéncias faguèron un còp d’estat, mas poguèron pas reviscolar lo regim sovietic, e accelerèron malgrat eles la fin de l’URSS.

Foguèt laureat del prèmi Nobel de la patz en 1990. Après la casuda de l’URSS, assagèt d’aver tornarmai un ròtle politic important, en fondant de partits e en criticant la Russia de Putin, mas capitèt pas a aténher la meteissa influéncia.

 

[Imatge: European Parliament – sorsa: http://www.jornalet.com]

 

 

Il y a de ça 25 ans, naissait une filiale du PEN international, le PEN club des écrivains cubains en exil. Ce samedi, pour marquer l’évènement, un livre sortira sur l’histoire de l’organisation. Un anniversaire qui réveille les « stigmates » liés à son statut « d’organisation politique » financée par les États-Unis. D’après le poète Luis de La Paz, son président; cette situation « est un sophisme ».

ActuaLitté

Écrit par Fasseur Barbara

Luis De La Paz l’explique à l’agence EFE : « Notre organisation répond aux statuts du PEN international des écrivains, mais ces 25 dernières années, nous avons dû lutter contre une agressive campagne du gouvernement cubain : il nous qualifie d’écrivains de “seconde classe”, d’organisation politique et d’être financé par la CIA ainsi que le gouvernement américain. »

Une histoire riche

« C’est lors du 64e Congrès international du PEN, qui s’est tenu en 1997 à Édimbourg en Écosse, que par un vote unanime, la création du PEN Club des écrivains cubains en exil dont le siège est à Miami, la capitale de l’exil cubain, a été approuvée », se souvient de La Paz, également journaliste basé en Floride.

Pour l’auteur cubain Rolando Morelli, « le PEN Club en exil doit être considéré, à proprement parler, comme la prolongation de celui fondé par [Jorge] Manach ». Le journaliste aurait en effet amorcé en 1945 un regroupement des auteurs de l’île. Auteur de l’une des biographies les plus controversées sur la figure politique de José Marti, intitulé Martí el apóstol, il développa cette branche, dont l’action fut interrompue durant de « longues années », assure De La Paz.

Et pour cause : le gouvernement de Fidel Castro s’installa et mis sur pied des institutions culturelles, telles que la Casa de las Américas, propriété de l’État, ou encore l’Union des écrivains et artistes de Cuba. Des structures qui auront « remplacé » la branche cubaine du PEN Club. « La censure a commencé et beaucoup ont pris le chemin de l’exil » , explique son président.

Le PEN cubain, selon De la Paz, cessa ses activités en raison des mesures prises par le gouvernement sur la base des Paroles des intellectuels. Ce discours prononcé par Castro à la Bibliothèque nationale en 1961, peu après son arrivée au pouvoir, contient notamment la phrase : « Dans la révolution tout, contre la révolution rien. »

Défendre l’avenir

En septembre prochain, De La Paz et Morelli se rendront à Uppsala, en Suède, à l’occasion du 88e Congrès du PEN international – du 27 au 1er octobre. Ils y présenteront une résolution où « l’emprisonnement arbitraire d’écrivains et d’artistes plasticiens et la persécution croissante des intellectuels seront dénoncés ».

Luis De La Paz  précise : « En exil, nous n’avons pas de problèmes majeurs avec la liberté d’expression, mais nous plaidons pour son absence sur l’île. Des artistes comme Tania Bruguera et Yunior García Aguilera sont contraints à l’exil. Le gouvernement cubain essayait de vous empêcher de partir ; maintenant il vous invite à quitter l’île et ne vous laissera pas revenir, c’est ce qui se passe aujourd’hui. »

En attendant, De La Paz présentera ce samedi à Miami un livre qui rassemble toute l’histoire du PEN Club en exil, intitulé, Patrie et culture, 25 ans de PEN, écrit par la poète Sara Martínez.

 

[Photo : Alexander Kunze / Unsplash – source : http://www.actualitte.com]

Publicam en seguida una adaptacion occitana d’un article de Vijay Mishra publicat originàriament en anglés dins The Conversation. Mishra es professor emerit d’anglés e de literatura comparada a l’Universitat Murdoch, a Perth (Austràlia).

Salman Rushdie es estat un ardent defensor de la libertat d’expression dels escrivans © NDZ STAR MAX IPx/AP

L’institucion Chautauqua, al sud-oèst de Buffalo dins l’estat de Nòva York, es coneguda per sas conferéncias d’estiu — e coma un luòc ont las gents van cercar la patz e la serenitat. Salman Rushdie, lo grand escrivan e intellectual public influent, i aviá ja parlat abans.

Lo divendres 12 d’agost, foguèt convidat a parlar sus un subjècte que li tocava plan lo còr: lo sòrt dels escrivans en Ucraïna e la responsabilitat etica dels estats nacion liberals envèrs eles. Rushdie es estat un ardent defensor de la libertat d’expression dels escrivans durant tota sa carrièra.

Dins lo public de mai o mens 2500 personas a Chautauqua se trobava Hadi Matar, 24 ans, de Nòva Jersey, que sautèt sus l’empont e escotelèt Rushdie al còl e a l’abdomen.

La fatwa e l’espèctre de la mòrt

Se passèt fa mai de 30 ans —lo 14 de febrièr de 1989 (jorn de Sant Valentin)— quand l’aiatollà Ruhollah Khomeini, 88 ans, alavetz dirigent esperital d’Iran, condemnèt Rushdie a mòrt per mejan d’una fatwa, una decision legala en vertut de la sharia. Son crime èra d’aver blasfemat contra lo profèta Maomet dins son roman Los versets satanics , per divèrsas rasons.

La mai seriosa èra la suggestion que Maomet non solament editèt lo messatge de l’àngel Jibril (Gabriel) mas que lo quite Satan intervenguèt per tal de desformar aquel messatge. Aquò, de segur, se presenta coma de remembres allucinatòris pel personatge aparentament destimborlat del roman, Gibreel Farishta. Mas en rason d’una cresença comuna en l’identitat partejada de l’autor e del narraire, l’autor es reputat responsable de las paraulas e de las accions d’un personatge. E aital l’autor foguèt condemnat.

Las primièras paginas de l’edicion del 13 d’agost 2022 dels jornals iranians. Se pòt legir “Lo cotèl dins lo còl de Salman Rushdie” © Vahid Salemi/AP

De blasfemar contra Maomet es un crime imperdonable dins l’islam: una sòrta de santetat divina entorneja lo Profèta de l’Islam. Aital se mòstra dins una dicha farsi fòrça coneguda, با خدا دیوانه باشوبا محمد هوشیار Ba khuda diwana basho; ba Muhammad hoshiyar (Siá fòl amb Dieu, mas prudent amb Maomet).

