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Convocante: Associação Brasileira de Hispanistas
Tipo de convocatoria: Contribuciones (call for papers)
Materias de especialidad: 

Lingüística, Lingüística aplicada, Lingüística textual, Literatura contemporáneaLiteratura contemporánea, Literatura española, Literatura hispanoamericana

Fecha límite de solicitud: Sábado, 31 de julio de 2021
Descripción: 

La Revista Abehache de la Associação Brasileira de Hispanistas invita a participar en este nuevo número que versará sobre estudios generales en letras hispánicas de lingüística, literatura, artes, política, historia en español o portugués. El plazo para el envío de propuestas termina el 31 de julio de 2021.

Toda la información puede consultarse en la página web de la revista.

País: Brasil
Dirección postal completa: Revista Abehache, Associação Brasileira de Hispanistas (Brasil)
Correo electrónico: revista.abh@gmail.com
Página de Internet:  https://revistaabehache.com/ojs/index.php/abehache

 

 

 

[Fuente: hispanismo.cervantes.es]

 

 

Escrich per Joan-Marc Leclercq

Es interessant d’espiar com cada lenga resistís o reagís a l’omnipreséncia deus mots angleses (o globish) dens lo mitan professionau o jornalistic. Segon son estructura o son grad de capacitat de creacion, cada lenga guardarà son originalitat … o pas.

L’exemple mès simple es lo deu mot computer. Lo japonés l’adoptat d’un biaish fonetic dambe コンピューター [Konpyūtā], que benlèu un anglofòne reconeisheré pas obligatòriament a l’escota, quan lo chinés creèc lo mot 电脑 [Diànnǎo] que vòu díser “cervèth electric” (电 = electricitat 脑 = cervèth).

Si lo catalan e l’espanhòu an causit la solucion latina ordinador e ordenador, l’italian, mès anglicizat, a cedit a computer quan lo portugués a creat lo mescladís risolièr computador. De notar tanben lo roman dambe son drin susprenent calculator, e lo prèmi de la concision reveng au suedés dambe dator que m’agrada fòrça.

Mes existís un nivèu superior a l’acceptacion de mots anglosaxons, es lo de’n crear autes que son quitament pas en usatge ni dens las isclas britanicas ni aus USA. Lo siti La culture générale n’a trobats 41 en francés. N’an hèit la lista. Podèm doncas comparar dambe l’usatge de l’occitan qu’es una lenga que resistís mès a l’envasida de l’anglés gràcia a son esperit creatiu. Vaquí doncas una seleccion personala:

Purmèr podèm remercar un beròi grop de mots en -ing que son sovent inventats o lavetz sonque la purmèra part d’una expression, que tot solets vòlon pas díser gran causa en anglés:

Brushing (blow-dry) Camping (campsite / campground) Dressing (wardrobe / closet) Forcing (-) Footing (jogging) Lifting (face lift) Parking (car park / parking lot) Pressing (dry cleaner’s) Relooking (makeover) Shampooing (shampoo) Smoking (dinner-jacket / tuxedo) Travelling (tracking shot / dolly shot / trucking shot) Warning (hazard lights, flashers).

L’occitan perpausa fòrça simplament las reviradas:

Brossatge, campatge, vestider, lo tot, corruda, tibapèth, parcatge/pargue, netejader, cambiamustra, lavacap, vèsta de serada, plan sus via, lutz de destressa (en francés tanben).

Puèi lo dusau grop es lo deus mots en -man e -woman qu’existissen pas tanpauc:

Perchman (boom operator) Recordman (record holder) Rugbyman (rugby player) Tennisman (tennis player).

Mercés a sas numerosas terminasons (-aire, -ista, -ador) l’occitan fòrma aisidament:

Perjaire, recordaire, jogador de rugbí, tenista.

E vaquí qu’arriba una tièra de mots que cadun per aicí crei de la lenga de Shakespeare mes qu’ac son pas brica:

Baby-foot (table football / table soccer) Baskets (sneakers) Catch (wrestling) Open space (open plan) Pin’s (lapel pin / enamel pin) Pompom girl (cheerleader) Slip (briefs).

L’occitan se trufa de tot aquò dambe:

Butabala de taula, solièrs d’espòrt, luta liura, burèu obèrt, espingleta, clapateras, culòta.

De notar tanben los risolièrs “Book” que los anglofònes disen portfolio (!), lo mot de soca gascona “Caddie” (trolley / shopping cart) vengut de “capdèth” (èi escrit un article suu caminament mondiau d’aqueste mot) e l’inexplicable Talkie-walkie qu’es en vertat walkie-talkie.

Dens un filme de Woody Allen, vesoi un còp que l’expression anglesa the daylies èra revirada “les rushes”.

Lo nivèu de penetracion deus anglicismes dens una lenga seguís reglas que son pas fòrça regularas. Se lo francés n’es victima, se lo shuc de “canneberge*” es vengut cranberry sus la botelhas, se lo “doubeurre[1]” estoc abandonat per butternut, la lenga de Coluche a totun resistit per çò qu’es de l’embarrament, sia “confinement”, que fòrça paises sequenon an adoptat devath la fòrma lockdown.

Çò qu’es meslèu rassegurant, es que, a còps, anglicismes pòden desaparéisher deu vocabulari. En tot huelhetar un vielh diccionari, èi trobat los mots macadam macintosh (per un manto de ploja) qu’èi pas ausits dempuèi … longtemps.


[1] Èi pas trobat de revirada en occitan d’aquestes plantas.
[Poblejat dins http://www.jornalet.com]

Pergunto a origem da palavra assim, no plural, por uma simples razão: em português, temos três plurais da palavra. Como chegámos a este curioso (e útil) excesso?

 

Escrito por Marco Neves

«Avó» tem o plural feminino «as avós». «Avô» tem o plural masculino «os avôs». Além destes dois plurais, a palavra tem uma espécie de plural neutro, que é o mais comum (e faz uso dos artigos masculinos): «os avós», que se refere às avós e aos avôs. Este último plural serve também de sinónimo de «antepassados», como vemos nos famosos «egrégios avós» do nosso hino.

O que se passou com os avós? Afinal, não acontece o mesmo com as outras palavras do português, que têm dois plurais: o feminino e o masculino.

Olhemos para a história da palavra…

A palavra «avô» tem origem numa palavra do latim vulgar, que não está registada, mas foi reconstruída: «*aviolus», um diminutivo da palavra «avus» (os romanos escreveriam esta palavra como «AVVS» e lê-la-iam como /awus/ — o nosso som /v/ não existia no latim e a letra <V> representava tanto o som /u/ como o som /w/).

O tal «aviolus» transformou-se em «avoo», como consequência da tendência dos falantes da nossa língua para deixarem cair o som /l/ entre vogais. Aqueles dois «oo» tornaram-se então num «ô». Ora, como acontece em muitas palavras com um «o» que se fechou no singular, o plural manteve um «o» aberto: «avós». Também acontece o mesmo em «ovo»/«ovos» — e tantas, tantas outras palavras. Este plural masculino, numa língua como o português que não tem um género neutro, acabou por servir de plural genérico ao longo da história.

Já «avó» teve origem na palavra reconstruída «*avoila», também um diminutivo, que se transformou em «avoa» e, depois, na nossa «avó». O plural é mais óbvio: «avós».

Por caminhos diferentes, o plural de «avó» ficou igual ao plural de «avô»: a distinção de género faz-se apenas no artigo. Como os dois plurais ficaram iguais, numa forma mais próxima do singular feminino do que do singular masculino, abriu-se espaço para que surgisse a forma plural «avôs», para designar apenas os avós do sexo masculino.

A língua ganhou assim, excepcionalmente, uma palavra com três plurais: «os avós», «as avós» e «os avôs». Ninguém planeou este estado de coisas. As palavras fazem o seu percurso pelos séculos fora sem pedir autorização a ninguém. Às vezes, há quem se lembre de inventar uma ou outra palavra e limar uma ou outra aresta. Mas a língua é o resultado de milhares de pequenas histórias como esta, que reconstruímos o melhor que podemos, mas que não são planeadas.

Para terminar, sublinho: tanto «avô» como «avó» provêm (tudo indica) de diminutivos — ou seja, do «avozinho» e da «avozinha» do latim lá de casa… As formas carinhosas tornaram-se nas únicas formas usadas pelos falantes, até precisarem de novos diminutivos, também eles carinhosos. Espero que me permita, neste espírito, deixar aqui um beijinho à minha avó Leonor e ao meu avô Manuel, a quem fica dedicada esta crónica.

 

[Fonte: http://www.certaspalavras.pt]

Triángulo Reutersvärd

 

Escrito por Joám Lopes Facal

Cremos observar maior toleráncia com a escrita reintegracionista e mesmo um incipiente avanço, perceptível na imprensa digital. Entre os cultores da modalidade reintegracionista há quem até se atreve a prognosticar um hipotético armistício com os mandatários da normativa habitual que denominam bi-normativismo ou bi-modalismo. Embora prefiramos guardar um saudável cepticismo sobre a possibilidade de um armistício honroso em matéria ortográfica, tampouco é descartável tal eventualidade caso o segmento social alheio às vantagens de adoptar a ortografia histórica — RAG, ILG, imprensa, editoriais — vaiam aceitando as virtudes derivadas da Lei 1/2014 de aproveitamento dos vínculos com a lusofonia, ou, mais provavelmente, o crescente influxo da aranheira global, mais conhecida por a WEB.

Sinais prometedores nom faltam, algum tam avançado como a proposta do galego de qualidade formulada e praticada polo ilustre gramático X. R. Freixeiro Mato que, em rigor, cabe interpretar como reintegracionismo genuíno salvo no formato ortográfico. Já agora, senhores académicos, para quando o reconhecimento do nosso melhor gramático como membro numerário da RAG? Seria óptimo poder comprovar que a RAG é mes que um club.

Como quer que seja, os efeitos benéficos do reintegracionismo começam a patentear-se na generosa ampliaçom da flexom verbal, na precisom sintáctica, na adopçom de marcadores discursivos ou na crescente presença de neologismos estáveis frente às frágeis improvisaçons habituais na matéria. Tempo ao tempo. Resiste-se por enquanto a mudança ortográfica nom obstante as suas manifestas vantagens. A ortografia histórica, rejeitada por motivos de comodidade ou por simples inércia espanholista, proporcionaria ao nosso idioma umha potente marca identificativa ante a inexorável deriva assimilativa ao castelhano e, o mais importante, permitir-nos-ia ler e pronunciar correctamente os nossos próprios apelidos e a nossa toponímia genuína, percebidos agora como um corpo estranho.

Neste árduo percurso do provinciano galeñol ao galeguês internacional há ainda outra área essencial a explorar, refiro-me ao universo lexicográfico próprio, próximo ou ampliado.

Proponho ao leitor umha breve visita guiada a esse fascinante continente da mão de três avezados exploradores: Issac Alonso Estraviz (1935), Álvaro Iriarte Sanromán (1962) e Carlos Garrido Rodrigues (1967). De formaçom humanística e férreo compromisso lexicográfico o primeiro; de sólido compromisso linguístico e ampla dedicaçom docente o segundo; de reconhecida competência científica em biologia e técnicas de traduçom o terceiro. Laureados polos seus pares com a inclusom no modesto olimpo dos lusistas observantes que é a AGLP1 os dous primeiros; experimentado artífice na arte da taxonomia lexicográfica — tam ligada ao ofício de biólogo — e avezado analista do ecossistema das línguas europeias, como mestre de traduçom que é, o terceiro.

IE)- O tenaz empenho que deu lugar ao Dicionário on line de Isaac Estraviz2 e a sua opulência lexicográfica nom o salvou da condenaçom ao ostracismo sem atenuantes nem julgamento. O pertinaz desdém oficial pola benemérita compilaçom lexicográfica de Estraviz poderia proceder talvez da indiferenciada inclusom no magno Dicionário de vocábulos de genuína estirpe galega com outros de procedência internacional. Ou talvez do menosprezo polos méritos académicos do filólogo de Trasmiras. Tudo é possível em matéria de fobias filológicas. A arrogáncia da congregaçom académica evoca de imediato o caso exemplar da insigne lexicógrafa Maria Moliner, excluída em vida da honra académica por motivaçons talvez semelhantes, agudizadas no seu caso pola impenitente misoginia dos círculos do poder. Umha certa afinidade moral acentua a semelhança entre ambos lexicógrafos: Isaac leva enriquecendo o seu dicionário toda a sua vida; o ímpar Diccionario de uso del español de Maria Moliner foi também obra de longa maduraçom; iniciada em 1952 ficou inconclusa no momento da sua morte, em 1981, o que lhe furtou a satisfaçom de poder contemplar a ediçom em papel e CD-ROM de 1998.

