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Começa a 45ª Mostra internacional de São Paulo, em formato híbrido. Internet permite acesso em todo o país; mas volta mágica da sala escura. Feminismo, regressão moral, endividamento e amores melancólicos marcam primeiros filmes destacados

Escrito por José Geraldo Couto

Está começando a 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que este ano terá um formato híbrido, com exibições nas salas de cinema e sessões virtuais. São 264 filmes de mais de cinquenta países, o que torna impossível dar conta de tudo. Quando muito, pode-se destacar um punhado de títulos que não devem passar em branco. É isso que vamos tentar fazer aqui nas próximas semanas, começando hoje com alguns filmes programados para os primeiros dias.

Um herói (Irã/França), de Asghar Farhadi

Ganhador do Grand Prix do Festival de Cannes. Em Shiraz, no Irã, durante uma breve saída temporária da cadeia, um homem preso por dívidas tenta vender moedas de ouro encontradas casualmente pela namorada e, assim, saldar ao menos parte do débito e conquistar a liberdade. Esse é o ponto de partida de uma intrincada narrativa que mistura drama moral, trama detetivesca e reflexão sobre o poder da imagem (televisão, internet) na sociedade contemporânea.

Sem grandes rasgos de invenção visual, mas com direção segura e aguda sensibilidade na descrição de personagens e ambientes, o diretor de A separação e O apartamento reafirma sua tarimba na realização de um cinema de grande comunicação com o público de qualquer lugar do mundo.

Roda do destino (Japão), de Ryusuke Hamaguchi

Vencedor do grande prêmio do júri do Festival de Berlim. Três histórias independentes, todas protagonizadas por mulheres às voltas com relacionamentos afetivos esquivos e enganosos.

Numa delas, uma modelo descobre que seu ex-namorado está começando a sair com sua melhor amiga sem saber da amizade entre as duas. Em outra, uma ex-aluna tenta seduzir um professor universitário e escritor para vingar a humilhação que este impôs a seu jovem amante. Por fim, uma moça lésbica comparece a uma reunião de ex-colegas de colégio e reencontra (ou assim acredita) uma antiga paixão.

Com engenho e delicadeza, Hamaguchi desenha as trajetórias errantes de suas personagens de modo a mostrar a força do acaso e o papel da imaginação na construção do que chamamos “destino”. Uma pequena obra-prima.

Má sorte no sexo ou Pornô acidental (Romênia), de Radu Jude

Urso de Ouro no Festival de Berlim. Vazam na internet imagens do sexo hardcore de Emilia (Katia Pascariu), professora de um colégio de Bucarest, com o marido. Ela é chamada a uma reunião com pais de alunos que se caba por converter num julgamento inquisitorial. Com uma construção livre e debochada, que atravessa vários gêneros e mistura registros diversos (documentário, televisão, home movie), o diretor Radu Jude põe em cena o caos cultural e as tendências morais e políticas regressivas de nossa época.

O garoto mais bonito do mundo (Suécia), de Kristina Lindström e Kristian Petri

A acidentada e trágica história de Björn Andrésen, que ficou famoso ao encarnar o adolescente Tadzio no clássico Morte em Veneza. A participação no filme de Visconti virou pelo avesso a vida do jovem Björn, tornando-o uma celebridade instantânea, explorada até o bagaço pela indústria cultural.

Narrada em parte pelo próprio ator, hoje com 66 anos, essa tocante cinebiografia marcada por tragédias (morte violenta da mãe, perda de um filho bebê, alcoolismo, depressão) atualiza e questiona a ideia mítica da beleza extrema como uma condenação, ao situá-la num contexto histórico-cultural muito concreto. Alguns senões: o excesso desnecessário de música (como se o drama real não fosse suficiente), uma estetização no limite do tolerável e uma certa visão do homoerotismo como uma ameaça a rondar os meninos bonitos.

A mulher que fugiu e Encontros (Coreia), de Hong Sang-soo

O coreano Hong Sang-soo é tão profícuo que já chega em dose dupla. Em A mulher que fugiu, ganhador do prêmio de direção no Festival de Berlim de 2020, uma mulher casada (Kim Min-hee, atriz habitual do diretor) aproveita a ausência do marido em viagem de trabalho para reencontrar amigas de juventude e cotejar sua trajetória com as delas. Como costuma acontecer nos filmes de Sang-soo, nos silêncios e reticências vai reconstruindo-se um passado fugidio, bem como um presente ambíguo e cheio de incertezas.

Em Encontros (melhor roteiro no Festival de Berlim deste ano), acompanhamos vários momentos da vida de um rapaz tímido, Young-ho (Shin Seok-ho), que desistiu da carreira de ator porque não conseguia beijar uma moça que não fosse a sua namorada. Quando esta viaja a Berlim para estudar, ele junta um dinheiro que não tem para ir atrás dela. O encontro não sai como ele esperava. O mesmo vale para seus contatos com o pai, com a mãe e com o ator famoso que anos antes o inspirou. É, na verdade, um filme sobre o desencontro e a solidão, rodado no preto e branco melancólico em que o diretor é mestre.

Outros destaques

Deserto particular (Brasil), de Aly Muritiba. Escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar, essa história de amor atravessada por deslocamentos e descompassos (geográfico, social, de gênero) que une Curitiba a Sobradinho (BA) vai entrar em cartaz logo depois da Mostra. Voltaremos a falar sobre ele.

Azor (Suíça/Argentina/França), de Andreas Fontana. A ditadura militar argentina vista por um ângulo original. Em 1980, um banqueiro suíço chega com a mulher a Buenos Aires para retomar os contatos com investidores locais depois que seu sócio radicado no país desapareceu sem deixar rastros. Junto com esse forasteiro entramos nos meandros da elite argentina que participava do regime: militares, estancieiros, empresários, clérigos. Por trás dos ambientes luxuosos e das conversas a meia voz insinua-se a realidade brutal da ditadura.

Bob Cuspe – Nós não gostamos de gente (Brasil), de Cesar Cabral. Animação que contrapõe (e depois mistura) dois planos: num deles, reconstrói-se a trajetória profissional do cartunista Angeli a partir de depoimentos dele próprio, de sua companheira, de Laerte e de outras pessoas de seu convívio; no outro, narra-se a saga do personagem Bob Cuspe, hoje um punk veterano que vive afastado do mundo, contra o ataque de monstrinhos que são mini-Elton Johns. Nas vozes dos personagens ficcionais, Milhem Cortaz, Paulo Miklos, André Abujamra etc. Diversão garantida.

Transversais (Brasil), de Émerson Maranhão. Documentário que entrecruza cinco histórias de homens e mulheres transgênero de diversas classes e ocupações, em cidades do interior do Ceará. Além de dar a cada um deles e delas o tempo e a atenção para que contem sua trajetória, o filme mostra as transformações do seu entorno (família, escola, trabalho, vizinhança). Uma obra urgente e amorosa, em que se alternam a indignação, o humor e o afeto.

Semana que vem tem mais.

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

L’auteur-compositeur-poète jurassien Hubert-Félix Thiéfaine signe son 18e album, Géographie du vide, à la fois rock et mélancolique, pulsionnel et sarcastique, introspectif et contemplatif. Un grand cru réalisé par son fils Lucas. Rencontre.

RFI Musique : Votre disque s’ouvre avec le très rock Du soleil dans ma rue, dans lequel vous citez un vers écrit par Johnny Hallyday !
Hubert-Félix Thiéfaine : La phrase est tombée toute seule, elle date de 1963 et Les bras en croix de Johnny, c’était le premier 45 tours que j’ai eu. En écrivant cette chanson, cette citation « Comme un Christ les bras en croix » est venue du plus profond de mon inconscient. J’ai cherché autre chose, mais je n’ai pas trouvé.

Que représentait Johnny pour vous ?
C’était le grand frère qui me servait de modèle quand j’avais 13 ans. J’essayais de faire du Johnny à la place de Johnny avec mon groupe qui s’appelait Les Caïds Boys (Rires). C’était les débuts.

Ce disque s’appelle Géographie du vide parce qu’il n’y a plus de territoires à défricher ?
Non c’est cosmique. C’est le drame de la solitude, individuelle ou collective, par rapport à l’immensité, les soirs d’été, quand on regarde les étoiles et qu’on se sent à peine une fourmi. Cela parle de ce vide. Et du vide de sens car je m’aperçois avec l’âge que tout ce qu’on nous a dit à l’école ou par la religion sonne faux. Cela peut aussi être le vide d’intelligence, d’amour ou de poésie. Chacun peut remplir les blancs.

Dans un autre registre, sur une musique de Nosfell, dont les arrangements évoquent Arcade Fire, vous vous adressez à Baa’l Azabab dans la chanson Prière pour Baa’l Azabab. Qui est-ce ?
C’est Belzébuth, il y a au moins quatorze formes d’écritures et de prononciation de son nom. J’aime bien taper dans la fourmilière. C’est un grand délire comme j’aimais les faire quand j’étais jeune. De temps en temps ça me rajeunit de jouer avec les mots et de les faire sonner comme cela. Peu importe le personnage que je joue à ce moment-là.

Effectivement, puisque vous y écrivez « Seigneur Dieu des Bacchanales, ne me délivrez pas du mal ». Est-ce une façon de dire qu’il faut accepter sa part d’ombre ?
Oui… Enfin, il faudrait donner une définition du mal et là il faudrait écrire un livre ! C’est juste que tout le monde se dit tourné vers le bien sans faire le moindre effort pour que ça soit vraiment bien et beau. Si pour être bien il faut avoir mal, allons-y.

Et il y a aussi une part de revendication de la folie. Dans L’Idiot qu’on a toujours été, par exemple…
On peut avoir les situations et le monde qui bougent autour de soi mais on est toujours celui qui ne sait rien, l’ignorant. C’est un retour sur soi pour essayer de s’analyser comme on est et non pas comme on croit être. Cela correspond à une crise d’humilité peut-être… J’aime bien les gens humbles (il rit) ils sont quand même plus agréables à fréquenter que ceux qui sont sûrs d’eux !

Vous chantez « Il y a du soleil dans ma rue mais je ne sais pas quoi en faire« . Avez-vous des difficultés à vous emparer du bonheur ?
Cela ressemble à du gadget, le bonheur. J’ai été élevé dans la religion catholique où le bonheur c’est Dieu. Alors forcément, le jour où je me suis débarrassé de Dieu, je me suis débarrassé de ce qui allait avec, les anges et tout ça. Je préfère des valeurs comme la liberté. Mais je n’ai pas de leçon à donner à ce sujet, je connais des gens heureux, ils sont bien aussi, je vous assure (il rit de bon cœur).

La fin du romanPages noiresCombien de jours encore… Beaucoup de chansons sont très pessimistes. Si les poètes sont prophètes, vos textes donnent l’impression qu’on arrive à la fin de l’histoire…
Je ne sais pas si les poètes sont prophètes, ils écrivent surtout des choses pour éviter qu’elles arrivent.

Ce disque est réalisé par votre fils, Lucas. Qu’apporte-t-il à votre musique ?
De la fraîcheur et de la modernité avant tout. En principe je devais m’arrêter au dix-septième album. Cela aurait fait écho à la phrase « le fou a chanté dix-sept fois«  qui était dans mon premier disque (Le chant du fou dans Tout corps vivant branché sur le secteur étant appelé à s’émouvoir (1978) ndlr.), cela me plaisait poétiquement. Mais j’ai eu envie de continuer et je me suis dit tant qu’à faire autant partir dans une autre direction. Un cycle se terminait, il fallait en ouvrir un autre. Alors j’ai kidnappé la jeunesse.

Pour ce disque vous donnerez deux types de concerts…
On le jouera en deux parties. Une première, acoustique (Unplugged) à partir de janvier et une deuxième (Replugged) électrique, en 2023. Les morceaux seront différents. Donc il faut s’attendre à une quarantaine de chansons si on va aux deux concerts (il sourit).

Hubert-Félix Thiéfaine Géographie du vide (Columbia) 2021
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https://deezer.page.link/hGdzppQM6zdsHLv89

 

Publié par Marjorie Bertin

[Source : http://www.musique.rfi.fr]

L’écriture curieuse de certains mots se justifie souvent par leur origine. Mais cet argument vaut surtout pour les termes d’origines grecque et latine. Et encore, pas toujours…
Écrit par Michel Feltin-Palas
Personnellement, j’adore l’étymologie, cette branche de la linguistique qui explique en grande partie l’orthographe de notre lexique. Pourquoi, par exemple, le Panthéon s’écrit-il avec un h ? Parce qu’il vient du grec theios « qui concerne les dieux ». Pourquoi un k à « kinésithérapeute » ? Parce qu’il est le lointain descendant de kinêsis, qui signifie « mouvement ». Pourquoi un p à sept ? Parce qu’il s’agit d’une évolution du latin septem, de même que vingt prend un et un t en souvenir du latin viginti. Et je pourrais continuer ainsi longtemps.
Hélas, comme souvent en français, cette pseudo-règle n’en est pas tout à fait une. Et ce pour au moins deux raisons.
1. Il y a des langues privilégiées et des langues négligées. Comme le montre le paragraphe précédent, le recours à l’étymologie vaut surtout pour le latin et le grec. En revanche, on n’en tient très peu compte dans d’autres cas. « Hasard« , qui nous vient de l’arabe az-zahr, « jeu de dés », devrait en réalité s’écrire azard tandis qu' »assassin » devrait en toute logique posséder un [h] à l’initiale puisque le mot est issu de la secte des Hashishiyyin, laquelle commettait des meurtres en pleine mosquée. « Alarme » et « alerte » devraient s’écrire allarme et allerte dès lors qu’ils proviennent respectivement des expressions italiennes all’ arma (littéralement « aux armes ») et all’erta (« sur la hauteur »). Quant à notre « loustic », il devrait s’écrire avec un [g] puisqu’il vient de l’allemand, Lustig,  » joyeux ».
On observe la même négligence vis-à-vis des langues régionales. « Cohue », emprunté au breton koc’hu ou koc’hui, « halle », aurait toutes les raisons de devenir kohue, tandis que le [j] de « bijou » devrait être remplacé par un [z] puisqu’il s’agit d’un dérivé du breton biz, « doigt ». « Cadet », venu du gascon, devrait s’écrire capdet. Si l’on respectait son origine picarde, « maquiller » devrait s’écrire maquier, ou bien makier si l’on remonte plus avant au néerlandais maken dont il est lui-même issu. Quant à la célèbre « choucroute », il s’agit d’une transposition très aléatoire de sûrkrût, littéralement « herbe aigre ».
2. Même pour le latin et le grec, il existe de nombreuses exceptions. Une règle est-elle bien une règle quand on y déroge à qui mieux mieux ? On peut se poser la question tant les exceptions sont innombrables, y compris pour les deux grandes langues antiques.
· « Mélancolie », par exemple, vient du grec melankholia (« bile, humeur noire »), mais a tout de même perdu son [h]
· Alors qu’il se prononce segond, « second » prend un c pour une raison étymologique : il vient du latin secundus. Mais alors pourquoi « dragon » s’écrit-il avec un [g] alors qu’il vient du latin draco ?
· « Oreille«  devrait s’écrire aureille, conformément au latin auricula, forme que l’on retrouve d’ailleurs dans « ausculter«  et dans « auriculaire« .
· Les [h] de « trahir » et de « envahir » n’ont aucune justification étymologique puisque ces deux mots sont issus des verbes latins tradere et invadere. Ils pourraient donc très bien s’écrire traïr et envaïr sans que cela affecte leur prononciation.
· En 1694, l’Académie avait fixé une règle : si le son prononcé « an » remonte à un [e]latin, on écrit en ;s’il remonte à un [a], on écrit anAnfant, commencemant, samblant s’écrivent donc depuis « enfant », « commencement », « semblant ». Ce qui n’empêche pas le latin vindemia d’avoir donné « vendange »…
· La même année, les Immortels ont remplacé d’anciennes consonnes devenues muettes par des accents circonflexes : « août«  se substitue à aoust« brûler«  à brusler, « château » à chasteau, etc. Le problème est qu’ils en ajoutent aussi sans aucune raison à « théâtre » (qui vient du latin theatrum et du grec theatron) et à « pôle » (du latin polus et du grec polos). Dans le même temps, ils en oublient là où ils se justifieraient : sur le [u] de « soutenir », par exemple, qui vient de soustenir, et sur celui de « mouche »,qui vient de mosca…
· Sous la Renaissance, l’Académie française n’existe pas encore (elle sera créée en 1635) : les imprimeurs, disposent donc d’une grande liberté et en profitent pour disséminer de nombreuses lettres muettes pour des raisons étymologiques, en s’inspirant parfois d’usages plus anciens. Ils ajoutent un [g] et un [t] à « doigt » pour rappeler le latin digitus ;un [x] à « paix » (pax) ; des [p] à « compter » (computare), à « corps » (corpus) et à « temps » (tempus)… Cela nous paraît tout à fait naturel car nous y sommes habitués. Et pourtant, d’autres suggestions de ces mêmes imprimeurs n’ont pas connu la même fortune alors qu’elles répondaient à une logique équivalente. Qui, aujourd’hui, jugerait comme eux nécessaire d’ajouter un [b] à doubter (dubitare) et à soubdain (subitaneus) ou encore un [c] à faict (factum) ?
Cela ne veut pas dire qu’il faut faire fi de l’histoire des mots. Mais il n’est pas inutile de savoir que l’argument étymologique, souvent avancé pour s’opposer à un alignement de l’orthographe sur la prononciation, est à géométrie variable. Et qu’en réalité, notre jugement sur la « bonne » orthographe est souvent le fruit de l’habitude.
Sources :
L’aventure des mots français venus d’ailleurs, Henriette Walter, Robert Laffont

 

 

[Source : http://www.lexpress.fr]

A mobilización, celebrada en Oviedo, pide o recoñecemento da lingua porque « amplía dereitos e liberdades ».

Manifestación pola oficialidade do asturiano e o galego-asturiano

Manifestación pola oficialidade do asturiano e o galego-asturiano

Unha multitudinaria manifestación percorreu este sábado o centro de Oviedo para esixir a oficialidade das linguas asturiano e galego-asturiano. A mobilización partiu da Estación do Norte, en Oviedo, e terminou na Praza da Catedral, onde leron un manifesto.

A convocatoria correu a cargo da Xunta pola Defensa da Llingua, cuxos responsables insisten en que a oficialidade soamente significa recoñecer legalmente o dereito que ten calquera persoa para usar libremente a lingua propia nun territorio. Así, consideran que esa oficialidade supón un avance democrático porque « amplía dereitos e liberdades cidadáns ».

Consideran que actualmente os falantes do asturiano e do galego asturiano non teñen recoñecido legalmente o seu dereito para expresarse nesas linguas. « Por que teñen menos dereitos que os falantes de linguas doutras comunidades? », preguntáronse, reivindicando o mesmo trato institucional e mesmo réxime de protección que teñen as demais linguas do Estado.

O Estatuto de Autonomía de Asturias, aprobado en 1981, xa contempla a protección do asturiano (‘ bable’) no seu artigo 4 e di que se promoverá a súa difusión nos medios de comunicación e o seu ensino, respectando as variantes locais. No ano 1998, con Sergio Marqués (PP) como presidente de Asturias, aprobouse a lei de uso e promoción do  bable/asturiano, que actualmente regula a protección do idioma.

A actual normativa, con todo, non é suficiente para os participantes na manifestación deste sábado, que esixen que o asturiano e o galego asturiano sexan oficiais e gocen da mesma protección e desenvolvemento que outros idiomas do país, como o catalán ou o galego. O contrario é unha discriminación, alegan.

 

Leonardo Padura retrata en ‘Los rostros de la salsa’ el fenómeno protagonizado por este estilo musical, verdadero engrudo cultural que unió a los países caribeños en los setenta

Rubén Blades, en un concierto en Nueva York. EBET ROBERTS (REDFERNS)

Escrito por DIEGO A. MANRIQUE

Evitemos los tópicos, por favor. No se trata de que Leonardo Padura fuera “periodista musical” antes de dedicarse a cultivar la novela negra. Ambas labores resultaban compatibles: incluso, varias de las entrevistas recogidas en Los rostros de la salsa surgen de viajes facilitados por su incipiente fama como novelista. Un tomo editado en Cuba en 1997 y que ahora llega en edición ampliada.