Après la fatwa, l’espèctre de la mòrt a seguit Rushdie — e el o sabiá, quitament quand lo govèrn iranian ostensiblament retirèt son sosten a la fatwa (mas sens l’estapa importanta d’admetre qu’una fatwa emesa per un erudit qualificat de l’islam —qu’èra Khomeini— podiá èsser revocada.) Rushdie, el meteis, aviá pas pres seriosament las menaças ocasionalas contra sa vida. Aviá viscut mai liurament aquestas darrièras annadas, en se dispensant sovent dels gàrdias de seguretat afectats a sa proteccion.

E mai li ajan levat la respiracion assistida, las nafras de Rushdie son totjorn grèvas. Coma o diguèt son agent Andrew Wylie, risca de pèrdre un uèlh e saique quitament l’usatge d’un braç. Se restablirà, mas sembla pauc probable que torne coma lo contaire qu’èra (coma l’ai conegut durant mas vesitas a l’Universitat Emory, en Georgia, ont pendent cinc ans, de 2006 a 2011, foguèt escrivan en residéncia de tèrme cort, e ont sos archius èran estats installats).

Expausar las linhas de division entre l’Èst e l’Oèst

Sabèm pas çò qu’a motivat Hadi Matar a agir d’aquel biais, mas son accion pòt èsser dissociada de la fatwa de 1989, raportada per la revista Time dins un article principal entitolat « Hunted by An Angry Faith: Salman Rushdie’s novel cracks open a fault line between East and West” (Percaçat per una fe emmaliciada: lo roman de Salman Rushdie dobrís una linha de division entre l’Orient e l’Occident).

Rushdie arribèt a la primièra pagina de Time lo 15 de setembre de 2017, quand la revista lo presentèt e faguèt l’elògi de son nòu roman, The Golden House (L’ostal daurat). Dins lo perfil, Rushdie sosquèt a l’efièch de la fatwa e de la controvèrsia a l’entorn dels Versets satanics sus la percepcion que las gents an de son escritura. L’umor de sos libres èra estat negligit, e sas òbras posterioras avián començat d’aquerir “l’ombra de l’atac” suls Versets satanics.

Los versets satanics foguèron publicats fa mai de 30 ans — qualques ans abans la naissença de l’agressor de Rushdie, Hadi Matar. Mas l’insult a l’islam ressentit pels detractors de Rushdie sembla d’aver perdurat e mai los decennis ajan passat.

Lo debat en cors sus Rushdie (coma o implicava l’article de Time de 1989 sus la fatwa) a revelat las linhas de division entre Occident e l’islam que s’èran amagadas. Aquelas linhas de division insinuavan, segon l’argument, una diferéncia radicala entre çò que constituís la responsabilitat artistica en Occident e en Orient (aqueste definit estrechament coma l’Orient islamic e çò que V.S. Naipaul nomenava las nacions “convertidas” a l’islam).

Aquel discors de la diferéncia radicala èra ja intrat dins la recèrca umanista europèa, coma Edward Said o aviá notat dins son libre magistral de 1979, Orientalism . D’unes an sostengut que Los versets satanics de Salman Rushdie avián mes al centre del debat un objècte tangible que poiriá èsser designat coma un exemple definitiu de l’antagonisme de l’Occident envèrs l’islam.

Per la majoritat dels legeires que prèsan l’autonomia relativa del roman coma òbra d’art, s’agís d’una lectura falsa e quitament enganaira, de la natura mediatizada de la relacion entre l’art e l’istòria. Mas coma o mòstra lo recent còp de cotèl de Rushdie, la lectura es totjorn poderosa.

Malastrosament, Rushdie es massissament identificat (per d’unes) a de sentiments antiislamics. Aquò a desviat l’atencion de sa reüssida coma autor de qualques unes dels romans mai polits escriches long del sègle XX — un grand escrivan dont lo nom es regularament presentat coma un probable futur laureat del prèmi Nobel de literatura.

Mai qu’un escrivan

Salman Rushdie, un musulman indian, nasquèt dins una familha musulmana laïca e cresquèt amb los libres e lo cinèma. Son paire, Ahmed Rushdie, aviá longtemps desirat de reorganizar l’Alcoran cronologicament.

Rushdie nasquèt qualques meses abans l’independéncia d’Índia. L’Índia qu’el coneguèt abans de partir devèrs lo prestigiós pensionat anglés de Rugby en 1961 èra l’Índia incontestablement laïca de Nehru. Aquela vision liberala nehruviana, qu’Índia sembla d’aver perdut, a guidat son escritura e es estada l’inspiracion darrièr lo succès espectaclós de son segond roman, laureat del prèmi Booker, Midnight’s Children (1981) — e los elògis de la critica qu’an seguit sos romans mai creatius, valent a dire Shame (1983), The Moor’s Last Sigh (1995), The Ground Beneath Her Feet (1999) e The Enchantress of Florence (2008).

Coma un autre escrivan de la diaspòra indiana mondiala, V.S. Naipaul, Rushdie èra vengut en Occident amb la tòca exprèssa de venir romancièr. La fatwa l’a dramaticament transformat en quicòm mai qu’un escrivan: de fach, en una icòna culturala que representa l’importància de la libertat d’expression d’un escrivan.

Aquela revendicacion de libertat es diferenta de la libertat d’expression generala que totòm ne gaudís dins las democracias liberalas. La libertat d’un escrivan es d’un autre òrdre. Es una libertat ganhada pel trabalh e per l’excelléncia artistica. Aquela libertat es condicionala: es pas accessibla a totes los escrivans. Deu èsser meritada, en intrant dins lo canon de la literatura mondiala— mas pas necessàriament en tèrmes de la definicion europèa de la literaritat. L’ensemble dels trabalhs de Rushdie indica que l’a meritada.

Mas se pòt pas restar aquí. L’experiéncia de Rushdie presenta egalament lo dilèma de saber cossí negociar aquela libertat a travèrs de las culturas — en particular amb de culturas regidas per d’absoluts morals e religioses sonhosament definits.

L’isteria violenta generada pel tractament magic que Rushdie fa de Maomet dins Los versets satanics es estada, enfin, limitada a una petita minoritat. Mas es sovent aquela petita minoritat qu’arriba pas de legir allegoricament los absoluts, coma previst.

L’incident de Chautauqua se seriá pas degut produire, mas se produguèt. Es un prètz que l’art paga periodicament, mai que mai quand es pres coma un aisit boc emissari per de diferéncias istoricas mai complèxas.

Vijay Mishra
Universitat Murdoch, Perth, Austràlia
Article publicat dins The Conversation lo 14 d’agost de decembre de 2022

[Sorsa: http://www.jornalet.com]

La fatwa lancée contre lui en 1989 a transformé l’auteur en icône culturelle représentant l’importance de la liberté d’expression de l’écrivain.

