Archives des articles tagués Português

Nos últimos tempos, começámos a ouvir um novo nome de país: Chéquia. Que é feito da velha República Checa?

Escrito por Marco Neves

Este artigo é baseado num episódio do canal A Vida Secreta das Línguas.

1. Os dois nomes dos países

Há excepções, mas a maioria dos países tem dois nomes: um nome curto, como «Portugal», «Espanha», «Angola», que usamos nas conversas do dia a dia, e um nome longo, que costuma incluir uma descrição do regime, como «República Portuguesa», «Reino de Espanha», «República de Angola». Todos estes nomes — curtos e longos — traduzem-se nas várias línguas, com uma ou outra excepção.

Nem sempre os nomes curtos e os nomes longos têm relação. O Reino dos Países Baixos tem este nome, em português, há muito tempo — mas sempre chamámos «Holanda» àquele país, usando, no fundo, aquilo que é uma sinédoque (tomamos a parte pelo todo, já que «Holanda» é apenas uma parte do Reino dos Países Baixos).

O governo lá do sítio, que até costumava usar as várias versões linguísticas de «Holanda» nos seus textos de divulgação turística, insiste agora em «Países Baixos» como forma curta do nome do país nas outras línguas.

Tem tido algum sucesso, principalmente em línguas onde a versão local de «Holanda» já se usava menos, como é o caso do inglês, onde «Netherlands» («Países Baixos» em inglês) já era o nome mais comum, mesmo antes do pedido do governo holandês (ups…).

Por cá, dizer «Países Baixos» numa conversa entre amigos ainda provoca aquela sensação peculiar de que a pessoa está a fazer um esforço…

2. Problemas boémios

Quanto à República Checa… O país apareceu no mapa da Europa nos anos 90, na sequência do Divórcio de Veludo. Sem guerras, a Checoslováquia dividiu-se em dois países: a República Checa e a República Eslovaca.

Nas várias línguas da Europa, a República Eslovaca ganhou rapidamente um nome curto: Eslováquia. Afinal, bastava tirar «Checo-» ao nome do país anterior e ficávamos com um nome pronto a usar, que não arranhava os ouvidos.

Já a República Checa não tinha nome curto à mão de semear. Não iríamos usar apenas «Checo», que é uma espécie de prefixo — e «Chéquia» era coisa que nunca ninguém tinha ouvido. As designações históricas da área eram outras: Morávia, Silésia (uma parte) e, acima de tudo, Boémia.

Assim, o próprio nome longo tornou-se o nome que usamos nas conversas do dia a dia. Falamos de Portugal, de Espanha, da Alemanha, da República Checa…

3. Um novo nome

Praticamente todos os países têm um nome curto — a República Checa parecia ser uma rara excepção.

Para resolver o problema, em 2016, o governo checo aprovou o novo nome, para ser usado em várias versões linguísticas. Em português, ficou «Chéquia». Depois, fez um pedido às várias organizações internacionais que mantêm listas de nomes de países (como a ONU ou a União Europeia) para passarem a incluí-lo ao lado de «República Checa».

Foi apenas isso: um pedido do governo checo para deixar ao dispor dos falantes das outras línguas um nome curto, se alguém precisasse. Não se criou nenhuma obrigação — nem, muito menos, se proibiu o uso de «República Checa», que continua na lista, na coluna do nome longo.

As organizações internacionais cumpriram o desejo do governo checo e o novo nome, nas várias línguas, apareceu nas listas. Começou também a ser cada vez mais visto nas situações onde se usavam, para os outros países, os nomes curtos.

Vendo o nome nas listas oficiais, as associações de futebol seguiram o exemplo. Afinal, a FIFA e a UEFA sempre se serviram dos nomes curtos dos países. Dão mais jeito — não é nada prático falar dos embates entre a República Francesa e a República Islâmica do Irão. «França — Irão» ocupa menos espaço.

Porque não fazer o mesmo no caso da República Checa? Foi assim que nos vimos, há uns dias, perante um jogo entre a Chéquia e Portugal, o que deixou muitos portugueses intrigados.

O que vai acontecer? Bem, quem manda na língua portuguesa são os seus falantes — talvez o nome pegue, como tantos outros, talvez não. Cá estaremos para ver. Como raramente os falantes gostam de alterações de hábitos linguísticos impostos de cima, demorará ainda muito tempo até tal nome se ouvir habitualmente em conversas que não sejam sobre o ridículo que é dizer «Chéquia». A língua muda, mas têm de ser os falantes a mudá-la — não o governo da República Checa.

Uma coisa é certa, como disse acima: «República Checa» continua a ser um dos nomes do país, perfeitamente correcto em português.

4. Países que só têm um nome

Já que falamos de nomes de países, diga-se que há alguns que têm apenas um nome. Por exemplo, a Ucrânia — não há uma «República da Ucrânia» — há apenas a Ucrânia. Da mesma forma, temos o Canadá, a Jamaica, a Hungria… São ainda bastantes os países que não gostam de complicações.

Há um caso curioso: a Irlanda é um dos Estados que usa, oficialmente, apenas o nome curto. Nos tratados da União Europeia, por exemplo, ao lado da República Portuguesa, do Reino de Espanha, da República Federal da Alemanha — e de tantos outros Estados de nomes longos — aparece a simples Irlanda.

E, no entanto, no dia-a-dia, usamos um nome longo que não é oficial: «República da Irlanda». Porquê? É uma forma de fazer a distinção com a Irlanda do Norte…

Aliás, é também por isso que o próprio Estado irlandês insiste no nome curto: ter como nome oficial apenas «Irlanda» é uma forma de lembrar que a ilha é só uma e, um dia, há-de estar unida.

Olhar para os nomes dá nisto: começámos num país que se separou do vizinho e terminámos noutro que se quer unir.

(Crónica no Sapo 24.)

[Foto por Martin Krchnacek em Unsplash – fonte: certaspalavras.substack.com]

Con la evolución de fronteras y de los procedimientos de migración que se están tornando cada vez más complejos de conducir y comprender, asistimos a un número creciente de familias e individuos que buscan opciones variadas de movilidad a través de programas de inmigración de inversión en todo el mundo.

Estos programas permiten a los inversionistas obtener la residencia permanente en un nuevo país y disfrutar de los beneficios de esa residencia y de la ciudadanía que eventualmente puedan solicitar, para ellos y su familia inmediata. En este sentido, el Golden Visa portugués es el programa de inmigración de inversión líder en el mundo.

¿Y por qué?

Podemos empezar con enumerar las siguientes 5 razones para elegir el programa portugués:

1. Cada inversión es 100% rentable, única y sin comisiones gubernamentales de decenas de miles de euros

En el programa portugués, no hay donaciones gubernamentales sin retorno, ni necesidad de hacer inversiones adicionales para asegurar la elegibilidad del programa; además, algunos programas europeos tienen tasas administrativas que llegan a 40.000,00 €.

2. Diversidad de inversiones

El programa portugués ofrece una diversidad muy grande de inversiones, a diferencia de otros países europeos que tienen ofertas mucho más limitadas.

El inversionista puede elegir entre las siguientes inversiones:

  • Inmobiliarias que van desde los 280.000,00€ hasta los 500.000,00€ (dependiendo del tipo de inmueble, su estado de conservación y ubicación)
  • Participaciones en depósitos bancarios, fondos de inversión y capital de riesgo y otros fondos
  • Creación de empleo e inversión en la estructura empresarial portuguesa.

3. Período corto de estancia en territorio portugués

7 días en el primer año y 14 días en los siguientes dos períodos de dos años. Este es el tiempo mínimo de permanencia en territorio portugués que el inversionista y su familia deben respetar para mantener su residencia legal durante 5 años y posteriormente ser elegible para la ciudadanía.

4. Obtención de la ciudadanía en un corto período de tiempo y solo con residencia temporal

5 años de residencia legal, temporal o permanente; es lo que se necesita para obtener la ciudadanía portuguesa, cumpliendo los demás requisitos, como: no tener antecedentes criminales y conocimientos básicos de la lengua portuguesa.

5. En muchos países europeos, la ciudadanía requiere de un período de residencia mucho más largo o de al menos un período de 5 años de residencia permanente.

Estabilidad del programa: el programa portugués ha mantenido la misma estructura de inversión y ha estado activo desde octubre del 2012. A pesar de diferentes gobiernos y estructuras parlamentarias, continúa estable en contraste con otros países europeos que han sufrido períodos de suspensión o cambios radicales en las inversiones elegibles.

[Fuente: http://www.diariojudio.com]

Feia un quart de segle que les enquestes situaven el castellà en primera posició

Llengua materna per any d’enquesta. Autor: Govern d’Andorra

El català és la llengua materna del 44,1% de la població andorrana major de 14 anys, cosa que el converteix en la primera llengua materna del país pirinenc, per davant del castellà, amb un 40,3%. Des del final del segle passat fins ara, el castellà havia ostentat la primera posició: el 2018, per exemple, el 43,2% dels andorrans el tenien com a idioma matern, xifra que baixava al 35,7% en el cas del català.

Són dades de l’enquesta “Coneixements i usos lingüístics de la població d’Andorra”, que el govern del principat va presentar la setmana passada. El treball de camp es va fer entre maig i juny de 2022 i la mostra és de 747 enquestes telefòniques.

Per darrere del català i el castellà se situen el portuguès (13,5%), el francès (10%) i l’anglès (3%).

El català és llengua d’ús habitual per al 63,7% de persones enquestades, mentre que el castellà ho és per al 48,6%. El portuguès i el francès se situen al voltant del 6% cadascun.

L’enquesta recull percentatges de l’ús de les llengües en diversos contextos. Segons l’estudi, el 39,4% dels andorrans que tenen fills usen només el català amb ells, i el 9,9%, el català i el castellà. Per contra, d’aquestes mateixes persones, només el 30% usen exclusivament el català amb els pares i el 4%, català i castellà. Aquestes dades suggereixen que que en el grup de persones amb fills es dóna un increment de la transmissió generacional del català.

Totes les dades es poden consultar en aquest enllaç.

La Decana de América sería la primera universidad pública del Perú en otorgar el grado de bachiller en Lengua, Traducción e Interpretación de lenguas originarias y modernas.

Se priorizará la enseñanza de las lenguas originarias y tres lenguas modernas: inglés, portugués y francés.

La Universidad Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM) aprobó por unanimidad la creación de la Escuela Académica Profesional de Lenguas, Traducción e Interpretación (ELTI), la cual sería impartida en la Facultad de Letras y Ciencias Humanas (FLCH).

La confirmación de esta nueva carrera se dio el 15 de noviembre, durante el Consejo de Facultad de la FLCH, el cual fue presidido por el decano Gonzalo Espino. En dicho espacio, la Comisión de Creación de la ELTI presentó los argumentos sustentatorios.

Así, la doctora Lilia Salomé, presidenta de la Comisión de Creación, expuso los principales motivos que conllevan a la necesidad de que la universidad San Marcos agregue a su oferta académica la carrera de Lengua, Traducción e Interpretación.

[Foto: Jazmin Ceras – fuente: http://www.larepublica.pe]

 

Hubo tiempos pasados en que a la palabra “explorar” tenía implicaciones de vida y muerte. Eran tiempos en que la floreciente industria marítima del siglo XVI atraía a las mejores mentes de la época.

