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Escrito por Nicole De March

Um mês após a vitória eleitoral de Luiz Inácio da Silva (PT) para o atual presidente Jair Bolsonaro (PL) ainda há manifestações ao redor do país contra os resultados das urnas.  O movimento é composto por golpistas de verde e amarelo que se aglomeram na frente de quartéis e QGs do Exército e bloqueiam rodovias.

Nas redes sociais circulam vídeos da manifestação com cenas no mínimo curiosas mostrando como a desinformação que essas pessoas consomem em suas redes sociais bolsonaristas as isolam da realidade. Um dos vídeos mostra os manifestantes comemorando a prisão de Alexandre de Moraes, ministro do STF, que não ocorreu.

O descolamento da realidade é tão grande que grupos bolsonaristas radicalizados acreditaram na ‘‘notícia’’ falsa de que a intervenção militar já tinha sido decretada. Vídeos como esse têm circulado nas redes, com correntes de oração, pessoas marchando, falando palavras de ordem e até pedindo ‘socorro’ a ETs com luzes de celular. Aparentemente, são pessoas que vivem numa realidade paralela que é guiada por suas redes sociais bolsonaristas.

A antropóloga, professora e pesquisadora na Universidade Federal de Santa Catarina e autora do livro O mundo do Avesso: Verdade e Política na Era Digital, Letícia Cesarino, comenta que todo público extremista (como esse que tem certeza de que as eleições foram fraudadas) é conspiracionista, já que é a Teoria da Conspiração que proporciona esse desgarrar da sociedade principal. Essas pessoas já estavam deslocadas e foram facilmente capturadas pelas teorias da conspiração, como uma verdade que estava escondida, colocando-as num lugar mais central do que o que tinham na sociedade.

A professora explica que o processo de criação dessa realidade paralela precisa de mediadores midiáticos e sociológicos. No caso dos bolsonaristas radicalizados, os mediadores midiáticos que guiam a sociedade, como a imprensa, academia e instituições, são desacreditados e substituídos pelos conteúdos compartilhados nos grupos no Whatsapp e Telegram, e os mediadores sociológicos são os outros bolsonaristas.

‘‘Esse fenômeno é muito característico de seita, quando a pessoa corta laços com a família e refaz com os membros da seita. Os ‘Patriotas’, como se autodenominam, acabam confiando entre si e em suas mídias. Você cria essa sensação de experiência de simultaneidade entre pessoas desconhecidas’’, diz Cesarino.

A pesquisadora adiciona que em seitas tradicionais é necessário sair fisicamente da sociedade, mas no caso dos patriotas é um recorte cognitivo.

Dissonância Cognitiva

Em 1957, o psicólogo social Leon Festinger introduziu o conceito de dissonância cognitiva, que se refere ao mal-estar que a pessoa sente quando se depara com evidências que contradizem crenças preestabelecidas, quando tem duas ideias psicologicamente inconsistentes.

Festinger observou o fenômeno quando ele e seus colegas se infiltraram na seita chamada The Seekers, que acreditava que o mundo seria destruído por um dilúvio que ocorreria antes do amanhecer do dia 21 de dezembro de 1954. O objetivo dos pesquisadores era estudar as cognições e reações quando a profecia de fim do mundo falhasse. A líder dessa seita dizia receber mensagens de extraterrestres do planeta Clarion e que esses iriam salvá-los antes da inundação da Terra. Quando nem o dilúvio e nem o resgate aconteceram, os membros não abandonaram suas crenças e acabaram buscando explicações para a sua não realização. A saída da líder foi alegar que tinha recebido uma mensagem psicografada que dizia que os membros do grupo tinham emanado tanta luz que Deus resolveu salvar a Terra. Os membros aceitaram e continuaram propagando a ideologia da seita.

O mesmo tipo de comportamento tem aparecido nas manifestações: em vários momentos desde o dia 30 de outubro os manifestantes bolsonaristas acreditaram que se ficassem 72 horas nas manifestações ocorreria a intervenção militar e o resultado das eleições seriam invalidados, por exemplo. Em todas as vezes que esse prazo expirou, os bolsonaristas seguiram na crença, interpretaram de alguma maneira e continuaram com o mesmo padrão.

Ricardo Lins Horta, professor de Ciências Comportamentais (ENAP), explica que o fenômeno de seitas é bem conhecido, mas que agora o que os pesquisadores estão tentando entender é o que está presente na arquitetura das redes sociais que potencializa a capacidade de mobilização e de arregimentação desses movimentos de crenças extremistas como o dos patriotas’.

Arquitetura das Redes 

Na pesquisa “Democracia Digital – Análise dos ecossistemas de desinformação no Telegram durante o processo eleitoral brasileiro de 2022”, realizada sob a coordenação de Cesarino e dos pesquisadores Leonardo Nascimento (ICTI/PPGCS/LABHD/UFBA) e Paulo Fonseca (ICTI/LABHD/UFBA), foram analisados grupos e canais de cunho político no Telegram. O que se observou foi que o YouTube era a principal fonte dos links compartilhados nesses grupos e que dentre esses links os canais Jovem Pan e Brasil Paralelo tiveram destaque. A professora comenta que canais como esses e influenciadores digitais muitas vezes não falam explicitamente sobre a teorias da conspiração nos vídeos, mas instalam a dúvida, por exemplo, quando questionam sobre a fraude nas urnas. Outro recurso é camuflar a linguagem, como, por exemplo, quando falam das ‘‘quatro linhas’’ da Constituição querendo referir-se ao artigo 142 que supostamente legitimaria a intervenção militar.

Os grupos no Telegram ampliam a sensação de identificação social e de pertencimento, uma vez que a pessoa se vê num grande grupo que compartilha das mesmas crenças.

Ricardo Horta salienta que ações como as do ‘patriotas’ podem parecer engraçadas, mas que é preciso lembrar que esses bolsonaristas são imbuídos da crença real de que o país está ameaçado. Eles acreditam que o governo do Lula pode violar a inocência das crianças, que quer implantar pautas de ideologia de gênero e banheiros unissex nas escolas, por exemplo.

‘‘As pessoas só são motivadas a ir para rua, pegar ônibus para outra cidade e ficar na chuva porque elas acreditam que valores muito caros e importantes a elas estão sendo ameaçados por pessoas muito mal-intencionadas’’, diz o professor.

A Casa Galileia, organização que atua com pesquisas e análise de dados de grupos evangélicos, cristão e católico monitorou os tipos de conteúdos presentes que circulam nas redes sociais evangélicas e constatou que nos dias 17, 18 e 19 de setembro e as pautas mais presentes eram guerra espiritual e ideologia de gênero.

As redes sociais permitiram o compartilhamento ao vivo de pânicos morais, teorias da conspiração e lendas urbanas, fazendo com que a pessoa se esteja a sentir diariamente ameaçada e com medo. O professor salienta que conteúdos de pânico moral não são novos, mas os smartphones e as redes sociais potencializam o compartilhamento desse tipo de conteúdo.

‘‘Boa parte das vítimas desses conteúdos são os próprios seguidores. Essas pessoas acham que quando Lula assumir a presidência o Brasil vai acabar, elas realmente pensam que vai ter gente entrando na sua casa para roubar sua comida e acreditam que as pessoas vão comer carne de cachorro. Elas estão no regime de terror’’, comenta Lins Horta.

O grande desafio é desradicalizar essas pessoas; a antropóloga acredita que a única saída é afastar a pessoa da sede da “seita”; nesse caso, seria desintoxicá-la desses meios digitais.

‘‘Para você ter alguma chance de trazer essas pessoas de volta, você tem que as tirar do ambiente da seita. Você teria que mexer na própria estrutura de distribuição do algoritmo de conteúdo. Uma coisa que eu acho que pode ser feita também é fazer com que essas pessoas vejam o tamanho que têm, que elas se consigam ver como minoria sectária’’, diz Cesarino. A antropóloga brinca que seria necessário fazer um controle parental reverso, onde se monitora os conteúdos utilizados pelos adultos, porém a professora não é otimista, não acredita que esses grupos vão sumir, mas que precisam ser colocados na margem, serem empurrados para o ‘‘subterrâneo’’ da internet.

A professora diz que nesse primeiro momento de transição de governo é necessária a moderação e banimentos dos grupos extremistas para acontecer esse deslocamento para a margem da sociedade, mas que a médio prazo não é a melhor solução porque eles têm novas formas de reorganizar-se.

O professor Ricardo comenta que podemos obter ‘‘pistas’’ sobre as intervenções eficazes para a desradicalização da publicação recente do maior experimento social já realizado que testou 25 técnicas para reduzir atitudes antidemocráticas, aversão política e suporte a violência política num estudo realizado em 31 mil norte-americanos. O estudo mostrou que uma das intervenções mais eficientes para minimizar a polarização, esse discurso de ‘‘nós’’ contra ‘‘eles’’,  é mostrar para a pessoa que existem valores em comum mesmo quando as pessoas discordam. Mas Lins Horta acrescenta que primeiro temos que trazer aos poucos os radicalizados, não começando pelos mais extremos.

‘‘Não temos que abrir mão de bandeiras, mas sim reconhecer que esses diálogos dão um terreno para você achar o valor comum, essa é uma das formas de desarmar e desradicalizar essas pessoas’’.

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Nicole De March é mestre e doutora em Física (UFRGS). Pós-doutoranda do LABTTS (DPCT-IG/Unicamp) e membro do Grupo de Estudos de Desinformação em Redes Sociais (EDReS).

[Foto: ROBERTO GARDINALLI/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO – fonte: http://www.observatoriodaimprensa.com.br]

Avec 321 millions de locuteurs dans le monde, le français est aujourd’hui la cinquième langue la plus parlée après le chinois, l’espagnol, l’anglais et l’hindi. Entretien avec Alexandre Wolff, chef de l’Observatoire de la langue française, qui publie tous les quatre ans, en amont du sommet de la Francophonie, un rapport sur la « galaxie francophone ».

C’est en Afrique subsaharienne que se trouvent le plus grand nombre de locuteurs de français. © RFI Studio

Écrit par Aurore Lartigue

RFI : On a souvent tendance à penser que l’usage de la langue française est en perte de vitesse. Le dernier rapport La langue française dans le monde semble le démentir ?

Alexandre Wolf : Ce qui apparaît clairement, c’est que le nombre de locuteurs de français progresse. Il progresse même à un bon rythme – 7% soit 21 millions de locuteurs de plus qu’il y a quatre ans –, avec une particularité, c’est que la progression est beaucoup plus rapide sur le continent africain et en particulier en Afrique subsaharienne, où là la progression est plus proche de 15%. L’augmentation s’explique donc assez facilement. Il s’agit de pays dans lesquels le français est langue officielle mais surtout langue d’enseignement. Et donc, compte tenu de la démographie de ces pays et du nombre d’enfants croissant qui va à l’école, le nombre de francophones augmente.

C’est pour ça que vous dites dans le rapport qu’on naît de moins en moins francophone, mais qu’on le devient de plus en plus ?

Il est clair que la progression de la langue française et du nombre de locuteurs de français est due et sera due de plus en plus à l’avenir aux pays dans lesquels elle n’est pas la première langue, la langue maternelle.

Dans beaucoup de ces pays d’Afrique subsaharienne, le français est la langue de communication entre des locuteurs qui ont des langues premières différentes. Elle leur permet de communiquer entre eux, d’avoir des activités économiques… Il est beaucoup plus présent au travail que dans les foyers, mais il est aussi présent dans les médias, la culture, l’administration. Il y a donc un environnement francophone qui fait que la langue française, même si elle n’est pas la première langue, est une langue d’usage quotidien. C’est aussi ça qu’on met aussi en lumière : sur les 321 millions de francophones, un peu plus de la moitié sont sur le continent africain. Mais si on observe ceux qui utilisent le français tous les jours, on dépasse les 60% de francophones sur le continent africain.

Ce n’est donc pas une langue des élites, comme on l’entend souvent ?

Elle est de fait mieux maîtrisée par ceux qui ont fait de plus longues études ou qui ont fait tout simplement des études. Cest incontestable. Mais dans les sondages faits par l’institut Kantar tous les ans, c’est l’utilité du français qui est mise en avant : « le français, j’en ai besoin pour travailler, j’en ai besoin pour faire des études, pour aller sur Internet, pour accéder à l’information nationale et internationale. »

Dans le rapport, vous soulignez que « la période coloniale a très peu contribué à la diffusion de la langue française », une façon de battre en brèche l’image du français « langue coloniale »…

Il est un fait que le français ne serait pas sur ces territoires sans la colonisation. Mais ce qui est vrai, c’est qu’au moment des indépendances, tous ces pays ont fait librement le choix de leur langue officielle et de leur langue d’enseignement. Si on prend le Mali, la Guinée ou le Sénégal par exemple, il y avait peut-être à la fin des années 1950, 2% ou 3% de la population francophone. On est passé à 25%, 30% voire 35% de francophones. La progression a été spectaculaire et c’est grâce à l’école.

L’éducation, c’est le grand défi à relever, en particulier dans les pays dits du Sud où il n’y a pas forcément encore une scolarisation totale de la population.

Pour développer l’usage du français et sa vitalité, il faut donc mettre l’accent sur l’éducation. Quels sont les freins qui demeurent ?

L’éducation, c’est le grand défi à relever, en particulier dans les pays dits du Sud où il n’y a pas forcément encore une scolarisation totale de la population. La scolarisation des filles et les moyens attribués à l’éducation en général sont une priorité de la Francophonie.

Mais choisir le français comme langue d’enseignement dans des pays qui ont déjà des langues nationales, n’est-ce pas paradoxal ?

Depuis une dizaine d’années, l’Organisation internationale de la Francophonie a pris en compte le fait de favoriser l’accueil de l’enfant dans une de ses langues nationales. Le programme École des langues nationales (ELAN-Afrique) consiste à faire les premières années de scolarisation dans la langue nationale, en passant progressivement au français. L’idée étant qu’avec cet enseignement plurilingue, l’enfant réussisse mieux scolairement et maîtrise mieux à la fois le français et sa langue nationale.

Vous mettez en avant les vertus du plurilinguisme…

Tous les pays qu’on dit francophones sont en fait des pays où les gens sont plurilingues, à l’exception de quelques territoires qui sont très peu nombreux. Sur le continent africain, il y a finalement peu de pays où une langue réunit l’ensemble de la population. Parmi les pays membres de l’Organisation internationale de la Francophonie, on peut citer le Sénégal avec le wolof, le Mali avec le bambara, le Rwanda avec le kinyarwanda, le Burundi avec les kirundi, Madagascar avec le malagasy. Là, il y a depuis longtemps une politique de scolarisation dans la langue nationale, parce que c’est évidemment le plus logique et le plus efficace. Même si dans certains pays, le français (ou l’anglais au Rwanda, par exemple) vient se substituer à la langue nationale comme langue d’enseignement à partir de certains niveaux.

Dans tous les autres, la rationalité, pour les dirigeants qui ont pourtant porté l’indépendance de leur pays, était de choisir une langue qui fasse consensus et qui puisse réunir des locuteurs de diverses langues. Au Cameroun, on parle plus de 200 langues, en Côte d’Ivoire une centaine… Donc il fallait bien trouver un médium d’enseignement. Le choix est tombé sur le français car il y avait une base présente, même si elle était très faible encore.

Le français est la deuxième langue la plus apprise dans le monde

Quelles conséquences a le fait que le centre de gravité du français se soit déplacé vers l’Afrique ?

Le français, comme toutes les langues qui vivent au contact d’autres langues, est influencé, enrichi par les réalités et les langues locales. Des variations voient le jour, se diffusent. Les français qui sont en vigueur en Afrique ou dans d’autres pays, comme le Québec, où se trouve aujourd’hui l’Observatoire de la langue française, s’influencent les uns les autres et viennent exprimer une diversité. On peut considérer qu’il y a une littérature de langue française, mais en réalité, quand on lit un livre d’Alain Mabanckou ou d’un auteur né en France, la langue n’est pas tout à fait la même, et pourtant, on la comprend. Il y a d’ailleurs eu l’émergence d’un dictionnaire des francophones qui est en ligne et qui permet de voir toute la richesse des expressions que l’on soit sur un continent ou sur un autre.

Un autre constat marquant émerge du rapport : le fait que le français recule en Europe. Comment l’expliquez-vous ?

