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Desde esta quarta-feira e até 13 de agosto decorre a 75a edição do festival internacional de cinema de Locarno, na Suíça, cujo programa inclui filmes de realizadores portugueses. Na sexta-feira passada estreou, no âmbito do festival, “Nação valente”, filme do realizador luso-angolano Carlos Conceição.

‘Nação valente’, filme do luso-angolano Carlos Conceição.

Esta que é a segunda longa-metragem do cineasta trata do fim da presença portuguesa em Angola e, ao abordar os confrontos com os nacionalistas angolanos, dá também espaço para um drama, com uma jovem angolana a descobrir o amor e a morte com um soldado português.

Reflexão sobre a história, o colonialismo e a guerra, com este filme Carlos Conceição pretende igualmente dizer que as ideias subjacentes ao colonialismo continuam bem presentes nos dias de hoje, designadamente através das discriminações em função do género, da cor da pele, da instrução, ou da sexualidade. O cineasta lança deste modo um olhar sobre a natureza cíclica do fascismo e como continua a ser uma ameaça.

RFI: O seu filme é uma parábola. Fale-nos do seu filme.

Carlos Conceição: Antes de mais, creio que sim, o filme é uma parábola e penso que é uma parábola sobre o presente que usa o passado como instrumento para convidar o espectador a reflectir sobre se as ideias de que gostamos de pensar que são ultrapassadas estarão realmente ultrapassadas. Temos no mundo inteiro uma espécie de ressurgimento cíclico de ideias velhas que provavelmente não são constantes, não são as mesmas, mas que são sempre contraproducentes, sempre contrarrevolucionárias, são sempre contraevolutivas. No entanto, elas aparecem outra vez e a minha principal ambição com este filme é de convidar o espectador a pensar nessas questões à luz do presente quando toda a gente diz que essas ideias já não fazem parte do nosso dia a dia. Até que ponto é que elas ainda são aceitáveis no contexto do presente.

RFI: Uma constante são as guerras.

Carlos Conceição: As guerras parecem ser sempre uma consequência e acabam depois por ser a causa de novos pensamentos, mas as consequências das ideias antigas e dessa constante batalha de ideologias é que parece que comanda toda a existência das pessoas infelizmente.

RFI: Aqui já chegou a fama de que Carlos Conceição está a criar o Novo Cinema português. É um grupo de que faz parte?

Carlos Conceição: Esta é a primeira vez que estou a ouvir esta narrativa. Sobre o facto de haver um grupo, não sei. Sinto que na verdade o cinema português está bastante fracturado e bastante individualizado. Na verdade, há tudo menos um sentimento geracional, um sentimento de grupo. Não existe um sistema de companheirismo nem de parcerias, como por exemplo o que caracterizou a ‘Nouvelle Vague’, ou o ‘Cinema Novo’ brasileiro ou mesmo algumas fases do cinema português. Eu penso que neste momento -e sobretudo depois da pandemia- parece existir muito uma espécie de um cinema introspectivo, diria quase egoísta e que não é igual de filme para filme. Não partilha tanto parentesco. Mas é bom ouvir dizer que fora de Portugal existe essa impressão.

RFI: Sai do ano de 1974 e, de repente, nós estamos no ano de 2022. Como é que fez essa transposição?

Carlos Conceição: Eu penso que há uma transição no filme, uma provocação histórico-temporal que serve justamente para convidar o espectador contemporâneo a questionar se as ideias velhas do passado estarão realmente erradicadas no presente. Esse é todo o motor do filme. Quando nos habituamos a ver uma narrativa à luz de uma determinada época. Nós sabemos que estamos a ver uma história que se passa em Angola em 1974. Portanto, há muitos pensamentos que não questionamos porque sabemos que pertencem ao passado. Mas será que queremos assumir que ainda pertencem ao presente? É isso que quero que o meu filme faça. Porque é verdade que essas ideias não estão ultrapassadas. Matam pessoas. Essas ideias antigas e discriminatórias da ditadura, do passado, do fascismo ainda matam pessoas hoje. Muitas vezes se diz que é preciso seguir em frente, virar a página, não falar do que está para trás, não perpetuar estas narrativas. Eu acho o oposto. Precisamos de perceber porque que essas ideias ainda existem hoje e qual é o tempo de antena que elas têm, para prevalecer.

RFI: O seu filme levanta questões sobre a direita-esquerda e o fim do colonialismo. Sente que poderia ser alvo de críticas por isto?

Carlos Conceição: Eu senti isso todos os dias da minha vida desde que nasci. Sinto isto muito vivo no discurso da direita. Sinto que não houve uma descolonização completa da cabeça das pessoas e creio que a descolonização era obrigatória no momento em que aconteceu, como continua a ser. O que me impressiona é que a descolonização não tenha sido completa, não tenha sido absoluta, que haja pessoas que ainda preservam essas ideias e que defendam o tempo antigo, que defendam extremismos de nacionalismos, ideias de extrema-direita, que na maioria das vezes envolvem discriminação baseada em género, em cor da pele, em instrução, na orientação sexual, uma porção de coisas de que as gerações mais novas já estão fora. Já têm uma abordagem muito diferente e uma frescura muito maior de visão dessas ideias. Mas ao mesmo tempo, começam ultimamente a surgir tabus em relação a certos assuntos que são uma espécie de contrarreacção. Essas microcolonizações que existem culturalmente, hoje em dia já não se trata de ocupar ilegalmente o território de outras pessoas, apenas trata-se também de ocupar as mentes das pessoas com tabus, com ideias morais novas, novas abordagens talvez sobre produtos industriais, o materialismo. Tudo isto é uma espécie de colonialismo. Eu penso que temos de estar sempre alertas.

RFI: No seu filme, aparece uma mulher, uma prostituta, Apolónia, fale-nos dessa personagem.

Carlos Conceição: O que eu queria fazer era uma personagem quase de tragédia grega, uma personagem épica. Na tragédia grega, essas protagonistas como Electra, são figuras que trazem transcendência, que trazem transformação, que muitas vezes são eticamente ambíguas e são elas que são responsáveis pela iluminação de uma ideia, pelo esclarecimento de um problema. O que eu queria com esta personagem é que fosse uma mulher capaz de um pragmatismo muito palpável, muito concreto e que fosse tudo menos uma santa, que fosse uma mulher de carne e osso, uma mulher falível, uma mulher com as suas amarguras, as suas perdas e que fosse ela que trouxesse finalmente a verdade e a luz. Apolónia pareceu-me um nome apropriado porque, não tenho a certeza de conhecer toda a etimologia da palavra nem do nome, mas sei que Apolónia foi uma mártir cristã que foi torturada e que ficou sem dentes e, por isso mesmo, ela é a santa padroeira dos dentistas. Sendo uma mulher melancólica, no filme ela é também aquela que é capaz de ser embaixadora do sorriso e de trazer essa luz.

 

[Foto: cortesia Carlos Conceição – fonte: http://www.rfi.fr]

Es tiempo de volver a hablar de sexo en términos de afirmación del placer y la libertad

 

Desnudo reclinado con el pelo suelto. Amadeo Modigliani (1917)

Escrito por Nuria Alabao

Parece absurdo agradecer a las que vinieron antes, a las que lucharon por nosotras. Suena casi ridículo apelar a la defensa de la revolución sexual en el mundo hipersexualizado de hoy. Sin embargo, muchos discursos públicos respiran un cierto puritanismo otra vez, y la mayoría provienen del propio feminismo. Discursos que dicen que la revolución sexual se hizo “para los hombres”, que contribuyen a fijar la sexualidad femenina a una determinada normatividad –“las mujeres tenemos una sexualidad distinta”, “queremos afecto, no solo sexo” o que aseguran que “no nos gusta el porno”–. No dudo de que la socialización de hombres y mujeres todavía es distinta, pero las formas de experimentar la sexualidad son cada vez más plurales y más libres. Y eso ha sido gracias a las que se organizaron y cambiaron la cultura y nuestras costumbres para siempre. Quizás sí hace falta volver la vista atrás y reconocer todo lo que hemos ganado, aunque podamos, sin duda, reflexionar sobre lo que nos queda por conquistar. ¿Por qué da miedo la libertad sexual, por qué parece que volvemos a un ambiente reaccionario en estas cuestiones?

A veces, para saber lo que hemos ganado, podemos volver la vista atrás. Mi madre, nacida en los 50, se casó para escapar del control familiar. En concreto del de su madre, mi abuela Pepa, férrea defensora de la moral tradicional que la tenía bien amarrada, con normas estrictas sobre horas de salida y de entrada –la noche era territorio vedado– y lo que era posible hacer. Hombres a solas… mejor no. Es verdad que para esa época ya había otros modelos, pero no tantos en el lugar y la clase social que ellas habitaban –la divisoria pueblo/ciudad era más marcada entonces que ahora–.

Mi abuela no era mala persona, simplemente se crió en un ambiente donde bailar estaba mal, donde estar con hombres se consideraba un peligro y lo reprodujo en su crianza. No era una controladora obsesiva ni patológica, simplemente había aprendido, a costa de su propia felicidad, que la desviación de la norma moral tenía un alto precio que se podía estar pagando toda la vida. Como lo pagó ella. De muy joven se quedó embarazada y le obligaron a casarse con un hombre al que no quería, que la acabaría abandonando muy pronto con dos niños pequeños después de una relación triste y violenta. Fue su experiencia de vida, el peligro siempre enunciado en susurros de lo que le podía pasar a las “perdidas”, la que le transmitió el mandato de hacer cumplir la moral sexual patriarcal, a ella y las mujeres de su generación. Mi madre se casó muy pronto porque quería huir de todo eso, quería decidir por sí misma algo tan básico como cuándo entrar y salir de casa y respirar un poco. Es cierto que podría haberle salido mal, digamos si el marido hubiese sido el sustituto del control materno, la potestad la tenía –hasta 1975 el matrimonio conllevaba una restricción de libertades para las mujeres incluyendo la institucionalización de la violación, que no estaba reconocida debido a la figura del “débito conyugal”, a la obligación de estar disponible para el marido que existió hasta 1992–. En cualquier caso, mi madre dice que fue feliz aunque también que nunca estuvo con nadie más mientras estuvo vivo mi padre. Es decir, hasta cumplir los 68. Sus expectativas y posibilidades de experimentación estuvieron muy constreñidas por su entorno y educación.

Es la generación de mi madre la que hizo la revolución sexual en este país. Quizás ella, por estrato social, no fue la vanguardia de ningún movimiento contracultural, pero tengo que agradecerle que se asumiese rápidamente como parte de una sociedad que había cambiado, y mi crianza y la libertad de la que disfruté fueron totalmente otras. (Aunque todavía recuerdo una guerra generacional y a mi abuela diciéndome que solo las putas llegaban tan tarde a casa como yo). En cualquier caso, las que vinimos después tuvimos más fácil disfrutar del sexo y más libertad para hacerlo –tanto espacio simbólico, como real–. Con todos los discursos contradictorios que se pudiesen dar –de nuevo el “puta” en las bocas ajenas si vas con muchos chicos, etc.–, el camino fue menos empedrado.

Las que vinimos después tuvimos más fácil disfrutar del sexo y más libertad para hacerlo

Otro aspecto de ese mundo de posibles que se abría fue que también pude enamorarme y tener relaciones con mujeres, algo que mi madre no se atrevió casi ni a imaginar de joven. Algo que es cada vez más común. Es suficiente con hablar con los chavales más jóvenes para hacerse una idea de cómo viven esta cuestión con mayor normalidad que sus mayores. En España no hay encuestas, pero en EE.UU. casi el 21% de la Generación Z –nacidos entre 1997 y 2003– se identifica como LGTBI. Una cifra enorme y muy superior a las de los años anteriores. También parece haber mayor diversidad en las formas de vivir estas preferencias sexuales no normativas. No solo homosexual o bisexual, hoy se habla de pansexualidad –atracción sexual hacia otras personas independientemente de su sexo o identidad de género, es decir también hacia personas trans o no binarias–. Lo queer también ha hecho estallar muchas de esas categorías incluso más allá de las etiquetas, que abren nuevos caminos. Hoy hablar con muchos jóvenes sobre estas cuestiones es aprender cosas nuevas. (También se inauguran nuevos conflictos, como los debates que estamos viviendo a propósito de la infancia trans, paradójicamente ahora que se normaliza más y más niños se declaran así).

En fin, siento que no paro de decir obviedades, pero cuando leo eso de que “la revolución sexual se hizo para los hombres”, me pregunto qué mundo habitan esas personas que lo enuncian, si no se acuerdan de dónde venimos. Si no se acuerdan de la radicalidad del movimiento feminista de los 70, cuando teníamos todo por conquistar y el discurso era el de la “liberación” –reproduciendo el lenguaje de las luchas anticoloniales y por los derechos civiles–. Liberación que también era de la familia, del deseo y por supuesto sexual, y que dio forma a un mundo nuevo, un mundo que descubría que una parte importante de la opresión de las mujeres estaba contenida o mediada por la sexualidad pero que no lo dibujaba únicamente como un lugar de opresión, sino como un espacio que tenía que ser nuestro. Estas luchas, además, tuvieron forma muy concreta en España por derechos que todavía no teníamos –contra el delito de adulterio, para poder abortar o decidir cuándo ser madres…–. La reivindicación de la libertad sexual siempre tuvo una contracara en la lucha contra la violencia, pero nunca es solo eso. No tenemos que olvidarnos.

En esos años también se criticaron cosas como el sexo que ponía únicamente en el centro la penetración, se habló de orgasmo clitoriano y de placer, placer con mayúsculas. Se discutió sobre fantasías sexuales, y si tenían que ser de un determinado tipo o no para ser feministas o incluso si el sadomasoquismo era una práctica “aceptable”. Cosas que ahora nos parecen evidentes pero que en algún momento hubo que nombrar para hacerlas nuestras, que ampliaron mundos y posibilidades. El feminismo más liberador no es el que pone normas o reglas o dice quién puede formar parte o no, o qué sexualidad o qué porno son legítimos, sino el que abre nuevas posibilidades y libertades para todas.

Hoy el envite ultra, la contraofensiva sexual de la derecha es todavía una reacción a las luchas de los setenta y sus consecuencias. Sobre todo las que reivindicaron la separación entre sexo y reproducción –que están en el corazón de todo proyecto conservador–. Digo obviedades una vez más, pero todo eso fue la revolución sexual. ¿Se hizo para los hombres? Algunas siguen diciendo que sí, y que la promiscuidad que hoy se ha normalizado es una victoria para ellos. Si bien no podemos equiparar promiscuidad y liberación sexual, por lo menos, hemos descubierto que puede ser una opción para muchas mujeres, si lo deseamos, una opción entre otras, no es un territorio de ellos. Gracias a nuestras mayores por haberme abierto también esa puerta.

Neoliberalismo sexual

Hoy otras críticas ponen en el centro la comercialización del sexo, o señalan la sexualización del cuerpo femenino en las representaciones hegemónicas. Culpan al neoliberalismo de todo ello, una suerte de “hicimos la revolución sexual y ahora nos venden sexo”, como si no supiésemos que toda conquista es susceptible de convertirse en mercancía. Esas paradojas habitamos en el mundo que produce valor a partir de los signos y las experiencias, pero también sabemos que esa comercialización se nutre de “yacimientos de autenticidad” –alguien tiene que tener esa experiencia de manera real en algún lugar para que pueda ser vendida, y que produzca valor para algún otro no la invalida–.

Hoy el envite ultra, la contraofensiva sexual de la derecha es todavía una reacción a las luchas de los setenta y sus consecuencias

Pero de lo que se habla menos sobre el neoliberalismo es de que también ha servido para instalar el marco de que cualquier problema social o cultural es susceptible de ser resuelto recurriendo a más código penal, a más encarcelamientos o multas, al Estado punitivo. Hoy se da un conflicto fuerte entre un feminismo que cree que esta debería ser la principal apuesta para garantizar la libertad sexual de las mujeres ante a las agresiones, frente a un feminismo que sabe que necesitamos ir más allá, porque a los juicios no llegan la mayoría de estas agresiones y porque a la justicia no tenemos acceso todas por igual –la clase, los papeles, la raza son límites claros–. Precisamente, el feminismo punitivo es un tipo de feminismo que potencia y multiplica las narrativas sobre el “terror sexual” que van en detrimento de nuestra propia libertad y que suelen coincidir con posiciones que quieren prohibir y castigar la pornografía o la prostitución como si fuesen el origen de la violencia contra las mujeres.

Gayle Rubin decía que ya en los 80 buena parte de la literatura feminista atribuía la opresión de las mujeres a las representaciones gráficas del sexo, a la prostitución, o incluso a la transexualidad. “¿Qué ha pasado con la familia, la religión, la educación, los métodos de crianza, los medios de comunicación, el Estado, la psiquiatría o la discriminación laboral y salarial?”, se preguntaba. En vez de apuntar al sistema, de señalar cuestiones estructurales, se trata de prohibir las cosas que no nos gustan. Como expliqué en otro artículo, el escándalo moral funciona bien como activador político, depositamos nuestros miedos en algún lugar, creamos chivos expiatorios. Estas formas “comunicativas” de la política son más fáciles que organizarse y generar alternativas propias que no pasen por demandar la protección estatal. Lo que necesitamos, dice Raquel Osborne, “son mujeres fuertes, autónomas y con recursos para evitar lo que les hace daño y para luchar por cambiarlo”. En la era del #Metoo vuelve a acecharnos la representación de la sexualidad como un espacio de peligro, pero hoy, como ayer, existe un feminismo que también la imagina como un lugar propio, también de resistencia. La revolución sexual es nuestra victoria.

Así que gracias, hermanas, por las posibilidades de disfrutar la sexualidad, por desacralizarla. Hoy en los medios se informa tanto y de maneras a veces tan alarmistas de la violencia sexual que el sexo puede llegar a ser percibido como un terreno hostil. Volvamos a hablar del placer y de la libertad. Recuperemos el susurro del pasado, donde nuestras prácticas sexuales, en palabras de bell hooks, “pueden optar por la promiscuidad o por la castidad, por abrazar una identidad y preferencia sexual específica o por elegir un deseo cambiante, no encasillado, que se despierte tan solo por la interacción y el compromiso con personas concretas con quienes sentimos la chispa del reconocimiento erótico, independientemente de su sexo, raza, clase o incluso su preferencia sexual. Los debates feministas radicales sobre sexualidad deben salir a la luz para que el movimiento hacia la liberación sexual pueda volver a empezar”.

[Imagen: MUSEO DE ARTE MODERNO DE LA CIUDAD DE OSAKA – fuente: http://www.ctxt.es]

Comment draguer et faire l’amour à l’étranger? Ne cherchez pas, c’est partout pareil. Enfin, dans les pays occidentaux. Et depuis peu.

