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Escrito por Pedro Correia

Grupos de jovens ocuparam escolas secundárias e universidades, tendo sido anunciados na imprensa como « activistas » ecológicos (aquilo a que antes se chamava « militantes »). Os mais soturnos adversários de tais acções contestam(os) os ares e dizeres dos intervenientes. E nisso não deixam(os) de ter alguma razão pois alguns deles surgem em modos que julgam e querem muito significantes. Mas como nos aportam de São Domingos de Rana ou Telheiras não têm o kitsch do David Cassidy na « Família Partridge » nem o glamour ainda mais andrógino do Tim Curry ou o Bowie ou os enleios encantatórios das ariscas divas austrais desses outros tempos… Entenda-se, nem é o histriónico impúbere que incomoda, é mesmo a pungente piroseira de que se ufanam – da qual, daqui a uns anos quando virem as fotografias « de(sta) época », algo se envergonharão, meio atrapalhados. E, entretanto, alguns deles – os mais capazes – terão aprendido algo de fundamental: a forma é conteúdo.

Já quanto aos dizeres que vão exarando sobre as tais questões climáticas também não surgem muito sedimentados. Ainda que neste vector deverão (deveremos) os seus críticos ser menos radicais. Pois se em alguns há uma relativa aparente heterodoxia visual – ainda que, de facto, já muito estafada -, já nos discursos verbais a sua vacuidade, ainda que exaltada, não varia dos quotidianos dislates que se vão ouvindo dos habituais convidados da Júlia Pinheira, do Jorge Gabriel e de outros « generalistas », bem como – até – de alguns painelistas do « cabo », e já nem falo dos da galeria de locutores na imprensa e redes sociais, diariamente vasculhada pela letal humorista Joana Marques. E nisto têm os nossos « activistas » a legítima desculpa de serem putos, e nisso um superior direito à parvoíce.

Entretanto esta vaga de ocupações acabou mas os agrupamentos deixaram a promessa que voltariam à carga lá para a primavera. Algumas notas sobre isto:

1) Como se vê pelo patético conteúdo deste panfleto distribuído por um grupo de « activistas » universitários este movimento não é « ecológico ». De facto, a importante questão das « alterações climáticas » é apropriada para alimentar uma agenda contestatária abrangente, a que alguns querem chamar « ideológica » mas que não o é, senda apenas uma atrapalhada e atrevida mescla de itens de « agit-prop » da agenda esquerdalha (agora dita « woke » à falta de termo português para tal mosto), sob a evidente « mão visível » do BE. Isso poderia nada mais ser do que um pouco irritante, ou mesmo só risível, se a questão climática não fosse verdadeiramente relevante. E em assim sendo esta cacofonia, este « radicalismo pequeno-burguês de fachada ecológica » – como diria Álvaro Cunhal – aliena as necessárias reflexões e verdadeiras acções face ao processo climático. Digo-o diante das patéticas acções de pirataria artística, agora encetadas (12), como deste « confusionismo »: apenas obstam às coalisões sociais nos esforços ecológicos. E se os putos não o percebem com toda a certeza que os seus mais-velhos o compreendem.

2) No meio da trapalhada que vêm clamando os « activistas » exigiram a demissão de Costa Silva, ministro da Economia e Mar. Acontece que nisso têm toda a razão! Costa Silva pode ser muito competente, sério e até votado ao bem público. Mas é de política que se trata, não dele como pessoa. O problema não é ter ele um percurso profissional ligado à indústria petrolífera – em última análise percebe de produção energética, será um saber fundamental para eventuais alterações. Mas, já como ministro, Silva continua a explicitar o seu apreço pelo desenvolvimento da exploração dos combustíveis fósseis. E em 2022 é mais do que tempo de enviar um tonitruante sinal político contra isto – dizer não. Dizer até chega! (passe a expressão, hoje muito poluída). E é muito criticável – e até inconsciente – que um homem com esta mundividência esteja à frente do ministério da Economia. E do Mar, imagine-se! Ou seja, talvez estas nossas pós-crianças digam muitas asneiras. E algumas delas, para incómodo de adultos eleitores, surgem muito andróginas – mas não há maior androginia do que um actual ministro da Economia e do Mar andar a salivar por explorações de gás natural. Demita-se o homem. Já! (como se dizia no PREC, como os miúdos recuperam agora…).

3) Com estas acções houve várias reacções adversas, habituais, nas redes sociais – e algumas na imprensa. Por um lado, há os radicais que negam a simples hipótese de aquecimento global, dita, até 2021 (pois entretanto o termo passou de moda) « marxismo cultural ». Não me parece necessário voltar a discutir esse integrismo, de facto um mero grunhismo – muito presente nas habituais franjas de intervenção anónima na internet -, até porque o debate com integristas é inútil, a fé, especialmente esta tresloucada, não é matéria aberta à troca de argumentos.

Mas há outra corrente crítica que surge com maior « estatuto ». Não só os argumentos surgem assinados – o que é um valor em si – como muitas vezes são apresentados ou ecoados por gente de prestígio: professores, técnicos de renome, autores basto publicados, « intelectuais públicos », etc. O mote crítico é-lhes comum: critica-se a esta rapaziada meio esparvoada a urgência que clamam na transição energética, o tal « já » de facto irrealizável. E nisto se vai propagando a ideia da desnecessidade da redução de agressão ecológica, o cariz meramente utópico destas preocupações. E também vão estes locutores – grosso modo, oriundos de um conservadorismo mais ou menos liberal, de um « centro » ou « centro-direita » – reduzindo esta preocupação ecológica a uma esquerda, marxista ou marxizante, acoitada na agenda ecológica para combater a economia de mercado.  Em suma, apupam não só o clamor pela urgência de medidas como a própria « agenda ecológica » – e basta ver como enxovalham António Guterres, quase como os benfiquistas sempre trataram Cristiano Ronaldo…

Ora, neste caso, a resposta é muito simples: bastará esfregar nas ilustres e sonoras fauces destes doutores um breve historial desta « agenda climática »: há 30 anos, na Conferência do Rio, o então presidente Bush (pai) curto-circuitou os passos iniciais de redução de gases clamando « the American way of life is not up for negotiations. Period.« . Há 21 anos, logo após a sua eleição, o presidente Bush (filho), – a ligação é para o discurso dele, aposto no arquivo da Casa Branca, não para qualquer órgão do « marxismo cultural » – mesmo tendo reconhecido o processo de aquecimento global, recusou os pressupostos do protocolo de Kyoto devido a questões geoestratégicas, o que conduziu à ineficiência deste – e ao posterior abandono de alguns dos signatários. Depois chegou-se ao Acordo de Paris, manifestamente insuficiente e ineficaz.

Enfim, pode haver muita argumentação sobre este processo de política ecológica internacional. Mas há algo que é impossível negar. É que há, pelo menos, três décadas que se discute entre as maiores potências mundiais, e em vários cenários multilaterais, um necessário « Que fazer? » diante da incomensurável depredação ecológica. Sem que se activem conclusões que desde há muito são urgentes. Agora estes nossos apatetados petizes aparecem a disparatar aos gritos « Já! ». E os nossos doutores e engenheiros, professores, técnicos, assessores da função pública, « anunciados na tv » e colunistas da imprensa de referência, surgem enfastiados e sobranceiros, dizendo-os patetas (que o são) pois apressados… São estes tipos avalizados dotados de sageza « conservadora »? Não, são meros cagões.

Ou seja, antes um charro com estes putos insuportáveis do que um uísque japonês com estes doutores.

 

[Fonte: delitodeopiniao.blogs.sapo.pt]

Hubo tiempos pasados en que a la palabra “explorar” tenía implicaciones de vida y muerte. Eran tiempos en que la floreciente industria marítima del siglo XVI atraía a las mejores mentes de la época.

Shmuel Pallachi falleció el 4 de febrero de 1616 en La Haya, y fue enterrado en el Beth Haim de Ouderkerk aan de Amstel, cerca de Amsterdam, en un cementerio de la comunidad judía portuguesa. Foto: Wikipedia – dominio público

La “nación start-up” de aquella época en esa industria fue Portugal, que dio al mundo a exploradores famosos como Fernando de Magallanes y Vasco de Gama. Al igual que hoy, muchos inventos y desarrollos marítimos surgieron de las mentes febriles de los judíos, matemáticos, físicos y cartógrafos, como Abraham Zacuto y Pedro Núnez. Ellos desarrollaron instrumentos de navegación basados en el movimiento del sol y los cuerpos espaciales, muchos años antes de la invención del GPS y la aplicación Waze.

Pero los judíos no se limitaron solo a desarrollos técnicos, sino que también experimentaron personalmente los instrumentos de navegación que inventaron. En aquellos tiempos, y especialmente después de la expulsión de España en 1492, una de las ocupaciones más comunes de los judíos marranos, en Holanda y Marruecos, fue el asesoramiento y la guía de los capitanes de las embarcaciones mercantes y de los exploradores durante sus viajes marítimos. Y si nos resulta difícil imaginarnos judíos como gente de mar, mucho menos podríamos pensar en ellos como piratas.

El libro “Los Piratas Judíos”, escrito por Edward Kritzler, describe una escena fascinante y única en los anales de la historia: la historia de un grupo de piratas judíos que operaron después de la expulsión española y que asaltaban principalmente embarcaciones españolas, en represalia por la expulsión. Uno de los piratas más destacados fue Don Shmuel Pallachi, un rabino de la comunidad y capitán, embajador y pirata, espía y agente doble.

Pallachi nació en el año 1550, en Marruecos. Como muchos de las decenas de miles de judíos que vivían en el barrio judío, el “Malaj”, en la ciudad de Fez, su familia también fue expulsada de España. El padre de Shmuel, que oficiaba de rabino y educador, predestinó a su hijo a que se dedicara al estudio de la Torá y al cumplimiento de los mandamientos y así fue como se consagró como Rabino. La leyenda dice que un pariente cercano despertó su imaginación con historias sobre marinos y marineros judíos, como Sinan Reis, un famoso pirata judío conocido como “El Gran Judío” que luchó junto a los hermanos Barbarosa en el marco de la flota otomana.

Volando en las alas de su imaginación, Shmuel deambuló junto a su hermano Yosef, hasta la ciudad de Tetuán, en el norte de Marruecos, donde los dos se convirtieron rápidamente en sofisticados y pícaros marinos y piratas. Los hermanos Pallachi solían atacar barcos mercantes españoles que venían de América del Sur. Luego, se disfrazaban de comerciantes españoles y vendían los bienes que acababan de robar en las ciudades portuarias españolas.

El nombre Pallachi se hizo famoso, y pronto llegó a oídos del sultán de Marruecos, Ahmed El Mansour, apodado “El Rey Dorado”, debido a su enorme riqueza. El sultán, que buscaba fortalecer sus lazos con la Nueva República Holandesa, nombró a Shmuel como el embajador de Marruecos en Holanda. Además de su reputación como hombre de mar, Shmuel dominaba también varios idiomas: español, portugués, árabe y francés, lo que lo convirtió en un valioso recurso diplomático para el sultán.

Y así fue que, en 1596, Shmuel Pallachi convirtió su profesión de pirata en diplomático, instalándose en la ciudad de La Haya, donde funcionaba el parlamento holandés y se radicaron los representantes de países extranjeros. Pallachi estableció uno de los primeros minianim (es un número mínimo de diez varones judíos adultos, entiéndase mayores de 13 años, requerido por el judaísmo ortodoxo para la realización de ciertos rituales, el cumplimiento de ciertos preceptos, o la lectura de ciertas oraciones) en la ciudad, y además de su misión diplomática ejerció también de rabino de la comunidad. La comodidad de la rutina diplomática fue interrumpida por un incidente que tuvo lugar a fines del siglo XVI, cuando el sultán marroquí, un apasionado por reliquias, obligó a Pallachi a navegar a la ciudad de Lisboa y adquirir allí piedras preciosas a cambio de toneladas de cera. Ya por ese entonces, España había conquistado Portugal y, de hecho, dominaba toda la península ibérica. Según una de las hipótesis, Pallachi, que en ese entonces sufría de problemas financieros, les ofreció a los españoles, a cambio de dinero, informaciones confidenciales sobre la corte del sultán. Las autoridades de la Inquisición, sospechando de que el rabino judío estaba tratando de ganar tiempo para reconvertir al judaísmo a conversos y marranos, siguieron los pasos de Pallachi, quien a último momento consiguió salvarse de sus garras y escabullirse de España.

Arruinado financieramente, Pallachi emprendió el viaje de regreso a Holanda e inmediatamente después de su regreso, apeló a las relaciones que tenía con gente en las altas esferas para que le concertaran una entrevista con el príncipe Mauricio de Nassau, hijo de Guillermo “el Taciturno”, fundador de la República Holandesa.

Pallachi le sugirió al príncipe holandés que cooperara con Marruecos contra el enemigo común: España. El príncipe, un talentoso estratega militar, que despreciaba a los españoles tanto como Pallachi, tuvo una idea. Debido a que en ese momento España y Holanda habían firmado un acuerdo de armisticio, le propuso a Pallachi establecer una flota pirata compuesta por marineros aventureros, y ellos estarían bajo la protección de Holanda pero bajo bandera de Marruecos. Pallachi, que odiaba a los españoles que lo expulsaron de España a él y sus ancestros, se entusiasmó con la idea de poder vengarse de sus verdugos. No pasó mucho tiempo, hasta que una gran flota de barcos piratas, equipada con sinagoga y una cocina casher, anclara en el puerto de Ámsterdam.

En el año 1614, en uno de los ataques de los piratas a los barcos españoles en alta mar, se propagó una enfermedad entre la tripulación del barco, y Pallachi se vio obligado a atracar en el puerto de Plymouth, Inglaterra. Cuando el embajador español en Londres se enteró del arribo de Pallachi, exigió que el rey inglés lo arrestara y lo ejecutara por el asalto a los barcos españoles. Pallachi compareció ante el juez inglés, quien quedó profundamente impresionado de él, y decidió dejarlo en libertad. Durante el viaje de regreso desde Inglaterra, Pallachi logró asaltar otro barco español, pero ya había adquirido una grave enfermedad durante su encarcelamiento en Londres.

Shmuel Pallachi falleció dos años después, cuando tenía 66 años de edad. Durante su sepelio, decenas de miles de judíos y no judíos lo escoltaron hasta su entierro en un cementerio en las cercanías de Ámsterdam, con la participación del príncipe Mauricio y su familia. En su lápida, está grabado el versículo del libro de los Proverbios: “El que lleva el bien con Dios y con el hombre”.

Resumen de una nota de Ushi Derman

[Fuente: grupo de Facebook Personalidades judías de todos los tiempos – compilado por Raúl Voskoboinik – reproducido en aurora-israel.co.il]

Moses Cohen Henriques nació en 1595 en una familia de judíos sefardíes que se habían convertido por la fuerza al cristianismo. La familia finalmente se dirigió a Amsterdam y regresó a su fe judía.

Sinagoga Kahal Zur Israel, Recife, Pernambuco, Brasil. Es la más antigua sinagoga del continente americano​ y primera congregación judía en el Nuevo Mundo. – Foto: Wikipedia – CC BY-SA 3.0

Henriques se unió a la armada holandesa y ascendió en las filas para ser la mano derecha del famoso almirante holandés Piet Hein. Juntos, derrotaron a la flota española frente a las costas de Cuba en 1628. Después de esto, Henriques fue a explorar la colonia portuguesa de Pernambuco, Brasil, como espía, para prepararse para una invasión holandesa. Formó parte de esa invasión en 1630, liderando un contingente de 3000 hombres para capturar con éxito la colonia.

Henriques ayudó a convertir el área en un refugio judío, trayendo al primer rabino y estableciendo la primera sinagoga, mikve y ieshivá en el Nuevo Mundo. Cuando los portugueses recuperaron la colonia en 1654 y reiniciaron la persecución de los judíos, Henriques huyó junto con el resto de la comunidad judía.

Buena parte de quienes escaparon viajaron al noreste de los Estados Unidos y participaron en la fundación de la colonia Nueva Amsterdam, lo que hoy es la ciudad de Nueva York.

Morgan destruye la armada española de Barlovento en el lago de Maracaibo 1669 – Foto: Wikipedia – dominio público

Para sobrevivir a tiempos difíciles, Henriques se vio obligado a convertirse en pirata y pronto se unió al infame Henry Morgan. Se convirtió en el consejero de confianza de Sir Morgan. Henriques luego se aventuró por su cuenta, estableciendo una isla pirata frente a la costa brasileña. La Inquisición buscó capturarlo durante años, sin éxito, y Henriques vio como su misión vengar el mal que los españoles y portugueses habían hecho a los judíos. Aunque su papel como pirata fue revelado durante la Inquisición española, nunca fue atrapado.

Después de que los ingleses conquistaron Jamaica, Henriques se estableció allí y vivió el resto de su vida en la isla, ayudando a establecer una nueva comunidad judía. Cuando su viejo amigo Henry Morgan se convirtió en gobernador de Jamaica, le concedió a Henriques un perdón total por piratería en 1681.

 

[Fuente: Grupo de Facebook Personalidades judías de todos los tiempos. Compilado por Raúl Voskoboinik – reproducido en http://www.aurora-israel.co.il]

 

 

Libro en chamas. (Foto: LearningLak CC BY 2.0)

Libro en chamas

Escrito por Mario Regueira

O bibliógrafo londiniense William Blades publicaba en 1880 a obra The Enemies of Books (Os inimigos dos libros), unha das primeiras enumeracións dos perigos que espreitan o libro impreso. Blades divide a obra en dez capítulos dedicados a varios “inimigos”. É curioso como conta entre eles realidades que case non identificamos xa, polo noso contexto histórico e climático, como a couza dos libros e outros insectos, que o propio Blades recoñece xa moi controlados nas bibliotecas de finais do XIX.

Non sobran tampouco apreciacións morais, como a ignorancia e o fanatismo relixioso, ironicamente ao lado de colectivos como encadernadores, coleccionistas, criados e tamén as crianzas da casa, que xa naquela altura manifestaban eventuais impulsos destrutivos contra os prezados obxectos que Blades coleccionaba: “A filla dun veciño, de seis anos de idade, ía en silencio até un andel, tomaba un libro ou dous, arrincaba unha ducia de follas do medio e devolvía os volumes, cos anacos e todo, aos seus lugares, así que o dano ficaba oculto até que era necesario consultalos”.

Porén, máis aló do pesadelo que supuñan as crianzas e o descoido dos demais para Blades, o primeiro inimigo, o que abre esa obra e se mestura cos fanáticos e as guerras que ameazan tamén o coñecemento humano, é o lume.

Alexandría en chamas

A biblioteca de Alexandría naceu como algo máis que un depósito de libros: aspirou, en distintas épocas a acumular todo o coñecemento humano. Non sempre coas mellores estratexias: contan as crónicas que os libros (daquela rolos de papiro) que lles prestaban para copiar a outras coleccións nunca volvían: os alexandrinos enviaban a copia e retiñan o orixinal para a biblioteca.

Tamén que era obrigatorio doar unha obra ao entrar na cidade, algo que sometía cousas como o comercio a un ben maior como a acumulación de saber. Poñer todos os ovos no mesmo cesto nunca foi unha boa estratexia: a grande ameaza ao proxecto de Alexandría foron os incendios, como o que produciu Xulio César nunha guerra, pero finalmente caería no ocaso coa puxanza de novas relixións e a súa guerra aberta a todo o saber anterior.

As novas formas do lume

Nos últimos tempos a convivencia entre o modelo do libro físico e o dixital ocupou algunhas preocupacións por parte de editoras e libreiros. O medo ou rexeitamento dunha parte destes á lectura dixital ten moito de ideolóxico e tamén cae nunha confusión moi concreta: o libro non foi sempre un libro. Esa transmisión de ideas e historias tivo moitas encarnacións, desde papiros, pergameos, cortizas de árbores ou táboas de cera… Formas diversas que desembocaron no códice medieval no que se inspira o libro físico moderno.

O dixital é só outra forma dunha actividade que soborda os obxectos dispoñíbeis en cada época: a transmisión de coñecementos, historias, sentimentos e paixóns. Esta época é, ademais, a primeira que nos permite achegarnos de novo a un ideal alexandrino: nunca será toda, pero unha parte inmensa da produción escrita pode ser centralizada e resulta accesíbel potencialmente cunha simple procura na rede. Saben ben diso no Proxecto Gutenberg, que leva dixitalizando obras en varios idiomas desde 1971 como unha forma de compromiso coa alfabetización e a cultura. Tamén outras plataformas como a Library Genesis, que libera obras na rede, especialmente de tipo académico, reivindicando de forma subversiva a democratización do coñecemento científico.

O tráfico e a pirataría de libros, que xa existían moito antes de internet, tamén poden ter motivacións altruístas aínda que sigan sendo perseguidas e vetadas por moitas lexislacións.

Hai uns anos unha bibliófila amiga tivo o seu momento de romance co libro electrónico e estivo un par de anos lendo soamente desta maneira. Un día vina cun libro físico e pregunteille se xa non lía en dixital: “Estou volvendo mercar en físico, vin un documental sobre as tempestades solares e sobre como pode que arrase con toda a tecnoloxía. Xa vai ser duro por si e non quero ficar sen libros”. O medo ao lume, na forma de tormenta xeotérmica ou de incendio de vellas bibliotecas mediterráneas, segue a turbar os soños das bibliófilas ao igual que na época de William Blade.

