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Os riscos de efeitos extremamente nocivos para às sociedades.

Escrito por SÉRGIO AMADEU DA SILVEIRA*

Existe uma lógica reforçada pela atual supremacia neoliberal de que toda tecnologia inventada deve ser utilizada. Uma variante desse pensamento pode ser encontrada na frase “quando uma tecnologia é de interesse mercantil não há como barrá-la”. Entretanto, os fatos indicam outras possibilidades. Muitas tecnologias foram proibidas e outras, depois de um certo período, foram banidas.

Por exemplo, armas químicas são consideradas inaceitáveis e os países democráticos não as utilizam. Diversos pesticidas foram abolidos, como o perigoso DDT. Em 2015, centenas de personalidades, entre elas, Noam Chomsky e Stephen Hawking assinaram uma carta aberta intitulada “Autonomous Weapons: An Open Letter From AI & Robotics Researchers” reivindicando o banimento das armas de inteligência artificial. A União Europeia definiu uma moratória à transgenia por mais de cinco anos. Enfim, diversas tecnologias sempre foram reguladas pelas democracias, uma vez que sua fabricação ou uso poderiam trazer riscos e efeitos extremamente nocivos para às sociedades.

Atualmente, cresce uma mobilização mundial pelo banimento das tecnologias de reconhecimento facial. Em 2019, antes da pandemia, aos legisladores de São Francisco, na Califórnia, decidiram proibir a utilização do reconhecimento facial pelas agências locais, incluindo a polícia e as autoridades de transporte. Foi definido também que qualquer tecnologia de vigilância precisa ser aprovada pelos administradores da cidade, não podendo mais ser considerada uma decisão exclusivamente técnica. O motivo é simples. Os benefícios do reconhecimento facial não compensam seus riscos e usos perigosos. Segundo diversos conselheiros da cidade de São Francisco, essa tecnologia tem sido utilizada para fragilizar ainda mais grupos sociais marginalizados.

Segundo a Rede de Observatórios de Segurança, no Brasil, 90% das pessoas presas por reconhecimento facial são negras. A biometria de identificação a partir dos rostos, em geral, utiliza os chamados algoritmos de deep learning ou aprendizado profundo, um dos ramos do guarda-chuva das tecnologias de inteligência artificial que dependem de muitos dados para adquirirem qualidade aceitável. Em geral, esses algoritmos são treinados em bancos de dados de fotos para aperfeiçoarem a extração de padrões faciais e sua capacidade de identificarem rostos.

A pesquisadora do MIT-Media Lab, Joy Buolamwini, tem demonstrado que os algoritmos de aprendizagem de máquina podem discriminar com base em classe, raça e gênero. Em um texto assinado com Timnit Gebru, denonimado Gender Shades: Intersectional Accuracy Disparities in Commercial Gender Classification, Buolamwini analisou três sistemas comerciais de classificação de gênero a partir de um conjunto de fotos. Eles constataram que as mulheres de pele mais escura são o grupo mais mal classificado (com taxas de erro de até 34,7%).

É importante compreender como funciona um sistema algorítmico de reconhecimento facial. Trata-se de um processo automatizado que compara uma imagem captada por uma câmera ou dispositivo de coleta com as imagens armazenadas em um banco de dados. Uma das primeiras missões do algoritmo é conseguir detectar o rosto da pessoa dentro da imagem. Depois da detecção do rosto, ele precisa ser alinhado, colocado virtualmente em determinada posição que facilite a fase seguinte que é a de extração de medidas. O algoritmo, conforme seu treinamento anterior, irá medir a distância entre olhos, entre os olhos e o nariz, a posição da boca, a textura da pele, enfim irá extrair medidas da imagem, irá quantificá-la.

Em seguida, conforme seu modelo, irá comparar a imagem quantificada com cada uma das fotografias digitalizadas e inseridas em seu banco de dados. Assim, o algoritmo vai emitindo uma pontuação enquanto compara duas imagens, dois rostos, o do seu alvo e o que está armazenado na estrutura de dados. Como procurei aqui mostrar até aqui, os sistemas de reconhecimento são probabilísticos. Eles não podem responder se aquela imagem é ou não é de determinada pessoa. Eles fornecem percentuais de semelhança e diferença.

Alguns sistemas podem oferecer o percentual de confrontação de diversas imagens e oferecer alternativas de rostos para identificar um alvo determinado. O treinamento dos algoritmos é fundamental para sejam capazes de extrair padrões das fotografias, uma vez que devem retirar padrões de imagens em diversas posições. Esse processo necessita de milhares de fotos para a realização do treinamento. Muitas vezes precisam de reforços e etiquetagem realizada por humanos.

A ação dos drones militares que usam sistemas de identificação facial nos podem ajudar a compreender esse problema. O pesquisador Gregory S. McNeal, no texto “US Practice of Collateral Damage Estimation and Mitigation”, analisou os efeitos colaterais dos ataques realizados por drones. Tais veículos aéreos não tripulados possuem câmeras de alta resolução que permitem identificar alvos. McNeal avaliou os danos colaterais cometidos pelos drones que resultaram em mortes de civis no Iraque e no Afeganistão. Concluiu que 70% deles decorreram de erros na detecção de identidades, ou seja, envolveram a chamada falha na “identificação positiva”. Mas o que seria uma identificação positiva em um sistema probabilístico? Semelhanças de 80%? 90%? 98%? Qual o percentual aceitável para considerarmos que uma pessoa procurada foi detectada?

O reconhecimento facial é uma biometria e compõem a categoria dos chamados dados sensíveis. Podem criar estigmas. Precisam ter seus usos analisados a partir do princípio da precaução. Atualmente são utilizados para a identificação das classes perigosas e os segmentos marginalizados.  Permitem a perseguição de alvos em tempo real. Os sistemas automatizados de reconhecimento facial reforçam preconceitos e ampliam o racismo estrutural na sociedade, bem como, favorecem o assédio de homossexuais, transexuais e ativistas indesejáveis para a Polícia. São tecnologias de acossamento, de vigilantismo e perseguição.

No Brasil, sou considerado uma pessoa branca. Dada a minha idade e tipo físico, caso um sistema algorítmico da polícia me identificasse erroneamente, a partir das câmeras do bairro de classe média que moro, provavelmente teria uma abordagem mais civilizada. Poderia até ser levado para uma delegacia de polícia. Lá o erro do sistema de reconhecimento facial seria detectado e o “falso positivo” seria denunciado.

Todavia, imagine um jovem negro chegando do trabalho no Jardim Ângela ou em Sapopemba e sendo erroneamente identificado pelo sistema de reconhecimento facial como um perigoso criminoso. A depender da unidade Rota que o abordasse talvez não teria nenhuma chance de permanecer vivo. Afirmo que as tecnologias de reconhecimento facial podem contribuir, hoje, para as práticas de extermínio de jovens negros nas periferias. Podem servir para a perseguição política de lideranças dos movimentos sociais, principalmente nas áreas onde as milícias estão justapostas na máquina do Estado.

Além disso, a identificação biométrica é um dispositivo típico dos velhos artifícios da eugenia. São utilizados para identificar imigrantes e segmentos indesejáveis na Europa e Estados Unidos. Na China servem a um autoritarismo inaceitável em uma democracia. Pessoas identificadas pelas câmeras ligadas aos sistemas de reconhecimento facial realizando ações não recomendáveis terão sua pontuação alterada e passarão a ter dificuldades de ter benefícios do Estado.

Sem possibilidade de defesa, sem poder contestar o modelo de probabilidade do reconhecimento, o policiamento ubíquo por meio de câmeras que alimentam os sistemas de reconhecimento facial não são aceitáveis nas democracias. Precisamos impedir a sua ampliação. Na verdade, precisamos bani-los se pretendermos ter coerência mínima com o princípio da precaução. Não podemos utilizar uma tecnologia que emprega sistemas algorítmicos que são falhos e que ainda não permitem uma adequada explicação. Precisamos banir as tecnologias de reconhecimento facial até que possam ser socialmente não discriminatórias, auditáveis e mais seguras.

*Sergio Amadeu da Silveira é professor da Universidade Federal do ABC. Autor, entre outros livros, de Software livre – a luta pela liberdade do conhecimento (Conrad).

 

[Fonte: http://www.aterraeredonda.com.br]

Resulta preocupante que nos últimos ano varias persoas tiveran que afrontar procedementos penais por facer crítica, denuncia ou humor sobre a relixión, a monarquía, Carrero Blanco, ETA… E aínda máis preocupante resulta comprobar que a xente de esquerdas parece querer utilizar eses mesmos instrumentos, precisamente, para defender a liberdade.

Escrito por Celia Balboa

1 Por que a vía penal? Ante todo temos que partir de que o dereito penal, a grandes liñas, é un sector do ordenamento xurídico que inclúe ese conxunto de normas que tipifican as condutas consideradas delituosas, establecendo o seu castigo no caso de as contravir. Estamos a falar dese conxunto de normas das que se dota unha comunidade para garantir a súa convivencia e protección, pero tamén a protección do Estado mesmo e os seus órganos de goberno. É un instrumento de control social en todos os sentidos. E isto é algo que a esquerda parece esquecer ás veces.

Tamén cabe destacar que un dos principios inspiradores do dereito penal é que debe ser a ultima ratio, é dicir, a sanción punitiva penal debe ser o último ao que acudir para reparar ou sancionar. Por iso, e para garantir a seguridade xurídica, a redacción da norma penal debe ser clara e precisa, sen ambigüidades nin imprecisións que permitan interpretacións diversas. Igualmente o principio de intervención mínima debe entenderse dentro dun contexto social cambiante que pode descriminalizar certos actos, porque o ben xurídico protexido deixa de ser importante, pero que tamén pode pasar a criminalizar outros pola mutación deses valores.

2 Por que é tan importante a tipificación delituosa? Á marxe do estritamente xurídico, hai que salientar outro papel importante da norma penal: a contribución na creación dos valores que deben inspirar a convivencia ou as liberdades sociais —a tipificación dos delitos e a súa pena conforman o universo do permitido e do prohibido— por iso o Código Penal soe ser un bo indicador da liberdade e democracia dunha sociedade.

Por exemplo, unha das maiores loitas do movemento feminista foi lograr a tipificación penal da violencia de xénero. O avance neste sentido é innegable. Creo que hoxe ninguén pode permitirse publicamente dicir frivolidades sobre a violencia de xénero sen facerse merecedor do rexeitamento público, cando menos. E iso é un avance moi valioso. Cuestión distinta é se o instrumento penal é o único axeitado.

3 Como se crea un ambiente favorable á lexislación máis represiva? Cando acontecen condenas como as que acabamos de coñecer: Pablo Hasél, os tuits de Casandra, de César Strawberry, a denuncia en relación ao cartel de entroido da Coruña, etc… Cómpre reflexionar: quen e en que contexto se promulgou a norma que sanciona? Cal é o ben xurídico que protexe? Que valor social configura?

Por iso convén analizar as grandes reformas do Código Penal que se fixeron a partir do ano 2000. Ese ano, coincidindo coa segunda lexislatura de José María Aznar, desa volta con maioría absoluta, e dentro do que se deu en chamar «novas formas de loita contra ETA e a súa contorna», o Código Penal sofre unha importante modificación coa Lei 7/2000, texto ambiguo e de difícil comprensión onde os haxa, que dá entrada a determinados delitos cualificando como actos terroristas condutas antes tipificadas como lesións, danos ou estragos, máis ou menos graves, sempre que se produzan co ánimo de «subverter» a orde constitucional, alterando a denominada «paz social». O problema reside en que debemos entender por «paz social» ou «orde constitucional». Acaso con semellantes expresións ambiguas e grandilocuentes non se busca en realidade a criminalización da protesta social?

4 Que pasa co denominado enaltecemento do terrorismo? Esa reforma, acolle esta figura agravada que, se pode entender, contribúe a buscar unha represión innecesaria, máxime cando xa existía o delito de apoloxía do terrorismo ou o de inxurias graves na protección da honra, por exemplo, das vítimas do terrorismo.

No ano 2015, na primeira lexislatura con maioría absoluta de Rajoy, unha nova reforma do Código Penal concede a entrada no noso dereito á denominada prisión permanente revisable, unha pena que é a introdución da cadea perpetua. Ese mesmo ano apróbase a nova Lei de Seguridade Cidadá e, por último, refórmase a Lei de Axuizamento Criminal concedendo ao Ministerio Fiscal moitas máis facultades para intervir na duración dos procesos. En definitiva: un trípode que como xa se denunciara podía resultar moi perigoso.

5 Cal foi o resultado desa reforma? Condenas limitando a liberdade de expresión e manifestación, constantes limitacións que pretenden xustificarse por supostos «valores e esixencias sociais», por exemplo: loita contra o terrorismo, mantemento da seguridade e orde pública, mantemento das Institucións, respecto a sentimentos relixiosos.

A agravación da norma penal permite esa censura ou limitación á liberdade de expresión, cando no fondo non e máis que a imposición dunhas normas que transgriden as liberdades e dereitos fundamentais das persoas. Normativa máis propia de Estados autoritarios que conculcan a liberdade e a crítica en favor dun suposto interese xeral.

6 Que pasa cos delitos contra os sentimentos relixiosos? Os delitos contra os sentimentos relixiosos xa estaban regulados no Código Penal do ano 1973. Naquela redacción o artigo 209 recollía o delito de escarnio a unha confesión relixiosa ou a aldraxe aos seus dogmas ou ritos, con pena agravada se se facía en acto ou lugar de culto.

Case que a mesma tipificación do delito se mantivo no Código Penal do año 1995, mais parece esquecerse que non foi ata o ano 1988 cando se derrogou o denominado delito de blasfemia que, tipificado no artigo 239, sancionaba a blasfemia por escrito e con publicidade.

