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Entre 2019 e 2020 foram registradas pelo menos 49 declarações racistas feita por autoridades públicas brasileiras

“Denunciar e dar visibilidade às situações de racismo é um caminho traumático e repleto de estratégias de silenciamento e ocultação”

De 2019 para 2020, o número de discursos racistas proferidos por autoridades públicas mais que dobrou (106%), saindo de um total de 16 para 33 casos. No ano de 2020, em todos os meses ocorreu pelo menos um caso de discurso racista entre as autoridades brasileiras.

Os dados são da campanha Quilombolas contra Racistas, organizado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e pela Terra de Direitos. O mapeamento foi feito a partir dos discursos racistas proferidos por autoridades públicas no Brasil. Segundo o levantamento, o maior número de ocorrências registradas teve como autor o presidente da república e deputados estaduais, cada qual computando 25 % dos casos (12 discursos racistas cada).

Segundo o levantamento, em 20 casos dos 49 mapeados, ou seja 41%, foram iniciados procedimentos de apuração dos fatos e/ou responsabilização, seja por meio de abertura de inquérito, ação ou procedimento administrativo. Contudo, nenhum dos casos resultou em responsabilização dos autores, tornando a impunidade e a falta de respostas eficazes das instituições públicas a regra nas ocorrências de discursos racistas das autoridades públicas no Brasil.

“O racismo é um fenômeno naturalizado. Denunciar e dar visibilidade às situações de racismo é um caminho traumático e repleto de estratégias de silenciamento e ocultação”, destacam as organizações na divulgação dos dados.

De acordo com as entidades, ao analisarem-se os resultados é possível apontar para a ocorrência de uma espécie de efeito-manada, em que o uso do discurso racista por algumas autoridades acaba por legitimar e encorajar a disseminação do ódio racial através do discurso por outras autoridades. Uma realidade reforçada pelo fato de que, em uma boa parte dos casos, não há aplicação de medidas de responsabilização eficazes.

No mapeamento não foram incluídos casos que configurassem injúria racial, crime previsto no artigo 140 do Código Penal, que consiste em ofender alguém com base em sua raça, cor, etnia, religião, idade ou deficiência.

Na avaliação das entidades, a amostra permite conhecer as dinâmicas de manifestação do discurso de ódio racial das autoridades públicas como um fenômeno cada vez mais recorrente e visível. Contudo, salientam, está longe de representar o universo de discursos de ódio racial que fazem parte do cotidiano das instituições públicas brasileiras.

“O levantamento é constituído majoritariamente pela recolha de notícias, o que implica que está limitado pelos critérios de visibilidade adotados pelos veículos de comunicação. Os 49 casos de discursos racistas permitem-nos conhecer situações ilustrativas, apontando-nos caminhos de interpretação sobre o fenômeno de consolidação do discurso de ódio racial no Brasil”, afirmam.

Além dos discursos do Executivo e Legislativo, a pesquisa destaca também casos de discurso proferidos por ocupantes de cargos de direção e assessoramento do Governo Federal (ministros, secretários e presidentes de autarquias), com 22% (11 discursos racistas). A pesquisa evidencia que a disseminação do uso do discurso racista entre as autoridades públicas brasileiras é reproduzida por representantes políticos nos três níveis da federação (federal, estadual e municipal).

Na avaliação dos organizadores, o discurso de promoção da supremacia branca por parte das autoridades públicas parece estar sendo utilizado como ferramenta de reação ao fortalecimento dos movimentos globais de luta contra o racismo e em defesa das vidas negras, que marcaram de forma significativa o ano de 2020.

Principais tipos de discursos racistas apurados

Reforço de estereótipos racistas

O racismo se sustenta através da construção de diversos estereótipos negativos, utilizados historicamente para inferiorizar povos ou justificar processos violentos como a escravidão. O uso de estereótipos racistas por autoridades públicas visa degradar a dignidade de indivíduos ou grupos e configura discurso de ódio racial.

Incitação à restrição de direitos

Negar direitos humanos e direitos constitucionalmente reconhecidos, tais como, o reconhecimento da história afro-brasileira, políticas de ação afirmativa, direitos territoriais e culturais, dentre outros, configura apologia à discriminação racial. Em uma sociedade em que as desigualdades são marcadas pelo racismo, o acesso a direitos específicos por parte de populações discriminadas compõe núcleo central dos direitos fundamentais.

Promoção da supremacia branca

É discurso racista aquele que impuser valores superiores aos brancos e sua cultura e inferiores a outros povos e culturas. Tanto no Brasil como no mundo, a ideologia de supremacia branca justificou genocídios e sustenta processos de desumanização.

Negação do racismo

É discurso racista a negação/minimização da gravidade do racismo e/ou a utilização de doutrinas já superadas de negação do racismo, como mestiçagem ou democracia racial. Em um país onde há um genocídio contra o povo negro em curso, negar o racismo é de extrema gravidade.

Justificação ou negação da escravidão e do genocídio

O genocídio e a escravidão são considerados crimes contra a humanidade. A negação pública ou a tentativa de justificar a escravidão racial no Brasil ou o tráfico de escravizados, configura discurso racista.

Veja aqui o levantamento da campanha.

Edição: Marcelo Ferreira

[Foto: Giorgia Prates – fonte: http://www.brasildefators.com.br]

O escrito de Esquerda Unida pedía que se investigase Xoán Carlos I.

Tribunal Supremo

A Sala Segunda do Tribunal Supremo presidida polo maxistrado Manuel Marchena, devolveu o escrito presentado por Esquerda Unida no que se pedía investigar o rei emérito Xoán Carlos I debido a que foi presentada en galego e « non consta tradución » do escrito.

Esquerda Unida e o Partido Comunista de Galiza presentaron o pasado 12 de agosto unha querela criminal contra o rei emérito, na que solicitaban que fose « xulgado polos seus actos entre os que están sete supostos delitos: suborno, delito contra a facenda pública, administración desleal, fraude e exaccións ilegais, branqueo de capitais, encubrimento, ameazas de morte condicionais, descubrimento e revelación de segredos, omisión do deber de perseguir delitos e corrupción de particulares ».

Agora, a Sala Segunda do Supremo devolve o escrito alegando que o idioma galego « ten plena validez e eficacia » na comunidade, pero « debe, no entanto, ser traducido cando teña efecto fóra » dese ámbito territorial.

A coordinadora de Esquerda Unida considera que o motivo argumentado « supón unha vulneración dos dereitos lingüísticos e unha interpretación terxiversada » do contido do artigo 231.4 da lei de procedemento xudicial.

« O galego é a lingua oficial de Galiza e ten plena validez e eficacia » na xustiza, lembra Eva Solla, a coordinadora de Esquerda Unida, quen entende que resulta « unha decisión interesada e amparada nunha falta de respecto á legalidade para evitar a reapertura da querela criminal contra o rei Xoán Carlos I ».

Esquerda Unida denuncia que unha vez máis o galego supón unha pexa para a xustiza incorrendo, así, nunha vulneración dos dereitos lingüísticos da cidadanía a expresarse na súa lingua, á vez que « supón unha interpretación terxiversada », faltando « ao respecto da legalidade de expresarse na lingua da Comunidade Autónoma ».

 

Le Mémorial de la Shoah a présenté l’exposition Femmes en résistanceUn thème méconnu, défriché récemment par des historiens, et traité par les éditions Casterman dans des albums de bandes dessinées (BD) historiques montrant une « vivacité de la création graphique et éditoriale ». « Rescapée d’Auschwitz-Birkenau, juive, militante communiste et résistante, Paulette Sarcey (née Szlifke) est décédée le 4 mai 2020, à l’âge de 96 ans ». « Les 28es Journées de la Culture Juive orga1nisées par Hebraica auront lieu du 14 au 26 novembre 2020 sur ZOOM et sur RADIO KOL AVIV 101 FM. Le 24 novembre 2020 à 18 h 30 : Les femmes dans la Résistance – Conférence dialoguée d’Elerika Leroy et Intermèdes musicaux par Sarah Lugassy en partenariat avec la Wiso ».

Publié par Véronique Chemla

Sur le rôle des femmes en résistance, le colonel Henri Rol-Tanguy (1908-2002), résistant communiste artisan de la libération de Paris de l’intérieur avant l’entrée des blindés du général Leclerc, a affirmé : « La moitié de notre travail eût été impossible » sans les femmes.

En 1995, l’historienne Rita Thalmann (1926-2013) a « constaté que le rôle des femmes dans la Résistance reste encore à écrire. Depuis lors, les chercheurs soulignent la nature et l’ampleur de cet engagement féminin ». L’exposition lui est dédiée, ainsi qu’à Sara Halperyn (1920-2002), bibliothécaire au CDJC (1971-2002).

Documents d’archives originaux, photographies, une soixantaine d’objets et de planches de bandes dessinées (BD)… Cette exposition brosse un tableau des actions variées de ces femmes, étudiante, poétesse ou assistante sociale, juives ou chrétiennes, ayant résisté en Europe pendant la Deuxième Guerre mondiale.

Elle se déploie à l’Entresol et dans la Mezzanine, deux espaces dédiés l’un à des regards croisés entre BD historiques et résistantes, l’autre aux résistantes juives par une juxtaposition de biographies concises illustrées de photographies. Des portraits reproduits dans un feuillet mis à la disposition gracieuse du public. Parmi ces résistantes juives : Paulette Benroubi et Frida Wattenberg, Denise Gamzon, Hannah Szenes, Vivette Samuel.

« Dans leur très grande majorité, les résistantes ont déployé une activité ne supposant ni clandestinité ni même rupture apparente avec les attendus liés leur genre. Défense des valeurs de la démocratie, rejet de l’antisémitisme et de la xénophobie, volonté de sauver des êtres menacés… furent les points communs de leur engagement, lui-même spécifique par sa précocité, sa spontanéité, et son ancrage au cœur du foyer. Au regard du statut politique et juridique des femmes, ainsi que de leur faible engagement militant antérieur, cette mobilisation fut sans précédent ».

« Pourtant la place des femmes dans l’ensemble des mouvements de la Résistance, et la place de la Résistance spécifiquement juive dans ce même ensemble, ont été longtemps minorées, ou ignorées ». À l’instar de leurs homologues masculins, les résistantes juives ont résisté au sein de mouvements non confessionnels et juifs.

« Réalisée en partenariat avec les éditions Casterman sur une proposition d’Emmanuelle Polack, l’exposition bénéficie des prêts de plusieurs institutions publiques et privées : Musée de l’Armée, CHRD Lyon, Musée de la déportation et de la Résistance de Besançon, Musée de la Résistance Nationale de Champigny sur Marne, le Ghetto Fighters’ House, Israël…

Son parcours « s’appuie sur des textes scientifiques de Catherine Lacour-Astol, Philippe Boukara, Pierre-Emmanuel Dufayel, Isabelle Ernot et Emmanuelle Polack, et sur les albums de Régis Hautière, Francis Laboutique, Pierre Wachs, Marc Veber, Ullcer, Olivier Frasier. La coordination est assurée par Sophie Nagiscarde, Caroline François et Fanny Fernandez, du Mémorial de la Shoah ».

Le communiqué de presse sur l’exposition ne mentionne pas le vocable « nazi ». Pourquoi ?

En outre, la carte de l’Europe figurant dans cette exposition omet notamment Eretz Israël. Or, jeune juive hongroise, Hannah Szenes ou Chana Senesh (1921-1944) se réfugie en Palestine sous mandat britannique en 1939. Elle rejoint en 1941 la Haganah, organisation qui deviendra Tsahal, et entre dans les rangs de l’Armée britannique en 1943. Après un entrainement en Égypte comme parachutiste pour le service secret Special Operations Executive (SOE), elle est parachutée en mars 1944 en Yougoslavie avec Yoel Palgi et Peretz Goldstein. Seule, cette poétesse et dramaturge poursuit sa mission et est arrêtée par des gendarmes hongrois. Torturée, elle ne livre aucun nom, et est exécutée le 7 novembre 1944.

Ce sont pourtant des informations historiques essentielles pour éclairer l’exposition.

Autre curiosité, aucun des commissaires, coordinateurs ou auteurs des « textes scientifiques » n’a inclus dans ces biographies la célèbre journaliste italienne Oriana Fallaci (1929-2006), adolescente maquisarde émérite dans la résistance italienne contre le fascisme mussolinien et le nazisme hitlérien. Pourquoi ? Ignorance ? Soumission au « politiquement correct » ?

Genre et Résistance

Dans la Résistance, la « place occupée par les femmes varie fortement selon les organisations ».

« Sans surprise, elle est négligeable dans les maquis. Par tradition, la guerre est « l’affaire des hommes ». Plus conséquente dans les mouvements – entre 10% (Franc-Tireur) et 24% (Témoignage Chrétien) -, la part des résistantes est remarquable dans les réseaux (jusqu’à 41% dans le réseau Ali-France). Certaines activités, comme la liaison, le secrétariat, le service social, sont plus volontiers confiées aux résistantes, qui restent largement en marge des fonctions de décision. Les itinéraires d’une Jeanne Bohec, engagée début 1941 dans le Corps féminin des FFL et parachutée en Bretagne en février 1944 comme instructeur de sabotage, ou encore d’une Marie-Madeleine Fourcade, qui dirige le réseau Alliance, sont l’exception. Dans leur très grande majorité, les résistantes ont déployé une activité ne supposant ni clandestinité, ni même rupture apparente avec les attendus liés leur genre ».

« Nourrir, héberger, soigner, secourir, mais aussi renseigner, saboter, transporter des armes, voire les utiliser… Le spectre large, et dual des activités résistantes déclinées au féminin se traduit par un portrait de groupe très contrasté. Les très jeunes filles, qui aspirent à être « libres d’elles-mêmes », pour reprendre l’expression de Tereska Torres, y côtoient des femmes d’âge mûr, voire des « vétérans » de la Grande Guerre, telle Emilienne Moreau (l’une des six femmes Compagnon de la Libération), qui s’était déjà fait connaître pour son action contre l’ennemi dans les territoires envahis en 1914.
« De même, la résistance mobilise des femmes professionnellement indépendantes comme des femmes au foyer ».

« Enfin, la population résistante féminine mêle des femmes libres de tout engagement conjugal (célibataires, divorcées, veuves) et des femmes mariées, en plus grand nombre ».

« Loin d’être seconde, la mobilisation des femmes conditionne la survie de la Résistance, d’une part en lui assurant la mise à couvert, d’autre part en autorisant son ancrage social ».

Parmi les résistantes juives, certaines étaient des femmes « courriers », arborant une fausse identité, et chargées du transport des armes, des documents, ou de l’argent. « Si ce rôle de « courrier » est mésestimé, en réalité, elles furent pionnières dans la lutte et se retrouvèrent en première ligne ».

Dans son documentaire « Résistantes », Pierre Hurel a évoqué trois jeunes résistantes qui, à « l’âge de 20 ans, se sont dressées contre l’ordre nazi et ont contribué à sauver la France. Trois femmes, Marie-José Chombart de Lauwe, 92 ans, entrée dans la Résistance à 16 ans, arrêtée par la Gestapo et déportée en Allemagne ; Madeleine Riffaud, 91 ans, l’une des seules femmes devenues franc-tireur, et Cécile Rol-Tanguy, 95 ans, qui a tapé à la machine l’appel à l’insurrection de Paris, racontent leur histoire ».

Les femmes dans la résistance à travers la tétralogie de Casterman 

« Scénaristes et dessinateurs de bandes dessinées s’approprient des faits historiques pour les restituer dans des publications aussi fidèles à l’Histoire que singulières dans leurs choix artistiques. Ces « BD-Histoires » sont plébiscitées dans les librairies par les néophytes et les passionnés du neuvième art ».

L’exposition « propose une mise en miroir des planches originales des albums de bande dessinée édités par Casterman et dédiés » à de célèbres résistantes – l’aviatrice britannique Amy Johnson active dans l’Air Transport Auxiliary (tome 1 / scénario : Régis Hautière, Emmanuelle Polack, Francis Laboutique / dessin : Pierre Wachs), Sophie Scholl (tome 2 / scénario : Francis Laboutique, Régis Hautière, Emmanuelle Polack / dessin : Marc Veber), Berty Albrecht (tome 3 / scénario : Régis Hautière, Francis Laboutique, Emmanuelle Polack / dessin : Ullcer) et Mila Racine (tome 4 / scénario : Francis Laboutique, Emmanuelle Polack, Régis Hautière / dessin : Olivier Frasier) – et « des pièces d’archive, objets et photographies illustrant leur parcours et ceux d’autres grandes résistantes, issus de diverses collections patrimoniales ».

Dans l’engrenage de la répression 

Les arrestations
Redoutée, l’arrestation « marque pour les résistantes un basculement. Le passage d’une vie d’action et de gestes souterrains à une vie de prisonnière. Conduites dès les premiers jours dans la prison la plus proche du lieu de l’arrestation, les résistantes sont internées ensuite dans les quartiers allemands des prisons françaises comme ceux de Montluc à Lyon ou de Fresnes à Paris ».« Beaucoup sont placées à l’isolement et mises au secret. Au cours de cette première étape, les résistantes impliquées dans l’activité de leur réseau ou de leur mouvement sont extraites de leur cellule pour être conduites sur le lieu de leur interrogatoire ».La « machine répressive allemande fait son œuvre et vient sceller le sort des résistantes ».Les déportations
De 1940 à 1944, « environ 6 700 femmes sont déportées depuis les territoires occupés, et près de 2 200 depuis les territoires de l’Alsace et de la Moselle annexée » par l’occupant nazi. « L’immense majorité d’entre elles étaient des résistantes ».« Cependant, les politiques répressives au cours de l’occupation évoluent. Les premières déportées de France sont ainsi des femmes lourdement condamnées par les tribunaux militaires allemands, conduites dans les prisons et les forteresses du Reich pour y purger leur peine ».« Dès 1941, les condamnations se font de plus en plus sévères face à une résistance qui progressivement se structure. Les femmes condamnées à la peine capitale, chaque mois plus nombreuses, sont alors transférées dans une prison allemande, la procédure interdisant de les fusiller en France ».

« Si la plupart voient ensuite leur peine commuée en réclusion à perpétuité (Yvonne Oddon par exemple), certaines résistantes membres d’organisations communistes et de groupe de francs-tireurs notamment ne sont pas épargnées », telles Françoise Bloch-Serazin, Olga Bancic ou Simone Schloss.
Décret NN 
En « décembre 1941, le « décret imposant la procédure dite « Nacht und Nebel » (nuit et brouillard) est promulgué par le maréchal Keitel, commandant en chef de la Wehrmacht ».

« Désormais, seuls les résistants dont la condamnation à mort peut être prononcée et exécutée moins d’une semaine après l’arrestation sont jugés en France ».

Les « autres suspects sont transférés dans le plus grand secret en Allemagne pour y être jugés par des tribunaux civils ou militaires ».

La « disparition de ces prévenus dans la « nuit et le brouillard », ayant pour but de renforcer le caractère dissuasif de cette mesure. Plus de 1 000 femmes de France sont victimes de la procédure NN entre fin 1941 et le printemps 1944. Renée Lévy sera l’une d’entre elles ».

Des transports directs vers les camps de concentration
La Sicherheitspolizei (« Police de sûreté »), ou Sipo, est la Police de sécurité allemande instituée en 1936 par Heinrich Himmler avec l’autorisation de Hitler. La Sipo réunit deux organes :
• la « Gestapo » (Geheime Staatspolizei) qui rassemble les services de police politique du IIIe Reich. Placée sous l’autorité de Hermann Göring, elle relève peu à peu, de facto, de Heinrich Himmler ;
• la « Kripo » (Kriminalpolizei) ou police criminelle qui combat la criminalité, sous la direction de Arthur Nebe.

Le 17 juin 1936, Himmler est désigné Chef der Deutschen Polizei (chef de la police allemande), couronnant l’institution policière du Troisième Reich. Il dirige l’Ordnungspolizei de Kurt Daluege et la Sipo.

Dès 1939, le Sicherheitsdienst (service de sécurité de la SS ou Schutzstaffel) est lié au sein du RSHA à la « Sicherheitspolizei » (Police de sécurité de l’État) et la nouvelle structure sera dénommée couramment Sipo-SD, sous l’autorité de Reinhard Heydrich, assistant d’Himmler.

Au début de 1943, la Sipo-SD « s’accorde officiellement le droit d’interner sans jugement les suspects, grâce au principe de la Schutzhaft (détention de sécurité). Dès lors, après plusieurs mois passés dans les prisons de France, l’immense majorité des femmes déportées sont rassemblées à Compiègne puis dans le fort de Romainville, qui devient à partir de 1944 l’antichambre de la déportation pour les femmes de France ».