Salma Rushdie à Paris, en 2018. AFP

Écrit par Vijay Mishra 

La ville de Chautauqua, située au sud-ouest de Buffalo dans l’état de New York, est connue pour ses conférences d’été. C’est un lieu où les gens viennent chercher la paix et la sérénité. Salman Rushdie, grand écrivain et intellectuel influent, avait déjà pris la parole dans ce cadre.

Le vendredi 12 août, il était invité à parler d’un sujet qui lui tient à cœur: la situation critique des écrivains en Ukraine et la responsabilité éthique des États-nations libéraux à leur égard. Tout au long de sa carrière, Rushdie a défendu sans relâche la liberté d’expression des écrivains.

Dans le public –environ 2.500 personnes– se trouvait Hadi Matar, 24 ans, originaire du New Jersey, qui a sauté sur scène et a poignardé Rushdie au cou et à l’abdomen.

La fatwa et le spectre de la mort

Il y a plus de trente ans, le 14 février 1989, l’ayatollah Rouhollah Khomeini, 88 ans, alors chef spirituel de l’Iran, a condamné Rushdie à mort par une fatwa, une décision légale prise en vertu de la charia en vigueur dans le pays. Il était déclaré coupable de blasphème contre le prophète Mahomet dans son roman Les Versets sataniques.

Sa faute la plus grave? Avoir suggéré que Satan lui-même avait déformé le message délivré à l’ange Gabriel par Mahomet. Il s’agit, bien entendu, de souvenirs hallucinatoires du personnage apparemment dérangé du roman, Gibreel Farishta. Mais en assimilant l’auteur et le narrateur, la fatwa fait de Rushdie le responsable des paroles et des actions d’un personnage. Et qui mérite donc d’être condamné.

L’insulte à l’islam ressentie par les détracteurs de l’écrivain semble avoir perduré.

Le blasphème contre Mahomet est un crime impardonnable dans l’islam, exprimé par le célèbre dicton farsi: «Prenez les libertés que vous voulez avec Allah; mais faites attention à Mahomet.»

Depuis la fatwa lancée contre lui, le spectre de la mort poursuit Rushdie, même si le gouvernement iranien a ostensiblement retiré son soutien à cette condamnation, mais sans concéder qu’une fatwa émise par un spécialiste qualifié de l’islam –ce qu’était Khomeini– pouvait être révoquée. Rushdie lui-même n’a pas toujours pris ces menaces au sérieux: ces dernières années, il vivait plus librement, se passant souvent de gardes du corps.

Bien que l’écrivain ne soit plus sous respirateur, ses blessures restent graves. Comme l’a dit son agent Andrew Wylie, il risque de perdre un œil et peut-être même l’usage d’un bras. Il se rétablira, mais il semble peu probable qu’il redevienne le conteur d’autrefois, tel que je l’ai connu lors de mes visites à l’université d’Emory, en Géorgie, où pendant cinq ans, de 2006 à 2011, il a été écrivain résident, et où ses archives ont été installées.

Exposer les lignes de faille entre l’Orient et l’Occident

Nous ne savons pas ce qui a motivé Hadi Matar à agir ainsi, mais son action ne peut être dissociée de la fatwa de 1989, racontée par le magazine Time dans une tribune intitulée «Traqué par une foi enragée: le roman de Salman Rushdie ouvre une faille entre l’Orient et l’Occident».

Rushdie a fait la couverture de Time le 15 septembre 2017, lorsque le magazine a dressé son portrait et fait l’éloge de son nouveau roman, La Maison Golden. Dans le portrait qui lui est consacré, Rushdie réfléchit aux conséquences de la fatwa et de la controverse autour des Versets sataniques sur la façon dont ses écrits sont perçus. L’humour, dans ses livres, a été négligé, explique-t-il, et ses œuvres ultérieures ont souffert de «l’ombre de l’attaque» portée aux Versets sataniques.

Les Versets sataniques ont été publiés il y a plus de trente ans –quelques années avant la naissance de l’agresseur de Rushdie, Hadi Matar. Mais l’insulte à l’islam ressentie par les détracteurs de l’écrivain semble avoir perduré.

Le souhait de longue date de son père, Ahmed Rushdie, était de réorganiser le Coran de manière chronologique.

Le débat en cours sur Rushdie (comme le laissait entendre la tribune du Time de 1989 sur la fatwa) met en évidence des lignes de faille entre l’Occident et Orient qui étaient jusqu’alors restées cachées. Ces lignes de faille instaurent, selon les arguments de l’auteur, une différence radicale entre la responsabilité artistique en Occident et en Orient (ce dernier étant défini de manière étroite comme l’Orient islamique et ce que V.S. Naipaul appelait les nations des «convertis» islamiques).

Pour la plupart des lecteurs qui apprécient l’autonomie du roman en tant qu’œuvre d’art, il s’agit d’une lecture erronée, voire trompeuse, de la relation entre l’art et l’histoire. Mais comme le montre la récente agression au couteau de Rushdie, cette lecture est encore puissante.

Malheureusement, Rushdie est massivement lié (par certains) à des sentiments anti-islamiques. Cela a détourné l’attention de sa réussite en tant qu’auteur de certains des meilleurs romans écrits au cours du XXe siècle –un grand écrivain dont le nom est régulièrement avancé comme un potentiel lauréat du prix Nobel de littérature.

Plus qu’un écrivain

Salman Rushdie, musulman indien, est né dans un foyer musulman laïque, et a grandi avec les livres et le cinéma. Le souhait de longue date de son père, Ahmed Rushdie, était de réorganiser le Coran de manière chronologique.

Rushdie est né quelques mois avant l’indépendance de l’Inde. L’Inde qu’il a connue avant son départ pour le prestigieux pensionnat anglais de Rugby, en 1961, était le pays indiscutablement laïque de Nehru. Cette vision libérale, que l’Inde semble avoir perdue, a guidé son écriture et a été la source d’inspiration de son deuxième roman, Les Enfants de minuit (1981), qui eut un succès spectaculaire et fut récompensé par le prix Booker, et de l’accueil critique réservé à ses romans plus créatifs, à savoir La Honte (1983), Le Dernier soupir du Maure (1995), La Terre sous ses pieds (1999) et L’Enchanteresse de Florence.

L’expérience de Rushdie pose également la question de savoir comment négocier cette liberté à travers les cultures.

Comme un autre écrivain de la diaspora indienne mondiale, V.S. Naipaul, Rushdie était venu en Occident dans le but de devenir romancier. La fatwa l’a radicalement transformé en quelque chose de plus qu’un écrivain: il est devenu une icône culturelle représentant l’importance de la liberté d’expression d’un écrivain.

