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Trazas invisibles de una vida misteriosa

Escrito por Débora Vázquez

Como si tuviera un segundo par de ojos incrustado en la nuca, Patrick Modiano (Boulogne-Billancourt, 1945) siempre está avistando el pasado. Tinta simpática, su nueva novela, es otra fracción de la memoria que logra sustraerle al olvido en esa batalla naval despareja y brumosa en la que los recuerdos emergen desacomodados: “El orden cronológico nunca existió para mí. El presente y el pasado se mezclan en una especie de transparencia, y cada instante que viví en mi juventud se me aparece, separado de todo, en un eterno presente.”

La historia de Tinta simpática es la de un aprendiz de detective devenido escritor cuya primera misión es hallar a una mujer desaparecida. Pese a su esfuerzo, Jean Eyben no logra avanzar demasiado en la investigación y a los pocos meses renuncia a su empleo en la agencia Hutte, llevándose como souvenir el expediente de aquel caso inconcluso. Esa carpeta, abandonada por décadas, reaparece un día súbitamente y Eyben, convertido ahora en novelista, comienza a redactar –y de algún modo a retomar– las idas y vueltas de su antigua pesquisa.

Al igual que en casi todas las novelas de Modiano, el protagonista deambula como un sonámbulo por las calles del viejo París; y a ese mapa, hoy ilusorio, se le superponen otros, más o menos improbables, que evidencian la feroz metamorfosis de la ciudad: “Habían derribado los edificios del muelle y, en su lugar, no quedaban más que solares y montones de escombros. Parecía que hubiese habido un bombardeo en esa zona que se llamó luego Le Front de Seine”.

Durante la búsqueda de Noëlle Lefebvre el narrador se topa con individuos turbios, conversa con allegados que refieren apellidos enigmáticos, roba una libreta de un cajón con doble fondo y visita sistemáticamente una poste restante, con el objeto de interceptar alguna misiva que revele datos precisos sobre la identidad de aquella mujer evanescente cuyo rostro cree adivinar en un diminuto retrato de fotomatón.

Cada ínfimo hallazgo de Eyben funciona como un reactivo que vuelve legibles ciertos tramos de la existencia de la misteriosa Lefebvre, cuya vida –al igual que la de todos, según Modiano– parece estar escrita en tinta simpática, es decir, invisible. Es lógico que alguien que concibe invariablemente el mismo libro conjeture finales afines, todos ellos abiertos y colmados de blancos para que el lector pueda esquivar cualquier conclusión unívoca. Darle lugar al otro para que imagine posibles desenlaces es parte de la delicadeza congénita de ese animal tímidamente vital que es Modiano: “Por mucho que examinemos con lupa los detalles de lo que ha sido una vida, quedarán secretos y líneas de fuga para siempre. Y eso me parecía lo contrario de la muerte”.

Tinta simpática

Por Patrick Modiano

Anagrama. Trad.: María T. Gallego Urrutia

123 págs./$ 2050

 
[Fuente: http://www.lanacion.com.ar]

 

 

 

O atual Ministério da Educação não é pioneiro na prática de projetos que flertam com a corrupção transparente ou oculta

 

Escrito por FERNANDO BONADIA DE OLIVEIRA*

Quando a Saúde ganhou ministério próprio, em 1953, a sigla MEC foi inventada: formava-se o Ministério da Educação e Cultura. Era o momento de uma reformulação ministerial no governo de Getúlio Vargas, ele que no primeiro instante de seu governo provisório, em 1930, havia criado o Ministério dos Negócios da Educação e Saúde Pública. Antes de Getúlio Vargas, algo parecido com um ministério de educação vinha do efêmero Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos, formado logo depois do golpe da República, em abril de 1890 e desfeito em setembro de 1892.

Para explicar o MEC atual não é preciso, porém, regredir a 1953, afinal só mais tarde ele ganhou as feições exatas de hoje, operando como balcão de contratos e negócios que constrange a educação brasileira a permanecer, tanto quanto possível, imobilizada ou incapaz de atender as necessidades sociais mínimas. Nos períodos melhores, o ministério manteve a estrutura institucional desigual da educação com mudanças comedidas e paliativas, bem refreadas, que beiravam as melhores intenções do princípio desenvolvimentista e militar com suas políticas compensatórias; nos períodos piores, como agora, ele reforça a desigualdade educacional com retrocessos robustos, que beiram o primitivismo mais perverso da sociedade escravocrata.

Para chegar rapidamente ao MEC atual devemos reencontrar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n. 4.024 de 20 de dezembro de 1961) que deu autonomia aos órgãos estaduais e municipais de educação, descentralizando as atividades da pasta. O resultado direto da descentralização parece ter sido a centralização do MEC nas mãos de mediadores malandros do serviço militar brasileiro que, desde 1964, travaram pactos anormais com a USAID (Agência Estadunidense para o Desenvolvimento Internacional).

A primeira assinatura que comprometeu o MEC com a USAID foi feita no dia 26 de junho de 1964. O pacto prometia uma quantia “não superior a 375 mil dólares” para sustentar, “por dois anos”, “um grupo de seis especialistas em educação que auxiliariam o ministério em seu programa de aperfeiçoamento do ensino primário no Brasil”.[i] O primeiro acordo foi celebrado no dia 23 de junho de 1965, mas “as primeiras informações oficiais” sobre ele “só vieram a furo em novembro de 1966, assim mesmo de forma fragmentária e imprecisa”.[ii] A transparência jamais foi o forte dos acordos MEC-USAID. Lauro de Oliveira Lima, aliás, afirmou em 1968: “É a primeira vez, ao que se saiba, que o planejamento educacional de um país é objeto de sigilo para o próprio povo que o utilizará…”.[iii]

A verdade é que, na formulação felicíssima de Márcio Alves, o que se desejava com a USAID era “implantar no sistema educacional brasileiro (…) a privatização, a melhor forma de desacelerar o desenvolvimento”.[iv] Em 1976, a própria USAID passou a ver problemas no financiamento de projetos educacionais no país, pois o governo brasileiro estava direcionando os investimentos preponderantemente aos setores privados da educação. Entre estas e outras informações, o pesquisador José Wellington Germano relembra que tais “privilégios e incentivos concedidos ao setor privado” terminaram por “degenerar em abusos e corrupção, atingindo 18 bilhões só em 1982”.[v] São consequências inevitáveis que advêm da transformação do Ministério da Educação em um balcão de negócios destinado a favorecer o privatismo.

Mesmo nas melhores fases, cabe assinalar, o MEC não parou de servir aos interesses dos grupos privados de educação. Fernando Haddad, que pela primeira vez propôs uma reforma de conjunto para a educação brasileira, da pré-escola à pós-graduação (o Plano de Desenvolvimento da Educação), assumiu a gestão do MEC – conforme ele mesmo declarou[vi] – depois de seus méritos em fazer nascer o PROUNI. O PROUNI, como se sabe, funcionou como uma máquina de transposição de verbas públicas que acabou impulsionando, apesar da transparência orçamentária, a rede privada de ensino.

O atual ministério não é, pois, pioneiro na prática de projetos que flertam com a corrupção transparente ou oculta (pública ou sigilosa) dos contratos com iniciativas privadas de toda ordem. A novidade trazida pela acusação atual é que, além da atuação sempre constante dos interesses internacionais na imobilidade da estrutura educacional brasileira, o balcão de negócios do MEC teria contado com o protagonismo de dois pastores evangélicos que, a pedido do presidente da República, regulavam – junto ao ministro da Educação, Milton Ribeiro – as verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) por meio do pedido de propinas. A escandalosa acusação, assim como se deu com os acordos MEC-USAID, foi revelada pela imprensa e, depois, pouco a pouco, acabou sendo confirmada por inúmeros outros depoimentos.

Aos que não entendem o porquê da presença de pastores evangélicos no MEC (ou que se surpreendem com isso), basta lembrar a primeira impressão que o professor Luiz Carlos de Freitas registrou em seu site, Avaliação Educacional, no dia 3 de janeiro de 2019, quando o governo Bolsonaro não havia completado nem uma semana de gestão. Segundo ele, depois do empresarialismo reformista que ocupara o ministério com espaços cada vez maiores desde 2016, havia chegado a vez dos “novos evangelizadores”. Ao se referir à geringonça ministerial criada pelo MEC de Bolsonaro no primeiro segundo da posse, ele observou: “A geringonça bolsonarista reuniu conservadores, que poderíamos chamar de ‘novos evangelizadores’, associados a um punhado de engenheiros”; a equipe estava empenhada em “desmanchar o ministério e não, como seria de se esperar, administrar a educação”.[vii]

Por isso, não há nenhuma surpresa efetiva em constatar que o balcão histórico de negócios do MEC se tenha agora dobrado a interesses evangélicos, respaldando a destinação de recursos e esforços da pasta para a confecção e distribuição de bíblias ou atividades afins. Quem conhece a história do MEC não tem, de fato, como espantar-se quando descobre a existência de pagamento de propina para financiamento da educação em municípios; não se admira em nada ao saber que a atenção do ministro Milton Ribeiro se haja centrado (segundo ele mesmo disse[viii]) antes de tudo nos municípios que “mais precisam” e só depois nos “amigos do pastor Gilmar”, este último amigo do próprio presidente.

Antes mesmo do primeiro mês do governo Bolsonaro já era possível antever a redução ainda maior dos poderes do Estado na condução dos destinos da educação brasileira. Via-se que à nova equipe ministerial caberia zelar pela “evangelização”, ou seja, defender uma estratégia ideológica pela qual a pasta estaria totalmente dedicada “a umas poucas atividades com vistas a um cenário em que o governo sai do processo de gerenciamento da educação em todos os níveis, ficando como indutor/regulador da privatização (vouchers, terceirização, homeschooling)”.[ix]

O que não se podia imaginar era que com a disseminação do novo coronavírus (e o consequente estado de pandemia) estaria formado o palco perfeito para que muitas boiadas passassem por vários ministérios, inclusive o da Educação. Com escolas fechadas e igrejas abertas, o contexto favoreceu ainda mais a ação malandra que sempre foi praxe das ditaduras: corromper política e administrativamente as instituições educacionais, e acusar de corrupção política e administrativa todos os que se erguem para defender a educação pública, gratuita e democrática.

O que torna ainda mais desastrosa a trama do mais recente escândalo é que a situação de termos uma corrupção assim tão vil, descoberta em plena agitação eleitoral, acaba por encobrir a realidade: não foram os atuais gestores que inventaram a corrupção no MEC. Onde quer que venha a existir um ministério operando como balcão de negócios entre as verbas públicas e a iniciativa privada, a corrupção continuará a desfilar, de forma mais ou menos aparente. Não é, pois, o caso de um problema pontual de gestão do MEC, mas de se pensar a refundação do MEC, que possui – vale dizer – um respeitável quadro técnico para isso.

*Fernando Bonadia de Oliveira é professor de filosofia da educação na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Notas


[i] Alves, Márcio Moreira. O beabá dos MEC-USAID. Rio de Janeiro: Gernasa, 1968, p 79.

[ii] Lima, Lauro de Oliveira. Prefácio. In: Alves, Márcio Moreira. O beabá dos MEC-USAID. Rio de Janeiro: Gernasa, 1968, p 7.

[iii] Idem, p. 8.

[iv] Alves, op. cit., p. 14.

[v] Germano, José Wellington. Estado militar e educação no Brasil (1964-1985). São Paulo: Cortez; Campinas: Editora da Unicamp, 1993, p. 204.

[vi] Ver os primeiros minutos da entrevista concedida pelo ministro ao Canal do Instituto Unibanco. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=2SUL3BLYXUA

[vii] Freitas, Luiz Carlos de. Os “novos evangelizadores”. Avaliação Educacional (03/01/2019). Disponível em: https://avaliacaoeducacional.com/2019/01/03/os-novos-evangelizadores/

[viii] Ver “Ministro da Educação diz priorizar amigos de pastores…”. Rede Brasil Atual (22/03/2022). Disponível em: https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2022/03/ministro-educacao-pastores-pedido-bolsonaro/

[ix] Freitas, “Os novos evangelizadores”.

[Imagem: Luis Quintero – fonte: http://www.aterraeredonda.com.br]

Sus seguidores están alimentados por la desinformación, en algunos casos obscena, pero en otros, como en el caso del diario El País, de guante tan blanco como el del atracador

Escrito por Luis Gonzalo Segura

Como una estrella de rock -díscola-. Así ha sido tratado el rey Juan Carlos en su reciente visita a España. O más que visita deberíamos decir ‘gira’ -la Juan Carlos Tour’22-. Una esperada gira que ha abochornado a gran parte de la ciudadanía y la sociedad, pero que ha sido aplaudida y jaleada por no pocos españoles, periodistas, políticos y otras personalidades. A pesar de ser España un país que se ahoga en la corrupción y no es capaz de salir de ella -estancada, según Transparencia Internacional, en el puesto 14/27 en Europa y en el 34/180 en el mundo con un 61/100-.

Pero que lo celebra. Que disfruta jocosa de tan severo drama como quien aplaude por la mañana a quien le atracó la noche anterior tras mostrarle la oscuridad del ánima. Ese incomprensible fervor que solo los fanáticos o ignorantes pueden mostrar. Y es que, a Juan Carlos, una parte de la ciudadanía, sus seguidores acérrimos, se lo perdonan todo.

Entre otras cuestiones, porque estos seguidores están alimentados por la desinformación, en algunos casos obscena, pero en otros, como en el caso del diario El País, de guante tan blanco como el del atracador. Basta con ofrecer una cobertura menor, como si solo fuera un suceso algo relevante y despachar el asunto lo antes posible. Por ejemplo, el último capítulo de la gira del artista antes conocido como el ‘Campechano’, tan solo mereció en la mañana del 24 de mayo un pequeño recuadro en su portada –El Mundo, por ejemplo, el otro diario de referencia, nada ajeno al sistema, le dedicó esa misma mañana, al igual que durante días la parte principal de la portada-.

De lo contrario, los que gritaban « ¡Viva el Rey! » se habrían contenido al recordar que, hace solo un día, la Comisión Europea había alertado a España por su elevada deuda y su alto desempleo. Ni para mucha fiesta ni para muchas estrellas está España.

El coste de la gira

Los cinco días que ha pasado Juan Carlos en España después de su placentera estancia en los Emiratos Árabes Unidos, esa bonita dictadura en la que los trabajadores son esclavos y mueren por cientos o miles al año, han tenido un coste. Pero, a diferencia de las giras de las grandes estrellas de rock, no se la ha pagado Juan Carlos. Él solo la ha disfrutado: la hemos pagado nosotros. Pero ni siquiera sabemos cuánto ha costado. Cosas de la democracia plena española. Y de su transparencia.

« Ni la Casa del Rey, ni la Delegación del Gobierno en Galicia, ni el Ayuntamiento de Sanxenxo (Pontevedra), donde se alojó, han dado detalles, solo indican que su incremento sobre lo habitual fue mínimo », se puede leer en el medio de referencia español donde escribe el periodista afín de turno –El País-. « Mínimo » es poco cuantificable, la verdad, y menos transparente.

Los cuatro agentes habituales en la dictadura del golfo pérsico, que no salen gratis a los españoles, se convirtieron en ocho, y los tres ayudantes personales que, por lo normal, apoyan a Juan Carlos se mantuvieron -tres personas que se turnan-. Es plausible, por tanto, que los 50.000 euros de coste mensual de semejante corte, según deslizan periodistas al servicio del Estado español en medios como El País, se hayan incrementado. Aunque esa cifra, seguramente, oculte algo, dado que la monarquía española siempre oculta algo -como ese añito en el que no nos contaron que Felipe VI fue beneficiario de una cuenta con 100 millones de Juan Carlos y que, de súbito, tras ser publicado en medios internacionales, confesaron-.

Una Estrella díscola llamada al orden

Sin embargo, en la Casa del Rey, la gira rockera de Juan Carlos no ha sentado nada bien. No tanto por los delitos que haya cometido, lo que importa bien poco a una familia real española habituada durante siglos a participar de todo tipo de crímenes, delitos, traiciones, expolios y otras desvergüenzas, sino por lo que pudiera erosionar a la propia monarquía. La Casa del Rey Felipe VI no teme los desmanes de Juan Carlos I, ni mucho menos cuestiona sus delitos, filias ultraderechistas o elogios a la dictadura franquista -las comparte-, lo que teme es quedarse sin futuro. Por ello, se produjo una reunión de once horas entre Juan Carlos y Felipe.

Casi medio día de reunión en la que Felipe VI, como a los niños chicos, le estuvo recordando al rey emérito Juan Carlos que no es problema que haya cometido o cometa delitos múltiples, pues el propio Felipe VI ha pactado la continuidad de la inviolabilidad jurídica con el PSOE y el PP -de no ser partidario de la figura del monarca delincuente, cuya estirpe borbónica hay elevado a una nueva categoría, habría eliminado el mencionado privilegio feudal-.

No, el problema no son los delitos -como por el que se acusa en Reino Unido al respecto de acosar a Corinna-, el problema es la ostentación de estos, la falta de un mínimo de cinismo o hipocresía para pedir perdón por aquello por lo que no se siente que se deba pedir perdón o, al menos, algo de discreción. Es decir, un poquito de por favor. Solo eso. Pues ya todos sabemos que Juan Carlos piensa que no ha robado nada, que solo ha cogido lo que es suyo y, lo de Corinna, pues que son cosas que pasan. Y que, en todo caso, seguramente piensa que debemos darle las gracias por existir y por no haber convertido a España en una dictadura formal, sino en un régimen autoritario de apariencia democracia en el que mandan los mismos que en la dictadura.

Descontrolado

Por si no fuera suficiente, todo hace indicar que se trata de una llamada de atención que no va a surtir efecto alguno. A ninguna estrella del rock le enderezaron nunca, o a casi ninguna. Y Juan Carlos no parece que vaya a ser una excepción, máxime cuando los españoles, orgullosos como nunca del monarca que cometió múltiples delitos bajo la capa de impunidad de la inviolabilidad jurídica, le pidieron, incluso, que se hiciera selfies con ellos. Además, el ayuntamiento de Sanxenxo acreditó a más de doscientos periodistas -muchos extranjeros-, el Real Club Náutico tuvo que aumentar tres líneas de internet y las inscripciones en la competición se elevaron hasta el punto de contar esta con casi medio centenar de embarcaciones internacionales. Demasiados beneficios, demasiadas personas encantadas con la visita del díscolo monarca que todavía ocupa sus días en una dictadura asiática por el empacho de golferías, correrías y delitos en territorio nacional.

Un castigo, el exilio -o un recurso, la huida-, del que parece no haber sacado conclusión alguna -ya se ha anunciado que regresa en junio, en un nuevo desafío-, pues circula un vídeo en redes sociales de la visita del rey Juan Carlos saliendo de madrugada -al menos de noche- de un local -parece que de una mariscada-. Juan Carlos, que se sabe estrella -y le gusta mostrarse como tal-, se detiene para saludar al gentío que espera su salida. « Buenas noches », dice sonriente en estado de sobriedad -cuando cualquier otro habría evitado tal situación-. « Que, y ahora de putas, ¿eh, Majestad? », le pregunta uno de tantos súbditos españoles. Juan Carlos, en lugar de ofenderse como cualquier persona con un mínimo de decencia, se ríe con sinceridad. « ¡Qué campechano es! », afirma otro.

Lo es. Y mucho. Sobre todo, para esos dos millones de niños pobres españoles y ese 11 % de hogares españoles que no pueden encender la calefacción porque no tienen recursos suficientes. Quizás entre ellos esté uno de los que, a continuación, gritó a Juan Carlos « ¡Viva la República! » sin que este mostrase gran preocupación ni interés. Tras unas risas y un « ¿Qué tal el centollo? », por su conocida reputación, alguien concluyó: « ¡A tope y sin drogas! ». A una estrella de rock díscola le habrían dicho lo mismo. O no.