Là on se place sur le terrain du français langue étrangère. D’abord, ce qu’on peut dire, c’est que le français est quand même la deuxième langue la plus apprise dans le monde. Nous estimons qu’il y a un peu plus de 50 millions d’apprenants de français langue étrangère. Dans les pays anglophones, le français est la première langue apprise, à l’exception des États-Unis où l’espagnol arrive devant le français, compte tenu du contexte. Mais depuis quatre ans, on a constaté une baisse de 10% des effectifs en Europe. La principale raison, c’est les politiques linguistiques des pays qui souvent restreignent l’apprentissage des langues étrangères à une seule langue. Dans ce cas, c’est l’anglais qui est en quelque sorte imposé. C’est assez dévastateur et c’est contraire aux engagements des pays européens qui ont déclaré à plusieurs reprises qu’il fallait absolument que les systèmes éducatifs proposent au moins deux langues étrangères, voire trois. Manque de moyens sans doute, manque de volonté…

Il faut que les citoyens puissent prendre connaissance des décisions qui les concernent directement dans leur langue.

La secrétaire générale de l’OIF, Louise Mushikiwabo, a dit qu’elle voulait lancer un appel pour « faire reculer le recul du français dans les institutions internationales ». En quoi c’est important ? 

Le français a une position assez unique puisqu’il est langue officielle de pratiquement toutes les organisations. Mais dans les faits, sa place a régressé considérablement. On a pris l’habitude de s’exprimer directement en anglais, qui est le plus dénominateur commun, même si parfois c’est à des niveaux médiocres.

Le combat de la secrétaire générale Louise Mushikiwabo, c’est de dire le multilatéralisme, c’est une forme de démocratie internationale. Il faut qu’elle repose sur une bonne compréhension et la capacité de chacun à s’exprimer correctement. Ça demande un peu de moyens, c’est vrai. Il faut des traductions, de l’interprétation, de la formation linguistique chez les fonctionnaires et les diplomates.

Mais il faut aussi une prise de conscience : on pense que c’est plus simple et plus économique de parler tous en anglais. Ce n’est pas vrai, parce que finalement il faut faire des révisions linguistiques parce que ceux qui s’expriment en anglais ne s’expriment pas toujours bien, on ne comprend pas toujours ce que l’autre veut dire, ce qui est quand même embêtant quand on est dans un processus de discussions internationales. Et beaucoup de citoyens sont exclus du débat public de ces organisations. La généralisation de l’anglais à l’échelle mondiale est un mythe. Il faut raison garder et s’adresser à ses citoyens dans les langues qu’ils maîtrisent. Que les citoyens puissent prendre connaissance de ce qui les concerne directement dans leur langue.

Sur Internet, le français est la quatrième langue la plus utilisée après l’anglais, le chinois et l’espagnol, même s’il est rattrapé par l’hindi. Que nous enseigne l’étude des langues de la Toile ?

D’abord, grâce au chercheur Daniel Pimienta, qui a travaillé sur cette question, on casse le mythe d’un internet anglophone à 80%. C’est tout à fait faux et absurde puisqu’on voit bien, dans nos usages, que lorsqu’on recherche un contenu, culturel ou autres, on le fait dans sa langue. Aujourd’hui, l’anglais représente autour de 25% de l’internet, ce qui est déjà beaucoup. Mais internet n’est pas aussi unilingue qu’on veut bien le dire. Il y a des langues qui progressent plus que d’autres, comme l’arabe, le mandarin ou l’hindi. La raison est démographique. Le français se maintient. Surtout, il a des réserves de progression puisque la majorité des francophones se trouve aujourd’hui en Afrique, qui est le continent le moins connecté. Donc au fur et à mesure qu’on va résorber cette fracture numérique, le nombre d’internautes francophones va augmenter et donc la présence du français sur cette espace aussi.

 

[Source : http://www.rfi.fr]

La editorial Cabaret Voltaire publica la primera novela de la autora marroquí que, en 2018, fue candidata al Premio Goncourt.

Meryem Alaoui

Publicado por Jacinta Cremades

La novela De la boca del caballo sale la verdad grita, huele, suena y se ríe de forma estruendosa como la mismísima ciudad de Casablanca, donde la autora marroquí Meryem Alaoui (Rabat, 1977) creció, trabajó y desarrolló ese mundo literario que ahora la ha lanzado a la fama. Publicada por Cabaret Voltaire en su versión al español, esta primera novela salió en Francia como un bombazo en 2018, captando la atención de la crítica. Fue, a su vez, seleccionada al Premio Goncourt, al premio Flore y se llevó el premio Beur FM-Mediterraneo TV5 Monde.

La novela cuenta en primera persona la vida cotidiana de Yemía, una prostituta de unos treinta años que vive en un cuarto con su hija. De carácter positivo y una encantadora claridad al hablar, escribe en su diario las conversaciones que mantiene con sus compañeras, en la calle o tomando cervezas, los encuentros con clientes, entre seis y ocho al día, hasta que el destino decide brindarle una extraña segunda oportunidad: la llegada al barrio de una joven de aspecto corpulento que se hace llamar Bocacaballo por los rasgos de su cara, una cineasta en busca de una actriz.

Pregunta. Es un poco fuerte describir a alguien por su semblante de animal, ¿no le parece?

Respuesta. Es cierto. Pero esa era la verdad. Este personaje tenía unos dientes enormes y una gran sonrisa de caballo y, como era esquelético, solo se le veían esos rasgos. En Marruecos, como muchos de nosotros venimos del campo, usamos vocabulario proveniente de los animales. Las comparaciones se inspiran del mundo animal: del caballo, pero también de la vaca, de las gacelas, de los insectos. Una persona delgada es un mosquito. Las referencias son infinitas. El título me vino por el proverbio que dice que “la verdad sale de la boca de los niños” y pensé en un caballo y acabé formulando “la verdad sale de la boca del caballo”.

« En Marruecos, como muchos de nosotros venimos del campo, usamos vocabulario proveniente de los animales »

P. ¿Y esa historia de bullicio callejero en la que se escucha el mundo de la prostitución? ¿Cómo entró en contacto con él una socióloga editora, hija de un poeta?

R. La novela nace del barrio en el que viví en Casablanca durante siete años, un lugar en el que trabajaban prostitutas, cerca del mercado. Me fascinaba observar y sentir su actividad, verlas todos los días, siempre quería saber más de ellas, de sus vidas, por pura curiosidad personal para saber dónde iban, cómo conseguían a los clientes y me paseaba a su alrededor para saber cómo se las arreglaban. Nunca pensé en escribir una novela, hasta que me di cuenta, un buen día, de que estaba escribiendo sobre ellas.

P. Me pregunto si la novela es Yemia o Casablanca. Traza usted una pintura absolutamente alucinante, realista y detallista de una ciudad que parece conocer como la palma de su mano. ¿Esa energía que describe en la ciudad, es la que ha trasladado a su protagonista?

R. Yemia es la pura vitalidad de una mujer positiva, igual que Casablanca lo es como ciudad. Es imposible no dejarse llevar por su energía. Casablanca es la ciudad en la que crecí, trabajé, pasé los mejores años de mi vida y a la que ahora regreso después de diez años viviendo en Estados Unidos. Adoro Casablanca por ser caótica, desordenada, una ciudad difícil para vivir pero sorprendente justamente por este fabuloso caos.

« Casablanca es desordenada, una ciudad difícil para vivir pero sorprendente por este fabuloso caos »

P. Un caos en el que, en su novela, parece que viven también los marroquís o, mejor dicho, sus ideas. A pesar de ser una historia que se acerca a la fábula, consigue dar una imagen muy real de sus cambios y sus locuras. De hecho, lo que más sorprende y hasta choca son los enormes contrastes: prostitución con prácticas religiosas, alcohol con prohibiciones, la diferencia entre ser mujer u hombre en un matrimonio. ¡La línea de separación entre los dos mundos parece a veces imperceptible! ¿Todos los marroquís se bañan entre estos dos mundos continuamente?

R. ¡Me imagino que sí! Y la prueba son estos contrastes que usted señala. Existe la presión social, las prohibiciones, pero no por eso se deja de vivir. Todo el mundo se acaba saliendo con la suya. No se puede vender alcohol a los marroquís musulmanes, pero es fácil hacerse con él. Las relaciones sexuales fuera del matrimonio están prohibidas pero la gente tiene relaciones antes del matrimonio. Siendo marroquí, uno integra las prohibiciones, vive como puede pero sin complacerlas.

P. Hasta que el destino o la suerte llama a tu puerta… Yemia se encuentra por casualidad con Bocacaballo, que le cambiará la vida de la noche a la mañana. En una novela en la que oscila entre estos dos mundos tan distintos, ¿es usted más partidaria de la suerte o del destino?

R. Un poco los dos. ¿Existe la suerte? Por supuesto. Pienso que la suerte es uno de los elementos que permite que nuestros proyectos se concreten, que nuestros deseos se hagan realidad. Sin suerte, no se llega a nada. La cuestión del destino es más compleja. Se supone que todo está ya escrito de antemano, en vez de que las vidas se escriban, a medida que una avanza.

P. Y para usted, ¿la literatura era su destino o, más bien, es una forma de denuncia, un grito de libertad? ¿Escribe por placer? ¿Qué representa escribir literatura para usted?

R. Pienso que la palabra placer sería la más acertada. Luego, la escritura es una evasión, una apertura al mundo y en eso también me refiero a la lectura. Para mí, están íntimamente entrelazadas. Me gusta leer y escribir por diversión, por placer como usted dice. Me permite familiarizarme con otras vidas, otras culturas, otros lugares que me hacen soñar, viajar. Cuando escribo, me olvido de quién soy, y es un olvido que me sienta bien. Como si hiciera una pausa en mi vida. Los momentos en los que uno puede experimentar esa pausa son raros en el día a día que nos absorbe.

« Cuando vi publicada la novela en la editorial Gallimard pensé que ya me podía morir tranquila »

P. Tras el éxito fulgurante de esta primera novela, ¿en que ha cambiado su vida?

R. Es verdad que la publicación de esta novela ha sido un momento importante en mi vida. Siempre he llevado la escritura dentro de mí, sabía que acabaría escribiendo, pero no sabía ni cuándo ni cómo. Cuando por fin salió, tuve la sensación de que algo verdaderamente importante acababa de suceder. Al ver De la boca del caballo sale la verdad publicado en la colección Blanche de la editorial Gallimard, pensé: « Ya está. Ya me puedo morir tranquila »

P. En su libro incorpora lenguaje animal, palabras y expresiones de lugares calientes como Casablanca. ¿Piensa que la lengua francesa debe aceptar reformas culturales para expresar la sociedad moderna y multicultural en la que se desarrolla?

R. Al ser una lengua viva, lo queramos o no, el francés se transforma y hoy más que nunca también por la revolución numérica. Todo el mundo tiene acceso a nuevos lenguajes, nuevas formas de hablar. El inglés, por ejemplo, ha hecho irrupción en el idioma francés. Su evolución es inevitable. Vemos cómo el árabe entra en el francés. Desde el momento en que hay proximidad de culturas y de formas de expresión, hay incorporación, energía y vitalidad, sin seísmos ni desgarros.

[Foto: Cabaret Voltaire – fuente: http://www.elespanol.com]

Interpellé par l’Association Des Familles Homoparentales sur sa définition du mot «famille», le dictionnaire va la modifier.

Le dictionnaire le Robert possède des «dizaines de milliers de définitions soigneusement rédigées par nos lexicographes et régulièrement mises à jour», ainsi qu’on peut le lire sur son site. Or, l’une d’elles n’a pas été mise à jour concernant le mot «famille».

Si l’on ouvre le dictionnaire en ligne, on peut lire ceci: «Les personnes apparentées vivant sous le même toit, et spécialement, le père, la mère et les enfants.» Une définition qui n’a pas plu à l’Association Des Familles Homoparentales (ADFH). Elle a en effet interpellé le dictionnaire sur Twitter: «Pourquoi ce “spécialement le père, la mère” dans une définition “restreinte” de la famille? Depuis 2013, la famille ce n’est plus uniquement “père, mère et leurs cinq enfants…”»

Interrogé par BFM, Géraldine Moinard, directrice de la rédaction des éditions Le Robert, s’en est expliqué ainsi: «On a fait beaucoup de changements sur les mots de la famille dès le début des années 2000.» D’après elle, Le Petit Robert en ligne est le premier à être modifié, avant que l’ensemble des dictionnaires papiers soient amendés. Elle poursuit: «Visiblement on a eu un oubli de report pour le mot famille exclusivement pour la version en ligne.»

Un oubli étonnant quand on sait que Le Robert est pourtant l’un des dictionnaires de référence les plus progressistes. En octobre 2021, il intégrait ainsi le pronom neutre «iel», dans sa version numérique, alors même qu’il était inconnu du grand public. Concernant la définition du mot «famille», celle-ci doit être mise à jour «au maximum la semaine prochaine», a-t-on ajouté sur le plateau de BFM.

L’ADFH a également pointé du doigt la définition de la famille dans les colonnes numériques du Larousse. On y lit ceci: «Ensemble formé par le père, la mère (ou l’un des deux) et les enfants.» Selon BFM, le dictionnaire Larousse n’a «pas l’intention de modifier sa définition actuellement en ligne».

[Photo : 118674626/motizova – stock.adobe.com – source : http://www.lefigaro.fr]

El museu d’Albert Einstein a Jerusalem albergarà la col·lecció més gran d’arxius del físic

 

Escrit per Malena Ramajo

El govern d’Israel ha aprovat un projecte milionari per construir un museu dedicat al físic alemany Albert Einstein a la Universitat Hebrea de Jerusalem, segons ha informat la universitat en un comunicat. El centre albergarà els 85.000 arxius que el físic va llegar al centre en morir l’any 1955, de manera que constituirà la col·lecció més gran d’arxius d’Einstein existent al món.

El museu es construirà al campus Safra, en el barri de Givat Ram, i tindrà un pressupost de 18 milions d’euros, dels quals l’executiu n’aportarà 6 milions i la universitat els 12 milions restants. El ministre de Construcció i Habitatge, Zeev Elkin, ha presentat el projecte i ha assegurat que es tracta d’una « important resolució que enfortirà l’acadèmia a Israel, la seva capital i la Universitat Hebrea ».

El museu tindrà espais com ara una reconstrucció de l’oficina i la biblioteca d’Einstein i alhora es podran veure alguns dels seus articles científics i escrits originals. Els arxius seran accessibles al públic general en format digital i el museu servirà també com « un espai innovador per a l’educació científica i tecnològica », segons ha informat la universitat.

« Amb tècniques innovadores, demostracions científiques i documents originals, el museu presentarà les contribucions d’Einstein a la ciència, l’impacte dels seus descobriments a les nostres vides actuals, la seva activitat pública i la seva participació en moments històrics clau durant la seva vida », ha explicat el centre.

El museu explorarà « la connexió d’Einstein amb el destí del poble jueu »

A banda d’exposar l’obra d’Einstein i les seves contribucions a la ciència, el museu també explorarà « la profunda connexió d’Einstein amb el destí del poble jueu, l’Estat d’Israel i la Universitat Hebrea ».

La figura d’Albert Einstein està estretament unida a la Universitat Hebrea, perquè el físic va tenir una important implicació en el projecte de la seva fundació i el 1925 va assistir a la inauguració, on va dur a terme la primera classe. Einstein també va conformar el primer consell de rectors de la Universitat, al costat de figures de renom com el metge Sigmund Freud, el filòsof Martin Buber o el que va ser el primer president de l’estat d’Israel, Chaim Weizmann. No en va, aquesta universitat està considera com una de les més prestigioses del món i almenys 15 premis Nobel van estudiar o ensenyar en el centre.

El president de la universitat, Asher Cohen, ha assegurat que « el llegat d’investigació i excel·lència acadèmica d’Albert Einstein és present en cadascun dels pilars d’aquesta institució ».

Albert Einstein, jueu nascut a Alemanya, és considerat un dels millors físics teòrics de la història. Va publicar la teoria de la relativitat, que li va merèixer el Premi Nobel de Física l’any 1921, i amb el qual va revolucionar la ciència en introduir noves formes de veure el moviment dels objectes a l’espai i el temps. També va fer importants contribucions a la teoria de la mecànica quàntica. El 1933, amb l’ascens d’Adolf Hitler al poder va marxar als Estats Units, on va viure la resta de la seva vida. Malgrat tot, sempre va estar vinculat a l’estat d’Israel des de la seva creació, el 1948. De fet, el 1952 se li va arribar a oferir la presidència del país hebreu, però aquest la va rebutjar « profundament commogut per l’oferta », al·legant que no tenia aptituds per al càrrec.

[Font: http://www.elnacional.cat]

Ponte da Barca (Pontevedra), entre 1910 e 1915 © Fototipia Thomas / Deputación de Pontevedra

O repositorio atoPo, da Deputación de Pontevedra, vén de poñer a disposición da cidadanía milleiros de fotografías e documentos procedentes do arquivo municipal da cidade de PontevedraEn total, son 150.000 elementos de 1834 ata 2004 que están xa sistematizados e serán dixitalizados e accesibles ao público no seu conxunto nas vindeiras semanas. A día de hoxe, 48.000 destes documentos xa están subidos e 27.000 xa son públicos.