Cette revendication de liberté est différente de la liberté d’expression générale dont jouissent ceux qui vivent dans les démocraties libérales. La liberté de l’écrivain est d’un autre ordre. Il s’agit d’une liberté acquise par le travail et l’excellence artistique. Cette liberté est conditionnelle: elle n’est pas offerte à n’importe quel écrivain. Elle doit être gagnée, en entrant dans le canon de la littérature mondiale, mais pas forcément en fonction d’une définition européenne de ce qui fait littérature. L’ensemble de l’œuvre de Rushdie indique qu’il l’a méritée.

Mais nous ne pouvons pas en rester là. L’expérience de Rushdie pose également la question de savoir comment négocier cette liberté à travers les cultures, en particulier celles qui sont régies par des absolus moraux et religieux soigneusement définis.

La violente hystérie engendrée par le traitement magique de Mahomet par Rushdie dans Les Versets sataniques s’est finalement limitée à une petite minorité. Mais c’est souvent cette petite minorité qui ne parvient pas à lire les absolus de manière allégorique, comme ils devraient l’être.

L’agression de Chautauqua n’aurait pas dû se produire. C’est le prix que l’art paie périodiquement, surtout lorsqu’il est pris comme bouc émissaire facile pour solder des différences historiques complexes.

 

[Source : http://www.theconversation.com]

Lo govèrn de l’estat teocratic assegura qu’a pas res a veire amb l’agression e qu’es lo quite Rushdie qu’a “incitat a l’òdi” “en nafrant los sentiments” dels musulmans

Las autoritats d’Iran asseguran qu’an pas res a veire amb l’agression c Salman Rushdie, mas jutjan la victima coma colpabla de l’atac. “Refusam categoricament quin ligam que siá” entre l’agressor e Iran, çò a assolidat lo pòrtavotz del govèrn iranian, Naser Kanani, segon çò que rapòrta la cadena iraniana d’expression espanhòla Hispantv.

Segon Kanani, lo sol colpable de l’atac que la patiguèt l’escrivan divendres passat son “lo quite Rushdie e sos partisans” e o justifica en afirmant qu’el nafrèt los sentiments dels cresents “de las religions monoteïstas, incluses los musulmans”. En mai d’aquò, Kanani a acusat Rushdie “d’incitacion a l’òdi” e a criticat las autoritats de divèrses païses, dont los Estats Units, per aver dich qu’un “blasfemaire es un defensor de la libertat d’expression”. Enfin, Kanani a precisat que “la libertat d’expression se pòt pas emplegar coma un pretèxt per insultar las religions divinas”.

[Sorsa: http://www.jornalet.com]

 

Escrit per Jordi Galves

Han volgut matar Salman Rushdie i una mica és com si ens haguessin volgut matar a tots, als pacífics que intentem viure i deixar viure, als que ens sentim fràgils, vulnerables i sense l’escorta que protegeix els polítics en la manifestació de la Diada. Han volgut fer callar per sempre el gran escriptor i hem sentit que ens havien ofegat la boca amb la manassa d’un monstre diabòlic. Ens hem abraçat a la nostra parella mentre miràvem la televisió els que encara tenim parella. Els que encara tenim algú per estimar hi hem pensat, molt fort. Ha estat com quan sents, a les notícies, que hi ha hagut una violació. Si t’estàs dutxant, surts fet una borrasca amb sabó i truques la filla, la neboda, la germana. Encara que la teva germana sigui mossa d’Esquadra, encara que faci cent trenta quilos, ensenyi protecció personal i li pugui trencar la cara a qui sigui. Mai se sap. Vas regalimant emoció i vols saber si està bé. Però no, no estem bé. Perquè sabem que venen temps difícils, sense ni cinc de calaix i ens sentim vulnerables. I només ens faltava ara veure per la tele com estan arruïnant la vida de les dones d’Afganistan i d’altres llocs on han d’anar tapades. I com han clavat deu coltellades a Rushdie.

Torno a obrir Els versets satànics, que encara que us penseu que la literatura no serveix de res esteu més equivocats i més perduts que mai, xatos. Torno al fascinant nucli del llibre que naturalment, és tot el que té a veure amb el diable, amb el mal i més concretament amb la set de mal. No existeix literatura ni cinema sense la participació estel·lar dels dolents, no hi ha vida sense llàgrimes ni rosa sense espines. Ni periodisme sense desgràcies. Una història sense dolents ja no és una història perquè no sembla creïble. Segons el gran historiador de l’Alcorà Muhàmmad ibn Jarir at-Tabarí, quan Mahoma anava a pronunciar el verset 53, 19, aleshores “Satanàs va posar a la llengua del Profeta el que tenia dins del pensament i que desitjava per al seu poble”. Pronuncià temeràriament dos versets que tenien la intenció de quedar bé, de ser conciliador amb els pagans de la Meca. Dos versets que reconeixen l’existència de les tres deesses de la Meca i que podien ser una mena d’intercessores entre Al·là i els humans. L’arcàngel Gabriel, sempre a l’aguait, li va dir que allò no podia ser i va censurar-li els dos versets amb una tinta roja arcangèlica que tenia. Perquè aquells eren versets satànics. Si ets monoteista i una miqueta coherent només hi pot haver un déu. I aquells personatges femenins que tanta devoció despertaven entre els mequins de tota la vida sobraven. A l’Alcorà les poques dones que surten sempre són secundàries, complementàries, marginals com en una novel·la gai.

Perquè és el més savi i és la saviesa mateixa que Al·là va corregir els signes, els versets, que el Profeta exhalava. Al·là redreça sempre el que ha quedat tort com un jutge suprem del tribunal més suprem. Aquesta és la gran derrapada en la vida de Mahoma, de manera que molts doctors en ciència islàmica —perdó per l’oxímoron però així en diuen— amaguen l’episodi. D’altres acusen els occidentals d’haver-se inventat tota la història, com si les històries inventades no poguessin ser tan importants per als homes com les vertaderes. Altres experts, per la seva banda, justifiquen que no va ser realment Mohammed qui va dir els versets satànics. Va ser Satanàs en persona el responsable. I és que els llibres sagrats tenen la seva pròpia lògica, la lògica de la fe cega, la lògica dels que estan convençuts d’una cosa i no canviaran mai d’opinió i s’empescaran sempre una justificació. Per això la fe i el fanatisme no resisteixen mai l’anàlisi racional ni accepten el debat en termes de lògica.

Salman Rushdie dibuixa els creients com a persones incapacitades per pensar correctament i que, ja és ben curiós, acusen els altres de no saber pensar. Fins i tot les desgràcies, els errors, com en aquest cas dels versets satànics de les tres deesses de la Meca, no els fan obrir els ulls. En un episodi del llibre de Rushdie se’ns parla d’una dona visionària que engresca tot un poble de l’Índia perquè vagi en peregrinació fins a la Meca. A peu. I, naturalment, en línia recta perquè Déu és totpoderós i molt cinematogràfic quan vol, almenys des del punt de vista meteorològic. Un àngel ha explicat a la dona que han de confiar en Déu, perquè fe vol dir confiança. A les persones del poble que critiquen aquesta bogeria se les obliga a callar, se’ls tracta d’infidels, de descreguts, de bojos. Se’ls acusa de no pensar correctament, de no saber pensar. La massa humana enfervorida, embriagada amb la seva pròpia raó, la que es dona la raó a ella mateixa, mai no accepta crítiques. Als integristes se’ls identifica perquè fan callar els altres, perquè tenen molt clar el que es pot dir i el que no es pot dir. Duen la censura dins del cor i pensen que la llengua ha de tenir límits.