 

 

[Fuente: http://www.actualidad.rt.com]

Aquela Constitucion se votarà en setembre e se fa remarcar pel respècte de la proteccion sociala, del genre, dels dreches LGBT, de l’environament, de las lengas e dels pòbles

Imatge

María Elisa Quinteros, presidenta de la Convencion Constitucionala

La setmana passada, se presentèt lo projècte de la nòva Constitucion de Chile, que deurà remplaçar l’actuala, impausada per Pinochet a la fin de sa dictatura. S’agís d’un projècte de Constitucion fòrça progressista que reconeis los dreches dels pòbles e de las nacions indigènas, la proteccion de l’environament, l’egalitat de genre, los dreches del collectiu LGBT, la transparéncia de l’administracion e son obligacion de rendre de comptes, la lucha contra la corrupcion, la proteccion de las personas que fan lors denóncias. Lo 4 de setembre que ven, los ciutadans la votaràn en referendum.

Segon María Elisa Quinteros, presidenta de la Convencion Constitucionala, lo procès es estat malaisit e, de còps, incomprés per cèrts sectors de la societat. Pasmens, ela ditz qu’es plan contenta del projècte pr’amor que “presenta un Chile que permet la participacion democratica activa, un Chile preparat pels enjòcs numerics e ecologics d’aquesta epòca”.

De soslinhar qu’aquel projècte de Constitucion proclama que Chile es un estat social e democratic de drech plurinacional, intercultural e ecologic amb una atencion especiala a las minoritats e als sectors tradicionalament invisibilizats. Es remarcable que l’enumeracion de las cargas se faga totjorn dins los dos genres en plaçant lo femenin primièr.

Reconeis coma pòbles e nacions indigènas la mapoche, l’aimara, la rapanui, la likanantaí, la quíchoa, la còla, la diaguita, la chango, la kaweska, la iamana, la selknam, “e d’autras que pòscan èsser reconegudas dins lo quadre que l’establís la lei”. Aquelas nacions an la reconeissença, dins l’article 5, del drech d’autonomia, d’autogovèrn, d’identitat e vision del Mond, del patrimòni e de la lenga, coma lor son reconeguts lors territòris, la proteccion de lors territòris terrèstres e maritims, lo drech de cooperacion e d’integracion, lors institucions pròprias o tradicionalas, lo drech de participar plenament a la vida politica, economica, sociala e culturala de l’estat chilen.

S’aquela Constitucion es aprovada, se restituirà las tèrras indigènas expropriadas e se reservarà de pòstes politics als representants d’aquelas nacions. “L’estat plurinacional a lo dever de respectar, garentir e promòure amb la participacion dels pòbles e nacions indigènas l’exercici de la liura determinacion e dels dreches collectius e individuals”. Per o complir, lo Senat es remplaçat per una cambra de las regions amb de representants de cada territòri e de cada nacion indigèna.

Lo projècte de Constitucion tanben prevei d’encoratjar la participacion de las femnas en politica, d’eradicar la violéncia de genre, de respectar los dreches LGBT de protegir la natura tant al nivèl terrèstre coma maritim.

Redigida per 155 ciutadans, dont 17 indigènas

En decembre de 2020, lo parlament de Chile aprovèt que 17 dels 155 membres de la convencion ciutadana qu’a redigit la nòva Constitucion del país foguèsson d’indigènas. S’agís de sèt mapoches, dos aimaras e, en rason d’un representant per pòbles, un rapanui, un quíchoa, un atacama, un diaguita, un còla, un kaweska, un iagan e un chango. Segon lo recensament de 2017, lo 12% de la populacion chilena es indigèna, dont l’80% son de mapoches.

En octòbre de 2020, los chilens avián votat a una larga majoritat de remplaçar la Constitucion actuala, redigida pendent la dictatura d’Augusto Pinochet. A mai, gaireben lo 80% dels votaires decidiguèron tanben que la nòva Constitucion foguèsse redigida solament per de ciutadans sens que i aguèsse de representants parlamentaris.

 

[Sorsa: http://www.jornalet.com]

Foto de archivo de un incendio que consume la tierra recientemente deforestada por los ganaderos cerca de Novo Progresso, estado de Pará, Brasil, el 23 de agosto de 2020.

Escrito por Robert Muggah

Los brasileños conocen muy bien las noticias falsas. Los charlatanes en redes sociales han atacado la integridad del sistema de votación electrónica de Brasil, han acusado sin bases a la oposición política de “enseñar” homosexualidad en las aulas de clase y han promovido tratamientos para el COVID-19 basados en la fe, todo con el apoyo y el guiño del palacio presidencial. Ahora, las turbas de las redes sociales, con la bendición del “Gabinete del odio” de Brasil, están troleando la selva tropical más grande del mundo.

Una nuevo cruce de la frontera de la posverdad está generando preocupaciones en todas partes. A eso agreguémosle la inclinación de Brasil por las guerras culturales y la polarización cáustica, junto con una de las peores crisis ambientales del planeta, y tendremos los ingredientes para una catástrofe de desinformación climática.

No sorprende que el país que lidera el planeta en emisiones de gases de efecto invernadero liberadas por la deforestación de zonas del interior también destaque en la cantidad de noticias falsas sobre el clima. Y con la profundización de las divisiones sociales y la propaganda de agitación (agitprop), la formulación de políticas con base empírica y cualquier expectativa de controlar el peligroso cambio climático también se están desvaneciendo.

El presidente Jair Bolsonaro nunca está lejos de donde emerge la desinformación en Brasil. Mientras los bosques desaparecían y ardían a un ritmo récord en 2019, Bolsonaro culpaba de forma irrisoria a las organizaciones no gubernamentales y sus presuntos patrocinadores extranjeros por la conflagración, avivando así la llama de las conspiraciones en línea. Últimamente, ha promocionado la idea de el “nuevo indio”, quien supuestamente está ansioso por darle la bienvenida al emprendimiento —sobre todo en cuanto a la prospección de oro— en su tierra nativa, incluso cuando oleadas de manifestaciones de comunidades indígenas han denunciado la arremetida de los mineros ilegales.

Otra matriz de opinión digital falsa es la afirmación de que Brasil necesita de forma desesperada cavar en la Amazonía, especialmente en territorio indígena, para obtener potasio, un mineral esencial para los fertilizantes y que está en escasez en la actualidad debido a la invasión a Ucrania. Eso, por supuesto, ignorando el detalle de que dos tercios de las reservas de potasio de Brasil se encuentran fuera de la Amazonía y solo el 11% se encuentra en tierras indígenas.

El invernadero emergente de falsedades ambientales significa que la batalla por la descarbonización global y la deforestación cero no solo se da en el ámbito de las confabulaciones diplomáticas y las manifestaciones en las calles, sino que también debe librarse en línea y en las redes sociales. Un estudio reciente muestra cómo los algoritmos de recomendaciones de Facebook llevan a los usuarios a filtrar información y generar burbujas donde aquellos que ya se inclinan por el escepticismo climático reciben más de lo mismo, lo que ofrece un atisbo de lo difícil que será la lucha.

La propagación desenfrenada de desinformación tiene implicaciones potencialmente nefastas para la cuenca del Amazonas, donde entes con intereses económicos agresivos enarbolan falsas banderas en su intento por acceder a los recursos que con demasiada frecuencia se encuentran en zonas protegidas.

Inspirándose en la estrategia histórica de las grandes tabacaleras para los fumadores de cigarros en todo el mundo realizada con datos científicos contaminados, los intereses políticos y económicos están rebautizando de forma activa el saqueo como “desarrollo”. La Amazonía está siendo presentada como un entorno que necesita “emprendimiento” y “modernización”, donde las amenazas reales provienen de grupos ecológicos militantes y una agenda imperialista imaginaria. Para empeorar las cosas, la información verificada sobre la Amazonía en las redes sociales sigue siendo escasa, lo que anima a los influencers cercanos al líder brasileño simpatizante de las motosierras y los mineros a duplicar los me gusta y los retuits incendiarios.

Un documental reciente sobre la maquinaria de desinformación en la Amazonía reveló la existencia de un ecosistema virtual de algoritmos y agitadores, cuyos elogios en línea de la actitud depredadora laissez-faire hacia la selva tropical han acumulado 70 millones de vistas en YouTube. Recientemente, Meta cerró un grupo de perfiles de Facebook e Instagram dedicados a difundir visiones apócrifas de la Amazonía, según un preocupante informe trimestral. Con Bolsonaro y su séquito acumulando decenas de miles de nuevos seguidores en Twitter —la mayoría de ellos cuentas de bots— desde el anuncio del acuerdo de venta a Elon Musk, desintoxicar la web será aún más complicado.

Brasil no es el único caso. Aunque según las encuestas los latinoamericanos se encuentran entre los que más se preocupan por el cambio climático y sus causas humanas, siguen existiendo búnkeres recalcitrantes. Una encuesta de Latinobarómetro de 2017 reveló que todavía abundan focos importantes de escepticismo climático y negacionismo absoluto. De manera preocupante, la encuesta descubrió que las naciones más vulnerables al calamitoso cambio climático eran también las más escépticas de su existencia.

Sin embargo, existen algunos alentadores brotes ecológicos de transparencia abriéndose paso bajo el dosel de la desinformación climática. La verificación de hechos ambientales es ahora una herramienta constante utilizada por los medios y los organismos de vigilancia y rendición de cuentas. Organizaciones no gubernamentales como Avaaz y Global Witness están exponiendo las artimañas y tretas detrás de las noticias climáticas falsas, y los anuncios comerciales y los algoritmos de las grandes compañías tecnológicas que los impulsan. Incluso empresas de redes sociales como Pinterest y TikTok están activando señales de alarma contra la ciencia ambiental basura. Mientras se sigue recuperando de un “tsunami de noticias falsas” sobre el COVID-19, la sociedad civil de América Latina también está trabajando para denunciar las artimañas climáticas.

Bolsonaro, quien se apoyó en bots y troles para obtener la victoria en las elecciones de 2018, ha tomado un camino distinto. En su apuesta por la reelección, redactó una orden ejecutiva para evitar que los mismos gigantes tecnológicos eliminen la desinformación patrocinada de sus plataformas en línea. Afortunadamente esa iniciativa se hundió en el Senado, pero todavía es demasiado pronto como para sacar a la información climática veraz de la lista de especies en peligro de extinción.

Robert Muggah es cofundador del Instituto Igarapé, un centro de estudios con sede en Brasil. Mac Margolis es columnista de ‘The Washington Post’ y autor de ‘Last New World: The Conquest of the Amazon Frontier’.

 

[Foto: Andre Penner/AP – fuente: http://www.washingtonpost.com]

 

 

Tema: los rasgos estratégicos y económicos de Moldavia determinan su relación con las potencias vecinas en un contexto de tensión en la región.

Teatro de Tiraspol (capital de Transnistria, Moldavia) y una señal que indica la dirección a Odessa (Ucrania). Foto: Marco Fieber

Teatro de Tiraspol (capital de Transnistria, Moldavia) y una señal que indica la dirección a Odessa (Ucrania).

Escrito por Miguel Ángel Martínez Rolland

Resumen

Moldavia es un país de lengua de raíz latina pero con importante influencia rusa, en un terreno fluctuante entre las distintas potencias regionales. La situación de la región independentista de Transnistria condiciona la política, las instituciones y la economía del país, que se ha visto negativamente afectado por la inestabilidad institucional en las últimas décadas.

Esto ha afectado a sectores estratégicos como la energía o la banca. Moldavia tiene una fuerte dependencia energética con profundas consecuencias políticas, y el sector financiero se ve lastrado en su desarrollo por los problemas institucionales y la concentración de poder económico. La mejora del Estado de derecho es una necesidad compartida para poder recuperar peso económico y población.

En el plano comercial, Moldavia se ha reorientado fuertemente hacia la UE en la última década, en particular desde el Acuerdo de Asociación de 2014, pero los retos económicos siguen siendo muy grandes en un contexto en el que la inversión extranjera no consigue despegar. La emigración y la guerra en la vecina Ucrania añaden incertidumbre.

Las positivas perspectivas de reforma institucional con un gobierno fuertemente proeuropeo y la neutralidad oficial moldava en el plano militar son sus ejes de actuación en un contexto geoestratégico muy volátil.

Análisis

Introducción

Tan lejos de Dios, y tan cerca de Rusia. Parafraseando el dicho mexicano, podríamos condensar en esta frase las dificultades que tienen las jóvenes repúblicas salidas de la disolución de la Unión Soviética a principios de los años 90. Los países jóvenes como Moldavia, Ucrania o Georgia, surgidos de la fragmentación de un imperio, se enfrentan a numerosos y difíciles retos en un terreno geográfico en el que surge la disputa por la influencia entre las potencias vecinas: una UE que extiende su alcance bajo el manto de seguridad de EEUU, y una Rusia que se endurece para recobrar su dominancia en regiones de su ámbito cultural histórico.

La situación de Moldavia en esta región dificulta su desarrollo y condiciona sus instituciones. La influencia exterior es tanto más fuerte en cuanto el pequeño tamaño del país dificulta su autonomía estratégica. Y en sectores clave que vamos a analizar, como la energía y la banca, afecta a su integridad y a la concentración del poder económico, con ramificaciones políticas.

Una de las primeras lecciones que se pueden extraer de un contacto directo en profundidad con Moldavia, al igual que con otros países de la región, es que las relaciones de poder efectivo no coinciden con la titularidad oficial del poder político y económico, y los ámbitos de particular sensibilidad o riesgo, como los controlados por intereses oligárquicos, no son directamente perceptibles en muchos casos. Las instituciones internacionales llevan muchos años lidiando con estas dificultades para la mejora institucional, con épocas de progresos interrumpidas por reversiones sustanciales.

(1) El contexto estratégico

Moldavia es un país de mayoría de lengua de raíz latina, el rumano en su dialecto moldavo (oficialmente, “lengua moldava”). Se corresponde en esencia con la región conocida anteriormente como Besarabia que, tras haber formado parte de Rumanía en el período de entreguerras (1918-1944), fue anexionada por la Unión Soviética al finalizar la Segunda Guerra Mundial. Pese a la activa promoción y recuperación del rumano-moldavo desde la independencia, en las ciudades el ruso sigue siendo la lengua franca para los negocios y en muchos ámbitos culturales, con un notable ascendiente sobre la población. También existe una parte amplia de la población bilingüe en ruso o de lengua materna rusa, en particular en la región de Transnistria.

Tanto Moldavia como otros países de la región comparten en el ámbito político, de forma muy pronunciada, una tensión entre el vínculo cultural e histórico con Rusia, también presente en el ámbito económico, y la voluntad de afirmación nacional para preservar la independencia, asociado a una orientación a favor de la UE.

La declaración de independencia de Moldavia se vio marcada entre 1990 y 1992 por el conflicto por la declaración de independencia por fuerzas de la región de Transnistria, con apoyo del ejército ruso. Hasta la fecha, el gobierno de la capital –Chisináu– no controla Transnistria, cuyo parlamento ha solicitado su adhesión a la Federación Rusa. La guerra entre 1990 y 1992 dejó 1.000 muertos y un trauma duradero en la recién nacida república moldava. La guerra terminó tras una demostración de fuerza artillera del general ruso Alexander Lébed contra fuerzas del gobierno central que querían tomar el control de la región. Desde entonces, se ha mantenido el statu quo durante tres décadas, pero el ascendiente local de Rusia se ha recuperado gradualmente a medida que la memoria de la guerra se ha difuminado por el paso del tiempo. El ejército ruso sigue teniendo presencia en la región de Transnistria, que planea como condicionante para la política moldava, y más aún en un contexto de guerra abierta entre Ucrania y Rusia.

Moldavia nació como un país neutral, y así lo consagra su Constitución en su artículo 11, como “neutralidad permanente”. No puede, por lo tanto, formar parte de una alianza como la OTAN, lo que fue diseñado como una protección ante los vaivenes geopolíticos. Las autoridades moldavas han reafirmado recientemente esta neutralidad militar esperando que el conflicto vecino no se extienda a su territorio, pero al mismo tiempo mantienen su vocación pro-UE y solicitaron formalmente la adhesión a la Unión en marzo de 2022.

Este contexto histórico geopolítico marca fuertemente la economía moldava, cuyos rasgos a su vez condicionan fuertemente la posición y el margen de maniobra del país.

(2) La economía: energía, finanzas y comercio

Figura 1. Moldavia: Datos económicos básicos

Moldavia es, después de Ucrania, el país con menor renta per cápita de Europa. La causa principal de esta situación reside en los problemas institucionales para el clima de inversión y la seguridad jurídica local, y la consiguiente dificultad para atraer inversiones extranjeras productivas.

(2.1) La energía

La economía moldava, y en gran medida su política, se ve marcada por su sector energético. Las necesidades energéticas de la región tienen un componente social y político debido a una realidad geográfica ineludible: los inviernos son muy fríos y la calefacción es una necesidad básica, intensiva en consumo energético. Y Moldavia tiene una dependencia casi total de la energía importada, pues no cuenta con recursos mineros relevantes ni capacidad de generación sustancial.

El caso de Moldavia es uno de los ejemplos más directos de la dura “diplomacia energética” rusa, utilizada para influir en los gobiernos moldavos bajo amenaza de corte de suministro, que efectivamente se produjo en los años 1998, 2004 y 2005 en el sector eléctrico y en 2000 en el sector del gas. En 2021 el gobierno de la fuertemente proeuropea Maia Sandu ha sufrido también una dura negociación bajo el riesgo de corte de suministro de gas. Y en 2022 el conflicto en Ucrania pone en riesgo el suministro energético a Moldavia por presiones de alguna de las partes.

España ha tenido una relación especial con Moldavia como primer inversor internacional por volumen acumulado durante casi dos décadas por la inversión de Unión Fenosa en la privatización de la principal distribuidora eléctrica moldava. La presencia duró desde el año 2000 hasta 2019, cuando Naturgy (antes Gas Natural Fenosa) vendió su filial.

En concreto, en el sector eléctrico, Moldavia puede elegir a dos suministradores: la región de Transnistria, donde los soviéticos situaron una central eléctrica a gas y en general concentraron allí la industria deliberadamente por su mayoría eslava, [1] o la importación desde centrales eléctricas a carbón y gas de Ucrania, que también tiene que pasar por transformadores en Transnistria. Asimismo, la central de Kuchurgan en Transnistria, de 2,5 GW y operada por Moldavskaya GRES, ha sido su mayor suministrador. Esta central produce electricidad principalmente con el gas natural subvencionado de la empresa nacional rusa Gazprom, que le llega a través de Ucrania. El esquema financiero es particularmente llamativo por su crudeza: la región separatista de Transnistria recibe una fuerte subvención de Rusia a través de Gazprom, que no le exige el pago sino que lo anota como deuda “de Moldavia”. [2] Los informes financieros de Gazprom reflejan esta deuda por un valor de casi 8.000 millones de dólares. [3] Además, la existencia de subvenciones e intermediarios suministra una gran fuente de intereses creados y oportunidades de enriquecimiento de personas con influencia.

El consumo de gas para calefacción es otra fuente de dependencia de Rusia, más directa y visible. Gazprom incluso controla el 50% de Moldovagaz y el regulador energético moldavo ANRE está sometido a fuertes presiones. Un ejemplo destacado es la explosión de una granada-bomba que sufrió uno de sus directivos en 2012 en su automóvil.

(2.2) El sector financiero

La vida económica de Moldavia en la última década se ha visto marcada, como la de otros países vecinos como Ucrania, por fraudes de gran escala en su sector financiero.