Sabemos que Padura usó la música para perfilar —y situar generacionalmente— a Mario Conde, su policía desencantado. En sus libros, Conde se relaja escuchando a Creedence Clearwater Revival y disfrutando de su cantante, John Fogerty. Dado que ambos nombres aparecen con erratas, cabe suponer que Conde tiene esa música en cintas caseras, con datos copiados a mano. Esos gustos suponían una pequeña rebelión para un teniente de la Policía Nacional Revolucionaria. El rock anglosajón estuvo prohibido durante decenios; Fidel Castro aseguraba que era la punta de lanza de un movimiento que atentaba contra la virilidad de la juventud cubana.

El régimen tampoco manifestaba simpatía por la salsa, aunque aquí las objeciones eran de naturaleza patrimonial: se consideraba que sus estrellas explotaban hallazgos cubanos. Verdad… hasta cierto punto. La música popular cubana, ya debilitada por la fuga de talentos, sufrió un relativo eclipse durante los años álgidos de la Revolución. En el reparto de recursos y exposición mediática, se primó a la nueva trova. Se demonizó a los bailes como escenario de “actos antisociales”; fueron vetados o limitados. El encuadramiento de los músicos en organizaciones estatales creó capas de inflexible burocracia: en la conversación de Padura con Adalberto Álvarez, este explica lo complicado de formar su orquesta, Son 14, que requería juntar instrumentistas de su Camagüey y de Santiago de Cuba (unos 270 kilómetros de distancia pero, ay, diferentes provincias).

El rock anglosajón estuvo prohibido durante decenios. Fidel Castro aseguraba que era la punta de lanza de un movimiento que atentaba contra la virilidad de la juventud cubana

El embargo pudrió la situación en ambas direcciones. Castro anuló la propiedad intelectual, con lo que muchas composiciones cubanas aparecían en discos internacionales de salsa sin indicar su autor, con la sigla DR (derechos reservados). Los grupos cubanos apenas tocaban en los países occidentales, al menos hasta que Irakere se introdujo en 1980 en el circuito del jazz. Si viajaban, lo hacían custodiados por segurosos instruidos para evitar deserciones. Los músicos funcionaban en inferioridad de condiciones en tecnología y tenían dificultades para materializar el mestizaje sonoro que caracterizaba a la salsa.

La salsa original neoyorquina podía recrear formas y canciones cubanas, pero sus arreglos estaban contaminados por el latin jazz o el discutido bugalú. En sus filas abundaban los puertorriqueños y dominicanos, que referenciaban sus ritmos autóctonos. De hecho, la nómina de entrevistados en Los rostros de la salsa refleja el ascenso del merengue y la bachata dominicanos: se incluyen conversaciones con Juan Luis Guerra, Wilfrido Vargas y el fascinante cantante-político Johnny Ventura (fallecido este pasado verano).

El merenguero Johnny Ventura durante un evento en Santo Domingo (República Dominicana) en 2018.

El merenguero Johnny Ventura durante un evento en Santo Domingo (República Dominicana) en 2018. ORLANDO BARRÍA (EFE)

Felizmente, Padura conserva el habla de los entrevistados en sus transcripciones. Los cuestionarios son respetuosos y se esquivan mayormente las polémicas políticas. Solo los más veteranos —Cachao, Mario Bauzá— ponen objeciones radicales al término “salsa”. Los no cubanos reconocen la importancia de los grandes clásicos isleños como Benny Moré, Arsenio Rodríguez, Machito. Y algún cubano —el citado Adalberto Álvarez— hasta reconoce que lo suyo era difícil de exportar: “Hacíamos la música mucho más rápida que el resto de los salseros”.

Rubén Blades afirma que “el reguetón apela de forma visceral a la libido de los adolescentes” y que sus letras “encuentran un eco natural en esa edad; los vídeos reafirman la época del selfi”

Padura celebra que, comenzando los setenta, la salsa fuera el verdadero engrudo cultural que unió a los países del mar Caribe. Se trataba de una expresión urbana, con especial arraigo en los barrios más populares. Su evolución comercial fue problemática debido a su identificación con Fania. El sello de Jerry Masucci adquirió prácticamente un monopolio discográfico que tuvo resultados funestos: en los años ochenta, su ralentización de actividad —no confundir con la pervivencia de Fania All-Stars— causó desconcierto y frustración. Perdieron visibilidad muchos de los mayores talentos y se fue imponiendo la anémica salsa romántica (salsa monga, en el ambiente), que obligó a reivindicar la llamada salsa brava, que gozaba de especial arraigo en Colombia.

No hace falta explicitar por dónde van las preferencias de Padura, que aquí ofrece dos entrevistas con Rubén Blades (una reciente y otra de 1989). Cierto que el panameño constituye un caso único de libertad creativa y que siempre tuvo —­se ganó— su margen de actuación: ha variado sus formaciones instrumentales, es capaz de grabar en inglés, dialoga con otras músicas. Y hasta tiene una explicación para el auge del reguetón: “Apela de forma visceral a la libido de los adolescentes, las letras encuentran un eco natural en esa edad, los vídeos reafirman la época del selfi (…). Es el escape rebelde que encuentra una explicación existencial en la monotonía rítmica y en la no complejidad armónica”. Ya puestos, habría que recordar que tiene sus raíces en Jamaica, fermentó en Panamá y explosionó en Puerto Rico: el reguetón es tan pancaribeño como la salsa.

portada 'Los rostros de la salsa', LEONARDO PADURA. EDITORIAL TUSQUETS

Los rostros de la salsa 

Leonardo Padura
Tusquets, 2021
285 páginas. 19 euros
[Fuente: http://www.elpais.com]

Como a cobertura facial reproduz nossa cultura política

Escrito por Rodrigo Stumpf González

Em fevereiro de 2020 foi declarada pela Organização Mundial da Saúde a emergência internacional pela difusão do Sars-Cov-2, vírus causador de uma infecção respiratória grave e em muitos casos mortal, denominada de Covid-19.

O desconhecimento das formas de transmissão do vírus, a inexistência de protocolos para seu tratamento e a preocupação com seu controle, em um cenário em que a maioria dos países do mundo não possuía nem infraestrutura, equipamentos de proteção ou serviços de saúde capazes de atender toda a população afetada gerou reações caóticas a princípio.

Isto levou, nos primeiros meses, a experiências com diferentes tratamentos, orientações contraditórias sobre o uso de máscaras, luvas e higienização de superfícies. A forma mais confiável de evitar a contaminação era a defesa do distanciamento, com o fechamento de escolas, comércios e serviços públicos. A vida cotidiana passou a ser vivida na internet.

A efetividade dos tratamentos e das medidas de proteção saiu dos debates acadêmicos entre os profissionais da saúde para tornar-se base dos discursos políticos em alguns países, como Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, como elemento de identidade de governantes e oposição e seus apoiadores.

Assim, permanecer em casa conforme recomendação das autoridades locais, utilizar medicamentos para vermes contra a Covid, vacinar-se e usar máscaras passaram a ser comportamentos definidos não por uma decisão de seus benefícios fundada em informação técnica, mas conforme o grupo político ao qual pertence a pessoa.

Das diferentes formas de contestação às medidas de proteção e controle contra a pandemia, o uso de máscaras é o mais visível ao observador externo, tendo em vista que vários motivos podem levar a necessidade de sair à rua e apenas com informação pessoal pode ser possível saber se um indivíduo se vacinou ou tomou ivermectina. Isto leva à possibilidade de observar como este pequeno acessório, de pano, papel ou outros materiais, é carregado pelo público e criar hipóteses de como espelham características da cultura política de uma população.

Na prática, há uma série de possibilidades de uso das máscaras. Com o paulatino fim das medidas de restrição de circulação e reabertura de escolas, serviços e escritórios no Brasil, basta postar-se em uma janela e ver a realidade passar. Aqui vão minhas hipóteses, de acordo com algumas destas categorias, numa escala de cobertura facial que também é de sofisticação política.

O desmascarado. Divide-se em duas espécies diferentes. O desmascarado não-não-estou-nem-aí em geral é jovem e se encontra nos bares e nas ruas à noite, cercado por seus amigos também sem máscara. Quer apenas divertir-se despreocupadamente. Politicamente é alienado. Nem sabe por que a máscara é uma polêmica. Não deve ser confundido com o desmascarado militante. Esta é uma categoria que tende a ser menos comum. O indivíduo que anda nas ruas sem máscara acredita que o pior já passou, ou nunca houve grande risco, seja porque é apenas uma “gripezinha” ou porque o vírus é uma invenção da imprensa esquerdista. Pode ser apenas um cético ou individualista, que acha que se ele considera que não corre risco, os demais não importam. Mas pode tentar entrar em um supermercado e dizer que é seu direito, que ninguém o pode impedir. Politicamente desconfia das instituições, não aceita a legitimidade das restrições impostas. Nos EUA seria identificado como libertário, mas no Brasil aceita a liderança imposta de cima para baixo quando lhe convém. Pode até ter um elevado grau de instrução, mas sua cultura política é autoritária.

Porém enfrentar as autoridades e correr o risco de receber multas para declarar a sua liberdade de andar sem máscara implica em um compromisso político que a maioria não está disposta a manifestar. Como na política brasileira, a maioria é constituída dos ambivalentes.

Seu comportamento pode ser o da máscara na mão. Visto de longe pode ser confundido com o desmascarado, porque anda nas calçadas sem máscara e sem medo. Porém, nas mãos ou pendurado no pulso por uma alça carrega a máscara, à disposição para colocá-la caso em que tenha de entrar em um ônibus ou uma loja. Não contesta as instituições, apenas não tem grande interesse no que elas decidem. Sabe qual é a norma, mas considera um incômodo cumpri-la, o que só faz quando alguém está olhando.

Uma variação é a máscara no queixo. Provavelmente a categoria mais comum. Quem usa a máscara assim tem informação para saber a utilidade da máscara, mas acha que só precisa cumprir a norma se houver alguém próximo. Mantém no queixo para facilitar o bota e tira. Também pode manter pendurada em uma só orelha. Do ponto de vista das instituições, não contesta a validade da norma ou a legitimidade de quem a impõe. Só faz a sua própria interpretação da rigidez do uso. Na sua visão está fazendo tudo certo, pois quando alguém se aproxima ele puxa a máscara para cima.

Outra variação é o mascarado-com-nariz-de-fora. Usa a máscara mas não percebe ou não se importa quando fica com o nariz de fora, cobrindo apenas a boca. Não se insurge contra a norma, mas não dá muita atenção a seu cumprimento.

Os ambivalentes são o modelo típico da cultura política brasileira. Consideram-se democratas e cumpridores da lei, mas aceitam o jeitinho e a interpretação flexível quando lhes favorece, mas acham que a lei tem de ser dura quando é contra os outros.

Por fim temos o mascarado. O cidadão cumpridor das leis. Anda sempre com a máscara colocada, protegendo o rosto. Sabe a diferença entre o pff2 e a máscara de pano. Podemos dividir entre o mascarado por obrigação e o mascarado por opção. O mascarado por obrigação aceita a norma, quer se proteger e não quer chamar a atenção por descumpri-la. Não é um defensor feroz do seu uso, por isso vai preferir a máscara de pano ou papel descartável. Inclui o profissional mascarado, que usa a máscara da instituição a que pertence, com logotipo na lateral ou com o símbolo do clube, como na imensa coleção de máscaras do Flamengo usadas pelo vice-presidente Mourão.

O mascarado por opção usa uma máscara cirúrgica por baixo da máscara de pano com a mensagem política, ou a máscara pff2. Leu os artigos avaliando as diferenças de proteção e olha com cara feia quando passa o vizinho com a máscara no queixo.

Os mascarados, do ponto de vista da cultura política, incluem tanto os institucionalistas mais tradicionais, conservadores, que conhecem as leis e apoiam a democracia formal quanto os ativistas militantes, que fazem do uso da máscara uma mensagem crítica ao governo, uma forma de se diferenciar dos negacionistas. Para um a máscara é uma forma de não ser notado, para o outro a máscara é para ser notada. São provavelmente os mais sofisticados politicamente, seja à direita, seja à esquerda.

Este espelho de nossa cultura política ajuda a entender as dificuldades enfrentadas na aplicação de políticas consistentes no combate à pandemia. Historicamente o país construiu valores e atitudes em que prevalece a identificação pessoal com os governantes, cujas decisões são aceitas ou criticadas devido a relações de empatia ou rejeição de natureza emocional. As instituições são vistas como suspeitas e como mero instrumento da vontade do governante, numa espécie de “Síndrome do VAR”. Como torcedores em relação à revisão das decisões de campo, estas sempre parecem justas quando favorecem nosso time e são abusivas quando são a favor do adversário.

Isto dificulta a implementação de políticas públicas de saúde, pois o que leva ao respeito público pelas orientações não é sua racionalidade ou fundamento científico, mas a identificação política dos destinatários. O que seria um problema de longo prazo, cujos efeitos imediatos são individualizados, como a rejeição de vacinas contra o sarampo ou papiloma vírus, é uma tragédia de efeitos coletivos imediatos, em uma pandemia de uma doença infectocontagiosa como a Covid-19.

Assim, para viver num país mais seguro e mais saudável no futuro, além da reconstrução da confiança e do financiamento do SUS é preciso reconstruir a confiança na democracia e em suas instituições. Ambas as tarefas são gigantescas.

 

 

[Fonte: http://www.terapiapolitica.com.br]

Orwell descendió a las simas donde se oculta el Leviatán y pasó una temporada en su vientre, escrutando sus entrañas. Nos contó lo que vio y nos advirtió que nunca había que bajar la guardia. Leer sus artículos es una buena forma de mantenerse despierto y alerta

Algunos escritores nos dejan imágenes que revelan lo que hay en su interior. No son simples instantáneas, sino gestos que expresan su concepción de la ética, la política o las relaciones humanas. Al escribir sobre George Orwell, pseudónimo de Eric Arthur Blair, se me vienen a la cabeza varias imágenes que retratan su forma de entender la historia, la moral o la literatura. La primera es una famosa fotografía con las milicias del POUM. Orwell se encuentra al fondo. Solo se lo identifica por su estatura, que sobresale notablemente, superando a sus compañeros por una cabeza. Su pelo alborotado le imprime ese aspecto de estudiante bohemio e indisciplinado al que Eton no ha logrado domesticar. Parece un advenedizo, un ejemplar exótico en un lugar muy alejado de su hábitat. Orwell pensaba que iba a luchar contra el fascismo de los militares sublevados, sin sospechar que el virus de la intolerancia también había infectado las filas republicanas. La persecución del POUM cambiará profundamente su visión de la política, convirtiéndole en una de las primeras voces que criticó el comunismo desde la filas de la izquierda, pues nunca renunció a sus convicciones socialistas. Orwell consideraba que la misión del intelectual era entrometerse en los escenarios más peliagudos, husmeando debajo de las alfombras. La impertinencia no es un efecto colateral, sino la esencia de su quehacer.

Orwell fue un testigo incómodo de la Guerra Civil. Desmontó las versiones maniqueas, señalando que el totalitarismo poseía dos máscaras: fascismo y comunismo. Se anticipó a Hannah Arendt gracias a su experiencia como combatiente en el frente de Aragón, donde un francotirador franquista le hirió en el cuello con un balazo que casi le cuesta la vida. Orwell siempre temió la muerte por causas naturales. Pensaba que la biología nos aboca a una agonía nauseabunda, pero comprobó que una herida de guerra no era mucho mejor. Sobrevivir al disparo de un soldado enemigo, no le libró de una muerte prematura. Enfermo de tuberculosis desde la época de Sin blanca en París y Londres (1933), cuando intentaba triunfar como escritor y sus escasos ingresos le obligaban a frecuentar los comedores públicos y dormir en albergues, falleció en 1950 en un hospital londinense. Nacido en la India británica en 1903, Orwell pasó a la historia como un raro ejemplo de equilibrio entre política y literatura, dos ámbitos que suelen repelerse, pero que él logró conjugar con acierto. Autor de dos de las novelas más influyentes del siglo XX, Rebelión en la granja (1945) y 1984 (1949), su figura ha sido alabada y denigrada con fervor. Acusado –falsamente- de delator y reaccionario, sería absurdo negar sus flaquezas, como sus prejuicios homófobos, pero es innegable que su obra ha prestado un valioso servicio a la causa de la libertad, desenmascarando las artimañas del pensamiento totalitario.

La segunda imagen de Orwell que acude a mi mente es la que le muestra examinando una espada japonesa. El escritor británico nunca fue pacifista. De hecho, opinaba que el pacifismo favorecía a los tiranos. Cuando Hitler bombardeó las ciudades inglesas, se pronunció a favor de responder con la máxima dureza: “Si alguien deja caer una bomba sobre vuestra madre, dejad caer dos bombas sobre la suya”. Cuando le vemos con un cigarrillo en la boca desenvainando una espada japonesa, entendemos que no habla en broma. Orwell apreciaba mucho el coraje, la camaradería masculina y la belleza de las armas. Policía en Birmania durante cinco años, detestaba el autoritarismo, pero siempre fue un hombre de acción y jamás escondió su desprecio por los revolucionarios de salón. La tercera imagen que completa en mi memoria el perfil de Orwell exhibe su sonrisa frente a un micrófono de la BBC. Lejos de cultivar el aislamiento del escritor recluido en su torre de marfil, siempre prefirió mancharse con el barro de la historia. Voluntario antifascista en España, flagelo de los totalitarismos y agitador político con vocación pedagógica, Orwell concibió la escritura como un servicio público y no como una expresión de la subjetividad o una aventura estética.

Entre 1937 y 1949 escribió docenas de artículos que abordaban las distintas facetas del totalitarismo, un fenómeno complejo que no se circunscribe exclusivamente al terreno de la política, sino que también afecta al ámbito de la religión, la ética, la estética y la psicopatología. DeBolsillo acaba de publicar una selección de esos textos agrupados bajo el título Opresión y resistencia. En sus páginas, Orwell no se conforma con realizar análisis teóricos. Escritor con una aguda conciencia de su tarea como artífice de mundos sostenidos por la palabra, reflexiona sobre las motivaciones que le han impulsado al terreno de la creación literaria. En un arranque de sinceridad, admite que recurrió a la escritura para compensar sus fracasos en la vida cotidiana, pues se sentía inadaptado e infravalorado. Ese propósito, solo vagamente consciente en sus inicios, no le llevó a cultivar una literatura intimista o formalista. Nunca experimentó la urgencia de crear una obra de arte, sino de denunciar injusticias o llamar la atención sobre tragedias apenas conocidas. Jamás le interesó explorar los límites del lenguaje o conocerse mejor mediante la introspección. “La buena prosa es como el cristal de una ventana” y solo prospera mediante la “anulación constante de la personalidad”. Escribir nunca le resultó placentero: “Es un combate horroroso y agotador, como si fuese un brote prolongado de una dolorosa enfermedad”. Escribir no es una elección racional, sino el fruto de una fatalidad: “Nadie emprendería jamás semejante empeño si no le impulsara una suerte de demonio al cual no puede resistirse ni tampoco tratar de entender”.

Orwell evoca su participación en la Guerra Civil española desmitificando la retórica bélica y la épica comunista. La rutina del frente carece de ardor guerrero. Fundamentalmente, se lucha contra el hambre, el frío, el miedo, el sueño y los piojos, y cuando surge la oportunidad de matar al enemigo, a veces se producen inesperadas paradojas, como le sucedió a él, incapaz de disparar a un fascista que huía con los pantalones bajados. Orwell no condena la guerra. Admite que es el mal, pero en ocasiones es “el mal menor”. A veces hay que pelear para sobrevivir y “para hacerlo hay que ensuciarse”. Todos los bandos cometen atrocidades, pero no todos los contendientes son iguales. Siempre hay una causa más justa que otra. En el caso de la Guerra Civil española, había que tomar partido por los obreros y campesinos, explotados y maltratados, o por la burguesía, preocupada exclusivamente por sus privilegios: “El odio que la República española suscitó en los millonarios, duques, cardenales, playboys, conservadores y no sé cuántos otros bastaría para mostrar cómo son las cosas en realidad. En esencia, se trataba de una lucha de clases. De haber triunfado, la causa de la gente común habría salido fortalecida en todas partes. Pero se perdió, y los que viven de sus rentas en el mundo entero se frotaron las manos. Ese fue el asunto de fondo, y el resto es mero parloteo”.

