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Meu avô nunca comeu chocolate, conta um camponês cacaueiro. Outra diz que era proibido provar caroços da fruta. Em 2007, após gerações sob trabalho escravo, eles ocuparam fazenda na BA. Agora, abrem sua própria fábrica da guloseima

Escrito por Anelize Moreira, no site do MST

Chocolate não tem data nem hora para ser desejado e consumido. Mas o que está por trás da produção da sua principal matéria-prima, o cacau? Como saber se o chocolate que a gente consome é fruto de um trabalho limpo e justo? Quem produz, de onde ele vem e como é o trabalho de quem vive do cacau?

O fotógrafo Fellipe Abreu e a jornalista Patrícia Moll retrataram a história de famílias do  assentamento Dois Riachões que conseguiram sair da condição análoga à escravidão vivenciada por gerações anteriores por meio da produção agroecológica de cacau no sul da Bahia.

“Meu avô nunca comeu chocolate, nunca, quem comia era o coronel. Ele morreu sem saber o que era chocolate”, conta o agricultor familiar Edivaldo dos Santos no documentário Dois Riachões, Cacau e Liberdade.

“Eu quebrei muito cacau e eu não tinha direito de chupar um caroço de cacau, porque o cabo de turma estava do nosso lado, vigiando tudo”, afirma a assentada Luiza Batista.

Edivaldo, Luiza e outros agricultores que romperam com o ciclo tradicional de produção pelos herdeiros dos coronéis das fazendas da Bahia no assentamento Dois Riachões, em Ibirapitanga, vivem 150 pessoas e a produção tem sido referência para outras comunidades que lutam pela reforma agrária no Brasil.

Os agricultores ligados à Coordenação Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados (Ceta) ocuparam o local em 2007, mas só em 2018 houve a regularização da terra. No local, além do cacau, eles plantam outras culturas, como frutas, hortaliças e grãos.

“Meu avô nunca comeu chocolate, nunca quem comia era o coronel. Ele morreu sem saber o que era chocolate”, conta o agricultor agroecológico Edivaldo dos Santos / Fellipe Abreu

Teresa Santiago, é agricultora do assentamento e diz que a agroecologia é a base de todo processo, e a comercialização é um dos tripés dessa luta. Eles conseguem escoar a produção nas feiras, com vendas diretas com o consumidor e por meio de programas federais como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Para a agricultora Teresa Santiago a liberdade foi construída a partir da luta pela terra, quando houve a transição de meeiros para donos do lote e da produção.

“Você deixa de ser oprimido, deixa de ter ali alguém que vai mandar dizer o que você vai fazer para outra maneira de viver e construir coletivamente a luta pela terra. No documentário, quando a gente fala da soberania, é a soberania em todas as suas vertentes, seja social, alimentar, na questão ambiental, produtiva e econômica”, diz a agricultora.

Durante as gravações do documentário, Abreu explica que eles acompanharam as mudanças na comercialização. Ele conta que as amêndoas de cacau que antes eram vistas como simples commodities e baratas, passaram ser um produto com valor agregado.

“Então eles começaram a estudar fermentação e como agregar valor àquela amêndoa que produziam e começaram a vendê-la para marcas finas por um valor muito mais alto do que o cacau de baixa qualidade. Não satisfeitos, num segundo momento quando a gente estava lá filmando, eles já estavam construindo a própria fábrica de chocolate e dois anos depois inauguraram uma fábrica e lançaram o chocolate Dois Riachões”, conta um dos diretores.

O assentamento Dois Riachões atualmente produz, comercializa e tem uma marca própria de chocolate com o mesmo nome / Fellipe Abreu

Patrícia conta que a ideia do documentário surgiu por não ser uma história conhecida e pelo chocolate ser algo universal que interessa a diversas culturas. Ela destaca a organização, e trabalho coletivo dessas famílias.

“Eu me impressionei como eles trabalham em mutirão e têm a noção bem definida de trabalho coletivo.  Eles fazem tudo juntos, passam o dia na roça do seu Fulano, depois vão para a roça do seu Beltrano, sempre se divertindo e cantando enquanto fazem a quebragem. Também é lindo vê-los terem conseguido conquistar essa soberania alimentar e hoje cozinharem e produzirem os próprios alimentos, e finalmente poderem comer o próprio chocolate”.

Para Abreu, com o atual contexto de ataque aos direitos socioambientais no Brasil é ainda mais importante trazer o debate temas como agroecologia e agricultura familiar, que se recebessem mais fomento do poder público poderiam crescer ainda mais no país.

O cacau já faz parte da história do Brasil, e no sul da Bahia é um dos principais produtos agrícolas da região. A produção de cacau cabruca de Dois Riachões é um exemplo de como ter um sistema aliado à conservação ambiental. A produção agroecológica considera não só o alimento livre de veneno, mas a preservação de espécies florestais nativas, manutenção dos recursos hídricos e a fauna local.

“O sistema cabruca de produção de cacau não derruba a mata nativa, ele coexiste junto com ela. Se você olhar para uma lavoura de cacau cabruca, verá a Mata Atlântica por cima e o cacau por baixo. Inclusive, se você não prestar muita atenção, às vezes você nem verá o cacau, porque ele fica completamente rodeado pela mata. Além de preservar a mata, o próprio cacau beneficia-se da sombra das árvores e produz melhor e por mais tempo”.

O documentário foi produzido de forma independente e foi o primeiro curta de Patricia e Fellipe juntos. A ideia é que o documentário que vem sendo exibido em diversos festivais pelo mundo ajude a viabilizar outros projetos semelhantes com olhar voltado para o rural, a agricultura familiar e a cultura alimentar do Brasil.

O cacau já faz parte da história do Brasil, e no sul da Bahia é um dos principais produtos agrícolas da região. / Patricia Moll

“Esse foi totalmente independente. Então a nossa ideia era usá-lo também um pouco como moeda para conseguir contar outras histórias de produção de alimentos pelo Brasil, e sempre com um alimento para mostrar o quão viável também é escolher comprar esses alimentos. Para não precisar escolher um [chocolate] do supermercado, ou seja, para mostrar o que impacta quando você escolhe comprar um alimento da agricultura familiar”, comenta Patricia.

O documentário recebeu quatro prêmios: como melhor curta-metragem no VI Festival de Cine Independiente de Claypole, na Argentina; o Prêmio Consorzio del Formaggio Parmegiano Reggiano” no Festival Mente Locale; menção honrosa na 4ª Mostra Nacional de Cinema Ambiental; e como melhor filme, pelo júri popular no Festival Santa Cruz de Cinema, no Rio Grande do Sul.

 

[Fonte: http://www.outraspalavras.net]

O polémico escritor publica en Francia a súa nova novela, «Anéantir», unha ficción política que lembra a «Submisión» con tinguiduras de thriller, melodrama e erotismo

Michel Houellebecq (á dereita) e Gérard Depardieu, na película «Thalasso» (2019) que dirixiu Guillaume Nicloux.

Escrito por BEATRIZ XUÍZ

A nova e esperada novela de Michel Houellebecq, o escritor máis lido e polémico de Francia e un dos máis seguidos en Europa, acaba de saír á venda no seu país. É unha ficción política titulada Anéantir (en español, destruír, aniquilar) que a editorial Anagrama publicará, en español e catalán, a finais de agosto en España.

A revista Lle Nouvel Observateur dixo hai tempo que Houellebecq era «a primeira estrela literaria desde [Jean-Paul] Sartre». E ségueo sendo. Cada novela súa convértese instantaneamente nun fenómeno literario. Os seus detractores afían os coitelos antes incluso de que chegue ás librerías. As feministas acúsanlle de misógino e a esquerda, de islamófobo e de racista. Os seus libros adoitan provocar apaixonados debates políticos.

Anéantir é, do mesmo xeito que Submisión (2015), unha novela de ficción política. Pero hai moito máis. Houellebecq mestura o thriller xeopolítico, o melodrama familiar e a novela erótica. Numerosos temas abórdanse baixo o seu novo título: as bambalinas do poder, o terrorismo, os grupúsculos radicais, a espionaxe, a enfermidade, a morte, o amor, a soidade, a eutanasia, o esoterismo, o islamismo, o nihilismo, o aparcadoiro dos anciáns en residencias, o malestar sexual do home contemporáneo e a crise do catolicismo e a sociedade occidental.

A pesar de que o libro ten 734 páxinas na súa edición francesa, non se fai pesado. Houellebecq, co seu pesimismo sen remedio e o seu humor sombrío, segue sendo Houellebecq e está en forma.

A novela trasládanos á campaña presidencial francesa do 2027. Emmanuel Macron, ao que non nomea pero pola descrición que fai do presidente está claro que é el, non se presenta á reelección, xa que a Constitución lle impide optar a un terceiro mandato. Pero ten un plan: pór a un presidente-monicreque, un coñecido presentador de televisión con ambicións políticas, mentres prepara o seu regreso no 2032 para outros dous mandatos.

O protagonista non é Macron, senón Paul Raison, de 47 anos, alto funcionario do Ministerio de Economía e Finanzas e brazo dereito de Bruno Juge, «o mellor ministro de Economía desde [Jean-Baptiste] Colbert», o ministro do rei de Francia Luis XIV. Bruno lembrará aos lectores franceses a outro Bruno: Bruno Lle Maire, actual ministro francés de Economía e amigo na vida real de Houellebecq.

Non parece que Anéantir vaia a crear as polémicas que suscitaron outras novelas súas. Pero o feito de que se publique na véspera das eleccións presidenciais en Francia (en abril) seguramente dará moito que falar. Nese 2027 imaxinado por Houellebecq, a esquerda apenas sobrevive, o ultra Éric Zemmour segue tendo admiradores e detractores e a extrema dereita pos Marine Le Pen segue sendo moi forte pero non logra alcanzar o Elíseo.

Musulmáns ao poder

En Submisión imaxinaba que no 2022 un partido musulmán gañaba as eleccións en Francia e impuña a sharía aos franceses, o que derivou en acusacións de islamofobia e de dar ás á extrema dereita. A novela saíu á venda en Francia xusto o mesmo día do atentado islamita contra a redacción da revista satírica Charlie Hebdo no que morreron 12 persoas. Houellebecq suspendeu a promoción. En Anéantir alude a ese ataque.

O autor, de 65 anos, deuse a coñecer grazas ao boca a boca en 1994 con Ampliación do campo de batalla, a súa estrea literaria. E converteuse nunha revelación coas partículas elementais (1998), un ataque frontal contra os protagonistas do 68 francés. Foi acusado de fomentar o turismo sexual cando publicou no 2001 Plataforma. Xulgado no 2002 por inxuria racial e incitación ao odio relixioso tras declarar na revista Lire que o Islam é «a relixión máis idiota do mundo» e moi perigosa, resultou absolto.

Gañou o prestixioso premio Goncourt no 2010 coa carta e o territorio, novela moi encomiada pola crítica, xeralmente moi dividida sobre a súa obra. No 2019 lanzou Serotonina, unha novela sobre antidepresivos, sexo e a decadencia da Europa actual. Nos seus 30 anos de carreira, Houellebecq casou tres veces, sacou un álbum experimental e actuou en tres películas, unha delas xunto a Gérard Depardieu, Thalasso (2019).

 

[Fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Offert en avant-première à quelques-uns, piraté donc auréolé d’un parfum de scandale, le dernier roman de Michel Houellebecq est-il si sulfureux ? Anéantir, qui paraît le 7 janvier, met en scène une fratrie de trois adultes dans une situation apte à susciter de la tension et des questions graves : leur père est dans un coma profond dont il semble s’éveiller. Où ? Entre Paris, les Hauts-de-France et le Beaujolais. Quand ? En 2027, date de la prochaine élection présidentielle (n + 1), sur fond d’attentats. Action, lieu, temps : vous avez les principales cartes en main. Imaginez le malin génie Houellebecq tirant les ficelles : il est exercé, perçant, contempteur ; et il est encore plus ambitieux et plus mondial. Les amateurs se réjouiront ; les rétifs laisseront tomber.

Anéantir, de Michel Houellebecq : un humanisme résiduel

Michel Houellebecq lors d’une conférence en Argentine (2016) © Silvina Frydlewsky / Ministerio de Cultura de la Nación

Michel Houellebecq, Anéantir. Flammarion, 736 p., 26 €

Écrit par Cécile Dutheil de la Rochère

Un mot sur l’objet. Le livre est relié et agrémenté d’un élégant signet rouge qui tranche sur la blancheur de l’ensemble. C’est prétentieux, mais l’écrivain a le génie de la publicité et ses ventes le permettent. En vérité, le livre est vilain, il ressemble à une vieille édition de Ginette Mathiot, Je sais cuisiner. Coïncidence, Cécile, un des personnages, compense le chômage de son mari en créant Marmilyon.org, une petite entreprise qui propose de préparer des repas à domicile.

Cécile est surtout catholique et pratiquante. Des trois enfants, elle est celle qui croit : au réveil du coma de leur père, en Dieu, en la Résurrection. Elle n’est pas antipathique, un peu ravie de la crèche, pauvre, gentille, son créateur a peu d’estime pour elle. Elle vote Le Pen : aux yeux de Houellebecq, c’est une évidence, quand on est fille de l’Église, on vote à l’extrême droite. Ou est-ce que l’extrême droite n’est plus extrême ? Elle s’est enracinée dans le paysage, celui de la France et de la « force tranquille » qui se déployait, sereine, sur les affiches de campagne de Mitterrand en 1981.

Le monde entier sait que Michel Houellebecq est un sismographe expert des courants, des modes, des tendances et de leurs mille et une variations et retournements qui font dériver la France et l’Europe occidentale de-ci, de-là. Il anticipe, dit-on. C’est vrai, mais pas toujours. Il n’est pas non plus devin ni sage. Anéantir peut donner l’impression d’être un vaste pot-pourri de tout ce dont nous abreuvent les chaînes d’info en continu : tout y est, tout ce qui fait débat, qui heurte, qui choque, qui choqua, qui ne choque plus ou qui devrait choquer.

L’état des lieux tel qu’il apparaît dans Anéantir est extrêmement clair et parfaitement lisible. Le roman est excessivement signifiant. À trop relever les marques, les sigles, l’invasion des initiales (EHPAD, AVC, PMA, GPA, EVC-EPR), par exemple, il pourrait lui-même finir par devenir un panneau. Heureusement il n’y tombe pas, la sensibilité du romancier est trop aiguisée pour se laisser prendre au piège. Il n’empêche, préciser systématiquement que tel personnage déjeune dans un restaurant Courtepaille et émailler le roman de tics langagiers ridicules finit par affaiblir le propos. Trop de réalisme tue le réalisme. Mais un roman strictement réaliste est un roman mort, ce que n’est pas Anéantir.

Le livre vit, avance, abandonne des pistes, bifurque et surprend. Il est long, certes, et alors ? En dépit des virages et des impasses, son rythme est régulier, comme une autoroute, en cinquième vitesse. Quelques pauses sont néanmoins recommandées, vous pouvez même arrêter en route : « anéantir », dit le titre, alors pourquoi ne pas appliquer la méthode à la lecture du roman et tout jeter par-dessus bord ? Vous aurez raté les quelques sentiers de traverse qui donnent de l’épaisseur à ce livre.

Les premiers sont les rêves du personnage principal : Paul, énarque, fonctionnaire du ministère des Finances, moins minable que le héros houellebecquien habituel. Il doute, croit ne plus aimer et pourtant réapprend à aimer. Il a des angoisses, des passages à vide, des hallucinations qui bousculent la plaque photographique trop reconnaissable qu’offre le roman. Un léger onirisme colore le livre et lui évite de sombrer dans la satire et l’aigreur. La nature est présente, le ciel et ses couleurs, les arbres et leurs teintes vertes, rassérénantes, éternelles. Le romancier se risque à de simples descriptions de paysages qui tempèrent sa noirceur ; les personnages se déplacent sur le territoire et l’observent. Tout ce qu’ils voient ne se réduit pas à un vaste écran Internet ni télévisuel.

Curieusement, aucun des trois frères et sœur n’est célibataire, condition humaine fin-de-siècle type chez Houellebecq. Tous sont mariés, même s’ils ne sont pas toujours heureux. Qui l’est vraiment, après tout ? Des interrogations presque candides naissent : « Il y a encore une dizaine de jours il n’avait jamais touché Maryse, le contact de sa peau était complètement en dehors de son champ d’expériences ; et maintenant cette même peau lui était devenue indispensable ; comment expliquer cela ? »

Maryse est d’origine béninoise, la précision mérite d’être relevée et opposée à une autre : le fils d’Indy, personnage détesté par le romancier (une journaliste « conne » et bien-mal-pensante), est né d’une GPA et d’un père noir anonyme. Indy est pourtant mariée, mais c’est ainsi, assène Houellebecq, de son fils elle a voulu faire « un placard publicitaire ». Le romancier est là au moins aussi malveillant et vengeur que ce personnage féminin honni, Indy. Et il charge la barque, lourdement, très lourdement.

Anéantir, de Michel Houellebecq : un humanisme résiduel

Ministère de l’Économie et des Finances © Jean-Luc Bertini

Plus le roman avance, plus sa dimension apocalyptique et mondialisée est manifeste. Les trois frères et sœur semblent passer au second plan, plus ou moins effacés par les trois attentats qui scandent l’intrigue du livre : contre un porte-conteneurs chinois, contre une banque de sperme, contre un bateau de migrants – trois cibles plus que symboliques pour Houellebecq. Régulièrement, le récit penche vers le roman d’espionnage – hackers, darkweb, exterminateurs impossibles à identifier. Puis il redevient conforme à ce qui a fait la noire réputation de l’écrivain : une comédie de mœurs. Nouvelle surprise, des pages laissent penser qu’il s’agit d’un thriller politique. Puis ce fil s’effiloche lui aussi. Enfin, le livre s’achève comme un mélodrame.

Alors que reste-t-il de cette hésitation d’une piste à l’autre ? Un roman-métastase, qui élimine ses personnages les uns après les autres : Houellebecq les oublie, les abandonne à leur inanité, les suicide ou leur impose une maladie terminale. Il reste aussi un esprit nihiliste « jusqu’au trognon » : l’expression, peu gracieuse, est du romancier, caricaturiste et cousin de Reiser. Dans le roman, elle s’applique au politiquement correct, autre pot-pourri dans lequel Houellebecq balance tout, l’humanisme, « mou », dit-il ; une gauche en loques, la foi du charbonnier de Cécile, la joie, et cætera, et cætera.

Et la droite, l’extrême ? Houellebecq est ambigu, il peut sembler distant puisqu’il a même des « pétainistes vegan » dans sa hotte, mais il joue avec le feu, les braises qui couvent au moment même où il écrit et publie, et il en jouit. Et l’islam ? Le thème est peu présent. Sur une même page, il note deux choses : une mosquée à Belleville-en-Beaujolais, avec un « C’était étonnant » pour seul commentaire ; la « solidarité entre les générations » des Maghrébins qui répugnent à enfermer leurs aînés dans des Ehpad. Ailleurs il est plus désobligeant et ne peut s’empêcher de railler sous cape.

Là où il ne saurait ruser, c’est dans le style, plat comme une limande. Sa prose est normale en tous points, vecteur efficace d’action. Il use d’un passé simple de rigueur et de bon aloi. Il s’est affiné, dans la mesure où il a abandonné ses habits élimés de pornographe, même s’il reste des taches de gras. S’il dénonce ce qu’il appelle la « druckérisation » du monde et du langage, Houellebecq en est le fils consentant.

