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Escrito por Rafael de Mesquita Diehl, graduado, mestre e doutor em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Em uma cerimônia solene no ano de 1939, o general Francisco Franco de Bahamonde (1892-1975)[1], líder da facção vitoriosa na Guerra Civil Espanhola, entrou na Igreja de Santa Bárbara de Madri onde depositou sua espada diante do altar. Estava trajando a farda militar sobre uma camisa azul e cobria a cabeça com uma boina vermelha, representando as três principais forças por trás do levante do 18 de julho de 1936 que havia dado início àquela longa contenda fratricida: o Exército, a Falange e os Requetés.[2] A entrega da espada possuía um simbolismo muito claro: demonstra o agradecimento de Franco a Deus pela vitória naquilo que ele considerava como uma cruzada[3] contra o comunismo e o ateísmo da II República Espanhola (proclamada no ano de 1931).

O general Franco entrega sua espada a altar da Igreja de Santa Bárbara em Madrid em 1939.

A propaganda franquista, contudo, mascarava um irônico e curioso detalhe, que poderia ser visto em outros aparições do “Generalíssimo” (título ostentado por Franco como chefe supremo das Forças Armadas): a presença da vistosa “Guarda Moura” com seus turbantes e capas brancas, formada por soldados muçulmanos marroquinos! Não só ao lado da “Cruzada” franquista, mas também ao lado da II República houve combatentes muçulmanos. Tal dado, contudo, é frequentemente esquecido pelo fato de a complexa Guerra Civil Espanhola ser mostrada com um dualismo simplista de “católicos versus comunistas” (visão de alguns grupos de direita) ou de “democratas versus fascistas” (visão de alguns grupos de esquerda). Considerada pelos historiadores como um confronto entre a “velha” e a “nova” Espanha ou um ensaio dos conflitos entre as ideologias que se enfrentaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Guerra Civil Espanhola foi um fenômeno histórico de muitos contrastes, nos quais diferentes grupos e interesses se aliavam buscando derrotar um inimigo em comum.

Cartaz de propaganda do Bando Nacional durante a Guerra Civil Espanhola: a Guerra de Franco é comparada a uma Cruzada e à Espanha é atribuída a providencial função de ser orientadora espiritual do mundo.

Para entender a Guerra Civil Espanhola em sua complexidade, bem como a participação dos muçulmanos nesse conflito, é necessário retrocedermos ao final do século XIX. No ano de 1898, a Espanha (que no século XVI havia possuído colônias nas Américas, África e Oceano Pacífico) perdera suas duas últimas relevantes colônias, Cuba e Filipinas, para os Estados Unidos da América. Tal fenômeno havia sido um choque para a geração daquele tempo, já que as colônias, sustentadas pelo poderio militar, eram um motivo de orgulho para a Espanha. Sem as colônias, a Espanha era apenas um país majoritariamente agrário adentrando atrasada no cenário de uma Europa ocidental em franca expansão do que foi depois chamado de 2ª Revolução Industrial (iniciada na segunda metade do século XIX). O século XIX também é o século do nacionalismo. É verdade que já havia certos “sentimentos nacionais” antes do século XIX, mas é neste século que algumas ideologias políticas europeias começaram a sustentar a necessidade de uma identificação entre a Nação (identidade de um povo, de uma cultura) com o Estado (poder político centralizado em uma estrutura impessoal e burocrática).[4]

Se é verdade que a industrialização estava em alta na virada do século XIX para o século XX, também é verdade que a busca por colônias estava na ordem do dia entre as potências ocidentais do período. O governo espanhol, portanto, apostava em investir em um protetorado[5] no Marrocos como forma de reviver as glórias militares do passado. Apesar de já possuir domínios sobre alguns territórios litorâneos do norte da África desde o século XVI, a Espanha formou seu protetorado no Marrocos através de um tratado firmado com a França (que já possuía uma colônia na região) no ano de 1912 que reconhecia como protetorado espanhol os territórios de Rife e Jebala. Contudo, houve resistência da população local, especialmente de algumas tribos berberes que lideraram ataques contra os assentamentos coloniais na região do Rife. Durante os anos de 1920 a 1927 houve a Guerra do Rife, na qual a Espanha buscou consolidar seu domínio na região eliminando a resistência das tribos berberes.

Mapa do protetorado espanhol no Marrocos

Foi durante essa guerra que se formaram os oficiais e soldados espanhóis ditos “africanistas”, que cresceram em prestígio militar e viam com maus olhos a política conduzida por civis e parlamentos. Foram também formadas tropas coloniais com soldados da população local, o que era comum no colonialismo, como os Regulares Marroquíes (soldados de infantaria) e os Tiradores de Ifni (soldados de infantaria leve). Ambas as tropas eram utilizadas na guerra como vanguarda, iniciando os ataques nos combates. A maioria dos membros de ambas unidades militares eram recrutados em Ceuta e Melilla. Usavam uniformes parecidos: fardas em tons beges e na cabeça um fez vermelho ou um turbante branco.[6]

Soldados dos Regulares Marroquinos. Note que, além da diferença de alguns usarem o turbante branco enquanto outros usam o Fez vermelho na cabeça, há também uma diversidade de feições e tons de pele, o que mostra a variedade étnica e genética dos muçulmanos marroquinos.

Entre 1923 e 1930 o rei Afonso XIII delegou o governo ao general Primo de Rivera, que governou na prática como um ditador. Apesar do apoio dos grandes proprietários de terra, das forças armadas e de setores da Igreja Católica que se mostravam preocupados com o crescimento de movimentos socialistas e anarquistas entre as classes populares, o regime repressivo de Primo de Rivera declinou o prestígio da monarquia. Com a vitória dos candidatos republicanos na maior parte do país durante as eleições municipais de 1931, o rei e sua família partiram para o exílio, o que culminou na proclamação da II República espanhola em 14 de abril de 1931.

A II República era um regime semipresidencialista, com o presidente da República exercendo a chefia de Estado e compartilhando as funções de chefe de Governo com o presidente do Conselho de Ministros. As forças que haviam proclamado a República eram diversas: nelas havia republicanos moderados, liberais, republicanos radicais (com teor mais laicista), nacionalistas bascos e catalães, socialistas e comunistas. Além disso, havia expressivos grupos anarquistas e anarcossindicalistas especialmente na região da Catalunha, uma das zonas mais industrializadas do país. A Constituição de 1931 prometia amplas reformas sociais e buscava a separação entre Igreja e Estado. Tal separação, contudo, revelou-se radical com a expulsão de algumas ordens religiosas, fechamento de conventos e escolas católicas em prol do estabelecimento de um ensino público de caráter laico. Houve também maiores concessões de autonomia à Catalunha e ao Países Basco, o que gerava preocupação nos setores militares que defendiam um nacionalismo espanhol de tipo mais unitário.

Como reação às novas políticas da República, a oposição ao regime buscou organizar-se também, formando em 1933 a CEDA – Confederación Española de Derechas Autónomas (coalização de partidos católicos de direita) e a Falange (movimento nacional-sindicalista com inspiração no Fascismo italiano). Mas o regime republicano também revelava fissuras internas, especialmente quanto ao caráter e ao ritmo das reformas sociais. Em 1934 o governo utilizou-se da Legião estrangeira espanhola para esmagar uma revolta dos mineradores de Astúrias, influenciados por ideais socialistas e anarquistas. Encabeçando o sufocamento ao levante estava o general Francisco Franco, um dos oficiais da Legião.

Os conflitos políticos cresciam durante a II República, com enfrentamentos nas ruas entre grupos falangistas, socialistas e anarquistas (que adquiriam, cada vez mais, caráteres paramilitares). O governo não atacava igrejas e conventos, mas também não buscava conter esses incidentes de perseguição religiosa. Para conter o que viam como uma ascensão do fascismo (lembremos que em 1933 Hitler havia chegado ao poder na Alemanha e que Mussolini já controlava o governo italiano desde 1922) vários partidos de orientação socialista e comunista, republicanos de esquerda e o sindicato anarquista CNT (Confederação Nacional do Trabalho) uniram-se na Frente Popular para as eleições de janeiro de 1936, na qual saíram vitoriosos, tendo formado um governo de coalizão, do qual não participaram os anarquistas e alguns socialistas independentes.

A direita espanhola via com preocupação o crescimento dos grupos comunistas, socialistas e anarquistas. Muitos oficiais militares de tendências direitistas (que haviam sido estrategicamente movidos pelo governo para postos distantes) já conspiravam buscando uma forma de derrubar o governo, embora o general Franco (em cargo nas Ilhas Canárias) ainda hesitasse envolver-se na conspiração. Não obstante, o clima de antagonismo e violência política continuava a subir. Em 12 de julho de 1936 grupos de direita assassinaram o tenente socialista da Guarda de Assalto, José del Castillo Sáenz de Tejada, fato que foi vingado no dia seguinte quando socialistas mataram o jurista e deputado José Calvo Sotelo, líder das direitas nas Cortes (parlamento espanhol). Tal fato foi considerado como pretexto para os conspiradores colocarem em prática seu plano.

Em 17 de julho inicia-se a sublevação de militares e falangistas no protetorado do Marrocos e no dia seguinte o levante estoura na península com a adesão das milícias carlistas. Contudo, o golpe de Estado em Madri fracassa e na Catalunha as milícias anarquistas se impõem aos sublevados. A falta de êxito na tomada de poder em regiões importantes do país fez com que o golpe se transformasse em uma guerra civil. De um lado havia os autores do levante e seus apoiadores, que se denominaram Bando Nacional, composto por monarquistas afonsinos e monarquistas carlistas, falangistas, membros da CEDA, entre outros. Juntaram-se à defesa do governo no Bando Republicano nacionalistas bascos e catalães, republicanos moderados e radicais, socialistas, comunistas, anarcossindicalistas, anarquistas, liberais e democratas.

Milicianos anarquistas se armando para enfrentar o levante militar em Barcelona, 18 de julho de 1936.

Do ponto de vista militar também havia um impasse: embora muitos generais e militares tivessem participado do alzamiento junto às milícias falangistas e carlistas, muitos setores do exército e a maior parte da marinha e da força aérea permaneceram em uma postura legalista de apoio ao governo vigente. O Bando Nacional contava com o Exército de África para pender o peso da balança ao seu favor, já que os legionários e os soldados marroquinos possuíam melhor treinamento e experiência militar por conta da Guerra do Rife. Franco se havia colocado à frente das tropas africanas após o início do levante na península. Com o Estreito de Gilbraltar bloqueado pela marinha espanhola, Franco buscou a ajuda militar da Alemanha, que enviou aviões que transportaram legionários e soldados marroquinos para a Espanha entre os meses de julho e outubro.

Tropas regulares marroquinas em Tetuão aguardando o embarque em um avião de guerra alemão. 1936.

Os muçulmanos recrutados no Marrocos constituíam uma população de árabes, berberes e descendentes dos muçulmanos expulsos da Península Ibérica nos séculos XV, XVI e XVII. Isso é evidenciado pelas fotografias dos soldados, nos quais frequentemente podemos notar uma variedade de feições faciais e tons de pele.

Ilustrações dos tipos de uniformes usados pelos regulares marroquinos.

O maior número de muçulmanos que combateram na Guerra Civil Espanhola se encontrava no Bando Nacional e eram alistados nos Regulares Marroquíes e nos Tiradores de Ifni. O que teria levado esses muçulmanos a combaterem ao lado de uma liderança que dizia lutar uma Cruzada[i] em defesa da Espanha católica contra um governo comunista? Como em muitos outros grupos que tomaram parte nesse conflito, não há uma resposta única sobre os motivos e circunstâncias que levaram esses moros a unirem-se ao alzamiento contra a II República. O primeiro grupo que podemos citar são os dos muçulmanos marroquinos que já pertenciam às tropas coloniais de maneira profissional, integrados à hierarquia. Ao outro grupo pertenciam principalmente pessoas de origem pobre de aldeias ou áreas rurais submetidos a um regime de vínculo pessoal com os chefes locais.  Muitos testemunhos, memórias e estudos historiográficos apontavam como motivações comuns para o alistamento: fugir da fome e da pobreza (com a garantia de soldo e provisões diárias); o sentimento de ligação com o território peninsular (no caso de famílias descendentes de muçulmanos outrora expulsos da Europa) e também motivações religiosas instrumentalizadas pelas lideranças de Franco (como a propaganda anticomunista associando a II República ao regime ateu soviético ou promessas de auxílio financeiro do futuro governo franquista para peregrinações à Meca a alguns soldados).

Os motivos acima elencados são, sem dúvida, bastante subjetivos. Explicam casos particulares, mas não uma adesão tão grande quanto a obtida pelos sublevados, ainda mais levando em conta a existência de movimentos nacionalistas que viam o colonizador espanhol como o verdadeiro inimigo a ser combatido. Ademais, havia a fidelidade pessoal dos aldeões aos chefes tribais e locais. Seria então possível encontrarmos um elemento comum que tenha favorecido uma grande adesão de recrutas ao alistamento (que, aliás, durou praticamente toda a guerra)?

Adnan Mechbal, professor da Universidade de Angers, aponta uma explicação geopolítica para a improvável grande adesão de marroquinos ao exército colonizador para combater em uma causa nacionalista espanhola. O militar espanhol africanista Juan Luis Beigbeder y Atienza (1888-1957) possuía bom conhecimento da língua árabe e vínculos com lideranças marroquinas locais. Beidbeder utilizou-se da falta de comprometimento do governo republicano com as reivindicações dos nacionalistas marroquinos (que esperavam um estatuto de autonomia como havia sido concedido à Catalunha) e de seus contatos com a Alemanha nazista (que defendia um discurso pró-árabe e anticolonialista) para fazer tais líderes crerem que a República estava comprometida com os interesses geopolíticos da Grã-Bretanha e França, que se beneficiavam do colonialismo na posição estratégica do Marrocos e do Estreito de Gibraltar.

O militar espanhol Juan Luis Beigbeder em trajes civis

Beigbeder também se utilizou do medo da influência do comunismo ateísta da União Soviética sobre a República para dissuadir os nacionalistas marroquinos do alinhamento com os legalistas. O militar espanhol também conseguiu convencer as demais autoridades militares do protetorado a manterem o principal líder nacionalista marroquino, Abdelkhalek Torres (1910-1970) – que havia liderado movimentos contra as autoridades coloniais bem como negociado com os republicanos –, em prisão domiciliar, ao invés da aplicação de penas mais severas. No mesmo ano foi inclusive concedido a Torres formar um partido nacionalista marroquino, dessa vez com elementos de inspiração falangistas e fascistas.

O líder nacionalista e político marroquino Abdelkhalek Torres

Por outro lado, os dois intentos de adesão dos marroquinos por militantes de esquerda não lograram apoio do governo republicano, em parte pela descrença no sucesso de tal operação e em outro lado pela pressão britânica e francesa que se interessava em preservar o status colonialista na região do norte africano. Além das diferentes cisões nos movimentos de esquerda e nacionalistas marroquinos espanhóis, não há indícios de que, às vésperas do levante de 17 de julho de 1936, houvesse alguma organização coordenada entre os marroquinos do protetorado espanhol e os marroquinos do protetorado francês.

O jalifa Muley Hassán el Mehdi em Madri, em uma fotografia de 1942.

Embora o Jalifa[7] Muley el Hassán ben el Mehdi (reinou de 1925 a 1956) tivesse aderido diretamente à política de alistamento dos espanhóis sublevados do protetorado, o sultão[8] Mohammed V (reinou de 1923 a 1957 como sultão e de 1957 a 1961 como rei do Marrocos) não apoiou explicitamente o alistamento, embora ele, seu séquito e as lideranças marroquinas locais tenham facilitado a conscrição de seus súditos nas fileiras do Bando Nacional. Como o levante contra a II República se constituía, a priori, como uma rebeldia perante a ordem geopolítica internacional, era prudente ao sultão manter a neutralidade para assegurar o status quo de seu governo. Quando membros do governo republicano apontaram a ilegalidade do recrutamento, o general Franco[9] habilmente acusou a República de estar em conluio com a França conspirando contra a soberania do sultão, apresentando-se assim com a imagem de um defensor da autonomia do Marrocos.

O sultão Mohammed V do Marrocos em fotografia de 1934

Outro trunfo usado pela propaganda do bando franquista foi a de uma associação do passado comum entre Espanha e Marrocos pela história de Al-Andalus e a necessidade de cooperação dos dois credos, cristão e muçulmano, na luta contra um governo que, de acordo com eles, buscaria a abolição de todas as igrejas e mesquitas da Espanha e seus territórios.

As tropas marroquinas continuaram sendo recrutadas e transladadas à península durante os anos seguintes da Guerra Civil Espanhola e participaram da maior parte dos combates importantes e da tomada das posições mais estratégicas. A presença desses muçulmanos no Bando Nacional marcou o imaginário dos combatentes do Bando Republicano, como na célebre canção ¡Ay Carmela!, que em um de seus versos dizia “Luchamos contra los moros,/rumba la rumba la rumba la./Luchamos contra los moros,/rumba la rumba la rumba la/mercenarios y fascistas,/¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!/mercenarios y fascistas,/¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!” Os números de muçulmanos marroquinos participantes ao longo de toda a guerra ainda permanecem um assunto de muita divergência entre os estudiosos, com cifras mais céticas oscilando entre 75.000 e 80.000 homens.

Apesar de serem muito mais recordados, os moros de Franco não foram os únicos muçulmanos combatentes no trágico conflito espanhol. Muçulmanos de diferentes origens (marroquinos desertores, argelinos, iraquianos, sírios, egípcios, árabes, palestinos, franceses, libaneses) uniram-se, por diferentes motivações e circunstâncias, às fileiras do Bando Republicano. Os números desses participantes, contudo, são bastante modestos comparados aos do Bando Nacional, contabilizando aqueles apenas entre 760 a 1.000 pessoas. O contexto dos muçulmanos republicanos foi distinto do caso dos marroquinos nacionais: não houve um programa de recrutamento massivo por parte da II República em uma região específica. Isso explica-se por dois motivos: a) a falta de mando efetivo do governo republicano sobre alguma colônia (dado que o protetorado marroquino, única colônia restante, se havia juntado ao levante); b) o apoio tímido dos aliados da República no cenário internacional.

Embora reconhecessem como legítimo governo espanhol a II República, França e Grã-Bretanha não estavam dispostas a enviar suas forças armadas para o conflito, pois o encontro destas tropas com a Legion Condor de Hitler e o Corpo Truppe Volontarie de Mussolini enviadas em apoio aos nacionais poderia expandir a guerra para além das fronteiras espanholas. A política de Josef Stálin à frente da União Soviética através da Internacional Socialista (órgão que, em tese, reunia todos os partidos e organizações socialistas e comunistas mas que, na prática, era uma forma de Moscou controlar os referidos partidos e suas formas de atuação nos países capitalistas) na época consistia em concentrar o desenvolvimento do sistema socialista na própria URSS, enquanto incentivava nos outros países a formação de frentes antifascistas através de alianças dos socialistas e comunistas com grupos de outras orientações políticas.

Diferentemente do Bando Nacional que unificou seus exércitos e milícias sob a liderança suprema de Francisco Franco, o Bando Republicano permitiu a formação de diferentes milícias com suas próprias regras, estruturas de comando e agendas políticas. Em Barcelona, por exemplo, as milícias anarquistas exerciam de facto o controle da cidade no lugar das autoridades oficiais. A propaganda republicana, especialmente de órgãos anarquistas e socialistas, buscava arregimentar os muçulmanos com chamadas de rádio e panfletos dirigidos em árabe à França e a outros países do norte africano e do mundo árabe, apresentando o fascismo como inimigo de todos os homens e opressor dos muçulmanos, ressaltando a necessidade dos seguidores do islã se juntarem à luta dos oprimidos.

Bandeira das Brigadas Internacionais

A entrada de muçulmanos de diferentes países no Bando Republicano se inseriu no contexto das Brigadas Internacionales, órgão militar criado para arregimentar voluntários de todos os países que desejassem combater pela República contra os nacionais. É importante frisar que nem todos os brigadistas eram socialistas ou comunistas, mas de diferentes correntes políticas que se viam ameaçados com a ascensão dos regimes fascistas e seus aliados pela Europa. Nesse sentido, é importante observar que a composição e motivação desses muçulmanos brigadistas eram muito mais diversas: intelectuais, militantes políticos, operários, desertores, camponeses… e é possível que muitos fossem muçulmanos apenas nominalmente ou com uma interpretação muito flexibilizada disso, nos casos de indivíduos ligados a movimentos socialistas, anarquistas ou nacionalistas. Dentre esses combatentes destaca-se o militante comunista palestino Muhammad Najati Sidqi (1905-1979), que tentou sem sucesso conseguir a adesão dos marroquinos de Franco à causa republicana. Em muitos ambientes republicanos via-se com desconfiança o exercício da liderança por muçulmanos ou a sua organização massiva, influenciados pelo contexto da sublevação no Marrocos. O que é certo é que o maior número de muçulmanos alistados no lado republicano era de origem argelina.

O militante comunista palestino Muhammad Najati Sidqi

A Guerra Civil Espanhola foi oficialmente encerrada com um discurso de Franco em 1º de abril de 1939, quando as tropas nacionais haviam tomado os últimos redutos de resistência (Madri havia sido tomada em 28 de março daquele ano). Sobre a finalidade dos combatentes de ambos os lados, além das inúmeras baixas, os destinos foram diversos… Alguns regulares marroquinos passaram a integrar a Guarda Moura e outras guardas relacionadas ao governo franquista (o que talvez nos revele algo sobre as tensões internos que permaneceram entre os diferentes grupos militares, falangistas, carlistas e monarquistas após a vitória de Franco). Outros voltaram para o Marrocos, onde grande parte dos contingentes foram desmilitarizados, voltando à vida ordinária. Com relação aos muçulmanos republicanos, com o encerramento das Brigadas Internacionais pelo governo em 1938, muitos acabaram caindo em mãos do inimigo como prisioneiros (com destino incerto), outros tentaram atravessar a fronteira francesa, mas não eram recebidos com a mesma facilidade que os “camaradas” europeus. Alguns de maior destaque voltaram a seus países onde continuaram sua militância política, geralmente associada a um tipo de nacionalismo árabe de tendências de esquerda.

Membros da XV Brigada Internacional às margens do rio Ebro em janeiro de 1938. Nessa unidade participaram alguns argelinos.

Propaganda republicana de 1936 mostra um regular marroquino abraçando um soldado republicano.

Há, por fim, um outro elemento a ser considerado: tanto no imaginário nacional quanto republicano: o “mouro” foi frequentemente associado à crueldade e às atrocidades de saques, assassinatos sumários, torturas e estupros que foram cometidos após muitas tomadas de território pelas tropas franquistas. Há aqui de separar a objetividade histórica das subjetividades das memórias individuais. É compreensível que os espanhóis comuns, acostumados a ver os mouros como elemento estranho e opositor na história forjada pelo nacionalismo e marcados pelo impacto das guerras e conflitos do Marrocos colonial, ficassem mais marcados pela lembrança de muçulmanos realizando atrocidades que os marcaram por toda a vida. Isso foi usado como arma psicológica por ambos os bandos… pelos nacionais, para incutir terror no inimigo; pelos republicanos, para aumentar o desprezo e ódio pelos “fascistas”. Nota-se aqui o predomínio da típica mentalidade etnocêntrica e orientalista do colonialismo ocidental: sempre associando o Oriente ao exótico, ao sensual, ao selvagem…

Propaganda republicana associando o mouro à violência contra mulheres e crianças.

Não há evidências históricas, contudo, de que as atrocidades cometidas estejam associadas em maior grau aos combatentes muçulmanos. Um dos primeiros elementos a se ter em mente quando analisamos a Guerra Civil Espanhola é precisamente não a ver sob um prisma maniqueísta/dualista ou com vendas ideológicas. Esse conflito teve altos índices de crueldades e arbitrariedades de ambos os lados (talvez com a diferença de que no Bando Nacional elas aconteciam sob certa direção de seus comandantes, enquanto no Bando Republicano eram mais consequência da falta de controle do governo sobre as diferentes milícias e organizações que lutavam ao seu lado): grevistas ou simpatizantes de lutas trabalhistas eram sumariamente executados por militares pelo delito de serem rojos (“vermelhos”, comunistas); sacerdotes e religiosos eram torturados e fuzilados por serem considerados “fascistas”… Estamos falando de um conflito de elevadas polarizações em que o que unia cada um dos bandos era muito mais o desejo de eliminar um inimigo em comum do que um programa de ideias bem delineadas, embora o discurso e a propaganda tratassem sempre de sacralizar a causa. Em muitas regiões, especialmente nos pueblos (povoados, vilarejos, aldeias), o território era constantemente tomado e retomado por um bando ou outro: juntavam-se às rivalidades ideológicas as rixas pessoais, colocando literalmente vizinhos contra vizinhos e até mesmo uma família contra si mesma!

General Miguel Cabanellas passando em revista uma tropa de regulares marroquinos no início da guerra em 1936.

O estudo da participação dos muçulmanos na Guerra Civil Espanhola é mais um exemplo histórico de como é difícil julgarmos a História em bloco ou analisar uma crença ou corrente de pensamento pelos atos isolados de alguns de seus membros.

Franco discursando em um palanque vigiado por dois membros da Guarda Moura.

 

Notas:

1: Por tratar-se de um tema ligado à história de um país ocidental, utilizaremos a datação cristã ao longo do texto, bem como nos referiremos a algumas periodizações comuns à historiografia ocidental.

2: Os Requetés, que se distinguiam por suas boinas vermelhas, eram as milícias do movimento monarquista carlista, que defendia a legitimidade dos descendentes de Carlos Maria de Bourbon, príncipe das Astúrias, em contraposição aos da rainha Isabel II, uma disputa iniciada em 1830 após a morte de Fernando VII. Também defendiam um modelo de monarquia tradicional com maior influência da Igreja Católica em oposição ao modelo de monarquia parlamentarista e liberal.

3: Mesmo no caso da Igreja Católica não se pode dizer que a adesão ao lado de Franco tenha sido incondicional. Embora o Episcopado espanhol tenha apoiado o alzamiento nacional (nome que os sublevados deram ao movimento militar iniciado para derrubar a II República), houve críticas de membros da hierarquia eclesiástica aos fuzilamentos sumários conduzidos pelos sublevados ou mesmo a desilusão e abandono do movimento por parte de intelectuais católicos como o escritos George Bernanos ou o filósofo Jacques Maritain. Também havia o caso particular do País Basco, local onde a República não havia atuado de forma anticlerical e, portanto, contava com a adesão do clero e fiéis católicos locais. A Sé Apostólica reconheceu o novo governo formado por Franco, mas houve tensões entre a Igreja e o governo franquista mesmo após o término da guerra, sobretudo sob o pontificado de Paulo VI (1963-1978). O forte partidarismo adotado por muitos setores do clero e laicato católico na Espanha já mesmo antes da II República pode ter sido um dos motivos pela qual o sacerdote espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975) insistia fortemente no caráter apolítico e apartidário do Opus Dei, instituição católica que fundara em 1928 e que já contava com membros em algumas localidades da Espanha por ocasião do início do conflito em 1936. Para tanto, vide FERNÁNDEZ GARCÍA, 1985; GARAY, 2017; GARCÍA-VILLOSLADA, 1979; GARRIGUES, 2016; MEER 2003; RAIFORD, 2014; RILLA, 2020; RUTGERS, 1984; VÁZQUEZ DE PRADA, 2004.

