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Dou uma volta de bicicleta por São Paulo e suas contraditórias paisagens pós-covid. Enquanto contávamos cadáveres, o novo normal se impôs para manter a máquina do capitalismo. Como rasgar a normalidade e, por trás dela, encarar a mudança?

Escrito por Fernanda Almeida

Pedalo diariamente 16 quilômetros, distância entre minha casa e um dos meus muitos trabalhos. Saio do centro antigo e vou até o elegante bairro de Pinheiros. Percorro um caminho no qual o desenho da paisagem urbana é como um retrato flagrante das contradições das relações sociais, sobretudo em tempos pandêmicos.

Por ser trabalhadora da saúde pública, não vivenciei o angustiante teletrabalho. É bem verdade que, no início, cheguei a sentir inveja dessa história de ficar em casa de pijama da cintura para baixo, fazendo pão e praticando yoga na frente de uma tela. Passados um ano e meio percebo que alguns amigos que tiveram a “condição” de se isolar em casa, por vezes, estão mais entristecidos, mais cansados, e até mesmo mais adoecidos do que nós, que enfrentamos a pandemia nas idas e vindas diárias pelas ruas da cidade. Percebo agora que são mais complexas as camadas para compreensão dos impactos (objetivos e subjetivos) do confinamento forçado pela pandemia, ainda que reconheça que, para alguns, ter podido isolar-se foi um privilégio.

Embora desaconselhado por especialistas, eu pedalo ouvindo música. Sempre gostei de pensar a cidade como palco. Assim, no tablado da minha rotina cotidiana sou eu quem escolhe a trilha sonora, pedalando vou construindo histórias imaginárias, talvez uma forma de proteger-me da desmesurada realidade. A música invade os meus sentidos e me distrai, mas não o suficiente para me impedir de ler uma sequência desconcertante de placas: “Aluga-se”, “Vende-se” e “Passo o ponto”. Tampouco me impede de notar que as fileiras de portas fechadas denunciam a falência da pequena economia local, aquela que sempre encheu pratos de feijão, mas nunca fez acumular o dinheiro suficiente para a compra de fuzis.

Agora que as portas de muitos comércios estão fechadas é possível, com mais “conivência”, utilizar as soleiras e transformar as calçadas em moradia. Gente e mais gente espalha-se pelo passeio público. Lembro-me de que o contingente de pessoas em situação de rua nos últimos anos mais que triplicou. Esbarro neles, desvio deles, reconheço eles, cumprimento alguns deles. Barraca, cobertor, carrinho de papelão, restos de comida contrastam com as fachadas espelhadas dos prédios na avenida mais palco do país, a Avenida Paulista. Dia desses, subindo a Rua da Consolação, eu estava embalada pela melodiosa voz de Vanessa da Mata, em sua nostálgica canção Carta (Ano de 1890).

Ando nas ruas do centro
Estou lembrando tempos
Enquanto lhe vejo caminhar


Aguando a calçada
Um barbeia um velho
Deita a noite e diz poesia (serenata)


Vinho enquanto ouve choro costurar
Passei em casa, seu Zé não estava
Memórias Senhor Brás Cubas postumavam
Enquanto vi passar Helena pra casa de chá


Devagar, bonde na praça
Ainda borda delicadeza
Torna a gente
Banca de flores
Libertando sorrisos no ar

No meu percurso de ida, a Rua da Consolação é sempre a mais inspiradora. O contraste talvez seja a melhor definição. Ao ganhar fôlego para vencer a ladeira sinto a presença das muitas camadas históricas que povoam o universo social e cultural da cidade. Tem igreja, prédio público, universidade, cemitério, bombeiros, lojas de luminárias, e sobretudo, muitas lendas urbanas: quem nunca ouviu falar do Bar das putas e suas muitas versões sobre o que ali acontecia em defesa das mulheres? Lamento por quem nunca tenha podido pegar uma sessão no Cine Belas Artes seguida de uns drinks no antigo e saudoso Riviera Bar. Ali, novo e velho convivem com seus nexos de memórias e símbolos.

Já no topo, no Espigão da Avenida Paulista, prestes a entrar na Avenida Dr. Arnaldo, um pensamento me invade: Quais são os sentidos da imperativa busca por normalidade? Antes disso preciso dizer algo; desde o início da pandemia, sempre que passo em frente ao Hospital Emílio Ribas sou tomada por uma sensação de reverência, fato de que até então minha alienação me “protegia”. Agora já não consigo deixar de pensar nos muitos homens e mulheres – os trabalhadores da saúde – que arriscam cotidianamente suas vidas para salvar outras tantas vidas. Também penso naqueles que perderam pessoas queridas. Me identifico com os órfãos, lamento os casamentos marcados que não aconteceram, imagino a solidão das viúvas, nem consigo presumir a dor da mãe sem filho para embalar. Ao mesmo tempo me ressinto com o vai e vem apressado das pessoas, em especial naquele quarteirão, me parece sintomática a desafetação dos transeuntes.

Retomo a partir daqui o argumento original que me fez pensar este texto. Foi ali, na curva da Praça dos Arcos, que comecei a examinar a pandemia a partir de ciclos imperativos em busca da normalidade: novo normal, voltando ao normal, e agora, mais recentemente, o normalíssimo.

Logo nos primeiros meses da pandemia era irritante a insistente tentativa de enquadrar o cotidiano a partir da noção de novo normal. Nas redes sociais não faltaram “especialistas” do mainstream na defesa da nova tendência. Uma busca insana por nos fazer aceitar forçosamente uma realidade inédita. E me perguntava sobre o interesse ideológico em firmar um novo normal. Aceitem que dói menos, é isso? Como toda novidade é sempre um campo de possibilidade de ruptura, era preciso rapidamente ditar os padrões do novo normal. Nesse sentido, o mercado foi esperto.

O jovem mercado empreendedor brasileiro apoderou-se da narrativa da saúde mental como sinônimo de bem-estar e construiu um amplo cardápio de novas necessidades em busca de minimizar a angústia dos meses iniciais. Agnes Heller enfatiza o quanto a cotidianidade, a partir de sua estrutura heterogênea, impõe uma certa adaptação. Assim, a adesão dos consumidores foi maciça e revelou ainda mais as contradições de classe. Enquanto contávamos cadáveres, o novo normal se impunha como desejo cínico para manter a máquina do capitalismo em movimento. Como resultado, o consumo e-commerce paulista disparou, só em 2020 cresceu 27%2. Uma pesquisa realizada pelo SEBRAE mostra que 1,8 milhão de pessoas se inscreveram no programa de microempreendedor individual (MEI)3. E, assim, os índices alarmantes de desemprego, precarização das relações de trabalho, uberização da vida e empobrecimento em massa – resultados da reestruturação do capitalismo na sua fase ultraneoliberal – aprofundaram-se.

Ao alcançar a esquina da rua Cardeal Arcoverde, um lampejo de alegria tomou-me de assalto. Uma fila de carros e pessoas esperam pela tão desejada dose de imunização contra o vírus que já provocou tantas mortes. O tradicional Centro de Saúde Geraldo de Paula Souza me faz lembrar que o ato de vacinar é coletivo e uma atitude política, portanto é uma práxis ética. Rememoro que, aquele quadrilátero da cidade, com seus prédios suntuosos com nomes de cientistas, infectologistas e sanitaristas, outrora desbotados na paisagem da cidade, ganha força na medida em que irradia luzes cintilantes de esperança em cada dose aplicada. Num instante, associo que a história da saúde pública brasileira pode ser contada a partir de um fio que liga o final do século XIX às determinações desta nossa época pandêmica. O mesmo espaço em que foram travadas as lutas pela erradicação das epidemias que castigavam a cidade no período imperial e no alvorecer da nova república é agora território de uma esperança, renovada a partir da força do SUS.

Ainda com tempo para uma pequena traquinagem, eu grito por trás da máscara cirúrgica: Viva o SUS! Fora Bolsonaro!!! Buzinas, gritos, aplausos… Feito criança que apertou a campainha do vizinho, pedalo mais rapidamente. O coração já está desacelerando quando a paisagem muda.

A rua Artur de Azevedo é mesmo interessante, tem de tudo um pouco, de lojinha de produto de limpeza a modernas cafeterias e hamburguerias. Tem gente em todo canto, uns de máscaras, outros sem. Velhinho passeando com cachorro, madame na butique, menino na bike em alta velocidade com suas mochilas Ifood, enfim, gente para lá e para cá. Daí penso: As coisas parecem estar voltando ao normal. Imediatamente, lembro-me de que o ar de normalidade é desconcertante, afinal ainda estamos enterrando mais de 450 pessoas por dia. São mais de 600 mil mortos. Travo um diálogo interno: Mas ninguém aguenta mais. Não seja tão tosca, estamos há um ano e meio nesse rolê insano!

Começo a pensar na banalização do uso da palavra Saúde Mental. Nas redes sociais não faltam postagens de fotos em churrascos, festas, aglomerações com a hashtag #saúdemental. É irônico pensar no tanto de gente que se arrisca contaminar em nome da “#saúdemental”. É triste perceber o individualismo flagrante de uma parcela da sociedade reivindicando a SUA #saúdemental. Como se ter saúde mental fosse um ato meramente individual. Eu que sou trabalhadora de um precarizado equipamento público de Saúde Mental começo a conjeturar: estariam esses tantos empenhados em defender a política pública de Saúde Mental cotidianamente ameaçada?

Agora já estou pertinho do meu trabalho. Aceno para um trabalhador de um prédio que todos os dias, impreterivelmente, recolhe as folhas e, por vezes, flores do ipê amarelo caídas na calçada. Eu e este jovem negro, cúmplices nesse olhar que atenua a rotina cotidiana.

Acho engraçado como os nomes podem dar sentidos diversos para as coisas. Nomear é dar significado. O Baixo Pinheiros agora está em alta. É lá que o CAPS-AD está localizado. Penso na nossa herança portuguesa e no legado urbanístico e cultural dos bairros altos e baixos. Em geral, são nos territórios marginais que a “vadiagem” se constituiu como simbólico. É bem verdade que o Baixo Pinheiros está mais para chique-hipster-descolado. Fato é que, neste espaço, uma concentração de bares, cervejarias, tabacarias, restaurantes, cafés vão dando ares de que tudo segue normalíssimo. E uma nova boemia masculina, branca e escolarizada aglomera-se. Percorro essas ruas pedalando e me pergunto: é possível ser flâneur em meio aos escombros? Na playlist Criolo sentencia sobre SP.

Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu.


Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você


Encontro tuas nuvens em cada escombro em cada esquina
Me dê um gole de vida


Não precisa morrer pra ver Deus

Enfim chego ao CAPS, amarro minha bicicleta em uma grade na entrada, estou pronta para iniciar mais uma jornada. Um homem em situação de rua que acompanho semanalmente me aguarda no espaço de convivência dos pacientes. Ele me diz em tom de indagação: “A senhora não tem medo de morrer andando de bicicleta nesse trânsito maluco de São Paulo?”. Sua pergunta me faz fraquejar as pernas e esmorecer a alma. Uma voz ecoa em mim: “Medo da morte”. Estico meu braço com o punho fechado em sua direção, cumprimentamo-nos com o famoso “soquinho”. Olho para ele e digo baixinho…São tantos medos, né? Por baixo da máscara começo a cantarolar: Você tem sede de quê? Você tem fome de quê? Seus olhos sorriem para mim.


1 Texto originalmente publicado no Boletim Online 60 – Jornal Digital dos Membros, Alunos e Ex-Alunos do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, em setembro de 2021.

2 https://www.fecomercio.com.br/noticia/canal-de-consumo-na-pandemia-e-commerce-paulista-cresceu-27-em-2020-mostram-fecomerciosp-e-ebit-nielsen… 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

Câmara pretende que bicicleta seja um meio alternativo de transporte e avança com seis grandes eixos no interior da cidade

Lisboa vai ter 200 km para pedalar e quer ir de Oeiras a Vila Franca

Escrito por Susete Francisco

Nos próximos dois anos a cidade de Lisboa deverá atingir os 200 quilómetros de vias cicláveis. Aos atuais 60 quilómetros dedicados às bicicletas vão juntar-se mais 150, que vão atravessar « transversalmente » a capital, em seis grandes eixos. Um passo que cria « uma verdadeira rede de mobilidade », defendeu ontem o presidente da autarquia, Fernando Medina. Ou seja, às ciclovias que atualmente servem sobretudo como espaço de lazer vão juntar-se novas vias que visam promover a bicicleta a meio alternativo de transporte no interior da cidade. Outra aposta vai para a frente ribeirinha. Lisboa, Oeiras, Loures e Vila Franca estão em « conversas » para efetuar a ligação das ciclovias em toda a beira-rio.

De acordo com as linhas gerais do plano para a mobilidade ciclável, ontem apresentadas pelo vereador das Estruturas Verdes, José Sá Fernandes, a cidade vai ser atravessada por seis eixos principais: o da frente ribeirinha (Marginal), o que vai ligar Benfica ao Braço de Prata, o Eixo Circular Exterior, um quarto, Alcântara-Luz, uma quinta via, que está agora em execução nas obras do Eixo Central, e uma sexta rede, que atravessará os Olivais. A estas vias juntar-se-á uma « rede complementar » cujos contornos Sá Fernandes remete para a apresentação do plano integral, no final do mês de outubro.

Segundo o responsável autárquico, a rede principal estará pronta no « primeiro semestre de 2017 », podendo « um ou outro troço » ser finalizado no segundo semestre ou inícios de 2018. Boa parte da nova rede ciclável está já em construção, como sucede no Eixo Central (Avenida Fontes Pereira de Melo e Avenida da República) ou na Avenida 24 de Julho, ou em implementação, no caso das zonas 30 (onde os automóveis não podem circular a mais de 30 quilómetros/hora), como é o caso da Avenida Praia da Vitória, que recentemente foi alvo de obras de requalificação.

A nova rede ciclável assumirá, assim, configurações diversas. Nas vias em que há redução da velocidade e intensidade do tráfego, as bicicletas vão partilhar o espaço rodoviário com os automóveis. Já nos principais eixos de circulação o espaço reservado aos ciclistas será « segregado » da via rodoviária – ou seja, estará separado das vias reservadas aos automóveis por um elemento físico (pilaretes, por exemplo). A segurança foi, aliás, um aspeto destacado pelo presidente da autarquia, Fernando Medina, como essencial para que os lisboetas adiram à bicicleta como meio de transporte na cidade. « Segura e funcional » foram dois termos repetidos por Sá Fernandes, que defendeu que esta rede vai « unir a cidade inteira ». As vias para as bicicletas terão uma sinalética própria.

Falando na conferência Mobilidade Sustentável em Lisboa, que ontem decorreu na reitoria da Universidade de Lisboa, Sá Fernandes disse que a Câmara de Lisboa está a « falar com Loures » para ligar a rede ciclável entre os dois municípios através de uma ponte sobre o rio Trancão. Sá Fernandes não avançou datas e, do outro lado, também não há prazos. Fonte da autarquia de Loures disse ao DN que a construção de uma ciclovia na frente ribeirinha do município está por agora « em fase de projeto », num trabalho que está a ser desenvolvido « em conjunto » com Lisboa e Vila Franca de Xira.

Além da frente ribeirinha, a ligação das vias cicláveis aos concelhos limítrofes de Lisboa vai fazer-se também pelo interior da cidade, nomeadamente com uma ligação a Oeiras através do Monsanto. « A mesma coisa pode acontecer com Amadora e Odivelas », referiu Sá Fernandes.

Mais estacionamento dissuasor

Mais bicicletas, menos carros, mais estacionamento. Outra aposta da Câmara de Lisboa passa pela criação de estacionamento junto a pontos de entrada da cidade ou interfaces de transportes. Vão ser mais de quatro mil novos lugares, disse Fernando Medina, apontando a concretização desta medida para o próximo ano. A diretora municipal da mobilidade e transportes da câmara, Fátima Madureira, especificou que serão seis os parques dissuasores para quem entra na cidade de automóvel e vão situar-se na Belavista, no Colégio Militar (junto ao Estádio da Luz), em Santa Clara (junto à estação de metro da Ameixoeira), na Pontinha, em Pedrouços e no Campo Grande (no Estádio de Alvalade). Manuel Salgado, vereador do Planeamento e Urbanismo, pôs a questão assim: « Em cada três carros que circulam em Lisboa, dois vêm de fora e estão estacionados todo o dia » na cidade, ocupando um espaço equivalente a « 1400 campos de futebol ».

Retirar os carros do centro

Falando logo na sessão inaugural da conferência, Fernando Medina defendeu uma « nova visão estratégica da mobilidade ». Manuel Salgado foi mais concreto: « Sem reduzir o número de veículos que circulam em Lisboa, a mobilidade no centro da cidade não tem solução. »

Medina adiantou que está já concluído com o governo um entendimento relativamente ao nó da Buraca e ao nó da A1, no Campo Grande, de forma a dar um papel mais central à CRIL – ou seja, dar-lhe « o seu verdadeiro papel enquanto circular externa da cidade ». O autarca da capital disse também considerar como prioritária « a ligação direta da A5 ao Eixo Norte-Sul », bem como a conclusão das acessibilidades ao aeroporto, de forma a retirar do centro da cidade o tráfego de e para a zona aeroportuária da cidade.