 

[Imaxe: LearningLak (CC BY 2.0) – fonte: http://www.nosdiario.gal]

En esta sencilla y directa biografía, Manuel de la Fuente nos invita a descubrir al admirador del flamenco, precursor de la fusión y la ‘performance’ y azote de la piratería y los hippies

Frank Zappa durante un concierto en Hamburgo en 1971.

 

En el rock creemos que lo hemos escuchado todo hasta que nos topamos con Frank Zappa, el enfermizo chico de Baltimore, el músico, el productor, el cineasta, el friki, el activista, el ácido personaje de ascendencia italiana que, con su solo empuje, pudo haber cambiado el mundo si no nos hubiese dejado a los 52 años víctima de un inoportuno cáncer.

A Zappa, autor de álbumes como Freak Out!, Absolutely Free, Lumpy Gravy, Chunga’s Revenge, Zappa en New York, The Perfect Stranger y The Yellow Shark, algunos de ellos con The Mothers of Invention (la banda con la que hizo historia) y otros con figuras de la música clásica como Pierre Boulez y Kent Nagano, le sientan como un guante calificativos como vanguardista, indomable, transgresor, sarcástico, seductor y subversivo.

No hay más que leer con atención esta “biografía no autorizada” de Manuel de la Fuente (Valencia, 1976) para conectar, solo guiado por su riguroso y apasionado trabajo de investigación y prospección (asentado en miles documentos, algunos de ellos con datos desconocidos de su biografía), con una estirpe de artistas insobornables, de cuya extinción ya no necesitamos acta notarial. Simplemente han desaparecido.

Conocíamos la vinculación del profesor de la Universidad de Valencia con el director de la película 200 Motels por varios volúmenes sobre su vida y su ecléctica obra, pero especialmente por la excelente traducción de sus memorias, un divertido prodigio del género que nadie, feligrés o no de Zappa, debe perderse y en el que avisaba con ironía: “Uno de los motivos de meterme en esto es la proliferación de libros estúpidos que, por lo visto, hablan de mi”. No es el caso, claro, del que nos ocupa,

Con un relato sencillo y directo, bien estructurado en dos bloques relacionados cronológicamente, que van del despertar a la música a su decidido compromiso político, pasando por su cruzada contra la industria discográfica y contra algunos presidentes como Reagan, descubriremos al admirador del compositor Edgard Varèse, al colono de Laurel Canyon, al precursor de la fusión, de la performance, de la recitación y la improvisación, al enamorado del flamenco y la guitarra española, al amante de sus fans, al azote de la piratería, de los hippies y de los telepredicadores… De la Fuente sentencia el libro destacando que su “catálogo de propuestas expresivas sirve todavía hoy para explicar nuestro tiempo”. Y más allá.

[Foto: Heinrich Klaffs – fuente: http://www.elcultural.com]

¿Qué implicaciones tiene para la música y sus oyentes la desaparición de la cultura del disco? Diego Fischerman reflexiona sobre el tema

‘Frei von jedem Schaden!’ (2006), en la versión del performance realizado por Guillermo Santamarina en el Museo Universitario del Chopo en 2016.

Escrito por DIEGO FISCHERMAN

Persistente, la revista Down Beat publicó su encuesta anual entre críticos de jazz. La primera de estas compulsas, entre lectores, fue en 1952 y el “Critics Poll” se publica desde 1961. En 1965 se eligió “disco del año” por primera ocasión: A Love Supreme, de John Coltrane. Las elecciones de The Far East Suite de Duke Ellington, en 1967; Bitches Brew de Miles Davis, en 1970; Solo Concerts de Keith Jarrett, en 1974, y Silent Tongues de Cecil Taylor, el año siguiente; Song X de Pat Metheny y Ornette Coleman, en 1987, o Nashville de Bill Frisell, en 1998, jalonan una historia que, con bastante precisión, registra el pulso no solo del jazz sino de las ideas de época que lo fueron atravesando. En la versión 2020, una mujer ocupa la tapa y arrasa con las categorías más importantes: “Artista de jazz del año”, “Grupo de jazz del año” y, obviamente, “Disco de jazz del año”. La baterista Terry Lyne Carrington, junto a su grupo Social Science, publicó Waiting Game en noviembre de 2019. Se trata de un álbum notable y, sí, como mucho del jazz actual, cultiva un gesto multiestilístico –o posmoderno– donde se cruzan el piano perfeccionista de Aaron Parks o la trompeta casi vintage de Nicholas Payton con las turntables y el hip-hop. Pero la pregunta es, esta vez, qué diablos significa “disco del año” cuando nadie –o casi nadie– compra discos. Cuando la música se escucha en formatos de streaming y la escucha promedio en esas plataformas no supera los 30 segundos.

“Mis cinco rupturas amorosas más memorables, las que me llevarían a una isla desierta, por orden cronológico”: es la primera frase de Rob Fleming, un vendedor de discos, en Alta fidelidad, de Nick Hornby, una novela –y luego un filme y una serie– cuya primera edición en inglés es de 1995, cuando la vida y el mundo podían ser contados como una lista de discos. “Hace semanas que no compra café. Los cigarros que se lía por la mañana desmenuzando las colillas del día anterior son tan finos que es como aspirar papel. En los armarios no hay nada de comer. Pero sigue teniendo Internet”: así describe Virginie Despentes la decadencia irreversible de Vernon Subutex, ex disquero estrella y protagonista de su genial trilogía publicada entre 2015 y 2017. Entre una y otra novela ha caído una concepción del mundo. El universo discocéntrico, podría decirse. En el momento de la primera de ellas la industria discográfica se expandía con optimismo, volviendo a vender en CD lo ya vendido años atrás en LP y produciendo novedades a un ritmo imposible de seguir para el más fiel de los coleccionistas, mientras las megastores proliferaban en cada ciudad del planeta. En la época de la segunda, la Red, como en Terminator, ya había acabado de destruir la fuente de aquello de lo que vivía. Ofrecía, aparentemente de manera gratuita, todo aquello por lo que, en algún momento, alguien había pagado. Pero no pagaba por ello.

Cultura del disco

Frei von jedem Schaden! (2006), en la versión del performance realizado por Guillermo Santamarina en el Museo Universitario del Chopo en 2016.

Internet, desde ya, no es la única causa de la debacle del mercado discográfico. Pero conviene reparar en alguna de sus características. Los propietarios de los medios gráficos se quejan de ella y de sus usuarios. No quieren pagar por leer diarios y revistas, dicen. Lo que callan, sin embargo, es que ya pagan por hacerlo. Lo que un usuario de Internet de clase media o alta gasta en tener banda ancha es aproximadamente lo mismo que antes oblaba por recibir el periódico y una o dos revistas en su casa. Y quienes le cobran, es decir las compañías proveedoras de banda ancha, son, en muchos casos, socias o propietarias de los mismos medios de comunicación que se quejan por no cobrar. En un sentido, Internet es el negocio perfecto de la nueva clase de capitalismo que azota al mundo. El primero, en todo caso, donde el dueño del negocio se limita a poner las cuatro paredes de la tienda (el hardware) pero el contenido, o sea aquello que los clientes buscarán dentro de ella, corre por cuenta de los mismos compradores. Es, eventualmente, el único negocio donde los que venden no pagan por la mercadería sino tan solo por el lugar donde la ofrecen.

Pero no es solo la Red la que ha causado la crisis del disco. La responsable mayor ha sido la propia industria discográfica y su peor error fue desestimar aquello que la había sostenido durante décadas: el disco sencillo.    

El dueño de una compañía discográfica, además de tener estudios de grabación –o de rentarlos– y un aparato de marketing ad hoc, debía pagarles a los músicos. Podía estafarlos –o por lo menos intentarlo– y tratar de que la parte de la torta que les quedara fuera la mínima posible, pero a nadie se le ocurría que los artistas pudieran no tener participación alguna en el negocio. Entre las plataformas de streaming a través de las cuales hoy se escucha música hay algunas pagas –o que cobran su versión premium– y los músicos suelen recibir sumas irrisorias (en algunos casos pocos centavos) de su parte. Lo mismo sucede con las ventas a través de iTunes –que ofrece, en verdad, un producto pésimo con relación a su precio. Pero ni en este caso ni en los de Spotify, Quobuz o Tidal ellos son los receptores de los grandes beneficios. Los que se llevan la parte del león son los que venden la red en su conjunto. Y ellos no se ocupan de los contenidos (ni pagan por ellos). De eso se hacen cargo los propios usuarios. Internet, un día, dejará de ser negocio. Y morirá tan repentinamente como surgió. En algún momento la falta de contenidos nuevos la convertirá en un museo gigantesco. En la medida en que nadie, en algún punto del proceso, pague por ellos, no habrá discos ni libros ni revistas ni filmes que piratear. Y los que hoy ganan dinero vendiendo la banda ancha simplemente buscarán sus ganancias en otra parte.

Pero no es solo la Red la que ha causado la crisis del disco. La responsable mayor ha sido la propia industria discográfica y su peor error fue desestimar aquello que la había sostenido durante décadas: el disco sencillo. Esa pequeña unidad de dos canciones, vigente desde las primitivas 78 revoluciones por minuto, barata y hasta cierto punto descartable, capaz de seguir los vericuetos de la moda –y, desde ya, de crearla– se había vendido por millones. En la segunda mitad de la década de los cincuenta algunos músicos –y productores– de jazz, de bossa nova, de bolero o de tango tomaron una invención cuyo mérito hay que atribuirle a Frank Sinatra y su In the Wee Small Hours, publicado en abril de 1955. Canciones de soledad y pérdida amorosa, canciones nocturnas. Y todas ellas arregladas por un mismo orquestador: Nelson Riddle. Ni más ni menos que el primer –o el primero importante– disco conceptual de la historia. La concepción del disco de larga duración y 33 revoluciones por minuto como una nueva unidad estética no desplazó, sin embargo, al sencillo. Su importancia se acentuó con el rock artístico de fines de los sesenta y comienzos de los setenta. Pero se trataba de 30 minutos de música –una dimensión abarcable– y la propia ecología de la industria y los altos costos de producción del vinilo hacían que, para un artista, fuera difícil acceder a él. Un LP era el colofón de una serie de éxitos y de una trayectoria. Implicaba una larga selección y una síntesis. Conllevaba, sobre todo en ciertos géneros, un prestigio y una carga simbólica. Y ni hablar de los álbumes dobles (la duración de un CD estándar): eran excepcionales. Para que se publicaran 60 o 70 minutos de música debía tratarse de una gran obra. De una despedida. De un proyecto único. De un manifiesto.

Cultura del disco

Frei von jedem Schaden! (2006), en la versión del performance realizado por Guillermo Santamarina en el Museo Universitario del Chopo en 2016.

A partir de la aparición del CD, su facilidad de producción, su bajo costo y su alta prestación sonora a niveles de equipamiento corriente –nunca la audición popular había sido tan buena, ni con los tocadiscos monoaurales de los sesenta ni con las pequeñas radios portátiles, los pasacasettes o los walkman– logró dos cosas al mismo tiempo. Por un lado, una explosión de producción y ventas inédita. Las integrales, los boxsets gigantescos a manera de enciclopedias británicas de la música –pero, ya se sabe, las enciclopedias británicas se consultan pero no se leen–, se convirtieron en nuevas unidades de medida. Por otro, la consecuencia inevitable de esa expansión: una desvalorización creciente del propio objeto. La industria del CD era voraz. Y acabó devorándose a sí misma. Mientras tanto, el sencillo encontró otras vías, por fuera del mercado formal. Y es que a quién podrían interesarle 70 minutos de Green Day o de Dido si bastaba con una canción de cada uno de ellos. Como siempre, resulta imposible determinar si antes estuvo la necesidad o la tecnología que la hizo posible. Pero lo cierto es que fueron de la mano la lista de canciones como equivalente de la pila de discos sencillos que unas décadas antes se acarreaba de casa en casa y de fiesta en fiesta, la tecnología de la copia en MP3, ocupando ínfimas porciones de memoria, la escucha como algo cada vez más privado –auriculares en lugar de equipos de audio hogareños–, la optimización de los teléfonos celulares como avatares –cerebro, memoria, vida, alma– de sus propietarios y, por supuesto, Internet poniendo todo a disposición. La música sigue escuchándose pero, por primera vez, la industria discográfica apenas tiene que ver con ello.

Contra toda evidencia y pronóstico, el disco sigue existiendo. Está el resurgimiento del vinilo, con su sonido idealizado pero, sobre todo, con todo el folclor que rodea al objeto convirtiéndolo en aspiracional para ciertos sectores sociales.    

Se sabe que Galileo nunca dijo realmente aquello de eppur si muove, pero uno podría imaginárselo diciendo esa frase para sí mientras lee la encuesta de críticos de Down Beat y un pequeño objeto circular sigue, a pesar de todo, girando en alguna parte. Y es que, contra toda evidencia y pronóstico, el disco sigue existiendo. Está el resurgimiento del vinilo, con su sonido idealizado pero, sobre todo, con todo el folclor que rodea al objeto convirtiéndolo en aspiracional para ciertos sectores sociales. Un vinilo no suena mejor que un CD –suena, por cierto, peor– si el lugar de audición no es óptimo, si la cápsula y la púa no son de altísima gama –y de altísimo precio– y si el vinilo en cuestión no está en perfecto estado (y mejor aún si es nuevo). Pero un vinilo es más que eso. Es el sonido de la púa al posarse en él, es la cubierta entre las manos, el olor del cartón. Es, como otras modas –el vino, los single malts, los puros–, un ritual. Existe ese mercado, que mezcla audiofilia con esnobismo. Es un mercado minoritario pero fiel y compensa su pequeñez con su extensión (pocos compradores en Japón, Alemania, Francia, Gran Bretaña, México o Brasil acaban conformando un conjunto nada desdeñable). Y existe otro mercado, el del consumo popular, del que en gran medida la industria se ha desentendido –o ha aceptado que el consumo popular se desentendiera de ella. Ya no gana dinero con la venta de esos discos pero hay otras mercancías asociadas. En última instancia el disco, aunque se sepa que va a circular pirateado, le sirve para imponer una marca –el artista– y venderlo por otras vías.

Pero existe otro público, posiblemente el destinatario de la encuesta de Down Beat o de revistas especializadas en música clásica, como la francesa Diapason o la inglesa Gramophone, dedicadas, créase o no, al comentario de ediciones y reediciones de discos y que, por supuesto, también hacen sus listas de lo mejor de cada año, algo en lo que asimismo porfían el New Yorker y The New York Times, junto a innumerables blogs y revistas virtuales. Reaparece entonces la pregunta: ¿de qué hablan? Y la respuesta tal vez tenga que ver con lo que, cada vez con mayor frecuencia, aparece anunciado en las secciones de audio y alta fidelidad de esas mismas publicaciones: el DAC. Estas siglas, correspondientes a Digital to Analog Converter, identifican a unos aparatos de tamaño, calidad y precio variable que, en rigor, hacen el mismo trabajo que las placas de audio de las computadoras pero con mucha mayor fidelidad. Ocupan, en la cadena de audio, el lugar de los lectores de CDs o de las bandejas giradiscos, pero en lugar de leer objetos lo que hacen es traducir información. Reciben archivos de datos y los convierten en audio. Y pueden hacerlo con 24 bits –en lugar de los 16 del CD– y altísimos niveles de sampleo –hasta 192 htz. Muchos amplificadores o lectores de CDs ya vienen con DAC integrado. Y lo que venden las disquerías virtuales –Quobuz es posiblemente la más completa–, varios sellos de música clásica y la plataforma Bandcamp –elegida por muchos músicos independientes– es la posibilidad de descarga en FLAC, con alta definición, o MP3 si se prefiere, a lo que se suma, en la mayoría de los casos, un archivo PDF con el folleto de ese disco que, en rigor, ya no es un disco. Y sin embargo se mueve.

 

[Fotos: Amaranta Arteaga- fuente: http://www.latempestad.mx]

Es uno de los músicos con más historia tanto con su nombre real, Bernardo Fuster, como el de sus tiempos antifranquistas, Pedro Faura, y después con el legendario grupo Suburbano. En su discografía faltaba el álbum ‘Que el tiempo no borre’, en el que recupera algunas de las canciones que grabó clandestinamente en los años 70 como Pedro Faura. No podía perderse esta aportación a nuestra música, y aquí la tenemos.

Escrito por Emilio Martínez

Bernardo Fuster tiene sus primeros contactos con la música en los años 70 cuando graba una cinta clandestina con canciones revolucionarias, que es distribuida de forma anónima en apoyo de huelgas y luchas sociales y políticas. Posteriormente y debido a su actividad dentro de la resistencia antifranquista, tiene que abandonar España y establece su residencia en Francia y Alemania.

Bajo la identidad de Pedro Faura, graba dos discos y varias casetes y actúa por toda Europa apoyando mítines y actos políticos y entra en contacto con los Grupos de Acción Cultural portugueses dirigidos por José Mario Branco, al que considera como uno de sus maestros. Durante el tiempo que tiene que vivir fuera de España colabora con varios directores de la Escuela de Cine de Berlín, donde reside unos meses, y en París entra en contacto con músicos, artistas, intelectuales y exiliados españoles.

Las canciones que canta bajo el nombre de Pedro Faura entran de forma oculta en España, siendo cantadas en reuniones clandestinas y cárceles y son reproducidas en cassetes que se difunden en ambientes antifranquistas. Con la llegada de la democracia regresa a España y recobra su verdadera identidad, entrando a trabajar como actor con el grupo de Teatro Tábano y más tarde, en 1978, conoce a Luis Mendo. Juntos deciden formar el grupo Suburbano.

Como Suburbano ha grabado 13 discos, es autor de canciones tan emblemáticas como “La puerta de Alcalá”, “Makinavaja” “Arde París” o “Me cago en su Excelencia”, y dentro del mundo del audiovisual ha compuesto, en colaboración con Luis Mendo, las bandas sonoras de 30 películas, trabajando, entre otros, con directores como Berlanga, Gonzalo Suárez, Chávarri, Iborra, Trueba. Es autor de más de 20 obras para series de TV.

Además de su actividad musical, ha escrito tres libros hasta la fecha: una autobiografía de sus años clandestinos, “El contador de abejas muertas”, una novela “Si me ves no se lo digas a nadie” y un ensayo sobre la piratería libertaria en el Caribe “La Cofradía de los hermanos de la Costa”. Actualmente está terminando su segunda novela “Si mañana no regreso, quémalo todo”, que saldrá este año. Ha colaborado en el guion y la dirección del documental “La cámara de la cárcel de Carabanchel”.

[Fuente: http://www.diariocritico.com – otra nota aquí publicada sobre Fuster: https://bit.ly/3xKRd9m%5D

 

A pesar dos seus fallos, a película de Régis Roinsard é entretida e unha acesa homenaxe a Agatha Christie

 

Escrito por EDUARDO GALÁN BRANCO

Agatha Christie escóndese en cada esquina das peripecias argumentais dos tradutores. E poderíase dicir que, xunto a Puñales por detrás, estamos ante un dos máis acesas homenaxes á obra da avoíña dos masacres que teñamos podido ver nos últimos anos.

Os tradutores conta a historia dun editor bébedo de poder ao que lle caeu nas mans o maior best seller literario da historia da edición. Xa se publicaron as dúas primeiras partes do thriller multimillonario, escrito por un autor anónimo cuxa identidade é pasto das investigacións de fieis fans. E, xa coa terceira entrega de ouro entre as uñas, o editor mefistofélico decide loitar contra a piratería e xuntar en réxime case esclavista, nun castelo francés illado -pertencente a un ruso súper rico que é fan da serie policial- a nove tradutores, para que a edición de Dédalo non caia en mans dos hackers.

Os nove «negros» -ou «negritos»- traducirán do francés simultaneamente, durante dous meses, sen falar con ninguén, sen móbiles, ben vixiados polos gardacostas rusos do dono da mansión. Pero, claro, os capítulos fíltranse de todos os xeitos. E, como non podía ser menos, tamén empezan a aparecer mortos nesa especie de «illa do Negro» en que se converteu a mansión.

A película non é brillante en absoluto e si un pouco tramposa. Pero resulta moi entretida. Os actores están mal dirixidos, pero ten graza a repartición, na práctica unha sorte de ONU por aquilo dos idiomas e o financiamento da coprodución. E, como adiantabamos, todo no filme son homenaxes. O pseudónimo do autor aclamado é Óscar Brach -o director dos tradutores declárase fan de Polanski e do seu guionista Gérard Brach-, a música da película remítenos á que fixo Bernard Herrmann para ¿Quen matou a Harry?, a máis cristiana das películas de Hitchcock . E, moi avanzada a acción, nun afortunado flashback de infancia, descubrimos que a vocación literaria do verdadeiro autor de Dedalus foi Asasinato no Orient Express.

Como en moitas historias de Agatha Christie, o tema principal dos tradutores é a traizón: a quen es, a quen che axudaron a ser o que es, a traizón ao pai e ata ao lector. Tampouco este punto está ben conseguido, pero, xa sabemos, que toda tradución é unha traizón.