Détail de la couverture de L'Incroyable Histoire du sexe, de Philippe Brenot et Laëtitia Coryn. | Les Arènes BD

Détail de la couverture de L’Incroyable Histoire du sexe, de Philippe Brenot et Laëtitia Coryn

 

Écrit par Alexandra Luthereau — Édité par Thomas Messias

Il y a eu le taylorisme, le Coca-Cola et les jeans Levi’s. Mais la mondialisation ne s’est pas contentée d’uniformiser nos façons de nous habiller, de manger et boire ou même de travailler; elle s’est également immiscée dans nos lits.

Il y a encore quelques décennies, on pouvait se targuer d’avoir été draguée par un latin lover, d’être ébloui par la liberté sexuelle des Suédoises ou de s’imaginer vivre l’érotisme des mille et une nuits. Mais aujourd’hui, la séduction et le sexe sont à peu près les mêmes partout dans le monde.

«Jusque dans les années 1970-1980, on parlait de séduction française, italienne ou anglaise. Le Français représentait l’amour libre, l’Italien le “seductore” personnifié par Aldo Maccione. L’Anglais, c’était le chic et la réserve. Aujourd’hui, on s’habille tous avec les mêmes marques internationales. Et ces différences se sont effacées», illustre Philippe Brenot, psychiatre, psychothérapeute de couple et auteur de L’incroyable histoire du sexe. Un ouvrage façonné avec Laëtitia Coryn, et dont les deux tomes ressortent le 25 août 2022 aux Arènes, dans une nouvelle édition.

L’Incroyable Histoire du sexe, de Philippe Brenot et Laëtitia Coryn

Dans le même bateau

Cette mondialisation a commencé par celle… du baiser. À partir des années 1920, le cinéma hollywoodien s’exporte. En Chine, en Afrique, en Allemagne, au Mexique, on regarde les productions made in USA, où les baisers sur la bouche représentent le summum du romantisme, de la séduction et des préliminaires. «Les gens commencent à adopter le french kiss, alors que certains, comme les Japonais, ne s’embrassaient quasiment jamais sur la bouche auparavant, mais se touchaient plutôt le bout du nez», raconte-t-il.

Aujourd’hui, cette uniformisation perdure toujours, à travers le cinéma, mais aussi avec internet et les séries. «On se séduit, on se met ensemble, on divorce sur ces modèles. Combien de fois des gens ont imité la scène de Titanic…» Vous savez celle où, à la proue du célèbre navire, Rose (Kate Winslet), tendrement enlacée dans les bras de Jack (Leonardo DiCaprio), tend les bras face à l’océan et s’enthousiasme («Je vole, Jack»), avant que les deux tourtereaux s’embrassent. «Les particularités de chaque culture disparaissent devant l’efficacité de la séduction sur un mode ou sur un autre, par telle ou telle pratique.»

L’Incroyable Histoire du sexe, de Philippe Brenot et Laëtitia Coryn

C’est la même chose avec le porno. Finalement, nous ne voyons jamais personne faire l’amour, sauf à évoluer dans un environnement libertin. Mais nous regardons des films pour adultes, produits en majorité aux États-Unis. Leur visionnage va inspirer nos fantasmes et nos gestes; en particulier, des jeunes biberonnés à YouPorn vont essayer de reproduire à l’identique ce qu’ils voient dans ces films, au mépris du respect des rapports femmes-hommes et de l’éducation sexuelle qui a pu leur être prodiguée par ailleurs.

Insta et les lieux symboliques de l’amour

Même les lieux romantiques se mondialisent. Une plage paradisiaque, la tour Eiffel, l’île de Santorin… Pour être un couple idéal et être reconnu comme tel, il faut avoir sa photo dans ces lieux symboles de l’amour. Et surtout l’avoir postée sur Instagram. Manque d’originalité, posture de consommateur de la romance, cette tendance, surtout, «appauvrit l’imaginaire», déplore le thérapeute pour couples.

Parmi les 168 cultures étudiées au cours de l’année 2014, 77 pratiquent le baiser romantique-sexuel.

Cela dit, quelques particularités persistent ici ou là. Dans certains pays d’Afrique, le kunyaza, une pratique masturbatoire traditionnelle, sorte de vibromasseur naturel, fait encore partie des préliminaires. Et au pays du Soleil-Levant, profondément humilié par la défaite de la Seconde Guerre mondiale et la présence militaire américaine, «les Japonais tentent de se réapproprier la vie par le sexe».

Masturbation, revues et films pornopoupées sexuelles, bars à hôtesses, fétichisme de la petite culotte, la vie érotique des Japonais est tout à la fois exubérante et libérée, tandis que la société demeure patriarcale et hétérocentrée, et que les couples font peu l’amour.

L’Incroyable Histoire du sexe, de Philippe Brenot et Laëtitia Coryn

Quant à la Chine, les relations affectives et sexuelles y sont chamboulées par la surreprésentation des hommes par rapport aux femmes, liée à la politique de l’enfant unique pratiquée pendant trente-cinq ans jusqu’en 2015. Autre exemple encore: ces dernières années, des études ont démontré qu’aux États-Unis, les jeunes seraient moins portés sur la chose.

Enfin, le baiser ne serait pas universel non plus. Des chercheurs américains ont publié en 2015 une étude dans la revue American Anthropologist montrant que moins de la moitié de la population mondiale s’embrassait sur la bouche de façon romantique. Parmi les 168 cultures étudiées au cours de l’année 2014, 77 pratiquent le baiser romantique-sexuel. Il est ainsi absent des cultures d’Amérique centrale et très peu présent dans les cultures africaines.

Mariages d’amour

En réalité, la séduction et l’érotisme sont des pratiques très récentes. Si on observe les quelques milliers d’années qui ont précédé notre époque, ce n’était pas franchement la norme. Cela ne concernait que quelques personnes.

«En général, le peuple et les femmes n’y avaient pas accès. C’était surtout des hommes de l’aristocratie qui bénéficiaient de la présence de professionnelles dédiées à leur plaisir avec un érotisme raffiné», résume Philippe Brenot. Et ceci était valable aussi bien en Europe, en Asie ou en Afrique. Oui, au XVIIIe siècle, le libertinage était courant en France… mais dans les salons de l’aristocratie. «Dans le peuple, on retrouve le viol, et des comportements sans aucun érotisme», abonde-t-il.

«En Occident, et particulièrement en France, nous avons une grande liberté.» Philippe Brenot, psychiatre

En Inde, le Kamasutra, un manuel d’art de vivre, écrit entre les VIe et VIIe siècles, est destiné à la haute société indienne et décrit le mode de vie des personnes cultivées. Il prodigue des conseils de séduction pour une vie harmonieuse dans le couple, et ce à travers notamment ses soixante-quatre positions sexuelles –un volet qui ne constitue toutefois qu’un chapitre du livre à proprement parler.

De la même manière, les danseuses du ventre dans le Moyen-Orient ou les geishas japonaises se produisaient devant les hommes riches.

L’Incroyable Histoire du sexe, de Philippe Brenot et Laëtitia Coryn

Bref, pendant très longtemps, la séduction et l’érotisme ne concernaient qu’une poignée de personnes. Mais tout change au début du XXe siècle. Jusque-là, le mariage est une affaire d’union de famille, pas d’amour ou alors très rarement –et ce dans tous les milieux, y compris modestes ou ruraux. Puis à partir de la Première Guerre mondiale, on assiste aux premiers mariages d’amour entre personnes du même âge.

Aujourd’hui, cette liberté dans la séduction et la sexualité représente la norme. En tout cas en Occident, lequel regroupe à peine 25% de l’humanité si l’on y inclut l’Amérique du Sud et les Caraïbes. Les trois quarts du monde sont toujours des sociétés traditionnelles, où la religion pèse considérablement. Dans ces pays, les personnes, majoritairement les femmes, sont souvent contraintes, ne peuvent pas choisir, et la séduction et les relations sexuelles sont très codifiées, c’est-à-dire réprimées en dehors du mariage.

C’est ainsi que par exemple, en 2013 au Marocdeux adolescents ont été poursuivis pour «atteinte à la pudeur» après avoir posté sur Facebook des photos d’eux en train de s’embrasser. En Inde, en 2014, des groupes de personnes se sont réunis pour s’embrasser et défier la répression morale qui condamne quiconque manifeste des signes d’affection en public. Ce qui fait dire à Philippe Brenot qu’«en Occident, et particulièrement en France, nous avons une grande liberté». Alors profitons-en.

[Illustrations : Les Arènes BD – source : http://www.slate.fr]

Son pocos los artistas que se atreven a incursionar en el arte erótico. En el caso de Verónica Cestau (Montevideo, 1972), el interés por esta forma de expresión se fue decantando luego de variados trabajos que cimentaron su carrera de artista plástica y del conocimiento del dibujo del cuerpo humano. Dio sus primeros pasos en el taller de Edgardo Ribeiro y continuó un camino que la conduciría a perfeccionar el estudio con experiencias que surgieron desde la publicidad y trabajos en estudios de animación. Desde esta base, pudo armonizar el dibujo al natural, la forma de sintetizar las luces y las sombras y las proporciones; sumado al trabajo con cómics que le aportó la síntesis de la estructura del cuerpo humano. A estos ingredientes le incorporó un taller de fotografía y su experiencia en retrato con modelo vivo para finalmente presentar una serie de retratos en una serie llamada Convivencia, en la que se presenta como una excelente retratista con motivo erótico. Se trata de trabajos que primero son registros fotográficos y luego se transforman en documentos de los cambios en las percepciones del sexo y de lo erótico en nuestros tiempos. Para Cestau el mundo está cambiando muy rápido y ella se prefigura como una testigo atenta realizando una reinterpretación del erotismo con cierta perspectiva de género, transformando el objeto sexual en un sujeto de derecho al erotismo.

Escrito por Gabriela Gómez

Fotos por Mario Cattivelli

¿Te considerás una pintora retratista?

Básicamente me considero una retratista con aspiraciones varias. Me encanta el retrato porque creo que me interesa la gente, las personas, conocerme a mí a través de las personas que retrato. Ver en qué me puedo reflejar y ver qué es lo que hay de mí en esas personas y, además, descubrirme. Hay un interés por el retrato del cuerpo humano en general, que es demasiado complejo. Me he dedicado a hacer una especie de zoom sobre las caras pero me interesa el retrato en toda su concepción. Porque si nos ponemos a hilar fino, un retrato puede ser un pie.

¿Cómo fueron tus inicios en esta disciplina?

Yo empecé a trabajar profesionalmente alrededor de 2003 en la galería MVD, de Fito Sayago, y en el candombe encontré una forma de expresión que tomaba esta manifestación artística como excusa, como tema y medio de expresión, y como una forma de empezar a trabajar en galerías.

¿Vivías de este trabajo?

Viví un tiempo de eso hasta que necesité un poco de cable a tierra, porque había meses que se vendía muy bien y otros no, lo que le pasa a la mayoría de los artistas. Ahí empecé a dar clases y fue el equilibrio perfecto entre la estabilidad económica que me aportaba la docencia y trabajar profesionalmente con la pintura.

También trabajaste en publicidad…

Sí, trabajé muchos años en publicidad, en los años en que ibas y te presentabas con una carpeta con tus pinturas o dibujos a los directores de arte y te prestaban atención. Me acuerdo de que entré en Corporación Thompson cuando recién se empezaba a trabajar con programas de computación en las agencias y yo entré y aprendí en la misma agencia, ayudada por mis compañeros. Fui aprendiendo el oficio del diseño.

¿Tu formación plástica viene desde la publicidad?

No. Antes de eso, a los quince años, empecé a ir al taller de pintura de Edgardo Ribeiro, discípulo de Torres García. Era una escuela bastante disciplinada. Empecé porque tenía una amiga en el barrio que iba a un taller que quedaba muy cerca de mi casa y, cuando me di cuenta de que se trataba de un discípulo de Torres García, me anoté. Estuvo muy bueno porque me sumó mucho ese taller. Yo dibujaba bien aunque no me destacaba especialmente, por eso siempre les digo a mis alumnos que creo mucho en el trabajo.

Haber estudiado en el taller de Ribeiro, ¿te influyó en la técnica o en el uso de colores?

En realidad, ellos manejaban una paleta muy baja, con mucho ocre, mucho rojo de hierro, una paleta muy restringida. Fue una escuela buenísima, que yo valoro mucho, con mucho dibujo, mucha observación del natural que también me forjó como dibujante. Te diría que esa base del dibujo de observación del natural más la animación fueron los dos pilares, a pesar de ser dos cosas absolutamente diferentes. Pero se combinaron y resultaron en algo que a mí me resulta muy útil.

¿En qué aspecto te aportaron estas dos técnicas?

Por ejemplo, el dibujo de observación al natural me ayudó a sintetizar las luces y las sombras; las formas, las proporciones, una paleta armónica, porque al ser restringida se provocaba casi sin querer la armonía, porque todo está relacionado. Esto de parte del taller. Y como traduje todo eso al dibujo fue un ejercicio que al hacerlo tanto tiempo y tantas veces, como que el ojo se va educando. Es como un entrenamiento. La parte de animación me aportó en cuanto a la síntesis de la estructura del cuerpo humano, tanto de la cabeza como del cuerpo en general. Los diferentes puntos de vista posibles, las figuras geométricas que componen el cuerpo, cómo hacemos para traducir esa forma tan compleja que es un cuerpo, una mano, una cabeza. Esto es lo que trato de enseñarle a mis alumnos; porque la gente que viene a mi taller, no toda, pero la mayoría, quiere trabajar el retrato y la figura y yo trato de enseñarle esas dos cosas que aprendí y tratar así de acortarles el camino.

¿Siempre tuviste facilidad para dibujar o se desarrolló con la práctica?

Tengo una hermana melliza con quien, cuando estábamos aburridas, dibujábamos, construíamos cosas, hacíamos títeres, en una época en que había muy poco para hacer y teníamos que pensar. Dibujábamos y creábamos muchísimo. Pero la inquietud por la pintura creo que empezó porque teníamos una tía que nos regalaba muchos libros de arte. Al principio fue algo como extraño, porque en general te regalan libros de aventuras y ella siguió la tradición de una tía suya, que también le regaló este tipo de libros. Me acuerdo de quedar fascinada con un libro de Miguel Ángel y no poder creer que un ser humano fuera capaz de pintar eso. A partir de ahí pude conectar esa parte lúdica con el hábito por dibujar. Y ahí empezás a ver que podés crear cosas que antes no existían mezclando los colores con cosas abstractas, generar imágenes y encontrar un placer que no es igual a nada. Al principio tenía muchos sueños de vivir de eso cuando era más chica, y me di cuenta más tarde e que no era así, que era muy difícil, que es un camino bastante complicado; y además tomé conciencia de que ser pintor implica también un compromiso. No solo de pintar sino el hecho de tener algo que decir, muchas cosas que en ese momento creo que me faltaban.

Después entré en la publicidad, un lugar donde pude volcar algunos conocimientos que tenía del dibujo y también a ganarme la vida. También trabajé en un estudio de animación, haciendo dibujos animados. Ahora es más común, pero en aquel momento éramos muy precarios. Yo trabajaba con un dibujante de cómics; después se fueron sumando dos dibujantes más y aprendí mucho con este compañero que trabajó para la DC Comics, quien era muy talentoso y, para mí, los mejores dibujantes son los de comics. En aquel momento le pedíamos consejos a Walter Tournier, que era y es lo máximo que había por acá en materia de animación, un referente, sabía mucho y nos ayudó, porque en ese momento había muy poca información o libros acerca de animación. Después volví a la publicidad, y en un momento dije: ahora o nunca. Me tiré al agua, renuncié y me dediqué de pleno a mi vocación. Antes de renunciar yo había escuchado que Fito Sayago había abierto esta galería y que estaba convocando a artistas emergentes, que recién empezaban, la mayoría jóvenes, y dije: voy a probar. Le llevé una carpeta con unas pinturas y me abrieron las puertas. Fue hermoso y un sueño hecho realidad, en una galería divina.

Ese momento es muy importante para un artista, poder mostrar trabajos que se han hecho en la intimidad…

Sí. Porque es un momento en que exponés y te exponés.

Tus primeros cuadros tenían como motivo el candombe. ¿De dónde tomabas los modelos para pintar?

Los modelos vienen de fotografías, cuando he tenido oportunidad he hablado con las personas, y en otros casos son fotos “robadas”, pero al ser un espectáculo público no tenía problema. Se trata de trabajar con fotos en movimiento, y eso me dio un bagaje superinteresante para trabajar. Pero es una etapa que está bastante agotada, y luego empecé a hacer cosas mirando más para adentro, tratando de conectarme más con mi vida, con mis experiencias, mis preguntas y cuestionamientos. En paralelo, seguí estudiando fotografía y empecé a hacer un taller de relato con el fotógrafo Pablo Larrosa, en el que teníamos que armar una serie de fotografías que tuvieran que ver con un relato, con contar algo.

¿Cómo surgió la idea de lo que más tarde sería la serie de cuadros Convivencia?

Paralelamente, yo trabajaba con dos modelos: Virginia y Esteban, porque también formo parte de un taller que se llama ‘La clínica’, donde con otros colegas dibujamos modelo vivo, y ellos dos son modelos de allí. Son actores y bailarines de tango. Querían tener un registro a través de la pintura y yo también necesitaba un tema, así que resolvimos hacer esta serie de fotografías, y surgió esta serie que se llama Convivencia, que es el diario vivo de una pareja con sus luces y sus sombras, encuentros y desencuentros, la rutina, el quererse, el pelearse. Después, vino otra serie que tiene que ver con el erotismo y es como que una es hija de la otra, que está relacionada con los procesos de vida de uno mismo y los cuestionamientos propios con respecto a la convivencia en pareja. Creo que este tema se nos presenta a las personas como un estado de felicidad y no necesariamente es así. Entonces son cuestionamientos que yo me estaba haciendo y me hago a mí misma. Y también se fue dando el tema del erotismo porque Diana Saravia está por abrir una galería de arte erótico y yo, sin hablar con ella, me puse a ver cómo abordaría el tema si tuviera que presentarle algo. Entonces empecé a hacer alguna cosa y me di cuenta de mis propias limitaciones, tabúes y la propia concepción de lo erótico de lo que no se habla directamente, ni siquiera contigo misma.

¿Y qué fue lo que te estimuló?