No mesmo espírito – retirar os carros do centro de Lisboa -, Medina defendeu que a « utilização intensiva do eixo ribeirinho pode ser alterada, com vantagem, pela utilização dos meios [viários] circulares » que rodeiam a cidade.

 

[Foto:  arquivo Global Imagens – fonte: http://www.dn.pt]

Copenhague

Escrito por Cristina Gironès

El día que abrí el correo y me encontré con la tan esperada carta de aceptación al programa de máster Erasmus Mundus tuve que irme a correr. Ahora que lo tenía entre las manos dudaba sobre mis deseos y capacidades. Por aquel entonces aún quedaba una semana larga para que Europa se paralizase por el coronavirus. Los meses anteriores no habían sido fáciles, y estaba a punto de tomar la decisión de dejar mi contrato indefinido para irme a vivir a un país tan pequeño, tan desconocido, tan insignificante para la geopolítica global como Dinamarca. Acostumbrada a escribir sobre desgracias, ¿dónde podía encontrar buenas historias en el –considerado– país más feliz del mundo?

Nunca había vivido en ninguna región más al norte de Hamburgo, ni, por supuesto, nunca se me había ocurrido visitar la aburridísima Escandinavia. Pero ahí me encontraba, explicándole a uno de mis mejores amigos en el coche dirección Barcelona que ya lo tenía, que sí, que el consorcio elitista había decidido aceptar a esta chica normalísima, crecida entre vacas y campos de trigo, para su programa de periodismo internacional.

En mi cabeza, Dinamarca era el país perfecto: los prados eran verdes –nunca amarillos–, los edificios estaban limpísimos –sin ningún graffiti–, y las bicicletas se podían aparcar sin candado y sin sufrir por si alguna persona decidía volver a su casa con tu medio de transporte. Y es que esto no es casual: el discurso occidental siempre se ha servido de este territorio como el paradigma del bienestar, de la sostenibilidad, de la igualdad. El resto de Europa es una copia imperfecta de Dinamarca, y su campo de desarrollo es siempre desde su posición.

Aproveché el confinamiento para ponerme al día. ¿Eran mis expectativas y mis ideas algo real? Por el momento, la universidad estaba cumpliendo todos los estereotipos nórdicos. Nos orientaron a la hora de buscar una habitación, nos ayudaron a tramitar la residencia o visado e, incluso, nos acompañaron emocionalmente durante todo el proceso. Y después de googlear a fondo encontré que, efectivamente, durante décadas Dinamarca ha sido conocida como uno de los países más tolerantes y abiertos del mundo, especialmente a lo que a migración y refugio se refiere. Y este último apunte es importantísimo para entender mi experiencia.

Movimientos sociales ¿de raíz?

Era la primera vez que entraba en el centro social en el que acabaría pasando gran parte de mi año en Dinamarca. Recuerdo que, al abrir la puerta, un fuerte aroma a café y a desinfectante de manos se coló por mi nariz. Ese lugar era especial, pero no tenía nada que ver con los CSO (centros sociales ocupados) o ateneus ocupados que había frecuentado en el pasado. Aun así, las paredes parecían un collage de llamamientos populares, banners pro-Palestina y muchos-muchos pósteres en contra del cambio climático.

La chica que me atendió –el espacio era, también, una cafetería– se dirigió a mí en inglés. Después de invitarme a una taza de un líquido negro aguado al que solían llamar filtered coffee, me explicó que tenían diversas asambleas que se celebraban semanalmente para organizar manifestaciones, eventos u otras acciones. Y me apunté, sin pensarlo, a dos grupos de movilización. Hacía tiempo que mis espacios de confort eran centros sociales como ese.

¡Qué guay! Me fui a casa contenta. Esto me duró, a lo sumo, un par de días. Después de la primera reunión –estaba vinculada a un focus group de migración–, mis ánimos estaban por los suelos. Las personas con roles de poder, danesas y en la treintena, repetían una y otra vez que Dinamarca había sido la primera nación en firmar la Convención sobre Refugio de la ONU, que había liderado la atención y aceptación de inmigrantes desde principios de los 2000. Que siempre había sido un ejemplo a seguir, y que todo lo que estaba sucediendo ahora era “momentáneo” y “poco relevante”.

Lo que era “momentáneo” y “poco relevante” en su opinión era la deriva nacionalista del gobierno socialdemócrata con la complicidad de una sociedad poco movilizada. Y es que después de haberse situado como el primer país europeo en iniciar los trámites de expulsión de un centenar de personas refugiadas Dinamarca también estaba endureciendo otras políticas. Por ejemplo, aprobó recientemente una nueva ley que dificulta el acceso a la ciudadanía y que plantea la deportación de migrantes desempleados o con historial delictivo. Y esto no es todo. La línea dura que ha marcado el gobierno de Mette Frederiksen también ha impulsado la externalización de fronteras para expulsar a los solicitantes de asilo a centros de detención fuera de Europa, posiblemente en África, para que se estudien allí sus casos.

¿Qué hacer cuando, ante semejantes recortes de derechos, los que deberían estar en primera línea justifican lo injustificable? Por suerte, otras voces empujaron a la organización a moverse. Y, a raíz de esto, concentraciones y campañas empezaron a ocupar tiempo y espacio públicos. Si bien es cierto que existen grandes iniciativas de muchas personas, mayoritariamente internacionales, que abogan por la carga política de los movimientos sociales, estos no brillan precisamente por el rigor y radicalidad de sus exigencias.

Y de aquí, creo, surgió una reflexión con un amigo del centro. Por aquel entonces ya era pleno invierno y, aunque hacía pocos días que Halloween había inundado las casas, la Navidad y sus luces empezaban a despuntar en todas las calles. Vivir a menos de 0 grados era una experiencia nueva para mí y, aparte de algún proceso de congelación, me adapté gentilmente al clima hostil de Dinamarca. Fue en una de esas tardes en que el sol se iba a las tres y el glögg –vino caliente con canela– brotaba fácilmente de las botellas, en que me encontré nuevas y flagrantes contradicciones políticas.

Una de las puntas de lanza que alimenta la imagen de Dinamarca como un estado perfecto en el que todo funciona bien, en que la salud y la educación son gratuitas, en que el gobierno se encarga de todos los asuntos públicos es, precisamente, el Estado del Bienestar. Y es, efectivamente, uno de los aspectos que más envidio de los países nórdicos. Donde se centra mi reflexión es más bien en las consecuencias sociales de todo esto. Que una estructura así funcione bien no es algo que se haya conseguido con la movilización social, por más que me pese. Es más, es precisamente esta estructura la que consigue que la sociedad esté cada vez más desmovilizada. Si todo funciona bien, si nadie tiene hambre y todos tienen techo, ¿qué vamos a pedir?

Esta pregunta resonó dentro de mí. La idea de que Dinamarca posee una sociedad civil fuerte es, de nuevo, mentira. Y es que esta deriva conservadora en grado sumo se está dando con la pasividad –y el apoyo– de casi todo el mundo. Innegable es que la despersonalización de los extranjeros, convertidos en una suerte de monstruos, es una imagen compartida, socialmente aceptada. Todas las decisiones políticas pretenden disuadir a los inmigrantes de poner un pie en el país con la idea de fondo de llegar a una política de cero refugiados, y esto, al parecer, no inquieta a nadie. Si el Estado decide esto, es por qué será lo mejor para todos. Esto, que entra de lleno en contradición con una Escandinavia idealizada, puede provocar un efecto llamada. ¿Quién puede resistirse a adoptar el ejemplo del país más feliz del mundo?

La moral luterana en un país confesional

Las políticas de migración y asilo se endurecen año tras año en un contexto europeo de crecimiento de la extrema derecha. Por tanto, ciertas decisiones políticas –legislativas– no serían tan extravagantes en, por ejemplo, Alemania. Pero, ¿Dinamarca? Nuevamente, la imagen del país prevalece por encima de todo. Los titulares y las noticias siguen apuntando a la confianza social, a las ayudas públicas y al sentido de igualdad entre los ciudadanos como la fórmula mágica para su satisfacción. Pero, ¿son estos los verdaderos pilares del sistema?

Compartir mi vida con quince daneses no me habría supuesto ningún problema si hubiese podido escoger. Y, aunque no pude, probablemente fue lo mejor que me pasó en esos meses. Sorteando los estereotipos puedo afirmar que, para conocer a una persona nórdica, tienes que ponerle mucho –muchísimo– empeño. Por tanto, no hay mejor fórmula que un confinamiento pandémico con esta finalidad. Y ahí estaba, intentando superar unas semanas especialmente frías y oscuras mientras practicaba mi duolingo diariamente a marchas forzadas.

Fue una de esas noches, en las que compartíamos la cena porque poco más podíamos hacer, que el debate sobre las religiones adquirió más relevancia que nunca. Cuestión de aburrimiento, supongo. Después de criticar encarnizadamente el papel de la Iglesia en los países del sur de Europa me atreví a sacar el gran tema del cristianismo en Dinamarca. Mis compañeros, algunos de ellos amigos, parecían empeñados en negar de manera reiterada que la religión fuese parte importante de sus vidas. Y, aun así, todos habían aprendido a comportarse como luteranos. El país, de los pocos Estados confesionales de Europa, está estrechamente ligado a la religión. Es más, los llamados valores daneses tienen mucho de religiosos y poco de identitarios: la necesidad de aparentar que todo va bien, que todo funciona a la perfección y que no hay nada que pueda mejorarse es algo intrínseco al modelo danés y su visión del mundo.

Es justamente este uno de los puntos en los cuales se puede criticar el famoso informe de las Naciones Unidas. ¿Es realmente Dinamarca el país más feliz del mundo? Sobre la base precisamente de esta pregunta se han escrito muchos artículos y un gran libro, Gente casi perfecta, de Michael Booth. Y es, también, basándome en ello, que seguí indagando en la terquedad de mis daneses, su negativa a aceptar su parte de culpa –consciente o no– en el asunto. Dinamarca se había convertido en el paradigma de la perfección sin ser, de lejos, un Estado perfecto. Y, volviendo a la deriva antiinmigración, esto también tiene mucho que ver con la radicalización de la socialdemocracia en el país.

En los años anteriores a este 2021, la socialdemocracia, agonizante en la mayor parte del continente, había perdido también importantes segmentos de votantes en Dinamarca. La mayoría de ellos habían ido a parar a la derecha, a los nacionalistas xenófobos, que consideran que la defensa de este autosatisfecho modelo blanco, nórdico, europeo y vikingo pasa por eliminar de la ecuación a los inmigrantes, ya que se conciben en bloque como una amenaza. En un país en el que la cobertura estatal es un pilar que sirve de pegamento, que estructura la sociedad, la piel oscura significa una quiebra del sistema social.

Mientras el flæskesteg –cerdo al horno– se cocía lentamente y el humillo iba ganando terreno en nuestra cocina número cinco, un compañero no dudó en defender al gobierno al que no había votado. “Lo que está claro es que tenemos ayudas porque pagamos impuestos. Somos un país pequeño y si ahora todo el mundo viene a estudiar gratis aquí, o a trabajar y a ganar dinero, perderemos lo que hemos conseguido”. En otro contexto esta frase quedaría enmarcada para la posteridad en un cómo justificar el racismo para principiantes. No obstante, en Dinamarca esta creencia está mucho más extendida de lo que yo misma imaginaba. Un chovinismo similar ya formaba parte del neonazismo nórdico en los inicios de los 2000; lo que cambia es que ahora la izquierda –y la sociedad en general– está adoptando esta misma retórica.

Además, y de puerta afuera, Frederiksen propone acoger a los refugiados buenos, a los que dictaminen las cuotas de la ONU o a los que el mercado laboral necesite. Una estrategia de corrección política como esta busca mantener su estatus y su buena imagen en los órganos europeos y del resto del mundo. A la vez, sus declaraciones en ruedas de prensa apuntan todo lo contrario. Y es que nuevamente la moralidad protestante vertebra el Estado en su conjunto: es importante demostrar una admirable tolerancia y progreso aunque no se correspondan con la realidad. La moral protestante y el énfasis en la nación, o lo que es lo mismo, el cristianismo y el ser danés, son fenómenos que se refuerzan mutuamente. Y es en este marco en que el Welcome refugees está institucionalizado y, a la vez, la xenofobia se ha vuelto mainstream, una tendencia general.

La periferia, lejos del Danishness

La ficción del ser danés ha impregnado el orgullo nacional de los escandinavos. No solo son las banderas, que se enarbolan en cualquier contexto, como aniversarios, cumpleaños, bodas y otros eventos sociales. Esta idea ha propulsado una guerra cultural, una estrategia mediante la cual el Danishness desafía al islam. Y en este conflicto el Estado aparta cada vez más a las personas migrantes y no blancas a la periferia tanto simbólica y como física.

Ya en primavera, mi bicicleta decidió dejar de funcionar y mi objetivo fue conseguir otra. El transporte público, escaso y caro, con controles de seguridad muy estrictos y multas estratosféricas, no me parecía una opción viable. Y a través de una app móvil llegué al mal llamado ghetto de la ciudad. Esta denominación no es gratuita: el gobierno propuso una legislación para reducir el número de residentes no occidentales que viven en los barrios desprotegidos. Esto se traduce en la práctica en la limitación de la cantidad de población no blanca al 30% y en otorgar a los municipios el derecho a denegar viviendas.

Si bien es cierto que cuando sales del centro de la ciudad el paisaje, físico y social, cambia muchísimo, mi impresión de ghetto –que por entonces no sabía que se consideraba como tal– no fue distinta a la que tengo sobre cualquier calle un poco alejada del Paseo de Gracia de Barcelona. La población ya no era totalmente blanca, alta, rubia y con abrigos afrancesados hasta los tobillos. Las bicicletas ya no eran dignas de Amelie, con flores en la cesta delantera. Pero no era, ni de lejos, lo que el gobierno –y por extensión la sociedad– pretendía mostrar: ese ghetto era ghetto porque la piel de sus habitantes no era blanquísima, porque el sistema de transporte los orillaba cada vez más a la periferia del Estado, porque nadie quería verlos como parte de un país que, para bien o para mal, ya no es lo que era.

Y en esta necesidad de ser danés sobrevive, también, la americanización de la cultura. Mientras reivindican el sentir nacional, la cultura y las tradiciones, el consumo general de todo esto se refleja más y más en el American dream. Mientras es guay desayunar porridge cada día, el cuscús, el tachín persa o el café turco son subproductos que causan, incluso, repulsión. Por tanto, en este contexto, repetir que Dinamarca es el país más feliz del mundo es, como mínimo, falaz. Dinamarca no es tan bueno –o, al menos, no para todos–. El producto interno per cápita, la esperanza de vida saludable y otros indicadores parecidos dicen que se encuentra en la posición más alta en la clasificación del bienestar. Pero si la media apunta esto, también cabe destacar que la población inmigrante es, nuevamente, marginada: estructuralmente reporta niveles más bajos de vida.

En esta paradoja nórdica hay miles y miles de personas que experimentan el paraíso de una forma muy distinta. El país, supuestamente abierto y tolerante, está intentando acabar con la diversidad, viviendo como si no existiesen daneses de piel negra o rasgos asiáticos. O lo que es lo mismo, está intentando expulsar a quienes no cumplen sus estándares de corrección –física, cultural, social y económica– lo más lejos posible de su oasis de felicidad.

 

 

[Foto de la autora – fuente: http://www.fronterad.com]

Nir Bergman traite d’un sujet universel : la difficulté pour un parent de se séparer de son enfant.

 

Écrit par Hubert Heyrendt

La vingtaine, Uri (Noah Imber) est autiste. Il vit avec son père Aharon (Shai Avivi), ancien graphiste à succès qui a tout quitté pour s’occuper à temps plein de son grand garçon. L’un et l’autre aiment leurs routines : manger des petites pâtes en étoiles, nourrir les poissons rouges, faire du vélo, prendre le train. Mais ce qu’Uri aime par dessus tout, c’est de regarder sur son petit lecteur de DVD portable les films de Chaplin, surtout Le Kid !

Cette vie bien rangée va bientôt être bousculée. Tamara (Smadi Wolfman), la mère d’Uri, lui a en effet trouvé une place dans une institution spécialisée. Mais, en chemin pour sa nouvelle maison, Uri fait une crise sur le quai d’une gare, refusant d’y aller. Désemparé, son père lui promet qu’il n’ira pas. Presque malgré eux, voilà le duo en fuite…

Au revoir mon fils

En 2008, l’Israélien Nir Bergman s’est fait un nom comme cocréateur de la série BeTipul, déclinée, depuis, dans de nombreux pays, notamment sur HBO aux États-Unis (In Treatment, avec Gabriel Byrne), mais aussi en France avec En thérapie, l’excellente première série d’Éric Toledano et Olivier Nakache, située au lendemain des attaques terroristes de janvier 2015 à Paris.

Sur un scénario de Dana Idsis, Bergman signe ici un joli film qui parle à tout le monde. Car si Uri n’est pas tout à fait comme les autres enfants, le sujet est universel : le film évoque la difficulté d’un parent de dire au revoir à son enfant devenu adulte…

Nommé à neuf reprises aux Ophirs du cinéma (les oscars israéliens), Here We Are en a décroché quatre : réalisation, scénario, acteur et second rôle masculin. Deux prix d’interprétation totalement mérités tant Shai Avivi et Noah Imber (jeune acteur autiste) forment un duo attachant dans ce charmant road-movie à vélo, en train ou en bus dans différentes petites villes d’Israël. Comme une parenthèse enchantée lors de laquelle le père et le fils pourront encore vivre ensemble.

