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O escritor e jornalista, falecido em julho aos 96 anos, é autor do «Dicionário amoroso do Brasil» que tira a máscara da democracia racial

Escrito por Leneide Duarte-Plon 
O Brasil de Gilles Lapouge é um país de contrastes. Cruel e cordial. Que valoriza a pele branca mas quer parecer o paraíso da miscigenação, um país sem racismo. Em 2011, o jornalista e escritor lançou, em Paris, aos 85 anos, com grande sucesso de crítica, o «Dictionnaire amoureux du Brésil», (editora Plon, 659 páginas). Bernard Pivot, um dos mais respeitados críticos franceses, não poupou elogios: «Entre os quase cinquenta dicionários amorosos, esse é o mais exótico, o mais romanesco, o mais encantador, o mais cativante, em suma, o melhor».

Os 70 verbetes são variados e surpreendentes. Vão de abelhas a Aleijadinho, passando por Jorge Amado, Claude Lévi-Strauss, pau-brasil, saudade, chuva de Belém, Proust nas favelas, peles, pecado da carne, Palmares até chegar a Verger, Pierre. Obviamente, há uma entrada «São Paulo» e outra «Capitais: Salvador, Rio e Brasília».

Lapouge observa sem « parti pris » um país fascinante. O distanciamento crítico do autor permite assertivas duras e sem condescendência. Mas isso não significa frieza, indiferença. Gilles era fascinado pelo Brasil.

Na entrevista exclusiva que fiz com o escritor, em 2011, para a revista Carta Capital, no restaurante Le Sélect, em Montparnasse, e que continuou em seu escritório-biblioteca, Lapouge fez uma declaração de amor ao Brasil, que conhecia há 60 anos:

«É um país que adoro. Claro que há coisas que detesto no Brasil, mas aqui também há e muito mais. O Brasil me deu tudo, não somente meu metier, não apenas o conhecimento do país, ele me inventou».

Antes de começar a ler a entrevista, convido o leitor a entrar em contato com o escritor premiado que também foi Gilles Lapouge, no verbete Cruauté (crueldade) que traduzi, assim como os dois outros no fim da entrevista:

Cruauté (crueldade)

«Tanto pior para Stefan Zweig e os adeptos da «cordialidade». O Brasil é um país violento. Em assassinatos, não tem rival. Ele produz mais mortes por balas, facas ou facões do que qualquer outro país. Ele mata por atacado ou a varejo e, de bom grado, por acaso. A leitura do livro de Paulo Lins, Cidade de Deus, dá náusea. (…)

O Rio de Janeiro aparece no alto desses hit-parades. O Rio assassina desde a manhã até a noite, vinte e três cadáveres em média por dia, mas as outras cidades não fazem por menos. São Paulo a iguala, muitas vezes a supera. Bahia de Todos os Santos, Campinas ou mesmo Porto Alegre matam. Em Recife, os jornalistas de polícia, enojados pela litania de sangue, colocaram no coração da cidade, na Rua Joaquim Nabuco, um pêndulo gigante que não dá a hora mas o número de assassinatos, como se o tempo, nessas cidades fosse medido não pelo movimento do cosmos ou pelas taxas do dólar ou do yuan, mas pelo dos massacres. Nas favelas, jovens com ar embrutecido passeiam com seus cães. Todos são armadas. O destino deles ziguezagueia entre a prisão, a droga e o cemitério.» (P. 187)

A seguir, a conversa com Lapouge, que foi articulista do jornal O Estado de São Paulo, em Paris, por mais de 50 anos:

LDP: Você descobriu o Brasil há 60 anos. Seu «Dictionnaire amoureux du Brésil» é muito crítico mas ao mesmo tempo justo, critica diversos aspectos do país e elogia outros. Foi difícil escolher os verbetes e decidir o tom ?

Gilles Lapouge: Para os verbetes, me guiei pela regra dos dicionários da coleção. Acho que fui o mais fiel, pois o dicionário amoroso não deve ser exaustivo, deve apresentar o que se aprecia ou não, sem regras pré-fixadas. Não fiz nenhum plano prévio, vinha ao escritório, pensava no Brasil e escrevia.

LDP: O distanciamento critico é um tanto difícil, não?

Gilles Lapouge: Sou muito crítico quanto ao problema da violência, mas mesmo o mais patriota dos brasileiros não pode negar que o Brasil é um país muito violento, às vezes. Equilibro essa crítica com um verbete sobre a cordialidade. Poderia ter feito um só e dizer «eles são cordiais mas cruéis». Preferi fazer dois artigos que são como duas peças de um díptico: é preciso ler um e outro. O brasileiro é muito cruel por muitas razões (históricas, sociológicas etc), e formidavelmente acolhedor, terno.

LDP: São dois verbetes muito justos, que revelam o fino observador. Em «cordialidade», você desmonta o mito do «homem cordial» de Sérgio Buarque de Holanda, demonstrando «porque Stefan Zweig não compreendeu nada do Brasil». O brasileiro não seria um povo esquizofrênico, entre a cordialidade e a crueldade?

Gilles Lapouge: Não sei se esquizofrênico, há uma conotação de doente na palavra, acho que não é isso. O que é terrível no Brasil, mas fascinante também, é que ele me parece, às vezes, para além do princípio de contradição, isto é, os brasileiros são capazes de ser ao mesmo tempo cruéis, felizmente não com frequência, e muito gentis. Mas mesmo as pessoas cruéis no Brasil podem ser gentis de certa forma. O que acho bastante fora do comum. Aqui na França temos os marginais, pessoas terríveis, e temos as pessoas gentis. Mas são separados. No Brasil, existe uma espécie de mistura muito especial, os contrários podem coabitar e, neste caso, especialmente.

LDP: Sobre Lévi-Strauss você diz: «O Brasil foi a chance de Lévi-Strauss, a porta de entrada de seu destino». Isso é válido para você também, não?

Gilles Lapouge: Exatamente. Meu destino foi o Brasil e não somente pelo tempo que vivo com ele, mas pelo que o Brasil me trouxe como inteligência, gentileza. É um país que adoro. Você diz que há um tom crítico no dicionário, mas é porque amo o Brasil. Penso que os brasileiros entendem isso. Claro que há coisas que detesto no Brasil, mas aqui há muito mais. O Brasil me deu tudo, não somente meu metier, não apenas o conhecimento do país, ele me inventou.

LDP: Sobre Lévi-Strauss você escreve: «Um dia ela me confessou que era polígamo, mas por causa das leis francesas, em vez de juntar todas as mulheres no mesmo momento, ele as desfiava ao longo do tempo, «como as pérolas de um colar». Você revela um Lévi-Strauss dom Juan com um colar no lugar da famosa lista?

Gilles Lapouge: Ele não tinha nenhum ar de dom Juan quando o víamos. Deve ter sido interessante quando jovem, mas não era um Dominique Strauss-Kahn na maneira de agir. Era frio, um pouco irônico. Ele se interessava pelas mulheres, teve quatro mulheres, é bastante. Sua primeira mulher era conhecida por ser bastante feminina, muito interessada pelos homens. Pelo menos foi a lembrança que ela deixou nas pessoas que fizeram a expedição de Mato Grosso. Era uma mulher que gostava de despertar interesse.

LéviStrauss não era muito simpático, mas também não era antipático. Era frio, com uma inteligência um tanto inquietante de tão perfeita. Era mais inteligente que sensível. Tinha um discurso bem organizado. Ouvia uma pergunta, qualquer que fosse, refletia alguns segundos e a resposta caía como uma guilhotina, implacável, perfeita. Não havia erro, ele não tinha dúvidas também. Ele sabia.

LDP: Você escreve: «Amei muito tempo o Brasil e ainda o amo… Ele dizia que era o paraíso mas era um paraíso estranho, formado com injustiças, miséria e sombras». Para um francês de esquerda, as desigualdades são a coisa mais chocante no Brasil?

Gilles Lapouge: Claro. Elas são talvez mais visíveis, serão mais terríveis que em outros países ? Não sei. Na França, por exemplo, as desigualdades são abomináveis. Mas acho que são mais escondidas aqui, porque as pessoas são muito hipócritas, não existe talvez uma exibição tão insolente das fortunas. Aqui, eles estão dentro de castelos, escondidos dentro de florestas e tudo é um pouco assim, meio dissimulado. No Brasil, eles se exibem, até porque se vive mais no exterior, as pessoas ricas são vaidosas, têm orgulho de mostrar que têm dinheiro. Aqui também, mas um pouco menos.

LDP: Mas há no Brasil um abismo muito maior entre ricos e pobres…

Gilles Lapouge: Há um abismo muito maior, imagino que por razões históricas. A França e a Europa em geral fizeram uma redistribuição de rendas que data de um século e meio. Tivemos tempo, portanto, aqui e na Alemanha, por exemplo. São países ricos há muito mais tempo. O Brasil está tornando-se um país muito menos pobre, mas é recente.

LDP: Os ricos brasileiros são exibicionistas?

Gilles Lapouge: Eles são muito exibicionistas, eles se mostram. Mas talvez o clima explique, tudo é mais vivido do lado de fora.

LDP: Eles não têm consciência pesada ao exibir a riqueza…

Gilles Lapouge: De forma alguma. Eles não têm consciência pesada, simplesmente obedecem a pulsões. Por isso é que o pobre Stefan Zweig me parece ter sido muito ingênuo porque viu as pessoas na rua muito gentis. Eles são gentis no Brasil, enquanto aqui são mais rudes. Mesmo numa metrópole como São Paulo, as pessoas param para lhe responder, prestam atenção. Os negros e os brancos vivem juntos, então o pobre Stefan Zweig não entendeu nada, pensou que era a verdade do Brasil, mas era apenas a vitrine. Temos de ser indulgentes com ele, estava idoso, depois se suicidou…

LDP: Zweig não teve tempo de conhecer bem o país…

Gilles Lapouge: Quando Bernanos foi ao Brasil, durante a guerra, se instalou no interior de Minas, com camponeses, depois em Barbacena, com o povo, trabalhou, se comunicou. O outro era um judeu muito europeu, muito assimilado e que adorava os Habsbourg. Adorava a Áustria, muito justamente, pois Hitler tinha destruído o império. Mas para onde ele vai? Para Petrópolis, a cidade dos Habsbourg, a cidade de Pedro II. Ele não viajou, Pedro II é um Habsbourg pela linhagem dos Bragança.