En aquest estat d’exaltació col·lectiva els creients es llancen al mar i moren. No se salva ni Déu. Els que han quedat al poble i han vist la tragèdia fan uns ulls com a taronges i es dediquen aleshores a buscar una explicació al que ha vist. Fins que la troben. És una explicació infantil perquè les religions sempre acostumen a utilitzar la lògica dels infants, perquè és una lògica que tranquil·litza la por, la d’ells i la teva. El que realment ha passat, diuen els savis de la religió, és que Déu totpoderós els ha transportat miraculosament a la Meca. Són tots sans i estalvis en aquell indret, i en una vida, molt millor, no cal patir. La nostra és, com la de Mahoma, una època de por, d’inseguretat. I moltes persones necessiten sentir-se aixoplugades, estàlvies. Per això les desgràcies en lloc de fer entendre la realitat a determinada gent, els fan caure encara més en la irracionalitat de l’integrisme religiós, de la ultradreta política. Que, en cert sentit són una mateixa cosa, com explica Zineb El Rhazoui, la gran dama de l’antifeixisme religiós, escapada per atzar, i no per miracle, de l’atemptat de Charlie Hebdo. Els dogmes perquè continuïn essent dogmes no s’han de pensar gaire, ens recorda. S’han de seguir i s’han d’imposar. Per la força si cal.

Por això volen mort Salman Rushdie, el d’Els versets satànics. Per fer preguntes, discrepar, criticar. Damunt de persones que no accepten que ningú faci preguntes, que ningú discrepi ni critiqui. Excepte ells, ells sí que poden criticar i parlar. Rushdie els està dient, com podeu dir que l’Alcorà és un llibre que està escrit, a través del Profeta, per Déu mateix? Com pot ser que Déu no estigui aleshores limitat pel llenguatge humà, pels pensaments, per la personalitat de Mahoma? Com a escriptor, Rushdie no té dubtes. L’Alcorà és l’obra d’un home i no de cap Déu, només cal llegir el llibre per veure que és una obra completament humana. I per això és susceptible de contenir errors humans, cosa que els integristes religiosos no accepten. Mahoma, gràcies a la voluntat d’Al·là fou un ésser infal·lible durant l’elaboració de l’Alcorà, diuen. Rushdie davant d’aquest argument tan infantil no pot fer altra cosa que fotre’s a riure. Els versets satànics és una colossal rialla contra el totalitarisme i contra la censura. Contra els que diuen que saben el que es pot dir i el que no, ja sigui per motius religiosos o morals.

Al capdavall, la ultradreta europea blanca i, més o menys racista, pensa exactament igual que els islamistes més radicals. Són el mateix com explica Zineb El Rhazoui. És el vell pensament de sempre, el de tota la vida. Davant de la gent que se surti de la ratlla, pal. Pal i més pal. Censura. Repressió. Són els que diuen que la llibertat d’expressió ha de ser limitada en alguns casos. Per exemple, quan es fa proselitisme d’una idea equivocada. És exactament el que pensen els assassins intel·lectuals de Rushdie. L’escriptor, a través del seu llibre, ¿no està fent proselitisme contra la religió islàmica? Per això, precisament, ha de ser executat. Perquè difon idees perilloses. Els mateixos individus que pensen que, en nom de la religió islàmica, s’han de matar homosexuals, lesbianes i apòstates són el que trobem aquí, a Europa, demanant la pena de mort contra els violadors i altres criminals. Són bones persones que troben perfectament lògic demanar la pena de mort als que se salten la llei, però no entenen que, per a molts musulmans, Rushdie també s’ha saltat la llei.

Són persones que no entenen que, en aquest planeta hem de conviure amb mil milions de musulmans. També existeix la possibilitat d’entrematar-nos tots entre tots, però potser que mirem, primer, de ser lògics i conseqüents. Si ningú pot dir a Rushdie que calli, encara que els seus llibres violin la llei islàmica, tampoc podem dir als islamistes que no poden dir, en una democràcia, les barbaritats que diuen. El més probable és que un islamista no pensi com nosaltres ni li agradi Bola de drac i té dret, en un estat de dret, a expressar que ell aplicaria la pena de mort als que se salten la llei religiosa. Com la té la ultradreta europea. El que no és admissible, des del sentit comú, és que la ultradreta europea digui barbaritats, però la ultradreta islàmica no pugui dir-les. Nosaltres creiem en la igualtat.

Ser paternalista i supremacista amb una altra cultura i una altra tradició sempre és molt mal negoci. Si pensem que Valtònyc i Hasél tenen dret de dir barbaritats, els islamistes tenen dret a dir les seves. Encara que jo soc amic de Valtònyc. Les animalades, les imbecil·litats, les barbaritats no les eliminarem mai aplicant la censura. En tot cas, farem només que siguin idees encobertes. Mai, en la història, la censura ha servit per a la democràcia ni mai ens ha guardat de cap mal. Les idees d’odi, de racisme, de LGTB-fòbia, de cristianofòbia, de catalanofòbia, d’islamofòbia, la intolerància al capdavall, no es combaten prohibint que es puguin expressar. Les males idees no es combaten prohibint-les sinó derrotant-les amb idees molt millors. Si les nostres idees són millors s’ha de continuar demostrant cada dia. Recordem, per últim, que la gran diferència, la diferència essencial, entre tots els països islàmics i nosaltres, la societat occidental, és la llibertat. I dins de la llibertat, hi ha la llibertat de pensar i d’opinar. La llibertat d’expressió. Sense la llibertat seríem exactament com un lloc perdut del desert, miserable i inhòspit on ara estan fent una festa perquè han intentat matar Salman Rushdie.

[Font: http://www.elnacional.cat]

La izquierda debería perder al miedo a ser acusada de « islamófoba » por criticar una religión que somete a las mujeres y persigue a los disidentes. 

Escrito por  

El 12 de agosto conocíamos la agresión a Salman Rushdie. Se disponía a dar una conferencia en Nueva York cuando Hadi Matar irrumpió en el escenario, se abalanzó sobre él y lo apuñaló en varias ocasiones.

Salman Rushdie ha vivido amenazado de muerte desde hace más de 30 años.