Shmuel Pallachi falleció el 4 de febrero de 1616 en La Haya, y fue enterrado en el Beth Haim de Ouderkerk aan de Amstel, cerca de Amsterdam, en un cementerio de la comunidad judía portuguesa. Foto: Wikipedia – dominio público

La “nación start-up” de aquella época en esa industria fue Portugal, que dio al mundo a exploradores famosos como Fernando de Magallanes y Vasco de Gama. Al igual que hoy, muchos inventos y desarrollos marítimos surgieron de las mentes febriles de los judíos, matemáticos, físicos y cartógrafos, como Abraham Zacuto y Pedro Núnez. Ellos desarrollaron instrumentos de navegación basados en el movimiento del sol y los cuerpos espaciales, muchos años antes de la invención del GPS y la aplicación Waze.

Pero los judíos no se limitaron solo a desarrollos técnicos, sino que también experimentaron personalmente los instrumentos de navegación que inventaron. En aquellos tiempos, y especialmente después de la expulsión de España en 1492, una de las ocupaciones más comunes de los judíos marranos, en Holanda y Marruecos, fue el asesoramiento y la guía de los capitanes de las embarcaciones mercantes y de los exploradores durante sus viajes marítimos. Y si nos resulta difícil imaginarnos judíos como gente de mar, mucho menos podríamos pensar en ellos como piratas.

El libro “Los Piratas Judíos”, escrito por Edward Kritzler, describe una escena fascinante y única en los anales de la historia: la historia de un grupo de piratas judíos que operaron después de la expulsión española y que asaltaban principalmente embarcaciones españolas, en represalia por la expulsión. Uno de los piratas más destacados fue Don Shmuel Pallachi, un rabino de la comunidad y capitán, embajador y pirata, espía y agente doble.

Pallachi nació en el año 1550, en Marruecos. Como muchos de las decenas de miles de judíos que vivían en el barrio judío, el “Malaj”, en la ciudad de Fez, su familia también fue expulsada de España. El padre de Shmuel, que oficiaba de rabino y educador, predestinó a su hijo a que se dedicara al estudio de la Torá y al cumplimiento de los mandamientos y así fue como se consagró como Rabino. La leyenda dice que un pariente cercano despertó su imaginación con historias sobre marinos y marineros judíos, como Sinan Reis, un famoso pirata judío conocido como “El Gran Judío” que luchó junto a los hermanos Barbarosa en el marco de la flota otomana.

Volando en las alas de su imaginación, Shmuel deambuló junto a su hermano Yosef, hasta la ciudad de Tetuán, en el norte de Marruecos, donde los dos se convirtieron rápidamente en sofisticados y pícaros marinos y piratas. Los hermanos Pallachi solían atacar barcos mercantes españoles que venían de América del Sur. Luego, se disfrazaban de comerciantes españoles y vendían los bienes que acababan de robar en las ciudades portuarias españolas.

El nombre Pallachi se hizo famoso, y pronto llegó a oídos del sultán de Marruecos, Ahmed El Mansour, apodado “El Rey Dorado”, debido a su enorme riqueza. El sultán, que buscaba fortalecer sus lazos con la Nueva República Holandesa, nombró a Shmuel como el embajador de Marruecos en Holanda. Además de su reputación como hombre de mar, Shmuel dominaba también varios idiomas: español, portugués, árabe y francés, lo que lo convirtió en un valioso recurso diplomático para el sultán.

Y así fue que, en 1596, Shmuel Pallachi convirtió su profesión de pirata en diplomático, instalándose en la ciudad de La Haya, donde funcionaba el parlamento holandés y se radicaron los representantes de países extranjeros. Pallachi estableció uno de los primeros minianim (es un número mínimo de diez varones judíos adultos, entiéndase mayores de 13 años, requerido por el judaísmo ortodoxo para la realización de ciertos rituales, el cumplimiento de ciertos preceptos, o la lectura de ciertas oraciones) en la ciudad, y además de su misión diplomática ejerció también de rabino de la comunidad. La comodidad de la rutina diplomática fue interrumpida por un incidente que tuvo lugar a fines del siglo XVI, cuando el sultán marroquí, un apasionado por reliquias, obligó a Pallachi a navegar a la ciudad de Lisboa y adquirir allí piedras preciosas a cambio de toneladas de cera. Ya por ese entonces, España había conquistado Portugal y, de hecho, dominaba toda la península ibérica. Según una de las hipótesis, Pallachi, que en ese entonces sufría de problemas financieros, les ofreció a los españoles, a cambio de dinero, informaciones confidenciales sobre la corte del sultán. Las autoridades de la Inquisición, sospechando de que el rabino judío estaba tratando de ganar tiempo para reconvertir al judaísmo a conversos y marranos, siguieron los pasos de Pallachi, quien a último momento consiguió salvarse de sus garras y escabullirse de España.

Arruinado financieramente, Pallachi emprendió el viaje de regreso a Holanda e inmediatamente después de su regreso, apeló a las relaciones que tenía con gente en las altas esferas para que le concertaran una entrevista con el príncipe Mauricio de Nassau, hijo de Guillermo “el Taciturno”, fundador de la República Holandesa.

Pallachi le sugirió al príncipe holandés que cooperara con Marruecos contra el enemigo común: España. El príncipe, un talentoso estratega militar, que despreciaba a los españoles tanto como Pallachi, tuvo una idea. Debido a que en ese momento España y Holanda habían firmado un acuerdo de armisticio, le propuso a Pallachi establecer una flota pirata compuesta por marineros aventureros, y ellos estarían bajo la protección de Holanda pero bajo bandera de Marruecos. Pallachi, que odiaba a los españoles que lo expulsaron de España a él y sus ancestros, se entusiasmó con la idea de poder vengarse de sus verdugos. No pasó mucho tiempo, hasta que una gran flota de barcos piratas, equipada con sinagoga y una cocina casher, anclara en el puerto de Ámsterdam.

En el año 1614, en uno de los ataques de los piratas a los barcos españoles en alta mar, se propagó una enfermedad entre la tripulación del barco, y Pallachi se vio obligado a atracar en el puerto de Plymouth, Inglaterra. Cuando el embajador español en Londres se enteró del arribo de Pallachi, exigió que el rey inglés lo arrestara y lo ejecutara por el asalto a los barcos españoles. Pallachi compareció ante el juez inglés, quien quedó profundamente impresionado de él, y decidió dejarlo en libertad. Durante el viaje de regreso desde Inglaterra, Pallachi logró asaltar otro barco español, pero ya había adquirido una grave enfermedad durante su encarcelamiento en Londres.

Shmuel Pallachi falleció dos años después, cuando tenía 66 años de edad. Durante su sepelio, decenas de miles de judíos y no judíos lo escoltaron hasta su entierro en un cementerio en las cercanías de Ámsterdam, con la participación del príncipe Mauricio y su familia. En su lápida, está grabado el versículo del libro de los Proverbios: “El que lleva el bien con Dios y con el hombre”.

Resumen de una nota de Ushi Derman

[Fuente: grupo de Facebook Personalidades judías de todos los tiempos – compilado por Raúl Voskoboinik – reproducido en aurora-israel.co.il]

A presenza da lingua galega na tradución e na interpretación preocupa entre grupos de profesionais e tamén no ámbito da formación universitaria.
As interpretacións co galego como lingua de chegada son moito menos comúns que ao español, segundo Jacobo Currais (Foto: Nós Diario).

As interpretacións co galego como lingua de chegada son moito menos comúns que ao español, segundo Jacobo Currais.

Escrito por IAGO SUÁREZ

A presenza da lingua galega na tradución e na interpretación preocupa entre grupos de profesionais e tamén no ámbito da formación universitaria, con cada vez menos alumnado nas combinacións lingüísticas que inclúen o galego.

Esa situación é preocupante porque a actividade tradutiva e interpretativa pode outorgar prestixio a un idioma minorizado como é o caso do galego e axudar a normalizalo, algo que asegura a profesora Claudia Angelelli no seu traballo Revisitando o rol do intérprete, no cal expón que « a presenza dun idioma nunha práctica regulada e ensinada na universidade como a tradución e interpretación mellora o status e prestixio da mesma ».

Algo ao que tamén se referiu Iria Taibo, presidenta da Asociación Galega de Profesionais da Tradución e da Interpretación (AGPTI), que en declaracións a Nós Diario explica que « moitas veces non pensamos no que hai detrás dunha escolla lingüística ou outra, se escollemos un servizo que se oferta en galego estamos contribuíndo a normalizar o idioma e tamén a xerar emprego para as profesionais que traballan coa nosa lingua ».

En canto ao mercado de traballo para a tradución e a interpretación en lingua galega, Taibo indica que « a pesar de que hai motivos para o optimismo como as novidades da nova lei do audiovisual, que melloran as oportunidades de traballo para o galego, o certo é que debería haber máis emprego para as profesionais que usamos o noso idioma ».

O papel que as Administracións desempeñan a este respecto tamén suscita a preocupación de Taibo, ao asegurar que « é preciso que cando unha Administración dea calquera tipo de apoio económico a algunha actividade relacionada co idioma se teña en conta o galego. Somos conscientes de que isto non se cumpre sempre ».

O galego na interpretación

A interpretación de congresos ou calquera outro tipo de interpretación pode ser unha ferramenta importante de prestixio e normalización da lingua galega. Con todo, a presenza do galego neste ámbito é escasa. Se ben non existen datos oficiais do uso do galego en interpretacións, si que contamos cos datos de profesionais como Jacobo Currais, tradutor e intérprete que leva máis de 20 anos exercendo a súa profesión e cuxas experiencias relata a este xornal.

Currais ten como linguas de traballo o galego, o español, o inglés e o portugués. Durante os máis 20 anos que leva traballando como freelance, realizou un gran número de interpretacións para un gran leque de clientes. Dun total de 219 traballos realizados profesionalmente, o galego estivo presente en 30 (13,7%), o inglés en 170 (77,6%), o portugués en 28 (12,8%) e o español en 189 (86,3 %). Estes resultados mostran claramente que o galego ten unha presenza moito menor en comparación co resto de linguas, nomeadamente co inglés, e aínda máis se se compara co español.

Revélase interesante tamén saber quen son os clientes das interpretacións de Currais ao galego. Nas súas palabras « a maior parte dos clientes foron formacións políticas ou sindicais, por tanto de titularidade privada ».

O galego en tradución e interpretación na universidade

A Universidade de Vigo (UVigo) é a única no país que oferta o grao en Tradución en Interpretación con diferentes combinacións lingüísticas que inclúen a lingua galega. Non obstante, a situación do idioma no grao non é alentadora, segundo indica a este xornal un docente da facultade de Filoloxía e Tradución que prefire non desvelar a súa identidade.

Segundo di, « cada vez hai menos alumnado que mostre interese pola lingua galega en xeral e, de feito, de 40 prazas que se ofertaron para a combinación de galego-inglés, só se cubriron menos de 20 ». Unha situación que, para este docente, revélase « verdadeiramente preocupante », xa que « a formación universitaria en tradución e interpretación en galego é vital para poder ofrecer servizos no noso idioma e de calidade ».