LDP: Você diz que Zweig não entendeu nada do Brasil. Você escreve: «O Brasil é conhecido por ser um dos únicos lugares do mundo com a receita para que os homens de todas as cores se amem em vez de se odiarem. Essa reputação é um blefe. O cândido Stefan Zweig acreditou que o racismo acabava misteriosamente na fronteira do Brasil». O Brasil construiu o mito de uma «democracia racial» ou foi o olhar míope de pessoas como Zweig que espalhou essa lenda?

Gilles Lapouge: O Brasil gosta de se ver assim e como ele tem o segredo de parecer assim, o racismo é menos visível lá. Me irrita ouvir que os outros países são racistas e o Brasil não.

LDP: Os brasileiros não conseguem assumir que são racistas…

Gilles Lapouge: Existe uma espécie de jeito brasileiro para não parecer racista, mesmo sendo. Isso é ruim. Eles não são piores que os outros. Dizer que os americanos são racistas e os brasileiros não são é inexato. Alguém observou que o racismo mais evidente dos americanos permitiu que uma contrassociedade se desenvolvesse nos Estados Unidos com negros que se tornam presidente da República, chefe do Estado-Maior como Colin Powell, grandes advogados. No Brasil é mais raro… Os obstáculos não são visíveis, mas no fundo são mais perigosos, perniciosos. Acho que existe um gênio português da mestiçagem. Fiquei impressionado em Moçambique. Era a mesma coisa, antes do fim do salazarismo. Eles se abraçavam. Negros, brancos, mulatos, todos eram amigos, como no Brasil. Mas na realidade, os brancos eram os colonizadores, estavam no topo da pirâmide e os negros não tinham acesso nunca. Penso que é o gênio português cujo resultado me parece muitas vezes pernicioso, mas é um gênio de bondade, de certa forma.

LDP: Você se mostra impressionado com as 136 cores de pele recenseadas no Brasil. O verbete «peau» é delicioso… Na França qualquer estatística étnica é formalmente proibida. Como você vê essas cores de pele?

Gilles Lapouge: Isso é incrível. Foi um órgão oficial, o IBGE, que recenseou 136 cores de pele! Descobrimos 12 cores de negro, com brancos de todas as nuances e a cor «em vias de se tornar branco», o que mostra que evidentemente o ideal é ser branco. E o mais incrível, a «cor de burro quando foge». Isso mostra um desejo de verdade e ao mesmo tempo, uma total confusão. É um país maravilhoso com muitas nuances de cor, mas daí a catalogar as cores… Não vejo o interesso senão para mostrar a pele branca como objeto de todos os desejos. É terrível pôr as pessoas em categorias, em vez de dissolvê-las.

LDP: De Jorge Amado, de quem você foi amigo, você diz que ele era pouco considerado por intelectuais do Rio e de São Paulo e reproduz trecho da crítica entusiasta feita por Albert Camus do livro «Bahia de todos os Santos» (Jubiabá). Como ele vivia a glória e a esnobação de certo meio intelectual brasileiro?

Gilles Lapouge: Costumava vê-lo na Bahia e em Paris, onde ele comprou um apartamento no pior bairro, Bercy, o mais frio, o mais americano. Perguntei-lhe o motivo e ele disse que foi de propósito pois era o contrário da Bahia, onde ele não podia andar sem ser parado nas ruas. Em Paris, ele dizia, ninguém o reconhecia e ele era obrigado a trabalhar. Conhecia bem Paris, tinha sido exilado e não queria viver no Quartier Latin para não encontrar turistas brasileiros nem se distrair em bairros que conhecia bem. Ele tinha a glória e acho que não se importava com o respeito dos intelectuais brasileiros. Ele dizia: «Tenho horror de falar de literatura, o que me interessa é a vida».

LDP: Você viajou muito pelo Brasil, pela Amazônia, Nordeste. Quando se lê o verbete «São Paulo», nota-se que você a prefere ao Rio, «cidade desfigurada e deteriorada» pois «o empilhamento das misérias nas favelas fez do Rio de Janeiro uma das cidades mais perigosas do mundo». Pode comentar?

Gilles Lapouge: São Paulo é minha cidade. Eu me apropriei de São Paulo. Os franceses não gostam de São Paulo, eu a amo.

LDP: Você acha que alguém pode se apropriar de São Paulo? Ela não escapa sempre, não é fugidia com seu gigantismo?

Gilles Lapouge: Mesmo excetuando-se a violência que agravou o caso do Rio, sempre preferi São Paulo porque é uma cidade de grande imaginação, de trabalho, de paixões fortes, enquanto o Rio para mim é uma cidade unicamente de sensualidade, de prazeres, de preguiça, de boas tiradas. Eles são engraçados… Tenho a impressão de que o Rio é uma cidade que dorme e adormece as pessoas. Eu me sinto adormecer quando estou no Rio. Evidentemente, há Copacabana, as moças, tudo isso é interessante, mas aquelas moças não me interessam…

LDP: Copacabana tornou-se vulgar. Mas o Rio tem Leblon, Ipanema…

Gilles Lapouge: Não faço um julgamento global. O que me comove no Rio é a decadência. Essa espécie de cidade que está, não morrendo, mas esgotando-se um pouco desde que deixou de ser a capital. O que me agrada é o lado decadente do Rio. Isso me dá tesão.

LDP: E o que mais lhe agrada em São Paulo?

Gilles Lapouge: A energia. A inteligência. É uma das cidades mais inteligentes que conheço. O Rio também é uma cidade inteligente porque existe a ironia, uma espécie de ironia decadente, um pouco cética. Mas prefiro a inteligência forte do inventor, do engenheiro, do poeta. Fico muito contente de saber que o único francófono que ama São Paulo é o poeta Blaise Cendrars, que cito em dois poemas sobre São Paulo. Estou em boa companhia.

VERBETES DO “DICIONÁRIO AMOROSO DO BRASIL”

Amado, Jorge

«A partir de 1948, Amado passa longas temporadas em Paris (…) e se torna a coqueluche dos escritores e artistas comunistas, Pablo Picasso, Paul Éluard, Louis Aragon, Georges Sadoul. O casal Joliot-Curie torna-se amigo de Zélia e Jorge. Mas Jorge e a maravilhosa Zélia se divertem também nas boates da Rive Gauche, admiram Miles Davis, Duke Ellington e Louis Armstrong. Cada vez que um amigo sul-americano tem problemas com a polícia, Jorge e Zelia correm na casa de Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir ou François Mauriac e conseguem uma intervenção em favor de Pablo Neruda, Asturias, Alfredo Varela, Guillen». (P. 36)

Péché de chair (pecado da carne)

«Os portugueses suprimiram um pecado. Um dos mais irritantes. Tendo aportado na Terra de Vera Cruz, em 1500, eles decidiram que o pecado da carne não existia no hemisfério sul. Como essa reforma é agradável mas surpreendente a ponto de ser incrível, eles despenderam grande energia para torná-la válida, entregando-se a trabalhos práticos. Os soldados, os colonos, os padres consagraram suas noites, madrugadas e tardes a confirmar que de fato as leis da moral se transformavam na «passagem da linha do Equador». Caspar Van Barleus, capitão de Maurício de Nassau, o governador de Recife no tempo da ocupação holandesa (1630-1654), resumiu o caso: «Ultra aequinoctialem non peccavi». Os portugueses dizem: «Pecado aquém do mar dos Sargassos, candura além». (P. 511)

Leneide Duarte-Plon é coautora, com Clarisse Meireles, de «Um homem torturado, nos passos de frei Tito de Alencar» (Editora Civilização Brasileira, 2014). Em 2016, pela mesma editora, a autora lançou «A tortura como arma de guerra-Da Argélia ao Brasil: Como os militares franceses exportaram os esquadrões da morte e o terrorismo de Estado». Ambos foram finalistas do Prêmio Jabuti. O segundo foi também finalista do Prêmio Biblioteca Nacional.

[Foto: Jerôme/Mathilde Garro Lapouge – fonte: http://www.cartamaior.com.br]

Os artigos do escritor vienés son un canto de amor á literatura

Retrato do escritor vienés Stefan Zweig. Á dereita, portada da edición de Cantil de «Encontros con libros».

Por H.J.P.

É sempre un pracer ler a Stefan Zweig (1881-1942). A súa prosa é un manxar delicioso, máis aló do que aborda, sexa biografía, novela, ensaio… Esa verdade é incuestionable nos textos que compila o estudoso Knut Beck en Encontros con libros -apuntas e prólogos-, xa que cada peza é un canto de amor á literatura.

Zweig zumega paixón, sensibilidade, intelixencia, coñecemento e capacidade de relación e todo multiplica a súa harmonía nestas reflexións porque el, sinxelamente, adora as historias.

Balzac, Joseph Roth, Flaubert, Goethe, Joyce, Rilke son algunhas das estacións deste belo percorrido.

Pero aínda máis gozoso móstrase o autor vienés cando non trata casos concretos, como ocorre no libro como acceso ao mundoO libro como imaxe do mundo e sobre todo Regresar aos contos, un artigo que celebraría o mitólogo Joseph Campbell.

Tras enumerar distintos lugares e culturas do planeta, Zweig conclúe: «Cada un destes pobos ten os seus propios deuses; as linguas non teñen nada que ver unha con outra, nin sequera proceden dun tronco común; o ceo baixo o que viven, a terra que pisan, a forma e a cor do seu corpo non poden ser máis distintos, pero o conto que lles infunde alento é o mesmo en todas partes». En fin, unha viaxe marabillosa.

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

BIOGRAPHIE – « Au commencement étaient les épices ». Ainsi débute le premier chapitre de cette biographie de Magellan écrite par Stefan Zweig en 1938 !

Écrit par Mimiche

Et, effectivement, dès l’expansion de l’empire romain, les contacts commerciaux avec le Moyen Orient ont permis à Rome d’accéder aux épices de cet Extrême-Orient encore inconnu, mais d’où provenaient déjà ces condiments par l’intermédiaire des commerçants arabes.

Une fringale avait alors progressivement envahi l’Occident au point que ces produits (poivre, camphre, aromates et onguents divers) atteignaient des prix pharaoniques sur les tables des consommateurs pour la plus grande richesse de tous les intermédiaires qui, par mer et par terre, en assuraient le convoyage tout au long d’un périple long et dangereux qui attisait, évidemment, toutes les convoitises.

Et justifiait les tentatives de l’Occident de chercher, et finalement trouver, en contournant la corne de l’Afrique, une voie maritime qui permettrait de s’affranchir de ces intermédiaires gourmands sinon cupides !

C’est dans cette aventure vers l’Inde que le petit pays qu’était le Portugal va se créer un empire, après avoir fait tomber la croyance d’alors selon laquelle l’Afrique aurait touché au pôle et était, de ce fait, incontournable par le sud : la voie maritime découverte par les marins portugais en fournissait le démenti et ouvrait un accès libéré vers les épices de l’Orient.