«Os TRADUTORES»

[«LLES TRADUCTEURS»]

Francia-Bélxica-Italia- Reino Unido, 2019

Director: Régis Roinsard

Intérpretes: Lambert Wilson, Olga Kurylenko, Alex Lawther, Riccardo Scamarcio, Sidse Babett Knudsen, Eduardo Noriega, Patrick Bauchau, Maria Leite

Thriller. 105 minutos.

 

 

[Imaxe: MAGALI BRAGARD – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Achan unha edición ilegal cun texto temperán do seu drama «O castigo sen vinganza»

Lope de Vega, retratado con la cruz de caballero de la Orden de Malta. A la derecha, la edición ilegal que recoge el primer título que figuró en el autógrafo, «Un castigo sin venganza» (y no «El castigo sin venganza»)

Lope de Vega, retratado coa cruz de cabaleiro da Orden de Malta. Á dereita, a edición ilegal que recolle o primeiro título que figurou no autógrafo, «Un castigo sen vinganza» (e non «O castigo sen vinganza»)

Por G.N.

Aínda que os usurpadores non contaban con ferramentas tan sofisticadas como as que ofrecen Internet e a era dixital, os creadores do Século de Ouro xa sufrían o pirateo das súas obras, no que eran auténticas vulneracións dos dereitos de propiedade sobre a súa produción intelectual. Tal afirmación queda corroborada polo traballo de investigadores das universidades Autónoma de Barcelona (UAB), de Valladolid (UVA) e de Salamanca (USAL), que acharon e identificaron na Biblioteca Nacional de España un exemplar único no mundo, que contén unha primeira versión do castigo sen vinganza descartada polo autor, Félix Lope de Vega , e que puido ser a primeira impresión que se fixese deste texto teatral. «A perfecta tensión dramática desta traxedia, a profundidade na caracterización dos seus protagonistas e a súa calidade lírica elevábana por amais doutras pezas súas, converténdoa non só nunha excepcional obra de madurez, senón nunha das mellores traxedias de todos os tempos», sosteñen os investigadores Alejandro García-Reidy (USAL), Ramón Valdés Gázquez (UAB) e Germán Vega García-Luengos (UVA) nun artigo publicado en revístaa Anuario Lope de Vega .

E é que O castigo sen vinganza foi moi especial para Lope de Vega. Tanto é así que o 6 de setembro de 1635, dez días despois da súa morte, representouse en palacio ante Felipe IV. Tiña case setenta anos cando a rematou -aínda que aínda sometería o texto a pequenos cambios adicionais- o 1 de agosto de 1631, un tempo en que empezaban xa a desafialo os novos poetas -«os paxaros novos», dicía el-, entre outros, Calderón da Barca. Para a construción da súa trama bebeu dunha novella de Matteo Bandello, fonte da que botara man durante anos para outras comedias. Xa desde o título dialoga con certos dramas da época que «articulaban esas coordenadas de traxedia e honra ao redor da idea de vinganza».

Manuscrito de Boston

Na Biblioteca Pública de Boston consérvase o manuscrito autógrafo, que se pode consultar na Rede. É considerado polos estudosos unha inestimable xoia de man do propio Lope, pois contén riscadas, adicións, correccións e reescrituras, que permiten seguir o seu proceso creativo. Pero o que agora se atopou ten tamén, segundo os expertos, un interese enorme, por todo o que implica: moi probablemente a primeira edición da traxedia, nunha edición solta -non nun volume de doce obras, as usuais «partes de comedias»- e descoñecida ata agora.

A edición foi ilegal, pirata, subliñan os investigadores, xa que carece dos obrigatorios datos de imprenta, o que ata agora ocultara a súa importancia e dificultado o seu coñecemento. «É moi posible que esta nova edición derive do que se coñece como un manuscrito de compaña cedo, é dicir, un manuscrito dos que se copiaban nas compañas de teatro para a súa posta en escena», detallan estes especialistas.

O seu achado subliña o gran interese que o texto espertou incluso antes de que a obra alcanzase a súa redacción definitiva. Aproveitando ese éxito cultivado, e nunha operación digna dun publicista actual, o impresor engadiu tras o título un lema que dicía Cando Lope quere…, e que parece aludir precisamente a «ese ambiente de rivalidade que enfebrecía ao público do que era o gran entretemento de masas da época, o teatro». É a primeira edición que usa este lema. Ata agora só se documentou nunha moito máis tardía.

Segundo García-Reidy, Valdés e Vega, a edición descuberta puido ser a primeira impresión da obra de Lope, o que se denomina edición príncipe (editio princeps, en latín). «O texto do impreso debeu de orixinarse moi cedo, incluso antes das primeiras edicións coñecidas ata agora, porque recolle o primeiro título que figurou no autógrafo Un castigo sen vinganza (e non O castigo sen vinganza) e, doutra banda, o que resulta moi significativo, a primeira versión do final, en que Lope tachou varios versos para reescribilo e perfeccionalo. Esta versión, menos chocante, pois non mostra en escena os cadáveres dos amantes protagonistas, e con intervencións máis breves, non a recolle ningunha outra edición, nin as que ata agora se crían as primeiras, promovidas polo propio Fénix dos Enxeños, como a solta de Barcelona en 1634 e a primeira en colección, na Parte XXI de Comedias », explica Ramón Valdés, director do Grupo de investigación sobre Lope de Vega na UAB que fundou Alberto Blecua en 1989.

Denuncias

A análise rigorosa demostra que a edición identificada estampouse en Sevilla, por entón parte do Reino de Castela, onde desde 1625 non se autorizaba a impresión de comedias pola súa cuestionable moralidade. Foron moitas as que durante eses anos de suspensión de licenzas imprimíronse ilegalmente na capital hispalense. O negocio ilegal de impresos teatrais, sen datos de imprenta, ou falsos, foi denunciado repetidamente polos dramaturgos, incluído o propio Lope no prólogo da edición que el promoveu en 1634 do castigo sen vinganza. A xuízo dos expertos, talvez esta solta ilegal sevillana fose precisamente o que empuxou a Lope a publicar a súa edición (en Barcelona, para esquivar a prohibición castelá).

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

 

Innovadora y poética, decía de sí misma: “soy tan misteriosa que ni yo misma me entiendo”. Nos adentramos, letra a letra, en los misterios de la autora brasileña

Clarice Lispector ante el Vesubio en 1945. Foto: Museo-archivo de literatura brasileña / Siruela

Amor. Convencida de que había tres cosas “por las que he nacido y por las que doy mi vida. Nací para amar a los demás, nací para escribir, y nací para criar a mis hijos” (Jornal do Brasil, 1968), el amor (tanto el filial, como el maternal y el erótico o sentimental) la hizo profundamente desdichada. Quizá por eso, cuando murió uno de sus mejores amigos, escribió: “No, no quiero amar a nadie más porque duele. No puedo soportar una muerte más de alguien que me sea querido. Mi mundo está lleno de personas que son mías y no puedo perderlas sin perderme a mí misma”.

Brasil. Casada con un diplomático, la escritora pasó fuera de Brasil casi dieciséis años. “Cuando no soportaba la nostalgia volvía”. Brasileña de corazón (“Tengo una alegría: pertenezco a mi país”), jamás quiso regresar a Rusia, aunque según Benjamin Moser, autor de la biografía definitiva Por qué este mundo (Siruela), muchos de sus compatriotas siempre la consideraron extranjera. La razón no era su lugar de nacimiento, o no solo, sino su peculiar manera de hablar, pues “ceceaba y sus erres ásperas y guturales le conferían un acento extraño”. No quiso operarse y siempre se debatió “entre su necesidad de pertenecer y la terca insistencia de mantenerse aparte”.

Chechelnik. Aldea de Ucrania en la que el 10 de diciembre de 1920 nació Clarice. Según la propia Lispector era “tan pequeño e insignificante que ni siquiera está en el mapa. Cuando mi madre estaba embarazada de mí, mis padres se dirigían a Estados Unidos o a Brasil, aún no lo habían decidido. Se detuvieron en Chechelnik para que pudiera nacer y luego prosiguieron su camino. Llegué a Brasil cuando tenía solo dos meses” (Descoberta).

Dinero. La vida y obra de Lispector estuvieron marcadas por la pobreza padecida en su infancia. La suya fue la miseria del inmigrante, del superviviente de los pogromos europeos. En Brasil, su padre, convertido en buhonero, sobrevivió comprando y vendiendo ropa vieja y fabricando jabón. Quizá por eso, cuando se separó de su marido, Clarice aceptó cualquier colaboración en prensa que surgiera, aunque, para no perjudicar su imagen de novelista, a menudo recurrió a seudónimos como el de Teresa Quadros. También escribió en Diário da Tarde una página que firmaba como Ilka Soares, la actriz. “La mitad del dinero era para ella, y la otra mitad, para mí”, confesó, divertida, en una entrevista.

Enigma. La propia Lispector lo sabía: “Soy tan misteriosa –escribió– que ni yo misma me entiendo”. En su célebre biografía, Moser la describe como una mujer “parlanchina y extrovertida en ocasiones, silenciosa e incomprensible en otras”, admirada como escritora pero que se describía como simple ama de casa. Rosa Chacel, que la visitó en su casa del barrio de Leme, la retrató como una pantera. Sus oscuros relatos, llenos de sensaciones, acentúan un enigma que sus escasas entrevistas, repletas de telegráficas respuestas, no ayudan a despejar.

Feminismo. Convertida en icono del feminismo internacional por su mirada poco convencional a la realidad, Clarice era hija de su tiempo, y, por tanto, se mostraba equidistante del conservadurismo arraigado y del feminismo exaltado. Sus colaboraciones en la prensa contenían consejos de belleza, sorprendentes recetas de cocina o recomendaciones para conseguir una vida familiar feliz. También la mayor parte de quienes protagonizan sus relatos son, en palabras de Laura Freixas, “mujeres domesticadas”.

Gurgel Valente, Maury. Mientras estudiaba Derecho en la Universidad del Brasil, carrera que inició en 1939 casi por azar, en realidad por una observación de su padre sobre su afición a defender los derechos de los más humildes, Clarice conoció a su futuro marido, Maury Gurgel, con quien se casó en 1943. Al acabar la carrera, acompañó a Maury a una serie de viajes que les llevarían a Nápoles, Berna, Londres, París o Washington, donde nació su hijo Paulo, hasta la separación del matrimonio en 1959 y el regreso a Brasil.

Hijos. La maternidad fue una verdadera obsesión para la brasileña. Cuando le preguntaban por sus prioridades, aseguraba que si tuviera que elegir entre sus hijos, Pedro y Paulo, y la escritura, “desistiría de la literatura. No tengo dudas de que como madre soy más importante que como escritora”. Y, sin embargo, unía a menudo estas pasiones, como recuerda su hijo Paulo: “Un día le pedí una historia y ella escribió El misterio del conejo pensante”. La enfermedad de su hijo mayor, Pedro, esquizofrénico, acentuó su depresión.

Incendio. Adicta al tabaco y a las pastillas para dormir, una noche, a mediados de septiembre de 1966, se quedó dormida mientras fumaba. Al amanecer, la habitación estaba en llamas. En un intento desesperado por salvar sus papeles, intentó apagar el fuego con sus propias manos y se las abrasó, sobre todo la derecha, que quedó deformada e inútil. El dolor fue insoportable y durante tres días se debatió entre la vida y la muerte. Más tarde escribiría que había aprovechado para gritar pero no solo de dolor, sino “por el pasado y por el presente. Incluso por el futuro, por Dios”.

Maestros. Aunque aseguraba que no eran muchos los autores que le habían influido como narradora, en una entrevista recogida en Donde se enseñará a ser feliz (Siruela) reconoció que Crimen y castigo, de Dostoyevski le había provocado “una fiebre real” y que El lobo estepario de Hermann Hesse también le “afectó mucho”. Además destacó que con su primer sueldo compró el libro de una desconocida, al sentir que “Eso de ahí soy yo. No sabía que Katherine Mansfield era famosa. El libro era Felicidad”. En cuanto a Virginia Woolf, le fascinó Orlando; a Kafka lo descubrió más tarde, sintiendo, decía, “una gran proximidad”.

Narradora. Escritora vocacional (“desde los siete años yo ya fabulaba”), se estrenó como narradora a los veintitrés, con la publicación de Cerca del corazón salvaje (1943), premio Graça Aranha al mejor libro del año, aunque antes habían aparecido en periódicos y revistas dieciséis relatos. Después vendrían los cuentos de Lazos de familia (1960) y novelas como La manzana en la oscuridad (1961); La pasión según G. H. (1964), considerada su obra maestra; Un aprendizaje o el libro de los placeres (1969); Agua viva (1973) y La hora de la estrella (1977).

Piratería. La primera vez que Lispector visitó Argentina, se quedó pasmada al descubrir cuánto la admiraban, pues habían publicado allí casi todos sus libros, naturalmente sin pedir permiso ni pagarle un centavo. Entrevistas, homenajes, “incluso una mujer me besó la mano”, recordaba divertida. Afortunadamente, la legendaria Carmen Balcells le propuso convertirse en su agente. La brasileña aceptó, pues Balcells le demostró que “estaba siendo muy explotada incluso en su propio país”.

Rutina. Cuando comenzaba una novela o un relato, Clarice Lispector carecía de planes previos sólidamente estructurados. Así, solía decir que “Hay quienes solo se ponen a escribir cuando tienen todo el libro en la cabeza. Yo no. Voy siguiéndome y no sé en qué va a acabar. Después voy descubriendo lo que quería”. Mientras creaba, prefería que nada, ninguna otra lectura o autor, la perturbarse, y evitaba las críticas, que interferían incluso en su vida íntima.

Sífilis. Por asombroso que resulte, la sífilis fue la causa del nacimiento de Clarice. Su madre, Mania, fue violada por soldados bolcheviques veinte años antes de que la penicilina fuese un tratamiento habitual, pero existía entonces la superstición de que el nacimiento de un hijo podía curar esa enfermedad. “Así que fui creada adrede –escribió años después Clarice–, con amor y esperanza. Pero no curé a mi madre. Y, hasta el día de hoy, me pesa esa culpa: me crearon con una misión específica y les fallé”.

Teatro. Aunque novelas como La manzana en la oscuridad o La pasión según G. H. fueron llevadas a la escena, en realidad Lispector solo escribió una obra teatral, La pecadora quemada y los ángeles armoniosos, “por diversión, mientras esperaba el nacimiento de mi primer hijo”. Publicada en 1964, en el volumen La legión extranjera, más tarde comentaría lo mucho que disfrutó con ella, “descubriendo una especie de estilo polvoriento, mezcla de lecturas vulgares de adolescencia”.

Vida. El nombre real de Clarice era Haia o Chaya, según se transcriban los caracteres hebraicos. Chaya, en yiddish, significa vida. Y a la vida hacía referencia una de las últimas anotaciones de la escritora. En La hora de la estrella, Clarice anuncia su muerte; pocos días después de su publicación fue ingresada en el hospital, donde murió de cáncer de ovarios el 9 de diciembre de 1977, víspera de su cumpleaños. En ese fragmento, escribe: “No llores a los muertos. Ellos saben lo que hacen”.

 

[Fuente: http://www.elcultural.com]

Fort de San Felipe de Barajas [fr] [1], Carthagène des Indes, Colombie.

Écrit par Gabriela Garcia Calderon Orbe – traduit par Annick Battesti

Carthagène des Indes [fr] [2] en Colombie est connue pour ses vues à couper le souffle notamment ses fortifications historiques, construites à l’époque coloniale espagnole pour la protéger des nombreuses attaques de pirates et de corsaires venus d’Europe. La ville est la forteresse la plus infranchissable d’Amérique du sud et des Caraîbes.

Porte du quartier historique de Carthagène des Indes.

On peut presque dire que Carthagène des Indes est un “musée à ciel ouvert rempli de secrets”, comme ceux qui cachent un autre détail caractéristique de la ville : ses heurtoirs, “ces vieux marteaux en métal qui ornaient de nombreuses portes […] avant que n’existent les sonnettes”, d’après le blog de voyages El rincón de Sele (Le coin de Sele) [3]. Qui ajoute plus avant dans le même billet :

Durante siglos fue, sin duda, un símbolo de distinción de tal forma que existía un refrán en español que decía «A tal casa tal aldaba» refiriéndose por completo a términos de clase social y poder. […] Durante la época colonial en América hubo ciudades ricas en la diversidad y laboriosidad de dichas aldabas, siendo una de las más destacadas Cartagena de Indias, en la actual Colombia, la cual formó parte en principio del Virreynato de Perú y a partir del siglo XVIII del Virreynato de Nueva Granada.

Pendant des siècles ce fut sans aucun doute un symbole de distinction à tel point qu’il existait un proverbe qui disait “A tal casa, tal aldaba” (À chaque maison, son heurtoir) en référence à la classe sociale et au pouvoir. […] À l’époque coloniale en Amérique il y eut de nombreuses villes riches en diversité et qualité d’ouvrage de ces heurtoirs, l’une des plus remarquables étant Carthagène des Indes, dans l’actuelle Colombie, qui faisait partie initialement de la vice-royauté du Pérou et à partir du XVIII° siècle de la vice-royauté de Nouvelle-Grenade.

Chaque modèle a sa propre signification, expliquée ici sur le site web Fuscia [4] :

La lagartija significaba que era parte o descendiente de la familia real. El león significaba que era parte del mando militar o de la Iglesia, casi siempre fueron destinadas para las puertas de las iglesias.

El pescado o figura marina significaba que era un comerciante, la mano se decía que era la mano de la Virgen de Fátima, por ende, era una familia religiosa.

Le lézard signifiait que l’on faisait partie ou que l’on descendait de la famille royale. Le lion signifiait que l’on faisait partie de l’armée ou de l’Église, et était presque toujours destiné aux portes des églises. Le poisson ou les figures marines signifiaient que l’on était commerçant. De la main, on disait que c’était la main de la Vierge de Fátima, par conséquent, c’était une famille religieuse.

Porte du quartier historique de Carthagène des Indes. Les clous d’ornement métalliques témoignent de la position sociale élevée des propriétaires.

Ces représentations étaient l’œuvre de maîtres forgerons qui leur donnaient des formes différentes en fonction de la demande des propriétaires des maisons qui les leur commandaient. Aujourd’hui, les descendants de ces forgerons pratiquent toujours l’activité, comme Jesús Acevedo Pombo, du quartier Getsemaní [5] à Carthagène, qui raconte [6] :

[…] al principio solo le mandaban a hacer leones, anillos y manos, que eran las figuras clásicas que había en la época de la Colonia.

Ahora, las personas están menos interesadas en seguir con la tradición y se les ha dado por innovar mandando a hacer sirenas, caballitos de mar y hasta cabezas de diablos.

[…] au début, les gens me demandaient seulement de faire des lions, des anneaux et des mains, qui étaient les figures classiques à l’époque de la Colonie. Maintenant, ils sont moins intéressés par la tradition et ils ont décidé d’innover en demandant des sirènes, des hippocampe et même des têtes de diables.

Grâce aux usagers de Twitter, on trouve de nombreuses images de cette symbolique caractéristique de Carthagène des Indes :

Heurtoirs de Carthagène. La beauté des petites choses.

La ville avec les meilleurs heurtoirs d’Amérique du sud : Carthagène des Indes (Photos Instagram)

Les heurtoirs de Carthagène.
L’histoire sociale de la ville coloniale se reflète dans ses élégants heurtoirs. 

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Un proverbe populaire en Espagne dit “À chaque maison, un heurtoir”. Il s’agissait de la pratique consistant à afficher le statut social ou la profession du propriétaire sur sa porte d’entrée grâce au style de son heurtoir.

Voilà une bonne raison d’aller visiter Carthagène des Indes.

