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São profissionais cobiçados pelas corporações. Têm ótimos salários e regalias, ao contrário dos imigrantes comuns. Muitos buscam um novo estilo de vida (e bom wi-fi) no Sul global. Mas seus empregadores já fazem as contas para descartá-los…

Por Rafia Zakaria

Um nômade digital, em essência, é um trabalhador em modelo 100% home office, sem moradia fixa e que se desloca pelo mundo. São profissionais altamente qualificados e bem remunerados, que trabalham vinculados a uma empresa ou de forma autônoma. Estão no mundo da programação, da moda, do marketing, da engenharia de grandes obras. Podem ser artistas, redatores, arquitetos, jornalistas. Já são 35 milhões pelo mundo, segundo cálculos da Fragomen, entidade ligada ao mercado que atua no campo de tendências migratórias globais.

Brian Chesky, o poderoso CEO do Airbnb, é talvez hoje o “nômade digital” mais famoso: recentemente, anunciou que não terá mais residência fixa e só trabalhará de forma remota, pulando de Airbnb em Airbnb ao redor do mundo.

Esse estilo de vida tornou-se mais popular na pandemia, com a proliferação do home office, mas está em ascensão há anos. Seus adeptos apontam que esta “escolha” exige enfiar o talento na mochila e abrir-se a novas descobertas e experiências, autoconhecimento, capacidade de adaptação, lidar com a saudade da família, peitar estruturas hierárquicas muito verticalizadas do trabalho, gestão rigorosa (de prazos, metas e da própria agenda), saber dosar trabalho e lazer (e o excesso de precauções com seus equipamentos de trabalho), adaptar-se a fuso horários, lidar burocracia migratória – e uma boa conexão de internet.

A revista Forbes aponta alguns fatores que podem explicar esse fenômeno, tais como a moradia, cada vez mais, percebida como um serviço; políticas empresariais de anywhere office (escritório em qualquer lugar); crescente facilidade para tirar vistos em países que tentam atrair os “nômades digitais”; ampliação de infraestrutura para coworking em diversas cidades globais; crescente estilo de vida que prioriza experiências em vez de posses; adoção da educação domiciliar por muitas famílias do Norte global.

Por Rôney Rodrigues

Um ensaio de Rafia Zakaria, no The Baffler | Tradução: Rôney Rodrigues

Eles estão em todas as mídias sociais e por todo o mundo. Uma pesquisa de hashtag no TikTok oferece uma infinidade de conteúdos, de dicas de viagens e qualquer coisa que você possa imaginar. O “nômade digital” é a mais recente criatura que a cultura virtual produziu. Tomado literalmente, o termo se refere a qualquer pessoa que abandona sua residência fixa para transitar de um lugar para outro. Os nômades digitais geralmente têm empregos que lhes permitem trabalhar de qualquer lugar com uma conexão wi-fi. Quando chegam a um novo destino – Bali, na Indonésia, é um dos favoritos – eles simplesmente se instalam em hostels — ou alugam quartos — e logo demarcam cafeterias e lan houses. Em um TikTok que assisti há algumas semanas, a câmera fotografou um café à beira-mar cheio desses nômades ocidentais.

Talvez porque a maioria dos nômades digitais pertença à uma audiência “muito online”, a internet está quase surtando com suas façanhas. Alguns exaltam a economia das despesas, observando que é muito mais barato viver em cidades à beira-mar no México, em Portugal ou na Costa Rica do que morar numa cidade grande ou média nos Estados Unidos. Outros, como uma mulher com o apelido “themomtrotter” (1,7 milhão de seguidores), mostram como é gostoso se deleitar em uma piscina com o parceiro entre as reuniões de negócios. A maioria deles carregam uma pitada de desdém em relação aos seus espectadores nas redes sociais, que poderiam – e ainda não escolheram – embarcar nesta jornada de nômade digital. Afinal, quem não gostaria de viajar para um país aprazível, economizar dinheiro e desbravar o mundo enquanto, quem sabe, possa se tornar um influencer durante esse processo?

Embora os nômades digitais finjam torcer o nariz para as pressões do capitalismo, eles são evidentemente criaturas dele. Os regimes de vistos do mundo todo privilegiam cidadãos de democracias ricas e ocidentais, que podem transitar com facilidade. Países empobrecidos, porém exuberantes, têm incentivos para tentar atraí-los. Há benefícios para a nação anfitriã, já que os nômades digitais tendem a ficar mais tempo do que um turista típico que esvoaça de um lugar para outro. E, enquanto ficam, fortalecem as economias locais torrando dinheiro em restaurantes, cafés, passeios guiados e outras complacências similares. Como seus empregos estão em outro lugar, eles não estão tecnicamente tirando empregos das populações locais. Uma estadia de maior duração também significa certa possibilidade de que os nômades digitais possam compreender melhor a cultura e os costumes de um lugar, pelo menos mais do que um turista apressado que espreme suas férias em um fim de semana.

Por outro lado, o baixo nível de comprometimento dele significa que, se alguém acaba em um lugar que não atende às expectativas ou onde as comunidades de expatriados ou nômades digitais não são tão divertidas, ele pode facilmente desenraizar-se e ir embora. Ironicamente, porém, é a consistência que parece importar mais na vida de um nômade digital; uma rotina sólida que pode ser seguida independentemente de onde se esteja significa que a produtividade do trabalho não é sacrificada à medida em que o fuso horário muda.

O estilo de vida nômade digital, juntamente com sua contribuição para as economias locais, concentra-se no privilégio do passaporte. Isso significa que eles são principalmente cidadãos de nações ocidentais ricas que podem participar do galgar, pular e saltar do novo nomadismo. As pessoas de muitos países, dizem os indonésios de Bali, não recebem a mesma cortesia nas nações ocidentais de onde vêm os nômades prósperos. O fluxo na direção contrária, atestado pelas multidões de migrantes presos em lugares como Lesbos na Grécia, Nauru, perto da Austrália e da fronteira sul dos EUA-México, encontra resistência; poucos dos países onde eles buscam entrada estão interessados em criar vistos especiais para essas pessoas. Um refugiado ou migrante está em uma categoria marcada pelo desespero, enquanto o privilégio do passaporte do nômade digital sinaliza alívio. Assim que terminarem de conhecer o mundo, eles retornarão ao seu país de origem. Eles podem insistir em que não têm um lar, mas, apesar de toda a sua insistência, os privilégios dos países ricos ocidentais são tais que sua casa é sempre a sua casa.

Assim, as pessoas que são forçadas a viajar — a migrar de suas aldeias e vilas e cidades — devem deixar suas casas e tornar-se indesejáveis, enquanto aqueles que optam por viajar recebem acenos através de vistos e privilégios especiais. Os 46 países que já oferecem ou estão no processo de estabelecer vistos especiais de viagem incluem Austrália, Panamá, Antígua, Camboja, Noruega e Brasil, apenas para citar alguns, segundo levantamento da Harvard Business Review1. Quase todos exigem comprovação de emprego – ou seja, o trabalho remoto que manterá a solvência do nômade em questão, assim como sua capacidade de gastar dinheiro no país escolhido. Muitos até oferecem vantagens como isenções fiscais para, assim, obter vantagem sobre outros “concorrentes”. É uma aposta sólida: muitos países que enfrentaram recessão no setor de turismo podem agora recuperar alguns ingressos — e atrair viajantes perdidos através da oferta desses vistos de nômades digitais.

No mundo de normalidade pós-pandêmica, em que todos se acostumaram a ser uma ilha fechada em si mesma, o nomadismo digital oferece a oportunidade de mudar a localização de sua ilha. Com os relacionamentos enfraquecidos pela distância e pelo desuso, a ideia de estar sozinho viajando pelo mundo, ao mesmo tempo em que é possível encontrar conhecidos e amigos (descartáveis e em situação semelhante), tem vantagens. Poderia tornar as pessoas mais adaptáveis e autoconscientes. É provável que as coisas serão assim a curto prazo — e para pessoas que optam por serem nômades por um curto período de tempo ou, então, de vez em quando.

Para os outros que planejam tornarem-se nômades permanentes alguns bloqueios podem surgir. O país de cidadania pode impor exigências fiscais adicionais ou simplesmente tornar-se mais rigoroso quanto à cobrança de impostos de nômades digitais (que tendem a acreditar que são, de alguma forma, invisíveis porque não têm endereço permanente). A perspectiva mais ameaçadora é a perda dos empregos que mantêm os viajantes digitais venha à tona. Atualmente, novas startups estão oferecendo opções remotas completas para atrair os trabalhadores em um mercado cada vez mais competitivo. Empresas como a Airbnb continuam a ter escritórios físicos, mas também apoiam os funcionários a trabalharem de casa.

Esse tipo de mercado de trabalho — e a necessidade de talento — não será assim para sempre. Os gerentes das empresas, diante de equipes totalmente remotas e da necessidade de cortar custos, acabarão por perguntar-se se o “trabalho remoto” deve mesmo ser feito por um trabalhador estadunidense ou se poderia ser terceirizado para países com mão de obra abundante e altamente qualificada, mas que geram poucos empregos. Afinal, com empregos remotos, pode fazer mais sentido contratar desenvolvedores de software ou engenheiros na Índia, nas Filipinas ou em qualquer outro país. As coisas mudaram: as empresas já não precisam esperar que os vistos sejam processados e os funcionários apareçam nos Estados Unidos com a documentação em ordem. Se um funcionário está disposto a cumprir o horário da sede da empresa (como muitos nômades digitais estadunidenses fazem), ele pode estar em qualquer lugar e custar consideravelmente menos do que os trabalhadores que, atualmente, compõem as populações do nomadismo digital.

Os países podem mover-se para proteger seus próprios empregos e trabalhadores altamente qualificados, estabelecendo regulamentos que desencorajem a contratação de trabalhadores remotos estrangeiros ou imponham impostos extras às empresas que o fazem, mas isso exigirá legislação e vontade de intervir nas forças do mercado. Os governos já fazem isso para proteger setores como a agricultura, que arrecada grandes subsídios nos Estados Unidos e na Europa; eles podem optar por fazê-lo com tecnologia e outros trabalhos remotos também. Os nômades digitais de hoje, que vivem sua alta em belas praias e passam os dias em bares e cafeterias, não estão considerando essas políticas. A onda de jovens, em sua maioria brancos, que busca diversão provavelmente continuará no futuro imediato; uma espécie de bacanal nômade que se rebela contra as restrições impostas pela covid dos últimos anos. Mas mesmo que os nômades digitais continuem saltando de um lado para o outro e as empresas observem os funcionários que colocam fundos em seus laptops para disfarçar suas localizações, elas também estão calculando custos. Não é apenas mais barato morar em outro lugar que não seja os países caros da América do Norte e da Europa, mas também pode ser mais barato encontrar trabalhadores lá.


1 O Conselho Nacional de Imigração brasileiro regulamentou a concessão de visto temporário e autorização de residência aos imigrantes que se encaixem na modalidade. O visto temporário para os nômades digitais no Brasil é de um ano, prorrogável por mais um, desde que se comprovem meios de subsistência e que não haja vínculo empregatício no país. Cidades como o Rio de Janeiro apostam em incentivos especiais para atraí-los, como o certificado Rio Digital Nomads, concedido para hotéis, hostels e espaços de coworking que têm tarifas especiais para o cliente que aderir a pacotes de longa permanência. A Indonésia, destino pop dos nômades digitais, criou o Visto de Nômade Digital Bali: cinco anos de permanência temporária. O Ministério do Turismo espera receber três milhões de “migrantes privilegiados”.

[Imagem: Justin Tran/Blog Dropbox – fonte: http://www.outraspalavras.net]

 

Primera documentació: 1/09/2008

Tipus
manlleu de l’anglès
Contextos
Un cop desembarcat, vaig anar descobrint, al ritme lent del tuk-tuk, una ciutat encantadora que els temples revestien d’una pàtina sagrada, amb un tel de colonialisme francès. [Ara28/07/2015]
L’avinguda és un bullici de gent: hi ha botigues improvisades al carrer que serveixen cafè, te o menjar, conductors de tuk-tuks que et porten de franc i molts punts d’atenció sanitària que s’han convertit en una mena de petits museus dedicats a les víctimes. [Ara, 18/11/2019]
Observacions
El tuk-tuk és la denominació que rep en alguns països del món la versió motoritzada dels bicitaxis o rickshaws. Així, tenen la mateixa estructura que aquests últims, però inclouen un motor: són vehicles lleugers de tres o quatre rodes (normalment tenen una roda maniobrable davant i dues de motrius al darrere) destinats generalment al transport de passatgers. El tuk-tuk és originari del Japó, però es va popularitzar en altres països asiàtics, com ara Tailàndia, que és el lloc d’on prové la denominació onomatopeica tuk-tuk, que imita el soroll que feien els primers motors que van portar aquests vehicles. Actualment es fan sevir a països de tot el món i, tot i que poden servir per transportar mercaderies si la part posterior es condiciona específicament, en general serveixen com a taxis en zones amb molta congestió de trànsit o com a vehicles turístics per fer rutes per les ciutats.

 

 

[Font: neolosfera.wordpress.com]

Des sites apparaissent dans tout le pays ; de nouvelles façons, toujours luxueuses, de découvrir Israël et ses paysages, loin des chambres d’hôtel traditionnelles, sont proposées

Camping glamping nocturne avec glamping.co.il. Photo : Daniel Bear

Vous avez envie de passer des vacances sur un toit de Jérusalem, en vous réveillant avec une vue surplombant la capitale ? C’est ce que propose le Gag Eden, récemment ouvert, aux huit personnes qu’il peut accueillir en même temps. Premier camping municipal de Jérusalem en centre-ville, Gag Eden (jeu de mots avec « Gan Eden », ou Jardin d’Eden/Paradis, gan signifiant jardin et gag, toit, en hébreu) est situé au sommet du Clal Center, entre le marché Mahane Yehuda et la rue Ben Yehuda.

Ce nouvel espace touristique et de nombreux autres en Israël font partie de l’explosion récente du « glamping », un mot-valise composé des mots « glamour » et « camping », qui implique bien entendu le camping dans un luxe relatif.

Les hébergements glamping se déclinent dans une large gamme de styles et comprennent des tentes, des yourtes, des huttes en terre, des cabanes, des pods et des caravanes de luxe, qui permettent tous un retour à la nature sans pour autant sacrifier certains conforts tels que l’air conditionné – et sans que les clients n’aient à monter leurs tentes eux-mêmes.

Le camping Gag Eden occupe 2 000 m² sur le toit en terrasse d’un centre géré par la communauté Muslala, une organisation à but non lucratif créée en 2009 par des artistes, des résidents et des activistes communautaires du quartier Muslala à Jérusalem. L’objectif du groupe est de renforcer la société et la créativité, avec des projets axés sur l’innovation et la durabilité, comprenant une pépinière, des ruches, une galerie et des ateliers créatifs.

Les visiteurs sont hébergés dans des tentes pouvant accueillir jusqu’à trois personnes et équipées de matelas, de draps, de serviettes et de couvertures. Il est également possible de séjourner dans une capsule en terre, un peu plus grande. Le lieu comprend également une cuisine, une douche et une salle de bain commune. Les séjours coûtent entre 300 et 400 shekels par tente et par nuit. L’objectif est de créer une communauté temporaire plutôt qu’une simple halte pour les touristes.

La directrice du projet, Halel Moran, a déclaré au Times of Israel que cet espace unique « permet aux campeurs de voir la ville sous un angle différent, de découvrir la nature en ville parmi un désert de toits vides ».

Glamping sur un toit-terrasse de Jérusalem avec la communauté Muslala à Jérusalem. Photo : Muslala

Loin d’essayer de s’accaparer le marché, Moran a déclaré qu’elle espérait que d’autres personnes s’inspireraient de son idée de camping sur les toits, conçu pour être aussi écologique que possible, et que des espaces verts similaires se propageraient sur les toits de Jérusalem.