En 2014 en Moldavia afloró un esquema de préstamos sin contrapartida suficiente a sociedades controladas por los directivos en tres bancos (Banca de Economii, Banca Sociala y Unibank), combinado con esquemas de blanqueo de capitales, que en la práctica supuso un desfalco de cerca de 1.000 millones de dólares, lo que ascendía a un 12% del PIB del país. [4] Los tres bancos quebraron y tuvieron que ser rescatados por el Banco Central. Esto tuvo un fuerte impacto sobre la divisa moldava (el leu se desplomó un 40%) y generó una crisis económica. Los principales condenados en el fraude fueron los “oligarcas” Ilan Shor [5] y Veaceslav Platon, pero también recayeron acusaciones sobre los líderes de los partidos proeuropeos de entonces. El primer ministro entre 2009 y 2013, Vlad Filat, fue arrestado en octubre de 2015 en el Parlamento, tras haber sido acusado por Shor de recibir sobornos, y condenado por abuso de poder. Acusaciones posteriores de la fiscalía también recayeron sobre el hombre fuerte del Partido Democrático de Moldavia, Vlad Plahotniuc.

En Moldavia el sector financiero está bastante poco desarrollado en comparación con la UE y ha presentado dificultades importantes en la lucha contra el lavado de dinero, en particular el proveniente de Rusia. También ha habido problemas en relación a la transparencia sobre los propietarios últimos de varios bancos importantes, [6] siendo este uno de los campos más relevantes de los informes de la auditora Kroll.

(2.3) El comercio

El Acuerdo de Asociación de la UE con Moldavia se firmó en 2014, estableciendo poco tiempo después un área de libre comercio reforzada por la armonización de estándares y las reformas institucionales (DCFTA, por sus siglas en inglés). Rusia consideró este tipo de acuerdos como una intromisión en su esfera de influencia y adoptó sanciones comerciales contra los firmantes.

La combinación de los Acuerdos de Asociación y las sanciones rusas ha producido una fuerte reorientación del comercio desde la órbita rusa de la Comunidad de Estados Independientes (CEI) hacia la UE. Moldavia ha pasado de tener un comercio prácticamente igual entre los dos bloques de la CEI y de la UE a exportar más de un 60% a la UE. Las sanciones rusas han tenido para Rusia paradójicamente el efecto de acentuar esta desviación de la orientación general del comercio hacia la UE, que quería evitar, aunque las exportaciones de Rusia a Moldavia no se han visto excesivamente perjudicadas, al ser principalmente productos energéticos de primera necesidad.

Figura 2. Orientación del comercio exterior moldavo en la última década, 2012 y 2021 (%)

El resultado de los acuerdos de Asociación de la UE no ha sido el que esperaban las partes, al menos por el momento. En el lado positivo, el mercado de la UE se ha abierto mucho a Moldavia, con un refuerzo progresivo de los lazos industriales. También se han emprendido reformas estructurales que tienen potencial para contribuir al desarrollo futuro. Pero ha habido costes, no deseados y en gran medida inesperados, como el progresivo cierre del mercado ruso y una grave tensión política externa e interna. La inestabilidad política y el lento progreso en la regeneración institucional también ha perjudicado a las inversiones desde la UE, que han sido mucho menores de lo esperado.

(3) Instituciones y perspectivas

Un signo de los problemas que ha sufrido Moldavia en las últimas décadas es la fuerte emigración de sus nacionales. Las estimaciones llegan a más de un tercio de la población emigrada, [7] lo que fue facilitado por la concesión de pasaporte comunitario a gran parte de la ciudadanía moldava por parte de Rumanía.

La baja renta y las sucesivas crisis económicas son factores clásicos de emigración, junto a los problemas de corrupción que afectan a la vida cotidiana. La que genera particular frustración social es la corrupción en los ámbitos de la sanidad y de la justicia.

La actual presidenta moldava Sandu fue elegida bajo una plataforma proeuropea y “antioligarcas” y cuenta con una experiencia política y profesional notable: fue ministra de Educación bajo las alianzas de partidos liberales pro-UE entre 2012 y 2015, y economista en la delegación del Banco Mundial en la capital moldava, Chisináu.

Sandu ganó las elecciones presidenciales en 2020 y las legislativas en 2021 tras años de denunciar políticamente tanto al Partido Democrático de Moldavia (PDM), controlado por Vlad Plahotniuc, como a los prorrusos del PSRM liderados por Igor Dodon. En 2017 llegó a presentar una denuncia en la fiscalía contra Plahotniuc por “usurpar los poderes del Estado mediante el chantaje y la corrupción”. El que este último no ocupara cargos formales de poder político, sino que fuera el vicepresidente del PDM y el portavoz adjunto del Congreso, muestra hasta qué punto el poder formal puede diferir del poder real percibido en la región. Plahotniuc ostentaba el control de varios medios de comunicación y contaba incluso con cierta proyección internacional. [8] En junio de 2019 huyó del país y fue declarado persona non grata por EEUU en enero de 2020.

Desde su elección, la presidenta moldava ha tenido que hacer frente a la crisis internacional del COVID-19 y las restricciones sanitarias, así como a la dura negociación del suministro del gas con Rusia. Ha adoptado una política realista de priorizar la reforma del Estado de derecho doméstico, y pese a que no existe ninguna duda sobre su ferviente compromiso proeuropeo y de solidaridad con Ucrania, ha mostrado un apreciable pragmatismo al enfatizar la neutralidad internacional de Moldavia para alejar el espectro del conflicto vecino.

No obstante, en abril se han producido ataques con lanzagranadas contra edificios de las estructuras de seguridad interior de la región independentista de Transnistria, que han incrementado fuertemente las tensiones. Tanto las autoridades del gobierno de Moldavia como los líderes transnistrios han adoptado medidas defensivas de refuerzo y han restringido las comunicaciones, pero han evitado por el momento una escalada y las autoridades rusas no han utilizado el contexto para airear agravios que pudieran preceder a una invasión. La utilidad estratégica de Transnistria en el conflicto de Ucrania es bastante limitada, y de hecho constituye una vulnerabilidad para Rusia al ser un enclave rodeado de territorio ucraniano y moldavo. En este sentido, Moldavia y Rusia no son los únicos actores que pueden afectar los acontecimientos sobre una situación muy volátil: sectores nacionalistas de Ucrania o incluso sectores irredentistas de Rumanía también pueden tener intereses sobre el país.

Conclusiones

Moldavia, como otros países de la región, ha virado fuertemente desde la órbita de Rusia hacia la esfera de vinculación con la UE en la década de 2010 en los ámbitos político y económico, lo que viene representado por los Acuerdos de Asociación. Las sanciones comerciales rusas no han conseguido parar esta evolución, sino que más bien han provocado un efecto contrario, acelerando la desviación de comercio hacia la UE y alimentando el nacionalismo antirruso.

No obstante, el influjo de la potencia cultural y económica rusa va a seguir existiendo y el paso del tiempo puede suavizar el rechazo a las represalias rusas. Rusia cuenta con una importante capacidad de presión en materia energética respecto a Moldavia, que es muy dependiente del exterior en este ámbito.

El elemento más crítico para los países de la región como Moldavia es la elevada concentración de poder económico y la vulnerabilidad a la captura estatal por parte de grupos de poder (“oligarcas”), que a su vez pueden ser capturados por potencias extranjeras, en particular la misma Rusia. Su predominancia reduce considerablemente el atractivo para la inversión privada y añade elementos de riesgo político. Los sectores estratégicos como el financiero o el energético resultan arriesgados para la inversión y el comercio vista la experiencia reciente, que España conoce de primera mano.

Los cambios de afiliación de los grupos de poder locales han sido en ocasiones drásticos, y parece aconsejable la prudencia en la asociación con ellos incluso aunque se declaren proeuropeos, particularmente porque es difícil conocer las relaciones de poder locales efectivas. En este contexto es muy improbable que Moldavia pueda estar en condiciones de adherirse a la UE, que por su parte intentará reforzar su apoyo financiero e institucional al país –en un contexto de crisis por la guerra de Ucrania– y la acogida de un número elevado de refugiados. Por ello será muy importante que la ayuda a Moldavia siga prestando particular atención a ámbitos estratégicos clave como la energía y el sector financiero, y que esta ayuda siga estando condicionada a mejoras en el Estado de derecho, trabajando con la cooperación de instituciones internacionales que sean percibidas como independientes y creíbles.

Miguel Ángel Martínez Rolland, técnico comercial y economista del Estado.


Nota bibliográfica

Banco Nacional de Moldavia (2016), “Briefing on Kroll and Steptoe & Johnson investigation”.

Instituto Nacional de Estadística de Moldavia (2022), “Comerțul internațional cu mărfuri al Republicii Moldova în luna decembrie și în anul 2021”, comunicado de prensa sobre comercio internacional en 2021.

Jewish Telegraphic Agency (2019), “Moldova’s Jews feel an anti-Semitic backlash after a corrupt Jewish politician flees to Israel”.

Tofilat, S., y V. Parlicov (2020), “Russian gas and the financing of separatism in Moldova”, Free Russia Foundation.


[1] Continuando la política de los zares, que también limitaron las profesiones de los moldavos a la agricultura. Los imperios desconfiaban de la lealtad de las nacionalidades periféricas y fueron muy restrictivos en el plano económico: la Unión Soviética concentró los recursos productivos de Moldavia en la agricultura y la especializó en particular en la producción de vino a gran escala para la URSS, siguiendo los principios de la división socialista del trabajo y la jerarquía política entre repúblicas. La producción vinícola moldava cuenta con buenas condiciones naturales y varios de sus vinos alcanzan una calidad notable.

[2] Según Tofilat y Parlicov (2020).

[3] Ibid .

[4] Como recogen las notas informativas del Banco Nacional de Moldavia (2017) sobre el informe Kroll en el que la firma de auditoría analizó el fraude.

[5] Resulta llamativo que Shor, gerente de la Banca de Economii en 2014, señalado por el informe Kroll y principal condenado por uno de los fraudes que han generado mayor indignación en la población moldava, obtuvo casi un 6% de los votos en las elecciones legislativas de 2021, constituyendo su partido el tercer grupo más grande del parlamento.

[6] En el escándalo bancario de Moldavia de 2014 esta fue una de las claves de los problemas sufridos. Fuentes bancarias de Moldavia explican informalmente una anécdota representativa de este tipo de situaciones: un misterioso gran accionista de uno de los principales bancos resultó ser un empleado de metro a quien los representantes de un oligarca le presentaban papeles para firmar a cambio de una modesta paga mensual de 200 euros.

[7] Naciones Unidas (división de población, UNDESA) estima que en 2020 Moldavia tenía 1,16 millones de emigrantes (lo que sería casi la mitad de la población residente). A cambio, Moldavia recibía un 15,7% de su PIB anual en remesas de emigrantes (datos del Banco Mundial para 2020, World Development Indicators, abril de 2022).

[8] La foto de Plahotniuc en mayo de 2016 en Washington DC junto a Victoria Nuland, subsecretaria del Departamento de Estado para Europa de EEUU, fue ampliamente percibida como una aceptación internacional de los gobiernos del PDM.

 

[Foto: Marco Fieber – fuente: http://www.realinstitutoelcano.org]

El escritor argentino César Aira continúa con su sana costumbre de publicar al menos un libro por año. Ahora le toca el turno a El gran misterio, su libro número cien. Una novela hermosa sobre el genio creativo editada por Blatt & Ríos.

Escrito por MANUEL ÁLVAREZ

Qué: libro (edita Blatt & Ríos)

Aira suele decir que cualquiera puede escribir un libro. Lo ha dicho en más de una oportunidad y lo dicen también sus personajes, como el científico de su novela número cien: «Todo el mundo contiene el conato de escritor, y solo necesita un tema para florecer». Sí. Cualquiera puede escribir un libro, pero nadie lo puede hacer como él.

El gran misterio cuenta la historia del científico y su obsesión por descubrir el origen de las cosas (¿De dónde salieron? ¿Quién las hizo? ¿Responden a un plan?). Como buen científico, no puede aceptar la idea de una divinidad creadora. Pero tampoco puede aceptar que haya sido los hombres los que la hicieron. No. La única explicación es que las cosas ya estuvieran creadas por una civilización superior. Es una hipótesis y él está dispuesto a probarla, despacio, a través del método, paso a paso.

Palabras más, palabras menos, eso nos cuenta el científico en el prólogo. Después comenzará su relato mirando para atrás, intentando resolver pequeños misterios que le sucedieron en su vida. Así nos dirá que en él habita un genio; hablará de Berta, su mujer; de su matrimonio a las apuradas para poder conseguir una adopción; de las negociaciones del divorcio con los dos abogados que, como si fueran adornos de la casa, de un día para el otro, empezaron a vivir con ellos; de su posterior y repentina desaparición (¿estarían escribiendo su biografía?); del gran descubrimiento que lo hizo famoso y ser considerado un genio. Porque no hay que olvidarse: el protagonista está habitado por un genio. Y eso puede ser algo incómodo.

En Aira el qué pasaría si y el cómo si se complementan y son ejes de la ficción, una ficción que se sale del lugar común, que usa la realidad a su favor, que busca la transparencia de los hechos. Entonces que en alguien habite un genio se convierte literalmente en llevar un genio adentro, con el inconveniente físico que eso conlleva (por ejemplo: para dormir en la cama uno está en horizontal y el otro en vertical).

Hay en El gran misterio un paralelismo entre ciencia y literatura, las dos trabajan con la invención a través de la forma y, por más método cartesiano, muchas veces se benefician del azar. Aira, como el protagonista, no deja madurar la perplejidad. Cada libro suyo es un experimento que funciona como esos tubos de ensayos que contienen vacío. «Mi trabajo en el campo de la ciencia se limitó inicialmente a la manipulación de objetos preciosos. Hubo una intención sincera de darle al mundo algo nuevo, hacer conocido lo desconocido», dice el científico. Y es como si hablara el autor.

Leer a Aira es ir un poco más allá, implica no quedarse solo en las palabras, sino ver a través de ellas, como usando rayos X, e intentar comprender lo oculto, su operación mental, el juego literario detrás de la superficie. No siempre se consigue, pero siempre se disfruta. Aira lleva un genio adentro.

> Leer fragmento aquí

César Aira El gran misterio

 

[Fuente: http://www.zonadeobras.com]

El pasado nazi que algunas dinastías empresariales no quieren reconocer

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La columna vertebral de la economía alemana actual es la industria automotriz. Esto no solo se debe a que representa alrededor del 10 por ciento del PIB; marcas como Porsche, Mercedes, BMW y Volkswagen son reconocidas en todo el mundo como símbolos del ingenio y la excelencia de Alemania en el sector industrial. Estas empresas invierten millones en mercadotecnia y publicidad para sustentar esa imagen. Invierten menos dinero y energía en hablar sobre sus orígenes.

El éxito de estas corporaciones se remonta directamente a los nazis: Ferdinand Porsche convenció a Hitler de poner en marcha las operaciones de Volkswagen. Su hijo, Ferry Porsche, quien hizo crecer a la empresa, se ofreció voluntariamente como oficial de las SS. Herbert Quandt, quien convirtió a BMW en lo que es hoy, cometió crímenes de guerra. También Friedrich Flick, quien llegó a liderar Daimler-Benz. A diferencia de Quandt, Flick fue sentenciado en Núremberg.

No es que este sea un secreto en la Alemania moderna, pero sí se ignora con despreocupación. Estos titanes de la industria, los hombres que desempeñaron un papel central en el desarrollo del “milagro económico” del país después de la guerra, en general siguen siendo alabados y celebrados por su visión empresarial, no por sus actos bélicos. Edificios, fundaciones y premios llevan sus nombres. En un país que es tan elogiado por su cultura de remembranza y arrepentimiento, el reconocimiento honesto y transparente de los actos en tiempos de guerra de algunas de las familias alemanas más adineradas sigue siendo, en el mejor de los casos, una acotación. Pero las cuentas no estarán del todo ajustadas sino hasta que estas empresas —y Alemania— sean más explícitas sobre el pasado nazi de sus patriarcas.

He escrito sobre estas familias desde hace una década; primero, como periodista de Bloomberg News, luego, como autor de un libro sobre las dinastías empresariales alemanas y sus historias relacionadas con el Tercer Reich. He indagado en cientos de documentos históricos y estudios académicos, así como en memorias y autobiografías. He hablado con historiadores y visitado archivos dentro y fuera de las fronteras alemanas. Y mis descubrimientos me han asombrado.

Veamos primero a los Quandt. En la actualidad, dos de los herederos de la familia tienen un patrimonio neto de unos 38.000 millones de dólares, controlan BMW, Mini y Rolls-Royce y tienen participaciones considerables en las industrias química y tecnológica. Los patriarcas de la familia, Günther Quandt y su hijo Herbert Quandt, fueron miembros del Partido Nacionalsocialista Obrero Alemán y sometieron hasta a 57.500 personas a trabajo esclavo y forzoso en sus fábricas, donde se producían armas y baterías para la iniciativa bélica alemana. Günther Quandt adquirió empresas de judíos que fueron obligados a vender sus negocios a precios inferiores a los del mercado y de otros cuyas propiedades fueron incautadas luego de que Alemania ocupara sus países. Herbert Quandt ayudó con al menos dos de estas adquisiciones sospechosas y también supervisó la planificación, la construcción y el desmantelamiento de un subcampo de concentración que jamás se finalizó en Polonia.

Tras el fin de la guerra, los Quandt fueron “desnazificados” en un proceso jurídico malogrado durante la posguerra en Alemania, cuando la mayoría de los perpetradores del Holocausto eludieron el castigo por sus crímenes. En 1960, cinco años después de heredar una fortuna de su padre, Herbert Quandt salvó a BMW de la quiebra. Se convirtió en el accionista mayoritario de la empresa y comenzó a reconstruirla. Hoy en día, dos de sus hijos, Stefan Quandt y Susanne Klatten, forman parte de la familia más rica de Alemania, con un control casi mayoritario de BMW. Los hermanos gestionan sus fortunas desde una ciudad cerca de Fráncfort en un edificio que lleva el nombre de su abuelo.

Los Quandt de la actualidad no pueden alegar que desconocen las acciones de su padre y su abuelo. La información que acabo de mencionar se incluye en un estudio de 2011 que encargó la dinastía Quandt cuatro años después de que un documental crítico que apareció en la televisión expuso parte de la implicación de la familia en el Tercer Reich. Pese a haber ordenado el estudio, que fue realizado por un historiador y un equipo de investigadores, al parecer los herederos de la BMW prefieren seguir con su vida como si no se supiera nada.

En la única entrevista que ofreció en respuesta a los hallazgos de la investigación, Stefan Quandt describió el distanciamiento que la familia tomó de su padre y su abuelo como un conflicto necesario pero “enorme y doloroso”. Aun así, el nombre de Günther Quandt sigue plasmado en sus oficinas centrales, y Stefan Quandt concede un premio anual de periodismo que lleva el nombre de su padre. Stefan Quandt afirmó creer que el “trabajo de toda la vida” de su padre lo ameritaba.

En la entrevista, Stefan Quandt declaró que, para la familia, los objetivos principales del estudio eran “la apertura y la transparencia”. Pero durante una década más, el sitio web de Herbert Quandt Media Prize mostró una biografía de su homónimo que no mencionaba sus actividades durante la época nazi, excepto por el momento en que se unió al consejo administrativo de la empresa de baterías de su padre en 1940.

Eso no cambió sino hasta finales de octubre de 2021, más de una década después de que se realizó el estudio, pero, muy evidentemente, a pocos meses de que yo cuestionara a la familia al respecto. Ahora, una biografía ampliada menciona parte de los hallazgos del estudio, como la responsabilidad que tuvo Herbert Quandt en la contratación de personal en las fábricas de baterías de Berlín, donde personas fueron sometidas a trabajo esclavo y forzoso. Pero aún omite la participación de Herbert Quandt en el proyecto del subcampo de concentración, el uso que hizo de prisioneros de guerra en su propiedad privada y su contribución a la adquisición de compañías que fueron arrebatadas de empresarios judíos.