Si l’on affleure toujours le sentimentalisme, Nir Bergman tient sa barque avec dignité pour éviter de tomber dans les écueils du genre. Et ce notamment grâce à l’humour. En hommage revendiqué à Chaplin (et ce dès le titre du film, apparaissant sur un carton de film muet), il lorgne souvent du côté du burlesque pour décrire ses deux personnages en rupture avec la société dans laquelle ils évoluent. Comme l’étaient Charlot et son inoubliable Kid en 1921… Preuve de l’universalité et de l’intemporalité du thème des relations père-fils.

Here We Are

Road-movie familial

De Nir Bergman

Scénario : Dana Idisis

Photographie : Shai Goldman

Montage : Ayala Bengad

Avec Shai Avivi, Noah Imber, Smadi Wolfman…

Durée 1h34

 

[Source : http://www.lalibre.be]

 

“A vida é igual a andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio é preciso manter-se em movimento.”

– Albert Einstein

A maior conferência mundial de mobilidade em bicicleta acontece em Lisboa de 6-9 setembro 2021. O mote desta conferência é a diversidade que se encaixa perfeitamente na história da cidade de Lisboa.

O objectivo da conferência, influenciar os decisores a favor de uma mobilidade mais sustentável e inspirar debates vibrantes entre os participantes.

Os temas principais em discussão são a diversidade de bicicletas e mobilidade urbana, a Economia e turismo, a Reestruturação das cidades e política, a Construção comunitária, Cocriação e inclusão e a Saúde e resiliência climática.

Segundo os organizadores do evento, serão de 750 participantes presenciais, 1000 participantes digitais, 250 oradores, 45 países, 30 expositores e colaboradores e 4M de alcance social.

O Estrategizando estará presente a  pedalar e conta tudo nos próximos artigos e nas redes sociais.

 

[Fonte: http://www.estrategizando.pt]

 

 

El projecte BTT de formació impulsat per la Fundació MAIN ajuda a la inserció laboral de joves.

Els/les participants realitzen col·laboracions amb altres entitats.

Escrit per Sandra Pulido

La Fundació MAIN treballa al barri de Torre Romeu de Sabadell des de 1987 per millorar les oportunitats de les persones en situacions de vulnerabilitat. Les accions que realitzen giren entorn qüestions socioeducatives, psicoterapèutiques, formació, cooperació i sensibilització, i inserció laboral. Precisament, és en aquest àmbit on s’emmarca el projecte BTT de formació que té com a objectiu « millorar les habilitats i competències personals dels i les joves, per establir un itinerari d’èxit cap a la inserció formativa i/o laboral », tal com indica la fundació.

Les entitats, tant públiques com privades, proposen una gran oferta de formació per a la inserció laboral dels i les joves. Des de la Fundació MAIN, a més, amb aquest projecte se centren en un àmbit poc conegut pel que fa a ofertes laborals però atractiu per al col·lectiu: la reparació de bicicletes i el guiatge.

Al taller es reparen bicicletes per donar a famílies en situació de vulnerabilitat.

Meritxell Sedó, coordinadora de l’àmbit formatiu i ocupacional de la Fundació MAIN, explica que s’ofereix una formació completa centrada en el món del ciclisme: « per una banda, fan un mòdul formatiu de 200 h de mecànica de ciclisme i un de formatiu de 200 h de guia de BTT, més un mòdul d’atenció al client i un altre d’emprenedoria ». Sedó també comenta la necessitat que aquest tipus de formació s’adapti a les necessitats del mercat laboral, per aquest motiu, han hagut d’ampliar els continguts sobre atenció al client/a, tant per a poder treballar en petites botigues on han d’atendre els compradors/es com per a treballar en el guiatge, ja que calen « habilitats comunicatives per tal de dinamitzar el grup ».

Per a Meritxell Sedó aquesta formació tan completa suposa un plus als i les joves participants perquè els hi « proporciona una major seguretat de si mateixos/es a l’hora d’incorporar-se al món laboral ».

Al Projecte BTT participen joves amb diferents perfils i formació diversa.

Punt de troba per traça un nou camí

Al taller es troben joves de diferent perfil i diferents nivells d’estudis, però amb dos punts comuns: l’interès pel món del ciclisme i les ganes de millorar laboralment. La motivació en aquest àmbit es tradueix sobretot en les ganes « d’adquirir les competències necessàries per ser bons mecànics i guies de BTT. Tots coincideixen en el fet que volen saber reparar totes les parts d’una bicicleta », segons Sedó.

Més enllà d’això, però, amb la formació adquireixen competències comunicatives i per a l’atenció a la clientela, valors molt necessaris per a poder tenir èxit en altres àmbits de la vida.

Les activitats formatives es combinen també amb altres lúdic-esportives amb l’objectiu de « cohesionar el grup. Donem molta importància al treball en equip i, per tal d’assolir-ho, considerem que és important tenir el grup cohesionat independentment de la diversitat d’aquest! », diu Meritxell Sedó.

Col·laboració amb la societat

També duen a terme activitats d’enfortiment social conjuntament amb altres entitats i empreses, que es tradueixen en accions cíviques, socials i culturals, sempre tenint el nexe amb el món del ciclisme. « Aquestes activitats proporcionen grans valors als joves i serveixen per sensibilitzar-los de la importància de la seva presència en la societat i perquè aquesta valori les aportacions que realitza la població juvenil en un àmbit el qual els motiva, el ciclisme », comenten des de la Fundació MAIN.

Es tracta d’un punt molt important a tenir en compte, sobretot entre joves que potser fan un canvi en la seva situació formativa/laboral o han de decidir el seu futur. Des de l’entitat expliquen que enguany, algunes d’aquestes activitats han estat la participació amb els organitzadors del Super Enduro d’Arfa netejant camins i fent peraltes per a la cursa del mes de setembre 2021.

També han establert la sinergia i col·laboració amb l’entitat Bicicletes sense Fronteres, on els joves del programa BTT han reparat bicicletes de l’entitat per ser enviades a projectes cooperatius de l’Àfrica o per a treballadors/es dels camps de les terres de Girona i facilitar-los l’accés al món laboral. Durant la campanya de Nadal els/les joves del taller reparen i reciclen bicicletes infantils per regalar a les famílies en situació de vulnerabilitat socioeconòmica que reben atenció terapèutica del gabinet Gira.

Pel que fa a la vessant de guiatge, també duen a terme rutes acompanyant els infants i famílies de l’escola Samuntada on els/les joves de BTT han fet de guies al seu projecte de Bici Bus i han dissenyat noves rutes segures.

Meritxell Sedó també comenta que, tot i les dificultats afegides relacionades amb la contractació juvenil, els/les joves obtenen feines en el sector del ciclisme, com per exemple, en empreses del sector com Decathlon, empreses de ciclologística o en petites empreses botiga-tallers. Reconeix, però, que, malgrat la complexitat de la situació laboral general, el sector ciclista és un sector emergent i els/les participants tenen oportunitats laborals.

Més enllà d’això, « el progrés i desenvolupament dels/les joves un cop realitzat tot el programa BTT és espectacular », comenta Sedó, perquè assoleixen un desenvolupament integral a través de la formació, la mentoria empresarial, les visites a diferents empreses del sector, el coaching grupal i individual, les activitats d’enfortiment social, les dinàmiques setmanals grupals, les tutories… Però el més important és que al llarg del programa també es treballa el disseny del full de ruta perquè puguin seguir el seu camí escollit, sigui amb la inserció laboral o amb el retorn al sistema educatiu (amb altres programes de formació i inserció, amb l’escola d’adults o amb un cicle formatiu de grau mitjà o superior).

[Fotos: Fundació MAIN – font: http://www.xarxanet.org]

Escrito por Inés Arteta

Después de la buena recepción de Temporada de huracanes (2017), Fernanda Melchor publica su segunda novela, de construcción más simple pero que aun así ratifica su sorprendente destreza narrativa. Paradise o Páradais es un barrio cerrado de lujo, en el que suelen encontrarse dos adolescentes, Franco, rico, y Polo, pobre, ambos disconformes con sus vidas. Franco vive ahí, al cuidado de sus abuelos, es gordo y su buen pasar económico no le llena las carencias; se atiborra de comida chatarra y pornografía. Está obsesionado con Marián, su vecina, casada y madre de dos niños, y a ella le dedica todas sus fantasías sexuales. Polo trabaja como jardinero en ese lugar idílico y comparte una casa pobre con su madre y una prima embarazada, en un barrio contiguo, abierto a los narcos, por lo que a diario pasa del paraíso al infierno en bicicleta, y sabe que ellos son la única vía de escape de la opresión y la pobreza. Tiene un primo, Milton (inevitable alusión a John Milton y su paraíso perdido), que vende autos robados, un negocio que lo vincula con esos narcos.

Nada une a Franco y a Polo salvo el vacío, los momentos de alcohol y droga para adormecer la mente, que uno espeja la soledad del otro y ambos odian al mundo entero. “La culpa fue del gordo”, se lava las manos Polo, al comienzo, anticipando el crimen absurdo que sucederá. Para él, las causantes de todo mal son las mujeres: la madre lo obliga a cumplir con un trabajo que detesta, para gente rica que también detesta, ella administra su sueldo y no deja de reprocharle que abandonó la escuela y tiró por la borda su sacrificio. La prima es una mantenida a la que debió cederle su cama (y por eso él duerme en el piso) y que, aunque embarazada de un hijo sin padre conocido, no cesa de toquetearlo; la señora Marián, la vecina que obsesiona a Franco, emana un erotismo irresistible con sus modales de rica complaciente gracias al dinero de su marido, que paga la frivolidad del gimnasio, los perfumes y la ropa cara. Marián podría ser un eco de Mariana, la madre del amigo de quien se enamora el protagonista de Las batallas en el desierto (1981), de José E. Pacheco, la novela de la que la autora extrajo el texto de uno de los epígrafes. El otro epígrafe pertenece a la canción “Up in Flames”, del film Corazón salvaje (1990), de David Lynch, que anticipa la atmósfera y el tono oscuro y onírico de sus películas.

El barrio privado (llamado fraccionamiento en México), de cuya seguridad se encargan las cámaras y los guardias, fue construido en un terreno de los antiguos pueblos de pescadores que en la Veracruz de donde es oriunda la autora están desapareciendo. Hay un río en el que Polo, de niño, pescaba con su abuelo, que separa y une a la vez, y que le recuerda el egoísmo de ese abuelo que nunca le enseñó a construir la canoa con la que podría escapar de esa vida miserable.

El relato es denso, impetuoso, de respiración agitada y sin pausas (hay pocos signos de puntuación), y el lenguaje, crudo y desmesurado, reproduce el léxico y los modismos de los dos adolescentes, cargados de rabia y frustración. En esta historia resuena el caso tabasqueño de 2009, en el que un adolescente obsesionado con la esposa de un candidato a diputado por el PRI lo asesinó, violó y acribilló a la mujer y asfixió a sus hijos de nueve y trece años. ¿Cómo es posible que sucedan hechos así?, plantea Páradais, que muestra cuán inexplicable es el mal: a los humanos nos corroe un impulso siniestro que, como en el gótico sureño, expone lo más oscuro de nosotros.

 

Fernanda Melchor, Páradais, Literatura Random House, 2021, 160 págs.

 

[Fuente: http://www.revistaotraparte.com]

Se supone que no atropellan a nadie, pero eso, ay, ni queda descartado nunca ni puede sentirlo el instinto

Un patinete eléctrico en una calle de Madrid.

Escrito por ÁLEX GRIJELMO

El hombre paseaba por una calle del norte de Madrid, ya caída la noche, repasando absorto los problemas de esa jornada y cómo había logrado resolverlos, imaginando las situaciones del día siguiente y temiendo no estar a la altura…, cuando vio de repente a un pastor alemán que corría hacia él. Se apartó para eludir la previsible embestida, y el animal pasó de largo. El amo del perro llegó al punto y lo paró con una orden. Y aclaró:

—Tranquilo, no hace nada.

A lo que el hombre respondió:

—Sí hace. Asusta.

El sobresalto que se llevó el paseante le aumentó el ritmo cardiaco y lo sacó de sus pensamientos cuando creía haber reunido el ánimo suficiente para sentirse optimista. Esa noche tardó en dormirse.

La disculpa “tranquilo, no hace nada” se oye a menudo en situaciones así. Y en realidad la mayoría de los perros de compañía no causan ningún daño directo a nadie, pero su ímpetu en el correr y hasta en el saludar provoca que el instinto innato de supervivencia le produzca a cualquier ser humano distraído un vuelco en el corazón cuando ve que un magnífico ejemplar se aproxima suelto hacia él.

Ahora al peligro de los perros se suma el de patinetes y bicicletas, que invaden el patrimonio común de los caminantes: las aceras; y pasan junto a ellos como una exhalación. Siuuuu…

Tampoco hacen nada. “Tranquilo, yo controlo”. Se supone que no atropellan a nadie, pero eso, ay, ni queda descartado nunca ni puede sentirlo el instinto de cada cual cuando se lleva un susto.

Se trata de máquinas silenciosas cuya presencia no se anuncia ni con ladridos ni con ruido de motor y que se convierten de pronto en sombras peligrosas que se hacen presentes por la espalda, o en ángulo, en una fracción de segundo en la cual no identificamos su fisonomía concreta sino sólo su silueta indeterminada.

Ahora unos nuevos vehículos han abandonado sus viejos límites y han tomado el lugar de los peatones.

Los patinetes, los patines, las bicis… no nos hacen nada. Tranquilos, no hacen nada.

Pero asustan.

Hubo un tiempo en que la ciudad dividió sus espacios. La carretera, para las ruedas; las aceras, para los zapatos. Los vehículos se diferenciaban con claridad de las personas. Constaban de neumáticos, motor, carrocería o carenado, o de manillar con timbre. Ahora unos nuevos vehículos han abandonado sus viejos límites y han tomado el lugar de los peatones. Tienen por carrocería el cuerpo humano puesto de pie, asentado sobre pequeñas ruedas cuya velocidad amenaza la tranquilidad ajena. Tranquilos, no atropellan, no matan. Solamente asustan, solamente alteran la paz del paseante, interrumpen sus pensamientos, solamente convierten un momento de descanso en un foco de tensión que se prolongará en la indignación del recuerdo, tal vez durante horas. Obligan a vigilar los movimientos ajenos, impiden la reflexión, estropean la calma y nos hacen temer a las sombras.

 

[Foto: KIKE PARA – fuente: http://www.elpais.com]

Albert Richter (1912-1940) est, l’un des plus grands coureurs cyclistes allemands de l’entre-deux-guerres. Ce champion refusa d’incarner le modèle aryen, s’opposa à l’utilisation du sport à des fins de propagande nazie et aida Ernst Berliner, son entraîneur juif victime des persécutions antisémites du régime hitlérien. Ce qui lui coûta la vie. Un livre et un film diffusé sur Arte ont restitué la haute stature morale de ce champion. Le Tour de France a lieu du 26 juin au 18 juillet 2021.

Publié par Véronique Chemla

Pour les amoureux de la « petite reine », la figure d’Albert Richter est connue et source d’admiration.

Pour les autres, Albert Richter, le champion qui a dit non, documentaire passionnant, riche de photos et de témoignages inédits, réalisé par Michel Viotte (2005), diffusé par Arte, a restitué la stature d’un sportif exceptionnel, d’un homme attachant aux qualités physiques et morales – fidélité en amitié, courage, rectitude morale – remarquables.

Renate Franz, Andreas Hupke et Bernd Hempelmann ont également consacré une biographie « Der vergessene Weltmeister, Das rätselhafte Schicksal des Radrennfahrers Albert Richter » (Le Champion du monde oublié, l’énigmatique destin du cycliste Albert Richter) publiée aux éditions Emons (1998, rééditée en 2007 par Covadonga) à ce sportif au destin fulgurant hors du commun.

Ce champion est aussi évoqué dans l’exposition itinérante Le sport européen à l’épreuve du nazisme. Des J.O. de Berlin aux J.O. de Londres (1936-1948) au Mémorial de la Shoah (Paris).

Une passion précoce

Albert Richter est né en 1912 à Ehrenfeld, « quartier populaire de Cologne, une ville rattachée arbitrairement à la Prusse au XIXe siècle et dirigée par Konrad Adenauer, un homme à l’esprit indépendant ». Il grandit au sein une famille modeste et mélomane. Le père désigne un instrument à chacun de ses trois fils : le saxophone pour Charles, la clarinette pour Josef et la violon pour Albert.

Passionné par le vélo dans une ville qui vibre lors des manifestations sportives, le jeune Albert s’inscrit en cachette dans un club de cyclisme, sport populaire.

À 15 ans, il quitte l’école pour travailler dans une fabrique de figurines d’art et s’entraîne chaque soir, après son travail.