La Peace Forets de Jérusalem abrite également un terrain de camping qui compte environ 150 emplacements pour un camping plus traditionnel de type « do-it-yourself ». Des tentes sont disponibles à la location ou les clients peuvent apporter les leurs. Les séjours coûtent environ 80 shekels par personne et par nuit avec location de tente et de matelas, ou 55 shekels sans.

Itay Kadish Katz, qui dirige la société Glamping Israel, a raconté au Times of Israel qu’il travaille dans le secteur du tourisme depuis 2012 et qu’il constate aujourd’hui un désir croissant de la part des groupes de touristes de quitter le cadre de l’hôtel traditionnel.

Les sites de glamping de Katz sont pour la plupart des pop-ups, souvent dans le nord, la région de l’Arava ou de la mer Morte, et ils sont configurés pour se substituer à un hôtel de luxe. Ils comprennent souvent non seulement un hébergement de nuit, mais aussi une cuisine et un bar complets sous la tente avec un chef, un jacuzzi et un salon pour les divertissements du soir.

Ces séjours peuvent remplacer ou être suivis de séjours en hôtel de luxe, offrant une expérience différente sans aucun sacrifice de confort ou de service.

Glow Camping se veut tout aussi luxueux et propose des prestations allant du spa au yoga en passant par les Pilates et groupes des musiciens autour d’un feu de camp, sans oublier des ateliers de cuisine, des excursions en jeep, du VTT et autres voyages tout-terrain. L’entreprise se targue de ne laisser aucune trace après le démantèlement de ses campings temporaires.

Différents reportages indiquent que l’intérêt accru pour le glamping est un phénomène mondial, le marché devant atteindre 5,94 milliards de dollars d’ici 2030. Cette croissance est stimulée par un regain d’intérêt pour les staycations (concept de vacances dans sa ville de résidence) de la période du COVID, ainsi que par des préoccupations environnementales croissantes, amenant davantage de personnes à se tourner vers l’écotourisme, qui limite l’impact de leurs vacances sur la planète.

À l’heure actuelle, booking.com propose 17 campings de luxe en Israël, tandis qu’Airbnb propose 17 yourtes et plus de 150 options de glamping. Ils sont pour la plupart dispersés dans le nord, le Neguev, et notamment autour de Mitzpe Ramon et de la mer Morte.

Obtenir un terrain pour un site de glamping permanent est l’un des plus grands défis pour les entrepreneurs. Alors qu’une tente ordinaire pour une famille peut être achetée à un prix relativement bas, les tentes utilisées pour le glamping ont tendance à être plus sophistiquées et commencent à environ 6 000 shekels, mais elles peuvent coûter beaucoup plus cher. Non seulement elles ont de plus grands espaces ouverts pour les chambres, mais leur structure est également plus complexe pour y ajouter de la hauteur et améliorer la ventilation.  Dans le haut de gamme, elles nécessitent parfois la construction d’un plancher, d’une terrasse extérieure, l’installation de la climatisation et, bien sûr, d’une salle de bains. Mais elles restent un moyen abordable permettant à ceux qui possèdent un terrain libre de proposer un hébergement touristique.

Les générations Y et Z sont les groupes qui recherchent le plus souvent cette forme d’hébergement. Commentant son séjour dans l’une des stations de glamping de la mer Morte, Yessica pense que « c’était une excellente option pour profiter de la mer Morte dans son état le plus naturel, avec une vue imprenable, dans un lieu où l’on se sent très détendu ». Un autre visiteur ajoute avoir eu la possibilité de « se détendre au bar avec la plus belle vue sur les montagnes… les tentes sont agréables et confortables, avec tout ce dont on a besoin ».

Ori Chalamish, de Secret Israel, voit un mélange d’Israéliens et de touristes étrangers à la recherche d’expériences nouvelles et différentes. Ses clients préfèrent le glamping à la location d’appartements de vacances plus conventionnels, et vont de la famille élargie aux célibataires et aux groupes d’amis. Il considère le glamping comme un secteur de croissance majeur, et après avoir travaillé à la fois avec des campings pop-up et des sites de glamping permanents, il se concentre actuellement sur un nouveau développement dans le sud du pays.

Le glamping urbain sur les toits reste une rareté dans le monde. Gag Eden rejoint un club assez exclusif de sites à Melbourne, Manhattan, en Corée du Sud et en Suisse. Mais comme certains propriétaires entreprenants envisagent de proposer des locations de tentes à long terme sur leurs toits, ce n’est peut-être qu’une question de temps avant que nous ne voyions davantage de logements touristique disponibles.

 

[Source : http://www.timesofisrael.com]

 

Què no és una plaça?

Escrit per JOAQUIM IBORRA

Una ullada a les guies de les nostres ciutats i pobles és suficient per a comprovar que les vies urbanes es classifiquen majoritàriament en carrers, places i avingudes. També hi ha alguns passeigs, alguns passatges, però, sobretot, hi ha carrers, places i avingudes. En èpoques passades, el nomenclàtor popular oferia més varietat: a més de carrers i places, hi havia carreres, travesseres, rambles, rondes, raconades, cul-de-sacs…, sense comptar carrerons, placetes i replacetes. En els barris històrics encara hi trobarem alguns vestigis, que a poc a poc s’han anat dissolent en la uniformitat general. A vegades, aquesta homogeneïtzació s’ha fet sense solta. Així, a Montcada hi ha el carrer del carreró de Massarrojos; o el carrer carretera de Xirles a Polop; o parlem de les Rambles de Barcelona, perquè cada tram té un nom diferent, que és com anomenar «els rius» a un mateix riu perquè passa per diferents ciutats. Les plaques dels carrers estan plenes d’incongruències de tota mena. Una d’elles és que avui anomenem carrer a qualsevol via urbana que va d’un lloc a un altre, i plaça a qualsevol eixamplament de carrers.

Si comparem els nomenclàtors respectius de dues ciutats com València i Venècia, observarem que aquesta només té una plaça, mentre aquella en té moltes. Com és possible? La ciutat arximonumental, la Serenissima, només té una plaça? Això mereix una explicació: els italians, que són els qui hi entenen, anomenen «plaça» exclusivament a les places. Venècia només té una piazza, la de san Marco; la resta de «places» no són places: són campi o es denominen d’una altra manera, com el Piazzale Roma. Ningú no confondria una piazzale amb una piazza, ni aquesta amb un campo o un largo, ni una via amb una strada o un corso, o amb un lungo, o amb un vicolo. La llengua italiana disposa d’un elenco apte per a fer distincions precises en aquesta matèria. Així i tot, tampoc no s’escapa del procés general d’homogeneïtzació i també els italians perden de vista aquests matisos i cauen en inconseqüències, com anomenar oficialment la Via del Corso de Roma, en compte de il Corso, com encara es coneix popularment.

Per als italians, una piazza és un espai lliure, tancat per edificis en tot el perímetre, amb una concepció més o menys unitària i amb una funció de convergència urbana. Vegem-ho. Primer: és un espai lliure en un doble o triple sentit: és d’ús públic, es pot recórrer en qualsevol direcció i sense itineraris preestablerts i permet abastar el conjunt d’un sol cop d’ull i sense obstacles. Això darrer implica que les seues dimensions han de ser moderades. Per posar un exemple extrem: a la plaça de Tian’anmen, un rectangle de 880 per 500 metres, deu ser difícil la percepció d’un espai unitari. No hi he estat, però veig impossible distingir els límits de l’espai a tanta distància. Sense anar-nos-en tan lluny, anomenem places a espais excessivament grans, que potser seria millor anomenar esplanades. Segon: és un espai sensiblement tancat per tots els costats. Tancat pels edificis, no per una massa arbòria, una pèrgola o un riu. Només l’arquitectura té la capacitat de limitar un espai urbà, de donar-li el caràcter d’un clos, com també d’orientar-lo. Tercer: té una concepció unitària, no necessàriament derivada d’un únic projecte singular. La major part de places es configuren a poc a poc, sense un pla definit d’una vegada per totes. Hi ha un impuls inicial i una intenció sostinguda en el temps. Sovint aquesta concepció unitària és el resultat simplement d’una acumulació de circumstàncies i decisions històriques, que acaben per donar un sentit a un espai, o almenys aquesta és la il·lusió que ens fa. I quart: una piazza és una convergència urbana, un lloc d’encontre, de pública concurrència. Passem per un carrer; a una plaça, hi apleguem.

D’acord amb aquesta definició, València només té una plaça: la plaça Redona. Excloc la plaça de bous, perquè és un edifici i no un espai urbà lliure. La plaça Redona és l’única a la ciutat que s’ajusta a les quatre condicions enumerades, i encara no del tot, per culpa de la marquesina que ocupa el seu espai circular i desbarata la satisfacció de la primera. Es va instal·lar provisionalment i el temps la va fer definitiva. Afortunadament, la recent rehabilitació ha corregit aquest defecte, fins on ha estat possible, amb una coberta més o menys transparent i lleugera.

Però no em faré fort en una definició tan restrictiva, en definitiva molt vaga. Trobaríem fàcilment contraexemples, fins i tot en la mateixa Itàlia. Places famoses com la de sant Pere de Roma no hi encaixen del tot, per exemple, perquè no és del tot tancada. Precisament per això té més aviat un caràcter d’atri, de monumental vestíbul de la Basílica, cosa que confirma, ben mirat, la validesa del nostre quàdruple criteri per a identificar una plaça. Així i tot, els italians l’anomenen piazza. Seria, doncs, més útil una definició negativa, amb la qual assenyalar alguns usos abusius del terme «plaça» i, sobretot, prevenir els polítics i dissenyadors, i el ciutadà en general, sobre què no hauríem de fer amb les places. Serviria, si no per a aclarir què fer-ne, almenys per a esquivar algun error.

Una plaça no ha de ser un lloc de pas, encara que també la travessem de fet per a anar d’un lloc a un altre. Ha de fer-nos la impressió d’arribada a un lloc, de confluència des de diferents punts. Si cal, un carrer la pot travessar de banda a banda, a condició de no suportar un trànsit intens, com en la plaça de sant Jaume de Barcelona, migpartida pels carrers de Ferran i de Jaume I sense desfigurar-la. En canvi, la plaça de Cánovas del Castillo de València difícilment es podrà percebre com una plaça, en part per l’amplada desproporcionada de la Gran Via, que imposa la prioritat en travessar-la, però sobretot a causa de la intensitat del seu trànsit. Una plaça com a lloc de pas del trànsit rodat intensiu no té solució com a plaça. Serà una altra cosa, no una plaça.

Una plaça no és una cruïlla, encara que tinga el seu origen històric en una. La plaça d’Espanya de València n’és una antiquíssima, on s’ajunten el camí reial de Madrid i el que ve de ponent, abans d’entrar a la ciutat pel sud. Aquesta intersecció va quedar definitivament desdibuixada amb el traçat de la Gran Via. La plaça d’Espanya és només un tram de la Gran Via. I ni tan sols això, perquè no hi ha el bulevard central característic. No compleix, doncs, cap de les quatre condicions per merèixer el nom de plaça. Ni és un espai lliure —no és possible travessar-lo sinó seguint uns recorreguts prefixats, tant si anem a peu com en cotxe—, ni és un espai delimitat —es troba obert als quatre vents—, ni té una concepció unitària —com sí que la té la Gran Via—, ni és un punt de confluència urbana —és una cruïlla, ja ho hem dit, un lloc de pas. És l’antiplaça. Dedicar-la a Espanya va ser una desconsideració cap als nostres veïns de ponent: va ser l’equivalent urbanístic de penjar cap per avall el Borbó.

Una plaça no és un local a moblar. Recordem-ho: és un espai lliure. La bellesa d’una plaça depèn de l’arquitectura que la limita. Si una plaça està voltada d’edificis lletjos, tindrem una plaça lletja sense remei, però almenys encara serà una plaça! Ocupar la plaça amb coses boniques no fa més bonica una plaça. Cada plaça és el que és i no es pot «millorar» amb un cop de disseny. Com més ocupem l’espai, més desapareix la plaça.

Una plaça no és un solar com els de fora vila, que s’aprofiten per a plantar el circ, la fira o una pista de patinatge sobre gel. És un espai lliure on, certament, passen moltes coses. La plaça és el lloc de més vitalitat ciutadana. Ara bé, la vida és diversa i, paradoxalment, decau quan s’exacerba en una única direcció. Un espai destinat durant massa temps a una sola activitat és incompatible amb una concepció autènticament cívica d’una plaça. El turisme, la festa, el trànsit rodat o el comerç, si es mantenen com a usos exclusius, dificulten la convergència civil de la plaça. Bé hi podem disparar la mascletà, però no hauríem de mantenir tancat un espai durant un mes amb una muralla de ferro. Els requisits de seguretat han de tenir altres solucions. Bé està animar el Nadal amb mil atraccions, però durant tant de temps? ¿És precís construir un edifici al mig d’una plaça, un edifici —efímer— que s’hi aguantarà dempeus durant mesos, incloses les fases de muntatge i desmuntatge? Per les places i carrers han de discórrer manifestacions i processons, però no dia sí, dia també. Històricament, és veritat, la plaça s’ha identificat amb el mercat, una activitat que l’ha ocupada permanentment quasi cada dia de l’any, durant molts segles, de manera que plaça i mercat han estat sovint sinònims. Però els mercats han passat a l’interior dels edificis i avui l’expressió «la plaça del mercat» ja no és una redundància.

Una plaça no és un menjador públic ni una terrassa de bar. És molt agradable seure en una terrassa i veure passar la gent, mentre prenem una cervesa. Una altra cosa és convertir una plaça en un simple continent de les terrasses. Per cert que no és aquest un fenomen vinculat exclusivament al turisme, sinó una tendència general a les ciutats i pobles.

Una plaça no és una esplanada. Quan la ciutat moderna pretén crear una plaça, el que fa és una esplanada. La ciutat moderna és incapaç de configurar una plaça. En un plànol de la ciutat històrica veurem una trama amb una sèrie de punts de confluència —les places. En contrast, en una zona d’eixample trobarem una quadrícula on, com a molt, s’ha buidat una o diverses cel·les per a deixar pas a unes pseudoplaces, sempre emmarcades per les línies de la quadrícula: diríem que són places de pas, com la plaça de Catalunya de Barcelona. El que sap fer la ciutat moderna és donar èmfasi a alguna de les línies de la quadrícula. Aleshores apareix l’avinguda. Les avingudes són les «places» de la ciutat moderna. La ciutat moderna «convergeix», si ho podem dir així, en les avingudes, que són múltiples punts de confluència dinàmica al llarg d’una línia, on no s’arriba, sinó per on es discorre. La burgesia va inventar el bulevard i s’hi passejava amunt i avall, a peu o en cotxe de cavalls. Encara era una forma d’estar, com en les places. Això no obstant, el seu disseny tingué un efecte inopinat: rectes i amples, les avingudes eren idònies per al trànsit motoritzat, el qual va acabar per alterar profundament aquella concepció.

Una plaça, en fi, no és un eixamplament de carrers, ni un parc, ni qualsevol espai al qual correspondria un altre nom. Bé està que apliquem el terme «plaça» amb generositat i que no exigim alhora el compliment de les quatre condicions que hem assajat per a definir-la. Hem vist que la mateixa plaça de sant Pere de Roma no compleix la segona —però sí les altres tres. Una plaça, almenys, n’hauria de complir dues de les quatre. O hauria d’incomplir-les amb gràcia, com la plaça del Mercat de València, que ho fa a la seua manera, amb un resultat esplèndid —un esplèndid largo, més que no una piazza.

No pretenc, com comprendrà el lector, «examinar» ara les places de les nostres ciutats, degradar les que no superen la prova i destituir-les com a places, canviant-ne el nom. Deixem la plaça d’Espanya en pau. Ja té prou desgràcia, la pobra. Es tracta de tenir en compte unes poques regles que haurien de regir l’ús de les places. No són directrius per al disseny: són simples regles d’urbanitat.