En 2016, la rama filantrópica de BMW se consolidó con el nombre BMW Foundation Herbert Quandt. Ahora es una organización benéfica de categoría mundial, con alrededor de 150 millones de dólares en activos, que apoya causas de sustentabilidad e inversiones de impacto. Stefan Quandt y Klatten se cuentan entre sus donantes fundadores. Si tomamos la información del sitio web de la fundación, la biografía entera de Herbert Quandt se resume a un solo acto: “Garantizó la independencia” de BMW. El lema de la organización benéfica es promover el “liderazgo responsable” e inspirar a “líderes de todo el mundo a trabajar para desarrollar un futuro más pacífico, justo y sustentable”.

BMW y sus accionistas mayoritarios, Quandt y Klatten, no están solos en su revisionismo. En 2019, la Ferry Porsche Foundation anunció que otorgaría la primera cátedra de Historia Corporativa de Alemania en la Universidad de Stuttgart. La empresa Porsche creó la fundación en 2018, 70 años después de que Ferry Porsche diseñó su primer auto deportivo. “Enfrentar nuestra historia es un compromiso de tiempo completo”, escribió el presidente de la organización benéfica en una declaración. “Este es precisamente el tipo de reflexión crítica que la Ferry Porsche Foundation quiere promover, porque: para saber a dónde vas, debes saber de dónde vienes”.

Podría haber comenzado más cerca de casa. La fundación lleva el nombre de un hombre que, de manera voluntaria, solicitó trabajo en las SS en 1938, fue contratado como oficial en 1941 y mintió al respecto por el resto de su vida. Durante la mayor parte de la guerra, Porsche estuvo ocupado con la administración de la empresa Porsche en Stuttgart, que explotó a cientos de trabajadores forzados. Como el director ejecutivo de Porsche en las décadas de la posguerra, se rodeó de personas que tenían puestos de alto rango en las SS.

En su autobiografía de 1976, Porsche ofreció un recuento histórico tergiversado, repleto de declaraciones antisemitas, sobre el cofundador judío de Porsche, Adolf Rosenberger. Incluso acusó a Rosenberger de extorsión luego de que se vio obligado a huir de la Alemania nazi. La verdad fue que, en 1935, Ferry Porsche recibió las acciones de la empresa que le correspondían a Rosenberger luego de que su padre, Ferdinand Porsche, y su cuñado, Anton Piëch, compraron las acciones del cofundador, a un precio muy inferior al del mercado.

Hoy, Porsche no solo auspicia cátedras o fabrica autos deportivos. Junto con sus primos, los Piëch, los Porsche controlan el Grupo Volkswagen, que incluye a Audi, Bentley, Lamborghini, Seat, Skoda y Volkswagen. El patrimonio neto combinado del clan Porsche-Piëch se valúa en unos 20.000 millones de dólares. Ahora se preparan para escindir a Porsche del Grupo Volkswagen y cotizarla en bolsa, en la que se perfila para ser una de las ofertas públicas iniciales más grandes de 2022.

Los Porsche nunca han mencionado en público las actividades que sus patriarcas perpetraron durante el régimen nazi. Y Ferry Porsche no fue el único implicado: Ferdinand Porsche, quien diseñó el Volkswagen, dirigió la fábrica de Volkswagen durante la guerra junto con Piëch. Ahí, decenas de miles de personas fueron explotadas en condiciones forzosas y de esclavitud para producir armas en masa.

La Ferry Porsche Foundation auspició la cátedra de la Universidad de Stuttgart porque, en 2017, los miembros de su Departamento de Historia publicaron un estudio financiado por la empresa sobre los orígenes de Porsche en la era nazi. Sin embargo, tal parece que el estudio omitió algo muy importante: por algún motivo, la investigación no incluyó ningún documento personal de Rosenberger. El estudio también describió de manera errónea cómo se dio la venta de las acciones de Rosenberger. Cuanto más analicé el estudio, más comenzó a revelarse como una fachada parcial en vez de un recuento íntegro.

Luego tenemos a los Flick. Friedrich Flick controló uno de los conglomerados de acero, carbón y armamento más grandes de Alemania durante el régimen nazi. En 1947, fue sentenciado a siete años de cárcel por crímenes de guerra y de lesa humanidad. En su juicio en Núremberg, fue declarado culpable de hacer uso de trabajo esclavo y forzoso, brindar apoyo económico a las SS y saquear una fábrica de acero. Tras su liberación anticipada en 1950, reconstruyó su conglomerado y se convirtió en el accionista mayoritario de Daimler-Benz, otrora el mayor fabricante de automóviles en Alemania. En 1985, Deutsche Bank adquirió el conglomerado de Flick, con lo cual sus descendientes se volvieron multimillonarios.

En la actualidad, una rama de la dinastía Flick valuada en alrededor de 4000 millones de dólares administra una fundación privada en Düsseldorf bautizada con el nombre de su patriarca. La fundación —que tiene un puesto en el consejo administrativo de una de las universidades más prestigiosas de Alemania y destina fondos a causas educativas, médicas y culturales, sobre todo en Alemania y Austria— sigue llevando el nombre de un criminal de guerra convicto en cuyas fábricas y minas decenas de miles de personas trabajaron en condiciones forzadas o de esclavitud, incluidos miles de judíos. Pero si revisas el sitio web de la fundación, jamás te enterarías del pasado sombrío de la fortuna de los Flick.

¿Cómo es posible que tres de las familias empresariales más poderosas de Alemania, así como sus compañías y sus organizaciones benéficas, estén tan desconectadas de la cultura de remembranza tan elogiada del país?

Cuando le pregunté a Jörg Appelhans, el vocero de años de Stefan Quandt y Klatten, acerca de su decisión de bautizar sus oficinas centrales y su premio para medios con el nombre de su padre y su abuelo, me envió un correo electrónico que decía: “No creemos que cambiar los nombres de calles, lugares o instituciones sea una manera responsable de lidiar con las figuras históricas”, porque hacerlo “impide que haya una exposición consciente del papel que tuvieron en la historia y más bien fomenta el olvido”.

Esta contorsión es desvergonzada a un nivel muy específico. Estas familias no exponen la historia sangrienta detrás de sus fortunas excepto, en ocasiones, en estudios encargados, redactados en un denso alemán académico y cuyos hallazgos luego se excluyen al describir el legado de la familia en internet. Ni siquiera enfrentan su pasado de manera honesta. De hecho, hacen lo contrario: conmemoran a sus patriarcas sin mencionar sus actos durante la era nazi.

Los representantes de los multimillonarios Flick se rehusaron a ofrecer comentarios cuando me comuniqué con la oficina de la familia. Cuando pregunté por qué no había una biografía de Ferry Porsche en el sitio web de la fundación que lleva su nombre, Sebastian Rudolph, el presidente de la fundación, respondió que se está “examinando en qué medida también debería representarse esto en el sitio web de la fundación” y agregó que “contemplamos el trabajo de toda la vida de Ferry Porsche desde una perspectiva diferenciada”.

Durante décadas, la cultura de remembranza ha sido un componente central de la sociedad alemana. En todas las ciudades y pueblos alemanes encontrarás los Stolpersteine, cubos de latón y concreto con nombres y fechas de muerte y nacimiento de las víctimas de la persecución nazi. Hay monumentos, grandes y pequeños, por todas partes. En las cafeterías, desde Berlín hasta Fráncfort y desde Hamburgo hasta Múnich, se escuchan conversaciones a diario sobre la culpa y la expiación colectivas. Son diálogos reflexivos, matizados y, sobre todo, conscientes.

No obstante, este movimiento encaminado a enfrentar el pasado, por algún motivo, no está llegando a muchos de los magnates más venerados de Alemania y sus historias turbias. Cuanto más tiempo dedicaba a aprender sobre estas dinastías empresariales y sus mancillados pasados, fortunas y empresas, además de su deseo de ignorar o encubrir el grado de implicación de sus patriarcas en el Tercer Reich, más comencé a dudar sobre la verdadera profundidad, sinceridad y durabilidad de esta cultura de remembranza en Alemania.

La industria automotriz es un arquetipo alemán por excelencia, es esencial no solo para la economía del país, sino también para su identidad. ¿Acaso repudiar a estos magnates sería un rechazo de la identidad nacional? ¿Acaso debemos alabar a estos hombres porque siguen siendo símbolos poderosos del resurgimiento y el poder económico alemanes? ¿Celebrar el éxito comercial sigue siendo más importante en Alemania que reconocer los crímenes contra la humanidad? ¿O será que la respuesta real es más simple? Quizá el país está en deuda con unos cuantos multimillonarios y sus empresas globales, que están más interesados en proteger sus reputaciones —y sus fortunas— que en hacer frente al pasado.

David de Jong es el autor de Nazi Billionaires: The Dark History of Germany’s Wealthiest Dynasties, del cual se adaptó este ensayo.

[Ilustración: Matt Chase – fuente: http://www.nytimes.com]

Poderíase dicir que a seguinte reportaxe foi devorada pola desapiadada actualidade. Foi escrita sobre o terreo tan só unha semana antes do comezo da invasión de Ucraína por parte de Rusia, polo que haberá quen considere que non ten moito sentido publicala despois de que a caprichosa realidade tumbara unha das hipóteses principais que introduce. Nada máis afastado da realidade. Esta peza serve para dar contexto a unha guerra evitable (coma todas), e na que a información é a primeira vítima. Neste caso, esta frase feita faise aterradoramente real: un dos seus autores, Pablo González, leva preso nunha prisión polaca dende o pasado 28 de febreiro, totalmente incomunicado e sen que ninguén saiba nada do seu estado, acusado de ser un «axente ruso».

Por Pablo González e Juan Teixeira

Segundo veñen informando nos últimos meses gran parte dos medios de comunicación occidentais, Rusia estaría a piques de invadir militarmente Ucraína. A día de hoxe, este grave feito segue sen producirse. Con todo, esta antiga república soviética leva inmersa nos últimos oito anos nunha tremenda crise que tampouco ten vistas de solución. Viaxamos ao centro e leste do país para intentar entender mellor este complicado escenario. 

Tras varios anos de silencio mediático internacional, Ucraína volveu ás cabeceiras da maior parte dos medios de comunicación. E a razón é potencialmente crítica: unha invasión militar rusa. As razóns que explicarían este conflito son tan diversas como o choque Rusia-Occidente, a división interna do país, os prezos do gas ou a degradación dos esquemas xeopolíticos reinantes dende o fin da Guerra Fría. Porén, o sentido común e a lóxica non abondan para comprender o crebacabezas social no que se converteu o país na última década.

Un membro do batallón de extrema dereita Azov ensina a utilizar un lanzafoguetes a un civil durante unhas xornadas de portas abertas en Kiev.

Hai xa oito anos, Ucraína virou violentamente cara a Occidente. Fíxoo a través das coñecidas como protestas do Maidán (praza en ucraíno), que fixeron caer o goberno lexítimo de Viktor Yanukovich despois de que este rexeitara asinar un acordo de cooperación coa Unión Europea. Para unha parte da poboación ucraína e a maioría dos socios occidentais esta foi a «revolución da dignidade», na que «o desexo de liberdade» dos ucraínos prevaleceu ao achegamento coa autoritaria Moscova. Para outros foi un golpe de Estado en toda regra, no que unha activa minoría nacionalista (apoiada fortemente dende o exterior) impuxo a súa axenda de ruptura dos lazos centenarios con Rusia e achegamento a occidente.

En todo este tempo, Ucraína perdeu importantes partes do seu territorio: a península de Crimea anexionada por Rusia, e parte da rexión do Donbass onde os separatistas locais apoiados por Moscova autoproclamaron dúas repúblicas independentes en Donetsk e Lugansk. Neste recuncho do mundo vivíronse uns arrepiantes combates entre o verán de 2014 e o inverno de 2015, deixando máis de trece mil mortes tras de si. Dende entón a rexión vive unha guerra de desgaste, con mortos practicamente cada semana, aínda que sen movementos da liña de fronte, á espera de que se cumpran os ignorados Acordos de Minsk.

Xudeus rezando na sinagoga de Dnipro, a maior do mundo e financiada por dous coñecidos oligarcas ucraínos.

Con este dantesco panorama, non é de estrañar que os ucraínos atendan ás azueiras de guerra que chegan dende occidente con escepticismo. É o conto de Pedro e o lobo, aínda que na versión de Putin e os tanques. O goberno de Kiev leva tanto tempo anunciando a invasión rusa que a meirande parte da xente xa non cre o conto. E aínda así, neste inverno de 2021-2022 de súpeto a tensión aumentou, coas cancelarías de Moscú, Washington, Berlín ou París facendo horas extra para evitar un conflito que, por momentos, parecía inevitable. Así o venderon incesantemente nos grandes medios occidentais. E así o entendeu boa parte da cidadanía. Lembremos que as guerras de hoxe en día non se deciden tanto nas trincheiras como nas mentes da poboación. Para vencer hai que convencer, de aí a intensa guerra mediática que acompaña a cada conflito nesta era da desinformación. Esta contradición entre o que venden os grandes conglomerados de información e a caprichosa realidade pode observarse con nítida transparencia cando un recompila información de primeira man.

No caso do conflito ucraíno, as contradicións son múltiples e enganosas. Unha delas vívese, por exemplo, en Dnipro. A cidade anteriormente coñecida como Dniepropetrovsk foi, na época soviética, un dos principais centros de produción de mísiles, tanto militares como os destinados ao programa espacial. Agora a fábrica de Yuzhmash non é máis que unha serie de inmensos hangares baleiros. E se antes de 1986 os estranxeiros tiñan prohibido entrar incluso na cidade, agora pódese conseguir o permiso mesmo para visitar a propia fábrica. Un complexo que nos seus mellores tempos daba traballo a máis de cen mil persoas, e que agora non é mais que unha sombra dese pasado.

Cemiterio de Dnipro, onde hai enterrados máis de 300 soldados caídos na guerra no leste de Ucraína.

Os poucos traballadores que quedan, moitos en idade de xubilación ou próximos a ela, estrañan a época soviética, cando facían mísiles para conquistar o espazo, algo que cualifica como «o noso orgullo» un dos enxeñeiros, e engade que agora non é que non queiran amosar aos visitantes algo dos seus desenvolvementos militares, é que simplemente «non hai nada que amosar». Todos os seus programas, dedicados ao espazo civil, están conxelados. A ausencia do seu histórico socio principal, Rusia, fai que este termo de «conxelación» soe realmente máis a cancelación. Só uns poucos encargos por parte dos Estados Unidos lles dan algo de traballo, pero incluso iso vai acabar cos novos desenvolvementos de Elon Musk.

Pero non a todos lles vai mal en Dnipro. Unha comunidade renacida e en auxe é a xudía. En Dnipro contan co maior centro xudeu do mundo: sete torres que dominan a silueta da cidade, onda á sinagoga. Neste centro teñen hotel, restaurantes, salas de exposicións, unha clínica, un museo do holocausto e numerosas instalacións adicionais, todo forrado en mármore traído dende o mesmísimo Israel. Son ademais os responsables da vacinación de máis dun terzo da poboación de Dnipro. Falando co presidente desta comunidade, Zelig Brez, pódese ver outra das múltiples contradicións da Ucraína actual.

Un traballador da fábrica Yuzhmash onde antigamente traballaban miles de empregados fabricando alta tecnoloxía espacial. Hoxe en día apenas teñen encargos e as instalacións languidecen.

Brez defende a xestión do presidente Zelenskiy, a quen cualifica como unha persoa moi sabia (casualmente tamén é de orixe xudía) e engade que a súa comunidade tomará as armas para defenderse en caso dun ataque ruso. Á pregunta de como se sente a comunidade xudía convivindo cun nacionalismo ucraíno que glorifica aos colaboradores dos nazis, como o foron os ucraínos da División Galitsina das SS, Brez móstrase preocupado polo aumento das simpatías filonazis en moitos países, pero opina que son unha minoría que non representa o país.

É rechamante ademais que a cidade e a rexión de Dnipro, historicamente de ampla maioría rusofalante, sexan a orixe dunha gran parte de voluntarios que foron á guerra contra o separatistas prorrusos en 2014-2015. Só no cemiterio militar da cidade atópanse soterrados aproximadamente 300 combatentes, parte dos cales aínda están sen identificar, e outros, a pesar de que están identificados mediante probas de ADN, non son recoñecidos polos seus familiares. Un caso que, segundo explica Yulia, traballadora do concello de Dnipro, é unha medida de protección psicolóxica das propias familias, á espera de que un milagre lles devolva ao seu fillo, ou a que o tempo lles faga aceptar a súa perda definitivamente.

Interior dun búnker soviético nos arredores de Dnipro, acondicionado na actualidade para albergar a máis de 200 persoas en caso de guerra con Rusia.

Esta é outra das realidades contraditorias que se mesturan na Ucraína actual e que é de difícil explicación: como cidadáns rusofalantes colleron as armas contra outros cidadáns rusofalantes. Hai quen o explica mediante a educación patriótica dos tempos soviéticos, outros mediante a mobilización que practicaron os medios de comunicación. Outros achácano a unha potente onda nacionalista que percorreu o país, quitando os referentes soviéticos por outros de ultradereita.

Precisamente esa importancia dos elementos de ultradereita na sociedade ucraína foi obxecto de debate entre os especialistas no tema dende 2014. Así, uns defenden que o seu peso é marxinal, que non teñen representación parlamentaria e que as simpatías por estas ideas son mínimas entre os ucraínos. Con todo, tamén é certo que foron eses elementos os que participaron máis activamente no Maidán e fixeron posible a caída do presidente Yanukovich, e que foron eses elementos os responsables de masacres como a de Odessa en maio de 2014, onde queimaron vivas a máis de corenta persoas, ucraínas todas que simpatizaban con Rusia.

Dúas persoas pasan ante un edificio alcanzado en múltiples ocasións por fogo de artillería en Avdeevka. O artista australiano Guido Van Helten pintou hai anos o rostro da famosa profesora local Marchenko para que os soldados da República Popular de Donetsk o visen ao disparar.

Tamén é parte deses elementos de ultradereita o denominado Corpo Nacional. Unha organización neonazi cuxo líder, Andriy Biletski, combateu no Donbass, os que organizan nas últimas semanas multitude de adestramentos paramilitares para a poboación civil na capital, Kiev. Uns adestramentos nos que ensinan a interactuar con vehículos blindados, orientarse sobre o terreo, seguir mandos básicos, nocións de combate urbano, primeiros auxilios ou a utilización de material explosivo ou lanzagranadas.

Todos estes adestramentos parecen de escasa utilidade en caso de enfrontarse a un inimigo real, como o sería potencialmente o exército ruso. Obviando o feito de que a maioría de baixas nas guerras actuais son producidas pola artillería e a aviación, e que a maioría de combatentes falecidos ou feridos seguramente nin viron ao inimigo antes de ser alcanzados, estes adestramentos simplemente serven para militarizar a cidadanía e captar adeptos para a ultradereita, especialmente entre os máis novos. Unha xeración enteira cunha grave falta de recursos e alternativas e que pasa a fin de semana rodeada de armas, combatentes e folletos ideolóxicos de extrema dereita. Que pode saír mal?

Mozos ucraínos reciben información dun mando do batallón Azov. Fóra de Ucraína, Azov ocupa un importante papel nunha rede global de grupos extremistas de extrema dereita.

Algunhas das persoas que acoden a estes cursos opinan que a invasión rusa é posible, e que nese caso fará falta tomar as armas para defenderse. Porén, a maioría simplemente van para ocupar unhas horas nun «campamento de guerra» impartido por uns «patriotas de verdade». Un plan para a fin de semana no que un pode ir cos amigos, só e coñecer xente ou en parella. Algo que dende fóra parece un tanto surrealista, sobre todo porque moitos dos participantes corren de aquí para alá con maquetas de AK-47 feitas de madeira mentres fan onomatopeas armamentistas coa boca, como os pequenos. Estes adestramentos, ademais, fanse nun vello e abandonado complexo industrial, onde a estatua dun soldado soviético mira muda o que sucede ao seu redor.