Polo tanto, non pode dicirse que os sentimentos e as prácticas relixiosas non estivesen protexidas. Por que agora esta criminalización de determinas protestas que non buscan a aldraxe senón a denuncia? Tan só se pode explicar dentro deste clima represivo que estamos a vivir. Unha situación realmente triste se pensamos que unha das mellores características da cultura europea clásica foi ser quen de facer mofa e rir dos seus propios deuses.

7 Como é a redacción do delito de odio? Os chamados delitos de odio son especialmente perturbadores dentro do Código Penal. Xa o do ano 1995 recoñecía os denominados delitos de odio no artigo 510, recollendo e sancionando a provocación á discriminación, odio ou violencia por motivos racistas antisemitas ou referentes á ideoloxía, relixión, etnia ou raza, orientación sexual, etc. Castigaba igualmente a información inxuriosa sobre grupos ou asociacións. A reforma do ano 2015 introduce un novo texto pouco claro que pode levar a non saber realmente se o que se di é delito. Recolle e penaliza condutas non vinculadas nin á causación dun mal, nin á creación dun perigo. Tal e como está redactado o texto, poderá acusarse de delito de odio a expresión de ideas ou opinións contrarias ao sistema de valores do grupo acusador, e esa é unha deriva moi perigosa.

Opinións homófobas, sexistas, racistas, de supremacía, etc, deben confrontarse no debate público coa crítica constante, deben vencerse coa educación e dentro da liberdade, nunca mediante a prohibición ou a censura. A democracia obriga á tolerancia e á liberdade. Como dicía Noam Chomsky: «Se non cremos na liberdade de expresión para a xente que desprezamos, non cremos na liberdade de expresión».

 

[Fonte: http://www.luzes.gal]

 

 

 

En Italie s’enclenche la protestation des traducteurs éditoriaux, une catégorie de travailleurs presque invisible, que la diffusion de la pandémie a mis encore plus en danger. Voici ce que contient la lettre ouverte aux politiciens de STRADE, le syndicat des traducteurs éditoriaux. Une lettre ouverte expose en détail les revendications de cette profession, avec un focus simple : mettre à disposition un fonds pour aider à mieux et plus traduire.

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Écrit par Federica Malinverno

« Depuis le début des années 2000, le pourcentage de titres traduits en Italie a eu tendance à diminuer régulièrement. La première conséquence est un appauvrissement évident de la culture. Traduire, c’est connaître, dialoguer, échanger et faire circuler les idées et les modes de vie : rien n’aide à communiquer comme une traduction (…) Comme le remarque Olga Tokarczuk (prix Nobel de littérature 2018), la lecture d’auteurs étrangers est un vaccin contre les visions du monde préfabriquées et instrumentalisées. »

Voici le début de la lettre que STRADE, le syndicat des traducteurs, a écrit au président de la République Sergio Mattarella, au Premier ministre Giuseppe Conte, au ministre des Biens et Activités culturels Dario Franceschini et aux autres politiciens impliqués dans le secteur de la culture.

Une initiative symbolique

Une lettre publiée en avant-première sur La Repubblica et envoyée aux destinataires le 16 décembre 2020 avec 70 livres, traduits en italien, achetés par STRADE et donnés à des politiciens. À l’intérieur de ces volumes, en plus de la lettre, une carte avec une dédicace de certains des auteurs impliqués dans l’initiative.

Le président Mattarella a reçu La mort de Jésus (publié en Italie par Einaudi) du prix Nobel John Maxwell Coetzee, traduit par Maria Baiocchi. Un geste symbolique pour rappeler l’importance de ceux qui permettent aux textes de circuler de pays en pays.

Traducteurs précaires, sous-payés, dévalorisés

La condition des traducteurs en Italie est très difficile. Bien qu’ils soient des auteurs selon la loi LDA 633/41, ils n’ont pas de statut professionnel et ne perçoivent pas de droits d’auteur. « Nous ne sommes pas de simples travailleurs atypiques », a commenté STRADE, « mais une catégorie qui, il y a encore quelques mois, n’existait pas aux yeux de l’État et qui, par conséquent, est totalement dépourvue de sécurité sociale et de protection sociale. »

En effet les traducteurs sont apparus comme une catégorie professionnelle pour la première fois très récemment seulement, comme le rappelle la lettre, « grâce à la création du fonds d’urgence pour les traducteurs éditoriaux (…), une subvention qui représente avant tout une aide économique nécessaire ». Une contribution pouvant atteindre 3000 euros qui constitue un point important pour la reconnaissance de cette catégorie professionnelle.

« Nous sommes des bâtisseurs de ponts. (…) Nous sommes coauteurs, mais notre nom n’apparaît pas sur la couverture ; les éditeurs réduisent de plus en plus les dépenses pour la traduction, ce qui affecte la qualité des œuvres, et il n’y a jamais d’argent pour nous. La culture est un bien collectif. Qui fait de la culture rend un service à la communauté. Un pays qui est culturellement pauvre est un pays qui est aussi économiquement pauvre », déclare à La Repubblica Marina Pugliano, du conseil d’administration de STRADE.

Une condition qui a empiré avec la pandémie. Les premières subventions arrivent maintenant, mais cela ne peut pas suffire. Le revenu annuel total moyen d’un traducteur avant la pandémie était d’environ 15 000 euros bruts, et cette année, en raison de la pandémie, ont été traduits moins de titres.

Un fonds pour les éditeurs publiant de la littérature étrangère

C’est pourquoi dans la lettre aux institutions a été demandé un fonds de soutien aux éditeurs qui décident de publier des livres écrits dans d’autres langues, suivant « l’exemple des autres pays européens (…) encourageant ainsi la publication des livres qui dépassent la logique étroite du marché ».

En particulier, l’Allemagne : « Un fonds structurel pour la traduction et la formation sur le modèle du Deutscher Übersetzerfonds (fonds des traducteurs allemands), financé conjointement par les ministères de la Culture et des Affaires étrangères avec la participation de fondations privées, et versé directement aux traducteurs et à leurs associations. »

Dans la lettre, il est également proposé « d’investir dans la formation, tant de base que continue, avec des ateliers et des bourses d’études » et « de renforcer les espaces tels que les résidences pour traducteurs, lieux fondamentaux d’étude et de rencontre entre écrivains, traducteurs et lecteurs ».

L’appel de STRADE

Sur le site www.traduttoristrade.it un appel pour la constitution de ce fonds a été signé par de grands noms de la littérature italienne et étrangère, dont, entre autres, Noam Chomsky, J. M. Coetzee, Jared Diamond, Jonathan Franzen, Valeria Luiselli, Daniel Pennac, Clara Sánchez, Judith Schalansky et Olga Tokarczuk.

 

[Photo : ErWin, CC BY ND 2.0 – source : http://www.actualitte.com]

El jurado del IV Tribunal Russell estuvo integrado por personalidades de las ciencias sociales como: Eduardo Galeano, Bonfil Batalla, Stefano Varese, Darcy Ribeiro, Robert Jaulin entre otros. Durante el seminario web estarán presentes líderes indígenas del continente, parte del jurado y expertos internacionales para analizar la situación actual.

Archie Fire, lakota, se dirige al IV Tribunal Russell. De izquierda a derecha: primera fila: John Mohawk, Nilo Cayuqueo y José Barreiro. Foto: Jan Stegeman.

 

Histórica foto del IV Tribunal Russell donde aparecen prestigiosas personalidades de las ciencias sociales como: Eduardo Galeano, Bonfil Batalla, Stefano Varese, Darcy Ribeiro, Robert Jaulin entre otros.

El histórico y pionero Tribunal Beltran Russell de 1980 dedicado a los Derechos de los Pueblos Indígenas de las Américas recibirá un extraordinario tributo con motivo de sus cuarenta años de realización.

El seminario web público de tributo se realizará el 24, 25 y 30 de noviembre –fechas que coinciden con los días originales en que se realizó– con la participación de representantes de diversos países del Abya Yala.

Cabe recordar que el IV Tribunal Beltran Russell de 1980 se realizó en Rotterdam, en los Países Bajos, y congregó a más de doscientos delegados y testigos de los pueblos indígenas, en su mayoría provenientes de las Américas.

Llegaron a la ciudad de Rotterdam para dar sus testimonios presenciales y a través de documentos, sobre las flagrantes violaciones cometidas en contra de sus derechos humanos.

El jurado estuvo integrado por prestigiosas personalidades de las ciencias sociales como: Eduardo Galeano, Bonfil Batalla, Stefano Varese, Darcy Ribeiro, Robert Jaulin entre otros.

Entre los asesores y expertos internacionales se nombraron a Noam Chomsky y otros.

 

El Tribunal Russell

El Tribunal Russell, también conocido con el nombre de Tribunal Internacional sobre Crímenes de Guerra o Tribunal Russell-Sartre, fue un tribunal de opinión internacional e independiente, establecido en 1966 por el filósofo y matemático británico Bertrand Russell y el intelectual francés Jean-Paul Sartre para investigar y evaluar la intervención de Estados Unidos en Vietnam.

Posteriormente se establecieron varios tribunales de opinión siguiendo el modelo y tomando el nombre del Tribunal Russell:

  • Tribunal Russell II sobre Derechos Humanos bajo las dictaduras en América Latina (Roma y Bruselas, 1974-1976),​ Tribunal Russell sobre los Derechos Humanos en Psiquiatría (Berlín, 2001),
  • Tribunal Russell III sobre Derechos Humanos en la República Federal de Alemania (Fráncfort y Colonia, 1978-1979)
  • Tribunal Russell IV sobre el Etnocidio de los Pueblos Amerindios (Rotterdam, 1980).

 

Programa

Primer día: 24 de noviembre

  • Bienvenida por Leo van der Vlist, director del NCIV de los Paises Bajos.
  • Video de Acción de Gracias de Loran Thompson, pueblo Iroques.
  • Sherrill Elizabeth Tekatsitsiakawa “Katsi” Cook Mohawk.
  • Discurso de apertuta de apertura Oren Lyons, Haudinoshauni.
  • José Barreiro, Taino, Islas de las Antillas.
  • Nilo Cayuqueo, pueblo mapuche.
  • Winona La Duke, pueblo anishanabe, USA.
  • Sarah James, pueblo whichin. Alaska.
  • Elies Miller del Comité Organizador, homenaje a Fons Eickholt.
  • Frank van Vree sobre los medios del IV Tribunal Russell y los medios de hoy.
  • Martha Sánchez Nestor, pueblo amusgo, México.
  • Carmen Yamberla, quichua, Ecuador.
  • Palabras de clausura de Nilo Cayuqueo y Winona la Duke.

Segundo día: 25 de noviembre

  • Juan León Alvarado, maya d Guatemala, abre la sesión con oración. Material de archivo del caso de Guatemala del CTR, (Cuarto Tribunal Russell).
  • Jorge Agurto, Servindi (moderador) Perú.
  • Stefano Varese, jurado del CTR 1980.
  • Cosmovisión Maya (video).
  • Serv de Holand memorias de CTR, grupos de apoyo en Europa a los Pueblos Indigenas.
  • Archivo sobre Bill Means, lider iakota.
  • Imágenes audiovisuales sobre Phyllis y Tipiziwin.
  • Patricia Gualinga, quichua, Ecuador .
  • Material de archivo, Guillermo Bonfil Batalla, jurado en 1980.
  • Paloma Bonfil Sánchez, México.
  • Visual de archivo sobre Stefano Varese.
  • Stefano Varese y discusión de un panel con Juan Leon, Patricia Gualinga y Paloma Bonfil.
  • Palabras de clausura Juan León.

Tercer día: 30 de noviembre

  • Imágenes del CTR (Mario Juruna, Xavante).
  • Leonor Zalabata Torres (por confirmar).
  • Apertura por Ailton Lacerda Krenak, Brasil.
  • Francisco Cali Tzay (por confirmar) relator de las NN. UU. sobre los PP.II.
  • Dalee Sambo Dorough, Alaska (por confirmar).
  • Sharon Venne, pueblo creek, Canadá.
  • Leonor Zalabata, presenta a Theo y Tony.
  • Entrevista en video al profesor Theo van Boven, director de D H.
  • Tony Simpson – Fundación Russell Peace.
  • Hortensia Hidalgo, aymara  Chile.
  • Nick Tilson.
  • Oren Lyons – mantenedor de la fe, de los iroqueses – discurso de clausura.
  • Oración final de Ailton Krenak.
  • Segunda parte del documental sobre CTR.

Las conclusiones del IV Tribunal fueron concluyentes. Se probó y condenó las violaciones cometidas por gobiernos a través de las fuerzas armadas, policías y otros grupos armados que respondían a poderosos intereses.

Conozca el informe del IV Tribunal Russell con un clic en el siguiente enlace: https://documentacao.socioambiental.org/documentos/I5D00026.pdf

 

El IV Tribunal Russell tuvo mucha repercusión en la prensa internacional, sobre todo europea, pero también en parte en los Estados Unidos y Latinoamérica.

El citado tribunal fue un elemento catalizador hacia el fortalecimiento del movimiento indígena internacional y al proceso donde en las Naciones Unidas se creará el Grupo de Trabajo sobre las Poblaciones Indígenas en 1982.

A pesar de su enorme importancia y trascendencia el IV Tribunal Russell es poco conocido a nivel internacional y por las nuevas generaciones de líderes indígenas y defensores de los derechos humanos.

Durante el seminario web estarán presentes líderes indígenas del continente, parte del jurado y expertos internacionales para analizar la situación actual.

El contexto actual se muestra marcado por la pandemia, la crisis climática, la crisis civilizatoria y el debate de nuevos paradigmas para el futuro, con el aporte de las cosmovisiones indígenas.

[Fuente: http://www.servindi.org]

Si vous pensez que le « woke » est un ustensile de cuisine chinois, lisez cet article

J. K. Rowling photographiée en 2016, à Londres. La créatrice d’Harry Potter est malmenée par des progressistes qui lui reprochent ses prises de position.