[Fonte: http://www.nosdiario.gal]

Escrito por Pedro Correia

Cheguei a pensar que Trás-os-Montes era um dos últimos redutos da portugalidade. Verifico que estava enganado: já não é. Confirmei há dias, consultando uma peça laudatória de um caderno semanal no Público escrito em parte por jornalistas que comem e dormem à borla nos restaurantes e hotéis que recomendam.

Este chamou-me a atenção pelo nome. Fica em Valpaços, belo concelho transmontano, mas mandou a língua portuguesa às urtigas, adoptando um nome importado da terra do Tio Sam. Intitula-se Olive Nature Hotel & Spa, vejam lá. A « amaricanice » aguda já se instalou junto à vetusta Serra da Nogueira.

«Uma proposta ancorada numa envolvente tranquila e na valorização do azeite», enaltece o Público na prosa lambida que caracteriza o suplemento. Recomendando, para relaxar, massagens no « Olive Spa by Dona Adelaide » – assim crismado, neste insólito crioulo luso-« amaricano ». Para condizer com o nome do hotel.

Fixei o preço das massagens. Podem ser Aromas Campestres: 75 minutos pela módica quantia de 110 euros. Ou a Sensações do Campo: hora e meia a quem possa e queira esportular 240 euros. Coisa fina.

Preço médio das refeições: 35 euros. Quem optar pelo menu degustação, larga 55 euros. E se o repasto envolver « wine pairing » – esclarece ainda o Público – a conta sobe para 75 euros. O nome no idioma de Donald Trump deve pesar na factura.

Com tanta « amaricanice », até espanta que os preços não estejam em dólares. Trás-os-Montes ainda acaba travestido em Behind the Mountains. Já faltou mais.

 

[Fonte: delitodeopiniao.blogs.sapo.pt]

Non era posible, ata agora, ler textos teatrais galegos coma Judite, de Marcos Abalde, ou As do peixe, de Cándido Pazó. O primeiro por falta de distribución e o segundo porque non fora nin editado. A Antoloxía do teatro galego contemporáneo de Cena Lusófona veu rematar con esta anomalía e con outras semellantes, xa que reúne nunha edición en dous volumes unha representación de voces da historia do teatro galego desde pouco antes de Abrente a primeiros dos anos 70.

Ás oito da tarde cando morren as nais, de AveLina Pérez © CDG

O primeiro tomo recolle, así, Un hotel de primeira sobre o río, de Xohana Torres; O cabodano, cerimonia de laios e salaios, de Euloxio Ruibal; Días sen gloria, de Roberto Vidal Bolaño; Cando chega decembro, de Manuel LourenzoAs certezas de Ofelia, de Luísa Villalta; Lugar, de Raúl Dans e Footing, de Gustavo Pernas, mentres que o segundo volume xunta As do peixe, de Cándido Pazó; Judite, de Marcos Abalde; Voaxa e Carmín, de Esther E. CarrodeguasNome: Bonita, de Vanesa Sotelo e Ás oito da tarde, cando morren as nais de AveLina Pérez.

Voaxa e Carmín, de Esther Carrodeguas © MIT

A asociación portuguesa para o intercambio teatral cos países lusófonos Cena Lusófona é a responsable desta publicación, que contou co asesoramento das investigadoras e profesoras Inma López Silva e Dolores Vilavedra -autora do texto que introduce a edición- e da directora de escena Ánxeles Cuña, coa colaboración de António Augusto Barros e de Pedro Rodrigues. Todos os textos inclúense, en 1900 páxinas, na normativa do galego da ILG-RAG e en portugués padrón. As versións en portugués foron realizadas por Sofia Lobo e Zé Paredes.

A relación de Cena Lusófona co noso teatro viña xa de atrás. A asociación conta cunha revista especializada, setepalcos, na que publicara xa no 2003 unha panorámica da historia do teatro galego. “Dúas décadas despois” -explica Dolores Vilavedra no texto que serve como limiar do libro- “a Cena Lusófona segue adiante, teimosa, co seu obxectivo de tentar situar o teatro galego nesas encrucilladas culturais que son, por unha banda, a comunidade de países en lingua portuguesa e, por outra, o ámbito iberoamericano”.

Antoloxía do teatro galego contemporáneo forma parte da colección de teatro Cena Lusófona, unha serie de publicacións de dramaturxia na que este dobre volume dedicado a Galicia comparte espazo con outros dez números centrados en autores e autoras de Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Portugal, Brasil e Guiné-Bissau. A edición de textos teatrais supón, á súa vez, un dos ámbitos de actuación de Cena Lusófona, cuxo proxecto de intercambio teatral entre os países da lusofonía inclúe a formación, coprodución e distribución de espectáculos, creación de infraestruturas teatrais, investigación, dramaturxias compartidas, debates e conferencias, exposicións e programas de cooperación.

Antoloxía do teatro galego contemporáneo vén complementar e actualizar, ademais, a Antoloxía do teatro galego publicada a primeiros dos anos 80 por Edicións do Castro baixo a coordinación de Manuel Lourenzo e Francisco Pillado. A selección de textos, explica Vilavedra no limiar do dobre libro de Cena Lusófona, “podería ser outra” -discutible como todas as escolmas- “certamente, mais que vén avalada practicamente en todos os casos pola concesión dalgún galardón, polos nomes dos seus autores e autoras e polo innegable interese das propostas artísticas que nos ofrecen. Doce textos non son moitos para máis de cincuenta anos, certo, mais abondo para debuxar aquí a cartografía do que hoxe é a literatura dramática galega e de como chegou a selo”.

As do Peixe, de Cándido Pazó © Contraproducións

A escolla comeza por un texto anterior á data na que adoita situarse o inicio do teatro contemporáneo galego, o 1973, momento do nacemento dos proxectos de Abrente. Trátase de Un hotel de primeira sobre o río, de Xohana Torres, obra coa que esta autora, moito máis coñecida como poeta, gañara o premio de textos teatrais en galego promovido por O Galo no tempo do espertar do asociacionismo cultural dos anos 60. Vilavedra relaciona este texto co teatro existencialista francés e co simbolismo que servía para tratar problemas sociais silenciados pola censura coma a especulación urbanística. Segue á obra de Xohana Torres O aniversario de Euloxio R. Ruibal, peza que obtivo no 1975 o Premio Abrente de Textos Teatrais que, segundo Vilavedra, critica a división social provocada pola guerra civil.

Antoloxía do Teatro Galego Contemporáneo recolle outros dous textos representativos da xeración Abrente, Días sen Gloria de Roberto Vidal Bolaño e Cando chega decembro de Manuel Lourenzo. O primeiro deles, relacionado co Camiño de Santiago e editado tamén por Positivas, foi gañador do Premio Rafael Dieste en 1992 e finalista do Premio Nacional de Literatura Dramática. O segundo incluíuse en Veladas indecentes, o volume que tirou do prelo Laiovento co que Manuel Lourenzo gañou o Premio Nacional de Literatura Dramática en 1997.

A transición xeracional desde Abrente está representada na antoloxía de Cena Lusófona por Luísa Villalta ou Raúl Dans. As certezas de Ofelia, de Luísa Villalta, fora publicado en Casahamlet, a revista ligada ao estudio homónimo de Manuel Lourenzo e Santiago Fernández, dando continuidade segundo Vilavedra ao proxecto de Lourenzo de pór en diálogo o teatro galego coas figuras do teatro universal.

Roberto Vidal Bolaño, nunha imaxe divulgada durante as homenaxes que recibiu en 2013, cando lle foi dedicado o Día das Letras Galegas © Henrique Alvarellos

Lugar, de Raúl Dans, premio Álvaro Cunqueiro de textos teatrais, formou parte da colección Biblioteca 120 de La Voz de Galicia e foi, ademais, unha das poucas pezas deste autor levadas ás táboas, estreada polo Centro Dramático Galego no 1999. Vilavedra sitúa a Gustavo Pernas e Cándido Pazó nun modelo de autor teatral, máis propio dos anos 90, que escribe textos para a súa propia compañía. Do primeiro a antoloxía recolle Footing, premio Rafael Dieste no 2001, e do segundo As do Peixe, Premio María Casares ao mellor texto orixinal no 2014 e un dos éxitos de público do teatro galego dos últimos anos.

A escolma da Antoloxía do Teatro Galego con autores e autoras de distintas xeracións formados xa na ESAD. Marcos Abalde, cuxo teatro político é doado de relacionar por exemplo co de Gustavo Pernas, constrúe en Judite, Premio Marqués de Bradomín de textos dramáticos do InJuve no 2012, unha potente e moi expresiva metáfora da violencia obstétrica cando este tema estaba moito menos presente no debate público, mentres que Esther F. Carrodeguas indaga no exilio interior das Marías, Maruxa e Coralia, en Voaxa e Carmín, peza que estreou coa súa propia compañía, ButacaZero, tras gañar con ela o Premio Abrente de Textos Teatrais da MIT de Ribadavia. 

A antoloxía escolle por último, como representantes do teatro posdramático a Vanesa Sotelo e AveLina Pérez, aínda que inclúe, da primeira, un texto máis convencional, Nome: Bonita, premio Mondoñedo 10 de teatro, e da segunda Ás oito da tarde cando morren as nais, Premio Álvaro Cunqueiro para Textos Teatrais no 2018, peza levado á escena recentemente polo Centro Dramático Galego.

 

[Fonte: http://www.praza.gal]

Longtemps considéré comme une langue littéraire et administrative importante, le provençal est aujourd’hui menacé de disparition.

