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Publicado por Maria Eduarda Fagundes Nunes

Jacob Rodrigues Rivera (pintado por Gilbert Stuart)

A importância da comunidade judaica (em particular a sefardita) na vida econômica e cultural das Américas, desde os tempos do descobrimento e ocupação do Novo Mundo, esquecida pela população em geral, vem sendo resgatada pela comunidade acadêmica atual.

Fugidos da Inquisição Ibérica, os judeus de origem portuguesa e espanhola (sefarditas) do século XVI ao século XIX encontraram, a principio, no continente americano,  um lugar para ganhar a vida e assumir a sua religião.

Após a expulsão dos holandeses de Pernambuco em 1654, boa parte dos judeus instalados no nordeste brasileiro fugiram para o interior da província ou partiram para as Colônias Inglesas (Barbados e Jamaica) e Holandesas do Caribe e Suriname, até chegar à Nova Ansterdam (hoje New York). Em geral eram plantadores de cana-de-açúcar, donos de escravos e engenhos, ou comerciantes oriundos da diáspora sefardita portuguesa que dispersados na Europa (Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra) haviam encontrado na América Portuguesa a possibilidade de viver longe da Inquisição.

Na nova sociedade americana, esses cristãos-novos e bnei anussim (descendentes de judeus batizados à força), mesmo sendo elementos estranhos à sociedade local,  conseguiram formar uma comunidade cultural, econômica e socialmente influente. Assim é que os sefarditas (judeus portugueses e espanhóis) como os asquenazitas (judeus da Europa oriental) sofreram modificações impingidas pelo meio ambiente, tanto quanto pela religião que os regiam. Como um judeu português é diferente de um judeu tedesco (alemão), o português católico  comporta-se diferentemente de um judeu português.

A presença judaica sefardita, de influencia colonial americana, desenvolveu sem muitos escrúpulos o comércio de escravos e a transferência o riquezas (ouro, prata, açúcar, rum, peixe salgado, chocolate, tabaco,…) de um lado para outro do Atlântico. Plantaram e manufaturaram, comercializaram e distribuíram produtos usando seus próprios navios. Enriqueceram, tornaram-se influentes através de casamentos, atividades culturais, filantrópicas e comerciais. Elevaram-se socialmente, despertaram a cobiça e a inveja em cristãos, holandeses e piratas. Apesar dos reveses, firmaram-se na nova sociedade americana onde contribuíram definitivamente com seu desenvolvimento.

A partir do século XVII, Newport progrediu mais fortemente, tanto no setor econômico como no cultural, com a chegada da comunidade judaica que ali se instalou. Entre esses indivíduos destacou-se Jacob Rodrigues de Rivera, além de outros das famílias judias Lopez, Seixas, Gomes, de Toro ou Touro, Levy, Hays, Meyers, Hart. Trouxeram consigo tradições e desejos de liberdade que marcaram a identidade do povo americano. Famílias com larga prole, que se relacionavam em redes de negócios e casamentos, propiciaram uma grande influência econômica e cultural na sociedade estadunidense.

Segundo a pesquisadora Sandra Malamed, Jacob Rodrigues de Rivera teria nascido em Portugal, em 1717, porém de família originária de Sevilha. Em criança foi para New York com seu pai. Fez carreira mercantil. Chegou a Curaçau onde havia comunidade judaica e entreposto comercial. Ali casou com Hannah Pimentel. Desse enlace nasceram em New York seus filhos Abraham e Sarah Rodrigues de Rivera que se casou com o primo de seu pai, Aaron Lopez (nascido Duarte Lopez, em Portugal), rico comerciante, traficante de escravos e armador de navios em Newport.

Naturalizou-se em 1746 (N.Y) e em 1748 mudou-se para Newport, onde, associado a Aaron Lopez, torna-se um dos mais importantes comerciantes da região.

Àquela época colonial americana, Newport era um verdadeiro “melting pot” de culturas e etnias, onde se abrigavam cidadãos católicos britânicos, hugenotes franceses, judeus sefaraditas (fugidos da Inquisição) e escravos.  Nessa cidade foi pioneiro com seu primo na introdução do comercio do espermacete, óleo retirado da cabeça de baleia (cachalote) usado na manufatura de velas (técnica aprendida em Portugal e transferida para a América) e como  lubrificante e combustível para lâmpadas. Com Nicholas Brown de Providence (RI), membro da família Brown, cofundadora da Universidade de Brown, manteve rentável negócio praticado com as Índias Ocidentais e África, pois os barcos que transportavam as mercadorias (rum, açúcar, escravos, sabão, peixe, farinha, óleo de baleia, velas,…) eram também de sua propriedade ou da sociedade com seu primo Aarão Lopez, um dos mais importantes e ricos comerciantes de Rhode Island.

Jacob Rodrigues de Rivera era um cidadão de espírito público. Sua atuação se dava também em âmbito cultural. Além de organizar o Clube Hebraico de Newport, teve seu nome associado com a formação da Biblioteca Redwood e com a construção da sinagoga de Yeshuat Israel. Em 1773 foi nomeado administrador do Cemitério Judaico de Savannah.

Na ocasião da Revolução Americana, Jacob Rodrigues de Rivera teve que partir para Massachussets em 1777, devido ao bloqueio marítimo britânico à cidade. Esteve em Boston e depois em Leicester, onde sua filha e genro estavam. Mais uma vez ali seu nome aparece ligado à cultura local. Torna-se então um dos benfeitores do Yale College. Ofereceu um quadro do rabi Hajim Issac Carigal ao colégio, agradando Erza Stiles, teólogo, professor e director da Instituição.

No período da Revolução Americana, devido ao tipo de negócio que desenvolvia, teve graves reveses financeiros. Mas o seu espírito, tino comercial, redes e associações fizeram com que ele se recuperasse. Conta-se que, já superadas as dificuldades financeiras, convidou seus antigos credores para um jantar, onde debaixo de cada prato havia a quantia de seu crédito com os seus convidados, com os juros e correcção monetária!

Em 1782 retornou a Newport, e passou a residir numa casa hoje referência arquitectónica do período Colonial Americano. Quando morreu em 1789 deixou para os herdeiros um abastado património. Seus livros, a sua Torah, ouro e prata ficaram para seu filho Abraham. Os bens restantes foram divididos entre Sarah, Hannah e Abraham. Gilbert Stuart retratou-o num quadro doado à Redwood Library (Newport).

Muitas foram as benfeitorias da comunidade judaica na antiga Colônia inglesa e no desabrochar da nova nação norte-americana. Universidades, livrarias, sinagogas, lojas maçônicas, entrepostos comerciais, indústrias, bancos, clubes. Instituições hoje reconhecidas mundialmente.

No entanto, a diáspora sefardita, o número crescente de consórcios entre judeus e não judeus, as perseguições político-religiosas, as intolerâncias abertas e as veladas, fizeram com que a identidade judaica se diluísse no mundo ocidental. Mas, apesar de tudo, é inegável que a marca desse povo está historicamente presente na cultura e na força financeira dos países onde houve empenho no trabalho e tolerância etnorreligiosa.

Dados compilados de:

Mercadores e Gente de Trato (Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses). Direção Científica de A. A. Marques de Almeida. Lisboa 2009. 1ª edição.

Os Judeus, o dinheiro e o mundo (Jacques Attali)

Enciclopédia Judaica 1906 (por Cyrus Adler, L. Hühner)

[Fonte: abemdanacao.blogs.sapo.pt]

Desde hace tiempo, me hacen una pregunta recurrente: ¿sigue siendo el vino francés el mejor del mundo? Es un interrogante con trampa, ya que quienes lo plantean casi siempre esperan que me lance a una defensa patriótica del viñedo español

 

The Objective | Periodismo ethos

Escrito por Juan Manuel Bellver

El juicio de Paris es, para el lector ilustrado, un episodio destacado de la mitología griega que terminó provocando la Guerra de Troya. Zeus escoge al príncipe troyano Paris para que haga de juez en la disputa entre las diosas Hera, Atenea y Afrodita por ver quién es la más bella. Y de aquel lío de egos divinos vino uno de los conflictos bélicos más sonados de la Antigüedad. Motivo recurrente en la obra de muchos grandes maestros del pincel, quizá recuerden ustedes las representaciones pictóricas de Lucas Cranach el Viejo, Renoir, Cezanne o esa de Rubens que puede verse en el Museo del Prado.

Para los aficionados al vino, sin embargo, el juicio de París –escrito con tilde, por tratarse de la capital gala– es el acontecimiento histórico en el cual la orgullosa Francia perdió la supremacía mediática del vino mundial. Una cata a ciegas organizada en mayo de 1976, con algunos de los mayores expertos mundiales como jurados, en la que se enfrentaron los mejores vinos blancos y tintos de California y del Hexágono con un resultado inesperado: los estadounidenses se impusieron en ambas categorías. Y el mito de los grandes châteaux y domaines ya no volvió a ser el mismo…

Desde hace tiempo, me hacen una pregunta recurrente: ¿sigue siendo el vino francés el mejor del mundo? Es un interrogante con trampa, ya que quienes lo plantean casi siempre esperan que me lance a una defensa patriótica del viñedo español y enumere los enormes progresos realizados por los viticultores de la piel de toro en las últimas décadas. Pero no suelo picar.

Por supuesto que Francia ha sido y todavía es una de las grandes potencias vitivinícolas mundiales. No solo por el número de bodegas situadas desde hace un par de siglos en la élite planetaria, sino porque todavía manejan como nadie el relato del paisaje y el paisanaje: llámese grand cruterroirbiodynamievin nature o lo que toque en cada ocasión… Nos llevan como mínimo 100 años de adelanto en la clasificación de sus terruños y la promoción de su gastronomía y su savoir-vivre.

Aunque hoy se hacen grandísimos vinos por doquier, para que una botella se convierta en objeto de deseo y símbolo de lujo, para que alcance precios astronómicos y entre en la categoría de producto aspiracional, no basta obtener los ansiados 100 puntos Parker de la revista estadounidense Wine Advocate. Hacen falta generaciones cultivando la leyenda. Y en eso, sin discusión, nuestros vecinos se llevan la palma.

Sin embargo, el 24 de mayo de 1976, año del Bicentenario, el cabernet sauvignon 1973 de Stag’s Leap y el chardonnay 1973 de Montelena se impusieron, contra todo pronóstico, en una prueba que contó con un tribunal de sabios fuera de toda sospecha: los propietarios de los restaurantes parisinos Taillevent (Jean-Claude Vrinat) y Le Gran Véfour (Raymond Olivier), el sumiller de La Tour d’Argent (Christian Vannequé), los dueños de bodegas ilustres como Romanée-Conti (Aubert de Villaine) o Château Giscours (Pierre Tari), la editora de La Revue du Vin de France… Esa es la grandeza –y la humildad– de la cata a etiqueta oculta.

El pasado 9 de marzo falleció, en su casa de Dorset (Reino Unido), el impulsor de aquel tremendo lío, Steven Spurrier. Tenía 79 años y había dedicado toda su vida al vino: primero, como comerciante y docente; luego, como consultor y periodista especializado; finalmente, como escritor y bodeguero. Siempre, con una encomiable flema y discreción, un toque de humor inglés y modales de gentleman de otra época.

«A menudo, me preguntan de qué estoy más orgulloso en mi vida, en el mundo del vino, y siempre respondo que fue la creación, en 1973, de L’Académie du Vin: la primera escuela privada de vinos de Francia», recuerda en su libro Wine: A Way of Life (2018), mezcla de diario autobiográfico y antología de reflexiones sobre el sector. Claro que Spurrier se hace trampas a sí mismo al solitario, puesto que fue el juicio de París el acontecimiento que sirvió para dar a conocer y consolidar la reputación de aquel ambicioso proyecto educativo.

Su historia de amor con el vino venía de muy lejos: «A los 13 años, tras una cena de Nochebuena en nuestra casa familiar de Derbyshire, mi abuelo paterno decidió que ya tenía la edad suficiente para tomar una copa de Oporto», cuenta en sus memorias. «¿Qué es esto?», inquirió el joven Steven tras probar aquel néctar. «Es un Cockburn Vintage 1908, muchacho», respondió el abuelo. Y así es como se crean vocaciones.

Para su vigésimo primer cumpleaños, la abuela materna le regaló la membresía en The Wine Society y un armario-botellero para 12 botellas. Pocos años antes, viajando con sus padres, un adolescente Spurrier había descubierto la buena vida de los bistrots y las trattorie de Francia e Italia, «que encarnaban esa actitud civilizada de compartir una botella de vino, en comparación con la grisura de la Inglaterra de posguerra».

Luego vinieron la London School of Economics –donde inmediatamente se apuntó al Wine Club–, el primer empleo en Christopher & Co, el wine merchant más antiguo de Londres, y la decisión de irse a Provenza en 1968 (¡dos lustros antes que el novelista Peter Mayle!), tomada el mismo día de su boda con Bella, tras heredar una suma considerable por la venta de una empresa familiar. Dos años más tarde, se mudaron a París para vivir en una péniche anclada en el Sena y comprar una tienda de vinos en el 8ème arrondissement, llamada La Cave de la Madeleine, que empezó anunciándose en el International Herald Tribune con el reclamo: «Su comerciante de vinos habla inglés».

Eran los tiempos en que el circuito lúdico de los anglosajones con escaso don de lenguas que visitaban la ciudad de la luz pasaba por la librería Shakespeare and Co de la rue de la Bûcherie, la coctelería Harry’s New York Bar de la rue Daunou –donde se inventaron el Bloody Mary y el sidecar– y, a un tiro de piedra del segundo, la bodeguita de Spurrier con su academia anexa, que atesoraba botellas de auténtico ensueño a precios razonables.

Por aquel entonces, se le ocurrió la brillante idea del Juicio de París, yéndose a recorrer Napa Valley para catar los vinos de las bodegas más prestigiosas de la zona. Se trataba de armar una selección californiana lo suficientemente cualitativa para competir con monstruos galos bordeleses y borgoñones como Mouton-Rothschild, Montrose, Haut-Brion, Léoville-Las Cases, Ramonet, Roulot o Leflaive. Aquella fue una auténtica aventura, puesto que los rudos viticultores de Napa acogieron cual chiflado al atildado dandy británico, según narra el libro de George Taber –un antiguo alumno de la academia– Judgement of Paris: California vs France and the historic 1976 tasting that revolutionized wine (2006).

Una aventura que tuvo un final inesperado cuando los norteamericanos batieron al Viejo Mundo con vinos monovarietales de uvas francesas y un jurado absolutamente chauvinista, que apenas podía creer el resultado de los votos emitidos. Poco importa que los diarios Le Figaro y Le Monde publicaran luego sendos artículos considerando el torneo indigno de crédito y absolutamente risible. El evento ya había sembrado la duda internacional sobre la hegemonía gala, otorgando cartas de nobleza a la nueva y pujante clase bodeguera californiana, con Heitz, Ridge, Mayacamas, Chalone o Spring Mountains completando la escuadra victoriosa. Y algo parecido ocurrió, tres años después, cuando el tinto español Torres Mas La Plana 1970 (DO Penedés) se impuso a los más ilustres cabernets en la Olimpiada del Vino organizada por la revista mensual Gault et Millau. Pero esa es otra historia…

La nuestra incluso fue llevada al cine por Randall Miller en 2008, bajo el título de Bottle Shock, con el gran Alan Rickman interpretando el papel de Steven. El primer guion de la misma venía firmado por los fundadores del Festival de Cine de Sonoma Valley y la cinta terminó siendo estrenada –con buenas reseñas–en el renombrado Festival de Cine Independiente de Sundance. Así que poco broma.

Aquel acontecimiento mayúsculo, que revolucionó la percepción de los vinos del Nuevo Mundo en el mercado exterior, propinando de paso a los franceses un necesario baño de humildad, no salvaría sin embargo a nuestro héroe de la quiebra de sus negocios parisinos a finales de los 80.

De vuelta a la City, aceptó dirigir el departamento de vinos de Harrods, pero no duró mucho en el gigante del lujo por desavenencias con el Mohamed Al Fayed. Acaban de despedirle cuando coincidió en un acto profesional con la directora de Decanter, Sarah Kemp, quien le reclutó inmediatamente para colaborar en la prestigiosa revista, dirigiendo catas y escribiendo una columna mensual que el año pasado había superado ya las 300 entregas.

Su penúltima apuesta había sido el de fundar la bodega Bride Valley Vineyard, consagrada al vino espumoso, en una colina frente a su domicilio de Dorset. “Bienvenido al club”, le saludó al conocer el proyecto el barón Eric de Rothschild (Château Lafite). «Yo me sentía más como un cazador furtivo convertido en guardabosques», gustaba recordar con ironía.

El 24 de mayo de 2006, para celebrar el 30 aniversario de «la cata que cambió el mundo del vino», el propio Steven organizó una degustación a ambos lados del Atlántico con los mismos vinos. El museo Copia de Napa Valley y la centenaria tienda londinense Berry Bros. & Rudd acogieron a los catadores internacionales, muchos de los cuales habían participado en el evento original.

«Aunque algunos miembros franceses del jurado vaticinaban la caída de los tintos americanos, al final tuvieron que admitir que la armonía de los cabernets californianos les había batido de nuevo», rezaba la crónica del diario The Times. En esta ocasión, el vencedor fue el Ridge Monte Bello 1971 (Santa Cruz Mountains), seguido por Stag’s Leap Wine Cellars 1973, Mayacamas 1971 y Heitz Martha’s Vineyard 1970. El mejor tinto galo, Mouton-Rothschild 70, solo alcanzó la sexta plaza. Spurrier debe de estar riéndose todavía en el más allá…

 

[Fuente: http://www.theobjective.com]

La publicación, en San Francisco, de una plaquette que incluía Howl, de Allen Ginsberg (Newark, 1926- 1997), en 1956, dio a conocer al mundo occidental tanto al autor como al editor, Lawrence Ferlinghetti (Yonkers, 1919 – 2021), quien dos años después del escándalo causado por aquel, daría a la imprenta su libro más conocido: A Coney Island of the Mind (1958), que, traducido a varios idiomas, vendió más de un millón de copias. 

