Apartheid inversé dans le monde des Lettres aux Pays-Bas? L’auteure à succès Marieke Lucas Reineveld renonce à traduire l’œuvre de la poétesse noire américaine Amanda Gorman.

Amanda Gorman lors de l’investiture de Joe Biden, le 20 janvier 2021.

 

Écrit par René ter Steege

Marieke Lucas Reineveld cède ainsi aux attaques formulées par une journaliste néerlandaise noire, originaire de l’ex-colonie de Suriname. Celle-ci affirmait dans un article du journal de gauche De Volkskrant qu’une personne blanche ne peut pas ressentir la détresse d’un peuple opprimé comme les Noirs américains. Et proposait une poignée d’artistes « afro-néerlandais » qui seraient selon elle mieux placés pour traduire des poèmes tels The Hill we Climb (trad: La Colline que nous gravissons), déclamé par Amanda Gorman lors de la cérémonie d’investiture du président Joe Biden.

Marieke Lucas Reineveld ne crut pas bon de se défendre contre ce racisme anti-Blanc à son égard. Au contraire, dans un tweet plein de compréhension pour celle qui l’avait ostracisée, elle courba l’échine. Elle y affirmait même comprendre « celles et ceux qui se sentent blessés par le choix de sa maison d’édition ». Le choix, donc, de lui faire traduire la poésie empreinte de la lutte des Noirs d’Amanda Gorman.

La peur des critiques

L’éditeur néerlandais Meulenhoff se résigna de mauvais gré à la désertion de son auteure vedette. Tout en rappelant qu’Amanda Gorman avait elle-même approuvé le choix de la traductrice, après avoir lu un de ses livres en traduction anglaise. Détail qu’avait omis de mentionner la journaliste noire et jalouse. S’il persistait dans son choix, l’éditeur avait l’assurance que des « lecteurs en sensibilité » se pencheraient sur le travail de traduction, pour veiller à ce que la traductrice respecte le poétiquement correct. Peur d’offenser? On peut le supposer, son éditeur britannique avait déjà contraint Marieke Lucas Reineveld à supprimer une blague qu’elle fait dire à un enfant dans son livre: « Pourquoi Hitler s’est-il suicidé? Parce qu’il ne pouvait plus payer la note de gaz. »

[Photo : CNP/NEWSCOM/SIPA – numéro de reportage : SIPAUSA31543160_000039 – lisez l’intégralité de ce billet sur http://www.causeur.fr]

Long Island, années 1960. Le jeune Lewis Alan Reed en a marre de vivre chez ses parents. Il ne supporte plus les séances d’électrochocs censés le guérir de ses « tendances ». Il veut aussi qu’on l’appelle « Lou ». Bref, il décide de partir pour New York. C’est là qu’il rencontre John Cale, un Gallois venu aux États-Unis pour jouer de la musique concrète. Ensemble, ils vont former un groupe, TheVelvet Underground, et imaginer un rock « radicalement différent »…

Écrit par Victor De Sepausy

Leurs textes parleront de drogue, de sexe et de la vie dans les marges. Ils seront pris en main par Andy Warhol qui s’improvisera manager sans rien connaître à la musique. Une nouvelle page de l’histoire du rock’n’roll va bientôt s’ouvrir…

Avec son trait joyeux et décomplexé, Prosperi Buri réussit le pari d’évoquer la trajectoire tumultueuse du Velvet Underground et de Lou Reed tout en faisant preuve d’humour et de dérision, et sans rien cacher de l’admiration qu’il voue à cette formation qui a influencé de nombreux artistes. Comme le raconte la légende, les acheteurs du premier album du Velvet n’étaient peut-être qu’une poignée, mais ils ont tous formé un groupe dans la foulée !

L’auteur n’épargne pas Andy Warhol, ridicule à force d’appeler ses protégés « mes chouchous », même si l’album met en lumière le coup d’accélérateur que le fondateur de la Factory a donné à leur carrière. Il n’est pas tendre avec Lou Reed, prompt à virer les musiciens qui lui font de l’ombre, à commencer par John Cale.

Entre conflits d’ego, séparations douloureuses, manque de reconnaissance et managers douteux, le Velvet a connu le parcours du combattant classique de bon nombre de groupes de rock de son époque. Aujourd’hui, il nous reste la musique, et cet album réjouissant qui nous plonge dans le New York mythique des sixties.

En voici les premières pages, juste pour le plaisir :

[à paraître 5/03] Histoire du Velvet Underground – Prosperi Buri – Dargaud – 9782205087307 – 19,99 €

 

[Source : http://www.actualitte.com]

 

 

Escrito por Rafael de Mesquita Diehl, graduado, mestre e doutor em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Em uma cerimônia solene no ano de 1939, o general Francisco Franco de Bahamonde (1892-1975)[1], líder da facção vitoriosa na Guerra Civil Espanhola, entrou na Igreja de Santa Bárbara de Madri onde depositou sua espada diante do altar. Estava trajando a farda militar sobre uma camisa azul e cobria a cabeça com uma boina vermelha, representando as três principais forças por trás do levante do 18 de julho de 1936 que havia dado início àquela longa contenda fratricida: o Exército, a Falange e os Requetés.[2] A entrega da espada possuía um simbolismo muito claro: demonstra o agradecimento de Franco a Deus pela vitória naquilo que ele considerava como uma cruzada[3] contra o comunismo e o ateísmo da II República Espanhola (proclamada no ano de 1931).

O general Franco entrega sua espada a altar da Igreja de Santa Bárbara em Madrid em 1939.

A propaganda franquista, contudo, mascarava um irônico e curioso detalhe, que poderia ser visto em outros aparições do “Generalíssimo” (título ostentado por Franco como chefe supremo das Forças Armadas): a presença da vistosa “Guarda Moura” com seus turbantes e capas brancas, formada por soldados muçulmanos marroquinos! Não só ao lado da “Cruzada” franquista, mas também ao lado da II República houve combatentes muçulmanos. Tal dado, contudo, é frequentemente esquecido pelo fato de a complexa Guerra Civil Espanhola ser mostrada com um dualismo simplista de “católicos versus comunistas” (visão de alguns grupos de direita) ou de “democratas versus fascistas” (visão de alguns grupos de esquerda). Considerada pelos historiadores como um confronto entre a “velha” e a “nova” Espanha ou um ensaio dos conflitos entre as ideologias que se enfrentaram na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Guerra Civil Espanhola foi um fenômeno histórico de muitos contrastes, nos quais diferentes grupos e interesses se aliavam buscando derrotar um inimigo em comum.

Cartaz de propaganda do Bando Nacional durante a Guerra Civil Espanhola: a Guerra de Franco é comparada a uma Cruzada e à Espanha é atribuída a providencial função de ser orientadora espiritual do mundo.

Para entender a Guerra Civil Espanhola em sua complexidade, bem como a participação dos muçulmanos nesse conflito, é necessário retrocedermos ao final do século XIX. No ano de 1898, a Espanha (que no século XVI havia possuído colônias nas Américas, África e Oceano Pacífico) perdera suas duas últimas relevantes colônias, Cuba e Filipinas, para os Estados Unidos da América. Tal fenômeno havia sido um choque para a geração daquele tempo, já que as colônias, sustentadas pelo poderio militar, eram um motivo de orgulho para a Espanha. Sem as colônias, a Espanha era apenas um país majoritariamente agrário adentrando atrasada no cenário de uma Europa ocidental em franca expansão do que foi depois chamado de 2ª Revolução Industrial (iniciada na segunda metade do século XIX). O século XIX também é o século do nacionalismo. É verdade que já havia certos “sentimentos nacionais” antes do século XIX, mas é neste século que algumas ideologias políticas europeias começaram a sustentar a necessidade de uma identificação entre a Nação (identidade de um povo, de uma cultura) com o Estado (poder político centralizado em uma estrutura impessoal e burocrática).[4]

Se é verdade que a industrialização estava em alta na virada do século XIX para o século XX, também é verdade que a busca por colônias estava na ordem do dia entre as potências ocidentais do período. O governo espanhol, portanto, apostava em investir em um protetorado[5] no Marrocos como forma de reviver as glórias militares do passado. Apesar de já possuir domínios sobre alguns territórios litorâneos do norte da África desde o século XVI, a Espanha formou seu protetorado no Marrocos através de um tratado firmado com a França (que já possuía uma colônia na região) no ano de 1912 que reconhecia como protetorado espanhol os territórios de Rife e Jebala. Contudo, houve resistência da população local, especialmente de algumas tribos berberes que lideraram ataques contra os assentamentos coloniais na região do Rife. Durante os anos de 1920 a 1927 houve a Guerra do Rife, na qual a Espanha buscou consolidar seu domínio na região eliminando a resistência das tribos berberes.

Mapa do protetorado espanhol no Marrocos

Foi durante essa guerra que se formaram os oficiais e soldados espanhóis ditos “africanistas”, que cresceram em prestígio militar e viam com maus olhos a política conduzida por civis e parlamentos. Foram também formadas tropas coloniais com soldados da população local, o que era comum no colonialismo, como os Regulares Marroquíes (soldados de infantaria) e os Tiradores de Ifni (soldados de infantaria leve). Ambas as tropas eram utilizadas na guerra como vanguarda, iniciando os ataques nos combates. A maioria dos membros de ambas unidades militares eram recrutados em Ceuta e Melilla. Usavam uniformes parecidos: fardas em tons beges e na cabeça um fez vermelho ou um turbante branco.[6]

Soldados dos Regulares Marroquinos. Note que, além da diferença de alguns usarem o turbante branco enquanto outros usam o Fez vermelho na cabeça, há também uma diversidade de feições e tons de pele, o que mostra a variedade étnica e genética dos muçulmanos marroquinos.

Entre 1923 e 1930 o rei Afonso XIII delegou o governo ao general Primo de Rivera, que governou na prática como um ditador. Apesar do apoio dos grandes proprietários de terra, das forças armadas e de setores da Igreja Católica que se mostravam preocupados com o crescimento de movimentos socialistas e anarquistas entre as classes populares, o regime repressivo de Primo de Rivera declinou o prestígio da monarquia. Com a vitória dos candidatos republicanos na maior parte do país durante as eleições municipais de 1931, o rei e sua família partiram para o exílio, o que culminou na proclamação da II República espanhola em 14 de abril de 1931.

A II República era um regime semipresidencialista, com o presidente da República exercendo a chefia de Estado e compartilhando as funções de chefe de Governo com o presidente do Conselho de Ministros. As forças que haviam proclamado a República eram diversas: nelas havia republicanos moderados, liberais, republicanos radicais (com teor mais laicista), nacionalistas bascos e catalães, socialistas e comunistas. Além disso, havia expressivos grupos anarquistas e anarcossindicalistas especialmente na região da Catalunha, uma das zonas mais industrializadas do país. A Constituição de 1931 prometia amplas reformas sociais e buscava a separação entre Igreja e Estado. Tal separação, contudo, revelou-se radical com a expulsão de algumas ordens religiosas, fechamento de conventos e escolas católicas em prol do estabelecimento de um ensino público de caráter laico. Houve também maiores concessões de autonomia à Catalunha e ao Países Basco, o que gerava preocupação nos setores militares que defendiam um nacionalismo espanhol de tipo mais unitário.

Como reação às novas políticas da República, a oposição ao regime buscou organizar-se também, formando em 1933 a CEDA – Confederación Española de Derechas Autónomas (coalização de partidos católicos de direita) e a Falange (movimento nacional-sindicalista com inspiração no Fascismo italiano). Mas o regime republicano também revelava fissuras internas, especialmente quanto ao caráter e ao ritmo das reformas sociais. Em 1934 o governo utilizou-se da Legião estrangeira espanhola para esmagar uma revolta dos mineradores de Astúrias, influenciados por ideais socialistas e anarquistas. Encabeçando o sufocamento ao levante estava o general Francisco Franco, um dos oficiais da Legião.

Os conflitos políticos cresciam durante a II República, com enfrentamentos nas ruas entre grupos falangistas, socialistas e anarquistas (que adquiriam, cada vez mais, caráteres paramilitares). O governo não atacava igrejas e conventos, mas também não buscava conter esses incidentes de perseguição religiosa. Para conter o que viam como uma ascensão do fascismo (lembremos que em 1933 Hitler havia chegado ao poder na Alemanha e que Mussolini já controlava o governo italiano desde 1922) vários partidos de orientação socialista e comunista, republicanos de esquerda e o sindicato anarquista CNT (Confederação Nacional do Trabalho) uniram-se na Frente Popular para as eleições de janeiro de 1936, na qual saíram vitoriosos, tendo formado um governo de coalizão, do qual não participaram os anarquistas e alguns socialistas independentes.

A direita espanhola via com preocupação o crescimento dos grupos comunistas, socialistas e anarquistas. Muitos oficiais militares de tendências direitistas (que haviam sido estrategicamente movidos pelo governo para postos distantes) já conspiravam buscando uma forma de derrubar o governo, embora o general Franco (em cargo nas Ilhas Canárias) ainda hesitasse envolver-se na conspiração. Não obstante, o clima de antagonismo e violência política continuava a subir. Em 12 de julho de 1936 grupos de direita assassinaram o tenente socialista da Guarda de Assalto, José del Castillo Sáenz de Tejada, fato que foi vingado no dia seguinte quando socialistas mataram o jurista e deputado José Calvo Sotelo, líder das direitas nas Cortes (parlamento espanhol). Tal fato foi considerado como pretexto para os conspiradores colocarem em prática seu plano.

Em 17 de julho inicia-se a sublevação de militares e falangistas no protetorado do Marrocos e no dia seguinte o levante estoura na península com a adesão das milícias carlistas. Contudo, o golpe de Estado em Madri fracassa e na Catalunha as milícias anarquistas se impõem aos sublevados. A falta de êxito na tomada de poder em regiões importantes do país fez com que o golpe se transformasse em uma guerra civil. De um lado havia os autores do levante e seus apoiadores, que se denominaram Bando Nacional, composto por monarquistas afonsinos e monarquistas carlistas, falangistas, membros da CEDA, entre outros. Juntaram-se à defesa do governo no Bando Republicano nacionalistas bascos e catalães, republicanos moderados e radicais, socialistas, comunistas, anarcossindicalistas, anarquistas, liberais e democratas.

Milicianos anarquistas se armando para enfrentar o levante militar em Barcelona, 18 de julho de 1936.

Do ponto de vista militar também havia um impasse: embora muitos generais e militares tivessem participado do alzamiento junto às milícias falangistas e carlistas, muitos setores do exército e a maior parte da marinha e da força aérea permaneceram em uma postura legalista de apoio ao governo vigente. O Bando Nacional contava com o Exército de África para pender o peso da balança ao seu favor, já que os legionários e os soldados marroquinos possuíam melhor treinamento e experiência militar por conta da Guerra do Rife. Franco se havia colocado à frente das tropas africanas após o início do levante na península. Com o Estreito de Gilbraltar bloqueado pela marinha espanhola, Franco buscou a ajuda militar da Alemanha, que enviou aviões que transportaram legionários e soldados marroquinos para a Espanha entre os meses de julho e outubro.

Tropas regulares marroquinas em Tetuão aguardando o embarque em um avião de guerra alemão. 1936.