Le « premier transport direct de femmes est formé le 23 janvier 1943. Dirigé vers Auschwitz, il emporte 230 femmes dont une grande majorité d’illustres militantes communistes, parmi lesquelles Danielle Casanova, Charlotte Delbo, Marie-Claude Vaillant-Couturier ».

En 1944, « environ 4 800 femmes sont déportées depuis les territoires occupés, soit les deux tiers des femmes déportées de France dans le cadre des politiques de répression ».

Le 31 janvier, « le plus important transport de femmes de l’occupation est formé avec 959 femmes dont Mila Racine et Odette Fabius, l’une des responsables en 1943 du réseau Centurie ».

« Dans le même temps, la déportation des femmes condamnées par des tribunaux militaires se poursuit. Plus d’une centaine sont ainsi transférées depuis la France vers des prisons outre-Rhin ».

À « l’automne 1944, l’immense majorité des prisonnières encore présentes dans les geôles allemandes sont transférées vers Ravensbrück ».

Le « camp de concentration pour femmes au nord de Berlin est alors une immense plaque tournante de la répartition des femmes de toute l’Europe dans l’industrie de guerre allemande ».

De « l’automne 1944 à sa « libération » en mai 1945, le camp de Ravensbrück occupe une place centrale dans le système concentrationnaire nazi, évolue et se transforme en un centre de mise à mort. Ce camp, majoritairement occupé par des femmes – de 1939 à 1945, « 132 000 femmes et enfants ont séjourné à Ravensbrück, et près de 50 000 y ont été exterminés » -, interroge aussi par ses spécificités : la Kinderzimmer (chambre des enfants), le statut des déportées politiques et l’arrivée de femmes d’Auschwitz ».

Les premières libérations (avril 1944)
« Dans les derniers mois de la guerre, face à l’avancée des armées » alliées « de l’Est et de l’Ouest, les Allemands tentent de regrouper dans le mince couloir encore sous leur contrôle les détenues des camps de concentration ».

Ravensbrück « est l’un des derniers camps à être libérés. Au cours des ultimes semaines, plusieurs missions de libération et de rapatriement sont organisées ».

Une « première opération de sauvetage a lieu à partir du 4 avril. Au total 299 femmes sont soigneusement sélectionnées par l’administration du camp et embarquées dans des bus de la Croix-Rouge Internationale. Ces premières femmes libérées du camp de concentration » retournent en France le 14 avril 1945.

Le 22 avril, les « déportées présentes au camp de Mauthausen sont libérées et rapatriées par la Croix-Rouge alors que les 23 et 25 avril de nouvelles négociations, menées sous l’impulsion du comte Bernadotte notamment, permettent à la Croix-Rouge suédoise de sauver une grande majorité des femmes encore détenues au camp de Ravensbrück ».

Les femmes dans la résistance juive en Europe

À « côté des résistants d’origine juive mêlés aux autres résistants, il existait une Résistance juive spécifique par sa composition, ses buts et ses méthodes ».

« Face aux conditions très variées de l’occupation de l’Est à l’Ouest de l’Europe, elle concentra principalement son action sur le sauvetage, la lutte armée et la résistance spirituelle ».

« Se défiant des stéréotypes, la Résistance juive a mené des révoltes armées dans les conditions désespérées des centres de mise à mort et des ghettos, regroupé des milliers de partisans ou maquisards juifs sur le front de l’Est, en France, en Belgique, aussi bien dans les villes que dans les campagnes ».

Elle « a aussi déployé une Résistance dite spirituelle, pour pérenniser l’identité du groupe juif et pas seulement son existence physique : culture, religion, éducation, valeurs furent des terrains de lutte, en direction des adultes comme des enfants ».

Dans les rangs de « réseaux aux idéologies multiples, les femmes furent au premier plan de la lutte et l’historiographie leur accorde aujourd’hui une reconnaissance légitime. Plus de 50 portraits parmi des centaines d’autres résistantes sont mis à l’honneur dans l’exposition ».

Certaines ont livré leur témoignage, telle Paulette Sarcey, née Paula Szlifke en 1924 « dans une famille polonaise. Elle s’engage dès 1940 dans la section juive du mouvement de résistance communiste de la MOI auprès de son compagnon Henri Krasucki, avant d’être déportée à Auschwitz- Birkenau le 23 juin 1943, par le convoi n° 55. Rentrée à Paris en juin 1945, devenue épouse et mère, elle ne cessera de militer et de témoigner ».
ADDENDUM

Le 23 mai 2018 à 23 h 35, Arte diffusa Sophie Scholl – Les derniers jours (Sophie Scholl – Die letzten Tage), réalisé par Marc Rothemund. « Le portrait bouleversant d’une jeune résistante allemande face à la machine totalitaire nazie. Avec l’actrice Julia Jentsch qui incarne avec douceur et conviction une jeune fille qui, par son courage et sa droiture, apparaît, aujourd’hui encore, comme une figure de l’héroïsme. »

« Au début de l’année 1943, un groupe d’étudiants d’obédience pacifiste fonde à Munich un mouvement de résistance appelé La Rose blanche. Alors que les combats s’enlisent sur le front Est, Sophie Scholl, son frère Hans et leurs compagnons couvrent la ville de slogans dénonçant la folie meurtrière d’Hitler. Sophie et Hans, à peine âgés d’une vingtaine d’années, sont arrêtés alors qu’ils jettent des paquets de tracts à l’université. Interrogée pendant plusieurs jours par Robert Mohr, un agent de la Gestapo, Sophie Scholl fait preuve d’un courage inaltérable, refusant de livrer ses compagnons ou de renier ses idéaux. Elle est exécutée, ainsi que son frère et leur ami Christoph Probst, au terme d’un procès expéditif et caricatural. »

« Couverte de récompenses dans les festivals internationaux, cette reconstitution des six derniers jours de la courte vie de la jeune Sophie Scholl, figure lumineuse de la résistance allemande au nazisme, a rencontré un grand succès auprès du public, notamment outre-Rhin. Construit autour de la confrontation entre la jeune fille et l’agent de la Gestapo chargé de conduire son interrogatoire, ce film à la mise en scène sobre et épurée prend peu à peu la forme d’un huis clos glaçant, grâce à son scénariste Fred Breinersdorfer, qui a pu s’appuyer sur des notes précises comprenant les procès-verbaux des interrogatoires menés par la Gestapo, conservées dans les archives ouvertes au public après la chute du mur de Berlin. Outre cette approche très documentée, le film bénéficie de l’interprétation poignante de l’actrice Julia Jentsch. Elle incarne avec douceur et conviction une jeune fille qui, par son courage et sa droiture, apparaît, aujourd’hui encore, comme une figure de l’héroïsme. »

Yvette Lundy 
Le 3 novembre 2019, est décédée à 103 ans, à Epernay (Marne), la résistante Yvette Lundy qui s’était « engagée dès 1959 pour témoigner dans les écoles, collèges et lycées de son expérience dans le camp de concentration nazi de Ravensbrück ». Témoin de l’histoire, ancienne institutrice et grande figure de la Résistance, déportée en 1944 à Ravensbrück, elle a ensuite inlassablement témoigné des horreurs. »

« Encore aujourd’hui, il y a un moment de la journée où je pense au camp… C’est souvent le soir, avant de m’endormir », confiait en 2017 à l’Agence France-Presse la dame centenaire, assise dans un fauteuil du séjour de son appartement donnant sur les champs et les coteaux champenois d’Épernay. Coquette pour recevoir, enjouée pour deviser, la mémoire au garde-à-vous et le regard perçant propre aux fortes têtes, elle avait fait de la dérision son arme ultime, persuadée que « l’humour, ça aide à vivre ».

« Benjamine d’une famille de sept frères et sœurs, elle fut institutrice à Gionges, un village viticole près d’Épernay où elle officiait aussi comme secrétaire de mairie, poste clé qui lui permit d’intégrer le réseau de résistance Possum. Sa mission : fabriquer de faux papiers pour des juifs, des hommes fuyant le STO (service du travail obligatoire) en Allemagne ou des prisonniers de guerre évadés que son frère Georges – mort en déportation en 1945 – cachait dans sa ferme. « Il me disait : “J’ai encore un gars”, alors, j’opérais en conséquence », expliquait celle qui s’est engagée en 1940 dans cette « tricherie honnête » sans se poser « aucune question ».

« La combine dure jusqu’au 19 juin 1944, lorsque la Gestapo vient l’arrêter pendant sa classe, signant le prologue d’un périple inimaginable pour cette jeune femme d’alors 28 ans. Après un passage à la prison de Châlons-en-Champagne puis au camp de Neue Bremm près de Sarrebruck, dans le sud-ouest de l’Allemagne, Yvette Lundy est réduite au matricule 47360 dans celui de Ravensbrück, seul réservé aux femmes et aux enfants, dans lequel environ 130 000 personnes seront déportées. En passant le portail de ce camp nazi à 80 kilomètres au nord de Berlin, elle sent « une chape de plomb » lui tomber sur les épaules, incrédule face à la déshumanisation dès l’arrivée des détenues, forcées de se déshabiller devant les SS. »

« Le corps est nu et le cerveau tout à coup est en guenilles : on est comme un trou, un trou plein de vide, et si on regarde autour, c’est encore du vide », confiait Yvette. Sa constitution « assez robuste » et son caractère coriace l’aident à survivre dans ce « trou d’enfer » caractérisé par le travail harassant, « les chiens et les bâtons qui font partie de l’ordinaire », l’épuisement et la mort prompte à emporter les plus faibles. Finalement affectée dans un Kommando près de Weimar, elle est libérée par l’armée russe le 21 avril 1945 et réussit à regagner la France par avion, au terme d’un parcours retracé dans son livre Le Fil de l’araignée« .

« À la Libération, elle choisit d’abord de se taire devant une partie de sa famille qui croit cette survivante de l’indicible, comme tant d’autres, « déboussolée ». Mais dès 1959, poussée par l’Éducation nationale, elle intervient dans les écoles pour témoigner, répétant l’exercice devant des centaines d’élèves, surtout des collégiens français, parfois allemands, convaincue qu’ils ont compris « le drame » de la guerre et du nazisme. Ses conférences ont cessé en 2017, mais des jeunes venaient encore lui rendre visite dans sa résidence pour séniors, pour lui poser des questions ».

« Élevée en 2017 au grade de grand officier dans l’ordre de la Légion d’honneur, Yvette Lundy avait alors confié à l’Agence France-Presse n’être jamais retournée à Ravensbrück, par crainte d’être « trop chiffonnée ». Un hommage à sa mémoire sera organisé à l’occasion des cérémonies du 11 novembre, a indiqué Franck Leroy ».

« Yvette était la grande dame d’Épernay, même si elle n’aurait pas du tout aimé qu’on l’appelle comme ça, compte tenu de son parcours de résistante, de déportée et de son investissement incroyable au service du devoir de mémoire », a réagi auprès de l’Agence France-Presse le maire divers droite d’Épernay, Franck Leroy. « Elle avait aussi un regard sur la guerre et notamment sur la réconciliation franco-allemande qu’elle jugeait extrêmement importante », a-t-il ajouté.

« Ardente animatrice du réseau de la Résistance, même après la guerre », Yvette Lundy « avait rencontré des milliers d’élèves pour leur parler de la réconciliation, de la tolérance », notamment à travers le Concours national de la Résistance, a rappelé Franck Leroy. Connue « d’innombrables Marnais par ses déplacements », « elle était d’une générosité, d’une attention de tous les instants », a-t-il encore confié, saluant une « personnalité hors du commun, mais d’une grande humilité, extrêmement tournée vers les autres ». « J’apprends avec tristesse et émotion la disparition d’Yvette Lundy, grande dame de la Résistance, qui a su » perpétuer, « tout au long de sa vie, le devoir de mémoire auprès des jeunes générations », a tweeté le député LREM de la Marne, Éric Girardin. Le président du conseil départemental de la Marne, Christian Bruyen, divers droite, a, pour sa part, évoqué « une superbe figure marnaise à jamais dans nos mémoires ». « Elle avait choisi le danger face à l’occupant. Elle aura connu l’enfer là où le destin de notre siècle saigne. Elle aura consacré sa vie à l’éducation », a-t-il écrit sur Twitter. »

Paulette Sarcey
« Rescapée d’Auschwitz-Birkenau, juive, militante communiste et résistante, Paulette Sarcey (née Szlifke) est décédée le 4 mai 2020, à l’âge de 96 ans », durant la pandémie de coronavirus. Elle « était née le 11 avril 1924 à Paris de parents juifs polonais fraîchement arrivés en France, fuyant la misère et les persécutions antisémites. Son frère Robert vient agrandir la famille en 1934. La famille vit dans le XXème arrondissement de Paris. Paulette fréquente le patronage issu du mouvement progressiste juif proche de la Main-d’œuvre immigrée (MOI) du quartier de Belleville dans les années 1920 et 1930. »
« Son père Froïm, ouvrier du cuir, militant syndicaliste et communiste, avait déjà fait de la prison dans son pays ; sa mère, Jenta Przepiorka, travaillait dans la confection. »
« En 1940 à l’âge de 16 ans, Paula rejoint les Jeunesses communistes et fait ses premiers pas dans la Résistance aux côtés d’Henri Krasucki et de Marcel Rayman. Avertie de l’imminence de la rafle du Vel d’hiv, Paulette a le temps de prévenir ses parents de se mettre à l’abri et d’emmener son frère à la campagne ».
« Paulette poursuit ses activités dans la Résistance jusqu’au mois de mai 1943 où elle arrêtée suite à un coup de filet des Brigades Spéciales de la Préfecture de Police avec de nombreux camarades. Incarcérée au petit Dépôt de la Préfecture de Police, violentée lors de son interrogatoire, Paulette est transférée à l’hôpital Rothschild où un médecin complaisant déclare qu’elle doit être opérée d’urgence ».
« À peine remise, Paulette est transférée au camp de Drancy où elle retrouve ses camarades. Tous sont déportés par le convoi 55 du 23 juin 1943 à destination du camp d’Auschwitz-Birkenau. Paulette reçoit le matricule 46650. »
« Après la quarantaine, elle est d’abord  affectée au Aussenkommando avant d’être transférée au Kanada-II et dans divers kommandos. Au camp d’Auschwitz-Birkenau, elle assure la liaison entre son groupe issu des Juifs communistes parisiens et celui dirigé par Marie-Claude Vaillant Couturier. »
« Lors des marches de la mort en janvier 1945, elle est évacuée vers les camps de Ravensbrück puis de Neustadt-Glewe où elle est libérée le 2 mai 1945.
« À son retour à Paris en juin 1945, Paulette retrouve ses parents et son frère Robert, qui ont survécu cachés toute la durée de la guerre. En 1947, elle épouse Max Swiczarczyk-Sarcey, un camarade rencontré au patronage et résistant actif au sein des FTP MOI. »
« Dès son retour, Paulette devint une inlassable militante au sein de l’Association des Anciens Déportés Juifs de France aux côtés de d’Henry Bulawko, de l’UJRE et MRJ-MOI ».
« Paulette Sarcey était Chevalier de la Légion d’honneur et décorée de la Médaille militaire. »
Son histoire « est racontée dans l’ouvrage publié en 2015, Paula, survivre obstinément (Tallandier, 2015) : « À mon retour d’Auschwitz, le 22 mai 1945, j’ai eu la chance inouïe de retrouver à Paris ma famille miraculeusement épargnée. Je n’ai ni oublié, ni pardonné et j’ai tenu parole : j’avais promis à mes camarades de déportation de tout raconter. Aujourd’hui, souvent inquiète pour l’avenir, je suis heureuse que mon histoire puisse être lue par tous. » Paulette Sarcey »
« Tout au long de sa vie, elle a continué de militer et puis surtout de procéder à un travail de mémoire, participant à des débats dans des collèges et dans des lycées et, en particulier, en écrivant un livre, Paula survivre obstinément (Tallandier, 2015), témoigne son fils Claude Sarcey : son idée, c’était de témoigner de ce qui s’était réellement passé en rappelant notamment que ce ne sont pas les Allemands qui l’avaient arrêtée mais la police française et en insistant sur des aspects éducatifs qui sont quelquefois édulcorés dans les enseignements scolaires. Toujours avec ce sentiment qu’il fallait privilégier la Résistance quand c’est nécessaire. » (Source : L’Humanité)
28es Journées de la Culture Juive
« Les 28es Journées de la Culture Juive organisées par Hebraica auront lieu du 14 au 26 novembre 2020 sur ZOOM et sur RADIO KOL AVIV 101 FM pour permettre au plus grand nombre, confinés mais connectés, de rejoindre les différentes réunions réunissant des invités et invitées autour de la thématique « Femmes & Juives ». Ces journées sont dédiées à une figure emblématique toulousaine de la culture juive, décédée le 3 novembre, et qui aurait du présider la table ronde, Monique Lise Cohen, philosophe, auteure et poète…. »
Le 23 novembre 2020 à 18 h 30 : Rencontre avec Stéphanie Trouillard, auteure de BD
« Les lettres retrouvées de Louise Pikosvki » en partenariat avec le Musée de la Résistance et de la Déportation qui fait revivre en BD l’itinéraire d’une jeune lycéenne juive déportée par sa correspondance avec son professeure de Lettres. »
Le 24 novembre 2020 à 18 h 30 : Les femmes dans la Résistance – Conférence dialoguée d’Elerika Leroy et Intermèdes musicaux par Sarah Lugassy, en partenariat avec la Wiso ».
« Entretien avec Pierre Lasry, secrétaire général d’Hebraica, auteur et rédacteur en chef d’Aviv Magazine et fondateur de l’agence conseil en communication LSP :
Qui est à l’initiative du choix de cette thématique – Femmes et Juives – pour les 28 ème journées du Festival ?
C’est le bureau d’Hebraica qui décide des thèmes : une concertation qui se fait très en amont, à l’issue des dernières JCJ afin de faire émerger un thème qui soit à la fois d’actualité, propice au débat, proche de nos questionnements et susceptible de fournir un contenu lié au judaïsme et digne d’être offert à tous les publics. L’an dernier le thème était « un temps pour aimer », un moyen que nous nous sommes donnés pour sortir de la spirale de la déploration sur l’antisémitisme et de la morosité ambiante. Cette année, les statistiques indécentes des féminicides en France et ailleurs, les échos de #metoo et les fils de nos propres vies nous ont conduits à choisir cet axe de réflexion culturelle et de programmation du coup, avec des femmes ! Je crois que c’est Roger Attali qui a émis le premier ce choix.
Quelle est selon vous la place de la femme dans la Culture Juive en 2020 ? Une évolution est-elle en cours quant à la considération  de la femme-penseuse- auteure juive ? Une révolution ?
La femme est omniprésente dans la culture juive. Dans la Bible, elle joue un rôle déterminant, elle est souvent femme de pouvoir, d’influence, de décision et elle est aussi une source inépuisable de pensée, de poésie, de réflexion et d’amour pour tous les hommes au sens masculin comme au sens du genre humain. Il y a un débat à avoir avec la place – quantitative – de la femme dans la culture d’aujourd’hui. Beaucoup ne se sont fait un nom que très tard, et d’autres sont encore des oubliées de l’histoire et de la culture. On a dernièrement baptisé des noms de rues à Toulouse à la mémoire de femmes résistantes, Ariane Fixman en faisait partie.
Pourquoi cette volonté de partager la culture juive dans des sphères plus larges ? Quel est l’intérêt … ? 
Partager la culture juive est notre raison d’être : d’abord parce qu’on l’aime et qu’on en est fier, pour en faire profiter le plus grand nombre et ensuite parce que cette connaissance à partager, cette facilitation pour entrer dans nos codes, dans notre imaginaire, dans nos auteurs et artistes, est une clef d’importance pour lutter contre l’antisémitisme qui fait des ravages, qui tue encore aujourd’hui, deux générations après la Shoah. Juifs ou non juifs, il est toujours aussi important et urgent de la faire connaitre et de la faire rayonner autour de nous.  Par ailleurs, l’intérêt d’Hebraica est aussi d’aiguillonner, de réveiller et d’appuyer parfois sur des thèmes où un débat n’a pas eu lieu, ou a eu lieu mais il y a trop longtemps… »
CITATIONS


« Vous ne savez pas le bout de mon courage. Moi je sais. […] Je trahirai demain, pas aujourd’hui, Demain.[…] Aujourd’hui je n’ai rien à dire, Je trahirai demain ».
Poème de Marianne Cohn, 1943

« Ces jeunes filles héroïques mériteraient la plume d’un grand écrivain, ces héroïnes qui sillonnent le pays entre les villes et les petites localités. Leurs faux papiers d’identité portent le nom d’une Polonaise ou d’une Ukrainienne. Chaque jour elles affrontent les plus grands dangers, se fiant à leur aspect « aryen ».
Elles entreprennent les missions les plus risquées sans même un instant d’hésitation. S’il faut se rendre à Wilno, à Bialystock, à Lwow, à Kovel, à Lublin, à Czestochowa, à Radom et apporter là en contrebande de la littérature clandestine, de l’argent, des armes, elles le font tout naturellement. Aucune difficulté, aucun obstacle n’existe pour elles … Combien de fois ont-elles vu la mort en face ? Combien de fois ont-elles été contrôlées et arrêtées ? La femme juive a inscrit une belle page dans l’histoire des Juifs pendant cette guerre mondiale. »
Emmanuel Ringelblum dans Chroniques du ghetto de Varsovie


Jusqu’au 23 octobre 2016
Au Mémorial de la Shoah  
Entresol et Mezzanine
17, rue Geoffroy–l’Asnier. 75004 Paris
Tél. : 01 42 77 44 72
Fax : 01 53 01 17 44
Tous les jours sauf le samedi de 10 h à 18 h et le jeudi jusqu’à 22 h.
Entrée libre

Visuels 

Femmes en résistance Tome 3 – Berty Albrecht Scénario : Régis Hautière, Francis Laboutique, Emmanuelle Polack / Dessin : Ullcer / Casterman

Pirotte Julia (1907-2000)
Autoportrait dans la glace
1943
Paris, musée de l’Armée
Photo (C) Paris – Musée de l’Armée, Dist. RMN-Grand Palais / Marie Bour (C) Droits réservés

Sonia Erlich, dit Suzette, agent de liaison de David Diamant, un des fondateurs de l’UJRE, tire à la ronéo des tracts. Cette photo est une reconstitution prise à la Libération.
France, 1945.
Coll. Musée de la Résistance nationale à Champigny-sur-Marne/Fonds David Diamant/UJRE.