Écrit par Jeremy Stubbs 

Quand nous pensons à la censure, à la confiscation de la liberté de parole, nous pensons en priorité aux exemples historiques des régimes autoritaires ou théocratiques, aux témoignages vécus comme celui de Soljenitsyne, ou aux transpositions dans la fiction comme celle, aujourd’hui archétypique, du 1984 d’Orwell.

Dans chaque cas, il s’agit d’un carcan linguistique et intellectuel imposé par un État centralisé, hiérarchique et dominateur. Mardi dernier, dans une lettre ouverte publiée sur le site de la revue américaine, Harper’s Magazine, plus de 150 membres de l’intelligentsia internationale, surtout anglo-américaine, mettent en garde contre une forme de censure inédite exercée par des minorités – ou pour leur compte – qui se prétendent dépourvues de tout pouvoir politique, économique et médiatique. Parmi les signataires, on trouve des noms illustres d’écrivains, d’universitaires et de journalistes tels que Salman Rushdie, Garry Kasparov, Margaret Atwood, Martin Amis, Noam Chomsky, Stephen Pinker, Malcolm Gladwell ou Jonathan Haidt. Étrangement, ils appartiennent autant à la gauche qu’à la droite du spectre politique.

La France souffre du syndrome du village d’Astérix. On croit que, quel que soit le vent de folie qui souffle depuis les pays anglophones, la Gaule résistera…

La portée de cette lettre est suffisamment significative pour qu’elle soit publiée simultanément dans les presses allemande, espagnole, japonaise et française – en l’occurrence, dans le Monde, fait sur lequel nous reviendrons.

Selon les auteurs, la nouvelle censure qui s’exerce dans les universités, les maisons d’édition, les médias et même les entreprises, se caractérise par une « intolérance à l’égard des opinions divergentes », un « goût pour l’humiliation publique et l’ostracisme » et une « tendance à dissoudre des questions politiques complexes dans une certitude morale aveuglante. » Il s’agit d’exclure du discours public à la fois certains points de vue et les voix qui les portent. L’idéologie au nom de laquelle ces prohibitions sont imposées est le woke, ce politiquement correct dopé aux stéroïdes ; la stratégie adoptée par ses partisans est la cancel culture, littéralement « la culture de l’annulation » ou « du boycott » Quels en sont les tenants et aboutissants ?

L’annulation pour les nuls

Le woke, d’un mot anglais voulant dire « éveillé » ou «  vigilant », constitue une sorte de tétraèdre aux quatre facettes, chacune représentant une opposition manichéenne : la race, montant les noirs contre les blancs (toutes les autres ethnies sont invitées à se ranger du côté des noirs) ; le féminisme, montant les femmes contre les hommes ; la sexualité, montant les homos contre les hétéros ; et le genre, montant les transgenres et autres non-binaires contre les cis, c’est-à-dire tous ceux qui ne se catégorisent pas comme les premiers. Chaque facette est inséparable des autres ; les militants de l’une sont solidaires des autres. Dans chaque opposition, le second groupe – les blancs, les hommes, les hétéros et les cis – est considéré comme ayant tort de par son existence même. Cela s’appelle le « privilège » blanc, masculin et/ou hétéro. Tout le système est placé sous le signe du vieux marxisme révolutionnaire : il s’agit de saisir le pouvoir dans tous les pays, de détruire le capitalisme et de renverser l’ordre social. Quant à la cancel culture, elle se justifie de la manière suivante : des groupes qui, au cours de l’histoire, auraient été privés d’opportunités pour s’exprimer, qui auraient été « silencés », ont le droit aujourd’hui de « silencer » à leur tour tous ceux qui expriment une opinion contraire à la leur.

Si, dans le monde fictif de 1984 ou le monde réel de la Chine contemporaine, l’imposition de la pensée unique est « top down », dictée d’en haut par un gouvernement, la cancel culture est « bottom up », promue par de simples militants – quoique avec l’appui d’un grand nombre des vrais privilégiés, les peoples, vedettes et autres m’as-tu-vu qui, étant majoritairement blancs, hétéros et cis, ressentent le besoin de se faire bien voir en dénonçant publiquement tout écart doctrinal de la part de leurs semblables.

La cancel culture est une métonymie. Au début, il s’agissait bien pour les partisans du woke de faire annuler, par des campagnes de protestations, des événements tels que des conférences ou des débats universitaires auxquels participaient des penseurs dont les idées pouvaient provoquer une détresse psychique insupportable chez les bien-pensants. L’exemple classique en est celui du Canadien Jordan Petersen, professeur de psychologie, grand pourfendeur des idéologies politiquement correctes et auteur du bestseller, 12 règles pour une vie (Michel Lafon, 2018). L’année dernière, l’université anglaise de Cambridge, qui lui avait proposé un poste de chercheur invité, a retiré son offre suite à une campagne de dénonciation organisée par des étudiants et des membres de la faculté. Pas de liberté académique pour les ennemis de la liberté woke.

Pourtant, après la simple annulation, l’action des woke s’étend à des appels à boycotter un(e) tel(le) de façon permanente. En particulier, toute déclaration publique contraire à l’esprit woke, qu’elle provienne d’une personnalité médiatisée ou même parfois d’un simple quidam, suscite une campagne vindicative et haineuse sur les médias sociaux. C’est ce qu’on appelle le « pile on ». Ici, l’exemple classique est celui de l’auteure de la série Harry Potter, l’anglaise J. K. Rowling, elle-même assez bien-pensante, plutôt de gauche et pro-Union européenne. En décembre dernier, elle publie un tweet où elle défend une employée d’une ONG virée pour avoir soutenu que des trans femmes, nées donc avec une physiologie masculine, ne sont pas des femmes de la même manière que des femmes nées avec une physiologie féminine. Dans le tollé qui suit, elle est dénoncée comme une « TERF », abréviation pour « Trans Exclusionary Radical Feministe » ou « Féministe radicale opposée aux transgenres. » De simple acronyme descriptif, cette monosyllabe est devenue une injure qui met fin à tout débat. Au mois de juin, elle récidive et le torrent d’insultes et d’appels au boycott de ses livres reprend avec une force décuplée, menée par les activistes purs et durs suivis par des peoples, en l’occurrence les comédiens rendus célèbres par les adaptations de ses romans. Le « pile on » a deux caractéristiques essentielles. La première est un mélange d’hyperbole outrancière et de chantage émotionnel. Voici le contenu d’un tweet typique d’une trans femme californienne : « Soyons clairs : ce que prônent J. K. Rowling et d’autres TERFs c’est la torture et la mise à mort des jeunes trans. » La deuxième est le recours à des torrents d’injures où l’argumentation intellectuelle joue peu de rôle. Au cours du véritable déferlement de haine virtuelle qui s’abat sur elle, J. K. Rowling, femme et victime dans le passé de violences conjugales, est inondée des pires grossièretés misogynes. C’est presque rassurant : le vieil ordre patriarcal reste présent même chez les militants woke.

Quand la foi est mauvaise

La France souffre du syndrome du village d’Astérix. Ici, on croit que, quel que soit le vent de folie qui souffle depuis les pays anglophones, la Gaule résistera. Faux. L’ennemi est déjà dans la place. La publication de la tribune des 150 par le Monde peut sembler un acte de solidarité en faveur de la liberté de parole par ce quotidien à la gloire sans doute passée, mais non dépourvu d’un certain prestige. Pourtant, tout dans sa façon de présenter le texte constitue un désaveu paradoxal.

Le titre en anglais est littéralement « Une lettre sur la justice et le débat ouvert. » En revanche, le titre du Monde est « Notre résistance à Donald Trump ne doit pas conduire au dogmatisme ou à la coercition ». Il y a certes une référence passagère à M. Trump dans le texte, mais ce n’est pas du tout une polémique gauchiste contre lui. Enfin, après la tribune vient une véritable mise en garde éditoriale dans le journal français. Citant des groupes d’intellectuels qui ne sont jamais nommés, omettant tout exemple précis, le Monde affirme que le vrai danger provient, non de la gauche radicale mais de l’extrême droite et des « suprématistes blancs », avant de rappeler que Donald Trump lui-même a dénoncé récemment la cancel culture. Le message aussi clair que contradictoire : la tribune a été écrite surtout pour dénoncer Donald Trump mais par des auteurs qui sont proches de sa façon de penser ultra-conservatrice. Cette aporie logique empreinte de mauvaise foi est dans le plus pur esprit woke.

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[Photo : Nils Jorgensen/Shutters/SIPA – numéro de reportage: REX40442118_000013 – source : http://www.causeur.fr]

Margaret Atwood, Martin Amis, Noam Chomsky, J. K. Rowling, Steven Pinker y otros autores firman una carta en defensa del derecho a discrepar « sin consecuencias profesionales funestas »

Margaret Atwood, Noam Chomsky, J. K. Rowling y Martin Amis figuran entre los firmantes de la carta

150 intelectuales han firmado una carta abierta, publicada por la revista estadounidense Harper’s Magazinecontra el auge de la intolerancia en ciertos sectores del activismo progresista. Entre los firmantes se encuentran escritores, académicos y artistas como Margaret Atwood, Martin Amis, Noam Chomsky, J. K. Rowling, Steven Pinker, John Banville, Gloria Steinem y Wynton Marsalis.

La carta critica, entre otras cosas, el aumento de «la intolerancia de puntos de vista opuestos», la «moda de la humillación pública y el ostracismo». También recalca la necesidad de «preservar la posibilidad de discrepar sin consecuencias profesionales funestas».

Un ejemplo de este tipo de situaciones lo protagonizó hace unos días una de las firmantes de la carta, J. K. Rowling, creadora de la saga de libros protagonizados por Harry Potter. La escritora británica ironizó en Twitter sobre un texto en el que se usaba la expresión «personas que menstrúan» en vez de «mujeres», tras lo cual fue objeto de una oleada de críticas y acusaciones de transfobia, así como declaraciones públicas de colegas y actores de las películas basadas en sus libros desmarcándose de su punto de vista e incluso el boicot de algunas librerías que han dejado de vender sus libros.

La carta colectiva publicada por Harper’s Magazine —que puede leerse aquí, junto con la lista de los firmantes— comienza aplaudiendo la oleada de protestas que en Estados Unidos y otras partes del mundo reclaman una mayor justicia racial y social. «Nuestras instituciones culturales se enfrentan a un momento de prueba. Las poderosas protestas por la justicia racial y social están llevando a demandas atrasadas de reforma policial, junto con llamamientos más amplios para una mayor igualdad e inclusión en nuestra sociedad, especialmente en la educación superior, el periodismo, la filantropía y las artes».

No obstante, el manifiesto lamenta que, en paralelo, dentro de ese mismo movimiento se produzca una reducción de la libertad para discrepar. «Pero este ajuste de cuentas necesario también ha intensificado un nuevo conjunto de actitudes morales y compromisos políticos que tienden a debilitar nuestras reglas del debate abierto y la tolerancia de las diferencias a favor de la conformidad ideológica. Mientras aplaudimos el primer desarrollo, también levantamos nuestras voces contra el segundo».

La carta lanza el mensaje de que el progresismo no debe caer en la demagogia y la intolerancia de la que hacen gala los nuevos populismos de derechas: «Las fuerzas de la intolerancia están ganando fuerza en todo el mundo y tienen un poderoso aliado en Donald Trump, que representa una amenaza real para la democracia. Pero no se debe permitir que la resistencia caiga en su propio tipo de dogma o coerción, que los demagogos de derecha ya están explotando. La inclusión democrática que queremos se puede lograr solo si hablamos en contra del clima intolerante que se ha establecido en todos los lados».

Fruto de esta intolerancia en el mundo académico y cultural ante la discrepancia sobre ciertos temas, «los editores son despedidos por publicar piezas controvertidas, los libros son retirados por supuesta falta de autenticidad, se prohíbe a los periodistas escribir de ciertos temas, los profesores son investigados por citar trabajos de literatura en clase, un investigador es despedido por divulgar estudios académicos revisados, y los jefes de las organizaciones son cesados por lo que a veces solo son errores torpes», declara el manifiesto. Esto genera, según los firmantes, un clima de autocensura que empobrece el debate público.

[Fuente: http://www.elcultural.com]

Un entrevista clara, directa y muy esclarecedora sobre lo que ocurre en el mundo efectuada al filósofo y lingüista Noam Chomsy, por parte de Vijay Prashad, historiador indio, periodista, comentarista e intelectual marxista. 

Noam Chomsky, durante la entrevista realizada por videoconferencia. 

Vijay Prashad: Hola y bienvenidos a News Click. Hoy tenemos la suerte de tener con nosotros al legendario Noam Chomsky. Noam, bienvenido a News Click.

Noam Chomsky: Un placer estar contigo, aunque sea solo de forma virtual.

– Hace unos 60 o 70 años, Aimé Césaire escribió una frase que me gustaría leerle: “Una civilización que no puede solucionar los problemas que ha creado es una civilización en decadencia”. En mi opinión, esta es una frase muy acertada. Noam, ¿cómo describiría la civilización actual, sobre todo en los países occidentales?

Hace 15 años escribí un libro titulado Estados fallidos, que se centraba sobre todo en Estados Unidos, pero que generalizaba sobre otras sociedades occidentales. Lo que han hecho, bueno, antes ya tenían muchos problemas, pero lo que ha hecho occidente en los últimos 40 años es participar en un proyecto que está muy bien para las personas que lo han diseñado; de hecho, ellas viven en el paraíso, pero que es un desastre para casi todos los demás. Se llama neoliberalismo. En los años 70 prosperó realmente con Reagan y Thatcher. El diseño estaba bastante claro desde el principio, como podemos ver en los resultados actuales, que son muy parecidos a lo que ellos adelantaron. La riqueza se ha concentrado hasta unos niveles extraordinarios, mientras que la población en general se ha quedado estancada, degradada. Por ejemplo, Estados Unidos, donde actualmente un 0,1%, no un 1%, sino un 0,1% posee un 20% de la riqueza, y aproximadamente la mitad de la población tiene un patrimonio neto negativo, es decir, más pasivos que activos, así que más o menos un 70% vive al día, de nómina a nómina. Si se produce cualquier imprevisto, pues mala suerte. Las prestaciones también han disminuido considerablemente.