Finissons en lui donnant raison : l’humour, y compris sur sa propre survie, « fait partie des droits de l’homme en quelque sorte ». Il y a bien chez Houellebecq un humanisme que l’on dira « résiduel », adjectif heureux que nous lui volons. Lui-même parle de « christianisme résiduel » ou d’« une forme de vie étrange et résiduelle », comme si l’un ou l’autre, ou l’un et l’autre, en était la racine. Chez lui flottent de vagues restes d’altruisme, transportés par un vent toujours mauvais.

 

[Source : http://www.en-attendant-nadeau.fr]

Escrito por Yvette Alt Miller

¿Un volumen del  dedicado al papa? Parece poco probable, pero la primera edición impresa del de hecho estuvo dedicado al papa León X, quien reinó como papa desde 1513 hasta su muerte en 1521.

Durante milenios, las copias del  habían sido meticulosamente escritas a mano. Podía llevar varios años llegar a completar un set de las 63 masejtot o tratados del Talmud.

En 1450, Johannes Gutenberg inventó la primera imprenta. Él la usó para imprimir panfletos, calendarios, y varias copias de la Biblia. La « Biblia Gutenberg » se considera el primer libro impreso producido en Europa. En los años siguientes, otros impresores copiaron el invento de Gutenberg y comenzaron a imprimir libros. Muchos libros judíos fueron impresos usando el nuevo invento mecánico. Pero nadie había intentado imprimir una copia del Talmud. Durante años, el  continuó siendo escrito laboriosamente a mano.

Eso cambió en 1519, después de años de amargos debates, cuando la primera edición completa del  se produjo utilizando el nuevo invento de la imprenta mecánica.

Daniel Bomberg: un impresor cristiano de libros hebreos

En Europa, uno de los primeros que imprimió libros hebreos fue Daniel Bomberg, un cristiano que se había ido de su Amberes natal a Venecia en 1515 y abrió allí su imprenta. En esa época, Venecia contaba con una próspera comunidad judía y Bomberg entendió que podía prosperar si se dirigía a ese mercado no explotado.

Imprimir libros judíos no era sencillo. Sus primeros pedidos de una licencia fueron repetidamente rechazados por la iglesia y por los oficiales de la ciudad. Bomberg comenzó a ofrecer grandes sobornos a los oficiales locales para que le permitieran imprimir libros judíos. Después de pagar 500 ducados (una suma enorme), le otorgaron una licencia de diez años para imprimir libros hebreos.

Bomberg comenzó a trabajar de inmediato, contratando judíos para que lo ayudaran. Él pidió permiso a los oficiales de Venecia para contratar « cuatro hombres judíos bien instruidos ». Los judíos que vivían en Venecia en esa época solo podían vivir en el gueto y estaban obligados a usar distintivas capas amarillas cuando salían de las puertas del gueto. A los asistentes de Bomberg les dieron permiso de usar capas negras como el resto de los trabajadores no judíos.

Juntos, ellos comenzaron a imprimir copias del Jumash, los Cinco Libros de Moshé, y otros libros judíos. Bomberg y sus ayudantes judíos decidieron incluir el texto del Targum Onkelos, la traducción del texto hebreo escrita por el famoso erudito judío del siglo I, Onkelos, una costumbre que sigue siendo popular en la actualidad.

Iaakov ben Iejiel: un noble judío que aconsejaba al emperador

Las actividades comerciales pro-judías de Bomberg se vieron facilitadas en cierta medida por el clima general en Europa, que se estaba volviendo más tolerante hacia los judíos, en parte gracias a un médico judío austríaco llamado Iaakov ben Iejiel (también conocido como Iaakov Lender).

Se conoce muy poco sobre la vida personal de Iaakov ben Iejiel. Lo que queda claro es que era un judío erudito, con un hebreo fluido, que trabajaba como médico. Él falleció alrededor del año 1505 en Linz, Austria. De forma inusual para un judío, él llegó a ser uno de los hombres más influyentes en el Sagrado Imperio Romano, trabajando como el asistente personal del emperador Federico III, quien gobernó entre 1452-1493. Era sabido que los dos hombres eran amigos, y la amistad de Iaakov ben Iejiel influyó para que Federico III simpatizara con sus súbditos judíos. En un momento, los enemigos del emperador se quejaron de que él era « más un judío que un sagrado emperador romano ». Federico III amaba tanto a Iaakov que lo nombró caballero, elevándolo de ser un judío humilde y marginado a las filas de la nobleza.

Un día, un joven noble alemán llamado Johann von Reuchlin se puso en contacto con Iaakov y le pidió que lo ayudara a aprender hebreo. Von Reuchlin le explicó que había estudiado en París con un judío llamado Kalman y habíia aprendido el alfabeto hebreo. Ahora quería aprender más. Iaakov ben Iejiel aceptó ser tutor del noble cristiano y le enseñó a leer y a escribir en hebreo. Esto dio lugar a una amistad que llevó a que Von Reuchlin defendiera la erudición judía por toda Europa y desembocó en la primera impresión del Talmud.

Johan von Reuchlin: el defensor de los libros judíos

Ahora que manejaba con fluidez el hebreo, Reuchlin comenzó a defender los libros judíos de los católicos fanáticos que querían prohibir la literatura judía y quemar los libros judíos. Él tenía muchos amigos judíos y era remarcablemente tolerante hacia la perspectiva de vida judía y la erudición. Cuando los oficiales católicos exigieron que él y otros eruditos condenaran al Talmud, Von Reuchlin respondió con desprecio que no se condena lo que uno no ha leído ni comprendido personalmente. « El  no fue compuesto para que cualquier canalla lo pisotee con los pies sucios y después diga que ya lo sabía todo ».

A principios del siglo XVI, von Reuchlin participó en lo que se conoció como la « Batalla de los libros », argumentando que la erudición judía tenía mérito y que los libros hebreos no deberían prohibirse.

Johann von Reuchlin

Johannes Pfefferkorn: la condena a sus hermanos judíos

El principal adversario de Reuchlin en la « Batalla de los Libros », era Johannes Pfefferkorn, un judío que se había convertido al cristianismo. Él se volvió contra sus hermanos judíos y provocó años de dolor y miseria a las comunidades judías en Alemania.

Pfefferkorn era un carnicero que tuvo problemas con la ley. Cuando tenía 30 años lo arrestaron por robo, pasó un tiempo en prisión y subsecuentemente se quedó sin empleo. Para revertir su mala suerte, decidió voluntariamente convertirse al cristianismo y convertir también a su esposa y a sus hijos. Pfefferkorn se acercó al  bajo la protección de los dominicanos, la estricta rama del catolicismo que administraba a la temida Inquisición. Los dominicanos no perdieron el tiempo y aprovecharon a Pfefferkorn para ayudarlos a dar más energía a la persecución de los judíos y para prohibir los libros judíos.

Entre 1507 y 1509, Pfefferkorn escribió una serie de folletos proclamando iluminar el mundo secreto del pensamiento judío. Aunque los escritos de Pfefferkorn muestran que tenía pocos conocimientos judaicos, eso no le impidió producir un folleto tras otros criticando a los judíos y a la fe judía. Sus panfletos fueron escritos en latín y se dirigían a los eruditos católicos y a los sacerdotes. Les puso títulos tales como Judenbeichte (« Confesión judía ») y Judenfeind (« Enemigo de los judíos »). Pfefferkon argumentó falsamente que los judíos eran malvados y blasfemos y que su literatura debía prohibirse. Aunque él mismo no era suficientemente educado como para estudiar, Pfefferkorn demandó que el  fuera prohibido en Europa.

Utilizando los folletos de Pfefferkorn como « prueba », las autoridades dominicanas exigieron que los judíos fueran expulsados de los pueblos en los que había grandes comunidades judías, incluyendo Regensburg, Worms y Frankfurt. Su campaña tuvo éxito en Regensburg, y los judíos de la ciudad fueron expulsados en 1519.

Pfefferkorn y quienes lo apoyaban lograron convencer al emperador Maximiliano I para que impidiera momentáneamente el  y otros libros judíos en las ciudades de Alemania y para que destruyeran cualquier libro judío que pudieran encontrar. Esto alarmó a los católicos más liberales, incluyendo a Johan Reuchlin, quien había dedicado mucho tiempo a aprender hebreo y a estudiar los libros sagrados judíos con Iaakov ben Iejiel. Reuchlin se opuso y escribió apasionadas defensas del  y de otros libros judíos. Eventualmente Maximiliano I revirtió su decreto.

El papa León X y la batalla de los libros judíos

La « Batalla de los Libros » tuvo lugar en todas las ciudades alemanas y fue el debate entre la clase educada: ¿debían prohibirse el  y otros libros judíos sagrados o valía la pena preservarlos y estudiarlos? El historiador Salomón Grayzel señala que: « No hubo en Europa ningún cristiano liberal, ni un solo crítico de las fuerzas del fanatismo dentro de la iglesia, que no se pudiera al lado de Reuchlin en defensa de los libros judíos… En Europa, todos los que no eran campesinos estuvieron situados de uno u otro lado de la controversia. Los únicos que se vieron obligados a permanecer de lado sin participar fueron aquellos que estaban más directamente relacionados con el tema: los judíos ». (A History of the Jews por Salomon Grayzel, Plume, 1968).

Reuchlin eventualmente encontró un poderoso aliado: el papa León X. Un hombre culto, educado, León X venía de la fabulosamente rica familia de los Medici. Él tendía a ser tolerante hacia los judíos, tanto que en un momento los judíos de Roma se preguntaron si su benevolencia hacia ellos era un signo de que el Mashíaj estaba por llegar. Los líderes de la comunidad incluso escribieron a los líderes judíos en la Tierra de Israel preguntándoles si también ellos habían visto señales de la llegada del Mashíaj.

El papa León X

En 1518, León X tomó una postura pública en la Batalla de los Libros: no solo que el no sería prohibido ni quemado, sino que emitió un decreto papal permitiendo que lo imprimieran utilizando las nuevas imprentas mecánicas que estaban en auge en Europa. Algunos volúmenes individuales del ya habían sido impresos. Ahora, el papa permitió la impresión de un set completo de los 63 volúmenes del Talmud (en hebreo llamado Shas). Bomberg, quien ya había construido un comercio judío en su imprenta en Venecia, recibió la comisión de imprimir este primer set completo del Shas. Esta fue una manifestación de apoyo a los judíos sin precedentes en Europa.

Iaakov ben Jaim ibn Adoniá

Pero el papa León X impuso una condición crucial: Daniel Bomberg solo podía imprimir el si incluía en los libros las polémicas anti judías. Al comprender que eso alejaría a los potenciales lectores, Bomberg luchó con éxito en contra de la inclusión de palabras antijudías en sus libros judíos. Sin embargo, hizo una concesión en vistas de la generosidad del papa: los primeros cuatro volúmenes del que imprimió estarían dedicados al papa León X.

El  de Babilonia. Edición Bomberg, Venecia

Los judíos locales se mostraron renuentes a comprar los caros volúmenes del  dedicados al líder católico cuya iglesia regularmente perseguía a los judíos por toda Europa, incluso si el papa León X manifestaba simpatía hacia los judíos. Las ventas fueron pocas y Bomberg comprendió que tenía que hacer algunos cambios, incluyendo el hecho de sacar la dedicatoria al papa. Él también pidió ayuda a Iaakov ben Jaim ibn Adoniá, un corrector de pruebas judío de Túnez. (Hay cierta evidencia de la probabilidad de que ibn Adoniá se haya convertido al cristianismo, al igual que otros impresores que se especializaron en los libros judíos en Venecia en esa época).

Bomberg y ibn Adoniá idearon el diseño del  que se sigue utilizando hasta la actualidad. Ellos colocaron el texto del  en medio de la página, e incluyeron comentarios claves alrededor del texto central. En un lado de la página imprimieron el comentario del rabino Shlomo Itzjaki (conocido como Rashi), un erudito francés medieval. Del otro lado de la página imprimieron los comentarios de otros sabios judíos medievales conocidos como los tosafistas.

Este diseño facilita la lectura y el estudio y resultó ser un éxito inmediato entre los clientes. Aunque sus portadas ya no tenían impresa una dedicatoria al papa León X, estos hermosos libros continuaron imprimiéndose con su permiso, lo que permitió que más comunidades judías estudiaran y contaran con sets completos del  impreso.

 

[Fuente: http://www.aishlatino.com]

 

La metàfora d’una realitat

trufa negra

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Els últims anys, la trufa negra (Tuber melanosporum Vittad.) ha anat guanyant presència a casa nostra en l’imaginari associat a la cuina. Aquest fong que es troba sota terra, que fa uns pocs decennis encara era considerat per qualsevol masover de Vilafranca o de Benassal com una «pataca estranya i pudent», és un ingredient molt cotitzat, una espècie de «diamant de la cuina» per l’elevadíssim preu que pot arribar a tenir. El sabor i l’aroma intens que atresora, d’uns trets contundents i inconfusibles, doten els plats que l’incorporen d’un caràcter molt especial, i per això cada vegada es troben als restaurants d’arreu creacions més sofisticades i originals. El tema decisiu, però, és l’especial dificultat d’adquirir-ne, d’aquí precisament que siga tan car. Les comarques dels Ports, de l’Alt Maestrat i de l’Alcalatén són una zona privilegiada per al creixement i el desenvolupament de la trufa negra, també coneguda com a trufa de Perigord. La referència a la comarca occitana no és casual perquè a França no resulta estrany que a qualsevol llar, quan és el temps, s’adquirisquen setmanalment racions per als menesters de la cuina. Es tracta d’una tradició que encara no tenim a l’Estat espanyol, que actualment ja n’és el màxim productor, però que destina la major part a l’exportació, sobretot al país veí.

L’explicació d’aquesta ignorància no és difícil de trobar. A banda de no haver tingut els elements il·lustrats de França pel que fa a progrés i benestar, cal tenir molt present que la Inquisició va prohibir-ne l’ús. Tot i que les tauletes d’argila de Babilònia, els jeroglífics egipcis i diverses fonts escrites de les antigues Grècia i Roma ja n’indiquen el consum, sovint associat a elements afrodisíacs, no és estrany que en una societat cristiana supersticiosa com l’espanyola un fong negre trobat davall terra, que és el límit amb el mateix infern, no fora permès. En canvi, a finals del Renaixement a Occitània ja es convertia en un plat de luxe a les taules dels senyors, de la mateixa manera que la trufa blanca del Piemont (Tuber magnatum Lév.) feia furor en les corts principesques italianes.

A poc a poc es van anar superant aquests foscos condicionants, gràcies a uns pioners, la majoria catalans, que tenien contacte amb Occitània i que van saber veure’n les possibilitats. Tot i que encara és un sector que ha de consolidar-se, avui en dia la recerca i el cultiu de la trufa negra podrien ser factors importants per a la supervivència dels pobles de l’interior, que tants problemes de despoblament tenen. Ara bé, estudiar quina és la situa­ció comporta el reconeixement d’una sèrie de reptes fenomenals, no només associats a l’abandonament rural, que fins i tot en posen en dubte el futur. És per això que en aquest reportatge parlarem del passat i del present de la trufa negra en general, i en particular de la seua realitat a les comarques dels Ports, de l’Alt Maestrat i de l’Alcalatén. Però també ho farem dels reptes del futur d’un fong i d’un territori el destí dels quals es presenta estranyament paral·lel.

Un fred matí de gener

Eixim amb Lluís Edo Ros (1951) de Vilafranca un fred dissabte de gener. Al maleter del Lada Niva ja hi són les dues gosses, que han de ser les protagonistes de la jornada. Es tracta d’una vella gossa de rabera, que ha estat molt bona buscadora de trufes, però que ja es troba al final dels seus dies; i d’un jove exemplar de brac alemany que n’està aprenent. Pugem i ens disposem a eixir del poble, en l’hora en què els paradistes del mercat encara munten les taules, sota les bandades de teuladins que van d’una banda a l’altra amb gresca i desimboltura en una llum cada vegada més groga. Deixem el poble i enllacem amb la pista que porta a Benassal. A la nostra dreta s’estén un exuberant pinar seguit d’amplis prats on pastura de manera indiferent un grup de cavalls. En un dels bancals hi veiem una rabera de cabres salvatges. Lluís no en fa gaire cas; només comenta, amb un deix de desdeny:

—Sempre estan ací a estes hores. La veritat és que fan el que volen.

Deixem la cruïlla que porta a Benassal i seguim per la pista de Vistabella. Després d’uns centenars de metres, ens trobem amb les runes d’un mas. De l’antic casalici i dels corrals només queden unes poques parets mig solsides.

—Les Sorts: és el mas on em vaig criar. Veus aquella esplanada que ara és tot carrasques i savines? Doncs hi havia bancals i estava tot treballat.

Li voldria preguntar més coses sobre com era la vida al mas, però el camí continua i ara estem pujant una empinada costera al costat de la qual s’erigeix un pi enorme, monumental. És com si, literalment, Lluís volguera prendre distància d’aquell espai, que ja només és un lloc abandonat en el temps perdut. Més endavant veiem un grup de vaques, que estan bevent en una bassa al costat de la qual hi ha un parell de dipòsits d’aigua de plàstic. Em fixo en una paret de pedra seca, i just aleshores un vedell, de poques setmanes, la travessa pel forat que han fet. Un altre signe de la destrucció.

Arribem al mas de Forés i deixem el cotxe al costat d’una font, de la qual a penes raja un fil d’aigua. Abans de seguir, vull fer un cop d’ull al racó coronat per la roca del Migdia, però Lluís ja s’està ocupant de les gosses. Marxem costera amunt en direcció a un dels cantalars que porten al tossal del Picaio. És un camí difícil, amb pedres soltes, però Lluís s’hi mou sense dificultat. D’estatura baixa, les espatlles amples i les cames fortes, ningú no diria que té setanta anys. La gossa vella roman al seu darrere, fidel, mentre la jove va i torna atreta per les olors que li criden l’atenció.

—Després et cansaràs per eixes costeres i t’hauré de portar al coll.

Fem cap a una zona costeruda on les carrasques han hagut de créixer en estranyes posicions sobre una catifa de calcites erosionades. També hi ha avellaners plantats en bancals erms apuntalats en parets de pedra seca, guanyats a la mateixa costera per a fer un sac més de pataques o un grapat d’ordi extra. Lluís s’atura i m’indica la soca d’una carrasca. Jo hi veig un rodal sec que s’expandeix un parell de metres a la rodona. És evident que alguna cosa hi ha en el subsol que impedeix que la vida hi florisca. Aleshores comença a parlar amb les gosses i els demana que busquen. La jove està enjogassada i no li fa gaire cas, però la vella de seguida s’avança i va directa a un punt del rodal sec, sobre el qual posa la pota. Lluís trau uns grans de pinso del sarró i li’ls dona. La gossa jove, afamada, també s’hi atansa, però abans li fa marcar la trufa. Li costa, fins que, finalment, també hi posa la pota. No només això, sinó que comença a esgarrapar amb ganes. És aleshores quan l’amo li dona la recompensa.