 

Escrito por Harold Alvarado Tenorio

Ginsberg y Ferlinghetti se habían conocido, durante los años cuarenta, en la Universidad de Columbia, donde hicieron una licenciatura el primero y una maestría en literatura el segundo. En San Francisco volvieron a encontrarse a comienzo de los cincuenta, cuando Ferlinghetti creó, con un estudiante amigo y 500 dólares, una librería y una casa editorial llamada City Lights, como el filme de Charles Chaplin, en North Beach, un barrio bohemio situado al noreste de la ciudad, cerca de Chinatown, una suerte de Little Italy sanfransiscana plagada de putas y putos.
He visto los mejores cerebros de mi generación
destruidos por la locura, famélicos, histéricos, desnudos,
arrastrándose por las calles en busca de un colérico picotazo,
cabezas de ángeles consumiéndose en la conexión
celestial con la estrellada maquinaria de la noche, que,
símbolo de la pobreza ceñida de harapos, drogados
y con vacías miradas, velan, fumando en la oscuridad
los pisos de agua helada sobre las crestas de la ciudad…
Así comienza el Aullido de Ginsberg que llevó a la cárcel a Ferlinghetti y Shig Murao, gerente de City Lights, acusados de publicar obscenidades y pagar por ello. Fue secuestrado por la policía por orden judicial porque Ginsberg no solo denunciaba “las destructivas fuerzas del capitalismo y el conformismo norteamericano”, sino que describía actos sexuales heteros y homos, en un momento cuando la sodomía era considerada un crimen en todos los estados de la unión. El poema describe sus fornicaciones con numerosos machos, incluido su amante de siempre, Peter Orlovsky. Tanto autor como editor argumentaron que el secuestro y la amenaza de condena era un atentado contra la Primera Enmienda, tesis aceptada por el juez de la causa, que consideró, el poema no era sicalíptico porque siendo arte era liberador, preguntándose: “¿Habría libertad de prensa o expresión si uno tuviera que reducir siempre su vocabulario a eufemismos insípidos e inocuos?”
A finales de los años cincuenta, nadie habría imaginado que el último y quinto hijo de un emigrante italiano que había levantado un pequeño negocio de venta de inmuebles en un pueblito a tres kilómetros de Manhattan, en una de las orillas del Hudson, habría de convertirse, en San Francisco, en el promotor de la generación de escritores más iconoclastas de los Estados Unidos: The Beat Generation, con escritores como Kerouac, Kenneth Rexroth, Ginsberg, Paul Bowles, Denise Levertov, Gary Snyder o Gregory Corso. 
Nativo de Brescia, el padre de Ferlinghetti murió de un ataque al corazón antes de su nacimiento. Su madre, una sefardita, enferma mental recluida en un hospicio, entregó sus hijos a una de sus hermanas, que se trasladó con el pequeño a Estrasburgo, donde Ferlinghetti aprendió francés como primera lengua. Al regresar a los Estados Unidos, fue recluido en un orfanato hasta que su tía encontró un empleo como institutriz de los hijos de una pareja de millonarios de Brownsville, en cuya biblioteca leyó en numerosos libros de autores clásicos, al tiempo que sus benefactores le pagaban con dólares de plata por recitar extensos trozos de poemas épicos. Arrestado por robar en una tienda, le enviaron a una severa escuela privada de Massachusetts, donde terminó el bachillerato, siendo admitido en la Universidad de Chapel Hill en Carolina del Norte para estudiar Periodismo. Trabajó entonces escribiendo sobre deportes en un periódico local y publicó sus primeras narraciones.
Durante la Segunda Guerra Mundial fue marinero de un submarino que cazaba naves alemanas en el Atlántico Norte. Su tesis de maestría en Columbia versó sobre John Ruskin, uno de los maestros de la prosa inglesa del XIX y su relación con el “pintor de la luz”, el paisajista considerado un “pintor de historia“, William Turner, uno de los artistas que sin duda más influyeron en el estilo poético de Ferlinghetti. De New York fue a Paris en un barco donde conoció a su primera esposa, una nieta de Edmund Kirby, que había participado en la guerra y expolio de México y el Ejército Confederado durante la Guerra Civil, donde fue promovido a general. En la Sorbona hizo un doctorado en Literatura Comparada con una disertación sobre la ciudad como símbolo de la poesía moderna.
Ferlinghetti nunca se consideró parte de la Beat Generation, aunque publicara a muchos de sus poetas y algunos de ellos le consideraran parte de la pandilla. Así lo dejó certificado en un documental sobre su persona, de 2013: “No me llamen poeta beat. Nunca fui uno de ellos”. “Quizás he sido el primero de los bohemios y el último de los beats”. Hacia años había declarado que lo único que en verdad le interesaba era abrir la librería y recorrer los paseos cercanos a El Embarcadero, donde los ancianos pasan las tardes esperando la muerte. En su poema de 1976 Los viejos italianos están muriendo retrata el paisaje y sus personajes:
Mira los que alimentan las palomas
cortando el pan duro con sus navajas,
y a los que tienen relojes de bolsillo,
los de manos nudosas y cejas salvajes,
que llevan pantalones holgados
con un cinturón y tirantes;
los bebedores de grappa
y sus inmensos dientes,
el piamontés, el genovés, el siciliano
que huele a ajo y pimientos;
aquellos que amaron a Mussolini,
viejos fachos,
aquellos que amaron a Garibaldi,
viejos anarquistas que todavía leen en
L´Umanita Nova,
y amaron a Sacco y Vanzetti,
todos se han ido.
Algunos ahora esperan su turno
y toman el sol frente a la iglesia
en cuyas puertas está inscrita
una frase sin terminar
de El Paradiso de Dante
sobre la gloria del Aquel
que todo mueve…
Un buen número de sus poemas iniciales imitaba el tono, pero no los asuntos de la poesía de T. S. Eliot. Todo lo que escribía entonces sonaba a él. Sus apegos por la pintura y la música también invadieron buena parte de sus textos, sobre todo el jazz y las acuarelas de Turner, tratando de capturar, con sus versos libres, la espontaneidad y la improvisación, descendiendo también hacia un populismo literario que le hacía comparar el oficio del poeta con el de un trapecista de circo y otras veces, en una suerte de Charlot, donde el poeta es mimo, un imitador, y el poema pantomima, una parodia.
Lo cierto es que la mayoría de sus poemas son más visuales que rítmicos, contando cortas historias, “retratos” coloridos que capturan la vida norteamericana de la clase media, como en aquel donde una pareja cruza un parque y él va del brazo de su esposa y el poeta apenas recuerda el color verde de sus tirantes y de ella, el racimo de uvas que lleva en las manos. Así también en otro dedicado a refrescarnos las imágenes que Goya imprimió en sus grabados o pesadillas sobre el hombre. Goya hace evidente el sufrimiento de la humanidad; Ferlinghetti, al recrear a Goya nos ofrece unos norteamericanos que hundidos en el materialismo del capitalismo en una inmensa autopista llena de avisos publicitarios reciben ilusorios mensajes de la felicidad en este mundo.
Cuando abandonó a Eliot, se acogió al estilo de su mentor, el médico casi dominicano William Carlos Williams, uno de los más feroces impulsores del habla coloquial en la poesía, a partir de sus habilidades auditivas para romper con la métrica que dominaba la lírica inglesa desde el Renacimiento. Alejado de los simbolismos y el arte metafórico, quería que las cosas fueran las cosas mismas, así como surgían cada día y cada noche en el habla cotidiana.  Ferlinghetti adoptó esos comportamientos, acercándose al “pueblo” y enfatizando que el arte debía ser asequible a todo el mundo, no solo a los ilustrados. Olvidando, Ferlinghetti, que cada estrato social tiene su propio arte, sus propias invenciones, sus propios niveles de gozo o padecimiento, que sobreviven o perecen de acuerdo con las necesidades de quien adquiere poder e impone sus gustos. Así lo dejó escrito en su poema noveno de Pictures of the Gone World, donde recita:
« La verdad
no es asunto de unos pocos.
Quizás creas que es cierto,
por la forma en que ciertos archiveros
y emisarios de la cultura
y regentes de museos
se comportan.”
Ferlinghetti invitaba a los creadores, como quería, en otros sentidos, Confucio, con los nombres, a rectificar el papel del arte y los artistas. Y como Mao, instaba a los poetas a participar en la vida política y cultural de sus países. “Salgan de sus encierros, abran sus puertas, la poesía debe llevar la gente a otros lugares, a sitios más altos.”, decía.
Viajero incansable y partidario de las rebeliones contra los establecimientos del capitalismo, Ferlinghetti estuvo en Chile, Cuba, Nicaragua, México y casi todos los países europeos y de la Cortina de Hierro, leyendo sus poemas. Siempre hablando duro a favor de la Revolución Cubana y Fidel Castro, las organizaciones de campesinos, la guerra del Vietnam y el viejo Ho, los sandinistas, los zapatistas y los palestinos. Creo que nunca oyó hablar de las FARC y su viejo líder Tirofijo. No aparecen por ninguna parte de su obra.
Como pintor hizo exhibiciones en numerosos sitios, y también recibió profusas condecoraciones y premios. Cuando cumplió 100 años, el alcalde de San Francisco proclamó el día de su nacimiento como el Lawrence Ferlinghetti Day. Ese mismo año, uno de sus seguidores colombianos, dijo que el día del nacimiento de otro poeta, que lo malquería, debía ser el Dia del HP. La peste de ahora le obligó a cerrar su librería, pero sus admiradores iniciaron una colecta que alcanzó casi el medio millón de dólares en cuatro días.
Murió de una enfermedad respiratoria en los intersticios costales, en su casa de San Francisco. Iba a cumplir 102 años.
EN LAS PINTURAS DE GOYA VEMOS
Cuando miramos en Goya
parece que viéramos a los hombres
en el mismo momento que reciben
el rótulo de humanidad sufriente.
La adversidad con furor les retuerce,
apiñados, gimen con niños y bayonetas
bajo cielos de cemento
en un paisaje de árboles volando,
estatuas retorcidas,
alas y picos de vampiros,
horcas corredizas,
cadáveres y gallos carniceros
y todos los vociferantes monstros
son tan reales
como si de verdad existieran.
.
Y existen.
Solo el paisaje ha cambiado.
.
Están alineados en las carreteras
plagadas de soldados,
falsos molinos de viento y gallos locos
Son la misma gente,
solo que alejadas de casa,
en las autopistas de cincuenta carriles
en un continente de cemento
con grandes avisos que anuncian
imbéciles ilusiones de felicidad.
.
El escenario tiene pocos carromatos
pero muchos seres mutilados
en autos pintados
que tienen extrañas matrículas
y motores
que se engullen a América.
―Lawrence Ferlinghetti
Versión de Harold Alvarado Tenorio
_____
*Harold Alvarado Tenorio. Poeta y editor de la revista de poesía Arquitrave. Este texto se reproduce con autorización del autor.
[Imagen: Ferlinghetti frente a su librería en San Francisco – fuente: http://www.revistacoronica.com]

O escritor, falecido aos 101 anos, fundou City Lights, un foco cultural aínda en activo

Ferlinghetti, ante su librería de San Francisco en 1998

Ferlinghetti, ante a súa librería de San Francisco en 1998.

O poeta estadounidense Lawrence Ferlinghetti, propietario da librería de San Francisco na que se considera que se forxou a Xeración Beat na década de 1950, faleceu o luns aos 101 anos de idade, segundo informou este martes a familia e recolle Efe. Ademais de crear a súa propia obra poética, Ferlinghetti cofundó en 1953 a librería City Lights (Luces da cidade) en North Beach, o barrio italiano de San Francisco, un local que segue operando a día de hoxe e que se converteu nun polo de atracción turística na cidade. Ao pouco de ser fundada, City Lights converteuse en lugar de encontro de artistas bohemios, entre eles varios dos que conformaron a bautizada como xeración Beat como Allen Ginsberg, Gregory Corso e Michael McClure, con quen Ferlinghetti trabó unha forte amizade.

«A mellor poesía na lírica en si mesma. O noso poeta e heroe, Lawrence Ferlinghetti, faleceu o luns pola noite. Amámosche, Lawrence», publicou a conta de Twitter da librería este martes, que pechou as súas portas durante a mañá en homenaxe ao seu cofundador. O poeta e libreiro faleceu por mor dunha enfermidade pulmonar na súa residencia do barrio de North Beach, onde viviu durante os últimos corenta anos. Como autor, Ferlinghetti publicou varias decenas de libros, entre eles A Coney Island of the Mind, que desde que foi publicado en 1958 vendeu un millón de copias en todo o mundo e foi traducido a doce idiomas. O poeta e libreiro tamén exerceu de editor e publicou varias obras dos autores da Xeración Beat, entre eles o controvertido Howl de Allen Ginsberg en 1956, feito polo que foi arrestado e levado a xuízo por cargos de obscenidade. Ferlinghetti baseou o seu defensa no dereito á liberdade de expresión e publicación e finalmente foi absolto.

 

[Imaxe: STRINGER/REUTERS – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Darrerament s’han publicat alguns articles en la premsa periòdica sobre la producció literària actual, alguns de centrats en l’assaig, d’altres en la narrativa, que han produït un cert rebombori. Les crítiques s’han centrat en els dedicats a l’assaig, perquè encara que esmentaven molts autors, ignoraven curiosament els més destacats en la pràctica d’aquest gènere. Per a més inri, en un d’ells, publicat en La Vanguardia, a més de no esmentar cap dona assagista, es donava a entendre que no n’hi havia, que no existien. Les dones només escriuen novel·la, com sap tothom. Reaccions indignades a banda, s’ha de reconèixer que aquesta qüestió de les omissions és gairebé inevitable en un text que intenta oferir una panoràmica general de la producció literària actual, i més encara en un text periodístic.

La «crítica» de les omissions, a més, desvia l’atenció del que era més censurable en aquests articles: el fet que els seus autors eren incapaços de dir absolutament res sobre la producció assagística, o narrativa, i quan intentaven dir-ne alguna cosa es limitaven a repetir tòpics o a pixar fora de test, cosa inevitable quan es parla sense saber de què va. Com que no havien llegit els llibres dels escriptors que esmentaven, s’havien de limitar a fer una llista de títols i a constatar que tenim una producció literària molt extensa. Si de quantitat es tracta, n’hi per a estar ben contents. I, segons sembla, d’això es tracta. Com a mínim, haver-n’hi, n’hi ha.
És difícil, és positivament difícil fer-se una idea precisa, basada en un coneixement real, de la producció literària actual, fins i tot en el cas d’una llengua com el català, fins i tot reduint-la a un enfocament regional, com se sol fer habitualment. Cal temps, i ganes, i paciència, per llegir una part mínimament representativa del que s’ha publicat en els últims anys, i escriure així un informe valoratiu amb coneixement de causa.
Què fer, doncs? Quedar-se callat sense dir res? Això mai. Se m’ocorre alguna solució per a eixir del pas. Per exemple, llegir no els llibres —no hi ha temps ni ganes—, sinó les contraportades. Es podria editar un volumet, o un volumot, amb les contraportades de les novel·les o dels assaigs que s’han publicat últimament. Reconec que el procediment té les seues limitacions, més que res perquè la contraportada, redactada habitualment per l’autor, és una forma de propaganda editorial, bastant innocent, per cert.
Hi ha una altra possibilitat, més fiable: reproduir una pàgina, només una, la que siga, de cada un dels llibres. De fet, amb una sola pàgina, fins i tot amb un sol paràgraf, n’hi ha prou per a saber què i qui tenim entre mans. Per l’urpa es coneix el lleó. Per la pàgina, l’autor. De vegades, en una llibreria, quan no tinc clar el valor i l’interès d’un llibre, en llegesc una pàgina a l’atzar. No sempre, però la majoria de les vegades tanque el llibre amb un colp sec i el deixe on era. Reconec que això és més una manera de descartar llibres, o de triar-los, que no de llegir-los. Si la cala és favorable, amb una pàgina no hi ha prou. Cal llegir el llibre. I, encara més, cal entrar en el llibre. Potser això és demanar massa…

 

 

[Font: laserpblanca.blogspot.com]

Jeune fille lisant sur le divan, Isaac Israëls, 1920. Wikipedia

 

Écrit par Marc Porée

Professeur de littérature anglaise, École normale supérieure (ENS) – PSL

Tant que durera la pandémie, il va falloir se résoudre à vivre à distance des uns des autres. Le nouveau modus vivendi qui est désormais le nôtre s’avère indissociable du maintien des gestes barrières et autres mesures de « distanciation », physique dont, pour l’essentiel, nous ignorions tout il y a encore quelques (longues) semaines. Raison de plus pour revenir sur une forme de distanciation qu’on appellera « littéraire », bien connue, elle, des spécialistes. Théorisée par Brecht ou Chklovski, mise en œuvre chez Kafka ou Proust, la distance est sans doute inhérente à l’acte d’écrire lui-même. À condition d’ajouter, sans craindre le paradoxe, qu’elle constitue aussi le meilleur antidote qui soit face aux périls de la distanciation sociale.

Oublions les librairies qui n’ont, hélas, pas eu le droit d’ouvrir pendant le confinement. Tâchons de ne pas (trop) penser aux ravages causés par la crise dans le milieu de l’édition, laquelle va frapper beaucoup d’écrivains au portefeuille. Retenons que les livres nous tiennent compagnie. Il est vrai que plus on fréquente la littérature, plus on est frappé par l’étendue du savoir qui est le sien. Savoir sur la maladie, la mort, le deuil, la vie aussi, ce qui n’est pas pour nous surprendre. Plus étonnante, son expertise en matière de distance et de distanciation. Ce savoir s’exprime dans des bouts de citation, à la faveur de cette « culture phrasée » chère à Jean‑Claude Milner. Il s’incarne, surtout, dans la chair d’écrits, d’anticipation pour l’un, de remémoration pour l’autre. Soit, au total, cinq leçons sur la distance.