Hai que viaxar practicamente á liña da fronte, á cidade de Avdiivka no Donbass, para poñer aínda máis de relevo a estraña situación que vive Ucraína. Este núcleo urbano está situado ao norte de Donetsk, e polas súas aforas pasa a liña da fronte. Con todo, en Avdiivka a poboación civil non adestra e poucos toman en serio mesmo os rumores de guerra. Dos corenta mil habitantes que tiña antes da guerra, agora quedarán, no mellor dos casos, apenas a metade, na súa maioría traballadores da planta de coque, xubilados que non teñen onde ir e soldados.

Soldados ucraínos prepáranse para un desprazamento en camión a poucos quilómetros da fronte. Actualmente Ucraína dispón duns 250.000 efectivos en servizo activo, ademais de case 300.000 reservistas e 50.000 unidades paramilitares.

A xente afíxose ao ruído da artillería de lonxe e aos disparos esporádicos, ou non tanto, de metralladoras durante a noite. Non cren que Putin vaia atacar. A maioría repite como un mantra «para que o ía facer?», e engaden case sempre «oxalá todo isto acabe pronto». Quizais se o conflito acaba dunha vez podería solucionarse o maior problema da rexión, o demográfico: a xente nova vaise para non volver. Van traballar a Rusia ou a países da Unión Europea como Polonia.

Do pouco que funciona, e ademais segue dando unha inxección económica á zona, son as minas de carbón e a industria. Así, en Avdiivka segue funcionando a planta de coque propiedade do oligarca Rinat Ajmetov. En toda a guerra, e a pesar de que os combates transcorreron nas súas proximidades, non recibiu nin un só impacto. Algo que non é tan raro no Donbass, onde escolas, estacións de autobuses ou simples barrios dormitorio seguen estando nas miras dos artilleiros, pero as propiedades dos oligarcas non, estean no bando que estean.

Un civil durante unhas manobras militares organizadas polo batallón paramilitar de extrema dereita Azov nos arredores de Kiev.

Esta, a realidade oligárquica, é outro dos elementos que se mesturan en Ucraína para crear a estraña situación actual. Por unha banda, Ucraína declara que está en guerra con Rusia, pero segue sendo un dos seus socios principais para o comercio e non romperon as relacións diplomáticas en ningún momento. Por outra banda, o país, mediante o presidente Zelenskiy, di estar en guerra cos oligarcas, pero estes seguen controlando a economía, os medios de comunicación e mesmo boa parte da clase política.

Un presidente de orixe xudía preside un país onde milicias neonazis adestran a poboación para enfrontarse ao exército ruso nunha invasión inminente que non acaba de chegar máis aló de Crimea e Donbass. O país declara o seu obxectivo de integración na UE e a OTAN, pero a policía secreta segue arrestando persoas por publicar imaxes soviéticas en redes sociais. É a contradición ucraína en estado puro.

Ensaio dunha obra de ballet no Teatro-Ópera de Dnipro. A vida segue en Ucraína allea ao conflito.

Ucraína vive inmersa nesta contradición sen fin dende hai oito anos, dos que sete e medio foron acompañados de guerra. A paz, aínda así, semella difícil de lograr. Os acordos diplomáticos asinados en 2014 e 2015, os chamados acordos de Minsk, seguen sen cumprirse. Ucraína non fai as reformas necesarias para darlle ao Donbass a autonomía que eses acordos lle deben proporcionar e, mentres iso non suceda, Rusia non vai retirar o seu armamento dese territorio nin vai devolver a Ucraína o control da fronteira. Por todo isto e moito máis, non parece que a situación se vaia solucionar nun futuro próximo. E seguiremos con rumores de guerra cada certo tempo. Unha preocupación que se vive moito máis nos medios occidentais que nas rúas dunha Ucraína cansa de non estar en paz, pero tampouco en guerra.

 

[Fonte: http://www.revistaluzes.com]

Pintura de la autora, Samaria Polet Carias Ayala

 

Escrito por Samaria Polet Carias Ayala – traducido por Gabriela García Calderón Orbe

Los pueblos de suelo centroamericano inculcaron el pensamiento colonial a través de las normas sociales españolas y un sistema educativo occidentalizado. Los niños aprenden español y la historia de sus propios pueblos a través de las voces de conquistadores y los textos que han dejado atrás. Esto es perpetuado por educadores encubiertos que solamente cuentan el lado europeo de la historia.

Esas voces se filtran a los corazones y mentes de los pueblos indígenas [1], y corroen a muchos que se quieren identificar con sus antecedentes y ancestros nativos, pero tienen cierto grado de confusión, vergüenza y hasta culpa por falta de información con respecto a sus ancestros indígenas. Imagina querer conectarte contigo y tu familia, pero tener que armar muy pocas piezas de un rompecabezas robado mientras otros a tu alrededor perpetúan tu eliminación.

Recuperar la identidad de un nativo es clave para la alteración de los poderes opresivos. En mi experiencia, el término se refiere más a centroamericanos que en ahora viven en el norte de la isla Tortuga [2] o en ciudades dentro de Centroamérica. El término indígena se reserva para quienes aún viven en aislamiento con la Madre Tierra y sin comunión con el mestizaje de las Américas.

Borrar significa denigrar esas identidades por absurdas. Borrar significa robar tierras y llevar a los pueblos originales a entornos estériles o de otro tipo, como lugares urbanizados con escasa conexión con el entorno natural. Borrar significa imponer el mestizaje, una identidad arraigada en la aceptación de la conquista española y olvidar la existencia de los nativos antes de la colonización.

Es más, según Mujeres de Maíz [3], colectivo de pueblos indígenas en línea, «Guatemala tiene una de las mayores poblaciones indígenas del mundo», pero el Gobierno guatemalteco solo reconoce a 40 % de la población como indígena, a pesar de que los líderes indígenas locales afirman que representan más del 60 %. Este es un ejemplo de borrado estadístico. Esto es válido para otros estados-nación centroamericanos como Honduras, que informan que «casi el 9 % [4] de la población total se autoidentifica como miembro de un grupo indígena o minoritario». Por lo tanto, cualquier nativo que haya sido desvinculado de su indigeneidad, y que además haya nacido en zonas urbanas, no está reconocido sino que se identifica como mestizo.

Los nativos de la cola de iIsla de Tortuga sufren el retroceso del blanqueamiento, que hace que tener cualquier rasgo físico y manierismo indígena sea un rasgo indeseable entre quienes se identifican como mestizas. Como nativos centroamericanos, enfrentamos algunos de los peores tipos de trato que puede sufrir un ser humano, como asimilación forzada,  conversiones religiosas forzadas, violencia física y «limpiezas» culturales, que son un verdadero genocidio de nuestras identidades nativas.

Sin embargo, ¡resistimos! Volamos sobre la tormenta de la explotación y el dolor social como lo harían nuestros parientes guacamayos. Esa es la verdadera perseverancia, como dirían mis mayores. Pertenecemos a este hemisferio, pertenecemos aquí desde hace cientos de años, antes de la continua colonización. Los nativos en el centro de las Américas estamos existiendo y resistiendo a fuerzas muy poderosas que esperan reinar, a través borrarlos, sobre nuestras ideologías indígenas, la conexión con la tierra y la protección de los recursos.

Las injusticias cometidas contra los pueblos indígenas en las Américas incluyen robo de tierras, trabajo infantil forzado, desplazamiento forzado y lavado de cerebro a través de los sistemas educativos. Nuestras mujeres indígenas han sido las primeras en ser expuestas a los misioneros religiosos y a las compañías que a menudo las violan, y a la tierra, que también las llevan a tierras extranjeras del norte para servir.

Muchos primos míos y mi madre han caído en manos de los colonialistas de esta manera, con extranjeros que los encantan con mentiras de una vida mejor, pero la realidad es nefasta una vez que se instalan en el Norte.

Por eso los indígenas luchan para detener los proyectos de construcción de fuerzas externas que siguen saqueando, violando y cambiando el paisaje sagrado que vivimos para proteger. Hoy en día, los garinagu [5] de la costa de Honduras siguen luchando por sus derechos a la tierra y exigen la devolución de sus hermanos robados [6]; a los lenca [7] de Gracias de Dios se les reconoce solamente en el «Día del Indio Lempira», mientras que los tawakh [8] de la aldea de mi nana (abuela) están cada vez más olvidados, ya que no se hace justicia por su violento desplazamiento, el robo de tierras y el saqueo de sus cultivos por parte de los narcotraficantes y las empresas del Norte. El borrado afecta las voces nativas que luchan por una forma de vida centrada en la Madre Tierra y en nuestros parientes de la flora y la fauna.

Mapa de Honduras muestra los lugares donde viven pueblos indígenas en la actualidad.

Todo esto lo digo por la experiencia de haber nacido y crecido en tierra hondureña con la tez morena y negra mientras se me enseñaba inexplicablemente a despreciar y descuidar mi condición de nativa y a rechazar mi negritud. He soportado la asimilación forzada a las normas coloniales y me he visto desplazada de mi tierra natal. Soy la personificación viviente de la resistencia a las enseñanzas coloniales mientras sufrimos las consecuencias de vivir como nativos.

Mientras pensaba en la eliminación, le pregunté a Edwin Pastor [9], fotógrafo y nativo guatemalteco, sobre su experiencia como parte de los centroamericanos que viven fuera y su intento de conectar con su indigenismo. Me dijo:

Soy la prueba viviente de que las raíces no se pueden erradicar. Creo que es mi responsabilidad heredar mi cultura y mantenerla viva.

Pastor se ha esforzado por continuar las ceremonias sagradas del cacao con su hermano gemelo, por grabar la colorida existencia de sus mayores y de otros chapines (guatemaltecos) en el pueblo natal de su padre, Totonicapán, y por informar a otros sobre las fiestas mayas k’iche’ [10]. Quiere crear algún día un colectivo para enseñar a los jóvenes de Totonicapán a usar las cámaras y darles herramientas para expresar su hermosa existencia.

Como artista, me esfuerzo por revivir las antiguas costumbres y mostrar a mis antepasados que se les recuerda en su verdadera belleza: como ingenieros, artistas, arquitectos, protectores del agua y honrados comerciantes. Su legado vive en personas como yo. Es necesario curarse del genocidio de nuestra identidad y cultura para volver a conectar y caminar por esta vida en paz y transparencia. Es crucial para las generaciones futuras descartar lo que no nos sirve. Debemos dejar atrás conceptos coloniales como la homofobia, el clasismo, la adquisición posesiva de tierras y los ideales capitalistas según los cuales el capital es más importante que los medios de vida de los nativos.

Las tácticas deliberadas contra los indígenas –como la violencia, el robo de tierras, la escolarización colonial y el catolicismo– provocan vergüenza y culpa entre los nativos. No hay orgullo cultural cuando se trata de que te llamen «indio», ya que la palabra connota pueblos salvajes e incivilizados, según la visión de un Cristóbal Colón perdido en el mar.

Cuando se le dice a un hondureño, a quien se le ha enseñado a identificarse con un Estado-nación, que es indio, a menudo se obtiene una respuesta desconcertada: «¿Yo? Yo no soy indio», dirán con nivel de disgusto, como si identificarse como tal fuera totalmente inaceptable, aunque la persona tenga rasgos nativos muy marcados.

Se nos enseña, explícita o inexplícitamente, a odiar nuestras narices monumentales que recuerdan las ruinas de nuestros antepasados; se nos enseña a odiar nuestra piel de color tierra que debe recordar nuestras tierras fértiles; se nos enseña a odiar cuando la aceptación y la tolerancia son el camino. Es realmente desalentador experimentar e interiorizar perspectivas distorsionadas de uno mismo. Tuve que ir al Norte, donde experimenté una mayor supresión de otros grupos, para darme cuenta de lo que estaba oculto dentro de mí y de todos los que me precedieron: que mi identidad nativa también había sido borrada y vilipendiada.

Es una lucha y un viaje que empieza por amar nuestra piel morena. Para avanzar, debemos centrar y aumentar las voces nativas del istmo, especialmente las de ascendencia afroindígena, porque son las poblaciones que han sido más borradas. Aunque no todos llevemos tocados, ya que las formalidades se ganan o se dan en las ceremonias, cada uno de nosotros existe en su plenitud y cada nativo tiene un camino distinto. Necesitamos que nos respeten, nos escuchen y sentir que nos ven. Somos las semillas que tan desesperadamente intentan arar y seguiremos creciendo y adaptándonos. Somos los nuevos ancestros. Bendiciones a quienes ayudan a los indígenas y nos alojan sin violencia ni borrado cultural.

Artículo publicado en Global Voices en Españolhttps://es.globalvoices.org

URL del artículo: https://es.globalvoices.org/2021/08/28/recuperar-la-identidad-indigena-centroamericana-es-clave-para-dejar-de-ser-borrados/

URLs en este posteo:

[1] indígenas: https://es.wikipedia.org/wiki/Poblado_ind%C3%ADgena

[2] isla tortuga: https://www.thecanadianencyclopedia.ca/en/article/turtle-island

[3] Mujeres de Maíz: https://www.instagram.com/p/CSYHDbtlKy7/?utm_medium=copy_link

[4] casi el 9 %: https://minorityrights.org/country/honduras/

[5] garinagu: https://www.mybelize.net/people-culture/the-garinagu/

[6] hermanos robados: https://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-53589596

[7] lenca: https://es.wikipedia.org/wiki/Lenca

[8] tawakh: https://minorityrights.org/minorities/tawahka/

[9] Edwin Pastor: https://edwin-pastor.format.com/portrait-gallery

[10] mayas k’iche’: https://www.britannica.com/topic/Kiche

 

Conversem amb les Alegres Comares, un dels comptes del sector de la música clàssica catalana més virals a les xarxes socials.

Escrit per Pau Requena

Un mes de desembre de 2019, sense fer massa soroll, naixia un compte de Twitter sota la denominació shakespeariana d’Alegres Comares. Gairebé sense voler-ho, amb el temps, el compte s’ha transformat en tot un referent mediàtic dins del, massa sovint hermètic, món de la clàssica. Amb prop de mil seguidors, quan llegeixes una piulada de les comares sobre algun dels esdeveniments musicals de Catalunya, especialment a Barcelona, saps que hi trobaràs una crítica fonamentada, àcida, sarcàstica, amb perspectiva de gènere i de classe, amb una mirada moderna, una òptica catalana i amb voluntat de construir. A causa del seu anonimat, és pràcticament impossible parlar amb elles per videotrucada o per telèfon. Xerrem amb elles, doncs, a través del correu electrònic, fet que no evita que podem saber una mica més sobre qui hi ha darrere aquest compte, discutir per què aposten per l’anonimat i obtenir reflexions sobre la situació actual del sector musical català.

Com sorgeix aquest projecte?

D’una manera molt natural: coincidíem a concerts i teníem un grup de WhatsApp on compartíem les nostres impressions i xerràvem d’allò més transcendent al més banal. Al final, vam decidir obrir un perfil a Twitter gairebé com una broma. Només volíem aportar un punt de vista irreverent i treure ferro a la clàssica. No pretenem ser infal·libles ni donar lliçons, que de gent que va dictant sentència ja n’hi ha molta!

A què respon l’elecció del nom “Alegres Comares”?

Ens agrada el concepte de “comarejar”, de xerrar i ficar el nas on no ens demanen. El nostre nom compleix diversos requisits: relacionat amb l’òpera, però no només, és clarament femení, té connotacions iròniques i porta incorporat l’esperit de gaudi i el de sororitat.

Qui seria el vostre Falstaff?

El nostre Falstaff és el saberut, l’entès. En masculí, perquè les dones en general no es poden permetre aquestes actituds. I, en realitat, a nosaltres no ens cal per res, un Falstaff.

Esteu en l’anonimat, però quin perfil de persona hi ha darrere? Músics, periodistes, melòmanes…?

Ui, ui, ui, tu vols saber massa! Us donarem una primícia: no ho hem explicitat mai, però som tres. Venim de mons força diferents i tenim interessos i experiències diversos. Justament això és la gràcia: el que diem no té més o menys importància en funció de si tenim el títol d’”expert” o no.

Per què és important per vosaltres mantenir l’anonimat? Creieu que el món de la clàssica intentaria influir en vosaltres si tinguéssiu noms, cognoms i cares públiques?

Ja han intentat influir en nosaltres sent anònimes! Sense anonimat no tenim sentit. Ara, si tinguéssim noms, cognoms i cares públiques possiblement quasi ningú sabria qui som. Per tant, estem més còmodes, i poc importen els nostres noms. Tenim la força al col·lectiu, no a la individualitat.

És força insòlit veure com heu d’estar en l’anonimat per a fer activisme i poder ser punyents. Com creieu que el sector de la clàssica catalana ha arribat a aquest punt?

No és només un mal de la clàssica! A tot arreu hi ha manca d’independència i d’esperit crític, interessos, coneixences, favors per pagar i molta hipocresia. Cal quedar bé, que no se sap mai si algun dia necessitaràs alguna cosa i te la negaran per ser massa sincera. Al sector tothom es coneix, i al final la gent prefereix no buscar-se problemes.

Com a comares ens sentim molt lliures per dir el que vulguem, no devem res a ningú, però no per ser anònimes sinó perquè no busquem res. Creiem també que aquest anonimat dona confiança als seguidors, per allò que, de vegades, és més fàcil esplaiar-te amb un desconegut.

Tenim la força al col·lectiu, no a la individualitat.

Quines mancances veieu als mitjans de comunicació, Núvol no n’és exempt, que sovint veuen la seva feina condicionada per diversos factors?

Hi ha una complicada relació entre els crítics, els periodistes i els intel·lectuals amb les institucions i mitjans que els donen feina. Tothom mira pel seu futur al sector. Manca coratge per a interpel·lar les vaques sagrades del sector amb arguments, probablement perquè costa trobar periodistes especialitzats i veritablement coneixedors dels temes. Tenim una mostra clamorosa en un mitjà “avantguardista” on la crònica musical sembla crònica rosa: frívola, banal, sense rigor, mancada de professionalitat… La superficialitat amb què molts mitjans aborden la música és un reflex dolorós de quin paper juga la cultura a la nostra societat.

Manca coratge per a interpel·lar les vaques sagrades del sector.

De quina manera creieu que els periodistes i mitjans professionals ens podem imposar a les circumstàncies i que un compte com el vostre no hagi d’existir?

Ui, que ens entrevisteu i ja ens voleu eliminar? Creiem que el nostre esperit és bo que continuï, encarnat en nosaltres o en qui sigui, perquè possiblement els periodistes especialitzats no us podeu permetre segons quines llicències. El contrapoder sempre serà desitjable!

Sovint veiem com assenyaleu mancances d’institucions, programadors o artistes en aspectes com el feminisme, el classisme o la manca d’originalitat o innovació. En aquests àmbits, quina és la institució musical que fa més bona feina?

Ara només ens faltaria repartir els premis Comares a la sala més equitativa! Hi ha de tot, gent amb missions molt nobles i gent que vol fer caixa a tot preu, gent amb sensibilitats i motivacions reals i gent que sap que ha d’aparentar una actitud aperturista que en realitat no té.

Ens fem un fart d’escoltar lloances a catalans quan triomfen, però l’any següent els continuen programant amb comptagotes i al segon repartiment. Es fan grans discursos sobre igualtat, però les dones compositores són majoritàriament ignorades. I en quina gran institució del país hi ha paritat a la cúpula directiva?

Hi ha iniciatives que ens agraden, com la del Liceu, d’encarregar miniòperes a compositors joves; la del Teatre de Sarrià, de posar en escena òperes de butxaca amb artistes de casa; o la del FEMAP, de portar la música barroca als pobles del Pirineu, que sembla que tot hagi de passar a Barcelona! I ens en deixem alguna, segur. Tanmateix, al final et descuides i et programen l’enèsima Novena de Beethoven o la “Carmen” número 1.000! El convencionalisme sí que és transversal!

Ens fem un fart d’escoltar lloances a catalans quan triomfen, però l’any següent els continuen programant amb comptagotes i al segon repartiment.