Orwell se burla de los que acusan a los obreros de materialistas, señalando que las necesidades del estómago son mucho más urgentes que las del alma. Paradójicamente, las circunstancias políticas internacionales provocarán que los comunistas españoles acaben luchando indirectamente al lado de los golpistas, frenando las tendencias revolucionarias de los anarquistas. La consigna de Stalin es que las democracias occidentales deben saber que la Unión Soviética ha renunciado a exportar la revolución a otros países. Las purgas contra el POUM incluirán la manipulación periodística. Por primera vez, Orwell descubrirá que la prensa oculta hechos, los deforma o los inventa. Es una de las estrategias básicas del totalitarismo. No es suficiente alterar el presente. También hay que modificar el pasado, si resulta conveniente. El objetivo es que la mentira adquiera el prestigio de la verdad. Orwell confiesa que esa forma de proceder le “atemoriza mucho más que las bombas”. Un mundo donde un líder político pueda decidir que dos más dos son cinco sumiría a la humanidad en una oscuridad terrorífica.

En su evocación de la Guerra Civil española, Orwell, que no es un simple publicista sino un literato, no se limita a contrastar ideas. Su memoria rescata dos recuerdos que le parecen más reveladores que cualquier panfleto. El encuentro con un joven miliciano italiano –“fiero, conmovedor, inocente”- que le sonríe mientras le estrecha la mano le corroborará la existencia de una generación de hombres y mujeres de admirable dignidad. Sabe que el fascismo no descansará hasta exterminar a esos luchadores que encarnan la posibilidad de un mundo mejor. Ya en el frente aragonés, alguien robará un paquete de puritos a Orwell y acusarán a un joven barcelonés de los arrabales, con la piel muy oscura y de aspecto casi árabe. Lejos de protestar, el muchacho se dejará registrar. Descalzo, menudo y vestido con harapos, cuando su inocencia queda acreditada, no exige ninguna disculpa o satisfacción. A pesar de no ser culpable, no ha intentado defender su dignidad. “En el fatalismo de su actitud –escribe Orwell- podía verse la desesperada pobreza en que había sido criado”.

El desencanto experimentado en España no implicó un cambio de ideas. Orwell jamás dejó de identificarse con el socialismo democrático. Siempre soñó con las milicias rojas acuarteladas en el Ritz, pero quiso dejar muy claro que él no era uno de esos intelectuales de izquierdas que se burlaba del patriotismo o del arrebato experimentado en el campo de batalla, cuando el individuo descubre que forma parte de un cuerpo imperecedero y místico. “Un movimiento socialista inteligente utilizará el patriotismo en vez de limitarse a insultarlo”. Partidario de la independencia de la India, Orwell aboga por la nacionalización de los sectores estratégicos, pero considera necesario ser respetuoso con la tradición, preservando instituciones como la monarquía. Le preocupa el hedonismo de los ingleses, que desactiva la ambición y la capacidad de resistencia frente a la adversidad. Asegura que si el totalitarismo se extiende por todo el planeta, la literatura desaparecerá, pues no puede desarrollarse sin libertad. Afirma que el principal pecado de la izquierda ha consistido en pretender ser antifascista sin ser antitotalitaria. Esta falta quizás hay que atribuirla al misticismo revolucionario. No es posible regenerar la sociedad, utilizando la violencia como método de acceso al poder. Los izquierdistas no reparan en eso, tal vez porque el dogmatismo ideológico engendra “hombres huecos” (T. S. Eliot), incapaces de pensar por sí mismos. Cualquier cambio duradero debe basarse en la educación de las masas. Sin pedagogía, no habrá progreso. Lo cierto es que de momento el concepto de proletariado internacional es un mito. Un partido de fútbol moviliza más a los trabajadores que la conciencia de clase. Eso sin contar que la prosperidad de los obreros ingleses depende de la explotación de los trabajadores de la India, casi reducidos a la esclavitud. Orwell se adentra en el terreno de la psicopatología reconociendo que la actividad revolucionaria muchas veces es el resultado de un desajuste personal: “la gente saludable y normal no se siente más atraída por la violencia y la ilegalidad que por la guerra”.

Aunque Orwell se declara socialista democrático, muchas veces habla como un liberal: “Si algo significa la libertad, es el derecho a decirle a la gente lo que no quiere oír”. No parecen las palabras de un socialista, que suscribe una ideología con dogmas casi místicos, como que al final de la historia se impondrán la justicia y la igualdad, sino las de un librepensador, siempre dispuesto a ser intempestivo e impertinente. Orwell admite que su socialismo nace de la repugnancia que le produce la explotación de los trabajadores y no de la fe en la economía planificada. El socialismo alberga la creencia irracional de que el paraíso es posible en la Tierra, pero lo cierto es que la Unión Soviética no es el Edén, sino una dictadura donde el Partido ha ocupado el lugar de la burguesía, convirtiéndose en la nueva clase dominante. Ya en los años 30, con una historia relativamente breve, parece un Estado teocrático que ha sacrificado la verdad objetiva. Sus consignas son verdades inmutables ante la opinión pública, pero los líderes pueden alterarlas en cualquier momento. El totalitarismo exige una obediencia ciega, pero prescinde de la coherencia, algo inconcebible para un verdadero escritor. La literatura es incompatible con cualquier forma de ortodoxia. El escritor siempre es un hereje, una voz discordante. Por eso, los inquisidores de todas las épocas responden a sus palabras con el fuego. “Si desaparece la cultura liberal en la que hemos vivido desde el Renacimiento –escribe Orwell, expresándose otra vez como un liberal y no como un socialista-, el arte literario perecerá con ella”.

El socialismo es un credo optimista, pero ese talante no se observa en el autor de Rebelión en la granja y 1984. Su visión del panorama internacional es sombría. Piensa que la ONU es perfectamente inútil y nunca logrará ser un freno efectivo para la guerra. Se muestra partidario de la unidad de Europa bajo la égida de la socialdemocracia y cree que es imprescindible mantener el servicio militar obligatorio, preparando a la población para defenderse de agresiones de los gobiernos totalitarios. Orwell acusa a Gandhi de facilitar el dominio inglés con su apología de la no violencia. Su santidad, que incluía la abstención de comer carne y mantener relaciones sexuales, le parece inhumana. Entre Dios y el hombre, Gandhi elige a Dios. En cambio, Orwell se inclina por el hombre y elogia los placeres de la Tierra. El pacifismo encierra una trampa letal: “Si no estás dispuesto a quitarle la vida a alguien, con frecuencia debes estarlo a que se pierdan vidas de otra manera”. A pesar de sus críticas, Orwell reconoce la talla moral de Gandhi: “¡qué olor tan limpio consiguió dejar detrás de sí!”.

Los artículos de Opresión y resistencia no han perdido vigencia. El nacionalismo y el fanatismo religioso han regresado. En Europa y Estados Unidos, el populismo ultraconservador no deja de ganar adeptos. El antisemitismo se ha debilitado, pero no ha desaparecido el odio racial, ahora desplazado a los inmigrantes musulmanes. El comunismo se ha convertido en una fuerza residual, pero la crisis de 2008 le proporcionó oxígeno, rescatando ese aliento utópico que hipnotizó a varias generaciones. El Leviatán a veces se esconde en las profundidades, pero puede volver a la superficie cuando las masas, abrumadas por la inseguridad y el miedo, suspiran por el amparo de un Estado fuerte y paternal. Vivir bajo la sombra de un dragón puede ser una grata experiencia para el que ha conocido la precariedad y la incertidumbre. Orwell descendió a las simas donde se oculta el Leviatán y pasó una temporada en su vientre, escrutando sus entrañas. Nos contó lo que vio y nos advirtió que nunca había que bajar la guardia. Leer sus artículos es una buena forma de mantenerse despierto y alerta. La libertad es una larga vigilia que se prolonga más allá del amanecer, pues el poder totalitario nunca renuncia a su ambición de esclavizar al ser humano.

[Fuente: http://www.elcultural.com]

 

L’école dispense aux élèves une certaine culture littéraire, mais aucune culture linguistique. D’où les nombreuses bourdes proférées sur le sujet. Florilège.

Écrit par Michel Feltin-Palas

Ce fut dit sur un ton sympathique, mais sans l’ombre d’une hésitation. En septembre 2017, Emmanuel Macron affirme à propos de l’ordonnance de Villers-Cotterêts, signée par François Ier en 1539 : « À ce moment-là (…), le roi a décidé que tous ceux qui vivaient dans son royaume devaient parler français ». Incroyable bévue ! En réalité, cette fameuse ordonnance s’est contentée de chasser le latin des actes de justice (1). En revanche, elle se moquait comme de colin-tampon de savoir quelle langue utilisaient les Français pour converser.

Imaginez maintenant que notre chef de l’État commette la même bourde dans des domaines comme l’économie ou la diplomatie : cela ferait à coup sûr les gros titres des journaux et le déconsidérerait pour la fonction présidentielle. Là ? À peine un entrefilet en page 32, et encore. Car, en la matière, l’ignorance est généralisée. Il est vrai que, si l’école s’efforce d’initier les élèves à Molière, Voltaire et Balzac – ce en quoi elle a bien raison – elle ne dispense à ses élèves aucune culture linguistique. La preuve avec ces quelques idées reçues qui circulent à propos de notre langue nationale.

« Les rois de France ont toujours parlé français. » Evidemment pas. Sans remonter à Vercingétorix, qui s’exprimait en gaulois, les premiers « rois de France » furent les Mérovingiens et des Carolingiens. Or ceux-ci avaient pour langue maternelle des idiomes germaniques : le francique pour Clovis et le tudesque pour Charlemagne. Le premier monarque à parler « français » (ancien français, plus exactement) fut Hugues Capet, qui monta sur le trône en 987.

« C’est à Tours qu’on parle le français le plus pur. » Voilà l’une des affirmations que l’on entend le plus souvent en cette matière. À tort. Le mythe est né au XVIe siècle quand un grammairien… anglais, Jehan Palsgrave, asséna cette « vérité » dans un traité intitulé L’esclarcissement de la langue françoyse. L’explication ? Sous la Renaissance, la cour est itinérante et passe une grande partie de son temps dans les châteaux de la Loire. C’est donc évidemment la prononciation des aristocrates venus de Paris et non celle des paysans tourangeaux que Palsgrave juge la « meilleure ». Car hier comme aujourd’hui, la règle est toujours la même : l’accent prétendument « neutre » est celui de la classe sociale au pouvoir.

« Le français est une langue en danger. »Aucunement. Certes, sur la planète, notre langue nationale est dominée par l’anglais. Certes encore, une partie de ses « élites » recourt à qui mieux mieux aux anglicismes. Mais cela ne doit pas tromper. Avec quelque 270 millions de francophones, jamais le français n’a compté autant de locuteurs. Mieux encore : ce nombre devrait doubler dans les décennies qui viennent. Ce qui vaut mieux, on l’admettra, que de figurer dans la liste des quelque 2000 langues menacées de disparition.

« Ce qui n’est pas clair n’est pas français » (Antoine de Rivarol). J’ai déjà consacré une chronique à ce sujet. Citons ici simplement des phrases comme « Je loue mon appartement » ; « Je suis votre hôte » ou « Cet avocat est pourri » et l’on admettra que cette affirmation est pour le moins sujette à débat.

« Le français assure l’égalité entre les citoyens ». Que penseriez-vous si je vous disais que « l’alsacien assure l’égalité entre les citoyens » ? Il est probable que vous trouveriez ce postulat outrageusement avantageux pour les Alsaciens – et vous n’auriez pas tort. Curieusement, la France est donc parvenue à doter une seule de ses nombreuses langues – celle de Paris, le siège du pouvoir – de toutes les fonctions de prestige (administration, études, médias, etc.) ; à en priver les autres et à présenter cette mesure fondamentalement inégalitaire comme une mesure d' »égalité ». Merveille de la rhétorique…

« Le français est la langue de la liberté. » Encore une erreur ! Certes, le français fut la langue de la Révolution et de la Déclaration des droits de l’homme et du citoyen. Mais dois-je rappeler qu’elle fut aussi la langue… de l’Ancien Régime ? De même, notre idiome national fut par la suite à la fois la langue du colonialisme et de l’anticolonialisme, des dreyfusards et des antidreyfusards, de la Résistance et de la collaboration… En réalité, les langues ne portent aucune valeur. Chacune peut être mise au service de n’importe quelle idée, des plus fraternelles aux plus détestables.

« L’Académie française est composée de linguistes ». Pas du tout ! On y compte pour l’essentiel des écrivains, des historiens, des philosophes, des hauts fonctionnaires, sans oublier un ancien ministre, un biologiste et un évêque. Seuls deux philologues disposent de solides connaissances linguistiques : Barbara Cassin et Michel Zink.

« Le français se dégrade. » Non, le français évolue, ce qui est très différent. Bien sûr, ces évolutions résultent parfois de véritables erreurs (j’ai déjà expliqué dans cette lettre comment un « ombril » est devenu fautivement un « nombril »). Mais tel est le propre de toutes les langues vivantes. C’est d’ailleurs le latin tardif de nos ancêtres, c’est-à-dire un latin truffé d' »erreurs » par rapport au latin classique de Cicéron, qui a fini par déboucher sur l’ancien français. Et c’est cet ancien français qui, à la suite de multiples modifications, a abouti à notre français actuel. Lequel évoluera encore dans les siècles à venir…

« Les Français ont toujours parlé français. » Si cela est aujourd’hui le cas (à l’exception des immigrés de fraîche date et de quelques régions de Mayotte ou de Wallis-et-Futuna), ce phénomène est tout à fait nouveau, et même inédit dans la longue histoire de notre pays. Du temps de François Ier – élève Macron, soyez attentif ! – seuls 10 % à 20 % des sujets du roi maîtrisaient la langue du roi. Un pourcentage qui atteindra péniblement 20 % sous la Révolution et qui n’aurait franchi la barre des 50 % qu’aux alentours de la Première Guerre mondiale. Ce qui permet de rappeler que la France est un pays multilingue.

Concluons. Loin de moi l’idée de dénigrer le français, qui est ma langue maternelle et que j’adore. Simplement n’est-il pas inutile de distinguer la vérité scientifique du simple chauvinisme linguistique. Un défaut au demeurant largement répandu sur la planète…

(1) Pour le reste, les spécialistes sont divisés : certains considèrent qu’il s’agissait de remplacer le latin par le français, d’autre part les langues comprises par le peuple, quelles qu’elles soient.

 

[Source : http://www.lexpress.fr]

El Partido Maorí de Nueva Zelanda anunció una campaña para cambiar el nombre del país por Aotearoa, su denominación en la lengua nativa.

Escrito por Pierre Dumas

Aunque parezcan hechas para durar eternamente, las fronteras de los países son movedizas, como sucede después de guerras y movimientos independentistas, pero lo más curioso es cuando cambian de nombre. Al igual que los humanos que los crearon, los países también están sujetos a la problemática de la identidad, muchas veces simplificada en los colores de una bandera. El caso más conocido es el de Holanda, que actualmente se llama Países Bajos, pero hay muchos otros casos. Como el pequeño país del sur africano que hasta hace poco era conocido como Swazilandia. Es una curiosidad geográfica, etnológica e histórica. Además de tener la población más homogénea del continente, es la última monarquía absolutista del mundo junto con la de Arabia Saudita. Es justamente este rey de poderes infinitos quien decidió rebautizar su país con el nombre que tenía antes de la tutela británica: Eswatini.

El controvertido rey Mswati III de Eswatini, previamente conocido como Swazilandia, impulsor del cambio

El controvertido rey Mswati III de Eswatini, previamente conocido como Swazilandia, impulsor del cambio. Gobierno de Eswatini

El curioso caso de la FYROM

Hasta antes de la pandemia, en 2019, era el nombre de un pequeño país del sur de los Balcanes. No había que buscar el significado en antiguos manuales de etimología eslava: se trataba en realidad de una abreviatura que reflejaba la traducción al inglés del acuerdo entre Grecia y ese territorio, surgido del colapso de la ex Yugoslavia. La Former Yugoslavian Republic of Macedonia es ahora la República de Macedonia del Norte. Ese nombre, que suele designar en los menús una mezcla de frutas o verduras, fue el eje de una seria disputa entre la nueva nación y su vecina del sur, para el cual Macedonia es históricamente una región de lengua y cultura griega y no podía designar entonces a un país de cultura y lengua eslava. Identidad, identidad… Para los griegos se trataba de un reclamo que tenía fundamentos arraigados en la Antigüedad misma, ya que uno de los griegos más importantes de todos los tiempos, Alejandro Magno, era macedonio. El acuerdo votado y ratificado por los parlamentos de los dos Estados vecinos le dio finalmente un verdadero nombre a la FYROM, pero deja bien en claro que si hay una Macedonia del Norte, existe otra en el sur, bien griega: es la región de Μακεδονία, cuya capital es Tesalónica. Allí se habla griego, mientras en el norte el idioma oficial es de origen eslavo y utiliza el alfabeto cirílico, al igual que en Serbia y en Bulgaria, dos países que integraron fragmentos de territorios de la histórica Macedonia.

Kosovo y Sudán del Sur: los niños del planeta

El caso de la ex FYROM es muy ilustrativo de la importancia de la identidad. Los europeos lo saben bien y a lo largo de los siglos pasados lucharon muchas veces por esa causa. La última de tales guerras ocurrió hace no tantos años, entre dos vecinos de Macedonia del Norte, cuando Serbia tuvo que separarse dolorosamente de Kosovo, una región mayoritariamente poblada por albaneses, pero a la que considera como la cuna de su gesta nacional. Kosovo es actualmente el Estado más joven de Europa, pero varios países se guardan de reconocerlo (como España, que tiene sus propios problemas internos de identidad, como lo demostró el intento de independencia catalán en 2017).

Peć, que también es conocida como Pejë, es una población que esta ubicada en el noroccidente de Kosovo, el Estado más joven de Europa

Peć, que también es conocida como Pejë, es una población que está ubicada en el noroccidente de Kosovo, el Estado más joven de Europa.

Kosovo no tiene todavía 15 años de existencia y ya parece grande al lado del Estado más joven del mundo: se trata del Sudán del Sur, que ganó su independencia hace solo diez años, luego de décadas de guerra civil contra el norte del país, de confesión musulmana. Las identidades étnicas se superpusieron a las religiosas dentro de una construcción política artificial heredada del periodo colonial, como ocurrió en la enorme mayoría de los países africanos. El conflicto entre los dos Sudán no está del todo resuelto y su frontera común es objeto de tensiones y reclamos.

Las fronteras en América Latina

Es una problemática bien conocida en América Latina, donde el problema de los límites surgió de nuevo hace algunas semanas entre la Argentina y Chile, y donde Perú y Ecuador pasaron de las amenazas a los actos en 1995, en un conflicto que el premio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa calificó de “absurdo”. El tema de las identidades está claro entre las naciones del continente, aunque el resto del mundo -que ve a las antiguas colonias españolas como una región muy homogénea- no siempre lo percibe de la misma manera. El derrumbe del imperio español engendró múltiples fronteras, frutos de la geografía más que de irredentismos o identidades lingüísticas. La identidad va siempre de la mano con el territorio, y los emperadores austríacos -aquellos de abundante pilosidad y miradas austeras- lo supieron bien. Su imperio, que era un melting pot mucho antes de que Estados Unidos inventara el término, vivió numerosas convulsiones identitarias que terminaron por hacerlo implosionar. Al igual que el español, generó muchas fronteras. Algunas correspondían a aspiraciones de pueblos y otras fueron compromisos como Yugoslavia -el país de los eslavos del sur- que a su vez también estallaría en varios pedazos, décadas más tarde.