O organismo provincial ten xa no seu arquivo 2,2 millóns de referencias de toda a provincia, coa única excepción do Concello de Vigo, tendo unha parte pública e outra restrinxida, unha dixitalizada e outra só referenciada. Os fondos do Concello de Pontevedra convértense agora nos segundos máis numerosos no sistema provincial, só por detrás da propia Deputación.

Soportais da Ferrería (Pontevedra), ao redor de 1950 © Joaquín Pintos / Deputación de Pontevedra

O fondo contén imaxes de actos que dan testemuña da actividade política e institucional do Concello e da cidade: reunións, recepcións na Casa do Concello, visitas de personalidades políticas da ditadura co gallo das festividades propias do réxime ou co da inauguracións de infraestruturas (fábrica de Pontesa, factoría de Celulosas, escolas…), celebracións relixiosas, viaxes dos representantes locais pola península ou ó estranxeiro, relacións con outras localidades…

Algúns dos rexistros correspóndense co propio Concello de Pontevedra, pero hai tamén moitos outros dos que foron os concellos de Xeve, de Salcedo ou de Ponte Sampaio e de coleccións privadas como as de TAFISA ou a colección Rafael Vázquez.

Confluencia dos ríos Tablada (Gafos) e Lérez, entre 1910 e 1915 © Fototipia Thomas / Deputación de Pontevedra

As Corbaceiras (Pontevedra), entre 1910 e 1915 © Fototipia Thomas / Deputación de Pontevedra

A Deputación salienta « o valor que o fondo gráfico ten para coñecer a evolución urbanística de Pontevedra, os cambios físicos en parroquias, barrios e rúas que aquí se pode observar nun número moi significativo de imaxes, fotografadas moitas delas, posiblemente, para seren incluídas nos respectivos expedientes de obras e infraestruturas ».

A incorporación dos fondos do arquivo municipal de Pontevedra foi presentada esta semana por representantes do Goberno local pontevedrés e da Deputación. En concreto, foron a deputada de Patrimonio Documental e Bibliográfico María Ortega, a concelleira de Réxime Interior responsable do Arquivo Municipal Anabel Gulías, os responsables do departamento de Arquivo documental e Audiovisuais provinciais José Luis Castro Carpintero e José María Cumbraos e o arquiveiro municipal Rodrigo Silva.

Vista xeral de Pontevedra entre 1910 e 1915 © Fototipia Thomas / Deputación de Pontevedra

Desembocadura do río Lérez (Pontevedra) entre 1910 e 1915 © Fototipia Thomas / Deputación de Pontevedra

A deputada María Ortega destacou que a Deputación puxo a disposición do Concello pontevedrés a ferramenta ATOM que utiliza para sistematizar o seu patrimonio documental “igual que o fixo con outras 137 entidades na provincia, evitándolle o gasto de adquirir o sistema e, ademais, permitindo que os seus fondos dixitalizados se poidan subir ao AtoPO e formar parte da guía de patrimonio documental da provincia”. A concelleira Anabel Gulías destacou pola súa banda que “os arquivos deben estar abertos e accesíbeis ao público, rompendo estereotipos, conectando coa veciñanza”.

Ribeira dos Peiraos de Pontevedra, entre 1910 e 1915 © Fototipia Thomas / Deputación de Pontevedra

 

[Fonte: http://www.praza.gal]

Usi e riusi del libro manoscritto nel Medioevo meridionale

RÉSUMÉ

Ce colloque international est consacré aux emplois et remplois du manuscrit médiéval latin dans l’Italie méridionale, considérée comme lieu de production, passage et circulation ultérieure des livres. Par le biais d’une approche interdisciplinaire, qui allie la codicologie, la paléographie, la philologie, l’histoire de l’art et des bibliothèques, les communications porteront sur les paratextes des livres médiévaux, cherchant aussi à déchiffrer l’histoire des annotateurs, en mobilisant des méthodes variées, exploratoires et numériques.

ANNONCE

Rome-Cassino, 23-24 mars 2023, École française de Rome, Scuola Superiore Meridionale, Università di Cassino e del Lazio Meridionale

Argumentaire

L’histoire d’un codex commence à la fin de sa fabrication, après la copie du texte. Mais les livres manuscrits n’ont pas qu’une seule vie : ils peuvent être lus et relus, annotés, intégrés, divisés, ou encore déplacés, à plusieurs reprises, de leur lieu de conservation. Bien que non prévues dans le projet initial, les annotations marginales des lecteurs, les corrections du texte, les ajouts au décor sont des opérations qui témoignent de la réutilisation du manuscrit, et donc de son véritable usage au fil du temps. Ces traces laissées par les lecteurs permettent de reconstituer l’influence des livres dans l’activité intellectuelle, personnelle et collective dans un lieu ou une période donnée. Se concentrer sur cette activité d’annotation signifie donc remettre le texte en contexte, en se demandant quel a été l’objectif des ajouts, quelle a été la méthode, quel a été, éventuellement, le public de destination.

Les aspects « marginaux » de l’histoire du livre, comme les notes, les signes, l’apparat paratextuel et, en général, les traces d’utilisation, n’ont pas bénéficié pendant longtemps de l’attention qui leur a été plus récemment accordée. De nombreux projets et évènements scientifiques ont en effet mis en évidence les grandes potentialités de recherche de ce domaine. Cet intérêt est aussi, et surtout, le fruit de la politique de numérisation des manuscrits médiévaux mise en place par les institutions de conservation. L’accessibilité et la possibilité de comparer plusieurs objets permettent non seulement de renouveler l’approche à l’objet-livre, de l’observer dans sa matérialité, y compris dans l’écriture et dans la décoration, mais aussi de changer de perspective, en passant du texte aux lecteurs et utilisateurs de ce texte.

Le colloque international Emplois et remplois du livre manuscrit au Moyen Âge méridional s’insère dans cette dimension de renouvellement des études, avec un focus sur la circulation du livre en Italie méridionale, en particulier dans le domaine latin. Par le biais d’une approche interdisciplinaire, qui allie la codicologie, la paléographie, la philologie, l’histoire de l’art et des bibliothèques, les communications porteront sur les paratextes des livres médiévaux, cherchant ainsi à déchiffrer l’histoire des annotateurs. L’espace méridional, à considérer comme lieu de production, passage et circulation ultérieure des livres manuscrits, est un laboratoire prometteur pour étudier les contacts qui touchèrent des centres intellectuels importants, au cours du Moyen Âge.

Le colloque voyagera symboliquement sur les routes de la circulation des livres latins, à partir de l’École française de Rome et l’Università di Cassino e del Lazio Meridionale. Les communications pourront porter, de façon non exclusive, sur les sujets suivants, en mobilisant des méthodes variées, exploratoires et numériques :

  • Pratiques de lecture et écriture : annotations, gloses, signes de lecture et travail intellectuel
  • Rapport entre texte et paratexte (dans la synchronie ou dans la diachronie)
  • Réutilisations du texte : copies, extraits, florilèges, citations
  • Notation musicale, tables de matières, diagrammes, calendriers
  • Relectures et formes de réception des textes transmis
  • Réutilisation des livres dans domaines différents (liturgie, école, vie privée etc.)
  • Histoire du manuscrit et déplacements dans lieux et bibliothèques différentes
  • Transformations matérielles, volontaires ou accidentelles : ajouts, soustractions, permutations

Modalités de contribution

L’appel à communications est ouvert aux doctorants, docteurs, jeunes chercheurs et chercheurs confirmés. Les propositions de communications, comprenant titre, argumentaire (max 500 mots) et un bref curriculum vitae, sont à envoyer à l’adresse suivante : usieriusidelmanoscritto@gmail.com

avant le 21 novembre 2022.

L’acceptation sera communiquée avant le 10 décembre 2022 et comprendra la prise en charge des frais de transport et d’hébergement. Les textes des contributions (en italien, français ou anglais) seront à envoyer avant le 10 mars 2023, accompagnés d’un résumé substantiel en langue anglaise, afin d’être distribués à l’avance parmi les participants et favoriser d’amples discussions. Les contributions qui auront été retenues seront publiés dans un volume, en format papier et en accès ouvert.

Comité d’organisation

  • Angela Cossu (EPHE-SAPRAT),
  • Elvira Zambardi (SSM/EPHE)

CATÉGORIES

DATES

  • lundi 21 novembre 2022

FICHIERS ATTACHÉS

MOTS-CLÉS

  • manuscript, transmission, reception, latin, southern Italy, middle ages

CONTACTS

  • Angela Cossu
    courriel : usieriusidelmanoscritto [at] gmail [dot] com

SOURCE DE L’INFORMATION

  • Angela Cossu
    courriel : usieriusidelmanoscritto [at] gmail [dot] com

POUR CITER CETTE ANNONCE

« Emplois et remplois du livre manuscrit au Moyen Âge méridional », Appel à contributionCalenda, publié le mardi 20 septembre 2022, https://calenda.org/1016965

vocoder

Primera documentació: 8/05/2020

Tipus
manlleu de l’anglès
Contextos
I encara que sigui principalment instrumental es deixa sentir un primerenc prototip de vocòder, un modulador de veu que es convertiria en marca de la casa. [La Vanguardia, 8/05/2020]
Com el peculiar pop de Meritxell Neddermann que interpreta belles melodies de sonoritat indie, que combinen el piano amb els loops o el vocoder. [La Vanguardia, 10/07/2020]
Observacions El vocòder o vocodificador (sinònim complementari) és un ‘codificador de la parla que converteix senyals de veu analògics en senyals digitals binaris per reconstruir l’acte de parla inicial’ (Termcat). Com que la veu es transmet digitalment amb menys bits, les freqüències de la veu humana estan concentrades en una determinada franja, la qual cosa fa que el resultat soni molt robòtic. Cal observar que, tot i que hi ha vacil·lació en l’escriptura d’aquesta paraula, el centre de terminologia recomana adaptar al català aquest manlleu de l’anglès (voice coder), per la qual cosa cal posar-hi l’accent.

Tot i que els vocòders es van concebre per a les telecomunicacions, a partir dels anys 40 es van convertir en instruments musicals electrònics. Entre els exemples musicals més coneguts hi ha l’inici de “Let’s groove” d’Earth, Wind & Fire i de “Mr. Roboto” de Stynx, o el grup Daft Punk, que es caracteritzen precisament per l’ús d’aquest instrument.

 

 

[Font: neolosfera.wordpress.com]

Del 13 de septiembre al 11 de octubre se presenta en la Sala Emilfork del Instituto de Arte de la Pontificia Universidad Católica de Valparaíso (PUCV) la exposición Con todas las de la ley. Las Alegres Comadres de Eugenio Dittborn, curada por Amalia Cross y Vania Montgomery.

« Todas las de la ley » (1980), de Eugenio Dittborn. Cortesía: D21

La muestra gira en torno a la investigación y puesta en valor de la obra de Eugenio Dittborn titulada Todas las de la ley (1980), y se enmarca dentro del amplio proyecto e.dittborn 74/86: Colección de documentos de arte y obras gráficas, abocado a la catalogación, digitalización y estudio de una colección de 65 unidades documentales producidas por el artista chileno entre 1974 y 1986.

En paralelo, Vania Montgomery trabaja en Las imágenes encontradas de Eugenio Dittborn, un proyecto digital que da acceso a la investigación y recopilación de un conjunto de cuarenta documentos fotográficos cardinales para el repertorio de obras del autor.

Compartimos detalles sobre estos proyectos de investigación en torno a Dittborn (Santiago, 1943), uno de los artistas chilenos más relevantes del país, conocido por crear su propio género pictórico: la pintura aeropostal. Obras que logran una elaborada estética que interpela al tiempo, al intervalo señalado en las huellas del viaje y en los pliegues del soporte, y a una subversión del sistema de recepción y consumo que encarece el arte.

Documentación presente en «Con todas las de la ley. Las Alegres Comadres de Eugenio Dittborn», Sala Emilfork / Instituto de Arte PUCV, Chile, 2022

 

Documentación presente en «Con todas las de la ley. Las Alegres Comadres de Eugenio Dittborn», Sala Emilfork / Instituto de Arte PUCV, Chile, 2022

CON TODAS LAS DE LA LEY. PERSIGUIENDO A LAS ALEGRES COMADRES DE EUGENIO DITTBORN

Sala Emilfork / Instituto de Arte PUCV / 13 sep – 11 oct 

Curadoría: Amalia Cross y Vania Montgomery 

Diseño: María Cristina Adasme

Exposición 360°: María Fernanda Pizarro  

Un día domingo del año 1975 el artista Eugenio Dittborn, en el Mercado Persa de Santiago, encontró un ejemplar de la revista Sucesos de 1927. En su interior la fotografía impresa de Berta Espinoza le provocó una gran impresión. A partir de entonces buscaría con afán la imagen monocroma de mujeres –marginales, melancólicas y hermosas; cuenteras, ladronas y proxenetas– arrancándolas de las páginas de revistas, fotocopiándolas, ampliándolas y volviéndolas a imprimir.

En la obra Todas las de la ley no está Berta Espinoza, sino el retrato fotográfico de otras ocho mujeres impreso sobre cartón gris. Mujeres doblemente capturadas: detenidas y fotografiadas. Debajo de cada rostro, su nombre, número de foto, alias, especialidad delictual, edad, estatura, color de piel, de pelo y de ojos. A veces, el lugar del crimen, otras veces su compañero de delito y en una el valor de su recompensa: 100.000 pesos. Y sobre el prontuario, con letra manuscrita y en blanco, ejercicios de caligrafía a mano alzada: frases que dan cuenta de la acción del artista, de sus procedimientos primarios o reflexiones sobre estas mujeres rezagadas en revistas, hilvanadas en serie, perdidas en años, trasquiladas en orden, anegadas en lágrimas, repetidas en vano, recogidas en cartón y convertidas en polvo. 

El repertorio iconográfico de esta obra consta de ocho comadres traspapeladas en revistas viejas: seis delincuentes encontradas en la revista Detective en la Biblioteca de la Policía de Investigaciones, una empresaria del vicio escondida en la revista Sucesos en la Biblioteca Severín de Valparaíso, y una prostituta hallada muerta en la revista VEA en la Biblioteca Nacional. Todas ellas, reliquias profanas descubiertas por Dittborn, son graficadas como estampas en la obra de arte que hoy nos mira.

Todas las de la ley ha sido acogida en distintos lugares y soportes desde su creación en 1980. Primero, como un obsequio del artista a su amiga Adriana Valdés, transportada en el techo de un auto desde su taller hasta la casa de la ensayista chilena. Luego, colgada en las murallas de la Casa de la Mujer La Morada, donde las protagonistas de esta obra fueron cómplices y testigos del feminismo de finales de siglo. Por último, como compañeras silenciosas consagradas al arte en las salas de este Instituto. Un itinerario que ha guiado nuestro trabajo de búsqueda en el ejercicio de leer a estas mujeres tal como se leen las huellas en la escena de un crimen o las líneas de la palma de las manos, siguiendo el rastro y escrutando las pistas que ellas nos dejaron tras su paso por la historia.

Esta exposición es parte del proyecto Una exposición: un lugar para comunicarnos con los seres que nos rodean, financiado por DI Identidad Institucional – VRIEA PUCV

Diagrama/Mapa web del sitio «e.dittborn 74/86: Colección de documentos de arte y obras gráficas»

E.DITTBORN 74/86: COLECCIÓN DE DOCUMENTOS DE ARTE Y OBRAS GRÁFICAS 

Investigación: Vania Montgomery y Vicente Domínguez 

Diseño web: María Fernanda Pizarro

Este proyecto comprende el trabajo de catalogación, digitalización y estudio de una colección de 65 unidades documentales, entre obras gráficas y documentos de arte, producidas por el artista chileno Eugenio Dittborn entre 1974 y 1986, es decir, desde su obra temprana centrada en el dibujo, hasta el periodo de su obra que la historiografía ha denominado como “experimental”, en donde el artista incursionó en múltiples procedimientos gráficos, mecánicos, textuales, etc. que cuestionaron la pintura y su historia como soporte canónico del arte, el cual es previo a su etapa madura y más conocida, centrada en el formato Aeropostal. Pero por sobre todo, este proyecto cuenta la historia de un coleccionismo, ya que aquí asistimos al relato de un corpus de obra velado por la selectividad de una mirada que acopia y custodia.