O legado lexical de Estraviz, custodiado por umha sólida equipa de suporte, luze sem tacha as suas 138.000 entradas que atraem meio milhom de consultas cada ano. A abertura do Dicionário à ecúmena luso-galaica nom lhe impediu o mais minucioso rastejo do vocabulário autóctone3. A propósito, atrevo-me a sugerir ao eminente lexicógrafo e à sua competente equipa a conveniência de assinalar como é devido o vocabulário especificamente galego com a marca [gz], reservada até o momento a balizar a colisom do ditongo alóctone [-ão] com o autóctone [-om]: edição (-om, gz). A equiparaçom assimétrica das três variantes do sufixo [-om / -ám / -ao: funçom / capitám / verao], em benefício imerecido do indesejado ditongo [-ão], Fernando Venâncio dixit, é tam respeitável como objectável num dicionário galego de vocaçom normativa como é o Estraviz.

O facto de o Estraviz disponibilizar o léxico autóctone galego através de híper vínculos (456) nom soluciona adequadamente o problema, porquanto remete a um simples vocabulário desligado das entradas ordinárias do dicionário. O qualificativo de tesouro lexical galego-português do Dicionário bem merece a delimitaçom das diferentes províncias lexicais de procedência, como o Houaiss fai. O respeito à dimensom nacional do galego assi o demanda.

AI)- A equipa de suporte do Dicionário Estraviz guarda com discriçom um outro vértice da minha tríade lexicológica particular de referência: Álvaro Iriarte Sanromán7. Figura discreta do nobiliário reintegracionista que nom pode ocultar o seu inapreciável magistério na arte de transitar os traiçoeiros desfiladeiros que fracturam a fronteira linguística castelhano-portuguesa.

O professor Iriarte, redondelano de nascimento e bracarense de adopçom, é o redactor e responsável do Dicionário Espanhol-Português (Porto Editora, primeira ediçom, 2008) de incontornável referência para os praticantes do português deste lado da fronteira. A filosofia que o inspira luze na citaçom do Livro do Desassossego de Pessoa que lhe serve de lema:” por que escrevo eu este livro? Porque o reconheço imperfeito. Calado seria a perfeição, escrito imperfeiçoa-se; por isso o escrevo”. Aforismo de teor zen adoptado por quem sabe medir a distáncia que vai do perfeito ao imperfeito que os doutorados em autossuficiência ignoram.

Se a intençom do Dicionário Estraviz fica claramente exposta no seu prefácio: reintegrar o galego na sua linhagem linguística8; a do Iriarte adentra-se ousadamente na árdua destrinça do enguedelho da interface linguística luso-espanhola. Além de delimitar com precisom semelhanças e diferenças terminológicas, o autor avança com pé firme na selva semántica das palavras. A declaraçom de intençons sobre o contido da tarefa lexicográfica empreendida admira pola ambiçom do propósito9definiçons e transcriçom fonéticamapa semántico e restriçons de usoinformaçom gramatical e enciclopédicainformaçom pragmática (contextual) e sintagmática (combinatória), pormenorizadamente ilustrado com exemplos aclarativos. Um potente arsenal, apto para reactivar a nossa fronteira linguística com o castelhano, tam magoada polo embate das interferências substitutivas e das extravagáncias hiperenxebristas. Consultem a voz pié e o seu mapa de conexons com o pé português e observam os amigos dos dicionários10 o dilatado continente de semelhanças e diferenças que se abre ante os seus olhos.

CG)- O perfil do professor da Universidade de Vigo Carlos Garrido assenta na firme vocaçom pedagógica e divulgadora e a manifesta mestria na arte taxonómica, tam congruente com a sua formaçom de biólogo. Carlos Garrido presidiu a Comissom Linguística da AGAL entre 2000 e 2015, e preside a da AEG desde 2016, tarefa prolongada nos incisivos comentários filológicos que continua publicando na imprensa digital. Contodo, a vocaçom pedagógica e divulgadora do professor é umha parte apenas do seu valioso contributo ao aperfeiçoamento do galego como língua nacional merecedora de norma própria. Aqueles que desconheçam a dimensom científica de Carlos Garrido podem ficar surpreendidos com o facto de ele ter publicado um dicionário de biologia de referência na prestigiosa editorial universitária brasileira EDUSP11: o Dicionário de Zoologia e Sistemática dos Invertebrados em quatro idiomas12 em cujas virtudes nom vou insistir porque já tem sido objecto do meu comentário em Praça Pública ao qual remeto o interessado13. A obra, gostaria acrescentar, contribui a potenciar a projecçom científica do galego e a erradicar a sua consideraçom como modesta língua doméstica e coloquial. O mesmo que Iriarte, Carlos Garrido encabeça o seu Dicionário com umha requintada referência a Carvalho Calero, à qual já aludim no meu artigo em Praça. Pessoa e Carvalho, dous poderosos padroeiros do galego sem fronteiras.

O decidido empenho de depuraçom lexical acometida polo professor ourensao-viguês, dirigido a confirmar um galego autocentrado e congruente com a sua família na romanística, inspirou a elaboraçom de duas ambiciosas obras de codificaçom e crítica lexical: a monumental investigaçom Léxico Galego: Degradaçom e Regeneraçom, (2011, Edições da Galiza) e O Modelo Lexical Galego. Fundamentos da Codificaçom Lexical do Galego-Português da Galiza, (2012, Através). Duas obras complementares de análise lexicográfica e diagnose precisa do processo de degradaçom que tolhe o nosso idioma e dos critérios que devem presidir a sua reabilitaçom.

Léxico Galego foi objecto de umha elogiosa resenha do professor X. M. Sánchez Rei na Revista Galega de Filoloxía à qual remeto o interessado14. Quanto ao Modelo Lexical, é um pormenorizado catálogo das doenças degenerativas do galego e das suas consequentes estratégias correctoras: variaçom sem padronizaçom (geográfica, de registo, de frequência), substituiçom castelhanizante (por reforço ou usurpaçom), erosom ou estagnaçom com suplência castelhanizante, sem esquecer os diferencialismos, corpos estranhos estes, resistentes a tratamento pola sua habilidade para mimetizar-se como galego genuíno. Um potente aparelho conceptual, em fim, arquitectado para tabular o léxico e isolar as suas variedades tóxicas. O Santo Graal do reintegracionismo que inspira o minucioso labor lexicográfico de Carlos Garrido é esse Padrom Lexical Galego, PLGz, limpo das pejas adventícias que conspiram para degradá-lo a simples bable do castelhano.

O mau agoiro da extinçom por confluência com o castelhano é exorcizado polo nosso terceto virtuoso como prenúncio desse galego emancipado, livre por fim da gaiola dourada em que vive confinado.

Notas

1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Academia_Galega_da_L%C3%ADngua_Portuguesa

2 https://www.estraviz.org/prefacio.php

3 Além de vocábulos de inequívoca procedência galega como “enxebre”, “chainhas”, “trosma”, “relambido”, “nifroso”, “interquenência”, “duira” e tantos outros; também inclui locuçons infrequentes como “bardantes de” bem viva na minha memória linguística familiar e abonada aliás pola minha irmã Susana na sua tesinha de licenciatura na USC, Fala e cousas de Toba, (1968), resumida no Anuário galego de filologia Verba, vol.2, 1975.

4 https://gl.wikipedia.org/wiki/L%C3%A9xico_da_Galiza

5 https://www.estraviz.org/lexicoaglp.php

6 https://web.archive.org/web/20160617075850/http://www.academiagalega.org/publicacoes/lco-da-galiza-mainmenu-50/114-lexico-da-galiza-edicao-on-line.html

7 https://uminho.academia.edu/AlvaroIriarteSanrom%C3%A1n/CurriculumVitae

8 Dicionário Estraviz, https://www.estraviz.org/acerca-de.php

9 https://alvaroiriarte.wordpress.com/2008/02/25/algumas-caracteristicas-do-novo-dicionario-de-espanhol-portugues/

10 Permitam-me recomendar-lhes um aliciante opúsculo de um amante informado deste fascinante disciplina: https://editorial.csic.es/publicaciones/libros/11916/978-84-00-09228-3/la-presunta-autoridad-de-los-diccionarios.html

11 http://www.porsinal.pt/index.php?ps=directorio&cat=27&iddir=297

12 https://www.edusp.com.br/livros/dicionario-de-zoologia/

13 https://praza.gal/opinion/nomear-invertebrados-com-cg

14 https://illa.udc.gal/Repository/Publications/Drafts/1444129797990_Carlos_Garrido.pdf

[Fonte: http://www.praza.gal]

dans toutes les directions ; de tous les côtés ; par tous les moyens

Origine et définition

Évacuons de suite une éventuelle interrogation : la deuxième expression proposée n’est qu’une version abrégée de la première, apparue au début du XXe siècle.
Maintenant, penchons-nous sur l’élément principal : l’azimut, qui s’écrivait aussi avec un ‘h’ à la fin, mais il a tellement été aspiré qu’il a maintenant quasiment disparu.Le mot azimut, attesté au XVe siècle, vient de l’arabe ‘az-samt’, qui signifie aussi bien ‘chemin’ que « point de l’horizon », après être passé par l’espagnol ‘acimut’.
À l’origine terme d’astronomie, il désigne, selon le Robert, « l’angle formé par le plan vertical d’un astre et le plan méridien du point d’observation ».
Sorti du contexte astronomique, et plus généralement, l’azimut est l’angle horizontal entre la direction d’un objet et une direction de référence.

Partant de cette définition, une « arme tous azimuts » (terme employé dans le milieu militaire) est une arme qui tire dans toutes les directions, et une « défense tous azimuts » peut intervenir contre les attaques venues de tous les côtés.

Par extension et au figuré, les azimuts désignent aussi les moyens dans des expressions comme « répression tous azimuts » ou bien « vendre tous azimuts ».

Exemples

« Non satisfaits de faire du bon pain, les deux frères qui mènent la maison s’attaquent maintenant au rayon pâtisserie qu’ils développent tous azimuts. Avis aux gourmands… »
Guide Michelin – Idées de promenades à Paris – 2008

Comment dit-on ailleurs ?

Langue Expression équivalente Traduction littérale
Anglais 360-degree 360 degrés
Anglais across the board à travers le tableau
Anglais all fronts tous les fronts
Anglais all out / out and out total
Anglais all-out tout-terrain
Anglais all-round tout-terrain
Anglais everywhere partout
Anglais unfettered débridé
Anglais (USA)

no holds barred (nulle prise (de catch) défendue)

Chinois 全面 complet
Chinois 全方位 tout-terrain
Espagnol (Espagne) 360 grados 360 degrés
Espagnol (Espagne) a los cuatro vientos aux quatre vents
Espagnol (Espagne) todas las direcciones toutes les adresses
Espagnol (Espagne) todos los niveles tous les niveaux
Gallois bob sut dans chaque façon
Gaélique écossais ge be dé an dòigh quelle que soit la méthode
Hongrois

a szélrózsa minden irányába

dans toutes les directions de la rose des vents

Hébreu בכל הכיוונים (bekhol hakivounim) dans toutes les directions
Italien in ogni direzione dans chaque direction
Italien in tutti i sensi dans tous les sens
Italien tutto tondo rond
Néerlandais all-round tout-terrain
Néerlandais uit alle windstreken de toutes les directions
Néerlandais van alle kanten de toutes les côtés
Polonais na cztery strony świata aux quatre points cardinaux
Portugais (Portugal) todas as direcções toutes les directions
Portugais (Portugal) todos os níveis tous les niveaux
Roumain în/din toate zările dans / de toutes les vues
Roumain pretutindeni de tous les côtés

Si vous souhaitez savoir comment on dit « tous azimuts » en anglais, en espagnol, en portugais, en italien ou en allemandcliquez ici.

Ci-dessus vous trouverez des propositions de traduction soumises par notre communauté d’utilisateurs et non vérifiées par notre équipe. En étant enregistré, vous pourrez également en ajouter vous-même. En cas d’erreur, signalez-les nous dans le formulaire de contact.

[Source : www.expressio.fr]

 

José Eduardo Agualusa aborda confinamento em novo livro de ficção

Agualusa ambientou 'Os vivos e os outros' na Ilha de Moçambique, com enredo em torno de um encontro literário

Agualusa ambientou ‘Os vivos e os outros’ na Ilha de Moçambique, com enredo em torno de um encontro literário.