Fue por el lado de la fotografía. Empecé a ver fotos de porno vintage y me pareció que lo vintage hacía que la imagen conservara algo de frescura, había como algo más de realidad. Entonces dije: “Voy a hacer una reinterpretación de esto y con cierta perspectiva de género, también. En vez de un objeto sexual, un sujeto de derecho al erotismo, un sujeto de derecho al placer”. A partir de ahí encontré algunas imágenes como disparadores y surgió esta serie que en algunos casos es bastante explícita. En la discusión acerca de si es mejor lo sugestivo que lo explícito esto último también tiene un porqué y un significado, un sentido. Si tengo que contar algo específico no tengo por qué no ser explícita. Es algo que hago con honestidad, y porque además me disparó determinada serie de cosas. Uno está mucho tiempo frente a un caballete, sola trabajando y la cabeza siempre está trabajando también, y creo que una de las cosas ricas que tiene la pintura es que vos reflexionás previamente, pero en el momento de pintar surgen otros cuestionamientos. Me gustó empezar a ver cómo estaba funcionando el tema de la sexualidad en la sociedad en este momento. Y sin duda estamos viviendo un momento histórico, donde las personas tienen más oportunidades de ser ellas mismas; la sexualidad se está cuestionando en cuanto a la monogamia, empieza a no estar mal visto tener relaciones con personas del mismo sexo, es un momento riquísimo para recoger esto que está pasando y contarlo a través de la pintura, y también ver qué me pasa a mí con eso, más allá de lo que le provoque al espectador. Entonces surgió el tema de las nuevas masculinidades que también está relacionado con lo que las nuevas construcciones masculinas aportarían: el hecho de que un hombre pueda expresar sus emociones puede hacerlo menos violento.

¿Cuál fue la reacción del público en la exposición de estos cuadros?

Fue genial, porque la gente se sacaba fotos al lado de los cuadros y se siente muy bien, porque es algo que es muy auténtico y se siente que estás conectada con el trabajo. Estos cuestionamientos son míos, pero el mundo está cambiando muy rápido y está bueno ser un testigo atento, tratar de aprender. Y en esto de estar cada vez más conectada con los cuadros, empezás a trabajar y te haces otras preguntas: “¿Por qué trabajo los cuerpos de esta manera? ¿Por qué elegí estos cuerpos y estas edades?”

Yo estaba preocupada por hacer un trabajo en el que la mujer estuviera empoderada, que hubiera placer y uno de los objetivos de mis cuadros era plasmar el placer, el goce como algo natural. Ese era el primer objetivo, pero después surgieron otros. Ahora estoy tratando de procesar todo. Es que el sexo es transversal a todo y tiene que ver con cómo vivimos nuestra relación con el cuerpo, con los demás.

¿Qué ventajas tiene trabajar con modelos y fotografías?

Me parece que en mi trabajo, cuando lo hago con modelos, hay una sinergia entre fotografía y pintura, si bien yo no pongo la fotografía en el cuadro. Es una interpretación. Y tiene varios pasos: primero editás la fotografía y después la editás nuevamente a través de la pintura y le cambiás elementos, como la paleta de colores, por ejemplo. Es recoger todo lo bueno de la fotografía e incorporar lo bueno de la pintura. Disfruto mucho de todas las etapas de elaboración y cada vez estoy más enamorada de mi trabajo, me ha enriquecido muchísimo.

 

[Fuente: http://www.revistadossier.com.uy]

¿Qué hay detrás de la expiación de la culpa? El silencio. El abandono. La soledad. Y, sobre todo, el rechazo. Las reglas del juego amoroso del siglo XIX se hallan a años luz de las costumbres actuales, aunque el objetivo siga siendo el mismo, pero no así sus consecuencias, o no al menos a priori. En un ambiente cerrado y lleno de miedos Effi Briest verá cómo sus sueños de alegre adolescente se trastocan cuando se casa con el barón Von Innstetten.

Escrito por ÁNGEL SILVELO GABRIEL

Effi Briest

Su autor, Theodor Fontane, construye esta historia desde la distancia que marca el realismo literario del siglo XIX, y de una forma más bien paralela —recreándose en los ambientes sociales de la sociedad prusiana sin llegar a entrar en el fondo de la cuestión, salvo al final— a las circunstancias vitales de una joven mujer que antepone su vigor vital a los convencionalismos de una época atada a unas férreas costumbres morales y religiosas.

La disciplina prusiana, en esta ocasión, es el atávico vestido del que tiene que desasirse una protagonista que solo busca ser feliz. Su felicidad, sin embargo, será marcada por la culpa y su expiación. Dos armas que no sabrá cómo lidiar sino ataviada por la melancolía y el remordimiento.

Theodor Fontane se basó en un hecho real, según revelan sus cartas, para escribir Effi Briest. En concreto, en el caso von Ardenne. De esa historia surge esta otra que está considerada como una de las obras maestras del realismo alemán, y que da luz a unos usos y costumbres inadmisibles en la sociedad de hoy, pero que sin embargo, nos sirven para reflexionar sobre cuál ha sido el largo camino y el gigantesco esfuerzo que han supuesto para las mujeres alcanzar cotas de libertad en todo lo referente a su sexualidad y su posición de igual a igual en el amor con los hombres.

En este sentido, Fontane nos retrata a una Effi Briest inocente, cándida y exenta de los forces que sí maniatan al resto de jóvenes mujeres cuyos matrimonios eran concertados por sus padres. Todos ellos matrimonios de conveniencia con hombres mucho mayores que ellas, y con unas ideas muy alejadas de todo aquello que conlleve algo de libertad.

Si ahondamos un poco en el estilo del autor alemán a la hora de crear este personaje femenino y el mundo que le tocó vivir, hay que decir que, aparte de resaltar el carácter realista de esta historia, su poder de observación se pierde en largas descripciones de ambientes sociales y pensamientos que marchan de manera impostada respecto del tema principal de una narración que, como se apunta, se pierde en las formas alejándose del alma de una historia de amor, desamor y sus consecuencias. Una lejanía que felizmente es abandonada por su autor al final de la misma, donde los personajes por fin se confiesan ante sí mismos y sus errores, marcando con ello el sentido final de la historia narrativa que se nos plantea.

Sin embargo, la falta de salidas —más allá de las convencionales asociadas al ostracismo existencial— redundan en el resultado final de la misma, y en la falta de rebelión de un estilo literario afanado en observar sin llegar a tomar partido. Esa falta de riesgo y posicionamiento lastran esta novela de la que Thomas Mann dijo que si alguien se veía obligado a reducir su biblioteca y a poder conservar solo seis novelas, una de ellas debía ser Effie Briest.

Una historia basada en los conflictos morales y sociales desencadenados por un adulterio. Un viaje existencial cargado por la culpa y su expiación.

 

[Fuente: http://www.todoliteratura.es]

Escrito por JAVIER MEMBA

Alguien de mi época, todo un contemporáneo mío, me dijo, en el ya también lejano fin de siglo, que daba por buenos todos los años cumplidos porque la madurez —que disfrutábamos entonces con las mismas que ahora empezamos a ser unos ancianos— le había dado mucho más que lo perdido con el curso del tiempo. Como el común de los mortales, yo venía oyendo hablar de la sabiduría que trae el envejecimiento —“El Diablo sabe más por viejo que por diablo”, me decían mis mayores desde que les recuerdo— de antiguo. Pero no acabé de admitirlo hasta que no empecé a comprobarlo por mí mismo. No soy ningún sabio, por supuesto. Pero sí mucho menos ignorante que al principio, cuando oía, como quien oye llover y está a cubierto, que todo toca a su fin.

Fue, sin embargo, en esa regla, en ese lugar común, donde yo —supongo que también al igual que el resto de los nacidos— hallé solaz, cuartel y consuelo en los días de desaliento que me aguardaban a docenas. Todavía es ahora cuando me reconforto con estas certezas por más que algunas desdichas ya empiecen a prolongarse en exceso. La suerte existe y es finita. Pero también el infortunio acaba con el paso del tiempo. Otra cosa es que la vida toque a su fin antes que la última desdicha. Así, con el mal fario como una metafísica, las manecillas de su reloj de pulsera —seguro que un objeto exquisito— dieron la hora final de Farrah Fawcett.

« Fue una de esas actrices que, tras ser todo un icono de su época pasan a integrar las nóminas de los malditos, como tantas y tantas chicas sin suerte »

 

Sí señor, aunque echando la vista atrás, volviendo de refilón al recuerdo guardado de ella en la memoria colectiva no lo parezca, hoy vengo a hablar de un ángel caído. Farrah Fawcett fue una de esas actrices que, tras ser todo un icono de su época —sex-symbol, aunque hubiera podido, siempre se negó a serlo—, pasan a integrar las nóminas de los malditos, como tantas y tantas chicas sin suerte, porque la fortuna, que otrora las quiso, no se había vuelto a acordar de ellas cuando exhalaron su último aliento.

Las expectativas que despertaba el ángel caído cuando ella era lo mejor de Los ángeles de Charlie (Ivan Goff, Ben Roberts, 1976-1980), un hito en la televisión de la época, no podían ser más halagüeñas. Todo era un lecho de rosas cuando su imagen era una de las más imitadas por las chicas de todo el mundo en los años 70. Pero, con el curso del tiempo, resultó que las rosas se le volvieron piedras y al brutal maltrato, por parte de aquellos que dijeron amarla, le sucedió la enfermedad que se la llevó a su última morada. Sin olvidar que la gran pantalla —donde llegó a protagonizar títulos para realizadores del prestigio de Stanley Donen y Robert Altman— nunca le fue tan favorable como lo había sido la pequeña.

Ignoro por completo si Farrah Fawcett escuchó o tuvo noticia de uno de los grandes álbumes de Marianne Faithfull. Se titula Kissin’ Time y data de 2002. Su tercera canción, «Like Being Born», es un tema triste —la tristeza siempre es mucho más bonita, y no digamos si se asocia a la belleza— que cuenta la historia de una niña a la que su padre augura rosas en tanto que su madre le promete piedras. Si el ángel, ya caído del cielo catódico, llegó a escucharla, seguro que sintió «Like Being Born» muy próxima a su experiencia.

Nacida en el Estado de la estrella solitaria (Corpus Christi, 1947), en el seno de una familia acomodada, le bastó con llegar a Los Ángeles en el 68 para iniciar una brillante carrera como modelo publicitaria. Era tejana, ya digo, pero parecía una de esas bellezas bronceadas en las playas californianas. Sus anuncios de champú causaban tal sensación que sus peinados fueron de los más imitados por las chicas de todo el mundo en los años 70. Más allá de Río Grande anunciaba con idéntica eficacia cerveza para hombres muy sedientos. Así las cosas, su belleza —diríase canónica para las chicas de mi adolescencia— no se le pasó por alto al cine. Pero ya desde sus primeros rodajes parecía estar escrito en alguna parte que en las películas su estrella no iba a fulgir tanto como ella hubiera querido.

« El desnudo de Farrah era de los más anhelados, pero ella se negaba a prestarse a ello »

 

Casi nadie recuerda que se estrenó en la gran pantalla en Del amor y la infidelidad (1969), una comedia romántica que el francés Claude Lelouch dirigió en Estados Unidos. En sus secuencias, Farrah recreaba a Patricia, una amante de Henri (Jean-Paul Belmondo), el músico que protagonizaba aquel dulce enredo. Puede que la sexualidad que rezumaban todos los personajes que se le confiaban a la bella Farrah, ya fuera en la pantalla, en la televisión o en la publicidad, abundase en ese sino malhadado que gravitó en su actividad cinematográfica desde el comienzo. Los suyos fueron los tiempos del destape, que la maravillosa Marisa Berenson no dudó en calificar como un signo externo de rebeldía, una exaltación de la libertad frente a la mojigatería y la represión, impuestas hasta entonces por el puritanismo imperante en todas las sociedades que llamaban indecentes a los jóvenes que se besaban por las calles. El desnudo de Farrah era de los más anhelados, pero ella se negaba a prestarse a ello. En la televisión, que entonces era más comedida puesta a destapar los cuerpos gloriosos, su recato no debió de plantearle demasiados problemas; en el cine fue muy distinto.

Aunque dirigida por el estimable Clive Donner en 1969, The Boodle es una cinta tan maldita que la única noticia de ella que ha llegado hasta nuestros días es que estuvo protagonizada por Ann-Margret, Raquel Welch, Anton Diffring y Farrah Fawcett.

Y hubiera sido mejor que ese mismo olvido hubiese caído sobre Myra Breckinridge (1970). Dirigida por el actor Michael Sarne, quiso ser una comedia a mitad de camino entre el filme underground y las nudies. Eso sí, con los desnudos fugaces, poco más que sugeridos. Acabó siendo un auténtico desatino por el que la Casa Blanca llevó a los tribunales a la Fox, productora de la cinta. Shirley Temple, por aquel entonces destacada diplomática de los Estados Unidos, era ridiculizada en las imágenes de las películas que protagonizó cuando era la más aplicada de las niñas prodigio. Basada en un texto de Gore Vidal, Myra Breckinridge era una crítica al machismo estadounidense a través de una operación de cambio de sexo. Despreciada tanto por las audiencias alternativas como por el establishment, más que como una cinta maldita ha quedado como una de las películas más malas que se recuerdan.

En efecto, los comienzos de Farrah Fawcett en el cine no pudieron ser peores. De modo que, en los años 70, básicamente, se dedicó a la televisión y a posar para fotos que la mostraban en bañador. Había un póster de ella —sugerente a la par que recatado— del que se vendieron ocho millones de ejemplares. Incluso aquí en España era fácil verlo colgado en las paredes de los billares y salones recreativos de los barrios.

« Sobresalió en la televisión internacional con su creación de Jill Munroe de Los ángeles de Charlie« 

 

Casada con el actor Lee Majors, una estrella catódica, comenzó a prodigarse en sus series y telefilmes, además de ponerse su apellido. Pero no tardó en aparecer en una buena parte de las ficciones más destacadas de la antena de la época al margen de su marido. Ya con su propia luz, sobresalió en la televisión internacional con su creación de Jill Munroe de Los ángeles de CharlieY eso que la serie fue concebida a la mayor gloria de Kate Jackson, otro de los ángeles. En cualquier caso, Farrah la abandonó tras su primera temporada. Parece ser que el marido la quería en casa.

Antes de que George Lucas y Steven Spielberg sumieran a la ciencia ficción en su infantilismo, del que solo habría de empezar a sacarla el debate entre la inteligencia artificial y la inteligencia biológica que abriría Blade Runner (Ridley Scott, 1982), Michael Anderson tuvo tiempo de adaptar, con buen pulso y mejor tono, La fuga de Logan (1976), toda una distopía de William F. Nolan y George Clayton Johnson sobre una sociedad que mata sus ancianos. Farrah recreó, con ese encanto suyo que se ganaba a todas las audiencias, a Holly, una de aquellas chicas condenadas a no saber todo lo bueno que nos da el curso del tiempo.

Saturno 3 no es la mejor película de su realizador, Stanley Donen. En 1980, el año de su estreno, la gloria de este maestro del musical ya había pasado. El autor de Siempre hace buen tiempo (1955) —cinta que, particularmente, también me reconforta en horas de desaliento— se prestó a un filme en gran medida oportunista. De hecho, su mayor encanto —y casi lo daba a entender la publicidad de la época— era un fugaz desnudo de Farrah Fawcett, Alex en aquella ocasión.

Basado en una idea de John Barry —uno de los grandes diseñadores de producción de la ciencia ficción del momento—, quien también firmaba junto a Donen la dirección del filme, el libreto fue escrito por Martin Amis. En aquel primer trabajo para la pantalla del célebre novelista la historia nos llevaba bajo la árida superficie de una luna de Saturno, Titán, donde Alex y Adam (Kirk Douglas) buscan una nueva forma de alimentación para una Tierra con los graneros agotados y las despensas vacías.

« La actriz, que se seguía negando a ser un símbolo sexual pese a serlo de hecho, se sintió enormemente frustrada en su regreso al cine« 

 

El capitán James (Harvey Keitel), desplazado hasta el lugar, será el tercero en discordia. Valiéndose de un robot de su creación, la desavenencia no tarda en convertirse en un implacable acoso. Pero Héctor, el autómata del capitán, también está enamorado de Alex. Visto el panorama, acaba por volverse contra su creador… La rebelión de las máquinas, el científico loco e incluso la bella y la bestia… Son muchos los mitos a los que alude Saturno 3. Pero hizo historia por el más sencillo de todos ellos: ese primer desnudo de Farrah.

Naturalmente, la actriz que se seguía negando a ser un símbolo sexual pese a serlo de hecho, se sintió enormemente frustrada en su regreso al cine. Se divorció y rompió con su representante para comenzar a gestionar por sí misma su actividad profesional. Fue un desastre. Lo más lejos que llegó fue a los dramas off-Broadway y a los telefilmes de los que había huido. En lo personal vivió su gran amor con el actor Ryan O’Neal. A decir de Tatum, la hija también actriz de Ryan —con quien, empero el parentesco, siempre mantuvo una rivalidad sobresaliente— a Ryan ya se le fue la mano con Farrah.

« En sus últimos años, dedicó más tiempo a sus dramas familiares que a su actividad profesional« 

 

Con su actividad cinematográfica olvidada por completo, puesta a relanzarla, Farrah Fawcett acabó posando en topless para la revista Playboy en 1995. Pero ya no era la chica del póster —sugerente a la par que recatado— de veinte años antes. Seguramente cuantos la admiraron entonces se mostraron igual de indignados ante la paliza que le dio el realizador James Orr, el tipo que ocupó su corazón tras la ruptura con O’Neal. Farrah se negó a casarse con él —a todas luces con muy buen criterio— y Orr la mandó al hospital a golpes.

Una vez recuperada siguió haciendo cosas, para la escena y las dos pantallas. Entre sus últimos títulos hay que dar noticia de El doctor T y las mujeres (2000), de Robert Altman. Aquí el desnudo era completo, pero la chica del póster estaba aún más lejana. Pese a que aquellos que la admiraron entonces no la hubiesen olvidado, Farrah Fawcett ya era el ángel caído del equipo de Charlie.

En sus últimos años, dedicó más tiempo a sus dramas familiares —la leucemia de O’Neal, con quien volvió, el hijo politoxicómano de ambos…— que a su actividad profesional. Su muerte —el veinticinco de junio de 2009— a consecuencia de un cáncer fulminante, fue a coincidir con la de Michael Jackson. Como el rey del pop era más famoso, en gran medida eclipsó a la del antiguo ángel. Es más, en ese obituario en el que Hollywood, durante el reparto de estatuillas, recuerda a sus finados del último año, a Farrah Fawcett la olvidaron.

[Fuente: http://www.zendalibros.com]

Sus versos se han comparado con la obra de Santa Teresa de Jesús por el arrebato tan personal y sublime. Delmira Agustini Murtfeldt fue de carácter contradictorio, marcado por la figura materna, destaca su feminismo real y atrevido.

Escrito por PILAR ÚCAR VENTURA

Delmira nace en el seno de una familia burguesa en Montevideo en 1886. Su madre, autoritaria y absorbente marcará el carácter, muy peculiar, de la poeta: suave y dulce con los suyos, amargo y convulso con el resto. Solitaria, enrocada y taciturna, observa la realidad desde su perspectiva solapada y “secretuda”. Hábil escritora de contenidos eróticos, con solo dieciséis años se publican sus primeros poemas y relatos de un ardor sublime a la vez que atormentado en famosas revistas: Rojo y BlancoLa Pétite Revue y Apolo.