Lógicamente, la concentración de riqueza se traduce directamente en un si cabe mayor poder de control sobre el sistema político. Siempre ha existido, pero ahora se ha agudizado. Eso se puede apreciar en la legislación, que está diseñada para destruir a los sindicatos, para destruir los derechos laborales, para crear un sistema global que luego ha resultado ser perjudicial para los mismos responsables. Es un frágil sistema global que está diseñado para sacar hasta el último céntimo de beneficio posible de la movilidad del capital, aunque, claro, sin movilidad laboral. Es un sistema extremadamente proteccionista. Se habla mucho del libre mercado, pero eso son patrañas, es un sistema altamente proteccionista, que está diseñado para garantizar los derechos de los inversores.

Pongamos el ejemplo de los medicamentos, ya que últimamente se habla mucho de eso. Existe una medicina que parece servir para aliviar algunos síntomas. Es propiedad de una farmacéutica, Gilead, una farmacéutica enorme que desarrolló el medicamento, en parte, como siempre, gracias a las ayudas gubernamentales para el desarrollo de la investigación. Pero ellos quieren quedarse con la patente. 

Según las reglas neoliberales de la Organización Mundial del Comercio, tienen derechos de monopolio durante décadas, así que pueden cobrar, no sé, unos 20.000 dólares por dosis, si quieren. Bueno, pues resulta que existe una ley en Estados Unidos, la Ley Bayh-Dole, puedes comprobarlo si quieres, que obliga, no autoriza, sino que obliga al gobierno a garantizar que si un medicamento se desarrolla con ayudas del gobierno, tiene que estar públicamente disponible a un precio razonable. Pero vivimos en un mundo de gobiernos criminales que no se preocupan en absoluto por el mundo. Para nada. Reagan lo dejó bien claro y todos los que han venido después han hecho lo mismo. Así que todos ignoran esta norma y ellos pueden cobrar lo que quieren. Bueno, ahora la presión sobre ellos es tan grande que puede que den marcha atrás, pero así es como está diseñado el sistema.

Vivimos en un mundo de gobiernos criminales que no se preocupan en absoluto por el mundo

Y ese es el efecto que ha provocado en la gente, que ha marginado a muchas personas, ha creado lo que se denomina el precariado; es decir, una gran cantidad de personas en una situación muy precaria, sin sindicatos, sin ayudas. Tal y como señaló Thatcher, la sociedad no existe. Reagan y Thatcher dieron justo en el blanco. Lo primero que hicieron fue intentar destruir a los sindicatos, que es la única protección que tiene la gente frente al capitalismo depredador. Así que destruyámoslos. Reagan ni siquiera aplicó, bueno, no ni siquiera, sino no aplicó a propósito la legislación laboral que obliga a respetar ciertos derechos laborales y no contratar esquiroles, que es ilegal en todo el mundo, para acabar con las huelgas, y las empresas solo tomaron el testigo e hicieron lo mismo. Así que se abandona a la gente a su suerte, se la atomiza. Una de las consecuencias es una gran ira, rencor y odio hacia las instituciones. Y este es un terreno fértil para que aparezcan demagogos y digan que la culpa es de otro, como por ejemplo, los inmigrantes, los espaldas mojadas, las madres que viven de las ayudas, como sucedió en tiempos de Reagan, algo que es extremadamente racista, y culpar de los problemas a las madres negras ricas que van a cobrar el subsidio en limusinas para robarte lo tuyo. Ese tipo de cosas. Trump es un genio en ese sentido, lo hace constantemente. Por eso habla tanto de construir el muro y todo lo demás.

En Europa esto se agudiza por la propia estructura de la Unión, que transfiere todas las decisiones a una troika no electa

Y esto está sucediendo en muchos otros países, terreno fácil para los demagogos. Ese es el mundo al que nos enfrentamos: un mundo de capitalismo salvaje y extremo que ha tenido 40 años para destrozarlo todo. En Europa esto se agudiza por la propia estructura de la Unión Europea, que transfiere todas las decisiones, las decisiones importantes, a una troika no electa, a Bruselas, que tiene a los grandes bancos observándola por encima de los hombros, así que puedes imaginarte cuál será el resultado. Ese es el mundo actual. Y todavía no he hablado de lo peor. 

Pongamos India, por ejemplo, que en 50 años será un lugar inhabitable, si persiste la situación actual, muy probablemente, no es seguro, pero si el curso de las cosas sigue como hasta ahora, los análisis más creíbles sugieren que India será sencillamente inhabitable, todo el sur de Asia, será inhabitable, por el calentamiento del planeta. ¿Y esto a quién beneficia? A los ricos y poderosos: empresas de hidrocarburos, grandes bancos, fábricas contaminantes, etc. ¿Y qué estamos haciendo al respecto? Bueno, la mayoría de países está haciendo algo. El país que más hace es Estados Unidos. Está corriendo hacia el precipicio lo más rápido posible. El principal plan de Trump es destruir las probabilidades de que exista una vida humana organizada. Literalmente. Este es el presidente humano más criminal que jamás haya habitado el planeta Tierra. De acuerdo, Hitler era un monstruo que quería matar a todos los judíos, a todos los gitanos, a 30 millones de personas. De eso podemos librarnos. Pero Hitler no quería acabar con la vida humana organizada en el planeta Tierra, Trump sí. Sabe perfectamente lo que está haciendo, pero le da igual. Y la gente que le apoya, por ejemplo, el director general de JP Morgan Chase, que está volcando dinero en los combustibles fósiles, lo sabe perfectamente bien. Pero les da igual.

De hecho, si lees a los nuevos gurús liberales, que veneran a Milton Friedman… Este lo dice a las claras: la única función de una empresa es maximizar el beneficio de los accionistas y de los administradores. Si destruyen el mundo, no es su problema. Y la civilización se derrumbará, si no estás a la altura de ese objetivo. Esa es la doctrina neoliberalista, que data de la década de 1920. No es nada nuevo. De hecho, todo esto, la idea de neoliberalismo se remonta a la década de 1920 en Austria: Ludwig von Mises, el gran gurú Friedrich Hayek. Adoran la autoridad, dicen que no les gusta el Estado, pero mienten descaradamente. Adoran al Estado, adoran el poder del Estado. Von Mises, en los años 20, apenas podía controlar su euforia al ver cómo el incipiente régimen fascista austríaco aplastaba el movimiento obrero y acababa con la socialdemocracia, utilizando la violencia para conseguirlo. Era maravilloso porque eliminaba las interferencias para una economía sólida. Por eso alabó el fascismo y la salvación de la civilización.

Frente a nuestros ojos se está desarrollando una brutal guerra de clases

Cuando Pinochet instauró su dictadura se apresuraron a apoyarla y a participar en ella porque era el experimento perfecto para sus ideales neoliberales. No podía haber objeciones, las cámaras de tortura se encargaban de que así fuera. Entonces el dinero comenzó a llover, de inversores internacionales, del Banco Mundial, de Estados Unidos. Aun así fueron lo suficientemente inteligentes para sobreponerse a sus doctrinas y dejar en su sitio la muy eficiente empresa pública de cobre Codelco, que aporta la mayor parte de la recaudación pública. Así que ahí olvidaron sus doctrinas. El experimento perfecto. Pero, ¿qué sucedió? A los cinco años ya habían destrozado por completo la economía. El Estado tuvo que intervenir más que con Allende. ¿Cambió algo por eso? No, de hecho, cuando Hayek visitó Chile durante la dictadura de Pinochet, dijo que no se había encontrado con nadie que no dijera que había más libertad con Pinochet que antes, lo que probablemente fuera verdad, si tenemos en cuenta la gente que visitó. Eso es el neoliberalismo: le parece perfecto salir de la presente crisis con un sistema muy parecido al que instauraron en beneficio propio, pero más duro, más brutal, más autoritario, con mayor control policial. Es normal, porque eso es perfectamente coherente con los ideales neoliberales de hace un siglo. Así que no deberíamos estar sorprendidos. Están trabajando sin descanso mientras a todos los demás les están diciendo que se queden en casa. Ellos trabajan muy duro para asegurarse de que el día de mañana se parezca mucho a eso. Es una brutal guerra de clases que se está desarrollando frente a nuestros ojos.

– Mientras hablamos, las calles de Estados Unidos están ardiendo, la gente ha decidido que ya no va a aceptar más esta situación, tras el asesinato de George Floyd. Incluso los liberales parecen estar perdiendo la paciencia. Por ejemplo, leí el otro día a George Packer, que escribió un artículo con el título “Estamos viviendo en un Estado fallido”. Es muy sorprendente ver a un liberal escribir sobre el Estado fallido. Y es desgarrador ver cómo asesinan a otro ciudadano afroamericano, aunque también ver cómo la gente sale a las calles, quiero decir, ¿debería esta reacción insuflarnos algún tipo de esperanza?

Bueno, en realidad lo que está sucediendo sirve un poco para alimentar la esperanza. En primer lugar, el asesinato de George Floyd no es un acontecimiento inusual. Quiero decir, este tipo de eventos solían suceder con cierta frecuencia, pero nadie les prestaba atención. Lo que resulta prometedor, y es difícil decir esto en medio de las revueltas, lo prometedor es que hay una reacción, y eso demuestra que se ha producido una especie de mejora en el nivel de civilización del país. De igual modo que antes pasaba desapercibido, al menos mucha gente era consciente y antes no participaba, ahora sí lo hace. Sin embargo, déjame ofrecer una crítica al respecto, es decir, lo entiendo, simpatizo, todo eso está muy bien, pero date cuenta de cómo la atención se está concentrando en los otros policías: uno de ellos es un asesino, pero los otros tres se quedaron inmóviles, no hicieron nada. Están apareciendo numerosas denuncias contra los tres que se quedaron inmóviles. 

No obstante, de vez en cuando resulta útil mirarse en el espejo. ¿Se te ocurre alguien que se quedara inmóvil, durante, en verdad, casi toda nuestra vida y mucho antes, mientras sucedía este tipo de cosas, que no hiciera nada? Gente como yo, por ejemplo, y todos los demás, ¿qué hemos hecho para mejorar la situación que ha dado pie a esto? No cabe duda de que podemos culpar a los policías que se quedaron inmóviles, pero hay un problema de mayor calado, un problema muy arraigado en el lado blanco, incluso las personas que son activistas, participantes, todos permanecimos prácticamente inmóviles ante la situación. Las protestas actuales recuerdan en gran medida a otras, las de 1992, tras el asesinato de Roger Rodney King, aunque fuera la policía de Los Ángeles. Cuando los policías que lo asesinaron salieron del juicio sin castigo alguno, se produjo una tempestad de protestas. La semana de las protestas, creo, murieron 60 personas, se llamó a los militares y la consecuencia, como siempre, fue desviar la atención hacia los manifestantes: necesitamos más ley y orden, más fuerza. Esa es la respuesta típica que se da frente a las manifestaciones, solo que ahora las protestas son más numerosas. 

Hay una reacción al asesinato de Floyd y eso es prometedor. Demuestra que se ha producido una especie de mejora en el nivel de civilización del país

Y debería señalar que esto da lugar a preguntas que los activistas deberían plantearse, que siempre deberían plantearse. Hay que distinguir entre tácticas que hacen que te sientas bien y tácticas que realmente consiguen algo bueno. Las que hacen que te sientas bien son sencillas, como romper un escaparate y demostrar lo enfadado que estoy, eso hace que me sienta bien, pero ¿hace algo bueno?: NO. Es un regalo para el presidente Trump y para la derecha; les encanta. Quizá sea difícil contenerse en tiempos de rencor o crisis, pero si te preguntas a ti mismo, ¿cuál es mi objetivo? La cuestión de qué hacer resulta evidente, siempre, a lo largo del tiempo: son las protestas no violentas, que son difíciles y exigen valor y contención, pero son las que han conseguido cambiar la opinión pública para que apoye la causa que defendemos. Las protestas violentas siempre han sido un regalo para los elementos más duros y más brutales de la sociedad. Y hay que tener eso en cuenta si te tomas la causa en serio. Es duro, no es sencillo. Es fácil simpatizar, sobre todo con los negros, que fueron pisoteados durante 400 años, y no se puede criticar ninguna reacción, pero los demás deberían pensar seriamente en esas cosas. 

– Ese pensamiento es muy potente porque creo que las cuestiones de la estrategia y de las tácticas deberían, como es lógico, tomarse muy en serio. Pero quería hacerle una pregunta que creo que no se plantea mucho. En el Instituto Tricontinental estamos dándole vueltas al concepto de coronashock y sugerimos que mientras que los países más capitalistas lo están pasando peor en esta pandemia, resulta bastante extraordinario que los países socialistas parecen estar resistiendo mucho mejor. Uno de los primeros libros suyos que leí fue The New Mandarins, que iba sobre Vietnam, me afectó mucho, Noam, porque sus escritos sobre Vietnam fueron muy importantes para aquellos de nosotros que queríamos acercarnos y aprender más sobre el poder de Estados Unidos. Vietnam y su primer ministro, Nguyễn, han mostrado una actitud completamente diferente hacia la pandemia global y, de hecho, a pesar de compartir una frontera de 1.400 kilómetros con China, Vietnam no ha sufrido ni una sola víctima. Mi pregunta es si tiene algo que decir sobre este país, que Estados Unidos bombardeó de forma tan brutal durante una gran parte de su historia del siglo XX, y que no solo no haya sufrido ninguna víctima, sino que además ha donado 440.000 equipos de protección personal a Estados Unidos. ¿Cómo debe entenderse esto, un país que fue maltratado de forma tan brutal y que ahora sea tan generoso en medio de una pandemia global?