Vera Atkins (1908-2000), membre du SOE chargée de recruter des agents parachutés en France pour soutenir la Résistance

Tract clandestin réalisé par Lise London appelant à la mobilisation des mères de famille contre l’Etat français et l’occupant allemand.
France, 1942.
Coll. Musée de la Résistance Nationale à Champigny-sur-Marne

Simone Ségouin, « Nicole »
une partisane française qui a capturé 25 nazis à Chartes et en tua d’autres, pose avec son fusil automatique.
Chartres, France, le 23 août 1944.
Coll. NARA National Archives and Records Administratio

Matériel pour fabriquer des faux papiers.
France, circa 1940-1945.
Coll. Mémorial de la Shoah.

Détonateur d’explosif artisanal à mèche-crayon chimique.
France, circa 1940-1945.
Coll. Mémorial de la Shoah.

Femmes en résistance Tome 1 – Amy Johnson / Scénario : Régis Hautière, Emmanuelle Polack, Francis Laboutique / Dessin : Pierre Wachs / Casterman

Planche n° 30.
Femmes en résistance Tome 2 – Sophie Scholl.
© Hautière, Polack, Laboutique, Veber / Casterman 2014.

Siège de la Milice, 85 rue de la République, Lyon où cohabitent les mentions prison femmes / prison hommes.
Droits réservés.

Femmes au travail dans l’un des commandos extérieurs du camp.
Ravensbrück, Allemagne, circa 1939-1945.
© Bundesarchiv.

Dessin de Ravensbrück.
Oeuvre signée N.J.
Ravensbrück, 1941.
Coll. Centre d’histoire de la résistance et de la déportation/fonds Clavreul /dépôt Boileau
Les dessins rendent leur attribution possible à Nina Jirsikova, danseuse et chorégraphe dans un cabaret de Prague, déportée à Ravensbrück en 1941. Elle mit à profit ses talents de dessinatrice en illustrant de façon caricaturale le « Journal de mode de Ravensbrück » et en exécutant des dessins de la vie quotidienne. Huit dessins composent ce témoignage remarquable de la vie des déportées au camp de Ravensbrück : le travail forcé, l’appel, la toilette, l’espoir et la solidarité sont quelques-uns des thèmes évoqués.

Femmes en résistance Tome 4 – Mila Racine / Scénario : Francis Laboutique, Emmanuelle Polack, Régis Hautière / Dessin : Olivier Frasier / Casterman.

Tract : La voix de la femme juive : Journal clandestin émanant de l’Organe du Mouvement national juif de lutte contre le fascisme (section féminine), 15 août 1943.
Collection : Musée de la Résistance Nationale à Champigny-sur-Marne.

Groupe de résistants juifs FFI, combattant dans le bataillon Carmagnol et Liberté de Lyon devant la caserne de Cusset (Allier) le 5 novembre 1944.
De gauche à droite, au premier rang : Max Szulewicz Dina Lipka Au second rang : Serge Kamienny, Eliane Pessak, Henry Krischer, Thérèse Szykman, Nathan Sacks. Au 3e rang : Cari, Gilbert Bataille, Matricia Motti, Georges Filip-Lefort. Au 4e rang : Jean-Pierre Perelman, Raphael, Henri Hoch, Max
Peysakowicz, Jacques Szmulewicz.
Coll. Mémorial de la Shoah

Les citations sont du Mémorial de la Shoah. Cet article a été publié le 20 octobre 2016, puis les 22 mai 2018, 7 novembre 2019.

[Source : http://www.veroniquechemla.info]

Estats com França o Itàlia ni tan sols l’han ratificat

amena_31

L’Estat espanyol incompleix sistemàticament la Carta europea de les llengües regionals o minoritàries que va aprovar el Consell d’Europa ara fa 28 anys, el 5 de novembre de 1992. França i Itàlia, tot i llur signatura, no l’han ratificada respectivament, al·legant la incompatibilitat amb les seves constitucions nacionals. Espanya sí que la va ratificar l’any 2001.

Els incompliments d’Espanya són en l’àmbit de la Justícia, les administracions públiques de l’estat, la reciprocitat de mitjans i durant la gestió de la pandèmia de la Covid-19

Aquest novembre també farà un any de les recomanacions del Consell de Ministres del Consell d’Europa que acompanyaven l’informe del Comitè d’Experts sobre el compliment de la CELROM d’Espanya. En efecte, l’informe del Comitè d’Experts demana a l’Aragó que inclogui el català al seu estatut, com també que el català sigui reconegut com a riquesa cultural a la Regió de Múrcia.

L’informe del Comitè d’Experts reclamava que, amb caràcter urgent, es millorés la situació del català en l’àmbit de la Justícia i de les administracions públiques de l’estat espanyol. El 2019, el Consell de Ministres recomanava que es modifiqués, també amb caràcter urgent, la Llei orgànica del poder judicial, perquè asseguri l’ús del català en procediments judicials si ho demana una de les parts, un fet que actualment no sempre acaba sent possible. Aquesta recomanació és reiterada, però cap estament legislatiu espanyol n’ha impulsat la modificació legal pertinent. Els experts europeus tornaven a demanar com a recomanació d’aplicació immediata que l’Administració de l’Estat a Catalunya, el País Valencià i les Illes Balears utilitzi el català. En aquest sentit, la Plataforma per la Llengua reclama a les Corts espanyoles una reforma legislativa que reguli que els treballadors públics de l’Administració General de l’Estat als territoris de parla catalana hagin de tenir una capacitació lingüística en català (així com ja se’ls exigeix que la tinguin en castellà) suficient per al seu lloc de treball. L’ONG del català també demana que tots els tràmits administratius que s’hagin de fer als portals web de l’Administració de l’Estat puguin fer-se en català.

La Plataforma per la Llengua considera preocupant el sistemàtic incompliment de la reciprocitat audiovisual, que no permet la llibertat de circulació dels productes audiovisuals ni entre països ni entre territoris dins de l’estat espanyol. La reciprocitat parcial de les emissions de ràdio i de televisió en català entre els diversos territoris del domini lingüístic catalanoparlant impliquen un atac frontal als drets lingüístics de més de 10 milions de ciutadans europeus. Aquesta restricció injustificada en la recepció dels mitjans de comunicació audiovisuals implica el menyspreu continuat dels estats espanyol, francès i italià cap a la CELRoM en un àmbit més.

L’exemple més recent d’incompliment de la CELRoM ha estat arran de la pandèmia de la Covid-19. El passat mes de març, el Consell d’Europa va criticar que alguns estats, com Espanya, « no comparteixen la informació, instruccions, directrius o recomanacions en altres llengües que no siguin la llengua oficial del país ». En una nota, l’organització encarregada del seguiment de la Carta Europea de les Llengües Regionals o Minoritàries exposava que « la comunicació de recomanacions rellevants no només en una llengua és de gran importància per al benestar dels parlants de llengües regionals o minoritàries ». Aquesta mala notícia per als usuaris dels serveis de salut queda ratificada pel fet que el Consell d’Europa va determinar que el compromís de garantir l’atenció en català a la sanitat catalana (en aquest cas competència de la Generalitat de Catalunya) no es compleix plenament. La qualificació de l’informe emès el 2019 pel Comitè d’experts del Consell d’Europa, que fa el seguiment de la CELROM, va rebaixar la qualificació d’aquest compromís de « complert » a « parcialment complert ».

El passat març, el Consell d’Europa expressava la seva disconformitat perquè considerava que era un acte « discriminatori » i « contrari a la Carta europea » el fet que els estats que opten per l’ensenyament per mitjà de la televisió « es limiti a la llengua oficial sense tenir en compte les necessitats dels alumnes acostumats a rebre formació en llengües cooficials ». La Plataforma per la Llengua assenyala el Govern espanyol com un mal exemple d’aquesta uniformitat lingüística a l’hora d’expressar les recomanacions a la ciutadania. En efecte, el govern de Pedro Sánchez emet totes les seves comunicacions a les pàgines oficials i a les xarxes socials, així com a les conferències de premsa, exclusivament en llengua castellana. L’ONG del català també constata que els programes educatius que el Ministeri d’Educació va oferir durant l’etapa de tancament de les escoles el 2020 a Televisió Espanyola eren emesos exclusivament en llengua castellana.

Els casos francès i italià

En l’aniversari de la signatura de la CELRoM per part dels estats, la Plataforma per la Llengua vol posar l’accent en l’actitud de França i Itàlia: dos països que continuen sense ratificar la carta, fet que reflecteix una total despreocupació per una comunitat lingüística que veu la seva llengua amenaçada de desaparició en aquests dos estats. El maig de 2017, l’ONG del català ja va demanar a qui acabava d’esdevenir president de la República francesa, Emmanuel Macron, que impulsés els tràmits necessaris per ratificar-la, promesa que va fer durant la campanya electoral. La ratificació de la CELRoM havia de comportar el reconeixement de tota una sèrie de drets per a les llengües minoritzades per la República francesa, entre les quals es troba el català.

En aquest sentit, la carta havia de reconèixer als habitants de la Catalunya del Nord el dret d’aprendre català a l’escola i permetre, segons el grau de compromís que adquirís l’estat francès, la traducció de documents i lleis al català o, fins i tot, la possibilitat de tramitar procediments judicials en aquesta llengua. A més, la ratificació de la Carta també havia de promoure la producció d’obres culturals en català, n’havia de garantir l’emissió audiovisual regular i no impedir-ne l’ús en les relacions laborals. La Plataforma per la Llengua recorda que « és especialment important el compromís expressat respecte de l’ensenyament en català, atès que, segons la darrera Enquesta d’usos lingüístics a la Catalunya del Nord, el 80,3 % de la població nord-catalana ha expressat ser favorable a l’ensenyament del català com a disciplina o assignatura i el 76,1 % desitjaria tenir una educació bilingüe ». El compromís del president Macron amb la ratificació de la CELRoM va ser expressat a propòsit d’una enquesta feta entre els candidats a la presidència per la xarxa lingüística europea ELEN, de la qual és membre la Plataforma per la Llengua.

L’agost passat, en una sessió de compareixença en seu parlamentària del Govern francès, el diputat del departament de l’Aude feia a la ministra de Cultura gal·la, Roselyne Bachelot, una pregunta escrita demanant per què l’estat francès no ratificava la Carta. El ministeri de Cultura va respondre que França, tot i l’absència de ratificació, compleix amb 39 compromisos de la carta –el mínim són 35. A banda, si bé és cert que l’executiu Macron ha emprès mesures de protecció del català, com ara la creació de l’Oficina Pública de la Llengua Catalana (oficina amb una dotació pressupostària inicial molt baixa), l’ONG del català veu important que els estats acompanyin les mesures amb una ratificació de la Carta que permeti que siguin auditats pel Comitè d’experts internacionals encarregat del seguiment de la mateixa Carta, així com dotar d’eficàcia les mesures als territoris on la substitució lingüística del català és més avançada i, per tant, les mesures són més urgents. Cal destacar, per exemple, que només 1 de cada 4 joves nord-catalans té accés a algun tipus d’ensenyament del català i només el 0,7% de les parelles joves parlen català amb els fills. En dades globals, només el 5,7% de la població parla habitualment la llengua catalana.

A Itàlia, la ratificació de la Carta podria estar més a prop de ser una realitat, fet que afectaria plenament les possibilitats dels parlants de català a l’Alguer de poder dotar-se d’eines per garantir la continuïtat de la seva llengua. Quatre senadors han proposat textos que han de permetre la ratificació de la Carta, un cop consensuïn un únic text. El ministre d’Afers Regionals i Autonomies, Francesco Boccia, va participar en un acte al Senat organitzat per la senadora ladina Elena Testor, durant el qual li va manifestar la determinació del Govern amb la protecció de les minories i va agrair els treballs parlamentaris. La senadora Testor, una de les quatre que ha fet una proposta de llei -que ara mateix és a les comissions 1 i 3 del Senat-, es mostra confiada que aquesta vegada sí que sigui la bona.

La ratificació de la CELROM donaria una empenta més a l’ensenyament del català a l’Alguer, gràcies a la recent aprovació d’una llei pel Parlament sard que l’habilita. A més, la CELROM permetria als algueresos emprar el català en les seves relacions amb les administracions públiques de l’Alguer, fet que es podria concretar de diverses maneres, segons el grau de compromís adquirit.

La Plataforma per la Llengua considera que, mentre no es facin aquestes reformes, els parlants de català estan exposats a la discriminació lingüística i són tractats com a ciutadans de segona, atès que tenen menys drets. De fet, però, les autoritats espanyoles encara no han estat capaces de complir amb els mínims establerts a la CELROM, la carta que avui fa 28 anys i que està pensada per protegir parlants de llengües de mida molt més reduïda que el català a l’estat espanyol.

[Illustració: amena_31 – font: http://www.racocatala.cat]

 

 

Mientras el presidente de México pide que en Europa se disculpen ante los pueblos originarios del país, las comunidades indígenas le piden a él que los respete.

El penacho de Moctezuma se encuentra en el Museo de Etnología de Viena. Foto: Joe Klamar/Agence France-Presse — Getty Images

Escrito por Alberto Barrera Tyszka

Es más fácil juzgar moralmente el pasado que enfrentar, con ética, el presente. La distancia histórica suele ofrecer grandes oportunidades para los discursos implacables y las sentencias pomposas. La actualidad es más compleja, más impura.

Mientras el presidente Andrés Manuel López Obrador pide que el Vaticano y la monarquía española se disculpen ante los pueblos originarios de México, los pueblos originarios de México piden al presidente mexicano que los escuche, que los respete, que no destruya su territorio.

En el centro de esta paradoja está uno de los proyectos que más tercamente defiende el presidente de México: el Tren Maya. Una obra controversial, con muchos cuestionamientos de expertos medioambientales, planificada y decidida sin una consulta bien organizada, sin la participación de las comunidades indígenas a quienes afecta especialmente su construcción. Pero es más sencillo, glamoroso y rentable a nivel publicitario, exigir al gobierno de Austria que regrese al país el penacho de Moctezuma, que sentarse en la reserva de Calakmul, en el estado mexicano de Campeche, a escuchar y a debatir con los hombres y mujeres mayas del colectivo Chuun T’aan, que han pedido detener las obras.

¿De qué vale recuperar el penacho de Moctezuma si, mientras tanto, se amenaza el territorio y la vida indígena en la península de Yucatán?

Un templo maya en la reserva de Calakmul. Foto: Meghan Dhaliwal

En un extraordinario reportaje, el periodista Jacobo García ofrece una visión muy completa del problema, contraponiendo las distintas versiones y los diferentes puntos de vista frente a este proyecto de ferrocarril, destinado a recorrer 1525 kilómetros, surcando toda la península de Yucatán, en el sureste de México. Pero más allá del debate, de la natural existencia de diversas posturas frente a un hecho, lo sorprendente es la manera en que se ha llevado adelante el proceso, con opacidad y de forma autoritaria. Es una imposición más parecida a la Conquista española del siglo XVI que a la dinámica democrática que debería mover al mundo en el siglo XXI.

El gobierno ha usado un procedimiento dudoso para legitimar el tren: una “consulta popular” en la que no llegaron a participar alrededor de 100.000 personas, cifra que solo representa el 2,8 por ciento del padrón electoral, obteniendo de esta manera el porcentaje mínimo que se requiere para validar este tipo de procesos. Sin embargo, los cuestionamientos fueron muchos, incluido un comunicado de las Naciones Unidas que señala que la consulta no cumplió con los estándares de antelación, libertad, información y adecuación cultural que deben tenerse. En ese sentido, se manejó la participación popular como si fuera un trámite burocrático del que había que salir rápidamente, sin dar demasiados detalles.

Otro elemento fundamental e insólito es que se haya tomado una decisión oficial de esta envergadura, con tantas consecuencias, sin que exista un estudio sobre el impacto ambiental que tendrá el tren en la región. Al menos, el gobierno todavía no ha presentado públicamente ningún análisis completo y concluyente sobre los grandes riesgos y amenazas que —según el Centro Mexicano de Derecho Ambiental— puede causar el tren maya, que “impactará los macizos de selva más grandes y en mejor estado de conservación de México”. No es poca cosa, el trazado de las vías incluye parques nacionales como el de Palenque, reservas como las de Kin, Balam Kú, Sian Ka’an, los Petenes y Calakmul, algunas de ellas áreas protegidas consideradas vitales para la biosfera y el último considerado patrimonio de la humanidad.

De cara a todo esto, resulta todavía más perverso el desconocimiento o la descalificación de las comunidades indígenas que han vivido desde siempre en este territorio. El 1 de junio de este año, la agrupación Chuun T’aan le envió una carta a López Obrador, denunciando que la decisión de poner a funcionar el tren se había tomado sin el consentimiento de la pobladores originarios y exigieron respeto y participación. Este mismo grupo promovió después amparos y demandas contra el proyecto. La respuesta de AMLO fue un comentario lateral en uno de sus programas: descalificó la acción diciendo que tenía “tintes políticos”. La organización le envió entonces una segunda misiva, llena de aguda ironía, donde justificaban así sus acciones legales: “Son las pocas rendijas que nos dejan para defender nuestro derecho a ser pueblo maya”.

Pero el presidente pretende que Beatriz Gutiérrez Müller, la primera dama, ejerza ese derecho por ellos en Roma, en Madrid o en París. Gutiérrez Müller lleva varios días recorriendo algunas ciudades de Europa con el encargo oficial de pedir prestados tesoros prehispánicos que se encuentran en museos de países europeos para poder exponerlos en México el año que viene, en la celebración de los 200 años de su independencia. Aunque la misión tiene un raro tono personal, que parece mezclar la diplomacia con la vida conyugal, su intención política es evidente. En la carta que le escribe al primer mandatario italiano, López Obrador asegura que el “enaltecimiento de la memoria histórica” es “algo fundamental para Cuarta Transformación”.

La memoria de México está en el penacho de Moctezuma pero también en los pájaros de Calakmul. Habita y se mueve en todos los espacios, en las relaciones, en la gente. La mejor manera de conmemorar la historia es dar a conocer lo que dicen y piensan las comunidades originarias, permitir que puedan participar de forma activa en las decisiones y en los procesos que los afectan, impedir que —de otras maneras— se repita lo peor del pasado.

Alberto Barrera Tyszka es escritor. Su libro más reciente es la novela Mujeres que matan.

[Fuente: http://www.nytimes.com]

Comencèt ièr lo jutjament contra los activistas de las organizacions Ceivar e Causa Galiza, acusats de terrorisme

Actualitats - Jornalet

Comencèt ièr a Madrid un macroprocès contra dotze militants independentistas galècs pels quals lo procuraire demanda de penas d’entre 4 e 12 ans de preson. Los jutja la dicha Audiéncia Nacionala, un tribunal d’excepcion especializat en crimes de terrorisme, qu’es lo meteis que dobriguèt la procedura contra los independentistas catalans.

Los acusats son de militants de las organizacions Causa Galiza e Ceivar. La primièra es un partit politic independentista que foguèt illegalizat en 2016 pendent un an jos l’acusacion de far l’apologia del terrorisme. Quant a Ceivar, s’agís d’una organizacion antirepressiva.