Destacan sus retratos femeninos como articulista en diferentes medios, bajo el seudónimo de Joujou; colaboraciones que le auparon más en la proyección de su país; con su madre “de pegatina” en todo lo que hacía, decía y escribía.

Rubén Darío quedó fascinado por ella, autora entonces de El libro blanco (1907) y Cantos de la mañana (1910). La comparó, incluso, con el lirismo impetuoso de Santa Teresa de Jesús y prologó Los cálices vacíos (1913). Su personalidad extrema provocaba atracciones desmedidas y rechazos inapelables: de la inocencia a la exaltación, de la sumisión a la rebeldía. Así era la vida y la obra de Agustini. No le arredraba ser mujer en aquella época tan de abanicos y cisnes, salones y galanterías varoniles. Su matrimonio no llegó a dos meses y vuelta al hogar familiar, sobre todo materno, pues la sombra de su madre se alargaba siempre y la atrapaba hasta dar al traste con cualquier relación personal. Se divorció y acabó muerta el 6 de julio de 1914 con dos tiros en la cabeza. Su exmarido, el homicida, se suicidó después. Figura trágica que saltaba las páginas de sus escritos hasta hacerse dramáticamente real. La prensa entendió que eran ambos el fruto de un amor desbocado y apasionado.

Todo adjetivo desmesurado cuadra con las hechuras personales y poéticas de la autora; los títulos ExplosiónLo InefableVisiónPlegaria constituyen ejemplos más que elocuentes del volcán interior que aullaba en las entretelas de una mujer, quizá incomprendida, muy encorsetada y libérrima en su escritura. No escabulle temas sobre el sexo y la sensualidad, y los derechos de la mujer: feminista convencida sin paliativos.

Se observa un importante cambio a lo largo de su producción literaria: desde parámetros más modernistas, llenos de imágenes y metáforas, figuras mitológicas y redacción depurada según los cánones del momento, hacia un descarnamiento reivindicativo en el estilo y el contenido; poca floritura y mucha enjundia. Menos perfumes y más sabiduría vivida. De la complacencia general al sobresalto: había que remover conciencias que parecían adormecidas.

Delmira Agustini cosechó elogios y fuertes críticas. La mayoría prefirió su imagen de fragilidad y su obra, puro instinto, un rugido del alma de alguien peculiar dentro de unas coordenadas literarias que se avenían con dificultad a lo exigido por plumas masculinas.

[Fuente: http://www.todoliteratura.es]

Mañana se estrena en nuestros cines “Elvis”, la película biográfica sobre el astro de Tupelo dirigida por Baz Luhrmann, un realizador siempre personal y desbordante que en esta cinta no solo se mantiene fiel a sus principios estéticos, sino que incide en la aproximación a los personajes que protagonizan la mayor parte de su filmografía.

Austin Butler es Elvis Presley en « Elvis », el biopic de Baz Luhrman

Escrito por Eulàlia Iglesias
Aunque fue “Romeo + Julieta” (1996) la película que lo dio a conocer internacionalmente, el australiano Baz Luhrmann debutó en el cine con “El amor está en el aire” (1992), una comedia musical en torno a un joven danzarín que aspira a ganar un concurso de baile por parejas con un estilo renovador, pero no aprobado por el reglamento general ni sus vetustos representantes. Casi una década después, con “Moulin Rouge” (2001), su título más popular, el director llevó a cabo una exuberante renovación del musical desde una perspectiva abiertamente posmoderna: exaltando la naturaleza artificiosa del género y de su puesta en escena; proponiendo una mirada anacrónica, barroca y autoconsciente al París de la Belle Époque, y celebrando la música y el baile como las manifestaciones que llevan a su máxima expresión una idea vertiginosa, eufórica y adrenalínica de la vida, el amor y la juventud. Por todo ello no resultó tan extraño que en 2016 Netflix le encargara a este australiano blanco la creación de “The Get Down”, una serie sobre los orígenes del hip hop en el Bronx de los años 70. Una ficción que, como “Elvis” (2022), aborda un episodio fundacional de la historia de la música popular estadounidense en parte desde los códigos del mito.
 “El amor está en el aire” (1992), “Romeo + Julieta” (1996), “Moulin Rouge” (2001), “El gran Gatsby” (2013), “The Get Down” (2016) y “Elvis” (2022).

“El amor está en el aire” (1992), “Romeo + Julieta” (1996), “Moulin Rouge” (2001), “El gran Gatsby” (2013), “The Get Down” (2016) y “Elvis” (2022)

Así, el Elvis Presley de Baz Luhrmann entronca con tantos otros protagonistas masculinos de su filmografía: como el Scott (Paul Mercurio) de “El amor está en el aire”, es un joven con un talento inconmensurable para una disciplina artística regida por unas normas que él desafía. Como Romeo, Jay Gatsby, Christian (Ewan McGregor) en “Moulin Rouge” o Zeke (Justice Smith) en “The Get Down”, se presenta como un chico romántico y naíf, totalmente entregado a la música y al amor que genera en sus fans. Y si el protagonista de “El gran Gatsby” (2013) se estrella en su esforzado intento de integrarse en una clase social caduca y decadente que lo rechaza, Elvis también se ve atrapado en una dialéctica entre fuerzas similar, aquí entre la América joven y arrolladora que él mismo representa y los estamentos anquilosados que intentan controlar y reprimir su fulgurante ascenso. Pero en “Elvis”, el personaje antagonista se presenta a priori como un aliado, que además dominará el relato de la película.

Luces y sombras en la vida del Rey.

Luces y sombras en la vida del Rey

El rol que juega el coronel Tom Parker, mánager en exclusiva de Presley durante toda su carrera, resulta la decisión más significativa y también más cuestionable de las que toma Baz Luhrmann en su biopic. Encarnado por un Tom Hanks en una caracterización demasiado al borde de lo grotesco, Parker representa a la vez el descubridor y artífice innegable del éxito de Elvis, pero también la figura que controlará a su antojo su carrera, reprimiendo la faceta más desinhibida y moderna del cantante, y conduciéndolo a una serie de adicciones que lo acabarán destruyendo. Luhrmann subraya los orígenes laborales de Parker en los espectáculos de feria, entendidos como la prehistoria del show business. Sería en este universo circense donde el “coronel” desarrolló su talento para identificar a los artistas con ese don especial para atraer al público. Parker encarna la faceta más cínica y maquiavélica de la industria del espectáculo, la del mánager siempre en las sombras que controla la carrera del cantante desde una visión económicamente depredadora y moralmente retrógrada.
Tom Hanks interpreta al “malvado” Coronel Parker.

Tom Hanks interpreta al “malvado” Coronel Parker

Con la figura de Parker acaparando el lado oscuro del entorno de Elvis Presley, Luhrmann forja a su protagonista por contraste como una figura con la pureza de un mito trágico. El Elvis de Luhrmann se erige como un genio ya en su capacidad para apreciar y reinterpretar las músicas afroamericanas de las que se empapa durante su juventud en Tupelo y, más tarde, durante sus escapadas a la mítica calle Beale de Memphis. La película reivindica a la estrella del rock blanca que reconoce y acredita sus raíces en los estilos afroamericanos. El Elvis de Luhrmann no se mete en política (al menos el de esta versión; parece que existe un montaje más extenso donde sí se incide en, por ejemplo, su encuentro con Richard Nixon), y el filme apunta pero no entra en las razones que llevaron al fin de su matrimonio con Priscilla.

A Baz Luhrmann le interesa el Elvis que reconoce en la música un don propio al que se debe entregar absolutamente. En una de las secuencias iniciales, vemos al protagonista adolescente asistiendo tanto al efecto de éxtasis colectivo espiritual de una misa de góspel como al poder sexualmente electrizante que produce un blues de Arthur Crudup. El joven asimila este poder de la música para agitar los cuerpos y las almas, y se pone al servicio de oficiar él mismo la ceremonia transformadora del rock’n’roll. En una de las mejores escenas del filme, el director muestra el efecto de uno de los primeros directos de Elvis sobre la audiencia femenina. Lejos de estigmatizar la reacción impulsiva y física de las fans, la película deja constancia de cómo las mujeres entre el público sintieron que por primera vez una actuación las interpelaba como sujetos sexuales.

El despertar de la sexualidad femenina a través del rock’n’roll.

El despertar de la sexualidad femenina a través del rock’n’roll

Luhrmann despliega el biopic de Elvis con su habitual estilo arrollador y vertiginoso, que acoge el progresivo conflicto melodramático entre el Elvis que desearía seguir creciendo y el coronel Parker que lo encierra en esa jaula de oro llamada Las Vegas. Mientras que la histriónica interpretación de Tom Hanks produce por momentos un indeseado efecto de distanciamiento, Austin Butler se mete a la perfección en la piel, en la voz y en los gestos del rey del rock. Como experiencia culminante de la capacidad de Butler para mimetizarse en Elvis, esa interpretación final, estremecedora y definitiva, de “Unchained Melody”. ∎

Elvis en el cine

Ante la ausencia de estrellas blancas, jóvenes y carismáticas que le sirvieran de referente en el mundo de la música, Elvis Presley tomó a James Dean como el icono en que esperaba convertirse. El cantante siempre soñó con llegar a ser una estrella del cine con la misma aura de mito juvenil que desprendió el protagonista de “Rebelde sin causa” (Nicholas Ray, 1955). En la película de Baz Luhrmann, sin embargo, el arranque de la carrera de Elvis Presley en Hollywood, algo a lo que el cantante hacía tiempo que aspiraba, no supone un triunfo en su trayectoria, sino el inicio de su decadencia.

Hollywood llegó tarde a la cultura juvenil. La primera película en que suena un rock’n’roll, “Semilla de maldad” (Richard Brooks, 1955), presenta a la juventud desde los prejuicios del mundo adulto: la muestra como ese colectivo problemático, peligroso, pero también digno de compasión, que algún profesor heroico se encarga de enderezar. Elvis debuta en la gran pantalla en 1956 con “Love Me Tender”, de Robert Webb, y llega a protagonizar una treintena de títulos a lo largo de quince años. En su mayoría historias románticas convencionales a mayor gloria de la imagen del cantante, aunque algunos títulos como “El rock de la cárcel” (Richard Thorpe, 1957) o “Viva Las Vegas” (George Sidney, 1964) lograran capturar cierto espíritu rebelde o la extraordinaria vivacidad de su protagonista.

La concepción caduca y hollywoodiense que define la carrera de Elvis en el cine contrasta además con la postura que adoptarán The Beatles al respecto. Desde su debut en “¡Qué noche la del aquel día!” (Richard Lester, 1964), los cuatro de Liverpool se inscriben y se identifican con la corriente de modernidad y renovación generacional de las nuevas olas del momento. Más interesantes que las películas del Elvis actor son las aproximaciones a Elvis como mito que se mantiene vivo en el imaginario popular. Como “Mystery Train” (1989), la película de Jim Jarmusch en torno a una serie de personajes que confluyen durante una noche en el mismo hotel de Memphis donde se hace patente la pervivencia del recuerdo del cantante. Una gran película sobre Elvis sin necesidad de que (apenas) aparezca Elvis. ∎

[Fuente: http://www.rockdelux.com]

Análise do neopentecostalismo no país, para além dos clichês. Ele não é grupo coeso. Oferece ações sociais nas periferias. Mobiliza pessoas de baixa renda e negras, que aderem ao conservadorismo por motivos mais pragmáticos que ideológicos

Juliano Spyer, em entrevista a Patricia Fachin
Não é incomum ouvir análises que classificam os evangélicos não apenas como apoiadores do presidente Bolsonaro, mas como adeptos de ideias da extrema-direita. Entretanto, segundo o antropólogo Juliano Spyer, autor do livro “O Povo de Deus” (São Paulo: Geração, 2020), no qual expõe sua pesquisa com comunidades da periferia de Salvador, “esse termo faz referência a visões xenofóbicas e racistas que eu, pelo menos, não conheci durante os 18 meses em que fiz pesquisa de campo”, disse na entrevista a seguir, concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU.
A adesão de evangélicos a “valores conservadores”, como a proibição do aborto e da legalização da maconha e a defesa da família tradicional, explica, estão diretamente relacionadas com o que é vivido no cotidiano. A contrariedade à legalização da maconha, esclarece, “é especialmente forte entre mulheres evangélicas que vivem nas periferias e sentem que seus filhos estão mais expostos a se envolverem com o consumo e o comércio de drogas”.

A pauta feminista entre os evangélicos, em particular o empoderamento das mulheres, comenta, “é um tema difícil de entender para pessoas das camadas médias e altas da sociedade. Porque, no ambiente financeiramente mais protegido das camadas médias e altas, a recomendação para a mulher que sofre abuso do companheiro é romper o relacionamento, e as igrejas evangélicas estimulam que a mulher não se separe, o que é lido como a promoção da subordinação. Mas a separação traz consequências mais drásticas para a mulher pobre, que fica mais vulnerável nos bairros em que vive, e se/quando sua conversão eventualmente leva o companheiro para a igreja, essa mulher amplia seu poder na família na medida em que o homem sai do bar e transfere seu círculo de relacionamentos para a igreja. Tudo isso é mais complexo do que pode ser explicado em poucas linhas, mas é importante que a pessoa que pensa sobre esse tema possa enxergá-lo a partir da lógica e das realidades do mundo popular e não a partir das lógicas do mundo em que ela está inserida”.

Juliano Spyer também relata como a participação nas igrejas evangélicas melhora a vida dos mais pobres nas comunidades periféricas em vários sentidos. “Primeiro, porque os recursos da família deixam de ser gastos com o consumo de bebidas alcoólicas e com relacionamentos extraconjugais. O dinheiro passa a ser investido em bens, na reforma da casa, em planos de saúde, em educação superior para os jovens. Quando o homem para de beber, a mulher e os filhos também ficam menos expostos à violência doméstica decorrente do consumo do álcool”, exemplifica.

Confira a entrevista

Juliano Spyer é mestre em Antropologia Digital e doutor em Antropologia pela University College London. É pesquisador do Cecons/UFRJ e criador do Observatório Evangélico.

Geralmente, as pesquisas sobre evangélicos destacam alguns perfis: eles são, em sua maioria, mulheres, negros e pobres. A partir das suas pesquisas, quem são e qual é o perfil dos evangélicos brasileiros?

Há um problema em usar o termo “evangélicos”. Talvez porque o Brasil seja uma nação – ainda – católica, nós estejamos acostumados a usar o catolicismo como referência. Mas a Igreja Católica é uma igreja, uma organização vertical com poder central e hierarquias de comando. Essa referência não serve para o campo evangélico, cuja configuração é por essência fragmentada. É complicado falar sobre “evangélicos” como um grupo unificado porque existem milhares de igrejas e elas têm diferenças maiores ou menores umas em relação às outras. Existe, por exemplo, a Congregação Cristã do Brasil, que tem em torno de três milhões de fiéis, que é uma organização discreta, que não tem participação na política e que trata o dízimo como uma questão de consciência individual; e existe a Igreja Universal, uma igreja com mais ou menos o mesmo número de fiéis, que é debatida nacionalmente, é uma liderança na chamada bancada evangélica, tem uma rede de comunicação que inclui uma TV, tem um partido político, o Republicanos, e tem um posicionamento agressivo em relação à cobrança do dízimo.

Os dados sobre religião do Censo de 2010 indicam que, à época, aproximadamente 15 milhões de brasileiros pertenciam a igrejas de denominações pequenas. Estas são organizações que existem em bairros, com apenas uma ou poucas igrejas. Mas geralmente, quando pensamos em evangélicos, pensamos nos representantes, geralmente a liderança, de algumas igrejas muito grandes e conhecidas, ou associamos todos os fiéis a atos como os ataques a terreiros de candomblé. Isso é um problema porque estimula uma guerra cultural que, hoje, por exemplo, é usada politicamente por algumas igrejas, principalmente para promover o apoio ao presidente Bolsonaro.

Algumas pesquisas também ressaltam a relação dos negros com as religiões de matriz africana, que seriam suas religiões de origem. As suas pesquisas, por outro lado, chamam a atenção para a inserção dos negros entre os evangélicos. Pode falar-nos um pouco sobre a participação e adesão dos negros ao pentecostalismo?

É importante esclarecer: eu não pesquiso nem pesquisei cristianismo evangélico. O Povo de Deus” é um livro de divulgação: ele apresenta o resultado de trabalhos de sociólogos e antropólogos da religião. A pessoa que levantou esse tema sobre a relação entre raça e religião a partir de um dado demográfico foi o pastor batista Marcos Davi de Oliveira, que é historiador e autor do livro “A Religião Mais Negra do Brasil”. Ele apontou para a informação, disponível nos Censos, de que costumamos pensar nas religiões de matriz africana como sendo a religião dos afrodescendentes, mas o número de negros e pardos fiéis de igrejas evangélicas é muito maior.

O sociólogo Renan Willian dos Santos comenta, sobre esse tema, que a questão não tem a ver com raça, mas com classe social. O cristianismo evangélico mobiliza principalmente pessoas de baixa renda e a maior parte das pessoas de baixa renda são negros e pardos. Não haveria nada na religiosidade evangélica, segundo o Renan, que dialoga com a ancestralidade e com a religiosidade afro.

É notável, no entanto, como o cristianismo pentecostal popularizou-se a partir de um pastor afrodescendente nos EUA, influenciado pela religiosidade das igrejas da população negra do sul dos EUA. A presença do canto, da incorporação espiritual, o falar em línguas, uma liturgia vibrante, estão presentes no pentecostalismo que chegou ao Brasil. Esse vínculo dá margem para se entender que existem conexões dos povos afrodescendentes com esse ramo que é hoje um dos mais importantes do cristianismo, e revigorou o cristianismo, mesmo o catolicismo, oferecendo temas e práticas de maneiras novas para o cristianismo.

Os evangélicos também são apresentados por alguns pesquisadores como conservadores ou adeptos de ideais da extrema-direita, mas, em contrapartida, suas pesquisas destacam a atuação de evangélicos pobres em pautas de “justiça social, empoderamento feminino e combate ao racismo”. Pode dar-nos exemplos de como essas pautas têm sido defendidas na prática? De que modo esses grupos se mobilizam politicamente? 

Reitero aqui que não sou pesquisador desse campo. Eu me envolvi com o assunto porque fiz pesquisa em um bairro pobre em que havia uma Igrejinha Católica, nove terreiros de candomblé e mais de 80 igrejas evangélicas. Não há como estudar o mundo popular sem estar de alguma forma dialogando com este aspecto: o das igrejas e dos evangélicos. Também não descreveria evangélicos – de qualquer denominação – como adeptos de ideais de extrema-direita. Esse termo, para mim, faz referência a visões xenofóbicas e racistas que eu, pelo menos, não conheci durante os 18 meses em que fiz pesquisa de campo (meu tema do doutorado foi o uso da internet pelo brasileiro pobre e as consequências disso; meu livro “Mídias sociais no Brasil emergente”, resultado dessa pesquisa, publicado pela UCL Press/Educ, pode ser baixado gratuitamente em PDF).