Bueno, resulta sorprendente observar las cifras de Vietnam, que no puedo comprobar, pero que los científicos parecen aceptar, y todo parece indicar que el número de fallecidos ha sido bastante bajo o hasta incluso cero. De hecho, si se observa cuando empezó la pandemia, Estados Unidos estaba particularmente mal preparado, y hay muchas razones de ello. La principal es que se trata de la sociedad que más dirigida está por empresas. Y cuando la sociedad está gestionada por empresas, esta va a estar orientada hacia el beneficio de los ricos. Esto es casi una tautología. Así que los hospitales estaban siendo administrados siguiendo un modelo de negocio, casi como una fábrica de montaje. Sin recursos de reserva, nada extra, porque eso sería un desperdicio de dinero. Ni en circunstancias normales eso funcionaría muy bien, pero cuando se produce una catástrofe o incluso algo medianamente grave, es una tragedia.

Estados Unidos estaba particularmente mal preparado para una pandemia. Es la sociedad que más dirigida está por empresas

George H. W., el primer Bush, había creado un consejo asesor científico, y cuando Obama asumió el cargo, a los pocos días de su mandato, lo activó y les pidió que elaboraran propuestas para tratar una pandemia inminente. Todo el mundo sabía que iba a llegar y por eso les preguntó: ¿Qué debemos hacer? A las dos semanas le entregaron un plan muy detallado y se aplicó. En cuanto Trump inició su mandato, en sus primeros días, lo que hizo fue desmantelarlo todo porque no generaba ganancias. Este es el neoliberalismo extremo, en lugar del neoliberalismo moderado; salvajismo salvaje, en lugar de salvajismo moderado. Desde su primer día en el cargo, Trump retiró los fondos del Centro para el Control de Enfermedades, cada año; eliminó también los programas de científicos estadounidenses que trabajaban en China con científicos chinos para intentar identificar posibles coronavirus. Un trabajo duro y peligroso, de hecho algunos científicos chinos murieron desempeñándolo, pero todo fue desmantelado.

Y ese es el extremo: Estados Unidos, sin ninguna preparación. A los pocos días, China, increíblemente rápido, había identificado la secuencia del virus, el genoma, y se la había entregado a todo el mundo. Todo el mundo estaba al corriente. Estados Unidos no hizo nada. Los servicios de inteligencia lo sabían, las autoridades sanitarias lo sabían, y no quisieron hacer nada. Eso es lo peor. Europa se encuentra más o menos en el medio, algunos reaccionaron y otros no; total, nunca les prestamos mucha atención a estos asiáticos. Pero en la zona de China casi todos los países reaccionaron. Vietnam lo hizo de manera extraordinaria, pero también Nueva Zelanda y Australia reaccionaron, y lo contuvieron. Corea del Sur fue uno de los más destacados en el sentido de que contuvieron un brote muy grave de manera inmediata. Casi todo con test, sin confinamiento. No lo necesitaron porque utilizaron técnicas de control y seguimiento, y también lo mantuvieron prácticamente bajo control. Igual que Taiwán, Hong Kong y Singapur. Singapur tenía hasta hospitales que habían sido preparados y mantenidos vacíos en caso de que se produjera una pandemia. Sin embargo, occidente actuó mucho peor y Estados Unidos fue el peor de todos.

Y creo que eso está directamente relacionado con hasta qué punto un país está dirigido por las empresas, hasta qué punto el gobierno se preocupa por sus habitantes. Estas dos cosas están inversamente relacionadas. Bueno, no siempre, hay dictaduras que no se preocupan por sus habitantes, pero en los países de los que hablamos estos dos conceptos están inversamente relacionados, en gran medida. Esto resulta, en cierto modo, evidente.

De hecho, uno de los casos más sorprendentes, que es algo de lo que no se te permite hablar en Estados Unidos, es Cuba. Existe algo llamado la unión de la Unión Europea. Por ejemplo, un país rico, como Alemania, que ha sido capaz de contener el virus, más o menos, porque tiene medios extra, más capacidad de diagnóstico, etc., ha conseguido una tasa de mortalidad muy baja, porque es un país muy rico. Y luego está otro país al sur, no muy alejado, que sufrió una terrible pandemia en el norte: Italia. El norte de Italia. ¿Has visto médicos alemanes en el norte de Italia? Quiero decir, si los había, lo han mantenido en secreto.

Pero sí ves médicos cubanos, el único país internacionalista del mundo, que una vez más, ha enviado miles de médicos a los lugares que se han visto más afectados, y que trabajan en las situaciones más difíciles, al igual que hicieron tras el devastador terremoto de Haití y de Pakistán. Este es un país, no hace falta que lo diga, que EE.UU. ha pisoteado durante 60 años. Estados Unidos ha intentado aplastarlo con terrorismo, guerras económicas, etc. Son tan rigurosos que si una empresa sueca quiere enviar equipos médicos a Cuba, no puede hacerlo porque podrían despertar la ira del señor de la mafia. Así que terminan no enviándolos. Y es Cuba que, para empezar, tiene al virus en gran medida controlado, quien envía ayuda a otros países, y la ironía de todo esto supera cualquier descripción imaginable. Y eso es otra cosa que no verás en los titulares de la prensa. 

De hecho cuando se habla de ello, que a veces sucede, se acusa a Cuba de trabajos forzosos por obligar a los médicos a ir, para que el Estado pueda robarlos. Bueno, esto, como mucha de la propaganda que existe, se basa en una minúscula verdad, porque parte de la financiación que reciben los doctores la recibe el gobierno, que la destina a los servicios de salud, a la formación y a mejorar los servicios de salud. ‘Cuba es un Estado totalitario, con trabajo esclavo, entonces hay que aumentar el castigo’. ¿Es esto una forma de fabricar consentimiento? Pues ese es un magnífico ejemplo, en mi opinión. Pero ahí tienes a la Unión Europea por un lado y, por otro, la ayuda internacional del único país internacionalista del mundo, el país que más ataques sufre del señor de la mafia. Y ese es el mundo en el que vivimos. Pero de eso no se habla.

– Bueno, Noam Chomsky, ha sido un verdadero placer tenerle en News Click y sobre todo terminar con usted hablando de forma tan apasionada sobre Cuba. Muchísimas gracias.

Un gusto hablar contigo. Hasta la próxima.

[Esta entrevista se emitió en News Click – traducción de Álvaro San José – reproducida en http://www.ctxt.es]

Voz de referência da esquerda nos EUA, o pensador pede uma grande mudança de rumo. Afirma que colocar funções públicas sob controle privado explica grande parte do desastre na crise do coronavírus

A entrevista com Chomsky

Publicado por MARTA PEIRANO

O norte-americano Noam Chomsky (91 anos) é o fundador da linguística contemporânea e o pensador crucial da esquerda contemporânea. Também é um dos grandes impulsores da Internacional Progressista, a plataforma que reúne o The Sanders Institute, o Movimento pela Democracia na Europa 2025 (DiEM25), representantes do Sul global, Índia, África e América Latina. Em plena pandemia eles se lançam para bloquear uma escalada do neoliberalismo e “abrir a porta a alternativas progressistas preocupadas com o bem-estar das pessoas e não pela acumulação de riqueza e poder”. O encontro foi tela com tela.

Pergunta. Vocês se unem contra a “outra” Internacional?

Resposta. Sim, a Internacional Reacionária liderada pela Casa Branca, que inclui clones de Trump, como o que ele chama de “seu ditador favorito”, [Abdul Fatah Khalil] Al-Sisi no Egito, os ditadores do Golfo Pérsico. Israel é um ponto chave que se escorou fortemente à direita e suas relações com as ditaduras do Golfo estão aparecendo agora. Ao Oriente temos [Narendra] Modi na Índia, que está trabalhando duro para acabar com os últimos resquícios da democracia secular indiana, destruindo a Cachemira e os direitos de 200 milhões de muçulmanos; Bolsonaro no Brasil

P. Acadêmicos como Peter Turchin, que estudam os grandes ciclos, dizem que se acaba um importante. Poderia ser o final do que foi aberto por Thatcher e Reagan?

R. Os ciclos históricos não estão predeterminados, são resultado das ações das pessoas. O período neoliberal foi construído destruindo os movimentos operários. Thatcher atacou os mineiros, Reagan esmagou as greves com fura-greves, algo que é ilegal. Mas como Reagan o fez, as empresas também geriram as greves e destruíram os sindicatos importando ilegalmente trabalhadores de fora. Depois [Bill] Clinton inventou outro dispositivo para destruir o movimento operário. O Tratado de Livre Comércio da América do Norte era um banner que dizia: se continuarem com isso levaremos a fábrica ao México. Metade dos esforços sindicalistas foram sufocados por essa tática de propaganda.

P. O senhor acha que a quarentena poderia ser o ensaio de uma verdadeira greve geral?

R. Já estava acontecendo, até mesmo antes da pandemia. Nos últimos dois anos até nos EUA ocorreu um ressurgimento do poder da greve. Até os professores de Estados conservadores não sindicalizados se manifestaram contra a destruição do ensino público sob os princípios neoliberais; a perda de financiamento, a massificação das aulas, os programas baseados em testes projetados para criar autômatos. Eles se manifestaram na Virgínia, no Arizona, não somente para melhorar suas condições salariais, e sim para melhorar as condições de ensino. E conseguiram um grande apoio social, até nos Estados mais reacionários. Depois existem indústrias como a General Motors. Há uma regeneração do movimento operário e de outros movimentos e não é marginal. Se não conseguirmos alguma espécie de Green New Deal [proposta para transformar o sistema econômico através de uma redução drástica das emissões de gases de efeito estufa e a aposta pela eficiência energética] ocorrerá uma desgraça.

P. O senhor estudou profundamente as táticas de propaganda para influenciar a população. Como pensam [na Internacional Progressistas] em lidar com essa questão?

R. Vamos falar de coisas concretas. Por exemplo, a pandemia. Se não falarmos de sua causa, a próxima será inevitável e será pior do que a anterior, por culpa do aquecimento global. Quanta atenção se dedicou à raiz do problema? Isso é um sistema de propaganda eficiente: ignora o importante. Você não quer que as pessoas tenham ideias perigosas. Não digo que seja deliberado, acho que é automático, o ato reflexo de permanecer dentro do marco da doutrina estabelecida. Outro exemplo. Uma das coisas que essa administração faz para desviar a atenção de seus crimes é procurar bodes expiatórios. As políticas de Trump mataram centenas de milhares de pessoas, mas ele não quer que se saiba, de modo que joga a culpa em outro. Culpa a China, a Organização Mundial da Saúde (OMS). E é uma estratégia boa porque seus fãs não gostam das organizações internacionais. São nacionalistas, supremacistas brancos, não querem estrangeiros se metendo em seus assuntos. Mas o que acontece quando você deixa de apoiar a OMS? Mata pessoas no Iêmen, a pior crise humanitária do mundo, para onde enviam médicos, material sanitário etc. E na África, uma região ainda maior e com muitas doenças. Mas que veículos de imprensa explicam que, para otimizar suas possibilidades de reeleição, Trump está matando inúmeras pessoas? Assim funciona a propaganda: não preste atenção aos verdadeiros crimes e no que os motiva. Se você conta os crimes, mas não explica as estruturas institucionais em que eles ocorrem, as pessoas não entendem o que acontece e os crimes se repetem.

P. Quando o senhor fala da origem da pandemia, se refere à nossa relação com os animais?

R. Isso é só uma parte. O caldo de cultura dessa pandemia é o capitalismo exacerbado pelo neoliberalismo. Em 2003 ocorreu uma enorme epidemia de coronavírus, muito semelhante à atual, que foi contida. Os cientistas alertaram, da mesma forma que fazem agora, de que viria outra. Mas não basta sabê-lo, é preciso fazer algo. Quem poderia ter feito algo? As farmacêuticas, que estavam recheadas de recursos por mecanismos neoliberais, estavam bloqueadas pelo capitalismo. Prevenir algo que ocorrerá em dois anos não dá lucro. O Governo, que financia a maior parte da pesquisa com dinheiro público, laboratórios nacionais, instituições e universidades, estavam bloqueados pelo neoliberalismo, que diz que a sociedade não existe, que o Governo é o problema e que tudo deve estar em mãos privadas. Essa é a origem.

P. Acontece a mesma coisa com a crise climática e o Vale do Silício.

R. Para acabar com a crise é preciso acabar com as emissões. Há pequenas startups que desenvolvem soluções para fazê-lo, mas precisam de apoio financeiro e o Governo não as financia, porque o Governo é o problema. E não podem conseguir investimento privado porque é muito mais lucrativo financiar a Apple para que coloque coisinhas novas no iPhone do que algo que salve a humanidade da destruição.

P. É difícil chegar às pessoas em momentos de ansiedade com uma mensagem que parece mais tediosa do que as teorias da conspiração.

R. Mas quando tínhamos organizações ativistas de trabalhadores, esses eram exatamente os temas centrais de discussão. Quando eu era criança, nos anos trinta, havia muito desemprego nas famílias da classe trabalhadora, mas tínhamos acesso a uma boa educação e grande oferta cultural através dos sindicatos. Havia reuniões educativas, recursos educativos, alta cultura, mas essas eram as questões vitais porque queríamos viver em uma sociedade pacífica. Os movimentos operários se destroem para evitar essas coisas. Para deixar as pessoas isoladas e atomizadas, olhando a tela sozinhas, sem interagir com os outros.

P. Há 20 anos ocorreu o movimento antiglobalização em Seattle, depois veio o movimento Occupy. Por que o ativismo de esquerda não se solidifica?