Sudán del Sur es el país más joven del mundo luego de décadas de guerra civil contra el norte del país

Sudán del Sur es el país más joven del mundo luego de décadas de guerra civil contra el norte del país – BBC / Getty Images

Cuestiones de nombre

Hay momentos de la historia en los que hay que reimprimir mapas con mayor frecuencia. Así fue a principios de los años 50 y 60, con el fin de los imperios coloniales, y a principios del 1990 con el derrumbe del “segundo mundo”. El fin del comunismo en Europa reavivó viejas cuestiones identitarias. En algunos casos se trató de un divorcio de mutuo acuerdo, como ocurrió entre la República Checa y Eslovaquia, que se separaron como lo hacen las parejas amablemente distanciadas. Otras soluciones fueron mucho más sangrientas, como el final anunciado de Yugoslavia o el retiro del oso ruso de la pólvora del Cáucaso. En cada caso, se redibujaron mapas, se crearon nuevos Estados, se concretaron nuevos espacios para identidades reprimidas. Sus nombres fueron cuidadosamente elegidos, para que el mundo entero no tenga dudas sobre ellas. Hubo casos sencillos cuando solo había que recuperar denominaciones ya utilizadas en el pasado (fue el caso de las repúblicas bálticas) y hubo otros que generaron intensas negociaciones, como Macedonia del Norte. Y están también los que tuvieron la suerte de poder elegir entre varios nombres, como los sudaneses del sur, que tuvieron distintas opciones: entre ellas la República del Nilo, el Nuevo Sudán, Equatoria (en referencia a la antigua provincia colonial británica) o Kush (en recuerdo del antiguo reino faraónico del mismo nombre). Optaron al final por lo menos original, pero la más cercana a su verdadera identidad. Y lo mismo hicieron los rebeldes de la antigua colonia portuguesa de Timor, invadida por Indonesia y asimilada por la fuerza de manera brutal durante décadas. Al momento de conseguir por fin su independencia, bautizaron su flamante país Timor Leste, que quiere decir Timor Oriental en portugués. Con la única salvación que Timur ya quería decir esto en el idioma local. Este nuevo Estado es entonces algo así como el Este del Este…

Los cambios que se vienen

El acceso a la independencia generó muchos cambios de nombres, sin que haya necesariamente relación con un acontecimiento bélico. La mayor cantidad de emancipaciones tuvo lugar en los años 60, principalmente en África, Asia y el Pacífico. Pero esta ola de libertad llegó también a las Américas y uno de los países más jóvenes del hemisferio cambió de nombre para borrar huellas coloniales: se trata del actual Belice, la ex Honduras Británica. La mayor cantidad de cambios de denominación tuvo lugar en África en las décadas del 60 y del 70. Allá las cuestiones de identidad son más complejas que en el resto del mundo, ya que las fronteras fueron trazadas por las potencias coloniales sin tomar en cuenta las realidades étnicas y lingüísticas.

Alto Volta sorteó el problema con astucia y decidió hacerse llamar Burkina Faso, el país de los hombres íntegros, una cualidad que ponía de acuerdo a todos los integrantes de las más de 60 etnias distintas que conviven en ese país. El caso del Congo también es interesante. Al igual que Níger y Sudán, es un nombre compartido por un par de países distintos. En este caso había que hacer la diferencia entre el Congo-Brazzaville (por el nombre de su capital, una excolonia francesa) y el Congo belga. Este último se transformó en Zaire durante un poco más de un cuarto de siglo hasta cambiar nuevamente de nombre y de identidad, por razones ideológicas esta vez. Es la actual República Democrática del Congo.

Zaire se transformó en la actual República Democrática del Congo

Zaire se transformó en la actual República Democrática del Congo – Shutterstock

El mismo proceso hizo Camboya durante la macabra dictadura de los Khmers Rojos. Durante algunos años el país figuró en los mapas como Kampuchea Democrática, aunque tenía muy poco de democrático y rompió todos los récords de violencias y de muerte. Mientras tanto otros países también cambiaban, sin lechos de rosas, desde la antigua isla de Ceylan -que se reconvirtió en Sri Lanka– a Pakistán Oriental (Bangladesh) o la Birmania (Myanmar).

En Nueva Zelanda el Partido Maorí anunció una campaña para cambiar el nombre del país por Aotearoa, su denominación en la lengua nativa, que ya convive con la heredada del poder colonial

La lista de cambios de nombres no termina aquí.

En este mismo momento hay un par en gestación, por suerte de manera totalmente pacífica. Es el caso de las Islas Cook, un archipiélago de quince islas en el Pacífico Sur. Lleva el nombre del explorador y marino inglés James Cook y sus habitantes quieren adoptar un nombre más acorde con su identidad polinesia. Se llamó a una consulta popular y esta micronación está lanzada en un proceso de cambio que seguramente terminará con la adopción del nombre Avaiki Nui, que parece ser el que tiene el mayor consenso en la actualidad.

Holanda adoptó el nombre de Países Bajos para representar a todas las zonas del país

Holanda adoptó el nombre de Países Bajos para representar a todas las zonas del país. BBC

El mismo camino quieren iniciar algunos en Nueva Zelanda: hace pocos días, el Partido Maorí anunció una campaña para cambiar el nombre del país por Aotearoa, su denominación en la lengua nativa, que ya convive con la heredada del poder colonial. “Somos un país polinesio, somos Aotearoa”, dice el lema de la campaña, de resultado aún incierto.

El otro caso es el del país de los pólderes, de los tulipanes, de los molinos de viento, pero también de las grandes multinacionales y de las tecnologías de punta. Se lo conoce históricamente como Holanda, pero se trata solo del nombre de dos de sus provincias (Holanda del Norte y Holanda del Sur), donde se encuentran las ciudades de Ámsterdam, Róterdam y La Haya, entre otras. El Reino de Holanda fue creado por Napoleón y suplantó la República Bátava: sin embargo, desde el año 2020 el gobierno “holandés” decidió muy oficialmente poner fin a la confusión y no permitir más que una parte llame al conjunto. En las documentaciones oficiales y a nivel internacional, prefiere que se use de ahora en adelante Países Bajos, la traducción de Nederland en el idioma local. Una vez más se trata de identidad. Los vecinos de Frisia, de Brabante, de Limburgo o de Zelanda sentirán con alivio que a partir de ahora su país es mucho más inclusivo…

Falleció en Ginebra, a sus 91 años. Un encuentro con Walt Disney, a sus 10 años, signó su destino. Vivió en varios países y las mejores editoriales se disputaron sus dibujos, convertidos en piezas de culto.

Lilian Obligado, último adiós a la gran ilustradora argentina

Mirada pícara. Los dibujos de Lilian Obligado son parte de un legado invaluable. Foto: Andres D’Elia

Escrito por Verónica Abdala

Lilian Obligado pasó sus últimos días en Suiza, el país en el que había nacido su madre y en el que ella eligió vivir, a comienzos de la década del 80: se fue rodeada de un paisaje de ensueño, digno de los cuentos que ilustraba.

Asistida por sus hijos, Cristina y Sigismond de Vajay -artista plástico-, y mientras su cuerpo iba perdiendo fuerza, esperó la muerte escapando de a ratos de la cama para darle sorbitos a un brandy debajo de un tilo fresco que la invitaba a repasar su vida. Acababa de cumplir 90 años: ese día se dejó fotografiar sosteniendo gigantescos globos dorados.

La gran ilustradora argentina, que falleció el lunes 27 de septiembre, había tenido una vida nómade: nacida en 1931, pasó la infancia entre la Argentina y los Estados Unidos, donde a sus diez años conoció en California al mismísimo Walt Disney: un encuentro que marcó su destino. Entonces supo, repentinamente y de un modo misterioso, que lo suyo sería el dibujo.

Ilustraciones de Lilian Obligado.

Ilustración de Lilian Obligado

De regreso en Buenos Aires concurrió a las clases que impartía el profesor Puig, un hombre que le enseñó a dibujar retratos y animales: al descubrimiento de que podía recrear el mundo sin más elementos que un lápiz, sumó un talento innato, que sorprendió incluso al maestro.

En los años que siguieron, Obligado llegó a ilustrar unos 130 libros infantiles, e incluso uno escrito por el hombre más importante de su vida, su padre, titulado The Gaucho boy. Obra de la causalidad -¿o la magia?-, la muerte la alcanzaría justo un 27 de septiembre, la misma fecha en la que él había nacido.

Obligado era descendiente directa del escritor Rafael Obligado –su abuelo–, aunque también integraba un linaje de mujeres artistas: María Obligado, hermana de Rafael era pintora, y su sobrina es la escritora Clara Obligado.

La autora, que vive en España, evocaba así el impacto imborrable que la imagen de la joven Lilian le produjo en la niñez: “Entraba riéndose, trasmutaba las cosas, las volvía livianas y volvía a desaparecer. Tenía cara de gato, risa fácil un cuerpo menudo y espectacular, una melena oscura y ondulada como la de Ava Gardner.” La distinguía una “sensación indecible de libertad”, definió la escritora.

Lilian Obligado. La última foto. El humor y la ternura siempre estuvieron de su lado.

Lilian Obligado. La última foto. El humor y la ternura siempre estuvieron de su lado.

Cierta gracia inédita para dar vida a personajes y escenarios coloridos y de una ternura contagiosa llevaría a Lilian a convertirse, más temprano que tarde, en una profesional exitosa, que llegaron a disputarse las grandes casas editoriales durante sus años más prolíficos.

La artista publicó sus primeros dibujos en 1956, y fue también por aquellos años que se instaló en Nueva York, donde inició su etapa artística más fecunda: habrá que imaginarla, entonces, atravesando los corredores internos que unían oficinas y hasta edificios de la Quinta Avenida, en Nueva York, hasta con un trago en mano. « Las hice todas », contaba ella, risueña, en una entrevista que concedió a este diario tres años atrás.

Libros infantiles. llegó a ilustrar más de 130 títulos, que se imprimían en los Estados Unidos y se exportaban al mundo entero. / Foto: Archivo Clarín

Libros infantiles. llegó a ilustrar más de 130 títulos, que se imprimían en los Estados Unidos y se exportaban al mundo entero.         Foto: archivo Clarín

Por aquel tiempo trabajó para editoriales como Viking, Simon & Schuster, Random House, Golden Press, Western Publishing, Holiday House, Guild Press, Doubleday, Abelard, Flammarion y Gallimard. También escribió cuentos y adaptaciones de relatos clásicos.

El público argentino asomó a sus viñetas, historietas y pinturas partir de la gran retrospectiva que le dedicó el Museo Histórico Nacional en 2017. Fue entonces que muchos reconocimos su sello, característico de las portadas de los libros infantiles de amplia circulación en los años 70 y 80 en nuestro país: imposible permanecer indiferente a la belleza de esas composiciones que la convertirán con el tiempo, seguramente, en una artista de culto.

En 2017. Muestra de la ilustradora Lilian Obligado en el Museo Historico Nacional. / Foto: Andres D'Elia

En 2017. Muestra de la ilustradora Lilian Obligado en el Museo Histórico Nacional. Foto: Andres D’Elia

Los tres chanchitos, El patito feo, o la fábula de La tortuga y la liebre fueron algunos de los clásicos que produjo para algunas de las editoriales más importantes de Nueva York o París, las capitales desde donde sus dibujos se exportaban al mundo: Europa, Latinoamérica, incluso Japón.

Aquella muestra, titulada Trazos de vida se extendió durante cuatro meses en Buenos Aires y reunió por primera vez más de 300 dibujos entre bocetos, originales y portadas. Por fin, Lilian Obligado era profeta en su tierra.

La muestra porteña reunió más de  300 dibujos entre bocetos, originales y portadas. / Foto: Archivo Clarín

La muestra porteña reunió más de 300 dibujos entre bocetos, originales y portadas. Foto: archivo Clarín

 

[Fuente: http://www.clarin.com]

Influencers da medicina nas redes sociais

 

Escrito por Julio Pompeu

Cláudio é médico. Consagrou-se estudando e trabalhando em instituições de prestígio entre os médicos. Noutro dia, um paciente ressabiado lhe perguntou porque tomar o remédio. Cláudio estranhou. Não pelo questionamento, cada vez mais frequente, mas pela desconfiança.

Desconfiança é grave. Desagrega e desintegra relações. Talvez, por causa das redes sociais, pensou. Nelas, qualquer um pode ser visto. Mas para, de fato, ser visto, precisa mais do que só ter uma conta no Instagram. Precisa chamar a atenção. E ninguém se faz notar sendo igual a todo mundo. Precisa ser diferente. Muito diferente. Engraçado. Inusitado. Barulhento. Esquisito.

Ele se fez médico respeitável jogando o jogo das instituições. Estudou, disse e fez o que lhe disseram que era para estudar, dizer e fazer. Outros sempre lhe disseram o que fazia sentido e o que era heresia na sua profissão. Tornou-se influente por ser igual aos outros médicos.

Fora da medicina, isso bastava para ser respeitado. Deixou de bastar quando o fora da medicina tornou-se o dentro das redes sociais. O influencer é médico como ele, só que sem a sua trajetória institucional. E é ouvido. E respeitado. E seguido. Na disputa selvagem por influência nas redes, o papo de Claudio é tedioso.

Instituições nada mais são que um amontoado de pessoas que concordam em concordar com alguma coisa. Com regras sobre o concordar e os fazeres para pertencer a ela.

Pertencimento é a questão. Você não participa de uma instituição, você se entrega a ela. Torna-se dela. Diz o que os outros dizem e do jeito que dizem. Veste-se como os outros se vestem. A consagração institucional vem pela igualdade.

Não pertencer a uma instituição parece libertador. Exala-se liberdade na coloquialidade das falas, no inusitado do agir, na simplicidade do vestir e na frugalidade das lives. Perto deles, o institucional parece sisudo, autoritário e anacrônico.

Mas instituições não são despropositadas. Nunca foram. Na sua cultura de formalidades e rituais, mantêm-se os acordos. Sem eles, não há modos consagrados de agir. Nem certo e errado. Não há comunidade. Ela é mais que amontoado de gente. É comungar valores, significados, propósitos e sentir-se acolhido por isso.

Na geleia das redes, há bandos. Aglomerados de pessoas em torno de acordos circunstanciais e volúveis como os desejos. Ao bando ninguém pertence, todos seguem.

Numa sociedade assim, nada dura. Nada é. Tudo está. Tudo o que é sólido precisa desmanchar-se no ar. Vive-se em torno de vontades e voluntarismos. Perdem-se as referências de certo e errado, digno e indigno. Sem o sentimento de pertencimento, fica o desamparo e a solidão num mundo dinâmico de incertezas e surpresas.

No que resta das instituições, a corrupção se disfarça de libertação. Hospital mata paciente caro e determina tratamento precoce em nome da liberdade dos médicos. Médicos contrariam a ciência nas redes em nome da sua liberdade de dizerem o que pensam.

E muitos defendem com raiva o absurdo como se fizesse sentido. Não por razão, que não há, mas pela ilusão de que se amontoando pela opinião eliminam a solidão da vida online e o desamparo de não haver uma comunidade à qual pertencerem.

E sozinhos no bando, seguem. De imagem em imagem driblando o vazio. Inventando sentidos para uma vida sem sentido. Anestesiados morais. Como pacientes dopados de morfina à espera de uma morte evitável.

 

[Ilustração: Mihai Cauli – fonte: http://www.terapiapolitica.com.br]

Fenômeno do conservadorismo, multiplicam-se nas redes perfis que ensinam mulheres a serem mais delicadas e a entender, através da Bíblia, que devemos ser sorridentes auxiliares dos homens

Escrito por Fabiana Moraes

VOCÊ PASSA PELA RUA E TÁ LÁ: o outdoor mostrando a garota de cabelos coloridos na propaganda do banco digital; a jovem gorda de biquíni em uma campanha pelo “empoderamento feminino”; a campanha do dia dos namorados e namoradas trazendo duas mulheres se beijando; a nova coleção de uma marca famosa com modelos transgêneras. Uau, parece mesmo que o mundo mudou, e as mulheres conseguiram um espaço mais plural e menos vigilância sobre corpo, gênero, peso, orientação sexual, trabalho, etc.

Mas tem uma armadilha em forma de delicada caixinha de música aí.

Enquanto a publicidade sugere avanços que muitas vezes estão acontecendo apenas no plano mais superficial da representatividade – as mulheres continuam recebendo salários menores e o índice de violência doméstica explodiu durante a pandemia, por exemplo –, um vagalhão formado por subserviência e naftalina cai sobre o que foi duramente conquistado. Uma parte considerável das redes sociais exibe agora um conteúdo que facilmente poderia estar no Jornal das Moças (1914-1965), publicação na qual era possível ler conselhos como “a desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa” (1945) ou “a mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, nada de incomodá-lo com serviços domésticos” (1959).

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Juro que não estou exagerando.

Exemplo 1: “Não importa qual o motivo, não durmam em camas separadas. Um casal deve partilhar tudo, até a noite de sono. Se brigaram, durmam juntos mesmo assim.”

Exemplo 2: “Um homem provedor, maduro e comprometido com você se sente perfeitamente bem pagando o jantar. E isso não tem nada a ver com o valor da conta! Existem muitos homens provedores independente da capacidade financeira que eles têm! Mulheres têm gastos e preocupações infinitamente maiores do que os homens até chegar em um encontro, e se você quer que ele permaneça te cortejando, sendo cavalheiro e gentil sempre, deixe que ele pague a conta.”

Sim, os textos acima pertencem a 2021 e estão publicados na conta do Instagram de Carol Fregulia, que se apresenta como mentora (o “coach” saiu de moda) de relacionamentos. Ela faz parte de uma das correntes da feminilidade com perfume “bela, recatada e do lar”, algo valorizado por almas juvenis como a do ex-presidente Michel Temer. Nela, textos e vídeos ensinam práticas como fisgar o boyzinho dos sonhos e a manter uma “energia feminina”, sempre com um ar coquete e instagramável. Na outra corrente, há a devoção máxima a três únicos elementos: Deus, Bíblia e Marido. É a missão de ser auxiliar dos homens que deve guiar as mulheres, afinal, prega a feminina rosa-cristã, foi primeiramente com esse propósito que o Todo Poderoso as criou.

Há diferenças mais ou menos sutis entre cada uma das correntes “femininas”. Em perfis como o do Jornal das Moças – opa, desculpem, o de Carol Fregulia –, há alguma dose de “empoderamento”, percebido em conselhos como “que hoje, no dia das mulheres, você se recorde que não é preciso provar pra ninguém o quão maravilhosa você é“. Há também a possibilidade de uma garota ter seus ficantes sem ser questionada por isso. Mas logo a embalagem progressista entra em choque com outros conselhos. Mulheres, por exemplo, devem se livrar de qualquer “energia masculina”, que, segundo Carol, é “se sentir cansada, sobrecarregada, insatisfeita com a vida e com as relações”, entre outras características.

Perfil reproduz um conteúdo que poderia estar no Jornal das Moças do início do século 20.Imagens: Instagram

(E eu, bobinha, achando que estava cansada e sobrecarregada por causa da quantidade diária de trabalho, pandemia, vacinas superfaturadas, destruição de ecossistemas, desemprego alto, presidente despreparado, sofrimento social, gás a R$ 100. Mas é apenas a minha “energia masculina” operando).

Em um post especialmente complicado, lemos que é de péssimo tom ir ao apartamento do pretendente se a mulher não quiser algo mais íntimo: “se você ainda não pretende ter intimidade com ele, não participe da intimidade dele também. Além disso, homens odeiam mulheres que ficam atiçando e na hora H correm.” Bem, garota, se você até pensou em transar com o rapaz quando foi até a casa dele, mas por um motivo qualquer mudou de opinião, saiba que vai ter que dar para não desagradar o varão. Afinal, diz a mentora, homens odeiam mulheres que ficam “atiçando”. Sem problema normalizar em uma rede social, e ainda em tom de conselho, um pouco da cultura do estupro: o design é róseo, os sorrisos são largos, as sobrancelhas perfeitas e a caixinha de música com a bailarina delicada está tocando. Logo, os likes vão surgir como frágeis raparigas em flor.