Lluís s’agenolla i amb un punyal continua excavant la crosta de terra congelada, parant molt de compte per si trenca el que busca. De tant en tant, agafa un grapat de terra i l’olora. En aquella part del clot fa més pudor i és allí on continua amb la feina. Poc després troba una trufa grossa com un ou de gallina. L’espolsa i me la dona. El primer que faig és acostar-hi el nas. Es tracta d’una particular fortor dolcenca, d’una gran eloqüència expressiva, però difícil de descriure perquè no hi ha res que se li assemble. Mentre jo em barallo amb les sensacions i n’estudio la textura, que pareix un tosc i sensual mosaic, Lluís dona més pinso a les gosses i s’atansa unes passes cap al racó. L’antic masover contempla l’estampa d’una banda a l’altra, ara sí amb deteniment. Mira el cel pur i clar, d’una lívida i blavenca infinitud. El sol presenta un espurneig gairebé blanc que fa que l’aire quede com llavat, per això, sobre l’atmosfera, els perfils de les roques, de les carrasques i del mas de Forés ofereixen una cal·ligrafia precisa. A la llunyania apareix el Penyagolosa, amb la geometria apagada de les seues corbes sobre un llom que pareix el d’un animal antediluvià, indiferent i fascinant. És una mirada, la de Lluís, carregada d’un sentiment d’admiració i d’acceptació a parts iguals, de qui sap que és a penes un punt entre la verda oclusió de les carrasques i els solcs erms dels antics bancals. Sense mirar-me, em diu:

—Quantíssimes truferes deu haver-hi que mai no es buscaran.

Truferes silvestres. El clàssic rodal sec que indica que estem davant d’una trufera. El fong del subsol impedeix que la vida hi florisca.

Aquest comentari, fruit d’una intuïció tan primària, però alhora tan profunda, coincideix amb el que ens diu el coneixement científic. Segons José Antonio Bonet (1970), professor en Enginyeria de Forest de la Universitat de Lleida, les condicions naturals dels Ports, del Maestrat i de l’Alcalatén, però també del Matarranya i, més al sud, de les comarques de Terol, són òptimes per a la trufa negra: «D’entrada, el que hi predomina són els sòls calcaris, alcalins amb un pH alt a causa de l’acidesa que proporciona l’àcid carbònic. Estem parlant que no són unes terres gaire bones per a l’agricultura, perquè són pobres en ferro, fòsfor, zinc, coure i bor, però ideals per a un fong que no vol un excés de nutrients. Després hi és la composició de sòl poc compactada, tan característica d’aquella zona. La trufa vol una terra formada per terrossos, vol aquest efecte, perquè si la terra està molt atapeïda, no pot créixer. A més, la superfície ha de ser pedregosa, així s’assegura bé el drenatge de l’aigua i una bona exposició per al miceli del fong. Així mateix, es necessita una bona diversitat vegetal perquè es produeixi una relació simbiòtica més rica entre el fong i les arrels, i aquells boscos dels Ports són una meravella de carrasques, de savines, de ginebres i de mates de romer o d’espígol. Curiosament, a la micorriza li va molt bé que els arbres estiguin en antics bancals de cultius de secà que van necessitar poca intervenció humana, perquè hi han quedat els nutrients justos que necessita.»

Pioners

Lluís Edo Ros era un xiquet quan va veure per primera vegada una trufa. Recorda que uns catalans demanaven quedar-se al mas a pensió completa, i durant el dia se n’anaven amb els gossos, tot i que no a caçar, perquè no portaven escopeta: «Jo els seguia i veia que s’aturaven a un rodal de terra, parlaven amb els gossos, hi escarbotaven i treien alguna cosa de sota terra.» Efectivament, van ser els primers buscadors de trufa als Ports i al Maestrat, un territori on abans de la dècada de 1960 el fong, si era trobat per casualitat en alguna carbonera, sempre s’havia considerat una «pataca pudent que no servia per a res». Segons Quim Pagés Cazorla (1969), un trufer de l’Espluga de Francolí (la Conca de Barberà), aquests catalans eren, probablement, de Centelles o de Vic (Osona). Encara afegeix: «Els qui van introduir el coneixement de la trufa a Catalunya van ser els francesos, als inicis del segle XX. Van començar per Girona, on van veure una oportunitat d’enriquir-se perquè era un recurs que mai no s’havia explotat. Això va continuar així fins que va arribar un moment que va haver-hi autòctons que van descobrir què feien aquests francesos i els van copiar. La zona més important de Catalunya pel que fa a la trufa va ser Vic, des d’on es va fer proselitisme al sud, sempre amb la idea de vendre el producte a França, perquè aquí no hi havia mercat.» Pagès Cazorla encara afegeix un comentari que hauria de ser una delícia per a tots aquells interessats en la condició humana: «Aquells inicis, com tots els temps dels pioners en qualsevol camp, estan plens d’anècdotes i d’aventures. Només cal imaginar què podia suposar fer un viatge en moto a França per a vendre un sac de trufes, si el jove de l’època a penes mai no havia sortit de casa. També es conten històries de rivalitats, amb famílies enemistades per la possessió d’unes terres que, de sobte, guanyaven molt valor gràcies al fong.»

La campanya de la trufa comença al desembre i s’allarga fins a març. En un país obligat per les circumstàncies històriques a l’estraperlo, el mercat negre de la trufa negra va arribar a moure molts diners. Al nord del País Valencià, el més important en va ser Morella. Demetrio Ferrando Beltran (1944), del mas de l’Ànima de Benassal, va ser un dels primers trufers de la zona que va veure una oportunitat de dedicar-s’hi professio­nalment. Ens conta el mateix relat sobre els catalans i com va aprendre pel seu compte a buscar-ne, cosa que li va provocar la incomprensió dels qui el coneixien: «Vam anar a Morella, a la fonda Elias, on m’havien dit que compraven trufes. Recordo que les pagaven a mil pessetes. Imagina’t tu quina impressió va fer-me, quan el sou d’un que anava a treballar a jornal, de sol a sol, era de trenta-cinc al dia. El meu primer viatge a Morella va ser el 1962, amb mon pare, i vaig guanyar-ne més de tres mil pessetes. Jo tenia divuit anys i vaig continuar amb les faenes del mas, però cada hivern buscava trufes i les venia. Jo ja sabia que, de Morella, les trufes eren portades a França o a empreses conserveres de Catalunya. Van passar els anys i, cap a l’any 1975, vaig decidir crear la meua conservera. Vaig començar a comprar trufes als pobles del voltant, a Vistabella, Xodos, Benafigos, Vilafranca, l’Anglesola o Mosquerola, a envasar-les i a fer viatges a Catalunya. Els meus principals compradors eren de Graus, a Osca, però també de Mercabarna, a Barcelona. Després també vaig ampliar el negoci amb les conserves de diferents tipus de bolets.»

Però continuem amb Lluís, qui, per cert, durant molts anys va vendre les trufes a Demetrio. Just després de l’observació dels elements del racó i de l’admirativa frase que li ha provocat la troballa de la trufa, l’antic masover afegeix un contrapunt que serveix per a tocar, literalment, de peus a terra:

—Però ara tot està perdut.

On per un moment havia detectat un increment de tots els senyals que indicaven que el cicle de la natura encara era possible, ara hi veu un aniquilament d’aquests mateixos senyals. Li demano un aclariment i només sap oferir-me una ganyota.

—Ja no se’n troben com abans, de trufes.

—A què és degut?

—No només les sequeres ho han fet malbé tot, sinó que ja no plou quan toca. La trufa és molt delicada i exigent al mateix temps. Si no té el que necessita quan ho vol, llavors es nega a seguir. La primera condició és que s’ha d’arribar al juny amb saó, quan es produeix una combinació d’humitat i de calor que permet que el fong nasca. Però això no és tot. Al setembre ha de tronar i millor si granissa, perquè, de nou, el contacte del gel amb la terra calenta ajudarà la trufa a desenvolupar-se. Si falla alguna de les variables tot està perdut, i ara fa anys que ja no tot va alhora. T’ho diré d’una altra manera: quan era xiquet no era estrany veure fardes córrer per estes costeres. I no sents el silenci? Ja no hi ha caderneres ni passerells ni verderols. La contaminació ha fet molt mal; a més a més, moltes espècies depenien dels treballs dels masos.

Visionaris

Que la trufa negra silvestre s’estiga extingint a causa de les sequeres és una constatació més del canvi climàtic que s’està produint. Ara bé, el trencament dels antics cicles no només afecta la trufa silvestre, sinó que també és el principal maldecap de la cultivada. La majoria de trufa que es troba al mercat avui en dia prové de plantacions, normalment fetes d’arbres amb les arrels tractades amb una inoculació micorrízica per a induir la formació del fong. A les terres dels Ports, del Maestrat i de l’Alcalatén no és necessària aquesta intervenció perquè la simbiosi entre les arrels i el fong es produeix de manera natural. Demetrio Ferrando Beltran ja va plantar carrasques de les bellotes d’aquelles truferes que va descobrir quan era un sagal. I Lluís Edo Ros ens explica que quan el mas de Forés va ser abandonat pels sogres, va plantar avellaners sense cap mena de tractament als antics bancals de cereals. Tots dos, en cosa de deu anys, ja van trobar-hi trufes. És una prova directa de la particular riquesa d’aquest territori. El problema en el futur de la trufa cultivada, per tant, no és l’existència o no d’intervencions en la micorriza, sinó en la reproducció de les condicions naturals i climàtiques que el fong exigeix. El professor José Antonio Bonet ho confirma: «Cal fer un seguiment de les plantacions per a veure com podem reproduir de manera artificial les condi­cions de sòl, de temperatura i d’aigua de la trufa. Cosa que resulta una tasca difícil, perquè en una planta tu pots fer una prova d’assaig i error i veure què funciona, però en un fong sota terra, a sobre tan delicat, la cosa es complica. Nosaltres hem experimentat amb diferents tipus de reg i de fertilització. També hi és el context de canvi climàtic, per això fem assajos amb cobertes per a conservar la humitat. Així i tot, encara no podem assegurar l’èxit de totes les plantacions, perquè sempre hi ha algun factor que se’ns escapa.»

El punt decisiu en qualsevol plantació de trufa és la disponibilitat d’aigua, cosa no sempre fàcil en uns territoris aspres i amb un relleu difícil, i la col·locació d’un sistema de reg que reproduïsca la caiguda de l’aigua de pluja. Tanmateix, la majoria d’agricultors hi estan d’acord en el fet que no hi ha res com l’aigua caiguda del cel, i que noten molt un augment de la producció l’any que plou quan toca. Es tracta, sens dubte, d’un altre senyal de la identitat irrenunciable del fong. Ara mateix, és a pobles com Morella, Catí o Vistabella on trobem més particulars que hi estan invertint en noves plantacions i venent el producte a comerços nacionals, però també per Internet a tot el món. El model és el de Sarrión (Gúdar-Javalambre), on el Govern d’Aragó va subvencionar una xarxa de plantacions com una estratègia per a mitigar el despoblament, cosa que es va aconseguir amb un notable èxit. De moment, tot i que hi ha ajudes de la Generalitat Valenciana, la cosa aquí va més a poc a poc.

Les trufes cultivades tenen unes formes més arrodonides perquè creixen en bancals uniformes. El mercat de la trufa prefereix aquestes formes més regulars per una qüestió d’estètica. En canvi, el gust i l’olor no són tan intensos com en les silvestres./ Foto: Quim Pagès Cazorla

Així mateix, Sarrión també és important perquè s’hi ha fet molta pedagogia, en forma de fires i de xarrades, per a donar a conèixer la trufa als qui volen treballar en el camp. I, sobretot, s’hi ha creat un model turístic de visites i de productes associats que produeix uns beneficis exorbitants. En aquesta trobada entre els treballs de la terra i el turisme és on trobem un dels aspectes que val la pena debatre. Quim Pagès Cazorla, que en el seu dia també va fer plantacions truferes i que s’hi dedica, veu en la visita de turistes a les finques i en el treball braç a braç amb restaurants una possibilitat de consolidar l’empresa. En canvi, Demetrio Ferrando Beltrán, que ja està jubilat i ha deixat el negoci conserver a les tres filles, hi discrepa: «Durant una temporada vam portar turistes als bancals i ens va anar bé, però, al remat, no compensava el fet que trepitjaren el terra i es violentara l’espai natural.» Quant a això, cal afegir que a Morella cada any se celebren unes jornades gastronòmiques i literàries, «Morella Negra com la Trufa». I a Vilafranca s’han convertit en tota una referència les Vilanosporum, organitzades pel restaurant L’Escudella, que també ofereixen una experièn­cia completa al consumidor, que durant el matí va a un mas a buscar les trufes que el cuiner Emilio Pons Tena (1979) després els ensenyarà a tractar.

En tot cas, si bé és cert que la carta del turisme està ajudant aquestes empreses, també val la pena remarcar que és un sector que s’ha de repensar molt si vol ser sostenible. Al capdavall, no són els desplaçaments dels turistes un dels factors que agreugen el canvi climàtic? Es tracta, per tant, de trobar un equilibri, perquè el coneixement de la trufa per part de la ciutadania continua sent la base del futur del sector. El cuiner Emilio Pons Tena ens ho explica: «A l’escola de cuina, a nosaltres no ens van ensenyar a cuinar la trufa, cosa que sempre em va penar molt. Per això, a L’Escudella no només oferim àpats amb trufa, sinó que intentem ensenyar al client com tractar-la. Amb un objectiu principal: que la gent perda la por i a veure si, a poc a poc, es pot integrar en la nostra quotidianitat.»

A partir d’aquí, i això ja ha de servir a tall de conclusió, els reptes del futur de la trufa cultivada continuen sent el canvi climàtic i les despeses, en unes plantacions que s’està observant que, a banda dels anys que costa que en produïsquen i que no totes funcionen, les que sí que van endavant no tenen una vida productiva gaire llarga, sobretot perquè es vol fer treballar massa ràpid la trufera, cosa que acaba perjudicant el fong. Així mateix, els agricultors tenen por d’una propera devaluació del preu, bàsicament per l’augment de la competència. Per tot plegat, si la cosa vol tenir un avenir a mitjà i llarg termini, s’ha de crear una estructura que no estiga sotmesa a les dinàmiques del turisme, tan capritxoses. I això només es pot consolidar amb els dos aspectes mencionats: amb el coneixement general de la gent i amb unes plantacions que siguen viables, sempre amb el suport d’una xarxa comercial sòlida.

Cloenda

La situació límit de la trufa negra silvestre s’erigeix en una crua metàfora del que ha passat amb la vida dels masovers. Es tracta de dues realitats que han anat agonitzant de manera paral·lela fins a la quasi completa desaparició. Lluís Edo Ros és el meu pare. De joves, ma mare i ell van abandonar el mas de Forés i les Sorts i es van convertir en uns empleats a Vilafranca, no només perquè jo poguera viure al poble, sinó també estudiar i així ascendir socialment. Ells no ho podien saber, però estaven posant en joc el paisatge i la identitat del país, empesos per la tendència que s’havia creat. També soc conscient que sense aquesta decisió jo no podria escriure aquestes línies. Ara el que sobreviu és una consciència. Pareix que només ens quede la preservació de la memòria a través de la paraula, que és l’últim àmbit capaç d’atresorar la vida soterrada dels mons que s’eclipsen i ens deixen irremissiblement més pobres. Hi ha gent, però, que es nega a donar-se per vençuda. Té molt clar que la seua funció no és la de reconstruir un passat que, cal recordar, també tenia moltes ombres i penúries. Tot i la complexitat del cultiu de la trufa negra i les dificultats que s’hi albiren en un futur climàtic incert, els qui s’hi dediquen constitueixen un exemple de resistència en uns pobles que fa massa temps que es troben orfes d’oportunitats. És evident que aquest cultiu no podrà revertir una dinàmica general, la de l’abandonament rural, però sí que hauria de ser la referència per a altres propostes. De fet, que la trufa cultivada siga una iniciativa que combine el progrés tecnològic (la micorrizació, les modernes tècniques de regadiu i de venda, etc.) i el respecte pels treballs tradicionals (un tractament de la terra artesanal) hauria de ser la pedra de toc per a altres projectes emprenedors, sostenibles i de futur.

[Fotos de l’autor, llevat de l’assenyalat – font: http://www.metode.cat]

Abdel Fattah al-Sissi à la conférence de Paris de 2015 sur les changements climatiques.

Le président égyptien Abdel Fattah al-Sisi, dont le règne est considéré comme le pire de l’histoire égyptienne en termes de violation des droits humains et de censure, a trouvé un puissant allié auprès de la France qui s’est avérée lui fournir la technologie, les renseignements et les effectifs pour espionner et tuer des civils. Image publiée sous licence CC BY-NC-SA 2.0.

 

Écrit par Global Voices MENA – traduit par Amaryllis Prémillieu

La France a fourni à l’Égypte les renseignements et les technologies qui ont permis au pays, sous couvert de lutte contre le terrorisme, de commettre des crimes et de graves violations des droits humains, comme le révèle le site d’investigation Disclose.

Après avoir obtenu des centaines de documents secrets qui circulaient au sein des plus hautes sphères de l’État français, le site a publié, pendant une semaine à partir du dimanche 21 novembre, une enquête en plusieurs volets démontrant « la responsabilité de la France dans les crimes commis par le régime dictatorial d’Abdel Fattah al-Sisi en Égypte », dont des attaques aériennes contre des civils.

Suite au coup d’État militaire de juillet 2013 en Égypte et au renversement du premier président élu démocratiquement dans le pays, le Conseil de l’Union européenne a déclaré le 21 août que les États membres « avaient décidé de suspendre les permis d’exportation vers l’Égypte pour tout matériel qui pourrait être utilisé à des fins de répression interne ». Cependant, un rapport [1] [fr] de 2018 publié par la Fédération internationale pour les droits humains relate « qu’au moins huit entreprises françaises – encouragées par les gouvernements successifs – ont pourtant profité de la répression en vigueur pour réaliser des bénéfices records. Entre 2010 et 2016, la vente d’armes françaises à l’Égypte est passée de 39,6 millions d’euros à 1,3 milliard. »

D’après Disclose, que ce soit sous François Hollande ou Emmanuel Macron, l’Élysée avait parfaitement connaissance du rôle joué par la France dans ces violations, mais n’a pris aucune mesure pour y mettre fin.

Un des articles révèle qu’une mission de renseignement lancée en février 2016, sous le nom d’Opération Sirli [2] et visant à lutter contre le terrorisme, s’est changée en campagne d’exécutions arbitraires. Selon Disclose, les deux pays en ont discuté par l’entremise de hauts fonctionnaires de l’armée et des renseignements en 2015 ; elle portait sur la protection des frontières égyptiennes avec la Libye, un pays déchiré par la guerre civile. Les autorités égyptiennes exprimaient leur inquiétude quant aux activités terroristes dans le désert occidental, et la France était ravie de leur venir en aide, étant donné qu’elle venait de conclure la vente de vingt-quatre avions de combat Rafale et de deux frégates multimissions (FREMM) pour un montant total de 5,6 milliards d’euros.

Un équipe française constituée de dix personnes équipée d’un Merlin III, jet dédié aux missions de surveillance et de reconnaissance, en quelque sorte les yeux et les oreilles de l’équipe, fut ensuite déployée en Égypte pour mener cette mission. Cependant, en l’absence d’un accord de coopération définissant clairement l’objectif et le cadre de la mission, les autorités égyptiennes se sont rapidement détournées de son but théorique, à savoir identifier des menaces terroristes.

Disclose précise :

Mais très vite, les membres de l’équipe comprennent que les renseignements fournis aux Égyptiens sont utilisés pour tuer des civils soupçonnés de contrebande. Une dérive dont ils vont alerter leur hiérarchie à intervalles réguliers. Pendant un an, puis deux, puis trois… en vain.