Con el deseo de reconocer y valorar los esfuerzos realizados dentro del campo de la conservación y catalogación de materiales de interés artístico y/o patrimonial, es que esta investigación intenta ser respetuosa con los parámetros propuestos por el Centro de Documentación de Bienes Patrimoniales (CDBP), dependiente de la Dirección de Bibliotecas, Archivos y Museos (DIBAM), puestos a disposición pública por medio de su Manual de Registro y Documentación de Bienes Culturales, editado en 2009, y en el Tesauro de Arte y Arquitectura, traducido al español por dicha institución desde su otrora versión anglosajona desarrollada por The J. Paul Getty Trust en un esfuerzo, tan hercúleo como inédito, que tardó prácticamente toda la primera década de los años 2000.

Así, dos subfondos compartimentan en primera instancia la colección aquí estudiada, entregándonos un panorama detallado de algunos de los productos (subfondo: Obras Visuales) y de los modos de circulación (subfondo: Formas de información) del trabajo de Dittborn en el arco de tiempo señalado. Dentro de estos, las categorías arte correo, fotografías, artes gráficas y libros de artista, se inscriben dentro del primero, y catálogos de exhibición, efímeros, carteles, invitaciones y documentos, en el segundo.

Respecto al proceso de digitalización, se privilegió la toma de fotografías por sobre el uso del escáner, con el objetivo de poder traducir de manera detallada al lenguaje virtual las minuciosidades técnicas de los materiales, así como otorgar una perspectiva diferente a la que ofrecen hoy otras instituciones, donde también se pueden encontrar disponibles.

Además, se desarrolló un glosario de conceptos, algunos creados por el artista y otros que se vuelven recurrentes al momento de estudiar su obra, con el fin de poder precisar ciertas definiciones o nomenclaturas y, con ello, posibilitar modos de navegación por la estructura de catalogación que las categorías convencionales no permiten, así como también con el ánimo de introducir al usuario/a a las singularidades de las obras y/o documentos.

El poner a disposición pública esta investigación a través de una plataforma web forma parte de una línea de trabajo que D21 Proyectos de Arte viene desarrollando desde hace un tiempo, la cual consiste en apoyar y/o emprender proyectos de catalogación, digitalización y publicación virtual de fondos documentales correspondientes al trabajo de artistas nacionales presentes en su colección. A la fecha, se han publicado proyectos relativos al trabajo del colectivo Las Yeguas del Apocalipsis y de los artistas Carlos Leppe y Víctor Hugo Codocedo.

Eugenio Dittborn, Japi Bertzdei Chumingo Osorio. Colección D21 Proyectos de Arte. Fotografía de Vicente Domínguez

LAS IMÁGENES ENCONTRADAS DE EUGENIO DITTBORN

Investigación: Vania Montgomery

Diseño web: Fernanda Pizarro

Las imágenes encontradas de Eugenio Dittborn es un proyecto digital que da acceso a la investigación y recopilación de un conjunto de cuarenta documentos fotográficos cardinales para el repertorio de obras del autor. Se trata de imágenes traspapeladas, utilizadas por Dittborn desde el año 1974 en adelante, entendidas como modelos que reprodujo y transfiguró sobre la superficie de sus obras de arte. Así, cada imagen da cuenta y evidencia sus distintos procesos creativos, a partir de la recopilación, visualización y puesta en valor de las fotografías encontradas en revistas en desuso, que amparan su repertorio iconográfico y hoy, en bruto, constituyen un nuevo eslabón dentro del trabajo investigativo que se le aboca.

El proyecto fue desarrollado bajo la investigación de Vania Montgomery y el diseño y programación web de Fernanda Pizarro y contó con el apoyo del Fondart de Artes Visuales convocatoria 2021. Su lanzamiento se llevará a cabo durante el mes de noviembre de 2022 en la Facultad de Artes de la Pontificia Universidad Católica de Chile, sumándose a otras iniciativas similares de D21 Proyectos de Arte y relevando parte de su colección. Además, se planea la realización de un catálogo durante el año 2023.

En el desarrollo de este proyecto colaboraron Biblioteca Nacional, Biblioteca Policía de Investigaciones, Memoria Chilena, Centro de Documentación de las Artes Visuales, Il Posto, Vicente I. Dominguez, Pedro Montes, Amalia Cross, Jorge Padilla, Instituto de Arte Universidad Católica de Valparaíso.

 

 

[Fuente: http://www.artishockrevista.com]

Longtemps occulté dans la mémoire soviétique officielle, le massacre de Babi Yar, à Kyiv, les 29 et 30 septembre 1941, est peu connu en France. Les groupes mobiles de tuerie (Einsatzgruppen) de la Wehrmacht ont fusillé au bord de ce ravin 33 771 Juifs en deux jours, ce qui a inauguré, à l’est de l’Europe, la mise en œuvre de la Shoah par les nazis. ll a fallu attendre 1976 pour que, sans mention des Juifs, un monument célèbre les « citoyens soviétiques » et les militaires « fusillés par les fascistes allemands ». Ce n’est qu’en 1991, après diverses initiatives et protestations sous la perestroïka, qu’est érigée une grande menorah en mémoire des victimes juives. Depuis, des hommages officiels sont rendus régulièrement, mais les mémoires restent divisées. Elles donnent lieu à des oppositions, surtout avec les autorités soviétiques puis russes, ravivées par la guerre actuelle. Dans cet environnement douloureux, le cinéaste ukrainien Sergueï Loznitsa a réalisé un documentaire avant la guerre, plus exactement un « re-montage d’archives » dont la sortie en salle coïncide avec la publication d’un ouvrage collectif consacré au cinéaste.    

Sergueï Loznitsa, Babi Yar. Contexte. Documentaire néerlando-ukrainien. En salle, septembre 2022.

Céline Gailleurd, Damien Marguet et Eugénie Zvonkine (dir.), Sergueï Loznitsa. Un cinéma à l’épreuve du monde. Presses universitaires du Septentrion, 274 p., 25 €

Écrit par Jean-Yves Potel

Né en 1964, Loznitsa a grandi à Kyiv, non loin des lieux du massacre. Après une formation d’ingénieur, il s’est exilé à Moscou où il est devenu cinéaste et professeur à l’École du nouveau cinéma. Il vit depuis 2001 à Berlin. Il a entrepris ce dernier film à la fin des années 2010. C’était, dit-il dans ses nombreuses interviews, « une urgence ». Le « re-montage d’archives » se distingue de ses fictions ou documentaires habituels, c’est une technique que François Albera, dans Un cinéma à l’épreuve du monde, attribue à une « généalogie soviétique ». Loznitsa choisit de re-monter des images de propagande tournées à l’époque concernée, de les resonoriser et de la présenter sans commentaires en voix off. Lors de la masterclass publiée dans ce livre, le cinéaste mentionne même ses tentatives pour les mélanger avec des images qu’il tourne lui-même, afin « que le spectateur ne sache plus distinguer entre les deux. Pour cela j’utilise des optiques anciennes ». Ainsi, le film, peut « explorer les angles morts de l’Histoire » (Céline Gailleurd) et atteindre une vérité cachée. Outre le montage subtil qui condense sa narration, Loznitsa restitue/invente une bande-son et améliore la qualité de l’image. Des restaurations plus que réalistes. Il profite des techniques du passage au numérique pour nettoyer la photo ou modifier la lumière, créant une étrangeté, l’illusion d’un filmage live. Et c’est souvent très réussi, tout en soulevant des questions troublantes au regard de l’Histoire et des mémoires.

En effet, cette illusion peut également conduire à un trompe-l’œil. Plusieurs critiques s’en inquiètent dans le cas de Babi Yar. Contexte. Ainsi, Orphir Lévy, qui admire le talent du cinéaste, « s’étonne, dans la revue Positif (n° 733, p. 84), de la relative légèreté de son argumentation ». Il lui paraît difficile de « congédier tout questionnement sur le rapport à la factualité et à l’authenticité de ce que le film donne à percevoir ». Tel est le principal problème. Il est accentué par les circonstances mémorielles et politiques de la sortie du film, certes réalisé avant l’agression russe contre l’Ukraine, le 24 février. Cet autre contexte aurait pu obliger le réalisateur à une délicatesse que son écriture ne permet pas.

Pour en juger, il faut revenir à l’événement, car souvent la fascination et l’émotion produites par ces images de guerre remodelées se substituent à une perception historique de Babi Yar et de son contexte. Les deux batailles de Kyiv (l’occupation par les Allemands en 1941, la libération par les Soviétiques en 1943-1944) ne sont pas de même nature, ce qui ne les empêche pas d’être également vantées dans la propagande de leurs vainqueurs, lesquels utilisent l’outil le plus performant de l’époque, le cinéma. Les deux armées ont donc beaucoup filmé. Ce qui donne du matériau, des sources au cinéaste et à l’historien aujourd’hui, au propagandiste hier. Or le film de Loznitsa ne précise pas qu’il s’agit d’images de propagande, au contraire. Le cinéaste insiste dans ses entretiens sur sa capacité à faire disparaître les différences avec les autres images. Il y aurait, dit-on, des images d’amateurs (de qui ? quand ? on ne sait pas). Qu’y a-t-il de vrai et de faux dans ces films ? Ce n’est pas dit (sauf, semble-t-il, dans le dossier de presse). On dispose pourtant de témoignages et d’analyses fouillées d’autres tournages réalisés par les Allemands, par exemple dans les ghettos de Theresienstadt ou de Varsovie, qui ont clairement révélé les usages nazis en la matière. Dans le domaine du documentaire, on peut citer celui de Yael Hersonski, An Unfinished Film (2010), qui démystifie magnifiquement ces « archives » nazies.

En fait, ça ne semble pas intéresser Loznitsa. Dans Un cinéma à l’épreuve du monde, l’historienne Masha Cerovic constate, à propos d’un film de fiction antérieur, Dans la brume, « une mise à distance certaine du discours historique » qu’elle juge problématique. De plus, il « choisit de se libérer du carcan mémoriel et de s’adresser à un autre public ». Ce qui peut très bien fonctionner sur certains sujets, mais comment prendre ouvertement congé de l’Histoire, et pourquoi devant un tel massacre sur fond de déportations et de tueries de masse ? C’est gênant.

Babi Yar. Contexte, de Sergueï Loznitsa : Babi Yar en trompe-l'œil

« Babi Yar. Contexte » © Atoms & Void

L’absence de commentaires rend difficile au spectateur non familier de l’histoire ukrainienne de comprendre ce qu’il voit. Pendant près de deux heures, défilent sous ses yeux des chars, des foules, des chevaux, et des hommes de troupe sans qu’on puisse vraiment distinguer les uniformes, défilés intercalés de bombardements, de ruines en feu et d’épaves de matériel militaire. On voit des Juifs battus et des Ukrainiens en costume folklorique saluer la Wehrmacht, offrir le pain et le sel traditionnels. De temps en temps, des explosions. La rue principale de Kyiv, minée par les Soviétiques avant qu’ils se replient (ce qui n’est pas dit), est détruite. En représailles, les Allemands rassemblent les Juifs et les fusillent au bord d’un ravin avec l’aide de supplétifs ukrainiens. Puis, lorsque l’Armée rouge revient, en 1943, on voit les mêmes défilés et des Ukrainiens qui déchirent les portraits de Hitler pour le remplacer par celui de Staline, un montage des images qui ressemble à celui de l’entrée des Allemands deux ans auparavant. Peut-on vraiment suggérer une répétition ?

En revanche, des moments contextualisés émeuvent : une succession de photographies en gros plans des visages de Juifs rassemblés avant une exécution, le beau texte de Vassili Grossman donné à lire par un intertitre, L’Ukraine sans les Juifs, serrent le cœur. Ou encore, à la fin du film, les dépositions de criminels nazis au procès de 1946 (notamment un jeune SS de la division Wiking, organisatrice de pogroms et de fusillades), et surtout de bouleversants témoignages de victimes rescapées. L’une d’elles, Dina Pronicheva, a réussi plusieurs fois à sortir des charniers, n’ayant pas été touchée.

En construisant une histoire confuse, Loznitsa esquive ou caricature, sans doute malgré lui, la plupart des questions historiques ou mémorielles que peut susciter cet événement, que ce soit dans un cadre académique ou au sein de l’opinion publique en Ukraine. Certes, il ne s’agit pas de demander à un artiste de se transformer en historien, mais il le fait quand même en se permettant de « re-monter » l’Histoire. Plus généralement, le respect des mémoires des victimes exige de tenir compte des deux contextes. Celui de Babi Yar, encore douloureux, absent du film malgré son titre, et celui de sa projection en 2022, en pleine agression de la Russie contre l’Ukraine. Ce second contexte envahit l’écran, il est omniprésent dans la tête des spectateurs abreuvés d’images télévisées de la guerre actuelle. La présentation d’un montage d’archives à caractère historique qui ne retient que les Ukrainiens agitant de petits drapeaux hitlériens peut choquer. Notamment lorsque la Russie prétend « dénazifier » le pays.

 

[Source : http://www.en-attendant-nadeau.fr]

El fotògraf Joan Fontcuberta protagonitza la tercera sessió del cicle ‘Vine a escoltar el futur’ als Jardins del Palau Robert

Joan Fontcuberta i Elisenda Roca

numEscrit per Gemma Masó

«Vivim en un context d’inflació d’imatges: fem moltes més fotografies de les que després podem mirar». Aquest és el diagnòstic de futur que ha fet el fotògraf Joan Fontcuberta durant la xerrada amb la periodista Elisenda Roca a la tercera sessió del cicle «Vine a escoltar el futur» als Jardins del Palau Robert d’aquest dissabte 8 d’octubre.

Enmig d’una Avinguda Diagonal atrafegada amb els encàrrecs típics de dissabte, els Jardins del Palau Robert acullen una escena gairebé pintoresca. Abans de començar, se senten ocells que, des dels altaveus, semblen guiar-te cap a un espai de pausa i desassossec dins de l’enfeinat Eixample. El sol, que després d’un divendres de pluja hauria de ser més que benvingut, empipa i fa ballar als assistents de l’acte com si juguessin al joc de les cadires buscant una ombra, per tímida que sigui. No els culpo, són les dotze del migdia i la calor apreta.

Amb turistes que veuen la xerrada com una atracció turística més, digne de robar un espai dins de la memòria dels seus telèfons mòbils o càmeres digitals, Elisenda Roca presenta al convidat d’aquesta tercera sessió amb un selfie. A la pantalla hi surt Joan Fontcuberta, aparentment espantat, amb un os dissecat al darrere. «Reivindico l’humor mediterrani; la ironia, saber riure d’un mateix», sembla excusar-se Fontcuberta davant d’una presentació, si més no, curiosa.

Joan Fontcuberta ha treballat en el món de la fotografia durant més de quatre dècades i ha rebut distingits guardons com el Premi Internacional de Fotografia l’any 2013. La fotografia, però, l’ha viscut tant des de la posició d’artista, com també des de la de docent, crític i comissari d’exposicions. Amb tots aquests anys d’experiència a l’esquena no li tremola el pols per diagnosticar la salut de la disciplina de capturar imatges. Tot i això, el fotògraf confessa que a la seva mare mai li van agradar les fotografies de família que feia ell, «deia que em quedaven estranyes i per això les feia fer a la meva dona».

Abans de parlar del que ens ocuparia en correspondència amb el títol del cicle, el fotògraf fa una breu revisió del passat. Segons Fontcuberta, que acaba de publicar Imatges latents. La fotografia en transició (Arcàdia), abans la fotografia tenia un paper d’enciclopedització i d’eternalitat. «La fotografia dels morts, tan popular al segle XVIII, era una momificació simbòlica, era viure aquell cos a través de la imatge», explica. Avui, però, a ningú se li acudiria fotografiar a una persona morta. «En la postfotografia, on som ara, fer fotos és un acte purament de celebració», diu el fotògraf, «documentar el món ja no és una obsessió per capturar la realitat, sinó que és una opció per celebrar el moment».

En la nova era que defineix Fontcuberta, la de la postfotografia, apareix una nova espècie protagonista: l’Homo photographicus. Des d’un posat gairebé d’antropòleg, Fontcuberta analitza aquesta evolució de l’Homo sapiens sapiens cap a una espècie en què el gest més important és el de fer la foto i no pas la imatge en si mateixa. Aquest canvi de tendència, Fontcuberta l’atribueix al context del presentisme; «vivim pel present». Tot i això, la necessitat d’eternalització que ja al segle XVIII tenien les fotografies, sembla que, d’alguna manera, encara preval avui dia. «Necessitem imatges que siguin el testimoni del nostre context. Un selfie és una manera d’inscriure’ns en el lloc i el temps de la història», diu el fotògraf.