Les lois de la proxémie

En 1966, l’anthropologue canadien E.T. Hall jetait les bases d’une nouvelle discipline scientifique, la « proxémie », comprenons l’usage qui est fait de l’espace et des distances sociales. La façon que nous avons d’occuper l’espace en présence d’autrui est constitutive de notre identité, posait-il au seuil de The Hidden Dimension. La « dimension cachée » du titre est celle de l’espace vital nécessaire à l’équilibre de tout être vivant, animal ou humain. Chez l’homme, cette dimension devient intégralement culturelle, car corrélée à une civilisation, une nationalité.

Ce que les Français ou les Italiens perçoivent comme « proche » ou « lointain » diffère, parfois sensiblement, de la perception que s’en font les Britanniques ou les Nord-Américains. Chez les Anglo-Saxons, l’inconfort se fait palpable en cas de contact rapproché avec son interlocuteur, alors que les Latins semblent moins regardants quant au strict respect des frontières de leur intimité – la distance de sécurité sanitaire est fixée à 6 pieds (soit 1, 80 m) aux États-Unis et au Royaume-Uni, alors qu’elle est de 1, 50 mètre en Allemagne et en Belgique et de 1 mètre en France…

Ce qui vaut pour les relations interpersonnelles, avec les modalités de la conversation, se retrouve au niveau de l’habitat, des déplacements, etc. En gros, Hall distingue sur une base physique allant de quelques centimètres à une dizaine de mètres, quatre types de distance, de l’intime à la publique, chaque catégorie s’évaluant selon deux modalités (proche et éloignée). Lettré, il convoque W.H. Auden ou encore Thoreau ou Kafka à l’appui de ses analyses (grossièrement) comparatives. Hall ne cite pas Isaac Asimov, dont le roman The Naked Sun (Face aux feux du soleil, dans la traduction française), paru en 1956, donne pourtant froid dans le dos tant il semble avoir intégré par avance toutes les règles de distanciation physique et sociale actuelles. L’espace de deux, trois mois, la dystopie fictionnelle sera devenue notre existence de tous les jours.

Un monde de distanciation physique

Dans un espace-temps qui est celui de la science-fiction, et des cycles robotiques, Asimov imagine une planète colonisée, Solaria, dont les habitants, éduqués dès la naissance dans la phobie du moindre contact, officiellement par crainte des infections microbiennes, vivent à l’isolement et se déchargent sur des robots du soin d’entretenir leurs vastes domaines. Les rapports sexuels, qui restent nécessaires pour procréer, relèvent de la corvée. En revanche, la seule communication admise, de type holographique, se fait sans pudeur et l’exposition de la nudité y est monnaie courante.

Le roman d’Asimov, même sorti du contexte de la guerre froide, continue de nous parler. En particulier, il alerte sur les possibles dévoiements, aux relents de discrimination, des mesures destinées à lutter contre la crise sanitaire actuelle.

Quand on sait que certaines catégories sociales sont plus impactées que d’autres par le Covid-19, qui sait si on ne cherchera pas, tôt ou tard, à les mettre au ban afin de s’en protéger coûte que coûte ? Il est à craindre que les messages martelés sur les gestes barrières à mettre en place, l’injonction, partout répétée, à garder « ses » distances, finissent par laisser des traces, renforçant l’ère du soupçon dans laquelle nous sommes entrés.

Ces manœuvres d’évitement qu’on se surprend soi-même à mettre en pratique et qu’on redoute de voir perdurer sur le long terme, il est impossible que la littérature ne s’en inquiète pas. Inconcevable, par rapport à ce qui fait son ADN, qu’elle ne se mêle pas de résister à la pression, collective, du « Vivons à distance les uns des autres ». Elle le fera sous la forme d’un récit, d’une fable qui portera, avant toute chose, sur l’irrépressible besoin de contacts que le confinement a mis au jour chez les animaux sociaux que nous sommes. Sans négliger la critique en bonne et due forme – littéraire, s’entend – de tout ce qui est susceptible de s’avancer masqué, à l’abri de mesures opportunément dites « barrières ». Rien de tel que la distance de la littérature pour battre en brèche une distanciation de mauvais aloi.

L’amour de loin

Continuons avec ces phrases célèbres que colportent les histoires de la littérature. « S’enfermer dans sa tour d’ivoire » en est une. Mais sait-on seulement que Sainte-Beuve, critique et poète à ses heures, en est l’auteur ? À l’instant d’évoquer le caractère batailleur et public de Victor Hugo, il l’opposait à l’un de ses contemporains, Alfred de Vigny : « Et Vigny, plus secret,/Comme en sa tour d’ivoire, avant midi, rentrait. » (1837) Il faudrait développer, mais la place manque, tant l’idée d’une littérature hautaine et désengagée, ayant définitivement pris ses distances d’avec les vicissitudes du monde, demande à être combattue.

Toute autre est la formulation attribuée au troubadour aquitain Jaufré Rudel, au XIIe siècle, relative à « L’amour de loin » (amor de lonh). Prince de Blaye, Rudel tombe amoureux de la princesse de Tripoli dont il avait entendu parler. Il s’engage alors dans la deuxième Croisade, tombe malade et meurt dans les bras de la princesse qu’il n’avait jamais vue, non sans lui avoir dédié une bonne part de son œuvre poétique.

À son insu, Rudel aura engagé la poésie, et le lyrisme amoureux à sa suite, sur le chemin d’une apologie de la distance, associée à la divinisation de l’objet aimé, placé sur un piédestal. Un chemin escarpé qui connaîtra une série de points culminants : l’amour courtois entre la Dame et son troubadour ; le romantisme du XIXe siècle ; mais aussi la poésie de Breton et d’Aragon.

Un reste de ce tropisme subsiste dans ce que Vincent Kaufmann nomme pour sa part « l’équivoque épistolaire » à l’œuvre dans la correspondance, notamment amoureuse, de Flaubert ou de Kafka. Semblant réclamer à corps et à cris la présence de l’être aimé, leurs lettres se nourrissent, en fait, de son éloignement, jusqu’à craindre que son retour, en faisant cesser le prétexte de la lettre, ne suspende le sentiment amoureux lui-même. À croire que l’écrivain, monstrueux ou inhumain en cela, donne délibérément la préférence, non point à l’incarnation, mais à la distance « grâce à laquelle le texte littéraire peut advenir »…

Détachement et esprit critique

Désireux de rompre avec la veine du théâtre épique, selon la typologie d’Aristote, Berthold Brecht théorise à partir des années 1936 le Verfremdungseffekt, ou effet de distanciation. Et d’exhorter les spectateurs de ses pièces à rompre avec l’empathie (« Glotzt nicht so romantisch »), mais aussi avec l’illusion référentielle et les ressorts de l’action dramatique. Tout est bon pour susciter, dans le public mais y compris chez les acteurs, un salutaire réflexe de détachement, préludant à la prise de conscience critique.

Se désengluer de la chose qu’on chercherait à imposer, se sevrer des intrigues sentimentales, tel est l’objectif avoué. Face au spectacle qui secrète l’aliénation, il dresse un « spectateur émancipé » (Rancière). Taillant des croupières au naturalisme bourgeois, le dramaturge marxiste use de la distanciation, sans jamais perdre de vue la parenté de son mot d’ordre avec le manifeste des formalistes russes. Dès 1917, ces derniers, Viktor Shklovsky en tête, plaidaient pour le même genre de rupture créatrice. L’« étrangisation », qui implique la mise à distance tout à la fois des mots de la tribu et de la perception routinière, aura bel et bien revitalisé la poésie moderne. Mais qui peut sérieusement croire que les poètes, russes ou pas, aient attendu 1917 pour mettre en œuvre la défamiliarisation des usages de la langue et du monde baptisée « ostranénie » ?

Décanter la matière des souvenirs

« Une émotion remémorée dans la tranquillité, la quiétude » (« emotion recollected in tranquillity »). Ainsi se définit la poésie selon William Wordsworth, le plus proustien des versificateurs anglais. C’est souvent à distance de l’événement que campe le poète, pour y remâcher, y décanter la matière de ses souvenirs. Ni trop près, ni trop loin. En s’éloignant du présent de l’écriture, l’émotion se purifie de sa violence et se trouve convertie en autre chose, où l’inquiétude n’a toutefois pas entièrement déserté la place.

C’est vrai, grosso modo, de la poésie élégiaque, ainsi le recueil de Michel Deguy, `A ce qui n’en finit pas. Thrène (1995), imprimé sur pages non numérotées. La mort de l’épouse s’y trouve renvoyée aux confins de la conscience, là où la distance se fait irrévocable et la perte irréparable, et restituée dans le présent d’un veuvage appelé à durer, interminablement. Les romanciers sont logés à même enseigne, quand il s’agit de restituer l’impact causé par une catastrophe, naturelle ou terroriste.

Après l’effondrement des tours du World Trade Center et les millions de vues du Falling Man anonyme sautant de l’une des fenêtres du bâtiment pour chuter dans le vide, cinq ans s’écouleront avant que Don DeLillo n’en tire une figure aimée de loin et un roman éponyme comme tombé en distance.

Entre désir et nostalgie

Terminons avec Marcel Proust, le plus wordsworthien des romanciers français. L’arc monumental dessiné par La Recherche, de la première à la dernière phrase du cycle, parle de distance et de remémoration. Dès les premières pages, avec l’évocation du cérémonial du coucher (« de bonne heure »), apparaît la tension, chez le narrateur, entre désir de proximité et désir d’éloignement. Chaque soir, quand revient l’heure du coucher, à l’idée du baiser que déposera sur sa joue la mère de Marcel, avant de le quitter très vite, ce dernier éprouve un mixte d’impatience et d’appréhension : « longtemps avant le moment où il me faudrait me mettre au lit et rester, sans dormir, loin de ma mère et de ma grand-mère ». Tout est dit de l’angoisse d’abandon, de l’éloignement redouté d’avec la mère ; mais le réagencement du désir par l’écriture l’emporte, pour preuve cette autre formulation, au comble du paradoxe, là encore : « De sorte que ce bonsoir que j’aimais tant, j’en arrivais à souhaiter qu’il vînt le plus tard possible, à ce que se prolongeât le temps de répit où ma mère n’était pas encore venue. »

Impossible de rendre plus transparent le désir d’allonger l’attente, de différer le plus possible la consommation du pourtant convoité baiser. Et si la littérature ne faisait jamais que cela, à savoir distancer un temps qui est lui-même celui du longing, pour le dire en anglais, entre désir et nostalgie ? À l’autre bout de la chaîne, parvenu à la dernière page du livre, le constat est celui-ci : l’espace a beau céder la place au « Temps » (ultime mot du texte), la distance n’en disparaît pas pour autant ; temporelle, elle cesse d’être uniquement un intervalle, de marquer une césure, pour se faire milieu ambiant, vacance intérieure où les époques « si distantes » du Temps Retrouvé, et le monde avec elles, se déposent et se recomposent tout à la fois. La Recherche, ou la distance faite œuvre.

Une dernière chose. La défense et illustration de la distance en littérature n’invalide pas un choix d’apparence contraire, celui de la proximité. Le proche et le distant, lointainement à l’unisson.

 

[Source : http://www.theconversation.com]

 

Dror Mishani es uno de los escritores israelíes más reconocidos de la actualidad. También trabaja como traductor, editor y profesor universitario de Literatura. Se ha especializado en literatura policiaca como demuestran sus tres primeras novelas. En la cuarta, “Tres”, mezcla la novela romántica y de terror con la policiaca dando como resultado un thriller literario de alto voltaje.

Dror Mishani

Dror Mishani

Por JAVIER VELASCO OLIAGA

Su escritura es tan refinada y precisa que ha llamado la atención en diversos países europeos donde ha conseguido diferentes premios. Su nueva novela va a ser adaptada a la televisión por los productores de la serie “Homeland”; no todo van a ser series turcas. En la entrevista, Dror Mishani nos cuenta sus motivaciones para escribir su novela y nos desvela que su escritor español favorito es Enrique Vila-Matas, por el que siente admiración.

« Tres » es su cuarta novela. ¿Cuáles son las principales diferencias entre su nuevo thriller y la serie del inspector Abraham Abraham?

Hay muchas. Por primera vez, mi principal protagonista es una mujer; de hecho tres, y no un hombre. Por primera vez no contaba la historia de un crimen desde el punto de vista del investigador, sino de las víctimas. Y por primera vez no estaba tratando de entender un crimen que ya había ocurrido, sino de prevenir uno que estaba a punto de ocurrir.

¿Definiría su novela como un thriller psicológico?

No lo sé. Mientras escribía, me la definí a mí mismo como una novela policíaca en la que no se sabe si ocurrirá un crimen o no. Luego, como novela de detectives en la que no estás seguro de que el detective vaya a aparecer alguna vez. Sobre todo, espero que mis lectores lo definan como un libro que les haya gustado leer.

¿Ha tenido influencias literarias de maestros como Patricia Highsmith o Simenon?

La escritura de ficción criminal está siendo constante y abiertamente influenciada por diferentes escritores. Escribimos en un género con una tradición tan larga y gloriosa que es una pena no reconocerlo y pedir prestado a los maestros. Así que sí, Highsmith, Simenon, ¡pero muchos otros también!

Traductor, editor y escritor. ¿Con cuál de estas facetas se identifica más?

Escribir es con lo que más disfruto. Traduciendo sueño con hacer más algún día.

Su novela ha sido traducida a muchos idiomas. En varios países europeos está teniendo mucho éxito y reconocimiento. ¿Está satisfecho con la internacionalización de su literatura?

¡Si!

Aunque la trama se desarrolla en Tel Aviv, lo que cuenta es muy universal. ¿Está buscando deliberadamente esa universalización de su escritura?

No, pero escribo sobre seres humanos y, a pesar de las diferencias nacionales, no son tan diferentes entre sí después de todo.

En España conocemos a escritores israelíes como David Grossman, Amoz Oz, Etgar Keret o Nir Baram. ¿Cómo es la situación literaria en Israel después de la Covid-19?

Podría ser mejor. Nuestras librerías estuvieron cerradas durante mucho tiempo y la gente se está acostumbrando a ver demasiado Netflix. Pero todavía salen libros y algunos de ellos son maravillosos. Y sé que para mí, y también para otros, estos tiempos extraños han demostrado, si se necesitaban pruebas, que nada puede curarte o satisfacerte mejor que unas horas bastante solitarias con un libro.

¿Qué otros escritores, especialmente del género negro, destacaría?

Tantos. Últimamente leo intensamente escritores de novela policiaca, política y metafísica, como el italiano Leonardo Sciascia y el suizo Freidrich Durrenmmatt. Me encantan las historias de detectives o crímenes de escritores que también están escribiendo otro tipo de novelas y experimentando con el género: de Capek a Borges a Muñoz Molina (¡Plenilunio!). A Piglia. Pero también los grandes maestros detectives, puros y simples: Simenon, Sjowall y Wahloo, Mankell, Camilleri, Vázquez Montalbán o Fred Vargas.

En « Tres » conocemos al protagonista Guil Hamtzani, un depredador sexual, que seduce a tres mujeres de diferentes formas. ¿Hasta qué punto Internet está cambiando las relaciones personales?

¡No lo sé! Estoy casado desde 2008 y mi última cita fue probablemente antes de que se inventara el iphone…

“Las relaciones tóxicas siempre fueron normales, pero ahora se toleran menos”

¿Las relaciones tóxicas entre personas se están volviendo demasiado normales?

Creo que siempre lo fueron. En todo caso, creo que la gente en la actualidad las tolera menos, y para alguno de nosotros, lamentablemente no para todos, es más fácil dejarlo hoy que hace unas décadas.

Las dos primeras partes de la novela describen la vida cotidiana y tienen un tono costumbrista. En el tercero, la novela cambia de registro y se convierte en una novela policíaca. ¿Cómo ideaste la novela para dar ese cambio?

Así es como se me ocurrió. La idea básica era: una novela en tres partes con tres protagonistas femeninas que se encuentran con el mismo hombre y tres procesos de lectura diferentes. La primera parte la lees como un romance, la segunda como una historia de terror (anticipando lo que le va a pasar a Emilia) y la tercera como un investigación policial.

¿Qué importancia tienen los diálogos en su novela? Ya que utiliza diferentes formas: SMS, Skype…

¡Es verdad! Me encanta escribir diálogos pero también todo tipo de correspondencias. Insertar textos escritos dentro de mi propio texto. Las escenas que más disfruto escribiendo son las escenas de la sala de investigación y no tenía muchas en este libro…

Quiero que todos mis libros versen sobre un solo « tema »: el paso del tiempo

¿Cómo planeó esa voz narrativa omnisciente?

Las dos primeras partes fueron fáciles de escribir: fueron contadas con una narrativa omnisciente pero muy cercana a la conciencia de mis protagonistas, Orna y Emilia, desde dentro de sus mentes. La tercera parte fue más difícil porque escribir de la misma manera habría revelado demasiado. Así que hice muchos experimentos, probé esto y aquello, y finalmente encontré una nueva voz narrativa (para mí): un narrador omnisciente (¿pero quién es él? ¿Yo? ¿Literatura?) Qué le dice esa voz a Orna y Emilia, casi como si lo estuvieras escuchando.

De las tres protagonistas femeninas, Orna, Emilia y Ella. ¿Cuál es su favorita?

Las tres están cambiando todo el tiempo. Por esa búsqueda fuera de su patria, me quedo con Emilia, porque también me identifico con su búsqueda religiosa.