Dins del complex ecosistema del sector clàssic del país, quines iniciatives, programes de ràdio o Tv, periodistes o podcasts que intentin trencar motlles i facin progressar el sector, recomanaríeu als nostres lectors?

Consumim tota mena de materials, convencionals i alternatius, i defugim com de la pesta de la “divulgació” que acaba banalitzant o rebaixant el contingut. Per exemple, va començar amb bon peu el podcast sobre recerca musicogràfica de Pep Gorgori, que fa just el contrari: fer entenedors conceptes complexos. Ens agraden també els podcasts de l’Anna Alàs, una mezzosoprano amb una personalitat esclatant, molta capacitat comunicativa i el cap molt ben moblat. El Marc Balcells (@elBelcantista) el trobem com una alenada d’aire fresc. Però en general la tele i la ràdio estan bastant mortes: tenen la seva funció, però fer avançar el sector no és precisament el que fan. També hauríem d’anomenar al Núvol-Castafiore per tenir el bon ull d’entrevistar-nos, però no sabem si sonarà a piloteig!

Una de les notícies importants d’aquesta temporada és la gestació del Liceu Mar. Com veieu la proposta del Liceu i l’Ajuntament?

Ens hem manifestat sovint sobre la inadequació de la sala gran del Liceu per espectacles com els recitals del lied o l’òpera barroca. I tampoc podem anar fent funcions al bar! En aquest sentit, una sala més petita podria ser interessant, així i tot, la manca de transparència sobre el projecte fa pudor d’especulació immobiliària o d’interessos polítics que no ens expliquen. Ens agradaria veure un projecte artístic ben bastit amb explicacions clares sobre els recursos i els beneficiaris per poder opinar. Per altra banda, l’Ajuntament no sembla tenir massa clar el paper del Liceu a la ciutat. Ens temem que relacionen òpera amb elitisme, a l’alcaldessa, per exemple, se l’ha vist poc o gens pel Liceu, encara que tampoc pel Palau o l’Auditori.

A l’alcaldessa, per exemple, se l’ha vist poc o gens pel Liceu, encara que tampoc pel Palau o l’Auditori.

 

Les comares parlem de com veiem i vivim la música, però també d’embolics, bosses de mà i vacances de les estrelles.

 

Uns dels reptes majúsculs de la clàssica al s.XXI és saber connectar amb els nous públics. Com creieu que es pot aconseguir això?

Cal obrir les finestres i renovar l’aire. Hi ha massa esnobisme i classisme, i el contrari, massa “jo és que no hi entenc”, tots dos extrems són un llast. Preus exagerats que no corresponen al producte que s’ofereix. I que, en qualsevol cas, fan molt difícil l’accés a una gran part del públic potencial.

Cal informació directa i espolsar-nos els tòpics i els estereotips en lloc de potenciar-los. Fer un bon ús de la tecnologia, però no adulterar la música. Fer que la ciutadania entengui els grans equipaments com a propis i estigui orgullosa de les seves orquestres, que ara només poden veure en comptades ocasions. Cal dur la música on sigui significativa i deixar d’encotillar-la. Atenció que no parlem de rebaixar el nivell sinó de desacomplexar-nos.

El nou públic és a les xarxes socials. El màrqueting, com en qualsevol altre sector, ha de ser a les xarxes. Les institucions i els artistes han de tenir una presència activa al món digital. Per què la clàssica no pot tenir estrelles com el pop que ens expliquin per Instagram la seva vida? Al cap i a la fi, és un espectacle. La seriositat i reverència amb què s’ha parlat sempre de la música clàssica i de l’òpera dificulten l’accés a un món que sembla només per a iniciats. Les comares parlem de com veiem i vivim la música, però també d’embolics, bosses de mà i vacances de les estrelles. I sembla que l’alternança d’aquests registres agrada.

De gent nova i bona n’hi ha molta, només cal que se’ls deixi pas.

 

Tot i estar en l’anonimat, col·laboraríeu amb un mitjà convencional com ara Catalunya Música o amb nosaltres?

Som realment un col·lectiu i treballem i polim tuits i respostes en conjunt. Només per això és impensable qualsevol col·laboració radiofònica. Tampoc volem entrar al món de la crítica musical. De gent nova i bona n’hi ha molta, només cal que se’ls deixi pas. No hi competim, som una altra cosa.

[Font: http://www.nuvol.com]

 

La reforma del reglamento de Registro y Publicación de Tratados de las Naciones Unidas permite, desde el 1 de febrero, registrar los tratados internacionales en español

Escrito por JOSÉ ANTONIO SIERRA

Desde el pasado 1 de febrero, los Estados y organizaciones internacionales podrán añadir una traducción de cortesía en uno de los otros cuatro idiomas oficiales de las Naciones Unidas (español, ruso, árabe y chino) a la versión oficial en inglés o francés al registrar un tratado. El registro oficial de tratados de las Naciones Unidas utilizaba hasta ahora solo el inglés y el francés.

Esta reforma se adoptó por consenso de la Asamblea General el pasado 9 de diciembre mediante la resolución 76/120, tras meses de negociaciones y a propuesta de los países hispanohablantes y Portugal.

El registro de los tratados es una actividad emblemática de la organización, que heredó de la Sociedad de Naciones y que persigue unas relaciones internacionales basadas en el derecho y la transparencia y alejadas de la diplomacia secreta. Con esta reforma, el español y el resto de idiomas oficiales de las Naciones Unidas contribuyen al predominio del derecho en las relaciones internacionales.

España y los Estados hispanohablantes, que forman el Grupo de Amigos del Español de las Naciones Unidas, seguirán trabajando para que en el futuro el Registro de Tratados incluya al español entre sus lenguas oficiales.

[Fuente: http://www.todoliteratura.es]
Pol Guasch

Pol Guasch. Foto: Álvaro García

Escrit per Lourdes Toledo

Pol Guasch (Tarragona, 1997) és una capsa de sorpreses. Li faces la pregunta que li faces, sempre té una resposta: ràpida, sorprenent. És d’aquestes persones que no pots enxampar desprevinguda perquè és molt àgil mentalment: domina el llenguatge, juga amb elegància amb les idees i és un gran observador. A més, té bagatge: ha llegit més del que imagines, i no és pas que ho haja engolit, sinó que ho ha assimilat i ho té ben organitzat en el cap i prest per a quan li calga. El Pol filosofa amb naturalitat i quan l’escoltes enraonar et deixa mig glaçada. El 2021 va guanyar el premi Llibres Anagrama de Novel·la amb Napalm al cor, una història i una manera de narrar gens convencionals.

Pol Guasch és simpàtic, amable, enginyós i, sobretot, parla amb nervi i serenitat alhora. En la conversa et fa sentir que està per tu al cent per cent i fa goig parlar i observar com els temes peten com si fossen roses –o crispetes– dins d’una màquina: una cosa ens du a una altra, però ell no hi perd mai el fil, ho lliga i ho recondueix, i si li fas alguna broma, la segueix i probablement la supera. Compartir conversa amb Pol Guasch és diversió i aprenentatge garantits. Amb un somriure sincer i l’energia que la seua joventut li pressuposa, és un autor que segurament farà parlar, de moment ja ho està fent…

Poeta i narrador, Pol es va graduar en Estudis Literaris i posteriorment va cursar un màster en Estudis Culturals a la Universitat de Barcelona dins del Programa d’Estudis Independents del Museu d’Art Contemporani de Barcelona. Ha estat professor universitari de literatura i crítica de la cultura a la Universitat de Barcelona; i ha investigat sobre teoria i literatura contemporànies al King’s College de Londres. Actualment, forma part de la productora cultural La Sullivan. Fins ara ha publicat Tanta gana (La Breu, 2018, Premi Francesc Garriga), i La part del foc (Viena, 2021, Premi López-Picó, 2020) i és coautor del llibre col·lectiu Amor y revolución (Kollontai, 2020). Els seus versos, però, no es queden només al paper, Pol és un rapsoda en actiu i ha recitat els seus poemes en diversos festivals nacionals i internacionals, com ara el Barcelona Poesia, el Festival Internacional de Poesia de Sant Cugat, el Poesia i +, el Festival of Hope o el Festival de Poesía Alguén que respira! de Santiago de Compostel·la, entre d’altres.

En Napalm al cor, premi Llibres Anagrama de Novel·la, hi ha una manera diferent, suggeridora i intensa de pensar la literatura i, en particular, la novel·la.

En la seua òpera prima narrativa, Napalm al cor, hi ha una manera diferent, suggeridora i intensa de pensar la literatura i, en particular, la novel·la. Hi podem evocar Austerlitz de Sebald, o molt més recent, Desierto Sonoro, de Valeria Luiselli. Novel·les on entren en joc la poesia, l’assaig i la ficció, el document, l’art, la fotografia. Càpsules, retalls, instantànies, proses poètiques, una mica de tot això conforma el mosaic novel·lístic de Pol Guasch. No espereu una novel·la amb una trama definida, uns personatges, una evolució: són més aviat flashos, peces breus que van encaixant, creant una harmonia del desig d’harmonia. En aquesta novel·la –on Pol Guasch descriu un món en dissolució que barreja elements de caire distòpic: escenaris decadents, camps de concentració i un desastre nuclear– la violència hi està present i, en particular, la violència contra la llengua: «Parlaven la llengua que volien que parléssim nosaltres i no parlàvem».

De tot això i d’altres coses vam estar parlar recentment a la ciutat de València, a propòsit de la seua visita al País Valencià per a presentar Napalm al cor i conèixer de prop els seus lectors d’aquestes latituds.

Deia Montserrat Roig que quan deixes de ser jove vols continuar vivint a través de les paraules perquè la realitat ja no t’ofereix aquell ventall tan ampli: «Que tu t’ho pensaves, encara que en realitat tampoc no t’ho oferia, però, és clar, seria horrorós que un jove de vint anys pensés que la vida està acabada». Què en pensa Pol Guasch?

Zadie Smith deia que, quan llegia els seus primers treballs, hi trobava una tendència a l’aforisme, a frases lapidàries, com si fossin sentències morals, cosa que es condemna molt en l’escriptura primerenca, jove. Smith lamentava que amb els anys havia perdut la capacitat de fer això, que aleshores s’atrevia a dir coses sobre el món, detectar-ne i dir-les, i a mesura que havia passat el temps, s’atrevia menys: no en sabia. És interessant com Smith reverteix la tendència crítica a l’escriptura jove, que sovint la condemna, com si s’atrevissin massa, com si amb el temps s’hagin d’aturar o matisar-se.

Pel que dius de Roig, crec que fins ara s’ha parlat molt de generacions d’escriptors com una manera d’agrupar-los en un gest «innocent» o de reconeixement, d’unió per voluntat política o fita compartida, però en el fons té un perill, un risc, i és que agrupar per generacions homogeneïtza molt, ens posa a tots en el mateix sac i s’esborren les diferències de classe, d’identitat cultural, de gènere, de raça… com si no existissin, o no hi comptessin, aquestes diferències. I és perillós. És un gest que es fa des del paternalisme, sempre des de dalt. En tot cas, pel que fa a allò que es designa com a jove des de fora, crec que s’hi pot trobar una potència en allò espontani, no calculat, desinteressat.

És aquesta potència allò que amara i empenta Napalm al cor?

Quan escrivia Napalm al cor hi havia força, llibertat, desinterès i l’escriptura fluïa perquè no pensava que es publicaria. No em plantejo la vida com la dicotomia entre viure i escriure, és absurda. Per a mi tot va lligat. No calculo ni penso en el futur. M’agrada el que diu Mariana Enríquez quan reflexiona sobre les seves primeres obres: «Tenen tot el sentit en el moment en què surten, per què penedir-se’n».

De rapsoda a presentador de la seua novel·la. Són escenaris i perspectives diferents.

Quan vaig a un recital o un festival, pujo, recito els meus poemes, el públic t’escolta, és un moment i punt. Quan presento Napalm al cor em demano si l’han llegida abans de venir, si em faran preguntes. Amb la novel·la crees tot un marc de política. Per exemple: on decideixes anar a presentar-la i on no. Quan escrius una novel·la hi ha una tensió important, la de crear un univers propi, que estigui dins del llibre, i tot el que obre en el món real i palpable. Si és bo, el llibre funcionarà sol. L’escriptora Ursula K. Le Guin diu que els llibres no són mercaderies, però tampoc no podem defugir el fet que un llibre que es publica no és només les idees i el text, sinó que és un objecte físic, un artefacte polític, i una «mercaderia», cosa que no pots defugir. D’altra banda, la meva poètica, com una ètica i estètica actuants, està dins del llibre i també als llocs on vull dur-lo. Jo he passejat Napalm pel Casal Ocupat de Lleida, per Castelló, per Gandia, per Palma, ara estic a València, però també tinc previst anar a Perpinyà. Per mi l’ètica està en l’estètica, sí, i també en la defensa d’un model de cultura, de país i de llengua.

T’estimes, doncs, la trobada amb els lectors.

Sí, una cosa que m’agrada molt com a poeta, però també ara amb la novel·la, és la trobada amb el lectors. No sé si els espectadors que venen entren en la meva obra. Sobretot penso que venen de manera «desinteressada», i ho dic en un sentit positiu, desinteressats i sense prejudicis, pel plaer de parlar amb tu de la teua obra, sense un judici de crític. És el goig de la conversa i la trobada. A mi m’interessava crear un collage de paisatges i de llengua, combinar-hi registres, variants, parles locals. Els llibres són més que escriure i llegir, són més que màrqueting, diners, negoci, són també un fet social, una cosa que està al món, que val diners i que no està a l’abast de tothom. Hi ha persones que no poden accedir-hi, encara que ens repetim que la literatura i la imaginació són llenguatges universals.

Pol Guasch ha recitat els seus poemes en diversos festivals nacionals i internacionals, com ara el Barcelona Poesia, el Festival Internacional de Poesia de Sant Cugat, i el Festival of Hope, entre altres. Foto: Francesc Gelonch

Entre el Pol Guasch poeta i el novel·lista, quins ponts hi ha?

Una novel·la demana una presència forta i un lliurament intens al procés de creació. Crec que en el meu cas passar de la poesia a la novel·la ha estat marcat, en part, per la disponibilitat de temps que tenia. Per a mi l’escriptura de Napalm al cor ha estat un espai de fuita, el moment de trobar-me en un espai amb més llibertat creativa. Penso que la potència de la literatura és la ruptura entre el significat i el significant, la possibilitat d’explorar més que de resoldre. La literatura no busca solucions, no resol res. L’art no atorga solucions. La meva novel·la no n’ofereix tampoc, sinó que cerca el suggeriment.

Com viu el procés creatiu?

Quan escric visc un procés d’auto-exploració i d’exploració del món que m’envolta. És molt difícil fugir d’un mateix. El que hi ha de mi en les meves novel·les és la meva visió del món. En Napalm, per exemple, hi ha una història d’amor romàntica (un amor més normatiu) entre dues persones que militen, d’una forma o altra, en una sexualitat dissident.

Acaba carregant que et recorden a cada moment que ets tan jove?

Carrega escoltar comentaris del tipus: és jove, però brillant, com si la resta fos mediocre, com si ser jove fos antònim de qualsevol cosa interessant o potent. I de veres que he tingut i tinc al meu voltant gent jove increïble. Centrar-se en la joventut dels autors o donar-li massa importància al fet generacional redueix la potència de l’obra i de la proposta estètica que hi ha al darrere.

Parlem ara de distopies. El conte de la Serventa, de Margaret Atwood, es va inspirar, en part, en els crims comesos contra les dones durant la dictadura militar a Argentina. Ara bé, hi ha un risc: aquests novel·les, algunes de les quals després també són sèries, i és que semblen una cosa completament fantàstica, i en el fons, beuen d’una realitat, com va ser la violència a Argentina en els anys setanta i vuitanta. ¿No caldria anar-hi alerta, no fos que la gent pense que aquestes situacions són simplement distòpiques, imaginades, fantasia?

Hi ha un conflicte entre la realitat i la ficció, i un cert perill de fer ficció a partir de la realitat. Hi ha una tendència en l’art a parlar de casos reals, quasi una exigència o necessitat de viure i veure històries reals. En el món audiovisual ocorre molt. Al Principat triomfa Crims, una sèrie que es basa en casos de crims reals. Ara bé, jo em demano: canvia el món saber que això és real? Tenim milers de documentals sobre fets diversos que pretenen conscienciar: això afecta la materialitat del nostre entorn i genera algun canvi? La resposta crec que és no. Les dues coses són importants: la realitat té el seu lloc, però la ficció també. En canvi, sembla que si no hi ha un testimoni real, no hi ha empatia. I em demano: necessitem el morbo, la història personal, el testimoniatge, per crear empatia? Em sembla que això és caure en un parany fal·laç. La ficció, en canvi, ens permet desplaçar, deslocalitzar una història, parlar del món sense crear transparència. Penso en totes les coses del món que ens diu La mort i la primavera de Mercè Rodoreda, sobre la guerra i el dolor de postguerra, d’un món desolat, sense esmentar-les, sense la transparència de la pantalla, sense aquesta catarsi de la realitat. I en canvi, resulta un obra dolorosament bella i alhora un tractat polític fantàstic.

Napalm al cor és una mena de dietari d’un nen que ha viscut fets i situacions dures, traumàtiques, extremes, i que mira cap al seu voltant, parla de la seua família i el seu estimat Boris, l’amant. I l’acció ocorre en un no-lloc.

El món i l’escenari de la novel·la van consolidant-se a mesura que avancem en la història. Les novel·les que t’ho presenten tot com un atrezzo al voltant del qual es mouen els personatges no m’interessen perquè penso que s’hi veu el món per on es mouen els personatges, com si no hi hagués relació entre la vida i l’entorn. Com si fos només un decorat. Jo no vull que l’escenari sigui una metàfora de les vides dels personatges, ni un mirall, sinó que sigui un diàleg entre ells i l’entorn on viuen, perquè els paisatges emocionals interiors també parlen. El món i la natura a Napalm al cor són més que un símbol de la vida interior dels personatges. En aquest sentit, els meus escenaris no són distòpics, sinó que són llocs presents. Realitats materials que condicionen les seves vides.

El documental Les àvies de Txernòbil té un pes clau en la seua novel·la.

En la novel·la estem en un present on hi ha una «zona afectada» i «aire malalt», la qual cosa fa pensar que hi ha hagut un desastre, potser nuclear. El personatge de la Vita està inspirat en les àvies de Txernòbil. La fi del món no vindrà d’un dia per l’altre, ens ensenyen elles. Una cosa que ha demostrat la pandèmia és que, en un moment d’apocalipsi i de desestabilització totals, no hem repensat res, no hem estat agents, no hem decidit el món que desitgem, no hem estat capaços ni d’imaginar-lo, de traçar-ne les coordenades; ens hem limitat a obeir.

Malgrat la intensitat del relat, Napalm al cor deixa alenar el lector. Al mig de tanta desolació hi ha molts moments lírics… Poemes, silencis (pàgines en blanc), un comptador de dies, fotografies, a l’estil de Sebald o de Valeria Luiselli… La fotografia com a element narratiu dins del relat.

La fotografia en la meva novel·la no acompanya, no il·lustra, sinó que conta… Hi ha coses que el llenguatge i les seves formes de disposar-lo no em permeten dir com voldria. La novel·la convencional té uns mínims a seguir, en canvi jo cerco la llibertat, i la llibertat m’atorga la fluïdesa. A mi m’interessa perdre’m per trobar coses, per això l’expressió formal i lingüística que trio em permeten explicar millor el que vull dir que no pas un paràgraf rere l’altre, i l’exploració em permet que no sigui una cosa tancada. Certes formes de narrar no m’interessen perquè trobo que em limiten. I això és també part de la influència de la meva recerca universitària i el meu treball poètic. És una constel·lació de pensament, la meva creació. Jo no puc crear una forma tancada. Per exemple, un final tancat em sembla un gest que va en contra del món en què vivim, on no sabem res del cert. Seria massa fàcil donar-ho tot tancat quan, de fet, cada vegada sabem menys de les nostres vides i de nosaltres mateixos. Les formes artístiques no són solucions, sinó que capten la complexitat del món.