Photos de l’auteure

Article publié sur Global Voices en Français: https://fr.globalvoices.org

URL de l’article : https://fr.globalvoices.org/2019/10/26/241348/

URLs dans ce post :

[1] Fort de San Felipe de Barajas [fr]: https://fr.wikipedia.org/wiki/Château_de_San_Felipe_de_Barajas

[2] Carthagène des Indes [fr]: https://fr.wikipedia.org/wiki/Carthagène_des_Indes

[3] El rincón de Sele (Le coin de Sele): https://www.elrincondesele.com/las-aldabas-en-las-puertas-de-cartagena-de-indias/

[4] site web Fuscia: https://www.fucsia.co/especial/opinion-online/articulo/diseno-de-aldabas-en-las-puertas-antiguas-de-cartagena/53331

[5] Getsemaní: http://blog.redbus.co/lugares-turisticos/barrio-getsemani-cartagena-encanto/

[6] raconte: https://www.eluniversal.com.co/suplementos/facetas/el-toque-de-las-aldabas-116698-ISeu203856

[7] #Cartagena: https://twitter.com/hashtag/Cartagena?src=hash&ref_src=twsrc%5Etfw

[8] pic.twitter.com/bPXvNltchM: https://t.co/bPXvNltchM

[9] 7 août 2019: https://twitter.com/ing_rhr/status/1159210674066776077?ref_src=twsrc%5Etfw

[10] @Gus_Noriega: https://twitter.com/Gus_Noriega?ref_src=twsrc%5Etfw

[11] @__PNH__: https://twitter.com/__PNH__?ref_src=twsrc%5Etfw

[12] @Laoncediez: https://twitter.com/Laoncediez?ref_src=twsrc%5Etfw

[13] pic.twitter.com/KUN1N4VU4j: https://t.co/KUN1N4VU4j

[14] 18 avril 2019: https://twitter.com/drjegc/status/1118707928087834624?ref_src=twsrc%5Etfw

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[16] 11 mai 2018: https://twitter.com/atlasobscura/status/994936192583000064?ref_src=twsrc%5Etfw

Artistas de Chile, Colombia, México y Brasil destacan la influencia que el argentino tuvo en sus carreras profesionales

Personas dejan flores en la estatua de los personajes de Quino en Buenos Aires. FOTO: JUAN MABROMATA/AFP

 

Escrito por CATALINA OQUENDO, JOANA OLIVEIRA, ROCÍO MONTES, CAMILA OSORIO y FEDERICO RIVAS MOLINA

No hay dudas de la influencia de Quino en Argentina, el país donde nació y trabajó. Pero tal vez no sea tan claro que también se ha derramado por toda América Latina al menos desde los años sesenta, cuando Mafalda llegaba a las capitales de países como México, Colombia, Chile, Ecuador o Brasil bajo el brazo de algún exiliado de la dictadura militar que gobernaba en Buenos Aires. El día de su muerte, a los 88 años en su casa al pie de los Andes mendocinos, nueve artistas recuerdan cómo marcó sus carreras y describen las particularidades de su humor sin fronteras. “Quino nos influenció a todos en América Latina”, resume Laerte Coutinho, de 69 años, una de las humoristas gráficas más destacadas de Brasil.

Laerte Coutinho aprendió a leer español con Mafalda, de la misma manera que aprendió francés con Astérix. “Conocí la obra de Quino en los años sesenta y quedé maravillada. Tenía 17 o 18 años”, cuenta al teléfono la artista. “Su trabajo es de esos tan originales que cualquiera lo reconoce automáticamente, con una simple mirada”. La artista diferencia a Mafalda de las viñetas de crítica estadounidenses o el humor francés. “Quino nos enseñó que es posible tratar los problemas de la sociedad y, a la vez, retratar nuestro entorno, el tipo de la panadería, el vecino, los amiguitos de nuestros hijos”, dice Laerte, refiriéndose a los personajes de Mafalda. “Es difícil encontrar quien logre construir un paralelo como él”.

Trino Camacho, uno de los caricaturistas más importantes de México, atribuye la universalidad de Quino a su capacidad para conectar algo muy local (como la realidad porteña de Mafalda) con unas preguntas sin nacionalidad. “Trataba temas que son filosóficos del ser, logró crear unos personajes que hoy, en 2020, aún nos representan”, dice. El caricaturista mexicano recuerda que los libros de Quino llegaron a su país a finales de los años sesenta, cuando unas pocas librerías importaron las ediciones argentinas. “Cuando lo leí me di cuenta: esto es lo que yo quiero hacer,” recuerda. “Quino era nuestro Gabriel García Márquez. Yo creo que es el monero más influyente y el más grande de toda Latinoamérica”.

El chileno Guillo –Guillermo Bastías Moreno–, coincide en que Quino marcó un camino a seguir para varias generaciones: “Lo conocí estudiando arquitectura y descubrí una forma de humor inteligente que me cautivó. Así fui abandonando la arquitectura y amando el oficio de dibujante”, dice. Amigo de Quino desde los tiempos en que el chileno trabajaba en la revista Apsi, opositora a la dictadura de Augusto Pinochet, confiesa su pena por la muerte de “una persona buena y talentosísima” que tocaba “temas fundamentales de la existencia humana”, dice.

El ilustrador chileno Saúl González, de la exitosa historieta chilena 'Condorito', publica para EL PAÍS una viñeta en homenaje a Quino.

El ilustrador chileno Saúl González, de la exitosa historieta chilena ‘Condorito’, publica para EL PAÍS una viñeta en homenaje a Quino. SERGIO GONZÁLEZ

Para Guillo, autor de libros como Pinochet ilustrado, el argentino fue un personaje fundamentalmente político, « pero de la alta política, no partidista, sino interesado en responder preguntas como ‘¿Somos felices?’, que es la esencia del humor gráfico. Quino era un político de fuste”. Y destaca dos cualidades técnicas en su trabajo: “Mezclaba el talento del texto y del dibujo, lo que no es habitual”. Alguna vez, en alguno de sus encuentros en Buenos Aires, Guillo le preguntó por qué en sus libros de humor dibujaba un salón con una viejita en medio de muebles de estilo arabesco, murales, lámparas, un escenario medio versallesco y el humor lo dejaba aislado en un vértice de su hoja. Quino se quedó pensando y mirando el horizonte, mientras el chileno se mantuvo en silencio esperando la respuesta del maestro. “¿Sabes?”, contestó el autor de Mafalda, “como dicen ustedes los chilenos: ‘Lo hago así de huevón, no más”.

Quino fue también una figura potente en Colombia, país que, como contó alguna vez su editor Daniel Divinsky, fundador de Ediciones De La Flor, “tiene el honor de haber sido el pionero en la piratería de Mafalda”. El humor del argentino llegó al país andino oficialmente con el diario El Tiempo entre 1972 y 1973 y desde entonces fue guía de dibujantes e ilustradores. “Además de Mafalda, que sigue siendo el personaje más relevante de la clase media latinoamericana en los medios impresos, en Colombia también tuvieron impacto los libros temáticos de Quino”, dice Pablo Guerra, ilustrador y editor de Cohete Comics.

“Una de las cualidades de Quino es que sus observaciones son relevantes en diferentes generaciones. Como dibujante, tenía además la enorme habilidad de hacer parecer fáciles dibujos muy difíciles, los hacía funcionar de una manera muy directa e intuitiva, con una técnica y un trazo brillantes”, agrega Guerra. El colombiano Mario Hernando Orozco, Mheo, aprendió a dibujar en parte gracias a Quino. “Uno como caricaturista siempre arranca imitando a alguien y para mí Quino siempre estuvo ahí,” dice Orozco, quien da clases de humor gráfico en la Universidad de Pereira. “Lo primero que yo les ofrezco a los muchachos en mi clase, como humor gráfico, es un dibujo de Quino: me sirve para explicar cómo, en una tira de Quino, uno cree que va a pasar algo y de repente cambia la perspectiva totalmente. Quino fue un maestro en eso, en sorprender.”

Quino inaugura en septiembre de 2014 las estatuas de Mafalda y sus amigos en San Telmo, al cumplirse 45 años de la publicación de la tira.

Quino inaugura en septiembre de 2014 las estatuas de Mafalda y sus amigos en San Telmo, al cumplirse 45 años de la publicación de la tira. DANIEL GARCIA / TÉLAM

El valor del barrio

Para Orozco, el secreto del éxito de Mafalda en Latinoamérica fue retratar una clase media con la que toda la región se podía identificar: un barrio en el que se podían hacer amigos, la ilusión de comprar el primer carro, una madre ama de casa, un padre oficinista que llegaba cansado al hogar. Quino era distinto a los caricaturistas que dibujaban a los personajes o eventos políticos de coyuntura, porque él quería encontrar algo más profundo en la experiencia de nuestra cotidianidad. « La capacidad de él de representar, a través del dibujo, las distintas posturas revela un conocimiento muy profundo del alma humana », dice Orozco.

El chileno Alberto Montt, editado también por Ediciones de La Flor, dice que “el trabajo de Quino es una constante invitación al pensamiento crítico”. “Mafalda empezó a aparecer en países que estaban en medio de dictaduras. Los pocos que se movían eran los actores de la cultura porque se exiliaban, y viajaban de país en país con sus obras bajo el brazo”, recuerda. Mafalda era una de las pocas historietas que se conseguían en Ecuador- donde creció Montt- y su padre creía que era para niños. Así que Mafalda le llegó “primero a través de imágenes y luego se convirtió en palabras y en ideas”. Ahora, la redescubre con su hija. “Quino no espera que te rías con lo que hace. De hecho, no recuerdo haberme reído con Mafalda. Lo que proponía Quino era un caballo de Troya de ideas”, dice Montt.

Cintia Bolio, caricaturista mexicana, recuerda también leer a Quino por primera vez a finales de los setenta y notar, años después, ciertos ecos en lo que ella vivía en México. “Había ciertas similitudes entre lo que retrataba políticamente,” dice Bolio. “Entre esos regímenes autoritarios del sur, y en el caso de México, esas más de siete décadas que vivimos [con el PRI en el poder].”

Bolio, caricaturista feminista, dice sentirse identificada con Mafalda desde que empezó a leerla y luego a dibujar. “Recuerdo una tira en la que Mafalda recuerda a las mujeres de la antigüedad y dice que solo las dejaron ser un trapo. El maestro tenía una visión feminista, dibujaba sobre la opresión de las mujeres, y en eso para mi fue un referente”.

La influencia de Quino en América Latina no se limitó a los países de habla hispana. “Su trabajo es inalcanzable”, agrega André Dahmer, dibujante de 46 años que publica en Folha de S. Paulo, uno de los principales diarios de Brasil. “Hemos perdido un maestro, uno de los mejores, una voz que siempre clamó por la humanidad sin rabia, aunque tratara de temas duros”, afirma. Dahmer sostiene que Mafalda es un personaje tan icónico como Calvin, de Bill Watterson – »pero con un inconformismo y una visión crítica que este no tenía »–, pero destaca especialmente el resto de la obra de Quino. Uno de sus dibujos favoritos está colgado en su casa: muestra a un padre granjero llama a su hijo y le pide que deje de soñar y ponga los pies en el suelo mientras el niño camina con la cosechadora por las nubes. “Su arte es gigante”, dice Dahmer.

Otro a quien Quino influenció directamente fue a Sidney Gusmán, editor de Mauricio de Sousa Produções, a editorial de A turma da Mônica, la tira infantil más famosa de Brasil. “El hecho de que él colocara sus inquietudes con el mundo en la boca de niños es algo asustadoramente talentoso”, comenta. Gusmán señala la atemporalidad de Mafalda, que aún se publica en libros escolares en Brasil. “Eso demuestra que Quino siempre ha estado por delante de su tiempo. El mundo ha perdido un gran contador de historias”.

 

[Fuente: http://www.elpais.com]

Il existe une région du monde où les femmes ont toujours joué un rôle majeur : l’Amazonie. Ce sont elles en effet qui ont fait resurgir le glorieux passé de ce territoire vaste de sept millions de kilomètres carrés, révélant les connaissances en ingénierie et le savoir scientifique exceptionnel des tribus de la forêt.

Stephen Rostain, archéologue et grand spécialiste de l’Amazonie, offre une galerie de portraits de ces pionnières dans son livre « Amazonie, l’archéologie au féminin » sorti aux Éditions Belin. Nous vous en proposons ici un extrait, dans lequel l’auteur plante le décor en revenant sur le mythe des Amazones.

Dans cette fiction du XIXᵉ siècle, la valeureuse Amérindienne Tikuna défend son infortuné mari d’un jaguar, acquérant ainsi le statut de « descendante des Amazones » (gravure Riou 1875).


Le mythe des Amazones remonte à l’antiquité, quand les philosophes grecs décrivaient et dissertaient sur des pays qu’ils n’avaient pas vus. Homère lança la première salve littéraire sur le sujet, au VIIIe siècle avant J.-C. On situait la patrie de ces femmes guerrières sur les rives de la mer Noire, parfois également en Turquie, en Asie Mineure ou en Lybie. Tous les auteurs s’accordaient à les décrire comme belliqueuses, adroites cavalières et habiles au maniement des armes, essentiellement l’arc et les flèches, la lance, un petit bouclier en demi-lune et même la hache. Leur autre caractéristique était de vivre sans hommes, ceux-ci étant asservis ou utilisés occasionnellement comme procréateurs, pour ne garder que les enfants filles.

C’est en référence aux femmes guerrières des textes classiques, représentées sur ce cratère antique se battant contre des Grecs, que l’Amazonie fut baptisée.

 

La geste hellène était riche de leurs aventures, souvent belligérantes, avec les hommes. Nombreux étaient les héros grecs – Héraclès, Achille, Thésée, Bellérophon, Priam, Alexandre le Grand, etc. – qui tombèrent sous leurs charmes. Dans ces relations de haine/amour, l’Amazone, généralement une reine, finissait souvent par mourir. En effet, le récit de ces femmes indépendantes et périlleuses visait surtout à condamner cette puissance matriarcale et devait donc obligatoirement s’achever par la défaite et la mort de la protagoniste excentrique (même si on ne peut nier qu’elles étaient parfois présentées sous un jour plus positif). Tout héros qui se respectait devait avoir combattu les Amazones, dont le sort était de toutes les façons scellé puisqu’elles étaient systématiquement vaincues dans les mythes.

De telles hérésies sociétales étaient hautement condamnables dans le monde égéen classique. Dans cette civilisation antique misogyne, les Amazones étaient surtout vues comme des guerrières avant d’être considérées en tant que femmes, l’association des deux qualités étant de toute façon inacceptable. Cette utopie inversée représentait l’aspect le plus barbare de l’humanité. Impossible d’échapper à la fatalité pour ces filles du dieu de la guerre Arès et d’une nymphe.

Alors, les Amazones antiques n’étaient-elles qu’un mythe déclamé par de vieux philosophes avinés ? Peut-être pas, car de fastueuses tombes de femmes archères et cavalières, datées entre 600 et 200 avant J.-C., ont été mises au jour par les archéologues en 2012 à la frontière entre la Russie et le Kazakhstan. Les cimetières sauromates contiennent jusqu’à 20 % de tombes féminines avec des armes. Plus à l’ouest, cette proportion monte à 27-29 % chez les Scythes. Les femmes guerrières ont bien existé. En outre, des fémurs déformés prouvent la pratique intensive de l’équitation. Pas de doute, sous l’impulsion de l’archéologie, la mythologie occidentale a rencontré la réalité orientale dans les steppes russes.

La naissance du mythe équatorial

C’est donc nourris de textes classique et religieux que s’engagèrent les conquistadors vers les basses terres orientales d’Équateur en février 1541. Face à la réalité tropicale sylvicole, ils déchantèrent. Épuisés, perdus et affamés, les survivants s’interrogèrent. Un commando fut alors envoyé en pirogue en aval sous l’autorité de Francisco de Orellana. Emportés par le courant et harcelés par les Amérindiens, ils ne purent revenir à leur point de départ et poursuivirent leur navigation pendant près de neuf mois, jusqu’à atteindre l’embouchure de l’Amazone.

Une des premières gravures des Amazones tropicales, bien armées comme il se doit.

 

Les détails de cette épopée furent retranscrits par le Père Gaspar de Carvajal, qui donna un vernis brillant à son texte. Ce lascar de prêtre avait certes une imagination fertile, qu’il mit au service d’une narration arrangée pour faire passer ce qui s’assimile à une désertion pour un haut fait d’abnégation et de découverte. Pour cela, il prit des libertés certaines avec les chiffres et les faits. Ainsi, fit-il scintiller une lamentable fuite clochardesque en tentant de vendre des vessies pour des lanternes. Une douzaine de femmes accompagnant les hommes en bataille, une foi inébranlable dans les déclarations d’un autochtone parlant une langue inconnue mais pressé de répondre par les Espagnols, quelques réminiscences un peu trop fidèles à un fameux mythe grec, des contradictions vite balayées, un zest d’extrapolation, et ça y est, un nouveau peuple féminin tropical était né, acté et baptisé. Il était une « foi » une histoire écrite à l’eau bénite. La fructueuse recette hollywoodienne « sexe + violence + fortune » fonctionnait déjà à merveille.

Alors, un récit exagéré, probablement ; un texte machiavélique, certainement. L’homme de Dieu a su mettre en scène son témoignage jouant sur la fascination érotique des Amazones : la femme s’oppose à l’homme, la barbarie à la civilisation. Pourtant, il ne faut pas jeter le texte du curé avec l’eau du bénitier car, nous le verrons plus loin, il contient des informations exceptionnelles, en partie confirmées par les recherches récentes.

On n’a pas pardonné à Gaspar de Carvajal et, à travers lui, à Francisco de Orellana, de s’être écarté du chemin si pratique du mythe pour témoigner de ses observations. Le merveilleux est évidemment plus séduisant que le réel. C’est un peu comme le paradoxe d’aujourd’hui, où de moins en moins de personnes acceptent l’existence en Dieu alors qu’elles sont toujours plus nombreuses à croire au Diable. Dès les premières lectures de la chronique du scribe de cette aventure amazonienne, l’Espagne du XVIe siècle mettait déjà en doute la véracité de la chronique. Pour beaucoup, il était évident que le prêtre cherchait avant tout à sauver sa tête et celle de ses compagnons pour leur faute, celle d’avoir abandonné leur chef en territoire hostile sur le Napo, en Équateur. Comment croire en l’existence de villages entiers de « Sauvages », de cette force militaire redoutable qu’ils représentaient et de cette abondance dans laquelle ils vivaient.

Bien que ce rite hystérique d’humiliation de la tête des vaincus chez les Chiriguanos se passe en Amazonie bolivienne près de 350 ans après l’expédition de Francisco de Orellana, la dramatisation de cette scène d’une douzaine de femmes en furie n’est pas sans faire penser au témoignage de Gaspar de Carvajal sur les Amazones. A. Thouars, 1884.

Tout simplement inimaginable lorsque considérait encore que l’Amazonie pouvait être un avatar du Paradis ou de l’Enfer terrestres. Si l’éventualité du dynamisme humain et culturel de ces Tropiques était sujette à caution, personne en revanche ne songeait à contester la possibilité d’existence de femmes guerrières.

Parfaitement congrues dans la continuité d’une conception d’un Nouveau Monde conjuguant la tradition classique grecque et l’idéal chrétien, la présence d’Amazones était tout aussi logique que celle de monstres de tout poil : hommes-chien, Indiens Longues-oreilles, Acéphales, Cannibales, Sirènes, etc. Bien qu’horrifiée par l’hérésie d’une société matriarcale extrême, l’Europe ne doutait pas de leur réalité, là-bas, dans ces terres inconnues lointaines. Il faut dire que Christophe Colomb lui-même en avait parlé. Il écrivait dans son Journal de bord le 6 janvier 1493, qu’un Amérindien lui rapporta que « là, vers l’est, il y avait une île habitée seulement par des femmes », appelée Martinino (l’actuelle Martinique).

« Rivière des Amazones », détail de la carte de l’Atlantique. P. de Vaulx, 1613.

Malgré la faiblesse du témoignage, confortant les dires de Marco Polo sur l’Asie, l’esprit de l’Amiral de la mer Océane s’enflamma et sa plume s’envola. Il ressortit alors comme certitudes les poncifs habituels : activité guerrière, armement d’arc et de flèches, armure de lames de cuivre, etc. Avec un tel adoubement, pas étonnant que ses successeurs s’attendissent à rencontrer es Amazones dans la grande forêt pluviale. Ils pressaient d’ailleurs de questions à leur sujet les Amérindiens qui, prompts à complaire ces envahissants envahisseurs tout en s’en débarrassant, leur confirmaient leur existence en les localisant au plus loin.

Prisonnier au XVᵉ siècle des Tupinambas cannibales de la côte du Brésil, Hans Staden est confié aux mains des femmes du village. Ce genre d’image issu du livre qu’il publia après s’être échappé a pu alimenter la légende de sauvagerie des Amazones dans les récits ultérieurs. H. Staden 1557.

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Après le retour

Que devinrent les inventeurs – pris évidemment ici dans le respect du sens étymologique de découvreurs – des Amazones tropicales : le chef de la troupe et le scribe religieux ?

Après son aventure fluviale, Francisco de Orellana rentra en Espagne où il fut accusé de trahison par Pizarro. Grâce au témoignage bienveillant du prêtre, il échappa au courroux de la couronne espagnole et fut absout. Il organisa une nouvelle expédition vers l’Amazone, mais manquant de fonds, il se lança dans la piraterie pour compléter son petit pécule. Il mourut sur l’Amazone en 1546, comme presque tout son équipage d’alors.

L’ouvrage est paru aux éditions Belin. Éditions Belin

Gaspar de Carvajal fut plus chanceux. De retour au Pérou, on le nomma vice-prieur du couvent de San Rosario, à Lima. En 1550, il fut envoyé à Tucuman, en Argentine, en qualité de « protecteur des Indiens » et revint au Pérou en 1557 pour devenir le supérieur de son ordre religieux. Il se dédia alors à plaider auprès du roi d’Espagne la cause des Amérindiens maltraités dans les mines et cela jusqu’à sa mort à Lima en 1584, à l’âge canonique de 84 ans.

Toutefois, dans les siècles suivants, ses écrits sur les Amazones allaient faire des émules, tout aussi imaginatifs que lui, qui firent vivre encore longtemps le mythe des Amazones.

 

[Source : http://www.theconversation.com]

Mempo Giardinelli, Ana María Shua y Daniel Freidemberg resignifican el legado del autor de piezas como « Las venas abiertas de América Latina », « El fútbol a sol y sombra » y « Memoria del fuego ».