Reprenent l’eix del cicle, l’Elisenda Roca pregunta sobre quin paper serà el de la fotografia en un món cada vegada més digital com el del Metavers. Entre una rialla, Joan Fontcuberta diagnostica que «estem en calçotets». Segons el fotògraf, «estem en un procés de transició en el que fem servir uns instruments predigitals per parlar de la fotografia de l’era digital i mentre ens adrecem a un món de les imatges on les antigues etiquetes es fonen».

Tot i això, el fotògraf alerta que cada vegada serà més difícil definir la fotografia. Fontcuberta exposa els casos d’obtenció de fotografies sense càmeres: softwares d’intel·ligència artificial que permeten generar imatges a partir de paraules clau o, encara més macabre, experiments que permeten projectar una imatge directament des del pensament.

Malgrat que cada cop ens estem apropant més a viure en el que podria ser un episodi de Black Mirror, Fontcuberta assegura que el fotògraf no desapareixerà, que quedarà sempre al món tangible, però que d’alguna manera o altra, «contribuirà a dibuixar aquest nou espai digital».

Al final, però, ha volgut llançar una alerta màxima en referència a les còpies de seguretat de les imatges. «Potser soc una mica neuròtic, però jo tinc tres còpies de les imatges que tenen valor per mi. No fer cap còpia és de suïcida, però fer-ne només una és imprudent», explica Fontcuberta, «i que siguin còpies tangibles, no s’hi val només amb el núvol».

L’acte ha acabat amb la protocol·lària fotografia d’entrevistat i entrevistadora, Fontcuberta, però, fidel al seu enjogassament del principi, només ha posat una condició abans que el fotògraf premés el disparador: «no em robeu l’ànima».

Els Jardins del Palau Robert acolliran tres sessions més dins del marc del cicle «Vine a escoltar el futur», organitzat per la publicació cultural Hänsel* i Gretel*. La pròxima sessió serà el 19 de novembre a les 12 del migdia amb el compositor i pianista Albert Guinovart. La directora de cinema Carla Simón també passarà pels Jardins el dia 26 de novembre al migdia. L’última sessió serà amb el cineasta Albert Serra al mes de desembre, amb el dia encara per concretar.

[ Foto: Jordi Oliver – font: http://www.nuvol.com]

 

Acaba de gañar o Premio Nacional de Poesía Joven «Miguel Hernández» co seu libro «Lixeiro»

Ismael Ramos

Escrito por JAVIER BECERRA

Ismael Ramos (Mazaricos, 1994) recibiu onte unha chamada moi especial. Era o ministro de Cultura, Miquel Iceta, e comunicáballe que acababa de gañar o Premio Nacional de Poesía Joven «Miguel Hernández» 2022. «Deume os parabéns e chamoume moito a atención unha cousa: cando lle din as grazas dixo, moi humildemente, que llo agradecese ao xurado que me elixiu», di este escritor que traballa como mestre de secundaria en Santiago.

—O premio recae en «Lixeiro», un libro que fala do desencanto. Sente que existe unha certa fraxilidade de vivir neste momento?

—Empeceino como un libro sobre a incerteza do tempo histórico que nos toca. Pensei que só ía falar da xente nova, pensando nos meus amigos e a miña xeración. Do que nos estaba pasando. Ademais, sumouse o final da miña primeira relación longa, que foi algo que me xeraba tamén moita incerteza. Para min foi un libro no que me reconciliei un pouco con esa situación. Como se vive sen saber que vai pasar? O libro explora un pouco ese lugar que, despois da pandemia, creo que é onde estamos todos. Un contexto de crise como este xa non é algo xeracional, senón histórico sen máis.

—No libro aparece o fin da xuventude e a chegada da idade adulta. Vostede ten 28 anos. Estírase moito a xuventude hoxe?

—Creo que non se trata tanto de que cada vez a xuventude dure máis, como de que se estire dende fóra. Compensa infantilizarnos, se ti tes un paro xuvenil desatado e unha inestabilidade económica e afectiva, porque temos o problema da saúde mental. É moito mellor que todas esas voces, as que se poden estar queixando, sexan infantilizadas antes que tratalas como adultas.

—Nesa incerteza xorde a poesía. Que papel social ten?

—A mesma que o resto da literatura. É certo que a poesía é un xénero menos popular, menos visitado e menos lido, pero para min ten o mesmo papel.

—Cal é?

—Problematizar a vida.

—En que sentido?

—A literatura forma parte da vida e nela se inscribe. Ás veces fainos entender cousas que non entendiamos. E outras consegue todo o contrario, que é abrir un abismo e deixarnos diante desas cousas que non entendemos. A poesía fai iso. E con absolutamente todo. Dende problemas políticos e sociais ata temas máis persoais, aínda que eu son un firme defensor de que o persoal é político.

—Considera que a súa poesía é política?

—Considero que toda a literatura é política, sexa intencionadamente ou non [ri]. Calquera cousa que digamos ou escribamos, nun momento histórico e dende un lugar determinado que ocupa cada un, é unha proba da súa vivencia. Ou unha proba de que a súa vivencia axudou a escribir ou non escribir iso.

—Este é un premio nacional outorgado a unha obra en galego. Ten un valor especial para vostede?

—Creo que dende hai uns anos estamos nun momento de comezar a normalizar, polo menos a nivel institucional, esta situación. O que era raro é o que pasaba antes, que non houbera ningún premio nacional de poesía en éuscaro ata o ano 2021. Para min iso é o excepcional, non o feito de que si que haxa ese premios.

—Os galardóns ás veces son indicadores. Tendo en conta que o Premio Nacional de Narrativa do 2021 recaeu en Xesús Fraga e agora este de poesía en vostede, diría que a literatura galega está nun momento doce?

—Leva moito tempo nese momento. Sempre penso nos que estiveron antes. Para que o meu libro sexa visible, e para que se lles estean concedendo premios nacionais a libros escritos nas linguas cooficiais do Estado, houbo moita xente antes que traballou. Penso que non só estamos nun bo momento, que é evidente que estamos, especialmente na poesía. Pero é que a poesía galega leva vivindo un moi bo momento case de maneira ininterrompida dende os anos setenta. E antes diso nas cantigas medievais [ri]. Cando se dá un premio fálase dese bo momento, pero o que fai é dar visibilidade.

—Vostede é un «millenial», un nativo dixital rodeado de estímulos audiovisuais que fan que moitas persoas xa teñan graves problemas de concentración. E fai poesía, que supón todo o contrario.

—A poesía obriga á concentración.

—Como ler poesía neste bombardeo constante?

—Penso que ler hoxe en día é revolucionario e, cos ritmos que o mundo nos impón, reler, como se fai na poesía, é aínda máis revolucionario. Un poema normal merece a relectura. Nese sentido é totalmente revolucionaria, porque nos obriga a deternos.

 

[Imaxe: PACO RODRÍGUEZ – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Tono Arias, fotógrafo, vén de participar no XII Encontro de Artistas Novos levado a cabo na Cidade da Cultura cun relatorio sobre a súa experiencia. Arias fala do seu espazo, Dispara, e da evolución da industria fotográfica ao longo da súa carreira, agora centrada no documental porque, como el di, « ás veces conta máis o tendal dunha casa que o propio retrato da familia ».
O creador Tono Arias leva case corenta anos no mundo da fotografía. (Foto: Nós Diario)

O creador Tono Arias leva case corenta anos no mundo da fotografía.

Publicado por LAURA VEIGA

—Como foi a experiencia no XII Encontro de Artistas Novos?
Non participara nunca. Para min sempre é interesante mesturarme con artistas, aínda que non me sinto integrado no termo. Si que fago cousas como libros, fotografías ou exposicións; véxome máis como creador que como artista. Conteilles o meu traballo desde que comecei na prensa até o que fago agora con Dispara na Estrada. Ao final é unha traxectoria que comezou en 1984 e diría que teño unha experiencia importante.

—Pasou por moitos ámbitos dentro deste mundo.
A todo o relacionado coa fotografía póñolle boa cara. Se me chaman para facer unha voda, aínda que non é algo que me interese moito, vou encantado porque sempre atopo un recuncho para o meu espazo como creador; alén das fotos que se necesitan dunha voda, fago imaxes para o meu traballo documental. Gústame sobre todo facer cousas relacionadas coa contorna, co meu territorio e co que constrúe e destrúe a xente. A prensa dáche a aprendizaxe de saberte colocar e xa sei como se pode producir unha imaxe nun momento dado. Ás veces falla, claro, mais tes esa experiencia e esa enerxía de estar atento.

A prensa cambiou moito, mais na época na que eu traballaba era necesario capturar un instante que os teus compañeiros non puidesen ter, había bastante competencia entre nós e iso queda no teu ADN para aplicalo despois. Agora fago un traballo máis documental, mais sigo buscando esas imaxes. A min non me interesa sacar o que acontece nun momento e que todo o mundo pode ver, quero capturar o que ocorre detrás del, antes ou despois.

Nestes momentos os fotógrafos temos competencia con todo o mundo en xeral, porque todas as persoas sacan fotos. Se quero achegar algo á fotografía teño que darlle á xente cousas que non pode ver. E para iso non podes estar onde están todos os cidadáns; ás veces conta máis o tendal dunha casa que o propio retrato da familia, ou o lixo que tiramos. Isto é utilizar unha linguaxe en chave co lector, que poida imaxinarse e conectar dunha forma que non sexa moi obvia.

—Os encontros e o intercambio de experiencias son tamén a motivación de Dispara.
Si. Tamén pretende ser un espazo no rural, co que significa instalarse aí porque é difícil atopar público e participación. Ademais non temos orzamento, financiamos todo coas persoas que veñen mercar un libro ou que se apuntan a un taller. Ao mellor, con 600 euros montamos unha exposición. Non é algo que sexa rendíbel economicamente, mais creo que precisamos ter esta enerxía totalmente independente.

É un certo luxo a estas alturas estar facendo cousas e que ninguén che diga por onde tes que ir. Significa que vas estar sempre instalado nunha precariedade, mais unha vez que te acostumas non hai problema.

—Cales son os cambios máis salientábeis que percibiu desde os seus inicios?
É complexo. Hai algunha xente que esta é a súa forma de vida e outra que está nunha situación moi precaria. Até que comezou a fotografía dixital compensaba ser fotógrafo porque despois de revelar no laboratorio só había que entregar as copias. Agora hai que retocar todas as imaxes e inclusive engadir cousas ou persoas que non estaban. O traballo duplicouse e non se cobra nin a metade do que se cobraba.

Tamén hai moitas pequenas empresas que teñen unha certa despreocupación pola imaxe e a institución é a primeira que non respecta o sector. Non pode ser que apareza o logo da Xunta nun libro feito por unha editorial importante e que o fotógrafo sexa un afeccionado que non está dado de alta nin cobrando unha tarifa mínima. As institucións públicas deben preocuparse de traballar con profesionais porque senón estamos financiando a precariedade dun sector.

[Fonte: http://www.nosdiario.gal]

 

Un professeur américain raconte que les deux tiers de ses étudiants ne savent pas lire les cursives, et qu’un nombre encore plus grand est incapable de les écrire.

Abandonner l'écriture cursive, c'est sans doute dire au revoir à une certaine façon de considérer la société. | Amaury Gutierrez via Unsplash

Abandonner l’écriture cursive, c’est sans doute dire au revoir à une certaine façon de considérer la société. | Amaury Gutierrez via Unsplash

Repéré par Thomas Messias 

Pour The Atlantic, un professeur d’histoire d’une fac américaine s’interroge sur les conséquences potentielles de l’arrêt de l’apprentissage de l’écriture cursive (l’écriture «à la main»). Son questionnement sur le sujet a démarré après qu’un de ses étudiants d’un niveau similaire à celui de nos licences lui a confié n’avoir pas pu tirer beaucoup d’informations du livre sur la guerre de Sécession que l’enseignant lui avait prêté, car il avait été incapable de déchiffrer les reproductions de manuscrits qui y figuraient.

Drew Gilpin Faust, le prof, a alors procédé à un sondage, et s’est rendu compte que les deux tiers des étudiants de cette promotion ne savaient pas lire les cursives, et qu’un nombre encore plus grand ne savait pas les écrire. D’où le début d’une réflexion, menée conjointement avec ses élèves, sur la place –et surtout l’absence– de l’écriture manuelle dans leur existence.

Au début des années 2010, rappelle Drew Gilpin Faust, l’écriture cursive a été rayée des enseignements imposés au sein du système américain K-12, sigle désignant le cursus scolaire allant de la maternelle au secondaire. Les étudiants d’aujourd’hui étaient alors à l’école primaire, où on leur a appris à utiliser des tablettes, des ordinateurs et des tableaux numériques. La plupart d’entre eux affirment n’avoir reçu que les bases de l’écriture cursive, pendant une année maximum.

Étonné par sa propre époque mais bien décidé à ne pas sombrer dans une observation amère de celle-ci, Drew Gilpin Faust fait preuve d’un certain fatalisme. «Le déclin de l’écriture cursive semble inévitable», écrit-il. «Après tout, l’écriture est une technologie, et la plupart des technologies sont tôt ou tard dépassées et remplacées.» Une affirmation frappée du sceau du bon sens, même si pour la plupart d’entre nous, qui avons grandi dans un système éducatif où l’écriture cursive était au centre de tout, il semble improbable que celle-ci puisse disparaître un jour.

Il reste particulièrement difficile d’envisager que des étudiants en histoire ne sachent ni lire ni écrire en lettres cursives, étant donné qu’ils ne pourront alors déchiffrer aucun manuscrit, et qu’ils devront se contenter de lire les travaux de recherche produits par d’autres. Cela ne signifie pas pour autant qu’il soit impossible de mener de brillantes études d’histoire: c’est ainsi que l’un des étudiants de Faust est allé au bout de sa thèse, dont il a simplement remodelé le sujet afin de ne pas rencontrer d’obstacles liés à sa méconnaissance de l’écriture manuscrite.

Pour autant, n’est-il pas regrettable de devoir limiter son champ de recherche à cause de cette compétence manquante? L’enseignant cite aussi le cas d’une étudiante passionnée par Virginia Woolf, mais qui a décidé d’abandonner ses recherches sur l’autrice car elle n’était pas capable de lire ses nombreuses correspondances, écrites à la plume.

Communication rompue

Autre préoccupation de l’enseignant: comment font les étudiants et étudiantes pour déchiffrer les annotations laissées sur leurs copies? La réponse est simple: certains n’hésitent pas à demander à leurs professeurs, et d’autres ont purement et simplement décidé de les ignorer… ce qui est évidemment problématique. Si les uns continuent à utiliser l’écriture cursive et que les autres décident de ne même pas essayer de la lire, alors le dialogue de sourds est total.

Quid des listes de courses? Des cartes de vœux? Nous, les adeptes de l’écriture manuscrite, voyons mal comment nous pourrions nous en passer. La réponse est similaire à ce que Faust écrit plus haut: ce n’est qu’une technologie, elle est donc remplaçable. Tout ceci peut être fait de façon numérique, via un smartphone ou un ordinateur –et, si besoin, à l’aide d’une imprimante.

Abandonner l’écriture cursive, c’est sans doute dire au revoir à une certaine façon de considérer la société. Cela ne signifie pas pour autant que l’on perde au change. Sauf dans des situations comme celles de ces étudiants en histoire, qui se retrouvent perdus devant une simple écriture manuscrite comme nous le serions devant des hiéroglyphes égyptiens.

 

[Source : http://www.slate.fr]

Estes establecementos están en auxe desde a chegada da crise

A Vella Librería, local en Pontevedra dedicado ao comercio de libros usados que dirixe Paula.

Escrito por CARLOS PORTOLÉS

A crise mingua as carteiras. E as carteiras, canto máis minguan, menos invisten en cultura e entretemento. Son (con razón) os primeiros gastos sacrificados en tempos de frugalidad. Viuse coa necesidade de crear bonos de consumo cultural por parte das Administracións. E é que o esencial é encher a neveira e o tanque de gasolina.

Esta situación fai que, por exemplo, non se compren, coa mesma alegría, libros en papel. Non todo o mundo ten a posibilidade de gastar vinte ou trinta euros nun exemplar noviño da última novela do escritor de moda. Por iso o sector das librerías de segunda man preséntase, cada vez máis, como unha alternativa alcanzable. Unha ponte aberta cara ás letras. Vendendo volumes a prezos máis que razoables, estes establecementos serven tamén para darlle unha nova vida a tomos esquecidos de bibliotecas mortas.

Rafael Díaz leva á fronte da librería Incunable da Coruña case catro decenios. Desde 1984, ano moi literario. O local foi fundado pola súa nai. Leva tanto tempo tras o mostrador que foi testemuña e partícipe dos mil cambios recentes do sector. Algúns foron abafadores, como a chegada de Internet e as súas revolucións. «Se queres, hoxe podes montar unha librería completamente virtual desde a túa casa. Agora as cousas son distintas», admite.