En la novela trata temas muy actuales como los divorcios, la soledad, el cuidado de los ancianos… ¿Encontraremos cada vez más casos de estos?

Soledad, seguro. En cuanto a otras cosas sobre las que quiero escribir en el futuro, no tengo ni idea en este momento. Sé que el nuevo libro que escribí (después de TRES) trata de diferentes cuestiones. Y de hecho, quiero que todos mis libros versen sobre un solo « tema »: el paso del tiempo. No, eso no es verdad. Quiero que también sean libros sobre otros libros…

Hay dos temas muy israelíes en su novela, que toca casi de pasada. El primero es el tema de la guerra contra las naciones vecinas. ¿Teme la sociedad israelí una posible conflagración de guerra?

No estoy seguro de que los israelíes tengan un miedo constante a la guerra. Temen el desempleo, la pobreza, la soledad, la enfermedad y la violencia. Como en todas partes. Creo que es el Estado, no el pueblo, el que impulsa ese miedo constante a la guerra, por sus propias razones.

El segundo es el tema de la diáspora en el que Ella está trabajando en su supuesta tesis doctoral sobre el gueto de Lodz. ¿Cómo sigue afectando todo lo relacionado con el Holocausto en su país?

De forma cambiante. Algunas de ellas las agradezco mucho: el hecho de que nos negamos a olvidar a los muertos. Que insistimos en recordarlos, sus vidas y las vidas que pudieron haber tenido. Esto es, de hecho, exactamente lo que Ella está haciendo en la tercera parte de mi novela, no solo en su falso doctorado, sino su investigación. No estoy de acuerdo con otras formas en que usamos este trauma nacional (y por supuesto es un trauma nacional), para justificar cada acto de violencia como autodefensa de otro desastre futuro.

¿Qué conoce de España y qué escritores españoles son sus favoritos?

¡Ah! ¡La pregunta más importante! Y por fin, una oportunidad para rendir homenaje público a mi autor favorito de los últimos años: ¡Enrique Vila-Matas! Muchas gracias señor Vila-Matas, por Dublinesca, por Mac y su contratiempo, por Historia abreviada de la literatura portátil y en especial por Bartleby y compañía, libro al que dedicaré un curso completo el próximo año en la Universidad de Tel Aviv, y una de las más bellas y apasionadas que conozco sobre la literatura, el amor, las ganas de escribir y las oportunidades perdidas.

 

[ Foto: Yanay Yechiel – fuente: http://www.todoliteratura.es]

La sexta monomanía, Portrait of a man. Homo melancholicus, de Théodore Géricault

Publicado por Javier S. Burgos

Hoy, unos días después de que se cumpla un año en el que lo tuve entre mis manos, el misterio por fin se desvela.

Pero volvamos por un momento a aquel soleado día de un enero frío.

El viaje fue según lo previsto en aquella época prepandémica. Nadie sospechaba que el virus estaba ya transmitiéndose de manera silenciosa y mortal, pero hoy sabemos que en aquel gélido mes de invierno, poco después de la Natividad, el virus ya campaba a sus anchas en la península itálica. Hasta en eso tuve suerte. Unas pocas semanas más tarde habría perdido la oportunidad única que me brindaba la vida, y que se me ofrecía tal vez por mi compulsiva obsesión en la búsqueda de unos cuadros perdidos hacía más de doscientos años, de los que nadie, ni tan siquiera, sabía si habían existido alguna vez.

En los últimos meses mi casa se había convertido en el escenario de una serie policíaca de los años ochenta. Fotografías de los retratos pegados a la pared, con conexiones entre ellos, decenas de artículos científicos en inglés y en francés desparramados por la mesa del comedor, diagramas temporales del periplo de los cuadros conocidos, precios de compraventa, catálogos especializados traídos de alguna librería perdida en los suburbios parisinos, fotocopias de los tratados médicos de los alienistas, mil veces subrayadas, con anotaciones al margen traduciendo algunas de las expresiones francesas que mi memoria se había empeñado en olvidar, solicitudes de fichas a los Archivos Nacionales Franceses, correos electrónicos enviados a diferentes partes del mundo, catálogos de exposiciones lejanas en el tiempo y en la geografía, inventarios de testamentos olvidados, tesis doctorales antiguas…

Durante muchas noches la encendida obsesión me hizo navegar por las profundas y oscuras aguas de la inabarcable red. La tecnología ha puesto a nuestro alcance un océano de información muy difícil de digerir. Al igual que de niños trazamos las líneas entre los puntos sucesivos para dibujar la imagen del tesoro de los piratas, de esa forma yo conectaba pistas en mi particular epopeya artística. Fueron muchos meses de intentos, en los que visité colecciones virtuales, estudié catálogos obsoletos, leí decenas de artículos y libros, y analicé, con la paciencia de un relojero, cada una de las posibles evidencias que la profundidad de la nube me devolvía. No contaré aquí ni las pistas que no me llevaron a ningún sitio, ni aquellas que todavía permanecen prometedoramente abiertas, en una búsqueda vital que necesariamente sigue siendo inconclusa.

El quid de la cuestión acabó estando en una pequeña exposición sobre arte y locura que se exhibió en el Museo de Arte de Rávena (MAR). En una de esas noches de verano detenidas en el tiempo, donde buscaba incansablemente evidencias imposibles frente al ordenador, reparé en una exposición del año 2013 titulada Borderline. Artisti tra normalità e follia, que inicialmente no me reveló nada especial, convirtiéndose otra vez en la enésima pesquisa esquiva. Pero decidí, ya a altas horas de la madrugada, visionar el vídeo promocional de la exposición antes de irme a dormir a la cama pegajosa por la humedad próxima de la mar oscura, en aquella noche que se convertiría irremediablemente en inolvidable. Lo deduje de allí. Reconocí en los escasos segundos que duraba el frame el cuadro de Le medicin chef de l’asile de Bouffon, uno de los médicos parisinos pintados por Géricault en aquellos años. El retrato, en forma de promesa, estaba a su lado. La imagen parada arrojaba la posibilidad de explorar. Y sus características lo hacían plausible: las dimensiones del retrato, su composición, la ropa que vestía el sujeto, los colores coincidentes, la singularidad de la mirada…

Durante los meses siguientes la investigación se convirtió en una montaña rusa de esperas y augurios. Obviaré los detalles, tanto por confidencialidad como por prudencia, pero he de confesar que siete meses más tarde, en algún lugar perdido de Italia, aquel retrato perdido de Géricault estaba entre mis manos, y yo, por fin, podía mirar a los ojos los indicios del principio de la locura en un insano ingresado en uno de los asilos parisinos de una lejana época posnapoleónica. Aquel hombre que interesó al eminente psiquiatra y que inmortalizó el genio romántico estaba delante de mí, mientras su dueña (o dueño) desgranaba con parsimonia los detalles casi olvidados de su procedencia, mientras las horas pasaban, y el sol glacial del invierno de los presagios confirmados entraba por la ventana reflejándose en el espejo ocre del parqué.

Aquel individuo anónimo de mirada triste sedujo, hace doscientos años, tanto al científico como al artista. Y ahora se revelaba ante mí, a través de un profundo túnel temporal que conectaba dos épocas lejanas, en un lujoso ático de alguna ciudad italiana, enlazando el tiempo y el espacio, y repitiendo caprichosamente una escena que ocurrió hace más de siglo y medio, cuando el doctor Lachèze le enseñó las primeras cinco monomanías al marchante Louis Viardot, también en un ático, en la lejana ciudad alemana de Baden-Baden, dentro de un viejo baúl agusanado que había acabado allí tras un viaje circular en donde los cuadros recorrieron las exóticas latitudes orientales de Egipto, Palestina, Arabia y Persia.

Théodore Géricault, por petición del doctor Georget, pintó al hombre melancólico, convencido por el médico de que existían dos clases de monomanías: la que cursaba con agitación y desasosiego, y aquella en la que predominaba la tristeza y el abatimiento, o como ellos la llamaban: la lipemanía, o la melancolía clásica de los textos antiguos.

El hombre melancólico inclina la cabeza, enfundado en una humilde casulla religiosa, de colores similares a la bufanda de otra de las monomaníacas, la de la envidia, a la que apodaban en el asilo la Hiena, la única de la que ha trascendido su apelativo. Ambos vistiendo ropas de invierno, aquellas prendas con las que los inmortalizó el pincel del maestro. El hombre triste, con la marca de la tonsura en su cabeza, que nos muestra que el germen de su locura proviene del fanatismo religioso, y donde la melancolía que origina la teomanía se hace presente en las marcadas arrugas de su frente, que dibujan la marca del signo omega, un signo distintivo de la tristeza y del desánimo, la impronta de la preocupación extrema, mientras sus cejas caen oblicuas, su cabeza se inclina y su rostro se afila, palidece y amarillea, y en su boca el labio inferior engulle al superior, produciendo un gesto de amargura, de desdicha desmedida, a la vez que la mirada se clava en el suelo, cerca de un infierno de sufrimiento que se nos antoja dantesco.

Y con este retrato, se demuestra por fin, dos siglos y miles de hojas escritas después, que la serie fue concebida por Georget eligiendo a diez de sus más particulares locos, que Géricault los pintó captando los demonios que se agitaban dentro de cada uno de ellos, y que la serie se compone de diez enfermos diferentes, de los cuales cinco se encontraron en un ático de una ciudad alemana hace ciento cincuenta años, y que los otros cinco han dormido el sueño de los justos en colecciones privadas escondidas de los ojos curiosos de los historiadores de arte y de los científicos de los dos últimos siglos.

Tal vez los otros cuatro cuadros ausentes aparezcan algún día, o tal vez puede que nunca emerjan de las profundidades de las pinacotecas particulares donde sin duda permanecen para disfrute de sus propietarios y allegados.

O tal vez haya aparecido algún otro cuadro de la serie y yo no lo quiera desvelar todavía.

«La monomanía del hombre melancólico» se publica hoy en The Lancet Neurology bajo el título «A new portrait by Géricault» por el autor de este artículo. Puedes encontrar otras historias como esta en Geografía de la locura del propio autor.

 

[Fuente: http://www.jotdown.es]

Eduardo Torres-Dulce publica un detallado análisis del filme de John Ford

John Ford, entre las estrellas del filme, James Stewart y John Wayne.

Escrito por XESÚS FRAGA

Hay películas que marcan de por vida. En las Navidades de 1962, Eduardo Torres-Dulce Lifante (Madrid, 1950) vio por primera vez El hombre que mató a Liberty Valance en compañía de sus hermanos Miguel Ángel y Conchita, quien a sus 8 años se refería a la película como «Tipi Balas». Las entradas las costearon con los ahorros de pagas y aguinaldos -«nuestra isla del tesoro», rememora torres-Dulce-, un dinero que invirtieron hasta las últimas pesetas en ver repetidas veces la película de John Ford. Fueron aquellas proyecciones que plantaron una semilla, que ha ido creciendo con la lenta y silenciosa solemnidad de los árboles majestuosos, hasta aflorar en un libro: El asesinato de Liberty Valance (Hatari! Books).

El director supervisa el rodaje de una escena
                El director supervisa el rodaje de una escena

Diferentes lecturas

El asesinato de Liberty Valance propone múltiples acercamientos a una película que admite diferentes lecturas. «Puede entenderse como un wéstern noir o un thriller político, un melodrama amoroso o un ensayo sobre la Historia y la historia, la ley y la violencia. La riqueza de la película es que abarca todos esos géneros», escribe Torres-Dulce.

El autor acude a las mismas raíces de la historia, el relato que Johnson publicó en 1949 en Cosmopolitan y por cuya adaptación Ford pagó 7.500 dólares. El director trabajó con dos guionistas de ideas contrapuestas, Goldbeck -liberal- y Bellah -reaccionario-, para trasladar la narración a la gran pantalla, un tránsito que dotó a la historia de mayor lirismo y épica que sobre la página.

El elenco también merece un análisis minucioso en el libro, empezando por las dos estrellas, James Stewart y John Wayne. Torres-Dulce documenta las tensiones entre este último actor y Ford, para abordar también los trabajos de Lee Marvin y Vera Miles, además de una amplia galería de secundarios que son tratados con la minuciosidad a la altura del propósito enciclopédico del libro: 400 páginas que no dejan aspecto de El asesinato de Liberty Valance sin tratar.

La fotografía, con un blanco y negro casi «claustrofóbico», una decisión de autor frente a la popularización del color, merece también su propio estudio, al igual que cuestiones de narrativa y simbología. Por ejemplo, las secuencias de trenes en movimiento que abren y cierran el filme, o la impactante escena del ataúd, clave en la manera de contar de Ford, que huye de planteamientos retóricos y que muchas veces condensa en planos fugaces los auténticos significados. «En John Ford ningún plano es superfluo, ninguna secuencia puede entenderse aislada del conjunto armonioso, muchas veces sutil, aparentemente ambiguo, cuando en realidad es misterioso, por la compleja personalidad del artista empeñado en no revelar del todo su propósito, en reservarse, muy en el estilo de Henry James, una decisión que solo pertenece al narrador y aún más allá a los propios personajes del relato y a los espectadores cuando se adentran en la poesía de los planos», subraya Torres-Dulce.

Traidores y héroes

Localizaciones emblemáticas en la película, como el rancho o la escuela, ocupan varias páginas del libro, al igual que el uso de Ford de las elipsis, el tratamiento de los arquetipos del héroe y el traidor o el papel de la música en la narración cinematográfica. Todo un abanico de perspectivas sobre un clásico del cine que se completa con una biografía, cartas entre Ford y Dorothy M. Johnson y el relato original de El hombre que mató a Liberty Valance. Una declaración de amor, también, al cine, que solo puede acabar de una manera: con el rótulo «The End».

 

[Imágenes: HATARI! BOOKS – fuente: http://www.lavozdegalicia.es]

 

Eduardo Torres-Dulce publica unha detallada análise do filme de John Ford

John Ford, entre las estrellas del filme, James Stewart y John Wayne

John Ford, entre las estrelas do filme, James Stewart e John Wayne.

Escrito por XESÚS FRAGA

Hai películas que marcan para sempre. No Nadal de 1962, Eduardo Torres-Dulce Lifante (Madrid, 1950) viu por primeira vez O home que matou a Liberty Valance en compaña dos seus irmáns Miguel Ángel e Conchita, quen aos seus 8 anos referíase á película como «Tipi Balas». As entradas custeáronas cos aforros de pagas e aguinaldos -«a nosa illa do tesouro», rememora Torres-Dulce -, un diñeiro que investiron ata as últimas pesetas en ver repetidas veces a película de John Ford. Foron aquelas proxeccións que plantaron unha semente, que ha ir crecendo coa lenta e silenciosa solemnidade das árbores maxestosas, ata aflorar nun libro: O asasinato de Liberty Valance (Hatari! Books).

O volume, que xa se atopa nas librerías, é unha auténtica autopsia dun filme que vira ao redor dun misterio que á súa vez ten como referencia un cadáver. Unha análise minuciosa de todos os aspectos técnicos, desde o relato de Dorothy M. Johnson que Ford adaptou, o guión, a rodaxe e infinidade de detalles relacionadas coa interpretación, a fotografía ou a música. Pero a formación como xurista de Torres-Dulce non pasou por alto o exame dos dilemas morais que expón O home que matou a Liberty Valance, como tampouco quedou en saco roto a pegada da súa historia naquel neno de 12 anos que a viu por primeira vez: Torres-Dulce apela a Savater e A infancia recuperada para ilustrar como os libros e as películas permiten «proxectar unha vida en soños» que se converte nunha «vida de reposto». Unha dimensión sentimental que se fai imprescindible no filme de Ford, cuxa narración fragmentaria «esixe a participación emocional do espectador».

El director supervisa el rodaje de una escena

O director supervisa a rodaxe dunha escena.

Diferentes lecturas

O asasinato de Liberty Valance propón múltiples achegamentos a unha película que admite diferentes lecturas. «Pode entenderse como un wéstern noir ou un thriller político, un melodrama amoroso ou un ensaio sobre a Historia e a historia, a lei e a violencia. A riqueza da película é que abarca todos eses xéneros», escribe Torres-Dulce.

O autor acode ás mesmas raíces da historia, o relato que Johnson publicou en 1949 en Cosmopolitan e por cuxa adaptación Ford pagou 7.500 dólares. O director traballou con dous guionistas de ideas contrapostas, Goldbeck -liberal- e Bellah -reaccionario-, para trasladar a narración á gran pantalla, un tránsito que dotou á historia de maior lirismo e épica que sobre a páxina.

O elenco tamén merece unha análise minuciosa no libro, empezando polas dúas estrelas, James Stewart e John Wayne. Torres-Dulce documenta as tensións entre este último actor e Ford, para abordar tamén os traballos de Le Marvin e Vera Miles, ademais dunha ampla galería de secundarios que son tratados coa minuciosidade á altura do propósito enciclopédico do libro: 400 páxinas que non deixan aspecto do asasinato de Liberty Valance sen tratar.

A fotografía, cun branco e negro case «claustrofóbico», unha decisión de autor fronte á popularización da cor, merece tamén o seu propio estudo, do mesmo xeito que cuestións de narrativa e simboloxía. Por exemplo, as secuencias de trens en movemento que abren e pechan o filme, ou a impactante escena do cadaleito, clave no xeito de contar de Ford, que foxe de formulacións retóricos e que moitas veces condensa en planos fugaces os auténticos significados. «En John Ford ningún plano é superfluo, ningunha secuencia pode entenderse illada do conxunto armonioso, moitas veces sutil, aparentemente ambiguo, cando en realidade é misterioso, pola complexa personalidade do artista empeñado en non revelar do todo o seu propósito, en reservarse, moi no estilo de Henry James, unha decisión que só pertence ao narrador e aínda máis aló aos propios personaxes do relato e aos espectadores cando se penetran na poesía dos planos», subliña Torres-Dulce.