Moltes gràcies, Pol, per aquesta conversa tan suggeridora, que deixa tantes qüestions obertes i que explica el seu procés creatiu…

 

[Font: http://www.laveudelsllibres.cat]

Museum of Sex Thailand tailandia 1

Publicado por David Jiménez

El Gobierno de Tailandia se enfadó conmigo hace unos de años por un artículo que escribí sobre los burdeles de Bangkok, convocándome a una reunión en la que fui llamado al orden. Funcionarios sentados al otro lado de una mesa del tamaño de media pista de tenis insistían en que la ciudad tiene mucho más que ofrecer que puticlubs donde las meretrices se ofrecen vestidas de azafatas de Singapore Airlines, trapecistas gais hacen malabarismos sexuales y ladyboys beben tequila sobre el regazo de turistas japoneses. Alegar que en los ocho años que llevaba viviendo en la ciudad solo había escrito un par de veces sobre prostitución no sirvió de mucho. Mis interlocutores insistían en que mi reportaje provocaría un efecto llamada en los turistas sexuales y depravados del mundo, que al parecer necesitaban de mis revelaciones para enterarse de que en Bangkok se puede pagar por sexo. Casi puedo imaginar su cara de sorpresa.

La reprimenda me sorprendió porque el papel de dama ofendida no iba con un lugar que no solo ha sido consciente de su mala reputación, sino que ha hecho todo lo posible por fomentarla. Las autoridades tailandesas descubrieron los beneficios económicos del comercio sexual en los años 70, cuando se creó el primer distrito rojo del país en la ciudad costera de Pattaya, ofreciendo un oasis de vicio a los soldados americanos que llegaban de Vietnam. El Ministerio de Turismo envió años después una nota a los gobiernos provinciales pidiendo que promocionaran la apertura de «zonas de entretenimiento», el eufemismo con el que los asiáticos describen sus barrios eróticos. En la ofensiva para convertir Tailandia en una potencia turística, alguien había llegado a la conclusión de que no bastaban playas con mar azul turquesa, centenarios templos budistas o la legendaria amabilidad local. «Perder la reputación ahora para recuperarla más adelante», es como se definió la política destinada a que los visitantes se marcharan con una sonrisa. La reacción por mi artículo me hizo pensar que «más adelante» había llegado y las autoridades habían iniciado el lavado de imagen.

Uno solo podía desearles suerte: la iban a necesitar.

Tailandia se ha ganado el título de capital libertina del mundo a pulso, desde que los primeros viajeros que llegaron al reino de Siam se sorprendieron de que los anfitriones ofrecieran una noche con una hija como regalo de bienvenida. Sin los corsés puritanos del cristianismo o el islam, con su incapacidad para juzgar cómo gestiona cada uno las cargas de la naturaleza, el país ha creado su propia marca como el destino donde se puede dar rienda suelta a las fantasías. Y a los tailandeses no les ha importado jugar ese papel, en parte porque son incapaces de tomarse el sexo en serio.

Después de todo, este es el país donde las mujeres se declaran las más infieles del mundo; donde se le ha puesto un nombre (gig) a la pareja de la que solo se esperan contrapartidas sexuales; y donde Chuwit Kamolvisit, conocido como el Rey de las Saunas y antiguo dueño de la mayor red de burdeles de Bangkok, se sienta en el Parlamento nacional. El tipo llegó a tener a veinte mil prostitutas a sueldo en sus locales, pero lo que en otro lado le habría llevado a la cárcel en Tailandia le sirvió para hacer carrera política. En vísperas de una de las votaciones se dejó fotografiar en un jacuzzi con seis de sus chicas, respondiendo a la prensa en mitad de una nube de espuma y alardeando de ser un creador de empleo: «Ellas quieren mantener a sus familias del norte y yo les doy esa oportunidad».

Los burdeles temáticos como los que hicieron millonario a Chuwit, con locales que lo mismo se hacen pasar por enfermerías, institutos escolares o cabarets de los años 20, son solo una pequeña parte de la oferta de Bangkok. La ciudad tiene tantas casas de masaje como bares Madrid, la mayoría ambiguamente presentados con carteles que anuncian fines terapéuticos y casi siempre ofrecen la alternativa del «final feliz». No es que los dueños quieran ocultar lo que sucede tras las cortinas, sino que para el tailandés el masaje puede terminar en un trabajo manual y seguir siendo «tradicional».

Tailandia siempre ha exhibido sus burdeles sin complejos. Están a pie de calle, anunciados con llamativas luces de neón. Los taxistas los publicitan y las guías turísticas los recomiendan. Tanta transparencia ha contribuido a esa mala reputación de la que hablábamos, porque el viajero regresa a su país con historias increíbles del tráfico sexual del que ha sido testigo, sin llegar a preguntarse si lo que sucede en Patpong es realmente peor que los clubs de carretera de España. Si lo hiciera, llegaría a la conclusión de que no.

En un mundo ideal, que no parece haber existido, nadie ofrecería sexo a cambio de favores, trabajo, fama, prebendas o dinero. En el que tenemos, uno prefiere mil veces un burdel tailandés a cualquiera de los clubes de España donde las inmigrantes son chantajeadas y obligadas a acostarse con unas decenas de clientes para pagar ese precio inalcanzable del billete de avión que las trajo. Limpiados de la prostitución infantil de los años 80, los locales tailandeses se han convertido en parte de la ruta turística porque carecen del ambiente marginal de lugares similares en Occidente. Las prostitutas tailandesas rara vez son retenidas contra su voluntad. No pertenecen al chulo o al local. El cliente paga lo que se conoce como «una multa» al bar donde trabaja y ella negocia su precio. El dinero es solo suyo y, si no quiere volver nunca —las más afortunadas consiguen enamorar a algún cliente—, no tiene que hacerlo.

Las organizaciones feministas locales hace tiempo que abandonaron la idea de rescatar a las prostitutas. Les ofrecen desde clases de baile para atraer más clientes a cursos de inglés y comercio, por si quieren intentar cambiar de vida. Primero porque se niegan a ser rescatadas, al menos sin una alternativa laboral, y segundo porque tendrían que hacer lo mismo con un buen puñado de hombres. Un estudio de la Universidad de Chulalongkorn asegura que hay treinta mil de ellos trabajando como gigolós en Tailandia, con africanos y jamaicanos cobrando los mejores sueldos por razones que se suponen obvias. En el parque temático del sexo, hay de todo. Para todos.

Salí de la reunión con los funcionarios del Gobierno y enseguida me vinieron a la cabeza todas las cosas que debía haber dicho y que se le ocurren a uno a destiempo. Que había visto burdeles incluso en el Kabul de los islamistas y que no había sociedades más puras que otras. Que nadie podía darle lecciones a Tailandia, que con su decisión de no esconder su lado oscuro mostraba menos hipocresía y más transparencia que muchos de los que la criticaban. Y que era en los lugares que pretendían no tener prostitución, allí donde se la empujaba a la clandestinidad, donde se producían los mayores abusos. Estaba lo de la reputación, es cierto, pero siempre podría recuperarse «más adelante» o aprender a vivir con ella.

 

[Fuente: http://www.jotdown.es]

Nunca as metrópoles brasileiras precisaram tanto de uma revolução na mobilidade urbana. Um conjunto de ativistas e pensadores está relançando um documento, um site e uma proposta de luta por este tema. Veja o que eles pensam e pretendem

Publicado por João Luiz da Silva Dias, Juliana Afonso, Lúcio Gregori e Roberto Andrés

Em meados de 2014, reunimos duas pessoas responsáveis por experiências significativas de gestão pública do transporte no Brasil: Lúcio Gregori, que havia sido secretário de Transportes de São Paulo na gestão de Luísa Erundina (1989 – 1992), e João Luiz da Silva Dias, que havia sido presidente da BHTRANS na gestão de Patrus Ananias (1993 – 1997), em Belo Horizonte.

A importância histórica dos dois era significativa. Em suas gestões, foram feitas algumas das primeiras licitações do transporte público em cidades brasileiras. Em Belo Horizonte, o trabalho resultou em uma das tarifas mais baixas do país à época e em uma série de melhorias na especificação das frotas. Em meados da década de 1990, com o caixa positivo, a prefeitura chegou a oferecer gratuidade (chamada Passe Passeio) em domingos e feriados. O resultado foi uma explosão de gente circulando pela cidade nesses dias. Essa história pode ser conhecida nesse relato de João Luiz da Silva Dias para o livro Escavar o Futuro.

Em São Paulo, Lúcio Gregori se havia tornado secretário de Transportes um pouco por acaso. Problemas políticos geraram um vácuo na pasta e o então secretário de Obras assumiu interinamente os Transportes. Ainda assim, ele concebeu uma proposta um tanto ousada: subsidiar completamente o sistema, tornando o transporte gratuito no momento do uso (como ocorre com saúde, educação, iluminação pública etc).

Naquele momento, eram raríssimas as experiências de Tarifa Zero mundo afora. A gestão apostou na proposta e a prefeitura fez um interessante debate público na cidade, resultando em maioria da população favorável. O financiamento da tarifa se daria por aumentos na alíquota de IPTU, de forma progressiva (onerando mais os mais ricos). Mas a proposta não avançou na Câmara de Vereadores. Ainda assim, a gestão promoveu a municipalização do transporte e uma contundente melhoria da oferta. Essa história pode ser lida no livro lançado recentemente por Lúcio e outros autores.

Descaminhos políticos nas duas cidades fizeram perder muito dos avanços proporcionados nas duas gestões. Mas, no rescaldo das manifestações de 2013, uma nova geração de ativistas pelo transporte buscava recuperar o legado de experiências anteriores. Daí surgiu a ideia de fazer um encontro entre os dois gestores, que não se conheciam pessoalmente, embora João Luiz tenha sido autor de um dos primeiros artigos com argumentação econômica favorável à Tarifa Zero, publicado no mesmo ano em que em São Paulo se disputava a proposta.

Da conversa com os dois especialistas e membros do movimento Tarifa Zero BH surgiu um grupo de trabalho que elaborou as propostas de uma Política Nacional de Mobilidade Urbana, em seguida lançadas no site Mobilidade Brasil. O país estava às vésperas da primeira eleição após as revoltas de 2013, em que a pauta do transporte público acendeu as ruas de centenas de cidades e entrou no centro do debate político. Nossa avaliação, naquele momento, era de que havia ainda muito a avançar. Conforme o texto de apresentação da proposta:

“As manifestações de junho acenderam o tema da mobilidade urbana e do subsídio da tarifa no Brasil. Mas não nos enganemos: de lá para cá, quem está ganhando a disputa são os empresários do transporte. Políticas de subsídios e desonerações fiscais sem efetiva transparência, além da falta de recursos para políticas públicas, servem apenas para aumentar a margem de lucro das empresas que prestam serviços precários, ineficientes e caros.

Por outro lado, a dificuldade dos municípios e das regiões metropolitanas em arcarem com a gestão de transportes coletivos de boa qualidade e com os subsídios que os tornem acessíveis a toda população coloca a urgência da discussão de um conjunto de ações em nível nacional, em prol da mobilidade urbana.”

Nosso diagnóstico era de que, sem subsídio ao transporte público, não haveria condições de prestar bons serviços à população e tampouco promover a universalização do acesso às cidades, às oportunidades de emprego, serviços de educação e saúde. Entretanto, a implementação de subsídios sem avanços na regulação, controle popular, efetiva gestão pública e mudanças nas formas de licitação, poderia resultar na drenagem de recursos públicos pelas empresas de ônibus sem melhorias dos serviços.

De lá para cá, muita coisa mudou no Brasil. Outras não saíram do lugar. Os sistemas de transporte coletivo urbano seguiram mal regulados, com licitações equivocadas que remuneram as empresas por passageiro transportado (confundindo receita com custo e estimulando a superlotação), sem fontes de subsídio público. É importante lembrar que nas cidades de diversos países que oferecem transporte público de boa qualidade, parte substantiva das receitas dos sistemas advém de subsídios públicos ou receitas extratarifárias.

O modelo precário brasileiro seguiu em franca deterioração até ser atingido por uma pandemia, que escancarou sua ineficiência, falta de adaptabilidade e perversidade. Baseados, com poucas exceções, unicamente nas receitas dos passageiros, os ônibus brasileiros ajustaram a oferta com a queda da demanda, resultando em manutenção ou aumento das lotações. Um serviço essencial para o deslocamento da população tornou-se engrenagem de matadouro, contribuindo para espalhar o vírus.

A queda da demanda e as mudanças de hábito pós-pandemia ameaçam levar ao colapso um sistema que já estava periclitante. Nesse contexto, atores da sociedade civil, de governos e do empresariado buscam encontrar soluções para o transporte público. O momento demanda a retomada do debate sobre políticas efetivas para regulação, gestão pública, controle popular e financiamento do transporte coletivo urbano, tomando as melhores práticas internacionais como referência.

Examinando as propostas apresentadas no Mobilidade Brasil em 2014, não deixa de ser triste notar a atualidade do documento. Apenas a primeira das propostas foi levada adiante: a aprovação da PEC 74, que inscreveu o transporte como direito social no artigo 6º da Constituição. Falta, entretanto, tornar esse direito realidade: a educação e a saúde não seriam direitos efetivos se houvesse catracas nas portas das escolas e dos postos de saúde.

Nesses sete anos que se passaram desde a elaboração da proposta, algumas coisas se moveram. Cada vez mais cidades mundo afora adotam o subsídio integral do transporte urbano, conhecido como Tarifa Zero. Hoje, o site Free Public Transport enumera mais de 150 cidades com situações de gratuidade (total ou de algumas linhas) do transporte urbano. A proposta revolucionária de Gregori e companhia vem tornando-se realidade cada vez maior.

As maiores cidades que adotaram a política o fizeram nos últimos anos, como é o caso de Tallinn, capital da Estônia, de quase 500 mil habitantes (2013), e Cascais, cidade de mais de 200 mil habitantes em Portugal (2020). No Brasil, Maricá, no estado do Rio de Janeiro, com mais de 160 mil habitantes, iniciou a transição para a gratuidade em 2013, também como resposta às Revoltas de Junho, enquanto Caucaia, no Ceará, cidade de mais de 400 mil habitantes, adotou a política em 2021. Luxemburgo tornou-se o primeiro país no mundo a universalizar a gratuidade no transporte em 2020.

Os exemplos brasileiros mostram que a política é possível, mas as melhorias efetivas só se vão disseminar e consolidar se houver uma estruturação nacional, que atue na regulação, construa fontes sólidas de subsídio e políticas industriais para o setor. Essas propostas estão apresentadas no documento do Mobilidade Brasil. Recentemente, uma nova proposta de subsídio tem sido colocada por Lúcio Gregori: a instituição de uma taxa ou contribuição pelo uso do sistema viário, uma proposta alternativa ao pedágio urbano – que teria caráter regressivo – de taxação dos automóveis pelo uso das ruas, que oneraria mais os veículos mais caros, espaçosos e poluentes, e que seria destinada a subsídio do transporte público.

Nesse dia 26 de outubro de 2021, dia nacional de lutas pelo Passe Livre, relançamos o site Mobilidade Brasil. Optamos por, neste momento, manter o texto original da formulação elaborado em 2014. A proposta segue atual, em linhas gerais, embora mereça algumas atualizações. O importante debate sobre a busca por uma mobilidade antirracista e com igualdade de gênero avançou bastante no país e deve permear propostas como esta. Acreditamos que essa atualização pode ser feita junto a outras entidades, movimentos e coletivos que atuam no tema, em um esforço de coalizão para pautar o ano eleitoral de 2022.

Que este caminho possa ser construído a muitas mãos e que a recuperação do Brasil após um momento tão grave da nossa história dê-se junto à recuperação de um serviço público essencial para a população, que impacte diretamente as condições de vida dos mais pobres e cujo fortalecimento se torne central para cidades mais justas e de baixo impacto ambiental, em contexto de crise climática.

João Luiz da Silva Dias é economista, foi presidente da BHTRANS e da CBTU.

Juliana Afonso é jornalista e militante do Movimento Tarifa Zero BH, organização articuladora da proposta do Mobilidade Brasil

Lúcio Gregori é engenheiro e ex-secretário de Transportes da cidade de São Paulo

Roberto Andrés é urbanista e professor da UFMG, foi membro do Tarifa Zero BH e um dos fundadores da revista Piseagrama

[Fonte: http://www.outraspalavras.ne]

Crece la inseguridad entre quienes usan con candidez los mismos vocablos que otros manejan con odio

Dispensador de Conguitos en un supermercado

Algunas personas han decidido que las palabras significan lo que a ellas les ofende. Hubo un tiempo en que surgieron protestas razonables, y por eso mucha gente huye de las expresiones “le ha engañado como a un chino”, “esto es una merienda de negros” o “menuda gitanería te hizo”. Y nos cuidamos de usar como insultos los vocablos “trastornado” o “autista”, entre otros, porque eso denigra a quienes sufren algún trastorno real.

A partir de estos éxitos, una fracción de sus promotores cogió carrerilla y ha ido tejiendo una telaraña que corre el riesgo de resultar molesta incluso para otras personas tan antirracistas como ellos. Así, “tener la negra” se presenta como una ofensa contra los negros, lo mismo que “dinero negro” o “un negro futuro”, expresiones que se refieren a la falta de claridad o transparencia, y no al color. Con ello, el uso racista que una palabra pueda tener en determinados contextos se extiende a cualquiera de los sentidos posibles de ese mismo término, sin reparar en las distintas intenciones con que se pronuncia en cada caso. Más o menos como si el insulto “payaso” proferido contra alguien impidiera mencionar la palabra al salir del circo. El uso que se puede proscribir es el primero, no el segundo.

Viene esto a cuento de que, en la estela abierta hace un año en change.org contra los Conguitos españoles, creados en 1961, la firma Nestlé ha retirado en Chile la marca de galletas Negrita, sustituida por Chokita pese a que la anterior convivía sin problemas con los chilenos desde hacía también más de 60 años. La compañía explicó que había tomado esa medida por “las sensibilidades de distintos grupos sociales” y “la mayor conciencia sobre el uso de estereotipos o representaciones culturales”.

Si a nuestros hermanos chilenos les ha parecido bien eso, no tengo nada que oponer. Pero todo esto da mucha prevención por si se nos va de las manos aquí, tan aficionados como somos a llevar hasta el límite cualquier idea en principio razonable. Habrá quien proponga que en los periódicos y en las editoriales a la letra “negrita” la llamemos también “chokita”, y que al chocolate negro le digamos “oscuro”; y me pregunto si nuestras galletas María estarán incitando a consumir cannabis y si, por tanto, también deberían cambiar de nombre. Con arreglo a ese nuevo sesgo igualitario que ve desigualdades donde no las hay, habrá quien sienta miedo de explicar que alguien se quedó cruzado de brazos ante un conflicto porque esa frase discrimina a los mancos. Y no se elogiará la destreza de otro si se trata en realidad de una persona zurda. Tampoco se criticará que un árbitro no dé una a derechas porque a lo mejor él se ha sentido siempre de izquierdas. En fin, que podemos acabar perdiendo el norte con esto, pero decir eso discrimina a los que nacieron en el sur, quienes a lo mejor no tienen ningún problema en sentirse desnortados.

Lejos de mi voluntad desacreditar la lucha contra la desigualdad real. Sus promotores no producen ninguna prevención, sino estímulo para secundar la causa. Hablo de quienes, seguramente con la mejor pretensión, se apoderan de esos discursos legítimos para distorsionarlos, con lo cual logran infundir el temor y la inseguridad entre quienes usaban con candidez los mismos vocablos que otros manejan con odio. Creo que no conviene entregar a los racistas nuestras palabras bienintencionadas, sino todo lo contrario: usarlas con naturalidad para evitar que se apropien de ellas y nos las dejen inservibles.