À 16 ans, il dispute des courses sur piste et sur route. Sa carrière débute, fulgurante. À 19 ans, il est déjà un amateur remarqué et prometteur : ses pointes de vitesse impressionnent. « Il dépasse les professionnels à l’entraînement et dans les courses », rappelle Lilo Nitsche, sa nièce. Les photos le montrent grand, blond, les yeux clairs, souriant. Ses proches évoquent son humour, son caractère chaleureux, sympathique et calme, voire un peu naïf, et un sportif très rigoureux dans sa pratique.

En juillet 1932, à l’âge de 20 ans, Albert Richter gagne le Grand Prix de Paris. Pour un photographe, il pose devant un magasin de cycles à Cologne dont la vitrine indique : « Notre Albert Richter a gagné le Grand Prix de Paris ». Le public le surnomme « le canon de Ehrenfeld ».

Ernst Berliner, ancien cycliste devenu entraîneur à Cologne, le remarque alors. « Une relation profonde, respectueuse, fidèle se noue entre le cycliste et son entraîneur, dépassant la différence d’âge et de religionBerliner lui révèle dès 1932 ses talents de coureur sur piste et de sprinter, et l’aide par ses conseils avisés à atteindre les plus hauts sommets » : champion du monde amateur en 1932, puis champion d’Allemagne professionnel sans discontinuité jusqu’à la Seconde Guerre mondiale.

« Mon père se revoyait en Albert. C’est pourquoi il a donné le meilleur de lui-même, pour qu’Albert soit parfait. Il n’a jamais eu de fils et cela lui manquait. Albert était un perfectionniste. Il savait que s’il écoutait mon père, il réussirait. Il passait du temps à la maison. Il aimait la cuisine de ma mère », se souvient Doris Markus, fille d’Ernst Berliner.

En septembre 1932, Albert Richter gagne sa première grande victoire lors du Championnat du monde de vitesse amateur à Rome, comme son compatriote Mathias Engel, médaille d’or en 1927.

Janvier 1933. Hitler arrive au pouvoir et impose en quelques mois sa dictature. Bientôt, Konrad Adenauer est destitué et banni.

Pour aider sa famille, et dans un contexte de grave crise économique, Albert Richter devient professionnel.

Il ne se sent pas d’affinités avec la nouvelle Allemagne qui se construit sur la haine, la violence, la fin de la démocratie et les discriminations.

Sur les conseils de Ernst Berliner, il s’installe à Paris. La France est le pays où « les champions de vitesse gagnent le mieux leur vie : la capitale compte quatre vélodromes et des courses y sont organisées toute l’année  ».

Albert Richter « apprend le français en fréquentant les cinémas et, après des débuts difficiles, triomphe au Vel d’Hiv, le Saint des saints, en remportant le Prix du sprinter étranger. En quelques mois, il devient l’idole du public qui apprécie son style fluide et puissant et le surnomme « la 8-cylindres allemande » ».

Il passe sa vie entre Paris, Cologne, où il passe quelques semaines par an pour voir sa famille, et les circuits internationaux, où il retrouve ses amis coureurs.

De 1933 à 1939, en six ans, ce champion international de la vitesse sur piste devient un familier des podiums internationaux, sans accéder à la plus haute marche. Il est l’un des « trois Mousquetaires » sprinters, avec le Français Louis Girardin, dit « Toto », et le Belge Jef Sherens.

« La force de caractère de s’opposer au régime »

Son aversion pour le régime hitlérien et sa résistance au nazisme, Albert Richter les manifeste tôt : en juillet 1934, il vient de remporter le championnat d’Allemagne de vitesse à Hanovre. Des spectateurs enthousiasmés affluent auprès de lui. Ils font le salut nazi. Seul, Albert Richter garde ostensiblement sa main droite sur sa cuisse et sa coude gauche posé sur l’épaule de son entraineur Ernst Berliner. Cette image est immortalisée par un photographe et publiée à la une d’un journal outre-Rhin. « Albert ne voulait pas saluer. Il était totalement anti-nazi. Les Nazis ont pris ça comme une gifle en pleine figure », commente Doris Markus.

En août 1934, Albert Richter concourt aux championnats du monde de vitesse à Leipzig en arborant l’ancien maillot sportif décoré de l’aigle impérial, alors que tous les autres membres de l’équipe allemande portent celui officiel à la croix gammée.

Fidèle à l’éthique sportive et à son ami juif, Albert Richter s’oppose au dévoiement qu’opèrent les Nazis. Ces derniers assignent au sport plusieurs missions : « restaurer le prestige de l’Allemagne, embrigader les esprits, former une élite militaire et préparer les Allemands à combattre ».

Cette opposition ferme, déterminée et calme aux Nazis, Albert Richter, protégé un certain temps par sa célébrité, est amené à la modifier sur les conseils de son entraîneur : il nuance ses propos et effectue à contrecœur le salut nazi. La surveillance dont il fait l’objet à partir de 1938, les pressions sur les cyclistes et la nomination d’un officier SS à la direction de la Fédération cycliste l’amènent à s’interroger sur son avenir en Allemagne. Il envisage de changer de nationalité.

Interdit en 1934 d’exercer son métier en raison de sa religion, Ernst Berliner est informé par un ami de son arrestation imminente par la Gestapo. Il parvient à fuir l’Allemagne avec sa femme et leur fille et rejoint en 1937 les Pays-Bas. Albert Richter refuse un entraîneur aryen et lui demeure fidèle. Tous deux se retrouvent dans les compétitions, notamment lors des championnats du monde d’Amsterdam en 1938.

1er septembre 1939. Albert Richter vient de remporter la médaille de bronze aux Championnats du monde de Milan. Pour gagner la médaille d’or, se préparent Jef Scherens et Arie Van Vliet. Soudain, on apprend l’invasion de la Pologne par l’Allemagne. La compétition est interrompue.

9 décembre 1939, Albert Richter est vainqueur au Grand Prix de Berlin. Ce francophile convaincu pressent que le conflit touchera bientôt la France, un pays qu’il aime et qui l’adule : « Richter, pas Hitler » crient les spectateurs du Vel d’Hiv. Cet homme refuse de combattre : « Je ne peux pas devenir soldat. Je ne peux pas tirer sur des Français, ce sont mes amis ! ».

Conscient que l’étau se resserre autour de lui dans son pays, refusant d’espionner à l’étranger au profit de l’Allemagne nazie, Albert Richter décide de fuir en Suisse par le train, emportant une paire de skis, son vélo et une valise où est cachée une importante somme d’argent destinée à un ami juif réfugié à l’étranger. Bien informés, les douaniers fouillent ses bagages et y découvrent l’argent. Albert Richter est incarcéré.

Trois jours plus tard, la Gestapo annonce le 3 janvier le suicide du champion … par pendaison. Son cercueil est scellé et on en interdit l’ouverture. Les Nazis salissent sa mémoire, et « condamnent au déshonneur et à l’oubli cette idole ». La Fédération allemande de cyclisme (DRV) diffuse alors un communiqué : « En trafiquant des devises pour un Juif, Albert Richter a commis un terrible crime, et le suicide était pour lui le seul geste qui lui restait à faire. Son nom est effacé de nos rangs, de nos mémoires, à jamais ». Malgré l’absence d’annonce du décès, « le cimetière est noir de monde », se souvient Lilo Nitsche, nièce du champion.

Albert Richter avait 27 ans. Le mystère demeure sur les circonstances de sa mort. Ce documentaire suggère qu’un ami cycliste de Albert Richter souhaitait en devenir l’entraîneur et l’aurait dénoncé pour le forcer à se séparer de Ernst Berliner, sans soupçonner l’issue tragique de son acte.

Ernst Berliner ne s’est jamais remis de la mort de son ami. Après-guerre, il vit aux États-Unis et se rend à Cologne pour persuader les autorités de mener une enquête afin d’élucider ce mystère et de réhabiliter le nom de son ami. Son action provoque « gêne et colère chez les anciens sportifs ». Ernst Berliner cherche à découvrir « les sportifs qui travaillaient alors pour les Nazis, pour établir la vérité. Quand mon père est revenu, ils ont été surpris de le voir vivant », se souvient sa fille.

À Cologne, un vélodrome porte le nom de ce champion.

Grâce soit rendu au documentaire de Michel Viotte de retracer sa vie trop brève, mais admirable. « Albert Richter est resté fidèle à ses convictions. Il ne s’est jamais renié : il a dit non, contrairement à la majorité des Allemands à l’époque », résume Mme Franz.

« Albert Richter, le champion qui a dit non »

Réalisé par Michel Viotte d’après une idée originale de Jean-François Joyet

ARTE France, Gedeon Programmes avec la participation de la RTBF, TSR et Ciel Ecran, France, 2005, 52 mn

Visuels : © DR

Départ de course. Sur la droite : Albert Richter et Ernst Berliner, son manager.

Albert Richter devant un magasin de cycles à Cologne. Sur la vitrine est inscrit : « Notre Albert Richter a gagné la Grand Prix de Paris ».

Les citations sont extraites de ce documentaire.

Mon article avait été publié en 2005 par Guysen en une version plus courte et sous le pseudonyme de Ray Archeld. Il a été publié sur ce blog le :
– 15 avril 2012 à l’occasion de l’exposition Des JO de Berlin aux JO de Londres (1936-1948) au Mémorial de la Shoah (Paris) ;

– 2 juillet 2015. Le Tour de France a eu lieu du 4 au 26 juillet 2015 ;

– 5 juillet 2016. Le Tour de France a eu lieu du 2 au 24 juillet 2016 ;

-20 juillet 2017. Le Tour de France a eu lieu du 1er au 23 juillet 2017 ;

– 26 juillet 2018 ;

– 18 juillet 2019. Le Tour de France a eu lieu du 6 au 28 juillet 2019 ;

– 18 septembre 2020. Le Tour de France a lieu du 29 août-20 septembre 2020.

 

[Source : http://www.veroniquechemla.info]

Con el fomento del uso de la bicicleta como medio de transporte, se están extendiendo una serie de términos y conceptos de los que se ofrecen a continuación algunas claves de redacción.

1. Acortamientos de bicicleta

La propia palabra bicicleta se utiliza a menudo con algún acortamiento, como biciciclo o cicla, según el país. Las que gozan de amplia difusión y se emplean, incluso, en contextos relativamente formales no necesitan destacado, pero con las más populares, como baica o cleta, puede ser conveniente la cursiva en las informaciones periodísticas (o, si no se dispone de este tipo de letra, el entrecomillado).

2. Ecomovilidad

La promoción del uso de bicicletas y otros vehículos similares, como los patinetes, es parte del concepto de ecomovilidad, es decir, la movilidad ecológica. Se escribe sin espacio ni guion, como otras voces formadas con el elemento eco-.

3. Vías

La vías destinadas a las bicicletas —bien en exclusiva, bien compartidas con otros vehículos parecidos o con los viandantes— reciben nombres como ciclovías, ciclorrutas, ciclopistas o carriles bici. Cuando los elementos ciclo- bici- se anteponen, funcionan como prefijos y van, por tanto, unidos a las palabras que les siguen. No es el caso de carril bici, donde el acortamiento va pospuesto y, por tanto, se considera un sustantivo en aposición (con plural carriles bici).

4. Ciclable

Un término empleado a menudo para calificar a ciertos tipos de vías es ciclable, que está recogido en el Diccionario del español actual con el sentido de ‘que puede ser recorrido en bicicleta’. Suele aludir a los espacios de circulación tranquila en los que la bicicleta comparte espacio con el resto de los vehículos en la calzada.

5. Otras voces con bici- y ciclo-

En ocasiones, el elemento bici- se aplica a otros conceptos vinculados con las bicicletas, como bicipolicía, que es un policía que se mueve en bicicleta, o biciusuario, una alternativa a ciclista que pone el énfasis en el aspecto práctico y lúdico más que en el deportivo.

También ciclo- puede formar voces como cicloturismo, que es el turismo en bicicleta.

6. Bicicletada, bicicleteada

Se llama así a las marchas populares en bicicleta. Tal como explica la gramática académica, para denominar acciones colectivas se utilizan palabras formadas con el sufijo -ada, como chocolatadasentada cacerolada. Las voces bicicletada y bicicleteada siguen este mismo modelo.

7. Actividad

Para la actividad se emplea sobre todo el verbo pedalear, pero van ganado terreno bicicletear ciclar, que resultan admisibles.

 

[Foto: Pixabay – fuente: http://www.fundeu.es]

Une bande dessinée met en image la vie de Gino Bartali, et son engagement silencieux dans la résistance au fascisme.

La couverture du roman graphique sur Gino Bartali.

 

Écrit par Olivier Haralambon

Sans doute, Fausto Coppi fut le plus grand coureur italien de l’histoire, qui surpasse les autres champions majuscules par le palmarès et par la classe, et parce que son règne marqua l’entrée du cyclisme dans sa « modernité ». Mais Gino Bartali, à qui on l’oppose souvent au seul motif que la foi de l’un met en exergue l’incroyance de l’autre, pèse d’un poids tout différent, non pas seulement sur l’histoire de son sport, mais bel et bien sur l’Histoire.

Gino est né en 1914, après ses deux sœurs et avant son frère Giulio. Enfant d’extraction modeste, peu porté sur la chose scolaire, il deviendra mécanicien de cycles et, tôt, coureur cycliste professionnel. Il est connu aussi bien pour son talent précoce que pour sa longévité phénoménale. Ainsi Bartali gagna-t-il le Giro dès 1936, à la veille de ses 22 ans, renouvelant l’exploit l’année suivante. Quant au Tour de France, il en remporta deux éditions à dix ans d’intervalle – en 1938 et 1948 !

Mais Bartali est aussi connu pour être un catholique fervent que la mort accidentelle de son frère en juillet 1936, frappa, selon ses propres mots, « comme un avertissement divin », et mena au seuil du mysticisme. C’est vraisemblablement pendant le Tour 1937 – on le répute alors méditer chaque soir les écrits de Sainte Catherine de Sienne – qu’il hérite de ce surnom qui ne le quittera plus : Gino le Pieux.

Or, pour exaltée qu’elle fut peut-être, la foi de Bartali n’avait rien d’aveugle, relevant d’un humanisme profond et teinté de mélancolie. C’est de cette tonalité saturnienne qu’a su s’empreindre le beau « roman graphique » publié ces jours-ci aux Éditions Marabulles : « Gino Bartali, un champion cycliste parmi les Justes ». L’illustratrice Lorena Canottiere y dessine à traits sobres et dans ce chromatisme aussi subtil que limité (rouges, oranges, ocres – virant parfois au bleu glacial selon les exigences du récit) qui évoque la sanguine, la vie du héros à travers les heures sombres de l’Italie fasciste.

Ce registre tout en douceur qui semble fait pour estomper la brutalité du réel, donne l’impression d’adopter le point de vue Bartali lui-même, de voir le monde par ses yeux, d’enfant puis d’adulte, tour à tour, joyeux, incrédules, circonspects, tristes. La part du texte, réduite à l’os, confère au livre un côté « impressionniste ». C’est l’image qui, occupant parfois jusqu’aux bulles enfermant la parole des personnages, dit tout. Le scénario de Julian Voloj balaie des temporalités diverses, procédant par une alternance d’évocations fugaces et d’appesantissements – telle cette image, du vélo à la guidoline déchirée, abandonné par Gino qui cesse un moment de courir après la mort de son frère.

Bien sûr, le centre de gravité du récit, c’est le refus par Gino d’un régime fascisme qui l’instrumentalisa pourtant – l’obligeant par exemple à préférer le Tour au Giro, à des fins de propagande. C’est sa stupéfaction et son indignation à la promulgation des lois « sur la pureté de la race » qui obligèrent la famille d’un ami d’enfance à s’exiler à la campagne.

C’est donc surtout le rôle qu’il joue pendant la guerre : entré en résistance à l’instigation du cardinal Dalla Costa (qui à l’occasion de la visite d’Hitler à Florence déclara « refuser que soient vénérées d’autres croix que celles du Christ » !), le champion risqua sa vie à transporter des messages et de faux papiers d’identité dissimulés dans les tubes de son vélo. Au prétexte de s’entraîner, il parcourait ainsi des distances de plus de 300km, reconnus dans les villages qu’il traversait par des admirateurs ou des soldats allemands qui l’imaginaient tous préparer son retour à la compétition.

Il ne fit jamais mention lui-même de ces activités, et c’est en 2013 seulement qu’il fut élevé au rang de « Juste parmi les Nations » par le Mémorial de Yad Vashem. Bien entendu, sauver des dizaines de vies en risquant la sienne relativise l’exploit sportif, mais il fait surtout de Bartali le plus grand des champions, un héros sans héroïsation métaphorique.

 

« Gino Bartali, un champion cycliste parmi les Justes », par Lorena Canottiere et Julian Voloj – Éditions Marabulles

[Illustration : Éditions Marabulles – source : http://www.lequipe.fr]

 

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Escrito por Enrique Alpañés

Ander Izagirre salpica sus frases de «joderes» y las remata con «noes» en acento interrogativo. O quizá sea el vasco cantarín que este periodista imprime a su discurso, rico en inflexiones y en anécdotas. Se nota que vive de contar historias. Lo hace en ensayos, reportajes y libros, como el que está presentando ahora. Cómo ganar el Giro bebiendo sangre de buey (Libros del KO) es un recorrido en bici que arranca en la Italia de principios del siglo XX. «Era un país recién hecho», explica Izagirre en el libro. «Y el ciclismo, como todo lo que venía del norte, iba explorando con aprensión los territorios ignotos del sur».