Pendant ce temps, l’Espagne, avec notamment Christophe Colomb, cherchait une voie par l’Ouest pour contrebalancer celle que le Portugal avait trouvée vers l’Est.

L’inévitable guerre entre les deux monarchies sera opportunément écartée par une intervention papale qui répartira le globe entre l’une et l’autre avec une « ligne de démarcation » tracée arbitrairement au milieu de cet Atlantique, qui n’a pas encore dévoilé tous les secrets géographiques de la future Amérique du Sud.

C’est dans ce contexte politico-commercial que le jeune gentilhomme portugais Fernão de Magelhãn, embarqué dans l’une de ces expéditions portugaises, va contribuer, pour le compte de son roi Manoel, à divers actes de bravoure permettant d’asseoir cette domination portugaise sur cet Orient dont les richesses sont immenses et font tant d’envieux…

Mais, lors du retour de Fernão de Magelhãn au Portugal après des années de bons et loyaux services à sa couronne, le roi Manoel, encouragé en cela par tous ceux que le caractère rugueux de l’encore jeune explorateur-navigateur-soldat indispose autant que par la jalousie qu’il provoque, n’aura aucune reconnaissance pour les actes héroïques et de fidélité de ce dernier, refusant de porter foi et crédits au projet ambitieux de « faire le tour de la terre en allant de l’Est vers l’Ouest ». Jusqu’à le libérer de toute obligation envers la couronne du Portugal. Et ainsi de lui laisser toute liberté pour proposer ses services à la couronne d’Espagne dont le roi Carlos Ier, futur Charles Quint, verra tout l’intérêt dans la course aux épices et aux comptoirs des Moluques !

Le 10 août 1519, celui que le futur reconnaîtra sous le nom de Magellan quitte Séville à la tête d’une petite flotte de 5 navires rafistolés (le Santiago, le San Antonio, le Conception, le Victoria qui seul reviendra à son point de départ, le Trinidad vaisseau amiral) pour un périple invraisemblable, et incroyable pour l’époque, dont il ne verra pourtant pas l’aboutissement victorieux même si, de fait, il aura réellement et entièrement effectué un tour du monde.

[ Premières pages ] Stefan Zweig – Magellan 

Magnifique biographie que celle-là ! Certes romancée puisque, de l’aveu même de l’auteur, trop de documents ont été perdus (probablement détruits, volontairement ou pas) pour que l’histoire n’ait pas nécessité quelque imagination fertile entre les quelques certitudes fournies par les Archives.

Mais l’exercice est remarquablement mené : l’exploit est soigneusement accompagné, pas à pas, au long d’un voyage où la trempe du caractère de l’Amiral ne manque jamais d’être mise en avant autant que son calme, sa prévoyance, son méthodisme, sa rigueur, son obstination, sa prudence ou sa force mentale indubitablement.

Ce livre se lit comme un conte, un simple roman d’aventures. Il coule, d’épisode en épisode, ponctué par les temps forts de ce périple où l’impossible le disputait à l’impensable. La faim, la soif, les mutineries et autres rebellions, les éléments en furie, l’incertitude, … : rien n’a arrêté l’amiral de la flotte et l’Histoire. Rien n’a pu empêcher de montrer que la terre était ronde et qu’une voie navigable existait qui permettait de faire le tour complet.

C’est la force de ce livre de nous guider dans le sillage d’une destinée hors du commun tracée dans la force d’une conviction. Un de ces traits de génie qui font que l’Homme est capable de grandes choses (même s’il est malheureusement capable aussi des pires qui soient !).

Des pages de lecture d’une puissance évocatrice magistrale. Un plaisir sans cesse renouvelé qui plonge le lecteur, enchanté, au plus fort de cette Odyssée.

Stefan Zweig, trad. Alzir Hella – Magellan – Le livre de poche – 9782253161875– 7.30 €

 

 

[Source : http://www.actualitte.com]

¿Desaparecerá el fetichismo que generan los textos firmados a mano cuando la práctica totalidad de los autores escribe a ordenador y sus frases ya nunca son definitivas, sino algo que puede ser inmediatamente borrado?

El manuscrito original de 'El retrato de Dorian Gray', de Oscar Wilde.

El manuscrito original de ‘El retrato de Dorian Gray’, de Oscar Wilde. SP BOOKS / MORGAN LIBRARY

El manuscrito y el cuaderno de notas son objetos que se prestan a la veneración, ya pertenezcan a escritores o a artistas plásticos. La emoción que nos produce tener a poca distancia la letra manuscrita de Galdós o de Virginia Woolf en cartas y borradores, y más aún los dibujitos de Lorca o los garabatos con los que Dostoievski emborronaba a su capricho las hojas donde escribía sus obras, es el motor que incita a seguir exponiéndolos. De ahí el éxito de espacios como la Morgan Library de Nueva York, consagrada a exhibir manuscritos, tanto de sus fondos – allí se conservan los originales de la Canción de Navidad de Dickens y de El paraíso perdido de John Milton– como de otras colecciones, por ejemplo la del historiador brasileño Pedro Corrêa do Lago. En la misma línea, el libro La magia del manuscrito (Taschen, 2019) recopila numerosas muestras del amplísimo archivo del coleccionista brasileño, que incluye documentos de Kafka, Mary Shelley y Emily Dickinson. Su obsesión por atesorar páginas escritas a mano surgió en su infancia, aspecto que lo vincula estrechamente con el escritor Stefan Zweig, también un fetichista de los manuscritos desde joven.

Para muchos, aceptar que en este siglo convulso en que vivimos van a generarse pocos manuscritos de los que después amarillean con encanto produce cierta decepción rayana en la melancolía. Quizá por eso ya se veneran sus primos hermanos, los en su día novedosos mecanoscritos, que se exponen sin complejos en muestras actuales como la dedicada a los vampiros en el CaixaForum de Madrid. Entre fragmentos, carteles de películas, libros y fotografías acerca de estos seres de colmillos afilados nos topamos con páginas del guion original de Nosferatu (1922) de Murnau y del film El baile de los vampiros de Roman Polanski (1967). El hecho de que estén escritos a máquina los convierte en encantadoramente añejos, y su atractivo queda aún más acentuado por las anotaciones y tachaduras a mano a cargo de los propios autores.

El profesor Matthew G. Kirschenbaum firmó en 2016 'Track Changes', una historia literaria de los procesadores de texto.

El profesor Matthew G. Kirschenbaum firmó en 2016 ‘Track Changes’, una historia literaria de los procesadores de texto.

Pero la historia del documento no termina con el arrinconamiento de la máquina de escribir: para abordar su nueva materialidad y repensar su esencia en la era digital tenemos a estudiosos como Matthew Kirschebaum, profesor de la Universidad de Maryland, que en 2016 publicó Track Changes (Harvard University Press), una historia literaria de los procesadores de texto. Tal como cuenta en el prólogo, antes de escribir el libro, Kirschebaum ya sabía que el primer autor en entregar un manuscrito mecanografiado a un editor fue Mark Twain en 1883; se trataba de su libro de memorias La vida en el Mississippi y fue tecleado íntegramente en una Remington. Por tanto, la principal búsqueda que guió al autor de Track Changes durante la escritura de su ensayo fue dar con la primera novela escrita con un procesador de textos y así reconstruir parte de la historia del libro y la escritura durante el siglo XX. Y la halló: es Bomber, obra del autor británico Len Deighton, quien la escribió entre 1968 y 1970 con el procesador de textos de un ordenador IBM que pesaba 90 kilos.

La emoción que sentía el Kirschenbaum niño desde su cuarto al pensar que sus escritores contemporáneos favoritos estaban, al igual que él, luchando por aprender el funcionamiento de su primer ordenador Apple y de su procesador de textos recién estrenado fue otra de las motivaciones para escribir este ensayo, lleno de anécdotas lleno de anécdotas y datos curiosos sobre las vicisitudes de escribir a ordenador.

Sobre la nueva materialidad de la escritura también se ha escrito en castellano. Un buen ejemplo es el ensayo del escritor argentino Sergio Chejfec titulado Últimas noticias de la escritura (Jekyll and Jill, 2015). A pesar de los radicales cambios sufridos en los manuscritos durante las últimas décadas, Chejfec detecta una paradoja en la organización textual de la escritura digital, y es que « sigue siendo básicamente la misma que en el pasado: la palabra, la línea, el párrafo, la página ». Asimismo, a lo largo del ensayo, Chefjec da fe de la fascinación que ejerce todavía hoy sobre nosotros la escritura a mano al recordar una exposición de manuscritos de Proust a la que acudió en 2013 con motivo del centenario de la publicación de Por el camino de Swann. Fue precisamente en las salas de la Morgan Library donde el escritor reparó en que los asistentes « buscaban una verdad que se pusiera de manifiesto instantáneamente, como consecuencia de la cercanía física tanto de la letra original como de los objetos manipulados por Proust », y también en que, ante un manuscrito expuesto, siempre tiene lugar « una lucha entre mirar y leer ».

Manuscrito original en el que Marqués de Sade escribió el borrador de su novela ‘Los 120 días de Sodoma’, en el Museo de Cartas y Manuscritos de París. CHRISTOPHE ENA (AP)

Otros textos que, a medio camino entre la escritura autobiográfica y la ficción, reflexionan acerca de los cambios vividos entre la escritura manuscrita y la computerizada (es decir, acerca de la irremediable pérdida del documento conclusivo en forma de manuscrito sobre papel), son los del uruguayo Mario Levrero y el chileno Alejandro Zambra. En La novela luminosa, fechada en el año 2000, Levrero expresa en forma de entradas de diario los quebraderos de cabeza que le causa el procesador de textos que emplea para escribir: « El corrector de este Word 2000 tiene unas características insólitas; por más que intenté dominarlo, me resulta imposible. No reconoce ciertas palabras relativas al sexo, como por ejemplo pene, que recién apareció como desconocida cuando activé el corrector para esta página antes de guardarla ». En cambio, en El discurso vacío, la obsesión de Levrero se centra en un proyecto autoimpuesto: el de mejorar su caligrafía para así desarrollar otros aspectos de su carácter: « Trataré de conseguir un tipo de escritura continua, « sin levantar el lápiz » en mitad de las palabras, con lo que creo poder conseguir una mejora en la atención y en la continuidad de mi pensamiento, hoy por hoy bastante dispersas ». Lo paradójico es que los lectores solamente podemos acceder a sus disquisiciones desde la letra impresa o digital de cualquier de las ediciones de esta obra, y en ningún caso desde la que él generó a mano.