Eduardo Galeano inició su carrera de periodista a principios de la década de 1960 en Marcha, el semanario de Carlos Quijano.

Escrito por Carlos Daniel Aletto

Al recuerdo de los 80 años del nacimiento de Eduardo Galeano, el escritor uruguayo que supo poner en palabras la pasión del fútbol y la trágica historia de América Latina, se suman las voces de tres escritores argentinos, Mempo Giardinelli, Ana María Shua y Daniel Freidemberg, que resignifican el legado del autor de piezas como « Las venas abiertas de América Latina », « El fútbol a sol y sombra » y « Memoria del fuego ».

Eduardo Germán María Hughes Galeano nació en Montevideo. Usó para firmar sus obras literarias el primer nombre y el apellido materno. En su irónica « Autobiografía completísima » -tres breves párrafos- escribió: « Nací el 3 de setiembre de 1940, mientras Hitler devoraba media Europa y el mundo no esperaba nada bueno ».

El autor de « El libro de los abrazos » y « Bocas del tiempo » pertenecía a una familia venida a menos de la aristocracia uruguaya. Luego de cursar el segundo año de la secundaria se puso a trabajar. A partir de los catorce años fue obrero, dibujante, cartero, mecanógrafo. Antes de firmar con su nombre participó en una publicación socialista uruguaya, El Sol, firmando artículos con la pronunciación en español de su apellido galés: « Gius ». Con este mismo seudónimo firmó en la Revista « Che » (1960-1962), en cuyo staff estaban « Pirí » Lugones, « Paco » Urondo, « Copi », « Quino » y publicaban con frecuencia David Viñas y, desde Cuba, Rodolfo Walsh.

« ‘Las venas abiertas de América Latina’ fue para mi generación una certificación, una esperanza y un himno. Desde entonces, todos fuimos o quisimos ser Galeano« 

ANA MARÍA SHUA

Inició su carrera de periodista a principios de la década de 1960 en Marcha (1939-1974), el semanario de Carlos Quijano, que tuvo como secretario de dirección a Juan Carlos Onetti y que contaba con colaboradores como Mario Vargas Llosa, Mario Benedetti y Roberto Fernández Retamar. Durante dos años dirigió el diario Época y trabajó como jefe de redacción en University Press.

En diciembre de 1972, en un bar de Montevideo, Galeano se reúne con el empresario y coleccionista de arte Federico « Fico » Vogelius para crear la revista Crisis. El 27 de junio de 1973 el golpe militar de Juan María Bordaberry tomó el poder en Uruguay, el escritor fue encarcelado y luego obligado a salir del país. Se exilió en Argentina. Siguió a cargo de la dirección editorial de la revista Crisis, con colaboradores de distintos orígenes, pero sobre todo asociados a corrientes de izquierda y del peronismo. Con el tiempo se sumarían a la revista Aníbal Ford y Juan Gelman.

El editor Carlos E. Díaz de Siglo XXI -el sello que dispone de los derechos sobre la obra del escritor- cuenta que un año antes de que Galeano muriera « en el verano de 2014 habíamos cerrado hasta el último detalle de ‘El cazador de historias’« . En este libro póstumo publicado en 2016, el narrador confiesa: « En 1970, presenté « Las venas abiertas de América Latina » al concurso de Casa de las Américas, en Cuba. Y perdí. Según el jurado, ese libro no era serio. En el 70, la izquierda identificaba todavía la seriedad con el aburrimiento ».

El autor de "El libro de los abrazos" y "Bocas del tiempo" pertenecía a una familia venida a menos de la aristocracia uruguaya.

El autor de « El libro de los abrazos » y « Bocas del tiempo » pertenecía a una familia venida a menos de la aristocracia uruguaya.

« Las venas abiertas de América Latina » se publicó poco después del certamen « y tuvo la fortuna de ser muy elogiado por las dictaduras militares, que lo prohibieron« , escribe Galeano y agrega: « La verdad es que de ahí le viene el prestigio, porque hasta entonces no había vendido ejemplares, ni la familia lo compraba », se sincera en « El cazador de historias ».

« Eduardo hubiera cumplido 80 años. Parece mentira lo joven que era cuando partió« 

MEMPO GIARDINELLI

« Eduardo Galeano fue el director de la mítica revista Crisis en sus años de gloria. Escribió muchos libros, pero nos conquistó con uno: ‘Las venas abiertas de América Latina’, ese recuento exaltado, conmovedor, de la piratería que arrasó nuestro continente. Fue para mi generación una certificación, una esperanza y un himno. Desde entonces, todos fuimos o quisimos ser Galeano », señala a Télam la escritora Ana María Shua.

« ‘Las venas abiertas de América latina’: Galeano es eso, sobre todo. Es, además, muchas cosas, en sus escritos y en su actuación pública, pero sobre todo, e ineludiblemente, es ese libro descomunal, que le marcó la vida a una generación en esta parte del mundo », reflexiona el poeta y crítico Daniel Freidemberg.

En este aniversario del nacimiento, Freidemberg destaca que el libro « fue como un despertar, cuyos ecos resuenan todavía ». Y precisa: « Sorprende advertir, salvo algunas afirmaciones coyunturales, hasta qué punto lo que dice está vigente medio siglo después, pese a que tanta agua y tanta sangre corrieron desde entonces. Hasta qué punto, frente a la siempre urgente realidad que nos toca, vuelve a abrirnos los ojos, a plantarnos en lo que, fuera de toda sanata, es nuestro ahora y nuestro acá ».

La obra se leía fervorosamente en las cárceles durante los primeros seis meses de la dictadura uruguaya: « Los censores uruguayos -se burló alguna vez Galeano- al ver el título, creyeron que estaban frente a un tratado de anatomía, y los libros de medicina no estaban prohibidos. Poco duró el error ».

En 1976, luego del último y más sanguinario golpe de Estado en Argentina, el nombre del escritor fue agregado a la « lista negra » de artistas e intelectuales prohibidos por el « Proceso de Reorganización Nacional ». El escritor se debió exiliar de nuevo, esta vez en España, donde empezó a escribir « la acusación literaria más poderosa del colonialismo en las Américas », su famosa trilogía « Memoria del fuego », compuesta por los libros: « Los nacimientos » (1982), « Las caras y las máscaras » (1984) y « El siglo del viento » (1986).

En 1976 fue agregado a la "lista negra" de artistas e intelectuales prohibidos.

En 1976 fue agregado a la « lista negra » de artistas e intelectuales prohibidos.

Además de la historia latinoamericana, el fútbol pasa a ser un tema central y es para el escritor « música en el cuerpo, fiesta de los ojos, y también denuncia las estructuras de poder de uno de los negocios más lucrativos del mundo ».

En 1968, Galeano había prologado una selección de cuentos de fútbol titulada « Su majestad el fútbol » con textos de Albert Camus, Mario Benedetti y Horacio Quiroga, entre otros, donde ya daba cuenta de la mirada de los intelectuales que acusan al deporte por ser, « causa primera y última de todos los males, el culpable de la ignorancia y la resignación de las masas populares en el Río de la Plata ».

Sin embargo, recién en 1995 cuando publica « El fútbol a sol y sombra », el escritor intenta unir los dos universos: « Escribí el libro para la conversión de los paganos. Quise ayudar a que los fanáticos de la lectura perdieran el miedo al fútbol, y que los fanáticos del fútbol perdieran el miedo a los libros », se ilusionaba.

« Cuando en agosto de 2012 organizamos el 17º Foro Internacional por el Fomento del Libro y la Lectura, en Resistencia, Eduardo Galeano tenía la salud algo comprometida, pero me dijo en un email: ‘Hacé todo lo posible por evitarme esfuerzos, por ejemplo colas para firmar libros, entrevistas de prensa, fotos por celulares y tutti quanti. Iré a Resistencia, cueste lo que cueste, al grito de: ¡Sobreviviremos, aunque nos cueste la vida!’. Después de tres días con nosotros y su esposa Helena y su amigo-hermano Eric Nepomuceno, cuando regresó a Montevideo me escribió: ‘Gracias, viejo, estas andanzas compartidas me ayudan a enfrentar con buena cara los días que vienen' », evoca el escritor Mempo Giardinelli.

Este correo -como cuenta el escritor chaqueño- Galeano lo envió a fines del año 2012, apenas unos años antes de su fallecimiento el 13 de abril de 2015. Fueron más de dos años a sol y sombra en los que la vida del escritor fue declinando. « Y por suerte vinieron muchos antes de su partida hacia los jardines del cielo, donde están las almas buenas, las más nobles. Eduardo hubiera cumplido 80 años. Parece mentira lo joven que era cuando partió« , concluye el autor de « Santo oficio de la memoria ».

[Fuente: http://www.telam.com.ar]

El hallazgo de un inmenso altar fúnebre azteca permite reflexionar sobre las urgencias actuales sin fantasías atávicas pero con un nítido sentido de la historia y los desafíos del presente.

 

Escrito por 

México vive la peor violencia desde la Revolución (1910-1920); sin embargo, en su primer informe de gobierno, el presidente Andrés Manuel López Obrador dedicó 40 segundos al tema.

El crimen organizado ocupa el territorio y diversifica su economía. A la piratería, el secuestro, la trata y el narcotráfico, añade el robo de combustible, los narcocréditos, la agricultura de exportación, la minería, el control del agua, el cobro de derecho de suelo e incluso prácticas clientelistas como el reparto de alimentos y medicinas.

La soberanía nacional es relativa, según confirmó el periodista de El País Jacobo García en su alucinante viaje por la región de Michoacán, donde se cultiva el 70 por ciento de la producción mundial de aguacate: “La carretera de la muerte no es la que recorre Los Andes o la ladera de los Anapurna, sino los 36 kilómetros que unen Jalisco y Michoacán a través de Jilotitlán”, escribió en septiembre de 2019, luego de recorrer parajes que le recordaron escenas de guerra en Siria, Irak y Afganistán.

El país se desgaja sin una política de seguridad que haga frente a la situación. López Obrador cortó con las fallidas estrategias anteriores, medida imprescindible, pero los asesinatos aumentan. ¿Hay salida? La respuesta equivale a un vacío: 40 segundos de informe presidencial.

Mientras esto sucede, los arqueólogos hallan restos del imperio azteca que remiten a una violencia remota. ¿Podemos vernos reflejados en esos saldos del origen como si nos asomáramos al Espejo Humeante de Tezcatlipoca, Señor de la Fatalidad, donde el ser humano debía escrutar su condición inescapable?

La Ciudad de México tiene otra ciudad bajo la tierra. Por códices prehispánicos y crónicas de frailes y conquistadores, los arqueólogos saben de la existencia de sitios que no han sido explorados.

La céntrica calle de República de Guatemala se extiende sobre la antigua ruta sagrada de la muerte. Ahí se encontraba el juego de pelota azteca, donde el perdedor era ofrendado a los dioses, y en 2006 ahí fue hallada la efigie de Tlaltecuhtli, deidad dual, masculina y femenina, que devora las inmundicias y da a luz nueva vida.

En 2015 se descubrió el vestigio más importante en la relación de los antiguos mexicanos con la muerte: el tzompantli, inmenso altar de cráneos. En el número 24 de Guatemala la remodelación de una casa confirmó que excavar en esa parte de la ciudad es una arqueología accidental. En este caso, se encontró la base de una torre de cráneos consagrada a Huitzilopochtli, dios del sol y la guerra. Durante la conquista, Andrés de Tapia, soldado de Hernán Cortés, creyó distinguir ahí 136.000 cráneos y el fraile Diego Durán, 80.000, cifras seguramente exageradas por el temor reverencial que provocaba esa empalizada fúnebre. En Muerte a filo de obsidiana, Eduardo Matos Moctezuma, quien condujo la exploración del Templo Mayor, define al tzompantli como “la manifestación más evidente del control político-religioso” que la jerarquía de sacerdotes y militares ejercía sobre su propio pueblo.

A partir de octubre de 2016, el arqueólogo Raúl Barrera se hizo cargo de los trabajos en Guatemala 24. El sitio aún no ha sido abierto al público, pero pude visitarlo el 16 de noviembre de 2017, dos meses después del terremoto que derribó numerosos edificios en la ciudad. La casona colonial resistió de milagro los embates telúricos y la excavación en el sótano. Vigas de madera, dispuestas en equis, apuntalan los muros. A unos metros, el Museo del Templo Mayor muestra una representación en piedra del tzompantli. Esa asombrosa geometría de la muerte no deja de ser abstracta. El enjambre de cráneos que sale del lodo en Guatemala 24 no suplanta un hecho; lo constata: miles de cuencas vacías escrutan la nada desde hace quinientos años.

De acuerdo con Barrera, la mayoría de los sacrificados eran cautivos de guerra y se llegaron a incluir cráneos de españoles. La principal revelación de campo ha sido que, aunque el 75 por ciento de los restos pertenecen a hombres, el 25 por ciento es de mujeres y niños. En la economía sacrificial de los aztecas, destinada a pacificar dioses veleidosos, había que ofrendar prisioneros, pero también prescindir de lo más querido. La vida no se despreciaba; aumentaba de valor al entregarse de ese modo.

La torre de cráneos semidescarnados de casi cinco metros de diámetro realzaba el poder político-religioso en Tenochtitlan. Una ciudad de alrededor 250.000 habitantes confluía en ese escenario. Ante ese trato con la muerte, conviene recordar lo que Georges Dumézil escribió a propósito de las “rarezas” del pasado: interpretar los “hechos religiosos arcaicos” en su justa dimensión implica prescindir de “las ideas bárbaras y engañosas que las escuelas imaginan”. En La muerte entre los mexicas, Matos Moctezuma entiende así el tzompantli: “Los dioses, a veces beligerantes, a veces benévolos, deberán ser ofrendados por diversos medios para que jueguen un papel que tienen encomendado dentro de la estructura universal. Entre lo más preciado que el hombre posee está el hombre mismo, de allí que el sacrificio de su vida conlleve, en buena medida, la continuación del movimiento por medio del cual hay vida”.

Hace unos días le pregunté a Matos Moctezuma sobre la cantidad de cráneos que esperan hallar en el tzompantli: “Un cálculo preliminar podría dar unos 2000 cráneos, pero Raúl Barrera cree que podrían ser 5000, y hay que recordar que se iban quitando algunos y colocando otros nuevos”, comenta.

Toda estadística fúnebre es excesiva: cada hueso constata un fin irreparable. Los cráneos ensartados en el tzompantli integran un ábaco de ofrendas a los dioses. Aunque no es fácil contemplarlo, responde a un significado; el sacrificio era una plegaria: alimentaba al sol para que no dejara de brillar.

En Guatemala 24 la tierra conserva la humedad de la laguna que fue sepultada para edificar la Ciudad de México. Ahí, los siglos enrarecen el aire y los cráneos enrarecen el presente. El mundo del sacrificio azteca nos resulta ajeno, pero hay claves para entenderlo. En comparación, el México contemporáneo es más absurdo. ¿Cómo explicar un país de fosas clandestinas (más de 3000 en los últimos 14 años) donde se muere sin otra causa que el despojo?

El 26 de junio, a las 6:35 de la mañana, un camión bloqueó Paseo de la Reforma, emblemática avenida de la Ciudad de México, y 28 sicarios balacearon el coche de Omar García Harfuch, secretario de Seguridad Ciudadana. Viajaba con dos escoltas que fallecieron, al igual que una vendedora que pasaba por la zona. García Harfuch sobrevivió gracias al blindaje nivel 5 plus del vehículo. Tres horas después del atentado escribió en Twitter: “Esta mañana fuimos cobardemente atacados por el CJNG (Cártel Jalisco Nueva Generación)[…], tengo tres impactos de bala y varias esquirlas”.

Los atacantes fueron repelidos por cuatro guardaespaldas que iban en otro coche, que quedó fuera del cerco de fuego, y por patrullas que llegaron un minuto después. Veintiún sospechosos han sido arrestados. El atentado fue un notable fracaso, pero lo que llama la atención no es la impericia de quienes dispararon más de 150 balazos sin dar con su objetivo, sino su espectacularidad, el despliegue teatral de la osadía. La prioridad no era asesinar, sino demostrar que eso es posible en el corazón de la capital mexicana.

En sintonía con esta estrategia, el 17 de julio circuló un video en el que el Cártel Jalisco Nueva Generación despliega sus tropas. La cámara recorre una larguísima fila de vehículos pintados de camuflaje. En cada portezuela, una calavera y las siglas CJNG acreditan al “grupo de élite”. Un ejército encapuchado alza el puño y grita: “¡Pura gente del Mencho!”, en alusión a su líder, Nemesio Oseguera Cervantes.

Días después, el “Doble R”, miembro prominente del cártel, aclaró: “Nuestra guerra no es contra el pueblo ni es contra el gobierno”. Según esta versión, el desfile estaba destinado a amedrentar al “Marro”, José Antonio Yépez Ortiz, líder del competidor Cártel de Santa Rosa de Lima.

El narcotráfico ejerce un poderío visible al tiempo que el gobierno se repliega. La Guardia Nacional creada por el gobierno de Andrés Manuel López Obrador estaba destinada a reunir y coordinar grupos judiciales dispersos; sin embargo, desde su creación ha debido atender otras tareas. La más importante es la contención de migrantes a Estados Unidos. Donald Trump desistió de su amenaza de aumentar los aranceles a las exportaciones mexicanas a cambio de que se controlara el tráfico de indocumentados. De este modo canjeó un tema económico por una exigencia migratoria, convirtiendo a la Guardia Nacional en extensión de la Border Patrol. Su promesa de que México pagaría por construir un muro en la frontera encontró una forma perversa de volverse cierta: el ejército mexicano debe actuar como una pared cuyo espesor va de Centroamérica al río Bravo.

La distracción de las fuerzas federales en tareas migratorias, a las que se añade el control de puertos y aduanas, y las restricciones de la pandemia (circunstancia aprovechada por el narco y de la que Ioan Grillo escribió en estas páginas), dificulta el combate al crimen organizado.

¿Hay una estrategia clara al respecto? López Obrador ha hecho llamados morales a los capos, pidiendo que piensen en sus madres y aconsejando repartir “abrazos, no balazos”. Ante la violencia ha usado expresiones de repudio infantil: “¡fuchi, guacala!”. Mientras tanto, los asesinatos aumentan: la BBC informó que en 2019, primer año del actual gobierno, se cometieron 34,582 homicidios dolosos, un 2.5 por ciento más que en 2018, hasta entonces el año más cruento en nuestra historia reciente.

De manera encomiable, López Obrador se propuso acabar con la política de “guerra contra las drogas” que el presidente panista Felipe Calderón calcó de la gestión de Richard Nixon y del Plan Colombia. Ordenó que el ejército saliera de sus cuarteles en diciembre de 2006, a dos semanas de haber asumido la presidencia, cuando la oposición cuestionaba el resultado electoral. No pidió que el Congreso respaldara la medida ni la propuso en su campaña. Esa iniciativa fue, por decir lo menos, precipitada. Seis años después había más de 100.000 muertos y más de 30.000 desaparecidos. Calderón insistió en que el incremento de la violencia se debía a que los cárteles combatían entre sí por nuevas plazas; se refirió a los narcos como “los malosos”, seres extraños infiltrados en el país, sin comprender que pertenecían al tejido social y que la solución no podía ser exclusivamente militar. Al combatir fuego con fuego solo hubo un resultado: todo mexicano podía ser un “daño colateral”.

Calderón apeló a la ocupación del territorio y la presencia física del ejército. En Topología de la violencia, el filósofo Byung-Chul Han identifica esta estrategia con la dominación arcaica: “El gobierno se vale de la simbología de la sangre. La violencia directa opera como insignia de poder. En este caso, la violencia no se oculta. Se hace visible y se manifiesta. No tiene ningún tipo de pudor. No se muda ni se muestra medio desnuda, sino elocuente y sustancial”. En esa lógica, “la violencia infligida a otro aumenta la capacidad de supervivencia”.

Una fotografía alcanzó el nivel de ícono en la guerra de Calderón. En 2009, la Marina ultimó al capo Arturo Beltrán Leyva y fotografió su cuerpo desnudo, tapizado de billetes ensangrentados. Un presunto acto de justicia se convirtió en gesto de venganza.

El Estado moderno sustituye la visibilidad de la violencia por formas más opacas de control. Calderón apostó, como ahora lo hace el Cártel Jalisco Nueva Generación, por exhibir la fuerza para amedrentar al adversario. Durante su mandato, los periódicos publicaron “ejecutómetros”. El marcador rojo no favoreció al presidente panista. Calderón ignoraba la fuerza de su oponente y su grado de infiltración en los más diversos mandos del gobierno. En una batalla ante un enemigo difuso, sin nociones de frente y retaguardia, llevaba todas las de perder.

El hartazgo ante la sangre hizo que en las elecciones de 2012 el PAN quedara tercer puesto. El país prefirió el regreso del PRI, partido paleontológico que había gobernado de 1929 a 2000, y que solo se modernizó en la medida en que su candidato, Enrique Peña Nieto, lucía mejor en televisión que en la realidad.