De esta forma, Izagirre empieza un libro de aventuras en el que lo deportivo se mezcla con lo histórico y lo social. Hay batallitas y batallas. Hay fascismo, comunismo y dos Guerras Mundiales. Hay pobreza, picaresca y espectáculo. Hay mucha Italia en este libro.

Cómo ganar el Giro bebiendo sangre de buey nace de dos viajes. Uno que nunca fue, el que se frustró por un extraño virus que encerró a Ander Izagirre (y a media humanidad) en su casa durante tres meses. En lugar de volverse loco haciendo pan, él aprovechó para dar forma a todo el material que llevaba años recopilando sobre el Giro.

El segundo viaje, este fructuoso, fue el que hizo con su novia por media Italia al salir del confinamiento. Lo hicieron recorriendo en bici los senderos que luego describió tan bien en su libro. Entrevistando a muchos de los personajes que lo componen. «Me gusta mucho conocer el espacio y la geografía de las historias que cuento, entender los escenarios», explica el periodista. Estas ganas de conocer le han llevado a recorrer a pie los Apeninos (para su libro Cansasuelos), las depresiones geográficas más profundas del globo (Los sótanos del mundo) o las minas bolivianas (el multipremiado Potosí). Incluso se subió a otra bicicleta para recorrer las etapas del Tour de Francia (Plomo en los bolsillos).

El último libro de Izagirre analiza figuras míticas del ciclismo italiano como Coppi. Refleja el auge y caída de Pantani. Pero también se centra en destacar personajes alejados del podio y los focos como Florinda Parenti, campeona de Italia ninguneada por una prensa y una Federación tremendamente machistas. O Luiggi Malabrocca, que hacía lo imposible por quedar último en todas las etapas para ganar el premio de consolación y llevarse unas liras. Este libro habla del Giro, pero, sobre todo, habla de Italia. Habla de los italianos.

Y lo hace describiendo «un desfile de vampiros saltimbanquis, lunáticas, fascistas, partisanos, piratas y caníbales que pasó rodando desde los Alpes hasta Sicilia ante la puerta de millones de italianos». Conversamos con Izagirre, y de toda esta tropa de personajes decidimos empezar preguntando por los vampiros.

Cómo ganar el Giro bebiendo sangre de buey. Es un título fuertecito. ¿Te importaría contarme la anécdota que lo inspira y cómo lo elegiste?

Es por un episodio del primer Giro de la historia, el de 1909. Era una prueba salvaje. Los ciclistas salían de noche para hacer 400 kilómetros por caminos de tierra. Estaban obsesionados con la comida porque no la tenían garantizada. Tenían que buscarse la vida por ahí. Su teoría era que había que comer todo el rato, lo máximo posible.

Y hay uno, Clemente Canepari, que cuenta que pasaba por una granja justo cuando estaban sacrificando a un buey. Estaban recogiendo la sangre en un cubo. Al verlo se bajaron tres ciclistas, se acercaron corriendo, cogieron el cubo y se lo bebieron. Pensaban que sería una buena fuente de energía para seguir pedaleando. Era el dopaje de la época. Y la verdad es que el título lo pusimos en el último momento.

Hacía listas y listas de títulos y ninguno me convencía. Y este se me ocurrió y, con un poco de temor, se lo propuse al editor. Me parecía arriesgar un poco porque es un título largo, es un título chocante, pero está funcionando bien. No creo que la gente lo confunda con un libro de recetas o nutrición deportiva.

No es la primera vez que hablas de una competición ciclista para describir un país. Ya lo hiciste con Plomo en los bolsillos y el Tour de Francia. ¿Qué es lo que tiene este deporte que sirve para vehicular la historia y la sociología de un país?

Es que el ciclismo, en sus orígenes, lo crean periodistas para crear una gran aventura y eso se nota. El Giro [competición creada por el periódico italiano La Gazzeta dello Sport en 1909] lo inventan para que el público vaya al quiosco a comprar el periódico. Por eso tiene ese esquema de relato por entregas, como los folletines. Cada día se escribe una historia con sus héroes y antihéroes, con sus secundarios. Con días en los que no pasa nada y otros en los que se pone todo patas arriba. Es que es casi un género narrativo en sí mismo.

El ciclismo es el reflejo de lo que está pasando en el país, de cómo son las carreteras, de cómo es el deporte, de cómo es el público y de la pasión con la que lo vive. El Giro tiene unas aventuras bastante peculiares. Y hay toda una gama de personajes muy especiales, ciclistas que pueden ser partisanos comunistas o guardias fascistas. Hay mujeres revolucionarias, hay bandidos. Esta es la historia del Giro, pero está todo el rato la historia de Italia como telón de fondo. Están las guerras, está la dictadura, el clima social.  El ciclismo, además, recorre un país geográfica y físicamente, y se adapta a sus circunstancias. Por eso creo que refleja muy bien la situación de un país.

¿Qué diferencias y similitudes has encontrado entre la historia del ciclismo en Francia y en Italia? ¿Qué comparación haces entre los dos libros?

Francia es un poco la cuna. El Tour nace antes. Italia va un poco a remolque, pero enseguida demuestra una personalidad propia muy fuerte. Es un rasgo que mantiene hoy en día. Creo que el Giro sigue teniendo más ingredientes de aventura que el Tour. Tiene una conciencia muy viva de su historia, sabe que ha sido siempre una gran aventura a través del país.

Incluso los elementos geográficos. Meten etapas por carreteras de tierra, suben montañas en mayo, que puede que haya una avalancha de nieve y se suspenda la etapa como ha pasado este año. Está más abierto a lo que era el ciclismo, a la épica antigua. Y cultivan mucho la nostalgia. Están retransmitiendo el Giro y, cuando suben a un puerto más alto, te ponen imágenes en blanco y negro de Coppi pasando por ahí mismo. Tienen un sentido muy vivo del escenario, de cuáles son los grandes escenarios míticos, de cuáles son las grandes historias del Giro.

El Giro es superconsciente de su historia y de su peculiaridad. Y el Tour aspira a ser una gran prueba global, como la Fórmula 1 o las ligas de fútbol. Aspira a enganchar a todo el mundo, y para eso tiene que ser muy medido para que la audiencia se mantenga hasta el último día. Yo diría, resumiendo, que el Giro es más salvaje.

Sí, y tu libro refleja muy bien ese lado salvaje. Describes cómo los ciclistas del norte bajan a un sur desconocido y exótico. Casi parece un Dakar o un viaje de aventuras.

Efectivamente, el ciclismo de hace 80 años era una prueba de supervivencia en condiciones extremas. Y a la vez, como dices, es una exploración del país. Italia es un país que tiene un problema territorial muy grave. Había una diferencia norte-sur brutal, el sur no tenía ni carreteras hace cien años. Esa brecha se mantiene hoy en día. Por ejemplo, hay muy pocos ciclistas del sur y muchísimos del norte. ¿No es curioso? Y esa exploración del país le da un toque de aventura, como si fuera el diario de un viajero. Es que se van a Sicilia en 1907 y para ellos es como una aventura orientalista en un lugar exótico.

Has contado las historias del Tour y las historias del Giro. ¿Para cuándo un libro sobre las historias de la Vuelta a España?

Entre un libro y otro han pasado 15 años. No tenía en mente hacer los dos libros cuando empecé. Pero he tenido una relación fuerte con Italia en estos últimos años, iba a menudo allí, he recopilando historias poco a poco, haciendo entrevistas y la verdad, las circunstancias han sido las que han sido. Yo he hecho este libro porque se me ha fastidiado un viaje largo que tenía el año pasado por culpa de la pandemia. Me quedé en casa tres meses a escribir el material que tenía adelantado.

En cuanto nos levantaron el confinamiento cogimos las bicis y nos fuimos a Italia. Y, de repente, me encontré con que había escrito medio libro en el confinamiento. Y dije, pues esto lo tengo que escribir. El de la Vuelta, suelo contestar, pues ya lo haré en la próxima pandemia.

Esperemos entonces no leerlo nunca. Y ¿cómo fue ese viaje en bicicleta por Italia? Recorriste los escenarios que luego describes en el libro y entrevistaste a algunos de sus protagonistas.

Queríamos habernos ido más tiempo, hacer un parón laboral. Aunque bueno, para mí el viaje es parte del trabajo. Me gusta contar historias por el camino. Recorrimos Cerdeña en bici y luego hicimos desde Nápoles hasta Parma, de donde es mi novia. Hicimos la parte central de Italia. Luego hemos hecho otros viajes por los Alpes otras veces. Para mí era importante. Me gusta mucho conocer la historia y la geografía de las historias que cuento, entender los escenarios. Creo que es importante encontrar detalles y gente que mantiene viva la tradición oral del ciclismo.

En estos tiempos en los que las entrevistas se hacen por Zoom o por teléfono, como esta, ¿es importante que no perdamos el contacto con el entrevistado, que vayamos físicamente a los lugares?

Claro, a mí es lo que más me gusta. De hecho, lo hago, lo primero, porque me lo paso muy bien. Pero también creo que me van a salir los mejores detalles, las mejores historias. Creo que perder el tiempo es la mejor manera de encontrar historias. A veces, donde menos te lo esperas, en un pueblo perdido, puedes conocer a Florinda Paletti, que probablemente es uno de los personajes más desconocidos del libro y para mí, uno de mis favoritos. Era una mujer que en los años 70 intentó ser ciclista contra todos, contra todo el desprecio, contra toda la marginación… Poder estar en casa de esa señora en su terraza, escuchando sus charlas, viendo sus álbumes de fotos… Bueno, pues eso le da un valor especial que va más allá de buscar en la hemeroteca una crónica.

La historia, en general, la escriben los ganadores. Pero la historia que quieres contar sobre el Giro también hay perdedores como como Luiggi Malabroca. ¿Por qué?

Porque dan una galería mucho más completa de la gran aventura que es el Giro, de comportamientos, de personajes muy peculiares. Si solo nos aferramos a la épica… Ese es un pequeño vicio de quien escribe de ciclismo. Todos son grandes héroes, hazañas admirables, sufrimientos y carne de gallina. Bueno, eso creo que es un poco impostado. También hay miserias, hay trampas, hay traidores. Hay gente muy noble y gente muy cruel. Hay de todo. En esos secundarios creo que hay una variedad humana que es mucho más rica.

La de Malabrocca y la maglia nera es la historia del país. Es la historia de una Italia de posguerra en la que la gente pasa hambre. En ese contexto, el Giro pone unos premios para los que se clasifiquen los últimos. Y se desarrolla toda una picaresca muy divertida para llegar el último. Malabroca se hace famoso porque se esconde en los pozos y se va a pescar para llegar lo más tarde posible. Se convierte en un personaje muy popular, la gente le manda dinero al periódico. Esta historia es un reflejo de una sociedad también y es una variante mucho más interesante que las de grandes héroes y grandes hazañas.

Sí. Frases como «Me arde el culo» [que anunció Ganna a los periodistas tras ganar el primer Giro d’ Italia] quedan peor en libros de historia, pero son más auténticas…

Totalmente. Yo creo que hay que desinflar un poco la épica del ciclismo. Que, por supuesto, puede ser un deporte muy épico, pero hay que verlo con cierta ironía y quitarle importancia. Los propios protagonistas lo hacen muchas veces, creo que somos más los seguidores y los lectores los que nos venimos arriba. Y bueno, es una actitud ante la vida. Me parece más divertido, más sano tomar cierta distancia, restar gravedad o solemnidad a lo que, en el fondo, es un juego.

Además, quitando épica no solo todo es más divertido, también es más trágico, más oscuro. A mí me interesan los personajes que tienen muchas sombras, me interesa más la historia de Fiorenzo Magni que fue un gran ciclista, pero que tenía un pasado fascista que le persiguió siempre.

O Pantani, que era un gran, gran ciclista, pero que luego tuvo un final horrible y solitario. Se dopó, no lo reconoció, acabó hundiéndose en un pozo. Murió de sobredosis a los 34 años. Es una historia muy dura. Los últimos años de Pantani son una mierda, no son épicos. Pero yo no quería hablar sobre el maravilloso escalador que era Pantani, abundar sobre lo emocionante que es verlo ahora en YouTube. Es que me parece obviar una parte importantísima de su vida.

Para escribir este libro has cogido la bici para inspirarte. Pero no solo porque trate sobre el ciclismo, ¿no? La solapa de tu libro dice que pedaleas tus libros, que los caminas o que por lo menos das saltitos por el pasillo para parirlos. ¿Por qué? ¿Qué papel tiene el movimiento en tu proceso creativo?

Hay estudios neurológicos sobre el beneficio de un ejercicio suave. Pero bueno, yo, sin necesidad de estudios, siempre he creído que fuera así. No puedo estar tres días seguidos en casa sin salir a dar una vuelta en bici o a caminar al monte. Primero porque no me duermo y luego porque yo creo que el cerebro, cuando estás haciendo un ejercicio suave, cuando estás dando un paseo en bici, tranquilo, por el monte, de repente empieza a hacerte conexiones de ideas. Y cosas que tenías atascadas delante de la pantalla te salen solas. Cuando sales y te mueves se te ocurre un arranque o una frase que tenías atascada, la solucionas. Te vienen asociaciones de ideas. A mí me pasa mucho.

A veces voy en bici con mi novia o mis amigos. Pero me gusta mucho ir solo. Estoy tres o cuatro horas y así se me ocurren cosas. Al final es casi una necesidad física, moverte en bici o a pie. Irte a un sitio donde no tengas distracciones, donde no tengas teléfono ni pantallas. Simplemente dejar flotar la cabeza, que es una cosa que hacemos cada vez menos. Y yo también. Es como estar esperando en la cola de la carnicería y ¡pum!, sacas el móvil y estás entretenido. Ya no estamos ni cinco minutos un poco así, en Babia. Y creo que para escribir es importante estar un poco en Babia.

 

[Fuente: http://www.yorokobu.es]

La pandemia ha impulsado en medio mundo modelos de espacio urbano en los que gran parte de la vida puede hacerse a pie. La capital de España sigue siendo una excepción

Atasco en la salida del túnel de la calle O'Donnell, junto al Parque del Retiro (Madrid).

Atasco en la salida del túnel de la calle O’Donnell, junto al Parque del Retiro (Madrid).

Escrito por Antonio Muñoz Molina

Hasta en Madrid puede haber momentos pastorales. Que duren tan poco hace que uno los aprecie más. Una de estas mañanas yo caminaba a la sombra fresca de unas acacias, antes de las nueve, apaciguando el paso y la respiración después de una carrera de 40 minutos por el Retiro, en un silencio en el que escuchaba bien mis pisadas enérgicas sobre la tierra y los silbidos largos de los mirlos, aunque también las segadoras y las desbrozadoras con que cuadrillas de operarios obedientes a la línea recta y al fanatismo del césped decapitaban sin piedad el esplendor de las hierbas y las flores silvestres. Una carrera solitaria por el Retiro a esa hora de la mañana lo provee a uno de bienestar para el día entero. Quizás porque me encontraba en ese estado me sobresaltó más la aparición, justo frente a mí, en mitad de la acera, de una de esas motos que antes se llamaban “de gran cilindrada”, rugiendo con ese escándalo que aprecian tanto sus propietarios. En este caso, el propietario acentuaba su empuje de marcialidad motorizada con un casco que le cubría la cabeza entera, y en el que llevaba incorporados, como un piloto de caza, un micrófono y unos prominentes auriculares. Vestía traje y corbata, y avanzaba por la acera con un visible orgullo de mostrar, como dice mi amigo Eduardo Barba, “lo que llevaba entre las piernas”. Venía derecho hacia mí, ejerciendo sin duda una de esas ventajas propias de la vida en Madrid, o “a la madrileña”, concretamente la de ir en moto por la acera, no como en esas ciudades socialdemócratas donde las aceras, y hasta algunas calles enteras, están reservadas tediosamente para los peatones, cuando no flanqueadas por carriles destinados al uso exclusivo de las bicicletas, segregados de la calzada principal con el fin exclusivo de fastidiar y oprimir a los automovilistas.

Como la moto no se apartaba de su trayectoria, juzgué más prudente hacerme a un lado, si bien no pude evitar un gesto no diré de ira, pero sí de contrariedad, y hasta de reproche: ese gesto mudo y universal de quedarse mirando y de abrir los brazos con un moderado aspaviento que equivale a una expresión: “Pero hombre…”. El hombre en cuestión, debajo de su casco bélico, se ve que albergaba una sensibilidad propicia a ser herida, porque nada más cruzarse conmigo frenó su cabalgadura, sin detener el motor, se subió la visera y me gritó con un vozarrón desafiante, tan ronco como el tubo de escape que inundaba en ese momento la acera de humo de gasolina: “¿Qué pasa?”.