 

[Font: http://www.diarilaveu.cat]

Organizadores: Universidad de Córdoba
Tipo de actividad: Congreso, jornada, encuentro
Fecha límite de solicitud: Sábado, 1 de octubre de 2022
Descripción: 

El Grupo de Investigación HUM-947 «Texto, Ciencia y Traducción» de la Universidad de Córdoba celebra este congreso en la modalidad presencial y virtual del 6 al 7 de octubre de 2022.

El propósito de TRADITUR es ser un foro de debate científico en el que se favorezcan y presenten los nuevos avances y estudios que aborden la relación entre lengua, literatura, comunicación intercultural, traductología y discurso turístico.

Líneas temáticas del congreso:

I. Traductología y discurso turístico: Traducción e interpretación en contextos turísticos, traducción de culturemas, el traductor-intérprete como mediadores interlingüísticos e interculturales.

II. Enfoques lingüísticos y discurso turístico: Lingüística, semántica, pragmática y lexicología aplicadas al discurso y a los textos turísticos.

III. Lenguas, textos de especialidad y discurso turístico: Terminología, terminografía, textología, textos especializados, textos híbridos en contextos turísticos.
IV. Enfoques literarios y discurso turístico: Recepción y traducción de la literatura de viajes, viajes y turismo en obras literarias, entre otros.

V. Didáctica y discurso turístico: Didáctica de las lenguas para fines específicos, didáctica de la traducción y de la interpretación turísticas.

En esta edición se proponen, asimismo, los siguientes paneles temáticos:
I. Discurso turístico y turismos alternativos: Estudios lingüísticos y extralingüísticos, incluida la traducción de textos especializados, relacionados con el turismo de aventura, además de otros tipos de turismos alternativos, como son el turismo de naturaleza, el ecoturismo o el agroturismo.

II. Traducción turística y enoturismo: Traducción y mediación de textos turísticos orientados a la promoción enoturística. Traducción, culturemia y rutas del vino. Las funciones apelativa y poética en la promoción enoturística y su traducción.

Se emitirán certificados de asistencia a aquellas personas que se inscriban a través del formulario disponible en www.traditur.es antes del 1 de octubre y que asistan al 80% de las comunicaciones.

El plazo de recepción de propuestas finaliza el día 10 de septiembre de 2022. Más información (tasas, formularios de inscripción, organización, etc.) en la página web.

Ciudad:  Córdoba y en línea
País:  España
Fecha de inicio: Jueves, 6 de octubre de 2022
Fecha de finalización: Viernes, 7 de octubre de 2022
Dirección postal completa:

Departamento de Ciencias Sociales, Filosofía, Geografía y Traducción e Interpretación. Facultad de Filosofía y Letras – Universidad de Córdoba, Plaza del Cardenal Salazar, 3, 14003, Córdoba (España)

Correo electrónico:  traditur@uco.es
Página de Internet:  www.traditur.es
Materias de especialidad: 

Enseñanza de ELE, Enseñanza de la lengua, Estudios culturales, Lingüística aplicadaLingüística aplicada, Lingüística comparada, Lingüística románica, Pragmática, Semántica, Traducción

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[Fuente: hispanismo.cervantes.es]

Emili Piera

Emili Piera | © Francesc Vera

Escrit per Vicent Garcia Devís

Sonen les campanes de l’ermita de Santa Llúcia i el periodista i escriptor Emili Piera i Cardo (Sueca, 1954) arriba amb una puntualitat feréstega al jardí recinte de l’Hospital Vell de València. Plou espurnejant i, mentre parlem de la seua trajectòria literària i periodística, passen i repassen les màquines de la neteja en aquest entorn arqueològic de columnes renaixentistes que només suporten l’infinit i el cel. Les merles busquen la protecció de les quatre oliveres que envolten el recinte de l’Hospital dels Folls de València, el primer psiquiàtric que va entrar en funcionament al món. Emili Piera ha triat aquest lloc, diu, perquè ací es troba la que és, possiblement, la biblioteca més bella d’Europa. «En aquest ‘barri xino’, el districte dels Velluters, es curava la follia i també la sífilis. I aquestes pedres són un tresor que prové de l’antic Palau Reial de València i d’altres casals i castells dels regnes de Nàpols i Sicília, des d’on les va dur Alfons el Magnànim», assegura Piera. Santa Llúcia, campanes femenines de so afrancesat, tant distint al so gros de les castellanes, és un ermitori que va ser fundat en les primeries de la conquesta de la ciutat per les tropes de Jaume I.

Emili, autor de quasi una vintena de llibres, l’últim és el dietari Escriure a pessics, ve vestit com un mariner danès: gorra i jaqueta creuada en blau marí. I la seua conversa és, com sempre, des que el conec, gràfica i enriquidora. Especialista en temàtica mediambiental i gastronòmica, és un fervent defensor de l’heterodòxia, també en la recepta de la paella. Com deia Joan Fuster en un dels seus aforismes, «I morir deu ser deixar d’escriure», Piera pensa el mateix que el seu paisà, però ell encara està ben viu, continua escrivint a diari, cada dia de la seua atrafegada vida.

Malgrat la pluja, quin lloc més especial, no?

Sí, l’ermita de Santa Llúcia és una raresa. Una ermita urbana que un dia va estar als afores de València. I és ací on el pare Jofré curava a tots aquells que estaven mal del perol. Jo he viscut molt de temps en aquest barri i li tinc un afecte especial.

Dieu que aquesta biblioteca és una de les més belles d’Europa. A mi em ve al cap la desapareguda biblioteca d’Alexandria. Què és el què faríeu si es produïra una catàstrofe similar en aquest edifici ple de mots i saviesa?

És material inflamable, ja ho sabem. André Breton, l’impulsor del surrealisme, va dir una vegada que si s’incendiara el Museu del Prado s’enduria només les flames, salvaria el foc. Això mateix podríem dir els que ens agrada el món de la literatura, de la comunicació social, de la cultura en general, el món de les paraules: salvaríem el foc, el foc de la creació. No seria irreparable. Hem caigut sempre en l’error que, en la desfeta dels imperis clàssics, bàsicament de l’Imperi Romà, s’havien perdut molts coneixements… però no és així, des de sempre, totes les cultures han traduït els clàssics: els àrabs traduïren els textos platònics i d’altres savis grecs. En un moment de la història del catolicisme, un nombrós grup de frares catòlics irlandesos van emigrar al continent i transmeteren bona part del pensament clàssic.

© Luis Castellano

Caldria afegir la cultura de l’oralitat, tan important en la història de la Humanitat.

Sí, exacte. Com més analfabeta és una societat, més potència narrativa oral existeix. La creació de cultura no és patrimoni només de catedràtics, escriptors o pintors! L’oralitat és creació de cultura de la gent en general, mira com ha funcionat en el tema de la Memòria Històrica. El dimoni està en els detalls, quan una persona ens parla de tot allò que li contaren sobre un familiar víctima del terror franquista quasi mai erra, l’oralitat ha estat cabdal per a localitzar un afusellat, un assassinat de les idees. Un detall, una botelleta sota el cap, una anomalia física, un vestit… La paraula és tan rellevant com l’escriptura, o més.

La paraula, la llengua…

Sí, recorde el cas de l’advocat laboralista Alberto Garcia Esteve, que, estant a la presó de la dictadura franquista, el va visitar sa mare i els guàrdies els obligaren a mantenir la conversa en castellà. Havia parlat en castellà amb moltes persones, però mai amb sa mare. I es van quedar muts, no eren ells! Recorde que ell mateix ho contava en un acte sindical en un teatre de Sueca i, com que em va impressionar tant, se’m va quedar gravat en la memòria.

El valencià, quantes prohibicions! No estava a l’ensenyament, no era oficial, estava prohibit parlar per telèfon en aquesta llengua… fins i tot estava regulat que les làpides dels cementeris estigueren escrites i tallades en castellà…

Sempre he pensat que el futur d’una llengua depèn dels seus usuaris. La llengua acorralada és propensa a les manifestacions identitàries, amb un toc de victimisme, i jo em confesse com el primer que es queixa. La primera vegada que em vaig revoltar va ser quan em vaig assabentar que al Mercat Central, que a mi tant m’agrada, hi havia ja més parades que parlaven castellà que valencià. Uns l’entenen, però no el parlen. S’ha produït un relleu generacional que ha canviat aquell mercat que jo coneixia de les primeries de quan vaig arribar a València. El Mercat Central en castellà és una pura traducció d’aquella versió original del Mercat Central en valencià… que era el cor de la ciutat. Si els usuaris no l’utilitzem, el prestigiem, el mantenim i els transmetem… les paraules dels nostres ancestres tindran els dies comptats. Pitjor està l’euskera i els bascos s’han decidit a mantindre’l i ho estan aconseguint. I s’ha de fer en tots els registres, quan jo era jove el valencià estava ben integrat fins i tot en la «Ruta del Bacalao» en l’entorn geogràfic del meu poble. L’escola, a més, pense, a penes pot integrar els nouvinguts. Hem de crear registres en tots els àmbits de la nostra societat, també a les xarxes del més joves.

L’Estat juga sempre en contra de les cultures perifèriques?

Espanya i Portugal són els únics països que no han canviat la seua configuració durant el procés de construcció dels estats moderns, des de fa cinc-cents anys, i molt menys les seues fronteres lingüístiques. A la dreta espanyola li sembla igual d’inviable canviar la Constitució com reconèixer les fronteres, en aquest cas les lingüístiques d’unes llengües que tenen història literària i prestigi històric, que encara estan vives i són vehicle de comunicació social. I d’això la dreta, i especialment la dreta castellana, no vol ni sentir-ne parlar. Suïssa ha demostrat que això podria ser viable, com ho fa el vint per cent de la població irlandesa que parla gaèlic.

Sou de Sueca, un poble que ha sigut una fàbrica de personalitats en molts àmbits. Salvant algunes diferències: Joan Fuster, Antoni Furió, Manuel Baixauli, Josep Palacios, Víctor Labrado, Francesc Vera, el mestre Serrano, Bernat i Baldoví, el polític Joan Baldoví i tu mateix. Quina fàbrica! Com és això?

Jo crec que hi ha una raó immediata… quan no tens un duro, si fas una carrera, pots fer-te de respectar en el camp que siga si la teua producció és vàlida en qualsevol matèria. No cal que la teua família siga rica, com no ho és en el meu cas. Sueca té motius per a estar orgullosa de la seua aportació a la cultura valenciana, però, desgraciadament, no acaba de deixar enrere la ciutat agrària que ha sigut sempre. Sueca no s’ha transformat en la ciutat industrial o postindustrial que haguera pogut ser, fer un pas cap a la modernitat. Hi ha poc de treball per a la gent que acaba d’eixir de la universitat amb un títol flamant i això continua sent un problema. Hauríem d’haver fet com Alcoi o Ontinyent, amb un «humus» industrial especial que, quan ve una crisi o una reconversió, acaben adaptant-se a la nova realitat gràcies al background acumulat del pas del temps i l’experiència.

©Luis Castellano

«Jo soc nòmada, potser ho he estat sempre sabent-ho o no, però les experiències inicials als carrers d’infantesa, el carrer Carabassers i el carreró Sueco (homenatge a Bernat i Baldoví), el Carreró sense eixida que moria en la Casa de les viudes, tot allò tan intensament familiar, era una continuació de les vivències uterines, amb l’al·licient afegit dels oficis practicats a la vista del públic: el senyor Rafael era corretger i com no tenia fills jugava amb els xiquets del veïnat. El senyor Bernardino tampoc no tenia fills, però la seua barberia, ben assortida de premsa, era el lloc perfecte. El senyor Bernardino, que li déiem, també feia cadires de boga i apanyava rellotges».

(Escriure a Pessics, Emili Piera)

El vostre pare va morir quant éreu encara molt menut…

Sí, jo tenia només onze anys i la seua absència sempre ha estat present en el meu pensament, sempre he tingut al pare en el cap. Ma mare i el meu germà són els que van dur la casa endavant. Ma mare i la meua germana cosien i no paraven de cosir per a les veïnes més benestants i el meu germà, als quinze anys, ja estava treballant en l’obra i jo faenejava tots els estius. Mon pare era mecànic i arreglava bicicletes… i encara avui a mi alguns em diuen «Bicicleta» al poble. Jo volia molt a Maria, la mare, però als dèsset anys me’n vaig anar de casa, aquell ja no era el meu lloc. Vaig marxar molt jove de Sueca. Sabia que si continuava sota la seua tutela mai em faria un home, havia d’anar-me’n de casa… i fer aquell pas em va reconciliar definitivament amb ella, pertanyíem ja a dos mons distints. La meua família em va ajudar molt, cada un de nosaltres anem a la nostra… però que no em toquen als germans que tant m’estime.

I vau poder estudiar a la Universitat Complutense de Madrid.

Sí, jo tenia ganes de fugir de Sueca i no per res, sinó perquè no trobava el meu encaix en aquella societat, que també era la meua. Una societat que trobava estrany que marxares a la muntanya, plantares una tenda i passares allí la nit. Et miraven com un boig! Si t’agradava aprendre de memòria poemes passava el mateix, et miraven de gaidó. Era l’ambient d’un poble agrícola qualsevol, en el qual no comptava entre els seus valors llegir poesia o fer excursionisme.

Vau abandonar la poesia i us trobeu més còmode escrivint un dietari que una novel·la… No?

L’avantatge del dietari no és escriure sobre allò que et passa en un moment pel cap. M’exigeix menys implicació emocional escriure un dietari que una novel·la, encara que estiga ple d’emoció. Com els cucs de la seda, en el dietari segregue la substància amb molta més facilitat, en canvi en la novel·la pots naufragar a mig fer, una situació que m’espanta i m’ompli de terror. Ara tinc entre les mans mig embastada una novel·la de ciència-ficció (El déu combatent) arran d’un somni estrany que vaig tindre i que he fet i refet moltes vegades fins que m’he convençut que pot funcionar. Ser jubilat per a aquesta mena d’empresa és una benedicció divina. Aquesta serà la cinquena que escric i podria tindre-la a punt per a finals de l’estiu. Sempre «fabrique» diverses coses alhora i salte d’una a l’altra; ara estic entre dos textos –una novel·la i un llibre de relats. Un dia escric deu hores, un altre només dos i un tercer… el prenc per a corregir. M’he de cuidar la vista, no puc fer cada dia deu hores (toquen de nou les campanes de Santa Llúcia)!

Us podria passar com a Pedro Camacho (Varguitas) en La tia Julia i el escribidor… que feia guions de radionovel·les i acabà confonent els personatges… i tornant boja l’audiència.

No [riu]. Tenint en compte que jo soc molt despistat… Em podria passar això més d’una vegada. Mira, quan jo treballava de periodista, intentava fer literatura amb qualsevol pretext en cada notícia. Tant se valia si el tema era la contaminació de l’Albufera com si era la processó del Corpus.

Fuster, en un dels seus aforismes, deia que l’únic pecat mortal són les faltes d’ortografia. D’orígens humils, d’on tréieu els llibres? Quines van ser les vostres primeres lectures, el primers passos en l’aprenentatge?

Jo havia llegit uns quants llibres als quinze anys, poquets. I un company d’escola em va dir: has llegit Sinuhé el egipcio? I el vaig llegir! Havia passat de Bécquer a la literatura mundial, vaig començar a llegir de tot: Éxodo, de Leon Uris, una novel·la descaradament sionista, la vaig llegir i m’agradà, per descomptat. Després em vaig llegir dos llibres d’Aldous Huxley The Yellow Mustard i Essays New and Old. I em va obrir un món.

Oficio de Lance va ser el vostre últim llibre abans d’Escriure a pessics, no?