Escrito por VALENTINE HEROLD

Quando terminou de escrever Os vivos e os outros, José Eduardo Agualusa não imaginava que estaria, poucos meses depois, vivenciando uma experiência similar à de seus personagens. Era novembro de 2019 e o premiado escritor angolano (Independent Foreign Fiction Prize por O vendedor de passados e Prêmio Literário Internacional Impac de Dublin por Teoria geral do esquecimento, entre outros) finalizava este que é seu 15º romance, recém-lançado em Portugal, pela Quetzal Editores, e, no Brasil, pela Planeta de Livros, através do selo Tusquets. Entre fevereiro e março do ano seguinte, o mundo parou em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o lema passou a ser o do #fiqueemcasa, as fronteiras entre os países foram fechadas e a sensação era de um medo apocalíptico jamais vivenciado pelas presentes gerações, beirando os relatos ficcionais sobre o fim do mundo.

Seriam as semelhanças entre o universo cativante de Agualusa e a dura realidade de 2020 mais um exemplo da potência profetizadora da arte? Difícil aqui – em se tratando de um autor cujas narrativas são sempre um tanto quanto mágicas e que eleva a linguagem a um patamar inteligentemente simples e rebuscado – ser meramente racional. Há um componente fantástico inegável, a começar pela cidade que acolhe o livro, ela também um personagem.

O romance se passa na Ilha de Moçambique, território localizado no norte do país e considerado, desde 1991, Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco. O próprio Agualusa encontrou morada na cidade, há cerca de quatro anos, e divide com seus seguidores do Instagram lindas imagens do lugar. Um festival literário – o primeiro da ilha – está prestes a acontecer e tudo começa justamente com a chegada dos escritores, vindos não só de Moçambique como de diversos outros países africanos, e segue por uma semana, tendo seus capítulos divididos do primeiro ao sétimo dia. O tempo de celebração pelos reencontros e descontração é interrompido já no primeiro dia, com o aparente começo do fim, “a noite rasgando-se num enorme clarão, e a ilha separando-se do mundo. Um tempo terminando, um outro começando”.

Os moradores da ilha e os convidados do festival se veem então isolados do resto do mundo, sem sinal de telefone, sem acesso à internet. Até o contato com o continente se torna inexistente, uma vez que nuvens pesadas e tempestades bloqueiam o acesso à ponte, enquanto o clima da ilha permanece ensolarado e aberto. Quem está à frente da organização do evento é o escritor e ex-jornalista Daniel Benchimol e a artista Moira Fernandes, casal já conhecido dos leitores de A sociedade dos sonhadores involuntários, livro lançado por Agualusa em 2017. Se a primeira narrativa marcava o encontro entre o angolano e a moçambicana na África do Sul e o começo da paixão, enquanto Daniel se aventurava na busca pelos mistérios da linha tênue entre sonho e realidade, agora eles residem na Ilha de Moçambique e estão à espera de um bebê.

A não ser pelo fato de ser um excelente livro, não há necessidade de ter lido A sociedade dos sonhadores involuntários para mergulhar no universo de Os vivos e os outros, já que não se trata de uma continuação.

O casal precisa não apenas lidar com a situação inusitada justo nos últimos dias da gravidez de Moira, como também dar atenção às demandas de seus amigos escritores e continuidade ao festival. A narrativa foca em alguns dos autores convidados. Com a perspicácia e ironia característica de Agualusa, somos apresentados ao tranquilo e sábio Uli Lima, conterrâneo e amigo de longa data de Daniel; às moçambicanas Ofélia Eastermann – autora veterena muito segura de si – e Luzia Valente, jovem poeta que está ainda à procura de sua voz literária; e aos nigerianos Jude d’Souza – autor digital influencer que carrega sempre consigo uma câmera Leica –, e Cornélia Oluokum – a grande atração do festival, autora reverenciada no mundo todo e radicada em Nova York. Outras figuras vão compondo o dia a dia dessa estranha semana, mas, sem dúvida, as mais peculiares talvez nem sejam os escritores e, sim, personagens de suas obras mais famosas que aparentam ter saído das páginas dos livros diretamente para a Ilha de Moçambique…

Há uma razão para esse súbito isolamento tecnológico, mas ela só será revelada ao final do livro. Ao longo de uma semana, vamos sendo guiados com curiosidade e leveza pelos mistérios da ilha encantada, que parecem ser indissociáveis do fazer literário. Na vida real, grandes nomes da literatura de língua portuguesa passaram pela ilha (Camões teria terminado de escrever Os lusíadas durante estadia de dois anos), e na literatura do autor angolano a ínsula é palco de reflexões e debates sobre o ofício do escritor e o papel da literatura hoje. “– Não tem receio de que seus leitores o confundam com ele”, questiona Daniel a Jude, sobre seu protagonista “egocêntrico, narcisista, machista e misógino.” “– Agrada-me explorar a possibilidade de ser um outro, diverso de mim, continuando a ser eu mesmo. Também me agrada confundir os leitores”, responde o nigeriano.

Em outro momento, Daniel Uli e Cornélia estão desabafando sobre os estigmas e estereótipos criados pela crítica europeia em torno de autores africanos. “A literatura africana deveria servir para confirmar a África imaginada por eles. Um escritor africano que optasse, eu sei lá, por escrever um romance sobre a guerra civil espanhola seria considerado um alienado”, analisa o anfitrião. Pílulas que nos vão  revelando um pouco também dos pensamentos do próprio Agualusa acerca dessa narrativa metalinguística.

Privados do contato com o mundo exterior, todos mergulham não apenas nessas reflexões coletivas, como também precisam aceitar que essa viagem é um recolhimento para dentro de si. É o momento de fazer as pazes com questões mal resolvidas do passado, muitas delas relacionadas ao extraordinário aparecimento de seus personagens. O tempo, aliás, é outro tema central em Os vivos e os outros: o passado colonial e o presente da ilha, os sete dias que delimitam o desenrolar da narrativa e, principalmente, como a percepção do tempo é alterada a partir do momento em que não há celulares e outros aparatos tecnológicos. A iminente ideia do fim também acelera – ou retarda? – essa consciência.

Assim como no mundo real, a pandemia representou o fim de um mundo como o conhecíamos, o término dessa inusitada semana na Ilha de Moçambique ressignificou para os personagens a essência da vida humana e da literatura. “Os anos multiplicam-se e terminam ocupando tudo. Então, o tempo para. Olhas para dentro de ti e vês os instantes inumeráveis, todos imóveis, cada segundo da tua vida absolutamente estático, e voltas a sentir a alegria ou a tristeza que experimentaste enquanto passavas por eles. A cada estado, quando o tempo para de crescer dentro de nós, a isso chamamos morte.”

VALENTINE HEROLD, jornalista e mestre em Sociologia.

 

[Fonte: http://www.revistacontinente.com.br]

Carrancas e Tarabelos

Escola infantil Tambre, Santiago de Compostela

 

Escrito por Xosé Manuel Sarille

Elias Torres Feijó regaloume Portugal, para quê?, un libro escrito por el, que consta de varios ensaios sobre o vínculo cultural, literario e político, entre Portugal e Galicia. Referentes orixinais e eruditos. A obra está dedicada, tal como el o expresa, a seis marcos de amizade, seis persoas, e unha son eu. Este privilexio tróuxome á lembranza un artigo de Carlos Casares sobre as afinidades que determinan tales eleccións. Casares comentaba que a el nunca lle dedicaran un libro, ou quizais era aquela a primeira vez que o facían, xa non lembro.

As dedicatorias, tamén as destinadas ás persoas que compran os exemplares, ou que os reciben como regalo do autor, posúen unha obrigada concisión expresiva que pode resultar moi potente. De amor, de amizade como neste caso, de agradecemento ou somente de consideración.

En realidade conforma un xénero literario, ou case, porque pode conter toda a beleza da palabra, a abstracción conceptual e someterse a códigos estéticos, normas estritas, e tamén prolongar a mensaxe contida na propia obra. A min algunha vez ténseme ido a man riscando para lectores aos que lles importaba exactamente un pito o asunto que lles comentaba. Continuaba medio entusiasmado o rego discursivo do libro e despois, ao lembrar o asunto, pois amolábame un pouco. Hai que ter mesura.

Agora ben, se o epigrama é poesía, se Catulo, Oscar Wilde ou Ernesto Cardenal lograron grandes alturas poéticas con expresións tan breves, pois a dedicatoria pode ser igualmente bela e conformar un xénero, ou algo así, aínda que a clasificación pouco importe. Vexo agora facendo consultas que os epitafios son epigramas, dunha clase diferente. E xa metidos en fariña desculpen a tentación e que recolla aquí o de Herminio Villaverde Díaz, enterrado nun cemiterio da Fonsagrada: “O Cazote de Fonfría / Descansa aquí panzarriba / Postura que lle agradou / Mentres lle durou a vida”.

Indo ao miolo, que é outro ben diferente. En Portugal, Sísifo e o galeguismo, primeiro capítulo do libro, Torres Feijó sinala que hoxe “pode parecer normal e sem dúvida genuíno de primeira classe usar formas en galego como deus ou escola, nada habituais en tempos pretéritos, quando as funçôes e instituçôes que esses conceitos portam, forom veiculadas e impostas em espanhol”. Hai un século, segue explicando, Cuveiro Piñol, tido por bo gramático, censuraba o uso de palabras como as anteditas, en contra da orientación do grupo liberal da Coruña, liderado por Manuel Murguía; tamén o termo século (claramente lusista) ou dúbida, usadas en portugués como é evidente. Trátase dunha negación do recurso a Portugal e ao seu mundo lingüístico e cultural, que foi e é “importante para o galeguismo, no sentido de legitimar, reforçar, completar ou depurar a sua proposta”.

No cuarto ensaio titulado “A polémica na Revista Gallega sobre o texto da inscrição no monumento “Aos mártires de Carral”: a evidência dum sistema paralisado” analiza a polémica causada polas palabras libertade e ao, inscritas finalmente na cruz conmemorativa e previamente rexeitadas por consideralas lusistas, nunha dura polémica, de novo contra o criterio do grupo coruñés.

É doado observar esa mesma actitude, esa mesma idea da lingua galega, esa mentalidade (trátase esencialmente diso) entre moitos membros que conforman actualmente os órganos oficiais de estudo da lingua galega.

Traio aquí todo isto porque ao ler a Torres Feijó decidín facer un experimento caseiro para saber o que pode aportar o dicionario da Real Academia Galega, tendo en conta que propón, segundo declaración oficial, un modelo estándar da lingua, e que se erixe en faro orientador.

Sempre acompaño os meus traballos de redacción con buscas en dicionarios. Comprobei hai moito tempo que o da RAG é un dicionario con moitas carencias e desde aquela procuro consultar en varios cada termo. Converteuse en hábito por necesidade pura e dura, nada de adornos. Tan presente está o escudriñe que rompe permanentemente a fluencia da escrita. Son os problemas das linguas mal fixadas e das pouco fixadas; é unha das portaxes, das peaxes a pagar.

O meu método, por así dicir, consiste en incorporar cantas palabras me parecen axeitadas. Vou engadíndoas a un corrector ortográfico que adoptei hai varios decenios. Comprei un ordenador e viña instalado e desde aquela vouno transportando para os novos que adquiro. Entraron para dentro centos de termos, quizais miles; tal era a indixencia orixinaria.

Ao non obedecer autoridade ningunha, a maneira de admitir novas entradas no arquivo propio seméllase moito ás habaneras de ida e volta. Primeiro tocábanse nun lado do océano, despois viaxaban para o outro e voltaban de novo xa ben mareadas e así sucesivamente. Cando a palabra escollida para usar non está no meu tarabelo recorro ao Estraviz, dicionario reintegracionista da lingua galega e despois ao da RAG.

Non busquen ciencia porque non a hai e critiquen o que queiran porque cada un di o que lle peta. Se aparece en calquera dos dous incorpóroa; se a dúbida o merece acudo ao Priberam, un bo dicionario de portugués; e se xa está perdido o ritmo das teclas, pois toca encebolarse co da RAE, o diccionari.cat, os de fóra da Península e poñéndose estupendo co Etimológico da Língua Portuguesa e cos Corominas.

É só supervivencia ante uns rexistros moi cativos. E curiosidade polas palabras, esquecendo moi axiña o buscado. Téñoo pasado moi ben co Aurélio cando circulaba en CD e aínda non estaba moi estendido o soporte dixital, triscando palabras, consultando abraiado as ducias de acepcións eufemísticas da palabra cachaça, por exemplo. A abundancia tropical, a fértil mestura, as deformacións brasileiras do presente e as aportacións tupís, bantús, incrustadas no galego-portugués.

O experimento consistiu en anotar desde que recibín o obsequio, durante estes catro meses, as palabras que non saían no corrector e o que acontecía con elas nos dicionarios que utilizo. Seguro que hai termos mal recollidos, ou con variábeis que non detectei, pero será un defecto menor.