4: Até o início da chamada “racionalização administrativa” (que buscava padronizar as leis e instituições em todos os territórios da Coroa) promovida pelos monarcas espanhóis da dinastia Bourbon no século XVIII, a “Espanha” era um conjunto de diferentes reinos (Castela e Leão, Galícia, Navarra, Aragão, Granada, etc) com seus ordenamentos jurídicos e costumes distintos unidos apenas sob um mesmo rei cristão. Assim, o cristianismo e a Igreja Católica apareciam como um elemento constitutivo da identidade dos espanhóis.

5: O regime de protetorado foi adotado em vários contextos do colonialismo das potências ocidentais a partir do século XIX. Nele se mantinha uma autoridade local nominalmente autônoma com guarnições militares coloniais que ocupava locais estratégicos e exercia algumas funções administrativas ou coercitivas a título de “proteção”.

6: Não confundir essas tropas de soldados locais com a Legião estranjera espanhola, tropa de elite inspirada na Legião estrangeira francesa, que aceitava estrangeiros de outros países europeus em suas fileiras.

7: É importante esclarecer que a construção do ideal de Cruzada se delineia após o início do conflito. Também Franco não era líder inconteste dos sublevados no início do levante.

8: Jalifa, corruptela espanhola da palavra árabe Khalifah (Califa) era o título utilizado pelo governante marroquino sediado na cidade de Tetuão, que representava o sultão do Marrocos frente às autoridades espanholas do protetorado.

9: O sultão do Marrocos era nominalmente o chefe de Estado do Marrocos sediado na cidade de Rabat, sob controle do protetorado francês. Como era natural nos protetorados, esse chefe de Estado deveria estar alinhado aos interesses da potência colonial europeia para conservar suas prerrogativas.

10: É somente no mês de outubro de 1936 que Franco se torna o único e inconteste líder do Bando Nacional. A partir desse momento, buscará construir uma forte imagem de culto à sua personalidade, o que pode ser exemplificado em sua apropriação do discurso católico (defendido especialmente pelos carlistas e antigos membros da CEDA) e da fusão, sob seu comando de duas milícias bastante opostas: os requetés carlistas e os camisas-azuis falangistas. A execução de José Antônio Primo de Rivera (fundador da Falange) pelos milicianos de esquerda em novembro de 1936 foi duplamente conveniente para a liderança unitária de Franco: eliminava um potencial concorrente e ao mesmo tempo dava um mártir para ser usado como símbolo de inspiração para o movimento dos sublevados. Para tanto, vide GARCÍA-HEVIA, 2009; GIMÉNEZ MARTÍNEZ, 2015; MORENO ALMENDRAL, 2014.

Bibliografia:

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GARAY, Ing Agustín M. Maritain y la Institucionalidad republicana: el caso de la II Republica Española y la Guerra Civil. IV Encuentro Internacional de Institutos “Jacques Maritain” e Instituciones Afines de América del Sud. Córdoba, 07 a 08 set. 2017.

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[Fonte: http://www.historiaislamica.com.br]

 

Escrito por Pablo Martínez Sánchez

A II Guerra Mundial na península balcánica (1941-1944) amosou toda unha amalgama de problemáticas étnicas e nacionais sen resolver durante o goberno da dinastía Karadjordjevic en Iugoslavia. Os problemas aparecerán con gran forza durante a guerra e serán causas que poden explicar a violencia e dureza emprendida polos diferentes movementos que se consolidan durante a invasión de Hitler.

A operación 25

Iugoslavia era unha entidade política que comezou a súa andadura tras a I Guerra Mundial. Foi unha monarquía que estaba dirixida pola dinastía dos Karadjordjevic1 . Durante a formación de alianzas previas á II Guerra Mundial, Iugoslavia mantiña unha posición de neutralidade a pesar das continuas presións de Hitler. O rexente Pablo de Iugoslavia, gobernante durante a minoría de idade do príncipe e herdeiro Pedro, tratou de seguir con esa postura de neutralidade. Porén, as conquistas das potencias do Eixo no territorio dos Balcáns como Grecia e Albania, levaron a que Iugoslavia  se unira ao Pacto Tripartito comandado por Alemaña, Italia e Xapón. Isto vai provocar un golpe de Estado en 1941 por parte do exército serbio contrario á adhesión ao pacto. Posteriormente, a fuxida do rexente ao exilio e a subida ao trono do príncipe herdeiro Pedro II. O novo rei non tardará en firmar un pacto de amizade coa Unión Soviética en 1941, posicionándose en contra das potencias do Eixo2 .

Retrato de Pedro II de Iugoslavia, herdeiro ao trono iugoslavo.

O pacto de amizade coa Unión Soviética fixo que un Hitler furioso, ordenase a invasión de Iugoslavia. A península balcánica tiña un forte atractivo tanto para Alemaña como para Italia, debido ás importantes materias primas que había na rexión3 , destacando o petróleo que se encontraba en Romanía. As redes de comunicación tamén eran un foco de atracción, xa que o petróleo podería ser transportado polo río Danubio, a principal ruta fluvial de transporte do territorio4 .

Estas vantaxes dos Balcáns levaron á conquista xermana. A invasión foi denominada Operación 25 polo alto mando do exército Nazi. Durou doce días e os xermanos capturaron 360.000 soldados, os cales eran serbios na súa maioría5 . Belgrado sería bombardeada o 6 de abril de 1941, provocando a rendición dos iugoslavos6 . Sen unha firme oposición aos invasores, as tropas xermanas e itálicas provocarían desequilibrios territoriais, políticos e sociais de inmensa envergadura.

Cambios territoriais e poboacionais

A consecuencia inmediata da invasión das tropas de Hitler foi un profundo cambio territorial nos Balcáns. Eslovenia foi repartida entre Italia e Alemaña, a costa de Dalmacia e as illas do mar Adriático que pertencían a Croacia foron anexionadas por Italia. Montenegro e Kosovo foron incorporadas por Albania e Italia e creouse a Serbia de Nedic, un Estado monicreque baixo a administración directa dos Nazis7 .

As transformacións territoriais e políticas afectaron á sociedade, incidindo no aumento de tensións entre as minorías étnicas e nacionais da zona. Un claro exemplo foi a creación do Reino de Croacia. Os croatas non se sentían integrados dentro de Iugoslavia e comezaron a aparecer movementos que proclamaban unha nación independente nos Balcáns. A caída de Iugoslavia foi a oportunidade perfecta para que se creara un Estado monicreque croata baixo o goberno dos Ustashas; unha organización terrorista formada por seguidores e colaboradores dos nacional-socialistas xermanos. Gozaban empregando a violencia contra poboacións como os xudeus e os serbios, os cales eran enviados a campos de concentración como o de Jasenovac8 .

Ustashas cortándolle a cabeza a un prisioneiro en Jasenovac. Fonte: Wikimediacommons

O Reino de Croacia foi un claro exemplo de uso da violencia contra as minorías do seu territorio. Co seu líder Ante Pavelic, denominado co título de Poglavnik, promoveu a persecución dos xudeus coas leis de 1941. O principal obxectivo desta organización era limpar o país dos serbios que vivían nas fronteiras9 .

Neste sentido, todas as transformacións experimentadas durante a invasión derivarán en importantes movementos de poboación por todo o país e un aumento da homoxeneización étnica10 .

A resistencia iugoslava e o final da guerra

As palabras de Julián Casanova no seu libro “Una violencia indómita. El siglo XX Europeo” reflicten moi ben a gravidade da situación, cando afirma que “Foi unha guerra contra as potencias do Eixo e unha guerra civil”11 . A II Guerra Mundial nos Balcáns propiciou a aparición de movementos guerrilleiros contra os invasores como os Chetniks. Dirixidos por Draza Mihailovic, eran monárquicos que defendían o nacionalismo serbio fronte a outras minorías como os musulmáns, para levar a cabo unha limpeza étnica en beneficio dos serbios12 . Foron importantes as campañas no territorio de Bosnia-Herzegovina cando os Chetniks mataron a miles de habitantes que non eran serbios no país13 , ou as atrocidades documentadas na rexión de Sandzak, onde unha trintena de vilas musulmáns foron queimadas14 .

O outro movemento de resistencia foi o dos partisanos. Nacen durante a invasión da Unión Soviética por parte dos nazis en xuño de 1941. Stalin pide axuda aos continxentes comunistas de todo o mundo e o Partido Comunista Iugoslavo crea este grupo armado liderado polo croata Josip Broz Tito, englobando a diversas nacionalidades como serbios, croatas e musulmáns15 .

O nome oficial do movemento de resistencia dos comunistas iugoslavos fronte á invasión foi Fronte Nacional de Liberación, o cal era dirixido polo Consello Antifascista de Liberación Nacional de Iugoslavia, un nome máis atractivo que non incorporaba referencias ao comunismo para conseguir apoios sociais16 . O obxectivo de Tito foi crear un Estado socialista en Iugoslavia para levar a cabo o comunismo unha vez se liberase a rexión dos invasores. A pesar das diferenzas ideolóxicas, os Chetniks e os partisanos colaboraron inicialmente para loitar contra nazis, fascistas italianos e Ustashas. Liberaron zonas de Montenegro, Bosnia e a rexión occidental de Serbia. Uns buscaban a revolución social e outros a limpeza étnica en beneficio dos serbios12 .

Tito e Churchill en Nápoles, 1944.

A medida que a guerra chegaba ao seu fin, as tropas de Mihailovic e as de Tito entraron en conflito debido as súas diferenzas ideolóxicas insalvables, loitando en zonas de Bosnia como a famosa batalla do río Neretva de 1943. Os partisanos posteriormente aceptaron a axuda dos Aliados para gañar a guerra na conferencia de Teherán de 1943, aínda que temían que logo tomaran Iugoslavia e non puideran construír o Estado socialista que desexaban17 . Así, o vinte de outubro de 1944, os partisanos, o exército vermello e as tropas búlgaras liberaron Belgrado. Formouse un goberno de coalición respaldado pola Unión Soviética e Tito foi elixido primeiro ministro en 1945 da República Popular Federativa de Iugoslavia. Mihailovic sería executado en 1946 e Tito lideraría unha república socialista composta por Eslovenia, Croacia, Bosnia-Herzegovina, Macedonia, Montenegro e Serbia, máis as rexións autónomas de Vojvodina e Kosovo18 . Nace a Iugoslavia socialista, un Estado multiétnico e multinacional con tres alfabetos, tres relixións e enormes diferencias que non saerán á luz ata os últimos anos previos á desintegración de Iugoslavia nos anos 90. Iugoslavia, un experimento artificial que aglutinaba a diferentes nacionalidades unidas baixo un partido e un líder emprendía o camiño do socialismo que duraría trinta e cinco anos.

*Foto de portada. Tito durante a II Guerra Mundial en Iugoslavia (maio, 1944). Fonte: wikimediacommons

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  1. De DIEGO GARCÍA, Emilio, Los Balcanes ante el siglo XX, Arco Libros S.L., Madrid, 2001, p. 28. []
  2. NAVARRO, Marcos Ferreira, “Crisis y conflictos en el siglo XX. Yugoslavia: desde la idea nacional hasta la Guerra de Croacia”, Tiempo y sociedad, no 18, 2015, pp. 98-100. []
  3. MALCOLM, Noel, Bosnia a short history, Pan Books, London, 2017, pp. 174-176. []
  4. BAREFIELD, Michael R., Overwhelming Force, Indecisive Victory: The German Invasion of Yugoslavia, 1941, School of Advanced Military Studies, Fort Leavenworth, Kansas, 1993, pp. 4-5. []
  5. BAREFIELD, Michael R., Overwhelming Force, Indecisive Victory: The German Invasion of Yugoslavia, 1941, School of Advanced Military Studies, Fort Leavenworth, Kansas, 1993, p. 16. []
  6. NAVARRO, Marcos Ferreira, op. cit. pp. 98-100. []
  7. VUCICEVIC, Damir, “Tito, Yugoslavia and Communism: Historical Revisionism of the Second World War and its Competing Memories”, Tufts University, Boston, Tesis Doctoral dirigida por Peter Wim, 2017, p. 13. []
  8. MAZOWER, Mark, The Balkans. From the end of Byzantium to the Present Day, Weidenfeld & Nicolson,  Phoenix, 2001, pp. 123-124. []
  9. MALCOLM, Noel… op. cit. pp. 174-176. []
  10. MAZOWER, Mark, op. cit. pp. 124. []
  11. CASANOVA, Julián, Una violencia indómita. El siglo XX europeo, Crítica, Barcelona, 2020, pp. 254-255. []
  12. MALCOLM, Noel… op. cit. pp. 176-179. [] []
  13. MAZOWER, Mark, op. cit. p. 124. []
  14. HARMON, Gail, “War in the Former Yugoslavia: Ethnic Conflict or Power Politics?”, Boston College, Boston, tese doutoral dirixida por Kathleen Bailey, 2007, pp. 103-104. []
  15. HARMON, Gail, op. cit. pp. 103-104. []
  16. BIBB, Brian Robert, “Dueling Eagles: Mihailovic, Tito, and the Western impact on World War II Yugoslavia”, Chancellor’s Honors Program Projects, University of Tennesse, Knoxville, tese doutoral, 2009, pp. 20-21. []
  17. HARMON, Gail… op. cit. p. 107. []
  18. SÁNCHEZ ARANAZ, Fernando, Breve historia de la guerra de Bosnia, Nowtilus, Madrid, 2019, p. 36. []

 

[Fonte: http://www.mazarelos.gal]

 

 

 

Perguntas que 150 anos não calaram. Como negros brasileiros e camponeses argentinos foram jogados contra o jovem país que se erguia. O que isso revela sobre nacionalismos oligárquicos e mercantis. Que heranças nos oprimem até hoje

Tela de Pedro Américo retrata batalha em que 19 mil brasileiros massacraram 5 mil paraguaios. Mas o faz apresentando como agressor o povo dizimado pela Tríplice Aliança

 

Escrito por Roberta Traspadini

Quem cria a memória? A memória, essa operação coletiva
dos acontecimentos e das interpretações do passado
que se quer salvaguardar, se integra (…)
em tentativas mais ou menos conscientes
de definir e de reforçar sentimentos de pertencimento. (…)
A referência ao passado serve para manter a coesão
dos grupos e das instituições que compõem uma sociedade,
para definir seu lugar respectivo, sua complementariedade,
mas também as oposições irredutíveis.

O memoricídio, termo sustentado pelo venezuelano Fernando Báez em A destruição cultural da América Latina, é uma arma de destruição em massa secular que apaga, silencia e desconstrói trajetórias ao longo de sua produção hegemônica. Em tempos de velocidade técnico-científica e de memórias artificiais, nas nuvens, relembrar as histórias dos genocídio torna-se fundamental para o processo geracional formativo. Assim, é na convicção da não neutralidade da História que propomos uma viagem no tempo das dores e das lutas de contestação presentes em mais um dos sanguinários capítulos violentos sobre o povo da América Latina.

Essa viagem rumo à recuperação histórica está assentada na dignidade rebelde presente no nosso continente. Suas histórias, mesmo que não contadas pela história oficial ou por parte do pensamento crítico, são narradas nos cantos musicais e nas esquinas dialógicas das resistências. Na América Latina pulsa vida em meio à propagação do mar de sangue.

Uma viagem ao tempo da Guerra da Quádrupla Aliança contra o Paraguai

Data: 16 de agosto de 1869. Território atual: Eusébio Ayala (Paraguai). Batalha: Acosta Ñu (Acosta das crianças). Cenário: A guerra contra o povo paraguaio iniciada em 1864. Em 1865, crianças de Eusébio Ayala tiveram que cumprir a função de defesa nacional no lugar dos adultos. Do lado paraguaio da trincheira, crianças. Do lado da “aliança”, negros que lutavam em nome de uma possível alforria, ou ganho de terras. Na saga da guerra, os filhos dos povos latinos encontravam-se com os adultos em processo de alforria condicionada. Entre os dois, corria um mundo de perversidades.

Segundo os relatos históricos, na batalha de Acosta Ñu, 20.000 homens cercaram 3.500 crianças entre 5 e 15 anos que assumiram a defesa do país contra a invasão do Império brasileiro e a República Argentina. A perseguição dos exércitos brasileiros, argentinos e uruguaios ao marechal Francisco Solano López apresentava sua face mais avançada de violência, desumanidade, pelo lado do capital; e da defesa da soberania nacional de uma produção de um imaginário coletivo que se assentava sobre a dignidade, o território e a liberdade mercantil, por parte do povo paraguaio em luta. Os relatos comoventes do recorrido das vidas e lutas das crianças, das suas mães, de cada habitante desse território em guerra, é apenas um capítulo de uma história que completa, em 2020, 150 anos.

A guerra “em aliança” contra o Paraguai reconfigurou o sentido de progresso e desenvolvimento até então produzido naquele país. Dentro da lógica mercantil reinante, o Paraguai figurava como potência. A violência sobre seu território colocava em xeque a constituição de sua nacionalidade.1 A dizimação do seu povo e a invasão-ocupação militar brasileira e argentina por mais de 7 anos após a guerra, que culminou na perda territorial de mais de 50% do país, é um recordar latino-americano nada agradável ante o vivido. Narrar parte das histórias dessa história é tirar do esquecimento não somente as tragédias, mas dar voz àqueles e àquelas que a história oficial insiste em ocultar.

A guerra ocorrida no território paraguaio foi, em realidade, contra os povos da América Latina. No caso brasileiro, parte expressiva dos combatentes eram escravos na luta pela alforria ou camponeses pobres na luta pelo direito a um pedaço de terra. No entanto, a produção generalizada, no continente, de um imaginário de defesa nacional – enquanto o combate ocorria, de fato, entre trabalhadores – dificulta analisar a história real. Em especial, quando as dores físicas-psíquicas foram vividas pelos próprios sujeitos que, por diferentes motivos, e uma pseudodefesa comum dos patriotismos lutavam por outros, na busca de suas liberdades.

Em cada um dos nascentes Estados nacionais da América Latina, ao longo do século XIX, a guerra contra o Paraguai significou mutilações físicas, psíquicas e a conformação de uma disputa nacional que não se resolverá na história do capitalismo industrial no continente. Entre os sentimentos concretos das perdas, apresentam-se, com justeza, os ressentimentos de uma história mutiladora.2

No capitalismo, a guerra é sempre contra e sobre os povos e seus territórios. Na América Latina do século XIX, pleno período das independências formais e da chegada do capitalismo na Europa a sua fase imperialista (1890), materializou-se a guerra contra crianças, homens e mulheres indígenas, negros e camponeses empobrecidos.

Entre 1864 e 1870, definia-se um sentido territorial de apropriação sobre as fronteiras vizinhas, por parte do Brasil, do Uruguai e da Argentina, assessorados e financiados pela Inglaterra-EUA. Forjava, no continente, um sentido de Pátria alicerçado nos mandamentos mercantis, a exemplo da Revolução Francesa e da independência dos Estados Unidos.

No caso do Brasil, por exemplo, à luz do decreto imperial 3.371, de chamado e criação à constituição dos Voluntários da Pátria, o então Estado imperial prometia terras, empregos públicos, títulos, alforrias, concomitante com o processo de mercantilização das terras e “liberação” para a venda do até então trabalho escravo – Lei de Terras e Lei Eusébio de Queiroz, ambas de 1850. Em nome da construção material da Pátria-Brasil, forjava-se, no seio da classe trabalhadora ainda escravizada formalmente, uma ideia de liberdade condicionada à defesa da nação.3

A luta contra o Paraguai apresentava um lado ideo-político que não será apagado do quefazer político latino-americano: o condicionamento à liberdade mercantil, à fraternidade das armas, à igualdade meramente formal dos títulos, em meio à manutenção da desigualdade estrutural. José Luís Chiavenato, em 1979, ao publicar em plena ditadura militar Genocídio americano: a guerra do Paraguai, reforça os números da atrocidade do capital sobre a independência paraguaia:

– Uma população de aproximadamente 800 mil pessoas, antes da guerra, reduziu-se a somente 194 mil após a guerra. Ou seja, 75,75% da população paraguaia foi dizimada neste conflito cuja produção de territorialidade contra um povo foi demarcada também pelas estruturas internas – coloniais e escravistas – do Brasil, da Argentina e do Uruguai, somadas às mudanças internacionais de uma hegemonia inglesa entrando em agonia frente ao esplendor de sua ex-colônia – os Estados Unidos, agora o império em ascensão no controle dos recursos minerais e na exploração da força de trabalho no plano internacional.

– Sobreviveram apenas 14 mil homens, dos quais 9 mil eram crianças com até 10 anos de idade; saldo negativo, desumano, destrutivo da guerra em termos de pessoas: 606 mil mortos e mortas.

A isso é preciso somar a perda do território paraguaio, entregue ao Império do Brasil e à República Argentina, e a ocupação militar dos exércitos invasores no Paraguai até 7 anos depois da guerra, criando os principais partidos políticos do país e dirigindo os governos na disputa de saque contínuo de sua terra e riquezas.

O extermínio somado à apropriação territorial, conduziram, segundo Oscar Creyd4, a economia paraguaia a um processo de recolonização, tornando-a praticamente semifeudal. Se de desenvolvimento capitalista se trata, a guerra contra o Paraguai significou o aniquilamento de uma possível potência econômica industrial. Daí definir como soberana, democrática e popular, levam-se muitos necessários e comedidos passos no entendimento da história.

Viagem ao passado com os pés no presente

Se é certo que o capital externo promove
a integração econômica da América Latina,
não é menos certo que esta integração
não conduz à superação da dependência externa,
nem abre a possibilidade de um desenvolvimento compartido,
que assegure maior equidade nas relações
entre os próprios países latino-americanos.
Sem a superação da dependência
e sem uma relativa equidade nas relações
entre os próprios países latino-americanos,
não é possível aspirar a uma verdadeira interdependência
no plano internacional.
E sem esta interdependência,
a integração será apenas subordinação

Ruy Mauro Marini,
La inversión extranjera: dependencia e interdependencia, 1977

Tempo percorrido do final da guerra contra o Paraguai e os povos até o momento: 150 anos. História real: as batalhas das elites contra os projetos nacionais populares no continente. Cada país vivia, para dentro de suas formações, evoluções insurgentes contra a ordem hegemônica. Os conflitos para fora não aniquilaram a dificuldade militar de organização nacional para dentro. Isto vale para a Argentina, o Uruguai, o Brasil e os Estados Unidos, em se tratando de ex-colônias. Memória geral: a resistência dos povos na defesa do seu território e suas dores como povo, decorridas das derrotas generalizadas nas guerras. Saldo político: mortes, mutilações, imaginários distorcidos sobre o inimigo principal e a vitória dos nacionalismos republicanos mercantis. Estratégia de rebeldia digna: rememorar a luta dos povos para explicitar as armadilhas da história e consolidar, à luz das resistências, os registros sobre nossos mundos necessários e possíveis.

Para a reconstrução desse importante processo latino-americano, pretendemos trazer à luz temas-problemas que reverberam em nosso tempo como esquecimentos. Afinal, passados tantos anos, de formação geracional se trata no âmbito da política.

No próximo texto sobre a guerra contra os povos no Paraguai, trabalharemos as lutas de independências na América Latina em geral, o caso paraguaio em particular e os legados que esta história nos deixa na resolução dos dilemas no século XXI. Partimos, de antemão, de algumas premissas sobre os equívocos analíticos intencionais e propagados sobre a história desta guerra:

  1. O equívoco da narrativa histórica assentada sobre o tema Guerra “do Paraguai”. Foi uma guerra contra o Paraguai, especificamente contra o povo paraguaio e seu processo de produção da independência. Foi uma guerra contra os povos da América em geral, onde os povos do Brasil, da Argentina e do Uruguai, ao lutarem em uma guerra que beneficiava a Inglaterra e as classes dominantes dos seus respectivos países, fomentavam, no continente, muitas arestas difíceis de dissipar com o tempo.
  2. O equívoco da conformação imagética de que o inimigo principal dos paraguaios ou foi o negro brasileiro, ou foi o camponês brasileiro-argentino-uruguaio. O inimigo foi o capital internacional. As guerras foram protagonizadas pelos populares de cada território, porque estes dependiam, literalmente, de uma carta-aval para terem o direito a viver. Eles foram também vítimas da guerra e lutavam por suas diversas alforrias ou direitos a ter terra, em sociedades que transitavam da era colonial à era nacional. Nesse sentido, se a guerra foi entre os povos, a pergunta que se abre é em nome de quem e de que os mesmos lutavam.
  3. O equívoco de não perseguirmos as pistas das resistências. A guerra foi sanguinária sem dúvida, mais foi também de resistência popular e de confirmação, na prática, dos discursos de “libertação”, que na prática não ocorreram no interior dos nossos países. Nos relatos dos/das lutadores, na história oral, cantaram-se os dramas, as sagas, as dores, as incompreensões e as tristezas-alegrias sobre a situação ora vivida. A história não é imparcial. Tampouco seu apagamento. Ano: 2020. Contexto: epidemias e vírus diversos.

Em plena era de pandemia, as violências proliferam-se. Entre elas, apagar a história como forma de manter a dominação. São 156 anos do início de uma guerra que tem muito a nos ensinar. Entre as perguntas que ficam, temos uma em especial: na memória e na história dos nossos povos, quem ganhou e quem perdeu essa guerra?

Tese: a intencional lógica de destruição em massa dos povos da América Latina. Antítese: a história das resistências e da criação-produção coletiva da riqueza e do mundo. Síntese: a contradição.

É na esteira da conformação do capitalismo dependente que analisaremos a história dessa guerra à luz dos dilemas geracionais do nosso tempo. Em 16 de outubro de 1864 deflagrava-se a guerra contra os povos no Paraguai.

1 O texto conta com os aportes e debate de Cecilia Vuyk, paraguaia e latino-americana (1986).

1 Sobre a questão do Estado binacional paraguaio e sua independência em 1811, há diversos debates e defesas que vão desde uma concepção democrática-nacional e popular do significado da independência paraguaia, afirmada pelas teses de Oscar Creydt, até as teses que definem, à luz do debate das independências em meio à transição do capitalismo concorrencial para o monopolista, das independências formais constitutivas de dependências reais para a América Latina.