Hemos entregado el territorio de todos a los intereses de los fabricantes de coches y de las compañías petrolíferas, igual que se entregó un derecho tan elemental como el de la vivienda a los especuladores de la construcción

Era una pregunta difícil de contestar. Dado que yo iba a pie, y en pantalón corto, y le doblaba la edad, preferí no volverme del todo y seguir mi camino, mientras la moto detenida seguía rugiendo a mi espalda y yo notaba en la nuca esa presión particular que indica la cercanía de un peligro. La suma del final de las restricciones causadas por la pandemia y de la victoria electoral de su celebrada lideresa ha desatado en los dueños de coches y motos de Madrid un fervor que sin duda nos envidian en otras capitales, tanto de España como del extranjero, más aún desde que el Tribunal Supremo tuvo a bien declarar ilegales las limitaciones al tráfico en el interior más congestionado de la ciudad, aquel Madrid Central que, con el pretexto de reducir emisiones tan tóxicas como la del dióxido de nitrógeno, buscaba en realidad suprimir bolivarianamente el derecho sagrado de cualquier madrileño a llegar en su coche o su moto a donde le dé la gana, si es necesario invadiendo las aceras, y a ir tan rápido y hacer tanto ruido como le pida el cuerpo.

En otras ciudades, la evidencia del daño físico y psicológico que causan el exceso permanente de ruido y la agresiva ocupación del espacio público está llevando a una búsqueda de lo que Anatxu Zabalbeascoa, en el suplemento semanal de este periódico, llama “la nueva tranquilidad”: una búsqueda, con aires utópicos, pero del todo practicable, de nuevas formas de habitar la ciudad, no de grandes proyectos a la manera del urbanismo autoritario de otras épocas, sino de intervenciones concretas, de cambios de hábitos, de simples actitudes de cooperación y convivencia, de apertura de los espacios ciudadanos al mundo natural y aprovechamiento sensato de los recursos que pertenecen a todos. Zabalbeascoa cita a la arquitecta Izaskun Chinchilla, que vindica derechos urbanos tan fundamentales como beber agua gratuita en una fuente pública o echarse la siesta en un banco.

En algunas ciudades ejemplares españolas, en Europa, en medio mundo, la excepcionalidad de la pandemia ha acelerado la transición hacia formas de transporte limpias, saludables y baratas como la bicicleta, y hacia modelos organizativos del espacio urbano en los que una gran parte de las tareas de la vida diaria pueden hacerse simplemente a pie. Es una revolución pacífica que tuvo como primera inspiradora a la gran Jane Jacobs, que con su activismo cívico en Washington Square y su libro The Death and Life of Great American Cities puso radicalmente en duda una ortodoxia a la que se habían rendido todos los arquitectos y todos los teóricos del urbanismo: que el coche privado era la forma natural y hasta progresista de transporte en la ciudad, lo cual era una forma de entregar el territorio de todos a los intereses de los fabricantes de coches y de las compañías petrolíferas, igual que se entregó un derecho tan elemental como el de la vivienda a los especuladores de la construcción. El precio que hemos pagado en daño ambiental, desigualdad y deterioro de la salud y el bie­nestar es exorbitante. Jane Jacobs y su grupo de mujeres indómitas desataron en Nueva York un movimiento que logró salvar el denso tejido del sur de Manhattan de una autopista que lo habría traspasado y destruido. Lo que ella quería preservar no era un cierto número de edificios del pasado, sino una forma de vida comunitaria hecha de lazos sociales, de plurales interacciones cotidianas, entre el comercio de pequeña escala y la vecindad.

Si Jacobs viviera, la asombraría la amplitud creciente de su éxito. Casi toda Nueva York se puede recorrer ahora en bicicleta por carriles seguros. En Madrid, ir en bici o cruzar a pie una calle puede ser todavía jugarse la vida. Gracias a sus autoridades regionales y municipales, Madrid permanece estancada en un paleolítico urbano en el que ir en moto por la acera o colonizar todo el espacio público con terrazas son todavía muestras esclarecidas de libertad.

 

 

[Foto: Samuel Sánchez – fuente: http://www.elpais.com]

Lluís Oliván publica ‘Vladivostok’ (Periscopi), una novel·la que no és de superació però sí de redempció

Lluís Oliván és l’autor de ‘Vladivostok’

Escrit per Carlota Rubio

Periodista cultural

Vladivostok (Periscopi) amenaça de ser una novel·la de superació, però Lluís Oliván és hàbil a l’hora de jugar amb les expectatives del lector. Relata la història del Tomàs, un home vell i solitari que viu en un poble fictici de la segona columna metropolitana. La narració el segueix de prop durant l’estiu del segon aniversari de la mort de la Magda, la seva dona. Aquest recorregut, però, no és un dol ni la recerca d’una gran veritat, sinó l’excusa que serveix a Oliván per desplegar tot el ventall de sentiments que viu qui entrelluca la mort (o Vladivostok) al següent revolt.

En Tomàs veu el món amb una mirada pràctica, egoista i poc donada a la metàfora. Va ser un jove amb inquietuds polítiques durant la transició, però la seva vida ha acabat regint-se per la utilitat en tots els àmbits. La narració se situa dos anys després de la mort de la Magda, quan el protagonista se sent lliure del dolor més intens de la viduïtat i sense gaire cosa a fer. No sent cap interès pel vitalisme infantil que la societat proposa per a la gent de la seva edat i fa intents tímids de donar un sentit al seu dia a dia: surt en bicicleta i dina menús amb el seu únic amic, que l’intenta convèncer de trobar una nova parella i engrescar-se en l’independentisme pre-1 d’octubre. Viu a Palaudàries, un poble residencial imaginari que, explica Oliván, “no és rural ni urbà, aporta una idea de parcel·la que funciona bé pels personatges solitaris”.

La monotonia que viu en Tomàs és travessada per dos canvis. En primer lloc, a la casa del costat, hi arriba una veïna nova i el seu fill adolescent, amb els quals en Tomàs començarà a entaular una relació. Ella només pren males decisions i el fill només s’hi rebel·la a la manera clàssica (porta gorra, fuma porros i suspèn assignatures), i en Tomàs se sent útil ajudant-los. En segon lloc, tot i no haver estat mai lector, dona una oportunitat als llibres que la seva dona va deixar pendents a la tauleta de nit, fet que li permet descobrir la literatura com a forma de coneixement. A mesura que va llegint els llibres, recupera el blog de la Magda i hi escriu les conclusions que resulten d’analitzar la vida amb el filtre literari.

Tot plegat duu a imaginar el protagonista començant una segona vida plena de conclusions ensucrades i donant sentit als seus últims dies gràcies al caliu familiar retrobat i a la força de la literatura, però no és així. Vladivostok és una novel·la constantment anticlimàtica perquè Oliván ens porta a llocs comuns per, tot seguit, arrencar-nos-els de les mans. I l’escriptor reforça aquesta idea lúdica de l’escriptura amb un narrador que, de tant en tant, intervé per mostrar la tramoia al lector. El primer cop que es manifesta ho fa així: “Ens agradaria explicar què somia per entendre una mica millor les obsessions del Tomàs, però no ho sabem perquè el nostre instint de tafaner ens ha dut a un pam de la finestra de la casa veïna i ja no en sentim ni els roncs. Disculpeu-nos. Preferim els fets als somnis, l’acció a la psicoanàlisi”.

El fet de mostrar l’engranatge narratiu al lector permet que l’atenció es desplegui en moltes direccions. No és tan interessant saber com acabarà la història entre en Tomàs i el veí adolescent com la precisió amb què es retraten les seves contradiccions quotidianes de l’arribada a la vellesa. En Tomàs es baralla amb el desig, un cos decadent, la desavinença amb el seu fill expatriat als Estats Units i la frustració de les expectatives polítiques de joventut. Tot això, Oliván ho retrata sense gaire descripció i amb molt gest: una de les millors imatges de la novel·la és la d’en Tomàs repartint pòstits per la casa per recordar el nom de la seva neta que no parla català.

Tot això es desenvolupa amb la presència constant de la caravana que en Tomàs i la Magda havien comprat per viatjar a Vladivostok, una ciutat russa on no passa res gaire rellevant. El viatge somniat és allò que va unir la parella durant els darrers anys junts, però a causa de la mort de la dona, la caravana i la imatge de la ciutat es transformen en un recordatori permanent del destí proper. A Vladivostok no hi ha un viatge de superació, però sí la redempció de mirar-se les coses de cara.

 

[Font: http://www.nuvol.com]

Dans Un Vélo contre la barbarie nazie (éd. Armand Colin), le journaliste italien Alberto Toscano revient sur l’incroyable destin de Gino Bartali, ce grand coureur cycliste ayant remporté de nombreuses courses, mais ayant aussi, au péril de sa vie, sauvé plusieurs centaines de Juifs italiens pendant la Seconde Guerre mondiale.
 
Livre préfacé par Marek Halter. Rencontre animée par Jean-Marc Finn. Italie 1943. Des personnes de bonne volonté disent « non » à la barbarie nazi-fasciste des persécutions raciales et des déportations. Parmi elles, Gino Bartali, un célèbre cycliste, refuse cette compromission au nom de ses idéaux et de sa foi catholique. Alberto Toscano nous fait partager l’incroyable destin de ce grand sportif, et revivre les moments dramatiques de l’Italie et de l’Europe au XXe siècle. Bartali a été à la fois un homme merveilleusement simple et un champion capable de s’engager pour les valeurs auxquelles il croyait. Par son courage et sa détermination, il a permis le sauvetage de plusieurs centaines de Juifs persécutés par les nazis.
« Il faut lire le texte d’Alberto Toscano. Il se lit comme une aventure et, de surcroît, restitue une page qui manquait au si passionnant et si actuel livre de la vie. » MAREK HALTER
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Les amateurs de la « petite reine » connaissent Gino Bartali (1914-200), ce cycliste italien dont la carrière fut marquée par sa rivalité avec Fausto Copi. En revanche, ils ont longtemps ignoré que ce vainqueur de deux Tours de France (1938 et 1948), trois Giro (1936, 1937 et 1946) et neuf grandes classiques, s’est également illustré en sauvant la vie de 800 Juifs pendant la Deuxième Guerre mondiale.
Fervent catholique, « Gino le Pieux » est très proche du cardinal Elia Dalla Costa qui n’a pas hésité à mobiliser le clergé pour sauver des Juifs de la déportation pendant la Seconde Guerre mondiale, dans le cadre du réseau créé par le rabbin Nathan Cassuto (arrêté et déporté à Auschwitz-Birkenau). Suite à l’occupation de l’Italie par l’Allemagne en septembre 1943, Gino Bartali rejoint ce réseau où, grâce à sa couverture idéale de coureur cycliste, il devient passeur et va jouer un rôle important dans le sauvetage des Juifs.
Connu pour les longues distances d’entraînement qu’il parcourt à vélo, Gino Bartali va ainsi faire passer des faux documents destinés aux Juifs et dissimulés dans le cadre de son vélo. En cas d’arrestation et de fouilles, Gino Bartali s’appuie sur son statut de cycliste professionnel : il demande que l’on ne touche pas sa bicyclette, calibrée au millimètre près pour atteindre une vitesse optimale. « Dans la même journée, il faisait parfois 200 kilomètres à l’aller, et 200 kilomètres au retour.  Et ces faux papiers permettaient à des Juifs, réfugiés dans des couvents, de retrouver la liberté, sous une fausse identité », précise Alberto Toscano.
Il garde ses récits pour lui
Après la guerre, Gino Bartali ne parlera pas de ses actes de résistance. « Le bien », disait-il, « on ne le fait pas pour le crier sur les toits ». Estimant que cette histoire lui appartient, il refuse que ses actes de résistance soient médiatisés. « Il a toujours dit que cela devait rester dans sa mémoire à lui, qu’il ne voulait pas se glorifier du sacrifice des autres. Parce que d’autres personnes avaient perdu la vie, à la suite de leur engagement dans le même réseau. Il voulait garder ces récits pour lui. Il a toujours affirmé qu’il ne voulait être populaire que pour ses exploits sportifs. Et que le reste était gravé dans son cœur », raconte Alberto Toscano. L’essentiel de ses actes de bravoure et de son courage demeure donc méconnu pendant de nombreuses années. Mais grâce à la détermination de Sara Corcos, la sœur du rabbin Cassuto, l’héroïsme et le courage de ce sportif ne relèveront plus du secret. Travaillant au Centre de documentation juive contemporaine de Milan, Sara Corcos a pris contact avec Gino Bartali, mais ce dernier lui a signifié qu’il n’accorde aucune interview. Ce n’est que lorsqu’elle lui révèle son lien de parenté avec le rabbin Cassuto qu’il accepte de témoigner… à condition de ne pas être enregistré.
En 2013, Gino Bartali est enfin reconnu (à titre posthume) Juste parmi les Nations par Yad Vashem et en mai 2018, lorsque le départ du Giro est donné à Jérusalem, il est fait « Citoyen d’honneur de l’État d’Israël ».
 
[Source : http://www.cclj.be]

Escrito por CARLOS CRESPO FLORES

El eucalipto es una especie forestal que recorre la novela MUERTA CIUDAD VIVA[1], de Claudio Ferrufino; acompaña al protagonista en su recorrido etilo-erótico por la ciudad y valle de Cochabamba.

Introducida en el país a fines del siglo XIX desde Australia durante el auge minero, se ha adaptado a los ecosistemas del país, más allá de los impactos ambientales que provoca, sobre la humedad y fertilidad del suelo. El eucalipto (Eucalyptus L’Hér) es definido por la Guía de Árboles de Bolivia[2], como

“Árboles grandes o arbustos, con corteza exfoliante que se desprende en láminas; hojas alternas o subopuestas, lanceoladas o falcadas y asimétricas, glabras rara vez pilosas, pecioladas o subsésiles, generalmente con puntos translúcidos. Flores pequeñas en umbelas o cabezuelas, a veces en panículas axilares, pediceladas o subsésiles; el cáliz lobulado caliptriforme, con una tapa o capuchón que resulta de la unión de pétalos y sépalos. Fruto un pixidio. Género australiano y de la región malaya, con más de 1000 especies” (Killeen, García & Beck, 1993:581).

Las formas de sus hojas y proximidad con el poeta, reafirman a Ron Loewisohn su conexión con esta especie:

Aquí están los eucaliptos

con sus hojas que gotean;

en la luz gris azulada de la madrugada

están juntos en la arboleda

como

nueve hermanos de pelo oscuro y piel suave

hermanos. -Parecen así (extrañamente)

relacionados conmigo.[3]

En Bolivia, son tres las especies cultivadas mas importantes, de ellas, en Cochabamba se planta la E. camaldulensis Dehnh (Killeen, García & Beck, 1993:581), y a lo largo del siglo XX ha formado parte del escenario paisajístico valluno. Es altamente probable que el escritor Claudio Ferrufino disfrutaba de esta especie.

Para el protagonista de Muerta ciudad viva, su “espíritu rural, primigenio, campesino” está conectado con el eucalipto, su “susurro” y su “aroma”; de ahí que busque su “sombra, cuando tiene problemas, depresión o ansias” (112). El fresco olor mentolado del eucalipto seduce a Claudio, a través de su personaje. En un viaje a Oruro, por tren, atravesando “parajes memorables…, a pesar de las ventanillas cerradas, el aroma de eucalipto llenaba los dos vagones de que se componía la máquina” (53). En otra escena, luego de una violenta pelea de borrachera, toma un taxi, para hallarse “echado entre eucaliptos, a la vera de la senda de tierra cerca del canal grande de riego. El sol agrada. La sombra acoge. Las hojas de eucalipto silban una monótona pero sublime canción. Y las pepitas de molle rojo alrededor hablan de asuntos dulces de infancia” (14). La asociación de este árbol mirtáceo, con el placer y el bucolismo valluno, es evidente.

En uno de los recorridos hacia su casa, camina “al lado de las canchas auxiliares de fútbol”, donde solía jugar, “antes de encontrar las preferencias del trago y del culo” (140). El lugar “olía a eucalipto”, provocándole una “extraña sensación”. Efectivamente, en la década del 60’-70’s’ hubo un arbolado en los límites de este espacio deportivo conexo al stadium departamental, donde el eucalipto destacaba.

Otro momento de incursión en bicicleta al entorno rural valluno, por el camino de Condebamba: visualiza “eucaliptos jóvenes, de tonos grises, (que) lucen gotitas de rocío” (109). La juventud del arbolado que observa Claudio evidencia la posibilidad que sean rebrotes. No olvidar que el negocio de los “callapos” se extendió luego de la reforma agraria, talando árboles de eucalipto para troncas y leña, que luego rebrotan.

De una de sus amadas, Eszter, recuerda que olía a eucalipto (116)[4], y esta lo compara con un eucalipto (113). En el periodo retratado por la novela (principios de los 80’s), el arbolado de eucalipto en el campus universitario de San Simón era importante, particularmente entre las facultades de Derecho y Humanidades, del cual hoy quedan algunos individuos. El estudiante apasionado busca a Eszter, atraviesa “los eucaliptos de cincuenta metros (que) guardan unas aves extrañas en sus copos” (83); parecen zancudas, aquellas que visitan también la laguna Alalay como parte de su escala migratoria. Más aún, cuando se entera que ha fallecido Eszter, para recordarla, toma el micro hacia Tiquipaya; por las faldas de la cordillera, sospecho, recorre lugares que habían visitado. Y, por supuesto, están ahí los eucaliptos, “que se inclinaban hacia la izquierda”, debido al “soplo (que) bajaba de una quebrada casi al frente” (121).

Con Silvia, otra novia, están en el río de Chocaya, desnudos, dentro “el agua fría”. El joven realiza un acto pagano religioso: “remojé ramitas de eucalipto azul para utilizarlas como hisopo. Yo te bendigo, coito” (131).