Palabras que non estaban no dicionario da RAG:

Hilaridade. Disruptivo. Averiguar. Burdo. Atorar. Capirote. Grupúsculo. Escanaveirar (termo usado por unha señora dunha aldea para falar dun exhibicionista. O Estraviz recóllea, como case todas as desta lista). Aportación. Reseña. Reseñar. Conas (un). Conacho. Chamativo. Intricado. Intrincado. Bisoño. Traquinar. Propositivo. Hexemonizar. Ineficiencia. Categorizar. Glamour. Ecoar. Permeabilizar. Sacrificial. Desagregador. Literato. Xeneralista. Gargallar. Sobardar. Vitimismo. Desacoplar. Desacoplamento. Embrollo. Vosear. Atutar. Vacío (aparece negado, riscado). Fruír. Adefaxia. Aplestia. Zampar (aparece negado). Embudar. Desbrozar. Farra. Boate ou Boîte. Pistilo (aparece só como órgano feminino das plantas). Antagonizar. Chingar. Ñoño. Volupia. Candente. Restrinxido. Restrito (cocido está como participio, adxectivo e substantivo). Remasterizar. Grimorio. Alegato. Bozal. Mariache ou Mariachi. Santarrón. Cateto (persoa inculta analfabeta, só no Estraviz). Gabarra (descrita por Mariño Ferro). Nulificar. Nulificación. Vigorar. Viñoteiro. Consultante. Suterra (pataca). Mariña (pataca). Soslaio. Maroutallo (moi mal definida no Estraviz). Manusear. Petrechar. Xentrificación. Xentrificar. Profesionalizar (profesionalidade si). Brueiro (peza do carro). Vulcaniana. Piroclasto. Cultivación. Dipsomanía. Estábulo (estabular e estabulación si que se incorporan). Escolasticismo. Colleitar.

A RAG debe facer algún seguimento das consultas electrónicas, porque agora xa figuran os termos hilaridade candente, que hai tres meses non estaban, se non me equivoco. Quizais haxa incorporacións urxentes das ausencias máis abraiantes. Hilarante leva unha definición moi pobre.

Ludicamente, Esplenio, Compactador e Occipucio, palabras buscadas tamén, só aparecen no Priberam, igual que Doxa e Epitálamo, termos que tampouco teñen entrada no da RAE, dito sexa por curiosidade. Diencéfalo aparece no Priberam e no Estraviz.

Fáctico non aparece no Estraviz. Tampouco está Petrecho; recolle no entanto o verbo Petrechar e defíneo como prover de petrechos.

Acerta a RAE cos termos Lema e Mote, referidas ao sector económico do deseño. RAG, Estraviz, Priberam e Aurélio non recollen esas acepcións. E resulta curioso que o da RAG defina Naipeira como muller que bota os naipes, sen que apareza Naipeiro, mentres que no Estraviz aparece naipeiro e falta naipeira.

A voz Parodia está en todos, pero Parodiante só no Priberam. E Parodiado no Priberam e no Estraviz. No da RAG nin Parodiante nin Parodiado.

Aquí fálase só da presenza e da ausencia de termos, sen atender ás categorías gramaticais, variantes, etimoloxías (que o da RAG non reflicte), expresións, nin outras informacións. Tampouco á pobreza das definicións e falta de acepcións, especialmente no da RAG, a unha enorme distancia do Priberam, RAE, Dizionari di lingua italiana ou do rico Larousse da lingua francesa.

O profesor Manuel González, do Seminario de Lexicografía da Real Academia Galega, explicou hai pouco en Radiofusión o xeito de incorporar novos termos. Teñen varias fontes: as suxestións dos propios membros do seminario, que se reúne mensualmente; a observación dos medios de comunicación, que reflicten cambios sociais; outra fonte procede do Seminario de Terminoloxía, tamén da Academia, que estuda o léxico de linguas de especialidade, para incorporar as novidades do vertixinoso mundo da ciencia e das tecnoloxías; finalmente o ouvido á sociedade, a través das redes sociais e tamén da propia páxina do dicionario.

Tendo en conta as enormes carencias chama a atención que non decidan cruzar datos cos doutros dicionarios, particularmente os galegos e portugueses, para tratar de resolver as enormes eivas, sobre todo tendo en conta as posibilidades que ofrecen arestora as tecnoloxías. Ignoro o que ten de heterodoxo este método comparativo, pero a necesidade é maior que o mal remedio. E asombra que o estado da cuestión sexa este despois de corenta anos de democracia, de recoñecemento institucional, con diñeiros públicos e variados organismos, universitarios e de diversa índole, dedicados ao mesmo labor.

O dicionario da RAG axuda a conformar unha lingua esquelética, imprecisa, dunha plasticidade débil, falta de matices e amplamente carenciada (palabra que só incorpora o Priberam). A ausencia das palabras anima loxicamente a que os consultantes (non está tampouco consultante, nin consultador) non a usen porque a dúbida provoca inhibición.

Tal estado suscita preguntas. É útil? Cumpre a función que se arroga? Dá servizo a quen queira enriquecer os seus textos e a súa fala? Canta xente da cultura confía nel? A maioría dos escritos, literarios e tal, que se publican en galego oficial foron auxiliados principalmente por ese dicionario? Que riqueza contén unha lingua a partir dun rexistro tan cativo? É acertado recomendarllo a persoas que non o usan como instrumento de traballo? É dicir, cando unha persoa busca e non atopa, pero a palabra forma parte da lingua, cara onde a están dirixindo as persoas que recomendan esa ferramenta? O profesorado de educación básica e media de lingua galega usa principalmente e recomenda este dicionario? Baséanse fundamentalmente nel? E senón cales máis recomendan? Os profesionais dos medios de comunicación descartan unha palabra cando non está no da RAG? Buscan noutros? E cales outros? Os que son aínda máis modestos pero están máis fomentados? Cantas persoas dos oficios relacionados coa lingua galega se limitan a dar por válido o recollido nel?

[Imaxe: César Coll e Viviana Slafer/Concello de Santiago – fonte: http://www.praza.gal]

A narradora Marta Ortiz propón unha viaxe sobre a irmandade lingüística e cultural entre Galicia, Portugal e toda a lusofonía.

Cidade da Cultura de Galicia

Cidade da Cultura de Galicia

Con motivo da conmemoración do Día Internacional da Narración Oral, a Xunta programa o sábado, 20 de marzo, ás 12:00 horas, na Cidade da Cultura, o espectáculo ‘Galicia Máxica’, unha proposta da contadora Marta Ortiz cun repertorio composto na súa totalidade por contos tradicionais galegos e portugueses.

Esta sesión de contacontos, especialmente dirixida a nenos de entre 4 e 11 anos, será de entrada gratuíta -previa reserva na web– e poderá seguirse tamén en directo a través de streaming.

Nela, a narradora Marta Ortiz propón unha viaxe sobre a irmandade lingüística e cultural entre Galicia, Portugal e toda a lusofonía. Será a través de romances, cancións, xoguetes e xogos tradicionais de Galicia e do país veciño, que servirán tamén para achegar aos máis pequenos o patrimonio oral compartido.

CONMEMORACIÓN DO DÍA DA NARRACIÓN ORAL

O espectáculo de Marta Ortiz no Gaiás enmárcase nas actividades do Día Internacional da Narración Oral, que se conmemora o 20 de marzo, promovidas polo Festival Atlántica, o colectivo NOGA, e os festivais Sete Falares de Pontevedra e Falando a Boca Chea da Coruña, nunha xornada na que se celebrarán unha vintena de espectáculos en múltiples puntos de Galicia.

Ademais de Marta Ortiz, entre os artistas participantes figuran nomes como os de Raquel Queizás, Charo Pita, Pablo Díaz, Vero Rilo, Celso F. Sanmartín, Quico Cadaval ou Sole Felloza, Pavís Pavós, Baobab, Migallas e Polo Correo do Vento.

iniciativa conta tamén cun manifesto da escritora Fina Casalderrey para lembrar nestes tempos tan especiais a importancia e a necesidade das historias a viva voz e o encontro cos outros para celebrar a memoria, a identidade e a lingua.

[Imaxe: MANUELGVICENTE – Europa Press – fonte: http://www.galiciaconfidencial.com]

A exclamação «parabéns!» é das palavras mais felizes que por aí andam. Não só a ouvimos quando nos aconteceu alguma coisa de muito bom, como também naquele dia do ano em que se comemora o nosso nascimento. Qual será a sua origem?

Escrito por Marco Neves

A palavra é tão feliz que nunca a usamos no singular! Se alguém se atrever a desejar «parabém!», é capaz de encontrar uma careta de estranheza… Porquê este plural? E qual será a origem da palavra, que usamos nós e todos os que falam português (e galego, já agora)?

A palavra é uma junção de «para» e «bem», no plural, e já aparece nos nossos dicionários desde o início do século XVIII. Muito antes de aparecer nos nossos dicionários, era usada no castelhano, em expressões como «para bien sea» — a partir destas expressões, as palavrinhas «para» e «bien» juntaram-se as duas à esquina e criaram uma só palavra, que aparecia em expressões como «com muchas bendiciones y parabienes». Todo o século XVI e o início do século XVII foram tempos em que o castelhano era a língua da moda cá em Portugal, principalmente em Lisboa. Importámos tantas e tantas palavras que lhes perdemos a conta. Muitos dos grandes escritores não só escreviam também em castelhano, como usavam palavras de sabor castelhano nos textos em português (até Camões…). Hoje, nem notamos, porque muitas delas acabaram por fazer parte do nosso léxico e não as distinguimos das outras…

Assim, não é de admirar que os nossos «parabéns» tenham vindo dos «parabienes» castelhanos. O que é muito curioso é que esta palavra não tem o mesmo uso em castelhano. Fomos nós que nos lembramos de usá-la como exclamação única para dar os parabéns. Os nossos vizinhos castelhanos usam com muito mais frequência outras expressões, como «feliz cumpleaños» para os parabéns de aniversário, «enhorabuena» para os parabéns depois da conclusão de algo importante, entre outras formas de dizer o que nós dizemos com um simples «parabéns!» (também usamos outras expressões, como «feliz aniversário», mas são muito mais raras). As línguas emprestam-se palavras sem parar, mas raramente algum idioma as recebe sem torcer um pouco a forma ou o significado — neste caso, criámos uma nova expressão muito nossa, apesar da origem.

Já de pedra e cal no português, a palavra não ficou quieta. Do outro lado do Atlântico, transformou-se no verbo «parabenizar». Por cá, garantem-me os dicionários que existe o verbo «parabentear», mas o coitado não tem saído muito à rua… O que fazemos é pedir ajuda a outras palavras, usando a expressão «dar os parabéns».

Para terminar, deixo um sinónimo para todos aqueles que se arrepiam de dar os parabéns usando uma palavra castelhana (aconselho a não ter esses pruridos; afinal, uma grande parte das palavras que usamos já andou a passear no mundo). O sinónimo é «prolfaça». Também pode ser usado no plural: «prolfaças». Parece ser mais usada em casamentos. A origem parece clara: vem de «bom prol lhe faça». Está nos dicionários, mas raramente se ouve. Acontece muito: há palavras que estão nos dicionários durante séculos e ninguém as usa — e outras que andam à solta pelo mundo por décadas e décadas antes de serem apanhadas pelos dicionários.

Confesso agora duas coisas. Em primeiro lugar, tive ajuda de Fernando Venâncio para descobrir a origem da palavra. Muito obrigado! — que é, diga-se, outra das nossas exclamações felizes. Em segundo lugar, lembrei-me da palavra «parabéns» para esta crónica porque a minha mulher, Zélia, está mesmo quase a fazer anos, num número bem redondo, que ela me proibiu de revelar. Como ainda faltam uns dias e dizem que os parabéns antecipados dão azar, desejo-lhe já as prolfaças!

 

 

[Fonte: http://www.certaspalavras.pt]

 

Escrito por Alethea Rodrigues

Caçula de uma família considerada burguesa no Vietnã, Thái Quang Nghiã viu seu pai gerir campos de arroz e vender ao governo por muitas décadas, até que em 1974 o Vietnã do Norte (comunista) invade sua cidade natal, Saigon [atual Ho Chi Minh, então no Vietnã do Sul], e sua família teve todos os seus bens confiscados.

O vietnamita, com 20 anos na época, abandonou a escola e foi enviado para um campo de reeducação, onde era forçado a trabalhar o dia todo como escravo.

“Faziam na gente um tipo de lavagem cerebral para que mudássemos nossos pensamentos. Trabalhávamos desde as cinco da manhã até a noite. Saí de lá mais revoltado do que era”, lembrou Thái.