Los dotze militants acusats foguèron detenguts en 2015 e 2017 dins d’operacions polemicas de la Gàrdia Civila per tota Galícia. Las nomenavan « operacion Jaro » e se faguèron jos la legislacion antiterrorista.

 

[Poblejat dins http://www.jornalet.com]

La commission parlementaire des libertés civiles, de la justice et des affaires intérieures remet en cause la volonté du bloc de créer une base de données paneuropéenne de reconnaissance faciale destinée à être utilisée par la police.

La commission parlementaire des libertés civiles, de la justice et des affaires intérieures remet en cause la volonté du bloc de créer une base de données paneuropéenne de reconnaissance faciale destinée à être utilisée par la police.

Écrit par Samuel Stolton

Traduit par Nathanaël Herman

Dans le cadre d’une révision du traité de Prüm (2005), qui prévoit l’échange de données génétiques, d’empreintes digitales et de données à caractère personnel au sein du bloc, les États membres ont proposé que les autorités policières soient habilitées à partager des images faciales.

Des experts ont alors averti les députés européens des risques que comprend le projet « next-generation Prüm ». Ainsi, les droits liés à la vie privée pourraient être entravés si de nouvelles catégories de données étaient introduites dans le traité, comme la reconnaissance faciale.

La Dr Niovi Vavoula, de la Queen Mary University à Londres, a soulevé plusieurs inquiétudes auprès des députés européens. D’une part, le risque de « faux positifs » est bien présent. D’autre part, certaines minorités ethniques pourraient être injustement ciblées en raison de préjugés algorithmiques.

Des points également soulignés par Chloé Berthélémy, membre de l’association européenne pour les droits en ligne (EDRi), pour qui il est était « troublant » de penser à étendre le champ d’action du traité afin de couvrir les images faciales, et ce, au vu des faux positifs et des « préjugés raciaux systémiques entretenus par les forces de l’ordre et le système de justice pénale ».

La Dr Rafaela Granja, de l’Université de Minho, se réfère à une étude récente sur les points de contact nationaux (PCN) à travers le bloc qui permettent de simplifier les échanges transfrontaliers de données.

D’après l’analyse, fondée sur les réponses reçues aux PCN, il semblerait que les « faux positifs et le manque de normes ainsi que les problèmes liés à la responsabilité et la transparence » soient inhérents à l’extension du traité de Prüm.

Les députés européens appréhendent d’ailleurs cette idée. « Même au cours du dernier mandat, nous savions que la qualité des données était de la plus haute importance », a indiqué la législatrice Birgit Sippel (S&D), ajoutant que « pourtant, nous bataillons toujours avec ces thématiques, nous parlons de faux positifs et de concordances erronées, comme si c’était normal ».

« Mais ces faux positifs ont des conséquences néfastes sur les enquêtes, qui pourraient ainsi prendre un mauvais tournant », renchérit-elle.

Sophie in’t Veld, de Renew Europe, se demande quelle approche l’UE devrait adopter afin de gérer les abus de pouvoir pouvant émaner de certains États qui utilisent les nouveaux instruments prévus dans le « next-generation Prüm ».

Le Parlement européen ne joue qu’un rôle consultatif dans le cadre de ce traité. C’est pourquoi Sergey Lagodinsky des Verts/ALE a laissé entendre qu’il faudrait mener une étude plus minutieuse sur les ramifications possibles de ce nouveau système.

« Je pense que les conclusions à tirer sont très claires : il faut évaluer avant de modifier », a-t-il dit. « Nous devons procéder à un examen du système actuel avant d’aller plus loin. »

Malgré les craintes exprimées, certains législateurs se sont prononcés en faveur de l’extension.

À cet effet, Tomas Tobé (PPE) a souligné qu’un « échange accru » de données entre les forces de l’ordre de l’UE était nécessaire pour lutter contre la criminalité, mais qu’il conviendrait d’abord de mieux comprendre l’utilité de la reconnaissance faciale dans ce contexte.

Les conclusions du Conseil de l’UE datant de 2018 proposent une extension du traité et invitent les experts des États membres – dans le cadre du groupe de travail chargé des échanges d’informations et de la protection des données (DAPIX) – « à étudier les procédures inscrites dans le traité de Prüm afin de peut-être y inclure de nouvelles technologies biométriques, comme la reconnaissance faciale ».

Selon le rapport, la Commission européenne s’est entretenue avec la boîte de consultance Deloitte afin de mener une analyse à ces fins, et ce, pour le prix de 700 000 euros.

L’étude fait désormais l’objet de discussions au sein des groupes de travail au Conseil de l’UE, et une mise à jour publique sur les projets prévus devrait avoir lieu en octobre.

 

[Image: Shutterstock – source : http://www.euractiv.fr]

 

No pasado día 9 de setembro tivo lugar unha audiencia no xuízo por usurpación contra integrantes da Comunidade Lof Buenuleo e contra o lonko Mauro Millán ante o Tribunal de Impugnación presidida pola xuíza Maria Rita Custet Llambí e integrado polos xuíces Carlos Mussi e Adrian Zimmermann, mediante a ferramenta Zoom, no cadro do art. 14 do Código Procesual Penal, quer dicir, para procurar unha solución ao conflito.

Nación Mapuche. Solidaridad con el Lonko Mauro Millán ...

 

O lonko Mauro Millán é procesado polo Estado arxentino numa causa de usurpación al lof Buenuleo, onde el se encontraba para acompañar solidariamente os membros da comunidade. A nación mapuche loita desde hai décadas pola recuperación das súas terras expoliadas polos poderes políticos e económicos arxentinos.

A audiencia

Previo a dar inicio a audiencia, o Tribunal, cortou a conexión con todas as persoas que non eran parte da vista oral.

Como cuestión previa, o avogado da defensa, Fernando Kosovsky, manifestou que solicitara un intérprete en mapuzungún á oficina xudicial ao que a presidenta do Tribunal respondeu que recibiran esa cuestión o mesmo día e convidouno a realizar a súa exposición na audiencia.

A exposición -que incluíu o pedido de que a audiencia fose transmitida en vivo por Internet- foi fundamentada na interpretación intercultural da garantía dos arts. 72 parágrafo 2º e 73, 85 do Código procesual penal e os arts. 2, 8 e 9 do Convenio 169 da OIT, sendo esencial a presenza dun intérprete en mapuzugun para a interpretación simultánea por os imputados seren membros do pobo mapuche e exporen como cuestión central a procura dunha solución ao conflito que, como a defensa sostivo desde o inicio do caso, é de carácter colectivo.

No seu turno, o fiscal xefe Martín Lozada preguntou se os imputados podían comprender o idioma español e, argumentando que a constitución reformada en 1994 recoñecía a preexistencia multiétnica e non había por tanto necesidade de diferenciar pola lingua, anunciou que se opuña ao pedido da defensa.

A parte querelante tamén se opuxo ao pedido da defensa

O Dr. Kosovsky respondeu que a Constitución tamén recoñeceu a preexistencia cultural dos pobos e que a pregunta do fiscal era irrelevante, porque o pedido do lonko baseábase en poder expresarse na súa lingua e que tanto o público como as outras partes e o Tribunal puidesen comprendelo. Demandou tamén que se permitise ao resto dos imputados facelo na súa lingua e que tanto os mapuches -co-imputados ou público- puidesen comprender culturalmente o que ocorre na audiencia e o público entender o que eles expresan.

Solicitou que o seu defendido, o lonko, fose ouvido antes de resolver. A presidenta do Tribunal dispuxo que podería tomar a palabra ao finalizar -despois de eles resolveren-. A defensa da Lof Buenuleo adheriu á reclamación de intérprete.

 

O Tribunal pasou a deliberar e finalmente foron admitidos tres membros da Asociación de Avogadas e Avogados de Dereitos Indíxena como veedores, un deles peticionario ante a Comisión Interamericana dos Dereitos Humanos polo caso Buenuleo. A resolución dos membros do Tribunal foi rexeitaren o pedido da defensa, por non consideraren comprometida a publicidade, e defenderon que se podía dar a coñecer posteriormente a gravación da audiencia ao resto de membros do pobo mapuche.

A defensa do lonko impugnou por revogatoria contra a decisión do Tribunal de Impugnación, expondo o recurso extraordinario federal e Introduciu como agravos os fundamentos de dereito das persoas que integran os pobos indíxenas -feito non controvertido respecto dos imputados- que o Estado desenvolva, coa participación dos pobos interesados, accións sistemáticas para protexer os seus dereitos e a garantir o respecto á súa integridade, principio fixado no art. 2 inc.1 do Convenio 169 da OIT. Despois enumerou esas medidas previstas no inciso 2 do mesmo artigo, entre os cales está a plena efectividade dos dereitos en igualdade de condicións, entre eles, a defensa nun xuízo penal como o establecen os arts. 8, 9 e 10 do mesmo tratado, sendo interrompido polos membros do Tribunal que (claramente incómodos ante o exposición da defensa), o interromperon e non o deixaron terminar a súa fundamentación, alegando que xa entenderan o seu punto.

O fiscal Lozada opúxose novamente e o mesmo fixo a parte querelante.

O Tribunal recusou o recurso de reposición e tivo por introducida a reserva de impugnación extraordinaria ante o Superior Tribunal de Xustiza, así como a cuestión federal.

Despois deste debate, o Tribunal preguntou se existiran novidades ou avances para resolver o conflito, tanto con intervencións do INAI como diálogos entre as partes.

O fiscal Lozada explicou que mantivera contactos coas vítimas e as outras partes -o que foi desmentido por todos os imputados- e nunha exposición confusa dixo que abría ao diálogo por un período de 90 días. O Tribunal pediulle que esclarece a data de fin do prazo e se ese prazo supeditaba a decisión que debería tomarse sobre se confirmaba ou revogaba o desaloxo. O fiscal respondeu que pedía que se resolvese de inmediato o desaloxo.

As defensas informaron que houbera avances en relación co INAI que concluíra o relevamento do art. 3º da lei 26.160 e só faltaba que emitise resolución; tamén que fora iniciada unha acción de amparo no xulgado federal para lograr o recoñecemento da pose e propiedade comunitaria e obter o título de propiedade da comunidade.

Antes de dar por concluída a audiencia, o Tribunal de Impugnación deu a palabra aos imputados. O lonko expresouse en mapuzungún, saudando e preguntando aos membros do Tribunal como estaban. Ningún respondeu. Finalmente, expresou a súa preocupación pola gravidade de advertir que o Tribunal non comprendía “a dimensión colectiva e cultural do conflito nin a garantía no proceso.”

Lof Pillan Mahuiza

 

[Fonte: http://www.esculca.gal]

Mulheres defendem legalização do aborto (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Mulheres defendem legalização do aborto. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

« Eu fiz um aborto ».

Esta frase deliberadamente chocante era o título da capa da revista Le Nouvel Observateur, de 5 de abril de 1971 (« Je me suis fait avorter », em francês).

A matéria era um manifesto, escrito pela filósofa Simone de Beauvoir, que defendia o direito ao aborto legal. Na França, em plena década de 1970 do século XX, os tribunais ainda julgavam mulheres pelo delito de aborto, o que parecia um anacronismo total. Obviamente, nem todas eram levadas à justiça : todo ano um milhão de francesas recorriam ao aborto.

“Ser feminista é lutar pelo aborto livre e gratuito”, dizia o texto.

Aquele seria apenas mais um manifesto que passaria despercebido se não tivesse uma mensagem poderosa, que respondia a um desejo profundo de metade da população.

Assinavam o texto 343 mulheres, suficientemente corajosas para se expor ao julgamento de uma sociedade conservadora e preconceituosa, que penalizava o aborto.

Algumas das maiores escritoras e atrizes da época se expuseram publicamente : Simone de Beauvoir, Jeanne Moreau, Delphine Seyrig, Catherine Deneuve, Marguerite Duras, Françoise Sagan, Agnès Varda, Nadine Trintignant, Marina Vlady, Micheline Presle, Marie-France Pisier e Gisèle Halimi, advogada de Jean-Paul Sartre.

O manifesto provocou um eletrochoque na França pós-Maio de 68.

O semanário satírico « Charlie Hebdo » achou imediatamente um apelido com uma tonalidade machista : « Manifesto das 343 vadias ».

Feminista desde a juventude, leitora precoce da bíblia do feminismo, « O segundo sexo », de Simone de Beauvoir, Gisèle Halimi ficara conhecida na França ao defender presos políticos da Guerra da Argélia (1954-1962). Djamila Boupacha, militante da Frente de Libertação Nacional argelina, acusada de colocar uma bomba em Argel, foi o que teve maior repercussão entre os processos políticos.

Simone de Beauvoir e Gisèle Halimi com Jean-Paul Sartre, em Paris, 1970 (Jean-Pierre Le Dantec/AFP/Getty)

A jovem revolucionária fora torturada e estuprada na prisão por militares franceses, que introduziram o gargalo de uma garrafa em sua vagina. Halimi foi ver pessoalmente o general Massu, autoridade máxima da repressão na Argélia, defensor assumido da tortura. O encontro e o diálogo foram reproduzidos em livro da advogada. Condenada à morte, Djamila Boupacha foi agraciada depois dos acordos de Évian, que puseram fim à guerra, em 1962.

O processo do aborto

Anos depois, em 1972, o « processo de Bobigny » marcou a opinião pública francesa pela defesa brilhante que Gisèle Halimi fez do direito das mulheres de dispor de seus corpos e de suas vidas.

« Mon corps m’appartient » (Meu corpo me pertence) se tornou o slogan do movimento feminista francês. O processo e a libertação da acusada acelerou o avanço da luta feminista e da descriminalização do aborto, um cavalo de batalha dos regimes reacionários no mundo todo.

No processo de Bobigny, Halimi defendia Michèle Chevalier e sua filha Marie-Claire, de 16 anos. A adolescente fora estuprada e era acusada de um aborto clandestino. A mãe era considerada cúmplice, com outras quatro mulheres.

O processo se tornou um acontecimento político ao transformar o tribunal em palanque de uma causa incendiária. Fora do tribunal, a multidão de feministas, liderada pela atriz Delphine Seyrig, gritava: “Libertem Marie-Claire, todas nós abortamos ».

Gisèle Halimi criou com Simone de Beauvoir o movimento e a revista « Choisir la cause des femmes » que durante a década de 1970 foi um farol do feminismo francês. A lei Simone Veil (ministra da Saúde no governo Giscard d’Estaing), de 1975, também conhecida como lei da IVG (Interruption volontaire de grossesse) foi aprovada no Parlamento graças à midiatização do processo da jovem de 16 anos defendida por Halimi, em 1972.

Religião e controle do corpo feminino

Por que os homens precisam controlar o corpo das mulheres e submetê-las ao jugo patriarcal? Simone de Beauvoir responde a estas e outras questões no « Segundo Sexo », pedra fundamental do feminismo francês (e mundial).

« Os homens que julgariam Marie-Claire não sabem nada da vida de uma mulher », declarou Halimi no ano passado ao « Le Monde », em entrevista de duas páginas. Ela morreu em julho passado, aos 93 anos.

A misoginia é um ponto comum das três religiões monoteístas em suas formas fundamentalistas. Na igreja católica, os religiosos são eunucos por opção e representam o pensamento reacionário do Vaticano. A demonização das mulheres que aponta as « filhas de Eva » como responsáveis pela libido incontrolável dos machos que as estupram é quase uma unanimidade entre os conservadores católicos, bem como nas correntes neopentecostais do Brasil.

A lógica interiorizada pelo machismo quer que mesmo uma criança de seis anos seja culpada pelo estupro de que é vítima.

Um padre chegou a fazer um twitter culpando a menina pelo fato de ter sido estuprada pelo tio. Nenhuma palavra de compaixão.

Nos países de tradição católica, os religiosos continuam a exercer pressões para que seja restaurada a proibição do aborto, como é o caso da Polônia. Dos 27 países da União Europeia, 23 autorizam o aborto sem condições, variando apenas o número de semanas em que ele pode ser feito.

Na França, a lei Veil permite que toda mulher possa interromper no sistema público de saúde uma gravidez não desejada. E mais : a IVG é um direito que não pode ser entravado por nenhuma campanha de desinformação. Uma lei foi votada pelo Parlamento, em 2017, para penalizar os sites de « desinformação », que tentam induzir as mulheres a desistir do aborto com dados falsos ou preconceituosos.

Uma pitada de crueldade

No Brasil, o aborto nunca chegou a ser permitido legalmente, senão em casos extraordinários.

Influenciando governos, que se dizem laicos, religiosos católicos e neopentecostais impedem o aborto legalizado e seguro para todas as mulheres que não desejam (ou não podem) ter um filho.

Transformam, assim, uma questão de política de saúde em debate moral, impregnado de preconceitos medievais. A proibição não impede, contudo, que milhões de mulheres brasileiras se submetam a um aborto seguro em clínicas privadas. Mas como essa cirurgia custa caro, as que não têm recursos se arriscam a morrer (e milhares morrem por ano) na tentativa de interromper a gravidez.

A conta bancária é que vai decidir quem sobrevive e quem se lança numa aventura arriscada.

Mas os hipócritas que lutam contra a lei do aborto continuam alardeando a « defesa da vida ».

Há poucos dias, acrescentando uma pitada de crueldade ao tratamento dado às mulheres estupradas e que pela lei atual têm direito a fazer um aborto legal no Brasil, uma portaria do ministro-general interino da Saúde determinou a transferência do direito ao aborto para a área policial.

Tudo é feito para dificultar o procedimento de interrupção da gravidez, seja nos prazos seja no tratamento da paciente.

Abismo entre o Brasil e a França

Em 1975, ao fazer um teste para gravidez no Hospital Rothschild, pude constatar o abismo existente entre o Brasil e a França. Diante do resultado positivo, um médico do hospital me perguntou se eu queria ter o bebê.

A pergunta que ele me fez – « Voulez-vous garder le bébé ? » – era a prova na vida real de que as mulheres francesas eram donas de seu corpo e de suas decisões. Desde o início de 1975, quando a lei da IVG entrou em vigor, elas não precisavam mais recorrer a abortos ilegais e perigosos. Se fosse meu desejo, o médico me encaminharia para um aborto no próprio hospital público.

Em Paris, de 1975 a 1978, além de ler Beauvoir, descobri a escritora feminista Benoîte Groult, que lançou em 1975 « Ainsi soit-elle », no qual, entre outras coisas, comenta a abjeta tradição da excisão em alguns países africanos. Ela consiste em cortar o clitóris das meninas para que não sintam desejo sexual. Detalhe: a cirurgia é feita sem nenhuma anestesia.

Dilma Rousseff em cena de  »O Processo », documentário que trata do desenrolar dos fatos, em Brasília, que resultaram no golpe que culminou com o seu impedimento e a cassação de seu mandato, em 31 de agosto de 2016

Esse costume bárbaro é hoje punido pela lei francesa, pois continuava sendo praticado clandestinamente por populações vindas de alguns países da África. Segundo a tradição patriarcal que sustenta essa prática, a excisão « acalma as mulheres ».

Misoginia na política

Num país atrasado, dominado pelo machismo da extrema-direita, onde o feminicídio é um flagelo abominável, a candidata Dilma Rousseff não pôde, por pressões políticas, defender a legalização do aborto. Antes da campanha para presidente, ela se tinha declarado a favor do aborto seguro, garantido pelo Estado, deixando claro que é um absurdo sua criminalização.

Foi obrigada a piruetas verbais para não perder a eleição.

A misoginia que explodiu nos machos brancos neofascistas contra Dilma Rousseff apontou o caminho que o Brasil iria percorrer. Em plena campanha de ódio, foram capazes de inventar uma caricatura da presidente, de pernas abertas para colar em tanques de gasolina de automóveis. Alguém imagina algo parecido num país civilizado?

A primeira mulher a presidir este país patriarcal, racista, homofóbico e misógino também não foi perdoada pelos militares nostálgicos da ditadura por sua audácia de instituir a Comissão Nacional da Verdade.

Penso, como alguns intelectuais, que os militares decidiram afastá-la do poder no dia em que a Comissão Nacional da Verdade foi instalada. Eles precisam manter os torturadores protegidos pela Lei de Anistia, feita sob medida para que militares que implantaram o terrorismo de Estado em 1964 nunca sejam julgados.

[Fonte: http://www.cartamaior.com.br]

 

La magistrada que porta el cas nega que hagi de rebre cap indemnització

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El jutjat de primera instància número 1 d’A Coruña ha ordenat a la família Franco que retorni el Pazo de Meirás. La jutgessa ha estimat íntegrament la demanda interposada per l’Estat i el declara propietari de l’immoble. Condemna la família del dictador a tornar l’immoble sense ser indemnitzada per les despeses que assegura haver tingut per mantenir la propietat. La magistrada conclou que els documents demostren que la Junta Pro Pazo va regalar l’immoble al cap de l’Estat, no a Francisco Franco a títol personal. Apunta que la compravenda del 24 de maig de 1941, amb la qual el dictador va aconseguir inscriure la finca al seu nom, va ser una simulació, i la qualifica de « ficció ».
En aquest procediment, la Xunta de Galícia, el Concello de Sada, el d’A Coruña i la diputació provincial van defensar també la postura de l’Advocacia de l’Estat. Com a demandats hi consten sis familiars de Franco i una societat limitada.