Assim como o perfil descrito, há diversos outros com diferentes alvos também em plataformas como o YouTube. Manu Evelin (60 mil inscritos) dá dicas sobre como ser uma “garota suave” na aula “Como ter movimentos mais delicados e femininos”. Já Leo Aquilla (400 mil inscritos) comenta como arrumar marido rico.

Nesses exemplos, porém, não encontramos – pelo menos não explicitamente – as características percebidas nos perfis claramente antifeministas, todos fortemente assentados na religião e no repúdio a pautas valorizadas por esses movimentos. Aqui, ter uma postura piedosa e cuidar do lar– mesmo se você estiver arrasada de cansada depois de um dia de trabalho – é tão importante quanto manter o sorriso sempre aberto para o varão. Há outra distinção: a valorização da energia masculina de Jair Bolsonaro, o provedor que veio salvar o Brasil das trevas, e o desprezo por mulheres politizadas.

Em um, Cris Corrêa se apresenta como “autora da linha de estudos Não Existe Feminista Cristã”, o que significa, entre outras práticas, diminuir a imagem de figuras como Frida Kahlo: “Ela só ganhou notoriedade por ter sido amante de homens importantes para a revolução”. Também há frequentes relatos de mulheres que estavam “perdidas”, mas voltaram, quase todos ligando, sem qualquer sentido, o feminismo ao uso de drogas e a uma vida “depravada”. Um exemplo é o perfil Fielmente Feminina, mantido por Amanda Durham no Instagram. Nele, ela publicou a “Carta de uma mulher resgatada da promiscuidade”.  Citarei alguns trechos:

Instagram

CARTA DE UMA RESGATADA A UMA ACORRENTADA:

Amada mulher,
Eu já estive onde você está. Eu já estive em todas essas festas, já bebi até passar mal, já até experimentei algumas drogas. Como você, eu selecionava a roupa mais sensual e dançava de modo que causasse inveja nas mulheres e desejo nos homens. Vazio. Amada menina, eu também já fui abusada sexualmente. Eu tinha 12 anos. Ele roubou meus sonhos e minha infância. Ninguém sabia. Eu não queria que ninguém soubesse. Vergonha. Medo. Culpa. Falta de informação. Com isso tive minha sexualidade despertada precocemente. (…) Eu sei que você não gosta de entregar seu corpo para esses homens. Você quer parecer moderninha, liberal, feminista, mas você detesta isso! Eu sei que você age dessa forma pensando que um deles vai te tirar dessa imundície, te resgatar desse buraco fundo e escuro onde você se encontra. Não, não vai! O nome do seu REDENTOR, aquele que vai quebrar essas correntes que te aprisionam, é JESUS CRISTO! Eu pertencia à promiscuidade, à pornografia, à prostituição, ao desamor. Hoje eu pertenço ao AMOR, eu pertenço a JESUS CRISTO, hoje e eternamente! Amanda”.

Pois é. Amanda, mais uma pessoa lamentavelmente abusada na pré-adolescência, associa o feminismo ao terrível evento sofrido por ela. Em um raciocínio inverso, culpa as mulheres e poupa os homens por um crime que é majoritariamente praticado por eles e que explodiu no Brasil nos últimos anos. Em 2019, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou que 66 mil pessoas foram vítimas de estupro no país em 2018, sendo 53,8% delas meninas de até 13 anos. Quatro meninas até essa idade são estupradas por hora no Brasil. Os documentos obtidos em delegacias, fóruns etc. mostram que os agressores muitas vezes são pais, padrastos, irmãos, avôs. Ou seja: não é nas festas ou nas ruas que as crianças e jovens estão necessariamente correndo perigo, e sim dentro de suas casas ou nas de pessoas próximas.

Pesquisando grupos de direita e neofascistas na internet há mais de dez anos, a editora do El Coyote Letícia Oliveira percebeu o crescimento desse feminino em contraposição ao feminismo. É a valorização de uma essência “fêmea” que estaria presente em um passado idílico no qual haveria mais pureza, obediência e menos questionamento, por exemplo, ao domínio masculino. “As mulheres seriam hoje infelizes por terem liberdade demais. Para ser feliz é então necessário um retorno a uma tradição que supostamente parte de uma hierarquia natural na sociedade, com a mulher submissa ao homem”.

Letícia tem razão: um patamar mais baixo na hierarquia pública e privada em relação aos homens é algo abertamente defendido e explicado entre parte das femininas cristãs nas redes. É o caso do perfil Feminilidade Cristã Brasil, mantido por Jackeline Queiroz.

Em um de seus vídeos ela explica, lendo a Bíblia, que Adão estava sobrecarregado de trabalhos quando Deus decidiu fazê-lo dormir, arrancou-lhe uma costela e criou a mulher justamente para auxiliá-lo, tipo uma superestagiária. “Por isso que é bom ler a Bíblia para não ser feminista, porque a feminista acha que a mulher está aqui para fazer a sua própria vontade. Para ser a bambambam, a gostosona, a empoderada. Para ser feliz”.

Segundo Jackeline, a feminina cristã é uma mulher regida unicamente pela palavra de Cristo (a Bíblia), e não pela filosofia da época. Nessa perspectiva, questões estruturais relacionadas ao machismo e à misoginia, como a violência doméstica e o alto número de estupros que vitima principalmente crianças e pré-adolescentes, também devem ser resolvidas através dos ensinamentos bíblicos, e não com políticas públicas. “O marido deve amar a esposa assim como Cristo ama a igreja, de forma sacrificial, pois foi isso que Jesus fez por nós. A agressão é justamente o oposto do que o marido deveria fazer. É a distorção e perversão do casamento. Cremos inclusive, nesse caso, que haja denúncia e que o agressor seja preso. Sobre o estupro, é igualmente desprezível, pois caracteriza em imoralidade sexual e falta de amor ao próximo. Deve ser severamente punido. Inclusive, existe o exemplo de Diná, filha de Jacó, que ao ser abusada por Siquem foi vingada por seus irmãos, que destruíram uma cidade inteira por causa da honra de sua irmã. Famílias desestruturadas expõem os mais fracos a barbaridades como essas. Sem Deus, aquele que sustenta tudo e todos, tudo é caos. E nada poderá melhorar essa tragédia”, diz ela, em entrevista ao Intercept.

Nas redes, os perfis Feminilidade Cristã e Fielmente Feminina interagem: no Sete de Setembro, quando Bolsonaro insuflava um golpe e pedia o fechamento do STF, a primeira publicou uma bandeira do Brasil (“Pela liberdade. Pela nossa pátria. Em oração”), enquanto a segunda respondeu com corações verde e amarelos.

A busca da felicidade como um grande atrevimento da mulher também é vista no canal Fé e Tulipas (Florescendo em um Mundo Caído), mantido pela jovem Rebeca Salazar. Em um de seus vídeos, ouvimos, a partir dos três minutos: “Hoje em dia muitas feministas dizem que devemos buscar nossa própria realização e nossa felicidade, mas foi essa oferta que a serpente fez a Eva no Jardim do Éden – e a gente sabe onde levou, porque todo pecado promete várias coisas, mas não consegue cumprir”. Em outro canal, Ramini Lima ensina 5 condutas de uma esposa sábia: 1. ela ora pelo seu esposo; 2. é sempre positiva; 3. cuida do lar; 4. é carinhosa; 5. surpreende o esposo.

Apesar da cantilena da mulher enquanto serva do marido e dos homens ser predominante, há uma ou outra voz dissonante dentro das congregações cristãs, inclusive evangélicas. É o caso de Larissa Ribeiro, 24 anos, que se apresenta nas redes através do perfil @lesbcrente no Instagram. Ela e a esposa, Ingrid dos Santos, 25, fazem parte da Contemporânea Igreja Cristã, na qual a questão do machismo estrutural faz parte do debate cotidiano. “Nosso entendimento é de que o feminismo é uma luta sobre equidade de gêneros. Quando a gente passa a ler a Bíblia, quando lê o Novo Testamento, vê que os afirmamentos de Jesus se alinham com a luta feminista. Jesus se fez presente no momento em que uma mulher ia ser apedrejada, foi contra aquilo o que a religião determinava ali. Ele acolheu aquela mulher e a protegeu.”

Larissa critica a leitura instrumentalizada da Bíblia por vários setores evangélicos: “De fato, existem versículos sobre o marido ser o provedor e mulher ser submissa. Mas se a gente não analisar os contextos, a história, o momento político e social desses textos, terminamos com visão mais conservadora e rasa do que foi escrito naquele momento. Na teologia inclusiva, falamos que texto sem contexto é pretexto.”

Violência e fé

Evangélica e teóloga, Valéria Vilhena é autora da pesquisa Pela voz das mulheres: uma análise da violência doméstica entre mulheres evangélicas atendidas no Núcleo de Defesa e Convivência da Mulher Casa Sofia e do livro “Uma Igreja sem voz: análise de gênero da violência doméstica entre mulheres evangélicas. Ela foca nessa falsa binaridade entre feminino/feminismo e chama atenção para o fato de termos, na história, uma série de mulheres insurgentes. “Isso não nos coloca como inimigas, ou não deveria colocar mulheres contra as mulheres. Mas isso também é estratégia desse modelo masculino de ser/estar e manter-se no mundo, nessa posição de superioridade em relação às mulheres. Portanto, assim, mantêm-se mulheres que desejam agradar aos homens, mesmo se isso seja contrário ao seu bem-estar, à sua saúde mental e física, à sua dignidade e autoestima. Não há problema em agradar, cuidar, demonstrar todo amor e carinho que sentimos pelo nosso companheiro/a, a questão é a linha às vezes tênue de limite, de respeito, parceria, cooperação. E comportamentos sexistas, misóginos, por exemplo, não são saudáveis em nenhum relacionamento, ao contrário, levam a diversas violências, mesmo para àquelas que ainda não reconhecem”. (Leia entrevista completa com Valéria aqui).

No Instagram, o perfil @desin.fluencer, mantido a partir de 2020 pela farmacêutica Priscilla Rezende, traz uma espécie de curadoria a respeito de influenciadoras/es que espalham de propagandas enganosas a racismo, classismo, machismo. Inicialmente, o perfil mostrava o charlatanismo de influenciadoras/es publicizando produtos para fazer o cabelo crescer, fórmulas mágicas para emagrecer etc. Depois, o escopo foi sendo ampliado de acordo com o material que a farmacêutica recebia: coach que ensina a ganhar dinheiro enquanto dorme, tik tokers “engraçadinhos” e racistas etc.

Nos últimos meses, porém, a aparição de dicas sobre “resgatar a feminilidade” e de como atrair um provedor (não de internet, e sim um bofe) cresceu. Os posts são todos enviados por seguidores e seguidoras, e Priscilla seleciona o que está no seu feed. “Esse way of life de submissão tem aumentado muito na minha caixa de entrada. Teve um movimento de coach homem dando palpite sobre comportamento de mulher – ficar com unha bem feita, malhar, ficar gostosa – e depois veio essa onda de mulher cristã e submissa, que tem que ser magra para ter um homem provedor.”

Boa parte das autointituladas femininas do material recebido são bolsonaristas e recorrem frequentemente à Bíblia para atestar a necessidade da submissão da mulher ao homem. “Desde 2018, com a eleição de Bolsonaro, existe uma licença poética para externar esse tipo de coisa nas redes. Eu ando bem assustada. A gente luta para a mulher ter igualdade, espaço no trabalho, aparecem essas pessoas e disseminam esse tipo de comportamento de mulher loura de cabelo liso, malhada, unha feita e botox, e o marido provedor, esperando ele em casa.”

Esse contra-ataque ao feminismo não é novidade: em 1991, Susan Faludi publicou o livro “Backlash”, no qual elenca o reacionarismo que se insurge contra os avanços proporcionados pelas feministas em décadas anteriores. Ali, ela escreveu: “Exigir que as mulheres ‘voltem à feminilidade’ é o mesmo que pedir que os mecanismos culturais engatem a marcha a ré, que todos nós voltemos a um tempo fabuloso, quando todo mundo era mais rico, mais jovem, mais vigoroso. A mulher “feminina” é algo eternamente estático e infantil. Ela se parece com a bailarina numa antiga caixinha de música, de imutáveis traços delicados e pueris, voz tilintante, corpo preso num pino, rodando numa espiral que nunca vai mudar.”

Esclarecimento, 6 de outubro, 18h55: Retiramos menção a um dos perfis porque parte do conteúdo ao qual o texto se referia foi removido.

[Fonte: http://www.theintercept.com]

Nos encontramos atravesando tiempos de cambios. La historia oficial obra maestra para domesticar nuestros pensamientos comienza a resquebrajarse. Un nuevo paradigma asoma en el horizonte. El genocidio, despojo e invisibilidad padecidos por los pueblos originarios que los grupos de poder pretendieron ocultar en forma definitiva comienza a salir a la luz con nitidez. Las voces que pretendieron silenciar por siempre toman la palabra, se hacen acción y la verdad surge incontenible.

Escrito por Marcelo Valko

Entre tanto, el calendario nos acerca al 12 de octubre. Distintos países coinciden en denominar esa efeméride como Día de la Raza, Día de la Hispanidad, Aniversario del Descubrimiento de América, Columbus Day o simplemente como Día del Descubrimiento de América. En Argentina se reemplazó en 2010 el Día de la Raza por Día del Respeto a la Diversidad Cultural, uno de esos eufemismos a los que somos tan afectos en estos lares y que dice bien poco y nada sobre lo que implica la fecha. Además lo convirtieron en un feriado trasladable. ¿Alguien imagina que el día en que tiraron la bomba atómica sobre Hiroshima los japoneses lo convirtieron en un feriado trasladable para gozar de un week-end? Mientras Venezuela lo denomina Día de la Resistencia Indígena y en Bolivia Día de la Descolonización, en la mayoría de nuestros países permanece Día de la Raza. Más allá de lo problemático e inexacto que resulta, el vocablo “raza” representa una imagen notable. La llegada de los europeos a estas cosas hace hincapié únicamente en UNA raza, ni siquiera dice Día de las Razas en plural, sino que utiliza invariablemente el singular. Creo interesante mencionar en el mismo sentido que en España pasó de llamarse Fiesta de la Raza a Día de la Hispanidad en la actualidad, es decir otro singular. Veremos que el uso del singular en lugar del plural no es un detalle menor, ya que unos llegaron donde estaban otros. Para que se entienda es pertinente ceñirme en los considerandos del decreto que en su momento estableció Argentina para celebrar el Día de la Raza, ya que son conceptos compartidos por otros países americanos para implementar dicho feriado. El decreto original de 1917 y que estuvo vigente hasta 2010 menciona al “genio hispano empresa esta tan ardua y ciclópea sublime del genio de Colón” destacando a “la España descubridora y conquistadora que volcó sobre el continente enigmático y magnífico el valor de sus guerreros, la fe de sus sacerdotes, el preceptismo de sus sabios, las labores de sus trabajadores con la levadura de su sangre y con la armonía de su lengua”. En definitiva ese singular que se establece entre Descubridor y Descubierto ensalza únicamente a uno solo de los dos, es un Día de la Singularidad…  No hay que ser un eximio semiólogo para advertir la ausentificación de la presencia del indígena, como si hubieran desembarcado en un continente vacío, deshabitado, en un territorio de invisibles.

Todo se tradujo mal y los que nunca estuvieron escondidos fueron descubiertos; automáticamente América dejó de tener potestad para gobernarse, se extinguió su propiedad y dominio. Europa se apropió de lo que tenía dueño; el territorio se transformó en espacio de conquista; las legítimas riquezas que poseían sus culturas se transformaron en un botín que los conquistadores “encontraban” y obviamente rapiñaban; los magníficos templos se convirtieron en canteras de piedra; sus conocimientos atesorados en códices y quipus se redujeron a humo en las hogueras de los Autos de Fe. La historia oficial tergiversó la memoria y por eso los indígenas se transformaron en ausencias. Las personas fueron leídas como objetos: los hombres utilizados como combustible biológico hasta morir y las mujeres como deshago sexual. Y pensar que algunos escribas de la elite insisten en edulcorar lo ocurrido con la cantinela del Encuentro de Dos Mundos y más de un “progre” sepulta la sangre con notas de color… El tema es simple, no se puede celebrar el inicio del mayor genocidio de la historia en tiempo y espacio que provocó a su vez otro genocidio con el secuestro y cosificación de millones de africanos para sustituir la diezmada mano de obra indígena y así utilizarlos como esclavos.

No creo equivocarme al afirmar que Argentina es el país que más se esforzó en destacar su “excepcionalidad blanca y europea” diferenciándose del resto al negar la existencia de los originarios como lo demuestran tanto exabruptos de funcionarios como los manuales y textos que los conjugan en tiempo pasado “habitaban, cazaban, creían”. Son pasado, son ausencia, ya no existen y si aparecen indudablemente deben ser extranjeros como mapuches chilenos o kollas bolivianos. De ese modo se impone una pedagogía del olvido haciendo un catecismo de la desmemoria al vestir una inocencia imposible que procura borrar culpas para que todo siga como está.

De un tiempo a esta parte, desde distintos ámbitos educativos, centros culturales, concejos deliberantes, secretarías de culturas municipales, sindicatos, comienza a cuestionarse incluso cual es la fecha que debería conmemorarse. Cada vez es mayor el consenso que no acepta celebrar con júbilo la muerte. En múltiples actos, se conmemora el 11 de octubre como “ultimo día de la libertad”. Advierto que dentro del arco de lo que se denomina progresismo existe una suerte de convicción cuasi-patológica por la derrota, de ubicarse siempre como perdedores, insistiendo con el final, con el fracaso, siempre a la cola del carro vencedor derramando lágrimas sobre el último día de la libertad. Tal vez por eso, prefiero celebrar LO PRIMERO en lugar de LO ULTIMO. Conmemorar el 12 de octubre como el PRIMER DÍA DE RESISTENCIA ante ese ultraje, ante esa ocupación criminal que fue la Conquista ubicada en las antípodas de un edulcorado “encuentro de culturas”.

Los pueblos son expeditivos, saben que el futuro es ahora, por eso es tan relevante lo ocurrido en numerosos países con el derribo de las estatuas de conquistadores y esclavistas, demostrando que no lograron ausentificar las presencias. En “Cazadores de poder”, señaló: “Ellos dicen que nosotros estamos muertos, dicen que nos mataron y que ya no estamos, cuentan que somos polvo, gusanos, lágrimas secas, que estamos enterrados, languideciendo en los rincones donde fuimos sepultados. Aseguran que somos ausencias, que somos invisibles, que somos espectros. Ellos dicen que estamos muertos. Nos explican las mil maneras de no ser. Creen que nos mataron porque nos exiliaron de lo cotidiano, que somos niebla, ausencia, silencio, nada. Para matarnos bien muertos nos desmembraron y rompieron nuestras carnes y perforaron nuestros ojos y violaron nuestras pieles. Sin embargo, nuestras muertes no están muertas. Sus sangres no descansan, aunque están secas, los ojos miran aun rotos, los cuerpos se levantan aun desarticulados y las pieles tumefactas se aterciopelan y nos convidan a la vida y al erotismo. Aquí estamos mirando desde las miradas de los que son ausencias. Son tantos los que no están y están presentes, son caminos, faros, mojones”. Dejemos atrás aquellos que militan la impunidad del rebaño y que no aceptan la condición humana del otro y que necesitan que los pueblos mantengan su lugar de siervo de la gleba, de combustible biológico, de brazo barato, de sirvientes, en definitiva: de esclavos a la sombra del amo. Ya no más.