Concretamente, desde que publicó la obra Los versos satánicos, una novela con pasajes alusivos, con una perspectiva satírica y crítica, a Mahoma y a creencias islámicas. Esto provocó la ira de muchos musulmanes y que en el año 1989 el ayatolá de Irán, Ruhollah Jomeini, expresara en decreto las siguientes palabras:

En el nombre de Dios,
somos de Dios y a Dios volveremos.

Estoy informando a todos los valientes musulmanes del mundo que el autor de Versos satánicos, un texto escrito, editado y publicado contra el Islam, el Profeta del Islam y el Corán, junto con todos los editores y editoriales conscientes de su contenido, están condenados a muerte. Hago un llamamiento a todos los musulmanes valientes, dondequiera que se encuentren en el mundo, para que los maten sin demora, para que nadie se atreva a insultar las creencias sagradas de los musulmanes en lo sucesivo. Quien muera por esta causa será mártir, si Dios quiere. (…)

Que la paz y las bendiciones de Alá estén con ustedes.

33 años después dieron cumplimiento a la condena de muerte e hirieron gravemente al autor de Los versos satánicos.

Han sido muchas las reacciones de condena expresadas por personajes públicos de todo el mundo. Y también han sido muchas las reacciones que merecen la más rotunda condena.

Por un lado, la de fundamentalistas islámicos celebrando la agresión. Por otro, la de los fundamentalistas de no se sabe qué progreso relativizando el hecho, profiriendo una tentativa de condena con la boca pequeña, hablando de lo que en nombre de otras religiones se hizo antaño o expresando su temor a que el ataque a Rushdie dé pábulo a la “islamofobia”.

A unos y otros, solo puede decirles: ¡váyanse a freír espárragos! Un hombre se debate entre la vida y la muerte por expresar una crítica al islam y pretenden que soportemos pueriles y cobardes argumentaciones disfrazadas de tolerancia que solo sirven para legitimar y/o relativizar la tentativa de asesinato.

Ayer escuchaba un debate en la radio británica BBC y todos los intervienes se mostraban deeply concerned por cómo este hecho podría provocar una reacción xenófoba e “islamófoba”. Al autor de Los versos satánicos no le dedicaron más palabras que el deseo de recuperación.

En la prensa española el panorama no es mejor. Titulares omitiendo el nombre del atacante (Hadi Matar) y señalando que se desconoce el motivo del ataque. Miren, señores, una disputa vecinal no parece.

Entiendo, como jurista, que se está investigando. Entiendo, como ciudadana que pretende ser informada, que se debe señalar y condenar sin ambages la más factible de las causas.

Y es necesario hacerlo porque, hoy, el islam representa un gran problema. Hay un islam político que pretende realizar sus planes y programas no solo en países de contextos islámicos sino también en los europeos. Unos planes y programas incompatibles con los principios promulgados en las Constituciones de países occidentales y con nuestras prácticas socioculturales. Ayer mismo se manifestaban las mujeres en Afganistán contra el régimen talibán.

Como expresaba ante la noticia mi admirada Násara Iahdih, feminista saharui que lucha denodadamente contra el patriarcado islámico, que no tomen a las mujeres de contextos islámicos por sumisas. No lo son. Frente a talibanes armados exigieron ayer su derecho a la educación y al trabajo.

Comprenderán ahora la incompatibilidad expresada. Porque estas son premisas fundamentales de esos planes y programas: negar el derecho a la educación y trabajo a las mujeres, de su libertad de movimiento. Someterlas, taparlas, maltratarlas, deshumanizarlas privándolas de su propia autonomía. Perseguir y asesinar a apóstatas y críticos como pretendieron con Salman Rushdie. Lapidar a los infieles. Todo validado y amparado por su particular forma de gobierno, los califatos. Estados teocráticos que no conocen más ley que los execrables preceptos coránicos.

En España ya hay partidos islamistas (PRUNE y Hizb Ut Tahrir/Partido de Liberación Islámica) y más valdría que desde posiciones autodenominadas de izquierdas se les dejara de reír las gracias, sino quieren escuchar en el Congreso unas cuantas salvajadas.

Basta ya de aceptar en nombre del multiculturalismo y la tolerancia que existe algo llamado “feminismo islámico », un artificio teórico que solo sirve para dar entrada y legitimar en nuestras sociedades las barbaridades a las que se somete a las mujeres en contextos islámicos.

Basta ya de celebrar en España el día de hijab, como ha hecho en reiteradas ocasiones el partido ERC, ese trapo que no es ropa sino la representación de una imposición de una moral religiosa que subordina a las mujeres.

Basta ya de introducir en las escuelas, en nombre de una instrumental diversidad cultural, la asignatura optativa de religión islámica.

Basta ya, por enfermedad infantil de la progresía, de llamarle “islamofobia” a la más que legítima y normal crítica a una religión que somete a mujeres y persigue a los disidentes.

Basta ya, por miedo a ser falazmente acusados de racistas, de callar ante lo intolerable.

A la derecha institucional y mediática les recuerdo que son muchos los hombres y mujeres de contextos islámicos que padecen lo indecible por vivir en regímenes islamitas, no vayamos a identificar etnias y nacionalidades con lo que hacen sus integrantes fundamentalistas. Escuchen a los críticos y apóstatas. Recuerden a las juezas afganas que hoy acogemos en España.

A las izquierdas les recuerdo que en nuestro ideario está la defensa de un Estado laico y que su pusilanimidad e irresponsable complacencia nos acabará generando un grave problema en nuestras sociedades.

Es verdaderamente preocupante la amenaza islamista que enfrentamos. Como también lo es el retroceso que vivimos en lo que atañe a libertad de expresión y generación de pensamiento crítico, que se pretende impedir ejercer so pena de acusación de delito de odio o de tener todas las fobias.

Dudo de que hoy fuera posible la publicación de Los Versos Satánicos. Porque no olviden que “en el momento que declaras un conjunto de ideas inmune a la crítica, sátira, burla o desprecio, la libertad de pensamiento se vuelve imposible”. Esto dijo Salman Rusdhie. Tenía razón. Y, por eso, han tratado de asesinarlo.

Paula Fraga es abogada especializada en Derecho penal y de familia.

 

[Fuente: http://www.elespanol.com]

Au lendemain de l’attaque au couteau contre Rushdie, BHL est revenu, dans le JDD, sur les trente ans d’amitié avec l’écrivain visé par la fatwa. Il lance une campagne pour que le Nobel de littérature 2022 soit décerné à l’auteur de « Les Enfants de minuit ».

Salman Rushdie.

Salman Rushdie. Photo : AFP

Écrit par Bernard-Henri Lévy

La fatwa, les amis de Rushdie, ses lecteurs, Rushdie lui-même, avaient fini par ne plus y penser.

Il vivait, à New York, une vie presque normale.

Il n’avait plus, depuis des années, qu’une sécurité discrète, presque invisible.