R. Não concordo. Sanders perdeu as primárias porque as pessoas que apoiam majoritariamente suas propostas, que são os jovens, não foram votar. E os outros dois grandes blocos, que são os afro-americanos e as mulheres, acharam que Sanders não seria capaz de derrotar Trump sob o ataque permanente da imprensa e do Comitê Democrático Nacional, que odeia tanto Sanders que preferiu perder as eleições a perder o partido. Estamos muito próximos de uma vitória da esquerda, mas não se ganha esta guerra com um tiro.

P. O que o faz estar tão seguro sobre isso?

R. Veja a luta pelos direitos da mulher. Não é como se alguém se levantasse em 1965 e dissesse vamos conquistar direitos às mulheres. É uma longa luta contra forças poderosas. A abolição [da escravidão] levou ainda mais tempo, a luta pelos direitos civis é dura e brutal. O movimento contra a guerra dos anos sessenta foi atacado pela imprensa, era impossível chegar aos grandes veículos para falar do tema. Mas se tornou forte e poderoso com seus próprios meios de comunicação, como a Rampart Magazine. Não é fácil e nunca foi. Não acontece com um clique. O movimento Sunrise colocou o Green New Deal em cima da mesa, da mesma forma que os ativistas dos anos sessenta e setenta ultrapassaram a barreira violenta e brutal do racismo. E não era fácil. Você podia apanhar, ser morto, podia ser brutalmente atacado pela polícia. Mas eles ultrapassaram e conseguiram coisas. É assim que se faz. O poder não diz: tome, leve.

P. Vemos novamente o uso da linguagem para desumanizar minorias e coletivos étnicos e religiosos. Como com a caravana [dos imigrantes latino-americanos].

R. Como um veículo independente faria? Há caravanas que vêm de Honduras. Por que Honduras? Há um motivo: Honduras sempre esteve sob o controle de um punhado de oligarcas e de empresas norte-americanas financiadas pelo Governo. Mas existiu um movimento de reforma, Manuel Zelaya venceu as eleições e tentou ultrapassar os aspectos repressivos e brutais da sociedade hondurenha. Foi rapidamente expulso por um golpe militar em 2009. Ocorreram protestos em todo o hemisfério ocidental, com uma exceção. Obama se negou a chamá-lo de golpe militar porque, se o fizesse, teria que deixar de enviar ajudas à junta militar. Ocorreram eleições fraudulentas que todos denunciaram com exceção da administração Obama-Clinton. Enquanto isso, o país se transformou em um dos focos mundiais de assassinatos e massacres e as pessoas começaram a escapar em caravanas e se juntaram pessoas da Guatemala que escapavam da devastação deixadas pelas guerras antiterroristas de Reagan. Você lê essa história em algum jornal? No EL PAÍS, no The New York Times? É isso que jornalismo independente faz.

P. Vamos levá-lo ao presente.

R. Nos EUA, a maior parte das vítimas é de idosos em asilos. Por que morrem tantos lá? Porque os asilos foram privatizados durante a praga neoliberal e passaram ao controle de fundos de investimento. E eles fizeram o que costumam fazer, cortar pela raiz: serviços, funcionários, material. Acontece qualquer coisa e tudo desaba. Mas há mais. Existe um punhado de grandes empresas que gerem a maior parte dos asilos e sua gestão foi publicamente elogiada por Trump. Porque é um de seus principais investidores. Você tem aí um clã de empresas milionárias financiando o presidente mais reacionário da história dos EUA matando pessoas nos asilos de idosos. Mas se publica: pessoas morrem em asilos de idosos. O restante das mortes que não são idosos: são assustadoramente pobres negros e latinos. A lei da natureza? Não, é pela forma como estão obrigados a viver e trabalhar. Trump ordena manter os frigoríficos abertos. A América precisa de contrafilés. As empacotadoras têm condições de trabalho terríveis. Não são vistas pelas organizações governamentais de Saúde e Segurança do trabalho e consumo: o Governo é o problema. As pessoas perdem dedos e morrem. E quem são os obrigados a aceitar esses empregos? Negros, porto-riquenhos, latino. De modo que muitos infectados pelo coronavírus, muitos mortos.

[Fonte: http://www.elpais.com]

Noam Chomsky, Naomi Klein, Yanis Varoufakis, Fernando Haddad e a primeira ministra da islandesa Katrín Jakobsdóttir, entre outros, conforma grupo pela defesa da democracia, da solidariedade, da igualdade e da estabilidade

Yanis Varoufakis, ao visitar Julian Assange na prisão, em fevereiro de 2020, em Londres (Peter Nicholls/Reuters)

O movimento pró-democrático DiEM25, junto com o The Sanders Institute, prevê para este ano o lançamento de uma Internacional Progressista. Mais de 40 políticos e intelectuais de todos os continentes, incluindo figuras de renome como Noam Chomsky, Naomi Klein, Yanis Varoufakis, Fernando Haddad e Katrín Jakobsdóttir (primeira-ministra da Islândia), devem formar parte da iniciativa, que tem como objetivo promover a união, coordenação e movimentação de ativistas, associações, sindicatos, movimentos sociais e partidos em defenda da democracia, da solidariedade, da igualdade e da estabilidade.

DiEM25 e The Sanders Institute – fundado em 2017 por Jane Sanders, esposa do senador democrata Bernie Sanders – iniciaram em 2018 a conformação de uma frente comum, diante do avanço do autoritarismo. No ano passado, muitos países experimentaram manifestações que adicionaram dezenas de milhões de pessoas que defendiam suas democracias, exigiam condições de vida decentes ou exigiam a proteção iminente do planeta. Os organizadores afirmam que a crise econômica e de saúde decorrente da pandemia revelou a necessidade de todos esses grupos progressistas se unam para defender a assistência universal à saúde, a proteção dos direitos trabalhistas e a cooperação internacional.

A Internacional Progressista tem o apoio de um conselho composto por mais de 40 membros, incluindo escritores e ativistas como o estadunidense Noam Chomsky e a canadense Naomi Klein, políticos ativos como o parlamentar grego e o ex-ministro da Economia Yanis Varoufakis; a primeira-ministra islandesa Katrín Jakobsdóttir, a ministra argentina da Mulher, Gênero e Diversidade, Elizabeth Gómez Alcorta. Além deles, também estão presentes líderes latino-americanos, como o ex-presidente equatoriano Rafael Correa ou o brasileiro Fernando Haddad, candidato ao Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições de 2018, vencidas pelo ultradireitista Jair Bolsonaro. Outros aliados conhecidos são o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim, o ex-vice-presidente boliviano Álvaro García Linera, o ator mexicano Gael García Bernal, a escritora indiana Arundhati Roy, o filósofo croata Srecko Horvat e a marinheira alemã Carola Rackete, capitão de navio que se tornou símbolo do resgate de migrantes no Mediterrâneo.

O projeto começa nesta segunda-feira (11/5) com o lançamento do site no qual qualquer pessoa ou organização pode se registrar para se tornar um membro da Internacional Progressista. A organização defende um mundo democrático, igualitário, solidário, ecológico, pacífico, pós-capitalista (economia colaborativa), próspero e plural. A plataforma terá uma secretaria encarregada de organizar as atividades diárias, auxiliar os membros, interconectar organizações e lançar ações conjuntas globais. Será composto por tradutores, desenvolvedores web, designers gráficos e coordenadores.

Em setembro, se a pandemia permitir, será organizado um congresso em Reykjavik, capital da Islândia, que será organizada pelo partido Jakobsdóttir, junto com o Movimento Esquerda-Verde. Nesta ocasião, será planejada a agenda para o ano seguinte da Internacional Progressista.

A plataforma será financiada exclusivamente com doações e contribuições de seus membros. A organização não permitirá o financiamento – ou a participação – de lobbies, executivos de empresas de combustíveis fósseis, planos de saúde, empresas farmacêuticas, multinacionais de tecnologia, bancos (com algumas exceções), empresas de capital de investimento, fundos de especulação ou empresas agroalimentares e do agronegócio.

Mobilização, pensamento e meios de comunicação

A Internacional Progressista pretende atuar em três frentes: fomentar a movimentação social, especialmente a reflexão intelectual, e promover a difusão de novas ideias progressistas através de uma rede de meios de comunicação. Neste último aspecto, a ideia é potencializar o impacto das informações para criar um nexo entre diferentes redações. Entre os participantes incluídos no projeto, figuram o jornal estadunidense The Nation, o italiano Internazionale, o grupo francês Mediapart, o polonês Krytyka Polityczna, além de Africa Is a CountryBrasil WireLausan Collective e The Wire India.

[*Publicado originalmente em ‘El País‘ – tradução de Victor Farinelli]

El lingüista ha parlat al Radical May: « S’obre una escletxa d’oportunitat per canviar les coses des de l’esquerra »

Noam Chmosky al festival Radical May

Escrit per Bernat Puigtobella

Chomsky es va connectar via zoom divendres des del seu confinament per participar al festival de pensament Radical May, coorganitzat per Fira Literal. El vell Noam, que no s’ha afaitat durant aquestes darreres setmanes, lluïa una profusa barba blanca que li donava un aire de profeta bíblic. Un profeta tocat per l’optimisme, perquè Chomsky creu que ha arribat el moment de canviar les coses i veu un gruix de joves disposats a mobilitzar-se per sacsejar l’statu quo.

En una conversa virtual mantinguda amb l’historiador Erik Loomis, Chomsky va assenyalar que als Estats Units s’està congriant un ambient propici perquè els moviments d’esquerra puguin revifar la consciència sindical, com va passar als anys trenta. La crisi del coronavirus serà decisiva a l’hora de decantar el futur. Chomsky alerta que s’està gestant una aliança d’estats reaccionaris, orquestrada per Trump, Bolsonaro, Órban, Abdel Fattah al-Sisi o Erdogan, que només pot ser contrarestada per una força internacional d’esquerres, que ja s’està organitzant i té previst articular-se en moviment en una reunió convocada l’11 de maig, en la qual participaran Bernie Sanders i Yanis Varoufakis.

Chomsky considera que Sanders, malgrat haver tirat la tovallola, ha demostrat que és possible construir una candidatura creïble al marge del poder de les grans corporacions. El lingüista va apuntar que som davant una oportunitat històrica perquè els sindicats tornin a erigir-se com un altaveu de la classe treballadora, com va passar als anys trenta. Llàstima que a les vagues de 1934 l’interlocutor a la Casa Blanca era Roosvelt i ara hi tenim Donald Trump,  que Chomsky va titllar de bufó sociòpata i un dels polítics més malignes de la història occidental i el més gran estafador de la política mundial. Al seu costat, P.T. Barnum seria un aficionat, va dir.

Chomsky veu les vagues dels treballadors d’Amazon com a bons auguris i té l’esperança que els treballadors seran capaços d’organitzar-se de nou per defensar els seus drets. El món corporatiu sent la pressió de la gent i està fent un gir. Al darrer Fòrum de Davos va ressuscitar el concepte de ‘soulfull corporation’, una expressió que es remunta als anys cinquanta i que feia molt de temps que no s’invocava des dels grans poders fàctics. El lingüista també va veure un indici d’esperança en el fet que els joves d’avui tornen a conèixer el sentit del dia 1 de maig, una celebració de les conquestes laborals que la propaganda reaccionària havia aconseguit eclipsar o tergiversar durant generacions.

Això sí, Chomsky va insistir reiteradament que no hi haurà res a fer si no ens desempalleguem de la malignitat que regna a la Casa Blanca. Trump està fent el joc a les grans empreses amb interessos en combustibles fòssils, ha dinamitat l’acord antinuclear amb l’Iran. S’està carregant els tractats de no proliferació nuclear. No ha posat límits a l’hora de crear armes de destrucció massiva. Chomsky també considera alarmant que Trump s’hagi desvinculat de l’OMS, un gest letal que significarà la retirada de molts fons d’ajuda a països subdesenvolupats i la mort per inanició de milers de persones. Tot per tenir contenta una massa d’americans ressentits que ell mateix s’ha dedicat a enfrontar per crear discòrdies entre col·lectius.

Quina hauria de ser l’agenda de l’esquerra en els pròxims anys? Chomsky sosté que les indústries d’energies fòssils seran inviables i que haurien de ser comprades pel govern i nacionalitzades amb un pla de substitució gradual per energies verdes. També afirma que el país s’hauria de dotar d’un banc públic que pugui ajudar realment famílies i empreses a refer-se, en lloc de delegar la recuperació econòmica en uns bancs que tornaran a fer negoci a costa de la gent. Chomsky considera que les pròximes conquestes de l’esquerra haurien de ser una salut pública universal, una educació universitària gratuïta i un sou mínim digne.

Amb una certa nostàlgia, Chomsky, nascut l’any 1928, va desgranar alguns records d’infantesa, quan escoltava la ràdio amb els seus pares, i va recordar que el seu primer article, escrit als 11 anys, abordava la caiguda de Barcelona i l’ascens del feixisme. Mestre Chomsky, sempre tan a prop.

Trobareu més informació sobre el programa d’actes del Radical May aquí.

[Font: http://www.nuvol.com]

“A emergência do coronavírus é grave, mas vamos superá-la. O que me preocupa são outras crises da humanidade: guerra nuclear e aquecimento global”.

Noam Chomsky, linguista, filósofo, cientista cognitivista, teórico da comunicação, ativista acadêmico e político, fala a TV DiEM25 e faz uma longa reflexão sobre a situação atual que o mundo está passando e sobre o ataque neoliberal ‘que deixou os hospitais despreparados’.

“O coronavírus é sério e não deve ser subestimado – explica Chomsky -, mas é preciso lembrar que existem duas ameaças muito maiores, piores do que qualquer outro horror na história da humanidade. A primeira é a ameaça da guerra nuclear e a outra do aquecimento global”, explica ele.

Noventa e um anos, analista político americano, antes da entrevista, ele é apresentado como astro convidado, um homem que influenciou o pensamento de muitas gerações.