Rafael é un dos moitos que loitan por manter vivo un mundo que xa non está (ou que, como mínimo, cada vez está menos). A arqueoloxía literaria, a veneración polo manuscrito atopado e polas páxinas amareladas de data antiga son cousas cada vez máis pequenas e remotas. «Algúns libros antigos que antes se vendían a 90 euros agora hai que vendelos por 20».

No entanto, os libreiros son unha dúctil estirpe, acostumada navegar o cambiar dos tempos. Por iso, Rafael tamén é capaz de dar un paso atrás e admitir algúns dos beneficios da dixitalización. «O electrónico tamén lle fixo un ben á literatura. Permite acceder de forma remota e libre a libros moi antigos que en físico son practicamente imposibles de atopar».

A de libreiro é unha das profesións máis románticas e romantizadas. Os tópicos, ás veces, fúndanse sobre verdades. Ante a pregunta «¿Que é o que máis lle gusta de vivir entre libros?», todos deixan entrever o seu lado máis sensible. Ese que os empurrou a dedicar os seus días e esforzos ao oficio das letras, e non a outros máis lucrativos. O borda a resposta de Rafael: «A min o que máis me gusta é que sempre se aprende algo e sempre che namoras de algo. Unha edición rara dun Shakespeare, un As mil e unha noites…».

No corazón de Pontevedra hai unha entrañable libreira. Chámase Paula, pero o seu alcume é a Vella. Un sobrenome cariñoso que a portadora leva con orgullo. Non é un insulto, é que é a dona da Vella Librería, un dos locais de compra-venda de libros clásicos da cidade.

A desta libreira é outra historia de vocación. «Este mundo é para os que nos gusta moito o libro en papel, lograr unha oportunidade de darlles unha segunda vida», conta. É aberta e atenta. Por iso ten tantos clientes fieis que confían no seu criterio e discuten con ela as súas últimas lecturas.

Tamén aproveita para desmontar algúns mitos inxustos. «Á tenda vén moita xente nova en busca de literatura de calidade. Deses títulos que aparecen en todas as listas de clásicos universais. Non é cuestión de idade, ás librerías veñen os que gustan de ler», argumenta.

Non só compran libros, tamén aceptan doazóns. Pero o diñeiro que sacan coa venda dos exemplares cedidos é abonado a dúas asociacións benéficas. Unha de rescate de animais e outra de loita contra o cancro. «Ademais, aquí —engade cunha voz calmadamente alegre— teño o privilexio de atopar tesouros todos os días». Falando con libreiros, deseguido se atopa unha constante. A case todos lles gusta dialogar e coñecer. Son curiosos como o son todos os ratos de biblioteca.

Javier Fita rexenta a librería Nigraponte, tamén en Pontevedra. Asegura que o que máis goza do seu traballo é «o espazo conversacional que se crea co cliente». Pero vai máis aló. Ve a súa tenda como algo a metade de camiño entre «un sofá psicoterapéutico e un negocio». Concíbeo así porque, no seu recuncho do mundo, as persoas entran para «falar sobre ideas e libros».

A lectura é unha testemuña que pasa de xeración en xeración. Así o confirma Fita, que observa a diario con satisfacción a «pais que veñen buscar libros para os seus fillos». Estas tendas son unha sólida liña de defensa para o papel. Ese a o que sempre matan pero nunca morre. Porque son moitos os seus usos e as súas vidas.

De franquías, bibliófilos, vocacións e feiras

En Galicia hai decenas de librerías de segunda man distribuídas ao longo e ancho das catro provincias. Mesmo hai algunhas cadeas, como Re-Read. É unha franquía que ten locais por toda España. En Galicia teñen puntos de venda en cidades como A Coruña, Vigo, Santiago e Ourense.

Pero para atopar exemplares máis raros e antigos, é mellor pasearse por sitios como Valín, en Lugo. É unha pequena pero moi recargada estancia. Os libros alagan cada esquina. Amontóanse aquí e alá. Un punto máis que interesante para bibliófilos. No entanto, José Manuel Valín, o dono, sinala que «está a baixar moito a venda do libro antigo». E que cousas que antes interesaban amplamente como edicións ben conservadas do século XIX, xa non teñen case saída. Achácao a un «cambio xeracional». Pero algo no que coinciden todos os entrevistados é en que uno non se mete neste negocio para facerse de ouro. «Nunha cidade non moi grande, como é Lugo, se che dedicas a isto é porque che gusta. Un ten que decidir que facer coa súa vida. Eu decidín dedicar a miña aos libros», referenda Valín.

Actualmente, a 31.ª Feira do Libro Antigo e de Ocasión de Galicia está a piques de acabar o seu itinerario. Como todos os veráns, este evento leva, durante uns días, a venda de libros de segunda man e de exemplares descatalogados a puntos céntricos das principais cidades galegas. Ata o 4 de setembro estivo aberta nos Xardíns de Méndez Núñez da Coruña. Levaba desde maio facendo xira. Pasou, como todos os anos, por Santiago, Ferrol, Vigo e Lugo. É unha cita que ofrece tantas pezas singulares para coleccionistas como exemplares de reventa máis modernos e baratos. O libro, cada vez máis facilmente accesible. Xa non hai escusas.

 

[Imaxe: RAMON LEIRO – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Depuis quelques mois, certains états bannissent des livres (banned books) dans les écoles et les bibliothèques américaines.

livres censures usa

1 597 livres, c’est le chiffre correspondant aux ouvrages censurés dans plusieurs états américains depuis 2021. Cela représente le plus grand nombre d’interdictions depuis que l’ALA a commencé à compiler ces listes il y a 20 ans.

Parmi ces livres on trouve des ouvrages mondialement connus : MausLe journal illustré d’Anne Frank, ou encore La couleur pourpre d’Alice Walker… et aussi des livres sur l’homosexualité, la transidentité et l’homoparentalité.

Comme une réponse à ce vent de censure, la Bibliothèque publique de Brooklyn (BPL) a pris une initiative audacieuse.

Pendant un temps limité, l’institution propose aux jeunes de 13 à 21 ans de tout le pays, un accès gratuit à la lecture de 500 000 livres numériques, dont la totalité des livres censurés à ce jour.

La bibliothèque explique : « Partout dans le pays, les adolescents sont confrontés à des interdictions de livres, à la censure et à des blocages politiques dans leurs écoles et leurs bibliothèques publiques. »

« Il s’agit d’une initiative de liberté intellectuelle de lecture de la Brooklyn Public Library », déclare la bibliothèque.

Pour que les jeunes lisent les livres en question, la BPL a mis en ligne une page web spécifique afin de guider les lecteurs pour obtenir les livres, au nom de la liberté de pensée ! Ce portail délivre aussi de l’information sur les Banned Books et milite pour les Books Unbanned.

Par ailleurs, Margaret Atwood a lancé au printemps dernier une initiative coup de gueule avec une version de La servante écarlate très particulière (en savoir plus ici )

 

[Source : http://www.idboox.com]

Emilia Mernes, Cazzu y Nathy Peluso completan el grupo de figuras que juegan en las grandes ligas; quién es quién y cuál es el secreto detrás de un fenómeno que pasó de YouTube y Spotify a los escenarios de América y Europa 

Escrito por Guadalupe Torres

Están al tope de lo más escuchado en Spotify. Las entradas para sus shows se agotan en tiempo récordCada vez generan más repercusión en el exterior y son buscadas por cantantes consagrados para lanzar temas juntos. Como nunca antes, las artistas mujeres de nuestro país están pisando fuerte a nivel internacional y encabezan un verdadero fenómeno para la música argentina en particular y la de habla hispana en general. Ya es difícil saber quién encendió la mecha, pero lo cierto es que produjo un big bang que las puso a ellas en las pantallas de celulares de toda una generación. Tini, Lali, Cazzu, Nathy Peluso, Nicki Nicole, María Becerra y Emilia son las siete magníficas del pop actual

La música urbana, término que engloba al nuevo pop latino, el reggaetón y el trap -entre otros géneros-es en Argentina la que registra un mayor número de reproducciones en distintas plataformas y la más consumida en términos masivos por los jóvenes. Y ellas lo saben. Cada una impone un estilo y todas lograron descifrar con inteligencia y espontaneidad el clima de época y cómo ser la voz de su generación. Cada vez que alguna de ellas anuncia un nuevo show –acá o en cualquier ciudad de América Latina o España– se llegan a registrar filas virtuales que serían eternas en el mundo real. Y una de las claves de este fenómeno son las colaboraciones. Lejos de competir entre sí, las chicas lanzan canciones juntas y el éxito de una es también el de la otra.

Lali Espósito junto a Nicki Nicole. Lejos de competir entre sí, las chicas lanzan canciones juntas y el éxito de una es también el de la otra

Lali Espósito junto a Nicki Nicole. Lejos de competir entre sí, las chicas lanzan canciones juntas y el éxito de una es también el de la otra.

Lucila Bruno, licenciada en Artes especializada en música, analizó para LA NACION la nueva dinámica de colaboraciones como un signo de época que pisa cada vez más fuerte: “Por un lado estas colaboraciones responden a una necesidad comercial: lanzando juntas una canción tienen más llegada que una artista sola. Y por otro lado, rompen con el paradigma de la rivalidad entre mujeres que estaba instalado muy fuertemente en la música. Ellas en vez de disputarse quién es la reina del pop -como pasaba con Madonna, Britney Spears y Christina Aguilera- optan por trabajar juntas generando un lindo mensaje, más difusión de sus trabajos y más espacio para nuevas cantantes”. Replican una especie de hermandad entre colegas que resguarda una fórmula de éxito.

María Becerra: de subir videos a YouTube a protagonizar un boom

“Si hago canciones y las escuchan solo dos personas, daré clases de canto o lo que sea. Pero la música es lo que realmente me llena y, por eso, me tiré de lleno”, señaló María Becerra a LA NACION

“Si hago canciones y las escuchan solo dos personas, daré clases de canto o lo que sea. Pero la música es lo que realmente me llena y, por eso, me tiré de lleno”, señaló María Becerra a LA NACION.

Nació en Quilmes bajo el nombre de María de los Ángeles Becerra y a sus 22 años ya se perfila como una artista con fuerte proyección internacional. Empezó subiendo videos graciosos a YouTube y, para cuando tenía 15 años, ya había ganado una buena cantidad de seguidores. Creció de golpe y a los 19 años dejó su casa de Quilmes para irse a vivir sola a un monoambiente en Capital. La vocación por entretener luego viró hacia el terreno de la música y así fue como nació “High”, el hit que la catapultó y le permitió evolucionar de youtuber a artista, su gran anhelo.

La versión remix de esa canción junto a Tini Stoessel y a la española Lola Índigo fue la que le abrió las puertas de la industria de la música. En sus primeras 24 horas, este tema superó las 4 millones de visualizaciones en YouTube y las 750.000 reproducciones en Spotify. Luego sumó otra colaboración con Tini: “Miénteme” y ahí su carrera terminó de dar el salto y le abrió las puertas del mercado hispanoparlante.

"Miénteme", el hit que comparten María Becerra y Tini fue furor y consolidó la amistad entre ambas
« Miénteme », el hit que comparten María Becerra y Tini fue furor y consolidó la amistad entre ambas

En septiembre de 2020, entrevistada por LA NACION, Becerra contó que fue víctima de violencia de género y que la música fue uno de los refugios que encontró para sobreponerse, además de la escritura y de la comunidad que logró construir en YouTube. “Sufrí mucha depresión y, por mucho tiempo, fui muy sumisa y me creía inútil”, señaló. En esa etapa se dedicó a escribir cuentos y canciones y, de a poco, comenzó a publicar el material en su canal. De esa forma, se dio cuenta de que su música era bien recibida y entendió que “no quería ser famosa, sino artista”.

Nicki Nicole: “la niña mimada del trap” que llegó al programa de Jimmy Fallon

Su participación en el programa de Jimmy Fallon le abrió definitivamente las puertas del mercado norteamericano

Su participación en el programa de Jimmy Fallon le abrió definitivamente las puertas del mercado norteamericano. Natacha Pisarenko – AP

La música urbana tiene que ver con una forma de producir y consumir música a través de computadoras, celulares y otros dispositivos digitales. Cualquier dormitorio adolescente puede devenir en estudio de grabación. Ese fue el caso de Nicki Nicole, quien subió a YouTube una canción que grabó con un celular que le regalaron cuando cumplió 15 y consiguió millones de reproducciones, sin discográficas de por medio y sin intermediarios.

Con una estética muy vinculada al hip hop, la chica rosarina que filmó su primer videoclip con un celular donde se la veía andar en bicicleta en su Rosario natal no tardó en conquistar las audiencias internacionales. Su vida antes de “Wapo traketero” se puede resumir sin grandes sobresaltos: es la menor de cuatro hermanos y se crio en Echesortu, un barrio de clase media de Rosario. Cazzu, siguiendo la lógica de las colaboraciones, la invitó al Teatro Ópera a cantar su primer hit a dúo, en el hoy lejano agosto de 2019.

En apenas dos años, Nicole Denise Cucco moldeó una carrera que le hubiera llevado décadas construir a un artista de cualquier otra época. En abril, Nicole cantó su hit “No toque mi naik” junto a Lunay en una participación histórica en The Tonight Show de Jimmy Fallon, y el público terminó de caer rendido a sus pies. La visita de la trapera al ciclo de la televisión norteamericana no hizo más que confirmar su proyección internacional y posicionarla como una de las artistas nacionales del momento.­

Cazzu: de Jujuy a ser “la jefa del trap”

La jujeña Cazzu, más conocida como la "jefa del trap", logró hacerse un lugar en un género preponderantemente masculino

La jujeña Cazzu, más conocida como la « jefa del trap », logró hacerse un lugar en un género preponderantemente masculino.

Julieta Cazzucheli nació rodeada por los sonidos de Fraile Pintado, un pueblo de 13.000 habitantes de la provincia de Jujuy. Sus inquietudes artísticas comenzaron a los 10 años, con el punk y el reggaetón. Pero cuando se mudó a Tucumán para estudiar cine armó su banda de cumbia, Juli K, donde ya desplegaba sus dotes de líder dentro de un grupo de hombres.

Su disco debut, Maldade$, la puso en el ojo de varios artistas y productores. Así fue que logró participar en el hit de Khea, “Loca”, la canción bisagra de su carrera –y del trap como género en la Argentina– con más de 500 millones de reproducciones. No pasó mucho tiempo hasta que se hizo de dos amigos claves: el puertorriqueño Bad Bunny y el colombiano J Balvin, dos de las figuras más importantes de esta era dorada de la música latina. Hoy es una de las máximas exponentes femeninas del género y sigue proyectando una carrera internacional trabajando con distintos productores y artistas extranjeros de música urbana.

Lali: la estrella juvenil que invirtió sus ahorros para iniciar su carrera musical

Lali, en un show del Disciplina Tour

Lali, en un show del Disciplina Tour

La artista que comenzó a actuar de niña en diversas producciones de Cris Morena se reconfiguró en su adultez como cantante pop y logró convertirse en una estrella internacional. Si bien su foco está puesto en su carrera musical, mientras graba y canta con grandes figuras no abandona ni la actuación ni el entretenimiento televisivo. Su protagónico en la serie de Netflix Sky Rojo le abrió las puertas de España. Próximamente protagonizará El fin del amor, una serie original de Amazon Prime Video basada en el best seller de Tamara Tenenbaum. Pero son muchas las Lalis que la engloban y hay un par más: la histriónica y divertida jueza de La Voz Argentina (Telefe) y, claro, la nueva “Madonna” que encabeza el Disciplina Tour, una serie de shows de alto voltaje. La gira tuvo ya dos paradas porteñas en el Luna Park y tendrá una tercera en el Movistar Arena.

Muchos la consideran una artista 360°, atenta a todos los detalles de sus shows. Le gusta pensar el concepto de sus espectáculos y no titubea a la hora de autoproducirse y gestionar su carrera: busca impactar y lo consigueAbiertamente admiradora de Madonna, Beyoncé y Lady Gaga, Mariana “Lali” Espósito busca que la narrativa y estética que la atraviesan tengan contenido. Eso sí: aún no se dio la colaboración con Tini, algo que los fanáticos que crecieron con ellas vienen pidiendo hace tiempo.­

Tini, la precursora: de ídola teen a cantante pop

Tini en el Movistar Arena
Tini en el Movistar ArenaIgnacio Sánchez – LA NACION

A sus 25 años, ya tiene en su haber más de una década dentro de la escena artística y cientos de shows a sus espaldas, Tini Stoessel a pasos firmes y acelerados se consolida cada vez más como cantante pop.