Nesse local, permaneceu por um mês, até que conseguiu a liberdade e decidiu, juntamente com a família que a melhor escolha seria fugir do país para não ser morto.

Foi em outubro de 1978 que Thái partiu sozinho em um barco pesqueiro com mais 67 vietnamitas. Foram resgatados em alto mar pelo navio Jurupema, de propriedade da Petrobras.

“Víamos vários barcos passando, mas ninguém parava para nos ajudar. Até que o Jurupema nos resgatou. Foram dias muito difíceis, inclusive passamos muita fome”, contou o refugiado.

Após chegar no Brasil sem falar uma palavra, vietnamita criou próprio método de estudo do português e tempos depois passou em matemática na USP. (Foto da autora)

Ao chegar ao Brasil, desembarcou no Rio de Janeiro em pleno carnaval. Thái lembra de que o Rio estava lotado por conta do feriado e foi acolhido pela Cruz Vermelha. Só depois de dois meses foi encaminhado pelas Nações Unidas (ONU) para São Paulo, no abrigo temporário da instituição filantrópica Missão Paz.

A casa que acolheu os vietnamitas resgatados se chamava AVIM (Associação dos Voluntários para a Integração de Migrantes) e, desde 2002, passou a chamar-se Casa do Migrante. Nesse local permaneceu por seis meses.

“Quando cheguei não entendia nada de português, não sabia uma palavra e me era impossível comunicar. Era cego, surdo e mudo. Como sempre gostei de estudar, criei um dicionário vietnamita-português e passei a estudar sozinho”, contou Thái.

O dicionário, que posteriormente foi publicado, contém cerca de 14 mil palavras e ajudou o vietnamita a garantir fluência no português em pouco tempo.

No abrigo, dividia quarto com outros quatro vietnamitas. Na época, o local recebia migrantes internos e um grande número de chilenos que fugiram do país de origem devido a repressiva e violenta ditadura de Pinochet (1973-1990).

A persistência e a vontade de vencer, fez com que Thái conseguisse passar no vestibular da USP e cursou a graduação em matemática. Durante o período como universitário já tinha um bom emprego, trabalhava como programador em um dos melhores bancos do país. Ele tinha um bom salário, o emprego era estável, mas o destino deu uma reviravolta na vida dele.

Recebido na Casa do Imigrante por 6 meses, Thái elaborou dicionário vietnamita-português com 14 mil palavras e passou a estudar sozinho. (Foto da autora)

“Tinha uma pessoa que devia uma quantia em dinheiro para mim na época, e pagou essa dívida e, uma fábrica que havia falido e um estoque de mais ou menos 400 bolsas para que eu administrasse. Eu resolvi arriscar”, disse o empresário.

Como as vendas iam muito bem, Thái decidiu cursar Administração de Empresas, que foi concluído em 2002. Logo em seguida, teve uma ideia que mudaria a sua vida. Ao se dar conta de que todos os estrangeiros que visitavam o Vietnã levavam uma sandália feita da borracha do pneu como lembrança, decidiu produzir os mesmos calçados no Brasil.

Não demorou muito para os produtos se transformarem na marca Goóc, que no idioma nativo do empresário significa “raiz”. A empresa chegou a exportar para 35 países e vender mais de 6 milhões de unidades por ano. Em 2006, por exemplo, Thái chegou a faturar mais de R$ 60 milhões.

Em 2011, mais um episódio marcaria profundamente a vida do vietnamita; um incêndio destruiu por completo sua fábrica em Brotas, no interior de São Paulo. O empresário perdeu todo o estoque, máquinas e até os clientes por não conseguir cumprir os prazos de entrega. Diante das dificuldades que quase levaram sua marca à extinção, o empreendedor terceirizou sua produção e apostou no modelo de franquia, o qual deu certo e mantém até os dias de hoje.

Atualmente Thái vive com a família e tem três filhas. O vietnamita é conhecido em vários cantos do mundo por ser um especialista em dar a volta por cima.

Filho de burgueses em Saigon, Thái viu a família perder plantação de arroz e, aos 20 anos, ele foi enviado a campo de reeducação após ocupação comunista. (Foto: arquivo pessoal)

Hoje, a Goóc é mundialmente conhecida pela preocupação com sustentabilidade, por pensar em reciclagem. Mas, segundo o vietnamita, a mensagem que quer passar aos clientes vai muito mais além. “Antes de salvar o mundo, você tem de ser forte o suficiente pra aguentar os trancos e barrancos da vida. Aguentar os desafios da vida. Essa é a raiz da Goóc”, ressaltou o empresário.

A visita ao abrigo onde tudo começou

Na primeira semana de dezembro, Thái retornou a Missão Paz, e visitou a Casa do Migrante, primeiro abrigo que o acolheu quando chegou ao Brasil. Visitou cada cômodo, e relembrou tudo que viveu há mais de quarenta anos. Durante o tour, logo encontrou o quarto 4, onde dormia e estudava português todos os dias.

“Naquela época a luz era bem fraquinha, as camas eram de ferro e as regras muito rígidas. Eu sentava no chão, apoiava meu caderno na cama e produzia meu dicionário. Aprender português foi fundamental para o meu crescimento no Brasil”, relembrou emocionado.

Thái não conteve a ansiedade. Em cada canto que passava contava uma história diferente. No final da visita, revelou que naquela época, ao escutar Roberto Carlos e Asa Branca, emocionava-se porque sentia muita solidão e saudade da família.

Ao sentar na área de lazer do abrigo, finalizou a entrevista com uma mensagem ao refugiados e migrantes que estão passando pela mesma situação que viveu:

“Quando cheguei aqui estava perdido, mas aqui vivemos em um país livre onde podemos construirmos a nossa vida. A gente fica longe da família, da nossa cultura, mas estamos salvos e podemos trabalhar, estudar e crescer na vida novamente. Tente esquecer o passado e viva uma nova vida, vai dar certo!”, finalizou o vietnamita.

 

[Fonte: http://www.migramundo.com]

A emenda demanda « respecto real » baseado no dereito de uso e no deber de coñecemento, o que abre o camiño para a igualdade xurídica plena das linguas

O Congreso na sesión de onte, nunha imaxe insólita ante a escasa presenza de membros pola situación de emerxencia sanitaria (Imaxe: Pool)

A Mesa pola Normalización Lingüística considera « un pequeno paso cara á igualdade » que o Congreso español aprobase esta mañá parte da Proposición non de lei (PNL) rexistrada por BNG, Compromís, PNV, EH Bildu, JxCat, PDCAT, ERC, CUP, Más Madrid e Podemos co obxectivo de garantir o uso da lingua propia a toda a cidadanía.

A emenda aprobada recoñece a necesidade de oficializar linguas como o galego en territorios pertencentes a Asturias e Castela-León, acepta permitir a validez recíproca de documentos escritos en galego e portugués -que forman parte do mesmo sistema lingüístico- e a reciprocidade na recepción de radio e televisión e, por último, demanda « respecto real » baseado no dereito de uso e no deber de coñecemento, o que abre o camiño para a igualdade xurídica plena das linguas. Este punto foi aprobado cos votos a favor de todos os partidos políticos agás VOX.

O presidente da Mesa, Marcos Maceira, valora esta votación como « positiva », na medida en que « abre espazo para que A Mesa e outras entidades continúen traballando a prol do obxectivo da proposta orixinal, que é que o recoñecemento das linguas se concrete en garantías de igualdade real para toda a cidadanía. » Maceira recorda, tamén, despois da postura amosada polo PP no Congreso español, que « o PPdeG ten deberes que facer en Galiza: sentarse, falar e executar os acordos acadados ».

« Os axentes sociais definimos o camiño e conseguimos que se foran adherindo os axentes políticos », recorda Maceira. « Nesta ocasión non saíu adiante a totalidade do proposto, mais si unha parte moi importante », puntualiza, « a porta está aberta e temos a determinación de volver pór o tema sobre a mesa, porque, coas linguas, estamos a falar de democracia, liberdade e igualdade. Hai moito en xogo e  nós seguiremos traballando ».

 

[Fonte: http://www.nosdiario.gal]

¿Está hibernando el rock latinoamericano? Algunos discos recientes prueban que, en realidad, ha seguido evolucionando de formas diversas

El dueto Carabobina

 

El polémico documental Rompan todo dejó una incógnita: ¿el rock latinoamericano está hibernando? Faltó abrir el oído. En este siglo el género ha dejado de tener la penetración cultural de los cincuenta años previos, pero musicalmente hay mucho que decir. Las bandas de la región ya rara vez llenan estadios o colocan hits en los medios, pero los cinco discos seleccionados aquí son la prueba de que circulan ideas potentes, canciones que nos siguen interpelando. No hay hibernación sino otras formas de producción, circulación y escucha.

Barbi Recanati, Ubicación en tiempo real

Luego de Utopians, la banda con la que grabó dos EPs y cinco álbumes, la cantante y guitarrista argentina inició una carrera en solitario que en este disco ha encontrado una temprana madurez. Ubicación en tiempo real apareció hace un año, coincidiendo con el inicio del confinamiento. Sus siete canciones anticiparon las variaciones anímicas que implicaría atravesar la era covid. Recanati es hija del postpunk, pero también de Patti Smith: sus composiciones recurren a gestos y melodías elementales. La guitarra, el bajo, la batería y los teclados crean sobre todo texturas para que la voz alcance una expresividad plena.

La Bande-Son Imaginaire, La muerte en vintage

Su álbum anterior, Mezcal a pleno vuelo (2018), nos hizo incluirlos en la categoría de “Músico emergente” de la octava edición de Presente de las artes en México. Con el sentido de teatralidad que los caracteriza, la banda oaxaqueña ha sabido hacer del gótico una zona de búsqueda en la que conviven un imaginario de películas mexicanas con sonidos extraídos de teclados y cajas de ritmos que hoy son ya low-tech. ¿Será por eso que eligieron La muerte en vintage como título para su tercer álbum? Este nuevo trabajo consolida la apuesta por oscuridades bailables con dosis de terror. Si el dark es una pasión nacional, nunca lo fue tanto como en La Bande-Son Imaginaire.

Dafne Castañeda, Posguerra

Es una experiencia singular, oír Posguerra. Surgida en la escena punk limeña, Dafne Castañeda ha lanzado un EP en el que los bordes genéricos y geográficos se pierden. Suena latinoamericano, suena peruano, pero la sensibilidad es pop. Un pop inestable, experimental, que no sacrifica detalles sonoros a favor de la accesibilidad, sino que se concentra en la construcción de canciones que emulan las formas del sueño. Con recursos lo mismo electrónicos que provenientes de la canción popular, las siete piezas de este trabajo hacen pensar que la antropofagia de Oswald de Andrade sigue estando en nuestro horizonte.

Buenos Muchachos, Vendrás a verte morir

El noveno álbum de la banda montevideana la muestra como uno de los escasos especímenes que, surgidos en la efervescencia alternativa de los años noventa, han llegado a esta orilla con un sonido que, sin renegar de sus fuentes, tiene un carácter personalísimo. De gran popularidad en Uruguay, Buenos Muchachos entrega en Vendrás a verte morir una excelente puerta de entrada a su propuesta, plena de melancolía lírica y disonancias. Extrañamientos donde se insinúa lo digerible. El timbre, la dicción y las palabras de Pedro Dalton dan a estas canciones su coloratura, en un disco pensado para ser oído de principio a fin.

Carabobina, Carabobina

El dueto de noise pop formado por la venezolana Alejandra Luciani y el brasileño Raphael Vaz Ouça (bajista de Boogarins) –rock latinoamericano, en suma– presentó su debut a finales del año pasado. Grabado a lo largo de dos años de forma casera, sus canciones, cantadas en español, portugués e inglés, surgieron de sesiones de improvisación. El resultado es un conjunto de piezas cálidas pese a su carácter repetitivo, como si las máquinas compartieran las emociones. Carabobina produce un ambiente al que el escucha es arrastrado, con resultados narcóticos y meditativos.

[Fuente: http://www.latempestad.mx]

 

 

 

Por Mohorte / Magnet

Un mensaje de la embajada española en Turquía fue suficiente para desatar la tormenta: « Keridos amigos i amigas de la Komunidad Sefaradi. Para mi es una grande onor i un privilejio de pueder adresarme a vozotros en una data tan importante komo la de oy ». La confusa grafía generó toda suerte de chanzas y preguntas. ¿Habían abrazado las instituciones públicas la venerable lengua « hoygan », la variante castellana del badspellingen el que la ortografía de cada palabra se retuerce con propósitos cómicos?

No. Había abrazado el judeoespanyol.