Si, Oficio de Lance. De cómo llegué a comer incluso bien del periodismo. He viscut bé, el periodisme ha sigut ma mare. Té moltes satisfaccions immediates, no has d’esperar a morir-te per a assaborir la glòria. Dalt de ma casa tinc una rajoleta que diu «Llombai, a Emili Piera».

Qui et dona això per un llibre o per una altra faena?

El món de la comunicació està acabat? Els grans conglomerats es troben en mans dels bancs i de grups empresarials, no?

Tu i jo vam tindre el privilegi de fer periodisme, però ara jo crec que l’ofici està molt malament, cada vegada és més complicat ser periodista i viure del periodisme. Quan es va produir la Guerra d’Iraq, que era tan il·legal com la de Putin, França i Alemanya van mostrar la seua disconformitat contra l’ofensiva del Trio de les Açores –Bush, Blair i Aznar– i només hi havia una versió oficial. Ara a Rússia també només hi ha una versió oficial o et tanquen a la presó. Ací hi ha vint versions oficials, però totes diuen el mateix. Així està el periodisme avui al món.

Es crea la realitat, es fabrica l’opinió pública? Es construeix la realitat com apuntaven els sociòlegs Peter L. Berger i Thomas Luckmann?

Hi ha una construcció en marxa de la realitat, però eixa construcció és deficitària per tots els costats, fracassaran. Al final, tot se sap. El nostre imperi occidental dreça la seua realitat, la Xina fabrica la seua i l’Estat espanyol també posa les bastides per a manufacturar un estat d’opinió. Jo crec que sempre acaben fracassant. Gràcies al poder salvífic del desastre mai acaben triomfant.

L’educació privada acabarà salvant-nos?

L’educació privada és un desastre, amb molt poca nota u pot ser metge, notari o periodista. Crec que s’ha de prestigiar l’escola pública com fan a França o Alemanya. El sistema públic ha d’acollir els fills de totes les famílies, pobres i menys pobres. Com en la sanitat, acabarà sent així si els usuaris i els professionals –mestres i sanitaris– ens encabotem que siga així, com et deia en el tema de la llengua. Volem que acabe passant-nos com als Estats Units?

Als EUA s’entén com una feblesa, com una falta de virilitat, l’establiment de les ajudes estatals, el suport a una sanitat pública o a una educació igualitària…

Sí, anar sol pel món és de mascles alfa, si t’ajuden, si l’estat t’arreplega quan caus, si et protegeix, es considera una debilitat femenina, com una actitud maternal. Estan bojos! Un pare pot fer el mateix que una mare, no ha d’haver-hi diferències! La protecció és humana, no femenina!

© Francesc Vera

Sou un bon especialista de periodisme mediambiental. Què us sembla el Botànic?

Si jo fora un Mass Doctor que assessora els polítics sempre els diria que la moderació, també la verbal, sempre els farà guanyar vots, sempre, excepte en períodes electorals on tot es magnifica. Si jugues amb els amics en el casino no comences pegant colps de peu a la taula, t’han d’acceptar i després ja anirem mostrant les nostres cartes, algun front de «radicalitat». A mi el que em va sorprendre d’aquest govern al principi era la qüestió de la imatge: presentaven un altre producte molt diferent del d’abans. Passaren alguns mesos i tant l’alcalde Joan Ribó com des de la Generalitat optaren per un perfil molt baix… i això és el que em costa molt d’entendre. I dic perfil baix quan em referisc a l’ambició política. Això sí… ho han fet molt bé des del punt de vista mediambiental: grans zones de vianants, jardins i zones verdes que humanitzen la ciutat deixant el vehicle en segon pla, la dependència… Jo a penes utilitze el cotxe, ofeguen conscientment la circulació viària innecessària. Ens perjudica individualment i ens beneficia de forma col·lectiva! En els anys cinquanta el cotxe era el mag de la llàntia que et deia: On et porte, amo meu? Això s’ha acabat a les nostres ciutats, com a tota Europa.

Zones per als vianants que semblen més destinades al turisme que als veïns.

Sí, el turisme és un motor econòmic i hem de comptar amb ell, mentre no vertebrem un altre model econòmic més polièdric. El que no desitjaria és que tota la ciutat es convertisca en una fira com el barri de Russafa, on el veïnat desapareix i els que queden no poden dormir. Al turista li hem d’exigir el mateix respecte que al veí, no podem anar en bicicleta contra direcció.

Us imagineu un govern de la Generalitat PP-VOX?

Sí, és una possibilitat real, per desgràcia. Per això s’han de fer polítiques pròpies i no de «marca blanca», com moltes vegades passa. Però és possible que, quan li vegem el morro al llop, ens mobilitzem. Mira, quan la guerra d’Iraq, jo vaig votar el PSOE, com va fer molta gent. I ho vam fer a toc de campana per a parar-li els peus a la guerra i a l’Aznar. Ell devia saber que la seua presa de posició en el plànol internacional era només una foto amb les potes damunt la taula, al costat de Bush i Blair. Aznar estava destinat a ser la baula més feble de la tríada. Ells manaven i ell només havia de servir-los el cafè!

Mira França.

Han desaparegut els partits tradicionals. Per a mi, el principal problema és que ha desaparegut la principal referència socialdemòcrata. Però des de Brussel·les, per contra, mane qui mane, es projecta una política socialdemòcrata des del centre del continent cap a totes les perifèries. D’això hem d’aprendre! Hi ha vasos comunicants, si un estat està més endarrerit en sanitat o educació se l’ajuda. Això que funciona tan bé a Europa, no va tan bé a casa, dintre dels estats nacionals… i tampoc a Espanya.

En matèria de justícia, Brussel·les i Estrasburg els marquen el camí als jutges espanyols, no?

Existeix un franquisme sociològic i també en la cúpula judicial. En temps de Franco podies parlar de tot menys del dictador i el seu règim, com ara amb el rei. Ens infantilitzen de forma grollera. Encara sort que els alts tribunals europeus ens saben d’algunes ignomínies i estan a l’aguait.

L’Església no ha ajudat massa, no?

Cada vegada hi ha menys catòlics, jo soc cristià i ho reivindique des del fenomen cultural col·lectiu. És, per a mi, la referència cultural més tolerant, ara com ara, en un món global. Això també és Europa.

© Francesc Vera

Ja que parleu de política europea i de socialdemocràcia, estareu d’acord en el fet que a Madrid es fa la política neoliberal més dura d’una capital d’estat de la UE…

Sí, a Madrid es fa una política salvatge. Mira, Voltaire va invertir tots els seus diners en bons i accions espanyols del govern de Madrid i es va fer milionari. Madrid és Amèrica! I avui en dia, la capital de l’Estat, és un pol d’atracció per als grans especuladors.

Has treballat a la Túria, al diari Levante des de Ferran Belda i també amb Amadeu Fabregat des dels temps de TVE Aitana…

Ja no estic en la Túria. Vicent Vergara ens va dir que no podia sostenir la cartellera si continuava pagant-nos. Ho vaig entendre i vaig treballar gratis durant tres anys. Després, davant la manca d’explicacions, vaig entendre que no hi havia de seguir col·laborant, tot al meu pesar. A Ferran Belda li dec molt, només he de tindre gratitud per ell; al marge que té un geni pudent del qual alguna vegada he sigut víctima, pense que amb cap altre director haguera tingut les oportunitats que em va brindar. Ell podria considerar-se coautor de tot allò que he escrit en el que fou el seu diari. Sobre Amadeu Fabregat, només puc dir que ara, amb els anys, sense acritud, em trobe despagat amb ell perquè considere que haguera pogut fer les coses manifestament millor: sense tanta arbitrarietat, sense tanta «estupendez», amb una millor disposició en tot allò que ha fet. Li ha faltat ser el motor d’iniciatives comunicatives i audiovisual amb vida pròpia, fent i creant un producte de qualitat fet des de casa, al país. És una persona que ha aconseguit el que volia: ha fet diners i és una persona influent. És un home intel·ligent i brillant que hauria destacat en qualsevol camp. Però val la pena fer alguna altra cosa que es puga canviar pel plaer d’escriure lliurement el que et dona la gana?

Quines referències periodístiques i literàries us han marcat més?

Primer van ser Manuel Vicent, Juanjo Millás i després, sobretot, Umbral, aspre per fora i tendre per dins, com un cranc. Dels catalans, la poesia de Pere Quart, els articles i els contes de Quim Monzó, les cançons de Ramón Muntaner o les de Serrat, que va musicar Joan Salvat-Papasseit.

«Ulls clucs
l’amor
sap que la vida sempre és una festa
una cançó
Déu se l’estima com la llàntia encesa»

Santa Llúcia marca el migdia com un carilló flamenc i Emili em proposa anar al Palmar, al costat de l’Albufera, per a parlar de gastronomia i sostenibilitat ambiental, davant d’una moixama de tenca i un arròs amb fesols i naps en cassola… com un gravat impressionista. La marjal està en saó, després d’un mes de pluges, i des del finestral del Bonaire es veuen els canals i els llauradors que femen i preparen la plantada al costat del carrer del Jesuset de l’Hort. Repassem el Piera verd i ecològic que ha escrit El cas de l’Albufera i L’aigua de tots, entre altres proclames aflamades.

El planeta és finit, hi haurà minerals (liti, cobalt… Terres rares) i energia per a tots? Els rics viuran millor si poden pagar-ho tot, com un telèfon mòbil o un televisor de plasma, la llum o l’aigua?

I no trobarem un altre planeta de recanvi! Ho tenim difícil, ja hi ha restaurants a l’Índia que tenen reservats amb aire pur perquè hi mengen els que poden pagar-ho. Però ells encara no saben que l’oxigen pur amb què enriqueixen l’aire fa que envellim més de pressa, que accelera l’envelliment de les cèl·lules i el cervell. Res és tan simple i fàcil!

El cas de l’Albufera és una soflama contra els ecologistes pessimistes?

En aquest llibre he escrit un pamflet en la línia dels il·lustrats francesos, que és un al·legat, un text passional, que ataca un determinat pessimisme mediambiental, volia atacar el derrotisme irrellevant de quan començaven a fer-se coses que sí que podien salvar l’Albufera. Per exemple el col·lector oest i una sèrie d’actuacions que es feren després del llibre i no dic que fora només mèrit meu ni de Rafael Blasco, que, en aquell temps, era conseller d’Obres Públiques. El problema estava en l’aire i entre tots, tota la societat, vam activar l’espoleta del canvi. La cacera es va regular, les denúncies augmentaren, i la ciutadania, com en el llit vell del Túria, va assumir que calia salvar el llac.

La ZAL i l’ampliació del port de València.

Això sempre en fa recordar els territoris ocupats de Palestina. Fa igual el que diga la població indígena, es va expropiar, de forma preventiva, amb un cinisme absolut, aquella part de la Punta. I pensaren… «Anem a expropiar i ja veurem què és el que fem!»

Expropiaren i posaren fi a la vida dels que allí vivien i encara hi volen viure. I, amb el port, Madrid farà el que voldrà… perquè eixe port és el de la capital de l’estat. Dues injustícies com dues catedrals. Si fora per a construir un hospital hauríem de callar, però això només vol dir negoci i diners… expropiaren sense miraments ni mirar pèl!

En el tema del port… Ja veurem si la UE no els ho para perquè ara hi ha més sensibilitat ambiental a Europa. Hauran d’explicar, a més, com compensarà el port pel mal que provocarà l’ampliació a la resta d’usuaris de la mar: els pescadors, els que tenen camps al litoral, els banyistes o els turistes. L’ampliació afectarà negativament l’Albufera, de segur.

Emili Piera i el germà gran, amb l’àvia.

Has escrit sobre gastronomia, de cassola i cullera, sobretot. I sobre el món de l’arròs, alta política: Un disc solar anomenant paella és un dels teus llibres, sobre com es vivia la paella a casa o en l’època que anàveu en família a la mar, no?

Sí i en part en clau d’humor. Qui era l’encarregat de matar el conill i li llevava la pell com un pijama, qui matava el pollastre. Ma mare quan sacrificava la gallina li aguantava les potes i li xafava les ales… i jo li mantenia el cap perquè ella li tallara el coll i el dessagnara. Després el penjàvem a la llimera i, en passar el rigor mortis, ja estava a punt per a sofregir en la paella. I tot això, a l’hora de missa. Hi ha un filòsof francès, Michel Onfray, que ha establit distintes categories de pensament gastronòmic segons la nostra conducta en la taula. El llibre és divertit i em va inspirar per a escriure el meu tracta de la paella. Mira, a Itàlia, els feixistes defensaven l’arròs enfront de la pasta. Asseguraven que la pasta feia als italians molls, conformistes i irònics, tot el contrari de l’èpica. L’arròs els tornava braus per a la guerra. Ja veus!

Ací, a les marjals valencianes, es feia i es fan les enviscades, és una festa de caçadors mascles que, en plena llibertat, cacen, beuen i cuinen tot el que volen. I això explicaria com la cuina de cacera és tan creativa, inventen, improvisen, sense normes. I creen nova gastronomia, nous plats saborosos, al marge de la cacera, que això ja és un altre món.

La teua recepta de la paella, la definitiva…

Aigua, sal, oli, arròs, tomaca, bajoca o roget, garrofó, si eres de Sueca un poc d’all (si no ho eres, no en poses perquè et diran de tot!), pebre roig, pollastre i conill. Eixa és la fórmula de paella valenciana que tot el món reconeix. Paco Alonso i la seua Viquipaella admet que aquests són els ingredients que, en un vuitanta per cent, tot el món assumeix. Però, per mi, tot està bé, benvinguts els que hi posen faves tendres, carxofes o tota classe de verdures.

Encara plou en gotes mínimes i el cel, d’un gris metàl·lic, es reflecteix sobre l’Albufera deixant la marjal com una safata d’estany. Els agrons trauen del fang cucs llargs i grossos com els cabells de la medusa de Caravaggio. Al fons, la muntanyeta dels Sants, entre camins de terra de dibuixos geomètrics que fereixen la marjaleria entre séquies i canals plens per les últimes pluges. El vent ha menat l’arena del Sàhara fins al llac i ha tenyit d’un tel vermell la capa superior de l’aigua.

[Font: http://www.laveudelsllibres.cat]

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UMA VIAGEM MÁGICA

 

O “Guia de Portugal” constitui uma obra fundamental, escrita sob o impulso de Raul Proença, a partir de 1924, reeditada e completada na sua versão original pela Fundação Gulbenkian, graças a Santana Dionísio com o grafismo de Raul Lino. O país descrito é muito diferente do atual, mas a colaboração de personalidades marcantes da cultura portuguesa faz dos seis volumes, divididos em oito tomos, um precioso instrumento para a compreensão das raízes portuguesas. Jaime Cortesão, Miguel Torga, Jorge Dias, Aquilino Ribeiro, Reinaldo dos Santos, Teixeira de Pascoais, Vitorino Nemésio, Ferreira de Castro, Egas Moniz, Rodrigues Miguéis, Afonso Lopes Vieira e António Sérgio são os autores de textos essenciais que mantêm atualidade. E Proença cita Unamuno: “Estas excursões não são só um consolo, um descanso e um ensinamento; são, além disso e porventura sobretudo, um dos melhores meios para encontrar apego e amor à pátria”.

Se refiro o “Guia de Portugal” como pequeno monumento pátrio, é para salientar a importância do conhecimento e da compreensão do património cultural, como realidade aberta e viva. Quando lemos a “Viagem a Portugal” de José Saramago, compreendemos como esse percurso tem subjacente o exemplo deixado por Raul Proença. “Ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já”. Eis o que está em causa. Se fomos mundo afora, temos de conhecer o que temos dentro. E quando hoje se exige um esforço sério e determinado para a recuperação económica – num tempo em que o trabalho cultural foi seriamente afetado pela pandemia, como pela crise financeira, urge delinear uma ação capaz de ligar os objetivos de desenvolvimento sustentável e de recuperação do atraso. A reforma que se nos exige é assim educativa, profissional, científica, cultural e artística. Não falamos de medidas avulsas ou de uma visão centrada no consumismo e no curto prazo. A qualidade na aprendizagem, a exigência e o rigor são mais importantes que nunca. Só poderemos recuperar e avançar se cuidarmos de adequar os objetivos e os meios. E, na introdução histórica, ao “Guia”, António Sérgio salienta a necessidade de conhecer melhor a história, de impulsionar os estudos científicos e de favorecer a fixação e o investimento reprodutivo, reformando o organismo da produção.