Os muçulmanos recrutados no Marrocos constituíam uma população de árabes, berberes e descendentes dos muçulmanos expulsos da Península Ibérica nos séculos XV, XVI e XVII. Isso é evidenciado pelas fotografias dos soldados, nos quais frequentemente podemos notar uma variedade de feições faciais e tons de pele.

Ilustrações dos tipos de uniformes usados pelos regulares marroquinos.

O maior número de muçulmanos que combateram na Guerra Civil Espanhola se encontrava no Bando Nacional e eram alistados nos Regulares Marroquíes e nos Tiradores de Ifni. O que teria levado esses muçulmanos a combaterem ao lado de uma liderança que dizia lutar uma Cruzada[i] em defesa da Espanha católica contra um governo comunista? Como em muitos outros grupos que tomaram parte nesse conflito, não há uma resposta única sobre os motivos e circunstâncias que levaram esses moros a unirem-se ao alzamiento contra a II República. O primeiro grupo que podemos citar são os dos muçulmanos marroquinos que já pertenciam às tropas coloniais de maneira profissional, integrados à hierarquia. Ao outro grupo pertenciam principalmente pessoas de origem pobre de aldeias ou áreas rurais submetidos a um regime de vínculo pessoal com os chefes locais.  Muitos testemunhos, memórias e estudos historiográficos apontavam como motivações comuns para o alistamento: fugir da fome e da pobreza (com a garantia de soldo e provisões diárias); o sentimento de ligação com o território peninsular (no caso de famílias descendentes de muçulmanos outrora expulsos da Europa) e também motivações religiosas instrumentalizadas pelas lideranças de Franco (como a propaganda anticomunista associando a II República ao regime ateu soviético ou promessas de auxílio financeiro do futuro governo franquista para peregrinações à Meca a alguns soldados).

Os motivos acima elencados são, sem dúvida, bastante subjetivos. Explicam casos particulares, mas não uma adesão tão grande quanto a obtida pelos sublevados, ainda mais levando em conta a existência de movimentos nacionalistas que viam o colonizador espanhol como o verdadeiro inimigo a ser combatido. Ademais, havia a fidelidade pessoal dos aldeões aos chefes tribais e locais. Seria então possível encontrarmos um elemento comum que tenha favorecido uma grande adesão de recrutas ao alistamento (que, aliás, durou praticamente toda a guerra)?

Adnan Mechbal, professor da Universidade de Angers, aponta uma explicação geopolítica para a improvável grande adesão de marroquinos ao exército colonizador para combater em uma causa nacionalista espanhola. O militar espanhol africanista Juan Luis Beigbeder y Atienza (1888-1957) possuía bom conhecimento da língua árabe e vínculos com lideranças marroquinas locais. Beidbeder utilizou-se da falta de comprometimento do governo republicano com as reivindicações dos nacionalistas marroquinos (que esperavam um estatuto de autonomia como havia sido concedido à Catalunha) e de seus contatos com a Alemanha nazista (que defendia um discurso pró-árabe e anticolonialista) para fazer tais líderes crerem que a República estava comprometida com os interesses geopolíticos da Grã-Bretanha e França, que se beneficiavam do colonialismo na posição estratégica do Marrocos e do Estreito de Gibraltar.

O militar espanhol Juan Luis Beigbeder em trajes civis

Beigbeder também se utilizou do medo da influência do comunismo ateísta da União Soviética sobre a República para dissuadir os nacionalistas marroquinos do alinhamento com os legalistas. O militar espanhol também conseguiu convencer as demais autoridades militares do protetorado a manterem o principal líder nacionalista marroquino, Abdelkhalek Torres (1910-1970) – que havia liderado movimentos contra as autoridades coloniais bem como negociado com os republicanos –, em prisão domiciliar, ao invés da aplicação de penas mais severas. No mesmo ano foi inclusive concedido a Torres formar um partido nacionalista marroquino, dessa vez com elementos de inspiração falangistas e fascistas.

O líder nacionalista e político marroquino Abdelkhalek Torres

Por outro lado, os dois intentos de adesão dos marroquinos por militantes de esquerda não lograram apoio do governo republicano, em parte pela descrença no sucesso de tal operação e em outro lado pela pressão britânica e francesa que se interessava em preservar o status colonialista na região do norte africano. Além das diferentes cisões nos movimentos de esquerda e nacionalistas marroquinos espanhóis, não há indícios de que, às vésperas do levante de 17 de julho de 1936, houvesse alguma organização coordenada entre os marroquinos do protetorado espanhol e os marroquinos do protetorado francês.

O jalifa Muley Hassán el Mehdi em Madri, em uma fotografia de 1942.

Embora o Jalifa[7] Muley el Hassán ben el Mehdi (reinou de 1925 a 1956) tivesse aderido diretamente à política de alistamento dos espanhóis sublevados do protetorado, o sultão[8] Mohammed V (reinou de 1923 a 1957 como sultão e de 1957 a 1961 como rei do Marrocos) não apoiou explicitamente o alistamento, embora ele, seu séquito e as lideranças marroquinas locais tenham facilitado a conscrição de seus súditos nas fileiras do Bando Nacional. Como o levante contra a II República se constituía, a priori, como uma rebeldia perante a ordem geopolítica internacional, era prudente ao sultão manter a neutralidade para assegurar o status quo de seu governo. Quando membros do governo republicano apontaram a ilegalidade do recrutamento, o general Franco[9] habilmente acusou a República de estar em conluio com a França conspirando contra a soberania do sultão, apresentando-se assim com a imagem de um defensor da autonomia do Marrocos.

O sultão Mohammed V do Marrocos em fotografia de 1934

Outro trunfo usado pela propaganda do bando franquista foi a de uma associação do passado comum entre Espanha e Marrocos pela história de Al-Andalus e a necessidade de cooperação dos dois credos, cristão e muçulmano, na luta contra um governo que, de acordo com eles, buscaria a abolição de todas as igrejas e mesquitas da Espanha e seus territórios.

As tropas marroquinas continuaram sendo recrutadas e transladadas à península durante os anos seguintes da Guerra Civil Espanhola e participaram da maior parte dos combates importantes e da tomada das posições mais estratégicas. A presença desses muçulmanos no Bando Nacional marcou o imaginário dos combatentes do Bando Republicano, como na célebre canção ¡Ay Carmela!, que em um de seus versos dizia “Luchamos contra los moros,/rumba la rumba la rumba la./Luchamos contra los moros,/rumba la rumba la rumba la/mercenarios y fascistas,/¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!/mercenarios y fascistas,/¡Ay Carmela! ¡Ay Carmela!” Os números de muçulmanos marroquinos participantes ao longo de toda a guerra ainda permanecem um assunto de muita divergência entre os estudiosos, com cifras mais céticas oscilando entre 75.000 e 80.000 homens.

Apesar de serem muito mais recordados, os moros de Franco não foram os únicos muçulmanos combatentes no trágico conflito espanhol. Muçulmanos de diferentes origens (marroquinos desertores, argelinos, iraquianos, sírios, egípcios, árabes, palestinos, franceses, libaneses) uniram-se, por diferentes motivações e circunstâncias, às fileiras do Bando Republicano. Os números desses participantes, contudo, são bastante modestos comparados aos do Bando Nacional, contabilizando aqueles apenas entre 760 a 1.000 pessoas. O contexto dos muçulmanos republicanos foi distinto do caso dos marroquinos nacionais: não houve um programa de recrutamento massivo por parte da II República em uma região específica. Isso explica-se por dois motivos: a) a falta de mando efetivo do governo republicano sobre alguma colônia (dado que o protetorado marroquino, única colônia restante, se havia juntado ao levante); b) o apoio tímido dos aliados da República no cenário internacional.

Embora reconhecessem como legítimo governo espanhol a II República, França e Grã-Bretanha não estavam dispostas a enviar suas forças armadas para o conflito, pois o encontro destas tropas com a Legion Condor de Hitler e o Corpo Truppe Volontarie de Mussolini enviadas em apoio aos nacionais poderia expandir a guerra para além das fronteiras espanholas. A política de Josef Stálin à frente da União Soviética através da Internacional Socialista (órgão que, em tese, reunia todos os partidos e organizações socialistas e comunistas mas que, na prática, era uma forma de Moscou controlar os referidos partidos e suas formas de atuação nos países capitalistas) na época consistia em concentrar o desenvolvimento do sistema socialista na própria URSS, enquanto incentivava nos outros países a formação de frentes antifascistas através de alianças dos socialistas e comunistas com grupos de outras orientações políticas.

Diferentemente do Bando Nacional que unificou seus exércitos e milícias sob a liderança suprema de Francisco Franco, o Bando Republicano permitiu a formação de diferentes milícias com suas próprias regras, estruturas de comando e agendas políticas. Em Barcelona, por exemplo, as milícias anarquistas exerciam de facto o controle da cidade no lugar das autoridades oficiais. A propaganda republicana, especialmente de órgãos anarquistas e socialistas, buscava arregimentar os muçulmanos com chamadas de rádio e panfletos dirigidos em árabe à França e a outros países do norte africano e do mundo árabe, apresentando o fascismo como inimigo de todos os homens e opressor dos muçulmanos, ressaltando a necessidade dos seguidores do islã se juntarem à luta dos oprimidos.

Bandeira das Brigadas Internacionais

A entrada de muçulmanos de diferentes países no Bando Republicano se inseriu no contexto das Brigadas Internacionales, órgão militar criado para arregimentar voluntários de todos os países que desejassem combater pela República contra os nacionais. É importante frisar que nem todos os brigadistas eram socialistas ou comunistas, mas de diferentes correntes políticas que se viam ameaçados com a ascensão dos regimes fascistas e seus aliados pela Europa. Nesse sentido, é importante observar que a composição e motivação desses muçulmanos brigadistas eram muito mais diversas: intelectuais, militantes políticos, operários, desertores, camponeses… e é possível que muitos fossem muçulmanos apenas nominalmente ou com uma interpretação muito flexibilizada disso, nos casos de indivíduos ligados a movimentos socialistas, anarquistas ou nacionalistas. Dentre esses combatentes destaca-se o militante comunista palestino Muhammad Najati Sidqi (1905-1979), que tentou sem sucesso conseguir a adesão dos marroquinos de Franco à causa republicana. Em muitos ambientes republicanos via-se com desconfiança o exercício da liderança por muçulmanos ou a sua organização massiva, influenciados pelo contexto da sublevação no Marrocos. O que é certo é que o maior número de muçulmanos alistados no lado republicano era de origem argelina.

O militante comunista palestino Muhammad Najati Sidqi

A Guerra Civil Espanhola foi oficialmente encerrada com um discurso de Franco em 1º de abril de 1939, quando as tropas nacionais haviam tomado os últimos redutos de resistência (Madri havia sido tomada em 28 de março daquele ano). Sobre a finalidade dos combatentes de ambos os lados, além das inúmeras baixas, os destinos foram diversos… Alguns regulares marroquinos passaram a integrar a Guarda Moura e outras guardas relacionadas ao governo franquista (o que talvez nos revele algo sobre as tensões internos que permaneceram entre os diferentes grupos militares, falangistas, carlistas e monarquistas após a vitória de Franco). Outros voltaram para o Marrocos, onde grande parte dos contingentes foram desmilitarizados, voltando à vida ordinária. Com relação aos muçulmanos republicanos, com o encerramento das Brigadas Internacionais pelo governo em 1938, muitos acabaram caindo em mãos do inimigo como prisioneiros (com destino incerto), outros tentaram atravessar a fronteira francesa, mas não eram recebidos com a mesma facilidade que os “camaradas” europeus. Alguns de maior destaque voltaram a seus países onde continuaram sua militância política, geralmente associada a um tipo de nacionalismo árabe de tendências de esquerda.

Membros da XV Brigada Internacional às margens do rio Ebro em janeiro de 1938. Nessa unidade participaram alguns argelinos.

Propaganda republicana de 1936 mostra um regular marroquino abraçando um soldado republicano.

Há, por fim, um outro elemento a ser considerado: tanto no imaginário nacional quanto republicano: o “mouro” foi frequentemente associado à crueldade e às atrocidades de saques, assassinatos sumários, torturas e estupros que foram cometidos após muitas tomadas de território pelas tropas franquistas. Há aqui de separar a objetividade histórica das subjetividades das memórias individuais. É compreensível que os espanhóis comuns, acostumados a ver os mouros como elemento estranho e opositor na história forjada pelo nacionalismo e marcados pelo impacto das guerras e conflitos do Marrocos colonial, ficassem mais marcados pela lembrança de muçulmanos realizando atrocidades que os marcaram por toda a vida. Isso foi usado como arma psicológica por ambos os bandos… pelos nacionais, para incutir terror no inimigo; pelos republicanos, para aumentar o desprezo e ódio pelos “fascistas”. Nota-se aqui o predomínio da típica mentalidade etnocêntrica e orientalista do colonialismo ocidental: sempre associando o Oriente ao exótico, ao sensual, ao selvagem…

Propaganda republicana associando o mouro à violência contra mulheres e crianças.

Não há evidências históricas, contudo, de que as atrocidades cometidas estejam associadas em maior grau aos combatentes muçulmanos. Um dos primeiros elementos a se ter em mente quando analisamos a Guerra Civil Espanhola é precisamente não a ver sob um prisma maniqueísta/dualista ou com vendas ideológicas. Esse conflito teve altos índices de crueldades e arbitrariedades de ambos os lados (talvez com a diferença de que no Bando Nacional elas aconteciam sob certa direção de seus comandantes, enquanto no Bando Republicano eram mais consequência da falta de controle do governo sobre as diferentes milícias e organizações que lutavam ao seu lado): grevistas ou simpatizantes de lutas trabalhistas eram sumariamente executados por militares pelo delito de serem rojos (“vermelhos”, comunistas); sacerdotes e religiosos eram torturados e fuzilados por serem considerados “fascistas”… Estamos falando de um conflito de elevadas polarizações em que o que unia cada um dos bandos era muito mais o desejo de eliminar um inimigo em comum do que um programa de ideias bem delineadas, embora o discurso e a propaganda tratassem sempre de sacralizar a causa. Em muitas regiões, especialmente nos pueblos (povoados, vilarejos, aldeias), o território era constantemente tomado e retomado por um bando ou outro: juntavam-se às rivalidades ideológicas as rixas pessoais, colocando literalmente vizinhos contra vizinhos e até mesmo uma família contra si mesma!

General Miguel Cabanellas passando em revista uma tropa de regulares marroquinos no início da guerra em 1936.

O estudo da participação dos muçulmanos na Guerra Civil Espanhola é mais um exemplo histórico de como é difícil julgarmos a História em bloco ou analisar uma crença ou corrente de pensamento pelos atos isolados de alguns de seus membros.

Franco discursando em um palanque vigiado por dois membros da Guarda Moura.

 

Notas:

1: Por tratar-se de um tema ligado à história de um país ocidental, utilizaremos a datação cristã ao longo do texto, bem como nos referiremos a algumas periodizações comuns à historiografia ocidental.

2: Os Requetés, que se distinguiam por suas boinas vermelhas, eram as milícias do movimento monarquista carlista, que defendia a legitimidade dos descendentes de Carlos Maria de Bourbon, príncipe das Astúrias, em contraposição aos da rainha Isabel II, uma disputa iniciada em 1830 após a morte de Fernando VII. Também defendiam um modelo de monarquia tradicional com maior influência da Igreja Católica em oposição ao modelo de monarquia parlamentarista e liberal.