Percebo que a maioria dos evangélicos abraça, com maior ou menor intensidade, valores conservadores. São, em geral, contra o aborto ou pelo menos contra a ampliação do que já está contemplado em lei sobre esse assunto, e defendem a família “tradicional” ou heteronormativa. Também são contra a legalização da maconha e isso é especialmente forte entre mulheres evangélicas que vivem nas periferias e sentem que seus filhos estão mais expostos a envolverem-se com o consumo e o comércio de drogas.

Sobre a ação social de grupos evangélicos, ela acontece principalmente na oferta de serviços de recuperação de dependentes de substâncias e nas prisões. O documentário “If I Give My Soul”, do sociólogo americano Andrew Johnson, registra este aspecto. Até onde eu sei, quem vai para a prisão precisa da proteção de uma organização criminosa para sobreviver. E é só pela conversão evangélica que essas organizações permitem que uma pessoa se desligue sem ser morta.

Sobre o empoderamento feminino, é um tema difícil de entender para pessoas das camadas médias e altas da sociedade. Porque, no ambiente financeiramente mais protegido das camadas médias e altas, a recomendação para a mulher que sofre abuso do companheiro é romper o relacionamento, e as igrejas evangélicas estimulam que a mulher não se separe, o que é lido como a promoção da subordinação. Mas a separação traz consequências mais drásticas para a mulher pobre, que fica mais vulnerável nos bairros em que vive, e se/quando sua conversão eventualmente leva o companheiro para a igreja, essa mulher amplia seu poder na família na medida em que o homem sai do bar e transfere seu círculo de relacionamentos para a igreja. Tudo isso é mais complexo do que pode ser explicado em poucas linhas, mas é importante que a pessoa que pensa sobre esse tema possa enxergá-lo a partir da lógica e das realidades do mundo popular e não a partir das lógicas do mundo em que ela está inserida.

Há uma diferença nas pautas e na atuação política dos evangélicos pobres e evangélicos de classe média e alta? Em que sentido?

Evangélicos pobres são majoritariamente pentecostais e posicionam-se mais claramente contra o PT. Evangélicos das camadas médias e altas hoje, me parece, estão divididos entre o apoio a Bolsonaro e o combate a Bolsonaro.

O cristianismo evangélico melhora a vida do pobre brasileiro? Sim, não, por que e em que sentido? Pode dar-nos alguns exemplos de como pôde observar isso em suas pesquisas de campo na periferia de Salvador?

Melhora por vários motivos. Primeiro, porque os recursos da família deixam de ser gastos com o consumo de bebidas alcoólicas e com relacionamentos extraconjugais. O dinheiro passa a ser investido em bens, na reforma da casa, em planos de saúde, em educação superior para os jovens. Quando o homem para de beber, a mulher e os filhos também ficam menos expostos à violência doméstica decorrente do consumo do álcool.

O protestantismo evangélico também tornou, involuntariamente, igrejas em escolas. O brasileiro pobre em geral não é estimulado a ler e a escrever em seu cotidiano. Seu trabalho independe disso. Na igreja, o convertido sente-se envergonhado ao ver muitos de seus vizinhos acompanhando os comandos dos pastores em relação a abrir a Bíblia na página tal e ler com ele o trecho tal. Essas ocasiões de alfabetização involuntária acontecem o tempo todo, especialmente nos cultos pentecostais. A disciplina da vida nas igrejas também favorece a evolução profissional do pobre e, de certo modo, a ética religiosa torna o evangélico um funcionário mais respeitoso e esforçado. A presença na igreja e a adoção de rotinas novas também tornam o evangélico mais protegido em suas comunidades, menos exposto à violência urbana, porque ele é visto mais claramente, inclusive por seu modo de vestir-se, como um trabalhador e uma pessoa comportada.

O cristianismo evangélico também é, no meu entendimento, o que existe hoje de mais eficiente para o tratamento de pessoas pobres que se tornaram dependentes de substâncias ou estão presas. Isso realmente não é o ideal; seria bom que o Estado cumprisse essa função, mas considerando a quase total ausência do Estado nos bairros pobres – em todos os sentidos, da oferta de saúde à de educação e segurança – é ótimo que a igreja esteja lá dedicando-se a esses temas. Finalmente, a igreja serve como espaço de formação de redes de ajuda mútua para encontrar emprego para desempregados, assistência jurídica, consultas com médicos especialistas, e serve também como espaço para pais deixarem seus filhos durante o contraturno escolar, um período em que crianças e adolescentes ficam nas ruas nas periferias porque não existem outras alternativas de serviços como cursos de idiomas, escolinhas de esporte etc.

Qual é o peso político dos evangélicos hoje no país?

Estatisticamente, eles representam em torno de 1/3 dos eleitores do país, considerando dados de 2019 do Datafolha sobre o crescimento do número de evangélicos no país. E, diferente de todos os outros grupos, eles têm espaços de encontro recorrente nas igrejas. E as igrejas são como centros comunitários organizados, muitas vezes interligadas a outras igrejas. É algo muito poderoso em um país desigual como o Brasil, em que apenas 12% da população, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional – Inaf, tem treinamento para ler livros. A igreja é um espaço que confere segurança e proteção para pessoas que vivem expostas a muita vulnerabilidade, e isso a torna um lugar importante para a realização de debates políticos e sociais. Atualmente, porque a esquerda tem mais dificuldades para dialogar com evangélicos, por achar que igrejas servem apenas para manipular pessoas, e por ter percepções sobre valores morais muito diferentes – em relação a aborto, legalização da maconha, sexualidade etc. -, evangélicos tendem a aproximar-se de políticos do espectro oposto.

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

El pasado lunes, 13 de junio, pronuncié una conferencia en la Sociedad Económica de Málaga, espacio de referencia cultural y de pensamiento crítico de la ciudad, con el mismo título de este artículo.

Escrito por PILAR IGLESIAS APARICIO

¿Por qué “imprescindibles” y “desconocidas”?

Comienzo por el segundo término. Afortunadamente, hoy en día es relativamente fácil acceder en España a las obras de numerosas autoras de diferentes países latinoamericanos. Nombres como Mónica Ojeda, Fernanda Ampuero, Lina Meruane, Samanta Schweblin, Diamela Eltit, Wendy Guerra, Lucía Lijtmaer, Elena Poniatowska, Cristina Rivera Garza, y tantos otros, han venido a unirse a aquellas autoras que ya nos acompañaban hace años, como Cristina Peri Rossi, Gioconda Belli, Isabel Allende, Ángeles Mastretta o Laura Esquivel. Aun autoras del prestigio internacional de la argentina Luisa Valenzuela resultan poco conocidas, fuera de ámbitos académicos, salvo por la reciente reedición de su novela El mañana. Pero los nombres de Renée Ferrer, Milia Gayoso, Raquel Saguier, Lucía Scoscería, Sara Karlik, Mabel Pedrozo o Melissa Ballach y otras tantas autoras paraguayas permanecen en el mayor anonimato.

Ni siquiera en las librerías especializadas en literatura latinoamericana es tarea fácil conseguir obras de escritoras paraguayas. Y ello por una serie de cuestiones que han afectado históricamente a la producción literaria en el Paraguay. La historia, marcada por los gobiernos dictatoriales del siglo XIX y XX, incluida la dictadura de Alfredo Stroessner desde 1954 a 1989, la más larga dictadura latinoamericana del siglo XX; numerosas revueltas y golpes de Estado civiles y militares durante las décadas liberales de entre siglos y las dos grandes guerras: la de la Triple Alianza (1862-1870), contra Argentina, Brasil y Uruguay, en la que la población paraguaya quedó reducida a un tercio, la mayoría mujeres, niñas y niños y personas ancianas; y la Guerra del Chaco (1932-1935) contra Bolivia, junto con la guerra civil de 1947, “devoró a la literatura”, en palabras de Josefina Plá.

Estas situaciones históricas provocaron, además del desastre demográfico, un estancamiento económico, cultural y político; el auge de la oligarquía propietaria de la tierra, aliada del imperialismo y el neoliberalismo, causantes de pobreza, corrupción y desigualdad social que afecta gravemente a las mujeres; y la creación y exaltación de la “identidad paraguaya”, que refuerza el aislamiento del país, favorecido por los propios líderes políticos (algo común a todas las dictaduras), con el consecuente desconocimiento de su producción cultural en el exterior. Se crea un modelo de masculinidad basado en la imagen del héroe-soldado, mientras las mujeres son identificadas con la maternidad, el sacrificio y el patriotismo, reduciéndolas a seres al servicio del hombre, la prole y la nación. Es decir, elementos todos que refuerzan la construcción de una sociedad patriarcal, machista, religiosa y cerrada sobre sí misma. A lo que hay que sumar, la repetida persecución de intelectuales, disidentes políticos y líderes campesinos, que provoca un doble exilio: el exterior en el que publicaron algunos de los autores más conocidos como Gabriel Casaccia o Augusto Roa Bastos, y el oscuro y durísimo insilio, en el que producen sus obras la mayoría de las escritoras, con escasez de tejido editorial y falta de apoyo institucional a la cultura. En este marco, es tardía la narrativa que rompe el molde oficial de la narración histórica, ya que la primera novela publicada en Paraguay es Ignacia, de José Rodríguez Alcalá, en 1905; y aún más tardía será la narrativa escrita por mujeres.

Ahora bien, es preciso visibilizar la disidencia política e intelectual presente desde el gobierno despótico de José Gaspar Rodríguez de Francia (1814-1840), hasta el fin de la dictadura de Stroessner; el movimiento campesino, incluida la Organización de Mujeres Campesinas e Indígenas; el movimiento feminista, capaz de crear en 1920 el Centro Feminista Paraguayo, adherido al Congreso de la Alianza Mundial para el Sufragio Femenino y celebrar en 1987, a dos años del fin de la dictadura, el Primer Encuentro Nacional de Mujeres por la Igualdad ante la Ley.

También en la literatura, y más concretamente, en la narrativa, las mujeres tomarán la palabra, siendo figuras precursoras imprescindibles la española Josefina Plá (1909-1999), Ana Iris Chaves (1922-1993) y Ester de Izaguirre (1923-2016). La primera obra de narrativa publicada por una mujer es el tomo I de Tradiciones del hogar, de Teresa Lamas (1887-1976), de 1921, y contamos con escasas obras de autoría femenina hasta los ochenta. Es entonces cuando las mujeres irrumpen de manera decidida en la narrativa paraguaya, siendo 1983 un año clave, por coincidir la puesta en marcha del primer Taller de Cuento Breve, impulsado por Dirma Pardo e impartido por Hugo Rodríguez Alcalá, tras su regreso del exilio; la publicación de la primera novela paraguaya escrita desde la voz y la experiencia de una mujer, Golpe de luz, de Neida Bonnet (1933); la publicación del libro de relatos de Josefina Plá, La pierna de Severina, en que incluye varios que abordan la violencia sexual contra las mujeres y las niñas, y el nombramiento de Ana Iris Chaves como presidenta de la Sociedad de Escritores Paraguayos. Todo ello, junto con el avance del movimiento feminista y la disidencia contra la dictadura de Stroessner.

Las décadas posteriores hasta la actualidad ofrecen un cada vez más amplio plantel de escritoras de narrativa (así como de poesía y teatro), cuya calidad literaria, así como el cambio social respecto a la posición de las mujeres, quedan reflejados en el hecho de que cinco escritoras hayan obtenido el Premio Nacional de Literatura (bianual) desde 2011 hasta la actualidad, con la única excepción de 2013[1].

El título “imprescindibles” quedaría, por tanto, ya suficientemente justificado. Pero lo es, especialmente, cuando nos situamos, como lo hago en este artículo, en la perspectiva de la crítica literaria feminista, entendiendo como tal aquella que, además de visibilizar y difundir la obra de escritoras, se centra en el análisis de la denominada literatura feminista. Es decir, aquellas obras escritas por mujeres que ofrecen la visión del mundo desde la experiencia de estas, incluida la sexualidad y la corporalidad; incorporan temáticas y géneros que habían estado reservadas a los varones; y denuncian las múltiples situaciones de discriminación y violencia contra las mujeres, mostrando, asimismo, su capacidad de resistencia y empoderamiento, junto con alternativas a la injusticia de la sociedad patriarcal androcéntrica. Una escritura en la que las mujeres se constituyen como sujeto y que, por su contenido y su forma, es en sí misma una herramienta de liberación para las mujeres.

La literatura feminista en América Latina tiene unas características bien definidas: denuncia el colonialismo y el neocolonialismo; subvierte la versión oficialista de la historia; practica la “literatura del testimonio” político, social y de la cotidianidad de las mujeres, incorporando temáticas y espacios considerados marginales como la casa y la cocina; desconstruye el mito patriarcal de la maternidad; utiliza el humor, la ironía, la hipérbole, la fantasía, la locura, el terror, la monstruosidad, lo grotesco, como símbolos de las injusticias y violencias presentes en la sociedad y muestran el paralelismo entre la violencia contra las mujeres en el sistema patriarcal y la crueldad sexual en las prácticas de tortura de las dictaduras.

Todas estas características las reúnen la mayoría de las obras de escritoras paraguayas publicadas desde los años ochenta hasta la actualidad, por lo que merecen un lugar relevante en la literatura feminista latinoamericana, junto a las autoras de otros países.

Además, suman algunas características específicas: la riqueza del bilingüismo, incorporando términos en guaraní en numerosos relatos y habiendo producido en 1989 una novela en yopará[2]Ramona Quebranto, de Margot Ayala (1927-1919). Y la capacidad de puesta en marcha de estrategias de mutuo apoyo que les permiten fomentar la producción literaria escrita por mujeres. En este sentido cabe destacar el mantenimiento de la genealogía de escritoras, con reconocimiento a las figuras de las precursoras; la creación de los Talleres de Cuento Breve, algunos dirigidos por renombradas escritoras como la propia Dirma Pardo (1934-2020) o Renée Ferrer (1944); y la puesta en marcha, en 1997, de la asociación Escritoras Paraguayas Asociadas (EPA), que publica un volumen colectivo cada año, en el que, en una muestra de generosidad y pacto intergeneracional, aparecen relatos de autoras consagradas junto con otros de autoras noveles. A todo lo cual se une su compromiso de sororidad[3] con las mujeres paraguayas, al dar voz en sus obras a las diferentes formas de represión, discriminación y violencia, ofreciendo también múltiples modelos de resistencia y liberación.

Por todo ello, invito a leer, difundir y reflexionar sobre los textos de las escritoras de narrativa paraguaya que tienen la generosidad de ofrecer gran número de ellos en páginas de acceso legal y gratuito, como el Portal Guaraní de Arte y Cultura[4] y la Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes[5].

NOTAS

[1] Renée Ferrer 2011; Maybell Lebrón 2015; Susy Delgado 2017; Maribel Barreto 2019; Susana Gertopán 2021.

[2] Habla coloquial, formada por la mezcla entre castellano y guaraní.

[3] Como estrategia política feminista de apoyo entre mujeres, para la transformación de la sociedad patriarcal y la defensa de los derechos humanos de las mujeres.

[4] http://www.portalguarani.com/letras_paraguay.php

[5] https://www.cervantesvirtual.com/

 

Remitido por José Antonio Sierra

[Fuente: http://www.todoliteratura.es]

Au Maroc, l’homosexualité reste punie pénalement, et la société est encore très loin d’accepter la liberté sexuelle et de genre. L’annonce du ministère de la Culture marocain d’interdire le livre Mémoires d’une lesbienne, de Fatima Zahra Amzkar, au sein du Salon international de l’Édition et du livre (SIEL) de Rabat, en est une nouvelle illustration.

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Publié par Antoine Oury

Depuis plusieurs semaines, l’autrice Fatima Zahra Amzkar et la maison d’édition Dar Agora préparaient la présentation de l’ouvrage Mémoires d’une lesbienne au Salon international de l’Édition et du livre (SIEL), un des événements littéraires les plus importants du pays. Une séance de dédicaces avait été annoncée : le roman aborde notamment le poids social de l’homosexualité au Maroc, où les autorités et une partie de la population considèrent l’homosexualité immorale, à travers le parcours d’une jeune lesbienne.

Le titre avait pour objectif, selon l’autrice, de rectifier des idées reçues sur l’homosexualité, mais aussi d’évoquer le rapport de la société marocaine à la sexualité, au mariage et aux droits des femmes.

Passible de 6 mois à 3 ans d’emprisonnement, assortis d’une amende, l’homosexualité est punie par l’article 489 du Code pénal marocain. Les personnes homosexuelles subissent également tous types de discriminations — ces dernières n’étant bien sûr pas interdites par la loi — ainsi qu’un regard de la société particulièrement réprobateur.

Fatima Zahra Amzkar et son livre en ont d’ailleurs été les victimes, peu après l’annonce de la séance de dédicaces. Sur les réseaux sociaux, un mot d’ordre a circulé, appelant à boycotter le SIEL et menaçant l’autrice comme sa maison d’édition. S’exprimant auprès du Site Info, Fatima Zahra Amzkar a assuré avoir reçu plus d’une centaine de menaces de mort.

Le ministère de la Culture marocain a tenté de justifier l’interdiction du livre en indiquant que ce dernier n’avait pas été validé par les autorités, ce que dément l’autrice : « Il n’a été retiré qu’après la campagne de haine dont j’ai été la cible », indique-t-elle.

Ministère de la censure

Décidé la veille de l’ouverture du Salon international de l’Édition et du livre, qui se déroule du 2 au 12 juin, le retrait de l’ouvrage a été vivement critiqué à l’international. Pour l’organisation PEN America, il s’agit d’une « violation de la liberté d’expression et de la liberté artistique de Fatima Zahra Amzkar, mais aussi d’un déni du droit à l’égalité et à la dignité des personnes LGBTQ+ », selon les mots de Liesl Gerntholtz, directrice du Centre pour la liberté des écrivains PEN/Barbey.

L’aspect soudain de la décision n’a pas permis à l’autrice et à la maison d’édition de la contester, mais l’autrice a annoncé saisir la justice pour les menaces de mort qui lui ont été adressées.

Selon la maison d’édition Dar Agora, « [l]e ministère de la Culture a demandé un rapport préliminaire sur le livre afin de statuer sur sa présence lors du SIEL. Nous n’avons aucune visibilité sur le moment où la décision finale sera prise. »

La diplomatie française n’a pas réagi au retrait de l’ouvrage, et a inauguré le salon comme à l’accoutumée…

 

[via Morocco World NewsMedias24 – reproduit sur actualitte.com]

 

En la voluminosa biografía del escritor estadounidense que llegó a las librerías argentinas, Blake Bailey, aborda cómo Roth luchó contra sus críticos, sus exesposas y contra varias enfermedades para dar testimonio de hasta qué punto la obra puede decir tanto más que una vida.