Traidores e heroes

Localizacións emblemáticas na película, como o rancho ou a escola, ocupan varias páxinas do libro, do mesmo xeito que o uso de Ford das elipses, o tratamento dos arquetipos do heroe e o traidor ou o papel da música na narración cinematográfica. Todo un abano de perspectivas sobre un clásico do cine que se completa cunha biografía, cartas entre Ford e Dorothy M. Johnson e o relato orixinal do home que matou a Liberty Valance. Unha declaración de amor, tamén, ao cine, que só pode acabar dun xeito: co rótulo «The End».

 

[Imaxes: HATARI! BOOKS – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Un libro recopila los textos de Genesis P-Orridge, líder de bandas como Throbbing Gristle o Psychic TV e icono de la contracultura más radical

Genesis P-Orridge en Nueva York, en 2007.

Genesis P-Orridge en Nueva York, en 2007.

Escrito por JAVIER CALVO

En ese año extraño y siniestro que fue 2020, marcado por tantas muertes intempestivas, murió también en Nueva York el artista, músico y performer Genesis P-Orridge (Neil Andrew Megson). Su gusto por la subversión de las formas artísticas y corporales, y en ocasiones por la provocación pura y dura, hizo que la mayor parte de la carrera de Genesis transcurriera por canales subterráneos y en los márgenes de la escena artística y musical. Su muerte ha dejado pendiente la tarea de evaluar la importancia de su figura y su pensamiento en las últimas décadas. La publicación en español de La biblia psíquika, que recoge sus textos más importantes de las décadas de 1980 y 1990, es un punto de partida perfecto para conocer el sustrato teórico que alumbró gran parte de su obra.

Genesis P-Orridge fue un artista deliberadamente inclasificable. Amigo y discípulo de William Burroughs y Brion Gysin, investigador incansable de las formas de vida comunal, los estilos de vida alternativos y los líderes carismáticos, pionero en el resurgir de la psicodelia a finales de los ochenta y padrino de corrientes varias de la música experimental, su carrera presenta una apariencia de dispersión que en muchos casos obedece a su negativa rabiosa a obtener la aprobación del sistema o simplemente a dejarse encasillar.

Alrededor de 1970 se dio a conocer como figura visible de COUM Transmissions, colectivo de performance art que fusionaba el gusto por la sangre y los fluidos del accionismo vienés, la confrontación con el público, el potencial subversivo de la pornografía y la modificación corporal a veces violenta. Cuando a finales de la década el escándalo provocado por sus performances amenazaba con convertirlo en el enfant terrible de la prensa sensacionalista, Genesis decidió trasladar su trabajo a la escena del art-rock, ya considerablemente sacudida por la llegada del punk.

Su siguiente proyecto, la banda de rock industrial Throbbing Gristle, tenía una inspiración esencialmente burroughsiana. Definida como un antimuzak que interfiriera con las frecuencias de control de la civilización, la música de Throbbing Gristle no tenía ninguna intención de ser agradable ni placentera para el oyente, más bien lo contrario. Su meta era interferir con las transmisiones de las instituciones sociales, políticas y sobre todo de las corporaciones mediáticas; y lo intentaba por medio del shock sensorial. Pero quizás el movimiento más singular de la carrera de Genesis era el que estaba por venir.

En sus páginas hay textos de historia cultural, técnicas de meditación basadas en los “sigilos mágicos” del ocultista Austin Osman Spare y planes de ‘descondicionamiento’ de las identidades sexuales

Alrededor de 1981, y ya disuelta su banda, Genesis buscaba formas alternativas de poner en práctica su ideal artístico de des-condicionar al individuo de los mecanismos de control social. Toda la carrera de Genesis es básicamente un intento de responder a la pregunta burroughsiana: “¿Es posible cortocircuitar nuestra conducta social?”. Sea en forma de proceso interior del performer individual, o bien de experimento colectivo de adaptación de los cultos carismáticos, el des-condicionamiento social es la clave para entender la obra de Genesis.

Su siguiente proyecto, mucho más ambicioso que los anteriores, se llamó Thee Temple ov Psychick Youth (Templo de la Juventud Psíquica). Concebido inicialmente como red de centros de vida alternativa, el Templo promulgaba formas de aislamiento autogestionado de la sociedad. Cada centro, concebido como un laboratorio de formas de sexualidad alternativas y revolución mental, se mantendría económicamente mediante la actividad artística (y propagandística) de sus miembros.

Externamente, el Templo, que llegaría a tener miles de miembros en el Reino Unido, la Europa continental y América, asumió una estética inspirada en sectas carismáticas como la Iglesia del Proceso o el Templo del Pueblo de Jim Jones, con parafernalia militar, alzacuellos, cabezas rapadas y símbolos ocultistas. Su “brazo mediático” sería otra banda de música, Psychic TV, concebida como ambiciosa intervención en la cultura de masas que sirviera a los fans de puerta de entrada al Templo y los convirtiera en adeptos. Psychic TV tuvo cierta proyección en la escena de la música pop de los años ochenta y principios de los noventa, aunque no la bastante como para garantizar la supervivencia del Templo. La organización desapareció a principios de los noventa en medio de escándalos sexuales, peleas intestinas y comportamientos que remedaban las sectas carismáticas, no necesariamente a modo de acción artística conceptual.

En sus últimos años alteró quirúrgicamente su cuerpo para adquirir características morfológicas de ambos sexos

La biblia psíquika recoge la gran mayoría de textos de P-Orridge de la época del Templo de la Juventud Psíquica, junto con otros de sus colaboradores y exégetas del periodo. Concebido como gran compendio o biblia de las ideas e influencias de Genesis, se trata sin duda de una de las obras (explícitamente) contraculturales más relevantes de su tiempo. Su eje es una secuencia de propuestas de intervención cultural diseñadas para cambiar modos de percepción y reprogramar patrones de conducta heredados. Aunque quizás esta meta no lo distinga lo bastante de otras obras fundacionales de su época, es la radicalidad y la exuberancia creativa de los textos recopilados lo que hace de esta una obra completamente singular.

En sus páginas hay textos de historia cultural; desarrollos del método burroughsiano del cut-up; técnicas de meditación basadas en los “sigilos mágicos” del artista y ocultista de principios del siglo XX Austin Osman Spare; planes de des-condicionamiento de las identidades sexuales; tratados sobre simbología, chamanismo y sincretismo hindú-budista tibetano; textos sobre el potencial subversivo de la televisión; y formulaciones teóricas que llevarían a Pandroginy, la obra más importante de Genesis en siglo XXI, una larga performance de una década durante la cual el artista alteró quirúrgicamente su cuerpo hasta adquirir características morfológicas de ambos sexos (o quizás de un tercero).

Un formidable manual de rebelión social y artística que también es una ventana abierta (la mejor) a la obra de un creador que habitó siempre rabiosamente en los márgenes, excéntrico entre excéntricos y ciertamente no para todos los gustos, pero cuya capacidad de fascinación y particularmente de inspiración sigue más viva que nunca. Convertida con el paso del tiempo y las ediciones sucesivas en obra de culto (y ejemplo magnífico de venta por goteo), resulta más adecuado que La biblia psíquika llegue a nuestras librerías de la mano de ese magnífico catálogo de contracultura y rebelión mental que es la editorial Caja Negra.

La biblia psíquika

Genesis Breyer P-Orridge. Edición de Jason Louv. Traducción de Juan Salzano. Caja Negra. 576 páginas. 29,50 euros.

 

Javier Calvo es autor de novelas como ‘Piel de plata’ y ‘El jardín colgante’.

 

[Foto: NEVILLE ELDER / REDFERNS – fuente: http://www.elpais.com]

Escrito por Isaak Begoña Ortiz

Myriam, tangerina de nacimiento y que ronda la treintena, me cuenta durante el trayecto del ferry con rumbo a Tánger que no reconoce esta ciudad en la que pasó su niñez. Un lugar que en los últimos años se ha transformado, de manera vertiginosa, en otro muy distinto. Según sus palabras el aumento de población venida de otros puntos de Marruecos y el dinero del Golfo Pérsico han cambiado su fisonomía: “Los saudíes llegaron para incitar al salafismo y empezaron a pervertir la sociedad de Marruecos con sus petrodólares”, dice con cierta amargura. Ella está casada con un español, tienen un hijo y los tres residen en el País Vasco. Los últimos veranos solo han vuelto a Tánger de manera ocasional para ver a la familia. Este agosto han venido a dejar al chico con su abuela unas semanas, pero ellos no se van a quedar en la ciudad. Sienten que ya no les pertenece.

Literatura internacional

Tánger siempre estará ligada a grandes escritores: Paul Bowles, Jean Genet, Jack Kerouac, Mohamed Chukri, Rodrigo Rey Rosa… La lista es larga y sin lugar a duda este es uno de sus activos inmateriales más importantes, lo que buscaban miles de turistas cuando venían aquí por primera vez. Digo buscaban porque, tal y como me cuenta el filólogo y académico tangerino Abdelkhalak Najmi, el número de veraneantes y divisas extranjeras disminuyó drásticamente en la ciudad a partir de los atentados contra las Torres Gemelas, algo que, a su vez, empeoró el tejido económico de toda la región del Rif y que la crisis económica del 2008 terminó de rematar.

También me cuenta que no solo ha cambiado la geografía física de Tánger, también ha cambiado el habla popular que antes se encontraba durante el protectorado, salpicada de palabras españolas y francesas. Todo ese legado y jerga vernácula se lo ha llevado por delante el cambio de siglo y el tren de alta velocidad. Inaugurado en noviembre de 2018, el nuevo sistema ferroviario de última generación une Tánger con Rabat y Casablanca en menos de dos horas. Esta aventura arriesgada con un coste de más de 2.300 millones de euros está todavía por evaluarse, aunque de momento ya es juzgada por muchos actores sociales y asociaciones, como Stop TGV, que no entienden este desembolso tan grande por parte del Gobierno alauita cuando hay tremendas deficiencias en campos tan importantes como la sanidad y la educación.

Una lluvia de millones que desde luego no ha llegado a la maravillosa librería internacional Les Insolites, perfectamente situada en el número 28 de la calle Khalid ibn Oualid (antes calle Velázquez). Su dueña, Stéphanie, llegó a esta ciudad desde Niza y decidió abrir este pequeño espacio cultural hace diez años.

Durante todo este tiempo no ha recibido ningún dirham de subvención o ayuda pública. Estos días he estado hablando bastante con ella. Me dice que la profesión de librera en esta ciudad debería tener una prima de riesgo. Es una mujer que ha luchado mucho para mantener su negocio abierto, incluso hubo una vez que fue a su banco a decir que tiraba la toalla, pero, una vez allí, le convencieron para que se diese otra oportunidad. Ahora se alegra, ya que la situación económica ha mejorado un poco gracias a una clientela fija que confía en su criterio y hace pedidos de libros desde otros puntos de Marruecos. A estos últimos hay que sumar algunos turistas despistados que entran a curiosear, tomar un té y comprar algún libro.

Stéphanie se queja de lo caro que es montar un negocio para un extranjero en Marruecos y lo difícil que es vender libros a la clase media tangerina. Como sugieren sus palabras, buena parte de ella es demasiado beata y practicante, por lo que es difícil un maridaje con sus autores preferidos y su fondo editorial, más internacional y laico. Para el escritor rifeño Mohamed Saïyd las quejas y el amor están muy cercanos y quizá esta también es un poco la historia de nuestra librera francesa: Le jour où disparaît le reproche, disparait l’amour.

Los que terminan de llegar

Muy cerca de la plaza 9 de Abril, al lado del cine más bonito del norte de África, se encuentra un parque lleno de tumbas y gente en tránsito hacia Europa. Venidos desde todos los rincones del continente, acaban de llegar a la ciudad. Hay madres subsaharianas, casi adolescentes, que dejan a sus hijos gatear entre las lápidas. Al igual que Stéphanie también se quejan, aunque sus motivos son distintos: el maltrato que sufren a manos de la policía marroquí, los atropellos y trabas legales que les impiden trabajar aquí y les convierte, de facto, en mendigos y parias. Maldicen su legendaria mala suerte que les ha dejado varados a este lado del estrecho de Gibraltar.

Me cuentan que se suelen reunir alrededor de la catedral de Nuestra Señora de la Ascensión, donde hay un comedor social, pero que como es agosto el personal se ha ido a España y estos días no hay nadie por allí.

Como muy bien cuenta Mahmud Traoré en su libro Partir para contar, en esta comunidad hay mucha crítica hacia el trato que reciben, hablan sin complejos de la falta de atención que tienen en Marruecos y sobre la ausencia de un amor que, según ellos, debería ser panafricano y cómplice.

Detalle de la fachada del cine Rif, sede de la Cinemateca de Tánger, en la plaza 9 de Abril.

 

Tumbas en el cementerio judío de Tánger, cerca de la plaza 9 de Abril. Foto: Rachid I. Aadnani. Fuente: https://archnet.org/sites/14814/media_contents/128736

[Fuente: http://www.fronterad.com]