Écrit par Michel Feltin-Palas

Demandez à un Français de vous dire ce qu’il connaît de la Provence. Dans 9 cas sur 10, vous aurez droit au soleil, aux cigales, à la bouillabaisse, au rosé, à Pagnol, à la pétanque et à la garrigue. Demandez-lui maintenant de vous parler de la langue provençale. Je précise : non pas de parler provençal, mais de parler du provençal, de son histoire, de son origine, de ses caractéristiques, de ses écrivains. Là, dans 9 cas sur 10, ce sera un silence total. D’où l’utilité du livre (1) que vient de publier Philippe Blanchet. Ce sociolinguiste reconnu, inventeur notamment du concept de « glottophobie » (la discrimination fondée sur la langue), a beau enseigner à Rennes, il est provençal d’origine et c’est à mieux faire connaître cette langue de France qu’il s’emploie dans ce petit ouvrage très pédagogique.
Résumons l’essentiel.
Le provençal est une langue romane, c’est-à-dire une évolution du latin qui a pris sur place une forme particulière. Cette variante est assez éloignée du français, marqué par une influence germanique très forte due à l’installation massive des Francs au nord de la Loire. Elle est plus proche des autres langues romanes du sud comme l’italien, le portugais, le castillan (la langue de Madrid), le catalan (celle de Barcelone) ou le corse.
Le provençal a été utilisé pendant des siècles comme langue de gouvernement et comme langue littéraire. Il dispose même avec Frédéric Mistral d’un prix Nobel de littérature, décerné en 1904. C’est là l’aboutissement d’un grand mouvement de renaissance, appelé le Félibrige, dont l’auteur de Mirèio était l’une des chevilles ouvrières. Avec Joseph Roumanille, Mistral a également élaboré un nouveau système orthographique, encore utilisé aujourd’hui dans la région.
Contrairement à ce que l’on croit souvent, le déclin de la pratique, net depuis les années 1950, ne tient pas à de supposés défauts « intrinsèques » de cette langue et moins encore à un prétendu « libre choix » des populations. Non, cet affaiblissement s’explique en partie par des raisons sociologiques (l’arrivée massive de populations extérieures à la Provence), et – surtout – par des raisons politiques. Depuis des décennies, toutes les fonctions de prestige ont été attribuées au français tandis que la langue historique du territoire était renvoyée à la sphère privée.
Peut-on encore sauver le provençal ? « Oui, mais… », répond Philippe Blanchet. Oui, car le nombre de locuteurs est encore significatif. Faute d’enquête officielle, le sociolinguiste, après avoir réuni diverses données, aboutit à l’estimation suivante : 250 000 personnes environ parleraient encore le provençal, soit 5 % de la population, sachant que de 250 000 à 500 000 personnes supplémentaires le comprendraient. Ce n’est pas rien. Et à ceux qui jugeront ces chiffres surestimés, l’universitaire rappelle un fait trop souvent oublié. Dans une société qui ne leur laisse quasiment aucune place officielle, l’usage des langues régionales est aujourd’hui souvent réservé à l’intimité. Il échappe donc généralement aux yeux et aux oreilles de ceux qui ne les pratiquent pas.
Venons-en au « mais ». Le constat est simple et il est terrible. Les locuteurs du provençal sont âgés et disparaissent au fil des ans sans être remplacés par des jeunes générations, faute notamment d’un enseignement massif de cette langue à l’école. De fait, écrit Blanchet, « aucune politique linguistique ambitieuse, efficace et affirmée n’a été mise en place, ni au niveau régional ni encore moins au niveau national pour freiner ou renverser cette dégradation qui résulte d’une politique nationale et qui n’a rien d’inéluctable ». En clair, si la France ne mène plus aujourd’hui ouvertement une politique d’éradication du provençal, elle ne fait rien pour empêcher sa disparition en s’abstenant de prendre les mesures qui lui permettraient de se développer.
En provençal mistralien, cette attitude porte un nom : ipoucrisìo. En bon français aussi.
(1) A la descuberto dóu prouvençau, lengo óuriginalo, lengo amenaçado (À la découverte du provençal, langue originale, langue menacée), par Philippe Blanchet. Éditions de l’Observatoire de la langue et de la culture provençales (le livre est rédigé en français).

 

 

[Source : http://www.lexpress.fr]

il ne faut jamais négliger les détails car ils peuvent être source de désagréments importants ; les détails peuvent causer des ennuis importants ; une faute dans un détail peut compromettre tout un ensemble

Origine et définition

Cette expression nous viendrait, dans la seconde moitié du XIXe siècle, de Friedrich Nietzsche qui, probablement parce qu’il ne parlait pas couramment le swahili, l’a exprimée en allemand « Der Teufel steckt im Detail »[1].
Même si le diable y est cité, point n’est besoin de discuter de l’éventuelle dimension religieuse ou philosophique de cette expression, car une chose est sûre et constamment vérifiée : il suffit parfois du moindre détail mal géré dans un vaste projet pour risquer de le faire complètement échouer.
Et, compris simplement, c’est bien ce que Nietzsche voulait dire, notre cher ami le diable étant ici considéré comme celui qui prendrait un malin plaisir à provoquer les nombreuses difficultés à même de faire capoter le projet ; il est toujours là, en embuscade, prêt à profiter de la moindre faiblesse pour en empêcher la bonne réalisation.
Une autre forme de détail pernicieux est, par exemple, la petite note de bas de page d’un contrat, écrite en tout petits caractères, note que personne ne lit avant de signer, alors que, pourtant, elle restreint fortement les cas d’applications décrits dans le document. Et ce n’est qu’une fois qu’on a besoin de faire appliquer les termes du contrat, qu’on nous met le nez sur ce petit détail en apparence insignifiant auquel on aurait pourtant dû porter beaucoup plus d’intérêt.
Les non-dits, les imprécisions, les termes interprétables d’un document peuvent aussi être de ces fameux détails qui auront plus tard un effet « diabolique ».
On peut noter que la version opposée existe, formulée par d’autres (l’architecte Ludwig Mies van der Rohe, au moins) : « Gott steckt im Detail » ou « Dieu est dans les détails ». Cette fois l’expression signifie qu’une œuvre n’est accomplie et belle que grâce à la qualité de ses détails.
[1] Mais pour cette expression-là, il n’a jamais prétendu qu’ainsi parlait Zarathoustra ()

Exemples

« Cependant, en l’état actuel de sa rédaction, il laisse dans l’ombre un grand nombre de choix politiques cruciaux quant aux modalités de mise en œuvre. Le diable est dans les détails. Le seuil et le taux d’intérêt retenus (taux zéro ou taux du marché), le degré d’implication de l’État et des banques (si elles sont acteurs du dispositif) peuvent conduire à des résultats très différents en terme d’équité. »
Le Monde – Article du 20 novembre 2009

Comment dit-on ailleurs ?

Langue Expression équivalente Traduction littérale
Allemand der Teufel steckt im Detail le diable se trouve dans le détail
Anglais (Australie) the devil is in the detail le diable est dans le détail
Anglais devil is in the details diable est dans les détails
Anglais (USA) the devil is in the details le diable est dans les détails
Arabe (Algérie)

المطرق اللي تتحقر بيه يعميك (el matrag li tethagar bih ya’mic)

le bâton dont tu te moques te rendra aveugle

Arabe (Maroc) الشيطان يكمن في التفاصيل le diable se cache dans les détails

Espagnol (Espagne)

el demonio está en los detalles le démon est dans les détails
Espagnol (Espagne) por un clavo se perdió un reino par un clou on a perdu un royaume
Hongrois az ördög a részletekben rejlik le diable réside/se cache dans les détails
Italien il diavolo sta nei dettagli le diable est dans les détails
Italien il diavolo è nei dettagli le diable est dans les détails
Italien il diavolo si nasconde nei dettagli le diable se cache dans les détails
Néerlandais (Belgique)

ook de kleine lettertjes moeten gelezen worden

il faut lire les petites minuscules
Néerlandais het venijn zit ‘m in de staart le venin se trouve dans la queue
Néerlandais

het zijn de kleine dingen die het doen

ce sont les petites choses qui le font
Portugais (Brésil) o diabo está nos detalhes le diable est dans les détails
Roumain diavolul e în detalii le diable est dans les détails
Turc şeytan ayrıntıda gizlidir le Diable se cache dans le détail
Ajouter une traduction

Si vous souhaitez savoir comment on dit « le diable est dans les détails » en anglais, en espagnol, en portugais, en italien ou en allemandcliquez ici.

Ci-dessus vous trouverez des propositions de traduction soumises par notre communauté d’utilisateurs et non vérifiées par notre équipe. En étant enregistré, vous pourrez également en ajouter vous-même. En cas d’erreur, signalez-les nous dans le formulaire de contact.

[Source : www.expressio.fr]

Façamos uma breve viagem à escrita de outras épocas. Começamos por Eça, passamos por Camões e terminamos em Fernão Lopes. Aproveitamos para falar de tradução.

Escrito por Marco Neves

Como escrevia Eça?

Vamos chegar a Camões, nesta viagem no tempo, mas primeiro peço ao leitor que abra uma qualquer edição actual d’Os Maias. Estará na ortografia portuguesa — algumas edições usam o novo acordo ortográfico, outras aplicam a ortografia de 1945 com as alterações introduzidas nos anos 70.

O que nenhuma editora faz é apresentar-nos o texto tal e qual o próprio autor o escreveu.

Eça usava a ortografia da época, muito pouco estável, diga-se — é a ortografia que encontramos no texto transcrito nesta página, por exemplo. O início mostra-nos logo algumas das diferenças:

A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no outono de 1875, era conhecida na visinhança da rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janellas Verdes, pela casa do Ramalhete ou simplesmente o Ramalhete. Apesar d’este fresco nome de vivenda campestre, o Ramalhete, sombrio casarão de paredes severas, com um renque de estreitas varandas de ferro no primeiro andar, e por cima uma timida fila de janellinhas abrigadas á beira do telhado, tinha o aspecto tristonho de Residencia Ecclesiastica que competia a uma edificação do reinado da sr.ª D. Maria I: com uma sineta e com uma cruz no topo assimilhar-se-hia a um Collegio de Jesuitas.

Perante isto, as editoras têm de decidir o que fazer com o texto ou arriscam-se a pôr nas mãos dos leitores textos com «á», com «visinhança», com «assimilhar-se-hia» e por aí fora.

Por mim, acho curioso encontrar os textos assim. Mas imagino as cartas furiosas que as editoras iriam receber se se atrevessem a tanto.

Tem de haver alguém que faça aquilo a que se chama «fixação do texto». Há uma edição famosa das obras do Eça da Livros do Brasil em que o nome de Helena Cidade Moura aparece com muito destaque como responsável por essa fixação. É a pessoa que decide o que fazer com as diferenças ortográficas, com a pontuação, com os itálicos, entre outras decisões nem sempre óbvias e muito menos fáceis.

Helena Cidade Moura | Eça de Queirós

Que tipo de alterações são estas? Dou um exemplo. Procuro ao calhar do dedo um extracto d’Os Maias:

D. Anna, depois de bocejar de leve, retomou a sua idéa:
—Sem contar que o pequeno está muito atrazado. A não ser um bocado de inglez, não sabe nada… Nem tem prenda nenhuma!
—Mas é muito esperto, minha rica senhora! accudiu Villaça.
—É possivel, respondeu seccamente a intelligente Silveira.
E, voltando-se para Euzebiosinho, que se conservava ao lado d’ella, quieto como se fosse de gesso:
—Oh filho, dize tu aqui ao sr. Villaça aquelles lindos versos que sabes… Não sejas atado, anda!… Vá, Euzebio, filho, sê bonito…

Procuremos agora este texto numa edição actual d’Os Maias. Encontraremos algo parecido com isto:

D. Ana, depois de bocejar de leve, retomou a sua ideia:
— Sem contar que o pequeno está muito atrasado. A não ser um bocado de inglês, não sabe nada… Nem tem prenda nenhuma!
— Mas é muito esperto, minha rica senhora! — acudiu Vilaça.
— É possível — respondeu secamente a inteligente Silveira.
E, voltando-se para Eusebiosinho, que se conservava ao lado dela, quieto como se fosse de gesso:
— Ó filho, diz tu aqui ao Sr. Vilaça aqueles lindos versos que sabes… Não sejas atado, anda!… Vá, Eusébio, filho, sê bonito…

Passámos de «idéa» para «ideia», arrancámos algumas belas letras, mudámos o nome ao Eusébio — até corrigimos o verbo «dizer», na última frase! E os travessões também se multiplicaram…

Enfim, remexemos no texto muito para lá do que pensa quem lê Eça e julga estar perante o texto original — e isto é assim com tantos e tantos autores. Aliás, por vezes, a complicação é outra: qual será o texto original? Entre manuscritos, edições, correcções, nem sempre é fácil responder à pergunta.

As armas, & os barões aßinalados

Pois é: a grafia dos nossos clássicos não é a grafia que os autores viram impressa nas primeiras edições.

Façamos agora uma viagem até ao século XVI. Olhemos para Os Lusíadas.