Zambra, por su parte, concluye su ensayo autobiográfico Cuaderno, archivo, libro, incluido en el volumen Tema libre (Anagrama, 2019), con la siguiente reflexión: « Hay un hecho central: debido a los computadores, el texto es cada vez menos definitivo. Una frase es hoy, más que nunca, algo que puede ser borrado”. Así que a partir de ahora solamente nos quedarán los mecanoscritos de autores como Javier Marías, Will Self o Don DeLillo, que, reacios a ese fácil borrado de frases, siguen negándose a escribir su obra empleando un procesador de textos.

[Fuente: http://www.elpais.com]

Escrito por Juan Pablo Plata

Publico en esta ocasión algunos apartes de mi poemario Metaliterario, amoroso y final.

Para Pablo Emilio Figueroa. El hombre que quebró una librería y definió mi vocación.
Para Andrea Cote Botero. Allá en sus puertos y praderas del fin del mundo.

El mal de las fronteras

Dicen que fueron las últimas palabras escritas por Antonio Machado:
«Estos días azules y este sol de la infancia.»
No hay en ellas una última voluntad
de apetito llena que repetiría el gozo
de lo más amado o deleitoso
que en la vida mísera conoció.
No hay premonición.
Solo mirada en lontananza y para dentro del alma,
para encontrar en el astro leonado los días de chico que ya se le han ido.
Era un vez más la impresión de la vista
y su memoria sensible con el color,
cerca de la frontera de sus toros, del antiguo Al-Ándalus dejado atrás,
pero con los ojos puestos en otro lado donde los Gallos son todos rojos.
Pienso a ratos en Stefan Zweig inmolándose en Brasil.
Con grandes plazos recuerdo a Walter Benjamin matándose en España,
pero siempre y muy seguido, veo a Machado,
que ha cruzado a Francia,
A salvo,
Solo para morir.

Como si estuviera en el Hospital Bombarda de Lisboa

(Dedicado a António Lobo Antunes)

Tengo un imán para los desequilibrados
sembrado en el centro de mi ternura.
de vez en cuando vienen a mí muchachos dementes para ser oídos, consolados y les hablo.
A veces quieren que hable, pero callo,
para verlos.

Un clinicazo, me dice uno, me fui de clinicazo pero ya estoy libre. ¡Yompite Vanidu!, ¡El murciélago es el espíritu santo del demonio!, me dice otro, como dijo Vila-Matas.
Hablan como Joaquín Font habla con la finada Laura Damián y como él habla de los lectores y de
los escritores desesperados en los ​Detectives salvajes​ de Roberto Bolaño.

A ratos, como si estuviera de turno en el Hospital Bombarda de Lisboa. Recibo en mis horas y espacios, como un facultativo,
una avalancha de tocados, duchados en el río de la evasión,
hechos para el lindo juego de desvariar (en el Kaliyuga).

Los desequilibrados tienen una ternura sembrada en el centro de su imán.
No sé si sea para mí.

¿Un sueño literario lúcido?

Soñé que había dos venados alados metidos en tu corazón ligero.
Comían plantas flotantes frente al mar con gracia montesa,
empinándose en la magia fulgurante de sus tensos muslos áureos.
Susurro títulos de libros no leídos cuando duermo mal o algo va mal.
Eso dicen quienes me vigilan y lo acusan a mis enfermedades literarias.
Afortunado que sea así.
Tengo mis propias teorías:
La ensoñación es la filigrana de la inconsciencia despierta.
La duermevela no ahonda en el dormir.
La vigilia tornasolada puede ir a parar
a un sueño literario lúcido con venados
que después voy a en escribir en poema.

Bandada

Por favor: conserven al hombre de neón que hace singladura en un mar de neón sobre un bote negro.
Escribir sobre la imposibilidad de escribir y padecer enfermedades literarias es su destino.
Protejan a este ser. Anda sin bandada. Va resoluto y sin legión.
Muchas formas de filantropía alimentan su cuerpo. Otras lo menguan.
Las artes alimentan su alma. Pero también la esquilman como al cuerpo con una lezna de carey supernatural. Así vive el hombre de luz gaseosa.
En este poema el problema del cielo está en tus manos y pródiga debes repartirlo a los demás. Conserven al hombre de neón, por favor.
Dicen que hay mucha creatividad contemporánea anclada en el Sur.
Pero yo veo que las obras vienen de todo lado.
El hombre de neón tiene un refugio del mundanal ruido para escribir. No es urbano.
Es una cámara secreta de la escritura rural construida pensando en Robert Walser.
A la redonda de nuestras vidas todo escribe…
El hombre de neón pide tiento de artista. Uno firme.
Metaliterario, amoroso y final es él.
Así es.
Va sin bandada el hombre de neón sobre un bote negro escribiendo literatura sobre la vida y sobre la literatura. Sin bandada anda el hombre de neón.
No se sabe cuándo baja de su nave, pero, sí, que fuera de ella no escribe.
Por favor: conserven al hombre de neón. Consérvenlo sin bandada.

Le hubiera encantado a Nicanor Parra:

Derechos humanos: 26 personas tienen la misma riqueza que casi la mitad de la humanidad.
Esta es la fortuna de unos y la desgracias de otros.
Todo escribe en el universo.
Si está buscando el tiempo: responda bien las preguntas esenciales. No se haga el que no.
Imagine usted bandas sonoras alternativas. Retírese del cine. No vuelva nunca si quiere y vaya a vivir.
Reciba segura y anticipadamente su caso imposible resuelto. Ya verá.
No ilusionó, cumplió, años. Ni eso.
Su protección es fundamental para mayores de 18 años. Hay que proteger al mundo de los mayores de 18.
Crece hueco entre dos locos. Un puente se tarda en construir.
Libro abierto de la memoria. Pintura cerrada del recuerdo.
Es mejor terminar de hablar de sociedad, consumo, política y religión en secreto.
No te metas en problemas.
¿Hasta cuándo vas a mirar solo una vida en una foto tan buena como esa con espantos?
Le hubiera encantado a Nicanor Parra. Tenlo por seguro.

______________

Juan Pablo Plata. 

Seudónimo Jean Paul Silver. Enfermo del mal de Montano y del mal de Boswell. Libros: Antología Umpalá (Sic Editorial, 2006), Señales de ruta (Arango Editores, 2008 y 2012 ebook) y El corazón habitado. Últimos cuentos de amor en Colombia (Algaida, 2010). Arqueo de los días. Antología personal de periodismo (Uniediciones, 2018). Obtuvo un MFA en Escritura Creativa de la Universidad de Texas en El Paso en diciembre de 2019.

[Ilustración: Chuleta Prieto – fuente: http://www.revistacoronica.com]

Escrito por MIGUEL CANO

Convertido en paradigma de toda una sociedad y una forma de ver el mundo, tanto por su vida cosmopolita como por su trágica muerte –que la caída del nazismo apenas tres años después hizo aún más grotesca e inútil–, Stefan Zweig (1881-1942) es hoy reconocido, tras un periodo de olvido, como un intelectual de primer orden, un gran escritor y un profeta visionario que elaboró uno de los más bellos cantos de cisne de toda una civilización. Pero además de su copiosa obra como escritor–que incluye novelas, poemas, relatos, biografías, obras de teatro–, el austriaco destacó como un agudo y crítico lector que sintió la difusión de la literatura como un compromiso ineludible al que dio rienda suelta desde revistas, periódicos, prólogos de libros e incluso colecciones editoriales.

La editorial Acantilado, que prácticamente desde su fundación se ha dedicado a reeditar sus extensas obras completas, alcanzando ya casi los 40 volúmenes publica ahora Encuentros con libros, una selección de estos textos heterogéneos, eruditos, sagaces e incisivos, que abarca cuatro décadas, desde comienzos de siglo hasta casi el año de su muerte. Como señala el experto en su obra y editor del volumen Knut Beck, Zweig era «un lector impaciente y temperamental inclinado desde muy joven a tomar posición frente a los libros que leía».

Algo que le llevó a implicarse plenamente en el descubrimiento, difusión, traducción y publicación de autores contemporáneos y clásicos, en lengua alemana o extranjeros, y en multitud de proyectos editoriales tan enjundiosos como efímeros, como una biblioteca de clásicos en ediciones de bolsillo o una colección internacional de autores contemporáneos que publicarían en exclusiva para lectores bajo demanda. 

Pero más que un recopilatorio de críticas, de las que hay brillantes ejemplos como las dedicadas a la poesía de Goethe, la recepción en Alemania de las obras de Balzac, Flaubert, Whitman o Joyce, y el análisis, nunca complaciente ni obvio, de contemporáneos y amigos como Joseph Roth o Thomas Mann, lo que ofrece este volumen es un acceso a la compleja y edificante visión que Zweig concedía al libro y a la literatura.

Punta de lanza de una élite que hizo de la cultura, una cultura destilada durante generaciones, su manera de posicionarse en el mundo, el escritor se muestra incapaz de comprender la vida en ausencia de la lectura, una idea que solo se le ocurre tras conocer a un joven analfabeto, como explica en el ensayo “El libro como acceso al mundo”.

«Meterme en la cabeza de un europeo que jamás ha leído un libro es tan imposible como lograr que un sordo se haga una idea de lo maravillosa que es la música», sentencia Zweig tras constatar que no le es posible imaginar su propia vida sin libros, pues en ese contexto «lo que percibía como mi yo, mi identidad, se disolvió sin remedio». 

Encuentros con libros
Stefan Zweig
Traducción de Roberto Bravo de la Varga. Acantilado. Barcelona, 2020. 272 páginas. 22 €

[Fuente: http://www.elcultural.com]

Irmás Cartoné é unha editora fundada en 2014 en Compostela por Celia Recarey e Carlos Valdés. Recoñécense como un selo « orgullosamente pequeno », a pesar de que publicaron autores como Virginia Woolf, Émile Zola, H.G. Wells, Stefan Zweig ou Margaret Atwood. En tempos de pandemia, sinalan a importancia da literatura e deixan en suspenso a venda a través da súa tenda dixital. « Sabemos que todas temos libros por ler na casa e agora o urxente é, por paradóxico que resulte, pararmos », defenden.

Por MARIO REGUEIRA

Como nace Irmás Cartoné?

Celia Recarey: Coñecémonos traballando en Madrid sobre o ano 2002. Os dous facíamos un máster de edición e fomos coincidindo tamén nas prácticas e nos primeiros traballos. Comezamos cun experimento sobre formación online e libro de texto pero decidimos saír desa dinámica para facer algo freelance e sempre tivemos en mente montar unha editorial.