3: Mesmo no caso da Igreja Católica não se pode dizer que a adesão ao lado de Franco tenha sido incondicional. Embora o Episcopado espanhol tenha apoiado o alzamiento nacional (nome que os sublevados deram ao movimento militar iniciado para derrubar a II República), houve críticas de membros da hierarquia eclesiástica aos fuzilamentos sumários conduzidos pelos sublevados ou mesmo a desilusão e abandono do movimento por parte de intelectuais católicos como o escritos George Bernanos ou o filósofo Jacques Maritain. Também havia o caso particular do País Basco, local onde a República não havia atuado de forma anticlerical e, portanto, contava com a adesão do clero e fiéis católicos locais. A Sé Apostólica reconheceu o novo governo formado por Franco, mas houve tensões entre a Igreja e o governo franquista mesmo após o término da guerra, sobretudo sob o pontificado de Paulo VI (1963-1978). O forte partidarismo adotado por muitos setores do clero e laicato católico na Espanha já mesmo antes da II República pode ter sido um dos motivos pela qual o sacerdote espanhol Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975) insistia fortemente no caráter apolítico e apartidário do Opus Dei, instituição católica que fundara em 1928 e que já contava com membros em algumas localidades da Espanha por ocasião do início do conflito em 1936. Para tanto, vide FERNÁNDEZ GARCÍA, 1985; GARAY, 2017; GARCÍA-VILLOSLADA, 1979; GARRIGUES, 2016; MEER 2003; RAIFORD, 2014; RILLA, 2020; RUTGERS, 1984; VÁZQUEZ DE PRADA, 2004.

4: Até o início da chamada “racionalização administrativa” (que buscava padronizar as leis e instituições em todos os territórios da Coroa) promovida pelos monarcas espanhóis da dinastia Bourbon no século XVIII, a “Espanha” era um conjunto de diferentes reinos (Castela e Leão, Galícia, Navarra, Aragão, Granada, etc) com seus ordenamentos jurídicos e costumes distintos unidos apenas sob um mesmo rei cristão. Assim, o cristianismo e a Igreja Católica apareciam como um elemento constitutivo da identidade dos espanhóis.

5: O regime de protetorado foi adotado em vários contextos do colonialismo das potências ocidentais a partir do século XIX. Nele se mantinha uma autoridade local nominalmente autônoma com guarnições militares coloniais que ocupava locais estratégicos e exercia algumas funções administrativas ou coercitivas a título de “proteção”.

6: Não confundir essas tropas de soldados locais com a Legião estranjera espanhola, tropa de elite inspirada na Legião estrangeira francesa, que aceitava estrangeiros de outros países europeus em suas fileiras.

7: É importante esclarecer que a construção do ideal de Cruzada se delineia após o início do conflito. Também Franco não era líder inconteste dos sublevados no início do levante.

8: Jalifa, corruptela espanhola da palavra árabe Khalifah (Califa) era o título utilizado pelo governante marroquino sediado na cidade de Tetuão, que representava o sultão do Marrocos frente às autoridades espanholas do protetorado.

9: O sultão do Marrocos era nominalmente o chefe de Estado do Marrocos sediado na cidade de Rabat, sob controle do protetorado francês. Como era natural nos protetorados, esse chefe de Estado deveria estar alinhado aos interesses da potência colonial europeia para conservar suas prerrogativas.

10: É somente no mês de outubro de 1936 que Franco se torna o único e inconteste líder do Bando Nacional. A partir desse momento, buscará construir uma forte imagem de culto à sua personalidade, o que pode ser exemplificado em sua apropriação do discurso católico (defendido especialmente pelos carlistas e antigos membros da CEDA) e da fusão, sob seu comando de duas milícias bastante opostas: os requetés carlistas e os camisas-azuis falangistas. A execução de José Antônio Primo de Rivera (fundador da Falange) pelos milicianos de esquerda em novembro de 1936 foi duplamente conveniente para a liderança unitária de Franco: eliminava um potencial concorrente e ao mesmo tempo dava um mártir para ser usado como símbolo de inspiração para o movimento dos sublevados. Para tanto, vide GARCÍA-HEVIA, 2009; GIMÉNEZ MARTÍNEZ, 2015; MORENO ALMENDRAL, 2014.

Bibliografia:

BOFARULL, Salvador. Brigadistas árabes en la Guerra de España: Combatientes por la República. Nación Árabe, n. 52, pp. 121-124, verano 2004.

BOLORINOS ALLARD, Elisabeth. Masculinidad, identidad guerrera y la imagen del regular marroquí en la propaganda del bando sublevado en la Guerra Civil Española. Norba. Revista de Historia, Vol. 29-30, pp. 121-134, 2016-2017.

FERNÁNDEZ GARCÍA, Antonio. La Iglesia Española y la Guerra Civil. Studia Historica. Historia Contemporánea, vol. 3, pp. 37-74, 1985.

GARAY, Ing Agustín M. Maritain y la Institucionalidad republicana: el caso de la II Republica Española y la Guerra Civil. IV Encuentro Internacional de Institutos “Jacques Maritain” e Instituciones Afines de América del Sud. Córdoba, 07 a 08 set. 2017.

GARCÍA-HEVIA, José María Vallejo. La Guerra Civil y sus Polémicas: Ideas e ideologías, hechos y biografías. Revista de Inquisición, vol. 13, pp. 25-115, 2009.

GARCÍA-VILLOSLADA, Ricardo (dir.). Historia de la Iglesia en España. Vol. V: La Iglesia en la España contemporánea (1808-1975). Madrid: BAC, 1979, pp. 277-391.

GARRIGUES, Jean-Miguel. Jacques Maritain frente a un catolicismo de cruzada: España 1934-1937. Revista de Fomento Social, 71, 3-4, pp. 511-532, 2016.

GIMÉNEZ MARTÍNEZ, Miguel Ángel. El corpus ideológico del franquismo: principios originarios y elementos de renovación. Estudios Internacionales, 180, pp. 11-45, 2015.

GUERRA, Antonio. Musulmanes en la Guerra Civil española. 2015. <https://elfarodeceuta.es/musulmanes-en-la-guerra-civil-espanola/>. Acesso em 09 out. 2020.

MARTÍNEZ MONTÁVEZ, Pedro. Los intelectuales árabes en la Guerra Civil de España.  pp. 505-510. La República y la cultura: paz, guerra y exilio. Madrid: Akal, 2009.

MECHBAL, Adnan. Los Moros de la Guerra Civil española: entre memoria e historia. Amnis [Online], n. 2, 2011. <http://journals.openedition.org/amnis/1487>. Acesso em 09 out. 2020.

MEER, Fernando de. Algunos aspectos de la cuestión religiosa en la Guerra Civil (1936-1939). Anales de Historia Contemporánea, vol. 7, pp. 111-125, 1989.

MONTERO, Feliciano. La historia de la Iglesia y del catolicismo español en en siglo XX. Apunte historiográfico. Ayer, n. 51, pp. 265-282, 2003.

MORENO ALMENDRAL, Raúl. Franquismo y nacionalismo español: una aproximación a suas aspectos fundamentales. Hispania Nova. Revista de Historia Contemporánea, n. 12, 2014.

PUEYO MUR, Rubén. ¿Cómo fue utilizado el moro por los dos bandos de la Guerra Civil española? Una breve reflexión. 2020. <https://repositori.upf.edu/bitstream/handle/10230/45174/TreballCPIS_Pueyo_Moro.pdf>. Acesso em 09 out. 2020.

RAIFORD, Mattie E. El papel de la Iglesia Católica durante y después de la Guerra Civil Española. University Honoros Program Theses. 30, 2014.

RILLA, José. Caminos de la herejía democrática: católicos y falangistas en tránsito. Pasado y Memoria. Revista de Historia Contemporánea, 20, pp. 43-65, 2020.

RUTGERS, Rutger Jan. Los catolicos vascos y la Guerra Civil Española. Presupuestos historicos para una valoracion juridico-doctrinal. Cuadernos doctorales, n. 2, pp. 303-340, 1984.

SOTOMAYOR BLÁZQUEZ, Carmen T. El moro traidor, el moro engañado: variantes del estereotipo en el Romancero republicano. Anaquel de Estudios Árabes, vol. 16, pp. 233-249, 2005.

TUR, Francesc. Los “moros” de la República. 2020. <https://serhistorico.net/2020/06/01/los-moros-de-la-republica/>. Acesso em 09 out. 2020.

VÁZQUEZ DE PRADA, Andrés. O fundador do Opus Dei: vida de Josemaría Escrivá. Vol 2: Deus e audácia. São Paulo: Quadrante, 2004, pp. 9-407.

VELASCO DE CASTRO, Rocío. La imagen del “moro” en la formulación e instrumentalización del africanismo franquista. Hispania, vol. LXXIV, n. 246, pp. 205-236, 2014.

ZAKARIA, Loukili. La participación del ejército “moro” en la Guerra Civil Española (Hermandad entre musulmanes y cristianos contra el infiel “ROJO”). Monografía de Licenciatura en Historia. Oujda: Universidad Moahammed I, 2007-2008.

 

[Fonte: http://www.historiaislamica.com.br]

Paranaländer escribe hoy sobre Sumo, mítica banda musical argentina que marcó a toda una generación. En este artículo lamenta la nula influencia del grupo en el rock nacional paraguayo.

Escrito por Paranaländer

¿Sumo?: “Temas de Beatles pero cambiados los acordes”

Ska ska skabadubideh. Sumo es la fucking good banda de rock de las pampas salvajes… Ojo, mis bandas favoritas de Sudakalandia son Os mutantes, Los yetis, Los saicos, Jodi, Sexteto electrónico moderno, pero Sumo tiene un elemento incluso ucrónico para mí: si en vez de un show de Charly, Soda, Virus o Mateo, hubiéramos tenido un mísero y único show de Sumo en los 80 stronistas, Paraguay acaso hubiera despegado en un rock mbarete.

Otra ucronía, imagina todos los minutos de la vida aglomerándose en este instante en que me lees y yo soy tu dios, amigo lector, intentando probar la originalidad de Sumo.

Oh la bendita escalera de caracol de la mansión “novecentista” de la calle Caballero, donde los descubrí.

La tristeza de una estrella que murió hace rato en tus ojos.

Los argentinos comen su carnecita todos los días (white trash) y se visten cool, no podés llamarla jamás rock and roll (regtest)

Gracia, poesía, energía, libertad, travesura, fiesta, groove, vanguardia, birra, noise.

Es la mejor banda argenta (para mí). Sacaron más discos que Joy Division, 3. Divididos por la felicidad, 38 m., 1985, 10 canciones. Llegando los monos (1986), After Chabón (1987). Luca un perdedor, estudió en el mismo cole que el príncipe Carlos, pero no tuvo ninguna Lady Di.

Luna plateada, un ritual en la luna con the doors, silvermoon is …

No acabes, se refiere a la vida—a nunca eyacular.

Regtest, me corto las venas, broda, suena maravilloso, reggae siempre, me chuparía todo el alambique de los Dukes de Hazard.

Luca era otro pedo.

A Pettinatto hay que adorarlo por sus saxos.

Mejor no hablar de ciertas cosas, Arnedo y su bajo, Funky-pospunk, innovación total.

Una característica que une a Sumo por ej., con Os mutantes, es que cantaban desenfadadamente en inglés omitiendo el sacrosanto destino del rock nacional. Claro, la banda brasilera tuvo que lidiar no solo con la hegemonía de la MPB sino contra esa retórica de intelectuales zurdos anti yankees de la época. Os mutantes, radical en fondo y forma, se burló de la MPB y del portugués sin complejos. Ese élan sarcástico aún se vislumbra en Sumo, como élan punk-reggae.

“E mayor y nada más”. Y se cagaba de risa de eso. “Eso es Sumo”, decía. Tenía la capacidad de hacer melodías sobre un único tono. La monodia rousseauniana.

Los tiempos del Zero y el Einstein (dos lugares donde tocaban, el segundo en Córdoba casi Pueyrredón, BA).

En la década de los 80 todo sucedía en los baños, define el saxofonista de Sumo.

El primer Sumo. Germán Daffunchio en guitarra, Stephanie Nuttal en batería (inglesa regordeta que tocaba en bombacha), Luca Prodan (voz, guitarra acústica y piano melódica) y Sokol en bajo (tocando en Estudiantes).

El nombre lo encontró el manager Timmy McKern, inglés afincado en Córdoba, en un diccionario: Sumo, Sumo pontífice, Sumo, verbo, Presente. Sumo: yo sumo, él suma, tú sumas. Sumo, operación matemática.

Luca (1953-1987) leyendo la novela aceleracionista “El mundo sumergido” de Ballard. Sumo aceleracionista.

Bibliografía: Oscar Jalil entrevistó alrededor de ochenta personas. El resultado es la biografía coral Libertad divino tesoro (2015, Planeta). La estructura coral del relato, reconoce Jalil, está emparentada con Please Kill Me, de Legs McNeil y Gillian McCain, la reconstrucción del punk neoyorquino erigida a partir de la primera persona de sus hacedores.

Sumo, la jungla del poder Volumen I, Roberto Pettinato, 1993

 

[Fuente: http://www.eltrueno.com.py]

La historia de la familia Buddenbrooks cumple 120 años y los lectores siguen celebrándola. En esta nueva visita a la novela de Thomas Mann salen al paso las obsesiones del escritor alemán y las pifias cometidas en cierta traducción.

Escrito por Ricardo Bada

El Premio Nobel de Literatura 1929 fue concedido a Thomas Mann “principalmente por su gran novela Buddenbrooks, que ha obtenido un reconocimiento cada vez mayor como una de las obras clásicas de la literatura contemporánea”. Fue la segunda vez que la Academia Sueca aludió en la fundamentación del premio a una obra concreta: la primera tuvo lugar en 1920, cuando acordaron otorgar el galardón a Knut Hamsun “por su obra monumental, Bendición de la tierra”. Thomas Mann describió entonces a Hamsun como un descendiente de Nietzsche y Dostoievski, añadiendo que nunca se había concedido el Premio Nobel a una persona más merecidamente.

En cuanto a la novela de Mann, se publicó el 26 de febrero de 1901, hace pues ahora 120 años, con subtítulo que suele olvidarse: Buddenbrooks. Verfall einer Familie [Buddenbrooks. Decadencia de una familia], y sin más ni más pasó a formar parte del canon de la literatura universal. El subtítulo es en realidad un understatement, porque lo que Mann narra con una precisión de neurocirujano, a sus nada más que 25 años, un mes y doce días, es la decadencia de la burguesía, o para ser más exactos, de la clase media alta, encarnada en esa familia de Lübeck, los Buddenbrooks.