Escritor estadounidense Philip Roth 19332018

Escritor estadounidense Philip Roth (1933-2018)

Escrito por ANA CLARA PÉREZ COTTEN

La voluminosa biografía del escritor estadounidense Philip Roth (1933-2018) llegó a las librerías argentinas después de varias idas y vueltas en torno a su publicación, que incluyeron la retirada de la venta por acusaciones de acoso sexual contra su autor, Blake Bailey, quien en el libro de casi mil páginas aborda cómo el creador de « Pastoral americana » y « La conjura de América”, artífice de 31 libros aunque el Nobel le fue esquivo, luchó contra sus críticos, sus exesposas y contra varias enfermedades para dar testimonio de hasta qué punto la obra puede decir tanto más que una vida.

Con el valor documental de haber tenido acceso a fotos familiares, actas universitarias, contratos editoriales y cartas, la posibilidad de haber mantenido largas charlas con el autor y el análisis literario de una obra monumental, Bailey construye la biografía de Roth y cuenta desde su crianza en Weequahic, un barrio casi íntegramente judío de Newark, Nueva Jersey, durante los años 30 y 40, las aventuras con sus alumnas en la universidad de Iowa o Pennsylvania y/o su vínculo con la nueva camada de escritores como Nicole Klauss, Jonathan Lethem o Zadie Smith.

¿Qué tipo de decisión toma un escritor cuando elige, en el último tramo de su vida, a su biógrafo? “No quiero que rehabilite usted mi persona. Haga solo que resulte interesante”, le dijo Roth a su biógrafo, quien incluyó el pedido como primera línea del libro, en un intento de dejar en claro desde el comienzo qué tipo de indagación desplegó. La elección del biógrafo fue meditada por Roth como cualquiera de sus otras elecciones literarias. Bailey es autor de las biografías de Cheever, Richard Yates y Charles Jackson. Finalista del Pulitzer y beneficiado con la beca Guggenheim, cuenta con una nutrida estantería de reconocimientos: el premio de la Academia Estadounidense de las Artes y las Letras, el National Book Critics Circle Award y el máximo galardón que otorga la Sociedad de Historiadores de su país.

A Roth le interesaba mucho el destino de su biografía. En 1988 publicó su primera memoria, “Los hechos”, y tres años más tarde, “Patrimonio”, el libro en el que retoma el final de su padre. Primero se la encomendó a su amigo Ross Miller, pero en 2006, en pleno trabajo, se pelearon y la empresa fracasó. Retomó el asunto en 2009, cuando anunció que se retiraba de la literatura con una cita del boxeador Joe Louis: “Hice lo mejor que pude con lo que tenía”. De Bailey le gustaba su trabajo con la vida de Cheever y le dio, además de libertad, acceso a sus archivos, sus contactos y a largas sesiones de conversación. “Roth sabía que una biografía sobre su figura sería inevitable, y que estaría repleta de detalles sobre su vida, muchas veces poco convencional, vida privada. Por lo tanto, estaba resignado. Lo que él buscaba, por encima de todo, era precisión y perspectiva—es decir, que su biógrafo pusiera el énfasis necesario en todos los aspectos de su vida y de su obra, cada uno en su justa medida”, contó Bailey sobre su rol y el texto que escribió. Y durante aquella gran empresa, su relación fue “a veces complicada pero raramente desdichada”.

Como si fuera una de esas licencias que a veces se toma la buena literatura, la biografía de Roth, autor de historias cargadas de sarcasmo, humor y melancolía en las que abordó con intensidad la sexualidad y la muerte, tuvo desde su lanzamiento un derrotero digno del mismo universo que construyó.

La carrera profesional de Bailey, llena de reconocimientos, tambaleó cuando horas después de que la biografía llegara a la lista de los libros más vendidos del New York Times: la editorial W. W. Norton & Company decidió detener la publicación, la distribución y la promoción del libro luego de que se multiplicaran las denuncias por acoso y abuso contra Bailey.

Roth public su primera memoria Los hechos en 1988

Roth publicó su primera memoria, “Los hechos”, en 1988.

Según las acusaciones, Bailey (Oklahoma, 1963), habría agredido sexualmente a dos mujeres y, además, se habría comportado de forma inadecuada con varias estudiantes de secundaria cuando era profesor de secundaria en 1990. En aquel momento, en un correo electrónico enviado a la agencia de noticias AFP, el biógrafo negó las acusaciones al considerarlas « categóricamente falsas y calumniosas ». Al mes, el libro fue publicado por la editorial Skyhorse, con experiencia en la publicación de obras de autores denostados, tal como lo hizo el año pasado con la edición de la autobiografía de Woody Allen, « A propósito de nada », que inicialmente iba a publicar el sello Hachette en Estados Unidos, aunque desistió luego de las acusaciones de abuso sexual. Un año después de aquella “cancelación”, Penguin Random House publica el libro en Argentina.

A finales de los noventa, cuando Roth terminó su “Trilogía americana” de novelas, los críticos se referían a los tomos como “Carta a Estocolmo”, en referencia a la ciudad donde todos los años se otorga el Nobel de Literatura, un premio que le era esquivo al que muchos consideraban el mejor escritor estadounidense. Pero la Academia se mantuvo en su decisión. Bailey cuenta como el octogenario escritor, ya en los últimos días de su vida, caminaba de forma rutinaria entre su departamento en el Upper West Side de Nueva York hasta el Museo de Historia Natural, y hacía paradas para descansar en todos los bancos que encontraba. Uno de ellos estaba en los jardines del museo al lado de una estatua de color rosa en la que figuraban los nombres de todos los estadounidenses que habían ganado el premio de la academia sueca. « En realidad, la estatua es bastante fea, ¿no te parece? », le dijo cierto día un amigo. « Sí —contestó Roth—, y se pone más fea cada año que pasa ». « ¿Para qué la ponen ahí. No tiene sentido », le respondió su amigo. « Para fastidiarme », se rió Roth quién, según su biógrafo, no haber ganado el Nobel le molestaba más de lo que admitía en público.

Según BaileyRoth -sí ganador de Pulitzer, el Booker, el Príncipe de Asturias y otros como el Faulkner, el Hemingway o el Nabokov– tenía su teoría sobre por qué aquella “Carta a Estocolmo” nunca llegaba alrededor de la publicación de dos obras: el andamiaje políticamente incorrecto de “El lamento de Portnoy” y “Adiós a una casa de muñecas”, el libro de memorias que escribió su segunda esposa, la actriz Claire Bloom, quien lo acusó de “misógino maquiavélico”. “La literatura no es un concurso de belleza moral”, le dijo el gran narrador estadounidense al periodista.

Bailey dedica largos tramos del libro a matizar aquella teoría que sostiene que la obra de Roth era autobiográfica y, con eje en “El lamento de Portnoy”, exhibe los tramos que el autor tomó de su vida y cómo los “camufló” y alteró con dinámicas exclusivamente literarias. Las novelas eran “generadas por la interacción entre mi historia de ficción anterior, mi historia personal reciente mal diferida, las circunstancias de mi vida inmediata y los libros que había estado leyendo y sobre los que había estado dando clase”, según Roth.

El biógrafo no ahorra detalles sobre los chismes del mundillo de la crítica ni se priva de contar cómo el autor buscó acercarse a Nicole Kidman y a Penélope Cruz, pero asume con responsabilidad la misión de dar cuenta de por qué Roth fue “el gran escritor norteamericano del siglo XX” y “uno de los últimos representantes de una generación de novelistas heroicamente ambiciosos que incluía a amigos y rivales ocasionales como John Updike, Don Delillo y William Styron”.

Entonces, Bailey aborda el realismo de sus primeras obras cuando se inspiraba en Henry James, Flaubert, el humor negro y la farsa descarada de Portnoy, la sátira de su mítico Nathan Zuckerman, la experimentación posmoderna “La contravida”’ y la magistral “Trilogía americana” que reúne “Pastoral americana”, “Me casé con un comunista » y “La mancha humana”, de quien el poeta Mark Strand dijo que enseña “la imagen más real que tenemos de la forma en que vivimos ahora”.

Roth murió el 22 de mayo de 2018 a los 85 años. Hacia el final del libro, Bailey reconstruye el funeral, el último lunes de mayo de aquel año, un Día de los Caídos, en el cementerio de Bard College, cerca de la tumba de Hannah Arendt. Allí los seres queridos del novelista leyeron pasajes de sus novelas. “Sí, estamos solos, profundamente solos, y siempre nos aguarda una capa de soledad todavía más profunda”, leyó un niño de un ejemplar de « Pastoral americana » para homenajear al gran escritor norteamericano.

[Fuente: http://www.telam.com.ar]

A forma caricatural e essencialista que tanto os liberais como a extrema-direita lidam com o assunto não dá conta de uma realidade cheia de contradições. E esta é a nossa deixa: esta é uma fenda que a esquerda, sobretudo a esquerda anticapitalista, precisa aprender a ocupar.

 

Escrito por Adelaide Ivánova

No livro No Shortcuts: Organizing for Power in the New Gilded Age (2016), da sindicalista estadunidense Jane McAlevey, tem uma frase que eu nunca esqueci: “Se religião importa para a trabalhadora, deve importar para a organizadora comunitária”. No livro, McAlevey analisa vitórias e fracassos de diferentes movimentos sociais, laborais e sindicais e sugere ferramentas práticas de como lutas progressistas podem obter mais vitórias. O livro tem algumas fendas conceituais e organizativas, na minha opinião, mas isso não vem ao caso agora. O ponto é que, nessa passagem em particular, a autora atesta que, para uma luta ser vencedora, é preciso trazer a vida da trabalhadora, suas paixões e hobbies, para dentro da luta. Assim, ao invés de ignorar que as trabalhadoras gostam de baseball ou vão à igreja com frequência, a pessoa que tenta organizar politicamente essas trabalhadoras deve levar isso muito a sério.

Já usei essa frase com frequência nas minhas próprias atividades militantes, mas sobretudo tento aplicar essa sugestão na minha própria práxis. Só que, de uns dias pra cá, ela tem ecoado na minha cabeça com muito mais força diante do desenrolar do processo de difamação que Johnny Depp moveu contra sua ex-esposa, a também atriz Amber Heard.

Aí agora você se pergunta: que danado a frase de uma sindicalista de esquerda tem a ver com o show trial de dois milionários de Hollywood? Você tem razão: nadinha. O que a frase tem a ver, no entanto, é com como a esquerda estadunidense lidou – ou melhor, não lidou – com o assunto.

Um pouco de contexto, bem resumidão: em 2016, Amber Heard pede o divórcio e solicita a aplicação de medidas protetivas, alegando que Depp era abusivo com ela. Em 2017, sai o divórcio. Em 2018, ela assina um texto no Post com o título “Falei contra a violência sexual – e enfrentei a ira de nossa cultura. Isso tem que mudar”, no qual relata diversas experiências de abuso, mas sem citar o nome do ex-marido nem uma única vez. Ainda em 2018, Depp processa o jornal britânico The Sun por difamação, pelo jornal tê-lo chamado de “espancador de esposa” (sendo que a corte britânica decidiu que havia indícios suficientes de que Depp é mesmo um abusador e assim ele perdeu o processo). Em 2019, o ator abre processo contra a ex-esposa por difamação, pelo artigo no Post de 2018 (sim, o que não o citava nenhuma vez). A audiência começa em abril de 2022 e dura seis semanas, tendo sido ininterruptamente transmitida ao vivo pelo YouTube. E termina com o veredito favorável a Depp, em 1º de junho de 2022.

Nessas seis semanas, a extrema-direita norte-americana conseguiu cooptar completamente e liderar o andamento do debate com dois trending topics no Twitter (#JusticeForJohnnyDepp e #AmberTurd) que furaram todas as bolhas. A extrema-direita capitaneou a opinião pública para gerar o senso comum de que a vítima, aqui, não é Amber Heard, e sim Depp, mas sobretudo os homens americanos, que seriam as “vítimas reais” de denúncias mentirosas, das “feminazis” e dos liberais que, segundo eles, querem atolar goela abaixo que se deve acreditar na palavra das mulheres que denunciam seus agressores.

O debate público em torno do processo judicial se focou em questionar marcos civilizatórios como a liberdade de expressão (já que o motivo oficial do processo movido por Depp foi o artigo de Heard) e em minar os poucos e limitados progressos que conquistamos desde o #metoo. Para conseguir isso, os assim chamados ativistas dos direitos dos homens, liderados por figuras como o extremista-branco Ben Shapiro, espetacularizaram e expuseram não somente o processo em si, como também a vida privada e o caráter de Amber Heard, tratando-a como “vadia”, “maluca”, “não confiável”, “destruidora de famílias”, “interesseira”, “promíscua”, “violenta” etc. Soa familiar? É porque é: a tática da victim shaming não é nova, basta lembrarmos de exemplos como o estupro na Irlanda, no qual a calcinha da vítima foi usada pelos advogados de defesa do estuprador, para “provar” que ela era queria ser estuprada; ou da aberração jurídica que foi o caso Mariana Ferrer.

Desta vez, no entanto, e dadas as circunstâncias, a tática de victim shaming foi usada não apenas pra proteger um homem específico: ela foi usada pra convocar massas a tomar partido em torno de um projeto político. A extrema-direita acabou conseguindo fazer com que o veredito estivesse pronto antes mesmo de o processo terminar. Quem saiu vitorioso não foi apenas Depp, foi sobretudo a extrema-direita estadunidense. É grave, minha gente.

Numa perspectiva crítica e à esquerda, o que o andamento do debate público em torno do caso revelou é o grau de incapacidade que tanto a direita como os liberais têm de produzir análise correta da realidade – e de como a esquerda falhou em interferir na questão. Se a direita faz uma caricatura da realidade ao dizer que “nem todo homem”, os liberais também fazem uma caricatura da realidade ao abraçar com enorme rapidez e de forma acrítica a cultura do cancelamento. Uma análise da cultura do estupro que dê conta da complexidade da vida das pessoas é, de fato, um exercício complicado e doloroso: não é fácil aceitar que estupradores não são monstros, e que têm amigas, mães, namoradas, filhas e podem ser até pessoas incríveis. Como lidar com essa contradição? Com cancelamento é que não devia ser.

Quando a única coisa que os liberais têm a sugerir como solução para estupros é que homens acusados do crime sejam demitidos, cancelados, ou passem por um processo de morte social, liberais não somente não responsabilizam o estuprador de fato, como tampouco trazem reparação concreta para as vítimas. Pior: nessa “antipráxis” não há nenhuma sugestão concreta de mudanças estruturais e de longo prazo. O fruto dessa antipráxis é um vácuo perfeito para ser ocupado pela extrema-direita, que contra-ataca, dizendo que a demanda “acredite nas palavras das vítimas” é inaceitável, já que o que existe, na verdade, seria uma caça às bruxas contra os homens. É um plot twist terrível, mas muito bem utilizado.

Ora, se considerarmos que apenas cerca de 4,5% das denúncias são falsas, então a ideia de “acredite em todas as vítimas” é embasada na realidade material. Mas a partir disso, qual é a proposta que temos a fazer? Cancelaremos todos os homens? Cancelaremos e exporemos nas redes sociais suas mães, amigas, esposas que não os cancelarem?

Apesar de Heard ter trazido inúmeras evidências dos abusos, ela perdeu não somente o caso, mas ainda antes o apoio da mídia liberal, que se calou diante do caso (ao menos até a publicação do veredito). Mas podemos olhar de outra forma: ela perdeu o processo justamente por não receber o apoio da mídia liberal. E a razão da mídia liberal ter-se calado foi exatamente por não saber o que fazer diante de uma realidade complexa que o próprio liberalismo ignora: é fácil esbravejar “acredite em todas as vítimas” quando a vítima é virginal, tímida ou vulnerável. Agora, exercitar o “acredite em todas as vítimas” com uma vítima imperfeita, quase detestável, como Heard, aí é outra história. É por isso que jargões vazios, convocações de cancelamento ou elevação de alguém à categoria de “fada sensata” não servem de nada.

A forma caricatural e essencialista como tanto os liberais como a extrema-direita lidam com o assunto não dá conta de uma realidade cheia de contradições. E esta é a nossa deixa: esta é uma fenda que a esquerda, sobretudo a esquerda anticapitalista, precisa aprender a ocupar. No que diz respeito a Depp vs. Heard, a esquerda perdeu mais essa oportunidade ao torcer o nariz e ausentar-se da questão. O processo revelou a nossa arrogância e a nossa falta de planos para interferir em polêmicas que não estariam, digamos assim, à nossa “altura” intelectual ou moral.

Não me surpreende, infelizmente, que a esquerda não tenha participado da conversa (e quando digo “esquerda” não estou falando de mim e você, com nossa meia dúzia de seguidores no Instagram: estou falando dos grandes veículos impressos, podcasts, influenciadores e comunicadores da esquerda, dos EUA sobretudo). O que me surpreende é que, mesmo depois de o caso ter sido cooptado pela extrema-direita e ter deixado de ser um debate cultural para virar uma disputa política, a esquerda continuou ausente. Vá lá, a gente pode até não estar a fim de falar de Johnny Depp, mas a gente tem o dever de analisar qualquer nova articulação de grande porte dos nossos oponentes – afinal, nessas novas articulações, eles estão ganhando pessoas com as quais nós também devemos dialogar e conquistar, entende? É de tática que eu estou falando.

A gente pode até continuar achando que Anitta, Hollywood, k-pop e tecnobrega não têm nada a ver com a gente, mas a maioria absoluta das pessoas consomem esses bens culturais e aglutinam-se em comunidades em torno desses artistas. Aqui volto à Jane McAlevey, mas fazendo uma paráfrase: se Hollywood importa para a trabalhadora, deve importar para a esquerda. A gente não se pode dar ao luxo de ignorar esses assuntos que fazem parte do tecido da vida das pessoas.

No fundo, eu também queria poder cagar e andar para Depp e para Heard. Mas, ainda que as chuvas em Recife me ocupem muito mais agora, eu me recuso a cair no cinismo de ignorar a importância do caso. O imperialismo estadunidense não é algo a se subestimar e é por isso que é apenas uma questão de tempo até que comecemos a sentir as consequências. A forma como a opinião pública esteve massiva e desavergonhadamente do lado do abusador indica que uma mudança de paradigma se delineia, depois de apenas meia década em que a ideia basicona de que devemos acreditar nas palavras da vítima se tornou um pouco mais aceita.

O resultado Depp vs. Heard pode fazer as coisas andarem anos para trás, como indica Raven Smith em artigo para a Vogue: “Os detalhes dos depoimentos de Depp e Heard são angustiantes por si sós – horríveis, violentos e contendo anedotas profundamente íntimas sobre o relacionamento deles. De um modo geral, os depoimentos de testemunhas podem ser persuasivos e, com dois atores no banco dos réus, nunca podemos ter certeza da verdade absoluta. Ainda assim, e apesar de o Supremo Tribunal de Londres ter considerado as alegações de que Depp é um ‘espancador de esposas’ como ‘substancialmente verdadeiras’, a internet escolheu ficar ao lado de Depp”.