La explicación. Ante el revuelo montado la propia embajada se vio en la obligación de aclararlo poco después: « Hoy hemos celebrado en Turquía el día del judeoespanyol, la lengua de la comunidad sefardí, y nuestro embajador se ha dirigido a ella en su lengua ». En efecto, no se trataba de una burda equivocación ortográfica, sino de un idioma que ha pervivido en los márgenes durante más de cinco siglos, y cuyo origen se remonta a la comunidad de judíos ibérica expulsada de los reinos cristianos en 1492.

La marcha. La expulsión de los judíos es uno de los episodios más controvertidos de la historia de España y ha rellenado toneladas de páginas en la historiografía. Reducido a su interpretación más simple, el interés de los reyes católicos por homogeneizar sus estados en la recta final del siglo XV condujo a una persecución sostenida de la comunidad judía en la península, largamente asentada, concluida en o bien conversiones forzosas o bien el exilio para quien se negara a abandonar su fe.

Se calcula que unos 100.000 judíos abandonaron España en 1492. Fue el último episodio de un largo historial de antisemitismo y fricciones con las poblaciones cristianas dominantes que encuentra en los pogromos y exterminios de 1391 su episodio más negro y funesto.

El contexto. La ascendencia de la población hebrea en los territorios ibéricos se remontaba siglos atrás. La monarquía española no fue una excepción en su persecución de los judíos. Si acaso llegó más tarde. Francia había concluido su proceso de expulsión en 1394; Inglaterra había emitido su edicto mucho antes, en 1290; Austria institucionaliza su persecución y exilio forzoso en 1421; y una miríada de estados centroeuropeos hacen lo propio durante el siglo XV, punto culminante de las desavenencias cultivadas durante años por los cristianos europeos.

En el exilio, judeoespanyol. Sobre los porqués también hay infinidad de análisis y estudios. La baja Edad Media supone un cambio en las actitudes (políticas, sociales, económicas) de Europa occidental, disparando los episodios de antisemitismo y las persecuciones hacia los judíos. Lo que nos interesa para el caso que nos ocupa es el arrastre que aquellos judíos hicieron con sus costumbres, hábitos, prácticas culturales e idiomas. La población hebrea española era… Tan española como la cristiana. Y cuando se marcharon (forzosamente) se llevaron su cultura con ellos.

Entre ella, la lengua. El judeoespanyol.

Un romance. Si las palabras escritas por la embajada nos resultan tan familiares, si bien impactantes, es porque el judeoespanyol es una lengua romance. Una derivación del latín vulgar que adaptó los dejes de la comunidad hebrea (con sus formas, acentos y variedad léxica). Hoy su esqueleto más básico se compone del castellano antiguo hablado en la España peninsular de la Edad Media, complementado por una miríada de particularidades deudoras del turco y de varias lenguas semíticas (entre ellas, obvio, el hebreo). Un proceso calcado al del yiddish, lengua germánica.

Las lenguas que pueblan hoy la península y que todos conocemos (español, catalán, gallego, portugués; a sumar al asturiano y al aragonés, hoy en peligro) no son las únicas que lo hicieron en el pasado. El judeoespanyol corrió mejor suerte que el mozárabe, el idioma de los cristianos residentes en territorios musulmanes extinto, en parte por el exilio y por la más compleja asimilación de la población hebrea. Durante siglos, los judíos sefardíes mantuvieron viva su lengua, siempre en los márgenes de los estados, a menudo perseguidos, lejos de los centros de poder.

A día de hoy. La perseverancia del judeoespanyol quinientos años después sólo puede ser motivo de admiración y respeto. Es parte de la cultura española. Hoy cuenta con 500.000 hablantes, la mayoría de ellos residentes en Israel. Es allí donde en diciembre se inauguró la Real Academia del judeoespanyol, auspiciada por la RAE, cuyo reconocimiento de la lengua se remonta a 2015. Otras comunidades numerosas se cuentan en Turquía, Marruecos o Bosnia-Herzegovina, donde tiene cuenta con cierto reconocimiento oficial. Testigos todos ellos de la larga diáspora sefardí.

España lleva cierto tiempo reparando el calamitoso (a nivel humano, pero también social y económico) edicto de expulsión de 1492. Desde principios del siglo XX los judíos sefardíes cuentan con la posibilidad de compaginar su nacionalidad con la española sin mayores trabas. Y de ahí los mensajes de la embajada española en Turquía. Mensajes que contribuyen a mantener viva una lengua siempre al borde de la extinción (cuenta con su propia placa en Auschwitz) y siempre superviviente.

[Fuente: magnet.xataka.com]

Vanusa Vera-Cruz Lima considera que a obra deve incluir « um comentário pedagógico », para que a questão racional não seja ignorada. A Associação de Professores de Português (APF) considera que uma leitura implica a análise dos preconceitos raciais do discurso narrativo e contexto histórico

O escritor Eça de Queiroz e Os Maias estão na berlinda.

Uma investigadora cabo-verdiana identificou várias passagens racistas em « Os Maias », de Eça de Queirós, que, na sua opinião, não retiram valor à obra literária, mas justificam a inclusão de « um comentário pedagógico », para que a questão racial não seja ignorada.

« A inferioridade dos africanos e o desdenho pelo negro ou qualquer aspeto relacionado à raça negra é presente na linguagem do narrador e reforçada através de ações e pensamentos de personagens e da idealização da branquitude em crianças, homens e principalmente mulheres », disse Vanusa Vera-Cruz Lima, em entrevista à agência Lusa.

Professora de português na Universidade de Massachusetts Dartmouth, nos Estados Unidos, onde está a tirar o doutoramento em Estudos e Teoria Luso-Afro-Brasileiros, Vanusa Vera-Cruz Lima faz questão de sublinhar que « as passagens raciais não retiram nem adicionam o valor que esta obra representa na literatura portuguesa« , mas criam « oportunidades de ensino e instrução culturalmente responsáveis ».

« Penso que é importante separarmos o romance, que é uma das maiores obras de arte da cultura portuguesa, das passagens racistas nela encontradas« , disse, acrescentando que o que está em causa na sua análise é a obra e não o autor, Eça de Queirós, pois « para tal seria preciso um estudo muito mais aprofundado, investigação profunda sobra a vida dele e seus escritos profissionais e pessoais ».

Segundo a investigação de Vanusa Vera-Cruz Lima – que para esta análise recorreu à teoria crítica da raça, uma área de pensamento teórico contemporâneo que « revela como o racismo molda a realidade quotidiana do mundo » – a linguagem do narrador « reproduz a superioridade da raça branca sobre a raça negra, evidenciada através do discurso, frases, escolha de palavras, pensamentos das personagens de que a raça branca merecia ter o poder absoluto sobre a raça negra ».

« Ao celebrar extravagantemente a branquitude, o romance envia uma mensagem de que a negritude não é algo de que se orgulhar e, portanto, como o preto e o branco estão sempre em oposição, a glorificação de um, rebaixa o outro« , referiu.

Uma das passagens que a investigadora usou para exemplificar a sua afirmação consta do capítulo XVI da obra, escrita em 1880: « Ela [Maria Eduarda], por seu lado, loira, alta, esplêndida, vestida pela Laferrière, flor de uma civilização superior, faz relevo nesta multidão de mulheres miudinhas e morenas« .

Para a doutoranda, « todas as personagens do romance são um produto do ambiente em que o branco é considerado superior em relação ao negro« , embora estas possam « ser divididas em camadas com diferentes intensidade, consciência e intenção ».

« João da Ega é o personagem em que o racismo mais se evidencia. De acordo com Ega, da mesma forma que Portugal aspira ser civilizado, os negros tentam agir como brancos fantasiando e vestindo a jaqueta do seu mestre« , ilustra.

Vanusa Vera-Cruz Lima cita uma outra passagem do capítulo IV em que a personagem João da Ega afirma: « Nós julgamo-nos civilizados, como os negros de São Tomé se supõem cavalheiros, se supõem mesmo brancos, por usarem com a tanga uma casaca velha do patrão ».

A doutoranda considera que a obra « Os Maias » é um material para explorar valores e comportamentos relacionados com a raça que existiam na época, « mas que continuam a manifestar-se em vários aspetos da sociedade atual », disse, esperando que o seu estudo abra « conversas corajosas sobre raça dentro do romance », o que « não levaria à desvalorização da obra tão importante ».

« Mais do que explicar o contexto, é preciso discutir a obra, usando as lentes atuais, porque apesar de o romance ter sido escrito nos anos de 1800, faz parte da realidade de milhões de alunos espalhados pelo mundo lusófono em 2021 », referiu.

De origem cabo-verdiana, Vanusa Vera-Cruz Lima é licenciada em Relações Internacionais (Universidade Cândido Mendes – Rio de Janeiro) e mestre em Linguística Pplicada. Leu « Os Maias » pela primeira vez durante o ensino secundário, em Cabo Verde, quando Eça de Queirós lhe foi apresentado como « um dos mais importantes escritores da literatura portuguesa ». Voltou à obra no âmbito do programa do seu doutoramento.

Transmite a mensagem de que « a colonização foi necessária e benéfica »

Segundo Vanusa Vera-Cruz Lima, a mensagem sobre o colonialismo que os alunos recebem quando leem a obra, publicada em 1888, é que « a colonização foi necessária e benéfica ». Além disso « transmite uma imagem de África como sendo uma terra de « selvagens » e « incivilizados », que resulta na justificação da exploração portuguesa neste continente ».

Na sua análise racial a « Os Maias », uma das obras mais conhecidas de Eça de Queirós, autor de leitura obrigatória na disciplina de Português no ensino secundário, Vanusa Vera-Cruz Lima apresenta várias citações do romance que « evidenciam o processo de colonização » como tendo sido « necessário para a « salvação » das pessoas que viviam nas terras africanas ».

Para Ega, uma personagem com relevância neste romance, que relata a história de uma família ao longo de três gerações, em finais do século XIX, « a colonização tinha um outro « sabor », porque transformaria os negros em pessoas « civilizadas » e, com isso, não haveria nada de pitoresco que chamasse a atenção aos turistas », refere a autora da tese de doutoramento, citando uma passagem da obra. É também desta personagem a passagem: « Porque não se deixaria o preto sossegado, na calma posse dos seus manipansos? Que mal fazia à ordem das coisas que houvesse selvagens? Pelo contrário, davam ao Universo uma deliciosa quantidade de pitoresco ».

Vanusa Vera-Cruz Lima afirma que o propósito da sua análise é contribuir para « se repensar a forma como a obra é ensinada nas escolas, contribuindo para uma reflexão e expansão racial » e que não pretende o fim da sua leitura no ensino português. « Pelo contrário, este romance é uma ferramenta ideal para criar oportunidades de ensino e instrução culturalmente responsáveis, para que possamos atender às necessidades de todos os alunos », disse.

Leitura da obra implica análise dos preconceitos raciais

A Associação de Professores de Português (APF) considera que uma leitura de « Os Maias », de Eça de Queirós, implica a análise dos preconceitos raciais do discurso narrativo e das personagens, assim como inserir esse discurso no contexto histórico. O vice-presidente da AFP, Luís Filipe Redes, disse que não é precisa « uma análise muito profunda para compreender os preconceitos raciais presentes em « Os Maias » e em outros textos de Eça ».

« Apesar do seu realismo, o autor tem as limitações de um homem do século XIX. Para não termos visões preconcebidas relativamente aos outros, temos de interagir com eles, coisa que o Eça não terá tido oportunidade de fazer, não obstante a sua passagem por Cuba », adiantou o professor de Português.

O docente sublinhou que « a perspetiva racista era dominante nos estudos antropológicos desse tempo ». « Eça era contra o tráfico de escravos e isso também se lê em « Os Maias ». A alternativa ao tráfico de escravos era o desenvolvimento de África que passava pela ocupação efetiva num movimento que se chamava « colonialismo ». É o que vemos no trajeto da personagem Gonçalo, da « Ilustre Casa de Ramires » », comentou.

Por isso, Luís Filipe Redes considera que a leitura desta obra « implica a análise dos preconceitos raciais do discurso narrativo e das personagens e inserir esse discurso no contexto histórico ». « O que não podemos fazer é projetar juízos de valor formados nas vivências do nosso tempo sobre as ações dos homens do passado », sublinhou.

[Fonte: http://www.dn.pt]

Em áudio de WhatsApp, a fazendeira Janice Neukamp Haverroth disse que quem insistisse seria demitido e se tornou notícia nacional; depois, pediu desculpas; população local protestou e autoridades do Paraguai repudiaram a atitude

Escrito por Luís Indriunas

A sojeira brasileira Janice Neukamp Haverroth, proprietária de terras em Colônia Luz Bella de Guayaibí, no departamento de São Pedro, na parte oriental do Paraguai, proibiu seus funcionários de falar guarani, um dos idiomas oficiais do país.