Yo leí la edición de Janés de Buddenbrooks, en su colección Manantial que no cesa (que conservo y es un tesoro), en Sevilla, 1958; devoré sus 660 páginas de apretada tipografía en menos de tres tardes, tras las horas pasadas en la Universidad, donde estudiaba Leyes. Quedé atónito pensando en la edad del autor. Luego, en Alemania, y ya sabiendo alemán, la volví a leer en el original, y entretanto sabía mucho más acerca de ella. Que el editor, Samuel Fischer, al recibir el abultado manuscrito le escribió a Mann diciéndole que la aceptaba a condición de que la redujese a la mitad. Mann se negó en redondo y tuvo la suerte de contar a su favor con el consejo de lectura de la editorial. Fischer cedió, la publicó en dos volúmenes, y aunque hubo un principio algo reticente, a partir de la segunda edición empezó a venderse como chicles a la puerta de una escuela. Cuando le conceden el Nobel a Mann la edición en alemán y en los idiomas a que ya había sido traducida llegaba a los 185 000 ejemplares, y al lanzarse la edición de bolsillo, en diciembre de 1930, se había superado la barrera del millón. Al celebrarse el centenario de su publicación, en el 2001, llevaba vendidos más de 10 millones de ejemplares.

Uno de sus primeros reseñistas fue nadie menos que Rilke, quien escribió que Mann, al intentar ponerse a escribir un esbozo autobiográfico, “se vio en la necesidad de relatar la vida de cuatro generaciones. Lleva su tiempo, hay que tener tiempo para la secuencia tranquila y natural de estos acontecimientos, precisamente porque nada en el libro parece estar ahí para el lector”. Thomas Mann nos presenta un fresco que comienza en 1835 y termina en el 1900, cuando pone fin a su manuscrito. La historia de los Buddenbrooks contada con una lupa de microscopio y que nos hace vivir paso a paso el derrumbe de una familia patricia de Lübeck, desde la prosperidad hasta el despojo de su fortuna, y la reacción de la sociedad hanseática frente a tal infortunio, una reacción que no podía ser otra sino la sorna y aquello que los alemanes llaman schadenfreude, la alegría por el mal ajeno. Un réquiem alemán como el de Brahms, en toda regla.

***

Los países no monárquicos disponen de sus propias dinastías. Con toda seguridad, para los Estados Unidos es la familia Kennedy. Con toda seguridad, para los griegos es la familia Onassis. Con toda seguridad, para los alemanes no es otra que la familia de Thomas Mann.

Además de su hermano Heinrich, el autor de la novela Professor Unrat (que llevada al cine se tituló El ángel azul y consagró internacionalmente a Marlene Dietrich), los seis hijos de Thomas Mann se dedicaron de un modo u otro a escribir o investigar: Erika, Klaus, Golo, Monika, Elisabeth y Michael. Hasta la viuda de Thomas Mann, Katja, si bien no escribió, sí dictó sus Memorias.

Pero no es eso tan solo lo que los convierte en la dinastía alemana del siglo XX, sino el hecho de que sus destinos encierran tal cantidad de telenovela que todavía hoy nos dejan boquiabiertos. Se trata, como lo definió un periodista alemán, “de un clan de suicidas, drogadictos y pederastas, todos muy ingeniosos y bien educados, y todos terriblemente infelices (a excepción de la esposa de Thomas, Katja, y de su tercera hija, Elisabeth)”.

El mismo periodista añade que el éxito mantenido y la siempre viva actualidad de la gran novela de Thomas Mann, Buddenbrooks, radica en que “esta novela vivida es hoy tan atractiva e inteligible porque en su ambiente burgués ya se ensayó y preludió todo aquello que muy poco después de la muerte de Thomas Mann sería cotidiano en las comunas del mundo occidental, para consumistas pequeñoburgueses: sexo y drogas y rock & roll”.

Y una cosa es absolutamente cierta: con Thomas Mann tenemos el caso del único escritor que estuvo a punto de ganar dos veces el Premio Nobel de Literatura. Porque ganar dos veces el Premio Nobel ya lo había conseguido antes que él Madame Curie: el de Física en 1903 y el de Química en 1911. Y luego de la muerte de Thomas Mann ha habido otro doblemente galardonado: Linus C. Pauling obtuvo el de Química en 1954 y el de la Paz en 1962. Pero alguien que lograse dos Nobel, y del mismo cuño, y ése además el de Literatura, no hubo nunca. Thomas Mann estuvo a punto de serlo, pero como dijo alguien, antes de que se lo concedieran por segunda vez se murió por primera vez.

Por otra parte, también es un caso extremo el de Thomas Mann en el sentido de que ha tenido dos carreras literarias diametralmente distintas. La una cuando vivo, la otra cuando muerto: casi como el Cid. Y esta segunda carrera se inicia cuando se publican póstumamente sus Diarios, que son una auténtica joya de la literatura memorialística y uno de los descensos más vertiginosos a los abismos del alma humana. Nadie contaba con ellos, Thomas Mann había caído ya casi en el olvido, y de repente, ¡qué conmoción, la publicación de sus Diarios! Otra persona distinta de la que creíamos conocer, otra mirada, otras pisadas.

***

A título personal diré que mi relación con Buddenbrooks ha sido muy fecunda, es posiblemente la novela a la cual dediqué la mayor atención a lo largo de toda mi vida de lector impenitente.

Allá por 1980, la emisora en la cual me desempeñaba, la Deutsche Welle (la BBC alemana), y Radio Madrid de la cadena S. E. R. decidieron coproducir en español una radionovela basada en un texto original alemán. En la reunión de pauta propuse Buddenbrooks y la propuesta se aceptó de manera unánime. Es más, me encargaron el manuscrito de la radionovela, y puse manos a la obra. Había que convertir aquellas 660 páginas en 65 capítulos de media hora cada uno, para emitir en 13 semanas, de lunes a viernes, debiendo acabar “en punta” los capítulos terminados en 5 o 0, a fin de mantener despierta la atención del oyente durante el fin de semana.

Tengo a la mano el ejemplar sobre el que trabajé y constato que llegué a capitular hasta la página 386, final de la Séptima Parte. Esa relectura a fondo, para la adaptación, escudriñando hasta el último rincón su arquitectura, elevó mi admiración a un grado superlativo, y aunque el proyecto finalmente no se llevó a cabo, me hizo releer de nuevo el original, que me dejó atónito. Tanta perfección es rara de encontrar en una ópera prima de esas dimensiones épicas.

Eso además de que leyéndola por primera vez, hace ya más de sesenta años, me despertó de un modo irreprimible una de mis pasiones más acendradas. Sepan por qué. En la página 57 de esa edición española que manejo, “tres o cuatro amiguitas tiran del cordón de la campanilla con todas sus fuerzas, y cuando aparece la vieja, Tony pregunta con simulada afabilidad si viven allí el señor y la señora Spucknapf, y luego echan a correr con gran alboroto”. El lector español se preguntará por qué, y en su curiosidad llegará al extremo de consultar un diccionario bilingüe, el cual le ilustrará acerca de que “spucknapf”, en alemán, significa “escupidera”. Con lo cual queda entendida la estúpida y cruel broma de las amiguitas.

Pero sigamos leyendo. Solo dos páginas más adelante nos enteramos de que “el Pastor Hirte consideraba el colmo de la felicidad la coincidencia entre su profesión y su nombre”. Y aquí, el traiductor se consideró obligado a añadir una nota en la que explica que “Hirte”, en alemán, significa pastor. Es decir, que en una frase cuya enunciación nos está diciendo bien claro que en alemán “Hirte” significa pastor, el traiductor nos lo aclara a pie de página, pero dos páginas más atrás, donde nada permite adivinar la razón de que unas niñas echen a correr alborozadas luego de haberle preguntado a una viejecita si en su casa vive el matrimonio Spucknapf, el mismo traiductor no nos aclaró nada. ¡Pues qué bien!… Ese fue el momento en que nació mi irredimible pasión cinegética por la jungla de la traducción.

Entretanto, el lector avisado habrá ya descubierto que cada vez que me refiero a esta obra maestra de Thomas Mann la nombro llamándola Buddenbrooks y no Los Buddenbrook, como se la conoce comúnmente en nuestro idioma. Tengo mis razones para ello, en las cuales me asiste una autoridad tan indiscutible como es la del propio autor.

Ocurre que en 1950 un aristócrata escandinavo, el barón Buddenbrock, le escribió a Thomas Mann interesándose por saber de dónde había sacado el patronímico de su novela, y si existía alguna conexión entre su familia y la del libro. Y Mann le contestó desde Suiza lo que sigue: “Mi novela juvenil se titula Buddenbrooks y no Los Buddenbrooks. Este artículo solo se lo antepondría a un apellido noble, no a uno burgués”. Y luego le dice que Buddenbrook significa “páramo de tierras bajas” y que recuerda haber leído acerca de un barón von Buddenbrook (no Buddenbrock) en una novela de Theodor Fontane, posiblemente El Stechlin, pero que Buddenbrook, sin el “von”, se encuentra en los ambientes burgueses de la Baja Alemania. Así de sutil y de escrupuloso era Thomas Mann. Créanme si les digo que vale la pena [re]leerlo.

 

Ricardo Bada es escritor y periodista, residente en Alemania desde 1963. Editor en ese país de la obra periodística de García Márquez y los libros de viaje de Cela, y autor de Don Enrique, la única antología integral en castellano de la obra de Heinrich Böll.

Cette fois, c’est quasi-officiel : le projet de musée dans l’ancienne maison du musicien et compositeur Serge Gainsbourg au 5 bis rue de Verneuil se concrétise ! Selon Paris Match, la nouvelle institution devrait ouvrir aux alentours du mois d’octobre 2021 et, au plus tard, à la fin de l’année, ce qui permettrait de célébrer à temps les 30 ans de la disparition du chanteur.

Maison de Gainsbourg : des travaux de rénovation et d’agrandissement sont en cours

Interrogée au micro de Jack en octobre dernier, Jane Birkin, qui fut la compagne du chanteur pendant une douzaine d’années, confirmait déjà cette information. “Je pense que Charlotte va ouvrir le (sic) rue de Verneuil, rien n’a changé depuis le jour de sa mort”, expliquait-elle alors. Avant de poursuivre : “Les objets sont intacts, on dirait qu’il vient juste d’aller se coucher. Ça fait 30 ans que Charlotte s’occupe de tout, du chauffage, etc. C’est une enfant prodigue, elle a tout préservé comme dans La belle aux bois dormants. […] C’était compliqué de laisser tout en l’état pour le public, en plus c’est très petit donc très compliqué à transformer en musée. C’était un travail assez solitaire mais je pense qu’elle a trouvé des solutions.

L’étroitesse du 5 bis rue de Verneuil rend en effet difficile le respect des consignes de sécurité ET la conservation du lieu tel qu’il a été laissé par Serge Gainsbourg en mars 1991.

Pour résoudre cette difficulté, Charlotte Gainsbourg a acheté des locaux (un ancien garage,) qui serviraient de billetterie juste en face du 5 bis. Elle a également crée une « société d’exploitation de l’annexe de l’hôtel particulier de Serge Gainsbourg » et obtenu un permis de construire en décembre dernier pour transformer les locaux en musée.

La rénovation de la verrière de la cour, la création d’un ascenseur pour les personnes à mobilité réduite, la mise à niveau des planchers et un agrandissement sont prévus. Pour le reste, rien n’a été touché :  les lieux ont été préservés, Charlotte Gainsbourg ayant même conservé des mégots de Serge dans les cendriers. On a hâte de pouvoir découvrir tout ça !

 

[Source : http://www.pariszigzag.fr]

Ce bâtiment abandonné daté du XIVe siècle pourrait faire partie de l’héritage de la communauté juive.

Image d'illustration, quartier central d'Utrera. | Carlos V de Hasburgo via Wikimedia Commons&nbsp;

Image d’illustration, quartier central d’Utrera

Repéré par Nina Pareja

À Utrera en Andalousie, au sud de l’Espagne, dans une rue étroite du centre-ville, un bâtiment aux murs infestés de moisissure a connu une vie multiple: d’abord hôpital, puis orphelinat, restaurant et bar, raconte Sam Jones, correspondant madrilène du Guardian. Mais, encore avant cela, le bâtiment était peut-être une synagogue d’une importante communauté juive aujourd’hui disparue.

Après des mois de recherche académique, une équipe d’experts mandatée par la ville a commencé les fouilles. Elle espère découvrir l’une des dernières synagogues médiévales ayant survécu à l’épreuve du temps mais aussi l’une des plus importantes d’Espagne.

On retrouve dans certains écrits la description d’une synagogue dans cette zone du centre-ville. En 1492, le bâtiment aurait été transformé en hôpital au moment de l’expulsion de la population juive espagnole par le Roi Ferdinand et la Reine Isabelle la catholique.

Miguel Ángel de Dios, l’un des archéologues qui travaille sur le projet, estime que le bâtiment a survécu grâce à la beauté de ses couleurs intérieures et grâce à une occupation continuelle. En Espagne, de nombreuses synagogues ont eu plusieurs vies après avoir été converties en Église par les catholiques. Pour confirmer leur intuition, les chercheurs espèrent trouver trace d’un mikvé, d’un bain rituel, ou d’une ménorah.

Le maire d’Utrera, José María Villalobos, espère que cette découverte pourra permettre d’attirer la curiosité culturelle de nouveaux touristes: «Je pense que cela pourrait nous permettre de comprendre un peu mieux le passé d’Utrera, un endroit dans lequel des personnes différentes, issues de cultures variées ont un jour vécu les unes avec les autres.» C’est dans cet esprit qu’en 2015, le parlement espagnol avait voté une loi offrant la citoyenneté espagnole aux descendants des Juifs expulsés en 1492. En quatre ans (le programme a fermé en 2019), 130.000 personnes en ont fait la demande.

[Photo : Carlos V de Hasburgo via Wikimedia Commons – source : http://www.slate.fr]

 

 

Mae West (1893-1980) était une dramaturge, scénariste, actrice – Nuit après nuit (Night After Night) de Archie Mayo (1932), Lady Lou (She Done Him Wrong) de Lowell Sherman (1933), Je ne suis pas un ange (I’m No Angel) de Wesley Ruggles (1933), Ce n’est pas un péché (Belle of the Nineties) de Leo McCarey (1934) –, chanteuse, humoriste et femme de lettres – « Goodness Had Nothing to Do with It » (1959) – américaine. Dans les années 1920-1930, elle a créé un personnage féminin indépendant, une blonde platine plantureuse, aux répliques pleines de sous-entendus sexuels. Arte diffusera le 6 mars 2021 « Mae West – Une star sulfureuse » (Mae West: Die verruchte Blonde ; Mae West: Dirty Blonde) de Sally Rosenthal et Julia Marchesi.

Publié par Véronique Chemla

Nuit après nuit (Night After Night) de Archie Mayo (1932), Lady Lou (She Done Him Wrong) de Lowell Sherman (1933), Je ne suis pas un ange (I’m No Angel) de Wesley Ruggles (1933), Ce n’est pas un péché (Belle of the Nineties) de Leo McCarey (1934), Je veux être une lady (Goin’ To Town) de Alexander Hall (1935), Annie du Klondike (Klondike Annie) de Raoul Walsh (1936)… Les années 1930 marquent l’apogée de la carrière hollywoodienne de l’actrice et star Mae West (1893-1980) qui a débuté dans le vaudeville à… cinq ans.
Née dans une famille chrétienne, Mae West a toujours allégué avoir des origines juives. Ses biographes divergent sur ce point.