2 As realidades concretas dos países e as disputas políticas entre os movimentos-partidos políticos de esquerda definirão as interpretações factíveis acerca da formação histórica e social de cada país. Nesse sentido, olhando a história da América Latina a partir do Brasil, como em uma fotografia em preto e branco do cenário regional daquela época, a tese da soberania nacional e popular apresenta-se com muita dificuldade de ser digerida. Talvez porque tenhamos vivido processos muito diferentes no Brasil. Talvez por interpretações históricas divergentes no interior da esquerda sobre o contexto histórico mundial do século XIX.

3 Ver os depoimentos dos “voluntários” e/ou de seus familiares recuperados dos arquivos de jornais da época por Marcelo Santos Rodrigues, em sua tese de doutorado, defendida em 2009: Guerra do Paraguai, os caminhos da memória entre a comemoração e o esquecimento.

4 Ver: Creydt, Oscar. Formación histórica de la nación paraguaya (2011).

[Imagem: Pedro Américo,A Batalha do Avaí (detalhe) – fonte: http://www.outraspalavras.net]

(J. Karita/AP Photo)

Desde a renúncia forçada de Evo Morales em 10 de novembro de 2019, após uma eleição polêmica, a Bolívia tem sido governada por um governo não eleito, que chegou ao poder com o apoio dos principais partidos políticos da oposição, em circunstâncias no mínimo confusas. A ruptura resultante da sucessão constitucional levou ao poder uma presidente interina, Jeanine Áñez, cuja missão era convocar novas eleições dentro de um prazo de três meses. Elas finalmente acontecem este 18 de outubro de 2020.

Depois de ter inaugurado seu governo com perseguições a dirigentes do Movimiento al Socialismo (MAS) e seus apoiadores, rebaixados à categoria de “hordas” e acusado de “terrorismo”, com ameaças à uma imprensa nacional e internacional qualificada como “sediciosa” e uma repressão que deixou pelo menos 33 mortos e centenas de feridos, a presidente interina foi certamente muito além da sua missão. Além da retirada da ALBA e da UNASUL, da substituição sistemática de seus embaixadores ou mais recentemente da promoção de militares por decreto, o governo de transição tomou, sem o respaldo do voto do povo boliviano, uma série de decisões que preocupam os defensores da democracia em todo o mundo. Se o retorno de ex-exilados, acusados pelo governo de Morales de participação em organizações terroristas ou extorsão de fundos públicos, foi saudado pelo governo Áñez como um sinal de retorno à « normalidade », hoje, várias centenas de ex-líderes do MAS e de organizações sociais estão sendo processados sem reação de parte daqueles que, no outono, se mobilizaram em nome da democracia. Vários relatórios internacionais denunciaram os abusos do governo Áñez, incluindo o da Human Rights Watch que menciona « um ataque político contra Morales e seus partidários » e aponta para « restrições à liberdade de expressão e uso excessivo e arbitrário da prisão preventiva”.

As revelações de contas falsas no Facebook difundem propaganda governamental, as nomeações polêmicas para chefiar empresas estatais nacionais, a liberalização das exportações agrícolas e o decreto que autoriza o cultivo de novas espécies de OGM em benefício do agronegócio na rica região de Santa Cruz, baluarte da oposição ao MAS, são todos elementos que devem alertar para a crise democrática que a Bolívia atravessa. Em junho passado, o governo interino se aventurou a doar terras estatais ao setor agroexportador e, sob o falso pretexto de combater a Covid-19, a realizar uma transferência de 600 milhões de dólares de fundos públicos para saldar dívidas de grandes empresas privadas de Santa Cruz (dentre os seus principais beneficiários, encontrava-se o novo ministro Branko Marinkovic). O desejo de reorientar as políticas públicas a favor das grandes empresas privadas incluía a autorização de aumento das taxas de juros bancárias, a redução da alíquota de impostos das grandes empresas e a tentativa de privatizar a empresa pública de distribuição de energia elétrica de Cochabamba (ELFEC).

Além do escândalo da compra de respiradores superfaturados e inutilizáveis %u20Bpara hospitais, que levou à prisão do ministro da Saúde, os empréstimos feitos ao Estado boliviano para fazer frente à crise sanitária, inclusive o de 327 milhões dólares acertado com o FMI sem a aprovação da assembleia, ilustram o estado de corrupção generalizada no país: pelo menos 20 casos de corrupção e irregularidades afetaram ministros ou pessoas próximas ao governo Áñez. Sob o pretexto de « economizar » e redirecionar o orçamento para o setor sanitário, o executivo fechou suas embaixadas no Irã e na Nicarágua no início de junho. Na mesma linha, os Ministérios da Cultura, do Esporte e da Comunicação foram colocados sob a supervisão de outros ministérios, com orçamentos e competências reduzidos, e os programas de televisão pública em idiomas ameríndios, foram abolidos. E é em nome da crise sanitária que o governo Áñez aspirava ainda adiar as eleições, finalmente marcadas para 18 de outubro de 2020.

A repressão continua sob o rígido controle de Arturo Murillo, ministro do Interior que parece ser, às vezes, quem governa o país. Em poucos meses elevou para 15 milhões de dólares os gastos do Estado boliviano com a importação de armas para equipar a força policial, ou seja, dezoito vezes mais que em 2019. Enquanto violências se repetem contra militantes do MAS, também tenta-se impedir a candidatura de Luís Arce, do mesmo partido, considerado favorito segundo as pesquisas eleitorais. E os interesses comuns entre os poderosos agroindustriais autonomistas de Santa Cruz e o Brasil de Jair Bolsonaro deixam dúvidas sobre as intenções do “bloco democrático” boliviano de querer assegurar o respeito ao voto mais do que impedir o retorno do MAS ao poder. Dúvida reavivada pela recente intervenção da ministra boliviana Karen Longaric perante a Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Europeu, fortemente criticada pela grande maioria dos grupos parlamentares. Como mostra a experiência pessoal de Lula no Brasil, a América do Sul, tornou-se lugar-comum recorrer a manobras políticas para armar tentativas de desestabilização eleitoral ou judicial para inibir candidatos inconvenientes. A acusação de fraude eleitoral que precipitou a saída de Evo Morales em novembro passado foi amplamente baseada em um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA), hoje questionado por vários estudos, difundidos enormemente pela imprensa internacional. Um processo semelhante parece ser usado pelo governo interino atual, que aponta à ameaça de uma futura fraude.

Certas instâncias internacionais, em particular a OEA e a União Europeia, que não hesitaram, em 2019, em convocar um segundo turno eleitoral, atualmente demonstram uma neutralidade intrigante. O resultado pacífico desta eleição só pode ser garantido se todos os cidadãos bolivianos, residentes na Bolívia ou em outros lugares, tiverem acesso irrestrito e transparente a este voto decisivo, e se seus resultados forem respeitados por todos os candidatos. Num contexto de significativa violência cometida durante a campanha eleitoral, principalmente contra o MAS, é imprescindível aumentar a vigilância sobre as condições em que se realizarão estas eleições extremamente polarizadas. O povo boliviano, fortemente afetado pela crise de Covid-19, não deve, em hipótese alguma, reviver os trágicos acontecimentos de novembro de 2019 e deve ser capaz de encontrar uma saída democrática para esse conflito e essa polarização da sociedade. Está em jogo a responsabilidade de todos os atores políticos bolivianos, mas também da comunidade internacional.

Victor Audubert (Univ. Sorbonne Paris Nord, IDPS), Olivier Compagnon (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA), Hervé Do Alto (Univ. Côte d’Azur, ERMES), Élise Gadea (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA/IFEA), Pablo Laguna (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA), Claude Le Gouill (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA), Françoise Martinez (Univ. Paris 8, LER), Baptiste Mongis (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA), Franck Poupeau (CNRS, CREDA).

 

 

[Foto: J. Karita/AP Photo – fonte: http://www.cartamaior.com.br]

(J. Karita/AP Photo)

Depuis la démission forcée d’Evo Morales le 10 novembre 2019 à l’issue d’un scrutin présidentiel controversé, la Bolivie est dirigée par un gouvernement non élu dont l’arrivée au pouvoir s’est jouée, avec l’appui des principales formations politiques d’opposition, dans des circonstances confuses. La rupture de la succession constitutionnelle a porté au pouvoir une présidente par intérim issue d’un parti conservateur largement minoritaire, Jeanine Áñez, et dont la mission était de convoquer de nouvelles élections sous trois mois. Celles-ci ont finalement lieu ce 18 octobre 2020.

Après avoir inauguré sa gestion par des persécutions contre des dirigeants du Movimiento al Socialismo (MAS) et ses partisans, rabaissés au rang de « hordes » et accusés de « terrorisme », par des menaces contre la presse « séditieuse » et par une répression qui a fait au moins 33 morts et des centaines de blessés, la présidente par intérim a largement outrepassé sa mission. Au-delà du retrait de l’ALBA et de l’UNASUR, de la relève de nombreux ambassadeurs ou de la promotion de militaires par décret, le gouvernement de transition a, sans mandat du peuple bolivien, cumulé des décisions préoccupant les défenseurs de la démocratie à travers le monde. Si le retour d’anciens exilés, accusés par le gouvernement Morales de participer à des organisations terroristes ou d’extorsion de fonds publics, a été salué par le gouvernement Áñez comme le signe d’un retour à la « normale », ce sont aujourd’hui plusieurs centaines de dirigeants du MAS et d’organisations sociales qui sont poursuivis par la justice sans que ceux qui, à l’automne, s’étaient mobilisés au nom de la démocratie ne s’en émeuvent. Plusieurs rapports internationaux ont dénoncé les exactions du gouvernement Áñez, dont celui de Human Rights Watch en septembre qui évoque « une attaque politique contre Morales et ses partisans » et pointe « des restrictions de la liberté d’expression et l’usage excessif et arbitraire de la détention préventive ».

Les révélations de faux comptes Facebook diffusant de la propagande gouvernementale, des nominations controversées à la tête d’entreprises publiques, la libéralisation des exportations agricoles et le décret autorisant la culture de nouvelles espèces OGM au bénéfice de l’agro-industrie de la riche région de Santa Cruz, bastion de l’opposition au MAS, sont autant d’éléments qui devraient alerter sur la crise démocratique que traverse la Bolivie. En juin, le gouvernement par intérim s’est aventuré dans une dotation de terres au secteur agro-exportateur et, sous prétexte de lutter contre la Covid-19, dans un transfert de 600 millions de dollars de deniers publics pour rembourser les dettes de grandes entreprises privées de Santa Cruz (dont l’un des principaux bénéficiaires n’est autre que le ministre Branko Marinkovic). La volonté de recentrer les politiques publiques en faveur du secteur privé s’est aussi traduite par une hausse des taux d´intérêts bancaires, une réduction du taux d’imposition des grandes entreprises et la tentative de privatiser la compagnie publique de distribution d´électricité de Cochabamba (ELFEC).

En plus du scandale de l’achat pour les hôpitaux de respirateurs surtaxés et inutilisables qui a conduit à l’arrestation du ministre de la Santé, ce sont les prêts versés à l’État bolivien pour affronter la crise sanitaire, dont celui de 327 millions de dollars accordé par le FMI sans l’aval de l’assemblée, qui illustrent l’état de la corruption généralisée dans le pays. Au moins 20 cas de détournements et autres irrégularités ont touché des ministres ou des proches du gouvernement Áñez. Sous prétexte de « faire des économies » et de réorienter leurs budgets vers celui de la santé, l’exécutif a fermé ses ambassades en Iran et au Nicaragua. Les ministères de la Culture, du Sport et de la Communication ont été mis sous tutelle d’autres ministères avec des compétences et des budgets réduits ; les programmes télévisés publics en langues amérindiennes, ont été supprimés. Et c’est encore au nom de la crise sanitaire que le gouvernement Áñez souhaitait de nouveau reporter les élections, finalement fixées au 18 octobre.

Par ailleurs, la répression se perpétue sous la férule d’Arturo Murillo, ministre de l’Intérieur qui semble parfois gouverner le pays. En quelques mois, les dépenses de l’État bolivien en importation d’armes pour équiper la police ont été multipliées par 18 par rapport à 2019. Alors que des violences se répètent contre des militants du MAS, son candidat, Luis Arce, donné favori par les sondages, a aussi fait l’objet de tentatives d’empêchement de se présenter. Et les intérêts communs entre les puissants agro-industriels autonomistes de Santa Cruz et le Brésil de Jair Bolsonaro laissent planer le doute sur la volonté du « bloc démocratique » bolivien de faire respecter le vote plutôt que de faire barrage au retour du MAS au pouvoir. Un doute ravivé par la récente intervention de la ministre bolivienne Karen Longaric devant la Commission des Affaires Étrangères du Parlement Européen, vivement critiquée par la grande majorité des groupes parlementaires. Comme en témoigne l’expérience personnelle de Lula au Brésil, il est devenu monnaie courante, en Amérique du Sud, de recourir à des tentatives de déstabilisation judiciaire pour se débarrasser des candidats encombrants. L’accusation de « fraude électorale » qui a précipité en novembre dernier le départ d’Evo Morales reposait largement sur un rapport de l’Organisation des États Américains (OEA) qui, aujourd’hui, a été remis en cause par plusieurs études largement relayées par la presse internationale. Un stratagème similaire pourrait être utilisé par le gouvernement intérimaire qui agite déjà la menace d’une fraude à venir.

Certaines instances internationales comme l’OEA et l’Union Européenne, qui n’avaient pas hésité à demander en 2019 l’organisation d’un second tour, adoptent aujourd’hui une neutralité déroutante. L’issue pacifique de ce scrutin ne sera garantie que si tous les citoyens boliviens, vivant dans leur pays ou ailleurs, ont accès sans restriction et de façon transparente à ce vote décisif et si les résultats sont respectés par tous les candidats. Dans le contexte violent qui a marqué la campagne électorale, essentiellement à l’encontre du MAS, une vigilance accrue sur les conditions dans lesquelles vont se tenir ces élections polarisées à l’extrême est donc indispensable. Meurtri par la crise sanitaire, le peuple bolivien ne doit en aucun cas revivre les tragiques événements de novembre 2019 et est en droit d’attendre un débouché démocratique à la polarisation croissante de la société. La responsabilité de tous les acteurs politiques boliviens est en jeu, celle de la communauté internationale également.

Victor Audubert (Université Sorbonne Paris Nord, IDPS), Olivier Compagnon (Université Sorbonne Nouvelle, CREDA), Hervé Do Alto (Université Côte d’Azur, ERMES), Élise Gadea (Université Sorbonne Nouvelle, CREDA/IFEA), Pablo Laguna (Université Sorbonne Nouvelle, CREDA), Claude Le Gouill (Université Sorbonne Nouvelle, CREDA), Françoise Martinez (Université Paris 8, LER), Baptiste Mongis (Université Sorbonne Nouvelle, CREDA), Franck Poupeau (CNRS, CREDA)

 

[Photo : J. Karita/AP Photo – source : http://www.cartamaior.com.br]

(J. Karita/AP Photo)

Desde la renuncia forzosa de Evo Morales el 10 de noviembre de 2019, luego de unas controvertidas elecciones, Bolivia ha sido gobernada por un gobierno no electo, que llegó al poder con el apoyo de los principales partidos políticos de la derecha, en circunstancias al menos confusas. La ruptura resultante de la sucesión constitucional llevó al poder a una presidenta interina, Jeanine Áñez, cuya misión era convocar a nuevas elecciones en tres meses. Finalmente tienen lugar este 18 de octubre de 2020.

Luego de inaugurar su gobierno con persecuciones a líderes del Movimiento al Socialismo (MAS) y sus simpatizantes, degradados a la categoría de “hordas” y acusados de “terrorismo”, con amenazas a una prensa nacional e internacional calificada de “sediciosa” y un aparato represivo que dejó al menos 33 muertos y cientos de heridos, la presidenta interina fue ciertamente mucho más allá de su misión. Además del retiro del ALBA (Alternativa Bolivariana a los Pueblos de Nuestra América) y de UNASUR (Unión de Nacionales Sudamericanas), el reemplazo sistemático de sus embajadores o, más recientemente, la promoción de los militares por decreto, el gobierno de transición tomó, sin el apoyo del pueblo boliviano, una serie de decisiones que preocupan a los defensores de la democracia y de los derechos humanos en todo el mundo. Por un lado, el regreso de los exiliados, acusados por el gobierno de Morales de participar en organizaciones terroristas o extorsión de fondos públicos, fue acogido por el gobierno de Áñez como una señal de un retorno a la “normalidad”. Por el otro, hoy varios centenares de exdirigentes del MAS y de las organizaciones sociales están siendo procesadas sin reacción de quienes, en el otoño, se movilizaron en nombre de la democracia. Varios informes internacionales han denunciado los abusos del gobierno de Áñez, incluyendo el de Human Rights Watch que menciona “un ataque político a Morales y sus partidarios”, señalando “restricciones a la libertad de expresión y uso excesivo y arbitrario de la prisión preventiva”.

Las revelaciones de cuentas falsas de Facebook difundieron propaganda gubernamental, nombramientos controvertidos para presidir empresas estatales nacionales, la liberalización de las exportaciones agrícolas y el decreto que autoriza el cultivo de nuevas especies de OGM (organismos genéticamente modificados) en beneficio de la agroindustria en la rica región de Santa Cruz de la Sierra, baluarte de la oposición al MAS, son elementos que deben alertar sobre la crisis democrática que atraviesa Bolivia. En junio pasado, el gobierno interino se aventuró a donar terrenos estatales al sector agroexportador y, con el falso pretexto de combatir la pandemia de covid-19, transfirió 600 millones de dólares de los fondos públicos para saldar deudas de grandes empresas privadas de Santa Cruz – entre sus principales beneficiarios, estaba el nuevo ministro Branko Marinkovic, uno de los terratenientes más poderosos del país. El deseo de reorientar las políticas públicas en favor de las grandes empresas privadas incluyó la autorización para aumentar las tasas de interés bancarias, la reducción de la tasa impositiva de las grandes empresas y el intento de privatizar la empresa pública de distribución de electricidad en Cochabamba (ELFEC).

Además del escándalo de la compra de respiradores sobrevalorados e inutilizables para hospitales, que derivó en la detención del entonces ministro de Salud, los préstamos hechos al Estado boliviano para enfrentar la crisis sanitaria, incluidos los 327 millones de dólares pactados con el FMI (Fondo Monetario Internacional) sin la aprobación del Congreso ilustran el estado de corrupción generalizada en el país: al menos 20 casos de corrupción e irregularidades han afectado a ministros o personas cercanas al gobierno de Áñez. Con el pretexto de “ahorrar” y reorientar el presupuesto hacia el sector de salud, el ejecutivo cerró sus embajadas en Irán y Nicaragua a principios de junio. En la misma línea, los ministerios de Cultura, Deporte y Comunicación quedaron bajo la supervisión de otros ministerios, con presupuestos y competencias reducidos, y se abolieron los programas de televisión pública en idiomas amerindios. Además, en nombre de la crisis sanitaria, el gobierno de Áñez todavía aspiraba a posponer las elecciones, finalmente previstas para este 18 de octubre.

La represión continúa bajo el estricto control de Arturo Murillo, ministro de Gobierno, que a veces parece ser quien realmente gobierna el país. En pocos meses, aumentó el gasto del Estado boliviano en importación de armas para equipar a la fuerza policial a 15 millones de dólares, es decir, 18 veces más que en 2019. Además de la violencia contra los militantes del MAS, también intenta impedir la candidatura de Luis Arce, del mismo partido, considerada favorita según las encuestas electorales. Y los intereses comunes entre las poderosas empresas agroindustriales autonomistas de Santa Cruz y del Brasil de Jair Bolsonaro dejan dudas sobre las intenciones del “bloque democrático” boliviano de querer asegurar el respeto al voto, más que impedir el regreso del MAS al poder. Duda reavivada por la reciente intervención de la ministra Karen Longaric ante la Comisión de Asuntos Exteriores del Parlamento Europeo, que fue fuertemente criticada por la gran mayoría de los grupos parlamentarios. Como muestra la experiencia personal de Lula en Brasil, América del Sur se ha convertido en un lugar común para maniobras políticas marcadas por intentos de desestabilización electoral o judicial para inhabilitar a candidatos inconvenientes. La acusación de fraude electoral que precipitó la salida de Evo Morales el pasado mes de noviembre se basó en gran parte en un informe de la OEA (Organización de Estados Americanos) cuyo rigor técnico ha sido cuestionado ya por varios estudios, que han sido ampliamente difundidos en la prensa internacional. Un proceso similar parece ser utilizado por el actual gobierno interino, lo que apunta a la amenaza de un futuro fraude.

Ciertos organismos internacionales, en particular la OEA y la Unión Europea, que no dudaron en 2019 en convocar a una segunda vuelta electoral, demuestran actualmente una intrigante neutralidad. El resultado pacífico de esta elección solo puede garantizarse si todos los ciudadanos bolivianos, residentes en Bolivia o en otro lugar, tienen acceso irrestricto y transparente a este voto decisivo, y si sus resultados son respetados por todos los candidatos. En un contexto de violencia significativa cometida durante la campaña electoral, especialmente contra el MAS, es fundamental aumentar la vigilancia sobre las condiciones en las que se llevarán a cabo estas elecciones extremadamente polarizadas. El pueblo boliviano, fuertemente afectado por la crisis de covid-19, no debe bajo ninguna circunstancia revivir los trágicos acontecimientos de noviembre de 2019, y debe ser capaz de encontrar una salida democrática a este conflicto y esta polarización de la sociedad. Está en juego la responsabilidad de todos los actores políticos bolivianos, pero también de la comunidad internacional.

Victor Audubert (Univ. Sorbonne Paris Nord, IDPS), Olivier Compagnon (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA), Hervé Do Alto (Univ. Côte d’Azur, ERMES), Élise Gadea (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA/IFEA), Pablo Laguna (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA), Claude Le Gouill (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA), Françoise Martinez (Univ. Paris 8, LER), Baptiste Mongis (Univ. Sorbonne Nouvelle, CREDA), Franck Poupeau (CNRS, CREDA)

 

 

[Foto: J. Karita/AP Photo – fuente: http://www.cartamaior.com.br]

Difícil encontrar alguém que não conheça uma baixinha argentina chamada Mafalda. Seja como souvenir, estampando camisas e cartazes do movimento estudantil, ou através dos já clássicos livros-coletânea, “cinquentona” menina insiste em se fazer presente. Apesar da curta trajetória (1964 a 1973), trata-se da personagem de histórias em quadrinhos (hq’s) mais popular da Argentina e uma das mais conhecidas no mundo.

 

Escrito por Carlos Eduardo Rebuá Oliveira

Ao contrário do que muitos pensam, Mafalda não foi contemporânea da ditadura do triunvirato Videla, Massera e Agosti, conhecida como Processo de Reorganização Nacional (1976-1983) – um dos seis golpes civil-militares pelos quais aquele país passou no século XX, com um saldo de cerca de trinta mil mortos/desaparecidos.

A personagem de Quino “nasceu” na conturbada década de 1960, durante o governo de Arturo Umberto Illia (1963-1966), derrubado por outro golpe – a chamada Revolução Argentina, que colocou no poder os generais Onganía, Levingston e Lanusse. Mais exatamente, o “nascimento” de Mafalda se dá no mesmo ano em que no Brasil é deflagrado o Golpe que duraria vinte e um anos.

Em seu curto período de vida, Mafalda e sua turma (ela só “existe” a partir das relações que constrói com a família e com os amigos Manolito, Miguelito, Susanita, Felipe, Libertad) “assistiram” a inúmeros acontecimentos significativos – a caça aos comunistas pós-Revolução Cubana; as ditaduras civil-militares na América do Sul, também com forte ingerência estadunidense; o assassinato de líderes como Martin Luther King (em 1968) e Malcom X (em 1965), bem como o de Che Guevara (1967), na Bolívia, com participação da CIA; o Maio de 1968 na França, sob o lema “a imaginação no poder”, que incendiou a juventude; o Festival de Woodstock (1969), com seu pacifismo à moda flower power; a Primavera de Praga, que tentou construir uma democracia socialista na Tchecoslováquia de Dubcek; a derrota estadunidense no Vietnã, à custa de milhares de vidas dos dois lados; a eleição de Salvador Allende no Chile (1970), a chegada do homem (estadunidense) à Lua (em 1969), no contexto da corrida espacial com a URSS; o fim dos Beatles (fato que sem dúvida afetou profundamente Mafalda…) e o tricampeonato da seleção brasileira de futebol no México (o que também não deve ter agradado os conterrâneos da “baixinha”), ambos em 1970.

Até há pouco tempo, as histórias em quadrinhos “entravam” na escola pela “porta dos fundos” e, na universidade, após um pedido de desculpas. Eram considerados uma subarte, uma subliteratura, representando uma linguagem “menor” e assumindo um caráter apenas de brincadeira. Felizmente, muita coisa mudou nestes últimos trinta anos no que diz respeito ao olhar acadêmico sobre as hq’s.

A criticidade na aula de História é requisito fundamental, bem como a associação entre processos históricos e a identificação de rupturas e permanências ao longo do tempo. Mafalda faz isso a todo instante: analisa criticamente a realidade, sem buscar uma pretensa neutralidade. (Esse é outro requisito importante nos debates realizados numa aula de História: tomar partido.) Ela não aceita o mundo que “recebeu” e o questiona constantemente. Ora tem atitudes de uma criança “típica” (que tem medo, depende dos pais, é ingênua…), ora age como uma criança excepcional (não no sentido de superdotada) e constrói belas metáforas, “saindo” da dimensão do concreto que caracteriza a criança em seus anos iniciais. Lúcida, crítica, consegue discutir a Guerra do Vietnã, por exemplo, e muitas vezes colocar os adultos em situações embaraçosas.

Em minha dissertação, defendida em 2011 no Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ, intitulada “Mafalda na aula de História: a crítica aos elementos característicos da sociedade burguesa e a construção coletiva de sentidos contra-hegemônicos”, analisei Mafalda buscando investigar como é possível, a partir da baixinha argentina, “tocar” em elementos basilares do tipo de sociedade da qual fazemos parte, grosso modo, há mais de duzentos anos: o individualismo, a democracia burguesa, o estímulo ao consumo, a valorização do lucro, a propriedade privada, o progresso, o livre-comércio, a naturalização das diferenças, a desumanização e a competição.

Como um apaixonado por Mafalda, gosto de usá-la em provas, debates, trabalhos, tentando “extrair” ao máximo sua criticidade, suas indagações diante de um mundo confuso e “ao contrário”. O curioso é que Mafalda – uma personagem criança que não foi produzida pensando no público infantil – dialoga com diferentes faixas etárias. A partir dela é possível, por exemplo, tanto debater a democracia grega com o sexto ano como problematizar o conceito de alienação, a partir da mídia e do consumo, com uma turma de graduação em Pedagogia.

As hq’s são recursos poderosos, ferramentas importantes na relação de ensinar-aprender. E Mafalda é um exemplo paradigmático, dada a atualidade da crítica e o alcance da narrativa tecida pelo artista argentino. Todavia, é fundamental lembrar que as hq’s sozinhas não tornam uma aula mais ou menos atraente, tampouco transmitem um conteúdo em toda a sua integridade.