Pôr a cultura no centro das nossas preocupações não é a considerar como mero ornamento, mas como catalisador, numa palavra, como um incentivo ou um impulso criativo e inovador. E assim as artes e a investigação científica tornar-se-ão naturalmente complementares, tendo em vista a equidade, a eficiência e o progresso. Eis por que razão por exemplo o turismo cultural, pedagógico e científico e a mobilidade das pessoas devem ganhar em rigor e qualidade. Valorizemos a relação com a natureza e a paisagem, as artes tradicionais, o artesanato, a gastronomia, mas também a capacidade inovadora dos cientistas, pensadores e artistas contemporâneos. O turismo literário é apenas um exemplo e permite-nos usufruir do talento e da sensibilidade dos nossos escritores. E as qualidades da natureza, do clima e das gentes serão fatores de enriquecimento da qualidade de vida e da criatividade. Poderíamos falar de outros artistas e de outras artes, mas lembremo-nos de Eça de Queiroz, de Camilo Castelo Branco, de Guerra Junqueiro, de Teixeira de Pascoais, de José Régio, de Fernando Pessoa, de Miguel Torga, de Aquilino Ribeiro, de Agustina Bessa Luís, de Fernando Namora, de Orlando Ribeiro ou de Ruben A. – e a riqueza dos roteiros que podemos construir em torno da sua memória, das suas casas, numa integração natural, enriquecida pelo talento literário…  O património cultural é vida. Sejamos capazes de ligar com imaginação essa referência à capacidade de sermos mais exigentes, de modo a recusarmos o fatalismo e a inércia.

O célebre quadro de José Malhoa «Praia das Maçãs» (1926) constitui a ilustração do que dissemos. Aqui está o mar e o encontro da terra. Estamos no limite do Mediterrâneo no Atlântico. Como compreender Portugal sem esta ligação que torna a Península Ibérica base para a aventura do mundo?

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GOM

 

[ligação original: https://e-cultura.blogs.sapo.pt/cada-roca-com-seu-fuso-1252933%5D

Cláudia Leite, coordinadora da candidatura de Braga como ‘Capital europea da Cultura’ © Consello da Cultura Galega

Escrito por Ana G. Liste

Cláudia Leite compartiu no Consello da Cultura Galega a experiencia da cidade portuguesa de Braga no camiño para intentar converterse na ‘Capital europea da Cultura’ no ano 2027. A distinción da Unión Europea para ese ano recaerá en dúas localizacións, unha de Portugal e outra de Letonia. Leite debullou como están a transformar Braga coas políticas e alianzas culturais no centro durante a xornada ‘Políticas culturais municipais. 40 anos despois’, unha actividade que organizou a Comisión técnica temporal de xestión e políticas culturais.

Que suporía para Braga chegar a ser ′Capital europea da Cultura′ en 2027?

Máis alá dunha ledicia inmensa para todos os bracarenses, en particular para todos os que estiveron e están involucrados neste proceso de candidatura, ser ′Capital europea da Cultura′ sería un recoñecemento de todo o traballo que temos desenvolvido os últimos anos na cidade, no que á cultura se refire. Ser ′Capital europea da Cultura′ sería tamén o impulso ideal para iniciar un camiño de transformación da cidade por vía da cultura. Unha transformación da maneira de vivir a cidade, en liña cos valores europeos e procurando responder aos desafíos contemporáneos dunha Europa en permanente mutación.

Xardín de Santa Bárbara, no centro de Braga © Câmara Municipal de Braga

A súa candidatura está centrada no turismo ou tamén poderá aportar cousas ás veciñas e veciños de Braga?

A cidade de Braga tense convertido, cada vez máis, nunha parada obrigada para quen visita Portugal. En 2021 recibiu o título de ′Mellor destino europeo 2021′ e cremos que, no caso de que Braga sexa ′Capital europea da Cultura′ en 2027, o número de visitantes internacionais aumentará significativamente, non só na cidade mais en toda a rexión, incluíndo a Galicia. No entanto, e seguindo o noso lema ′Tempo de Contemplación′, gustaríanos que a candidatura achegase un enfoque máis atento e sustentable ao turismo cultural e de cidade, onde a relación co tempo, a contemplación e a natureza sexan tamén motivos para pasar tempo de calidade en Braga.

Por que se escolleu o lema de ′Tempo de Contemplação′?

A elección do tema da candidatura resultou dun proceso de escoita da cidade e dos seus cidadáns para percibir os desafíos aos que nos enfrontamos nun tempo demasiado apresurado como o que vivimos na actualidade, derivando en profundas desconexións do individuo consigo mesmo, coa natureza e a súa comunidade.

Cremos que este é un momento de cambio para a nosa cidade e, xunto a Europa e á cidadanía de Braga, queremos escribir un novo capítulo na xa longa historia da nosa cidade. Este é un tempo que chama á urxencia para abordar os nosos retos comúns: o cambio climático, a promoción dos valores da igualdade, axustiza e a inclusión, e a promoción da saúde mental, entre outros.

A crise derivada da pandemia e a recente guerra na Ucraína, ás portas de Europa, deixaron ao descuberto o delicado equilibrio no que vivimos. A través deste concepto, reclamamos o tempo para pensar profundamente sobre os nosos desafíos como sociedade, na nosa cidade e en Europa, e a partir de aí avanzar cara a unha acción conxunta e participativa.

A elección do lema está vinculada coa relación ancestral da cidade coa relixión, e máis que iso, coa espiritualidade. Para nós, a espiritualidade é nin máis nin menos que a posibilidade de (re)atoparse con cuestións fundamentais da humanidade.

Cales diría que son os puntos fortes de Braga para converterse na ′Capital europea da Cultura′?

Os puntos fortes da nosa candidatura son, en primeiro lugar, o lema escollido, despois a dimensión europea do proxecto e tamén o seu modelo de construción e implantación.

No tocante ao lema, este é absolutamente central no actual contexto europeo. Hai unha necesidade urxente de ter tempo para deterse, reflexionar xuntos sobre os nosos desafíos como sociedade e actuar en consecuencia.

No que respecta á nosa temática, acredita na promoción dunha cidadanía activa, na saúde mental, na relación co noso corpo e coa natureza, nun escenario postpandémico e naquilo que xa son as secuelas do contexto bélico que estamos a vivir. A creación de novos lazos comunitarios a través da cultura, que promovan unha Europa diversa e multicultural, máis tolerante e solidaria, son hoxe máis importantes que nunca para o futuro da Unión Europea.

Ademais, trátase dun tema que non só ten relevancia para Europa senón que, como explicaba anteriormente, ten profundas raíces na historia e na cultura da cidade de Braga, o que achega algo único ao proxecto da capital europea da cultura co enfoque proposto.

Por outra banda, de todas as solicitudes presentadas ata a data, a solicitude de Braga é a que presenta un maior nivel de traballo e madurez das asociacións establecidas no marco da súa programación cultural, con máis de cen socios locais/rexionais, máis de cen socios nacionais e máis de douscentos socios europeos ou internacionais.

Garante, polo tanto, a construción dun programa fortemente apoiado polas coproducións, que pretende intensificar os proxectos de cooperación cultural e os lazos entre as comunidades locais e artísticas de Europa e do mundo.

E por último, trátase dunha candidatura que nace da vontade e da consulta á poboación, fortemente implicada na súa construción, dende a definición do concepto ata a presentación e formulación da maioría das propostas da programación artística, tendo ademais un papel central no modelo de implementación e xestión da candidatura.

De que maneira van reforzar a relación entre o rural e o urbano coas propostas culturais?

Toda a candidatura baséase nun principio de descentralización. Este é tamén un dos piares da ′Estratexia Cultural Braga 2030′, que serviu de base para a preparación deste proceso. Así, no ámbito da estratexia cultural, xa se están a pór en marcha accións enfocadas á descentralización, como é o caso do ciclo de actividades culturais Decentrar, un conxunto de espectáculos que se desenvolven ao longo do ano en distintas parroquias do municipio. Trátase da súa segunda edición e tivo tanta acollida entre as parroquias que duplicamos o número de sesións con respecto ás datas do ano anterior.

Na candidatura de Braga, a relación entre o rural e o urbano é tamén un dos focos de maior atención. Non só identificamos esta relación como unha das principais dicotomías da cidade, senón que tamén presentamos proxectos que buscan crear pontes entre o rural e o urbano, como é o caso, por exemplo, do proxecto Descolonizar a Natureza, onde abordamos o tema do urban sprawl (expansión urbana en territorios rurais) a través de obras de arte no espazo público e unha conferencia internacional con pensadores destacados que reflexionarán sobre a nosa relación coa natureza e o que significa para o ser humano a un nivel máis profundo e espiritual.

Hai un foco especial na creación por parte das mulleres?

Curiosamente, a nivel da equipa central da candidatura, somos unha equipa constituída maioritariamente por mulleres, e diso estamos orgullosas. Procuramos ter diversidade de xénero nos comisarios dos proxectos e esta será unha preocupación reflectida na construción e posta en marcha dos mesmos.

Mais esta idea de diversidade debe, ao noso entender, ter un alcance máis amplo. Buscamos a diversidade de representación das diferentes comunidades que conforman a nosa Europa plural, sen restricións de xénero, orixe étnica, relixión ou crenzas, discapacidade, etc. Unha candidatura construída con todos, por todos e para todos.

Cláudia Leite participou na xornada do Consello da Cultura ’40 anos de políticas culturais’ © Consello da Cultura Galega

Contemplan a relación con Galicia como un valor engadido?

Desde o inicio Galicia é un parceiro natural desta candidatura, non só pola temática escollida que tanto nos une, senón porque xa é unha rexión cunhas relacións naturais e continuadas de traballo coa cidade de Braga e a Região do Norte de Portugal.

Tamén con ela compartimos algúns proxectos estratéxicos, como o que desenvolvemos arredor do cine e do audiovisual, como é o caso de Contempl/AÇÂO –co cal queremos dar un primeiro paso cara á creación dun cluster transfronteirizo europeo, na área do cinema e dos medios, unindo o Norte de Portugal e Galicia, nun esforzo colectivo de BRAGA Cidade Criativa de Media Artes, o Legado de Guimarães CEC 2012 e o sector audiovisual galego.

De que forma axuda pertencer ao Eixo Atlántico nesta candidatura?

Pertencer ao Eixo Atlántico supón contar xa cunha práctica histórica de colaboración e implantación de estratexias e proxectos conxuntos, fundamentais para o éxito das asociacións que se pretenden desenvolver no programa cultural de Braga como ′Capital europea da Cultura′.

Como se compite con outras cidades de Portugal que tamén optan a converterse na ′Capital europea da Cultura′?

Non miramos as outras cidades como competidoras. De feito, desde o principio houbo unha relación de compañeirismo e axuda mutua entre as cidades candidatas. Hai unha clara noción de que este proceso favorece a cultura local (xa que obriga a cada cidade candidata a ter unha estratexia cultural a longo prazo, xa aprobada e en fase de implantación) e, polo tanto, a sensación é que, sexa cal sexa a cidade vencedora, Portugal xa gañou con este proceso.

Que aprenderon das outras cidades portuguesas que xa obtiveron esta distinción: Lisboa (1994), Porto (2001) e Guimarães (2012)?

Sobre todo aprendemos que, máis que un proxecto de celebración das artes, aínda que non deixa de selo, ten que ser un proxecto estruturante para a cidade, que sitúe a cultura como vector fundamental da súa transformación e crecemento. Un proxecto centrado no seu legado e apoiado nunha estratexia cultural a longo prazo desenvolvida moi estreitamente coa cidade, os seus axentes e cidadáns.

Soubemos que é fundamental que esta implicación comunitaria non se deteña na validación e apoio da candidatura, senón que é eficaz na construción de proxectos e na súa execución e seguimento.

Aprendemos que tamén é fundamental coñecer a nosa realidade, aprender dela e poder medir os impactos que pretendemos acadar, polo que o proceso de avaliación e seguimento comezou desde o primeiro momento de elaboración da solicitude e é un dos focos de traballo da mesma.

Cre que o traballo realizado para preparar esta candidatura, aínda que non se consiga que Braga sexa ′Capital europea da Cultura′, se aproveitará na cidade?

A aprobación dunha estratexia cultural a longo prazo (′Braga Cultura 2030′), que é a base desta solicitude, constitúe unha garantía de implantación das ideas clave deste proxecto. A forte implicación da comunidade local e a madurez dos socios internacionais impulsarán sen dúbida moitos dos proxectos xa deseñados, calquera que sexa o resultado final deste proceso de solicitude.

Ademais, ao tratarse dun proceso concursal, todas as entidades implicadas son plenamente conscientes de que non todas serán vencedoras, polo que tamén existe un camiño alternativo por definir durante os próximos meses, que permita dar resposta a todos os escenarios, maximizando o traballo que xa se desenvolveu nos últimos anos.

 

[Fonte: http://www.praza.gal]

LA PATAGONIA I SUS SIELOS FABULOSOS

Prezentado por Süzet FRANSEZ

Despues de rodear kuatro dias en las avenidas i parkos de Buenos Aires, tomimos el avion i en tres oras estavamos en El Calafate, sivdad de Patagonia. El Calafate, la kapital de los glasiares, deve su nombre a un arbusto jigantesko, tipiko del Este de Patagonia ke tiene flores amariyas en primavera, i frutos morados enverano. Segun la tradision “ken kome de este fruto retornara siempre a la Patagonia”. Malorozamente, yo no tuve la suerte de gostar de este fruto.

A la manyana, teniamos el tur para vijitar el Perito Moreno, ke es el mas konosido i el mas grandiozo de los glasiares del parko nasional. Kuando yegimos en frente del glasiar, estuvimos ipnotizados por un sierto tiempo. Esta vista impresionante i inolvidable, se eskrivio en la memoria mia i de todos los ke la kontemplaron. El glasiar i la Patagonia, fue para mi, una eksperiensa para entender un poko el funksyonamente del universo i el poder de la natura.

El Calafate, parese muncho a una chika sivdad de los Alpes. No siendo muy developada, sus magazenes i sus restorantes tienen una atmosfer satisfezante. Despues de tres dias en El Calafate, tomimos kamino verso El Chalten, otra sivdad ariento del parke nasional, a 220 km. En el kamino, estavamos kontemplando los sielos de Patagonia, una atraksion partikular, porke se difera en kada momento. Su beyeza de dia i de noche proviene del fenomeno de la luz solar i el azul de los sielos de esta partida de la atmosfera, es muncho mas fuerte de los diversos sielos del mundo. La noche, en este hemisferio del Sud, las estreyas briyan mas ke en el Norte. Esta forma partikular i la kolor fuerte de estos sielos del Sud provienen de la pozision jeografika i es por esto ke el sielo se ve diferente de las otras partes del mundo.

Komo El Calafate tiene su glasiar el Perito Moreno, El Chalten tiene su montania de granit, Cerro Fitz Roy, 3406 m, i se situa en la frontiera de Shili i de Argentina. Es un lugar sin kontaminasion, para turizmo de aventura, i el monte Fitz Roy es una atraksion para los ke azen “trekking”. Hay tambien ekspedisiones i ekskursiones para los ke keren pasear i ver paizajes sin azer muncho esfuerso. Mozotros estavamos en este grupo bushkando kaminos fasil entre 5-10 km i kon vista. El Chalten, en 1991 tenia solamente 41 habitantes i oy tiene kaji 2000. Kon los anyos, se izo un lugar kon vijitantes de todas las partes del mundo ke keren konoser el Fitz Roy i sus numerosas aguas de granito.