Aqui fica uma transcrição o mais fiel possível, que encontrei nesta edição em linha d’Os Lvsiadas (sic):

As armas, & os barões aßinalados,
Que da Occidental praya Luſitana,

Por mares nunca de antes nauegados,
Paſſaram, ainda alem da Taprobana,
Em perigos, & guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana.
E entre gente remota edificarão
Nouo Reino, que tanto ſublimarão.

Aquele «ſ» e aquele «ß» assustam, não é? Curiosamente, quem souber alemão ficará um pouco mais à vontade para perceber que «ß» é um símbolo tipográfico que representa «ss». Já o «ſ» é o «s» simples em certas posições.

Fica aqui a imagem retirada da edição disponível na página da Biblioteca Nacional:

Mesmo sem alterar uma única palavra, é preciso mexer muito no texto para que este não afaste logo o leitor moderno. Depois, claro, temos as notas que enfeitam as edições actuais: as palavras estão lá, mas já é preciso explicá-las em muitos casos…

Nesta nossa viagem ao passado dos textos em português, haveremos de chegar ao ponto em que mudar a ortografia e pôr umas notas já não chega…

Traduzir Fernão Lopes?

A ortografia é uma convenção — a língua já é outra coisa, um sistema complexo que vai mudando sem plano ao longo dos séculos (as razões biológicas e culturais dessa mudança ficam para outro dia). Ora, se muda, mais tarde ou mais cedo as obras mais antigas começam a precisar de mudanças tão profundas que podemos, então, falar de tradução.

Quando tinha os meus 14 anos, decidi pôr-me a ler a Crónica de D. João I numa edição de bolso da Europa-América.

Ora, li com alguma dificuldade, mas também algum prazer. Aquilo que passou pelos meus olhos já não foi uma mera actualização ortográfica. Não consigo encontrar a edição que li, mas consigo encontrar a versão original, cujo início está transcrito aqui (e mesmo assim já tem algumas adaptações):

Grande lyçença deu aafeyção amuytos que teueeram carguo dordenar eſtorias moormente dos señores em cuja merçe & teerr a viuyam ehomde forã o naados seus antigos avoos semdolhe muyto fauorauees no recontamento de seus feytos.

A Crónica está disponível em linha, na página da Torre do Tombo. Reparem no original digitalizado do extracto em itálico acima:

A versão que li não se limitava a adaptar a ortografia. Também alterava o vocabulário, alguma sintaxe… Enfim, aproximava-se já duma tradução — o sabor ainda era de um texto muito antigo, mas esse tipo de decisões são decisões próprias de quem traduz: quanta estranheza manter no texto traduzido? (Quem se interessar por este assunto fará bem em ler um pouco mais sobre os Estudos de Tradução.)

Mais tarde ou mais cedo, os autores do passado têm de ser adaptados e, com os séculos a passar, a adaptação aproxima-se dos processos usados pelos tradutores.

Ou seja, a tradução não nos aproxima apenas dos autores de outras línguas: aproxima-nos também dos textos escritos em fases anteriores da nossa própria língua.

E, sim: disse mesmo aproxima-nos. Ao contrário do que se diz por aí, a tradução aproxima-nos do original, não nos afasta. Sim, se eu falar russo perfeitamente, consigo ler Tolstói no original. Mas se não for o caso, a tradução aproxima-me do texto (o texto russo é um muro intransponível). Outro caso: se eu falar inglês quinhentista na perfeição, uma tradução de Shakespeare para português afasta-me do original. Mas se não for o caso, a tradução aproxima-me do texto original.

No caso de Eça, não preciso de tradução. Uma arrumação ortográfica ajuda-me a ler o texto com menos ruído, mas é só.

No caso d’Os Lusíadas, também não preciso de tradução — mas já tem de haver algum treino e muitos de nós não passamos sem as notas de rodapé das várias edições.

No caso de Fernão Lopes, já não há volta, a não ser que passemos algum tempo a estudar o português da época.

No caso dos textos latinos, já precisamos de aprender a língua para lê-los no original.

Aquilo que nós podemos ler sem tradução ocupa um espaço limitado no presente, mas também no passado.

Felizmente, há quem escave mais fundo e estude textos longínquos no espaço e no tempo. Alguns até fazem o favor de os trazer para o nosso português de agora. São os tradutores, claro está, que merecem — sei que não sou muito imparcial nisto… — algum reconhecimento pelo seu labor.

Agora, claro, uma vez por outra, é bom ser atrevido. Podemos usar traduções, mas também podemos, um ou outro dia, sair do conforto da língua exacta que falamos hoje em dia, aqui e agora. Podemos abrir uma primeira edição d’Os Maias ou d’Os Lusíadas e aventurar-nos pelas delícias das pequenas (ou grandes) diferenças.

 

[Fonte: certaspalavras.substack.com]

L’eveniment foguèt l’escasença d’escambiar per pensar amassa a de nòus mejans per reviscolar las lengas minorizadas

L’occitan foguèt plan representat al 3n Congrès Internacional de Revitalizacion de las Lengas Indigènas e Minorizadas, que se debanèt la setmana passada a Perpinhan e a Girona (Catalonha). I aguèt divèrsas comunicacions scientificas pertocant la lenga nòstra e sa practica dins la societat e l’escòla, son estatut e sas representacions dins los estats francés, italian e espanhòl, e mai una conferéncia plenièra de Jaume Costa que se tenguèt tota en occitan. De soslinhar que l’occitan èra una de las lengas de trabalh e se podiá traduire simultanèament. Las autras lengas èran lo catalan, l’espanhòl, lo portugués, lo francés e l’anglés.

L’eveniment se debanèt del 13 al 16 de setembre. Pendent aquelas quatre jornadas, de cercaires en lingüistica e sociolingüistica participèron a mai de 110 conferéncias, obradors e comunicacions scientificas sus las lengas e situacions sociolingüisticas dins lo Mond entièr.

Foguèt l’escasença de presentar de recèrcas e de descobrir d’autras investigacions del Mond, e d’escambiar per pensar amassa a de nòus mejans per revitalizar las lengas minorizadas.

Lo Congrès a prepausat, principalament, tres tòcas: difusar d’aspèctes educatius e de recèrca restacats al plurilingüisme, far conéisser d’accions en favor de la  revitalizacion de las minorizadas e divulgar las recèrcas sus d’aspèctes lingüistics, socials, politics e culturals en relacion amb las lengas indigènas e minorizadas. L’an organizat l’Universitat de Girona, l’Universitat Via Domitia de Perpinhan e lo Smithsonian Center for Folklife and Cultural Heritage.

[Sorsa: http://www.jornalet.com]

 

Escrito por Marcello Musto

En febrero de 1867, después de más de dos décadas de trabajo hercúleo, Marx finalmente pudo darle a su amigo Friedrich Engels la tan esperada noticia de que había terminado la primera parte de su crítica a la economía política. Posteriormente, Marx viajó de Londres a Hamburgo para entregar el manuscrito del Volumen I (“El proceso de producción del capital”) de su magnum opus y, de acuerdo con su editor Otto Meissner, se decidió que El Capital se presentaría en tres partes. Rebosante de satisfacción, Marx escribió que la publicación de su libro era, “sin duda, el misil más terrible que se haya lanzado hasta ahora contra las cabezas de la burguesía”.

A pesar del largo trabajo de redacción antes de 1867, la estructura de El Capital se ampliaría considerablemente en los años siguientes, y el Volumen I también continuó absorbiendo energías significativas por parte de Marx, incluso después de su publicación. Uno de los ejemplos más evidentes de este compromiso fue la traducción francesa de El Capital publicada en 44 entregas entre 1872 y 1875. Este volumen no era una mera traducción, sino una versión ‘totalmente revisada por el autor’ en la que Marx también profundizó el apartado sobre el proceso de acumulación del capital, y desarrolló mejor sus ideas sobre la distinción entre ‘concentración’ y ‘centralización’ del capital.

La búsqueda de la versión definitiva del Volumen I

Tras algunas interrupciones debido a su mala salud, y de un período de intensa actividad política de la Asociación Internacional de Trabajadores, Marx se puso a trabajar en una nueva edición de El Capital, Volumen I, a principios de la década de 1870. Insatisfecho con la forma en que había expuesto la teoría del valor, pasó diciembre de 1871 y enero de 1872 reescribiendo lo que había publicado en 1867. En 1872 salió una reimpresión de Das Kapital que incluía los cambios efectuados por Marx. Ese año fue especialmente importante para la difusión de El Capital, ya que vio aparecer también las traducciones al ruso y al francés. Esta fue encomendada a Joseph Roy, que previamente había traducido algunos textos del filósofo alemán Ludwig Feuerbach, y apareció en entregas gracias al editor Maurice Lachâtre. La primera se publicó hace 150 años, el 17 de septiembre.

Marx estuvo de acuerdo en que sería bueno publicar una « edición popular barata ». “Aplaudo tu idea de publicar la traducción […] en entregas periódicas”, escribió. “De esta forma, el libro será más accesible a la clase trabajadora y para mí esa consideración supera cualquier otra”, argumentó con su editor. Consciente, sin embargo, de que había un ‘reverso’ de la moneda, anticipó que el ‘método de análisis’ que había usado ‘haría ardua para algunos la lectura de los primeros capítulos’, y que los lectores podrían ‘desanimarse’ si eran ‘incapaces de seguir adelante al comenzar’. No creía que pudiera hacer nada en relación con esta « desventaja », « aparte de alertar y advertir a los lectores preocupados por la verdad. No existe un camino real hacia el aprendizaje, y los únicos que tienen alguna posibilidad de alcanzar sus picos iluminados por el sol son aquellos que no temen agotarse mientras suben los empinados caminos ascendentes”.

Al final, Marx tuvo que dedicar mucho más tiempo a la traducción de lo que inicialmente había planeado para la corrección de las pruebas. Como escribió al economista ruso Nikolai Danielson, Roy “a menudo traducía demasiado literalmente” y le obligaba a “reescribir pasajes completos en francés, para hacerlos más aceptables al público francés”. A principios de ese mes, su hija Jenny le había dicho al amigo de la familia Ludwig Kugelmann que su padre estaba « obligado a hacer innumerables correcciones », reescribiendo « no solo oraciones completas sino páginas enteras ». Posteriormente, Engels escribió en una línea similar a Kugelmann que la traducción francesa había resultado ser un « verdadero tormento » para Marx y que « más o menos tuvo que reescribir todo desde el principio ».

Además, al revisar la traducción, Marx decidió introducir algunas adiciones y modificaciones. En la posdata de Le Capital, no dudó en atribuirle “un valor científico independiente del original” y afirmó que la nueva versión “debería ser consultada incluso por lectores familiarizados con el libro en alemán”. El punto más interesante, especialmente por su valor político, se refiere a la tendencia histórica de la producción capitalista. Si en la edición anterior de El Capital Marx había escrito que « el país más desarrollado industrialmente se limita a mostrar a los menos desarrollados la imagen de su propio futuro », en la versión francesa las palabras en cursiva fueron sustituidas por « a los que les siguen en el ascenso de la escala de la industrialización ». Esta aclaración limitó la tendencia del desarrollo capitalista exclusivamente a los países occidentales que ya estaban industrializados.