A partir de 2012 cambió el discurso oficial. Si Calderón colocó el militarismo al centro de su gobierno y se puso un uniforme que le quedaba tan grande como los destinos del país, Peña Nieto consideró que la violencia era un problema de percepción que mejoraría al no hablar de él (con el mismo sentido de la evasión, propuso “pasar página” al caso Ayotzinapa, desapareciendo de la memoria a los desaparecidos de la realidad).

López Obrador no pertenece a la cleptocracia que gobernó el país durante casi un siglo en beneficio propio ni está dispuesto a poner en práctica las conductas represivas del PRI y el PAN. Su gobierno, avalado por 30 millones de votos, representa un corte de sentido respecto a políticas anteriores. Sin embargo, eso no basta para que tenga éxito. Su alianza con los evangelistas y los empresarios más poderosos del país, su desdén por la clase media, su apuesta por combustibles fósiles, su imparable caudillismo y su injurioso trato a ambientalistas, feministas, científicos, pueblos originarios, periodistas y víctimas de la violencia trazan el retrato de un populista conservador con ocasionales arrebatos izquierdistas.

El 17 de octubre de 2019, Ovidio Guzmán, hijo del célebre “Chapo”, fue detenido por policías antinarcóticos en Culiacán. El Cártel de Sinaloa reaccionó con una protesta que dejó 68 vehículos militares con impactos de bala, ocho muertos, 16 heridos, 19 bloqueos y un motín en la cárcel que liberó a 45 reos. Los 32 grados de temperatura de la capital sinaloense aumentaron con el fuego. En ese clima incendiario, un narco que negociaba la liberación del “Chapito” se dirigió a los militares con afrentosa superioridad: “Se te está hablando bien, suéltalo y vete tranquilo, y no se te va a hacer nada, si no te va a cargar la verga”.

En esas apremiantes circunstancias, López Obrador ordenó la liberación de Ovidio Guzmán: “No puede valer más la captura de un delincuente que las vidas de las personas”, explicó. La declaración contrasta con la de Calderón para justificar su estrategia: “Costará vidas humanas inocentes, pero vale la pena seguir adelante”.

Aunque se evitó un mal mayor, no hubo consenso en un país fracturado. López Obrador apeló a un sentido humanitario de la justicia; sin embargo, para muchos, mostró debilidad. La revista Proceso tituló así su portada: “Ustedes mandan”.

El tema es más complejo de lo que parece. En su espléndido artículo “La tentación de la guerra”, Oswaldo Zavala, profesor en la Universidad de la Ciudad de Nueva York y autor de Los cárteles no existen, señala que el operativo de Culiacán fue ordenado por el Grupo de Análisis de Información del Narcotráfico en posible coordinación con la DEA y el gobierno de Sinaloa, del PRI, siguiendo la lógica de intervención estadounidense pactada por Calderón desde 2008 en la Iniciativa Mérida. Un mes antes de la captura, el 16 de septiembre, Uttam Dhillon, entonces director interino de la DEA, estuvo en Culiacán, según reportes periodísticos. Zavala no descarta que los muchos errores del operativo hayan sido provocados voluntariamente para exhibir al gobierno. Carlos Demetrio Gaytán, subsecretario de la Defensa con Calderón, ha dicho que los militares se siente “agraviados” y “ofendidos” por una política que los excluye. Las dudas que despierta la fallida captura llevan a una pregunta: ¿a quién le interesa reactivar la “guerra contra las drogas”? “La ocupación militar y el fenómeno de la paramilitarización en México han sido un vehículo para el despojo y apropiación ilegal de tierras que permiten el avance de megaproyectos de extracción de recursos naturales como gas, petróleo y minería”, responde Zavala. Ese núcleo complejo ayuda a entender que López Obrador se haya apartado de un lance que le era ajeno en muchos sentidos.

Hace más de 2000 años, Sófocles contrastó en Antígona el derecho humanitario con las obligaciones ante el Estado. López Obrador evitó una matanza y liberó a un enemigo poderoso. La opinión pública, versión moderna del coro griego, juzgó que se trataba de un gesto de rendición, del mismo modo en que, en marzo de 2020, condenó que el presidente saludara de mano a la madre del “Chapo” y, en enero, se negara a recibir a víctimas de la violencia encabezadas por el poeta Javier Sicilia.

El presidente fue amonestado por el coro, pero Atenas lo respalda: su aceptación en abril fue de 68 por ciento, según una encuesta de El Financiero.

En 2010, Felipe Calderón ordenó que las osamentas de los héroes de la independencia fueran exhumadas para recorrer el país en un cortejo fúnebre. Los remanentes de los próceres integraron un tzompantli portátil, acorde con la hipervisibilidad del poder que el presidente panista buscaba en su “guerra contra el narcotráfico”.

López Obrador rompió en forma meritoria con esa conducta. Sin embargo, mientras el narco avanza de manera ostensible, como lo hicieron las huestes de Calderón, no parece haber una estrategia global que se le oponga. El presidente habla todas las mañanas, pero tiene el talento distractor de hablar siempre de “otra cosa”. Su gramática ante la violencia aún está por conjugarse.

Victor Hugo envió una carta a Benito Juárez pidiendo que perdonara la vida del usurpador Maximiliano: “Que el violador de sus principios sea salvado por un principio. Que tenga esta dicha y esta vergüenza”. La máxima afrenta al adversario consiste en no ser como él. El combate a la violencia pasa por no ejercerla inútilmente.

La fuerza ética de ese planteamiento es evidente, pero no basta para pacificar un país. En su torrente retórico, López Obrador no ha formulado planes específicos para recuperar el tejido social. Ante las más variadas interrogantes responde que actuará “con honestidad”, principio muy rara vez observado por sus predecesores, que, sin embargo, no garantiza el control del territorio.

El mundo náhuatl rindió religiosa pleitesía a la muerte. Al mismo tiempo, de manera rebelde, repudió esa sumisión en su poesía, cargada de angustia y tristeza ante la fugacidad de todas las cosas. Un poema anónimo pregunta: “¿Es nuestra casa la tierra?” y otro responde: “Vivimos en tierra prestada”.

En 2021 se cumplirán 500 años de la caída de Tenochtitlan. En lo que llega esa fecha, los arqueólogos liberan cráneos en el tzompantli.

Mientras tanto, México se convierte en una inmensa necrópolis, sembrada de cráneos contemporáneos. Cada reliquia exige una razón. ¿Tiene sentido la sangre derramada?

En el año más violento de nuestra historia reciente, resuena la voz del poeta náhuatl: la vida es incierta en la tierra que nos fue prestada.

Juan Villoro es escritor y periodista. Su libro más reciente es El vértigo horizontal. Una ciudad llamada México.

[Ilustración: Diego Cadena Bejarano– fuente: http://www.nytimes.com]

Detalle de una postal de Salónica en 1917, probablemente antes del gran incendio de aquel mismo año.

Escrito por JULIÁN ELLIOT

En 2019 caducaba el plazo para que los descendientes de los sefardíes expulsados de España en 1492 pudiesen solicitar la nacionalidad española. Cinco siglos después de que los Reyes Católicos echaran a los judíos de Sefarad (como la Biblia denomina en hebreo a la península ibérica), una ley sancionada en 2015 por unanimidad en el Congreso buscó enmendar esa deuda pendiente.

Los sefardíes emigraron a diversos destinos tras la expulsión. De todos ellos, ninguno preservó tanto el espíritu y las costumbres de su añorada Sefarad como . Esta capital llegó a ser por momentos la segunda metrópolis más importante del Imperio otomano, gracias, en buena medida, a esos exiliados.

, perteneciente a Grecia en la Antigüedad y de nuevo a partir de 1912, fue durante medio milenio, hasta el exterminio nazi, lo más parecido a una patria hebrea cuando no existía el Estado de Israel. De hecho, se convirtió durante su apogeo, bajo los musulmanes, en el hogar de la comunidad judía más grande, próspera e influyente del planeta por el impulso sefardí.

Fotografía de una familia judía en Salónica en el año 1917.

Un imperio multiétnico

Aunque los sefardíes no fueron la primera comunidad judía en radicarse allí. Siglos antes lo habían hecho los romaniotes, procedentes en gran parte de Alejandría. Y a finales del siglo XIV llegaron los asquenazis huyendo de las persecuciones en Europa central y oriental.

Además de ser un puerto muy dinámico, hacía de bisagra entre Italia y los Balcanes, al oeste, y el Imperio otomano, al este. De ahí que este quisiera la plaza. La anexionó en 1430 bajo el sultán Murad II.

La población islámica ocupó en adelante la mayoría de los puestos clave institucionales y sociales. Sin embargo, las nuevas autoridades garantizaron las prerrogativas habituales en estos casos a los judíos y los cristianos, en tanto “pueblos del Libro”.

Cierta libertad de culto, un alto grado de autogobierno de su comunidad y algunas exenciones fiscales se contaron entre esos privilegios.

Los sultanes no entendían que España se desprendiera con tanta facilidad de este preciado capital humano

Judíos bienvenidos

Los sultanes, de hecho, recibieron a los sefardíes con los brazos abiertos. No entendían que España se desprendiera con tanta facilidad de este preciado capital humano. Solimán el Magnífico llegó a comentar que “se maravillaba de que hubiesen echado a los judíos de Castilla, pues era echar la riqueza”.

Fue una jugada magistral. Los judíos enseñaron a fabricar a los otomanos de arcabuces a artillería pesada. También crearon imprentas, las primeras del Imperio. Una minoría de traductores, médicos y banqueros judíos prestaban servicio al propio sultán.

Hubo una proporción de un sefardí por cada otro vecino de  hasta entrado el siglo XX. Ningún otro lugar del mundo reunió tantos judíos en ese medio milenio.

Grabado de mujer judía en el siglo XIX.

La metrópolis se benefició de ello. Hubo que levantar barrios enteros y modernizar el suministro de agua. Más cuando, entre los siglos XVI y XVII, se sumaron a los sefardíes originales muchos otros desplazados de Occidente por asuntos internos de cada reino o por la pugna entre islam y cristiandad.

Debido a su gran número, los sefardíes de Salónica se mantuvieron segregados de otros compañeros de religión. Miraban con desdén a los “griegos”, como llamaban a los romaniotes, y a los “alemanes”, o asquenazis. Sobre todo, los sefardíes procedentes directamente de la península ibérica.

Los judíos eran ciudadanos de segunda en comparación con sus vecinos musulmanes. No obstante, su comunidad fue siempre autónoma. Gracias a esta libertad, los sefardíes pudieron desarrollar una especie de próspero microestado dentro del otomano.

Podían dictar leyes para su congregación, siempre que no chocaran con el orden jurídico imperial. El rabino mayor de Salónica podía incluso encarcelar a los delincuentes judíos.

Calle de Ladadika, en uno de los antiguos barrios judíos de Salónica.

El oro pañero

La clave inicial del bienestar sefardí del siglo XVI pasó por la artesanía. Pero el gran despegue económico ocurrió a partir de una contrata otorgada por el sultán: la confección de los uniformes de los jenízaros, su guardia pretoriana. Los judíos locales se especializaron en trabajar la lana, con todas las industrias derivadas. Una vez servida la infantería de élite, eran libres de continuar fabricando textiles para otros clientes.

No tardaron en vestir a toda Salónica y a otras ciudades otomanas, e incluso exportaron tejidos a las actuales Hungría e Italia. Fue gracias a una feliz combinación de demanda, telares mecánicos de vanguardia, buen oficio y una valiosa red de lazos familiares e intercomunitarios que conectaban el mundo islámico y la Europa cristiana.

El sector lanero era el más destacado, pero también se dedicaron al algodón y la seda y, fuera del ámbito textil, al trigo y la sal, así como, más tarde, a la manufactura de pólvora y artillería. También importaron artículos suntuarios italianos y balcánicos para aprovechar el regreso de las flotas y caravanas.

A mediados del siglo XVI, Salónica generaba los mayores ingresos urbanos del Imperio otomano tras Estambul

La extracción de plata fue una contrata como la pañera. Pero en este caso desastrosa. Los hebreos de la ciudad a quienes se les endilgó no sabían cómo rehuirla.

Inmigrantes muy rentables

A mediados del siglo XVI, Salónica ya generaba los mayores ingresos urbanos del Imperio otomano tras Estambul. La integración social y la prosperidad potenciaron la cultura sefardí. Se abrieron escuelas rabínicas. También se imprimieron los primeros libros en judeoespañol. Se formaron, en realidad, dos idiomas mixtos de lenguas peninsulares y hebreo: el ladino, más culto y usado sobre todo en textos religiosos, y el judezmo, de empleo cotidiano. Ambos se han conservado hasta el presente, cargados de arcaísmos y de palabras en hebreo, turco y griego.

Los sefardíes de Salónica acompañarían el declive otomano a partir del siglo XVII. Los fracasos militares del sultanato, el boom de las rutas atlánticas en detrimento de las mediterráneas, un repunte de la piratería, la escasez de grano y varias galopadas inflacionistas minaron el apogeo del siglo anterior. La decadencia judía se agravó, además, por la mayor carga impositiva con que Estambul trató de compensar la debacle.

Vendedor de limonada de origen judío en Salónica a finales del siglo XIX.

Un segundo esplendor

Sin embargo, los sefardíes iniciaron una remontada a mediados del siglo XIX. Obedeció a múltiples causas. Desde contextos globales como la Revolución Industrial y el mayor peso político de las clases burguesa y trabajadora hasta la construcción de una línea férrea que, a partir de 1871, conectó Salónica con la capital imperial, por el este, y con Europa, por el oeste.

Pero el mayor dinamizador socioeconómico fue legislativo. Se trató de la Tanzimat, una serie de leyes sancionadas de 1839 a 1876 para modernizar el sultanato. Estas reformas implantaron una ciudadanía igualitaria, sin distinción de etnia o de religión.

El cambio diluyó la identidad cultural y erosionó la autonomía de los hebreos. Pero ganaron libertad de acción. Una mayor igualdad de oportunidades, mecanismos optimizados de producción y distribución y una comunicación más fluida con el exterior enriquecieron y modernizaron a la sociedad sefardí y, con ella, a Salónica.

Rabino en Salónica en el año 1918.

La población de la ciudad creció exponencialmente. De 30.000 habitantes en 1830 pasó a 157.900 en 1913. De ellos, en 1908, los judíos alcanzaron un pico de entre 80.000 y 93.000, según autores.

Arte y parte de los nuevos tiempos, los sefardíes se politizaron. Bien apoyaron, o bien se opusieron al otomanismo, hasta el punto de convertir Salónica en el bastión principal de la revolución de los Jóvenes Turcos. Pasiones parecidas despertaron ideologías como el socialismo y el sionismo.

De pronto, griegos

La vitalidad cultural se resintió y terminó desapareciendo por una cadena de acontecimientos. La revolución de los Jóvenes Turcos ya había espoleado cierta emigración en 1908, al abogar por un servicio militar obligatorio que algunos judíos rechazaban. Mucho más traumática fue la anexión a Grecia en 1912, tras la conquista de la metrópolis en la primera guerra de los Balcanes.

En 1917 un gigantesco incendio se ensañó con la ciudad, arrasando tres de cada cuatro manzanas judías

Atenas forzó con torpeza una helenización que damnificó a la población judía. Los hebreos debieron aprender un nuevo idioma, descansar los domingos en vez de los sábados o servir bajo bandera. Estas alteraciones de su estilo de vida centenario afectaron tanto a los sefardíes que sus líderes intentaron negociar, sin éxito, un estatus de autonomía para Salónica, hacerla una ciudad libre.

Una sucesión de desgracias

Para colmo, en agosto de 1917, un incendio gigantesco se ensañó con la urbe, base aliada durante la Primera Guerra Mundial. Iniciado en una cocina, el fuego arrasó un tercio de la capital, el más antiguo. Ardieron tres de cada cuatro manzanas judías. Sin hogar, sin trabajo y sin siquiera donde rezar, muchos emigraron. Los sefardíes iban dejando de ser mayoría.

Fue el inicio de una serie de calamidades. Los edificios nuevos ya no serían suyos, sino propiedad de vecinos griegos. La población helena, además, se multiplicó en 1923, cuando Atenas intercambió con Estambul cristianos por musulmanes. Se disparó la competencia por un empleo.

Un grupo de familias tras el ataque sufrido por los judíos de Salónica en 1931.

Empezó a haber episodios de . El incidente más grave tuvo lugar en Campbell, un barrio obrero judío asaltado y quemado en 1931 por dos mil exaltados. Hubo una víctima mortal, quinientas familias perdieron su casa y se profanaron decenas de sepulturas. Fue un leve anticipo del horror total. Porque, en el transcurso de la Segunda Guerra Mundial, en 1941, el ejército alemán tomó el mando de la ciudad. Con él viajaba la Gestapo.

Como en tantos otros capítulos del Holocausto, primero se desposeyó a los judíos de derechos. Después se les confiscaron los bienes y se los confinó en un gueto. Allí, los trabajos forzados, las palizas, el hambre y las enfermedades los mataron a cientos. Hasta 1943, cuando comenzó a aplicárseles directamente la Solución Final. Los trenes salían de Barón Hirsch, un barrio contiguo a la estación ferroviaria. Su destino, Auschwitz-Birkenau.

Un par de cifras: en el gueto de Barón Hirsch se contabilizaron en torno a 56.000 judíos en febrero de 1943. Al cabo de la guerra no quedaban más de 2.000 en toda la ciudad.

Registro de los judíos de Salónica por los nazis en julio de 1942. Dick / Bundesarchiv

Regreso a casa

Algunos supervivientes permanecieron en Salónica. Otros, traumatizados, prefirieron poner distancia. Emigraron a diversos puntos de Europa, , Argentina o un flamante estado de Israel. Hoy hay unos 1.400 judíos en una ciudad que sigue siendo importante, el segundo puerto de Grecia tras El Pireo ateniense.

Algo más de 132.000 descendientes de aquellos sefardíes expulsados de España en 1492 solicitaron la nacionalidad peninsular en los cuatro años en los que estuvo abierto el plazo, de 2015 a 2019. No se han resuelto aún todas las peticiones, pero varios miles han podido ya regresar a casa. Algunos traen consigo incluso las llaves de aquellas cuyas puertas cerraron en Osuna, Toledo o Zamora hace medio milenio.

 

[Fuente: http://www.lavanguardia.com]

 

David King s’occupe de tout, de Joshua Cohen, raconte les déboires du propriétaire d’un business, Moving Kings, dans la métropole new-yorkaise. La vie de ce quinquagénaire originaire du New Jersey bascule lorsqu’il embauche un cousin et un camarade de celui-ci, tous deux récemment démobilisés après leur service militaire en Israël. EaN a pu s’entretenir par courriel avec l’auteur culte pendant son confinement chez lui à Brooklyn. Nous l’avons interrogé sur son roman, sa carrière, son New Jersey natal et sa vision de la littérature, à l’aune de notre lecture de ses articles rassemblés dans le recueil Attention(inédit en français).

Joshua Cohen, David King s’occupe de tout. Trad. de l’anglais (États-Unis) par Stéphane Vanderhaeghe. Grasset, 336 p., 20,90 €

Propos recueillis par Steven Sampson 

Joshua Cohen, ancien correspondant du Jewish Daily Forward en Europe et autrefois critique littéraire au magazine Harper’s, est célébré aux États-Unis pour ses articles, ses nouvelles et ses romans, dont deux pavés, Witz et Book of Numbers. Jeune, beau, prolifique, polyglotte et cosmopolite – il travaille entre Berlin, Israël et Brooklyn –, s’il se suicidait aujourd’hui (on ne le souhaite pas), il pourrait devenir le prochain David Foster Wallace.

David King s’occupe de tout, son deuxième roman traduit en français, a pour héros un homme autodestructeur. Sa vie est un enfer, le reflet de ce qu’il crée pour ses femmes, sa fille et ses clients : Moving Kings, son business (et le titre original du roman), fournit non seulement des services de déménagement et d’entreposage, mais confisque les biens des clients endettés. C’est donc une sale affaire que rejoignent les deux anciens soldats israéliens, impatients d’oublier la Cisjordanie, mais occupés de nouveau à occuper.

Quelle a été la genèse de ce roman ?

À l’origine, je voulais décrire des Israéliens dans le monde, suivre une unité entière pendant leur année à l’étranger, à la fin de leur service. Certains d’entre eux iraient en Asie, d’autres en Europe, d’autres encore en Afrique, etc. L’ampleur de cette dispersion aurait constitué une légère exagération. Après que j’ai travaillé sur ce schéma, les soldats que j’avais amenés en Amérique ont pris le dessus. L’histoire de la littérature juive est celle de la diaspora : je me suis dit qu’il était temps de décrire celle d’Israël, ces garçons qui partent de leur propre gré, et dont certains ne reviennent jamais.

Vous êtes américain et vous écrivez en anglais. Pourquoi parler des Israéliens ? Pour quel public ?

Pour qui j’écris ? Je n’en sais rien. Probablement pour les morts. Je crois que j’écris soit pour eux, soit pour la phrase elle-même : pour plaire à la phrase. Lorsque celle-ci est satisfaite, le paragraphe l’est aussi. Et ensuite la page, des pages, et le monde.

Cela me rappelle le personnage d’E. I. Lonoff dans L’écrivain fantôme de Philip Roth. On demandait souvent à Roth s’il se considérait comme un écrivain juif américain. Et vous ?