Soa ingênuo dizer “a internet escolheu isso ou aquilo”, mas a premissa deve preocupar-nos muito, não exatamente pelo futuro dos dois envolvidos diretos, mas pelo das mulheres dos 99%. No fim das contas, Depp e Heard não deixam de ser multimilionários usando da justiça burguesa para “fazer justiça” dentro dos moldes burgueses. No entanto, é preciso aceitar a triste realidade que, mesmo que a gente não goste, o imperialismo cultural dos EUA é real e o que foi decidido na corte do estado da Virgínia provavelmente vai piorar a vida de milhares de mulheres que decidam denunciar seus agressores, não somente nos EUA, mas no mundo inteiro. Lembrando que, no Brasil, a maioria das mulheres vítimas de estupro e violência doméstica são negras e periféricas – assim sendo, esse veredito pode trazer consequências desastrosas para a vida de pessoas já mais vulneráveis.

Na minha opinião, algumas lições ficam disso tudo: uma é que a luta contra o machismo deve estar sempre aliada à luta anticapitalista e, esta, ao antirracismo. Sem isso, o feminismo não libertará nenhuma de nós. Sem uma perspectiva classista, criamos uma análise caricata da realidade, que deixa de levar em consideração relações e vidas complexas. E, ao fazermos análises erradas, agimos erroneamente. A forma como o feminismo liberal lidou com o caso é um exemplo disso. Temos a obrigação de não repetir o mesmo erro, enquanto esquerda anticapitalista. Aliás, o cantor Marilyn Manson, denunciado e preso por ter abusado sexualmente da ex-esposa, já anunciou que também a vai processar por difamação. A extrema-direita já está amolando as facas e até uma hashtag já está pronta: #IStandWithMarilynManson, que em poucas horas já vai em mais de 28 mil publicações só no Instagram. E a nossa tática, qual vai ser? Espero que não seja a do W.O.

Para pensar sobre o tema

 

Feminismo para os 99%: um manifesto, de Nancy Fraser, Cinzia Arruzza e Tithi Bhattacharya
Moradia inacessível, salários precários, saúde pública, mudanças climáticas não são temas comuns no debate público feminista. Mas não seriam essas as questões que mais afetam a esmagadora maioria das mulheres em todo o mundo? Inspiradas pela erupção global de uma nova primavera feminista, Cinzia Arruzza, Tithi Bhattacharya e Nancy Fraser, organizadoras da Greve Internacional das Mulheres (Dia sem mulher), lançam um manifesto potente sobre a necessidade de um feminismo anticapitalista, antirracista, antiLGBTfóbico e indissociável da perspectiva ecológica do bem viver.

Mulheres e caça às bruxas: da Idade Média aos dias atuais, de Silvia Federici
Por que voltar a falar, hoje, sobre caça às bruxas? Em Mulheres e caça às bruxas, Silvia Federici revisita os principais temas de um trabalho anterior, Calibã e a bruxa, e brinda-nos com um livro que apresenta as raízes históricas dessas perseguições que tiveram como alvo principalmente as mulheres. Federici estrutura sua análise a partir do processo de cercamento e privatização de terras comunais e, examinando o ambiente e as motivações que produziram as primeiras acusações de bruxarias na Europa, relaciona essa forma de violência à ordem econômica e argumenta que marcas desse processo foram deixadas também nos valores sociais, por exemplo, no controle da sexualidade feminina e na representação negativa das mulheres na linguagem.

Gênero, neoconservadorismo e democracia, de Flávia Biroli, Maria das Dores Campos Machado e Juan Marco Vaggione
Fruto de uma investigação transnacional realizada no decorrer de 2018 e 2019 e de um profícuo diálogo envolvendo as duas autoras e o autor, esta obra analisa as relações entre gênero, religião, direitos e democracia na América Latina. Com o fim da chamada “onda vermelha” na região, é significativo o aumento da atuação de católicos e evangélicos conservadores na política, com forte reação às políticas de equidade de gênero, direitos LGBTQI e saúde reprodutiva. Flávia Biroli, Maria das Dores Campos Machado e Juan Marco Vaggione destacam o uso, por agentes conservadores, de expressões como “ideologia de gênero”, “feminismo radical” e “marxismo cultural” para justificar normas que promovem exclusões, vetos a perspectivas críticas e o fim de políticas públicas importantes para mulheres e minorias, corroendo, por dentro, a democracia na região.

***
Adelaide Ivánova é pernambucana, poeta e organizadora comunitária da campanha Deutsche Wohnen und Co. Enteignen, que luta pela expropriação de grandes empresas do aluguel, em Berlim, onde mora desde 2011. Em 2017, publicou o livro de poesia documental o martelo, que investiga a retraumatização causada por um processo judicial por estupro. Em 2018 o livro venceu o prêmio Rio de Literatura na categoria poesia.

 

[Fonte: blogdaboitempo.com.br]

80 entidades reeditam manual para a defesa de educadores alvos de censura e violência. Em ano eleitoral, ultradireita tenta bloquear debates nas escolas, mas ele mostra como resistir a delírios de “avanço comunista” e “ideologia de gênero” 

Escrito por Malu Delgado

Há três semanas o psicólogo escolar José (nome fictício) foi chamado para uma reunião com a direção da instituição de ensino na qual trabalhava e representantes da Secretaria Municipal de Educação. Foi sumariamente demitido, sob alegação de má conduta profissional e inadequação de conteúdos às respectivas faixas etárias de alunos.

Dias antes, José, que é homossexual assumido, havia tido uma conversa com as crianças sobre bullying. Contou aos alunos do 4º e do 5º anos do ensino fundamental que, quando começou a trabalhar na escola, ouviu uma das crianças dirigir-se a um colega chamando-o de “veadinho de merda”. Disse-lhes, no meio da conversa, que aquilo o machucou profundamente, não apenas pela grave agressão à criança, mas também pelo fato de ele ser homossexual.

A aula sobre problemas comportamentais cotidianos selou ali seu destino: a demissão da escola da rede pública de um pequeno município no interior de Minas Gerais, com pouco mais de 3.500 habitantes, ocorreria dias depois.

O caso de José reflete uma rotina de medo, censura e intimidação que professores e profissionais da educação têm vivenciado no Brasil, numa escala ascendente nos últimos anos. A pedido do profissional, seu nome e o município não serão revelados, pois ele aguarda a rescisão contratual com a escola e teme represálias. José, no entanto, está decidido a buscar uma reparação na Justiça.

“Não fui notificado sobre nada. Estava em casa e me chamaram para uma reunião no Departamento de Educação. Não especificaram nada. Disseram que tentariam arrumar outro emprego para mim, que gostavam muito do meu trabalho, que eu era participativo. Fizeram só elogios, o que foi totalmente contraditório. Pareceu que estavam cortando o mal pela raiz, só porque eu era gay”, disse o psicólogo à DW Brasil. Após o episódio, ele optou por deixar a cidade, devido às “fofocas”. Atualmente está empregado numa cidade do interior de São Paulo.

O profissional contou, ainda, que a mãe de um dos estudantes levou fotos do perfil dele no Instagram à prefeitura. Em uma delas, ele aparecia sem camisa. Havia, ainda, outra foto dele com as crianças (os menores de costas, sem serem identificados).

“A cidade começou a dizer que eu fui demitido porque falava de sexo com alunos, que eu os obrigava a fazerem coisas. Foram vários relatos aleatórios, sendo que nem contatos diretos com os estudantes eu tinha, apenas nos momentos de intervenções. Eu nunca tinha sofrido homofobia em dimensão tão grande. Foi uma ferroada que marcou minha vida.”

Casos como esse motivaram 80 instituições de educação a reeditar neste ano o Manual de Defesa contra a Censura nas Escolas, “em resposta ao perverso fenômeno ultraconservador na educação, em especial aos ataques aos princípios constitucionais da liberdade de ensino e do pluralismo de concepções pedagógicas e às normas educacionais”.

A primeira edição do manual foi publicada em 2018, com orientações aos profissionais, e explicações sobre as legislações vigentes e o direito constitucional das crianças a uma educação plural e não discriminatória. A versão atualizada contém detalhes das recentes decisões do Supremo Tribunal Federal, de 2020, que reforçam a inconstitucionalidade de teses defendidas pelo movimento Escola Sem Partido e de legislações que interditam os conteúdos de educação sexual e sexualidade nas escolas.

O objetivo da publicação é fornecer aos profissionais respostas pedagógicas, políticas e jurídicas possíveis em situações de conflito, propondo mediações e tentativas de diálogo com a comunidade escolar e as famílias. As respostas judiciais, recomenda o manual, devem ser buscadas em casos de agressões abusivas e injustas.

A cortina de fumaça da chamada “ideologia de gênero”

Outra iniciativa, da Human Rights Wacth (HRW), reflete também a gravidade do momento. A organização fez um levantamento intitulado “Tenho medo, esse era o objetivo deles”: esforços para proibir a educação sobre gênero e sexualidade no Brasil.

O relatório traz a análise de 217 projetos de lei aprovados no Brasil entre 2014 e 2020 cujo objetivo central é proibir a educação sexual nas escolas, com veto a materiais didáticos e abordagem dos temas em diferentes disciplinas. A justificativa sempre é a de que há “doutrinação” ou a chamada “ideologia de gênero”. Como o relatório da HRW enfatiza, tal termo carece de definição precisa, mas “seus defensores convenientemente o empregam para atacar diversos temas, como educação sexual abrangente, casamento entre pessoas do mesmo sexo, feminismo, direitos reprodutivos e direitos das pessoas trans”.

De acordo com a pesquisa da HRW, 47 desses projetos de lei foram aprovados, e pelo menos 20 estão em vigor em diferentes municípios do país, e um no Ceará como um todo. Outros 41 projetos estão em tramitação em legislativos locais, sendo 15 deles na Câmara dos Deputados. Os números estão subestimados, de acordo com a própria organização, pela dificuldade de acesso à base de dados de municípios.

O Supremo Tribunal  Federal (STF) já derrubou oito leis do tipo, julgadas pela corte em 2020. Já os tribunais inferiores barraram 17 iniciativas. Há ainda, na pauta do Supremo, mais quatro casos que tratam da “ideologia de gênero” aguardando julgamento.

“A Suprema Corte já emitiu excelentes sentenças em defesa do direito das crianças e adolescentes à educação sobre gênero e sexualidade, e contra a censura de professores que tentam abordar essa temática, mas há mais casos pendentes que devem ser resolvidos. As decisões sólidas e bem fundamentadas do STF têm auxiliado na consolidação do direito das crianças e adolescentes a esse conteúdo didático”, afirma Cristian González Cabrera, pesquisador da divisão de Direitos LGBT da Human Rights Watch e coordenador do relatório.

No entanto, Cabrera sustenta que “o Conselho Nacional de Educação deveria elaborar uma resolução estabelecendo que a educação em sexualidade no Brasil precisa estar de acordo com os padrões internacionais sobre educação integral em sexualidade e as decisões do STF”.

Para o pesquisador da HRW, os professores não devem hesitar em denunciar os casos de ameaças, censura e intimidação, e devem procurar sindicatos. “Há também organizações no Brasil, como a Ação Educativa, que ajudam a orientar os professores sobre o que fazer quando são assediados pelos temas que abordam em sala de aula.”

Cabrera pontua que a educação integral em sexualidade é um direito de todas as crianças e adolescentes, e que o veto a tais temas é inconstitucional. Além dos aspectos legais, o pesquisador salienta as evidências de que a educação em sexualidade e gênero previne violências sexuais contra crianças, gravidez precoce e indesejada, por exemplo.

“Estudos indicam que esse tipo de educação também pode contribuir para resultados mais amplos, como prevenir e reduzir a violência e a discriminação de gênero, bem como melhor conhecimento de igualdade de gênero, autoeficácia ao lidar com situações de risco e confiança dos estudantes. Proibir informações sobre gênero e sexualidade nas escolas atrasará a melhoria da sociedade nesses problemas.”

“Intimidação também envolve política, não apenas gênero”

Os relatos de intimidação velada contra professores, assédio moral e ameaças, inclusive físicas, cresceram sobretudo nos últimos dois anos, afirma Celso Napolitano, presidente da Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp). Napolitano afirma que a pandemia, com aulas remotas, agravou a situação, pois os profissionais ficaram muito vulneráveis e expostos.

“Muitos professores relataram intromissão nas aulas pelas famílias, por grupos de ensino, institutos, inclusive afetando a própria liberdade de cátedra. Esse grupo Escolas Abertas (que pressionou pelo retorno do ensino presencial no auge da pandemia) e o Escola sem Partido agiram de maneira muito intensa neste período da pandemia”, relata Napolitano. A Fepesp é uma das instituições parceiras do manual contra a censura nas escolas.

Segundo o presidente da federação, que reúne 25 sindicatos representantes de professores que atuam em escolas privadas, os professores têm procurado ajuda, mas normalmente pedem que seus nomes e casos sigam anônimos, para evitar exposição na mídia. Nas escolas particulares, sustenta ele, é a política, e não temas de gênero, que mais provocam ruídos.

“Sobretudo agora, com essa polarização [em ano eleitoral], várias direções de escolas conversam com professores para evitarem alguns assuntos. Ou as famílias se manifestam diretamente contra qualquer ação do professor que consideram doutrinária ou politizada.”

Nesse quesito, as disciplinas de história, filosofia, sociologia, por exemplo, seriam as mais prejudicadas. Um tema bastante interditado é o debate sobre a ditadura no Brasil, exemplifica. Na opinião do profissional, as consequências desta autocensura dos profissionais e deste clima de medo é extremamente prejudicial para a formação de crianças e adolescentes.

“Problema é estrutural e não se trata de movimento recente”

O cerco a professores, com demissões imotivadas e sumárias, intimidações, e interferência na liberdade de cátedra não são fenômenos recentes no Brasil, ainda que tenham ganhado visibilidade nos últimos anos, alerta Raquel Franzim, pedagoga e diretora de educação do Instituto Alana. A instituição também apoiou a publicação do manual contra a censura.

“Não é algo que nasceu com o Escola sem Partido. Por nossos estudos, há uma enorme subnotificação desses casos no Brasil. O que chega aos tribunais e à imprensa é muito menos do que de fato acontece”, afirma a diretora. Ela alerta que a situação é mais delicada na educação básica, uma vez que no ensino superior há regulamentações mais claras que asseguram a liberdade de cátedra, o contraditório e o conhecimento científico.

“A escola trata, ou deveria tratar, as questões sociais de maneira distanciada do senso comum. O ensino não é só protetivo, ele é preventivo, para que não sejam formadas gerações que reproduzem violência de gênero, sexual e racial.”

A diretora do Instituto Alana diz que o manual contra a censura foi uma iniciativa importante, pois as mudanças precisam acontecer nas comunidades escolares, com diálogo. “Essa questão não vai ser resolvida numa canetada. A autonomia pedagógica das escolas não pode ser absoluta e não ocorre sem diálogo com as comunidades escolares. A escola é o ambiente para se tratar, de maneira bastante respeitosa, as divergências”, defende.

Segundo ela, as transformações são graduais e hoje, por exemplo, já houve bastante avanço em relação ao combate ao racismo nas escolas brasileiras. Apesar de reconhecer que a ambiência política e institucional no Brasil é bastante desfavorável para esse debate, a pedagoga insiste que é preciso admitir que se trata de um problema estrutural da educação brasileira, que expõe as crianças e jovens a ainda mais violências.

“Quem perde nessa equação sempre são crianças e adolescentes. Precisamos sair, neste momento, de debater o assunto como se fosse vinculado à agenda de costumes e à agenda moral. Não é. É um assunto estruturante. As crianças estão aprendendo pior sobre vários assuntos, sem tratamento adequado, científico e profissional dentro das escolas. Tal cerceamento prejudica a aprendizagem”, conclui.

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

beatnik

Primera documentació: 4/02/1989

Tipus
manlleu de l’anglès
Contextos
I tot això integrat dins l’evolució de la història del jazz i dels fenòmens culturals que l’han acompanyada, com ara la literatura beatnik. [El Temps, 14/08/1995]
Jo em considerava beatnik, els hippies els trobava una mica bledes, però jo vivia en una casa comunitària, on hi havia diferents parelles. [Ara, 17/12/2021]
Observacions El beatnik va ser un moviment juvenil sorgit entre les dècades de 1950 i 1960 als Estats Units, antecessor del moviment hippy, que es caracteritzava pel rebuig d’alguns valors socials tradicionals i per una actitud vitalista, la qual cosa es reflectia en la moda i la conducta anticonvencionals. Així mateix, el beatnik promovia una concepció molt lliure de la sexualitat, el nomadisme, el consum de drogues o el pacifisme.

Segons l’Oxford English Dictionary, el manlleu està creat per la forma beat (usada també en llenguatge col·loquial per referir-se a aquest mateix moviment, i que és l’escurçament del sintagma beat generation) i el sufix de l’ídix -nik, un ètim originàriament del rus que crea noms que denoten membres d’una classe o grup, partidaris d’una causa, etc. La primera documentació en anglès es recull el 1958, any en què Herb Caen, un famós periodista de San Francisco, va encunyar aquest terme, amb una connotació clarament despectiva, amb l’objectiu de parodiar els seguidors d’aquest moviment contracultural, mesos després d’haver-se publicat la novel·la On the road (A la carretera), concebuda com a manifest del moviment, escrita per Jack Kerouac (1922-1969).

 

 

[Font: neolosfera.wordpress.com]

rebelión de las lolitas

Axe Lolita

Publicado por Carlo Frabetti

Tras ver un preocupante reportaje sobre los «herbívoros» japoneses (soshoku danshi)1, me acordé de un chiste que me contó un amigo gallego y de una concentración de lolitas.

Un encuestador le pregunta a un campesino de la Galicia profunda:

—¿Qué prefieres, masturbarte o follar?

—Eu… prefiro follar —contesta el campesino tras unos instantes de vacilación.

—¿Por qué?

—Se conoce gente…

Hasta aquí el chiste, que en el Japón actual podría ser toda una declaración de principios. En cuanto a la concentración, tuvo lugar hace unos años en Colonia. Estaba yo disfrutando de un sobrecogedor contrapicado de las dos torres de la catedral, que durante siglos fueron las más altas del mundo, cuando de pronto la plaza empezó a llenarse de lolitas japonesas —y de otras nacionalidades— en sus distintas variantes: góticas, clásicas, punkis, piratas, ciberlolitas… No sé si la decisión de reunirse frente a aquellos enormes falos de piedra respondía a un propósito consciente de vindicación y réplica; en cualquier caso, para mí aquella explosión de femineidad oriental insumisa representó la segunda caída de las torres gemelas.