A genialidade de Quino

Quino é um dos artistas mais completos que surgiram em nuestra América. Embora Mafalda não tenha sido editada na forma de gibi (como a Turma da Mônica, por exemplo), seja datada (trata da Guerra Fria, das ditaduras na América Latina, etc.) e tenha durado apenas sete anos, a personagem fez e continua a fazer sucesso, tendo sido traduzida em países como Japão, Noruega, Austrália – sociedades muito distintas das existentes em nosso continente.

O enorme alcance da obra de Quino (cuja genialidade vai muito além de Mafalda) deve-se ao fato de que o artista argentino abordou questões “permanentes”, como a da liberdade ou da soberania de um povo, por exemplo. Esta talvez seja a marca fundamental de um gênio – seja Beethoven, Dostoiévski ou… Quino.

Ao responder pergunta sobre se é possível modificar algo através do humor, Quino certa vez afirmou: “Não. Acho que não. Mas ajuda. É aquele pequeno grão de areia com o qual contribuímos para que as coisas mudem”. Não tenho dúvidas de que Mafalda e sua turma representam importantes “grãos de areia” na construção de outras leituras/interpretações de nossa realidade, e logo, no limite, na construção de um outro mundo possível e necessário.

*Carlos Eduardo Rebuá Oliveira, licenciado em História pela UFF, mestre e doutorando em Educação, é professor de ensino superior e da educação básica nas redes pública e privada.

 

[Fonte: http://www.vermelho.org.br]

 

 

Inclusive

Escrito por Eduardo Affonso

Muita gente criticou um vídeo sobre linguagem inclusiva, com as novas regras para a neutralização do idioma.

Machistas estruturais, homofóbicos crônicos, transfóbicos empedernidos, todos profundos desconhecedores do mistérios da linguagem e da neurolinguística, sentiriam que estariam sendo privados desse instrumento de opressão que é a língua de Camões, Vieira, Machado, Dilma e Carluxo.

Serenados os ânimos, apaziguados os espíritos, todos já devem ter compreendido que a linguagem neutra só trará benefícios, pondo fim à violência lexical e à polarização verbal.

Quem antes passava pela Glória, pela Avenida Atlântica e pela Praça do Ó, abria o vidro do carro e gritava “Traveco filho da puta!”, agora poderá abrir o vidro do carro e gritar “Traveque filhe de pute” – e isso não constituirá mais nenhuma ofensa, porque todo o caráter insultuoso terá sido neutralizado. Em vez de lhe erguer o dedo médio, as profissionais do sexo acenarão felizes, como misses na passarela, sentindo-se acolhidas na sua diversidade.

Quem poderá se sentir agredido/a/e ao ser chamado/a/e de “arrombade”? De “canalhe”, “escrote” ou “babaque”?  Toda a carga negativa, advinda do caráter sexista da língua, terá sido zerada, reduzida a pó.

Ao fim das manifestações contra e pró Freixo ou Crivella, Lula ou Bolsonaro, Fefito ou Giromini, a turma de vermelho e a turma de amarelo poderão se reunir para um chope na orla ou uma catuaba selvagem na Praça São Salvador, se tratando cordial e neutralmente de “petiste corrupte” e “bolsomínie fasciste”. Não haverá briga nem na hora de rachar a conta, porque o “garçom de merde” admitirá que houve um pequeno equívoco naqueles dois zeros a mais na quantidade de pedidos, pedirá desculpas em nome daquele “corne do caixa” e todos cantarão, com cantos e contracantos, o hino nacional e a internacional socialista.

Chame-o de “escrote”, e o guardinha não multará seu carro estacionado irregularmente.

Diga que ele é um “babaque”, e o segurança te deixará entrar (“Mas só desta vez, hein?”) sem máscara no shopping.

Explique que não curte “gorde”, e a moça não ficará magoada – e tampouco você se sentirá humilhado se ela fizer comentários sobre seu “mau hálite”, “falta de pegade” e “pau pequene”.

Por tudo isso, seu idiote, volte lá no vídeo e retire tudo o que disse. Graças àquele troca-troca de vogais, teremos finalmente a serenidade, o entendimento e o respeito de que precisamos para conviver civilizadamente. Tá esperando o quê, caralhe?

 #paz

 

[Fonte: http://www.eduardoaffonso.com]

Image tirée de Pixabay, sous Licence Pixabay, remixée par Global Voices.

Dans les mois à venir, Global Voices explorera des initiatives linguistiques non-binaires, initialement connues sous le nom de « langage inclusif ». Cette première histoire collective commence par une exploration du genre dans les langues romanes.

La langue peut être considérée comme une forme de magie qui a un impact sur le monde. Ce que nous disons et la façon dont nous utilisons le langage affecte notre pensée, notre imagination et notre réalité.

Dans la plupart des langues romanes, il existe des marques du genre féminin ou masculin pour les pronoms, les noms, les adjectifs, les déterminants et les démonstratifs. Dans les situations où le genre d’une personne est inconnu ou lorsqu’il s’agit de faire référence à un groupe mixte, les conventions actuelles des langues romanes donnent la priorité à la forme masculine, en tant que norme générique. Contrairement au roumain, qui a préservé le genre neutre du latin, les langues française, espagnole, portugaise, italienne et catalane n’ont que des formes de genre binaires et, par conséquent, posent des difficultés particulières pour exprimer la neutralité de genre.

L’activisme pour la neutralité de genre dans le langage fait partie d’un mouvement plus large visant à remettre en question, à résister et à démanteler le sexisme véhiculé par le langage. Les activistes affirment que la domination du genre masculin dans les langues n’est pas neutre, comme on le prétend, mais qu’elle a plutôt été imposée historiquement par des processus idéologiques et politiques.

Au cours des dernières décennies, des mouvements ont fait pression pour accroître la visibilité des femmes et des autres genres dans le langage en encourageant l’utilisation de pronoms et d’inflexions neutres, à l’aide de différentes combinaisons de symboles ou de voyelles.

En français, les anciennes règles sont remises en question

Photo par Chabe01, Wikimedia Commons, sous licence CC BY-SA 4.0

Les enfants qui étudient le français apprennent rapidement la règle de grammaire souvent répétée : « le masculin l’emporte sur le féminin ». Cela signifie que dans les phrases au pluriel qui comportent différents genres, la forme masculine domine. Au sein des communautés francophones, une orthographe connue sous le nom d’écriture inclusive a pris de l’importance ces dernières années pour lutter contre ce préjugé linguistique sexiste.

La première façon d’adopter une écriture inclusive est d’utiliser, dans la mesure du possible, les formes épicènes existantes, par exemple, « lectorat » au lieu de « lecteurs » (m.) ou « lectrices » (f.). La deuxième technique inclut explicitement les terminaisons masculines et féminines. Par exemple, les terminaisons « -e » et « -ice », souvent utilisées pour les formes féminines, se combinent avec la forme masculine pour former, par exemple, « lecteur·ice·s ».

Bien que cette orthographe ait été adoptée par certains médias, certaines universités et quelques entreprises, elle reste très controversée, notamment en France, où des critiques affirment qu’elle est inutile.

Le nouveau pronom le plus courant utilisé pour désigner les personnes non-binaires ou un groupe mixte est « iel », contraction de « il » et « elle ». Pourtant, il n’y a toujours pas de consensus sur la manière de marquer un genre neutre dans d’autres parties du discours. Par exemple, si « iel » est utilisé, les locuteur·ice·s pourraient tout de même être obligé·e·s de choisir, plus tard, l’une des options binaires de genre pour les accords des adjectifs ou les terminaisons de verbes. Jusqu’à présent, les pronoms et les alternatives neutres en termes de genre n’ont pas reçu d’approbation institutionnelle et ne sont pas largement utilisés en dehors des cercles queer, LGBTQI+ et féministes.

Des débats actifs en espagnol et en portugais

“Aucun enfant ne naît macho” – un panneau de la marche pour les droits des femmes à Santa Fe, en Argentine, en 2017. Photo tirée de Wikipedia, sous licence CC BY-SA 4.0

Les mouvements du monde hispanophone ont fait pression pour la neutralité de genre. L’activisme linguistique a été particulièrement fort en Argentine [en], où il est devenu un puissant outil rhétorique et politique [es] dans le discours public : le président Alberto Fernández [es] a utilisé certaines formes de langage non-sexiste dans ses discours, plusieurs universités [es] l’ont autorisé dans leurs documents universitaires et des organismes publics comme la Banque centrale [es] l’ont inclus dans leurs communications officielles.

Plusieurs tentatives de neutralité de genre ont été mises en œuvre au cours des dernières décennies en espagnol ; les premières comprenaient l’utilisation de « x » et « @ » pour remplacer la voyelle qui marque le genre comme « tod@s » (« tout le monde »). Plus récemment, les militant·e·s ont commencé à utiliser le « e » comme une alternative générique et neutre, et le pronom neutre « elle » est apparu comme une alternative à « él/ella » (« il/elle »).

Bien que ces formes soient principalement utilisées au sein des communautés LGBTQI+ et féministes, un rapport [es] récent publié sur le site Chequeado, spécialisé dans la vérification des faits d’actualité, montre que certains mots non-sexistes sont déjà acceptés (ou tolérés) par les locuteurs et locutrices argentin·e·s. Par ailleurs, une nouvelle enquête de l’organisation espagnole Fundéu [es ; pdf] a mis en évidence l’utilisation croissante de « x », « @ » ou « e » par les utilisateur·ice·s hispanophones de Twitter dans chaque pays.

Le portugais est similaire à l’espagnol en ce qui concerne les alternatives permettant d’exprimer la neutralité de genre. En 2015, Andrea Zanella, une psychologue brésilienne, a créé un manifeste pour une « communication radicalement inclusive » en portugais, en partenariat avec une entreprise appelée Diversity Box [pt]. Depuis lors, Diversity Box a créé des guides sur l’inclusivité en termes de genre à destination des entreprises [pt].

Comme en espagnol, l’utilisation de « x » ou « @ » est devenue populaire sur Internet, en particulier parmi les groupes féministes [pt], bien qu’elle ne fasse pas partie des règles de grammaire [pt] de la langue portugaise, un changement qui nécessiterait des amendements juridiques par le Congrès brésilien. La question n’est pas actuellement à l’ordre du jour du calendrier législatif au Brésil.

En italien, des hésitations sur le schwa

Schéma des voyelles de l’Alphabet phonétique international (API), tiré de Wikipedia sous licence CC BY-SA 3.0

En Italie, même si les débats sur la neutralité de genre ne sont pas aussi répandus que dans les communautés hispanophones, il existe une discussion [it] menée par la linguiste italienne Vera Gheno sur le schwa ou scevà (ә), un symbole de l’Alphabet phonétique international (API).

Le schwa est issu de dialectes du centre et du sud de l’Italie et peut être utilisé pour désigner plusieurs personnes sans distinction de genre. Il pourrait remplacer le * or @ à la fin des mots genrés, ce qui est très courant en ligne mais ne peut être prononcé en italien oral. En août 2020, la blogueuse italienne Alice Orrù a expliqué [it] comment prononcer le schwa.

Cette proposition [it] a été faite il y a cinq ans par le projet citoyen « Italiano Inclusivo »[it] (« italien inclusif »), bien que l’autorité linguistique officielle, l’Accademia della Crusca [it], refuse [it] toujours d’accepter le schwa (et toute autre forme alternative) comme une évolution vers une langue italienne neutre.

Féministes et communautés LGBTQI+ prennent les devants en Catalogne

Dans les territoires catalanophones, une adaptation des solutions linguistiques non-binaires développées dans le monde hispanophone prend de l’ampleur au sein des communautés féministes et LGBTQI+. « Elli » et « ellis » deviennent des alternatives à « ell/ella » (il/elle) et aux formes plurielles « ells/elles » (ils/elles).

Bien que de nombreuses institutions — y compris le gouvernement local de Catalogne [es] — recommandent l’utilisation d’un langage non-binaire depuis plusieurs dizaines d’années, les directives [es ; pdf] de l’Université autonome de Barcelone se concentrent sur des stratégies telles que la préférence accordée aux alternatives épicènes existantes telles que « el professorat » (le corps enseignant) ou les formes dédoublées comme « els professors i les professores » (les professeurs et professeures), ou les termes génériques féminins.

Les défis du langage non-binaire en roumain

Le langage non-binaire est particulièrement difficile en roumain. Des formes telles que « @ » ou « e » ne fonctionnent pas pour le roumain car « o » n’est généralement pas une terminaison masculine et les noms féminins sont traditionnellement formés en ajoutant un suffixe au masculin (« activist » > « activistă »). Parfois, la terminaison alternative « X » est utilisée, par exemple, « activistX » au lieu de « activiști » / « activiste » (activistes, m. / activistes, f.). Cependant, les militant·e·s utilisent les pronoms « ei » ou « ele » (comme traduction approximative du « they » anglais) pour éviter d’utiliser des marques de genre.

Contrairement aux langues susmentionnées, le roumain a conservé le genre neutre du latin, mais il est surtout utilisé pour les objets ou les entités collectives. Tous les noms neutres sont masculins au singulier et féminins au pluriel ; par conséquent, la neutralité grammaticale ne correspond pas nécessairement à la neutralité dans une perspective de langage non-binaire. Ainsi, malgré l’avantage linguistique apparent, la neutralité de genre en roumain semble loin de prospérer pour le moment.

[Source : http://www.globalvoices.org]

Escrito por J.S. de MONTFORT

Confía(ba) uno al enfrentar la lectura de Nueve (Demipage, 2014), el último libro de relatos de Rodrigo Hasbún, y no sin gran alegría, en que iba a responder al deseo de su autor, manifestado en diversos lugares, (1 & 2) de que, al fin, dos de sus libros de cuentos, precisamente denominados Cinco (Gente Común, 2006) y Cuatro (El Cuervo, 2014), quedasen reunidos en un mismo libro bajo el título de Nueve. Y, así, imagina(ba) -y agradec(ía)- el lector español -y más aun el crítico- tener, por fin, a su disposición la integridad de la obra breve de Hasbún, para trazar cabalmente una panorámica del autor y poder ir, así, sacando algunas conclusiones, siendo que su obra cuentística (publicada) supera ya la veintena de relatos.

Pero no.

Lo que nos encontramos en Nueve es otra cosa:

“es una condensación o un resumen posible de la aventura intensa e inquietante que hasta ahora ha significado para mí escribir cuentos” 3, en palabras del propio autor.

El libro recientemente editado por Demipage, contiene los cuatro cuentos que conforman Cuatro, dos de los cuentos de Cinco (uno de los cuales fue re-publicado en Los días más felices) y tres cuentos de Los Días más felices. En definitiva: solo cinco de  los nueve cuentos le son desconocidos al lector español. Para añadir más confusión al caso, los cuentos de cada uno de los libros se presentan no juntos sino alternándose, en la idea (imagino) de que la variabilidad de los cuentos (debida específicamente a su momento compositivo) produjese una cierta ilusión de antología. Esto, que beneficia al no lector de Hasbún, y que supone uno vendrá a operar al modo del warm-up para el próximo lanzamiento de la novela Los afectos, que publicará Mondadori 3b el año próximo, se constituye en un escollo hermenéutico para el crítico.

Así las cosas, y siendo que ya hemos escrito en otro lugar sobre Los días más felices 4, nos centraremos en los cinco textos nuevos que ofrece el volumen. El primero de ellos, “Carretera”, un texto primerizo de Hasbún, de 2006, un relato que a mí me ha recordado mucho a la obra de Carlos Castán, podría funcionar al modo del prólogo. Pues significa una oportunidad -perdida- para clausurar la adolescencia que Hasbún explorará en Los días más felices. En él, un chico va a la boda de su primer amor, Ana, que se va a casar con otro chico. Se emborracha durante el viaje, y finge y miente (diciendo a los meseros de los bares en los que va recalando que es él quien se va a casar). Poco a poco descubrimos que Ana era prima suya y está embarazada de su futuro marido. Y lo más importante, y que va a marcar un estilema central en la obra de Hasbún: el sentimiento de nostalgia y de tristeza inofensiva. Una parálisis emocional que o bien tiene a los personajes ensimismados en su inconsciente temeridad (Los días más felices) o bien yacen sumidos en el espanto, la perplejidad y una cierta autoconmiseración (Cuatro).

En los siguientes cuatro cuentos nuevos nos encontramos con una mayor concisión; Hasbún lo definió como una “menor autorreferencialidad” 5. Se podría decir que son menos irracionales y vaporosos; en ellos prima más la certeza (aunque se trate de una certeza que no desea asumirse todavía), que la sensación. Diríamos que son, pues, los ecos de la fiesta. Y se sienten como un tránsito o acaso un epílogo. Pueden entenderse estos textos como un diario de vidas ajenas. Y tiene algo de afán testimonial, de retrato de las venalidades del mundo contemporáneo.

Hay en estos cuentos siempre un secreto desvelado, pero que no afecta sustancialmente a lo narrado, sino que funciona como paisaje de fondo, como marca de la traición, podríamos decir, de lo que significa sumergirse, de lleno, en el mundo adulto. De igual manera sucede con la ciega obediencia al deseo y la claudicación del sexo, como bien ha señalado José Angel Rojo 6. Pero se trata de la sexualidad de la juventud, que se anhela o teme, se imagina o finge, que se testimonia siempre con una mezcla de incredulidad, asombro, resquemor y nostalgia. Vaya, lo que ocurre es que los hijos se han vuelto padres (y algunos incluso van camino de ser abuelos).

La sexualidad, de hecho, es un síntoma de la presencia de la muerte, más en tanto que vida apasionada que ha desaparecido, y no como amenaza directa a la extinción del cuerpo. Esta idea de la inexorabilidad degenerativa del cuerpo viene acompañada de la presencia sancionadora de la ley, con la intercesión y presencia de las fuerzas de seguridad del Estado, pero también se manifiesta en la ruptura de los vínculos familiares y/o matrimoniales. Amén de que el libro esté trufado de múltiples decesos que se sienten como sirenas amenazadoras que circundan el espacio y la emotividad sentimental de los personajes. La intimidad ha devenido, en cierta medida, cruel instancia quasipornográfica, pero esto se explica porque los relatos nos hablan ya de unos personajes en una época postinocente, más allá de los reflejos enamoradizos de la juventud. En este sentido, es interesante destacar como la tercera persona del plural holística, y cohesionadora, de Los días más felices (en el sentido de estructura narrativa desjerarquizada), aquí se presume como amenaza o acaso como una fantasmagoría del pasado que retorna (casi como farsa). El narrador del relato “Los nombres” lo explica muy bien así: “no sabíamos resignarnos todavía a que la fiesta ya no era nuestra” (p. 100).

Los protagonistas de estos cuentos ya dejaron atrás la mocedad y la miran con recelo y abatimiento, con incredulidad. Sufren el síndrome del estatus frustrado, pues parecen incapaces de asimilar su actual estado identitario y vital y buscan razones y atajos para orillarlo (unas cincuentonas que se emborrachan salvajemente, cual adolescentes, un padre que no es capaz de hacer el esfuerzo por comprender la naivedad de su hija, un profesor de escritura creativa incapaz de adivinar la tragedia que se cierne sobre sus estudiantes o un niño algo repelente, que ya desde la edad madura recuerda a una prima suya muerta de leucemia).

Estructuralmente, el más complejo de los cuentos es “Tanta agua tan lejos de casa”. Se yuxtaponen en él múltiples voces y espacios, pero no al modo del flujo de conciencia, sino en retazos de monólogos interiores, a los que se suma la vocinglería del fluir de la vida, y el apaciguamiento de la naturaleza, que en su grandeza parece tener un efecto balsámico y, en su aislamiento salvaje, un afán embrutecedor.

“Syracuse” le queda a Hasbún, en mi opinión, algo trunco (y ello es porque evidencia la naturaleza sincopada -emocionalmente- del narrador), pues se siente en sordina; no carece de morbidez, pero sí de ternura. Es tremendista y metanarrativo. Y muestra más abatimiento que comprensión. La felicidad es aquí liberación (muerte, otra vez, en forma de suicidio). La historia la cuenta un profesor de escritura creativa que es, al tiempo, instigador y testigo de los actos, pues conmina a sus alumnos a escribir unos diarios en los que mezclen verdad y mentira, y el incierto “estatuto de verdad” de lo relatado provocará una historia de amor trágica entre dos de sus alumnos. La escritura no sirve aquí como espacio de reflexión y análisis, sino como mero dietario, donde se da cuenta de los hechos y se fabula lo justo, con prevención y con una cierta neutralidad flemática, que esconde un miedo larvario y cruel a la realidad del sentimiento, a la hondura del desarraigo, a la intensidad del desamor. No en vano es el único de los cuentos que sucede en los Estados Unidos y solo se menciona nominalmente a los dos protagonistas, el resto no son sino referidos por motes.

Respecto a la construcción de “La mujer y la niña”, se ha de decir que se trata de una estructura más o menos convencional, lineal y referida en pretérito imperfecto. Y la construcción formal de “Los Nombres”, un cuento que guarda cierto parecido con la obra de Juan Forn, entronca con las estructuras focales utilizadas en Los días más felices, oscilando entre un narrador autodiegético en primera persona y una tímida tercera persona del plural que ha perdido fuerza y vigor (ya que cada vez se hace más difícil la identificación grupal).

Vale la pena constatar la tensión que se invoca en estos cuentos y que hace referencia a la lucha entre la sociedad y el individuo. Si en Los días más felices el individuo tenía al grupo para reforzar su individualidad, para hacer fuerza común contra la ferocidad normativa de la comunidad, aquí el individuo teatraliza un síndrome generacional, que no es exactamente el de peterpan, pues no hay en ellos ingenuidad, sino resabio y acomodamiento.

Por concluir, diría que Cuatro -en mi opinión- se fundamenta en la exploración de la inclemencia del pudor, escudo inútil frente a la procacidad y la pornografía del mundo actual. Es el candor, entendido como tesoro, la imposible inocencia, lo más bello que se agazapa en estos cuatro cuentos. Y es que el tema que explora Hasbún sigue siendo el mismo de siempre: los posibles modos de la adolescencia. Pero aquí no como hecho presente o condición inexcusable, sino como memoria, recuerdo, anhelo o falso disfraz. Se indaga en la adolescencia en tanto que estado mental, la lacra de nuestro tiempo. Por ello sus textos son radicalmente contemporáneos y evocan en el lector una cierta conmiseración apagada. En cuanto a la ambición de las construcciones narrativas, yo diría que se trata de cuentos que se centran menos en el estilo que en la forma; con matices: donde antes Hasbún proponía más variabilidad para las estructuras del relato, aquí se nota un intento por vigorizar las formas para así poder expandirlas y ampliarlas, digamos, en lo que parecen tentativas que propenden hacia modelos de escritura de mayor aliento.

Escribía Manuel Pérez Subirana en su novela Lo importante es perder (Anagrama, 2003) que “crecer es traicionarse”. Estos cuentos últimos de Hasbún, donde se perciben giros bolañescos y homenajes onettianos, unos cuentos que, por momentos, hacen pensar en la obra del costarricense Rodrigo Soto, retratan precisamente ese conflicto y nos muestran esos instantes de lucha en los que los adultos se resisten a aceptar un cambio en el que están ya irremisiblemente insertos.

1. Declaraciones de Rodrigo Hasbún a Martín Zelaya Sánchez: « Algún día quisiera publicarlos (los cuentos de Cuatro) junto a los cuentos de Cinco, en un volumen titulado Nueve« . « Rodrigo Hasbún: Cuatro son suficientes ».  Página 7, 12-Junio-2014.
2. A la pregunta de Claudia Gonzales Yaksic « ¿Alguna relación de esta obra con otra suya que presentó y tituló “Cinco? », Hasbún contesta: « Me gustaría algún día publicarlos juntos (los cuentos de Cuatro), bajo el título de “Nueve”. Hay cierta continuidad entre ambos –personajes que envejecen de un libro a otro, una necesidad de explorar en la intimidad– pero también hay una suerte de transición ». « Rodrigo Hasbún: Remediando silencios ». Los Tiempos, 15-Junio-2014.
3. Rodrigo Hasbún: « El cuento siempre se ha mantenido vivo en Latinoamérica », El Cultural, 02-diciembre-2014.
3b. Novela ya publicada este año de 2015
4. Escenas de la vida gaseosa, J.S. de Montfort, Tendencias21, 15-marzo-2013
5. Rodrigo Hasbún: Cuatro son suficientes, Los Tiempos, 12-junio-2014
6. Nueve trozos de un mundo roto, José Ángel Rojo, Babelia / El País, 26-diciembre-2014

[Fuente: http://www.enriquevilamatas.com]

El bisbe català ha mort al Brasil als 92 anys. Recuperem l’article que li va dedicar Josep M. Font arran del seu 90è aniversari

Escrit per Josep-Maria Font

Capellà, promotor i activista cultural de Terrassa

Amb aquesta cita del bisbe català Pere Casaldàliga i Pla nascut a Balsareny el 16 de febrer del 1928 per a glòria de Catalunya, de l’Església i dels més pobres del món i en concret del Brasil, on ell és un més de la comunitat des d’ara fa just 50 anys. És a dir, que ara n’ha fet noranta.

He tingut l’oportunitat de parlar, veure i compartir moments amb persones que han viscut prop de Pere Casaldàliga. No n’he trobat ni una que no s’hagi sentit tocada per la seva senzillesa i compromís amb l’Evangeli de Jesús i amb el món. Tot un referent que fa realitat l’estimar als altres, malgrat la repressió política i eclesial que ha patit durant molts anys. Just això és el que el fa creïble i enganxa als qui el coneixen encara que nomes hagin passat unes hores, o uns dies amb ell.

Com deia tots tornen corpresos, cap indiferent; conviure prop seu esdevé com una mena d’exercici espiritual modern, talment una sacsejada a l’ànima. El cap rutlla a cent per hora davant tantes preguntes que hom es fa des d’aquest món veient el compromís d’en Pere. Fins i tot els qui només n’han sentit parlar. No puc deixar de pensar en la reacció dels testimonis directes als quals el 2016 vaig demanar de participar en un cicle d’activitats ben diverses que la Fundació Torre del Palau va organitzar al Centre Cultural Terrassa a l’entorn del bisbe Pere.

Alguns d’aquests testimonis, prou coneguts, van ser Eduard Fernández, Kai Puig, Mónica López, Francesc Escribano, Joan Guerrero, Mónica Terribas, Joan Soler Felip, Clara Segura i Antoni Traveria, tots tocats per en Pere. Quan els trucava ningú es va resistir a venir: “Per aquest senyor el que calgui”. Sentien un enyor que es palpava en tots ells, recordant dies que van ser allà rodant la pel·lícula. Recordo que la Terribas tenia un desig de poder-hi tornar: “llàstima que no puc, però ho necessito”, em deia. Anar a Säo Félix do Araguaia al Mato Grosso al costat del Pere esdevenia remei pel mal de cada dia, la seva presència interrogava i feia que es deixessin enrere les nimietats, o potser no tant, quotidianes. Als esmentats, molts agnòstics, se’ls va remoure el cor i l’ànima i van albirar un món i una Església que podrien ser molt, molt i molt diferents. Llàstima que en aterrar de nou a Barcelona, sempre tan avançada, van retrobar el món amb el diner per Déu. Ni la mateixa Església amb l’Evangeli per bandera i la creu de Jesús per capçalera es proposen decididament anar més a fons en el missatge evangèlic.