Ahora era plenamente consciente de que el esquema de progresión lineal a través de los « modos de producción asiático, antiguo, feudal y el moderno modo de producción burgués », que había perfilado en el Prefacio a Una contribución a la crítica de la economía política, en 1859, era inadecuado para comprender el movimiento de la historia y que, en efecto, era aconsejable alejarse de cualquier filosofía de la historia. No vio el desarrollo histórico en términos de un progreso lineal inquebrantable hacia un fin predefinido. La concepción multilineal más pronunciada que Marx desarrolló en sus últimos años lo llevó a mirar aún más atentamente las especificidades históricas y la desigualdad del desarrollo político y económico en diferentes países y contextos sociales. Este enfoque ciertamente incrementó las dificultades a las que se enfrentó en el ya accidentado curso de completar el segundo y tercer volumen de El Capital. En la última década de su vida, Marx emprendió investigaciones exhaustivas de sociedades fuera de Europa y se expresó sin ambigüedades contra los estragos del colonialismo. Es un error sugerir lo contrario. Marx criticó a los pensadores que, al tiempo que destacaban las consecuencias destructivas del colonialismo, utilizaban categorías propias del contexto europeo en su análisis de las áreas periféricas del globo. Advirtió varias veces contra aquellos incapaces de observar las distinciones necesarias entre los fenómenos y, especialmente después de sus avances teóricos en la década de 1870, desconfiaba mucho a la hora de transferir categorías interpretativas a campos históricos o geográficos completamente diferentes. Todo esto es más claro gracias a Le Capital.

En una carta de 1878, en la que Marx sopesaba los aspectos positivos y negativos de la edición francesa, le escribió a Danielson que contenía « muchos cambios y adiciones importantes », pero que « también se había visto obligado a veces -principalmente en el primer capítulo- a simplificar el asunto ». Engels era de esta opinión y no incluyó todos los cambios hechos por Marx en la cuarta edición alemana de El Capital que publicó en 1890, siete años después de la muerte de Marx. Marx no pudo terminar una revisión final de El Capital, Volumen I, que incluyera las correcciones y añadidos con los que pretendía mejorar su libro. De hecho, ni la edición francesa de 1872-75, ni la tercera edición alemana –que se publicó en 1881– pueden considerarse la versión definitiva que a Marx le hubiera gustado que fuera.

Marx a través de Le Capital

Le Capital tuvo una importancia considerable para la difusión de la obra de Marx en todo el mundo. Se utilizó para la traducción de muchos extractos a varios idiomas, el primero en inglés, por ejemplo. De manera más general, Le Capital representó la primera puerta de acceso a la obra de Marx para lectores de varios países. La primera traducción al italiano –publicada entre 1882 y 1884– se hizo directamente de la edición francesa, al igual que la traducción aparecida en Grecia, en 1927. En el caso del español, Le Capital permitió sacar algunas ediciones parciales y dos traducciones completas: una en Madrid, en 1967, y otra en Buenos Aires, en 1973. Dado que el francés era más conocido que el alemán, fue gracias a esta versión que la crítica de la economía política de Marx pudo llegar a muchos países de Hispanoamérica más rápidamente. Casi lo mismo ocurría con los países de habla portuguesa. En el mismo Portugal, El Capital circuló solo a través de la pequeña cantidad de copias disponibles en francés, hasta que apareció una versión abreviada en portugués poco antes de la caída de la dictadura de Salazar. En general, a los activistas políticos e investigadores tanto en Portugal como en Brasil les resultó más fácil acercarse a la obra de Marx a través de la traducción al francés que la original. Las pocas copias que llegaron a los países africanos de habla portuguesa también estaban en ese idioma.

El colonialismo también dio forma en parte a los mecanismos por los cuales El Capital estuvo disponible en el mundo árabe. Mientras que en Egipto e Irak fue el inglés el idioma que más se utilizó en la difusión de la cultura europea, la edición francesa desempeñó un papel más destacado en otros lugares, especialmente en Argelia, que en la década de 1960 fue un centro importante para facilitar la circulación de ideas marxistas en los « países no alineados”. La importancia de Le Capital se extendió también a Asia, como lo demuestra el hecho de que la primera traducción vietnamita del Volumen I, publicado entre 1959 y 1960, se realizó a partir de la edición francesa.

Esta, además de ser consultada a menudo por traductores de todo el mundo y ser cotejada con la edición de 1890 publicada por Engels, que se convirtió en la versión estándar de Das Kapital, la traducción francesa ha servido de base para traducciones completas de El Capital a ocho idiomas. Ciento cincuenta años después de su primera publicación, continúa siendo una fuente de debate estimulante entre académicos y activistas interesados ​​en la crítica de Marx al capitalismo.

En una carta a su antiguo camarada Friedrich Adolph Sorge, el propio Marx comentó que con Le Capital había “consumido tanto [de su] tiempo que no volvería a colaborar de ninguna manera en una traducción”. Eso es exactamente lo que sucedió. El esfuerzo y las molestias necesarios para producir la mejor versión francesa posible fueron realmente notables. Pero podemos decir que fueron bien recompensados. Le Capital ha tenido una circulación significativa, y los añadidos y cambios realizados por Marx, durante la revisión de su traducción, contribuyeron a la dimensión anticolonial y universal de El Capital que está siendo ampliamente reconocida hoy en día gracias a algunas de las más novedosas y perspicaces contribuciones en los estudios de Marx.

 

Marcello Musto es catedrático de Sociología en la York University (Toronto). Sus escritos han sido traducidos a veinticinco idiomas y están disponibles en http://www.marcellomusto.org. Su última monografía es Karl Marx, 1881-1883. El último viaje del Moro (Siglo XXI, 2020).

Traducción: G. Buster

[Fuente: sinpermiso.info]

No 150° aniversário da publicação da tradução francesa de « O Capital », Marcello Musto escreve sobre a participação ativa de Marx no processo de tradução e comenta a fortuna crítica desta tradução/nova edição no mundo.

Por Marcello Musto

Em fevereiro de 1867, depois de mais de duas décadas de trabalho hercúleo, Marx finalmente pôde dar a seu amigo Friedrich Engels a tão esperada notícia de que a primeira parte de sua crítica à economia política estava finalizada. A partir daí, Marx viajou de Londres a Hamburgo para entregar o manuscrito do Volume I (“O processo de produção do Capital”) de sua magnum opus e, de acordo com seu editor Otto Meissner, foi decidido que O Capital seria lançado em três partes. Cheio de satisfação, Marx escreveu que a publicação de seu livro foi “sem dúvida, o mais terrível míssil que já foi lançado contra as cabeças da burguesia”.

Apesar do longo trabalho de escrita antes de 1867, a estrutura do Capital seria consideravelmente expandida nos anos seguintes, e o Volume I também continuou a absorver um empenho significativo por parte de Marx, mesmo após sua publicação. Um dos exemplos mais evidentes desse compromisso foi a tradução francesa de O Capital, publicada em 44 fascículos entre 1872 e 1875. Este volume não era uma mera tradução, mas uma versão “totalmente revisada pelo autor” na qual Marx também aprofundou a seção sobre o processo de acumulação de capital e desenvolveu melhor suas ideias sobre a distinção entre “concentração” e “centralização” do capital.

A busca pela versão definitiva do Volume I

Depois de algumas interrupções devido à sua saúde precária, e após um período de intensa atividade política para a Associação Internacional dos Trabalhadores, Marx passou a trabalhar em uma nova edição do CapitalVolume I, no início da década de 1870. Insatisfeito com a maneira como havia exposto a teoria do valor, passou dezembro de 1871 e janeiro de 1872 reescrevendo o que havia publicado em 1867. Em 1872, uma reimpressão de Das Kapital foi lançada e incluía as mudanças feitas por Marx. Esse ano foi de fundamental importância para a divulgação do Capital, pois também viu nascer as traduções russa e francesa. Confiadas a Joseph Roy, que já havia traduzido alguns textos do filósofo alemão Ludwig Feuerbach, as traduções apareceram em lotes com o editor Maurice Lachâtre. O primeiro foi publicado há 150 anos, em 17 de setembro.

Marx concordou que seria bom lançar uma “edição popular e barata”. “Aplaudo sua ideia de publicar a tradução […] em parcelas periódicas”, escreveu. “Dessa forma o livro será mais acessível à classe trabalhadora e para mim essa consideração supera qualquer outra”, argumentou com seu editor. Consciente, no entanto, de que havia “outro lado reverso” da moeda, ele antecipou que o “método de análise” que ele havia usado iria “tornar uma leitura um tanto árdua nos primeiros capítulos”, e que os leitores poderiam “desanimar” quando eles fossem “incapazes de seguir em frente na leitura logo de cara”. Ele não sentia que pudesse fazer nada sobre essa “desvantagem”, “além de alertar e prevenir os leitores preocupados com a verdade. Não há estrada real para o aprendizado e os únicos com alguma chance de alcançar seus picos ensolarados são aqueles que não temem a exaustão ao subir os caminhos íngremes”.

No final, Marx teve que gastar muito mais tempo na tradução do que havia planejado inicialmente para a correção da prova. Como escreveu ao economista russo Nikolai Danielson, Roy “muitas vezes traduziu de forma muito literal” e o forçou a “reescrever passagens inteiras em francês, para torná-las mais palatáveis ​​para o público francês”. No início daquele mês, sua filha Jenny disse ao amigo da família Ludwig Kugelmann que seu pai era “obrigado a fazer inúmeras correções”, reescrevendo “não apenas frases inteiras, mas páginas inteiras”. Subsequentemente, Engels escreveu na mesma linha de Kugelmann que a tradução francesa se havia mostrado um “verdadeiro trabalho árduo” para Marx e que ele “mais ou menos teve que reescrever a coisa toda desde o início”.

Além disso, ao revisar a tradução, Marx decidiu introduzir alguns acréscimos e modificações. No posfácio de Le Capital, ele não hesitou em atribuir-lhe “um valor científico independente do original” e afirmou que a nova versão “deveria ser consultada até mesmo por leitores familiarizados com o alemão”. O ponto mais interessante, sobretudo pelo seu valor político, diz respeito à tendência histórica da produção capitalista. Se na edição anterior do Capital Marx havia escrito que “o país mais desenvolvido industrialmente só mostra, aos menos desenvolvidos, a imagem de seu próprio futuro”, na versão francesa as palavras em itálico foram substituídas por “àqueles que o seguem até a escada industrial”. Esse esclarecimento limitou a tendência do desenvolvimento capitalista apenas aos países ocidentais já industrializados.

Ele agora estava plenamente consciente de que o esquema de progressão linear através dos “modos de produção burgueses asiáticos, antigos, feudais e modernos”, que ele havia desenhado no Prefácio de Uma Contribuição à Crítica da Economia Política, em 1859, era inadequado para uma compreensão do movimento da história, e que era de fato aconselhável evitar qualquer filosofia da história. Ele não via o desenvolvimento histórico em termos de progresso linear inabalável em direção a um fim predefinido. A concepção multilinear mais pronunciada que Marx desenvolveu em seus últimos anos levou-o a olhar ainda mais atentamente para as especificidades históricas e as desigualdades do desenvolvimento político e econômico em diferentes países e contextos sociais. Essa abordagem certamente aumentou as dificuldades que ele enfrentou no já acidentado percurso de conclusão do segundo e terceiro volumes do Capital. Na última década de sua vida, Marx realizou investigações minuciosas de sociedades fora da Europa e expressou-se inequivocamente contra os estragos do colonialismo. É um erro sugerir o contrário. Marx criticou os pensadores que ao destacar as consequências destrutivas do colonialismo utilizaram em suas análises das áreas periféricas do globo categorias peculiares ao contexto europeu. Ele alertou várias vezes contra aqueles que não conseguiram observar as distinções necessárias entre os fenômenos e, especialmente após seus avanços teóricos na década de 1870, ele foi altamente cauteloso ao transferir categorias interpretativas para campos históricos ou geográficos completamente diferentes. Tudo isso fica mais claro graças a Le Capital.