Et je me rappelle ce jour, peu après son élection, où le président Emmanuel Macron nous avait reçus autour d’un café et s’était étonné qu’il soit si peu protégé : « Je n’ai pas l’âme d’un martyr !, avait répondu Salman en riant. Je ne suis qu’un écrivain ! pourquoi en voudrait-on, autant, à un écrivain ? »

Eh bien il se trompait.

Ce genre de tueurs ne lâche jamais.

Vous pouvez mépriser, oublier les chasseurs de prime que l’Histoire lâche à vos trousses, la meute, elle, ne vous oublie pas.

Et c’est ce qu’a sans doute compris mon ami dans les secondes d’effarement, avant qu’il ne perde connaissance, où il a vu que, comme Samuel Paty, comme le père Jacques Hamel, comme Daniel Pearl, on voulait le décapiter.

Aujourd’hui, il lutte contre la mort.

Déferle sur le monde un vent de terreur et d’horreur.

Bernard-Henri Lévy et Salman Rushdie à l’issue de la conférence donnée à Helsinki en 1992. Photo : Micheline Pelletier/SYGMA

Trente-trois années d’amitié intellectuelle

Et je n’ai le cœur à rien, sinon à attendre, guetter les rares nouvelles qui filtrent de l’hôpital UPMC Hamot, à Érié, Pennsylvanie, où il a été héliporté – et laisser venir à moi les souvenirs des 33 années écoulées depuis que l’ayatollah Khomeyni l’a publiquement condamné à mort.

Cette assemblée du Conseil Nordique, quelques semaines après la fatwa, à Helsinki, où j’avais, en secret, avec mon ami suédois, Gabi Gleichman, décidé de partager mon temps de parole avec lui… Il surgit, sur scène, à mes côtés. L’assistance, médusée, retient son souffle. Elle croit voir un fantôme, un condamné à mort qui s’est échappé, un masque de fer évadé de sa Bastille planétaire. Et, alors, il prend la parole. Il rit de ses yeux étranges, en demi-lune, avec leur pupille trop grande qui lui mange le blanc du regard. Il improvise un monologue étincelant sur l’art et les pouvoirs du roman. Il dit qu’entre son œuvre et sa vie, il choisira toujours son œuvre. Et c’est une ovation.

Ce voyage à Nice. Air Inter a bloqué la première rangée. Il embarque au dernier moment, avec ses officiers de sécurité, juste avant la fermeture des portes et après qu’on a vu, sur la piste, un mystérieux ballet de policiers, de voitures de service, de gyrophares. Et, de nouveau, quand il apparaît, saisissement. Une dame se trouve mal. Une autre demande à descendre. Mais le reste de l’avion, le premier choc passé, applaudit, soutient.

Prison sans murs

Cet autre peureux. Le malheur c’est qu’il était, celui-là, ministre des Relations Extérieures de la France. Il s’appelait Roland Dumas. La Règle du Jeu, ma revue et celle de Salman Rushdie, celle que nous avions, avec lui et quelques autres, fondée en 1990, l’avait invité à rencontrer ses amis parisiens. Mais le ministre fut ignoble. Il décréta que ce citoyen d’Europe avait besoin d’un visa pour entrer en France. Et il refusa le visa au motif qu’il n’était pas en mesure d’assurer sa sécurité. Son collègue Jack Lang, ministre de la Culture, protesta. François Pinault proposa d’envoyer un avion et de fournir les protections nécessaires. François Mitterrand trancha. Et la France des trafics et des ventes d’armes céda face à l’esprit de Voltaire. Bonjour Mr Rushdie.

Un autre encore. Le Prince Charles. Mêmes années. Déjeuner à l’ambassade du Royaume Uni à Paris. « Rushdie n’est pas un bon écrivain », grogna le Prince à qui je demandais ce qu’il pensait de l’Affaire. Et d’ajouter : « sa protection coûte cher à la couronne d’Angleterre ». Un autre ami de Salman, Martin Amis, rétorqua : « ça coûte encore plus cher de protéger le prince de Galles qui n’a, que l’on sache, pas publié grand-chose d’intéressant ». Et la presse, les tabloïds, l’Opinion, prirent, une fois n’est pas coutume, parti pour l’écrivain persécuté.

Je me souviens du journal Le Monde m’envoyant à Londres, à peu près à la même époque, pour faire un reportage sur la vie quotidienne de l’écrivain le plus reclus du monde. Nous déjeunons chez Scott’s. Nous marchons dans Mayfair. Nous passons devant Kensington Palace où il m’avoue s’être précipité, comme beaucoup de Londoniens, le jour de la mort de la princesse Diana. Nous allons, à la Portrait Gallery, voir une exposition de portraits d’écrivains par Henri Cartier-Bresson. Des gens l’accostent : « Vous êtes Salman Rushdie ? – I hope so, I do my best… ». Il met son point d’honneur, ce jour-là, à faire comme s’il n’avait pas cette épée de Damoclès au-dessus de la tête. Il fait ses exercices de liberté et de vie normale, comme d’autres de remise en forme. Après mon départ, hélas, il retourne à sa prison sans murs.

Bernard-Henri Lévy et Salman Rushdie à Paris. Micheline Pelletier/SYGMA.

L’ami de l’islam modéré

Je me souviens, un peu plus tard, de notre projet de voyage à Sarajevo. Le président Izetbegovic en avait accepté le principe. Lui, Salman, le désirait. Loin d’être l’islamophobe que décrivent les salauds et les crétins, n’était-il pas l’ami de l’islam modéré ? le défenseur d’un Coran qui, comme à Sarajevo, lutterait pour les Lumières ? Un certain Boutros Boutros-Ghali, alors secrétaire général des Nations Unies, mais tombé depuis dans les poubelles de l’Histoire, s’y opposa sous de fallacieux prétextes. Il fallut renoncer.

Je me souviens d’une conversation que nous eûmes, lors d’un Festival du Livre, à Londres, où il dit sa nostalgie, justement, de l’islam de son enfance indienne. « La grande pensée musulmane, expliqua-t-il, était large d’esprit. ». Puis : « Lorsque je repense aux temps de mes grands-parents, de mes parents, l’islam se voulait cosmopolite, suscitait des interrogations et des argumentations, il était vivant. ». Salman est fils de cet Islam-là. Il n’a évidemment rien contre le blasphème ; car le droit au blasphème est indissociable, à ses yeux, de la liberté d’expression et de pensée ; mais je ne crois pas qu’il ait, pour autant, jamais blasphémé quoi que ce soit.

Je me souviens d’une conversation, à Paris, sur la radio juive RCJ, où il médita sur ce qu’aurait été sa fatwa si elle avait été prononcée au temps, non du fax, mais des réseaux sociaux. « Il suffit d’un tweet, disait-il, pour mettre la planète en émoi. Il suffit de cinq minutes sur YouTube pour provoquer des manifestations, partout dans le monde, au même moment. Si ma fatwa avait eu lieu à l’ère d’Internet, m’aurait-elle été fatale ? Je ne sais pas. » Maintenant, il sait. Hélas.