« Dramaturge à Broadway, star hollywoodienne, femme d’affaires et icône, Mae West (1893-1980) a revendiqué un statut de « bad girl » en parodiant les codes du sex-symbol. « Mae West – Une star sulfureuse » (Mae West: Die verruchte Blonde ; Mae West: Dirty Blonde) est un documentaire de Sally Rosenthal et Julia Marchesi. Le portrait d’une féministe pionnière à l’audace radicale. »

« Tu as un revolver dans la poche ou tu es juste content de me voir ? » C’est avec cette gouaille crue que Mae West (1893-1980) s’adressait aux hommes dans les dialogues de ses films qu’elle écrivait elle-même ».

« Puis elle les jaugeait, paupières mi-closes et ombre de sourire aux lèvres, se forgeant ainsi une solide réputation inégalée de bad girl. »

« Parodiant les codes du machisme pour se les réapproprier au second degré, la star blond platine, au déhanché aussi célèbre que celui de John Wayne, secoue la puritaine Amérique dès les années 1920 à Broadway avec sa première pièce, traitant du désir et sobrement titrée Sex, avant d’affoler la censure avec une autre, Drag, dédiée aux travestis qu’elle a croisés dans des bars clandestins de Greenwich Village ».
« Jetée en prison pour obscénité et corruption de la morale de la jeunesse, cette fille d’un boxeur professionnel et d’une immigrée bavaroise, qui a grandi à Brooklyn et débuté sur les planches du burlesque à 14 ans, se réjouit de la publicité suscitée par le scandale, dont elle usera toujours avec un redoutable sens des affaires ».
« À l’aube de la quarantaine, l’indocile croqueuse d’hommes et de diamants, appelée à Hollywood pour relancer des studios fragilisés par la Grande Dépression, exige, outre un salaire supérieur d’un dollar à celui du directeur de la Paramount, d’être l’auteure et la costumière de ses rôles ».
« De Lady Lou à Je ne suis pas un ange, l’icône sans rivale incarne alors une femme indépendante hypersexualisée dont les aphorismes − « entre deux mauvaises actions, je préfère toujours celle que je n’ai pas essayée » – tiennent lieu de manifeste ».
« Mais derrière le parfum sulfureux et la satire, la rebelle sait aussi porter un regard intéressé sur la communauté afro-américaine, accordant une place inédite aux femmes et à la musique noires dans ses films ».

« Exilée volontaire dans des boîtes de nuit de Las Vegas à la soixantaine, Mae West renoue avec les studios qui lui rendent hommage au crépuscule de sa vie, sans qu’elle ne renonce jamais à sa partition résolument sexy. »

« Tissé d’archives de ses films, d’interviews et d’éclairages – critiques, amis et émules, dont Dita Von Teese qui la définit comme une « gangster sexuelle » −, ce documentaire retrace l’audacieux parcours de cette pionnière au féminisme radical, à côté de laquelle Madonna apparaît aujourd’hui Like a Virgin ».

« Pulvérisant les conventions avec une autorité doublée d’un humour ravageur, Mae West, femme fatale moins glamour que son amie Marlene Dietrich, s’est emparée du pouvoir dans un monde d’hommes, en utilisant son corps avec esprit comme un instrument imparable pour conquérir sa liberté. »

« Mae West – Une star sulfureuse » de Sally Rosenthal et Julia Marchesi 
États-Unis, PBS, 2020, 50 minutes
Sur Arte le 6 mars 2021 à 05 h 00, 7 mars 2021 à 23 h 05, 14 mars 2021 à 8 h 45, 20 mars 2021 à 5 h 30
Disponible du 06/03/2021 au 05/04/2021
Visuels : 
© AF archive/Alamy Stock Photo
© Courtesy of Everett Collection
© Courtesy of General Photograph

 

Les citations proviennent d’Arte.

[Source : http://www.veroniquechemla.info/%5D

Escrito por Lois Alcayde Dans

A fin dunha democracia non é ser unha democracia triste. A normalización da tristeza, das luces omnipresentes dos coches de policía ou da violencia nas rúas non poden ser aquilo ao que aspire unha democracia que se considere plena. Nunha democracia triste sería lóxico, entón, que un dos seus poderes -neste caso, o xudicial- tomase cartas no asunto para meter en prisión a un home que, xunto con outros delitos, se lle engade un delito de inxurias á Coroa. A frase “inxurias á Coroa” ben pode incluírse nunha democracia triste que teme o poder do pequeno contra o grande. Non deixa de ser un paradoxo que a lei, que na súa vocación está para garantir a equidade, para protexer ao pequeno do grande e garantir igualdade, cubra ao poderoso cun escudo oficial. O sentido social da lei non era socializar o medo e privatizar a expresión só para aqueles que teñan cartos para selo permitir. A mesma democracia triste que precisa pedir silencio á crítica ás institucións e apoio continúo e protección dos que deberían ser protexidos aos protectores, da cidadanía á policía e non ao revés. Unha inverosimilitude. Pero insisto, serían cousas dunha democracia triste. Non creo que a nosa democracia deba ser triste, creo que a nosa democracia debe ser perfectible.

Democracia perfectible: Aquela que recoñece que a democracia que se mira ao espello e se ve perfecta é unha hipocrisía. A democracia que é autocrítica, que sabe que pode mellorar, que é xenerosa e escoita tampouco será perfecta pero será honesta.

Ningunha democracia pode considerarse plena ao igual que ningunha persoa pode considerarse perfecta. O que ideamos como perfecto como grupo cambia os seus estándares ao longo dos anos, é o paso do tempo o que afasta ese concepto de nós, do presente, para poñelo nun futuro máis próspero, mellor e máis feliz. Pásanos como individuos e pásanos como sociedade. O que era o modelo ideal de sociedade nos anos dez do século pasado ampliouse e elevouse a máis altas cotas de dignidade e utopía nos nosos días grazas ao traballo, pensamento e logros de xeracións de traballadoras e traballadores. É absurdo, entón, escoitar ás máis altas dignidades do Estado poñer na súa boca e fachendar dunha democracia plena que arribou ao Edén do paraíso político terreal, dende o presidente do Goberno -“somos a esquerda que cre que o paraíso está na terra”, estivo ben aí Iván Redondo- ata a ministra de Defensa. Mil palabras de declaracións e faladoiros non poden agochar a evidencia de que nos queda moito por avanzar, de que aquel que considere que a perfección está alcanzada está errado, xa que evidenciará que leva moito tempo na longa decadencia do que durme plácido nos loureiros da inopia.

Non podo concibir nos nosos días unha democracia triste que se di plena e normaliza as cargas, a violencia sistemática e o estado de excepción na rúa. Non podo concibir unha democracia triste que responsabiliza a unha mocidade indignada das consecuencias desa indignación. Cantas veces se repetirá nos medios de comunicación que a violencia non é o camiño? Iso xa o sabemos. Non precisamos máis altofalantes mediáticos que nos repitan dende o púlpito anoxado que o xentío alborotado con lapas na man e pedras tiradas aos escaparates son propostas de futuro. Claro que queimar unha papeleira ou saquear unha tenda non son propostas de futuro, non son un modelo a elixir, non son algo sobre o que construír dignidade, mais son un síntoma da falta dun proxecto público que vehicule de xeito pacífico e político o anterior. Non é o debate ese. Deberíamos falar do que hai detrás da pancarta, máis aló de Hasél. Falar da indignación, das sucesivas crises económicas que mallan nas mesmas persoas, da falta de decoro no cumio do Estado. Unha democracia triste é tamén aquela que teme a caída da xefatura do Estado por un inoportuno rótulo na televisión pública que noutros lugares sería considerado polos máis simpáticos como unha broma, polos máis serios como unha falta de seriedade no traballo xornalístico, mais non como unha afronta ao Estado ou un intento de manipulación. O medo dunha democracia triste amósase cando o león non só quere comer a mosca, senón que a mata a canonazos.

Deberíamos ser, entón, unha democracia perfectible. Mais vivimos na (re)evolución do desastre do 98. 1898. Un grande imperio con barcos afundidos. Un sistema con costuras dadas de si que presume de alta costura democrática. A indignación pola violencia non pode invisibilizar no debate público a necesidade de reforma e dignidade. Falamos da indignidade dunha papeleira queimada e dun escaparate roto e non falamos dos cristais rotos da nosa propia democracia. Ensinamos no debates pola televisión un mar de dous centímetros de profundidade. O venres 19 de febreiro o programa Al Rojo Vivo de La Sexta, tras levar varias horas cubrindo os disturbios en Madrid e, sobre todo, Barcelona, non abriu debate sobre o delito de inxurias á Coroa e sobre se ese delito era xusto ou non, non abriu debate sobre o estado de cousas, preferiu amosarnos a nós, o público, unha serie de declaracións polémicas -e moitas delas, execrables- do rapeiro sobre a súa percepción da convivencia, do estado e da xente que non pensa como el e de todo.

A inferencia, gran ferramenta de comunicación, dános a entender que Hasél ten máis méritos para entrar en prisión ca outro cidadán corrente polo feito de que as súas opinións poden ser execrables. Vaia, que se un vai provocando por aí dicindo barbaridades -aínda que esas barbaridades non estean penadas- ten que acabar si ou si na cadea. O significante Hasél xa vai asociado a “criminal”, se falas como Hasél es un criminal. Que inferencia tan terrible. Que ocorre, que aínda que Hasél non mereza estar na cadea por inxurias si o merece por bocazas? Os dereitos non son inherentes, entón, senón que se gañan a pulso dependendo do xuízo mediático? Non é así. Hasél ten tanto dereito a ver preservados os seus dereitos como o pode ter García Ferreras ou Margarita Robles. Os dereitos conquístanse día a día e asúmense polos Estados, non se debaten dependendo de quen sexa o cidadán ou se ponderan como máis ou menos punibles segundo o teu grao de deslinguado ou obsceno.

No mesmo programa a homologación entre os termos “antifascismo” e “violencia” foi patente. O centro do debate foi un chío do portavoz de Unidas Podemos no Congreso dos Deputados, Pablo Echenique.

Podemos debater sobre a oportunidade ou non do chío, sobre a necesidade dunha matización máis forte na mensaxe para non dar lugar a equívocos e distanciarse da violencia, mais non podemos construír como medios de comunicación unha relación de mesmo significado entre apoiar ao antifascismo e apoiar os disturbios. Os delincuentes que ocasionan queimas e danos son minoría, unha minoría enchida de ruído, pero minoría.

Unha democracia perfectible é unha democracia xenerosa. Unha democracia xenerosa nace do antifascismo, do traballo a favor da construción e a integración e non do sinalamento e a destrución intelectual e física do opoñente político ou do que se considere “estranxeiro” ou “inferior”. O antifascismo é a raíz das democracias europeas despois de 1945. O antifascismo non implica violencia, o antifascismo nace contra a violencia estrutural que o fascismo empregou no Estado. Mesturar ambas cousas coma un único significante (antifascismo=violencia) é un erro.

 

[Foto: mural en favor da liberdade de Pablo Hasél, feito por Cinta Vidal en Cardeceu (Vallès Oriental), o día antes do seu ingreso na cadea – fonte: http://www.mazarelos.gal]

Una analisi de la distància entre los neolocutors militants e los natius, e dels problèmas d’estandardizacion e d’ensenhament

Las politicas lingüisticas de l’estat francés an ben capitat a far venir gaireben inexistenta la transmission intergeneracionala de l’occitan e de las autras lengas territorialas franc del francés. Pasmens, aquela transmission se contunha de far per mejan de l’educacion, de l’ensenhament associatiu, d’iniciativas individualas de reapropriacion, e tanben per transmission familiala dins las familhas militantas.

Foguèt publicat en decembre passat lo libre Entre francizacion e demarcacion qu’analisa, en francés, las problematicas dels diches neolocutors en relacion sustot amb las questions d’ensenhament e d’estandardizacion tant del ponch de vista de la lingüística descriptiva coma de la sociolingüistica. L’òbra detalha lo pauc de contacte entre los locutors qu’an popat la lenga al brèç e los neolocutors militants, a causa de la situacion sociolingüistica del país, e lo sentiment de rompedura que pòt existir entre las doas comunautats.


BANEGAS SAORIN, Mercedes e SIBILLE, Jean. Entre francisation et démarcation. Usages hérités et usages renaissantistes des langues régionales de France. L’Harmattan, 2020. 234 paginas. 25 èuros.

 

[Imatge: Guilhèm Sevilha – poblejat dins http://www.jornalet.com]

Entre el 1° y el 10 de marzo se realizará el III Festival de cine Hecho por Mujeres. El encuentro tiene como objetivo contribuir a la reducción de las brechas de género en el cine peruano en particular y latinoamericano en general.

El sector audiovisual peruano, como el del toda la región, evidencia una situación de inequidad tal que los largometrajes dirigidos por mujeres cubren entre 5 y 8% de los estrenos nacionales. Por ese motivo, nació este espacio que crece año tras año con la exhibición de obras realizadas por jóvenes cineastas, encuentros formativos y debates acerca de la situación del sector audiovisual y cultural con un enfoque feminista y una visión descentralizada.

Este año el Festival de cine Hecho por Mujeres se llevará a cabo de forma online y se exhibirá medio centenar de películas peruanas y del resto de América Latina, a través de su plataforma digital. Habrá producciones de Perú, Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, Ecuador, México y Uruguay, que estarán disponibles desde el 1 de marzo. Cada película se podrá ver durante las 24 horas del día de su presentación. Las mismas estarán organizadas en tres categorías: Competencia Latinoamericana de Largometrajes, Competencia Latinoamericana de Cortometrajes y Competencia de Cortometrajes Universitarios. También habrá una sección dedicada al Videoarte peruano y un conjunto de obras llegadas de la mano del Bogotá Experimental Film Festival.

Largometrajes latinoamericanos

Serán nueve los largometrajes que participarán de la principal competencia del festival: Ermitaños, de Daniela Uribe (México); Apego de Patricia Velázquez (Costa Rica); Sotaque do olhar de Mykaela Plotkin (Brasil); Re(v)bela de Nicolé Hurtado Céspedes (Perú); La mala noche de Gabriela Calvache (Ecuador); La casa de Argüello de Valentina Llorens (Argentina); Malamadre de Amparo Aguilar (Uruguay, Argentina); Um día para Susana de  Giovanna Giovanini (Brasil); Con nombre de Flor de Carina Sama (Argentina).

Actividades especiales

El evento también contará con exhibiciones, seminarios, conversatorios y talleres con enfoque de género del que participarán artistas y gestoras de toda la región. El 2 de marzo comenzará el seminario de Curaduría y programación en festivales y muestras de cine feministas; al día siguiente será el inicio del Taller de crítica cinematográfica; el 5 de marzo será el turno del conversatorio Creaciones audiovisuales desde la intimidad. A estas actividades se suman el seminario Perspectiva de género en las industrias culturales y el taller Poesía audiovisual en tiempos de pandemia.

Programación completa

  • Proyecciones

  • Actividades especiales

 

[Fuente: http://www.nodal.am]

« É unha pena que teñamos que desfacernos destes cadros, pero é unha alegría colaborar a reparar o espolio nazi », dixo o vicepresidente da Deputación de Pontevedra, César Mosquera.