Las lolitas aparecieron en Japón en los años setenta del siglo pasado como expresión estética de una juventud femenina que quería desmarcarse de la ultraconservadora sociedad japonesa tradicional, en la que la mujer quedaba relegada al papel de abnegada esposa, material y mentalmente sometida al marido. Y aunque empezó siendo un movimiento juvenil, en la actualidad es frecuente ver a mujeres de cuarenta o cincuenta años ataviadas como lolitas.

A primera vista, la Lolita fashion podría parecer una forma de huida hacia delante, en la medida en que potencia la imagen de la mujer florero (por no hablar de sus connotaciones fetichistas y pedófilas); pero su misma extremosidad convierte la propuesta estética —y erótica— de las lolitas en una impugnación de lo establecido; su extremosidad irónica y su desenfadado narcisismo, que no busca la aprobación de la mirada masculina. La dimensión contestataria de un movimiento en apariencia tan «cuqui» (kawaii en japonés) fue captada rápidamente por el manga y el anime, que incorporaron a algunas lolitas guerreras a su elenco de heroínas.

No es casual que el repliegue sexual de los varones japoneses haya coincidido con la eclosión de las lolitas y otras formas de autoafirmación femenina; paradójicamente, la impropiamente denominada «revolución sexual» de los años setenta provocó en el Japón hiperpatriarcal una intensa —y extensa— reacción involutiva. Me viene a la memoria, a este respecto, un interesante artículo sobre la anomia de la sociedad japonesa actual2 en el que Santiago Alba Rico hablaba de la relación entre la sexualidad y la pereza (esa pereza que no es la madre de todos los vicios porque les brinde el tiempo necesario para su desarrollo, como creen quienes confunden el esfuerzo con la virtud, sino porque constituye su materia prima); pero habría que hablar también de la compleja relación entre sexo y miedo (las pulsiones más básicas, junto con el hambre). El campesino del chiste prefiere follar porque se conoce gente; por la misma razón, el soshoku danshi prefiere masturbarse, pues no quiere conocer gente: concretamente, no quiere «conocer» (y no deja de ser significativo el doble sentido del término) a una nueva generación de japonesas que no han sido modeladas por y para el deseo masculino. En el fondo (y también en la forma), el «herbívoro» tiene miedo de unas mujeres que, en la medida en que se sustraen a su rol tradicional, lo obligan a cuestionarse su masculinidad; no es un misógino, como podría parecer a primera vista, sino un ginófobo.

Amantes de silicona e ídolos de carne y hueso

Hacia la misma época que las lolitas, irrumpieron en el escenario sociocultural nipón las «idols», cantantes adolescentes de aspecto aniñado que catalizan las fantasías de un público eminentemente masculino que ve en ellas la personificación de una femineidad dulce e inofensiva, el objeto ideal —en el doble sentido del término— de una sexualidad drásticamente reprimida por el miedo a las mujeres adultas y empoderadas.

Algunos han visto en las idols japonesas (también las hay chinas y coreanas, aunque no son equiparables) una versión pop de las geishas, en la medida en que encarnan un estilizado paradigma de belleza y de dulzura femeninas; pero las diferencias son mayores que las semejanzas, pues, mientras que las geishas representan la anacrónica pervivencia de la tradición más rancia y la estereotipación de los roles de género, las idols, al igual que las lolitas, escenifican (nunca mejor dicho) la disolución de la imagen —y la función— de la mujer impuesta por una de las culturas más machistas del mundo. Las geishas son cortesanas3, mientras que las idols son princesas: las primeras agasajan a sus clientes; las segundas son agasajadas por sus admiradores.

Por si no fuera suficiente el mero hecho de llamarlas «idols» para manifestar que son objeto de veneración, sus fans —los wota— a menudo se organizan en grupos de apoyo4 que las acompañan en sus actuaciones y las jalean mediante movimientos y gritos ritualizados —denominados ouendan— que son auténticas coreografías, comparables a las de las animadoras de los equipos deportivos.

rebelión de las lolitas

Carátula del videojuego Osu! Ttatakae! Ouendan

Al igual que el «herbívoro» solitario que se encierra en una cabina de masturbación o se compra una amante de silicona5, el fan gregario que acude a los templos de la música para participar en un rito colectivo de adoración de niñas-fetiche, huye de la mujer adulta y autónoma que problematiza su virilidad por el mero hecho de tenderle un espejo. La máxima objetualización de la muñeca sexual y la idealización extrema de la idol adolescente (la desublimación represiva, que diría Marcuse, y la sublimación alienante) parten del mismo miedo y conducen al mismo vacío. Porque, en última instancia, tanto el soshoku danshi como el wota tienen miedo a la libertad; sobre todo a la libertad de las mujeres, pero también a la propia, que solo se puede ejercer realmente en el encuentro igualitario con los —y las— demás. Un miedo a la libertad que, como señaló Erich Fromm, es el heraldo negro del fascismo. Y en el caso de Japón, huelga decirlo, una recaída podría ser fatal.


Notas

(1) La expresión fue utilizada por primera vez en 2006 por la escritora japonesa Maki Fukusawa para referirse, en contraposición a los hombres «carnívoros», es decir, depredadores sexuales, a los que adoptan una actitud elusiva, incluso temerosa, frente a las mujeres y declaran abiertamente que, pese a ser heterosexuales, no están interesados en relacionarse con ellas. Según algunas estimaciones, más de la mitad de los hombres japoneses de entre veinte y cuarenta años son soshoku danshi, lo que ha contribuido de forma significativa a provocar un serio problema de descenso de la natalidad.

(2) Sexo y pereza, Santiago Alba Rico (Rebelión, 2 5 2012).

(3) Entendiendo el término en su sentido literal de «persona que se comporta con cortesanía», no como eufemismo de prostituta.

(4) Estos grupos de apoyo han sido popularizados en varias series de anime, así como en el videojuego de Nintedo Osu! Ttatakae! Ouendan.

(5) En Japón, pese a su elevado precio y a la crisis económica que atraviesa el país, se venden cada año miles de muñecas sexuales, y hay un floreciente mercado de complementos y servicios relacionados con su uso, incluidas empresas que organizan funerales para las muñecas deterioradas.

 

[Fuente: http://www.jotdown.es]

 

 

 

 

 

Écrit par Adam BENYACHOU

Face aux binarismes qui régissent nos représentations du monde et de la vie sociale, cet essai conceptualise le neutre comme moyen d’émancipation.

Neutriser : Émancipation(s) par le neutre – Lila Braunschweig                 2021                          Les liens qui libèrent 192 pages

Neutre. Cette chose fade, terne, insipide et informe. Ni ceci ni cela, ou peut-être les deux à la fois. Regard détourné et dos courbé, ambiguïté convenue ou acquiescements empressés. Être neutre pour se dérober devant le choix, laisser faire et advienne que pourra.

Voilà tout ce que l’« autre neutre » de Braunschweig n’est pas. Cet autre neutre n’est pas un neutre réhabilité, ou la nouvelle mouture d’un mot désuet. Il ne s’agit pas de déterrer les fossiles d’un « neutre véritable », mais de replanter les jalons vers ce Neutre parallèle que Roland Barthes appelait déjà de ses vœux   .

Éloge et manifeste tout à la fois, cet essai recompose trois lieux de manifestation du Neutre, en révèle les imbrications et les étaie de propositions.

Neutriser pour altérer les paradigmes : une manifestation théorique et critique

Emprunté à Barthes, le mot « paradigme » désigne ces binarismes qui structurent les sens et ordonnent le monde par la confrontation dogmatique de deux termes : féminin/masculin, nature/culture, autonomie/dépendance, raison/émotion, etc. Ponctuels et accessoires, certains paradigmes – salé/sucré, clair/sombre, chaud/froid – nous simplifient le monde en permettant d’emprunter de précieux raccourcis verbaux et mentaux. Mais d’autres paradigmes – les paradigmes dit « structurants » – engendrent un dommage collatéral substantiel : ils marquent la réalité du sceau de la normativité et restreignent les potentialités de déviation, ils présentent comme « inconcevable ce qui échoue, ce qui bute contre la conflictualité et son exclusivité »   . Ces paradigmes sont d’autant plus problématiques qu’ils instituent presque toujours une hiérarchie de valeur entre les deux termes de l’opposition, où l’un prend l’avantage sur l’autre.

Ainsi le paradigme structurant féminin/masculin réduit-il les possibilités de se représenter son identité de genre autrement que par l’un des deux termes, ceux-ci étant antagoniques et contraires, hermétiquement séparés l’un de l’autre. Dans le monde des paradigmes, on ne peut pas être les deux à la fois, ou être autre chose : il faut choisir quelle case cocher. Et la case est d’autant plus exiguë que les termes du paradigme sont formés, pour raisonner comme la philosophe canadienne Erin Manning, en mode « majeur », c’est-à-dire en suivant « une tendance structurelle qui s’organise selon des définitions prédéterminées de la valeur »   . Autrement dit, le paradigme de la différence sexuelle, par exemple, impute à chacun des deux termes « féminin » et « masculin » un ensemble de comportements, de valeurs et de goûts prédéterminés, correspondant aux représentations hégémoniques de ce que sont la féminité et la masculinité. Toute autre forme d’expression de ces mêmes féminité et masculinité est tue, étouffée, mise à la marge.

C’est face à ces paradigmes structurants que le Neutre porté par cet essai s’élève. Sa tactique n’est pas d’opposer une force équivalente, mais de suspendre le paradigme lui-même en faisant un pas de côté face aux sommations de classer, d’assigner, de fixer. Adopter le Neutre, c’est « laisser des espaces ouverts à la contingence, aux gestes mineurs, aux désirs imperceptibles, et à la possibilité que quelque chose vienne déranger le cours du monde »   . Se dire homme ou femme, blanc ou noir, de gauche ou de droite, n’est alors plus une nécessité mais une possibilité. Surtout, « il reste la possibilité de le dire sans que cela n’annonce rien de plus sur ce qu’il faut être, ce qu’il faut dire, faire et porter […]. Mais il reste aussi la possibilité de ne pas se dire, de ne pas décliner son identité, de se dire un peu moins, de se dire autrement »   . La stratégie du Neutre n’est donc pas de lutter contre le paradigme mais de l’altérer. La frontière est parfois mince : s’opposer au binarisme hétérosexualité-homosexualité, par exemple, en revendiquant d’autres catégories d’appartenance, telles « bisexuelle » ou « pansexuelle », ne ferait en réalité que recomposer le paradigme plutôt que de le dissoudre. Après tout, ces troisièmes termes ne sont-ils pas autant de cases supplémentaires où l’on est sommé de se ranger ? Ne s’inscrivent-ils pas dans un nouveau paradigme qui opposerait sexualités normatives (hétéro) et sexualités non normatives (toutes les autres) ? Adopter le Neutre, c’est plutôt réduire l’importance de la catégorie d’assignation homme/femme comme grille de lecture et norme de régulation déterminante dans la vie sociale, c’est se défaire de ce que Barthes appelait le vouloir-saisir. En somme, c’est « laisser s’échapper le désir d’identification, de catégorisation, de généralisation qui investit une large part de nos interactions quotidiennes, tout en acceptant le trouble que cette suspension peut provoquer »   .

Neutriser les relations : une manifestation pratique et éthique

Deux exercices d’imagination permettent au lecteur de saisir ce à quoi un monde de relations neutrisées ressemblerait. Une première situation, que la plupart des lecteurs auront probablement déjà expérimenté une fois au cours de leur vie, consiste à se représenter devant une personne dont le corps n’est pas clairement identifiable selon les codes du genre : est-ce un homme, une femme, les deux, aucun des deux ? Adopter le neutre, pour Braunschweig, c’est d’abord reconnaître et conscientiser la pensée réflexe qui nous pousse à vouloir saisir la personne en face selon les catégorisations ordinaires homme/femme. Il ne s’agit pas de nier mais d’identifier, de saisir le vouloir-saisir qui enferme autrui dans le paradigme du genre, pour ensuite le suspendre, ne serait-ce que pour un moment : « Retarder le plus longtemps possible l’assignation, prendre autrui pour une singularité plutôt que pour ceci ou cela, tenter de le comprendre à partir de son parcours, de son récit au lieu de sa longueur de cheveux ou l’aspect de ses chaussures »   . Neutriser consiste ensuite à accepter de construire des liens non affectés par l’effet du paradigme, de s’ouvrir à une relation singulière, à un comportement personnalisé qui répond à ce que l’autre aura décidé de partager ou de mettre en avant.

L’essai illustre aussi un monde de relations neutrisées par ce cauchemar-type où le rêveur marche quelque part, cherche quelque chose, mais ne distingue pas les formes autour de lui. Sa vision est floue, le monde lui est méconnaissable, et plus il cherche à voir, plus il écarquille les yeux, plus le brouillard s’épaissit et le monde s’assombrit. Mais s’il cesse de lutter contre la défaillance de sa vision, s’il compose avec le brouillard qui l’entoure, alors la voie se fait plus navigable, et le rêve en devient plus vivable. Neutriser, c’est donc accepter que l’on ne voit pas comme on le veut, c’est embrasser l’inconnu dans son unicité sans chercher systématiquement à le catégoriser.

Neutriser, c’est aussi opposer la « douceur » aux catégorisations hâtives, aux interprétations simplificatrices, aux attentes normatives. Il ne s’agit pas ici de la douceur en mode majeur, cette douceur exclusivement féminine, synonyme de maternité sacrificielle, d’une sollicitude qui tend à la soumission. La douceur, en mode mineur, c’est « une oreille attentive […] aux indicibilités, […] un refus du vouloir-savoir qui ne s’impose pas par désintérêt, mais par délicatesse, celle d’un vouloir-savoir qui ne serait pas aussi un vouloir-saisir »   . Déjà conceptualisée par Barthes dans ses travaux sur le Neutre, la douceur était pour lui une « fuite élégante et discrète devant le dogmatisme »   .

Neutriser les arrangements collectifs : une manifestation politique

Les binarismes ne sont pas seulement portés par des consciences abstraites dans la vie sociale et intime, mais sont incrustés dans des organisations concrètes, des pratiques et arrangements sociaux institutionnalisés, ainsi que des protocoles administratifs. Le paradigme est, selon l’auteure, « fondamentalement un principe de gouvernement »   . L’État saisit les corps et les êtres par une cartographie d’assignations identitaires : il suffit de regarder les informations consignées sur sa pièce d’identité. Braunschweig considère que l’espace public est un lieu de ségrégation spatiale insoupçonné : la neutralité apparente des escaliers de métro serait en réalité une neutralité au sens majeur du terme seulement. Les escaliers ne sont neutres que pour celui qui est pourvu de jambes pour les emprunter. En cela, il s’agit plutôt d’un endroit réservé, d’une chasse gardée qui marginalise ceux qui dérogent à la norme. L’auteure ne manque pas de proposer des solutions simples à cette fausse neutralité : remplacer les escaliers par des rampes lisses, ou installer des ascenseurs pour tous à côté des escaliers, en les indiquant simplement par un sigle d’ascenseur – et non par un sigle désignant la personne handicapée, puisque cela reproduit le paradigme corps valides/corps invalides.

Le formulaire administratif est un autre lieu de manifestation du paradigme lorsqu’il nous enjoint de cocher la lettre F ou M. Ou encore les toilettes publiques lorsqu’elles nous orientent vers le côté marqué par la silhouette correspondant au genre qui nous a été assigné. Dans de telles situations, nous sommes « catégorisés, ordonnés en fonction de nos similarités et différences supposées avec d’autres corps et d’autres individus »   . Les paradigmes sont ainsi sans cesse rejoués, et le rôle structurant des différences de genre toujours confirmé. Pourtant, ces exclusions seraient pour l’auteure facilement résolubles, par exemple en autorisant les personnes à utiliser les toilettes genrées de leur choix, ou en introduisant des toilettes pour tous les genres. L’enjeu n’est pas seulement accessoire ou « logistique », sa portée dépasse le geste pur : il est plutôt question du principe sous-jacent des « marquages et des démarcations » qui, pour le sociologue Luc Boltanski, « exerce […] un puissant effet multiplicateur en transformant de petits écarts en différences d’autant plus considérables qu’elles se trouvent attachées une fois pour toutes aux personnes »   .

Pris dans l’ensemble du texte et des idées de fond qu’il développe, l’emploi du pronom « iel » au lieu de « il » ou « elle » est finalement assez accessoire, mais symbolise bien ce que la démarche et l’état d’esprit du Neutre induisent. Loin d’une neutralité (au sens majeur) qui se contenterait de laisser faire, de ne rien changer sous couvert d’objectivité, le Neutre est un effort qui consiste ici à changer ses habitudes de langage, et une disposition à la douceur (au sens mineur) qui s’adresse à l’autre sans l’assigner. L’usage des pronoms « il » et « elle » n’en est pas pour autant proscrit : il reste pertinent à l’adresse de celleux qui s’y reconnaissent.

L’auteure concède qu’imaginer un monde neutrisé peut être un exercice effrayant, mais c’est un exercice qui « porte également une silencieuse promesse, [celle d’une] forme de libération douce, discrète, qui aurait peu à envier aux grands soirs et dégagerait plutôt une fraîcheur de petits matins »   .

 

[Source : http://www.nonfiction.fr]

Ils n’éprouvent pas ou peu de désir. Pourtant, les asexuels ne se ressemblent pas tous et ne vivent pas de la même manière leur désir.

Les asexuels ne se ressemblent pas tous et ne vivent pas de la même manière leur désir.

Les asexuels ne se ressemblent pas tous et ne vivent pas de la même manière leur désir.

 

On les appelle les « ace ». Les asexuels suscitent souvent l’incompréhension. On confond, à tort, leur orientation avec une maladie. Il n’en est rien. Ces personnes ne ressentent tout simplement pas de désir sexuel. En revanche, ils peuvent avoir des relations amoureuses, mais souvent platoniques.

Comme les autres orientations sexuelles, la personne ne la choisit pas. Elle peut d’ailleurs répondre aux stimulations sexuelles, sans avoir envie d’avoir une relation sexuelle, ou s’adonner à une relation pour le plaisir sexuel de leur partenaire.

Parmi les rares enquêtes sur le sujet, un sondage de 2017 aux États-Unis, révèle que 4 % des 18-34 ans se disent asexuels, contre 1 % ou moins pour les plus de 35 ans.

Dans ce spectre, on distingue plusieurs sous-groupes. Les grey-sexuels ressentent rarement de désir, tandis que les demi-sexuels, s’ils rencontrent une personne et créent un lien fort peuvent en ressentir. Les « akoisexuels », eux, peuvent ressentir une attirance qui s’estompe quand elle devient réciproque.

L’association pour la visibilité asexuelle rappelle que « L’asexualité n’a pas à être ‘diagnostiquée’, ‘changée’ ou ‘guérie’, ce n’est pas une pathologie. Les personnes asexuelles, comme les personnes de toutes les autres orientations sexuelles, peuvent vivre des vies heureuses et épanouies. »

 

[Source : ETX Daily Up – photo : CanY71 / Getty Images – reproduit sur http://www.ladepeche.fr]