Este anyo en febrero, 50 sientifikos de la NASA vijitaron la provinsia del Chubut en Argentina, para azer observasiones astronomikas i ayudar a eskrivir una pajina importante para la astronomia. Ver por la primera vez un sielo patagoniko es koza ke no se olvida fasilmente. Es un paseo kozmiko por el pasado, prezente i futuro del Sistema Solar i de la Tierra Planeta.

“Viajamos para trokar no de lugar, sino de ideas”.

 

 

[Orijin: http://www.salom.com.tr]

Face à la crise du logement qui sévit dans les villes du Pays basque, les élus cherchent à limiter les locations de maisons secondaires transformées en meublés touristiques. Mais ces restrictions nuiront-elles au tourisme ?

Manifestation contre la crise du logement au Pays basque, le 20 novembre 2021.

À Biarritz, les touristes doivent faire de la place aux locaux. C’est le message de la dernière mesure des élus basques, rapporte le Guardian. Avec “ses boutiques élégantes et ses plages de sable doré”, la ville est une destination très prisée par les vacanciers, mais ce tourisme conduit les résidents locaux à avoir du mal à se loger.

Dans l’ensemble du Pays basque, le nombre de maisons de vacances “était de 16 500 en 2020, soit plus du double qu’en 2016”, explique le journal britannique. Ce mois-ci, les élus locaux ont donc pris une mesure forte pour lutter contre le développement d’Airbnb et des meublés touristiques dans 24 municipalités de la région, dont Biarritz.

À partir du mois de juin, les propriétaires d’une résidence secondaire qui souhaiteraient transformer celle-ci en meublé touristique seront contraints, en contrepartie, de proposer également à la location un logement non touristique. “Comme beaucoup de propriétaires auront du mal à trouver et à acheter un troisième bien remplissant les critères fixés, les défenseurs de ce nouvel arrêté espèrent voir revenir des milliers de logements sur le marché de la location [longue durée].”

À l’heure actuelle, pour la maire de Biarritz, Maider Arosteguy, la situation est “intenable”, notamment pour les jeunes et les salaires moyens – des gens comme Charlotte Belot, interrogée par le Guardian, qui, à 27 ans, n’a eu le choix qu’entre une colocation et le retour chez ses parents, car elle ne trouvait pas de logement abordable.

“Le Pays basque n’est pas la première région de France à restreindre le développement d’Airbnb et autres plateformes similaires”, écrit le quotidien britannique. Dans certaines villes, les résidences principales ne peuvent pas être louées plus de cent vingt jours par an. Cette nouvelle mesure est cependant controversée, précise le Guardian, qui se demande “si ces mesures nuiront au tourisme ou l’amélioreront, en protégeant le logement et l’identité locale”.

[Photo : AFP / SARAH WITT / HANS LUCAS – source : http://www.courrierinternational.com]

Els andorrans corren molt quan condueixen? I a més, sempre duen cotxes bons? Parles d’Andorra i sempre cau la broma fàcil aquella sobre l’evasió de capital. És veritat que són molts els tòpics que envolten el país, però aquest recull de curiositats és justament això el que busca, volem esquinçar els estereotips i els prejudicis que s’han creat al voltant d’Andorra i dels andorrans.

Amb una extensió de 468 quilòmetres quadrats tenim un 10% del territori que és Patrimoni de la Humanitat. Andorra és natura, és muntanya i també un atractiu turístic per les pistes d’esquí i les botigues; ara bé, Andorra també està impregnada de cultura, d’història i de tradició. És un dels països més antics d’Europa i alhora un dels que més recentment s’ha incorporat a l’ONU. És un país de contrastos, un petit estat enclavat entre valls que ha maldat per mantenir-se neutre i preservar la sobirania.

‘Les 100 coses que has de saber sobre Andorra’ us permetran descobrir a fons el país: us presentem les grans fites dels andorrans, moments històrics i també episodis durs del passat, perquè no tot han estat flors i violes i perquè és això el que fa gran un país!

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Biografies dels autors

Arnau Colominas (Barcelona, 1982) és editor i cofundador del portal informatiu Culturàlia. Ha estat director d’El Periòdic d’Andorra, presentador a Andorra Televisió i Canal Català i locutor a Ràdio Nacional d’Andorra, Flaixbac i Ona Catalana. Ha estat gerent del Centre de la Cultura Catalana i també membre del Consell Assessor de la Catalunya Exterior, així com assessor i formador de comunicació en nombroses empreses, administracions públiques i partits polítics.

Maria Cucurull (Valls, 1983) és llicenciada en Filologia Catalana, ha estat lingüista a RTVA i actualment és professora de llengua i literatura catalanes a l’Escola Andorrana de batxillerat i a la Universitat d’Andorra. A més, és coordinadora del butlletí de llengua InfoMigjorn, i des del 2017 ha fet d’articulista en diversos mitjans com El Periòdic, Ara.ad, Canal Català, Ràdio Nacional d’Andorra, El Punt Avui, Culturàlia, Núvol i la Revista Llengua i Dret. Actualment, col·labora a Becaris de Ràdio Nacional d’Andorra.

Títol: 100 coses que has de saber sobre Andorra
Autor: Arnau Colominas i Maria Cucurull
Editorial: Anem
Pàgines: 248
ISBN: 978-8418865077

 

 

[Font: http://www.racocatala.cat]

Pola prisão do Aljube passaram milhares de presos políticos entre 1928 e 1965.

Escrito por

O museo do Aljube sitúase no predio que funcionou como cárcere antes e durante a ditadura de Salazar, ao pé da Sé de Lisboa. Hoxe é un museo “de resistencia e liberdade” dividido en tres partes: dúas exposicións temporais e unha mostra de longa duración. Unha recente visita inspiroume para ofrecer algúns apuntamentos sobre esta proposta de tratamento dun pasado conflitivo.

A intención da exposición permanente é mostrar como a ditadura salazarista fixo servir este edificio para eliminar intentos de contestación ao réxime. Explícase o seu xurdimento, a forma de toma do poder, contextualízase a vida baixo o salazarismo e as fórmulas de resistencia clandestinas. Nas seguintes estancias céntrase no uso que foi dado ao Aljube polos servizos da PIDE e os métodos de encarceramento e axuizamento. Tamén son mostradas as celas onde encerraban os presos e utilizadas algunhas testemuñas. Por último, alúdese aos movementos de loita anticolonial e contestatarios no final do Salazarismo, culminando nun espazo dedicado ao 25 de abril.

Un dos primeiros obxectivos do museo é deixar claro o encadramento do réxime político de Salazar no ámbito dos fascismos europeos, tanto polas súas coincidencias discursivas como polas prácticas de control político e social. Tamén é un intento por deixar clara unha política sistemática de infiltración, encarceramento, tortura e asasinato dos adversarios políticos. Unha visita polo Aljube recórdanos o noso pasado e inevitablemente danos ideas de como mostrar o trauma. Este museo ofrece fórmulas expositivas moi interesantes e efectivas de representación escénica. Utiliza habilmente o espazo e emprega recursos visuais para captar a atención do visitante, mesmo a risco de producir máis dun susto. As celas cos tamaños orixinais e con figuras humanas que deixan claro o pouco espazo, o noutrora constante son do teléfono do celador. Tamén podemos observar a disidencia a través da presenza de prensa clandestina en grandes formatos ou dunha locución da Rádio Portugal Livre. Todo o percorrido pola exposición permanente ensina as condicións de vida nesta prisión, as lóxicas represivas e os métodos utilizados pola ditadura salazarista para acalar de forma violenta os rivais políticos. O único punto negativo é a excesiva duración dos textos, que ao estar en portugués e inglés dan sensación de saturación.

Alén do espazo para visitantes, o museo complétase cun centro de documentación onde se recompilan e se ofrecen a investigadoras e á sociedade testemuñas e documentación de persoas que pasaron polo Aljube, incluíndo unha pequena biblioteca especializada.

O espazo ten tamén un programa didáctico asociado (EducAljube) que ofrece visitas guiadas e actividades diversas para abordar a memoria. Mención especial merece a coidada páxina web na que se pon a disposición moito material que complementa a visita física e información sobre a programación temporal de ciclos de conversas, cinema e outras actividades que alí se desenvolven. Este é un exemplo de bo facer no ámbito da dixitalización dos museos. É posible fuxir de visitas virtuais con gran custo e infrutuosa experiencia. É máis sinxelo: unha páxina web que funciona ben, estrutura os contidos de maneira efectiva e ofrece información adicional para o visitante ocasional e para as persoas que acoden ás actividades.

No exercicio de revisar o noso pasado e de explicalo é frecuente atopar alusións ao feito noutros países. Por exemplo, alúdese frecuentemente á visita dos institutos alemáns aos campos de concentración. Sen entrar na experiencia que pode chegar a ser visitar hoxe Auchwitz, para o caso galego é máis útil tomar exemplo de experiencias máis modestas, non deseñadas para un turismo masivo e si para transmitir mensaxes de maneira efectiva. Institucións que ademais desenvolven unha programación constante e ben planteada, atendendo a cuestións tanxenciais ao obxecto principal do museo, pero moi necesarias como a loita do feminismo ou a traxectoria colonial portuguesa. O Aljube é un exemplo de pequenos contentores con grande contido.

[A imaxe de portada é de https://www.museudoaljube.pt/; as demais son propias do autor – fonte: http://www.mazarelos.gal]

 

 

Ahmed Oubali, Autor en Babab.comEl autor perteneciente a la Biblioteca Africana de la Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes Ahmed Oubali, publica Narcolepsia 4 relatos noirs cuyos protagonistas son movidos por el dinero, el erotismo y la protervia.

El lector los acompañará a lo largo de una narración repleta de sorpresas y sobresaltos a través de ciudades exóticas de un país conocido por su hospitalidad y turismo: «Narcolepsia» es una intriga nocturna que lleva al abismo; «La apuesta», una escalofriante persecución contrarreloj; «Retrato de un maleficio», una aterradora historia “oscilante” y «Tánger», un thriller protagonizado por una espía marroquí, la primera en la historia, que intenta desmantelar un tenebroso y apocalíptico plan nazi.

La Biblioteca Africana nace con el objetivo de difundir la producción literaria en español escrita por autores africanos. Además, el usuario de este portal encontrará, junto con los textos de creación, estudios sobre el continente africano, reflexiones críticas y teóricas sobre autores o corpus concretos, enlaces de interés, así como un material audiovisual que permite dar a conocer de manera más profunda y desde diferentes perspectivas las condiciones de creación de este corpus emergente.

 

 

[Fuente: blog.cervantesvirtual.com]

Sebastià Alzamora

Sebastià Alzamora

 

Escrit per per Jaume C. Pons Alorda

Dia 2 de novembre del 1975, l’artista i home total Pier Paolo Pasolini va concedir una entrevista en què va acabar explicitant sense embuts, com ho solia fer a través de les seves admirades i detestades cartes luteranes, una amenaça que pressentia clarament des de feia molt temps: que tots i cadascun de nosaltres estem en perill. Ja se sap com va acabar la història: l’endemà mateix el varen trobar mort a la platja d’Ostia. El cadàver mostrava proves d’una violència crua, extrema. A hores d’ara, enguany que celebrem el centenari del naixement d’aquest creador insubornable, encara no se sap què va passar aquella nit fatídica, sols en coneixem el resultat final: que Pasolini va arribar a consumir-se en el seu foc definitiu sabent-se sota l’ombra d’un perill.

No puc no llegir la darrera novel·la de Sebastià Alzamora, Ràbia (Proa, 2022), sense aquesta mateixa sensació d’amenaça, una tenebra que a poc a poc es va materialitzant de forma funesta fins que conquereix la part final del llibre, quan el curiós protagonista, sense voler, descobreix les restes d’un passat amagat però latent, tan latent que encara no s’ha pogut digerir per culpa de les ferides encara obertes. Només per aquest final tètric i lluminós, tòrrid i exquisit, finíssim i mòrbid alhora, es podria assegurar que Agustí Villaronga en podria fer una bona adaptació cinematogràfica: el material no només ho permet sinó que ho fa possible.

Proa (2022)

Ràbia, malgrat la seva brevetat, es pot llegir com el súmmum d’una investigació narrativa i com el seu revers més directe. De fet, en la manera com el personatge principal de la història parla de si mateix es pot interpretar una possible contrarèplica de la Dogmàtica Imparable (L’Esfera dels Llibres, 2005) propulsada per Sebastià Alzamora al costat de Manuel Forcano i Hèctor Bofill. De la imatge d’una generació literària delitosa per beure vi amb els cranis xapats dels enemics, expressada al polèmic manifest de l’antologia Imparables (Proa, 2004), es passa a un rebuig explícit i directe de qualsevol casta de violència, i és així com s’arriba a la consigna d’una vida viscuda en humilitat, amb el desig de no fer mal a ningú perquè el mal, tot i que és present pertot, ha de ser combatut amb la consciència diàfana de la bondat i de la comprensió.

El personatge principal de la nouvelle de Sebastià Alzamora presenta alguna mena de tara no explicitada que marca els seus raonaments i la manera com viu i s’expressa, al mateix temps és un home solitari que dedica tots els moviments afectius a la seva gossa: li dedica l’existència, perquè és gràcies a ella que té unes obligacions, uns horaris, unes rutines, un amor. Si això no bastés, és també gràcies a ella que disposa d’unes bàsiques formes de relació amb l’entorn; així la gossa sol ser l’excusa per iniciar contacte o conversa amb les persones que l’envolten en el racó de món on viu, un espai degradat fins la nàusea pel turisme, en el fons un no-lloc que ha perdut l’essència i que és el terrible retrat extrem d’un escenari literari que en anys anteriors Antònia Vicens (39º a l’ombra), Guillem Frontera (Els carnissers), Baltasar Porcel (Olympia a mitjanit), Gabriel Tomàs (Corbs afamegats), Biel Mesquida (T’estim a tu) i Sebastià Perelló (La mar rodona) ja havien fet servir sense pietat: en aquesta tradició s’inscriu Ràbia de Sebastià Alzamora.

La sensació que tenim és com si després d’aquesta obra no és pogués mostrar, amb més contundència, de quina forma el turisme mal gestionat embruta el món i l’acaba destruint en una mar infecta de corrupció. En aquest sentit d’apocalipsi, Ràbia confirma el que ja feia intuir Reis del món (Proa, 2020), una obra magna que, tot i ser finalista del Premi Òmnium i finalista del Premi Amat-Piniella, hauria d’haver merescut més reconeixements, i és que Sebastià Alzamora ha madurat i ha iniciat un nou període literari en què els estudis dels afectes, i dels intel·lectes, guanyen terreny davant la necessitat de generar un impacte violent. És a dir: Sebastià Alzamora, com Quentin Tarantino i això és comprovable en l’arc emocional que va de Pulp Fiction (1994) a Once upon a time in Hollywood (2019), ha passat de l’explicitació escandalosa de la sang a la necessitat imperiosa d’amor i respecte cap a la tradició.

Però no convé que ens enganyem. Tot i la naturalesa intrínseca d’història profundament emotiva que es pot copsar en una primera capa de lectura, i amb un gran interès ja que l’escriptura és sòlida i sintètica i enganxa, Ràbia no és només una carta d’amor als animals de companyia, és una novel·la política, és un clam a favor de la memòria històrica, és un subtil document que parla sobre la barbàrie en què està caient l’ésser humà en un segle XXI cada vegada més deshumanitzat, és l’explicitació de l’amenaça rotunda de l’auge de la ultradreta i de la violència sistèmica que pateix la nostra societat en perill. Sí, en efecte, és una advertència gairebé pasoliniana. Sebastià Alzamora ha signat una contundent novel·la breu que es llegeix com un implacable viatge a l’infern i que demana, a través d’una sèrie de gestos que fins ara no havíem trobat en la seva narratologia, una abdicació claríssima de la violència i una defensa a ultrança de l’empatia per tal d’assumir la salvació. I si bé és cert que Pasolini va dir que estem en perill, igualment cert és que Simone Weil en filosofia i Iris Murdoch en narrativa varen dir que a través de l’escriptura es pot edificar una esperança. Alzamora ha construït una eficaç novel·la formidable que es devora en no-res i ha perpetrat un laboratori narratològic que convida a una esperança calmada.