Malgrat tot, en Pere no ha perdut mai l’esperança que ha estat fortament provada. Francesc, el bisbe de Roma, tampoc l’ha perdut, el seu testimoni, bàsicament verbal, al costat d’altres bisbes (malauradament massa pocs) que oportunament i inoportuna insisteixen en portar l’Evangeli a la vida de cada dia, donen un nou rostre que fa creïble aquest tresor que com diu l’Evangeli, “portem en vasos de terrissa”.  Que tinguin llarga vida i mantinguin la força i alhora la tossuderia per seguir plantant cara al cor de l’Església de la qual tenen responsabilitat d’acostar-la al poble amb més coherència.

I vull acabar amb unes idees d’en Pere aplicables a l’avui del nostre país:  “La revolució l’hem de començar dins del cor”, “ la causa indígena m’ha fet més català”, “el fet de ser català m’ha tornat més sensible al problema de la llengua i la identitat dels indis…”, “en amor, en fe i en revolució no és possible la neutralitat”, “l’expressió no violenta no ha de ser sinònim de passivitat”. Que cadascú en tregui les seves conclusions.

Jo m’apunto a la recuperació de la llibertat  i de la justícia amb el perill de ser acusat de tumultuós, rebel, sediciós; i em refereixo al món i a l’Esglèsia. 

Per cert, us recomano el poemari Jo vaig néixer a Cal Lleter que conté 17 poemes d’en Pere,+CD+DVD. El trobareu a les llibreries. Tot una mostra del seu pensament i del poeta.

[Font: http://www.nuvol.com]

 

 

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Escrito por Julián Schvindlerman

A fines de los años 50 del siglo pasado, el mundo árabe era uno de los espacios más receptivos al existencialismo fuera de . Jean-Paul Sartre era un nombre conocido en los ámbitos intelectuales de la región. Con la sola excepción de Karl Marx, era el intelectual occidental más leído, traducido, debatido y admirado. El autor egipcio Ahmad Abás Salih lo expresó con precisión en una carta pública que dirigió al filósofo francés:

Tu influencia en esta región es más profunda y amplia que la de cualquier otro escritor. Eres el único escritor occidental al que todos los diarios árabes siguen de cerca.

En su magistral No Exit: Arab Existentialism, Jean-Paul Sartre, and Decolonization (Sin salida: el existencialismo árabe, Jean-Paul Sartre y la descolonización), el académico Yoav Di-Capua aborda la relación de amor y odio que unió a los árabes con este pensador francés.

En su búsqueda del hombre nuevo árabe en un Medio Oriente poscolonial, una pléyade de intelectuales árabes vieron en Sartre un héroe, un modelo, un guía. Su antiimperialismo, antiamericanismo y anticolonialismo, junto a su filotercermundismo, sedujeron intensamente a la intelligentsia mesoriental, la cual expresó su apego al existencialismo sartreano en multitud de ensayos, cuentos, novelas, poemas, obras de teatro, críticas literarias y reseñas culturales. Entre sus adeptos más destacados cabe mencionar a la pareja libanesa conformada por el escritor Suhayl Idris y la traductora Aida Matraji, al intelectual-activista palestino Fayiz Saygh, a la autora feminista Layla Baalbaki, al novelista sirio Hani al Rahib, al poeta iraquí Husayn Mardan y, en Egipto, al matrimonio conformado por Liliane y Lufti al Khuli, al filósofo Abd al Rahmán Badawi, al crítico literario Mahmud Amín al Alim y al introductor de Sartre en las letras árabes, Taha Husayn. Sartre los reciprocó estableciendo conexiones intelectuales y vínculos personales con varios de ellos.

El iconoclasta pensador francés se había ganado los corazones de buena parte de la intelectualidad tercermundista con su polémico prefacio al icónico libro Los condenados de la Tierra, del escritor revolucionario caribeño Frantz Fanon, en el cual defendía a la insurgencia argelina contra  en términos muy violentos. “Matar a un europeo es matar dos pájaros de un tiro, suprimir a la vez a un opresor y a un oprimido”, decía allí; “quedan un hombre muerto y un hombre libre”. Su desprecio por el colonialismo europeo le llevó a criticar la política británica antisionista en Palestina. Declaró en 1947: “No podemos desvincularnos de la causa de los hebreos”, y al año siguiente definió como “un luchador por la libertad” a un militante de la Banda Stern que había sido atrapado con explosivos.

Enseguida se mostró ambivalente en torno a la cuestión israelo-palestina. Celebró el establecimiento del Estado de  como “uno de los acontecimientos más importantes de nuestra era, uno de los pocos que nos permiten conservar la esperanza”, y a la vez apoyó el derecho de los palestinos a retornar a los hogares que dejaron atrás en la guerra de 1948; lo que estaba en las antípodas de su respaldo a la existencia de . Tal como dijo su discípulo israelí Ely Ben Gal: “Sartre era muy proisraelí y también muy propalestino”.

Cuando visitó Egipto e , a principios de 1967, esa contradicción eclosionó. Su intento de mantener la neutralidad respecto del conflicto árabe-israelí lo empujó hacia la incongruencia intelectual. Como resultado de ese viaje, Sartre perdió su estatus de figura reverenciada en el mundo árabe. Di-Capua detalla el intenso y escandaloso periplo.

En febrero de aquel año, Sartre arribó a Egipto en compañía de Simone de Beauvoir y Claude Lanzmann. La liberalidad del trío de amantes (la célebre feminista era pareja del filósofo y había sido amante del cineasta) era muy extraña para el conservadurismo local. Sartre saludó a sus anfitriones por medio de una carta abierta en árabe: “Desde hace mucho tiempo, y especialmente desde la guerra de liberación argelina, nos unen lazos de fraternidad”. La revista popular Al Hilal los recibió con fotos de Sartre, Beauvoir e –inesperadamente– una semidesnuda Brigitte Bardot en la portada y la contratapa. Asimismo, el filósofo se sorprendió al toparse con la edición árabe de su obra El existencialismo es humanismo y ver que la tapa llevaba una mujer desnuda.

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Mantuvieron una reunión de tres horas con el presidente egipcio Gamal Abdel Naser, quien les causó una excelente impresión. La pareja francesa dio dos conferencias en la Universidad del Cairo. Sartre parece no haber impresionado demasiado con su ponencia sobre el papel del intelectual en la sociedad contemporánea (un extranjero presente dijo que fue “un pedazo de mierda”), mientras que Beauvoir electrizó a la audiencia con un alegato feminista y antipatriarcal. Durante una visita a dos campamentos de refugiados palestinos en Gaza, Sartre respaldó el derecho al retorno palestino: “Reconozco por completo el derecho nacional de los refugiados palestinos a regresar a su país”. La pareja quedó impresionada por las paupérrimas condiciones de vida en los campamentos, de las que responsabilizaron a las naciones árabes.

Esa visita concluyó caóticamente cuando una muchedumbre quiso evitar que Lanzmann arrebatara el rollo a un fotógrafo que había captado a Sartre junto a un niño con la bandera palestina. Epítetos antijudíos acompañaron la escena. Una cena con el titular de la OLP, Ahmad Shuqayri, también causó decepción. El filósofo francés favorecía tanto el derecho a la existencia de  como el derecho de los palestinos al retorno; “pero”, según recordó luego Beauvoir, “los palestinos insistieron en que los judíos debían ser expulsados de la Palestina ocupada”.

El trío llegó a  a mediados de marzo. Muchos israelíes veían esa visita con suspicacia. El recuerdo no muy lejano de otra visita polémica –la de Hannah Arendt, para cubrir el juicio contra Eichmann– y la superposición del arribo del escritor Günter Grass –que había criticado a  por el acuerdo de reparaciones con Alemania– puso las sensibilidades a flor de piel. La dinámica interna del grupo de intelectuales venía agitada, al punto de que Lanzmann, fastidiado por lo que consideraba una actitud prejuiciosa de Sartre hacia los israelíes, abandonó el tour y regresó a París. Sartre se reunió con el líder socialista Meir Yaari (con quien tuvo una tensa conversación sobre el retorno palestino), con el ministro laborista y exgeneral Yigal Alón (“el fascista más simpático que jamás he conocido”), con el titular de la Confederación General de Trabajadores (“su Histadrut es un monstruo sagrado”) y con el primer ministro, el presidente y otras autoridades oficiales. Rehusó visitar una base militar (sí lo hizo en Egipto) y canceló un encuentro pautado con Isaac Rabín, entonces jefe del ejército (“vine a reunirme con el pueblo, la izquierda y la sociedad civil, no con los militares”). También dejó sin efecto reuniones con parlamentarios de centro y derecha, con editores de izquierda y, controversialmente, con David ben Gurión. Mantuvo las reuniones previstas con unos ciudadanos árabes-israelíes, con miembros del Partido Comunista israelí, con activistas opuestos a la guerra de Vietnam, con  y con el prominente académico Gershon Scholem. Cerró su viaje con una conferencia de prensa en Tel Aviv, tras la cual Le Monde le atribuyó una frase amable sobre Theodor Herzl, padre del sionismo político, lo cual provocó una reacción airada en la prensa árabe y forzó al filósofo francés a publicar una aclaración en la que reiteraba su postura favorable a la existencia y soberanía de Israel y contraria a la idea de que todos los judíos del mundo debieran emigrar allí.

Así sintetiza Di-Capua la visita de Sartre al país hebreo:

Aunque se esforzó en no decir ni escribir nada concluyente, sus gestos, lenguaje corporal y actitud general condescendiente mostraron una aversión profunda al sionismo. Deploró el militarismo y rechazó cualquier cosa identificada con el Estado israelí, sus símbolos, rituales y narrativas.    

Sartre se guardaba un as en la manga, no obstante. A fines de mayo, con la posteriormente conocida como Guerra de los Seis Días precipitándose, destacados artistas, escritores, periodistas y profesores, entre los que se contaban Arthur Koestler, Pablo Picasso, Marguerite Duras, Simone de Beauvoir y Jean-Paul Sartre, publicaron una declaración en Le Monde en la que se leía:

Los abajo firmantes, intelectuales franceses, (…) afirmamos que el Estado de Israel está mostrando un claro deseo de calma y paz (…) Israel es el único país cuya mera existencia está en juego.

Este pronunciamiento marcó la ruptura definitiva entre Sartre y sus admiradores árabes. Previamente incómodos con su ambigüedad política, ahora estaban decididamente irritados. En Irak prohibieron sus obras (y las de Beauvoir). En Argelia se quemaron sus libros. En Egipto, un grupo de intelectuales lo condenó con vehemencia y la revista Al Hilal vaticinó una era postsartreana en la región. En un gesto cargado de dramatismo, la viuda de Frantz Fanon, Josie, pidió a la editorial de su difunto marido que removiera el famoso prefacio del pensador francés a Los condenados de la Tierra, a lo que la editorial se avino en la siguiente edición. En el año 2000, el intelectual palestino Edward Said dirá que Sartre fue “una decepción amarga para todo árabe (no argelino) que lo hubiera admirado”.

Sin embargo, Sartre nunca abandonó del todo su zigzagueo moral. Cuando unos terroristas palestinos masacraron a once deportistas israelíes en las Olimpíadas de Múnich de 1972, justificó la acción como una forma de resistencia legítima. En 1974 se sumó a otros intelectuales que protestaron contra la decisión de la Unesco de boicotear a Israel. Dos años después aceptaba un doctorado honoris causa de la Universidad Hebrea de Jerusalém, lo cual fue singularmente interesante, dado su repudio al Premio Nobel de  en 1964.

Andando el tiempo, un segmento de la intelectualidad árabe hizo las paces con el existencialista francés. En 1980, con motivo de su muerte, Suhayl Idris publicó una edición especial, titulada La ausencia de Sartre, dedicada a sus posturas políticas ambivalentes, con estudios académicos sobre sus teorías, traducciones de sus artículos sobre Argelia, Cuba y el colonialismo, su prefacio al libro de Fanon y varios obituarios sobre su persona.

Di-Capua nos regala una perla final. Un vestigio curioso de la era del existencialismo en el Medio Oriente se encuentra en un barrio de El Cairo: un almacén llamado El Ser y la Nada (Al Wujud wal Adam). Sartre podría, pues, hallar consuelo en el hecho de que, cuarenta años después de su muerte, su legado en el mundo árabe no ha sido del todo descartado.

 

[Fuente: elmed.io]

 

 

 

Dans le pays, le langage dégenré a dépassé les cercles militants en conquérant les universités et institutions publiques au point que même le chef d’État décline ses discours en employant ce mode.

Le président argentin Alberto Fernández à Buenos Aires le jour où il est entré en fonction, le10 décembre 2019. | HO / Présidence argentine / AFP

Écrit par Fabien Palem 

À chacune de ses interventions, le contraste entre le son et l’image est saisissant. Son phrasé paternaliste et sa moustache, impeccablement démodée, lui donnent des airs de maître d’école d’antan et pourtant, le verbe du président argentin est tout sauf has been.

Alberto Fernández domine, pratique et promeut un langage des temps modernes: le langage dit «inclusif», «dégenré» ou encore «non sexiste». Ce mode d’expression jadis limité aux cercles militants s’est depuis propagé de génération en génération. Ces codes, similaires en français comme en espagnol, Slate.fr les utilise depuis plusieurs années déjà. Votre serviteur, quant à lui, s’y adapte au fil de ces lignes.

L’égalité des genres, une priorité

En campagne pour l’élection présidentielle ou durant les discours de prolongation de la quarantaine obligatoire, M. Fernández aime utiliser le langage inclusif. Chef d’une nation si chrétienne qu’elle a vu naître le pape François, il parvient à se positionner comme un père de famille exemplaire en faisant appel à cet outil. Car son ouverture sur les thématiques de genre, il la doit surtout à ses conversations avec son fils Estanislao, alias Dyshy, artiste drag queen et cosplay.

Dans une société où le mouvement social le plus grand et le plus actif est celui réclamant la légalisation de l’avortement et l’égalité des genres, l’usage de formulations linguistiques non discriminatoires devient un argument politique de poids. Le mandataire, arrivé au pouvoir fin 2019, dépasse son statut d’homme blanc, sexagénaire et hétérosexuel, pour se montrer à l’écoute d’une clameur très répandue dans son pays. Celle d’une lutte contre les inégalités de genre et leurs répercussions linguistiques.

Avant que l’actualité sociale argentine ne soit monopolisée par l’avancée de la pandémie, elle était d’ailleurs concentrée autour de l’usage du langage inclusif et de la loi de légalisation de l’IVG, mise en suspens par la quarantaine.

Un usage déjà bien ancré

Si cette thématique est omniprésente dans le pays, c’est bien parce que l’approbation du langage inclusif va croissante, dans la rue comme dans les institutions. Les uns après les autres, les départements d’université l’intègrent à leurs communiqués, à commencer par les Facultés de sciences sociales, humanités et éducation. Des thèses sont ainsi écrites en langage inclusif et pas seulement dans la capitale, Buenos Aires, épicentre du bouillonnement culturel et militant. Ce sont d’ailleurs l’université de Río Cuarto puis celle de Rosario qui ont fait les premiers pas.

Les différentes administrations, ministères, communes et régions (celle de Buenos Aires en particulier) incluent peu à peu «el inclusivo».

Si cette thématique est omniprésente, c’est que l’approbation du langage inclusif va croissante, dans la rue comme dans les institutions.

C’est aussi le cas du PAMI, le programme (public) de soins médicaux complets qui s’adresse aux retraité·es, aux septuagénaires et aux ex-combattant·es de la guerre des Malouines. Comme si le phénomène avait vocation à convaincre les aîné·es…

Malgré l’ampleur du phénomène, les enquêtes d’opinion manquent. Seule l’entreprise de travail intérimaire Adecco a réalisé un sondage sur ce sujet. Selon ses résultats, six Argentin·es sur dix seraient opposé·es à l’usage du langage inclusif dans leur travail.

Un «e» qui neutralise

D’un point de vue technique, l’une des traces les plus fréquentes du langage inclusif en espagnol est autant graphique que sonore. Au pluriel, le processus consiste à placer un «e» en lieu et place du «o» masculin ou du «a» féminin des terminaisons. On abandonne le dédoublement genré et le masculin du pluriel dit «générique». Ce «e» neutre vient remplacer les caractères «@» et les «x», précédemment utilisés dans les cercles féministes et LGBT, mais illisibles.

Concrètement: les diputados et diputadas («députés» et «députées») deviennent diputades. C’est avec ce terme que Natalia Mira, alors vice-présidente du Bureau des élèves du lycée Carlos Pellegrini, popularisa l’usage du «e» neutre, en répondant aux questions d’une chaîne d’info en continu.

La jeune femme évoque au micro les «diputades indecises» (double «e» neutre), des député·es indécis·es appelé·es à se positionner sur le projet de loi de légalisation de l’IVG. Nous sommes en juin 2018. L’extrême fluidité de son expression témoigne d’une naturalisation des outils de langage. Le président argentin, lui, se montre parfois plus balbutiant mais s’en sort toujours. Plutôt qu’une neutralisation, il opte pour un triple dédoublement: «Argentinos», «Argentinas», «Argentines».

L’Académie des lettres veille

Dès lors qu’il dépasse les cercles militants, le langage inclusif oblige l’Académie argentine des lettres (AAL) à se positionner. On constate une différence entre la prise de position de la présidente, Alicia María Zorrilla et celle de Santiago Kalinowski, directeur du Département de recherches linguistiques de cette même entité, responsable de l’étude et de la réglementation de l’utilisation de la langue espagnole en Argentine.

«La différence entre nos positions est surtout une différence de tonalité, relativise M. Kalinowski. Car sur le fond, ma position à titre institutionnel ne diffère pas tant de celle de la présidente. Je considère moi aussi que la discussion qui tourne autour des règles grammaticales n’est pas pertinente.»

Il considère son travail comme des règles auxquelles il doit prêter attention: «Ce langage [inclusif] condense une réclamation politique et n’a donc rien à voir avec la grammaire. Notre rôle, en tant qu’entité, est d’observer l’usage des locuteurs et l’analyser, sans intervenir. Il faut ajouter que l’usage de formulations inclusives est en débat de puis des dizaines d’années: la Constitution vénézuélienne [de 1999] utilisait déjà le dédoublement Vénézuéliens et Vénézuéliennes.»

Grammaire et politique

Peut-on parler de phénomène purement militant ou est-ce le reflet d’un changement de paradigme? Selon Karina Galperin, docteure en lettres et professeure à l’université Torcuato Di Tella, le langage inclusif est «nécessaire, pour beaucoup de gens, et dépasse la revendication féministe»«Mon fils de 14 ans écrit avec le “e” sans aucune intervention militante dans ses chats de WhatsApp. L’usage est peut-être encore embryonnaire mais c’est déjà une forme d’utiliser la langue«, précise l’universitaire, dans un débat avec ce même Kalinowski, sur le plateau du journal conservateur La Nación.

Malgré les liens que maintient l’AAL avec le reste des Académies de la langue espagnole et Real academia española (RAE), M. Kalinowski s’autorise une critique en direction de la sacrosainte académie espagnole: «On croit parfois que les changements linguistiques sont promus par la RAE. Ce n’est pas le cas. La langue ne se décide pas dans ces entités centralisées.»

«Mon fils de 14 ans écrit avec le “e” sans aucune intervention militante dans ses chats de WhatsApp.»

Karina Galperin, docteure en lettres et professeure

«Quand la RAE se prononce sur l’usage de formules non grammaticales des locuteurs, elle fait elle-même de la politique. Les temps sociaux et linguistiques sont très différents et pour qu’un changement trouve un écho grammatical, il faut beaucoup de temps.»

Le sujet du langage inclusif est tellement politisé dans le monde hispanique que le gouvernement espagnol du socialiste Pedro Sánchez, à son tour, y a vu une belle fenêtre de tir. En début d’année, la vice-présidente Carmen Calvo a sollicité un audit de la RAE sur l’éventuelle intégration du langage inclusif à la Constitution espagnole. Outre la diabolisation opérée par le journal hyper conservateur ABCle gouvernement espagnol n’aura pas récolté beaucoup plus qu’une nouvelle maladresse de la RAE. Pour l’entité régulatrice de la langue de Cervantes, c’est le masculin pluriel qui est «inclusif».

Un débat dans le monde hispanique

Générateur de débat politique, le langage dégenré alimente également la symbolique de tensions géopolitiques larvées, au sein d’un monde hispanique très étendu et hétéroclite. Le prix Nobel de littérature péruvien Vargas Llosa, connu pour ses positions sociales conservatrices, défend de son côté une position inflexible, alignée sur celles de la RAE. En mars 2019, il évoque par exemple «les excès risibles du féminisme» dans une interview à La Voz del Interior, journal basé dans la ville argentine de Cordoue, où s’est déroulé le VIIIe congrès de la langue espagnole, la deuxième la plus parlée au monde.

Ce débat linguistique est si étendu au pays de Borges, que tous les médias nationaux, y compris ceux catalogués à droite, ont posé la question du langage inclusif à Luis García Montero, directeur de l’Institut Cervantes. Contacté par téléphone, le numéro 1 de l’institution chargée du rayonnement de la langue et basé à Madrid, insiste sur le fait que «l’Institut Cervantes, qui n’est pas une entité régulatrice à la différence de la RAE, considère que la langue appartient aux locuteurs».

«Je préfère utiliser les ressources dont dispose la langue que de la falsifier.»

Luis García Montero, directeur de l’Institut Cervantes

M. García Montero, poète de profession et plusieurs fois candidats à des élections pour le compte de la Gauche Unie (Izquierda Unida), salue «la diversité dans la langue, qui est une richesse de l’espagnol, à laquelle le langage inclusif participe».

«Il est évident que nombre de nos règles ont surgit durant des périodes où la société était machiste, poursuit-il. Je trouve donc très sain qu’il y ait un travail de séduction démocratique qui s’applique aussi au domaine de la langue. Cependant, je préfère utiliser les ressources dont dispose la langue que de la falsifier. Si j’utilise le “e” neutre, j’exclue par exemple ma mère, qui ne verra dans ce changement guère plus qu’une folie de son fils ou bien une lubie provenant des élites qui jouent aux cultureux de par le monde.»

Les Espagnol·es sont-ils si loin que ça de toucher à un monument identitaro-littéraire, comme Don Quichotte: les Argentin·es leur font déjà du pied en «traduisant» le texte national sacré, Martín Fierro. Preuve que même les gauchos n’ont pas peur de discuter de thématiques de genre.

[Source : http://www.slate.fr]

Scandale du « sévice public »

Saint Nicolas à Amsterdam en 2013. Les « Zwarte Piet » précèdent l’arrivée de Saint Nicolas

Aux Pays-Bas, la tentative par la très officielle Société de Diffusion Néerlandaise d’imposer le multiculturalisme a subi un revers à la suite d’une révélation embarrassante. 

Écrit par René ter Steege

400 journalistes de ce pilier de la radio et télévision publique qu’est la Société de Diffusion Néerlandaise participaient à un concours qui récompensait celui ou celle qui avait le plus contribué à promouvoir la « diversité ». À la fin de chaque mois, un jury annonçait le nom de l’heureux gagnant du trophée instauré spécialement à cet effet.

Le scoop a également révélé l’existence au sein des rédactions de la NOS d’une base de données contenant les noms et coordonnées de spécialistes de tous bords, pourvu qu’ils soient d’origine non-européenne

Après le tollé qu’a soulevé le scoop du site d’investigation GeenStijl, le directeur de la chaîne publique NOS s’est vu contraint, la semaine dernière, de mettre un terme au concours. Selon lui, il s’agissait d’une initiative journalistique ludique plutôt que d’un projet officiel de sa fondation. Mais le mal était fait. L’échec a été d’autant plus cuisant que même des politiciens et des écrivains « issus de l’immigration » ont exprimé leur dégoût de « ce racisme soi-disant bien intentionné », selon un directeur de journal.

La Société de Diffusion Néerlandaise (NOS) au cœur de la polémique

La crédibilité de la NOS, de loin la plus grande société de diffusion, financée par les deniers publics, en a pris un coup. Bien des auditeurs et de téléspectateurs voient dans ce scandale, qui ne se borne pas au petit monde médiatique, la preuve d’une discrimination anti-Blancs. L’initiative « ludique » a eu un effet diamétralement opposé au but recherché : faire accepter par la population néerlandaise l’existence de minorités ethniques comme des atouts pour la société, au lieu d’assistés, de délinquants ou de musulmans détestant la société impie néerlandaise. Le site GeenStijl alerte depuis belle lurette contre ce qu’il qualifie de culture du politiquement correct de la NOS, bête noire de politiciens marqués à droite comme MM. Geert Wilders et Thierry Baudet. Ceux-ci ont exigé des explications au gouvernement sur ce qu’ils estiment être du détournement de l’argent du contribuable en faveur d’un projet foireux.

Le scoop a également révélé l’existence au sein des rédactions de la NOS d’une base de données contenant les noms et coordonnées de spécialistes de tous bords, pourvu qu’ils soient d’origine non-européenne. Les rédacteurs puisent dans cette base chaque fois qu’ils ont besoin d’un expert censé pouvoir éclairer le public. Ceci dans le but de ne pas montrer que des visages blancs, ou masculins lors des journaux télévisés, où la NOS règne en maître. Si la direction vient d’interdire le concours pour le trophée de la diversité, le « divibokaal » instaurée fin 2019, il n’en va pas de même de cette base de données ethniques, cette preuve « d’apartheid à la sauce progressiste », selon ses pourfendeurs.

Novlangue orwellienne

Les dénonciateurs utilisent cette affaire pour rappeler également le rôle de la NOS pour faire accepter des changements dans le vocabulaire néerlandais, car dans la plupart des médias certains mots sont bannis depuis peu. Tel « blank », blanc, pour désigner quelqu’un de peau blanche ou claire. Pour blank, on a imposé wit, blank étant considéré comme faisant preuve de la supériorité de la race blanche, pardon, wit. Autre mot banni : allochtoon, pour désigner l’origine non-néerlandaise, extra-européenne, de quelqu’un. Au fil des ans, ce mot aurait acquis une connotation péjorative, car lié souvent comme adjectif à « criminel ».

La NOS suit de tels préceptes à la lettre, jamais officiels mais fortement recommandés d’en haut. Elle a également banni les visages noircis des Zwarte Piet. Ce sont les auxiliaires du bon Saint-Nicolas, patron d’une des plus importantes fêtes traditionnelles, le 5 décembre. Dorénavant, Piet n’est plus noir, zwart, mais grimé dans plusieurs autres couleurs, car la version originale serait dégradante pour les personnes originaires du Surinam ou des Antilles néerlandaises.