Foto de cabecera del blog de Claudio Ferrufino-Coqueugniot

Escrito por Fadrique Iglesias Mendizábal 
 
La foto de un gallo ilustra la parte superior, con fondo oscuro. Un gallo formado por motosas hojas que pudieran ser pedazos de espadas u hoces, dispuestas a segar todo aquello que consideran maleza. El gallo, que podría ser de pelea, de raza malaya, está formado por trozos de latas de conservas viejas, por despojos. Tiene patas de alambres doblados, y clavos otrora oxidados, ahora barnizados. El animal, aun siendo frágil, apunta su alarido al cielo, en forma de queja, con la cola abierta, pavoneándose y pretendiendo amedrentar, pero, debajo del plumaje, es delicado.
Esa foto encabeza el blog de Claudio Ferrufino-Coqueugniot, Le Coq en Fer, el gallo de hierro en francés, bitácora literaria de uno de los más talentosos y polémicos narradores y poetas bolivianos de la actualidad. El último escritor pendenciero de las letras nacionales, esas grandes desconocidas más allá de los Andes, que retoma uno de los motivos más repetidos por el conocido pintor cochabambino Gíldaro Antezana.
Son más de mil doscientas notas las que abordan temas tan dispares como la revolución rusa, la pintura de Kazimir Malévich, feroces críticas al gobierno de Evo Morales y relatos de personajes marginales, amorales, a través de su daguerrotipo mental, aquel que va dejando efigies filtradas por su imaginación y una prosa rotunda y robusta, publicada a lo largo del último cuarto de siglo en muchos de los periódicos más importantes del país, bajo las columnas EclécticaMonóculo y Mirando de abajo.
Por otro lado, su Facebook está poblado de fotos clásicas de torsos femeninos semidesnudos –lo que ya le ha valido un par de suspensiones de la cuenta– y por cromos de boxeadores de principios de siglo como Tommy Burns, Jack Johnson, Harry Wills, Joe Jeannette y Sam McVey, esa casta de pugilistas previos a la testosterona sintética y a los anabolizantes, luchadores de nervio y orgullo, aficionados al deporte pero profesionales de la gresca dentro del ring, como Claudio en sus cuadernos. Y en algunas parrandas también.
*     *     *
Sus letras, además de ser pendencieras, contienen flashes, sensaciones, ruidos e imágenes de parcelas específicas, que juntas tienen un significado coral de una vida entregada al oficio artístico, reflexivo, sensible. Precisamente con esas ideas describe su penúltima novela, Diario secreto (Alfaguara, 2011), que le valió ese mismo año el máximo galardón de las letras bolivianas, el Premio Nacional de Novela, y en la que describe el retrato de un psicópata, potencial asesino en serie que no tiene compasión por los insectos que descuartiza, ni por la madre a quien tiene toda una vida en vilo, ni mucho menos por una pareja a la que desprecia con una importante dosis de misoginia.
Llama la atención que esta novela precisamente haya sido escrita en su morada de Aurora, ciudad dormitorio de Denver, en Colorado, un año antes de la masacre del caballero oscuro.
Aurora sonó en los noticieros de todo el mundo en 2012, cuando el desquiciado James Holmes abrió fuego contra el público que abarrotaba el estreno de una de las películas de la saga de Batman, El caballero oscuro, narración que podría ser perfectamente la segunda parte de Diario secreto, el corolario alternativo, un ensayo al estilo del libro juvenil Elige tu propia aventura: “si eliges al descarnado emboscando a su esposa, a la postre autora del crimen y de su propia condena, dando un tiro al protagonista, lee el final de la novela premiada el 11 de octubre de 2011, Diario secreto; si eliges al protagonista entrando a una película de superhéroes y desollando a tiros al público asistente, dirígete al New York Times del 26 de agosto de 2012”.
Allí precisamente, en Denver, Claudio parece haber encontrado un gallinero tranquilo, donde puede trabajar en la parte administrativa del Denver Post durante el día y dedicarse a escribir al ritmo frenético al que tiene acostumbrados a sus lectores en los últimos años por la noche.
En Denver también, pero dos décadas atrás, a los pocos años de haber emigrado de Bolivia, en 1992, Claudio abrió un pequeño restaurante de delicatessen en el pueblo minero de Lakewood, morada de forajidos, truhanes y bandidos al más puro estilo western, por donde pasó hasta Oscar Wilde desparramando relatos.
El poblacho aquel de las montañas de Colorado, que conserva una imagen decimonónica de cowboy de bota y flequillos en el chaleco, de saloon y escupideros de tabaco, con hombres de gruesos cinturones en los que cuelgan pistolas que salvaguardan los riñones como en las películas de John Wayne, es un espacio hostil, proclive al enfrentamiento. Así lo recuerda Ferrufino:
“Un mexicano, como nos califican a todos, en un ambiente así, huele a víctima. Pero me senté con ellos y, a partir de sus apellidos, hablamos de sus orígenes: alemán, irlandés, galés, etc., abriendo un espacio que podíamos compartir. La mayoría eran tipos rudos, ignorantes, no con un esquema ideológico sólido, llenos de lugares comunes, maleables. Terminaban abrazándote y secando vaso tras vaso de cerveza contigo. ¿Don de gentes que tengo? Tal vez, pero ha sido mi experiencia”.
Más adelante abrió un restaurante más efímero todavía en otro pueblo vecino: Leadville. El establecimiento, llamado The New West Café, tuvo un éxito moderado en un principio, pues aquellos cowboys no sabrían qué esperar de aquel plato de chupe de maní que servía, distinto de la peanut soup tan tradicional del colonial pueblo de Williamsburg, en su añorada y lejana Virginia. Con el tiempo amplió la oferta a una sopa de quinua, luego evolucionada en forma de chaque, hasta tomarle el pulso a lo que sería su mina de oro: sus fideos uchu, especialidad de la casa, que vendía en dosis importantes puesto que lo tenía listado como Latin American Stew o guiso latinoamericano.
La aventura emprendedora acabó con Claudio entre rejas, luego de tener diferencias –de haberlas ajustado– con el socio propietario.
Según Ferrufino, la marihuana desquició al accionista protagonista de su ira, dejándolo en un permanente estado, no ya de felicidad, ni de relajación, mucho menos de excitación, sino más bien de ansia constante:
“Mi socio chocó con la férrea voluntad y responsabilidad que con los años desarrollé en Estados Unidos. Discrepábamos en muchas cosas. Exploté porque a pesar de la mesura que uno adquiere sigo siendo un individuo belicoso. Estaba todo tendido para el escenario que vino después: la ruptura, la pérdida, la detención, dormir entre rejas, asegurar a la sociedad que te comportarías acorde con las reglas”.
“El estado policial y sus recursos”, llama Ferrufino a las normas impuestas, atribuyéndole virtud muy excepcional y no universal, dejando salir a flote su sentido anarquista, casi como inspirado en una obra dramática de Darío Fo.
Luego el The New West Café le daría una oportunidad más a su voluntad emprendedora y decidió asociarse esta vez con un bosnio emigrado de la guerra, de esos que dejaron a sus mujeres haciendo crêpes en los campos de refugiados, para intentarlo en aquella ocasión con sándwiches y sopas neoyorquinas. El negocio quedó atrás en la memoria, pero el acercamiento a la cultura eslava, bosnia y croata permaneció con Claudio.
El roce con los clientes, gringos y cowboys, ayudó a Claudio a conocer más la esencia del norteamericano, si es que ese individuo-tipo existe. Aún hoy se sorprende al ver los contrastes que emanan del arquetipo gringo. Aunque pueda mostrar su faceta más reaccionaria, conservadora, prejuiciosa y racista, al conversarle de igual a igual las figuras predispuestas se diluyen.
*     *     *
Claudio es un tipo que admira la calle y desconfía de aquellos que todavía no han sido capaces de abandonar las faldas de madres y abuelas en busca de una o varias historias vitales. Se trata de una persona que encarna el sueño americano y también la pesadilla.
En aquel país lidió y aprendió de lo profundo del gueto, especialmente de un personaje al que recuerda con especial cariño: Big Mike, amigo que conoció mientras trabajaba de estibador, cargando quintales de fruta cual aparapita, con algunos grados bajo cero y que sazona las páginas de El exilio voluntario.
Luego trabajó como traductor, administrador de restaurante, frutero, escritor de cuentos infantiles, albañil, profesor, panadero, canillita y verdulero, entre otros oficios.
Cuando se le pregunta qué motivó su precipitada migración a Estados Unidos sin un proyecto claro de vida, explica:
“Es raro lo que pasó. Una decisión clara que a veces creo fue errada pero de la que no me arrepiento. Quise ir contra todo lo que era y podía ser. Tenía que probarme que incluso descendiendo al fondo sería capaz de salir sin ayuda de nadie, con mis manos. Creo que esa victoria se transmitió al carácter de mis hijas, y al sosiego que en el fondo me habita y me hace pensar que la modestia no es una mala opción. He vivido y puedo escribir. Escribía antes también, pero pienso que como ser humano aquello me sirvió de mucho. A ratos creí que debía alterar el rumbo y dedicarme a la docencia o algo similar, pero, igual que le sucedía a Isaak Babel, me gustaba –y me gusta– compartir con gente simple. Allí están las historias. Tarde para volverse atrás. Ahora hay que recordar, analizar, sopesar las experiencias y escribir”.
Estos lances motivaron al escritor a largarse a Miami, primera parada en el norte, hace 24 años, enfundado en un añoso terno gris de corte inglés que usó en la fiesta de promoción en la secundaria. El detonante del autoexilio fue una decepción amorosa poco relevante, asunto potenciado por una afición al viaje que ha ido perdiendo. La opción norteamericana llegó por azar, para buscar bálsamo y dinero, aquel que en Bolivia le era escaso y que ya se había gastado en chicherías y buenos libros, para apaciguar ánimos extravagantes y una ruinosa vida de vago, como él mismo la define.
Con un ticket de ida solamente, aterrizó con una vieja maleta, una mochila militar y cuatro billetes de cien dólares otorgados por sus padres y hermano, que dilapidó en putas y alcohol en menos de una semana.
*     *     *
Las novelas de Claudio, así como las crónicas que va publicando, suelen dar saltos temporales muy bien hilvanados, con menciones y referencias frecuentes a una época que parece haberle marcado profundamente: sus años alrededor de la capital de Estados Unidos, principalmente en el Estado de Virginia.
Claudio llegó al área metropolitana de Washington D.C. el otoño de 1988, con las hojas todavía en los árboles, doradas, rojizas, a punto de caer. En tan solo un par de años ya era un virginiano más.
Con los ojos muy abiertos, Ferrufino parece haber explorado profundamente el lenguaje subyacente de los barrios bajos que circundan Washington D. C., una ciudad muy distinta a la actual, donde la población hispana ha crecido de un 2% a un 14% entre los años 80 y esta década. A Arlington, ciudad- condado por la que desfilan los personajes de su libro de relatos Virginianos (Los amigos del libro1992) y de la novela El exilio voluntario (El País2009), llegaron muchos pobladores del Valle Alto cochabambino que emigraron tras un peculiar auge de la construcción.
En sus textos poco rastro hay de los monumentos nacionales y de las happy hours de los burócratas de la capital. Mucho de las casas postindustriales de ladrillo, donde yacen hacinados aquellos ciudadanos oriundos de Arbieto, de Punata, de Esteban Arce, de Tiraque, que han cambiado el quechua por el inglés.
Más bien Claudio se remanga la raída camisa y se sumerge sin miedo a mancharse en el fango de las miserias de los inmigrantes que habitan a la sombra y a espaldas del Capitolio. Ese lugar paradójico que aguanta la coexistencia de prostíbulos –callejeros o albergados en bares– con lujosos hoteles para dignatarios de Estado, polígonos industriales donde los domingos bailan caporales muy cercanos a barrios de embajadores que no pierden su condición una vez perdido el cargo, almacenes de bancos de alimentos para indigentes alternando al otro lado de la carretera con lujosos centros comerciales.
A fines de los años 80, Washington, D. C. era la ciudad más peligrosa del país. Por  la llamada “epidemia del crack” en 1990 era considerada la capital del crimen, aun siendo la sede del FBI y la CIA.
Incluso hoy día, casi tres de cada cien habitantes en D. C. está infectado con HIV, mayoritariamente entre la población afroamericana que, por lo general, vive poco integrada con la población blanca. Algo similar pasa con los hispanos y asiáticos, aunque no tan marcadamente.
A causa del sida precisamente algunos de los amigos de Ferrufino se dejaron la vida. Otros fueron tragados por sus propias adicciones –crack seguramente–, por sus propias miserias, cansados de pasar noches en vela mendigando trabajo en esos mercados donde fungían como estibadores, esperando un reducido jornal que al final del día, después de comer un plato de pasta o un burrito, de pagar diez dólares por el servicio de una prostituta y de pasar por un comedor social para completar la incompleta dieta, les permitiese comenzar un nuevo día al terminar la precedente jornada.
Uno de los lugares que precisamente frecuentaba Ferrufino era Morse Street para ganarse el plato de comida. Así lo recuerda:
“En el mercado de abasto de Washington era así. Willy, chofer negro, había asesinado a su madre siendo casi un niño, ofuscado en droga. Tyronne pasó trece años en prisión por robo con ‘asalto’. En las noches de la calle Morse se contaban historias; ron y licor malteado entre los dientes. Olor a mariscos; húmedas paredes y autos policías que cruzan lentos sin parar. Cada hombre hundido en su miseria. Olvidado ya el tiempo en que se preguntaba ¿qué hago aquí? Cuando las esperanzas brillan mal. Wayne y yo caminamos hacia la esquina de los mendigos. Allí hay droga fácil y prostitutas de a diez dólares. Un amigo cuyo nombre me es borroso se sentaba en un desvencijado sillón, en medio de la calle: el trono de la oscuridad. Wayne compra piedrecillas blancas, opacas: cocaína adulterada. Al lado de una reja de amontonada basura, fuma. Medianoche de verano, sin sueños ni futuro. No está la luna, se oculta en las callejas. Los pobres no tienen sombra, son pálida oscuridad”.
Cuando lo recuerda, se atreve a decir que está seguro de que pocos de los amigos negros que conoció en aquellas épocas estarán vivos ahora:
“Trabajé dos años y medio en los mercados. El primer día era para llorar, con los guantes mojados y el hielo punzando la cara. ¿Qué hago aquí? Quise retornar al café con leche de casa, a mi mullida y caliente cama, pero no lo hice, aguanté en medio de hombres toscos, negros, entonces nada simpáticos y con otra lengua. Pequeña épica de humanidad”.
En sus escritos y crónicas aparecen muy poco las placas de mármol de la calle K, del Banco Mundial y el FMI. Sobresalen más bien las penurias de los alrededores de Gallaudet, barrio afroamericano conocido por una universidad.
Ferrufino no le teme a los desprecios de gringos ignaros y limitados. Los asume gallos de pelaje no intimidante. No se amilana ante los pergaminos de la docta y jesuítica Georgetown, no se achica ante casas estudiantiles como la de Maryland, donde dictara cátedra Borges o la propia universidad de Virginia, donde fue un virginiano más –por un tiempo– Edgar Alan Poe. Claudio no se acompleja para hablar de ideas, no lo hizo en su juventud en Francia, donde retaba a sus condiscípulos a debatir sobre literatura gala dejando patente lo que llama racismo cultural. No se inhibe al ser identificado como parte de las márgenes, porque es su mundo también, tanto los extremos superiores como los inferiores.
Los días, o la noche que tenía libre –en el sentido más literal del término–, la de los sábados, eran destinados a probar un poquito del manjar que a la mayoría de sus compañeros se le tenía vedado: la visita a los pasillos gratuitos del museo más profundo y diverso del mundo, el Smithsonian, en Hispania Books –hoy sucedida por la librería Pórtico y Politics and Prose–, y horas perdidas en Common Grounds, probablemente lo que hoy se llama Krammer Café, de las primeras cafeterías literarias, lugar chic que tiñe sus paredes con multicolores lomos de libros y que sirve café y comida americana, en el barrio burgués de Dupont Circle.
Esas épocas virginianas de Claudio eran de triple vida. Por el día de gallo fino, por la noche de gallina ponedora que se aboca al trabajo, y al amanecer de gallo de peleas, todo para sobrevivir.
En esos años salió por algún tiempo con una mujer que entonces era presidenta de la asociación de antropólogos norteamericanos, PhD con tesis en Teresina, Brasil, ese primer engendro de laboratorio que luego se cristalizaría en Brasilia: la ciudad de la teoría. Así recuerda esas citas:
“Nada más dispar, pero que me permitía un amplio espectro de aprendizaje, sufrimiento y gozo. Era joven, fuerte, casi no dormía, y lleno de interrogantes acerca de un mundo nuevo, en extremo diverso”.
*     *     *
La imaginación de este cochabambino y sus fuertes emociones evocan a una vibrante movida cultural en la ciudad. Si a fines de los 80 Ferrufino disfrutaba de conciertos de aquel surgente rock alternativo, mezclados con asistencias a ver Rubén Blades y Seis del Solar, hoy en día se puede disfrutar del apabullante influjo de la música electrónica, de las mezclas bastardas del grupo narcoelectro Mexican Institute of Sound o del ya famoso matrimonio entre los samples y bandoneón de Bajofondo.
Aquellas  exposiciones de arte que recuerda como impresionantes, algunas de Malévich, Matisse, Rembrandt, entre las que más le marcaron, se suceden año tras año, de la mano de millonarias fundaciones como la Colección Philips o la elitista Dumbarton Oaks.
Ferrufino nunca fue una persona de cultura de gueto apartado, sometido al cacique. No era un tipo de sindicarse a los “suyos”. Fue y quiso ser un alma libre que salía solo, llevando una vida de completa independencia. Aunque se juntaba con amigos bolivianos, no lo hacía con la frecuencia que ellos demandaban. Así lo recuerda:
“Entraba al mundo de los otros y me desenvolvía con soltura; mientras mis amigos jugaban fútbol los sábados, con las consabidas cervezas nuestras que vienen detrás, yo andaba en el National Mall, el centro de los museos de la ciudad, flirteando con hermosas muchachas anglosajonas y escribiendo mis Virginianos en papelitos, debajo de fotos de Lee Miller o de Man Ray. Culturalmente fue para mí un mundo insólito y exuberante. Lo recuerdo bien, dichoso. Por otro lado, en el mundo paralelo, visitaba las casas de mis amigos negros en el North East y South East, un mundo prohibido para blancos o gente como yo (nunca nos han considerado blancos, ni siquiera a los españoles). Fumaderos de crack, muchachas negras que se abrían de piernas con facilidad; deliciosas y viciosas. Sexo en autos, borrachera en las calles, recostados contra la pared, bebiendo Cisco, un licor de variadas frutas y colores que luego sacaron de circulación por ser letal. Detestábamos la cerveza normal; bebíamos licor malteado, con mayor grado de alcohol: Colt 45 y otros. Iba de ayudante de los choferes negros en los camiones de la empresa. Repartíamos productos a los hoteles y restaurantes de DC, Virginia y Maryland. Al terminar el día, antes de regresar al warehouse, alcohol y droga, sexo y droga. E historias inverosímiles que me contaban como a un hermano. He sido afortunado en oírlas y recordarlas. Y en sobrevivir también”.
Ferrufino vivió allí durante la década siguiente a los años de explosión psicotrópica. “Había mucha, excesiva, demasiada droga”, recuerda y apunta:
“Esta empresa de verduras en la que trabajaba era la mayor del mercado, dirigida por tres hermanos de origen irlandés. El mundo de ellos era la marihuana, que compartían en los gigantescos refrigeradores con algunos cargadores negros, que eran, a su vez, proveedores. Crack, hachís con profusión. La labor nocturna era febril, con camiones de 21 metros trayendo cosas desde California, México, cangrejos vivos desde Maine, frambuesas y moras desde Chile. Cualquier instante de descanso: droga. Dos, diez veces por noche. Cuando el día terminaba, ya casi a mediodía, los managers se encerraban en uno de los autos y… droga. Sin parar, seis días por semana. Yo no era afecto a ella, pero no evitaba compartirla de cuando en cuando. Me sorprendía que tipos muy ricos, duros trabajadores tengo que reconocer, no deseaban volver a sus mansiones, a sus hermosas mujeres que a veces visitaban el almacén y deslumbraban a los miserables estibadores. Preferían quedarse a hablar mierda, con las ventanas cerradas, en el mundillo de la droga. Los imagino llegando al hogar, tirándose en la cama, recuperando unas horas para volver a aquel frenesí. No tenían más de 30 años y confesaban que tenían sexo con sus mujeres una o dos veces al mes. ‘White boys’, decían los negros con desprecio”.
Al calor idealizante, Ferrufino recuerda esos años suyos como un elixir creativo. Se recuerda como con una cámara en el hombro, como filmando para sus adentros lo que observaba, y aquello que miraba, lo veía como fotógrafo. Le hubiese gustado filmar una película de David Lynch o algo similar. ¿Una actriz? Alguna de las de Fassbinder, responde, a quien idolatraba entonces –y hoy– pero en un escenario ya lleno de muchos otros. Quizás actrices como Barbara Sukowa, Jeanne Moreau, Hanna Schygulla, Brigitte Mira quizás, Ferrufino no lo especifica. Sí abunda en el plató imaginado:
“Imaginaba exhibiciones de fotografías sobre el universo de las frutas y las verduras. Increíbles colores, escenas, depósitos llenos de naranjas de distintos tonos, el contraste entre las papas de Idaho y las verdes paltas, aguacates, californianos. Los tomates ni qué decir, que eran la élite de los productos, con una sección especial de empaque por tamaños y colores. En esa gran bodega de DC, de noche, negros borrachos y perdidos, algún turco, algún latino, manipulaban lo que se serviría en las reuniones de embajadores, del jet set, de la CIA en Langley, a donde llevábamos cargamentos sin que jamás nos pidiesen identificación. Eran otros tiempos”.
*     *     *
A esos días virginianos vuelve una y otra vez. Su prosa fluida sugiere muchos adjetivos, el más suave, sorprendente. Se mueve muy bien entre el ensayo, la crítica de arte, la opinión política, la ficción y también la crónica periodística. Precisamente en su antología Crónicas de perro andante (La Hoguera, 2012), escrita a cuatro manos con Roberto Navia, premio de periodismo Ortega y Gasset, y en otras piezas publicadas en los años 80 y 90, aparecen intensos relatos en los que describe Mizque, Tiquipaya, Pairumani y Suticollo, lugares donde quizás tomó afición por la chicha, y en las que lamentó no haber atendido las enseñanzas de la lengua quechua de su padre.
Una parcial autoficción de aquellos años en Arlington le ha valido el Premio Casa de las Américas de Literatura en Cuba. El rito de entrega no es precisamente la ceremonia de los Oscar. No hay alfombra roja, pero sí una rica historia de más de medio siglo.
Ferrufino es uno de los escasísimos casos de escritores bolivianos reconocidos internacionalmente, que ha ganado en 2009 el premio, sucediendo en el palmarés a personajes como Jorge Ibargüengoitia, Eduardo Galeano, Marta Traba o Gioconda Belli, e incluso a escritores bolivianos como Renato Prada, Wolfango Montes y Pedro Shimose. El jurado de la edición 2009, conformado por gente como la mexicana Carmen Boullosa, el venezolano Carlos Noguera, el chileno Grínor Rojo, el argentino Héctor Tizón y la cubana Lourdes González Herrero, se decidió a separar la paja del trigo entre casi 700 trabajos provenientes de América Latina y España, justificando su decisión en la capacidad de observar el “sueño americano” de una forma vertiginosa, vital y dominando el oficio, desplegando en su narración diversos planos a lo largo de tres décadas, con humor y referencias literarias, culturales y políticas”.
Claudio ya había logrado una mención en este premio en 2002, por El señor don Rómulo (Nuevo Milenio, 2002). Durante su discurso en 2009, recordó, cómo no, a la gente del gueto. A aquellas personas que seguramente nunca escribirían y publicarían sus historias y que tampoco se enterarían de que su colega, broderpana y cuate, aquel latino de ojos achinados y de bigote poblado, lo haría. Aquella noche en La Habana, recordó su llegada a Washington, las dificultades iniciales con el idioma, la excusa que le diera a su hermana para financiarle algo de comida y no morir de hambre –alegando atraco– que luego interpretaría como robo de alma: la transición de la plácida vida en el valle cochabambino hacia el crudo invierno en el que las noches transitaban en el viejo sillón desvencijado que le alquilaba un conocido temporalmente. Ya no estaría el calor del hogar, recuerda Ferrufino, sólo le quedaría esa cuadrilla que le rodea con las manos encalladas, ahogada en adicciones. Del intelectual de clase media bien vestido, quedaría menos aún.
Aquella noche en Cuba mencionó también el lugar de donde salían los vectores radiales de los trenes que llevaban la carga hacia Nueva York, los alrededores de la vieja Union Station, epicentro de su exilio, que aunque voluntario y reconocido aquella noche por funcionarios cubanos, que comparten el régimen con un político al que desprecia, Fidel Castro, no fue por ello menos exilio.
Tras el paso del Che Guevara por Bolivia, con los coletazos que dejaron los tupamarosy luego de las desapariciones de posibles herederos como los hermanos Peredo o Monika Ertl, la izquierda de los 70 se encontraba en proceso de segmentación en la universidad pública boliviana, reducto de las ideas progresistas durante la dictadura banzerista. Había divisiones internas entre trotskistas, maoístas, leninistas, hasta los más independientes anarquistas.
A esta subespecie pertenecía Ferrufino. Seguidor riguroso de las enseñanzas de Bakunin, Durruti y Malatesta, defendía cáustica y violentamente sus ideas ácratas por los pasillos de la carrera de sociología, más con los puños y a la gresca que con las ideas, recuerda su amiga Estela Rivera, hoy jefa de la Unidad de Cultura de la Gobernación de Cochabamba.
Se recuerda de Claudio su muy particular resistencia al alcohol, lo que hacía que bebiera como cosaco, generalmente ingentes cantidades de chicha, aguante que permitía que se mantuviera en sus cabales más que el resto, asunto que lo cubría de cierta mística en aquellos círculos.
Luis René Baptista, editor de opinión del periódico Los Tiempos, recuerda cierta vez en la que Claudio estuvo a punto de clavarle un cuchillo de carnicero, a causa de discrepancias ideológicas y de pactos incumplidos en las andanzas universitarias, detenido in extremis, cuando ya se veía ensartado y resignado, por un grupo de compinches anarcos que bloquearon la inminente faena.
Aquella misma vez, recuerda Rivera, Ferrufino y sus amigos anarquistas amenazaron también al propio rector electo y, luego de dedicarle furiosos insultos, procedieron a incendiar contenedores y papeleras con basura dentro del edificio.
Aun así, la violencia no era exclusiva. Se alternaba con guitarras y huayños en las chicherías aledañas, música campesina del Norte de Potosí, boleros centroamericanos y largas tardes de borracheras, para luego recogerse por la noche rompiendo letreros de neón y cabinas públicas, como forma de resistencia al sistema, siguiendo al caudillo bravucón y amenazante anarquista de fama algo contradictoria a la vez que ambivalente, dada su otra faceta, la de amigo fiel y cariñoso.
En esos ambientes se movía Ferrufino nada más salir bachiller del colegio Maryknoll de Cochabamba en 1977, ya acabada la dictadura de Bánzer, y lo recuerda:
“Mi hermano Armando y yo fuimos muy peleadores en  la escuela. ‘Nos vemos a la salida’ fue parte de nuestro crecimiento. Dimos palizas y nos las dieron. Muchísimas. Eso paró luego de los tres primeros años aquí. El Estado policial. Aquí no se podía hacer lo mismo y lo acepté. Aunque de boca todavía me peleo mucho cuando conduzco. Hay que provocar cuando se debe provocar, como es el caso ahora con el gobierno de Morales, como fue el caso con el gobierno de G. W. Bush. Un hombre tiene que decir lo que piensa, le duela a quien le duela. Y si es contra el poder, mejor”.
*     *     *
Ramón Rocha Monroy, cronista de Cochabamba y también Premio Nacional de Novela, conoció a Claudio en una habitación del psiquiátrico de Sumumpaya, a ocho kilómetros de Cochabamba hacia La Paz, a las órdenes del doctor Argandoña. Estuvieron todo un día, pero ni cruzaron palabra. “Aquel era un Claudio enamoradizo, exitoso con las mujeres, amigo de la chicha y de la noche cochabambina y alguna vez bordeó el suicidio”, en palabras de Rocha.
El Ferrufino de aquellos años, los previos a su viaje, era lo más parecido a los poetas inventados por Bolaño en Los detectives salvajes, esos trepidantes real visceralistas.
Sí hablaron y hasta se hicieron amigos años después, en el contexto de los bares, cafés y la noche cochabambina. Dice Rocha:
“Teníamos el ánimo inestable y ahogábamos nuestras penas en trago. Ni adicciones a drogas ni problemas mentales, sino excesos… Las cosas que cuenta Claudio tienen la identidad de lo vivido… Él no mira, sospecha. Tiene astucia y sus reacciones a veces son desconcertantes. Es agua mansa, pero puede alborotarse y estás perdido. Es un valluno bravo pero de ningún modo malo”.
Claudio por su parte, recuerda este episodio con su propio lente:
“Siempre nos acordamos de eso con Ramón. Un día o dos, alcoholes y sentimentalismos. No jugábamos a la ‘maldición privilegiada’, no. Sucedió porque creo que ambos somos apasionados con lo nuestro. Yo tenía una hermosa chica inglesa entonces, que me visitó una tarde, y Ramón, al verla, puso lo mejor que tenía de su acento inglés para flirtear con ella. Divertidas memorias hoy, tristes entonces”.
Ferrufino hoy es considerado un escritor preclaro en Bolivia, y se lo ha ganado a pulso. Un país en el que la vida rosa a veces parece más importante que lo que escribe, y donde los licenciados son más valorados por sus títulos académicos y premios ganados. Después de varias décadas ejerciendo, recién es en este siglo, cuando se ha titulado en la universidad pasados los cuarenta años, luego de estudiar lenguas modernas en la Universidad de Denver en Colorado graduándose cum laude y tras dejar atrás lo que parecía en Bolivia una maldición: el abandono de las carreras de química, idiomas y sociología, lugares en los que acuñó algunos amigos y enemigos que le duran hasta hoy.
Trofeos tardíos también serán, ya pasados los cincuenta años, los mencionados premios Casa de las Américas y Nacional de Novela, algo así como una justicia poética con su tenacidad.
Tenacidad y empeño que lo han acompañado durante su proceso creativo, que emergen espontáneamente cuando pueden y donde pueden, pues es de esos narradores que son capaces de protegerse con una escafandra que lo aísla del mundo exterior en beneficio de su planeta inventado. Tampoco es supersticioso ni caprichoso en el ambiente, ya que guarda las manías para la estética no lineal de sus textos. Claudio no necesita andar de boina y barba crecida de dos días, ni flores amarillas como las que dice que requiere Gabo para acceder a las musas. “Me parecen pajas que les sirven a unos; no a mí”, subraya.
En contraste con el mito del psicodelismo creativo de las épocas de Hendrix, Morrison y Joplin, Ferrufino no considera el alcohol como aditivo urgente, ni siquiera necesario y siente que la maldición de algunos poetas está en su escritura y no en sus catalizadores:
“Maurice Utrillo, el pintor, importa por sus colores de París más que por sus tragedias de beodo. Hacer de algo así el punto de partida de una leyenda, tu leyenda, a no ser que suceda inevitable por las circunstancias, es un paso en falso”.
Sin llevar vida de cartujo, admite que ya casi no sale, aclarando que tampoco era tan amigo de los bares en sus etapas pasadas. En Colorado se ha vuelto un tipo casero de vida intensa puertas para adentro. Sí admite que era de beber en las calles, con sus amigos negros, pero que ninguno de ellos supo jamás dónde y con quién vivía. Lo mismo las mujeres que pueblan sus recuerdos: “de pronto, en algún momento, retornaba a la caverna y desaparecía sin rastro. Así, simple”.
La simpleza es un rasgo que magnetiza a este hombre, sencillez que busca tanto en amigos gringos como latinos y de otros varios orígenes, destacando el colectivo ruso, quizás por esa propensión a admirar a Tarkovski, Tolstoi o Chéjov. Suele invitarlos a casa a disfrutar de comilonas con bebida abundante, bailando cumbias, escuchando kaluyos antiguos o canciones revolucionarias del Ejército Republicano Irlandés. Inclusive clásicos rusos: Kalinka, Ojos negros, además de tangos y corridos norteños y rancheras. Una frase lo define: “En casa se come y se bebe bien. Eso casi diría que te impide salir”.
Es un tipo familiar que ya comparte lecturas con sus hijas, aunque ellas han tomado caminos propios. Su relación es estrecha. No es enemigo de su primera esposa, aunque tampoco tiene contacto. “Mi mujer actual, me parece atractiva, interesante, pausada”, resalta.
Y tanto en cuanto se nutre de experiencias de la calle por inclinación natural, complementa sus fantasías con poesía y sobre todo con novela, placer que le suele ocupar la mayor parte de su tiempo de lectura. No tiene referentes literarios, sino gustos, placeres. Vicios quizás. Algunas de las fuentes de las que ha bebido son Borges, César Vallejo, Carpentier, Güiraldes, Arlt, Rulfo y en su juventud de los peruanos Ciro Alegría, Manuel Scorza y José María Arguedas.
Y si su espectro literario es francamente amplio, no lo es tanto el del estado del arte, moda o novedad, ahora llamado trend, en perjuicio de clásicos, muchos de ellos polemistas de distinta índole, aunque considera que se los lee poco, en detrimento de aquellas historias que evocan un mundo de aventura, de rebelión, de bravura.
*     *     *
Claudio Ferrufino-Coqueugniot responde pacientemente a las preguntas de este cronista desde su casa en Colorado. Tiene ya 54 años, y una vida llena de historias. Han pasado ya varios lustros desde que obtuvo su green card poco tiempo después de casarse con su primera mujer, aunque ese no fue el motivo para hacerlo.
Se considera un librepensador que bebió en fuentes anarquistas clásicas, pero detesta ser orgánico o gregario, y añade: “Soy demasiado individualista para pertenecer a ningún núcleo, social, político, literario… No podría asociarme con los republicanos, ni siquiera en simpatía. Con muchos peros, prefiero a los demócratas”. Pocos políticos le causan simpatía. Uno de ellos es un exalcalde de Cleveland, Dennis Kucinich, demócrata, minoritario, una voz perdida en el desierto –así lo califica Claudio–, conocido por ser partidario de la no intervención en Irak, en beneficio de la negociación.
Ya no pelea en las calles, aunque tampoco es un tipo mesurado. Acuña cada vez que puede rabiosas –y cáusticas– críticas a Evo Morales y Álvaro García Linera, según él escritas no desde una perspectiva racista o elitista sino a partir de lo que el autor es, de su sangre:
“Me entiendo y comprendo a mi gente y sé bien cómo de pelotudos y cobardes somos, y cómo de sufridos y valientes también. Y al poder, a los jerarcas de cualquier tendencia o color, no les hago el juego, nunca. No orino delgado por el poder ni las charreteras; seguro que no…
No comparto ese lugar común del pueblo enfermo. Que somos uno llorón y malacostumbrado, sí. Es más sencillo dejarse guiar que decidirse por un camino. Y a eso apuntan los populistas, a hacerte confortable en su medida la existencia, coartar tu capacidad de reacción, de crítica”.
*     *    *
Claudio al salir de Bolivia le prometió a su padre que volvería al cabo de un año. Todavía no lo ha hecho, aunque asegura que sucederá aunque ello ni es ni fue motivo de sufrimiento, puesto que vive feliz donde está. Quizás con el tiempo le llegue la hora de pensar en la muerte más frecuentemente. De momento, la percibe como un hermoso destino, querido y cercano. “La tomo como es, presente. Me refiero a la delicia de saberse efímero, en contraposición a la pesadilla de sentirse eterno”.
Pasadas las 4 de la madrugada, hora de Denver, y tras una larga entrevista, Ferrufino responde a la última pregunta.  
“Le pregunté a Ligia, mi esposa, ¿crees que soy un tipo violento? Respondió con una carcajada. Habrá que analizarlo. Al meterme en un mundo que por nacimiento no me pertenecía, en Bolivia, en Argentina, en España, en Francia, en Estados Unidos, observé y compartí la peor violencia que existe, que es la de ser pobre. Una violencia que se dirige y esgrime desde arriba con saña contra los de abajo. Eso me irrita y me hace reaccionar con mayor violencia. Por eso soy vehemente y feroz cuando escribo de asuntos sociales o políticos. Sin aliento y sin concesiones”.
Fadrique Iglesias Mendizábal fue atleta olímpico y es especialista en gestión cultural y desarrollo local con estudios de licenciatura y maestría por la Universidad de Valladolid. Ha colaborado con columnas en varios medios de comunicación como Los Tiempos -desde su columna ‘El clavo en el zapato’- y Página Siete (Bolivia), así como con El País, Noticias Culturales Iberoamericanas (NCI) y FronteraD, donde ha publicado Afilando los cuchillos del Carnicero de Lyon en Bolivia y Del Gran Sueño a la somnolencia: la decadencia del deporte profesional. Ha publicado un libro junto a Peter McFarren, Klaus Barbie en Bolivia, que se publicará este año en español.
[Fuente: http://www.fronterad.com]