Pour la population du désert occidental égyptien, dont la majorité vit sous le seuil de pauvreté, le trafic de cigarettes, de drogues, d’armes, de céréales ou de produits cosmétiques, est une source de revenus indispensable difficile à délaisser, malgré les risques qu’elle comporte.

Pendant la durée de la mission, l’État français a accepté une demande de l’Égypte de créer « un circuit d’information » entre l’avion et la base, le but étant de permettre aux forces aériennes égyptiennes de rejoindre la zone pour « traiter » la cible le plus vite possible.

Suite à cet arrangement, les forces françaises auraient été impliquées dans au moins 19 bombardements de civils entre 2016 et 2018, selon un document confidentiel obtenu par Disclose :

Les attaques détruisaient régulièrement plusieurs véhicules et le nombre de victimes s’élevait parfois à plusieurs centaines. D’après la résolution de l’Assemblée générale des Nations unies 56/83, la complicité de la France dans ces exécutions illégales pourrait être établie.

Disclose révèle que parmi les civils innocents tués lors de ces raids aériens se trouvait l’ingénieur Ahmed El-Fiky, accompagné de deux collègues, dont le pick-up avait été pris pour cible alors qu’ils travaillaient au pavage d’une route près de l’oasis Al-Bahariya, qui compte près de 32 000 habitants. La famille de ce père de trois enfants, abattu lors de l’attaque, a subi des pressions pour reconnaître que la cause de sa mort était inconnue.

De nombreux rapports secrets étaient remis à l’Élysée par les membres de la mission, insistant sur l’importance d’établir un accord de coopération pour rétablir la priorité de la lutte contre le terrorisme, montrant bien que celle-ci ne venait qu’en troisième position des objectifs de l’Égypte, après la lutte contre le trafic et la lutte contre l’immigration clandestine. Un de ces rapports, remis le 23 novembre 2017, précisait les craintes soulevées :

Par manque de moyens de surveillance, l’identification des pick-up ne peut être effectuée sans autre élément d’appréciation que le survol initial dont ils ont fait l’objet. L’identification de certains véhicules et les frappes d’interdiction qui en découlent pourraient également être sujettes à caution.

Cependant, le président français Emmanuel Macron continue de soutenir la mission, qui reste déployée en Égypte.

La France encore impliquée

Les révélations [3] [fr] de Disclose portent, entre autres, sur la peu connue compagnie aérienne CAE Aviation, basée au Luxembourg, qui a fourni des employés (pilotes, analystes et techniciens) pour intégrer l’équipe française chargée de l’opération Sirli. L’entreprise était autorisée par son contrat avec les renseignements français à fournir un avion léger de surveillance et de reconnaissance (ALSR) ainsi qu’une équipe opérationnelle composée de deux pilotes et quatre techniciens. Ce contrat est en France classé secret défense.

Le site révèle que les deux pilotes et les experts de l’entreprise CAE Aviation accompagnaient régulièrement les militaires pendant des missions qui pouvaient durer jusqu’à cinq ou six heures. Les deux autres techniciens de CAE restaient à la base pour centraliser les informations recueillies depuis l’avion avant de les transmettre aux autorités égyptiennes. Disclose ajoute :

Leur aide précieuse dans le contrôle du désert en ferait les témoins directs des frappes répétés de l’armée égyptienne contre des civils.

En outre, le site d’investigation révèle également que trois sociétés françaises – Nexa Technologies, Ercom-Suneris, Dassault Systèmes – ont fourni à l’Égypte un système de cybersurveillance de masse, utilisé contre ONG, journalistes, militants et bien d’autres civils dont les téléphones et ordinateurs portables étaient mis sur écoute par l’État.

Réactions sur Internet suite à l’enquête

Après la publication de l’enquête de Disclose, le site internet a été ajouté à la longue liste des sites bloqués par l’Égypte.

#EgyptPapers [4] Notre site @Disclose_ngo [5] a été bloqué en Égypte suite à nos révélations sur l’opération française de soutien aux bombardements égyptiens.

Ce n’est pas surprenant, le régime d’al-Sisi est coutumier de telles censures de la presse au nom d’une soi-disant lutte contre le terrorisme.

Vous pouvez utiliser Tor ou un VPN.

— Ariane Lavrilleux (@AriaLavrilleux) 23 novembre 2021 [6]

Les enquêtes ont déclenché beaucoup de réactions en ligne de la part de commentateurs, apportant des analyses sur la situation en Égypte en matière de sécurité, de politique et de droits humains et critiquant le soutien de la France aux violations commises envers des civils.

– Un tel niveau d’implication opérationnel avec une nation étrangère n’était pas arrivé depuis l’expulsion des Soviets en Égypte.

Tolérant non seulement une présence étrangère (comme cela a toujours été le cas, dans une certaine mesure) mais accueillant aussi des opérations militaires étrangères sur son territoire. Dans quel autre pays c’est possible ? pic.twitter.com/KWadj4pVVZ [7]

— Egypt Defence Review (@EgyptDefReview) 23 novembre 2021 [8]

D’autres observateurs ont aussi souligné l’importance des informations révélées pour la première fois sur le site d’investigation :

Il est impossible que la France n’ait pas été au courant. Le fait que les deux parties entretiennent une telle confiance et une telle détermination à mener ces opérations de surveillance est en effet une révélation. De plus, c’est la première fois que des documents révèlent aussi clairement les priorités de l’Égypte vis-à-vis de sa frontière.

— Allison L McManus (@AllisonLMcManus) 22 novembre 2021 [9]

Article publié sur Global Voices en Français: https://fr.globalvoices.org

URL de l’article : https://fr.globalvoices.org/2021/12/11/270108/

URLs dans ce post :

[1] rapport: https://www.fidh.org/fr/regions/maghreb-moyen-orient/egypte/egypte-une-repression-made-in-france

[2] Opération Sirli: https://egypt-papers.disclose.ngo/en/chapter/operation-sirli

[3] révélations: https://egypt-papers.disclose.ngo/fr/chapter/cae-aviation

[4] #EgyptPapers: https://twitter.com/hashtag/EgyptPapers?src=hash&ref_src=twsrc%5Etfw

[5] @Disclose_ngo: https://twitter.com/Disclose_ngo?ref_src=twsrc%5Etfw

[6] November 23, 2021: https://twitter.com/AriaLavrilleux/status/1463041119630077958?ref_src=twsrc%5Etfw

[7] pic.twitter.com/KWadj4pVVZ: https://t.co/KWadj4pVVZ

[8] November 23, 2021: https://twitter.com/EgyptDefReview/status/1463048883865542656?ref_src=twsrc%5Etfw

[9] November 22, 2021: https://twitter.com/AllisonLMcManus/status/1462767670709956611?ref_src=twsrc%5Etfw

L’artiste britannique a toujours nié avoir peint le portrait Standing Male Nude, mais trois spécialistes ont conclu qu’il s’agissait bel et bien de son œuvre.

Un tableau intitulé Autoportrait à l'œil noir, de l'artiste britannique Lucian Freud, est exposé à la maison de vente aux enchères Sotheby's, dans le centre de Londres, le 27 janvier 2010. | Shaun Curry / AFP

Un tableau intitulé Autoportrait à l’œil noir, de l’artiste britannique Lucian Freud, est exposé à la maison de vente aux enchères Sotheby’s, dans le centre de Londres, le 27 janvier 2010.

Repéré par Léa Polverini

Le tableau de la discorde a ressurgi il y a 24 ans, lors d’une vente aux enchères. Un nu masculin en pied, intitulé Standing Male Nude et attribué au célèbre peintre Lucian Freud, était vendu à un collectionneur d’art suisse, qui devait recevoir quelques temps après un appel de l’artiste, lui demandant de le lui racheter.

Le collectionneur, resté anonyme, avait refusé, préférant garder le tableau. Trois jours plus tard, il recevait un nouvel appel du peintre en colère, qui réitérait sa demande. Le collectionneur affirme que face à son second refus, Lucian Freud est devenu agressif et l’a menacé de désavouer le tableau, l’empêchant de jamais le revendre pour ce qu’il était. De fait, les héritiers de Lucian Freud ont toujours refusé d’authentifier ce nu, depuis son décès survenu en 2011, interdisant de ce fait aux commissaires-priseurs de le revendre.

Après avoir couru les experts de longues années, le collectionneur a enfin trouvé gain de cause: trois études indépendantes ont enfin conclu qu’il était fort probable que le tableau ait bien été peint par Freud lui-même.

Un autoportrait caché

Inachevée, l’huile sur toile serait vraisemblablement un autoportrait du maître. Elle faisait partie des possessions d’un individu décédé à Genève, ami de Francis Bacon et dont les biens ont été mis aux enchères en 1997.

D’après Thierry Navarro, un enquêteur privé engagé par le collectionneur, Lucian Freud, qui fréquentait à travers Bacon la communauté homosexuelle, aurait probablement été embarrassé par la reconnaissance de ce tableau comme un autoportrait, et le contexte dans lequel celui-ci avait été retrouvé.

«Il y a un témoin vivant à Genève qui fait partie de communauté gay. Lorsque le collectionneur a organisé une exposition privée de ses tableaux à Genève, cette personne a dit: « Je connais ce tableau. » Il a expliqué qu’il se trouvait dans un appartement utilisé par Bacon, et que Genève était une sorte de bulle pour la communauté gay. Ce témoin connaissait la relation entre Freud et Bacon. Il a donné beaucoup de détails. Il a dit que Bacon avait demandé à Freud de peindre ceci pour lui et que Bacon avait ce tableau et un autre dans l’entrée de l’appartement», rapporte Navarro.

La pose du nu masculin aurait également été inspirée par la photographie Athlet. Catching at a Ball d’Eadweard Muybridge, qui avait rassemblé dans son ouvrage The Human Figure in Motion une série de photographies d’athlètes nus, dont le caractère homoérotique a nourri le travail de Francis Bacon.

Trois authentifications

En dépit de tout contexte, les analyses réalisées par les experts tendent à confirmer qu’il s’agit bien d’un authentique Lucian Freud. Nicholas Eastaugh, spécialiste britannique de l’analyse scientifique des peintures, a pu prélever des pigments du tableau et les comparer aux données dont dispose la Tate sur d’autres œuvres déjà authentifiées de Freud, et a utilisé des images infrarouges pour révéler un dessin préliminaire, qui correspond à d’autres esquisses de Freud. Il en a conclu avoir trouvé «à la fois un résultat comparatif positif avec Freud, et une absence d’indicateurs négatifs quant à sa paternité du Standing Male Nude».

De son côté, l’historien de l’art Hector Obalk a affirmé que «la manière dont la chair est représentée est tout à fait typique de l’artiste», et conclut qu’il est «certain que l’auteur des gestes picturaux requis pour l’exécution ne peut être autre que Lucian Freud, dans la mesure où je reconnais sa main».

Enfin, une dernière étude menée par Carina Popovici, cofondatrice d’Art Recognition, une société suisse effectuant des tests scientifiques sur les œuvres d’art à partir de l’intelligence artificielle, rapporte que leur technologie d’IA «a classé certaines parties du tableau comme étant de la main de Freud avec un score élevé –un résultat positif jusqu’à 95%– et cela pourrait impliquer que la surface restante a été peinte par quelqu’un d’autre».

 

[Photo : Shaun Curry / AFP – source : http://www.slate.fr]

https://www.ledevoir.com/culture/648207/langue-francaise-ce-iel-qui-derange-et-qui-degenre?jwsource=cl

 

 

Écrit par Catherine Lalonde

L’entrée du pronom neutre de troisième personne « iel » dans l’édition en ligne du dictionnaire Le Robert provoque depuis mardi des débats très binaires en France. On y est radicalement contre, ou radicalement pour. Et ici ? Des discussions aussi, mais bien moins clivées. Certains lexicographes estiment que Le Robert sort de sa fonction, en précédant l’usage plutôt qu’en le suivant. Petit tour de piste des réactions à ce « iel » au Québec.

« Nommer une chose, c’est la faire exister », nomme l’autrice et professeure à l’UQAM Lori Saint-Martin, pour saluer l’importance à ses yeux du choix du Robert de suivre les mouvements très rapides qui agitent, depuis deux ou trois ans, la langue et ses réflexions entourant la diversité raciale et d’identité sexuelle.

Or, pour de nombreux lexicographes québécois, le travail d’un dictionnaire, c’est de « nommer ce qui existe » plutôt que « de nommer pour faire exister ». « Ce n’est pas à un dictionnaire d’être le premier sur la ligne de front, estime la lexicographe Nadine Vincent. Quand j’étudiais, on disait que le dictionnaire était toujours dix ans en retard sur l’usage ; maintenant, les entrées sont plus rapides. Mais quand même… »

Robert Berrouët-Oriol, linguiste-terminologue, est du même avis. « Au Québec, en France, en Suisse, en Belgique, dans les pays francophones d’Afrique, en Haïti, le terme “iel” me semble extrêmement rare. C’est comme s’il fallait l’introduire — c’est ma deuxième réserve — parce qu’il y a un débat de société sur un enjeu beaucoup plus large. »

Pour lui, le combat des personnes non binaires, « ou le combat de la société pour que leurs droits soient respectés et compris dans le grand ensemble des droits citoyens[,] ne peut se ramener à une espèce de naissance aux forceps par l’introduction d’un “iel” qui n’apporte, sur le plan linguistique, aucun éclairage particulier du point de vue de l’efficacité de la communication ».

Un pronom, pas un mot

Pour Nadine Vincent, « entrer un nouveau mot dans un dictionnaire, quand c’est un mot plein (nom, verbe, adjectif), ça se gère assez bien. On sait comment l’intégrer dans le système de la langue. Entrer un nouveau pronom qui suppose la création d’un nouveau genre neutre en français est une tout autre histoire », poursuit la professeure de communications à l’Université de Sherbrooke.

« Comment s’accorde-t-il ? Iel est arrivé/arrivée/arrivae ? Quel est le pronom complément direct ? Je le/la/lae/lu vois ? Et le démonstratif ? Cellui, céal ? Et Le Robert ne donne aucun exemple d’accord. » Pour la spécialiste, Le Robert prétend ici à l’inclusion, mais « c’est plutôt un acte de marketing, puisqu’aucune des missions du dictionnaire n’est ici respectée. L’usager se retrouve face à un mot qu’il ne sait pas comment utiliser dans la langue, et on lui soumet même une autre forme possible : “ielle”, qui, pour la majorité des gens, aura l’air d’un féminin, ce qui est le comble de l’absurde pour un pronom neutre ! »

Un acte de marketing ? Le Robert en ligne, précise Mme Vincent, « c’est le terrain de jeu du Robert. C’est comme un ballon en politique : ils lancent un mot là et observent. La vraie question, c’est si “iel” va être dans la version papier au mois de mai ». Les ventes de dictionnaires traditionnels sont en chute libre depuis quelques années. « Il y a de plus en plus de concurrence avec les dictionnaires gratuits en ligne », indique Mme Vincent. Et « iel » est déjà dans le Wiktionnaire, depuis avril 2015. « Le Robert doit se vendre. C’est un produit commercial, et ça explique pourquoi le Larousse réagit de façon si violente à l’arrivée du “iel” au Robert. Ce sont deux concurrents commerciaux qui s’affrontent. Que Le Robert se positionne comme plus ouvert, inclusif, certes ; mais je ne comprends pas qu’ils osent aller jusque-là. »

Habitudes des dictionnaires

Pour M. Berrouët-Oriol, « Le Robert est d’habitude beaucoup plus nuancé, prudent et surtout beaucoup plus scientifique dans le choix des termes à retenir. Le Larousse est un petit peu plus tolérant que Le Robert, beaucoup plus méthodique et strict. Le Larousse par exemple va laisser plus facilement passer des anglicismes. Dans le cas précis du “iel”, je crois que Le Robert a cédé à un effet de mode et un appétit marketing ».

Mais qu’est-ce qui constituerait un usage suffisant pour justifier l’entrée du terme dans le dictionnaire ? « Normalement, c’est la fréquence et la dispersion ; ce mot-là est encore très limité dans ses usages, estime Nadine Vincent. Même dans les milieux militants, l’usage est encore en discussion. »

Loïs Cremier, doctorant en sémiologie à l’UQAM, voit là de son côté un problème propre à la langue française. « C’est cette notion de la Langue, avec une majuscule, ayant un répertoire qui doit évoluer plus lentement que tous les usages du domaine de la parole. »

« Cette distinction entre la diversité des discours de la parole et un répertoire qui serait plus immuable, intouchable… mais qu’est-ce qui permet ce passage du discours à la Langue ?, demande Loïs Cremier. Qu’est-ce qui fait que le seuil est franchi ? Ce n’est pas que je ne suis pas d’accord avec les lexicographes », précise celui qui applaudit l’arrivée du « iel », et si rapidement, au Robert, « mais j’ai peut-être une autre vision de ce qui constitue la langue ».

Iel poursuit : « Le Robert a très sagement évité toute trace politique en choisissant le sens comme pronom inclusif. C’est un de ses multiples usages ; mais l’un des premiers, c’est de désigner des gens non binaires, non conformes. Déjà, sa définition est partielle, et semble témoigner d’une volonté de mettre le moins d’huile sur le feu possible. » C’est aussi cet usage, poursuit le doctorant, « qu’on voit de plus en plus en littérature, et en traduction. Les éditions Cambourakis, par exemple, dans certaines traductions, choisissent le pronom “iel” de manière générique, et non spécifique à des personnes queers. C’est intéressant que ce soit cet usage qui soit retenu pour la normalisation ».

Et dans les dictionnaires québécois ? L’entrée de « iel » n’est pas pour demain. À l’Office québécois de la langue française (OQLF), on ne conseille pas de recourir à ce pronom, mais plutôt à la rédaction épicène. Simon Jolin-Barrette, ministre responsable de la Langue française, estime que c’est au choix de chacun d’utiliser « iel ». « Ça se retrouve dans Le Petit Robert. Moi, je vais me conformer à ce qui est indiqué par l’OQLF. » « “Iel” va entrer dans le dictionnaire Usito quand il va être prêt à entrer, indique Mme Vincent, membre du comité de rédaction. Là, on est dans les premiers pas, les tentatives d’implantation de quelque chose, et pas du tout rendus au dictionnaire. »

https://www.ledevoir.com/culture/648207/langue-francaise-ce-iel-qui-derange-et-qui-degenre?jwsource=cl

Avec Alexandre Robillard

Son cadenas criminales complejas que empiezan con la sustracción ilegal de excavaciones clandestinas.

En entrevista con Pamela Cerdeira para MVS Noticias, se habló de la condena de México contra la subasta de piezas arqueológicas en París, Francia,  con Salvador Tinajero Esquivel, consultor jurídico adjunto b. de la Secretaría de Relaciones Exteriores.

“Son objetos arqueológicos que nos ayudan a explicar las culturas, la cosmogonía, y son de valor histórico cultural muy grande”.

Además, consideró estas acciones en el marco de la ilegalidad.

Tinajero Esquivel narró que algunas veces los poseedores de estas piezas “muchas veces son personas de buena fe, que de buena fe las adquieren del traficante y muchas otras veces es el propio traficante blanquea las piezas”.