Je ne me soucie pas de cela, de cette idée d’Américains ou de Juifs : l’obligation de définir et de codifier les contours de leurs littératures respectives est ridicule. Imaginez si on posait ces questions sur quelque chose qui compte vraiment, par exemple la nourriture. Ce que j’appelle les « French fries » sont-elles vraiment françaises ? Un hamburger vient-il de Hambourg? Un frankfurter de Francfort ? Doivent-ils être préparés et consommés uniquement par des Hambourgeois et des Francfortois ? Je ne me suis jamais préoccupé de la race, de l’ethnie, de la religion, du genre ou de l’orientation sexuelle d’un chef. Les gens feraient mieux de consommer la littérature – même de manger cru un livre – plutôt que d’interroger l’identité d’un auteur.

La première phrase de votre roman a une sonorité biblique : « Vous les reconnaîtrez à leurs véhicules… ». Par cet incipit, s’inscrit-il dans la tradition juive ?

Ce livre fait partie de la tradition juive de la même manière que la source de cette citation, l’évangile selon saint Matthieu : « C’est à leurs fruits que vous les reconnaîtrez. » Le christianisme et le judaïsme font-ils une seule religion ? Jésus était-il sioniste ? Ma réponse : oui, le christianisme et le judaïsme sont la même religion, comme le Maroc, l’Algérie, la Tunisie et la Libye sont essentiellement le même pays que la France.

Ce roman a-t-il été influencé par votre enfance et votre adolescence dans le New Jersey ? Que pensez-vous d’autres représentations littéraires ou cinématographiques de cet État ?

C’est la rive de l’autre côté du fleuve, la terre non promise. Mais j’insiste sur le fait que je suis du sud : Atlantic City, le Jersey Shore. En termes new-jerseyesques, c’est le plus éloigné possible. C’est là où l’influence de la ville s’écroule dans le sable, vaincue par la mer. Cette partie de l’état a été négligée par la littérature – on la voit dans Atlantic City de Louis Malle, oui, et dans The King of Marvin Gardens de Bob Rafelson, mais pas en littérature. Je crois que l’isolement de l’endroit s’oppose au langage : l’Atlantique emporte le langage et nous interdit de réfléchir, de narrer, d’élaborer des intrigues.

Dans Woody et les robots de Woody Allen, le héros dit : « Je crois qu’il y a de l’intelligence dans l’Univers, excepté dans certaines parties du New Jersey. » Votre portrait de cet état, ici et dans Attention, a quelque chose d’infernal. Et puis ce roman s’achève dans un incendie.

Je ne crois pas à l’enfer. Et je n’arrive pas à imaginer ce à quoi je ne crois pas. À mes yeux, l’eschatologie se résume à une fuite – de haut niveau – devant la réalité. Le New Jersey que je décris est celui que je connais, il n’est pas dépourvu de qualités rédemptrices. Walt Whitman était un enfant du New Jersey, ainsi qu’Allen Ginsberg. Quant à Atlantic City, pendant presque deux décennies, l’été, Johnny Hodges et Wild Bill Davis jouaient régulièrement chez Grace’s Little Belmont sur la Kentucky Avenue. Là où Johnny Hodges et Wild Bill Davis jouent, on est sûr de ne pas être en enfer.

David King a grandi dans le New Jersey. A-t-il été éduqué comme vous, dans une « académie hébraïque » avant d’aller dans un lycée public ?

Jusqu’à ma bar mitzvah, j’étais à la Hebrew Academy du comté d’Atlantic. Anecdote amusante : les écoles à Atlantic City étaient si mauvaises – ou considérées comme telles par les riches – que la jeune Ivanka Trump a fait l’école maternelle chez nous. Cela serait-il à l’origine de son philosémitisme ? On faisait une demi-journée d’études juives – TanachMishnaGemara – et une demi-journée pour le reste. L’idéologie était sioniste, orthodoxe. Il fallait porter la kippa et éviter les filles. Je m’attirais pas mal d’ennuis. L’éducation de David King est moins formelle, c’est celle d’une génération plus ancienne : le fondement est essentiellement yiddish, alors que le mien est hébraïque. Chaque vendredi, il fallait écrire une lettre à Gorbatchev en lui demandant de libérer les Juifs soviétiques, pour qu’ils puissent émigrer en Israël : « Cher Gorbatchev, laissez mon peuple partir ! »

Comment voyez-vous ce déplacement du yiddish vers l’hébreu ?

David King est de la génération de mes parents, mais américain. Yoav et Uri sont plus proches de mon âge, mais israéliens. Je suis entre les deux, et c’est un endroit puissant pour l’écriture, qui me permet de les faire converser, de jouer le rôle du traducteur.

Vous avez étudié la composition musicale au conservatoire. Book of Numbers et Witz se lisent comme de longs poèmes. Votre vocation repose-t-elle sur la musique ?

Enfant, j’étais très musicien, passion approfondie par des études formelles, oui, avant mon effondrement mental, émotionnel et psychologique. Ce qui me reste de cette époque est un attachement pour le contrepoint, la polyphonie vocale, ainsi qu’un intérêt un peu abstrait pour la manière dont l’art peut structurer le temps. Cela dit, je me suis toujours méfié de la musique, même si je ne l’ai pas avoué avant de l’abandonner. Pour sa capacité de nous inonder d’émotion, de nous influencer jusqu’à tuer la pensée. Je suis trop sensible à cela : j’ai trop envie de « me rendre ».

Vous vous rendez moins dans ce roman, non ?

Chaque livre a ses exigences propres. Certains demandent de l’ampleur, d’autres de la concision. Ce qui importe, ce qui relève de la musique, c’est d’écouter ce que demande le matériau.

Book of Numbers et Moving Kings concernent des business, thème généralement absent dans la fiction contemporaine, selon Chris Kraus. Êtes-vous d’accord ?

J’aime le travail, c’est quelque chose d’important. Comment on fabrique, comment on gagne sa vie, la fierté ou la honte qui va avec, les familles alternatives dans lesquelles on s’emmêle. Le travail est une partie importante de la vie, c’est alarmant de constater à quel point sa présence est rare dans les romans. Le lecteur cherche-t-il à lui échapper ? Les écrivains ont-ils peu d’expérience du travail ? Ou est-ce qu’ils ne conçoivent pas leurs propres efforts comme du travail ? C’est mon cas, quand ça avance bien.

Y a-t-il une différence entre le travail en général et celui de l’écrivain ?

Je comprends que certains lecteurs s’intéressent au travail du romancier et qu’ils se dirigent donc vers l’autofiction. Pour ma part, je m’intéresse à d’autres métiers : lire sur les difficultés qu’il y a à enchaîner des mots m’ennuie à mourir (c’est quelque chose que j’ai essayé de transmettre et de ridiculiser dans Book of Numbers). En revanche, je suis capable de lire à l’infini sur des médecins, des avocats, des gantiers, des cordonniers, des charpentiers, des soldats, des membres du clergé, et, enfin, sur n’importe qui travaillant avec des chevaux.

En même temps, vous êtes fasciné par les mots, dont ceux de l’hébreu. Ce texte est-il un roman israélien écrit en anglais ?

Le casting est global, donc je dirais que c’est un roman new-yorkais. Alors que les New-Yorkais trouveraient peut-être que c’est un livre du New Jersey. Il y a des thèmes juifs, mais l’écriture est celle de la langue de la Bible du roi Jacques et de Monty Python. Le monde est suffisamment compliqué sans ajouter des étiquettes.

Pourtant, vous écrivez : « Mais les soldats […] n’étaient pas juifs, ou pas seulement juifs, – ils étaient, avant toute chose, israéliens ». Quelle différence entre le Juif et l’Israélien ?

Je laisserai cette question aux rabbins, qui ont tendance à répondre horriblement. Encore une fois, je ne crois pas aux étiquettes, mais plutôt au narcissisme des petites différences – ce qui explique pourquoi je ne m’« identifierais » pas comme freudien. Toute la vie est une lutte entre les identités qu’on revendique pour soi et celles qu’on nous impose. Ensuite on meurt. Mais les autres continuent pour l’éternité.

Selon le critique Harold Bloom, mort en 2019, Book of Numbers est l’un des quatre meilleurs romans juifs américains : « David King s’occupe de tout est un livre fort et plutôt blessant, ce qui aide à le valider. Book of Numbers est d’une puissance bouleversante. »

Bloom a été très gentil, et s’il a été blessé par ce roman, c’est parce qu’il y a trouvé certaines vérités : le judaïsme dans lequel il a grandi devenait méconnaissable. Cela dit, le judaïsme n’était qu’un cas limite, parce que toute la culture de sa jeunesse devenait méconnaissable. C’était un homme qui respirait la littérature ; pendant les dernières décennies de sa vie, il sentait que le philistinisme contre lequel il s’était toujours battu avait pris le dessus. Les nécrologies horribles qu’il a eues le confirment : on s’est moqué de lui, on l’a tourné en dérision, on l’a sorti comme les poubelles. Mais c’était un ange.

En quoi le judaïsme est-il un « cas limite » ? Quel a été le judaïsme de Harold Bloom ?

Bloom croyait que la politique avait saboté la tradition : contre les beautés de celle-ci, on épinglait les péchés du passé. Les Juifs, par ailleurs, n’ont jamais réagi comme ça, pas de manière sérieuse : ma grand-mère, bien que toute sa famille ait été assassinée par les nazis, aimait toujours la culture allemande. Je me sens plus à l’aise en parlant pour ma grand-mère que pour Bloom, donc je me limiterai à dire qu’ils ont partagé l’idée que l’assimilation pouvait être une force corrosive, si l’identité majoritaire prétendait remplacer, plutôt qu’accompagner, celles des minorités. Ma grand-mère pensait ceci de l’Allemagne : on a fait sentir au Juif qu’il devait quitter le judaïsme afin de devenir pleinement allemand. Et Bloom pensait ceci de l’Amérique : on a fait sentir au Juif qu’il devait quitter le judaïsme afin de devenir pleinement américain.

Quelles sont les manifestations contemporaines de ce « philistinisme » ?

Ouvrir votre fenêtre, sortir votre tête : voilà.

Vivian Gornick affirme que le roman juif américain est mort, parce qu’il dépendait d’un sentiment d’exclusion maintenant dépassé. Cela expliquerait-il le changement d’ambiance, du yiddish vers l’hébreu ?

Vivian Gornick, qui, la dernière fois que je l’ai vérifié, était plus vivante que sa conception du roman, ne se sent-elle pas exclue ? Pour une nouvelle, c’en est une ! Pense-t-elle que son style de critique et même son style de féminisme prospèrent ? Il n’y a pas de roman juif américain, il n’y a que des romans : ils ne mourront que quand les romanciers mourront, et non les derniers critiques ou les derniers lecteurs. Ce qui m’amuse, c’est que sa critique quasi gauchiste rejoint celle des sionistes de droite qui ont prononcé l’acte de décès de l’art de la diaspora juive à cause de la naissance d’Israël. La dernière fois qu’on a émis ce jugement avec la moindre conviction, ce fut dans les années 1950, même si des écrivains israéliens tels que A. B. Yehoshua continuaient à le répéter machinalement pendant les carrières de Bellow, Roth, Malamud et Ozick, pour ne pas évoquer Woody Allen (est-il permis d’évoquer Woody Allen ?) ou les frères Coen – aucun lien familial. On a dit la même chose lorsque I. B. Singer est parti à Stockholm recevoir son Nobel et pérorer en yiddish, et c’est étonnant que ce raisonnement existe encore, après que l’académie suédoise a honoré Dylan. C’est Idiot WindTangled up in its own blueness [jeux de mots d’après les titres de deux chansons de Dylan]. Pas Gornick, mais gornisht [« rien », en yiddish].

David King s’occupe des déménagements. Est-ce un commentaire sur le Juif errant ? Avez-vous fait des recherches ?

Oui. Comme vous le suggérez, la résonance est probablement trop évidente : errer ; être sans foyer ; dépossession ; perte ; vos seules possessions sont vos souvenirs. Moving Kings était basé sur plusieurs business, dont tous risquent un jour de me faire un procès.

David King passe beaucoup de temps dans le Queens. Dans la même veine, la citation mise en exergue au début du roman, tirée du psaume 32, sert-elle à évoquer le roi David ?

Oui, j’ai voulu intégrer la légende du roi David et Batchéva, Yoav et Uriah, selon le schéma d’une certaine possessivité juive. Mais allez ! C’est le travail du critique de porter les cartons et de les déballer.

La description d’Israël est convaincante. C’est du vécu ?

J’ai grandi en allant régulièrement en Israël, pour rendre visite à ma famille, ou pour mes études. J’y vais encore chaque année, s’il n’y a pas de confinement. Mais ma connaissance d’Israël a moins compté pour ce livre que mon expérience avec les Israéliens à l’étranger, à New York, dans le New Jersey, et surtout en Europe. J’ai quitté les États-Unis à vingt ans, juste avant ce qu’on appelle en Europe le « 11-Septembre » (tout est inversé !). J’habitais un autre siècle : traverser l’ancien bloc de l’Est, des Balkans à la Baltique, faire des reportages pour le Jewish Daily Forward, qui, malgré son nom, était un hebdomadaire. C’était une époque solitaire, très solitaire. « SAD », comme dirait Trump. J’étais un « LOSER » ! Mais je savais ce que je faisais : j’améliorais mon écriture en aggravant ma vie. Je m’obligeais à devenir romancier. Loin des pairs. Loin de l’industrie. Dans les villes et les fosses septiques qui ont nourri mes ancêtres et par conséquent la culture dans laquelle j’ai été élevé. Je devais écrire deux articles par mois pour The Forward – deux articles qui payaient mon loyer. C’est-à-dire, jusqu’à ce que l’UE se soit levée et que tout devienne propre, cher et luisant. La plupart de mes amis étaient israéliens, surtout à Berlin, qui était à l’époque la ville où il y avait le plus d’Israéliens (en pourcentage) en dehors d’Israël. Il s’agissait de garçons tout juste sortis de l’armée, jeunes, fauchés, drogués et libidineux. L’un d’entre eux prétendait avoir été dans un club de strip-tease à Prague avec Mohammed Atta : « Un gars sympa ».

Votre portrait d’Israéliens fait penser à Opération Shylock et à Portnoy. Dans ce dernier livre, le héros se fait humilier sexuellement par deux soldates. Dans la scène avec Yoav et Tammy, vous inversez l’équation. L’érotisme met-il en lumière la différence entre Juif et Israélien ?

Le sexe est l’une des façons les plus agréables de se naturaliser en pays étranger, bien sûr. Le sexe, et être chauffeur de taxi.

Imamu Nabi, le musulman (converti) sans abri, fonctionne ici comme une sorte de deus ex machina. Là aussi, on pense à Roth, au personnage de Lester Farley dans La tache. Roth vous a-t-il influencé ? Comment avez-vous conçu ce personnage ?

Roth est incontournable. C’est un peu votre oncle préféré que vous auriez voulu avoir comme père, jusqu’à un certain âge… Puis vous arrivez à vraiment apprécier votre père. Quant à Imamu Nabi, j’avais travaillé avec quelqu’un comme lui dans les casinos, au Resort’s, à Atlantic City, la ville où il y avait le plus de propriétés saisies pendant quelques années après la crise de 2008. Je n’avais pas entendu parler de lui pendant très longtemps, puis, en 2010 à peu près, je l’ai vu dans le journal : la banque avait saisi la maison de sa mère et il l’avait incendiée.

Vous avez écrit qu’on est tous écrivains à cause d’Internet, qui crée « un excès de distraction ». En 2018, au MAHJ, on a présenté un texte, PCKWCK, que vous avez écrit en quarante-huit heures en échangeant avec des internautes. Que cherchiez-vous à réaliser ?

Comme prévu, ça m’a rendu fou. Ce fut une première mondiale pour un roman écrit en live. J’ai été étonné que les gens croient que j’étais sérieux, que je ne me moquais pas d’Internet, de sa vanité artistique, induite par son appétit implacable de « contenu ».

Quels écrivains ont compté pour vous ? Lisez-vous le yiddish ou l’hébreu ?

Yoram Kaniuk a été important pour moi, comme romancier et comme ami. Je lis l’hébreu, pas le yiddish. Et j’ai fait des traductions depuis l’hébreu, plutôt de la poésie, dont les poèmes de Yitzhak Laor.

Selon vous, les modernistes ont cherché à imposer forme et structure à leurs personnages et donc destin, plutôt que de laisser celui-ci naître de leur « nature » essentielle.

Cela relève des années 1960 et 1970, de la « contre-culture », la génération en Amérique qui cherchait un plan secret ou un schéma – la génération de la paranoïa et de la conspiration. Aujourd’hui, tout cela me semble pittoresque. Tellement vieillot. Parce que, soyons honnêtes, à l’époque du piratage, qu’est-ce qui est caché ? Qu’est-ce qui est encore suspect ? Pour le dire autrement : si pour Pynchon, la question était : « est-ce vrai ? », pour moi, la question aujourd’hui est : « comment le vivre ? » Mon objection principale à propos de certains romans importants des années 1960 et 1970 concerne la netteté et la logique de leurs cabales : on part toujours en quête d’une source, d’une explication, d’une intention, d’un but. C’est presque religieux, comiquement religieux, cette chasse pour savoir qui ou quoi nous contrôle. Ce n’est qu’une façon d’éviter, de nier le désordre fondamental du monde. Et sa stupidité. Pensez à ce concept américain de l’État profond, ou aux émotions et aux attentes que les Américains sous Trump y ont investies. C’est poignant. C’est « triste », comme Trump le dirait lui-même. Qu’autant de gens, même des gens qui se définissent comme des « libertaires », espèrent publiquement être protégés par le FBI ou la CIA ou la NSA – que le FBI ou la CIA ou le NSA organisent un coup d’État. Ou cette idée selon laquelle les militaires seraient suffisamment « responsables » et « professionnels » pour empêcher Trump de faire quelque chose de catastrophique. Cette notion idiote des « adultes présents dans la pièce ». Chaque jour, il me paraît plus évident qu’il n’y a pas d’« adultes », il n’y a même pas de « pièce ». Il n’y a que du chaos. Pour revenir aux livres, je dirais que, dans cette génération, c’est DeLillo qui a le mieux compris tout cela. Il sait que ses phrases doivent fournir le galbe et la clarté formelle dont manque notre gouvernance.

En quoi les phrases de DeLillo sont-elles meilleures ? 

J’entends ses rythmes, sa musique. C’est du pur parler new-yorkais, de la rue, pas mâché. Et ses virgules sont aussi efficaces pour interrompre la signification que le sont des klaxons.

Et DeLillo, contrairement aux autres, ne verse pas dans la paranoïa ?

Au début, il était préoccupé par la paranoïa et les complots, mais jamais en soi : il s’intéressait à leurs effets sur les gens. Chez lui, cela prend un aspect religieux : qu’est-ce que cela signifie qu’on vous cache la vérité ? Et lorsqu’on arrête d’y croire, pour quelle raison devrait-on vivre ?

Donc, les destins des personnages ici ne dépendent pas de forces cachées et mystérieuses.

Dans David King s’occupe de tout, j’ai cherché à éviter tout secret. Je ne voulais même pas cacher une métaphore. Au contraire, je voulais tout étaler. Avec un homme ayant servi dans l’armée occupante en Palestine – qu’il n’aurait jamais appelée « Palestine », bien entendu –, qui déménage à New York, y trouvant un nouveau métier comme déménageur, voire déménageur/expulseur dans les arrondissements extérieurs. La métaphore est là non seulement pour le lecteur – même le mec, mon héros, la pige. C’est lui qui entend la rime entre les deux situations, les deux contextes de la – disons – dépossession. C’est lui qui doit vivre cette rime. C’est juste devant sa gueule. C’est quotidien. Et donc il doit faire face – il doit interroger ses certitudes, peser ses actions. Savoir pourquoi une personne se politise, comment, où et quand, lorsqu’elle commence à affronter les implications morales et éthiques de son travail, cela me semblera toujours plus intéressant, parce que plus familier, que de me demander : « Puis-je identifier les systèmes manipulateurs et globaux à l’œuvre dans les coulisses ? »

Vous dites qu’Israël est le seul sujet juif contemporain, le seul qui ne soit pas kitsch. Pourquoi?

Parce que c’est une entreprise viable. Ce n’est pas fini. Ce n’est pas historique. C’est maintenant et c’est vivant.

Dans Attention, vous évoquez la réitération, un aspect de l’hébreu et d’autres langues sémites, engendrée par la narration du Déluge, celle-ci composée de sources multiples ou de multiples strates d’une source. Visez-vous cet effet dans votre écriture ?

J’ai toujours admiré les romans qui racontent en redisant, à travers des voix multiples. Seul le roman peut le faire : la polysémie ; la création de personnages par les seuls dialogues, via des récits conflictuels, des mondes en concurrence. Le lecteur est l’unique gagnant.

Votre parcours professionnel paraît démodé : au lieu de faire une école d’écriture créative, vous avez travaillé comme journaliste et critique. Quel effet cela a-t-il eu sur votre fiction ? 