Relai militant

La NOS a joué un rôle d’avant-garde dans le blanchiment de Zwarte Piet, ce qui a donné lieu à des actes de résistance de citoyens « traditionalistes ». Ceux-ci ont empêché des manifestants anti Zwarte Piet de se rendre à la province de Friesland, Frise, en coupant l’autoroute vers la ville où le cortège de Saint-Nicolas ferait son entrée triomphale. (Une lauréate du trophée de la diversité a vu récompenser son reportage sur des Néerlandais de couleur se plaignant du racisme qu’ils disaient éprouver, surtout autour du 5 décembre.)

Partout aux Pays-Bas, la police a dû séparer pourfendeurs et défenseurs de Zwarte Piet prêts à en découdre. Scènes de violence qui ont de quoi choquer dans un pays peu connu pour ses passions identitaires. Selon ses critiques, la NOS a contribué à enflammer les passions en faisant fi de la neutralité qu’impose son statut.

Sur le plan culturel, des activistes dans un état colérique permanent intiment les Néerlandais à ne plus désigner le 17ème siècle comme leur siècle d’or, Gouden Eeuw. C’est oublier que pendant cette période des Hollandais s’étaient enrichis grâce à la traite des Noirs, aux dires de la directrice du Musée d’Amsterdam, elle-même originaire du Surinam. Bien des Néerlandais ne pardonneraient pas à la NOS une énième génuflexion dans le choix du vocabulaire.

Ce serait une autre preuve de sa collaboration avec les ennemis de la fierté et de l’identité néerlandaises, remplacées par le dénigrement systématique de l’homme blanc, dans les sanglots duquel se mêlent tristesse et colère. Même l’utilisation du mot slaaf (esclave) lui est interdit désormais, car censé désigner un malheureux né dans cette condition inférieure aux Blancs. Comme alternative, les multiculturalistes prônent ‘quelqu’un fait esclave’ et certains médias commencent à obtempérer.

En écoutant les indignés, on dirait que les hommes blancs fâchés et grincheux constituent la majorité aux Pays-Bas, étouffant toute velléité de renouveau. En réalité, un peu plus de la moitié des habitants d’Amsterdam, Rotterdam et La Haye pouvaient être qualifiés d’allochtones avant que l’usage de ce mot ne fût proscrit.

Si le trophée de la diversité a été aboli, il est à craindre que ses effets pervers se fassent sentir encore longtemps. Un écrivain néerlandais d’origine turque s’est demandé mi-moqueur-mi-affligé : « La prochaine fois qu’on m’interviewe à la télé, serait-ce uniquement parce que mon nom figure dans une base de données comme Turc de service ? »

[Photo : AMORIM PAULO/SIPAUSA/SIPA – numéro de reportage : SIPAUSA30096924_000007 – source : http://www.causeur.fr]

A ‘¿Puedes oírme?’, Pedro Ballesteros dibuixa el mapa filosòfic fonamental de l’escultor

Jaume Plensa, espiritualitat i matèria

Escrit per Gerard E. Mur

De petit, els dies de tempesta, després de barallar-se amb el seu germà, Jaume Plensa s’amagava al piano vertical del pare. Hi cabia replegat en un costat. De vegades, el pare tocava aquell piano sense saber que un dels fills s’hi refugiava dins. Al llarg dels anys, l’escultor ha deduït que va ser a l’interior d’aquell instrument on va començar a entendre la vibració del material, “el moment en què tu i el tot esteu en la mateixa vibració, el mateix ritme, com si tu i l’univers forméssiu part del mateix organisme; potser per això vaig acabar sent escultor”. Aquesta i altres reflexions de l’artista desfilen pel documental ¿Puedes oírme?, de Pedro Ballesteros, una de les propostes de la nova edició del DocsBarcelona. El film funciona com una antologia de la filosofia de Plensa. Una filosofia que cristal·litza en la seva obra, sovint monumental: l’espiritualitat dels grans rostres, la comunitat representada en les figures de lletres, la proximitat permanent amb l’aigua, la col·locació de l’escultura com una plantació, un arrelament.

Ballesteros ha seguit l’escultor per un grapat dels països on té instal·lades obres. El director no ha volgut tancar-se al taller de Plensa (que en un determinat moment sí que visitem). La reflexió aflora al costat de cada creació. Com una invocació. De vegades, l’obra està en plena materialització (Voices); en altres ocasions –la majoria–, l’escultura ja fa temps que està integrada en el seu entorn. El mapa de Plensa abasta una bona part del globus. El seu pensament ha niat als Estats Units, al Japó, a Suècia, a França, etc. Als llocs on l’obra ja porta uns anys instal·lada, Plensa recorda, confirma i detecta canvis (penso en les tortugues del petit pavelló d’Ogijima). Ballesteros ha distribuït els viatges en funció dels conceptes claus de l’escultor: paraules, plaça, memòria, silenci, temps… Cada obra explica un d’aquests conceptes. Algunes, però, n’expliquen, en manifesten, més d’un.

La filosofia escultòrica de Plensa llança idees recurrents; i és aquí on el documental guanya volum: Ballesteros ha dibuixat el mapa filosòfic fonamental de l’artista. Afermen cinc conceptes concomitants i obstinats: l’espiritualitat i l’energia (“necessitem que els espais urbans tinguin alguna cosa que ens abraci i ens protegeixi”), l’espai públic (“el gran espai públic és l’aigua”), la comunitat, el valor de la diferència (“la uniformització sempre és un desastre”) i la reclusió de l’obra (“l’escultura també ha de saber viure sola”). De mica en mica, reflexió rere reflexió, absorbim la idea central del documental: l’ofici de Jaume Plensa és el pensament, que ell mateix precisa i projecta en escultures. Cal dir, però, que, de vegades, el sentit del missatge es perd, per confús o perquè no hi trobem la solidesa que esperem.

Més enllà del pensament, Ballesteros també s’atura en altres punts de la vida, l’obra i la trajectòria de Plensa: els orígens de la reflexió artística (el pare, lector de novel·les, li transmet la passió per la literatura, que ell adquireix a través de la poesia; “el poeta és l’ànima d’una societat”, diu l’artista, que parla de Baudelaire, Blake, Rilke, Williams Carlos Williams…); el treball de projecció manual del seu equip, que l’escultor supervisa de prop; el taller de Sant Feliu (Plensa diu que necessita treballar en zones de neutralitat, buides de bellesa); la connexió japonesa (“el meu treball a l’espai públic va començar al Japó”); la dedicació solitària que demanen les obres de format menor (dibuix, pintura, instal·lació, gravat…); la retrospectiva que va muntar el MACBA el 2018, etc.

Paral·lelament al testimoni de Plensa, Ballesteros exposa l’opinió de veus expertes que valoren el treball de l’artista: la galerista Mary Sabbatino (Galeria Lelong), Ferran Barenblit, director del MACBA, Fumio Nanjo, del Mori Art Museum, el comissari Sune Nordgren, els també galeristes Stefan Andersson i Fram Kitagawa, etc. Sabbatino destaca “la commoció i la humanitat presents en cada manifestació física de la seva obra” i la combinació, quan parla dels grans rostres, de la fugacitat de la imatge amb la resistència material, “una nova manera de retratar”. Nanjo subratlla el trencament de Plensa respecte de la tradició escultòrica: “Sovint, una escultura és un objecte voluminós i tancat. Les seves figures humanes formades per lletres retallades [Roots] no tenen volum; això transmet una sensació de lluminositat i transparència; ens deixa veure l’altre costat de l’obra”. Tots coincideixen en un punt: el seu treball és una presència que converteix la ciutat en un lloc més acollidor. Reconeixen seducció i immediatesa.

Finalment, toca avaluar la forma. La factura del documental és notable. El ritme és bo, no encalla. Els testimonis complementaris estan inserits amb sentit. La música apareix en el moment oportú. Cap element grinyola amb estridència. És una narració compacta i lleugera –amable– alhora. Ballesteros, a més, ha decidit no intervenir; una decisió que ajuda a tancar el focus del documental sobre Plensa; es tracta d’aïllar el personatge, acompanyar-lo, que s’expliqui únicament ell.

[Font: http://www.nuvol.com]

Un libre vulgarisator de mai sus l’istòria d’Occitània

« Petite histoire de l’Occitanie » de Joan Sagnes

Escrich per Pèire Rabasse

            Joan Sanhas (Sagnes dins la lenga de l’ocupant) es un istorian occitan especializat dins l’istòria contemporanèa. A mai que mai trabalhat sus las regions occitanas e lo Nòrd de Catalonha. Es estat professor a l’Universitat Pau Valèri de Montpelhièr. Sos estudis fan autoritat dins lo domèni. Es ara retirat.

            L’ora sembla èsser venguda de far conéisser a totes los ciutadans d’Exagonia l’existéncia del país nòstre. Èra ora ! mas es pas jamai tròp tard per plan far. Ja aguèri lo plaser de presentar dins lo N° 131 del Lugarn lo libre de Felip Martèl títolat « Histoire de l’Occitanie » paregut en 2019. D’uèi es vengut lo moment per ieu de vos parlar del libre de Joan Sanhas, paregut un pauc abans amb lo títol de « Petite histoire de l’Occitanie ». Me desencusarètz d’aver pas respectat la cronologia, mas son los azards de mas crompas librescas que comandan la redaccion de mos articles.

            Una remarca per començar a prepaus de l’edicion d’aquestes dos obratges. Nòti, un còp de mai, que son pas estat editats a París o en França. Lo de Felip Martèl o foguèt per un ostal breton e aqueste per un ostal occitan. Lo mesprètz contunha. L’escanament se perseguís. Qual se n’estonariá ? Partent del principi que quand se parla pas d’una causa, aquesta existís pas, França e son intelligentzia parisenca fan tot çò que pòdon per nos ignorar e atal nos escafar de la comunitat de las civilizacions umanas. Es una arma politica utilizada per totes los imperialismes. Aquel refús caparrut de París de parlar pas de nosaus deuriá dobrir los uèlhs als Occitans. Lo denonciar pas, seriá nos respectar pas.

            Aquel libre es un obratge de sintèsi que, plan solide, tota l’istòria d’un país -quin que siá- non saupriá claure dins un libre de pòcha. Pasmens, l’essencial i es e Dieu sap qu’en matièra de sintèsi cal sempre anar a l’essencial. L’obratge es tras que plan engimbrat compte tengut que lo conceptor de l’edicion a pas debrembat cap dels simbòls nacionals d’Occitània. Tre la pagina primièra se tròba lo drapèu. Es pas per èsser chauvin que dire que la bandièra d’un país es un marcaire important de l’identitat d’una nacion. Autre marcaire important que permet una mirada immediata de l’objècte estudiat, aquò’s la mapa del país. Aquesta es plaçada a la pagina segonda del libre. Son pas que las doas solas illustracions del libre mas son sufisentas per permetre al legeire de se far una idèia visuala d’Occitània.

            Lo contengut es condreitament despartit en mantunes capítols : « Los tempses preistorics e antics » ; « A l’origina : una lenga, un territòri » ; « Trobadors, catars e crosats (XIIen e XIIIen sègles) » ; etc… Lo libre s’acaba per una prospèctiva « D’uèi, una occitanitat novèla ? ». Per cada capítol, o puslèu al dintre de cada capítol, se tròba d’encarts que permeton a l’autor de desvolopar tal punt o tal autre. Atal pòt far alternar los traches bèls amb los detalhs. De gaire escriuriái que fa alternar l’istòria granda amb la pichona.

            Lo vos vau pas espepissar pel menut, mas a l’ora dels regionalismes exacerbats al dintre del movement nacional occitan pòdi pas passar lis sus fach que Joan Sanhas nòta plan l’unitat de la lenga a l’Edat-Mejana : « Parlant de l’occitan poetic, l’egrègi especialista de l’occitan Pèire Bèc soslinhèt lo fach que tocant a l’italian, a l’espanhòl o al francés èra aisit de constatar d’importantas diferéncias dialectalas segon las originas geograficas. Mentre que tre la debuta de l’occitan avèm afar a una lenga de circulacion literària relativament unificada ont es malaisit de trobar una coloracion dialectala quina que siá, o mai exactament, ont los critèris dialectals apareisson talament pauc qu’una localizacion geografica del tèxte es fòrça malaisida ». D’aquò me sembla necessari de ne tirar qualques leiçons. La primièra d’aquestas e qu’aprèp cinc cents ans de colonizacion lingüistica de massa e d’esparpalh de la lenga, l’ora es arribada de tornar a un estandard occitan se volèm reconquistar lo terren perdut.

            Sol pichon bemòl (e plan mòl) tocant a l’objectivitat de l’autor es que pel periòde contemporanèu menciona lo Partit Occitan sens parlar del Partit de la Nacion Occitana : « D’uèi, sol lo Partit Occitan fondat en 1987 perseguís lo combat sul terren politic… ». Joan Sanhas pòt pas ignorar l’existéncia del partit occitan mai ancian qu’es lo Partit de la Nacion Occitana. Es indenegable que per un istorian d’aquel calibre se pòt pas trachar d’un oblit e s’es pas un oblit es plan una causida e mai una volontat politica de lo nomar pas. Ne pòrta sol la responsabilitat e los Occitans ne jutjaràn.

            Mentretant, e per èsser mai objectiu qu’el, dirai que tot al long de l’obratge, l’istorian a saput servar una distància professionala. Es aquela neutralitat que, dins l’ensemble, fa la fòrça e l’interés del libre. Per acabar, la causa es importanta e interessarà fòrça las gents, a la fin de cada capítol balha una bibliografia fornida per los que voldrián cavar lo subjècte desvolopat.

            Un libre d’ofrir a totes los immigrats qu’arrivan en Occitània.

« Petite histoire de l’Occitanie » de Joan Sagnes. Edicions Cairn.

Acabat d’imprimir en junh de 2018. 215 paginas.

[Poblejat dins lo.lugarn-pno.over-blog.org]

Créé en 1949, le Mossad est une des trois agences de renseignement de l’Etat d’Israël. Par ses opérations audacieuses, il figure parmi les premiers organismes mondiaux agissant dans ce domaine sensible. France TV propose en Replay « Mossad, l’histoire secrète d’Israël ». Le Centre culturel Beit Avi Chai à Jérusalem présente l’exposition, “Emerging from the Shadows » (Sortir de l’ombre) de Sarah Ayal, photographe pour le Mossad. Le 19 mars 2020, le site d’information Channel 12 a révélé « une opération menée par le Mossad, en coopération avec le Shin Bet et Tsahal, afin d’importer près de 100.000 kits de tests au coronavirus en Israël depuis l’étranger »,

Publié par Véronique Chemla

Israël dispose de trois agences de renseignements  : l’Aman, chargé de la sécurité militaire, le Shabak  ou « Shin Bet  », service de la sécurité intérieure, et le Mossad responsable du renseignement et d’opérations hors d’Israël.
« Créé fin 1949, moins de deux ans après la proclamation de l’indépendance d’Israël, le Mossad s’est imposé comme l’une des agences de renseignement extérieur les plus influentes au monde ».

« Il a été impliqué dans quasiment tous les événements des cinquante dernières années. Dans presque toutes les guerres, tout ce qui aurait pu arriver et ne s’est jamais produit », confesse Ram Ben-Barak, qui en fut directeur adjoint de 2009 à 2011 ». 

The Gatekeepers” 
The Gatekeepers”, film  documentaire controversé et primé réalisé par Dror Moreh (2012), est composé d’interviews de six anciens dirigeants partiaux du Shin Bet. 

Un film biaisé, souffrant de carences informatives, partisan du slogan “Land for Peace” (« Terre contre la paix »), blâmant le seul État d’Israël pour l’absence de paix, émaillé de wishful thinkings (prendre ses désirs pour des réalités, en anglais) dangereuses et prônant des concessions territoriales israéliennes… qui ont toujours mené à la recrudescence du terrorisme palestinien islamiste, et non à la paix.

Avraham Shalom (1981-1986), partisan de négociations avec le Hamas et le Jihad islamique, Yaakov Peri (1988-1994), Carmi Gillon (1995-1996), Ami Ayalon (1996-2000), coauteur avec Sari Nusseibeh d’une initiative de paix en 2003 et récemment élu à la Knesset sur la liste du Parti travailliste, Avi Dichter (2000-2005), devenu membre de Kadima, Yuval Diskin (2005-2011) assurant que les conquêtes de 1967 transformeraient Israël en “État Shin Bet” et s’étant opposé récemment à « des préparatifs d’action militaire contre l’Iran » en voie de se doter de l’arme nucléaire… Ces six anciens dirigeants du Shin Bet se confient devant la caméra de Dror Moreh, cinéaste israélien confirmé, en abordant le terrain délicat de la politique.

À l’instar du Fog of War: Eleven Lessons from the Life of Robert S. McNamara d’Errol Morris (2003)¸ The Gatekeepers illustre leurs propos avec des images d’archives et des animations informatiques.

David Clinton lors de Camp David en 2000

The Gatekeepers comprend sept parties :
– “Pas de stratégie, seulement des tactiques : le rôle émergeant du Shin Bet de la guerre des Six-jours à l’occupation des territoires palestiniens ;
– Oublie la moralité : sur 300 incidents de bus ;
– Terroriste pour l’un, combattant de la liberté pour un autre : sur le processus de paix après les accords d’Oslo ;
– Nos propres chair et sang : sur le terrorisme juif, dont le Juif Underground et l’assassinat d’Yitzhak Rabin ;
– La victoire est de vous voir souffrir : sur les négociations avec les Palestiniens lors de l’Intifada II ;
– Dommage collatéral : sur l’assassinat de Yahya Ayyash et d’autres militants du Hamas”;
– Le Vieil Homme au bout du corridor : réflexions sur les activités du Shin Bet et leur impact éthique et stratégique sur l’État d’Israël”.

Est-ce la première fois que d’anciens responsables du Shin Bet s’expriment publiquement, comme l’allègue le dossier de presse de The Gatekeepers ?

Non, le 13 novembre 2003, le quotidien israélien Yedioth Aharonoth a publié l’interview  de deux heures de quatre responsables du Shabak : Avraham Shalom, Yaakov Perry, Carmi Gillon et Ami Ayalon. Ces dirigeants prédisaient que le Premier ministre Ariel Sharon mènerait Israël vers l’abîme s’il ne parvenait pas à conclure rapidement la paix avec les Arabes palestiniens. Leur but : briser la confiance de Sharon.

Après le New York Times, le 15 novembre 2003, le Washington Post (Ex-Security Chiefs Turn on Sharon) et le Guardian (Israel on road to ruin, warn former Shin Bet chiefs) ont relaté ces interviews.

Ezer Weizman a alors stigmatisé ces “quatre mousquetaires” qui minaient le gouvernement israélien.

Ces interviews ont précipité la décision désastreuse du retrait israélien de 8 000 Juifs, civils et soldats, de la bande de Gaza et de quatre localités de Samarie. Annoncée par Ariel Sharon le 18 décembre 2003, cette décision était contraire à sa promesse électorale  en 2001 (“Le destin de Netzarim sera celui de Tel Aviv”). Un plan de désengagement unilatéral, sans traité de paix, sans que les Palestiniens mettent en oeuvre la Feuille de route (Roadmap), et qui a accru la vulnérabilité du Sud israélien aux tirs du Hamas.

Lors de la réalisation de son documentaire Sharon, Dror Moreh a appris “en discutant avec le cercle des conseillers du Premier ministre, que les critiques émanant de certains de ces Gatekeepers avaient beaucoup influencé Sharon dans sa décision d’évacuer Gaza”.

Et d’ajouter : “Le temps est venu interpeller les gens, et non pas seulement le cercle des décideurs ”. Le réalisateur espère que son film “initiera ce dialogue”.

Par ces six témoins, Dror Moreh a “l’occasion unique d’entrer dans le cercle intime des hommes qui ont conduit le processus de décision israélien depuis près d’un demi-siècle. Leurs histoires et leurs témoignages étaient souvent accablants. Personne ne comprend mieux le conflit entre Israël et les Palestiniens que ces six hommes”. Vraiment ?

Près de dix ans après l’interview de ces quatre anciens du Shin Beth, Dror Moreh reprend les mêmes, et présente comme inédites des déclarations déjà connues.

Un film « réquisitoire ». C’est en ces termes partiaux qu’Arte décrit The Gatekeepers que la chaîne franco-allemande a coproduit et auquel elle dédie un dossier et de très nombreux articles :

« Les confessions ahurissantes de six anciens chefs du Shin Beth, le Service de la sécurité intérieure d’Israël. Un film explosif, nominé aux Oscars, qui éclaire trente ans de lutte antiterroriste et d’errements face à la question palestinienne.
Chacun à leur tour, ils racontent, intensément, quelque trente ans de lutte antiterroriste en Israël et de gestion désastreuse de la question palestinienne. Un flot d’aveux précis, circonstanciés, d’une remarquable liberté et d’une sidérante acuité. Six anciens chefs du Shin Beth, l’équivalent israélien du FBI, expliquent comment, depuis la Guerre des six jours en 1967, dont la victoire vaut à l’État hébreu d’occuper Gaza et la Cisjordanie et de faire face à un million de Palestiniens, les responsables politiques n’ont jamais vraiment cherché à construire la paix. Une succession d’erreurs qu’inaugure le mauvais arabe avec lequel de jeunes réservistes s’adressent aux populations des nouveaux territoires occupés, leur annonçant qu’ils viennent les « castrer », au lieu de les « recenser ».
Bavures, tortures, méthodes iniques de renseignements et de recrutement d’indicateurs amplifiant la haine de l’occupé… Ils disent surtout l’absence glaçante de vision stratégique ; la résistance et l’hostilité des Palestiniens oubliés explosant avec la première Intifada ; le laxisme face à l’extrémisme juif qui anéantira, avec l’assassinat de Yitzhak Rabin, la seule réélle lueur de paix. “On a gagné toutes les batailles, mais on a perdu la guerre”, lâche Ami Ayalon, à la tête du service de 1996 à 2000, quand Avraham Shalom, le plus ancien d’entre eux, compare l’armée d’occupation à celle de l’Allemagne pendant la Seconde Guerre mondiale. “Quand vous quittez le Shin Beth, vous devenez gauchiste…”, conclut avec ironie Yaakov Péri (1988-1994). Nourri par de formidables archives et un travail visuel sophistiqué à partir de photos, ce réquisitoire exceptionnel, sorti en salles pendant la campagne des législatives a eu l’impact d’une bombe en Israël. Déjà auteur de Sharon, le réalisateur Dror Moreh croit fermement au pouvoir des films et c’est peut-être là l’un des secrets de réussite de son audacieuse entreprise. Un manifeste passionnant de bout en bout, doublé du portrait de six hommes en proie au doute, mais animés d’un salvateur pragmatisme ».

Que de fautes historiques – le « peuple palestinien » est une invention de la propagande arabe ; il s’agit de territoires disputés, etc. -, d’oublis – les refus du monde musulman de reconnaître l’État juif, le lien entre le peuple juif et Eretz Israël, peu avant d’être assassiné Yitzhak Rabin avait annoncé son intention d’adresser un ultimatum à l’Autorité palestinienne afin que cette dernière respecte les accords d’Oslo, etc. –  et de partialité – nazification de l’État juif !? – !

Certes, The Gatekeepers montre les hauts critères éthiques, légaux, moraux  du Shin Bet, soucieux de préserver les vies israéliennes et palestiniennes.

Mais il dresse des parallèles infondés et ternit l’image d’Israël en “Occupant sans cœur”, sans informer sur “la dure vie des Palestiniens sous dominations égyptienne et jordanienne (1948-1967)” ou du Hamas et la “modernisation de la vie économique, politique, culturelle” et sociale sous administration israélienne (Roz Rothstein et Roberta Seid).

The Gatekeepers allègue une fausse équivalence entre d’une part le Jewish Underground (1980), un groupe ultra minoritaire d’habitants juifs des localités ayant blessé deux maires palestiniens et ayant projeté de faire exploser le Dôme du Rocher – sans soutien populaire ou politique, les dirigeants de ce groupe avaient été arrêtés par le Shin Bet en 1984 -, et d’autre part les terroristes palestiniens produits par l’éducation palestinienne à la haine et à la violence et soutenus par les autorités politiques ainsi que par la société palestiniennes.

Le documentaire The Gatekeepers omet d’évoquer les tentatives du Shin Bet pour ternir l’image de la droite israélienne et pour diaboliser le mouvement national religieux israélien en raison de leurs critiques des accords d’Oslo. Ainsi, vers 1994, agent du Shin Bet, Avishai Raviv a joué le rôle d’un provocateur extrémiste de droite.

The Gatekeepers véhicule l’idée infondée, mais omniprésente dans la gauche et l’extrême-gauche israéliennes, que le “péché originel” israélien provient de sa victoire rapide lors de la Guerre défensive des Six-jours (juin 1967). Une victoire suivie de l’”Occupation” induisant le terrorisme palestinien, corrompant cet État et un peuple devenu un occupant brutal  et sans cœur. D’où le parallèle infamant d’Avraham Shalom entre Tsahal et la Wehrmacht, armée du IIIe Reich. Quid des trois Non arabes de Kartoum (août 1967) : non à la reconnaissance d’Israël, non à la négociation avec Israël, non à la paix avec Israël », etc. ?

Par ailleurs, le terrorisme palestinien a précédé la recréation de l’État d’Israël : les Arabes de « Palestine » ont tué environ 1000 Juifs entre 1920 et 1967, et ont  rendu Judenrein les territoires conquis par les Arabes pendant la guerre de 1948, 162 Israéliens ont été tués par les terroristes d’Arafat entre 1968 et 1970. Etc. Etc. Etc.

Que de carences informatives dans ce documentaire ! Quid de l’idéologie génocidaire du Hamas ? Quid des “relations d’affaires fortes nouées” par Yaacov Peri, n°5 sur la liste de Yair Lapid à la Knesset, avec “des dirigeants corrompus de l’OLP après son départ du Shin Bet en 1994” ? Quid des islamikazes que l’on ne voit jamais ? Quid des déclarations haineuses des dirigeants de l’Autorité palestinienne ?

Quid des victimes israéliennes lapidées, violées, poignardées, kidnappées ou handicapées à vie ? Quid de l’amateurisme de certains membres du Shin Bet lors d’une opération en Jordanie ?

The Gatekeepers dénigre l’usage de la force, plaide pour le “slogan trompeur” (Shmuel Trigano) de la solution à deux États, prône des négociations avec un partenaire pour la paix palestinien inexistant et impute au seul État d’Israël le refus de ces pourparlers ! Une prétendue « solution à deux États » infondée et dépassée depuis les éclatements et les recompositions du monde arabe consécutifs au « printemps arabe » et aux contours dessinés par al-Qaïda ou l’État islamique (ISIS/Daech).