La secretaría de Cultura federal ha lanzado una campaña con los hashtag #MiPATRIMONIONOSEVENDE, #SeAmaySeDefiende, y #MéxicosePronuncia, en oposición a las subasta de piezas prehispánicas por parte de la empresa Christie’s realizará el día de mañana en Francia.
Foto: SECRETARÍA DE CULTURA/CUARTOSCURO.COM

“Estas subastadoras son muy reservadas del origen de las piezas, para nosotros el poseedor es la casa subastadora”.

Son cadenas criminales complejas que empiezan con la sustracción ilegal de excavaciones clandestinas.

Recordó que hay una declaración de intención con Francia que ha servido en gran medida para facilitar la comunicación cuando pasan este tipo de cosas.

[Fuente: http://www.mvsnoticias.com]

A l’ocasion de la venda de 139 òbras d’art precolombian e taino, lo govèrn de Mexic denòncia amb fòrça lo comèrci illegal del patrimòni istoric. E critica la legislacion francesa que remanda a la bona volontat dels colleccionaires

Una venda a l’enquant denónciada per cinc paises d’America latina e pel govèrn de Mexic

Malgrat que cinc paises d’America latina se mobilizèsson contra aquò, la societat Christie’s prepausèt a la venda 139 òbras d’art precolombian e taino lo dimècres 10 de novembre a París. La velha, un comunicat comun de las ambaissadas de Colómbia, Guatemala, Honduras, Mexic e Peró reclamavan l’anullacion de l’eveniment, en denónciant lo “comèrci illegal” de lor patrimòni istoric, un combat de mal ganhar puèi que la legislacion francesa s’apièja sonque sus la bona volontat dels colleccionaires, çò rapòrta Le Monde. “Aquela mena d’eveniment encoratja lo pilhatge, lo trafec illicit e lo blanquiment dels bens per de màfias organizadas”, çò denóncian las cinc ambaissadas. Se tenguèt totun la venda a l’enquant, que raportèt mai de 3 millions d’èuros. Lo comol foguèt la venda d’una pigassa maia fargada en Mexic entre 550 e 950, que representa un òme contorsionat amb una sèrp dins los braces: raportèt 692 000 èuros. “Lo patrimòni cultural es pas un afar comercial”, çò declarava la ministra de la cultura mexicana al jornal Le Monde. “Exigissèm la restitucion de las òbras. Lor plaça es dins un musèu car representan l’identitat de nòstras civilizacions ancianas, e d’unas son uèi encara plan vivas.” D’efièch, Mexic compta 68 pòbles indigènas, çò que representa lo 10 % de la populacion totala.

Una lei francesa desfavorabla a la proteccion dels bens culturals e patrimonials estrangièrs

Las letras de protèsta mandadas a Christie’s an pas res donat, ja que la societat ditz qu’es en conformitat amb la lei francesa que fa passar lo drech de proprietat davant lo de la proteccion del patrimòni, çò qu’obliga de provar que las òbras son estadas aqueridas illegalament, una mission quasi impossibla. La ministra de la cultura Alejandra Frausto apond qu’aquela mena de practica encoratja tanben la contrafaiçon, coma o pròva un estudi realizat per l’Institut Mexican d’Antropologia e d’Istòria (INAI) que mòstra que sus 87 òbras prepausadas a la venda de dimècres, 15 serián falsas. Aquò per dissuadir los crompaires.

Sensibilizar los colleccionaires per far quitar aquelas practicas

La lucha entamenada per Mexic dempuèi 3 ans permetèt fins ara de recuperar mai de 5 000 òbras, mas França tornèt pas cap d’objèctes, al contrari de çò que faguèron Itàlia e Alemanha. Fàcia a una legislacion desfavorabla, Mexic ensaja de responsabilizar los crompaires per de campanhas d’informacion suls rets socials amb l’hashtag #MiPatrimonioNoSeVende.

[Poblejat dins http://www.jornalet.com]

De quoi Zemmour est-il le symptôme morbide ?

Écrit par Ugo Palheta

Face à la progression sondagière d’Éric Zemmour, certain-es sont enclin-es à gauche à penser qu’il n’y a là qu’une bulle médiatique et à faire le dos rond en attendant, ou en espérant, qu’elle explosera d’elle-même. On pourrait aussi se contenter d’y voir une énième manifestation de ce « pétainisme transcendantal » dont parlait Alain Badiou : une « forme historique de la conscience des gens, dans notre vieux pays fatigué, quand le sourd sentiment d’une crise, d’un péril, les fait s’abandonner aux propositions d’un aventurier qui leur promet sa protection et la restauration de l’ordre ancien ». Le problème, c’est que cette caractérisation développée par le philosophe à propos de Sarkozy pourrait s’appliquer à de nombreux hommes politiques qui posent en sauveurs, aussi bien à Macron qu’à Zemmour et Le Pen. Elle ne nous aide donc guère à saisir le sens spécifique de l’ascension résistible – du moins à ce stade – d’Éric Zemmour.

Notre point de vue, c’est qu’elle exprime certaines des grandes tendances de la politique française. Or, celles-ci préexistaient à Zemmour, ne sont pas près de disparaître (comme certains imaginaient que la progression de l’extrême droite avait été stoppée par les mauvais scores du FN/RN aux dernières élections régionales) et il nous faudra bien les affronter, quoi qu’il advienne de sa probable candidature à l’élection présidentielle. La transformation (en cours) du capital médiatique de Zemmour en capital politique pose toutefois de nouveaux problèmes – et crée de nouvelles menaces – comme on va le voir. Le succès qu’elle rencontre actuellement rappelle en outre – dans le contexte spécifique à la France – des dynamiques que l’on a vues à l’œuvre ces dernières années dans d’autres pays, en particulier les États-Unis et le Brésil, où des personnages aussi grotesques que dangereux (Trump et Bolsonaro) sont parvenus à bousculer les organisations de droite et à conquérir le pouvoir par la voie électorale.

On se propose donc ici de fournir quelques clés de lecture du « zemmourisme », étant entendu que – contrairement aux prétentions du « grand homme » et à ce qu’imaginent ses adorateurs – ce n’est pas dans sa personnalité, son esprit ou son talent qu’il faut chercher la source du succès sondagier que l’on observe actuellement. Au contraire, la nullité du personnage nous ramène en quelque sorte à l’énigme que Marx avait cherché à éclairer dans son 18 brumaire de Louis Napoléon Bonaparte : comment un être aussi médiocre peut-il occuper le devant de la scène médiatique et bousculer le jeu politique dans l’une des principales puissances capitalistes ? L’hypothèse défendue ici, c’est que Zemmour n’est que le nom privé d’un processus de fascisation et, en tant que tel, il doit d’abord être interrogé comme symptôme ou, pour reprendre l’expression de Gramsci, comme « symptôme morbide ».

Des médias asservis à la logique du profit

L’aspect le plus évident du problème, c’est que Zemmour est une construction médiatique. Celle-ci ne date pas de la constitution de l’empire Bolloré, qui a fait de l’idéologue – pourtant condamné deux fois pour incitation à la haine raciale – son principal produit d’appel sur la chaîne d’ « information » en continu CNews.

Rappelons qu’avant d’officier sur celle-ci, il fut lancé il y a près de 20 ans sur ITélé (il est vrai l’ancêtre de CNews), pour un débat quotidien qu’on imagine hautement conflictuel avec Christophe Barbier, puis surtout par Laurent Ruquier qui, en érigeant Zemmour en tête de gondole de son émission de grande écoute « On n’est pas couché », a joué dans cette affaire le rôle du docteur Frankenstein. Ruquier peut bien aujourd’hui regretter d’avoir contribué à créer le « phénomène Zemmour » ; il n’interroge pas les raisons pour lesquelles lui et la productrice de l’émission (Catherine Barma) ont choisi Zemmour et l’ont maintenu plusieurs années à l’antenne, à savoir la logique du buzz et de l’audimat à tout prix, donc du profit (empoché par la société de production de Barma et par Ruquier sous la forme de salaires mirobolants).

Il faudrait même faire remonter la fabrication du personnage médiatique à la publication du Premier sexe, manifeste masculiniste pour lequel Zemmour a pillé certaines « idées » développées avant lui par l’idéologue néofasciste Alain Soral, notamment concernant la « féminisation des sociétés » ou encore la « dévirilisation des hommes ». Livre dans lequel il affirmait l’infériorité congénitale des femmes et la nécessaire domination des hommes (d’ailleurs désirée secrètement par les femmes, selon la psychanalyse de comptoir que développent Zemmour et Soral).

On pourrait sans doute montrer que la publication de ce livre fut parfaitement et délibérément calibrée par Zemmour, moyennant outrances et provocations évidentes, pour favoriser une large appropriation médiatique. À l’aube des années 2000, Zemmour était un journaliste politique du Figaro encore assez obscur mais, en quête d’ascension sociale rapide, il a su jouer habilement le jeu médiatique – comme l’a montré Gérard Noiriel – et devenir ce qu’on nomme un « bon client » : clivant il est vrai mais on n’a rien sans rien…

Zemmour comme construction médiatique donc, et l’essentiel a été dit sur ce point par Pauline Perrenot pour Acrimed. Mais cela va plus loin : Zemmour est l’expression de l’anéantissement presque total du débat public à une époque où se sont pourtant multipliées les émission dites « de débat » mais où les conditions d’un véritable débat rationnel et pluraliste ne sont jamais (ou presque) réunies. Si nombre d’éditorialistes et d’hommes politiques peuvent s’exclamer bien haut que Zemmour représente une élévation du débat public, c’est que celui-ci est tombé si bas que quelques vagues références historiques (qui relèvent d’ailleurs davantage du « roman national » que de l’histoire à proprement parler), quelques chiffres généralement faux, et quelques citations apprises par cœur suffisent à faire d’un cuistre un « grand intellectuel ».

Il y a ici des tendances lourdes et anciennes : bien sûr la faiblesse du pluralisme politique et idéologique dans des médias privés (tous aux mains de milliardaires) et dans les médias publics ; mais aussi le fait que des éditocrates et des intellectuels médiatiques (BHL, Finkielkraut, Comte-Sponville, etc.), autrement dit des intellectuels devant intégralement leur renommée aux médias et non à une œuvre qui aurait été plébiscitée dans le champ intellectuel, définissent pour l’essentiel l’agenda médiatique (ce qui doit être débattu), en collaboration avec les partis dominants, et sont appelés dans les médias à dire le « vrai » concernant les transformations de la société française (marginalisant très largement les chercheurs/ses universitaires et les revues intellectuelles).

On fera remarquer également que le « phénomène Zemmour » fait exploser l’illusion selon laquelle les médias web et les réseaux sociaux auraient rendu caducs les médias dits traditionnels (presse écrite, télé et radio), ce qui nous épargnerait la nécessité de leur transformation radicale. Zemmour est un pur produit de ces médias traditionnels (Le Figaro et RTL notamment, et même France 2 pendant un temps), et l’on voit à travers son exemple qu’une grande partie de ce qui est promu, partagé et discuté sur les réseaux sociaux ou les médias web provient d’émissions de télévision et de radio, les « nouveaux médias » (déjà plus si nouveaux) jouant un rôle de caisse de résonance de ce point de vue.

Enfin, il faut insister sur le fait que si les sondages mesurent essentiellement à ce stade l’exposition médiatique des candidat·es (voire, dans le cas de Zemmour, de quelqu’un qui ne s’est pas encore déclaré candidat), ils constituent en quelque sorte une prophétie auto-réalisatrice : l’omniprésence médiatique de Zemmour lui permet de voir sa cote sondagière monter, et en retour cette montée le fait exister politiquement comme une possibilité tangible, le faisant encore progresser dans les sondages et justifiant après coup sa sur-médiatisation (d’autant que cette montée peut le faire apparaître comme le « vote utile » du « camp des patriotes », c’est-à-dire de l’extrême droite et de la droite extrêmisée). Dans tous les cas, la responsabilité des « grands » médias est ici maximale.

 

Une solution de rechange pour la bourgeoisie

Zemmour n’est pas qu’un artefact médiatique et sondagier ; il représente aussi pour certaines franges de la bourgeoisie une possible solution de rechange. Les patrons n’aiment pas l’incertitude, et ils ne mettent jamais tous leurs œufs dans le même panier. Aux États-Unis, la bourgeoisie finance – généralement selon les intérêts spécifiques de chacune de ses fractions – aussi bien le Parti républicain que le Parti démocrate (Clinton et Biden ont même reçu plus de fonds que Trump). De même, dans l’Allemagne des années 1930, les capitalistes allemands finançaient l’ensemble des partis de droite et d’extrême droite, dont les nazis.

Or, dans l’état de crise de représentation politique que connaît la France (qui signifie une rupture du lien entre représentants et représentés, manifestée par la disparition de ces partis politiques solidement implantés socialement que constituaient auparavant le Parti socialiste, la droite gaulliste ou encore le Parti communiste), les possédants cherchent à faire en sorte qu’existe une variété d’agents capables de défendre l’ordre social et de favoriser l’accumulation du capital, par tous les moyens nécessaires. Cela peut passer par le fait de favoriser l’émergence de figures qui appartiennent indéniablement aux classes possédantes et en défendent les intérêts, mais dont la réputation n’est pas entachée par l’appartenance à des partis discrédités.

Macron est l’un de ces agents, à l’évidence, et l’on sait de quelle mobilisation médiatique mais aussi patronale il a bénéficié en 2016-2017 et sans laquelle il n’aurait eu aucune chance de l’emporter. Au fil de son mandat, il s’est d’ailleurs affiché de plus en plus clairement comme l’incarnation politique du parti de l’Ordre, en particulier en réprimant férocement les mouvements sociaux (les Gilets jaunes surtout). Cela a impliqué pour lui de transformer profondément son électorat en attirant à lui des segments de la clientèle de la droite traditionnelle (qui avait voté Fillon) tout en conservant les segments les plus droitiers de l’ancien électorat PS. Cela a fonctionné jusqu’à maintenant, et rien n’indique pour l’instant que son pari sera perdu en 2022.

Le problème, c’est qu’en unifiant la droite décomplexée (de Darmanin et Blanquer) et la « droite complexée » (pour reprendre l’expression de Frédéric Lordon) de Collomb, Rugy ou Valls, Macron a aboli l’alternance gauche/droite qui avait si bien réussi à la bourgeoisie française depuis 1981 pour imposer les politiques néolibérales et éloigner toute perspective de rupture, dans un pays pourtant marqué par de larges contestations sociales et une aspiration forte à maintenir les conquêtes sociales d’après-guerre.

Et même si la bourgeoisie n’a fondamentalement rien à craindre du FN/RN (Marine Le Pen n’ayant cessé de lui donner des gages de bonne conduite économique pour attirer l’électorat de LR : remboursement de la dette publique, pas de sortie de l’euro, pas d’augmentation du SMIC, etc.), les grands patrons français n’ont jamais considéré le FN/RN comme un candidat sérieux à l’alternance, et encore moins comme « leur parti ». Pour Bolloré et d’autres secteurs de la classe possédante (Zemmour compte de plus en plus de soutiens du côté de grands patrons), celui-ci constitue donc une opportunité de faire émerger une solution de rechange à Macron qui ne soit pas associée au nom Le Pen (considéré comme trop sulfureux, donc davantage susceptible de susciter des mobilisations, donc de l’incertitude, etc.), même si l’actuel locataire de l’Élysée tient assurément encore la corde pour la majorité de la classe capitaliste française.

De ce point de vue Zemmour fait tout ce qu’il peut pour afficher une politique bourgeoise offensive qui ne diffère en rien de ce que propose LREM et LR : recul de l’âge de la retraite, baisse des impôts sur les bénéfices des sociétés, baisse des cotisations, etc. L’autre volet de sa politique « sociale », qui n’apparaît pas encore précisément, concernera évidemment les immigré·es puisque Zemmour dit d’ores et déjà qu’il financera les baisses de recettes fiscales en privant ces derniers de toute aide sociale, en supprimant l’AME, etc., ce qui ne se distingue nullement ici de ce qu’avance le FN/RN. Une fusion du néolibéralisme et du néofascisme en somme.

 

La montée d’un racisme conspiratoire

On a beaucoup dit ces vingt dernières années que la parole raciste s’était banalisée dans les médias dominants et parmi les « responsables » politiques. Cela paraît indéniable : les obsessions autoritaires, xénophobes et racistes de l’extrême droite, autour de l’insécurité, de l’islam et de l’immigration, ont pris dans les deux dernières décennies une place médiatico-politique qu’elles n’avaient pas auparavant, notamment concentrée autour de la question des quartiers dits « sensibles » à propos desquels est martelée la rhétorique néocoloniale – sinon celle des Croisades – de la « reconquête » (républicaine nous dit-on…).

La nouveauté des cinq dernières années, c’est l’apparition dans les « grands » médias – chaînes d’ « information » en continu et radios commerciales – d’une nuée de pseudo-journalistes d’extrême droite (issus de Valeurs actuelles, de Causeur, de L’Incorrect, etc.) et la présence quasi-permanente des porte-parole du FN/RN, aux côtés de vieux briscards de la droite réac et raciste (Rioufol, Thréard, etc.) qui, au contact de cette jeune garde, ne cessent de se radicaliser eux-mêmes. Cela est vrai dans les chaînes de Bolloré mais cela ne s’y réduit en aucune manière ; qu’on prenne le temps de visionner BFM ou LCI, ou qu’on ait en tête l’arrivée de Devecchio sur France Inter.

À cette évidente banalisation des discours autoritaires et racistes, favorisée par le pouvoir politique quand par la voix de ministres on part en guerre contre la « subversion migratoire », le « séparatisme » ou l’ « islamogauchisme », quand un ministre de l’Intérieur justifie une loi ciblant les musulman·es en se réclamant de propos antisémites tenus par Napoléon en 1806, ou encore quand un président de la République donne une interview exclusive à Valeurs actuelles (d’ailleurs récemment condamnée par la justice pour injure raciste), s’ajoute une radicalisation dont Zemmour est à la fois le vecteur et le produit. Deux exemples suffiront.

Dans les années 1980-90, la dénonciation du prétendu « racisme anti-Blancs » était uniquement le fait de Jean-Marie Le Pen et du FN. À partir des années 2000, certains idéologues – autour de Jacques Julliard, Pierre-André Taguieff ou Alain Finkielkraut – ont diffusé l’idée selon laquelle existerait, à côté d’autres formes de racisme (antisémitisme, racisme anti-Arabes, etc.), un tel « racisme anti-Blancs ». Il semble que nous soyons entrés dans une nouvelle étape : au « racisme anti-Blancs » comme forme de racisme parmi d’autres (ce qui n’avait déjà pas plus de sens que de parler de sexisme anti-hommes) a succédé l’idée que nous vivrions dans « un régime communautariste et racialiste anti-blanc, un apartheid inversé » (les mots sont de Michel Onfray)[1].

L’autre exemple, connecté au précédent, c’est celui de l’islamophobie. Si certain·es ont commencé dès les années 1980 mais surtout à partir du début des années 2000 – et si nombre d’idéologues et d’hommes ou de femmes politiques continuent – à dénoncer l’islam et les musulmans au prétexte qu’ils menaceraient le « vivre-ensemble » par leur « communautarisme » ou leur « séparatisme », on a vu se développer à partir de là une version beaucoup plus agressive de l’islamophobie, selon laquelle les musulmans aspireraient à soumettre la société française, à détruire la République, la France ou l’Occident (il y a des variantes), à dissoudre l’identité nationale ou civilisationnelle, etc.