La sentència no és ferma, ja que es pot interposar recurs d’apel·lació davant de l’Audiència d’A Coruña.

 

[Font: http://www.www.racocatala.cat]

Depuis juillet, les familles tunisiennes ne sont plus obligées de se limiter aux seuls noms arabes pour nommer leur nouveau-né: une avancée majeure vers la fin du diktat de l’état civil.

Dans la commune de Bizerte, il était jusqu'ici impossible de donner les prénoms Eline, Rostom, Majdouline ou Yara à sa progéniture. | Fadel Senna / AFP

Dans la commune de Bizerte, il était jusqu’ici impossible de donner les prénoms Eline, Rostom, Majdouline ou Yara à sa progéniture.

Écrit par Matthias Raynal

– «Allô, bonjour, la municipalité de Bizerte?
– Oui, c’est l’état civil.
– Je suis à la recherche d’informations. Ma femme est enceinte. Je voulais vous demander, par rapport au prénom de mon fils, j’ai entendu dire qu’on est libres de donner le prénom qu’on veut, c’est ça?
– Tu veux l’appeler comment ton fils?
– Gérard.
– Gérard!? Oui, apparemment, maintenant, tu peux donner le prénom que tu veux à ton enfant.
– Mais comment ça “apparemment”? C’est sûr? Je n’ai pas envie de venir à la municipalité et qu’on me demande comment et pourquoi, ou d’être obligé de changer à la dernière minute.
– Je sais pas, ta femme, elle est à combien de mois?
– Sept.
– T’as encore deux mois, on ne sait pas ce qui peut se passer. Mais pour le moment, c’est sûr, tu peux donner le prénom que tu veux.»

À l’autre bout du fil, l’officier d’état civil est catégorique: un nouveau-né peut porter un prénom non arabe. En tout cas, tant que la législation ne change pas.

Circulaire éculée

Si le père du petit Gérard, président bizertin du fan club de Depardieu, n’existe pas, cet échange a bien eu lieu à la fin du mois de juillet. Pour tester la réaction de l’administration tunisienne, quelques jours seulement après la décision du ministre des Affaires locales de libéraliser le choix des prénoms, en affranchissant les parents de toute restriction.

Bizerte n’a pas été choisi au hasard. Ces derniers mois, cette ville du nord du pays a défrayé la chronique, après que les médias tunisiens se sont fait l’écho d’une liste de prénoms mis à l’index par la mairie: Eline, Rostom, Majdouline, Yara, Ilène et autre Bayazid étaient prohibés.

Un refus systématique, assurait alors le maire de Bizerte Kamel Ben Amara, pour permettre à ses services de se conformer à la législation. Interrogé par une radio locale, il argumentait«Avec l’émergence et la popularité des feuilletons d’autres pays, des gens ont commencé à donner des prénoms étrangers à leurs enfants. Le chef de service de l’état civil s’est retrouvé dans une position délicate, car on lui a signifié qu’il n’était pas en train de respecter la loi.»

Le maire invoque l’interdiction de donner des prénoms non arabes, prévue par une circulaire datant du 12 décembre 1965.

Le texte ne s’applique plus, désormais. Dans une lettre envoyée aux maires le 16 juillet, le ministre des Affaires locales, Lotfi Zitoun, a justifié sa décision d’annuler cette vieille circulaire contraignante: les interdictions de prénoms représentent, écrivait-il, «une forme de restriction de liberté»; elles ne sont plus «compatibles avec le climat de liberté et de responsabilité qui règne en Tunisie aujourd’hui».

Culture dominante

Par le passé, la circulaire fut à l’origine de conflits récurrents entre parents et administration. L’effort à fournir était considérable pour les familles qui optaient pour des prénoms peu courants, obligées de déployer des trésors d’imagination face à des officièr·es d’état civil trop tâtillons.

Au pays de Gisèle Halimi, une jeune femme, la vingtaine, porte le prénom de cette avocate figure du féminisme et de la décolonisation. Une évidence. Pas pour l’administration tunisienne. Sa sœur raconte: «Mon père a débarqué là-bas avec un dictionnaire sous le bras, comme preuve. Pour qu’ils acceptent le prénom, mes parents avaient trouvé un mot en arabe à la sonorité très proche, “jazilan”.»

Le subterfuge a fonctionné. Sa sœur s’appelle Gisèle mais, elle, porte un nom bien arabe et tunisien, Hind. Elle aurait dû s’appeler Isis, «comme la déesse». «[L’administration] est chelou, j’espère que cette annulation changera la situation. Bon, que ça facilite le truc, parce que ça restera toujours une question de mentalité.» Chez cette Isis contrariée pointe l’amertume des parents, dont le choix de prénom pour leur première fille fut imposé par l’État.

«Mon père a débarqué là-bas avec un dictionnaire sous le bras, comme preuve

Hind

Amira, de son côté, veut porter l’affaire devant la justice. Elle avait choisi Elissa et Kahena pour sa fille. Inspirés de l’histoire tunisienne, les noms font référence à deux reines, respectivement carthaginoise et berbère. L’officier d’état civil en a décidé autrement, «par pure bêtise».

«C’est mon mari qui est parti faire l’enregistrement, moi je n’aurais pas abdiqué pour si peu, témoigne-t-elle. C’était en août 2016, [l’agent en question] a rigolé en lisant les prénoms: “C’est trop de pouvoir ça, pour une seule personne”… Quand mon mari m’a raconté, je lui ai rétorqué qu’on aurait pu l’appeler Mohamed Elissa, ça serait passé» –une blague pour dénoncer l’absurdité de la situation, mais Amira prend l’affaire au sérieux.

Elle poursuit: «Je compte demander le changement très bientôt. C’était à Nabeul [petite ville située au sud de Tunis]. Je reste convaincue que si on était partis à Mutuelleville ou Carthage [deux quartiers huppés de la région de Tunis et réputés plus ouverts], cela n’aurait posé aucun problème.»

L’arbitraire est total: tout dépend de la mairie et de l’officièr·e d’état civil. De fait, il n’existe pas de «liste exhaustive des prénoms arabes et de ceux qui ne le sont pas»; «l’administration accepte ou refuse selon des critères vagues», écrit le docteur en droit public Mohamed-Amine Jelassi dans son article «Quand l’État choisit les prénoms de nos enfants».

Le texte a été publié dans l’ouvrage collectif Les Circulaires liberticides – Un droit souterrain dans un État de droit!, édité par l’Association tunisienne de défense des libertés individuelles (ADLI). Il dénonce «une vision restrictive qui limite le choix à l’appartenance arabo-islamique et porte atteinte à la liberté des parents de donner un prénom à leur enfant».

Dans son réquisitoire contre la circulaire du 12 décembre 1965, Mohamed-Amine Jelassi explique que les restrictions sur les prénoms sont au service d’une culture dominante et finissent par occulter la diversité de l’identité tunisienne. La minorité berbère dénonce ainsi, depuis plusieurs années, des mesures discriminatoires.

Victoire amazighe

Quand les parents décident de contester, c’est le tribunal administratif qui est amené à trancher. Les associations amazighes connaissent bien la procédure.

Celles-ci ont pris leur essor après la révolution, profitant du vent de liberté qui a soudain soufflé sur la Tunisie. L’acceptation des prénoms berbères fait partie de leur combat, plus large et politique, pour la reconnaissance de leur culture et de la diversité de la société tunisienne. Plusieurs affaires sur le sujet ont fait la une, notamment en 2013 et en 2018.

«En cas de recours, les parents obtiennent toujours gain de cause. Le problème, c’est d’engager ces démarches, juste après la naissance

Mohsen Esseket, président de l’association Tamaguit pour les droits, les libertés et la culture amazighe

Revenant de manière répétée dans l’actualité, la question a enfin obtenue une réponse claire, se réjouit Mohsen Esseket, soulagé. «Lotfi Zitoun nous a épargné des années de lutte», souffle le président de l’association Tamaguit pour les droits, les libertés et la culture amazighe.

«Ça m’a beaucoup surpris, reconnaît-il. Quand j’ai vu l’info, je n’en ai pas cru mes yeux. Nous sommes très contents. Les gens se plaignaient de ça depuis longtemps. Ils veulent de plus en plus donner des noms amazighs à leurs enfants; il y a des municipalités qui acceptent, mais beaucoup refusent […]. En cas de recours, les parents obtiennent toujours gain de cause. Le problème, c’est d’engager ces démarches, juste après la naissance: c’est décourageant pour les parents.» Ce sera maintenant beaucoup plus facile, pense-t-il.

Il s’agit d’une victoire pour la culture amazighe, qui a beaucoup souffert en Tunisie des politiques de développement et d’alphabétisation de l’après-indépendance et qui tente aujourd’hui de s’extirper de plusieurs décennies de marginalisation.

Cela faisait des années que les associations réclamaient l’abandon de la circulaire de 1965, et c’est un ministre d’origine amazighe qui a satisfait leur revendication. Serait-ce un hasard ou cela permettrait-il de comprendre pourquoi un homme politique issu d’Ennahdha, parti d’inspiration islamiste, a pris cette décision?

«Il y a plusieurs courants au sein de la formation politique, et la plupart sont contre nous. Ils sont habités par l’esprit arabisant, nationaliste, affirme Mohsen Esseket. L’islam, lui, n’a pas de problème avec les différences culturelles.»

Lotfi Zitoun, depuis démis de ses fonctions de ministre des Affaires locales, acquiesce: la religion n’y est pour rien, «c’est une responsabilité qui incombe aux parents». Donner le prénom de son choix à son enfant est un droit, une liberté qu’il fallait défendre, avance Zitoun, qui préfère justifier ainsi sa démarche plutôt que de mettre en avant ses origines berbères de Matmata.

Auto-régulation et créativité

L’ancien ministre accepte volontiers la proposition d’interview d’un journaliste étranger pour parler de cette circulaire qui lui «tient à cœur» –un texte dont il admet ne pas avoir, au début, saisi «la portée». Il a été surpris par «les nombreuses réactions» qu’il a provoquées, «très positives».

«Après la révolution, on a commencé à interdire les noms turcs, perses, pourtant très répandus. Les fonctionnaires des municipalités prenaient des libertés»: un comportement «contraire à la démocratie», qui doit garantir le respect de la vie privée, dénonce Zitoun.

Aujourd’hui, il est attaqué par les plus conservateurs (un imam extrémiste est même allé jusqu’à le traiter de mécréant) et critiqué par des membres de son parti, «des anciens rigides» qui y ont vu une atteinte à l’identité tunisienne.

Lotfi Zitoun fait confiance à la société pour s’autoréguler; il estime qu’une «minorité» de Tunisien·nes s’écarteront des traditions. Il a donc décidé de revenir à la loi de 1957 réglementant l’état civil, qui n’interdit pas les prénoms non arabes.

«Beaucoup [au sein d’Ennahdha] ont soutenu l’initiative, surtout les jeunes qui ont des enfants à nommer», s’amuse l’homme politique, très satisfait de son coup d’éclat. «Je savais que la durée de vie des ministres en Tunisie est courte», continue-t-il. Il fallait donc faire vite et efficace.

«Ce qu’on va peut-être observer, c’est des modes qui vont naître en bas de l’espace social

Baptiste Coulmont, sociologue

Baptiste Coulmont, sociologue, est l’auteur de plusieurs livres sur les prénoms en France. Il partage l’avis de l’ex-ministre tunisien: «Soit il y a une autorégulation, soit il y a 80% des gens qui continuent à faire un peu comme avant et 20% des gens qui n’ont font qu’à leur tête. Ces 20%, ce sont des personnes qui sont en Tunisie, mais dont toutes les influences sont ailleurs.»

«Il y aura du bruit comme en France, anticipe-t-il, car il y a des parents qui choisissent des prénoms totalement différents des autres prénoms.» L’intérêt pour l’État tunisien est certain, souligne le spécialiste: la mesure doit permettre de désencombrer les tribunaux de ces affaires d’état civil.

Les villes tunisiennes, connues pour leurs positions réactionnaires, appliqueront-elles la nouvelle circulaire ou continueront-elles leur travail de sape, pour tenter de décourager les parents d’appeler leur enfant comme ils l’entendent? «C’est sûr qu’il y aura toujours des difficultés», prédit Lotfi Zitoun, mais «le tribunal administratif fera appliquer la loi».

Si l’on ne peut présager de la réaction des Tunisien·nes face à cette nouvelle liberté, Baptiste Coulmont tente une hypothèse: «Ce qu’on va peut-être observer, c’est des modes qui vont naître en bas de l’espace social» et qui vont se succéder plus rapidement.

La créativité dans le choix du prénom devrait se démocratiser. Avant, avec la circulaire, «que les goûts bourgeois soient acceptés, cela ne posait pas de problème. Les personnes qui ont beaucoup de ressources peuvent toujours innover et l’officier d’état civil applique ce qu’on lui demande».

L’influence de la culture populaire et de l’étranger se ferait déjà sentir depuis plusieurs décennies en Tunisie. Les telenovelas mexicaines, très à la mode dans les années 1990, ou plus récemment les séries turques auraient laissé des traces. Avis aux Raquel et autres Aylan qui voudraient témoigner. Mais ces prénoms sont-ils vraiment portés? Il y a de quoi soupçonner une légende urbaine, un fantasme de conservateurs en plein cauchemar, car sur les réseaux sociaux, impossible d’en dénicher.

 

[Photo : Fadel Senna / AFP – source : http://www.slate.fr]

Actifs sur les réseaux sociaux, quelques milliers de militants utilisent leur opposition au port du masque pour nourrir la défiance envers les institutions politiques et scientifiques.

Écrit par Lucie Soullier

« NON AU MASQUE ! je suis un être libre, jamais je ne me laisserai bâillonner » : 4 200 membres. « Antimasque obligatoire » : 6 900. « Stop à la “masque-arade » : 4 200. Sans atteindre l’ampleur des États-Unis ou de l’Allemagne, les antimasque français comptent leurs troupes sur des réseaux sociaux devenus plates-formes de diffusion de leur contre-discours.

En plongeant dans le foisonnement des groupes Facebook contre le port du masque, on croise ainsi une page « Zemmour 2022 » transformée en « Non aux masque » (sic) ; des conspirationnistes radicaux croyant en l’existence d’un complot mondial caché derrière l’épidémie de Covid-19 et auquel le gouvernement français participerait ; des profils se revendiquant « gilets jaunes » et honnissant le « diktat du masque », inutile, selon eux, ne servant qu’à décupler la peur et donc la « soumission » du peuple. Sans oublier les habituels militants issus de l’Union populaire républicaine (UPR), de la sphère antivaccins, des milieux catho conservateurs…

Un fourre-tout de « super-défiants », comme les qualifie Antoine Bristielle, chercheur à Sciences Po Grenoble. Le professeur agrégé en sciences politiques mène depuis plusieurs semaines une étude (à paraître) auprès d’une douzaine de ces groupes sur Facebook. Plus de 800 membres de ces plates-formes ont répondu à son questionnaire sociologique. Résultat : 42 % n’ont pas voté pour un candidat au premier tour de l’élection présidentielle en 2017 (18 % s’étant abstenus, 14 % ayant voté blanc ou nul et 10 % n’étant pas inscrits sur les listes électorales). Parmi les votants, 27 % ont opté pour Marine Le Pen et 19 % pour Jean-Luc Mélenchon.

« AGRÉGER LES RESSENTIMENTS »

Mais la conclusion la plus politique est peut-être ailleurs : 36 % d’entre eux sont cadres ou issus de professions intellectuelles supérieures, soit près du double de leur part dans la population française. « Ceux qui se revendiquent de ces groupes sont ceux qui se mobilisent, analyse Antoine Bristielle, c’est-à-dire ceux qui ont une idéologie politique à promouvoir et qui sont donc à différencier de la sous-couche de défiance très importante dans la population française. » En bref : une bonne partie des antimasque visibles et actifs aujourd’hui sur les réseaux sociaux ont un agenda politique.

Magali Della Sudda, chercheuse en sciences politiques au CNRS, acquiesce : « Les groupes que l’on voit aujourd’hui s’emparer de ce discours – qu’ils soient issus du monde écolo-radical avec l’argumentaire de “la nature nous a suffisamment bien dotés”, de la droite radicale ou de groupes religieux – s’accaparent très aisément ce thème qui donne à voir leur rapport spécifique au politique. Ils s’inscrivent dans des courants de pensée individualistes, acquis à l’idée du déterminisme biologique. Ils ont un rapport à l’État et à la “soumission” aux discours institutionnels marqué par la défiance. La diffusion de discours antimasque peut donc participer de leur rhétorique et est étroitement liée à leur projet politique. » Un « mouvement » antimasque structuré n’existerait donc pas en soi en France, mais il semble plutôt se superposer, se greffer à d’autres problématiques.

« Si ce discours prend, c’est sur quelque chose qui était déjà là, analyse Sebastian Dieguez, chercheur en neurosciences à l’université de Fribourg et auteur de Total Bullshit ! Au cœur de la post-vérité (PUF, 2018). Cette année de “gilets jaunes” n’est pas anodine, tout comme la montée des populismes dans le monde. Un mouvement de fond plus global les favorise. » Le discours antimasque surfant sur les inquiétudes entourant l’épidémie de Covid-19 n’est, selon lui, qu’un « opportunisme pour des gens qui y voient un moyen d’agréger les ressentiments et de donner corps à d’autres suspicions sur un motif politique ou identitaire ». D’où la place prise par les complotistes dans le phénomène.

Dans l’étude menée par Antoine Bristielle, 52 % des interrogés croient aux Illuminati (contre 27 % dans la population française), 56 % au « grand remplacement » (25 % dans la moyenne française) – rengaine de l’extrême droite selon laquelle une « population française traditionnelle », « de souche » disparaîtrait à la faveur de son « remplacement » par une autre, extra-européenne –, 52 % à un « complot sioniste » (22 % en France)…

« Le complotisme est un phénomène effervescent, une vaste machine à inclure tout ce qui passe. Aujourd’hui, ce sont les masques, parce que, quand les autorités cherchent à imposer quelque chose, il est facile pour eux de l’agréger à d’autres suspicions », explicite Sebastian Dieguez. D’autant plus après les allers-retours du gouvernement français sur la question, les antimasque ne se privant évidemment pas de relayer sans date ni contexte des extraits d’interviews de certains membres du gouvernement – du ministre de la Santé au premier ministre, en passant par le directeur général de la Santé et la porte-parole du gouvernement – affirmant au début de la crise sanitaire que le port du masque n’était « pas nécessaire » ou n’avait « aucun intérêt pour le grand public ».

QUÊTE DE CRÉDIBILITÉ

Cet agrégat d’« anti » exploite un même ferment : la défiance grandissante envers les institutions, qu’elles soient ici politiques ou scientifiques. « La défiance imprègne notre société, elle est de plus en plus prégnante. Le discours antimasque et antivaccins est une dérive de plus de cela », résume l’historienne Valérie Igounet. Pour autant, aucune figure tutélaire de ce « mouvement » disparate ne semble émerger, si ce n’est certains témoignages récoltant davantage d’audience, aidés par la boucle des réseaux sociaux. Comme cette vidéo dans laquelle Maxime Nicolle, l’un des visages du mouvement des « gilets jaunes », tient à démontrer l’inutilité de cette protection, en soufflant la fumée de sa cigarette à travers le « bout de tissu ».

Si la séquence peut prêter à sourire, elle interroge surtout Valérie Igounet sur ce qu’elle raconte de la quête de crédibilité de ces sphères, et de leur façon toujours plus poussée de la construire. Les arguments pseudo-scientifiques pullulent ainsi dans nombre de vidéos partagées par les antimasque, qualifiées ici de « vérifiables » ou développant là des démonstrations « basées sur des études » introuvables de « professeurs » autorevendiqués.

Parfois, des médecins assermentés viennent même valider ce discours. C’est le cas d’Eve Engerer, docteur généraliste du Bas-Rhin, qui a publié sur le Web des certificats médicaux pour permettre aux internautes de s’affranchir du port du masque pour « contre-indication médicale ». Un acte salué par les antimasque, qui ont décuplé la visibilité de ces ordonnances, sur lesquelles ne restait plus qu’à ajouter le nom du patient, en les postant sur certains de leurs groupes.