Similar a un cazador vigilante de su presa, el majestuoso árbol le sirve al protagonista como lugar de acecho: “miro a Frances Mallotto desubicado desde un eucalipto. Lo hago al sorber cerveza amarga, calculando los pasos para intentar el ataque” (86). En determinado momento deja “el refugio del eucalipto” para “encararla” (86).

La conjunción eucalipto, molle, agua, es distintiva del paisaje valluno; es con esta vista donde el erotismo fluye: “copulan a orillas de un río seco, apoyados en un molle, con un arroyo corriendo por la espalda, mitad metidos en el agua, entre eucaliptos que bordean una herradura…” (149).

El eucalipto es parte de la fiesta rural en el valle. No solo como leña en la fabricación de la chicha, sino también en la habilitación del espacio festivo. En un matrimonio al cual asiste con sus amigos, observa que “se habían cortado jóvenes eucaliptos para las columnatas que sostendrían la carpa… (para) albergar a doscientas personas” (174).

En su periodo de caída en el alcoholismo y desdicha, el héroe trágico de la novela, visita a un amigo, quien le pagaba tragos de cuando en cuando”, para platicar sobre “los compañeros comunes, de Abel, de situaciones como la del Jallalla. Aires de eucalipto…” (188). Buscando a una de las novias, que había huido luego de una violenta trifulca, “bajaba y entraba a los bosquecillos de eucalipto, a los huertos frutales llamándola” (185). Aun en sus momentos de alucinación alcohólica, el eucalipto se halla presente: “bajé, desmonté cerros y esquivé árboles de tara que se veían solitarios entre molles y eucaliptos” (168). Ahí, el eucalipto se torna sombrío: “las hojas afiladas de los eucaliptos dan la sensación de árboles con cientos de puñales colgantes” (66).

En la última escena de la novela, convertido en aparapita, vemos que se prepara “con agua hirviente y metanol, con raspaditos de naranja, un trago” (206), mientras “los eucaliptos se despiden dialogando con la brisa (y) los pájaros lo hacen con barullo. No voy todavía a dormir” (206).

[1] Ferrufino, Claudio (2013) Muerta ciudad viva. Santa Cruz: Editorial El País. 206 pp.

[2] Killeen, Timothy J., García E., Emilia & Beck, Stephan G. (1993) Guía de arboles de Bolivia. La Paz: Editorial del Instituto de Ecología. 958 pp.

[3] Loewisohn, Ron (1968), “The eucaliptus trees”. En Poetry. Vol. 112. No 2. Pp. 105-106. Traducción libre: C.C.

[4] El protagonista imagina a Eszter que “se reclina en un cuadro de maja boliviana, en marco de eucaliptos y buses achacosos…” (201).

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[De INMEDIACIONES – reproducido en sugieroleer.blogspot.com]

Lo ciclisme ocupa una plaça totjorn que mai importanta dins lo païsatge esportiu francés, e sus lo territòri occitan, ont avèm de mai en mai de corsas de nivèl mondial. Es una realitat, lo sud de l’estat francés es conegut dins lo mond del ciclisme, en Euròpa e dins lo Mond, portat per mai d’un massís montanhòl, coma o veirem mai tard. Aquel territòri es d’alhors tanben una tèrra de campions del ciclisme que son coneguts internacionalament.

Escrich per Hugo Trocellier

Las diferentas corsas

Abans de parlar de las diferentas corsas presentas sul territòri occitan, cal far una pichòta remembrança de cossí se debana lo ciclisme al nivèl mondial. Es desseparat en tres categorias ; las corsas World Tour son las corsas mai complicadas e reservadas a las còlas las melhoras. Retrobam aprèp las corsas UCI Proseries e enfin las corsas Europe Tour.

Lo territòri occitan es present dins caduna de las tres categorias, çò que mòstra plan son importància dins lo ciclisme mondial.

Comencem per las corsas Europe tour, que son las mai presentas. Es lo grand prèmi de ciclisme La Marselhesa que comença l’annada, en general fin genièr, puèi es l’Estela de BessejaTorn de Gard a la debuta de febrièr. Una corsa importanta al nivèl europèu es lo Mont Ventoux Dénivelé challenge qu’atira en general los grands ciclistas per se mesurar a las pendas del mont Ventor. Un autre torn important es la Rota d’Occitània que partirà ongan de Sant Africa e arribarà quatre jorns puèi a Rocamador. Podèm retrobar d’autras corsas Europe tour que se debanan sul territòri occitan mas mens importantas, e donc an mens de mediatizacion, coma lo Torn d’En.

Al nivèl UCI Proseries, las rotas occitanas son tanben plan representadas amb tres corsas, la Faun Ardeche classic que, coma son nom o indica, se debana en Ardecha, la Royal Bernard Drome classic e la mai importanta, lo Torn de Provença, qu’aguèt luòc en febrièr e ont ganhèt Ivan Sosa, ciclista d’esquipa INÈOS. Ongan, lo Torn de Provença aguèt una granda exposicion amb mai que mai la preséncia de Bernal, Alaphilippe (campion del Mond) e Sosa. Son d’alhors eles que finiguèron sul podium. L’edicion 2021 foguèt marcada per una ascension del mont Ventor, gigant del ciclisme mondial.

Tanben, retrobam lo territòri occitan al nivèl World Tour dins tres corsas, lo París-Niça amb tres estapas sus sèt, lo Criterium del Daufinat que partirà de Soire e qu’arribarà a Les Gets dins los Alps. E enfin lo territòri occitan ocupa una plaça fòrça importanta dins la corsa considerada per d’unes coma la corsa mai complicada, lo Torn de França. Cada annada dempuèi sa creacion, lo torn de França met un punt d’onor a passar per lo Massís central, los Alps e los Pirenèus. Son aquestes massisses qu’an fach la reputacion del Torn e del territòri occitan, de tèrras rufas amb mai d’un còl, coma o anam veire.

Tres massisses importants

L’importància del territòri occitan dins lo mond del ciclisme s’explica vertadièrament gràcias als diferents massisses montanhoses. Podèm clarament definir tres massisses importants, los Alps, lo Massís Central e los Pirenèus. An fach la reputacion e la legenda de las rotas occitanas ont avèm agut l’escasença de veire de corsas e d’estapas mai espectaculosas las unas que las autras. Retrobam de còls que pòdon èstre a mai de 2000 mètres d’altitud.

Del costat dels Pirenèus, podèm comptar una quinzenat de còls importants. Lo mai important, lo mai conegut, lo que fa somiar los ciclistas amators e professionals es ben evidentament lo legendari còl del Tormalet que culmina a 2115 mètres. Lo Tormalet a fach sa legenda amb lo torn de França e sas arribadas a sa cima que foguèron a cada còp espectaclosas. D’autres còls an tanben fach la reputacion de Pirenèus, coma per exemple lo còl de Pèira Sorda (1569 m), lo pòrt de Balès (1755 m) o encara lo còl de Palhèras (2001 m).

Los Alps son lo segond massís important del territòri occitan, subrondan tanben de còls e d’istòrias que son dintradas dins la memòria collectiva. Lo còl qu’es mai representatiu dels Alps es per ieu l’Alp d’Ueis ont visquèrem (coma franceses), de moments de jòia (coma la victòria de Thibaut Pinot en 2015) e de moments de tristesa (es a l’Alp d’Ueis que Thomas Voekcler pèrd lo malhòt jaune en 2011). Retrobam tanben dins los Alps lo còl de Galibier (2642 m), lo mont Ventor (1910 m) o encara lo còl d’Iseran (2770 m). Totes aqueles noms an un grand resson dins lo mond del ciclisme internacional e permeton donc de metre endavant lo territòri occitan.

Lo Massís Central es diferent dels Alps e dels Pirenèus, retrobam pas de grands còls a 2000 mètres mas, es un territòri ont es fòrça complicat de trobar de rota plata. Es un platèl a environ 1000-1500 mètres, e ont avèm pas un mètre planièr (i a totjorn un desnivèl positiu o negatiu).

Los ciclistas occitans

Per acabar, parlarem dels diferents ciclistas que son originaris del territòri occitan. A l’ora d’ara dins l’escabòt i a mai d’un ciclista, mai o mens coneguts que son nascuts sus las rotas occitanas. Retrobam Romain Bardet, originari de Briude, Rémi Cavagna, de Clarmont-Ferrand, o encara Pierre Latour, del departament de Droma.

D’autres ciclistas mai ancians faguèron somiar los franceses, coma Laurent Jalabert de Tarn, Nicolas Portal de Gers o encara Pierrik Fedrigo d’Òlt e Garona. Podèm donc dire que lo territòri occitan a vist nàisser de campions, que sián d’esprintaires o d’escalaires. Aquela granda preséncia es subretot deguda a la preséncia, coma o avèm ja vist, dels tres massisses. An una vertadièra influéncia e permeton als joves de començar lo ciclisme dins de bonas condicions.

Per conclure, podèm dire que lo territòri occitan jòga un vertadièr ròtle dins lo ciclisme mondial. Lo territòri s’apièja sus tres pilars, los Alps, los Pirenèus e lo Massís Central. Es una vertadièra riquesa pel territòri occitan que deuriá èstre mesa mai endavant, a travèrs d’una visibilitat mai granda del ciclisme. Es un espòrt qu’ensaja de se promòure mas i a encara dins lo cap de mai d’una persona l’imatge de ciclistas dopats. Pensi qu’i a un vertadièr trabalh de far per los dirigents del ciclisme per melhorar l’imatge d’aquel espòrt e motivar los enfants a far de ciclisme.

 

Hugo Trocellier nasquèt en Marjarida en l’an 2000. Comencèt l’occitan en opcion al collègi fins al licèu, e après lo bachelierat anèt viure a Montpelhièr. Actualament, es en licéncia d’occitan a l’Universitat Pau Valèri de Montpelhièr amb l’objectiu de venir regent dins las escòlas bilinguas.

 

[Imatge: dendoktoor – poblejat dins http://www.jornalet.com]

La notable película de la belga Delphine Lehericey combina su potencia artística con un relato íntimo de un drama rural acontecido en medio de un desastre ambiental

Imagen de ‘El horizonte’.

Escrito por Javier Ocaña

No pocas películas han hablado de la amenaza de un cataclismo universal para relatar el fin de un mundo mucho más pequeño pero no menos relevante: el individual, el personal. Con La última ola (Peter Weir, 1977) y Take Shelter (Jeff Nichols, 2011) como posibles paradigmas, y con Magnolia (Paul Thomas Anderson, 1999) en una línea apocalíptica coral, esas historias estaban plagadas de bruscas granizadas en verano, de lluvias negras, de tornados, tsunamis, malos augurios y aguaceros de ranas, pero también de calamidades mentales, de hundimientos íntimos.

Siempre desde el punto de vista del crío, de su mirada esquiva, airada e incomprendida, Lehericey filma a una familia que se desploma por culpa de, simplemente, la vida: de un amor adúltero oculto, del cotilleo de las pequeñas comunidades, de la dureza del trabajo, del resquemor violento, del encuentro con el complejo sexo adolescente. El drama irrumpe con fiereza, entre gallinas que estiran la pata ahogadas por el sudor, pero contrastando con unas características formales de exultante colorido artístico: una preciosa luz de tonos amarillentos, una especialísima banda sonora de Nicolas Rabaeus, entre la electrónica, la abstracción y el rock sinfónico de la época en la que se desarrolla la historia, que otorga al mismo tiempo una atmósfera de inquietud y una claridad tonal.

Y, sin embargo, allá al fondo, hay un horizonte, físico y metafórico, que en estos días de peste real contemporánea adquiere una categoría superior. Una nueva etapa vital, la de la asunción de que la vida no es como nos la habían pintado, la de la brisa y la calma. Un desenlace que, acudiendo de nuevo a la música, pero esta vez diegética, desde dentro, y en un estilo radicalmente distinto, la directora marca con una pieza universal: la Sinfonía del Nuevo Mundo, de Antonín Dvorák.

[Fuente: http://www.elpais.com]

 

Samuel Beckett

Samuel Beckett, 1964

Publicado por Marcos Pereda

John Wisden lo llaman «la pequeña maravilla». El jugador más polivalente de su época, dicen. Debuta en primera categoría con el Sussex, condado del que es natural, cuando tiene solo diecinueve años, en 1845. Después defendió los colores del Country Club de Kent y del Middlesex. Nada menos que ciento ochenta y siete partidos al más alto nivel, con un promedio superior a los diez wickets por encuentro. Todos coinciden en que es una pena su pronta retirada, a unos tiernos treinta y siete años. Por reuma, además, cosa poco dada a romances, para qué engañarnos.

Claro que John Wisden jugaba al críquet, y tampoco es la actividad más frenética que uno pueda echarse a la cara.

Si hoy nos acordamos de este Wisden es porque desde 1864 decidió lanzar anualmente su Wisden Cricketers’ Almanack. Básicamente la Biblia del críquet, para entendernos. Récords, estadísticas, resultados, reglas, algunas crónicas poco polémicas y biografías de los mejores jugadores. Actualizado año a año, hasta nuestros días. Trabajo minucioso, ya ven, un poco como contar granos de arena en la playa. Solo para aventureros, en definitiva.

Claro que, a veces, te encuentras con curiosidades. Uno tiene que rebuscar, no se crean, pero acaban apareciendo. Como la ficha de Samuel Beckett, nacido el 13 de abril de 1906 en Foxrock (Dublín), que jugó para la Dublin University y era zurdo con el bate y zurdo-medio a la hora de lanzar.

Sí, amigos, nuestro muy nihilista autor, el mago del absurdo y el humor negro (o grotesco, o visionario, depende de a quién pregunten ustedes) fue deportista de alto nivel. O lo que sean los que juegan al críquet, vaya. Y así sale en los libros. En los que no van sobre literatura, se entiende. Acompáñenos y se lo contaremos.

Ah, le advertimos que por aquí van a ir apareciendo también gigantes, gafotas, lores y un par de escritores norteamericanos dándose de hostias mientras Francis Scott Fitzgerald hace de árbitro. La vida misma.

Ese muchacho de gafas que juega al críquet

Tiene el pelo corto, de color claro. Orejas que sobresalen y ponen el rostro entre paréntesis. Ceño fruncido, ojos de mar enmarcados por unas gafas redonditas. Gorra blanca con un escudo en el centro. Cara de devolver todas las hostias que alguien (más grande, más loco) quiera darle.

Es una foto de Samuel Beckett. En el colegio, en el Portora Royal School de Enniskillen. Allí es donde empezó a jugar al críquet, y posa, orgulloso, con el uniforme del equipo. Un más que correcto competidor que seguirá volcado en este saludable pasatiempo durante su paso por el Trinity College de la universidad dublinesa. Jugará sendos partidos en los años 1925 y 1926. Ambos contra Northamptonshire, por aquello de la rivalidad. Dos derrotas, por cierto. Un total de treinta y cinco carreras en cuatro entradas. Defensor aceptable, correoso, combativo. Eso sí, en esos encuentros no consiguió ningún wicket (que, al parecer, es algo muy importante en este deporte, además del abrazable, pero a la larga nefasto ewok que encuentran Han Solo y la princesa Leia en El retorno del Jedi).

Lo cierto es que el pequeño Samuel ya tenía fama por aquel entonces. Destacaba en los deportes. Récords aquí y allá. Nadando, corriendo. En diferentes equipos. Ah, en todos destacaba por su agresividad, por su mala baba. El chico de las mejores notas era, también, el rival más fiero cuando se ponía los pantalones cortos. Toda una estrella del trash talking, de la competitividad extrema.

Por cierto, la entrada de Beckett en el Wisden Cricketers’ Almanack que citamos antes contiene un error. Las iniciales de Samuel Barclay aparecen como «S. V.», un claro ejemplo de que el manejo errático de la «b» y la «v» no es algo propio de los mileniales.

Ya ven, gana un Nobel de literatura para esto…

Beckett más allá del críquet (y la literatura)

Hay más, no se vayan a pensar. Más al margen del críquet, digo. Que, oigan, a mí eso de las pelotitas, los bates que parecen remos-de-los-de-golpe-de-remo y los uniformes blancos me parece de lo más atractivo. Frenético, incluso. Pero aquí hemos venido a jugar, ¿no? A fracasar más veces, a fracasar mejor.

Frase de deportista, esa. De las que se ponen en alguna red social después de subir los datos de tu último entrenamiento. Vean, vean, mens sana in corpore sano. En fin, da un poco de repelús, algo así como lamer un sofá con tapicería de fieltro. Ustedes me entienden. Y Samuel seguramente también, porque el tipo era un aficionado de los buenos. Le gustaba la confrontación, el contacto, ese sudor entre viril y homoerótico que se nos pone a veces mientras nos quedamos sin resuello. La palabra, la palabra es lo único que tenemos.