Ce discours, autrefois confiné dans les marges (c’est-à-dire à l’extrême droite), s’est banalisé à tel point qu’un écrivain aussi central dans le champ littéraire français que Michel Houellebecq a pu en faire un livre à succès (intitulé Soumission), évidemment considéré comme salutaire et visionnaire par les islamophobes de tout poil (en France et ailleurs).

Rappelons que ce livre imaginait la victoire d’un candidat musulman lors de l’élection présidentielle de 2022, et la transformation consécutive de la France en République islamique. Étrange prédiction alors que toute une industrie médiatique et éditoriale de l’islamophobie s’est développée au cours des 20 dernières années en France et que les principaux candidats à la présidentielle de droite et d’extrême droite ne cessent de faire de la surenchère sur ce terrain depuis des mois. Rappelons que le livre de Houellebecq s’était vendu au bout d’un mois à près de 350 000 exemplaires, et il fut en tête des ventes en France, en Allemagne et en Italie (où on avait déjà vu les livres de Fallaci, violemment racistes, se vendre à plusieurs millions d’exemplaires !).

Ces mythes d’un complot islamique visant à soumettre l’Europe ne sont pas nouveaux. L’extrême droite s’en nourrit depuis les années 1970 : depuis le Camp des saints de Jean Raspail (l’un des livres favoris de Marine Le Pen), défendant un génocide préventif face à des non-Blancs soupçonnés de vouloir commettre un « génocide blanc », jusqu’à Renaud Camus et son « grand remplacement. Avec quelques différences, ils fonctionnent de manière similaire et jouent un rôle analogue aux mythologies antisémites du « complot juif mondial ». Il s’agit en réalité de deux variétés de racisme conspiratoire[2].

Dans un livre important publié récemment, Reza Zia-Ebrahimi a bien montré la fonction de cette forme de racisme : pour se préserver nous dit-on de la « guerre civile », du « délitement de la nation française », d’une « destruction de la civilisation occidentale/européenne », d’un « génocide blanc » (selon la variante choisie par tel ou tel courant d’extrême droite), il s’agirait d’employer préventivement les grands moyens, en rompant avec le « droit-de-l’hommisme » (donc en déshumanisant certaines populations considérées comme menaçantes) et en remettant en cause l’État de droit : non seulement stopper toute forme d’immigration en provenance du Sud global (supprimer une fois pour toutes le droit d’asile quand il concerne certains pays et certaines populations, abroger le droit au regroupement familial, etc.), refuser d’accorder des droits aux migrant·es qui sont ici (amplifiant ce qui est déjà à l’œuvre depuis des années), mais aussi « nettoyer les quartiers » (expression plusieurs fois utilisée par Zemmour) et engager une « remigration » (c’est-à-dire une déportation de masse).

Nul hasard si Zemmour a pu envisager explicitement la déportation de millions de musulman·es. Quand un journaliste italien lui demandait en 2014 si c’est bien ce qu’il suggérait, voici sa réponse : « Je sais, c’est irréaliste mais l’histoire est surprenante. Qui aurait dit en 1940 qu’un million de pieds-noirs, vingt ans plus tard, seraient partis d’Algérie pour revenir en France ? ». Mais cela n’a rien de surprenant puisque Zemmour considère les migrant·es venu·es du Sud global comme des voleurs, des violeurs et des assassins. Qu’on ne prétende pas d’ailleurs que Marine Le Pen n’irait pas aussi loin, puisque celle-ci pouvait affirmer en meeting en 2012 « Combien de Mohamed Merah dans les bateaux, les avions, qui chaque jour arrivent en France remplis d’immigrés ? Combien de Mohamed Merah parmi les enfants de ces immigrés non-assimilés ? ».

Il importe d’être aussi clair que possible sur ce point : la victoire politique de ce racisme conspiratoire nous amènerait à terme bien au-delà des discriminations systémiques que subissent d’ores et déjà les musulman·es en France, et au-delà même d’une institutionnalisation de ces discriminations. Ce qui se trouve au bout du chemin, c’est une vaste opération de nettoyage ethnique (dont l’histoire du XXe siècle a abondamment montré qu’elle pouvait prendre la forme d’une déportation de masse mais aussi de massacres à caractère génocidaire), ainsi qu’une répression tous azimuts de la gauche sociale et politique (dans toutes ses composantes, des plus radicales aux modérées), des mouvements antiracistes, féministes et LGBTQI+, dans la mesure où ces derniers constitueraient selon les néofascistes un « parti de l’étranger », complice de la destruction de la France, de l’Occident, des Blancs mais aussi des hommes.

Les attentats commis par des militants d’extrême droite – en particulier Breivik en 2011 contre des militant·es de la jeunesse socialiste de Norvège ou celui de Tarrant en 2019 contre des musulman·es en Nouvelle-Zélande (qui ont fait dans chaque cas plusieurs dizaines de morts), de même que les tentatives d’attentats d’extrême droite régulièrement déjoués en France ces dernières années – illustrent clairement où mène ce catastrophisme paranoïaque et raciste que constitue le conspirationnisme islamophobe, et quels en sont les cibles logiques.

 

Un backlash idéologique anti-égalitaire

On se rassure parfois à bon compte en imaginant que Zemmour et ses semblables n’incarneraient que le dernier sursaut d’un vieux monde en train de périr. On suit alors la pente d’un progressisme naïf selon lequel l’Humanité irait nécessairement – même de manière quelque peu chaotique – vers davantage d’égalité et de respect des droits humains fondamentaux.

C’est d’ailleurs ainsi que se campe l’idéologue néofasciste et que le perçoivent ses partisans, comme résistant à des forces immenses et au rouleau-compresseur d’une idéologie qui briserait les valeurs traditionnelles, les identités héritées et les hiérarchies « naturelles ». Il suffit pourtant de comparer la très faible présence de militant·es ou d’intellectuel·les antiracistes dans les « grands » médias et la place croissante qu’y occupent les idéologues d’extrême droite ou de la droite extrêmisée, pour mesurer à quel point ce récit est grotesque. Dans ce courant politique, on tend sans cesse à exagérer la puissance de l’adversaire pour mieux justifier une politique extrémiste de restauration ou, pour être plus précis, de contre-révolution.

Reste qu’il y a à l’évidence un élément de vérité ici : Zemmour apparaît bien en France comme la version la plus agressive d’une réaction de défense des privilèges – en particulier de genre et de race – face à la montée des idées et des mouvements féministes et antiracistes. Difficile par exemple de ne pas constater que l’intensification de l’islamophobie médiatico-politique depuis deux ans est consécutive à la plus importante manifestation – numériquement et politiquement – qui ait eu lieu en France au cours des vingt dernières années contre le racisme ciblant spécifiquement les musulman·es, à savoir la manifestation du 10 novembre 2019.

Dans la mesure où cette manifestation avait été appelée non seulement par des organisations musulmanes et de défense des musulman·es mais aussi par l’essentiel de la gauche sociale et politique, il s’agissait pour le pouvoir politique et l’extrême droite d’affaiblir le pôle autonome dont le Collectif contre l’islamophobie en France était le fer de lance (ce fut fait avec la dissolution sans aucun motif sérieux de cette organisation fin 2020) et de disqualifier cette gauche qui avait (enfin !) décidé de participer à une mobilisation contre l’islamophobie, en la traînant dans la boue des accusations de communautarisme mais aussi d’antisémitisme, de complicité avec le terrorisme, etc.[3].

De même, il n’est pas contradictoire de constater à la fois une progression du mouvement et des idées féministes, marquée en France par le succès des manifestations contre les violences sexistes et sexuelles mais aussi d’importants succès de librairie pour les publications féministes, et l’attrait que suscite un idéologue dont le masculinisme forcené est bien connu. Là encore, Zemmour est l’incarnation d’un backlash anti-égalitaire qui accompagne comme son ombre la quatrième vague féministe : en dénonçant une prétendue « tyrannie des minorités », il ne s’agit pas simplement pour lui et ses comparses de dissimuler le maintien des structures de la domination masculine mais de faire taire une bonne fois les mouvements qui déstabilisent l’ordre hétéro-patriarcal.

Les forces réactionnaires ne sont donc pas restées l’arme au pied face aux puissantes mobilisations féministes à l’échelle mondiale ou face à l’énorme mouvement, lui-aussi mondial, contre les violences policières à caractère raciste. Et l’on ne devrait pas considérer que la guerre culturelle qu’elles mènent ne constituerait qu’un soubresaut sans lendemains : elle a des visées d’anéantissement et ne s’arrêtera que si elle est stoppée. Doit-on rappeler qu’aussi bien dans le cas de l’antisémitisme que de celui de la suprématie blanche, c’est suite à des conquêtes démocratiques, précisément dans une logique de backlash et de ressentiment, que sont nés et se sont développés certaines des idéologies et certains des mouvements les plus violemment racistes et réactionnaires (en particulier aux États-Unis le Ku Klux Klan et en Allemagne le mouvement Völkisch dont les nazis sont l’un des prolongements) ?

La politique que Zemmour cherche à populariser ne se contente pas de dénoncer les théories (et les pratiques) antiracistes et féministes développées au cours des dernières décennies. Dans son viseur se trouve l’idée même d’égalité et de droits humains fondamentaux. Nul hasard si Zemmour cite régulièrement l’un des principaux idéologues contre-révolutionnaires de la fin du XVIIIe siècle et du début du XIXe siècle, Joseph de Maistre, notamment pour justifier son refus de toute forme d’universalisme au profit d’un nationalisme ethniciste (« Moi je suis comme Joseph de Maistre, je ne connais pas l’homme, je n’ai rencontré que des Italiens, des Français, des Anglais, etc. »).

Zemmour n’est donc pas seulement obsédé par Mai 68, ce fétiche qu’a tant agité l’ancien président Nicolas Sarkozy, mais par 1789 et la Révolution française, dont procéderait selon lui le déclin français. Cette obsession l’inscrit pleinement et indéniablement dans toute une tradition des anti-Lumières que l’historien du fascisme Zeev Sternhell a parfaitement identifiée et qui vise aussi bien l’universalisme abstrait propre à la modernité bourgeoise et à la démocratie libérale que l’humanisme révolutionnaire porté depuis le XIXe siècle par le mouvement ouvrier dans toutes ses composantes mais aussi la plupart des mouvements anticoloniaux de libération nationale. Doit-on rappeler que ce point de convergence entre les extrêmes droites fasciste et traditionnaliste avait été résumé par Goebbels quelques mois après l’arrivée au pouvoir des nazis, celui-ci affirmant que les nazis avaient « effacé 1789 de l’histoire » ?

 

L’extrémisation de la droite

Comme on l’a dit plus haut, la parole raciste n’a cessé de se banaliser au sein du personnel politique et dans les « grands » médias. La chose n’est pas nouvelle : Jacques Chirac avait pu être élu président de la République (en 1995) quelques années seulement après avoir disserté en plein meeting – à grands renforts de rires gras – sur « le bruit et l’odeur » des familles immigrées. De même un ancien président – Valéry Giscard d’Estaing pour ne pas le citer – pouvait en 1991 assimiler l’immigration à une « invasion » et proposer de substituer le « droit du sang » au « droit du sol » dans l’acquisition de la nationalité française.

Mais il est vrai que l’appel de Sarkozy à « décomplexer » la droite a amené celle-ci à aller plus loin et il a été entendue par ses troupes et d’omniprésents éditocrates : alors même que Chirac s’était fait élire en s’érigeant en rempart contre l’extrême droite, ce sont bien les « idées » et le langage de celle-ci qui ont infusé profondément au sein de la droite à partir de 2002, année qui a marqué l’arrivée de Sarkozy sur le devant de la scène politico-médiatique.

On a pris l’habitude à gauche de ne traiter que par l’ironie ou le mépris celui qui vient d’être condamné à un an de prison ferme par la justice pour le financement illégal de sa campagne de 2012. Il faut pourtant insister sur le fait que Sarkozy a été le principal acteur de l’extrémisation de la droite et l’on ne comprendrait rien au succès de Zemmour à droite, dans toutes ses franges (y compris le macronisme, sous l’autorité d’ailleurs de Macron lui-même dont on a appris récemment qu’il aurait commandé un rapport sur l’immigration à Zemmour), sans l’action de Sarkozy pendant dix années de vie politique durant lesquelles il fut en permanence au centre de l’attention (entre 2002 et 2012). Avant que Macron ne s’engage sur cette voie, Sarkozy a été le principal introducteur en France d’un populisme néolibéral-autoritaire qui se rapproche en grande partie du thatchérisme (tel qu’il fut analysé brillamment par Stuart Hall).

Il importe d’y insister parce qu’avec l’ascension de Zemmour sont sans doute en train de tomber les derniers obstacles qui s’opposaient à la synthèse politico-électorale entre une droite extrêmisée et une extrême droite avec laquelle la plupart des barons de la droite (et une partie au moins de son électorat) rechignait encore à faire alliance. Si Zemmour s’installe durablement devant LR et le FN/RN dans les sondages, il a toutes les chances de rafler des soutiens venant de ces deux organisations, et d’être en capacité dans un éventuel 2nd tour de cumuler les reports de voix de leurs électeurs·rices respectifs·ves. Ce n’est pas simplement que l’opportunisme est structurel chez des gens dont la politique est la profession ; c’est aussi que le terrain a été préparé par une dérive idéologique de la droite depuis deux décennies, ce qui nous renvoie au sarkozysme[4].

Si des philosophes pour médias peuvent appeler à tirer à balles réelles sur les Gilets jaunes ou confesser qu’ils voteraient plus volontiers pour Marine Le Pen que pour Jean-Luc Mélenchon (ce qui n’est pas pour surprendre quiconque a une connaissance de la faillite absolue d’une grande partie de l’intelligentsia durant l’entre-deux-guerres), si un porte-parole de LR peut tranquillement affirmer que les Blancs subiraient une « épuration ethnique » dans les quartiers populaires et d’immigration, ou encore si des parlementaires de droite peuvent appeler à la dissolution de l’UNEF, on voit mal ce qui pourrait conduire la droite à ne pas s’offrir corps et âme – c’est-à-dire organisationnellement et idéologiquement – à Zemmour.

Qu’on ne s’illusionne donc pas : dans un scénario cauchemardesque qui verrait l’élection de Zemmour, celui-ci n’aurait aucun mal à former un gouvernement composé de ténors de la droite et à rassembler une majorité parlementaire. Là encore, il n’y a pas de quoi surprendre quelqu’un qui connaît l’histoire des gouvernements fascistes au XXe siècle, ces derniers ayant toujours compté initialement plus de ministres de droite que d’extrême droite.

Il est vrai qu’une victoire électorale ne permet pas tout et que l’opposition de secteurs importants de l’État peut amener ces gouvernements à en rabattre sur leur programme ou leurs ambitions putschistes (qu’on pense aux tentatives de Trump de se maintenir au pouvoir). La présence à la tête de l’État d’un néofasciste ne lui donne pas nécessairement les moyens politiques de fasciser l’État, comme en témoigne – au moins pour l’instant – l’exemple de Bolsonaro au Brésil. Néanmoins, ce qui se joue dans les appareils répressifs depuis plusieurs années – les initiatives factieuses des syndicats de police, l’impunité dont jouissent les crimes policiers, comme les tribunes de militaires appelant à affronter les « hordes de banlieue » pour éviter le « délitement de la France » – signalent que des pans significatifs de l’État sont disposés à aller encore beaucoup plus loin dans une direction ultra-autoritaire et dans l’institutionnalisation du racisme.

*

Ignorer Zemmour n’est malheureusement pas une option pour les anticapitalistes et les mouvements sociaux. Si celui-ci est bien le produit de deux décennies au moins de transformations politiques et idéologiques, et en grande partie un monstre créé de toutes pièces par les médias dominants, il est à présent un acteur central de la fascisation, qu’il nous faut impérativement combattre en tant que tel. Reste que, comme dans le cas de Trump ou de Le Pen, le « tout sauf Zemmour » est une impasse.

On reviendra dans un prochain article sur quelques pistes politiques pour affronter le danger mais disons d’emblée que le néofascisme ne pourra être vaincu sans que se développent des bastions de résistance antifasciste dans le corps social, sans que s’unissent les mouvements d’émancipation autour d’objectifs tactiques atteignables, permettant d’obtenir des victoires (même partielles) et de reprendre confiance dans la lutte collective, sans que l’antiracisme politique imprègne bien davantage qu’actuellement le sens commun et les pratiques militantes, et sans qu’émerge une alternative de gauche capable d’engager une rupture politique avec le néolibéralisme autoritaire. La barre est haute, mais avons-nous d’autres choix que de relever le défi ?

*

Ugo Palheta est sociologue, maître de conférences à l’université de Lille et membre du Cresppa-CSU. Il est l’auteur de nombreux articles pour Contretempsde La Possibilité du fascisme (La Découverte, 2018) et, tout récemment avec Ludivine Bantigny, de Face à la menace fasciste (Textuel, 2021).

Notes

[1] On notera qu’à l’inverse, dans les médias dominants, quiconque tient un discours conséquent ciblant le racisme systémique que subissent immigré-es et descendant-es d’immigré-es extra-européen-nes se trouve instantanément l’objet d’accusations de développer une « pensée victimaire », voire de succomber à une forme de « racisme inversé ». D’autres mots ont d’ailleurs émergé qui, dans la bouche de celles et ceux qui les emploient, ont à peu près la même signification et surtout la même fonction (interdire tout débat à propos du racisme systémique) : « indigénisme », « décolonialisme », « intersectionnalisme », « wokisme ».

[2] Ces deux conspirationnismes peuvent d’ailleurs s’imbriquer chez certains idéologues et mouvements néofascistes, imaginant que ce sont les Juifs, à travers des figures comme George Soros, qui seraient les artisans en sous-main du « grand remplacement » ou du « génocide blanc » (notamment à travers la défense des droits des migrant·es). Reste que, dans les récits les plus populaires à l’extrême droite (mais aussi dans une partie des médias mainstream), les Juifs et la lutte contre l’antisémitisme sont généralement utilisés à l’appui des mythes de la domination mondiale de l’islam, celui-ci étant considéré comme une essence malfaisante, intangible et oppressive, intrinsèquement antisémite et fondamentalement intolérant.

[3] Alors que la gauche est si fréquemment accusée de complaisance avec l’antisémitisme, il est frappant de constater que Zemmour peut faire l’objet d’une hyper-médiatisation tout en n’ayant cessé de déployer une rhétorique négationniste consistant à absoudre Vichy, et en particulier Pétain, de sa responsabilité dans la déportation de dizaines de milliers de Juifs·ves (sans même parler de sa défense de l’idéologue antisémite Maurras et de bien d’autres déclarations).

[4] Le gaullisme n’a plus de réalité depuis longtemps : il n’existe plus que de manière fantomatique, comme une référence vide et il n’y a d’ailleurs pas vraiment de quoi le regretter. Néanmoins, il peut paraître ironique que les héritiers de ce mouvement né dans le combat contre la collaboration pétainiste soit à ce point attiré par un idéologue qui a fait de la défense de Pétain un élément cardinal de sa « pensée ». Il faut toute la reformulation de la présence de millions de musulman·es comme « occupation » (voire comme « colonisation à l’envers ») pour s’imaginer que cette politique serait en continuité avec l’appel du 18 juin…

 

 

[Source : http://www.contretemps.eu]

Passeio pelo supermercado mostra que os mesmos conglomerados investem em marcas de pobre e de rico

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Maionese Heinz a R$ 9,40 ou Maionese Quero a R$ 2,85? A primeira exibe um rótulo em papel metalizado, nas cores azul e dourado, e diz ter sido feita com ovos de galinha caipira, enquanto a segunda vem com rótulo de papel simples, nas cores branca e amarela, e traz a foto de um sanduíche de presunto e queijo.