A sojeira Janice Neukamp Haverroth não quer que seus funcionários falem em guarani.

Em áudio de WhatsApp, Janice anuncia: “A partir de hoje é proibido falar guarani na fazenda, proibido, vocês estão escutando, proibido”. A fazendeira adverte que seu marido Aldo também estaria incomodado. Para ela, falar na língua nativa é “falta de respeito”. Em outro momento, ela diz que não quer falar em guarani, “porque não me interessa”. “Creio que o português e o espanhol já está bom pra mim”.

Em outro trecho, ela afirma que quem não cumprir as ordens será demitido e deve procurar empregado em uma fazenda de proprietário paraguaio.

As informações foram dadas pela mídia paraguaia, entre elas, o Extra. Ouça a íntegra da mensagem aqui. Janice deu entrevista à TV C9N e pediu desculpas pelo que ela chamou de mal-entendido.

A Secretaria de Políticas Linguísticas do governo do Paraguai repudiou a ordem da sojeira e emitiu uma nota oficial em solidariedade aos empregados. “Da Secretaria de Políticas Linguísticas, como autoridade para a aplicação da Lei 4251/10 ‘Sobre as Línguas’, norma que estabelece os direitos linguísticos das pessoas, estamos à sua inteira disposição em caso de violação desta lei para receber denúncias e poder aconselhar as vítimas perante às autoridades correspondentes”. A Secretaria Nacional de Cultura também repudiou a fala da fazendeira.

HÁ 23 ANOS NO PARAGUAI, FAMÍLIA JÁ FOI ACUSADA DE CRIME AMBIENTAL

Em entrevista à TV C9N, Janice pediu desculpas. “Foi um mal-entendido, mas peço desculpas pelos que se sentiram ofendidos. Peço perdão, porque não foi isso que eu quis dizer”, disse ao repórter.

Há 23 anos no país, Janice, disse que se sente paraguaia e tem mais de 90% dos funcionários paraguaios. “Não somos patrão e funcionário, somos como uma família”, afirmou. Apesar do áudio com a proibição expressa, ela disse que jamais mandou que não se falasse guarani.

Após a gravação de suas ordens se espalharem pelo país, moradores de Curaguaty protestaram em frente a casa de Janice.

Nestas duas décadas, a relação entre a população da região e a família de Janice não foi tão pacífica como ela diz. Em 2008, quando camponeses paraguaios se revoltaram contra os latifundiários brasileiros durante o governo do presidente Fernando Lugo, o marido de Janice, Aldo Haverrot, foi acusado pela Organização de Luta pela Terra, de crime ambiental na fazenda El Progreso, na zona de Capiibary, propriedade sua e de Valdir Neukamp.

A mobilização de fazendeiros, entre eles os sojeiros brasileiros, foi decisiva para a queda de Lugo, em 2012.

| Luís Indriunas integra a equipe de editores do De Olho nos Ruralistas |

 

[Fonte: http://www.deolhonosruralistas.com.br]

Paranaländer escribe hoy sobre Sumo, mítica banda musical argentina que marcó a toda una generación. En este artículo lamenta la nula influencia del grupo en el rock nacional paraguayo.

Escrito por Paranaländer

¿Sumo?: “Temas de Beatles pero cambiados los acordes”

Ska ska skabadubideh. Sumo es la fucking good banda de rock de las pampas salvajes… Ojo, mis bandas favoritas de Sudakalandia son Os mutantes, Los yetis, Los saicos, Jodi, Sexteto electrónico moderno, pero Sumo tiene un elemento incluso ucrónico para mí: si en vez de un show de Charly, Soda, Virus o Mateo, hubiéramos tenido un mísero y único show de Sumo en los 80 stronistas, Paraguay acaso hubiera despegado en un rock mbarete.

Otra ucronía, imagina todos los minutos de la vida aglomerándose en este instante en que me lees y yo soy tu dios, amigo lector, intentando probar la originalidad de Sumo.

Oh la bendita escalera de caracol de la mansión “novecentista” de la calle Caballero, donde los descubrí.

La tristeza de una estrella que murió hace rato en tus ojos.

Los argentinos comen su carnecita todos los días (white trash) y se visten cool, no podés llamarla jamás rock and roll (regtest)

Gracia, poesía, energía, libertad, travesura, fiesta, groove, vanguardia, birra, noise.

Es la mejor banda argenta (para mí). Sacaron más discos que Joy Division, 3. Divididos por la felicidad, 38 m., 1985, 10 canciones. Llegando los monos (1986), After Chabón (1987). Luca un perdedor, estudió en el mismo cole que el príncipe Carlos, pero no tuvo ninguna Lady Di.

Luna plateada, un ritual en la luna con the doors, silvermoon is …

No acabes, se refiere a la vida—a nunca eyacular.

Regtest, me corto las venas, broda, suena maravilloso, reggae siempre, me chuparía todo el alambique de los Dukes de Hazard.

Luca era otro pedo.

A Pettinatto hay que adorarlo por sus saxos.

Mejor no hablar de ciertas cosas, Arnedo y su bajo, Funky-pospunk, innovación total.

Una característica que une a Sumo por ej., con Os mutantes, es que cantaban desenfadadamente en inglés omitiendo el sacrosanto destino del rock nacional. Claro, la banda brasilera tuvo que lidiar no solo con la hegemonía de la MPB sino contra esa retórica de intelectuales zurdos anti yankees de la época. Os mutantes, radical en fondo y forma, se burló de la MPB y del portugués sin complejos. Ese élan sarcástico aún se vislumbra en Sumo, como élan punk-reggae.

“E mayor y nada más”. Y se cagaba de risa de eso. “Eso es Sumo”, decía. Tenía la capacidad de hacer melodías sobre un único tono. La monodia rousseauniana.

Los tiempos del Zero y el Einstein (dos lugares donde tocaban, el segundo en Córdoba casi Pueyrredón, BA).

En la década de los 80 todo sucedía en los baños, define el saxofonista de Sumo.

El primer Sumo. Germán Daffunchio en guitarra, Stephanie Nuttal en batería (inglesa regordeta que tocaba en bombacha), Luca Prodan (voz, guitarra acústica y piano melódica) y Sokol en bajo (tocando en Estudiantes).

El nombre lo encontró el manager Timmy McKern, inglés afincado en Córdoba, en un diccionario: Sumo, Sumo pontífice, Sumo, verbo, Presente. Sumo: yo sumo, él suma, tú sumas. Sumo, operación matemática.

Luca (1953-1987) leyendo la novela aceleracionista “El mundo sumergido” de Ballard. Sumo aceleracionista.

Bibliografía: Oscar Jalil entrevistó alrededor de ochenta personas. El resultado es la biografía coral Libertad divino tesoro (2015, Planeta). La estructura coral del relato, reconoce Jalil, está emparentada con Please Kill Me, de Legs McNeil y Gillian McCain, la reconstrucción del punk neoyorquino erigida a partir de la primera persona de sus hacedores.

Sumo, la jungla del poder Volumen I, Roberto Pettinato, 1993

 

[Fuente: http://www.eltrueno.com.py]

Primera documentació: 11/12/1994

Tipus manlleu del portuguès
Contextos El compositor i pianista brasiler […] està considerat el pare de la bossa nova, l’estil suau i càlid que va conquerir el món a partir dels anys 60. [Punt Diari, 11/12/1994]
Tot acompanyat d’una decoració colonial caribenya, jazz i bossa nova i personal amable i elegantment vestit amb camises caribenyes. [La Vanguardia, 10/02/2018]
Observacions El sintagma bossa nova en portuguès vol dir literalment ‘estil nou’, però se sol traduir per nova onada i designa un gènere musical de la música popular brasilera derivada de la samba i amb una forta influència del jazz. Aquest gènere va ser promogut a finals dels cinquanta del segle xx per una generació de músics entre els quals destaquen João Gilberto o Vinícius de Moraes, autor, juntament amb Antônio Carlos “Tom” Jobim, de la famosa “Garota de Ipanema” (1962), que ha estat versionada en diferents llengües i per cantants tan diversos com Frank Sinatra, Jarabe de Palo, Peggy Lee o Amy Winehouse.La bossa nova es basa en una instrumentació simple i un ús elegant de les dissonàncies, cosa que va ajudar a desenvolupar un llenguatge propi d’un lirisme íntim molt característic. Es considera que la bossa nova va acabar el 1965 al I Festival de Música Popular Brasilera on es va presentar la cançó “Arrastão”. Tanmateix, el final cronològic no va significar l’extinció estètica de l’estil, que ha estat una referència ineludible per a generacions posteriors de músics i el seu llegat, que ha deixat peces que es consideren joies de la música nacional brasilera, com “Eu sei que vou te amar”, “Coisa mais linda” o “Desafinado”, a més de la ja esmentada “Garota de Ipanema”.

 

 

[Font: neolosfera.wordpress.com]

A cidade de São Paulo tem 6.000 estudantes de outros países matriculados.

Escrito por Agência Mural

Este texto é de autoria de Lucas Veloso. É publicado aqui via parceria de conteúdo entre o Global Voices e a Agência Mural [1].

Em uma casa de dois cômodos, em Guaianases, na periferia de São Paulo, vive a nigeriana Amaka Anele, 6, com dois irmãos e os pais. Estudante do primeiro ano do ensino fundamental na maior cidade do Brasil, com a pandemia do novo coronavírus, ela está há cerca de nove meses longe da escola. “É ruim ficar só aqui”, diz a menina, referindo-se à casa.

Sem telefone celular ou computador para acompanhar as atividades online da escola, Amaka passa os dias em brincadeiras com os irmãos e sem nenhum contato com a escola em que estuda há três anos no bairro. Com a mudança na rotina, ela sente falta da sala de aula. “Lá eu tenho meus colegas. Cadê eles?”, questiona.

Segundo os pais, desde o dia 16 de março, quando as aulas de escolas públicas e particulares de São Paulo foram suspensas por decreto do governo do estado, devido à pandemia, a menina está sem acompanhamento da escola. Além de ficar sem aulas, a medida também a deixou sem a alimentação que recebia gratuitamente na escola.

No mesmo bairro de Amaka, outros relatos de pais e mães nascidos em outros países dão conta da ausência do poder público frente à população migrante em meio à pandemia.

Zuri Bintu, 7, aluna do segundo ano do ensino fundamental na rede municipal, também moradora da região, ficou sem aulas e sem acesso aos conteúdos, porque na sua casa não há computadores e os dois celulares ficam os pais angolanos, que precisam para trabalhar e falar com a família no país de origem. “Não tem a professora e nem lição com os meus amigos”, diz.

Desde o começo da pandemia, a situação das aulas nas periferias têm sido um problema por conta da falta de infraestrutura e dos problemas para conseguir acesso à internet [2].

Por enquanto, ainda não há previsão sobre como vai funcionar a educação em 2021. Em novembro, as aulas voltaram na rede estadual de forma optativa, mas, com a nova alta de casos de coronavírus, poucos compareceram. O governo do estado anunciou que o retorno será na primeira semana de fevereiro [3], mas há incertezas sobre a possibilidade de volta presencial.

Na zona leste de São Paulo, entre os imigrantes, 59% dos estudantes são bolivianos, 10% haitianos, 8% angolanos e 5% venezuelanos, segundo a Secretaria Estadual de Educação. No caso de Guaianases, bairro de maioria de migrantes negros, a situação tem outros agravantes e segue preocupante.

Desde maio, por exemplo, um decreto publicado pelo governo de São Paulo tornou obrigatório o uso geral e obrigatório das máscaras, mas a falta de dinheiro impede que essa parcela da população acesse o item básico de proteção nas ruas do bairro — o desemprego impede o acesso aos itens. As máscaras costumam custar R$ 5 (menos de US$ 1), o que parece pouco, mas é caro para quem vive com muito pouco.

Duas ruas depois da casa de Amaka mora o haitiano Ronal Joseph, 46. Ele trabalha com atendimento ao público na Pinacoteca do Estado de São Paulo, no bairro da Luz, região central da cidade. Além disso, ele é estudante de Direito e tenta fazer as aulas por meio do celular já que não tem computador para ajudar na tarefa, durante a pandemia.

Pai de três meninas, uma de 14, outra de 2 anos e uma com 10 meses, Ronal está em isolamento social desde março, saindo apenas para trabalhar, e relata que no primeiro momento ficou assustado com a pandemia.

Além do receio da saúde das pessoas ao seu redor, ele conta que tem medo da situação no Haiti, onde ainda vive parte da sua família, como a mãe e os irmãos. Oficialmente, 236 pessoas [4] morreram no país caribenho, enquanto só na cidade de São Paulo, são cerca de 16 mil [5] em 2020.