“O coronavírus é horrível, pode ter consequências terríveis, mas haverá uma recuperação. Embora as outras duas ameaças não sejam interrompidas, acabou”, explica ele. Seu pensamento gira em torno de um dado: “O ataque neoliberal deixou os hospitais despreparados. Um exemplo para todos: as camas foram cortadas em nome da eficiência”.

Segundo Chomsky, as ameaças globais foram intensificadas precisamente pela abordagem das políticas neoliberais. O que acontecerá no final desta crise? “Haverá mais autoritários ou será necessária uma reconstrução da sociedade”.

Como analista político, ele mora nos Estados Unidos, um país que impõe sanções e obriga outros Estados a seguir o exemplo.

“A Europa também segue o professor. Mas o irônico no momento é que Cuba está ajudando a Europa, enquanto a Alemanha não pode ajudar a Grécia”, explica Chomsky, lembrando também milhares de imigrantes e refugiados que morreram no Mediterrâneo.

“Em um mundo civilizado, os países ricos dariam assistência àqueles que precisam, em vez de estrangulá-lo. Agora, talvez, com a emergência, é hora de entender que tipo de mundo queremos”. E condena o fato de que ainda não foram tomadas medidas de mobilização semelhantes à guerra. “Precisamos dessa mentalidade para superar essa crise de curto prazo, que pode ser enfrentada pelos países ricos”.

Pressionado sobre a questão neoliberal, o filósofo volta ao assunto, explicando que a crise se deve justamente ao fracasso do mercado. “Há muito se imagina que pandemias teriam ocorrido. Eles poderiam ter trabalhado com vacinas, desenvolvendo proteção para possíveis pandemias de coronavírus e, com pequenas alterações, poderíamos ter as vacinas disponíveis hoje. Desta vez, em comparação com o passado, poderia ter sido feito, mas a praga neoliberal interrompeu tudo”.

Outra certeza de Chomsky é de que “não há credibilidade na alegação de que o vírus foi deliberadamente espalhado” .

“Países como China, Coréia do Sul e Taiwan começaram a fazer algo e parece que conseguiram conter pelo menos a primeira onda de crise. Mesmo na Europa, até certo ponto, isso aconteceu. A Alemanha, que se havia mudado bem a tempo, tem um bom sistema hospitalar e agiu de maneira egoísta, sem ajudar os outros, mas pelo menos implementou contenção razoável para si mesma. Outros países simplesmente o ignoraram, como o pior deles, o Reino Unido. Mas o pior de tudo são os Estados Unidos”.

O que restará dessa situação depois que a emergência terminar?
“Existe a possibilidade de as pessoas se organizarem, comprometerem-se e chegarem a um mundo diferente e melhor, capaz de enfrentar problemas como guerra nuclear e catástrofe ambiental, antes de que seja tarde demais”. Mas se chegamos a um momento crítico da existência, não é apenas por causa do coronavírus. “Estamos em uma situação de isolamento social que pode ser superada, ajudando aqueles em dificuldade, fazendo planos para o futuro, encontrando respostas para problemas globais”, diz Chomsky, lançando uma mensagem final: “Isso pode ser feito. Não será fácil, mas os humanos enfrentaram tantos problemas no passado”.

[Fontes: DiEM25 TV / via GreenMe – reproduzido em http://www.pensarcontemporaneo.com]

À medida que a pandemia do Covid-19 revira a ordem política e econômica global, dois futuros muito diferentes parecem possíveis. Em um extremo do espectro, enfrentamos a ameaça de uma recaída no autoritarismo. No outro extremo, temos a possibilidade de aprender com esse desastre (outra colossal falha de mercado aprimorada por um ataque neoliberal e agora pela bola de demolição de Trump): a crise atual oferece um poderoso argumento em favor da assistência universal à saúde e de reavaliarmos os problemas mais profundos de nossas sociedades.

Escrito por Noam Chomsky

Enquanto a pandemia do Covid-19 revira a ordem política e econômica global, dois futuros muito diferentes parecem possíveis. Em um extremo do espectro, as sociedades que enfrentam o tributo imposto pelo vírus podem entrar em colapso no autoritarismo. Mas no outro extremo do espectro, temos a possibilidade de aprender as lições com esse desastre – outra colossal falha de mercado aprimorada por um ataque neoliberal e agora pela bola de demolição de Trump.

A crise atual oferece um argumento poderoso em favor da assistência universal à saúde e da reavaliação dos problemas mais profundos de nossas sociedades. O resultado que prevalecerá depende da força da opinião pública despertada, conforme descrito nos exemplos a seguir, que são adaptados, para este artigo para a Truthout, do meu livro Internationalism or Extinction [Internacionalismo ou extinção].

Se me permitem, gostaria de começar com uma breve reminiscência de um período que é estranhamente semelhante a hoje em muitos aspectos desagradáveis. Estou pensando em 80 anos atrás. Por acaso, foi o momento do primeiro artigo que me lembro de ter escrito sobre questões políticas. Fácil de datar: foi logo após a queda de Barcelona, em fevereiro de 1939.

O artigo era sobre o que parecia ser a disseminação inexorável do fascismo pelo mundo. Em 1938, a Áustria havia sido anexada pela Alemanha nazista. Alguns meses depois, a Tchecoslováquia foi traída, colocada nas mãos dos nazistas na Conferência de Munique.

Na Espanha, uma cidade após a outra estava caindo nas forças de Franco. Em fevereiro de 1939, Barcelona caiu. Esse foi o fim da República Espanhola. A notável revolução popular, revolução anarquista, de 1936, 1937, 1938, já havia sido esmagada pela força. Parecia que o fascismo se espalharia sem ter fim.

Não é exatamente o que está acontecendo hoje, mas, se pudermos emprestar a famosa frase de Mark Twain, “A história não se repete, mas às vezes rima” – muitas semelhanças para se ignorar. Quando Barcelona caiu, houve uma enorme inundação de refugiados da Espanha.

A maioria foi para o México, cerca de 40.000. Alguns foram para a cidade de Nova York, estabeleceram escritórios anarquistas na Union Square, sebos na 4th Avenue. Foi aí que recebi minha educação política inicial, perambulando por essa área. Isso foi há 80 anos. Agora é hoje.

Não sabíamos na época, mas o governo dos EUA também estava começando a pensar que na virtual impossibilidade de conter a disseminação do fascismo. Eles não o viam com o mesmo alarme que eu quando tinha 10 anos de idade. Agora sabemos que a atitude do Departamento de Estado era bastante dúbia em relação ao significado do movimento nazista.

Na verdade, havia um cônsul em Berlim, o cônsul dos EUA em Berlim, que estava enviando comentários bastante inconsistentes sobre os nazistas, sugerindo que talvez eles não fossem tão ruins quanto todo mundo dizia. Ele ficou lá até o dia do ataque de Pearl Harbor, quando foi exonerado – o famoso diplomata chamado George Kennan. Não é uma má indicação da atitude dúbia em relação a esses desenvolvimentos. Acontece que, não poderia saber na época, mas logo depois disso, em 1939, o Departamento de Estado e o Conselho de Relações Exteriores começaram a planejar o mundo pós-guerra, como seria o mundo pós-guerra.

E nos primeiros anos, exatamente naquela época, nos anos seguintes, eles assumiram que o mundo do pós-guerra seria dividido entre um mundo controlado pelos alemães, um mundo controlado pelos nazistas, a maior parte da Eurásia, e um mundo controlado pelos EUA, que incluiria o Hemisfério Ocidental, o antigo Império Britânico – que os EUA assumiriam partes do Extremo Oriente. E esse seria o formato do mundo pós-guerra. Agora, sabemos que essas opiniões foram mantidas até que os russos mudassem a maré.

Stalingrado, 1942–1943, a enorme batalha de tanques em Kursk, pouco depois, deixou bem claro que os russos derrotariam os nazistas. O planejamento mudou. A imagem do mundo pós-guerra mudou e passou para o que vimos no último período desde aquela época. Bem, isso foi há 80 anos.

Hoje não estamos enfrentando a ascensão de algo como o nazismo, mas estamos enfrentando a expansão do que às vezes é chamado de internacional reacionária ultranacionalista. A aliança no Oriente Médio consiste dos Estados reacionários extremistas da região – Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito, sob a ditadura mais brutal de sua história, Israel no centro – confrontando o Irã.

Existem ameaças graves que estamos enfrentando na América Latina. A eleição de Jair Bolsonaro no Brasil colocou no poder o ultranacionalismo de direita mais extremo, mais ultrajante que agora assola o hemisfério. Lenín Moreno, do Equador, deu um grande passo em direção à união da extrema-direita expulsando Julian Assange da embaixada. Ele foi rapidamente preso pelo Reino Unido e enfrenta um futuro muito perigoso, a menos que haja um significativo protesto popular. O México é uma das raras exceções na América Latina a esses desenvolvimentos. Na Europa ocidental, os partidos de direita estão crescendo, alguns deles de caráter muito assustador.

Há também contradesenvolvimentos. Yanis Varoufakis, ex-ministro das finanças da Grécia, um indivíduo muito significativo e importante, junto com Bernie Sanders, pediu a formação de uma Internacional Progressista para combater a internacional de direita que se está desenvolvendo. No nível dos Estados, o equilíbrio parece esmagadoramente na direção errada.

Mas os Estados não são as únicas entidades. No nível das pessoas, é bem diferente. E isso pode fazer a diferença. Isso significa a necessidade de proteger as democracias em funcionamento, de aprimorá-las, de aproveitar as oportunidades que elas oferecem, para os tipos de ativismo que levaram a progressos significativos no passado e que nos poderão salvar no futuro.

Quero fazer algumas observações abaixo sobre a grave dificuldade de manter e instituir a democracia, as forças poderosas que sempre se opuseram a ela, as façanhas de por algum modo forma salvá-la e melhorá-la, e a significância disso para o futuro.

Mas primeiro, algumas palavras sobre os desafios que enfrentamos, sobre os quais você já ouviu falar o suficiente e todos sabem. Não preciso entrar neles em detalhes.

Descrever esses desafios como “extremamente graves” seria um erro. A frase não captura a enormidade dos tipos de desafios que temos pela frente. E qualquer discussão séria sobre o futuro da humanidade deve começar por reconhecer um fato crítico, que a espécie humana agora enfrenta uma questão que nunca havia surgido na história da humanidade, uma pergunta que precisa ser respondida rapidamente: a sociedade humana sobreviverá por muito tempo?

Bem, como todos sabem, há 70 anos vivemos sob a sombra da guerra nuclear. Aqueles que analisaram os registros só podem surpreender-se com o fato de termos sobrevivido até agora. Vez após outra, o desastre terminal tem ficado extremamente próximo, a alguns minutos de distância. É um milagre que tenhamos sobrevivido. Milagres não duram para sempre.

Isso tem que ser interrompido e rapidamente. A recente Revisão da Postura Nuclear [Nuclear Posture Review] do governo Trump aumenta drasticamente a ameaça de conflagração, que seria de fato terminal para a espécie. Podemos lembrar que esta Revisão da Postura Nuclear foi patrocinada por Jim Mattis, que era considerado civilizado demais para ser mantido no governo.

Havia três tratados principais de armas: o Tratado ABM, Tratado de Mísseis Antibalísticos; o Tratado INF, Forças Nucleares Intermediárias; o novo tratado START.

Os EUA se retiraram do Tratado ABM em 2002. E qualquer um que acredite que mísseis antibalísticos são armas defensivas esta iludido com a natureza desses sistemas. Os EUA acabaram de sair do Tratado INF, estabelecido por Gorbachev e Reagan em 1987, que reduziu drasticamente a ameaça de guerra na Europa, que se espalharia muito rapidamente.

Manifestações públicas maciças foram o pano de fundo para levar a um tratado que fez uma diferença muito significativa. Vale lembrar desse e de muitos outros casos em que o ativismo popular significativo fez uma enorme diferença. As lições são óbvias demais para enumerar. O governo Trump retirou-se do Tratado INF. Os russos retiraram-se logo depois.

Se você der uma olhada mais de perto, verá que cada um dos lados tem uma argumentação credível, dizendo que o oponente não cumpriu o tratado. Para aqueles que querem uma imagem de como os russos podem olhar para a situação, o Bulletin of Atomic Scientists, o principal periódico sobre questões de controle de armas, publicou recentemente um artigo de Theodore Postol, destacando o quão perigosas são as instalações americanas de mísseis antibalísticos na fronteira com a Rússia – quão perigosos eles são e podem ser percebidos pelos russos. Observem, na fronteira com a Rússia. As tensões estão aumentando.

Ambos os lados estão realizando ações provocativas. Em um mundo racional, o que aconteceria seriam negociações entre os dois lados, com especialistas independentes para avaliar as acusações que cada um está fazendo contra o outro, para levar a uma resolução dessas acusações, para restaurar o tratado. Isso seria num mundo racional. Infelizmente, porém, não é o mundo em que vivemos. Nenhum esforço foi feito nesse sentido. E não será, a menos que haja pressão significativa.

Bem, resta o novo tratado START. O novo tratado START já foi designado pela figura responsável (que se descreveu modestamente como o maior presidente da história americana) como o pior tratado que já aconteceu na história da humanidade, a designação usual para qualquer coisa que tenha sido feita por seus antecessores.

Trump acrescentou que precisamos nos livrar dele. Na verdade, o tratado entra em renovação logo após a próxima eleição, muito estará em jogo. Muito estará em jogo na questão da renovação desse tratado. Ele conseguiu reduzir significativamente o número de armas nucleares, muito acima do que deveriam ser, mas muito abaixo do que eram antes. E poderia continuar.

Enquanto isso, o aquecimento global prossegue em seu curso inexorável. Durante este milênio, cada ano, com uma exceção, foi mais quente do que o anterior. Existem trabalhos científicos recentes, de James Hansen e outros, que indicam que o ritmo do aquecimento global, que vem aumentando desde 1980, pode estar aumentando acentuadamente e pode passar de um crescimento linear para um crescimento exponencial, o que significa dobrar a cada duas décadas.