La ídola teen dio sus primeros pasos en la escena pública protagonizando la exitosa tira de Disney, Violetta, hasta que dio el salto de la actuación a la música. Dejó atrás el perfil de chica Disney para mostrar su cara más sensual y urbana. Al enfocarse en su faceta musical, sus plataformas estallaron con millones de visualizaciones y el público no hizo más que acompañarla. En 2018 estrenó un sencillo junto con Karol G “Princesa” que fue disco de Oro en la Argentina y bajo su nombre artístico, Tini lanzó “Quiero volver” y los éxitos no hicieron más que multiplicarse. TINI Tour 2022 es la tercera gira musical de quien ya se afianzó como una de las cantantes más famosas de la Argentina. Con el inicio de esta gira en el Hipódromo de Palermo, Tini se convirtió en la artista con mayor cantidad de conciertos en este recinto, con seis funciones agotadas y más de 100.000 entradas vendidas.

Emilia: la cantante que sin haber lanzado un disco deslumbró en el Lollapalooza Argentina

 Emilia Mernes: “Comía por la ansiedad. Después me sentía mal, pero me encerraba a comer. Y después no salía porque me daba vergüenza que la gente me vea y viera que estaba más gorda”, contó en diálogo con el streamer Coscu a través de la plataforma Twitch

Emilia Mernes: “Comía por la ansiedad. Después me sentía mal, pero me encerraba a comer. Y después no salía porque me daba vergüenza que la gente me vea y viera que estaba más gorda”, contó en diálogo con el streamer Coscu, a través de la plataforma Twitch. Gentileza Sony Music

La cantante Emilia Mernes que acumula millones de reproducciones en las plataformas digitales y deslumbró con un show en el festival Lollapalooza Argentina de este año tenía una asignatura pendiente: lanzar un disco. En su caso, primero aterrizaron los hits y después, el álbum.

Nicki Nicole y Emilia Mernes. Su éxito musical se evidencia en las actuaciones y en las plataformas musicales, donde sus temas cuentan con miles y miles de reproducciones en Spotify y Youtube

Nicki Nicole y Emilia Mernes. Su éxito musical se evidencia en las actuaciones y en las plataformas musicales, donde sus temas cuentan con miles y miles de reproducciones en Spotify y Youtube. Gentileza Sony Music

La entrerriana de 25 años cuenta con colaboraciones con FMK (compositor de “Intoxicao”, el hit que canta con Nicki Nicole), Rusherking (“De enero a diciembre”), Duki (“Si no me importara”) y Lit Killah y Sebastián Yatra. La joven artista saltó a la fama tras incorporarse como cantante a la banda uruguaya de cumbia-pop Rombai en 2016, de la que se separó dos años después. El 8 de marzo de 2019 lanzó su primer tema como solista, “Recalienta” y ese fue el punto de partida para una carrera que no para de crecer: fue nombrada “Latin Artist on The Rise” (artista latina en ascenso) por la revista Billboard y este año, para alegría de sus fans, lanzó su primer disco Tú crees en mi?

Nathy Peluso: una artista con sello propio que se transformó en un ícono de la música urbana

Nathy Peluso: la BZRP Session #36 que hizo con el productor Bizarrap, el artista argentino más escuchado en las plataformas digitales, le abrió las puertas del circuito mainstream del trap local y, sobre todo, fue un hit global

Nathy Peluso: la BZRP Session #36 que hizo con el productor Bizarrap, el artista argentino más escuchado en las plataformas digitales, le abrió las puertas del circuito mainstream del trap local y, sobre todo, fue un hit global.

Nathalia Beatriz Dora Peluso, más conocida como Nathy Peluso, se convirtió en un ícono de la música urbana actual: con sus canciones que fusionan rap, trap, salsa, soul y swing logró conquistar el corazón de miles de fanáticos en el mundo. Pero no fue solo su talento musical la que la condujo a la fama internacional, sino también su personalidad hipnótica arriba del escenario, en las entrevistas y en las redes sociales, que suele impactar a todo el que la sigue.

Nació en Luján, pero se crio en el barrio de Saavedra hasta que sus padres tomaron la decisión de irse a vivir a España. Sus inicios fueron subiendo covers a YouTube, generalmente interpretando canciones de jazz, hasta que descubrió el hip hop y con su particular impronta alcanzó mucha popularidad. Tiene tres discos: Esmeralda (2017), La Sandungera (2018) y Calambre (2020); y se presentó en los festivales más importantes de Europa. La BZRP Session #36 que hizo con el productor Bizarrap, el artista argentino más escuchado en las plataformas digitales, alcanzó más de 300 millones de reproducciones en YouTube y se convirtió en el hit más grande de su carrera.

[Fuente: http://www.lanacion.com.ar]

Reportages, critiques, interviews, éditos… On ne s’attend pas à les retrouver dans les magazines classés X. Pourtant ils y sont, dispersés au milieu des images aguicheuses.

«Dans notre secteur d'activité, on a appris à maîtriser la synergie.» | Marine Gachet

«Dans notre secteur d’activité, on a appris à maîtriser la synergie.»

Écrit par Marine Gachet — édité par Thomas Messias

On les a toutes et tous déjà vus. En allant acheter Le Monde ou Paris Match, ils vous ont sûrement déjà fait de l’œil du haut de l’étagère du buraliste. Entre des revues sur la cuisine et d’autres sur les automobiles, on peut apercevoir Union, Hot Vidéo, Busty, Chobix… Des noms qu’on lit à peine, car s’attarder devant risquerait de nous faire passer pour un pervers ou une femme un peu trop libérée.

Mais au-delà de leurs couvertures arborant des tétons en forme d’étoiles, que renferment véritablement les magazines pornographiques? Interviews, reportages, brèves, critiques de films, de livres et même éditos… On est loin du basique compagnon de masturbation que celles et ceux qui ne les ont jamais feuilletés peuvent imaginer.

Certes, les photographies de corps nus et de pénétrations diverses et variées sont omniprésentes, mais chacun a une ligne éditoriale claire: Union publie des récits illustrés de lecteurs, Hot Vidéo passe en revue les films X et Busty met à l’honneur les fortes poitrines. Des identités également présentes sur internet, en tout cas pour les titres qui ont opéré leur transition vers le numérique.

Les petites mains qui se cachent derrière les pseudos signant les articles ont un travail moins hors du commun que ce qu’on pourrait penser. «Dans certains magazines, on est proche d’une organisation de la rédaction classique», explique Béatrice Damian Gaillard, chercheuse en sciences de l’information et de la communication à l’université de Rennes 1.

Décliner les angles sur la double pénétration

«Mon travail chez Union était comparable à n’importe quel desk web: tu restes dans ton bureau et tu regardes ce qui se passe depuis le net. Tu ne fais pas vraiment de terrain», résume James Gregoire, qui a signé ses articles sous le nom de James Nicolas de Sade lors de son stage de six mois dans la rédaction web d’Union en 2020. Depuis, celui qui est passé par la rédaction web du journal Sud Ouest affirme que le rythme du magazine pornographique est particulièrement soutenu. Durant six mois, il écrit deux articles de 800 mots par jour sur le sexe.

Alors qu’il débute comme journaliste chez Union, on lui explique qu’il va travailler avec les techniques de SEO (Search Engine Optimization), qui se propagent également dans les rédactions généralistes. Il doit utiliser des mots-clés afin d’améliorer le positionnement des articles dans les résultats des moteurs de recherche. «On m’a dit d’emblée que le mot-clé de la semaine sur lequel on voulait être bien référencé était “double pénétration”. J’ai passé ma première semaine à faire des articles sur ce sujet», s’amuse le jeune homme de 23 ans. «Pour le coup, ça t’apprend vraiment ce qu’est un angle, puisque tu dois décliner plusieurs papiers sur un même thème.»

Le terrain n’est pas nécessairement exclu lorsqu’on travaille pour la presse pornographique. Chris Czerni a créé Bomb Magazine et 1998 et le magazine de petites annonces sexuelles Plans X en 2015. Avec un photographe et d’autres rédacteurs, il couvre l’actualité des événements sur la sexualité dans toute la région des Hauts-de-France et en Belgique«Je fais des comptes-rendus des salons érotiques, le photographe fait des reportages. Il nous arrive aussi de couvrir des soirées dans des clubs libertins, des événements comme la Pride de Lille», énumère-t-il lorsque nous le rencontrons à son stand du salon Erotix de Bruxelles en mars 2022.

Le terrain s’invite aussi parfois dans la rédaction de Dorcel Magazine. «Les journalistes vont souvent sur les tournages pour faire leurs articles», indique Fred Coppula, directeur de la publication des magazines Dorcel et de Chobix.

Lors de son stage à Hot Vidéo en 2012, Guillaume Oblet, actuellement journaliste web dans un journal luxembourgeois, affirme avoir appris les bases de son métier. «J’ai découvert la profession de journaliste là-bas. J’y ai appris des rudiments que j’utilise encore aujourd’hui, comme la façon de hiérarchiser l’information et la règle des 5W», affirme-t-il. C’est comme ça qu’à 22 ans, il réalise une de ses premières interviews avec une interlocutrice de choix: une camgirl.

L’étudiant en cinéma se souvient notamment d’un article sur la scatophilie qu’il a écrit pour Noël.

Il réalise une veille quotidienne en suivant des fils info américains dédiés au porno, comme AVN. Il reprend également des communiqués de presse qui viennent de studios de films X français, et garde un œil sur les réseaux sociaux des actrices et des producteurs.

«Quand il n’y avait pas beaucoup d’actu, je devais piocher un film X dans un bac plein de DVD et faire une critique, ce qui me faisait beaucoup rire», se remémore Guillaume Oblet avec un soupçon de nostalgie, même s’il pense que le fonctionnement du journal a dû changer depuis son rachat par l’entreprise Jacquie et Michel en 2016. À ce jour, ni Hot Vidéo ni Jacquie et Michel n’ont répondu à nos sollicitations.

Cette expérience le pousse à arrêter ses études en conception de sites internet pour se consacrer au journalisme. Car journaliste, c’est comme cela que se considèrent ceux qui écrivent pour les magazines porno.

C’est même la volonté de l’être qui a poussé Guillaume Oblet et James Gregoire à envoyer leur CV pour travailler dans ces revues. «Je faisais la prépa La Chance pour entrer dans une école de journalisme, et tout le monde avait un stage sauf moi. J’ai vu une annonce passer pour un stage à Union sur les réseaux sociaux et j’ai postulé», se souvient James.

Des CV qui excitent la curiosité

Quentin[1], qui a récemment fait un stage de six mois à Union, est également arrivé dans le secteur un peu par hasard. «J’avais choisi Union faute de choix. Je devais obtenir un stage avant une date imposée. Union s’est présenté, et au final, c’est une expérience incroyable», admet l’étudiant en cinéma, qui se souvient notamment d’un article sur la scatophilie qu’il a écrit pour Noël. S’il n’exclut pas de retravailler un jour pour une revue pornographique, il espère poursuivre sa carrière dans la presse dédiée au septième art.

Ceux qui sont passés par la case «magazine porno» n’ont pas de mal à se vendre en tant que journalistes à d’autres employeurs. Guillaume Oblet est passé par le data journalisme avant d’évoluer dans la presse quotidienne régionale. James Gregoire, lui, est actuellement en alternance dans un grand média national. «Quand on voit cette expérience à Union dans mon CV, ça suscite la curiosité», souligne celui aimerait devenir reporter de guerre.

«Lorsque j’ai passé mon entretien après Hot Vidéo pour faire un master en journalisme, on m’a posé des questions presque uniquement sur ça», se remémore Guillaume Oblet.

Actuellement, les rédacteurs qui travaillent pour les revues pornographiques ne peuvent pas obtenir leur carte de presse. Cela ne les empêche pas de se revendiquer journalistes, comme le rappelle James Gregoire. Ce n’est pas tant le thème du sexe sur lequel ils travaillent qui pose problème, mais bien les services proposés par les magazines qui les emploient.

Les entreprises de l’industrie du X l’ont bien compris: les magazines sont de véritables vitrines.

Quand il appartenait au groupe Lagardère, Union permettait à ses journalistes d’obtenir leur carte professionnelle. Mais le magazine n’aurait tout simplement pas renouvelé sa demande d’enregistrement auprès de la Commission paritaire des publications et agences de presse (CPPAP) au moment de son acquisition par Reworld Media en 2014. Le fait que le magazine offre désormais des services comme la production de films pornographiques, un site de rencontre ou encore des «live cams» l’empêcherait d’obtenir cette reconnaissance.

Cette multiplication des activités dans certaines revues écarte parfois radicalement les rédacteurs de leur travail de journaliste.

Les membres des rédactions, souvent petites, sont généralement multi-tâches. Chez Hot Vidéo, la matinée de Guillaume Oblet commençait toujours par la publication d’une vidéo pour adulte. «Je devais faire le montage d’une scène d’un film que des producteurs avec qui on travaillait nous envoyaient. J’ajoutais le logo Hot Vidéo, une intro, un écran de fin, je choisissais des photos pour résumer la scène sur le site du journal et j’écrivais quelques phrases pour donner aux lecteurs envie de regarder la vidéo», relate-t-il en se rappelant les termes particulièrement vulgaires et racoleurs qu’il devait écrire.

En 2012, Clément[1] a travaillé six mois à Hot Vidéo. À côté de son travail de rédacteur, il devait ajouter des sous-titres français aux films X américains, dont les DVD étaient ensuite vendus avec le magazine. En raison de son bagage dans le milieu du cinéma, il travaillait aussi pour la plateforme VOD et la chaîne télévisée du magazine. Cela l’a conduit à filmer quelques reportages qui s’apparentaient plus à des scènes pornographiques qu’à du contenu journalistique.

De son côté, Plans X organise des soirées dans des clubs et est distribué en même temps que des stimulants sexuels dans les salons érotiques où se rend Chris Czerni, qui tire son chiffre d’affaire de ces différentes activités.

Le cul entre deux chaises

Travail journalistique ou promotionnel? S’il se sentait journaliste quand il écrivait ses articles pour Hot Vidéo, Clément reconnaît qu’à certains moments, il faisait plutôt un travail de promotion que d’information«Parfois je devais écrire des articles promotionnels, sur du contenu gonzo que je ne validais pas. Dans ces moments-là, j’utilisais mon pseudo.»

Les entreprises de l’industrie du X l’ont bien compris: les magazines sont de véritables vitrines. Jacquie et Michel et Dorcel ne se sont pas privés d’avoir la leur et éditent plusieurs magazines à leur nom respectif. «Ces titres développent une offre éditoriale intermédiaire, entre promotion et journalisme», écrit Béatrice Damian Gaillard, dans un article intitulé «L’Économie politique du désir dans la presse pornographique hétérosexuelle masculine française».

«Depuis que Hot Vidéo a été racheté, c’est devenu une pub pour Jacquie et Michel.»

                                   Jérôme, ancien abonné

Fred Coppula ne cache pas le but communicationnel des magazines Dorcel. Il y a une trentaine d’années, le fameux réalisateur et producteur de films X crée le magazine Chobix. La nouveauté: il est écrit par des actrices pornos. Et il cartonne. En 2009, il convainc Dorcel de lancer son propre magazine.

«Cela nous permettait de communiquer comme on voulait. Et à l’époque on avait le droit d’être affiché sur les kiosques, cela nous permettait de faire de la publicité pour Dorcel là où on n’avait pas le droit d’en avoir», reconnaît-il. À cela s’ajoutent les DVD introduits sous le blister des magazines, qui permettent aux lecteurs de faire un premier pas vers les films Dorcel. Promouvoir la marque Dorcel et ses films: voilà un but assumé du magazine.

Inutile de préciser que la reconnaissance de ce genre de magazine par la CPPAP, dont une des conditions est, comme on peut le lire sur son site internet, de «ne pas apparaître comme étant l’accessoire promotionnel d’une activité commerciale ou industrielle», est impossible. Tout comme l’obtention de la carte de presse par les personnes qui y écrivent.

Là encore, les rédacteurs ont plusieurs casquettes. D’abord en travaillant également pour le magazine Chobix, dont Fred Coppula est toujours directeur de la publication, puis en exerçant une autre activité pour Dorcel. Seuls le rédacteur en chef et le maquettiste n’ont pas d’autre fonction.

«Dans notre secteur d’activité, on a appris à maîtriser la synergie. Parmi nos rédacteurs, il y a une femme d’une cinquantaine d’années. Avec son expérience, on lui a également demandé d’aider sur les tournages et de conseiller les actrices quand elle va en reportage», raconte Fred Coppula. Impossible donc pour les journalistes de ne pas faire de promotion, étant à la fois commentateurs et acteurs des sujets qu’ils couvrent.