[Foto: ANDREW HASSON / ALAMY STOCK PHOTO – fuente: http://www.elpais.com]

Escrito por Veladimir Romano*

Um dia nascemos, marcamos nosso caminho e partimos quando a Natureza entende que o veículo físico já não tem condições ou qualquer resistência. Faleceu, nessa sexta-feira (10), um dos presidentes e prefeitos mais bem sucedidos depois da reforma política portuguesa: Jorge Sampaio, aos 81 anos, em Lisboa.

Antigo líder do Partido Socialista, Sampaio foi protagonista na redemocratização portuguesa, após a Revolução dos Cravos. Nos últimos anos vinha dedicando-se ao apoio e acolhimento de refugiados.

Já nos anos de 1980, a revista norte-americana Time o elogiava e previa seu futuro de sucesso.

Não foi somente sucesso, foi brilhante e, lamentavelmente, não se repetiu ao longo dos anos da sua herança bem republicana, dedicado às causas sociais. Sampaio não foi um mero político, mas um diplomata da prática política, carismático, humanista, equilibrado, sereno, entregue ao sacrifício.

Durante a ditadura portuguesa, lutou o bom combate contra o fascismo em Portugal, o que o obrigou incontáveis vezes a dirigir-se aos centros universitários, ao lado da juventude mobilizada nessas épocas difíceis, quando os mais determinados e corajosos se engajavam em semanas de lutas, campanha, no combates frontais pelo que o tempo nem dava para a criação estratégica deste combate.

Dúvidas nunca teve sobre o seu papel histórico. Por isso, desde a sua juventude combateu contra a polícia do Regime, Desse enfrentamento, surgiu seu apelido: o “Furacão Ruivo”.

Jorge Sampaio rapidamente entendeu que reformas e liberdade são coisas que rimam com Democracia.

Daí que não perdeu tempo quando criou a Iniciativa Socialista, depois o Movimento da Esquerda Socialista [MES], figurando entre os 15 camaradas fundadores do Partido Socialista [PS]. Abrir portas para que a velha República funcionasse no seu absoluto desígnio, não foi nada fácil. Entretanto, o 25 de Abril precipitou a luta e repôs a verdade que a maioria desejava, muito mais quem já via o trilho futurista.

É então quando nasce outro Jorge Sampaio (1939-2021), secretário-geral do PS, verdadeiro idealista dos programas sociais, da transparência [dos que mais lutou], totalmente dedicado ao serviço público, respeito pela primazia das funções do Estado, homem de grande dimensão lutando por Justiça e da extensão humana pelo bem.

Não foi apenas o prefeito cuidadoso e social quando entra na casa do cidadão apenas porque um cego deseja escutar sua voz ali perto, como fazia em contato com qualquer cidadã/o que precisasse do seu calor, atenção, cuidados. A todos estendia um aperto de mão sincero, pelo quanto de amor vive na sua alma.

Por isso quando deixa a Câmara Municipal de Lisboa, o Palácio de Belém onde já foi moradia monárquica, depois alojamento das ditaduras [militar e civil], não resistiu ao processo democrático quando desta vez os militares foram reformistas contra uma guerra dividida a três capítulos: Guiné, Angola e Moçambique, eram já nações soberanas mas dominadas pelo falso entendimento dos dirigentes fascistas sonhando ainda em manter a colonização que anunciava seu fim.

Depois de 30 anos de serviço público, partidário, autárquico e político, de nota máxima, atravessando a fronteira, foi servir o mundo. Instâncias internacionais de âmbito social e humano chamaram por ele quando podia ir descansar na sua aposentadoria como fizeram alguns.

Mas ele não se susteve, avançou, fez a diferença. Já em idade avançada, voltou o “Furacão Ruivo”, não querendo desiludir aqueles que, acreditando nele, saberem das diferenças positivas, de boas intuições e clareza que, na prática, Jorge Sampaio podia trazer.

Ser presidente da nação Lusa [1996-2006] não deixa ninguém indiferente tanto pelas polêmicas contra governos e governantes levados pelo aventureirismo. Com sua experiência, pensando no país e no povo, interveio de forma corajosa e determinante, ainda que alguns, defendendo interesses pessoais ou de grupo, travaram charadas de bastidor.

O Povo, a Nação, transparência foram as tônicas principais em sua atuação política. Foi um resistente da velha guarda. Sabia como revelar suas decisões depois de bastante pensamento, dividir com quantos se manifestassem capazes do diálogo, fugindo ou dominando prejuízos socialmente danosos.

Ainda que debilitado anunciando um corpo frágil chegando a hora da partida, deixa muita saudade pela sua verticalidade de um homem público, da maior integridade, preocupado com o seu próximo, emocionado vezes sem conta e humilde.

Foi também capaz de conhecer o esforço dos demais quando trabalhavam com empenho e dedicação, como na sua viagem presidencial até Finlândia. Foi quando, na hora do regresso, fazendo o balanço, ficou uma frase que infelizmente tanto a Imprensa portuguesa, como muitos políticos responsáveis, nunca exploraram através das necessárias análises. “Gostaria que o meu Portugal pudesse ser uma Finlândia”. Mas ficou na História.

Só grandes almas como Jorge Sampaio poderiam ambicionar um sonho deliberado num país que, nos idos 1960, tinha 50% da sua pequena população emigrada nos países vizinhos da Escandinávia. Aos poucos, aprendendo, foi crescendo e se transformou numa sociedade exemplar, reformista e progressista.

Por isso Jorge Sampaio não teve vergonha nem absurdos do patriotismo bolorento, viajando milhares de milhas para ir contar aos finlandeses como os portugueses conquistaram oceanos, cantam fados, discutem desalmadamente o futebol comendo bolinhos de bacalhau junto ao bom tinto que lhes amadurece a coragem de lutar por um país mais sério e de sucesso.

Ele partiu com vontade de ver as suas ideias colocadas em prática. Como de tudo fica um pouco, fica a lembrança do que ele representa para o povo português. Só mesmo o “Furacão Ruivo” foi capaz de tudo isso e muito mais.

*Veladimir Romano é jornalista e escritor luso-cabo-verdiano

 

[Fonte: http://www.viladeutopia.com.br]

Entre los muchos beneficios del consumo moderado de vino, los estudios científicos señalan propiedades como la prevención del deterioro cognitivo asociado a la edad, la depresión y la ansiedad.

Según la Organización Mundial de la Salud (OMS), para prevenir el desarrollo de enfermedades crónicas degenerativas incluidas aquellas que afectan a la función cognitiva es importante mantener un estilo de vida saludable desde edades tempranas, prestando especial atención a la alimentación y el ejercicio físico. Por ello, está tomando cada vez más importancia nuestra dieta mediterránea que promueve un equilibrio en nuestra forma de comer y beber, relacionarnos y movernos. En este sentido, el vino forma parte de esta pirámide en un consumo siempre moderado. Su dimensión cultural e histórica y su factor socializador supone un elemento a tener en cuenta en cuanto a la salud mental ya que se asocia a momentos de relax para disfrutar en compañía.

En lo que corresponde al vino, además, se ha demostrado en numerosos estudios que su consumo moderado tiene factores beneficiosos asociados para la salud por ser fuente de compuestos fenólicos. En palabras del doctor Ramón Estruch, coordinador científico y responsable de portavocía de la Fundación para la Investigación del Vino y la Nutrición (FIVIN), miembro del Servicio de Medicina Interna del Hospital Clínic de Barcelona, del Centro de Investigación Biomédica en Red del Instituto de Salud Carlos III (Madrid) y uno de los mayores impulsores de la Dieta Mediterránea: « Estos compuestos tienen propiedades bioactivas que también se han relacionado con la neuroprotección ». A nivel cognitivo, su consumo moderado se ha relacionado con un menor riesgo de demencia y depresión[1] y se piensa que este tipo de compuestos podrían prevenir el avance del deterioro cognitivo asociado a la edad. Por este motivo, el consumo moderado de vino dentro de un contexto de Dieta Mediterránea « tendría un efecto positivo en la función cognitiva ».

Las propiedades beneficiosas del resveratrol según la ciencia

Estudios científicos avalan que otro componente de la uva con propiedades beneficiosas para la salud es el resveratrol, que destaca su capacidad antiinflamatoria y para reducir el estrés oxidativo. Asimismo, otros estudios con animales han demostrado que el resveratrol impide la actividad de moléculas altamente oxidantes, que dañan regiones claves del cerebro, como el hipocampo. Otros mecanismos que pueden utilizar el resveratrol para proteger la salud cognitiva son la regulación de la sirtuina 2, una proteína que, en pocas palabras, es esencial para regular el metabolismo de la célula ya que controla su expresión genética2.

Además, el resveratrol se ha asociado con un efecto positivo en la depresión y la ansiedad, ya que puede aumentar la cantidad de AMPc en el cerebro. Esta molécula, que se hidroliza por la enzima fosfodiesterasa 4, tiene una función clave en la comunicación celular. Los investigadores proponen, según estudios hechos en animales, que el resveratrol impide el funcionamiento de la fosfodiesterasa 4, lo que explicaría los efectos antidepresivos que produce (reducción de la ansiedad y de comportamientos asociados a la depresión)3.

Con el incremento de la esperanza de vida poblacional, ha aumentado la aparición de enfermedades crónicas degenerativas y cognitivas. Su impacto a nivel individual y social hace que deban tenerse cada vez en más consideración, por lo cual es importante fomentar una dieta equilibrada y hábitos de vida saludable que ayuden a prevenirlas. Los beneficios de la dieta mediterránea, declarada Patrimonio Inmaterial de la Humanidad por la UNESCO en 2010, son reconocidos por numerosos expertos y es indudable su vinculación con nuestra cultura y tradición.

Desde FIVIN se recuerda que aunque numerosos estudios han demostrado los beneficios para la salud del consumo moderado de vino, la mayoría de los investigadores advierten que ello no es suficiente motivo para que alguien que no bebe comience a hacerlo por motivos de salud. De hecho, la recomendación general de los científicos suele ser preventiva, advirtiendo que los beneficios para la salud del vino en un estudio en particular no garantizan que los no bebedores o abstemios deban comenzar a disfrutar de una copa al día para mejorar su salud. Cualquier estudio sobre el vino y la salud no reemplaza el consejo médico de un profesional. Las personas, independientemente de si padecen cualquier enfermedad, deben consultar con su médico antes de tomar decisiones sobre el consumo de alcohol por su salud.

La Ciencia del Vino y la Salud

Para ampliar estas y otras informaciones, la Fundación para la Investigación del Vino y la Nutrición (FIVIN) cuenta con La Ciencia del Vino y la Salud, una plataforma de referencia científica que busca aclarar los mensajes contradictorios que están surgiendo en los últimos años en torno al vino y la nutrición y ofrecer información contrastada y sujeta a rigor científico.

El sector vitivinícola lleva años trabajando en pro de la transparencia a la hora de comunicar los efectos del vino sobre la salud, ayudando a la sociedad a comprender y advertir de las graves consecuencias de un consumo excesivo, las limitaciones en determinados momentos y los posibles beneficios de la moderación en el consumo de vino que la ciencia está descubriendo.

[Fuente: http://www.vinetur.com]

Software de vigilância, vendido a governos, pode ter roubado dados de mais de 50 mil celulares. Ativistas, jornalistas e políticos em diversos países foram alvo. Mercado sem leis favorece corporações que atentam contra a privacidade

Ativistas de direitos humanos, jornalistas e advogados em todo o mundo foram alvos de roubo de dados e espionagem por meio de um software para telefones vendido a governos por uma empresa de vigilância israelense, segundo reportagens de diversos jornais publicadas no domingo.

Cerca de 50 mil números de telefone de pessoas que teriam sido monitoradas pela empresa israelense NSO vazaram para a imprensa. Não ficou claro de onde veio essa lista — ou quantos telefones foram realmente hackeados.

A NSO nega qualquer irregularidade. A empresa afirma que seu software se destina ao uso contra criminosos e terroristas e está disponível apenas para militares, policiais e agências de inteligência de países com bom histórico de direitos humanos.

Em maio, uma reportagem do portal UOL afirmou que o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, teria participado de negociações para que a NSO participasse de uma licitação do Ministério da Justiça para compra do sistema. Segundo o UOL, o envolvimento de Carlos Bolsonaro teria gerado insatisfação em militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Agência Nacional de Inteligência (Abin), já que o tema estaria fora da alçada do vereador do Rio de Janeiro. Na ocasião, o vereador negou que tivesse articulado qualquer negociação.

O mais recente escândalo de espionagem e roubo de dados foi revelado em investigações feitas pela ONG Forbidden Stories, com sede em Paris, e pelo grupo de direitos humanos Anistia Internacional. As denúncias sobre o uso do software, conhecido como Pegasus, foram divulgadas no domingo pelos jornais Washington Post, Guardian, Le Monde e 14 outras organizações de mídia ao redor do mundo.

O Pegasus infecta iPhones e dispositivos Android para permitir que as operadoras extraiam mensagens, fotos e e-mails, gravem chamadas e ativem secretamente microfones e câmeras.

A firma israelense afirma que a investigação das duas entidades está “repleta de suposições erradas e teorias não corroboradas”.

O que sabemos sobre os alvos da espionagem?

Os números da lista não apareciam relacionados a nomes específicos, mas os meios de comunicação que trabalham na investigação identificaram mais de mil pessoas em mais de 50 países.

Muitos dos números da lista estão concentrados em 10 países: Azerbaijão, Bahrein, Hungria, Índia, Cazaquistão, México, Marrocos, Ruanda, Arábia Saudita e Emirados Árabes, de acordo com os relatórios.

Cerca de 180 jornalistas estariam na lista, de organizações como CNN, New York Times, Al Jazeera e muitos outros meios de comunicação.

Porta-vozes desses países negaram que ter usado o sistema Pegasus ou abusado de seus poderes legais de vigilância.

Não ficou claro quantos dos dispositivos na lista foram realmente hackeados, mas a análise forense de 37 telefones na lista mostrou que houve “tentativas” e “sucesso” nos hacks, relatou o Washington Post.

Isso incluiu duas mulheres próximas ao jornalista saudita assassinado Jamal Khashoggi e o jornalista mexicano Cecilio Pineda Birto, que também foi assassinado. Seu telefone nunca foi encontrado e não ficou claro se ele havia sido hackeado.

Cerca de 15 mil dos números da lista são de pessoas no México, incluindo políticos, críticos do governo, dirigentes sindicais e jornalistas, de acordo com o Washington Post.

O site indiano de notícias investigativas The Wire informou que 300 números de telefones celulares usados na Índia — incluindo os de ministros do governo, políticos da oposição, jornalistas, cientistas e ativistas de direitos humanos — estavam na lista.

Mais detalhes sobre quem foi alvo de espionagem e hack devem ser divulgados nos próximos dias.

A NSO já se envolveu em outras controvérsias no passado. Em 2019, o WhatsApp, empresa de aplicativo de mensagens do grupo Facebook, havia processado a firma israelense, alegando que ela estava por trás de ataques a 1,4 mil telefones celulares com o Pegasus.

Na época, a NSO negou qualquer irregularidade, mas a empresa foi proibida de usar o WhatsApp.

Análise: Joe Tidy

Repórter de segurança cibernética da BBC News

As alegações feitas agora não são novas, mas o que é novo é a escala de pessoas inocentes que teriam sido alvos do Pegasus. Os números de telefone de quase 200 repórteres em 21 países apareceram nesta lista, além de outras figuras públicas proeminentes.

Há muitas perguntas sem respostas, incluindo de onde vem a lista e quantos números de telefone foram ativamente alvos de spyware. O Grupo NSO nega todas as acusações, mas o escândalo é um golpe duro na empresa, que vinha tentando melhorar sua reputação.

Há apenas duas semanas, a NSO havia divulgado seu primeiro “relatório de transparência” detalhando as políticas e promessas relativas a direitos humanos. A Anistia Internacional havia dito que o documento de 32 páginas era um mero “panfleto de vendas”.

As mais recentes alegações prejudicarão ainda mais sua imagem, mas não prejudicarão a empresa financeiramente. Existem poucas empresas privadas capazes de produzir o tipo de ferramenta de espionagem invasiva que a NSO vende, e claramente esse mercado desregulamentado para o software está prosperando.

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

 

 

Escrito por Federico Romani

Los primeros cuentos de Ricardo Piglia eran los fotogramas de un ciclo de vida, un sistema con sus reglas explícitas, pero también enigmáticas. Con el descubrimiento de la potencia expresiva de sus materiales (citas, lecturas, experiencias personales), el futuro autor de Respiración artificial (1980) creó una zona de experimentación donde las tradiciones narrativas clásicas —del policial a la ciencia ficción; de la ficción histórica al diario personal— regulan un único proyecto narrativo que se mantiene en movimiento a través de una serie de obsesiones: el dinero, la traición, la fatalidad suicida del héroe melancólico, la literatura como historia imaginaria y alterada de la realidad. En sus inicios como cuentista, Piglia narra viajes (“El joyero”, “Un pez en el hielo”, “El fin del viaje”), y en todos esos recorridos el traslado es un riesgo sin proporciones directas con la transparencia de la prosa: la distancia entre dos puntos mide las formas del peligro, y las tragedias son pequeñas, casi domésticas, como si las situaciones consumieran de a poco las energías mismas del relato. El cine y la literatura nacieron con los viajes, y la propia trayectoria de Piglia nace con un exilio interior narrado como el descubrimiento de una dirección inesperada entre las páginas de un diario personal.

Piglia tiene una certeza: se narra para alojar un secreto. Sus “Tesis sobre el cuento” (1986) incluyen convenciones fantasmales sobre maniobras narrativas, la transformación y el tratamiento del enigma como un intercambio de planos ocultos. En Nombre falso (1975), la anécdota sobre el texto inédito de Arlt mueve la ficción desde la revisión de los sentimientos oscuros de un personaje hacia algo que solo tiene relación con el lenguaje. Es un cambio de eje en la relación entre ficción y realidad, pero también un punto de apoyo construido con la lucidez de quien adivina el instante preciso en que la literatura se vuelve una máquina capaz de interrogar el destino. Solo de esa manera la vanguardia crece desde su propia experiencia, y esa relación extraña pone en tensión el arco de una obra que la edición de Cuentos completos vuelve a lanzar de manera renovada contra el horizonte de la literatura argentina. El juego de espejos entre las dos nouvelles de Prisión perpetua (1988) y las historias seleccionadas de La ciudad ausente (1992) —aquí presentadas como “Cuentos morales”— asume el problema de la cronología para desatenderlo después. Piglia siempre jugó con sus textos, los acomodó y reacomodó más de una vez a lo largo de su vida, como tratando de revisar los efectos que su aparición provocaba o para descubrir cómo se entienden entre sí lo personal y lo social, esa forma compleja de lo colectivo.

Resulta difícil comprender los efectos de una poética personal sin caer en la evidencia del valor de una vida. Casi siempre, el contacto con la experiencia ajena se resuelve en perplejidad e incertidumbre, excepto cuando la literatura consigue capturar al mismo tiempo un universo personal y las tensiones del momento cultural —que es siempre un momento político— de una época específica en un país determinado. Así, el enigma de una vida puede derivar hacia una forma de reflexión histórica o transformarse en el borrador fantasmal y detectivesco de una obra que desde el primer momento se presentó a la manera de capítulos sucesivos de una biografía escrita en el futuro. Ricardo Piglia siempre narró en la estela de Walter Benjamin, como si la relación con el lenguaje no fuera otra cosa que el intento repetido y fulgurante de recuperar algo que se ha perdido. Como si la obra no estuviera completa hasta el preciso momento en que se fija en el porvenir el recorrido que la hizo posible.

 

Ricardo Piglia, Cuentos completos, Anagrama, 2021, 832 págs.

 

[Fuente: http://www.revistaotraparte.com]