O que une essas duas marcas? O grupo 3G Capital, do bilionário Jorge Paulo Lemann, que também controla Ambev e Burger King. Em 2011, a Heinz adquiriu a Quero, pelo valor de R$ 1 bilhão. Logo depois, em 2013, a 3G Capital e a Berkshire Hathaway, de Warren Buffet, adquiriram a Heinz. Em agosto de 2021 o Grupo Heinz comprou a catarinense Hemmer, que também fabrica maionese, ketchup e molho de mostarda.

O caso é emblemático porque mostra o apetite dos grandes conglomerados da indústria alimentícia pelo domínio de diferentes fatias de mercado. Da classe E à classe A, tem produto pra todo mundo. E um passeio ao supermercado pode mostrar bem isso.

Na ala de congelados de uma unidade da rede Assaí, visitada pela reportagem, o consumidor encontrará lado a lado as pizzas Seara Calabrese, por R$ 22, e Seara Calabresa, ao valor de R$ 12,50. Também poderá escolher entre o Tekitos de R$ 7,70 e o Incrível Empanado de R$ 14,90, feito com “carne” vegetal. Em todos os casos, a fabricante é a mesma, JBS.

No setor de salgadinhos, a escolha fica entre as marcas Fofura, Torcida, Ruffles, Elma Chips e Lay’s, todas controladas pela Pepsico. A diferença está no preço: o Fofura de cebola com 90g custa R$ 1,75, enquanto a batata Lay’s sabor Sour Cream, de 80g, custa R$ 5,00.

O movimento acompanha a curva da desigualdade no Brasil, que cresceu nos últimos anos. Aqui, a parcela mais rica da população concentra 49% de toda a riqueza nacional – pior indicador dos últimos vinte anos – enquanto 27 de milhões de pessoas sobrevivem com até R$ 400 por mês – pior situação desde o início da série histórica, em 2012.

Do gourmet ao podrão: Indústria de alimentos divide para conquistar

Maioneses Quero e Heinz, ambas do grupo Kraft Heinz, porém voltadas a públicos de renda diferente.

Questão de marketing

José Mauro Hernandez, livre-docente do curso de Marketing da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), explica que essa estratégia tem a ver com a vinculação de cada marca com seu público-alvo. “Se você tem uma marca cara, associada a produtos de alta qualidade, então não pode lançar um produto barato sob aquele mesmo rótulo”, argumenta o professor. “As pessoas vão comprar achando que é igual e depois abandonam a marca ao ver que isso não se confirma.”

“Daí o que a fabricante faz?” indaga Hernandez, fazendo alusão ao grupo Kraft Heinz: “Compra a Quero, que é uma marca popular, e então a Hemmer, voltada ao público intermediário.”

Com isso, explica o docente, uma mesma empresa consegue vender para consumidores de diferentes faixas de renda sem multiplicar na mesma proporção os gastos com capital humano, administração e logística – gerando economia de recursos.

Os salgadinhos Elma Chips, Lay’s, Fofura, Torcida, Ruffles e Cebolitos pertencem ao mesmo conglomerado, a Pepsico.

Preços diferentes, qualidade diferente?  

Convidamos a nutricionista Alessandra Silva Dias de Oliveira, que é professora adjunta do Instituto de Nutrição da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), para analisar um levantamento feito pelo Joio em dois supermercados do Grupo Pão de Açúcar no interior de São Paulo.

A tabela, que pode ser conferida aqui, compara ingredientes e composição nutricional de salgadinhos, molhos de tomate, empanados, margarinas, hambúrgueres, maioneses e pizzas congeladas produzidas e vendidas pelos mesmos conglomerados da indústria.

Analisando os produtos compilados, Alessandra ressalta que a diferença se concentra principalmente na qualidade dos ingredientes. “As linhas voltadas para o público de pior situação econômica contêm mais espessantes, aromatizantes, realçadores de sabor e aditivos em geral”, explica ela. “Esses ingredientes estão lá porque permitem baixar o custo dos produtos.”

A pesquisadora lembra, no entanto, que os produtos mais caros não são necessariamente mais saudáveis: “De forma geral, a composição é ruim”, diz ela. “O que me sinto confortável para dizer é que os produtos das linhas inferiores conseguem ser ainda piores.”

Do gourmet ao podrão: Indústria de alimentos divide para conquistar

As pizzas Seara Calabresa e Seara Artesanal Calabrese, vendidas a R$ 12,50 e R$ 22,50 respectivamente.

Tão ruim quanto

Um método interessante para comparar os produtos, pelos menos em termos de qualidade nutricional, é o aplicativo Desrotulando, desenvolvido em 2016 por iniciativa do empresário Gustavo Haertel Grehs e da nutricionista Carolina Grehs.

Por meio de um algoritmo que leva em consideração concentrações de sal, açúcar, gordura e presença de aditivos, o app determina uma nota de 0 a 100 para cada produto em sua base de dados. Quanto mais próximo do 0, menos saudável. E vice-versa.

Ao usar o aplicativo na comparação de alguns produtos, vemos que a diferença de qualidade nutricional entre o premium e o standard é irrisória. Um exemplo são as margarinas Qualy e Claybom, ambas da BRF, que ganharam nota 1 no app, apesar de a Qualy custar quase o dobro do preço.

Do gourmet ao podrão: Indústria de alimentos divide para conquistar

Para as duas, o Desrotulando exibe os avisos vermelhos de “alto em gorduras totais”, “alto em sódio” e “[não] clean label” – o que indica um rótulo difícil de entender, com grande quantidade de aditivos e substâncias alimentares.

Questão de Status

O professor Hernandez, da EACH-USP, explica que a qualidade responde por apenas uma parte da diferença de preço. O resto fica por conta do valor subjetivo da marca.

“A marca tem uma tremenda importância”, argumenta o docente. “Eu compro Qualy porque não quero parecer pobre. Então no fim de semana, quando tem visita, vou ter Coca-Cola, margarina Qualy e presunto. E durante a semana vai ter refrigerante Dolly, margarina mais barata e assim por diante.”

“Isso ocorre porque a marca não traduz apenas qualidade, mas também status”, conclui ele.

 

[Fotos do autor – fonte: http://www.ojoioeotrigo.com.br]

En su primera novela, la autora, que es una argentina que reside en Dinamarca, explora las emociones que producen el amor y el desamor, el desarraigo y la búsqueda de la propia identidad en un texto que alterna el pasado y el presente y la mirada de tres narradores diferentes. 

Gabriela Eunice nació en Buenos Aires y estudió arquitectura pero reside en Copenhague desde 2015.

Gabriela Eunice nació en Buenos Aires y estudió arquitectura pero reside en Copenhague desde 2015.

 

Escrito por  Eva Marabotto

La Costa Atlántica, la Costanera porteña y las frías aguas de Copenhague son los paisajes que se alternan como escenarios en “Busco extras para actuar en mis sueños”, la primera novela de Gabriela Eunice, una argentina residente en Dinamarca. Pero a cada uno de ellos le corresponde también un vínculo que le es propio en una serie creciente que va de la amistad y el amor filial a las relaciones violentas.

La historia de Amanda, una mujer emigrante toma elementos de la vida de la autora, sus amigas y las entrelaza con anécdotas inventadas en un caleidoscopio de sensaciones amables, melancólicas e incluso dolorosas. La sigue de cerca un narrador que la conoce profundamente, le cede su voz para que por momentos el texto se vuelva intimista y confesional, y adopta una segunda persona para aconsejar y hasta adoptar un tono admonitorio para con la protagonista.

“Busco extras para actuar en mis sueños” fue editada a fines de septiembre por Inguz Editorial con la consigna de “hacer un libro sostenible” impreso en papel reciclado, pero además el 15 % de las ganancias por su venta son donadas al Fondo de Mujeres del Sur.

Gabriela Eunice González Alcalde nació en Buenos Aires y se recibió de arquitecta en la Universidad de Buenos Aires. Estudió música y canto y en 2019 estrenó una performance literaria-musical titulada “Amanda”. Desde julio de 2015 y después de varios viajes por América, Europa y Asia reside en Copenhague, Dinamarca.

En la primera semana de octubre la autora presentó su novela en el Festival de Literatura de Copenhague que reunió a autores latinoamericanos, españoles y portugueses y contó con el auspicio de las embajadas de España y Portugal.

Sobre los alcances de una historia que describe una experiencia de desarraigo e incomunicación pero también de violencia de género, en la que la escritura ofrece una posibilidad de salvación y de recuperación de la identidad, conversó la autora con Télam. A continuación, los principales tramos de la entrevista.

La autora al rescate de su propia lengua.

La autora al rescate de su propia lengua.

-Telam: ¿En la historia que narrás hay una relación en la que se produce violencia de género? ¿Cuánto hay de autobiográfico y cuánto de ficción?
-Gabriela Eunice: Tiene un poco de autobiográfico y otro poco, no. Lo que es autobiográfico es que Amanda es una persona migrante de Argentina que se muda a Copenhague. Eso sí lo puedo situar en el ámbito autobiográfico. Después. cada una de las pequeñas historias que van pasando entre los personajes, no todas son necesariamente autobiográficas. Muchas cosas de las que escribo también las he tomado de biografías de otras personas. Hay anécdotas de otra gente que me gustan y también. Las he incorporado a la historia pero también hay cosas que he inventado.

-T: ¿Favorece la violencia el hecho de que se trate de una mujer migrante?
-G.E.: Creo que no importa donde vivas, creo que hay cosas que se perciben de igual modo en todo el mundo, no importa el lugar en el que vivas. En este caso no es una novela que yo escribí para hablar necesariamente de la violencia de género pero sí trata el tema. Amanda tiene herramientas pero no importa dónde vivas o a qué estatus social pertenezcas, la violencia puede estar presente en cualquier situación y obviamente hay situaciones más privilegiadas que otras para poder salir de eso. El hecho de poder contar esta historia es un modo de generar mayor conciencia acerca de cuáles son los modos de salir del espiral de violencia.

-T: ¿La diferencia de lenguas genera incomunicación y quizás violencia?
-G.E.: La incomunicación no tiene por qué llevar a la violencia. Hay algo que la protagonista se plantea todo el tiempo que es que ella dice haber perdido la lengua por no saber cómo comunicarse. Creo que el tema de la incomunicación no reside tanto en que hablen lenguas diferentes sino en lo que Amanda dice al principio del libro, de que, muchas veces las personas intentamos comunicarnos con palabras sin darnos cuenta de que el modo más sensato de comunicarnos es a través de nuestros cuerpos y nuestros sentimientos.

Ahí hay una incomunicación entre Amanda y Josué que no tiene que ver con su lengua, sino con que son dos personas que no se entienden.

-T.:Hace años que vivís en Dinamarca y hablás danés, ¿por qué escribir en español que no es tu lengua cotidiana?
-G.E.: Justamente porque el español es mi lengua desarraigada, escribir en español me permite recuperar mi lengua materna. Por un lado tiene que ver con que cuando yo me mudé a Copenhague no conocía tanta gente que hablase español y escribir era para mí un modo de recuperar mi lengua, de encontrarme con mi idioma. Tampoco tenía acceso a tantos libros. La verdad es que me mudé con muy pocos libros acá y en aquel momento cuando vine, la única librería que tenía libros en español cerró y volvió a abrir otra recién hace dos meses. En todo ese tiempo escribir era encontrarme con mi lengua en un contexto en el que tenía pocas oportunidades.

-T.: Venís del ámbito de la arquitectura, ¿cuál es el aporte de esa disciplina a tu escritura?
-G.E.: No poemas ni cuentos sino textos académicos. Soy arquitecta y trabajé como docente de Historia y de Proyecto arquitectónico pero tuve la suerte de que en la Facultad de Arquitectura de la UBA muchos docentes incorporaban textos literarios a la hora de hablar de arquitectura, por eso me acostumbré incluso en la descripción de proyectos arquitectónicos a darle un lado más artístico y poético.

-T.: La historia de Amanda también dio origen a una performance de tipo teatral…
-G.E.: A fines de 2019 con la novela casi terminada, en proceso de corrección, Miguel Angel Crozzoliu, un amigo músico y compositor, me propuso hacer una obra de microteatro con fragmentos de la vida de Amanda. Aquella performance focalizó la historia del desamor de Amanda. Ella decía en aquel fragmento que extrañaba no conocerlo a Josué porque cuando lo conoció lo vio como realmente era, su peor costado.

-T.: El texto incorpora términos que son netamente porteños como “changüí” y otros más ligados al español neutro, como “grifo” en lugar de “canilla”, ¿Amanda habla la lengua del desarraigo, una construcción artificial que comparten muchos emigrantes?
-G.E.: Ese tema lo traté mucho con el editor, Horacio Fiebelkorn, cuando comencé a editar la novela. Sucedía que a veces usaba el español de España y otras el porteño. Creo que tiene que ver con no haber estado en la Argentina muchos años y no haber hablado con argentinos. Entonces uno adquiere una lengua que comparte con los inmigrantes latinos o europeos, incluso con los daneses que estudiaron español. Si yo dijese “canilla” seguramente no sabrían de qué hablo. Pero hay otros términos como “changüí” que no podría explicar de otro modo. No creo que alcance con decir “#otra oportunidad”. Es “changüí”.

"Busaco extras para actuar en mis sueños"

« Busaco extras para actuar en mis sueños »

-T.: Aunque se centra en el presente de una mujer argentina que reside en Copenhague, la historia recupera el pasado porteño de Amanda e incluso sus vacaciones en la Costa Atlántica en un ida y vuelta permanente en el tiempo del relato.
-G.E.: Es que Amanda la de ahora es también la Amanda del pasado, la que vivió en Buenos Aires. Esos raccontos son un modo de reconectar con su lengua y de reconectar con sus raíces y dar a entender de dónde viene ella y darla a conocer al lector.

-T.: El nombre no es una casualidad,,, En latín “Amanda” significa “la que debe ser amada”. Es casi una ironía para una historia en la que está presente la violencia.
-G.E.: Sí. Pensé en ese significado, en la carga del nombre. Pero además, es un nombre muy común en Dinamarca entre las mujeres de clase media.

-T.: ¿Tenés prevista una traducción al danés?
-G.E.: Voy a tratar de que así sea. Hay fondos estatales que financian la traducción de textos que podrían ser relevantes para la cultura danesa por ende si una editorial está interesada en hacerlo se puede aplicar a los fondos para pagar a un traductor.

-T.: ¿Cómo construiste al narrador? Por momentos es una tercera persona omnisciente, en otros una segunda persona, y en otras una primera que parece ser Amanda. Llevás al lector a girar 360 grados en derredor de la protagonista.
-G.E.: No me fue fácil de llegar a esas diferentes personas y uno de mis mayores miedos es que no se llegara a entender sobre todo cuando habla esta Amanda en segunda persona que puede verse como ella misma o alguien que le habla. Creo que la primera persona es la protagonista con todos sus sentimientos y sus dudas. La segunda persona es un poco más dura, le marca lo que hizo y la lleva a reflexionar y la tercera es un narrador omnisciente que, sin embargo, la conoce muy bien a Amanda. Todas la construyen.

-T.:¿Cuál es tu experiencia de editar en una editorial independiente como Inguz?
-G.E.. Fue muy interesante. Me gustó que fueran todas mujeres detrás de la editorial. También que donen parte de las ganancias de sus libros al Fondo de Mujeres del Sur para ayudar a combatir la violencia de género y que las mujeres que sufran estos actos violentos tengan otras oportunidades en sus vidas. Sucede que aunque Amanda viva de modo naïf la violencia que sufre el tema está presente y por eso comparto esta causa con la editorial. Además el libro está impreso con papel reciclado y la sustentabilidad es un tema en el que vengo trabajando desde mi profesión de arquitecta.

 

[Fuente: http://www.telam.com.ar]

«Astérix tras as pegadas da billa» retoma ao personaxe para volver con forza un ano despois da morte do seu debuxante orixinal, Albert Uderzo

El guionista Jean-Yves Ferri, autor del libreto de los últimos álbumes de Astérix, durante la presentación de la cubierta y algunos detalles del próximo título,  Astérix tras las huellas del grifo

O guionista Jean-Yves Ferri, autor do libreto dos últimos álbums de Astérix, durante a presentación da cuberta e algúns detalles do próximo título, Astérix tras as pegadas da billa

Escrito por MARTA GRANDE

Unha viaxe a un país indómito, un reto e un pobo que rompen os estereotipos de Astérix e Obélix: o novo álbum dos irredutibles galos, Astérix tras as pegadas da billa, retoma os ingredientes habituais para volver con forza un ano despois da morte do seu debuxante orixinal, Albert Uderzo.

O seu falecemento en marzo de 2020, tras o de René Goscinny en 1977, deixou totalmente en mans do debuxante Didier Conrad e do guionista Jean-Yves Ferri as rendas dun éxito de vendas ao que estes últimos se sumaron no 2013 con Astérix e os pictos.

Nesta quinta entrega feita co seu puño e letra, o pequeno guerreiro de louro bigote e o seu orondo amigo, repartidor de menhires, viaxan á terra dos sármatas, alá onde o día só dura un instante, segundo a crenza dos romanos, para axudalos a protexer á Billa, un animal mítico que estes teñen como tótem.

«Inventar un país permite outro ton, outro ambiente», conta a Ferri, que nesa expedición cara ao descoñecido introduce cuestións de actualidade como o complotismo, o feminismo ou a protección do medio ambiente.

As aventuras de Astérix debutaron en 1959 no primeiro número da revista Pilote e a súa popularidade non decaeu desde entón. Este último álbum, o número 39, sae este xoves á venda en 17 idiomas e unha primeira tirada mundial de cinco millóns de exemplares.

Como os seus creadores orixinais, Ferri tampouco di saber o motivo do seu éxito: «Pero eles envorcaron moitas cousas universais no seu interior. E hai outra explicación, os tradutores inclúen sempre particularidades de cada país». O mestre quesero Manchegov ou o carpinteiro Kontrachapadov, da edición española, son un exemplo.

O guionista asume cada novo álbum «un pouco como un desafío persoal» e o seu traballo a distancia con Conrad, que vive en Estados Unidos, parece esquecerse da potente máquina comercial que rodea a este cómic ata que chega o momento da promoción.

«Contrariamente ao que se cre, nunca recibo consignas particulares. Son un antigo lector de Astérix e se que podo facer», sinala, non sen admitir que para Uderzo e Goscinny o proceso era «máis natural» porque eran «os seus personaxes». Nestes cinco álbums o peso da responsabilidade dese legado deixou paso a un dominio da historia e das súas características.

E con eles evolucionaron tamén os personaxes. En Astérix tras as pegadas da billa, para sorpresa dos seus protagonistas, as mulleres sármatas son guerreiras nómades e os homes viven na paz da aldea. «Hai cousas que lles resultan un pouco difíciles, que son un reto, pero humorístico, espero», engade o guionista, que no comportamento dos romanos, na súa desconsideración cara ao hábitat alleo, fai que a sociedade actual se mire no seu propio espello.