¡Ahora es cuando! Soplan nuevos vientos, asoma un nuevo paradigma, sabemos que es lento, pero viene…

 

[Fuente: http://www.resumenlatinoamericano.org]

Suas obras descrevem os grandes processos da modernidade: as Revoluções, os Impérios, o Capital. Mas também foi atento: as tradições inventadas, ao jazz, aos bandidos… Marxista, foi vigiado pelo MI5 — e jamais aceito pela historiografia conservadora

Escrito por Urariano Mota

Neste primeiro de outubro de 2021, é lembrado em todo o mundo o gênio de Eric Hobsbawm, que faleceu em um dia como hoje em 2012. Se não nos enganamos, ele foi o maior historiador do século vinte. Talvez a sua obra se mantenha ainda acima dos demais até mesmo nos mais recentes dias deste século. Como agora, quando atravessamos um Brasil de governo fascista.

É uma pena, é lastimável, que em alguns estudos acadêmicos ele seja posto de lado, porque possuiu até o fim da vida uma filiação marxista. A direita e seus liberais não o suportam. E por quê? Antes de taxá-lo e tachá-lo de indivíduo comunista, como se isso fosse um grau menor de ética em um homem, deveriam pelo menos ver as contribuições e conceitos inovadores que a sua obra inaugurou.  Como a “invenção da tradição”, sobre a qual Hobsbawm trouxe esta luz: “Muitas vezes, ‘tradições’ que parecem ou são consideradas antigas são bastante recentes, quando não são inventadas. Aliás, sempre que possível, tenta-se estabelecer continuidade com um passado histórico apropriado… A propósito, deve-se destacar um interesse específico que as ‘tradições inventadas’ podem ter, de um modo ou de outro, para os estudiosos da história moderna e contemporânea. Elas são altamente aplicáveis no caso de uma invenção histórica comparativamente recente, a ‘nação’, e seus fenômenos associados: o nacionalismo, o Estado nacional, os símbolos nacionais, as interpretações históricas, e daí por diante”.

Observe-se a propósito o que o grande historiador Evaldo Cabral de Mello pensa sobre a tradição da Batalha dos Guararapes, até hoje ensinada nas escolas e monumentos cívicos como o cerne da nacionalidade brasileira. No livro “O Negócio do Brasil – Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641/1649”, o historiador pernambucano escreve que a expulsão dos holandeses não foi resultado de guerra heroica, da Batalha dos Guararapes, mas de um acordo pelo qual Portugal pagou 4 milhões de cruzados (equivalentes a 63 toneladas de ouro) para ter o Nordeste brasileiro de volta. Um fato que não entra na tradição inventada.

Lembremos ainda, de passagem, o seu conceito de “banditismo social”. Em seu livro Bandidos, moderno e clássico à semelhança de poesia, ele diz:

“Convém que comecemos com a ‘imagem’ do ladrão nobre, que define tanto seu papel social quanto sua relação com os camponeses comuns. Seu papel é o do paladino, aquele que corrige os erros, que ministra a justiça e promove a equidade social. Sua relação com os camponeses é de solidariedade e identidade totais. O ladrão nobre inicia sua carreira de marginalidade não pelo crime, mas como vítima de injustiça, ou sendo perseguido pelas autoridades devido a algum ato que estas, mas não o costume popular, consideram criminoso”.

Notem que Hobsbawm possuía o talento raro, raríssimo, de extrair o que é universal de características locais. Ele escreve Bandidos a partir do estudo partícular de casos de famosos marginais na Inglaterra, China, México, Estados Unidos, Itália, Espanha… Mas é impossível para um nordestino do Brasil não ver no trecho acima um retrato de Lampião! E, de fato, o bandido social do Nordeste é referido em vários pontos do livro, como aqui:

“Quando Virgulino Lampião tinha 17 anos, os poderosos fazendeiros Nogueira expulsaram os Ferreiras (da família de Lampião) da fazenda onde viviam, acusando-os falsamente de roubo. Assim começou a rixa que o levaria à marginalidade. ‘Virgulino’, recomendou alguém, ‘confie no divino juiz’, mas ele respondeu: ‘A Bíblia manda honrar pai e mãe, e se eu não defender nosso nome, eu perderei minha humanidade’… (Diante da sua morte) a reação de um sertanejo talvez seja mais típica. Quando os soldados chegaram com as cabeças dos cangaceiros, de forma a convencer todos de que Lampião estava realmente morto, um sertanejo disse: ‘Mataram o Capitão porque a reza forte nada adianta na água’. É que o último refúgio de Lampião havia sido o leito seco de um ribeirão, e de que outra forma, senão pelo fracasso da magia, podia-se explicar a derrota de Lampião?”.

Mas esses livros acima, de conceitos inovadores, são apenas duas de suas muitas contribuições publicadas, que vão do jazz à recriação original da história. A sua fama se fez nos livros que se tornaram best-sellers:  A Era das Revoluções, que fala da transformação do mundo entre 1789 e 1848, da Revolução Francesa de 1789 à Revolução Industrial inglesa; A Era do Capital, que trata da expansão da economia capitalista em todo o planeta, de 1848 a 1875;  A Era dos Impérios, de 1875 a 1914 ; A Era dos Extremoso breve século XX, que interpreta o período de 1914 a 1991, do qual diz no prefácio: “O meu tempo de vida coincide com a maior parte da época de que trata este livro e durante a maior parte de meu tempo de vida — do início da adolescência até hoje — tenho tido consciência dos assuntos públicos”.

Trata-se, portanto de um historiador de vista larga e profunda, que refletiu sobre as dores e alegrias dos séculos sobre os quais escreveu. Ou melhor, dos séculos sobre os quais participou escrevendo.  Neste momento, tenho diante de mim a biografia “ERIC HOBSBAWM Uma vida na história”, um tijolaço agradável, suave de 728 páginas, anotado, mastigado e digerido. Pois é, quando um assunto nos interessa, também mastigamos tijolos como a mais apetitosa iguaria. Mas o melhor virá a seguir. Em um resumo da vida de Eric Hobsbawm, o seu biógrafo Richard Evans diz em uma entrevista:

“Eric Hobsbawm nasceu em Alexandria, cresceu em Viena e Berlim e se estabeleceu no Reino Unido (nasceu e continuou sendo um cidadão britânico). Hobsbawm passou muito tempo na França na década de 1930 e novamente na de 1950. Seus relatórios escolares indicam que sua língua nativa era inglês/alemão – sua mãe, uma tradutora, insistia que a família falasse em inglês em casa. Ele tinha um francês fluente e, mais tarde, aprendeu italiano e espanhol.

Hobsbawm esteve sob vigilância do MI5 desde a guerra – por quanto tempo, não sei, já que não tive permissão para ver o mais recente dos sete arquivos volumosos que compilaram sobre ele. Era um homem totalmente inofensivo – ao contrário dos ‘cinco espiões de Cambridge’, que causaram muitos danos. Mas, como estes eram todos ingleses de classe média alta com origens impecáveis, o MI5 e o MI6 confiavam neles, ao contrário de Hobsbawm, que, de alguma forma, era estrangeiro e não se encaixava naquele perfil”.

Já no prefácio do livro, o biógrafo Richard Evans nos acorda: “Só no Brasil, as vendas de seus livros chegaram a quase 1 milhão de exemplares”. Inacreditável, no fim da ditadura brasileira, houve um tempo que se destacava pelo amor à cultura, pela leitura de um clássico vivo. Mas recuemos um tempo antes, porque importa agora a movimentação de Hobsbawm contra a corrente liberal e reacionária. Em 1943, ele publica em um artigo sobre a Revolução Francesa, durante a Segunda Guerra Mundial:

“O Terror tem sido difamado e caluniado desde a queda de Robespierre. Nós, que estamos engajados numa guerra total, podemos julgar o momento com mais visão. Mas, para conseguir a verdadeira perspectiva, devemos aprender a vê-lo, não só com os olhos de lutadores pela liberdade de 1943, mas com os olhos dos soldados comuns que, descalços e famintos, salvaram o seu país, porque era um bom país para salvar. Para eles o Terror não foi um pesadelo, mas a aurora da vida”.

Para mim é difícil um ponto da sua biografia, quando ele anota sobre o Recife de 1962:

“Uma pobreza desesperadora em toda parte. Os habitantes parecem não ter feito uma refeição decente há dez gerações: raquíticos, nanicos e doentes”. Mas “havia sinais de revolta, as Ligas Camponesas tinham aprendido a se comunicar com seus eleitores. O potencial de organização camponesa é imenso”.

Na biografia, há trechos cômicos, ou quase cômicos, na altura em que o nosso historiador marxista, aos 80 anos, resolve aceitar uma homenagem oficial da rainha. Chega a ser comovente a forma esperta e dialética que ele dá para o recebimento:

“Eu não poderia ter aceitado um título de nobreza. Eu nunca mais conseguiria olhar na cara dos meus antigos camaradas”. Ainda assim, aceitou a nomeação de um Companion of Honor (Companheiro de Honra). E quando se ajoelhou num tamborete para receber da rainha a fita e a medalha de Companheiro de Honra se desculpou: ‘Minha mãe gostaria que eu fizesse isso’ ”.

Acho que até Robespierre compreenderia.

Em uma palestra na Creighton Lecture, com o poder de síntese em que era mestre, destruiu numa única frase a afirmação vulgar de que a história é escrita pelos vitoriosos. Ele disse: “Os perdedores produzem os melhores historiadores”.

Os melhores escritores também, acrescento. E aqui vai uma agradável descoberta da relação entre Eric Hobsbawm e o Brasil. Foi entre os brasileiros que a Era dos Extremos alcançou o maior sucesso em todo o mundo! Desde o fim dos anos 1980, os laços de Eric Hobsbawm com o Brasil se tornaram bem próximos. O biógrafo conta que, em sua chegada em 8 de junho de 1988, ele foi manchete na primeira página da Folha de São Paulo. Na ocasião, ficou na casa do editor brasileiro, Gasparian, em São Paulo. Então o editor o levou junto com a esposa até uma praia. Mas aconteceu um problema:  o carro em que viajavam foi parado por um policial. O diabo foi que o editor brasileiro havia esquecido a carteira de motorista. Na agonia, Gasparian explicou ao guarda quem era Eric Hobsbawm, e como prova mostrou a foto do historiador na primeira página da Folha de São Paulo daquele dia. O policial olhou, olhou, comparou a primeira página com as faces ao vivo no carro, magras, inconfundíveis da feiúra de Hobsbawm,e mandou que seguissem viagem. Sem mais explicações. Ótimo foi o comentário de Hobsbawm para o acontecimento:

– Essa foi a primeira vez em que meu ofício de historiador me livrou da polícia.

Sobre o seu estilo claro, agradável em expor as questões mais indigestas de modo que todos entendessem, Hobsbawm declarou em uma oportunidade:

“Eu não desenvolvi meu estilo de prosa lendo historiadores. Sempre considerei o escritor Bernard Shaw como um modelo do que um homem inteligente pode fazer com a prosa: eu tive de ler todos os textos dele para minha tese de doutorado”. Que lição para os nossos doutores de prosa mais dura. Sigam Hobsbawm, leiam, degustem, compreendam a literatura, e depois exponham as brilhantes ideias.

Em janeiro de 1999, EricHobsbawm foi entrevistado pelo jornalista Antonio Polito, em italiano, que o historiador falava bem.  Entre outras perguntas sobre até que ponto a perspectiva de Eric ainda estava enquadrada no marxismo, ele respondeu de modo mais frontal o que acima de tudo era o marxismo. Resposta genial do historiador:

“O marxismo mostra que, ao ter compreendido que um estágio específico da história não é permanente, a sociedade humana é uma estrutura bem-sucedida por ser capaz de mudar, e por isso o presente não é o seu ponto de chegada”.

Isso é um conforto para todos nós nestes dias. O fascismo ainda não é o ponto final da nossa jornada no Brasil.

Na festa do seu último aniversário aos 95 anos, em junho de 2012, a escritora Claire Tomalin, ilustre biógrafa de Charles Dickens, Thomas Hardy e Jane Austen, contou que Hobsbawm conversou muito com todos, com verve e sabedoria, e com uma presença de espírito não ofuscada pelas dores físicas que sentia. Na ocasião, o historiador fez piadas para os anos que teria pela frente, pois ainda ia ver o fracasso do capitalismo. Naquela idade, e nas condições difíceis de saúde em que se encontrava, a escritora pensou: “Eric é um mágico”.

O historiador faleceu em primeiro de outubro daquele mesmo ano de 2012.

É impossível a um leitor, de qualquer país, não se emocionar com a batalha da vida pelo socialismo do pensador Eric Hobsbawm.  Eu, que já ando de couro grosso com as perdas que temos visto de companheiros, camaradas e pessoas fundamentais que partem, ainda assim, fui vencido. Senti no mais íntimo de mim um estremecimento na madrugada desta semana, quando li esta fala da sua filha Julia:

“Sabe de uma coisa?, houve um momento maravilhoso quando ele já estava perto do fim. Ele disse para mil pessoas, no estande da Barclays Wealth. Ele estava realmente mal, sabe? E foi meio fantasmagórico – ele simplesmente se transformou num homem de 45 anos, bem na nossa frente, no palco. E desempenhou um verdadeiro tour de force. Foi absolutamente maravilhoso”.

Entre as instruções que deixou para o seu funeral, lembrou a filha Julia:

“Em meio a todos clássicos que desejava que tocassem, de Mozart, Schubert, ele escreveu que ‘gostaria de uma gravação da Internacional quando eu partir’, um lembrete de seu comprometimento de toda uma vida.

No fim, Ira Katznelson se aproximou do caixão e disse: ‘Agora vou recitar a clássica oração judaica, o Kaddish, a pedido de Eric’. E houve uma espécie de surpresa. As pessoas estranharam uma prece judaica numa cerimônia que Eric tinha insistido que fosse absolutamente secular. Mas foi uma recordação da sua mãe, que na infância lhe dissera para nunca dizer ou fazer qualquer coisa que o fizesse sentir vergonha de ser judeu. Ele agora estava cumprindo o desejo da mãe em sua memória, possivelmente quando mais importava”.

Urariano Mota é escritor e jornalista. Autor de “A mais longa duração da juventude”, “O filho renegado de Deus” e “Soledad no Recife”. Também publicou o “Dicionário Amoroso do Recife”.

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

« No hay manera de escapar » y « El viaje de invierno & sus continuaciones » son trabajos que proponen relecturas y prolongaciones de las obras de Boris Vian y Georges Perec a cargo de los autores del taller de literatura potencial Oulipo, que tiene entre su filas al argentino Eduardo Berti, traductor de estos dos títulos que se publican ahora en la Argentina.

Escrito por Emilia Racciatti

El lenguaje y la matemática conviven en las formas creativas impulsadas por los integrantes de Oulipo, el « Taller de Literatura Potencial » creado hace 21 años en Francia, consolidado como un laboratorio lúdico del que se desprenden trabajos como « No hay manera de escapar » y « El viaje de invierno & sus continuaciones », relecturas y prolongaciones de las obras de Boris Vian y Georges Perec a cargo de los autores del colectivo que tiene entre su filas al argentino Eduardo Berti, traductor de estos dos títulos que se publican ahora en la Argentina.

Síntesis creativa entre la imaginación de un escritor -Raymond Queneau- y el rigor científico de un matemático -François Le Lionnais-, Oulipo irrumpió en 1960 para desacomodar los protocolos de escritura y estimular procedimientos alternativos en los modos de encarar un relato. Con adeptos tan célebres como Perec -autor de « La disparition », un texto en el que no aparece nunca la letra e-, Italo Calvino, Paul Fournel y hasta Marcel Duchamp, el colectivo fue desplegando un repertorio literario basado en « restricciones » formales que paradójicamente alentaban una suerte de « libertad » creativa.

De esa experiencia que sobrevive hasta el presente acaban de llegar al país « No hay manera de escapar » y « El viaje de invierno & sus continuaciones », dos títulos que tienen como traductor al escritor, periodista y editor Eduardo Berti, el único argentino que integra Oulipo desde 2014. « Fueron dos experiencias de traducción muy distintas porque yo también soy autor de varias páginas de ‘No hay manera de escapar’, mientras que no participé en la gestación de ‘El viaje de invierno & sus continuaciones’, dado que el libro se publicó antes de mi ingreso a Oulipo », dice a Télam.

« No hay manera de escapar » es una novela creada en coautoría: el escritor, ingeniero, poeta y dramaturgo francés Boris Vian escribió los primeros cuatro capítulos antes de morir, en 1959, un año antes de que Queneau y Le Lionnais crearan Oulipo. Esos capítulos, más una escueta sinopsis, llegaron a manos del colectivo y los herederos del autor de « La espuma de los días » autorizaron, 60 años después, la continuación y publicación de la historia.

Sobre el trabajo de traducción del título editado por Caja NegraBerti explica que tuvo tres distancias diferentes con el texto: « Primero traduje los cuatro capítulos iniciales (los que escribió Vian y son el punto de partida de la novela) como si fuesen ‘ajenos’. En la etapa siguiente, fui pasando de una ‘segunda distancia’ (textos escritos por los demás oulipianos, en los que intervine en la etapa de ‘edición’) a una ‘tercera distancia’: la de las páginas o frases propias. O sea, una autotraducción ».

La historia en la que un hombre regresa a su ciudad después de la guerra y se encuentra con los asesinatos de sus exnovias va construyendo, en sus 16 capítulos, un policial que enfrentó a Berti con los dilemas de la traducción de un texto en el que también pasaba sus palabras de un idioma a otro.

« Jacques Jouet escribió un ‘centón’ a partir de la obra de Vian: un texto hecho con frases que él sacó de distintos libros de Vian, una especie de collage. Por otro lado, yo escribí otro « capítulo-centón », pero a partir de mis propios libros en su traducción al francés: un collage con las traducciones que hizo Jean-Marie Saint-Lu de mis novelas y mis cuentos. Algunas partes de mi centón sobrevivieron. Así que, cuando me puse a traducir ‘No hay manera de escapar’, me vi en una disyuntiva: usar la versión original en castellano de estas frases o no. Opté por olvidarme de la versión original (hasta donde me era posible, claro) y traducir lo que ‘sonaba’ mejor en el marco de la novela », detalla.

En el caso de « El viaje de invierno & sus continuaciones » (Eterna Cadencia), la obra retomada y continuada pertenece a Perec (París, 1936-1982), quien publicó en 1979 un relato breve sobre la fascinación de un profesor de literatura llamado Vicent Degrael por un libro que llevaba como título, justamente, « El viaje de invierno ». El autor de ese libro, escribía Perec, era Hugo Vernier y había sido plagiado por casi todos los poetas del siglo XIX.

Uno de los integrantes de Oulipo, Jacques Roubaud, decidió escribir un cuento a partir de ese relato a modo de homenaje cuando se cumplieron diez años de la muerte de Perec. Ese cuento es el primero de esta serie de continuaciones de ese relato del autor de « La vida instrucciones de uso ».

Otro de los integrantes del colectivo que escribió uno de los relatos que dan continuidad a la historia es Daniel Levin Yvert, cuyo texto es « El viaje oscuro ».

« Fue muy interesante leer muy de cerca, mientras lo traducía, un texto que no estaba constreñido en sí mismo, pero que daba una visión bastante íntima (por no decir totalmente transparente) del funcionamiento interno de una mente que adoptó voluntariamente unas restricciones absolutamente disparatadas. Me atrevería a decir que este trabajo también me permitió apreciar la importancia del inconsciente, o algo parecido, en la escritura restringida (y en la escritura en general) », dice el oulipiano sobre el relato en el que trabaja el vínculo entre los sueños y la literatura y cómo esa suerte de alianza permite reflexionar sobre las bifurcaciones que atraviesan un proceso creativo y plantearse la pregunta por la originalidad.

Valérie Beaudouin es otra de las autoras que da continuidad a esa obra de Perec, pero lo hace con seudónimo: « Mi presencia en ‘El viaje de invierno y sus continuaciones’ es fantasmática. Una encarnación póstuma de Hugo Vernier », define en diálogo con esta agencia.

El texto firmado por Vernier, el autor creado por el narrador francés, lleva como título « El viaje infernal », por lo que se puede inferir que se trata del creado por Beaudouin, docente y escritora francesa.