O Museo de Pontevedra expón ao público antes da súa devolución as obras procedentes do espolio nazi.. DEPUTACIÓN DE PONTEVEDRA

O Museo de Pontevedra expón ao público antes da súa devolución as obras procedentes do espolio nazi.

O Edificio Castelao do Museo de Pontevedra abriu este xoves ao público a instalación temporal cos cadros da ‘Dolorosa’ e o ‘Ecce Homo’ identificados como procedentes do espolio nazi e que proximamente serán restituídos aos seus lexítimos propietarios.

Durante unha visita a esta exposición, o vicepresidente da Deputación de Pontevedra, César Mosquera, animou a que as persoas « amantes da arte e curiosos da historia » aproveiten a oportunidade para contemplar as dúas creacións.

« É unha pena que teñamos que desfacernos destes cadros, pero é unha alegría colaborar a reparar o espolio nazi », dixo Mosquera en relación á súa devolución, á que o museo se comprometeu desde o inicio.

Nestes momentos, explicou, o museo espera a decisión do Ministerio de Cultura, que é quen ten as competencias sobre o futuro dos cadros, que nestes momentos están reclamados tanto polo Goberno polaco como pola familia propietaria do Castelo do que supostamente foron espoliados.

Estes momentos a Avogacía do Estado estuda a situación para emitir informe e, mentres non se efectivice a devolución e aclárese a quen se lle entregan, o díptico quedará no museo. « Nós somos terceiros de boa fe, con toda a disposición para colaborar, e non nos crea ningunha distorsión nin estamos a contragusto con que as obras estean aquí. Vaise sabendo máis delas e van estar ben acollidas e ben tratadas mentres dure o proceso », destacou Mosquera.

AUTORÍA

O director do museo, Xosé Manuel Rey, indicou que desde o punto de vista histórico artístico houbo novidades sobre as pezas. Inicialmente foran atribuídas a Dieric Bouts pero, por mor dun informe da directora do Instituto Moll Ana Diéguez por encargo do museo, hoxe sábese que non teñen esta atribución e que case con total seguridade pertenzan a algún membro do taller do seu fillo Albert Bouts. Isto dataríaas nun período máis tardío do século XVI, algo que encaixa tamén coa cronoloxía e o tipo de marco tan significativo con casetones e textos sostidos por anxos.

As dúas obras foron tamén analizadas no museo cun programa D-Strech utilizado normalmente para as pinturas rupestres que, modificando as gamas de cores, permitiu desvelar textos escritos nas traseiras dos marcos, onde se aprecian frases en latín e mesmo datos en relación coa súa orixe xermana.

A identificación da ‘Dolorosa’ e o ‘Ecce Homo’ como bens espoliados xurdiu durante o confinamento pola pandemia, cando Mariusz Wisniewski, do Departamento de Patrimonio Cultural do Ministerio de Cultura e Patrimonio Nacional de Polonia, contactou co Museo de Pontevedra para interesarse polo díptico.

Segundo a documentación que achegaba, as dúas pezas pertencían á Colección da Princesa Czartoryski en Goluchów que fora roubada polos alemáns durante a Segunda Guerra Mundial. Ambas as pinturas, tras saír de Varsovia en 1944, reapareceron no comercio de arte de Madrid en 1973 e previamente en Barcelona no 1971.

[Imaxe: DEPUTACIÓN DE PONTEVEDRA – fonte: http://www.galiciaconfidencial.com]

Arturo Ripstein retrata a sus ajadas criaturas y sus prácticas fornicadoras con la belleza del respeto y el fragor de la autenticidad

Silvia Pasquel y Alejandro Suárez, que encarnan al matrimonio protagonista de ‘El diablo entre las piernas’.

Escrito por JAVIER OCAÑA

La pasión del cuerpo que desemboca en la lujuria del alma ha sido uno de los grandes temas de la fascinante carrera de Arturo Ripstein. De la mano de su guionista de cabecera, Paz Alicia Garciadiego, el director mexicano se ha labrado durante décadas una obra anclada en el arrebato de los personajes y la calma de la cámara, borbotones de vida y delirio filmados con la pausa del arte y el impulso del dolor, que dieron como fruto películas tan excitantes y ásperas como El lugar sin límites (una de las pocas no escritas por Garciadiego), La mujer del puerto, La reina de la noche, Profundo carmesí, La virgen de la lujuria y El carnaval de Sodoma.

Quizá por cuestiones de producción y presupuesto, con el paso del tiempo sus trabajos se han ido haciendo cada vez más reducidos en cuanto a escenarios y personajes, entrando directamente en la categoría de obras de cámara, sin que por ello se rebajara la calidad de lo ofrecido. Y en esa línea se sitúa también El diablo entre las piernas, su último título, rodado en blanco y negro con apenas cuatro personajes y medio, que se adentra con atrevimiento casi juvenil y energía desoladora en territorios de oscuridad moral y temeridad física: el cuerpo que envejece y sus prácticas sexuales; la mente que se ensucia, sobre todo la del macho, y sus impulsos eróticos; el ritual del sexo y de la muerte; el fétido olor corporal, que a unos asquea y a otros agita; el retrato de las entrañas cuando se ha llegado a la vejez.

¿Es la perversión o simplemente la búsqueda, en ese tiempo en que casi todo se ha perdido? Ripstein retrata a sus ajadas criaturas y sus prácticas fornicadoras con la belleza del respeto y el fragor de la autenticidad; cuerpos desnudos de hombre y de mujer que encuentran la alegría de la entrepierna por el camino más tortuoso. Con sus habituales secuencias alargadas en el tiempo, sus leves y cadenciosos movimientos de cámara y la ayuda de los espejos de las habitaciones para ofrecer perspectivas cambiantes, mostrando a sus personajes el reflejo de su interior masacrado.

Silvia Pasquel, en un papel para el recuerdo, muestra coraje, seducción y amargura. Alejandro Suárez, rotunda perfidia. El melodrama clásico mexicano, de Luis Buñuel a Indio Fernández, sigue teniendo con Ripstein y Garciadiego quien le escriba. Como dice la mujer protagonista: “Sí, estoy vieja; vieja y caliente”.

[Fuente: http://www.elpais.com]

L’anterior consistori, amb majoria absoluta del PP, va espanyolitzar el topònim

El darrer ple de l’Ajuntament de Maó, celebrat avui, dijous 25 de febrer, ha endegat una iniciativa important pel que fa a la normalització de la llengua catalana a la capital de Menorca. Així, el consistori ha votat favorablement l’aprovació prèvia de la restitució del nom genuí i propi de la ciutat, Maó, com a única forma oficial, en lloc de la doble denominació Maó-Mahón fins ara vigent. El resultat de la votació ha comptat amb els suports de l’equip de govern del PSIB i AraMaó (12) i els vots en contra del PP i C’s a l’oposició (9). Aquesta decisió significa acabar definitivament l’anomalia existent des que el 2013, l’Ajuntament de Maó, governat per majoria absoluta del PP, establís el topònim en forma bilingüe, arran d’una modificació legislativa del govern autonòmic de José Ramón Bauzá, que permetia l’ús oficial de les formes castellanes dels topònims de les Illes Balears.

Des del primer moment, la Plataforma per la Llengua va rebutjar la castellanització del topònim i va denunciar que la intenció del PP era relegar el català a una llengua de segona i sense protecció legal. La forma única i indivisible que imposava per força el nom en castellà no tenia cap fonament històric i contradeia, de fet, els criteris de la UIB i de l’Institut Menorquí d’Estudis.

Després de les eleccions del 24 de maig de 2015, el Parlament de les Illes Balears modificà la Llei de normalització lingüística (versió actualment vigent) per tal de garantir que l’única forma oficial dels topònims de la Comunitat Autònoma de les Illes Balears sigui la pròpia i en llengua pròpia. Concretament, l’article 14 de l’esmentada llei determina que « els topònims de les Illes Balears tenen com a única forma oficial la catalana i que correspon al Govern de la comunitat autònoma o als consells insulars, d’acord amb l’assessorament de la Universitat de les Illes Balears, determinar els noms oficials dels municipis, territoris, nuclis de població, vies de comunicació interurbanes en general i topònims de la comunitat autònoma ».

Davant aquest canvi legislatiu, el consistori maonès va iniciar l’expedient per a restituir el topònim oficial a la forma única en català, a fi de donar compliment a la Llei de normalització lingüística. D’acord amb la Llei estatal de Règim local, però, la decisió del canvi de topònim calia que fos aprovada per la majoria absoluta del ple, un tràmit que durant la legislatura passada el consistori no va tirar endavant.

En aquest context, la Plataforma per la Llengua feia anys que mantenia contactes amb els representants públics de Maó, Menorca i el Govern de les Illes Balears, a fi d’expressar la inquietud i el malestar dels socis, voluntaris i ciutadans menorquins davant aquest fet, i esperonar el consistori maonès a fer efectiva la normalització del topònim.

Finalment, sembla que les gestions de l’ONG del català han obtingut els fruits desitjats. L’equip de govern, liderat pel batle Héctor Pons, i format pel pacte d’esquerres de PSIB i Ara Maó, ha pres la decisió de proposar al ple de l’ajuntament una moció per a la restitució del topònim Maó com a única forma oficial. La moció ha estat votada per majoria absoluta dels representants. A partir d’aquí, caldrà esperar la presa en consideració de possibles al·legacions durant els propers dies, fins que el canvi de topònim es dugui a aprovació definitiva en el ple del mes següent. En darrera instància, l’Ajuntament de Maó sol·licitarà formalment al Consell Insular de Menorca, que és qui legalment té la competència de determinar els noms dels municipis menorquins, que n’executi el canvi de forma definitiva.

La Plataforma per la Llengua celebra la decisió de l’Ajuntament de Maó de restituir el topònim genuí de la capital de Menorca i convida la resta d’administracions públiques de l’Estat a fer el mateix amb topònims encara no plenament normalitzats, com el de l’illa d’Eivissa, així com els usos toponímics dels aeroports de les Illes Balears, entre d’altres. Així mateix, la Plataforma per la Llengua espera que els tràmits encara pendents per a la normalització efectiva del topònim de Maó s’accelerin i que el Consell Insular de Menorca, del mateix color polític que la capital, pugui aprovar-ne el canvi definitiu com més aviat millor.

[Font: http://www.racocatala.cat]

Defender la libertad de expresión y agredir a un cámara es defender la libertad de agredir a un cámara

Una mujer protesta en Barcelona por la detención del rapero Pablo Hasél en Barcelona, el 16 de febrero.

Escrito por ÁLEX GRIJELMO

La polisemia de las palabras, su proximidad o su antinomia nos pueden servir para crear juegos y paradojas verbales como la vida misma.

♦ Qué tiempos estos, en los que dar positivo es negativo.

♦ Algunos cargos de la Iglesia católica que se han saltado la cola han metido a las vacunaciones en un obispero.

♦ En Australia han vencido al virus porque sus políticos están en las antípodas de los nuestros.

♦ La principal tentación para desescalar con rapidez es despeñarse.

♦ En este Gobierno, las leyes de igualdad producen diferencias.

♦ Sólo se considera barones de los partidos a los varones de los partidos.

♦ Presumir de un máster falso no es delito. Es delito falsificar un máster para que alguien presuma de un máster falso.

♦ El pasado del Partido Popular fue cosa del Partido Impopular. No hace falta cambiar el nombre actual, sino el de entonces.

♦ Si se extiende el ejemplo de vender la sede tras una derrota, el mercado inmobiliario se va a llenar de estadios.

♦ Desde que se fue Cristiano, el Real Madrid no está muy católico.

♦ Defender la libertad de expresión y agredir a un cámara es defender la libertad de agredir a un cámara.

♦ Los grupos antisistema actúan de manera sistemática.

♦ Entre partidos democráticos, los cordones sanitarios son insanos.

♦ Illa significa “isla” en catalán. Cuando el independentismo aísla al exministro de Sanidad, aïlla a Illa.

♦ La auto-determinación empieza por comprarse uno su propio coche.

♦ Menos mal que los temporales de nieve son temporales.

♦ Los bancos salen de nuestros barrios para meterse en nuestros móviles.

♦ Sembrar la alarma gratuita favorece instalar la alarma de pago.

♦ Los políticos consiguen a menudo que los periodistas comulguen con ruedas sin preguntas.

♦ La llamaron “covid” para evitar su vinculación con China, y ahora hay variante británica, variante sudafricana y variante brasileña. El objetivo inicial se sigue cumpliendo.

♦ En WhatsApp, la mayoría de las fotos de perfil están tomadas de frente.

♦ Los terraplanistas no terminan de ofrecer ningún argumento redondo.

♦ Ya se puede llamar a la anterior propiedad de los Franco “el pazo de Meirás y no volverás”.

♦ Los emigrantes españoles ruegan que su voto no sea un voto rogado.

♦ Hace falta cambiar el clima de la política para que no cambie el clima del planeta.

♦ El Supremo ha dictaminado que la pretensión de los toreros sobre la propiedad intelectual de sus faenas no tiene un pase.

♦ Las cosas se hacen bien, mal o irregular.

♦ En el diccionario de la política española actual, el verbo “pactar” significa “repartirse”.

♦ Parece que Maduro no se cae de sí mismo.

[Foto: NACHO DOCE / REUTERS – fuente: http://www.elpais.com]

La publicación, en San Francisco, de una plaquette que incluía Howl, de Allen Ginsberg (Newark, 1926- 1997), en 1956, dio a conocer al mundo occidental tanto al autor como al editor, Lawrence Ferlinghetti (Yonkers, 1919 – 2021), quien dos años después del escándalo causado por aquel, daría a la imprenta su libro más conocido: A Coney Island of the Mind (1958), que, traducido a varios idiomas, vendió más de un millón de copias. 