Carlos Valdés: A nosa idea inicial foi cambiando, ao principio tiñamos pensado facer algo de edición infantil, que é un proxecto que aínda está por aí e que pode chegar a aparecer algún día, pero tamén é certo que sempre nos interesara a tradución. Celia é licenciada en Tradución e Interpretación e eu teño unha vinculación familiar co mundo editorial: o meu avó foi un dos socios de Gredos e tamén foi tradutor. A idea deste proxecto vinculado á Galiza veu sobre todo de Celia. CR: Tiñamos o convencemento da necesidade de contarmos con literatura internacional en galego, algo imprescindíbel para normalizar a lingua. Contamos con moita produción editorial orixinalmente escrita en galego, mais penso que temos a eiva de que a formación literaria dos nosos autores aínda se dá sobre todo en castelán.

Cales son as liñas do seu catálogo? Que diferenza hai con outras editoras de tradución?

CV: Cando aparecemos xa existían proxectos como Rinoceronte ou Hugin e Munin. A min parecíame moi meritorio, pois o mercado é pequeno, pero tamén vimos que había oco para un proxecto como o noso. Nese sentido, vémonos máis na liña de Hugin e Munin, centrámonos máis en clásicos, en obras canónicas e imprescindíbeis. Temos mágoa de que siga habendo moitos títulos dos que os lectores só teñen como opción a versión castelá. Rinoceronte acolle máis ben a literatura moi clásica xunto cunha liña un tanto exótica de literatura contemporánea. Porén, segue habendo cousas básicas ás que non temos acceso. A liña de traducir literaturas minoritarias está ben, pero se só facemos iso acabaremos creando a idea de que a nosa literatura periférica só serve para acceder a outras periferias.

Cal é o papel da tradución dentro da cultura galega?

CV: Eu, que son de fóra, vivín o encontro co ambiente do libro galego con moita sorpresa. Atopas xente que non entende que se fagan traducións ao galego fóra do infantil e xuvenil ou vinculados ao ensino. Notas moito o prexuízo, por unha banda cara ao libro en galego, e tamén cara ao libro traducido.

CR: Lembro un día nunha das feiras, achegáronse dúas persoas e unha díxolle a outra: « Boh, pero isto está en galego pero non é libro galego ». Segue habendo este tipo de reaccións, mesmo entre xente do mundo da cultura. Lemos traducións en castelán como o máis normal do mundo, pero a tradución en galego segue a verse como algo sospeitoso. No fondo é a mesma redución da nosa lingua como algo válido para falar do noso e do ámbito doméstico, pero que non serve para as grandes ideas e os grandes autores. Para iso está a lingua do imperio.

CV: É algo que tamén temos comentado con xente doutros proxectos. O preocupante non é que pase co público xeral, senón que é unha actitude que afecta tamén a moitos dos elos institucionais e comerciais. Non hai moito tivemos que escoitar como unha persoa da Consellaría de Cultura preguntaba que necesidade había de traducir libros como Harry Potter ao galego, se xa estaba en castelán.

CR: Velo na xente do propio ámbito é doloroso. Acontece tamén con algúns libreiros. Quéixanse de que o libro galego non se vende e cando vas liquidar o depósito non saben nin onde o teñen. Claro, se ti non sabes nin onde colocaches os libros, como os vas vender?

Que opinan da recepción que tivo a súa editora nestes anos?

CV: Non temos queixa dentro dos medios vinculados co galego, de feito, despreocupámonos un pouco sempre desa perspectiva publicitaria, case non facemos presentacións… e mesmo así hai xente que nos contactou para entrevistas, medios que se interesaron polo proxecto… Igual o que falta é máis un ambiente xeral de visibilidade por parte do sector do libro.

CR: Tamén atopamos un ambiente moi fraternal con outros editores e outros proxectos como Hugin e Munin, cunha comunicación fluída e a sensación de compañeirismo.

Vivimos nun tempo onde lectura convencional compite coa lectura en pantalla. Cal é a súa postura?

CR: É un pouco un metemedos, levan case vinte anos coa historia de que vai acabar co papel, que vai producir un cambio radical… É unha parte do mercado que vai seguir desenvolvéndose, pero non creo que se vaia dar esa substitución.

CV: O formato dixital ten moitas vantaxes, eu leo nel sobre todo con finalidades de traballo. Tamén é certo que lle quedan algúns problemas por resolver, como a cuestión da pirataría. Con Irmás Cartoné fixemos algún experimento, incitados por unha seguidora invidente que precisaba acceder aos libros. Porén, fóra diso temos esa perspectiva un pouco en suspenso, aínda que non renunciamos a seguir avanzando nela.

CR: Interesábanos facer libros asequíbeis e agradábeis ao tacto, e iso forma parte da identidade do proxecto. Son libros que se dobran moi ben, moi particulares nesa dimensión física, que traballan na proximidade co público. Ademais dalgúns proxectos galegos de libro popular, tiñamos en mente o libro de Penguin, algo que se vende nas estacións e que atura moi ben o contacto coas mans. No contexto galego, e tamén no hispánico, hai unha certa actitude reverencial ante o libro, estímase moito a tapa dura, a solemnidade, pero son libros que en xeral non se len. Sempre lembro un amigo libreiro madrileño que contaba como unha vez entrou unha señora a mercarlle un metro de libros azuis. Son libros que non vai ler ninguén, o libro ten que ser outra cousa e non hai que perder de vista que é un soporte máis que aguanta o que lle botes e ten que estar no día a día.

CV: E esa era a nosa idea, libro asequíbel, que entre polos ollos, que guste mesmo como obxecto, que tamén é unha forma de abrir oportunidades para que a xente acabe por lelos. 

Teñen un catálogo interesante e que comeza a ter unha amplitude respectábel. Que obras tiveron mellor acollida?

CV: Co primeiro libro, Orlando de Virginia Woolf, algúns libreiros dicíannos que non era para todo o mundo, que como traducíamos iso. E porén é un dos títulos que máis vendemos.

CV: A pesar de non ser unha autora tan coñecida, tamén Pasar de Nella Larsen. E con Novela de xadrez axudounos que Stefan Zweig teña moitos seguidores.

CR: O conto da criada de Margaret Atwood está funcionando moi ben, e serviu sobre todo para darnos visibilidade. Fixemos un experimento ilustrado con Ruar, tamén de Virginia Woolf, que tivo moi boa acollida. É curioso como moita xente se interesa polos nosos libros mesmo tendo lido xa as versións en castelán.

E un libro que fose especial para vostedes?

CR: Temos unha debilidade especial por Canción de solpor de Lewis Grassic Gibbon. É un deses libros nos que botas de menos á protagonista cando acabas de traballar con el e, a pesar de ser unha obra difícil de traducir, deixounos moito pouso a ambos.

Como resulta a recepción por parte das librarías?

CR: O sistema do libro é bastante demente, vive nunha dinámica que impoñen as grandes editoras e que as pequenas temos que sobrelevar. Hai unha rotación de novidades nas que un libro novo non aguanta máis dun mes e cando estás editando a un ritmo pausado e nunha lingua minorizada como o galego acabas por afogar. Non ten ningún sentido manter ese ritmo no caso da nosa lingua, pero iso é algo que tamén custa facer entender. É preferíbel que haxa menos publicacións e que resistan e teñan tempo para chegar ao público. Como editora tratamos de fuxir dese libro que caduca.

CV: Para as pequenas editoras este sistema é un masacre, acabas engulido por outras novidades. Tamén é un momento difícil para as librarías, un cambio claro de paradigma que aínda non sabemos como vai acabar. Temos esa besta negra que é Amazon, e é curioso como, a pesar de que nós sempre nos negamos a vender a través das súas plataformas, foron as propias librarías as que acabaron incluíndo os nosos libros nela.

[Fonte: http://www.nosdiario.gal]

Quaderns Crema ha reunit quatre narracions breus de l’autor a ‘Una boda a Lió’

Escrit per Gerard E. Mur

Quan va morir Jaume Vallcorba, en la revisió de la seva labor editorial, la premsa va coincidir a recordar com el fundador de Quaderns Crema i Acantilado havia recuperat de l’oblit l’obra de Stefan Zweig. Entre el llegat en català que deixava Vallcorba brillava amb força l’edició d’una dotzena d’obres de l’escriptor austríac; obres publicades per Quaderns Crema (en castellà, amb Acantilado, el nombre de publicacions de l’autor de Nit fantàstica va ser notablement superior). El rescat català de Zweig va començar el 1996 amb la publicació de la novel·la breu Vint-i-quatre hores en la vida d’una dona, traduïda pel mateix Vallcorba. Seguiren després títols com ara Carta d’una desconegudaNovel·la d’escacsEl món d’ahir –un èxit fulgurant–, Secret candent o Montaigne.

El cas és que la mort de Vallcorba no va frenar el compromís de l’editorial amb Zweig. Des del 2014, periòdicament, Quaderns Crema ha seguit oferint al lector català peces exclusives de la seva bibliografia. Fa uns anys ens van arribar Clarissa i Por (totes dues traduïdes per Joan Fontcuberta, un dels nostres millors traductors d’alemany, mort el 2018). El febrer passat va aparèixer una nova obra de Zweig: es tracta d’Una boda a Lió, un recull de quatre relats que pren el títol d’un d’ells. Aquest cop, la traducció la signa Tiana Puig.

Una boda a Lió és el primer relat del recull, el principal i el més llarg; publicat el 1927. Zweig hi narra el casament de dos joves durant el període de la Revolució Francesa que coneixem com ‘le Terreur’ o el Terror jacobí. La boda té lloc en un escenari del tot insòlit, tràgic: el soterrani de l’ajuntament de Lió, habilitat com a presó. El marc històric de la trama, que ocupa les primeres pàgines del relat, és imprescindible per entendre el comportament dels personatges. BarèreCouthonRobespierreCollot d’Herbois i el sanguinari Fouché (de qui Zweig en va escriure una biografia: Fouché. Retrat d’un home polític) desfilen per aquest primer tram de la història.

Ells són, de fet, els creadors del marc ambiental del relat. Zweig només ha de plasmar –amb una prosa neta i detallista; rica en recursos– l’horror que van abonar amb discursos i decrets. En aquest cas, l’horror es concreta en la destrucció de la ciutat de Lió, la “traïdora ciutat de Lió”, segons els jacobins (“Lió ja no existeix”, resa un decret promulgat per Barère). Tot això és ambient. La ficció compareix tot just després de la presentació del marc històric, al soterrani del consistori, on els nuvis es retroben inesperadament, a les portes de la mort. La demolició dels edificis i l’execució dels sentenciats avança a una velocitat “estrepitosa”. “Comptades eren les vegades que”, a les presons, “un cos escalfava el mateix jaç de palla més d’una nit”.