Em uma carta de 1878, na qual Marx pesava os lados positivos e negativos da edição francesa, ele escreveu a Danielson que ela continha “muitas mudanças e acréscimos importantes”, mas que ele também fora “às vezes obrigado – principalmente no primeiro capítulo – a simplificar o assunto”. Engels era dessa opinião e não incluiu todas as mudanças feitas por Marx na quarta edição alemã do Capital que publicou em 1890, sete anos após a morte de Marx. Marx não conseguiu completar uma revisão final do Capital – Volume I, que incluía as melhorias e acréscimos que pretendia aprimorar seu livro. De fato, nem a edição francesa de 1872-75, nem a terceira edição alemã – que saiu em 1881 – podem ser consideradas a versão definitiva que Marx gostaria que fosse.

Marx através de Le Capital

Le Capital teve considerável importância para a difusão da obra de Marx pelo mundo. Foi usado para a tradução de muitos extratos em vários idiomas – o primeiro em inglês, por exemplo. De maneira mais geral, Le Capital representou a primeira porta de entrada para a obra de Marx para leitores em vários países. A primeira tradução italiana – publicada entre 1882 e 1884 – foi feita diretamente da edição francesa, assim como a tradução que apareceu na Grécia, em 1927. No caso do espanhol, Le Capital possibilitou algumas edições parciais e duas traduções completas: uma em Madri, em 1967, e outra em Buenos Aires, em 1973. Como o francês era mais conhecido do que o alemão, foi graças a essa versão que a crítica de Marx à economia política pôde chegar a muitos países da América hispânica mais rapidamente. O mesmo aconteceu com os países de língua portuguesa. Em Portugal mesmo, O Capital circulou apenas pelo pequeno número de exemplares disponíveis em francês, até que uma versão resumida em português apareceu pouco antes da queda da ditadura de Salazar. Em geral, ativistas políticos e pesquisadores em Portugal e no Brasil acharam mais fácil abordar a obra de Marx pela tradução francesa do que pelo original. Os poucos exemplares que chegaram aos países africanos de língua portuguesa também eram nessa língua.

O colonialismo também moldou parcialmente os mecanismos pelos quais O Capital se tornou disponível no mundo árabe. Enquanto no Egito e no Iraque foi o inglês que mais se destacou na difusão da cultura europeia, a edição francesa teve um papel mais proeminente em outros lugares, especialmente na Argélia, que na década de 1960 foi um importante centro para facilitar a circulação de ideias marxistas em países “não alinhados”. A importância de Le Capital estendeu-se também à Ásia, como demonstrado pelo fato de que a primeira tradução vietnamita do Volume I, publicada entre 1959 e 1960, foi realizada com base na edição francesa.

Assim, além de ser frequentemente consultada por tradutores de todo o mundo e confrontada com a edição de 1890 publicada por Engels, que se tornou a versão padrão de Das Kapital, a tradução francesa serviu de base para traduções completas do Capital em oito idiomas. Cento e cinquenta anos desde sua primeira publicação, continua sendo fonte de debate estimulante entre estudiosos e ativistas interessados ​​na crítica de Marx ao capitalismo.

Em uma carta ao seu companheiro de longa data Friedrich Adolph Sorge, o próprio Marx observou que Le Capital “consumiu tanto [seu] tempo que [ele] não colaboraria novamente de forma alguma em uma tradução”. Isso é exatamente o que aconteceu. O trabalho e o sofrimento que ele depositou para produzir a melhor versão francesa possível foram realmente notáveis. Mas podemos dizer que foram bem recompensados. Le Capital teve uma circulação significativa, e os acréscimos e mudanças feitas por Marx, durante a revisão de sua tradução, contribuíram para a dimensão anticolonial e universal do Capital, que hoje se torna amplamente reconhecida graças a algumas das contribuições mais recentes e perspicazes nos estudos de Marx.

Tradução de Marcelo Bamonte para o Blog da Boitempo.


O velho Marx: uma biografia de seus últimos anos (1881-1883), de Marcello Musto

O velho Marx apresenta uma análise perspicaz dos anos finais e ainda pouco explorados da vida de Karl Marx. Combinando rigorosa abordagem acadêmica com uma escrita acessível, Marcello Musto derruba a lenda de que a partir de meados de 1870, devido a problemas de saúde e dificuldades pessoais, o filósofo alemão teria suspendido quase inteiramente sua pesquisa. Ao contrário, ele não só deu continuidade a seu trabalho, mas estendeu-o a novas disciplinas e a outras áreas do planeta. A partir do estudo de manuscritos que vieram a público recentemente e ainda não foram traduzidos do alemão nem publicados em livro, Musto demonstra que Marx passa a interessar-se por antropologia, pelas sociedades não ocidentais e pela crítica ao colonialismo europeu.

***
Marcello Musto é professor de Sociologia na York University, em Toronto, Canadá. Suas publicações, disponíveis em seu site, foram traduzidas em vinte e cinco idiomas. Pela Boitempo publicou Trabalhadores, uni-vos!: antologia política da I Internacional e O velho Marx: uma biografia de seus últimos anos (1881-1883), além de colaborações com a revista Margem Esquerda.

 

 

[Fonte: http://www.blogdaboitempo.com.br]

Durante os últimos anos unhas cantas editoras galegas decantáronse por publicar literatura estranxeira traducida á lingua

Escrito por CARMEN NOVO

Cando Rinoceronte naceu, no ano 2005, a tradución de obras literarias ao galego constituían un panorama moi distinto ao actual. Á marxe das grandes editoras, que incluían no seu catálogo obras estranxeiras na lingua, Rinoceronte foi a primeira en especializarse no eido. O primeiro libro que veu a luz baixo a súa firma foi O bosque dos raposos aforcados, de Arto Paasilinna, unha tradución directa desde o finlandés. «Por aquel entón había moito que facer. A vía natural de chegar á literatura internacional era a través das traducións ao castelán», indica Anxa Correa, parte da editora.

Porén, nos últimos anos e desde ás marxes dos círculos de produción masivos, xurdiron un feixe de editoras que velaban para que as historias narradas por xente de todo o mundo puideran ser lidas en galego. Algunhas, como Hugin e Munin -fundada no 2011- e Irmás Cartoné -en funcionamento desde o 2014-, focalizan o seu traballo no eido da tradución. Outras, pese a non basear o seu catálogo completo en pasar obras estranxeiras ao galego, dotan ás traducións dun lugar importante. Entre estas, Aira, que desde o 2017 formula o seu plan editorial de xeito que entre un 30 % e un 40 % dos títulos publicados ao ano sexan traducións.

«É importante que a xente poida escoller lecturas en galego, tanto na libraría como na biblioteca», indica Carlos Valdés. Xunto a Cecilia Recarey forma Irmás Cartoné. A súa é a historia de dúas persoas que, tras anos de servicio interno e externo para varias editoriais, decidiron formar a súa propia. O motivo, «que aínda quedaba moita literatura por traducir ao galego».

Segundo datos do INE, no 2019, último ano do que se ten rexistro, o 40 % de libros publicados na comunidade foron en lingua galega. Iso significa, aproximadamente, 400 exemplares. Sobre o total correspondente ás traducións, non hai cifras. Porén, botando unha ollada ás publicacións en territorio estatal, pódense sacar algunhas conclusións. Nese mesmo ano editábanse en España uns cincuenta mil títulos, dos que o 14 % foron traducidos. Porén, Valdés explica que o mercado en castelán é «unha avespa enorme», polo que as comparacións serían inexactas. Tamén as competicións, xa que, para o editor, tendo en conta este contexto, buscar unha equidade a nivel dos prezos é unha tarefa que requeriría moito esforzo.

César Lorenzo, director de Aira, incide sobre a mesma cuestión: «Así como en castelán ou en portugués podes atopar practicamente todo o que se publica, en galego non é así». Para a selección dos títulos atenden a cuestións de relevancia. O obxectivo, propiciar o «enriquecemento da biblioteca galega». Para Lorenzo, unha cultura non se pode basear unicamente en autores propios, e o acceso á literatura universal é unha posibilidade para mellorala: «Non é o mesmo ler a James Joyce en galego que en castelán. A aprendizaxe destes libros na lingua propia é moito mais rendible».

Seguindo esta meta, durante os últimos anos Aira publicou títulos como Frankestein (tradución directa do inglés de Samuel Solleiro) e O nome da rosa (tradución directa do italiano de Maite Jiménez Pérez) que, pese a ser libros popularmente asimilados —«deses que todo o mundo ten xa no seu andel»—, funcionaron moi ben no mercado.

«Moita xente aposta por elas para ter outro punto de vista. A tradución son escollas e multiplica as posibilidades de lectura dun libro», reflexiona Anxa Correa. Antes de traducirse ao galego, moitas das obras estranxeiras do catálogo de Rinoceronte xa figuraban en idiomas próximos como o castelán. Un dos exemplos mais recentes, O verán no que a miña nai tivo os ollos verdes (tradución directa do romanés por Andreea Birsanu), que foi un supervendas na súa versión orixinal, na súa tradución ao castelán e tamén funcionou en galego.

Atopar tradutor

Rinoceronte carga ás súas costas as primeiras traducións ao galego de idiomas como o árabe (O edificio Yacoubian, de Alaa Al Aswany, traducido por Fátima Tourari) ou o xaponés (A casa das belas adormentadas, de Yasunari Wawabata, traducido por Mona Imai). Fai escasos meses, do coreano (A Vexetariana, de Hang Kang, traducido por Alba Verea Pérez). Agora, lonxe do estancamento, preparan a primeira tradución do acadio co Código de Hammurabi.

Porén, a gran maioría das traducións fanse desde os idiomas que domina o cadro de persoal: o ingléso francés e o italiano. Cando son traducións de idiomas mais «exóticos», externalízanse. O mesmo acontece en Hugin e Munin, onde estes tres idiomas enchen o 50 % do catálogo. O resto, unhas 60 obras, trouxéronse doutras linguas, como o ruso, o aranés ou o sueco.

«Ao publicar un libro en determinadas linguas que non son as canónicas, non tes demasiadas opcións», comenta César Lorenzo sobre a dificultade de atopar tradutor. Eles, ao igual que Hugin e Munin e Irmás Cartoné, traballan unicamente con tradutores externos. Carlos Valdés explica que, no proceso de búsquea, ábrense a diferentes formas de traballar. Atenden ás propostas que lles chegan dos profesionais e indagan pola súa conta. «Intentamos abrir o espectro de idiomas, pero non sempre é posible», engade. Sen ir mais lonxe, na Facultade de Tradución e Interpretación da Universidade de Vigo, a única na comunidade dedicada a esta rama, non se estudan todos os tipos de linguas posibles.