 

Escrito por Harold Alvarado Tenorio

Ginsberg y Ferlinghetti se habían conocido, durante los años cuarenta, en la Universidad de Columbia, donde hicieron una licenciatura el primero y una maestría en literatura el segundo. En San Francisco volvieron a encontrarse a comienzo de los cincuenta, cuando Ferlinghetti creó, con un estudiante amigo y 500 dólares, una librería y una casa editorial llamada City Lights, como el filme de Charles Chaplin, en North Beach, un barrio bohemio situado al noreste de la ciudad, cerca de Chinatown, una suerte de Little Italy sanfransiscana plagada de putas y putos.
He visto los mejores cerebros de mi generación
destruidos por la locura, famélicos, histéricos, desnudos,
arrastrándose por las calles en busca de un colérico picotazo,
cabezas de ángeles consumiéndose en la conexión
celestial con la estrellada maquinaria de la noche, que,
símbolo de la pobreza ceñida de harapos, drogados
y con vacías miradas, velan, fumando en la oscuridad
los pisos de agua helada sobre las crestas de la ciudad…
Así comienza el Aullido de Ginsberg que llevó a la cárcel a Ferlinghetti y Shig Murao, gerente de City Lights, acusados de publicar obscenidades y pagar por ello. Fue secuestrado por la policía por orden judicial porque Ginsberg no solo denunciaba “las destructivas fuerzas del capitalismo y el conformismo norteamericano”, sino que describía actos sexuales heteros y homos, en un momento cuando la sodomía era considerada un crimen en todos los estados de la unión. El poema describe sus fornicaciones con numerosos machos, incluido su amante de siempre, Peter Orlovsky. Tanto autor como editor argumentaron que el secuestro y la amenaza de condena era un atentado contra la Primera Enmienda, tesis aceptada por el juez de la causa, que consideró, el poema no era sicalíptico porque siendo arte era liberador, preguntándose: “¿Habría libertad de prensa o expresión si uno tuviera que reducir siempre su vocabulario a eufemismos insípidos e inocuos?”
A finales de los años cincuenta, nadie habría imaginado que el último y quinto hijo de un emigrante italiano que había levantado un pequeño negocio de venta de inmuebles en un pueblito a tres kilómetros de Manhattan, en una de las orillas del Hudson, habría de convertirse, en San Francisco, en el promotor de la generación de escritores más iconoclastas de los Estados Unidos: The Beat Generation, con escritores como Kerouac, Kenneth Rexroth, Ginsberg, Paul Bowles, Denise Levertov, Gary Snyder o Gregory Corso. 
Nativo de Brescia, el padre de Ferlinghetti murió de un ataque al corazón antes de su nacimiento. Su madre, una sefardita, enferma mental recluida en un hospicio, entregó sus hijos a una de sus hermanas, que se trasladó con el pequeño a Estrasburgo, donde Ferlinghetti aprendió francés como primera lengua. Al regresar a los Estados Unidos, fue recluido en un orfanato hasta que su tía encontró un empleo como institutriz de los hijos de una pareja de millonarios de Brownsville, en cuya biblioteca leyó en numerosos libros de autores clásicos, al tiempo que sus benefactores le pagaban con dólares de plata por recitar extensos trozos de poemas épicos. Arrestado por robar en una tienda, le enviaron a una severa escuela privada de Massachusetts, donde terminó el bachillerato, siendo admitido en la Universidad de Chapel Hill en Carolina del Norte para estudiar Periodismo. Trabajó entonces escribiendo sobre deportes en un periódico local y publicó sus primeras narraciones.
Durante la Segunda Guerra Mundial fue marinero de un submarino que cazaba naves alemanas en el Atlántico Norte. Su tesis de maestría en Columbia versó sobre John Ruskin, uno de los maestros de la prosa inglesa del XIX y su relación con el “pintor de la luz”, el paisajista considerado un “pintor de historia“, William Turner, uno de los artistas que sin duda más influyeron en el estilo poético de Ferlinghetti. De New York fue a Paris en un barco donde conoció a su primera esposa, una nieta de Edmund Kirby, que había participado en la guerra y expolio de México y el Ejército Confederado durante la Guerra Civil, donde fue promovido a general. En la Sorbona hizo un doctorado en Literatura Comparada con una disertación sobre la ciudad como símbolo de la poesía moderna.
Ferlinghetti nunca se consideró parte de la Beat Generation, aunque publicara a muchos de sus poetas y algunos de ellos le consideraran parte de la pandilla. Así lo dejó certificado en un documental sobre su persona, de 2013: “No me llamen poeta beat. Nunca fui uno de ellos”. “Quizás he sido el primero de los bohemios y el último de los beats”. Hacia años había declarado que lo único que en verdad le interesaba era abrir la librería y recorrer los paseos cercanos a El Embarcadero, donde los ancianos pasan las tardes esperando la muerte. En su poema de 1976 Los viejos italianos están muriendo retrata el paisaje y sus personajes:
Mira los que alimentan las palomas
cortando el pan duro con sus navajas,
y a los que tienen relojes de bolsillo,
los de manos nudosas y cejas salvajes,
que llevan pantalones holgados
con un cinturón y tirantes;
los bebedores de grappa
y sus inmensos dientes,
el piamontés, el genovés, el siciliano
que huele a ajo y pimientos;
aquellos que amaron a Mussolini,
viejos fachos,
aquellos que amaron a Garibaldi,
viejos anarquistas que todavía leen en
L´Umanita Nova,
y amaron a Sacco y Vanzetti,
todos se han ido.
Algunos ahora esperan su turno
y toman el sol frente a la iglesia
en cuyas puertas está inscrita
una frase sin terminar
de El Paradiso de Dante
sobre la gloria del Aquel
que todo mueve…
Un buen número de sus poemas iniciales imitaba el tono, pero no los asuntos de la poesía de T. S. Eliot. Todo lo que escribía entonces sonaba a él. Sus apegos por la pintura y la música también invadieron buena parte de sus textos, sobre todo el jazz y las acuarelas de Turner, tratando de capturar, con sus versos libres, la espontaneidad y la improvisación, descendiendo también hacia un populismo literario que le hacía comparar el oficio del poeta con el de un trapecista de circo y otras veces, en una suerte de Charlot, donde el poeta es mimo, un imitador, y el poema pantomima, una parodia.
Lo cierto es que la mayoría de sus poemas son más visuales que rítmicos, contando cortas historias, “retratos” coloridos que capturan la vida norteamericana de la clase media, como en aquel donde una pareja cruza un parque y él va del brazo de su esposa y el poeta apenas recuerda el color verde de sus tirantes y de ella, el racimo de uvas que lleva en las manos. Así también en otro dedicado a refrescarnos las imágenes que Goya imprimió en sus grabados o pesadillas sobre el hombre. Goya hace evidente el sufrimiento de la humanidad; Ferlinghetti, al recrear a Goya nos ofrece unos norteamericanos que hundidos en el materialismo del capitalismo en una inmensa autopista llena de avisos publicitarios reciben ilusorios mensajes de la felicidad en este mundo.
Cuando abandonó a Eliot, se acogió al estilo de su mentor, el médico casi dominicano William Carlos Williams, uno de los más feroces impulsores del habla coloquial en la poesía, a partir de sus habilidades auditivas para romper con la métrica que dominaba la lírica inglesa desde el Renacimiento. Alejado de los simbolismos y el arte metafórico, quería que las cosas fueran las cosas mismas, así como surgían cada día y cada noche en el habla cotidiana.  Ferlinghetti adoptó esos comportamientos, acercándose al “pueblo” y enfatizando que el arte debía ser asequible a todo el mundo, no solo a los ilustrados. Olvidando, Ferlinghetti, que cada estrato social tiene su propio arte, sus propias invenciones, sus propios niveles de gozo o padecimiento, que sobreviven o perecen de acuerdo con las necesidades de quien adquiere poder e impone sus gustos. Así lo dejó escrito en su poema noveno de Pictures of the Gone World, donde recita:
« La verdad
no es asunto de unos pocos.
Quizás creas que es cierto,
por la forma en que ciertos archiveros
y emisarios de la cultura
y regentes de museos
se comportan.”
Ferlinghetti invitaba a los creadores, como quería, en otros sentidos, Confucio, con los nombres, a rectificar el papel del arte y los artistas. Y como Mao, instaba a los poetas a participar en la vida política y cultural de sus países. “Salgan de sus encierros, abran sus puertas, la poesía debe llevar la gente a otros lugares, a sitios más altos.”, decía.
Viajero incansable y partidario de las rebeliones contra los establecimientos del capitalismo, Ferlinghetti estuvo en Chile, Cuba, Nicaragua, México y casi todos los países europeos y de la Cortina de Hierro, leyendo sus poemas. Siempre hablando duro a favor de la Revolución Cubana y Fidel Castro, las organizaciones de campesinos, la guerra del Vietnam y el viejo Ho, los sandinistas, los zapatistas y los palestinos. Creo que nunca oyó hablar de las FARC y su viejo líder Tirofijo. No aparecen por ninguna parte de su obra.
Como pintor hizo exhibiciones en numerosos sitios, y también recibió profusas condecoraciones y premios. Cuando cumplió 100 años, el alcalde de San Francisco proclamó el día de su nacimiento como el Lawrence Ferlinghetti Day. Ese mismo año, uno de sus seguidores colombianos, dijo que el día del nacimiento de otro poeta, que lo malquería, debía ser el Dia del HP. La peste de ahora le obligó a cerrar su librería, pero sus admiradores iniciaron una colecta que alcanzó casi el medio millón de dólares en cuatro días.
Murió de una enfermedad respiratoria en los intersticios costales, en su casa de San Francisco. Iba a cumplir 102 años.
EN LAS PINTURAS DE GOYA VEMOS
Cuando miramos en Goya
parece que viéramos a los hombres
en el mismo momento que reciben
el rótulo de humanidad sufriente.
La adversidad con furor les retuerce,
apiñados, gimen con niños y bayonetas
bajo cielos de cemento
en un paisaje de árboles volando,
estatuas retorcidas,
alas y picos de vampiros,
horcas corredizas,
cadáveres y gallos carniceros
y todos los vociferantes monstros
son tan reales
como si de verdad existieran.
.
Y existen.
Solo el paisaje ha cambiado.
.
Están alineados en las carreteras
plagadas de soldados,
falsos molinos de viento y gallos locos
Son la misma gente,
solo que alejadas de casa,
en las autopistas de cincuenta carriles
en un continente de cemento
con grandes avisos que anuncian
imbéciles ilusiones de felicidad.
.
El escenario tiene pocos carromatos
pero muchos seres mutilados
en autos pintados
que tienen extrañas matrículas
y motores
que se engullen a América.
―Lawrence Ferlinghetti
Versión de Harold Alvarado Tenorio
_____
*Harold Alvarado Tenorio. Poeta y editor de la revista de poesía Arquitrave. Este texto se reproduce con autorización del autor.
[Imagen: Ferlinghetti frente a su librería en San Francisco – fuente: http://www.revistacoronica.com]

Avec sa série Téhéran, Israël a pour la première fois ouvert une fenêtre sur la société iranienne. Mais, vue à travers le prisme d’une agente du Mossad, elle ne pouvait offrir qu’une image déformée. Plus grave, elle passe totalement à côté de la communauté juive iranienne et de sa longue histoire.

Écrit par LIOR B. STERNFELD 

La série télévisée à succès Téhéran du réalisateur de Fauda Moshe Zonder a brisé de nombreux tabous en Israël. C’est la première fois qu’une production israélienne grand public comprend autant de personnages parlant le persan, et la première fois qu’une intrigue se déroule au Proche-Orient, en dehors d’Israël ou des territoires occupés. Ainsi s’est ouverte une fenêtre sur un pays où les Israéliens ne peuvent pas voyager et dont la représentation est totalement négative : exagération de la menace, mise en scène de l’animosité entre Israël et l’Iran, caricature souvent raciste des juifs iraniens. Diffusée internationalement sur Apple TV+, cette série fissure un peu cette image démoniaque et élargit la gamme des représentations de ce pays.

On peut toutefois se demander si la meilleure façon de comprendre les Iraniens (ou les Arabes) est de passer par des séries du type Téhéran ou Fauda. Qu’est-ce que le téléspectateur apprend sur l’Iran en regardant une série dont le héros est un espion israélien envoyé à Téhéran, même si ce personnage lui permet de s’identifier ? Passer par le Mossad condamne à voir l’Iran à travers une grille de lecture sécuritaire.

D’énormes ressources ont été investies dans cette production : transformation des rues d’Athènes pour représenter Téhéran, acteurs ayant appris un excellent persan, costumes et décors réalistes. Si le spectacle n’aspire qu’à être un divertissement, il aura atteint son but. On aurait pu espérer que cette débauche de moyens aiderait le public à mieux appréhender la réalité iranienne. Mais c’est une occasion manquée. Imaginez qu’au lieu de planter le décor d’un conflit alimenté par la désinformation et la propagande, la série avait décidé de se concentrer sur le sort de la deuxième plus nombreuse communauté juive du Proche-Orient en dehors d’Israël, qui vit dans un pays constamment présenté comme l’ennemi juré d’Israël, une communauté qui, jusqu’en 1979, comptait entre 80 000 et 100 000 femmes et hommes, et qui a participé activement à la révolution de 1978-1979 !

UNE HISTOIRE VIEILLE DE 2 700 ANS

L’histoire juive iranienne est présente dans l’intrigue, mais de manière stéréotypée. Tamar, l’espionne du Mossad, est d’origine iranienne, ayant quitté très jeune ce pays pour Israël avec sa famille. Plusieurs scènes avec Mordechaï (le père de Tamar) et Yael (son officier traitant du Mossad) reflètent leur nostalgie ardente, comme celle de l’héroïne, pour l’Iran et leur ressentiment envers la République islamique liée au fait que la révolution a « volé » leur pays.

Le seul juif iranien montré dans la série est une juive. La tante de Tamar doit cacher son identité à son entourage, ce qui laisse croire qu’il est impossible d’être juif en Iran. Au grand désarroi de nombreux juifs iraniens, au moment où Tamar sort de nulle part et demande de l’aide à sa tante, celle-ci, dont le mari musulman occupe un poste élevé dans le système judiciaire, finit par accepter de l’aider. Une telle vision ne peut que renforcer l’accusation de « double loyauté » contre les juifs iraniens.

Le téléspectateur ne saura jamais que l’Iran et surtout Téhéran ont une communauté juive importante qui fait face à d’innombrables obstacles, mais qui est partie intégrante du pays et de la société. Téhéran passe à côté de leur situation et de leur histoire récente fascinante, qui permet également d’expliquer pourquoi elle reste si importante, même en 2020.

L’histoire de la communauté juive iranienne sur cette terre remonte à 2 700 ans. Au XXe siècle, elle a connu une transformation radicale de son statut juridique et social. La révolution constitutionnelle (1906-1911) a fait passer les juifs (comme tous les autres Iraniens) du statut de sujets impériaux à celui de citoyens, et comme les autres minorités religieuses (Arméniens, Assyriens et zoroastriens), ils ont obtenu une représentation permanente au Majlis (Parlement) nouvellement créé. Environ une décennie plus tard, le sionisme est apparu en Iran, et les juifs y ont répondu de manière contradictoire, de la préparation à l’émigration — très minoritaire — au rejet du sionisme perçu comme les détournant de leur lutte pour leurs droits en Iran, avec entre les deux, toute la palette des réactions possibles.

COMMUNISTES ET SYMPATHISANTS D’ISRAËL

Vingt ans plus tard, pendant la Seconde Guerre mondiale, de nouvelles libertés politiques ont été accordées dans l’Iran occupé par les armées britannique et soviétique. En réponse à l’antisémitisme et aux groupes soutenus par les nazis, les juifs iraniens ont trouvé un foyer politique dans le nouveau parti communiste, le parti Toudeh, créé en 1941. Un témoin m’a raconté1 qu’il a rejoint le parti au début des années 1940 à l’âge de 16 ans, non pas à cause du marxisme, dont il ne connaissait rien à l’époque, mais parce que l’antisémitisme en était absent, à une époque où il était prégnant dans la société, notamment du fait de la propagande nazie. Le parti défendait la justice sociale et l’antiracisme, plus que la lutte des classes ou le marxisme dogmatique. Et pour les juifs iraniens, il offrait quelque chose de plus que l’appartenance politique : il leur permettait de concilier des identités multiples, en tant qu’Iraniens communistes et sympathisants d’Israël, puisque la Toudeh travaillait avec les communistes israéliens (juifs et Arabes) et soutenait les relations entre les deux pays (l’URSS avait soutenu Israël, y compris militairement, lors de sa création).