 

[Font: http://www.laveudelsllibres.cat]

 

 

Escrito por Michael Roberts

Los socialistas que gobernaban en Portugal, con el primer ministro António Costa, han logrado una sorprendente victoria en las elecciones parlamentarias del domingo. Los socialistas obtuvieron una mayoría absoluta en el nuevo parlamento y podrán gobernar sin coalición. La coalición anterior llamada gerigonça (el « artilugio ») se rompió en octubre pasado cuando los partidos de izquierda (Comunistas y Bloque de Izquierda) abandonaron la coalición antes que apoyar el presupuesto que consideraron proausteridad propuesto por los socialistas.

Costa convocó elecciones anticipadas esperando tener que formar una nueva coalición. Sin embargo, los socialistas obtuvieron el 41,7% de los votos emitidos, 5,4% puntos más que en las elecciones de 2019, mientras que los partidos de izquierda perdieron 6,9% puntos. La participación total de votos de izquierda en realidad cayó del 52,3% al 50,6%. El principal partido de derecha, PSD, también obtuvo mejores resultados, pasando del 27,8% al 29,3%. Pero los pequeños partidos de « centro-derecha » perdieron terreno, por lo que la victoria socialista estaba asegurada.

En efecto, hubo un voto útil hacia los principales partidos tradicionales de izquierda y derecha. Con una excepción: el fuerte aumento del partido de extrema derecha Chega (¡Basta!), que obtuvo el 7,2% de los votos, convirtiéndose en el tercer mayor partido en el parlamento. Esa es una señal de lo que vendrá si los socialistas no logran mejorar las condiciones de vida y las perspectivas de los portugueses, los ciudadanos más pobres de Europa Occidental.

La participación electoral ha disminuido constantemente desde las primeras elecciones democrática en 1975 tras la revolución que derrocó a la dictadura militar de Salazar. Entonces la participación fue del 91,7%. En las elecciones de 2019 había caído a solo el 48,6%. La participación del domingo saltó al 58,0%, la mejor desde 2009. Aun así, el 42% de los que no votaron supera en proporción a los que votaron por los socialistas (uno de cada cinco). Persiste la desilusión en la democracia parlamentaria.

El gobierno de coalición anterior supuestamente lo había hecho mejor que la mayoría en respuesta a la pandemia, con una de las tasas de vacunación más altas; pero la tasa de mortalidad aun así ha sido alta y solo se mantuvo dentro de los límites porque el pueblo portugués mostró una gran solidaridad en el cumplimiento de las restricciones para proteger la salud.

La pandemia fue un desastre para una economía portuguesa ya débil. Portugal ha sido llamado el ‘capitalismo de la sardina’ por su conocida conexión con la pesca de esa especie. Pero esto es engañoso: la agricultura y la pesca aportan menos del 2% del PIB anual y solo unos miles de empleo. Mucho más importante, en una economía donde la producción y la inversión manufacturera son relativamente bajas, es el turismo. Al igual que en Grecia, el turismo contribuye con un enorme 20% al PIB anual y ha sido diezmado por la crisis de la pandemia. La economía de Portugal todavía está muy por debajo del nivel tendencial de antes de la pandemia.

https://www.oecd.org/economy/weekly-tracker-of-gdp-growth/

El gobierno de Costa llegó al poder con el compromiso de revertir las políticas de austeridad impuestas por la eurozona posteriores a la crisis de 2008. Al igual que otros gobiernos del sur de Europa en la última década, avanzó poco en crecimiento, productividad e inversión, incluso si evitó medidas de austeridad aún más drásticas. La productividad se ha mantenido plana durante los últimos ocho años.

Nivel de productividad (índice = 100)

La economía de Portugal se ha quedado atrás del resto de la UE desde el año 2000, cuando su PIB real anual per cápita era de 16.230 euros en comparación con un promedio de la UE de 22.460 euros. En 2020, Portugal había subido a 17.070 euros (19.250 dólares estadounidenses), mientras que el promedio de la UE aumentó a 26.380 euros (29.750 dólares estadounidenses).

Base de datos WEO del FMI

La Unión Europea supuestamente pretendía ‘nivelar’ a las economías capitalistas más débiles con el núcleo más rico. La apertura del comercio y la inversión después de que Portugal se convirtiese en Estado miembro en 1986 pareció funcionar, como también en otros países más débiles de la UE. Pero la introducción del euro lo cambió todo. Mientras que antes, los países más débiles de la UE podían dejar que sus monedas se depreciaran frente al marco alemán para tratar de mantener su competitividad, esa opción desapareció en la Eurozona. Sin mayor inversión y productividad, los miembros capitalistas más débiles no podían competir. La convergencia se convirtió en divergencia. Portugal, como otros miembros más débiles, dependía de la inversión de Alemania y Francia. La deuda externa aumentó considerablemente y la crisis de la deuda del euro en 2012, a raíz de la crisis financiera mundial, empujó al país a la penuria y la austeridad.

Mientras tanto, los bajos salarios y el alto desempleo estimularon la emigración, una característica que realmente comenzó en la década de 1960. En los últimos diez años, un período que incluye gobiernos dirigidos tanto por los socialistas como por los socialdemócratas de « centro-derecha », unas 20.000 enfermeras portuguesas se han marchado a trabajar al extranjero, en una fuga de talento médico sin precedentes. La tasa de desempleo juvenil sigue siendo del 25%.

Tasa de desempleo juvenil (%)

El salario promedio es de solo 1.300 euros (1.466 dólares estadounidenses) al mes. Entre todos los países de la OCDE, Portugal tiene el sexto salario promedio más bajo, pero el aumento más alto en los precios de la vivienda. Portugal tuvo la inversión pública más baja en toda la Unión Europea en 2020 y 2021. Esa fue parte de la razón por la que los partidos de izquierda se retiraron de la coalición.

El gobierno socialista asume ahora solo toda la responsabilidad de mejorar las condiciones del 99% en Portugal. Todas sus esperanzas están en el Plan de Recuperación y Resiliencia de la UE, que suma fondos de los miembros más ricos para ayudar a las economías más débiles, la primera vez que se emplea un paquete fiscal de este tipo en toda la UE. El gobierno calcula que el plan europeo de recuperación de la pandemia tendrá un impacto económico de 22.000 millones de euros (25.000 millones de dólares) hasta 2025 y, como resultado, el PIB de Portugal en 2025 será un 3 % más alto de lo que sería sin ese plan.

Impacto del plan de la UE

Esa es la esperanza. Pero el dinero viene con condiciones: a saber, se supone que el gobierno debe mantener una política fiscal estricta y mantener bajos los déficits presupuestarios y, sobre todo, comenzar a reducir su enorme índice de deuda pública.

Deuda pública sobre PIB (%)

Aunque el gobierno socialista obtendrá fondos de la UE para gastar en infraestructura y servicios, es probable que sirva de poco para lograr que un sector capitalista muy débil invierta y amplíe el empleo y aumente los salarios. Porque la rentabilidad del capital en Portugal es miserable. Ha estado estancada y muy baja durante 40 años. La UE no ha hecho nada por el capital portugués hasta ahora.

Serie Penn World Table 10.0 IRR

Portugal es un país pequeño con solo 10 millones de habitantes y una economía de $ 200 mil millones. Bajo el capitalismo, está sujeto a la ‘amabilidad’ o no de los ‘extraños’ (es decir, el capital alemán y francés). Y el nuevo gobierno socialista no tiene intención de cambiar eso.

Michael Roberts es un habitual colaborador de Sin Permiso, es un economista marxista británico, que ha trabajado 30 años en la City londinense como analista económico y publica el blog The Next Recession.

[Fuente: https://thenextrecession.wordpress.com/2022/01/31/portugal-socialists-on-their-own/traducción: G. Buster – reproducido en http://www.sinpermiso.info]

 

 

Santiago Rodríguez Salinas vivía en Madrid no 1936 xunto a súa nai, Antonia, e o compañeiro dela, o prestixioso crítico de teatro de xornais como ‘La Vanguardia’, Alberto Marín Alcalde. O golpe de Estado franquista e a posterior Guerra Civil provocaron un xiro de 180 graos na súa acomodada vida. Decide alistarse para defender a Fronte Popular.

E con ela combateu nas batallas do Ebro e de Teruel, onde Santiago librou a guerra ata que Barcelona cae ante os feixistas. Entón, el xunto a medio millos de exiliados cruzan os Pirineos escapando do terror e da escuridade que trouxo o franquismo.

EXILIO

En Francia, Santiago comeza a súa vida como refuxiado en diversas praias francesas reconvertidas en campos de concentración. “Fomos pioneiros dese turismo actual trashumante de praia”, escribe con ironía no seu libro.

Como escribe eldiario.es, con humor a pesar do desastre, Santiago describe a situación de estar tras un aramio, sentíndose “como animais nun zoolóxico, delgados debido ao rigoroso réxime dietético”, ironiza en relación á fame que pasaban. “Repartíase unha bola para cada 25 persoas“, relata.

REDONDELA

Un día, recibe un correo da súa nai que lle explica que Alberto Marín Alcalde foi condenado a morte e enviado á Illa de San Simón. Antonia, profesora durante a República, trasládase a Redondela para estar máis preto do seu compañeiro.

Tras 16 meses no exilio, todos os exiliados son devoltos a España. Santiago pasa polo campo de concentración de Reus, dous campos de batallóns disciplinarios e unha mili forzada en Canarias; sete anos de castigo. Entón, Santiago chega a Redondela, onde pasará o resto da súa vida coa súa nai, que traballa dando clases particulares.

Santiago cásase e ten tres fillos, un deles o actor Eduardo Rodríguez ‘Tatán’ que recorda para eldiario.es que o seu pai era “un buscavidas” que facía o que podía para darlles de comer. Cando se xubila, e tras décadas de silencio, Santiago comeza a teclear a súa vella Olivetti en 1981 para escribir as súas memorias. Falece no 1985, con 68 años, en Redondela. Máis información en: eldiario.es

 

 

[Fonte: http://www.historiadegalicia.gal]

A autora galega investiu «moitas horas de investigación» na súa última novela

A narradora sarriá Viruca Yebra presentou este xoves na Coruña o seu libro «A última condesa nazi».

Escrito por MELISSA OROZCO / C.

A Marbella dos anos 60 foi un dos paraísos que acolleron o «exilio dourado de nazis que fuxiron do seu país para sobrevivir». A xornalista e escritora galega Viruca Yebra, nos seus múltiples percorridos polo paseo marítimo da localidade malagueña, sempre atopou unha figura que lle chamaba a atención: un prototipo de muller maior que camiñaba polo lugar con moita elegancia. Así é a protagonista da súa máis recente novela, A última condesa nazi (Espasa), presentada este xoves no Real Club Náutico da Coruña.

O libro reflicte a vida doméstica dos exiliados nazis en Marbella, un lugar que, en palabras da propia autora, permitía ter un estilo de vida elegante pero sinxelo e discreto á vez para un grupo de persoas que necesitaba comezar de novo. «Na cidade, había un cura moi aberto e tolerante que foi moi importante porque na ditadura de Franco, onde primaba o catolicismo, o sacerdote deixaba ir ás mulleres sen veo á igrexa. Sabía que se podía vivir do turismo, entendía que as novas modas tiñan que exporse como algo natural. Moitos intelectuais, bohemios e persoas con moito gusto incorporáronse alí», relata Viruca.

A historia cóntase desde a perspectiva de Clotilde von Havel, unha aristócrata alemá casada cun comandante da Wehrmacht, que escapa de todo o que coñece para atopar o edén. Ela é a representación de moitas señoras que a xornalista entrevistou para recrear con fidelidade as súas vivencias.

«Temos un compendio entre realidade e ficción perfectamente orquestrado polos actores do relato. Foron moitas horas de investigación. Conversei con todo tipo de persoas antes de escribir, desde mulleres da alta sociedade ata mozos da guerra. Cada anécdota que recollo está corroborada por tres testemuños. A última condesa é unha novela histórica, de época, entretida, baseada en feitos reais, pero tamén enche de ficción», sinala. A narración é tan variada nas súas criaturas como nas súas temáticas, onde o lector adquire o papel dun voyeur que espía aos personaxes desde o seu cotián. No libro, un deles encarna a eses militares que se opuxeron a Hitler, o que lles custou ata a súa propia vida. Unha das tramas que entretece a historia é a procura de Clotilde en pos da verdade que esclarecerá o seu pasado.

«Non todos os alemáns eran nazis nin todos os nazis eran malos. Por exemplo, un familiar da protagonista era unha gran persoa. Na novela tamén se conta como lograban escapar de Alemaña e tamén as calamidades que pasaban os homosexuais nesa época», anota.

Esta é a segunda novela da autora. No 2016 publicou O lume do flamboyán (Almuzara), unha crónica histórica coa emigración galega en Cuba no centro. A xornalista traballou como delegada da Xunta en Madrid, fundou o Club de Xornalistas Galegos e dirixiu o Club Internacional de Marbella. Tras pasar unha ampla carreira como reporteira e seguir a súa vocación literaria, Viruca Yebra pensa que «calquera xornalista que teña alma de escritor debe pórse a escribir».

 

[Imaxe: César Quian – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Un poble que no està segur del seu origen. Terra d’acollida. Últim reducte prorús de Moldàvia. Llengua turca, fe ortodoxa. Autonomia amb territori discontinu. Cultura agrària. Aquestes són etiquetes que es poden utilitzar per a definir en poques paraules el poble gagaús, un pont entre Turquia i Rússia al sud de Moldàvia, un dels països més desconeguts d’Europa.

Escrit per ÀLEX BUSTOS

A diferència de pobles propers com els romanesos o els russos, que coneixen bé el seu origen i el tenen ben present, els gagaüsos només poden teoritzar d’on provenen. Explica per exemple Vera Garciu, experta en turisme de Gagaúsia: “No podem determinar què hem estat fent [els gagaüsos] durant els últims 500 anys, però es creu que els nostres ancestres eren els oghuzos, i nosaltres en som un record”. Els oghuzos eren una federació de tribus turqueses nòmades que vivien a l’Àsia Central. Una prova que sustenta aquesta hipòtesi és la gastronomia. Hi ha plats tradicionals com la kaurma que és “considerat un plat inventat per gent que recorria grans distàncies de molts quilòmetres”. És carn conservada que pot ser menjada durant molt de temps, tant a l’estiu com a l’hivern.

No és l’única versió que existeix sobre l’origen del poble gagaús. Explica la periodista Anna Zhekova, avui dia jubilada, que el seu avi “sempre deia que nosaltres som búlgars”. Coneix bé el poble gagaús perquè va ser, a la època soviètica, la primera periodista que va treballar en aquest idioma en una publicació de Comrat, la capital del territori. Ho presenta com una anècdota: “No sé com —voluntat divina probablement— vaig acabar treballant en un diari. Només buscava una feina”. Durant anys va anar fent fins que el seu editor, l’any 1969, li va demanar de publicar pel cap baix una pàgina en gagaús, així com “reunir aquells que estimen la llengua gagaüsa i escriure almenys alguna cosa en aquest idioma”. El seu editor ho va justificar dient que no hi havia cap periòdic, diari o revista publicat en aquesta llengua. I va sentenciar: “Tu seràs la primera”.