J’étais idiot, et je le suis encore. J’ai cru à tout ce que j’ai lu : que l’Histoire était le meilleur guide pour le présent et l’avenir. Si les romanciers du passé avaient produit de la non-fiction pour subvenir à l’écriture de leurs romans, alors je ferais pareil. C’était du travail de « la main gauche », qui a rapidement requis ma main droite. Et qui a éventuellement pris en charge ma vie. Pour l’écrivain de fiction, la non-fiction est l’endroit où vous allez pour enterrer le self, pour cacher vos secrets comme s’ils étaient des os ; pour les écrivains de non-fiction, c’est le contraire. Et j’en ai toujours eu honte. Parce que, même si tout dans ma non-fiction est vrai et vérifié, l’impulsion est fausse. On doit obscurcir l’impulsion, la motivation.

Après Witz et Book of Numbers, il me semble qu’avec David King vous délaissez le « roman de systèmes », pour citer Tom LeClair. Comptez-vous continuer dans ce sens ?

Je ne suis pas d’accord : s’il y a un problème avec David King s’occupe de tout, c’est qu’il est trop « systémique ». Quant à l’avenir, je n’ai pas de projets, si ce n’est d’écrire des livres de la manière dont ils doivent être écrits.

Pour revenir à Pynchon, il y a quand même un truc : la musique. Quelles que soient vos réserves, votre prosodie ressemble à la sienne.

J’admire Pynchon, absolument, mais je ne souhaite pas qu’on nous range ensemble, et encore moins avec Foster Wallace : la longueur ne veut pas dire l’affinité et, contrairement à eux, j’ai aussi écrit quelques livres plus courts.

Selon l’un de vos articles, L’arc-en-ciel de la gravité a été écrit sur du papier quadrillé, des cigarettes Kool, avec du café et des cheeseburgers à Manhattan Beach. Comment et où avez-vous écrit ce roman ?

De la même manière que j’écris tout : je l’ai rédigé à la main avec une plume, sur des feuilles volantes dans un classeur. Je l’ai écrit à New York, à Berlin et à Tel Aviv. Cela m’a pris environ six mois. Cigarettes, oui, café, oui, pas de cheeseburgers. Peut-être des sandwiches au fromage fondu.

J’insiste : dans Attention, le chapitre sur Pynchon est passionnant. On y voit votre fascination pour le projet moderniste (mouvement essentiellement non juif). Dans ce roman sur un roi (« King »), auriez-vous cherché à réconcilier deux traditions, l’une et l’autre aristocrates ?

Vraiment, je ne suis pas en train d’esquiver vos questions sur Pynchon. C’est juste que je ne l’ai pas lu depuis un moment. Si nous avons quelque chose en commun, à part du superficiel, je suppose qu’on peut le trouver chez Nabokov [Pynchon a apparemment eu Nabokov comme professeur à l’université de Cornell]. Voilà une aristocratie que je pourrais appuyer, d’autant plus qu’elle serait essentiellement auto-inventée et volontaire.

L’un des chapitres d’Attention – intitulé « Israel Diary » – se termine par la phrase suivante : « Je suis oncle. » Tel David King, qui semble un oncle par rapport à son jeune cousin. Ce roman avunculaire rappelle la Genèse et la figure d’Abraham.

J’aime la figure avunculaire, aussi bien que celle du sandak, le parrain juif, celui qui tient l’enfant mâle pendant la bris [la cérémonie de la circoncision] et qui est responsable de son éducation religieuse. Je dois confondre les deux figures parce que mon oncle Danny était mon sandak. Il est mort juste après la publication de David King s’occupe de tout. Il gérait un quai de pêche et travaillait sans cesse : les poissons ne dorment jamais. Il y a un peu de lui, c’est-à-dire plus qu’il n’aurait voulu, dans David King.

À part DeLillo et Nabokov, y a-t-il des écrivains anglophones qui ont compté pour vous ?

Je déteste les listes. Est-ce Borges qui a dit qu’une liste n’est intéressante que par ce qu’elle omet ? Pour les seuls Américains, disons Nathaniel West et Henry Roth, et restons-en là.

[Photo : Beowulf Sheehan – source :www.en-attendant-nadeau.fr]

El mundo de la escritura se encendió en los últimos días en un profuso debate sobre la liberación de copias de libros virtuales. Las escritoras cordobesas Camila Sosa Villada y Teresa Andruetto fueron parte activa de la discusión en redes. Qué opinan especialistas.

Escrito por Javier Mattio

Junto a la expansión del nunca del todo asimilado libro digital, la pandemia motivó la liberación de ejemplares virtuales encendiendo de nuevo una polémica que lleva años y que empuja a abrir debates. Los límites entre gratuidad, comunidad online, piratería y violación de derechos de autor son casi invisibles e intensifican las fricciones en un escenario de encierro, conexión en red y miseria económica.

Ya a comienzos de marzo, cuando diversas editoriales (multinacionales y autogestionadas) liberaron ejemplares con consignas como #YoMeQuedoEnCasaLeyendo o #Leamosencasa, las aguas comenzaron a dividirse entre autores que decidieron voluntariamente regalar algunos de sus libros (Felipe Pigna, Claudia Piñeiro) y otros que se negaban rotundamente a hacerlo (Florencia Canale, Fernanda García Lao). 

Los argumentos de los primeros –compartidos por instituciones como la fundación El Libro, que organiza la Feria del Libro y la Feria del Libro Infantil y Juvenil de Buenos Aires- giraban en torno a la excepcionalidad de la cuarentena; los segundos apuntaban a defender el trabajo rentado del escritor y a cuestionar las estrategias de marketing editoriales en un panorama de precarización autoral y crisis sectorial. Si la industria ya venía en caída libre –la Cámara Argentina del Libro registró una baja de casi el 50 por ciento en la publicación de ejemplares desde 2016 para acá-, la pandemia no ha hecho sino agudizar el estado de cosas: en abril de este año la producción se redujo a la mitad con respecto a abril de 2019 a la vez que se paralizan las cadenas de pagos, se suspenden eventos-claves y se cierran librerías. En ese contexto alarmante surge un dato ilustrativo y es que la producción de e-books fue por primera vez mayor a la de libros de papel.

Con más razón aún, la discusión en torno a regular la circulación de libros virtuales –de manera más o menos flexible- se torna indispensable y pide la intervención de escritores, lectores, sellos, el Estado e instituciones culturales y educativas. 

Discusión álgida

El conflicto latente entre partes se hizo mucho más álgido en los últimos días, cuando Camila Sosa Villada cuestionó desde su cuenta de Facebook la disponibilidad sin autorización para la descarga de su trabajo por parte del grupo Biblioteca Virtual de la misma red social, que también había difundido PDFs de autoras como Samanta Schweblin y Mariana Enríquez, así como de best sellers globales y clásicos.

“Ustedes robaron para un grupo de quince mil personas los únicos dos textos por los que hice una diferencia por mi trabajo como escritora: El Viaje Inútil y Las Malas. No es menor lo que han hecho. Con el dinero de esos libros, por primera vez pude pensar en otras cosas, además de sobrevivir”, escribió la autora y performer en un posteo reciente. 

Selva Dipasquale, administradora de Biblioteca Virtual, respondió al embate: “Parece que hay que volver a aclararlo, la Biblioteca Virtual es un lugar para disfrutar, compartir y difundir. Es un espacio público, una biblioteca pública. A las personas que presentaron objeciones, dejen de preocuparse por los pdf, que no tenemos impresora, ni plata para la tinta, ni tiempo para descargar ni leer tantos libros. Es solo una ilusión, un deseo”, advirtió. 

Acceso a la lectura

Referentes como Elsa Drucaroff, Selva Almada, Gabriela Cabezón Cámara, Julián López y Dolores Reyes y entidades como la Unión Argentina de Escritoras y Escritores denunciaron el gesto como piratería, mientras que otros –como había pasado antes- señalaron los tratos injustos de la industria y privilegiaron al lector.

“Los derechos de autor son necesarios, especialmente para defender a los escritores de la voracidad de las empresas editoriales. Los derechos de autor, en cambio, no están ni deberían estar pensados para limitar el acceso a la lectura (…) ¿Quiénes fundaron y sostienen las bibliotecas –populares, públicas–, que tanto han hecho por la lectura en la Argentina? Lectores, indudablemente. Gente que ama leer y que quiere compartir su pasión con otros. Lo mismo ocurre con quienes comparten libros digitales”, escribió Sergio Olguín en una columna en Clarín

María Teresa Andruetto, de prestigiosa trayectoria local como activista de la lectura, escribió en Facebook: “Los lectores leemos de prestado, los lectores vivimos prestando (y perdiendo) libros y yendo a bibliotecas y comprando usado y leyendo PDF o e-books o fotocopias, además de hermosos libros en papel, cuando podemos comprarlos. Muchos lectores no pueden pagar los libros, o por lo menos no pueden pagar tantos libros como quieren/necesitan leer. No es de ahora, es de siempre (…) La lectura siempre estuvo asociada al préstamo, al usado, a la biblioteca, a la circulación subterránea, ilegal, secreta. Esa es una parte de las prácticas reales de lectura en nuestro país”.

Vislumbradas las aristas argumentales en curso –que han virado también a si la escritura debe o no entenderse como trabajo rentable-, queda mucho por hacer en cuanto a la precisión de las dimensiones del derecho de autor y el acceso a la lectura, lo que exige asimismo atender a los canales donde se entabla la conversación. Tanto las redes sociales (privadas) como el ámbito legislativo resultan desesperadamente limitados como espacios participativos. La búsqueda de condiciones de producción, distribución y recepción más equitativas amerita foros de mejor comunicación, responsabilidad y calidad al nivel de la transformación crítica de la actividad. 

A continuación, el análisis de dos especialistas en el tema. 

Las preguntas que deberíamos hacernos

Por Beatriz Busaniche, presidente Fundación Vía Libre, magíster en Propiedad Intelectual de FLACSO

Es indispensable dar la discusión evitando posturas maniqueas. El problema más grande es que se discute desde las tripas y no desde la información y el estudio del derecho de autor. Otro problema es que la discusión se da entre partes interesadas y se pierden voces de bibliotecas, de la educación, del mundo académico, museos, archivos y organizaciones barriales. Parece que todo fuera una puja entre lectores y autores, de consumidores piratas frente al mundo de la cultura. La industria cultural es parte de la cultura, pero no es toda la cultura ni mucho menos la única voz autorizada para hablar de cultura. Hay una gran comunidad de personas que nunca son escuchadas en esta discusión, que no tienen la visión materialista o rentística de la cultura, de la propiedad intelectual en términos de propiedad como bienes tangibles. 

Otro de los problemas es que se mimetizan autores e industria. Cuando los autores que se quejan por la gratuidad no cobran lo que probablemente deberían cobrar, o no tienen un salario digno o una relación digna de ingresos o seguridad social ni derechos laborales están mirando entonces el lado equivocado. Los lectores no firmamos contratos con ellos sino que somos eventualmente quienes accedemos al producto de su trabajo, ya sea que lo vayamos a comprar, nos lo regalen, lo veamos en una biblioteca y demás. Otro cliché es “el derecho de autor es el salario del autor”. Lo cierto es que la propiedad intelectual y los derechos salariales son elementos de naturaleza jurídica distinta. El sistema de propiedad intelectual no es un sistema salarial. ¿Cuál es la condición laboral de los autores? Esa es la pregunta que tenemos que hacernos, porque en función de la respuesta podremos cargar las tintas sobre los puntos reales donde está la explotación.

La explotación no la hacemos quienes recomendamos un libro o compartimos un autor con estudiantes. Nosotros no tenemos responsabilidades laborales. Si el autor se considera un trabajador de la cultura, entonces quizás tenga que empezar a pensar en términos de derechos y repensar el modelo contractual con la industria, donde es el eslabón más delgado de la cadena. Hay que darse un debate profundo sobre cómo cumplir con las tres patas de los derechos culturales: el acceso, la participación cultural y el otorgar a autores e inventores un nivel de vida digno. Es el fin de derechos culturales reconocidos en los derechos humanos.

Hay que discutir sobre producción editorial

Por Alejandro Dujovne

Doctor en Ciencias Sociales e investigador del Conicet

El affaire PDFs tocó y tensionó aspectos centrales del funcionamiento del mundo del libro argentino y no solo argentino. Distinguir algunos de esos núcleos permite corrernos de las reacciones exacerbadas y dar paso a una discusión acerca de las formas de producción editorial, literaria e intelectual en nuestro país.

Primero, la literatura concebida como « arte puro » o como « trabajo »: esta oposición, que nace en Europa a mediados del siglo XIX, no es, como puede sonar a priori, una discusión abstracta. Implica debatir sobre el ingreso y subsistencia de quienes deciden y pueden dedicarse a la escritura, sobre el proceso de profesionalización y el estatus laboral del escritor con relación al mercado y al Estado. Buena parte de quienes sostienen que ser escritor es un trabajo no niegan que también sea arte, sino que no están dispuestos a ceder la dimensión laboral que los hace susceptibles de contar con marcos legales y económicos similares a los que regulan otra clase de trabajos. En este punto se juegan, por supuesto, las dimensiones del mercado. Un mercado empobrecido como el argentino, que además ha perdido mercados externos, conspira contra la posibilidad de que más autores y autoras pueden tener un ingreso relevante a partir de su obra.

Segundo, el acceso y el derecho a la cultura frente al derecho de quienes producen: planteada así, sin adentrarse en las condiciones de producción y circulación en Argentina, esta oposición lleva a una discusión inconducente y destructiva: « como en la Argentina los libros son caros y hay pocas librerías en gran parte del país, entonces liberemos los libros de forma digital », dicen quienes llevan al límite la primera postura sin distinguir la clase de libros y autores que se comparten. Esa idea supone desentenderse de los autores, traductores, editores, diseñadores, distribuidores y libreros detrás de la existencia y calidad de los libros. Presentada en estos términos, la discusión esquiva problemas estructurales que atañen al derecho a la lectura como el oligopolio en la producción del papel y su impacto en el precio de los libros, la ausencia de políticas públicas de promoción de librerías en el territorio nacional, las formas de potenciar el rol de las bibliotecas o el mejor uso de las tecnologías digitales.

Tercero, algunos de los argumentos más enfáticos presentaban a la libre circulación de PDFs como un acto de justicia frente al poder económico y las prácticas de los grandes grupos. Más allá de que los modos reales de encarar el problema de la concentración editorial en la Argentina sean de otro orden y exijan tiempo y trabajo político y que esta postura atente contra los autores, lo cierto es que parte de los libros que circularon sin autorización fueron publicados por editoriales independientes. Podríamos sumar más puntos a esta breve enumeración, pero creo que son suficientes para advertir la importancia de avanzar en discusiones de fondo y evitar quedar atrapados en posturas maniqueas que solo llevan a reforzar creencias previas.

[Fuente: http://www.lavoz.com.ar]

Os enfermeiros são apenas a parte mais visível, durante esta pandemia, de toda uma classe de trabalhadores superexplorados do cuidado. Parece apropriado dedicar a essa ‘nova classe trabalhadora’ este 1º de maio.

Escrito por Slavoj Žižek

Talvez tenha chegado o momento de darmos um passo atrás em nosso foco exclusivo na epidemia do novo coronavírus e nos perguntarmos o que a pandemia e seus efeitos devastadores revelam a respeito de nossa realidade social.

A primeira coisa que chama a atenção é que, em contraste com o lema barato de que “estamos todos no mesmo barco”, as divisões de classe explodiram. No andar mais baixo (da nossa hierarquia social) há aqueles tão destituídos que o vírus em si não constitui o problema principal (refugiados, pessoas enredadas em zonas de guerra). Enquanto estes ainda são em larga medida ignorados pela nossa mídia, somos bombardeados por celebrações sentimentais aos enfermeiros na linha de frente da luta contra o vírus – a Força Aérea Real inglesa chegou inclusive a organizar um desfile aeronáutico em homenagem a esses profissionais da saúde. Mas os enfermeiros são apenas a parte mais visível de toda uma classe de trabalhadores do cuidado explorados – ainda que não da mesma maneira que a antiga classe trabalhadora do imaginário marxista clássico é explorada. Nas palavras de David Harvey, eles constituem uma “nova classe trabalhadora”:

“A força de trabalho que se espera que cuide dos números cada vez maiores de doentes, ou forneça os serviços mínimos que permitem a reprodução da vida cotidiana é, via de regra, altamente generificada, racializada e etnicizada. Essa é a ‘nova classe trabalhadora’ que está na linha de frente do capitalismo contemporâneo. Seus integrantes precisam suportar dois fardos: eles são os mais expostos ao risco de contrair o vírus ao realizarem seus trabalhos, e ao mesmo tempo os mais propensos a serem demitidos sem nenhuma compensação por conta das medidas de contenção econômica introduzidas pelo vírus. A classe trabalhadora contemporânea nos Estados Unidos – composta predominantemente de afro-americanos, mexicanos e mulheres assalariadas – se encontra diante de uma escolha terrível: entre sofrer contaminação no processo de cuidar das pessoas e manter abertos formas-chave de provisão (tais como mercados de alimentos), ou desemprego sem benefícios (tais como atendimento à saúde).”1

É por isso que na França explodiram revoltas nas periferias pobres situadas a norte de Paris, onde moram as pessoas que servem aos ricos. Nas últimas semanas, Singapura também vem registrando um aumento vertiginoso nas infecções de coronavírus em dormitórios de trabalhadores estrangeiros:

“Singapura abriga cerca de 1.4 milhões de trabalhadores migrantes provenientes em larga medida do sul e sudeste asiáticos. Na condição de faxineiros, cuidadores domésticos, trabalhadores de construção e trabalhadores manuais, esses migrantes são essenciais para manter a cidade em funcionamento – mas são ao mesmo tempo algumas das pessoas mais mal pagas e mais vulneráveis da metrópole.”2

Essa nova classe trabalhadora sempre esteve aqui, a epidemia apenas a tornou mais visível. Peguemos o caso da Bolívia: embora a maior parte da população boliviana seja indígena ou de etnia misturada, até a ascensão de Evo Morales essa enorme parcela da sociedade era efetivamente excluída da vida política, reduzida a uma maioria silenciosa do país que realiza seu trabalho sujo nas sombras. O que aconteceu com a eleição de Morales foi o despertar político dessa maioria silenciosa que não se encaixava na rede de relações capitalistas. Ainda não eram proletários no sentido moderno, permanecendo imersos em suas identidades sociais tribais pré-modernas – foi assim que Álvaro García Linera, o vice-presidente de Morales, descreveu a sina dessa população:

“Na Bolívia, os alimentos eram produzidos por agricultores indígenas, as casas e as construções eram erguidas por trabalhadores indígenas, as ruas eram limpas por indígenas, e a elite e as classes médias delegavam a eles o cuidado de seus filhos. No entanto, a esquerda tradicional parecia alheia a isso, ocupando-se apenas com os trabalhadores na indústria de larga escala e deixando de atentar para sua identidade étnica.”3

Para designar essa classe, Bruno Latour e Nikolaj Schultz cunharam o termo “classe geossocial”4. Muitos desses sujeitos não são explorados no sentido marxista clássico de trabalhar para os detentores dos meios de produção; a exploração se dá na forma pela qual se relacionam com as próprias condições materiais de suas vidas: acesso a água e ar puro, saúde, segurança… Mesmo não trabalhando para empresas estrangeiras, a população local é explorada quando seu território passa a ser utilizado para agricultura de exportação ou mineração intensiva: são explorados no simples sentido de serem privados do uso pleno do território que propiciava a manutenção de seus modos de vida.

Pegue o caso dos piratas somalis: eles recorreram à pirataria porque sua costa marítima estava completamente exaurida de peixes por conta das práticas de pesca industrial realizadas por companhias estrangeiras lá. Parte do seu território foi apropriado pelos países desenvolvidos e utilizado para sustentar o nosso modo de vida. Latour propõe substituir, nesses casos, apropriação de “mais-valor” por apropriação de “mais-existência”, onde “existência” se refere às condições materiais da vida.

Então descobrimos agora, com a epidemia viral, que mesmo com as fábricas paralisadas, a classe geossocial de cuidadores precisa continuar trabalhando – e parece apropriado dedicar este 1o de maio a eles ao invés de à classe trabalhadora industrial clássica. Eles são os verdadeiros super-explorados: explorados quando trabalham, visto que seu trabalho é em larga medida invisível, e explorados inclusive quando não trabalham; explorados não são apenas através do que fazem, como também em sua própria existência.

O sonho eterno dos ricos é o de um território totalmente separado dos aposentos poluídos das pessoas comuns – basta lembrar de muitos blockbusters pós-apocalípticos como Elysium (2013), de Neil Blomkamp, que se passa no ano de 2154 em uma sociedade na qual os ricos vivem em uma gigantesca estação espacial enquanto o resto da população vive em um planeta Terra que parece uma enorme favela latino-americana. Esperando algum tipo de catástrofe, os ricos estão adquirindo refúgios na Nova Zelândia ou renovando bunkers nucleares da Guerra Fria nas Montanhas Rochosas, mas o problema com a epidemia viral é que não é possível se isolar completamente – tal como um cordão umbilical que não pode ser totalmente rompido, é inevitável um vínculo mínimo com a realidade poluída.

[Tradução: ARTUR RENZO – fonte: http://www.blogdaboitempo.com.br]