Le conseil départemental de l’ordre des médecins a lancé une procédure, qui pourrait aboutir à sa radiation. Quant à l’Agence régionale de Santé, elle affirme avoir « saisi le procureur (…) dans le cadre de poursuites judiciaires, à la mi-août ».

En attendant, dans des vidéos diffusées en direct sur Facebook, la médecin toujours en exercice évoque ce qu’elle nomme les « mensonges » liés à l’épidémie de Covid-19, et relaye nombre de théories conspirationnistes concernant des vaccins qui modifieraient l’ADN ou encore des réseaux pédocriminels d’État qui enlèveraient des enfants à leur famille sous prétexte de Covid-19, le tout bardé de références à un « complot sioniste » mondial.

L’ENJEU MAJEUR DES INDÉCIS

Jérôme Fourquet, directeur du département Opinion de l’IFOP, rappelle que le phénomène est ultra-minoritaire en France, les sondages soulignant que deux tiers des Français sont favorables à l’obligation du port du masque dans l’espace public. Ce qui laisse donc un tiers de sceptiques… « Mais, entre être contre parce que vous pensez que ça ne sert à rien et en faire une motivation de vote, il y a un gouffre », estime M. Fourquet, pour qui « l’effet majeur ne risque pas tant de se voir dans des manifestations antimasque ou la formation improbable d’un parti antimasque, mais dans le nombre de gens qui vont se dire : “En fait, ils ne savent rien, je n’y crois plus, j’arrête tout” ».

Des indécis, qui sont justement au cœur de la bataille en cours, comme l’a montré une étude publiée en mai 2020 dans Nature.. En analysant « la croissance explosive » des mouvements antivaccins sur Facebook, les auteurs concluent que « ces vues domineront dans une décennie ». Comment ? Précisément parce que les « nœuds antivaccins » offrent « un large éventail de récits potentiellement attrayants qui mêlent des sujets tels que les problèmes de sécurité, les théories du complot, la santé, la médecine alternative, et aussi maintenant la cause et le remède du Covid-19 ».

Des contenus de plus en plus commentés et relayés, non plus seulement dans les sphères convaincues, mais par des sceptiques moins radicaux mais de plus en plus nombreux. Une forme de complotisme « soft » se répand ainsiqu’il faut continuer à déconstruire pour éviter le basculement de la majorité indécise et un désaveu démocratique, selon le chercheur en neurosciences Sebastian Dieguez : « La force d’un mouvement de colère et de ressentiment, c’est qu’il est très vivace, très impliqué. Il est très dangereux de hausser les épaules et de laisser faire, parce que cela finit par atteindre votre oncle, qui il y a une semaine encore ne savait pas ce qu’était la 5G, mais en a fait tout à coup le combat de sa vie en voyant passer une vidéo sur les réseaux sociaux. »

 

[Source : http://www.lemonde.fr]

Rencontre, en 2015 à Jérusalem, du chancelier autrichien, Sebastian Kurz, avec des rescapés de la Shoah.

Le gouvernement autrichien veut faire acte de réparation en permettant aux descendants des victimes de la Shoah de demander, à partir du 1er septembre prochain, la nationalité autrichienne. Jusqu’ici, seuls les survivants pouvaient recevoir la citoyenneté et seulement s’ils avaient quitté l’Autriche à cause des persécutions avant 1945. La nouvelle loi vaudra pour les descendants de victimes ayant fui l’Autriche et ayant eu à l’époque la nationalité autrichienne ou celle d’un pays de l’ancien empire austro-hongrois ainsi que de toutes les personnes ayant vécu en Autriche avant le 12 mars 1938.

Il suffira de contacter l’ambassade d’Autriche pour obtenir des informations détaillées sur les documents à fournir. La demande de citoyenneté pourra être effectuée au moyen d’un simple formulaire en ligne. La démarche est gratuite et il n’est pas utile de faire appel à une assistance juridique.

À l’heure actuelle, quelque 8 000 Israéliens ont également un passeport autrichien. On ne dispose d’aucune estimation sur le nombre d’Israéliens pouvant demander la citoyenneté, mais d’ores et déjà 1 500 Israéliens ont contacté l’ambassade d’Autriche pour obtenir des informations sur la procédure à suivre.

 

 

[Photo :  DRAGAN TATIC – source : http://www.israelentreleslignes.com]

Ilustración de Pamela Chávez, de su corto animado Caracol Cruzando [1]

Escrito por Amanda Obando – traducido por Romina Navarro

Este artículo se publicó originalmente en Central American News [2].

Cuando tenía 12 años, mi mejor amiga, cuyo padre trabajaba en la Embajada de Estados Unidos en El Salvador, volvió a Washington D.C. Manteníamos contacto esporádico cuando éramos adolescentes y, en una ocasión, hablamos por mensaje de texto sobre la inmigración.

Por ser estadounidense, ella veía la inmigración como un asunto de seguridad nacional. En cambio, desde mi mirada de niña de la era posterior al conflicto de El Salvador, que fue objeto de una disputa de poder durante la Guerra Fría, la inmigración a Estados Unidos siempre había sido un asunto de derechos humanos. Mis familiares recibieron condición de refugiados, ciudadanías, permisos de trabajo y Estatus de Protección Temporal (TPS).

En esencia, desde mi perspectiva, enmigrar a Estados Unidos era una promesa de seguridad. Eso buscaba cuando llegué en 2019 con una visa de estudiante. Sin embargo, mi perspectiva fue cambiando desde entonces.

La raíz de mi cuestionamiento brota de la desesperación que me abruma de vez en cuando por ser una inmigrante en Estados Unidos. Es algo silencioso de lo que casi no hablo. Este sentimiento se acentuó con las incesantes restricciones de viaje y los cambios temperamentales del sistema migratorio de Estados Unidos, y con la forma en que estas políticas ahora interactúan con las fronteras cerradas de varios países debido a la pandemia de COVID-19.

En Estados Unidos, la Oficina de Inmigración y Aduanas anunció, y luego revocó, que los estudiantes extranjeros debían abandonar el país [3] si no asistían a clases presenciales. A mediados de julio, la Corte Suprema ordenó al Gobierno empezar a aceptar la Acción Diferida para los Llegados en la Infancia (DACA) [4]. La impresión de permisos de trabajo [5] quedó demorada, y eso puso a los residentes permanentes en riesgo de ser deportados. Los turistas varados en Estados Unidos debido al cierre de fronteras de sus países corren el riesgo de que expiren sus visas antes de que puedan volver. Tanto o más alarmantes son los informes que señalan que los Servicios de Inmigración y Ciudadanía estadounidenses (USCIS) necesitan un rescate de 1200 millones de dólares [6] del Gobierno para no dejar cesantes a 13 400 empleados. Y aún no hablé de todas las políticas que apuntan a frenar a los refugiados y a deportar indocumentados.

El Salvador, mi país natal, tiene los aeropuertos cerrados desde que se anunció la cuarentena en marzo. La situación se vuelve difícil para quienes estamos varados en Estados Unidos. Avianca es la única aerolínea que provee vuelos de repatriación, pero ofreció apenas dos vuelos en julio [7]. Solo para entrar en la lista del Gobierno [8] de ciudadanos autorizados a reingresar a El Salvador debemos llamar al consulado, esperar meses y pagar el boleto cuando nos den asiento en los pocos vuelos que salen de Estados Unidos.

Percibo la tensión, el gobierno de Trump obliga a la gente a salir aun cuando no tiene la posibilidad de llevar a cabo los procedimientos, y mientras tanto, por todas las normas para regular la vida de los inmigrantes, muchos estamos varados sin capacidad de sustentarnos.

Por ejemplo, se podría decir que mi visa de estudiante F1 asegura la sensación de seguridad por mi identidad queer y la oportunidad de acceso a la educación. Sin embargo, esta visa expira antes de la apertura del aeropuerto de El Salvador. Luego de examinar e interpretar la página web del USCIS, llené un formulario para cambiar mi estatus a una visa de visitante. A pesar de que me confirmaron que podría permanecer legalmente en el país mientras se lleva a cabo el trámite, no tendré noticias del estado de la solicitud en menos de dos meses y medio y hasta cuatro meses [9], o tal vez más, y sin tener la posibilidad de trabajar o estudiar. En consecuencia, mi familia ha tenido que sacar dinero de donde sea para ayudarme.

No son situaciones nuevas. Siempre se ha visto a los inmigrantes como problemas sin solución, cuyas vidas penden de un hilo de incertidumbre. Creo que no fue hasta que el ICE tuvo que revaluar la permanencia de los estudiantes extranjeros en el país que muchos ciudadanos estadounidenses tomaron consciencia del acoso del sistema de inmigraciones de Estados Unidos.

Y si bien me encantaría hablar de la crueldad con que el gobierno de Trump juega con las leyes migratorias en el contexto de pandemia, la realidad es que el sistema ya era brutal desde antes. Las leyes migratorias pueden cambiar cuando estás en proceso de ingresar, cuando ya vives en el país o cuando tu visa está próxima a vencer. Todo ese poder nos mantiene en un limbo. La pandemia de COVID-19 solo magnificó la situación.

Este tema está presente en las conversaciones entre inmigrantes, en voz baja por temor a parecer desagradecidos. Se habla durante la cena, con los servicios internacionales universitarios, y a veces, con nuestros amigos estadounidenses que no entienden el argot del sistema de inmigraciones. Finalmente, estas conversaciones fueron adoptando otro tono: empezaron a reflejar que Estados Unidos no nos quería aquí y lo mucho que eso afectaba nuestras decisiones y nuestra psiquis.

He llegado a observar que, no importa qué clase de inmigrante seas, el sistema de inmigración estadounidense altera fácilmente tu sentido de esperanza, de oportunidad y de seguridad. A pesar de ya haber aprendido a manejar el estrés que conllevan las limitaciones de ser inmigrante, aún me conmociona enfrentar nuevos obstáculos, como tener que pasar meses sin empleo y sin respaldo financiera mientras espero la llegada de un documento. Aún más insoportable es la soledad de este limbo: no es solo el limbo donde los planes de todos se ven truncados, sino el limbo donde el Gobierno bajo el cual te encuentras tiene todo el poder sobre ti y lo ejerce arbitrariamente.

Una reflexión final: cuando mi familia se fue de El Salvador en calidad de refugiados de la guerra, y mi escuela salvadoreña promovía las universidades de Estados Unidos, una vida a largo plazo en el norte parecía una opción viable, aunque no fuese permanente. Nunca preví que la ejecución de la perspectiva de Trump me causaría semejante cambio de paradigma. Desde mi perspectiva, la presión del gobierno de Trump pone totalmente en duda la opinión tan arraigada de que Estados Unidos es un país de seguridad y oportunidades. Ahora cuestiono si hay un lugar para mí en este país. Definitivamente, las leyes y normas, y los cambios caprichosos me hacen sentir que no.

Artículo publicado en  Global Voices en Españolhttps://es.globalvoices.org

URL del artículo: https://es.globalvoices.org/2020/08/05/como-salvadorena-veia-a-estados-unidos-como-sinonimo-de-seguridad-ahora-eso-se-desmorona/

URLs en este posteo:

[1]  Caracol Cruzando: https://www.youtube.com/watch?v=WFwxJTAWnHk

[2] Central American News: https://medium.com/@centralamericannews/as-a-salvadoran-the-u-s-symbolized-safety-for-me-now-that-is-crumbling-13f4b70720e5

[3] estudiantes extranjeros debían abandonar el país: https://www.wsj.com/articles/white-house-weighs-scaling-back-rules-on-foreign-students-studying-online-11594746772

[4] aceptar la Acción Diferida para los Llegados en la Infancia (DACA): https://www.npr.org/2020/07/17/892413311/federal-court-orders-trump-administration-to-accept-new-daca-applications

[5] impresión de permisos de trabajo: https://www.washingtonpost.com/opinions/how-the-trump-administration-is-turning-legal-immigrants-into-undocumented-ones/2020/07/09/15c1cbf6-c203-11ea-9fdd-b7ac6b051dc8_story.html

[6] necesitan un rescate de 1200 millones de dólares: https://www.washingtonpost.com/immigration/immigration-agency-bailout-furlough/2020/06/30/93ee2a3a-ba45-11ea-86d5-3b9b3863273b_story.html

[7] dos vuelos en julio: https://www.avianca.com/us/en/about-us/news-center/avianca-news/flights-repatriation/

[8] lista del Gobierno: https://rree.gob.sv/gobierno-iniciara-repatriacion-de-salvadorenos-en-transito-afectados-por-la-pandemia-del-covid-19/

[9] dos meses y medio y hasta cuatro meses: https://egov.uscis.gov/processing-times/

À l’université de Cergy, on apprend à comparer les écritures et à déceler la fraude documentaire. Université de Cergy-Pontoise

Écrit par Julien Longhi

Professeur des universités en sciences du langage, CY Cergy Paris Université

Alexandra Freeman

Doctorante en linguistique, CY Cergy Paris Université

Cécile Jacob

Spécialiste en comparaison d’écritures manuscrites, Institut de recherche criminelle de la Gendarmerie nationale (IRCGN)

Le sujet de l’attribution d’auteurs n’est pas nouveau, notamment dans le champ des études littéraires. Il a été largement débattu et remis en discussions depuis l’essor des technologies numériques) et connaît une actualité certaine, notamment dans le cadre des études littéraires. Actuellement, le DIM Sciences du texte et connaissances nouvelles porte un projet (dirigé par Pierre Glaudes et Catherine Mayaux) à propos de l’œuvre critique de Barbey d’Aurevilly (projet PRADA : Projet de Recherche en Attribution d’Auteur).

Une des controverses les plus connues en France concerne les travaux de Dominique Labbé, chercheur spécialiste en statistique textuelle, qui a notamment publié Si deux et deux sont quatreMolière n’a pas écrit Don Juan, ou encore l’article « Corneille dans l’ombre de Molière. Comment identifier un auteur ? ».

Selon la page Wikipédia à propos de la paternité des œuvres de Molière (et plus particulièrement la section consacrée à l’Étude statistique de Cyril et Dominique Labbé), Dominique Labbé serait arrivé à la conclusion que Corneille était la plume de seize des dix-huit comédies attribuées à Molière.

Plus récemment, deux chercheurs, Florian Cafiero et Jean‑Baptiste Camps ont publié un article intitulé « Why Molière most likely did write his plays » dans la revue Science Advances. Cet article a reçu un écho important dans la communauté et dans les médias, si bien que France Culture a par exemple titré un article « Deux chercheurs prouvent que Corneille n’a pas écrit les pièces de Molière »). La conclusion dudit article est en effet sans appel : « it is very unlikely that P. Corneille or his brother Thomas would have been Molière’s ghostwriters. As they were, after a century-old debate, the only option deemed plausible, these conclusions strongly substantiate the idea that Molière indeed wrote his own plays ». (« Il est très peu probable que P. Corneille ou son frère Thomas aient été les prête-plumes de Molière. Comme ils étaient, d’après un débat de 100 ans, les seuls autres auteurs plausibles, ces conclusions semblent appuyer l’idée que Molière est bien l’auteur de ses ouvrages »).

Mais la controverse ne s’arrête pas là, puisqu’à la suite de cet article, Dominique Labbé produit un nouveau texte, intitulé « Réponse à Florian Cafiero et Jean‑Baptiste Camps. Why Molière most likely did write his plays » (« Pourquoi Molière est très probablement bien l’auteur de ses ouvrages ») où il remet en question les méthodes utilisées par Cafiero et Camps.

Le débat à propos de la paternité de ces œuvres n’est donc pas clos, mais il peut nous interpeller puisque les méthodes et outils mobilisés dans ce contexte peuvent trouver une utilité dans d’autres domaines de la société. Aussi, le problème de l’attribution de la paternité d’un texte n’est plus un sujet exclusif au domaine littéraire. En particulier, ce champ de recherche, associé à de nouvelles techniques et au développement de travaux spécifiques, peut s’adapter aux besoins du système judiciaire.

De la linguistique à la criminalistique

La linguistique forensique est un champ de recherche de la linguistique appliquée dédié aux besoins du système de justice. Elle étudie la langue utilisée dans des contextes divers, notamment la langue des textes normatifs (lois, codes, règlements), la langue des procédures judiciaires (procès-verbaux, plaidoiries, débats devant un jury) et la langue en tant que trace ou en tant que preuve. Ce dernier comprend notamment les échantillons découlant de « délits langagiers » (par exemple la menace, le harcèlement, le plagiat, la diffamation ou le faux témoignage) ainsi que tout autre échantillon langagier présenté en tant que trace ou en tant que preuve. Très connue dans les pays de Common Law, où les techniques sont utilisées depuis les années 60 (Jan Svartvik, 1968), la linguistique forensique gagne de plus en plus du terrain en France.

Le style comme source de variation

La production linguistique, à l’image de toute communication, est un phénomène social qui s’adapte au contexte dans lequel il se produit. Il s’agit d’une tâche créative, très personnelle, qui prend forme non seulement grâce aux caractéristiques de l’auteur (son profil, ses préférences, ses habitudes), mais aussi à des éléments spécifiques à l’événement communicatif même : l’objectif du message, la nature de la relation entre l’auteur et le(s) destinataire(s), les conventions sociales du scénario en question et les conditions dans lesquelles la production a lieu.

Le résultat est donc un texte méticuleusement calibré par l’auteur (consciemment ou inconsciemment) selon ses habitudes et idiosyncrasies dans le contexte d’un scénario communicatif précis. Ce calibrage, possible grâce à la richesse et la souplesse propres à toute langue naturelle, permet d’avancer une même idée de différentes manières, sans que l’essentiel du message ne soit altéré. Sont des exemples de changements « non essentiels » les marqueurs de registre (l’utilisation de « tu » au lieu de « vous »), les marqueurs dialectaux (l’utilisation de « pain au chocolat » au lieu de « chocolatine ») et même les figures de style telles que la paraphrase ou la métaphore. Ces adaptations, qu’elles soient sémantiques, grammaticales, morphologiques, ou autre – peuvent contribuer aux différences existantes entre deux échantillons, sans pour autant toucher à l’idée centrale du message. Ce sont ces différences que l’on appelle, au sens large du terme, des éléments de variation linguistique.

Dans le cas de la stylistique, nous nous intéressons principalement aux éléments de variation « marqués », c’est-à-dire les variations qui divergent de la norme attendue dans un contexte précis. Par exemple, l’utilisation d’un mot peu fréquent lorsque d’autres synonymes, plus fréquents dans le contexte en question, sont possibles. D’autres marqueurs intéressants sont les tournures influencées par la connaissance d’une langue étrangère (l’utilisation du mot « expectative » à la place du mot ‘attente’ est assez fréquent chez les hispanophones, par exemple) ou des variantes régionales et dialectales qui divergent de la variante endémique. Le degré de dissonance entre les « normes » d’usage et les formes utilisées dans l’échantillon apportent aux mots leur degré de « markedness ».

Lorsqu’un élément de variation « marqué» devient habituel et inhérent à un auteur spécifique, il devient également un élément de ce que l’on appelle un idiolecte. L’idiolecte est un « dialecte personnel », propre à l’individu. Il est constitué de l’ensemble des habitudes linguistiques d’une personne, qu’elles soient à l’oral ou à l’écrit, et représente donc les particularités expressives que lui sont propres.

Bien que l’idiolecte soit inhérent à chaque personne, beaucoup de ses éléments sont loin d’être figés. Tout comme la langue, l’idiolecte est quelque chose de « vivant ». Il évolue avec le temps, il s’adapte à son contexte et il se voit influencé par des phénomènes sociaux, voire par le développement cognitif de la personne.

Le style d’un auteur, pour sa part, est la manifestation écrite de cet idiolecte. Défini par un ensemble d’éléments de variation, marqués et récurrents, ce sont les éléments stylistiques d’un auteur qui rendent ses textes uniques et originaux vis-à-vis d’autres textes de même nature : l’utilisation récurrente d’un mot lorsque des synonymes existent, l’utilisation de figures de style spécifiques dans des contextes particuliers ou alors une expression qui apparaît toujours dans le même contexte. Le style est donc au centre de l’intérêt du linguiste forensique.

Défis de l’analyse de style

Le style d’un texte est souvent idéalisé comme l’équivalent d’une empreinte digitale. Or, le style d’un auteur n’étant quelque chose de physique, il n’est pas judicieux d’assimiler la comparaison d’empreintes digitales à celle d’échantillons textuels. Par exemple, le style étant défini par les choix linguistiques « marqués » et habituels effectués par une personne dans le passé, il est quasiment impossible de l’analyser dans son intégralité (car il serait peu probable d’avoir un inventaire exhaustif de tous les choix linguistiques effectués par une personne). Une comparaison de style sera donc toujours une « comparaison d’empreintes partielles ».