Cette fonction des magazines n’est pas vue d’un bon œil par tous les lecteurs. Jérôme[1], qui a longtemps été abonné à Hot Vidéo, a été témoin de son passage aux mains de Jacquie et Michel. «Hot Vidéo était un magazine professionnel de cinéma pour adultes. On n’achetait pas ce magazine pour se masturber, mais bien parce qu’il traitait du cinéma X comme un magazine de cinéma classique», se remémore-t-il. «Depuis que Hot Vidéo a été racheté, c’est devenu une pub pour Jacquie et Michel et les films qui vont avec le magazine sont bons à mettre à la poubelle.» Quant à Dorcel Magazine, Jérôme l’a acheté plusieurs fois, uniquement pour les DVD.

1 — Les personnes interrogées ont souhaité garder l’anonymat. abc

 

[Illustration : Marine Gachet – source : http://www.slate.fr]

São profissionais cobiçados pelas corporações. Têm ótimos salários e regalias, ao contrário dos imigrantes comuns. Muitos buscam um novo estilo de vida (e bom wi-fi) no Sul global. Mas seus empregadores já fazem as contas para descartá-los…

Por Rafia Zakaria

Um nômade digital, em essência, é um trabalhador em modelo 100% home office, sem moradia fixa e que se desloca pelo mundo. São profissionais altamente qualificados e bem remunerados, que trabalham vinculados a uma empresa ou de forma autônoma. Estão no mundo da programação, da moda, do marketing, da engenharia de grandes obras. Podem ser artistas, redatores, arquitetos, jornalistas. Já são 35 milhões pelo mundo, segundo cálculos da Fragomen, entidade ligada ao mercado que atua no campo de tendências migratórias globais.

Brian Chesky, o poderoso CEO do Airbnb, é talvez hoje o “nômade digital” mais famoso: recentemente, anunciou que não terá mais residência fixa e só trabalhará de forma remota, pulando de Airbnb em Airbnb ao redor do mundo.

Esse estilo de vida tornou-se mais popular na pandemia, com a proliferação do home office, mas está em ascensão há anos. Seus adeptos apontam que esta “escolha” exige enfiar o talento na mochila e abrir-se a novas descobertas e experiências, autoconhecimento, capacidade de adaptação, lidar com a saudade da família, peitar estruturas hierárquicas muito verticalizadas do trabalho, gestão rigorosa (de prazos, metas e da própria agenda), saber dosar trabalho e lazer (e o excesso de precauções com seus equipamentos de trabalho), adaptar-se a fuso horários, lidar burocracia migratória – e uma boa conexão de internet.

A revista Forbes aponta alguns fatores que podem explicar esse fenômeno, tais como a moradia, cada vez mais, percebida como um serviço; políticas empresariais de anywhere office (escritório em qualquer lugar); crescente facilidade para tirar vistos em países que tentam atrair os “nômades digitais”; ampliação de infraestrutura para coworking em diversas cidades globais; crescente estilo de vida que prioriza experiências em vez de posses; adoção da educação domiciliar por muitas famílias do Norte global.

Por Rôney Rodrigues

Um ensaio de Rafia Zakaria, no The Baffler | Tradução: Rôney Rodrigues

Eles estão em todas as mídias sociais e por todo o mundo. Uma pesquisa de hashtag no TikTok oferece uma infinidade de conteúdos, de dicas de viagens e qualquer coisa que você possa imaginar. O “nômade digital” é a mais recente criatura que a cultura virtual produziu. Tomado literalmente, o termo se refere a qualquer pessoa que abandona sua residência fixa para transitar de um lugar para outro. Os nômades digitais geralmente têm empregos que lhes permitem trabalhar de qualquer lugar com uma conexão wi-fi. Quando chegam a um novo destino – Bali, na Indonésia, é um dos favoritos – eles simplesmente se instalam em hostels — ou alugam quartos — e logo demarcam cafeterias e lan houses. Em um TikTok que assisti há algumas semanas, a câmera fotografou um café à beira-mar cheio desses nômades ocidentais.

Talvez porque a maioria dos nômades digitais pertença à uma audiência “muito online”, a internet está quase surtando com suas façanhas. Alguns exaltam a economia das despesas, observando que é muito mais barato viver em cidades à beira-mar no México, em Portugal ou na Costa Rica do que morar numa cidade grande ou média nos Estados Unidos. Outros, como uma mulher com o apelido “themomtrotter” (1,7 milhão de seguidores), mostram como é gostoso se deleitar em uma piscina com o parceiro entre as reuniões de negócios. A maioria deles carregam uma pitada de desdém em relação aos seus espectadores nas redes sociais, que poderiam – e ainda não escolheram – embarcar nesta jornada de nômade digital. Afinal, quem não gostaria de viajar para um país aprazível, economizar dinheiro e desbravar o mundo enquanto, quem sabe, possa se tornar um influencer durante esse processo?

Embora os nômades digitais finjam torcer o nariz para as pressões do capitalismo, eles são evidentemente criaturas dele. Os regimes de vistos do mundo todo privilegiam cidadãos de democracias ricas e ocidentais, que podem transitar com facilidade. Países empobrecidos, porém exuberantes, têm incentivos para tentar atraí-los. Há benefícios para a nação anfitriã, já que os nômades digitais tendem a ficar mais tempo do que um turista típico que esvoaça de um lugar para outro. E, enquanto ficam, fortalecem as economias locais torrando dinheiro em restaurantes, cafés, passeios guiados e outras complacências similares. Como seus empregos estão em outro lugar, eles não estão tecnicamente tirando empregos das populações locais. Uma estadia de maior duração também significa certa possibilidade de que os nômades digitais possam compreender melhor a cultura e os costumes de um lugar, pelo menos mais do que um turista apressado que espreme suas férias em um fim de semana.

Por outro lado, o baixo nível de comprometimento dele significa que, se alguém acaba em um lugar que não atende às expectativas ou onde as comunidades de expatriados ou nômades digitais não são tão divertidas, ele pode facilmente desenraizar-se e ir embora. Ironicamente, porém, é a consistência que parece importar mais na vida de um nômade digital; uma rotina sólida que pode ser seguida independentemente de onde se esteja significa que a produtividade do trabalho não é sacrificada à medida em que o fuso horário muda.

O estilo de vida nômade digital, juntamente com sua contribuição para as economias locais, concentra-se no privilégio do passaporte. Isso significa que eles são principalmente cidadãos de nações ocidentais ricas que podem participar do galgar, pular e saltar do novo nomadismo. As pessoas de muitos países, dizem os indonésios de Bali, não recebem a mesma cortesia nas nações ocidentais de onde vêm os nômades prósperos. O fluxo na direção contrária, atestado pelas multidões de migrantes presos em lugares como Lesbos na Grécia, Nauru, perto da Austrália e da fronteira sul dos EUA-México, encontra resistência; poucos dos países onde eles buscam entrada estão interessados em criar vistos especiais para essas pessoas. Um refugiado ou migrante está em uma categoria marcada pelo desespero, enquanto o privilégio do passaporte do nômade digital sinaliza alívio. Assim que terminarem de conhecer o mundo, eles retornarão ao seu país de origem. Eles podem insistir em que não têm um lar, mas, apesar de toda a sua insistência, os privilégios dos países ricos ocidentais são tais que sua casa é sempre a sua casa.

Assim, as pessoas que são forçadas a viajar — a migrar de suas aldeias e vilas e cidades — devem deixar suas casas e tornar-se indesejáveis, enquanto aqueles que optam por viajar recebem acenos através de vistos e privilégios especiais. Os 46 países que já oferecem ou estão no processo de estabelecer vistos especiais de viagem incluem Austrália, Panamá, Antígua, Camboja, Noruega e Brasil, apenas para citar alguns, segundo levantamento da Harvard Business Review1. Quase todos exigem comprovação de emprego – ou seja, o trabalho remoto que manterá a solvência do nômade em questão, assim como sua capacidade de gastar dinheiro no país escolhido. Muitos até oferecem vantagens como isenções fiscais para, assim, obter vantagem sobre outros “concorrentes”. É uma aposta sólida: muitos países que enfrentaram recessão no setor de turismo podem agora recuperar alguns ingressos — e atrair viajantes perdidos através da oferta desses vistos de nômades digitais.

No mundo de normalidade pós-pandêmica, em que todos se acostumaram a ser uma ilha fechada em si mesma, o nomadismo digital oferece a oportunidade de mudar a localização de sua ilha. Com os relacionamentos enfraquecidos pela distância e pelo desuso, a ideia de estar sozinho viajando pelo mundo, ao mesmo tempo em que é possível encontrar conhecidos e amigos (descartáveis e em situação semelhante), tem vantagens. Poderia tornar as pessoas mais adaptáveis e autoconscientes. É provável que as coisas serão assim a curto prazo — e para pessoas que optam por serem nômades por um curto período de tempo ou, então, de vez em quando.

Para os outros que planejam tornarem-se nômades permanentes alguns bloqueios podem surgir. O país de cidadania pode impor exigências fiscais adicionais ou simplesmente tornar-se mais rigoroso quanto à cobrança de impostos de nômades digitais (que tendem a acreditar que são, de alguma forma, invisíveis porque não têm endereço permanente). A perspectiva mais ameaçadora é a perda dos empregos que mantêm os viajantes digitais venha à tona. Atualmente, novas startups estão oferecendo opções remotas completas para atrair os trabalhadores em um mercado cada vez mais competitivo. Empresas como a Airbnb continuam a ter escritórios físicos, mas também apoiam os funcionários a trabalharem de casa.

Esse tipo de mercado de trabalho — e a necessidade de talento — não será assim para sempre. Os gerentes das empresas, diante de equipes totalmente remotas e da necessidade de cortar custos, acabarão por perguntar-se se o “trabalho remoto” deve mesmo ser feito por um trabalhador estadunidense ou se poderia ser terceirizado para países com mão de obra abundante e altamente qualificada, mas que geram poucos empregos. Afinal, com empregos remotos, pode fazer mais sentido contratar desenvolvedores de software ou engenheiros na Índia, nas Filipinas ou em qualquer outro país. As coisas mudaram: as empresas já não precisam esperar que os vistos sejam processados e os funcionários apareçam nos Estados Unidos com a documentação em ordem. Se um funcionário está disposto a cumprir o horário da sede da empresa (como muitos nômades digitais estadunidenses fazem), ele pode estar em qualquer lugar e custar consideravelmente menos do que os trabalhadores que, atualmente, compõem as populações do nomadismo digital.

Os países podem mover-se para proteger seus próprios empregos e trabalhadores altamente qualificados, estabelecendo regulamentos que desencorajem a contratação de trabalhadores remotos estrangeiros ou imponham impostos extras às empresas que o fazem, mas isso exigirá legislação e vontade de intervir nas forças do mercado. Os governos já fazem isso para proteger setores como a agricultura, que arrecada grandes subsídios nos Estados Unidos e na Europa; eles podem optar por fazê-lo com tecnologia e outros trabalhos remotos também. Os nômades digitais de hoje, que vivem sua alta em belas praias e passam os dias em bares e cafeterias, não estão considerando essas políticas. A onda de jovens, em sua maioria brancos, que busca diversão provavelmente continuará no futuro imediato; uma espécie de bacanal nômade que se rebela contra as restrições impostas pela covid dos últimos anos. Mas mesmo que os nômades digitais continuem saltando de um lado para o outro e as empresas observem os funcionários que colocam fundos em seus laptops para disfarçar suas localizações, elas também estão calculando custos. Não é apenas mais barato morar em outro lugar que não seja os países caros da América do Norte e da Europa, mas também pode ser mais barato encontrar trabalhadores lá.


1 O Conselho Nacional de Imigração brasileiro regulamentou a concessão de visto temporário e autorização de residência aos imigrantes que se encaixem na modalidade. O visto temporário para os nômades digitais no Brasil é de um ano, prorrogável por mais um, desde que se comprovem meios de subsistência e que não haja vínculo empregatício no país. Cidades como o Rio de Janeiro apostam em incentivos especiais para atraí-los, como o certificado Rio Digital Nomads, concedido para hotéis, hostels e espaços de coworking que têm tarifas especiais para o cliente que aderir a pacotes de longa permanência. A Indonésia, destino pop dos nômades digitais, criou o Visto de Nômade Digital Bali: cinco anos de permanência temporária. O Ministério do Turismo espera receber três milhões de “migrantes privilegiados”.

[Imagem: Justin Tran/Blog Dropbox – fonte: http://www.outraspalavras.net]

Libro en chamas. (Foto: LearningLak CC BY 2.0)

Libro en chamas

Escrito por Mario Regueira

O bibliógrafo londiniense William Blades publicaba en 1880 a obra The Enemies of Books (Os inimigos dos libros), unha das primeiras enumeracións dos perigos que espreitan o libro impreso. Blades divide a obra en dez capítulos dedicados a varios “inimigos”. É curioso como conta entre eles realidades que case non identificamos xa, polo noso contexto histórico e climático, como a couza dos libros e outros insectos, que o propio Blades recoñece xa moi controlados nas bibliotecas de finais do XIX.

Non sobran tampouco apreciacións morais, como a ignorancia e o fanatismo relixioso, ironicamente ao lado de colectivos como encadernadores, coleccionistas, criados e tamén as crianzas da casa, que xa naquela altura manifestaban eventuais impulsos destrutivos contra os prezados obxectos que Blades coleccionaba: “A filla dun veciño, de seis anos de idade, ía en silencio até un andel, tomaba un libro ou dous, arrincaba unha ducia de follas do medio e devolvía os volumes, cos anacos e todo, aos seus lugares, así que o dano ficaba oculto até que era necesario consultalos”.

Porén, máis aló do pesadelo que supuñan as crianzas e o descoido dos demais para Blades, o primeiro inimigo, o que abre esa obra e se mestura cos fanáticos e as guerras que ameazan tamén o coñecemento humano, é o lume.

Alexandría en chamas

A biblioteca de Alexandría naceu como algo máis que un depósito de libros: aspirou, en distintas épocas a acumular todo o coñecemento humano. Non sempre coas mellores estratexias: contan as crónicas que os libros (daquela rolos de papiro) que lles prestaban para copiar a outras coleccións nunca volvían: os alexandrinos enviaban a copia e retiñan o orixinal para a biblioteca.

Tamén que era obrigatorio doar unha obra ao entrar na cidade, algo que sometía cousas como o comercio a un ben maior como a acumulación de saber. Poñer todos os ovos no mesmo cesto nunca foi unha boa estratexia: a grande ameaza ao proxecto de Alexandría foron os incendios, como o que produciu Xulio César nunha guerra, pero finalmente caería no ocaso coa puxanza de novas relixións e a súa guerra aberta a todo o saber anterior.

As novas formas do lume

Nos últimos tempos a convivencia entre o modelo do libro físico e o dixital ocupou algunhas preocupacións por parte de editoras e libreiros. O medo ou rexeitamento dunha parte destes á lectura dixital ten moito de ideolóxico e tamén cae nunha confusión moi concreta: o libro non foi sempre un libro. Esa transmisión de ideas e historias tivo moitas encarnacións, desde papiros, pergameos, cortizas de árbores ou táboas de cera… Formas diversas que desembocaron no códice medieval no que se inspira o libro físico moderno.

O dixital é só outra forma dunha actividade que soborda os obxectos dispoñíbeis en cada época: a transmisión de coñecementos, historias, sentimentos e paixóns. Esta época é, ademais, a primeira que nos permite achegarnos de novo a un ideal alexandrino: nunca será toda, pero unha parte inmensa da produción escrita pode ser centralizada e resulta accesíbel potencialmente cunha simple procura na rede. Saben ben diso no Proxecto Gutenberg, que leva dixitalizando obras en varios idiomas desde 1971 como unha forma de compromiso coa alfabetización e a cultura. Tamén outras plataformas como a Library Genesis, que libera obras na rede, especialmente de tipo académico, reivindicando de forma subversiva a democratización do coñecemento científico.

O tráfico e a pirataría de libros, que xa existían moito antes de internet, tamén poden ter motivacións altruístas aínda que sigan sendo perseguidas e vetadas por moitas lexislacións.

Hai uns anos unha bibliófila amiga tivo o seu momento de romance co libro electrónico e estivo un par de anos lendo soamente desta maneira. Un día vina cun libro físico e pregunteille se xa non lía en dixital: “Estou volvendo mercar en físico, vin un documental sobre as tempestades solares e sobre como pode que arrase con toda a tecnoloxía. Xa vai ser duro por si e non quero ficar sen libros”. O medo ao lume, na forma de tormenta xeotérmica ou de incendio de vellas bibliotecas mediterráneas, segue a turbar os soños das bibliófilas ao igual que na época de William Blade.

 

[Imaxe: LearningLak (CC BY 2.0) – fonte: http://www.nosdiario.gal]