« Estudié la estructura narrativa de esa colección de novelas cortas, que es como un laberinto con incursiones y bifurcaciones. Es una obra abierta sin la estructura enmarcada de un libro como ‘Si una noche de invierno un viajero’, de Italo Calvino. En su novela, Calvino inserta los relatos dentro de una metanovela o relato-marco que cuenta la historia de amor entre el lector y la lectora y la búsqueda del libro. En el viaje, no tenemos esa novela-marco que explícita los vínculos entres la diferentes novelas. El lector establece por si mismo la red de vínculos entre los diferentes episodios », grafica la autora.

Pero, ¿cómo retomar los universos de estos autores como Vian y Perec desde la perspectiva oulipiana? Para Berti, se trata de dos casos diferentes. « Perec es unos de los miembros más resonantes de Oulipo: ingresó en 1967, formó parte de la ‘segunda generación’ con Jacques Roubaud, Marcel Bénabou o Paul Fournel (quienes ingresaron entre 1966 y 1971) y su aporte al grupo fue sumamente valioso. En cierto aspecto, él parece haber hecho una ‘tentativa de agotamiento’ de Oulipo, ya que (además de las restricciones que aportó) retomó todas o casi todas las ideas existentes, las exploró, les buscó nuevas aristas, experimentó combinaciones, etc ».

Mientras que « el caso de Vian es muy distinto porque murió en 1959, quince meses antes de que en noviembre de 1960 se fundara Oulipo. Es casi seguro que Vian habría sido miembro de Oulipo. Cuesta pensar lo contrario. Y, por cierto, cinco oulipianos como Raymond Queneau, Jacques Bens, Noël Arnaud, Jacques Duchateau y Paul Braffort fueron amigos suyos y grandes defensores de su obra », apunta.

Al argentino radicado en Francia le cuesta un poco más imaginar qué le habría aportado Vian al grupo y, en contrapartida, de qué forma Oulipo podría haber influido en su trabajo.

« Una pista interesante puede estar en cuando él inventaba ‘falsos autores norteamericanos’ como Vernon Sullivan. Y en el hecho, muy oulipiano, de que primero Vian publicó ‘Escupiré sobre vuestra tumba’ como si él fuera el traductor al francés de una novela escrita por un estadounidense y, años más tarde (cuando la verdad salió la luz), llegó traducir al inglés el texto de la novela para producir de este modo una ‘falsa versión original’. Estos juegos (que ponen en duda las nociones habituales de autoría, algo muy típico de ciertas obras oulipianas) nos inspiraron mucho cuando completamos y terminamos la novela inconclusa de Vian. Por cierto, nuestro libro trae una serie de notas al pie que aluden a la supuesto ‘versión original’ en inglés o que incluso, por momentos, la citan textualmente », explica Berti.

 

[Fuente: http://www.telam.com.ar]

Une traduction hasardeuse fait basculer la vie d’un Syrien. Rentré clandestinement dans son pays, il découvre la réalité du régime d’Assad et va au bout de son destin dans un film qui manque de tonus

Sami (Ziad Bakri), traducteur piégé en Syrie

 

Écrit par Antoine Duplan

En 2000, lors des Jeux olympiques de Sydney, Sami (Ziad Bakri) traduit approximativement la réponse d’un athlète syrien interrogé sur la mort d’Hafez el-Assad. Ainsi, «les Syriens pleurent le président» devient «certains Syriens pleurent le président»… Gaffe ou audace? Cette redoutable nuance contraint Sami à rester en Australie, où il obtient le statut de réfugié politique. En 2011, le Printemps arabe fleurit. Malgré les dangers, Sami retourne en Syrie dans l’espoir de faire libérer son frère arrêté lors d’une manifestation pacifique.

En couple en ville comme à la scène, bénéficiant d’une double nationalité française et américaine, Rana Kazkaz et Anas Khalaf ont déjà cinq courts métrages à leur actif, dont Mare Nostrum, primé dans de nombreux festivals. Ils signent avec Le Traducteur un premier long qui ne manque ni de cœur ni d’idées, mais pèche par sa longueur et son tempo défaillant.

Climat de peur

La vision occidentale du Moyen-Orient a assurément été faussée par le rythme trépidant de quelques blockbusters tels Le Royaume de Peter Berg, Mensonges d’État, de Ridley Scott ou Green Zone, de Paul Greengrass. Mais, faute de moyens financiers ou d’aptitudes scénographiques, les manifestations de rue que mettent en scène Rana Kazkaz et Anas Khalaf manquent cruellement de nerf et de souffle. Par ailleurs les liens entre les personnages, plutôt confus, gênent la lisibilité du récit.

En revanche, le climat de peur qu’installe la répression impitoyable du peuple syrien par Bachar el-Assad est bien rendu à travers des détails et des remarques dont on mesure l’authenticité: Sami tape quelques informations subversives sur le clavier d’une ophtalmologue à l’insu d’un flic en faction dans la salle d’attente. « Si je ne t’avais pas dénoncé j’aurais été dénoncé pour ne pas t’avoir dénoncé », se justifie un délateur. On arrête un couple; on retrouve le corps de la femme, défigurée, tandis que son mari est relâché sans une égratignure, doublement accablé par le deuil et le regard suspicieux des autres: a-t-il trahi ? Dans son épilogue, Le Traducteur atteint finalement à la dimension tragique quand se posent les dilemmes de la liberté et de mort, de la dignité ou de lâcheté.


Le Traducteur, de Rana Kazkaz et Anas Khalaf (France, Suisse, Belgique, 2021), avec Ziad Bakri, Yumna Marwan, David Field, 1h45.

[Source : http://www.letemps.ch]

 

Carson actualiza la deriva de Baco, dios joven y multisexuado que adonde llega rompe con el status quo, y hace que las disputas puestas en escena hace 2500 años suenen a las discusiones que hoy crean hashtags y marcan tendencia en redes y medios o parten aguas entre académicos y en la opinión pública.

La traductora chilena Bernardita Bolumburu.

La traductora chilena Bernardita Bolumburu

 

Escrito por Dolores Pruneda Paz

La traducción y revisita que hizo la escritora Anne Carson de « Las bacantes », la obra con que hace ya 25 centurias el poeta Eurípides « colocó a la tragedia griega en un camino que conduce directamente a los reality shows », según explica la lingüista y Premio Princesa de Asturias de las Letras, llega en una versión bilingüe inglés-español, por primera vez traducida al castellano y conservando el título griego original, « Bakkhai », de la mano de la traductora chilena Bernardita Bolumburu.

En la versión inédita publicada por La Pollera, Carson actualiza la deriva de Baco, dios joven y multisexuado que adonde llega rompe con el status quo, y hace que las disputas puestas en escena hace 2500 años suenen a las discusiones que hoy crean hashtags y marcan tendencia en redes y medios o parten aguas entre académicos y en la opinión pública.

En esta adaptación libre de la traductora, profesora y crítica literaria canadiense, Cadmo, legendario fundador de Tebas, y Tiresias, uno de los adivinos más celebres de la mitología griega, debaten si tomar un taxi o caminar para transitar las calles tebanas y adentrarse en las montañas donde ocurren las bacanales, las celebraciones de las adoradoras de ese dios nuevo pero antiguo, representante de una mitología oscura, previa a los Olímpicos, una divinidad que intoxica pero que advierte la necesidad de volver a lo primigenio: al goce, la voluntad como primer motor de la vida, la entrega a la tierra y hedonismo.

“Eurípides fue un dramaturgo del siglo V A.C. que reinventó la tragedia griega, poniéndola en un camino que conduce directamente a los reality shows. Sus obras rompieron todas las reglas, derrocaron las convenciones e indignaron a los críticos conservadores », define Carson su relectura del poeta griego en la contratapa del tiempo, y apunta que « Las bacantes » es su obra más subversiva porque « cuenta la historia de un hombre que no puede admitir que preferiría vivir en la piel de una mujer, y un dios que parece combinar todas las sexualidades en una única ruinosa demanda de adoración ».

Carson repite en las portadas de sus libros que enseña griego antiguo para vivir. Es la lengua que a ella le hizo sentido y la conectó con el deseo, a la que debe « su carrera y su felicidad » a través de una profesora excéntrica, Alice Cowan, a la que suele nombrar y reconocer en las pocas entrevistas que da. La conoció en uno de los pueblos de Ontario al que había sido trasladado su padre bancario, después de toparse con una edición bilingüe de Safo. « Era una adolescente desafecta necesitada de estímulos » y « me salvó una profesora de latín que cuando supo de mi interés por aprender griego se ofreció a darme clases », contó al diario El país de España tras recibir el Princesa de Asturias 2020.

« Las bacantes », la obra con que hace ya 25 centurias el poeta Eurípides « colocó a la tragedia griega en un camino que conduce directamente a los reality shows », según explica Carson.

Nacida en Toronto el 21 de junio de 1950, es una de las poetas contemporáneas más reconocidas de la lengua inglesa, plástica y heterodoxa, capaz de yuxtaponer la vida de Marilyn Monroe, ícono del cine, con el mito homérico de Helena de Troya y luego llevarla al teatro. « Norma Jeane Baker de Troya » se estrenó en Nueva York en 2020 en una sala para 500 mil personas, de la misma manera que « Bakkhai » escenificó en teatros de varios países, desde 2015 cuando se publicó, todas las Tebas del siglo XXI que Carson captó en el texto que Eurípides escribió en el siglo V a.C.

Vinculada a artistas nacidos con la contracultura neoyorquina de los años 60 hoy emblemáticos, como los músicos Lou Reed y John Cage o la performer Laurie Anderson, la hibridación de géneros y formatos es parte de su obra: « Nox » (2010) es un libro caja que armó poniéndole palabras a los objetos y fotos que le entregaron con la muerte de su hermano. « Float » (2016) es una caja con 22 textos que llamó performances.

Publicó su primer poemario, « Short Talks » (charlas breves), a los 42 años, y después de eso la distancia entre narración, poesía y ensayo empezó a desdibujarse: se ve en « Autobiografía de rojo: una novela en verso », uno de sus libros más conocidos donde reescribe el mito de Hércules y Gerión en clave homoerótica, « Red Doc », « La caída de Roma » y « La belleza del marido », entre las obras de Carson que se consiguen en Argentina.

« No sé cómo, pero no hay caos en ese traspaso hacia lo contemporáneo que ella hace. Lo mismo hizo Nicanor Parra con ´El rey Lear´. Cuando un gran poeta revisita una obra, una parte del resultado tiene que ver con su forma de ver el mundo y ese es uno de los grandes aportes », dice a Télam Nicolás Leyton, de la editorial La Pollera, sello que participará en la Feria de Editores (FED) del 1 al 3 de octubre próximos.

-Télam: « Bakkhai » conserva desde el título palabras que Carson consideró intraducibles, como « daimon », un concepto más complejo e integral que el de una deidad mitológica. ¿A qué responde esa decisión?

-Bernardita Bolumburu: El griego tiene la capacidad de encerrar una idea compleja en un solo término, por eso aporta conservarlos. El inglés es un idioma de abstracción de palabras y conceptos y Carson le otorga una nueva lectura al traducir la obra, porque conservar ciertos términos en griego e incluso reproducir sonidos guturales presentes en los cantos báquicos, frente a una traducción más moderna, resulta una muy bella intersección entre lo antiguo y lo nuevo.

-T: Para ella, traducir y crear son sinónimos ¿podría decirse que colocaen el sitio de traductor-creador, incluso a quien lee?

-B.B: La traducción es claramente un tercer lenguaje, hay un proceso cognitivo de traspaso del idioma y de descifrar códigos que conllevan a esta « tercera creación ». Tiene que ver con la estética de la recepción y en ese sentido un lector puede ser también un traductor y viceversa, una obra se va completando con sus lecturas, con la recepción de esta, con las diferentes épocas y momentos en que se lee, los distintos contextos. Eurípides fue también traductor de « Bakkhai » y aquellos que recogieron los relatos orales de la mitología griega también, y el camino es inabarcable, así como las posibilidades de lectura de una obra.

-T: ¿La edición bilingüe fue un pedido de la autora?

-B.B: Con la autora hablábamos de la publicación permanentemente pero nunca le hice alguna pregunta temática en torno a la traducción. Desde el comienzo yo pensaba que debía ser bilingüe, entre otras cosas, por las palabras que mantiene en griego, ciertos criterios que introduce y mantiene de Eurípides como palabras en mayúscula. Es necesario enfrentar la obra, enfrentar la traducción en sus dos lenguas porque es algo fructífero para la lectura misma.

-T: Carson se describe como « una artista de la imagen más que de la palabra ». ¿Influye eso a la hora de traducir?

-B.B: Mucho y en este caso fue crucial porque en esta obra juega con las reglas de la sintaxis y la puntuación. Y los caligramas y juegos visuales que desarrolla a través de la obra son muy interesantes ya que van midiendo el pulso de la tragedia. Así, el coro de las bacantes se fragmenta y torna más caótico en la páginas en que el canto y el lamento son agudos e intensos. Ese trabajo de construcción poética-visual es uno de los aportes de Bakkhai.

-T: Un pasaje describe el verde de Baco -el dios transgénero o multisexuado o no binarie- y enumera objetos de ese color relacionados con las bacantes, las mujeres que abandonaban sus casas para ocupar las calles con convicción gozosa. Parece la foto de una marcha feminista.

-B.B: La obra toca muchos temas importantes que resultan tremendamente contingentes a la luz de la mirada de hoy, en situaciones que rebasan lo literario para deslizarse hacia lo real, como tal vez lo fue en su momento a través de la tradición mitológica, en donde se unió intrínsecamente la historia con la ficción. Por eso los referentes son muchos; pensamos en la marea verde en Argentina, en el movimiento de Las Tesis en Chile, así como en estructuras hegemónicas de poderes de estructuras anquilosadas en el tiempo, que insisten en defender un modelo que revela a todas luces una crisis de paradigmas pero que sus seguidores insisten en no ver. La tendencia a castigar ciertas costumbres que son primigenias y que están presentes en las sociedades más antiguas pero que aún son vetadas y censuradas. Por eso el doble estándar de Penteo, la furia y furor paroxista de Ágave y las mujeres y el orden que finalmente impone Dionisio ante la necesidad de reconocer nuestras raíces, volver a ese « verdor » de lo primigenio y respetar nuestra cultura para poder llegar a un equilibrio que solo lo otorga la naturaleza, como lo dice el coro de bacantes.

-T: La asociación libre y erudita que hace entre antigüedad y presente ¿condiciona o amplía el ejercicio de traducción?

-B.B: Eso puede verse como un juego de la autora, como un tipo de deconstrucción de modelos y del lenguaje mismo que edifica toda la voz de una sociedad. Se puede ver como metáfora del espejo de una sociedad y eso se explicita (no lo hace Carson, sino Eurípides) a través del travestismo de Penteo y en esa excelente escena en que Dionisio lo convence de vestirse de mujer, despojándolo de todo su orden patriarcal al grado de la ridiculización. Esa escena es crucial y brutal, revela la oscuridad y las debilidades así como los deseos más ocultos. Como dice Carson en su prólogo, por algo Penteo guardaba su vestido de mujer en el fondo del closet.

-T: ¿Por dónde iniciarse con Carson, es una pregunta válida?

-B.B: Solo leerla, disfrutar del teatro, la poesía y la brutal historia que aquí se cuenta; delirante y real. Luego volver a Eurípides y leer « Las bacantes ».

 

 

[Fuente: http://www.telam.com.ar]

Avec On / Off, Bachar Mar-Khalifé emprunte le langage du hip hop et fait entrer la lumière dans sa musique à l’aura mystique. La famille n’est jamais loin pour ce fils d’une grande famille de musiciens libanais qui a enregistré pour la première fois dans le pays de ses origines. Alors que le Liban traverse une très grave crise, il veut croire en son rôle d’artiste, ne cédant pas un pouce à la facilité.

Bachar Mar-Khalifé a imaginé son album « On / Off » dans une une maison familiale, nichée dans les montagnes libanaises.

C’est le morceau qui nomme ce disque et il décrit bien l’atmosphère dans laquelle Bachar Mar-Khalifé a enregistré On / Off. Il y a un orage, il est question de doutes et d’insomnies, et des bruits qu’il y a autour : les chasseurs qui viennent au loin, les chats qui rodent et les hyènes qui ricanent. C’est dans une maison de famille, nichée dans les montagnes libanaises, non loin du village d’Amchit, que Bachar Mar-Khalifé a imaginé son quatrième album en décembre 2019.

« Tout s’est fait en plein hiver, cette maison n’a pas de chauffage. Tous les matins, il fallait rallumer la cheminée et le poêle à mazout. Il y avait une quantité de petites choses à faire qui faisaient partie du travail. Je voulais que ça se passe comme ça pour qu’on ait moins le temps de se reposer sur des automatismes. On perd parfois beaucoup de temps à se demander comment on va faire sonner telle ou telle chose. Là, tout devenait une évidence », explique-t-il. L’une des principales contraintes aura été l’électricité, disponible six heures par jour, et pour laquelle il a fallu faire venir du matériel afin d’éviter que les coupures de courant n’abîment les instruments électroniques.

Une musique en exil

La musique est venue dans cette « fuite » permanente que le musicien et chanteur franco-libanais s’impose pour éviter la redite. Avec ses bidouillages qui rappellent parfois l’Auto-tune, On / Off emprunte souvent au langage du hip hop tout en gardant l’aura mystique qui fait la signature de Mister Khalifé. « J’avais des moyens bruts sur place. Le piano, ce n’était pas un piano à queue. C’était un piano droit qui sonnait presque comme sur les samples du Wu Tang Clan. J’avais des synthétiseurs qui faisaient des sons de TR-808 (1). C’est ce que j’avais sous la main et c’est ce qui ressort dans la musique », poursuit-il.

Sur Je t’aime à la folie, il s’agissait d’écrire un texte en français. La musique orientale n’est cependant jamais très loin dans cette pop, par exemple, lorsqu’il reprend Ya Hawa Beirut, de la diva Fairuz, pour la débarrasser de ses grandes orchestrations et de ses sentiments débordants. « Le dramatique, j’essaie de le fuir depuis un moment. C’est une tendance qui était un peu trop facile pour moi, d’aller vers les choses sombres. J’en avais marre physiquement. Même une chanson triste, il faut qu’elle soit traversée par une lumière. Sinon, quel intérêt ? », s’interroge-t-il.

À l’entendre, on sent bien que sa mélancolie et son sourire habitent les mêmes étages. La nostalgie imprègne une bonne partie d’une œuvre en exil, à l’image de ce Zekrini où il se souvient de sa grand-mère. « Toujours, rappelle-moi de ne pas oublier le passé là-bas/Le bruit, les bouchons et les klaxons/Parle-moi et protège-moi de l’oubli mamie/Rappelle-moi le goût des kakis et des figues de ta main », dit le texte, chanté en arabe.

La liberté en héritage

La famille est au premier plan puisque c’est Marcel Khalifé, le père de Bachar, qui lit un texte extrait du Prophète de Khalil Gibran. Les enfants se dérobent souvent à la volonté de leurs parents, écrivait le poète libanais. Mais qu’aura appris le musicien de ce père, célèbre joueur d’oud et chanteur engagé pour la cause palestinienne ? Et de sa mère, Yolla, elle aussi chanteuse ? « À titre personnel, ce que j’ai le plus appris au contact de mon père et de ma mère, ce n’est pas musical. C’est une certaine idée de la liberté et une rébellion, ne pas faire ce que l’on attend de moi. Mais maintenant que je suis père, je comprends des choses qui m’étaient inatteignables avant. Surtout, on apprend beaucoup de nos enfants », estime-t-il. Monter sur scène très jeune comme percussionniste aux côtés de son père et de son frère aîné, Rami, lui a permis de compléter sa formation au conservatoire. Toutefois, Bachar n’aura pas suivi la voie classique à laquelle tout le destinait.