Beckett practicó igualmente rugby. Tiempos del College, claro. Era bueno, no se crean, titular en el equipo principal del centro. Y un aficionado furibundo del XV del Trébol. Mientras duraba el Cinco Naciones Samuel Beckett no aceptaba plan alguno para los sábados por la tarde, concentradito en el «Amhrán na bhFiann» y esas cosas. Cuenta, además, que su francofilia encontraba allí el límite natural: jamás pudo apoyar a los galos frente a la selección de su país natal. Ah, y también le dio a ratos al boxeo, que es una cosa como muy de escritor. ¿Quieren un ejemplo gratis? Aún resuenan ecos del mejor combate literario que viesen jamás los tiempos. Nada menos que un Ernest Hemingway vs. Mosley Callaghan, con Francis Scott Fitzgerald de árbitro. Fue en París, y el muy testosterónico Ernest besó la lona (en realidad la alfombra de su salón, porque aquello fue un poco improvisado) ante la mirada ausente de un Scott pelín despistado (y ebrio). Ya ven, la cosa venía de atrás.

¿Más? Natación, claro. Tenis y golf, dos clásicos si habías nacido en esas islas tan locas que hay entre Francia e Islandia. Y ver fútbol, aunque aquí no exhibiese la pasión de un Camus o un Quiroga. En fin, que estaba hecho todo un connaisseur, uno de esos muchachos sanotes que se apoltrona durante el fin de semana zapeando entre diferentes versiones de tipos congestionados con la piel brillante. Un poco como su vecino del quinto, vaya, no mire para otro lado, no…

Y después tenemos la conexión más deliciosa. Una de esas historias que hay que contar como te las cuentan, aunque sepas que igual no sucedieron exactamente así. De las de se non è vero. Tan sorprendente. Tan, sí, simbólica.

Samuel Beckett vive en Ussy-sur-Marne, un pueblecito de apenas seiscientos habitantes situado a medio centenar de kilómetros de París. Se mudó allí en 1953, después del estreno de su Esperando a Godot, y ese sitio tan aparentemente anodino será hogar hasta su muerte. En esa misma localidad moran los Roussimoff, un clan de inmigrantes (de procedencia búlgara y polaca). Boris, el cabeza de familia, tiene cierta relación con Beckett, porque ha sido él quien se encargó de buscarle los terrenos adecuados en Ussy-sur-Marne mientras el escritor estaba planeando la mudanza.

Los Roussimoff tienen cinco hijos, pero hay uno que destaca por encima de todos. Se llama André René, pero todos lo conocen como «Dedé». Un chico tímido, buen estudiante, que ama las matemáticas y los números. Y grande, muy grande. Enorme. Gigantesco. Dedé mide casi dos metros con apenas doce añitos. Un Hércules, un Maciste. Solo que aquello es un pequeño pueblo de la Île-de-France, y él únicamente un niño, así que el tema da más problemas que alegrías. Los mayores, claro, en la escuela. No hay sillas de su tamaño, tiene que escribir siempre encorvado. Hasta para ir tiene dificultades, porque su corpachón es tan grande que no entra, literalmente, en el autobús escolar. Así que todos los días camina mientras sus compañeros, esos pequeñajos, llegan cómodamente al colegio.

Cuentan que una mañana el irlandés extraño lo vio mojándose en una cuneta, avanzando a grandes zancadas con sus piernas de ogro bueno. Era el antipático invierno del norte de Francia y al recién llegado le dio pena aquel chaval. Así que, aprovechando que su coche era una especie de convertible, un Citroën 2 CV de esos que casi parecen una furgoneta, invitó al chico a subirse. Yo te llevaré a la escuela, tú eres Dedé, ¿no?, el hijo de Boris. Y el otro, apocado, sonríe. Así cada día. Para que no te mojes.

¿Y de qué hablabas allí con un futuro premio Nobel de literatura, André? ¿Del sentido último de la existencia, de la vida, de sus próximas obras?

André, ya mayor, rostro de Fezzik patilludo, rizos espesos en su pelo negro, sonreía y acababa soltando una carcajada. «De críquet. El señor Beckett solo me hablaba de críquet». Y volvía a reír.

Aquel Dedé siguió creciendo. Más, y más, y más. Hasta que un día decidió que su tamaño iba a ser su trabajo. Y entró en el negocio del wrestling. Pasó a la historia como André el Gigante, un mito de estas cosas, un generador inagotable de leyendas. Ah, también participó en La princesa prometida, sí, sí, aquella película de «Me llamo Íñigo Montoya, tú mataste», etcétera. Ya ven, un icono sentado en el coche junto a otro. A veces la realidad nos regala las mejores historias.

Sobre todo, si las decoramos un poco. Porque, aunque ustedes escuchen la versión (detalle arriba o abajo) en un montón de libros, artículos y hasta documentales sobre André el Gigante, lo cierto es que no es del todo verdad. Lo contaba, años después de su muerte, Antoine Roussimoff, el hermano de Dedé. Que en Ussy-sur-Marne no había siquiera autobús escolar, por lo que todos los niños iban caminando hasta el colegio. Apenas dos kilómetros y medio, vaya. Y que a veces algunos vecinos sí paraban sus vehículos y llevaban niños hasta allí. Beckett entre ellos, claro. Pero lo hacía con todos, depende del día, no solo con André. A mí también me llevó, recordaba Antoine, y también a mis hermanas, no había ninguna relación especial con Dedé. Solo que él mismo se encargaba de alimentar la leyenda. Porque le encantaban las historias, disfrutaba con ellas y esta era de las mejores.

Además, la imagen resultaba tan evocadora… el viejo sabio, el joven enorme y bueno. En un coche perfectamente reconocible. Hablando de críquet…

Esperando a Godot (que tarda porque viene en bicicleta)

¿Saben ustedes por qué esperamos a Godot? Pues porque llega tarde.

Parece un chiste, ese donde aparece el acto de cruzar la carretera y un cadáver de bebé (no pienso explicárselo, porque paso de que cierren esta honrada revista cultural), pero igual no lo es. Porque, pásmense, Godot existió de verdad. Y venía en bici, así que tardaba. No es broma, no.

O, al menos, no del todo. La leyenda oficial nos dice que un día Beckett estaba paseando por París (o por otra villa francesa, depende de qué versión lea usted) y se encontró con una enorme multitud apostada al borde de la acera. El irlandés, intrigado, preguntó en voz bajita. Qué hacen ustedes. Oh, estamos esperando a Godot, le contestaron, es el ciclista más veterano del Tour de Francia, y aún no viene… Queremos aplaudirle. Los hay que añaden otro punto: Godot siempre, siempre, llega el último. Así que ir a ver las carreras es, sobre todo, esperar a Godot…

Suena bien, pero tiene un pequeño problema. Que jamás existió ningún ciclista que se apellidase Godot y corriera el Tour de Francia. Agua. ¿Y algo parecido? No necesariamente con esa grafía, pero sí que suene de forma similar. Ojo, que igual tenemos aquí la respuesta.

En El centauro cartesiano (léanlo, merece mucho la pena) Hugh Kenner cuenta lo que le dijo Beckett sobre este asunto: «Un ciclista veterano, calvo, un aficionado, siempre presente en carreras de pueblo e incluso en el campeonato nacional francés. Se llamaba Christian, apellido Godeau. Lo que, por supuesto, suena muy parecido a Godot». Perfecto, tenemos a nuestro culpable: Christian Godeau. Asunto cerrado. Solo que no es tan fácil, no podía serlo con Beckett, ¿verdad?

No existe ningún Christian Godeau. Sí hay, en la misma época, un Roger Godeau. Nos vale, ¿no? Incluso era calvo, lo que nos cuadra con la descripción de Samuel. Pero este Roger nunca participó en el Tour de Francia, ni siquiera era muy conocido en las carreras de ruta. Su territorio fue la pista, los velódromos. Y aquí nos llega la última vuelta de tuerca. La más rebuscada, quizá, pero oigan… hablamos de todo un premio Nobel.

Godeau se hizo grande, adquirió fama y dinero, corriendo en el Vélodrome d’Hiver de París. El mismo que utilizaron los nazis en la tragedia conocida como la rafle. Julio de 1942. Casi veinticinco mil personas (judíos, gitanos, homosexuales, izquierdistas, disidentes varios) encerrados en aquel lugar, sin agua ni comida. Cadáveres en las esquinas, olor a mierda y podredumbre. Cada poco, trenes que salen llevándose a un puñado de ellos. En dirección a los campos de Drancy, Pithiviers o Beaune-la-Rolande, y después a Auschwitz. Eso era, también, el Vel d’Hiv. Eso, quizá, es lo que quiso esconder Beckett tras el nombre «Godot». El recuerdo. La sinrazón. Una cierta forma de existencialismo abismal y absurdo. En bicicleta, además.

Aquí estamos. Seguimos esperando.

 

[Fotografía: Getty. – fuente: http://www.jotdown.es]

Paris aposta nas duas rodas como a chave da futura mobilidade urbana. Pandemia vem acelerando construção de centenas de quilômetros de vias exclusivas, e o número de ciclistas aumentou 62% em dois anos

Dezenas de pessoas pedalam pela ciclovia da rua de Rivoli, uma das ruas mais centrais de Paris. GONZALO FUENTES/REUTERS

 

Escrito por Silvia Ayuso

A menos que caia um temporal, todas as quartas e sábados, uma dezena de futuros ciclistas pedala com mais ou menos resolução pelo campus da Cidade Universitária Internacional, no sudeste de Paris. São adultos de todas as idades determinados a aprender a montar ou a melhorar a sua técnica. E cada vez o número é maior. “Houve um boom no último ano”, disse Louis Staritzeky, que há uma década ensina a andar de bicicleta na capital francesa. Também observou uma evolução dos alunos: chegam cada vez mais pessoas que “não se sentem muito seguras na bicicleta”, mas que estão dispostas a dominá-la para fazer dela o seu meio de transporte habitual. Como Milène Jarmelus, uma mulher na casa dos 40 anos que quer trocar o bonde pela bicicleta para ir trabalhar, um conceito que até já tem uma palavra própria em francês, vélotaf, uma combinação de bicicleta (vélo) e trabalho (taf). E há outra palavra para a revolução do ciclismo em Paris: vélorrution. A prefeitura municipal construiu centenas de quilômetros de ciclovias nos últimos anos (170 quilômetros em 2020) e o resultado é espetacular: o número de pessoas que se deslocam de bicicleta aumentou 62% em dois anos. E a pandemia de coranavírus acelera essa transformação dos hábitos pessoais e da cidade.

As buzinadas e o som de freadas repentinas que chegam do périph, o cinturão periférico de 35 quilômetros que circunda o centro da capital francesa, fazem Jarmelus e os demais alunos lembrarem que estão investindo em uma alternativa saudável e ecológica ao carro poluente. Mas também que é importante dominar a bicicleta se a pessoa quiser entrar na selva que ainda continua sendo o trânsito parisiense. E isso, considerando que para quem está em duas rodas as coisas melhoraram inegavelmente nos últimos anos na Cidade das Luzes. E continuarão a melhorar.

A equipe da prefeita socialista Anne Hidalgo fixou como meta 2025 para completar sua vélorrution, como a revista L’Obs chamou as medidas, em um trocadilho entre bicicleta e revolução: criar uma densa rede de ciclovias na Paris intramuros, com conexões abundantes com a periferia, para que os pedais se tornem uma verdadeira alternativa de transporte.

Via exclusiva temporária aberta na cidade durante a pandemia, em uma imagem de maio de 2020. NurPhoto via Getty Images

Muito já foi feito, embora ainda haja muitas tarefas pendentes tanto em termos de ciclovias como de estacionamentos, algo fundamental em uma cidade onde o furto de bicicletas está na ordem do dia. “O medo de furto é o último freio para quem quer andar de bicicleta”, diz Paul Martichoux, presidente da 12.5, uma start-up que transforma vagas de garagem vazias em estacionamento de bicicletas. Desde o início do ano, também é obrigatório marcar as bicicletas novas com um “número exclusivo” —para as usadas, o regulamento entrará em vigor em julho—, de modo que sejam facilmente identificáveis em caso de furto.

A pandemia, paradoxalmente, transformou-se no melhor aliado deste ambicioso projeto que se vai impondo em uma cidade rendida durante décadas ao poluidor e barulhento tráfego convencional. “A crise foi um acelerador”, reconhece o secretário dos transportes de Paris, David Belliard.

O político, também responsável pela transformação do espaço público, está convencido de que a revolução da bicicleta já está em andamento e que é imparável. “Será feito conosco ou sem nós, porque as pessoas querem usar a bicicleta”, afirma. Ciclista há duas décadas, diz que “há muitos sinais, como a explosão da venda de bicicletas, que demonstram que algo está acontecendo”. Entre 2018 e 2019, o uso de bicicletas em Paris aumentou 49%. Apesar dos confinamentos da pandemia, entre 2019 e 2020 o uso continuou crescendo mais 13%, segundo a prefeitura.

O crescimento na opção por bicicletas na pandemia pode ser um fenômeno mundial. A cidade de São Paulo, por exemplo, teve um aumento de 66% nas vendas de bicicleta em 2020 em relação a 2019, de acordo com a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike) —no país, a alta foi de 50%. Como mostra reportagem do G1, que revelou os números, especialistas e ciclistas apontam que a diminuição do trânsito com as medidas de restrição pode ter deixado os moradores mais seguros para andarem nas ruas de bicicleta, que também se tornou uma forma de evitar a aglomeração no transporte público e de praticar atividade física com distanciamento.

Em Paris, o Vélib, o serviço municipal de aluguel de bicicletas urbanas, atingiu em setembro do ano passado os 400.000 usuários. O Vélib, que permite alugar por seis meses uma bicicleta elétrica para os que têm dúvidas em comprar uma própria —para o que Paris dá ajudas de até 500 euros (3.400 reais)—, tinha na mesma data 13.000 auxiliados. Até os supermercados estão lançando a entrega em domicílio de bicicleta e as oficinas de conserto não dão conta do trabalho, principalmente desde o lançamento no ano passado de um programa nacional de 50 euros (340 reais) de ajuda para reparar velhas bicicletas. Um número menos positivo, mas que também demonstra o boom dos pedais é o aumento de 36% dos acidentes de bicicleta: em 2020, 919 ciclistas ficaram feridos com 8 mortos em Paris, contra 680 em 2019 (quatro deles mortos).

Um ciclista pedala pelo bairro de Trocadero, perto da Torre Eiffel, em Paris. FRANCK FIFE/AFP

Há dois momentos essenciais na vélorrution parisiense. O primeiro foi a longa greve do transporte público em dezembro de 2019. Os protestos pela reforma das aposentadorias do presidente, Emmanuel Macron, paralisaram o metrô e os ônibus da capital durante mais de 40 dias. Nesse momento começaram a encher —e até a ficar estreitas— as ciclovias recém-ampliadas meses antes, pelas eleições municipais de 2020 em que Hidalgo foi reeleita. Depois veio a pandemia e o medo de usar um transporte público lotado.

Ao final do primeiro confinamento, em maio de 2020, os parisienses descobriram as coronapistas, vias exclusivas temporárias que ampliavam enormemente o espaço às bicicletas em uma cidade onde circular pedalando continua sendo, frequentemente, um esporte de risco. Atualmente são 170 quilômetros na capital e seus arredores, marcados com sinalizações temporárias, mas que a equipe de Hidalgo pretende tornar permanentes. Além disso, há planos para criar uma rede de mais de 600 quilômetros de ciclovias na região parisiense. Até mesmo o Governo central apoia a transição às duas rodas em Paris e no restante da França: o primeiro-ministro, Jean Castex, prometeu no verão passado um “plano de bicicleta muito ambicioso”. Em janeiro, foram acrescentados mais cem milhões de euros (678 milhões de reais) aos 350 milhões (2,3 bilhões de reais) previstos no plano inicial, apresentado em 2018, e que tem como objetivo fazer com que até 2024 9% dos deslocamentos no país sejam feitos de bicicleta (contra os 3% atuais).

Um caminho complicado

O caminho não tem sido fácil. Hidalgo chegou à prefeitura com o objetivo de reduzir o tráfego de veículos a motor, mas suas medidas encontraram uma forte oposição: como transformar em espaços para pedestres as margens do Sena antes dedicadas ao trânsito, que acabou nos tribunais. “Há 20 e até 30 anos estamos em uma batalha contra os carros, e cada vez há oposições extremamente fortes que se acabam por apagar, porque percebem, por exemplo, que as áreas de pedestres não matam o comércio; justamente o contrário”, diz Belliard.

Com as bicicletas não está sendo mais simples. O historiador Frédéric Héran, autor de Retour de la byciclette (O retorno da bicicleta), lembrou na L’Obs que na França, que tem uma indústria automobilística importante, “os industriais conseguiram convencer os franceses de que a bicicleta era algo reservado ao lazer e ao esporte”. Isso se junta à limitação do espaço de circulação provocado pelas coronapistas. Até hoje, muitos motoristas se lembram de todos os antepassados da prefeita e sua equipe quando se formam formidáveis congestionamentos nas entradas e saídas da cidade, onde os carros viram como seu espaço fica reduzido às vezes somente a uma pista, para favorecer os ônibus, que têm uma própria, e as bicicletas, que ganham outra. Será preciso fazer alguns ajustes, reconhecem os responsáveis, mas não há volta atrás.

“Não fazemos uma política de promover as bicicletas porque adoramos andar de bicicleta, e sim porque temos um problema importante de mudança climática e de crise sanitária: coronavírus e poluição, tudo é um pacote e um contexto que nos exige usar modos de mobilidade menos poluidores e que nos permitam reconquistar o espaço, tirar concreto e colocar mais natureza”, diz Belliard.

[Fonte: http://www.elpais.com]