En aquest soterrani de l’ajuntament, es deixa veure l’habilitat de Zweig per dominar l’escenari, que descriu amb precisió i manipula amb destresa. El lector coneix, de mica en mica, aquesta “estança freda” i el narrador, alhora, marca els moviments dels personatges. És considerablement senzill projectar l’acció. És senzill, per exemple, quan els joves es retroben i es fonen en una abraçada i “la resta de presoners […] s’anaven apropant tímidament a la parella”. La prosa de Zweig permet veure com aquest grup de condemnats es desplaça cautelosament, com un bloc de núvols. Aquesta activació real de la imaginació és una flama que es manté encesa durant gairebé tot el relat (també en els altres).

La culminació d’aquesta habilitat arriba durant la celebració de les noces. Zweig contempla tots els elements de la cerimònia (l’acomodament de l’espai –cadires, una taula, espelmes, un crucifix de ferro i una corona de flors–, la confessió prèvia a la l’enllaç, la santa unió i fins i tot la nit de noces: “La placidesa d’una darrera nit de noces en la intimitat”) i els disposa en una escena de gran claredat visual. Oficia l’enllaç un “capellà rebel de Toló”, vestit amb “roba de pagès”. Zweig arma un relat de profunditat escenogràfica, amb decisions coreogràfiques gairebé (l’escriptor va publicar tres peces teatrals; Jeremiah (1917) és la més coneguda).

El comportament és l’altre focus d’atenció de l’escriptor. El comportament individual de cada nuvi i el comportament col·lectiu de la resta de presoners. Són dues forces que es retroalimenten: s’estimulen les reaccions compassadament. L’acceptació de la mort imminent, “la por d’allò desconegut”, la “freda hostilitat” dels presoners davant dels condemnats que se sumen al grup, la incredulitat dels nuvis davant la seva trobada (feia temps havien perdut l’esperança de retrobar-se) o l’abstracció que suposa l’enllaç (“tothom va oblidar el seu esdevenidor”) són alguns dels focus anímics treballats per Zweig, que només gosa creuar ficció i història en una escena sensacional on Fouché té el seu moment de perversitat. El relat es tanca l’endemà de la boda: acaba allà on ha d’acabar.

Els altres tres relats –més breus– mantenen el mateix estil delicat i assossegat però el to canvia notablement. Són relats on l’acció es manté més o menys activa però el fons i una certa part de la forma els converteixen en textos parabòlics, reflexius. Una fina base moralista lliga els tres relats. El camí (1902) és una història que bascula entre la fe, la il·lusió frustrada i la determinació. Un jove travessa la comarca on viu –Judea– per arribar a Jerusalem i veure el rostre del Redemptor. Durant el camí, les forces flaquegen i l’assoliment de la comesa s’allunya. La voluntat trontolla, però el jove arriba finalment a la ciutat santa. El gir en la part final és magnífic. I és el perfilament de la pregona fe del protagonista el que fa tan gustós aquest final.

Un home que no s’oblida és una història senzilla. Consisteix en la narració de la vida d’un home que viu al dia amb “serenitat i confiança”. El secret d’aquesta vida és la modèstia i “l’amabilitat sincera”, que li permeten “seure a qualsevol taula”. Zweig ens detalla aquesta elecció de vida a través d’un narrador que no acaba de comprendre una actitud tan tranquil·la, una realitat tan pacífica i aparentment desinteressada (la trama no és del tot llisa). Dos solitaris (1901) és el relat de tancament. Zweig hi aborda concisament la “comprensió profunda” que uneix els marginats, l’agermanament que impulsa l’abandó. En aquests dos últims relats hi batega la ferma convicció pacifista de l’escriptor. A Dos solitaris, una obra de joventut, podem dir que el pacifisme s’endevina. Un home que no s’oblida és una narració publicada pòstumament.

La lectura d’Una boda a Lió amb prou feines és un sospir –una vuitantena de pàgines–, però el rastre que deixa és el d’una obra mesurada i perdurable.

[Font: http://www.nuvol.com]

Un artigo de XESÚS ALONSO MONTERO

Un profesor da Universidade da Coruña, o doutor José Ignacio Pérez Pascual, publicou hai meses a biografía do filólogo máis sabio dos romanistas hispanos: Ramón Menéndez Pidal (Punto de Vista Editores, 2019). Trátase, en realidade, da segunda edición desta magna monografía, moi ampliada e renovada. Eu penso volver sobre tan esclarecedor traballo, pero hoxe só quero reparar nun episodio da vida de Menéndez Pidal (1869?1968), nado, como é ben sabido, na Coruña, cidade na que pasou só once meses. Trasladada a familia a Asturias, terra das súas raíces, o neno e adolescente Ramón pasa moitas tempadas en Pajares del Puerto, onde aprende o bable local. Mergullouse tanto nese universo que, con 21 anos, xa lle escribía cartas nesta fala astur ao gran filólogo portugués José Leite de Vasconcelos; en bable está un conto por el recolleito, de novo, nesas terras, e que publicou nun xornal asturiano, El porvenir de Laviana, no ano 1891. Tiña o autor 22 anos e estreábase como investigador. Pois ben, xa case centenario don Ramón, o 9 de marzo de 1965, sufriu unha trombose cerebral que o deixou sen fala algún tempo. Ao autor desta minuciosa e sólida biografía chámalle a atención que as primeiras palabras de don Ramón, xa recobrada a fala, fosen «en bable». Hai que supoñer que existen moitos outros casos, sobre todo entre filólogos, nos que os que «renacen» ou «resucitan», despois dun trauma especial no corpo e no espírito, volven á lingua da infancia, volven á casa, se, como quería Rilke, a infancia é a patria do home.

Tamén Stefan Zweig, o sagaz biógrafo, se estraña de que Erasmo de Rotterdam (1446?1536) tivese un comportamento semellante no transo da súa morte. Lémbrese que Erasmo, gloria do humanismo europeo, falou e escribiu sempre en latín nos moitos países que visitou, e que o latín era para este sabio pensador e filólogo holandés o esperanto fraternal da causa da paz entre as nacións. Conta Stefan Zweig que Erasmo sostivo, nos minutos finais da súa vida, unha conversa con dous eminentes teólogos, conversa, loxicamente, desenvolta en latín. Conta máis: conta que faltándolle xa o alento a aquel gran sabio, proferiu en holandés dúas palabras aprendidas de neno na súa patria («lieve God»: «bendito sexa Deus»).

Non hai moito contáronme unha historia lingüística do país, do noso país, que se portén coas dúas aquí esbozadas. Arredor de 1920, Beatriz, da cidade da Coruña, de seis aniños, pasaba as vacacións de verán nunha aldea de Sada, daquela totalmente galegófona, e alí, coa súa avoa, a señora Sofía, que non sabía o castelán, mergullábase no galego de tal xeito que, xa de volta na Coruña, nos primeiros días non falaba noutro idioma ata que a familia e o entorno, coas bromas do caso, facíanlle volver á lingua mesocrática da cidade. Beatriz medrou, estudou, casou, tivo fillos e mesmo ascendeu un pouco de condición social, todo resolto e adornado co idioma castelán. Alá polo ano 2000, Beatriz, vítima do alzhéimer, certo día diríxese a fillos, netos e achegados nun idioma que deixara de practicar había sete décadas: no idioma daquela aldea de Sada, no idioma enxebre da avoa Sofía.

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Robert Siodmak (1900-1973) était un réalisateur, scénariste, acteur et producteur allemand juif. Célèbre par son premier film muet « Les Hommes le dimanche » (1929), il fuit le nazisme, tourne quelques films à Paris, puis s’installe à Hollywood. Il s’impose comme un pionnier du film noir (Les Tueurs, 1946). En 1951, il revient en Allemagne. Arte diffusera le 23 mars 2020 « Les SS frappent la nuit » (Nachts, wenn der Teufel kam) de Robert Siodmak.

Publié par Véronique Chemla

Robert Siodmak (1900-1973) est né dans une famille juive à Dresde (Allemagne).

Il gagne sa vie comme metteur en scène et banquier, puis devient scénariste de films pour Curtis Bernhardt en 1925.

L’année suivante, il est recruté par son cousin producteur, Seymour Nebenzal, pour monter des films à partir d’anciennes œuvres.

En 1929, il coréalise avec Edgar G. Ullmer son premier film « Menschen am Sonntag » (Les Hommes le dimanche, People on Sunday) (1929), sur un scénario de son frère Curt, Billy Wilder et Fred Zinnemann, produit par Seymour Nebenzal et joué par Brigitte Borchert, Christl Ehlers, Annie Schreyer, Wolfgang von Walthershausen, Erwin Splettstosser et Heinrich Gretler. Directeur de la photographie : Eugen Schufftan. Un film caractéristique de la Nouvelle Objectivité par son réalisme sur la vie quotidienne de jeunes Berlinois durant la République de Weimar. Et qui contient des séquences documentaires sur la ville de Berlin, autre personnage de l’œuvre cinématographique, et les loisirs offerts à ses habitants.

En 1933, après l’arrivée au pouvoir d’Adolf Hitler, son film « Das brennende Geheimnis » (Fin de saison), d’après la nouvelle Brûlant Secret de Stefan Zweig et interprété par Willi Forst, Hilde Wagener et Alfred Abel, est critiqué par Joseph Goebbels, ministre de la propagande, via la presse, puis interdit. Son producteur Alfred Sternau de Tonal-Film est contraint de fuir l’Allemagne nazie en suivant un périple menant son épouse Ruth Sternau, décoratrice du film, et lui en Espagne, Italie et France. Américaine riche, Ottilie Moor accueille dans sa maison à Villefranche-sur-mer la famille qui s’agrandit avec la naissance d’un fils, Pierre. Les parents confient leur nouveau-né âgé de quelques semaines à une organisation de sauvetage et sont arrêtés par la Gestapo à Nice, puis déportés au camp nazi d’Auschwitz où ils sont assassinés. Leur bébé est sauvé par le réseau Marcel puis par l’OSE (Œuvre de Secours aux Enfants). Le médecin de l’OSE, le Dr Alfred Lellouch, et son épouse Sonia née Chenkmann, adoptent Pierre qui, adulte, effectue des recherches sur ses parents biologiques et témoignent dans des établissements scolaires.   