La vieille proximité entre musulmans et juifs marocains pourrait bien revenir

Drapeaux marocain et israélien sur le mur de la vieille ville de Jérusalem, le 23 décembre 2020.

Et si le Maroc retrouvait son identité cosmopolite grâce à son rapprochement diplomatique avec Israël ?

Le Maroc et Israël viennent de renouer leurs relations diplomatiques. Des relations rompues depuis le fiasco du processus de paix israélo-palestinien au milieu des années 1990. Il s’agit d’un événement historique dont l’éclat est malheureusement offusqué par le « tout-coronavirus » qui maintient les médias internationaux la tête dans le guidon.

Sur le plan des symboles, ce n’est pas tous les jours que des officiels Arabes et Israéliens assument publiquement leur collaboration. À Rabat, le 22 décembre dernier, l’envoyé israélien, Meir Ben Shabbat, s’est adressé aux Marocains dans leur dialecte pour leur exprimer sa joie de se retrouver parmi eux dans la terre de ses ancêtres. Quel contraste avec l’image de l’Israélien qui se réveille le matin pour « casser les os des Arabes » …

Sur le plan politique, les Américains, parrains du rapprochement, ont reconnu la souveraineté du Maroc au Sahara, une vieille revendication marocaine et qui se trouve exaucée dans les derniers jours du mandat de Donald Trump. Qui aurait pu croire que l’ennemi juré des musulmans était capable de faire un tel geste ? Thank you Mr. President !

Sur le plan humain, tout reste à faire. Il y a tellement de temps à rattraper et d’obstacles à surmonter. L’opinion publique, sidérée par le battage médiatique autour du corona, doit encore, à mon avis, s’habituer au fait accompli. Elle est solidaire de la cause palestinienne et sous l’influence de la propagande wahabite. Il faudra du temps et de la pédagogie. Le mieux est de regarder la réalité en face et d’assumer le choix qui a été fait : à la cause palestinienne, le Maroc a préféré la cause marocaine en renforçant son avantage dans le conflit du Sahara et en se réconciliant avec soi-même, c’est-à-dire avec les juifs marocains installés en Israël. Il est normal de ressentir de la gêne, elle fait partie du sacrifice qu’un peuple accomplit pour avancer. C’est la vie, le succès sourit à ceux qui acceptent de faire des choses qui leur sont désagréables.

L’intransigeance est un luxe réservé aux enfants qui jouent à la guerre avec des figurines de soldat et des miniatures de tank. Les adultes eux regardent plus loin que le bac à sable, ils évoluent dans un monde où la marge de manœuvre est limitée et où les choix sont douloureux.

Retour d’un Maroc cosmopolite ?