Já nos estamos aproximando das condições de 125.000 anos atrás, quando o nível do mar era cerca de 10 metros mais alto do que é hoje. Com o derretimento, o derretimento rápido, dos enormes campos de gelo da Antártica, esse ponto pode ser alcançado. As consequências disso são quase inimagináveis. Quer dizer, nem vou tentar descrevê-las, mas vocês podem descobrir rapidamente o que isso significa.

Enquanto isso acontece, você lê regularmente relatos eufóricos da imprensa sobre como os Estados Unidos estão avançando na produção de combustíveis fósseis. Agora ultrapassamos a Arábia Saudita. Estamos na liderança da produção de combustíveis fósseis. Os grandes bancos, JPMorgan Chase e outros, estão despejando dinheiro em novos investimentos em combustíveis fósseis, incluindo os mais perigosos, como as areias betuminosas do Canadá. E tudo isso é apresentado com grande euforia, com excitação. Agora estamos alcançando a “independência energética”. Podemos controlar o mundo, determinar o uso de combustíveis fósseis no mundo.

Apenas uma palavra sobre qual é o significado disso, o que é bastante óbvio. Não é que os repórteres, comentaristas não saibam disso, que os CEOs dos bancos não saibam disso. Claro que eles sabem. Mas essas são pressões institucionais das quais é extremamente difícil se livrar. Tente colocar-se na posição de, digamos, o CEO do JPMorgan Chase, o maior banco, que está direcionando grandes somas para investimentos em combustíveis fósseis. Ele certamente sabe tudo o que todos sabem sobre o aquecimento global. Não é segredo.

Mas quais são suas escolhas? Basicamente, ele tem duas opções. Uma opção é fazer exatamente o que ele está fazendo. A outra opção é renunciar e ser substituído por outra pessoa que fará exatamente o que está fazendo. Não é um problema individual. É um problema institucional que pode ser resolvido, mas apenas sob tremenda pressão pública.

E vimos recentemente, de maneira muito dramática, como a solução pode ser alcançada. Um grupo de jovens, o Movimento Sunrise, organizado, chegou ao ponto de se sentar nos escritórios do Congresso e despertou algum interesse das novas figuras progressistas que conseguiram chegar ao Congresso. Sob muita pressão popular, a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, acompanhada pelo senador Ed Markey, colocou o Green New Deal na agenda.

Essa é uma conquista notável. É claro que o plano recebeu ataques hostis de todos os lados: isso não importa. Alguns anos atrás, era inimaginável que fosse discutido. Como resultado do ativismo desse grupo de jovens, ele está agora no centro da agenda. Ele precisa ser implementado de uma forma ou de outra. É essencial para a sobrevivência, talvez não exatamente dessa forma, mas com algumas modificações.

Enquanto isso, o Relógio do Juízo Final do Boletim de Cientistas Atômicos, em janeiro passado, estava marcado para dois minutos para meia-noite. É o ponto mais próximo do desastre terminal desde 1947. O anúncio desse horário – desse cenário – mencionou as duas principais ameaças conhecidas: a ameaça da guerra nuclear, que está aumentando, e a ameaça do aquecimento global, que está aumentando ainda mais. E acrescentou uma terceira ameaça pela primeira vez: o enfraquecimento da democracia. Essa é a terceira ameaça, junto com o aquecimento global e a guerra nuclear.

E isso foi bastante apropriado, porque o funcionamento da democracia oferece a única esperança de superar essas ameaças. Eles não serão tratados pelas principais instituições, estatais ou privadas, agindo sem pressão pública maciça, o que significa que os meios de funcionamento democrático devem ser mantidos vivos, usados da maneira que o Movimento Sunrise fez, da maneira como a grande massa demonstrou no início dos anos 80, e da maneira como continuamos hoje.

O novo coronavírus está causando uma calamidade hedionda – que estava prevista e poderia ter sido evitada. Análises credíveis, de cenários extremos possíveis, avaliam que milhões podem morrer, e como sempre, com os pobres e mais vulneráveis sofrendo mais no mundo inteiro. Houve outras catástrofes de saúde na história humana. A “Peste Negra” matou pelo menos um terço da população da Europa, que se recuperou. Também haverá recuperação neste caso, a um custo humano terrível.

Também enfrentamos outras ameaças, que são incomparavelmente mais graves, mesmo que não sejam tão perturbadoras para a vida cotidiana – hoje. Uma é a ameaça de destruição praticamente total pela guerra nuclear, que é ameaçadora e crescente. Outra é a ameaça de uma catástrofe ambiental, que é iminente e devastadora.

Não haverá recuperação. E não há tempo a perder ao tratar decisivamente com as ameaças.

Diante da imensa tragédia do Covid-19, pode parecer cruel colocar a calamidade em perspectiva, e também instar uma busca por suas raízes. Mas o realismo é, no entanto, imperativo, pelo menos se esperamos evitar mais desastres.

Na raiz estão colossais falhas de mercado e malignidades mais profundas da ordem socioeconômica, elevadas da crise ao desastre pelo capitalismo brutal da era neoliberal. Questões que valem a pena considerar, particularmente no país mais poderoso da história mundial, que enfrenta a decisão de permitir ou não que o aríete continue a ser brandido com força devastadora total.

[Publicado originalmente em ‘Truth Out‘. A tradução é de César Locatelli, para a Carta Maior – foto: Danilo Verpa/Folhapress. – fonte: http://www.blogdaboitempo.com.br]

El filósofo y lingüista, presidente de honor de CTXT, concede una breve entrevista sobre el Coronavirus a su traductora italiana

Noam Chomsky, en su antiguo despacho del MIT, en Boston, en febrero de 2015.

Escrito por Valentina Nicoli (Il Manifesto)

Atrapado en casa como todos, o al menos como los afortunados, decido escribir a Noam Chomsky (Filadelfia, 1928) para saber, en primer lugar, cómo está y luego preguntarle qué piensa de la crisis generada por el coronavirus y la reacción de la opinión pública.

Últimamente hay quien da crédito a la idea de que el virus puede haberse propagado deliberadamente, por intereses económicos o geopolíticos. El profesor Chomsky, cuyos libros he tenido el privilegio de traducir durante unos años, me responde en unas horas con su habitual amabilidad.

Me dice que está bien. Él, como nosotros, se queda en casa en Tucson con su esposa Valeria. No es que esto lo detenga, es imposible.

Me hace saber que está inundado de cientos de solicitudes de entrevistas cada día, ahora más que nunca, y que tiene una “agenda torrencial, una agenda incandescente”. Me hubiera gustado preguntarle más, pero sé que me respondería si pudiera.

“La situación es muy grave”, dice. “Y no hay credibilidad en la afirmación de que el virus se propagó deliberadamente.”

En cuanto a la actitud de los distintos gobiernos: “Los países asiáticos parecen haber logrado contener el contagio, mientras que la Unión Europea actúa con retraso”.

¿Qué hay de su propio país?: “La reacción de los Estados Unidos ha sido terrible. Era casi imposible incluso hacer pruebas a las personas, así que no tenemos ni idea de cuántos casos hay realmente”.

En sus respuestas –que minimiza diciendo “no sé si hay algo que valga la pena publicar”– encontramos en pequeñas píldoras lo que necesitamos para entender el núcleo de la verdad: “El asalto neoliberal ha dejado a los hospitales sin preparación. Un ejemplo entre todos: las camas de los hospitales han sido suprimidas en nombre de la “eficiencia”.

Para empeorar las cosas, el “Huracán Trump”. Solo ahora parece que las cosas están cambiando en Estados Unidos, pero “hasta ahora, tanto Trump como Kushner [Jared, el yerno de Trump y su asesor cercano] han minimizado la gravedad de la crisis. Esta actitud se ha visto amplificada por los medios de comunicación de la derecha, por lo que muchas personas han dejado de tomar las precauciones más básicas”.

Chomsky resume en unas palabras lo que necesitamos saber sobre el sistema en el que vivimos: “Esta crisis es el enésimo ejemplo del fracaso del mercado, al igual que lo es la amenaza de una catástrofe medioambiental. El gobierno y las multinacionales farmacéuticas saben desde hace años que existe una gran probabilidad de que se produzca una grave pandemia, pero como no es bueno para los beneficios prepararse para ello, no se ha hecho nada”. 

Gracias profesor, espero verle pronto.

“Cuídate, quédate en casa”.

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Este artículo se publicó originalmente en Il Manifesto, que ha cedido gentilmente los derechos a CTXT. 

Traducción: Alexandre Anfruns.

[Foto: EDU BAYER – fuente: http://www.ctxt.es]

É com grande tristeza que recebemos hoje cedo  a notícia do falecimento da prof. Miriam Lemle.  O sepultamento será  hoje, 12 de fevereiro de 2020, no Cemitério Comunal Israelita do Caju, no Rio de Janeiro às 15 horas.

Apesar de aposentada, a prof. Miriam Lemle continuava ativa na nossa pós-graduação.

Uma vida dedicada à linguística

Em 1962, três anos depois de se graduar em Letras Neolatinas naquela que atualmente é a UFRJ, e ainda como estagiária no Museu Nacional (Rio de Janeiro), a professora Miriam Lemle começava seu percurso na linguística. Nesse momento, a linguística constituía-se ainda numa novidade no Brasil. O professor Joaquim Mattoso Camara Jr. lecionara essa disciplina em 1938 na Escola de Filosofia e Letras da antiga Universidade do Distrito Federal (UDF),  extinta por decreto-lei em 1939 e seus alunos transferidos para a Faculdade Nacional de Filosofia, Ciências e Letras (FNF), parte da nova Universidade do Brasil. O currículo de Letras da FNF, que incluiu três diferentes cursos, a saber, Letras Clássicas, Letras Neolatinas e Letras Anglo-Germânicas, não incluiu a linguística em nenhum deles. Somente em 1948 Câmara Jr. seria convidado a lecionar linguística, mas apenas para Letras Clássicas. Até o final da década de 1950 esse seria o único curso do Brasil em que havia ensino regular de linguística.

Por outro lado, no Departamento de Antropologia do Museu Nacional começava a formar-se em torno de Camara Jr. um grupo de jovens pesquisadores. É aí que vamos encontrar a jovem Miriam Lemle em 1962.

Seis anos mais tarde, já mestre em linguística pela Universidade da Pensilvânia (EUA), a professora Miriam Lemle participaria da criação da primeira pós-graduação em linguística do país, inicialmente no Museu Nacional, mas logo transferida para a Faculdade de Letras da UFRJ: o mestrado e o doutorado em Teoria Linguística, credenciados ambos pelo parecer CESu 573/70, de 07 de agosto de 1970. Consequentemente, seu nome ficaria ligado à criação e expansão de uma área de conhecimento no Brasil, porque ela teria parte na formação dos professores que, oriundos de diferentes regiões do país, iam estudar essa nova área na UFRJ.

O doutoramento na UFRJ, numa linguística já consolidada no Brasil como área de conhecimento, viria bem mais tarde, em 1980. A demora na titulação refletia o consenso da época de que o doutorado não era a condição indispensável para o início de uma carreira acadêmica, mas uma forma de reconhecimento da maturidade acadêmica.

Em fevereiro de 1982 a professora Miriam Lemle consolidava sua participação nas atividades da Faculdade de Letras da UFRJ ao transferir-se formalmente do Setor de Linguística do Departamento de Antropologia do Museu Nacional para o Departamento de Linguística e Filologia da Faculdade de Letras. Com isso ganhava peso e regularidade seu envolvimento com a graduação.

Esse envolvimento não ficaria restrito à Faculdade de Letras, uma vez que 12 anos mais tarde ela estaria entre os professores do Departamento de Linguística e Filologia que passariam a atuar concomitantemente na Faculdade de Medicina, no então recém-criado curso de Fonoaudiologia da UFRJ.

Coordenou o Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ em 1983-1984, e manteve-se como vice-coordenadora até 1986. Em 1985, bolsista Fulbright, faria pós-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (EUA). Nessa época, já reconhecida no país como uma figura catalisadora da pesquisa em gramática gerativa, a professora Miriam Lemle estreitaria seu contacto com o professor Noam Chomsky, idealizador dessa teoria.

Em 1987 seria eleita para a presidência da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) para o período 1987-1989. Atuaria ainda como substituto eventual do chefe do Departamento de Linguística e Filologia da UFRJ em 1993. A partir de  1991 manteve-se como membro da Comissão de Convênios da Faculdade de Letras e, a partir de 1994, quando se tornou professor titular, passou a membro nato da Congregação da Faculdade de Letras.  Ministrou cursos de extensão quer na Faculdade de Letras, quer no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.

Aos muitos encontros de gramática gerativa que organizou na década de 1990, com professores renomados internacionalmente, como, por exemplo, Yosef Grodzinsky, Stephen R. Anderson, Juan Uriagereka, Massimo Piatelli-Palmarini, Michel Degraff  e o próprio Noam Chomsky, acorriam linguistas de todo o Brasil. Seu interesse pela gramática gerativa conduzi-la-ia para a neurociência, no final da década 1990, quando no Brasil essa área não incluía a linguística, nem a linguística reconhecia a neurociência.

Em 22 de maio de 2007, o Departamento de Linguística e Filologia da UFRJ decidiu unanimemente solicitar a concessão do título professor emérito para a professora Miriam Lemle, que se aposentaria em dezembro desse ano, ao completar 70 anos.

Participava atualmente do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFRJ  na linha de pesquisa “Gramática na Teoria Gerativa”,  coordenava desde 2003 o Laboratório Clipsen (Computações Linguísticas: Psicolinguística e Neurofisiologia).

O texto acima foi minha colaboração para a Wikipedia 
para o artigo "Miriam Lemle".

[Fonte: linguisticaufrjcarlotablog.wordpress.com]