Porén, os editores coinciden en que tamén é unha responsabilidade corrixir ese rumbo ao que leva o mercado. «Hai autores que destacan desde sistemas literarios mais pequenos, e o catálogo do editor ten que estar atendo a iso», argumenta Lorenzo. Eles, desde Aira, publican obras escritas orixinalmente en euskera ou catalán, «linguas que aparentemente están moi próximas pero, na práctica, non gozan dunha gran traxectoria en galego». Tamén Hugin e Munin incorpora ao seu catálogo traducións doutras linguas minorizadas, como o aranés ou o bretón.

Para chegar ata elas, Alejandro Tobar apela á «sorte» de poder ler noutras linguas. Lonxe de atender á tradución en castelán como ponte de chegada, o catálogo de Hugin e Munin suma uns quince títulos que aínda non se atopan traducidos a noso idioma. Como exemplo, unhas das súas últimas edicións, O derradeiro americano, de John Ames Mitchel, traducido directamente desde o inglés por Iago Nicolás Ballesteros. Como único apoio, unha edición anotada en esperanto.

Afrontar o proceso

Os editores falan dun espazo a cubrir, das eivas que aínda quedan na literatura galega. Para Alejandro Tobar, no fondo, este feito tamén significa máis liberdade á hora da escolla. Fala, por exemplo, da obra de Albert Camus, un clásico que ata o momento no que decidiron traducilo por primeira vez desde Hugin e Munin, non contaba con versión en galego. Para decidir a escolma de textos a editar, primeiro, fan unha lectura intensiva. «Descartas 19 de cada vinte e, ao final, un chega», explica.

Tras isto, contactan coa persoa que precisan. Carlos Valdés, de Irmás Cartoné, explica que o tempo varía en función da extensión e a dificultade do texto. Pon como exemplo O conto da criada, de Margaret Atwood, traducido directamente do inglés xunto a súa compañeira Cecilia Recarey. «Non é o mesmo que unha obra dun autor xaponés do ano 1800».

Así mesmo, Tobar explica que entre os mercados galego e castelán, para o que tamén traballa, hai diferenzas significativas. No mais grande, os prazos son mais axustados. «Nos adoitamos dar preto dun ano desde que ofrecemos un título. Imaxina que é unha novela dunhas 150 ou 200 páxinas. Para esa mesma obra, en castelán, danche mes ou mes e medio», alega o editor e traductor. 

Á hora de afrontar unha tradución, cada un ten o seu método. «Tería que ir preguntando tradutor por tradutor e non creo que haxa dúas historias iguais», reflexiona o editor de Hugin e Munin, que tamén exerce labores de tradución. Para el, o fundamental é «botarlle horas», coñecer extremadamente ben a lingua de chegada e ter un bo corrector para un proceso de revisión pulido. No caso da súa editorial, os traballos pasan, primeiro, polos ollos do tradutor. Despois chega ao editor, que traballa co propio texto e envíao a un tercer corrector, esta vez externo. Por último, entrégase de novo ao traductor «por se quedou algún floco».

En canto aos recursos empregados, Tobar explica que «temos todos os necesarios, pero en galego non están centralizados». César Lorenzo, como vantaxe, apela á capacidad dos tradutores de coñecer varios idiomas. Así, a través de diferentes versións dunha mesma obra poden compoñer algo orixinal. Segundo Anxa Correa, ver como resolven otros autores noutras linguas maximiza a exixencia da tradución. 

 

[Ilustración: María Pedreda – fonte: http://www.lavozdegalicia.es]

Unhas xornadas na cidade do Porto conmemoran o centenario do nacemento de Agostinho Neto, poeta, médico e líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) que foi o primeiro presidente do país tras a independencia.
Agostinho Neto, en 1975. (Foto: Rob Mieremet)

Agostinho Neto, en 1975.

Esta sexta feira e máis o sábado, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e no Museu Militar da mesma cidade, terán lugar as xornadas internacionais de debate ‘Sou um dia em noite escura: centenario de Agostinho Neto (1922-2022)’, nas que se celebra o centenario do que foi o primeiro presidente da República de Angola, así como a súa obra poética e a loita política do médico e revolucionario angolano.

O coloquio contará coa presenza do embaixador de Angola, o doutor Carlos Alberto Fonseca, e de varios investigadores que debullarán diversos aspectos da obra poética de Neto, como, entre outros, Ana Maria Martinho, que falará sobre ‘Poesía e Revolução’; Ana Ribeiro, sobre ‘A mulher na poesía de Agostinho Neto’; Pires Laranjeira, cunha intervención titulada ‘Como Agostinho Neto antecipou Frantz Fanon: a renúncia impossivel de ser negro’; ou Roberto Vecchi, que disertará sobre ‘O principio esperança: poesia e sobrevivência en Agostinho Neto’.

Agostinho Neto (1922-1977) fixo parte da xeración de estudantes africanos que tiveron un papel decisivo na independencia dos seus países na Guerra Colonial Portuguesa. Desde moi novo, converteuse nunha figura dentro dos movementos nacionalistas angolanos. Foi un dos primeiros membros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e asumiu a presidencia de Angola en novembro de 1975, cando o país obtivo a independencia.

En paralelo á súa actividade política, desenvolveu unha moi  notábel carreira literaria, especialmente no campo da poesía.

[Foto: Rob Mieremet – fonte: http://www.nosdiario.gal]

Être polyglotte, c’est mélanger parfois les accents, la syntaxe, exprimer différemment les choses selon la langue choisie. C’est ce voyage permanent que nous ont décrit les lectrices et les lecteurs plurilingues de “Courrier Expat”.

De très nombreux lecteurs et lectrices ont répondu à notre appel à témoignages au sujet du plurilinguisme et de ses conséquences pratiques. Ils ont décrit comment, au fil des histoires familiales, des déplacements des expatriations et autres aventures, ils ont appris puis maîtrisé entre 3 et 7 langues.

Mélanges, erreurs et failles

Monika est née dans une famille polyglotte et jongle entre l’allemand, le flamand, l’anglais et le français (ainsi que, dans une moindre mesure, l’espagnol). Elle évoque justement ce jeu permanent de va-et-vient entre plusieurs langues pour elles et ses proches : “Être polyglotte nous permet de mieux communiquer car nous trouvons qu’un mot est parfois plus adapté dans une autre langue que celle parlée à un moment précis. Ou l’un de nous ne trouve pas le mot correct et le propose dans une autre de nos quatre langues. Eh oui, avec l’âge, nous mélangeons parfois deux langues, voire trois !”

Mauricio, qui maîtrise le français, l’espagnol, le portugais brésilien, l’anglais et le tchèque, raconte la même tendance à mélanger les langues et les accents. Marie-Laurence voit dans ce phénomène une chance, tout comme Héléna (prénom changé à sa demande). Au sujet de ces “failles entre [ses] langues parlées”, Héléna écrit :

“Il y a une jubilation à utiliser volontairement la syntaxe d’une autre langue dans ma langue maternelle, c’est-à-dire celle que je maîtrise au point d’assumer des licences poétiques. Il y a aussi une jubilation à reconnaître la syntaxe d’une autre langue dans un texte écrit ou traduit.”

L’importance des sons

Tous expliquent que, dans la mesure où ils sont déjà plurilingues, l’apprentissage d’une nouvelle langue est plus facile de façon phonétique. Pascal, par exemple, parle français, espagnol et anglais mais a du mal à écrire certains mots, appris uniquement à l’oral, comme cough (“toux”) en anglais. “Après une petite recherche, j’ai retrouvé son orthographe, mais ce curieux incident m’a laissé à penser que les mots se mémorisent souvent avec leurs sons, comme cela se passe pour les enfants qui ne savent pas encore lire et écrire. Cette faculté reste, même une fois que nous savons écrire.”

Héléna dit pouvoir apprendre facilement des mots ou expressions simples dans une langue inconnue en conversant (perse, hébreu, coréen, japonais…) et se voit comme la marionnette d’un ventriloque.

Une question d’âge ?

Gérard, qui converse en anglais et en français (en changeant parfois de langue au milieu d’une phrase), remarque que son petit-fils de 9 ans, qui est bilingue depuis la petite enfance, n’a jamais de problème de glissement involontaire d’une langue à l’autre. Mauricio note – et c’est l’opinion majoritaire – que “les enfants ont moins de problèmes que les parents avec les différentes langues”.

Monika remarque, quant à elle, que le plurilinguisme permet de conserver plus longtemps de bonnes facultés cognitives :

Mon père est 100 % unilingue, ma mère est très douée pour les langues mais n’a jamais vraiment eu l’occasion d’apprendre des langues autrement qu’en immersion, lors de vacances. Devinez qui souffre de démence aujourd’hui…”

Avantages professionnels

Évidemment, maîtriser plusieurs langues est aussi un atout dans le monde professionnel. Monika, qui a vécu au Canada, raconte que c’est grâce à son bilinguisme français-anglais qu’elle a pu travailler pour le gouvernement fédéral canadien. Au fil de sa carrière, cela lui a permis de mieux communiquer avec ses collègues. D’ailleurs, elle est devenue spécialiste en allemand et en français dans une entreprise du Colorado sans jamais avoir fait d’études linguistiques. “Même mes connaissances pourtant rudimentaires en néerlandais sont valorisées.”

“Je suis la langue que je parle”

On n’exprime pas les mêmes idées et on ne le fait pas de la même façon suivant la langue qu’on emploie. Anja-Hélène van Zandwijk, née en France de parents néerlandais et désormais installée aux Pays-Bas, décrit une “impression de double personnalité qui [l’] a perturbée dans [sa] jeunesse mais [la] fascine aujourd’hui”. Comme tous les lecteurs qui nous ont écrit, elle évoque un rapport sentimental avec ses langues et évoque “une lutte constante” et “un certain rapport de méfiance et d’incertitude avec chacune de [ses] deux langues”.

Monika a rencontré son mari en France. Pour le couple, “le français reste la langue sentimentale” :

“J’ai pourtant grandi en parlant allemand, et je suis restée en Allemagne jusqu’à mes 19 ans. Le français et moi, c’est et ç’a toujours été une histoire d’amour !”

Même si Monika utilise l’allemand pour communiquer avec ses parents et ses frères, le français est restée une langue de choix, “celle qu’[elle] utilise pour compter, parler aux bébés et aux animaux”.

Héléna, qui maîtrise cinq langues, a remarqué que sa voix changeait en fonction de celle qu’elle utilisait : “On me dit que le ton de ma voix change énormément selon la langue : il est plus grave en anglais et en italien, plus aigu en français.”

“C’est comme si mon cerveau devenait différent à chaque langue. Ma personnalité, je dirais même.”

“De plus, selon la langue utilisée, un même fait ou les mêmes infos pratiques peuvent prendre une connotation différente, pas seulement à cause du vocabulaire. Il y a probablement une couche culturelle assimilée avec la langue. […] Finalement, je suis la langue que je parle.”

Elle conclut son témoignage avec un regret, celui de ne pas avoir de Courrier international multilingue, avec la possibilité de lire les articles dans le texte original, y compris dans des langues inconnues, comme on lit des éditions bilingues”. Sachez, chers polyglottes, que nous publions toujours les liens URL menant aux articles originaux que nous utilisons et qu’il existe même des éditions de Courrier international au Portugal et au Japon !

 

[Illustration : AEDRIAN/ UNSPLASH – source : http://www.courrierinternational.com]