Au-delà de ce problème d’échantillons parcellaires, l’analyse de style entraîne bien d’autres défis, notamment des problèmes concernant à la comparabilité et à la représentativité des échantillons. Bien que le style d’un auteur se veut unique et singulier, les éléments qui contribuent à cette singularité sont loin d’être statiques. L’idiolecte évolue avec le temps et varie selon le contexte communicatif. Cette variation temporelle et contextuelle suppose que les échantillons d’un même auteur ne sont pas toujours comparables (comment comparer une lettre anonyme écrite il y a 20 ans à un livre sorti récemment ?) ni représentatifs (quels éléments de style dans une liste de courses ?).

De façon analogue, l’identification des sources de variation n’est pas une tâche facile. Certaines variations sont plus liées aux besoins et conventions communicatives spécifiques à l’événement linguistique qu’au style d’un auteur particulier. Ceci est vrai pour les variations thématiques, les variations contextuelles et les variations liées aux conventions sociales. Par exemple, le style d’un auteur peut être restreint par une feuille de style. De façon similaire, tandis qu’une surreprésentation du mot « société » dans un message court et informel est peut-être remarquable, la surreprésentation du même mot dans un texte financier ne serait pas étonnant. Il est clair donc qu’un élément de variation ne constitue pas toujours un élément de style. Pour ces raisons, la variation est un sujet très discutée en linguistique forensique.

L’attribution d’auteur dans un contexte judiciaire

Si l’attribution d’auteur est peu utilisée par les juridictions françaises, elle peut être utile. Ses méthodes permettent de vérifier la paternité d’une lettre d’adieu, d’analyser des textes supposés plagiés ou de comparer le style de lettres anonymes ou de textes de revendication d’actes terroristes à des textes d’auteurs connus. Dans ce cadre, le rôle du linguiste forensique est de trouver, quand cela lui est possible, les éléments permettant d’identifier la paternité d’un texte.

Aujourd’hui les laboratoires de criminalistiques français analysent les documents sous les angles des supports (p. ex. le type de papier), des encres et des techniques d’impression. Par exemple, les techniciens du département Documents de l’Institut de Recherche Criminelle de la Gendarmerie Nationale (IRCGN) conduisent des examens physico-chimiques pour déterminer la composition des supports papetiers et des encres et, le cas échéant, effectuer des examens comparatifs. Ils recherchent des traces latentes de foulage, déterminent les techniques d’impression et authentifient des documents. Ils peuvent aussi tenter de déterminer quel type de matériel, et parfois quelle imprimante a été utilisé pour produire l’impression.

Par technique d’impression, nous pensons généralement aux impressions faites par des machines. Toutefois, l’écriture et la signature manuscrites rentrent dans cette catégorie. Contrairement aux autres techniques d’impression, il s’agit donc de productions humaines personnelles et circonstanciées.

C’est sans doute, avec la voix, un des objets d’étude criminalistique qui s’approche le plus de la production linguistique. Chacun personnalise le modèle d’écriture qui lui a été enseigné et développe une écriture qui lui est propre. Cette écriture évolue dans le temps et selon les circonstances. Il n’est pas possible de déterminer a priori le degré de variabilité de l’écriture d’une personne. Ce dernier peut être plus ou moins important et seul l’examen approfondi d’un échantillon suffisant et comparable peut permettre au technicien de déterminer si un écrit litigieux a été produit par une personne donnée (le scripteur).

La question de l’échantillonnage

Une problématique commune aux deux disciplines concerne l’échantillonnage, en particulier la quantité et la qualité des échantillons. En effet, afin de déterminer l’étendue des examens possibles il est nécessaire de mettre en lumière toutes les limites qui pourraient empêcher le technicien de se prononcer, ou limiter son avis.

Les variations de l’écriture d’une personne peuvent être le résultat de facteurs multiples, dont certains contextuels (par exemple, l’espace disponible sur le support ou l’instrument d’écriture utilisé) et d’autres propres au scripteur. Ces derniers sont variés et peuvent aussi bien comprendre des pathologies, ou encore l’état d’esprit. De plus, les techniciens sont confrontés à des déguisements ou à des imitations ce qui peut être source de limites considérables à l’analyse. Il n’en demeure pas moins qu’il est parfois impossible de constituer un échantillon adapté.

Les approches à l’attribution d’auteur

L’attribution d’auteur est avant tout un problème de comparaison de style. Le linguiste identifie les éléments « marqués» et récurrents d’un texte et les compare ensuite à des échantillons dont la paternité est connue. Pour ce faire, plusieurs approches sont possibles, dont deux très utilisées actuellement : l’analyse axée sur l’expertise et la classification basée sur la reconnaissance de formes. Dans l’approche dite « d’expertise », le linguiste fait appel à son expérience et ses connaissances théoriques pour identifier les éléments potentiellement « marqués » de chaque échantillon. Les données ainsi obtenues passent ensuite par une étape de vérification et d’étayage où elles sont vérifiées ou rejetées selon les informations recueillies. Enfin, les éléments vérifiés de chaque ensemble de textes sont comparés et un avis sur la similarité ou dissimilarité des échantillons est donné. Anciennement ces analyses étaient effectuées de manière complètement manuelle. Aujourd’hui les linguistes se servent souvent d’outils informatiques tels que les concordanciers ou les corpus informatisés pour faciliter l’exploration des échantillons.

Le problème de l’attribution d’auteur peut également s’aborder comme un problème de reconnaissance de formes – spécifiquement comme un problème de classification automatique de textes. Dans ce scénario, les auteurs deviennent les « classes » auxquelles les échantillons peuvent être attribués. Cette méthode gagne du terrain depuis l’essor de l’intelligence artificielle dans le traitement automatique de textes. Dans cette approche algorithmique, la qualité des résultats repose fortement sur l’échantillonnage, les caractéristiques analysées (« features ») et le classifieur sélectionnés par le linguiste.

Perspectives en France

L’attribution d’auteur est une tâche complexe qui demande une compréhension approfondie du fonctionnement de la langue et des différentes méthodes d’attribution utilisées. La linguistique forensique peut être un outil d’analyse concourant à la prise en compte d’un texte en tant que trace.

L’université de CY Cergy Paris, à travers le laboratoire AGORA et l’Institut des humanités numériques, avec l’aide des techniciens du département Documents de l’IRCGN, travaille au développement d’une méthodologie d’attribution d’auteur adaptée aux contextes judiciaires. Pour plus d’informations sur les différents projets de l’Institut des humanités numériques, nous vous invitons à visiter notre site.


La Région Île-de-France finance des projets de recherche relevant de Domaines d’intérêt majeur et s’engage à travers le dispositif Paris Région Phd pour le développement du doctorat et de la formation par la recherche en cofinançant 100 contrats doctoraux d’ici 2022. Pour en savoir plus, visitez iledefrance.fr/education-recherche.

 

[Source : http://www.theconversation.com]

O acto tivo lugar este mediodía no exterior da sede do Tribunal Superior de Xustiza de Galicia

O secretario xeral de Política Lingüística manifestou que a conmemoración debía servir de acicate para seguir traballando no uso do galego no ámbito da xustiza

O secretario xeral de Política Lingüística, Valentín García, participou este mediodía nos actos do 35º aniversario da primeira sentenza ditada en lingua galega despois de séculos de proscrición organizado pola Irmandade Xurídica Galega en colaboración coa Xunta de Galicia e o Concello da Coruña. A conmemoración tivo lugar na coruñesa Praza de Galicia, fronte á sede do Tribunal Superior de Xustiza.

O representante da Consellería de Cultura e Turismo, Valentín García, lembrou que unha véspera do Día de Galicia “de hai 35 anos deuse un paso de xigante para a normalización lingüística coa publicación da primeira sentenza en lingua galega en 400 anos, un logro que só a democracia podía facer posible; un logro que hoxe lembramos, non para recrearnos na nostalxia, senón para termos un referente e un acicate que nos anime a seguir avanzando no uso do galego no ámbito da xustiza”.

No acto, no que se descubriu unha placa conmemorativa, interviñeron tamén a alcaldesa da Coruña, Inés Rey; o presidente do Tribunal Superior Xustiza de Galicia, José María Gómez y Díaz-Castroverde; a xefa da Avogacía do Estado en Galicia, Consuelo Castro; e o fiscal da Fiscalía Superior de Galicia, Carlos Varela; o presidente da Irmandade Xurídica Galega, Xaquín Monteagudo, e o avogado da mesma organización, Xoán Antón Pérez Lema.

 

[Fonte: http://www.lingua.gal]

Pour les personnes trans, changer de genre signifie aussi souvent changer de nom. Une démarche pas nécessairement évidente pour les auteurs, dont la production passée rappelle sans cesse leur ancienne identité. Pour pallier ce problème, la revue scientifique Cell a décidé de mettre en place des procédures inclusives — un choix qui ouvre de nouvelles perspectives

Names

 

Écrit par Gariépy Raphaël 

La revue scientifique américaine Cell a récemment dû faire face à une problématique d’un nouveau genre. Un de leur collaborateur a demandé quelle était la politique à appliquer si un chercheur et auteur régulier du journal transitionnait ? Les travaux de cette personne seraient-ils proposés sous deux noms différents, ou bien la revue reviendrait sur les anciennes publications pour les adapter au nouveau patronyme ?

Habituellement Cell se contentait de mettre un erratum au nom de l’auteur en cas de coquille ou d’erreur lors de la publication. Mais ici la question s’avère plus complexe : comme le souligne The Scientist, en soi le magazine n’a pas à revenir sur le nom, car à ce moment-là aucune erreur n’a été commise.

Afin de résoudre ce problème de la meilleure des façons, le rédacteur en chef du journal, John Pham a contacté la climatologue à la School of the Art Institute de Chicago Mika Tosca, qui a effectué sa transition il y a quelques années. Signant ses articles avec ses initiales, la scientifique n’a personnellement pas eu de problème, mais elle affirme que permettre aux auteurs de changer leur nom au sein de leurs travaux précédents est un moyen crucial pour les revues de soutenir les chercheurs trans.

Cell a alors décidé de mettre en place un dispositif spécifique et déclare que si un scientifique le demande, « la revue publiera une correction et travaillera avec l’auteur pour s’assurer qu’il est à l’aise avec son libellé ».

Un détail qui n’en est pas un

Les changements de nom dans l’édition sont légion et jamais complètement anodins. Longtemps, les femmes ont choisi un pseudonyme masculin pour simplement avoir le droit de publier un ouvrage. Aujourd’hui encore certains écrivains changent leur identité pour être surs d’attirer le bon public et mieux vendre.

Autre cas, ces hommes qui écrivent des romances et qui font le choix d’adopter un patronyme féminin en prenant la plume. D’autres usent de méthodes plus mercantiles comme Joanne Rowling qui avait décidé, sur les conseils de son éditeur, de prendre les initiales JK : de la sorte, elle pouvait entretenir une confusion… avec la créatrice d’Harry Potter.

Concernant le cas des auteurs/chercheurs trans, avoir un travail affilié à deux patronymes est parfois handicapant. Ainsi si le CV d’un scientifique comprend toutes ses publications d’avant et d’après sa transition, cela l’identifie directement en tant que transgenre, ce qui entrainerait de possibles discriminations.

Mais comme le note Savannah Garmon, physicienne à l’Université de la préfecture d’Osaka s’il ne propose que leurs publications signées de leur nouveau patronyme, il se retrouve parfois avec une carrière amputée d’une bonne partie du travail réalisé. Le nom fait partie de l’identité du chercheur, sa transition ne peut être complètement accomplie si professionnellement il ou elle est connu(e) sous une autre identité.

Certains scientifiques se sont inquiétés du fait que cette politique mise en place par Cell puisse contrevenir au « caractère sacré du dossier historique ». Pour sortir de l’impasse, il a été suggéré que les revues puissent conserver des enregistrements de la publication originale pour les avoir sous la main, en cas de problèmes juridiques concernant la propriété intellectuelle par exemple.

[Photo : Names CC BY-ND 2.0 – source : http://www.actualitte.com]

La décision du « sultan » Erdogan est cohérente

Sainte Sophie à Istanbul. En haut à droite, la coupole.

Écrit par François Dubreil

L’Occident se désole de voir l’ancienne basilique transformée en mosquée par Erdogan. En s’emparant de Constantinople en 1453, Mehmed II avait déjà fait recouvrir l’image du Christ qui ornait la coupole par une calligraphie arabe, et caché les visages des anges qui la soutiennent.

Après une procédure judiciaire dont nul n’ignorait que son résultat était joué d’avance, il n’aura donc fallu qu’un simple décret au président Erdogan pour redonner à Sainte-Sophie le statut qu’elle avait avant 1934, à savoir celui d’une mosquée.

La décision du sultan est cohérente

Ce geste pourrait sembler normal à un observateur détaché de considération symboliques : la société turque est actuellement musulmane dans une proportion très largement majoritaire, et elle s’est engagée depuis une vingtaine d’années dans une politique de ré-islamisation qui la conduit à remettre en cause peu à peu tout l’héritage laïc issu de l’époque kémaliste. D’un point de vue strictement utilitariste, il est donc totalement cohérent que le pouvoir affecte à la religion professée par sa population un édifice religieux aussi vaste.

Mais le fait est que ni le geste d’Erdogan, ni sa réception en Occident, ne se cantonnent au registre strictement utilitaire. Car faire de Sainte-Sophie une mosquée n’est pas simplement changer l’affectation d’un musée : c’est poser un acte symbolique dont la portée conflictuelle ne peut être ignorée.

Une décision qui s’inscrit dans une Histoire longue

La basilique fut en effet construite au VIe siècle au cœur de Constantinople, précisément à l’époque où Justinien s’employait à reconquérir les terres de l’ancien empire d’occident en assumant la prétention à la domination universelle qui lui venait de Rome, bien qu’elle fût désormais placée sous le signe de la foi chrétienne. L’architecture même de la basilique fut donc conçue pour refléter cette ambition : elle fut dotée d’une gigantesque coupole, figure du cosmos, dominée par l’image triomphante d’un « Christ pantokrator ». Pendant plus de neuf cents ans Sainte-Sophie fut ainsi le « saint des saints » de l’empire byzantin, le lieu du couronnement de ses souverains et le siège de ses patriarches. Jusqu’à ce que le conquérant turc Mehmed II finisse par prendre la ville en 1453 pour en faire aussitôt sa capitale, transformant au passage la basilique en mosquée. Car les Ottomans reprirent à leur tour la prétention impériale de la seconde Rome, cette fois-ci sous le drapeau vert de l’islam : ils poursuivirent en son nom une vigoureuse politique d’expansion qui fit de la Sublime Porte le centre d’un empire étendu sur trois continents, de l’Afrique du Nord à la Mésopotamie et de la Hongrie au Yémen. À l’heure où la Turquie intervient politiquement face à l’Union Européenne, et militairement à la fois en Syrie et en Libye, le symbole est donc on ne peut plus clair : l’empire est de retour, à la fois dans sa dimension politique (influence directe dans l’ancienne aire ottomane) et religieuse (promotion de l’islam face christianisme).

Tous les partisans d’une entente paisible entre les religions ne peuvent que le déplorer, et ceux qui pensent que le « choc des civilisations » est un concept exclusivement occidental feraient bien d’y réfléchir…

Derrière les calligraphies

Une chose cependant semble échapper au président Erdogan, comme elle échappera certainement à la majorité des fidèles qui, le 24 juillet prochain, se presseront certainement pour la première prière musulmane célébrée dans la basilique depuis 1934 : le changement d’affectation d’un bâtiment, quel qu’il soit, ne sera jamais capable d’effacer sa destination première, pour laquelle il fut à la fois pensé et construit.

Lorsqu’on déambule à Cordoue sous les arcades rouges et blanches de la cathédrale, on ne peut ignorer que l’on est au sein d’un édifice conçu pour être une mosquée, dont le mihrab indiquera pour toujours la qibla. Et sous les calligraphies ottomanes, au sommet de la coupole de Sainte-Sophie, c’est à jamais l’image du Christ en gloire qui trônera sur l’univers…

 

 

[Photo : FRED SCHEIBER/SIPA/SIPA – numéro de reportage: 00972561_000002 – source : http://www.causeur.fr]

Escrito por Sergio Campos Cacho

La construcción del Muro de Berlín en 1961 y su final en 1989 tuvieron un mismo origen: la huida desesperada de los ciudadanos de la Alemania comunista. Desde su creación en 1949, tanto la R.D.A. como los territorios ocupados por los soviéticos se desangraban demográficamente. Cerca de dos millones y medio de habitantes abandonaron el país en esos doce años1.

Hubo un hombre que quiso indagar en las historias de aquellos fugados que adquirían la condición de refugiados en la Alemania Occidental. Se llamaba Jan Valtin. Su último servicio a la causa del mundo libre consistió en la escritura de nueve reportajes sobre la frontera de las dos Alemanias. Se trataba de una serie que comenzó a publicar el diario francés Le Figaro el 2 de enero de 1951, el día después de la muerte de Valtin. Tenía cuarenta y seis años.

Hacía una década que gozaba de reconocimiento como escritor. Se había hecho un nombre de justa fama tras la publicación de La noche quedó atrás, la autobiografía de su etapa al servicio de la Komintern, la organización soviética encargada de diseñar y extender la revolución mundial, y que le llevó a estar infiltrado como agente doble en la Gestapo. Es indudable que Valtin tenía el don de contar historias como nadie, lo que unido a su materia narrativa, su propia vida llena de intrigas, clandestinidad, suburbios, crímenes, sabotajes, delaciones y convulsiones sociales en un momento crítico de la Historia, hacen de su libro una lectura trepidante y esencial. Su interés biográfico es indudable, pero su importancia estriba en una palabra sin la cual no hubiera podido escribir y que resumía el estado del mundo en aquellos momentos: libertad.

No siempre los recuerdos de los hombres de acción reflejan la inquietud y los peligros que han experimentado a lo largo de su vida. Un hombre habla a través de su carácter, pero cuando una entidad socialmente superior lo anula, ya no habla el hombre sino la entidad que lo ha fagocitado. Es lo que trata de explicar Peter Schneider en El saltador del Muro, cuando explica sus conversaciones con su amigo de Berlín Este sin que al final pueda distinguirse dónde termina el individuo para dar comienzo al Estado: el «lenguaje en conserva», la «gramática oficial», la «lección debidamente aprendida».

La libertad contagia el estilo. La libertad de ir a la contra, la rebelión natural del hombre, la libertad de errar y poder rectificar luego sin miedo al castigo del Partido, es lo que permitió a los excomunistas elevar su escritura por encima de las redacciones covachuelistas de aquellos comunistas que publicaron sus propios recuerdos con la misma emoción que podrían haber mostrado al escribir una solicitud de vacaciones. La nómina de renegados es amplia, y su calidad indiscutible: Arthur Koestler, Sydney Hook, Stephen Spender, Enrique Castro Delgado entre los españoles, Manès Sperber, André Gide… En esta lista no puede faltar, por supuesto, Jan Valtin; gracias sobre todo a La noche quedó atrás, pero también a estos reportajes que solamente aparecieron en forma de libro en España, México y Argentina con el título de Las fronteras del miedo2.

Jan Valtin

Jan Valtin fue sin duda un hombre de excepcionales cualidades. Se llamaba en realidad Richard Krebs, había nacido probablemente en Darmstadt en 1905 y se había iniciado en la vida clandestina del partido comunista de Alemania en los muelles de Hamburgo. Como a buen marinero e hijo de marino, el mundo se le quedaba pequeño. Organizó huelgas, revueltas y sabotajes en los buques de todos los mares, llegando incluso ser encarcelado en San Quintín tras un asalto en Los Ángeles cuando tenía solamente 24 años. Aunque en principio se estimó que estaría solo unos días en prisión para ser inmediatamente deportado, en realidad estuvo tres años, durante los cuales se dedicó a estudiar y a escribir en el periódico de la cárcel.

Tras la fulminante aparición de los nazis en Alemania, el partido comunista alemán fracasó en su lucha contra ellos pese a la incesante actividad de agentes como Valtin. Su desencanto ideológico, lo que Torrente Ballester llamaba «el impulso del tránsito», le llevó a huir de Europa y recalar en Estados Unidos en marzo de 1938 tras haber actuado como agente doble en la Gestapo.

Nada más poner el pie en el país, la maquinaria de la propaganda soviética lo fijó en su punto de mira. Los diarios a sueldo de Moscú, como el Daily Worker de Nueva York, el danés Arbejderbladet o el alemán Die Schiffahrt publicaron la fotografía del entonces aún Richard Krebs procedente de un documento de identidad de la Gestapo. La campaña de desprestigio fue un fracaso, sobre todo por la potencia del contraataque de Valtin. La publicación de La noche quedó atrás, en 1941, le reportó un enorme éxito y supuso un verdadero golpe en las zahúrdas de Rostokino, el barrio moscovita donde se levantaba el cuartel general de la Komintern, que inmediatamente redobló sus esfuerzos por anular a su antiguo agente.