Le musicien/chanteur participe volontiers aux concerts de soutien qui font suite à l’explosion du 4 août dernier, qui a ravagé le port de Beyrouth et une partie de la capitale libanaise. S’il croit en la société civile, il ne place aucun espoir dans la classe politique du pays de ses origines.

Quant au rôle d’un artiste en ces temps de Covid-19 ? De crise économique et politique profonde ? « Tant pour le Liban que dans la situation actuelle, cela me semblait complètement décalé de reprendre les répétitions, de faire des concerts. C’est difficile de trouver sa place. Il y a une pensée dangereuse qui relègue la culture loin derrière beaucoup de choses, alors qu’on sait pertinemment qu’on ne pourra pas vivre sans. Aujourd’hui, c’est vraiment aux artistes de s’accrocher et de se battre. J’ai peur que les gens se contentent de peu. En fait, il faut rester totalement exigeant, ne pas céder un centimètre. Pas de compromis », conclut-il. Jusqu’ici, la mission est accomplie, haut la main.

(1) La Roland TR 808 est une boîte à rythme largement utilisée dans la musique années 1980, notamment dans le hip hop ou la musique électronique.

Bachar Mar-Khalifé On / Off (Balcoon) 2020
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Publié par Bastien Brun

 

[Photo : Charbel Abi Semaan – source : http://www.rfi.fr]

Nélida Piñón © Milenio

Escrito por Xosé Manuel Sarille

A diplomacia cultural é un instrumento dos Estados para influír no estranxeiro a través da cultura, tratando tamén de estender roles, modelos e formas de vida propias, coa intención ideal de que sexan imitadas. A diplomacia cultural forma parte das relacións exteriores; os seus axentes no estranxeiro, profesores, membros de delegacións e institutos, reciben frecuentemente directrices desde as embaixadas correspondentes.

Considérase que a diplomacia cultural nace coa fundación da Alianza Francesa en 1883, nun momento de preponderancia parisiense no mundo. O Estado francés valora que a Alianza é na actualidade a principal rede cultural do mundo, con 1.040 instalacións en 136 países dos cinco continentes. Medio millón de persoas convértense cada ano en alumnas do centro para aprender lingua francesa e seis millóns participan en actividades culturais. Eses datos son certos, mais na propia presunción agóchase a melancolía de cando a lingua francesa era coiné planetaria.

O British Council é de 1934, o Goethe Institut de 1951, a Japan Fundation de 1972, o Instituto Cervantes de 1992 e o Instituto Camôes de 2012. Todos se parecen ao molde. Falamos sempre de Occidente. Aquí non entran os proxectos doutros países con sólidos fundamentos e intelixencia, como Irán ou a China.

Os instrumentos da diplomacia cultural son brandos, destinados tamén a sumar poder, pero distantes dos procedementos económicos e militares. O poder brando, que teorizou Joseph Nye en 1990, abrangue máis ámbitos que o da diplomacia cultural.

O Estado Vaticano considérase un poder brando; fai uso da economía, do diñeiro, mais non directamente das armas, nin dos exércitos, e a súa panca preponderante é a espiritual. Joseph Stalin preguntáballe en 1935 ao ministro francés Pierre Laval, xa coa bota de Hitler pisando, que con cantas divisións contaba o papa. Unha anécdota sarcástica, mais aínda que o pontífice de Roma non conte actualmente con divisións, manda nas almas e nas conciencias de centos de millóns de persoas e entra, por tanto, nos balances das correlacións de forzas. Poder brando, e lento, con outros tempos, e prazos.

Un exemplo de lene diplomacia cultural pode observarse en Lisboa, no barrio do Arco do Cego. Hai alí un plácido xardín que se chama tamén O Arco do Cego, e mesmo enfronte dunha das súas entradas sitúase a embaixada da Arxentina, a trinta metros. Alguén, sen dúbida portugués, discorreu de cobautizalo, por así dicir, como xardín Jorge Luís Borges. No centro da perspectiva de entrada chantaron un piar conmemorativo, en cuxa parte posterior o cego arxentino relata en versos o pouco que conseguiu averiguar sobre a orixe portuguesa dos seus antecesores. “Nada ou bem pouco sei dos meus maiores / Portugueses, os Borges: vaga gente / Mantendo em minha carne, obscuramente, / Seus hábitos, rigores e temores…”

Un espazo público embelecido aínda máis por ese xogo simbólico que reforza a amizade entre os dous países.

Pero poucos fenómenos de diplomacia cultural superan o premio Nobel, que Borges nunca logrou. Esa ausencia do xenio porteño ten provocado grandes especulacións sobre as causas. Dise que por ter apoiado a ditadura militar no seu país, chegando a loar os asasinatos dos gorilas.

A falta de concreción informativa sobre os mecanismos e intencións que se pretenden con cada designación é propia dos premios Nobel, pero sobra dicir que as hai, igual que os factores alleos á propia arte literaria son decisivos na selección das obras canónicas. Suecia inflúe a través dos premios, tanto que os Nobel son antes artefactos políticos. A Borges non llo deron pola mesma razón que o recibiu Pablo Neruda, poeta chileno antifascista, no inicio do ditadura pinochetista.

Dise e seguramente sexa verdade, que José Saramago, único Nobel de literatura en lingua portuguesa, acadouno grazas á mediación do presidente da República portuguesa, Jorge Sampaio, un estadista situado na ala esquerda do Partido Socialista Portugués, e que así un membro do Partido Comunista Portugués puido conseguir tal galardón. Pero tamén se afirma que o rei de España tivo un papel na operación, igual que na concesión a Camilo José Cela.

A designación de Vicente Aleixandre en 1977 favoreceu as posición favorábeis ás liberdades e os dereitos políticos en España. Aleixandre era o poeta do exilio interior. Abondaba co clamor mundial contra as últimas penas de morte asinadas por Francisco Franco e o enorme desexo internacional de rematar con tal pesadelo.

Tim Parks preguntouse como podían facer os profesores suecos para comparar un poeta de Indonesia, quizás só traducido ao inglés, con un romancista das Camaroes, que ao mellor apenas conseguiu unha tradución ao francés, e outro que compón en africáner e está só vertido ao holandés e o alemán. Trátase sen dúbida dun premio que designa creadores do espazo xeográfico hexemónico. Ás veces con fogo case real. Concederllo a Alexander Soljenítsin foi un desafío á Unión Soviética e facelo hai uns anos á grande bielorrusa Svetlana Alexijevich, outro novo, agora a Rusia.

A wikipédia destaca que Tolstoy, Ibsen, Zola e Mark Twain foron rexeitados entre 1901 e 1912, en favor de autores moi pouco lidos hoxe. E que James Joyce nunca venceu.

Un caso especial é o de Angel Guimerá, escritor en catalán, seleccionado en vinte e tres ocasións. A percepción mundial de Cataluña resultaría relativamente distinta no proceso político destes anos pasados se Guimerá fose premio Nobel. Nunca venceu por causa das controversias que xeraba o significado político do xesto. A presión do Estado español tornou imposíbel o trunfo. Os suecos querían facer un recoñecemento das linguas non oficiais, partillando a honra entre el e o provenzal Fréderic Mistral, que foi finalmente Nóbel, pero tendo de parceiro finalmente a José Echegaray. Valle-Inclán nin o cheirou, dedicado como estaba a parlar de Isabel II, a avoa de Alfonso XIII, o rei do momento. Pero combateu a impostura como mellor sabía, e tirou de sarcasmo para mofarse: “En Bombay dicen que hay/ Terrible peste bubónica / Y aquí Urrecha hace una crónica/ de un drama de Echegaray. / Mejor están en Bombay’.

Jair Bolsonaro quere aniquilar a democracia no Brasil. Nos próximos meses pode consumarse a negación da intelixencia e o trunfo da brutalidade se este individuo interrompe o proceso electoral, algo perfectamente posíbel. Brasil é un xigante bordeando o abismo, cun criminal disposto a desafiar a civilidade. Brasil é un país sen ningún premio Nobel de literatura. Sorprende tal carencia, polo seu peso cultural, abraiante no mundo. Creo que en Estocolmo fallan en outubro. Oxalá fose para Nélida Piñon, por razóns artísticas sobradas.

Versos de Jorge Luís Borges no xardín Arco do Cego, en Lisboa. Ao fondo a embaixada da República Arxentina

 

[Fonte: http://www.praza.gal]

 

 

 

Dos candidatos se juegan el liderazgo de los ecologistas, que aclarará (o no) el panorama hacia las presidenciales de los socialistas de Anne Hidalgo y de la Francia Insumisa de Mélenchon.

 

Contra la extrema derecha | ctxt.es

Escrito por Elizabeth Duval (*)

El 19 de septiembre se comunicaron los resultados de la primera vuelta de las primarias del espectro ecologista francés: se clasificaron Yannick Jadot y Sandrine Rousseau, con un 27 y un 25%; otros dos candidatos quedaron alrededor de un 22%. La división no es cosa menor, pero es que las primarias verdes tienden a la sorpresa. Vamos con anécdotas. En 2001, Alain Lipietz ganó las primarias, pero fue revocado como candidato por su partido al declarar que tarde o temprano habría amnistía para los nacionalistas corsos, como era « inevitable en todo conflicto político ». En 2011, cuando se presentó Nicolas Hulot, solo faltó la guillotina: los compañeros verdes lo presentaban como un paracaidista llegado « desde los platós de la cadena TF1 », « con una imagen indisociable de las multinacionales que han sido sus mecenas durante años ». Luego fue ministro de Macron, por más que después renunciara, así que quizá no estaban del todo equivocados. En 2017 no hubo presidenciable verde: Yannick Jadot, que en esta ocasión vuelve a presentarse, se retiró para apoyar la candidatura de Benoît Hamon. El socialista del 7%, a saber, el gran fracaso.

En las elecciones europeas de 2019, Europe Écologie Les Verts -a partir de ahora solamente « los verdes »- quedó como tercera fuerza, con un 15% de los votos: los ecologistas podían presumir de ser hegemónicos en el campo de las izquierdas, divididas en tres o cuatro, si contamos con los comunistas, que se presentaron quedando por debajo de la barrera del 5%; los medios hablaron de una ola verde europea que empezaba a dibujarse. En 2020, las elecciones municipales parecieron confirmar al menos una parte del mensaje: los verdes, solos o en coalición, consiguieron las alcaldías de ciudades como Lyon, Burdeos, Estrasburgo o Poitiers, además de participar en las listas electorales victoriosas de París, Montpellier o Marsella.

La historia así contada parece un sueño ecologista. Hay otra parte. O dos, o tres más. La primera noticia es que la Agrupación Nacional -es decir, el Frente Nacional, para quienes no se enteraron de su lavado de cara y cambio de nombre: en el cartel que lleva ahora Le Pen, el partido ni siquiera aparece, y solo se habla de las libertades, las libertades queridas; eso nos trae otras reminiscencias más sórdidas- quedó en el primer puesto y salió victoriosa de aquellas elecciones europeas. No sucedió lo mismo en las elecciones regionales y municipales, por una magia muy francesa: la del sistema electoral a dos vueltas. Segunda doblez: el Partido Socialista, desaparecido tras el fracaso de Hamon en las últimas presidenciales, sacó pecho por todas las regiones que logró conservar aquella noche, beneficiándose de la prime au sortant, a saber, « más vale pájaro en mano que ciento volando ». Los socialistas, por pasar de una irrelevancia absoluta en las últimas presidenciales a salvar los muebles en las regionales y municipales, consideran que vuelven a ser ellos los que mandan en la izquierda… y denuncian al resto por ser woke.

Este es el contexto de las primarias de los verdes en Francia, al cual convendría añadir dos experiencias más: por un lado, la declaración ansiosa de Jean-Luc Mélenchon a finales de 2020, herido él -y herida la Francia Insumisa- por lo cerca que estuvo de llegar a la segunda vuelta en 2017, y creyéndose aún capaz de reagrupar tras de sí a la izquierda como en aquella elección, sin tener en cuenta todos los desarrollos posteriores; por el otro, el fracaso vivido en la región de Isla de Francia, su equivalente a la Comunidad de Madrid, donde la derecha arrasó en segunda vuelta contra una coalición de los ecologistas y la izquierda. Esa derrota, si bien la victoria era improbable, deja un mal sabor de boca a toda tentativa de unión, y demostró bruscamente que la suma de tres a veces no va más allá -o incluso se queda por debajo- de la enumeración de sus partes. Los comunistas -con una relación muy ambivalente con la Francia Insumisa- ya tienen a su propio candidato, Fabien Roussel, que compra el discurso sobre seguridad de la derecha. Posdata: Arnaud Montebourg, antiguo ministro socialista, también ha lanzado su candidatura, hablando de « la remontada francesa », después de años como emprendedor de miel, tratando de unir a soberanistas « de ambas orillas ». Quien no se consuela es porque no quiere.

¿Quiénes se han presentado a las primarias? Eran cinco candidatos. El primero, favorito según los sondeos, pero que ha pasado de un 60% de intención de voto entre simpatizantes a cosechar solo el 27% en las primarias, es Yannick Jadot. Se ha dicho que Macron quiere ficharlo para el Gobierno que surja de las próximas elecciones. Aunque sea el « moderado », aunque se señale un presunto greenwashing, Jadot intenta llevar una seriedad muy clásica a su discurso, hablando de una ecología « de combate y de soluciones »… pero asume perfectamente, como dijo en el debate de Médiapart, cuestiones como la nacionalización temporal de empresas de sectores estratégicos -como la energía- para desarrollar planes verdes. El marco francés es distinto. Será moderado, pero no es ni de lejos un neoliberal. Los verdes no van hoy con las derivas de Daniel Cohn-Bendit, y tampoco se parecen tanto a la tendencia de los alemanes de querer juntarse de vez en cuando con la derecha. Incluso él insiste recurrentemente, en una vertiente muy francesa, en la soberanía y la soberanía energética, hablando de la necesidad de no depender ni de Rusia ni de las petromonarquías del Golfo. Ahí queda.

Éric Piolle, alcalde de Grénoble, que tenía buena parte del apoyo estructural del ala de izquierdas del partido -y que ahora irá a Sandrine Rousseau-, más cercano a los insumisos que a los socialistas -caso inverso al de Jadot-, ha quedado laminado por la aparición de Sandrine Rousseau, una de las grandes sorpresas de estas primarias. Profesora en la Universidad de Lille y economista, Rousseau abandonó el partido de los verdes en medio de un escándalo de acoso sexual por parte del político ecologista Denis Baupin, con declaraciones enmarcadas dentro del contexto del #MeToo francés; Rousseau, que ya era militante ecologista y una figura importante del partido, se alejó de él para centrarse más en la lucha feminista. La unión entre ambos puntos se ha convertido en su bandera durante estas primarias: la lucha ecofeminista. Explicó, al principio de uno de los debates televisados, que el motivo principal por el que se presentaba a las primarias era para vengar « la humillación » que había sufrido por parte de Macron, y que no solamente la afectaría a ella, sino a todas las mujeres: la nominación de Gérard Darmanin, antiguo ministro de la Función Pública, como ministro del Interior del Gobierno de Jean Castex… es decir, la nominación de un político investigado por presuntos acosos y abusos sexuales a la cabeza del ministerio encargado de la gestión de ese mismo caso. Darmanin respondió hace poco a las declaraciones de Rousseau, amenazando con difundir mensajes privados de años atrás, que habrían tenido lugar cuando él era ministro de Función Pública y Rousseau una candidata posible a la dirección del Instituto regional de administración de Lille.

Recapitulemos, para ver un poco mejor el escándalo que se monta: un ministro del Gobierno amenaza a una candidata a las primarias con quebrar la ley para difundir unos mensajes privados que tuvieron lugar antes de que las acusaciones hacia ese mismo ministro fueran publicadas. Entre declaración y declaración que provoca la rabia de la derecha, con mensajes sobre la interseccionalidad y mucha cercanía con los insumisos, Rousseau ha monopolizado buena parte de la discusión pública durante las primarias de los verdes. Tomen nota: si gana, por sus posicionamientos radicales, la extrema derecha intentará decir que han sido ellos quienes la han colocado ahí a través de una campaña de trolleo. No querrán que nadie se crea sus méritos propios, ni su capacidad para entenderse con los demás candidatos de la izquierda.

Esos candidatos son y eran los que proceden de Europa Ecología Los Verdes, centro del campo político ecologista en Francia. Vamos rápidamente con los outsiders, que han quedado fuera. Dedicaremos más atención a la que obtuvo el tercer mejor resultado. Delphine Batho es una buena noticia y también el relato de una transformación radical: fue la portavoz de campaña de François Hollande y luego su ministra de Ecología y Desarrollo Sostenible en 2012. Se rebeló contra el presupuesto que le habían asignado, juzgándolo demasiado pequeño para la tarea ecologista; fue expulsada del Gobierno. En el debate de Mediapart, le preguntaron por su compromiso frente a los lobbies, y si había sido recta con ellos: respondió que sí, y que precisamente por serlo la habían laminado. Es un caso curioso, curiosísimo, de una diputada ahora en el grupo mixto que se trae a su campaña incluso a anteriores macronistas… y lo hace bajo la bandera del decrecimiento. Todo su discurso -si bien lleva consigo tics republicanos parecidos al ataque a lo woke del Partido Socialista- se centra en la cuestión del decrecimiento y de los límites del desarrollo. Es una buena noticia, porque además es convincente y está muy preparada, sosteniendo interesantes debates con otros de los candidatos: por ejemplo, con la misma Sandrine Rousseau, sobre el aumento no del impuesto al carbón y la necesidad de hacer una transición ecológica que cuente con el pueblo y la clase trabajadora. O, por ejemplo, sobre las propuestas que salieron de la convención ciudadana sobre el clima… que no permitirían alcanzar la disminución del 65% de las emisiones de gas a efecto invernadero en 2030. En el debate de France Inter, parecía a ratos que los periodistas y moderadores querían humillar y atacar a los candidatos; en el de Mediapart, en cambio, logró hablarse de la PAC, de alianzas electorales y de muchas otras cuestiones.

Como apunte breve, el último candidato excluido, muy por debajo de todos los demás: Jean-Marc Governatori estaba dentro de las primarias por obligación judicial y su resultado fue tan mediocre como un trámite. Tuvo posturas que bordeaban la ola antivacunas que pasa ahora mismo por Francia. Y estuvo a punto, en otro de los debates, de declararse en contra del derecho a la blasfemia, además de ser el autor de catorce libros autopublicados… y definirse como « el político con el mejor curriculum vitae de Francia ».

La primaria ecologista tuvo su primera vuelta entre el 16 y el 19 de septiembre y entre el 25 y el 28 tendrá la segunda. Nadie sabe qué saldrá de ahí, pero por la tendencia de los verdes podríamos atrevernos a afirmar que ganará Sandrine Rousseau. Las curvas vendrán después, cuando se conozcan todos los candidatos de la izquierda, entre una Anne Hidalgo ya declarada y con guiños ecologistas -pero sin demasiada repercusión todavía en los sondeos-, un Jean-Luc Mélenchon insistente y la incógnita verde. Lo que sucederá, como en el campo de la derecha, será a efectos prácticos una « elección primaria salvaje », en la cual algunos candidatos, si buscan hacerse los estrategas, desistirán de sus candidaturas según vayan orientando los sondeos de aquí a 2022. Yannick Jadot es el más cercano a los socialistas, pero ha afirmado una y otra vez que no se retirará como hizo en 2017: no parece tener intención de elaborar coaliciones. Sandrine Rousseau sí que ha coqueteado con la idea de una unión. A niveles prácticos, la opción que más posibilidades habría dejado abiertas sería la de Delphine Batho… pero ya está eliminada. Parece que, pase lo que pase, la izquierda francesa llegará a 2022 con tres candidaturas separadas. Rousseau dejaría una puerta abierta a que eso no sucediera. A partir de ahí, es cuestión de azar y de dados: ¿lograrán las primarias verdes en Francia aclarar el futuro negro para la izquierda? Misterio.

(*) Elizabeth Duval es autora de ‘Después de lo trans’, ‘Reina’ y ‘Excepción’.

[Fuente: http://www.bitacora.com.uy]