Dans les années 1950 et 1960, les juifs iraniens ont connu une ascension sociale sans précédent. Néanmoins, beaucoup sont restés actifs dans les organisations de gauche, un phénomène que l’on retrouve dans les partis communistes d’autres pays de la région comme le Maroc, l’Égypte et l’Irak.

Les juifs sont devenus beaucoup plus visibles dans la sphère publique. La construction de la nation par le chah et ses projets d’unification de la nation ont eu des conséquences imprévues. Les juifs iraniens se sont sentis plus en sécurité dans la société. Dans les années 1960 à 1970, outre la mobilité sociale, ils ont surmonté les barrières sociales et juridiques qui empêchaient les générations précédentes de réaliser leur potentiel et d’exercer leurs droits. L’un des résultats a été la gratitude envers le chah pour avoir permis ce processus. Un autre résultat, plus inattendu, a été qu’ils ne se considéraient plus exclusivement comme une minorité religieuse. Ils ont vécu la vie quotidienne en Iran comme leurs compatriotes non juifs.

UNE DÉLÉGATION AUPRÈS DE KHOMEINY

Et en ce sens, l’engagement politique se dégageait de l’appartenance à une communauté, et se diversifiait comme dans le reste de la société. Le spectre allait des fidèles du chah aux dissidents radicaux, avec toutes les nuances intermédiaires, y compris une grande partie ayant des sympathies pour les deux parties. Dans les années 1970, lorsque les tensions politiques ont atteint un sommet, certains juifs ont continué à soutenir le chah, mais la jeune génération a ressenti le besoin de protester, en tant qu’Iraniens, contre la dictature brutale. Ils ont rejoint des organisations et des mouvements très divers, mais dont l’objectif politique ultime était de mettre fin au régime du chah.

Plusieurs épisodes témoignent de cet ancrage. Fin 1978, une petite délégation de la communauté juive s’est rendue à Paris auprès de l’ayatollah Ruhollah Khomeiny, le leader de la révolution. Cette rencontre visait à s’assurer que les juifs iraniens ne seraient pas considérés comme des ennemis de la révolution, mais plutôt comme ses partisans.

AUX CÔTÉS DE LA RÉVOLUTION

L’hôpital juif a contribué de manière active aux événements. Alors que les autres hôpitaux d’État de la capitale ont été contraints de dénoncer et de remettre les manifestants aux mains de la tristement célèbre police secrète, la Savak, l’hôpital juif a utilisé ses privilèges pour protéger les manifestants, et a même coordonné les opérations de sauvetage avec l’ayatollah Sayyid Mahmoud Taleghani, le représentant de Khomeiny en Iran. Pour les responsables, il s’agissait d’accomplir la mitzvah biblique « aime ton prochain comme toi-même ». Ils se sont inscrits dans l’histoire de la révolution, et ils en ont fait partie. Les juifs n’ont pas tous soutenu la révolution, mais ils se sont sentis obligés de faire quelque chose pour leurs compatriotes. Ils y ont participé non pas forcés, mais convaincus d’une mission d’une communauté juive établie et sûre d’elle-même.

À côté de l’hôpital juif, se trouvait une synagogue où un groupe de révolutionnaires — certains actifs dans les mouvements nationalistes et d’autres au sein du parti communiste — mobilisaient leurs compatriotes juifs pour manifester aux côtés des autres Iraniens. Il y a eu des conflits, bien sûr, dont l’un tient à la diversité des positions. Mais nous devons retenir que de nombreux juifs iraniens ont défilé dans les rues durant cette période, car ils se sentaient partie prenante de leur société et qu’ils ne pouvaient rester en marge d’un mouvement qui secouait le pays.

En témoignent les mémoires de Roya Hakakian2, poétesse et écrivaine américano-iranienne qui raconte l’histoire de sa famille juive iranienne de la classe moyenne urbaine à Téhéran. Dans l’une des scènes, elle décrit son enthousiasme, non pas pour Khomeiny ou la perspective d’une République islamique, mais pour ce mouvement révolutionnaire qui était sur le point de renverser un dictateur : « J’ai appartenu à la révolution. À la rage qui m’a saisie. Elle allait me guider comme personne d’autre ne le pouvait, me guider comme personne d’autre n’avait su le faire. Et pour être la fille de la révolution, j’étais prête à l’imiter de toutes les manières possibles. »

Comme c’est souvent le cas, la révolution a finalement dévoré ses propres enfants, aussi bien les non-juifs que les juifs dont le nombre a diminué de manière drastique dans les années qui ont suivi. Une vague d’émigration a amené des centaines de milliers d’Iraniens en Europe, aux États-Unis et au Canada principalement. La plupart d’entre eux appartenaient à la classe moyenne et à la classe moyenne supérieure des villes. Comme les juifs étaient surreprésentés parmi eux, cette vague a affecté la communauté juive plus que les autres.

Mais l’histoire juive en Iran ne s’est pas terminée en 1979. Une longue période de chaos utopique a suivi, durant laquelle les possibilités de changement semblaient multiples, celle où l’un des chefs de la communauté, Aziz Daneshrad Gabay était membre du comité constitutionnel post-révolutionnaire. On peut également rappeler la fin tragique de Habib Elghanian, un philanthrope et industriel juif, un autre dirigeant de la communauté qui a été exécuté dans un procès truqué en mai 1979. Il était accusé d’espionnage pour le compte d’Israël et de propagation de la corruption sur terre. Ou évoquer le sort d’Edna Sabet, une jeune femme juive membre de l’organisation clandestine Peykar, une scission de gauche des Moudjahidines3 entrée en conflit avec le régime ; elle sera exécutée en 1982. Il faudrait aussi, pour avoir une vision plus claire de cette période, évoquer le rôle d’Israël dans le renforcement du régime dictatorial du chah, dans la formation et l’armement de la Savak.

À l’issue de la première décennie post-révolutionnaire, la communauté juive comptait pourtant encore quelque 35 000 personnes qui sont restées sur place malgré la révolution, la guerre avec l’Irak (1980-1988), l’hostilité contre Israël, les éruptions antisémites occasionnelles (principalement attisées par les partisans de la ligne dure, en particulier durant la présidence de Mahmoud Ahmadinejad, qui s’est gagné une réputation mondiale en niant l’Holocauste).

Toute cette histoire est fascinante et dépasse l’imagination d’une série comme Téhéran. Elle est un appel à tous ceux intéressés à comprendre la révolution iranienne, au-delà d’une vision simpliste qui la réduit à la destruction d’un Iran libéral et à la contrainte pour les juifs soit de devenir sionistes soit de se convertir à l’islam (ou devenir des « cryptojuifs »). Une telle approche ajouterait des connaissances inestimables en Israël sur un ancien allié devenu un ennemi et que nous persistons à enfermer dans une boîte à énigmes au lieu d’apprendre à le connaître.

Lior B. Sternfeld est professeur associé d’histoire et d’études juives à Pennsylvania State University, auteur de Between Iran and Zion. Jewish Histories of Twentieth Century, Stanford University Press, 2019.

[Source : http://www.orientxxi.inf]

 

Le 6 mars 2021, le festival de traduction et de littérature aller↔retour sera retransmis en direct depuis l’espace culturel du Nouveau Monde à Fribourg. Les diffusions en continu et les ateliers sur Zoom permettront au public d’assister virtuellement à l’événement, consacré à la traduction comme activité à mi-chemin entre travail artisanal et production artistique.

Le programme propose d’aborder la traduction sous différents angles : comment rendre la tension d’un roman noir dans une autre langue ? Quelles sont les règles qui régissent la traduction pour la scène ? Comment met-on en images des textes littéraires ? Quels sont les avantages et les dangers de la traduction automatique ? Quels défis faut-il surmonter pour traduire l’intensité émotionnelle véhiculée par un texte ? Également au programme, une traduction en direct : l’interaction étant fructueuse, le public sera invité à participer activement à la performance et à faire des suggestions. Participation gratuite.

Pour se mettre dans l’ambiance, trois événements culturels organisés en amont du festival sont accessibles en rediffusion sur www.aller-retour.ch.

Les organisateurs d’aller↔retour sont la Fondation chPro Helvetia, le Collège de traducteurs Looren et le Centre de traduction littéraire de Lausanne.

 

 

 

[Source : http://www.ceatl.eu]

El cineasta mexicano estrena ‘El diablo entre las piernas’, otro descenso en blanco y negro a su universo de pasiones y sordidez. “El mundo es el enemigo”, dice encerrado en su casa por la pandemia

Arturo Ripstein, en 2016 en el festival de Locarno (Suiza). ALEXANDRA WEY (EFE)

Escrito por GREGORIO BELINCHÓN
El mexicano Arturo Ripstein (Ciudad de México, 77 años) nunca ha sido un cineasta fácil. Ni en pantalla ni fuera de ella. Son legendarios sus enfados con los jurados de certámenes cuando no recoge una recompensa a la altura de la esperada por él: como ejemplo, al de San Sebastián de 2011 (donde en ediciones precedentes ya había ganado dos Conchas de Oro, por Principio y fin y La perdición de los hombres) lo tildó de “subnormal”, y luego pidió perdón: “Para hablar de mí, el adjetivo irascible es el frecuente. Y es cierto. Soy pasional. En esa entrevista habló la ira. Esa furia agónica de la derrota”. De esa forma, él mismo definía su pasión por su trabajo, un motor que aún le mantiene en activo. Este próximo viernes estrena El diablo entre las piernas, premio a la mejor dirección del pasado festival de Málaga (donde también recibió un homenaje), un compendio de sus grandes temas: sexo, pasiones, sordidez, imagen en blanco y negro (”así dejas de lado lo circunstancial”, acota), vida… Las películas de Ripstein huelen, comentario que el cineasta, que lleva encerrado en su casa junto a su esposa, la guionista Paz Alicia Garciadiego, casi un año, agradece entre risas: “No hay un departamento del olor, pero sí necesito que se vea. Nunca trabajé con Buñuel, pero fui a un par de sus rodajes con mi padre, productor, y de su cine me fascinan sus películas más vivas, las que olían… como las mías, probablemente porque rodamos en la misma ciudad”.

Curiosamente, a pesar de llevar ese año de encierro por la pandemia, a pesar de no haber podido viajar ni a Málaga en agosto ni esta semana a España a apoyar su filme, Ripstein está de muy buen humor. Ríe. Bromea. “Me gusta hablar con el mundo exterior”, explica con su voz profunda. “En México, apenas ha comenzado la vacunación, sigo en casa”. ¿Se le está haciendo eterno? “Eterno es breve”. Y tras una pequeña risa, explicita: “Es distinto de la cárcel, porque allí te confinan, te dicen la condena y los días pasan. Aquí los días se estacionan, se quedan en nada. Todos los días son martes, porque el martes es la jornada más lamentable; no es ni el principio, ni el medio, ni el final”. Ese es el día en el que vive una pareja de la tercera edad en El diablo entre las piernas. Ella es víctima de insultos y humillaciones por parte de él, aunque en esas vejaciones se siente deseada. Él sale de casa a visitar otros mundos, y el terremoto llega cuando ella también busca sexo en la calle.

Pregunta. El cine actual empieza a vindicar que no hay edad para la pasión, y El diablo entre las piernas, como otros títulos suyos, ahonda en ello.

Respuesta. Esta noción de que los viejos se vuelven sedentarios y dulces solo ocurre en unos pocos casos. Las tensiones sexuales ocurren siempre, las pasiones juveniles también son seniles, e intensas, a pesar de la imposibilidad de demasiado movimiento. El sexo a muchos no nos libera, sino que nos esclaviza. Es formidable y terrible… porque sin misterio el sexo se vuelve gimnasia.

P. Curiosamente, Garciadiego escribió la historia hace tiempo, sin pensar en llevarla a la pantalla, luego apareció un productor, usted la rodó, y en la cinta se habla del encierro en casa.

R. Es transformarse en profeta, algo francamente incómodo. Mis pretensiones vitales siempre han sido minúsculas.

Patricia Reyes Spindola y Alejandro Suárez, en 'El diablo entre las piernas'.

Patricia Reyes Spindola y Alejandro Suárez, en ‘El diablo entre las piernas’.

P. ¿Es cierto que se enfadó cuando alguien de su familia le felicitó por “ser grande y haber encontrado su voz”?

R. Fue perturbador. Me lo dijo mi abuela. Uno siempre ha querido tener una voz cauta, confinada… y, de repente, te dicen eso. El mundo es ancho, amplio y por tanto ajeno. Feroz. El mundo es el enemigo. En realidad, encontrar la voz es algo metafórico. Afinas tu instrumento, logras que unas películas recuerden a otras tuyas… Pero eso es todo. El estilo, cuando uno trabaja con continuidad, ocurre. Pero no necesariamente es reivindicativo ni bueno. Oiga, pueden ser lamentables, algo muy común hoy en día. Hay una enorme diferencia entre hacer una película y dirigir una película. Esto último es de pocos y es un trabajo muy arduo. Ahora, ser director es encantador y divertidísimo. Es como la pintura: cualquiera hace un cuadro, pocos pintan. La cámara es el elemento fundente, a partir de su posición se mueve lo demás. El guion, los actores brillan o desaparecen dependiendo de cómo los aglutine la cámara. La cámara es el todo. En El diablo entre las piernas, la cámara, el punto de vista, lo da la criadita. Como Henry James en Lo que Maisie sabía. El cine es el reflejo de una cierta realidad estructurada. Pero de cierta, no de toda, yo no soy un antropólogo. Como un espejo en el cine: refleja el reflejo.

P. ¿Se siente cómodo en el México actual?

R. No, no, estamos con esta forma personal de gobernar que se preocupa de asuntos… En fin, no.

P. ¿Entendería hoy su vida cinematográfica sin Garciadiego?

R. Hay un bolero mexicano que dice: “Viví sin conocerte / puedo vivir sin ti”. ¡Bah!, no entiendo nada sin Paz. Y más con este guion, que escribió sin coches volando ni cuerpos atractivos, que redactó sin pensar en el cine e inmersa en esa cosa extraña llamada libertad, que yo creo que no existe de por sí. Ella me ha dado alas, yo las uso para volar hasta el límite de mis límites.

Silvia Pasquel y Alejandro Suárez, que encarnan al matrimonio protagonista de 'El diablo entre las piernas'.

Silvia Pasquel y Alejandro Suárez, que encarnan al matrimonio protagonista de ‘El diablo entre las piernas’.

P. ¿Eso no va a la contra del cine actual?

R. Claro, porque hoy triunfa la ausencia de lo ofensivo, un cine cómodo. Y lo instantáneo. Todo el público quiere una satisfacción rápida, y no hay nada menos placentero que lo instantáneo. Todo es rápido. ¡No hay filósofos rápidos!

P. ¿Usted vio venir este triunfo de lo políticamente correcto en el cine?

R. Y cada vez te invade más el miedo. Parecería que cometes felonías día a día.

P. En su filmografía no hay grandes redenciones, y a lo sumo, si alguien creyera en Dios, está claro que Dios murió.

R. A eso se me adelantó Nietzsche. Y, si Dios está vivo, pasa por momentos muy malos. Probablemente tenga un mal asintomático y nos lo transmite, porque estamos hechos a su imagen y semejanza.

[Fuente: http://www.elpais.com]