El apparátchik que dirigió la contrapropaganda fue Sender Garlin, un periodista originario de Białystok que había llegado a los Estados Unidos junto a su familia cuando apenas contaba con cuatro años. En 1938, cuando Valtin llegó al país, Garlin se encontraba en Moscú, donde residía junto a su mujer y a su hijo en el mítico Hotel Lux. La familia fue enviada de inmediato a Norteamérica, en invierno de ese mismo año. En 1941, Garlin se echó a sus espaldas la campaña de desprestigio contra Valtin y su libro alegando que era mentira todo lo que en él se contaba. Garlin sostuvo, en un artículo de nuevo en el Daily Worker, que la autoría real del libro correspondía al agente literario de Valtin, Isaac Don Levine, todo un personaje, muñidor de otros libros de denuncia anticomunista como el de Walter Krivitsky, y el primero en publicitar al por mayor la verdadera identidad del asesino de Trotsky. Hoy se sabe cómo y en qué condiciones escribió Valtin su obra3, pues suya es de pleno derecho. Como en toda autobiografía, hay partes que no se corresponden con los hechos, ya sea por errores de memoria más o menos intencionados, prejuicios sobre algunos personajes o simple desconocimiento y tendencia a la novelería, pero fuera de esos desajustes factuales en ningún caso se puede esgrimir que sea un libro falso.

El caso de Las fronteras del miedo es distinto. Lo escribió cuando ya estaba enfermo. No cabe duda de que recorrió la frontera del Elba en un Mercedes, tal y como cuenta, y que habló con refugiados y con guardias de uno y otro lado del río, pero todo aquello que trasciende la intrahistoria de la frontera no es más que un collage hecho con artículos de revistas, como veremos.

Las fronteras del miedo

¿De qué habla Las fronteras del miedo, qué se cuenta en él? Valtin partió de Nueva York rumbo a Bremerhaven el 17 de octubre de 1950. Su estancia en Europa fue breve. En algún momento enfermó y regresó a Estados Unidos el 21 de noviembre desde el puerto francés de El Havre.

Sus reportajes pueden dividirse en dos partes: aquellos que tratan de lo que investigó sobre el terreno, la situación de los refugiados del Este, y los que prácticamente copió de varios números del semanario Der Spiegel sobre las actuaciones de la policía secreta de la R.D.A.

Durante varias semanas había recorrido la frontera alemana partiendo de Lübeck, en el Báltico, para visitar en un viejo Mercedes pequeñas aldeas situadas en la frontera natural delimitada por el Elba, en el estado de Baja Sajonia, y campos de refugiados donde cada día acudían cientos de fugitivos del este. Valtin habló con alguno de ellos, con responsables de los campos, con Grenzführern —guardias fronterizos— e, incluso, con algunos Vopos (policías de la Volkspolizei, o policía popular) del otro lado. Con los testimonios de todos ellos hilará historias turbadoras de contrabandistas, de Grenzgänger —lo que en vascuence se conoce como mugalaris—, de asesinos que se aprovecharon de la menesterosidad de quienes huían de suelo comunista, de desertores, de pobres gentes que habían puesto en peligro sus vidas para pasar al otro lado. Son, sobre todo, historias sobre el miedo: el que tenían los fugitivos y el de los policías occidentales que temían la reacción de sus antiguos compatriotas en caso de que estos recibieran la orden de disparar. Son crónicas muy vivas que traen ecos de otros relatos fronterizos, como los de Sergiusz Piasecki en El enamorado de la Osa Mayor, pero sin su vitalidad humana, sin que la Naturaleza tenga papel alguno y con mayor sensación de peligro y de amenaza. Más que épica, tragedia.

Las aldeas visitadas por Valtin se nos muestran hoy insignificantes en el mapa; a ellas no llega el Street View de Google y parecen emplazamientos apacibles con el punto justo de pintoresquismo que se espera de una aldea alemana: graneros construidos con entramados de madera, molinos, esclusas, los agudos picos de las iglesias luteranas. Nada hay que muestre o recuerde el drama del que fueron escenario en la inmediata postguerra, salvo algún pequeño memorial levantado en aquellas donde se ubicaron los campos de refugiados. A ellos llegaron cientos de miles desde el final de la guerra hasta que se alzó el Muro. Las cifras oficiales son las siguientes: casi 130.000 en 1949, año de la creación de la RDA, un número que fue creciendo casi todos los años hasta los más de 300.000 en 1953; el año del levantamiento del Muro, hasta el mes de agosto de 1961, la cifra de refugiados fue de 155.402. En total, desde ese primer año de 1949 (con un país de 18,8 millones de habitantes) hasta agosto de 1961, 2.686.9424. En realidad, el número de personas que huyeron era mucho mayor, ya que no todos los que terminaban en los campos eran considerados oficialmente como refugiados. Entre otras obligaciones burocráticas, había que demostrar los motivos de persecución política. La perspicacia, el verlas venir, no se consideraban razones suficientes.

Para poner esos números en perspectiva, se puede citar el ejemplo del campo de Bohldamm, visitado por Valtin. Los refugiados oficiales ascendieron a 765.000 entre 1945 y 1963, pero el número de  fugitivos5 fue en realidad de 1,3 millones.

La zona de ocupación soviética sufría una sangría demográfica que había que parar a cualquier precio. Una de las estrategias de los gobiernos soviético y germano-oriental fue la creación de una policía secreta capaz, en primer lugar, de purgar traidores mediante el secuestro y el asesinato, pero muy especialmente de controlar la población entera mediante el reclutamiento de confidentes por todo el país. Valtin conocía muy bien los mecanismos soviéticos de represión y los denunció en sus reportajes.

¿Cómo se informó Valtin de los nombres y las peripecias de quienes aparecen en sus reportajes? La suspicacia kominterniana hablaría de filtraciones de los servicios secretos de las potencias occidentales que ocupaban Alemania, pero sospecho que lo único que hizo Valtin fue hacerse con un nutrido número de revistas del año 1950 y entresacar de ellas las noticias más adecuadas a sus intenciones.

Por ejemplo, cuando menciona la película con la que quiere demostrar la psicología del agit-prop soviético, In geheimer Mission, es muy probable que se basara en un artículo de Der Spiegel del 18 de octubre de 1950, un día después de la llegada de Valtin a Alemania: «Ohne Charme und sex-Appeal» [Sin encanto ni sex-appeal]. Valtin copia prácticamente todo lo que dice de la película, un subproducto propagandístico, aunque desde el punto de vista técnico puedan señalarse algunos aciertos, como las caracterizaciones de Himmler y de Hitler (la película puede verse en la plataforma YouTube)6.

Lo mismo parece hacer Valtin cuando se refiere a Emil Dowideit. Sigue otro artículo de Der Spiegel, de septiembre de 1950, «Menschenraub: begangen an Emil Dowideit7» [El secuestro cometido contra Emil Dowideit], una historia trepidante de este agente secreto de la Alemania comunista que también fue purgado tras el secuestro de un comerciante berlinés. Igualmente ocurre cuando Valtin desvela quién era el cabecilla ruso de la red policiaca en la Alemania oriental y cómo se organizaban los Smersh, los departamentos de contrainteligencia. Él le da el nombre de «General Kubalov», tal y como aparece en un nuevo artículo de Der SpiegelTod den Spionen [Muerte a los espías], de 1 de junio de 19508. En realidad, se llamaba Bogdan Kobulov9 y era uno de los siniestros personajes escupidos por los lodazales estalinistas y mano derecha de Beria. Cayó en desgracia con él y fue fusilado en 1955. Su cuartel general estaba en el barrio berlinés de Weissensee, en la Askania Haus, actualmente el ayuntamiento del barrio, y según Pavel Sudoplatov, recibió órdenes de Stalin de poner micrófonos en el despacho del héroe de Berlín, el mariscal Zhukov. Simon Sebag Montefiore lo retrata en la corte del zar rojo como un torturador de ciento cincuenta kilos de peso, achaparrado y ultraviolento, buen imitador de acentos, algo bufón y cuyos crímenes parecían pesarle cuando acudía llorando a su madre: «Mamá, mamá, ¿qué es lo que estamos haciendo? Un día pagaré por todo ello»10.

Kobulov, al igual que otros enviados rusos, como Nikolai Kuzmich Kovalchuk11, viceministro de Seguridad del Estado de la U.R.S.S., fue el encargado de fijar los procedimientos de la Cheka en el país, basados esencialmente en la creación de una red de Vertrauersmänner, V-Mann, o agentes encubiertos. La Stasi adoptaría el procedimiento y daría lugar a una de las mayores redes de informantes en el mundo, los IM [Inoffizieller Mitarbeiter, trabajadores extraoficiales]. Cualquier persona captada por los servicios secretos tenía la obligación de informar sobre vecinos, amigos, padres, hijos… Por supuesto, la negativa no estaba contemplada y las amenazas en caso de resistencia finalizaban con castigos reales.

Parece que la C.I.A. tenía un topo dentro de la Askania Haus que informó de quiénes formaban el llamado «Grupo de Kobulov»: su adjunto Parkhayev; el capitán Siliksky; el secretario general del grupo, Anatoli Subarev; la secretaria Vera Dimitrovna Vornova; Laptev, Belayev y Vasili Vasiliyevich Sergeyev12.

El de Kobulov no es el único nombre que desliza Valtin en sus reportajes. Al frente de la Cheka alemana sitúa, como es lógico, al ministro de Seguridad de la R.D.A. En aquel momento era Wilhelm Zaisser, un personaje siniestro que había participado en la guerra civil española con el nombre de general Gómez, al mando de las Brigadas Internacionales, y que el renegado comunista español Enrique Castro Delgado situaba como «técnico» en los aledaños del 5º Regimiento como el «eterno convidado». Valtin se refiere a él con una violenta concreción:

El siniestro historial del camarada Zaisser en el movimiento comunista de Europa se remonta a más de treinta años. Antiguo profesor de escuela, escribió, mientras era teniente en la Primera Guerra Mundial, sobre las glorias de la Blutrausch (borrachera de sangre), y sus propios instintos de «bestia de presa». He matado mucho —confesó una vez— y eso me llena de felicidad. Wilhelm Zaisser se convirtió en comunista durante el colapso alemán de 1918. En los años siguientes fue uno de los organizadores de las formaciones militares secretas del partido comunista en Alemania. Más tarde fue a Moscú para someterse a un entrenamiento especial y reapareció durante la guerra civil española como « General Gómez » de las Brigadas Internacionales. Y cuando fue catapultado al poder oficial en Alemania para convertirse en jefe del VOPO y de la temida SSD (policía secreta), demostró que seguía siendo el viejo asesino de siempre. Este «guardián rojo de la paz» fue pronto designado en Alemania Occidental como un criminal en busca y captura por asesinato múltiple, secuestro y otros crímenes contra la humanidad.

De nuevo podemos comprobar el uso que hizo Valtin de la hemeroteca de Der Spiegel. Las palabras sobre Zaisser se corresponden de forma prácticamente literal a las del artículo «Im Sinne der Nürnberger Prozesse» [En el mismo sentido que los juicios de Nuremberg…], publicado en el semanario el 22 de junio de 195013. En realidad, se trataba de un llamamiento público que pretendía reunir pruebas contra el jefe supremo de la Cheka alemana.

Lo que hizo Valtin con este collage de artículos con el que confeccionó algunos de sus reportajes fue demostrar que la nueva Alemania comunista no era sino un producto más de la U.R.S.S. Los refugiados huían del comunismo. Para pararlos, las autoridades alemanas levantaron el Muro —aún no se sabe hasta qué punto influyeron los soviéticos en esta decisión-. Cuando los turistas se plantan hoy en día ante él, no les parece muy alto; tampoco muchas sus víctimas, que hasta hoy en día son ciento cuarenta solamente en la frontera berlinesa. No alcanzan a entender que llovía sobre mojado, y que esos crímenes se cometieron en una tierra de sangre que ya había sido arrasada. Quienes dieron la orden de levantar el Muro no fueron sino quienes habían ejecutado las purgas de 1937 en el Hotel Lux de Moscú, asesinando a aquellos camaradas que habían caído en desgracia por la arbitrariedad de Stalin. Cometieron su crimen con determinación científica. Una vez al frente de su propia nación, continuaron con su particular exterminio y adiestraron a los supervivientes estabulados tras el Telón de Acero.

Contra estos criminales luchó Jan Valtin. Cabe imaginarlo regresando a los Estados Unidos en el buque «Liberté», enfermo ya, con su enorme corpachón encajado en la cabina del barco, su pelo crespo y su cara de bruto sonriente, autor de una autobiografía épica y sobre todo autor de una vida épica, con su carpeta de recortes de Der Spiegel, tecleando en su cabina con el fervor con el que se le recuerda escribiendo La noche quedó atrás, ejerciendo otra vez de Casandra, colocando su propia pieza en el puzzle de la Guerra fría muy poco antes de morir, demasiado joven.

1. Borbe, Ansgar. Die Zahl der Opfer des SED-Regimes. Erfurt: Landeszentrale für politische Bildung Thüringen, 2010. 
2. Valtin, Jan. Las fronteras del miedo. Barcelona: Caralt, 1952; México: Apolo, 1953; Buenos Aires: Ludeca, 1955. 
3. Fleming, John V. The anti-communist manifestos: four books that caused the Cold War. New York, London: W. W. Norton & Co., 2009. Bourgeois, Guillaume. «Sans patrie ni frontières de Jan Valtin : l’affaire de presse et le secret bien gardé des services spéciaux» EN Le Temps des médias, n. 16 (2011/1), p. 19-51. https://www.cairn.info/revue-le-temps-des-medias-2011-1-page-19.htm#re4no4 
4. Hur, Joon-Young. Konzepte und Maßnahmen der “Integrations-Governance” für ostdeutsche Flüchtlinge von 1945 bis 1990 in Westdeutschland [Tesis]. Berlin: Freie Universität, 2010. Ulrich, Ralf. Die Übersiedlerbewegung in die Bundesrepublik und das Ende der DDR. Berlin: Wissenschaftszentrum für Sozialforschung, 1990. https://bibliothek.wzb.eu/pdf/1990/p90-302.pdf 
5. Hoffrichter, Arne. «Uelzen und die Abgelehnten» EN Flüchtlingslager im Nachkriegsdeutschland: Migration, Politik, Erinnerung. Hrsgb. von Henrik Bispinck, Katharina Hochmuth. Berlin: Links, 2014, p. 190-209. 
9. Foitzik, Jan ; Petrow, Nikita W. Die sowjetischen Geheimdienste in der SBZ/DDR von 1945 bis 1953. Berlin: De Gruyter, 2009. 
10. Sudoplatov, Pavel. Operaciones especiales. Barcelona: Plaza & Janés, 1994. Sebag Montefiore, Simon. La corte del zar rojo. Barcelona: Crítica, 2004. 
11. Николай Кузьмич Ковальчук, en http://ru.wikipedia.org. 

 

[Fuente: http://www.revistadelibros.com]

El sitio estaba a cargo de la exsecretaría de Inteligencia del Estado, al mando del general del Ejército Otto Paladino. Lo identificó el juez federal Daniel Rafecas, tras recibir una pista de documentos desclasificados del gobierno de Estado Unidos

 

El juez federal Daniel Rafecas identificó un inmueble que habría funcionado como centro clandestino de detención en la última dictadura militar en el barrio porteño de Floresta.

Las pistas que dieron con el sitio de tortura surgieron a raíz de testimonios de sobrevivientes y documentos desclasificados por el gobierno de Estados Unidos.

Tras el descubrimiento, Rafecas dispuso la “prohibición de innovar” para que no sufra alteraciones la propiedad, además de ordenar un registro fílmico y fotográfico del sótano del lugar. “Hicimos un descubrimiento importante para avanzar en las investigaciones. Veníamos con muchos testimonios que nos indicaban que existió un centro clandestino de detención que dependía de la SIDE y que estaba muy cerca de Automotores Orletti, otro lugar de reclusión por el cual hubo un juicio que terminó con más de doce condenados. Pero hasta el momento no podíamos descubrir dónde se encontraba”, sostuvo Rafecas en diálogo con AM 750 al confirmar este hallazgo.

La vivienda es actualmente una casa de familia y está ubicada en la misma manzana en la que funcionó el centro clandestino de detención “Automotores Orletti”, según indicaron a Télam fuentes judiciales.

Los sobrevivientes consignaron que en el lugar donde fueron torturados había un pequeño sótano, en el cual habrían sido alojadas personas secuestradas.

Según la pesquisa, en la casa ubicada en Bacacay 3570 habría funcionado un centro clandestino de detención dependiente de la exsecretaría de Inteligencia del Estado en la dictadura, al mando del fallecido general del Ejército Otto Paladino.

La investigación es parte de la megacausa por violaciones a los derechos humanos cometidos en el ámbito del Primer Cuerpo del Ejército, vinculada a delitos de lesa humanidad en el centro de detención “Automotores Orletti” en Floresta. Aún no se sabe si el sitio habría funcionado con anterioridad o en simultáneo a “Orletti”.

Las averiguaciones judiciales tenían el dato de su existencia por el testimonios de sobrevivientes que hasta el momento no habían podido precisar su ubicación exacta. Pero el juzgado recibió documentos desclasificados por el gobierno de Estados Unidos sobre la dictadura en Argentina y allí se hizo mención precisa al domicilio ahora identificado.

El inmueble habría sido alquilado por la SIDE hasta 1977, cuando se vendió. Los testimonios en la causa indican que las víctimas “eran introducidas encapuchadas, alojadas en habitaciones precarias o en el pequeño sótano de la propiedad, y sometidas a torturas con picana en una habitación acondicionada para ello”.

El descubrimiento puede tener, además, una importancia regional para entender la lógica con la operaron los gobiernos dictatoriales en los años setenta. “No se descarta que este sitio haya servido también para las operaciones del llamado ‘Plan Cóndor’, no solo por su vinculación con ‘Automotores Orletti’ sino porque el relato de una de las víctimas da cuenta de que allí se alojaban detenidos uruguayos”, se agregó.

Las primeras pistas y el relato de los habitantes

La fachada donde habría funcionado el centro clandestino de detención.

En la causa hubo declaraciones de dos víctimas realizadas en forma remota durante el período de aislamiento social, preventivo y obligatorio por el coronavirus, que describieron el inmueble de manera coincidente.

Fuentes de la Secretaría de Derechos Humanos indicaron que desde hace dos años se maneja información con respecto a la existencia de este lugar y que varios represores de Orletti habían aludido como “El Jardín” o “La Cueva”.

La primera información sobre ese centro que funcionó como parte de la estructura represiva que se centraba en Orletti la dio la sobreviviente Mercedes Naveiro -ya fallecida-, quien confirmó que estuvo en una casa con “dos cocinas”.

Con esos datos, el juzgado a cargo de Rafecas inició una investigación y dio con María Ester Poggi, quien junto a su esposo compró esta vivienda en 1977 y tiempo más tarde le hicieron reformas y descubrieron que había un sótano en ese lugar. La mujer hizo un croquis de la vivienda, brindó detalles de su ubicación en el barrio de Floresta y esos datos coincidieron con la información que apostaron dos sobrevivientes que pasaron por ese centro clandestino.

Se trata de Emma Lebozec y Ana Larrea de Jaroslavsky -residente en París-, quienes realizaron en mayo pasado una descripción por videoconferencia que conformaba los datos del inmueble que tenían en el juzgado. ”Ninguna de las dos mujeres sabían dónde habían estado. Es más, pensaban que habían estado alojadas en la Comisaría 50 de la Capital Federal”, indicaron desde el Juzgado número 1 a cargo de esta causa.

Además, los compradores de la casa en 1977 fueron ubicados y declararon en el juzgado que cuando ingresaron a la propiedad encontraron en el sótano unos “zapatos de mujer sucios y de color rosa viejo y también zapatos de hombre”.

Orletti era un taller mecánico de Floresta, que fue alquilado entre mayo y noviembre de 1976 por agentes de inteligencia con documentos falsos, con el objetivo de ser usado como lugar de detención ilegal.

El lugar fue capitaneado por la banda del agente parapolicial y orgánico de la SIDE Aníbal Gordon, quien murió en prisión en 1987 como consecuencia de un cáncer. En la actualidad se desarrolla un quinto juicio por los crímenes cometidos en Orletti, en el que hay cuatro imputados, con sentencias anteriores, acusados de cometer delitos de lesa humanidad en perjuicio de once víctimas.

La acusación se encuentra a cargo del fiscal Pablo Ouviña, quien aguarda información para determinar si corresponde hacer una instrucción complementaria que le aporte información al proceso oral que se encuentra suspendido como consecuencia de la pandemia de coronavirus.

 

[Fuente: http://www.infobae.com]