Fuyant le nazisme, Robert Siodmak tourne à Paris plusieurs films à succès : La crise est finie (1934) avec Danielle Darrieux et Albert Préjean, La Vie parisienne (1936) avec Max Dearly, Conchita Montenegro et Georges Rigaud, Le Chemin de Rio (1937), enquête de deux journalistes sur la traite des Blanches avec Käthe von Nagy, Jules Berry, Suzy Prim, Jean-Pierre Aumont, Charles Granval et Marcel Dalio, Mollenard (1938) – un trafiquant d’armes en Extrême-Orient sur un scénario signé par Charles Spaak et Oscar-Paul Gilbert, avec Harry Baur, Gabrielle Dorziat et Pierre Renoir, Pièges (1939) –  enquête policière sur la disparition de jeunes danseuses et entraîneuses – sur un scénario de Jacques Companéez et Ernst Neubach, avec Maurice Chevalier, Erich Von Stroheim et Marie Déa. 

Robert Siodmak s’installe à Hollywood en 1939 où il débute en réalisant West Point Widow. Pour les studios Universal, il réalise dès 1943 des films dont l’esthétique est marquée par l’expressionnisme allemand, puis par Orson Welles : Fly by Night (1942) avec Richard Carlson et Nancy Kelly, Someone to Remember (1943), Les Mains qui tuent (Phantom Lady) en 1944, The Strange Affair of Uncle Harry et Deux mains, la nuit (The Spiral Staircase) en 1945. 

Il s’impose comme un pionnier du film noir (Les Tueurs, 1946) avec Ava Gardner et Burt Lancaster qu’il retrouve dans Le Corsaire rouge (The Crimson Pirate) en 1952. 

Il collabore avec Budd Schulberg au scénario du film Sur les quais, sans en être crédité, mais en étant indemnisé financièrement.

En 1951, il revient en Allemagne pour y réaliser notamment Nachts, wenn der Teufel kam (La Nuit quand le diable venait) et Die Ratten, avec Maria Schell et Curd Jurgens, distingué par l’Ours d’or au Festival de Berlin en 1955. Il réalise aussi un remake du Grand jeu, réalisé par Jacques Feyder avant-guerre, avec Gina Lollobrigida et Arletty.

Au cours de la décennie suivante, il réalise des films dans des genres comme le western – Les Mercenaires du Rio Grande (Der Schatz der Azteken) en 1965 -, le peplum – Pour la conquête de Rome I (Kampf um Rom I) en 1968 – et la comédie dramatique.

« Les SS frappent la nuit »

Arte diffusera le 23 mars 2020 « Les SS frappent la nuit » (Nachts, wenn der Teufel kam) réalisé par Robert Siodmak. « Dans une Allemagne nazie aux abois, un commissaire de police enquête sur une série de crimes… Grand succès lors de sa sortie en 1957, ce film de Robert Siodmak dépeint avec mordant le jusqu’au-boutisme criminel d’un régime nazi au bord de l’effondrement. »

« Hambourg, été 1944. De retour blessé du front, Axel Kersten retrouve son poste de commissaire à la brigade criminelle. Venu aider Helga, dont il vient de faire la connaissance, à tapisser son salon, Axel tombe sur une vieille coupure de journal relatant le meurtre d’une femme, des années auparavant. Faisant le parallèle avec l’assassinat d’une serveuse sur lequel il enquête, il met au jour plusieurs autres meurtres de femmes non élucidés. Soupçonnant que ces affaires ont un seul et même auteur, Kersten oriente son enquête vers Bruno Lüdke, un simple d’esprit doté d’une force herculéenne. Pour le SS-Grüppenführer Rossdorf, il est inenvisageable que la justice du Reich ait pu laisser courir si longtemps un criminel de cet ordre. Ses services ont d’ailleurs déjà arrêté Willi Keun, suspecté du plus récent des meurtres… »

« Contraint à l’exil – en France puis aux États-Unis – dès l’arrivée au pouvoir des nazis, Robert Siodmak a repris le chemin des studios allemands au début des années 1950. Il dépeint avec mordant le jusqu’au-boutisme criminel d’un régime nazi au bord de l’effondrement. Grand succès à sa sortie outre-Rhin, salué par dix récompenses au Prix du film allemand et une nomination aux Oscars, Les SS frappent la nuit s’inspire de faits réels, retracés après-guerre dans une série d’articles par le journaliste-romancier Will Berthold et parus sous le titre La nuit quand le diable venait, sous lequel le film est aussi parfois diffusé. Teinté d’ironie, le noir portrait d’un régime totalitaire à la veille de sa chute ».

« Les SS frappent la nuit » de Robert Siodmak
Allemagne, 1957
Auteur : Will Berthold
Scénario : Werner Jörg Lüddecke
Production : Divina-Film
Producteur/-trice : Robert Siodmak
Image : Georg Krause
Montage : Walter Boos
Musique : Siegfried Franz
Avec Claus Holm, Mario Adorf, Hannes Messemer, Peter Carsten, Karl Lange, Werner Peters, Annemarie Düringer, Monika John, Wilmut Borell, Walter Janssen
Sur Arte le 23 mars 2020 à 23 h
Disponible du 23/03/2020 au 21/04/2020

Les citations sont d’Arte.

[Source : http://www.veroniquechemla.info]

Avec un recueil de critiques littéraires et un autre de nouvelles, François Bott nous gâte. Son élégance érudite est un bonheur.

François Bott. Sipa/BALTEL. Numéro de reportage : 00625285_000023

Écrit par Jérôme Leroy

On a tendance à oublier, ces temps-ci, que la littérature est d’abord une affaire de goût. On aime, ou on devrait aimer les écrivains, pour le plaisir qu’ils nous donnent. Le problème est que la littérature, aujourd’hui, est devenue un champ de bataille comme les autres. On ne finira par lire que les livres écrits par ceux qui mettent dans l’urne le même bulletin que nous. La littérature s’est idéologisée, au plus mauvais sens du terme, et la critique littéraire, dans la presse, a de fait perdu une certaine liberté d’esprit. François Bott, lui, a dirigé les pages littéraires de L’Express et du Monde a une époque, déjà lointaine, où on ne vérifiait pas les papiers d’identité des auteurs qu’ils soient vivants ou morts car on sait que désormais même les auteurs morts peuvent être convoqués, à l’occasion d’une réédition ou d’une commémoration, devant ces nouveaux tribunaux populaires que sont les réseaux sociaux.

Une promenade entre Descartes et Valéry

François Bott publie d’ailleurs aujourd’hui un livre délicieux qui prouve qu’il est encore possible d’aimer des écrivains à proportion de ce qu’ils nous donnent et non de qui ils sont. On recommandera donc vivement Il nous est arrivé d’êtres jeunes qui est un herbier charmant, érudit et léger. En deux ou trois pages à chaque fois, d’Aragon à Stéphane Zweig, il réussit à nous donner envie de lire ou de relire. Ici, il imagine une promenade entre Descartes et Valéry et « Tant pis pour le décalage horaire, la différence d’âge, la différence de siècle. »  C’est que la littérature est une machine à remonter le temps, pour François Bott. Il se souvient ainsi du hussard Nimier et de son livre le plus méconnu, Traité d’indifférence « Ce prétendu éloge du détachement nous rappelle surtout que Nimier avait l’art des commencements qui vont vite. » et Bott de citer la première phrase du Traité d’indifférence « Nous savons à peu près que nous sommes en vie. » Tout, bien entendu est dans cet « à peu près ».

Mais continuons de feuilleter. Tiens, Jean-Paul Sartre… Il n’était pas franchement la tasse de thé de Nimier même s’il lui dédicaça L’étrangère, son premier roman, sans doute ironiquement. Que nous dit Bott de Sartre ? Il rappelle qu’il n’est pas pour rien dans « la guerre civile » qui enflamma la littérature française d’après-guerre, sans atteindre, pourtant, la violence d’aujourd’hui. Alors que les événements qui avaient vu les écrivains se répartir entre collaboration et résistance étaient pourtant plus proches. Mais Bott nous rappelle que Sartre est aussi l’auteur des Mots, une des plus belles autobiographies de la langue française et qu’il est aussi celui qui savait aimer ses amis, comme Nizan. Vertu assez rare qui fait dire à Bott : « Sartre for ever ».

Sartre… et Drieu

Et pourtant, cela ne l’empêche pas d’admirer Morand, « Les départs le délivraient de la pesanteur, comme les amants le matin des coups de foudre » ou Drieu : « Même lorsqu’il manquait de jugement, Drieu avait de la plume. » Complaisance pour les collabos ? Alors comment expliquer ce goût pour Jean Genet, voleur, provocateur, homosexuel, en rupture radicale avec toutes les conventions mondaines et esthétiques, inventant un théâtre nouveau et radical. Parce que Genet est aussi et surtout « une énigme, avec ses contradictions, sa brutalité, son lyrisme, son visage de boxeur et cette voix mêlée d’enfance. »

Comme un bonheur ne vient jamais seul, on pourra compléter la lecture de ce Lagarde et Michard intime avec un recueil de nouvelles Un amour à Waterloo dont un certain nombre tourne autour de la figure de Bonaparte, ou plutôt des étranges répercussions sentimentales que cette figure peut avoir sur la vie de certains de nos contemporains et  même d’un GI débarquant en Normandie en 1944. Bott conclut ce recueil par une série de portraits de femmes, un peu à la manière d’Emmanuel Berl dans Rachel et autres grâces, des femmes qu’on aimerait rencontrer comme cette Simone fugitive qui renonce à la fuite, car de toute manière, « on revient de tout, même des Bahamas. » 

Il nous est arrivé d’être jeunes de François Bott (Table Ronde/La Petite Vermillon)

Il nous est arrivé d’être jeunes: Croquis littéraires, d’Aragon à Stefan Zweig

Price: EUR 8,10

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Un amour à Waterloo de François Bott (Table Ronde)

Un amour à Waterloo

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[Source : http://www.causeur.fr]

O ensaísta berlinés retrata a esencia da estación máis fría ao trazar unha auténtica biografía do inverno na que moitos lectores se sentirán muellemente reflectidos

  Detalle do cadro «Os xogadores de golf no xeo» (1625), obra do pintor holandés Hendrick Avercamp (1585-1634)

Por H.J.P.

Anagrama publicou recentemente o ensaio de Philipp Blom (Hamburgo, 1970) O motín da natureza, que reflexiona sobre a transcendencia que a pequena idade de xeo acaecida entre 1570 e 1700 -cun brutal descenso das temperaturas, cuxos efectos aínda se prolongaron nos inicios do século XVIII- había ter no xurdimento da sociedade moderna.