Comme si ces ex-dirigeants du Shin Bet et le réalisateur Dror Moreh n’avaient tiré aucune leçon de l’échec du plan de désengagement de 2005 : le conflit n’est pas territorial, mais religieux ; les sondages révèlent que les Palestiniens refusent, comme leurs dirigeants, les offres les plus généreuses de l’État d’Israël ; les tirs de roquettes à partir des territoires évacués et contre Israël ont crû, ce qui a déclenché quatre guerres israéliennes en neuf ans contre deux mouvements terroristes islamistes soutenus par l’Iran, le Hamas et le Hezbollah.

Comme si Dror Moreh celait sciemment les interviews en 2003 pour éviter au public de se souvenir combien les Israéliens ont subi tragiquement les conséquences du retrait unilatéral de l’”Occupant israélien”.

Comme si le refus musulman ou/et arabe de l’existence de l’État juif n’était pas la cause fondamentale à ces guerres contre cet État d’anciens dhimmis désormais maîtres de leur destin et ayant reconstruit un pays à la réussite économique éblouissante. Dror Moreh occulte tout ce qui corrigerait, ou infléchirait sa thèse controversée, tout ce qui contredirait les propos de ces six anciens dirigeants du Shin Bet. Ce qui transforme ce documentaire en film de propagande de gauche, voire d’extrême-gauche.

“Nul ne peut nier le courage et le patriotisme de ces six hommes qui ont donné la meilleure partie de leurs vies au service de leur pays, mais on peut et on devrait regarder froidement comment ils ont été manipulés par un réalisateur ayant un programme “, écrit Gidon Ben Zvi dans Jewish Thinker  (10 février 2013). Six dirigeants « manipulés » ? Aucun d’eux ne s’est distancé de ses déclarations à Dror Moreh…

Ce film a suscité des louanges de médias occidentaux  – The Wall Street Journal l’a inscrit dans sa liste des 10 meilleurs films de 2012 -, notamment d’une partie de ceux de la communauté française juive.

Il a été « nominé » aux Oscar du meilleur documentaire, et distingué par le Prix de l’association des critiques cinématographiques de Los Angeles (2012) et le Prix du cinéma pour la Paix  (2013).

Sa carrière s’est poursuivie brillamment. Après avoir été diffusé par Arte en mars 2013,  la 13e édition du festival du cinéma israélien à Paris (3-9 avril 2013) a présenté les 5 et 9 avril 2013 “The Gatekeepers” de Dror Moreh, et le 5 avril 2013 à 19 h 30 la table-ronde  La paix est-elle possible ?

Mais “The Gatekeepers” a suscité une vive polémique, notamment dans certains médias juifs, sur Internet et les réseaux sociaux : indignation face aux déclarations publiques biaisées d’anciens directeurs d’un service de renseignement, financement public d’Israel bashing, exercice d’autoflagellation, voire de haine de soi, partialité sous couvert de neutralité, etc.

Le Premier ministre israélien Benjamin Netanyahu a déclaré qu’il ne verrait pas ce documentaire.

Dans le registre humoristique, Latma a réalisé un sketch ironisant sur ce documentaire, et le journaliste David Suissa a renommé le film The Gate Crashers.

Que penser de ce documentaire ? Plus de 73 heures d’interviews, une heure trente de films, les mêmes remarques inquiétantes qu’en 2003 destinées à un public supposé amnésique. Naïveté ? Rouerie ? Cynisme ? Prétention ? « Errare humanum est, perseverare diabolicum » (locution latine, « Se tromper est humain, persévérer est diabolique »).

Le 30 mai 2014, l’éditorialiste Caroline Glicka écrit :  » Apparemment mené par ShimonPeres, le triumvirat des chefs de la sécurité servant de 2008 à 2011 – Gaby Ashkenazi, Meir Dagan alors directeur du Mossad, et Avi Dichter, alors directeur du Shin Bet – s’est uni pour miner l’autorité légale du Premier ministre Binyamin Netanyahu et celle d’Ehud Barak, alors ministre de la Défense, [nécessaire] pour ordonner aux forces de sécurité d’Israël de mener une action contre l’Iran. Selon un article d’Haaretz du 28 mai 2014, entre 2008 et 2011, ces quatre hommes ont divulgué aux médias des plans et des discussions sur d’éventuelles frappes israéliennes contre l’Iran dans le but d’empêcher qu’elles ne soient menées. Ces quatre hommes se sont opposés à une frappe israélienne contre les installations nucléaires de l’Iran et ont rejeté de manière cinglante toute opération israélienne non coordonnée avec les États-Unis ». Gravissime.

Le 18 août 2014, le Shin Bet a révélé avoir déjoué un complot fomenté par Salah al-Aruri, dirigeant du Hamas, visant à lancer des attaques terroristes islamistes en Israël, puis à renverser les dirigeants du Fatah de l’Autorité palestinienne, dont le président Abou Mazen (Mahmoud Abbas), en Judée et Samarie pour y prendre le pouvoir.

En septembre 2015, les éditions Héloïse d’Ormesson ont publié le livre Les Sentinelles The Gatekeepers, de Dror Moreh, avec une préface d’Elie Barnavi. « Six anciens directeurs du Shin Bet, la sécurité intérieure israélienne, brisent un silence de quelque trente ans. Au cœur de l’action et des secrets entre 1980 et 2011, les gardiens du système, d’ordinaire les plus zélés, dévoilent les rouages du service chargé de la lutte antiterroriste – infiltrations, tortures, éliminations ciblées. Ne taisant ni leurs doutes ni leurs erreurs, ils constatent l’échec des gouvernements successifs à instaurer durablement la paix. Ces confessions d’une franchise désarmante apportent un nouvel éclairage sur le conflit israélo-palestinien depuis la guerre des Six-Jours, et résonnent comme un vibrant message d’espoir. À l’avenir, lorsqu’on évoquera l’interminable conflit du Proche-Orient et l’occupation bientôt demi-centenaire des territoires palestiniens, il faudra bien se référer, d’une manière ou d’une autre, à ces six témoignages », a écrit l’historien Élie Barnavi.

Ce film The Gatekeepers a été diffusé le 8 janvier 2016 à la Maison des Métallos dans le cadre d’une projection-débat avec Élie Barnavi, historien, essayiste et ancien ambassadeur d’Israël en France, et Alain Frachon, éditorialiste au Monde.

Le 17 mars 2016, “The Gatekeepers” a été diffusé à l’Arlequin (Paris) lors des Journées du cinéma politique (16-18 mars 2016), dans la thématique Côté coulisses : le pouvoir et ses secrets. Constituées de projections de films et de débats, ces Journées sont organisées par Sciences Po Alumni, la fondation Jean Jaurès, Albingia, l’Assemblée nationale, le Sénat, le CNC (Centre national du cinéma et de l’image animée), les Ecrans de Paris, l’Arlequin, BdA Sciences Po, la Mairie de Paris, LCP, France Info et L’Express. Le « thème du pouvoir politique, de son mystère et de ses arcanes est au cœur de la première édition des Journées du Cinéma Politique de Sciences Po. Les questions inhérentes à cette thématique font partie des fondements du projet intellectuel de l’établissement, « comprendre le monde pour le transformer ». Elles sont aussi au centre de la pratique cinématographique, qui a l’immense avantage de donner à voir le corps politique, de le projeter dans l’imaginaire et de l’interroger dans ses mystères et sa part non visible. Au travers de la crise traversée par nos sociétés de l’information et de l’image, nous n’avons jamais autant regardé le pouvoir politique ; mais que voyons-nous vraiment ? Les 17 et 18 mars 2016, les Journées du Cinéma Politique montreront la politique dans tous ses états ».

Pourquoi n’avoir pas programmé un des documentaires de Pierre Rehov sur le Moyen Orient : The Trojan Horse or Arafat’s strategy to destroy Israel (Le cheval de Troie ou la stratégie d’Arafat pour détruire Israël), Holy Land: Christians in Peril (Terre Sainte : chrétiens en péril), Silent Exodus (Exode silencieux), etc. ? Pourquoi n’avoir pas organisé un débat sur l’affaire al-Dura ?

J’ai interrogé les responsables de ces Journées sur la raison de leur choix de ce film. Le 16 mars 2016, Madani Cheurfa, secrétaire général de Sciences Po Cevipof, m’a répondu : « Je lirai attentivement votre blog et me permettrai de vous répondre si j’estime ma réponse suffisamment pertinente face à vos interrogations ».

« Mossad : des agents israéliens parlent » Duki Dror illustre la vitalité du cinéma documentaire israélien, sa formation qui associe parfois des études aux États-Unis, sa qualité mondialement reconnue, l’audace et la diversité des sujets abordés ainsi que la variété et la sensibilité des regards.

Duki Dror est né en 1963 à Tel Aviv dans une famille qui a fui dans les années 1950 l’Iraq pour faire son aliyah. Adolescent, son père y avait été arrêté pour « activisme politique » et été détenu pendant cinq ans en tant que prisonnier politique. Libéré, il a été contraint de quitter son pays natal. 
Arrivée en Israël, la famille de Duki Dror a changé son nom de Darwish (errant, en arabe) en Dror (liberté, en hébreu). 

Duki Dror a étudié à UCLA et au Columbia College à Chicago.

Ce documentariste israélien a réalisé son premier film en 1993. Thèmes de son œuvre prolifique ? L’identité, les déplacements, l’échange interculturel. L’histoire de sa famille lui a inspiré My Fantasia (2000), Shadow in Baghdad (2013) sur la disparition des Juifs bagdadis. Duki Dror a aussi réalisé des biographies : celles du champion de boxe arabe israélien Johar Abu Lashin (Raging Dove, 2002) et de l’architecte allemand juif Erich Mendelsohn (Mendelsohn’s Incessant Visions, 2011). Dans The Journey of Vaan Nguyen (2005), Duki Dror suit des boat people vietnamiens ayant immigré en Israël. Ce film a été distingué par le Remi Award au Houston Worldfest.

Car les documentaires de ce réalisateur-producteur sont sélectionnés dans de nombreux festivals où ils sont souvent primés.

Sur le Mossad, Duki Dror a réalisé une série documentaire télévisée en quatre volets (4 x 50’) réduite en un documentaire de 90 minutes pour une diffusion dans les festivals et par des chaines télévisées. La série documentaire Mossad: Imperfect Spies a été diffusée par Hot’s Channel 8.

« Mossad : des agents israéliens parlent » (Inside Mossad – Israels Agenten erzählen ; Mossad: Imperfect Spies) est un documentaire israélien réalisé par Duki Dror (2017). « Fondée sur les témoignages inédits d’anciens agents et dirigeants du Mossad, une plongée vertigineuse dans les coulisses des puissants services secrets israéliens. »

Le Mossad « a été impliqué dans quasiment tous les événements des cinquante dernières années. Dans presque toutes les guerres, tout ce qui aurait pu arriver et ne s’est jamais produit », confesse Ram Ben-Barak, qui en fut directeur adjoint de 2009 à 2011 ». 


Pour la première fois, des dizaines d’anciens agents du Mossad ont accepté d’être interviewés. Duki Dror a recueilli leurs témoignages dans The Mossad: Imperfect Spies. Il « présente les expériences personnelles des agents, leurs préparations mentales, leurs anxiétés et leurs dilemmes moraux. Il interroge : le Mossad est-il à la hauteur du mythe qui l’entoure et jusqu’à quel point la géopolitique est-elle façonnée par un espion dont le nom restera inconnu ? » Le film « mêle les histoires personnelles de ces agents, le contexte géopolitique de leurs opérations en associant des séquences illustrées, des archives filmées et des témoignages à la première personne. Ce qui donne l’unique impression « d’être là » au moment de vérité ». 

Face à la caméra et aux questions – dont certaines balayées d’un revers de main – de Duki Dvor, d’anciens espions et responsables de haut rang évoquent, pour la première fois, leurs états de service : la capture d’Adolf Eichmann en 1960 à Buenos Aires ; la traque des commanditaires, palestiniens, de la sanglante prise d’otages des JO de Munich, en 1972 , qui s’est soldée par la mort de onze athlètes israéliens ; le refus, opposé au shah d’Iran, de liquider l’ayatollah Khomeyni à l’aube de la révolution islamique ; la tentative d’empoisonnement ratée de Khaled Mechaal, l’un des leaders du Hamas, à Amman, en 1997… »

« Avec, en toile de fond, l’histoire tumultueuse du pays, ce documentaire captivant, où la réalité surpasse la fiction, lève un coin de voile sur les méthodes du Mossad, du recrutement aux dessous des opérations commandos en passant par la relation parfois perfide aux informateurs, ou conflictuelle avec le pouvoir politique ». 

« En explorant leurs trajectoires personnelles, il nous fait également pénétrer dans la psyché double et les dilemmes moraux des agents de renseignement : « Il est difficile d’être à la fois une personne intègre et une crapule », explique l’un d’eux ». 

« Un document passionnant, charriant un flot intarissable de questionnements éthiques et politiques ».

Parmi les 24 personnes interviewées : Rafi Eitan, ancien ministre des retraités, et Ram Ben-Barak, ancien directeur-général aux ministères des Affaires stratégiques et du Renseignement.

En mars 2018, Yossi Melman, coauteur de « Mossad : des agents israéliens parlent » et journaliste pour Maariv et The Jerusalem Report, a annoncé que Netflix a acquis les droits de diffusion mondiaux, sauf en Israël, en Allemagne et en France, des quatre volets du documentaire diffusés en janvier 2019.

Iran En violation du droit international, le régime des mollahs iraniens développe, clandestinement, un programme nucléaire militaire visant à détruire l’État juif, à assurer une domination régionale et menacer notamment l’Europe.

Par divers moyens, notamment l’élimination de personnages-clés de ce programme et la guerre électronique, l’État d’Israël a pu ralentir l’essor de ce programme dangereux pour les démocraties.

Le président Barack Hussein Obama a refusé d’agir efficacement contre l’Iran. L’AIEA a démontré son inefficacité.

Le 14 juillet 2015, à Vienne (Autriche), les États du P5+1 (les cinq membres permanents du Conseil de sécurité des Nations unies – les États-Unis sous la présidence Obama, la Russie, la Chine, la France et le Royaume-Uni – et l’Allemagne), ainsi que l’Union européenne et l’Iran signaient un accord historique dénommé le Joint Comprehensive Plan of Action ou JCPoA, qui n’est pas un traité international. L’Iran ne renonçait pas à son programme nucléaire militaire. Ni à son programme balistique. Le Premier ministre israélien Benjamin Netanyahu a fustigé ce « mauvais accord » et proposé de négocier un « bon accord » en adoptant une politique ferme envers un régime soutenant le terrorisme islamiste.

Le 30 avril 2018, lors d’une conférence de presse, le Premier ministre israélien Benjamin Netanyahu a présenté des dossiers concernant le programme iranien nucléaire militaire et pris par des agents du Mossad lors d’une opération audacieuse et rapide visant l’entrepôt stockant ces archives. Ces documents prouvent les déclarations des autorités israéliennes sur la poursuite officieuse de ce programme.

Le 8 mai 2018, le président américain Donald Trump annonçait le retrait des États-Unis de cet accord et le « niveau le plus élevé de sanctions économiques possibles » contre l’Iran. Une décision critiquée par d’autres signataires.

Selon The New York Times (6 août 2018) citant « un haut responsable d’une agence de renseignement basée au Moyen-Orient », le Mossad « serait à l’origine de l’assassinat du directeur du Centre de recherche scientifique, Aziz Asbar » le 4 août 2018. Aziz Asbar « était chargé du développement d’armes chimiques en Syrie et des missiles à longue portée capables d’atteindre le cœur d’Israël, notamment la centrale nucléaire de Dimona dans le désert du Negev. Israël fait profil bas sur cette affaire. Les médias israéliens ajoutent qu’en trois ans, c’est la quatrième mission d’élimination organisée par le Mossad en territoire étranger contre des experts en armes. »

Oman
En octobre 2018, le Premier ministre israélien Benjamin Netanyahu a effectué une première visite de douze heures au sultanat d’Oman. Il était accompagné du chef du Mossad, Yossi Cohen, le conseiller en matière de Sécurité nationale Méïr Ben-Shabbat, le directeur général du ministère des Affaires étrangères Youval Rotem, le chef du Bureau du Premier ministre Yoav Horowitz, et son secrétaire militaire Avi Bluth.

Avec le sultan Qaboos bin Saïd al Saïd, Benjamin Netanyahu a évoqué le programme iranien nucléaire militaires dangereux, une alliance contre la volonté du régime des mollahs iraniens de dominer la région, le rôle éventuel d’Oman dans la normalisation des relations entre l’État d’Israël et des États arabes du Moyen-Orient, les relations bilatérales entre Oman et l’État juif – voie ferrée, lutte contre la pénurie d’eau, ouverture de liaisons aériennes -, la relance du dialogue entre Israéliens et « Palestiniens ». L’intérêt d’Oman ? Obtenir une aide financière accrue des États-Unis.

Une semaine avant cette rencontre, la Ha Tikva, hymne israélien, avait retenti, à plusieurs reprises, lors du tournoi de judo à Abu Dhabi.

Les relations entre Israël et Oman remontent à la fin des années 1970 : le Mossad avait alors aidé le pouvoir politique d’Oman à vaincre une rébellion. Après la signature des accords d’Oslo (1993), le Premier ministre, alors Yiz’hak Rabin, s’était rendu à Oman et au Qatar. En 1996, Shimon Peres avait lui aussi effectué une visite officielle à Oman. Le déclenchement en septembre 2000 de l’Intifada II par Arafat a induit la rupture de ces relations.

« L’Ange du Mossad »
Le 14 septembre 2018, Netflix ajouta dans son offre « L’Ange du Mossad » (The Angel), film thriller adapté du roman d’Uri Bar-Joseph (The Egyptian Spy Who Saved Israel), réalisé par le réalisateur israélo-américain Ariel Vromen (The Iceman), et interprété par le comédien tuniso-néerlandais Marwan Kenzari ainsi que par les acteurs israéliens Toby Kebbell et Ori Pfeffer.

Ce film relate l’histoire d’Ashraf Marwan, gendre du président égyptien Gamal Abdel Nasser, puis conseiller d’Anouar el-Sadate qui espionnait pour l’État d’Israël notamment sur des guerres entre des États Arabes et l’État juif. Certains allèguent qu’il aurait été un agent double.

« Sortir de l’ombre »

Le Centre culturel Beit Avi Chai à Jérusalem présente en 2020 l’exposition, “Emerging from the Shadows » (Sortir de l’ombre) qui « reflète le regard attentif de Sarah Ayal, qui a pris ces photos dans le cadre de son travail de photographe pour le service de sécurité israélien ». Née en Slovaquie, Sarah Ayal (1915-2004), mariée à Zvi Salter, fait son aliyah en 1940. Sa famille est tuée lors de la Shoah. Dès 1952, élevant seule sa fille, elle prend des photographies pour le Mossad. De 1953 à 1959, elle travaille à Paris où elle fait la connaissance de Meir Rosen, futur diplomate qui épousera sa fille. Elle prend sa retraite à 72 ans.

« Parallèlement à son emploi, Sarah Ayal « a capturé des images d’Israël et des Israéliens dans les années 1950 et 1960, immortalisant les moments emblématiques des journées ordinaires et comme des jours des fêtes, des visages connus et anonymes dans leur vie quotidienne. C’est sa petite-fille qui a réalisé cette exposition posthume à Beit Avi Chai, après que des membres de sa famille ont découvert la collection de 4 000 négatifs enfouis dans un sous-sol.

« Il y avait des trésors étonnants dans cette collection. Elle avait l’habitude de prendre des photos de personnes qui ignoraient sa présence », commente Amihai Hasson, le conservateur de l’exposition, qui a passé au crible les photos pendant des mois, en choisissant 60 pour l’exposition et 100 autres pour le catalogue. » Sarah Ayal « raconte des histoires entières dans ses photos », s’enthousiasme le commissaire de l’exposition, « et ses compositions semblent accidentelles, mais elles sont soigneusement étudiées. Elle nous fait entrer dans son monde ». « C’est une histoire qui nous interpelle », indique David Rozenson, le directeur général de Beit Avi Chai. « Son histoire a pris vie, alors qu’elle aurait pu rester confinée dans ce sous-sol ».

Datant des années 1950 et 1960, les « photographies sont un mélange de petits et de grands formats, et le commissaire de l’exposition, Dov Abramson, a placé les petites photos dans des cadres sur une étagère, permettant aux spectateurs de se pencher et d’examiner les images capturées.

Les « clichés décrivent une succession de moments idylliques, historiques et mondains que Sarah Ayal a capturés, souvent à l’insu des sujets. On y trouve des images illustrant la nouvelle année juive israélienne, notamment la cérémonie du tashlich à la plage pour Rosh HaShana, l’achat de skhakh pour Souccot et la célébration de Yom HaAtsmaout sur la place Rabin, alors qu’elle était encore recouverte d’herbe. »

Sarah Ayal « avait également le sens de l’histoire en cours. Il y a un cliché de deux hommes couvrant les phares d’une voiture, suivant les ordres de l’armée, et un autre de Menachem Begin et Anouar Sadate dans les moments précédant la signature du traité de paix historique de 1979 entre Israël et l’Égypte. D’autres sont plus difficiles à identifier, qu’il s’agisse d’une réunion de parlementaires à l’ancienne Knesset, dans la rue King George, ou d’une paroi rocheuse utilisée par les enfants pour plonger et sauter dans la Méditerranée. Pour celle qui suit, l’on ne sait pas si elle se trouve à Akko ou à Jaffa ».

Les « photos constituent également un récit d’un Israël qui a pratiquement disparu, bien que pas entièrement, et cela offre un regard impartial sur ce qu’il était autrefois. »

Coronavirus

Le 19 mars 2020, le site d’information Channel 12 a révélé « une opération menée par le Mossad, en coopération avec le Shin Bet et Tsahal, afin d’importer près de 100.000 kits de tests au coronavirus en Israël depuis l’étranger – il prévoit d’importer 4 millions de kits de tests au total », dont une partie sera donnée à des États amis -, et « que les équipes de sécurité de l’agence de renseignement assistent actuellement le ministère de la Santé dans la création d’un logiciel mais aussi d’applications permettant de gérer l’épidémie du coronavirus. Depuis ces derniers jours, les services de sécurité israéliens sont de plus en plus impliqués dans la gestion de la crise aux côtés du ministère de la Santé. » Malheureusement, ces kits sont incomplets : il manque un liquide spécial que le Mossad va tenter de se procurer.

The Gatekeepers” de Dror Moreh
Israël/France, 2012, 1 h 30 mn
Production : ARTE France, Les Films du Poisson, Dror Moreh Productions, Cinephil, Wildheart Productions, Macguff, NDR, IBA, RTBF
Prix du meilleur documentaire de l’Association des critiques des films de Los Angeles
Diffusions sur Arte les 5 mars 2013 à 20 h 50, 16 avril 2013 à 9 h 40, 16 septembre 2014 à 22 h 35 et 6 octobre 2014 à 8 h 55, 3 juin à 0 h 50 et 9 juin 2015 à 8 h 50.
Sur Public Sénat le 10 mai 2018.

« Mossad : des agents israéliens parlent » par Duki Dror
Zygote Films, Gebrueder Beetz Filmproduktion, New Israeli Foundation for Cinema and Television, WDR/Arte, Allemagne, 2017, 90 min
Auteurs : Duki Dror, Yossi Melman, Chen Shelach
Musique : Tom Darom, Assa Raviv
Montage : Chen Shelach, Dror Yaakobovitz, Christoph Senn
Sur Arte le 24 avril à 22 h 55 et le 4 mai 2018 à 9 h 25
Visuels :
© Gebrueder Beetz Filmproduktion

Du 19 décembre 2019 au 11 juin 2020
Au Centre culturel Beit Avi Chai à Jérusalem 
44 King George St., Jerusalem:   
Tel.: 02-6215300
Du dimanche au jeudi de 13 h à 21 h 30. Vendredi et durant les veilles de vacances de 9 h 30 à 12 h
Visuels :
Sarah Ayal, photographe
Deux garçons tenant leur lulav pendant la fête de Souccot Enfants plongeant à Acco
Begin et Sadate à Jérusalem Vendeur de journaux sur le boulevard Dizengoff  Fête de l’Indépendance

Les citations sur le documentaire sont d’Arte. Cet article a été publié pour la première fois le 5 mars 2013, puis les 4 avril 2013, 2 juin, 19 août  et 15 septembre 2014, 2 juin 2015, 8 janvier et 16 mars 2016. le 24 avril 2018, puis le 30 août 2018.

[Source : http://www.veroniquechemla.info]


Franco se reune con Hitler en un vagon de tren en Hendaia.1940 Franco y Hitler en Hendaya, 1940. Foto: Cordon Press

Publicado por Álvaro Corazón Rural

Inicialmente, el nazismo no cuajó mucho en España. A Falange se le atragantaba su doctrina porque la veían poco compatible con el catolicismo. José Antonio Primo de Rivera estuvo en Alemania y no volvió deslumbrado. Tuvo más influencia el fascismo italiano. Sin embargo, todo cambió el 18 de julio de 1936. Cuando el golpe de Estado fracasó y los sublevados se vieron obligados a pedir auxilio a alemanes y italianos para poder derrotar al Estado.

En principio, Mussolini no estaba por la labor. Dijo que no varias veces. Tenía miedo de entrar en conflicto con Francia, que podría intervenir en defensa de la democracia en España. Acababa de terminar la guerra en Etiopía. El 15 de julio el Duce salió al balcón del Palazzo Venezia de Roma para celebrar que la Sociedad de Naciones le levantaba las sanciones. Intervenir en España tres días después era demasiado.

Sin embargo, Francia dejó tirada a España. Al igual que el resto de democracias, consideraron el golpe de Estado y la guerra que le iba a seguir como un asunto interno por miedo a una escalada que les terminase enfrentando abiertamente a los fascismos. Es decir, pánico a que se repitiera la guerra del 14, que hasta entonces era el horror de los horrores. En ese momento, Italia cambió de idea. Le habían dejado vía libre y la posibilidad de un Estado títere en el Mediterráneo. A tal fin colaboró el abuelo del rey emérito, Alfonso XIII, que desde una cacería en el castillo de los Metternich en Checoslovaquia, escribió esta carta a Mussolini para convencerle de que accediera a las peticiones de ayuda de Franco:

«Le supongo enterado de la enorme importancia del movimiento español. Faltan elementos modernos de aviación y con objeto de adquirirlos van a Roma Juan de la Cierva (inventor del autogiro) y Luis Bolín, personas de mi entera confianza. El marqués de Viana, portador de la presente, le explicará todos los detalles y la ayuda que espero nos prestará. Aprovecho esta ocasión para de nuevo felicitarle por sus nuevos éxitos que consolidan su labor formidable y gloriosa. Agradeciéndole lo que seguramente hará, quedo su amigo y admirador que le abraza.»