Je me souviens de son mariage, pluie de pétales de rose, orchestre indien, sitar, tambour, le geste de passer l’anneau à la cheville de son aimée, ses amis sont là, son fils aussi, il est heureux.

Je me souviens du soir de la première élection de Barack Obama. Nous sommes dans un appartement à recoins et boiseries d’un mogul new-yorkais. Il y a là un mélange de gens de lettres, d’acteurs, de journalistes, de grands donateurs. À un moment, un portable sonne. C’est le président élu, qui le remercie de son soutien.

Le contraire d’un maudit

Je me souviens du jour où, avec Pierre Nora et Claude Lanzmann, nous étions venus le filmer pour ARTE. Je ne sais pas ce qu’est devenu ce documentaire. Nous avions tourné, il me semble, dans la bibliothèque d’un club d’un quartier chic de Londres. Lanzmann s’agaçait de l’autorité de Rushdie. Nora s’agaçait de l’agacement de son vieux copain et ancien condisciple. Il semblait vouloir le protéger contre lui-même et contre sa tendance bien connue à la querelle mimétique. Salman s’amusait du spectacle. Il aimait l’idée de ces vieux khâgneux qu’il admirait et qui semblaient poursuivre une éternelle conversation d’adolescents.

Je me souviens d’une journée, sur une plage d’Antibes, douceur de vivre, soleil de midi, chaleur qui tremble à perte de vue, amour du cinéma et des actrices, Le Mépris, à qui appartient vraiment la maison Malaparte de Capri ? Il ne désirait rien tant, ce jour-là, que de parvenir à tourner, un jour, un remake de James Bond 007 contre Docteur No ou de Bons Baisers de Russie. Grand vivant. Appétit d’exister et de multiplier les existences. Le contraire d’un maudit.

Je me souviens de nos dîners en solitaire, ces dernières années, à New York. Il ne voulait plus entendre parler, du tout, de la fatwa. Nous devisions de Rabelais, du Chant de Salomon de Toni Morrison, de Laurence Sterne, de George Eliot où il n’arrivait décidément pas à entrer, de Naipaul dont la mort le laissait inconsolable. La littérature avant toutes choses. L’envie, face au fracas du monde, de dire : « S’il vous plaît, baissez le son ». Ce qui ne l’empêcha évidemment pas, il y a quelques semaines, au tout début de la guerre d’Ukraine, de considérer qu’il y avait urgence, d’écrire avec moi un appel aux sanctions contre la Russie et d’aider à ce que le cosignent Sting et Sean Penn.

Héroïsme tranquille

Ce qui m’a frappé, pendant toutes ces années, c’est l’héroïsme tranquille de mon ami.

Il voyait bien qu’il ne se passait guère d’année sans qu’une grande capitale expulse un faux diplomate iranien en lien avec sa fatwa.

Il savait qu’il se trouvait encore des prétendus amis des peuples musulmans pour, malgré Charlie Hebdo, l’Hyper Cacher, le reste, estimer qu’on n’a jamais raison d’offenser la foi d’autrui et que, s’il arrive malheur à l’offenseur, c’est lui qui l’a cherché.

Et il n’y avait pas une conférence du type de celle qu’il s’apprêtait à donner, en ce terrible 12 août, au centre culturel de Chautauqua, où il échappait à l’éternelle question de savoir s’il regrettait, sachant tout ce qu’il sait désormais, ces Versets Sataniques écrits dans la fougue de la jeunesse et qui le suivent comme une malédiction.

Mais il n’avait pas peur, non.

Tout au plus concédait-il disposer d’un radar qui l’avertissait, parfois, de la possibilité d’un danger.

Et, une fois seulement, mais il y a longtemps, je l’entendis faire une remarque étrange sur le talent qu’ont les maîtres tueurs de ruminer leur vengeance et de l’exécuter froidement, sans laisser trop de traces, quand on s’y attend le moins – Mussolini et les frères Rosselli ; Staline et Ignace Reiss ; Poutine et les premiers oligarques empoisonnés ; un jour, un Ramón Mercader chiite que nul n’aura vu venir ?

Bernard-Henri Lévy et Salman Rushdie à Paris. Photo : Jacques Lange/Paris Match.

Un immortel, à la fois Dickens, Balzac et Tagore

Je pense qu’il en était là, vendredi, quand a bondi face à lui l’homme chargé de l’exécuter.

En sera-t-il toujours là quand il sera sorti de cet enfer de douleur où je l’imagine se débattant ?

L’artiste en lui continuera de croire, je suppose, que la vie est un songe, plein de fureur et de bruit, écrit par un idiot.

Et il ne s’étonnera pas que, si l’on a su, dans une seule vie, être à la fois Dickens, Balzac et Tagore, on est, à la fin, immortel.

Mais il lira l’article de Iran, le journal quasi officiel du régime, qui, tandis qu’il luttait contre la mort, se réjouissait que « le cou du diable » ait été « frappé par un rasoir ».

Il verra le quotidien ultraconservateur Kayhan bénissant, alors qu’il souffrait le martyre, « la main de celui qui a déchiré le cou de l’ennemi de Dieu avec un couteau. ».

Il apprendra, aussi, que l’homme qui a voulu le tuer est un fanatique du Hezbollah libanais, à la solde de l’Iran.

Et il devra se résoudre à l’idée, qui lui a toujours fait si peur, d’être cet homme symbole, otage dans la guerre des mondes et dont la mort, la vie, sont, qu’il le veuille ou non, l’affaire de tous.

Un devoir et un Nobel

C’est pourquoi, aux autres, à ceux qui n’ont pas su le protéger, à nous, incombe un devoir.

Cet écrivain puni pour avoir écrit, depuis trente ans, des textes libres et qui rendent libre mérite réparation.

Cet acte de terreur absolue qui, par-delà son corps poignardé et ses livres, est une terreur sur tous les livres et tous les mots du monde, appelle une riposte éclatante.

Les États auront la leur.

La communauté internationale devra signifier aux commanditaires du crime qu’il y a un avant et un après la nouvelle affaire Salman Rushdie.

Mais ses amis, ses pairs, ceux dont l’opinion compte, la presse, ont entre les mains une décision.

Faire que soit décernée à l’auteur des Versets Sataniques la plus haute des distinctions littéraires.

Faire qu’au nom de tous les siens et en son nom propre, lui soit décerné, cette année, c’est-à-dire dans quelques semaines, le Prix Nobel de littérature.

Je n’imagine pas un autre écrivain avoir l’outrecuidance, aujourd’hui, de le mériter plus que lui.

La campagne commence maintenant.

 

[Source : laregledujeu.org]