Os fenómenos meteorolóxicos extremos que provocou -crus invernos, granizadas estivais e prolongadas secas- trouxeron a ruína das colleitas, que derivaron en terribles fames negras e estas á súa vez alentaron importantes sublevacións e non menores movementos migratorios. Blom cre que desta experiencia cabe extraerse aprendizaxes que axudarán a entender e afrontar o que ocorre actualmente co clima.

O quecemento global preocupa tamén ao seu colega berlinés Bernd Brunner (1964), que no seu libro Cando os invernos eran invernos -que Cantil trouxo ao castelán- non esquece tampouco aquel episodio tardomedieval. O libro fai unha ampla abordaxe do asunto do frío [o título ben podería ter saído de boca de calquera avó hoxe en día recordando con nostalxia vellas estampas cotiás da súa infancia], no que predomina a relación do ser humano con esta estación de tan marcado carácter, e que dun tempo para acó parece en perigo de extinción.

A enriquecedora multiplicidade dos enfoques de Brunner retrata a esencia do inverno ao trazar unha auténtica biografía na que moitos lectores se sentirán muellemente reflectidos (algún incluso botará man da manta), complicemente concitados no seu percorrido polas literaturas de GoetheGógolThoreauBrodskyZweigPepysThomas MannItalo Calvino e os cadros e músicas doutros tantos creadores. En fin, un xélido pero fermoso viaxe.

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Un numéro de la Revue « Europe » ressuscite cet écrivain majeur

Quatre vingt ans après sa disparition, un numéro de la Revue Europe ressuscite cet écrivain majeur de la défunte Autriche-Hongrie.

Écrit par Christopher Gérard

Il y a quatre-vingts ans, mourait en exil à Paris, à l’Hôpital Necker, l’un des plus grands écrivains de l’ancienne Double Monarchie austro-hongroise, Joseph Roth (1894-1939). Issu d’une famille juive des confins galiciens de l’Empire, Roth se convertit au catholicisme et passa du socialisme utopique au monarchisme nostalgique. Il fut, avec ses superbes romans La Marche de Radetzky et La Crypte des Capucins, le mémorialiste d’un empire disparu et le théoricien d’un conservatisme éclairé, celui des Habsbourg. Deux excellentes raisons de le lire !

Quand l’enfer prend le pouvoir

Écrivain et chroniqueur, notamment pour le Frankfurter Zeitung dont il fut le correspondant à Berlin dans les années 20, Roth voyait tout, surtout ce que les autres ignoraient : la sombre poésie de deux mégalopoles, Berlin et aussi sa chère Vienne, en pleine métamorphose et livrées à une guerre civile larvée (« Maintenant, on chante à gauche l’Internationale et, à droite, le Deutschland über Alles. Simultanément, alors qu’il serait plus raisonnable de chanter ces hymnes l’un après l’autre. »)

Lucide, Roth y décelait les symptômes d’une crise qui emporta ce qui, après le funeste Traité de Versailles, restait de la Vieille Europe : en 1933, n’écrivait-il pas à son ami Stefan Zweig : « C’est l’Enfer qui prend le pouvoir » ?

Le promeneur Roth décrivait sans illusions un monde qui basculait à l’aide d’images puissantes et originales, qui sont celles d’un poète menacé par des « orangs-outans mécanisés », les mêmes qui brûlèrent ses livres et le chassèrent de sa patrie.

Un splendide numéro pour un écrivain oublié

Pour saluer ce grand écrivain un moment oublié après la guerre, la vénérable revue Europe lui consacre une splendide livraison de près de deux cents pages tour à tour sensibles et pointues, et ce à l’occasion d’un double anniversaire, le cent vingt-cinquième de sa naissance en Galicie et le quatre-vingtième de son suicide au Pernod.

Comme l’écrit justement Claudio Magris, qui a tant fait pour le ressusciter, Joseph Roth incarna bien « l’aède du crépuscule de la vieille Europe et de l’identité individuelle », quels que fussent ses masques qu’il porta avec une sorte de dandysme narquois, celui du juif galicien converti au catholicisme autrichien ou celui du caporal qui se prétendit officier de l’Armée impériale et royale. Désespéré par la perte de sa patrie, réduit à une misère noire que son ami Zweig, entre autres bienfaiteurs, tenta d’atténuer, Roth finit ses jours dans deux endroit mythiques de la Rive gauche, tous deux situés en face l’un de l’autre  à l’ombre du Sénat, l’Hôtel Foyot, où logèrent Joseph II et Rilke, détruit en 1938 au moment de l’Anschluss, et le Café Tournon, demeuré intact, où je me rends en pèlerinage à chacun de mes passages parisiens, seul ou en compagnie de l’un ou l’autre confrère. J’aime à y rêver à ces émigrés monarchistes devant un verre de bourgogne.

Oui, un bien beau numéro d’Europe, revue qui publia déjà Roth de son vivant et que se procureront tous ses amis.

Europe 1087-1088, hiver 2019, Joseph Roth, 366 pages, 20€

Joseph Roth – N 1087-1088 Nov-Dec 2019

Price: EUR 20,00

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12 used & new available from EUR 15,00

[Source : http://www.causeur.fr]

Stefan Zweig incarne une Europe en perdition qui n’a cessé de se rêver pour finir par s’accomplir, inversée, dans le crime absolu car la Shoah est issue de son centre même. Les essais, discours et entretiens de Stefan Zweig, jusque-là inédits en français et publiés sous le titre L’esprit européen en exil, vont au cœur de cette problématique. Ils montrent à la fois la clairvoyance du grand écrivain autrichien et sa volonté de ne pas prendre part à l’action politique.

Stefan Zweig et Joseph Roth à Ostende (juillet, 1936)

Écrit par Georges-Arthur Goldschmidt

Jacques Le Rider, qui a si puissamment analysé La crise autrichienne de la culture politique européenne (titre de l’un de ses ouvrages), montre dans l’introduction à ces écrits que Zweig « s’est toujours tenu à l’écart de la politique et a cru pouvoir continuer à se placer au-dessus des affrontements partisans, même après la prise de pouvoir par les nazis ».

Stefan Zweig représente aussi, malgré le décalage temporel, et de façon exemplaire, l’Europe de 2020, elle aussi traversée de mouvements et d’immobilités similaires qui mettent en cause sa façon d’être, son essence, à savoir la conciliation des divergences. Le désarroi contemporain d’une Europe prise entre courants migratoires et catastrophes écologiques se reflète dans l’impuissance renouvelée des « intellectuels » à infléchir le politique, impuissance qu’incarnait dramatiquement le grand auteur autrichien, qui entre 1933 et 1941, année de son suicide, au Brésil, ne cesse de mettre en garde contre le suicide de l’Europe civilisée.

Ce qui frappe dans l’ensemble de textes réunis par Jacques Le Rider et le germaniste autrichien Klemens Renoldner, c’est à quel point les discours, les mises au point, les divers textes de Zweig, sont à la fois généreux et totalement coupés de tout engagement personnel dans la réalité du moment. Dans sa préface, Klemens Renoldner montre combien l’œuvre de Zweig est placée sous le signe de la destruction de l’identité, autrichienne d’abord, européenne ensuite. En même temps, tous ces textes réunis dans cette sorte d’anthologie européenne contiennent tout ce qui constitue cette Europe suicidaire, « en voie de disparition ». L’exposé est entrecoupé, année par année, d’excellentes chronologies de la vie de l’écrivain qui constituent aussi un résumé de la descente progressive de la nuit nazie.

Stefan Zweig, L’esprit européen en exil. Essais, discours, entretiens 1933-1942

« L’avenir de l’écriture dans un monde en guerre », article de Stefan Zweig dans le New York Times Book Review (28 juillet 1940) © D. R.

La tendance à se réfugier à l’abri des incidents de plus en plus violents de la scène publique s’inverse en proportion de la gravité des événements. « La véritable littérature ne sera jamais asservie à la politique », dit Zweig en 1933 et il ajoute : « La politique a déjà beaucoup trop envahi notre vie. Elle a pris, à mon avis, beaucoup plus à l’individu qu’elle n’avait le droit de le faire. » Mais, en 1940, il écrira : « Tout écrivain qui, en ce moment, se [concentrerait] sur son travail individuel, me semblerait suspect ».

Zweig, tout au long de ces pages, insiste sur la nature apolitique de l’écriture littéraire, comme si le fait de rester en dehors préservait des aléas de l’Histoire. C’est toujours le même balancement entre la conscience la plus extrême et l’inaction politique. Au fil des pages, on est surpris par son côté presque abstrait, resté à distance et pourtant paradoxalement « engagé », alors qu’il ne veut pas l’être ; la plus extrême clairvoyance va de pair avec le retrait. Il parle dans une lettre à Romain Rolland de « la folie froide » des nazis. Ainsi, le magnifique Hommage à Joseph Roth est l’expression de sa propre façon d’être européen.

Stefan Zweig, L’esprit européen en exil. Essais, discours, entretiens 1933-1942

Comme le souligne Jacques Le Rider, malgré son inaction politique, Zweig est considéré comme un écrivain de gauche, et la police autrichienne perquisitionne chez lui à Salzbourg en février 1934. Si, en janvier 1933, après la prise de pouvoir par Hitler, on pouvait encore hésiter malgré l’évidence, dès le 10 mai 1933 les jeux étaient faits ; ce jour-là, les ouvrages de Zweig furent les premiers à être brûlés, lors du bûcher de livres qui inaugure, ce n’est pas un hasard, la dictature nazie.

Ce qui ne cesse de préoccuper et de poursuivre Zweig, c’est sa propre condition juive dans l’hésitation entre nationalisme sioniste et intégration cosmopolite. Jacques Le Rider montre ses hésitations entre une conception pluraliste de la judéité et le sionisme qu’il finit par rejeter, sans le désapprouver. Il ne lui échappe pas que l’antisémitisme est la substance même du nazisme, sa raison d’être. Dès 1933, il s’inquiète du sort des enfants juifs d’Allemagne, mutilés jusqu’au fond de l’âme. Les premières chasses à l’homme de la prise du pouvoir ne seront que la première étape de l’extermination en préparation. L’ensemble de ces textes importants décrit tout ce qui faisait la matière vive de la culture et surtout de la civilisation européenne, exilée comme Zweig lui-même et bientôt détruite par le national-socialisme. Ce qui en reste aujourd’hui risque bien d’être à jamais effacé par la conjonction de l’audiovisuel, du nationalisme et de l’islamisme.

[Source : http://www.en-attendant-nadeau.fr]