El futur dels gagaüsos també és tema de conversa. Oficialment, Gagaúsia tindria dret a l’autodeterminació si Moldàvia perdés la seva independència. L’escenari més probable perquè passés això seria una reunificació de Moldàvia amb Romania. Actualment, Gagaúsia és l’única autonomia de Moldàvia, aconseguida després que Chisinau entengués que no volia repetir el que li havia passat amb Transnístria, on es va arribar (1990-1992) a l’enfrontament armat entre les tropes transnistrianes i l’exèrcit moldau. Ara per ara és difícil posar la independència damunt la taula, però la qüestió podria ressorgir si Chisinau es plantegés l’adhesió a la UE, que des d’alguns sectors a Gagaúsia es veu com un intent encobert d’unir-se a Romania. Per aquest motiu, els gagaüsos es van pronunciar a favor d’acostar-se a la Unió Econòmica Euroasiàtica, impulsada per Moscou i de què formen part Armènia, Bielorússia, el Kazakhstan, el Kirguizstan i la mateixa Rússia.

Proximitat amb Rússia

Comrat sempre ha tingut bona relació amb Moscou, fins i tot avui. Per aquest motiu, a les darreres eleccions parlamentàries a Moldàvia els partits prorussos van obtenir prop del 90% dels vots a Gagaúsia, tot i que al conjunt de Moldàvia van aconseguir-ne el 32%. També va ser el districte on la formació AUR, que porta la reunificació amb Romania com a bandera, va obtenir menys vots. Fins i tot a Transnístria aquest partit va aconseguir més suport. Ho comenta l’analista Dionis Cenusa, del think tank moldau Expert Group: “El territori de l’autonomia gagaüsa tenia vincles forts amb la Rússia tsarista i més recentment s’ha acostat a la Rússia postsoviètica”. Considera que “tenint en compte la posició antirussa dels governs moldaus de la darrera dècada, l’autonomia ho ha intentat capitalitzar políticament i [amb aquest posicionament] obtenir favors econòmics, dedicant-se a construir connexions amb el Kremlin”. La governadora actual de Gagaúsia, Irina Vlah, és del Partit Socialista Moldau, de tendència prorussa.

Una bandera de Gagaúsia al monument de la victòria de l’URSS sobre l’Alemanya nazi, durant la festivitat del 9 de maig, a Comrat.

Però la russofília no és només política: a Comrat, l’idioma més utilitzat arreu és el rus. Als pobles s’usa més el gagaús, mentre que a les ciutats la llengua materna d’una part important de la població és el rus. Un exemple és Zhekova, que explica que quan va acceptar fer la pàgina en gagaús al diari, es va sentir poc preparada: “No sabia com pensar en gagaús. Penso en rus, escric en rus, i llavors tradueixo el conjunt”. Per darrere del gagaús, en importància d’ús, trobem el romanès (també conegut com a moldau al país), llengua franca a tot Moldàvia però que a Gagaúsia és un miratge. El desconeixement és tal, que la llengua comodí acostuma a ser el rus. Garciu assegura: “Els nostres estudiants no solen parlar amb fluïdesa [el romanès], i els serà difícil estudiar a Chisinau ». Per aquest motiu, molts joves gagaüsos “van a estudiar a Transnístria, on es parla rus”.

Això no impedeix que Gagaúsia i la resta de Moldàvia tinguin una relativa bona relació malgrat les diferències lingüístiques. Segons Garciu, “qualsevol persona que viu a la nostra autonomia se sent un ciutadà de Moldàvia. Perquè el poble gagaús no té una altra pàtria. Per exemple, els búlgars poden anar a Bulgària, els grecs a Grècia, els russos a Rússia… Però els gagaüsos no tenen una altra pàtria”. Els pobles que esmenta no són casuals: tenen presència al territori en menor o major mesura. No existeixen, a dia d’avui, partits polítics que busquin una major autonomia o la independència de Gagaúsia.

La llengua gagaüsa, de la família turquesa, també ajuda a entendre’s amb Ankara, amb qui han establert relacions comercials. El turc és un dels pocs consolats que es troben a Comrat. Aquest acostament, lògic per a Turquia que vol tenir bones relacions amb tots els països i pobles de llengua turquesa, preocupa a Moscou i és un conflicte d’interessos entre els dos països. Amb els turcs, els gagaüsos comparteixen idioma i algunes robes tradicionals; amb els russos, bagatge històric i religió.

Tres noies aprenen a teixir catifes tradicionals gagaüses al poble de Gaidar.

Fe ortodoxa amb tocs pagans

Els gagaüsos formen part de l’Església Ortodoxa. Si bé els seus ancestres no ho havien estat perquè es creu que abraçaven el tengrisme —una antiga fe dels pobles turquesos i mongòlics—, en la història recent els gagaüsos sempre han estat ortodoxos, fins avui. Comparteixen fe tant amb Moldàvia com amb Rússia. Com en molts altres territoris que formaven part de la URSS, la religió s’ha recuperat i els temples s’han reconstruït o se n’han fet de nous.

A més a més, queden, com en molts altres pobles, restes de creences antigues. Explica Garciu que “ara al segle XXI, encara hi ha elements pagans que s’utilitzen a la nostra cultura”. Posa diversos exemples, com el “ritual de la pluja” o el “culte al llop”. “Tenim festivitats que dediquem al llop: simultàniament el temem i li tenim respecte”. Durant aquestes festivitats no es pot segar, recollir, ni fer cap altra feina al camp. Tenint en compte que prop del 70% del PIB de la regió prové del sector primari, aquestes celebracions són dies d’aturada total. Aquest animal apareixia com a element central a la primera bandera gagaüsa, que es va crear als anys 90.

 

[Imatges: Diego Herrera – font: http://www.nationalia.cat]

Museum of Sex Thailand tailandia 1

Publicado por David Jiménez

El Gobierno de Tailandia se enfadó conmigo hace unos de años por un artículo que escribí sobre los burdeles de Bangkok, convocándome a una reunión en la que fui llamado al orden. Funcionarios sentados al otro lado de una mesa del tamaño de media pista de tenis insistían en que la ciudad tiene mucho más que ofrecer que puticlubs donde las meretrices se ofrecen vestidas de azafatas de Singapore Airlines, trapecistas gais hacen malabarismos sexuales y ladyboys beben tequila sobre el regazo de turistas japoneses. Alegar que en los ocho años que llevaba viviendo en la ciudad solo había escrito un par de veces sobre prostitución no sirvió de mucho. Mis interlocutores insistían en que mi reportaje provocaría un efecto llamada en los turistas sexuales y depravados del mundo, que al parecer necesitaban de mis revelaciones para enterarse de que en Bangkok se puede pagar por sexo. Casi puedo imaginar su cara de sorpresa.

La reprimenda me sorprendió porque el papel de dama ofendida no iba con un lugar que no solo ha sido consciente de su mala reputación, sino que ha hecho todo lo posible por fomentarla. Las autoridades tailandesas descubrieron los beneficios económicos del comercio sexual en los años 70, cuando se creó el primer distrito rojo del país en la ciudad costera de Pattaya, ofreciendo un oasis de vicio a los soldados americanos que llegaban de Vietnam. El Ministerio de Turismo envió años después una nota a los gobiernos provinciales pidiendo que promocionaran la apertura de «zonas de entretenimiento», el eufemismo con el que los asiáticos describen sus barrios eróticos. En la ofensiva para convertir Tailandia en una potencia turística, alguien había llegado a la conclusión de que no bastaban playas con mar azul turquesa, centenarios templos budistas o la legendaria amabilidad local. «Perder la reputación ahora para recuperarla más adelante», es como se definió la política destinada a que los visitantes se marcharan con una sonrisa. La reacción por mi artículo me hizo pensar que «más adelante» había llegado y las autoridades habían iniciado el lavado de imagen.

Uno solo podía desearles suerte: la iban a necesitar.

Tailandia se ha ganado el título de capital libertina del mundo a pulso, desde que los primeros viajeros que llegaron al reino de Siam se sorprendieron de que los anfitriones ofrecieran una noche con una hija como regalo de bienvenida. Sin los corsés puritanos del cristianismo o el islam, con su incapacidad para juzgar cómo gestiona cada uno las cargas de la naturaleza, el país ha creado su propia marca como el destino donde se puede dar rienda suelta a las fantasías. Y a los tailandeses no les ha importado jugar ese papel, en parte porque son incapaces de tomarse el sexo en serio.

Después de todo, este es el país donde las mujeres se declaran las más infieles del mundo; donde se le ha puesto un nombre (gig) a la pareja de la que solo se esperan contrapartidas sexuales; y donde Chuwit Kamolvisit, conocido como el Rey de las Saunas y antiguo dueño de la mayor red de burdeles de Bangkok, se sienta en el Parlamento nacional. El tipo llegó a tener a veinte mil prostitutas a sueldo en sus locales, pero lo que en otro lado le habría llevado a la cárcel en Tailandia le sirvió para hacer carrera política. En vísperas de una de las votaciones se dejó fotografiar en un jacuzzi con seis de sus chicas, respondiendo a la prensa en mitad de una nube de espuma y alardeando de ser un creador de empleo: «Ellas quieren mantener a sus familias del norte y yo les doy esa oportunidad».

Los burdeles temáticos como los que hicieron millonario a Chuwit, con locales que lo mismo se hacen pasar por enfermerías, institutos escolares o cabarets de los años 20, son solo una pequeña parte de la oferta de Bangkok. La ciudad tiene tantas casas de masaje como bares Madrid, la mayoría ambiguamente presentados con carteles que anuncian fines terapéuticos y casi siempre ofrecen la alternativa del «final feliz». No es que los dueños quieran ocultar lo que sucede tras las cortinas, sino que para el tailandés el masaje puede terminar en un trabajo manual y seguir siendo «tradicional».

Tailandia siempre ha exhibido sus burdeles sin complejos. Están a pie de calle, anunciados con llamativas luces de neón. Los taxistas los publicitan y las guías turísticas los recomiendan. Tanta transparencia ha contribuido a esa mala reputación de la que hablábamos, porque el viajero regresa a su país con historias increíbles del tráfico sexual del que ha sido testigo, sin llegar a preguntarse si lo que sucede en Patpong es realmente peor que los clubs de carretera de España. Si lo hiciera, llegaría a la conclusión de que no.

En un mundo ideal, que no parece haber existido, nadie ofrecería sexo a cambio de favores, trabajo, fama, prebendas o dinero. En el que tenemos, uno prefiere mil veces un burdel tailandés a cualquiera de los clubes de España donde las inmigrantes son chantajeadas y obligadas a acostarse con unas decenas de clientes para pagar ese precio inalcanzable del billete de avión que las trajo. Limpiados de la prostitución infantil de los años 80, los locales tailandeses se han convertido en parte de la ruta turística porque carecen del ambiente marginal de lugares similares en Occidente. Las prostitutas tailandesas rara vez son retenidas contra su voluntad. No pertenecen al chulo o al local. El cliente paga lo que se conoce como «una multa» al bar donde trabaja y ella negocia su precio. El dinero es solo suyo y, si no quiere volver nunca —las más afortunadas consiguen enamorar a algún cliente—, no tiene que hacerlo.

Las organizaciones feministas locales hace tiempo que abandonaron la idea de rescatar a las prostitutas. Les ofrecen desde clases de baile para atraer más clientes a cursos de inglés y comercio, por si quieren intentar cambiar de vida. Primero porque se niegan a ser rescatadas, al menos sin una alternativa laboral, y segundo porque tendrían que hacer lo mismo con un buen puñado de hombres. Un estudio de la Universidad de Chulalongkorn asegura que hay treinta mil de ellos trabajando como gigolós en Tailandia, con africanos y jamaicanos cobrando los mejores sueldos por razones que se suponen obvias. En el parque temático del sexo, hay de todo. Para todos.

Salí de la reunión con los funcionarios del Gobierno y enseguida me vinieron a la cabeza todas las cosas que debía haber dicho y que se le ocurren a uno a destiempo. Que había visto burdeles incluso en el Kabul de los islamistas y que no había sociedades más puras que otras. Que nadie podía darle lecciones a Tailandia, que con su decisión de no esconder su lado oscuro mostraba menos hipocresía y más transparencia que muchos de los que la criticaban. Y que era en los lugares que pretendían no tener prostitución, allí donde se la empujaba a la clandestinidad, donde se producían los mayores abusos. Estaba lo de la reputación, es cierto, pero siempre podría recuperarse «más adelante» o aprender a vivir con ella.

 

[Fuente: http://www.jotdown.es]

Escrit per Joana Serra

Aquest llibre ens permetrà acostar-nos al que és i ha estat Catalunya Nord en aquest període del 1981 al 2021.

Els autors, en el pròleg, ens situen en el context de l’inici del període :

«A Catalunya Nord, l’agricultura anava malament i trigava a operar la seva mutació. El turisme de massa ho arrabassava tot i el rerepaís així com un turisme més verd, més cultural i patrimonial, tenien mal a emergir. Els mals endèmics: atur, dificultats d’inserció pel jovent, envelliment de la població, instal·lació de poblacions al·logèniques i pèrdua continua de l’ús de la llengua, eren al seu zenit. Tanmateix, ves per on, unes iniciatives agosarades portades per una nova associació, Arrels, aplegant militants i defensors del català, es concretarien en una ràdio i una escola.»

El maig del 1981 naixia Ràdio Arrels, l’única ràdio associativa que emet 100 % en català a Catalunya Nord, i potser de les poques que és tan fidel a la llengua a la resta dels Països Catalans. El setembre del mateix any, s’obria l’escola immersiva Arrels. Avui, 40 anys després, les iniciatives han prosperat i les celebren amb un llibre memòria il·lustrant la petita i la gran actualitat d’aquest país que han compartit amb la seva gent: 40 anys d’Arrels, 40 anys d’un país: Catalunya Nord, redactat per la mateixa associació i coordinat per Eric Forcada. Es tracta de la crònica dels esdeveniments que han marcat l’actualitat econòmica, cultural, social i política dels anys 1981 al 2021 en aquest petit territori.

Cada any s’hi destaquen notícies de temàtiques diverses. Per exemple, en l’àmbit social i polític, la lluita contra l’extensió de la pedrera de Vingrau, o les mobilitzacions contra la THT/MAT; el relleu en el poder municipal o el llarg regne de la família Alduy a Perpinyà, l’elecció d’un batlle d’extrema dreta a l’ajuntament de Perpinyà, Louis Aliot. Pel que fa a l’economia, la reestructuració del mon vitícola, l’emergència de l’agricultura biològica, l’or blanc i les dificultats de la indústria de la neu.

Arrels (2021)

També s’hi tracten aspectes culturals, com la creació d’infraestructures com ara la Casa Musical, la Maternitat d’Elna, o l’ampliació dels museus de Ceret i Talteüll. O la creació de noves entitats com ara Aire Nou de Bao. La revifalla i la gesta dels grans clubs de rugbi, la USAP i els Dragons Catalans.

S’hi afegeixen també informacions sobre l’ús de la llengua que ha minvat, malgrat la desaparició progressiva de l’autoodi i un prestigi creixent del català, i la progressió del seu ensenyament. Un interès també creixent pel Principat de Catalunya i el seu futur.

El llibre ens invita de manera molt amena a reflexionar sobre el futur de Catalunya Nord. La clau, segons els autors, la tenen els nord-catalans amb la capacitat, o no, d’acollir tots els nouvinguts per construir un projecte comú. Un projecte engrescador, que aporti il·lusió, que sigui respectuós de les persones, de la terra, de la identitat, de la cultura, de la història, de la llengua.

El propòsit dels redactors és d’arribar a una aproximació de tot allò que ha tingut transcendència durant 40 anys a través d’una actualitat que Ràdio Arrels ha anat seguint dia a dia amb els criteris d’objectivitat que la caracteritzen. Ràdio Arrels també ha anat recollint testimonis de l’actualitat d’aquests 40 anys al país. Per això es poden escoltar, a través de codis QR a cada pàgina del llibre, il·lustracions sonores i comentaris dels arxius d’aquesta ràdio.

 

[Font: http://www.laveudelsllibres.cat]