Outro desafio é a rotina das filhas. As meninas não conseguem acompanhar os estudos em casa, por só ter um computador, utilizado pelo pai, e pela qualidade da internet, e ficam tristes por não irem às escolas e nem à igreja. 

Apesar disso, ele relata que a vida não parou para quem veio do Haiti e vive como imigrante. “Conversei com alguns haitianos que estão trabalhando. Muitos de nós, haitianos, são pedreiros [6], ajudantes de obras e da construção civil”, comenta ele, lembrando a atividade que foi considerada como serviço essencial e não parou.

Nas periferias, mesmo quando a restrição de atividades econômicas foi maior devido à curva de casos, boa parte da população seguiu nas ruas para manter alguma renda. É o caso de boa parte dos moradores do bairro de Ronal. A escolha de morar em Guaianases, que possui 54,6% da população composta por negros [7], teve muito a ver também com custo de vida.

O distrito é um pequeno retrato de São Paulo. Atualmente, o município possui cerca de 6.000 estudantes estrangeiros, sendo a maioria imigrantes bolivianos e haitianos. Os números tendem a ser maiores, pois há moradores que não estão regularizados.

Países do continente africano e da América Latina são a origem da maioria dos imigrantes.

Do Haiti, os imigrantes chegaram ao bairro depois do terremoto que devastou o país e deixou entre 220 mil e 300 mil mortos e mais de 300 mil feridos [8] em janeiro de 2010.

No caso dos venezuelanos, eles cruzam as fronteiras dos dois países, partindo de Santa Elena de Uiarén para entrar em solo brasileiro em Pacaraima, cidade no norte de Roraima. Com algumas peças de roupas, documentos e poucos objetos pessoais, fugiam da crise política instaurada após a morte de Hugo Chávez [9], em março de 2013.

Esse novo contingente de moradores driblou dificuldades e conseguiu manter-se por meio de apoio e também do trabalho informal. Porém, a situação piorou desde o começo da crise sanitária quando a economia [10] foi impactada e moradores das periferias sentiram o agravamento do desemprego [11]. O único apoio foi o auxílio emergencial [12], valor pago pelo governo brasileiro para autônomos e desempregados se mantivessem durante a pandemia, inferior a um salário mínimo.

“O fato de estarem menos inseridos na sociedade cria dificuldade para entender os acontecimentos. Por exemplo, entender o auxílio emergencial [13] de R$ 600, desde a burocracia com os documentos”, afirma Sidarta Borges Martins, 44, diretor financeiro do Adus, Instituto de Reintegração do Refugiado, [14] que oferece aos refugiados aulas de português, inserção no mercado de trabalho e orientação jurídica.

Para ele, a inclusão digital também não chegou para essa parcela da população, o que excluiu crianças e adolescentes das atividades remotas. “Muitos imigrantes têm celulares, mas não são de última geração. Outros nunca tiveram computador, sobretudo os que vieram da África”, acrescenta. “Essas crianças longe da escola vão ter impacto para o resto da vida”, relata.

Lei 13.684 [15], de junho de 2018, trata da assistência emergencial para imigrantes que vieram para o Brasil por conta de crise humanitária. Ela garante, entre outras coisas, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, além de direitos e liberdades civis, sociais, culturais e econômicos para os imigrantes no país.

Na região de Itaquera e Guaianases, onde Reinaldo Andrade*, 45, dá aulas em duas escolas, as dificuldades dos alunos com a aprendizagem remota é vista no cotidiano, desde março. Há meses, o professor não mantém contato com os alunos que são imigrantes, por falta de estrutura. A maioria dos estudantes, diz ele, vive em ocupações, onde a internet não chega.

A falta de internet e auxílio público, as crianças imigrantes não acessaram o ensino na pandemia.

“As dificuldades encontradas por eles [imigrantes] se parecem com as dificuldades enfrentadas pelos estudantes pretos”, afirma o professor. “Esse é um fato que faz com que esses alunos não tenham contato com a gente e nem com aquelas atividades que nós estamos realizando na pandemia”.

Questionada sobre o número de acessos nas plataformas de ensino e quais os materiais disponibilizados para que crianças migrantes pudessem acompanhar as aulas, a Secretaria Municipal de Educação (SME) respondeu que traduziu parte dos cadernos pedagógicos para três idiomas: inglês, espanhol e francês, com o objetivo de atender os estudantes da rede municipal de ensino e suas famílias.

De acordo com a prefeitura, a iniciativa é voltada aos alunos que estão em processo de alfabetização na língua portuguesa. Ao todo, cerca de 150 professores se mobilizaram e fizeram as traduções de forma voluntária. Os cadernos estão disponíveis também no Portal SME [16] para que as atividades sejam desenvolvidas em casa, deixando o material acessível durante o período de distanciamento social.

 

Ilustrações: Magno Borges/Agência Mural

Artigo publicado em Global Voices em Português: http://pt.globalvoices.org
URL do artigo: https://pt.globalvoices.org/2021/01/27/nas-periferias-de-sao-paulo-criancas-imigrantes-ficam-sem-acesso-a-escola-durante-pandemia/

URLs nesta postagem:

[1] Agência Mural: https://www.agenciamural.org.br/especiais/criancas-imigrantes-pandemia-sp/

[2] falta de infraestrutura e dos problemas para conseguir acesso à internet: https://www.agenciamural.org.br/professores-relatam-falta-de-alunos-internet-lenta-e-confusao-com-aulas-a-distancia/

[3] primeira semana de fevereiro: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/11/03/rede-estadual-de-ensino-de-sp-tera-ferias-em-janeiro-retorno-das-aulas-deve-ocorrer-na-1a-semana-de-fevereiro-de-2021-diz-secretario.ghtml

[4] 236 pessoas: https://g.co/kgs/qUinbe

[5] cerca de 16 mil: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/01/01/cidade-de-sp-tem-mais-de-6-mil-mortes-suspeita-de-covid-19-em-2020.ghtml

[6] pedreiros: https://www.agenciamural.org.br/apos-perda-de-renda-na-pandemia-pedreiros-tem-retomada-lenta-nas-periferias/

[7] 54,6% da população composta por negros: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/igualdade_racial/arquivos/Relatorio_Final_Virtual.pdf

[8] 220 mil e 300 mil mortos e mais de 300 mil feridos: https://edition.cnn.com/2013/12/12/world/haiti-earthquake-fast-facts/index.html

[9] morte de Hugo Chávez: https://globalvoices.org/specialcoverage/2013-special-coverage/death-of-hugo-chavez/

[10] economia: https://www.agenciamural.org.br/category/noticias/economia/

[11] do desemprego: https://www.agenciamural.org.br/medo-de-desemprego-perda-de-renda-e-de-direitos-marcam-dia-do-trabalho-nas-periferias/

[12] auxílio emergencial: https://www.caixa.gov.br/auxilio/PAGINAS/DEFAULT2.ASPX

[13] auxílio emergencial: https://www.agenciamural.org.br/apos-mudancas-veja-como-ficou-o-auxilio-emergencial-de-r-300/

[14] Adus, Instituto de Reintegração do Refugiado,: https://www.adus.org.br/

[15] Lei 13.684: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/Lei/L13684.htm

[16] Portal SME: https://educacao.sme.prefeitura.sp.gov.br/

un très mauvais temps ; un temps de merde ; temps pourri ; mauvais temps ; mauvais climat

Origine et définition

« de chien » est un qualificatif désignant un excès, comme dans « une humeur de chien », « un mal de chien » ou « une vie de chien », par exemple.

Il part de l’idée que le chien est une sale bête, un animal méchant et méprisable.
Certains musulmans se servaient et se servent toujours de l’injure « chien de chrétien » (ou « chien de roumi », autrefois) pour désigner un occidental ; Voltaire, entre autres, la cite au XVIIIe siècle.
En Palestine, au Ier siècle, l’expression « chien de païen » était couramment utilisée, paraît-il.
Et dans l’Évangile selon Matthieu, il est écrit que Jésus a dit : « Ne donnez pas les choses saintes aux chiens » et « Il n’est pas juste de prendre le pain des enfants et de le jeter aux chiens ».
Autant dire que selon les endroits et les périodes, le joyeux aboyeur et tartineur de trottoirs n’était et n’est pas vraiment bien considéré.

Sans que ce soit une certitude, il est possible que les expressions avec « de chien » viennent d’une inversion de celles avec « chien de » ou « chienne de ».
On dit aussi en effet « chienne de vie » ou « chien de pays », par exemple. Mme de Sévigné, Molière ou Voltaire, encore, utilisaient souvent ces expressions.

Et les autres formes où cette pauvre bête est mal traitée abondent : « prendre quelqu’un pour un chien », « se faire traiter comme un chien », « être chien avec quelqu’un »…

Vu la haute considération portée au meilleur ami de l’homme dans ces locutions, on peut se dire que les conditions météorologiques qui permettent de dire « il fait un temps à ne pas laisser un chien dehors » doivent vraiment être plus qu’exécrables.

Compléments

À part désigner l’animal domestique, le ‘chien’ peut encore avoir d’autres significations. Ainsi, on peut écrire : ce n’est pas parce qu’une femme a du chien qu’on doit en déduire que c’est une chienne.

Exemples

Temps de Chien (2001), narré par un chien, a reçu de prestigieux prix.
M. Lawrence, quel temps de chien.
Il fait un temps de chien.
Ne sors pas, il fait un temps de chien.
La jeune actrice fait actuellement un carton dans la pièce Un temps de chien, aux côtés de Valérie Lemercier.

Comment dit-on ailleurs ?

Langue

Expression équivalente Traduction littérale
Allemand ein Hundewetter un temps de chien
Allemand ein Scheißwetter un temps de merde
Bulgare кучешко време un temps de chien
Espagnol (Argentine) parado arrêté
Espagnol (Argentine) un tiempo de perros un temps de chiens
Espagnol (Chili) en pana en côtelé ¿?
Espagnol (Espagne) hace un tiempo de perros il fait un temps de chiens
Hébreu

מזג אוויר גרוע (mèzèg avir garoua nora)

mauvais temps
Italien tempo da cani tiemps de chiens
Italien un tempo da lupi un temps de loups
Néerlandais weer waar de honden geen brood van lusten

il fait un temps duquel les chiens n’aiment pas le pain

Néerlandais weer temps
Néerlandais pokkenweer temps de variole
Néerlandais noodweer un temps de détresse
Néerlandais hondenweer temps de chien
Néerlandais beestenweer temps d’animaux
Polonais pogoda pod psem un temps sous le chien
Portugais (Brésil) um dia de cão un jour de chien
Portugais (Portugal) porcaria de um tempo putain de temps
Portugais (Portugal) tempo de cão temps de chien
Roumain vreme de cîine temps de chien
Roumain vreme s? nu sco?i/dai câinele afar? un temps ne pas sortir/chasser le chien dehors
Russe Холод собачий . (Kholod sobachiy .) Dog’s cold
Serbe pasje vreme un temps de chien
Slovaque psie pocasie temps de chien
Suédois hundväder temps de chien
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[Source : www.expressio.fr]

favela

Primera documentació: 10/01/1991

Tipus manlleu del portuguès
Contextos
Ho explica un corresponsal d’El País: « Al Brasil, uns vuit milions de nens viuen al carrer, desnonats de les faveles, allà on les barraques no tenen nevera ni aigua corrent”. [Avui, 10/01/1991]
En els últims assajos abans de la gran desfilada del carnaval de l’escola de samba de la favela Mangueria, diumenge passat, l’ambient era d’expectació, de desafiament i també de neguit. [La Vanguardia, 25/02/2020]
Observacions

Al Brasil, favela és el nom que es dona als assentaments precaris que creixen a prop o dins mateix de les ciutats grans del país. Les faveles estan construïdes amb materials aprofitats, solen ser reduïdes i no tenen les condicions òptimes per a l’habitabilitat.

L’origen d’aquest nom sembla que té relació amb una planta agresta de la família de les euforbiàcies, de fulles urticants i llavors comestibles, la Cnidoscolus phyllacanthus, coneguda en portuguès amb el nom de favela, que cobria el turó de Gamboa de Rio de Janeiro on es van instal·lar el 1897 prop de 20.000 soldats que havien lluitat a la guerra de Canudos a Bahia (Brasil), després d’esperar infructuosament que el Govern els proporcionés l’habitatge promès.

L’existència d’aquest tipus de construcció és, malauradament, present a molts països, motiu pel qual rep noms diferents segons la zona: en català parlem de barraques, al Brasil es diuen faveles i a l’Argentina, villas miseria, etc.

 

 

[Font: neolosfera.wordpress.com]