À titre personnel, je suis enthousiaste. En renouant avec Israël, le Maroc a une chance de retrouver son identité perdue c’est-à-dire son cosmopolitisme. Jusqu’au début des années 1970, le Maroc était un pays à deux civilisations : la musulmane et la juive, deux univers séparés. La première a toujours été hégémonique mais incapable de se rénover, la seconde n’a jamais eu ni pouvoir ni prestige mais elle a admirablement bien négocié son entrée dans la modernité.  Au contact de la colonisation française (1912-1956), les sépharades marocains ont su se réinventer sans cesser d’être eux-mêmes. Aux yeux des musulmans, ils étaient une synthèse de laquelle ils pouvaient s’inspirer sans craindre l’assimilation, le juif étant un voisin que l’on connaît bien, le Français étant un conquérant duquel on se méfie.

Les Français partis en 1956, les juifs sont restés et ont continué à irriguer la société marocaine dans son ensemble telle une source d’eau douce qui coule sans faire de bruit, au goutte-à-goutte. Cette « diversité » a disparu avec les soubresauts du conflit israélo-arabe et l’approfondissement de la crise économique, deux motifs suffisants pour émigrer vers Israël. Depuis les années 1970, la civilisation musulmane du Maroc est en chute libre, privée de son « sparring partner », de son contre-modèle qui la mettait au défi de se renouveler.

Retrouver la vieille proximité entre musulmans et juifs marocains

Au fond, l’enjeu principal n’est pas de renouer avec Israël mais de retrouver la vieille proximité entre musulmans et juifs marocains. Elle est pure « création de valeur » pour reprendre une expression en vogue chez les experts. Elle sera beaucoup plus rentable pour le Maroc que tous les investissements économiques que ce nouvel accord ne manquera pas de générer.

Bien sûr, le monde a changé et il n’est pas question de réinstaller les juifs d’aujourd’hui dans les mellahs (quartiers réservés en médina). La proximité que j’appelle de mes vœux se jouera dans les librairies, dans les espaces de coworking, sur les terrasses de café et sur internet.

L’avenir nous réservera de belles surprises.

Mon père, le Maroc et moi: Une chronique contemporaine

Price: 15,00 €

7 used & new available from 15,00 €

[Photo : Maya Alleruzzo/AP/SIPA 0 numéro de reportage : AP22524797_000005 – source : http://www.causeur.fr]

A calidade da súa obra conferiu definitiva lexitimidade ao xénero de espías, que hoxe xa ten sólidos herdeiros

Le Carré entre el actor Gary Oldman y el realizador Tomas Alfredson, en Londres, en el 2011, en el estreno del filme «El topo», adaptación de su novela «Calderero, sastre, soldado, espía»

Lle Carré entre o actor Gary Oldman e o realizador Tomas Alfredson, en Londres, no 2011, na estrea do filme «O topo», adaptación da súa novela «Calderero, xastre, soldado, espía».

 

Escrito por HÉCTOR J. PORTO

David Cornwell, máis coñecido como John lle Carré (Inglaterra; Dorset, 1931-Cornualles, 2020), deu unha nova lexitimidade ao que se entende por literatura popular, como non se coñecía desde os tempos de Charles Dickens e Alejandro Dumas e as novelas por entregas. Como Simenon fixo no ámbito do noir, Lle Carré rompeu os límites que separan a novela popular da culta. Hoxe ninguén dubida de que esas portadas e edicións de quiosco en que se presenta boa parte da súa obra esconden creación de alto octanaje. Coa súa escritura sen complexos elevou ademais os relatos de espías ata conferirlles un xénero propio que é respectado en todo o mundo, aínda que é verdade que as súas raíces son estritamente británicas. Así o testemuñan os autores que visitaron o xénero no inicio, como Conrad, Maugham e Kipling, como tamén os que os fundaron de facto: Eric Ambler e Graham Greene -incluso Helen MacInnes.

Como Greene, ou Frederick Forsyth -tamén Ian Fleming, o creador de 007 -, Lle Carré antes de ser cura foi monaguillo. Comezou colaborando cos servizos secretos do Reino Unido e ingresou no MI5 para pasar a exercer en Alemaña como axente do MI6, na intelixencia exterior. É así que sabe moi ben do que fala cando decide escribir relatos sobre espionaxe e a guerra fría. Pero na súa mirada non só están as experiencias propias, o observado, toda a súa narrativa está peneirada dun humanismo que engrandece a súa obra.

A máis diso a súa impecable escritura, plena dese rigor e esa limpeza tan ingleses -que o humor adorna decisivamente, sen recrearse no cinismo máis do necesario-, John lle Carré sabe infundir credibilidade e tuétano aos seus personaxes, fundamentar as súas psicoloxías e personalidades cuns simples trazos, sen complexidades abstrusas nin pretensión algunha.

É talvez esa sinxeleza -e o encanto, a elegancia, a audacia, a intelixencia e o cosmopolitismo que adoitan adozar a trama- a que chama ao cine desde temperán e tan a miúdo. E, xa polas bondades da narrativa de Lle Carré, xa por un pouco de sorte a favor, o certo é que a fortuna sorriu con frecuencia ao autor británico. Foi habitual na súa carreira que as películas que toman como base os seus libros teñan potenciado o seu eco, prestixio e vendas. E foi así tamén para as versións televisivas, desde aquela miniserie producida pola BBC Calderero, xastre, soldado, espía (John Irvin, 1979) e protagonizada por Alec Guinness e outras tan recentes como A moza do tambor (Park Chan-wook, 2018) ou O infiltrado (Susanne Bier, 2016), tamén impulsadas pola BBC.

No cine ocorreu algo similar, cando en 1965 -só dous anos máis tarde da aparición da novela- o realizador Martin Ritt recrutou a Richard Burton para encabezar a repartición do espía que xurdiu do frío. Dous anos despois Sidney Lumet rodou Chamada para o morto con James Mason e Simone SignoretDiane Keaton protagonizou en 1984 A moza do tambor de George Roy HillJohn Boorman filmou no 2001 O xastre de Panamá con Pierce Brosnan e Geoffrey RushGary Oldman relevou ao televisivo Guinness no topo (2011) de Tomas AlfredsonAnton Corbijn dirixiu O home máis buscado (2014) con Philip Seymour Hoffman. E Ewan McGregor liderou o elenco dun traidor como os nosos (Susanna White, 2016). Talvez a máis frouxa, e iso fala do bo nivel, aínda que non están todas citadas, sexa A casa Rusia (Fred Schepisi, 1990), con Michelle Pfeiffer e Sexan Connery, a pesar de que contou con Tom Stoppard como guionista.

En fin, a relación de Lle Carré co medio audiovisual foi exemplar. Alimentáronse mutuamente. O cine, pódese dicir, viuse seducido por un gentleman, á vez que un dos máis grandes da literatura popular, ao que, en compensación, tratou como un verdadeiro rei.

George Smiley, o seu máis celebrada creación

Hai un ano, con 88 veráns ás súas costas, Lle Carré publicaba Un home decente, na que se desquitaba contra o brexit. Nin a pneumonía que padecera nin o cancro que lle diagnosticaron pararíano. Proba desa eterna mocidade, e non menor lucidez, dous anos antes levaba ás librerías O legado dos espías, narración na que recuperaba (tras 25 anos dormente) o seu máis querida creación, George Smiley, oficial de The Circus -transunto do MI6, axencia de intelixencia exterior británica- que debutou en 1961 nas páxinas de Chamada para o morto, a súa ópera prima. Non fai moito os espías apenas merecían un subxénero literario, parecían pasados de moda. Hoxe, o terrorismo xihadista e Lle Carré hanos resituado nun lugar de honra e ata xorden novos autores de fuste para defender esta confraría literaria, como son Mick Herron e Charles Cumming.

[Imaxe: SUZANNE PLUNKETT/REUTERS – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Présentée comme une grande décision du ministère de la Culture et de l’Économie, la question des frais de port pour l’envoi de livres a fini comme souvent : la montagne a accouché d’une souris. Et encore, cette dernière n’a que trois pattes. Pour aider le secteur, décision était prise de porter les coûts à 0,01 centime, afin de limiter la concurrence avec un certain vendeur en ligne. Le décret 2020-1569 présente maintenant les contours de cette aide.

Écrit par Nicolas Gary

Roselyne Bachelot et Bruno Le Maire bombaient le torse : la demande réitérée depuis des années que d’obtenir une réduction des coûts d’expédition de livre aboutissait avec eux. Il aura fallu une pandémie pour débloquer ce sujet. La mesure devait prendre fin ce 2 décembre pour l’envoi des colis, mais le décret est arrivé ce 11 décembre.

Il concerne donc les « magasins spécialisés dans l’accueil du public pour la vente au détail de livres neufs et de supports phonographiques ». Et entre en vigueur au lendemain de sa publication. Dans le détail, rien de neuf, il « institue une aide exceptionnelle, au titre de l’année 2020, pour les détaillants de livres et de supports phonographiques qui font face à d’importantes difficultés liées à l’obligation de fermeture imposée dans le cadre du confinement décidé pour une durée d’au moins quatre semaines, avec une réévaluation tous les quinze jours, dont les modalités sont précisées dans le décret du 29 octobre 2020 ».

Qui et comment ?

Première bonne nouvelle, l’État prend en charge jusqu’au 31 décembre ces frais d’expédition à destination des particuliers. Mais rappelons toutefois que le modèle fonctionne sur un principe de remboursement : le libraire avance les montants dépensés — bien que revus à la baisse — et devra justifier des sommes pour obtenir de l’Agence de services et de paiement qu’elle lui restitue la différence.

En effet, le modèle déployé est celui de Proxicourses librairies, facturé 4,5 €, mais réduit à 2 €. Le colis ne devra pas dépasser un poids maximum de 5 kg, avait précisé La Poste à ActuaLitté — sinon, le tarif était revu en conséquence.

Les modalités de remboursement devaient apparaître sur le site de l’ASP durant le mois de décembre — et à date, n’y figurent toujours pas. Sans décret d’application, difficile de s’engager. « Il est essentiel que la vente de livres continue. Par la prise en charge des frais d’expédition, l’État est à nouveau aux côtés des librairies, en rétablissant des conditions de concurrence équitables et en favorisant leurs ventes à distance », assurait de toute manière Roselyne Bachelot.

Pour nombre de professionnels, la mesure ratait de toute manière le coche en ne ciblant que les librairies vendant des ouvrages neufs. Michèle Benbunan, directrice générale d’Editis, le soulignait : « L’esprit de la loi Lang concerne l’achat à l’unité. De manière schématique, les accords expliquent que l’on doit avoir une remise qualitative supérieure à la remise quantitative, pour ne pas désavantager celui qui vend à l’unité. Si l’on va jusqu’au bout de cette logique, alors les frais de port ne doivent pas pénaliser les vendeurs les plus petits. »

Le neuf et l’ancien

Or, les libraires de neuf ne sont pas les seuls acteurs qui auraient profité de cette mesure : les librairies d’occasion ou de livres anciens l’auraient certainement appréciée. De même pour les éditeurs indépendants – et pourquoi pas, les auteurs indépendants également ? Bref, un périmètre trop restreint, qui donne à la mesure des allures de mesurette…

Le décret apporte toutefois quelques précisions, mais manquera de détails. Selon l’article 5, les dossiers « de demande de l’aide exceptionnelle prévue à l’article 1er doivent être adressés à l’Agence de services et de paiement dans un délai maximal de quatre mois suivants la fin de la période mentionnée au premier alinéa de l’article 3. L’aide est versée au plus tard le 30 juin 2021 ».

Mais une fois le dossier accepté, on ignore totalement sous combien de jours, semaines ou mois les montants avancés seront remboursés.

Il définit également le profil des vendeurs éligibles — 50 % de la valeur totale du stock doit être constituée par des livres neufs, 50 % du chiffre d’affaires global doit être réalisé par la vente de livres neufs au détail. Est-ce à dire que Cultura serait exclu de la course ? Probable : selon l’article 2, puisque ce dernier indique qu’il faut réaliser « un chiffre d’affaires net hors taxes inférieur à 50 millions d’euros ou un bilan total inférieur à 43 millions d’euros ». Exeunt donc, tout opérateur au-delà.

Et ce, même si la filiale d’un groupe réalisant « au moins 45 % du chiffre d’affaires net hors taxes par la vente au détail de livres neufs s’adressant à tout public », pourra en bénéficier. Enfin, la mesure implique de réaliser « au moins 50 % du chiffre d’affaires net hors taxes par la vente au détail de livres imprimés ». L’hypothèse prête à sourire, mais un libraire qui effectuerait 51 % de ventes avec des ebooks passerait donc à côté du radar.

Gare aux tentatives de fraude

De même, pour les associations : il leur faudra « être assujetties aux impôts commerciaux ou employer au moins un salarié ». Et de toute manière, si l’on ne dispose pas « d’au moins un établissement physique accueillant le public toute l’année pour la vente à tout public de livres imprimés au détail », pas d’aide non plus.

Autre point, anecdotique : tout envoi d’un poids inférieur à 50 g ne sera pas éligible. Enfin, les petits malins qui s’imaginaient pouvoir expédier livres neufs et d’occasion dans le même colis seront bien attrapés : le taux de remboursement s’appliquera exclusivement aux ouvrages neufs. Nota bene : encore faut-il que l’entreprise « déclare que ces envois ne contiennent pas exclusivement des livres neufs, ou exclusivement des livres neufs et des supports phonographiques ».

L’Agence de services et de paiement est mandatée pour effectuer des contrôles durant les cinq années qui suivront le versement de l’aide — on prévoira donc un joli classeur pour ranger tous ses justificatifs, si l’on ne souhaite pas avoir à restituer les sommes perçues. Le décret peut être consulté à cette adresse.

[Photo : Kathleen Conklin, CC BY 2.0 – source : http://www.actualitte.com]

 

Rocío Peruchela estrea a súa faceta como editora en Monforte de Lemos
A fotógrafa, libreira e responsábel da web Aldeas galegas, nunha das súas exposicións (Foto: Carlos Rueda)

A fotógrafa, libreira e responsábel da web Aldeas galegas, nunha das súas exposicións.

Por A. Escuredo
Fotógrafa, libreira, responsábel e deseñadora da páxina web Aldeas galegas, e agora tamén editora en galego, Rocío Peruchela é un bo exemplo de muller que se fixo a si mesma a través dun profundo amor polo país. Viviu a emigración urbana de Barcelona e Madrid para logo volver coa intención de colaborar na transmisión dun mundo que coida en desaparición. Coa ollada posta no futuro cre nas oportunidades e as máis de 30.000 visitas mensuais que ten o seu portal danlle a razón. Toda unha homenaxe á súa parroquia de Piño, na Pobra do Brollón.

Avante Pouca

A orixe de que o mundo da aldea centre moitas das súas actividades ten unha explicación biográfica? 
Foron as circunstancias. Fun a última en nacer na aldea e emigrei moi nova, con 18 anos, a Barcelona. Vivín toda a época das Olimpíadas. Logo a vida levoume a Madrid, onde montei unha sala de computadoras. Daquela naceu a miña filla e decateime de que todo o que gañaba era para pagar alugueres e vivía privada da liberdade que tiña na aldea. Non quería ese mundo para a miña filla e decidín volver con ela. Ao chegar, atopei que estaba todo máis abandonado que antes. Desaparecera parte da poboación e parte da vida que eu coñecera. Nese intre propúxenme recuperar unha parte e transmitila a través de gravacións e difundilas por internet.

Avante Media 

Ese foi o comezo da páxina web Aldeas galegas?
Foi si, no inverno de 2004. Comecei co proceso da matanza do porco, algo que aínda se vivía, e continuei coa horta. Aproveitei os meus coñecementos de programación, que logo fun perfeccionando. É unha páxina que visita moita xente maior e está adaptada neste sentido, coa posibilidade de aumentar ou diminuír o texto.

De onde lle vén o interese pola fotografía?
Do meu avó, que era de San Facundo e rematou por casar na Pobra do Brollón. Era fotógrafo. Facía fotomontaxes coas fotografías pintadas. Deixoume o seu laboratorio e aproveitei tamén o feito de dispor da páxina web. Fixen varias exposicións centrándome nos oficios, nas tradicións e na aldea. Fixen unha reportaxe sobre a última persoa que sementaba liño e mesmo me animei a ter eu na miña terra. Tamén me propuxen recuperar algunhas variedades de sementes de millo.

Como é a vida do libro galego pola súa experiencia?
Hai xente que cando chega á libraría pregunta polo libro en galego como se non fose algo habitual. Eu teño unha sección propia para o libro galego mais habilitei unha infantil na que mesturo as dúas linguas: galego e castelán. Os que non teñen prexuízos son as nenas e os nenos que, aínda que falen castelán, son máis as familias que tiran polo castelán. Por sorte logo hai casos para a esperanza. O outro día un avó advertiulle ao seu neto que escollera un libro en galego e o pequeno contestoulle « si, e que? ». Seguen os mesmos prexuízos coa lingua e hai quen afirma que non o sabe ler. Faltan máis traducións ao galego; o problema é que igual non teñen mercado. Hai que seguir insistindo e encher os escaparates das librarías de obras en galego.

Avante Toda

Ese é o motivo que a levou a comezar unha nova experiencia como editora?
Pola miña experiencia descubrín que había unha gran demanda de persoas que escriben en lingua galega e queren publicar as súas obras en papel a prezos baixos, sen ter que facelo por internet. Por este motivo rexistreime como editora co nome de Peruchela Edicións, e este mesmo mes de novembro presentarei as primeiras obras. Son os poemarios De vida, morte, amor e indiferenza, de Pilar Sánchez, que será o primeiro que publique, e A vida nas botas, do escritor e músico Antón Valcarce. Tamén presentaremos outro libro de Pilar Sánchez, desta vez narrativa, que leva por título Estamos de conto. Aproveitarei para difundilos en directo a través da web e tamén nas redes sociais para que as persoas que non poidan asistir á presentación teñen a posibilidade de seguilas desde as súas casas.

[Imaxe: Carlos Rueda – fonte: http://www.nosdiario.gal]