Rodeado de polémica

É, como todos os anteriores, un álbum que nace sen vontade política, aínda que lle resulte imposible escapar da polémica. Nalgunhas escolas de Canadá recentemente queimáronse libros, entre eles de Astérix ou Lucky Luke, como protesta pola forma estereotipada en que representan aos nativos de diversas rexións.

«Podo entender que algunhas representacións choquen porque no cómic hai tradición de caricaturizar, pero hai que pór iso en contexto. Queimar libros non é o mellor que se pode facer para protestar contra a violencia, porque é algo violento en si», sostén Ferri.

Esta participación podería ser a súa última. «Cada vez dígome que non vou poder continuar e cada vez estou convencido de que vou parar porque é difícil. Dígoo cada vez, pero é certo que esta se cadra é de verdade».

Si ten máis claro que non quere acabar un álbum inédito, recentemente descuberto e a medio facer, Astérix au cirque (Astérix no circo), que a filla de Goscinny, Anne, atopou nos arquivos familiares.

«Sería algo moi específico, diferente do que facemos, un traballo de restauración. Nós non somos especialistas de Astérix. Somos autores que inventan novas historias. E quen sabe, ¿se cadra Goscinny quixo tiralo?».

 

[Imaxe: Rafael Cañas – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Después de 106 años de recorrido, la histórica Vermuts Miró de Reus aceptó el año pasado la oferta de compra del empresario reusense Xavier Martínez i Serra. El empresario posee una amplia experiencia en la gestión de compañías del sector de la alimentación, ya que también es propietario y presidente de TQ Tecnol S.A; y fundador, propietario y presidente del Consejo de Administración de GO Fruselva, una empresa alimentaria especializada en el ‘comanufacturing’ de productos de alimentación infantil y zumos frescos.

Desde entonces, la compañía ha incorporado muchas novedades, como la ampliación de sus instalaciones o la renovación de la fábrica. Todo, para atender a uno de sus principales objetivos: su apuesta por la expansión internacional, con un foco importante en Europa y Norteamérica.

De hecho, los planes de la compañía pasan por realizar una importante inversión económica en I+D para el desarrollo de nuevos productos, en nuevas tecnologías, procesos de envasado y elaboración, y en la ampliación de la logística.

El objetivo del nuevo propietario de Vermuts Miró es, sobre todo, posicionar la compañía a nivel internacional, ya que por ahora concentra las ventas en el mercado español. El otro reto es el de mantener su liderazgo en el ámbito nacional, preservando el mismo espíritu tradicional de una bebida elaborada con la receta original de 1914.

Otro de los objetivos de la compañía es vincular su marca a la cultura. De hecho, Vermuts Miró acaba de lanzar su campaña « Comienza lo bueno », para apoyar a las salas y a los artistas, en los que organizará conciertos en acústico por diferentes locales españoles.

El 50% de la producción de Vermuts Miró se comercializa bajo la marca Miró y el resto se produce para las principales casas de distribución. Su facturación ha rondado los últimos años los 5 millones de euros.

Desde sus inicios, en 1957, el vermut ha sido el principal producto elaborado de la compañía. Sus emblemáticos Miró Rojo, Miró Blanco o Miró Reserva conservan hoy las fórmulas originales creadas por la Familia Miró y cosechan numerosos premios y reconocimientos nacionales e internacionales, como uno de los mejores vermuts del mundo.

 

[Fuente: http://www.vinetur.com]

El bufet va fer constar en castellà a l’escriptura « que los poderes autorizados no están redactados en idioma oficial en Albaida ».

Al passat mes de febrer l’única notària d’Albaida, Ana Maria Cañada Martí, va intentar ajornar la signatura de la compravenda d’una casa, argumentant que alguns dels documents no estaven en « valencià » sinó en « català » i que l’operació no podia tirar endavant, fins que no s’aportés una « traducció oficial ». Tant la part venedora com la compradora van manifestar que volien seguir endavant amb l’operació i finalment Cañada va cedir. Tot i això, extralimitant-se en les seves funcions, a l’escriptura de la casa la notària va fer constar, en castellà, les seues reticències: « Yo la notario advierto de que los poderes autorizados no están redactados en idioma oficial en Albaida, mi residencia, por lo que no puedo dar FE (sic) ni respondo de su traducción ».

Els representants de la part venedora, els senyors Sempere Securun i els nebots, van acudir a la notaria de la localitat d’Albaida per la signatura de la venda d’una casa familiar. Tots els venedors vivien fora d’aquesta localitat (a França, Barcelona, València i Tarragona). Per aquest motiu van atorgar poders davant diferents notaris de Catalunya en favor de dos dels compareixents, que es van desplaçar a Albaida, per a realitzar la compravenda.

Plataforma per la Llengua ha presentat una reclamació a l’Oficina de Drets Lingüístics contra l’actuació de la notària d’Albaida i ha enviat una carta al Col·legi de notaris de València sobre les irregularitats de l’actuació de Cañada. Cal tenir en compte que hi ha 46 sentències dels tribunals que fonamenten legalment que valencià i català són dues denominacions de la mateixa llengua. Aquestes sentències no sols donen plena validesa a la unitat del valencià/català en l’àmbit universitari, sinó també en tots els altres, i en concret en l’àmbit jurídic i l’administratiu.

A més, tant l’article 142 de la Llei 1/2000 d’Enjudiciament Civil com l’article 231.4 de la Llei Orgànica 6/1985, del Poder Judicial donen validesa a un document redactat en una llengua oficial coincident en dues comunitats autònomes, com és el cas de Catalunya i del País Valencià. En concret, tots dos articles estableixen: « Les actuacions judicials realitzades i els documents presentats en l’idioma oficial d’una comunitat autònoma tindran, sense necessitat de traducció al castellà, plena validesa i eficàcia. D’ofici es procedirà a la seua traducció quan hagen de tenir efecte fora de la jurisdicció dels òrgans judicials de la comunitat autònoma, excepte si es tracta de comunitats autònomes amb llengua oficial pròpia coincident ».

És per això que l’entitat considera que l’actuació de la notària Cañada contra els drets d’ús del valencià-català era il·legal i contrària a la voluntat i interessos dels clients. De fet, el registrador de la propietat d’Albaida va inscriure normalment l’escriptura de compravenda de la casa, sense fer cap al·lusió al tema de la llengua dels poders notarials. L’actitud d’Ana Maria Cañada era negar i obstaculitzar l’exercici dels drets lingüístics per part dels venedors.

[Font: http://www.racocatala.cat]

Sotheby New York va mettre aux enchères un livre de prières illustré de Rosh HaShana et de Yom Kippour, vieux de 700 ans dont le prix devrait atteindre entre quatre et six millions de dollars. Le Luzzatto High Holiday Machzor est le plus ancien livre de prières juives jamais vendu aux enchères.

Nommé d’après l’un de ses propriétaires, le livre a été écrit et enluminé dans le sud de l’Allemagne vers la fin du 13ème ou le début du 14ème siècle par un artiste juif appelé Abraham. Il a ensuite été transmis aux communautés juives de France et d’Italie. Durant son périple, les différents propriétaires ont ajouté leurs commentaires en fonction de leurs coutumes locales. Les photos montrent que le livre contient de nombreuses prières qui continuent à être récitées par les communautés juives d’aujourd’hui.

L’organisation juive française à qui reviendra l’argent des enchères veut investir la somme dans des programmes de formation et l’octroi de bourses.

Voici le plus ancien livre de prières juives jamais vendu aux enchères : il s’agit du Luzzatto High Holiday Machzor 

 

[Photo : SOTHEBY’S par JTA – source : http://www.israelentreleslignes.com]

Pour la 9e année, Les Éditions du Net et ActuaLitté organisent la Journée du Manuscrit Francophone le 24 octobre prochain. Inspirée de la fête de la musique où tous les musiciens peuvent jouer, la Journée du Manuscrit permet à tous les auteurs de publier gratuitement leur livre et de tenter de remporter le Grand Prix du Manuscrit Francophone ou l’un des 7 Prix littéraires. Aujourd’hui internationale, elle compte près d’un million d’abonnés sur sa page Facebook — c’est aussi pour ces raisons qu’elle a reçu le soutien de l’UNESCO et du Syndicat national de l’édition. 

ActuaLitté

Depuis le 1er mai, les auteurs peuvent déposer leur manuscrit, avec un engouement encore plus important que les années précédentes : près de 300 livres ont été acceptés par le Comité de Sélection — le nombre de livres de 2020. Les premiers ouvrages sont déjà présentés sur le site avec un extrait et diffusés sur les réseaux.

Pour participer, les auteurs ont jusqu’au 30 septembre pour déposer leur manuscrit, uniquement sur le site. Chaque auteur présent à la soirée recevra deux exemplaires imprimés de son livre : ils seront par la suite commercialisés en Impression à la demande par Les Éditions du Net. À ce titre, les auteurs perçoivent 40 % de droits d’auteurs sur les ventes directes et 10 % sur celles opérées en librairie. Le service est entièrement gratuit.

Des extraits des livres seront publiés sur le site pour recueillir des commentaires et des votes qui seront pris en compte par le jury.

Tous les livres seront publiés le 24 octobre 2021 et le Jury qui attribuera 7 prix – Nouvelles, Roman, Essai, Témoignage, Science Fiction, Poésie, Savoir – et le Grand Prix de la Journée du Manuscrit Francophone, qui est doté d’un contrat d’édition de 10.000 € (ou d’un chèque de 3500 €).

Le goût de l’écrit

L’envie d’écrire ne relève plus du phénomène marginal : ateliers d’écriture, master class d’écrivains, services d’accompagnement pour les auteurs, festivals de livres ouverts à tous, plateformes d’édition ou autres concours littéraires explosent.

Le secteur en a pris conscience : les services de manuscrits des éditeurs sont saturés et les libraires croulent sous les demandes d’auteurs. Tous les acteurs travaillent à de nouveaux projets pour ces écrivains amateurs : les plus emblématiques, initiés en juin, restent les ateliers d’écriture, associés à une plateforme d’édition (L’Écritoire prévu en septembre) par l’enseigne Cultura.

« À travers les échanges que nous avons eus avec des milliers dauteurs ces dix dernières années nous constatons que l’écriture est devenue un loisir à part entière », indique Henri Mojon, fondateur de la Journée. « En 2013, la motivation des participants était de trouver un éditeur et davoir du succès, aujourdhui, il s’agit de publier le livre que lon a écrit pour le plaisir. »

La Journée du manuscrit sur Facebook.

[Source : http://www.actualitte.com]

«A anomalía», novela gañadora do premio Goncourt 2020, converteuse nun fenómeno literario e de vendas

Escrito por ENRIQUE CLEMENTE

Profesor de matemáticas, daquela xornalista científico, Hervé Lle Tellier (París, 1957) logrou o éxito e a fama aos 63 anos e despois de escribir unha trintena de libros (novelas, relatos, ensaios, poemarios, obras teatrais) desde 1991. Descoñecido polo gran público, o Premio Goncourt outorgado á anomalía (Seix Barral) no 2020, consagrouno e converteu esta novela nun fenómeno literario, con máis dun millón de exemplares vendidos en Francia, cando coas súas anteriores obras non pasaba de 20.000. O argumento é moi atractivo e sorprendente: o 10 de marzo do 2021 un avión aterra no aeroporto JFK de Nova York tras unhas terribles turbulencias e sofre un «desdobramento, un fenómeno de duplicación » -segundo o autor- que afecta a todos os pasaxeiros, á tripulación e ao propio aparello. Tres meses despois, un avión idéntico aterra de novo cos mesmos pasaxeiros e a mesma tripulación. Este suceso inexplicable desata unha crise política, científica e mediática sen precedentes. Oito acaban atopándose cara a cara cos seus dobres, que son exactamente iguais, pero con tres meses de diferenza.

-¿Como xurdiu a idea desta novela?

-A partir dun relato curto que decidín non escribir sobre o encontro dun home e o seu dobre, que falaban da súa propia vida ata chegar a unha charla esencial sobre a relación amorosa ou sentimental e a muller que ambos amaban. Rapidamente deime conta de que era unha mala idea para tratar nun relato curto, pero boa para unha novela, na que podía explorar todas as situacións posibles, desde a colaboración ao odio, desde o sacrificio ao asasinato. Fixen o que en cine se chama un casting para crear un grupo de personaxes para cada unha das opcións posibles que ofrecía a confrontación.

-¿Como logrou armar o quebracabezas da novela, na que utiliza varios xéneros literarios?

– Como dicía antes, fixen un casting de personaxes que respondían a estereotipos literarios. Seleccionei oito entre as doce situacións que se me ocorreron. Cada un deles asóciase de xeito bastante natural a un xénero, desde a comedia sentimental ao thriller, a novela negra, a ciencia ficción ou, nalgúns casos, a novela de introspección. Había que ordenar os capítulos para que a lectura e a fluidez fosen máximas. Unha das regras que me impuxen foi cambiar de rexistro cada capítulo de xeito bastante claro para aumentar o interese do lector e a diversidade. Quixen fusionar xéneros nun relato único.

-O tema do dobre foi moi tratado desde as orixes da literatura, pero vostede deulle unha volta de porca.

-O tema do dobre sempre estivo presente na literatura universal, pero eu trateino de xeito distinto, porque decidín que os meus dobres non é que se parecesen, senón que eran exactamente os mesmos con tres meses de diferenza, un pequeno desfasamento que fai que sexan os mesmos pero á vez diferentes. Isto non se propuxo anteriormente e é o que crea unha situación dramática única e faina diferente. O que me interesaba era imaxinar como varias persoas reaccionan fronte a un encontro co seu dobre. Ao ser exactos a nós mesmos resulta insoportable porque implica a imposibilidade da mentira, xa que nos coñece perfectamente.

-¿Por que sitúa a novela nun futuro tan próximo respecto de cando a escribiu?

-Escribina no 2019 e a acción transcorre no 2021. É unha boa casualidade que en España se publique este ano para que a acción non transcorra nun futuro próximo, senón nunha data diferente. Como unha especie de distopía máis que ciencia ficción, porque a novela fala menos de anticipación que de diverxencia temporal e, no fondo, un dos xogos coa proximidade no tempo refírese aos códigos da cultura popular, o que me permite equilibrar a faceta fantástica a través de personaxes do noso mundo, como Ed Sheeran, Elton John, Trump ou Macron, que sitúan o relato nunha realidade concreta. Era a primeira vez que xogaba con códigos e métodos adictivos que enganchan ao lector, un xogo de cliffhanger ao final de cada capítulo que deixaba en suspenso a acción, de modo que cando empezas o libro nunca o podes deixar ata o final.

-¿Que lle diría ao seu dobre se llo puidese atopar?

-A novela fala do que é esencial nas nosas vidas, do que se pode compartir e do que non. O debate co meu dobre sería unha reflexión a dúas da forma máis razoable e menos agresiva posible sobre o que estamos dispostos a ceder e aquilo sobre o que imos rivalizar, por amais de todo a relación íntima coa nosa parella. Finalmente a rivalidade converteríase no centro, no nó gordiano.

-¿A vida pode ser vista como unha simulación?

-A gran pregunta é saber se cando vivimos estamos a imitarnos constantemente a nós mesmos, se estamos nunha simulación de nós mesmos, se somos realmente nós mesmos. Ás veces ocórreme que dubido da realidade do mundo no que vivo. Penso de feito que a pandemia na que seguimos vivindo, na que sentimos momentos de soidade máis profundos, fixo que a realidade non nos pareza a realidade. O reto que temos é reapropriarnos da vida.

«A posibilidade de que sexamos seres virtuais non é absurda»

A novela expón a posibilidade de que sexamos seres virtuais que viven nunha sorte de simulación. Unha hipótese formulada polo filósofo sueco da Universidade de Oxford Nick Bostrom, que Lle Tellier considera que «non se pode descartar sen máis, porque non é absurda, senón posible». E sinala que recentemente unha revista científica, Scientific American, publicou un artigo en que se estimaba que había un 47% de posibilidades de que sexamos seres virtuais, «unha hipótese magnífica para unha novela».

-A idea da simulación é moi potente e sinxela de explicar; en primeiro lugar, existe unha lei para os computadores que establece que a potencia de computación duplícase cada dous anos, isto quere dicir que cada dez anos os computadores son mil veces máis potentes. Esta lei de Moore é válida case desde 1960, o cal quere dicir que a potencia de computación dos computadores na actualidade é mil millóns de veces maior que entón. Creo que algún día, e non son o único que o cre, conseguiremos simular o funcionamento dun cerebro humano e non só iso, poderemos transmitir a ese cerebro virtual información sobre o mundo que nos rodea.

Lle Tellier asegura que o ser humano «ten unha capacidade asombrosa para a amnesia e a cegueira», polo que «cando se acabe a pandemia, esqueceremos o vivido». Ante situacións anómalas como a que expón a novela «en lugar de atopar explicacións lóxicas e científicas, buscamos razóns e explicacións puramente máxicas».

«Ser de OuLiPo dá gran liberdade e é un aguillón para traballar de xeito excéntrico»

Desde o 2019, Lle Tellier é o presidente do movemento OuLiPo (acrónimo francés de Taller de Literatura Potencial), un grupo de experimentación literaria do que formaron parte Raymond Queneau, Georges Perec, Italo Calvino ou Marcel Duchamp. Algúns dos seus integrantes, como o propio Lle Tellier, son matemáticos. Seguindo as súas regras, Queneau contou un episodio banal nun autobús de 99 xeitos distintos e Perec escribiu O secuestro sen usar a letra «e». O secretario do grupo, Marcel Benabou, define ao escritor oulipiano como «unha rata que constrúe ela mesma o labirinto do cal se propón saír». Lle Tellier construíu un propio na anomalía.

«O que achega OuLiPo aos seus membros é unha moi gran liberdade e confianza no proxecto, que se elabora de xeito solitario pero recibe o apoio dos seus membros», asegura. Por exemplo, «un libro que podería parecer irrealizable como O secuestro debe moito a que Perec formaba parte dun grupo ao que non lle parecía estúpido nin van; ao contrario, varios socios compartiron textos nos que tamén se omitía a letra ‘e’». Explica que «hai partes do libro que son un pouco colectivas; aínda que Perec sexa o seu autor incontestable». En conclusión, «ser membro de OuLiPo é un aguillón para esforzarse e traballar dun xeito excéntrico».

A novela, ademais de xogar con teorías científicas, contén chiscadelas á cultura pop e ás series televisivas, pero tamén a Ana Karenina de Tolstoi ou a Aurélien de Louis Aragon.

Aliñamento de planetas

O autor francés atribúe o espectacular éxito da súa novela a «unha especie de aliñamento dos planetas»: o confinamento, un longo período no que nos tivemos que concentrar en ler e ver series; o boca a boca ao publicarse a novela; e as boas críticas despois. O impulso definitivo foi a concesión do premio Goncourt, que en Francia está é «o premio dos premios e que este ano, máis que nunca, demostrouno pola magnitude das vendas, a recepción do público e o fenómeno literario e crítico que supuxo a novela». Ademais, «nun momento en que estamos confinados, é unha novela que fai viaxar aos lectores por diferentes escenarios». Confesa que é feliz por converterse nun tema de conversación, porque nun momento dado había que ter lido A anomalía».

 

[Imaxe: Francesca Mantovani – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Peter Polewka, dono da Livraria Urânia, mandava vir livros e revistas principalmente para a comunidade alemã da cidade

Peter Polewka na sede da Urânia

[Fonte: http://www.plural.jor.br]