Paul Preston pone en duda que hiciera falta convencer a Musolini, Ángel Viñas en La soledad de la República cree que esta misiva «no dejó de tener importancia». Desde Italia salieron los aviones para que Franco hiciera el primer puente aéreo militar de la historia, le seguirían los nazis aportando más aviones en la Unternehmen Feuerzauber (Operación Fuego Mágico) y, de esta manera, en palabras de Preston: «Hitler y Mussolini convirtieron un coup d’État que iba por mal camino en una sangrienta y prolongada guerra civil».

La intervención de los aliados fascistas en España sirvió también para captar adeptos entre las nuevas elites políticas a la causa del nacionalsocialismo. En El Nuevo Orden, a España le correspondería dominar el norte de África y recuperar el liderazgo en América. Volvería al liderazgo mundial de la mano de los nazis. No obstante, nunca llegó a haber una estrecha colaboración. A Hitler las pretensiones de Franco le dejaban frío. A los pocos meses de empezar la guerra civil, los nazis ya estaban intentando explotar en su favor las diferencias dentro de las familias sublevadas. Se sabe que barajaron alternativas a Franco en busca de otro líder más maleable u orientado a sus intereses.

Aunque Himmler vino de visita a España y mencionó a los visigodos y un sin fin de elucubraciones que no buscaban más que sentar las bases para la alianza entre dos naciones originadas, según sus delirios, en la raza aria, el pacto no fue posible. España se declaró neutral, algo que ya había dejado claro en 1938, cuando estuvo a punto de estallar la guerra en Europa, pero las democracias en este caso a quien dejaron tirada fue a Checoslovaquia.

Pese a todo, la colaboración entre España y el III Reich fue estrecha y privilegiada. Como es sabido, de España salió la División Azul hacia la URSS, pero hay facetas menos conocidas. Alemania trabajó en nazificar las elites franquistas y sectores de la sociedad española. Se enviaron trabajadores y estudiantes, hubo una amplia colonia española en el III Reich y la pregunta es ¿Qué pasó con toda esta infraestructura cuando los nazis estaban perdiendo la guerra?

La respuesta está en un libro de 2000, Spaniards and Nazi Germany, de Wayne H. Bowen, hispanista estadounidense. Es un estudio que repasa las figuras de los grandes nazis españoles, sus actividades en Alemania y las relaciones entre ambos países. Cinco años apasionantes desde el punto de vista diplomático, pues España fue neutral de una manera al principio del conflicto diametralmente opuesta a su neutralidad al final.

Un médico inspecciona a un voluntario para la División Azul en julio de 1941. Foto: DP

Sin embargo, la flamante neutralidad aliadófila de toda la vida del franquismo se vio comprometida por los reclutas españoles que seguían alistándose para combatir del lado de Hitler —a pesar de que los aliados ya se acercaban al Rin y al Vístula— y los miles de trabajadores que renovaban sus contratos y seguían en el Reich. Alemania necesitaba desesperadamente trabajadores y soldados. Para captarlos en España, la propaganda de Goebbels explotó la idea de eficacia alemana y el sueño del Nuevo Orden. La huella de que había dejado la Luftwaffe era honda en contraste con la debilidad de las fuerzas armadas españolas y para los supervivientes de la guerra, en un país arrasado con una vida pública mediocre, formar parte de algo más grande, más moderno y más fuerte constituyó un atractivo para mucha gente en edad de hacer algo útil con su vida.

Según Bowen, en su artículo «The Ghost Battalion: Spaniards in the Waffen-SS, 1944-1945» para The Historian: «Aparte de un puñado de suecos, suizos, y los reclutas finlandeses, los españoles fueron los únicos europeos que se unieron a las SS y al ejército alemán sin pertenecer al territorio ocupado por el Eje». Solo en enero del 44, cien españoles se presentaron en la embajada alemana en Madrid para alistarse como voluntarios.

También hubo casos más prosaicos. Miles de trabajadores procedían de regiones devastadas, no tenían más opción para alimentar a sus familias que irse. Al mismo tiempo, cruzar la frontera era la única oportunidad que tenían los delincuentes de para traerse coñac, cigarrillos y café para el mercado negro. Algunos españoles dieron el pelotazo e hicieron fortunas que enviaron fácilmente a Madrid con el sistema de transferencias bancarias que se había establecido entre los dos países.

El 6 de noviembre de 1944, Franco anunció públicamente algo que ya llevaba en marcha varios meses. Se desmarcó totalmente de las fuerzas del Eje cuando, en una entrevista con United Press, declaró que España «ya era una verdadera democracia». Orgánica, naturalmente. En la que se encarnaba «la voluntad general de todos los españoles». Por eso, no había «obstáculos que impidan la colaboración con los principales poderes aliados».

En Berlín, el diario Enlace, controlado por Wilhelm Faupel, exembajador en España, escribió un editorial criticando duramente al Caudillo y comparando esas palabras con sus discursos de hacía tan solo un par de años. A partir del cambio en la diplomacia española, este diario, editado por Martín María de Arrizubieta Larrinaga, cura, abertzale y nazi, dio también un giro antifranquista y llegó a introducir la causa nacionalista vasca en sus contenidos ante la sorpresa de la colonia española en Alemania a quien iba dirigido. Mientras, en España, otro vasco, José Luis de Arrese, secretario general de la Falange, escribió en enero del 45 «Hoy está muy de moda para camuflar a la Falange y vestirla con el estilo democrático más inofensivo».

Bowen también atribuye a este giro las acciones de diplomáticos españoles para salvar judíos. Sostiene que los embajadores de España en Berlín, Bucarest, Budapest y otras capitales pusieron a salvo a miles de hebreos al final de la guerra como consecuencia del giro diplomático. Se anotaron un tanto ante los aliados y la prueba de ello es que no fue invitado ningún representante español al Congreso Internacional Antijudío que se había celebrado en Cracovia en junio de 1944. En diciembre del mismo año, se constató también que las programas de radio nazis para España perdieron oyentes «a un ritmo alarmante».

A finales de año, también cerraron las oficinas de soporte de la División Azul en España. Desde primavera se había ordenado su retirada del frente, pero eso no impidió que mucha gente siguiera saliendo del país para alistarse en las tropas alemanas. Aquí llega una de las mejores paradojas del libro. Comprometido por estos voluntarios, el gobierno franquista dijo a los aliados, primero, que no sabía nada, que se trataría de «rojos» llevados «por el espíritu de aventura y la necesidad económica». Parece un delirio, pero no lo era. El Sicherheitsdienst (SD), el servicio de seguridad de las SS, contó con españoles huidos de Franco. En palabras del historiador: «Algunos de los cuales habían sido reclutados por los alemanes entre los exiliados republicanos españoles, lucharon y espiaron contra los españoles en la resistencia francesa y contra los aliados en Normandía». La embajada española en Berlín sabía que eran no menos de mil quinientos.

No obstante, y aquí viene lo bueno, las autoridades franquistas añadían «su número no puede compararse al de españoles alistados en las tropas aliadas». Es decir, Franco tuvo que recurrir a los republicanos derrotados que ahora luchaban con los aliados para salvar la cara de la neutralidad del país, cuando tenían perfecto conocimiento de la cantidad de españoles que estaban prestando servicios ilegales en la Gestapo y las Waffen-SS en su Spanische Freiwilligen Einheit (Unidad de Voluntarios Españoles), formada de los aventureros citados, veteranos de la División Azul y trabajadores desplazados.

Lucharon en la batalla de las Ardenas y, por ejemplo, las 101ª y 102ª Compañías SS Españolas, integradas en la 24ª División SS de Montaña «Kartsjäger», combatieron en Rumanía contra el Ejército Rojo y, ya bajo el mando del teniente José Ortiz Fernández, se enfrentaron a los partisanos de Tito en los frentes esloveno y croata de Yugoslavia. En el libro The Lion and the Eagle de Conrad KentThomas K. Wolber y Cameron M.KHewitt dicen de estas fuerzas: «a diferencia de otras unidades españolas, sin embargo, se ganaron una reputación más turbia, con acusaciones de saqueo y violaciones».

Franco y Hitler en Hendaya, 1940. Foto: Cordon Press

Es curioso también que había dos flujos. Uno de voluntarios que acudían al frente con las SS o tropas legionarias españolas dentro de la Wehrmacht, y a trabajar a las fábricas alemanas, y otro de españoles que ya llevaban tiempo en el III Reich y se olían el percal que se alistaron en la marina mercante alemana con la esperanza de escapar del barco en territorio neutral. Mientras, los familiares y el gobierno español exigían a Alemania la repatriación de todos trabajadores y soldados españoles, pero en el III Reich se lavaban las manos. Contestaban que no podían hacer nada, que eran ciudadanos que estaban en suelo del Reich y habían tomado esta decisión. Un veterano de la División Azul, Miguel Ezquerra, como capitán de las SS, en enero del 45 recibió la orden de reclutar a todos los españoles que pudiera encontrar.

Tampoco los involucrados tenían intención alguna de regresar. Hay casos documentados, como el de Rufino Luis García-Valdajos, de la SS-Freiwilligen-Grenadierdivision-Wallonie (división de granaderos voluntarios de Wallonia SS) del colaboracionista belga Leon Degrelle, que solicitó los permisos a la SS Rasse und Siedlungshauptamt (Oficina Central de Raza y Reasentamiento) para casarse con una mujer alemana que vivía en Berlín, Ursula Jutta- Maria Turcke. Les asimilaron.

El gobierno español solicitó que al menos los trabajadores españoles no construyeran fortificaciones. Por lo visto, a lo que más se dedicaron fue a excavar después de los ataques aéreos para sacar cadáveres y buscar un techo a los indigentes. Los bombardeos aliados también destruyeron los centros de Falange en Stuttgart, Königsberg, Hamburgo y Wiesbaden. Es llamativo que Bowen especifique que murieron decenas de trabajadores españoles en estos ataques «porque se negaron a entrar a los refugios».

Interesante es también el plan de Franco para Francia. Asignó a Jesús Suevos, camisa vieja, que mientras los nazis se retiraban se quedase en territorio francés para servir de enlace con el Parti Populaire Français (PPF) de Jacques Doriot —que muy bien se había exiliado a Alemania desde el desembarco de Normandía— y la nueva resistencia, esta vez blanca y contra De Gaulle. Todavía no estaba clara la derrota total de Alemania, que el III Reich sobreviviera firmando una paz por separado con los aliados occidentales se veía como posible aún en el año 44. De esta manera, el franquismo tuvo una mínima esperanza de que en París se colocase finalmente un régimen más afín o cercano a la dictadura española. Era su único asidero, al menos, para impedir que desde suelo francés se organizasen luego tropas para entrar en España, como efectivamente sucedió, aunque desastrosamente. Sin embargo, el fracaso del plan fue absoluto, y tal y como señala Bowen, Suevos tuvo que quedarse en la capital francesa hasta diciembre de 1945 y asistir a los desfiles de la victoria con la presencia de columnas españolas. La Nueve, ahora por fin célebre en España tras décadas de olvido.

Para el apocalipsis de Berlín, el aludido Ezquerra reunió a un centenar de voluntarios españoles. Lucharon junto a otros extranjeros franceses, noruegos, daneses, italianos, holandeses, rumanos, belgas, húngaros y de otras nacionalidades. Dice el hispanista que los ibéricos se distinguieron por, como de costumbre, «tenacidad en la defensa, imprudencia en el ataque».

Los diplomáticos españoles en la capital alemana tuvieron que abandonar su embajada dejando atrás toda clase de lujosos tesoros en el sótano. Se colocaron en el exterior carteles que señalaban la extraterritorialidad del edificio, su inmunidad diplomática, pero los soldados soviéticos que venían haciendo la guerra desde dos mil kilómetros se los pasaron por salva sea la parte y saquearon todo. Otra curiosidad, el 7 de abril, dice, ya no quedaban diplomáticos en Berlín menos uno, el portugués. Los españoles escaparon hacia Dinamarca. De la embajada, se llevaron consigo solamente la bandera de España, la de Falange, los documentos más importantes, y la película ¡Presente!, el biopic de José Antonio.

Quien más hizo por la colaboración nazi-española, Wilhen Faupel, promotor del Instituto Ibero-Americano de Patrimonio Cultural Prusiano, se suicidó junto a su mujer cuando cayó Berlín. Desde Baviera, Antonio de la Fuente, presidente de la Comisión Interministerial para el Envío de Trabajadores a Alemania (CIPETA) intentó organizar el regreso de los trabajadores españoles. La Barcelona que pocos años antes había recibido a los refugiados de toda España que huían de Franco, ahora se tuvo que preparar para acoger a los miles de refugiados españoles que volvían de Europa tras la derrota del Nuevo Orden.

Finalmente, el punto más complicado que toca es el de la colaboración con los aliados en la entrega de nazis. Bowen, en sus investigaciones, considera que fueron pocos los que encontraron refugio en España porque Franco cumplió con casi todas las demandas aliadas de entrega de alemanes, el más destacado que logró quedarse aquí fue Leon Degrelle, señala. Así consiguió salvar la cara del régimen, que fue respetado en su aislamiento para acabar recibiendo el flotador americano en 1959 por su anticomunismo. Sin embargo, hay que poner en perspectiva esa supuesta colaboración.

Está acreditado que en España se hicieron movimientos para engañar a los aliados y devolver bienes a los alemanes mediante testaferros españoles o, como recoge el libro La caza de nazis en la España de Franco de David A. Messenger (Alianza, 2018) en 1946, de mil seiscientos que le habían pedido que extraditase, envió a ciento setenta. En 1948, la OSS, precedente de la CIA, estaba «librando una batalla perdida», concluye el autor. Phillip Crosthwaite, del Foreign Office, escribió al respecto: «la decencia debería prevalecer sobre la conveniencia», pero la embajada británica, en noviembre de ese año, consideró las entregas un «asunto enterrado».

Imagen de propaganda nazi que muestra la marcha de la milicia fascista de Italia (conocidos popularmente como Camisas negras) con motivo del gran desfile de la victoria después de la toma del poder de Franco en Madrid, España, mayo de 1939. Foto: Cordon Press

[Fuente: http://www.jotdown.es]

Il y a un an, lors d’un colloque international sur l’histoire de la Shoah à l’École des hautes études en sciences sociales (EHESS), à Paris, des militants nationalistes polonais ont apostrophé des intervenants, parfois avec des propos antisémites. Invités à quitter la salle ou à se taire, ils sont revenus à plusieurs reprises. Les communications d’une trentaine de chercheurs ont quand même pu être entendues et discutées, et le colloque a été suivi d’une protestation officielle de la ministre française chargée de la Recherche auprès de son homologue polonais. Cet incident illustre l’atmosphère dans laquelle travaillent depuis trois ou quatre ans les historiens polonais de la Shoah. Les actes de ce colloque, qui paraissent sous le titre Les Polonais et la Shoah. Une nouvelle école historique, soulignent l’absurdité de ces vaines obstructions. Il comprend une vingtaine de contributions, qui témoignent de l’importance du travail que veulent museler les nationaux-conservateurs au pouvoir à Varsovie.

Audrey Kichelewski, Judith Lyon-Caen, Jean-Charles Szurek, Annette Wieviorka (dir.), Les Polonais et la Shoah. Une nouvelle école historique. CNRS Éditions, 320 p., 25 €

Écrit par Jean-Yves Potel

Ce travail est l’aboutissement d’un long mûrissement de cette historiographie, dans le monde et en Pologne. Événement majeur du XXe siècle, la Shoah est un fait social total qui a concerné l’ensemble de la société et qui informe sur le comportement de ses membres. Son étude historique a souvent été mêlée à des conflits de mémoire. Dans un premier temps, les historiens se sont concentrés sur les faits, il fallait établir la nature du crime contre toutes les formes de négation ou de relativisation. Puis les méthodologies et le champ étudié se sont élargis, on a écouté les survivants, les témoins, l’historiographie s’est considérablement renouvelée et diversifiée depuis l’œuvre pionnière de Raul Hilberg parue dans les années 1960. On s’est davantage intéressé aux conséquences de ces crimes de masse sur les sociétés où ils avaient eu lieu. Ce qui bousculait régulièrement les mémoires établies.

Déjà, Raul Hilberg avait entrepris une réflexion sur les comportements de ceux qui ont vu ou seulement connu les massacres ; dans un de ses derniers livres, il distinguait trois types de comportements : les bourreaux, les victimes et les bystanders. Son éditeur français a traduit ce dernier terme par « témoins » ; « spectateurs » aurait été plus judicieux. En fait, la nuance interrogeait les attitudes effectives. Que faisaient-ils face au crime ? La neutralité n’existe pas en de telles circonstances. De qui étaient-ils solidaires ? Certains préféraient traduire par « badauds ».

La découverte de nouvelles sources avec l’ouverture des archives dans l’ancien bloc soviétique et l’ampleur des campagnes de témoignages ont permis une approche à la fois plus globale et plus intime de l’événement. La grande synthèse de l’historien israélien Saul Friedländer, parue en 1997 et 2008, L’Allemagne nazie et les Juifs (2 vol., Seuil), en fut l’aboutissement le plus important. En convoquant de très nombreux témoins, Friedländer élargissait le propos. Il étudiait les réactions de la société où le crime était perpétré et il donnait la parole aux victimes (beaucoup ont laissé des écrits avant d’être tués). Ce sont, dit-il en substance, des conditions indispensables pour construire une histoire de l’extermination au plus près des victimes. Les documents administratifs allemands ne peuvent suffire.

Or, en plus de ces évolutions de méthode, l’ouverture démocratique de 1989 a placé les historiens de la Shoah des pays sortant du bloc soviétique devant une autre question. Ce sont leurs sociétés qui avaient assisté à l’extermination des Juifs. Les parents ou les grands-parents de ces historiens pouvaient avoir été parmi ces fameux bystanders. Comment s’étaient-ils comportés ? Ici l’histoire ébranlait au plus près la mémoire collective, voire l’histoire familiale. Quiconque s’intéressait honnêtement à la destruction des Juifs ne pouvait pas ne pas se poser la question ; d’autant que, dans les années 1990, les rescapés ou leurs enfants ont pu revenir sur place et participer à des débats, raconter ce qu’ils avaient vécu à des générations qui n’en savaient rien. Dès lors, plus que jamais, la Shoah s’est invitée dans tous les débats mémoriels qui agitaient des populations qui se croyaient libérées de leur passé avec la chute du mur de Berlin. Dans la plupart des pays (Russie, Ukraine, Lituanie, Hongrie ou Roumanie), les nouvelles autorités ont réussi à réduire ces interrogations, à en faire taire certaines, à les limiter à des déclarations formelles. En Pologne, vaste territoire sur lequel les Allemands établirent leurs centres de mise à mort et assassinèrent la majorité des six millions de Juifs transportés de toute l’Europe, il en fut autrement.

Le débat couvait depuis les années 1980, comme l’analyse avec précision Jean-Charles Szurek (chapitre 2) ; il éclata au grand jour en 2000-2001 lorsque l’historien Jan T. Gross révéla la responsabilité des Polonais dans l’assassinat de plusieurs centaines de Juifs, à Jedwabne, en juillet 1941. « La moitié d’un village avait brûlé, dans une grange, l’autre moitié du village », résumait-il dans un essai incisif, Les voisins (Fayard, 2002). Ce fut un choc.

Audrey Kichelewski, Judith Lyon-Caen, Jean-Charles Szurek, Annette Wieviorka (dir.), Les Polonais et la Shoah. Une nouvelle école historique

Gross évoque ce moment dans la leçon qu’il a donnée au Collège de France, à l’invitation de Patrick Boucheron, en guise de conférence inaugurale au colloque de l’an dernier. Elle est reproduite en ouverture du livre. Il raconte « l’itinéraire d’un historien de la Shoah en Pologne », qui devient celui de la génération de chercheurs à l’origine de la nouvelle école historique polonaise. L’auteur se retrouva pendant des mois à défendre sa recherche devant des milliers de personnes en assemblées, à répondre à des polémiques incessantes sur tous les grands médias et devant un milieu d’historiens dubitatifs. Pourtant une prise de conscience a eu lieu. Outre des positions officielles courageuses – le président de la République a reconnu en juillet 2001 la responsabilité de Polonais dans le crime –, on a assisté à des initiatives locales et nationales multiples (éducation, commémorations, nouveaux musées, festivals, actions artistiques, etc.) en faveur de la mémoire juive et de celle de la Shoah, avec au centre une réflexion sur ce qu’on appelle les relations judéo-polonaises. Ce qui fit de la Pologne des années 2000-2015 un des centres du renouveau de la mémoire de la Shoah en Europe.

Et de l’historiographie. Dès la fin des années 1990, une nouvelle génération, des Polonais pour la plupart non juifs, s’est attelée à des recherches d’ampleur, le nombre de thèses ou de masters à thématique juive a explosé dans les universités (rien qu’en 2005, on en comptait plus d’une centaine !), des séminaires et des groupes de travail sont apparus dans diverses disciplines (histoire, sociologie, littérature, philosophie) à Varsovie, Cracovie, Lublin, Lodz ou Bydgoszcz. Le groupe de travail le plus important, fondé en 2003 au sein de l’Institut de philosophie et de sociologie de l’Académie des sciences (IFiS-PAN) à Varsovie, est le Centre de recherche sur l’extermination des Juifs, dirigé par la professeure Barbara Engelking. Il tient un séminaire et réunit sur des programmes de recherche pluriannuels des équipes pluridisciplinaires. Il publie depuis 2005 une revue annuelle, L’extermination des Juifs. Études et documents, que dirige le professeur Dariusz Libionka. Une ressource exceptionnelle (15 numéros parus pour environ 10 000 pages, trois volumes sont disponibles en anglais) qui, de fait, polarise la plupart des recherches de la nouvelle école historique en Pologne.

Pour Jacek Leociak, professeur de littérature et membre fondateur de ce centre, cette école, qui mobilise une grande variété de méthodes de travail, est unie par « le refus de subordonner la recherche sur l’extermination des Juifs à un objectif politique et idéologique ». Ses « canons méthodologiques », précise-t-il, sont ceux de l’interdisciplinarité (chapitre 3). Il y ajoute une dimension existentielle et éthique : « Je définirais cette attitude comme l’attribution, dans un but éthique, d’une place privilégiée à la victime, ce qu’on peut également comprendre comme le fait de ‘’parler à sa place’’. » Il part du constat que « le véritable témoin est muet, le rescapé ne peut parler qu’en tant que remplaçant et de l’extérieur. L’historien de la Shoah est donc en un sens un témoin qui parle en remplacement et de l’extérieur ». Ce qui ouvre une multiplicité de champs d’investigation, plutôt dans la micro histoire que dans les tentatives d’explication globale.

Les Polonais et la Shoah révèle, en une vingtaine de chapitres, l’extrême richesse de cette perspective. Chaque auteur a rédigé un exposé clair, à l’écriture fluide, d’une recherche originale, certaines de ces recherches ayant donné lieu à de grands livres parus en Pologne (trop peu, malheureusement, traduits en français). La première partie, intitulée « Au cœur de la Shoah. Les Juifs de la Pologne occupée », met l’accent sur ce qu’on appelle dorénavant « la troisième phase de la Shoah », c’est-à-dire la période qui suit les grandes déportations vers les centres de mise à mort, quand environ trois cent mille Juifs tentaient de survivre, cachés dans différentes région de la Pologne occupée. C’est la phase de la « chasse aux Juifs » selon l’expression nazie, analysée par le professeur d’Ottawa Jan Grabowski, membre du Centre, dans un premier livre (Judenjagd, 2017), et qui a fait l’objet d’une enquête systématique dans neuf régions, dont plusieurs auteurs ont présenté les résultats lors du colloque. Ce travail de plusieurs années conduit à une réflexion nouvelle sur le bystander évoqué plus haut. Elżbieta Janicka, chercheuse en slavistique, construit un chapitre audacieux (le chapitre 9) sur le concept « d’observateur participant » qui devrait, selon elle, « remplacer la catégorie de témoin polonais de la Shoah ». Elle fait des codes culturels partagés par la plupart des Polonais non juifs – le Juif étranger voire ennemi – un mur non franchi : « Tout le monde regardait. Néanmoins ce n’est pas le fait de regarder mais la manière de le faire qui était d’une importance capitale pour le devenir des victimes. C’est cette manière de regarder qui constituait ‘’le mur autour du mur’’ et a fait, comme l’a dit Jan Karski, que “toute la Pologne était un ghetto’’. »

La seconde partie de l’ouvrage s’intéresse à « l’après », à la mémoire, à l’histoire et à la contre-mémoire de la Shoah. Plusieurs contributions utilisent le témoignage de manière originale, comme source insuffisamment exploitée. Ainsi, Anna Bikont déconstruit le mythe d’Irena Sendler, une résistante polonaise qui aurait sauvé 2 500 enfants juifs du ghetto de Varsovie, sans nier son héroïsme. Elle rétablit le courage et l’honneur de cette femme à la tête d’un réseau de sauvetage, et dément la légende de la propagande officielle. Elle raconte combien il était périlleux de sauver des enfants quand on était dénoncé par ses voisins, « dans un océan d’indifférence et de haine antisémite ». La professeure Joanna Tokarska-Bakir mobilise les témoignages en anthropologue, dans le cadre d’une extraordinaire enquête sur le pogrom de Kielce (1946, 42 Juifs assassinés par une foule en furie). Elle reconsidère « l’antisémitisme après Auschwitz »  que Jan Gross avait étudié au sujet du même pogrom (La peur, Calmann-Lévy, 2010), elle fouille les cursus de tous les acteurs du drame, leurs biographies et leurs réseaux sociaux, et en tire « un portrait social » impressionnant. Cette « reconstruction d’une ville pogromiste par en bas » éclaire les mécanismes de l’antisémitisme populaire, ses racines culturelles, mais aussi sa contribution à la stabilisation du pouvoir communiste après la guerre.

Au-delà de l’importance de ces recherches, Les Polonais et la Shoah traite aussi des conséquences de l’expérience de l’extermination des Juifs sur l’ensemble de la société polonaise, ses imaginaires et ses valeurs, ce que le philosophe et psychanalyste Andrzej Leder, également membre de ce Centre, appelle « le conscient (et l’inconscient) social polonais ». Selon lui, le fait de se trouver « dans la zone d’expérience de la Shoah » entraine de « lourdes conséquences, transmises et portées de génération en génération ». Mobilisant des concepts psychanalytiques comme le refoulement, le désaveu, la banalisation ou la formation réactionnelle, il montre comment s’est installée la peur de la vérité qui nous regarde. « C’est ce regard que craint le récit polonais hégémonique, récit de ses propres vertus et de ses propres malheurs. Car il pourrait ne pas supporter l’image que lui renverrait le regard posé sur lui. C’est pourquoi il a également peur de la liberté de pensée. Là réside peut-être l’aspect le plus destructeur de l’héritage de la Shoah dans la société polonaise contemporaine. Pas seulement polonaise, d’ailleurs. »

[Source : http://www.en-attendant-nadeau.fr]